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Janeiro Secretaria de Estado de
Educação

Comte Bittencourt
Secretário de Estado de Educação

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Subsecretária de Gestão de Ensino

Elizângela Lima
Superintendente Pedagógica

Maria Claudia Chantre


Coordenadoria de Áreas de conhecimento

Assistentes
Carla Lopes
Cátia Batista Raimundo
Roberto Farias
Verônica Nunes

Texto e conteúdo

Prof. Carla Machado Lopes


Colégio Estadual Rodrigo Otávio Filho (Brasil- Itália)
Prof. Enoque Cristian Ribeiro
CE Jornalista Rodolfo Fernandes
Prof. Guilherme José Motta Faria
C.E. Hispano Brasileiro João Cabral de Melo Neto
Prof. Leonardo Jorge Azevedo Ramos
C.E Professor José Accioli

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Capa
Luciano Cunha

Revisão de texto

Prof ª Alexandra de Sant Anna Amancio Pereira


Prof ª Andreia Cristina Jacurú Belletti
Profª Andreza Amorim de Oliveira Pacheco.
Prof ª Cristiane Póvoa Lessa

Prof ª Deolinda da Paz Gadelha

Prof ª Elizabete Costa Malheiros

Prof ª Ester Nunes da Silva Dutra

Prof ª Isabel Cristina Alves de Castro Guidão

Prof José Luiz Barbosa

Prof ª Karla Menezes Lopes Niels

Prof ª Kassia Fernandes da Cunha

Prof ª Leila Regina Medeiros Bartolini Silva


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Prof ª Luize de Menezes Fernandes

Prof Mário Matias de Andrade Júnior

Paulo Roberto Ferrari Freitas

Prof ª Rosani Santos Rosa

Prof ª Saionara Teles De Menezes Alves

Prof Sammy Cardoso Dias

Prof Thiago Serpa Gomes da Rocha

Esse documento é uma curadoria de materiais que estão disponíveis na internet,


somados à experiência autoral dos professores, sob a intenção de sistematizar
conteúdos na forma de uma orientação de estudos.
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História – Orientação de Estudos

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 6
Aula 1 - Contribuições do pensamento greco-romano. 6

Aula 2 - Fatores da Expansão Marítima. 8

Aula 3 - Tipos de colonização: panorama geral. 11

Aula 4 - Período Joanino: o processo de independência política do Brasil. 13

Aula 5 - Brasil Império: centralismo e autoritarismo. 15

Aula 6 - O modelo de colonização espanhol. 18

Aula 7 - O modelo de colonização inglês. 18

ATIVIDADES 19

CONSIDERAÇÕES FINAIS 22

RESUMO 22

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 22

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DISCIPLINA: História

ORIENTAÇÕES DE ESTUDOS PARA HISTÓRIA

1º Bimestre de 2020 – EJA Módulo I do Ensino Médio

META:

Identificar conceitos que estão presentes em nossa sociedade hoje que foram
herdados do pensamento greco-romano. Reconhecer as conexões e interações
entre as sociedades do Novo Mundo e da Europa, bem como os principais fatores
que geraram as Grandes Navegações e suas consequências para os povos
nativos.

OBJETIVOS:

 Identificar a contribuição do pensamento greco-romano às sociedades


contemporâneas ocidentais;
 Caracterizar o processo de expansão marítima;
 Identificar características da Monarquia;
 Reconhecer os diversos tipos de colonização.

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INTRODUÇÃO

O estudo da História é fundamental para entendermos nosso lugar no mundo como


agente transformador da nossa sociedade. Quando conhecemos a História somos
capazes de entender melhor o presente e projetarmos o futuro. Os acontecimentos
históricos estão entrelaçados e repercutem uns nos outros. Não há um fato isolado
na História. O pensamento greco-romano está presente em nossa sociedade, por
exemplo, através da noção de direito e cidadania. As grandes navegações uniram
mundos bem diferentes com práticas e vivências totalmente distintas e influenciaram
nos rumos da formação das sociedades americanas.

Aula 1 - Contribuições do pensamento greco-romano.

A civilização greco-romana é o marco inicial do que entendemos como


civilização ocidental. Devido a isso, era de se esperar que, mesmo separados por
alguns milênios, nossa sociedade ainda possua influências da civilização greco-
romana. Dentre as principais influências vamos destacar três, bem importantes:
 A noção de pólis e política;
 O conceito de civilização, em oposição à barbárie;
 O conceito de cidadania e sua relação com a existência de uma constituição;
Vamos entender ?

