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Universidade de Itaúna, 18 de março de 2011 1

Trabalho

De

Processo Civil II
Embargos Infringentes
6º B

Grupo:

• Alini Cristina
• André Alexandre Firmino Gomes
• André Luiz de Souza
• Bruna Dias da Silva
• Felipe Bruno de Araújo
• Michelle Cristina dos Santos
• Vanessa Silveira Rocha

Embargos Infringentes

Conceito

Embargos Infringentes
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Na conformidade do art.530 do CPC cabem embargos infringentes contra


decisão proferida em acórdão, sendo, portanto, um recurso específico da
segunda instância, ou seja, só será admitido:

1. Na segunda instancia ou segundo grau de jurisdição


(tribunal);
2. Quando a decisão não alcança unanimidade de votação; e
3. Nas apelações ou ação rescisória.

Trata-se de um recurso não devolutivo, porque provoca o reexame do caso


decidido, pelo próprio tribunal que proferiu o acórdão impugnado, inclusive com
participação dos juízes que integraram o órgão fracionário responsável pelo
primeiro julgamento.

Esse recurso visa atacar tão-somente a parte dispositiva da decisão, de


modo que não é lícito utilizá-lo apenas para alterar premissas, antecedentes ou
fundamentações do voto que a justifica. Vale dizer que “a decisão é
embargável naquilo em que não houve unanimidade”.

A leitura da primeira parte do art.530 CPC revela que efetivamente a


interposição dos Embargos Infringentes ficou reduzida a duas únicas hipóteses,
quais sejam, quando o acórdão não unânime, que tiver julgado o mérito da
causa: houver reformado, em grau de apelação, a sentença; houver julgado
procedente o pedido deduzido em ação rescisória.

Verifica-se que não mais se admite o recurso contra julgamento de apelação


em que a divergência ocorra sobre o objeto formal do processo (pressupostos
processuais e condições da ação).

Doravante, a adequação dos embargos infringentes contra acórdão proferido


em apelação exige dois pressupostos, a saber:

I - que tenha sido provido o recurso;

II - que a divergência diga respeito ao meritum causae, ou seja, ao objeto


material do processo.

Em síntese, podemos afirmar que os embargos infringentes são cabíveis


contra acórdão não unânime proferido em apelação ou ação rescisória.
Cumpre informar que não cabem embargos infringentes;

- nos julgamentos não unânimes de recurso especial e de recurso


extraordinário;

- segundo a jurisprudência do STJ, em reexame necessário – contrariamente à


Sumula nº 77 do extinto do TFR que permite os embargos infringentes;

- nas decisões dos plenários dos tribunais em incidentes de


inconstitucionalidade;

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- em acórdão proferido em agravo de instrumento.

Com relação ao agravo retido, e sendo ele julgado simultaneamente com a


apelação, serão admitidos os embargos infringentes em duas hipóteses:
quando neles se discutir matéria de mérito, por exemplo, prescrição, bem como
quando neles de discutir matéria de ordem pública.

Ressalte-se que também não cabem embargos infringentes contra mandado


de segurança, por se tratar de lei especial – Lei nº 1,533/1951.

Para o cabimento dos embargos, a divergência deve referir-se ao dispositivo


do acórdão, ou seja, sua conclusão. Em primeira análise, é irrelevante a
divergência na fundamentação, caso a conclusão seja a mesma, ou seja, o
julgamento unânime.

Cabimento

A admissibilidade do recurso de embargos infringentes é limitada, ou seja,


em caso de apelação, às reformas das sentenças de mérito de primeiro grau,
não cabendo das confirmações pela superior instancia das sentenças de
mérito, ainda que por maioria, nem de eventuais reformas ou confirmações de
sentenças unicamente terminativas.

Concernentes às ações rescisórias, não cabem embargos infringentes das


decisões que as julguem improcedentes ou venham extingui-las, cabendo o
referido recurso unicamente da procedência de ação rescisória, por maioria.

Efeitos

Os embargos infringentes possuem efeito devolutivo, sendo este limitado à


divergência e à impugnação feita pelo agravante.

