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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

PROF. FERNANDO HENRIQUE

B(0,b)
M(x,y)
a a
b
A’(-a,0) A(a,0)
c
F’(-c,0) F(c,0) x

y
B’(0,-b)

2010

Direitos Autorais Reservados


É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila sem autorização do autor
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Ao Aluno,

Caro aluno. Esta apostila foi elaborada com o propósito de otimizar e facilitar o
acompanhamento da primeira parte do programa da disciplina Geometria
Analítica ministrada nos cursos de engenharia da FEA-FUMEC. Por se tratar de
um assunto extenso e complexo, foram aqui omitidas algumas formalidades
matemáticas com o intuito de tornar o texto mais amigável possível, sem perder a
lógica e o rigor necessários. Contudo é desejável que você tenha acesso a outras
bibliografias relacionadas ao assunto, algumas das quais serão indicadas em sala
de aula. Espero que este texto o ajude no entendimento e assimilação desta
fantástica ferramenta matemática que é a Geometria Analítica.

“Um conhecimento básico em matemática e boa vontade são pré-requisitos para


o estudo desta disciplina.”

Bons estudos.

Belo Horizonte, julho de 2009.

2
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Introdução O que é Geometria Analítica....................................................................... 4


Capítulo 1 Espaços dimensionais; Sistemas de referência; Sistema de
coordenadas retangulares.......................................................................... 4
1.1 Espaços dimensionais................................................................................... 4
1.2 Sistemas de referência para R²..................................................................... 5
1.3 O sistema de coordenadas retangulares....................................................... 6
Capítulo 2 Distância entre dois pontos; Coordenadas do ponto médio................... 8
2.1 Distância entre dois pontos............................................................................ 8
2.2 Coordenadas do ponto médio........................................................................ 10
2.3 Exercícios propostos...................................................................................... 13
Capítulo 3 Retas em R²; Coeficiente angular; Equações da reta; Interseção de
retas; Paralelismo; Perpendicularismo; Ângulo entre duas retas;
Distância entre ponto e reta........................................................................ 15
3.1 Retas em R²................................................................................................... 15
3.2 Coeficiente angular........................................................................................ 15
3.2.1 Coeficiente angular através de dois pontos................................................... 18
3.3 Equações da reta........................................................................................... 21
3.3.1 Equação da reta em função de dois pontos.................................................. 21
3.3.2 Equação da reta em função do coeficiente angular....................................... 22
3.3.3 Equação reduzida.......................................................................................... 23
3.3.4 Equação segmentária.................................................................................... 23
3.3.5 Equação geral................................................................................................ 24
3.4 Interseção de retas......................................................................................... 26
3.5 Paralelismo..................................................................................................... 27
3.6 Perpendicularismo.......................................................................................... 27
3.7 Ângulo entre duas retas................................................................................. 29
3.8 Distância entre ponto e reta........................................................................... 30
3.9 Exercícios propostos...................................................................................... 32
Capítulo 4 Circunferência.............................................................................................. 35
4.1 Definição........................................................................................................ 35
4.2 Equação da circunferência............................................................................ 36
4.3 Equação geral da circunferência................................................................... 37
4.4 Identificando o centro e o raio na equação geral da circunferência............... 38
4.5 Exercícios propostos...................................................................................... 40
Capítulo 5 As Seções Cônicas...................................................................................... 42
5.1 Elipse.............................................................................................................. 43
5.1.1 Elementos da elipse....................................................................................... 43
5.1.2 Equação reduzida da elipse........................................................................... 45
5.1.3 Equações reduzidas genéricas da elipse....................................................... 46
5.1.4 Excentricidade................................................................................................ 48
5.1.5 Exercícios propostos...................................................................................... 50
5.2 Hipérbole........................................................................................................ 52
5.2.1 Elementos da hipérbole.................................................................................. 53
5.2.2 Equações reduzidas genéricas da hipérbole................................................. 54
5.2.3 Excentricidade................................................................................................ 56
5.2.4 Exercícios propostos...................................................................................... 59
5.3 Parábola......................................................................................................... 61
5.3.1 Elementos da parábola.................................................................................. 62
5.3.2 Equações reduzidas genéricas da parábola.................................................. 63
5.3.3 Exercícios propostos...................................................................................... 66
Capítulo 6 Translação de eixos coordenados............................................................. 68
6.1 Objetivo.......................................................................................................... 68
6.2 Relação entre os sistemas XoY e X’o’Y’........................................................ 71
6.3 Exercícios propostos...................................................................................... 74
Capítulo 7 Noções do sistema de coordenadas polares............................................ 76
7.1 Introdução...................................................................................................... 76
7.2 Elementos...................................................................................................... 77
7.3 Relação entre os sistemas cartesiano e polar............................................... 78
Apêndice I Álgebra.......................................................................................................... 81
Apêndice II Fórmulas Trigonométricas.......................................................................... 82
Apêndice III Geometria...................................................................................................... 83
Apêndice IV Seções Cônicas............................................................................................ 85
Descartes ........................................................................................................................ 88
Bibliografia ........................................................................................................................ 89

3
Introdução
O que é Geometria Analítica?

O estudo da geometria é um assunto que fascina os matemáticos desde a


antiguidade. É provável que a própria matemática tenha surgido impulsionada
pela necessidade do entendimento de problemas cotidianos, de povos antigos,
relacionados à geometria. Existem vários ramos de estudo da geometria como a
geometria projetiva, geometria descritiva e geometria analítica. A Geometria
Analítica é considerada por muitos autores como sendo um método de estudo de
geometria.
A Álgebra é a ferramenta utilizada no estudo de geometria através da Geometria
Analítica. Na essência, a Geometria Analítica consiste na transformação de
problemas geométricos em problemas algébricos correspondentes.
Para a Geometria Analítica um ponto é uma combinação de números reais e uma
curva é uma equação.

Capítulo 1
Espaços Dimensionais; Sistemas de Referência; Sistema de Coordenadas
Retangulares.

1.1 Espaços Dimensionais.

Quando iniciamos um estudo em Geometria Analítica precisamos definir em qual


espaço dimensional estão baseadas nossas informações para a correta
interpretação e solução dos problemas. Podemos trabalhar em R, R 2 , R 3 e R n
O sistema dimensional R é composto pela reta real (uma dimensão). Uma reta
onde representamos infinitos pontos que são associados aos números reais, de
modo que cada ponto corresponde a apenas um número real.

2
− 3 3 π
-3 -2 -1 0 1 2 3
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

O Sistema dimensional R 2 é o plano, (duas dimensões) onde os pontos são


representados por um par de números reais e as equações das curvas têm duas
variáveis.
Já R 3 , é o que chamamos de espaço, (três dimensões) onde os pontos são
definidos por um terno de números reais e as equações das curvas têm três
variáveis.
Podemos trabalhar, teoricamente, em uma dimensão qualquer, R n , mas neste
texto nos concentraremos principalmente em R 2 .

1.2 Sistemas de Referência para R 2 .

Para utilizar o fantástico poder da geometria analítica no estudo de questões


geométricas, precisamos, antes de mais nada, saber localizar com precisão, os
pontos em um plano.
Podemos definir precisamente a posição de um ponto num plano por meio de um
par de números reais (coordenadas do ponto). Para isso precisamos de um
sistema de referência. Um sistema de referência é composto de um referencial e
de uma regra que define como os pontos serão localizados em relação a este
referencial.

Existem vários sistemas de referência que são regularmente utilizados na


Geometria Analítica. Como exemplo, podemos citar o sistema de coordenadas
retangulares (chamado também de Plano Cartesiano) e o sistema de
coordenadas polares.
Estes sistemas são os mais usados, mas existem outros. Na verdade, podemos
criar sistemas de referência de acordo com nossa necessidade, bastando para
isso, definir um referencial e uma regra para a localização dos pontos no plano.

Podemos estudar as curvas planas por meio de equações descritas em relação a


um sistema de referência. Uma curva plana é um conjunto de pontos que
obedecem a uma determinada regra e sua equação é uma expressão matemática
que define tal regra. Por exemplo, para que um conjunto de pontos seja

5
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

considerado uma reta, eles precisam estar alinhados e obedecer a uma regra do
tipo ax + by + c = 0 que é uma equação em relação ao sistema de coordenadas
retangulares. Cada curva tem uma equação bem definida em relação a um
sistema de referência. Ao mudarmos o sistema de referência mudamos também a
equação da curva. Às vezes uma curva possui uma equação mais simples, ou
mais apropriada, em relação a um determinado sistema de referência. Por isso
existem vários, e são utilizados de maneira conveniente.

1.3 O Sistema de Coordenadas Retangulares.

O sistema de coordenadas retangulares tem como referencial um par de retas,


chamados de eixos coordenados, infinitos e perpendiculares entre si.
Para cada eixo é definida uma escala (normalmente a mesma para os dois) cuja
origem é a interseção.
Os números reais são representados nestes eixos, sendo que a distância entre
dois números inteiros, é uma unidade da escala definida. O número zero está na
interseção dos eixos e é chamado de origem do sistema.
O eixo horizontal é o eixo das abscissas que são representadas pela letra x. O
eixo vertical é o eixo das ordenadas, representadas pela letra y.

2
1

-3 -2 -1 0 1 2 3 x
-1

-2

-3
Figura 1.1

A figura 1.1 mostra o sistema de coordenadas retangulares como um sistema de


referência de um plano. Com isso, qualquer ponto pertencente ao plano pode ser

6
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

perfeitamente localizado. Esta localização será feita medindo-se a distância


orientada (considerando o sinal negativo) de um ponto aos eixos coordenados. A
distância do ponto ao eixo y será sua abscissa e a distância do ponto ao eixo x
será sua ordenada. Isto irá conferir ao ponto um par ordenado de números reais
do tipo P ( x, y ) .
Esta é a regra para a localização de pontos em um plano em relação ao sistema
de coordenadas retangulares. É importante observar que, a distância do ponto em
relação a um eixo coordenado é o valor absoluto de uma de suas coordenadas,
ou seja, se o ponto estiver localizado à esquerda do eixo y, sua abscissa terá
sinal negativo, bem como sua ordenada terá sinal negativo se ele estiver
localizado abaixo do eixo x. Cada ponto do plano será então identificado por um,
e apenas um, par ordenado de números reais e, cada par ordenado de números
reais representará apenas um ponto do plano. É o que chamamos de
característica biunívoca do sistema de coordenadas retangulares.

Em homenagem a René Descartes (1596 – 1650), cujo nome em Latim era


Renatus Cartesius, filósofo e matemático francês, considerado o pai da Geometria
Analítica (vide texto página 85), o sistema de coordenadas retangulares
desenvolvido por ele, é também denominado de Sistema Cartesiano ou Plano
Cartesiano. Assim o chamaremos daqui em diante.
y

B (−1,2)
2

1 A( 2,1)

-3 -2 -1 0 1 2 3 x
-1

-2
C ( −2, − 2)
-3
D(2,−3)
Figura 1.2

A figura 1.2 acima mostra, representados no Sistema Cartesiano, os pontos


A(2,1); B (−1,2); C (−2,−2) e D (2,−3).

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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Capítulo 2
Distância entre dois pontos; Coordenadas do ponto médio.

2.1 Distância Entre Dois Pontos.

Como foi dito anteriormente, a Geometria Analítica utiliza a álgebra como


ferramenta. Então, se quisermos saber qual é a menor distância entre dois pontos
do plano teremos que calcular, e não medir com uma régua. Vamos para tanto,
desenvolver uma técnica, ou fórmula, para calcular a distância entre dois pontos
quaisquer de um plano. Devemos utilizar, contudo, pontos de coordenadas
genéricas, ou seja, pontos que estarão representando qualquer um dos infinitos
pontos de um plano. Com isso a técnica, ou fórmula, desenvolvida para calcular a
distância entre estes pontos genéricos, servirá para calcular a distância entre dois
pontos específicos quaisquer do plano.

Obviamente precisaremos também do nosso já conhecido Plano Cartesiano, pois


já sabemos que, sem um sistema de referência não é possível localizar pontos
num plano por meio de coordenadas e, muito menos, calcular distâncias.