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1) Pólis e política - Grécia: Sua principal contribuição foi a noção de Cidade- Estado,
sendo as cidades de Atenas e Esparta as que se destacaram. Essas cidades-estados
se diferenciavam principalmente pela importância do voto para decisão das medidas
coletivas. Essa forma de cidade, gerida de forma democrática, com a participação da
maioria daqueles que eram considerados cidadãos, ficou conhecida como pólis. Na
imagem abaixo, podemos observar as ruínas da Ágora – espaço onde aconteciam as
discussões políticas e eram tomadas as decisões.

Fonte: <https://cdn2.civitatis.com/grecia/atenas/guia/agora-romana.jpg> Dia 03/03/2021.

Da criação do voto e da pólis, surgiu a política – originalmente, entendida como


uma prática que incluía o debate sobre as decisões que deveriam ser tomadas, e que
influenciariam a vida de todo morador da pólis. A política grega valorizava a retórica
(capacidade de convencimento e argumentação).

2) Civilização x Barbárie: Durante o período greco-romano, um dos argumentos


que buscava legitimar moralmente a dominação militar romana sobre outros povos
passava pela noção de civilidade. Como isso se dava? Uma das estratégias usada por
Roma, em sua expansão territorial, consistia em definir os povos que seriam
conquistados como bárbaros, não civilizados, primitivos. A partir dessa
definição/argumento, justificavam a dominação militar, pois, assim o Império Romano
estaria levando “civilidade” e “democracia” aos povos considerados por eles como
“atrasados”.

3) Cidadania e Constituição: Dentro dessa ideia de civilização, o que mais


diferenciava a sociedade romana de outras contemporâneas à ela, era a noção de

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Cidadania e Constituição. A partir da noção de cidadania, definiram um conceito de
cidadão. Com o tempo, foram tornados cidadãos todos os povos dentro das fronteiras
do Império Romano. Uma das heranças de Roma foi o Direito, sendo sua língua, o
latim (idioma oficial de Roma), até hoje usada em expressões do Direito. A
Constituição Romana, formada por um conjunto de leis, regulava todo o
comportamento social em Roma. A noção de Direito, que também permanece até os
dias atuais, estava organizada, em duas vertentes: o direito público, onde o Estado
atuava, e o direito privado, que atuava na esfera das relações particulares. A herança
deixada pelos romanos na área do Direito foi tão importante que, como já dissemos,
inúmeras expressões utilizadas até hoje, nas leis e nos debates jurídicos, são em latim.
Separamos alguns expressões em latim, utilizadas no Direito Brasileiro:

Conditio sine qua non - Essa expressão significa a condição sem a qual algo não
pode ser realizado.
Habeas corpus - Solicitação desse direito a alguém, evitando qualquer ato abusivo.

O habeas corpus é solicitado para evitar uma prisão arbitrária.

Aula 2 - Fatores da Expansão Marítima.

As grandes Navegações ou expansão marítima comercial ocorreram a partir


do século XV (15), com a circunavegação da África e a descoberta do caminho
marítimo para as Índias. Essas navegações ampliaram as regiões produtoras de
matérias-primas e criaram novos mercados consumidores, aprofundando e
acelerando o processo de globalização das relações comerciais mundiais.
Mas, antes do século XV, os comerciantes europeus já faziam comércio com o
Oriente. Essa rota de comércio entre os países europeus e países do mundo oriental
era chamada de Rota da Seda: um trajeto tanto marítimo quanto terrestre,que dava
acesso aos comerciantes europeus aos países do Oriente através da passagem pelo
mar Mediterrâneo. Esse comércio, até então, tinha o monopólio dos comerciantes
italianos.

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No ano de 1453, forças militares muçulmanas assumem o controle dos pontos
comerciais no mar mediterrâneo, após a Tomada de Constantinopla. A partir daí, os
otomanos vão controlar o comércio e passam a exigir pesados impostos pela
comercialização de produtos. Isso gerou um grande prejuízo para a economia
europeia. Por esse motivo, os comerciantes europeus precisaram encontrar um
caminho alternativo para alcançar o Oriente. Dessa necessidade, surgem as
grandes navegações, que vão culminar na chegada em novas terras e novos
continentes, como o “Novo Mundo”, hoje conhecido como América.

