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Cenários

\\Metas em construção
Construindo
Revista do Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Distrito Federal o possível
Presidente
Elson Ribeiro e Póvoa
Depois de uma forte campanha iniciada pelo setor em 2007, a criação
1º Vice-presidente de um limite mínimo obrigatório de gastos públicos com habitação popular
Júlio Cesar Peres
ganhou a adesão de parlamentares para se transformar em uma proposta de
Vice-presidentes emenda constitucional (PEC). Se o projeto passar sem mudanças, o piso de
Amir Miguel de Souza, Dario de Souza Clementino, gastos públicos com subsídios à construção de moradia para os pobres valerá
Dionyzio Antônio Martins Klavdianos, Fernando Márcio Mozzato
para todos os entes da Federação, vigorará por 30 anos e será definido em
Queiroz, Frederico Guelber Corrêa, Gustavo de Faria Franco,
Hélio Fausto de Souza Júnior, João Mathias de Souza Filho, função da receita de cada um.
Jorge Luiz Salomão, José Edmilson Barros de Oliveira Neto,
Laércio Duarte de Azevedo, Luiz Afonso Delgado Assad
Nessa conta, a União seria obrigada a destinar à finalidade 2% de sua ar-
Paulo Roberto de Morais Muniz e Marcus Peçanha Nogueira
recadação de impostos e contribuições, exceto as previdenciárias, podendo
Vice-presidente Administrativo-Financeiro descontar dessa base apenas as transferências constitucionais a estados e
Luiz Carlos Botelho Ferreira
municípios. Apenas na Câmara Federal, por onde começou a tramitação, a
Comissão de Comunicação Social nova PEC nasce com o apoio de 252 deputados, quase 50% do total (513).
Luiz Afonso Delgado Assad
Tamanha mobilização pode ser vista como uma grande vitória para o setor,
Conselho Editorial
Elson Ribeiro e Póvoa, Luiz Carlos Botelho Ferreira, para quem é possível, sim, reduzir o déficit habitacional, cuja estimativa ul-
Luiz Afonso Delgado Assad, Adalberto Cléber Valadão, trapassada as 7 milhões de unidades – 90% concentrado em famílias com
Cássio Aurélio Branco Gonçalves e Leonel da Mata
renda mensal de até cinco salários mínimos. Trata-se de uma boa notícia não
Jornalistas somente para o empresariado mas também para os brasileiros.
Lígia Reis
(ligia.reis@sinduscondf.org.br)
Mas outras novidades recheiam esta edição. Uma delas é que o Sinduscon-DF
Kelly Oliveira
(kelly@sinduscondf.org.br) foi diplomado, pelo Instituto Biosfera, com o Destaque Nacional de Sustenta-
Fernanda Rodrigues bilidade de 2008. A solenidade, ocorrida em Brasília, no dia 20 de agosto,
(fernanda@sinduscondf.org.br)
marca um novo tempo para a indústria da construção civil do DF.
Fotografia
Erivelton Viana Se nas grandes cidades, o entulho é o resultado visível no balanço do cresci-
Capa - Roberto Rodrigues / GDF
mento econômico, por aqui ele é insumo de uma nova filosofia, desenvolvida
Projeto Gráfico nos canteiros de obras. Ali os trabalhadores aprendem como é possível ter
Comissão de Comunicação Social e uma a gestão racional dos materiais utilizados pelo processo construtivo, vi-
Blossom Comunicação
sando à minimização de impactos ambientais gerados, desde a fase de extra-
Edição de arte ção de matéria-prima até o descarte na forma de entulho. E esse é apenas um
Christiane de Carvalho dos projetos encampados pelo Sinduscon-DF.
Publicidade
Romene Almeida O fato é que, aos poucos, deixamos de ser vilões para construir uma nova
(ascom@sinduscondf.org.br) personagem, que protagoniza uma his-
tória de desenvolvimento responsável
www.sinduscondf.org.br
Os textos assinados são de responsabilidade dos autores e sustentável. Dentre dificuldades e
e não refletem, necessariamente, a opinião da revista. contextos aparentemente contrários,
É autorizada a reprodução total ou parcial,
fazemos ser possível o que parecia
desde que citada a fonte.
impossível. Mas temos certeza de que
Tiragem desta edição esse é somente o primeiro passo de
10 mil exemplares
muitos que ainda virão.
Sinduscon-DF
SIA trecho 02 - lote 1125 - 2º andar Boa leitura!
(61) 3234-8310

Elson Ribeiro e Póvoa


Sinduscon-DF Presidente do Sinduscon-DF
Cenários | Sumário | ago/set 2008

Entrevista Foco Artigo Informe Cenário


Arruda: Crescimento Licença ambiental A reação à Projeto Setor foge
ordenando para o DF para o Noroeste estética modernista Casa Eficiente do dragão

Pág. 6 Pág. 10 Pág. 14 Pág. 20 Pág. 28


Tendências Arquitetura Meio Ambiente Responsabilidade Social Indicadores
O que é o A luz faz a diferença Sinduscon-DF: Dar o peixe e CUB varia 1,67%
Brasília Revitalizada no projeto Destaque Nacional ensinar a pescar em julho

Pág. 30 Pág. 34 Pág. 38 Pág. 42 Pág. *

Cenários | Sumário | ago/set 2008


Roberto Rodrigues / GDF
Crescimento
ordenado
para Brasília

“Vamos buscar áreas,


onde possam ser
construídos edifícios, e
torná-las mais adensadas,
ou seja, ter mais gente”
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Cenários | Entrevista | ago/set 2008
Há cerca de um ano e seis meses como governador do de não deixar que novos focos de irregularidades apareçam
Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM-DF) não vê alterna- – nenhum condomínio foi criado no meu governo, nem nenhu-
tiva para estimular o desenvolvimento que não seja o combate ma área foi ocupada pelo comércio ilegal. Quero continuar com
às irregularidades. “Estamos tentando pôr as coisas em ordem, essa política, mas aí eu dependo do apoio da sociedade orga-
mas isso tem um custo muito alto”, diz. nizada. É preciso organizar a cidade para que a gente possa
ordenar, também, o seu crescimento.
Nascido em 1954, em Itajubá (MG), onde estudou e se for-
mou engenheiro civil, o comandante do Executivo local conta Cenários – Especificamente no DF, como eliminar o
que não faltam planos de investimento em infra-estrutura na déficit habitacional que atinge principalmente a popu-
cidade. “Estamos desenvolvendo um amplo projeto de infra- lação carente?
estrutura, com a instalação de redes de água, esgoto e pluvial,
além de asfaltamento de vias e construção de calçadas em to- Arruda – Estamos trabalhando pesado nisso. Já temos um
das as áreas degradadas”. projeto para a criação de novos bairros como o Noroeste, o
Catetinho e o Mangueiral. O Plano Diretor de Ordenamento
Sobre a criação do setor Noroeste, que ainda depende da Territorial (PDOT), que está sendo debatido pela sociedade na
desocupação de índios do local onde serão erguidos os prédios, Câmara Legislativa, será o balizador de todos esses projetos.
Arruda afirmou que tentou “resolver tudo na paz”, mas será O fundamental é que precisamos encontrar áreas para todas
necessário entrar na Justiça. Segundo o governador, “pessoas as faixas de renda para que não tenhamos mais a desordem
que estão usando os índios tentam levar vantagens com o pro- verificada desde os anos 70, quando começaram as invasões
cesso”. “Os índios que ocupam a área são invasores, já que o de terra pública.
terreno pertence à Terracap e, portanto, eles têm que sair de
lá”, sentencia. Cenários – Empresas do setor têm iniciado inves-
timentos imobiliários em regiões como Ceilândia e
Nesta entrevista à revista Cenários, o governador do Distri- Samambaia. O que mais pode ser feito para que haja
to Federal também fala sobre transporte público, trânsito, os 50 descentralização?
anos de Brasília e a Copa do Mundo no Brasil em 2014.
Arruda – Além da descentralização, que será definida a
Cenários – O senhor pretende comemorar com gran- partir da aprovação do PDOT como eu disse antes, teremos que
de estilo os 50 anos de Brasília. Até lá, o que o gover- promover a verticalização da cidade. Não é possível ter apenas
no pretende fazer para estimular o desenvolvimento áreas para casas, o que encarece a infra-estrutura e impossibi-
sustentável da cidade? lita a melhora dos serviços públicos. Vamos buscar áreas onde
possam ser construídos edifícios e torná-las mais adensadas,
Arruda – É uma data importante, não apenas pelo aspecto ou seja, ter mais gente. Não há como fugir disso. E se for bem
de representação, mas também pelo que ela traz de reflexão. planejado, o impacto no meio ambiente será bem menor.
Os últimos anos deixaram um saldo, que não deve ser esque-
cido por nós e nem pelas futuras gerações, que são as conse­ Cenários – O senhor é um defensor dessa descen-
qüências do crescimento desordenado. Estamos tentando pôr tralização de atividade produtiva e do governo em
as coisas em ordem, mas isso tem um custo muito alto. Por- Brasília. O que mais pode ser feito para que as pes-
tanto, é preciso combater as irregularidades desde o início e soas trabalhem e invistam nas cidades onde moram
oferecer alternativas para que a cidade possa se desenvolver, ou nas proximidades?
uma vez que é impossível congelar tudo e impedir o desenvol-
vimento. Os 50 anos de Brasília devem ser de grande festa. Arruda – Já estamos investindo na infra-estrutura das áre-
Mas é preciso usar a data para projetar o futuro, pensar o que as de desenvolvimento econômico de todas as cidades, como
queremos para nossos filhos e netos. forma de incentivar as empresas a abrirem negócios nessas
regiões e, conseqüentemente, a procurar mão-de-obra nas
Cenários – E daqui a 50 anos, como o senhor projeta proximidades. Além disso, temos procurado qualificar tra-
a cidade? balhadores. Há exemplos gritantes: uma empresa precisou
contratar 30 armadores, que são esses profissionais que fa-
Arruda – Será exatamente a cidade que construiremos a zem armações de ferro para construções, e não encontrou
partir de agora. A escolha será da nossa geração, as conse- em Brasília, teve que trazer de fora. Estamos num trabalho
qüências dessa nossa opção serão para as gerações futuras. E intenso para buscar o que o mercado de trabalho precisa e
temos só duas alternativas: deixar a ilegalidade tomar conta e oferecer qualificação para que as pessoas possam trabalhar.
entregar a cidade aos espertos, que invadem e fazem todo tipo E não podemos esquecer que estamos fazendo um grande
de irregularidade, ou buscar a saída legal, mas dura, sem dúvi- esforço para acabar com a economia informal no que ela tem
da, e também mais justa com todos. Eu estou trabalhando pela de pior, a ação de quem não paga impostos e atrapalha a vida
segunda alternativa. Meu governo tem buscado a preocupação do comerciante que cumpre suas obrigações.
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Cenários | Entrevista | ago/set 2008
Cenários – O setor da construção civil questiona a pe- Arruda – Não só é possível, com o projeto está pronto e
quena oferta e os altos preços de terrenos no Distrito Fe- será feito. As empresas construtoras que comprarem os ter-
deral. O que pode ser feito para melhorar essa situação? renos na licitação da Terracap terão que aceitar as regras e
fazer os projetos dos prédios de acordo com a determinação,
Arruda – De novo, acho que a única saída é a organiza- incluindo captação de água da chuva, uso racional de energia
ção das áreas, com a conseqüente distribuição de lotes para entre outros.
as várias classes sociais. A situação de hoje incentiva a espe-
culação imobiliária, que se reverte em preços mais altos para Cenários – Quais são as prioridades do GDF em ter-
as construtoras e, claro, para os consumidores. Não vejo outra mos de obras públicas neste e nos próximos anos?
saída que não seja essa, a ser definida pelo PDOT, com o aden-
samento de áreas. Arruda – Estamos desenvolvendo um amplo projeto de in-
fra-estrutura, com a instalação de redes de água, esgoto e plu-
Cenários – Tanto Águas Claras quanto Sudoeste têm vial, além de asfaltamento de vias e construção de calçadas em
erros de planejamento urbano, como problemas com todas as áreas degradadas. Isso inclui o Varjão, a Estrutural, o
fluxo de trânsito e falta de estacionamento. Há solução Itapoã, o Pôr-do-Sol, Sol Nascente, Mestre D’Armas, Vila São
para isso? José, Arniqueiras – áreas muito pobres, onde as pessoas vivem
sem as mínimas condições. É um projeto grande exatamente
Arruda – Águas Claras não tem erro de planejamento. O porque são áreas de invasão, que o poder público não impediu
projeto urbanístico do Paulo Zimbres é muito bom, é brilhante. em tempo e que foram crescendo até se tornarem irreversíveis.
O que aconteceu é que as regras foram mudadas no meio do Além disso, estamos duplicando a EPIA, construindo viadutos
caminho [no governo anterior] e foram permitidos prédios bem em Águas Claras e na EPTG, terminando a reforma do Está-
mais altos que a concepção original. É claro que o projeto ur- dio Bezerrão, no Gama. Faremos ainda uma grande reforma
banístico não resistiu. E é isso o que eu estava dizendo: se não (praticamente uma reconstrução) do estádio Mané Garrincha,
forem respeitadas as regras a cidade vai pagar cedo ou tarde; estamos construindo novas estações do Metrô e queremos co-
se não houver organização e cumprimento do planejamento, meçar logo a obra do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) da W3
o crescimento continuará desordenado. O que ocorre agora é Sul – tudo isso dentro do projeto de trazer uma das subsedes
que estamos investindo muito dinheiro para melhorar o trânsito da Copa do Mundo de 2014 para Brasília. E há também mui-
de Águas Claras e diminuir o impacto que o aumento gabarito tos projetos como a construção da nova sede do governo, em
teve sobre a cidade. Nada disso seria necessário se o projeto Taguatinga, por meio de Parceria Público-Privada e expansão
original tivesse sido obedecido. do metrô para Samambaia. Temos muito trabalho pela frente.
Mas é bom ressaltar que temos, hoje, mais de 500 obras em
Cenários – Como está o planejamento para que se- andamento em todo o Distrito Federal.
jam criadas as novas quadras do Sudoeste. Será feito
estudo de impacto ambiental e de vizinhança? Cenários – O que ainda pode ser feito para impedir o
crescimento desordenado do DF?
Arruda – Serão feitos todos os estudos. Mas é preciso lem-
brar que as novas quadras fazem parte do projeto original do Arruda – Planejar, planejar, planejar. E obedecer ao planeja-
bairro. A diferença é que elas abrigariam apartamentos para mento, é claro. Obras emergenciais nunca são boas o bastante.
militares. Não está sendo feito nenhum estudo para a mudança O ideal é que se calcule o impacto das necessidades e se aja
de destinação de área. A área já é urbana e destinada a prédios com tempo para que não seja preciso atuar emergencialmente.
de até seis andares. Mas o fundamental é cumprir a lei, acabar com as improvisações
e o “jeitinho”.
Cenários – O governo está mais perto de um acor-
do com os índios para que se iniciem as obras no Cenários – Neste ano, atingimos a marca de 1 mi-
setor Noroeste? lhão de carros no DF, motivado, em parte, pela a falta
de transporte público de qualidade. Quando o gover-
Arruda – Tentamos resolver tudo na paz, mas pessoas que no projeta que será possível reverter esse cenário, ao
estão usando os índios estão tentando levar vantagens com o pro- ponto de as pessoas deixarem o carro em casa?
cesso. Os índios que ocupam a área são invasores, já que o terre-
no pertence à Terracap e, portanto, têm que sair de lá. A Terracap Arruda – Se a gente for ver, o transporte público é um tema
vai entrar na Justiça e vai ganhar. O bairro será construído. que está presente em todas as eleições. Isso dá a medida da
importância do tema e da relevância que uma ação definitiva
Cenários – O senhor encampou a idéia da criação do tem. Não dá pra fazer as coisas da noite para o dia. Começamos
bairro verde (Setor Noroeste). É tecnicamente viável a com o combate às vans piratas, que levavam risco à população
criação de um bairro verde, desde os processos cons- e caos ao trânsito. Prosseguimos com a renovação da frota de
trutivos iniciais? Como? ônibus – aliás, o Tribunal de Contas do DF reconheceu esse
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Roberto Rodrigues / GDF
esforço e ressaltou esse ponto na aprovação das contas do
governo –, e, nos próximos dias, entram em circulação 350 mi-
croônibus, já integrados ao sistema. Além disso, estamos fazen-
do obras físicas importantes, como os viadutos na EPTG e em
Águas Claras, a duplicação da EPIA e o recapeamento de várias
vias. Inauguramos cinco novas estações, levando o metrô até
o Setor O, em Ceilândia. Ainda há muito mais para fazer, como
os corredores exclusivos para ônibus e a definitiva integração.
Quando terminarmos, as pessoas verão que será confortável
usar o transporte coletivo.

