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PLACAS DE CIRCUITO IMPRESSO

A placa de circuito impresso, também


denominada de PCI, têm como sua função
básica proporcionar suporte mecânico e
interligação elétrica para os componentes
utilizados no circuito eletrônico. As exigências
cada vez maiores no que se diz respeito ao
desempenho mecânico e elétrico mostram que
projetar uma placa de circuito impresso não é
uma tarefa tão simples como se imagina,
exigindo que sejam respeitados alguns
requisitos básicos para que seja atingido o
objetivo final de fabricar uma PCI com
qualidade.
Concepção

A concepção de uma placa de


circuito impresso parte de dois
pontos principais:
O projeto mecânico e o projeto
elétrico.
O projeto mecânico
O projeto mecânico leva em consideração detalhes estéticos e
funcionais, tais como LEDs que deverão aparecer externamente ao
gabinete, posição de chaves e botões, localização de componentes
críticos, como transistores e resistores de potência, e componentes
que possam deformar a placa em função do seu peso, como
transformadores.

Geralmente, a geometria da placa está limitada também as


dimensões do gabinete onde ela será acondicionada, e não são
raras as situações onde é necessário fazer caber o projeto elétrico
em um espaço muito crítico. Porém, vale ressaltar que restrições
excessivamente rígidas quanto ao espaço disponível para o circuito
eletrônico levam a situações onde é necessário diminuir a
largura/espaçamento de trilhas, ou até aumentar o número de
camadas de cobre, aumentando desnecessariamente o custo de
fabricação da placa.
O projeto elétrico
O projeto elétrico é o que define uma funcionalidade para a placa de circuito
impresso. Devem ser levadas algumas considerações básicas no projeto
elétrico visando possível redução no custo de fabricação da placa, bem como
melhorar a qualidade final do equipamento.

Sempre que possível, dimensione os componentes de potência


adequadamente. Superdimensionar estes componentes pode acarretar em
aumento da área ocupada por eles, sem falar no custo do próprio componente,
o que em muitas vezes é maior. Preveja dissipadores de calor para
componentes que aquecem muito.

Quando o número de placas/mês for elevado, é justificavel pensar em formas


de automatizar ao máximo a montagem de placas. Utilize nestes casos
componentes de montagem em superfície (SMD), os quais permitem a
montagem por equipamentos de inserção automatica.

Para equipamentos que possuam várias versões, projete placas que permitam
sub-equipação, ou seja, a mesma placa pode ser utilizada em versões de
equipamento diferentes, bastando suprimir/acrescentar componentes que
sejam diferentes em ambas as versões.
O projeto elétrico

Embora atualmente já existam diversos Softwares


e novas técnicas para a confecção de circuitos
impressos, resolvemos continuar a demonstrar
aos principiantes, o antigo sistema manual de
confecção de layouts e circuitos impressos, pois
sabemos que nem todos possuem condições e/ou
equipamentos para atuar com estas novas
técnicas...
O nome " Circuito impresso " foi colocado devido
a sua grande semelhança com os aspectos de
impressão utilizados nos mais diversos meios
atualmente. Sua função específica é a de interligar
eletricamente os circuitos e componentes entre si,
dispensando o uso dos fios utilizados nas
montagens "aranha" e nos Protoboards...
Atualmente, existem à venda no comércio 2
tipos de placas com diferentes materiais utilizados
em sua matéria prima, sendo:
- O Fenolite ( Placas de fenolite )
- A Lã de vidro com resinas especiais
( Placas de fibra )
A Placa de fenolite, se diferencia especialmente da Placa de
fibra pelo custo, sendo portanto de qualidade inferior, mas
ideal para as montagens básicas e de fácil manuseio, sendo
esta última característica, fato comprometedor na Placa de
fibra, pois possui excelente dureza no material, sendo
dificultoso seu corte e impossível a perfuração pelo
perfurador manual, somente perfurável com furadeira e
prendedores apropriados...

