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Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Engenharia Elétrica Graduação em Engenharia Biomédica IOHANNA

Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Engenharia Elétrica Graduação em Engenharia Biomédica

IOHANNA WIELEWSKI DE SOUZA VIGINESKI

ANÁLISE DA IMPLANTAÇÃO DA CENTRAL DE COMPRESSORES DE AR COMPRIMIDO PARA GERAÇÃO DE AR MEDICINAL NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE UBERLÂNDIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA.

Uberlândia

2016

IOHANNA WIELEWSKI DE SOUZA VIGINESKI

ANÁLISE DA IMPLANTAÇÃO DA CENTRAL DE COMPRESSORES DE AR COMPRIMIDO PARA GERAÇÃO DE AR MEDICINAL NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE UBERLÂNDIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA.

Trabalho apresentado como requisito parcial de avaliação na disciplina Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia.

Orientador: Prof a Dra Selma Terezinha Milagre

Assinatura do Orientador

Uberlândia

2016

Dedico este trabalho aos meus pais, por

sempre me apoiarem e nunca me deixarem

desistir

e

a

minha

irmã

por

ser

minha

inspiração para a vida, amo vocês.

ii

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por ter me possibilitado chegar até aqui, aos meus pais e a minha irmã por serem sempre a minha base e o meu suporte, por sempre terem tido a paciência, compreensão e a preocupação comigo.

À minha orientadora, Selma Milagre, pelo suporte necessário, pelo apoio constante e por instruir este trabalho de perto nunca deixando faltar nada.

Àtoda equipe da Bioengenharia do HCU-UFU que auxiliou este trabalho e fez com que o mesmo se tornasse possível, ao Diretor Marcos Rezende e ao Engenheiro Rodrigo Gonçalvez obrigada por me auxiliar no decorrer deste trabalho e torná-lo possível. Às minhas queridas amigas Brunna Ribeiro e Camille Alves pelo carinho e por ter dividido toda essa experiência comigo. A toda equipe do setor de Eletrônica: Victor, André, Carolina, Douglas, Rodrigo e Diego por me acompanharem durante toda a jornada e ao Cristiano do setor de Mecânica pelo apoio técnico.

iii

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Diagrama ilustrativo central de suprimento abastecida por cilindros

11

Figura 2 Diagrama de funcionamento de um misturador de ar medicinal

 

12

Figura 3 Diagrama de funcionamento do sistema de refrigeração

 

16

Figura 4 Diagrama esquemático central de ar comprimido

 

19

Figura 5 Posto de utilização de um leito no HCU

 

22

Figura 6 Rede de Tubulação em comodato Clínica Médica

 

23

Figura 7 Rede de Tubulações de Comodato Cirúrgica I

24

Figura

8

Custos

dos

gases

referentes

 

ao

ano

de

2004

25

Figura 9 Custo de consumo de oxigênio das três instituições

 

27

Figura 10 Levantamento dos últimos 27 meses de Oxigênio e Nitrogênio

 

28

Figura 11 Investimento para a geração de Ar Comprimido

 

29

Figura

12

Evolução

da

conta

de

gás

do

HCU-UFU

de

2009

a

2015

32

Figura

13

Avaliação

da

economia

da

conta

de

gás

do

HCU-

UFU

32

Figura 14 Economia acumulada com a conta de gás

 

33

Figura

15

Porcentagem

dos

gastos

de

gases

medicinais

em

março

de

2004

35

Figura

16

Porcentagem

dos

gastos

de

gases

medicinais

em

março

de

2014

35

Figura 17 Compressores de ar comprimido da central de gases do HCU-UFU

36

iv

Figura 19 Sistema de Secagem por Adsorção central de ar comprimido HCU-

UFU

37

Figura 20 Resfriador Posterior da central de ar comprimido do HCU-UFU

 

38

Figura 21 Monitoramento de ponto de orvalho

 

39

Figura

22

Sistema

de

climatização

da

central

de

gases

do

HCU-

UFU

40

v

LISTA DE SIGLAS

EAS Estabelecimento Assistencial Saúde

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas

NBR Normas Brasileiras

SUS Sistema Único de Saúde

HCU Hospital de Clínicas de Uberlândia

UFU Universidade Federal de Uberlândia

RDC Resolução da Diretoria Colegiada

PSA PressureSwingAdsorption

VPSA VacuumPressure Swing Adsorption

FAEPU Fundação de Estudo e Pesquisa de Uberlândia

UFMG Universidade Federal de Minas Gerais

vi

LISTA DE TABELA

Tabela 1- Características do ar medicinal

7

Tabela 2: Planilha para cálculo de gases

9

Tabela 3: Identificação das cores dos cilindros para gases medicinais

10

Tabela 4: Cor de identificação de gases e vácuo

20

Tabela 5: Custo dos Gases referentes ao ano de 2004

24

Tabela 6: Comparação dos dados dos hospitais de Minas Gerais

25

Tabela 7: Custo do Oxigênio para diferentes instituições de Minas Gerais

26

Tabela 8: Estimativa de economia com a implantação da central de gases, baseado

nos demais hospitais

 

28

Tabela

9:

Valor

da

conta

de

gases

do

HCU-UFU

de

2003

a

2009

30

Tabela

10:

Valores

conta

de

gases

do

HCU-UFU

de

2010

a

janeiro

de

2016

31

Tabela

11:

Consumo

mensal

de

gases

no

HCU-UFU

de

março

de

2004,

continua

33

Tabela

12:

Consumo

mensal

 

de

gases

no

HCU-UFU

de

março

de

2014

34

Tabela 13: Custo da central de compressores de ar comprimido do HCU-UFU

39

vii

RESUMO

A atuação do Engenheiro Biomédico dentro de um hospital, conhecido como

Engenheiro Clínico, tem como função auxiliar, tecnicamente a administração do EAS,

exercendo um papel fundamental para diminuição de gastos e aumento na eficácia do procedimento sempre visando a qualidade do paciente. Gases medicinais são considerados medicamentos sendo assim existe uma necessidade de gerar, controlar e gerenciar os gastos com os mesmos. Os gases mais comuns encontrados em

hospitais são: oxigênio, ar medicinal, óxido nitroso e ainda o vácuo. O ar medicinal consiste na mistura pura do ar que respiramos, sendo constituído basicamente por nitrogênio e oxigênio, para sua produção o EAS pode escolher entre: cilindros estacionários, sistema de mistura produzindo ar medicinal sintético e por último sistema de compressores de ar comprimido. Um EAS executa essas escolhas a partir

do

consumo e do gasto gerado baseando-se na norma ABNT NBR 12188.O Hospital

de

Clínicas de Uberlândia é o maior hospital universitário do estado de Minas Gerais,

seu gasto com gases gerava uma conta de mais de um milhão de reais, com isso a

equipe da Bioengenharia, setor de manutenção, gerou um levantamento dos gastos totais com os gases em questão e decidiu por implementação de um central de compressores geradores de ar comprimido medicinal, abandonando o antigo sistema

de mistura que fazia da instituição totalmente dependenteda empresa que fornecia os

gases. Este trabalho visou analisar a fase de transição em que o hospital passou por

adotar o sistema de geração de ar comprimido, evidenciando a economia gerada e a importância do engenheiro clínico atuando diretamente nos EASs.

viii

ABSTRACT

The row developed by a biomedical engineer in a hospital, also known as clinical engineer,is to technically assist the EAS administration, playnk a key hole on cost reduction and increasing process efficiency aiming patient quality. Medical gases are considered drug and so there is a need to generate, track and manage its consumption and the cost envolved. Most common gases found in a hospital are: Oxigen, medical air, nitrous oxide and even the vacuum. Medical air consists of the blend of the air we breathe, so it consists primarily of nitrogen and oxygen, for its production three methods can be used: stationary cylinder, mixing system producing synthetic medicinal air and compressed air compressor system. An EAS makes the choice based on consumption and related cost, as regulated by ABNT NBR 12188. The Uberlândia Clinical Hospital is the largest universitary hospital in Minas Gerais state, the medicinal air generation cost was na account of over one million reais, in order to reduce this cost the team of bioengineering, maintenance sector, generated an study of total spending and decided to implement a compressor central of medical air, abandoning the old mixing system that made the EAS totally dependent of the supplier company gas. This work is aimed to study and analyse the transition phase in which the hospital started to generated his own compressed air, showing the cost reduction generated and the importance of the clinical engineer direct work on the EAS.

ix

SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO

1

1.1

Justificaiva

3

1.2

Objetivo Geral

3

1.3

Objetivos Específicos

 

4

2.

DESENVOLVIMENTO

5

3.1

GASES MEDICINAIS

5

3.1.2 Oxigênio

 

5

3.1.3 Óxido Nitroso

6

3.1.4 Ar Medicinal

6

3.1.5 Vácuo Clínico

8

3.2 Consumo de Gás no HCU-UFU

 

8

3.3 CENTRAL

DE

SUPRIMENTO

COM

CILINDROS

9

3.4 CENTRAL DE SUPRIMENTO COM DISPOSITIVO ESPECIAL DEMISTURA

11

3.5 CENTRAL DE SUPRIMENTOS COM COMPRESSORES DE AR

12

3.5.1

Compressor

de pistão

13

3.5.2Compressor de palheta

 

13

3.5.4

Dispositivos de segurança na central de ar comprimido

17

3.6

REDE DE DISTRIBUIÇÃO

 

19

3.6.1 Tubulações

 

19

3.6.2 Válvulas de Seção

 

20

3.6.3 Sistema de Alarme e Monitorização

 

20

3.6.4 Postos de Utilização

 

21

3. RESULTADOS

 

23

4. CONCLUSÃO

41

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

43

1

1. INTRODUÇÃO

A área da saúde tem acompanhando o atual avanço tecnológico que acerca o

mundo hoje, os objetivos das novas técnicas tendem a melhorar a qualidade de vida

tanto do paciente quanto da equipe médica/enfermagem. Juntamente com a inserção

no mercado de novas tecnologias os custos de aquisição e manutenção acompanham

a demanda [1].

