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BIOATP Apostila Teo Rica 2011 V1

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ÍNDICE

1. QUÍMICA DA VIDA (BIOQUÍMICA)


Teoria 01
Exercícios de Fixação 17
Gabarito dos Exercícios de Fixação 23
Questões para o ENEM 23
Gabarito das Questões para o ENEM 28

2. BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR


Teoria 29
Exercícios de Fixação 45
Gabarito dos Exercícios de Fixação 53
Questões para o ENEM 54
Gabarito das Questões para o ENEM 60

3. O NÚCLEO E DIVISÕES CELULARES


Teoria 61
Exercícios de Fixação 71
Gabarito dos Exercícios de Fixação 76
Questões para o ENEM 77
Gabarito das Questões para o ENEM 82

4. GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA
Teoria 83
Exercícios de Fixação 105
Gabarito dos Exercícios de Fixação 111
Questões para o ENEM 112
Gabarito das Questões para o ENEM 118

5. ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


Teoria 119
Exercícios de Fixação 140
Gabarito dos Exercícios de Fixação 147
Questões para o ENEM 147
Gabarito das Questões para o ENEM 153

6. MICROBIOLOGIA
Teoria 154
Exercícios de Fixação 174
Gabarito dos Exercícios de Fixação 179
Questões para o ENEM 179
Gabarito das Questões para o ENEM 183
7. MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS
Teoria 184
Exercícios de Fixação 196
Gabarito dos Exercícios de Fixação 201
Questões para o ENEM 201
Gabarito das Questões para o ENEM 207

8. PLANTAS
Teoria 208
Exercícios de Fixação 229
Gabarito dos Exercícios de Fixação 234
Questões para o ENEM 235
Gabarito das Questões para o ENEM 241

9. ANIMAIS
Teoria 276
Exercícios de Fixação 292
Gabarito dos Exercícios de Fixação 298
Questões para o ENEM 299
Gabarito das Questões para o ENEM 303

10. DESENVOLVIMENTO HUMANO


Teoria 276
Exercícios de Fixação 292
Gabarito dos Exercícios de Fixação 298
Questões para o ENEM 299
Gabarito das Questões para o ENEM 303

11. FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


Teoria 304
Exercícios de Fixação 326
Questões para o ENEM 330
Gabarito das Questões para o ENEM 336

11. ECOLOGIA
Teoria 337
Questões para o ENEM 354
Gabarito das Questões para o ENEM 366
A QUÍMICA DA VIDA

Composição da Matéria Viva em moléculas de gás carbônico (CO2) e de água (H2O), pro-
cesso que libera energia.
O Que é Vida? A organização de um ser vivo é dinâmica: seus átomos
e moléculas constituintes estão em contínua reciclagem,
Vida é uma dessas coisas que é mais fácil identificar do mas sua organização se mantém. Você continua sendo a
que definir. mesma pessoa que era há um ano?
No final do século XVIII, o avanço dos conhecimentos Se pensarmos em termos de átomos e moléculas, seu
sobre a natureza mostrou que vegetais e animais compar- corpo foi quase que totalmente reconstruído. É esse tipo
tilhavam características únicas, que os distinguiam defini- de organização dinâmica que caracteriza a vida.
tivamente dos minerais.
O que é vida, afinal? O que temos em comum com os Principais Elementos Químicos
outros seres vivos? O que nos diferencia das rochas, do dos Seres Vivos
aço e de outros materiais inanimados? Quando se analisa a matéria que constitui os seres vi-
No dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, vida pos- vos, encontra-se principalmente os seguintes elementos:
sui dezoito definições, sendo a primeira delas: “Conjunto carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N),
de propriedades e qualidades graças às quais animais e fósforo (P) e enxofre (S). Apenas esses seis elementos
plantas, ao contrário dos organismos mortos ou da maté- constituem cerca de 98% da massa corporal da maioria
ria bruta, se mantêm em contínua atividade, manifestada dos seres vivos, o que da ideia de sua abundância na ma-
em funções orgânicas tais como o metabolismo, o cresci- téria viva. Por isso, para facilitar a memorização desse fato,
mento, a reação a estímulos, a adaptação ao meio, a re- alguns biólogos costumam usar o acrônimo “CHONPS”.
produção, e outras.” Desses seis elementos, os quatro primeiros (CHON) são
E o que é metabolismo? realmente mais abundantes na matéria viva. Diversos
As células estão continuamente trocando seus áto- outros elementos químicos, entretanto, são necessários

BIOATP - A QUÍMICA DA VIDA


mos e moléculas componentes. A maioria das substâncias ao funcionamento dos organismos vivos, apesar de suas
celulares é constantemente degradada e substituída por quantidades variarem entre as espécies.
substâncias recém-fabricadas. Essa atividade intensa de Dezenas, centenas e até milhões de átomos desses
montagem e desmontagem de substâncias requer ener- elementos unem-se por meio de ligações químicas, for-
gia, que a célula obtém pela degradação de certos tipos mando as moléculas constituintes dos seres vivos.
de moléculas orgânicas, genericamente chamadas de nu-
trientes orgânicos. Além de fornecer a energia necessária
à manutenção da vida, os nutrientes orgânicos fornecem Principais Moléculas
matéria-prima para a célula fabricar novas moléculas.
dos Seres Vivos
Toda essa atividade de transformação química que ocorre
no interior da célula constitui o metabolismo, palavra de A matéria que constitui os seres vivos revela abun-
origem grega (metabole) que significa mudança ou trans- dância de água. Basta dizer que de 70% a 75% da mas-
formação. sa dos seres vivos é constituída por essa substância.
O metabolismo é geralmente dividido em anabolismo Em humanos, essa porcentagem é um pouco menor. O
e catabolismo. Anabolismo refere-se a todos os proces- resto distribui-se entre proteínas (10% a 15%), lipídios
sos em que há produção de novas substâncias a partir de (2% a 3%), glicídios (1%) e ácidos nucleicos (1%), além
substância mais simples (reações de síntese). A fabricação de 1% de sais minerais diversos. Se secássemos com-
de proteínas a partir da união de aminoácidos, por exem- pletamente uma pessoa de 60 kg, ela ficaria reduzida a
plo, faz parte do anabolismo. Catabolismo refere-se ao cerca de 12 kg de substâncias orgânicas, sendo aproxi-
processo inverso, ou seja, às reações em que há degra- madamente 8,5 kg de proteínas, 1,8 kg de lipídios, 0,5
dação de substâncias complexas em outras mais simples, kg de ácido nucleico, 0,5 kg de substâncias e minerais
como a quebra de moléculas do açúcar glicose (C6H12O6) diversos.

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Biologia

Propriedades e Funções da Água


• Dipolaridade
Observe a figura:

Cristal de cloreto
de sódio (NaCI)

Íon Na+ Íon CI-

NaCI
(soluto)
Íon Na+
Íon CI-

Moléculas
de água
(Solvente)

Dissolução de sal de cozinha em água. As regiões eletricamente


negativas das moléculas de água são atraídas pelos íons positivos
de sódio (Na+), associando-se a eles. Ao mesmo tempo, as regiões
Gráficos que representam as porcentagens, em massa, das principais eletricamente positivas das moléculas de água são atraídas pelos íons
substâncias presentes na matéria viva, incluindo a água (A) negativos de cloro (CI-), o que causa separação dos íons Na+ dos íons CI-.
e excluindo-a (B) Com isso, o cristal de sal dissolve-se na água.

Na dissolução do cloreto de sódio, a dupla polaridade


Água das moléculas de água explica sua versatilidade como sol-
Estrutura Molecular vente. Por serem dipolares, as moléculas de água podem
associar-se tanto a moléculas de carga elétrica positiva
Uma molécula de água (H2O) é formada por um áto- quanto a moléculas de carga negativa, caracterizando-a
mo de oxigênio (O) unido covalentemente a dois átomos como solvente universal.
de hidrogênio (H), os quais formam entre si um ângulo • Solvente universal
de 104,5o (cento e quatro graus e meio). Como a força de A água é um excelente solvente, ou seja, é capaz de
atração dos oitos prótons do núcleo do oxigênio é maior dissolver grande variedade de substâncias químicas e, por
que a do único próton dos núcleos dos hidrogênios (o oxi- isso, é chamada de “solvente universal”.
gênio é mais eletronegativo), a molécula de água é pola- As principais substâncias dissolvidas em soluções
rizada, isto é, apesar de carga elétrica total igual a zero, aquosas como o citosol e o plasma sanguíneo são glicídios,
possui carga elétrica parcial negativa( ) na região do sais, aminoácidos e proteínas, entre outras. Estas molécu-
oxigênio e carga elétrica parcial positiva( δ ⊕ ) na região de las com afinidade à água são chamadas de hidrofílicas.
cada hidrogênio.
Gorduras e outras substâncias cujas moléculas não
têm cargas elétricas, ou seja, são apolares, não se dissol-
vem na água e são chamadas de hidrofóbicas.
Existem ainda moléculas com parte polar e parte apo-
lar, logo, parte hidrofílica e outra hidrofóbica, e estas rece-
bem o nome de anfifílicas ou anfipáticas.
• Transporte de substâncias
A água tem a propriedade de transportar líquidos e
partículas de substâncias. Essa capacidade de transportar
substâncias é vital nos seres vivos, pois o sangue, feito apro-
ximadamente de 60% de água, transporta para diferentes
A molécula de água é polarizada; o átomo de oxigênio tem carga
elétrica negativa parcial, representada por δ− , e os átomos de partes do corpo gases (como oxigênio, gás carbônico),
hidrogênio têm carga elétrica positiva parcial, simbolizada por δ + . hormônios, nutrientes e produtos da excreção.

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Biologia

• Participação em reações químicas • Capilaridade: coesão e adesão


Existem reações cuja união entre moléculas só ocorre Assim é chamada a tendência que a água apresenta de
quando há perda de molécula de água, a qual faz parte subir pelas paredes de tubos finos ou de se deslocar por
do produto da reação. Esse tipo de reação é chamado de espaços estreitos existentes em materiais porosos, como
síntese por desidratação. tecidos de algodão ou esponjas.
O contrário, a quebra de uma molécula em que a água A capilaridade ocorre devido à grande força de coesão,
participa como reagente é denominada reação de hidrólise. interação entre as moléculas de água, e à grande força de
adesão, interação entre as moléculas de água e substra-
tos. Nas plantas, a capilaridade atua no deslocamento da
seiva bruta, desde as raízes, onde ela é absorvida do solo,
até o topo das árvores.

Nível da água

Nível da água

A elevação da coluna de água em tubos capilares é inversamente


proporcional ao diâmetro do tubo: quanto mais fino, mais água
sobe no capilar.

Variação da Taxa Hídrica


A quantidade de água pode variar de acordo com três
fatores principalmente:
– Taxa metabólica: Normalmente, quanto maior a
atividade metabólica de um tecido, maior é a taxa

BIOATP - A QUÍMICA DA VIDA


de água que nele se encontra. Veja a tabela:
Órgão Porcentagem de água
Encéfalo de embrião 92,0%
Músculos 83,0%
Exemplos de uma reação de síntese por desidratação, (a), e de uma Pulmões 70,0%
reação de quebra por hidrólise, (b).
Rins 60,8%
• Controle da temperatura Ossos 48,2%
A maioria dos seres vivos só pode existir em uma es-
Dentina 12,0%
treita faixa de temperatura e, nesse contexto, a água é
essencial à manutenção da vida, pois ajuda a evitar varia- – Idade: Geralmente, a taxa de água decresce com o au-
ções bruscas na temperatura dos organismos. mento da idade. Assim, um feto humano de três meses
Essa capacidade de controle da temperatura se deve, tem 94% de água e um recém-nascido tem aproxima-
principalmente, a duas propriedades: alto calor específico damente 69%, enquanto um adulto tem cerca de 65%.
e alto calor de vaporização. – Espécie: No homem, a água representa 65% do
Um grama de água exige grande quantidade de ener- peso do corpo; em certos fungos, 83% do peso é de
gia térmica para aumentar sua temperatura em 1 °C, logo, água; já nas medusas (águas-vivas) encontramos
a água tem alto calor específico. 98% de água. Os organismos mais “desidratados”
Um grama de água também exige grande quantidade são as sementes e os esporos de vegetais (10 a 20%
de energia térmica para evaporar, logo, a água tem alto de água). Sabemos, no entanto, que eles estão em
calor de vaporização. Essa propriedade é explorada por estado de vida latente, somente voltando à ativida-
alguns animais durante a sudorese. de se a disponibilidade de água aumentar.

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Biologia

Sais Minerais De acordo com a Organização Mundial de Saúde


(OMS), no mundo, 13% a 18% das mulheres e 3% a 6% dos
Relação dos Principais Íons Essenciais homens, acima de 50 anos, sofrem com a osteoporose.
Nosso corpo necessita de dezenas de elementos químicos Para lutar contra a estimativa de 1 milhão de brasilei-
diferentes, que ingerimos na forma de íons constituintes de ros com fraturas osteoporóticas a cada ano, o Ministério
sais minerais, os quais, quando necessários em grandes quan- da Saúde aposta nas ações de prevenção ainda na infân-
tidades, são chamados de macronutrientes. Já aqueles cuja cia, já que é nesta fase que o indivíduo ganha estatura,
necessidade é relativamente baixa, micronutrientes. fortifica seu esqueleto e adquire o máximo de massa ós-
sea possível. É preciso aumentar, na dieta das crianças, o
Alguns minerais e suas funções no organismo humano
consumo de leite e derivados, que possuem alto índice de
Íon Função Fontes cálcio e diminuir o de refrigerantes. Outras fontes poten-
Componente importante ciais de cálcio são os vegetais de cor verde escuro, os pei-
dos ossos e dos dentes. xes e os alimentos oleaginosos, como castanhas e nozes.
Essencial à coagulação do Vegetais verdes,
Cálcio Outra recomendação do Ministério da Saúde é a prá-
sangue; necessário para o leite e laticínios.
funcionamento normal de tica de atividade física regular, pois, assim como os mús-
nervos e músculos. culos, os ossos se tornam mais fortes com os exercícios.
Componente de muitas A exposição ao sol, de 15 a 20 minutos, em horário corre-
Enxofre proteínas. Essencial para a Carnes e legumes. to, também é um hábito importante para a prevenção da
atividade metabólica normal.
osteoporose, já que a luz do sol é fonte de vitamina D, que
Componente da hemoglobina, ajuda na fixação do cálcio nos ossos e diminui o risco de
Fígado, carnes, gema
mioglobina e enzimas
Ferro
respiratórias. Fundamental
de ovo, legumes e osteoporose na fase adulta. Deve-se motivar a criança a
vegetais verdes. sair da frente do computador e da televisão e brincar ao
para a respiração celular.
Componente importante dos ar livre.
ossos e dos dentes. Essencial A recomendação de cálcio é de 1.200 mg/dia para
para o armazenamento e adultos e de 1.500 mg/dia para mulheres no período pós-
Leite e laticínios,
Fósforo a transferência de energia
no interior das células
carnes e cereais. -menopausa. Segue abaixo uma tabela com os principais
(componente do ATP); alimentos ricos em cálcio, bem como a quantidade desse
componente do DNA e do RNA. mineral na porção recomendada:
Componente dos hormônios Frutos do mar, sal
Iodo da tireoide, que estimulam o de cozinha iodado e
Alimentos Quantidade Cálcio(mg)
metabolismo. laticínios.
Componente de muitas Leite integral não
1 copo - 200 ml 228
coenzimas. Necessário para suplementado
Cereais integrais,
Magnésio o funcionamento normal Leite desnatado não
vegetais verdes. 1 copo - 200 ml 246
de nervos e músculos. suplementado
Componente da Clorofila.
Principal íon positivo no Leite de soja 1 copo - 200 ml 80
Carnes, leite e
interior das células. Influência Leite de cabra 1 copo - 200 ml 380
Potássio muitos tipos de
a contração muscular e a
frutas.
atividade dos nervos. Queijo minas fresco 1 fatia – 30 g 205
Principal íon positivo Queijo prato 1 fatia fina – 15 g 126
no líquido extracelular.
Sal de cozinha e
Importante no balanço de Queijo parmesão 1 colher de sob. – 10 mg 114
Sódio muitos tipos de
líquidos do corpo; essencial
alimentos. Requeijão 1 porção – 20 g 113
para a condução do impulso
nervoso. Iogurte 1 pote – 200 ml 240
Disfunções Causadas por Espinafre 2 colheres de sopa – 60 g 47
Deficiência de Sais Minerais Couve-manteiga 3 colheres de sopa – 36 g 73
Osteoporose Escarola 3 colheres de sopa – 36 g 29
A osteoporose faz parte do processo natural de enve-
Agrião 1 prato de sob. – 20 g 24
lhecimento e caracteriza-se pela diminuição substancial
da massa óssea, que provoca ossos ocos, finos e de extre- Brócolis 3 colheres de sopa – 36 g 37
ma sensibilidade, mais sujeitos a fraturas. É uma doença Sardinha 1 porção – 30 g 86
silenciosa e que causa muito sofrimento, já que, geral-
mente, é descoberta em idosos, após fratura provocada Ostras 1 porção – 240 g 235
por uma queda e até escorregão.

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Biologia

Anemia ferropriva Por isto, o sal é indicado como efetivo agente veiculador
de iodo, primeiro por ser consumido continuamente e em
pequenas quantidades, e depois o iodo pode ser introdu-
zido ao sal, aplicando tecnologia simples.
Qualquer relaxamento no consumo de iodo pode acar-
retar o retorno das doenças causadas por sua deficiência.
As manifestações mais evidentes em regiões de carên-
Conjuntiva Conjuntiva cia importante de iodo são o bócio e o cretinismo. Nas
normal pálida = anemia regiões onde estas disfunções ocorrem, percebe-se tam-
bém a prevalência de alterações mais sutis como, baixo
Disponível em: [Link]
uploads/2012/05/[Link]
rendimento escolar, aumento da mortalidade perinatal e
infantil e estagnação socioeconômica.
Anemia é definida pela Organização Mundial de Saúde
(OMS) como a condição na qual o conteúdo de hemoglo-
bina no sangue está abaixo do normal como resultado da
carência de um ou mais nutrientes essenciais, seja qual for
a causa dessa deficiência. As anemias podem ser causa-
das por deficiência de vários nutrientes como Ferro, Zinco,
Vitamina B12 e proteínas. Porém, a Anemia causada por
deficiência de Ferro, denominada Anemia Ferropriva, é
muito mais comum que as demais (estima-se que 90% das
anemias sejam causadas por carência de Ferro).
A anemia ferropriva traz os seguintes efeitos adver-
sos ou consequências: diminuição da produtividade no
trabalho, diminuição da capacidade de aprendizado, re-
tardamento do crescimento, apatia (morbidez), perda
significativa de habilidade cognitiva, baixo peso ao nascer
e mortalidade perinatal. Além disso, pode ser a causa pri-
mária de uma entre cinco mortes de mulheres em traba-
lho de parto ou estar associada a até 50% das mortes.
O Ferro pode ser fornecido ao organismo por alimen-

BIOATP - A QUÍMICA DA VIDA


tos de origem animal e vegetal. O ferro de origem animal
é melhor aproveitado pelo organismo. São melhores fon- Bócio endêmico caracterizado pela hipertrofia da tireoide ocasionada
por falta de iodo na alimentação.
tes de ferro as carnes vermelhas, principalmente fígado
de qualquer animal e outras vísceras (miúdos), como rim Disponível em: [Link]
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e coração; carnes de aves, peixes e mariscos crus. Ao con-
trário do que muitas pessoas pensam, o leite e o ovo não
são fontes importantes de Ferro. Contudo, no mercado já
existem os leites enriquecidos com Ferro. Entre os alimen-
Carboidrato
tos de origem vegetal, destacam-se como fonte de ferro os
Também chamados de glicídios, glucídios, oses, açúca-
folhosos verde-escuros (exceto espinafre), como agrião,
res ou ainda hidratos de carbono, são moléculas orgânicas
couve, cheiro-verde, taioba; as leguminosas (feijões, fava,
constituídas fundamentalmente por carbono, hidrogênio
grão-de-bico, ervilha, lentilha); grãos integrais ou enri-
e oxigênio.
quecidos; nozes e castanhas, melado de cana, rapadura,
açúcar mascavo. Também existem disponíveis no mercado
Classificação
alimentos enriquecidos com ferro como farinhas de trigo e
milho, cereais matinais, entre outros.
Monossacarídeos
Bócio Endêmico Monossacarídeos são os carboidratos simples que não
O organismo necessita de uma colher de chá de podem ser hidrolisados em carboidratos menores. A fór-
iodo durante toda a vida, porém como o iodo não mula química geral de um monossacarídeo é CnH2nOn, no
pode ser estocado pelo organismo, ele deve ser oferta- qual o valor de n varia de 3 a 7. Assim, surgem os nomes
do em pequenas quantidades e de forma continuada. triose, tetrose, pentose, hexose e heptose.

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Biologia

deficiência na síntese de uma das enzimas (GALT, GALE e/


ou GALE) responsáveis por essa conversão. O resultado
imediato é o acúmulo de metabólitos da galactose no or-
ganismo, que passa a ter níveis circulantes elevados e tó-
xicos, principalmente para o fígado, o cérebro e os olhos.
O tratamento para a galactosemia se dá pela restrição
de galactose e lactose na dieta, açúcares do leite, principal
alimento do bebê, daí a necessidade do diagnóstico pre-
coce, o qual é feito pelo teste do pezinho.

Fórmulas de alguns monossacarídios. Nesses compostos, os átomos Imagem representando o teste do pezinho.
de carbono unem-se formando anéis em forma de pentágonos e de
hexágonos. As fórmulas acima estão simplificadas e não mostram os Disponível em: [Link]
átomos de carbono que estão nos vértices do anéis. Image/saude%20da%20crianca/[Link]

Os principais são:
Dissacarídeos
Pentose Função
Participa da produção do ácido
A união entre dois monossacarídeos resulta em um
Ribose ribonucleico (RNA), atuando dissacarídeo, formação ocorrida por uma reação do tipo
como matéria-prima. síntese por desidratação chamada de ligação glicosídica.
Participa da produção do ácido
Desoxirribose desoxirribonucleico (DNA)
atuando como matéria-prima.

Hexose Função
É a principal fonte de
energia para os seres vivos, mais
usada na obtenção de energia.
Glicose É fabricada pelos vegetais na
fotossíntese e utilizada por
todos os outros seres vivos na
alimentação.
Frutose Possui função energética
Possui função energética.
Participa da composição de
Galactose
dissacarídeos da lactose, junto
com a glicose.
A galactose tem função energética indireta, ou seja, no
fígado ela é convertida em glicose e, esta sim, ao ser de-
gradada, gera energia para o metabolismo do organismo. Fórmulas dos dissacarídios sacarose e lactose. Quando essas moléculas
Existe, no entanto, uma disfunção que envolve a ina- são hidrolisadas, como ocorre no processo de digestão em nosso
intestino delgado, formam-se glicose frutose (a partir da sacarose)
bilidade de converter a galactose em glicose chamada ga- e glicose galactose (a partir da lactose). Muitas pessoas deixam de
lactosemia. Trata-se de erro inato do metabolismo (de ca- produzir, na fase adulta, a enzima (lactase) responsável pela digestão da
racterística autossômica recessiva) no qual o paciente tem lactose, apresentando certa intolerância ao leite.

[Link] | Produção: [Link]


Biologia

Monossacarídeos
Dissacarídeo Função
constituintes

Apresenta função
energética. Está
Sacarose Glicose + frutose presente nos vegetais,
principalmente na cana-
de-açúcar.

Apresenta função LactaseEnzime®: suplementação destinada a pessoas


Lactose Glicose + galactose energética e é o açúcar com intolerância à lactose.
presente no leite. Disponível em: [Link]
[Link]
Apresenta função Polissacarídeos
Maltose Glicose + glicose energética e é encontrada A união de centenas ou mesmo milhares de monos-
em vegetais sacarídeos resulta em um polissacarídeo, sendo, por isso,
chamado de macromolécula.
Os dissacarídeos não são absorvidos pelo organismo,
necessitando primeiro hidrolisá-los, o que é catalisado por Polissacarídeo Função
enzimas como a sacarase, a lactase e a maltase, presentes Participa da composição da parede celular dos
no duodeno. Celulose vegetais e de algumas algas. É o carboidrato mais
Existe, no entanto, uma disfunção que envolve a au- abundante na natureza.
sência ou deficiência de lactase chamada intolerância a Está presente na parede celular de fungos e
lactose. O problema pode ser congênito ou surgir com o Quitina no exoesqueleto dos artrópodes. Possuem
processo de envelhecimento, chegando a atingir 70% dos grupos amina (NH2) em sua cadeia.
adultos brasileiros. Apresenta função de reserva energética das algas
Um simples copo de leite ou um pedaço de queijo pode e plantas. É encontrado principalmente em raízes
Amido
e caules que recebem o nome de tubérculos e
fazer mal para quem tem intolerância à lactose. A pessoa sen- também em sementes.
te náusea, gases, inchaço, diarreia e assadura na região anal.
É o carboidrato de reserva dos animais e dos
Não há tratamento para aumentar a capacidade de Glicogênio fungos. É armazenado nos músculos e no fígado
produzir lactase, mas os sintomas podem ser controlados dos animais.
por meio de dieta e medicamentos.

