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PORTUGAL NOTÍCIAS 08 Julho / Agosto / Setembro 2010 Publicação Trimestral • Série V •

PORTUGAL

PORTUGAL NOTÍCIAS 08 Julho / Agosto / Setembro 2010 Publicação Trimestral • Série V • P.V.P

NOTÍCIAS

08

Julho / Agosto / Setembro 2010

Publicação Trimestral Série V P.V.P €1.75

DOSSIER

Objectivos de Desenvolvimento do Milénio Estará o prometido a ser cumprido?

SALIL SHETTY

Conheça o novo Secretário-Geral da Amnistia Internacional

ENTREVISTA

Thomas Hammarberg, Comissário Europeu para os Direitos Humanos

ÍNDICE

03.

EDITORIAL

04.

ENTREVISTA

Thomas Hammarberg, Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, traça o retrato europeu em matéria de direitos humanos

07.

RETRATO

Em Julho a Amnistia Internacional ganhou um novo líder. Conheça melhor Salil Shetty e os seus objectivos

09.

EM FOCO

10.

DOSSIER

Objectivos de Desenvolvimento do Milénio: Estará o prometido a ser cumprido? Quando faltam apenas cinco anos para terminar o prazo definido para cumprir os oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, é altura de os analisar a fundo, um por um

21.

EM ACÇÃO INTERNACIONAL

No Quénia, centenas de mulheres enfrentam diariamente várias ameaças simplesmente porque não têm acesso a saneamento básico. Conheça esta realidade e participe na petição mundial

23.

EM ACÇÃO NACIONAL

Saiba mais sobre o Grupo Local 19/ Sintra da Amnistia Internacional Portugal

25.

EM ACÇÃO JOVEM

Espreite o Encontro Europeu de Jovens da Amnistia Internacional, que Portugal acolheu este Verão

27.

PRESTAÇÃO DE CONTAS

29.

APELOS MUNDIAIS

O ucraniano Aleksandr Rafalsky, a família de Claudina Velásquez, da Guatemala, a iraniana Hengameh Shahidi e cinco prisioneiros da Guiné Equatorial precisam de si urgentemente. Conheça-os e envie os postais em seu nome!

32.

AGENDA

33.

CARTOON

34.

CRÓNICA

Inês Campos e Luís Mah, da Objectivo 2015-Campanha do Milénio das Nações Unidas, escrevem sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio

28.

BOAS NOTÍCIAS

Dois dos prisioneiros apresentados em edições anteriores do “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” foram libertados. Obrigado a todos os que participaram!

FICHA TÉCNICA

• Propriedade: Amnistia Internacional Portugal

• Director: Presidente da Direcção,

Lucília-José Justino

• Equipa Editorial e Redacção: Cátia

Silva, Irene Rodrigues, Pedro Krupenski

• Colaboram neste número: Cristina

Tomé, Departamento de Angariação de

Fundos e Financeiro, Fernando Sousa, Inês Campos, Inês Valério, Lucília-José Justino, Luís Mah, Márcia Bartolo, Paulo Fernandes, Sara Coutinho, Teresa Rita Lopes

• Revisão: Cátia Silva, Irene Rodrigues, Luísa Marques, Pedro Krupenski

• Concepção Gráfica e Paginação:

Complementar, Lda.

• Impressão: Relgráfica-Artes Gráficas

Fotografia de capa: Cédric Gerbehaye / Agence VU

Gráficas Fotografia de capa: Cédric Gerbehaye / Agence VU Avenida Infante Santo, 42 – 2.º 1350-179

Avenida Infante Santo, 42 – 2.º 1350-179 Lisboa Tel.: 213 861 652 Fax: 213 861 782 Email: boletim@amnistia-internacional.pt

Os artigos assinados são da exclusiva responsa- bilidade dos seus signatários.

Notícias Amnistia Internacional

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EDITORIAL

ODM, O diálogo possível?*

Por Lucília-José Justino, Presidente da Direcção

© Privado
© Privado

Todos acompanhámos, com inquietação, a violência desencadeada em Moçam- bique na sequência de uma subida ge- neralizada de bens essenciais (pão, ar- roz, transportes, energia, …). Parte da população mais pobre paralisou a cidade de Maputo, bloqueou as estradas e as- saltou estabelecimentos, tendo as auto- ridades reagido com excesso de violência, com consequências pesadas em mortes e centenas de feridos. O rescaldo obrigou as autoridades a congelar algumas des- sas medidas.

Não importa, aqui, aprofundar este caso.

O exemplo de Moçambique é apenas mais

um. Este “Notícias” dá outros exemplos (como no Quénia) em que o desrespeito, ou

a falta de cuidado com os direitos sociais das populações, tem implicações muito graves no funcionamento da economia, da política, das sociedades que escapam aos observadores menos atentos, ou aos arautos de políticas simplistas dese- nhadas à distância, a régua e esquadro. Neste mês de Setembro realiza-se mais uma reunião de acompanhamento, pro- gramação e avaliação de medidas dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas (ODM), que compro- metem 189 países signatários, ou seja, a

quase totalidade da comunidade política mundial.

Não nos vamos referir aos ODM, extensi- vamente tratados em Dossier e Crónica, mais adiante, mas há que enfatizar que os direitos humanos (pouco mencionados, mas elemento essencial e integrador) não podem ser vistos como um luxo, nem para os bem instalados, de países ricos (que, nesses mesmos países podem margina- lizar socialmente os mais pobres e mi- norias como os ciganos e os imigrantes), nem um álibi dos poderosos dos países pobres que, em nome da “sua” soberania, de tiranias instaladas, ou de obscuras tradições sociais, culturais ou religio- sas, consideram razoável a escravatura, excluem do seu usufruto a maioria das suas populações, permitem, justificam e desenvolvem a continuação da exclusão, da exploração de crianças ou a violência e discriminação contra as mulheres.

Os ODM não devem ser entendidos na perspectiva unilateral da caridade ou da doação aos países com menos recursos, mas antes numa perspectiva de parce- ria multilateral comprometida e activa, envolvendo outros actores para lá dos governos e, evidentemente, as próprias populações.

Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio representam, de alguma forma,

aspirações básicas de direitos humanos,

e como tal, não são luxos, nem podem

ficar pela retórica das boas intenções

– e, em muitos casos, esse risco existe.

A operacionalização desses objectivos

obriga a critérios de exigência, abertura e

transversalidade de políticas que muitos governos não se dispõem a aceitar de bom grado, porque, de certo modo, con- sideram “ingerências” ameaçadoras ao

seu poder a democracia, a transparência,

a responsabilização pública, o empodera-

mento das populações, o respeito pelas minorias, a inclusão social. Os “nossos” governos dominam melhor o discurso político dos grandes “valores”, de que se consideram guardiões, mas, infeliz- mente, a sua prática não os recomenda como exemplos.

A equidade e a dignidade humana con-

tinuam a ser das grandes bandeiras da Amnistia Internacional, na assunção e defesa das nossas responsabilidades colectivas, como activistas de direitos humanos. Encontrarão nesta revista o que pensa destas matérias um presti- giado ex-activista da nossa organização,

hoje com grandes responsabilidades a nível europeu: o Comissário para os Direi- tos Humanos do Conselho da Europa que

foi Secretário-Geral da Amnistia Interna-

cional, Thomas Hammarberg.

E temos também uma entrevista palpi-

tante ao recém-designado Secretário-

-Geral, Salil Shetty. É uma novidade.

Leiam-no!

leiam o resto, claro. Sem esquecer de dar sequência aos Apelos!

E

o resto, claro. Sem esquecer de dar sequência aos Apelos! E * Editorial escrito antes da

* Editorial escrito antes da reunião nas Nações Unidas a propósito dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

04

Notícias Amnistia Internacional

ENTREVISTA

Thomas Hammarberg, Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa

Em 1981 o então Secretário-Geral da Amnistia Internacional esteve em Portugal na oficialização da abertura da secção portuguesa. Thomas Hammarberg, hoje Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, regressou 30 anos depois para analisar a situação dos Direitos Humanos e ao “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” traçou um retrato da Europa

Por Cátia Silva

© Conselho da Europa
© Conselho da Europa

O Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa durante uma visita ao Kosovo.

Amnistia Internacional (AI): Não poderíamos começar esta entrevista de outra forma que não falando da Amnistia Internacional, uma vez que foi o segundo Secretário-Geral da orga- nização [de 1980 a 1986]. Como é que chegou ao cargo?

Thomas Hammarberg (TH): Foi um grande desafio. Tinha sido membro da Amnistia Internacional quase desde a sua fundação e era muito activo. Tinha também sido Presidente da secção sueca durante alguns anos. E tudo aconteceu numa altura em que a Amnistia estava a crescer: de ser uma organização base- ada praticamente na Grã-Bretanha, Ale- manha, Noruega e Suécia, deu o passo para começar a ser pan-europeia e de- pois internacional. Desse ponto de vista foi interessante. E tínhamos ainda o de- safio de formular um mandato que fosse entendido pelas pessoas e distinto das outras organizações.

AI: Que idade tinha na altura?

TH: 34 anos.

AI: Já sabia que queria trabalhar na de- fesa dos Direitos Humanos?

TH: Era jornalista e trabalhava para uma televisão sueca. Gostava muito de jorna- lismo, por isso não foi uma escolha fá- cil.

AI: Mas decidiu mudar para entrar numa organização que estava num momento impar de afirmação. Concorda?

TH: É sempre difícil comparar os dife- rentes períodos. Na altura éramos mais pequenos do que hoje, mas éramos a maior organização internacional de Di- reitos Humanos.

AI: Foi um tempo difícil ou de euforia?

TH: Foi um tempo fascinante. Nos anos 70 as ditaduras na Europa estavam a cair e a democracia a começar a desenvolver-se.

A Amnistia teve um papel importante. Eu próprio fui à Grécia durante o período da junta militar e fui preso quando estava a recolher material para a Amnistia.

AI: Era, portanto, mais difícil ser defen- sor dos Direitos Humanos, pelo menos na Europa?

TH: Não era totalmente reconhecido o que fazíamos. Levou algum tempo até que as pessoas compreendessem que tínhamos alguma legitimidade. E para isso foi muito importante a Amnistia Interna- cional ganhar o Prémio Nobel da Paz em 1977. Foi o reconhecimento oficial de que éramos algo mais do que um grupo de estudantes idealistas.

AI: Em todo o mundo foi também nessa altura que os Direitos Huma- nos começaram a ganhar alguma im- portância

TH: Sim, muito. Felizmente penso que a democratização da Europa desempenhou um importante papel nesse sentido. Ao mesmo tempo houve os movimentos dis- sidentes na Europa de Leste, onde a Am- nistia teve um papel importante. E houve ainda uma mudança de ressalvar no que diz respeito à tortura, que com a chegada da democracia foi declarada ilegal em qualquer situação e sobre qualquer pes- soa. Isto foi definido muito claramente e não só na Europa, mas em termos das Nações Unidas. A Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes, por exemplo, é de 1987.

AI: Hoje está no Conselho da Europa, onde, à semelhança da Amnistia, foi substituir o primeiro Comissário para

Notícias Amnistia Internacional

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os Direitos Humanos, um cargo criado em 1999

TH: Sim, sou sempre o número 2. [risos]

“Estamos particularmente preocupa- dos, no geral, com a falta de respeito pelas pessoas que são diferentes”

AI: O que queria perguntar é se sente que está na mesma fase que a Amnistia Internacional estava na altura, ou seja, que é um cargo em afirmação. Porque é menos conhecido pelos cidadãos do que o Alto-comissário das Nações Uni- das para os Direitos Humanos

TH: O Conselho da Europa, de forma geral, ainda tem um problema de visi- bilidade. Melhorou, mas ainda existe. Em parte porque surge na sombra da União Europeia e das Nações Unidas.

AI: Para quem não sabe, como define o papel do Conselho da Europa e qual a diferença para a União Europeia?

TH: Em primeiro lugar, o Conselho da Europa é mais amplo, é de toda a Eu- ropa, inclui o Cáucaso, a Moldávia e a Turquia, ao mesmo tempo que países como a Suíça. É a organização verdadei- ramente europeia, o que é importante, porque muitos dos problemas de Direitos Humanos estão também nesses outros países. Em segundo lugar, o Conselho da Europa é a organização mais autoritária no que diz respeito aos Direitos Huma- nos, com o Tribunal [Europeu dos Direitos Humanos] – que é uma figura única no mundo, ao qual 800 milhões de pessoas (a população de toda a Europa) podem apelar individualmente se sentirem que não tiveram justiça em casa [nos seus países] – e com o Comissário.

AI: Pelo que li, o seu papel é o de moni- torizar os 47 Estados-membros do Con- selho da Europa e fazer recomenda- ções. Podemos resumir assim?

TH: É isso. Tentamos acompanhar o que está a acontecer e reagimos quando sentimos que os Tratados de Direitos Hu- manos não estão a ser respeitados pelos governos. E viajamos muitíssimo, porque queremos ser nós próprios a ver as situ- ações. Uma característica que nos deu credibilidade. Os governos sabem que não nos podem enganar. Nós sabemos dos factos e isso faz com que seja muito mais construtivo falar com os governos.

AI: Pelo que sei também já visitou os 47 Estados-membros. No que diz res- peito a problemas relacionados com os Direitos Humanos, podemos dizer que existe uma só Europa?

TH: Há diferenças entre os países, mas há uma particularidade que é comum entre todos: a forma como lidamos com os migrantes hoje, que é um problema em toda a Europa, e como lidamos com os ciganos, que é um problema em todos os Estados onde eles estão, ou seja, na maioria dos países europeus.

AI: Também parece ser comum o pro- blema dos Direitos das mulheres, será assim?

TH: Sim. Nenhum país é perfeito mas al- guns vão no caminho certo, como Espa- nha e os países Escandinavos. Porém, em toda a Europa há uma diferenciação nos pagamentos, com as mulheres a ganha- rem menos que os homens pelo mesmo trabalho. É inaceitável. E há ainda a vio- lência sobre as mulheres.

AI: Destacaria algum país pela nega- tiva?

TH: Há problemas em todos os países e fazer um ranking seria mais destrutivo do que produtivo. Há diferenças, sim, e alguns estão mais avançados que outros, porque têm uma tradição mais longa de democracia, porque têm uma situa- ção económica mais favorável, etc. Mas concentramo-nos em situações concre- tas e não em dar pontuações aos países, porque não ajuda e porque nenhum de- veria estar satisfeito.

AI: Dos problemas que mencionou, destacaria algum como sendo o mais alarmante nos dias de hoje na Europa?

TH: Estamos particularmente preocupa- dos com a xenofobia, o racismo, a isla- mofobia e, no geral, a falta de respeito pelas pessoas que são diferentes. Esta- mos provavelmente a regredir neste mo- mento a este nível. E as vítimas são os migrantes e as minorias étnicas, como os ciganos. Penso que os europeus de- viam ter vergonha desta situação.

AI: Mas esses sentimentos estão nos cidadãos ou são fomentados pelos go- vernos?

TH: Ambos, mas aponto o dedo sobretudo aos governos, porque deveriam assumir um papel de liderança e tentar educar as

pessoas e demonstrar que há determina- dos valores que têm de ser respeitados, incluindo o de que cada Ser Humano tem

o mesmo valor que os outros. Os políti-

cos hoje nem sempre defendem estes princípios pré-estabelecidos, que vêm

dos Tratados, e, pelo contrário, tendem

a ser oportunistas e, ou introduzem eles

próprios propostas que vão contra estes princípios, ou não lutam contra os pre- conceitos. Precisamos de líderes políti- cos e eles não existem.

© Conselho da Europa
© Conselho da Europa

AI: Esteve em Portugal, em Novembro, a reunir com Organizações Não Governa- mentais, como a Amnistia Internacio- nal, e com o governo. O que tem a dizer sobre a situação dos Direitos Humanos em Portugal?

TH: Fiquei contente porque houve aber- tura para discutir e também para se ser autocrítico, o que é crucial. É claro que fiz algumas propostas, principalmente em termos de adesão aos padrões inter- nacionais. Por exemplo, esperamos que Portugal venha a ratificar o Protocolo 12 [da Convenção Europeia dos Direitos do Homem], que está ligado à discrimina- ção, pois isso significa que o Tribunal, em Estrasburgo, poderá receber queixas so- bre discriminação em Portugal. Também levantei questões sobre o comportamento policial, uma vez que recebemos relatos sobre o uso excessivo da força. Este é, claro, um problema em muitos países, mas é preciso dar directrizes muito rígi- das às forças policiais sobre este assun- to, educá-las e monitorizá-las, e fazer uma análise independente em cada caso de violência ou de mau comportamento policial que é denunciado.

06

Notícias Amnistia Internacional

“Nos últimos anos, com a chamada Guerra ao Terrorismo, vimos proble- mas antigos voltarem”

AI: Tinha vindo a Portugal em 1981, na abertura da secção portuguesa da Amnistia Internacional. Consegue com- parar com o que encontrou agora?

TH: Houve progressos. Foi um período

interessante na altura porque foi muito pouco depois da queda da ditadura e muitas pessoas estavam entusiasmadas com a democratização e com a protecção dos Direitos Humanos. Havia discussões acesas e um forte interesse. Agora com

a melhoria da situação, os Direitos Hu-

manos parece que não são um tema tão fascinante para as pessoas, mas espero que o espírito de reforma se mantenha.

AI: No seu trabalho, muito do que faz é lobby junto dos governos e essa é tam- bém uma das formas de actuação da Amnistia Internacional. Muitas pessoas não acreditam nesta forma de acção e que o lobby possa forçar os governos a fazerem o que não querem. Que diria a essas pessoas?

TH: Que funciona, principalmente porque os Direitos Humanos são vistos como tendo uma dimensão de modelo. Ao violarem-se Direitos Humanos, está a fazer-se algo que é moralmente errado. Assim, investigamos e procuramos apre- sentar factos bem fundamentados. E a força moral do argumento é muito forte

e os governos, pelo menos nas demo-

cracias estabelecidas, têm de ouvir. E fazem-no. Por vezes devagar, mas tem havido progressos.