Para administrar, avaliar, treinar e até mesmo adquirir as novas tecnologias que estão por vir o Engenheiro Biomédico atuando nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EASs) deve possuir as competências para tal função. Consiste em profissionais multidisciplinares com conhecimento na área de saúde, eletrônica e administrativa. A Engenharia Biomédica tende a ser utilizada para a identificação de problemas e a necessidade do sistema de saúde, que podem ser resolvidos por meio das tecnologias e sistemas metodológicos. Trata-se de uma batalha constante para manter a alta qualidade a um custo razoável mantendo o sistema eficaz e eficiente, visando a melhoria na qualidade de vida [2].

A organização hospitalar é uma das mais complexas, não apenas pela nobreza

e amplitude de sua missão, mas, sobretudo, por apresentar uma equipe

multidisciplinar com elevado grau de autonomia para dar assistência à saúde em

caráter preventivo, curativo e reabilitador a pacientes em regime de internação, onde

se utiliza tecnologia de ponta e adicionalmente se constituiu ainda num espaço de

prática de ensino[3]. Assim, administradores da área de saúde lidam com o desafio

de conduzir organizações de grande porte e alta complexidade e que possuem processo de forte interatividade entre diferentes meios e equipes onde a capacidade

de atendimento desempenha um papel estratégico que envolve recursos escassos de

alto custo [4].

O elevado custo de manutenção de estoques de um lado e a necessidade de

proporcionar um excelente nível de atendimento aos pacientes do outro, requer

2

grande proficiência do gestor de materiais. Com a redução de custos na compra de materiais e medicamentos, o hospital público consegue equilibrar seu orçamento [4].

Segundo [5], o comportamento dos custos pode ser classificado em: custos fixos, variáveis e mistos. Custos fixos são aqueles que não têm relação com a quantidade produzida (não sofre alteração com o volume de produção). Custos variáveis são ligados ao volume de produção e variam de acordo com a produção (quanto maior a produção, maior o custo variável). E por último custo mistos são aqueles que possuem parcela fixa e variável.

Os gases medicinais como oxigênio e ar comprimido medicinal são considerados medicamentos, sendo assim existe a necessidade de gerenciar esses gastos e consumos analisando a melhor forma de obtê-los de acordo com cada EAS. Gases medicinais podem ser classificados em custos mistos, pois sempre haverá gastos com gases medicinais em um EAS (valor fixo), porém não se pode prever a quantidade exata que será gasta em determinado mês (valor variável). Segundo [6] a partir da década de 50 os trabalhadores da área da saúde reconheceram os perigos de mover cilindros pesados e de alta pressão para diversos locais de um EAS. Os cilindros então foram armazenados em locais apropriados equipados com reguladores de pressão e mangueiras de borracha. O grande consumo de oxigênio justificava a necessidade de um gerador de oxigênio no hospital para evitar que os cilindros de oxigênio se esgotassem criando então uma rede de tubulação de cobre. Quando os problemas com bombas foram identificados outros sistemas foram instalados e outros gases foram seguindo o mesmo procedimento de criação.

O Hospital de Clínicas de Uberlândia da Universidade Federal de Uberlândia (HCU-UFU) é o maior hospital público de Minas Gerais e o terceiro maior hospital universitário do Brasil, tendo sido sendo criado em 1970 com somente 27 leitos para ensino dos estudantes do curso de Medicina, em 1988 se tornou um aliado do governo atendendo na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Atende 86 municípios de Uberlândia e região totalizando aproximadamente três milhões de pessoas, consiste hoje em um hospital referência em média e alta complexidade para o atendimento de urgência e emergência [7].

3

Possui atualmente 520 leitos divididos em 4 unidades: Unidade de Urgência e Emergência, Unidade Ambulatorial, Unidade Cirúrgica e Unidade de Internação. Realiza cerca de 17.178 internações por ano, 9.987 procedimentos anestésicos e 1.912.360 exames [7].

1.1 Justificativa

Devido ao grande porte e alta complexidade do HCU-UFU, visualizou-se a necessidade de um novo sistema de instalação de produção de ar medicinal, pois o gasto com oxigênio nos dias atuais é o segundo maior gasto de um hospital, após o seu gasto com o quadro de funcionários. Mantendo a qualidade do ar entregue a seus pacientes e visando uma economia financeira significativamente grande, além de uma maior independência, em 2007 a equipe do setor da Bioengenharia do HCU-UFU decidiu por projetar um sistema de suprimento de ar medicinal por compressores abandonando o antigo sistema de misturador.

Porém, os dados e análises resultantes dessa implantação ainda não tinham sido reunidos em um único documento.

1.2 Objetivo Geral

Neste contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar os resultados em relação aos custos e a efetividade após a instalação do sistema de compressores para geração de ar medicinal no HCU-UFU.

4

1.2 Objetivos Específicos

Este trabalho visou também:

Analisar os diferentes tipos de gases medicinais encontrados dentro de um EAS;

Analisaras diferentes formas de obtenção de ar comprimido medicinal encontrado nos diversos Estabelecimentos assistenciais da Saúde, baseado na norma ABNT NBR 12188 de 2016 [14].

Comparar economicamente os gastos com a conta de gás antes e depois da instalação da central de compressores de ar comprimido medicinal no HCU-UFU.

5

2. DESENVOLVIMENTO

3.1 GASES MEDICINAIS

Gases medicinais ou gases terapêuticos podem ser considerados uma mistura de gases produzidos a fim de tratar, prevenir e remediar casos clínicos. Possuem a função de entrar em contato direto com o organismo humano através de terapia de inalação, anestesia ou para conservar e transportar órgãos [8].

Os gases podem ser classificados em puros, como o oxigênio, nitrogênio, óxido nitroso e dióxido de carbono, ou ainda em misturas padronizadas como o ar medicinal. São amplamente utilizados na área hospitalar desde o serviço de urgência, salas cirúrgicas e recuperatórias e até mesmo no leito do paciente.

3.1.2 Oxigênio

O oxigênio é o elemento mais abundante encontrado na superfície terrestre. Seu

uso na medicina é essencial podendo ser utilizado na oxigenoterapia e na anestesia.

O objetivo da oxigenoterapia consiste em aumentar a quantidade de oxigênio

carregado pelo sangue aos tecidos no caso de hipóxia (baixa taxa de oxigênio no sangue), mas pode ser utilizado também no caso de paradas cardiorrespiratórias, débito cardíaco e crise respiratória. No caso de anestesia geral o oxigênioé utilizado juntamente com outros gases para gerar um estado de analgesia e reflexos autônomos [9].

O oxigênio medicinal deve atender as especificações da ANVISA segundo a RDC

N° 69/2008 [10] possuindo como características: nível de pureza mínimo 99%,inodoro,

6

insípido, não inflamável, além de ser isento de umidade, microrganismos e resíduos poluentes.

O oxigênio da forma medicinal pode ser fabricado em três diferentes processos:

criogênico, PSA (Pressure Swing Adsorption) e VPSA(Vacuum Pressure Swing Adsorption). Na forma criogênica o oxigênio apresenta-se no estado líquido em tanques estacionários onde este é vaporizado antes de ser inserido nas tubulações de oxigênio local. O processo PSA consiste em obtenção do oxigênio através de adsorção onde dois vasos metálicos contêmuma peneira molecular que retém o nitrogênio permitindo que o oxigênio atravesse como produto final. Já o processo de VPSA é uma tecnologia semelhante ao PSA, porém utiliza vácuo na peneira [9].

3.1.3 Óxido Nitroso

O óxido nitroso é um gás medicinal utilizado na anestesia juntamente com o oxigênio, é conhecido como gás hilariante pelo efeito que causa no sistema nervoso central deixando o paciente inconsciente. Potencializando a anestesia o óxido nitroso reduz a aplicação de outras drogas otimizando o custo pela rápida indução, além uma melhor recuperação no paciente, por apresentar baixo coeficiente de solubilidade e toxidade [11].

Os requisitos para o óxido nitroso medicinal são: nível de pureza 98%, incolor, insípido e não inflamável. O processo de obtenção do gás varia conforme a necessidade de consumo de cada EAS, sendo oferecido na forma líquida semelhante ao oxigênio ou em cilindros de aço [12].

3.1.4 Ar Medicinal

O ar medicinal consiste no ar que respiramos na atmosfera, porém de uma forma totalmente pura. É amplamente utilizado na área hospitalar para diversas

7

finalidades como transporte de medicamentos ao organismo, ventilação mecânica, limpeza e secagem de materiais e instrumentos hospitalares e tratamento de doenças crônicas, agudas e de emergências [13].

Consiste em uma mistura de diversos gases onde predominam Nitrogênio (78%) e oxigênio (21%), possui como características ser inodoro, incolor, atóxico e não corrosivo. Pode ser obtido de duas formas: central de suprimento com compressores de ar medicinal ou uma central de suprimento com dispositivo de mistura (ar sintético). O método de obtenção através da mistura necessita de duas fontes, de oxigênio e nitrogênio, produzidos pela indústria pelo processo criogênico armazenados em tanques criogênicos por meio de um equipamento denominado ‘misturador’ produzindo então o ar sintético.

