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VIDA PESSOAL:Simone tiveram enorme influência tanto pelas ideias radicalmente inovadoras que

apresentaram, quanto pelo fato de que viveram feministamente. Simone, em particular, publicou
muitas reflexões sobre sua vida, suas escolhas profissionais e suas relações pessoais. Nos múltiplos
relatos e análises que publicou sobre sua experiência, tanto na forma de memórias como de romances
autobiográficos, esmiuçou em profundidade tanto os prazeres como a complexidade dos desafios
inevitáveis quando alguém decide lançar-se na aventura da invenção de si mesma. Companheira de
Sartre, pode-se dizer que Simone inicialmente viveu um pouco à sua sombra, porque o mundo
intelectual francês reconhecia mais facilmente o brilho de uma inteligência num corpo masculino.
Gradativamente alcançou o reconhecimento de seus próprios méritos, e hoje há quem considere que
seu legado tenha sido maior que o dele. Beauvoir provocou e engajou o público em debates éticos e
políticos que investigaram assuntos tipicamente considerados fora do domínio do político. Por exemplo,
ela investigou os motivos múltiplos (muitos pessoais) para as ações dos colaboradores; ela trouxe o
estupro cometido por soldados franceses contra o militante argelino, Djamila Boupacha, à luz do público
francês em 1960; e ela argumentou que o crime de Robert Brasillach (um jornalista identificado nazista
executado por traição em 1945) foi uma violação contra vítimas judias corporais específicas, em vez de
um crime contra o estado francês. 5  Na verdade, ela nãohesite muito antes de escrever um livro sobre a
mulher: de sua autobiografia fica claro que ela começou a trabalhar na pesquisa de mitos da
feminilidade ao descobrir que para escrever sobre si mesma, ela precisaria explorar a questão de como
ser mulher a afetava mais geralmente (1968: 103). Quer ela ache o assunto irritante ou não, ela dedicou
vários anos de sua vida a ele, e o que ela tem a dizer é realmente novo. mais escritoras interessadas em
compreender sua própria existência como um caminho de construção de uma identidade plural,
profundamente comprometida e engajada com as lutas sociais e políticas de sua época, especialmente
com a luta feminista. Seu trabalho apresentou uma mulher que ousou desafiar os limites sociais
prescritos, muito antes do movimento das mulheres se unir na década de 1970. Como ela lembra em
sua autobiográfica Force of Circumstance : “Querendo falar sobre mim mesma, percebi que, para isso,
deveria primeiro descrever a condição da mulher em geral”. (1968: 195)

NÃO SE NASCE MULHER, TORNA-SE MULHER: Se a mensagem central era a de que “não se nasce
mulher, torna-se mulher”, fizeram escolhas pessoais que demonstravam a possibilidade de modos de
vida que escapavam aos padrões tradicionais.. 
desde o início rompeu com os padrões tradicionais, afirmando com seus atos e suas escolhas pessoais e
profissionais, o direito inalienável de toda mulher de controlar sua própria vida. E o fez de uma forma
plenamente consciente. Era o início de sua pensata sobre o aprisionamento que costumes como o
casamento e a responsabilidade pelo lar causam às mulheres. Ela dizia que “não se nasce homem, torna-
se homem”, no sentido de que o aprendizado do machismo e da misoginia eram transmitidos
socialmente. Simone esperava que o ambiente cultural mudasse e dizia que os homens eram violentos
pois isso estava enraizado em sociedades sexistas e que toleravam a discriminação.

