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Ano V / No 19 - 05 de maio de 2003

EDITORIAL
O CGCFN, dentro do espírito de manter os Combatentes Anfíbios informados e atualizados sobre o estado da arte em
assuntos de defesa, apresenta a 19ª edição do “Âncoras e Fuzis”. Neste número são apresentados artigos sobre a participação
brasileira em missão de paz na Croácia, a organização e principais características dos Fuzileiros Navais da Venezuela, a
bomba recém testada pelos EUA conhecida pela mídia como “a mãe de todas as bombas” e é iniciada a publicação de uma
série de artigos sobre os navios anfíbios em atividade no mundo. Além destes, publica-se também novos artigos sobre
guerra de manobra e soluções das colunas Pense e Decida.
Relembra-se que as colaborações poderão ser feitas da seguinte forma: respondendo às situações descritas na coluna
DECIDA; enviando sua interpretação sobre o tema sugerido na coluna PENSE; ou enviando pequenos artigos sobre temas
técnicos ou táticos que sejam de interesse do combatente anfíbio. Envie sua contribuição diretamente ao Departamento de
Estudos e Pesquisa do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais pelo MBMail (30@comcfn), internet
(30@cgcfn.mar.mil.br) ou pelo Serviço Postal da Marinha. ADSUMUS

Palavras do Comandante-Geral
O CONCEITO DE SUBESPECIALIDADE NA GESTÃO DA CARREIRA DE PRAÇAS DO CFN
A incorporação de novos e modernos meios operativos ao acervo do CFN tem exigido de suas Praças uma crescente espe-
cialização. Além disso, a Administração do Pessoal tem encontrado dificuldades em gerir uma correta distribuição de militares com
habilitações específicas pelas OM, bem como efetuar as indicações para cursos, estágios e intercâmbios, de forma que, minimizando
qualquer possibilidade de solução de continuidade nas tarefas pertinentes, cada vez mais técnicas, desenvolvidas em nossas OM,
melhor aproveite as qualificações individuais obtidas em cursos e estágios do Sistema de Ensino Naval ou extra-MB ou adquiridos
na vivência de determinadas funções.
A implementação do conceito de Subespecialidade, além de orientar o processo de movimentação de pessoal, de modo a
atender a real necessidade do serviço, compatibilizará a indicação de pessoal para os diversos cursos, estágios e intercâmbios, com
a qualificação complementar e habilitações individuais adquiridas pelas Praças do CPFN, procurando colocar cada militar na
função que melhor aproveite suas aptidões.
Trata-se da compatibilização da movimentação e distribuição de pessoal com o Ensino, procurando colocar o militar qualificado
na função que exija a sua formação. Presentemente, a movimentação de pessoal FN, principalmente para fora de sede, é feita
basicamente pela Especialidade e tempo de serviço fora de sede, o que gera, às vezes, a formação de mais pessoal técnico
desnecessariamente.
Como exemplo das dificuldades que recaem sobre a Administração do Pessoal, verifica-se que atualmente o CPesFN ao
movimentar um MO para fora de sede, para dirigir uma Viatura Toyota, poderá estar movimentando um MO de Toyota, caminhão,
M-113 ou CLAnf, o que acarretará, em alguns casos, um desperdício em função do custo para a formação específica de um MO
operador de CLAnf. Da mesma forma, ao movimentar um SG-MU para fora de sede, é desejável que o CPesFN conheça o naipe do
militar que está sendo movimentado para que possa atender à real necessidade da OM de destino.
Para a implantação do conceito de Subespecialidade na administração de pessoal do CFN, os seguintes tópicos necessitam ser
divulgados e entendidos:
Conceito de Subespecialidade - São habilitações complementares, relacionadas a áreas de interesse do CFN, não incluídas na
grade curricular dos diversos Cursos de Especialização e de Aperfeiçoamento, adquiridas ao longo da carreira por meio de cursos
ou estágios, oferecidos pelo Sistema de Ensino Naval ou extra-MB, e/ou adquiridas pela vivência profissional-militar no exercício
de determinadas funções.
Finalidades da Subespecialidade
a) identificar as praças do CPFN que possuam alguma qualificação complementar às adquiridas nos cursos de carreira, necessária
ao exercício de atividades nas OM do CFN; e
b) possibilitar à administração do pessoal gerir uma correta distribuição de praças com habilitações específicas, bem como
efetuar as indicações para cursos, estágios e intercâmbios de forma que, minimizando qualquer possibilidade de solução de
continuidade nas tarefas pertinentes desenvolvidas em nossas OM, melhor aproveite as competências individuais.
Informante Qualificado (IQ) - A diversidade e especificidade das atividades das OM do CFN não permitem o estabelecimento
de uma relação direta entre cada uma das Subespecialidades e um determinado curso ou estágios do Sistema de Ensino Naval ou
extra-MB. Assim, o CPesFN titulará algumas OM como Informantes Qualificados, que serão as OM responsáveis pelo controle
dos requisitos específicos de uma Subespecialidade, sob a supervisão do CPesFN.
Identificação das Subespecialidades - Para efeito do registro e identificação, será utilizado um código de três letras para cada
Subespecialidade. A Praça qualificada será identificada pela sua graduação, seguida do seu QE/QA e pelo trigrama da sua
Subespecialidade. Caso o militar venha a possuir mais de uma Subespecialidade, será identificado pela de maior complexidade ou
de nível mais elevado. As Praças do QE/QA de Aviação (AV) continuarão tendo a identificação de sua subespecialidade grafada
com somente duas letras, conforme ocorre atualmente. Exemplos: 1ºSG-FN-MO-MVE, CB-FN-IF-MRT, 2ºSG-FN-AT-ATM ou 3º
SG-FN-IF-SLV.