BIOATP - A QUÍMICA DA VIDA

[Link] | Produção: [Link]


Biologia

As camadas de fibras de celulose vistas Marcados em roxo nessa micrografia, de- Coloridos em rosa nessa micrografia de
nessa micrografia eletrônica dão às pare- pósitos de amido têm uma forma granular células hepáticas humanas, os depósitos
des celulares vegetais grande força. no interior das células. de glicogênio têm uma forma granular
pequena.

Polissacarídeos representativos. A celulose, o amido e o glicogênio demonstram níveis diferentes


de ramificação e compactação em polissacarídeos.

Os polissacarídeos, assim como os dissacarídeos, ne- Assim, a celulose, também conhecida por fibra alimen-
cessitam ser digeridos para ser absorvidos. Dos polissaca- tar, passa pelo tubo digestivo até chegar ao intestino gros-
rídeos estudados, o amido é o mais frequente na nossa so, onde participa da constituição das fezes. A presença
alimentação e este é hidrolisado pelas enzimas amilase sa- desta fibra alimentar nas fezes previne a prisão de ventre
livar e amilase pancreática. A celulose por sua vez, apesar e seus problemas decorrentes como doença hemorroida
de também fazer parte da nossa dieta, não é digerida, pois e diverticulite.
não temos a capacidade de produzir a enzima celulase.

Divertículo

Alimentos ricos em fibra alimentar. Lúmen intestinal com um divertículo, que caso sofra inflamação
desencadeia a diverticulite.
Disponível em: [Link]
article_1021_460x220.jpg Disponível em: [Link]
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Lipídio
Os lipídios são um grupo diverso quimicamente de hidrocarbonetos. A propriedade que todos compartilham está na
insolubilidade em água, que é devido à presença de muitas ligações covalentes apolares.
Constituição
A maioria dos lipídios é constituída por ácidos graxos e álcool. Portanto, os lipídios são ésteres formados pela união
de seus monômeros. O triglicerídeo, lipídio mais abundante no corpo humano, é constituído por um glicerol (molécula
de álcool) e três ácidos graxos.

Síntese de um Triglicerídeo. Em organismos vivos, a reação que forma triglicerídeo é mais complexa, mas o resultado final está demonstrado aqui.

[Link] | Produção: [Link]


Biologia

Classificação
Há uma enorme classe de lipídios entre os quais se en-
contram os carotenoides, pigmentos laranja ou amarelo ab-
sorventes de luz encontrados nas plantas (para realização
da fotossíntese) e nos animais (para síntese de vitamina A).
Por sinal, alguns lipídios são vitaminas, como as vitaminas
A, D, K e E.

Lipídios Simples
São constituídos exclusivamente por ácidos graxos e
alcoóis.

O nome provém do glicerol, álcool de cadeia curta que,


unido a ácidos graxos, forma o glicerídeo, sendo o triglice-
rídeo o principal exemplo.
Quando são sólidos em temperatura ambiente
(20 °C), os triglicerídeos são chamados de gorduras; já
quando são líquidos nas mesmas condições, são chama-
dos de óleos.
As gorduras geralmente são constituídas de ácidos
graxos longos e saturados, ou seja, todas as ligações Ácidos Graxos Saturados e Insaturados.
entre os átomos são simples. Essas moléculas de áci-
dos graxos são relativamente rígidas e lineares, e inte- a) Em ácidos graxos saturados, a cadeia linear permite à molécula
ragem fortemente entre si, o que confere baixa fluidez interagir fortemente entre outras moléculas similares. (b) Em ácidos
e, por isso, são sólidas. graxos insaturados, dobras na cadeia previnem um
Já os óleos são geralmente constituídos de ácidos gra- empacotamento próximo.
xos curtos (menos de oito carbonos) ou insaturados, ou
seja, a cadeia hidrocarbonada contém uma ou mais liga-

BIOATP - A QUÍMICA DA VIDA


ções duplas. Essas insaturações promovem uma dobra na São importantes na reserva energética de animais e
molécula, o que prejudica a interação entre os lipídios, au- vegetais. As gorduras, nas aves e nos mamíferos, funcio-
mentando sua fluidez, e por isso, são líquidos. nam ainda como isolante térmico e na proteção contra
choques mecânicos.
Um caso peculiar são os lipídios cujos ácidos gra-
xos possuem uma ligação dupla, mas na isomeria trans.
Quando isso ocorre, mesmo na presença da ligação dupla,
as moléculas se apresentam lineares com interações for-
tes entre si, logo, sólidas na temperatura ambiente. Estas
são chamadas de gordura trans.
Óleos são de origem vegetal, gorduras de origem ani-
mal, mas, quanto à gordura trans, a sua origem principal
é de um processo chamado hidrogenação incompleta
realizado nas indústrias alimentícias e, por isso, pode
também ser chamada de gordura hidrogenada ou até
mesmo gordura vegetal. Esta é hoje considerada uma
das maiores vilãs da saúde humana por aumentar o mau
colesterol e diminuir o bom colesterol, reforçando a
necessidade de análise dos rótulos de alimentos antes
da compra.

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Biologia

Quando em excesso no sangue, o LDL passa a se de-


As ceras são os exemplares de cerídeos, as quais são positar na parede dos vasos sanguíneos, ocasionando a
formadas por uma ligação éster entre um ácido graxo satu- aterosclerose. Por isso, o colesterol associado à LDL é cha-
rado de cadeia longa e um álcool também de cadeia longa. mado “colesterol ruim”.
O resultado é uma molécula muito longa, com 40 a 60 gru- A HDL capta parte do excesso de colesterol do sangue,
pos CH2. Analise a estrutura da cera dos favos de mel das transportando-o até o fígado, que o excreta na bile. Essas
abelhas: lipoproteínas ajudam, portanto, a eliminar o colesterol do
sangue e, por isso, são chamadas de “colesterol bom”.
Lipídios Esteroides
Os esteroides são uma família de compostos orgânicos
cujos anéis múltiplos compartilham carbonos. O esteroide
colesterol é um importante constituinte das membranas.
A estrutura altamente apolar contribui para a imper- Outros esteroides funcionam como hormônios, sinais quí-
meabilidade da cera à água, tendo, portanto, atuação micos que transportam mensagem de uma parte do corpo
importante nas penas das aves e nas folhas de algumas para outra. A testosterona e os estrogênios são hormô-
árvores. nios esteroides que regulam o desenvolvimento sexual
em vertebrados. O cortisol e os hormônios relacionados
Lipídios Compostos ou Conjugados desempenham muitos papéis regulatórios na digestão de
São constituídos por ácido graxo e álcool, além de um carboidratos e proteínas, na manutenção do balanço de
composto de caráter não lipídico que pode ser, por exem- sal e água e no desenvolvimento sexual.
plo, um radical fosfato, formando, assim, um fosfolipídio, O colesterol é sintetizado no fígado e é o material inicial
principal componente das membranas celulares. A molé- para a produção de testosterona e de outros hormônios
cula de fosfolipídio lembra um palito de fósforo, com uma esteroides, bem como sais bileares que ajudam a emulsi-
“cabeça hidrofílica” formada pelo radical fosfato eletrica- ficar gorduras da dieta, o que permite que possam ser di-
mente carregado e uma “cauda hidrofóbica” formada por geridas. O colesterol é absorvido a partir de alimentos tais
duas cadeias de ácidos graxos sem cargas elétricas. como leite, manteiga e gorduras animais. Um excesso de
colesterol no sangue pode conduzir a sua deposição (junto
com outras substâncias) nas artérias, uma condição que
pode conduzir a arteriosclerose e ataque cardíaco.

Fosfolipídeos formam uma bicamada.

Em um ambiente aquoso, interações hidrofóbicas mantêm as “caudas”


de fósfolipídeos juntas no interior de uma bicamada de fosfolipídeo. As
“cabeças” hidrofílicas estão voltadas para fora em ambos os lados da
bicamada, onde elas interagem com as moléculas de água ao redor.

Esfingolipídio é outro exemplo de lipídio composto


que compõe a bainha de mielina dos neurônios, auxilian-
do na transmissão dos impulsos nervosos.
Lipoproteínas são exemplos ainda mais famosos. Você
certamente já ouviu falar de “mau colesterol” e “bom co-
lesterol”. Essas expressões não se referem à molécula de
colesterol em si, que é sempre a mesma, mas às proteínas
sanguíneas encarregadas do transporte de diversos lipí-
dios, inclusive do colesterol. Essas proteínas associam-se Todos os esteroides possuem a mesma estrutura cíclica.
a lipídios, fomando lipoproteínas, que são conhecidas pe-
las siglas LDL (do inglês Low Density Lipoprotein, lipopro- Os esteroides mostrados na figura acima, muito importantes em
vertebrados, são compostos por uma estrutura de carbono e hidrogênio
teína de baixa densidade) e HDL (do inglês High Density e são altamente hidrofóbicos. No entanto, pequenas variações
Lipoprotein, lipoproteína de alta densidade). químicas, como a presença ou a ausência de grupos metila ou hidroxila,
podem produzir enormes diferenças funcionais.

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Biologia

Vitaminas
Vitamina não é uma classe particular de substâncias, mas a designação de qualquer substância orgânica necessária
em pequeníssima quantidade e que o organismo não consegue produzir.
Muitas vitaminas atuam na ativação de enzimas, assim, na sua ausência, não se forma a enzima ativa corresponden-
te, o que altera o metabolismo.
As fontes naturais das vitaminas são os alimentos e a sua falta resulta em doenças denominadas avitaminoses.

Principais Vitaminas e Sintomas de sua Deficiência

Vitaminas Principal uso no corpo Sintomas de deficiência Principais fontes

Auxilia na oxidação dos carboidratos. Cereais na forma integral e pães,


Estimula o apetite. Mantém o tônus Perda de apetite, fadiga muscular, feijão, fígado, carne de porco,
B1 (Tiamina)
muscular e o bom funcionamento do nervosismo, beribéri. ovos, fermento de padaria,
sistema nervoso. Previne o beribéri. vegetais de folha.

Mantém o tônus nervoso e muscular e o Inércia e falta de energia,


B3 (Niacina ou ácido Levedo de cerveja, carnes
bom funcionamento do sistema digestório. nervosismo extremo, distúrbios
nicotínico) magras, ovos, fígado, leite.
Previne a pelagra. digestivos, pelagra.

Anemia; esterilidade masculina;


Importante na síntese das bases Vegetais verdes, frutas, cereais
na gravidez, predispõe a uma
B9 (Ácido fólico) nitrogenadas e, portanto, da síntese de DNA integrais e bactérias da flora
malformação do feto conhecida
e multiplicação celular. intestinal.
como espinha bífida.

É essencial para a manutenção das Anemia perniciosa; distúrbios Carne, ovos, leite e seus
B12 (Cianocobalamia)
hemácias e para a síntese de nucleotídeos. nervosos. derivados.

Inércia em adultos, insônia


Frutas cítricas (limão, lima,
Mantém a integridade dos vasos sanguíneos e nervosismo em crianças,
laranja), tomate, couve, repolho,
C (Ácido ascórbico) e a saúde dos dentes. Previne infecções e o sangramento das gengivas, dores
outros vegetais de folha,
escorbuto. nas juntas, dentes alterados,
pimentão.
escorbuto.

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Necessária para o crescimento normal
Vegetais amarelos (cenoura,
e para o bom funcionamento dos olhos.
Cegueira noturna e xeroftalmia abóbora, batata-doce, milho),
A (Retinol) Participa da proteção da pele e das
(olhos secos). pêssego, nectarina, abricó, gema
mucosas. Previne resfriados e várias
de ovo, manteiga, fígado.
infecções. Evita a “cegueira noturna”.

Atua no metabolismo do cálcio e do fósforo. Problemas nos dentes, ossos


Óleo de fígado de bacalhau,
D (Calciferol) Mantém os ossos e os dentes em bom fracos, contribui para os sintomas
fígado, gema de ovo.*
estado. Previne o raquitismo. da artrite, raquitismo.

Promove a fertilidade. Previne o aborto.


Óleo de germe de trigo, carnes
Atua no sistema nervoso involuntário,
E (Tocoferol) Esterilidade masculina, aborto. magras, laticínios, alface, óleo
no sistema muscular e nos músculos
de amendoim.
involuntários.

Vegetais verdes, tomate,


castanha. É principalmente
Atua na coagulação do sangue. Previne
K (Filoquinona) Hemorragias. produzida pela microbiota,
hemorragias.
bactéria presente no intestino
grosso.

* A vitamina D não é encontrada pronta na maioria dos alimentos; estes contêm, em geral, um precursor que se transforma em vitamina D quando
exposto aos raios ultravioleta da radiação solar.
Quadros em rosa representam as vitaminas hidrossolúveis e aqueles em verde representam as vitaminas lipossolúveis.

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Biologia

Pelagra caracterizada pela despigmentação causada


por falta de vitamina B3.
Raquitismo causado por falta de vitamina D.
Disponível em: [Link]
Disponível em: [Link]

Ácidos Nucleicos
Tipos de Ácidos Nucleicos
Presentes no núcleo dos eucariotos e dispersos no
hialoplasma dos procariotos, os ácidos nucleicos podem
ser de dois tipos: ácido desoxirribonucleico (DNA) e ácido
ribonucleico (RNA), ambos relacionados ao mecanismo de
Escorbuto causado por falta de vitamina C. controle metabólico celular (funcionamento da célula) e
Disponível em: [Link] transmissão hereditária das características.

Composição Molecular dos Ácidos Nucleicos


Ácidos nucleicos são macromoléculas formadas por milhares de moléculas de nucleotídeos, formando a maior das
macromoléculas.
Nucleotídeos
Cada nucleotídeo é formado por grupamento fosfórico (fosfato), glicídio (monossacarídeo/pentose) e uma base
nitrogenada, compondo o material genético contido nas células de todos os seres vivos.
Enquanto o radical fosfato tem uma única constituição (PO4-3), a pentose pode ser de dois tipos (ribose ou desoxirri-
bose) e a base nitrogenada pode ser de cinco tipos (adenina, guanina, citosina, timina ou uracila).

Componentes dos ácidos nucleicos. O açúcar desoxirribose e a base nitrogenada timina ocorrem exclusivamente no DNA. O açúcar ribose e a base
uracila, por sua vez, são exclusivos do RNA. Os demais componentes são comuns ao DNA e ao RNA.

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Biologia

União entre Nucleotídeos


Quando os nucleotídeos se polimerizam, o carbono 5’ da
pentose de um nucleotídeo reage com o grupo fosfato de
outro, realizando uma reação chamada ligação fosfodiéster.

Dupla fita da molécula de DNA. Repare que as fitas se


apresentam em sentidos opostos. Por isso, se diz que a
molécula de DNA encontra-se antiparalela.

Diferenças entre o DNA e o RNA Proteínas


Além do peso molecular, relativa à quantidade de nu- As proteínas constituem 10 a 15% da constituição dos
cleotídeos (tamanho da molécula), existem outras dife-
renças estruturais, como: seres vivos, só perdendo para a água em quantidade. Dos
• a pentose, que no DNA é a desoxirribose e, no RNA, compostos orgânicos, equivalem a cerca de 72% da bio-
a ribose. massa sendo, disparada, a substância mais prevalente.
• a diferença das bases nitrogenadas: púricas (bases

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com dois anéis de nitrogênios e carbonos) e pirimídi- Composição Molecular das Proteínas
cas (bases com um anel de nitrogênios e carbonos): Proteínas são macromoléculas formadas por dezenas,
centenas ou milhares de moléculas de aminoácidos.
(timina e citosina);
Aminoácidos
(uracila e citosina). São 20 aminoácidos comumente encontrados nas pro-
• a duplicidade complementar (fita dupla) observada
no DNA diferenciada da unicidade (fita única/sim- teínas que apresentam um esqueleto comum: um carbo-
ples) do RNA. no central chamado carbono-alfa associado a um grupo
amina (NH2), a um átomo de hidrogênio e a um grupo car-
Pareamento de Bases Nitrogenadas
boxila (COOH); a quarta ligação do carbono central é feita
Quando pareadas, as bases nitrogenadas apresentam
especificidade, sendo que guanina e citosina formam pa- com um radical (R), que varia nos diferentes aminoácidos,
res seja no DNA ou no RNA. A sua união se dá por três caracterizando-os.
ligações de hidrogênio. A adenina está pareada à timina
quando referente à molécula de DNA, mas à uracila, quan-
do referente à molécula de RNA. Desta vez, a união se dá
por apenas duas ligações de hidrogênio.
Pelo fato do DNA ser moléculas com dupla fita, a quan-
tidade de adeninas é a mesma de timinas, assim como a
quantidade de guaninas é a mesma de citosinas. Exemplo:
se uma moléula de DNA tem 10% de A, pode-se dizer que
haverão 10% de T. Os demais 80% das bases nitrogenadas
serão igualmente distribuídas entre G e C. Logo haverão
40% de G e 40% de C.

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Biologia

União entre os Aminoácidos Estruturas das Proteínas


Quando os aminoácidos se polimerizam, o grupo car-
boxila de um aminoácido reage com o grupo amina de ou- Existem quatro níveis da estrutura de proteínas, cha-
tro, sofrendo uma reação de condensação que forma uma madas primária, secundária, terciária e quaternária.
ligação covalente chamada ligação peptídica.
A estrutura primária é a sequência precisa e única de
aminoácidos em um polipeptídeo. As estruturas secundá-
rias de muitas proteínas diferentes podem ser bastante
similares, podendo se apresentar na forma de
ou , ambas formas sustentadas por li-
gações de hidrogênio.
A estrutura terciária de uma proteína é formada pela
sua curvatura e dobramento em pontos específicos, en-
quanto que a estrutura quaternária consiste de subunida-
des de cadeias polipeptídicas.
Em geral, as proteínas na estrutura primária evoluem
para a secundária e, em seguida, para a terciária. Apenas
algumas avançam ainda para a quaternária. São nestes
dois últimos estágios que a proteína ganha capacidade
funcional.
Formação das Ligações Peptídicas. Em organismos vivos, a reação conduzindo
a uma ligação peptídica tem muitos passos intermediários, mas os reagentes e
os produtos são os mesmos, como demonstrado nesse diagrama simplificado.

Estrutura primária
Os monômeros de aminoácidos estão
associados pelo “esqueleto” de ligações
peptídicas, formando cadeias polipeptídicas.

Ligação peptídica

a)
Estrutura secundária
Cedeias polipeptídicas podem formar ... ou folhas
- hélices... pregueadas.

b) - hélices c) folhas pregueadas


Estrutura quaternária
Estrutura terciária
Polipeptídeos dobram, produzindo Dois ou mais polipeptídeos reúnem-se para formar moléculas
formas específicas. As dobras são protéticas maiores. A molécula hipotética aqui é um tetrâmero,
estabelecidas por ligações, incluindo constituído de quatro subunidades polipeptídicas.
pontes de hidrogênio e dissulfeto. Subunidade 1 Subunidade 2

Pontes de hidrogênio
Pontes dissulfeto

d)
e) Subunidade 3 Subunidade 4

Os Quatro Níveis de Estrutura das Proteínas. As estruturas secundária, terciária e quaternária surgem a partir da estrutura primária da proteína.

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Biologia

Desnaturação Enzimas
As estruturas terciárias e quaternárias de uma pro- De particular importância são as proteínas chamadas
teína são sustentadas por ligações dissulfeto, interações enzimas, que aumentam as velocidades das reações quí-
hidrofóbicas e/ou interações iônicas, sendo estas duas úl- micas nas células, uma função conhecia com catálise. Em
timas relativamente fracas. geral, cada reação exige uma enzima diferente, porque as
Assim, aumento da temperatura, alteração do pH do proteínas demonstram grande especificidade pelos seus
meio e da concentração de sais, além de adição de solven- substratos com que interagem. Outras duas propriedades
tes orgânicos podem romper estas ligações, fazendo com das enzimas são a existência de um sítio ativo ou centro
que suas moléculas se desenrolem e percam a configura- ativo (região que se liga ao substrato), sua capacidade de
ção original. ser reaproveitável e também inibida.
A alteração da estrutura espacial de uma proteína é
chamada de desnaturação e é acompanhada da perda da
função proteica.

Muitas doenças humanas são decorrentes da incapaci-


dade inata de uma pessoa produzir determinada enzima.
A fenilcetonúria, por exemplo, é uma doença em que a
pessoa afetada não produz a enzima necessária à trans-
formação do aminoácido fenilalanina em tirosina. Nessa
situação, a fenilalanina acumulada leva a danos cerebrais,
principalmente na infância. Os piores efeitos da fenilce-
tonúria podem ser evitados se a doença for diagnostica-
da prematuramente, o que pode ser feito pelo teste do

BIOATP - A QUÍMICA DA VIDA


pezinho, e se o portador for submetido a uma dieta com
quantidades mínimas de fenilalanina.

Desnutrição
Proteico-Calórica

A desnutrição proteico-calórica é causada por uma in-


gestão inadequada de calorias, resultando em uma defici-
ência de proteínas e micronutrientes (nutrientes necessá-
rios em quantidades pequenas, como vitaminas e alguns
Curvas de atividade de diferentes enzimas em condições de
temperatura (gráfico A) e pH diversos (gráfico B). Note que cada enzima minerais).
tem uma temperatura e um grau de acidez (pH) ótimos, em que sua Há três tipos de desnutrição proteico-calórica: seca (a
atividade é máxima. pessoa está magra e desidratada), molhada (a pessoa está
inchada por causa de retenção de líquidos) e ainda um
Funções tipo intermediário.
O tipo seco, chamado marasmo, é resultante da fome
As proteínas estão envolvidas no suporte estrutural, quase total. A criança que tem marasmo ingere muito
na proteção, na catálise, no transporte, na defesa, na re- pouca comida, frequentemente porque a mãe não pode
gulação e no movimento. Somente as funções de armaze- amamentar e é extremamente magra devido à perda de
namento de energia e a hereditariedade não são normal- músculo e gordura corporal. Quase invariavelmente, de-
mente realizadas pelas proteínas. senvolve alguma infecção.

