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ANÁLISE DE SISTEMAS – Parte 1 | Conceitos 2011

Baseado nos conceitos de Gane e Sarson – Análise Estruturada de Sistemas

1.Conceitos Básicos

Analýein deriva do grego desatar, soltar, dissolução de um conjunto em suas partes. Examinar,
pesquisar e verificar. É dividir um problema maior em partes menores para que seja possível
solucioná-las de forma mais rápida. É “mecanizar” o que o usuário pensa, dentro do universo
lógico eficaz e eficiente da análise. Para o bom entendimento do que e trata a análise de
sistemas especificamente é necessário que alguns termos fiquem claros, pois são largamente
utilizados na área. Veja alguns deles:
Processo: Seqüência de ações ou fenômenos
sucessivos com relação de causa efeito. Exemplo:
empresa. Normalmente a análise se inicia
com um texto onde é descrito o
Programa: Procedimentos para execução de uma
funcionamento atual do sistema
tarefa.
com seus processos. Este texto é
Sistemas: Existem muitos tipos de sistemas e uma narrativa do que se está
mesmo havendo uma definição oficial para o analisando.
termo, deve-se entender o contexto para definir
corretamente o mesmo. Um sistema pode estar
contido dentro de outro, o que é muito comum. Para entender, basta imaginarmos um
sistema de logística que possua um sistema de Estoque que o componha. Assim como este
último, existem muitos outros que também poderiam fazer parte do mesmo, como o sistema
de Compras, Recebimento, Gestão da Qualidade e Fretes. Um analista normalmente não
trabalha com o todo, mas com partes de um sistema, mesmo que venha a entender do todo.
Sistemas não necessariamente precisam ser de computadores, mas podem referir-se a
qualquer grupo com suas próprias características que interagem entre si. Exemplos: Sistema
fluvial, digestivo, cadeia alimentar, etc....
Quantos sistemas você vê na imagem abaixo?

Exemplificando
Imagine o setor de compras de uma empresa. Deseja-se automatizar o processo e adivinhe
qual o primeiro passo? A-N-A-L-I-S-A-R para redigir o texto. Isso mesmo, criar um sistema para
que esse processo seja efetuado da melhor forma.
Processo: Sempre que algum funcionário tem necessidade de comprar bens para as suas
atividades, este preenche uma requisição, onde identifica os bens em questão (com base na

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consulta de uma lista anteriormente disponibilizada a todos os funcionários), a qual envia para
o seu diretor. Este, depois de analisar o pedido, pode ou não autorizar o mesmo. Neste
segundo caso, elabora uma notificação que envia para o requisitante e o processo pára. No
caso do pedido ser aprovado, o requisitante preenche uma encomenda que envia para o
fornecedor por ele selecionado.
A recepção dos bens ocorre sempre no armazém, onde é conferido o material recebido com a
guia de remessa que o acompanha, bem como a encomenda que lhe deu origem. A empresa
confere a fatura que entretanto lhe foi enviada, relaciona-a com as encomendas respectivas, e
se tudo estiver correto, é emitido um pagamento ao fornecedor.
Programa:
1. Requisitante de preencher a Requisição;
2. Requisitante consulta lista de bens;
3. Requisitante envia para seu diretor;
4. Diretor acessa a lista;
5. Diretor analisa o pedido;
6. Pedido á aprovado pelo diretor?
6.1. Sim - Requisitante preenche uma encomenda (guia de remessa) e envia ao
fornecedor
6.2. Não - Diretor envia notificação ao requisitante e o processo pára;
7. Estoquista que irá receber a mercadoria e conferir a mesma na guia de remessa que a
acompanha;
8. Estoquista confere a fatura para ver se é compatível com as mercadorias que lhe foram
enviadas;
8.1. Está OK – Tesoureiro efetua o pagamento;
8.2. Não está OK – Entra em contato para verificar o motivo e como será emitida nova
fatura;
Sistema: Sistema de Compras do ERP-Enterpreise Ressourcing Planning - da Empresa XYZ.