1
FUZILEIROS NAVAIS DA VENEZUELA
A Divisão de Fuzileiros Navais da Venezuela tem a missão
de adestrar e conduzir Operações Anfíbias, Operações
Especiais, proteger o meio-ambiente e contribuir para o
desenvolvimento cívico nacional. Suas forças possuem as
seguintes capacidades: executar missões administrativas e
operativas em ambientes marítimos, ribeirinhos e lacustre;
executar operações combinadas ou conjuntas; executar
operações de apoio humanitário; e executar planos de con-
tingências em escala nacional.
Atualmente os Fuzileiros Navais venezuelanos desen-
volvem as seguintes tarefas:
• Patrulha de sua fronteira terrestre;
• Patrulha de sua fronteira ribeirinha;
• Exercícios conjuntos e combinados; e
• Operações anti-drogas.
Para a consecução destas tarefas, dispõem os Fuzileiros Navais Venezuelanos de um efetivo de 6.000 militares, organizados de
acordo com a estrutura abaixo. A Primeira Brigada de Infantaria possui três Batalhões de Infantaria e um Batalhão de Viaturas
Anfíbias. A Segunda Brigada de Infantaria possui três Batalhões de Infantaria. A Brigada de Engenharia possui um Batalhão de
Engenharia de Combate e três Batalhões de Engenharia de Construção. A Brigada da Fronteira Ribeirinha possui três Grupos de
Comandos Ribeirinhos e um Centro de Adestramento Ribeirinho.
A Marinha da Venezuela dispõe dos seguintes navios para apoiar sua Divisão de Fuzileiros Navais:
• Quatro NDCC;
• Dois Navios de Apoio Logístico;
• Duas EDCG; e
• Duas Embarcações de Transporte Fluvial.