Vamos agora destacar alguns fatores que impulsionaram a expansão marítima


e comercial europeia. São eles :

 a necessidade de novos mercados consumidores;

 a expansão da fé cristã;

 esgotamento de metais preciosos;


 a busca por especiarias;
 as novas invenções;
 ascensão social da burguesia.

A expansão da fé cristã é um ponto muito importante, levando-se em


consideração o contexto histórico da época. Os cristãos vão retomar o controle de
Jerusalém, a chamada Terra Santa, em um movimento militar que ficou conhecido
como Cruzadas: expandir a religião católica para os países orientais e cristianizar o
máximo possível de pessoas. Mas não era só a religião, os Cruzados também tinham
interesses econômicos e militares.

O esgotamento de metais preciosos na Europa se deu devido ao longo


tempo em que essas reservas foram exploradas, gerando necessidade de encontrar
outras regiões onde esses metais pudessem ser obtidos.

Os Estados Nacionais Europeus, movidos por esses interesses, passam a


financiar as grandes navegações. Esse financiamento vai ocorrer com a parceria
entre monarquia e burguesia. Os reis possuíam poder político e influência,

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enquanto a burguesia possuía os recursos financeiros necessários para a
consolidação do projeto das grandes navegações. Os primeiros países a darem
início a esse movimento foram Espanha e Portugal.
É importante termos em mente, no entanto, que o descobrimento de uma rota
para as Índias Orientais não foi exatamente uma grande navegação – mas sim um
conjunto de pequenos avanços que, combinados, culminaram na passagem pelo Cabo
da Boa Esperança, no sul da África, que antes era denominado de Cabo das
Tormentas, pois ali várias embarcações afundavam devido ao local ser o encontro
de dois oceanos.
Durante essa expansão, os europeus tiveram contato com diversas nações
africanas, gerando, inicialmente, um intenso comércio entre as duas regiões, que mais
tarde culminaria na compra e venda de escravos. Importante citar, no entanto, que a
escravidão africana era diferente da forma como os escravizados foram usados na
América. No continente americano, o escravizado era tratado legalmente como um
bem, propriedade do seu senhor, ao ponto de ser destituído socialmente de sua
condição humana. Na África, a instituição da escravidão nunca rebaixou oescravizado
a tal condição tão objetificadora.

Consequências da Expansão Marítima Comercial

 Plano Econômico

 Deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico.

 Grande transferência de metais preciosos da América para a Europa.

 Consolidação do capitalismo comercial mundial.

 Plano Político
 Aumento do poder do Rei ( Monarquia Absolutista)

 Disputa entre nações europeias pelas terras descobertas

 Surgimento dos impérios coloniais

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 Plano Social

 Crescimento econômico da burguesia

 estabelecimento da escravidão nas áreas coloniais

Aula 3 - Tipos de colonização: panorama geral.

A chegada dos europeus à América é uma das consequências do processo


das grandes navegações e marca o início da disputa por terras a serem colonizadas.
O encontro de mundos tão diferentes foi marcado por violência e mortes. A
dominação europeia dizimou a população nativa e destruiu civilizações já
estabelecidas há séculos.
O colonizador espanhol localizou vastas minas de metais preciosos e deu início
à exploração, utilizando a mão de obra nativa e criando diversos órgãos de controle
dessa exploração. Os metais eram enviados à Espanha. O colonizador português não
encontrou à primeira vista as minas de ouro, porém o pau-brasil foi largamente
explorado e enviado a Portugal. Os povos nativos americanosofereceram as mais
diversas resistências à dominação, mas foram vencidos.
As metrópoles europeias e os conquistadores europeus enriqueceram com a
exploração das terras americanas e com o trabalho compulsório do indígena e do
africano.
Os conquistadores europeus levaram para as terras colonizadas a escravidão
e o latifúndio, marcando as origens da nossa sociedade. No caso da América Latina,
a religião católica foi imposta aos nativos e suas crenças originais foram
“demonizadas” e perseguidas. Os colonizadores celebraram a Primeira Missa no
Brasil, em 1500, assim que chegaram. Esse foi um ato simbólico de dominação e
imposição da religião cristã.

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Fonte:
<https://www.google.com.br/search?q=primeira+missa+no+brasil&sxsrf=ALeKk03uNwUi8SsDLEtzmGgMY5p
2cWBtEQ:
1612648676267&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=2ahUKEwjH0Pu7oNbuAhXwD7kGHcNLAvMQ_AUoAXoE
CBMQAw &biw=1366&bih=657> Dia 03/03/2021.

