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A CRISE ESTRUTURAL DO SISTEMA CAPITALISTA: O REFLEXO DO

NAUFRÁGIO DA HUMANIDADE

Nayla Cristiana Beraldo Gonçalves1

RESUMO
O presente trabalho apresenta uma exposição acerca das especificidades da crise estrutural do
capital e os seus efeitos colaterais que assolam a humanidade na sociedade contemporânea.
Sob a luz do método crítico dialético tem como objetivo norteador contextualizar e
caracterizar o cenário atual de barbárie e de desumanização como reflexos da crise e da
incontrolabilidade do sistema sociometabólico capitalista. Trata-se de um estudo qualitativo,
guiada por uma metodologia que compreende: levantamento bibliográfico de publicações
(livros, textos, artigos, etc.) que abordam o tema. A crise iniciada particularmente em meados
da década de 1970, diferente das crises cíclicas, emplacou um quadro crítico que pela
primeira vez abateu-se sobre os limites últimos do capital, minguando todas as possibilidades
civilizatórias do capitalismo, além de atingir o conjunto da humanidade com seus impactos
devastadores, inclusive o mundo do trabalho. Por isso, é designada como crise estrutural.
Nesses termos, constatou-se a relevância de estudar e problematizar criticamente os tempos
bárbaros vivenciados em todos os espaços e recantos da vida social.

Palavras-chave: Crise estrutural. Humanidade. Barbárie. Desumanização. Capital.

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Bacharel em Serviço Social pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

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INTRODUÇÃO

O presente estudo expõe elementos que caracterizam a crise instaurada a partir dos
anos de 1970 como os limites últimos da estrutura global do sistema capitalista e dos seus
respectivos rebatimentos para a humanidade.
O arranjo de discussões aqui apresentado é um desdobramento dos estudos realizados
na elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso intitulado “A crise estrutural do sistema
sociometabólico capitalista e os seus rebatimentos sobre a classe trabalhadora”, no qual é feito
uma exposição acerca das peculiaridades da crise estrutural do capital e os seus impactos que
recaem sobre a vida, o trabalho e a organização política dos trabalhadores na sociedade
contemporânea.
Sendo assim, o objetivo central deste trabalho é demonstrar que o cenário atual
marcado por inúmeras desumanidades é reflexo da incontrolabilidade da dinâmica capitalista
e da sua crise contemporânea.
A entrada dos anos de 1970 explicitou uma reviravolta no histórico de crises do
capitalismo. Com a falência do padrão de acumulação fordista/taylorista e a crise do Estado
de bem-estar social – fim dos “anos dourados” – foi inaugurado uma fase de crise estrutural.
A crise estrutural pode ser caracterizada como endêmica. O seu alcance é global, uma
vez que atinge a estrutura capitalista e o conjunto dos complexos sociais. Ela se desdobra de
maneira “rastejante”, adentra a vida social com um espectro de dominação, na busca frenética
de garantias para a sobrevivência reprodutiva do sistema.
As respostas elaboradas pelo capital para a sua crise estrutural concentram-se na fase
do capitalismo contemporâneo (meados da década de 1970 até os dias atuais). As
transformações, com rebatimentos diretos no mundo do trabalho, consolidadas visam
implementar medidas de restauração, diante do quadro crítico instaurado. Dentro dessas
mudanças, três ocupam destaque: a reestruturação produtiva, o neoliberalismo e a
financeirização.
A reestruturação produtiva possibilitou substituir o padrão fordista/taylorista pela
acumulação flexível, com a flexibilidade das relações de produção e de trabalho. O
neoliberalismo impôs um novo projeto ideológico, político e econômico, sustentado na
desregulamentação da economia e no corte das ações coesivas do Estado, principalmente no
campo social. O processo de financeirização representou uma forte estratégia para o
desenvolvimento capitalista, ao impulsionar a lógica de que dinheiro tem que gerar dinheiro
por si só (fetichismo financeiro).

