No ano em que a Universidade de Passo Fundo completa os seus 40 anos de vida, nasceu para a capital do planalto médio, para

os alunos dela e da Faculdade de Artes e Comunicação, o jornal de caráter experimental, O Broto. Ele foi produzido por cada um dos grandes alunos do 4° Nível de Jornalismo, ano 2007/01. O “jornal” a partir do seu inicio teve suas dificuldades, desde a escolha do tema, até o fechamento dessa edição. Por um bom tempo se pensou qual seria o tema mais adequado para a situação principalmente porque se tratava de um trabalho de aula que iria ser avaliado. Fomos de São Paulo ao Rio de Janeiro, com violência em casa e a dengue, pensamos em Inter, Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro, mas tudo foi rejeitado. E são por esses NÃOS, que resultaram na escolha definitiva do assunto principal a ser abordado. O “objeto” de trabalho escolhido foi o melhor, pois pode incorporar inúmeras áreas de interesse. Ele foi produzido em vários “cantos” da região norte do estado, Passo Fundo, Erechim, Carazinho, Marau, Vera Cruz, UPF, todos os lugares possíveis pode-se encontrar matérias que, quando terminadas, encaixariam com perfeição no Broto. Três dessas matérias chamaram muito minha atenção, e também de meus “colegas editores-repórteres”, pois, no principio delas, eram p para ser três reportagens separadas. As unimos numa só por se tratarem de assuntos de mesma magnificên-

CORRIDA EDITORIAL

cia. Elas falam sobre três grandes parques da região da produção, o parque Longines Malinowski, de Erechim, o João Xavier da Cruz de Carazinho, e o Ecoparque Taquari, de Marau. Esses parques para se conservarem por muitos anos, não devem apenas ser cuidados de “longe”, eles devem possuir um cuidado todo especial, para manterem preservadas suas matas nativas. Deviam seguir o exemplo de clubes de futebol do Brasil, isso mesmo, clubes de futebol, inclusive daqui do Rio Grande do Sul. Esses clubes têm “parques” (estádios) em que eles jogam. Nesses “parques” do clube a todo um cuidado, para manter as pessoas que vão nele seguras, confortáveis, e que possam aproveitar a “visita” (jogo) ao maximo possível. E nos parques, não deve ser diferente, temos que cuidá-los, não depredá-los, não colocarmos fogo neles, não roubarmos seus pertences, etc. Assim como os estádios, a solução para os parques seria o “isolamento” deles, em forma de muros, grades, ou simplesmente de uma equipe de segurança. Que assim como num jogo de futebol, possam fazer as pessoas que o visitam aproveitá-lo ao todo, curtirem um tempo em família ou sozinho, um trabalho que já está presente na sociedade, ele já é feito em muitos outros “parques” do Brasil, e do mundo. Adriano Daniel Pasqualotti

Universsidade de Passo Fundo - Faculdade de Artes e Comunicação II Semestre - 2008 - Jornalismo Experimental

EXPEDIENTE

Produtores da região contribuem com o ambiente
As comunidades urbanas contam com a produção daqueles que vivem o dia a dia, numa árdua e constante luta por melhor qualidade nos hortifruti granjeiros. Nem sempre possível devido às intempéries do tempo por vezes desfavorável, ocasionando prejuízos ao produtor. Enquanto a comunidade da cidade tem seu horário de trabalho estipulado por um acordo entre patrão e empregado, os agricultores precisam iniciar muito mais cedo suas atividades, por volta das cinco horas da manhã, não tendo hora para encerrar. A colheita da produção não é atividade única, ela somente acontece por meio de um trabalho que nasce do momento em que a terra recebe os primeiros tratamentos até o instante em que, pronta, irá guardar as sementes dos produtos a serem colhidos. Neste espaço de tempo, há de se contar com a sorte para que as chuvas aconteçam na medida certa, e que o sol não seja em demasia, que não ocorra precipitação de pedras, ou ventos fortes capazes de derrubar silos e galpões. O produtor deverá contar, igualmente, com a ausência de pragas que, quando ocorrem, devastam lavouras inteiras. Para livrar-se destas adversidades é necessário gastos com pesticidas e outras prevenção para a lavoura. Ainda assim, o agricultor fica submetido a um outro fator que os assombra ao longo de anos, em que a relação zona rural x banco, geralmente é uma luta desigual. Quase sempre o agricultor acaba contraindo dívidas não programadas. O agricultor Rodrigo Rebechi, 21 anos, produtor da zona rural de Santo Antão, distrito de Passo Fundo, e participante da Feira do Produtor, lembra que as culturas básicas são, em geral, as mesmas para todas as famílias de agricultores, tendo como principais as de tomate, alface, rúcula, beterraba, cenoura. Com as inovações, houve a inclusão de outros produtos, como chimias, melados, e conservas, além de outros. Quanto ao incentivo por parte do governo, Rodrigo salienta o fato de o governo dar mais incentivo ao grande produtor, deixando o pequeno sem apoio. A feira do produtor caracteriza-se pela preocupação com o meio-ambiente. Rodrigo Rebechi ressalta que o adubo orgânico é usado por todos, sempre a base de esterco de galinha, e os restos dos próprios produtos mesclados a uma terra rica e generosa. Além disso, os produtos comercializados são ecologicamente corretos, sem a utilização de agrotóxicos. Com isso, conclui-se que é possível a realização de mais projetos a esses cidadãos envolvidos com o meio ambiente.