A colonização portuguesa no Brasil ocorreu dentro dos modelos da política


econômica adotada pelas monarquias europeias. Essa política econômica recebeu o
nome de Mercantilismo, tendo como características principais: o acumulo de metais
preciosos, o sistema colonial e o monopólio comercial.
Inicialmente, os portugueses não visaram a ocupação do território. Os
comerciantes faziam o carregamento do pau-brasil e retornavam à Europa. Nessa fase
ainda não havia o trabalho escravo. Era utilizado o escambo (troca) com os índios.
Somente anos depois, os portugueses, com medo das terras serem invadidas por
outras nações europeias, resolvem ocupar a região. O sistema escolhido foi a divisão
de terras, estamos falando das Capitanias Hereditárias. A colonização portuguesa
teve diversas fases: exploração do pau-brasil, produção canavieira, extração dos
metais preciosos, mas seguiu sempre o modelo baseadoem três pontos:
 trabalho escravo
 latifúndio
 produção para o mercado externo.

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Aula 4 - Período Joanino: o processo de independência política do Brasil.

Em 1806, Napoleão decretou o Bloqueio Continental. De acordo com este


decreto, Napoleão estabelecia o bloqueio de todos os portos da Europa Continental
ao comércio com os ingleses. O reino da Europa que desobedecesse ao decreto de
Napoleão seria atacado pelo exército francês.
Portugal tinha uma forte dependência comercial em relação a Inglaterra. Além
disso, o príncipe regente, Dom João VI, que governava em nome de sua mãe, rainha
Maria I, temia que os ingleses tomassem as colônias portuguesas, caso Portugal
ficasse ao lado dos franceses. Inicialmente, Dom João VI tentou manter a neutralidade
portuguesa frente ao conflito entre França e Inglaterra. Neste meio tempo, temendo a
invasão francesa a qualquer momento, Portugal firmou acordo de proteção com a
Inglaterra. Ficou acordado que, caso a França invadisse Portugal, a Corte portuguesa
seria transferida em segurança para o Brasil, escoltada pela marinha inglesa. Em
troca, os ingleses receberiam benefícios comerciais junto ao governo português, como
o direito a utilizar os portos do Brasil.
Diante da indefinição de Portugal, o governo francês determinou a invasão de
Portugal. Sob a proteção da marinha inglesa, Dom João VI e sua Corte, 15 mil
pessoas, embarcaram para o Brasil. Levaram todas as riquezas que puderam junto
com eles. Deixaram para trás uma população atônita e assustada, diante da invasão
iminente dos franceses à capital, Lisboa.
Depois de uma passagem de parte da frota portuguesa em Salvador, Bahia, em
janeiro de 1808, a Corte portuguesa estabelece a capital administrativa do Império
Português no Rio de Janeiro. Instalando-se no Rio de Janeiro, em março de 1808,
Dom João realizou uma série de medidas que transformaram a nova capital
administrativa do Império. Criou-se, por exemplo, a Biblioteca Real, a Casa da
Moeda, o Banco do Brasil, o Jardim Botânico e a Academia Real Militar. Foram
instaurados novos órgãos de justiça no Brasil.
Logo que chegou ao Brasil, enquanto ainda estava na Bahia, Dom João VI,
atendendo principalmente aos interesses comerciais ingleses, decretou a Abertura dos
Portos às “Nações Amigas”. Isto significava o fim do Pacto Colonial que estabelecia
que a colônia, no caso o Brasil, só poderia estabelecer relações comerciais com
Portugal. Por este tratado, ficou determinado que todas as “nações .amigas” de
Portugal poderiam estabelecer comércio com o Brasil. Em 1810, foi assinado um