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A crise atual evidencia o encerramento das possibilidades civilizatórias do
capitalismo. Chesnais (2011) a denomina como uma crise de civilização, com efeitos
destrutivos e devastadores para a humanidade em geral. A flexibilização, a precarização, a
instabilidade, a privatização, a desregulamentação, a crescente rotatividade, as
subcontratações, a despolitização e criminalização dos movimentos da classe trabalhadora,
são exemplos das implicações da crise no mundo do trabalho.
O crescimento da miséria, da pobreza, da fome; a destruição do meio ambiente e do
metabolismo homem/natureza; a retirada de direitos conquistados na luta de classes; a
concentração de renda nas mãos de poucos em detrimento da diminuição dos gastos sociais; a
“obsolescência planejada”; o desemprego estrutural; o desmonte dos bens e serviços públicos;
são algumas desumanidades que expressam os rebatimentos da crise estrutural no cenário
contemporâneo.
O estudo das crises do capital, especificamente a crise contemporânea e os seus
respectivos impactos para os seres sociais, é apresentado aqui em uma perspectiva crítica,
com sustentação teórico-metodológica no método crítico dialético, na tentativa de apreender
as peculiaridades que refletem a realidade social. O recurso metodológico adotado foi à
realização de um estudo teórico-bibliográfico. Foram utilizados livros, artigos, publicações,
textos acadêmicos, que problematizam e abordam o tema estudado.
O referencial teórico utilizado fundamenta-se em autores – Antunes (2009), Chesnais
(2011), Galeno (2010), Iamamoto (2011), Jr. Sampaio (2011), Meszáros (2011, 2014),
Paniago (2014), Ziegler (2011) – que estudam a crise contemporânea do capital e as suas
respectivas implicações.
Desse modo, o presente trabalho encontra-se organizado em duas seções que
apresentam as discussões, seguidas das considerações finais.

1- A crise estrutural do sistema sociometabólico capitalista

O sistema sociometabólico capitalista em sua forma “totalizante”, movido pelo


alcance da expansão e acumulação pode ser considerado, segundo Mészáros (2011), como um
sistema destrutivo.
A lógica destrutiva do capital é intensificada no capitalismo contemporâneo, diante do
acirramento da competitividade e concorrência intercapitais, da crescente subordinação do
valor de uso ao valor de troca e da necessidade de garantir a qualquer custo a sua
autorreprodução. As implicações são severas para o gênero humano em geral. A cena

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contemporânea assume os reflexos do teor destrutivo e incontrolável do sistema de
sociometabolismo, sob a manifestação de uma crise estrutural.
Como apresenta Mészáros (2011), a crise estrutural se diferencia de toda e qualquer
crise cíclica vivenciada no decorrer da história do capitalismo. Uma crise endêmica,
cumulativa e permanente que atinge a totalidade da vida social em todas as suas relações e
partes constitutivas com a tendência de destruição global.
O capital nunca resolveu nenhuma de suas contradições, até porque a sua natureza
prospera-se sobre elas. A maneira pela qual enfrenta tais contradições é firmada em processos
de intensificação, deslocamento, transferência, exportação para outros países, fazendo uso
inclusive de meios militares para alcançar estas finalidades como chama atenção Mészáros
(2011).
O grande problema é que o sistema sociometabólico capitalista não consegue
responder as causas das contradições que comprometem à sua reprodução. Na verdade,
“administra” os efeitos ocasionados e empurra para frente os problemas que lhe causam
“disfunções acumulativas”, o que exaure as suas forças (JR. SAMPAIO, 2011).
Por mais que as contradições venham à tona em momentos de crises cíclicas, como a
crise de 1929, e sirvam de “alavancas para o aumento exponencial no poder aparentemente
ilimitado de autopropulsão do capital” [...] (MÉSZÁROS, 2011, p. 798), não eliminam o
desequilíbrio existente entre produção e consumo e os aspectos estruturais do capital. Com o
acirramento contraditório e a escassez das suas alternativas compensatórias, o capitalismo
adentrou uma fase irreversível de crise estrutural.
De acordo com István Mészáros (2011), a crise experimentada atualmente possui
quatro características fundamentais que a particulariza no movimento histórico do capital.
(1) seu caráter universal, em lugar de restrito a uma esfera particular (por exemplo,
financeira ou comercial, ou afetando este ou aquele ramo particular de produção,
aplicando-se a este e não àquele tipo de trabalho, com sua gama específica de
habilidades e graus de produtividade etc); (2) seu alcance é verdadeiramente global,
[...] em lugar de limitado a um conjunto particular de países (como foram todas as
principais crises do passado); (3) sua escala de tempo é extensa, contínua, se
preferir, permanente, em lugar de limitada e cíclica, como foram todas as crises
anteriores do capital; (4) em contraste com as erupções e os colapsos mais
espetaculares e dramáticos do passado, seu modo de se desdobrar poderia ser
chamado de rastejante, desde que acrescentemos a ressalva de que nem sequer as
convulsões mais veementes ou violentas poderiam ser excluídas no que se refere ao
futuro [...] (MÉSZÁROS, 2011, p. 796 – grifos do autor).