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Biologia

Até 40% das crianças que têm desnutrição proteico-


-calórica morrem. A morte durante os primeiros dias de
tratamento normalmente é causada por um desequilíbrio
eletrolítico, uma infecção, hipotermia ou parada cardíaca.
A recuperação é mais rápida no kwashiorkor do que
no marasmo.
Os efeitos da desnutrição em longo prazo na infância
são desconhecidos. Quando as crianças são tratadas ade-
quadamente, o fígado e o sistema imunológico se recu-
peram completamente. Porém, em algumas crianças, a
absorção intestinal de nutrientes permanece comprome-
tida. O grau de prejuízo mental está relacionado a quan-
to tempo uma criança ficou subnutrida, quão severa foi a
Criança com marasmo. desnutrição e com que idade começou.
Disponível em: [Link]
A Química dos Alimentos
O tipo molhado é chamado kwashiorkor, uma palavra
africana que significa “primeira criança-segunda criança”.
e a Obesidade
Vem da observação de que a primeira criança desenvolve Carboidratos, lipídios ou proteínas: qual deles é cul-
kwashiorkor quando a segunda criança nasce e substitui a pado pela epidemia da obesidade? Qual tipo de alimento
primeira criança no peito da mãe. A primeira criança, des- deve-se evitar na prevenção da obesidade?
mamada, passa a ser alimentada com uma sopa de aveia
que tem baixa qualidade nutricional comparada com o lei-
te da mãe, assim a criança não se desenvolve. A deficiên-
cia de proteína no kwashiorkor é normalmente mais signi-
ficativa que a deficiência calórica, resultando em retenção
fluida (edema), doença de pele, e descoloração do cabelo.
Como as crianças desenvolvem kwashiorkor depois que
são desmamadas, elas são geralmente mais velhas do que
as que tem marasmo.
A deficiência de proteína prejudica o crescimento do Disponível em: [Link]
corpo, a imunidade, a cicatrização e a produção de enzimas uploads/2013/01/[Link]
e hormônios. Tanto no marasmo quanto no kwashiorkor,
Até o início da década de 90, a sociedade encarava a
a diarreia é comum.
obesidade apenas como um distúrbio comportamental:
O desenvolvimento comportamental pode ser extre- pessoas com sobrepeso não tinham força de vontade e
mamente atrasado na criança severamente subnutrida autocontrole. Desde então, a visão mudou, pelo menos,
e pode acontecer retardamento mental. Normalmente, na comunidade científica.
uma criança que tem marasmo é mais severamente afe-
Cientistas descobriram que humanos secretam lep-
tada do que uma criança mais velha que tem kwashiorkor.
tina, hormônio produzido pelas células adiposas, após a
refeição para suprimir o apetite e evitar excessos. No en-
tanto, existe um defeito genético em alguns obesos que
resulta na deficiência na produção de leptina ou na capa-
cidade de responder à leptina, resultando em um apetite
insaciável, logo à obesidade.
Entretanto, considerar a obesidade um distúrbio hor-
monal é um raciocínio simplista, mesmo porque um nú-
mero pequeno de obesos exibe deficiência genética de
hormônios relacionados ao apetite, como a leptina e a
insulina, substância cada vez mais em ênfase quando o
assunto é obesidade.
Criança com kwashiorkor. A insulina é produzida em resposta à glicose. Quando a
Disponível em: [Link]
quantidade deste glicídio aumenta no sangue, como ocor-
AAAAAAAAAPg/yn1P-hx6AZ4/s320/[Link] re depois de uma refeição rica em carboidratos, o pâncre-

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Biologia

as produz mais insulina, que funciona para impedir que


o nível de glicose no sangue fique perigosamente alto. A
insulina instrui os músculos, órgãos e até os adipócitos, a
absorver e utilizar a glicose como combustível. A insulina
também induz células adiposas a armazenar gordura, in-
clusive a da refeição, para utilização posterior. Enquanto
os níveis de insulina permanecem elevados, os adipócitos
1. Algumas reações fragmentam moléculas orgânicas
retêm gordura e as outras células preferem queimar glico-
complexas e ricas em energia originando moléculas
se (e não gordura) para obter energia. mais simples e pobres em energia como dióxido de
carbono, água e amônia. O conjunto dessas reações
caracteriza
(A) o anabolismo como o processo básico.
(B) o catabolismo como o processo básico.
(C) o catabolismo como síntese de moléculas variadas.
(D) a homeostase como o processo de fragmentação
de moléculas.
(E) a homeostase como o processo de síntese de mo-
léculas simples.
2. A importância da água para os seres vivos relaciona-se
às suas propriedades físicas e químicas que permitem
o bom funcionamento dos organismos. Não se pode
atribuir à água a função de
Desequilíbrio Hormonal
(A) servir como meio para as reações químicas
A hipótese alternativa se concentra na complexa regulagem fisiológica celulares.
de células de gordura (adiposas). O consumo de carboidratos aumenta (B) absorver calor dos organismos, agindo como
os níveis de açúcar (glicose) no sangue, que ativa a liberação do
hormônio insulina. As células adiposas reagem à insulina ao manter
regulador térmico.
seus depósitos de gorduras e até adicionarem mais gorduras a eles. O (C) evitar variações bruscas de temperatura do corpo
ganho de peso ocorre quando os níveis de insulina, estimulados pela dos seres vivos.
ingestão de carboidratos, permanecem elevados por longos períodos.
(D) formar os envoltórios rígidos das células vegetais
com a função estrutural.
As principais fontes alimentares de glicose são amidos,
grãos e açúcares. Quanto mais fácil de digerir forem os 3. A água apresenta inúmeras propriedades que são
carboidratos, maior e mais rápida é a elevação da quan-

BIOATP - A QUÍMICA DA VIDA


fundamentais para os seres vivos. Qual, dentre as ca-
tidade de glicose no sangue. Desse modo, uma dieta com racterísticas a seguir relacionadas, é uma propriedade
grande quantidade desses alimentos provocará uma pro- da água de importância fundamental para os sistemas
dução maior de insulina, o que determina acúmulo de gor- biológicos?
dura nos adipócitos em vez de ser utilizada como energia (A) Possui baixo calor específico, pois sua temperatu-
para o corpo, podendo levar à obesidade. ra varia com muita facilidade.
(B) Suas moléculas são formadas por hidrogênios de
Com intuito de impedir esse processo, devem-se evitar disposição espacial linear.
os doces e as massas que aumentam os níveis de insulina.
(C) Seu ponto de ebulição é entre 0 e 100 °C.
Outra dica é ingestão de fibras e lipídios (neste caso, dan-
(D) É um solvente limitado, pois não é capaz de se
do preferência aos insaturados), que retardam o processo misturar com muitas substâncias.
de absorção de glicose.
(E) Possui alta capacidade térmica e é solvente de
Toda esta relação de hormônios com a obesidade é muitas substâncias.
chamada de hipótese hormonal e implica afirmar que as
atuais epidemias globais de obesidade e diabetes tipo 2 4. Recentes descobertas sobre Marte, feitas pela NASA,
sugerem que o Planeta Vermelho pode ter tido vida
são impulsionadas, em boa parte, pelos grãos e açúcares
no passado. Esta hipótese está baseada em indícios
em nossas dietas, tirando a culpa das refeições supercaló-
(A) da existência de esporos no subsolo marciano.
ricas como bacon e queijos gordos.
(B) da presença de uma grande quantidade de oxigê-
Como ainda é uma hipótese, aconselha-se seguir a re- nio em sua atmosfera.
gra mais famosa: comer de três em três horas, variar o
(C) de marcas deixadas na areia por seres vivos.
máximo em cada refeição (refeição colorida), realizar exer-
cícios físicos regulamente, tudo isso acompanhado de boa (D) da existência de água líquida no passado.
qualidade de vida. É melhor não arriscar! (E) de sinais de rádio oriundos do planeta.

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Biologia

5. Um ser humano adulto tem de 40 a 60% de sua massa 8. Uma indicação médica para um paciente que apresen-
corpórea constituída por água. A maior parte dessa ta anemia ferropriva, ou seja, deficiência de ferro, é o
água encontra-se localizada consumo diário de carnes e verduras verde-escuras na
(A) no meio intracelular. alimentação.
(B) no líquido linfático. Sobre a função dos macronutrientes, é correto
afirmar que
(C) nas secreções glandulares e intestinais.
(A) o ferro é essencial para o correto funcionamento
(D) na saliva. do transporte de CO2 em organismos humanos
(E) no plasma sanguíneo. por fazer parte da molécula de hemoglobina.
(B) o ferro é um macronutriente essencial ao desen-
6. Além de fazer parte da constituição dos organismos volvimento das plantas por fazer parte da molé-
vivos, a água apresenta outras características impor- cula de clorofila.
tantes, que são vitais à manutenção dos ecossistemas (C) há presença de ferro na carne branca; portanto,
do planeta. a carne de frango também é indicada para suprir
Com relação às características da água, assinale a al- necessidades de ferro.
ternativa correta. (D) o ferro é o responsável pela coloração vermelho-
(A) Na Terra, a água pode ser encontrada somente -escura da carne bovina, sendo esta a única carne
em dois estados físicos: líquido (água salgada e capaz de suprir as necessidades de ferro.
doce) e sólido (geleiras, neve e icebergs). 9. Os sais minerais, encontrados nos mais variados ali-
(B) Ao resfriar, a partir de 4 °C, a água diminui sua mentos, desempenham função importante na saúde
densidade, solidificando, por exemplo, em lagos e do homem, podendo estar dissolvidos na forma de
mares, apenas na superfície. Isso contribui para a íons nos líquidos corporais, formando cristais encon-
manutenção da vida em regiões de alta latitude. trados no esqueleto, ou ainda combinados com molé-
(C) A temperatura da água do mar não varia com a culas orgânicas.
profundidade e a latitude, o que garante a forma- A alternativa que relaciona corretamente o sal mine-
ção de corais. ral com sua função no organismo é:
(D) Na formação das geleiras, a molécula de água ga- (A) K - participa dos hormônios da tireoide.
nha mais um átomo de hidrogênio. (B) F - constitui, juntamente com o Ca, o tecido ósseo
(E) Devido principalmente à sublimação, a água ar- e os dentes.
mazena e libera energia para o ambiente, influen- (C) P - participa da constituição da hemoglobina,
ciando no clima da região em que se encontra. proteína encontrada nas hemácias.
(D) C - fortalece os ossos e os dentes e previne
7. Os sais minerais são essenciais em uma alimentação as cáries.
saudável, pois exercem várias funções reguladoras no (E) Ca - auxilia na coagulação sanguínea.
corpo humano. Sobre esse assunto, faça a correspon- 10. Observe esta figura, em que está representada uma
dência entre as colunas apresentadas abaixo. cultura hidropônica:
1. Ferro
2. Sódio
3. Cálcio
4. Fósforo
5. Potássio
( ) Equilíbrio osmótico celular.
( ) Essencial à coagulação sanguínea.
( ) Transferência energética durante reações meta-
bólicas celulares.
( ) Componente da mioglobina e enzimas respiratórias. Considerando-se as informações fornecidas por essa
( ) Contração muscular e condução de impulsos ner- figura e outros conhecimentos sobre o assunto, é
vosos. CORRETO afirmar que a solução nutritiva presente em
I deve conter
A sequência correta é: (A) ácidos graxos, que serão utilizados na composição
(A) 2, 3, 4, 1, 5. de membranas celulares.
(B) 3, 2, 4, 5, 1. (B) glicose, que será utilizada como fonte de energia.
(C) nitratos, que serão utilizados na síntese de ami-
(C) 5, 1, 3, 2, 4. noácidos.
(D) 1, 4, 3, 5, 2. (D) proteínas, que serão utilizadas na síntese da clo-
(E) 2, 4, 3, 5, 1. rofila.

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11. Na composição química das células, os íons são tão Com o passar do tempo, cada família produzia a sua
importantes que pequenas variações na sua porcen- própria bebida. A expansão da produção se deu com o
tagem modificam profundamente a dinâmica celular. Império Romano. E foram os gauleses que cunharam
Associa-se corretamente, o íon à sua respectiva fun- o nome atualmente usado, denominando essa bebida
ção em: de cevada de “cerevisia”, ou “cervisia”, em homena-
(A) potássio respiração celular. gem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade. Na
Idade Média, os conventos assumiram a fabricação da
(B) magnésio condução nervosa.
cerveja, e os monges reproduziram em manuscritos a
(C) ferro processo fotossintético. técnica de fabricação. Artesãos, pequenas fábricas e,
(D) fosfato transferência de energia. por fim, grandes indústrias trouxeram, de então, esse
nobre líquido aos dias atuais.
12. Bebidas de diversas marcas chamadas de energético
Elaborado com base em informações obtidas em
possuem substâncias estimulantes como a taurina e http:// [Link].
a cafeína. A cafeína também está presente em vários
refrigerantes, como, por exemplo, os de cola. O qua- Na fabricação da cerveja, a fermentação transforma
dro abaixo mostra alguns valores da concentração de o açúcar do cereal em álcool. O mesmo processo é
algumas substâncias presentes em duas marcas de usado no preparo da massa de bolos e pães, na qual
energéticos e em dois refrigerantes de cola. Os valo- onde os fermentos consomem o açúcar da farinha e
res em gramas, referentes a porções de 200 ml, são liberam o gás carbônico, que aumenta o volume da
todos hipotéticos, assim como as bebidas. massa. Esse açúcar é ______ que deriva do amido,
um ______, sintetizado por ______ como reserva
Bebida Carboidrato Sódio Cafeína energética.
Energético 1 18,4 100 500
(A) a glicose – polissacarídeo – vegetais
Energético 2 20 60 350
(B) a glicose – polipeptídeo – fungos e plantas
Refrigerante de cola 21 28 3
(C) o glicogênio – polissacarídeo – fungos e plantas
Refrigerante de cola dietético 0 100 3
(D) o glicogênio – polipeptídeo – fungos e plantas
Se colocarmos as bebidas em ordem da que confere (E) o glicogênio – polissacarídeo – vegetais
mais energia para a que confere menos energia, tere-
mos 14. A composição do leite de cada espécie de mamífero
(A) refrigerante de cola, energético 2, energético 1, é adequada às necessidades do respectivo filhote. O
refrigerante de cola dietético. gráfico a seguir apresenta a composição do leite hu-
mano e do leite de uma espécie de macaco.
(B) energético 1, energético 2, refrigerante de cola,
refrigerante de cola dietético.
(C) energético 2, energético 1, refrigerante de cola,
refrigerante de cola dietético.
(D) refrigerante de cola dietético, refrigerante de
cola, energético 2, energético 1.

13. Há evidências de que a prática da cervejaria originou-


-se há mais de 5 mil anos na região da Mesopotâmia,
onde a cevada cresce em estado selvagem. Gravuras,
Considere dois filhotes de macaco: um alimentado
inscrições, poemas e registros arqueológicos des-
com leite de macaco e o outro com o mesmo volume
te período sugerem o uso da cerveja. Outros docu-
de leite humano.
mentos históricos mostram, em 2100 a.C., sumérios
alegrando-se com uma bebida fermentada, obtida de A partir da análise do gráfico, pode-se dizer que o fi-
cereais. Mais tarde, a cerveja passou a ser produzida lhote de macaco que for alimentado com o mesmo
por padeiros, devido à natureza dos ingredientes que volume de leite humano provavelmente apresentará
utilizavam: leveduras e grãos de cereais. A cevada era
(A) deformidades ósseas.
deixada de molho até germinar e, então, moída e mol-
dada em bolos, aos quais se adicionava a levedura. Os (B) carência energética.
bolos, após parcialmente assados e desfeitos, eram (C) menor crescimento.
colocados em jarras com água e deixados fermentar. (D) diarreias frequentes.

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15. Durante a caminhada dos escoteiros, o gasto energéti- 20. O uso de óleos vegetais na preparação de alimentos
co foi grande. Estavam avisados de que o passeio seria é recomendado para ajudar a manter baixo o nível de
cansativo, por isso muitos levaram barrinhas de cere- colesterol no sangue. Isso ocorre porque esses óleos
ais, mas alguns não tinham levado nada e precisaram (A) têm pouca quantidade de glicerol.
utilizar suas próprias reservas de energia. Essa reserva
estava armazenada em seu organismo, na forma de (B) são pouco absorvidos no intestino.
(C) são pobres em ácidos graxos saturados.
(D) têm baixa solubilidade no líquido extracelular.
(C) esteroide.
21. Os seres humanos são animais e, portanto, heterotró-
16. A restrição excessiva de ingestão de colesterol pode ficos. Ou seja, sua fonte de energia vem da alimenta-
levar a uma redução da quantidade de testosterona ção. Ainda assim, do ponto de vista nutricional, preci-
no sangue de um homem. Isso se deve ao fato de que samos do sol, pois
o colesterol
(A) o retinol, de extrema importância para a pele e
(A) é fonte de energia para as células que sintetizam seus anexos, é convertido em vitamina D pelos
esse hormônio. raios UV.
(B) é um lipídio necessário para a maturação dos esper- (B) a ativação da melanina é fundamental para a ob-
matozoides, células produtoras desse hormônio. tenção de vitamina D.
(C) é um esteroide e é a partir dele que a testostero-
(C) os raios solares são importantes na obtenção de
na é sintetizada.
vitamina E.
(D) é responsável pelo transporte da testosterona até
o sangue. (D) os alimentos fornecem provitaminas D, que preci-
(E) é necessário para a absorção das moléculas que sam ser convertidas em calciferol pela luz solar.
compõem a testosterona. 22. Leia o trecho transcrito da entrevista intitulada “Fome
17. Os lipídios são substâncias insolúveis em água e so- oculta”, realizada por Maria Fernanda Elias Llanos, com
lúveis em solventes orgânicos que desempenham di- a Professora Dra. Andréa Ramalho, da UFRJ, que se en-
versas funções nos seres vivos. Um dos importantes contra na Revista NestIé. Bio – págs. 4-9, maio de 2011.
papéis dos lipídios nos seres vivos é
(A) atuar como catalisadores biológicos. Segundo o Dr. Jacques Diouf diretor-geral da FAO (Food
and Agriculture Organization of the United Nations), a
(B) servir como fonte de reserva energética. fome permanece a maior tragédia e o maior escândalo
(C) formar proteínas celulares. do mundo, sendo que o número de pessoas subnutridas
(D) garantir a solubilidade dos outros compostos em encontra-se inaceitavelmente alto. A carência de mi-
água. cronutrientes, conhecida como fome oculta, afeta cerca
(E) conter as informações genéticas dos seres vivos. de um terço da população mundial e está relacionada
principalmente à deficiência de ferro, zinco, iodo e vita-
18. São substâncias do grupo dos lipídios: mina A. (...) No Brasil, as deficiências mais significativas
(A) colesterol, cera, glicogênio, glicídeos. são as de ferro e vitamina A.
(B) fosfatídeos, glicogênio, colesterol, celulose.
(C) amido, glicogênio, ceras, glicérides. Agora, analise as proposições que seguem:
(D) fosfolipídios, glicerídeos, ceras, colesterol. I. A vitamina A, encontrada em vegetais verdes e
(E) glicogênio, colesterol, ceras, glicerídeos. amarelos, frutas amarelas e alaranjadas, gema de
ovo, leite e derivados, é necessária à manutenção
19. Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes da integridade da pele, dos epitélios respiratório,
considerações sobre o colesterol, um lipídio do grupo intestinal e urinário, além de atuar na síntese de
dos esteroides. pigmentos da retina.
( ) Ele participa da composição da membrana plas-
mática das células animais. II. No Brasil, a deficiência de iodo não é significati-
va, visto que o país já obrigou, por força de lei, a
( ) Ele é sintetizado no pâncreas, degradado no fíga-
adição de iodo ao sal de cozinha. A carência deste
do e excretado na forma de sais biliares.
oligoelemento gera o hipertireoidismo.
( ) Ele é precursor dos hormônios sexuais masculino
e feminino. lII. O ferro pode ser obtido a partir da ingestão de
leguminosas, vegetais verde-escuros, fígado e
( ) Ele é precursor da vitamina B.
carnes; assim, feijão com arroz, salada de alface
( ) As formas de colesterol HDL e LDL são determi- com rúcula e bife é um bom caminho para evitar
nadas pelo tipo de lipoproteína que transporta o a carência deste micromineral, indispensável na
colesterol. constituição da hemoglobina e mioglobina.
A sequência correta de preenchimento dos parênte-
ses, de cima para baixo, é Está(ão) correta(s) a(s) proposição(ões)

(B) F - V - F - F - V.
(C) V - V - F - V - F. (C) I, II e III.

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23. Não contribuem para o nosso bem-estar: pular refei- 25. Nos supermercados, encontramos diversos alimen-
ções, comer alimentos ricos em gorduras e consumir tos, enriquecidos com vitaminas e sais minerais. Esses
alimentos industrializados em excesso. Esses hábitos alimentos têm como objetivo a suplementação de nu-
diminuem o consumo de nutrientes necessários ao trientes necessários ao metabolismo e ao desenvolvi-
bom funcionamento do organismo resultando, assim, mento do indivíduo.
no aparecimento de vários tipos de doenças. Com base nessas informações e nos conhecimentos so-
Sobre alguns dos nutrientes essenciais ao nosso orga- bre nutrição e saúde, considere as afirmativas a seguir.
nismo, é válido afirmar que I. A vitamina A está envolvida na produção de hor-
(A) a vitamina E é importante na proteção dos vasos mônios e associada à exposição solar.
sanguíneos contra as hemorragias. II. A falta de vitamina C pode levar aos sintomas de
(B) a vitamina C atua na coagulação do sangue e na fraqueza e sangramento das gengivas, avitamino-
formação dos glóbulos vermelhos. se denominada escorbuto.
(C) o zinco previne a ocorrência do bócio ou papo de- III. O cálcio tem importância para a contração mus-
vido ao mau funcionamento da glândula tireoide. cular e a coagulação do sangue.
(D) a vitamina A desempenha importante papel na IV. O ferro faz parte da molécula de hemoglobina,
manutenção de uma boa visão e participa da pro- prevenindo a ocorrência de anemia.
teção da pele e das mucosas. Assinale a alternativa correta.
(E) as gorduras do tipo Ômega 3 e Ômega 6 reduzem (A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
o colesterol ruim, responsável pela formação de (B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
cálculos renais.
(C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
24. Até algum tempo atrás, os cientistas acreditavam que a (D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
pele negra havia evoluído para evitar cânceres de pele,
(E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
pois a melanina absorve os raios ultravioleta do Sol. Mas
essa teoria esbarrava no fato de que esse tipo de câncer 26. Nos ácidos nucleicos, encontram-se bases nitroge-
costuma surgir em idade avançada, depois que as pes- nadas formando pares de relativas especificidades.
soas já tiveram filhos e, portanto, dificilmente alteraria Ao se analisar o DNA de uma determinada bactéria,
a evolução. Estudos publicados em 1991 revelaram que encontram-se 38% de bases Citosina (C). Que percen-
pessoas de pele clara expostas à forte luz solar tinham tuais de bases Adenina (A), Guanina (G) e Timina (T)
níveis muito baixos da vitamina folato, cuja deficiência são esperados, respectivamente?
em mulheres grávidas podia levar à má formação de
coluna vertebral em seus filhos. Sabemos ainda que o
folato é fundamental na síntese de DNA e RNA.
(C) 38%, 12%, 12%.
Enquanto os humanos modernos estavam restritos à
África, a pele escura funcionava bem para todos. 27. Com relação ao DNA e ao RNA, é correto afirmar o
seguinte:
A partir de 100 mil anos atrás, os homens modernos (A) Ambos são dupla fita em todos os seres vivos.
migraram para Ásia, Oceania, Europa e, há pelo me- (B) Ambos são constituídos de ribonucleotídeos.
nos 15 mil anos, para a América. Nas regiões onde a (C) Ambos são polímeros de nucleotídeos.
pele humana recebia menores índices de radiação, a
pele negra passou a representar um bloqueador dos (D) Ambos contêm a base U, uracila.
raios ultravioletas necessários para iniciar a formação (E) Ambos contêm a base T, timina.
de vitamina D. 28. Os ácidos nucleicos são polímeros que atuam no ar-
Sabendo que a cor da pele humana é uma herança mazenamento, na transmissão e no uso da informa-
autossômica quantitativa e que a produção de mela- ção genética.
nina pode, em alguma extensão, ser influenciada pela Com base na estrutura e função destes polímeros, assina-
exposição ao Sol, é correto afirmar, EXCETO: le com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo.
(A) Nas mesmas condições, indivíduos de pele escura ( ) Seus monômeros são denominados nucleotídeos.
poderiam ser mais afetados pelo raquitismo do ( ) Seus monômeros estão unidos por meio de liga-
que aqueles de pele clara. ções fosfodiésteres.
(B) Homens de pele clara, quando muito expostos à ( ) Suas bases nitrogenadas estão diretamente liga-
luz solar, podem ter reduzida a sua produção de das aos fosfatos.
espermatozoides. ( ) Suas bases nitrogenadas podem ser púricas ou pi-
(C) Nas regiões equatoriais, ter pele mais escura é rimídicas.
sempre mais vantajoso do ponto de vista adapta- A sequência correta de preenchimento dos parênte-
tivo do que ter pele mais clara. ses, de cima para baixo, é
(D) O tipo de nutrição dos homens durante sua
evolução pode ter tido influência na seleção da (B) V – F – V – F.
cor da pele. (C) F – V – V – F.