No que tange à parte unânime de um acórdão, sobre o qual haja


interposição de embargos infringentes, cumpre analisar que ficam sobre
testados os prazos de interposição de impugnação por meio dos recursos
especiais e extraordinário, até a intimação da decisão dos embargos ou
transito em julgado da parte não unânime da decisão, quando o prazo correr in
albis. Atende-se, assim, de forma efetiva, ao principio da unirrecorribilidade,
uma vez que não só o processamento, mas também as interposições dos
recursos especial e extraordinário ficam suspensas.

Em principio, os embargos infringentes possuem efeito suspensivo, caso a


apelação que deu origem ao julgamento embargado tenha obtido esse efeito. A
suspensividade só atinge o que foi objeto de devolução.

Procedimento

A admissibilidade dos embargos infringentes é feita pelo relator da própria


apelação ou rescisória, podendo ser indeferido o recurso de plano. Caso sejam

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indeferidos os embargos, caberá recurso de agravo para o órgão colegiado


competente para julgar os embargos.

O art.531 preceitua que o juízo de admissibilidade é realizado somente


após a apresentação de contrarrazões pelo embargado.

Já nos arts. 533e 534 determinam que os embargos infringentes sejam


submetidos às regras dos regimentos internos dos tribunais- no que tange ao
seu processamento-, deslocando a competência, enquanto no art. 534
aconselha que, quando for necessária a escolha de novo relator, que este não
tenha participado do julgamento seja o mais imparcial possível, uma vez que
poderíamos ter, inclusive, alguma mácula referente à má-fé do julgador.

Pela regra, o recurso é interposto perante o relator do acórdão embargado-


apelação ou ação rescisória – para que se proceda à citação do embargado, no
afã de serem apresentadas suas contrarrazões.

È pertinente observar que existem embargos infringentes cabíveis nas


execuções fiscais de reduzido valor, devendo ser apreciados e julgados pelo
próprio órgão ad quem, como disposto na Lei nº 6.830/1980- Lei das
Execuções Fiscais.

Desacordo total ou parcial

Os embargos infringentes – como visto- servem para impugnar


pronunciamentos judiciários de segunda instancia, desde que proferidos em
grau de apelação e ema ação rescisória.

Estes podem ser sobre toda aquela versada em que foi discutida a
apelação ou ação revisória – apenas parte dela. Em sendo julgado todo o
acórdão por maioria de votos, o desacordo terá sido total, sendo a matéria
versada nos embargos também. Caso contrário, em que parte do acórdão tiver
sido votada a unanimidade e parte por maioria, teremos os embargos parciais,
relativos apenas à parte julgada por maioria de votos.

Sendo assim, caso o acórdão seja composto de mais de um capitulo, os


embargos serão pertinentes nos capítulos que existirem voto vencido. O
art.530 ultima parte, é claro preceituar que, se o desacordo for parcial, os
embargos serão restritos à matéria objeto da divergência.

Agora, se o acórdão contiver inúmeros capítulos, havendo quebra da sua


unidade- apenas em relação a um ou alguns deles-, somente quanto aos
vencidos poderão ser opostos os embargos infringentes.

Voto Vencido

A finalidade precípua do recurso em apreço é modificar a decisão proferida


pelo tribunal, transformando o voto vencido em vencedor.

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Os embargos infringentes podem ser interpostos em relação á divergência


entre preliminares de mérito quanto ao próprio mérito, uma vez que a parte
possui direito de ver sua pretensão analisada por completo.

Conclusão

Os embargos infringentes são uma modalidade de recurso sempre


marcada por grande controvérsia no sistema brasileiro.

Os motivos para a divergência são muitos.

Em primeiro lugar, cabe registrar que é um recurso exclusivo do Direito


Brasileiro, tendo sido, inclusive, extinto no direito processual português,
sistema onde foi inicialmente concebido. Em segundo lugar, por ser entendido,
por alguns doutrinadores, como desnecessário, motivo pelo qual merecia ser
abolido do sistema processual brasileiro. Alexandre Freitas Câmara faz
expressa crítica à sua existência, quando aduz que "defendemos a abolição
total dos embargos infringentes, não nos parecendo adequado que o mero fato
de ter havido voto divergente em julgamento colegiado deva ser capaz de
permitir a interposição de recurso".

