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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO

DEPARTAMENTO DE MÚSICA

O USO DE TÉCNICAS ESTENDIDAS COMO EXERCÍCIOS DE SONORIDADE NA

FLAUTA TRANSVERSAL

Trabalho apresentado à disciplina de Prática Instrumental


5 ofertada pelo Departamento de Música da
Universidade Federal de Pernambuco - UFPE como
requisito parcial para aprovação na disciplina.

Aluna: Sabrina dos Santos Siqueira Silva

RECIFE
2019
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Espectômetro medindo o processo de estudo dos harmônicos……………….04


Figura 2 – Espectômetro no toque simultâneo com canto…………………….…………..06
Figura 3 – Exercício de sonoridade com Whistle Sounds…………………………………06
Figura 4 – Exercício de sonoridade com Pitch-Bend……………………………………...07
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ..........................................................................................................03
1 AS TÉCNICAS ESTENDIDAS................................................................................04
1.1 HARMÔNICOS.....................................................................................................04
1.2 TOQUE SIMULTÂNEO COM CANTO ..…………………………………...............05
1.3 WISTLE SOUNDS................................................................................................06
1.4 GLISSANDO OU PITCH-BEND...........................................................................07
CONCLUSÃO............................................................................................................08
REFERÊNCIAS..........................................................................................................09
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INTRODUÇÃO

As técnicas estendidas são formas de produção de sons não-tradicionais em


instrumentos musicais dentro dos seus limites físico-estruturais. (Oliveira; Assis, 2016). Com
o desenvolvimento da sociedade do século XX o modo de pensar e fazer música mudou. A
busca dos compositores da época era explorar novos timbres e novas músicas, que fossem
diferentes da música ocidental. Isso tudo fez com que surgisse uma “apropriação e
formalização do uso das novas sonoridades advindas das técnicas estendidas e das
manipulações eletrônicas/digitais.” (Franco, 2015, p. 3).
Este trabalho pretende catalogar, através de pesquisas e publicações sobre as técnicas
estendidas e o seu ensino, quatro das várias técnicas estendidas de flauta existentes –
Harmônicos, toque simultâneo com canto, whistle sounds e pitch-bend – e mostrar como elas
podem beneficiar na técnica tradicional do instrumento, por meio de uma embocadura mais
relaxada e flexível, melhorando assim a qualidade do som e possibilitando o aprendizado de
sonoridades que são amplamente usadas na música contemporânea.
Um marco nesta exploração de sonoridades e timbres tanto para história da música em
geral quanto para o repertório flautístico foi a composição Prélude à l'après-midi d'un Faune
de Debussy. Estreada em 1894, esta composição dá indícios do desenvolvimento do interesse
na pesquisa de novas sonoridades e timbres tanto na flauta quanto em outros instrumentos. "A
partir da década de 1930, muitas composições foram marcadas por um forte interesse no
timbre, através da inclusão de ruídos e sonoridades complexas dentro do discurso musical."
(Bomfim, 2009, p. 18) a peça Density 21.5 foi a primeira a utilizar este tipo de sonoridade
complexa utilizando quase toda a extensão da flauta, além de ter escrito frase que utilizam
chaves percutidas.
A partir desta época começaram a ser produzidos trabalhos que sistematizaram estas
técnicas, tanto na sua grafia como execução. Além disso, várias pesquisas caminharam no
sentido de utilizá-las no desenvolvimento da sonoridade tradicional do flautista e por isso,
hoje, vários métodos trazem o uso destas técnicas no auxílio do desenvolvimento de uma
melhor sonoridade no instrumento, como por exemplo o trabalho feito por Robert Dick em
seu livro About Tone Development Through Extended Techniques (1987) onde ele prega o
uso de várias técnicas estendidas para ajudar no relaxamento da embocadura e da garganta
(Streitová, 2011).
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1. AS TÉCNICAS ESTENDIDAS

Visto a importância do estudante de flauta em adquirir uma boa sonoridade e também


de saber como se interpreta e se executa músicas que utilizam estas técnicas, os próximos
tópicos trarão algumas técnicas estendidas que podem ser utilizadas tanto na performance de
música contemporânea, quanto nos estudos diários de sonoridade.

