Você está na página 1de 23

DENSITOMETRIA OSSEA

Curso: Tecnólogo em Radiologia

Conhecendo a Desintometria Ossea.


► A Densitometria òssea é uma modalidade
de Diagnóstico por imagem que
determina a densidade mineral óssea de
uma ou mais regiões anatômicas do
paciente permitindo o diagnóstico de
doenças ósseas metabólicas e endócrinas
que envolvem alterações na auto-
regulação dos sais inorgânicos, cálcio e
fósforo, no corpo humano. A osteoporose
é um exemplo.

► Idicações para a realização de exames de


Densitometria Óssea de acordo com o
consenso Brasileiro de Osteoporose 2002.
Física Médica Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo. Mestre em Ciências
(Instituto de Física da USP), Especialista em Radiologia Diagnóstica (Associação
Brasileira de Física Médica).
► METABOLISMO DO OSSO
► O osso é um tecido vivo. O tecido ósseo antigo é
removido por células chamadas osteoclastos e
substituído por um novo produzido por células
denominadas osteoblastos.

A figura ilustra a variação da massa óssea com a


idade de maneira figurativa. Durante a juventude a
taxa de absorção óssea é menor que a taxa de
construção e a aquisição de massa óssea é gradual
durante a infância e acelerada durante a
adolescência até a idade adulta. O pico de massa
óssea é a quantidade máxima de massa óssea que
um indivíduo acumula desde o nascimento até a
maturidade do esqueleto, que ocorre
aproximadamente aos 20 anos. Depois de parar o
crescimento e o pico de massa óssea for atingido,
na idade adulta, a taxa de reabsorção óssea torna-
se ligeiramente maior do que a taxa de formação,
resultando numa diminuição gradual da massa óssea
com a idade
► Normalmente, a perde de massa ósse é de cerca de 05 a 1%
por ano.
► As mulheres tem maior perda óssea do que os homens e é
acelerada após a menopausa.
► Durante a vida as mulheres perdem cerca de 40% de sua
massa óssea, enquanto que os homens perdem cerca de 25%.
► A taxa de perda de massa óssea varia entre indivíduos e
devido a diversos fatores como: peso corporal, nível de
atividade física, quantidade de cálcio e vitamina D na dieta,
tabagismo, consumo de álcool, doença ou uso de certos
medicamentos a longo praz
► OSTEOPOROSE

► A osteoporose é caracterizada pela diminuição na massa óssea para um nível


abaixo daquele requerido para o suporte mecânico de atividades normais e
pela ocorrência de deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com um
consequente aumento da fragilidade óssea e susceptibilidade à fratura.
► O esqueleto humano é constituído por cerca de 80% de osso cortical e 20% de
osso trabecular.

► As medições quantitativas da densidade óssea na coluna lombar, em AP, e do


fêmur proximal, colo femoral e/ou fêmur total e antebraço, segundo os
critérios propostos pela OMS, provaram ser eficazes no diagnóstico da
osteoporose. O maior valor preditivo para fratura se dá quando se mede o
próprio local de interesse.
► MEDIDAS QUANTITATIVAS

► Uma vez que a força do osso é proporcional à massa óssea, a medição da massa óssea ou, como é
normalmente chamada, a densidade óssea, fornece os meios para o diagnóstico da osteoporose e para
estimar o risco de fraturas de um indivíduo.
► As grandezas de Conteúdo Mineral Ósseo – BMC (do inglês Bone Mineral Content), dado em g ou g/cm e
Densidade Mineral Óssea – BMD (do inglês Bone Mineral Density), dado em g/cm2 são os parâmetros
medidos para análise quantitativa da massa óssea presente.
► Estes valores são importantes, pois são utilizados para monitorar as mudanças da massa óssea com o
tempo. Entretanto, a medida isolada da densidade mineral óssea de um indivíduo não oferece um
diagnóstico específico de osteoporose. A medida de BMD de um paciente deve ser comparada com
valores normais de jovens do mesmo sexo e com indivíduos normais de mesmo sexo e idade e, em
alguns casos, mesma etnia e peso. Os valores são, então, expressos como porcentagem ou desvio
padrão em relação a essa população. Para isso, são usados os índices T-score e Z-score.