A crise que experimentamos há mais de três décadas não se limita à esfera econômica,
se alastra sobre as instituições políticas impondo a necessidade de novas “garantias políticas”,
muito condicionada à “política do consenso”. E diante das incertezas presentes nas condições

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socioeconômicas, o Estado capitalista não consegue garanti-las por si só. Nesse sentido, a
crise estrutural é uma verdadeira crise de dominação em geral (MÉSZÁROS, 2011).
A crise estrutural diferente de uma crise de essência cíclica que afeta apenas uma
esfera com consequências pontuais e que não representa riscos para os outros complexos,
atinge “[...] a totalidade de um complexo social em todas as relações com suas partes
constituintes ou subcomplexos, como também a outros complexos aos quais é articulada”
(MÉSZÁROS, 2011, p. 796-797). Dessa forma, pode-se afirmar que é uma crise de
civilização. Já dizia Chesnais (2011, p. 187), “os explorados e dominados [...] estão
mergulhados nela e afundarão cada vez mais”. Encerraram-se todas as possibilidades
civilizadoras do capitalismo.
Mészáros (2011) enfatiza que a crise estrutural põe em risco à sobrevivência contínua
da estrutura global, uma vez que não está associada aos limites imediatos, mas aos limites
últimos, ou seja, os limites definitivos da estrutura capitalista. Ela não se refere a nenhuma
condição absoluta. Concentram-se aqui os pressupostos de que a sua severidade abre às portas
para a superação dele por outro complexo não mais de bases capitalistas. Esta crise
“rastejante” tem que ser compreendida como um processo contraditório recheado de ajustes
recíprocos, que só poderá ser concluído depois de uma reestruturação radical diretamente
ligada as suas contradições (MÉSZÁROS, 2011, p. 797).
A crise contemporânea evidencia que as dimensões responsáveis pela autoexpansão
interna do capital (produção, consumo, circulação) são marcadas por “anomalias” cada vez
maiores, o que compromete a sua reprodução ampliada. Por esses e outros motivos, os efeitos
são nefastos para toda a sociedade. De fato, não é possível a consolidação de uma crise
estrutural se as dimensões vitais que garantem a sua autoexpansão continuarem em
funcionamento. Pode ocorrer qualquer outro tipo de crise com duração e obstáculos variados
que as atinja direta ou indiretamente, entretanto, sem colocar em xeque os limites últimos do
sistema global. Ela não surge apenas em uma região ou país, origina-se dos mecanismos
internos (CHESNAIS, 2011).
Jr. Sampaio (2011) explica que o Estado burguês na era da crise estrutural, é um
imperativo submisso à lógica capitalista. A intervenção estatal fica impotente para conter as
propriedades excessivas. Todos os aparelhos do Estado são alinhados ao atendimento das
imposições do capital, principalmente em tempos de crise, em contrapartida, a sua atuação
junto à população é ínfima.
O Estado moderno com seus imperativos constitui uma estrutura totalizadora dotada
de compatibilidade com o sistema de controle sociometabólico. Atua por meio de ações

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corretivas que visam assegurar e proteger a produtividade do sistema. As suas funções
reguladoras harmonizam-se com o dinamismo de reprodução socioeconômica e garantem em
termos políticos a dominação do capital.
[...] o Estado capitalista precisa agora assumir um papel intervencionista direto em
todos os planos da vida social, promovendo e dirigindo ativamente o consumo
destrutivo e a dissipação da riqueza social em escala monumental. Sem esta
intervenção direta no processo sociometabólico que age não mais apenas em
situações de emergência mas em base contínua, torna-se impossível manter em
funcionamento a extrema perdularidade do sistema capitalista contemporâneo
(MÉSZÁROS, 2011, p. 700).

Todas as dimensões que expressam os traços peculiares da crise estrutural na história


recente corroboram para uma visão de que a humanidade encontra-se em uma encruzilhada
determinante. A crise cardíaca do sociometabolismo capitalista abre espaço para o
aparecimento de movimentos revolucionários e “brechas” para se pensar em algo para além
do capital. Porém, apesar das tendências estruturais e do ataque aos limites últimos, a crise
estrutural em si não é capaz de acabar com o capitalismo. É preciso à movimentação do
proletariado.
O capitalismo não desaparecerá de morte morrida. É preciso matá-lo. Se as bases do
regime não forem negadas pela vontade política da classe operária, o capital sempre
encontrará, à custa de grandes sacrifícios humanos e ambientais, um meio de
restaurar as condições para a sua valorização, mesmo que apenas para preparar uma
nova crise econômica ainda mais violenta no futuro (JR. SAMPAIO, 2011, p. 200).