Segundo a norma ABNT NBR 12188 de 2016 [14] o Nitrogênio para uso medicinal deve ser composto de 99% de pureza e 1% de oxigênio. Para o método de obtenção por meio de compressores, que será detalhado posteriormente, os níveis de gases exigidos pela norma estão dispostos na Tabela 1.

Tabela 1: Características do ar medicinal

Componentes

ABNT NBR 12188

N2

Balanço;

O2

20,4% a 21,4%;

CO

5ppmmáx ,v/v;

CO2

500 ppmmáx, v/v;

SO2

1ppmmáx .v/v;

NOx

2ppm máx. v/v;

Óleos e Partículas

0,1 mg/m³ máx. v/v;

Ponto de Orvalho *

-45°C

* Ponto de Orvalho: temperatura na qual o vapor começa a condensar.

Fonte:[14]

8

3.1.5 Vácuo Clínico

O vácuo clínico pode ser utilizado de duas formas nos EASs, a forma de vácuo clínico (utilizado para fins terapêuticos do tipo seco onde o material do paciente é coletado) e vácuo de limpeza (para fins não terapêuticos) [15].

Para obtenção de vácuo clínico utilizam-se centrais de suprimento compostas por no mínimo duas bombas, com capacidade máxima provável, funcionando de modo

alternado ou paralelo além de reservatórios e filtros que formam pressão negativa que

é conduzida por meio de tubulações até o paciente [11].

3.2 Consumo de Gás no HCU-UFU

A norma ABNT NBR 12188 oferece uma tabela para o dimensionamento das redes de distribuição e suprimento de acordo com o fator de utilização de cada setor. A tabela encontra-se no Anexo C.1 para os dados de fator de simultaneidade, que consiste no percentual médio em relação à quantidade total de postos em um determinado local de um Estabelecimento Assistencial de Saúde, por área de cada unidade. No Anexo C.3 estão os dados de demanda por posto de utilização. Os dados são dispostos de acordo com cada setor para os gases: oxigênio, óxido nitroso, vácuo clínico e ar medicinal.

Baseando-se no número de leitos e as referências normativas a Tabela 2 mostra

o cálculo de vazão para os gases [7].

9

Tabela 2: Planilha para cálculo de gases

PLANILHA PARA CÁLCULO DE GASES

para cálculo de gases PLANILHA PARA CÁLCULO DE GASES Cálculo Gás Leitos % Ox % Ox
Cálculo Gás Leitos % Ox % Ox Nit. %Vacuo % Ar med Ox Ox Nit.
Cálculo Gás Leitos % Ox % Ox Nit. %Vacuo % Ar med Ox Ox Nit.
Cálculo Gás Leitos % Ox % Ox Nit. %Vacuo % Ar med Ox Ox Nit.
Cálculo Gás
Leitos
% Ox
% Ox Nit.
%Vacuo
% Ar med
Ox
Ox Nit.
Vacuo
Ar med
Ox
Ox Nit.
Vacuo
Ar Med
Simultaneidade
Demanda - Litros/ min
m3/hora
Leitos UTI
35
80
0
50
80
60
0
60
60
100,8
0
63
100,8
Leitos UTI Neo
14
80
0
50
80
60
0
60
60
40,32
0
25,2
40,32
Cuidados Int Neo
27
10
0
10
10
60
0
60
60
9,72
0
9,72
9,72
Internação
332
10
0
10
10
20
0
30
20
39,84
0
59,76
39,84
Imagem Rec. Hem
24
25
0
10
25
60
0
60
60
21,6
0
8,64
21,6
Sala Cirurgia
28
100
100
100
100
60
8
60
60
100,8
13,44
100,8
100,8
Sala Parto
4
100
100
100
100
60
8
60
60
14,4
1,92
14,4
14,4
Pre parto
7
100
0
0
100
30
0
0
30
12,6
0
0
12,6

TOTAL

471

340,08

15,36 281,52

340,08

Fonte: Dados gases FAEPU.

Para encontrar a vazão de cada gás o número de leitos é multiplicado pela simultaneidade que é multiplicado pela demanda previamente convertida na unidade em questão (m³/h) como pode ser visto na Equação 1.

Vazão m h

[

3

/

]

N leitos F

*

simul tan e

*

F

demanda

*60

100 1000

(1)

Como resultados podemos observar na Tabela 3 o consumo de gases do HCU- UFU na ordem 340,08m³/h de oxigênio medicinal, 15,36m³/h de oxido nitroso, 281,52m³/h de vácuo medicinal e 340,08m³/h de ar medicinal. Os dados foram baseados no consumo máximo provável de cada setor. A NBR 12188 determina que para o suprimento de reserva o cálculo seja do consumo efetivo médio, definido como a média aritmética do consumo do EAS dos últimos 12 meses. O valor adquirido na Tabela 2 trata-se do consumo máximo provável por hora, para calcular o valor mensal deve-se multiplicar o resultado obtido por 720, o que equivale a 24horas de um dia em 30 dias do mês, resultando em 244.800m³/mês de oxigênio medicinal, 11.059,2m³/mês de oxido nitroso, 202.694,4m³/mês de vácuo medicinal e 244.857,6m³/mês de ar medicinal.

3.3 CENTRAL DE SUPRIMENTO COM CILINDROS

10

Os cilindros que compõe um sistema primário e secundário de fornecimento são atualmente utilizados para o armazenamento e fornecimento de óxido nitroso e ar medicinal [16]. Cada bateria deve ser conectada a uma válvula reguladora de pressão capaz de reduzir a pressão de estocagem para a pressão de distribuição, sempre inferior a 8kgf/cm², e capaz de manter a vazão máxima do sistema centralizado [14].

Próximo à válvula reguladora de pressão deve haver um manômetro a montante, para indicar a pressão de cada bateria de cilindros e outro para indicar a pressão na rede. Segundo a norma ABNT NBR 12176 [17], os cilindros devem ser identificados pela cor de cada gás que é estabelecida pelo código internacional de cores como mostra a Tabela 3.

Tabela 3: Identificação das cores dos cilindros para gases medicinais

Componentes

Cores

Ar comprimido Medicinal

Cinza-claro na calota e no corpo do cilindro e a cor verde em uma faixa no centro do corpo

O2 Medicinal

Cor Verde no cilindro por inteiro

N2O medicinal

Cor azul marinho no cilindro por inteiro

Fonte: [17]

Um sistema de segurança deve estar localizado com um mecanismo próximo ao sistema primário, para evitar a descarga dos cilindros de gás por inteiro. Deve existir uma válvula de alívio de pressão para o ambiente externo, sem riscos de atingir pessoas. O fornecimento de gás não deve ser interrompido por falta de energia elétrica. A central de suprimento deve ser formada por duas baterias contendo dois cilindros que são ligados por meio de chicotes ao bloco central. Este é formado por válvulas reguladoras de pressão, manômetros, válvulas de bloqueio e dispositivos de segurança como alarme operacional e válvula de segurança. O sistema de abastecimento deve seguir como o Anexo D da norma NBR 12188, exemplificada na Figura 1, como diz a norma NBR 254 já revogada [18].

11

Figura 1: Diagrama ilustrativo central de suprimento abastecida por cilindros.

ilustrativo central de suprimento abastecida por cilindros. Fonte:[18]. 3.4 CENTRAL DE SUPRIMENTO COM DISPOSITIVO

Fonte:[18].

3.4 CENTRAL DE SUPRIMENTO COM DISPOSITIVO ESPECIAL DE MISTURA

O ar comprimido envolvido neste processo é conhecido como ar medicinal sintético, trata-se de um sistema composto por duas fontes: uma de oxigênio e a outra de nitrogênio com as devidas especificações de pureza recomendada pela norma NBR 12188. Os dois gases são armazenados na forma de tanques criogênicos nas concentrações de 79% de nitrogênio e 21% de oxigênio, mesma proporção encontrada no ar atmosférico ambiente, para que ocorra a mistura se faz uso de um equipamento chamado de 'misturador' que é o responsável por garantir a correta

12

composição do ar esteja de acordo [11]. Um esquema pode ser observado na Figura

2:

Figura 2: Diagrama de funcionamento de um misturador de ar medicinal

: Diagrama de funcionamento de um misturador de ar medicinal Fonte [ Autora] A NBR 12188

Fonte [ Autora]

A NBR 12188 recomenda ainda que o sistema deve ser projetado segundo o

conceito 'segurança contra falha' a fim de que para qualquer falha que possa ocorrer

exista um dispositivo que bloqueie a operação do equipamento impossibilitando que seja fornecido ar medicinal fora dos padrões estabelecidos. Acionando assim, uma central de suprimento reserva que deve possuir a capacidade para o consumo máximo provável [14].

O sistema de suprimento por misturador é muito utilizado por EAS que possuem

baixa demanda de ar medicinal, este sistema possui algumas vantagens como: baixo custo de instalação e manutenção, possibilidade de expansão sem a necessidade de novos investimentos, baixo ruído, isenção de óleos ou hidrocarboneto, baixo gasto de energia elétrica, ausência de umidade reduzindo riscos de infecção hospitalar [19].

3.5 CENTRAL DE SUPRIMENTOS COM COMPRESSORES DE AR

O ar medicinal pode ser produzido a partir do ar atmosférico através de compressores de ar adquiridos para aplicações médicas.

