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CURSO ORVILE CARNEIRO 3

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ATOS DA ADMINISTRAçÃO PUBLICA
1 - INTRODUÇÃO
A Administração Pública para atingir os fins a que se propõe, pratica uma série de atos ch
amados de atos da
Administração Pública, ou seja, é a atividade pública.
Na atividade pública geral. existem três categorias bem definidas de atos jurídicos, s
enão vejamos:
· Atos legislativos
Espécies de atos jurídicos · Atos judiciais
· Atos administrativos
I Ieste estudo só nos interessam os atos jurídicos administrativos ou, simplesmente, a
tos administrativos.
2 - ATOS ADMINISTRATIVOS
2.1 - Conceito
A .Administraçào Pública realiza sua função executiva por meio de atos jurídicos que recebe
a denominação
especial de atos administrativos.
A prática de atos administrativos se dá no âmbito do Poder Executivo (regra) e, também,
na órbita dos
Poderes Legislativo e Judiciário (exceções).
Ato jurídico + Finalidade pública = Ato Administrativo
Conceito de ato administrativo - É toda manifestação unilateral de vontade da Administ
ração Pública,
que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transf
erir, modificar, extinguir e declarar
direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria.
O conceito acima é restrito ao ato administrativo típico (unilateral). Os atos admin
isttativos bilaterais (atípicos)
constituem os contratos administrativos.
As condições necessárias para a existência de um ato administrativo são as seguintes:
· que a Admittistração Públíca aja nessa qualidade (supremacía);
· que a manifestação de vontade pública seja apta a produzir efeitos jurídicos para os adm
inistrados, para a
própria Administração ou para seus servidores;
· que provenha de agente competente, com finalidade pública e revestindo forma legal
.
Fato Administrativo é diferente de ato administrativo
Fato administrativo é toda realização material da Administração, em cumprimento de alguma
decisão admi-
nistrativa. O fato administrativo é conseqüência de um ato administrativo que o determ
ina.
3 - REQUISITOS
O exame do ato administrativo revela nitidamente a existência de cinco requisitos
necessários à sua forma-
ção, que lhe dão infra-estrutura:
· competência;
· finalidade;
· forma;
· motivo;
· objeto.
Além destes componentes, merecem apreciação pelas implicações com a eficácia de certos atos
o mérito
administrativo e o procedimento administrativo.
Vejamos cada um dos requisitos acima citados.
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3.1 - Competência (elemento vinculado)
É o poder atribuído ao agente da Administração para o desempenho específico de suas funções
compe-
tência resulta de lei e por ela é delimitada. Todo ato emanado de agente incompetent
e, ou realizado além do limite
de que dispõe a autoridade incumbida de sua prática é inválido.
A competência administrativa é requisito de ordem pública, sendo portanto intransferível
e improrrogável
pela vontade dos interessados. Pode, entretanto, ser delegada e avocada, desde q
ue o permita a lei.
3.2 - Finalidade (elemento vinculado)
É o objetivo de interesse público a atingir. O direito não admite ato administrativo s
em finalidade pública ou
desviado de sua finalidade específica. O ato é tido como nulo quando não sastifizerem
o interesse públicolcoletivo.
A finalidade do ato administrativo é aquela que a lei indica explícita ou implicitam
ente.
3.3 - Forma (elemento vinculado)
Enquanto a vontade dos particulares pode manifestar-se livremente, a da Administ
ração exige procedimen-
tos especiais e forma legal para que se expresse validamente.
A inexistência da forma induz a inexistência do ato adminisirativo. A forma normal d
o ato administrativo é
a escrita, embora atos existam consubstanciados em ordens verbais e até mesmo em s
inais convencionais. O que
convém fixar, é que só se admite o ato administrativo não escrito em casos de urgência, de
transitoriedade da
manifestação da vontade administrativa, ou de irrelevância do assunto para a Administr
ação.
A revogação ou a modificação do ato administrativo deve obedecer à mesma forma do atd orig
inácio.
Forma do ato administrativo é diferente de procedimento administrativo
A forma é o revestimento material do ato; o procedimento é o conjunto de operações exigi
das para a sua
perfeição. O procedimento é dinâmico; a forma é estática.
