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A psicanálise

" 
 
   

     
 

 

"Os sonhos são uma pintura muda,


em que a imaginação a portas
fechadas, e às escuras, retrata a vida
e a alma de cada um, com as cores
das suas ações, dos seus propósitos e
dos seus desejos."
ccccccccccccccccccccccccccccccccc c c no
À  À

   

Cabe um esclarecimento inicial ao leitor: procurei montar esta página com o
pensamento original de Freud, apesar de estar consciente de que vários dos
postulados originais da psicanálise foram revisados e modificados - vários
deles considerados ultrapassados pelo próprio Freud em seus últimos anos.
Também não abordarei aqui a doutrina freudiana em toda a sua extensão e
implicações. Por isso, aconselho o leitor a procurar um psicanalista licenciado
que possa orientá-lo corretamente nessa matéria.

A Psicanálise é ao mesmo tempo um modo particular de tratamento do


desequilíbrio mental e uma teoria psicológica que se ocupa dos processos
mentais inconscientes; uma teoria da estrutura e funcionamento da mente
humana e um método de análise dos motivos do comportamento; uma doutrina
filosófica e um método terapêutico de doenças de natureza psicológica
supostamente sem motivação orgânica. Originou-se na prática clínica do
médico e fisiologista Josef Breuer, devendo-se a Sigmund Freud (1856-1939) a
valorização e aperfeiçoamento da técnica e os conceitos criados nos
desdobramentos posteriores do método e da doutrina, o que ele fez valendo-se
do pensamento de alguns filósofos e de sua própria experiência profissional.

A formulação da Psicanálise representou basicamente a consolidação em um


corpo doutrinário de conhecimentos existentes, como a estrutura tripartite da
mente, suas funções e correspondentes tipos de personalidade, a teoria do
inconsciente, o método terapêutico da catarse, e toda a       da
natureza humana difundida na época. Além de alicerçar-se - como método
terapêutico -, nas descobertas do médico austríaco Josef Breuer, como doutrina
tem em seus fundamentos muito do pensamento filosófico de Platão e do
filósofo alemão Arthur Schopenhauer. No entanto, ao serem esses
conhecimentos incorporados na Psicanálise, foi aberto o caminho para um
número grande de conceitos subordinados que eram novos, como os de atos
sintomáticos, sublimação, perversão, tipos de personalidade, recalque,
transferência, narcisismo, projeção, introjeção, etc. A psicanálise constituiu-se,
por isso, em um modo novo de abordar as condições psíquicas correspondentes
a estados de infelicidade e a comportamentos anti-sociais, e deu nascimento ao
tratamento clínico psicológico e psiquiátrico moderno.

A extraordinária popularidade da psicanálise poderá, talvez, ser explicada, em


parte, pela sua ousada concepção da motivação humana, ao colocar o sexo -
objeto natural de interesse das pessoas e também sua principal fonte de
felicidade -, como único e poderoso móvel do comportamento humano. O
mundo civilizado, pouco antes chocado com a tese evolucionista de que o
homem descendia dos chimpanzés, já não se surpreendia com a tese de que o
sexo dominava o inconsciente e estava subjacente a todos os interesses
humanos. A novidade foi recebida com divertido espanto e prazerosa
excitação. Em que pese os detalhes picarescos de muitas narrativas clínicas, a
abordagem do sexo sob um aspecto científico, em plena era vitoriana,
representou uma   (para usar um conceito da própria psicanálise) que
permitiu que a sexualidade fosse, sem restrições morais, discutida em todos os
ambientes, inclusive nos conventos. Essa permeabilidade subjetiva confundiu-
se com profundidade científica, e a teoria foi levada a aplicação em todos os
campos das relações sociais, nas artes, na educação, na religião, em análises
biográficas, etc. Porém, a questão da motivação sexual foi causa de se
afastarem do círculo de Freud aqueles que haviam inicialmente se
entusiasmado pela psicanálise como método de análise do inconsciente, entre
eles Carl Jung, Otto Rank, e Alfred Adler que decidiram por outras teses, e
fundaram suas próprias correntes psicanalíticas. No seu todo, a psicanálise foi
fortemente contestada por outras correntes, inclusive a da fenomenologia, a do
existencialismo, e a da logoterapia de Viktor Frankl.