Coordenadores João Carlos Tibuski Luis Hofmann Editor chefe Adriano Daniel Pasqualotti Editores: Bibiana Klein Bruna Todescato Bruna Ramos Daniel Dalpizzolo Denise Maria Pacassa

Emília de Moura José Carlos Berton Letícia Machado Mariana Mezzaroba Mirella Cáceres Verônica Faquin Victor Hugo Sebben Repórter Fotográfico: Vagner Guarezi Editor chefe gráfico: Marlon Britto

Editores: Amanda Nunes Eugênio Giaretta Fernanda Rüntzel da Costa Francine Machado de Oliveira João Rodrigo Silveira Jonatan Zandavalli Samuel Pierezan Moraes Outros Chargista: Giancarlo Rizzi

Cuidando da Natureza Animal
Eles são esquecidos, abandonados nas ruas,jogados em lixeiras, dentro de sacos e em boeiros. São maltratados, passam fome, frio e sofrem todo o tipo de violência por parte daqueles que acham ser superiores. Foi diante dessa realidade que surgiu o grupo Amigo Bicho. São doze pessoas preocupadas com o bem estar e a dignidade dos animais. Amigos que seu uniram para ajudar aqueles que, mesmo nos dando alegrias e momentos agradáveis,são muitas vezes esquecidos e mal tratados. Atuando a um ano, o grupo Amigo Bicho já castrou e doou 200 animais. Evitando que outros animais nasçam e sejam abandonados. Dona Maria Lourdes Secorun Inácio, é uma das integrantes desse grupo composto por veterinários, estudantes de veterinária e pessoas apaixonadas por animais. “Infelizmente as pessoas ainda acham que bicho não sente dor, fome, frio...Que bicho é bicho. Mas bicho é um animal como nós.” Comenta dona Maria Lourdes. A maioria dos animais encontrados pelo grupo de voluntários tem uma história triste, precisam de carinho, amor, e pessoas

Foto: Grupo Amigo Bicho

“Quem não se comove com o olhar de um bicho, não se comove com mais nada”. Dona Maria Lourdes Secorun Inácio adoção. Assim garante-se o bem estar do animal. Para quem quiser adota r um dos bichinhos cuidados por este grupo, deve enviar um e-mail para jornalamigobicho@yahoo.com.br ou entrar em contato pelo fone (54) 8402 5726. O Amigo Bicho tem também um blog com imagens dos animais www.amigobichopf.blogspot.com.

dispostas a cuidar bem deles. O maior desafio do grupo é doar todos os animais saudáveis e castrados. Mesmo sem ter uma sede aonde brigar tanta bicharada, os voluntários do Amigo Bicho cuidam, em casa, dos animais que chegam até eles, e assim que estejam em boas condições de de saúde são castrados e doados. Após doados, os voluntários fazem um trabalho de pós-adoção. Acompanhando a família que fez a

Denise Pacassa

José Ramos Berton

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Centro de convivência UPF
Uma arena de descanso. Um espaço onde os estudantes universitários possam “relaxar”, e também um local de passatempo. Esse é o lugar onde grande parte dos estudantes da UPF desfrutam do seu tempo de sobra, tendo como sua localização a frente do Restaurante Universitário, o RU. Essa área verde foi por anos um dos espaços mais freqüentados no campus universitário, por se tratar de uma mata nativa natural de Passo Fundo, um dos locais preferidos, para aqueles, que ate hoje visitam o campus. Embora hoje, em 2008, ela está ficando um pouco diferente. Neste ano, 2008, “oficialmente” iniciou-se a construção do Centro de Convivência e Conveniência UPF. Um amplo espaço que procurará unir tudo à nele, como cultura, lazer, serviços, entre outros. O que já está incluído no projeto são serviços que serão prestados no local, como o comercio de conveniências, praças de alimentação, locais onde será explanada a cultura, a prática de esportes, o lazer e também o comercio de materiais técnicos. Tudo isso num só local. O projeto está incluído em outro plano da Universidade, o UPF Mundi. Esse que engloba também a construção de um Business Center, de um Site Hoteleiro, de um Parque Tecnológico, um local para Feiras e Eventos, um Parque Temático, o Museu do Transporte e também o Turismo Rural Ecológico. O projeto UPF Mundi tem previsão de conclusão