Q " (y 2 ) Q (x 2 , y 2 )
“A menor distância entre dois
pontos é o comprimento do
segmento de reta que os une”

R( x 2 , y1 )
P " ( y1 )
P( x1 , y1 ) r

0 P ' ( x1 ) Q' ( x 2 ) x

Figura 2.1

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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

A figura 2.1 mostra dois pontos de coordenadas genéricas P( x1 , y1 ) e Q( x2 , y2 )


representados em algum lugar do Plano Cartesiano. Nosso objetivo é definir uma
fórmula para calcular a distância entre estes dois pontos. Faremos isso passo a
passo.

• As projeções dos pontos P e Q nos eixos coordenados nos dão os pontos


P’ e Q’ no eixo x, e P’’ e Q’’ no eixo y;
• Pelo ponto P passa uma reta paralela ao eixo x, onde marcamos o ponto
R;
• O triângulo PQR é retângulo;

Então, baseado no teorema de Pitágoras, temos:

(dPQ) 2 = (dPR) 2 + (dRQ) 2 mas,


dPR = dP' Q' = ( x 2 − x1 )
dRQ = dP' ' Q' ' = ( y 2 − y1 )
então,
(dPQ) 2 = ( x 2 − x1 ) 2 + ( y 2 − y1 ) 2

d = ( x 2 − x1 ) 2 + ( y 2 − y1 ) 2 Distância entre dois pontos

Como P e Q são pontos genéricos, podemos utilizar a fórmula acima para calcular
a distância entre dois pontos quaisquer do plano, por isso substituímos
dPQ por d .

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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Exercício resolvido:

Prove que o triângulo ABC é isósceles.

A (-7,2)
d AB = (3 + 7) 2 + (−4 − 2) 2 = 100 + 36 = 136
d AC = (1 + 7) 2 + (4 − 2) 2 = 64 + 4 = 68
d BC = (1 − 3) 2 + (4 + 4) 2 = 4 + 64 = 68

B (3,-4) C (1,4)

R: Como dAC = dBC podemos concluir que o triângulo é isósceles.

2.2 Coordenadas do Ponto Médio.

Um segmento de reta é definido por dois pontos, que são suas extremidades.
O Ponto Médio de um segmento de reta qualquer, é o ponto que o divide em
duas partes congruentes (de mesma medida).
Podemos determinar as coordenadas de tal ponto. Vamos então deduzir uma
fórmula para este fim, utilizando para isso pontos genéricos representados no
Plano Cartesiano. Veja a figura 2.2.

Q ( x2 , y 2 )
Q ' ' ( y2 )

β s
M "( y)
M ( x ; y) S ( x2 , y )

P' ' ( y1 ) α r
P( x1 , y1 ) R( x ; y1 )

x
P' ( x1 ) M ' ( x) Q' ( x2 )

Figura 2.2

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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

• O ponto M ( x, y ) é o ponto médio do segmento definido pelos pontos


P( x1 , y1 ) e Q( x2 , y2 ) ;
• As projeções dos pontos P, M e Q nos eixos coordenados nos dão os
pontos P’, M’ e Q’ no eixo x, e P’’, M’’ e Q’’ no eixo y;
• Pelo ponto P, traçamos uma reta r, paralela ao eixo x, e obtemos o ponto
R( x, y1 ) ;
• Pelo ponto M, traçamos uma reta s, também paralela ao eixo x, e obtemos
o ponto S ( x2 , y ) ;
• Podemos identificar então, dois triângulos retângulos PRM e MSQ, que são
congruentes, pois:

α ≅ β (correspondentes)

∆ P R M ≅ ∆ M SQ  PM ≅ MQ ( M é ponto médio)
 ˆ
R ≅ Sˆ (retos )

• Sendo congruentes os triângulos, podemos concluir que seus respectivos


catetos PR e MS têm a mesma medida;
• O cateto PR, tem a mesma medida do segmento P’M’ que por sua vez
mede ( x − x1 ). O cateto MS, tem a mesma medida do segmento M’Q’ que
por sua vez mede ( x2 − x) , então:

x − x1 = x2 − x
x + x = x1 + x2
2 x = x1 + x2

x1 + x2 y1 + y2
x= analogamente: y=
2 2

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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Concluindo:

A abscissa do ponto médio de um segmento de reta será a metade da soma das


abscissas das extremidades do segmento, e, a ordenada do ponto médio será a
metade da soma das ordenadas das extremidades.

 x + x y + y2 
M 1 2 , 1 
 2 2  Ponto médio

Exercícios resolvidos:

1) A mediana de um triângulo é um segmento de reta que une um vértice ao ponto médio do lado
oposto. Ache o comprimento das medianas do triângulo cujos vértices são: A(2,3) ; B(3,-3) e
C(-1,-1)
A (2, 3)

AA’, BB’ e CC’ são as medianas do ∆ ABC.


5  1 
C ' , 0  B '  ,1
2  2 

B (3, -3) C (-1, -1)


A' (1,−2)

Cálculo do comprimento das medianas


Cálculo dos pontos A’, B’, C’

3 −1 
xA ` = =1 
2 
 A` (1, − 2) mAA ` = (1 − 2) 2 + (−2 − 3) 2 = 1 + 25 = 26
− 3 −1
yA ` = = − 2
2 
2 2
` 1  2  −5 2
2 −1 1  mBB =  − 3  + (1 + 3) =   +4
xB ` = =  2   2 
2 2
 1  25 89 1
3 −1  B `  ,1 = + 16 = = 89
yB ` = =1 2 
2  4 4 2

2 2
2 + 3 5 ` 5  2  7
 + 1 + (0 + 1) =   + 1
`
xC = =  mCC =
2 2 2   2
 5 
3−3
`
yC = = 0 C '  ,0  49 53 1
2  2  = +1 = = 53
4 4 2

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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

2) Determinar B, sabendo que M(7,-3) é o ponto médio de AB, dado A(1,2).

M (7,-3)

A (1, 2) B (x, y)

x +1 y+2
7= −3 =
2 2

x + 1 = 14 y + 2 = −6
x = 13 y = −8

B (13, − 8)

2.3 Exercícios propostos:

1) Calcular a distância entre os pontos A(a − 3, b + 4) e B(a + 1, b + 1) .


2) Se M(4,2), N(2,8) e P(-2,6) são os pontos médios dos lados AB, BC e CA
respectivamente de um triângulo ABC, determinar A, B e C.
−−
3) Determinar os pontos que dividem o segmento AB em quatro partes
congruentes, sendo dados: A(-3,11) e B(5,-21).
−−
4) Num triângulo ABC são dados: A(2,0) e M(-1,4) ponto médio de AB . obter o
vértice C do triângulo, sabendo que os lados AC e BC medem 10 e 10 2
respectivamente.
5) Ache as abscissas dos pontos tendo ordenada 4 e que estão a uma distância
de 117 do ponto P(5,-2).
6) Prove que o quadrilátero com vértices consecutivos em (1,2), (5,-1), (11,7) e
(7,10) é um retângulo.
7) Prove que os pontos (2,4), (1,-4) e (5,-2) são vértices de um triângulo
retângulo e ache sua área.
8) Prove que os pontos (1,-1), (3,2), (7,8) são colineares, usando a fórmula da
distância entre dois pontos.
9) Os vértices opostos de um quadrado estão em (3,-4) e (9,-4). Ache os outros
dois vértices.

13
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

10) Um triângulo ABC é retângulo em A, que pertence ao eixo das ordenadas.


Tendo os pontos B(2,3) e C(-4,1) determinar A.
11) Dados A(-3,1) e B(3,5) obter o ponto em que a reta AB corta a bissetriz dos
quadrantes ímpares.
12) Dados A(5,7) e B(-6,5) obter o ponto em que a reta AB corta a bissetriz dos
quadrantes pares.

Respostas:

1) 5

2) A(0,0), B(8,4) e C(-4,12)

3) (-1,3), (1,-5) e (3,-13)

4) C1(-6,-6) e C2(10,6)

5) x = −4 ou x = 14

9) (6,-7) e (6,-1)

10) A1(0,-1) e A2(0,5)

11) (9,9)

 67 67 
12)  − , 
 13 13 

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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Capítulo 3
Retas em R²; Coeficiente angular; Equações da reta; Interseção de retas;
Paralelismo; Perpendicularismo; Ângulo entre duas retas; Distância entre
ponto e reta.

3.1 Retas em R².

Começaremos agora o estudo das equações de algumas curvas planas. Neste


capítulo vamos discutir as particularidades e estudar a equação de uma curva
simples, porém de extrema importância. A reta. Sim, a reta também é chamada
de curva, numa generalização deste termo. Uma curva plana é formada por um
conjunto de pontos num plano que obedecem a uma determinada regra, que é
sua equação. A reta, como sugere o próprio nome, é um conjunto de pontos
alinhados.

Para que tenhamos uma reta bem definida num plano, basta conhecer dois de
seus infinitos pontos, ou seja, conhecendo apenas dois pontos de uma reta
podemos determinar sua equação.

Mas também podemos determinar a equação de uma reta conhecendo um de


seus pontos e seu coeficiente angular.

Então, o que é o coeficiente angular de uma reta?

3.2 Coeficiente Angular.

r
Q

∆y “O coeficiente angular também é


P α chamado de inclinação ou
∆x declividade”
α
x

Figura 3.1

15
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Imagine uma partícula se movendo do ponto P ao ponto Q ao longo da reta r. Ao


fazer este movimento a partícula se deslocou horizontalmente ∆x e verticalmente
∆y . O coeficiente angular da reta r, denotado pela letra m, por definição é a razão
entre o deslocamento vertical e o deslocamento horizontal.

var iação vertical ∆y


m= =
var iação horizontal ∆x

Observando a figura 3.1 podemos identificar um triângulo retângulo cuja


hipotenusa é o segmento PQ e os catetos são ∆y e ∆x . O ângulo α é o ângulo
entre a reta e o sentido positivo do eixo x, que é correspondente ao ângulo
agudo adjacente ao cateto ∆x do triângulo retângulo.

∆y
A tangente do ângulo α é calculada por: tgα = .
∆x

Então o coeficiente angular de uma reta pode ser calculado através da expressão:

“ O coeficiente angular de uma reta


é a tangente do ângulo entre a reta
m = tgα e o sentido positivo do eixo x.”

Através do coeficiente angular de uma reta podemos saber se ela é crescente,


decrescente, constante ou vertical.

Ora, se retas são crescentes, o ângulo entre elas e o sentido positivo do eixo x
π
pode variar no intervalo 0 < α < . Os ângulos neste intervalo possuem
2
tangentes positivas e consequentemente as retas terão coeficientes angulares
positivos (m > 0) . Lembre-se: m = tgα .

16
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

π
Se retas são decrescentes, o ângulo α estará no intervalo < α < π . Os
2
ângulos neste intervalo possuem tangentes negativas, logo, essas retas terão
coeficientes angulares negativos (m < 0) .

As retas constantes são aquelas paralelas ao eixo x, cujo ângulo α é igual a


zero. Estas retas têm coeficiente angular igual a zero (m = 0) , pois tg 0 = 0 .

π
As retas verticais, por sua vez, são perpendiculares ao eixo x. Então α = .
2
π
Essas retas não possuem coeficiente angular, pois não existe tg .
2

y y

m>0 r
m<0

α
α
x x
s

y y
u

m=0 m não é definido


t

π
α=
α =0 2
x x

Figura 3.2

A figura 3.2 mostra um exemplo de cada tipo de reta, em relação à inclinação.

17
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

3.2.1 Coeficiente Angular através de dois pontos.

Podemos também, determinar o coeficiente angular de uma reta, através das


coordenadas de dois pontos pertencentes à reta.

