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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL

LUCIANE ALVES LAROCCA

UNIDADE DIDÁTICA SOBRE O NAZISMO

CURITIBA-PR,
2008
LUCIANE ALVES LAROCCA

UNIDADE DIDÁTICA SOBRE O NAZISMO

Material Didático-Pedagógico para intervenção na escola


em 2009, solicitado pelo Programa de Desenvolvimento
Educacional do Estado do Paraná sob orientação da
Professora Mestre Maria José Lourega Belli da
Universidade Federal do Paraná.

CURITIBA-PR,
2008
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SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO................................................................................................ 03
2 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 04
3 DESENVOLVIMENTO.......................................................................................... 05
3.1 Reflexão............................................................................................................ 06
3.2 Debate............................................................................................................... 08
3.3 Nazismo............................................................................................................. 09
3.4 Contextualizando............................................................................................. 10
4 CONCLUSÃO....................................................................................................... 17
5 REFERÊNCIAS..................................................................................................... 18
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1 APRESENTAÇÃO

As ditaduras fascistas constam dos conteúdos trabalhados no Ensino


Fundamental, mas especificamente, na oitava série e aprofundados no Ensino
Médio, de acordo com os Parâmetros das Diretrizes Curriculares para Educação
Básica do Estado do Paraná.
Fazem parte das temáticas de relações de poder que está interligada à
dimensão política, conseqüentemente à dimensão econômico-social e à dimensão
cultural. Pois como afirma Barros, ”uma dimensão implica um tipo de enfoque [...] ou
algo que se pretende ver em primeiro plano na observação de uma sociedade
historicamente localizada“ (2004, p. 20).
É importante ressaltar que tais dimensões visam à busca de grandes
sínteses. O aluno não pode ficar a mercê de compreender a História sob recortes
com sentido fechado em si, mas deve ser estimulado a compreender fenômenos de
amplo efeito sobre diferentes recortes sincrônicos, diacrônicos, permanências e
continuidades, a partir de movimentos de inter-relações, em que os conteúdos não
sejam tomados de forma isolada, pois: [...] apesar de falarmos freqüentemente em
uma “História Econômica”,em uma “História Política”, em uma “História Cultural”, e
assim por diante, a verdade é que não existem fatos que sejam exclusivamente
econômicos, políticos ou culturais. Todas as dimensões de realidade social
interagem, ou rigorosamente sequer existem como dimensões separadas. Mas o ser
humano, em sua ânsia de [...] compreender melhor o mundo, acaba sendo obrigado
a proceder a recortes e a operações simplificada, e é neste sentido que devem ser
considerados os compartimentos que foram criados pelos próprios historiadores para
enquadrar os seus vários tipos de estudos históricos (BARROS, 2004, p. 15).
Para a formação da cidadania dos aprendentes e instigação do seu senso
crítico é importante que haja um bom planejamento no intuito de tornar o assunto
mais significativo para eles.
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2 INTRODUÇÃO

As Ditaduras Fascistas aconteceram na Europa no início do séc. XX, em


meio a crises provocadas pela insegurança política e instabilidade econômica,
devido a uma série de acontecimentos ocorridos anteriormente.
As principais Ditaduras Fascistas foram: a Falangista, na Espanha, de
Francisco Franco; a Fascista, na Itália, de Benito Mussolini e a Nazista, na
Alemanha, de Adolf Hitler. Nesta última é que vamos nos ater, pelo fato de ter sido a
que causou maior impacto na sociedade européia e que deixou marcas profundas
em todas as pessoas que conviveram com ela ou que tomaram conhecimento da
sua existência. Com atrocidades que chocaram o mundo e que sempre vão chocar a
quem tomar conhecimento destas. Para que se entenda como o Nazismo se deu na
Alemanha, é preciso conhecer o contexto em que surgiu.
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3 DESENVOLVIMENTO