de 8 anos, num investimento de 100 milhões de reais da Fundação. Mas talvez o principal ponto dessa matéria, envolvendo o novo espaço de convivência, é a “verdadeira” história que há por trás dela, a perda da área verde que envolve/ia sua área de construção. A Fundação, não está fazendo nada de errado, a madeira de todas as árvores que estão sendo derrubadas, está sendo doada. Também, estão sendo planta-

das mudas da mata nativa, para poder equilibrar o desmatamento que é feito atualmente. Embora esteja tudo correto com o governo, com o IBAMA, com as empresas públicas, ou com qualquer outro órgão, alguns alunos acham que os mentores dessa construção, estejam errados. É esperar pra ver, aguardar para que o “centro” de certo, funcione como um dos pontos mais fortes da UPF, proporcionando lazer e cultura, fazendo assim,

com que a UPF cresça ainda mais. A área verde nativa, que existia desde a fundação, vai sair. Junto com essa construção, virão outras que cada vez mais fará com que diminua ainda mais a mata “densa” da Universidade. Fazendo com que se perca cada vez mais, os “Centros de Convivência UPF” que ainda existem.

Adriano Daniel Pasqualotti

Reciclando Sonhos....
Nome: Leonel dos Santos Idade: 35 Anos Filhos: 3
Há quanto tempo arrecada papel?  6 anos È membro da Associação dos Papeleiros?  Sim Quantos Papeleiros a associação têm? Comigo 9 Como você se organiza pra arrecadar o material? Eu tenho os lugares certos pra recolher. Em que lugares você recolhe o papel? Numas casas as senhoras guardam pra mim, e nas firmas também. Eles juntam e esperam pra quando eu vou buscar. Você e os seus colegas dividem os locais onde arrecadar papel? Sim cada um pega num bairro. Quanto você ganha por mês arrecadando papel?  Depende de quanto eu junto. As vezes da R$ 100,00 as vezes da R$80,00 e tem mês que da mais R$ 110,00 ou R$ 120,00. Você consegue sustentar a família com esse dinheiro?  Nem sempre chega. Mas minha mulher trabalha nas casas limpando. E ajuda também a compra roupa pras crianças. Daí não fico sozinho pra pagar as contas. Seus filhos estudam?  Estudam de manhã. De tarde eles ajudam a junta papel também. Você apóia o estudo deles?  Sim. Pra depois eles arranjarem um juntando lixo nas casas. Ainda mais esse lixo que a gente pode aproveitar. Mesmo que de maneira simplória, o Leonel sabe da importância do seu trabalho e, do compromisso lada de aparas (pasta feita a partir do papel em reciclagem) pode substituir de 2 a 4 metros cúbicos de madeira. O que revela uma nova vida útil para de 15 a 30 árvores. Além disso, na fabricação de uma tonelada de papel reciclado são necessários apenas 2.000 litros de água, enquanto, no processo tradicional, esta quantia pode chegar a 100.000 litros por tonelada. Também precisam ser levados em consideração outros aspectos importantes, como o fato de que em termos de energia pode-se chegar a 80% de economia quando se comparam papéis reciclados simples com papéis virgens feitos com pasta de refinador. A Redução da poluição também é outro aspecto relevante em termos de reciclagem, já que teoricamente, as fábricas recicladoras podem funcionar sem impactos ambientais, pois a fase de produção de celulose já foi feita anteriormente. E por fim outro aspecto importante da reciclagem é a criação de empregos. Assim como Leonel outras centenas de cidadãos sobrevivem da coleta de material reciclável e unindo o “útil ao necessário”, se dedicam na tentativa de melhorar suas vidas e consequentemente a vida do nosso planeta.

emprego melhor que o meu. Pra ganhar dinheiro. Pra se alguém na vida. Você acha o seu trabalho importante para a cidade?  Primeiro é importante pra mim, pra sustentar minha família. Mas pra cidade é também, porque “daí” não fica

que a iniciativa de arrecadar material reciclável tem para com o meio ambiente. Os dias e noites que passa empurrando sua “carretinha” evitam que mais árvores sejam destinadas a fabricação do papel. Já que uma tone-

Letícia Machado

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A preservação dos ecossistemas é um assunto em voga sempre. Mas a consciência ambiental não está incutida em todos. O distante pode tornar-se próximo quando começamos a sentir as conseqüências do descaso com a natureza. Porém, ainda existem alguns oásis em

nossa região. Nesta matéria você terá a oportunidade de adentrar alguns patrimônios naturais localizados tanto nos arredores quanto no coração de algumas cidades, e conhecer projetos desenvolvidos para a manutenção destes pequenos paraísos.