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outro tratado, este estabelecia claros privilégios comerciais aos ingleses, o Tratado de
Comércio e Navegação. Pelos termos desse tratado, asseguintes taxas
alfandegárias foram fixadas no Brasil:
. Os produtos ingleses pagavam 15% de taxa alfandegária;
. Os produtos portugueses pagavam 16% de taxa alfandegária;
. As outras “nações amigas” pagavam 25% de taxa alfandegária.
Diante de taxas alfandegárias tão vantajosas, os produtos ingleses inundaram
e dominaram o mercado brasileiro.
Em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal, deixando
de ser oficialmente uma colônia portuguesa, além de sediar, no Rio de Janeiro, a
capital do Império Português.
Neste meio tempo, os portugueses lutaram com o apoio dos ingleses pela
expulsão e derrota das tropas francesas. Após várias batalhas, os franceses foram
expulsos de Portugal no final do ano de 1811. Diante disso, os portugueses esperavam
o retorno do seu rei a Portugal, a restauração da capital do Império Português em
Lisboa e o retorno do Brasil à condição de colônia portuguesa. Observando que o rei
português não dava sinais de querer retornar a Portugal, os portugueses iniciaram um
movimento revolucionário que lutava pelo retorno de Portugal à condição de metrópole
do Império Português, a Revolução do Porto(1820). Criaram um governo provisório e
exigiram o retorno de Dom João VI a Portugal, sob ameaça de perda do trono, caso o
monarca permanecesse no Brasil.
Dom João VI retorna a Portugal junto com a sua Corte (1821), mas deixa o seu
filho, Dom Pedro, como príncipe regente do Brasil. Dom João VI sabia que,diante
das pressões políticas de Portugal que visavam ao retorno do Brasil à condiçãode
colônia, a independência política definitiva do Brasil era algo iminente. A maior parte
da elite brasileira não aceitaria tranquilamente o retorno do Brasil à condição de
colônia. Por isso, com esta medida, Dom João VI garantia os dois tronos para a Família
Bragança, Portugal e Brasil.
Ainda em 1821, chegou ordem de Portugal determinando o retorno de Dom
Pedro a Portugal. No início do ano seguinte, Dom Pedro recebeu um documento com
milhares de assinaturas pedindo que este permanecesse no Brasil. Duas pessoas
foram muito importantes no apoio à permanência de Dom Pedro I no Brasil e no

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processo de independência política definitiva do país: Maria Leopoldina, esposa de
Dom Pedro, e José Bonifácio de Andrada e Silva. Em 1822, antes da proclamação
da independência, foi decretado que as leis que viessem de Lisboa só seriamcumpridas
com a aprovação de Dom Pedro e, ainda, foi convocada uma assembleiapara a
construção de uma Constituição (conjunto de leis fundamentais) para o Brasil.Lisboa
reagiu determinando o retorno imediato de Dom Pedro para Portugal.
Quando a ordem chegou de Lisboa, Dom Pedro não estava no Rio de Janeiro.
Maria Leopoldina recebeu a ordem e organizou uma sessão extraordinária que redigiu
a Declaração de Independência do Brasil. Dom Pedro recebeu a Declaração de
Independência às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo. Ao ler o documento, Dom
Pedro declarou a independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822.
Após a Declaração de Independência, ocorreram vários conflitos, no Brasil, por
parte de grupos que não queriam se separar de Portugal contra aqueles que queriam
a independência. Dom Pedro I só foi coroado imperador do Brasil em 1° de Dezembro
de 1822. As gueras de independência do Brasil aconteceram principalmente na
Cisplatina (atual Uruguai), Bahia, Maranhão e Pará. Estes conflitosse estenderam até
1824. Além disso, o Brasil teve que pagar uma indenização de 2 milhões de libras ao
governo português para o reconhecimento da independência.

Aula 5 – Brasil Império: centralismo e autoritarismo.

A independência do Brasil foi conservadora. Ou seja, manteve as estruturas


sociais do Brasil praticamente intactas. O Brasil não se tornou uma república, como a
maioria dos Estados Nacionais do continente americano. A escravidão não foiabolida.
O Brasil permanecia uma sociedade de privilégios completamente desiguais. O
processo de construção da primeira Constituição do Brasil visava a manter os
privilégios da elite latifundiária do Império. O primeiro projeto de Constituição do
Brasil (1823) foi apelidado popularmente de Constituição da Mandioca, por privilegiar
os direitos de cidadania, como o voto e a possibilidade de concorrer a cargos
eletivos a elite do Império, dona de latifúndios (grandes fazendas), e excluindo, até
mesmo, comerciantes ricos que não tivessem terras. Este projeto constitucional
submetia o poder do imperador ao Legislativo, composto por membros da elite.