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29. Analise o quadro abaixo: 31. Considere as afirmações abaixo relativas aos efeitos
da elevação da temperatura no funcionamento das
Bases Tipo de reações enzimáticas:
Ácido nucleico Nº de fitas
nitrogenadas açúcar
I. A elevação da temperatura, muito acima de sua
DNA (1) (3) (5) temperatura ótima, pode reduzir a atividade de
uma enzima.
RNA (2) (4) (6)
II. A elevação da temperatura pode desnaturar uma
enzima.
Assinale a alternativa correta em relação à correspon-
dência entre o número indicado no quadro acima e a III. Todas as enzimas têm a mesma temperatura ótima.
característica correspondente do ácido nucleico DNA IV. Algumas enzimas são estáveis no ponto de ebuli-
ou RNA, respectivamente: ção da água.
Estão corretas:
(A) (1) duas, (2) uma, (3) Adenina, Citosina, Guanina,
(A) I, II e IV, apenas.
Timina e Uracila, (4) Adenina, Citosina, Guanina,
Timina e Uracila, (5) desoxirribose, (6) ribose. (B) I, II e III, apenas.
(B) (1) duas, (2) uma, (3) Uracila, (4) Timina, (5) deso- (C) II, III e IV, apenas.
xirribose, (6) ribose. (D) II e IV, apenas.
(C) (1) duas, (2) uma, (3) Adenina, Citosina, Guanina (E) todas as afirmações.
e Timina, (4) Adenina, Citosina, Guanina e Uracila, 32. As enzimas são moléculas de proteínas que funcio-
(5) desoxirribose, (6) ribose. nam como efetivos catalisadores biológicos. A sua
(D) (1) duas, (2) uma, (3) Adenina, Citosina, Guanina presença nos seres vivos é essencial para viabilizar as
e Timina, (4) Adenina, Citosina, Guanina e Uracila, reações químicas, as quais, em sua ausência, seriam
(5) ribose, (6) desoxirribose. extremamente lentas ou até mesmo não ocorreriam.
(E) (1) uma, (2) duas, (3) Adenina, Citosina, Guanina Considerando-se as propriedades desses biocatalisa-
e Uracila, (4) Adenina, Citosina, Guanina e Timina, dores, constata-se o seguinte:
(5) desoxirribose, (6) ribose. (A) a mioglobina presente nos músculos é um exem-
plo de enzima.
30. Em 1962, o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina
foi concedido aos cientistas Francis Crick, Maurice (B) as enzimas aumentam a energia de ativação de
Wilkins (britânicos) e James Watson (norte-america- uma reação química.
no) por suas pesquisas que determinaram a estrutura (C) com o aumento da temperatura, a atividade cata-
molecular do DNA. lítica atinge um ponto máximo e depois diminui.
Sobre o DNA, são feitas as seguintes afirmativas: (D) essas moléculas alteram a posição de equilíbrio
das reações químicas.
I. Possui estrutura em dupla hélice, encontrada no
núcleo celular, e sua importância reside no fato 33. Algumas pessoas possuem genes que não comandam
de que ele carrega os genes. a produção de certas enzimas e, por isso, podem não
realizar determinadas funções. Um exemplo disso no
II. No emparelhamento das fitas de DNA; se em uma organismo humano é a ausência da enzima que trans-
fita tivermos a sequência de bases AATTTCG, na forma a fenilanina, encontrada nas proteínas ingeri-
outra teremos TTAAAGC. das com alimento, em tirosina. Sobre as enzimas, é
III. É formado por uma pentose denominada desoxi- correto afirmar:
ribose e pelas bases nitrogenadas adenina, timi- (A) dependem da variação da temperatura e da con-
na, citosina, guanina e uracila. centração de substrato,
IV. Em alguns vírus, são encontrados ácidos nuclei-
cos do tipo DNA espalhados no citoplasma viral. (B) são proteínas que funcionam como catalisadores
de determinadas reações químicas nos organis-
Estão corretas apenas as afirmativas
mos.
(A) I e II.
ocorrem associadas a uma substância química não
(B) I, II e III. proteica, conhecida como cofator.
(C) III e IV. favorecem a ocorrência de reações químicas em
(D) I, III e IV. temperaturas altas, mantendo o pH constante.

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34. As enzimas estão presentes em pequenas quantidades


no organismo. Elas são moléculas extremamente espe-
cíficas, atuando somente sobre um determinado com-
posto e efetuam sempre o mesmo tipo de reação. Em
relação às enzimas, foram feitas quatro afirmações:
I. Enzimas são proteínas que atuam como catalisa-
doras de reações químicas. 1. O surgimento e a manutenção da vida, no nosso planeta,
II. Cada reação química que ocorre em um ser vivo, estão associados à água que é a substância mais abun-
geralmente é catalisada por um tipo de enzima. dante dentro e fora do corpo dos seres vivos. Entretanto,
III. A velocidade de uma reação enzimática independe segundo dados fornecidos pela Associação Brasileira de
de fatores como a temperatura e o pH do meio. Entidades do Meio Ambiente (Abema), 80% dos esgotos
IV. As enzimas sofrem um processo de desgaste du- do país não recebem nenhum tipo de tratamento e são
rante a reação química da qual participam. despejados diretamente em rios, mares, lagos e manan-
São VERDADEIRAS as afirmações: ciais, contaminando a água aí existente.
(Adaptado de Poluição da Água: [Link]
[Link]. Acesso: 05.09.2011.)

Considerando as funções exercidas nos seres vivos


(C) Apenas I, II e IV. pela substância em destaque no texto, analise as afir-
mativas abaixo.
35. Os aminoácidos apresentam quimicamente um car- I. Facilita o transporte das demais substâncias no
bono central onde eles estão ligados. Em relação a organismo.
isso, assinale a alternativa correta. II. Participa do processo da fotossíntese.
(A) 1 grupo amina (NH2), 3 hidrogênio (H), 1 grupo III. Dissolve as gorduras facilitando sua absorção.
carboxila (COOH), 4 Radical (R). IV. Auxilia na manutenção da temperatura do corpo.
De acordo com as afirmativas acima, a alternativa
(B) 2 grupo amina (NH2), 1 hidrogênio (H), 2 grupo
correta é:
carboxila (COOH), 1 Radical (R).
(C) 1 grupo amina (NH2), 1 hidrogênio (H), 1 grupo
carboxila (COOH), 1 Radical (R).
(D) 1 grupo amina (NH2), 1 hidrogênio (H), 3 grupo (C) I, II e IV.
carboxila (COOH), 2 Radical (R). 2. A água é um dos componentes mais importantes das
(E) 2 grupo amina (NH2), 1 hidrogênio (H), 1 grupo células. A tabela a seguir mostra como a quantidade
de água varia em seres humanos, dependendo do tipo
carboxila (COOH), 3 Radical (R).
de célula. Em média, a água corresponde a 70% da
composição química de um indivíduo normal.
Tipo de célula Quantidade de água
Tecido nervoso – substância cinzenta 85%
Tecido nervoso – substância branca 70%
Medula óssea 75%
1. B A 25. E Tecido conjuntivo 60%

2. D C 26. E Tecido adiposo 15%


Hemácias 65%
3. E E 27. C
Ossos sem medula 20%
4. D C 28. A
Durante uma biópsia, foi isolada uma amostra de teci-
5. A B 29. C do para análise em um laboratório. Enquanto intacta,
6. B D 30. A essa amostra pesava 200 mg. Após secagem em estu-
fa, quando se retirou toda a água do tecido, a amos-
7. A A 31. D tra passou a pesar 80 mg. Baseado na tabela, pode-se
8. C C 32. C afirmar que essa é uma amostra de
9. E D 33. B (A) tecido nervoso - substância cinzenta.
(B) tecido nervoso - substância branca.
10. C D 34. A
(C) hemácias.
11. D D 35. C (D) tecido conjuntivo.
12. A (E) tecido adiposo.

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3. A respeito desses fatos, considere as afirmativas abaixo.


Dieta de Engorda I. As crianças que recebem esses alimentos podem
Em 30 anos, a alimentação piorou muito
apresentar quadros de atraso de desenvolvimen-
to devido à falta de oxigenação dos tecidos.
II. O sódio é necessário para o funcionamento dos
salsichas e refeições neurônios, mas, em excesso, pode prejudicar o
biscoitos refrigerantes
linguiças prontas funcionamento dos rins.
400% 400% 300% 80% III. No processo de maturação do sistema nervoso,
há produção de mielina, um lipídio responsável
feijão e
por acelerar a condução do impulso.
ovos peixes arroz IV. A falta de lipídios pode também acarretar doen-
leguminosas
84% 50% 30% 23%
ças provocadas pela falta de vitaminas, uma vez
que algumas delas são lipossolúveis e somente
Época, 08/05/2006 (com adaptações) são absorvidas se dissolvidas em lipídios.
A partir desses dados, foram feitas as afirmações a seguir. Assinale
I. As famílias brasileiras, em 30 anos, aumentaram (A) se todas estiverem corretas.
muito o consumo de proteínas e grãos, que, por
seu alto valor calórico, não são recomendáveis. (B) se somente II e III estiverem corretas.
II. O aumento do consumo de alimentos muito ca- (C) se somente I, II e IV estiverem corretas.
lóricos deve ser considerado indicador de alerta (D) se somente II e IV estiverem corretas.
para a saúde, já que a obesidade pode reduzir a (E) se somente I e III estiverem corretas.
expectativa de vida humana.
III. Doenças cardiovasculares podem ser desencade- 6. Durante todo o ano de 1995, o governo deixou de for-
adas pela obesidade decorrente das novas dietas necer iodato de potássio aos fabricantes de sal. O iodo
alimentares. é essencial para o ser humano. Problemas, porém, só
É correto apenas o que se afirma em se manifestam em populações subnutridas, que não
(A incluem em sua alimentação produtos do mar, uma
rica fonte natural de iodo.
4. A tabela a seguir apresenta a quantidade dos minerais (Revista VEJA - 03/04/96)
cálcio e ferro em alguns alimentos. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamen-
te, o nome da glândula afetada e a doença provocada
Alimento (100g) Cálcio (mg) Ferro (mg)
pela falta desse elemento.
Carne de boi magra assada 9 3,20 (A) adeno-hipófise e nanismo.
Couve manteiga 330 2,20 (B) tireoide e bócio.
Milho verde em conserva 6 0,80 (C) supra-renal e doença de Cushing.
Pepino cru 10 0,23 (D) pâncreas e ‘diabetes mellitus’.
Queijo prato 1023 0,78 (E) neuro-hipófise e ‘diabetes insipidus’.
Rosbife 16 4,20
7.
Fonte: FROTA Pessoa, O. Os caminhos da vida - ENERGIA
Manual do professor. Ed. Scipione, 2001, pp.37-9.
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamen- A quase totalidade da energia utilizada na Terra tem
te, os alimentos mais importantes na prevenção de sua origem nas radiações que recebemos do Sol. Uma
anemia e osteoporose. parte é aproveitada diretamente dessas radiações
(iluminação, aquecedores e baterias solares, etc.) e
(A) carne de boi magra assada e couve manteiga. outra parte, bem mais ampla, é transformada e ar-
(B) milho verde em conserva e queijo prato. mazenada sob diversas formas antes de ser usada
(C) queijo prato e couve manteiga. (carvão, petróleo, energia eólica, hidráulica, etc).
(D) rosbife e queijo prato. A energia - incluindo a luz visível e as radiações ultra-
(E) pepino cru e rosbife. violeta e infravermelha - é um dos componentes abió-
5. Um estudo publicado recentemente revelou que as ticos dos ecossistemas e juntamente com a atmosfera
amostras de alimentos preparados em domicílios e o solo deve ser considerada no estudo dos diversos
apresentavam teores de ferro abaixo do recomen- níveis de organização dos ecossistemas, desde molé-
dado, mas quantidade excessiva de sódio. O estudo culas orgânicas, células, tecidos, organismos, popula-
mostrou, também, quantidades insuficientes de lipí- ções e comunidades.
dios nesses alimentos, alertando para a necessidade (Adaptado de Antônio Máximo e Beatriz Alvarenga.
desse nutriente na maturação do sistema nervoso. Curso de Física. v. 2. S. Paulo: Scipione, 1997. p. 433)

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Considere as afirmativas a seguir sobre a obtenção e o Da análise dos itens, é correto afirmar que
armazenamento de energia nos seres vivos.
(A) somente I é verdadeiro.
Os animais adquirem energia para suas atividades
(B) somente II é verdadeiro.
através da alimentação.
(C) somente III é verdadeiro.
Nos vertebrados, parte dos carboidratos ingeri-
dos é convertida em glicogênio. (D) somente I e II são verdadeiros.
O glicogênio é armazenado no pâncreas e no fígado. (E) I, II e III são verdadeiros.

O excesso de carboidratos é
transformado em amido. 10. Leia as informações a seguir.

Estão corretas SOMENTE A ingestão de gordura trans promove um aumento


(A) II, III e IV. mais significativo na razão: lipoproteína de baixa den-
(B) I, II e III. sidade/lipoproteína de alta densidade (LDL/HDL), do
que a ingestão de gordura saturada.
(C) III e IV.
Aued-Pimentel, S. et al. “Revista do Instituto Adolfo Lutz”,
62 (2):131-137, 2003. [Adaptado].

8. Inmetro: ovo diet não alerta que contém lactose.


Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, um ali-
O rótulo de um determinado ovo de Páscoa diet, além mento só pode ser considerado “zero trans” quando
de não informar sobre a presença de lactose, afirmava contiver quantidade menor ou igual a 0,2 g desse nu-
que o produto não continha açúcar. Segundo o fabri- triente, não sendo recomendado consumir mais que 2
cante, a lactose encontrada no ovo era proveniente do g de gordura trans por dia. O quadro abaixo represen-
leite utilizado na confecção do chocolate e não adicio- ta um rótulo de um biscoito comercialmente vendido
nada aos ingredientes. que atende às especificações do percentual de gordu-
(Adaptação - “O Globo”, 2003)
ras trans, exigidas pela nova legislação brasileira.
A falta de informações precisas sobre a composição
dos alimentos pode trazer complicações à saúde e,
Informação Nutricional
neste caso, principalmente à dos diabéticos, pois Porção de 30 g (2 biscoitos)
(A) a lactose, após ser absorvida pelo intestino, é uti-
lizada da mesma forma que a glicose. Quantidade por porção

(B) a concentração alta de lactose acabará fornecen-


Carboidratos 19g
do elevado teor de glicose no sangue.
(C) a lactose se prende aos mesmos receptores celu- Gorduras totais 7,3g
lares da insulina, aumentando a entrada de glico-
se nas células. Gorduras saturada 3,4g
(D) os diabéticos não metabolizam a lactose, aumen-
Gordura trans 0,5g
tando sua concentração sanguínea.
(E) a lactose, após ser absorvida, estimula a liberação
de glucagon, aumentando a taxa de glicose san- As informações apresentadas permitem concluir que
guínea. o consumo diário excessivo do biscoito poderia provo-
9. O colesterol tem sido considerado um vilão nos últi- car alteração de
mos tempos, uma vez que as doenças cardiovascula-
(A) triglicéride, reduzindo sua concentração plasmá-
res estão associadas a altos níveis desse composto no
tica.
sangue. No entanto, o colesterol desempenha impor-
tantes papéis no organismo. (B) triacilglicerol, diminuindo sua síntese no tecido
adiposo.
Analise os itens a seguir.
I. O colesterol é importante para a integridade da (C) LDL-colesterol, aumentando sua concentração
membrana celular. plasmática.
II. O colesterol participa da síntese dos hormônios (D) HDL-colesterol, elevando sua concentração plas-
esteroides. mática.
III. O colesterol participa da síntese dos sais biliares. (E) colesterol, reduzindo sua concentração plasmática.

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Biologia

11. Defende-se que a inclusão da carne bovina na dieta Entre os componentes da gordura presentes nesses
é importante, por ser uma excelente fonte de proteí- alimentos, o que oferece maior risco à saúde huma-
nas. Por outro lado, pesquisas apontam efeitos preju- na é aquele que contém os ácidos graxos saturados
diciais que a carne bovina traz à saúde, como o risco e gorduras trans. Segundo especialistas no assunto,
de doenças cardiovasculares. Devido aos teores de as gorduras são necessárias ao corpo, pois fornecem
colesterol e de gordura, há quem decida substituí-la energia e ácidos graxos essenciais ao organismo,
por outros tipos de carne, como a de frango e a suína. porém a trans é considerada pior que a gordura sa-
O quadro abaixo apresenta a quantidade de colesterol turada, pois está associada ao aumento do nível do
em diversos tipos de carne crua e cozida. colesterol LDL (indesejável) e à diminuição do HDL
(desejável). A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Colesterol (mg/100g) Sanitária) determinou que, a partir de 10. de agosto
Alimento de 2006, as empresas devem especificar nos rótulos o
cru cozido
teor de gordura trans de seus produtos.
carne de frango (branca) sem pele 58 75
É válido afirmar que a finalidade dessa determinação é
carne de frango (escura) sem pele 80 124 (A) esclarecer ou alertar sobre a quantidade de gor-
duras saturadas e de gordura trans.
pele de frango 104 139
(B) eliminar a adição de gorduras ou de ácidos graxos
carne suína (bisteca) 49 97 nos alimentos industrializados.
(C) substituir as gorduras ditas trans por gorduras sa-
carne suína (toucinho) 54 56 turadas desejáveis ao organismo humano.
carne bovina (contrafilé) 51 66 (D) estimular o consumo de outros alimentos, em es-
pecial à base de carboidratos.
carne bovina (músculo) 52 67 (E) alertar sobre a necessidade dos ácidos graxos es-
senciais ao organismo.
Com base nessas informações, avalie as afirmativas a
13. A identificação da estrutura do DNA foi fundamental
seguir. para compreender seu papel na continuidade da vida.
I. O risco de ocorrerem doenças cardiovasculares Na década de 1950, um estudo pioneiro determinou a
por ingestões habituais da mesma quantidade de proporção das bases nitrogenadas que compõem mo-
carne é menor se esta for carne branca de frango léculas de DNA de várias espécies.A comparação das
do que se for toucinho. proporções permitiu concluir que ocorre emparelha-
mento entre as bases nitrogenadas e que elas formam:
II. Uma porção de contrafilé cru possui, aproximada-
mente, 50% de sua massa constituída de colesterol. Exemplos de Bases Nitrogenadas
III. A retirada da pele de uma porção cozida de carne materiais analisados Adenina Guanina Citosina Timina
escura de frango altera a quantidade de coleste- Espermatozóide humano 30, 7% 19, 3% 18, 8% 31, 2%
rol a ser ingerida.
IV. A pequena diferença entre os teores de colesterol Figado humano 30, 4% 19, 5% 19, 9% 30, 2%
encontrados no toucinho cru e no cozido indica Medula óssea de rato 28, 6% 21, 4% 21, 5% 28, 5%
que esse tipo de alimento é pobre em água.
Espermatozóide de
32, 8% 17, 7% 18, 4% 32, 1%
É correto apenas o que se afirma em ouriço-do-mar
Plântulas de trigo 27, 9% 21, 8% 22, 7% 27, 6%
(A) I e II.
(B) I e III. Bactéria E. coli 26, 1% 24, 8% 23, 9% 25, 1%

(C) II e III. A comparação das proporções permitiu concluir que


(D) II e IV. ocorre emparelhamento entre as bases nitrogenadas
e que elas formam
(E) III e IV.
(A) pares de mesmo tipo em todas as espécies, evi-
12. Encontro em lanchonetes ou no intervalo das aulas denciando a universalidade da estrutura do DNA.
é uma das atividades de lazer de crianças e de ado- (B) pares diferentes de acordo com a espécie consi-
lescentes, e a comida preferida é o lanche à base de derada, o que garante a diversidade da vida.
hambúrguer com maionese e ketchup, batata frita, (C) pares diferentes em diferentes células de uma es-
salgadinhos, refrigerantes, entre outros. Porém esses pécie, como resultado da diferenciação celular.
alimentos vêm sofrendo condenação pelos médicos e (D) pares específicos apenas nos gametas, pois essas
nutricionistas, em especial por conterem componen- células são responsáveis pela perpetuação das es-
tes não recomendados, que são considerados “vilões” pécies.
para a saúde dessa população jovem como, por exem- (E) pares específicos somente nas bactérias, pois esses
plo, as gorduras trans e o excesso de sódio. organismos são formados por uma única célula.

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Biologia

14. Os nucleotídeos são constituídos por uma molécula Sobre as características químicas dessa molécula es-
de desoxirribose (D), uma molécula de ácido fosfórico sencial à vida, é correto afirmar que o DNA
(P) e uma base nitrogenada (adenina, guanina, timina
ou citosina). A ligação entre os nucleotídeos ocorre (A) de qualquer espécie serviria, já que têm a mesma
pela interação entre as bases nitrogenadas específi- composição.
cas, resultando em uma molécula ordenada e bem (B) de origem vegetal é diferente quimicamente dos
definida, o DNA. De acordo com essas informações, a demais, pois possui clorofila.
estrutura plana que representa um fragmento de DNA (C) das bactérias poderia causar mutações no couro
e o tipo de ligação química responsável pela interação cabeludo.
entre as bases nitrogenadas são, respectivamente, (D) dos animais encontra-se sempre enovelado e é de
difícil absorção.
(A) (E) de características básicas assegura sua eficiência
hidratante.

16. O leite materno é o único alimento que contém todos


os nutrientes necessários ao bebê durante os primei-
ros meses de vida, pois, além de fornecer os compos-
tos químicos necessários ao desenvolvimento, ele
(B)
contém anticorpos que ajudam a prevenir doenças.
Essas macromoléculas são classificadas como

(A) carboidratos de defesa que desempenham fun-


ções biológicas importantes.
(B) lipídios protetores que participam da formação
(C) de estruturas celulares.
(C) proteínas especiais encontradas nos seres vivos.
(D) vitaminas fundamentais à nossa saúde que pro-
duzem imunidade ativa.
(E) ácidos nucleicos constituídos por nucleotídeos.
(D)
17. O aumento da atividade industrial, embora tenha
trazido melhorias na qualidade de vida, agravou
os níveis de poluição do planeta, resultantes, prin-
cipalmente, da liberação de agentes químicos no
ambiente. Na tentativa de minimizar tais efeitos, di-
versas abordagens vêm sendo desenvolvidas, entre
(E) elas a substituição de agentes químicos por agentes
biológicos. Um exemplo é o uso, na indústria têxtil,
da enzima celulase no processo de amaciamento
dos tecidos, em substituição aos agentes químicos.
Considerando os conhecimentos sobre estrutura
e função de proteínas, é correto afirmar que essas
moléculas biológicas são úteis no processo industrial
15. Um fabricante afirma que um produto disponível co- citado devido à sua
mercialmente possui DNA vegetal, elemento que pro-
porcionaria melhor hidratação dos cabelos. (A) insensibilidade a mudanças ambientais.
(B) capacidade de uma única enzima reagir, simulta-
neamente, com diversos substratos.
(C) capacidade de diminuir a velocidade das reações.
(D) alta especificidade com o substrato.
(E) capacidade de não se reciclar no ambiente.

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Biologia

18. Alguns fatores podem alterar a rapidez das reações


químicas. A seguir, destacam-se três exemplos no con-
texto da preparação e da conservação de alimentos:
1. A maioria dos produtos alimentícios se conserva
por muito mais tempo quando submetidos à re-
frigeração. Esse procedimento diminui a rapidez
das reações que contribuem para a degradação
de certos alimentos.
2. Um procedimento muito comum utilizado em
práticas de culinária é o corte dos alimentos para
acelerar o seu cozimento, caso não se tenha uma
panela de pressão.
3. Na preparação de iogurtes, adicionam-se ao leite
bactérias produtoras de enzimas que aceleram as
reações envolvendo açúcares e proteínas lácteas.

Com base no texto, quais são os fatores que influen-


ciam a rapidez das transformações químicas relacio-
nadas aos exemplos 1, 2 e 3, respectivamente?

(A) Temperatura, superfície de contato e concentração.


(B) Concentração, superfície de contato e catalisadores.
(C) Temperatura, superfície de contato e catalisadores.
(D) Superfície de contato, temperatura e concentração.
(E) Temperatura, concentração e catalisadores.

1. C 10. C

2. D 11. E

3. E 12. A

4. D 13. A

5. A 14. A

6. B 15. A

7. E 16. C

8. B 17. D

9. E 18. C

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BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR

ESTUDO DA BIOLOGIA MOLECULAR Eletroforese e o Teste de Paternidade


A Biologia Molecular é o estudo da Biologia em nível A Eletroforese, ferramenta amplamente utilizada no
molecular, com especial foco no estudo da estrutura e da meio científico, é uma técnica baseada na separação de
função do material genético e seus produtos de expressão, partículas em um determinado gel de acordo com sua
as proteínas. Mais concretamente, a Biologia Molecular in- massa e carga.
vestiga as interações entre os diversos sistemas celulares, A eletroforese pode ser utilizada para separação de
incluindo a relação entre DNA, RNA e síntese proteica. É um diversas moléculas orgânicas, como lipoproteínas, prote-
campo de estudo alargado, que abrange outras áreas da ínas, RNA e DNA.
Biologia e da Química, em especial Genética e Bioquímica. O princípio da eletroforese utilizada para separação
de DNA se baseia na carga negativa global de uma fita de
Duplicação do DNA DNA. Lembre-se: o DNA possui radicais fosfatos (PO4 )
-3

Uma única molécula de DNA é capaz de se transfor- em cada um de seus nucleotídeos e é por isso que a mo-

BIOATP - BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR


mar em duas idênticas à original por meio de um processo lécula é carregada negativamente. Portanto, íons livres,
moléculas de DNA ou fragmentos de DNA em uma solu-
conhecido como duplicação semiconservativa. O nome
ção podem ser separados aplicando-se certa voltagem. Ao
deve-se ao fato de cada molécula nova de DNA conservar
final do processo, as cadeias de DNA estarão próximas ao
uma fita original e somente a outra fita, a fita complemen-
catodo (positivo), que atrai, devido à polaridade, molécu-
tar, ser realmente recém-sintetizada.
las de carga negativa. O gel de poliacrilamida forma uma
Esse é um processo que precede a divisão celular e malha constituída por uma rede de polímeros que permite
ocorre para que todas as células filhas continuem tendo a migração de moléculas. Moléculas de menor peso mole-
material genético. cular terão mais facilidade em atravessar a malha do gel,
Um erro que possa ocorrer durante a duplicação do posicionando-se, assim, mais próximas do catodo enquan-
DNA que altere a sequência de bases nitrogenadas é cha- to as moléculas com maior peso apresentam maior dificul-
mado de mutação, podendo este erro ser deletério, van- dade e se posicionam mais próximas do anodo. A distância
tajoso ou simplesmente indiferente. que o fragmento percorreu a partir do ponto de aplicação
é comparada com a distância que outros fragmentos de
tamanhos conhecidos percorreram no mesmo gel.