SOBRE O SEGUNDO SEXO:. Kirkpatrick narra também como a educação religiosa que Beauvoir recebeu
quando criança a ensinou que meninos e meninas são iguais aos olhos de Deus, uma faísca para depois
considerar-se uma “alma” em nada inferior ao sexo masculino.
Estudiosas como Nogueira (2001) e Louro (1997) evidenciam que Beauvoir foi uma das pioneiras do
movimento feminista. Bonnici (2007) complementa que o movimento feminista teve sua primeira onda
no século XIX, Simone de Beauvoir, filósofa francesa, feminista e existencialista, deixou sua grande
contribuição em 1949, sendo uma das maiores representantes desse movimento, considerada uma
figura de transgressão social. Recentemente apresentado no The Times "Os Vinte Livros Acadêmicos que
Mudaram o Mundo", O Segundo Sexo  é um exemplo da obra literária de singularidade imperecível de
Simone de Beauvoir.   Alice Schwarzer, uma feminista contemporânea proeminente, conduziu uma
entrevista íntima com de Beauvoir e descreveu O segundo sexo  como "a bíblia do feminismo ... e a
fonte mais vibrante de inspiração para o movimento feminista".Juntos formam uma das obras mais
importantes para o feminismo, que irá influenciar a crítica do movimento ao papel da mulher nas
sociedades ocidentais. Este estudo também traz indicações de quais caminhos de aprendizados são
traçados pelas mulheres na construção de um conceito mulher

CONCLUSAO: a curiosidade que temos sobre a vida das pessoas que admiramos certamente contribuiu
para tirar o feminismo do planeta das utopias e trazê-lo para o terreno das ideias que apontam que um
outro mundo é possível, e demonstram esta possibilidade com a narração de uma vida dedicada à sua
aplicação na pratica cotidiana

CRITICA: Uma mulher amada e odiada, idolatrada e criticada, mesmo entre as feministas, é o que o
nome de Simone de Beauvoir desperta, mesmo após 34 anos de sua morte. . Simone de Beauvoir era
uma mulher singular e no século XX foi vista como uma ameaça, por fazer parte de uma revolução
feminista, a qual as mulheres pudessem ter voz na sociedade e na história.

ABORTO: Simone teve papel importante na legalização do aborto na França em 1974, quando a ministra
da Saúde, Simone Veil, mudou a legislação, o que facilitaria o acesso à contracepção e tornava o aborto
legal, por meio da Lei Veil (que levaria seu nome). Beauvoir também criou a Liga dos Direitos das
Mulheres, que tinha como objetivo criar uma legislação antissexista e foi por sua causa que a palavra
sexismo passou a figurar no dicionário francês. E defendeu fortemente o divórcio, objetando que ele
não poderia ser uma panaceia, mas que poderia libertar muitas mulheres para descobrirem suas
próprias possibilidades. Em 1980, surgiu na França o primeiro ministério das mulheres. Beauvoir
manteve-se próxima à primeira ministra da mulher, Yvette Roudy.

A MULHER COMO UM SEGUNDO SEXO: Simone de Beauvoir recusa assumir um papel “naturalmente
predestinado” e de subalternidade da mulher, veiculado por uma sociedade patriarcal e de dominação
masculina, na qual a mulher é vista como um segundo sexo. 
Ainda assim, pensando politicamente com Beauvoir, veremos que O segundo sexo oferece uma teoria
sofisticada e convincente de liberdade situada desafiando várias suposições prevalentes no cânone
mainstream. Seu trabalho sobre liberdade situada e os significados políticos da corporificação nos levam
a entender como a liberdade é sempre situada pelo contexto e pela realidade das identidades sociais.
Esse processo de transformar a mulher em corpo e o homem em mente é documentado por Beauvoir
no primeiro volume de O segundo sexo. Duas das práticas de escrita típicas de Beauvoir, ambos um
desafio à teoria política dominante, emergem nessas linhas de abertura.

A MULHER COMO O OUTRO: O título do livro remete à definição que Beauvoir aplica às mulheres dada
pelos homens como Outro, por serem relegadas ao status de uma casta diferente, sendo consideradas
como o segundo sexo. Kirkpatrick escreve: “Ao dizer que a mulher é o que o homem não é, Beauvoir se
inspirou nas ideias de Hegel sobre o ‘Outro’. Como os seres humanos têm uma tendência
profundamente arraigada a se opor ao que é o Outro para eles, os homens se colocam como ‘sujeitos’
livres e definem as mulheres por contraste – como objetos.”