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Texto

Vida de relógio

Eram seis horas da manhã, o sol já estava alto, na sala, tudo calmo, o vento soprava

lentamente e acordando todos, primeiro foi a cortina que o impedia de entrar, ele disse:

– Acorde Senhora Cortina, já está cedo e o dia já raiou!

– Estou com bastante preguiça e quero ficar mais um pouco. Respondeu a cortina.

O vento entrou e da mesma forma foi acordando todos [...]; o sofá, a mesa, as cadeiras...

Ao entrar noutro cômodo encontrou o Relógio bastante aborrecido, e perguntou:

– O que o Senhor tem? Sempre que venho vejo-te da mesma forma, com a mesma

cara, por que vives com tanto mau humor?

– Estou cansado de trabalhar sem parar, não posso atrasar nenhum minuto que vem

alguém me abrindo todo e mexendo nos meus ponteiros [...].

O Vento respondeu:

– Calma Senhor Relógio, tudo tem o seu valor! O relógio logo replicou:

– Você diz isso porque tu andas por toda parte, eu não, fico aqui, não saio daqui. Essa

vida é um tédio! Duvido que tu queiras contar o tempo dia e noite sem parar. [...]

O vento ficou a observar aquelas palavras, sabia que sua vida era bastante agitada,

mesmo assim respondeu:

– Olha! Compreendo a tua angústia, mas, saiba que todos nós temos o nosso ofício,

se não fosse o teu sacrifício não saberíamos quando começar ou quando terminar um

trabalho e, saiba de uma coisa, por todos os cantos que já fui, todos precisam do tempo

para guiarem suas responsabilidades.

Ao escutar estas palavras o relógio abriu um grande sorriso e acreditando que o vento

estava certo, pode perceber que todos são importantes e concluiu:

– Tu tens razão, ó sábio Vento! Segue teu caminho, pois preciso continuar contando
e contando e contando...

1) O objetivo desse texto é

A) dar uma dica.

B) defender uma opinião.

C) ensinar uma tarefa.

D) provocar uma reflexão.

E) vender uma mercadoria.

2) Nesse texto, no trecho “... primeiro foi a cortina que o impedia de entrar,...” (l.3), o

pronome destacado se refere a

A) dia.

B) relógio.

C) sofá.

D) sol.

E) vento.

3) Nesse texto, no trecho “Segues teu caminho pois preciso continuar contando e contando e contando...

A) destacar indecisão.

B) indicar a continuidade de uma ação.

C) marcar a interrupção de uma fala.

D) reforçar surpresa.

E) revelar tristeza.

Texto

Brincadeiras de minha infância

Atualmente as crianças brincam muito pouco. Na minha singela opinião, a modernidade

tirou das crianças uma infinidade de brinquedos e brincadeiras saudáveis. Ultimamente

tenho observado a ausência dos grupos de meninos e meninas que antes eram comuns
em cada rua, em cada bairro. O que existe são alguns poucos que ainda resistem com a

brincadeira de bola e gol mirim.

Em meu tempo de criança, a maioria das brincadeiras faziam as crianças praticar

exercícios físicos sem perceber. Muitos objetos serviam para brincar e fabricar brinquedos.

Lata de óleo ou leite, pneus velhos, tábuas e até meias serviram para alegrar a garotada.

[...]

Quem lembra dos famosos carrinhos de rolimã? Não era preciso ter dinheiro. Bastava

procurar ou negociar com algum amigo para obter os rolamentos de ferro em alguma oficina

mecânica da cidade. Após possuir as rodas de ferro, era a vez de ir em busca de madeira

nas serralherias. Os mais experientes ajudavam os novatos na montagem do brinquedo

sempre utilizando as ferramentas dos pais ou de algum conhecido. Depois de pronto, era

hora de sair percorrendo as ruas sobre as rodinhas de ferro. Era uma das melhores

brincadeiras daquela época. Posso até afirmar que aquele arcaico brinquedo era um

precursor do famoso skate. [...]

Em épocas de inverno, quando o tempo se preparava para chover, era certa a falta de

energia elétrica, principalmente no período da noite. A meninada atenta já preparava a lata

de leite vazia, fazia alguns furos no fundo e fazia a alça com cordão ou arame e acendia

uma vela dentro daquele protótipo. Estava pronta a lanterna. [...]