Observe a figura 3.3 onde estão representados, uma reta e dois de seus pontos
com coordenadas genéricas.

r
B ' ' ( y2 )
B( x2 , y2 )

A' ' ( y1 ) s
A( x1 , y1 ) R

α
A' ( x1 ) B' ( x2 ) x

Figura 3.3

• As projeções dos pontos A e B nos eixos coordenados nos dão os


pontos A’ e B’ no eixo x, e A’’ e B’’ no eixo y;
• Pelo ponto A, traçamos uma reta s, paralela ao eixo x, e obtemos o
ponto R;
• O triângulo ARB é retângulo, então:

RB y2 − y1
tgα = ou tgα =
AR x2 − x1

18
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Portanto, o coeficiente angular de uma reta pode ser calculado usando a


fórmula:

y2 − y1
m=
x2 − x1

Exercício resolvido:

1) Determinar o coeficiente angular das retas e esboçar os gráficos:

A1 (2;1) A2 (0; 0) A3 (1; − 1)


r1 r2 r3
B1 (5; 3) B2 (2; 2) B3 (−2; 2)

A4 (−3; 4) A5 (2; − 3)
r4 r5
B4 (2;4 ) B5 (2; 4)

y
r1 )
y2 − y1
m=
x2 − x1
B1
3 −1 2
m= =
5−2 3 A1
2
m=
3 α
x

r2 ) B2
y2 − y1
m=
x2 − x1
2−0 A2 α
m= =1
2−0

19
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

y
r3 )
y2 − y1
m= B3
x2 − x1
2 +1 3 α
m= = = −1
− 2 −1 − 3 x
A3

r4 ) y
y2 − y1
m=
x2 − x1
4−4 A4 B4
m= =0
2+3

m = 0 , para todas as
retas paralelas ao eixo x. x
Retas constantes.

r5 )
B5
y − y1
m= 2
x2 − x1
4+3 7
m= = ∃/
0 0 x

m , não é definido para todas A5


as retas perpendiculares ao
eixo x. Retas verticais.

Obs: Logicamente o coeficiente angular de uma reta pode ser obtido tomando-
se quaisquer pares de pontos pertencentes à mesma.

20
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

3.3 Equações da Reta.

Como vimos uma reta fica bem determinada num plano, se conhecemos dois de
seus pontos ou se conhecemos um de seus pontos e seu coeficiente angular. A
partir desses elementos podemos definir uma equação matemática, ou seja, uma
regra que nos fornece ou representa todo o infinito conjunto de pontos que
pertencem a uma reta. Para isso precisamos, como já sabemos, de um sistema
de referência que irá nos possibilitar identificar os pontos por meio de
coordenadas. Se utilizarmos o plano cartesiano, teremos para as retas, equações
do 1º grau com duas variáveis.

3.3.1 Equação da reta em função de dois pontos.

y
r

M ( x, y )

B( x2 , y2 )

A( x1 , y1 )
x

Figura 3.4

Os pontos A e B são pontos conhecidos da reta e estão representados no plano


cartesiano, com coordenadas genéricas, pois a equação obtida servirá como um
modelo para se obter a equação de uma reta específica qualquer. O ponto M é
um ponto qualquer da reta, ou um ponto genérico, e suas coordenadas serão as
variáveis da equação.

21
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Podemos calcular o coeficiente angular da reta acima utilizando ou os pontos A e


M ou os pontos A e B. Então:

mAM = mAB

y − y1 y − y1
= 2
x − x1 x2 − x1

y2 − y1
y − y1 = ( x − x1 )
x2 − x1

A equação de qualquer reta no plano, pode ser obtida


substituindo as coordenadas de dois de seus pontos na
fórmula, ou modelo, acima.

3.3.2 Equação da reta em função do coeficiente angular.

Uma simples alteração na fórmula nos possibilita determinar facilmente a equação


de uma reta no plano quando conhecemos apenas um de seus pontos e seu
coeficiente angular.

temos :
y 2 − y1
y − y1 = ( x − x1 )
x 2 − x1

mas :
y 2 − y1
=m
x 2 − x1

então :
y − y1 = m( x − x1 )

22
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

3.3.3 Equação Reduzida.

É interessante trabalhar com a equação reduzida de uma reta, pois deste modo
podemos visualizar facilmente seu coeficiente angular e seu coeficiente linear
(intercepto do eixo y). A equação reduzida tem um formato característico como
veremos a seguir:
y

temos :
y − y1 = m( x − x1 )
B (0, b)

x
Se o ponto conhecido for B(0, b), então:

y − b = m ( x − 0) Figura 3.5

y = mx + b

Coeficiente linear (onde corta o eixo-y)


Coeficiente
angular

3.3.4 Equação Segmentária.

A equação de uma reta na forma segmentária é muito interessante, pois temos a


informação imediata dos interceptos da reta nos eixos coordenados.

B (0,b)

A (a,0)
x

Figura 3.6

23
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Substituindo os pontos A e B na fórmula da equação da reta, temos:

y2 − y1
y − y1 = ( x − x1 )
x2 − x1
b−0
y−0= ( x − a)
0−a
b
y=− ( x − a)
a
b
y=− x+b
a
b
y + x = b → dividindo tudo por b
a
y bx b
+ =
b ab b
y x x y
+ =1 ⇒ + =1 a e b≠ 0
b a a b

a é o intercepto eixo-x
onde b é o intercepto eixo-y

3.3.5 Equação Geral.

É a equação da reta na forma:

ax + by + c = 0

onde a e b não são nulos simultaneamente.

24
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Para relembrar:

Seja y = mx + b

m > 0 ⇒ reta crescente


m < 0 ⇒ reta decrescente
m = 0 ⇒ reta cons tan te
m∃ ⇒ reta vertical

Exercício resolvido:

1) Ache a equação da reta que passa pelos pontos A(8,-8) e B(12,-16) nas formas reduzida,
geral e segmentária:

Sol:

Cálculo de m

y2 − y1 − 16 + 8 8
m= m= = ⇒ m = −2
x2 − x 12 − 8 4

y − y1 = m ( x − x1 )
y + 8 = − 2 ( x − 8)
y + 8 = −2 x + 16 2x + y = 8
2x y 8
+ =
8 8 8
y = −2 x + 8 Eq. reduzida

x y
+ = 1
4 8 Eq. segmentária
2x + y − 8 = 0 Eq. geral

25
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

3.4 Interseção de retas.

Figura 3.7

O ponto de interseção de duas retas deve satisfazer à equação de ambas,


portanto, para determiná-lo, basta resolver um sistema formado por tais
equações.

Em geral a solução de um sistema de equações, é, ou são, os pontos de


interseção de seus gráficos.

Ex: Obter o ponto I de interseção das retas 3x + 4y - 12 = 0 e 2x – 4y + 7 = 0

sol:

3 x + 4 y − 12 = 0

2 x − 4 y + 7 = 0
somando as equações temos :
5x − 5 = 0
x =1
levando o valor de x na primeira equação, temos :
3 × 1 + 4 y − 12 = 0
4 y = 12 − 3
9  9
y= ⇒ I 1, 
4  4

26
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

3.5 Condição de Paralelismo.

Duas retas são consideradas paralelas se possuem o mesmo coeficiente angular


e coeficientes lineares distintos.

r
s
αr = αs (corresp.)
tg αr = tg αs

αr αs
x mr = ms

Figura 3.8

3.6 Condição de Perpendicularismo.

Os coeficientes angulares de duas retas distintas também podem nos dizer se


elas são perpendiculares. Vejamos a figura 3.9 abaixo.

y
r s

αr
αs t

αr
αs
x

Figura 3.9

27
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Pelo ponto de interseção das retas, traçamos uma reta t, paralela ao eixo-x. Com
isso podemos identificar os ângulos correspondentes de αs e αr entre as retas r e
s e a reta t.

Podemos relacionar os ângulos αs e αr da seguinte maneira:

π
αr = αs + ou ,
2

π
αr − αs = segue,
2

π tga − tgb
t g (αr − αs ) = tg usando a identidade : tg (a − b) =
2 1 + tga ⋅ tgb

tg αr − tg αs π
= tg mas :
1 + tgαr . tgαs 2

π
∃ tg então : 1 + tgαr.tgαs = 0
2

1 + tgαr. tgαs = 0

1 + mr. ms = 0

1
mr. ms = − 1 ⇒ mr = −
ms

Concluindo:

1
Duas retas r e s distintas são perpendiculares, se e somente se, mr = − ,
ms
o que equivale a dizer que, se duas retas são perpendiculares, o coeficiente
angular de uma é igual ao da outra invertido e com o sinal oposto.

Por exemplo, se o coeficiente angular de uma reta é igual a 3, então o coeficiente


1
angular de qualquer reta perpendicular a ela é − .
3

28
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

3.7 Ângulo entre Duas Retas.

Com a ajuda da figura 3.10, podemos deduzir uma fórmula para o cálculo do
ângulo entre duas retas quaisquer, também utilizando seus coeficientes
angulares.

r θ s

αr αs

αr
αs
x

Figura 3.10

θ = αr −αs

tgθ = tg (αr − αs )

tgαr − tgαs mr − ms
tgθ = ⇒ tg θ =
1 + tgαr × tgαs 1 + mr ⋅ ms

Exercício resolvido:

1) Obter o ponto P, simétrico de Q(-1,8) em relação à reta r de equação x − y − 3 = 0

Q(-1, 8)

r: x – y – 3 = 0
M

P(x, y)

M é o ponto médio de PQ.

29
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Cálculo da inclinação da reta r

x− y −3 = 0 Concluindo:
y = x − 3 ⇒ mr = 1

então : m PQ = −1 x1 + x2 y1 + y2
x= y=
2 2
Equação da reta PQ
−1 + x 8+ y
5= 2=
y − y1 = m ( x − x1 ) 2 2
y − 8 = − 1( x + 1) − 1 + x = 10 8+ y=4
y − 8 = − x −1 x = 11 y = −4
x+ y−7=0

Determinação do ponto M ⇒ r ∩ PQ

x − y −3=0

x + y −7=0

2 x − 10 = 0
2 x = 10 P (11, − 4)
x=5

5 − y −3 = 0
y=5−3
y=2 ⇒ M (5,2)

3.8 Distância Entre Ponto e Reta.

A menor distância de um ponto P ( x0 , y0 ) a uma reta r : ax + by + c = 0 é o

comprimento do segmento que vai do ponto à reta e é perpendicular à mesma,


como vemos na figura 3.11.

30
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

P( x0 , y0 )

r : ax + by + c = 0

Figura: 3.11

Podemos calcular a menor distância do ponto P à reta r utilizando a fórmula:

ax 0 + by 0 + c
d Pr =
a2 + b2

Exercício resolvido:

1) Calcular a medida da altura AH do triângulo cujos vértices são: A(1,1), B(-1,-3) e C(2,-7).

A(1, 1)

B(-1,-3) H C(2,-7)

utilizando a fórmula da distância entre ponto e reta, temos:

A (1,1)
reta BC : 4 x + 3 y + 13 = 0

4.1 + 3.1 + 13
dpr =
16 + 9
20
20
dpr = = =4
25 5

Então a altura AH mede 4 unidades.

31
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

2) Calcular a distância entre as retas paralelas r: 7x + 24y – 1 = 0 e s: 7x + 24y + 49 = 0

r Tomamos um ponto P de r, atribuindo um valor qualquer a


P(7,-2) x e calculando y
s

x = 7 ⇒ 7.7 + 24 y − 1 = 0
24 y = 1 − 49
48
y=− ⇒ y = −2
24

então, P(7,−2) ∈ r

logo:

7.7 + 24.(−2) + 49 50
drs = dPs = = = 2 , ou seja: a distância entre r e s é de 2 unidades
49 + 576 25

3.9 Exercícios propostos:

1) Em cada caso determine a equação geral da reta:


a) que passa pelo ponto A(-1,6) e tem inclinação 3;
b) que passa pelos pontos P(2,-1) e Q(0,5);
c) bissetriz do 1º e 3º quadrantes;
2
d) que passa pela origem e tem coeficiente angular m = − .
3
2) Verifique se a afirmação está correta:
a) a reta r : 2 x − 4 y + 10 = 0 é perpendicular à reta s : 2 x + y + 6 = 0 ;
b) a reta t : 3 x − y + 2 = 0 é paralela à reta u : 6 x − 2 y − 5 = 0 .
3) Determinar a equação da reta que passa pelo ponto P(-1,2) e é paralela à reta
r : 2x − 3 y + 1 = 0 .
4) Determinar a equação da reta que passa por Q(2,-3) e é perpendicular à reta
s : x − 2y + 7 = 0.
5) Determinar os vértices A, B e C do triângulo cujos lados têm as equações
AB : x − y + 1 = 0 , BC : x + 7 y + 17 = 0 e CA : 5 x + 3 y − 11 = 0 .
6) Achar o ponto B simétrico de A(3,-1) em relação à reta r : 2 x + 3 y − 10 = 0 .