O pensamento de Freud está principalmente em três obras: "Interpretação dos


Sonhos", a mais conhecida, que publicou, em 1900; "Psicopatologia da Vida
Cotidiana", publicada em 1901 e na qual apresenta os primeiros postulados da
teoria psicanalítica, e "Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade", de 1905,
que contem a exposição básica da sua teoria.

Em "Mal Estar na Civilização", publicado em 1930, Freud lança os conceitos


de culturas neuróticas, mais os conceitos de projeção, sublimação, regressão e
Transferência. Em "Totem e Tabu (1913/14) e "O Futuro de uma Ilusão"(1927)
expõe sua posição sobre a religião. Os postulados da teoria são numerosos, e
seu exame completo demandaria um espaço muito extenso, motivo porque
somente os aspectos usualmente mais conhecidos da doutrina e do método
serão examinados nesta página.

X 
cc

c   Freud notou que na maioria dos pacientes que
teve desde o início de sua prática clínica, os distúrbios e queixas de natureza
hipocondríaca ou histérica estavam relacionados a sentimentos reprimidos com
origem em experiências sexuais perturbadoras. Assim ele formulou a hipótese
de que a ansiedade que se manifestava através dos sintomas (neurose) era
conseqüência da energia (libido) ligada à sexualidade; a energia reprimida
tinha expressão nos vários sintomas neuróticos que serviam como um
mecanismo de defesa psicológica. Essa força, o instinto sexual, não se
apresentava consciente devido à "repressão" tornada também inconsciente. A
revelação da "repressão" inconsciente era obtida pelo método da livre
associação (inspirado nos atos falhados ou sintomáticos, em substituição à
hipnose) e pela interpretação dos sonhos (conteúdo manifesto e conteúdo
latente). O processo sintomático e terapêutico compreendia: experiência
emocional - recalque e esquecimento - neurose - análise pela livre associação -
recordação - transferência - descarga emocional - cura.

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Freud buscou inspiração na cultura Grega, pois
a doutrina platônica com certeza o impressionou em seu curso de Filosofia. As
partes da alma de Platão correspondem ao Id, ao Superego e ao Ego da sua
teoria que atribui funções físicas para as partes ou órgãos da mente (1923 - "O
Ego e o Id").

O X, regido pelo "princípio do prazer", tinha a função de descarregar as


tensões biológicas. Corresponde à 


 , do esquema platônico:
é a reserva inconsciente dos desejos e impulsos de origem genética e voltados
para a preservação e propagação da vida..

O À  , que é gradualmente formado no "Ego", e se comporta como um


vigilante moral. Contem os valores morais e atua como juiz moral. É a  

 , a que correspondem os "vigilantes", na teoria platônica.

Também inconsciente, o Superego faz a censura dos impulsos que a sociedade


e a cultura proíbem ao Id, impedindo o indivíduo de satisfazer plenamente seus
instintos e desejos. É o órgão da repressão, particularmente a repressão sexual.
Manifesta-se á consciência indiretamente, sob a forma da moral, como um
conjunto de interdições e de deveres, e por meio da educação, pela produção da
imagem do "Eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa. O Superego ou
censura desenvolve-se em um período que Freud designa como período de
latência, situado entre os 6 ou 7 anos e o inicio da puberdade ou adolescência.
Nesse período, forma-se nossa personalidade moral e social (1923 "O Ego e o
Id").

O  ou o  é a consciência, pequena parte da vida psíquica, subtraída aos


desejos do Id e à repressão do Superego. Lida com a estimulação que vem
tanto da própria mente como do mundo exterior. Racionaliza em favor do Id,
mas é governado pelo "princípio de realidade" ou seja, a necessidade de
encontrar objetos que possam satisfazer ao Id sem transgredir as exigências do
Superego. É a 
 , no esquema platônico. É a parte perceptiva e a
inteligência que devem, no adulto normal, conduzir todo o comportamento e
satisfazer simultaneamente as exigências do Id e do Superego através de
compromissos entre essas duas partes, sem que a pessoa se volte
excessivamente para os prazeres ou que, ao contrário, imponha limitações
exageradas à sua espontaneidade e gozo da vida.