Tudo tinha sua época, cada brinquedo e brincadeiras em seu tempo. Pião e Fura-chão.

Vixe, fui longe agora! [...]

Gostaria de ver a criançada de hoje brincando e se divertindo de modo saudável. [...] Ao

mesmo tempo, aproveito para mais uma vez afirmar, sem medo de errar, que me diverti

muito, mas muito mesmo. [...]

4) Qual trecho desse texto apresenta um argumento utilizado pelo autor para sustentar sua tese?

A) “Em meu tempo de criança, a maioria das brincadeiras faziam as crianças praticar exercícios físicos
sem perceber.”.
B) “Após possuir as rodas de ferro, era a vez de ir em busca de madeira nas serralherias.”.

C) “Depois de pronto, era hora de sair percorrendo as ruas sobre as rodinhas de ferro.”.

D) “Posso até afirmar que aquele arcaico brinquedo era um precursor do famoso skate.”.

E) “Ao mesmo tempo, aproveito para mais uma vez afirmar, sem medo de errar, que me diverti muito,
mas muito mesmo.”.

5) Para o autor desse texto, as crianças de hoje em dia brincam pouco porque

A) a chuva impede as brincadeiras de rua.

B) a modernidade tirou das crianças vários tipos de brincadeiras.

C) lembram-se dos famosos carrinhos de rolimã.

D) praticam exercícios físicos sem perceber.

E) preocupam-se com a montagem dos próprios brinquedos.

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O Marco Civil da Internet, criado em 2014, assegura o uso livre e democrático nas redes comunicativas.
Porém, na realidade contemporânea, é evidente que o monitoramento das atividades dos usuários
online por parte de empresas implica a perda da privacidade dos indivíduos que utilizam a internet. Com
isso, a influência dos interesses empresariais, bem como o descaso governamental frente a tal
problemática corroboram para a manutenção da mesma.

Em primeiro plano, vale destacar que, com o avanço no compartilhamento de informações, o controle
de dados se tornou essencial para a divulgação de propagandas direcionadas às preferências dos
usuários das redes de comunicação. Nesse sentido, a manipulação dos anúncios se assemelha ao
processo de dominação descrito pelo sociólogo Foucalt ao analisar o modelo panóptico, pois o
monitoramento das ações dos indivíduos é de uma importância para a manutenção do poder de forma
discreta. Nisso, observa-se como o controle do comportamento dos indivíduos restringe a privacidade
deles.

Paralelamente a essa dimensão empresarial, o descaso do Estado, principalmente na esfera


legislativa, contribui para a permanência do uso não autorizado de informações pessoais para fins
comerciais. Conforme o sociólogo alemão Dahrendorf, no livro "A lei e a ordem", a anomia é a condição
social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. De forma
análoga a esse pensamento, nota-se que as leis que regulamentam os atos na internet encontram-se em
um estado de anomia, pelo fato de serem infringidas, por vezes, sem qualquer punição ao infrator.

Portanto, é notório que a manipulação dos dados de pesquisa dos utentes se configura como um
problema relativo à fragilidade das leis na rede. Logo, o Congresso Nacional deveria elaborar uma
legislação que reforçasse os direitos e deveres dos usuários no ambiente virtual, por meio de reuniões
com especialistas em segurança digital, com o fito de amenizar os crimes de roubo de dados por
empresas. Assim, o Governo reverteria o estado de anomia na internet.

6) Que gênero textual é esse?

É um texto dissertativo-argumentativo

7) Qual a finalidade de textos como esse?

Defender um ponto de vista com argumentos lógicos

8) Qual a temática tratada no texto?

A falta de privacidade e segurança com os dados dos usuários na internet.

9) Qual estratégia o autor usou para apresentar o tema do seu texto?

Ele começa a introdução com uma alusão histórica.

10) Qual é a tese que o autor expõe na introdução e a defende ao longo do texto?

Ele vai defender que essa falta de segurança na internet com os nossos dados favorece empresas e culpa
o governo por não tomar providências sobre tal problema.