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Agroecologia

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Autor(es): José Maria Gusman Ferraz

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Agroecologia é tida como um campo do conhecimento


de natureza multidisciplinar, cujos ensinamentos
pretendem contribuir na construção de estilos de
agricultura de base ecológica e na elaboração de
estratégias de desenvolvimento rural, tendo como
referência os ideais da sustentabilidade numa
perspectiva multidimensional. Os três conceitos
sintetizados de Agroecologia descritos a seguir, são
definições dos mais destacados pesquisadores em
agroecologia, (Miguel A. Altieri, Stephen R.
Gliessman, e Eduardo Sevilla Guzmán).
Para Miguel A. Altieri (Universidade da Califórnia,
Campus de Berkley, EUA), Agroecologia é a ciência ou
a disciplina científica que apresenta uma série de
princípios, conceitos e metodologias para estudar,
analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas,
com o propósito de permitir a implantação e o
desenvolvimento de estilos de agricultura com
maiores níveis de sustentabilidade. A Agroecologia
proporciona, então, as bases científicas para apoiar o
processo de transição para uma agricultura
sustentável nas suas diversas manifestações e/ou
denominações.
Para Stephen R. Gliessman (Universidade da
Califórnia, Campus de Santa Cruz, EUA) o enfoque
agroecológico corresponde a aplicação dos conceitos e
princípios da Ecologia no manejo e desenho de
agroecossistemas sustentáveis.
Eduardo Sevilla Guzmán (Universidade de Córdoba –
Espanha), aborda um enfoque de desenvolvimento
rural quando afirma que a Agroecologia constitui o
campo do conhecimento que promove o manejo
ecológico dos recursos naturais, através de formas de
ação social coletiva que apresentam alternativas à
atual crise de modernidade, mediante propostas de
desenvolvimento participativo desde os âmbitos da
produção e da circulação alternativa de seus
produtos, pretendendo estabelecer formas de
produção e de consumo que contribuam para encarar
a crise ecológica e social e, deste modo, restaurar o
curso alterado da coevolução social e ecológica.
Sua estratégia tem uma natureza sistêmica, ao
considerar a propriedade, a organização comunitária
e o restante dos marcos de relação das sociedades
rurais articulados em torno da dimensão local, onde
se encontram os sistemas de conhecimento
portadores do potencial endógeno e sociocultural. Tal
diversidade é o ponto de partida de suas agriculturas
alternativas, a partir das quais se pretende o desenho
participativo de métodos de desenvolvimento
endógeno para estabelecer dinâmicas de
transformação em direção a sociedades sustentáveis.
A Agroecologia nos traz, portanto, a expectativa de
uma forma de agricultura capaz de propiciar a
produção de alimentos, fibras e de preservação
ambiental, diferenciando-se, portanto, da orientação
dominante de uma agricultura com caraterísticas de
produção industrial, calcada no uso intensivo de
capital, energia e recursos naturais não renováveis,
sendo, assim, agressiva ao meio ambiente,
excludente, vista socialmente e causadora de
dependência econômica.
A transição para um modelo de agricultura
agroecológica não representa apenas um retorno ao
modelo de agricultura que se praticava antes da
Revolução Industrial. Ainda que se faça uso de
combinações dos métodos tradicionais de manejo e
do equilíbrio físico, químico e biológico do
agroecossistema, pode incluir novas tecnologias,
como o resgate de manejos e técnicas utilizadas em
ecossistemas semelhantes práticas de conservação de
água manejo de animais entre outros.
Dessa forma a reconversão de uma agricultura
convencional para um modelo agroecológico é
particularmente complexo, pois não é apenas uma
mudança técnica, mas uma mudança total na
concepção de agricultura e de mundo. Segundo
Guzmán Casa do e Mielgo (2000) essa mudança de
paradigma pode ser definida e estudada em vários
níveis (mundial, país, regional , local e de
propriedade).