32
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

7) Provar que são perpendiculares as diagonais do quadrilátero de vértices


consecutivos A(2,-1), B(6,-1), C(4,5) e D(0,1).
8) Determinar o valor de k de modo que a reta r : 3 x + ky + 7 = 0 passe pelo ponto
A(3,-2).
9) Calcular a distância do ponto A(3,4) à reta s : 3 x + 4 y − 10 = 0 .
10) Determinar a distância do ponto P à origem do sistema cartesiano onde P é a
interseção das retas r : x − 2 = 0 e s : y − 3 = 0 .
11) Encontre a equação da reta que passa pelo ponto A(3,2) e que forma com os
eixos coordenados, no 1º quadrante, um triângulo de área igual a 12.
12) Calcular a interseção da reta r : 2 x − y + 1 = 0 com a reta que passa pelos
pontos A(0,3) e B(1,1).
13) Determinar o ponto da reta r : 3 x + y + 4 = 0 que é eqüidistante dos pontos
P(-5,6) e Q(3,2).
14) Ache a equação da reta suporte da altura relativa ao vértice A do triângulo de
vértices A(2/3,1), B(-3,0) e C(6,1).
15) Obter o ponto de interseção das diagonais AC e BD do quadrilátero ABCD,
sendo dados A(0,0), B(4,1), C(7,7) e D(-1,6).
16) Obter a equação da mediatriz do segmento AB, dados A(1,-7) e B(6,-12).
17) Dadas as retas r :3 x − 4 y + 3 = 0 e s : y = 2 x + 2 , determine o ponto P da reta s,
que dista 6 unidades da reta r.
18) O baricentro de um triângulo ABC é G(4,-2). Obter C, sabendo que A(5,-7) e
B(8,-3).
Obs.: baricentro: G xA + xB + xC , yA + yB + yC 
 3 3 

19) Obter os vértices B e C do triângulo ABC sendo dados o vértice A(0,0), o


ponto M(1,2) médio do lado AB e o baricentro G(0,5).
20) Verificar se os pontos A` (− a, b + 1), B(a + 2, b + 3) e C (1, b + 2) são colineares.

21) Existe alguma reta passando por A` (a, a + 1), B(a + 1, a + 2) e C (a + 3, a + 4) ?

22) Determinar x de modo que A` ( x,−2), B(2,3) e C (−1,−12) sejam colineares.

23) Obter o baricentro do triângulo MNP, dados M ` (a − b, d − e), N (b − c, e − f ) e


P (c − a, f − d ) .

33
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

24) Calcular a altura relativa ao vértice A do triângulo de vértices


A(0,−3), B(2,1) e C (5,−2).

Respostas:

1)

a) 3 x − y + 9 = 0 13) (-2,2)

b) 3 x + y − 5 = 0 14) 9 x + y − 7 = 0

c) x − y = 0 5 5
15)  , 
2 2
d) 2 x + 3 y = 0
16) x − y − 13 = 0
2)
17) P1 (−7,−12) e P2 (5,12)
a) sim
18) C(-1,4)
b) sim
19) B(2,4) e C(-2,11)
3) 2 x − 3 y + 8 = 0
20) sim
4) 2 x + y − 1 = 0
21) sim
5) A(1,2), B(-3,-2) e C(4,-3)
22) x = 1
 67 29 
6) B , 
 13 13  23) G(0,0)

8) k=8 24) 3 2

9) 3

10) 13

11) 2 x + 3 y − 12 = 0

1 
12)  ,2 
2 

34
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Capítulo 4
Circunferência.

4.1 Definição.

A circunferência é uma curva plana que, como a reta, também é formada por um
conjunto de infinitos pontos de R 2 .
Sua definição matemática, ou seja, a regra que define como esses pontos
devem estar posicionados no plano para que descrevam uma circunferência é a
seguinte:

Circunferência é o conjunto de pontos em um plano, que são eqüidistantes de um


ponto fixo deste plano.

Este ponto fixo é chamado de centro da circunferência, e a distância constante é


seu raio. O centro e o raio são os principais elementos de uma circunferência.

π
M1 Mn Q
r

P c
M3

M2

Figura 4.1

Na figura 4.1, temos uma circunferência de centro c e raio r, representada em um


plano π .
Os pontos M 1 , M 2 , M 3 , M n pertencem à circunferência, se e somente se, a

distância de cada um deles ao centro da circunferência for igual ao raio.

dcM 1 = dcM 2 = dcM 3 = dcMn = r

35
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

A distância do ponto Q ao centro é maior que o raio e portanto ele não pertence à
circunferência, (Q é um ponto exterior), assim como o ponto P também não
pertence à circunferência pois sua distância ao centro é menor que o raio, (P é
um ponto interior).

dcQ > r e dcP < r

4.2 Equação da Circunferência.

Para determinar a equação de uma circunferência, é necessário conhecer seu


centro e seu raio.

Na figura 4.2 abaixo, está representada no plano cartesiano uma circunferência


de centro c(h, k ) e raio r. Sabemos pela definição de circunferência que a
distância de um ponto qualquer M ( x, y ) ao centro c(h, k ) é igual ao raio r.

M(x,y)

c(h,k)

Figura 4.2

Definição matemática : dcM = r


então :
( x − h) 2 + ( y − k ) 2 = r

( ( x − h) + ( y − k ) ) = r
2 2
2
2

( x − h) 2 + ( y − k ) 2 = r 2 Eq. da circunferência na forma centro-raio

36
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Quando a equação de uma circunferência se apresenta na forma centro-raio é


relativamente fácil identificar seus principais elementos, ou seja, centro e raio.
2
 2
Por exemplo, a equação ( x − 3 ) +  y +  = 17 representa uma circunferência
2

 5

 2
de centro  3 ,−  e raio 17 .
 5

Exercício resolvido:

Determinar a equação da circunferência cujo centro é o ponto C(-3,4) e o raio r=6.

sol:

equação centro − raio


( x − h) 2 + ( y − k ) 2 = r 2

( x + 3) 2 + ( y − 4) 2 = 36 É a equação pedida, através da qual podemos


identificar facilmente o centro e o raio.

4.3 Equação Geral da Circunferência.

A equação de uma circunferência também pode ser representada de forma geral,


como o desenvolvimento da equação centro-raio. Vejamos:

Seja a equação de centro C (h, k ) e raio r


( x − h) 2 + ( y − k ) 2 = r 2
de sen volvendo temos :
x 2 − 2hx + h 2 + y 2 − 2ky + k 2 = r 2
colocando em ordem :
x 2 + y 2 − 2hx − 2ky + h 2 + k 2 − r 2 = 0

37
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

fazendo :
 − 2h = D

− 2 k = E
 h 2 + k 2 − r 2 = F , temos :

x 2 + y 2 + Dx + Ey + F = 0 Esta é a Equação Geral da circunferência

É importante observar que toda equação geral de circunferência possui os dois


termos do 2º grau e seus coeficientes devem ser obrigatoriamente iguais.

Vamos desenvolver a equação do exercício anterior

temos : ( x + 3) 2 + ( y − 4) 2 = 36

x 2 + 6 x + 9 + y 2 − 8 y + 16 − 36 = 0
Esta equação está na forma Geral.

x 2 + y 2 + 6 x − 8 y − 11 = 0 Não podemos identificar facilmente o centro e


o raio ao olhar.

4.4 Identificando o Centro e o Raio na Equação Geral da Circunferência.

Se não podemos identificar facilmente o centro e o raio, então teremos de


calcular, pois são os principais elementos da circunferência. Faremos o seguinte:

Seja a equação geral: x 2 + y 2 + Dx + Ey + F = 0

Para identificar o centro e o raio na equação acima utilizaremos os coeficientes D,


E e F.

centro : c(h, k )
D
D = −2h ⇒ h=−
2
E  D E
E = −2 k ⇒ k =− ∴ C − , − 
2  2 2

38
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

raio : r
F = h2 + k 2 − r 2
2 2
 D  E
r2 = −  + −  − F
 2  2
D2 E 2
r2 = + −F
4 4
D 2 + E 2 − 4F D 2 + E 2 − 4F
r2 = ∴ r=
4 2

Obs :
se ( D 2 + E 2 − 4 F ) < 0 ⇒ ∃ circunferência (conjunto vazio)
se ( D 2 + E 2 − 4 F ) = 0 ⇒ a circunferência é apenas um ponto
se ( D 2 + E 2 − 4 F ) > 0 ⇒ a circunferência é real

Exercício resolvido:

1) Dada a equação da circunferência, x 2 + y 2 − 3 x + 6 y − 7 = 0 , identificar o centro e o raio.

 D E
C  − ,−  D 2 + E 2 − 4F
 2 2 r=
2
9 + 36 − 4 × (−7)
 −3 6 r=
C − ,−  2
 2 2
9 + 36 + 28
r=
2
3 
C  , −3  r=
73
2  2

39
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

4.5 Exercícios propostos:


1) Determine o centro e o raio, caso a circunferência exista:
a) x 2 + y 2 − 2 x − 4 y + 1 = 0

b) 3 x 2 + 3 y 2 − 3 x − 18 y + 9 = 0

c) x 2 + y 2 + 7 x − 10 y + 31 = 0

d) x 2 + y 2 − 2 y − 3 = 0

e) 3 x 2 − 2 y 2 + 2 x − 4 y + 3 = 0

f) − x 2 − y 2 + 9 = 0

g) x 2 + y 2 + 4 = 0

h) x 2 + y 2 + x − 2 y + 8 = 0
2) Determine a equação geral da circunferência cujo centro é o ponto C(3,-5) e é
tangente à reta r : 3 x − 4 y + 1 = 0 .

3) Determinar a equação da reta tangente à circunf. x 2 + y 2 + 2 x − 2 y − 39 = 0 no


ponto A(4,5).

4) Determinar a equação da circunferência que passa pelo ponto A(0,1) e


tangencia a reta 4 x − y + 3 = 0 no ponto B(0,3).

5) Achar a equação cartesiana da circunferência que passa pelo ponto A(4;8) e


tangencia as retas y = 10 e y = 0.

6) Determinar os pontos de interseção da reta x + y − 5 = 0 com a circunferência

x 2 + y 2 − 2 x − 4 y + 1 = 0 e fazer um esboço do gráfico das duas curvas.

7) Determinar as equações das circunferências de raio r = 2 e tangentes à reta

x + y − 1 = 0 e centro sobre o eixo x.

8) A reta y + 1 = 0 é tangente à circunferência de centro (-1,m) e raio 2. Ache


uma equação de cada circunferência que tem essa propriedade.

( )
9) Dada a circunferência x 2 + y 2 − 2 y − 3 = 0 e os pontos M − 1,1 − 3 e N (2,1) que
pertencem a mesma. Calcular o comprimento da corda MP, sabendo que N e
P são os extremos de um diâmetro.

40
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

10) Obter as equações das circunferências de raio 3, tangentes à reta y − 7 = 0 e

tangentes exteriormente à circunferência x 2 + y 2 = 4.

11) Determinar a equação da circunferência que passa pelos pontos


M (2,−3), N (5,0) e P(−1,−4).

Respostas:

1)
a) r=2, c(1,2)
5 1 
b) r= , c  ,3 
2 2 
5  7 
c) r= , c  − ,5 
2  2 
d) r= 2 , c (0,1)
e) não é circunferência
f) r= 3 , c (0,0)
g) conjunto vazio
h) conjunto vazio

2) x 2 + y 2 − 6 x + 10 y − 2 = 0

3) 5 x + 4 y − 40 = 0

4) ( x − 4 ) + ( y − 2 ) = 17
2 2

5) x 2 + ( y − 5) = 25 e (x − 8)2 + ( y − 5)2 = 25
2

6) (3,2) e (1,4)

7) ( x + 1) + y 2 = 2 e (x − 3)2 + y 2 = 2
2

8) ( x + 1) + ( y − 1) = 4 e (x + 1)2 + ( y + 3)2 = 4
2 2

9) d MP = 2

10) ( x + 3) + ( y − 4 ) = 9 e ( x − 3)2 + ( y − 4 )2
2 2
=9

11) x 2 + y 2 + 4 x − 8 y − 45 = 0

41
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Capítulo 5
O Estudo das Cônicas.