O BATALHÃO DE COMANDO E CONTROLE


O Batalhão de Comando e Controle (BtlCmdoCt) foi ativado em 26 de março de 2003 com
a finalidade de prover o apoio às atividades de inteligência, comando e controle aos
Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais (GptOpFuzNav). Está estruturado como
Unidade de Apoio ao Combate composta de três Companhias: de Comando, de Comunicações
e de Inteligência de Sinais.
Entre suas tarefas destacam-se as de instalar, explorar e manter as redes necessárias ao
comando dos GptOpFuzNav; estabelecer, operar e manter um Centro Controlador de
Inteligência de Sinais (CECOIS) em apoio ao comando dos GptOpFuzNav; realizar as ações de
MAGE, CME e CCME em apoio a esses grupamentos; e a de nuclear o Centro de Análise de
Inteligência (CAI) dos GptOpFuzNav.
O CECOIS, evolução do Centro Controlador de Guerra Eletrônica (CECOGE), recebe dados,
agrega juízo de valor e confecciona informes de Inteligência de Sinais, particularmente de
Guerra Eletrônica (GE), para o CAI.
No CAI, a análise dos informes gerados pelas agências de reconhecimento e vigilância
dos GptOpFuzNav e pelo CECOIS, e a posterior disseminação dos conhecimentos, deve
permitir a condução do combate segundo uma filosofia de Guerra de Manobra, auxiliando o
Comandante a definir o Foco do seu Esforço e a decidir que parcela de sua força irá executar o Esforço Principal.
O distintivo do Batalhão é apresentado abaixo. O campo verde representa a terra, e o faixado ondado o mar, locais de atuação
do BtlCmdoCt. A cabeça de Argus representa a figura mitológica a quem se atribuiu a fundação da cidade-estado grega do mesmo
nome, sendo também o criador de vasta rede informações visando a expandir o poderio de sua cidade estado, aludindo a atividade
de inteligência, a espada alude a assegurar o exercício de comando aos GptOpFuzNav, e a antena de comunicação evoca a atividade
de controle. No cortado de vermelho, esmalte evocativo da bravura, denodo e intrepidez, predicados dos Fuzileiros Navais do
Brasil, os fuzis e a âncora de ouro assim dispostos constituem o distintivo do CFN.

Prêmio Âncoras e Fuzis


Abaixo publica-se a atual classificação do prêmio “Âncoras e Fuzis” nas categorias individual e por OM. Relembra-se que este é apenas
o começo das apurações. Participe! Contamos com você!

INDIVIDUAL OM
1º - 2ºSG-FN-IF S. Nascimento (2ºBtlInfFuzNav) . 07 pontos 1º - 2ºBtlInfFuzNav ........................................................ 23 pontos
2º - 1ºTEN Rodrigues Sousa (2ºBtlInfFuzNav) ....... 06 pontos 2º - 1ºBtlInfFuzNav ........................................................ 05 pontos
3º- 1ºTEN-Felix (BtlLogFuzNav) ................................... 02 pontos 3º - BtlLogFuzNav ......................................................... 02 pontos
4º - CC-Xavier (1ºBtlInfFuzNav) ............................. 01 pontos
5º - 1ºTEN Albuquerque (2ºBtlInfFuzNav) ............. 01 pontos

2
NAVIO DE ASSALTO ANFÍBIO
(NAAnf) CLASSE TARAWA
A partir desta edição o Ancoras e Fuzis passará a apre-
sentar diversas classes de navios anfíbios existentes nas ma-
rinhas do mundo, com o intuito de ampliar o conhecimento dos
Fuzileiros Navais com relação aos aspectos navais da Guerra
Anfíbia. Neste primeiro artigo será enfocado o navio de assalto
anfíbio (NAAnf) Classe TARAWA da marinha dos EUA.
A principal tarefa de combate dos NAAnf Tarawa é
transportar, desembarcar e apoiar as operações dos grupamentos
operativos de fuzileiros navais em qualquer tipo de praia. Pelo
seu porte e capacidade de transporte, constitui a peça central
Ø Navio de Comando e Controle, sendo dotado da mais
das Forças-Tarefas conhecidas como Amphibious Ready sofisticada capacidade de comunicações por satélite; e
Groups (ARG) - Grupo Anfíbio Pronto, constituídas por outros Ø Transporte de suprimentos de assalto, conferindo grande
tipos de navios anfíbios, navios de escolta e grupamentos capacidade às forças embarcadas no que diz respeito a
operativos de fuzileiros navais embarcados. Por sua capacidade combustível, munição e outros suprimentos.
de transporte de tropa, atende à manutenção da integridade tática
de uma tropa até o valor de um Batalhão de Infantaria de Fuzileiros PRINCIPAIS ESPECIFICAÇÕES:
Navais, seus suprimentos e equipamentos. Dele, a tropa pode Tripulação: ................ 82 Oficiais e 882 Praças.
ser desembarcada por superfície ou por He, capacitando a ma- Tropa: ........................ 1.900 Fuzileiros Navais.
rinha norte-americana e os fuzileiros navais à execução de um Comprimento: ............ 249,9 metros
amplo espectro de missões que vão desde um conflito armado Deslocamento: .......... 39.925 Ton.
às missões de caráter humanitário. Velocidade: ................ 24 nós
Existem cinco navios da classe Tarawa na ativa, podendo
cada um deles atender, simultaneamente, seis requisitos de Transporte de Aeronaves (combinações, conforme a missão):
combate: • 6 AV-8B Harrier, 4AH-1W SuperCobra, 12 CH-46 Sea Knight,
Ø Capitânea do ComForTarAnf (Comandante do ARG) e 9 CH-53 Sea Stallion, 4 UH-IN Huey; ou
Posto de Comando (PC) embarcado para o ComForDbq e
• 6 AV-8B Harrier, 12 CH-46 Sea Knight, CH-53 Sea Stallion;
seus respectivos EM;
Ø Transporte de variados meios aéreos, incluindo o AV-8B ou
Harrier, o He de ataque AH-1W Super Cobra, os He de • 42 CH-46 Sea Knight (Assalto Helitransportado); ou
transporte CH-46D/E Sea Knight e CH-53E Sea Stallion e o • 20 AV-8B Harrier e 6 He ASW (Controle de Área Marítima).
He UH-1N Huey; Transporte de Embarcações:
Ø Lançamento e recolhimentos de variados meios de MNT,
• 2 EDCG; ou
destacando a moderna Embarcação de Desembarque sobre
Colchão de Ar (EDCA) e Embarcações de Desembarque • 1 EDCA; ou
de Carga Geral (EDCG); • 6 EDVM.
Ø Navio-hospital, com recursos equivalentes aos dos Armamento:
melhores hospitais dos Estados Unidos, com capacidade • 21 Cell Rolling Frame Missile (RAM) – Defesa Anti-aérea
de dezessete leitos de UTI, quatro salas cirúrgicas,
• 4 reparos de Mtr MK-38 25mm
trezentos leitos, um banco de sangue, instalações
odontológicas completas, instalações de raio-X e • 2 torretas de MK-15 20mm Phalanx CIWS - Defesa Anti-
capacidade de atendimento a cirurgia geral, trauma e aérea
ortopédico; • 5 reparos de Mtr MK-33 cal .50