► EQUIPAMENTOS
► Uma fonte emissora de fótons, que pode ser
tanto um radioisótopo (SPA e DPA) quanto um
tubo de raios X (DXA), emite fótons que são
colimados em um feixe. O feixe de fótons passa
através do paciente (onde alguns fótons
sofrerão os efeitos já descritos acima,
reduzindo a intensidade do feixe) e continua
até alcançar o detector, onde é registrada a
intensidade do feixe transmitido. O sistema
fontecolimador-detector é cuidadosamente
alinhado e mecanicamente conectado. O
mecanismo se movimenta de um lado para o
outro formando as linhas de varredura que irão
compor a imagem. Uma vez obtida a imagem,
regiões de interesse (ROI – Region of Interest)
são selecionadas conforme a anatomia
examinada e os valores de BMD são calculados,
assim como os índices T-score e Z-score. Esses
valores são apresentados na forma de um
relatório.
► O formato do feixe pode ser do tipo pencil beam (feixe lápis) ou
fan beam (feixe leque). No caso do feixe tipo pencil beam, um
colimador na forma de orifício é colocado na saída da fonte
emissora, produzindo um feixe na forma de lápis. Nestes
sistemas, um único detector posicionado no lado oposto recebe o
feixe de radiação transmitido, de forma que os movimentos do
sistema fonte-detector precisam ser lineares de um lado para
outro (sentido lateral) seguidos por um movimento para frente
(sentido longitudinal), como mostra a figura.

► Nos equipamentos que emitem um feixe no formato de leque (fan


beam), o colimador tem a forma de uma fenda e o sistema
detector é composto por um arranjo de multi elementos
detectores, de forma que é possível fazer a varredura com o
sistema se movendo em uma única direção (longitudinal) (Figura
8). Essa tecnologia permite aquisições com tempos muito
menores em relação ao sistema do tipo pencil beam.
► CONTROLE DE QUALIDADE

► O Controle de Qualidade nos equipamentos de Densitometria Óssea é


obrigatório e tem a finalidade de garantir a precisão do diagnóstico. Além da
calibração inicial efetuada pelo fabricante, devem-se realizar testes diários
para monitorar a performance do equipamento pontualmente e ao longo do
tempo. Esses testes são realizados com objetos simuladores próprios
fornecidos pelo fabricante. Os objetos simuladores podem ser blocos de
alumínio em forma de escada (diferentes espessuras) ou blocos contendo
estruturas que simulam uma coluna lombar.
► Esses objetos simuladores são posicionados no equipamento e uma varredura é efetuada. Valores de
BMD da aquisição são computados automaticamente pelo equipamento e o valor obtido é comparado
com o valor esperado, determinado previamente pelo fabricante no momento da instalação com o
mesmo objeto simulador que será usado nos testes diários. Se o valor obtido diferir em mais de 1,5% do
valor esperado, deve-se repetir a medida e, mantendo a diferença, deve-se interromper o uso do
equipamento e acionar a assistência técnica do equipamento
► Os valores obtidos diariamente são adicionados à base de dados do equipamento e é possível analisar o
comportamento dos resultados ao longo do tempo.
► Além do teste diário, alguns fabricantes podem incluir testes semanais, como é o caso da Hologic que
executa uma varredura de corpo inteiro no ar (sem nenhum objeto na mesa de exames). Esse teste tem
a finalidade de avaliar a uniformidade da imagem e seu resultado é comparado com os limites
estabelecidos.
► Procedimentos

► 1 - Questionário

► Um exame bem sucedido de Densitometria Óssea leva em conta não só a


aquisição em si, mas também o levantamento histórico do paciente. Assim, é
importante que antes da aquisição o paciente responda um questionário com
as questões abaixo:
► 1 – Nome
► 2 – Idade
► 3 – Peso e Altura
► 4 - Sexo
► 5 - Qual o motivo do exame?
► 6 - Já fez algum exame de densitometria óssea? Se sim, no mesmo local
(clínica) ou outro? Deixar os resultados anteriores em caso positivo.
► 7 - Tem hiperparatireoidismo ou exame com níveis de cálcio elevado no
sangue?
► 8 - Tem prótese de quadril? Se sim, em qual lado (direito ou
esquerdo)?
► 9 - Já se submeteu a alguma cirurgia? Qual?
► 10 - Realizou algum exame com Bário ou algum exame de
Medicina Nuclear nas últimas duas semanas? Se sim, qual?
► 11 - Informar as medicações em uso atualmente, especialmente
Hormônios da Tireóide, Anticoncepcionais orais e Cálcio.
► Para pacientes do sexo feminino, acrescentar ainda as questões
abaixo:
► 12 - Há alguma chance de estar grávida?
► 13 - Está na menopausa? Se sim, com que idade? Se não,
informar a data da última menstruação.
► 14 - Retirou cirurgicamente um ou dois ovários? Se sim, com
qual idade?
► Questões relacionadas a fatores de risco:
► 1 - Já teve fratura óssea? Se sim, informar o local e se foi
fratura espontânea ou por trauma.
► 2 - Os pais já tiveram fratura espontânea de quadril?
► 3 - Tem hábito de fumar? Se já foi tabagista, mas parou
informar a quanto tempo parou.
► 4 - Já fez uso de corticoides? Se usa ou já fez uso informar por
quanto tempo, a dose diária (mg/dia) e o nome do
medicamento.
► 5 - Tem artrite reumatoide? Se sim, há quanto tempo foi
diagnosticada (meses/anos)?
► 6 - Tem o hábito de ingerir bebida alcoólica diariamente? Se
sim, informar as doses ao dia que costuma ingerir.
► 7 – O paciente tem alguma dessas patologias associadas à osteoporose secundária?
► a) Diabetes tipo I (insulinodependente)
► b) Osteogênese imperfeita (do adulto)
► c) hipertireoidismo (de longa data)
► d) menopausa precoce (<45 anos) ou deficiência de testosterona
► e) deficiência nutricional (ex. distúrbio de alimentação)
► f) síndrome de má absorção (ex.: doenças intestinais)
► g) insuficiência hepática crônica.