AI: Até aqui tem apontado várias me- lhorias mas, com a crise económica e com a ameaça do terrorismo, será que não estamos antes a regredir? Os Di- reitos Humanos parecem estar a sair das agendas políticas

TH: Espero que não, mas francamente nos últimos anos, com a chamada Guerra ao Terrorismo, vimos problemas antigos vol- tarem. O facto de a tortura ter sido prati- cada de forma sistemática pelos Estados Unidos da América é algo sobre o qual temos de reflectir. Os países europeus ainda não se tornaram suficientemente fortes na contestação a esta actuação dos Estados Unidos e nas Nações Unidas não houve quase nada a ser discutido

sobre estas violações massivas dos Direitos Humanos pela Administração Bush. De facto, governos europeus cooperaram até com o sistema das detenções secretas e das rendições. Foi um retrocesso muito sério.

Outro é o que está a acontecer agora no que diz respeito aos Direitos sociais primários. Vemos como os Estados es- tão a tentar lidar com a crise económica cortando certos orçamentos que estavam destinados a proteger Direitos Huma- nos, como o Direito à Educação. E não é correcto que as pessoas mais pobres tenham de pagar pelo comportamento imprudente de banqueiros e escritórios

Governo sueco e agora negoceia com as várias partes numa organização governamental, tendo já estado tam- bém nas Nações Unidas. Há um papel para cada um destes actores nas Rela- ções Internacionais?

TH: Definitivamente. As organizações governamentais, como o Conselho da Eu- ropa e as Nações Unidas, dependem dos governos mas também das organizações não governamentais. Sem a Amnistia In- ternacional e outras, as discussões sobre Direitos Humanos nas Nações Unidas e no Conselho da Europa seriam muito mais fracas, porque faltaria alguma parte da realidade.

© Amnistia Internacional Portugal
© Amnistia Internacional Portugal

Thomas Hammarberg com Pedro Krupenski, Director-Executivo da secção portuguesa da Amnistia Internacional, durante a visita a Portugal, em Novembro.

financeiros de todo o mundo. Este é outro desafio aos Direitos Humanos hoje em dia.

AI: Perante este cenário, o que pers- pectiva para o futuro? Os Direitos Hu- manos vão continuar a falar mais alto?

TH: A minha noção é que estamos na direcção correcta, a longo prazo, porque os Direitos Humanos são valores es- senciais. Mas há altos e baixos e neste momento estamos num desses períodos severamente baixos. Mas eu espero que não seja para ficar e os Direitos Humanos exigem luta. Não se adquirem, é preciso lutar por eles e conquistá-los.

“Os Estados estão a tentar lidar com a crise económica cortando orça- mentos que estavam destinados a proteger Direitos Humanos”

AI: Mas cada um destes actores parece defender princípios diferentes. Há forma de entendimento possível entre todos?

TH: É mais fácil alcançar acordos so- bre alguns princípios. Por exemplo, na Europa todos acordaram não aplicar a pena de morte. Mas sobre outros assun- tos alguma das partes terá de ser mais insistente de forma a levar as outras a concordarem, como no caso da discrimi- nação, onde existem vários preconceitos.

AI: Apesar disso mantém-se optimista?

TH: Sim, a longo prazo, mas também es- tou consciente que é uma luta longa e dura.

mas também es- tou consciente que é uma luta longa e dura. AI: Olhando para o

AI: Olhando para o seu currículo, já desempenhou quase todos os papéis:

foi jornalista, fez parte de organizações não governamentais, esteve ligado ao

Notícias Amnistia Internacional

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RETRATO

SALIL SHETTY, Secretário-Geral da Amnistia Internacional O novo líder do movimento

O actual Secretário-Geral da Amnistia Internacional assumiu funções há menos de três meses, mas o primeiro contacto com o movimento deu-se quando era ainda adolescente. Um percurso que explicou ao “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” numa entrevista exclusiva via telefone

Por Cátia Silva

© Matt Writtle
© Matt Writtle

Em Julho o mundo recebia a notícia que o

indiano Salil Shetty, de 49 anos, assumia o cargo de Secretário-Geral 1 da Amnistia Internacional. Para além do seu ano de nascimento coincidir com o do surgi- mento do movimento, os mais críticos defenderam não haver nenhuma liga-

ção entre o percurso profissional de Salil Shetty e o trabalho de Direitos Humanos

da organização. Isto porque tinha estado

a liderar projectos relacionados com

a pobreza, ou seja, com os chamados Direitos Económicos, Sociais e Culturais, enquanto a Amnistia está (ainda) muito associada aos Direitos Civis e Políticos. Categorias que, para o Secretário-Geral, não fazem sentido. “A Amnistia Interna- cional decidiu trabalhar em todo o con- junto de direitos, há nove anos 2 , e mesmo antes disso já era muito claro que tra- balhávamos sobre a Declaração Univer- sal dos Direitos Humanos e estes, como toda a gente sabe, são indivisíveis”.

Para quem continua a duvidar, Salil Shetty garante: “a razão por que as pes- soas impotentes sofrem de pobreza e privação é a mesma pela qual não têm voz”. Para além disso, descansem os

mais críticos porque o percurso de Salil começou precisamente nos rotulados Direitos Civis e Políticos, quando a Ín- dia vivia o Estado de Emergência de 1975-77. Na altura, as liberdades de ex- pressão e reunião foram reprimidas e as detenções arbitrárias eram comuns. Uma vaga a que Salil Shetty não escapou, com felicidade, graceja: “devo esclarecer que na Índia é uma grande honra ser preso e um activista que não o seja é uma ver- gonha”. Na altura tinha 14 anos e recor- da agora que já participava em reuniões da Amnistia Internacional em Bangalore, cidade do sudeste indiano onde nasceu. “Tinha-me esquecido completamente disto e só no outro dia me lembrei”.

O LEGADO DOS PAIS

Algumas pessoas podem dizer que nas- ceram em berço de ouro. Salil Shetty poderia afirmar que nasceu em berço de activismo. A mãe, advogada, era uma acérrima defensora dos Direitos das Mulheres, enquanto o pai, jornalista, era activo no movimento em favor da casta considerada inferior pelos indianos, os Dalit. O trabalho de defesa das mino- rias nacionais era feito a partir da casa dos pais de Salil, que o próprio classi- fica como sendo “a sede do movimento”. Na altura o jovem ajudava no que fosse preciso, da revisão do jornal editado pelo pai ao envio de apelos e petições. Um trabalho que transformava a casa, garante, num autêntico caos. Talvez por isso Salil hesite quando perguntamos se sentia orgulho neste seu legado: “eram sentimentos mistos, porque havia uma forte ameaça e o meu pai foi preso várias vezes”. Além disso, resume, como nunca tinha visto outra realidade “pensava que o mundo fosse assim mesmo”.

Para contrabalançar, ao escolher o curso universitário Salil Shetty optou por Con- tabilidade Avançada e Contabilidade de Custos, na Universidade de Bangalore. Prosseguiu depois para o MBA (Master in Business Administration) no Indian Institute of Management. Hoje reconhece a importância dos ensinamentos: “um dos grandes problemas em muitas or- ganizações não governamentais é terem uma fraca gestão. Somos movidos pela paixão, pela motivação e pelo activismo mas é muito importante sermos respon- sáveis pelos nossos recursos e pela sua optimização”. Salil Shetty adquiriu esta mais-valia, mas não entrou logo no chamado terceiro sector, tendo optado por começar a carreira profissional numa empresa privada. “Não queria arrepen- der-me mais tarde de não ter tentado e foi bom para perceber que não era real- mente o que queria fazer”.

Hoje não considera ter perdido tempo, porque trabalhou na área do marketing:

“se não formos capazes de expressar as nossas ideias de forma clara, não somos capazes de persuadir as pessoas”. Acres- centa, porém, que três anos bastaram e que, num dia preciso que recordará para sempre, decidiu mudar de vida. “O meu escritório, em Bombaim, era num óptimo lugar, com grandes torres. Das janelas podia ver, de um lado, o luxuoso hotel Oberoi, com as pessoas ricas, a piscina e tudo mais. Do outro lado via a construção do World Trade Centre indiano, um edifí-

cio muito alto. Eram as mulheres que car- regavam para o topo o cimento e a pedra necessários à construção. Levavam, ao mesmo tempo, os bebés amarrados nas costas. O contraste entre os dois lados

foi incrível

Eu sabia de tudo isto mas

08

Notícias Amnistia Internacional

houve um momento em que olhei para uma janela e depois para a outra e disse:

sei em que janela quero estar”.

COMBATER A POBREZA

Aos 24 anos Salil Shetty candidatou-se a várias organizações não governamentais

e optou pela ActionAid, mesmo sabendo

pouco sobre o seu trabalho, confessa. Sabe hoje que visa erradicar a pobreza e que aposta na acção junto das comuni- dades, com equipas que procuram solu- cionar problemas de base como a educa- ção, o SIDA e a fome. Um programa que Salil Shetty ficou a coordenar em Banga- lore, sua cidade natal, durante dez anos, tendo apenas interrompido para, em 1990, realizar na London School of Eco- nomics um Mestrado em Política Social, Planeamento e Participação nos Países em Desenvolvimento. “Sentia necessi- dade de saber mais sobre esta área”, recorda. A isto seguiu-se a concretização de um sonho, quando se mudou com a mulher e os filhos para o Quénia. “Sem- pre quis trabalhar e viver em África”, diz. Pôde fazê-lo durante três anos enquanto Director da ActionAid para o país afri- cano.

Foi por tudo isto, esclarece, que ficou

a trabalhar no combate à pobreza: “ao

viver no Sul da Ásia e de África, os dois

locais onde estão as pessoas mais po- bres do mundo, não há outra hipótese”. Uma experiência que, aos 37 anos, per- mitiu que assumisse o cargo de Direc- tor Executivo da ActionAid e, cinco anos mais tarde, em 2003, que chegasse às Nações Unidas como Director da Cam- panha do Milénio. “Foi novamente uma grande mudança”, recorda. Mas era esse

o seu desejo: “queria trabalhar na parte

governamental, porque é muito diferente de operar em organizações não governa- mentais e porque nos faz olhar para as coisas de um outro ângulo”. Encontrou

o cargo perfeito: “estava dentro mas

não totalmente. Era como se fosse uma pequena organização no seio das Nações Unidas, que tinha os benefícios de fazer parte da organização mas também a flexibilidade de uma campanha”.

O seu trabalho, resume, “era sobretudo o

de organizar movimentos globais de ci- dadãos”. Os mais atentos recordaram o “Stand Up Against Poverty” ou “Levanta- te contra a Pobreza”, que no ano pas-

sado mobilizou 173 milhões de pessoas de todo o mundo. Muitos perguntar-se-ão para que serviu, mas Salil Shetty acredi- ta no poder da pressão dos cidadãos, até porque, diz, “do ponto de vista legal não podemos fazer muito” quando os Objec- tivos de Desenvolvimento do Milénio [ver Dossier] não são legalmente vin- culativos. Apostou, por isso, na pressão individual sobre cada país e em alguns conseguiram-se sucessos estrondosos.

países do [hemisfério] Norte”. Caracte- rísticas que não lhe interessavam.

Mesmo assim, os recrutadores da Amnis- tia Internacional insistiram: “é precisa- mente isso que queremos mudar”, ga- rantiram, mostrando o Plano Estratégico Integrado 3 até 2016, com a forte aposta no trabalho nos países do hemisfério Sul. Para além disso, Salil Shetty conheceu a história da Amnistia e reconhece o mérito

conheceu a história da Amnistia e reconhece o mérito © Amnistia Internacional Salil Shetty e funcionários

© Amnistia Internacional Salil Shetty e funcionários da Amnistia Internacional num pequeno-almoço de boas-vindas ao novo Secretário-Geral, na sede, em Londres.

Para Salil Shetty, até 2015 é possível que globalmente se atinja a maioria dos oito Objectivos, mas “o problema nem está em alcançá-los, mas ao olharmos para eles de forma desagregada. Há muita desigualdade entre os países. O cenário conjunto é até encorajador, mas desa- gregado não é bom”.

AMNISTIA

INTERNACIONAL:

UM

NOVO

DESAFIO

Ao fim de sete anos de Campanha do Milénio, Salil Shetty tinha alcançado uma importante meta: 2010, que para alguns dos Objectivos de Desenvolvi- mento do Milénio é um momento decisivo de balanço. A isto aliou-se uma proposta aliciante e Salil Shetty não hesitou. “Se tivesse ficado teria de ir até 2015 e nor- malmente não fico tanto tempo no mesmo local. É preciso uma nova liderança, nova energia e novas ideias. Um líder não deve ficar preso à sua cadeira”, defende. Por isso mesmo, quando os caça-talentos lhe falaram da Amnistia Internacional, Salil ficou disponível para conversar, apesar de, confessa, “ser critico em relação às pessoas ligadas aos Direitos Humanos:

falam sempre muito e actuam pouco e, para além disso, a Amnistia foi sempre uma organização muito voltada para os

dos sucessos alcançados através do que chamava “conversa”: “a não ser que se mudem os sistemas, os processos e os factores estruturais subjacentes, po- demos dar ajuda, mas não é suficiente”. Por último, o agora Secretário-Geral da Amnistia Internacional destaca o que considera mais importante: “há muitas organizações no mundo, mas há pou- cos movimentos feitos de pessoas como a Amnistia. O que a torna única são os 2,8 milhões de pessoas que a apoiam. Eles são a sua maior vantagem”. É com eles que nos próximos anos Salil Shetty vai lutar contra as violações aos Direitos Humanos!

Shetty vai lutar contra as violações aos Direitos Humanos! 1. O Secretário-Geral é quem lidera o

1. O Secretário-Geral é quem lidera o trabalho de

Direitos Humanos da organização, sendo, acima de tudo, o consultor político do movimento, o seu estratega, o seu porta-voz e ainda o seu Director Executivo. O trabalho desenvolve-se a partir da sede, em Londres, mas implica inúmeras viagens pelo mundo inteiro.

2. Em 2001, quando a Amnistia Internacional celebrou 40 anos alterou o seu Estatuto para in- cluir, para além dos Direitos Civis e Políticos, os Económicos, Sociais e Culturais.

3. O Plano Estratégico Integrado é o projecto comum

criado pelo e para o movimento. Traçado de seis em seis anos, indica as directrizes estratégicas para a acção da Amnistia Internacional.

Notícias Amnistia Internacional

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EM FOCO

Nos últimos meses três países destacaram-se pelas piores razões: Portugal, por ainda não ter ratificado um importante documento internacional, França, pela expulsão dos ciganos, e o Irão, pelo uso da pena capital

PORTUGAL

MAIS fORÇA PARA OS DIREITOS ECONóMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS

© iStockphoto.com/arturbo
© iStockphoto.com/arturbo

A 24 de Setembro assinala-se o primeiro aniversário da abertura à assinatura, ratificação

e adesão do denominado Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos

Económicos, Sociais e Culturais. O documento continua a necessitar de ratificações para entrar em vigor e Portugal é um dos Estados em falta. Refira-se que o Protocolo é vital para os cidadãos de todo o mundo, que através dele poderão exigir individualmente e a nível internacional, nas Nações Unidas, que sejam cumpridos os mencionados direitos – nos

quais se incluem, entre outros, o direito à saúde, à educação, à segurança social, ao tra- balho e a um nível de vida adequado –, sempre que o seu país de origem não os conseguir assegurar.

Para que esta possibilidade se torne realidade é apenas preciso que oito Estados ratifiquem

o Protocolo Facultativo, uma vez que dois, Equador e Mongólia, já tomaram a dianteira.

Portugal perdeu a oportunidade de fazer história, se tivesse sido o primeiro a ratificá-lo,

até porque a 24 de Setembro de 2009 foi pioneiro a assiná-lo e dado que o texto do Proto- colo foi proposto por um grupo de trabalho presidido por uma jurista portuguesa, Catarina Albuquerque. O Bloco de Esquerda lembrou em Março a necessidade de ratificação e no passado mês de Julho a Assembleia da República remeteu para o Governo uma recomendação de ratificação do Protocolo.

Por tudo isto, a Amnistia Internacional Portugal lança agora uma petição dirigida ao Ministro dos Negócios Estrangeiros português, pedin- do que finalmente ratifique o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais. Ao fazê-lo estará a adoptá-lo no ordenamento jurídico nacional e assim a permitir aos portugueses exigirem junto das Nações Unidas os seus Direitos Económicos, Sociais e Culturais, sempre que estes não sejam assegurados pelo Governo.

Participe enviando o postal que encontra no interior desta revista. Este Protocolo é também para si!

FRANÇA

A ExPULSÃO DE CIGANOS E VIAJANTES

Em Agosto e Setembro, a França foi um dos países em destaque pela política que

adoptou, a 28 de Julho numa reunião de Ministros, de repatriar ciganos e viajantes. Uma medida que não é novidade, uma vez que desde o início do ano já regressaram aos seus países de origem 8.000 pessoas,

a maioria romenos e búlgaros. Num só

mês, em Agosto, foram expulsos de França cerca de 800 ciganos. Um repatriamento criticado pelo Parlamento Europeu, que a 9

de Setembro aprovou uma resolução, com 337 votos a favor e 245 contra, que exige às autoridades francesas a suspensão das expulsões.

Para a Amnistia Internacional é igual- mente grave a justificação apresentada por França, que sugere a ligação entre ciganos e criminalidade. Para a Amnistia

Internacional as autoridades francesas de- veriam estar a trabalhar para combater a discriminação ao invés de incentivarem o preconceito.

© Amnistia Internacional
© Amnistia Internacional

IRÃO

PENA DE MORTE VOLTOU A CHOCAR O MUNDO

Continua a merecer atenção a situação de milhares de iranianos, especialmente

desde as eleições presidenciais de 2009, quando foram relatados casos de homicí- dios, detenções, torturas, discriminação e abusos à liberdade de expressão. Nos últimos meses, o Irão voltou a ser notícia pelo uso da pena de morte como medida de punição com o caso de Sakineh Moham- madi Ashtiani, uma iraniana condenada à morte por apedrejamento acusada de adul- tério. O caso desta mãe de duas crianças tem chocado o mundo, pela desumanidade da pena e pelo facto de ter sido já julgada várias vezes com provas pouco fiáveis. A pressão internacional fez já com que a sua execução fosse suspensa, mas os activis- tas da Amnistia Internacional continuam a enviar apelos em seu nome. Participe tam- bém! Saiba mais em www.amnistia-inter- nacional.pt (Aprender/ Revista da Amnistia Internacional).