MISSÃO DE OBSERVADORES DAS NAÇÕES UNIDAS EM PREVLAKA (UNMOP)


No dia 15/dez/2002, foi encerrada a missão de Observadores das Nações Unidas em Prevlaka (UNMOP), sudeste da Croácia. O Diretor-
Geral substituto do Departamento de Organismos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores, Sr. Paulo Roberto C. Tarrisse da
Fontoura, enviou ao Ministério da Defesa o agradecimento abaixo transcrito no qual destaca a atuação das Forças Armadas brasileiras
nesta missão de paz. Ressalta-se que, nesta missão, a MB foi representada pelo CF(FN) Arquimedes Fonseca de Melo.
“Por ocasião do término da Missão de Observadores das Nações Unidas em Prevlaka (UNMOP), o Conselho de Segurança e o
Secretário-Geral das Nações Unidas fizeram avaliação positiva do trabalho e das realizações daquela missão de paz. Para eles, a
UNMOP, desde seu estabelecimento em fevereiro de 1996, contribuiu para construir uma situação favorável na estratégica região
que monitorava, possibilitando a condução de negociações entre as partes interessadas. O Protocolo assinado, no dia 10 de
dezembro de 2002, para regularizar provisoriamente a situação da península corrobora o entendimento de que a questão enca-
minha-se para um final compatível com os princípios basilares das Nações Unidas.
Aproveitando as declarações do Secretário-Geral e do CSNU, gostaria de congratular-me com o Ministério da Defesa e com as
Forças Armadas brasileiras pela participação relevante que proporcionaram ao Brasil nesta missão de paz. Acredito que o envio de
observadores militares brasileiros para a UNMOP serviu para destacar o princípio de defesa da paz, que forma um dos pilares
básicos da Constituição brasileira. As Forças Armadas, nesse contexto, puderam confirmar a já longa tradição que têm na defesa
da paz e da segurança internacionais, por meio da participação em operações de paz das Nações Unidas.”
A Marinha do Brasil participou de missões de paz da ONU em diversos países, como a antiga Iugoslávia, Moçambique,
República Dominicana, Angola, Ruanda e na fronteira entre o Equador e o Peru, atualmente mantém oficiais no Timor Leste
(UNMISET).