As fitas rosas e laranjadas são as fitas-molde para a síntese das verdes,


que se encontram na imagem em processo de construção.
Apesar de inúmeras enzimas participando deste pro-
cesso, destaca-se a helicase, responsável por romper as
ligações de hidrogênio, separando fitas do DNA, e a DNA
polimerase tipo III, a responsável por polimerizar as novas A eletroforese ficou famosa pela sua aplicação nos testes
fitas de DNA. de paternidade, apesar de sua aplicação em outros contextos.
É ainda relevante ressaltar que a DNA polimerase ca- Sabe-se que o DNA de qualquer pessoa apresenta se-
minha em um único sentido, ou seja, o sentido da dupli- quências polimórficas, isto é, que apresentam diferenças,
cação é unidirecional, sendo que a fita recém-sintetizada variando de um indivíduo para outro. O conjunto destas
sempre nasce no sentido do carbono 5’ para o carbono 3’, regiões polimórficas nos faz únicos, funcionando como
o que justifica a brincadeira que diz: “Qual o sentido da impressões digitais do DNA e, portanto, servem para nos
vida? De 5 para 3.” identificar e identificar nossa origem, tanto materna como

[Link] | Produção: [Link] 29


Biologia

paterna, uma vez que são herdadas e transmitidas de pais Entretanto, a descoberta do envolvimento do DNA, na
para filhos, da mesma forma que os genes. síntese de proteína, fez com que os cientistas esbarrassem
A partir desta descoberta, foram criados os testes de in- numa outra pergunta: como sintetizar uma sequência de
vestigação de paternidade. A partir do estudo das regiões aminoácidos, para compor a proteína, a partir de uma se-
polimórficas do DNA de um filho e da comparação destas quência de nucleotídeos?
com as mesmas regiões de um suposto pai, é possível afir- A resposta dessa pergunta veio mais tarde, quando os
mar se a criança herdou daquele suposto pai seu DNA. cientistas encontraram um padrão de molécula capaz de
Analise a seguinte imagem que representa o resultado “linkar” a sequência de nucleotídeos com os aminoácidos
de uma eletroforese, no qual fragmentos do DNA da mãe, específicos para a produção das proteínas – eis que se
da criança e de dois homens A e B foram separados no gel, descobre a molécula de RNA.
sendo um dos homens o pai da criança:
Etapas da Síntese Proteica
Em resumo, a síntese de proteína pode ser esquemati-
zada como: DNA → RNA → Proteína.
Entretanto, esse simples esquema é mais comple-
xo do que parece. Assim, os cientistas, para facilitar as
pesquisas, decidiram dividir e estudar separadamente
as etapas para a síntese de proteína. Dessa forma, deu-
-se origem às duas etapas da síntese de proteínas: etapa
do DNA para o RNA (transcrição) e etapa do RNA para a
Proteína (tradução).
• Processo de transcrição
Perceba que todas as bandas de DNA da criança que
No processo de transcrição, o segmento de DNA res-
não coincidem com as de sua mãe são encontradas no
ponsável pelo código da proteína (chamado gene) se abre,
Homem B, levando a conclusão que este é o seu pai.
isto é, rompe as ligações de hidrogênio entre os nucleotíde-
Síntese de Proteínas os complementares. Esse fato auxilia a inserção de uma ma-
quinaria específica com a finalidade de transcrever aquela
Como sintetizar proteínas? De onde elas vêm? sequência gênica em uma sequência de RNA, que no caso
Essas perguntas assombraram a comunidade científica por ficou conhecido como pré-RNA ou transcrito primário. A
muitos anos. Todavia, em meados dos anos de 1950, com a enzima RNA polimerase é quem atua neste processo, ini-
descoberta da molécula de DNA, é que se começou a compre- ciando no promotor (região com sequência específica de
ender os passos para a síntese de proteínas. É na molécula de nucleotídeos) e terminando no sítio de terminação (outra
DNA que está o código para a produção de uma proteína. região com sequência específica de nucleotídeos).
A RNA polimerase liga-se ao
promotor e inicia o desenrola-
Iniciação mento das fitas do DNA.
RNA polimerase
Fita complementar Sítio de iniciação Sítio de terminação

Reenrolamento Fita- Desenrolamento A RNA polimerase lê a fita-molde de


do DNA molde do DNA DNA a partir de 3’-para-5’ e produz o
transcrito de RNA a partir do 5’-para-3’.

Alongamento

Direção da Os nucleotídes são adicionados


transcrição na extremidade 3’ do RNA em
Nucleosídeos trifosfatados crescimento.
(A, U, C, G)
O DNA é transcrito em RNA. O DNA é parcialmente
desenrolado para servir como molde para a síntese
de RNA. O transcrito de RNA é formado e então
Transcrito de RNA retirado, permitindo ao DNA recém-transcrito
Quando a RNA polimerase alcança ser reenrolado na dupla-hélice. Três processos –
o sítio de terminação, o transcrito
de RNA é liberado do molde. iniciação, alongamento e terminação – constituem
Terminação
Sítio de terminação a transcrição do DNA. A RNA polimerase, na
realidade, é muito maior do que indicado aqui,
cobrindo cerca de 50 pares de bases.
RNA

30 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Esse RNA sitelizado a partir da transcrição é chamado de Pré-RNA.


O pré-RNA possui fragmentos codificantes de aminoácidos chamados éxons intercalados a fragmentos não codificantes
chamados íntrons. Estes últimos devem ser retirados e os éxons conectados entre si, processo chamado de splicing.
O splicing permite a formação de um RNA constituído somente de partes codificantes de aminoácidos e, portanto,
preparado para avançar para a próxima etapa da síntese proteica: a tradução. Este RNA é chamado de RNA mensageiro
(RNAm); tem este nome pois, nos eucariotos, é o responsável por levar a mensagem do gene que se encontra no núcleo
da célula para o citoplasma.

A partir desse momento, no RNAm, há sequências de O RNAm e o RNAt se encontram em sítios especí-
trinca de nucleotídeos (logo, trinca de bases nitrogena- ficos do ribossomo. Nesse local, o códon do RNAm se
das) que correspondem a um determinado aminoácido. parea com a sequência de trincas de bases nitrogena-

BIOATP - BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR


Essas trincas ficaram conhecidas como códons. das do RNAt, conhecidas como anticódon. Esse pare-
O sequenciamento do RNAm, derivado do DNA, segue amento faz com que o aminoácido ligado ao RNAt se
a regra da complementaridade. Dessa forma, a adeni- desprenda, fazendo ligação com os outros aminoácidos
na, guanina, citosina e timina, do DNA, fazem pares com consecutivos dos próximos códons. Dessa forma, ao
uracila, citosina, guanina e adenina, respectivamente, do longo do tempo, há a formação de uma proteína pelo
RNA. Vale ressaltar que o RNA é isento de timina, porém
sequencial pareamento de códons com anticódons e as
possui um nucleotídeo semelhante, a uracila.
ligações dos aminoácidos.
• Processo de tradução
O processo de tradução ocorre com a ajuda de dois A tradução do RNAm inicia-se no códon de inicia-
outros tipos de RNAs. O primeiro, o RNA ribossômico ção cuja sequência de bases nitrogenadas é AUG e
(RNAr), que forma o ribossomo, e este é o local onde ha- codifica o aminoácido metionina. A finalização deste
verá a tradução do processo da síntese de proteína; o se- processo ocorre quando o ribossomo alcança o códon
gundo é o RNA transportador (RNAt), o qual possui uma de terminação ou stop-códon cuja sequência de bases
sequência pré-definida de nucleotídeos e está associado a nitrogenadas pode ser UAG, UGA ou UAA e estes não
um aminoácido. codificam aminoácidos.

Iniciação
Códon de iniciação

nRNA mRNA
Sequência de Anticódon
reconhecimento
do ribossomo

Met é o aminoácido Sítio P


H2N metionina. Sítio A

A subunidade ribossomal menor liga-se à sua O tRNA carregado com metionina liga-se A subunidade ribossomal maior
sequência de reconhecimento no mRNA. ao códon de iniciação AUG, completando junta-se ao complexo de iniciação,
o complexo de iniciação com o tRNA carregado com a me-
tionina agora ocupando o sítio P.

A iniciação da tradução. A tradução inicia com a formação de um complexo de iniciação.

[Link] | Produção: [Link] 31


Biologia

Alongamento

Sítio P
Sítio A

Anticódon

Amino-terminal Amino-terminal Amino-terminal


tRNA
entrando
Reconhecimento do códon: O anticó- Formação da ligação peptídica: Pro Alongamento: o tRNA livre é li-
don do RNA liga-se ao códon exposto liga-se a Met. berado do sítio P e o ribossomo
no sítio A. caminha por um códon; portanto,
o polipeptídeo em crescimento
move-se para o sítio P. O tRNA livre
é liberado via sítio E.

Amino- Formação da ligação peptídica: Amino-terminal


terminal Tyr liga-se ao polipeptídeo em
crescimento. Tradução: O estágio
Reconhecimento do códon: Um Alongamento: O tRNA livre é liberado de alongamento.
anticódon do tRNA carregando tirosina do sítio P e o ribossomo livre avança; A cadeia polipeptídica
(Tyr) liga-se ao códon no sítio A. portanto, o polipeptídeo move-se alonga-se enquanto o
para o sítio P. mRNA é traduzido.

Características do Código Genético


Imagine uma dupla que está jogando Truco (jogo de baralho).
Em um dado momento, uma das pessoas pisca para o seu parceiro. Seu
parceiro deduz que o outro está com zapi (4 de paus, maior carta do
truco) e logo estão prestes a ganhar aquela partida. No entanto, por que
uma piscada de olhos foi interpretada como “ele possui o zapi” uma vez
que são coisas completamente diferentes? Porque isso é um código; o
código do truco. Por que um códon do tipo AUG indica que é hora de adi-
cionar o aminoácido metionina uma vez que são coisas completamente
diferentes? Porque isso é um código; neste caso, o código genético.
Se fossemos calcular o número de códons possíveis a partir da teo-
ria, teríamos 64 (4x4x4 = 64) tipos de códons, entretanto há somente Disponível em: [Link]
20 aminoácidos que se combinam para produzir a proteína, dessa for-
ma, intui-se que um aminoácido pode ser codificado por códons diferentes. Essa característica do código genético é co-
nhecida como redundância ou ainda pode-se dizer que o código genético é degenerado, alguns pesquisadores afirmam
que a redundância é uma característica importante que evita mutações gênicas com efeitos ao organismo que podem
ser prejudiciais. Observe a tabela de códons:

32 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

O código genético universal.


A informação genética é
codificada em unidades de três
letras no mRNA – códons –
feitas a partir das bases uracila
(U), citosina (C), adenina (A) e
guanina (G). Para decodificar
um códon, ache a primeira
letra na coluna da esquerda,
leia cruzando com o cabeçalho
para a segunda letra e leia
a coluna da direita para a
terceira letra. O aminoácido
que o códon especifica é dado
na linha correspondente.
Por exemplo, o AUG codifica
a metionina e o GUA codifica
a valina.

BIOATP - BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR


O termo redundância não deve ser confundido com Ainda com relação ao dogma central da biologia, acredi-
ambiguidade. Um código ambíguo significaria que um úni- tava-se que um único fragmento de RNA poderia gerar uma
co códon poderia especificar dois (ou mais) aminoácidos única proteína. Isto também foi alterado com a descoberta
diferentes; poderia, então, haver dúvidas se correspon- do splicing alternativo, que sugere combinações diferentes
desse, por exemplo, à leucina ou a alguma outra coisa. O de éxons provenientes de um mesmo pré-RNA. O que for-
código genético não é ambíguo. maria RNAs mensageiros diferentes e, logo, proteínas dife-
Por fim, o código genético parece ser universal, aplican- rentes. Em resumo, a ideia “um RNA origina uma proteína”
do-se a todas as espécies no nosso planeta. As exceções são foi substituída por “um RNA origina várias proteínas”.
muito poucas e pequenas, levando-nos a inferir uma lingua-
gem comum para a evolução de toda a vida no planeta.
Dogma Central da Biologia Molecular
O dogma central da biologia consiste no fluxo de informa-
ção do DNA para o RNA (transcrição) e do RNA para a proteína
(tradução). No entanto, alguns vírus (retrovírus) modificaram
o dogma central: neles há ainda que se falar em transcrição
reversa, processo pelo qual um RNA codifica um DNA.

Os fragmentos 1, 2, 3 e 4 representam éxons.

ESTUDO DA BIOLOGIA CELULAR


(CITOLOGIA)
Célula: Unidade Básica da Vida
Todos os organismos são compostos de células. Todas
as células são originadas a partir de células pré-existen-
tes. Essas duas afirmativas constituem a teoria celular.
Assim como os átomos são as unidades da química, as cé-
lulas são os blocos constitutivos da vida.
Membrana Plasmática: Um Mosaico Fluido
O dogma central. (a) A informação flui do DNA para as proteínas, Todas as células são circundadas por uma membrana
como indicado pelas setas. (b) O ciclo reprodutivo dos retro-vírus plasmática, a qual separa cada célula do seu ambiente,
adiciona uma etapa, a transcrição reversa, para o dogma central. criando um compartimento segregado (mas não isolado).

[Link] | Produção: [Link] 33


Biologia

A membrana plasmática é composta de uma bicama- Em ambos os processos, o soluto sai do meio mais con-
da fosfolipídica, com as porções hidrofóbicas dos lipídios centrado (hipertônico) para o meio menos concentrado
voltadas para o interior aquoso da célula de um lado e o (hipotônico), diferenciando-se apenas no fato do primeiro
ambiente extracelular do outro. Apresentam ainda prote- ser um transporte não mediado por proteínas e o segundo
ínas embebidas nos lipídios e um glicocálix (carboidratos exigir mediadores.
associados à face extracelular dos lipídios ou a das pro-
teínas). A movimentação das moléculas na membrana a
caracterizou como um mosaico fluido.
Vale ressaltar que em alguns seres vivos a membrana
celular não é a estrutura mais externa da célula, podendo
estar envolvida pela parede celular. A parede celular con-
siste em um revestimento rígido que pode ser constituído
por peptídeoglicano como em bactérias, por sílica como
em algas crisófitas, por quitina como em fungos, ou ainda
por celulose como em outras algas e também nas plantas.
Glicídios que constituem
Proteínas
o glicocálix

A difusão simples é o transporte que ocorre quando


o cozinheiro deseja dessalgar o bacalhau. Neste caso, o
Camada
dupla de peixe é colocado em uma vasilha com água. A partir daí, o
fosfolipídios sal sai do alimento para o meio. Assim, o sal é transporta-
do do peixe (meio hipertônico) para a água ao seu redor
Representação esquemática da membrana plasmática segundo o (meio hipotônico), caracterizando um exemplo de diálise.
modelo do mosaico fluido.
Outro exemplo de difusão simples, agora com aplica-
• Transporte membranar ção médica, é a hemodiálise. O sangue da pessoa é bom-

A membrana plasmática pode facilitar, dificultar ou beado para um tubo revestido de uma membrana semi-
impedir a passagem de substâncias, uma propriedade de- permeável, imerso em uma solução com componentes do
signada por permeabilidade seletiva. plasma sanguíneo. As partículas dos resíduos tóxicos pre-
O movimento de sentes no sangue da pessoa passam através da membrana
substâncias através da (processo de diálise), sendo eliminados. Já o sangue limpo
membrana pode ocor- volta para o corpo do paciente. Como as células sanguíne-
rer sem intervenção as, as proteínas e plaquetas são grandes não passam pelos
de moléculas trans- poros da membrana.
portadoras, transpor-
te não mediado, ou
com intervenção des-
sas moléculas, trans-
porte mediado.
Pode-se ainda
classificar os transpor-
tes nas membranas
em passivos, aqueles
que ocorrem a fa-
vor do gradiente de
concentração e não exige gasto energético, ou ativos, os
quais, por sua vez, ocorrem contra o gradiente de concen-
tração e, por isso, só acontece consumindo energia.
Entre os exemplos de transportes passivos, encontram-
-se a difusão simples (ou diálise) e a difusão facilitada. Disponível em: [Link]

34 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Um especial transporte passivo, no entanto, refe-


re-se ao transporte de água ao invés do soluto que,
neste caso, sai do meio hipotônico para o hipertônico
chamado osmose.

A osmose pode ser identificada em vários contextos


nos seres vivos. Um caso diz respeito à absorção de água
pelas raízes dos vegetais. Na raiz, ao redor do xilema, exis-

BIOATP - BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR


te um tecido chamado periciclo, que bombeia íons para o
As células animais, por não apresentarem parede ce- interior deste vaso condutor de seiva, tornando seu meio
lular, comportam-se diferentemente das células vegetais interno hipertônico com relação ao solo. Assim, por os-
quando presentes em meios hipotônicos. Analise a ima- mose, a água sai do solo para o interior do xilema da raiz,
gem a seguir: garantindo a sobrevivência da planta.

Parede celular
Plasmodesmos

Estria de
Caspary
A água e os íons atravessam
a membrana plasmática para Interior do xilema
penetrar no simplasto. encontra-se hipertônico
com relação à solução
presente no solo, devido
ao bombeiamento de íons
realizado pelo Periciclo.

Endoderme
Periciclo   Xilema  Floema
Epiderme
Parênquia
A solução de água com cortical Estelo
sais minerais presente
no solo é hipotônica
com relação àquela do
interior do xilema.
No apoplasto, a água
e os íons seguem o
caminho das paredes
Pêlo da raiz celulares e dos espaços
intercelulares.

Disponível em: [Link]

Em seres humanos, a osmose está relacionada com o alerta que diz: “Cuidado com o excesso de sal na alimentação!
Ele pode causar uma hipertensão”. Isso ocorre porque o sal ingerido, ao ser absorvido pelo intestino, cai no sangue,
tornando-o hipertônico em relação à solução que banha os tecidos. Por isso, por osmose, a água sai do interstício (re-
gião entre as células dos tecidos) para o interior dos vasos sanguíneos. Isso leva a um aumento do volume plasmático
e, consequentemente, à hipertensão.

[Link] | Produção: [Link] 35


Biologia

O processo inverso à endocitose chama-se exocitose,


no qual as células libertam para o meio extracelular subs-
tâncias armazenadas em vesículas.

No caso de transportes
ativos, o exemplo mais co-
mum é a bomba de sódio e
potássio encontrada na mem-
brana dos neurônios. Essa
Disponível em: [Link]
bomba é uma proteína que,
consumindo ATP (energia), Citoplasma
joga três sódios para o meio
extracelular e dois potássios Todas as células são preenchidas por um coloide cha-
para o meio intracelular. mado hialoplasma ou citosol e nele estão mergulhadas
as organelas. O citosol se encontra mais denso em algu-
Por fim, ocorre também
mas regiões e mais fluido em outras, sendo estes estados
a entrada, para o interior da
chamados de gel e sol, respectivamente. Ocorre ainda um
célula, de macromoléculas,
movimento citoplasmático, ciclose, que objetiva a homo-
de partículas com maiores
geneização do conteúdo intracelular.
dimensões ou até mesmo
de pequenas células, por Quando a célula é procarionte, no hialoplasma encon-
invaginação da membrana tra-se o DNA disperso e somente a organela ribossomo. Já
plasmática. Este transporte As esferas representam os íons na célula eucarionte, no hialoplasma, encontra-se o nú-
chama-se endocitose. Na+ e os losangos os íons K+. cleo delimitado pela carioteca onde se encontra o DNA,
Existem três tipos de endocitose: a pinocitose, a fago- além de inúmeras organelas.
citose e a endocitose mediada por receptores. Parede
bacteriana
Citosol Ribossomos Subunidade maior

Nucleoide
Endocitose
Na fagocitose, a mem-
brana plasmática englo-
ba partículas de grandes
Subunidade menor
dimensões ou mesmo
  RIBOSSOMO
células inteiras, através da
emissão de pseudópodes.

A pinocitose constitui um Membrana


plasmática
processo semelhante à fa-
gocitose, no qual as subs- CITOPLASMA Flagelos
tâncias que entram na bacterianos
célula são dissolvidas ou
fluidas, sendo as vesículas
de menores dimenções. Parede Proteínas do flagelo
Neste caso não há for- bacteriana bacteriano
Proteínas
mação de pseudópodes e
sim, um canal pinocítico. MEIO
EXTERNO
Na endocitose mediada
por receptor, as macro-
moléculas entram na Representação esquemática de uma célula procariótica com uma parte
célula ligadas à mem- removida para mostrar os componentes internos.
brana das vesículas de No detalhe, à esquerda, representação esquemática da base do flagelo
endocitose. incrustada na parede e na membrana plasmática. Acima, à direita,
representação esquemática de um ribossomo mostrando as duas
Disponível em: [Link] subunidades que o constituem.

36 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Cromatina
A
Nucléolo B Cromatina
Centríolo
NÚCLEO Nucléolo
Carioteca Ribossomos
Microtúbulos NÚCLEO
Poro Carioteca
Retículo Vacúolo central
Poro
endoplasmático CITOSOL
granuloso Peroxissomo
Cloroplasto
CITOSOL Mitocôndria

Retículo endo-
plasmático não
granuloso Complexo
golgiense
ou dictios-
somos
Lisossomo Complexo
golgiense Microtúbulos
Parede
Membrana celulósica
Ribossomos plasmática Membrana plasmática Lamela média
Mitocôndria

Representação esquemática de célula animal (A) e de célula vegetal (B), indicando seus principais componentes.

• Organelas citoplasmáticas dictiossomos. É responsável pelo armazenamen-


As organelas citoplasmáticas são estruturas presentes to, modificação, “empacotamento” e exportação
no citoplasma das células, e que desempenham importan- das proteínas produzidas no interior do retículo

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tes funções resumidas a seguir: endoplasmático rugoso, por meio da exocitose.
a) Ribossomos – São estruturas não membranosas Resumindo, é o responsável pela secreção celular.
constituídas de RNA ribossômico e proteínas. Ainda desempenha papel importante na formação
Quando isolados no citosol atuam na síntese de dos espermatozoides dos animais, originando o
proteínas de consumo interno da célula e quando acrossomo, uma grande vesícula repleta de enzi-
aderidos à membrana do retículo endoplasmático mas digestivas, que ocupa o topo da “cabeça” do
produzem proteínas de exportação. espermatozoide. São estas enzimas que auxiliam a
penetração do espermatozoide no gameta femini-
b) Retículo endoplasmático – É um sistema de mem- no durante a fecundação. Outra função importante
branas em formato de tubos e sacos. Quando não do aparelho de Golgi é a síntese de carboidratos e
se encontra associado a ribossomos, é chamado sua participação da formação de lisossomos.
de liso ou agranular. Na presença de ribossomos
aderidos à membrana, passa a ser chamado de Segmento
retículo endoplasmático rugoso ou granular ou Membrana plasmática
intermediário Cabeça

apenas ergastoplasma. O retículo endoplasmá- Núcleo


tico agranular, além de conduzir substâncias pelo Flagelo Acrossoma
Mitocôndria
citoplasma, é o principal local de produção de
diversos lipídios, como colesterol, fosfolipídios e Centríolo
hormônios esteroides. Ele ainda tornou-se espe-
cializado em células musculares, nas quais ele é
denominado retículo sarcoplasmático. Nestas
células, ele funciona sequestrando íons de cál-
cio do citosol, auxiliando o controle da contração
muscular. O retículo endoplasmático agranular
também participa dos processos de desintoxica- Disponível em: [Link]
ção das células e nas células do fígado, por exem-
plo, ocorre modificação ou destruição de diversas d) Lisossomos – São pequenas vesículas com enzi-
substâncias tóxicas, entre elas o álcool. Já o retí- mas digestivas que atuam para digerir substân-
culo endoplasmático granular, graças aos ribosso- cias que penetram na célula por fagocitose ou pi-
mos, fabrica diversos tipos de proteínas. nocitose (heterofagia). Também são responsáveis
por digerir estruturas celulares desgastadas (au-
c) Complexo de Golgi ou complexo lameloso – É
tofagia). Hoje já se conhecem mais de 25 doenças
um conjunto de sacos achatados que, nos ani-
humanas devidas à incapacidade das células de
mais, encontram-se empilhados e, nas plantas,
produzir uma ou mais enzimas lisossômicas como
dispersos pelo citoplasma recebendo o nome de
a doença de Tay-Sachs, a Silicose e a Abestose.