O Ego é pressionado pelos desejos insaciáveis do Id, a severidade repressiva do


Superego e os perigos do mundo exterior. Se submete-se ao Id, torna-se imoral
e destrutivo; se submete-se ao Superego, enlouquece de desespero, pois viverá
numa insatisfação insuportável; e se não se submeter á realidade do mundo,
será destruído por ele. Por esse motivo, a forma fundamental da existência para
o Ego é a      
. Estamos divididos entre o principio do prazer
(que não conhece limites) e o principio de realidade (que nos impõe limites
externos e internos). Tem a dupla função de, ao mesmo tempo, recalcar o Id,
satisfazendo o Superego, e satisfazer o Id, limitando o poder do Superego. No
indivíduo normal, essa dupla função é cumprida a contento. Nos neuróticos e
psicóticos o Ego sucumbe, seja porque o Id ou o Superego são excessivamente
fortes, seja porque o Ego é excessivamente fraco.

Jc


, diz Freud, não é o subconsciente. Este é aquele grau da
consciência como consciência passiva e consciência vivida não-reflexiva,
podendo tomar-se plenamente consciente. O inconsciente, ao contrário, jamais
será consciente diretamente, podendo ser captado apenas indiretamente e por
meio de técnicas especiais de interpretação desenvolvidas pela psicanálise.

 c cc 


   . Os chamados Atos sintomáticos são para Freud
evidência da força e individualismo do inconsciente: e sua manifestação é
comum nas pessoas sadias. Mostram a luta do consciente com o subconsciente
(conteúdo evocável) e o inconsciente (conteúdo não evocável). São os   
  , popularmente ditos "traição da memória", ou mesmo convicções
enganosas e erros que podem ter conseqüências graves.

† Para explicar o comportamento Freud desenvolve a teoria da


motivação sexual (sobrevivência da espécie) e do instinto de conservação
(sobrevivência individual). Mas todas as suas colocações giram em torno do
sexo. A força que orienta o comportamento estaria no inconsciente e seria o
instinto sexual;

  cc 
 
c   Freud contribuiu com uma teoria das fases
do desenvolvimento do indivíduo. Este passa por sucessivos tipos de caráter:
oral, anal e genital. Pode sofrer    de um dos dois últimos a um ou outro
dos dois anteriores, como pode sofrer   em qualquer das fases precoces.
Essas fases se desenvolverão entre os primeiros meses de vida e os 5 ou 6 anos
de idade, e estão ligadas ao desenvolvimento do Id:

(1) Na fase oral, ou fase da libido oral, ou hedonismo bucal, o desejo e o prazer
localizam-se primordialmente na boca e na ingestão de alimentos e o seio
materno, a mamadeira, a chupeta, os dedos são objetos do prazer;

(2) Na fase anal, ou fase da libido ou hedonismo anal, o desejo e o prazer


localizam-se primordialmente nas excreções e fezes. Brincar com massas e
com tintas, amassar barro ou argila, comer coisas cremosas, sujar-se são os
objetos do prazer;

(3)Na fase genital ou fase fálica, ou fase da libido ou hedonismo genital, o


desejo e o prazer localizam-se primordialmente nos órgãos genitais e nas partes
do corpo que excitam tais órgãos. Nessa fase, para os meninos, a mae é o
objeto do desejo e do prazer; para as meninas, o pai.

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. .

Aqueles que se detêm em seu desenvolvimento emocional, e por algum motivo


se fixam em qualquer uma das fases transitórias (Freud. 1908), constituem
tipos e subtipos de personalidade nomeados segundo a fase correspondente de
fixação.

O tipo que se detém na fase oral é o J


  pessoa dependente - espera
que tudo lhe seja dado sem qualquer reciprocidade; ou o J  
, o que
se decide a empregar a força e a astúcia para conseguir o que deseja.
Explorador e agressivo, não espera que alguém lhe dê voluntariamente
qualquer coisa.

O    
 é impulsivamente avaro, e sua segurança reside no
isolamento. São pessoas ordenadas e metódicas, parcimoniosas e obstinadas.

O tipo genital é a pessoa plenamente desenvolvida e equilibrada

Ú   cc Depois de ver nos seus clientes o funcionamento perfeito


da estrutura tripartite da alma conforme a teoria de Platão, Freud volta à cultura
grega em busca de mais elementos fundamentais para a construção de sua
própria teoria.