3
GUERRA DE MANOBRA
Conforme tem sido apresentado nesta coluna, o estudo do conceito de Guerra de Manobra nos permite identificar uma série de
ferramentas que facilitam sua implementação. Estas ferramentas podem ser aplicadas por comandantes de tropas de qualquer valor
e em situações diversas, pois as mesmas procuram explorar os atributos da guerra que são características encontradas em todos os
níveis de conflito.
Nesta edição serão apresentados os conceitos conhecidos como “Recon-pull” e “Command-push”, ainda sem tradução
consagrada em nosso vocabulário militar, e que serão chamados nesta coluna, para efeito de transmissão de seus significados, de
“Reconhecimento-atrai” e “Comando-impulsiona”.
Lembrando o que já foi comentado sobre vulnerabilidade crítica, centro de gravidade e foco do esforço, pode-se resumidamente
e colocando de forma prática dizer que, em um combate o ponto sobre o qual se deve concentrar todos os esforços deve ser aquele
que puder infringir o máximo de danos ao inimigo. Esta idéia pode ser aplicada tanto em nível estratégico como no tático. No entanto
a vulnerabilidade crítica do inimigo raramente é de fácil percepção e algumas vezes estas vulnerabilidades têm duração efêmera,
apresentando-se momentaneamente e logo a seguir deixando de existir. Para que se possa explorar toda e qualquer oportunidade
que se apresente, as tropas devem ter flexibilidade de manobra suficiente para tal. Dentro desta idéia de prover flexibilidade para as
unidades é que se insere o conceito de “Reconhecimento-atrai”, que se contrapõe ao de “Comando-impulsiona”, este último de
emprego corrente pelas forças armadas em geral.
Segundo o conceito de “Comando-impulsiona” os planos devem ser detalhados e rígidos em suas medidas de coordenação e
controle assim como em suas tarefas e objetivos. O Comando utilizaria as informações coletadas para fazer seu planejamento e
depois dele pronto, assumiria o papel de controlador se limitando a apenas impulsionar seus elementos subordinados no sentido
de cumprirem o que foi previamente estabelecido. Uma aparente deficiência nesta concepção viria do fato de que o planejador
raramente dispõe de todas as informações necessárias para poder conceber um plano desde seu movimento inicial até a conquista
dos objetivos finais. Outro ponto negativo reside no fato de que o excesso de controle, fixado pelo Comando ao planejar, tira a
iniciativa dos subordinados, impedindo, também, que oportunidades que se apresentem, mas que não tenham sido contempladas
pelo planejador, deixem de ser exploradas.
Em contrapartida, o conceito de “Reconhecimento-atrai” confere maior liberdade ao executor do plano deixando-o com liberdade
suficiente para buscar novas e atualizadas informações de combate e alterar a idéia de manobra inicial para explorar alguma
oportunidade, desde que, ao final, atinja o efeito desejado estipulado. Seriam, portanto, os elementos de reconhecimento que
indicariam o ponto exato para a aplicação da força e não um Comandante posicionado à retaguarda e sem contato imediato com o
inimigo. Um exemplo recente desta forma de atuar pode ser visto no primeiro dia da guerra no Iraque naquilo que ficou conhecido
como Ataque de Decapitação. Os ataques aéreos e com mísseis de cruzeiro estavam, desde de antes do início do conflito, prontos
para serem desencadeados, só não se tinha a definição precisa da localização do alvo, que por ser móvel, no caso a figura do próprio
presidente Saddan Hussein, não pode de ser estipulada previamente. Os comandantes militares buscaram atingir o presidente
iraquiano direcionando seu ataque inicial para o local apontado por seus elementos de informações. Quem direcionou o ataque,
definindo a localização exata dos alvos foi a inteligência, o Comando deu apenas uma definição geral do alvo, isto é, o reconhecimento
atraiu o ataque para os locais por ele selecionados.
Um exemplo hipotético e simplificado aplicado às pequenas frações seria o caso de uma patrulha de um pelotão detectar a
presença dos meios de comunicação de um alto comando dentro de sua zona de ação mas longe do objetivo marcado pela
companhia. Neste caso, segundo o conceito de “Comando-impulsiona”, o comandante do pelotão seguiria na direção de seu
objetivo e se limitaria a participar o observado para seu superior. No enfoque de “Reconhecimento-atrai”, o Comandante deveria
atacar imediatamente o inimigo antes que ele se mova e a oportunidade se perca, para depois prosseguir para seu objetivo, desde
que observadas as medidas de segurança.

