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PASTOR BONUS

R E V I S TA T E O L Ó G I C A V I R T U A L

Padre Anderson Santana Cunha / 26 de junho de 2020 / Homilias

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Numa única solenidade a Igreja celebra as suas duas colunas fundamentais. A primeira
coluna é um pescador galileia, encarregado de presidir o colégio dos apóstolos  e
confirmar os irmãos da fé. A segunda coluna é um homem culto e de boa formação, que
antes era um inimigo da fé e converteu-se num dos maiores missionários que a história
conheceu. 

São colocados diante de nós dois exemplos de homens apaixonados por Jesus e que
foram até os “confins do mundo” para anunciar seu amor: Pedro e Paulo. A Igreja
celebra neste dia, desde o século III, o martírio desses apóstolos que foram assassinados
porque muito amaram o Senhor! (cf. João Paulo II, Angelus, 29 de junho de 1987)

Assim nos disse a antífona de entrada:



Eis os santos, que vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu
sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus. 

Das palavras de S. Paulo na segunda leitura (cf. 2Tm 4, 7) podemos recolher o resumo da
vida desses dois santos que são indicações também para as nossas vidas: (1) Combater
o bom combate e (2) Guardar a fé. 

1. Combater o bom combate 

O Senhor nos chama, como chamou Pedro e Paulo, e nos dá também uma missão, uma
vocação. E todos os chamados que Cristo nos faz, sejam eles quais forem, exigem
combate, ou seja, é preciso esforço para vencer. A nossa maior vocação é à santidade, e
ela exige muita luta!

Deus sabe de nossas fraquezas e conhece as fragilidades da nossa fé. Muitas vezes
ouviremos de Jesus o que num momento de prova disse a Pedro: “homem de pouca fé,
porque duvidastes?” (Mt 14, 31). Quando não, Ele irá atrás de nós, após termos lhe
negado, como foi atrás de Pedro depois da ressurreição, e nos questionará: “Tu me
amas?” (cf. Jo 21, 15).

Eles não esconderam as suas fraquezas: Pedro, de temperamento forte, é aquele que
negou o Senhor logo depois da sua ordenação; Paulo era um perseguidor sanguinário dos
discípulos de Jesus que nunca escondeu seu passado mas fez dele a prova da
autenticidade da sua pregação. 

A nossa missão não é fácil. São muitas as dificuldades, como as de Pedro, narrada na
primeira leitura, e as de Paulo, na segunda. Mas a certeza de que o Senhor luta em nós
nos consola e nos dá a garantia da vitória! Por isso podemos rezar como o salmista: “De
todos os temores me livrou o Senhor Deus”.

S. Paulo e S. Pedro morreram como verdadeiros combatentes. Poderia parecer um


fracasso a última página de suas vidas: o primeiro foi degolado e o segundo crucificado.
Mas o que era aparente derrota, escondia uma vitória: eles foram fiéis até o final,
sabendo que há uma prêmio que está reservado para os que combatem o bom combate:
o céu!

Em resumo: sofreram, tiveram falhas, mas se mantiveram fiéis. Perseveram até o final,
porque quem ama permanece fiel até o fim. Desta forma servem de exemplo para
todos nós! Como disse o príncipe dos apóstolos: que sejamos “fortes na fé” (1Pd 5, 9)!
2. Guardar a fé

(a) Pedro: aquele que confirma os irmãos na fé

A confissão de fé de Pedro, no Evangelho de hoje, é muito importante para nós. Nele


encontramos duas importantes indicações: Jesus é Filho de Deus, ou seja, é a realização
da esperança do povo de Israel; e, além disso, e Ele mesmo funda uma Igreja e coloca a
frente dela S. Pedro. 

Pedro é o primeiro Papa e assim como ele os seus sucessores são o sinal da unidade da
Igreja e também a garantia de que nos é ensinado, ainda hoje, é o mesmo Evangelho de
Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Disse o Papa Bento XVI:


“Como Bispo de Roma, o Papa presta um serviço único e indispensável à Igreja
universal: ele é o princípio perpétuo e fundamento visível da unidade dos bispos
e de todos os éis”.
Ângelus, 29 de junho de 2005.