Para que compreendam como estes regimes de extrema direita surgiram


e se consolidaram na Europa, no início do sec.XX, é importante que alguns assuntos
já tenham sido trabalhados como pré-requisitos:
- Colonialismo do séc.XIX ou Neo Colonialismo;
- Primeira Guerra Mundial (causas e conseqüências);
- A Revolução Russa de 1917 e a Implantação do Socialismo;
- O Anarquismo;
- A Social-democracia;
- A Crise de 1929 e Grande Depressão de 1930;
- O pangermanismo;
- O pan-eslavismo.
Estes fatos aconteceram uns em conseqüência de outros, mas, ao ser
estudados de forma fragmentada não se pode compreender como se deram e nem
por que.
Primeiramente, vamos retomar esses conteúdos e fazer a recapitulação,
que pode ser realizada através de um Seminário e uma Oficina com confecção de
cartazes realizadas por grupos de alunos que ilustrarão estes conteúdos e
apresentarão para a turma com a devida explanação. Para isso, deverão pesquisar
o livro didático da oitava série e outras fontes que poderão enriquecer o trabalho.1

1
Esta estratégia de recapitulação servirá como parâmetro para compreender o contexto em que o
Nazismo se instalou na Alemanha.
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3.1 Reflexão

Você conhece este símbolo? Já o viu antes? Onde? Sabe do que se


trata? O que este símbolo representa?

Cruz suástica

Os símbolos sempre foram usados para sensibilizar as pessoas. Muitas


vezes como expressão de fé.
Este símbolo sempre teve o mesmo significado na história da
humanidade? Sempre foi representado desta forma?
Quais povos teriam usado este símbolo?
Quais povos ainda usam?

Pesquise: Sugestão de sites: pt.wikipédia.org/ wiki/ suástica

Adolf Hitler

Você já ouviu falar neste homem?


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Esta é uma das figuras mais conhecidas da história da humanidade. Com


muitos seguidores e admiradores. Como conseguira isso? O que teria feito para ser
tão admirado?
Pesquise: sugestão de sites:
http://e-biografias.net/biografias/pedro_bandeira.php
Além da sua origem, é importante conhecer a trajetória deste “ser
humano”, que jamais será esquecido e desmistificar sua figura.
Para compreender mais facilmente como o nazismo nasceu na Europa e
como se consolidou conceitue as seguintes palavras: -
-Capitalismo
- Socialismo
-Socialismo Utópico
-Socialismo Científico
-Socialismo Real
-Comunismo
-Anticomunismo
-Totalitarismo
-Liberalismo
-Antiliberalismo
-Marxismo
-Nacionalismo
-Xenofobia
-Racismo
-Nacionalismo Xenófobo
-Governo de Direita ou Esquerda
-Governo de Extrema Direita ou de Extrema Esquerda
-Social-democracia
Este trabalho poderá ser realizado em sala de aula, biblioteca ou mesmo
na Internet, consultando sinônimos e significados nos dicionários, enciclopédias ou
mesmo em livros didáticos de história ou geografia.
Agora que você já tem um bom embasamento sobre acontecimentos
anteriores à criação do Nazismo e já tem noção de conceitos que apareceram neste
estudo, vamos tentar compreender o contexto da Alemanha e a trajetória deste
Regime Totalitário.
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Esta frase famosa: “Nada acima do Estado, nada fora do Estado, nada
contra o Estado”, fora usada muitas vezes por líderes fascistas. O Fascismo
apareceu num período entre guerras para sustentar o capitalismo. Na Alemanha, o
nazi-fascismo se desenvolveu com uma forte atitude imperialista, como se observa
no texto a seguir:

A doutrina fascista recusa a concepção do Estado agnóstico, privado de


substância própria, com objetivos particulares e alheios à vida dos cidadãos.
Ao contrário do Estado democrático, o Estado fascista não pode permitir
que as forças sociais sejam abandonadas a si mesmas. O fascismo
compreendeu que as massas que, por tão prolongado tempo,
permaneceram estranhas e hostis ao Estado deviam se unidas e
enquadradas no Estado... É por essa razão que o Estado fascista é não
somente um Estado de autoridade, mas além disso, um Estado popular,
como nenhum outro jamais o foi. Não é um Estado democrático, no sentido
antigo dessa expressão, porque não dá soberania ao povo, mas é um
Estado eminentemente democrático, no sentido de que penetra a massa por
mil caminhos, guia-a espiritualmente, sente-lhe as necessidades, vive-lhe a
vida, coordena-lhe a atividade [...] Segundo a concepção totalitária do
fascismo, o Estado deve presidir e dirigir a atividade nacional em todos os
seus setores. Nenhuma organização, quer política, quer moral, quer
econômica, pode subsistir fora do Estado. (ROCCO apud MELLO &
COSTA, 1999, p. 314).