Muitos acreditam e buscam soluções institucionais para as implicações geradas pela


crise estrutural, e, ou se apegam na globalização como a tentativa responsável pela resolução
dos problemas. Certamente o capitalismo continua adotando estratégias agressivas, como o
reforço e a ampliação do complexo industrial-militar. Contudo, isso não altera o fato da crise
atual empreender a possibilidade de superação do sistema (MÉSZÁROS, 2014).
Para Mészáros (2011), o ponto decisivo consiste no abandono da ideia de que a
revolução será produto da conquista de ajustes reformistas e a colocação da conjuntura
revolucionária como a finalidade ímpar da luta de classes. Reconhece a importância da luta de
classes no processo de revolução e também os problemas enfrentados pelas organizações dos
trabalhadores em meio ao cenário adverso para os movimentos de esquerda.
As “brechas” históricas geradas pela crise estrutural precisam ser usadas como
trampolim para promover radicalmente mudanças na sociedade. Claro que isso, não é possível
de ser concretizado em um “passe de mágica”. O processo de transição, a derrubada do
capitalismo, a organização de uma luta revolucionária pelos trabalhadores, leva tempo. O
caminho é árduo, doloroso e processual.

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Nos termos de Jr. Sampaio (2011, p. 205), o segredo do processo de transição
pressupõe o controle das decisões econômicas e políticas aos produtores direitos em um
processo de subordinação integral da esfera da produção material à esfera social, pois, assim,
as alterações acarretadas podem contribuir de forma efetiva na luta revolucionária pela
construção de uma sociedade sem classes.
Mesmo que o contexto de crise estrutural tenha revelado rebatimentos perversos para a
humanidade em geral, desdobrando no avanço da barbárie, os autores estudados acreditam na
possibilidade de uma “práxis revolucionária” que afirme a negação do capital e que ofereça as
bases para uma ofensiva socialista, pois, apesar de tudo, as tendências históricas sopram na
direção de uma sociedade para além do capital, na qual a emancipação do gênero humano seja
um fator real. Por isso, a importância de resistir e persistir na luta.

2- As implicações da crise estrutural do sistema capitalista para a humanidade

A crise estrutural, diferente das tempestades cíclicas que atingiam o Modo de


Produção Capitalista (MPC), por aprofundar e acentuar as contradições históricas do capital
em todas as esferas da vida econômica, política e social, infringe perdas imensuráveis para o
gênero humano.
Sob as condições de crise estrutural do capital, seus constituintes destrutivos
avançam com força extrema, ativando o espectro da incontrolabilidade total numa
forma que fez prever a autodestruição, tanto para este sistema reprodutivo social
excepcional, em si, como para a humanidade em geral (MÉSZÁROS, 2011, p. 100).

Desde a década de 1970 que o capitalismo contemporâneo, diante da crise do


fordismo/keynesianismo e da necessidade de restauração do capital, opera transformações
societárias inéditas, com o objetivo de recuperar o seu ciclo reprodutivo e o poder
hegemônico. As mudanças ocorridas deslancharam em direção ao processo de produção,
através do padrão de acumulação flexível – novas formas de gestão organizacional, avanços
tecnológicos – em substituição do modelo fordista/taylorista. Entretanto, os pilares
fundamentais do MPC não foram derrubados (ANTUNES, 2009).
As alterações implementadas com a reestruturação produtiva, o neoliberalismo e a
financeirização, em resposta a crise estrutural, influenciaram ativamente na construção das
teses equivocadas do “fim da centralidade do trabalho” e do “desaparecimento do proletariado
como classe” (NETTO, 2010).
Intensificaram-se as transformações nos circuitos produtivos, tendo como referência, a
revolução técnico-científica e informacional, os avanços alcançados na microeletrônica e nas