Pergunta
Porque posso chamar meu estômago, esôfago, fígado e basso de SISTEMA digestivo?
Analista de Sistemas: O analista é responsável por: estudos de viabilidade e alternativas,
custo/benefícios, especificações, prazos e teste de aceitação. É ele quem deve entender a
necessidade do cliente e adéqua-la da melhor forma num projeto de sistema, sempre
pensando em qualidade, usabilidade, tempo de desenvolvimento e praticidade. É o analista
quem deverá preocupar-se com em criar o elo entre o usuário e o desenvolvedor, fazendo com
que ambos se entendam.

Metodologias de Análise de Sistemas: São formas adotadas pelos analistas de documentar os


sistemas. É de suma importância a decisão por uma metodologia adequada à necessidade e
que possibilite possíveis alterações no sistema futuramente. A visão dos analistas está se
modificando, pois estão preocupando-se com a evolução dos sistemas e as mudanças que são
constantes. É importante ressaltar também, que através da documentação utilizando uma
metodologia, torna-se fácil representar graficamente as funcionalidades do sistema, que foram

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solicitadas pelos usuários, utilizando-se de DD’s, DFD’s dentre outros diagramas, o que é na
verdade um dos aspectos mais importantes da análise, a final, um sistema é desenvolvido para
o usuário.
Pergunta
Que tipos de metodologias de análise de sistemas você conhece? Cite mais motivos pelos
quais você documentaria um sistema.
Documentação: Um dos pontos mais importantes da análise é a manutenção de todas as
informações e funcionalidades implementadas no sistema. Imagine um sistema com mais de 5
milhões de linhas de código! Com mais de 10 módulos, 1.700 tabelas! Um ERP (Enterprise
Ressourcing Planing), por exemplo. A empresa que o mantêm possui 20 anos de existência e
muitos funcionários já passaram por ali. Seria possível conhecer e lembrar das funcionalidades
de todos os programas e quais dados cada tabela armazenaria? Impossível. Por isso, a
documentação deve ser feita e guardada como documento da empresa, para que o
conhecimento seja da empresa e não do funcionário. Sendo assim, não haverá o risco de que a
informação se perca e fique como posse de quem desenvolveu ou modelou o sistema.

1.1. Interdependência
Como foi visto, as entidades buscam atingir o objetivo declarado do sistema. Contudo,
observa-se que em alguns casos, os sistemas falham, não conseguem atingir seu objetivo ou
ainda atingem apenas parcialmente.

Por que tal fato ocorre ?

Veja que há dois tipos básicos de entidades em um sistema. Aquelas que são inerentes
(próprias) ao sistema – no caso do sistema educacional: livros, carteiras, lousa, giz; e aquelas
que estão em trânsito pelo sistema.
As entidades em trânsito pelo sistema são a energia necessária para a sobrevivência deste
sistema.
Estas entidades em trânsito podem ter importâncias diferenciadas entre sí, com relação a
terem mais ou menos peso na sobrevivência do sistema. Por exemplo: Para o meu sistema
biológico, uma banana é uma entidade em trânsito, tal qual o oxigênio. Porém, o fato de meu
sistema ser privado de banana não o levará a falência ou morte, o que não ocorre com a
privação ou ausência do oxigênio. Portanto, para a sobrevivência de meu sistema biológico a
entidade oxigênio tem maior relevância do que a entidade banana. Assim, cada sistema, com
relação as suas entidades em trânsito, possui esta característica.
Qualquer que seja a entidade (interna ou em trânsito), trabalha no sentido de conduzir o
sistema ao objetivo declarado. Para isto ocorrer, cada entidade desempenha um papel dentro
do sistema, caracteriza-se aí um divisão do trabalho. Em meu sistema digestivo, a boca tem
sua função, o estômago outra e o intestino outra ainda; porém juntos conduzem o sistema ao
seu objetivo, a digestão. No sistema de trânsito, existe o semáforo com sua função, o guarda
idem, as ruas, avenidas, veículos e todos interagem para atingir o objetivo do sistema.
Em um sistema de informação, não é diferente. Por exemplo, em um sistema contábil, existe
um cadastro de plano de contas que tem sua função, uma lançamento do movimento,
relatório de balancete, balanço, razão, todos buscando o objetivo declarado
do sistema. (A informação é a entidade em trânsito ).