Cenários – Inclusive há uma frase popular que diz


que em Brasília as pessoas têm cabeça, tronco e ron-
das? Isso pode realmente mudar?

Arruda – Tem que mudar. Não dá mais pra conviver com o


trânsito da maneira que está, até porque ele está minando a
qualidade de vida do brasiliense. Mas é possível mudar e esta-
mos fazendo tudo para que o programa Brasília Integrada seja
concluído o mais rapidamente possível.

Cenários – Recentemente, a Estrutural foi contem-


plada com recursos do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), que permitirá a conclusão de di-
versas obras de infra-estrutura. Quais outras cidades
do DF poderão contar com recursos do PAC?

Arruda – Estamos em entendimento para ver se é possível


construir o anel viário do Distrito Federal, o que aliviaria tremen-
damente o trânsito com o desvio de caminhões de carga, com
financiamento do PAC. Também vamos buscar recursos para
ampliar o metrô e construir o VLP para Santa Maria e Gama,
integrando-o com o metrô. Projetos, eu tenho muitos, e o presi-
dente Lula sabe disso. Como ele tem sido muito amigo de Brasí-
lia, acredito que podemos conseguir mais recursos do PAC.

Cenários – Qual legado a realização de jogos da Copa


deixará para Brasília?

Arruda – Brasília tem obrigação, por ser a capital, de ser


uma das subsedes da Copa. Queremos, inclusive, que a abertu-
ra oficial seja aqui. Em todas as cidades do mundo a realização
de um evento dessa magnitude traz benefícios permanentes,
nas áreas do turismo, dos serviços ou mesmo no desenvolvi-
mento local. Em Brasília, não será diferente. Muitas oportunida-
“Os índios que
des se abrirão para a cidade a partir de um evento como esse.
Não é uma questão de vaidade trazer a Copa para cá. É bom
ocupam a área
para o futuro da cidade. [do Setor Noroeste]
são invasores, e,
portanto, têm
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que sair de lá”
Moradia Digna Financiamento
Movimentos sociais, sindicais, secretários estaduais de habitação
e empresários da construção civil entregaram ao presidente da
Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT/SP), a Proposta de
Imobiliário
Emenda Constitucional (PEC) da Moradia, que prevê a destinação De janeiro até junho último, segundo a Associação Brasileira das
permanente de recursos federais e estaduais para os Fundos de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), 128,4 mil
Habitação de Interesse Social. unidades foram financiadas 58,9% a mais do que no mesmo pe-
ríodo do ano passado. Os recursos liberados para a compra da
A “PEC da Moradia” tem como objetivo fortalecer o Sistema Nacional casa própria somaram R$ 12,93 bilhões no primeiro semestre
de Habitação de Interesse Social, disponibilizando instrumento para deste ano, o que significa alta de 86,66% ante o mesmo intervalo
alocação permanente de recursos para os Fundos de Habitação de tempo de 2007. A modalidade de crédito alcançou R$ 18,28
Social, de forma a garantir a continuidade dos Fundos, livre de os- bilhões no ano passado e, pelas expectativas da Abecip, deve fe-
cilações políticas. char 2008 com R$ 30 bilhões.

A idéia inicial é destinar para os Fundos, no mínimo, 2% dos recur- A inadimplência segue baixa. Apenas 1,4% dos tomadores estão
sos do orçamento da União e 1% da verba arrecadada em impostos com até três prestações em atraso. Nos últimos anos, o que têm
e contribuições dos Estados, Municípios e Distrito Federal. Esses subido é o preço médio dos imóveis e o crédito tomado: de 2004
recursos serão repassados na forma de subsídios, permitindo às a 2008, os valores passaram, respectivamente, de R$ 107,18 mil
famílias que recebem até cinco salários mínimos complementarem, para R$ 147,80 mil e de R$ 50,11 mil para R$ 86,97 mil. Esse é
com renda própria e financiamentos do mercado, os recursos ne- mais um reflexo da melhoria da renda da população e dos juros
cessários para terem acesso a uma moradia digna. O objetivo maior atraentes. Os prazos dos contratos também cresceram, graças à
é eliminar o déficit habitacional brasileiro, hoje, em torno de oito estabilidade da economia, mas o prazo médio de liquidação dos
milhões de unidades. contratos é de nove anos.

Construção Social
Trabalhadores da indústria da construção civil e do mercado imo-
Cenários | Foco | ago/set 2008

biliário e seus familiares foram atendidos no dia 2 de agosto si-


multaneamente, em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal,
durante as comemorações do Dia Nacional da Construção Social. 
Em todo o país, foram mais de 260 mil atendimentos, com diferen-
tes serviços nas áreas de saúde, lazer, educação e cidadania.

No DF, foram 1.046 beneficiados, no evento promovido por meio de 


parceria entre Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC),
Serviço Social da Indústria da Construção (Seconci), Federação das
Indústrias (Fibra), Sinduscon-DF, STICMB (sindicato dos trabalhado-
res), Sesi e Senai.

O trabalhador da empresa Caenge Evandro Pereira aprovou o aten-


dimento: “Está tudo muito bom, organizado e rápido. Já passei pelo
dentista, fiz exame oftalmológico, tomei algumas vacinas e ainda
terei muito tempo para brincar com o meu filho”, disse, durante a
realização do evento no Sesi da Ceilândia.
Cenários | Foco | ago/set 2008
Déficit habitacional zero
O setor da construção civil apresentou, no dia 27 de agosto, em Brasília, orçado em R$ 300 milhões – projeto chama-
ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um plano estimado do pelos empresários de green job . Por meio de Parcerias
em R$ 300 bilhões para acabar com o déficit habitacional Público-Privadas (PPP), empresas do setor construiriam sete
na classe mais pobre da população. A proposta da Câmara novos anexos e fariam mudanças na estrutura dos prédios.
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) é construir oito Em troca, o governo cederia projeções e lotes na capital para
milhões de casas num prazo de 15 anos. O governo entraria empreendimentos imobiliários.
com metade dos recursos, por meio de redução de impostos
e subsídios. Simão ainda relatou que, na audiência, os empresários recla-
maram das dificuldades em obter licença ambiental para proje-
Em entrevista após audiência com Lula, o presidente da CBIC, tos previstos no PAC. Além desses assuntos, o encontro tratou
Paulo Safady Simão, também relatou ter apresentado ao go- também do aumento dos principais insumos da construção civil,
verno um plano de reforma da Esplanada dos Ministérios, como aço (28%), tubo ferro (22,8%) e cimento (21,4%).

Prêmio de
monografia
Estão abertas as inscrições para o II Prêmio de Monografia em
Crédito Imobiliário e Poupança da Abecip, sobre o tema ‘Alternati-
vas e Soluções para o financiamento de imóveis de interesse so-
cial’. O objetivo é promover a discussão sobre a necessidade de
se combater a carência de moradias. Podem concorrer ao prêmio,
brasileiros e estrangeiros, desde que graduados (categoria Profis-
sional) ou graduandos (categoria Graduando) em qualquer curso
ou instituição de ensino superior reconhecidos pelo Ministério da
Educação ou em órgão equivalente de ensino superior (no caso
do curso realizado no exterior). A premiação será no valor total de
Imagens: StockXchng

R$ 38 mil. Serão aceitas inscrições até o dia 19 de dezembro. Mais


informações: http://www.premioabecip.blogspot.com.
Cenários | Foco | ago/set 2008
3º Construir Brasília
O mercado imobiliário do Distrito Federal se prepara para par- marcada para 26 de novembro, no Centro de Convenções do
ticipar do prêmio que demonstra a qualidade e a excelência da Brasil 21.
indústria da construção na região. Vem aí a terceira edição do
Construir Brasília, que, neste ano, trará a avaliação de uma A proposta do Construir Brasília é dar voz aos moradores e
nova categoria de empreendimentos: as obras públicas. O proprietários de quitinetes, estúdios, flats, hotéis, salas e lojas
café da manhã para o lançamento do prêmio ocorreu no comerciais e apartamentos. Eles serão os responsáveis por
dia 13 de agosto, no auditório Arino Oton de Lima, que fica avaliar os empreendimentos. Como a palavra é do consumi-
na cobertura do Sindicato da Indústria da Construção do dor, o Construir Brasília se tornou uma importante ferramen-
Distrito Federal (Sinduscon-DF). ta para quem quer comprar ou alugar um imóvel no Distrito
Federal. A idéia é seguir a ótica do sistema ISO, com pes-
Como nos outros anos, a pesquisa será realizada quisa de satisfação do cliente no período pós-obra.
pela Opinião Consultoria. O estudo se dividirá
em duas partes: uma qualitativa, a ser feita Os resultados farão parte de uma base de
com o consumidor, e outra quantitativa, que dados, ao qual somente os participantes
premiará as empresas e incorporadoras que terão acesso, de maneira individual, o que
comercializaram maior número de unidades, impedirá que uns acessem as informações
entre julho de 2007 a junho de 2008 – período afeitas ao outro. Mas para participar é preciso
válido para o levantamento. Já as entrevistas serão se inscrever pelo telefone (61) 3234-8310 ou no site
produzidas entre os dias 20 de setembro e 31 de outubro. A do Sinduscon-DF (www.sinduscondf.org.br) O prazo para as
divulgação do resultado ocorrerá na cerimônia de premiação, inscrições é até 19 de setembro.

Recorde de
deflação
empregos
de 0,01% A indústria da construção civil gerou 229 mil novos postos de trabalho
A primeira prévia do IGP-M de agosto surpreendeu e apontou uma no primeiro semestre, crescimento de 106% em relação ao mesmo
deflação de 0,01%. Em julho, no mesmo período de apuração, a período de 2007, aponta pesquisa do SindusCon-SP (Sindicato da In-
FGV (Fundação Getúlio Vargas) tinha apontado variação de 1,55%. dústria da Construção Civil do Estado de SP) e da FGV Projetos.
Economistas do setor financeiro estimavam inflação de 0,3% para o
primeiro decêndio de agosto. A expansão do crédito habitacional e o início das obras de infra-
estrutura são razões apontadas pelo sindicato para a aceleração
O INCC (Índice Nacional da Construção Civil) mostrou aceleração das contratações. “Os investimentos em edificações sustentam o
entre os dois decêndios: subiu 1,40% em agosto ante 1,38% ritmo de empregos. As obras de infra-estrutura também ajuda-
em julho. O grupo Materiais e Serviços teve variação de 2% ante ram, mas não dá para dizer que o Programa de Aceleração do
1,58% em julho. Crescimento (PAC) seja o grande responsável”, diz Eduardo Zai-
dan, do SindusCon-SP.
No caso do IPA (preços no atacado) teve deflação de 0,24%, ante
1,97% na primeira prévia do IGP-M de julho. Já o IPC (preços ao O estoque de mão-de-obra formal atingiu um recorde. Existem
consumidor), a variação foi de 0,07% na primeira prévia de agosto, 2,063 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor. É o
ante 0,42% em idêntico período em julho. maior contingente de empregos formais desde 1995.
Investimento Consumo
chinês no PAC inédito de aço
O Banco de Desenvolvimento da China (BNC) mostrou interesse em A compra e venda de aço no Brasil foi recorde para um semestre,
participar dos projetos de investimentos na área de energia e lo- no período de janeiro a junho deste ano. De acordo o IBS (Institu-
gística do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e colocou to Brasileiro de Siderurgia), o consumo aparente (vendas internas
linhas de crédito à disposição do Brasil. mais importações) de produtos siderúrgicos chegou a 12,5 milhões
de toneladas no primeiro semestre de 2008. O volume é 21,5%
As oportunidades de investimento foram apresentadas aos chineses superior ao que fora verificado entre janeiro de junho de 2007.
pela sub-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e pelo secretário do
Comércio Exterior, Welber Barral, durante a missão do Ministério do Segundo o órgão, que agrega os principais produtores de aço do país,
Desenvolvimento e Comércio Exterior, MDIC, em Pequim. o índice inédito foi atingido em função do crescimento de setores da
construção civil, automotivo e de bens de capital. A produção de aço
“O Banco de Desenvolvimento da China vai financiar vários projetos bruto no semestre atingiu 17,4 milhões de toneladas, representando
e colocou a nossa disposição todas as linhas existentes”, afirmou aumento de 6,9% em relação aos seis primeiros meses de 2007.
Barral em entrevista à BBC Brasil. Barral não informou o valor ofer-
tado pelas linhas de crédito do BNC, nem exatamente quais projetos Ao mesmo tempo, as vendas internas também foram recordes, che-
seriam imediatamente beneficiados, mas revelou que a diretoria do gando a 11,5 milhões de toneladas. Isso representa aumento de
banco “mostrou muito interesse na área de energia e logística”. 18,4% na comparação com o primeiro semestre de 2007. Somente
no setor de longos, voltado para a construção civil, as vendas cres-
Os projetos de logística e energia apresentados ao BNC incluem a par- ceram 25,9%. A forte demanda interna, aliada à taxa de câmbio e
ticipação em leilões de concessões e de obras de estradas, ferrovias, reduções de alíquotas de importação, impulsionou as importações de
dragagem em 13 portos, usinas energéticas e redes de transmissão. aço, que cresceram 59%, somando 1 milhão de toneladas.

Licença ambiental
Seduma / GDF

Cenários | Foco | ago/set 2008


A última pendência para tornar realidade o Setor Noroeste foi resol-
vida. O Governo do Distrito Federal, o Ministério Público Federal e o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Re-
nováveis (Ibama) assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta
(TAC) para a liberação da licença ambiental de instalação, que per-
mite o registro em cartório e a licitação dos lotes. Com a liberação
da licença, a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) lançará o
edital de concorrência pública.