3.4 - Motivo ou Causa (elemento vinculado ou discricionário)
É a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administr
ativo. O motivo
pode vir expresso em lei, como pode ser deixado ao critério do admínistrador. No pri
meiro caso será um elemento
vinculado; no segundo, discricionário.
3.5 - Objeto (elemento vinculado ou discricionário)
Todo ato adminisuativo tem por objeto a criação, modificação ou comprovação de situações ju
concernentes a pessoas, coisas ou atividades sujeitas â ação do Poder Público. Nesse sen
tido 0 objeto identifica-se
com o conteúdo do ato, através do qual a Administração manifesta o seu poder, e a sua vo
ntade, ou atesta simples-
mente situações preexistentes.
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O objeto, nos atos discricionários, fica na dependência da escolha do Poder Público, c
onstituindo essa
liberdade opcional o mérito administrativo.
· Mérito administrativo - Primeiramente, não é requisito do ato administrativo. Tem relaçõe
profundas
com o motivo e objeto nos atos administrativos, e, conseqüentemente, com as suas c
ondições de valídade e eficácia.
· Mérito administrativo (atos discricionários) - é a valoração dos motivos e a escolha do o
jeto do ato,
feitas pela Administração incumbida de sua prática, quando autorizada a decidir, por l
ei, sobre a conveniência,
oportunidade e justiça do ato a realizar.
Nos atos administrativos discricionários, desde que a lei confia à Administração Pública a
escolha e valoração
dos motivos e do objeto (mérito administrativo), não cabe ao Judiciário rever os critéri
os adotados pelo administra-
dor, porque não há padrões de legalidade para aferir essa situação.
· Procedimento administrativo - É a sucessão ordenada de operações que propiciam a formação
um
ato final objetivado pela Administração. É o caminho legal a ser pecorrido pelos agent
es públicos para a obtenção
dos efeitos regulares de um ato administrativo principal.
O procedimento administrativo se constitui de atos intermediários, preparatórios e a
utônomos, mas sempre
interligados, que se conjugam para dar conteúdo e forma ao ato principal e final p
retendido pelo Poder Público.
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:l - rlTRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO
Os atos adminístrativos trazem em si certos atributos que os distinguem dos atos j
urídicos privados. e ihes
emprestam características próprias e condições peculiares de atuação. São eles: a presunção
itimidade. a
imperatividade e a auto-executoriedade, que veremos a seguir.
4.1 - Presunção de Legitimidade
Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. A presunção de legitimi
e dos atos
administrativos responde a exigêncías de celeridade e segurança das atividades do Pode
r Pública, que não pode-
riam ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitímidade
seus atos, para, só
após, dar-lhes execução.
A presunção dc legitimidade autoriza a imedíata execução ou operatívidade dos atos administ
ativos, mes-
mo que argüidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidade. Enquanto, porém, não sobr
eviero pronunciamento
de nulidade os atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a A
dministração, quer para os
parciculares sujeitos ou heneficiários de seus efeitos. Admite-se, todavia, a sust
ação dos efeitos dos atos admínis-
tratívos através de recursos internos ou de mandado de segurança, ou de ação popular, em q
ue se conceda a
suspensâo liminar. até o pronunciamento final de valídade ou invalidade do ato impugna
do.
Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de inval
de do ato
administrativo para quem a invoca.
4.2 - Imperatividade
É o atributo do ato administratívo que impõe a coercibilidade para o seu cumprimento o
u execução. Esse
atributo não está presente em todos os atos, visto que alguns deles o dispesam por d
esnecessário à sua operatividade.
uma vez que os efeitos jurídicos do ato dependem exclusivamente do interesse do pa
rticular, na sua utilização.
A imperatividade decorre da só existência do ato administrativo, não dependendo da sua
declaração de
validade ou invalidade.
4.3 - Auto-executoriedade
Consiste na possíbilidade que certos atos administrativos ensejam de imediata e di
reta execução pela pró-
pria Adminístração, independentemente de ordemjudicial.
Não poderia a Administração bem desempenhar a sua missão de autodefesa dos interesses so
ciaís, se, a
todo momento, encontrando natural resistência do particular, tivesse que recorrer
ao Judíciário para remover a
oposição individual à atuação pública.