No centro do "Id", determinando toda a vida psíquica, constatou o que chamou


Ú   , isto é, o desejo incestuoso pela mãe, e uma rivalidade com
o pai. Segundo ele, é esse o desejo fundamental que organiza a totalidade da
vida psíquica e determina o sentido de nossas vidas. Freud introduziu o
conceito no seu X    À  (1899). O termo deriva do herói grego
Édipo que, sem saber, matou seu pai e se casou com sua mãe. Freud atribui o
complexo de Édipo às crianças de idade entre 3 e 6 anos. Ele disse que o
estágio geralmente terminava quando a criança se identificava com o parente
do mesmo sexo e reprimia seus instintos sexuais. Se o relacionamento prévio
com os pais fosse relativamente amável e não traumático, e se a atitude
parental não fosse excessivamente proibitiva nem excessivamente estimulante,
o estagio seria ultrapassado harmoniosamente. Em presença do trauma, no
entanto, ocorre uma neurose infantil que é um importante precursor de reações
similares na vida adulta. O Superego, o fator moral que domina a mente
consciente do adulto, também tem sua parte no processo de gerar o complexo
de Édipo. Freud considerou a reação contra o complexo de Édito a mais
importante conquista social da mente humana. Psicanalistas posteriores
consideram a descrição de Freud imprecisa, apesar de conter algumas verdades
parciais.

Ú  ccg Oequivalente feminino do Complexo de Édipo é o


Complexo de Eletra, cuja lenda fundamental é a de Electra e seu irmão Orestes,
filhos de Agamemnon e Clytemnestra. Eletra ajudou o irmão a matar sua mãe e
o amante dela, um tema da tragédia grega abordado, com pequenas variações,
por Sófocles, Eurípedes e Esquilo.

*   . Conta o mito que o jovem Narciso, belíssimo, nunca tinha visto
sua própria imagem. Um dia, passeando por um bosque, encontrou um lago.
Aproximou-se e viu nas águas um jovem de extraordinária beleza e pelo qual
apaixonou-se perdidamente. Desejava que o jovem saísse das águas e viesse ao
seu encontro, mas como ele parecia recusar-se a sair do lago, Narciso
mergulhou nas águas, foi ás profundezas á procura do outro que fugia,
morrendo afogado. Narciso morrera de amor por si mesmo, ou melhor, de amor
por sua própria imagem ou pela auto-imagem. O narcisismo é oencantamento
e a paixão que sentimos por nossa própria imagem ou por nós mesmos, porque
não conseguimos diferenciar um do outro. Como crítica à humanidade em geral
- que se pode vislumbrar em Freud - narcisismo é a bela imagem que os
homens possuem de si mesmos, como seres ilusoriamente racionais e com a
qual estiveram encantados durante séculos.

†
  são processos subconscientes que permitem à mente
encontrar uma solução para conflitos não resolvidos ao nível da consciência. A
psicanálise supõe a existência de forças mentais que se opõem umas às outras e
que batalham entre si. Freud utilizou a expressão pela primeira vez no seu "As
neuroses e psicoses de defesa", de 1894. Os mecanismos de defesa mais
importante são:

M  , que é afastar ou recalcar da consciência um afeto, uma idéia ou


apelo do instinto. Um acontecimento que por algum motivo envergonha uma
pessoa pode ser completamente esquecido e se tornar não evocável.

    , que consiste em ostentar um procedimento e externar


sentimentos ambos opostos aos impulsos verdadeiros, quando estes são
inconfessáveis. Um pai que é pouco amado, recebe do filho uma atenção por
vezes exagerada para que este convença a si mesmo de que é um bom filho.

 !Úonsiste em atribuir ao outro um desejo próprio, ou atribuir a


alguém, algo que justifique a própria ação. O estudante cria o hábito de colar
nas provas dizendo, para se justificar, que os outros colam ainda mais que ele.

M   é o retorno a atitudes passadas que provaram ser seguras e


gratificantes, e às quais a pessoa busca voltar para fugir de um presente
angustiante. Devaneios e memórias que se tornam recorrentes, repetitivas.
Aplica-se também ao regresso a fases anteriores da sexualidade, como acima..