Seções Cônicas.

Circunferências, elipses, hipérboles e parábolas: todas essas curvas são


encontradas a partir de seções de um plano em uma superfície cônica. (ver
apêndice IV).
Muitas descobertas importantes em matemática pura e na ciência em geral estão
relacionadas às seções cônicas. Os gregos clássicos - Arquimedes, Apolônio e
outros - estudavam essas belas curvas por puro prazer, como forma de desafio,
sem qualquer pensamento em possíveis aplicações. As primeiras aplicações
apareceram quase 2.000 anos depois, no início do século XVII. Em 1604, Galileu
descobriu que, lançando-se um projétil horizontalmente do topo de uma torre,
supondo que a única força atuante fosse a gravidade - isto é, a resistência do ar e
outros fatores complicadores são desconsiderados -, sua trajetória será uma
parábola. Um dos grandes eventos da história da Astronomia ocorreu alguns anos
mais tarde, apenas em 1609, quando Kepler publicou sua descoberta de que a
órbita de Marte era uma elipse, lançando a hipótese de que todos os planetas se
moveriam em órbitas elípticas. Cerca de 60 anos depois disso, Newton provou
matematicamente que a órbita planetária elíptica é causa e conseqüência de uma
lei de atração gravitacional, baseada no inverso do quadrado da distância. Isso
levou Newton a formular e publicar (em 1687) sua famosa Teoria de Gravitação
Universal, para explicar o mecanismo do sistema solar, teoria esta considerada
como sendo a maior contribuição feita a ciência por um só homem. Esses
desenvolvimentos ocorreram centenas de anos atrás, mas o estudo das seções
cônicas não é, ainda hoje, nem um pouco anacrônico. De fato, essas curvas são
instrumentos importantes nas explorações espaciais dos dias de hoje, e também
nas pesquisas do comportamento de partículas atômicas: os satélites artificiais
movem-se em torno da terra em órbitas elípticas e a trajetória de uma partícula
alfa movendo-se no campo elétrico de um núcleo atômico é uma hipérbole. Esses
exemplos e muitos outros mostram que a importância das seções cônicas, tanto
antigamente como atualmente, não pode ser desprezada.

42
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

5.1 A Elipse.

A Elipse é uma curva plana, formada por um conjunto de infinitos pontos de R 2 .


Sua definição matemática, ou seja, a regra que define como esses pontos
devem estar posicionados no plano para que descrevam uma elipse é a seguinte:

Elipse é o conjunto de infinitos pontos de um plano cuja soma das distâncias a


dois pontos fixos deste plano (focos) é constante (k).

Cada elipse tem a sua constante k.

π
M2
M1

F’ F

Mn

Figura 5.1

Mn ∈ elipse ⇒ dM n F ' + dM n F = k

5.1.1 Elementos da Elipse.

A figura 5.2 mostra uma elipse com centro na origem do sistema cartesiano.
y
B(0,b)

B(0;

2c b)
A (-a,0) A(a,0)

F (-c,0) F(c,0) x


B (0,-b)
2a

Figura 5.2

43
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Seus principais elementos são:

• Eixo maior: é o segmento A’A, cuja medida vale 2a;


• Eixo menor: é o segmento B’B, cuja medida vale 2b;
• Vértices: são os pontos A' (− a,0) e A(a,0) ;

• Focos: são os pontos fixos F ' (−c,0) e F (c,0) , a distância focal (entre focos)
mede 2c;
• Os pontos B' (0,−b) e B(0, b) são as extremidades do eixo menor.

Importante:

1. A constante k, característica de cada elipse, é igual ao comprimento de seu


eixo maior 2a.

Então: k = 2a
Podemos provar esta afirmação utilizando o ponto A' ( −a,0) que pertence à elipse e por

isso deve satisfazer à condição:

dA' F '+ dA' F = k Definição matemática

y
de fato:
B(0,b)
M(x,y)
dA' F ' = a − c
a a
dA' F = a + c
’ b
então, A (-a,0) A(a,0)
’ c
a−c+a+c = k F (-c,0) F(c,0) x
K = 2a
y

B (0,-b)
2. Relação entre a, b e c.

a2 = b2 + c2

44
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

5.1.2 Equação Reduzida da Elipse.

Primeiramente estudaremos as cônicas tomando como referência um sistema de


eixos coordenados, as elipses e hipérboles estarão posicionadas tal que seus
vértices e focos fiquem sobre um dos eixos e simétricos em relação à origem
como na figura 5.2. No caso das parábolas, seu foco deverá estar sobre um dos
eixos e seu vértice posicionado na origem. Com isso vamos obter as equações
reduzidas destas curvas.

Vamos agora determinar a equação de uma elipse específica, cujos focos são
F ' (−3,0) e F (3,0) e cujo eixo maior 2a mede 10 unidades. Lembrando que 2a = k .
Esta elipse está representada na figura 5.3

M(x, y)


A (-5,0) A(5,0)

F (-3,0) F(3,0) x

2a = 10

Figura 5.3

Seja o ponto genérico M ( x, y ) ∈ elipse

Definição matemática : dMF ' + dMF = 2a

então:

45
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

( x + 3) 2 + y 2 + ( x − 3) 2 + y 2 = 10

( ( x + 3) 2
+ y2 ) = (10 −
2
( x − 3) 2 + y 2 )
2

x 2 + 6 x + 9 + y 2 = 100 − 20 ( x − 3) 2 + y 2 + x 2 − 6 x + 9 + y 2
6 x = 100 − 20 ( x − 3) 2 + y 2 − 6 x
12 x − 100 = − 20 ( x − 3) 2 + y 2 ( ÷ 4)

(
(3 x − 25) 2 = − 5 ( x − 3) 2 + y 2 )
2

9 x 2 − 150 x + 625 = 25 ( x 2 − 6 x + 9 + y 2
9 x 2 − 150 x + 625 = 25 x 2 − 150 x + 225 + 25 y 2
625 − 225 = 16 x 2 + 25 y 2
400 = 16 x 2 + 25 y 2 (÷400)
2 2
400 16 x 25 y
= +
400 400 400
2 2
x y x2 y2 Equação reduzida da elipse na sua
1= + ou + =1
25 16 25 16 forma característica após simplificação.

5.1.3 Equações Reduzidas Genéricas da Elipse.

Podemos determinar uma equação genérica reduzida para todas as elipses com
focos e vértices sobre um dos eixos coordenados e simétricos em relação à
origem. A figura 5.4 mostra uma elipse cujos elementos estão com coordenadas
genéricas em relação ao sistema cartesiano. Determinaremos sua equação
aplicando a definição matemática.
y

M(x,y)


A (-a,0) A(a,0)

F (-c,0) F(c,0) x

y
Para lembrar:

Figura 5.4 a2 = b2 + c2

46
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

dMF ' + dMF = 2a

( x + c) 2 + y 2 + ( x − c ) 2 + y 2 = 2a

( ( x + c) + y ) = (2a −
2 2
2
( x − c) 2 + y 2 )
2

x/ 2 + 2cx + c/ 2 + y/ 2 = 4a 2 − 4a ( x − c) 2 + y 2 + x/ 2 − 2cx + c/ 2 + y/ 2
2cx = 4a 2 − 4a ( x − c) 2 + y 2 − 2cx
4cx − 4a 2 = − 4a ( x − c) 2 + y 2 ( ÷ 4)

(
(cx − a 2 ) 2 = − a ( x − c) 2 + y 2 )
2

c 2 x 2 − 2a 2cx + a 4 = a 2 ( x 2 − 2cx + c 2 + y 2 )
c 2 x 2 − 2a 2cx + a 4 = a 2 x 2 − 2a 2cx + a 2c 2 + a 2 y 2
a 4 − a 2c 2 = a 2 x 2 − c 2 x 2 + a 2 y 2
a 2 (a 2 − c 2 ) = x 2 (a 2 − c 2 ) + a 2 y 2

fazendo a 2 − c 2 = b 2

a 2b 2 = b 2 x 2 + a 2 y 2 ( ÷ a 2b 2 )
a 2b 2 b2 x2 a2 y2
= +
a 2b 2 a 2b 2 a 2b 2

x2 y2 Eq. genérica reduzida de uma elipse com


+ =1 focos e vértices sobre o eixo-x e simétricos
a2 b2 em relação à origem

Analogamente, temos:
y
A(0,a)

F(0,c)

x2 y2

B (-b,0) B(b,0)
+ =1
x b2 a2


F (0,-c) Eq. genérica reduzida de uma elipse com
focos e vértices sobre o eixo-y e simétricos
em relação à origem.

Figura 5.5 A (0, -a)

47
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Importante:

Notemos que no caso da elipse, a > b então a 2 > b 2 sendo a, b > 0 , ou seja:

o a 2 que nos indicará a posição dos focos e vértices será sempre o maior
denominador na equação reduzida.

5.1.4 Excentricidade.

c
Excentricidade é a razão e = que nos informa o quão achatada é uma elipse.
a
Como a > c ⇒ 0 < e < 1

Outra fórmula para o cálculo da excentricidade:

a 2 − c2 = b2
c2 = a 2 − b2
c = a2 − b2
a2 − b2
e=
a
a2 − b2 b2
e= ∴ e = 1−
a2 a2

Observações:

Note que a excentricidade de uma elipse é um número compreendido no intervalo


aberto (0,1).

Uma elipse com uma excentricidade próxima de zero, é uma elipse menos
achatada, ou mais arredondada, quanto menor a excentricidade mais
arredondada será a elipse. No caso limite onde c = 0 e, portanto e = 0 teremos
uma circunferência de raio a.

48
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Uma elipse com uma excentricidade próxima de 1, é uma elipse bastante


achatada. Para que a excentricidade se aproxime de 1 é necessário que c fique
próximo de a.

Exercício resolvido:

1) Determinar a equação da elipse com focos no eixo-x, onde temos:

2a = 12
I. 
 2c = 8
sol:

a=6 e c=4
c2 = a 2 − b2
16 = 36 − b 2
b 2 = 36 − 16
x2 y 2
b 2 = 20 ∴ + =1
36 20

2b = 6
II. e = 1
 2
sol:

b=3
9 3
=
b2 a 2
4
e = 1− 2
a
3a 2 = 36
2
1
2
 9  x2 y2
  =  1 − 2  a 2 = 12 ∴ + =1
 2  a  12 9

1 9
=1− 2
4 a

9 1
2
=1−
a 4

49
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

5.1.5 Exercícios propostos:


1) Determinar a equação reduzida da elipse nos seguintes casos:
a) 2a = 10; 2c = 8 , com focos no eixo x
b) 2b = 24; 2c = 10 , com focos no eixo y

5
c) 2b = 12; e = , com focos no eixo x
4
2) Determinar os elementos da elipse:
x2 y2
a) + =1
1 4
b) 2 x 2 + 10 y 2 − 5 = 0

x2 y 2
3) Determinar na elipse + = 1 os pontos cujas abscissas são iguais a -3.
25 4
x2 y2
4) Determinar os pontos da elipse + = 1 cujas distâncias ao foco direito
100 36
medem 14.
5) Determinar os pontos de interseção da reta x + 2 y − 7 = 0 com a elipse

x 2 + 4 y 2 − 25 = 0 .
6) Determinar a equação reduzida da elipse, cujo eixo maior está sobre o eixo y,
sabendo que passa pelos pontos P(1, 14 ) e Q(2,−2 2 ) .
7) Determinar a equação reduzida da elipse, com eixo maior sobre o eixo x,
1
excentricidade e que passa pelo ponto P(2,3).
2
8) Determinar as equações das circunferências inscrita e circunscrita à elipse
16 x 2 + y 2 − 16 = 0 .
1
9) Um satélite de órbita elíptica e excentricidade viaja ao redor de um planeta
3
situado num dos focos da elipse. Sabendo que a distância mais próxima do
satélite ao planeta é de 300 km, calcular a maior distância.