Compressores são equipamentos cuja função é aumentar a pressão de um determinado volume de ar, até uma determinada pressão. Segundo o princípio de

13

trabalho os compressores podem ser divididos em maquinas de deslocamento positivo e maquinas de deslocamento dinâmico, também conhecido como máquinas de fluxo. O deslocamento positivo consiste simplesmente na redução do volume do ar gradativamente gerando a compressão quando certo valor de pressão é atingido, válvulas são abertas e o ar pode prosseguir para câmara de compressão. Já o deslocamento dinâmico o aumento da pressão é dado a partir da energia cinética que será convertida em energia de pressão, o ar então é posto em contato com impulsores que possuem função de acelerar o ar transmitindo energia cinética [20].

Existem diferentes tipos de compressores no mercado, os mais comuns são:

Compressores alternativos de pistão;

Compressores rotativos de palheta;

Compressores rotativos de parafuso.

Todos os compressores citados são do tipo de deslocamento positivo.

3.5.1 Compressor de pistão

Compressor alternativo de pistão, ou compressor de êmbolo, é apropriado para níveis de pressão. O ar aspirado será comprimido pelo primeiro êmbolo e comprimido outra vez pelo próximo êmbolo. O êmbolo efetua o movimento descendente e o ar é admitido na câmara superior, enquanto que o ar contido na câmara inferior é comprimido e expelido e assim as câmaras vão alternando o movimento, realizando o ciclo de trabalho. A principal vantagem dos compressores de pistão é a alta eficiência

[21].

3.5.2Compressor de palheta

14

O compressor de palheta é classificado como um compressor rotativo, possui um rotor, ou tambor, central que gira dentro de uma carcaça cilíndrica. O tambor é provido de palhetas radiais que pela força centrífuga são jogadas contra a parede da carcaça. O volume compreendido entre duas palhetas consecutivas é variável o que permite a compressão. Como vantagem desse tipo de compressor pode-se destacar o baixo ruído, fornecimento igualitário de ar com pequenas dimensões. Como desvantagens tem-se um compressor de baixa eficiência e alto custo de manutenção

[22].

3.5.3 Compressor de parafuso

Este compressor é composto por uma carcaça que contém dois rotores que giram em sentidos opostos denominados de ‘macho’ e ‘fêmea’. O ar ocupa o espaço entre os rotores, à medida que os rotores giram o volume do compartimento vai diminuindo fazendo com que o ar seja comprimido levado pela porta de saída do compressor. Apesar de ser um compressor que exige um baixo custo de investimento e manutenção, por se tratar de um compressor onde se faz muito uso de engrenagens este depende fortemente do atrito e existe então uma grande necessidade de lubrificação com óleo [21].

Um eficiente sistema de ar comprimido inicia-se pela escolha do compressor, o compressor pode ser de qualquer tipo para o ar medicinal, desde que seja adequado para funcionamento contínuo e atenda a demanda do EAS [21].

Além disso, o compressor de ar medicinal deve ser concebido para evitar a introdução de contaminantes ou líquidos dentro das tubulações. A contaminação pode ser adquirida se o compressor eliminar óleo ou se o compressor não contiver filtro para separação de hidrocarbonetos [23].

15

Após passar pela fase de compressão o ar, já comprimido, necessita de tratamento. A compressão do ar comprimido é a junção da contaminação atmosférica com outras partículas inseridas durante o processo de compressão.

A ISO 8573 indica que os possíveis contaminantes do ar possam estar na forma sólida como a poeira atmosférica ou por corrosão existente dentro do sistema de ar comprimido. Na forma líquida os principais agentes são a água oriunda da condensação e o óleo lubrificante. Na forma gasosa os contaminantes são semelhantes, pois são os vapores d'água e do lubrificante do compressor [24].

Os prejuízos causados pela contaminação do ar comprimido estão muito além de custos financeiros quando se fala em âmbito hospitalar pois existem vidas dependentes da qualidade do ar que está sendo gerado. Um grande problema que aparece para hospitais com tubulações novas ou recém-instaladas é o arraste de material contaminante para o paciente [25].

Em um sistema de central de ar comprimido após a fase dos compressores o ar é passado por um sistema de refrigeração cuja função é remover o calor gerado e aumentar a eficiência do compressor entre os estágios. Um sistema ideal é aquele cuja temperatura do ar de saída do resfriador é a mesma da temperatura na entrada do compressor. Um resfriador posterior é formado por um corpo cilíndrico e um separador de condensado dotado de dreno. O resfriamento à água é o mais adequado por provocar condensação do ar e permitir uma maior vazão e maior troca de calor. O processo começa pela circulação da água através da câmara de baixa pressão, o ar do compressor entra pelos tubos e flui em sentido oposto da água mudando constantemente de direção garantindo uma maior perda de calor [20]. O diagrama de funcionamento do sistema de refrigeração à água pode ser visto na Figura 3.

O pré-filtro é instalado antes do secador de ar e tem a função de separar o restante das partículas sólidas e líquidas que o separador de condensado do refrigerador posterior não conseguir remover. O filtro então protegerá de antemão o secador de partículas que poderia prejudicar sua eficiência de troca térmica [25].

16

Figura 3: Diagrama de funcionamento do sistema de refrigeração.

3 : Diagrama de funcionamento do sistema de refrigeração. Fonte: [20]. A presença de umidade no

Fonte: [20].

A presença de umidade no ar comprimido é sempre prejudicial para as automatizações e assim, a função do secador é eliminar a umidade (líquido e vapor) do fluxo de ar.

O ar comprimido não é aquele isento totalmente de água, mas sim aquele possui um valor de umidade baixo e tolerável conforme as recomendações. Existem dois principais tipos de secadores de ar comprimido, por refrigeração (com ponto de orvalho à +3°C) ou por adsorção (com ponto de orvalho -40°C) [20].

Secagem por refrigeração:

Consiste em submeter o ar comprimido a uma temperatura suficientemente baixa para que a água existente seja retirada quase por completo, além de eliminar a água o secador por refrigeração forma uma emulsão juntamente como o óleo lubrificante auxiliando assim a sua remoção. Depois de removido o condensado alguns secadores por refrigeração reaquecem o ar;

17

Secagem por adsorção:

Consiste na remoção dos vapores de ar comprimido sem que exista a necessidade de condensá-los, trata-se da fixação das moléculas de um adsorvato na superfície de um adsorvente. Adsorção é o processo de atrair moléculas de gases e líquidos para a superfície de um sólido que é chamado de adsorvente mantendo então estas, aderida na mesma.

Após o processo de secador um pós-filtro é acoplado a fim de eliminar qualquer umidade residual, na prática tem a capacidade de reter apenas partículas sólidas produzidas pela abrasão do material adsorvedor [25]. Um sistema de ar comprimido possui um ou mais reservatórios, que possuem função geral de armazenar o ar à temperatura ambiente, estabilizá-lo e regularizar o trabalho dos compressores aumentando a vida útil dos mesmos [11]. O reservatório deve ser dimensionado para prover determinada quantidade de ar por um período suficiente para pôr em prática uma alternativa de fornecimento no caso de paradas forçadas do compressor. Parte da umidade contida no ar é condensada durante a compressão, gerando um acumulo de água no reservatório do compressor os reservatórios instalados na horizontal devem possuir um sistema (automatizado ou não) de sangria deste acumulo de água enquanto que os reservatórios instalados na vertical têm facilidade à retirada de água do seu interior. O acumulo de água varia com a umidade média do ar na região onde o hospital está instalado [26].

3.5.4 Dispositivos de segurança na central de ar comprimido

Uma central de ar comprimido possui diversos dispositivos de controle de segurança: pressostato, válvula de segurança, alarme de baixa e alta pressão, além dos componentes já citados que mantém a qualidade do ar que são os filtros.

Primeiramente o pressostato é um dispositivo destinado a ligar e desligar o compressor, acionado e desacionado quando a pressão no interior do reservatório

18

atinge respectivamente valor crítico inferior e o valor crítico superior, ou seja, trata-se de um dispositivo que controla o funcionamento do compressor. É considerado um dispositivo de segurança que protege o equipamento, deve ser regulado de modo que evite um período curto entre o acionamento e o desacionamento. A válvula de segurança consiste em um dispositivo de segurança que deve ser instalado no reservatório central de ar comprimido, trata-se de uma válvula que se abre para a atmosfera em determinado valor de pressão (pressão de abertura) permitindo que o fluxo de ar do reservatório saia para o ambiente até que a pressão em seu interior atinja valor menor do que a pressão de abertura; a partir desse pontoa válvula se fecha automaticamente. A válvula de segurança deve possuir dispositivo que permita abri- la manualmente, procedimento com rotina de no máximo 30 dias, evitando que a mesma emperre. É aconselhável o acionamento de um alarme (sonoro e visual) simultaneamente com a abertura da válvula pois o acionamento dela indica erro no controle do sistema. Esses alarmes devem ser instalados de preferência, em locais onde haja profissionais capacitados a responder adequadamente a situações que levam ao seu acionamento [26].

Alarme de baixa e alta pressão é mais um dispositivo de segurança pois avisa a equipe de engenharia e manutenção no caso de ocorrência de qualquer defeito na central. O alarme de baixa pressão é acionado quando a pressão do reservatório está menor do que o valor crítico inferior. Nesse caso, inúmeras situações podem estar ocorrendo, entre elas: o pressostato não envia o sinal para acionar o compressor, problemas no acionamento devido a falhas na alimentação elétrica no motor ou falhas mecânicas. O alarme de alta pressão deve ser acionado para um valor de pressão superior ao da válvula de segurança. Quando acionado indica problema grave com o pressostato e com a válvula de segurança [26].