Ao particular que se sentir ameaçado ou lesado pela execução do ato administrativo cab
erá pedir proteção
judicial para obstar a atividade da Administração contráría aos seus interesses, ou para
haver da Fazenda Pública
os eventuais pt ejuízos que tenha injustamente suportado.
5 - CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMIMSTRATIVOS
Toda classificação é útil para metodizar o estudo e facilitar a compreensão de determinada
matéria. Sendo
assim, os atos administrativo classificam-se em:
5.1 - Quanto aos Seus Destinatários
O Atos gerais ou regulamentares - Sãa aqueles expedidos sem destin
atários determinados, nom finali-
dade normativa, alcançando todos os sujeitos que se encontrem na mesma sit
uação de fato abrangida por seus
preceitos.
Os ato gerais prevalecem sobre os atos individuais, ainda que pr
ovindos da mesma autoridade.
0 Atos individuais ou especiais - São todos aqueles que se dírigem a
destinatários certos, criando-lhes
situação jurídica particular. O mesmo ato pode abranger um ou vários sujeitos, d
esde que sejam individualizados.
5.2 - Quanto ao Seu Alcance
O Atos internos - São os destinados a produzir efeitos no recesso das repartições admi
nístrativas, e por
isso mesmo incidem, normalmente, sobre os órgãos e agentes da Administração que os exped
iu.
0 Atos externos - São todos aqueles quc alcançam os admínistrados, os contratantes e,
em certos casos,
os próprios servidores, provendo sobre seus direitos, obrigações, negócios ou conduta pe
rante a Administração.
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53 - Quanto so Seu Objeto
0 Atos de império - São todos aqueles que a Administração pratica usando de sua supremac
ia sobre o
administrado ou servidor e lhes impõe obrigatório atendimento.
O Atos de gestão - São os que a Administração pratica sem usar de sua supremacia sobre o
s destinatários.
0 Atos de expediente - São todos aqueles que se destinam a dar andamento aos proce
ssos e papéis que
ri amitam pelas repartições públicas, preparando-os para a de isão de mérito a ser proferid
ela autoridade competente.
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5.4 - Quanto ao Seu Regramento
O Atos vinculados ou regrados - São aqueles para os quais a lei estabelece os requ
isitos e condições de
sua realização.
O Atos discricionários - São os que a Administração pode praticar com liberdade de escol
ha de seu
conteúdo, de seu destinatário, de sua conveniência, de sua oportunidade e do modo de s
ua realização.
5.5 - Quanto à Formação
O Ato simples - É o que resulta da manifestação de vontade de um único órgão, unipessoal ou
colegiado.
0 Ato complexo - É o que se forma pela conjugação de vontades de mais de um órgão da Admin
istração.
O Ato composto - É o que resulta da vontade única de um órgão, mas depende da verificação p
r parte
de outro, para se tomar exeqüível.
5.6 - Quanto ao Conteúdo
O Ato constitutivo - é o que cria uma nova situação jurídica individual para seus destin
atários, em relação
à Administração.
O Ato extintivo ou desconstitutivo - É o que põe termo a situações jurídicas individuais.
O Ato declaratório - É o que visa a preservar direitos, reconhecer situações preexistent
e, ou mesmo
possibilitar o seu exercício.
O Ato alienativo - É o que opera a ansferência de bens ou direitos de um titular a ou
tro.
O Ato modificatico - É o que tem por fim alterar situações preexistentes, sem suprimir
direitos ou obrigações.
O Ato abdicativo - É aquele pelo qual o titular abre mão de um direito.
5.7 - Quanto à Eficácia
O Ato válido - É o que provém de autoridade competente para praticá-lo e contém todos os r
equisitos
necessários à sua eficácia.
O Ato nulo - É o que nasce afetado de vício insanável por ausência ou defeito substancia
l em seus
elementos constitutivos, ou no processo formativo.
0 Ato ine stente - É o que apenas tem aparência de manifestação regular da Administração, m
não chega
a se aperfeiçoar como ato aduünistrativo. Tais atos se equiparam aos atos administra
tivos nulos no Direito Brasileiro.