3.2 Debate

O texto acima foi escrito por um adepto do fascismo italiano em 1931 e


expressa a concepção fascista de Estado, que incorpora em si todas as instituições
e sufoca os indivíduos e as entidades sociais autônomas.
A palavra fascismo vem de fascio, que em italiano quer dizer
“feixe”,”união”. Era o antigo símbolo dos imperadores romanos. No fascismo aparece
um feixe de varas amarrado a um machado e que foi usado na Itália, por Mussolini.
Devido a sua origem, relembrando períodos áureos da nação italiana. Esta foi uma
das táticas usada por líderes fascistas no intuito de sensibilizar as pessoas, a
simbologia, os rituais, os slogans, enfim usavam de ações que tocariam
psicologicamente as pessoas. Num momento de desilusão, de desesperança.
Tanta na Itália quanto na Alemanha, fora usado a propaganda para fazer
o marketing do sistema adotado e com isso conquistar a confiança das pessoas.
“Creio em Deus, creio no gênio de Mussolini”.
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Crianças italianas tinham que copiar dezenas de vezes lemas fascistas


como: “Melhor viver um dia como leão que cem anos como cordeiro”.
Tinham que decorar uma oração mais ou menos assim:
“Creio em Deus, creio no gênio de Mussolini”.
“Uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade”. (Goebbels, o
mestre da propaganda política de Hitler ao manipular informações).
Agora analise e responda:
O que você entende por Estado? Conceitue: O quer dizer Estado
agnóstico? E Estado democrático? Quais eram as forças sociais que deveriam ser
enquadradas no Estado, segundo este discurso? Pesquise e exponha sua opinião
ao grupo:

3.3 Nazismo

Nos dias atuais quando se fala em Nazismo, as pessoas de meia idade se


lembram de Hitler, o seu precursor e sentem repúdio por sua figura. Já os jovens da
atualidade, assim como a juventude hitlerista, vêem no Führer um herói e a suástica
como símbolo poder. Mas quem ele era? A figura dócil, carismática e educada que
aparece no filme A Queda? Homem sensível que pintava quadros?
Certamente carisma e perspicácia não lhe faltavam. Era digno de uma
inteligência brilhante e criativa. Teve assessores leais a sua causa, inclusive um
marqueteiro de plantão e uma secretaria particular muito fiel e companheira.
Conseguiu conquistar a confiança das pessoas, principalmente dos jovens alemães.
Aproveitou-se da fragilidade do povo que liderava, num momento em que as
frustrações pelas perdas, não só materiais, mas também morais passaram a fazer
parte do seu cotidiano e apelou para o nacionalismo como tábua de salvação.
Prometendo reconstruir o que a guerra arrasou; recuperar territórios perdidos pelo
Tratado de Versalhes; fortalecer a economia que outrora fora pródiga; fortalecer o
Estado e não permitir o avanço do socialismo pelos comunistas.
Enfim, fazer da Alemanha, um país próspero como era antes da guerra.
Apelou para o discurso (era um excelente orador), de que a dignidade do povo
ariano tinha que ser restaurada. Enfim, suas táticas foram certeiras para alcançar
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seus objetivos.
Mas, como chegou ao poder?
Veremos mais a diante:

3.4 Contextualizando

Para entender como Nazismo nasceu na Alemanha é preciso conhecer o


contexto do país nesta época.
Participara da Primeira Guerra Mundial juntamente com a Áustria- Hungria
enfrentando a princípio a França, Grã- Bretanha e Rússia e mais tarde muitos outros
países tiveram que se posicionar a favor ou contra os grupos formados. Perdera a
Guerra que durou quatro anos e depois disso fora julgado e obrigado a cumprir as
regras de um Tratado realizado pelos países que se sentiram lesados por essa
guerra sangrenta e desgastante.
Além das perdas materiais e humanas que tivera, teria segundo este
tratado que diminuir seus exércitos, reduzir a marinha e aceitar a proibição do
funcionamento da aeronáutica e de fabricação de armamentos. Fora também
obrigada a devolver territórios anexados e a pagar indenizações altíssimas aos
países vencedores.
O cumprimento do Tratado enterrou a economia do país que já estava
abalada em conseqüência dos gastos com a guerra. Nas duas décadas seguintes a
Alemanha sofreu problemas financeiros e morais como desemprego, inflação e
desvalorização de sua moeda. Diante deste quadro surgiu um sentimento de
revanchismo por parte do povo alemão que se sentia humilhado com essa situação.
Um país que tivera sido outrora uma superpotência tinha agora que recuperar sua
economia e ainda assumir toda a culpa pela guerra. Motivos que causaram
desencanto político na população alemã e fez eclodir movimentos e a criação de
partidos extrema direita por parte principalmente de membros que faziam parte do
partido majoritário alemão (Liga de Spartacus). Estes se retiraram do governo e
fundaram o Partido Comunista.
As idéias bolcheviques passaram a ecoar fortemente no seio do
proletariado, sensível a teses revolucionárias...
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O que era a Liga de Spartacus? Por que tinha esse nome?


Quem eram estes líderes? O que aconteceu com eles?
Conseguiram alcançar seus ideais?
Pesquise e construa uma narrativa histórica com suas conclusões:
... A República criada no final da guerra, que era composta por um
parlamento, o Reichstag (Assembléia), composto por representantes dos Estados.
Suas principais tendências políticas eram: Partido Nacional, dos grandes
proprietários; Partido Democrata e Partido Populista, da grande burguesia
capitalista; Partido Centro Católico dos pequenos proprietários do sul e oeste e o
Partido Social-Democrata, dos operários marxistas e sindicalizados.
Assim, entre 1924 e 1929, a República Weimar que passara por
dificuldades no seu início com um país devastado, sem condições de exercer a
democracia plena por falta de bases sólidas, tem um período de desenvolvimento.
Mas, mesmo retomando o desenvolvimento político e industrial, o país
sofria com o elevado índice de desemprego e as altíssimas taxas inflacionárias, que
faziam multiplicar os protestos contra o governo e as greves dos trabalhadores.
Entusiasmados com o exemplo da Revolução Russa, importantes setores do
operariado alemão protestavam contra a exploração capitalista, em movimentos
organizados pelo Partido Social Democratas (SPD) e pelo Partido Comunista
Alemão (KPD).
Hitler filiou-se ao Partido dos Trabalhadores Alemães, fundado em janeiro
de 1919 e que no ano seguinte passaria a se chamar Partido Nacional Socialista dos
Trabalhadores Alemães. Pouco tempo depois, em julho de 1921, Hitler tornou-se
chefe absoluto desse partido. Com as letras iniciais do nome do partido foi formada a
sigla NAZI, de onde vem o nazismo.
Depois de conturbada atuação e aparente estabilidade, a República de
Weimar começa a sentir os efeitos da crise de 1929 e conseqüentemente da Grande
Depressão de 1930, que começara nos EUA e se estendera por todo o mundo
capitalista.
Com a crise mundial, aguçou as tendências comunistas e as
nacionalistas. Monarquistas conservadores e empresários se articulavam. Pensavam
usar Hitler em proveito próprio. Isto facilitou sua ascensão ao cargo de chanceler em
1933. Sendo que antes disso tentara um golpe de Estado que não deu certo e
cumprira oito meses de prisão por isso.
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Na cadeia escreveu Mein Kamppf (“Minha luta”), obra que se tronaria o