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DOSSIER

OBJECTIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÉNIO: Estará o prometido a ser cumprido?

Quando as Nações Unidas se dedicam a analisar e debater os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e numa altura em que faltam cinco anos para terminar o prazo estabelecido para o seu cumprimento, o “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” examina, uma a uma, as promessas feitas no ano 2000

Poema Crónica Teresa Rita Lopes Acontecido ao ler o pungente artigo do médico Pedro Afonso,
Poema Crónica
Teresa Rita Lopes
Acontecido ao ler o pungente artigo do médico Pedro Afonso, no
“Público” de 21.6.2010.
Isto não veio nos jornais:
A mão estende-se não para pedir
ou dar esmola
mas para exibir um papel já muito segurado
da Segurança Social.
A mão é tosca
apalpada por uma vida
de trabalho.
A mão está desempregada.
O seu corpo também.
Erra de cadeira em cadeira
de banco de jardim em banco
de jardim.
É uma mão desempregada
nomeada estatiticamente
entre um milhão de mãos desempregadas.
É uma mão
envergonhada do seu ócio.
Algumas passam uma corda
à volta do pescoço.
Outras batem nos mais fracos.
Outras roubam ou empunham facas.
Há mãos que
enlouquecem e apertam gatilhos.
Outras desistem sobre
as pernas sentadas
inertes como aves mortas.
Que tremenda revoada se todas essas asas levantassem voo!
E aí sim, viriam com certeza nos jornais.
© Cédric Gerbehaye / Agence VU

Entre 6 e 8 de Setembro do ano 2000, tinha o mundo entrado há poucos meses num novo Milénio, 189 Chefes de Es- tado e de Governo reuniram-se na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para juntos darem aquele que seria um grande passo para a Humanidade. Na Declaração do Milénio, que todos as- sinaram, assumiram o compromisso:

“reconhecemos que, para além das responsabilidades que todos temos

perante as nossas sociedades, temos a responsabilidade colectiva de respeitar

e defender os princípios da dignidade humana, da igualdade e da equidade,

a

nível mundial. Como dirigentes, temos

(

)

um dever para com todos os habi-

tantes do planeta, em especial para com os mais desfavorecidos e, em particular, as crianças do mundo, a quem pertence o futuro”.

Pela primeira vez os Estados de todo

o mundo comprometiam-se, assim,

a cooperar para pôr fim a alguns dos maiores flagelos globais, estabelecendo como meta o ano de 2015. O compro- misso assumido, e os oito Objectivos

de Desenvolvimento do Milénio (ODM)

que dele resultaram, voltaram agora às páginas dos jornais quando o Secretário- -Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, convocou os líderes mundiais para a Cimeira do Milénio. “Não podemos desi- ludir os milhares de milhões de pessoas que esperam que a comunidade inter- nacional cumpra a promessa da Decla- ração do Milénio por um mundo melhor. Reunamo-nos em Setembro [de 20 a 22] para cumprir essa promessa”, apelou o representante das Nações Unidas.

Nesta altura crucial para a Humanidade, o “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” dedica as próximas páginas ao estado dos oito ODM e das 21 Metas em

que estes se subdividem, tendo por base

o “Relatório dos Objectivos de Desenvol-

vimento do Milénio 2010”, lançado a 23 de Junho pelas Nações Unidas. Pobreza, fome, educação, igualdade de género, mortalidade infantil, saúde materna, doenças graves, sustentabilidade ambi- ental e cooperação são as áreas em aná- lise. A forma como evoluíram é percebida tendo por base as estatísticas publica- das no ano de 1990, em comparação com

as recolhidas nos dias de hoje. A análise centra-se nas 10 regiões do mundo onde

a situação é mais grave* e os mapas

que se seguem pretendem demonstrar

os locais onde é expectável que as Metas

e os Objectivos sejam alcançados. Isto

quando Ban Ki-moon garante: “o nosso mundo possui os conhecimentos e os re- cursos necessários para implementar os ODM”. Dez anos passados sobre a sua criação, é tempo de perceber se o pro- metido estará a ser cumprido!

* América Latina e Caribe; Norte de África; África Subsariana; Ásia Ocidental; Sul da Ásia; Ásia Oriental; Sudeste Asiático; Oceânia; Países da Commonwealth na Europa e Países da Commonwealth na Ásia. Informação sobre os países incluídos em cada zona em http://unstats.un.org/unsd/mdg/Resources/Static/Data/MDGRegionCodes_200611.xls

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OBJECTIVO 1: ERRADICAR A POBREZA ExTREMA E A fOME

Meta 1: Reduzir para metade a proporção de população cujo rendimento é inferior a 1,25 dólares por dia

cujo rendimento é inferior a 1,25 dólares por dia Os números indicam a percentagem de pessoas

Os números indicam a percentagem de pessoas que viviam com menos de 1,25 dólares por dia (menos de um euro), nos anos de 1990 e em 2005 (últimos dados disponíveis).

O Relatório das Nações Unidas de 2010

acredita que esta primeira Meta dos ODM pode ser alcançada, uma vez que no mundo em desenvolvimento a percenta-

gem de pessoas a viverem com menos de 1,25 dólares norte-americanos por dia

ou menos de um euro – limiar da pobreza

definido pelo Banco Mundial, cujo valor foi redefinido em 2005 – caiu de 46%, em 1990, para os 27%, em 2005 (últi- mos dados disponíveis). Faltavam, as- sim, apenas 4% para o objectivo ser al- cançado. Contudo, é preciso ter em conta que em 2008 eclodiu uma crise económi- ca e financeira mundial que o Relatório reconhece ter “provocado uma queda abrupta das exportações e reduzido o comércio e o investimento, abrandando assim o crescimento nos países em de- senvolvimento”. Apesar disso, as Nações Unidas mantêm o optimismo quanto ao cumprimento da Meta.

A região do mundo onde a situação

é mais grave é a África Subsariana,

que em 2005 continuava a ter 51% da população a viver abaixo do limiar da

pobreza (apenas menos 7% do que em 1990), logo seguida do Sul da Ásia, com 39% dos habitantes a sobreviverem com menos de 1,25 dólares americanos por dia, uma melhoria de 11% em relação

a 1990. Profetiza-se que estas regiões

falhem a meta dos ODM, tal como deverá

acontecer nos países asiáticos da Com- monwealth e na Ásia Ocidental. Houve,

no entanto, bons exemplos que provam

que a pobreza não é uma fatalidade e

que pode ser erradicada. Desde logo o da Ásia Oriental, que entre 1990 e 2005 conseguiu que 44% da sua população saísse do limiar da pobreza, muito gra-

ças ao contributo da China. Também o do Sudeste Asiático, que, com a forte ajuda da Índia, conseguiu nas datas referidas alcançar a Meta e “reduzir para metade a proporção de população cujo rendimento

é inferior a 1,25 dólares por dia”.

Meta 2: Alcançar emprego produtivo e em pleno e trabalho decente para to- dos, incluindo mulheres e jovens

Os dados do Relatório de 2010 dos ODM

revelam o espectável: a crise financeira

e económica, que começou nos Estados

Unidos da América e se espalhou pelo mundo, reflectiu-se no mercado de tra- balho. No entanto, é importante referir

que a tendência já não era positiva antes de 2008, com o número de “trabalhadores pobres” (pessoas com salário, mas muito baixo) a aumentar ao longo da última década. A estes é preciso agora acres- centar os que nos últimos anos terão perdido os empregos, os jovens à procura de primeiro emprego, sem sucesso, e a maior vulnerabilidade dos empregos, que muitas vezes se traduz em salários de- sadequados e fracas condições laborais.

Perante tudo isto, os números apre- sentados no mapa podem ser engana- dores, uma vez que apenas revelam a percentagem de população activa com acesso a emprego, não analisando as suas condições. Contudo, é um indicador importante, que revela que os países em desenvolvimento estão melhor do que os desenvolvidos, pois em 2008 (últimos dados disponíveis) os primeiros tinham 62% da população activa empregada, enquanto os segundos tinham apenas 57%. Percentagens que deixam antever que muito dificilmente se cumprirá esta Meta dos ODM, como demonstra o mapa aqui apresentado.

Meta 3: Reduzir para metade a propor- ção de população afectada pela fome

Na década de 90 houve algum progresso, embora pouco significativo, na redução da percentagem de população subnu- trida nos países em desenvolvimento, tendo esta caído dos 20%, registados em 1990-92, para os 16%, em 2005-07 (últimos dados disponíveis). Contudo, o Relatório de 2010 dos ODM revela que desde o ano 2000 que esta evolução tendia a estagnar e que, em números efectivos, a quantidade de pessoas sub-

e que, em números efectivos, a quantidade de pessoas sub- Os números indicam a relação entre

Os números indicam a relação entre a população e o emprego, isto é, a percentagem de população activa que tinha emprego, nos anos de 1991 (primeiros dados disponíveis) e 2008 (últimos dados disponíveis).

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© AI/IPISs
© AI/IPISs

Uma sala de aula na República Democrática do Congo.

nutridas acabou por aumentar nos anos referidos, passando de 817 para 830 milhões (muito graças ao crescimento demográfico). Desde 2007 que não há dados numéricos relacionados com a

fome, mas esta deverá ter aumentado com a crise económica e financeira, que

fez subir o preço dos alimentos ao mesmo

tempo que levou a um corte nos ordena- dos. A Organização para a Alimentação

e a Agricultura (FAO) das Nações Unidas estima mesmo que em 2008 a população subnutrida em todo o mundo tenha che- gado aos 915 milhões e no ano passado superado os mil milhões.

A situação mais alarmante regista-se, à

semelhança do que acontece na primeira

Meta, na África Subsariana, onde 26%

da população vivia abaixo dos níveis ali-

mentares necessários nos anos de 2005- -07 (tendo evoluído apenas 5% desde

1990). No Sul da Ásia a percentagem de população subnutrida é também elevada

e manteve-se inalterada deste 1990,

situando-se nos 21%. Esta é também

a região que regista piores valores se

olharmos para os menores de cinco anos com fraca nutrição: 46% registados em 2008. Segue-se a África a sul do Sara, com 27% dos menores de cinco anos a viverem subnutridos. Percentagens que estão bem longe do objectivo de “reduzir para metade a proporção de população afectada pela fome”.

metade a proporção de população afectada pela fome”. Os números indicam a percentagem de população subnutrida,

Os números indicam a percentagem de população subnutrida, isto é, de pessoas cuja ingestão de alimentos não satisfazia os níveis mínimos nutritivos necessários, nos anos de 1990-92 e 2005-07 (últimos dados disponíveis).

OBJECTIVO 2: ALCANÇAR EDUCAÇÃO PRIMáRIA UNIVERSAL

Meta 4: Garantir que todas as crianças, de ambos os sexos, tenham a oportunidade de completar um plano de estudos de escolaridade primária completo

um plano de estudos de escolaridade primária completo Os números indicam a percentagem de crianças em

Os números indicam a percentagem de crianças em idade escolar que frequentam a escola primária, nos anos de 1991 e 2008.

A educação primária universal é uma das Metas que mais tem progredido desde o ano de referência de 1991. Em termos mundiais, em 2008 (últimos da- dos disponíveis) frequentavam o ensino primário 90% dos alunos em idade pré-escolar, numa evolução de 8% em relação ao início dos anos 90. A situa- ção mais grave regista-se na África Sub- sariana, onde mesmo assim, em 2008 os dados indicavam que estavam a estudar 76% das crianças em idade pré-escolar, num aumento de 23% em relação a 1991. Um crescimento inspirador que se fez sentir também no Sul da Ásia e no Norte de África.

Contudo, “o ritmo do progresso é insufi- ciente para assegurar que, em 2015, to-

das as raparigas e rapazes completam a educação primária”, conclui o Relatório de 2010 das Nações Unidas relativo aos ODM. Tal facto deve-se não apenas à dificuldade de se chegar aos 100% na frequência da escolaridade primária, mas sobretudo à desistência dos estu- dos antes desta estar terminada, que continua a ser uma realidade apesar do número de desistentes ter caído de 106 milhões, em 1999, para 69 milhões, no ano de 2008 (últimos dados disponíveis). Para tal contribuem diversos factores, que vão desde o custo dos estudos às barreiras sociais e culturais, pois em alguns países do mundo continua a ser menos importante educar raparigas do que dar educação aos rapazes.

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OBJECTIVO 3: PROMOVER A IGUALDADE ENTRE GéNEROS E CAPACITAR AS MULHERES

Meta 5: Eliminar a disparidade entre géneros no ensino primário e secundário, se possível até 2005, e em todos os níveis de ensino, até 2015

PARIDADE NA EDUCAÇÃO PRIMáRIA

de ensino, até 2015 PARIDADE NA EDUCAÇÃO PRIMáRIA PARIDADE NA EDUCAÇÃO SECUNDáRIA PARIDADE NO ENSINO

PARIDADE NA EDUCAÇÃO SECUNDáRIA

NA EDUCAÇÃO PRIMáRIA PARIDADE NA EDUCAÇÃO SECUNDáRIA PARIDADE NO ENSINO SUPERIOR Os números indicam a quantidade

PARIDADE NO ENSINO SUPERIOR

NA EDUCAÇÃO SECUNDáRIA PARIDADE NO ENSINO SUPERIOR Os números indicam a quantidade de raparigas que frequentam

Os números indicam a quantidade de raparigas que frequentam o ensino primário, secundário ou superior por cada 100 rapazes a estudar no mesmo nível de escolaridade.

Apesar de, como vimos na Meta anterior, alguns países continuarem a valorizar mais a educação dos rapazes do que das raparigas, a verdade é que a disparidade entre géneros no ensino diminuiu forte- mente entre 1991 e 2008 (últimos dados disponíveis), tendo o sexo feminino su- perado mesmo o masculino em alguns níveis escolares. No que diz respeito ao primário, em 2008 havia 96 raparigas de países em desenvolvimento a frequentá- -lo por cada 100 rapazes, quando em 1991 este número se ficava pelas 87. Ao nível do secundário, nos países em de- senvolvimento, em 2008, por cada 100 alunos havia 95 alunas, num crescimen-

to importante em relação a 1991, quando

se contavam 76 raparigas por cada 100 rapazes. No ensino superior o progresso foi ainda maior, tendo a frequência deste nível escolar por raparigas subido de 67, por cada 100 rapazes, para as 97. Im- porta ainda mencionar que nos países desenvolvidos foi neste último ensino que o número de raparigas superou o dos rapazes, havendo paridade nos restantes níveis escolares.

© Amnistia Internacional
© Amnistia Internacional

Em alguns países a educação das raparigas é preterida à dos rapazes.

Apesar dos dados serem muito positivos,

é preciso não esquecer que este terceiro

Objectivo de Desenvolvimento do Milénio exige paridade total e longe destes va-

lores estão países da África Subsariana, do Sul da Ásia e da Oceânia. Além disso,

é preciso recordar que esta Meta dos

ODM estabelecia o prazo preliminar de

2005 e, na altura, a educação primária

e secundária não era universal, apesar

de a primeira poder ser alcançada até

2015 em todas as regiões, exceptuando

a Oceânia. Perante este cenário, o Objec- tivo não deverá ser alcançado, mas os números demonstram que é possível evoluir se houver vontade política.

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OBJECTIVO 4: REDUZIR A MORTALIDADE INfANTIL

Meta 6: Reduzir em dois terços a taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos

a taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos Os números indicam a taxa

Os números indicam a taxa de mortalidade infantil (de crianças com menos de cinco anos) por cada 1.000 nascimentos, no ano de 1990 e em 2008 (últimos dados disponíveis).

Os números no mapa demonstram bem que a mortalidade de crianças com me- nos de cinco anos foi fortemente reduzida entre 1990 e 2008 (últimos dados dis- poníveis), um pouco por todo o mundo. Em termos globais, se nos anos 90 por cada 1.000 nascimentos se registavam 90 mortes infantis, em 2008 este número caiu para as 65. Em termos absolutos, isto significa uma queda na mortalidade infantil de 12,5 para 8,8 milhões. Além disso, entre 2000 e 2008 o Relatório das Nações Unidas refere o aumento do de- clínio anual da mortalidade infantil, que até aqui era de 1,4%, passando a ser de 2,3%. Valores mesmo assim insuficientes para “reduzir em dois terços a taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos”. Como comprova o mapa, a Meta só deverá ser alcançada no Norte de África e nos países da América Latina e do Caribe. Isto quando, ressalve-se, 43% das mortes infantis são causadas por pneumonia, diarreia, malária ou SIDA, que são doenças contornáveis com prevenção e tratamento, nomeadamente com alimentação adequada, medica- mentos, hidratação, redes mosquiteiras e vacinação.

Além disso, nesta Meta dos ODM é funda- mental registar a forte disparidade entre os países desenvolvidos e os que estão em desenvolvimento. Para se ter uma ideia, em 2008 os primeiros registavam 6 mortes infantis por cada 1.000 nasci- mentos, enquanto os segundos tinham

valores na ordem das 72 mortes em cada mil nados-vivos, entre as crianças com menos de cinco anos. Uma divergência que é ainda mais gritante se referirmos que metade das 8,8 milhões de mortes infantis assinaladas no mundo ocorrem na África Subsariana. Acrescente-se que, a nível global, dos 34 únicos países cuja taxa de mortalidade infantil excede os 100 por cada 1.000 nascimentos, apenas um, o Afeganistão, não pertence a esta região. Isto significa que em toda a África a sul do Sara morre uma crian- ça por cada sete que nascem, antes de completar os cinco anos de idade. Uma vez mais é importante referir que esta seria uma Meta alcançável com preven- ção e tratamento.

OBJECTIVO 5: MELHORAR A SAúDE MATERNA

Meta 7: Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna

À semelhança da mortalidade infantil, também na mortalidade materna – a morte de mulheres devido a complica- ções relacionadas com a gravidez ou o parto – é gritante a diferença entre os países desenvolvidos e os considerados em desenvolvimento. Os números falam por si: enquanto no primeiro conjunto de Estados se registavam, em 2005 (últi- mos dados disponíveis), 9 mortes entre as mães por cada 100.000 nascimentos, no segundo os valores ascendem aos 450

falecimentos para o mesmo rácio. Núme- ros que são apenas os mínimos conheci- dos, pois a realidade estima-se que seja bem mais cruel.