1.1 HARMÔNICOS

Os harmônicos são sons que surgem dentro de um som fundamental e que influenciam
na qualidade sonora. É necessário se atentar também que a afinação dos harmônicos em
relação ao som gerador é uma afinação natural.
Segundo Streitová (2011, p. 127) praticar harmônicos faz com que os estudantes de
flauta se concentrem em chegar na altura certa das notas seguintes ao som gerador, sendo
necessário para isto, o ajuste dos lábios e o controle da pressão de ar do abdome, trazendo
consequentemente uma realização mais segura de notas da segunda e terceira oitava da flauta.
Ela, em sua pesquisa sobre como essas técnicas ajudam no desenvolvimento da sonoridade,
ilustra como o uso dos harmônicos ajudam a aumentar o espectro do som, a melhorar a
flexibilidade dos lábios seu relaxamento e sua abertura, além de se obter uma melhor
consciência da velocidade e quantidade de ar utilizada na produção do som. A figura a seguir
ilustra o aumento deste espectro sonoro, na nota dó5 antes e depois de alunos participantes da
pesquisa de Streitová terem feitos exercícios de harmônicos.
Figura 1 – Espectômetro medindo o processo de estudo dos harmônicos

Fonte: Streitová, 2011


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1.2 TOQUE SIMULTÂNEO COM CANTO

Esta técnica desenvolveu-se rapidamente no jazz e logo foi incorporada por outros
flautistas como Ian Anderson da banda Jethro Tull. Na música contemporânea a peça Voice de
Toru Takemitsu, utiliza esta técnica, e, ela foi um pontapé inicial à grande utilização a sua
grande utilização em composições posteriores.
Tocar e cantar simultaneamente consiste em produzir sons com as cordas vocais e
aproveitar o ar expelido para produzir, ao mesmo tempo, o som na flauta em uníssono ou não.
A embocadura nesta técnica não é mudada, porém a abertura dos lábios fica um pouco maior.
Em seu trabalho Streitová cita que

Uma das preocupações de qualquer flautista, músico em geral ou cantor


deverá ser a de manter um relaxamento contínuo durante a produção do som.
Não apenas para ter uma boa projecção sonora, mas também por causa do
público que tem grande sensibilidade ao relaxamento ou não do intérprete, que
por sua vez influencia o relaxamento ou não do ouvinte. [...] O ideal seria um
estado de relaxamento em que pudessem ressoar todas as cavidades contíguas
– supralaríngea, nasal e bucal. Estas cavidades influenciam e transformam
significativamente o som que é criado e ouvido e, claro está, participam na
sua originalidade, dada a diferença na fisiologia de cada um de nós. (2011, p.
78)

Esta técnica auxilia na ampliação do som uma vez que as cavidades atuantes na
produção da voz (cavidade da garganta e cavidade bucal) são também as cavidades principais
na produção do som na flauta, e, quando estas cavidades ficam relaxadas, a qualidade do som
da flauta aumenta. Então essas cavidades

Colaboram na sonoridade do som em combinação com a abertura certa dos


lábios. Esta deve ser bem controlada, assim como a tensão e a velocidade do
ar expirado e os lábios devem estar relaxados. Estes requisitos colaboram
depois, um e outro, com uma plena ressonância peitoral, com a ressonância
das cavidades abertas da garganta e as aberturas bocais do nariz e dos
ouvidos. (Streitová, 2011, p. 81)

Streitová ainda ilustra em seu trabalho o aumento do espectro sonoro na sonoridade


dos estudantes observados durante sua pesquisa, como mostra a figura 2
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Figura 2 – Espectômetro no toque simultâneo com canto

Fonte: Streitová, 2011

1.3 WISTLE SOUNDS

O wistle sounds, whisper tones ou sons de assobio são sons produzidos como um
assobio e requerem que estudante deixe os lábios com uma pequena e arredondada abertura
dos lábios, como um assobio, criando mais espaço entre os dentes e os lábios. Esta técnica
ajuda no relaxamento e flexibilidade dos lábios, numa maior ressonância do som e foco das
notas, gerando no estudante uma consciência da abertura adequada dos lábios e o local onde a
flauta deve ser posicionada.
Graf, em seu método de sonoridade Check-up, traz exercícios com esta técnica no
intuito de se obter "uma relaxada, mas precisa embocadura" (p. 16, tradução minha)