10) O teto de um saguão com 10m de largura na base, tem a forma de uma semi-
elipse com 9m de altura no centro e 6m de altura nas paredes laterais. Calcule a
altura do teto a 2m de cada parede.

50
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Respostas:
1) 9) d = 600 km
x2 y 2 10) h = 8,4 m
a) + =1
25 9
x2 y2
b) + =1
144 169
x2 y2
c) + =1
576 36
11
2)
 A' (0,−2) e A(0,2)
 B' (−1,0) e B(1,0 )

a)  F ' (0,− 3 ) e F (0, 3 )

e = 3
 2

  5   5 
 A'  − ,0  e A ,0 
  2   2 

 B'  0,− 1  e B 0, 1 
b)   2  2

 F ' ( − 2 ,0 ) e F ( 2 ,0 )
 2
e =
 5

 8  8
3)  − 3,−  e  − 3, 
 5  5

( ) (
4) − 5,− 27 e − 5, 27 )
 3
5)  4,  e (3,2 )
 2
x2 y2
6) + =1
8 16
x2 y2
7) + =1
16 12
8) x 2 + y 2 = 16 e x 2 + y 2 = 1

51
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

5.2 A Hipérbole.

Assim como a elipse, a hipérbole também é uma curva plana, formada por um
conjunto de infinitos pontos de R 2 .
Sua definição matemática é a seguinte:

Hipérbole é o conjunto de infinitos pontos de um plano cuja diferença das


distâncias a dois pontos fixos deste plano (focos) é, em valor absoluto, uma
constante (k).

Cada hipérbole tem a sua constante k.

y π
Mn
M1


F F x

M2

Figura 5.6

Mn ∈ hipérbole ⇒ dM n F ' − dM n F = k

52
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

5.2.1 Elementos da Hipérbole.

A figura 5.7 mostra uma hipérbole com centro na origem do sistema cartesiano.

y
Obs:
b
y=− x y=
b
x Os focos estão sobre o
a a
eixo x e simétricos em
relação à origem

B(0,b) y=b

A’(-a,0) A(a,0)
F’(-c,0) F(c,0) x
y = −b
B’(0,-b)

x = −a x=a

Figura 5.7

Seus principais elementos são:

• Eixo transverso (ou real): é o segmento A’A, cuja medida vale 2a;
• Eixo conjugado (ou imaginário): é o segmento B’B, cuja medida vale 2b;
• Vértices: são os pontos A' (− a,0) e A(a,0) ;
• Focos: são os pontos fixos F ' (−c,0) e F (c,0) , a distância focal (entre focos)
mede 2c;
b b
• Assíntotas: são as retas y=− x e y= x.
a a

53
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Importante:

A constante k, característica de cada hipérbole, é igual ao comprimento de seu


eixo transverso 2a.

Então: k = 2a
Podemos provar esta afirmação utilizando o ponto A(a,0) que pertence à
hipérbole e por isso deve satisfazer à condição:

dAF '−dAF = k Definição matemática

de fato:

dAF '− dAF = k


( a + c ) − (c − a ) = k
então,
a+c−c+a = k
k = 2a
k = 2a pois a > 0

5.2.2 Equações Reduzidas Genéricas da Hipérbole.

Vamos determinar uma equação genérica reduzida para todas as hipérboles com
focos e vértices sobre um dos eixos coordenados e simétricos em relação à
origem. A figura 5.8 mostra uma hipérbole cujos elementos estão com
coordenadas genéricas em relação ao sistema cartesiano. Determinaremos sua
equação aplicando a definição matemática.

54
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

M(x,y)

F’(-c,0) A(-a,0) A(a,0) F(c,0) x

Relação importante:

c2 = a2 + b2
Figura 5.8

Seja o ponto genérico M ( x, y ) ∈ hipérbole

Definição matemática : dMF ' − dMF = 2a


então :

( x + c) 2 + y 2 − ( x − c) 2 + y 2 = 2a

Eliminando os radicais, simplificando e fazendo:

c2 − a 2 = b2

encontramos:
x2 y2
− =1 Eq. genérica de uma hipérbole com focos e vértices
a2 b2
sobre o eixo-x e simétricos em relação à origem.

55
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Analogamente:

A’ y 2 x2
− =1 Eq. genérica de uma hipérbole com focos e vértices
a2 b2
F’ sobre o eixo-y e simétricos em relação à origem.

Importante:

Na equação reduzida da hipérbole o a 2 também nos indicará a posição dos focos


e vértices e neste caso será sempre o denominador da parcela positiva.

nota: se a = b temos o que chamamos de hipérbole eqüilátera.

5.2.3 Excentricidade.

c
Também é calculada pela razão e = que nos dá a abertura dos ramos da
a
hipérbole.

Como c > a a excentricidade da hipérbole sempre será > 1 .

Outra fórmula para o cálculo da excentricidade:

c 2 − a 2 = b2
c2 = a2 + b2
c = a2 + b2
a 2 + b2
e=
a
a 2 + b2 b2
e= ∴ e = 1+
a2 a2

56
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Exercícios resolvidos:

1) Determinar as coordenadas dos focos e vértices das hipérboles:

a) 4 x 2 − 9 y 2 = 36

b) y2 − x2 = 8

c) 2x2 − y2 = 2

sol:

4 x 2 9 y 2 36
a) − =
36 36 36

x2 y2
− =1
9 4

Focos e vértices estão sobre o eixo x.


a2 = 9 e b2 = 4

c2 = a2 + b2
c2 = 9 + 4 ∴
( )
F ' − 13 ,0 e F 13,0 ( )
A' (− 3,0) e A(3,0)
c 2 = 13 ⇒ c = 13

y2 x2 8
b) − =
8 8 8

y 2 x2
− =1
8 8

a2 = 8 e b2 = 8 Focos e vértices estão sobre o eixo y.

c2 = a2 + b2
c 2 = 16
c=4 ∴ F ' (0,−4) e F (0,4)
A' (0,− 8 ) e A(0, 8 )

57
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

2x2 y2 2
c) − =
2 2 2

x2 y2
− =1
1 2

a 2 = 1 e b2 = 2 Focos e vértices estão sobre o eixo x.

c2 = a2 + b2
c2 = 1+ 2
c= 3 ∴ F ' (− 3 ,0) e F ( 3 ,0)
A' (−1,0) e A(1,0)

2) Obter a equação da hipérbole, com centro na origem do sistema cartesiano, nos casos:

a) 2a = 8 e um dos focos é (5,0)

2
2c = 10 ⇒ c = 5 ⇒ c = 25
O eixo transverso está contido no eixo x.
2 2 2
c =a +b
2 2 2 x2 y2 x2 y2
b =c –a − =1 ⇒ − =1
a 2 b2 16 9
2
b = 25 – 16
2
b =9

b) 2b = 2 e um dos focos é (-2,0)

2
2b = 2 ⇒ b = 1 ⇒ b = 1
O eixo transverso está contido no eixo x.
2
2c = 4 ⇒ c = 2 ⇒ c = 4

x2 y2 x2 y2
− =1 ⇒ − = 1
2
c =a +b
2 2 a2 b2 3 1
2 2 2
a =c –b
2
a =4–1
2
a =3

58
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

c) 2a = 6 e um dos focos é (0,-5)

2
2a = 6 ⇒ a = 3 ⇒ a = 9
2
2c = 10 ⇒ c = 5 ⇒ c = 25
2 2 2
c =a +b
O eixo transverso está contido no eixo y.
2 2 2
b =c –a
y 2 x2 y2 x2
2
b = 25 – 9 − =1 ⇒ − =1
a2 b2 9 16
2
b = 16

5.2.4 Exercícios propostos:


1) Determinar a equação da hipérbole cujos focos estão no eixo das ordenadas e
simétricos em relação à origem.
a) a = 6; b = 18
5
b) 2c = 10; e =
3
 9
2) Verificar se o ponto M  − 5,  pertence à hipérbole 9 x 2 − 16 y 2 − 144 = 0 .
 4
3) Determinar a equação da hipérbole cujos focos são simétricos em relação à
origem e estão no eixo x, sabendo:
a) P(6,-1) e Q (-8, 2 2 ) ∈ hipérbole;
9  2
b) P ,−1 ∈ hipérbole e y = ± x são as equações das assíntotas.
2  3
4) Achar os pontos de interseção da reta 2 x − y − 10 = 0 com a hipérbole

x2 y 2
− = 1.
20 5
5) Esboçar o gráfico da hipérbole eqüilátera x 2 − y 2 = 9 .

59
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Respostas:
1)
2 2
a) y − x = 1
36 324
2 2
b) y − x = 1
9 16
2) Pertence
3)
2 2
a) x − y = 1
32 8
2 2
b) x − y = 1
18 8

4)  14 ,− 2  e (6,2)
3 3

60
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

5.3 A Parábola.

Uma das curvas planas mais conhecidas e com várias aplicações na matemática
e na engenharia é a parábola cuja definição matemática é:

Um conjunto de infinitos pontos de um plano que são eqüidistantes de uma reta


diretriz (d) e de um ponto fixo, foco (F), deste plano.

O foco não pertence à diretriz.

y π

Mn

(d) diretriz

Figura 5.9

Mn ∈ parábola ⇒ dM n F = dM n (d )

61
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

5.3.1 Elementos da Parábola.

A figura 5.10 mostra uma parábola com vértice na origem do sistema cartesiano,
concavidade voltada para a direita e foco sobre o eixo x.

v F(p,0)
-p x

(d)
x=-p

Figura 5.10

Os elementos desta curva são:

• Foco: é o ponto fixo F ;


• Diretriz: é a reta fixa (d);
• Eixo: é a reta que contém o foco e é perpendicular à diretriz;
• Vértice: é o ponto de interseção da parábola com seu eixo;
• Parâmetro*: chamaremos de parâmetro (P) a distância do foco ao vértice,
sendo então 2p a distância do foco à diretriz;
• Lado reto: é o segmento cujos extremos são pontos da parábola, é
perpendicular ao eixo e passa pelo foco.

* alguns autores consideram o parâmetro p como sendo a distância entre o foco e a diretriz.

Neste caso a distância entre o foco e o vértice é p .


2

62
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Como já foi dito, estudaremos primeiramente as equações reduzidas das


parábolas. Neste caso o plano cartesiano terá a sua origem coincidindo com o
vértice da parábola cujo eixo, e conseqüentemente seu foco, estará sobre um dos
eixos coordenados.