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Observe portanto, sendo as entidades responsáveis por apenas uma pequena parte do
processo no sistema, implica que o desempenho de uma entidade, depende da outra, e a
isto chamamos de interdependência.
Se a boca desempenhar mal seu papel, é provável que o fato se reflita no estômago. Se o
professor desempenhar mal o seu papel, é certo que haverá reflexos em outros lugares no
sistema. Em uma industria de móveis, se a seção de corte desempenhar mal seu papel, por
certo a seção de montagem, não conseguirá executar sua tarefa, ou a desempenhará com
falhas. Se no lançamento contábil, não for verificado a existência da conta de débito ou crédito
informada, haverá problemas em toda seqüência do sistema.
Desta faceta da divisão do trabalho, vem a idéia de módulos. A boca é um módulo, com sua
especialidade, o esôfago é outro, o estômago outro e assim sucessivamente. Ou seja, existe
presente uma característica de alienação. Os módulos conhecem apenas parte do processo
(são especializados naquilo que fazem) – o geral só se atingem pela união dos módulos, para
tanto estão relacionados e interagem entre sí, criando a interdependência.
A interdependência requer controle ou administração.
As entidades devem funcionar convenientemente, de acordo com a sua finalidade
(especialidade), ou comprometerão outras entidades.
Se não funcionarem deverão serem substituídas, reparadas, advertidas ou arrumadas (de
acordo com cada sistema). Estes reparos ou substituições podem ser feitos mediante a
importação de elementos do meio ambiente.

1.2. Eventos de um Sistema


1.2.1. Importação
A importação de elementos é o aspecto que permite a sobrevivência de um sistema aberto. Ela
também é conhecida como Ingestão, Input ou Alimentação.
Qualquer sistema aberto é influenciado pelo seu meio ambiente, através da importação de
elementos deste meio. Quando faço a ingestão de uma banana, diz-se que meu sistema
biológico está importando um elemento do meio (a banana), através do subsistema digestivo.
Um elemento importado do meio ambiente pode ser prejudicial ao sistema. Para isto não
acontecer, os sistemas devem ser capazes de detectarem problemas com os elementos
importados (ou a serem importados), ou ainda, na impossibilidade de barrar este elemento, os
sistemas devem ser capazes de se adaptarem ao elemento. Ao entrar no sistema, aquele
elemento passa a ser uma entidade do sistema.
Ao fato dos sistemas não permitirem o ingresso, input ou ingestão de elementos do meio
ambiente, é conhecido como seleção de elementos. É por isso que, antes de comer uma
banana, você a “escolhe” – seleciona de acordo com certos padrões.
Nos sistemas de informação, isto também acontece, quando por exemplo, um sistema
acadêmico só libera a catraca para a entrada do aluno, se o mesmo não está em atraso com a
mensalidade.
Para alguns sistemas, outro fator existente na importação de elementos é a necessidade de
terem os elementos importados em certa ordem, a isto chamamos de classificação de
elementos. Pode-se citar como exemplo o sistema vestibular.
Verifica-se portanto que a importação de elementos é um fato que viabiliza a sobrevivência de
um sistema, ou ainda, pode ser um fator de risco para o mesmo. Se o meio ambiente passa a
fornecer os elementos com características diferentes daquelas que o sistema precisa, ele
deverá então: barrar a entrada do elemento, mudar de elemento ou adaptar-se a nova

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realidade – mantendo com isto sua sobrevivência. Este processo de inspeção de elementos na
entrada deve ser sensitivo e dinâmico.
É certo que o meio ambiente serve como contínua fonte de energia para o sistema, mas diante
do fato de que ele está em contínua mudança, além de recurso poderá tornar-se uma ameaça.
Por que isto acontece ?
1.2.2. Exportação
Os elementos que entram no sistema (input), passam a ser uma entidade do mesmo. A maioria
dos que entraram são entidades em trânsito pelo sistema. Eles entraram com certas
características.
Dentro do sistema estas entidades são transformadas, fundidas, trocadas de ordem, polidas,
demolidas, moldadas, somadas, digeridas, separadas, cortadas, coladas, verificadas, etc...
Um aluno do sistema educacional, jamais sairá de lá com as mesmas características que tinha
quando entrou, tampouco o professor.