livro sagrado do nazismo, onde fora sistematizada a doutrina nazista.
Quando saiu da cadeia Hitler dedicou-se ao crescimento do Partido
Nazista.
O nazismo foi difundido por meio do talento oratório de Hitler, das
publicações do partido e do uso de meios espetaculares para influenciar a opinião
pública, como grandes desfiles militares e a adoção de um conjunto de ritos
pomposos que manifestaram noções de ordem, firmeza, disciplina e força.
Depois de assumir o cargo de chanceler, em 30 de janeiro de 1933, Hitler
empenhou-se em fortalecer o poder alcançado.
Os principais métodos utilizados pelo nazismo foram a violência brutal ou
opressiva contra opositores, bem como maciça propaganda junto às massas
populares.
Em 27 de fevereiro de 1933, grupos nazistas, a mando de Hitler,
incendiaram secretamente a sede do parlamento alemão. O incêndio, entretanto, foi
atribuído ao Partido Comunista. Era o pretexto de que Hitler precisava para decretar
a suspensão de toda a atividade política dos partidos marxistas e dos jornais
socialistas.
Em março, do mesmo ano, o Partido Nazista obteve nova vitória nas
eleições para o Reichstag e Hitler conseguiu que o presidente Hindenburg
decretasse a dissolução do partido alemão. Então, o poder Legislativo passou a ser
exercido pelo Executivo. Promulgaram-se leis reestruturando a administração
pública do Estado, com objetivo de excluir da administração todos os funcionários
que fossem adeptos do nazismo.
Com poderes de exceção, Hitler suprimiu todos os partidos políticos,
exceto o nazista; dissolveu os sindicatos; cassou o direito de greve; fechou os
jornais de oposição; estabeleceu a censura à imprensa; implantou, por intermédio
das AS, SS e Gestapo (polícia política), um terror policial; passou a perseguir os
judeus e outros grupos humanos considerados inferiores ou que se opunham ao
nazismo.
Com a morte do presidente Hindenburg, Hitler assumiu o título de Führer
(guia), acumulando as funções de chanceler e de presidente. Nessas condições
anunciou ao mundo a fundação do III Reich (Terceiro Império) alemão...
Pesquise: o que era a Gestapo, como funcionava, quem fazia parte, quais
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suas ações.
O que eram a SA e a SS, sucessivamente.
Por que III Reich, outros teriam existido antes?
Escreva quais impressões teve com esta pesquisa.
Sugestão de filme: Olga
...Então Hitler que se autodenominou o guia da nação alemã e massacrou
opositores, como tinha sistematizado no livro que escrevera na cadeia ”Minha Luta”.
Começou a perseguir os judeus, negros, eslavos, homossexuais e outros que
considerava como inferiores à raça ariana, da qual professava originar o povo
alemão que seria superior aos outros.
Quanto ao sistema educacional está escrito em Mein Kampf (Minha Luta):
“O povo alemão, hoje destruído, morrendo, entregue, sem defesa, aos pontapés do
resto do mundo, tem a absoluta necessidade de força que a confiança em si
proporciona. Todo o sistema educacional deve ter como objetivo dar às crianças de
nosso povo a certeza de que são superiores aos outros povos”.
Os professores nas escolas alemãs tinham que prestar juramento de
fidelidade ao Führer e difundir a doutrina nazista em suas aulas.
Além das escolas, havia as associações educativas, com o por exemplo,
a juventude hitlerista, que organizava entre outros jovens alemães, diversas
competições esportivas, reuniões políticas e exercícios de preparação para guerra.
Pesquise e discuta com seus colegas sobre a Juventude hitlerista. Como
agiam e por que:
“Toda a ação é designada em termos do fim que se pretende atingir”. Ou
seja: ”o fim justifica os meios”. Maquiavel
No livro O Príncipe, Maquiavel cita algumas frases como a que
apresentamos acima e afirma ser a história a mestra dos atos humanos,
especialmente dos governantes, e que o mundo sempre foi habitado por homens
com as mesmas paixões, sempre existindo governantes e governados, bons e maus
súditos. Aqueles que se rebelam devem, portanto ser punidos.
Para refletir:
Teria Hitler se inspirado em Maquiavel quando agiu com tal
comportamento?
Para ilustrar o conteúdo abordado, cita-se trecho do livro de iniciação à
Filosofia, Pensando Melhor:
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A morte do amor
Em 1933, Hitler estava com 43 anos e exercia um fascínio alucinado na
população alemã. O nazismo havia tirado das ruínas a economia do país e
ele se movimentava com desenvoltura no papel de salvador da pátria.
Despertava furor incontrolável entre as mulheres. Não era para menos: uma
economia forte e uma ideologia simplista devolviam aos alemães o prestígio
ufanista que a derrota na Primeira Guerra Mundial havia tirado.
Judeu, comunista e médico psiquiatra, Wilhelm Reich traduzia atentamente
as causas da ascensão nazista num livro que lançou poucos meses antes
daquela visita do chanceler Hitler. No Psicologia de massas do fascismo,
Reich ia ao centro da questão.
[Para ele], o respaldo de Hitler tinha suas raízes no apelo com que sua
ideologia manipulava o lado emocional e místico das massas, através de
uma eficiente propaganda de dogmas raciais. A teoria racial era chave para
a compreensão do sucesso nazista. Ela garantia a pureza do sangue
alemão. Aquele povo que se recuperou tão bem e tão rapidamente das
ruínas deveria ser especial. (LA BOÉTIE apud SÁTIKO & WUENSCH,1997,
p. 289)