Tal como na Meta anterior, também aqui estão bem identificadas as causas da mortalidade materna nas regiões em desenvolvimento: 35% por hemorragias; 18% por tensão alta e 18% por causas indirectas, como a malária, o SIDA e problemas de coração. A maioria destas situações seria contornada se as grávi- das fossem assistidas por pessoal médi- co qualificado, com acesso aos equipa- mentos necessários. No entanto, indica o Relatório de 2010 dos ODM: enquanto nos países desenvolvidos 99% dos par- tos têm a assistência devida, nos que estão em desenvolvimento apenas 63% das parturientes têm tal privilégio.

Se olharmos para a divisão regional da taxa de mortalidade materna, há sinais positivos a assinalar, como o facto de a maior parte das regiões ter conseguido reduzi-la, algumas, como a Ásia Orien- tal, o Norte de África e o Sudeste Asiáti- co, de forma significativa. No entanto, o progresso não é suficiente para “reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna”, só alcançável se no mundo inteiro houvesse um declínio anual na ordem dos 5,5%. Regiões como a África Subsariana e o Sul da Ásia estão longe desta possibilidade e mesmo em ter- mos globais a mortalidade materna só diminuiu de 430 mortes, registadas em 1990 por cada 100.000 nascimentos, para as 400, em 2005.

em 1990 por cada 100.000 nascimentos, para as 400, em 2005. Korotoumou, de 32 anos, dirigiu-se

Korotoumou, de 32 anos, dirigiu-se à clínica local para fazer o parto. Grávida de gémeos, e a parturiente teve de ser levada para o hospital. O bebé não resistiu à viagem.

Notícias Amnistia Internacional

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Notícias • Amnistia Internacional 15 Os números indicam a taxa de mortalidade materna por cada 100.000

Os números indicam a taxa de mortalidade materna por cada 100.000 nados-vivos, no ano de 1990 e em 2005 (últimos dados dis- poníveis).

2006, quando chegou aos 3,5 milhões, tendo depois começado a reduzir até chegar, em 2008 (últimos dados dis- poníveis), aos 2,7 milhões. Em termos de mortalidade associada ao vírus, os dados mostram também uma redução, desta vez desde 2004, quando houve 2,2 milhões de pessoas a morrerem devido ao VIH/SIDA, tendo este número caído em 2008 para os 2 milhões. Ao mesmo tempo aumenta o número de pessoas que conseguem viver com o Síndrome de Imunodeficiência: em 1990 eram 7,3 milhões e em 2008 chegavam aos 33,4 milhões, muito graças à terapia anti- -retroviral. Contudo, o VIH/SIDA continua

Meta 8: Alcançar o acesso universal a serviços de saúde reprodutiva

Tendo percebido que boa parte da res- ponsabilidade pela mortalidade materna pode ser atribuída à falta de acesso a cui- dados de saúde reprodutiva, surpreende verificar que nos países em desenvolvi- mento 80% das mulheres tinha tido, em 2008 (últimos dados disponíveis), cuida- dos pré-natais pelo menos uma vez. No entanto, o Relatório de 2010 das Nações Unidas esclarece que o progresso não foi igualitário e que se registam fortes dis- paridades entre as mulheres das famí- lias mais abastadas e as mais pobres. Para que se perceba, basta referir que entre as primeiras, 90% tinha em 2008 acesso a cuidados pré-natais, enquanto nas segundas apenas 55% teve a mes- ma oportunidade. O mesmo se passou ao nível das mulheres a habitar nas cidades

© Anna Kari

o primeiro, uma menina, nasceu normalmente, mas o segundo estava mal posicionado

nasceu normalmente, mas o segundo estava mal posicionado Os números indicam a percentagem de mulheres que

Os números indicam a percentagem de mulheres que receberam, pelo menos uma vez, cuidados pré-natais durante a gravidez, por pes- soal de saúde qualificado, em 1990 e no ano 2008 (últimos dados disponíveis).

ou nas zonas rurais, pois 67% das que viviam nas cidades em 2008 eram me- dicamente assistidas quatro ou mais vezes durante a gravidez, enquanto no mundo rural o acesso frequente chegava apenas a 34%. Dados que só por si são suficientes para concluir que – apesar de o acesso a serviços de saúde reprodutiva ter crescido de 64%, em 1990, para os referidos 80%, em 2008 – a Meta 8 dos ODM não deverá ser alcançada.

OBJECTIVO 6: COMBATER O VIH/SIDA, A MALáRIA E OUTRAS DOENÇAS

Meta 9: Parar e inverter a propagação do VIH/SIDA

Nos últimos anos, a propagação do VIH/SIDA parece estar a estabilizar em grande parte do mundo. A provar isto mesmo estão os novos infectados, cujo número foi crescendo a nível global até

a ser a doença infecto-contagiosa que mais mata no mundo.

Por isso mesmo, o progresso registado não é suficiente para se cumprir total- mente esta Meta dos ODM, conforme demonstra o mapa. Até porque ana-

lisando o cenário regional, a realidade é bem mais dramática do que a revelada pelos números mundiais. Segundo os úl- timos dados disponíveis, dos 2,7 milhões de novos infectados, 72% (1,9 milhões) pertencem à África Subsariana. É tam- bém esta a região que abriga 67% de todas as pessoas do mundo actualmente infectadas com o VIH/SIDA. Isto quando, acrescente-se, das 10 regiões anali- sadas pelo Relatório de 2010 dos ODM

a África Subsariana é a que apresenta

melhores resultados no conhecimento da população sobre o vírus: 24% das jovens e 33% dos rapazes destes países, com idades entre os 15 e os 24 anos, possuem

informação adequada sobre o VIH/SIDA. Valores acima da média para os Países

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Notícias Amnistia Internacional

16 Notícias • Amnistia Internacional Os números indicam a prevalência do VIH/SIDA em adultos (com idades

Os números indicam a prevalência do VIH/SIDA em adultos (com idades entre os 15 e os 49 anos), em 1990 e em 2008 (últimos dados disponíveis).

precisamente nesses países que houve um maior esforço em difundir a terapia anti-retroviral. Só assim foi possível que, em 2008, o tratamento chegasse a 44% dos necessitados, ou seja, a quase três milhões de pessoas, quando em 2005 só estava disponível para 14% e em 2003 para 2%. Apesar dos esforços estarem a ser bem direccionados, indica o Relatório de 2010 dos ODM que “por cada dois in- divíduos que a cada ano começam trata- mento, cinco novas pessoas são infecta- das”. Uma taxa de infecção que uma vez mais vem provar que a aposta tem de ser na prevenção.

em desenvolvimento, que se situa nos 19% de conhecimento para as raparigas (menos de um quinto da totalidade) e 31% para os rapazes (menos de um terço da totalidade).

Meta 10: Alcançar o acesso universal ao tratamento do VIH/SIDA para todos aqueles que dele necessitam, até 2010

Esta é uma das Metas dos ODM que têm como prazo o ano de 2010. Sendo assim, e olhando para os números apresentados no mapa, torna-se claro que até Dezem- bro não será alcançada. E nem os dados mais genéricos são mais animadores, pois nos países em desenvolvimento de forma genérica, em 2008 (últimos dados disponíveis), recebiam tratamento para o VIH/SIDA 42% dos necessitados, ou seja, ficavam excluídas mais de cinco milhões de pessoas. Valores ainda muito baixos, mas que, é preciso reconhecer, nos últi- mos anos tiveram uma evolução digna de registo: em 2007 a terapia anti-retroviral

© Emily Fairweather
© Emily Fairweather

Centenas de crianças em todo o mundo morrem por doenças como o VIH/SIDA e a tuberculose.

só chegava a 33% dos necessitados, em 2005 a 16% e em 2003 a 7%.

Sendo a África Subsariana a região mais problemática em termos de Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, como revela a Meta anterior, é de ressalvar que foi

Meta 11: Parar e inverter a tendência actual da incidência da malária e de outras doenças graves

Informa o Relatório de 2010 relativo aos ODM que a seguir ao VIH/SIDA, a doença que mais mata no mundo é a tubercu- lose. Segundo dados de 2008, últimos disponíveis, havia em todo o mundo 11 milhões de pessoas com a doença (140 por cada 100.000) e 1,8 milhões morre- ram nesse ano. Metade estava infectada com o VIH/SIDA, pelo que não é de es- tranhar que, à semelhança do que foi referido na Meta 9, também para a tu- berculose a realidade regional seja mais dramática do que a global, com a maior parte dos infectados a pertencerem a países em desenvolvimento. Para que se perceba a diferença, registe-se que nes- tas regiões, em 2008, havia 210 casos de tuberculose por 100.000 habitantes, enquanto no mundo desenvolvido se identificaram 9 para a mesma amostra.

mundo desenvolvido se identificaram 9 para a mesma amostra. Os números indicam a percentagem de população

Os números indicam a percentagem de população infectada com o vírus do VIH/SIDA e a receber terapia anti-retroviral, em 2005 (primeiros dados disponíveis) e 2008 (últimos dados disponíveis).

Notícias Amnistia Internacional

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Notícias • Amnistia Internacional 17 Os números indicam a quantidade de pessoas com tuberculose por cada

Os números indicam a quantidade de pessoas com tuberculose por cada 100.000 habitantes, em 1990 e 2008 (últimos dados dis- poníveis).

Tal como acontece com o VIH/SIDA, a pior situação é a da África Subsariana, que é

a única região do mundo onde o número

de infectados com tuberculose tem au- mentado, precisamente porque con- tinuam a crescer os que contraem o VIH/ SIDA. A mesma discrepância regional é registada para a malária, uma vez que 89%, das 863 mil mortes associadas à doença em 2008, aconteceram no Con- tinente Africano. Factos que tornam im- possível alcançar a Meta dos ODM.

Há, no entanto, motivos para ter espe- rança, uma vez que, revela o Relatório de 2010 dos ODM, tem ficado provada

a correlação entre o decréscimo na in-

cidência de doenças como a tuberculose

e a malária e a ajuda externa, uma vez

que permite investir em redes mosquitei- ras e no tratamento. A titulo de exemplo, refira-se que para a malária o financia- mento externo aumentou de 0,1 mil mi- lhões de dólares americanos, em 2003, para os 1,5 mil milhões, em 2009, e tal significou uma queda de 50% no número de mortos em muitos países. Continua- -se, no entanto, longe dos 6 mil milhões de dólares necessários para “parar e inverter a tendência actual da incidên- cia da malária” e as próprias Nações Unidas têm revelado que, ao contrário do que acontece no VIH/SIDA, grande parte dos fundos estão a ser distribuídos para países pequenos e com menor incisão destas doenças graves. Assim se explica

a evolução em regiões onde esta reali- dade não era tão dura.

OBJECTIVO 7: ASSEGURAR A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

Meta 12: Integrar os princípios do de- senvolvimento sustentável nas políti- cas e programas nacionais e inverter a actual tendência de perda de recursos ambientais

Quando se perspectivam os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio é funda- mental “assegurar a sustentabilidade ambiental”, uma vez que “os destinos das pessoas e do ambiente estão inter- ligados”, pode ler-se na página oficial na Internet da Campanha Objectivo 2015, que representa em Portugal a UN Mille- nium Campaign. Para tal é fundamental,

por um lado, inverter a tendência para

a desflorestação – isto é, para a trans-

formação de florestas em terreno para outras utilizações – e tal tem vindo a acontecer nos últimos anos. Desde o ano 2000 que se perdem anualmente 13 mi- lhões de hectares de floresta em todo o mundo, quando na década de 90 a perda se cifrava nos 16 milhões de hectares por ano. Para tal muito têm contribuído programas de plantação de árvores, como os que ocorreram em países como

a China, a Índia e o Vietname.

Importante também é ter em conta as emissões de CO 2 , uma das principais

responsáveis pelas alterações climáti- cas, que se não for combatida, alerta

o Relatório das Nações Unidas: “a ex-

posição que daí resulta aos raios ultravio- leta do sol irá provavelmente levar a um aumento de mais 20 milhões de casos de cancro de pele e 130 milhões de casos de cataratas nos olhos; e irá também causar danos nos sistemas imunitários humanos, na vida selvagem e na agri- cultura”. Hipóteses cada vez mais reais, uma vez que o aumento das emissões de CO 2 são evidentes: em 2007 (últimos da- dos disponíveis) foram emitidas 30 mil milhões de toneladas de dióxido de car- bono, num aumento de 35% em relação

a 1990. Ao contrário da maioria dos ODM,

neste caso os piores valores registam-se nos países mais desenvolvidos. Como sinal de esperança continua o Protocolo

© UNHCR/H. Caux
© UNHCR/H. Caux

Homens, mulheres e crianças fazem fila para receber a ração alimentar num campo de refugiados no Paquistão.

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Notícias Amnistia Internacional

de Montreal, de 1987, que prevê limitar

a produção e o consumo de substâncias que destroem a camada de ozono.

Meta 13: Reduzir a perda da biodiver- sidade, alcançando uma redução sig- nificativa na taxa de perda até 2010

“O mundo falhou a meta que visava

conservar a biodiversidade até ao ano

de 2010”, conclui o último Relatório dos

ODM das Nações Unidas. A perda de biodiversidade continua e para ela con- tribuem as elevadas taxas de consumo, a

perda de habitats, as espécies invasivas,

a

poluição e as alterações climáticas.

Os

maiores responsáveis são os países

mais industrializados, mas as principais consequências são sentidas pelos mais pobres, que dependem directamente da diversidade de plantas e animais para a sua sobrevivência e modo de vida.

Meta 14: Reduzir para metade a per- centagem de população sem acesso sustentável a água potável e sanea- mento básico

A manter-se a tendência actual, o

Relatório de 2010 dos ODM indica que é possível que a parte da Meta que diz res- peito ao acesso à água potável seja al- cançável. No mundo desenvolvido, 100%

da população tem acesso a este bem es-

sencial, enquanto nos países em desen- volvimento, em 2008 (últimos dados dis-

poníveis), as acessibilidades chegavam aos 84% (em 1990 os números aponta- vam para os 71%). Das 10 regiões anali- sadas no documento das Nações Unidas, quatro, assinaladas no mapa, tinham alcançado a meta em 2008, enquanto duas apresentavam as situações mais preocupantes: a África Subsariana e a Oceânia. Nestes países é especialmente alarmante a situação nas zonas rurais, uma vez que nas cidades a água potável chegava em 2008 a 92% da popula- ção, no caso da Oceânia, e a 83%, na África a sul do Sara. Percentagens que contrastam com os 37% de acesso nos meios rurais da Oceânia e com os 47%

na África Subsariana. De forma genéri-

ca, nos países em desenvolvimento 8 em

cada 10 pessoas com acesso a água po- tável estão em cidades.

Uma realidade mesmo assim bem dife- rente da que se vive no acesso ao sanea- mento básico – casas de banho, latrinas

ou outras –, como se pode desde logo

perceber no mapa. Conclui o Relatório de 2010 dos ODM: “seguindo o progresso actual, o mundo irá falhar a meta”. Em 2008 (últimos dados disponíveis), 39% da população mundial – 2,6 mil milhões de pessoas – continuava sem acesso a condições sanitárias básicas, enquanto em 1990 esse número se cifrava nos 46%. Valores que se mantêm dramáti- cos, particularmente nos países em de- senvolvimento, onde 52% da população não tinha em 2008 acesso a saneamento básico, num contraste chocante com os 99% nos Estados desenvolvidos. Perante esta realidade, o Relatório de 2010 dos ODM acrescenta: “o saneamento e a água potável são normalmente de prio- ridade reduzida nos orçamentos domés- ticos e na assistência ao desenvolvi- mento, apesar dos enormes benefícios para a saúde pública, para a igualdade de género, para a redução da pobreza e para o crescimento económico”.

ACESSO A áGUA POTáVEL

© Amnistia Internacional
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Uma criança num bairro degradado do Quénia a beber os restos de um sumo de alguém.

do Quénia a beber os restos de um sumo de alguém. Os números indicam a percentagem

Os números indicam a percentagem de pessoas que utilizavam uma fonte de água segura, em 1990 e 2008 (últimos dados dis- poníveis).

ACESSO A SANEAMENTO BáSICO

dados dis- poníveis). ACESSO A SANEAMENTO BáSICO Os números indicam a percentagem de pessoas com acesso

Os números indicam a percentagem de pessoas com acesso a saneamento básico, em 1990 e 2008 (últimos dados disponíveis).

Notícias Amnistia Internacional

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Meta 15: Alcançar uma melhoria significativa nas vidas de pelo menos 100 milhões de habitantes de bairros degradados, até 2020

100 milhões de habitantes de bairros degradados, até 2020 Os números indicam a percentagem de população

Os números indicam a percentagem de população urbana a viver em bairros degradados – aqui definidos como habitações que tenham pelo menos uma de quatro características: falta de água potável, falta de saneamento básico, excesso de habitantes (três ou mais por quarto) ou a construção feita com materiais pouco duráveis – em 1990 e 2010.

Num primeiro olhar sobre os bairros degradados – entenda-se, locais onde as habitações têm pelo menos uma de quatro características: falta de água potável, falta de saneamento básico, excesso de habitantes (três ou mais por quarto) ou a construção feita com materiais pouco duráveis –, a evolução parece ter sido suficiente para alcançar a Meta dos ODM: nos países em desen- volvimento, a percentagem de pessoas a viver em bairros degradados nas cidades passou de 46%, em 1990, para 33%, este ano de 2010, ou seja, 200 milhões melhoraram as condições de vida. No entanto, é preciso ter em conta o cresci- mento demográfico, por isso, em termos absolutos, os números revelam um au- mento na quantidade de pessoas a vi- verem em bairros degradados nos países em desenvolvimento: que hoje estima-se que ascendam aos 828 milhões, quando em 1990 eram 657 milhões.