Em qualquer sistema aberto, as entidades que lá entrarem, em algum momento sairão, com
novas características diferentes daquelas que traziam quando entraram. Este fato
é conhecido como exportação de elementos. No caso da banana, certamente vocês já devem
ter observado este fato, ainda que ela não tenha concluído todo o trajeto como deveria. Ela
certamente saiu de seu sistema biológico após determinada transformação. Ao sair o fez com
novas características. Isto também aplica-se aos alunos e professores no sistema educacional,
as informações dos sistemas de informação.
Os elementos exportados pelo sistema vão para o meio ambiente onde ele está inserido. O
meio ambiente por sua vez é constituído de um ou vários sistemas. A exportação de
elementos, portanto, pode influenciar profundamente o meio ambiente.
Ele pode ser lesado por meio da exportação de elementos danosos a ele. Isto implica em que o
meio está sendo transformado e, portanto está-se influenciando a outros sistemas e a ele
mesmo.
Cabe portanto a qualquer sistema, censurar a saída de elementos, fazer uma checagem se o
elemento pode sair do sistema (controle de qualidade). Um sistema contábil, portanto, não
poderá deixar imprimir um balancete que apresente erros na apuração matemática do
resultado final. Uma usina de álcool não pode deixar a fuligem com resíduos de carbono ir para
a atmosfera. No sistema de trânsito, não pode haver emissão de poluentes para a atmosfera.
Isto influenciará o meio ambiente e portanto a outros sistemas e a eles mesmos.

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A exportação é conhecida como saída, resultado ou output.


As saídas em geral, são parte do objetivo declarado do sistema, ou ainda resíduos
decorrente do processo para se atingir o objetivo.
É importante observar que as saídas servem para avaliação total ou parcial do desempenho
do sistema.
Se aquilo que está saindo possui características diferentes das estabelecidas, ou estão fora do
padrão existente, duas coisas podem estar acontecendo com o sistema: Entidade(s) está(ão)
com algum problema ou trata-se de efeitos referentes a novas adaptações pelas quais passa o
sistema.
1.2.3. Feedback
Trata-se de um evento dos sistemas que caracteriza-se por ser uma resposta ou retorno
decorrente de uma avaliação.
O objetivo é um controle a partir de um critério. Submete-se algo no sistema a uma
monitoração de acordo com um padrão preestabelecido.
Ao questionar um aluno, o professor ativa um processo de feedback, o aluno, a esta pergunta
retornará uma resposta, que será avaliada criteriosamente,
estando “ok”, segue- se adiante, caso contrário, algo precisa
ser refeito.
Em uma industria de móveis uma peça pode constantemente
ser submetida a processos de feedback. No corte do material
por exemplo, confronta-se o desenho do corte com molde
(inicio do feedback), avalia-se se a curvatura e tamanho da
peça está correta, em caso afirmativo a peça segue adiante
para montagem, caso contrário retorna.
O feedback também é conhecido como retroação,
retroalimentação, retroinformação, servomecanismo ou realimentação. O ar condicionado
trabalha basicamente com mecanismos de retroinformação e retroalimentação – tal fato
ocorre do sistema para com o meio ambiente. O feedback impõe correções aos sistemas,
permitindo o seu equilíbrio (Homeostasia).
Portanto, o equilíbrio ou bom funcionamento é dinâmico, obtido através da auto- regulação ou
autocontrole.
Normalmente é a parte sensorial dos sistemas.
1.2.4. Homoestasia
O termo nasceu com a fisiologia (parte da biologia que investiga as funções orgânicas) animal.
Claude Bernard afirmou que todos os mecanismos vitais tem por objetivo conservar
constantes as condições de vida no meio interior a ele.
Sempre que uma parte sai do equilíbrio, algum mecanismo é acionado para restaurar a
normalidade.
Este estado contínuo e incessante de desintegração e reconstituição é chamado de
Homeostasia – do grego Homeos (semelhante) + Statis (situação).
Este equilíbrio dinâmico está presente em todos os sistemas e, em geral, é obtido pela ação de
vários elementos de retroação.
1.2.5. Morfogênese