O TAC é a garantia de que o GDF vai atender às exigências feitas


pelo Ibama que são: criar uma Área de Relevante Interesse Eco-
lógico (Arie) entre o Setor Noroeste e a Epia, onde não poderão
ser construídos prédios e solucionar o problema dos três lotes
particulares que existem dentro da área do novo bairro. O GDF
terá que trocar os imóveis por outros terrenos fora da poligonal
do Noroeste.
Cenários | Artigo | ago/set 2008

Brasília perdida na reação


à estética modernista
Brasília é a capital da República, construída na euforia
do desenvolvimento, como um marco nacionalista de conquis-
tas econômicas, sociais e culturais, nunca antes desfrutado
no Brasil. Nesse contexto, Lucio Costa – um arquiteto intelec-
tual, extremamente modesto, porém seguro de seu traço –,
com um projeto à sua imagem e semelhança, traçou o marco
da modernidade urbana brasileira, com sua proposta para a
nova capital. A partir desse momento, arquitetos dos quatro
Alfredo Gastal é Ph.D. pela cantos do país vieram para o Cerrado, com objetivo de, nesse
Universidade da Pensilvânia e cenário, exibir suas habilidades arquitetônicas sobre as linhas
superintendente do IPHAN no discretas, mesmo quando sinuosas, do traçado da cidade que
surgia. Tratava-se de um grupo originário de uma classe mé-
Distrito Federal dia intelectualizada, que queria ver um país novo, despido dos
mármores de antanho, do “faux marble”, do rococó.
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O que se possui aqui reflete
a consolidação da arquitetura
moderna, um movimento
internacional que quebra com
o rebuscamento afetado dos
estilos usados no fim do século
Desejou-se, naquele momento, que Brasília fosse moderna,
com linhas retas, curvas suaves, em que predominassem co- XIX e início do século XX
res neutras e integradas com a paisagem. As edificações de-
veriam possuir espaços para a transparência e a translucidez
dos vidros num contexto de equilíbrio entre a massa constru- A característica desse processo foi a de fixar as escalas do
ída e os espaços vazados (os chamados cobogós, referência projeto, liberando as edificações em geral, exceto os monu-
aos mucharabis, que saíram do norte da África e foram intro- mentos. Isso significa que a cidade é tombada volumetrica-
duzidos na Península Ibérica durante a invasão moura), por mente, com quatro escalas básicas (residencial, gregária,
perceberem, esses profissionais, as nuances climáticas daqui: monumental e bucólica), em função dos usos definidos no
uma região semi-árida. projeto original, dando-se ênfase especial à escala bucólica
– foi somente depois disso que Lucio Costa elaborou o docu-
Essa é a gênese da arquitetura de Brasília do fim dos anos mento intitulado Brasília Revisitada, que é parte integrante do
50. Simples, quase cândida, prenhe de referências histó- Decreto Distrital 10.827 de 1987.
ricas – da nossa história –, generosa nos espaços e mais
generosa ainda na escala bucólica que adorna e envolve os Como conseqüência, os edifícios de Brasília dependem da
edifícios. É só caminhar pelas quadras 308, 108 e 114 Sul e postura estética dos síndicos, dos moradores, dos arquite-
ainda se verá vestígios desse Brasil que se pretendeu erigir tos, dos engenheiros ou dos decoradores que se encarregam
no meio do Cerrado. das reformas da fachada dessas construções. A maioria quer
modernizar, trocar pastilhas por laminados coloridos, colocar
Mas Brasília, hoje, avança rapidamente para uma adolescên- vidros azuis (muito em moda, apesar de dar um ar fantas-
cia feia. Em termos construtivos, as reformas – diga-se de magórico às pessoas que freqüentam os apartamentos) ou
passagem, absolutamente necessárias – descascam a arqui- bronze. Querem ainda substituir azulejos de Athos Bulcão por
tetura original e adaptam as fachadas ao modismo do momen- mármore ou granito e alguns já não fogem à tentação de fe-
to. Desse modo, substituem-se: os azulejos de Athos Bulcão char os pilotis com blindex, vasos com espécies espinhentas
por mármore branco (freqüentemente de segunda categoria), ou (mais imaginativos) com garagens – é bom lembrar que
encimado por patéticos “capitéis” de gesso; os vidros e os os pilotis são áreas públicas e, portanto, não pertencem ao
espelhos são abundantes, de preferência em tonalidades de condomínio, não podendo, assim, serem fechados.
azul ou bronze; em alguns casos, entre os mais abastados,
as portarias são enfeitadas com arranjos de flores mortas (e Outros cidadãos, também querem fazer reformas, mantendo,
empoeiradas) ou por conjuntos de velas das mais variadas porém, o espírito da arquitetura original da cidade. E como
formas, preferencialmente tipo esfera. freqüentemente não mais encontram os mesmos materiais
que adornam as fachadas, procuram alternativas similares e,
Adornam-se com furor as entradas outrora dignas e simples, por isso, se dirigem ao IPHAN, em busca de orientação.
que apenas convidavam para entrar. Assim, finalmente, a capital
da República, recua, perdendo a sua personalidade brasileira É preciso dizer que essa não é uma questão apenas de bom
e alcançando a modernidade pequeno burguesa do subúrbio ou mau gosto. Trata-se, na realidade, da preservação de uma
americano, numa espécie de bye, bye Brazil do novo milênio. época importante da história do Brasil e de sua arquitetura.
O que se possui aqui reflete a consolidação da arquitetura
E o que fazer? O tombamento é impotente diante dessa moderna, um movimento internacional que quebra com o re-
contra-reforma estética e alienada do valor intrínseco dessas buscamento afetado dos estilos usados no fim do século XIX
obras de arquitetura da cidade – cabe ao Instituto do Patri- e início do século XX. Em nosso caso, trata-se também da
mônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) contar apenas epopéia da construção de uma nova capital, fato raro no mun-
com o bom censo dos brasilienses e dos moradores desses do. E, finalmente, trata-se do marco da criação da arquitetura
prédios. Mas, quando se fala disso, poucos sabem que Brasília moderna brasileira e da afirmação da brasilidade nas artes
é uma cidade tombada ma non troppo. onde brilham, quando ambas se integram.
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Adalberto Valadão é presidente da Associação
dos Dirigentes de Empresas do Mercado
Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF)

TAXA DE VARANDA: UMA CONQUISTA


PARA O SETOR E PARA A SOCIEDADE

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Cenários | Artigo | ago/set 2008

A Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado rial Urbano (IPTU), que tem por base a área total do imóvel,
Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), entidade represen- incluindo-se aí as áreas objeto de concessão de uso, cujo pre-
tante das empresas que desenvolvem suas atividades junto ço público era recolhido desde a celebração do respectivo
ao setor imobiliário da região, há muito vem se preocupando contrato administrativo. Assim, atenta a essas situações não
e buscando alternativas legítimas para minimizar o impacto apenas a Ademi-DF, mas também todos aqueles que, direta ou
que a exigência do pagamento de preço público, relativo à indiretamente, sentiam-se penalizados, buscaram equacionar
concessão de direito de uso de área ocupada em subsolo e/ tais ocorrências, sempre com o propósito de estabelecer o le-
ou espaço aéreo – taxa de varanda – para fins de edificação, gítimo equilíbrio entre as relações obrigacionais havidas com
ocasionou não só às incorporadoras e construtoras mas tam- o estado, incorporadoras e, por certo, consumidores adqui-
bém aos consumidores adquirentes de unidades imobiliárias rentes de unidades imobiliárias.
edificadas em projeções (terrenos).
Além disso, mais uma luta iniciou-se com o intuito de regular o
É preciso mencionar, em princípio, que a concessão do direito desenvolvimento das atividades imobiliárias com a declaração de
de uso de área pública contígua à edificação – no nível do solo inconstitucionalidade das leis que instituíram e regulavam referi-
e/ou em espaço aéreo (varanda) e/ou em subsolo (garagem) das concessões, em que as administrações se negavam a expedir
– é condição para que o incorporador possa edificar dentro alvará de construção para os projetos de edificação iniciados,
daquele potencial construtivo permitido pela legislação e in- carta de Habite-se para as edificações já concluídas, enfim, foram
dicado nos editais promovidos pela Companhia Imobiliária de meses de gravosa situação para o setor imobiliário.
Brasília (Terracap) para a venda da projeção (terreno), sendo
certo que tal conjunto de oportunidades compõe e interfere Dessa forma, a Ademi-DF atuou fortemente para restabelecer
no preço de aquisição do imóvel licitado. a regularidade do legítimo exercício da atividade imobiliária,
sendo que muitas empresas associadas tiveram que buscar,
Assim, toda a controvérsia e percalços que se verificaram so- no Judiciário, a proteção à continuidade de suas atividades e a
bre a questão têm origem na Lei Complementar nº 130/1998, entrega dos seus empreendimentos já concluídos.
que institui, no Distrito Federal, a concessão de direito real de
uso em relação à ocupação dessas áreas públicas de forma Assim, todos munidos das prerrogativas que lhe cabiam, sem-
onerosa, tanto para as incorporadoras/ construtoras – paga- pre em busca do bem maior que é atender ao interesse da co-
doras iniciais quando do registro do competente contrato de letividade e ao equilíbrio entre as relações jurídicas, chegou-
concessão e durante a construção – quanto para os adqui- se ao fim, parece-nos, de muitas questões prejudiciais.
rentes das unidades imobiliárias edificadas – pagadores por
força da utilização do imóvel –, que se obrigavam a pagar, Nessa esteira de entendimento, há a Lei Complementar nº
anualmente, elevado preço público. 755/08, que hoje define os critérios para a ocupação de área
pública no DF, mediante concessão de direito real de uso e
Posteriormente, essa norma foi revogada pela também Lei concessão de uso, a qual restou regulamentada pelo Decreto
Complementar nº 388/2001, que, em linhas gerais, tratou nº 28.970, de 18 de abril de 2008.
da mesma forma a autorização para a ocupação das referi-
das áreas em espaço aéreo e subsolo, diferenciando-se, no A referida norma estabelece e autoriza que a ocupação por
entanto, quanto à forma de concessão (concessão de uso e concessão de direito real de uso em subsolo, como garagens
não mais de direito real de uso) e quanto à sub-rogação dos vinculadas a edificações residenciais, e em espaço aéreo,
direitos e obrigações do contrato de concessão (a obrigação como varandas e expansão de compartimentos vinculadas a
de pagamento do preço público passou, após a utilização da edificações residências, ocorra de forma gratuita ao consumi-
edificação, para o condomínio, então, constituído). dor adquirente das unidades imobiliárias. Já ao incorporador
caberá o pagamento do valor correspondente a quatro reais
Com efeito, as impropriedades e distorções ocasionadas por por metro quadrado de área concedida pela lavratura do con-
essa exigência de pagamento não se findam na cobrança, em trato de concessão assinado com o DF.
duplicidade, ocorrida em relação ao mencionado potencial
construtivo. O incorporador pagou pelo potencial construtivo, As concessões de direito real de uso, em subsolo e espaço aé-
permitido na legislação, quando adquiriu a projeção da Terra- reo, verificadas em edificações comerciais dar-se-ão mediante
cap, e, posteriormente, quando da efetiva consecução teve que o pagamento de preço público, na forma da lei. E, dessa for-
pagá-lo novamente para poder edificar naquele potencial. ma, a Ademi-DF entende que cumpriu com a sua contribui-
ção institucional, dentro daquilo que lhe foi possível, sempre
Ora, sem sombra de dúvida, enveredam pelo denominado primando pelo atendimento dos legítimos interesses de suas
“efeito cascata”, a desaguar no Imposto Predial e Territo- associadas e da sociedade brasiliense.
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São Luís recebe No 80º Enic, além de discutir a força da indústria da construção,
haverá debates sobre inovação tecnológica no setor, desenvolvi-

o 80º ENIC mento econômico do país, entre outros temas. A programação


do evento conta também com fóruns – Advogados; Ação Social
e Cidadania; Seconcis; Banco de Dados –, além das reuniões das
comissões técnicas – Indústria Imobiliária; Meio Ambiente; Ma-
Descoberta por franceses interessados em fundar a teriais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade; Obras Públicas,
França Equinocial e invadida por holandeses, a capital mara- Privatizações e Concessões; Políticas de Relações Trabalhistas.
nhense foi colonizada por portugueses e é uma das poucas do
país onde a combinação harmoniosa entre o novo e o antigo Mas nem só de discussões e apresentações de propostas so-
modo de se fazer construção é um dos fortes atrativos. E é em bre os rumos da construção civil é composto o Enic. Os parti-
São Luís, cidade fundada em 8 de setembro de 1612, onde será cipantes do evento poderão ainda contar com muita diversão
realizado o 80º Encontro Nacional da Construção, evento de ini- e motivação. Para isso, foram convidados o comediante Diogo
ciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Portugal, responsável pelo teatro de comédia de maior sucesso
em parceria com o Sindicato das Indústrias da Construção Civil em muitas cidades do país, e os pilotos Klever Kolberg e André
do Maranhão (Sinduscon-MA). Azevedo, do Paris-Dakar.

O maior evento da construção civil da América Latina reunirá A dupla de pilotos está preparando sua equipe para mais uma
mais de mil participantes, entre engenheiros, arquitetos, em- vez representar o Brasil no Rally Dakar, o maior e mais difícil rally
presários e trabalhadores do setor de todo o país, no Centro de do mundo. No Enic, André Azevedo e Klever Kolberg vão contar,
Convenções de São Luís. De 22 a 24 de outubro deste ano, os de maneira interessante e atraente, suas histórias, derrotas e vi-
participantes do Enic vão debater temas nacionais e os desafios tórias, no mundo competitivo e de constantes mudanças do Rally
para o setor diante da expectativa de desenvolvimento do país Dakar. A idéia é transferir experiência para a realidade das em-
neste e nos próximos anos. As inscrições podem ser feitas no presas de forma espontânea, mostrando como administrar crises,
site www.enic.org.br superar desafios e alcançar resultados.

A todo vapor
Cenários | Artigo | ago/set 2008

Quem for ao Enic poderá também aproveitar as curiosidades e


O setor de construção civil cresceu 8,8% no primeiro trimestre a beleza de São Luís, que teve seu desenvolvimento orientado
de 2008, comparado com mesmo período de 2007, enquanto pelas normas de urbanização da Coroa Portuguesa. As marcas
o Brasil cresceu 5,8%, de acordo com dados do Instituto Bra- históricas da arquitetura e urbanismo, que alçaram essa cidade
sileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do setor é à lista do Patrimônio Mundial em 1997 pela Organização das
o maior desde o segundo trimestre de 2004. Neste cenário, o Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco),
Produto Interno Bruto (PIB) e as perspectivas para 2008 são são semelhantes às encontradas em Lisboa, Portugal.
promissoras, tendo em vista que o mercado imobiliário está em
alta e as obras de infra-estrutura do Programa de Aceleração Mas foi a partir de meados da década de 1750 que São Luís
do Crescimento (PAC) terão maior impulso. ganhou sua imagem arquitetônica e urbanística, traçada pelas
mãos da equipe do engenheiro-mor do Brasil, Francisco Frias
A capital maranhense não fica para trás do crescimento do se- de Mesquita. O trabalho foi feito no mesmo estilo definido para a
tor em todo o país. Em São Luís, a urbanidade se desenvolve de reconstrução de Lisboa, atingida por um terremoto em 1755.
forma acelerada. A cada dia os olhos dos seus quase um milhão
de habitantes são apresentados às novas paisagens e aos no- Dois séculos depois, a partir de 1950, e seguindo até a década
vos hábitos no uso da cidade. O aquecimento do mercado imo- de 1980, São Luís viveu outro ciclo de desenvolvimento, com a
biliário, assim como os avanços em tecnologias de transportes, ocupação urbana induzida por investimentos em infra-estrutura,
comunicações e de segurança, entoam, desse modo, o ritmo do com a construção de rodovias, o incremento do sistema viário
crescimento de São Luís. e as novas habitações. Já nas décadas de 1990 e início do ano
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2000, a capital maranhense, passou a ter maior regulação de
um planejamento urbano, mas predominando a espontaneidade
em sua ocupação.