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O Imperador Dom Pedro I não aceitou uma Constituição que limitasse os seus
poderes. Logo, dissolveu a Assembleia Constitucional e incumbiu dez ministros de
Estado da responsabilidade pela elaboração da primeira Constituição do Brasil,
aproveitando vários pontos do projeto de Constituição realizado pela Assembleia
Constituinte dissolvida. Porém, buscando manter amplos poderes de governo em suas
mãos, acrescentando um quarto poder de governo, além do Legislativo, do Executivo
e do Judiciário, o Poder Moderador.
Na estrutura de governo da Constituição de 1824, outorgada pelo imperador, o
judiciário tinha os membros do Supremo Tribunal de Justiça escolhidos por Dom Pedro
I. O Legislativo era eleito de acordo com critérios censitários de renda, idade (25 anos)
e sexo (masculino). No Legislativo, os senadores tinham cargo vitalício (ficavam no
cargo até a morte) e eram escolhidos pelo Imperador, de acordo comuma lista
tríplice dos candidatos mais votados nas províncias. O poder executivo, encarregado
da administração do Império e do cumprimento das leis criadas pelo Legislativo, era
exercido pelo Imperador. E, finalmente, o Poder Moderador, basicamente, dava a Dom
Pedro I o direito de intervir nos demais poderes, inclusive podendo vetar leis e dissolver
o Legislativo. Desta forma, na prática, a Constituição de 1824 manteve o absolutismo
monárquico como forma de governo no Brasil.
O governo de Dom Pedro I foi marcado pelo autoritarismo e por uma crise
econômica. Ele abdica ao trono e, depois de um período de regências, Dom Pedro II
torna-se monarca em 1840, iniciando o Segundo Reinado (1840-1889). O início do
Segundo Reinado é marcado pela pacificação nacional, buscando a unidade territorial,
com repressão às revoltas. O mais conhecido dos comandantes das tropas que
reprimiam as revoltas foi Duque de Caxias. Todos esses movimentos foram vencidos
e a unidade territorial da monarquia foi mantida. Destacamos algumas dessas revoltas:

1824 Foi uma reação à Constituição


Nordeste do Brasil outorgada por dom Pedro I no
Confederação do Equador
mesmo ano.
1835 a 1840
Abrangia os atuais estados do A rebelião tinha como objetivo a
Cabanagem
Pará, Amazonas, Amapá, Roraima independência da região.
e Rondônia

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1835-1845
Insatisfação com a centralizaçãodo
Farroupilha
Rio Grande do Sul governo e a falta de autonomia da
província.
1848-1849
Praieira Pernambuco Pôr fim ao sistema político vigente
das elites conservadoras, onde o
poder local era monopolizado por
duas famílias aristocráticas.
1837-1838 Insatisfação com as autoridades
nomeadas pelo governo regencial
Sabinada
Bahia para o comando do governo da
Bahia.

A escravidão foi utilizada no Brasil do século XVI (16) até o século XIX (19). Foram
300 anos de exploração dessas pessoas! O Brasil foi um dos últimos paísesa abolir
a escravidão. Esse fato é bem fácil de se entender: toda a economia estava baseada
no trabalho escravo. Os senhores ganhavam muito dinheiro à custa do trabalho
das pessoas escravizadas: elas estavam trabalhando nas plantações de cana, de
café, de fumo, extraindo ouro das minas, fazendo todo o trabalho doméstico… ou seja,
o trabalho escravo era fundamental para o funcionamento da sociedade e da
economia brasileira.
As condições de vida de um escravo eram péssimas: má alimentação, maus tratos
físicos e psicológicos e trabalho excessivo. Ou seja, as pessoas escravizadas eram
tratadas como “peças” de trabalho. Eram totalmente desumanizadas, não
consideradas como gente. Arrancados da África, perdiam suas relações familiares e
sociais. Somente em 1888, o Brasil aboliu a escravidão (Lei Áurea). Depois disso,
os ex-escravos tiveram muitas dificuldades para se inserir de forma digna na
sociedade brasileira porque não tiveram assistência social e financeira do Estado
para saírem de uma condição de total dependência para uma posição na qual
deveriam se organizar, agora “livres”. A maioria passou a viver em péssimas
condições e a sobreviver de trabalhos informais e mal pagos.
Séculos de escravidão marcaram profundamente o funcionamento da nossa
sociedade e deixaram uma marca negativa: o racismo. A sociedade brasileira nos dá
amostras que ainda não conseguiu enfrentar esse problema. Mesmo depois de mais
de 100 anos da abolição, encontramos ações e pensamentos que marginalizam boa

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parte da população negra e dificultam o acesso à cidadania plena. Justificar o
racismo é injustificável. Praticá-lo é crime.

Aula 6 - O modelo de colonização espanhol.