A Figura 4 representa um esquema comum de central de ar comprimido com as seguintes fases: compressor, resfriador posterior, pré-filtro, secador, pós filtro e reservatório.

19

Figura 4: Diagrama esquemático central de ar comprimido

19 Figura 4 : Diagrama esquemático central de ar comprimido Fonte: [Autora] 3.6 REDE DE DISTRIBUIÇÃO

Fonte: [Autora]

3.6 REDE DE DISTRIBUIÇÃO

Segundo a norma NBR 12188 um sistema de rede de distribuição pode ser definido como: "Conjunto de tubulações, válvulas e dispositivos de segurança que se destina a prover gases ou vácuo através de ramais, aos locais onde existem postos de utilização apropriados". Portanto compreende os sistemas de tubulação, válvulas de seção e sistema de alarme.

3.6.1 Tubulações

Os tubos e conexões devem ser construídos com materiais adequados ao tipo de gás com o qual irão trabalhar afim de resistir às pressões específicas. A NBR 12188 recomenda que as tubulações sejam de cobre ou aço inoxidável para que fiquem protegidas de corrosão e outros danos, não devendo estar apoiada em outras tubulações. Em todo o trajeto das tubulações os gases não deverão entrar em contato com óleos ou qualquer outro tipo de substância contaminante [6].

Para facilitar a manutenção e evitar possíveis acidentes com a tubulação, a rede dever ser projetada no sentido descendente sendo assim: do teto em direção ao piso [27]. A fim de criar um padrão unificado a norma NBR 12188 apresenta uma

20

tabela como anexo identificando o padrão de cores estabelecido de cada gás e vácuo

assim representado na Tabela 4.

Tabela 4: Cor de identificação de gases e vácuo

Gás

Cor

Ar Medicinal

Óxido Nitroso

Amarelo-

Segurança

Azul-marinho

Oxigênio

Verde-emblema

Medicinal

Vácuo

Cinza-claro

Fonte: [14]

3.6.2 Válvulas de Seção

As válvulas de seção são dispositivos que têm como função regular o fluxo de

gás ou vácuo no decorrer da tubulação interferindo em uma determinada área, sem

que afete as demais, possibilitando assim a realização de manutenção [11]. As

válvulas de seção devem ser instaladas em local acessível, sem barreiras que

impeçam sua operação em casos de manutenção ou de emergência. É recomendado

que exista uma válvula de seção após a saída da central e antes do primeiro ramal de

distribuição. A unidade de terapia intensiva, os centros cirúrgicos e obstétricos devem

possuir atendimento prioritário através da tubulação principal da rede de distribuição,

assim sendo, deve ser instalada uma válvula de seção à montante do painel de alarme

de emergência específico de cada uma dessas unidades [15].

3.6.3 Sistema de Alarme e Monitorização

21

Os sistemas de alarme indicam por meio de sinais visuais e sonoros quando o sistema centralizado de gases está com algum tipo de problema. Todos os alarmes devem ser identificados e instalados de modo que sua observação seja constante. Para sistemas centralizados o alarme operacional deve agir de modo que quando a rede pare de receber suprimento primário, o alarme operacional visual só seja apagado por completo quando o suprimento primário for restabelecido. Para a central de suprimento com compressores de ar deve existir ainda um dispositivo de monitoração da umidade do ar na saída do processo [9].

Setores que estão ligados diretamente à vida devem ser equipados com alarmes de emergência independentes do alarme operacional. Este alarme atua quando a pressão no manômetro de distribuição atingir um valor mínimo de operação de3,1kgf/cm², ou a queda do sistema de vácuo for abaixo de 200mmHg da pressão atmosférica [15].

Os alarmes devem ser muito bem identificados e a pessoa que está no local de observação deve ser instruída a acionar o setor de manutenção do hospital, racionalizar o uso do gás que está com problemas em questão, e providenciar o envio imediato de cilindros individuais para os respectivos locais do hospital. Além disso, no caso dos alarmes operacionais, deve verificar se houve falta do produto ou problemas técnicos com o fornecimento do suprimento primário[11].

3.6.4 Postos de Utilização

Os postos de utilização desempenham função de identificar os gases oriundos da rede de distribuição observando no mesmo o nome, símbolo e cor do respectivo gás onde serão conectados os equipamentos médico hospitalares. A norma NBR 12188 recomenda a utilização de válvulas autovedantes e rotuladas legivelmente com

22

o nome ou abreviatura ou símbolo ou fórmula química com fundo de cor conforme orienta a norma NBR 11906.

A norma NBR 11906 regula as válvulas vedantes em que deve ser destinado ao bloqueio do fluxo de gás quando este estiver desacoplado do posto de utilização e regula os elementos vedantes em que estes devem ser indicados que são inertes aos gases que manterão contato. Para válvulas roscadas a norma ainda assegura que o acoplamento e o desacoplamentos das conexões roscadas devem ser sempre executáveis sem o auxílio de ferramenta apenas com o aperto manual, podendo ser executado por qualquer pessoa garantindo a vedação completa [28].

Os postos de utilização junto ao leito do paciente devem estar localizados a uma altura aproximada de 1,5m acima do piso, ou embutidos em caixa apropriada, a fim de evitar danos físico à válvula, bem como ao equipamento de controle e acessórios como mostra a Figura 5 [15].

Figura 5: Posto de utilização de um leito no HCU-UFU

e acessórios como mostra a Figura 5 [15]. Figura 5 : Posto de utilização de um

Fonte: [ Autora ]

23

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

O Hospital de Clínicas de Uberlândia tinha um contrato com a empresa White Martins gerando um alto gasto mensal para a instituição, o que se tornou a justificativa principal para a adoção da central de compressores de ar comprimido. Os contratos impostos pela empresa além de conter preços com valores elevados, referente aos gases, exigia um consumo mínimo mensal de cada gás e a cada ano renovado aumentava-se as taxas. A rede de tubulações na época era de acordo comodato com

o Hospital, o que gerava uma grande restrição da manutenção (por parte da empresa) apresentando vazamentos e problemas constantes. As tubulações não possuíam projeto ou dimensionamento, não possuíam identificação necessária, além de

apresentar ‘remendos’, estrangulamento da rede sem necessidade, tubulações tortas

e número excessivo de ramais e válvulas além de outros problemas que podem ser vistos nas Figuras 6 e 7.

Figura 6: Rede de Tubulação em comodato Clínica Médica

Figura 6 : Rede de Tubulação em comodato Clínica Médica Fonte: Dados FAEPU Para a instalação

Fonte: Dados FAEPU

Para a instalação da central de ar comprimido a equipe da Bioengenharia do HCU-UFU realizou uma minuciosa análise dos dados de custos e consumo referente a todos os gases consumidos na instituição. Com o levantamento desses dados foi possível ter uma visão clara e objetiva do valor da conta com a empresa White Martins.

24

Figura 7: Rede de Tubulações de Comodato Cirúrgica I

24 Figura 7: Rede de Tubulações de Comodato Cirúrgica I Fonte: Dados FAEPU Os gastos com

Fonte: Dados FAEPU

Os gastos com ar comprimido medicinal e com gases em geral podem ser vistos

na Tabela 5 e melhores ilustrados na Figura 8, referentes ao ano de 2004.

Tabela 5: Custo dos Gases referentes ao ano de 2004.

Mês

Custo Ar Comprimido (R$)

Custo Geral dos Gases (R$)

Proporção Ar Comprimido (%)

01/2004

02/2004

03/2004

04/2004

05/2004

06/2004

07/2004

08/2004

09/2004

10/2004

11/2004

12/2004

31.365,10

108.183,59

28,99

36.824,26

108.722,38

33,87

43.252,80

132.995,04

32,52

32.407,63

120.148,19

26,97

45.033,62

126.408,50

35,63

33.068,51

118.454,40

27,92

34.927,90

142.590,96

24,50

33.003,81

125.194,26

26,36

28.721,20

115.216,49

24,93

37.848,70

126.455,22

29,93

27.991,00

150.476,98

18,60

35.293,00

103.643,14

34,05

Fonte: Dados FAEPU

25

Figura 8: Custos dos gases referentes ao ano de 2004

160000,00 140000,00 120000,00 100000,00 80000,00 Custo Ar Comprimido 60000,00 Custo Geral dos Gases 40000,00
160000,00
140000,00
120000,00
100000,00
80000,00
Custo Ar Comprimido
60000,00
Custo Geral dos Gases
40000,00
20000,00
0,00
jan/04
fev/04
mar/04
abr/04
mai/04
jun/04
jul/04
ago/04
set/04
out/04
nov/04
dez/04

Fonte: Dados FAEPU

Para melhor entender o que se passava no complexo hospitalar em torno do

estado de Minas Gerais foi feita uma comparação em relação a outros dois

hospitais: Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais e o

Complexo Hospitalar São Francisco, ambas instituições localizadas na cidade de

Belo Horizonte no estado de Minas Gerais. Comparando as três unidades

hospitalares e coletando dados referentes ao ano de 2013 pode-se observar que

o HCU-UFU é o maior dentre eles realizando um número maior de exames,

consultas e cirurgias, seguido pelo Hospital da Universidade de Minas Gerais e

então o Hospital São Francisco sendo o menor entre os três, como pode ser visto

na Tabela 6.