Atrações à parte
Nos intervalos do Enic, os participantes do evento vão descobrir
outras maravilhas da cidade. Um deles é a culinária, que reser-
va para os visitantes uma aventura gastronômica inesquecível.
Os destaques são frutos do mar, peixadas, tortas, caldeiradas,
vatapá, caruru e cuxá. Mas não é só isso. A cozinha regional
oferece carne-de-sol com pirão de leite e manteiga de garrafa.
As frutas são um atrativo a parte e podem ser facilmente en-
contradas na cidade. Dentre as mais desejadas estão cajá, caju,
manga, mangaba, graviola, pitanga e acerola.

Para os que desejarem fazer da participação no evento um mo-


mento de descanso e lazer, são muitas as opções. Após o último
dia do encontro, um passeio opcional levará os interessados
aos Lençóis Maranhenses, um paraíso ecológico com 155 mil
hectares de dunas, rios, lagoas e manguezais. Raro fenômeno
geológico, o lugar foi formado ao longo de milhares de anos, um
milagre da natureza.

O Pólo Parque dos Lençóis, situado no litoral oriental do Mara-


nhão, envolve os municípios de Humberto de Campos, Primei-
ra Cruz, Santo Amaro e Barreirinhas. Seu maior atrativo é o
Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, belo e intrigante
fenômeno da natureza, que tem Barreirinhas como principal
portão de entrada.

Cachoeiras, trilhas ecológicas, belas paisagens são outras sur-


presas que uma viagem à Chapada das Mesas pode revelar ao
viajante. As principais cidades do pólo são Imperatriz, Carolina e
Riachão, circundadas por um mundo mágico e grandioso.

As cachoeiras são responsáveis por grande parte do encanto


que envolve a Chapada das Mesas. Mas Pedra Caída é, com
certeza, a que mais chama a atenção. Ela tem início em um rio,
que em determinado ponto do seu curso encontra uma fenda.
Nesse ponto, a água despenca a uma altura de cerca de 50
metros, formando lá embaixo, entre paredões rochosos, uma
piscina natural de beleza indescritível.

Ainda em fase de estruturação, o Pólo da Floresta dos Guarás


fica na parte amazônica do Maranhão, no litoral ocidental do
estado. Incluído como Pólo ecoturístico por excelência, envolve João Alberto Teixeira Mota Filho
os municípios de Cedral, Mirinzal, Cururupu, Guimarães e Porto é presidente do Sinduscon-MA e da
Rico do Maranhão, entre outros. Seu nome deve-se à bela ave comissão organizadora do 80º Enic
de plumagem vermelha, comum na região.
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Figura 1 – Casa Eficiente:
Resultado da parceria firmada entre
Eletrosul, Eletrobrás/Procel
Edifica e LabEEE/UFSC

Projeto Casa Eficiente:


vitrine de tecnologias e laboratório
O atual modelo de desenvolvimento econômico e os ambiental, na fase de uso. Esses consumos estão diretamente
impactos decorrentes do crescimento populacional sobre o meio relacionados às decisões de projeto (ROMÉRO, 1997).
ambiente demandam a adoção de alternativas sustentáveis para a
exploração dos recursos naturais. A compreensão do conceito de A inadequação do projeto às características climáticas do local
sustentabilidade como uma forma de desenvolvimento econômico afeta diretamente o desempenho da edificação, podendo levar
que “emprega os recursos naturais e o meio ambiente não ape- à utilização intensa de equipamentos mecânicos de refrigera-
nas a benefício do presente, mas também das gerações futuras” ção e sistemas artificiais de iluminação para garantir o con-
(WCED, 1987) pode ser aplicada também na construção civil. forto dos usuários, resultando, por conseguinte, no consumo
de energia elevado. No Brasil, 42% do consumo de energia
Além de consumir recursos naturais na extração das matérias- em edificações são destinados à sua operação e manutenção
primas, essa atividade produtiva emprega grande quantidade (MME, 2006), de modo que a construção civil representa um
de energia na produção e transporte de materiais, ainda na setor estratégico para a implementação de medidas de con-
fase de construção, e também na iluminação e condicionamento servação de energia.
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Além disso, a geração e o consumo energético estão entre os
principais contribuintes às mudanças climáticas globais (IPCC,
2007). Nesse contexto, o uso eficiente da energia apresenta-
se como uma das principais dimensões de sustentabilidade a
serem obtidas no espaço habitado (ROMÉRO, 1997).

Com relação à água, o volume de água doce disponível para


a população torna-se cada vez mais escasso. De acordo com
a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciên-
cia e a Cultura (UNESCO), apenas 0,3% da água do planeta
é considerada acessível para consumo humano (SHIKLOMA-
NOV, 1999). E o Brasil é considerado um país privilegiado
quando se fala dessas reservas. Entretanto, o crescimento
populacional afeta grandes cidades como São Paulo, onde a
disponibilidade de água corresponde apenas a 200 metros
cúbicos por habitante ao ano (NOGUEIRA, 1999), sendo que,
Figura 2 – Planta-baixa do pavimento térreo, associa estratégias
pelos padrões internacionais, menos de 1.000 m3 de água por
de adequação ambiental, eficiência energética e qualidade estética
habitante ao ano é considerado valor limite de stress hídrico
(SHIKLOMANOV, 2008).

Desse modo, faz-se necessária a adoção de medidas de con-


servação da água nas edificações, por meio da gestão da de- foi estabelecida como um dos condicionantes básicos do projeto
manda e da oferta desse recurso, para evitar desperdícios nos arquitetônico, resultando no dimensionamento de amplas circu-
sistemas prediais, assim como promover o reúso e garantir o lações, guarda-corpos e rampas adequadas às necessidades de
adequado tratamento do esgoto, com vistas à redução do im- pessoas com restrições locomotoras.
pacto ambiental (FINEP, 2008) (ABNT, 2007).
• Orientação da edificação determinada em função das
Propostas interligadas condições de insolação e ventilação do entorno, visando o
No âmbito da construção civil, os termos sustentabilidade, ade- aproveitamento da radiação solar para geração de energia
quação ambiental e eficiência energética se inter-relacionam, de fotovoltaica e aquecimento de água, bem como a captação
modo que as edificações podem ser utilizadas como instrumen- dos ventos predominantes;
to para a disseminação de tais conceitos.

Cenários | Informe Técnico | ago/set 2008


• Concentração da área molhada no lado oeste (cozinha, área de
Partindo desse princípio, a Eletrosul e a Eletrobrás, por serviço e banheiro), funcionando como barreira radiante (prote-
meio do Procel Edifica – Programa Nacional de Conserva- ção contra a exposição solar intensa), privilegiando os ambientes
ção de Energia Elétrica em Edificações – firmaram uma par- de maior permanência com a localização no lado leste;
ceria com o LabEEE (Laboratório de Eficiência Energética
em Edificações/UFSC) para a criação da Casa Eficiente em • Aproveitamento da ventilação cruzada, favorecida pela dispo-
Florianópolis. A proposta funciona como um instrumento de sição das esquadrias em fachadas opostas em cada ambiente,
sensibilização ambiental, com projeção em todo o território beneficiando o conforto térmico dos usuários, independente-
nacional (Figura 1). mente do uso de equipamentos mecânicos de refrigeração;

O projeto arquitetônico da Casa Eficiente foi concebido pelas • Emprego de materiais isolantes térmicos nas paredes exter-
arquitetas Alexandra Maciel e Suely Andrade como uma vitri- nas e coberturas e utilização de vidros duplos nas esquadrias,
ne de tecnologias de ponta, contando com a colaboração de favorecendo o isolamento térmico e acústico dos ambientes;
pesquisadores do LabEEE, da Universidade Federal de Santa
Catarina (Figura 2). Nela, encontram-se reunidas estratégias • Uso do insuflamento mecânico noturno, uma estratégia alter-
de adequação ambiental e medidas de eficiência energética, vi- nativa que tira proveito das características construtivas da Casa
sando a obtenção do conforto térmico, redução no consumo de Eficiente (materiais com elevada inércia e isolamento térmico) e
energia elétrica e água e menor impacto ambiental. da temperatura mais amena do ar externo durante a noite para
o resfriamento da temperatura interna durante o verão;
Dentre as estratégias incorporadas ao projeto (MACIEL et al,
2006), podem-se destacar: • Emprego de dispositivos de sombreamento nas aberturas: prote-
ções solares projetadas de acordo com as condições de exposição
• Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais: em solar de cada fachada e venezianas incorporadas às esquadrias,
virtude da visitação realizada na Casa Eficiente, a acessibilidade reduzindo os ganhos de calor durante o verão (Figura 3a);
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Figura 3 – Preocupação com a ventilação e a luz natural se traduz no projeto de esquadrias adequadamente orientadas e no uso de
dispositivos de sombreamento (a), além de barreiras contra o vento sul no inverno (b)

Figura 4 – Escolha criteriosa dos materiais construtivos: uso do teto-jardim (a) e rampa construída com concreto “reciclado” (b)

• Emprego de elementos redutores da velocidade do vento sul, • Uso de teto-jardim, para redução dos ganhos de calor
indesejável no inverno (Figura 3b); advindos da cobertura (Figura 4a);
• Resgate de soluções termicamente adequadas da arqui-
tetura vernacular, a exemplo do fogão à lenha, aquecendo o • Uso de materiais renováveis e de produção local, com me-
interior da casa no inverno; nor impacto ambiental (tijolos e telhas cerâmicos produzidos
em Santa Catarina, madeira de reflorestamento, aproveita-
• Adoção de medidas de conservação da água, com a uti- mento do entulho do antigo piso existente no local, como
lização de equipamentos economizadores, aproveitamento agregado na composição do concreto) (Figura 4b);
de água de chuva para fins não potáveis (descarga do vaso
sanitário e lavagem de roupas) e reúso de águas após tra- • Uso de coletores solares para aquecimento de água e
tamento biológico por zona de raízes. aquecimento ambiental nos quartos (Figura 5);
Cenários | Informe Técnico | ago/set 2008
• Uso de eletrodomésticos com selo de eficiência energética, ambiental e energético de edificações localizadas em climas
divulgando o selo Procel, junto ao público consumidor; tropicais, a exemplo de Florianópolis. Por meio do monitora-
mento termo-energético contínuo e da realização de experi-
• Uso de energia elétrica gerada a partir de fonte renovável, de mentos in loco, obtêm-se informações úteis para a escolha
baixo impacto ambiental: geração solar fotovoltaica interligada de estratégias projetuais, visando uma maior economia de
à rede (Figura 5); energia elétrica e de água.

Histórico do Projeto Para tanto, a casa possui um amplo sistema de monitoramen-


O Procel Edifica – Programa Nacional de Conservação de to termo-energético – desenvolvido pelo Laboratório de Meios
Energia Elétrica em Edificações –, subordinado a Eletrobrás, Porosos e Propriedades Termofísicas da Universidade Federal
tem por objetivo promover a racionalização da produção e do de Santa Catarina (LMPT/UFSC) –, uma estação meteorológica
consumo de energia elétrica. Como estratégias para eliminar própria, além de contar com uma equipe de pesquisadores
os desperdícios e reduzir os custos e os investimentos se- da UFSC, responsáveis pelo desenvolvimento de experimentos
toriais, o projeto enfoca a capacitação tecnológica, firmando realizados quinzenalmente (Figura 7). Os experimentos são
parcerias para estimular a pesquisa e o desenvolvimento de conduzidos por três grupos de trabalho (GT’s) que compõem
soluções adaptadas à realidade brasileira. o LMBEE, agrupados de acordo com as seguintes temáticas:
GT-1, Eficácia das estratégias de condicionamento ambiental;
Nesse contexto, foi assinado, em maio de 2004, um convênio GT-2, Potencial de geração solar fotovoltaica interligada à
entre a Eletrosul, a Eletrobrás (por meio do Procel Edifica) e rede elétrica de distribuição e GT-3; Uso racional da água.
a Universidade Federal de Santa Catarina, firmando-se uma
parceria que propiciou a implementação do projeto Casa Efi-
ciente. Em 29 de março de 2006, a casa foi inaugurada e,
desde então, encontra-se aberta à visitação pública.

Caracterizado pela aplicação de conceitos e tecnologias re-


lacionados à sustentabilidade e eficiência energética em
residências, o projeto Casa Eficiente, concebido como um
ambiente de demonstração, engloba também a pesquisa cien-
tífica. Desde o segundo semestre de 2006, foram iniciadas
as atividades do Laboratório de Monitoramento Bioclimático
e Eficiência Energética (LMBEE), visando transformar a Casa
Eficiente em um centro de demonstração do potencial de solu-
ções inovadoras para o projeto de habitações unifamiliares.

O LMBEE é formado por uma equipe de pesquisadores da Univer-


sidade Federal de Santa Catarina (Figura 6) e é coordenado pelo
Figura 5 – Aproveitamento da energia solar para geração elétrica
professor Roberto Lamberts. Os pesquisadores do laboratório de-
(painel fotovoltaico, telhado central) e para aquecimento de água
senvolvem pesquisas científicas destinadas a avaliar o desempenho
(coletores solares, coberturas laterais)
termo-energético da Casa Eficiente, bem como a eficácia das estra-
tégias de uso racional da água incorporadas ao projeto.

Com a realização das pesquisas, tem-se a opor tunidade


de acompanhar continuamente o desempenho térmico e
energético da edificação, simulando-se situações de uso
reais, e, por conseguinte, divulgar os conceitos e tecnolo-
gias incorporadas ao projeto por meio do uso de dados de
uma experiência concreta. Os resultados do monitoramen-
to, em fase de análise, serão posteriormente divulgados ao
público sob a forma de publicações técnicas e também por
meio da internet.

O projeto é inovador no cenário brasileiro pelo fato de reunir,


em uma única proposta, as funções de laboratório de pesqui-
sa e de instrumento de divulgação, aberto à visitação pública.
Figura 6 – Equipe técnica do LMBEE – Laboratório de
Como laboratório de pesquisa, a Casa Eficiente representa um
Monitoramento Bioclimático e Eficiência Energética
instrumento para a investigação e análise do desempenho
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Cenários | Informe Técnico | ago/set 2008

Figura 7 – Estação meteorológica (a) e gráfico ilustrativo das


temperaturas registradas pelo sistema de aquisição de dados do
LMBEE/Casa Eficiente (b)

Já a realização da visitação pública, voltada para estudantes Outra importante mensagem que se procura difundir é que a
do ensino médio, universitários, profissionais da construção obtenção do desempenho térmico e energético satisfatório não
civil e o público em geral, representa um canal direto de di- depende unicamente da adoção de estratégias de alto cus-
vulgação das estratégias de adequação ambiental e eficiência to. A adequação da edificação às condições climáticas locais
energética. Os visitantes podem observar como os conceitos constitui-se no ponto de partida, sendo definida por meio de
são aplicados na prática, ampliando sua compreensão acerca soluções de projeto, cujos resultados influenciarão toda a vida
dos mesmos – e sua importância para o alcance de padrões útil da edificação.
de desenvolvimento sustentável –, conscientizando-se da
responsabilidade que cada membro da sociedade possui com A Casa Eficiente já foi visitada por diversos estudantes do ensi-
relação à proteção do meio ambiente. no médio e superior e pelo público em geral, todos interessados
nas estratégias de adequação ambiental e de redução do con-
sumo de energia implementadas na edificação.

No primeiro semestre de 2007 foram recebidos 795 visitantes.