Parque Municipal Longines Malinowski

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ocalizado no perímetro urbano de Erechim, com área aproximada de 24 hectares, o Parque Municipal Longines Malinowski – conhecido como pulmão verde da cidade – preserva um fragmento de Mata Atlântica, que compõem-se através da floresta de araucária e de uma vegetação atualmente rara em nossas paisagens. A área onde localiza-se hoje o Parque foi durante muitos anos um enorme potreiro pertencente à Comissão de Terras, local destinado aos agricultores deixarem seus animais pastando ou passando a noite enquanto comercializavam seus produtos. A Comissão era a entidade pública encarregada de demarcar e distribuir as áreas de terra na Região do Alto Uruguai. O vulgo Mato da Comissão, só virou “mato” em virtude do bem-feitor Longines Malinowski, que na década de 30 iniciou o plantio de mudas de árvores nativas, repovoando todo o potreiro da Comissão de Terras. O reconhecimento deste trabalho deu-se em 1939, através de um decreto estadual, que transferiu a área para o município. E na

década de 70 o parque foi batizado com o nome de Longines. Hoje o Mato abriga espécies ameaçadas de extinção, como o pinheiro brasileiro e o xaxim. Ainda encontram-se espécies de animais como o gambá-de-orelha-branca, roedores, sábias, saracuras, dentre outras. Além disso, o Mato da Comissão tornou-se o ponto de encontro de esportistas, ou, simplesmente daqueles que intentam promover sua saúde fazendo caminhadas diárias por entre as trilhas, e até mesmo ao redor do parque. Para os interessados em conhecer uma das oito maravilhas do município de Erechim, o Parque desenvolve trilhas guiadas com grupos de qualquer faixa etária, mediante agendamento prévio, das 7h 30min às 18h 30min. “Durante o tempo que os visitantes passeiam, procuramos mostrar que os Parques são muito parecidos com bibliotecas, pois abrigam tesouros preciosos e de valor incalculável - e quase sempre imperceptíveis aos olhos do visitante”, salienta Luis Felipe De Marchi, secretário do Meio Ambiente.

Beleza, aventura e educação ambiental

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ocalizado no distrito da Sede Independência (a 15 km do centro de Passo Fundo e a 08 km de Marau) às margens da RS 324, está o primeiro parque especializado em ecoturismo, educação ambiental e esportes de aventura da região norte do Estado, o Ecoparque Taquari. O Ecoparque conta com uma área de lazer com piscina, trilha ecológica, vestiários, cantina, quiosque e restaurante. Além de uma variedade de esportes de aventura como o Rapel, Bóia Croos, Tirolesas, Caiaque, Arvorismo e escaladas. Mas nem só a diversão e a prática de esportes fazem parte das atrações do parque, a preservação ambiental é valorizada através do Centro de Educação Ambiental, que tem uma infra-estrutura baseada em

um Centro de Visitantes, Salão para eventos (palestras e workshops) com auditório, loja para a venda de artesanatos locais incentivando o desenvolvimento sustentável, e também hospedagem para os visitantes que desejarem estar em contato direto com a natureza. Todas as atividades são feitas com a monitoria de profissionais capacitados, que auxiliam na utilização de equipamentos e que também transmitem conhecimento e noções de preservação ambiental aos visitantes. Além disso, uma das principais atrações do local é a Usina do Capingüi, desativada a alguns anos, e as duas cachoeiras (sendo uma com mais de 30 m de altura) represadas pela antiga Usina, que deixam ainda mais completo o belo cenário do Ecoparque Taquari, uma das maiores atrações turísticas de Marau.

Vida longa ao parque!!!!

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parque Municipal da cidade de Carazinho, João Xavier da Cruz, maisconhecidocomo“OParquedaCidade”,estásendopalco para a arte da Educação Ambiental. Atualmente o parque conta com uma área de 189.000 metros quadrados. E uma grande variedade de animais, que dependem da sua biodiversidade local. Servindo de base para um projeto que busca a valorização dos recursos naturais existentes em seu interior, a reserva natural do Município, disponibiliza a comunidade carazinhense a oportunidade de conviver com a flora e a fauna nativa da sua região. A iniciativa de realização do projeto de valorização, partiu do interesse dos acadêmicos de Ciências Biológicas da UPF, da ACIC, e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento. Segundo a Bióloga Danusa Ribeiro, Secretária do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Carazinho, o trabalho de elaboração do projeto será divido em duas partes.