[Link] | Produção: [Link] 37


Biologia

e) Vacúolo central – As células vegetais também i) Mitocôndrias – São estruturas com dupla mem-
realizam autofagia, mas não por meio de lisos- brana, DNA próprio e circular. Possui ainda ribos-
somos. A digestão dos componentes celulares somos no seu interior, sendo capaz de produzir
desgastados ocorre no vacúolo central, no qual
suas próprias proteínas e ainda realizar autodu-
há enzimas digestivas comparáveis às enzimas li-
sossômicas. Os vacúolos armazenam compostos plicação. São consideradas as usinas elétricas da
variados: açúcares, ácidos orgânicos e, em alguns célula por serem as responsáveis pela respiração
casos, proteínas, como ocorre nas sementes. Eles celular.
atuam também como reservatório de substâncias
j) Plastos – São organelas com várias semelhan-
potencialmente prejudiciais ao citoplasma, resí-
duos celulares, toxinas como a nicotina e alguns ças com as mitocôndrias: apresentam dupla
pigmentos de folhas e pétalas. membrana, DNA próprio e circular e ribosso-
f) Peroxissomos – São bolsas membranosas que mos; produzem suas próprias proteínas e tam-
contêm diversos tipos de oxidases, enzimas que bém realizam autoduplicação. Quando os plas-
utilizam gás oxigênio (O2) para oxidar substâncias tos não apresentam pigmentos, são chamados
orgânicas, o que gera H2O2, degradado pela enzi- de leucoplastos, podendo armazenar amido
ma catalase ou peroxidase. (amiloplasto), óleo (oleoplasto), entre outros.
2 H2O2 2 H2O + O2 Cromoplastos são os plastos com pigmentos
g) Citoesqueleto – Uma diferença marcante entre vermelhos ou amarelos, conferindo cores aos
células procarióticas e eucarióticas é que as úl- frutos, certas flores, folhas e ainda algumas ra-
timas apresentam citoesqueleto, uma complexa ízes como a cenoura. Cloroplasto, por sua vez,
estrutura intracelular constituída por tubos (mi- é o tipo principal de plasto, que se caracteriza
crotúbulos) e filamentos (microfilamentos e fila- por apresentar cor verde, decorrente da pre-
mentos intermediários). Desempenha funções
sença do pigmento clorofila. São os responsá-
como: definir a forma da célula; aderir as células
umas as outras; possibilitar o deslocamento de veis pela fotossíntese e estão presentes apenas
materiais no meio intracelular; permitir movi- nas células de plantas e algas.
mentos celulares.
• Teoria da endossimbiose
h) Centríolos – São cilindros tubulares constituídos
de nove conjuntos de três microtúbulos relacio- A Teoria da Endossimbiose, também conhecida
nados com a divisão celular, não estando presen- como Endossimbiose Sequencial, proposta por Lynn
tes em células vegetais. Também se responsabili- Margulis, propõe que organelas que compõem as cé-
zam pela formação de cílios e flagelos. lulas eucariontes tenham surgido como consequência
Trincas de microtúbulos
de uma associação simbiótica estável entre organis-
conectadas por mos. Mais especificamente, esta teoria postula que
proteínas adesivas as mitocôndrias e os cloroplastos dos organismos eu-
cariontes têm origem em um procarionte – provavel-
mente um antepassado das bactérias e cianobactérias
atuais, respectivamente – que viveu em simbiose den-
tro de outro organismo, também unicelular, mas pro-
vavelmente de maiores dimensões, obtendo, assim,
proteção e fornecendo ao hospedeiro a energia (ATP)
proveniente da respiração celular e a glicose fornecida
pela fotossíntese.
Disponível em: [Link]

38 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Ancestral Procarionte
das atuais ancestral Mitocôndria
bactérias hetorotrófico Célula Célula ancestral
Mitocôndria dos protozoários,
aeróbio eucarionte
fungos e animais.

Mitocôndria

Célula hospedeira Estabelecimento de Célula ancestral


ancestral relações de simbiose das algas e
plantas.

Ancestral das Procarionte


atuais cianobactérias Cloroplasto
ancestral
fotossintético Os cloroplastos evoluíram depois das mitocôndrias, por
relações de endossimbiose com procariontes autotróficos

Metabolismos Energéticos chamada ATP (Adenosine Triphospate ou trifosfato de


adenosina), a partir de ADP (difosfato de adenosina) e
Metabolismos energéticos é o nome dado aos conjun-
Pi (fosfato inorgânico).
tos de reações envolvidos na degradação de glicose (me-
tabolismos heterotróficos) ou na sua síntese (metabolis-
mos autotróficos).

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Metabolismos Heterotróficos
• Respiração celular ou respiração aeróbia
Quando ouvimos a palavra respiração, imediatamente
a associamos com a troca de gases que ocorre no interior
dos alvéolos pulmonares, em muitos animais terrestres,
ou nas brânquias, em animais aquáticos: o gás oxigênio
passa do ar atmosférico ou da água para o sangue, en-
quanto o gás carbônico realiza o movimento contrário.
Essa troca de gases, que não ocorre apenas nos ani-
mais, mas também em vegetais e em muitos microrganis-
mos, é, no entanto, apenas o início (e também o fim) de A energia liberada durante a respiração celular fica,
um processo por meio do qual se obtém energia e que portanto, armazenada nas moléculas de ATP e, a partir
ocorre no interior das células da maioria dos seres vivos: a daí, pode ser usada para todas as atividades celulares
respiração celular. que requerem gasto energético. Poderíamos, então,
Podemos representar a respiração celular, de forma completar a equação química da respiração celular da
bastante simplificada, pela seguinte equação química: seguinte forma:
C6H12O6 + 6O2 6CO2 + 6H2O C6H12O6 + 6O2 6CO2 + 6H2O + ATP
Costumava-se admitir a formação de 38 moléculas de
Sendo: C6H12O6 - glicose e O2 - gás oxigênio; CO2 - gás car- ATP durante todo o processo da respiração celular, mas
bônico e H2O – água. pesquisas mais recentes mostram que, a partir de uma
O gás oxigênio é transportado até o interior das célu- molécula de glicose, formam-se, no máximo, 30 de ATP,
las, onde reage com a glicose, molécula proveniente da sendo portando esse valor incerto.
digestão dos alimentos consumidos pelos animais ou, no A equação acima ainda é uma simplificação do proces-
caso dos vegetais, produzida durante a fotossíntese. so, já que a respiração celular constitui-se de uma série
Essa reação química leva à formação de moléculas de de reações químicas distribuídas em três etapas: glicólise,
água e gás carbônico – que, por sua vez, será eliminado da ciclo de Krebs e fosforilação oxidativa.
célula e transportado pelo sangue ou seiva até sua elimi-
Cada uma dessas etapas ocorre em lugares diferentes:
nação para o ambiente.
Esse processo, entretanto, libera a energia contida nas • Glicólise → no citoplasma
ligações químicas da molécula de glicose, e parte dessa • Ciclo de Krebs → na matriz mitocondrial
energia é utilizada para a formação de uma substância • Fosforilação oxidativa → nas cristas mitocondriais

[Link] | Produção: [Link] 39


Biologia

Membrana Membrana
interna externa
Matriz
mitocondrial Cristais
mitocondriais

O ácido pirúvico passa, então, no interior das mitocôn-


drias, organelas celulares onde ocorrem as etapas seguintes.
Esquema de uma mitocôndria.
– Ciclo de Krebs ou ciclo do Ácido Cítrico
Disponível em: [Link] No espaço intermembranas (região entre a membrana ex-
terna e interna das mitocôndrias) o ácido pirúvico reage com
– Glicólise
uma substância chamada coenzima A, dando origem a duas
Esta primeira etapa, cujo nome significa quebra da gli- moléculas de gás carbônico e duas de acetilcoenzima A (com-
cose (do grego: glykýs, açúcar e lýsis, quebra), ocorre no posto com dois carbonos). Esta substância entra na matriz mi-
citoplasma das células. Para que ela ocorra, há um gasto tocondrial (solução aquosa no interior das mitocôndrias), onde
inicial de energia (duas moléculas de ATP são consumi- se liga a um composto chamado oxaloacetato (composto com
das), mas que será reposto, já que, ao final dessa primeira quatro carbonos) produzindo o citrato (ou ácido cítrico, com-
etapa, o resultado é a formação de duas moléculas de áci- posto com seis carbonos). Este é totalmente degradado numa
do pirúvico e quatro moléculas de ATP, havendo, portanto, série de reações denominadas pelo nome genérico de ciclo de
um saldo energético de dois ATP. Krebs e que tem, como produtos, moléculas de gás carbônico,
além de elétrons energizados e íons H+, que serão capturados
Além disso, também ocorre a liberação de elétrons por NAD+ e por outro aceptor de elétrons e de hidrogênio cha-
energizados e íons H+, que são capturados por moléculas mado FAD (Flavine Adenine Dinucleotide), originando molécu-
de uma substância aceptora de elétrons chamada NAD+ las de NADH e FADH2. Durante esse processo, formam-se tam-
(Nicotinamide Adenine Dinucleotide), formando duas mo- bém duas moléculas de GTP (Guanosina trifosfato, molécula
léculas de NADH. muito semelhante ao ATP).

40 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

– Fosforilação oxidativa ou Cadeia Respiratória formado em ácido lático, ácido acético ou etanol, depen-
As moléculas de NADH e FADH2 provenientes do ciclo dendo do organismo, como veremos a seguir.
de Krebs liberam os elétrons energizados e os íons H+. Os • Fermentação
elétrons assim liberados passam por uma série de proteí- É a degradação parcial da glicose na ausência do O2,
nas transportadoras (citocromos) presentes nas membra- originando substâncias simples como ácido lático (fer-
nas internas da mitocôndria (cristas mitocondriais). mentação lática), álcool etílico (fermentação alcoólica) e
A essa série de proteínas dá-se o nome de cadeia res- o ácido acético (fermentação acética). Nesse processo, há
piratória e, durante a passagem através dela, os elétrons saldo de apenas duas moléculas de ATP.
perdem energia que é, então, armazenada em moléculas A fermentação ocorre no citosol, onde a glicose é degra-
de ATP. Apesar de incerto, se diz que para cada um NADH2 dada originando duas moléculas de piruvato (ácido pirúvico),
que participa da cadeia respiratória são produzidos três cada uma com três carbonos (C3H4O3); essa etapa é a glicólise
ATPs. Como o FADH2 participa da cadeia respiratória sem que, como já vimos, também acontece na respiração celular.
passar pelo primeiro complexo proteico, é capaz de produ- – Fermentação lática: Glicose → ácido lático + 2 ATP
zir apenas dois ATPs (valor que também é questionável).
O piruvato obtido na glicólise é transformado em ácido
Ao final da cadeia respiratória, os elétrons menos energi- lático (ou lactato) pela utilização dos íons hidrogênio trans-
zados e os íons H+ combinam-se com átomos provenientes do portados pelos NADH provenientes da glicólise. É realizada
gás oxigênio, formando seis moléculas de água. Fosforilação por algumas bactérias, fungos e por células do tecido mus-
oxidativa é a reação em que se formam as moléculas de ATP cular esquelético do corpo humano. Quando o exercício fí-
com a energia liberada pelos elétrons durante sua passagem sico muscular é muito intenso, pode haver insuficiência de
pela cadeia respiratória, tendo o gás oxigênio ao final dela, O2 para manter a respiração, então as células musculares

BIOATP - BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR


por isso o O2 é considerado o aceptor final de elétrons. passam a degradar anaerobicamente a glicose em lactato,
que pode ser acumulado nos músculos, contribuindo para
a fadiga muscular. Outros exemplos são o azedamento do
leite e a produção de conservas, como o picles.
– Fermentação alcoólica: Glicose → álcool etílico +
CO2 + 2 ATP
O piruvato libera inicialmente uma molécula de CO2,
formando um composto de dois carbonos que sofre re-
dução pelo NADH, originando álcool etílico. Ocorre princi-
palmente em bactérias e leveduras (fungos unicelulares),
entre as quais podemos citar a espécie Saccharomyces
cerevisiae, que é utilizada na fabricação de bebidas alco-
ólicas e de pão, transformando os açúcares contidos em
Esquema simplificado da participação do NADH2 na
cadeia respiratória, produzindo três ATPs. sucos de uva e malte em vinho e cerveja, respectivamen-
te. Na fabricação do pão, o CO2 produzido fica armazena-
do em pequenas câmaras (alvéolos) no interior da massa,
fazendo-a crescer. Ao assar a massa, as paredes dessas
câmaras se enrijecem, mantendo sua estrutura alveolar.

Esquema simplificado da participação do FADH2 na


cadeia respiratória, produzindo dois ATPs.

Embora o gás oxigênio só participe da fosforilação oxi-


dativa, na sua ausência também não acontece o ciclo de
Krebs, razão pela qual dizemos que essas são etapas ae-
róbicas da respiração celular, enquanto a glicólise é uma
etapa anaeróbica. Na ausência desse gás, alguns organis-
mos realizam a fermentação, em que a quebra da glicose
forma duas moléculas de ATP e ácido pirúvico, que é trans- Esquema da fermentação alcoólica.

[Link] | Produção: [Link] 41


Biologia

– Fermentação acética: Glicose → ácido acético + Membrana externa


CO2 + 2 ATP Membrana interna
É realizada por bactérias denominadas acetobactérias,
produzindo o ácido acético e CO2. A fermentação acética é
utilizada na fabricação de vinagre e provoca o azedamen-
to de vinhos e sucos de frutas.

Metabolismos Autotróficos Granum (pilha Tilacoide (estrutura Estroma (coloide que


de tilacoides) onde se encontra as preenche o cloroplasto)
A síntese de glicose pode ocorrer por diferentes ti- clorofilas)

pos de metabolismos; entre eles, há quimiossíntese e Disponível em: [Link]


fotossíntese.
– Fotossistemas: PSI e PSII
Na quimiossíntese, processo muito mais raro que a fo-
Nos tilacoides, as clorofilas se agrupam, formando fo-
tossíntese, algumas bactérias realizam oxidação de com- tossistemas que são conhecidos por PSI (do inglês, pho-
postos inorgânicos como fonte de energia para a síntese tosystem) e PSII. Os dois tipos de fotossistemas diferem
de substâncias orgânicas (glicose) a partir do CO2. quanto à constituição de seus centros de reação. Ambos
possuem duas moléculas de clorofila a em cada centro de
reação, mas diferem quanto aos tipos de proteína às quais
as clorofilas estão associadas. O complexo clorofila-prote-
ína do PSI, que absorve luz de comprimento de onda igual
ou menor a 700nm, é chamado P700, enquanto o complexo
clorofila-proteína do PSII, que absorve luz de comprimen-
to de onda igual u menor a 680nm, recebe a denominação
de P680.
Entretanto, a principal diferença é quanto à função:
apenas o PSII consegue realizar a fotólise da água (quebra
da água depois que a clorofila P680 foi excitada pela luz) e
apenas a clorofila P700 do PSI consegue transferir elétrons
para o aceptor final, o NADP+.
A maior diferença da quimiossíntese para a fotossíntese Parede Célula
celular clorofilada
é a fonte de energia para a síntese de glicose, que, neste Núcleo

último caso, é proveniente da luz solar ao invés de reações


químicas de oxidação. Como se trata do principal metabo- Folha
Cloroplasto
Vacúolo

lismo autotrófico, será o mais detalhadamente estudado.


Esquema da
Existe ainda um metabolismo autotrófico chamado Membrana externa
Tilacoide molécula de
clorofila
fotorredução, referente à fotossíntese bacteriana. Neste
Membrana Fotossistema
caso, as bactérias realizam um tipo de fotossíntese em que interna
Tilacoide
a substância doadora de elétrons não é a água, mas, sim, DNA
o gás sulfídrico (H2S). Neste processo, há produção de en- Granum
Cloroplasto Estroma Granum

xofre e não gás oxigênio. Membrana do tilacoide

– Fase clara ou Fotoquímica


Fonte de carbono Fonte de energia Doador de elétrons
Esta fase pode ocorrer de duas formas: fotofosforila-
CO2 Luz do sol H2S ção cíclica ou fotofosforilação acíclica. Em ambos os pro-
cessos há absorção da luz pelas clorofilas, as quais liberam
CO2 + 2 H2S + Luz → CH2O + 2S + H2O elétrons para transportadores existentes nos tilacoides.
Você poderá perguntar: qual a vantagem desse trans-
Fotossíntese porte de elétrons? A resposta é que, ao efetuar o retorno
É o processo de produção da glicose (energia quími- para a molécula de clorofila, a partir dos citocromos, os
ca) a partir de gás carbônico, água e luz solar, dividido em elétrons liberam energia, pois retornam aos seus níveis
duas etapas: fase clara e fase escura. A primeira ocorre no energéticos originais. E essa energia é aproveitada para a
tilacoides e a segunda nos estroma. síntese de moléculas de ATP, que serão utilizadas na fase
escura da fotossíntese.

42 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Fotofosforilação Cíclica
Estado P700
excitado
e– 2e–
e

H+ Ferrodoxina
e–

Citocromos
da cadeia
transportadora
de elétrons

ATP Plastocianina

H–
H+
A diferença entre a fosforilação cíclica para a acíclica é H+
que na primeira os elétrons que saem do PSI voltam para H+
a mesma, fechando o ciclo, não havendo participação do P700
PSII. Na segunda, os elétrons que saem do PSI reduzem o
NADP+ e os elétrons que saem da PSII reduzem a clorofila Fotossistema I Ciclo
do PSI que foi previamente excitado pela luz. A redução, das pen-
Representação do caminho dos elétrons na toses
entretanto, do PSII ocorre graças à fotólise da água.

BIOATP - BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR


fotofosforilação cíclica.
Fotofosforilação Acíclica
Estado P700
excitado
e–
2e–
e–
e–
Estado
excitado P680 H+ Ferredoxina
e– e–
2e– e– NADP+
+ H+
e– Citocromos
da cadeia
NADPH
Nível de energia dos elétrons

transportadora
H2O de elétrons

ATP Plastocianina
2H+

1/2O2 H–
H+
H+
H+

P700

2e– Fotossistema I Ciclo


P680 das
Pentoses

O arremesso da bola para o alto de um segundo an-


e– daime corresponde à excitação do elétron na molécula
Fotossistema II ADP de clorofila P700. Nesse caso, no entanto, a bola cai
+ no balde e se mantém no alto, conservando, assim, a
A energização dos elétrons da Pi energia adquirida: da mesma forma, o elétron conser-
clorofila P680 é comparável ao lança- e– e– va a energia adquirida do fóton na forma de energia
mento de uma bola para o alto de potencial. No PSI, o elétron excitado é capturado e
NADP
um andaime: no alto, a bola conser- mantido com nível alto de energia no NADPH. É com
va a energia potencial utilizada para e– esse alto nível energético que ele será transferido para
lançá-la, da mesma forma que o e– as moléculas de glicídios que se formam na fotossínte-
e–
elétron excitado conserva a energia se. Essa energia potencial dos elétrons só será liberada
do fóton que o elevou a esse nível quando o glicídio for degradado na fermentação ou na
energético. Ao descer, a bola move respiração aeróbica.
um moinho, o que corresponde à
transformação de energia potencial
em energia cinética, com realização e– ATP
de trabalho; corresponde à movi- Representação do caminho dos elétrons na fotofosforilação
Fóton

mentação do motor da sintetase na


produção de ATP.
acíclica, em analogia a um sistema mecânico de arremesso
de bola para o alto de andaimes.

[Link] | Produção: [Link] 43


Biologia

A fotofosforilação acíclica é o processo mais expres- – Fase escura ou química ou bioquímica ou ciclo de
sivo. Somente nele ocorre a fotólise da água devido à par- Calvin ou ciclo das pentoses
ticipação do PSII. Essa reação de quebra da água libera H+
para a formação do NADPH2. Essa é também a reação que Esta fase se inicia com seis moléculas RuBP (ribulose
libera elétrons para as clorofilas do PSI, além de liberar 1,5 bifosfato), um exemplo de pentose (carboidrato de
O2. Assim, a fotólise da água, ou reação de Hill, pode ser cinco carbonos) que se liga, cada uma delas, a seis CO 2
sumarizada na seguinte equação: provenientes da atmosfera, gerando 6 hexoses (carboi-
drato de seis carbonos) extremamente instáveis que se
quebram em 12 PGA (ácido fosfoglicérico, compostos
de três carbonos cada).
Os 12 PGA transformam-se em 12 PGAl (fosfoglice-
raldeído) com consumo de ATP e NADPH2 proveniente
da fase clara. Dos 12 PGAl, dois se juntam, originando a
Tanto o ATP quanto o NADPH2 produzidos na fase glicose (produto final da fotossíntese) e os outros 10 se
clara serão utilizados na fase escura. reorganizam nas seis RuBP, fechando o ciclo.

– Visão geral da Fotossíntese Atenção: dois erros são comuns quanto ao assunto fo-
tossíntese. O primeiro é achar que o O2 liberado pela
planta na atmosfera é proveniente do CO2 captado.
Repare que o O2 vem da água ainda na fase clara e não
do CO2, o qual só participa na fase escura. O segundo
erro é pensar que, como somente na primeira fase a luz
tem participação direta, a fase clara acontece de dia e a
fase escura de noite. Toda a fotossíntese ocorre de dia,
pois a fase escura é dependente dos produtos da fase
clara e esta é dependente da luz.

44 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

– Fatores que influenciam a taxa fotossintética de Compensação Luminoso ou Ponto de Compensação


A taxa de fotossíntese varia de acordo com a concen- Fótico. As plantas que vivem preferencialmente em locais
tração de CO2 no meio, a intensidade luminosa e a tem- pouco iluminados (plantas umbrófilas ou “de sombra”)
peratura, seguindo os seguintes gráficos: têm PCF baixo. Já as que vivem em locais bem iluminados
(plantas heliófilas ou “de sol”) têm PCF elevado.

1. As bases nitrogenadas, quando oxidadas, podem cau-


sar emparelhamento errôneo. Por exemplo, uma gua-
nina oxidada (G*) pode passar a se emparelhar, duran-
te a transcrição, com uracila (U) e não com citosina (C).
Considere uma célula bacteriana com quatro guaninas
oxidadas em um trecho da fita molde do gene que codifi-
ca determinada proteína, conforme mostra a sequência:
G*CG* - CCC - TG*T - ACG* - ATA
Ao final de certo tempo, essa célula ao dividir-se, dá
• Ponto de compensação fótico origem a uma população de bactérias mutantes.