► 2 - Orientações Pré-Procedimento
► - Checar o pedido médico
► - Verificar se a altura e peso do paciente estão dentro dos limites do equipamento;
► - Nunca realizar a densitometria óssea depois de exames com contrastes radiográficos.
► - O paciente não poderá tomar cálcio no dia do exame.
► - Para densitometria de corpo inteiro o paciente deve suspender a ingestão de água 3
horas antes do exame
► - Pacientes grávidas não devem realizar o procedimento
► - Conferir se o (a) paciente respondeu a todos os itens do questionário. No caso de
pacientes do sexo feminino, com idade superior a 45 anos que tenham alguma dúvida
quanto à possibilidade de estar na menopausa (ex. estar usando DIU mirena,
► antecedente de histerectomia etc), o médico deverá ser consultado. As pacientes
ooforectomizadas estão tecnicamente na menopausa.
► - Verificar se o (a) paciente tem exame anterior. Em caso positivo, o(a) paciente deverá
entregar o exame anterior para comparação;
► - Pedir ao (à) paciente que tire os sapatos e qualquer tipo de metal que possa interferir
no exame, tais como: fivelas, botões, sutiãs com aro metálico, roupas com zíperes,
colchetes etc;
► - Identificar a etnia do paciente: branco, negro, asiático, etc..
► - Posicionar corretamente o(a) paciente.
► 3 - Contraindicações:
► - Gravidez
► - Ingestão recente de meio de contraste oral
► - Exame recente de medicina nuclear
► - Impossibilidade de se manter em posição decúbito dorsal na mesa de exames sem se
movimentar durante tempo do exame. Alguns equipamentos têm a opção de modos de
scan rápidos (fast scan) que reduzem o tempo de aquisição.
► Posicionamento
Coluna lombar em AP:
► Os parâmetros de aquisição e processamento
do exame de Coluna Lombar devem seguir os
protocolos do fabricante. Esses protocolos
diferem em detalhes de um fabricante/modelo
para outro, mas, em geral, a aquisição é feita
com o paciente deitado em posição supina na
mesa de exame e com a parte inferior das
pernas apoiadas em um suporte que é
fornecido com o equipamento (Figura 12). O
apoio das pernas tem a finalidade de reduzir a
lordose e alinhar os espaços entre os discos
vertebrais com o feixe de raios X, melhorando
a visualização da separação das vértebras
individuais na imagem. Com o uso do laser,
deve-se posicionar corretamente onde a
varredura será iniciada e, além disso, a coluna
deve ficar perfeitamente centralizada no
campo de visão.
A espessura abdominal deve ser medida caso o paciente seja obeso ou excessivamente magro, quando a
população sob estudo mostrar variação na composição corporal entre os exames (exemplo: pacientes com
doença hepática apresentando ou não ascite) e em pacientes seguindo dietas para reduzir peso.
Se a região de interesse for de L2 a L4, a varredura deve cobrir a área que vai de 2,5-5 cm abaixo das
margens anteriores da crista ilíaca até logo acima do processo xifóide. Se a região de interesse incluir L1,
então a varredura deverá se estender até cerca de 4 cm acima do processo xifoide.
► Durante a varredura, a imagem formada vai sendo
mostrada no monitor do equipamento e o operador
deve interromper a varredura se os pontos de
referência anatômicos não estiverem aparecendo ou se
a coluna estiver fora de centro. Se isso ocorrer, o
operador deve reposicionar o paciente e reiniciar a
varredura.
► Terminada a aquisição, o software do equipamento
identifica automaticamente as Regiões de Interesse
(ROI´s) que serão analisadas e apresentará os valores
para essas regiões (Figura 13). Deve-se evitar alterar
esses ROI´s, embora, em alguns casos, sejam
necessários pequenos ajustes. Se houver exame
anterior do paciente, é importante que o operador
verifique a imagem anterior para garantir que
idênticas regiões de interesse (ROI´s) sejam avaliadas.
O exame anterior pode ser o relatório impresso ou, se
o exame anterior tiver sido feito no mesmo
equipamento, pode ser recuperado do banco de dados.
► Quadril - Fêmur Proximal
► O exame de Quadril (Fêmur Proximal) é um exame relativamente comum devido à alta mortalidade
associada à fratura nessa região anatômica. Na determinação do BMD do quadril, o correto
posicionamento do paciente e, principalmente, dos membros inferiores, é de extrema importância para
obter-se uma medida de alta precisão. Assim como no caso da coluna, os protocolos entre os diferentes
fabricantes podem ter pequenas diferenças e o operador deve estar atento isso.
► O paciente deve retirar os sapatos e deitar na mesa na posição supina com os membros inferiores
esticados. O pé deve ser firmemente preso ao suporte específico conforme mostra a Figura 14. O suporte
serve para garantir a rotação apropriada da perna e também a reprodutibilidade do posicionamento em
exames futuros. É importante salientar que não é somente o pé que deve ser rotacionado, mas toda a
perna. Uma forma de verificar se a rotação está adequada é observar se o joelho está apontando
levemente para dentro (não para cima ou para o lado de fora). O paciente é alinhado com a linha central
da mesa assim como o centro do suporte de pé, de forma a garantir a reprodutibilidade do ângulo nos
exames futuros.
► Durante a varredura, a imagem em formação vai aparecendo na tela e o operador deve ficar atento
para interromper imediatamente a varredura em caso de mau posicionamento ou movimento do
paciente.
► A região de varredura deve incluir toda a cabeça femoral, o grande trocânter e a extremidade proximal
da haste femoral pelo menos 1,5 cm abaixo do trocânter pequeno.
► A Figura 15a mostra um exemplo de imagem obtida neste exame. As regiões de interesse quantificadas
são: fêmur total, colo do fêmur, trocânter, região intertrocantérica e região de Ward. As regiões de
fêmur total e colo do fêmur são as regiões mais usadas no diagnóstico enquanto que as regiões do
trocânter e triângulo de Ward são mais usadas para fins de pesquisa.
► Antebraço
► Antes de iniciar o exame, mede-se o tamanho do antebraço, como mostra a figura 16a e anota-
se o valor no software do equipamento. Este dado será usado na análise dos resultados. Nos
exames de antebraço em equipamentos DXA (sem necessidade de imersão em água), o
antebraço é posicionado em cima da mesa, e o laser centralizado entre os ossos rádio e ulna. A
posição inicial da varredura vai depender de qual braço será avaliado (esquerdo ou direito) e do
sentido de varredura do equipamento. Alguns equipamentos possuem suportes especiais para o
posicionamento do antebraço evitando a movimentação durante a varredura. Pede-se ao
paciente manter o punho relaxado e que fique com a mão fechada. A Figura 16b mostra um
exemplo de posicionamento para um exame de antebraço.