Primeiramente os alunos da biologia do Campus UPF de Carazinho, farão um mapeamento das áreas do parque disponíveis para estudo. Bem como, a identificação das árvores matrizes para geração de mudas e, dos animais existentes no local. Em seguida a comunidade entra em ação, por meio do envolvimento das escolas. As escolas participarão com alunos pré-definidos, os “Guias-Mirins”. Estes Guias terão uma formação de educadores ambientais referente às espécies de animais e plantas existentes no parque, já que serão instruídos para guiar as exposições e atividades realizadas no local. A geração de mudas e a plantação das mesmas também serão atribuídas aos alunos. Enfim são uma série de atividades cognitivas que buscam o envolvimento dos cidadãos carazinhenses com a natureza que os cerca. Se tudo ocorrer dentro do previsto, as atividades iniciarão definitivamente no mês de setembro. A expectativa em relação ao projeto é de que a onda do “Ecoturismo”, da preservação e da educação ambiental, acabe se tornando parte do dia-a-dia da população, fazendo da conscientização um meio de acreditar em uma qualidade de vida bem melhor em um futuro muito próximo.

Bibiana Klein, Letícia Machado, Mariana Mezzaroba, Mirella Cáceres e Verônica Faquin.

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PLANTANDO UMA NOVA
Em uma sala dentro do Museu Zoobotânico Augusto Ruschi, da UPF, funciona uma biblioteca diferente das outras. Lá funciona uma Sala Verde. Um local com acervo bibliográfico relacionado com o Meio Ambiente e Educação Ambiental. Você deve estar se perguntando: “Se tem livros é uma biblioteca. Então por que é diferente?”. Vamos começar lá no ano de 2006... Histórico: Através do edital “Salas Verdes”, do Ministério do Meio Ambiente, surgiu a idéia de criar um projeto. A partir dele, foram reunidos alguns parceiros: o Muzar, a Corsan e o 3° Batalhão Ambiental. Depois de aprovado, o projeto saiu do papel e ganhou vida.* No dia 22 de março de 2007, Dia Mundial da Água, uma atividade reuniu escolas da nossa cidade. O evento aconteceu no Teatro Múcio de Castro, foi intitulado “I Mostra de Vídeos Ambientais da Sala Verde Itinerante”, a primeira atividade oficial do projeto. Desde então, os profissionais visitam escolas, instituições e municípios. Por isso é itinerante. Através de teatro, música, exposição e palestras, promovem a educação ambiental e a conscientização. Desde o ano passado, o público atingido foi de mais de 28 mil expectadores. Nesse ano, há um pouco menos de incentivo. Já que as instituições parceiras estão passando por uma reestruturação a nível de estado. O trabalho vem sendo realizado com quem já havia recebido a visita anteriormente. Objetivo do Trabalho: Segundo Flávia Biondo da Silva, responsável pela biblioteca, “A metodologia de trabalho é uma proposta de educação ambiental continuada. Onde quer que a gente se insira, seja no município pela comunidade ou nas escolas, sempre tentamos implantar um processo educativo. Queremos atingir o aluno, o professor e os pais.” Quando o programa vai até os municípios, a equipe busca trabalhar a liderança. Assim sendo, elas recebem as ferramentas necessárias para que a própria comunidade continue o processo. O grupo adotou algumas escolas de Passo Fundo para desenvolver o trabalho neste ano. Os centros de ensino estão localizados nos bairros Rodrigues, Cruzeiro, São Luís Gonzaga. Cidades como Casca, Sananduva, Ibiaçá, Marau, Gaurama, Campinas do Sul e Carazinho já foram agraciadas com a visita. Na Escola Monte Castelo, localizada no Bairro Rodrigues, foi realizado em 17 de julho o “Dia Verde”. Juntamente com as comemorações dos 70 anos da

SEMENTE

MOSTRA DO CONHECIMENTO/ E. E. E. F. CHARRUAS/ MARAU - 24/11/2007 escola, o Muzar, a Corsan, a Emater e o Zoológico da UPF ofereceram aos alunos oficinas sobre lixo, água, mudanças climáticas e cuidados com animais. “O Dia Verde no Monte Castelo foi muito interessante. Os próprios alunos construíram propostas referentes aos temas trabalhados”, salienta Flávia. A diretora da escola, Mari Bonatto afirma que é muito importante projetos que visem a conscientização. “A escola há anos trabalha com a questão ambiental como coleta seletiva do lixo e alimentação saudável. Tudo é trabalhado para que nossos alunos possam plantar sementes de sensibilização”, diz a diretora. Quer participar? Quer saber como participar do projeto? Flávia explica: “Pedimos para o pessoal vir até o museu. Fazemos a trilha perceptiva, apresentamos o programa e tudo o que ele disponibiliza. O grupo ou a escola, sabendo o que é a Sala Verde, volta para sua comunidade e repensa como ela pode dar continuidade a esse trabalho.” Neste ano, há mais um parceiro: a Emater Regional. O projeto está aberto a novos parceiros. Para fazer contato, pode-se ligar para qualquer um dos apoiadores. É necessário também que seja oficializado o pedido através de um ofício. As entidades interessadas em receber a visita em eventos, escolas ou para esclarecer dúvidas, devem entrar em contato com um dos parceiros através dos telefones: Muzar: (54) 3316 – 8316 3° B.A.B.M: (54) 3045 – 2566 Corsan: (54) 3313 - 9465