BIOATP - BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR



As células vegetais, assim como a enorme maioria das Observe os códons correspondentes a alguns aminoá-
células vivas, realizam a respiração aeróbica, processo que cidos:
absorve O2 e elimina CO2. A intensidade desse processo Aminoácido codificado Códon
não é influenciada pela luz, e a célula o realiza tanto no Prolina CCU CCC CCA CCG
claro como no escuro.
Arginina CGU CGC CGA CGG
Já a intensidade da fotossíntese é influenciada pela Treonina ACU ACC ACA ACG
luz. Com respeito às trocas gasosas, a fotossíntese tem pa- Isoleucina AUU AUC AUA
pel inverso ao da respiração, pois absorve CO2 e elimina
Cisteína UGU UGC
O2. Como no gráfico abaixo:
O número máximo de aminoácidos diferentes que
poderam ser substituídos na proteína sintetizada por
essas bactérias, a partir da sequência de DNA apre-
sentada é igual a:
(A) 0 (B) 1 (C) 2 (D) 3 (E) 4

2. A mutação no DNA de uma célula eucariota acarretou


a substituição, no RNA mensageiro, de uma proteína
da 15ª base nitrogenada por uma base C.
A disposição de bases da porção inicial do RNA men-
sageiro da célula, antes de sua mutação, é apresenta-
Região A do gráfico: Nessa situação, sob baixa luminosi- da a seguir:
dade, a intensidade da fotossíntese é pequena, de tal forma início da tradução
que a intensidade da respiração é superior a ela. Assim, a →
planta absorve O2 e elimina CO2 para o meio ambiente. AUGCUUCUCAUCUUUUUAGCU...
Observe os códons correspondentes a alguns aminoá-
Região B do gráfico: sob intensa luminosidade, a fo-
cidos:
tossíntese predomina sobre a respiração. Assim, a planta
absorve CO2 e elimina O2 para o ambiente. Como a produ- Aminoácido codificado Códon
ção de compostos orgânicos é superior ao consumo, nesta fenilalanina UUU
situação a planta cresce e incorpora matéria orgânica. fenilalanina UUC
Região C do gráfico: corresponde à intensidade lumi- leucina UUA
nosa na qual a intensidade da fotossíntese é exatamente leucina UUG
igual à da respiração celular. Portanto, o oxigênio liberado leucina CUC
pela fotossíntese é consumido na respiração celular, e CO2 metionina AUG
liberado na respiração celular é consumido na fotossínte- valina GUU
se. Portanto, as trocas gasosas entre a planta e o ambien-
valina GUA
te são nulas. Esta intensidade luminosa é chamada Ponto

[Link] | Produção: [Link] 45


Biologia

Sabe-se que o códon de iniciação de leitura é AUG. Agora, a estrutura primária da proteína mutante tem
A probabilidade de que a proteína a ser traduzida pelo como terceiro aminoácido:
RNA mensageiro da célula que sofreu mutação não (A) tirosina. (C) triptofano.
apresente alterações na disposição de seus aminoáci-
(B) leucina. (D) fenilalanina.
dos é de:
(A) 0 (D) 0,75 5. A produção de uma proteína no interior das células eu-
carióticas poderia ser comparada a uma linha de pro-
(B) 0,25 (E) 1,00
dução de uma indústria. Para que o trabalho ocorra, é
(C) 0,50 necessária a síntese de uma molécula de RNA mensa-
geiro e esta será utilizada pelos ribossomos para que a
3. Sobre o processo de replicação do DNA nos organis- proteína seja sintetizada. Pode-se afirmar que
mos, é correto afirmar o que segue.
(A) a síntese de RNA mensageiro ocorre no citosol e a
(A) A enzima DNA polimerase utiliza as fitas do DNA síntese proteica ocorre no núcleo celular.
como molde para a replicação e a transcrição, res-
pectivamente. (B) a síntese de RNA mensageiro é denominada tra-
dução e a de proteínas chama-se transcrição.
(B) É conservativa, pois as novas duplas fitas são for-
madas a partir do DNA mãe. (C) o RNA mensageiro apresenta uma sequência de an-


ticódons que serão traduzidos pelos ribossomos.
(C) É semelhante em organismos procariotos e euca-
riotos, pois é do tipo semiconservativa. (D) a proteína é formada por aminoácidos que foram
trazidos pelos RNA mensageiros até os ribossomos.
(D) É mais rápida nos príons que em células eucariontes.
(E) os ribossomos realizam a tradução da molécula

(E) Ocorre na prófase I do ciclo celular. de RNA mensageiro no citosol da célula.
4. Observe a sequência de bases nitrogenadas que com- 6. A dupla hélice
põem a porção inicial de um RNA mensageiro trans- Uma curiosidade: hoje se sabe que Rosalind Franklin
crito em uma determinada proteína de uma célula realizou as pesquisas básicas (o uso de raio X na ob-
eucariota: servação do DNA) que possibilitaram a proposta da
AUGGCUAAAUUAGAC.......... estrutura do DNA. Esse fato é reconhecido por James

Nessa proteína, o aminoácido introduzido pelo códon Watson, em seu livro A dupla hélice – um relato
iniciador foi removido logo após o término da tradu- pessoal da descoberta da estrutura do DNA (Lisboa,
ção proteica, fenômeno que, por sinal, ocorre comu- Gradiva, 1987)[...]. A descoberta da dupla hélice foi
mente. Admita que uma mutação tenha atingido o repleta de emoções, paixões e intrigas. A disputa e
códon correspondente ao aminoácido número 3 da a corrida contra o tempo envolveram três grupos de
estrutura primária desse polipeptídeo, acarretando a pesquisadores de DNA: os enfants terribles do labo-
troca de uma base A, na célula original, pela base U, ratório de Cavendish, em Cambridge (James Watson
na célula mutante. A tabela abaixo permite a identifi- e Francis Crick, que não chegavam a formar uma
cação dos códons dos aminoácidos encontrados tan- equipe oficial), o grupo do King’s College, em Londres
to na proteína original como na mutante, codificados (Maurice Wilkins e Rosalind Franklin), e o grupo da
pelo trecho inicial desse RNA mensageiro: CalTech, na Califórnia, chefiada por Linus Pauling, na-
quela época o maior químico do mundo.
Aminoácido Códons Adaptado de: OLIVEIRA, Fátima. Engenharia genética: o sétimo dia da criação.
São Paulo: Editora Moderna, 2004, p. 68-70.
alanina GCU, GCC, GCA, GCG
arginina CGU, CGC, CGA, CGG, AGA, AGG A partir de seus conhecimentos de Citogenética, ana-
aspártico GAU, GAC
lise as proposições a seguir:
fenilalanina UUU, UUC I. Na estrutura do DNA, as duas fitas estão unidas
por ligações de hidrogênio (pontes);
leucina UUA, UUG, CUU, CUC, CUA, CUG
II. O RNA, nos eucariotos, é produzido no citoplasma
lisina AAA, AAG
e, posteriormente, migra para o núcleo;
metionina e códon de
AUG III. O anticódon representa a trinca de bases do
iniciação
RNAm, que orientará o RNAr na síntese proteica;
serina UCU, UCC, UCA, UCG, AGU, AGC
IV. O código genético humano é degenerado, pois
tirosina UAU, UAC
pode apresentar mais de um códon para um mes-
triptofano UGG mo aminoácido.

46 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

A alternativa em que todas as proposições estão cor- Considere o enunciado a seguir, referente ao signifi-
retas é cado da resposta de Mafalda, e as três propostas para
(A) I, II, III e IV. (C) II e III. (E) I e IV. completá-lo.
(B) I e II. (D) III e IV. A expressão direção 5’ → 3’ refere-se
1. à ligação entre fosfato e açúcar no processo de
7. Em 1953, James Watson e Francis Crick elucidaram
a estrutura tridimensional da dupla hélice de DNA e replicação do DNA.
postularam que o pareamento específico de bases ni- 2. à atividade da enzima RNA polimerase no proces-
trogenadas sugere um possível mecanismo de cópia so de transcrição do RNA.
para o material genético. 3. à união entre os aminoácidos no processo de tra-
Baseado neste postulado, o processo de duplicação dução das proteínas.
do DNA é considerado como sendo semiconservati-
Quais propostas estão corretas?
vo porque
(A) a dupla-hélice original permanece intacta e uma (A) Apenas 1.
nova dupla-hélice é formada. (B) Apenas 2.
(B) os dois filamentos da dupla-hélice original se se- (C) Apenas 3.
param e cada um serve como molde para uma (D) Apenas 1 e 2.
nova fita.
(E) 1, 2 e 3.
(C) ambos os filamentos da dupla-hélice original se
fragmentam e servem como moldes para síntese 10. Como consequência de uma mutação hipotética em uma

de novos fragmentos. molécula de RNA mensageiro, podemos esperar que
(D) um dos filamentos da dupla-hélice original serve ocorram diversas mudanças, à exceção de alterações
de cópia para as duas fitas de DNA. (A) na transcrição reversa desse RNA para DNA.
(E) os filamentos da dupla-hélice original permutam (B) na autoduplicação do DNA que o originou.
as suas fitas para servirem de cópias de DNA. (C) na tradução dessa molécula de RNA.
8. As proteínas são substâncias essenciais da estrutura (D) moleculares em proteínas estruturais originadas
das células vivas e podem ser formadas por um ou desse RNA.
mais polipeptídios. O processo de síntese de uma ca- (E) funcionais em proteínas enzimáticas originadas
deia polipeptídica consiste em unir aminoácidos de desse RNA.
acordo com a sequência de códons de RNAm.
Como essa sequência é determinada pelas bases de 11. Analise as seguintes proposições em relação à replica-

DNA que serviu de molde ao RNAm, a última etapa da ção e transcrição do DNA e ao processo de tradução e,
síntese de proteínas é denominada a seguir, marque a alternativa correta.
(A) duplicação semiconservativa. I. Nos processos de replicação e transcrição, as
(B) transcrição gênica. principais enzimas envolvidas são a RNA polime-
rase e a DNA polimerase, respectivamente.
(C) tradução gênica.
II. O processo de tradução ocorre no citoplasma,
(D) programação genética.
tanto em eucariotos como procariotos
9. Leia o quadrinho a seguir. III. A replicação do DNA é conservativa.
Mafalda, às vezes me
pergunto: Qual o sentido (A) Apenas as proposições II e III estão corretas.
da vida? (B) Apenas as proposições I e III estão corretas.
É na direção 5’ →3’,
Felipe. (C) Apenas a proposição II está correta.
(D) As proposições I, II e III estão corretas.

12. Em 1993, Kary Mullis, um geneticista ao serviço da


Cetus, uma empresa de Biotecnologia da Califórnia,
recebeu o prêmio Nobel da Química pelo desenvolvi-
mento de um método que permite sintetizar, em pou-
cas horas e in vitro, uma grande quantidade de um
determinado fragmento de DNA. Esta técnica faz par-
Adaptado de: [Link] Acesso em: 8 jan. 2006. te integrante da moderna biotecnologia molecular,

[Link] | Produção: [Link] 47


Biologia

tendo trazido um enorme progresso para várias áreas, 14. Apesar da maioria dos aminoácidos ter pelo menos
como o diagnóstico de doenças e medicina forense. dois códons no RNAm, a metionina e o triptofano pos-
suem apenas um códon AUG e UGG, respectivamen-
te. Referindo-se a esses dados, é correto afirmar que
(A) o anticódon para o triptofano é ACC.
(B) o códon para o triptofano apresenta adenina.
(C) a trinca no DNA para a metionina pode ser UAC.
(D) o anticódon para a metionina apresenta duas ba-
ses púricas.

15. O esquema a seguir representa uma etapa do proces-


(Disponível em: [Link] Acesso em: 06/10/2008).
so de tradução.

Com base em seus conhecimentos sobre a molécula de


DNA e sua duplicação, assinale a alternativa correta.
(A) O processo de duplicação do DNA é conhecido
como semiconservativo, pois a “molécula-mãe” do
DNA, que serve de modelo, origina uma molécula
de DNA, com duas novas cadeias de nucleotídeos.
(B) As cadeias do DNA são separadas pelo rompimento

das pontes de hidrogênio que fazem a ligação entre
as bases, num processo catalisado por enzimas.
(C) As pontes de hidrogênio que unem ambas as fitas Assinale a alternativa que identifica, correta e respec-
do DNA se formam entre as bases nitrogenadas, tivamente, os componentes indicados pelas setas 1, 2
representadas pelas letras A, C, G e U. e 3 do esquema.
(D) Quando as pontes de hidrogênio em uma molécula (A) polipeptídeo – RNA transportador – códon.

de DNA são quebradas, obtêm-se riboses livres.
(B) proteína – RNA mensageiro – anticódon.
(E) A polimerase do DNA é uma enzima que atua na
produção de nucleotídeos. (C) RNA mensageiro – RNA ribossômico – anticódon.
(D) RNA mensageiro – RNA ribossômico – RNA trans-
13. O esquema apresentado a seguir mostra um processo im- portador.

portante que ocorre no citoplasma das células eucariotas.
(E) polipeptídeo – RNA mensageiro – aminoácido.

16. Devido à maior proximidade da linha do Equador, o


Nordeste do Brasil recebe uma elevada incidência de
radiação ultravioleta (UV), o que torna a população
dessa região mais propensa ao câncer de pele. Essa
doença ocorre porque as células do tecido epitelial
multiplicam-se com muita frequência, ficando mais
vulneráveis à ação dos raios UV existentes na luz solar.
Observe as estruturas indicadas por I, II, III e IV, e Essa maior vulnerabilidade decorre da
assinale a alternativa incorreta:
(A) replicação acentuada do DNA, tornando-o mais
(A) O esquema representa o processo de transcrição susceptível às mutações.
dos RNAs ou síntese proteica.
(B) inserção de nucleotídeos no genoma, retardando
(B) I indica o RNA mensageiro contendo os códons de a duplicação do DNA.
três nucleotídeos cada.
(C) inversão de bases no DNA, prejudicando a trans-
(C) II indica o ribossomo, composto fundamental-
crição para RNA.
mente por RNA ribossomal e proteínas.
(D) III representa um peptídeo que começa a ser sin- (D) substituição de nucleotídeos no RNA, impedindo
tetizado e IV indica o aminoácido metionina. a formação de radicais livres.

48 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

17. Na figura a seguir, é ilustrado um processo muito im- 20. Caros candidatos;
portante para a vida. Analise-o e assinale a alternativa Vocês estão convidados a fazer um passeio numa área
que indica corretamente qual é este processo.
de Mata Atlântica, onde verão um maravilhoso ecos-
sistema.
Nesse passeio, vocês estarão em contato com a natu-
reza, verão de perto a diversidade da fauna e da flora,
compreenderão como as espécies se inter-relacio-
(A) Produção de proteína.
nam, se reproduzem e como se dão alguns fenôme-
(B) Transcrição do RNA. nos biológicos nos seres que vivem ali e até naqueles
(C) Produção de RNA ribossômico. que visitam esse ambiente.
(D) Helicoidização do DNA. Vocês terão a oportunidade de verificar de que ma-
neira o homem pode interferir nesse meio, alteran-
(E) Replicação do DNA.
do-o, e quais as consequências disso. Também serão
18. Analise estes gráficos: convocados a responder a questões básicas no campo
da Biologia.
Para tanto, contarão com a companhia de Ribossomildo,
um experiente pesquisador, que lhes servirá de guia.
Ele dispõe de material para ilustrar, quando necessário,
essa atividade de campo.
Fiquem tranquilos: vocês estão preparados e o passeio
será muito proveitoso, pois Ribossomildo só lhes dará
informações cientificamente corretas. Vamos lá?!!!
Ribossomildo diz: “Vejam quantas folhas novas, quan-
tos filhotes de animais! O que deve estar ocorrendo
no interior das células desses seres, que lhes permite
crescer?!”
Para facilitar a resposta a essa pergunta, ele apresenta
Considerando-se as informações desses gráficos, é a figura abaixo, que ilustra um dos eventos imprescin-
correto afirmar que díveis ao processo de crescimento dos organismos.

(A) os mRNAs transcritos antes da adição do antibió-


tico B são traduzidos.
(B) a queda da síntese de proteína resulta da inibição
da duplicação do DNA.
(C) os dois antibióticos – A e B – atuam sobre o mes- Legenda
mo alvo.
Adenina
(D) o antibiótico A impede a síntese de novas molé-
culas de mRNA. Guanina
Timina
19. Um mutante perdeu um segmento de DNA contendo Citosina
todas as cópias dos genes que codificam RNA trans-
portador. A função celular drasticamente afetada por
Assinale a opção correspondente ao evento represen-
essa mutação será
tado na figura.
(A) a replicação do DNA.
(A) Replicação do DNA.
(B) a síntese de RNA mensageiros.
(B) Transcrição de RNA transportador.
(C) a síntese de proteínas.
(D) o transporte de proteínas. (C) Tradução de RNA mensageiro.
(E) o transporte de RNA. (D) Síntese das proteínas.

[Link] | Produção: [Link] 49


Biologia

21. Considere o enunciado abaixo e as quatro propostas 24. Complete as frases abaixo de forma a torná-las corretas:


para completá-lo. I. No processo de ..... A ..... a célula utiliza os lisos-
No processo de transporte, através da membrana, somos para renovação de estruturas de seu cito-
pode ocorrer plasma.
1. a difusão facilitada, um tipo de transporte passivo.
II. O desenvolvimento de seres multicelulares de-
2. o transporte passivo, a favor do gradiente de con-
pende da morte programada de certas células.
centração.
Nestas, a membrana do lisossomo se rompe e as
3. o transporte ativo, feito com gasto de energia. enzimas digestivas entram em contato com o cito-
4. a difusão simples, independentemente do gra- plasma, destruindo-o. Este fenômeno biológico é
diente de concentração. regulado por genes e denominado B .....
Quais propostas estão corretas? III. No processo de ..... C ....., o material nutritivo,
(A) Apenas 2. (D) Apenas 1, 2 e 4. que entra na célula por fagocitose ou pinocitose,
(B) Apenas 2 e 4. (E) Apenas 1, 3 e 4. é envolto por uma vesícula membranosa; essas
(C) Apenas 1, 2 e 3. vesículas se unem aos lisossomos,formando o va-
cúolo digestivo.
22. A figura ao lado
representa uma A alternativa que apresenta a sequência correta é:
célula de uma
planta jovem. (A) A – apoptose; B – heterofagia; C – autofagia.
(B) A – heterofagia; B – autofagia; C – apoptose.
Considere duas
situações: (C) A – autofagia; B – apoptose; C – heterofagia.
1) a célula (D) A – apoptose; B – autofagia; C – heterofagia.
mergulha-
da numa solução hipertônica; (E) A – heterofagia; B – apoptose; C – autofagia.
2) a célula mergulhada numa solução hipotônica.
25. No bloco superior, abaixo, são citados dois compo-
Dentre as figuras numeradas de I a III, quais representam nentes do sistema de membranas internas de uma cé-
o aspecto da célula, respectivamente, nas situações 1 e 2? lula eucariótica; no inferior, funções desempenhadas
por esses componentes.
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1. retículo endoplasmático liso
2. sistema golgiense
I   II  III ( ) modificação de substâncias tóxicas



(A) I e II. (C) II e I. (E) III e II. ( ) síntese de lipídeos e esteroides
(B) I e III. (D) III e I.



( ) secreção celular



23. Assinale a alternativa correta quanto à célula. ( ) síntese de polissacarídeos da parede celular ve-



(A) O peroxissomo é responsável pelo armazenamento getal
das proteínas ligadas ao peróxido de nitrogênio e é
constituído por uma rede de túbulos separados. A sequência correta de preenchimento dos parênte-
ses, de cima para baixo, é
(B) O retículo endoplasmático liso possui a função de
sintetizar proteínas e é constituído por uma rede (A) 1 – 2 – 2 – 1. (D) 2 – 2 – 1 – 1.
de túbulos separados.
(B) 1 – 1 – 2 – 2. (E) 2 – 1 – 1 – 1.
(C) O retículo endoplasmático rugoso possui a função
de sintetizar proteínas e é constituído por uma (C) 1 – 2 – 2 – 2.
rede de túbulos interconectados que se comuni-
cam com o envoltório nuclear. 26. Laudos confirmam que todas as mortes na Kiss ocor-
(D) O complexo de Golgi possui algumas funções, den- reram pela inalação da fumaça.

tre elas, é responsável pela formação das mitocôn-
drias e pela formação do espermatozoide. É cons- Necrópsia das 234 vítimas daquela noite revela que
tituído por uma rede de túbulos interconectados todas as mortes ocorreram devido à inalação de gás
que permitem o armazenamento de lipídeos. cianídrico e de monóxido de carbono gerados pela
queima do revestimento acústico da boate.
(E) O lisossomo possui a função de sintetizar lipídio e
é constituído por uma rede de lipídeos. Adaptado de [Link], 15/03/2013.

50 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Os dois agentes químicos citados no texto, quando ab- 29. O ponto de compensação fótico é o ponto em que,
sorvidos, provocam o mesmo resultado: paralisação dos para uma certa luminosidade, uma planta devolve e
músculos e asfixia, culminando na morte do indivíduo. fixa as mesmas quantidades de carbono para o am-
Com base nessas informações, pode-se afirmar que biente durante a fotossíntese.
tanto o gás cianídrico quanto o monóxido de carbono Nessas condições, é correto afirmar que a planta
interferem no processo denominado (A) continua crescendo, pois, embora consuma car-
(A) síntese de DNA. (C) eliminação de excretas. boidrato proveniente da fotossíntese, não inter-
(B) transporte de íons.  (D) metabolismo energético. rompe os processos de retirada de água e alimen-
to do solo.
27. O cianeto é uma toxina que atua bloqueando a última
(B) não cresce, pois fixa carbono na forma de carboi-
das três etapas do processo respiratório aeróbico, impe-
drato e libera carbono na forma de CO2 na mesma
dindo, portanto, a produção de ATP, molécula responsá-
proporção, ou seja, consome tudo o que produz.
vel pelo abastecimento energético de nosso organismo.
(C) morre, pois não consegue produzir energia sufi-
O bloqueio dessa etapa da respiração aeróbica pelo
ciente para suas atividades metabólicas.
cianeto impede também a
(D) cresce, pois utiliza todo o carbono disponível para
(A) síntese de gás carbônico a partir da quebra da glicose. a produção de energia metabólica para a manu-

(B) produção de moléculas transportadoras de elétrons. tenção da vida.

(C) oxidação da glicose e consequente liberação de
30. Os lisossomos são organelas eucariotas importantes
energia.
para processos vitais da célula. São delimitados por
(D) formação de água a partir do gás oxigênio. uma membrana semelhante à de outras organelas e
(E) quebra da glicose em moléculas de piruvato. ao próprio envoltório celular. Caso o conteúdo enzi-
mático interno de todos os lisossomos seja liberado
28. Abaixo está esquematizada uma célula vegetal.
no citoplasma, ocorre então a digestão
Estrutura 1
(A) das partículas endocitadas pelos processos de fa-
Estrutura 2
gocitose e pinocitose, nutrindo a célula.
(B) das estruturas internas, causando a morte celular
programada.
(C) das organelas envelhecidas, para a renovação
dessas estruturas.
(D) do vacúolo alimentar responsável por nutrir a célula.

(E) do núcleo, iniciando-se o processo de divisão celular.

31. A figura a seguir ilustra o processo de digestão intra-

Sabendo-se que a estrutura 1 corresponde ao cloro- celular, no qual estão envolvidas várias organelas ce-
plasto e a estrutura 2 à mitocôndria, assinale entre as lulares. Identifique as estruturas e/ou processos enu-
afirmativas abaixo a que está correta. merados na figura a seguir:
(A) Os cloroplastos são exclusivos de seres eucariontes
que realizam fotossíntese, enquanto as mitocôndrias
são encontradas nos seres eucariontes em geral.
(B) Cloroplastos captam oxigênio do meio para que-
bra da molécula de glicose com liberação de ener-
gia para a atividade celular.
(C) As mitocôndrias contém o pigmento clorofila capaz

de captar energia luminosa para a realização da fo-
tossíntese, que ocorre no interior de suas cristas.
(D) As duas estruturas são encontradas em células euca-

rióticas de praticamente todos os seres vivos, exceto
os organismos pertencentes ao grupo das algas.
(E) As mitocôndrias realizam um processo vital de trans-

formação de energia luminosa em energia química,
que é armazenada em moléculas orgânicas.

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Biologia

Estão corretas (A) Heterofagia, peroxissomo.


(A) I - Endocitose; II - Peroxissomo; III - Retículo en- (B) Necrose, lisossomo.
doplasmático rugoso; IV - Vacúolo digestivo; V - (C) Autofagia, peroxissomo.
Fagossomo; VI - Exocitose. (D) Apoptose, lisossomo.
(B) I - Fagocitose; II - Lisossomo; III - Complexo de
Golgi; IV - Vacúolo autofágico; V - Corpo residual; 34. Mergulhadas no citoplasma celular encontram-se
VI - Clasmocitose. estruturas com formas e funções definidas, denomi-
nadas organelas citoplasmáticas, indispensáveis ao
(C) I - Pinocitose; II - Vacúolo; III - Retículo endoplas-
funcionamento do organismo vivo.
mático liso; IV - Mitocôndria; V - Fagossomo; VI
-Autofagia. Associe as organelas com suas respectivas funções:
(D) I - Heterofagia; II - Ribossomo; III - Complexo de Golgi; 1) Complexo de Golgi

IV - Vacúolo; V - Exocitose; VI - Excreção celular. 2) Lisossoma
(E) I - Fagossomo; II - Grânulo de inclusão; III - 3) Peroxissoma
Retículo endoplasmático liso; IV - Mitocôndria; V 4) Ribossoma
- Heterofagia; VI - Clasmocitose.
5) Centríolo
32. Considere as atividades celulares e as organelas apre-
( ) responsável pela decomposição de peróxido de
sentadas nas colunas abaixo.




hidrogênio.
I. Digestão intracelular
( ) local de síntese protéica.



II. Síntese de proteínas
( ) modifica, concentra, empacota e elimina os pro-



III. Acúmulo e eliminação de secreções dutos sintetizados no Retículo Endoplasmático
IV. Participação na divisão celular Rugoso.
V. Respiração celular ( ) vesícula que contém enzimas fortemente hidro-



(A) Retículo endoplasmático granular líticas formadas pelo Complexo de Golgi.
(B) Centríolos ( ) responsável pela formação de cílios e flagelos.