As regiões de interesse (ROI´s) no


exame de antebraço são tipicamente:
ultradistal (UD), distal (raio médio -
MID) e um terço do raio (1/3). A
Figura mostra as ROI´s em uma
imagem típica.
► Corpo Total
► O exame de corpo total é solicitado quando se pretende
determinar o conteúdo mineral total do corpo. Esta
informação pode ser útil para estudos de balanceamento de
cálcio e estudos pediátricos.
► Assim como nos outros estudos, é necessário seguir o protocolo
de posicionamento do fabricante do equipamento. O paciente
é posicionado deitado em posição supina na mesa de exames
com todas as partes do corpo, incluindo os membros
superiores, dentro do campo de varredura do equipamento. A
Figura 18 mostra um exemplo de posicionamento para a
aquisição de varredura de corpo total. Os pés estão
ligeiramente virados para dentro e é aconselhável prende-los
com uma fita para que não ocorra movimentação durante a
varredura. as mãos podem estar em pronação ( com as palmas
voltadas para baixo), ou a 90º graus como mostra a figura,
dependendo do protocolo do fabricante e da clínica.
► Os valores de BMC e BMD médios são obtidos para
todo o esqueleto assim como de algumas sub-
regiões como crânio, braços, costelas, coluna
lombar e torácica, pelve, abdome, tórax e
membros inferiores. Além disso, a composição do
tecido mole é quantificada em termos de gordura e
tecido magro a partir de medidas em áreas que não
contem osso. A definição das regiões de interesse
em exames de corpo total é específica para cada
modelo/fabricante e o operador deverá consultar o
manual do fabricante para maiores informações. A
Figura 19 mostra um exemplo de um exame de
corpo total mostrando as regiões de interesse e os
valores reportados.

Você também pode gostar