Bruna Ramos e Bruna Todescato

Biocombustíveis são fontes de energia renovável, ou seja, fontes naturais, capazes de se regenerar. São derivados de matérias agrícolas e orgânicas. Como exemplos, temos: bioetanol, biodiesel, biogás, biomassa, biometanol, bioéter, etc. Leandro Villa, biólogo, especializando em biocombustíveis pela

UNISC de Santa Cruz e colaborador da BSBIOS de Passo Fundo, nos esclarece algumas dúvidas a respeito do BIODIESEL.

BIOCOMBUSTÍVEIS

O que é o biodiesel? Leandro Villa: O biodiesel é um  produto da

transesterificação do óleo vegetal ou animal com um álcool (o metanol ou etanol). Como ele é produzido?  LV: Ele é produzido hoje em dia por transesterificação, onde é aquecido a 64 graus em um reator com a presença de um catalisador Qual a matéria prima utilizada?  LV: A matéria prima utilizada é soja, cebo animal, a granola (no norte do Rio Grande do Sul) e, em alguns lugares como no Ceará, está se começando a trabalhar com pinhão manso, que é uma planta na qual estão começando seu desenvolvimento genético agora. Ela tem um potencial de óleo muito maior do que a soja, que só tem 18% de óleo.

Quais são as vantagens de se usar o biodiesel em relação a outro combustível? LV: A maior vantagem de usar o biodiesel é referente às emissões de gases que causam o efeito estufa. Ele diminui consideravelmente o gás, e produz menos carbono que fica no ar e que causa o aquecimento global. A maior vantagem do biodiesel é essa. Além, de ajudar na lubrificação dos motores. Existe algum risco ao usar biodiesel, ou o carro precisa de algum aparato específico para o uso? LV: O risco é se o biodiesel for  de má qualidade, aí, com certeza vai dar problemas nos bicos injetores, vai dar problema nos filtros. Em relação ao veículo que trafega com biodiesel não há nenhum tipo de restrição. O mesmo carro que trafega com diesel, poderá trafegar com biodiesel na mesma proporção. Não é necessária nenhuma adaptação? LV: Não, a princípio não é  preciso nenhum tipo de adaptação, desde que o biodiesel seja de boa qualidade, porque se não for, pode dar alguns probleminhas. Geralmente se ele for feito em escala menor,

Curiosidade: Transesterificação nada mais é do que a separação da glicerina do óleo vegetal, deixando o óleo mais fino e reduzindo a viscosidade

ele fica numa qualidade um pouco inferior. Porque o biodiesel é considerado ecologicamente correto? LV: Porque ele diminui o  potencial poluidor dos combustíveis consideravelmente, principalmente dos caminhões e ônibus que trafegam dentro das cidades e que deixam muito carbono, enxofre e outros gases. Ele consegue substituir esses combustíveis, e não emite para a atmosfera esses componentes mais prejudiciais.

Emilia de Moura

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Cultura e Co

Ecobag Já!

A Síndrome do Apocalipse
O Cinema sempre pôde ser classificado como uma espécie de espelho social. Grande parte da produção de um determinado período pode facilmente responder às perguntas básicas para a compreensão da referente geração. Foi assim com a década de 1940, com o neo-realismo; com a década de 1950 e 60, com a Guerra Fria; e é assim ainda hoje, com o que talvez seja a principal preocupação da geração vigente: a sobrevivência do mundo frente ao caos proporcionado pelo atual estágio de desenvolvimento. Desde a virada da década, a consciência ambiental permanece sendo um dos principais objetos de estudo cinematográfico, girando em torno do confronto entre homem e natureza ou desenhando métodos moralizantes através de grandes catástrofes. Não que não existissem antes, as próprias guerras fria e do Vietnã foram motivadoras de muitas, mas a proporção que atingiu nestes últimos anos transformou a histeria social em um dos grandes veículos promocionais do novo século. Tanto é que, somente este ano, contando apenas os grandes lançamentos nos Cinemas – fora os filmes distribuídos diretamente em DVD, ou nem mesmo lançados no Brasil, como Mãe das Lágrimas, de Dario Argento, e Diário dos Mortos, de George Romero, onde bruxas e morto-vivos despertam para destruir a integridade física da humanidade e decretar o fim do mundo - o apocalipse já foi representado de duas formas muito distintas, respectivamente em Wall-E e Fim dos Tempos. Até mesmo a Pixar, que normalmente foge do padrão moralizante de seu parceiro Mickey Mouse, apostou em uma jogada totalmente Disneyland ao utilizar como pano de fundo de sua história de amor anárquica entre dois robôs uma terra já devastada pelos avanços tecnológicos e descuidos inúmeros em relação ao meio ambiente, duma forma quase gráfica – faltaram apenas letreiros com inscrições como “PAREM DE JOGAR LIXO NO CHÃO” ou “CHEGA DE DESTRUIR O MEIO AMBIENTE” entre uma e outra cena mais pragmática. Mas tudo é como não poderia deixa de ser. O grande assunto deste novo milênio ainda renderá muitos filhos de celulóide.