Figura 3 – Exercício de sonoridade com Whistle Sounds

Fonte: Graf, 1992


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1.4 GLISSANDO OU PITCH-BEND

Este tipo de glissando é realizado mudando a afinação de uma nota a partir da coluna
de ar ou girando a flauta para dentro ou para fora. Graf, em seu método fala que exercícios
com esta técnica servem "para descobrir e praticar a posição básica ideal dos lábios,
mandíbula e bocal" (Graf, p. 14, tradução minha), ele ainda explica que exercícios como este
podem ser feitos de outras formas, movendo o maxilar inferior, levantando ou abaixando a
cabeça ou girando a flauta para dentro e para fora; proporcionando uma maior flexibilidade
tanto do lábio superior, que quando feito rotacionando a flauta, este precisa acompanhá-la;
quanto do lábio inferior que acompanha os movimentos do queixo (Streitová, 2011, p. 110).

Figura 4 – Exercício de sonoridade com Pitch-Bend

Fonte: Graf, 1992


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CONCLUSÃO

Tendo em vista o exposto, considera-se que este trabalho venha a somar nas
possibilidades de desenvolvimento de uma melhor sonoridade na flauta.
O uso destas técnicas como exercícios de sonoridade me ajudou em uma melhora
significativa na minha sonoridade da flauta e por isso, trago neste trabalho a discussão da
importância da aprendizagem de algumas destas técnicas por parte dos professores e alunos de
flauta, pois além dela ser essencial para a performance de várias músicas compostas a partir
do século XX, ela pode ser utilizada em exercícios de sonoridade para uma melhor
consciência corporal, relaxamento e flexibilidade da embocadura para a execução do
repertório de qualquer época.
Para isso, foi feita uma revisão bibliográfica de tais trabalhos para entender como se
iniciou o uso destas técnicas e em como elas auxiliam o flautista como um todo, além de ser
um ponto inicial para que outros estudantes se interessem e também estudem sobre este tema.
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REFERÊNCIAS

BOMFIM, Cássia Carrascoza. A flauta solista na música contemporânea brasileira: três propostas
de análise técnico-interpretativas. 2009. 139 f. Dissertação (Mestrado em Música) - Escola de
Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo, São Paulo,2009.

DALDEGAN, Valentina. Técnicas estendidas e música contemporânea no ensino de flauta


transversal para crianças iniciantes. 2009. 152 f. Dissertação (Mestrado em Música) -
Departamento de Artes, Universidade Federal do Paraná, Curitiba,2009.

DICK, Robert. The Other Flute: A performance manual of contemporary techniques. 2. ed. Saint
Louis: Multiple Breth, 1986.

FRANCO, Sergio Kafejian Cardoso. As técnicas estendidas e os novos paradigmas de


agenciamento do material sonoro. 2015. 19 f. Projeto de Pesquisa (Doutorado em Música) –
Escola de Artes e Comunicação da Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2015.

GRAF, Peter-Lucas. Check-up: 20 basics studies for flutists. 2. ed. Alemanha: Schott, 1992.
48 f.

OLIVEIRA, Levy; ASSIS, Ana Cláudia de. Entre a fonte e o som: Técnicas estendidas no ensino
de piano. In: XXVI CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
EM MÚSICA, 2016, Belo Horizonte. Modalidade: Iniciação científica. Belo Horizonte:
ANPPOM, 2016, p. 1-3.

PALAZZO, Alexis Del. Teaching with Extended Flute Techniques. 2009. Disponível em:
<https://bnwresourcefiles.weebly.com › ...PDF
Resultados da Web
Teaching with Extended Flute Techniques>. Acesso em: 1 dez. 2019.

STREITOVÁ, Monika Duarte. A influência das técnicas contemporâneas na sonoridade da flauta.


2011. 165 f. Dissertação (Mestrado em Mestre em Música) - Departamento de Comunicação e
Arte da Universidade de Aveiro, Universidade de Aveiro, Aveiro,2011.