Valores que não espantam os analistas das Nações Unidas, que tornam a lem- brar a crise económica e financeira, que começou precisamente no sector imobi- liário e veio provocar um forte corte nos apoios à compra de habitação. Uma situa- ção que se sente um pouco por todo o mundo, mas que é particularmente grave nas zonas mais pobres, como a África Subsariana, onde 62% da população ur- bana vive em condições muito precárias, e no Sul da Ásia. Nas outras regiões men- cionadas no Relatório de 2010 dos ODM os bairros degradados acolhem um terço da população urbana. Percentagens que

podiam até ser suficientes para alcançar a Meta dos ODM, não fosse o crescimento demográfico. Por isso mesmo, as Nações Unidas pedem no Relatório de 2010 dos ODM a redefinição desta Meta, defen- dendo que 100 milhões de pessoas são apenas 10% das que vivem actualmente em bairros degradados e os ODM deviam querer ir mais longe.

OBJECTIVO 8: DESENVOLVER UMA PARCERIA GLOBAL PARA O DESENVOLVIMENTO

Meta 16: Desenvolver um comércio e sistema financeiros abertos, baseados em regras, previsíveis e não discrimi- natórios

Na última década, os países em desen- volvimento e, entre estes, os chamados Países Menos Desenvolvidos ganharam um maior acesso aos mercados dos Es- tados com maior desenvolvimento, pois estes, como forma de ajuda, aumentaram

a importação de produtos desses locais.

Se em 1998 as importações se cifravam nos 54%, dez anos depois eram já na or- dem dos 80%. Uma abertura do mercado financeiro que muito se deveu à redução ou eliminação de tarifas à entrada dos produtos de alguns países em desenvol- vimento (normalmente dos mais pobres). Sinais positivos que o Relatório de 2010 teme agora terem ficado comprometi- dos com a crise financeira que assolou o mundo, pois logo em 2008 e 2009 foi registada uma quebra no volume de negócios de quase todos os países em desenvolvimento. Em termos mundiais as exportações caíram também 23%, mas no mundo em desenvolvimento o declínio foi de 31%.

Meta 17: Atender às necessidades espe- ciais dos países em desenvolvimento

Meta 18: Atender às necessidades es- peciais de países em desenvolvimento interiores [sem mar] e aos pequenos Estados insulares em desenvolvimento

As duas Metas dos ODM têm implícita

a ajuda dos países mais desenvolvidos

aos que estão em desenvolvimento. Em 2009, os Estados membros do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento, da Organiza- ção de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), deram para Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) um total de 119,6 mil milhões de dólares

© Amnistia Internacional
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Crianças à saída da escola num dos muitos bairros degradados existentes no Quénia.

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Notícias Amnistia Internacional

americanos, equivalentes a 0,31% do rendimento nacional bruto combinado. Números que continuam muito abaixo das Metas propostas pelos ODM, que implicavam o compromisso de a maioria dos países doarem 0,7% do seu rendi- mento nacional bruto. Em 2009 só cinco o fizeram: Dinamarca, Holanda, Luxem- burgo, Noruega e Suécia. Isto apesar de o maior volume de dinheiro doado continuar a provir dos Estados Unidos da América, seguindo-se a Alemanha, a França, o Japão e o Reino Unido.

© Amnistia Internacional
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Grávidas aguardam numa maternidade da Serra Leoa.

Estas doações podem ser feitas perdoan-

do a dívida, através de ajuda humanitária

ou por projectos e programas de desen- volvimento. Segundo o Relatório de 2010 dos ODM estes últimos têm continuado

a aumentar, mas em termos globais a

ajuda externa subiu apenas 0,7% entre 2008 e 2009, o que medindo em dólares americanos equivale, na verdade, a uma quebra de mais de 2%: de 122,3 mil milhões, em 2008, para os mencionados 119,6 mil milhões, em 2009. Conclui o Relatório das Nações Unidas que, muito graças à crise económica e financeira, “enquanto a maioria dos compromissos iniciais continuam em força, alguns dos maiores doadores reduziram ou adiaram as promessas feitas para 2010”. Uma

situação que vai afectar principalmente

os Países Menos Desenvolvidos do mundo

– que segundo a lista das Nações Unidas

são actualmente 49 (33 em África, 15 na Ásia e o Haiti) – para onde é direccio-

nada a APD. Tudo isto pode comprometer ainda mais os restantes ODM.

Meta 19: Tratar de forma integrada o problema da dívida dos países em desenvolvimento, através de medidas nacionais e internacionais, de forma a tornar a sua dívida sustentável a longo prazo

Nas duas metas anteriores foi possível perceber que a Ajuda Pública ao Desen-

volvimento aumentou em termos percen- tuais desde 2008 e tal deve-se, em grande parte, ao alívio da dívida externa acumu- lada dos países em desenvolvimento. Um aspecto fundamental para os ODM, uma vez que a dívida afecta a confiança

e o acesso ao crédito, tornando o Estado

mais vulnerável aos choques económicos. Mesmo assim, indica o Relatório de 2010 dos ODM que “os encargos com a dívida externa têm-se mantido muito abaixo dos níveis históricos”, especialmente para os Estados eleitos pela Iniciativa Países Pobres Altamente Endividados (ou HIPC, na sigla internacional). São estes os 42 países que em 1996 tinham dívidas externas de valores insustentáveis e ne- gociaram com os seus credores através da Iniciativa HIPC, lançada pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Inter- nacional. Destes, 35 viram a sua dívida reduzida em 57 mil milhões de dólares americanos e 28 receberam assistência adicional de 25 mil milhões de dólares americanos. Assim, “os encargos com a dívida dos países incluídos na Iniciativa HIPC estão abaixo da média dos restantes países menos desenvolvidos”, que por não estarem “altamente endividados” ficaram fora do alívio da dívida.

Meta 20: Fornecer acesso aos medi- camentos essenciais a preços aces- síveis nos países em desenvolvimento, em cooperação com as empresas far- macêuticas

Embora o Relatório de 2010 dos ODM

não faça referência clara a esta Meta,

a portuguesa Campanha Objectivo 2015

lançou no ano passado o relatório Objec- tivos do Milénio: Onde estamos e o que falta fazer?, onde refere: “alguns fabri- cantes [de medicamentos] baixaram os seus preços para os sistemas de saúde pública nos países em desenvolvimento, nivelando-os com o poder de compra dos governos e das famílias. Contudo, a deficiente disponibilidade de medica- mentos no sector público obriga muitos pacientes a comprar os medicamentos no sector privado, onde os preços são

muito mais altos”. Para se ter uma ideia, acrescenta o documento que em 33 paí- ses em desenvolvimento analisados “os preços mais baixos dos genéricos do sec- tor privado custam seis vezes mais que

o preço internacional de referência”. As-

sim, em termos de medicamentos acaba por acontecer o mesmo que na vacina- ção: aumentou nos últimos anos a ajuda externa e a entrega, mas a distribuição é feita de forma discriminatória, chegando menos aos mais pobres, que habitam zo- nas rurais e têm níveis muito baixos de educação, indica o Relatório de 2010 dos ODM.

Meta 21: Tornar acessíveis os benefí- cios das novas tecnologias, em espe- cial das tecnologias de informação e comunicação, em cooperação com o sector privado

Olhando apenas para duas das ferra- mentas de Tecnologias de Informação e Comunicação actualmente existentes, é

possível perceber a evolução do mundo

a este nível. Começando pelo telemóvel,

importa registar que globalmente 67 em cada 100 pessoas possui pelo menos um destes aparelhos, o que equivale a 4,6 mil milhões da população mundial. Mais incrível é perceber que o crescimento foi especialmente significativo nos países em desenvolvimento, pois actualmente 50% dos habitantes destes Estados têm acesso a telemóvel. Uma mudança im- portante quando as linhas telefónicas fixas continuavam a ser muito limita- tivas. A título de exemplo vejam-se os países da África Subsariana, onde 1% dos habitantes tem acesso a linha de telefone fixo, mas 30% possui telemóvel.

Uma implementação que poderia fazer

pensar que as novas tecnologias estão

a chegar a todo o mundo, mas o acesso

à Internet vem provar exactamente o contrário e tornar a lembrar que ainda há, de um lado, países desenvolvidos, e, do outro, países em desenvolvimen-

to. Para perceber a disparidade basta olhar para o ano de 2008 (últimos dados disponíveis), quando 68% das pessoas dos países mais desenvolvidos tinham acesso à Internet, enquanto nos países em desenvolvimento a World Wide Web só chegava a 15% da população. Mes- mo assim é de registar que houve uma evolução significativa em relação a 2003, quando apenas 5% das pessoas dos países mais pobres tinham ligação

à Internet.

significativa em relação a 2003, quando apenas 5% das pessoas dos países mais pobres tinham ligação

Notícias Amnistia Internacional

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Notícias • Amnistia Internacional 21 QUéNIA: VIVER A PORTAS MEIAS COM A VIOLÊNCIA Escassos hectares são

QUéNIA: VIVER A PORTAS MEIAS COM A VIOLÊNCIA

Escassos hectares são lar para milhões de pessoas que vivem sem qualquer acesso a serviços essenciais como saneamento ou segurança pública. A Amnistia Internacional recolheu testemunhos dessa pobreza

Por Sara Coutinho

A procura por melhores oportunidades

económicas continua a ser a princi- pal força motriz da migração para os grandes centros urbanos e é ainda a dura realidade na maior parte do conti- nente africano.

O Quénia não é excepção. No entanto, a

chegada a Nairobi, capital queniana e destino da maior parte dos migrantes do país, pode rapidamente frustrar as ex- pectativas de uma vida melhor. Regres- sar nem sempre é uma opção uma vez que, na maioria dos casos, não há casa

ou terreno para onde regressar e a dis-

criminação pode tornar-se insuportável.

Resta tentar.

ESTABELECIMENTOS INFORMAIS

Actualmente, mais de dois milhões de pessoas vivem em bairros degradados ou estabelecimentos informais em Nai- robi, capital do Quénia. Escassos hecta- res que encaixam demasiadas pessoas em terrenos com sistemas de esgotos artesanais e a céu aberto, onde muitos vivem sem acesso a água potável, hos- pitais, escolas e outros serviços públicos essenciais. Todas estas pessoas estão

© Amnistia Internacional
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Na capital do Quénia mais de dois milhões de pessoas vivem em bairros degradados como este.

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No Quénia as mulheres sofrem de discriminação no acesso ao emprego, ficando a grande maioria reduzida à possibilidade da venda de produtos na beira da estrada.

sob a constante ameaça do desaloja- mento forçado, frequentemente violento e sem qualquer mecanismo compensatório para as suas vítimas.

Apesar de existirem projectos gover- namentais para o melhoramento dos bairros degradados, muitos deles nem sequer são reconhecidos pelo Governo como existentes, o que faz com que não só não constem dos planos de desenvol- vimento urbano, como muitos destes pla- nos incluam o deslocamento de milhares de pessoas sem que lhes seja oferecida uma alternativa viável.

QUANDO A VIOLÊNCIA é A VIZINHA DO LADO

Mais de 50% dos residentes dos bair- ros degradados do Quénia afirmam sentirem-se inseguros nas suas residên- cias. Pouco ou nenhum policiamento, falta de confiança no sistema, ausência de mecanismos compensatórios para as vítimas e desconhecimento da lei são al- guns dos factores que inibem a denúncia de actos violentos, contribuindo directa-

mente para a proliferação da violência nestas zonas residenciais.

No entanto, ainda que a violência seja

um problema generalizado, são as jo- vens e as mulheres que sofrem de forma particular, uma vez que a falta de estru- turas e serviços essenciais as torna mais

vulneráveis à violência sexual e à vio- lência com base no género. Exacerbada pelos ambientes em que circulam e pelas

suas rotinas diárias, a violência contra

as mulheres é endémica nos estabeleci-

mentos informais de Nairobi.

Os investigadores da Amnistia Interna-

cional para o Quénia visitaram mais de 200 bairros degradados e entrevistaram mais de 130 mulheres, que ajudaram a compreender a natureza deste problema e discutiram a necessidade de medidas

que abordem directamente a questão da violência.

A maioria das entrevistadas revelou

que o receio de violência está nos seus próprios lares, por maridos ou parentes; nas ruas, pela comunidade; e até mesmo pelas forças de segurança, que por vezes

22

Notícias Amnistia Internacional

são as próprias perpetradoras de abusos de natureza sexual ou outros actos de violência.

Para além disso, as mulheres sofrem também de discriminação no acesso ao

emprego, conseguindo apenas trabalhos casuais e mal remunerados. A maioria fica reduzida à venda de produtos na bei-

ra da estrada ou a trabalhos domésticos

onde são frequentemente assediadas,

vendo-se forçadas a suportar a situação sob pena de perderem a sua única fonte

de rendimento.

Internacional revelaram que, para evi- tar o percurso, recorrem a um sistema a que chamaram “latrina voadora” e que consiste em sacos de plástico onde são depositados os excrementos e que, pos- teriormente, são arremessados para fora da habitação, onde permanecem, a céu aberto.

A falta de duches é apontada como sen-

do ainda maior que a de casas de banho. Os espaços comunitários de higiene são partilhados por dezenas de lares e rara- mente observam condições mínimas de

acarretam um outro dilema para as

mulheres: escolherem entre tratarem

as suas crianças, muitas vezes doentes

e obrigadas a permanecer em casa, ou

trabalharem para providenciar-lhes bens

de primeira necessidade.

ExIGIR DIGNIDADE

A pobreza é tanto causa, como conse-

quência, da violência sobre as mulheres.

As vítimas de violência perdem capaci-

dade produtiva, empobrecendo as suas famílias, as comunidades e, por con-

seguinte, a sociedade. Para além disso,

a falta de recursos corresponde, muitas vezes, a uma falta de alternativas à permanência num ambiente violento e abusivo.

As mulheres e jovens entrevistadas pela

Amnistia Internacional referem ainda a necessidade de medidas que abordem,

de forma directa, a questão da violência,

nomeadamente, segurança pública, um sistema judicial eficaz e programas que assegurem a capacitação socioeconómi-

ca generalizada, particularmente no que

concerne mulheres e juventude.

A Amnistia Internacional tem, desde

Julho de 2009, uma campanha dedicada em exclusivo aos bairros degradados de

Nairobi, cujas metas passam pela adop- ção de políticas de desalojamento alinha- das com os padrões internacionais de Direitos Humanos, pelo reconhecimento oficial destas zonas residenciais e pela integração das mesmas nos planos do governo queniano para o desenvolvimento urbano. Agora centrada sobre a questão

da

violência sobre as mulheres e sobre

o

necessário acesso ao saneamento, a

campanha da Amnistia Internacional vai também de encontro ao preconizado nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio no que concerne a erradicação da pobreza extrema e, em particular, o acesso sustentável a água potável e sa- neamento básico.

a erradicação da pobreza extrema e, em particular, o acesso sustentável a água potável e sa-

“Porque a pobreza não é permanente. A pobreza é algo que pode ser mudado”

Michael Nyangi, residente em Kibera convidado para falar perante as Nações Unidas

© Amnistia Internacional
© Amnistia Internacional

Uma mulher atravessa o curso de água poluído que corre no bairro degradado onde vive.

A fALTA DE SANEAMENTO BáSICO

A insegurança sentida pelas mulheres

deve-se, fortemente, à falta de serviços

essenciais, tais como saneamento bási- co, que aqui se refere tão-somente à fal-

ta de instalações sanitárias e de higiene.

Um estudo encomendado pelo Banco Mundial em 2006 mostrou que cerca de 58% dos residentes em bairros degrada- dos partilham instalações sanitárias e de higiene e que cerca de 6% não tem qualquer acesso a saneamento básico.

As mulheres e jovens que habitam nestes estabelecimentos são particu- larmente afectadas pela falta de acesso adequado a casas de banho (latrinas) e duches. Não só as mulheres têm necessi- dades físicas diferentes dos homens (por exemplo, relacionadas com a menstrua- ção), como requerem maior privacidade na utilização das latrinas e para a sua higiene pessoal.

A maioria tem que andar cerca de 300

metros até chegar à latrina mais próxi- ma. A organização dos bairros em “corre- dores” (um labirinto de passagens escu- ras e apertadas entre o casario) faz deste percurso uma viagem perigosa para as mulheres e jovens, particularmente à noite. As entrevistadas pela Amnistia

“Temos que sofrer a vergonha e a indigni-

tomar banho na sua presença

[dos familiares], os nossos valores morais e a nossa cultura não permitem isto – tomar banho particularmente em frente às nossas crianças”

dade de (

)

Testemunha de Kibera, um dos maiores bairros degradados do Quénia

salubridade. Assim, a prática comum é a utilização da própria casa como duche o que, além da constrição óbvia associada ao facto de se transformar habitações de uma só divisão em balneários, levanta questões de privacidade particularmente sensíveis para as mulheres.

A este acresce o problema da elevada

incidência de doenças facilmente trans- missíveis, como a cólera ou a disenteria, nestes bairros degradados. A falta de condições sanitárias ajuda à transmis- são destas doenças, que por sua vez

SAIBA MAIS

O QUE PODE fAZER

A

Amnistia Internacional lançou no pas-

É

urgente exigir maior segurança para

sado mês de Julho o relatório “Insecu- rity and Indignity: Women’s experiences in the slums of Nairobi, Kenya”, agora disponível em www.amnistia-internacio- nal.pt (Aprender / Revista da Amnistia Internacional)

as

mulheres dos bairros degradados do

Quénia. Tudo o que tem de fazer é desta-

car o postal que encontra no interior des-

ta

revista e enviar ao Ministro de Estado

para a Administração das Províncias e Segurança Interna.

Notícias Amnistia Internacional

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Notícias • Amnistia Internacional 23 A AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL VISTA à LUPA Neste número do “Notícias

A AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL VISTA à LUPA

Neste número do “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” vamos conhecer mais um grupo local da secção portuguesa: o 19, de Sintra. Fique ainda a par de algumas actividades desenvolvidas durante o Verão

GRUPO LOCAL 19/SINTRA PELOS DIREITOS HUMANOS DESDE 1989

Por Fernando Sousa, Coordenador do Grupo 19/Sintra

© Amnistia Internacional Portugal
© Amnistia Internacional Portugal

Os elementos do Grupo 19, numa manifestação contra a entrada da Guiné Equatorial na CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Combatentes – Núcleo de Sintra para

a partilha das suas instalações; re-

começaram a ver-se, adoptaram um prisioneiro de consciência, fizeram uma

acção de formação, dividiram funções

e tarefas, arrumaram-se por subgrupos

conforme os objectivos. São agora 17, e à espera de pelo menos mais sete adesões, encontram-se de dois em dois meses e

contactam regularmente por mail.