Para o estudo do momento histórico em que Hitler colocou em prática sua


ideologia nazista, é preciso analisar o contexto que fez com que se chegasse ao
genocídio, como solução final.
Sempre que se consultar qualquer arquivo histórico sobre a origem do
nazismo, o principal argumento é que Adolf Hitler buscava incessantemente o
sucesso de seus três erres: reich (império); raun (território); e rasse (raça).
O primeiro se referia ao resgate do nacionalismo alemão abalado no final
da Primeira Grande Guerra. O segundo era a conquista de territórios tomados da
própria Alemanha em virtude da perda da guerra e o terceiro era a busca de uma
raça pura denominada por ele ariana, segundo a qual somente os alemães mais
fortes deveriam sobreviver.
O resultado de toda essa planificação foi uma atrocidade sem
precedentes em nossa história, com resultados aterrorizantes e assustadores. Como
o que foi chamado de “A solução final”.
Solução Final ou Solução Final da questão Judaica refere-se ao plano
nazista de genocídio sistemático contra a população judaica, durante a Segunda
Guerra Mundial.
O termo foi criado por Adolf Eichmann, oficial alemão capturado, julgado e
executado pelas autoridades israelenses em 1961-62.
A implementação da Solução Final é considerado um dos aspectos mais
hediondos do Holocausto, resultado do pensamento nazista de que os judeus eram
um problema na sociedade européia e por isso deveriam ser eliminados.
A palavra holocausto de origem grega, quer dizer queimado e tem origens
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remotas em sacrifícios e rituais religiosos da antigüidade, em que animais eram