5.8 - Quanto à Exeqüibilidade
0 Ato perFeito - É aquele que reúne todos os elementos necessários à sua exeqüibilidade ou
operatividade,
apresentando-se apto e disponível para produzir seus regulares efeitos.
0 Ato imperfeito - É o que se apresenta incompleto na sua formação, ou carente de um a
to complemen-
tar para tornar-se exeqüível e operante.
O Ato pendente - É aquele que, embora perfeito, por reunir todos os elementos de s
ua formação, não
produz os seus efeitos, por não verificado o termo ou a condição de que depende a sua
exeqüibilidade nu operatividade.
0 Ato consumado - É o que produziu todos os seus efeitos, tornando-se, por isso me
smo, irretratável ou
imodificável por Ihe faltar objeto.
5.9 - Quanto à Retratabilidade
O Ato irrevogável - É aquele que se tomou insuscetível de revogação, por ter produzido seu
s efeitos ou gerado
direito subjetivo para o beneficiário, ou ainda, por resultar de coisajulgada admi
nistrativa. Advirta-se, neste ponto, que a
coisa julgada administrativa só o é para a Administração, uma vez que não impede a reaprec
iação judicial do ato.
0 Ato revogável - É aquele que a Administração, e somente ela, pode invalidar, por motiv
os de conveni-
ência, oportunidade ou justiça
O Ato suspensível - E aquele em que a Administração pode fazer cessar os seus efeitos,
em determina-
das circunstâncias ou por certo tempo, embora mantendo o ato para oportuna restaur
ação de sua operatividade.
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.10 - Quanto ao Nlodo de Execução
O Ato auto-executório - É aquele que traz em si a possibilidade de scr executado pel
a própria Adminis-
tração, independentemente de ordemjudicial.
O Ato não auto-executório - É o que depende do pronunciamento judicial para a produção de
seus
efcitos, tal como ocorre com a dívida fiscal, cuja execução é feita pelo Judiciário, quand
o provocado pela Adminis-
tração interessada na sua efetivação.
5.11 - Quanto ao Objeto Visado pela Administração
0 Ato principal - É o que encerra a manifestação de vontade final da Administração.
O Ato complementar - É o que aprova ou ratifica o ato principal, para dar-Ihe exeqüi
bilidade.
0 Ato intermediário ou preparatório - É o que concorre para a formação de um ato principal
e final.
0 Ato-condição - É todo aquele que se antepõe a outro para permitir a sua realização.
O Ato de jurisdição ou jurisdicional - É todo aquele que contém decisão sobre matéria contr
vertida.
5.12 - Quanto ao Efeito
O Ato constitutivo - É aquele pelo qual a Administração cria, modifica ou suprime um d
ireito do adminis-
trado ou de seus servidores.
0 Ato descontitutivo - É aquele pelo qual a Administração desfaz uma situação jurídica pree
istente.
0 Ato de constatação - É aquele pelo qual a Administração verifica e proclama uma situação
a ou
jurídica ocorrente.
6 - MOTIVAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS
...
A motivação dos atos administrativos se vem impondo dia a dia, como uma exigência do d
ireito público
e da legalídade governamental.
Pela motivação, o administrador público justifica a sua ação administrativa, indicando os
fatos que ensejam
o ato administrativo e os preceitos jurídicos que autorizam a sua prática.
Nos atos discricionários, ajustificação será dispensável, bastando apenas evidenciar a com
petência para
o exercício desse poder e a conformação do ato com o interesse público, que é pressuposto
de toda atividade
#
administrativa.
Nos atos vinculados ou regrados é acentuado o dever de se motivar, porque, em tais
casos, a ação
administrativa está ligada estreitamente na lei ou em regulamento, impondo ao admi
nistrador a obrigação de
demonstrar a conformação de sua atividade com todos os pressupostos de direito e de
fato que condicionam a
eficácia e validade do ato. ~
A motivação deve apontar a causa e os elementos determinantes da prática do ato admini
strativo, bem
como o dispositivo Iegal em que se funda.
7 - INVALIDAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS
É assunto de alto interesse, tanto para a Administração como para o Judiciário, uma vez
que a ambos
cabe, em determinadas circunstâncias, desfazer os que se revelarem inadequados aos
fins visados pelo Poder
Público, ou contrários às normas legais que os regem.