Pense: “A originalidade é a mais vital das virtudes militares” B. H. Liddell Hart


Resposta do “Pense” Anterior – “Âncoras e Fuzis nº 18”
Abaixo publica-se a interpretação do Pense do último número, enviada pelo 2ºSG-FN-IF SERGIO RICARDO SANTOS RODRIGUES
NASCIMENTO, do 2ºBtlInfFuzNav.
“As batalhas são vencidas com violência e com manobras. Quanto melhor o General, mais ele utiliza a manobra, menos ele
precisa da violência.” Winston Churchill.

“Mobilidade, também entendido como manobra, manifesta-se na capacidade de transferir forças de um local para
outro, de maneira rápida e eficaz, de modo a ocuparem posição vantajosa em relação ao inimigo. Sua aplicação envolve todos os
escalões; no nível estratégico, compreende a movimentação de pessoal, armamento e suprimento para uma área de operações e
no nível tático a manobra de elementos de combate e de apoio de fogo com vistas a destruir o inimigo.
A manobra não conduz a resultados decisivos; ela contribui significativamente para obtenção e manutenção da iniciativa,
para garantir a liberdade de ação, reduzir a vulnerabilidade e apoiar um bem sucedido aproveitamento de êxito. A combinação deste
princípio com os da Concentração, Surpresa e Economia de Meios, pode fazer com que uma força com menor poder de combate
obtenha superioridade decisiva no momento e local oportuno.
Quando o 1ºMinistro Britânico, Winston Churchill diz: “(...) mais ele utiliza a manobra, menos ele precisa da violência.” Ele
quer dizer que utilizará da violência ou, digamos Princípio da Concentração no momento e local oportuno, evitando-se assim o
desgaste desnecessário da tropa com vários embates; e sim, que apenas este contato o fará vitorioso, alcançando o êxito desejado
na Batalha.”

4
DECIDA
O Sr é o comandante da 3ªCiaFuzNav do GDB-3 que participará de uma Incursão Anfíbia como unidade de assalto de uma
BAnf. A BAnf irá desembarcar na PraDbq Azul e prosseguir na conquista de seus objetivos. Sua companhia desembarcou em
sigilo, por EDPn, 2 Km a leste da PraDbq Azul, em H-120, após grande dificuldade em transpor a arrebentação Sua missão é
conquistar e manter o Objetivo 3 a fim de garantir o desembarque da BAnf com segurança, na hora-H do dia-D. Este objetivo está
localizado em uma elevação que se caracteriza por oferecer pleno domínio sobre a PraDbq AZUL.
Após a reorganização da sua Cia o Sr lançou patrulhas a frente a fim de identificar a situação inimiga e o terreno dentro de sua
ZAç. Em H-100, uma de suas patrulhas reportou a localização de uma posição inimiga na encosta NO do PCot 79, que segundo sua
avaliação, seria de um Centro Controlador de Guerra Eletrônica (CECOGE) defendido por tropa no valor de GC. Em H-90, outra
patrulha reportou a situação no Obj 3 como livre de inimigo. Nenhuma outra atividade inimiga foi levantada em sua Zona de Ação.
Sua companhia, além dos reforços convencionais de comunicação e saúde, dispõe ainda de uma seção do PelMrt81mm e
outra do PelMtrP.
Durante o Movimento Navio-para-Terra alguns de seus equipamentos rádio foram danificados. O Sr está sem comunicações
com seus escalões superiores. O Sr tem conhecimento de que não está previsto nenhum tipo de apoio de fogo, nem qualquer
atividade de forças amigas em sua ZAç.
Diante desta situação, apresente sua idéia de manobra. Lembre-se que os conceitos de GUERRA DE MANOBRA, apresentados
nesta e em outras edições, são ferramentas valiosas no planejamento em todos os níveis. Explore as oportunidades, faça o
inimigo perder a vontade de lutar, provoque fricção, paralise seu ciclo OODA, manobre!