A regra é básica: NÃO PODE SER DE PLÁSTICO. Ela é grande. Charmosa. Simpática. Essencial na hora de ir às compras. A bolsa hit de estações passadas, e que promete ser sucesso por muitos anos, atende pelo nome de ecobag (ou sacola ecologicamente correta) e virou febre no mundo. Grifes como Louis Vuitton, e ainda brasileiras como a Cavalera, já aderiram à sacola de pano. Mas a ecobag não está tão distante de nós ‘interioranos’. A empresária Cláudia Cini Meneguzzo, dona da loja Index Off, iniciou a campanha “Ecobag” no verão do ano passado. No projeto piloto de Cláudia, as bolsas eram confeccionadas a partir de peças de jeans que não eram aproveitadas para motivo comercial. Com o passar do tempo foram incluídas bolsas de jeans liso e de pano. Os modelos são variados e adornados por diferentes estampas e detalhes, mas a linha que prevalece é a “clean” – bolsas básicas – com tamanhos gigantes. “O trabalho que a loja realiza se compromete com o meio ambiente, e também com o próximo. Com o

projeto “Ecobag”, a equipe da Index Off consegue assessorar uma

entidade carente da cidade, além de um profissional autônomo. O jeans e a linha a fábrica nos cede, e a renda proveniente das ecobags é revertida metade para a Creche Madre Álix, e metade para a Dona Gema, que habita num bairro carente da cidade e é a nossa costureira”, diz Sônia França, gerente da loja Index Off. Sacola de plástico? Ficou no passado. Ecobag Style é o que você precisa. As mais requisitadas de dez entre dez bolsas tem um preço muito acessível. E para você que não quer gastar dinheiro, é fácil confeccionar a própria sacola ecológica. Sem medo de ser feliz, abrace essa causa e desenvolva a sua consciência ambiental. Afinal, chique é ser consciente! Vêronica Faquin

Daniel Dalpizzolo

No final do ano passado, mulheres se reúnem para aprender Mara de Lourdes Sampaio Lui, 45 com ela a trabalhar. Mara ensina a anos, foi homenageada, entre as transformar materiais descartados, dez mulheres de destaque em Passo como jornais, garrafas, etc. em Fundo, pelo projeto que ela realiza caixas, bolsas, objetos de decoração. na cidade. Trata-se de um trabalho Transformar, como ela diz, “o lixo em com benefícios tanto na área social luxo”. Em vez de ser vendido como como na ambiental. Uma prova de sucata, ele é trabalhado, agregando que algumas ações podem auxiliar na valor e gerando mais renda. resolução de diferentes problemas Há oito anos, Mara descobriu sociais. o que poderia ser feito a partir dos Mara trabalha recolhendo lixo materiais descartados. E começou a de diversos tipos, e transformando ensinar suas amigas. O grupo inicial, as peças que seriam descartadas em no bairro Bom Jesus, contava com novos objetos, úteis e bonitos. Mas ela e mais quatro mulheres. Hoje, a não é só isso. Ela percorre diversos Associação Mulheres Buscando Vitória locais de Passo Fundo, onde grupos conta com 18 pessoas nesse bairro, constituídos especialmente de 26 no centro, e 34 distribuídas entre

Quando o lixo vira arte
Jardim América, N. Srª. Aparecida e Jabuticabal. Mara, porém, ressalta a dificuldade em bancar as passagens para os deslocamentos. O que ocorre também com as demais participantes, todas pessoas carentes. “Estou pedindo a Deus uma solução”, diz. A idéia de produzir a partir do lixo surgiu em uma época difícil. “Eu estava desempregada. Minhas amigas, todas desempregadas e chorando a miséria”, relata Mara. Foi aí que ela teve de gerar renda a partir do lixo e de sua criatividade. Inicialmente, fazendo tricô, técnica que ela já dominava. Depois, aprendeu de sua filha, na época uma criança de 10 ou 11 anos, a fazer uns palitinhos a partir de jornal (que hoje servem de matéria prima para muitos objetos, desde bauzinhos até botinhas de natal). E tudo isso ela começou a repassar para suas amigas. Mas faz questão de dizer: “eu não dou nada para quem não contribuir”. Ela diz ser um momento feliz ver a alegria de suas alunas ao receberem elogios pelas peças que produzem. Mas para participar é preciso trabalhar. Uma objeção: falta apoio. Apesar de homenagens e reconhecimentos, as Mulheres Buscando Vitória carecem muito de doações de material. Roupas, calçados, caixas de sapatos, caixas de papelão, jornais. Mesmo as garrafas pet, inimigas do meio ambiente, são