5.3.2 Equações Reduzidas da Parábola.

M(x,y)

v F(p,0)
-p x para lembrar :
d = ( x2 − x1 ) 2 + ( y2 − y1 ) 2

ax0 + by0 + c
dpr =
(d) a 2 + b2
x = − p ou
x + 0y + p = 0

Seja o ponto genérico M ( x, y ) ∈ parábola

Definição matemática : dMF = dM (d )

63
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

 dMF = ( x − p ) 2 + y 2



dM (d ) = 1.x + 0. y + p = x + p
 12 + 0

então
( x − p) 2 + y 2 = x + p

( ( x − p) 2
+ y2 )
2
= x+ p
2

x 2 − 2 px + P 2 + y 2 = x 2 + 2 px + p 2 ∴ y 2 = 4 px
Eq. genérica reduzida de uma parábola com
a concavidade voltada para a direita.

podemos concluir por analogia que temos quatro tipos de equações reduzidas
para as parábolas.

y y
x=-p x=p

F(p,0) F(-p,0) p
-p
x x

y 2 = 4 px y 2 = −4 px

y
y
p y=p

F(0,p) x
x 2 = 4 py 2
x = −4 py
F(0,-p)
x
y=-p
-p

64
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Exercícios resolvidos:

1) Esboçar o gráfico, dar as coordenadas do foco e a equação da diretriz da parábola

y2 − 4x = 0

sol:

y2 = 4x

vamos comparar a equação dada com a equação genérica y 2 = 4 px

 y2 = 4x
 2
 y = 4 px ⇒ 4p = 4
p =1
y
x=-1

-1 F(1,0)

y2 = 4x

 1 
2) Determine a equação da parábola cujo foco é F  − ,0  e a diretriz é a reta 2 x − 1 = 0
 2 
sol:
1
a equação da diretriz pode ser escrita como x=
2
pela posição do foco e da diretriz podemos concluir que trata-se de uma parábola com vértice na

origem e concavidade voltada para a esquerda cuja equação genérica é y 2 = −4 px


1
seu parâmetro p vale .
2
então:
1
y 2 = −4. .x
2

y 2 = −2 x

65
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

5.3.3 Exercícios propostos:


1) Para cada uma das parábolas abaixo, construir o gráfico e encontrar o foco e a
equação da diretriz:
a) x 2 = −4 y

b) y 2 = 6 x

c) y 2 = −8 x

d) x 2 + y = 0

e) y 2 − x = 0

f) y 2 + 3 x = 0

g) x 2 − 10 y = 0

h) 2 y 2 − 9 x = 0

x2
i) y =
16
y2
j) x = −
12
2) Determinar a equação da parábola com vértice na origem, eixo sobre o eixo y
e que passa pelo ponto M(6,3).
3) Um arco parabólico tem uma altura de 2,0m e uma largura de 3,6m na base.
Se o vértice da parábola está no topo do arco, a que altura sobre a base o
arco tem uma largura de 1,8m?
4) Um telescópio refletor tem um espelho parabólico para o qual a distância do
vértice ao foco é 30cm. Se o diâmetro do espelho é 10cm, qual a sua
profundidade?
5) Admita que a água que escoa do final de um tubo horizontal que está a 2,5m
do chão descreva uma curva parabólica. O vértice da parábola está no final do
tubo. Se em um ponto a 80cm abaixo da linha do tubo o fluxo d’água curvou-
se 1,0m além da reta vertical que passa pelo fim do tubo, a que distância
desta reta a água tocará o chão?
6) A diretriz da parábola y 2 = 4 px é tangente à circunferência que tem o foco da
parábola como centro. Ache a equação da circunferência e os pontos de
interseção das duas curvas.

66
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

7) Prove que o comprimento do lado reto de qualquer parábola é 4p.

Respostas:
1)
a) F (0,−1) ; y = 1

3  3
b) F  ,0  ; x = −
2  2
c) F (− 2,0) ; x = 2

 1 1
d) F  0,−  ; y =
 4 4

1  1
e) F  ,0  ; x = −
4  4

 3  3
f) F  − ,0  ; x =
 4  4

 5 5
g) F  0,  ; y = −
 2 2

9  9
h) F  ,0  ; x = −
8  8
i) F (0,4) ; y = −4
j) F (− 3,0 ) ; x = 3

2) x 2 = 12 y
3) 1,5m
4) 0,208cm
5) 1,77 m

6) x 2 + y 2 − 2 px − 3 p 2 = 0 ; ( p,−2 p ) e ( p,2 p )

67
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Capítulo 6
Translação de Eixos Coordenados.

6.1 Objetivo.

Como vimos nos capítulos anteriores, podemos determinar equações para


algumas curvas planas em relação a um determinado referencial. Se o referencial
mudar de posição no plano em relação à curva, esta terá sua equação
modificada.

A figura 6.1 mostra uma curva plana qualquer e três sistemas de referência num
mesmo plano.

Y’

Y’’
O’ X’

O’’ X’’

O X

Figura 6.1

Como temos três sistemas de referência diferentes podemos determinar três


equações diferentes para a mesma curva em questão. Na verdade podemos
determinar infinitas equações para uma mesma curva plana, pois podemos
posicionar um sistema de referência em qualquer lugar do plano.

68
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Em relação aos três sistemas da figura 6.1, nenhum deles nos dará uma equação
reduzida para a curva, que é uma elipse, pois obviamente os focos e vértices da
mesma não estão sobre nenhum eixo.

Para obtermos uma equação reduzida para a elipse acima temos que posicionar
um novo sistema de referência num local que atenda às exigências que vimos no
capítulo 5.

Este procedimento é o que chamamos de Translação de Eixos Coordenados.

Então, o objetivo de uma translação de eixos coordenados é reduzir as equações


de algumas curvas a uma forma mais simples.

Numa translação de eixos não alteramos as características originais do sistema


de referência, apenas mudamos de lugar, ou seja:

dois sistemas cartesianos XoY e X 'o 'Y ' são transladados quando os eixos

o ' X ' e o 'Y ' são respectivamente paralelos aos eixos oX e oY .

Y
Y’
existe translação ⇔ o ' X ' // oX e o 'Y ' // oY

O’ X’

O X

Figura 6.2

69
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Para ilustrar o que acabamos de ver, vamos resolver o seguinte exercício:

Determinar a equação geral da circunferência cujo centro é c(3,4) e o raio r = 2.

C(3,4)

O X

1. Em relação ao plano XoY .

( x − h) 2 + ( y − k ) 2 = r 2
( x − 3) 2 + ( y − 4) 2 = 22
x 2 − 6 x + 9 + y 2 − 8 y + 16 − 4 = 0

x 2 + y 2 − 6 x − 8 y + 21 = 0

2. Agora vamos determinar a equação da mesma circunferência em relação


ao sistema X 'o 'Y ' com eixos paralelos aos do sistema XoY e com sua
origem no centro da circunferência.

Y Y’

sol:

2 ( x' )2 + ( y ' )2 = 4

O’ C(3,4) X’
pois o centro da circunferência é o ponto (0,0)
do sistema X 'o 'Y '

O X

70
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Conclusão:

Podemos observar que a equação da circunferência ficou bem mais simples em


relação ao novo sistema transladado, inclusive os termos do 1º grau sumiram.
Para uma translação bem feita, temos que saber onde posicionar a origem do
novo sistema. No caso de uma circunferência, teremos uma equação reduzida se
a origem do sistema coincidir com seu centro.
Veremos a seguir como identificar a melhor localização do sistema de referência
para as outras curvas cônicas.

6.2 Relação Entre os Sistemas XoY e X 'o 'Y '

 Sistema XoY

dados:  Sistema X 'o 'Y '
 Ponto P

Y Y’

B’(y’)
( x, y )
B2(y) P
( x' , y' )

A’(x’) X’
B1(k)
(h, k )
o'
(0,0)

O A1(h) A2(x) X

Figura 6.3
os pontos o’ e P possuem dois pares de
coordenadas pois existem dois sistemas
de referência no plano

71
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Importante: (h, k ) é a origem do sistema transladado x' o' y ' em relação ao


sistema original xoy .

Tomando as projeções dos pontos o’ e P nos eixos coordenados, podemos dizer


que:
OA2 = x

OA2 = OA1 + A1 A2 mas OA1 = h
 A A = o ' A' = x '
 1 2

então :

x = h + x' ⇒ x = x' + h

OB2 = OB1 + B1B2 ⇒ y = y' + k

Concluindo:
 x = x' + h
as relações  '
serão utilizadas para determinar a origem (h, k ) do
y = y + k
sistema de referência transladado (X o Y ) .
' ' '

72
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Exercícios resolvidos:

Dada a equação da cônica abaixo, pede-se:

• Identificá-la;
• Determinar seus elementos;
• Fazer um esboço do gráfico.

25 x 2 + 16 y 2 + 150 x − 128 y − 1119 = 0

Esta é a equação de uma elipse, pois podemos identificar dois termos do 2º grau, ambos
positivos. Como sabemos, as equações reduzidas das elipses possuem dois termos do 2º grau e
um termo independente. Então para obter uma equação reduzida, sem os termos do 1º grau, que
represente a mesma curva acima temos que utilizar um sistema de referência transladado.

Para mudar de sistema de referência utilizamos a seguinte relação:

 x = x' + h
 '
y = y + k
25( x ' + h) 2 + 16( y ' + k ) 2 + 150( x ' + h) − 128( y ' + k ) − 1119 = 0
25( x ' ) 2 + 50hx ' + 25h 2 + 16( y ' ) 2 + 32ky ' + 16k 2 + 150 x ' + 150h − 128 y ' − 128k − 1119 = 0
ordenando as parcelas
25( x ' ) 2 + 16( y ' ) 2 + (50h + 150) x ' + (32k − 128) y ' + 25h 2 + 16k 2 + 150h − 128k − 1119 = 0
anulando os termos do 1o grau , temos
50h + 150 = 0 ⇒ h = −3
32h − 128 = 0 ⇒ k = 4 ∴ o ' (− 3,4 )
substituindo h e k na equação, fica
25( x ' ) 2 + 16( y ' ) 2 = 1600
ou
(x' )2 ( y ' )2
+ =1
64 100
Equação reduzida de uma elipse em relação ao plano x’o’y’
com focos sobre o eixo-y’.

73
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Determinando seus elementos:

Y’ Y Curva fora da escala


a = 100 ⇒ a = 10
2

b 2 = 64
c2 = a2 −b2
c = 100 − 64 O’(-3,4) X’
c=6

A ' (0,−10) e A(0,10)
F ' (0,−6) e F (0,6) O X

6.3 Exercícios propostos:


1) Determine a equação da elipse cujo centro está no ponto C(1,4), um foco é o
2
ponto F(5,4) e a excentricidade é .
3
2) Determine a equação da elipse com eixo maior igual a 10 e focos F’(2,-1) e
F(2,5).
3) Determine a equação da elipse com centro no ponto C(-3,0), um foco em
F(-1,0) e que é tangente ao eixo y.
4) Faça um esboço do gráfico das seguintes elipses:
a) 9 x 2 + 16 y 2 − 36 x + 96 y + 36 = 0

b) 25 x 2 + 16 y 2 + 50 x + 64 y − 311 = 0
5) Determine a equação da hipérbole com centro no ponto C(3,2), um vértice em
A(1,2) e um foco em F(-1,2).
6) Determine a equação da hipérbole com vértices em (3,-2) e (5,-2) e um foco
em (-1,-2).
7) Determine a equação da hipérbole com vértices em (5,-1) e (5,5) e
excentricidade 2.
8) Faça um esboço do gráfico das seguintes hipérboles:
a) 9 x 2 − 4 y 2 − 18 x − 16 y − 43 = 0

b) 16 x 2 − 9 y 2 − 64 x − 18 y + 199 = 0

74
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

9) Determine a equação da parábola cujo vértice é o ponto V(-2,3) e o foco é o


ponto F(-2,1).
10) Determine a equação da parábola cujo foco é F(-7,3) e a diretriz é a reta
x+3= 0.
11) Determine a equação da parábola que tem seu vértice no ponto V(4,-3), seu
eixo paralelo ao eixo x, e que passa pelo ponto P(2,1).
12) Faça um esboço do gráfico das seguintes parábolas:
a) x 2 + 4 x + 8 y + 12 = 0

b) x 2 − 2 x − 20 y − 39 = 0

c) y 2 + 4 y + 16 x − 44 = 0

d) y 2 − 16 x + 2 y + 49 = 0

Respostas:
1) 5 x 2 + 9 y 2 − 10 x − 72 y − 31 = 0

2) 25 x 2 + 16 y 2 − 100 x − 64 y − 236 = 0

3) 5 x 2 + 9 y 2 + 30 x = 0
4)
a) O' (2,−3)
b) O' (−1,−2)

5) 3 x 2 − y 2 − 18 x + 4 y + 11 = 0

6) 24 x 2 − y 2 − 192 x − 4 y + 356 = 0

7) x 2 − 3 y 2 − 10 x + 12 y + 40 = 0
8)
a) O' (1,−2)
b) O' (2,−1)

9) x 2 + 4 x + 8 y − 20 = 0

10) y 2 + 8 x − 6 y + 49 = 0

11) y 2 + 8 x + 6 y − 23 = 0
12)
a) O' (−2,−1) c) O' (3,−2)
b) O' (1,−2) d) O' (3,−1)

75
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Capítulo 7
Noções do Sistema de Coordenadas Polares.

7.1 Introdução.

Veja a figura 7.1 abaixo.

π
M

Figura 7.1

Para localizar o ponto M no plano π nós precisamos de um sistema de referência.


Até agora o único que conhecemos é o Plano Cartesiano ou Sistema de
Coordenadas Retangulares.