Os atos administrativos em duas oportunidades sofrem controle: uma, interna, da
própria Administração,
outra, externa, do Poder Judiciário.
É dever da Administração invalidar, espontaneamente ou mediante provocação, o próprío ato,
trário
à sua finalidade, por inoportuno, inconveniente, imoral ou ilegal. Se o não fizer a
tempo, poderá o interessado
recorrer às vias judiciárias.
A Administração revoga ou anula o seu próprio ato; o Judiciário somente anula o ato admi
nistrativo.
7.1 - Revogação
É a supressão de um ato administrativo legítimo e eficaz, realizada pela Administração - e
somente por ela
- por não mais lhe convir a sua existëncia. Toda revogação pressupõe, portanto, um ato leg
al e perfeito, mas
inconveniente ao interesse público.
A revogação se funda no poder discricionário de que dispõe a Administração para rever a sua
atividade
interna e encaminhá-la adequadamente à realização de seus fins específicos.
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Todo ato adrninistrativo é válido e produz efeitos até o momento da revogação, quer quanto
às partes, quer
em relação a terceiros sujeitos aos seus efeitos reflexos.
A revogação opera efeito "ex nune"
Desde o momento da invalidação, por revogação, do ato administrativo, não cabe ao Poder Púb
ico
indenizar quaisquer prejuízos presentes ou futuros que a revogação eventualmente ocasi
one, porque a obrigação
da Administração é, apenas, a de manter os efeitos passados do ato revogado ("ex nunc"
).
7.2 - Anulação
É a declaração de invalidade de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal, feita pela próp
ria Administra-
ção ou pelo Poder Judiciário. Baseia-se, portanto, em razões de legitimidade ou legalida
de.
Desde que a Administração reconheça que praticou um ato contrário ao direito vigente, cu
mpre-Ihe
anulá-lo o quanto antes para restabelecer a legalidade administrativa. Se o não fize
r, poderá o interessado pedir
ao Judiciário que verifique a ilegalidade do ato e declare a sua invalidade através
da anulação.
Outra modalidade de anulação é a cassação do ato que, embora legítimo na sua origem e forma
torna-se ilegal na sua execução.
0 Efeitos - Os efeitos da anulação dos atos administrativos retroagem às suas origens,
ínvalidando as
conseqüências passadas, presentes e futuras do ato anulado (efeito "ex tunc' . E assim
é porque o ato nulo (ou
o inexistente) não gera direitos ou obrigações para as partes; não cria situações jurídicas
finitivas; não admite
convalidação.
Os terceiros de boa-fé não são alcançados pelos efeitos "ex-tunc", uma vez que estão ampar
ados pela
presunção de legitimidade que acompanha toda a atividade da Administração Pública.
Duas observações ainda se impõem em tema de invalidação de ato administrativo:
· a primeira é a que os efeitos do anulamento são idênticos para os atos nulos como para
os chamados
atos inexistentes;
· a segunda é a que em direito público não há lugar para os atos anuláveis.
0 Prescrição - A prescrição administrativa e a judicial impedem a anulação do ato no âmbito
Administração ou pelo Poder Judiciário.
7.2.1 - Anulação pela Administração Pública
A anulação dos atos administrativos pela própria Administração constitui a forma normal de
invalidação
de atividade ilegítima do Poder Público. Essa faculdade assenta no poder de auto-tut
ela do Estado. É umajustiça
intema, exercida pelas autoridades administrativas em defesa da instituição e da leg
alidade de seus atos.
A faculdade de anular os atos ilegais é ampla para a Administração, podendo ser exerci
da de ofício, pelo
mesmo agente que o praticou, como por autoridade superior que venha a ter conhec
imento da ilegalidade através
de recurso interno, ou mesmo por avocação, nos casos regulamentares.
7.2.2 - Anulação pelo Poder Judiciário
Os atos administrativos nulos ficam sujeitos à invalidação não só pela própria Administraçã
mo
também pelo Poder Judiciário, desde que levados à sua apreciação pelos meios processuais c
abíveis que possi-
bilitem o pronunciamento anulatório.
Como já dito, anteriormente, à Justiça não cabe revogar atos administrativos, porque iss
o é atribuição
exclusiva da Administração.