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Alguns sistemas apresentam a característica de poderem mudar a sí próprios, em algum


aspecto básico do qual é composto.
Normalmente, esta característica está presente nos sistemas sociais. As sociedades podem
rapidamente gerar mudanças profundas em suas estruturas, como por exemplo, sair de um
sistema comunista para um democrático.
Alguns sistemas biológicos também podem apresentar esta faceta, ajustando sua própria cor
para poder se livrar de predadores.
Nos sistemas de informação, pode-se empregar a título de exemplo, os programas de vírus
mutante.
1.2.6. Entropia
Vem do grego entrope (transformação), trata-se da 2ª lei da termodinâmica, que refere-se a
distribuição desigual da energia.
Nós sabemos que as entidades em trânsito pelo sistema, são a energia necessário para a
sobrevivência do mesmo.
Quando houver a falta destas entidades, diz-se que o sistema entrou em um estado de
entropia, e isto poderá levá-lo a sua falência, morte ou desativação. Como não possui energia
circulando, não tem como funcionar.
Portanto, uma escola que teve uma acentuada diminuição de alunos, entrou em um estado de
entropia. Perceba que a entropia pode dar-se em maior ou menor grau, já que está
diretamente relacionada com a ausência ou presença da energia necessária ao sistema.
1.2.7. Redundância
Vários sistemas apresentam entidades redundantes na sua estrutura. Tal característica traz
certa segurança na busca de atingir seus objetivos.
No sistema biológico, seu subsistema respiratório apresenta dois pulmões (trata-se de uma
redundância). Mas isto é muito positivo, visto que qualquer problema que vier a ocorrer com
um deles, o outro consegue fazer com que o objetivo seja atingido. Seu sistema auditivo,
possui dois ouvidos, cabe aí a mesma observação.
Também nos sistemas de informação a redundância está presente. O backup, por exemplo é
uma redundância (muito necessária aliás).

1.3. Pinceladas dos Métodos de Análise do Modelo Essencial

O Modelo Essencial – o qual será adotado nos trabalhos – é uma evolução dos métodos
antecessores no desenvolvimento de sistemas. Veja a seguir, os modelos nos quais a Análise
Essencial foi originada:

1.3.1. Análise Clássica Tradicional

A análise clássica tradicional era feita totalmente sem metodologia, onde o produto era
analisado em apenas uma dimensão. Dependia do programador e de suas idéias e “agrados”
que desejava fazer ao usuário. Não preocupava-se com o todo, o que levava a sérios
problemas. Aquilo que resolvesse criar baseando-se na necessidade do cliente, estava
teoricamente documentado em sua cabeça. Com isso não averiguava possíveis mudanças que
tivessem que ser implementadas futuramente, se as mesmas seriam viáveis, afinal um sistema
deve ser útil pelo máximo de tempo possível e analisar um sistema, seja ele já implementado

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ou em fase de implementação, exige muitos cuidados e simulações de situações. Por isso um


analista sem experiência jamais poderá ser comparado com um analista com 10 ou mais anos
de vivência na área.
Na análise tradicional ou clássica, podemos elencar alguns graves problemas, como:
 Comunicação;
 Mudanças naturais exigidas pelo sistema;
 Falta de ferramentas;
 Documentação – figura do “Pai do Sistema”;
 Formação do Profissional;
 Dificuldades de fixação do problema;
A versão clássica origina um produto monolítico, enquanto que a estruturada origina um
produto totalmente particionado, com detalhamento do maior ao menor nível possibilitando a
localização imediata de qualquer parte do sistema – “Dividir para conquistar! “.
Pergunta
Quando você vai resolver um problema, seja ele de ordem pessoal ou de ordem profissional,
como você reage?