Resposta do “Decida” Anterior – “Âncoras e Fuzis nº 18”


O Comando-Geral cumprimenta a todos os colaboradores desta coluna pelo empenho demonstrado em participar neste
periódico e pelas excelentes soluções apresentadas aos problemas militares colocados. Convém, no entanto, dentro do espírito
de aperfeiçoar os conhecimentos e procedimentos dos Fuzileiros Navais, alertar aos leitores com relação a alguns aspectos:
- Qualquer análise que se faça de uma situação militar apresentada não deve prescindir dos fatores da decisão, quais sejam:
Missão, Inimigo, Terreno, Meios disponíveis e Tempo para o cumprimento da Missão. A utilização do MITM-T é uma
maneira prática de se educar a capacidade de análise do combatente focando os principais aspectos que devem ser
observados antes de qualquer decisão.
- Dentro deste estudo cabe incluir as análises recomendadas na coluna de GUERRA DE MANOBRA, sobre centro de
gravidade, vulnerabilidades críticas, foco do esforço, superfícies e brechas, dentre outras.
- Outro ponto importante diz respeito à forma de transmissão das ordens. Estas devem ser claras e precisas além de contemplar
todos os elementos subordinados e em apoio. Alguns colaboradores têm deixado de dar ordens a pelotões inteiros e a
importantes armas de apoio.
- Ao adotar uma postura defensiva, não se deve limitar a posicionar seu pelotão e aguardar. Deve-se procurar explorar as
possibilidades das ações dinâmicas da defesa, como por exemplo o envio de patrulhas de combate.
- A Reserva é sempre uma importante forma de se intervir nas ações, não devendo jamais ser esquecida e ser sempre posicionada
no terreno com vistas ao seu provável emprego.
- As ações do decisor não devem se limitar a posicionar suas forças e aguardar as movimentações inimigas para então reagir.
O conveniente é que se mantenha a iniciativa provocando o inimigo, modelando e direcionando suas ações e, desta forma,
e fazendo-o reagir às nossas ações e não o contrário.
(Continua)

5
Abaixo transcreve-se uma das soluções recebidas pela nossa redação, proposta pelo 1ºTen(FN) DOMINGOS RODRIGUES
DE SOUSA SOBRINHO do 2ºBtlInfFuzNav.
“Abordando os conceitos de Guerra de Manobra, a situação apresentada nos demonstra que o Centro de Gravidade inimigo
reside na capacidade de engajamento a certa distância (através de seus Morteiros 81mm e armas antiaéreas) e no fato de que suas
forças, segundo informes, estarão concentradas próximo aos PCot 307, 425 e a sudoeste da localidade de SATURNO. Suas
Vulnerabilidades Críticas podem ser definidas como a necessidade de domínio das elevações ao redor da localidade (para usar com
eficácia seus Morteiros, armas antiaéreas e impedir o pouso e decolagem dos helicópteros do governo) e a presença indiscriminada
de minas na região, o que de certa forma canaliza os movimentos para as estradas.
Devido aos informes de não haver, por enquanto, movimento inimigo na região e de acordo com as definições contidas no
Manual CGCFN 1311 – Manual para a Instrução de Operações de Paz de Fuzileiros Navais, onde uma tropa que realiza uma
Operação de Manutenção de Paz deve ser facilmente identificável, possuir clareza de propósitos e contar com variáveis do tipo alto
consentimento, baixa força e alta imparcialidade, a manobra ocorreria da seguinte forma:
1) Seriam posicionados na encosta sudoeste do PCot 425 um PelFuz(-) e uma Seção MAG, para ocupar e manter a elevação e
prover a vigilância no setor oeste e sudoeste, incluindo a ESTRADA JÚPITER caso a tenha em seu visual. Um GC deste PelFuz seria
destacado para realizar patrulhas na localidade e divulgar o propósito da operação.
2) Seriam posicionados nas encostas sul e oeste do PCot 307 um PelFuz(-) e uma Seção MAG para ocupar e manter a elevação
e prover a vigilância do setor oeste ao setor sul, incluindo a ESTRADA JÚPITER caso a tenha em seu visual. Na encosta nordeste
deste PCot ficaria a Seção Mrt60mm em apoio direto e um GC deste PelFuz estabeleceria um PTran na ESTRADA JÚPITER.
3) O PCot 580 seria ocupado e mantido com um GC, que faria a vigilância da porção mais ao norte do RIO AZUL e do CAMINHO
DA DÚVIDA. O PCot 290 seria ocupado e mantido com um GC mais uma Seção MAG, que fariam a vigilância da porção mais ao sul
do RIO AZUL e da porção leste da ESTRADA JÚPITER. O GC restante estabeleceria um PTran junto ao entroncamento CAMINHO
DA DÚVIDA/ESTRADA JÚPITER.
4) Solicitaria ao Escalão Superior que coordenasse junto com o governo do país, um eixo de aproximação das aeronaves na
direção geral leste-oeste e afastamento na direção geral oeste-leste para aumentar o grau de segurança para os He.
Desta forma, os Centros de Gravidade INI estariam neutralizados e por conseqüência o seu Ciclo OODA paralisado, pelo
menos durante o período de realização das eleições.”