O controle dos atos administrativos é unicamente de legalidade, mas nesse campo a
revisão é ampla em
face dos seguintes preceitos constitucionais:
· (art. 5.°., XXXV) - "a Iei não poderá excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
a direito ";
· (art.5.°., LXIX e LXX) - "conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líqui
do e
certo, individual ou coletivo, não amparado por habeas corpus ou habeas data ";
· (art. 5.°., LXXIII) - "qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vis
#
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de gue o Estado participe ".
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LEI N° 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990
Textc atualizado crn :s0. 9.f ;
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L.'ltima l iP ' ?.0b8-38, de 2,.. . ? )
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Fafo .saber que o ConRre.sso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
TÍTULO I
Capítulo Único
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. l" Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, da
s autarquias, inclusive
as em regime especial, e das fundações públicas federais.
Art. 2" Para os efcitos desta Lei, servidor é a pessoa legalmente investida em car
go público.
Art. 3° Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabílídades previstas na estrutur
rganizacional
que devem ser cometidas a um servidor.
Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros, são criados por le
i, com denomina-
ção própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provímento em caráter efetivo ou
m comissão.
Ari. 4° É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei.
TÍTULO II
DO PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO
Capítulo I
DO PROVIMENTO
Seção I
Disposições Gerais
Art. 5° São requisitos básicos para investidura em cargo público:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
IV · o níveI de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI · aptidão física c mental.
§ 1° As atribuições do cargo podem justificar a exigência de outros requisitos estabelecid
os em lei.
§ 2° Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concur
so público para
pr_ovimento de cargo eujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são port
adoras; p_ata tais pesso-
as serão reservadas até 20% (vinte por centó) das vagas oferecidas no concurso
§ 3° As universídades e ínstítuições de pesquísa científica e tecnológíca federais poderão
cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as norma
s e os procedimentos desta Lei.
(Parágrafo incluído pela Lei n° 9.515, de 20.11.97)
Art. 6° O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante ato da autoridade competent
e de cada Poder.
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Art. 7° A investidura em cargo público ocorrerá com a posse.
Art. 8° Sáo formas de provimento de cargo público:
I - nomeação;
II - pr_omoção;
III - (R_evogado pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
IV - (Revogado pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
V - readaptãção;
VI - réversão;
VII - ãproveitamento;
VIII - rëintegração;
IX - recondução.
Seção II
Da Nomeação
ArL 9° A nomeação far-se-á:
I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou
de catreira;
II - em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança vagos. (Re
dação dada pela
Lei n° 9.527, de 10.12.97)
Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em comissão ou de natureza especial pode
rá ser nomeado
para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atrib
uições do que atualmente
ocupa, hipótese em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o período da inte
rinídade. (Redação
dada pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
Art. 10. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimento efetivo de
pende de prévia
habilita áó èm concurso público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de cla
sificação e o prazo de
sua validade,':;`~.' ,
' Pác afo único. Os demais requisitos para o ingresso e o desenvolvimento do servidor na
carreira, medi-
ante proïnó ão, serão estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreir
a na Adminis ação Pública
Federâl é seus regulamentos. (Redação dada pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
,
- Seção III
#
Do Concurso Público
Ar 11. O concurso serâ de provas ou de provas e títulos, podendo ser realizado em dua
s etapas, conforme
dispuserem a lei e o regulamento do respectivo plano de carreira, condicionada a
inscrição do candidáto ao paga-
mento do valor fixado no edital, quando indispensável ao seu custeio, e ressalvada
s as hipóteses de isenção nele
expressamente previstas. (Redação dada pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
Art. 12. O concurso público terá validade de até 2 (dois ) anos, podendo ser prorrogad
o uma única vez, por
igual período
;
§ 1° O prazo de validade do concurso e as condições de sua realização serão fixados em edit
que será
publicado no Diário Oficial da União e em jornal diário de grande circulação.
§ 2° Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior
com prazo de
validade não expiradq.
Seção IV
Da Posse e do Exercício
Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo, no qual deverão const
ar as atribuições, os
deveres, as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não po
derão ser alterados unilateral-
mente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício previstos em lei.