Vamos ver então uma outra forma ou um outro sistema para localizar o ponto M:

• Traçamos uma semi-reta OX no plano π ;

π
M

O

X

76
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

• Medimos a distância orientada do ponto O (origem da semi-reta) ao ponto


M. Chamaremos esta distância de ρ (ro);

• dOM = ρ ;

• Medimos o ângulo θ , positivo no sentido anti-horário, formado a partir do

eixo OX até o segmento OM;


• O ponto M fica bem determinado no plano pelo par ordenado (θ , ρ ) ;

• Este par ordenado faz parte do sistema de Coordenadas Polares.

7.2 Elementos.

raio polar

ρ
ângulo polar
θ
O X

pólo
eixo polar

Figura 7.2

Vejamos:

π  π 
Seja o ponto A ,5 
6  A ,5 
6 

O X

77
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

O sistema de coordenadas polares não possui a característica biunívoca do


sistema de coordenadas cartesianas, ou seja, cada ponto do plano pode ser
representado por infinitos pares ordenados do tipo P(2kπ + θ , ρ )

π 
Como exemplo, vamos verificar que podemos representar o ponto A ,5  de
6 
várias formas:

 5π 
A − , − 5
 6 
 11 
A − π , 5 
 6 
 π 
A π + , − 5 
 6 
π 
A + 2π ,5 
6 
 π 
A 2kπ + ,5 
 6 

7.3 Relação entre os Sistemas Cartesiano e Polar.

Podemos definir uma relação entre os sistemas polar e cartesiano para


transformar equações de curvas de um sistema para outro.
Vamos notar que algumas curvas possuem equações mais simples em relação a
um determinado sistema de referência. Por exemplo, as cônicas geralmente têm
suas equações mais simplificadas no sistema polar.

A figura 7.3 abaixo mostra um ponto P representado nos dois sistemas,


cartesiano e polar, onde suas origens coincidem num mesmo ponto e o eixo polar
se sobrepõe ao eixo cartesiano das abscissas.

( x, y )
p2 ( y ) P
(θ , ρ ) OX ≡ eixo x
ρ
y

θ
x
O P1 ( x) X

78
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Cartesiano → Polar

 x = ρ . cosθ
∆OP1P é retângulo ⇒ 
 y = ρ . sen θ

∴ ( x, y ) → ( ρ cosθ , ρ sen θ )

Polar → Cartesiano

 y
 θ = arctg
 x
ρ = x + y 2
2

 y 
∴ (θ , ρ ) →  arctg , x 2 + y 2 
 x 

Exercícios resolvidos:

1) Passar a equação cartesiana 2 x − 3 y + 6 = 0 para a forma polar.

sol:

 x = ρ cosθ

 y = ρ sen θ

então :
2( ρ cosθ ) − 3( ρ sen θ ) + 6 = 0
2 ρ cosθ − 3 ρ sen θ = −6
ρ (2 cosθ − 3 sen θ ) = −6

−6
ρ=
2 cosθ − 3 sen θ

79
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

4
2) Passar a equação polar ρ = para a forma cartesiana.
2 − cosθ
sol:

ρ = x2 + y2

entao :
2 ρ − ρ cosθ = 4
2 x2 + y2 − x = 4

(2 x2 + y2 ) = (4 + x)
2
2

( )
4 x 2 + y 2 = 16 + 8 x + x 2
4 x 2 + 4 y 2 − 16 − 8 x − x 2 = 0

3 x 2 + 4 y 2 − 8 x − 16 = 0

3
3) Passar a equação polar ρ = para a forma cartesiana.
cosθ
sol:

ρ cosθ = 3

x=3

80
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Apêndice I

Álgebra

1. Lei dos Expoentes

a m a n = a m+ n ; (ab) m = a m b m ; (a m ) n = a mn ; am/ n = n am

am 1
Se a ≠ 0: n
= a m −n ; a 0 = 1; a −m =
a am

2. Zero (a divisão por zero não é definida)

0
Se a ≠ 0: = 0, a 0 = 1, 0a = 0
a

Para qualquer número a: a.0 = 0.a = 0

3. Frações

a c ad + bc a c ac a/b a d −a a a
+ = ; ⋅ = ; = ⋅ ; =− =
b d bd b d bd c/d b c b b −b

4. Produtos Notáveis

(a + b) 2 = a 2 + 2ab + b 2

(a + b) 3 = a 3 + 3a 2 b + 3ab 2 + b 3

5. Diferença de Potências Inteiras Iguais

a 2 − b 2 = (a − b)(a + b)

a 3 − b 3 = (a − b)(a 2 + ab + b 2 )

a 4 − b 4 = (a − b)(a 3 + a 2 b + ab 2 + b 3 )

6. Fórmula Quadrática (Báskara)

Se a ≠0, ax 2 + bx + c = 0

− b ± b 2 − 4ac
x=
2a

81
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Apêndice II

Trigonometria

1. Definições e Identidades Fundamentais


y

y 1 P(x,y)
Seno: senθ = =
r cos ecθ r
y
x 1 θ
Cosseno: cosθ = =
r secθ 0 x x

y 1
Tangente: tgθ = =
x cot gθ

2. Identidades

sen(−θ ) = − senθ ; cos(−θ ) = cosθ


sen 2θ + cos 2 θ = 1; sec 2 θ = 1 + tg 2θ ; cos ec 2θ = 1 + cot g 2θ
sen 2θ = 2 senθ cosθ ; cos 2θ = cos 2 θ − sen 2θ
1 + cos 2θ 1 − cos 2θ
cos 2 θ = ; sen 2θ =
2 2

sen( A + B) = senA cos B + cos A senB


sen( A − B) = senA cos B − cos A senB
cos( A + B) = cos A cos B − senA senB
cos( A − B) = cos A cos B + senA senB

tgA + tgB
tg ( A + B) =
1 − tgA tgB

tgA − tgB
tg ( A − B) =
1 + tgA tgB

 π  π
sen A −  = − cos A ; cos A −  = senA
 2  2
 π  π
sen A +  = cos A; cos A +  = − senA
 2  2

82
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Apêndice III

Geometria

1. Cevianas

Ceviana é um segmento de reta, ou semi-reta, que liga um vértice do triângulo


ao lado oposto correspondente ou ao do seu prolongamento. São exemplos de
cevianas a Mediana, a Altura e a Bissetriz.

Mediana de um triângulo é o segmento de reta que liga um vértice deste


triângulo ao ponto médio do lado oposto a este vértice. As três medianas de
um triângulo são concorrentes e se encontram no centro de massa, ou
baricentro do triângulo.

Altura é um segmento de reta perpendicular a um lado do triângulo ou ao seu


prolongamento, traçado pelo vértice oposto. O ponto de interseção das três
alturas de um triângulo denomina-se ortocentro.

Bissetriz é a semi-reta que divide um ângulo em dois ângulos congruentes.


As três bissetrizes internas de um triângulo se encontram no centro de uma
circunferência inscrita ao triângulo, ou incentro.

83
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

2. Mediatriz

Mediatriz é a reta perpendicular a um lado do triângulo, traçada pelo seu


ponto médio. As três mediatrizes de um triângulo se encontram em um único
ponto, o circuncentro, que é o centro da circunferência circunscrita ao
triângulo, que passa pelos três vértices do triângulo.

3. Fórmulas de Geometria Plana

84
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Apêndice IV – Seções Cônicas

As curvas cônicas são conhecidas e estudadas há muitos séculos. Os


trabalhos mais antigos sobre o assunto foram feitos por Menaechmus (380 – 320
a.C.), Aristeu e Euclides. Mas foi Apolônio, conhecido como “O Grande Geômetra”
que nasceu por volta de 262a.C. em Perga, no sul da Ásia Menor e morreu por
volta de 190a.C. em Alexandria, que desenvolveu um estudo mais completo e
detalhado sobre as seções cônicas. Sua grande obra Seções Cônicas supera
completamente os trabalhos anteriores sobre o assunto (EVES, 1997).

FIGURA 1 – Seções cônicas não degeneradas

Na FIG. 1, vê-se a obtenção das seções cônicas como cortes de um


plano em uma superfície cônica de revolução.
Variando o ângulo do plano em relação ao eixo da superfície cônica,
obtêm-se as diferentes curvas cônicas. (FIG. 2).

FIGURA 2 – Variação do ângulo do plano de corte

85
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

A circunferência também é considerada uma cônica, pois pode ser


obtida quando um plano secciona uma superfície cônica perpendicularmente ao
eixo. Existem ainda, as chamadas cônicas degeneradas que ocorrem quando o
plano intercepta a superfície cônica em seu vértice e dependendo de seu ângulo
surgem um ponto, uma reta ou duas retas concorrentes, (FIG. 3).

FIGURA 3 – Cônicas degeneradas


a) uma reta
b) um ponto
c) duas retas concorrentes

Winterle (2000), descreve como obter uma “superfície cônica” a partir


de duas retas (FIG. 5). “Sejam duas retas e e g concorrentes em o e não-
perpendiculares. Conservemos fixa a reta e e façamos g girar 360 graus em torno
de e mantendo constante o ângulo entre estas retas. Nestas condições, a reta g
gera uma superfície cônica circular infinita formada por duas folhas separadas
pelo vértice o.”
e

FIGURA 1 – Superfície cônica

86
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

No início os matemáticos estudavam estas elegantes curvas sem


maiores preocupações com aplicações práticas. Mas ao longo do tempo inúmeras
descobertas importantes em matemática pura e na ciência em geral estavam
ligadas às seções cônicas.
Dois exemplos clássicos são, a descoberta de Galileu Galilei que em
1604 descobriu que um projétil que era lançado horizontalmente do topo de uma
torre tinha uma trajetória em forma de parábola se considerando atuante apenas a
força da gravidade e a publicação de Kepler em 1609 de sua descoberta de que a
órbita de Marte em torno do Sol era uma elipse, lançando a hipótese que todos os
planetas se moveriam em órbitas elípticas, o que foi comprovado décadas mais
tarde por Isaac Newton. (EVES, 1997).

87
GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

René Descartes (31 de Março de


1596, La Haye en Touraine, França
— 11 de Fevereiro de 1650,
Estocolmo, Suécia), também
conhecido como Renatus Cartesius,
foi um filósofo, um físico e
matemático francês. Notabilizou-se
sobretudo pelo seu trabalho
revolucionário da Filosofia, tendo
também sido famoso por ser o
inventor do sistema de coordenadas
cartesiano, que influenciou o
desenvolvimento do Cálculo
moderno.
Descartes, por vezes chamado o fundador da filosofia moderna e o pai da matemática moderna, é
considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da história humana. Ele inspirou os
seus contemporâneos e gerações de filósofos. Na opinião de alguns comentadores, ele iniciou a
formação daquilo a que hoje se chama de Racionalismo continental (supostamente em oposição à
escola que predominava nas ilhas britânicas, o Empirismo), posição filosófica dos séculos XVII e
XVIII na Europa

O interesse de Descartes pela matemática surgiu cedo, no “College de la Fleche”, escola do mais
alto padrão, dirigida por jesuítas, na qual ingressara aos oito anos de idade. Mas por uma razão
muito especial e que já revelava seus pendores filosóficos: a certeza que as demonstrações ou
justificativas matemáticas proporcionam. Aos vinte e um anos de idade, depois de freqüentar
rodas matemáticas em Paris (além de outras) já graduado em Direito, ingressa voluntariamente na
carreira das armas, uma das poucas opções “dignas” que se ofereciam a um jovem como ele,
oriundo da nobreza menor da França. Durante os quase nove anos que serviu em vários exércitos,
não se sabe de nenhuma proeza militar realizada por Descartes. É que as batalhas que ocupavam
seus pensamentos e seus sonhos travavam-se no campo da ciência e da filosofia.

A Geometria Analítica de Descartes apareceu em 1637 no pequeno texto chamado “A


Geometria” como um dos três apêndices do Discurso do método, obra considerada o marco inicial
da filosofia moderna. Nela, em resumo, Descartes defende o método matemático como modelo
para a aquisição de conhecimentos em todos os campos.

Fonte: Wikipédia

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GEOMETRIA ANALÍTICA PLANA

Bibliografia.

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