A MÃE DE TODAS AS BOMBAS


Em 12 de março último, a Força Aérea Norte-americana
conduziu o primeiro teste de detonação da Massive
Ordnance Air Blast (MOAB), a maior bomba não-nuclear
existente. Devido a esta peculiaridade, amplamente
divulgada pela mídia internacional, esta munição passou a ser conhecida como a “mãe de todas as bombas” ou no inglês
“Mother Of All Bombs”. Apesar deste teste ter sido apenas uma demonstração por parte do Laboratório de Pesquisas da Força
Aérea Americana, alguns oficiais do Departamento de Defesa americano consideraram viável sua utilização na Guerra contra o
Iraque.
A MOAB é uma munição de cerca de 10.000 Kg que pode ser guiada por GPS até o alvo selecionado. Possui nove metros de
extensão e carrega 9.000 Kg de explosivos, cuja detonação próxima ao solo produz uma onda de choque capaz de destruir tropas
e equipamentos numa vasta área. Este tipo de bomba não foi planejada para penetrar no solo e causar destruição em posições
abrigadas. Ela é a sucessora da bomba BLU-82 “Daisy Cutter”, que foi amplamente empregada na Guerra do Vietnan, sendo ainda
utilizada nas Guerras do Golfo e do Afeganistão. Outro ponto de bastante importância, é o efeito psicológico que pode ser
explorado com a sua utilização, uma vez que ela provoca um grande estrondo e um cogumelo que podem ser percebidos a
quilômetros de distância. Estas características permitem que a MOAB se adapte perfeitamente à nova concepção de uso de força
desenvolvida pelo Departamento de Defesa americano conhecida como “Choque e Pavor” e que foi pela primeira vez adotada na
Guerra contra o Iraque. Esta bomba foi projetada para ser lançada a partir de aeronaves do tipo MC-130H podendo ser adaptada
para transporte no C-17 Globemaster III. Os bombardeiros B-52, B-1B ou B-2, não possuem a configuração necessária para
transportá-la.

CGCFN na Intranet
Desde novembro último está em funcionamento a página da Intranet do CGCFN. Os departamentos, assessorias e gabinete mantêm
atualizadas as informações ali disponibilizadas, para o acesso rápido e fácil de todos os Fuzileiros Navais.
Em estreita vinculação com o objetivo deste periódico, qual seja, o de ampliar o cabedal de conhecimento do FN melhor
preparando-o para cumprir sua missão, o Departamento de Estudos e Pesquisa mantém, nesta página, os seguintes instrumentos
que possibilitam uma maior troca de conhecimentos profissionais:
- consulta a manuais da série CGCFN;
- acesso ao Plano de Desenvolvimento da Série de manuais do CGCFN;
- abordagem de dúvidas doutrinárias;
- participação em fórum de debates sobre temas de interesse do CFN;
- conhecimento das leituras profissionais existentes;
- acesso à biblioteca do CGCFN;
- leitura dos periódicos “O Anfíbio” e “Âncoras e Fuzis”; e
- envio de sugestões para o aprimoramento de nossos manuais.
A participação no fórum de debates pode ser feita de duas formas: com a sugestão de um novo tema para discussão ou com a
colocação de sua opinião sobre os temas já propostos. Atualmente estão em aberto os seguintes temas:
- apoio Logístico às Equipes de Operações Especiais;
- defesa de Cabeça de Praia;
- o uso da prancheta 6.400“‘ para o Obuseiro Ligth Gun;
- organização e emprego do PelMtrP;
- organização e emprego dos Grupamentos Distritais.