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ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Tema: Qual a importância de um documento curricular para o Primeiro segmento


EJA?

As discussões e regulações relativas a EJA no Brasil, em termos mais recentes,


começaram de forma efetiva com a promulgação da Constituição de 1988, em que já se
definiam como responsabilidades do estado o “ensino fundamental obrigatório e gratuito,
inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria“ (artigo 208) e que, para
todas as modalidades, o que inclui a Educação de Jovens e Adultos, deve prevalecer a
“igualdade de condições de acesso e permanência na escola” (artigo 206), para que se
promova o “ bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
formas de discriminação” (artigo 3). (BRASIL, 1988)
Posteriormente a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), colocada em vigor
em 1996, definir parâmetros mais claros no tocante a critérios específicos para a EJA. A
LDB, em seu artigo 37, definiu que a “Educação de Jovens e Adultos será destinada
àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental e
Médio na idade própria”, com os “sistemas de ensino” tendo que assegurar “gratuitamente
aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular,
oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus
interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames” e cabendo ao
Poder Público viabilizar e estimular “o acesso e a permanência do trabalhador na escola”.
A LDB, ainda, no mesmo artigo 37, propõe e promove a articulação da EJA com a
educação profissional. (BRASIL, 1996)
Há, ainda, na mesma Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no artigo 38,
ainda em referência a EJA, a proposição de que os sistemas de ensino mantenham “cursos
e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando
ao prosseguimento de estudos em caráter regular”. No tocante aos exames, o que se
especificam são provas que comprovem a fluência e capacitação para a conclusão do
Ensino Básico, primeiramente no que tange ao Ensino Fundamental (para maiores de 15
anos) e, num segundo patamar, para o Ensino Médio (para maiores de 18 anos).
Em seguida então surge as Diretrizes Curriculares Nacionais para a modalidade
formulada em 2000, por meio do parecer no 11 do CNE, cujo relator foi Carlos Roberto
Jamil Cury, está Proposta Curricular Nacional para a EJA, foi publicada em 2001, voltada
apenas aos anos iniciais do ensino fundamental – primeiro segmento, o mesmo foi
elaborado a partir de uma iniciativa da ONG Ação Educativa.
Esse documento curricular surgiu com a finalidade de auxiliar as instituições que
ofertam a modalidade de Educação de Jovens e Adultos na construção dos projetos e
propostas curriculares apropriados a realidade em questão bem como suas reais
necessidades. Bem como, colaborar para as discussões entre profissionais da área em todo
o país, subsidiando as práticas pedagógicas do professor da EJA em sala de aula.
Portando, a proposta é essencial para nortear o das instituições e profissionais
responsável pela EJA, pois segundo Brasil (2001, p.13) “O objetivo deste trabalho é
oferecer um subsídio que oriente a elaboração de programas de educação de jovens e
adultos e, consequentemente, também o provimento de materiais didáticos e a formação
de educadores a ela dedicados”. Assim, é através do mesmo que irá se construir um apoio
curricular para EJA adequado, onde contemple a diversidade desses alunos, em relação a
cultura, a linguagem, e os saberes já adquiridos, incluindo a ideia de que os conteúdos e
as práticas pedagógicas devem ser contextualizados com a realidade deste público.

Referências
BRASIL. Constituição Federal (1988). Brasília, DF, 2002.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: lei no 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. – 5. ed. –
Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação Edições Câmara, 2010.
BRASIL. Educação para jovens e adultos: ensino fundamental: proposta curricular‐1º
segmento/ coordenação e texto final (de) Vera Maria Masagão Ribeiro; ‐São Paulo:
Ação Educativa; Brasília: MEC, 2001.