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áreas da biologia, física e química (NETTO, 2010). A forma de acumulação flexível e os
modelos de produção que substituíram o padrão fordista/taylorista, como o toyotismo,
atingiram de maneira violenta a classe trabalhadora e o movimento sindical. As mutações
solidificadas espalharam-se como uma avalanche no mundo do trabalho, implicando um forte
processo de metamorfose.
O assalariamento, o trabalho subcontratado, parcial, temporário, informal e a redução
do número de trabalhadores da indústria com vínculos empregatícios estáveis, cresceram
significativamente no processo de reestruturação do mercado de trabalho. As exigências
atuais estabelecidas pelo capital, concentram-se principalmente na “flexibilização” da
produção e das relações de trabalho; na “desregulamentação” das relações financeiras e
comerciais e dos direitos em escala global; e a “privatização” dos bens e serviços públicos
estatais.
A precarização social do trabalho é uma característica central das mudanças
produtivas do capitalismo contemporâneo. A reengenharia do sistema produtivo, dotada de
total flexibilidade, dissemina a dilatação das dimensões precárias na relação capital-trabalho
(ANTUNES; DRUCK, 2014). A precariedade presente no mundo do trabalho brutaliza e
destrói de forma predatória os sujeitos que trabalham para garantir sua sobrevivência.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a cada 15 segundos,
em algum lugar do planeta, um trabalhador morre e 153 sofrem acidentes ou são
diagnosticados com uma enfermidade ligada a seu ofício. Os óbitos provocados pelo
trabalho superam os da Aids, que, segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS), faz 1,8 milhão de vítimas fatais por ano no planeta. No Brasil, os novos
casos de acidentes ou doentes do trabalho são 22% superiores aos cerca de 576 mil
diagnósticos anuais de todos os tipos de câncer contabilizado pelo Instituto Nacional
do Câncer (INCA). O país registra, por ano, 737 mil casos de doenças ou acidentes
laborais, o que significa 2.020 vítimas por dia com consequências que vão desde o
afastamento temporário até a morte, passando por invalidez e enfermidades sem
cura. Os dados são da OIT e do Anuário Estatístico da Previdência Social (O
TEMPO, 2015, s/p).

O cenário de crise estrutural traz à tona um conjunto de desumanidades que atingem


diretamente o gênero humano. Constata-se uma exponenciação da miséria e da riqueza como
as faces da mesma moeda (manifestação nítida da Lei Geral de Acumulação Capitalista na
contemporaneidade); a desigualdade social em todo o mundo tem agravado; os gastos sociais
diminuídos; a concentração de renda e capital em escalas cada vez maiores; diferença gritante
em termos da riqueza mundial; a fome da população planetária em tempos de grandes
produções alimentícias; a destruição do meio ambiente; estes são alguns dos muitos
indicadores dos impactos da crise (PANIAGO, 2014).
O capitalismo em crise fez mais vítimas, em 2010, do que a Segunda Guerra
Mundial, se somados todos os “males do desenvolvimento”, tais como: “fome,

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epidemia, guerras induzidas pelas multinacionais” [...] houve um total de mais de 58
milhões de vítimas, segundo critérios da ONU. Dois milhões a mais que o total de
vítimas da Segunda Guerra Mundial, que durou 6 anos (ZIEGLER, 2011, p. 01).

Para Jean Ziegler (2011), professor de sociologia em Genebra e Sorbonne e ex-relator


especial para o Direito a Alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), a
humanidade tem experimentado no contexto atual um “genocídio silencioso”, principalmente
no que envolve a capacidade produtiva de alimentos adquirida pelo capitalismo e a fome
enfrentada pela população mundial. Segundo ele, esta desproporção é resultante da “ditadura
do capital financeiro”, que constrói um universo de desigualdades, tendo em vista as riquezas
concentradas nas mãos de oligarquias financeiras e a miséria severa que se encontra a grande
maioria dos indivíduos.
[...] a cada dia, morrem 100 mil pessoas vítimas da fome e centenas de milhões estão
gravemente subalimentadas, são inválidas, incapazes de trabalhar e ter uma vida
normal. Além disso, esse mal se transmite de geração a geração, sobretudo na Ásia
do Sul e África, mas também aqui, porque cada uma em quatro crianças da América
Latina com menos de 15 anos é gravemente subalimentada. Desse modo, há um
genocídio silencioso num planeta que pode alimentar o dobro de sua população e
uma reprodução biológica desse genocídio, pois há centenas de milhões de crianças
que morrem na gestação, vítimas do mal desenvolvimento do feto ou do leite
materno pobre em nutrientes, ou mesmo a falta de leite. Uma pessoa que morre de
fome ou que tem uma vida sob a invalidez, com sofrimento permanente e crônico, é
vítima de um assassinato e não de uma fatalidade (ZIEGLER, 2011, p. 01).