Tabela 6: Comparação dos dados dos hospitais de Minas Gerais

 

UFU

UFMG

São Francisco

Cirurgias

2756

1600

874

Internação

1677

1500

1068

Consulta

44796

36000

2341

Fonte: [7,29,30]

26

As duas outras instituições apesar de serem de menor porte, no sentido de

produção, possuíam o sistema de produção de ar comprimido medicinal através

dos compressores, enquanto o HCU-UFU ainda produzia ar medicinal sintético por

meio do misturador, comprando oxigênio e nitrogênio e realizando a mistura ideal

entre os gases. A Tabela 7 mostra o quanto cada hospital pagava pelo m³ do

oxigênio comparando com o HCU-UFU que comprava oxigênio e nitrogênio

referentes ao ano de 2004, que pode ser melhor visualizado na Figura 9.

Tabela 7:Custo do Oxigênio e Nitrogênio para diferentes instituições de Minas Gerais em 2004.

Mês

UFU

UFMG

SÃO FRANCISCO

 

Oxigênio

Nitrogênio

Oxigênio

Nitrogênio

Oxigênio

Nitrogênio

 

2,5626

0,8541

1,48

0

0,63

0

jan/04

65.912,63

18.175,00

38.067,08

0

16.204,23

0

fev/04

73.720,88

20.447,00

42.576,64

0

18.123,84

0

mar/04

85.772,78

23.981,00

49.537,08

0

21.086,73

0

abr/04

69.607,90

17.968,00

40.201,24

0

17.112,69

0

mai/04

80.291,38

24.968,00

46.371,36

0

19.739,16

0

jun/04

64.669,77

18.334,00

37.349,28

0

15.898,68

0

jul/04

75.171,31

19.395,00

43.414,32

0

18.480,42

0

ago/04

70.599,63

18.298,00

40.774,00

0

17.356,5

0

set/04

67.498,88

15.924,00

38.983,20

0

16.594,2

0

out/04

80.732,15

20.984,00

46.625,92

0

19.847,52

0

nov/04

80.299,07

15.519,00

46.375,80

0

19.741,05

0

dez/04

62.627,38

19.567,00

36.169,72

0

15.396,57

0

Fonte: Dados FAEPU

27

Figura 9: Custo de consumo de oxigênio e nitrogênio das três instituições

100000 90000 80000 70000 60000 50000 40000 30000 20000 10000 0 jan-04 fev-04 mar-04 abr-04
100000
90000
80000
70000
60000
50000
40000
30000
20000
10000
0
jan-04
fev-04
mar-04
abr-04
mai-04
jun-04
jul-04
ago-04
set-04
out-04
nov-04
dez-04

UFU0 jan-04 fev-04 mar-04 abr-04 mai-04 jun-04 jul-04 ago-04 set-04 out-04 nov-04 dez-04 UFMG São Francisco

UFMG0 jan-04 fev-04 mar-04 abr-04 mai-04 jun-04 jul-04 ago-04 set-04 out-04 nov-04 dez-04 UFU São Francisco

São Francisco20000 10000 0 jan-04 fev-04 mar-04 abr-04 mai-04 jun-04 jul-04 ago-04 set-04 out-04 nov-04 dez-04 UFU

Fonte: Dados FAEPU

Foi realizada uma análise de 27 meses entre janeiro de 2003 e março de 2005 caso o HCU-UFU adotasse o sistema de compressores e caso o hospital pagasse o mesmo preço que os demais hospitais, visto que os mesmos pagavam quase a metade do preço que o HCU-UFU em relação ao m³ do oxigênio líquido. O HCU-UFU gastava R$ 2.477.029,00 com o sistema de mistura, se adotasse o sistema de compressores não haveria mais o gasto da compra de nitrogênio, o que daria um gasto de R$ 1.549.935,09 anual. Mas caso o hospital pagasse pelo mesmo preço que a UFMG em relação ao m³ do oxigênio líquido, o valor seria de R$ 1.132.713,56 reais e enquanto que, pagando o mesmo preço que o hospital de São Francisco o gasto seria R$ 482.168,6 por mês. Resultando uma economia significativa que pode ser visto na Tabela 8 e no gráfico comparativo demonstrado na Figura 10.

28

Tabela 8: Estimativa de economia de 27 meses (janeiro de 2003 e março de 2005) com a implantação da central de gases, baseado nos demais hospitais.

Custo

Economia

Atual Com Compressores Preço UFMG Preço São Francisco

R$ 2.477.029,07 R$ 1.549.935,09 R$ 1.132.713,56 R$ 482.168,61

- R$ 927.093,98

R$1.344.315,51

R$1.994.860,46

Fonte: Dados FAEPU

Figura 10: Levantamento de 27 meses (janeiro de 2003 e março de 2005) de Oxigênio
Figura 10: Levantamento de 27 meses (janeiro de 2003 e março de 2005) de
Oxigênio e Nitrogênio.
R$ 3.000.000,00
R$ 2.500.000,00
R$ 2.000.000,00
R$ 1.500.000,00
R$ 1.000.000,00
R$ 500.000,00
R$ -
Atual
Com Compressores
Preço UFMG
Preço São Francisco
R$ 2.477.029,07
-
R$ 1.549.935,09
R$ 927.093,98
R$ 1.132.713,56
R$ 1.344.315,51
R$ 482.168,61
R$ 1.994.860,46
Custo Economia

Custo

Economia

Fonte:Dados FAEPU

Após avaliar a possibilidade de redução de custos com a implantação de compressor de ar medicinal, a equipe da Bioengenharia analisou o investimento inicial necessário e o tempo em que este investimento retornaria ao hospital (tempo de payback).Ao realizar o cálculo conforme definido pela norma técnica vigente o consumo mensal de ar medicinal para o ano em questão o cálculo máximo provável seria de 436.341,60m³/mês um número totalmente inviável e impossível de ser implementado no hospital por se tratar de valores exuberantes daqueles em que o hospital realmente consome. Assim sendo o hospital adotou o cálculo de consumo

29

efetivo médio entre julho/2004 e junho/2005 o que resultou em 27.224m³/mês, para maior segurança a implementação foi calculada a partir da maior média mensal que é

37.000m³/mês.

Para uma análise de custo-benefício com a implementação da central de compressores de ar comprimido fora analisado o consumo do ar comprimido (incluindo o frete) de janeiro de 2003 até março de 2005 o que gerou um valor de R$33.742,41 médio. Para cálculo de gastos com os compressores e os demais equipamentos que acompanham seria de R$245.136,96 reais divididos em 6 meses equivalendo a R$40.856,16 reais em cada mês. Considerando um valor fixo para a central de compressores em que são considerados gastos de manutenção juntamente com energia elétrica consumida pelos motores elétricos dos mesmos, totalizando um valor de R$3.751,75 reais. Assim pode-se demonstrar o gasto investido e o retorno que o hospital teria com a implementação da central de gases, como pode ser visto na Figura 11.

Figura 11: Investimento para a geração de Ar Comprimido

160000,00 140000,00 120000,00 100000,00 80000,00 60000,00 40000,00 20000,00 0,00 -20000,00 -40000,00 -60000,00
160000,00
140000,00
120000,00
100000,00
80000,00
60000,00
40000,00
20000,00
0,00
-20000,00
-40000,00
-60000,00
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
Valores (R$)

Mês

Fonte: Dados FAEPU

whitegerador retorno acumulado

geradorwhite retorno acumulado

retornowhite gerador acumulado

acumulado

Com o gráfico da Figura 11 pode-se observar que a partir do mês 06 após o pagamento da central de compressores o gasto se estabiliza para um gasto fixo, assim fazendo com que o retorno de investimento aumente progressivamente. Assim no

30

início do ano de 2006 a central foi instalada operando juntamente com o misturador durante 03 meses em uma fase de experiência, após passada a fase sem nenhum relato de problemas foi dado a independência total dos compressores.

As vantagens que a central de compressores trouxe para o hospital está também associada com a independência e disponibilidade do ar comprimido que está sempre sendo produzido sem a necessidade de transporte e sem interrupções. Porém destaca-se a grande economia realizada pelo hospital, que passou a economizar aproximadamente R$1.000.000,00 na conta total de gases, o que demonstra um ganho significativo a partir da ideia inicial de economia de gastos, os dados do histórico da conta de gases do HCU-UFU podem ser vistos nas Tabelas 9 e 10. O ano de 2016 em questão não foi lançado no sistema de gestão da Bioengenharia até o desenvolvimento deste trabalho.