EXERCITANDO...
Se reúna em grupos de duas ou três pessoas e escolha um problema, de cunho pessoal ou
profissional, entendendo que vocês devem defini-lo claramente escrevendo qual é o problema
(em seu caderno mesmo) e depois, vocês deverão encontrar no mínimo uma solução para o
mesmo, especificando claramente os passos para a solução da mesma. Lembre-se de que a
pessoa que ler este texto deverá poder entender, sem o auxilio de quem escreveu, qual é o
problema e como irão solucionar o mesmo.

1.3.2. Análise Estruturada

Acabada a fase de análise estruturada a documentação do sistema deve estar


finalizada, sem necessitar adição de informação alguma. Todas as funcionalidades e cases do
sistema deverão estar contempladas no “mapa” que foi criado pelo analista. A satisfação de
possíveis dúvidas por parte do programador na hora de “construir” ou “reformar” o sistema,
deve ser atendida pelo analista. Portanto a documentação deve ser legível e concisa. Fácil de
ser entendida e obviamente o que irá proporcionar tal fato, será a metodologia adotada.
Outro aspecto importante da análise estruturada é que os trabalhos desenvolvidos
devem ser:
- Mensuráveis: Devem ser atingíveis para o tempo e mão de obra disponíveis,
exigindo a pré-determinação de sua amplitude;
- Divisível: Poder ser partilhada entre os componentes da equipe de
desenvolvimento;
- Dirigida para a Ferramenta: A ferramenta deve poder atender a modelagem do
sistema através dos diagramas, que vêm diferenciar a análise tradicional ou clássica da
estruturada.

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1.3.3. Análise Essencial

Trata-se de um aprimoramento do Modelo Estruturado – tópico 1.1.1 – que teve início em


1984. Sua abordagem era essencialmente funcional, dados e integração funcional e dados e as
ferramentas utilizadas eram DFD’s, tabelas de eventos, diagramas, a normalização e o
dicionário de dados.

1.4. Ambientando-se com as Ferramentas da Análise Estruturada

Para que o aluno não fique apenas na teoria e possa ir provando o ambiente de análise,
traremos rápidas pinceladas das ferramentas utilizadas na análise, mesmo que ainda existam
conceitos teóricos necessários a serem vistos.

1.4.1. Texto de Análise

É necessário que antes de tudo o cliente conheça o ambiente o sistema que irá analisar. O
primeiro passo é descrever o ambiente e os processos, seu funcionamento atual, de forma
clara e concisa, de forma que qualquer leitor que nem mesmo seja analista, possa
compreender o funcionamento do sistema. A seguir temos o exemplo de texto descritivo de
um sistema:
A empresa em questão, RPC (Remédios Pelo Correio), fundada há cinco anos atua na
distribuição de medicamentos, recebendo das farmácias os pedidos de medicamentos,
fazendo encomenda aos laboratórios, com desconto, e atendendo ao pedido no ato do
recebimento do dos remédios dos laboratórios. O processo é todo controlado manualmente
através do preenchimento de formulários pré-impressos. Atualmente o volume de negócios
atinge 150 pedidos por dia, cada um com um média de 5 medicamentos, e um valor de R$
500,00 em média. A administração pretende expandir as operações através da estocagem dos
100 medicamentos mais solicitados e atendendo solicitações de clínicas e médicos
diretamente. As encomendas poderão ser feitas de qualquer ponto do Estado via telefone ou
pelo correio.
O volume de negócios dependerá, logicamente, de fatores como divulgação do
serviço, rapidez na entrega, confiabilidade, etc., mas a empresa espera aumentá-lo para 1000
negócios/dia, ou mais.
No plano geral, podemos afirmar que, da mesma forma que o atual, o novo processo
de trabalho da empresa acatará pedidos de remédios, fará a verificação no arquivo de
disponíveis, consultará, em outro arquivo, se o crédito do cliente é bom e fará com que o
remédio solicitado seja encaminhado ao cliente com a respectiva fatura.
Demonstraremos isso de forma gráfica usando um diagrama de Fluxo de dados
lógico.