oferecidos às divindades, sendo completamente queimados durante a noite para que
ninguém visse. Neste caso holocausto quer dizer cremação de corpos. Este tipo de
sacrifício também foi praticado por tribos judaicas, como evidencia no livro do Êxodo,
capítulo 18, versículo 12: Então, Jefro, sogro de Moisés, trouxe holocausto e
sacrifícios para Deus.
A partir do séc.XIX, a palavra holocausto passou a designar grandes
catástrofes e massacres, até que após a Segunda Guerra Mundial o termo
Holocausto (com inicial maiúscula) passou a ser utilizado especificamente para se
referir ao extermínio de milhões de judeus e outros grupos considerados indesejados
pelo regime nazista de Adolf Hitler.
A maior parte dos exterminados era judia, mas também havia militantes
comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes
mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa
e de outros países do Leste Europeu, além de ativistas políticos, testemunhas de
Jeová, alguns sacerdotes católicos e sindicalistas, pacientes psiquiátricos e
criminosos de delito comum.
Estima-se que o número de pessoas desaparecidas, mortas e
assassinadas durante o conflito soma cerca de seis milhões.
Tudo isso foi comprovado através de documentos apresentados durante o
julgamento de Nuremberg, onde os criminosos responsáveis por essa barbárie foram
julgados e condenados.
As teses racistas e anti-semitas de Adolf Hitler e seus objetivos para a
Alemanha ficaram patentes no livro que escrevera em 1924 ”Mein Kampf” (minha
luta), e também foram analisadas no mesmo tribunal.
Para pesquisar, refletir e debater:
Por que justamente estes grupos foram perseguidos?
O que faziam que incomodava o Führer? (chefe supremo, como Hitler se
autodenominava)
Será que o nazismo é um assunto do passado?
Você já ouviu falar em neonazistas? Pesquise e apresente para a turma
suas conclusões sobre esta pesquisa.
Sugestão de filme: A outra história americana.
Hitler, o precursor do nazismo também foi julgado no Tribunal de
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Nuremberg? Ele estava presente? Como acabou seus dias? Pesquise, responda e
justifique sua resposta:
Muitos foram os campos de Extermínio, descubra os nomes e localização
destes e como eram reconhecidos segundo a simbologia usada:
Quais eram as condições de vida nos campos de concentração? Faça
uma narrativa detalhada sobre o assunto após pesquisá-lo em livros didáticos ou na
Internet:
Sugestão de Romances, biografias e vídeos:
- FEST, Joachim. Hitler. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
Biografia de Hitler que fornece ampla visão do processo de ascensão do
nazismo, com ênfase especial no período que vai da sua fundação até o início da
Segunda Guerra Mundial.
- Adeus meninos (França/Alemanha, 1987, 103 min., Globo Vídeo. Dir:
Louis Malle.)
Baseado nas reminiscências de infância do diretor, o filme mostra o
cotidiano de um colégio interno na França ocupada por Hitler, em 1944. Os alunos
denunciados por serem judeus são levados do colégio pelos nazistas.
- Arquitetura e Destruição (Suécia, 1989, 121 min. Play Art Films. Dir.:
Peter Cohen.)
Documentário sobre a importância de um padrão estético na construção e
na manutenção da ideologia nazista de Hitler, na Alemanha da década de 1930.
- Uma cidade sem passado (Alemanha, 1989, 111 min., globo Vídeo. Dir.:
Michael Verhoeven.)
Uma garota descobre a colaboração dos moradores de sua cidade com o
nazismo. Ao fazer uma pesquisa escolar sobre o tema, ela esbarra na burocracia e
no cinismo das pessoas que desejam apagar o passado.
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4 CONCLUSÃO

Este trabalho: Unidade Didática sobre o Nazismo será com certeza de


grande valia no trabalho do professor de História, na oitava série do ensino
Fundamental. Por se tratar de um assunto tão sério que deve ser entendido e não
mais repetido é necessário que haja grande exploração do mesmo no sentido de
sensibilizar e conscientizar os jovens e evitar que sejam manipulados por grupos
neonazistas ou outros que ajam da mesma forma.
Juntamente com este assunto pode-se explorar as questões “raciais”,
sociais ou de gênero e as discriminações em contextos atuais.
Pode-se explorar a Declaração dos Direitos Humanos que foi criada com
a finalidade de que crimes hediondos não mais acontecessem. E o que é bom
lembrar: “Décadas antes de isso tudo acontecer”.
Enfim, este material didático traz reflexões importantes e instigadoras que
podem sensibilizar os educandos, tornando-os mais interessados nas questões
sociais e contribuindo para a cidadania dos mesmos. Tornando o trabalho com a
disciplina de História mais significativa para os mesmos.
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5 REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena pires. Temas de


Filosofia. São Paulo: Editora Moderna, 1998.

BARROS, José D’Assunção. O campo da história: especialidades e abordagens.


Petrópolis: Vozes, 2004.

HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos: o breve século XX. São Paulo:
Companhia das Letras, 2002

MELLO, Leonel Itaussu; COSTA, César Amad. História Moderna e


Contemporânea. São Paulo: Scipione, 1999.

SÁTIKO, Angélica; WUENSCH, Ana Miriam. Pensando melhor: Iniciação ao


filosofar. São Paulo: Saraiva, 1997.

SEED. Diretrizes Curriculares Para o Ensino de História na Educação Básica.


Governo do Estado do Paraná, 2007.