Por meio da internet, são esclarecidas as dúvidas do público
no espaço Fale-Conosco, acessado o endereço www.eletrosul.
gov.br/casaeficiente. As iniciativas de divulgação do projeto
incluem também a participação em feiras, congressos e de-
mais eventos na área da construção civil (Figura 8), inclusive
em outros estados, visando ampliar ao máximo o alcance do
principal objetivo do projeto: disseminar os conceitos relacio-
nados à adequação ambiental e eficiência energética em edi-
ficações, contribuindo de modo efetivo para a sensibilização
da população e para a formação de técnicos e profissionais
da construção civil. O interesse do público demonstra que a
Casa Eficiente tem representado um importante papel edu-
cativo junto à sociedade, que será reforçado ainda mais com
o fornecimento dos dados de base para pesquisas, as quais
Figura 8 – Promotora divulgando o projeto Casa Eficiente durante
contribuirão para a ampliação do conhecimento e desenvolvi-
UFSC
evento científico realizado na
mento de novas tecnologias.
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Resultados preliminares
Os experimentos realizados na Casa Eficiente ainda não fo-
ram concluídos, de modo que os resultados obtidos até o
presente momento possuem caráter preliminar.

Quanto ao monitoramento térmico, pode-se observar que


as temperaturas internas mantiveram-se dentro do interva-
lo considerado adequado segundo o ponto de vista do con-
forto térmico (entre 18ºC e 29ºC), sob condições controla-
das de ventilação e insolação. E esse aspecto merece ser
salientado. Não basta um projeto arquitetônico adequado,
pois as condições de uso e operação da edificação também
Figura 9 – Variação da temperatura externa e das
determinam o desempenho térmico da mesma.
temperaturas nos ambientes internos da Casa Eficiente no
dia 28/07/2007 (inverno)
No dia 29 de julho de 2007 (inverno), por exemplo, a
temperatura externa variou entre 6ºC e 16ºC, enquanto
nos ambientes internos o valor mínimo atingido foi igual a
14,3ºC, mantendo-se diferenças superiores a 8ºC em rela-
ção à temperatura externa (Figura 9).

Já durante experimentos realizados no dia 4 de março des-


te ano, quando a temperatura externa variou entre 24,6ºC e
32,1ºC, os índices internos mantiveram-se próximos a 29ºC
(Figura 10b), quando submetidos ao controle da ventilação
e com utilização do sombreamento nas esquadrias (vene-
zianas). Em outro experimento realizado no dia 6 do mes-
mo mês, observou-se a ocorrência de temperatura internas
superiores a 32ºC, quando a ventilação foi empregada in-
discriminadamente (nos horários mais quentes do dia), sem
sombreamento adequado (Figura 10a), enquanto a tempe-
ratura externa variou entre 25ºC e 34,5ºC. Tais resultados
demonstram que, nas situações limites de frio e de calor, a
gestão adequada da ventilação e da insolação garantiu a
obtenção de valores mais favoráveis ao conforto térmico
nos ambientes internos.

Os experimentos desenvolvidos no LMBEE buscam demons-


trar como as condições de conforto térmico podem ser al-
teradas em função das variações climáticas externas e das
condições de uso e ocupação dos ambientes, de modo que
várias “situações-teste” estão sendo analisadas pelo GT-1.
O objetivo disso é demonstrar o efeito de tais interferências
no desempenho térmico da Casa Eficiente, tanto sob con-
dições de calor, quanto as de frio. Além disso, a eficácia de
estratégias de condicionamento ambiental passivo também
é avaliada, destacando-se o uso do insuflamento mecânico
noturno e do teto-jardim (cobertura verde) para a melhoria
das condições de conforto térmico internas.

Com relação à energia solar fotovoltaica, as avaliações re-


Figura 10 – Variação da temperatura nos ambientes
alizadas pelo GT-2 do LMBEE são baseadas na comparação
internos da Casa Eficiente: (a) sob condições controladas
entre estimativas de consumo e a energia gerada pelo sis-
de insolação e ventilação e (b) sem controle da insolação
tema fotovoltaico conectado à rede, instalado na cobertura
e ventilação
da Casa Eficiente. Sistemas deste tipo têm sido instalados
Cenários | Informe Técnico | ago/set 2008

e avaliados durante vários anos sob diversos aspectos mensal de geração fotovoltaica (195 kWh), verifica-se que,
(arquitetônico, energético, econômico e de eficiência e no caso da “Família Eficiente”, a quantidade de energia
confiabilidade), com resultados apresentados em artigos gerada seria superior ao consumo mensal. Já no caso da
nacionais e internacionais (VIANNA et al, 2007) (VIANNA; “Família Esbanja”, mesmo com o uso ineficiente de energia,
RÜTHER, 2007) (RÜTHER; VIANNA; SALOMONI, 2007). a geração fotovoltaica corresponderia a aproximadamente
75% do consumo mensal (Figura 12).
O sistema fotovoltaico da casa possui potência instalada de
2,25 kWp (kilowatt-pico). O valor em Wp (watt-pico) repre- Convém salientar que a interligação de sistemas fotovol-
senta a potência que o módulo fotovoltaico forneceria quando taicos à rede elétrica da concessionária ainda não é uma
submetido às condições padrão de teste (STC). A geração do prática regulamentada no Brasil. No caso da Casa Eficiente,
sistema é função, principalmente, das características do painel o sistema é interligado à rede elétrica do edifício sede da
(eficiência e coeficientes de temperatura), do posicionamento Eletrosul e tem como objetivo realizar pesquisas para ava-
(orientação e inclinação), das características do equipamento liar o desempenho desse tipo de sistema, instalado em uma
eletrônico utilizado (eficiência) e do nível anual da irradia- residência e submetido às condições de radiação solar da
ção no local (kWh/m2). Nesse caso, o painel fotovoltaico está região sul do Brasil. Os resultados apresentados indicam
orientado para o Norte, com inclinação correspondente ao que a geração solar fotovoltaica apresenta significativo po-
valor da latitude local (Florianópolis, 27º). tencial para utilização em residências no Brasil, constituin-
do-se em uma alternativa para geração de energia elétrica
O valor médio anual da irradiação sobre o plano da co- a partir do Sol, uma fonte renovável praticamente inesgotá-
bertura, para Florianópolis é igual a 4,72 kWh/m 2/dia. Sob vel. Ressaltam-se ainda algumas características deste tipo
tais condições, após um ano de monitoramento, verificou-se de geração, tais como operação silenciosa e desassistida e
que a quantidade de energia gerada pelo sistema fotovol- a contribuição para redução dos impactos ambientais que
taico totalizou 2.302 kWh (Figura 11). A média mensal de decorrem da geração convencional.
energia produzida, nesse período de doze meses, foi de
195 kWh. Esse valor médio foi comparado com estimativas Os integrantes do GT-3 desenvolvem experimentos relacio-
de consumo desenvolvidas para a Casa Eficiente, conside- nados ao uso racional da água, buscando formas de utili-
rando-se o uso de eletrodomésticos com selo Procel e o zação mais eficiente desse recurso, promovendo a gestão
sistema de iluminação de baixo consumo (lâmpadas fluo- da demanda, evitando o desperdício e empregando fontes
rescentes compactas). alternativas – a exemplo da água da chuva, utilizada na
descarga do vaso sanitário e na lavagem de roupas. Encon-
Nas estimativas, foram considerados dois perfis de consu- tram-se em fase de testes os dispositivos de descarte de
mo – para uma família com quatro pessoas: perfil “Família sólidos (como detritos, folhas e gravetos) e os destinados
Esbanja”, com a adoção de padrões ineficientes, caracteri- ao desvio de água do escoamento inicial (água da primeira
zados pelo desperdício de energia, e a situação oposta, a chuva), constituintes de um sistema de aproveitamento de
“Família Eficiente”. Os valores de consumo estimados para chuva. Busca-se, ainda, desenvolver dispositivos de baixo
os dois perfis foram iguais a 257 kWh e 166 kWh, respecti-
vamente. Quando se comparam estes valores com a média

Figura 12 – Comparação entre a energia fotovoltaica gerada e


Figura 11 – Geração de energia solar fotovoltaica na Casa as estimativas de consumo para a Casa Eficiente, indicando-se o
Eficiente durante o período de julho de 2006 a julho de 2007 elevado potencial de atendimento da demanda

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Figura 13 – Dispositivo desenvolvido para desvio de água de
escoamento inicial

custo, fabricados a partir de tubos e conexões encontrados junto aos consumidores, pois são estes os responsáveis
facilmente no mercado, cujo uso não implique em consumo pela “operação” das edificações ao longo se sua vida útil.
adicional de energia, tampouco em complexidade de opera-
ção e manutenção por parte dos usuários. Como exemplo, Espera-se que a Casa Eficiente cumpra efetivamente seu
tem-se o dispositivo ilustrado na Figura 13, o qual promo- papel de instrumento de desenvolvimento tecnológico no
ve o desvio automático do volume correspondente a uma cenário nacional, bem como o papel de disseminador de
determinada área de captação (telhado). O volume a ser conceitos e boas práticas no setor da construção civil.
desviado depende das características locais e sazonais e
deve ser projetado para desviar a água de lavagem da tro-
posfera (camada atmosférica onde ocorrem os fenômenos
de precipitação de chuva) e da superfície de captação, des-
viando poeira e fuligem, melhorando a qualidade da água
a ser armazenada. Após as chuvas, o volume armazenado Perfil
no dispositivo é liberado por gotejamento, por meio de uma
pequena torneira instalada na base do tubo, ficando libera-
Artigo técnico de autoria da equipe técnica do
do para o desvio seguinte.
LMBEE, formada pelos seguintes profissionais:
Considerações finais Cláudia Donald Pereira, Sergio Parizotto Filho,
Juliana Oliveira Batista, Marcio Andrade,
Graças às atividades do LMBEE, a Casa Eficiente funciona
Rosana Debiasi e Ana Kelly Marinoski.
como um verdadeiro “ambiente de testes”, onde estratégias
de projeto foram concretizadas em soluções construtivas e
tecnológicas, cujo desempenho é avaliado e mensurado. Ao
mesmo tempo, é objetivo de todos os parceiros envolvidos
neste empreendimento divulgar os resultados em lingua-
gem acessível, facilitando sua assimilação não apenas para
o público profissional e acadêmico, mas, principalmente,
Setor foge
do dragão
Aumento dos preços na economia brasileira e mundial não deve
afetar o bom desempenho da construção civil previsto para este ano,
que se prepara para reduzir ainda mais a capacidade ociosa

Enquanto em maio reajustes salariais em vários estados proposta do acordo é capacitar os beneficiados do programa
pressionaram fortemente os índices de inflação na construção Bolsa Família para atuarem no setor.
civil, em junho ocorreu uma aceleração mais acentuada dos
preços dos materiais. Entretanto, na opinião de especialistas, Descompressão
a alta dos preços na economia brasileira e mundial não deve Os reajustes salariais não mais pressionarão a inflação ao longo
afetar o bom desempenho do setor neste ano. do ano, especialmente depois de terminadas as negociações de
maio (época do dissídio do setor). É o que pensa o diretor de
Só para se ter uma idéia, segundo o Instituto Brasileiro de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São
Geografia Estatística (IBGE), a parcela do Índice Nacional da Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan.
Construção Civil (Sinapi) relativa aos materiais apresentou forte
aceleração, em junho, e chegou a 1,44%, alta bem superior E quando o assunto é insumo, Zaidan considera que a demanda
àquelas registradas nos cinco primeiros meses do ano (0,67% aquecida por materiais deve arrefecer com o aumento da capa-
em janeiro e fevereiro e 0,60% em março, abril e maio). Já o cidade produtiva, o que vai reduzir a pressão sobre os preços.
componente mão-de-obra, que em maio havia registrado avan- “Sabemos que todos os setores de materiais vêm investindo
ço de 3,54 pontos percentuais em relação a abril, em junho pesadamente no aumento da produção. Esses investimentos já
variou 0,96% ainda pressionado, em menor escala, pelos rea- estão maturando”, afirma.
justes salariais praticados no Paraná e Rio Grande do Sul.
Mas há uma ressalva: não há como controlar a inflação de cus-
O gerente do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Ín- tos, gerada pelo aumento das cotações mundiais de combustí-
dices da Construção Civil do IBGE, Luiz Fernando de Oliveira veis, energia e fretes. Zaindan também destaca a influência de
Fonseca avalia que o setor da construção civil, estagnado oligopólios ou segmentos com poucos fornecedores de mate-
durante anos, agora vem retomando de forma vigorosa o riais, o que leva a um controle dos preços. “Tem que haver uma
crescimento. E isso ocorre por causa do estímulo forte ao vigilância por parte dos consumidores e do governo”, opina.
crédito imobiliário e por conta dos investimentos do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC). Boas Perspectivas
Mas o setor de materiais promete um crescimento de 14% no nes-
“Como resultado desse período de estagnação, houve redução te ano, segundo a avaliação do presidente da Associação Brasilei-
do número de profissionais qualificados para trabalhar no setor. ra das Indústrias de Materiais para Construção (Abramat), Melvyn
Os trabalhadores migraram para outras atividades, porque a Fox. A perspectiva de incremento, em relação ao ano passado,
construção civil estava parada”, observa – com o menor nú- somará um faturamento de aproximadamente R$ 89 bilhões. “Até
mero de mão-de-obra especializada disponível, aumentaram-se 2006, havia 30% de capacidade ociosa, que está sendo muito
os salários. E foi preocupado com essa questão que o setor da bem aproveitada agora. Isso hoje está entre 16% e 18% e deverá
construção civil fechou parceria com o governo federal no mês fechar o ano torno de 15%. As empresas estão investindo em
de julho (Confira matéria sobre o assunto na página?????). A expansão e diversificação de produtos”, destaca Fox.
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Cenários | Cenário | ago/set 2008

Para ele, o setor da construção civil não tem sido o vilão da


inflação no país. “Pelo contrário: o segmento tem puxado a
inflação para baixo. Mesmo com todo o crescimento do setor, A projeção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
os preços têm variações abaixo dos IGPs (Índices Gerais de Civil (CBIC) para o crescimento do setor é de 6,5% a 7% no
Preços)”. Prova disso é que o INCC em 12 meses, fechados em ano, mesmo com os aumentos da taxa básica de juros, a Selic,
junho (8,70%), ficou abaixo do Índice Geral de Preços – Dis- usada pelo Banco Central para conter a demanda. Isso porque
ponibilidade Interna (IGP-DI) – 13,96% – e do Índice Geral de a expectativa é que a pressão inflacionária se reduza em dois
Preços de Mercado (IGP-M) – 13,44%. ou três trimestres.
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Projeção do parque Viva o Povo Brasileiro,
que integra o projeto do Burle Marx
O famoso projeto urbanístico de Lucio Costa e a
reconhecida arquitetura de Oscar Niemeyer estão prestes
a receber novos traços com o projeto Brasília Revitalizada.
Encomendada pelo Governo do Distrito Federal ao Institu-
to Jaime Lerner e Associados, a proposta prevê alterações
urbanísticas e adaptações de infra-estrutura não somente
no Plano Piloto mas também nas principais regiões admi-
nistrativas do DF. O motivo para tudo isso: adaptar a cidade
ao crescimento da população e às novas das necessidades,
geradas em função das transformações orgânicas e urba-

Novos traços nísticas da região.

Ambicioso e repleto de detalhes, o projeto é extenso, com


para Brasília previsão para ser concluído em 2010. Iniciado em maio
do ano passado, ele trata da revitalização de 14 áreas do
Distrito Federal. Dentre as principais mudanças previstas,
Projeto Brasília Revitalizada destacam-se: a revitalização da avenida W-3; a proposta
urbanística do Taguaparque (em Taguatinga) e da via In-
prevê alterações urbanísticas terbairros – que parte de Samambaia e atravessa Águas
Claras e Guará para terminar no Plano Piloto; a recupera-
para atender às demandas geradas ção da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA); e
a revitalização do Mercado Central de Ceilândia e ainda do
pelo crescimento da população Setor Comercial Sul.