A libertação do Carlos Jorge Garay, em

Março, e, a seguir, a de Vanunu, provaram que o rumo estava certo. O 19 trabalha agora para tirar da prisão Black Beach,

na Guiné Equatorial, sete prisioneiros de

consciência, e em mais uma Mostra de Direitos Humanos que este ano vai ter uma estreia nacional – Hortas di Pobre-

za, de Sara Correia de Sousa.

– Hortas di Pobre- za , de Sara Correia de Sousa. FICHA TÉCNICA Grupo Local 19/

FICHA TÉCNICA Grupo Local 19/ Sintra

Coordenador: Fernando Sousa Local de encontro: Liga dos Comba- tentes – Núcleo de Sintra Periodicidade das Reuniões:

Bimestrais

Contacto: ai.grupo19@gmail.com

Em Novembro de 2009, quando voltou ao activismo pleno, o 19 não fazia ideia que meses depois ajudaria a libertar o seu primeiro prisioneiro de consciência desta segunda fase de vida, o peruano Car- los Garay; ou que pelo meio contribuiria para a libertação do técnico israelita, Mordechai Vanunu. Trabalha agora em dois casos da Guiné Equatorial, num to- tal de sete adopções, e pensa trabalhar mais um.

A estrutura sintrense da Amnistia Inter-

nacional (AI) Portugal nasceu, como Nú- cleo, no dia 5 de Abril de 1989. Em Julho de 1990 passou a Grupo, o décimo-nono da secção, reunindo dezenas de activis- tas à volta de agendas ambiciosas e quase sempre cumpridas.

Foram anos cheios, de campanhas, como

a primeira sobre Vanunu, de marchas,

como a de Alcobaça por Timor, de mani- festações, de visitas a embaixadas, de sessões públicas e em escolas, de pre- sença habitual nos media locais e na- cionais, aqui com o agrément da secção portuguesa da Amnistia Internacional, de programas em quatro emissoras, de espectáculos de teatro e música clás- sica, e de um monte de iniciativas sem precedentes em Portugal, como tertúlias temáticas, uma vez por mês, ou a dis- tribuição de bibliotecas de Direitos Hu- manos às escolas do concelho.

A par do frenesim militante, que aliciou

muitos novos membros, o Grupo 19 aju- dou a secção na área da formação, um pouco por todo o país, promovendo a De- claração Universal ou o Mandato, como ainda se chamava, ou a criação de novos núcleos. Transformou-se quase numa es- trutura-local-quase-nacional. Participou até lá fora em sessões da AI em Badajoz

e manifestações em Madrid.

Não conseguiu saber nada do Omar Ahmed Oman, um engenheiro desa- parecido nas mãos da secreta egíp- cia, um caso de investigação, de 1992, partilhado com um grupo austríaco e outro alemão; mas recebeu Mohammad Nadrani, um “desaparecido” que as au- toridades marroquinas libertaram e que nos visitou em 1993.

Em termos financeiros, o 19 bastava-se devido a uma política que se resume as- sim: fizesse o que fizesse, pedia sempre dinheiro ou vendia alguma coisa. Daí ter tido quase sempre um confortável ex- tracto bancário…

Enfim – o espaço não dá para contar tudo – o grupo sintrense, coordenado, um após outro, por Fernando Sousa, Luís Galrão e Rui Palma, marcou a sua própria história com a Mostra anual de documentários de Direitos Humanos, sempre acompanhados de palestras, que teve oito edições – e agora voltou.

Mas este trabalho de anos derrapou nos Direitos Humanos dos próprios mem- bros do 19, como o de crescer, estudar, namorar, casar e por aí fora. A conclusão de cursos, os trabalhos, os bebés que iam batendo à porta impuseram-se e o ímpeto activista sofreu, claro, com isso; quase hibernou, não fosse a continuação da página e do blogue do grupo, e das sessões em escolas, que, essas, nunca deixou de as fazer.

Até que, em Novembro, membros mais antigos encontraram-se, acharam que tarefas e reuniões a mais, e formação a menos, podem conduzir à morte, senão de um grupo pelo menos do activismo, assinaram um acordo com a Liga dos

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Notícias Amnistia Internacional

FESTIVAIS DE VERÃO ALIAR OS DIREITOS HUMANOS À MúSICA

Nos meses de Verão a Amnistia Interna- cional Portugal não pára! E se uma boa

parte dos portugueses está, nessa al- tura, nos tão famosos Festivais de Verão, há vários anos que fazemos questão de marcar também presença para falar de Direitos Humanos. Um tema que não tira

férias!

Este ano de 2010 a secção portuguesa começou por estar, em simultâneo, no

Norte e Sul do país, nos dias 28 a 31 de Julho. A Norte para o Festival de Paredes de Coura e a Sul para o Músicas do Mun- do, em Sines. Nos dois espaços a Amnis- tia esteve presente com uma banca de divulgação e venda de merchandising e com a acção “Mundial de Futebol 2010”, lançada em Junho por ocasião da com- petição que teve lugar na África do Sul.

semelhança do país africano, também

a Amnistia Internacional construiu um

À

estádio. Este, porém, é virtual e conta já com a presença de 521 defensores dos Direitos Humanos. Pessoas que coloca- ram o seu rosto nas bancadas do estádio que visa apoiar uma equipa diferente: a

Stand Up United. Os “jogadores” são 11 defensores dos Direitos Humanos que têm feito um trabalho ímpar e que, por isso, vivem sob constante ameaça. Conheça- -os e junte-se a esta causa! Visite http:// estadiovirtual.amnistia-internacional. pt/ até Dezembro. Recolher rostos para o estádio virtual foi então o objectivo principal das equipas da Amnistia Internacional em Paredes de Coura e Sines. Uns dias mais tarde seguimos viagem, pela primeira vez, para o Andanças-Festival Internacional de Danças Populares, que todos os anos leva ritmos do mundo a São Pedro do Sul. Entre os dias 4 e 8 de Agosto a Amnistia esteve a recolher mensagens sobre Direi- tos Humanos junto dos festivaleiros, que foram escritas em post its – imagem de marca do movimento – e coladas num mural alusivo aos Direitos Humanos. Foi assim a passagem da Amnistia In- ternacional Portugal pelos Festivais de Verão. É caso para dizer: para o ano há mais!

© Amnistia Internacional Portugal
© Amnistia Internacional Portugal

PLATAfORMA POR DARfUR UMA BATIDA PELA PAz

Manteve-se activa durante o Verão a campanha “Sudão 365” da Plataforma por Darfur, da qual a Amnistia Interna-

anos, o que originou, para além de mi- lhares de mortes, pelo menos quatro mi- lhões de pessoas a viverem deslocadas

cional Portugal faz parte. O vídeo “Uma batida pela paz” – disponível em www. sudan365.org – foi divulgado no Festival de Paredes de Coura e pretende chamar

dentro do seu próprio país, amontoando- -se em condições precárias em campos de refugiados. É para tentar mudar o seu futuro que trabalha a Plataforma por

a

atenção do mundo para o drama hu-

Darfur, com uma aposta forte na educa-

manitário que se continua a viver no Darfur, Sudão. Uma situação que pode

ção. Actualmente tem dois projectos: um em Nyala, denominado “Uma escola para

agravar-se nos próximos meses, com

Nyala”, outro em Cartum, com as esco-

a

aproximação da data marcada para

las “Salvem os Oprimidos”. Saiba como

o

referendo que irá dar à população a

ajudar em http://pordarfur.com/pt/go/

possibilidade de escolher se pretende a independência do sul do país. Refira- -se que esta zona é habitada sobretudo por negros, não seguidores do Islão, en- quanto o Norte, onde está o Governo, é dominado por árabes muçulmanos. Dois povos que lutam há mais de 20

como-ajudar-darfur. A Plataforma inclui, para além da Amnistia, a Associação Mãos Unidas Padre Damião, a Comissão Justiça e Paz dos Religiosos, a Fundação AIS, a Fundação Gonçalo da Silveira, os Missionários Combonianos e a Rede Fé e Justiça África-Europa.

GRUPOS E NÚCLEOS DA AMNISTIA INTERNACIONAL (grupo, localidade, coordenador, email, blogue)

GRUPO LOCAL 01 (Lisboa) Coordenador a designar: grupo1.aiportugal@gmail. com; http://grupo1aiportugal.blogspot.com/ GRUPO LOCAL 03 (Oeiras) Lucília-José Justino: zjustino@gmail.com GRUPO LOCAL 06 (Porto) Virgínia Silva: aiporto6@gmail.com; http://aiporto. blogspot.com GRUPO LOCAL 14 (Lourosa) Valdemar Mota: aigrupo14@gmail.com GRUPO LOCAL 16 (Ribatejo Norte) Yvonne Wolf: yvonne_wolff@adsl.xl.pt GRUPO LOCAL 18 (Braga) José Luís Gomes: ai18portugal@hotmail.com GRUPO LOCAL 19 (Sintra) Fernando Sousa: ai.grupo19@gmail.com; http://blog- 19.blogspot.com ; http://grupo19aisp.no.sapo.pt GRUPO LOCAL 24 (Viana do Castelo) Luís Braga: luismbraga@sapo.pt GRUPO LOCAL 32 (Leiria) Maria Fernanda Ruivo: fernanda.ruivo@sapo.pt GRUPO LOCAL 33 (Aveiro) Alexandra Monteiro: amnistiaveiro@gmail.com; http://amnistiaveiro.blogspot.com/ GRUPO LOCAL 34 (Matosinhos) Querubim Reisinho: amnistia.matosinhos@gmail. com; http://nucleodematosinhos.blogspot.com/

NúCLEO DE ALMADA Marlene Oliveira da Conceição: ai.nucleoalmada@ gmail.com; http://ai-nucleoalmada.blogspot.com/ NÚCLEO DE ARCOS DE VALDEVEZ Rui Mendes: rbritomendes@gmail.com NúCLEO DE CASTELO BRANCO (a designar): ai_nucleo_castelobranco@yahoo.com; http://amnistiacastelobranco.blogspot.com/ NúCLEO DE COIMBRA Bárbara Barata: nucleoaicoimbra@gmail.com NÚCLEO DE CRIANÇAS (Vila Nova de famalicão) Vitória Triães: aip.ibeji@gmail.com NÚCLEO DE ESTREMOZ Maria Céu Pires: amnistiaetz@gmail.com NÚCLEO DE GUIMARÃES Cristina Lima: amnistia.guimaraes@gmail.com NúCLEO DO OESTE / CALDAS DA RAINHA Teresa Mendes: ai.nucleooeste@gmail.com; http:// aioeste.blogspot.com NÚCLEO DO PORTO André Rubim Rangel: nucleo.ai.porto@gmail.com NúCLEO DE TORRES VEDRAS Ana Lopes: aitorresvedras@gmail.com; http://blog. comunidades.net/aitorresvedras GRUPO SECTORIAL EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS Fernanda Sousa: mfpsousa@gmail.com CO-GRUPO DA CHINA Maria Teresa Nogueira: nogueiramariateresa@gmail. com CO-GRUPO SOBRE CRIANÇAS Manuel Almeida dos Santos: manuelalmeidasantos@ netnovis.pt CO-GRUPO DA PENA DE MORTE Coordenador a designar: ai.contrapenademorte@ gmail.com; http://contrapenademorte.wordpress.com GRUPO DE JURISTAS Sónia Pires: sonia.c.pires@gmail.com NÚCLEO LGBT Manuel Magalhães: lgbt.amnistia@gmail.com; http://lgbtamnistia.blogspot.com

Se ainda não existe um grupo da Amnistia Interna- cional Portugal perto de sua casa, pode sempre ser pioneiro e começar o activismo na sua localidade. Fale connosco pelo boletim@amnistia-internacion- al.pt ou ligando 213 861 652.

Notícias Amnistia Internacional

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Notícias • Amnistia Internacional 25 JOVEM PORTUGAL ACOLHE ENCONTRO EUROPEU DE JOVENS E ntre 26 de

JOVEM

PORTUGAL ACOLHE ENCONTRO EUROPEU DE JOVENS

Entre 26 de Julho e 2 de Agosto, a secção portuguesa da Amnistia Internacional foi a anfitriã do Encontro Europeu de Jovens da organização, que juntou em Lisboa 21 países. O “Notícias da Amnistia Internacio-

O Encontro numa só palavra Fantástico Especial Suécia Nina Bounou, Israel Amit Shilo, nal Portugal”
O Encontro
numa só palavra
Fantástico
Especial
Suécia
Nina Bounou,
Israel
Amit Shilo,
nal Portugal” foi espreitar o evento
Esperança
Partilha
Alexis Hotton, França
Fernando
Chironda,
Excepcional
Itália
Sheelan Yousefizadeh,
Fantabulástico
Irlanda
Joris Veldhoven, Holanda
Sinérgico
Excelente
Senay
Savut, Turquia
© Amnistia Internacional Portugal
Elisa
Cansativo
Marques Custódio,
Empowering
Bélgica
Morris,
Udi
Nir, Israel
Reino
Greta Unido
Energético
© Amnistia Internacional Portugal
Fantástico
Épico
Amistoso
Bart Storan,
Irlanda
Zahid Raja,
Mary Quinn, Irlanda
Rebecca Domino Asmussen,
Dinamarca
Reino
Unido
Inovador
Shahaf Weisbein, Israel
© Amnistia Internacional Portugal
© Amnistia
Internacional Portugal

Entre 26 de Julho e 2 de Agosto, a Pousa- da da Juventude de Almada respirou multiculturalismo ao receber o Encontro Europeu de Jovens da Amnistia Interna- cional, de que Portugal foi pela primeira vez anfitrião. Meia centena de jovens, maiores de 18 anos, chegaram a Lis- boa vindos de 21 secções europeias da Amnistia Internacional. O objectivo era “fomentar o trabalho dos jovens do movi- mento”, referiu Luísa Marques, Directora de Campanhas e Estruturas da secção portuguesa da Amnistia. A responsável pelo Encontro espera agora que as li- gações criadas “dêem frutos e que no futuro os jovens consigam trabalhar em Rede, não só a nível nacional, mas com outras secções”. Um objectivo que esteve na génese do próprio Encontro Europeu

de Jovens, cujo conceito remonta a 2007, recorda Benjamin Titze, da Direcção da Amnistia Internacional Alemanha, na altura Coordenador da Juventude. Em conversa com o “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” explica que em Dezembro de 2007 decorreu uma reunião de Grupos de Jovens da organização, em Paris, para “discutir como fortalecer o trabalho dos jovens na Europa e a cola- boração entre as várias estruturas euro- peias da Amnistia”. Decidiu-se instituir aquilo a que se chamou Acampamento de Verão Europeu, hoje Encontro Europeu de Jovens, a realizar-se de dois em dois anos.

A ideia não era nova, uma vez que desde 2001 já tinham sido organizados en- contros de jovens na Eslovénia, Israel,

Suíça, Irlanda e nos países nórdicos. No entanto, este seria um evento diferente, uma vez que teria de ser Pan-Europeu, ou seja, “estar aberto a todas as secções e estruturas europeias da Amnistia In- ternacional”, enquanto os anteriores juntavam apenas as que já tinham maior contacto. Na proposta então realizada para o Encontro Europeu de Jovens pode ler-se: “vai oferecer aos participantes, de muitos contextos culturais e nacionais diferentes, a oportunidade de se reuni- rem, trocarem experiências e participa- rem num projecto educativo informal”.

Foi exactamente isso que aconteceu em 2008, em França, e se repetiu este ano, em Almada, Portugal, do primeiro ao último dia. O Encontro começou com uma reunião de Coordenadores de

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Notícias Amnistia Internacional

Grupos de Jovens, a 26 e 27 de Julho, e no dia seguinte, chegaram dezenas de outros participantes, todos ligados ao movimento, para aprenderem mais sobre Direitos Humanos e trocarem ex- periências de activismo. O programa do Encontro começou com workshops rela- cionados com a Pobreza, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a Diver- sidade Social e Cultural e as Pessoas em Movimento. Todos temas ligados à mais recente campanha da Amnistia Internacional, “Exija Dignidade”, e mais concretamente ao problema vivido pelos ciganos na Europa.

Uma orientação que Luísa Marques ex- plica: “já estava internacionalmente decidido que o Encontro se focaria na campanha da Dignidade e, a este nível,

no papel que os jovens podem ter para a promover”. Aliou-se a isto o facto da secção italiana trabalhar muito a questão dos ciganos e os workshops foram orien- tados por forma a que, no final do En- contro, os jovens pudessem sair às ruas de Lisboa e explicar como é possível que na moderna Europa centenas de ciga- nos ainda vivam em estabelecimentos informais, constantemente deslocados consoante a vontade dos Governos. Foi para esta triste realidade que os 50 jo- vens alertaram, a 31 de Julho, no Largo de Camões, em Lisboa. O convívio só terminou no dia seguinte, com a troca de experiências sobre cooperação inter- nacional e activismo juvenil. Ideias que, prometeram os participantes, vão agora pôr em prática!

prometeram os participantes, vão agora pôr em prática! GRUPOS DE ESTUDANTES DA AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL

GRUPOS DE ESTUDANTES DA AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL

(Coordenadores e emails/blogues)

• GE DO COLéGIO DE SÃO MIGUEL (Fátima)

Sónia Oliveira: ai_csm@live.com.pt; aia- teondepodemoschegar.blogspot.com

• GE DO COLéGIO DIOCESANO DE NOSSA

SENHORA DA APRESENTAÇÃO (Calvão)

Jorge Carvalhais: amnistia@colegiocal- vao.org

• GE DA ESCOLA SECUNDáRIA DE

ALBUfEIRA Rosaria Rego: grupoestudantes_esa_ amnistiainternacional@hotmail.com; grupodaesaai.blogspot.com

• GE DA ESCOLA SECUNDáRIA ANTERO DE QUENTAL (S.Miguel, Açores)

Fernanda Vicente: fpacvicente@sapo.pt

• GE DA ESCOLA SECUNDáRIA DE ERMESINDE

Maria Arminda Sousa: ai-ese@sapo.pt; www.ai-ese.pt.vu

• GE DA ESCOLA SECUNDáRIA DE

fERNÃO MENDES PINTO (Almada)

Marta Reis: amnistia.internacional@ esfmp.pt

• GE DA ESCOLA SECUNDáRIA fILIPA DE VILHENA (Porto)

Carla Ferreira: carlafariaferreira@ hotmail.com

• GE DA ESCOLA SECUNDáRIA MARIA

LAMAS (Torres Novas) Teresa Gomes: teresinha_mfrg@hotmail. com

• GE DA ESCOLA SECUNDáRIA SANTA

MARIA MAIOR (Viana do Castelo) Cristina Soares: crisoaresd@hotmail. com; amnistisiados.blogspot.com

• GE DA fACULDADE DE DIREITO DE LISBOA

Júlia Maurício: nucleoai.fdul@gmail.com

• GE DO ISCTE

Ana Monteiro: amnistiaiscte@yahoo.com

• ReAJ-REDE DE ACÇÃO JOVEM

A designar: redejovem.amnistia@gmail. com; www.reajportugal.blogspot.com

Se ainda não existe um Grupo da Amnis- tia Internacional na tua escola ou univer- sidade, podes ser tu a criá-lo. Nós dize-

mos como

Escreve-nos para boletim@

amnistia-internacional.pt ou telefona

para o 213 861 652.