Mas não podemos com isso, desmerecer a Placa de fibra,


que é excelente em suas características mecânicas e
elétricas, principalmente quando se trata de montagens em
altas freqüências, onde a Placa de fenolite "perde feio" com
alcances de freqüências de até 110 Mhz máximos, quando
comparado as de Fibra, que ultrapassam 10 GHz ...
Fisicamente, podemos descrever as placas de
circuito impresso em geral, da seguinte maneira:
Um substrato isolante ( que é a base, na qual já
falamos ), sendo o fenolite ou a fibra, com
espessura de aproximadamente 1,6 mm; e uma
superfície laminada condutora ( de cobre ) muito
fina, aproximadamente de 0,05 mm, colada à base
isolante, por processos industriais...
Esta superfície laminada de cobre, pode vir colada em
uma única face da base, sendo então denominada
placa de face simples, ou em ambas as faces da placa
de circuito impresso, advindo daí as chamadas placas
de dupla face, no intuito de se ganhar mais espaço ou
permitir que trilhas adicionais possam estar
presentes, sem confusões de entrelaçamento de
ligações ou "jumpers". A interligação entre faces se
faz pelos furos, que neste caso são metalizados entre
si, quando se necessita por ventura desta
interligação...
Além da característica das faces nas placas de
circuito impresso, ainda existe outra, na qual elas
podem ser montadas, através de técnicas
especiais, em camadas, chamadas de "
Multilayers", interligadas uma as outras através
das conexões metalizadas entre furos. Tais placas
e técnicas não são aplicáveis ao nosso cursinho,
pois além de caríssimas, exigem equipamentos
adequados e sofisticados à construção destas
placas, tendo sua utilização na prática somente
em circuitos de grande complexidade, como
Placas-Mãe de computadores, por exemplo (
Motherboards )...
Um detalhe importante, que é ótimo deixar claro para o
principiante desde já, quando estiver desenhando seu
layout na própria placa, está no correto
dimensionamento das trilhas, em função da corrente
elétrica que por ela vai percorrer. Como sabemos que a
espessura da trilha é fixa ( 0,05mm ), quanto maior a
corrente, obviamente mais larga deve ser a trilha
desenhada na placa e vice-versa ... Entretanto, nem
todas as trilhas são percorridas por corrente de igual
intensidade, assim, em uma mesma placa, podemos
ter trilhas de larguras bem variadas, pois o parâmetro
de cada uma dependerá unicamente, como já
dissemos, de sua corrente percorrida!
I
L = ---------
0,2
Sendo: L = Largura da trilha, em milímetros
I = Corrente, em Ampéres
0,2 = Fator constante
Torna-se óbvio que nem sempre o "layoutista"
deva calcular a largura das trilhas em função de
sua corrente, pois sabendo-se, por exemplo, que
por todo o circuito, não fluirá mais do que 300
miliampéres (0,3A), basta então que tracemos
trilhas de 2mm por toda a placa de circuito
impresso, "padronizando" de maneira geral e sem
preocupações as trilhas...
Outro detalhe que merece atenção, ainda em
relação ao dimensionamento, está nas "ilhas" pela
qual futuramente será soldado os componentes
eletrônicos. Normalmente, elas podem seguir uma
padronização que ultrapasse, no mínimo, cerca de
1,5 milímetros o diâmetro do furo na placa,
respeitando e acompanhando também o limite de
corrente imposto pelo diâmetro da trilha!
Do circuito ao lay-out propriamente dito...

Vamos agora finalmente à construção do tão esperado Layout


de nosso circuito, para daí então podermos passar para a
fase final deste projeto, que é a confecção da placa com seus
componentes...
Antes de iniciar qualquer processo, torna-se necessário
que o "aluno" disponha de todos os componentes eletrônicos
e alguns materiais em mãos, para a confecção do Layout,
sendo:

- Uma folha de papel quadriculado


- Lápis e borracha
- Régua
- Todos os componentes eletrônicos do Pisca
Seguindo passo-a-passo os procedimentos
de confecção...

1- Coloque um a um os componentes
eletrônicos ( com exceção do interruptor e
suporte de pilhas ) dispostos de maneira
ordenada sobre o papel quadriculado (
que facilita o alinhamento ), procurando
obter a melhor distribuição e
compactação possível dos componentes
na folha:
Disponha um a um do melhor modo os componentes sobre a folha
2- Marque as posições dos componentes, respeitando
suas dimensões entre terminais, com pontos para
demarcação das ilhas:
3- Com todos os "pontos" marcados, inicie o
processo de traçagem entre ilhas correspondentes,
seguindo o circuito esquemático do Pisca-pisca:
Observe alguns fatos na disposição dos componentes no layout:
- No circuito, o componente real tem o mesmo número de terminais (
Pernas) que o representado pelo símbolo no diagrama do nosso circuito.

- A posição dos componentes no circuito em relação ao layout, nem


sempre se assemelha, podendo estarem bem distanciados um do outro.

- As uniões entre componentes; encontram-se através das trilhas em


pontos nem sempre eqüidistantes ( distâncias iguais ) cabendo ao
projetista, encontrar o melhor "caminho" para esta união, pelas trilhas,
respeitando os limites da placa.

- Dependendo do número de ligações necessárias num circuito, nem


sempre torna-se possível efetuar todas as conexões através das trilhas
do circuito impresso, porque, inevitavelmente ocorreriam cruzamentos
em algumas trilhas, o que não é permitido, pois ocasionaria curto-
circuito entre elas. Se isto ocorrer, existe um artifício chamado "Jumper"
( do inglês jump - saltar ), que nada mais é, do que a utilização de um
pedaço de fio, para se fazer a ligação destes pontos críticos um ao outro,
por sobre a placa, como se fosse mais um componente.
- Atenção especial deve ser tomada quando o componente possui
polaridade e mais que três terminais: Como o componente real estará
sobre a face não cobreada da placa, seus terminais estarão dispostos
invertidos no lado cobreado, onde será efetuada a futura soldagem. O
exemplo mais prático disto está no circuito integrado Cmos 4093, que
possui correta disposição dos pinos contados através do pino número
1. Assim, quando for demarcar o C.I., observe atentamente que a
posição deste pino ( 1 ) deve ser registrada no layout com o C.I. virado
de cabeça para baixo!

- Uma vez bem dispostos os componentes sobre a folha


quadriculada, e obedecendo as regras impostas acima, resta-nos
somente interligar os "pontos" dos terminais entre si com o lápis,
procurando caminhos práticos e fáceis para interligação entre os pontos
denominados "ilhas" sendo as"pistas" de interligação chamadas
"trilhas"... Observe que não existe norma ou estilo para o desenho na
placa das trilhas ou ilhas. O importante é o "aluno" ser prático;
procurando o menor trajeto para as trilhas de maneira que também não
fique "feio" para as nossas vistas o layout. Com o tempo e a prática,
você verá que, a cada layout novo que fizer, melhor será seu aspecto no
quesito elegância e profissionalismo.