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Cenários | Tendências | ago/set 2008

Para dar início à proposta – que demorou seis meses justificada pela questão financeira, maior barreira para a
para ser finalizado, de maio até dezembro de 2007 – a realização do empreendimento.
equipe técnica de Jaime Lerner reuniu-se, em Brasília, com
funcionários da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Com a avenida surgirão novas propostas relacionadas à
Meio Ambiente (Seduma), em julho passado, para formali- ocupação das áreas adjacentes, o que promoverá a diver-
zar algumas alterações. A mais significativa delas é a cria- sificação dos usos e a implantação de novos equipamentos
ção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), item importante na urbanos, além de atividades geradoras de emprego, ofe-
revitalização das avenidas W3 Sul e Norte e que custará ao recidas em novos setores industriais. Quem explica é o ar-
orçamento do Executivo local cerca de US$ 560 milhões. quiteto da Seduma Vicente Lima, responsável pelo projeto.
“A intenção é fazer com que o fluxo intenso para o plano
Inspirado num conceito futurista, o VLT dará novo aspecto ao piloto diminua e que as pessoas possam trabalhar em suas
contexto da W3, o que destoa dos traços modernistas da ci- regiões de residência”, conta.
dade e ainda das casas que contornam a via. No projeto inicial
de Jaime Lerner, a previsão era de apenas uma via exclusiva “Ela [Interbairros] possibilitará uma melhor qualidade no
para ônibus, o que foi modificado a pedido do governador transporte de massa, redução de custo da infra-estrutura,
José Roberto Arruda. Apesar do estranhamento que pode criação de novas atividades geradoras de emprego e evi-
causar em alguns, Mônica Veríssimo, geógrafa e doutora em tará a ocupação de novas áreas no entorno das cidades”,
geologia, considera oportuna a escolha do VLT, uma vez que ressalta Malheiros. A expectativa é que a via, depois de
a via exclusiva para ônibus secciona a cidade e impossibilita finalizada, gere em torno de R$ 208 mil empregos, em uma
a interação da população com Brasília. “A estrutura do VLT, região de 178 mil pessoas residentes, invertendo, assim, o
como o próprio nome diz, é leve, fina e sobre a rua e facilita a fluxo existente.
passagem e a interação dos pedestres de um lado para outro
da W3”, explica. Na primeira etapa, o trem chegará até o fim Para isso, mais que uma via exclusiva para veículos, Jaime
da W3 Sul, sem previsão para ocorrer. Lerner pensou em quatro pontos de foco de desenvolvimen-
to. O objetivo em cada um deles – distribuídos em Samam-
Mesmo com todos os possíveis benefícios que a proposta baia, Taguatinga, Águas Claras e Guará – é o adensamento
trará à cidade, o projeto não é unânime entre os especia- de serviços, empresas e comércios, proporcionando, assim,
listas. Para Mônica Veríssimo, por exemplo, o crescimento a descentralização existente hoje no Plano Piloto.
urbano é inevitável. Contudo, ela defende que as mudanças
e as soluções para a região devem contar com a participa-
ção da sociedade. “Se isso ocorresse a população teria mais
garantias e direitos, o que aumenta a taxa de sucesso dos
esforços de planejamento e execução do projeto”, ressalta.

Já Tony Malheiros, arquiteto e vice-presidente do projeto


Bela Brasília (organização não-governamental responsável
pelo treinamento de restauradores de monumentos tomba-
dos da cidade), acredita que a encomenda do projeto a Jai-
me Lerner vem ao encontro das reais necessidades de sua
população. “Diversas áreas da cidade estão entravadas,
algumas há muitos anos. E as administrações passadas não
tiveram a  sensibilidade para compreender a vocação dos
locais e as necessidades de sua população”, afirma.

Integração
A maior – e, talvez, a mais ambiciosa – mudança prevista
na proposta é a construção da Interbairros. Projetada para Projeção da Rua Portátil: idéia inspirada nas
ligar o Plano Piloto a diversos setores, como Guará, Águas estruturas metálicas do “bouquinistes”
Claras, Park Way, Taguatinga e Samambaia, a via levará
desenvolvimento e revitalização a essas regiões, além de
desafogar o trânsito. Contudo, a previsão para a conclusão,
segundo a Seduma, varia entre 10 e 15 anos. A demora é

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Cenários | Tendências | ago/set 2008

Outra avenida que será revitalizada é a Estrada Parque de


Indústria e Abastecimento (EPIA), que ganhará, entre ou-
tras benfeitorias, um espaço para ciclovias.“Atualmente, a
EPIA não tem características de parque. Mas as mudanças
necessárias serão feitas para que isso ocorra”, diz o secre-
tário da Seduma Cássio Taniguchi. Além disso, passagens
subterrâneas, destinadas à circulação de pedestres, tam-
bém estão previstas. Porém, elas serão diferentes das que Verde valorizado
existem no Eixão, uma vez que terão comércio e serviços. Em diversos pontos do DF, a preservação ambiental será a
prioridade do projeto. De acordo com Taniguchi, as áreas
A pé hoje destinadas aos parques, mas que ainda não receberam
O pedestre recebeu atenção especial de Jaime Lerner no benfeitorias, ganharão cercas e instalações de aparelhos
projeto Brasília Revitalizada. No Setor Comercial Sul, por de lazer, além de ciclovias, pistas de corrida, banheiros,
exemplo, ele terá uma passarela, de 1.500 metros, que li- guaritas lixeiras, entre outras. Com o uso desses locais,
gará os setores comerciais norte e sul, além dos hoteleiros pretende-se evitar as invações, como a que ocorreu em
e bancários de ambos os lados – e não é suspenso, o que é parte do Taguaparque.
mais interessante. Todo o trecho poderá ser percorrido em
cerca de uma hora. Para isso, o projeto prevê a retirada de Não é à toa que esse parque está entre as prioridades do
todas as barreiras que impedem a livre circulação de pes- GDF: já recebeu cercamento, demarcação da via de pedes-
soas. “A proposta é integrar áreas formalizando grandes tres, corredores e ciclistas, além de lixeiras de reciclagem.
eixos de circulação”, explica Lima. O projeto para o Taguarparque, também idealizado pelo Jai-
me Lerner, inclui ainda um portal de entrada, um anfiteatro
A situação do comércio ilegal do SCS também ganhou so- a céu aberto, bosques e áreas de alimentação.
lução na proposta, que prevê a criação, na Galeria Cen-
tral, de uma “Rua Portátil” – junção de diversos módulos O projeto do urbanista vai agregar à cidade um novo con-
e prateleiras, projetados para vender objetos, geralmente ceito de preservação, a valorização das áreas centrais e
comercializados em calçadas e colocadas lado a lado. Nes- os projetos de arquitetura específica, opina o secretário de
se projeto, as bancas poderão ser montadas e desmon- Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente Cássio Tanigu-
tadas. A idéia foi inspirada nas estruturas metálicas dos chi. Para ele, a transformação das áreas está focada numa
“bouquinistes”, os vendedores de livros das margens do remodelação da cidade, realizada a partir das mudanças
Rio Senna, em Paris. ocorridas na economia e na sociedade local.

Via Interbairros: projetada para ligar o


Plano Piloto a diversos setores como Guará,
Águas Claras, Park Way, Taguatinga e Samambaia

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Saiba mais do Brasília Revitalizada
Rua Portátil EPIA/ Boulevard
É formada pela junção de diversos módulos e O plano é promover a humanização,
prateleiras, projetados para vender objetos, geralmente com a formatação de uma escala urbana
comercializados em calçadas. Colocadas lado a lado, as para a rodovia, de modo a integrar os dois lados da
bancas se transformam numa rua comercial que pode ser EPIA, qualificar a paisagem urbana e
montada e desmontada. estimular a diversificação de usos em suas áreas
limítrofes. A idéia é prever a implantação de
Parque Asa Norte (Burle Marx) equipamentos e atividades geradoras de emprego,
além de melhorar as condições de mobilidade e
A idéia do parque é estabelecer uma integração com a acessibilidade, tanto para veículos como para bicicletas
área residencial da Asa Norte e Noroeste. O Plano Diretor e pedestres. A via será preparada ainda para conter a
proposto para o lugar cumpre as seguintes funções: movimentação do futuro Setor Noroeste.
proteção da estrutura urbana existente; criação de
espaços verdes; dotação de novos locais de recreação Parque “Viva
e lazer para os moradores da região; e preservação o Povo Brasileiro”
ecológica para o ecossistema cerrado do DF.
Localizado dentro do Parque Burle Marx,
Taguaparque o espaço será destinado à educação infantil com o
uso de uma grande maquete representando o Brasil.
O projeto prevê a implantação de usos e equipamentos Estão previstos ainda o ensino da diversidade sócio-
voltados a atividades de lazer, cultura e esporte, atendendo ambiental de cada uma das regiões brasileiras.
um antigo anseio da população local. O parque contará
ainda com ciclovias, anfiteatros, mirantes e praças Revitalização da W3
de alimentação. O acesso será feito por passagens
subterrâneas dos dois lados. A idéia é elaborar propostas, como estacionamentos
subterrâneos, a criação de praças e a destinação
Área Central do Plano Piloto de áreas para mercados urbanos abertos.
Além de soluções para o transporte coletivo
Os planos são: elaborar propostas para o comércio urbano, aproveitando os canteiros centrais para
informal; adequar as linhas de transporte e redimensionar estacionamentos, pontos de parada para o novo
os espaços comerciais da antiga Rodoviária; e investir em tipo de transporte que será implementado:
novos pontos de encontro da população. veículo leve sobre trilhos (VLT).

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A escolha de uma
iluminação indireta
possibilitou um ambiente
acolhedor para o escritório
da produtora de vídeo

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Cenários | Arquitetura | ago/set 2008

Projetos
iluminados
A utilização das luzes não é
mero detalhe no momento de
construir ou reformar.
O ambiente e a intenção do
morador determinam o uso
apropriado para cada espaço

Uma luz refletida na televisão ou uma sombra que


atrapalha na hora de fazer a barba são incômodos que podem
ser evitados apenas com um bom projeto de iluminação. Tão
importante quanto a arquitetura e os móveis, o uso correto
das luzes pode realçar a beleza dos objetos que decoram uma
residência ou ajudar nas tarefas simples do cotidiano ou ainda
colaborar para tornar um ambiente mais aconchegante. “A luz
contribui muito para a atmosfera de uma casa. Ela é responsá-
vel pela harmonia de móveis, pela arquitetura e pela utilidade
de cada cômodo”, explica a designer de interiores e especialista
em iluminação, Ângela Guimarães.
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Cenários | Arquitetura | ago/set 2008
Mas o projeto de uso eficiente da luz deve ser pensado junto
com o layout do ambiente, alerta a luminotécnica. E ele pode ser
dividido em dois momentos. Um é a parte técnica e funcional,
que corresponde à iluminação direcionada – responsável pelo
realce de quadros e nichos –, que não deve ser desvencilhada
do planejamento, uma vez que é aí que se definem os pontos de
luz e fiação. O outro é a iluminação decorativa, como pendentes,
abajures e lustres, que pode ser definido com a proposta de
decoração dos móveis, mas nunca deixados para o fim da obra,
aconselha Ângela. “Em muitos casos, o cliente quer deixar para
comprar as luminárias no final, quando já não há muita reserva
de dinheiro. Isso pode atrapalhar o projeto. Não adianta ter
um piso caríssimo, se não for destacado com uma iluminação
adequada”, ressalta.

Mas conciliar interesses é o segredo da satisfação: um bom


projeto precisa unir o design e a utilidade das peças. “A boa
iluminação é aquela que valoriza o ambiente, criando cenários
sem prejudicar a visão e a estética da casa”, diz. Dessa forma,
a melhor solução para aproveitar ao máximo os recursos dispo-
níveis é a consultoria de um profissional especializado, pois um
planejamento direcionado não só vai garantir conforto e acui-
dade visual, mas também pode prever os mais diversos efeitos
da luz. A consultoria ajuda ainda a antecipar a quantidade e
qualidade ideal de iluminação dos ambientes.

Quando decidiu reformar a produtora de vídeo da qual é dono,


a primeira atitude do empresário Marcel Bucar foi contratar uma
consultoria em iluminação. “Estávamos em um prédio pequeno,
sem possibilidades de expansão. Queríamos um espaço maior e
melhor decorado. Trabalhamos com imagem e isso deve refletir
principalmente no ambiente da empresa”, comenta.

Na reforma, até o subsolo, que antes tinha teto baixo e escu-


ro, foi aproveitado. “O subsolo era usado como garagem, mas
foi totalmente integrado à estrutura da produtora, com um
trabalho de gesso e iluminação”, explica Marcel. Outros pon-
tos da iluminação que sempre recebem elogios dos clientes
da empresa são as arandelas dos corredores. “O efeito que
elas proporcionam deixam o ambiente muito bonito e agradá-
vel”, observa.

De todos os tipos
Para cada ambiente, existe uma iluminação específica. Para não
cometer enganos, é sempre bom conhecer as possibilidades de
uso de luzes existentes no mercado. Mais usada – e não por
acaso mais conhecida –, a iluminação direta é aquela em que
a luz incide diretamente sobre uma superfície – sem ter sido,
anteriormente, projetada em outra. Para obtê-la, utiliza-se cer-
tos tipos de spots, lustres com refletores e pendentes, plafons
e luminárias de mesa.

Já a indireta utiliza o fluxo luminoso projetado, primeiramente,


em paredes e teto, e somente depois atinge o plano a ser ilu-
minado. Esse tipo é o que possui menor intensidade, mas é o
que produz maior uniformidade de aclaramento no ambiente,
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que pode ser produzido com o uso de luminárias instaláveis em do lar de um casal na faixa dos 65 anos é completamente di-
sancas e spots voltados para o teto ou paredes. ferente da proposta feita para a casa em que vive uma família
jovem. Os primeiros precisam de funcionalidade. A outra, na
O terceiro tipo é a mista – ou difusora. Ela é obtida com a utili- maioria das vezes, prefere uma casa moderna, com efeitos de
zação de tubos de fluorescentes e com os globos que encerram luz”, diz.
lâmpadas incandescentes. Essa disposição é recomendada para
atividades que requerem atenção prolongada sobre objetos e
seus detalhes, ou seja, escritórios e salas de aula. À frente
Os leds – ou chips que emitem luz – são tendência quando o
“Dependendo do ambiente e do efeito que se deseja, é possível assunto é iluminação. Afinal, trata-se de uma tecnologia eco-
combinar dois ou mais tipos de iluminação. Assim, é preciso logicamente correta, uma vez que não emitem calor, além de
considerar não apenas aspectos de ordem prática ou utilitária, possuir baixo consumo de energia, cerca de 2 a 4 watts. Contu-
mas também a própria arquitetura do ambiente”, explica Ângela. do, o preço ainda restringe o uso. “Eles são ótimos e possuem
Como os tipos de iluminação são produzidos de acordo com as utilizações diferentes. Mas, por causa do custo, estão sendo
variedades de luminárias, são muitos os resultados possíveis. usados apenas como detalhes e como balizadores (iluminação
para direcionar caminhos como em corredores, piscinas e áreas
E para quem acredita que projeto de iluminação é artigo de externas)”, explica Ângela Guimarães.
luxo, a especialista dá o recado: é perfeitamente possível elabo-
rar um bom projeto sem gastar muito. “Mas projetos grandiosos Outra inclinação do mercado é o uso de iluminação natural,
necessitam de um pouco mais de investimento, até porque tudo principalmente em ambientes comerciais, onde há necessida-
que é novidade do mercado requer um gasto maior”, pontua. de de luz durante todo o dia. Para tanto, existem recursos de
decoração que aumentam incidência solar nos ambientes, como
Mas há outros fatores, além do financeiro, que definem a pro- o espelho que bem posicionado reflete a luminosidade de fora
posta: a faixa etária e o estilo de vida do cliente. “A iluminação para dentro.