© Amnistia Internacional Portugal
© Amnistia Internacional Portugal
© Amnistia Internacional Portugal
© Amnistia Internacional Portugal

participante portuguesa no Encontro Europeu de

Márcia Bartolo,

da reunião em Almada

Jovens, a propósito

O Encontro Europeu de Jovens, que decorreu em Almada, foi o reafirmar de tudo o que

Internacional e o empenho dos últimos anos.

mim representa a Amnistia

secções trabalham. O

oportunidade de saber como outras

para Durante o encontro tive a

como a criação

novas técnicas,

o de Itália que, aplicando

ou, em Por-

a situação das comunidades Roma

exemplo por mim a destacar foi

O trabalho deles

online, conseguiu abordar

várias faixas etárias.

depois de discutirmos bem o

um jogo

de

de forma atractiva para

rua. Assim,

tugal, do povo cigano,

acabou por ser o mote para a nossa acção de

atenção de todas as formas

de que queríamos chamar a

isso criámos uma pequena peça de teatro de rua com música e palavras de

assunto, chegámos à conclusão

evitar o desalojamento

para

angariámos centenas de assinaturas

possíveis. Para

de rádio para

a Europa, e criámos um programa

parte disso,

ordem. À

destas comunidades, um pouco por toda

de Camões].

praça [Largo

o que acontecia

na

seguirmos minuto-a-minuto

a cam-

vários assuntos, como

semana discutimos

os Objectivos de Desen-

Além de preparar a acção, durante a

novas formas de fazer campanhas,

deixar de falar dos

Dignidade”,

não podíamos

volvimento do Milénio e o papel da Amnistia e, claro,

panha “Exija

países e de como estes trabalham.

maneiras

nos nossos

grupos [locais]

noites arranjávamos novas

todas as

esteve sempre

foi só trabalho,

a visitas pela cidade, a troca cultural

Apesar de parecer que

nos divertirmos. Desde festas

de

presente e as novas amizades também.

uma maneira ou de outra, foi a

de

bem patente, e que preocupava todos

tardou. Muitas

como combatê-la. Bem, a resposta não

que ficou

Algo

quando nos encon-

ocasional falta de motivação e

a lidar com limitações, mas

medos e desafios,

sentir que só nós estamos

de jovens que lidam com os mesmos problemas,

Israel ou da Alemanha, sentimo-nos validados

vezes podemos

tramos com dezenas

ou mesmo de

cidade vizinha

sejam eles da

e acima de tudo sentimo-nos parte de algo maior.

Notícias Amnistia Internacional

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Notícias • Amnistia Internacional 27

Por Departamento de Angariação de Fundos e Financeiro

A Amnistia Internacional Portugal agradece a todos os que apoiam o trabalho em prol dos Direitos Humanos. É graças ao seu contínuo apoio que a nossa secção consegue chegar mais longe no combate às violações dos Direitos Humanos, no nosso país e em todo o mundo.

RECEITAS E DESPESAS

Apresentamos na tabela 1 os valores de receitas e despesas da secção por- tuguesa da Amnistia Internacional (AI), correspondentes ao primeiro semestre de 2010. Neste período, a AI Portugal obteve um saldo positivo no valor de 55.117,51 euros, tendo o valor das receitas aumen- tado 21,3% e o valor das despesas 14,7% relativamente ao mesmo período do ano passado.

Nesta fase de crescimento da secção são prioritárias a comunicação com os Mem- bros e Apoiantes e sobretudo a eficácia do nosso trabalho de investigação e denúncia.

TOTAL TOTAL Jan./Jun. Jan./Jun. 2010 2009 DESPESAS 316.242,25 € 275.781,88 € RECEITAS 371.359,76 €
TOTAL
TOTAL
Jan./Jun.
Jan./Jun.
2010
2009
DESPESAS
316.242,25 €
275.781,88 €
RECEITAS
371.359,76 €
306.142,27 €
SALDO
55.117,51 €
30.360,39 €
TABELA 1 - Receitas e Despesas
Dados comparativos do primeiro
semestre de 2009 e 2010.

EVOLUÇÃO DE MEMBROS E APOIANTES

Apresentamos no gráfico 1 a evolução do número de Membros e Apoiantes activos da secção nos últimos anos (até 31 de Julho de 2010). Tal como se pode verificar, a Amnistia conta actualmente em Portugal com 12.533 Membros e Apoiantes activos, ou seja, pessoas que contribuem actual- mente através de donativos e/ou quotas de membro. A AI agradece o seu apoio.

Na tabela 2 poderá observar as diferentes vias de inscrição de Membros e Apoiantes referentes aos primeiros sete meses de 2009 e 2010. O projecto de rua “Face to

14.000 12.464 12.553 12.000 11.378 10.000 8.132 8.000 6.000 4.101 4.000 2.000 0 Ano 2006
14.000
12.464
12.553
12.000
11.378
10.000
8.132
8.000
6.000
4.101
4.000
2.000
0
Ano 2006
Ano 2007
Ano 2008
Ano 2009
Ano 2010
(até Julho)
GRáfICO 1: Evolução de Membros e Apoiantes entre 2006 e 31 de Julho de 2010.

Face” é ainda a principal via de inscrição de Apoiantes regulares, representando 84% do total de Membros e Apoiantes da secção portuguesa. É graças a esta esta- bilidade e crescimento que a secção por- tuguesa garante uma maior visibilidade e qualidade nas acções e campanhas de- senvolvidas no nosso país. Obrigado pelo seu apoio, faz toda a diferença.

DIREITOS HUMANOS NO SEU LOCAL DE TRABALHO

Para além das acções e campanhas globais e nacionais promovidas pela AI, há mais de dez anos que a Amnistia In- ternacional desenvolve um vasto trabalho de Educação e Formação para os Direitos Humanos. Agentes das forças de segu- rança, empresas, pessoas sem-abrigo, reclusos, vítimas de violência doméstica e sobretudo crianças dos 5 aos 18 anos receberam, nos últimos anos, as Sessões de Formação da Amnistia.

Queremos chegar aos locais onde as pes- soas estão! Queremos informar, sensibi- lizar e mobilizar todos os tipos de público para os Direitos Humanos. Informados podemos agir, salvar vidas, mudar leis, lutar pela dignidade e justiça de todos.

Em 2009 e 2010 várias empresas reve- laram uma enorme receptividade à nossa visita. Saiba que podemos também levar os Direitos Humanos à sua empresa. Contacte-nos pelo i.cruz@amnistia-in- ternacional.pt.

Registos à data de 31 Julho AI Portugal 2009 2010 Apoiantes e Membros via “Face
Registos à data de 31 Julho
AI Portugal
2009
2010
Apoiantes e Membros
via “Face to Face”
10.125
10.524
Outros Membros
(via site, CTT, boletim)
1.565
1.459
Doadores Pontuais
514
550
Total
12.204
12.533
TABELA 2 - Registo de Membros e Apoiantes
da AI Portugal – Dados comparativos de 2009
e 2010, à data de 31 de Julho.

NATAL 2010 – Este Natal con- tinue a ser Solidário!

Este Outono novos presentes vão “cair” na Amnistia Internacional e podem ir direitinhos à sua árvore de Natal. Na hora de fazer a lista dos seus presentes, não esqueça as nossas soluções! Para além dos jogos, canetas, livros infantis e CD’s, vamos ter novas camisolas, malas recicladas e agendas para colocar no seu sapatinho! Compre presentes e postais de Natal na Amnistia e torne esta época ainda mais especial!

Espreite em breve na nossa Loja em www. amnistia-internacional.pt ou envie email para Itana Cruz: i.cruz@amnistia-inter- nacional.pt.

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Notícias Amnistia Internacional

BOAS NOTÍCIAS

MÉXICO

CONSEGUIMOS! RAúL HERNÁNDEz ESTÁ EM LIBERDADE!

“Quero agradecer à Amnistia Internacio- nal e às pessoas de muitos países que trabalharam pela minha libertação”. Foram estas as palavras do mexicano Raúl Hernández à saída da prisão, onde esteve mais de dois anos acusado de homicídio, numa acusação que terá surgido por defender os Direitos Huma- nos. Entre as centenas de pessoas que apelaram em seu nome estão muitos portugueses. Obrigada a todos os que ajudaram a libertar mais um prisioneiro de consciência!

Foi no número 4 do “Notícias da Amnis- tia Internacional Portugal” que falámos pela primeira vez de Raúl Hernández, nos Apelos Mundiais. Activista há vários anos pelos Direitos Humanos dos povos indí- genas, na Organização do Povo Indígena Me’phaa (OPIM), foi preso a 17 de Abril de 2008 quando passava por um roti- neiro controlo militar. Com quatro compa- nheiros da mesma causa, foi acusado do

© Ricardo Ramirez Arriola
© Ricardo Ramirez Arriola

O ex-prisioneiro, na sua cela, com os milhares de postais que recebeu.

homicídio de Alejandro Feliciano García, que ocorrera a 1 de Janeiro do mesmo ano. Julga-se que o falecido tinha liga- ções à polícia e ao Exército. Passados 11 meses, os quatro companheiros foram libertados, por falta de provas, e Raúl permaneceu detido, uma vez que duas testemunhas oculares garantiam tê-lo visto. Os testemunhos, de tão parecidos, deixavam adivinhar terem sido prepara- dos e os álibis de Raúl não foram sequer ouvidos.

Uma situação que não surpreendeu os elementos da OPIM, habituados a deten- ções e condenações injustas. A Amnistia Internacional adoptou o mexicano como prisioneiro de consciência e o seu apelo foi enviado a todo o mundo. Chegou a

Portugal sob a forma de postal, publica- do nas páginas centrais da revista oficial da secção portuguesa. Várias foram as pessoas que não hesitaram, recortaram

o postal e enviaram-no via Correio. E to-

A 27 de Ago-

dos juntos conseguimos

sto Raúl Hernández foi absolvido e com

o valor de um selo libertámos mais um

activista!

ISRAEL/TERRITÓRIOS PALESTINIANOS OCUPADOS

MAIS UM CASO BEM SUCEDIDO

Foi no número 5 do “Notícias da Amnistia Internacional Portugal” que apresentámos o caso do palestiniano Khaled Jaradat, de 50 anos, preso desde 3 de Março de 2008. Mais de dois anos depois foi final- mente libertado, a 15 de Julho, graças aos milhares de apelos enviados em seu nome às autoridades israelitas. Portugal foi um dos países a contribuir para a sua libertação.

Recordamos que Khaled Jaradat era pro- fessor de inglês numa escola secundária da Cisjordânia, Território Palestiniano Ocupado onde sempre morou, quando foi preso sob detenção administrativa. Uma medida excepcional, prevista nas normas internacionais, que permite a prisão sem acusação formal ou julgamento, sendo decretada pelo Governo e não pelos Tri- bunais. As autoridades israelitas usam

esta possibilidade para manter pessoas presas indefinidamente.

Foi o que aconteceu a Khaled Jaradat, inicialmente detido por um período de seis meses, tendo visto a detenção ser consecutivamente renovada. As auto- ridades israelitas diziam acreditar que pertencia à organização palestiniana radical Jihad Islâmica, mas como nunca apresentaram provas, a prisão não po- dia ser refutada. Cá fora a mulher e os seis filhos de Khaled tiveram de sobre- viver sem a sua presença, não podendo

sequer, desde Abril, telefonar ou visitar

o prisioneiro.

Agora em liberdade, o palestiniano en- viou a seguinte mensagem: “agradeço

o trabalho e o esforço dos membros da

Amnistia Internacional em assegurar a

Não há dúvida que

minha libertação. (

a pressão feita levou à minha liberdade.

Agradeço-vos por isso e espero que con- tinuem a trabalhar noutros casos até que sejam também libertados”.

)

© Privado
© Privado

O prisioneiro com a sua filha.

Notícias Amnistia Internacional

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APELOS MUNDIAIS

“Quando organizações como a Amnistia Internacional pedem uma assinatura, assinem. Porque estão

a fazer a diferença. Quando estava no corredor da morte na florida iam chegando faxes, emails,

Eles não liam tudo, mas viam que chegavam 10.000, 20.000 e acreditem que faz a dife-

rença Acham que não serve para nada? Quando o meu pai falava com as secretárias do Governador da

florida na altura, elas diziam «quem é este espanholito que faz com que tenhamos a caixa de email e

o fax bloqueados e que todas as semanas faz chegarem centenas de assinaturas. Como podem estar todos tão interessados nele». Acreditem, as assinaturas são fundamentais”.

postais

Foram estas as palavras proferidas pelo espanhol Joaquín José Martinez, um inocente que esteve três anos no corredor da morte na Florida, Estados Unidos da América. Foram ditas perante dezenas de estudantes, numa conferência que decorreu em Coimbra em Outubro de 2009.

NAS PRóxIMAS PáGINAS APRESENTAMOS-LHE MAIS QUATRO PESSOAS QUE AINDA PRECISAM DA SUA AJUDA. CONHEÇA OS CASOS E PARTICIPE!

A SI CUSTA MUITO POUCO E PARA TODOS ELES PODE SIGNIfICAR O fIM DE UMA INJUSTIÇA!

AJUDA. CONHEÇA OS CASOS E PARTICIPE! A SI CUSTA MUITO POUCO E PARA TODOS ELES PODE
AJUDA. CONHEÇA OS CASOS E PARTICIPE! A SI CUSTA MUITO POUCO E PARA TODOS ELES PODE
AJUDA. CONHEÇA OS CASOS E PARTICIPE! A SI CUSTA MUITO POUCO E PARA TODOS ELES PODE

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Notícias Amnistia Internacional

UCRâNIA

Alegações de tortura ignoradas

Aleksandr Rafalsky (39 anos) foi detido a 13 de Junho de 2001, em Kiev, capital da

Ucrânia, sob suspeitas de estar envolvido na morte de quatro pessoas. A 30 de Julho de 2004, após um julgamento marcado por falhas processuais, foi condenado a prisão perpétua, com base no depoimento de duas testemunhas, alegadamente submetidas

a tortura e outros maus-tratos.

Aleksandr declara-se inocente e afirma ter sido igualmente submetido a tortura e ou- tros maus-tratos na prisão, entre 13 e 26 de Junho de 2001 (dia da acusação formal), que incluíram uma simulação de execução com uma arma apontada à cabeça durante cinco minutos, esperando que assim confessasse todos os crimes.

Não houve, entretanto, qualquer investigação sobre as alegações de tortura e as quei- xas de Aleksandr têm sido rejeitadas, apesar da grande campanha internacional em seu favor, não só protagonizada pela sua mãe, Tamara, como pelas mães de outros prisioneiros e por grupos de Direitos Humanos como a Amnistia Internacional.

Entre Janeiro e Outubro de 2009, 13 organizações não governamentais da Ucrânia receberam 165 queixas de tortura e outros tipos de maus-tratos, 100 das quais rela- cionadas com as autoridades policiais.

Aleksandr encontra-se actualmente na prisão de Vinnytsya, sofrendo de graves pro- blemas de saúde. A Amnistia Internacional está preocupada com a impunidade da tortura na Ucrânia, demonstrada neste caso em particular. Ajude-nos a acabar com esta injustiça, apelando a uma investigação imparcial sobre as alegações de maus- -tratos. Participe! Contamos consigo!

(Postal-apelo em anexo no interior desta revista. Tudo o que tem de fazer é assinar, colocar a cidade e o país de onde envia o apelo e a data. Depois basta enviar por cor- reio.)

envia o apelo e a data. Depois basta enviar por cor- reio.) © Privado © Privado
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GUATEMALA

Homicídio de jovem estudante por investigar

Claudina Velásquez (19 anos), estudante de Direito, foi assassinada a 13 de Agosto de 2005. Os culpados não foram identificados e o crime permanece ainda sob investiga- ção, sem progressos.

O corpo baleado de Claudina demonstrava indícios de violação, contudo, sérias defi- ciências foram apontadas à investigação, sobretudo no que diz respeito a provas fo- renses. Não foram realizados testes aos primeiros suspeitos para comprovar se haviam disparado alguma arma, as potenciais testemunhas do crime não foram submetidas a interrogatório e, aparentemente, todas as provas importantes foram perdidas ao longo do processo.

Na Guatemala, outros casos semelhantes encontram-se arquivados por falta de provas concretas. De facto, o número de mulheres assassinadas no país continua a aumentar. Só em 2009 houve 717 homicídios de mulheres, segundo dados do governo, e todas demonstravam indícios de violação, mutilação, tortura e desmembramento. As famí- lias, que procuram a ajuda das autoridades, são frequentemente confrontadas com a indiferença, a discriminação e a tendência em culpar o comportamento das próprias vítimas pelos crimes ocorridos.

A Amnistia Internacional está preocupada com a possibilidade dos assassinos nunca

chegarem a ser condenados. É por isso urgente sugerir novas linhas de prevenção, investigação e punição para estes crimes. Ajude-nos a fazer justiça, começando por apelar a uma investigação efectiva deste caso em particular e exigir uma identificação dos passos tomados ao longo do processo. Participe! Contamos Consigo!

(Postal-apelo em anexo no interior desta revista. Tudo o que tem de fazer é assinar, colocar a cidade e o país de onde envia o apelo e a data. Depois basta enviar por cor- reio.)