Outra crítica seria a dispensabilidade dos embargos infringentes, afinal, o


elemento que o caracteriza é a retratação. Logo, não teria cabimento dentro do
sistema brasileiro, já definido como tão moroso, diante da diversidade dos
recursos previstos no Código de Processo Civil, dar ensejo a nova insurgência
judicial. Consistiria, sua existência, portanto, em maior atraso ao desfecho do
processo. A crítica pode ser sintetizada assim: a apreciação já ocorre no
julgamento da apelação, sendo excessivo e repetitivo proceder a uma nova
análise.

Mais um argumento contrário à existência do recurso era o de que os


embargos infringentes não se alinhavam com a idéia de celeridade, princípio
endossado nas novas reformas processuais, mas sim com a idéia de
segurança jurídica. O seu objetivo é a justiça do julgamento, o que,
inegavelmente, demandaria mais tempo no trâmite do processo.

A despeito de todas essas razões, os embargos infringentes sobreviveram


às reformas processuais promovidas pela lei n.° 10.352/01. Mas, acolhendo de
certa maneira algumas das críticas da doutrina, os embargos de divergência
tiveram o seu cabimento restringido.

O professor Barbosa Moreira registra que a prática nos Tribunais o fez ,


como ocorreu com outros doutrinadores, rever a pretensão de extirpar tal
recurso do Código de Processo Civil. A sugestão do professor era restringir o
seu cabimento, o que foi acolhido, em parte, pelas alterações lei n.º 10.352/01.

Após as críticas, a nova redação do artigo 530 do CPC delimitou assim o


seu cabimento:

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Art. 530. Cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime


houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver
julgado procedente ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos
serão restritos à matéria objeto da divergência. (Redação dada pela Lei nº
10.352, de 26.12.2001)

Em se realizando uma distinção entre a antiga redação do artigo 530, e a


acima transcrita, bem se vê que a grande mudança na estrutura do artigo foi a
exigência da sentença de mérito.

E mais, a obrigação de tal sentença precisar ter sido reformada, em sede de


decisão não-unânime do Tribunal. Em suma, a mudança pode ser sintetizada
da seguinte maneira: reforma da sentença de mérito. Em verdade, houve um
retorno à sistemática prevista no Código de Processo Civil de 1939.

O raciocínio desenvolvido para manter o cabimento dos embargos


infringentes, na hipótese de reforma de sentença de mérito, foi a existência de
um empate na soma dos dois julgamentos (primeira e segunda instâncias).
Ora, em se contando a sentença de primeiro grau, juntamente com o voto
divergente do desembargador no Tribunal, teríamos 2 votos contra e 2 votos a
favor (aqueles votos de desembargadores que venceram no julgamento do
Tribunal). Então, diante do placar de 2 x 2, serviriam os embargos infringentes
para permitir o desempate do julgamento [08]. O mesmo raciocínio não é
aplicável quando a sentença é mantida, mesmo que por maioria do tribunal,
afinal, nessa hipótese, o placar seria 3 votos (juiz de primeiro grau + 2 votos de
desembargadores) contra 1 (voto vencido de um desembargador). O objetivo
dos embargos de divergência é fazer prevalecer o voto vencido, diante da
divergência dos julgadores.

Para os mais apressados, a exigência de reforma em sentença de mérito


pode parecer simples e isenta de grandes controvérsias. No entanto, o
conteúdo da "sentença de mérito", após a alteração de seu conceito no artigo
162, § 1º, do Código de Processo Civil, pela lei n.° 11.232/05, transformou o
tema em assunto de ampla divergência na doutrina, com claras repercussões
na compreensão dos embargos infringentes.

Levando-se em consideração os fatos aqui narrados, concluímos que


somos contra os embargos infringentes, devido a sua morosidade, indo assim
contra ao princípio da celeridade, acolhido pelo ordenamento jurídico,
demandando assim mais tempo no processo, o que não condiz com o as
garantias constitucionais.

Além disso, a nosso ver os embargos infringentes são desnecessários,


aspecto que se funda no fato de que somente o sistema brasileiro ainda o
adota, sendo abolido inclusive no sistema português que foi seu precursor.

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