Há muitas variações e aspectos que devem ser levados em consideração: o tipo de ambiente e
atividades que serão exercidas no local. Além disso, as cores das paredes e dos pisos, os tipos de
lâmpadas escolhidas e o próprio modelo de iluminação devem ser considerados no planejamento.
A seguir, algumas dicas para melhorar a luminosidade dos ambientes:

Home
Pedem iluminação sem ofuscamento, indireta e direcionada para a principal função do lugar: a
de relaxar. Em alguns casos, necessitam de uma luz especial para leitura. Balizadores, como os
usados para orientar o caminho em salas de cinema, são boas opções para esses locais.

Quartos
Os abajures são essenciais em ambientes mais aconchegantes como esse.
Não abra mão dos spots, que produzem uma iluminação direcionada e
são usados para leitura e realçar de objetos, como quadros.

Banheiros
Recomenda-se iluminação direta e indireta. Deve-se evitar a produção
de sombras na área do espelho. Existem luzes próprias para banheiras,
que produzem sensação de relaxamento.

Cozinha
Requer uma “iluminação de tarefa”, que é aquela voltada para as atividades
desenvolvidas no local. Dependendo da necessidade de quem utiliza, pede uma
iluminação mais direta e econômica. Mas se os moradores gostam de cozinhar
e receber amigos nesse ambiente, as luzes podem ser mais trabalhadas.
Se escolher usar lustres e pendentes, esses devem ser de fácil limpeza.

| 37 |
Por uma
construção verde
Termo de cooperação cria áreas específicas para acolher
os entulhos da construção civil. Documento inaugura
nova fase para sustentabilidade do setor no DF

O papel de vilã atribuído à indústria da construção civil O documento inaugura uma nova etapa para as ações de sus-
na história da exploração dos recursos do planeta começa a tentabilidade desenvolvidas pela entidade e seus parceiros.
mudar e, se depender do setor, no Distrito Federal, a passos “Após alguns anos buscando essa parceria, finalmente o setor
largos. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito conseguirá dar início ao plano integrado de reciclagem dos resí-
Federal (Sinduscon-DF) é um dos ganhadores do diploma Des- duos sólidos da construção civil”, afirma Dario Clementino, pre-
taque Nacional de Sustentabilidade, edição 2008, conferido pelo sidente da Comissão de Meio Ambiente do Sinduscon-DF, que,
Instituto Ambiental Biosfera – organização não-governamental, no evento, também representou a Federação das Indústrias do
de atuação nacional, que promove boas práticas de desenvol- Distrito Federal (Fibra-DF).
vimento sustentável e de responsabilidade social. A cerimônia
ocorreu no último 20 de agosto, dia em que a entidade também Com o termo de cooperação, dá-se seqüência às ações do
assinou, com o Governo do Distrito Federal, um termo coope- Sinduscon-DF que buscam conscientização ambiental e práticas
ração técnica que destina áreas específicas para o recebimento menos agressivas ao planeta. E foram esses dois desses projetos
de resíduos sólidos no DF. (veja mais no box) que receberam o título de destaque nacional

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Cenários | Meio Ambiente | ago/set 2008

de sustentabilidade. “A entidade colhe os resultados dos projetos


desenvolvidos e completa o ciclo em prol da sustentabilidade”, diz
Elson Ribeiro e Póvoa, presidente do Sinduscon-DF.
 
Com o termo de cooperação,
Com a parceria entre setor produtivo e governo, as mais de dá-se seqüência às ações do
seis mil toneladas de entulhos da construção civil recolhidas
diariamente em todo o Distrito Federal poderão ter outro des- Sinduscon-DF que buscam
tino – reciclagem e reúso em outras obras. O resultado será a
geração de emprego e renda para os catadores que extraem conscientização ambiental
riqueza do entulho. Atualmente, apenas 10% destes materiais
são reaproveitados, pois a maior parte tem como destino o lixão e práticas menos
da Vila Estrutural, onde acaba se misturando a outros resíduos,
inclusive orgânicos. agressivas ao planeta

Ecopontos
O Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU) planeja tes. Todo esse processo e sua logística receberão não somente
entregar os 96 pontos – distribuídos pelas 29 regiões admi- as sobras das pequenas reformas individuais, mas também os
nistrativas – de recolhimento de entulhos da construção até resíduos separados nos canteiros que aplicam o Programa de
o mês de setembro. Essas áreas servirão de depósito para os Gestão de Materiais (PGM), desenvolvido pelo Sinduscon-DF.
resíduos da construção e serão chamadas de ecopontos.
Criado para atender às exigências da Resolução nº 307 do
Outras cinco grandes áreas, denominadas de centrais, tam- Conselho Nacional de Meio Ambiente  (Conama), os progra-
bém serão criadas para acolher o material depositado naque- mas da entidade não eram executados em sua totalidade, uma
les locais menores. Três delas já estão definidas: Ceilãndia, vez que a criação de áreas específicas para o recebimento
Gama e Brazlândia. As outras duas ainda dependem de pare- dos entulhos é uma incumbência do Executivo local. “Isso
cer técnico da SLU. [centrais e econpontos] significa um fomento não somente
para as práticas racionais do setor, mas também para ini-
Nessas centrais haverá a triagem dos resíduos da construção, ciativas de reaproveitamento desses materiais, como o que
como tijolos, telhas, azulejos e concreto, que serão transforma- vem sendo feito pela iniciativa privada”, pontua Fátima Co,
dos em outros insumos, como blocos, revestimentos e bloque- diretora-geral do SLU.

| 39 |
A sociedade civil organizada comemorou a iniciativa. Para Paulo
Roberto Gonçalves, representante da Cooperativa Cooper Co-
leta Ambiental, o termo abre as portas para uma nova fonte
de recursos. Atualmente, a cooperativa recolhe, por dia, 4 mil
toneladas de entulho da construção civil, praticamente o dobro
do lixo doméstico recolhido pelo SLU.
Os programas do Sinduscon-DF
Cenários | Meio Ambiente | ago/set 2008

 
Segundo ele, o DF produz cerca de 7 mil toneladas diárias de
resíduos da construção, o que poderia ser convertido em blo- O Programa de Gestão de Materiais (PGM) existe
cos e bloquetes a serem usados na construção de 400 casas há mais de cinco anos e é composto de três sub-
populares por dia, caso não fossem desperdiçados com o mau programas: Gerenciamento de Resíduos; Raciona-
acomodamento. “Em um aterro adequado esses matérias du- lização e Redução de Perdas; e Análise de Ciclo
ram 30 anos, mas com o acúmulo desses resíduos no lixão, de Vida dos Materiais. Entre os parceiros desses
esse número cai para 10 anos”, observa Gonçalves, explicando subprogramas estão a Universidade de Brasília
que o depósito desses materiais em aterros comuns diminui em (UnB) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas
dois terços a vida útil deles. Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF). Ao
todo, 49 empresas do Distrito Federal aderiram
“Há muito que essas áreas já estavam previstas e deveriam à metodologia do PGM, o que significa que 1.200
ter sido criadas. À época, criou-se argumentos, a meu ver fa- mil trabalhadores do setor contam com educação
laciosos, os quais diziam que o DF, por ser uma região sensível ambiental nos canteiros de obras, sendo também
do ponto de vista ambiental [cerca de 90% do território pos- multiplicadores dessa metodologia.
sui algum tipo de especificidade ambiental], não oferecia lo-  
cais para a criação desses aterros. Contudo, sabemos que há, Já o Programa de Responsabilidade Ambiental e
sim, possibilidades, e elas chegam em boa hora”, comemora Social da Construção (Pras) dedica-se, em sua pri-
o ambientalista e subsecretário de Meio Ambiente Gustavo meira fase, a conscientizar as empresas sobre a
Souto Maior, referindo-se ao boom que acomete a indústria importância de comprar matérias-primas, elementos
da construção civil. “E isso é especialmente verdadeiro aqui, e componentes de fontes confiáveis e responsáveis.
porque o DF produz uma quantidade de entulho acima do Esse projeto é feito em parceria com a Federação
volume nacional. Temos que ter, portanto, responsabilidade”, das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) e com a
pontua Souto Maior. Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Elson Póvoa, presidente do Sinduscon-DF, Márcio Machado, secretário de Obras, Fátima Co, diretora-geral do SLU, e Dario Clementino,
da CMA. Setor industrial e governo local assinam termo de cooperação técnica
| 41 |
Aprendizagem prática
nos canteiros de obras
é a proposta do projeto

Dar o peixe e ensinar a pescar


Trabalhadores beneficiários do programa Bolsa Família
receberão treinamento na construção civil

Os beneficiários do Programa Bolsa Família vão contar Mas, segundo a secretária-executiva do Ministério do Desen-
com curso profissionalizante na construção civil, com direito a volvimento Social e Combate à Fome (MDS) Arlete Sampaio a
salário durante o período de aprendizagem em obras do Pro- idéia é expandir a proposta para outros segmentos, como a
grama de Aceleração do Crescimento (PAC). O projeto, chamado construção naval. “Estamos analisando todos os setores no
de Plano Setorial de Qualificação (PlanSeQ Bolsa Família - Cons- PAC”, conta. “Queremos fazer com que as famílias pobres
trução Civil), é resultado de uma idéia que vem sendo construí- não fiquem de fora do processo de crescimento econômico
da, há cerca de um ano, pela Câmara Brasileira da Indústria da do país. É importante ensinar a pescar em um rio que te-
Construção (CBIC) e o governo federal. nha peixe. Nesse momento, o Brasil tem peixes”, observa a
secretária-executiva.
Trata-se de uma conjunção de interesses. Já faz algum tempo que
a indústria da construção civil reclama da escassez de mão-de- A boa notícia para quem teme ser excluído do Bolsa Família é que
obra especializada, enquanto o governo ensaia tomar um cami- isso não ocorrerá sem critérios. Segundo Arlete, a revisão dos
nho menos assistencialista. Assim, orquestrou-se uma proposta benefícios é feita a cada dois anos e só há exclusão do programa
em que as necessidades de ambos os lados são atendidas. quando a renda da família muda. “É preciso enfatizar que não se
deve ter medo de participar do programa de qualificação. Assim
As ocupações são várias. Pintor, azulejista, encanador, carpintei- como a família que não quiser participar não será excluída, a que
ro, mestre de obras, desenhista, eletricista, operador de trator, participar também não correrá esse risco,” pontua.
auxiliar de escritório e almoxarife. O setor foi escolhido para dar
início ao projeto por estar em expansão. Desse modo, o Planseq Normas
será desenvolvido nas 13 regiões metropolitanas do país, onde Para participar do Planseq Bolsa Família, o beneficiário deve
se concentram as obras do PAC. A expectativa do Ministério do ser maior de 18 anos e possuir pelo menos a quarta série
Desenvolvimento Social (MDS) é que o treinamento tenha início do ensino fundamental. Uma novidade é a garantia de, no
já em setembro deste ano. mínimo, 30% de participação das mulheres no total de 185
| 42 |
Cenários | Responsabilidade Social | ago/set 2008

Marcelo Terraza / StockXchng


mil beneficiados pela qualificação. Além desses critérios, bilidade de contratação. “Esse projeto atende aos interesses
também será levado em conta o Índice de Desenvolvimento maiores da sociedade brasileira ao tirar as pessoas do assis-
da Família (IDF). tencialismo e ao ajudar as empresas do setor que carecem de
mão-de-obra qualificada”, afirma o vice-presidente da CBIC,
Os grupos familiares beneficiados por esse perfil receberão José Carlos Martins.
uma carta do governo federal com as explicações sobre o Plan-
seq, além da solicitação da indicação de um dos integrantes P
ortas de saída
para se cadastrar no Sistema Nacional de Emprego (SINE), do As perspectivas do momento deixam nos beneficiados a sensa-
Ministério do Trabalho e Emprego. Os ção de terem sido alcançados pelo
escolhidos participarão dos cursos de crescimento econômico. E não é à toa.
qualificação, que serão realizados por É importante ensinar Segundo o sociólogo Simon Schwartz-
instituições contratadas pela União, man, pesquisador do Instituto de Estu-
estados e municípios. O treinamento a pescar em um rio que dos do Trabalho e Sociedade (Iets), o
terá duração de 200 horas, divididas crescimento econômico é fundamental
em duas etapas: 80 de aulas teóri- .N
tenha peixe este momento , para que os assistidos do programa
cas e 120 de prática. As atividades
práticas podem ocorrer no canteiro B
o rasil tem peixes
Bolsa Família sejam contratados.

de obras, período em que serão re- O raciocínio é simples: o fato de a cons-


munerados. O salário será referente trução civil estar em expansão é uma
ao piso de cada categoria. vantagem, pois há “condições de empregar”. Contudo, Schwartz-
man avalia que a porta de saída do Bolsa Família ainda depende da
Depois dessa fase, o trabalhador que tiver bom aproveitamento ampliação da qualificação em todos os setores. “Mas é um começo.
poderá ser contratado. Essa é a primeira vez que é oferecida É importante qualificar as pessoas que têm renda baixa, para que
qualificação aos beneficiários do Bolsa Família, com a possi- elas possam ganhar mais e se desenvolver”, pontua.

| 43 |
AGENDA
Semana do Direito de Lean Créditos de Carbono VI Fórum Técnico Gestão
salão do imóvel energia 2008 Construction   do Processo Construtivo

Programação Programação Programação Programação Programação


Organizado pelo Sinduscon de Entre os temas estão os Last planner; planejamento de Temas e exercícios O tema do evento é
Blumenau, o evento reunirá aspectos estruturais do setor obras com linhas de balanço relacionados a elaboração Sustentabilidade: técnicas de
incorporadoras da região e elétrico e gerenciamento e mapeamento de valor com de projetos de aquecimento de água e reuso.
agentes financeiros na área canteiro de obras comercialização do carbono Novas tecnologias empregadas
  em execução de fachadas

Porque ir Porque ir Porque ir Porque ir Porque ir


Cerca de 20 mil potenciais Oportunidade de conhecer Cases sobre fluxos de Aprenda como atuar na Apresentação de conceitos de
clientes são esperados e mais e discutir os aspectos legais produção, pacotes de análise de viabilidade, na sustentabilidade relacionados
de 30 empresas devem expor do setor de energia junto aos serviços e a otimização na elaboração de projetos para a a projetos e obras
seus produtos especialistas do setor alocação de equipes geração de crédito de carbono
 
Onde e Quando Onde e Quando Onde e Quando Onde e Quando Onde e Quando
Blumenau, São Paulo, Dias 11 e 12 de setembro de Dias 22, 23 e 24 de setembro Dias 07, 08 e 09 de outubro
de 2 a 7 de setembro 3 e 4 de setembro 2008, no Auditório Arino Oton de 2008, Brasília-DF de 2008, no Auditório Arino
de Lima (SIA trecho 02 lote Auditório do CREA/DF Oton de Lima (SIA trecho 02
1.125. cobertura)   lote 1.125. cobertura)