Segundo estudo realizado pela Organização Não Governamental (ONG) Oxfam, em


2015 a riqueza acumulada pelos mais ricos da população mundial superou a dos 99% restante.
"O fosso entre a parcela dos mais ricos e o resto da população aumentou de forma dramática
nos últimos 12 meses", diz relatório da ONG britânica intitulado Uma economia a serviço de
1%” (BRASIL DE FATO, s/d, 2016). Os dados apontados indicam que na segunda década do
XXI a desigualdade e a concentração de renda não param de crescer em termos mundiais. São
verdadeiros indicadores da instabilidade e dos sérios riscos que estamos correndo. A riqueza
mundialmente produzida concentra-se cada vez mais nas mãos de poucos, enquanto, a maioria
da população é assolada pelo desemprego estrutural, fome e sofrimento.
As ideias desenvolvidas por Karl Marx n’O Capital confirmam perfeitamente tal
realidade. Tudo que tem acontecido conta com uma explicação integral na Lei Geral da
Acumulação Capitalista, formulada por este economista. Quanto menor o número de
capitalistas que monopolizam o capital, maior são os índices de miséria, pobreza e
exploração.
O esgotamento das potências civilizadoras do capitalismo esbarra-se nas necessidades
humanas. Como aponta Mészáros (2011), a destruição da natureza e da sociedade não
representa significância alguma para o sistema de controle sociometabólico. Pela necessidade

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de garantir a sua expansão e acumulação, os recursos naturais são explorados, o que instaura
uma crise do capital com a natureza, que nos marcos dessa ordem não tem possibilidade
alguma de ser resolvida.
[...] Pois hoje é impossível pensar em qualquer coisa relativa às condições
elementares da reprodução sociometabólica que não seja letalmente ameaçada pela
maneira pela qual o capital se relaciona com elas – a única maneira em que pode
fazê-lo. Isso é verdade não só das necessidades energéticas da humanidade ou da
administração dos recursos minerais e potenciais químicos do planeta, mas de todas
as facetas da agricultura mundial, inclusive a devastação causada pelo
desmatamento em larga escala e mesmo a forma mais irresponsável de lidar com o
elemento sem o qual nenhum ser humano pode sobreviver: a própria água. [...] Na
ausência de soluções milagrosas, a atitude arbitrariamente autoafirmativa do capital
para as determinações objetivas da causalidade e o tempo no fim inevitavelmente
trazem uma colheita amarga, à custa da humanidade [e da própria natureza]
(MÉSZÁROS, 2011, p. 174).

Essas afirmações possibilitam compreender que a relação metabólica entre homem e


natureza tem sofrido uma intensa destruição, pois como a lógica capitalista é voltada para a
produção de mercadorias, o meio ambiente é violentamente degradado.
A intensidade da oposição entre o valor de uso e o valor de troca e a subordinação do
primeiro ao segundo, multiplicam-se para manter o desenvolvimento econômico e o poder de
domínio do capital. Uma estratégia amplamente utilizada para garantir o alcance destes
aspectos é o investimento na aplicação da tendência de redução da taxa de utilização real das
mercadorias (MÉSZÁROS, 2011).
A taxa de utilização decrescente é vantajosa para a expansão do capital, pois, além de
reduzir o tempo útil das mercadorias para que possam ser rapidamente trocadas,
movimentando o mercado e os lucros, traz consigo impactos para o trabalho vivo, mediante o
uso progressivo da maquinaria tecnológica.
Somam-se a essas práticas, a “obsolescência planejada”, com a diminuição do uso de
“bens de consumo” duráveis, ou seja, esses passaram a ter prazo de validade estabelecido. A
vida útil das mercadorias é encurtada para que uma nova mercadoria possa ser vendida e
consumida pelos sujeitos, movimentando a esfera do mercado e garantindo que o capital se
realize. A prática da descartabilidade e do desperdício são frequentes na sociedade
contemporânea.
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo
muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As
coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de
vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias,
fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o
trabalho que as gera (GALENO, 2010, s/p).

A produção de mercadorias com tempo reduzido de uso impõe a obrigatoriedade do


consumo. É uma lógica ditatorial que devasta e aprisiona a todos. Um modo de vida que
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reproduz os seres humanos como verdadeiros consumidores de bens e serviços. E o
trabalhador explorado também consome as mercadorias por ele produzidas.
Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir
as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a
luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas
também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela
ansiedade de comprar e pela angústia de pagar (GALENO, 2010, s/p).