reaproveitadas, tornando-se bolsas. Voluntários que possam ensinar a elas outras formas de trabalhar o lixo e produzir novos bens são bem vindos. Mara envia também uma dica para os homens públicos: “Tira essa poupancinha daí, e faz o que a Mara faz aqui na vila. Quanto nós vamos resolver nesse Passo Fundo”. Todo esse trabalho, além de ser ecologicamente correto, por reaproveitar o lixo, devolve a autoestima e a esperança a pessoas que antes tinham de pedir para sobreviver. É uma pena que, para tais atitudes, sempre falte incentivo e apoio. “Nosso povo precisa muito de amor, atenção. O pouco que eu posso eu quero fazer, para que amanhã a gente possa dizer que contribuiu”, conclui Mara.

Victor Hugo Folchini Sebben

omportamento

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O Broto
Lendas não morrem
As lendas são histórias. Às vezes, muito bem contadas, parecem conter algo de real. Todos dizem que as lendas vêm do real, apenas com algumas modificações, sofridas ao longo do tempo. Não sei. Os frutos da imaginação perambulam também pelas ruas de Passo Fundo. Desde muito tempo, comentava-se na universidade que um jacaré vivia em um lago, não se sabia qual. E, como não se sabia, todos os lagos pareciam perigosos. Mas ninguém nunca via o jacaré. Tal como o monstro do Lago Ness. Inúmeras sondas percorreram o famoso lago escocês, sem encontrar nada. O fato é que o jacaré, descoberto depois de algum tempo, por alguém, vivia. Ignorando que todos pensavam que fosse lenda. E toda a imprensa caiu em cima, banalizando a história de algo que foi lenda e já não era. Imaginem se o monstro do Lago Ness existisse. Seria emocionante no começo. Mais turistas ainda iriam até lá para vê-lo. Milhares e milhares de fotógrafos. Emissoras de TV do mundo todo. Em pouco tempo, tudo estaria banalizado. O monstro seria exposto. As pessoas querem o estranho, o diferente, porque cansaram do banal. É por isso que vêem aliens onde há animais e discos voadores onde há pipas. Mas o jacaré existia. É, ele existia. Já não existe. Acho que, cedo ou tarde, depois de exposto a tantos olhares e objetivas, o monstro do Lago Ness, antes imortal, morreria. De depressão. Ou de desgosto. De fome. Sei lá. Mas essa parece ser a maldição do homem. Destruir seu próprio ambiente, contaminar suas próprias fontes, comprometer seus próprios filhos. Uma maldição não imposta por Deus, mas pelo próprio homem, desde os remotos tempos do início da ciência como a conhecemos hoje. Desde que a Terra deixou de ser mãe, e passou a ser objeto, e o conhecimento passou a se desenvolver em pedaços, cada área procurando criar novidades, sem preocupação com os efeitos causados nas outras áreas. Os profissionais do meio-ambiente tentam corrigir os problemas gerados pela própria tecnologia de outras áreas, porque o conhecimento é feito em pedaços. Mas, enfim, o jacaré vivia, e chegou à mídia. Virou celebridade. Fizeram até um concurso para eleger o nome e, apesar de toda a balbúrdia dos que queriam dar-lhe o nome de outro famoso jacaré, um que fuma cachimbo e gosta das letras, o nome do bichinho acabou sendo Jack. Ele foi colocado em um local mais adequado, e passou a ser exposto ao público. Todos poderiam ver o réptil. Mas, ao que parece, tudo o que Jack queria mesmo era tranqüilidade. Porque, quando quiseram dar destaque a ele, colocando-o à mostra, ele respondeu morrendo. A lenda estava viva, enquanto todos pensavam que não. Foi descoberta, mas morreu. Antes de virar banal. Acho que a natureza está mesmo dando um recado. Pedindo para que deixemos ela em paz por algum tempo. Pedindo para que ninguém mais jogue lixo nos rios. Pedindo para que não confundam o progresso com a destruição. E, é claro, para que haja uma nova organização do conhecimento, agora pensando em tudo e todos, em um estudo que possa abranger conseqüências também, e não apenas resultados. Acho que Jack é emblemático. Ele morreu para ficar lenda. A natureza é assim. Os desertos nascem quando o verde vira lenda.

Charge

Victor Hugo Folchini Sebben e José Ramos Berton

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