Preço Preço Preço Preço Preço


Consultar organização Consultar organização R$ 225 e R$ 175 para R$  656 Consultar organização
associadas ao Sinduscon-DF  

Contatos Contatos Contatos Contatos Contatos


(47) 3326-1313 (11) 3017 6873 61) 3234-8310, ramal 207 (41) 3015-1881 (61) 3234-8310,
(41) 9687-9998 ramal 207
8º P&D Design SAIE Construtech 2008 Seminário imobiliário 80º ENIC

Programação Programação Programação Programação Programação


O 8º Congresso Brasileiro de O Salão Internacional da O Encontro internacional dos Seminário Engenharia de O 80º Encontro da Indústria
Pesquisa e Desenvolvimento Indústria da Construção profissionais da construção Custos no Boom Imobiliário: da Construção apresentará
em Design é um importante (SAIE) é um evento discute o tema: Tecnologias e como desenvolver debates e novas técnicas
fórum de divulgação e especializado em tecnologia Negócios da Construção diferenciais competitivos sobre as grandes questões
discussão de questões para construção em geral ligadas ao setor
do setor

Porque ir Porque ir Porque ir Porque ir Porque ir


O objetivo é construir um Produtos, serviços e Serão apresentadas soluções Serão apresentadas O evento será uma ocasião em
painel amplo do estado da tecnologias de última geração técnicas inovadoras, as tendências que que a indústria da construção
pesquisa em design são os pontos de força da diferenciais competitivos, ajudarão a tornar viáveis mostrará sua força
vitrine expositiva do evento formas e técnicas da área empreendimentos em
todo o país

Onde e Quando Onde e Quando Onde e Quando Onde e Quando Onde e Quando
São Paulo, Bologna, na Itália, São Paulo, São Paulo, São Luiz (MA)
de 8 a 11 de outubro de 15 a 19 de outubro 21, 22 e 23 de outubro 22 de outubro 22 a 24 de outubro

Preço Preço Preço Preço Preço


De R$150 a R$550 Consultar organização Consultar organização Consultar organização De R$ 200 a R$ 550

Contatos Contatos Contatos Contatos Contatos


(11) 5682 7528 (48) 3222 2898 (11) 2173 2304 (11) 2173 2474 (62) 3214 1005
(11) 5682 7520 promo@brasitaly.org www.piniweb.com/ConstruTech
Fotos Divulgação / Reprodução

AGENDA
Cenários | Charge | ago/set 2008

| 46 |
Cenários | Indicadores | ago/set 2008
StockXchng

CUSTOS DA CONSTRUÇÃO
CIVIL VARIAM EM 1,67%
O CUB (Custo Unitário Básico de Construção) subiu 1,67% A principal contribuição para a alta foi o aumento dos preços
em julho ante o mês de junho, quando o índice havia apresentado da chapa compensado plastificado, do aço CA-50, do cimento,
variação mensal 1,06%. O CUB é o índice oficial, calculado pelo esquadria de correr em alumínio anodizado (cor natural) e o
Sindicato da Indústria da Construção do Distrito Federal (Sindus- vidro liso transparente colocado com massa.
con-DF), que mostra a variação dos custos do setor para utilização
nos reajustes dos contratos da construção civil brasiliense. O Índice Geral de Preços (IGP-M) registrou acréscimo de 1,76%
em julho de 2008. Nos últimos 12 meses, o CUB-DF apresentou
Com o resultado, o custo do metro quadrado de construção variação acumulada de 13,51%, enquanto o valor do IGP-M foi
do projeto-padrão referencial do Distrito Federal (R8-resi- de 15,12% no mesmo período.
dência multifamiliar padrão normal) agora é de R$ 724,77
contra os R$ 712,85 do mês anterior. Desse total, o gasto Os insumos que tiveram aumentos de preços superiores à varia-
com material ficou em R$ 352,04, as despesas com mão- ção de 1,76% do IGP-M em julho foram: chapa compensado plas-
de-obra em R$ 315,63, enquanto os custos administrativos tificado (2,68%); aço CA-50 (10,14%); cimento CP-32 (7,84%);
e os gastos com os equipamentos somaram R$ 54,53 e R$ bloco cerâmico para alvenaria de vedação (9,09%); bloco de
2,57, respectivamente. concreto sem função estrutural (5,26%); porta interna semi-oca
para pintura (9,52%); esquadria de correr em alumínio anodiza-
No período analisado, verificou-se que 12 dos 25 insumos que do – cor natural – (10,24%); azulejo 30 cm x 40 cm (7,96%);
participam da pesquisa do Custo Unitário Básico de Construção vidro liso transparente colocado com massa (10,21%); disjun-
apresentaram aumento em seus preços, nove registraram redu- tor tripolar (4,26%); bacia sanitária branca com caixa acoplada
ção e os demais permaneceram com os seus valores estáveis. (1,79%); e aluguel de betoneira (36,40%).

Valor do CUB/m2 no Distrito Federal – R-8N


Mês de referência: julho de 2008
CUB/M2 R$/M2 PARTICIPAÇÃO %
Material 352,04 48,57
Mão-de-obra 315,63 43,55
Despesas administrativas 54,53 7,52
Equipamento 2,57 0,35
Total 724,77 100
Fonte: CEE/Sinduscon-DF.

|1|
Variação mensal dos preços de insumos do CUB/M2 no DF
Cenários | Indicadores | ago/set 2008

Mês de referência: julho de 2008


VALOR vARIAÇÃO
COD. CUB/M2
COLETADO MÊS (%)
001 Chapa de compensado plastificado 18mm 2,20x1,10m m2 28,00 2,68
002 Aço CA-50 Ø 10mm kg 3,26 10,14
003 Concreto fck = 25MPA abatimento 5 +-1cm, br. 1 e 2 pré-dosado m3 210,00 0,00
004 Cimento CP-32 II kg 15,07 7,84
005 Areia média lavada m3 62,00 0,40
006 Brita nº 2 m3 49,50 -6,60
007 Bloco cerâmico para alvenaria de vedação 9x19x19cm un 0,30 9,09
008 Bloco de concreto sem função estrutural 19x19x39cm un 2,00 5,26
009 Telha fibrocimento ondulada 6 mm 2,44x1,10m m2 14,33 -17,67
010 Porta interna semi-oca para pintura 0,60x2,10m un 46,00 9,52
Esquadrias de correr tamanho 2,00x1,40m, em 4 folhas (2 de correr), sem básculas, em
011 m2 175,00 10,24
alumínio anodizado cor natural, perfis da linha 25
Janela de correr de chapa tamanho 1,20x1,20m em 2 folhas, em perfil de chapa de ferro
012 m2 128,00 -6,16
dobrada nº 20, com tratamento em fundo anticorrosivo
Fechadura para porta interna, tráfego moderado, tipo IV (55mm),
013 un 45,00 0,00
em ferro, acabamento cromado
014 Placa cerâmica (azulejo) de dimensão 30x40cm, PEI II, cor clara imitando pedras naturais m2 16,28 7,96
015 Bancada de pia de mármore branco 2,00x0,60x0,02m un 216,00 -4,00
016 Placa de gesso 0,60x0,60m m2 6,44 0,00
017 Vidro liso transparente 4mm colocado com massa m2 58,00 10,21
018 Tinta látex PVA L 5,45 -0,09
019 Emulsão asfáltica impermeabilizante kg 2,60 -28,18
020 Fio de cobre anti-chama, isolamento 750V, # 2,5 mm² m 0,53 -1,85
021 Disjuntor tripolar 70A un 49,00 4,26
022 Bacia sanitária branca com caixa acoplada un 142,50 1,79
023 Registro de pressão cromado Ø 1/2” un 39,00 -7,25
024 Tubo de ferro galvanizado com costura Ø 2 1/2” m 41,20 -0,12
025 Tubo de PVC-R rígido reforçado para esgoto Ø 150mm m 13,60 -0,87
026 Pedreiro com encargos h 8,87 0,00
027 Servente com encargos h 5,71 0,00
028 Engenheiro com encargos h 63,49 -2,32
029 Locação de betoneira 320L dia 6,82 36,40
Fonte: CEE/Sinduscon-DF.
StockXchng

|2|
PEC propõe limite para habitação
Alvo de uma insistente campanha iniciada pelo do descontar dessa base apenas as transferências constitucio-
empresariado da construção civil em 2007, a criação de um limi- nais a Estados e municípios.
te mínimo obrigatório de gastos públicos com habitação popular
ganhou a adesão de diversos parlamentares e virou, no dia 12 de A nova PEC prevê que a vinculação de receitas orçamentárias
agosto, uma proposta de emenda constitucional (PEC). Só na Câ- de cada ente da federação aos respectivos fundos de habitação
mara Federal, por onde começou a tramitação, a nova PEC nasce de interesse social seja exigida por 30 anos ou até que o déficit
com o apoio de 252 deputados, quase 50% do total (513). habitacional seja eliminado. Paulo Safady, presidente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), estima que são
Caso a PEC seja aprovada sem alterações, o piso de gastos pú- necessários no mínimo 30 anos para zerar o déficit. Segundo
blicos com subsídios à construção de moradia para os pobres a CBIC, o Brasil tem um déficit de moradias estimado em mais
valerá para todos os entes da Federação, vigorará por 30 anos de 7 milhões de unidades, 90% concentrado em famílias com
e será definido em função da receita de cada um. A União seria renda mensal de até cinco salários mínimos.
obrigada a destinar a essa finalidade 2% de sua arrecadação
de impostos e contribuições, exceto as previdenciárias, poden- Fonte: Valor online

Valores mínimos, médios e máximos dos insumos


Mês de referência: julho de 2008
COD. CUB/M2 Mínimo mediana máximo
001 Chapa de compensado plastificado 18mm 2,20x1,10m m2 14,81 28,00 72,00
002 Aço CA-50 Ø 10mm kg 2,36 3,26 3,97
003 Concreto fck = 25MPA abatimento 5 +-1cm, br. 1 e 2 pré-dosado m3 192,00 210,00 272,59
004 Cimento CP-32 II kg 13,00 15,07 35,00
005 Areia média lavada m3 55,00 62,00 70,00
006 Brita nº 2 m3 0,72 49,50 55,00
007 Bloco cerâmico para alvenaria de vedação 9x19x19cm un 0,26 0,30 0,77
008 Bloco de concreto sem função estrutural 19x19x39cm un 1,10 2,00 2,30
009 Telha fibrocimento ondulada 6 mm 2,44x1,10m m2 9,68 14,33 24,51
010 Porta interna semi-oca para pintura 0,60x2,10m un 35,00 46,00 68,00
Esquadrias de correr tamanho 2,00x1,40m, em 4 folhas (2 de correr), sem básculas, em
011 m2 77,50 175,00 240,00
alumínio anodizado cor natural, perfis da linha 25
Janela de correr de chapa tamanho 1,20x1,20m em 2 folhas, em perfil de chapa de ferro
012 m2 92,80 128,00 180,00
dobrada nº 20, com tratamento em fundo anticorrosivo
Fechadura para porta interna, tráfego moderado, tipo IV (55mm),
013 un 35,00 45,00 89,90
em ferro, acabamento cromado
014 Placa cerâmica (azulejo) de dimensão 30x40cm, PEI II, cor clara imitando pedras naturais m2 11,00 16,28 26,61
015 Bancada de pia de mármore branco 2,00x0,60x0,02m un 108,00 216,00 430,00
016 Placa de gesso 0,60x0,60m m2 1,25 6,44 13,00
017 Vidro liso transparente 4mm colocado com massa m2 21,64 58,00 87,00
018 Tinta látex PVA L 3,06 5,45 8,55
019 Emulsão asfáltica impermeabilizante kg 2,30 2,60 7,50
020 Fio de cobre anti-chama, isolamento 750V, # 2,5 mm² m 0,47 0,53 0,96
021 Disjuntor tripolar 70A un 9,43 49,00 89,00
022 Bacia sanitária branca com caixa acoplada un 115,17 142,50 201,15
023 Registro de pressão cromado Ø 1/2” un 22,65 39,00 58,00
024 Tubo de ferro galvanizado com costura Ø 2 1/2” m 29,00 41,20 56,38
025 Tubo de PVC-R rígido reforçado para esgoto Ø 150mm m 8,40 13,60 33,00
026 Pedreiro com encargos h 8,87 8,87 12,06
027 Servente com encargos h 5,71 5,71 9,11
028 Engenheiro com encargos h 30,35 63,49 85,86
029 Locação de betoneira 320L dia 5,00 6,82 14,55
Fonte: CEE/Sinduscon-DF.

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CONSTRUÇÃO CIVIL SOFRE PERDA DE 2 MIL
VAGAS EM SEU CONTINGENTE OCUPACIONAL
O resultado da Pesquisa de Emprego e Desemprego sem procura de emprego, alcançou 1.106 mil pessoas. Esse
do Distrito Federal (PED-DF)1, referente a junho, quando total inclui os trabalhadores do setor privado, que engloba os
comparado com o mês anterior, revela decréscimo de 4,0% contratados com carteira de trabalho e os sem carteira de
na ocupação da construção civil, o que resultou em um saldo trabalho, do setor público, estatutários e não estatutários, os
negativo de 2 mil vagas. Nos últimos doze meses o setor empregados domésticos, os trabalhadores por conta-própria
obteve acréscimo de 9,1%, o que equivale ao ganho de 4 e as outras ocupações (empregadores, trabalhadores au-
mil vagas. Atualmente o setor conta com um contingente de tônomos universitários, trabalhadores familiares não-remu-
48 mil ocupados. nerados, donos de negócio familiar e os que trabalham em
organismos internacionais).
A taxa geral de desemprego do Distrito Federal sofreu decrés-
cimo, chegando a 16,9% da População Economicamente Ativa No mês em análise, o comércio, os serviços, e os outros
(PEA), que é a soma do número de ocupados (a partir de 10 setores tiveram ganho ocupacional. Já a indústria e a ad-
anos de idade) mais desempregados. Conforme a pesquisa, ministração pública sofreram queda em seu número de
225 mil pessoas estão desempregadas no Distrito Federal. ocupados. Nos últimos doze meses observamos que o nível
de ocupação geral no Distrito Federal cresceu 5,9%, a in-
O total de pessoas ocupadas, isto é, as pessoas com traba- dústria subiu 19,4%, o comércio 15,3%, os serviços 5,0%,
lho remunerado exercido regularmente ou outras formas de a administração pública 2,9% enquanto os outros setores
inserções no mercado de trabalho de forma remunerada, mas sofreram decréscimo de 3,4%.

Estimativa do Número de Pessoas Ocupadas


por setor de atividade econômica no Distrito Federal
variação
Setores Números de ocupados (em mil pessoas) variação (%)
(Nº de pessoas)
MAI/07 ABR/08 MAI/08 MAI/08 MAI/08 MAI/08 MAI/08
ABR/08 MAI/07 ABR/08 MAI/07
Construção civil 44 50 48 -2,0 4,0 -4,0 9,1
Indústria 36 46 43 -3,0 7,0 -6,5 19,4
Cenários | Indicadores | ago/set 2008

Comércio 157 170 181 11,0 24,0 6,5 15,3


Serviços 517 535 543 8,0 26,0 1,5 5,0
Administração pública 171 180 176 -4,0 5,0 -2,2 2,9
Outros (1) 119 114 115 1,0 -4,0 0,9 -3,4
Total 1.044 1.095 1.106 11,0 62,0 1,0 5,9
Fonte: PED/DF.
(1) agricultura, pecuária e extração vegetal e mineral; embaixadas, consulados e representações políticas; outras atividades não classificadas e empregados domésticos.
StockXchng

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