À   !O inconsciente, em suas duas formas, está impedido de


manifestar-se diretamente à consciência, mas consegue fazê-lo indiretamente.
A maneira mais eficaz para essa manifestação é a substituição, isto é, o
inconsciente oferece à consciência um substituto aceitável por ela e por meio
do qual ela pode satisfazer o Id ou o Superego. Os substitutos são imagens
(representações analógicas dos objetos do desejo) e formam o imaginário
psíquico que, ao ocultar e dissimular o verdadeiro desejo, o satisfaz
indiretamente por meio de objetos substitutos (a chupeta e o dedo, para o seio
materno; tintas e pintura ou argila e escultura para as fezes, uma pessoa amada
no lugar do pai ou da mãe, de acordo com as fases da sexualidade, como
acima).

Além dos substitutos reais, o imaginário inconsciente também oferece outros


substitutos, os mais freqüentes sendo os sonhos, os lapsos e os atos falhos.
Neles, realizamos desejos inconscientes, de natureza sexual. São a satisfação
imaginária do desejo. Alguém sonha, por exemplo, que sobe uma escada, está
num naufrágio ou num incêndio. Na realidade, sonhou com uma relação sexual
proibida. Alguém quer dizer uma palavra, esquece-a ou se engana, comete um
lapso e diz uma outra que o surpreende, pois nada terá a ver com aquela que
queria dizer: realizou um desejo proibido. Alguém vai andando por uma rua e,
sem querer, torce o pé e quebra o objeto que estava carregando: realizou um
desejo proibido.

À . A Ética pede a renúncia às gratificações puramente instintuais por


outras em conformidade com valores racionais transcendentes. A   
consistitui a adoção de um comportamento ou de um interesse que possa
enobrecer comportamentos que são instintivos de raiz Um homem pode
encontrar uma válvula para seus impulsos agressivos tornando-se um lutador
campeão, um jogador de football ou até mesmo um cirurgião. Para Freud as
obras de arte, as ciências, a religião, a Filosofia, as técnicas e as invenções, as
instituições sociais e as ações políticas, a literatura e as obras teatrais são
sublimações, ou modos de substituição do desejo sexual de seus autores e esta
é a razão de existirem os artistas, os místicos, os pensadores, os escritores,
cientistas, os líderes políticos, etc.

"  #
! Freud afirmou que a ligação emocional que o paciente
desenvolvia em relação ao analista representava a transferência do
relacionamento que aquele havia tido com seus pais e que inconscientemente
projetava no terapeuta. O impasse que existiu nessa relação infantil criava
impasses na terapia, de modo que a solução da transferência era o ponto chave
para o sucesso do método terapêutico. Embora Freud demorasse a considerar a
questão inversa, a da atratividade do paciente sobre o terapeuta, esse problema
se manifestou tão cedo quanto ainda ao tempo das experiência de Breuer, que
teria se deixado afetar sentimentalmente por sua principal paciente, Bertha
Pappenheim.

Os 
      são aprendidos na família ou no meio social externo
a que a criança e o adolescente estão expostos. Quando esses mecanismos
conseguem controlar as tensões, nenhum sintoma se desenvolve, apesar de que
o efeito possa ser limitador das potencialidades do Ego, e empobrecedor da
vida instintual. Mas se falham em eliminar as tensões e se o material reprimido
retorna à consciência, o Ego é forçado a multiplicar e intensificar seu esforço
defensivo e exagerar o seu uso. É nestes casos que a loucura, os sintomas
neuróticos, são formados. Para a psicanálise, as psicoses significam um severa
falência do sistema defensivo, caracterizada também por uma preponderância
de mecanismos primitivos. A diferença entre o estado neurótico e o psicótico
seria, portanto, quantitativa, e não qualitativa.

  Porém, assim como a loucura é a impossibilidade do Ego para


realizar sua dupla função (conciliação entre Id e Superego, e entre estes e a
realidade), também a sublimação pode não ser alcançada e, em seu lugar, surgir
uma perversão ou loucura social ou coletiva. O nazismo é um exemplo de
perversão, em vez de sublimação. A propaganda, que induz no leitor ou
espectador desejos sexuais pela multiplicação das imagens de prazer, é outro
exemplo de perversão ou de incapacidade para a sublimação.

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 cA vida psíquica dá sentido e coloração afetivo-sexual a
todos os objetos e a todas as pessoas que nos rodeiam e entre os quais vivemos.
As coisas e os outros são investidos por nosso inconsciente com cargas afetivas
de libido. Assim, sem que saibamos por que, desejamos e amamos certas coisas
e pessoas e odiamos e tememos outras.