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§ 1° A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados da publicação do ato de provimento.
(Redação dada
pela Lci n° 9.527, de 1 0. 12.97)
§ 2° Em se tratando de scrvidor, que esteja na data de publicação do ato de provimento,
em licença prevista
nos incisos I. III e V do art. 81, ou afastado nas hipóteses dos incisos I, IV, VI
, VIII, alíneas "a", "b", "d", "e" e "f',
IX e X do art. 102, o prazo será contado do têrmino do impedimento. (Redação dada pela L
ci n° 9.527, de 10.12.97)
§ 3° A posse poderá dar-se mediante procuração específica.
§ 4° Só haverá pos.se nos casos de provimento de cargo por nomeação. (Redação dada pela Lei
27.
de 10.12.97)
§ 5° No ato da posse. o servidor apresentará declaração de bens e valores que constituem s
eu patrimônio
c declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública.
§ 6° Scrá tornado sem efeito o ato de provimento se a posse não ocorrer no prazo previst
o no § 1° deste
artigo.
Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica oficial.
Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for julgado apto física e mentalmente
para o
exercício do cargo.
Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo público ou da função de
fiança.
(Redação dada pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
§ 1° É de quinze dias o prazo para o servidor empossado em cargo público entrar em exercíc
io, contados da
data da possc. (Redação dada pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
§ 2° O servidor será exonerado do cargo ou será tornado sem efeito o ato de sua designação
ara função
de confiança, se não entrar em exercício nos prazos previstos neste artigo, observado
o disposto no art. 18. (Reda-
ção dada pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
§ 3° À autoridade competente do órgão ou entidade para onde for nomeado ou designado o ser
vidor
compete dar-lhe exercício, (Redação dada pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
§ 4° O início do exercício de função de confiança coincidirá com a data de publicação do at
gnação,
salvo quando o servidor estiver em licença ou afastado por qualquer outro motivo l
egal, hipótese em que recairá no
primeiro dia útil após o término do impedimento, que não poderá exceder a trinta dias da p
ublicação. (Parágrafo
incluído pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
Art. 16. O início, a suspensão, a interrupção e o reinício do exercício serão registrados n
ssentamento
individual do servidor.
Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apresentará ao órgão competente os elem
ntos
necessários ao seu assentamento individual.
Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exercício, que é contado no novo posicioname
nto na carreira
a partir da data de publicação do ato que promover o servidor. (Redação dada pela Lei n° 9
.527, de 10.12.97)
Art. 18. O servidor que deva ter exercício em outro município em razão de ter sido rem
ovido, redistribuído,
requisitado, cedido ou posto em exercício provisório terá, no mínimo, dez e, no máximo, tr
inta dias de prazo, conta-
dos da publicação do ato, para a retomada do efetivo desempenho das atribuições do cargo
, incluído nesse prazo 0
tempo necessário para o deslocamento para a nova sede. (Redação dada pela Lei n° 9.527,
de 10.12.97)
§ 1° Na hipótese de o servidor encontrar-se em licença ou afastado legalmente, o prazo a
que 5e refere este
aroigo será contado a partir do término do impedimento. (Parágrafo renumerado e altera
do pela Lei n° 9.527, de 10.12.97)
§ 2° É facultado ao servidor declinar dos prazos estabelecidos no caput. (Parágrafo incl
uído pela Lei n°
9.527, de 10.12.97)
Art. 19. Os servidores cumprirão jornada de trabalho fixada em razão das atribuições per
tinentes aos
respectivos cargos, respeitada a duração máxima do trabalho semanal de quarenta horas
e observados os limites
mínimo e máximo de seis horas e oito horas diárias, respectivamente. (Redação dada pela Le
i n° 8.270, de 17.12.91 )
§ 1° O ocupante de cargo em comissão ou função de confiança submete-se a regime de integral
dedicação
ao serviço, observado o disposto no art. 120, podendo ser convocado sempre que hou
ver interesse da Administra-
ção. (Redação dada pela Lei n° 9.527, de IO.12.97)
§ 2° O disposto neste artigo não se aplica a duração de trabalho estabeleçida em leis espec
ais. (Parágrafo
incluído pela Lei n° 8.270, de 17.12.91 )