A colonização espanhola ocorreu no restante da América Latina, e também


seguiu o modelo mercantilista. As civilizações conquistadas foram: Império Asteca,
em 1519, e o Império Inca, em 1531.
A Espanha criou uma grande máquina administrativa para controlar a extração
dos metais preciosos nas terras dominadas, são alguns desses órgãos: vice-reinos,
Audiências, Cabildos, Capitanias-gerais. Na Espanha foram criados a Casa de
Contratação e o Real Supremo Conselho das Índias. A estrutura administrativa das
colônias espanholas dividia o território ocupado em quatro vice-reinados. A exploração
do ouro e da prata ocorreu entre os séculos XVI (16) e XVII (17).
Essa exploração foi organizada a partir do uso da mão de obra indígena,
sendo dividida em dois sistemas:
. Mita: os indígenas recebiam um pagamento mínimo. As tribos eram obrigadas a
fornecer os indígenas para trabalharem nas minas.
. Encomienda: os indígenas eram cedidos a um colono espanhol que tinha a
obrigação de “proteger e alimentar” o índio entregue ao colono.

Aula 7 - O modelo de colonização inglês.

A colonização inglesa ocorreu na região da América do Norte, no início do


século XVII. No caso da colonização inglesa, essa ação foi bem diferente da
colonização portuguesa e espanhola. A coroa inglesa não esteve à frente do processo
de ocupação. No caso inglês foram empresas particulares. Foram criadas duas
companhias: Companhia de Londres e a Companhia Plymouth.
A colonização inglesa, contou com o interesse dos próprios ingleses que queriam
sair da Inglaterra para ocupar a nova região ocupada.
Dois problemas internos na Inglaterra estimulavam alguns ingleses a desejarem
sair:

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. perseguições religiosas e políticas aos puritanos, que sofriam com a
intolerância religiosa praticada na Inglaterra;
. os cercamentos dos campos, que expulsaram milhares de pessoas do campo
que não encontravam trabalho na cidade, vendo como uma oportunidade irem
trabalhar como colonos nas novas terras.
Foram criadas Treze Colônias no litoral atlântico da América do Norte. A
colonização inglesa foi dividida em dois modelos: povoamento, ao Norte, com
trabalho livre. Exploração, ao Sul, com trabalho escravo africano.

ATIVIDADES

Você vê semelhanças entre as imagens? A gravura e a foto retratam situações que


estão separadas no tempo, por séculos, mas por que será que ainda assim, são
parecidas? Por que uma prática utilizada no período da escravidão foi repetida, no
Brasil, no século XX?

Registre aqui suas conclusões sobre as questões colocadas acima:

1) Assinale a alternativa INCORRETA sobre os fatores que impulsionaram a


expansão marítima:
a) os terremotos que destruíram Portugal e sua economia;
b) busca por metais preciosos;

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c) divulgação da fé cristã;
d) descobrir novo caminho para as Índias

2) Os países que dominaram a expansão marítima no século XV foram:


a) Inglaterra e França
b) Portugal e Inglaterra
c) Espanha e França
d) Portugal e Espanha

3) Como consequências das Grandes Navegações podemos citar, EXCETO:


a) fortalecimento da burguesia;
b) ampliação da fé cristã;
c) dominação dos povos colonizados;
d) o fracasso desse empreendimento comercial.

4) Com relação à colonização inglesa na América do Norte , é correto afirmar :

a) não houve diferença entre a sua colonização e a colonização espanhola e


portuguesa.
b) o modelo de colonização inglês favoreceu a vinda de colonos para as novas
terras, denominado de povoamento.
c) ficou caracterizada por colonização de exploração já que o objetivo era explorar
riquezas naturais e não ocupar a região.
d) a coroa inglesa criou um forte esquema de controle e exploração da mão de obra
nativa.

5) Sobre a influência da civilização greco-romana, que contribuiu para a


formação denossa sociedade, é CORRETO afirmar:

a) contribuiu com a noção de pólis e as bases da religião católica;


b) as decisões coletivas estavam baseadas no poder centralizado.
c) deixou como herdança o conceito de cidadania e respeito às leis.

d) influenciou na prática religiosa Monoteísta.

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6) “Quando se menciona o trabalho escravo no Brasil, a primeira lembrança é a da
escravidão negra. Realmente, foi ela a mais marcante, a mais longa e terrível (…)” -
(Tomazi, Nelson Dácio (coordenador). Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 2000,p.62).