A crise atual, por atingir toda a estrutura do capital, é uma crise histórica, econômica,
social, ecológica, política, de alimentos; crise das condições de reprodução social. Por isso,
que os rebatimentos se espalham em todas as dimensões da vida em sociedade.
É importante pontuar, que a presente crise não é vista por todos os países como um
conjunto de elementos que envolvem uma totalidade mundial. A lógica globalizada pressupõe
uma diferenciação dentro de uma unidade. É como se cada país, baseado no ritmo de seu
desenvolvimento, tivesse uma forma diferenciada de encarar a crise estrutural (CHESNAIS,
2011).
Junta-se a esses elementos, o esforço estratégico da classe dominante de propagar a
ideia ilusória do fim da história, de apresentar sempre que possível um panorama otimista e
favorável, sem tensões econômicas, e, ou sociais. Neste sentido, a mídia é um dos principais
instrumentos utilizados, pois os objetivos do grande capital precisam ser mantidos a qualquer
custo.
Outra questão que deve ser destacada é que a conjuntura da crise estrutural, por
implicar consequências drásticas – como, por exemplo, a intensificação do fetichismo e da
alienação – para os trabalhadores, dificulta o entendimento de como é grave o cenário
vivenciado, a tomada de consciência e a organização política para enfrentar as situações que
estão sendo colocadas.
Os defensores do projeto hegemônico se negam a interpretar a crise estrutural na sua
severidade. Acreditam que como em períodos passados depois da “fase descendente” virão os
“longos ciclos ascendentes”, uma grande ilusão.
Aqueles que não querem admitir a gravidade desta crise preferem enterrar a cabeça
na areia conceptual dos chamados “ciclos longos” das fases de desenvolvimento
capitalista. [...] Tudo o que acontece, segundo eles, está em plena conformidade com
as características normais de um “ciclo longo descendente” do capital, que será sem
dúvida seguido, como o dia se segue à noite, pelo “ciclo longo ascendente”
(MÉSZÁROS, 2014, p. 30).

As argumentações dos capitalistas além das analogias com o passado exaltam com
muito entusiasmo a “globalização”, como a grande novidade do desenvolvimento capitalista

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na contemporaneidade. A globalização é uma tentativa de “solucionar” os efeitos da crise em
curso (MÉSZÁROS, 2014).
Mészáros (2014) revela que a “globalização” é interpretada de forma tendenciosa
como uma medida que contribui para obter benefícios universais e promover novas fases de
recuperação, prosperidade e avanços da sociedade capitalista. No entanto, dado as bases
contraditórias do capital, este processo globalizante se impõe de maneira discriminatória,
sempre a favor dos poderosos, e instável, com a ficção do “governo mundial” representado
pelas organizações internacionais. Contraditoriamente, ao que é pensado, a globalização
agrava a instabilidade crônica do sistema e intensifica as desigualdades sociais.
Se fossemos condensar as reflexões apresentadas neste estudo, seria viável dizer, que
nas últimas quatro décadas o MPC desenrolou perturbações que lhe aproximam dos seus
limites estruturais. As mudanças operadas na totalidade da vida social derruíram as
alternativas progressistas para a classe trabalhadora e para a própria humanidade.
Em consequência das transformações societárias são inúmeros os fenômenos que
indicam a vivência de um quadro de barbárie, de desumanização e (des)sociabilização no
capitalismo contemporâneo. As velhas e novas expressões da questão social são maximizadas
de forma desenfreada.
A financeirzação especulativa e parasitária; a predominância do desperdício e da
“obsolescência planejada”; a competitividade, a concorrência inter-capitais, inter-empresas e
inter-potências e as tentativas de concentração e centralização monopolista; a manipulação da
consciência, principalmente por meio da mídia; os crimes ambientais; a cultura e a educação
mercantilizada; a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais; o belicismo como
instrumento majoritário da política de segurança pública em um processo constante de
militarização da vida social; estes fenômenos são exemplos típicos da barbarização enfrentada
(NETTO, 2012).
O processo de militarização da vida social caracteriza a repressão generalizada, a
violência militar extrema, do Estado burguês sobre as “classes perigosas”. Um “Estado com
fundamentação punitiva e penal” (Wacquant apud Netto, 2012) responsável pelo uso das
dimensões repressivas como meios estratégicos que permitem “lidar” com a população
excedente em face das necessidades do capital (NETTO, 2012). A redução da maioridade
penal é uma expressão nítida de tal processo.
Netto (2012) explica que a prática repressiva do Estado se articula com a dimensão
coesiva, através de um novo assistencialismo que combina a parceria “público e privado”. Na
conjuntura contemporânea, o fenômeno da pauperização e as expressões da questão social