1.4.2. DFD

O DFD – Diagrama de Fluxo de Dados é a principal ferramenta utilizada pelo analista de


sistemas. Ele é utilizado para modelar um sistema, mostrando o que este faz e não como é
feito.

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No DFD são utilizados 4 tipos de figuras, que são explicadas a seguir:

É recomendável que num primeiro momento, num DFD, sejam contempladas apenas as
funcionalidades do sistema, descartando as possibilidades de erro. A análise serve justamente
para dividir o problema em partes menores e contemplar as situações vividas pelos usuários,
buscando contemplar da melhor forma possível processos que evitem possíveis falhas no
sistema, porém, o tratamento de erros e exceções deverá ser modelado mais a diante, quando
os diagramas menores forem criados.
Veja abaixo a explicação detalhada de cada uma das figuras eu compões o DFD:

Entidades (Externos): Categorias Lógicas de coisas ou pessoas,


que representam uma origem ou destino de transações (clientes,
Fornecedores, Empregados, etc). Também podem ser chamados
de entidades fontes ou destinos, como receita Federal,
Almoxarifado, Departamentos da Empresa. Por convenção,
utiliza-se “Enome”, no canto superior esquerdo do mesmo.
São Elementos próprios (características inerentes) do sistema em
questão. Estes elementos podem ser internos ao sistema ou estar
em trânsito pelo mesmo. Qualquer que seja o caso, elas sempre
entram com certas características e saem com novas.

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Processo: Logicamente, é necessário descrever a função de cada processo, e, para facilitar


atribuir uma identificação única para cada um, buscando, na medida do possível, associá-lo a
um sistema físico.
A identificação pode ser um número, inicialmente posicionado na posição média superior da
figura, não tendo nenhum outro significado além de identificar o processo. Não há porquê
vincularmos a identificação com a descrição do processo, pois alguns deles serão subdivididos
em dois ou mais nas fases de expansão - o que implicará no surgimento de novos números.
Entretanto, a partir do instante que um processo recebe uma identificação, está não deve mais
ser modificada, sob a pena de comprometer o trabalho de “dicionarização” dos dados, exceto
nos casos de desmembramentos e agrupamentos. Para simplificar o entendimento da figura,
podemos adicionar linhas divisórias, marcando claramente o espaço destinado à identificação
do processo, sua descrição e o local físico onde será desempenhado.
Vale ressaltar que a descrição da função deve ser sempre imperativa, composta por
um verbo ativo (verificar, extrair, recuperar, comparar), seguida de uma cláusula, simples e
objetiva.
A identificação do local físico onde a função será executada, opcional nos diagramas de nível
mais abrangente, é extremamente útil a partir do instante em que a análise foi concluída e o
projeto físico do sistema está sendo desenvolvido, pois denota o departamento ou programa
que o desempenhará.

Depósito de Dados: Convencionamos a


identificação de um depósito pela
colocação da letra justificada a
esquerda e seguida de um número,
que identifica o processo, separado por
um traço da descrição do mesmo.

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Fluxo de Dados: Podemos associar cada fluxo de dados com um tubo por onde passam pacotes de
dados. Faremos referência ao Fluxo de Dados identificando os processos, entidades ou
depósitos de dados das suas extremidades, anotando uma descrição do seu conteúdo ao
longo de sua extensão. Lembre-se que a descrição deve ser mais clara possível, de modo a
simplificar o trabalho do usuário que irá realizar a revisão do DFD.

EXERCITANDO...
Se reúna em duplas, comente o texto da sessão 4.1 e crie o modelo de DFD para o texto citado
no item 1.4.1, em seu caderno.

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