Tabela 9: Valor da conta de gases do HCU-UFU de 2003 a 2009

Fonte:Dados FAEPU

Mês

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

 

1 103.219,33

108.183,59

124.994,97

91.287,20

36.460,94

31.131,04

23.755,00

 

2 121.250,98

108.722,38

93.215,27

83.745,84

25.641,74

18.726,40

27.256,41

 

3 125.069,79

132.995,04

129.362,54

70.378,36

22.692,70

21.384,21

28.629,43

 

4 113.350,21

120.148,19

128.021,83

76.078,65

19.248,74

30.048,52

22.300,27

 

5 113.821,70

126.408,50

131.394,90

47.285,41

30.139,51

31.879,70

35.813,84

 

6 102.355,01

118.454,40

129.486,50

57.484,66

16.557,31

22.440,04

46.571,10

 

7 124.115,23

142.590,96

138.857,24

64.569,21

23.245,44

28.964,69

31.825,37

 

8 94.238,60

125.194,26

100.067,86

56.112,44

22.542,22

34.078,28

40.923,22

 

9 126.644,00

115.216,49

79.620,94

56.071,26

23.684,72

22.358,56

34.630,35

 

10 98.493,03

126.455,22

98.911,93

60.430,48

28.756,39

35.993,60

31.940,15

 

11 115.961,96

150.476,98

93.048,97

47.545,46

31.528,51

43.049,70

27.352,13

 

12 137.940,45

103.643,14

66.925,95

36.222,52

18.270,37

42.336,24

38.696,82

Tota

1.376.460,2

1.478.489,1

1.313.908,9

747.211,4

298.768,5

362.390,99

389.694,0

l

9

5

0

9

9

9

31

Tabela 10: Valores conta de gases do HCU-UFU de 2010 a janeiro de 2016

Mês

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

 

1 22.310,11

28.962,64

26.328,75

25.902,44

29.661,52

29.868,65

47.314,86

 

2 26.015,43

21.738,07

36.956,86

33.052,76

33.061,06

24.491,82

-

 

3 26.206,43

25.916,21

44.751,80

21.602,99

30.284,95

53.294,93

-

 

4 26.295,70

38.958,32

46.229,29

40.313,49

41.731,78

38.964,83

-

 

5 23.046,70

21.980,96

44.124,66

37.319,74

58.114,41

50.191,57

-

 

6 34.379,69

26.359,87

36.273,48

36.483,07

27.751,27

56.123,84

-

 

7 23.685,15

37.815,47

30.436,77

45.202,34

50.117,27

50.805,90

-

 

8 28.992,54

32.410,99

34.651,34

38.735,76

54.738,45

35.543,53

-

 

9 38.437,70

21.825,17

28.262,06

29.270,38

48.062,01

44.765,77

-

 

10 31.109,06

33.054,77

33.286,61

270.484,03

43.062,64

40.219,29

-

 

11 21.814,09

26.684,74

33.125,28

44.645,23

42.262,69

30.748,54

-

 

12 33.958,21

52.842,80

39.290,34

51.205,39

46.981,30

32.481,70

-

Total

336.250,81

368.550,01

433.717,24

674.217,62

505.829,35

487.500,37

47.314,86

Fonte: Dados FAEPU

As tabelas mostram claramente a diminuição da conta de gases do HCU-UFU após a instalação da central de compressores, basicamente do ano anterior à instalação 2005 para 2006 houve uma economia de R$566.697,41 reais totalizando uma redução de 43%. Para ilustrar graficamente a evolução da conta de gases no decorrer desses 14 anos pode-se observar na Figura 12 que representa o valor gasto no decorrer dos respectivos anos contabilizando todos os gases consumidos na instituição. Para poder obter um comparativo da economia adquirida em todos esses anos a Figura 13 representa a economia realizada a partir do ano anterior subtraída do ano presente. Se a economia gerada em todos esses anos fosse se acumulando teríamos no ano de 2015 uma economia superior a R$10.000.000,00 como ilustra a Figura 14.

32

Figura 12: Evolução da conta de gases do HCU-UFU de 2009 a 2015. Evolução da
Figura 12: Evolução da conta de gases do HCU-UFU de 2009 a 2015.
Evolução da Conta de Gases HC
R$ 1.600.000
R$ 1.400.000
R$ 1.200.000
R$ 1.000.000
R$ 800.000
R$ 600.000
R$ 400.000
R$ 200.000
R$ 0

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Fonte: Dados FAEPU

Figura 13: Avaliação da economia da conta de gases do HCU-UFU

Valor Conta Gases HC

R$ 1.600.000

R$ 1.400.000

R$ 1.200.000

R$ 1.000.000

R$ 800.000

R$ 600.000

R$ 400.000

R$ 200.000

R$ 0

1.000.000 R$ 800.000 R$ 600.000 R$ 400.000 R$ 200.000 R$ 0 2003 2004 2005 2006 2007

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Valor Economia

Valor

Valor Economia

Economia

Fonte: Dados FAEPU

33

Figura 14: Economia acumulada com a conta de gases do HCU-UFU

Economia Acumulada na Conta de Gases R$ 12.000.000 10.345.341 R$ 10.000.000 9.354.352 8.381.693 7.577.421 R$
Economia Acumulada na Conta de Gases
R$ 12.000.000
10.345.341
R$ 10.000.000
9.354.352
8.381.693
7.577.421
R$ 8.000.000
6.532.649
R$ 6.000.000
5.422.710
4.280.472
R$ 4.000.000
3.191.677
2.075.578
R$ 2.000.000
895.858
164.580
-
-
R$ 0
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015

Fonte: Dados FAEPU

Para uma comparação mais específica, analisa-se a conta de gases mensal

com cada gás específico, do mês de março de 2004, Tabela 11 e março de 2014,

Tabela 12, os gases representados nas tabelas são também considerados na forma

líquida devida a sua capacidade de armazenamento.

Tabela 11: Consumo mensal de gás no HCU-UFU de março de 2004.

Produto

Quant. m³

Frete

Valor Unitário(R$)

Total(R$)

Ar. Comp Gás CO2 Acetileno Mist. Padrão Oxido Nitroso Gás Nitrogênio Gás Nitrogênio Líq. Oxido Nitroso Líq. O2 Gás O2 Gás Cil. G O2 PP

239,40

-

17,75

4.249,35

33,00

-

12,79

422,07

1,00

-

26,76

26,76

3,00

-

1.190,04

3.570,12

4,50

-

52,55

236,48

39,60

-

14,32

567,07

28.077,00

5.053,86

0,68

24.146,22

400,00

745,84

23,64

10.201,84

1,60

-

968,78

1.550,05

55,00

-

26,77

1.472,35

23,00

-

13,46

309,58

/

34

 

( conclusão)

 

Quant.

Valor

Produto

Frete

Unitário(R$)

Total(R$)

O2 líquido Dióxido CO2 Oxido W Med. Argônio StarGold Plus

33.471,00

6.623,91

2,36

85.615,47

13,50

-

17,37

234,50

-

-

0,00

-

-

-

0,00

-

-

-

0,00

TOTAL

132.601,85

Fonte: Dados FAEPU

Tabela 12: Consumo mensal de gases do HCU-UFU de março de 2014

 

Quant.

Valor

Produto

Frete

Unitário(R$)

Total(R$)

Ar. Comp Gás CO2 Acetileno Mist. Padrão Oxido Nitroso Gás Nitrogênio Gás Nitrogênio Líq. Oxido Nitroso Líq. O2 Gás O2 Gás Cil. G O2 PP O2 Líquido Dióxido CO2 Oxido W Med. Argônio StarGold Plus

9,60

-

6,41

61,54

75,00

-

24,79

1.859,25

-

-

28,58

0,00

3,00

-

802,14

2.406,42

-

-

10,63

0,00

118,80

-

8,05

956,34

-

-

-

0,00

-

-

10,65

0,00

40,00

-

6,41

256,40

156,00

-

27,14

4.233,84

27,00

-

6,41

173,07

26.133,00

-

0,75

19.599,75

-

-

-

0,00

25,00

-

20,34

508,50

1,00

-

40,00

40,00

6,00

-

31,64

189,84

TOTAL

30.284,95

Fonte: Dados FAEPU

Observa-se além da economia, a retirada de um contrato abusivo o que em

2004 o m³ do oxigênio líquido custava R$ 2,36 e que 10 anos após esta data o m³

custou R$ 0,75 e que na atualidade custa para a instituição R$ 0,81 centavos. A conta

de gases varia muito de mês a mês, além de possuir uma ampla variedade de gases

que podem ser utilizados, também não se pode afirmar a quantidade exata a ser

consumida, o que pode ser exemplificado pelas Tabelas 11 e 12. A economia foi de

35

77% no passar dos anos, porém observa-se que o maior consumo ainda é de O2 líquido em que ambas as contas representam 65% do gasto geral como pode ser visto nas Figuras 15 e 16.

Figura 15: Porcentagem dos gastos de gases medicinais em março de 2004

Ar. CompOxido Nitroso O2 Gás Dioxido CO2 Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Liq O2 Gas

Oxido NitrosoAr. Comp O2 Gás Dioxido CO2 Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Liq O2 Gas Cil.

O2 GásAr. Comp Oxido Nitroso Dioxido CO2 Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Liq O2 Gas Cil.

Dioxido CO2Ar. Comp Oxido Nitroso O2 Gás Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Liq O2 Gas Cil.

Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Liq O2 Gas Cil. O2 PP Oxido W Med.
Gás CO2
Acetileno
Nitrogenio Gás
Nitrogenio Liq
O2 Gas Cil.
O2 PP
Oxido W Med.
Argônio
3%
3%
18%
8%
65%
1%
1%

Mist. PadrãoO2 Gas Cil. O2 PP Oxido W Med. Argônio 3% 3% 18% 8% 65% 1% 1%

Oxido Nitroso LiqLiq O2 Gas Cil. O2 PP Oxido W Med. Argônio 3% 3% 18% 8% 65% 1%

O2 LiquidoO2 Gas Cil. O2 PP Oxido W Med. Argônio 3% 3% 18% 8% 65% 1% 1%

StarGold PlusO2 Gas Cil. O2 PP Oxido W Med. Argônio 3% 3% 18% 8% 65% 1% 1%

Fonte: Dados FAEPU

Figura 16: Porcentagem dos gastos de gases medicinais em março de 2014

Ar. CompOxido Nitroso Gás O2 Gás Dioxido CO2 Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Líq. O2

Oxido Nitroso GásAr. Comp O2 Gás Dioxido CO2 Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Líq. O2 Gás Cil.