Sobre a implantação do trabalho escravo, assinale a alternativa INCORRETA:

a) As condições de vida dos escravos africanos eram terríveis, razão pela qual a média
de vida útil deles não ultrapassava os quinze anos.

b) Os negros africanos reagiram à escravidão das mais diversas formas: através das
fugas, dos quilombos, da luta armada, da preservação dos cultos religiosos, da dança,
da música.

c) O negro é parte integrante da história brasileira, apesar dos muitos preconceitos


que ainda persistem contra eles.

d) O Brasil figura entre os primeiros países latino-americanos a declarar por meio de


muitas leis, até a promulgação da Lei Áurea, a libertação de seus escravos.

7) Os escravos realizavam diversas formas de resistência à escravidão. Marque


a alternativa que apresenta uma dessas formas de resistência.
a) Greves.
b) Manifestações em ruas.
c) Formação de quilombos.
d) Formação de sindicatos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Chegamos ao final de nossa proposta pedagógica. Fazemos um convite à você,


aluno, que continue buscando novas formas de ampliar seu conhecimento. Querer
aprender é fundamental para o sucesso de sua jornada. Ao longo desse material,
vários temas podem e devem ser aprofundados por você. Nos tempos atuais,
podemos ter acesso a várias ferramentas educacionais. Lance mão delas e continue
avançando cada vez mais. Com certeza seu objetivo será atingido. Conte conosco!

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RESUMO
Caro aluno, nesta Orientação de Estudo esperamos que você tenha tido,
com esse material, a possibilidade de identificar as contribuições do pensamento
greco-romano para as sociedades ocidentais, bem como compreender melhor como
as grandes navegações alteraram a economia, a política e a sociedade no século XV
(15) e a partir dele.
Esperamos, também, que você tenha percebido como as grandes
navegações aproximaram mundos distintos, promoveram trocas comerciais e
destruições culturais. Numa sociedade, as ações estão articuladas e interferem umas
nas outras. O estudo da História não deve ser estanque e trabalhado de forma
desarticulada.

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

. História das sociedades sem Estado às Monarquias absolutistas,volume 1/ Ronaldo


Vaifas – Saõ Paulo. Saraiva, 2010.

. O Oriente das Cruzadas, George Tate, Rio de Janerio. Objetiva, 2006

. As veias abertas da América Latina, Eduardo Galeano, Porto Alegre, LePM, 2005

. Fonte: https://blog.unyleya.edu.br/vox-juridica/dicas-de-estudo4/saiba-quais-sao-as-
10-expressoes-juridicas-em-latim-mais-comuns/ Dia 04/03/2021.

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. Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/historia-america/descobrimento-da-
america.htm#:~:text=O%20descobrimento%20da%20Am%C3%A9rica%20%C3%A9,
tr%C3%AAs%20embarca%C3%A7%C3%B5es%20financiadas%20pela%20Espanha
. Dia 04/03/2021.

. Fonte: https://www.geledes.org.br/especificidade-do-racismo-
brasileiro/?gclid=Cj0KCQiA6t6ABhDMARIsAONIYyyqC3GwRTpd0wux3W6iTk85ZN
ZJ1IhqzPM0RUoQ6sK7d5C1oXjNlk8aAoJHEALw_wcB Dia 04/03/2021.

. Fonte: https://www.brasildedireitos.org.br/noticias/488-o-que-racismo-
estrutural?utm_source=google&utm_medium=ads&utm_campaign=search&gclid
=Cj0KCQiA6t6ABhDMARIsAONIYywQZakHucPcaggSG_iOtvM6BKeMHdI_4hqo
Dgxol5ZMWI-EJe9tLiUaAhBGEALw_wcB
https://www.politize.com.br/movimento-negro/ Dia 04/03/2021.

. Fonte: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-
agencia-de-noticias/releases/25989-pretos-ou-pardos-estao-mais-escolarizados-mas-
desigualdade-em-relacao-aos-brancos-permanece Dia 04/03/2021.

. Fonte:
https://i.pinimg.com/originals/d0/62/e1/d062e17657dc53c8efc7710dc3799c5d.jpg?epi
k=dj0yJnU9WEdITF85OThMUmZ5Y0tudDgwWFFQcEJsaWFBRHFnZGUmcD0wJm4
9QzRHYkF4cGpfNmRWVGNsZzg5cl9YdyZ0PUFBQUFBR0FaUXF3 Dia 04/03/2021.

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