Ao entregar as chaves a Pedro, Jesus dá sentido à autoridade do Papa sobre toda a Igreja
e também legitima a autoridade que é própria da Igreja. 

Jesus não entregaria as chaves só por alguns anos até que Pedro fosse assassinado.
Portanto, Pedro continua vivo na Igreja, Pedro é o Papa! Pedro continua sendo o
Bispo de Roma. Continua sendo a pedra, sólida e segura, sobre a qual se edifica a Igreja.
E assim como os primeiros discípulos hoje nós também rezamos por Pedro, ou seja pelo
Santo Padre, o Papa Francisco. 

Ao Papa Nosso Senhor diz ainda hoje: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha
Igreja, e as portas do inferno não poderão derrotá-la” (Mt 16, 18). A esse propósito disse
Orígenes:


“Nosso Senhor não precisa se é contra a pedra sobre a qual Cristo construiu sua
Igreja ou se é contra a própria Igreja, construída sobre a pedra, que as portas do
inferno não prevalecerão. Mas é evidente que elas não prevalecerão nem contra a
pedra nem contra a Igreja”.
Orígenes, apud São Tomás de Aquino, Catena Áurea. In Mt 16, 13-19

(b) Paulo: o mensageiro da fé

Paulo é conhecido como o “apóstolo das nações”. Isso porque ele foi um grande
missionário: fez viagens muito importantes para levar a mensagem de Jesus aos
homens e mulheres de seu tempo levando a Igreja Católica por onde ele passava e depois
que formava as comunidades continuava instruindo-as através de cartas, algumas das
quais chegaram até nós.

Somente homens e mulheres, apaixonados por Jesus, como Paulo são capazes de vencer
o comodismo e as perseguições para dizer sem medo que o único que salva é Jesus
Cristo (cf. Rm 10, 9). Seu amor por Jesus era tão grande que chegou ao ponto de dizer: “Já
não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). 

A Igreja não é um organização que vive da opinião do mundo nem mesmo da opinião
dos seus membros. A Igreja vive do que pensa e do que manda Cristo. A Igreja não é
um clube de livres pensadores, mas é a comunidade daquele que proclamam, junto com
Pedro, a fé em Jesus, revelada pelo Pai, e repete com ele: “Tu és o Messias, tu és Deus, e
não há no mundo um outro Salvador!“

Encerramos com estas profundas palavras de um dos sucessores dos apóstolos, também
chamado de “pai da teologia católica”: 


“A Igreja recebeu essa pregação e essa fé, e, espalhada por toda a terra,
cuidadosamente a guarda como se vivesse em uma única família. Ela preserva a
mesma fé, como se tivesse uma só alma e um só coração, e a prega, ensina e
transmite com a mesma voz, como se tivesse apenas uma boca. Certamente, as
línguas são diferentes, de acordo com regiões diferentes, mas a força da tradição
é a mesma. As igrejas da Alemanha não acreditam de maneiras diferentes, nem
transmitem nenhuma doutrina diferente daquela pregada pelos da Espanha, da
França ou do Oriente, como os do Egito ou da Líbia, nem das Igrejas constituídas
no centro do mundo; mas, assim como o sol, que é uma criatura de Deus, é a
mesma em todo o mundo, assim também a luz da pregação da verdade brilha em
todos os lugares e ilumina todos os seres humanos que desejam chegar ao
conhecimento da verdade”.
S. Irineu de Lião, Adversus Haereses, I, 10, 2

Pedimos hoje a graça imitar estes santos que tinham corações valentes e que superaram
as humilhações e aparentes fracassos. Que tenhamos a graça de não medir esforços
para que as pessoas possam conhecer Cristo, mesmo que isso nos custe penosos
sacrifícios. 

Com Maria, mãe da Igreja e rainha dos Apóstolos, permaneçamos unidos na mesma fé
pela qual viveram, morreram e venceram os apóstolos Pedro e Paulo!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

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