Notícias Amnistia Internacional

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IRÃO

Jornalista condenada a seis anos de prisão

31 IRÃO Jornalista condenada a seis anos de prisão A iraniana Hengameh Shahidi, de 35 anos,

A iraniana Hengameh Shahidi, de 35 anos, jornalista e activista política, encontrava-

-se a fazer um Doutoramento em Londres quando regressou ao seu país para as eleições presidenciais de 12 de Junho de 2009, onde foi assessora do candidato perdedor Mehdi Karroubi. No final do mês, foi presa pelas autoridades iranianas quando nas ruas ainda decorriam as mediáticas manifestações contra os resultados eleitorais.

Nos primeiros 50 dias, Hengameh foi mantida em regime de solitária, tendo sido tor- turada e sujeita a maus tratos. Sem qualquer acusação, foi interrogada mais de 100 vezes, tendo percebido que a consideravam uma espia britânica, pelas frequentes via- gens entre os dois países (para visitar a filha adolescente, que vive no Irão) e por uma entrevista que deu à estação televisiva BBC antes das eleições. Após uma greve de fome, foi libertada sob fiança a 1 de Novembro.

Só nesta altura pôde contactar um advogado e três dias depois começou o seu julga- mento. Foi condenada a seis anos de prisão por “reunir e conspirar com a intenção de prejudicar a segurança do Estado” e por “propaganda contra o sistema”. Acusações que surgem porque participou nas manifestações, enquanto jornalista freelancer, e porque deu a entrevista à BBC. Uma pena pesada para quem apenas exerceu o seu direito à liberdade de expressão e associação.

Hengameh Shahidi sofre de problemas de coração que exigem tratamento médico re- gular. É por isso urgente exigir a sua libertação, bem como uma investigação adequada às alegadas práticas de tortura. Participe! Contamos consigo!

(Postal-apelo em anexo no interior desta revista. Tudo o que tem de fazer é assinar, colocar a cidade e o país de onde envia o apelo e a data. Depois basta enviar por cor- reio.)

© Privado GUINé EQUATORIAL Prisioneiros de consciência precisam de ajuda
© Privado
GUINé EQUATORIAL
Prisioneiros de consciência precisam de ajuda
© Arthur Judah Angel
© Arthur Judah Angel
de consciência precisam de ajuda © Arthur Judah Angel Entre 12 de Março e 30 de

Entre 12 de Março e 30 de Abril de 2008, seis antigos membros do Partido do Progresso da Guiné Equatorial (PPGE), um partido da oposição banido em 1997, foram detidos pelas forças policiais, sem mandato de captura.

Em Junho de 2008, Bonifácio Nguema Ndong (46 anos), Cruz Obiang Ebele (52 anos), Juan Ecomo Ndong (55 anos), Emiliano Esono Michá (39 anos), Gumersindo Ramírez Faustino (41 anos) e Gerardo Mangue (49 anos e antigo secretário do líder do PPGE, Severo Moto) foram condenados, por “posse de armas e munição”, a entre um a seis anos de prisão. Uma acusação que surgiu apenas três dias antes do julgamento, na mesma altura em que os seis puderam ter acesso a um advogado de defesa.

Alguns dos prisioneiros foram sujeitos a tortura antes de serem presentes a Tribunal. Foram ainda mantidos em isolamento até Novembro de 2009, sem direito a qualquer visita, tanto de familiares, como de advogados.

Bonifácio Nguema foi entretanto libertado a 16 de Março de 2009, após cumprir a pena prevista de um ano de prisão, mas os restantes prisioneiros continuam detidos em Black Beach, Malabo, a capital da Guiné Equatorial, a cumprir penas de seis anos de prisão. Para a Amnistia Internacional, o único “crime” que cometeram terá sido a filiação a um partido da oposição, sendo por isso considerados prisioneiros de cons- ciência.

É fundamental que nos comprometamos com estes casos, exigindo a sua resolução. Ajude-nos a libertar estes cinco prisioneiros de consciência. Participe! Contamos consigo!

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Notícias Amnistia Internacional

AGENDA

AMNISTIA INTERNACIONAL NUM DOS CONCERTOS DO ANO

Foram precisas apenas sete horas para que se esgotassem os cerca de 50 mil bilhetes postos à venda para o primeiro dia de concerto dos U2, em Coimbra, ten- do os ingressos para o segundo dia do evento, cerca de 40 mil, terminado num recorde de quatro horas. Dados que pro- vam que este é um dos concertos do ano, que chega já a 2 e 3 de Outubro ao Es- tádio Cidade de Coimbra. Se foi um dos

sortudos que conseguiu bilhete, saiba que a Amnistia Internacional também vai lá estar, a convite da banda irlande- sa que é Embaixadora da Consciência do movimento. Nas horas que vão anteceder

o espectáculo, vamos falar de Direitos

Humanos e promover uma importante petição. Durante o concerto vão com certeza haver muitas surpresas. Des- cubra-nos, leve os seus amigos e siga a digressão 360º dos U2 no espaço da Amnistia Internacional em http://www. facebook.com/ArtforAmnesty

© Amnistia Internacional
© Amnistia Internacional

PORTUGAL fAZ DIRECTA PELA ERRADICAÇÃO DA POBREZA

Sendo 2010 o Ano Europeu de Combate

à Pobreza e Exclusão Social, diversas

entidades (entre elas a Amnistia Inter- nacional Portugal), coordenadas pelo Instituto da Segurança Social, estão a promover “24 horas pelo Combate à Po- breza e Exclusão”. Diversas actividades estão já programadas para o próximo dia 6 de Outubro, para as cidades de Leiria, Lisboa, Porto, Santarém e Viana do Castelo, com o objectivo de sensibi- lizar os portugueses para o problema da

pobreza e da exclusão social enquanto violações graves aos Direitos Humanos. Destacamos, em Lisboa, a concentração que vai decorrer no Largo de Camões, en-

tre as 18 e as 19 horas, e logo de seguida

o lançamento do livro, em português, da

ex-Secretária-Geral da Amnistia Interna- cional, Irene Khan, intitulado A Verdade Desconhecida: Pobreza e Direitos Huma- nos, pela editora Objectiva. Saiba mais em http://24hcombatepobreza.blogspot.

com/

MAIS UM CAMPO DE TRABALHO DA AMNISTIA INTERNACIONAL

Tornaram-se já uma tradição os Campos de Trabalho para jovens da Amnistia In-

ternacional Portugal. Este ano realiza-se

a sua 11.ª edição, entre os dias 30 de

Outubro e 2 de Novembro, sempre com o mesmo objectivo: falar e debater os Di- reitos que são de todos nós, Seres Huma- nos. Durante quatro dias, uma centena de jovens, com idades entre os 15 e os 18 anos, vão deixar de lado o currículo escolar e estudar apenas Direitos Huma- nos. Ensinamentos a que se aliam sem- pre diversas actividades lúdicas. O local está por designar, mas as inscrições

abrem em breve. Mais informações pelo boletim@amnistia-internacional.pt

© Amnistia Internacional Portugal
© Amnistia Internacional Portugal

CONHEÇA A HISTóRIA DE UMA CRIANÇA-SOLDADO

Antecipando mais um aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, que se assinala a 20 de Novembro, a

Amnistia Internacional Portugal traz pela primeira vez a Portugal China Keitetsi. Aos nove anos de idade a ugandesa fu- giu de casa do pai para procurar a mãe quando foi capturada pelo Exército de Resistência Nacional, que em 1986 se tornou no novo Governo do país. Ainda criança, China Keitetsi foi um soldado como qualquer outro, tendo a sua fragili- dade de menor permitido que fosse várias vezes violada pelos seus superiores. Em 1995 conseguiu fugir através do Qué- nia, Tanzânia, zâmbia e zimbabué, até alcançar a África do Sul, onde pediu o estatuto de refugiado. O Alto Comissari- ado das Nações Unidas para os Refugia- dos realojou-a na Dinamarca, onde vive até hoje. Uma história para conhecer melhor nos dias 17, 18 e 19 de Novembro, respectivamente no Porto, Aveiro e Lis- boa, onde China Keitetsi vai esta a dar conferências. Os locais estão por designar, pelo que fique atento a www. amnistia-internacional.pt

CIDADES PORTUGUESAS CONTRA A PENA DE MORTE

Quando se aproxima mais um Dia Mun- dial contra a Pena de Morte, que se as- sinala a 10 de Outubro, a Amnistia In- ternacional recorda que apesar de 139

Estados terem já abolido esta forma cru-

el e desumana de punição, na prática ou

para crimes comuns, há 58 países que a

mantêm no ordenamento jurídico. Portu- gal, um dos pioneiros na sua abolição, deve dar o exemplo e a 30 de Novembro

– dia em que o Grão-Ducado da Toscana,

em Itália, aboliu pela primeira vez esta prática – juntar-se de forma massiva à iniciativa “Cidades para a Vida-Cidades Contra a Pena de Morte”. Todos os anos este evento é promovido pela Coligação Mundial Contra a Pena de Morte, da qual

a Amnistia Internacional faz parte, que

pede às autarquias de todo o mundo que iluminem, simbolicamente, um edifício público, mostrando assim serem contra a pena capital. Mais informações em www. citiesforlife.net ou pelo email boletim@ amnistia-internacional.pt

Notícias Amnistia Internacional

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ExPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE CARTOONS

É já a 21 de Outubro que é inaugurada uma exposição internacional de cartoons centrada na temática da Dignidade Humana. Promovida pela FecoPortugal- -Associação de Cartoonistas e pela Amnistia Internacional Portugal, visa alertar a sociedade para a necessidade de todos os Seres Humanos viverem em Dignidade. A mostra vai estar patente durante duas semanas na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, Rua Pro- fessor Sousa Câmara, 156, Campolide, em Lisboa. A entrada é livre.

MOSTRA DE DOCUMENTáRIOS SOBRE DIREITOS HUMANOS

Sensibilizar a comunidade de Sintra e arredores para a necessidade de pro- mover e defender os Direitos Humanos

é o objectivo principal da IX Mostra de

Documentários sobre Direitos Humanos, promovida pelo Grupo Local 19-Sintra da Amnistia Internacional Portugal, numa parceria com o Centro Cultural Olga Cadaval. A mostra terá lugar neste es-

paço, entre os dias 10 e 12 de Dezembro,

e exibirá documentários sobre diversas

temáticas, procurando assim reflectir

sobre alguns dos desafios que hoje se colocam aos Direitos Humanos em todo

o mundo. China Blue, de Micha X. Peled;

Children of Gaza, de Jezza Neumann; Hor-

tas di Pobreza, de Sara Correia de Sousa; Hasta la Última Piedra, de Juan José Lo- zano; Les Arrivants, de Claudine Bories,

e Ilha da Cova da Moura, de Rui Simões,

são os filmes em exibição, alguns em es- treia, sempre seguidos de debates. Mais informações perto da data em http:// grupo19aisp.no.sapo.pt/ e www.amnis- tia-internacional.pt

Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio

Por Paulo Fernandes (FecoPortugal)

do Milénio Por Paulo Fernandes (FecoPortugal) TOME NOTA • 4 de OUTUBRO Dia Mundial do Habitat

TOME NOTA

• 4 de OUTUBRO

Dia Mundial do Habitat

• 10 de OUTUBRO

Dia Mundial contra a Pena de Morte

• 17 de OUTUBRO

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

• 18 de OUTUBRO

Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos

• 16 de NOVEMBRO

Dia Internacional da Tolerância

• 25 de NOVEMBRO

Dia Internacional para a Eliminação da

Violência sobre as Mulheres

• 1 de DEZEMBRO

Dia Mundial de Luta Contra a SIDA

• 2 de DEZEMBRO

Dia Internacional para a Abolição da Escravatura

• 3 de DEZEMBRO

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

• 5 de DEZEMBRO

Dia do Voluntário

• 10 de DEZEMBRO

Dia Internacional dos Direitos Humanos

Pessoas com Deficiência • 5 de DEZEMBRO Dia do Voluntário • 10 de DEZEMBRO Dia Internacional

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Notícias Amnistia Internacional

CRÓNICA

AINDA Há TEMPO*

Por Inês Campos e Luís Mah Objectivo 2015 – Campanha do Milénio das Nações Unidas, www.objectivo2015.org

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Há dez anos, na Cimeira da ONU em Nova Iorque, os líderes mundiais com- prometeram-se com os Oito Objecti- vos de Desenvolvimento do Milénio, a cumprir até ao ano 2015. A 20, 21 e 22 de Setembro, o cenário repete-se em Nova Iorque, desta feita para avaliar os progressos e corrigir os atrasos. A resposta está num reforço da parceria mundial para o desenvolvimento.

Instituir políticas comerciais mais jus- tas, alargar o cancelamento da dívida, permitir a transferência de tecnologias e financiamento suplementar para as Al- terações Climáticas e aumentar a quan- tidade e a qualidade da Ajuda – são os componentes essenciais para a obtenção dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

Os ODM expressam direitos humanos, so- ciais e ambientais básicos e fundamen- tais. Essa é a sua natureza inovadora e pragmática que visa libertar homens, mulheres e crianças do ciclo opressivo da pobreza e tornar a globalização inclu- siva e igualitária.

A reunião plenária de alto nível da As-

sembleia Geral das Nações Unidas, de 20

a 22 de Setembro, é uma oportunidade

para fortalecer os esforços colectivos e produzir um plano de acção que permita acelerar o avanço em direcção à realiza- ção dos Objectivos.

Apesar dos retrocessos provocados pela crise económica e alimentar, vários paí- ses conseguiram progressos surpreen- dentes na luta contra a pobreza e a fome, bem como avanços significativos no au-

© Privado
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mento da escolarização, no saneamento,

no controlo da malária e tuberculose e no

acesso ao tratamento anti-retroviral do VIH 1 .

O facto de esses êxitos terem ocorrido

em alguns dos países mais pobres do mundo demonstra que os ODM são rea- lizáveis. Dos 20 países onde se verifi- caram maiores progressos, 11 são na África Subsaariana, incluindo a Etiópia, o Uganda, Burkina Faso e o Gana. No en- tanto, a maioria dos países encontra-se numa fase intermédia, com grandes pro- gressos em alguns indicadores e atrasos noutros 2 .

Os países com melhores resultados adoptaram combinações pragmáticas de políticas e investimento público, per- mitindo uma maior apropriação local de projectos de desenvolvimento. A respon- sabilização, a transparência e fontes de financiamento inovadoras e previsíveis foram também factores chave para um progresso contínuo 3 .

Porém, atingir os ODM é um desafio maior para países em situações de conflito ou pós-conflito e vulneráveis a perigos naturais. Os maiores atrasos verificam-se no Afeganistão, Burundi e Guiné Bissau. Também o Paquistão, re- centemente assolado pelas cheias mais devastadoras da sua história, vê agora comprometidos os progressos duramente conquistados nos últimos dez anos.

Superar a encruzilhada em que se encon-

tra hoje o Objectivo 8 (Fortalecer a Parce- ria Global) é o grande desafio da Cimeira

de Setembro. A capacidade internacional

para vencer os obstáculos consequentes do comércio internacional, das alterações climáticas e da dívida externa, cruza-se com o sucesso dos restantes Objectivos.

No entanto, o compromisso de conceder 0,7% do rendimento nacional bruto (RNB) não foi calendarizado de modo claro e vinculativo e a Ajuda Externa mantém-se longe dos compromissos assumidos. Não foram definidas metas

e sistemas de avaliação para melhorar

a eficácia da Ajuda. As negociações in-

ternacionais para um comércio mais justo não produziram efeitos notáveis. A transferência tecnológica e o financia- mento para a adaptação às Alterações Climáticas têm ficado muito aquém das necessidades. Apesar do cancelamento

bilateral e multilateral da dívida externa dos Países Altamente Endividados, é necessário incluir outros países de baixo

e médio rendimento nesta iniciativa 4 .

Os ODM são atingíveis, mas é urgente alargar e reforçar as parcerias. Mediante os recursos disponíveis, não é tolerável um sistema global que consente a fome

e

a pobreza extrema. É nesse sentido que

o

Secretário-geral Ban Ki-moon adverte:

“Não podemos desiludir os milhares de milhões de pessoas que esperam que

a comunidade internacional cumpra a

promessa da Declaração do Milénio 5 .”

cumpra a promessa da Declaração do Milénio 5 .” 1. Campanha Objectivo 2015, 2009. Objectivos do

1. Campanha Objectivo 2015, 2009. Objectivos do Milénio: Onde

estamos e o que falta fazer? http://objectivo2015.org/pdf/fact-

sheets2009.pdf;

United Nations, 2010.

MDG Report 2010: http://www.un.org/

millenniumgoals/pdf/MDG%20Report%202010%20En%20

r15%20-low%20res%2020100615%20-.pdf

2. LEO, Benjamin; BARMEIER, Julia, Agosto, 2010. Who are the

MDG Trailblazers? A New MDG Progress Index: Working Paper 22

http://www.cgdev.org/content/publications/

detail/1424377?utm_source=nl_weekly&utm_

medium=email&utm_campaign=nl_weekly_08242010&

3. United Nations, 2010. Rethinking Poverty – Report on the

World Social Situation 2010: http://www.un.org/esa/socdev/

rwss/2010.html

4. Social Watch Statement on the UN Summit, 2010. We need

justice, not business as usual: http://www.eurostep.org/wcm/

dmdocuments/SW/SW-MDG2010summit-en.pdf

5. United Nations, General Assembly Document A/64/665, 2010.

Keeping the promise: a forward-looking review to promote an agreed action agenda to achieve the Millennium Development Goals by 2015: http://www.un.org/millenniumgoals/pdf/sgre-

port_draft.pdf

* Crónica escrita antes da reunião nas Nações Unidas a propósito dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que decorreu entre os dias 20 e 22 de Setembro.

AJUDE-NOS A DEFENDER OS DIREITOS HUMANOS NO MUNDO!

TORNE-SE

DAMEMBRO

AMNISTIA

INTERNACIONAL

T O R N E - S E DA MEMBRO AMNISTIA INTERNACIONAL © AP/PA Photo/Khalid Mohammed
T O R N E - S E DA MEMBRO AMNISTIA INTERNACIONAL © AP/PA Photo/Khalid Mohammed
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