O2 GásAr. Comp Oxido Nitroso Gás Dioxido CO2 Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Líq. O2 Gás

Dioxido CO2Ar. Comp Oxido Nitroso Gás O2 Gás Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Líq. O2 Gás

Gás CO2 Acetileno Nitrogenio Gás Nitrogenio Líq. O2 Gás Cil. G O2 PP Oxido W
Gás CO2
Acetileno
Nitrogenio Gás
Nitrogenio Líq.
O2 Gás Cil. G
O2 PP
Oxido W Med.
Argônio
2%
1%
3%
6%
8%
1%
14%
65%
1%

Mist. PadrãoG O2 PP Oxido W Med. Argônio 2% 1% 3% 6% 8% 1% 14% 65% 1%

Oxido Nitroso Líq.Cil. G O2 PP Oxido W Med. Argônio 2% 1% 3% 6% 8% 1% 14% 65%

O2 LíquidoG O2 PP Oxido W Med. Argônio 2% 1% 3% 6% 8% 1% 14% 65% 1%

StarGold PlusG O2 PP Oxido W Med. Argônio 2% 1% 3% 6% 8% 1% 14% 65% 1%

Fonte: Dados FAEPU

36

Observa-se o consumo de gases como argônio e stargold plus em 2014 que em 2004 não eram utilizados, por se tratarem de gases muito específicos, contudo observa-se também que gases foram deixando de ser consumidos ao longo do período estudado, como o caso do nitrogênio líquido e dióxido de carbono (CO2). O gás stargold plus é utilizado para solda de aço de carbono e de baixa liga, o gás argônio se faz presente hoje nos bisturis de argônio que conduz corrente via gás e o acetileno é utilizado para soldagem de metalúrgica em geral.

Assim, para a geração de ar medicinal a central de gases do HCU-UFU hoje é composta por 6 compressores sendo que 02 são compressores reservas e a escolha dos que operam é feita de buscando igualar o número de horas de trabalho de cada um dos equipamentos, que são vistas na Figura 17.

a

implementação gerando uma diminuição na conta de gases além de uma

independência da produção de ar comprimido medicinal.

A opção

por

este

sistema

foi

devida

a

economia

gerada,

devido

Figura 17: Compressores de ar comprimido da central de gases do HCU-UFU

Compressores de ar comprimido da central de gases do HCU-UFU Fonte: [Autora] Os compressores são do

Fonte: [Autora]

Os compressores são do tipo alternativo de pistão, livre de qualquer utilização

de óleo nas lubrificações com risco zero de contaminação por óleo. Composto por uma unidade compressora de vazão efetiva de 89m³/h, um motor elétrico trifásico e

37

um pulmão, ou tanque de armazenagem, que visa eliminar as pulsações sofridas durante a compressão, o esquema pode ser observado na Figura 18. O custo de cada compressor da empresa Daltech foiem torno deR$ 41.000,00 enquanto que apenas o bloco compressor custou R$ 25.000,00 [31].

Figura 18: Componentes do compressor de ar comprimido

[31]. Figura 18 : Componentes do compressor de ar comprimido Fonte:[31]. Para o tratamento do ar

Fonte:[31].

Para o tratamento do ar comprimido são utilizados 03 sistemas de secador por adsorção, com um ponto de orvalho de -40°C e pode ser observado na Figura 8. O custo de cada equipamento foi de R$ 7.500,00.

Figura 19: Sistema de Secagem por Adsorção central de ar comprimido HCU-UFU

foi de R$ 7.500,00. Figura 19 : Sistema de Secagem por Adsorção central de ar comprimido

Fonte: Autora

38

O sistema ainda conta com 03 resfriadores posterior composto de: entrada e saída de ar, motor elétrico, grades de proteção, separador de condensado e dreno automático do tipo bóia. O esquema do resfriador pode ser visto na Figura 20, onde cada resfriador teve um custo de R$ 20.650,00.

Figura 20: Resfriador Posterior da central de ar comprimido do HCU-UFU

Resfriador Posterior da central de ar comprimido do HCU-UFU Fonte: [Autora] Existe ainda um sistema de

Fonte: [Autora]

Existe ainda um sistema de monitoramento de ponto de orvalho, composto por uma válvula de reguladora de pressão, display digital e compensador para variação de temperatura e pressão, o custo do painel foi de R$ 9.500,00 e pode ser observado na Figura 21.

Segundo o orçamento da empresa responsável o sistema de gás centralizado do Hospital de Clínicas de Uberlândia teve custo de, R$307.950,00, como pode ser visto na Tabela 13.

39

Figura 21: Monitoramento de ponto de orvalho.

39 Figura 21 : Monitoramento de ponto de orvalho. Fonte: [Autora] Tabela 13 : Custo da

Fonte: [Autora]

Tabela 13: Custo da central de compressores de ar comprimido do HCU-UFU

Equipamento

Quantidade

Custo Unitário (R$)

Custo Total

(R$)

Compressor

4

41.000,00

164.000,00

Bloco

2

25.000,00

50.000,00

compressor

Secador

3

7.500,00

22.500,00

Resfriador

3

20.650,00

61.950,00

Monitoração

1

9.500,00

9.500,00

TOTAL

307.950,00

Fonte: [31]

Recentemente a Bioengenharia verificou a necessidade de instalação de um

sistema de climatização a fim de garantir a temperatura ideal dos componentes

evitando falhas na central por superaquecimento nas válvulas. O sistema de

resfriamento teve um custo de R$ 6.596,00 juntamente com a instalação [32]. Com

40

isso a central de gases de ar comprimido medicinal opera a dois anos sem falhas corretivas e o sistema pode ser visto na Figura 22.

Figura 22: Sistema de climatização da central de gases do HCU-UFU

o sistema pode ser visto na Figura 22. Figura 22: Sistema de climatização da central de

Fonte: Autora

41

4. CONCLUSÃO

A instalação da central de compressores de ar comprimido medicinal resultou em grande economia para o HCU-UFU. Os dados trazidos até agora, demonstram inicialmente que o ar comprimido representava um consumo de apenas 30% no gasto da conta em geral, o que no final resultou em uma economia de aproximadamente 77% em todos esses anos. Com isso conclui-se que um consumo que matematicamente não influenciava diretamente na conta, na verdade se tratava de um dos maiores gastos para a instituição.

O projeto não só trouxe uma economia para o hospital como também trouxe a independência em relação à empresa White Martins, que antes exercia total controle deste processo no funcionamento do EAS. A criação da central pode mostrar que nem sempre a terceirização é uma solução, aos olhos dos administradores da FAEPU o que se pagava não poderia ser alterado, porém aos olhos dos engenheiros responsáveis pela Bioengenharia os valores pagos não condiziam com a verdadeira escala de produção e com a atividade que a empresa realizava dentro do hospital. Diversas negociações, novos contratos, novas cláusulas e novos lances de ‘pregão’ foram necessários até a dispensa dos serviços parciais da empresa White Martins.

A dificuldade encontrada pela equipe veio desde a decisão até a implementação, durante o projeto do cálculo necessário de consumo dos compressores, se viu diante de um número totalmente abusivo e surreal para a instalação com isso teve-se então um confronto direto com a norma. A norma exigia que o cálculo adotado fosse do consumo máximo provável, o que para o HCU-UFU seria uma vazão de 436.341,6m³/mês tornando a implementação totalmente inviável, com isso o HCU-UFU adotou o sistema de consumo efetivo médio o que o cálculo era de 37.000m³/mês por medida de segurança uma vez que a que nunca houve um gasto maior que este valor durante algum mês para a instituição. O valor do consumo máximo provável é 32 vezes maior que o consumo efetivo médio, o que colocou a equipe da Bioengenharia diante de uma grande discussão: se a norma realmente era confiável e ainda se a mesma empresa que

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vendia o gás não estaria por trás dos valores de consumo pré-estabelecidos pela norma.

Até 2005 o sistema já havia gerado uma economia acumulada de aproximadamente 10 milhões de reais, o que mostra que o objetivo principal da instalação foi atingido, gerando uma grande economia. A central de compressores de ar comprimido medicinal desde sua instalação, 2006, já passou por reformas, recentemente foi instalado um sistema de refrigeração para manter a temperatura das válvulas adequadas evitando problemas e possíveis defeitos, com isso, hoje atua há mais de dois anos sem interrupção e sem que haja necessidade de manutenção corretiva. A manutenção preventiva é feita no período mensal, porém todos os dias dados do tempo de trabalho dos compressores são coletados e salvos em uma planilha por técnicos responsáveis.

Visando sempre a união entre a melhor tecnologia e a segurança do paciente, buscando melhorar a qualidade de vida, o hospital tem hoje um sistema de gás medicinal totalmente eficaz, seguro e autossuficiente, pode-se dizer que isto só foi possível graças à atuação da Engenharia Clínica perante a direção da Fundação responsável, pois somente engenheiros com uma visão dinâmica do funcionamento do processo poderia contestar o sistema de produção de gás e o valor pago por este.

O trabalho mostrou o verdadeiro papel dos Engenheiros atuando na Engenharia Clínica dentro de um Hospital, em que este tende a encarar desafios, superar problemas e encontrar circunstâncias viáveis para garantir o bom funcionamento da instituição de saúde em que o mesmo atuam. Quando o Engenheiro Clínico fornece apoio técnico, científico e gerencial para a administração é possível chegar a um ponto de equilíbrio para redução de custos e aumento da eficácia dos procedimentos relacionados com a tecnologia buscando sempre preservar a qualidade de vida do paciente.

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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[29]ESTRUTURA FÍSICA, HC-UFMG,

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[30]ESTRUTURA FÍSICA HOSPITAL SÃO FRANCISCO, disponível em:http://www.saofrancisco.org.br/institucional/estrutura/, Acesso 02 junho 2016.

[31] ORÇAMENTO EMPRESA DALTECH COMPRESSORES LTDA, Osasco - São Paulo 2013.

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