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passaram a ser enfrentadas, por meio de uma assistencialização minimalista das políticas
sociais. Iamamoto (2011, p. 163), também apresenta um debate importante sobre esta
realidade.
Atualmente, a questão social passa a ser objeto de um violento “processo de
criminalização” que atinge as classes subalternas. (Ianni, 1992; 2004 e Guimarães,
1976). Recicla-se a noção de “classes perigosas” – não mais laboriosas –, sujeitas a
repressão e extinção. A tendência de naturalizar a questão social é acompanhada da
transformação de suas manifestações em objeto de programas assistenciais
focalizados de “combate à pobreza” ou em expressão de violência dos pobres, cuja
resposta é a segurança e a repressão oficiais. Evoca o passado, quando era concebida
como caso de polícia, ao invés de ser objeto de uma ação sistemática do Estado no
atendimento às necessidades básicas da classe operária e outros segmentos de
trabalhadores. Na atualidade, as propostas imediatas para enfrentar a questão social,
no Brasil, atualizam a articulação assistência focalizada/repressão, com o reforço do
braço coercitivo do Estado [...]

A repressão às “classes perigosas” e o assistencialismo focalizado – especialmente


com os programas de transferência de renda – no enfrentamento das refrações da questão
social representam faces da barbárie contemporânea.
O estágio atual do sistema capitalista é marcado pelo esgotamento da dimensão
civilizatória, por isso, que é bárbaro. A lógica do capital se expressa como barbárie que afeta
diretamente o mundo do trabalho e todos os recantos da vida social do trabalhador.
Demissões, salários baixos, flexibilidade das legislações trabalhistas, precarização, contratos
de trabalhos informais e terceirizados, desemprego estrutural, são os resultados da conjugação
da ordem neoliberal com a reestruturação produtiva, em meio à profunda crise estrutural.
Segundo Netto (2010), o sistema sociometabólico capitalista “administra” a barbárie e
todas as suas formas de manifestação, como a miséria, pois precisa garantir a expansão e
acumulação crescentes do capital.
Os tempos são muito difíceis, no entanto, a humanidade não está condenada a render-
se inevitavelmente a barbárie do capital. A superação da sociabilidade fundamentada na
produção capitalista e a instauração de uma organização societária com bases socialistas
proporcionaria a remoção dela. “Se a barbárie é a perspectiva real e imediata, o socialismo é
uma alternativa possível – e o possível é também constitutivo do real, tem raízes na
realidade” (NETTO, 2010, p. 31).
A formulação proposta por Rosa Luxemburgo, “socialismo ou barbárie” é ideal para
mostrar as reais opções que a humanidade possui diante da sua destruição. Os rebatimentos da
crise estrutural se espalham sobre todas as dimensões da existência humana, com
consequências drásticas para os indivíduos sociais. Se a ofensiva socialista não for

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consolidada, certamente se aprofundarão os processos de desumanização e
(des)sociabilização. E como enfatiza Meszáros, “barbárie se tivermos sorte”

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A crise iniciada em meados da década de 1970 é estrutural porque o espectro destrutivo


do capital atinge pela primeira vez na história a sua estrutura global. Não se trata mais de uma
crise econômica, mas sim de um “continuum depressivo” que particulariza a fase
contemporânea do capitalismo. As crises periódicas foram substituídas por uma crise
cumulativa, contínua e irreversível.
A reflexão alcançada envolve a compreensão da conjuntura contemporânea como
imagem da crise estrutural. Por atingir a estrutura global do sistema de sociometabolismo, os
limites do capital se chocam com a sobrevivência do gênero humano. A humanidade é
terrivelmente lesionada pelos efeitos da crise e por isso, encontra-se em naufrágio. Dessa
forma, a crise atual pode ser entendida como uma crise econômica, financeira, política, social,
ecológica e histórica.
A destruição da natureza, o desperdício de alimentos X a existência da fome no
mundo, a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, as desigualdades, o
aniquilamento dos direitos sociais e trabalhistas, a concentração de renda nas mãos de poucos,
a militarização da visa social, a “obsolescência planejada”, são desumanidades que revelam o
“genocídio silencioso” (ZIEGLER, 2011) e a barbárie da crise “rastejante”.
Com a crise estrutural a sociedade capitalista encontra-se em um beco sem saída. A
globalização e os ajustes reformistas não conseguem resolver os problemas do capital. As
ações repressivas e as tentativas de valorização/acumulação continuam, o complexo
industrial-militar é ampliado, mas nada altera a incontrolabilidade e os limites estruturais do
sistema sociometabólico capitalista. É neste contexto, que surge o impulso para uma “práxis
revolucionária”. Os movimentos revolucionários precisam aproveitar essas “brechas
históricas” para tencionar a mudança radical de ordem societária. Se uma ofensiva socialista,
que possibilite a emancipação humana, não for concretizada, certamente o desfecho da
humanidade será trágico.

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