É por esse motivo que certas coisas, certos sons, certas cores, certos animais,
certas situações nos enchem de pavor, enquanto outras nos trazem bem-estar,
sem que saibamos o motivo. A origem das simpatias e antipatias, amores e
ódios, medos e prazeres desde a nossa mais tenra infância, em geral nos
primeiros meses e anos de nossa vida, quando se formaram as relações afetivas
fundamentais e o complexo de Édipo.

A dimensão imaginária de nossa vida psíquica - substituições, sonhos, lapsos,


atos falhos, prazer e desprazer, medo ou bem-estar com objetos e pessoas -
indica que os recursos inconscientes surgem na consciência em dois níveis: o
nível do conteúdo manifesto (escada, mar e incêndio, no sonho; a palavra
esquecida e a pronunciada, no lapso; o pé torcido ou objeto partido, no ato
falho) e o nível do conteúdo latente, que é o conteúdo inconsciente verdadeiro
e oculto (os desejos sexuais). Nossa vida normal se passa no plano de
conteúdos manifestos e, portanto, no imaginário. Somente uma análise psíquica
e psicológica desses conteúdos, por meio de técnicas especiais (trazidas pela
psicanálise), nos permite decifrar o conteúdo latente que se dissimula sob o
conteúdo manifesto.

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cc! 

Os críticos consideram impressionante o quanto possivelmente Brentano


influenciou a Freud. Este assistiu suas aulas por pelo menos dois anos, e
exatamente na época que Brentano publicou seu famoso livro de 1874,
 $
%   
% À  & (Psychology from an Empirical
Standpoint. Trad. de A. C. Rancurello, D. B. Terrell, and L. L. McAlister. Ed.
Routledge & Kern Paul, Londres, 1973; 448 p. - "A Psicologia de um ponto de
vista empírico") em que seu equacionamento entre o físico e o psíquico, o
psicossomático, é mais salientado. Arthur Schopenhauer é citado inúmeras
vezes no referido livro, onde Brentano também discute amplamente Karl von
Hartman, filósofo alemão chamado "o filósofo do inconsciente", autor de "A
filosofia do inconsciente", de 1983, e o faz precisamente na questão dos
estados mentais inconscientes. Brentano gozava de grande popularidade em
meio aos estudantes, entre os quais estavam, além de Sigmund Freud, o
psicólogo Carl Stumpf, e o filósofo Edmund Husserl.

O quanto Freud retirou de Schopenhauer foi provavelmente através de


Brentano. Alguns críticos de Freud dizem que ele não fez muito mais que
desenvolver na Psicanálise as idéias que o filósofo apresentou em seu livro "O
mundo como vontade e representação". E o mais importante, Schopenhauer
articula a maior parte da teoria freudiana da sexualidade. A começar pela sua
teoria dos instintos, o poder dos complexos com origem na inibição sexual,
incesto, fixação materna e complexo de Édipo, correspondem perfeitamente à
Vontade opressora que, na psicologia de Schopenhauer, dirige as ações do
homem, e o faz de modo total, não apenas no instinto sexual ( ) como
também no instinto de morte ("  ) uma manifestação da mesma Vontade
condutora da natureza.

O conceito de "Vontade" de Schopenhauer contem também os fundamentos do


que viriam a ser os conceitos de "inconsciente" e "Id" da doutrina freudiana. A
Vontade como coisa absoluta e auto-suficiente, tem ela própria "desejos".
Quando se manifesta na forma de uma criatura ela busca se perpetuar por via
dos meios de reprodução dessa criatura. Por isso o sexo é básico para a
Vontade perpetuar a si própria. Resulta que o impulso sexual é o mais
veemente de todos os apetites, o desejo dos desejos, a concentração de toda
nossa vontade.

O que Schopenhauer escreveu sobre a loucura antecipou a teoria da repressão e


a concepção da etiologia das neuroses na teoria da Psicanálise e inclusive o que
veio a ser a teoria fundamental do método da livre associação de idéias
utilizado por Freud. .

M em Q eiroz Cora


Do or em Geologia e acharel em Filosofia 

Lançada em 21/04/2003

Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - 


 ' . COBRA PAGES:
www.cobra.pages. nom.br, Internet, Brasília, 2003.
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