(C) Mitocôndrias Assinale a sequência correta:
(D) Lisossomos (A) 3; 4; 1; 2; 5 (D) 1; 3; 2; 4; 5
(E) Complexo de Golgi (B) 2; 3; 1; 5; 4 (E) 3; 4; 2; 5; 1
(C) 2; 1; 3; 4; 5
Assinale a alternativa que corresponde à associação
correta entre as duas colunas. 35. Durante o processo evolutivo, algumas organelas de
(A) I-C; II-B; III-A; IV-E; V-D células eucariotas se formaram por endossimbiose
com procariotos. Tais organelas mantiveram o mes-
(B) I-E; II-A; III-C; IV-D; V-B
mo mecanismo de síntese proteica encontrado nes-
(C) I-D; II-A; III-E; IV-B; V-C ses procariotos.
(D) I-D; II-E; III-A; IV-B; V-C
Considere as seguintes organelas celulares, existentes
33. em eucariotos:
1. mitocôndrias
2. aparelho golgiense
3. lisossomas

4. cloroplastos
5. vesículas secretoras
6. peroxissomas

Nas células das plantas, as organelas que apresentam


o mecanismo de síntese proteica igual ao dos proca-
A figura mostra a redução da cauda de girinos duran- riotos correspondem às de números
te o seu desenvolvimento. Assinale a alternativa que
contém, respectivamente, o nome do processo e a (A) 1 e 4. (C) 3 e 6.
principal organela responsável pela redução da cauda. (B) 2 e 3. (D) 4 e 5.

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Biologia

36. As duas organelas desenhadas são fundamentais para Analisando o gráfico e de acordo com seus conheci-
o trabalho celular que ocorre em um vegetal. Sem mentos, é correto afirmar, exceto:
elas, provavelmente, não existiriam os seres produ- (A) Abaixo do ponto de compensação fótico, para
tores eucarióticos e talvez não existiriam também os a mesma intensidade luminosa, a planta de sol
animais, fungos e protozoários. apresenta maior taxa de fotossíntese do que a
planta de sombra.
(B) A planta de sombra apresenta saturação lumino-
sa menor que a planta de sol.
(C) As duas plantas, abaixo de seu ponto de compen-
sação fótico, consomem mais oxigênio do que
produzem.
(D) Abaixo de seu ponto de saturação luminosa, a
A respeito dessas organelas e das reações químicas planta de sombra apresenta maior taxa de fotos-
que ocorrem no interior delas, pode-se afirmar que síntese do que a planta de sol, para a mesma in-
tensidade luminosa.
(A) a síntese de ATP é exclusiva das mitocôndrias e
isso depende dos pigmentos verdes existentes
em seu interior.
(B) os cloroplastos podem utilizar o gás carbônico
proveniente da respiração celular, sendo esta últi-
ma dependente da luz solar para ocorrer.
(C) os cloroplastos sintetizam glicose e liberam o gás 1. C 20. A
oxigênio, e este é proveniente da molécula de gás 2. E 21. C
carbônico fornecido pelas mitocôndrias.
3. C 22. D
(D) as duas organelas apresentam DNA e RNA pró-
prios, que são fundamentais na autoduplicação 4. D 23. C
dessas organelas. 5. E 24. C
(E) as mitocôndrias realizam suas reações durante a 6. E 25. B
noite e os cloroplastos realizam suas atividades
somente quando há luz solar. 7. B 26. D
8. C 27. D
37. O gráfico apresenta as taxas fotossintéticas relativas
a dois tipos de plantas em resposta a variações na 9. D 28. A
intensidade luminosa. As plantas de sol e de sombra 10. B 29. B
possuem adaptações genotípicas a diferentes condi-
ções ambientais. 11. C 30. B
12. B 31. B
13. A 32. C
14. A 33. D
15. A 34. A
16. A 35. A
17. E 36. D
18. A 37. A
19. C

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Biologia

Com base nessas informações, determinou-se que as


plantas citral e canela são diferentes genotipicamen-
te. Os aminoácidos correspondentes a elas são, res-
pectivamente,
(A) leu–fen–gli–trp–ser–cis–ala–fen e pro–fen–pro–
gli–fen–gli–fen–pro.
1. Ao percorrerem uma trilha ecológica, os escoteiros (B) asn–lis–pro–tre–tre–pro–arg–lis e gli–lis–gli–pro–
encontraram duas plantas que eram fenotipicamente lis–pro–lis–gli.
idênticas, porém tinham aromas distintos, uma exala- (C) asn–lis–pro–tre–tre–pro–arg–lis e pro–fen–pro–
va citral, outra canela. Com permissão do fiscal, leva-
gli–fen–gli–fen–pro.
ram amostras para análise de DNA. A seguir, tem-se
parte das sequências obtidas das plantas. (D) leu–lis–gli–tre–ser–pro–ala–lis e pro–lis–pro–


pro–fen–pro–pro–gli.
citral:...‘AACAAGCCAACCAGCACGCGGAAA’... (E) leu–fen–gli–trp–ser–cis–ala–fen e gli–lis–gli–pro–
lis–pro–lis–gli.
e
canela:...‘GGGAAAGGACCAAAACCAAAAGGC’... 2. O problema da desnutrição é mundial. Um pesquisa-
dor conseguiu uma nova variedade de feijão muito
Tabelo do codigo genético mais nutritiva. Para isso, ele precisou alterar o DNA
responsável pela informação necessária à síntese da
proteína faseolina. A seguir, estão representados, res-
pectivamente, parte da sequência de códons e eles
mesmos, após a mutação obtida.
CCUAAGGGACCAGGUUUCAGACAU
GCUAAGGGACCAGGUUUCAGACAU
Informe qual fita de DNA deu origem à sequência mu-
tante.
(A) GGATTCCCTGGTCCAAAGTCTGTA
(B) CGATTCCCTGGTCCAAAGTCTGTA
(C) CGAUUCCCUGGUCCAAAGCUGUA
(D) GGAUUCCCUGGUCCAAAGUCUGUA
(E) ATGTCTGAAAACCTGGTCCCTTAGC
Abreviaturas dos aminoácidos
Phe ou fen = fenilalanina His = histidina 3. Em um experimento, um segmento de DNA que con-
tém a região codificadora de uma proteína humana foi


Leu = leucina Gln = glutamina introduzido em um plasmídeo e passou a ser expresso

Ile ou iso = isoleucina Asn = aspargina em uma bactéria. Considere que o 50º códon do RNA

Met = metionina Lys ou lis = lisina mensageiro produzido na bactéria a partir desse seg-
mento seja um códon de parada da tradução. Nesse

Val = valina Asp = ácido aspártico caso, é correto afirmar que

Ser = serina Glu = ácido glutâmico (A) a proteína resultante da tradução desse RNA

Pro = prolina Cys ou cis = cisteína mensageiro possui 50 aminoácidos.

Thr ou tre = treonina Trp = triptofano (B) a proteína resultante da tradução desse RNA

mensageiro possui 49 aminoácidos.
Ala = alanina Arg = arginina
(C) a proteína resultante da tradução desse RNA

Tyr ou tir = tirosina Gly ou gli = glicina mensageiro possui 150 aminoácidos.

(D) nenhuma proteína é formada, pois esse RNA
* A abreviatura pare corresponde aos códons de mensageiro apresenta um códon de parada.
parada.
(E) a proteína resultante da tradução, desse RNA
Fonte: AMABIS, J.; MARTHO, G. Biologia - Biologia das Células.
3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. vol. 1. p. 227. (adaptado) mensageiro apresentará incompatibilidade com o
RNA transportador.

54 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

4. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança modelo sugerido por Watson e Crick, que tinha como
(CTNBio) aprovou em setembro de 2011 a produ- premissa básica o rompimento das pontes de hidrogê-
ção comercial no Brasil de um feijão geneticamente nio entre as bases nitrogenadas.
modificado desenvolvido pela Empresa Brasileira de GRIFFITHS, A. J. F. et al. Introdução à Genética.
Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A alteração gené- Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
tica no feijão impede que a planta contraia a doença
conhecida como mosaico dourado, capaz de dizimar Considerando a estrutura da molécula de DNA e a posi-
plantações inteiras. ção das pontes de hidrogênio na mesma, os experimen-
Esta doença é causada por um vírus que promove tos realizados por Meselson e Stahl a respeito da replica-
danos em quase todas as regiões onde se cultiva fei- ção dessa molécula levaram à conclusão de que
jão nas Américas. Este vírus é transmitido pela mos- (A) a replicação do DNA é conservativa, isto é, a fita
ca branca (Bermisia tabaci) que, ao se alimentar das dupla filha é recém-sintetizada e o filamento pa-
plantas, acaba transferindo o vírus. O principal méto- rental é conservado.
do para o controle da mosca branca é o uso frequente
(B) a replicação de DNA é dispersiva, isto é, as fitas
de inseticidas nas lavouras. Contudo, poucos insetici-
filhas contêm DNA recém-sintetizado e parentais
das têm se mostrado eficientes no controle da praga,
em cada uma das fitas.
elevando os custos de produção sem reduzir a taxa
de transmissão do vírus. Para combater o vírus, os (C) a replicação é semiconservativa, isto é, as fitas fi-
pesquisadores da Embrapa introduziram nas plantas lhas consistem de uma fita parental e uma recém-
de feijão um gene que é transcrito em um RNA de in- -sintetizada.
terferência, que possui a capacidade de promover a (D) a replicação do DNA é conservativa, isto é, as fitas
degradação de um mRNA viral específico. O mRNA vi- filhas consistem de moléculas de DNA parental.
ral, alvo da degradação, é responsável pela síntese de
uma proteína necessária para que ocorra a multipli- (E) a replicação é semiconservativa, isto é, as fitas fi-
cação do vírus na célula vegetal (proteína Rep). Desta lhas consistem de uma fita molde e uma fita codi-
forma, o feijoeiro transgênico impede a multiplicação ficadora.
do vírus e evita a doença.
6. Ao fazer uma limpeza no armário do banheiro,
(Adaptado de [Link]
Manuela encontrou três pomadas, I, II e III, que,
por indicação médica, havia usado em diferentes
A estratégia molecular para controlar a doença causa- situações:
da pelo vírus que ataca o feijoeiro se baseia em
A) para controlar o herpes labial;
(A) evitar que ocorra a produção do RNA de interfe-
rência do vírus. B) para tratar de uma dermatite de contato;
(B) impedir que ocorra a transcrição do mRNA da C) para debelar uma micose nos pés.
proteína Rep.
Manuela não se lembrava qual pomada foi usada para
(C) impossibilitar a tradução do mRNA da proteína Rep. qual situação, mas ao consultar as bulas, verificou que

(D) impedir que ocorra a replicação da proteína Rep. o princípio ativo da pomada I liga-se a um componente
(E) impossibilitar a replicação do DNA da planta. da membrana celular do micro-organismo, alterando a
permeabilidade da membrana; o componente ativo da
5. Nos dias de hoje, podemos dizer que praticamente to- pomada II estimula a síntese de enzimas que inibem a

dos os seres humanos já ouviram em algum momento migração de leucócitos para a área afetada; o princípio
falar sobre o DNA e seu papel na hereditariedade da ativo da pomada III inibe a replicação do DNA do micro-
maioria dos organismos. Porém, foi apenas em 1952, -organismo no local onde a pomada foi aplicada.
um ano antes da descrição do modelo do DNA em du-
pla hélice por Watson e Crick, que foi confirmado sem Pode-se dizer que, para as situações a, b e c, Manuela
sombra de dúvidas que o DNA é material genético. No usou, respectivamente, as pomadas
artigo em que Watson e Crick descreveram a molécu-
la de DNA, eles sugeriram um modelo de como essa (A) I, II e III.
molécula deveria se replicar. Em 1958, Meselson e (B) I, III e II.
Stahl realizaram experimentos utilizando isótopos pe- (C) II, I e III.
sados de nitrogênio que foram incorporados às bases
nitrogenadas para avaliar como se daria a replicação (D) III, I e II.
da molécula. A partir dos resultados, confirmaram o (E) III, II e I.

[Link] | Produção: [Link] 55


Biologia

7. Considere, hipoteticamente, que o DNA de uma plan- 8. Todas as reações químicas de um ser vivo seguem
ta em estudo por pesquisadores brasileiros possui um programa operado por uma central de informa-
um gene responsável pela produção do óleo aroma- ções. A meta desse programa é a autorreplicação
tizante da planta. Esse gene é repelente natural de de todos os componentes do sistema, incluindo-se
mosquitos e possui como parte de sua sequência a duplicação do próprio programa ou mais precisa-
com sentido: ...AGGCCCGTTCCCTTA... Caso ocorres- mente do material no qual o programa está inscrito.
sem mutações gênicas que alterassem essa sequência Cada reprodução pode estar associada a pequenas
para ...AGCCCCCAACCCAAA..., os novos aminoácidos modificações do programa.
formados, conforme o quadro, seriam serina, glicina,
M. O. Murphy e l. O’neill (Orgs.). O que é vida? 50 anos depois –
valina, glicina e fenilalanina. especulações sobre o futuro da biologia. São Paulo: UNESP. 1997
(com adaptações).

São indispensáveis à execução do “programa” men-


cionado acima processos relacionados a metabolis-
mo, autorreplicação e mutação, que podem ser exem-
plificados, respectivamente, por
(A) fotossíntese, respiração e alterações na sequên-
cia de bases nitrogenadas do código genético.
(B) duplicação do RNA, pareamento de bases nitroge-
nadas e digestão de constituintes dos alimentos.
(C) excreção de compostos nitrogenados, respiração
celular e digestão de constituintes dos alimentos.
Abreviaturas dos aminoácidos (D) respiração celular, duplicação do DNA e altera-
Phe = fenilalanina His = histidina ções na sequência de bases nitrogenadas de um

Leu = leucina Gln = glutamina gene.

Ile = isoleucina Asb = aspargina (E) fotossíntese, duplicação do DNA e excreção de

Met = metionina Lys = lisina compostos nitrogenados.

Val = valina Asp = ácido aspártico

Ser = serina Glu = ácido glutâmico 9. Existe um número muito grande de substâncias com
funções antibióticas. Essas substâncias diferem quan-

Pro = prolina Cys = cisteína
to à maneira pela qual interferem no metabolismo

Thr = treonina Trp = triptofano
celular. Assim, a tetraciclina liga-se aos ribossomos e

Ala = alanina Arg = arginina
impede a ligação do RNA transportador; a mitomicina

Tyr = tirosina Gly = glicina
inibe a ação da polimerase do DNA e a estreptomicina

AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Fundamentos da biologia moderna.
Volume único. São Paulo: Moderna, 2006. p. 644. causa erros na leitura dos códons do RNA mensageiro.
Essas informações permitem afirmar que
Em relação ao texto anterior, em que ocorreram muta-
ções gênicas alterando a sequência do DNA, observa-se I. a tetraciclina impede a transcrição e leva a célula
que o primeiro aminoácido formado continuou o mes- bacteriana à morte por falta de RNA mensageiro.
mo após a mutação. Esse processo tem como causa II. a mitomicina, por inibir a duplicação do DNA, im-
uma das características do código genético, ou seja, pede a multiplicação da célula bacteriana.
(A) o sistema de codificação genética é o mesmo em III. a estreptomicina interfere na tradução e leva a cé-
todos os seres vivos.
lula bacteriana a produzir proteínas defeituosas.
(B) o código genético é “degenerado”, porque a
maioria dos aminoácidos é codificada por mais de Assinale a alternativa que reúne as afirmações corretas.
um códon.
(A) Apenas I é correta.
(C) a ocorrência dos códons “sem sentido” determina
a finalização da mensagem. (B) Apenas I e II são corretas.
(D) o código genético não é superposto, porque não (C) Apenas II e III são corretas.
ocorrem sobreposições de bases.
(D) Apenas I e III são corretas.
(E) o código genético é contínuo, porque os códons
não apresentam espaçamento entre si. (E) I, II e III são corretas.

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Biologia

10. Meselson e Stahl, em 1957, fizeram um experimen- (D) na osmose ocorre passagem de água apenas para
to sobre a replicação do DNA. Nesse experimento, a o meio menos concentrado.
bactéria Escherichia coli foi cultivada, por muitas ge- (E) a osmose cria um ambiente desfavorável à sobre-
rações, em meio contendo um isótopo pesado de ni- vivência dos micro-organismos.
trogênio, 15N, até todo o seu DNA estar marcado com
esse isótopo. Depois disso, as bactérias foram transfe- 12. O processo de osmose, caracterizado pela passagem
de solvente de um meio hipotônico (menos concen-
ridas para um meio contendo nitrogênio leve, 14N. As
trado) para um meio hipertônico (mais concentrado)
moléculas de DNA das bactérias foram então isoladas
ajuda a controlar a diferença na concentração de sais
e analisadas com relação ao seu conteúdo de 15N e em todas as células vivas. Sabe-se que o consumo su-
de 14N, sendo observado o seguinte: perior a 2g de sódio por pessoa ao dia é prejudicial à
saúde, pois causa a(o)
antes da primeira segunda terceira
troca de geração geração geração (A) hemólise das hemácias.
meio após as após a após a (B) acúmulo de colesterol nas artérias.
troca de troca de troca de
meio meio meio (C) aumento do volume do sangue circulante.
DNA 15N 100% — — — (D) interferência na transmissão do impulso nervoso.
DNA N
15/14
— 100% 50% 25% (E) intensa eliminação de urina com altas taxas de sal.
DNA 14N — — 50% 75% 13. Um estudante prepara três diferentes suspensões de
hemácias, conforme o quadro abaixo, e observa as
Com relação a esses dados, podemos concluir que mudanças no volume celular.
(A) a replicação do DNA é semiconservativa.
Suspensão Conteúdo
(B) a replicação do DNA é conservativa.
1 Hemácias em solução de NaC 10%
(C) a replicação do DNA é randômica.
2 Hemácias em água destilada
(D) não ocorreu replicação do DNA mas, sim, uma
3 Hemácias em solução fisiológica (NaC 0,9%)
mutação.
(E) não ocorreu replicação do DNA mas, sim, transcrição. A suspensão em que as hemácias irão reduzir seu vo-
lume e o processo pelo qual a mudança de volume

11. Conservação de alimentos é o conjunto dos métodos ocorre são, respectivamente, os seguintes:
que evitam a deterioração dos alimentos ao longo de (A) Suspensão 1, transporte ativo.
um determinado período. (B) Suspensão 2, osmose.
O objetivo principal desses processos é evitar as altera- (C) Suspensão 3, transporte facilitado.
ções provocadas pelas enzimas próprias dos produtos (D) Suspensão 1, osmose.
naturais ou por micro-organismos que, além de causa- (E) Suspensão 2, difusão.
rem o apodrecimento dos alimentos, podem produzir
toxinas que afetam a saúde dos consumidores. Mas 14. No início da década de 1990 houve uma epidemia de
também existe a preocupação em manter a aparência, cólera no Peru que se disseminou pela América do Sul
o sabor e o conteúdo nutricional dos alimentos. e Central, a qual foi mundialmente veiculada, mos-
trando a dor, o sofrimento e as perdas humanas. Essa
Uma das técnicas utilizadas é a desidratação, em que doença causa uma inversão na concentração de sódio
se remove ou se diminui a quantidade de água no ali- (Na+) e Cloro (C–) no citoplasma celular, que, por os-
mento para evitar que sejam criadas condições propí- mose, drena água das células para o intestino.
cias para o desenvolvimento dos micro-organismos, já (Texto Modificado: Vida: A ciência da Biologia, Sadava et al., Volume I:
que a água é essencial para que eles existam. O baca- Célula e Hereditariedade, 2009)

lhau e a carne-seca, por exemplo, são assim conserva- Com referência ao processo em destaque, no texto,
dos com adição prévia de sal de cozinha, que desidra- leia atentamente as afirmativas abaixo.
ta o alimento por osmose. I. No meio isotônico, a célula mantém seu volume
inalterado.
Sobre o texto e o processo descrito, é correto afirmar que II. A célula perde água no meio hipotônico.
(A) o sal de cozinha apresenta fórmula molecular. III. A parede celular limita a entrada de água na célu-
(B) o alimento desidratado deve ser conservado em la vegetal, ocasionando pressão de turgor.
IV. A concentração de soluto é maior nas soluções
geladeira.
hipotônicas.
(C) a desidratação é um processo desaconselhável V. Esse processo depende do número de partículas
para conservação de peixes. de soluto.

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Biologia

De acordo com as afirmativas anteriores, a alternativa passagem do fármaco de interesse. A corrente elé-
correta é trica é distribuída por eletrodos, positivo e negati-
vo, por meio de uma solução aplicada sobre a pele.
(A) I e II.
Se a molécula do medicamento tiver carga elétrica
(B) II e III. positiva ou negativa, ao entrar em contato com o
(C) II, III e IV. eletrodo de carga de mesmo sinal, ela será repelida
e forçada a entrar na pele (eletrorrepulsão – A). Se
(D) I, III e V. for neutra, a molécula será forçada a entrar na pele
(E) I, IV e V. juntamente com o fluxo de solvente fisiológico que
se forma entre os eletrodos (eletrosmose – B).
15. Alimentos como carnes, quando guardados de ma-
A ELETRORREPULSÃO
neira inadequada, deterioram-se rapidamente devi-
Bateria A
do à ação de bactérias e fungos. Esses organismos
se instalam e se multiplicam rapidamente por en-
Eletrodo positivo Eletrodo negativo
contrarem aí condições favoráveis de temperatura,
Pele
umidade e nutrição. Para preservar tais alimentos, é
necessário controlar a presença desses microrganis-
mos. Uma técnica antiga e ainda bastante difundida Vaso sanguíneo
para preservação desse tipo de alimento é o uso do
sal de cozinha (NaC).

Nessa situação, o uso do sal de cozinha preserva os


alimentos por agir sobre os microrganismos, B ELETROSMOSE
Bateria
(A) desidratando suas células. B

(B) inibindo sua síntese proteica. Eletrodo positivo Eletrodo negativo


Pele
(C) inibindo sua respiração celular.
(D) bloqueando sua divisão celular.
Fluxo de
solvente
(E) desnaturando seu material genético. Vaso sanguíneo

16. Um medicamento, após ser ingerido, atinge a cor-


rente sanguínea e espalha-se pelo organismo, mas, De acordo com as informações contidas no texto e nas
como suas moléculas “não sabem” onde é que está figuras, o uso da iontoforese
o problema, podem atuar em locais diferentes do
(A) provoca ferimento na pele do paciente ao serem
local “alvo” e desencadear efeitos além daqueles
introduzidos os eletrodos, rompendo o epitélio.
desejados. Não seria perfeito se as moléculas dos
medicamentos soubessem exatamente onde está o (B) aumenta o risco de estresse nos pacientes, causa-
problema e fossem apenas até aquele local exer- do pela aplicação da corrente elétrica.
cer sua ação? A técnica conhecida como iontofo- (C) inibe o mecanismo de ação dos medicamentos no
rese, indolor e não invasiva, promete isso. Como tecido-alvo, pois estes passam a entrar por meio
mostram as figuras, essa nova técnica baseia-se da pele.
na aplicação de uma corrente elétrica de baixa
intensidade sobre a pele do paciente, permitindo (D) diminui o efeito colateral dos medicamentos, se
que fármacos permeiem membranas biológicas e comparados com aqueles em que a ingestão se
alcancem a corrente sanguínea, sem passar pelo faz por via oral.
estômago. Muitos pacientes relatam apenas um (E) deve ser eficaz para medicamentos constituídos
formigamento no local de aplicação. O objetivo da de moléculas polares e ineficaz, se essas forem
corrente elétrica é formar poros que permitam a apolares.

58 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

17. Uma indústria está escolhendo uma linhagem de (C) o retículo endoplasmático rugoso se apresenta
microalgas que otimize a secreção de polímeros co- pouco desenvolvido. Esse processo pode contri-
mestíveis, os quais são obtidos do meio de cultura de buir para aumentar a eficácia de alguns medica-
crescimento. Na figura, podem ser observadas as pro- mentos, como os antibióticos.
porções de algumas organelas presentes no citoplas- (D) o retículo endoplasmático rugoso se apresenta
ma de cada linhagem. bastante desenvolvido. Esse processo pode con-
tribuir para aumentar a eficácia de alguns medi-
camentos, como os antibióticos.
(E) o complexo golgiense se apresenta bastante de-
senvolvido. Esse processo pode contribuir para
aumentar a eficácia de alguns medicamentos,
como os antibióticos.

20. A estratégia de obtenção de plantas transgênicas pela


inserção de transgenes em cloroplastos, em substitui-
ção à metodologia clássica de inserção do transgene
Qual é a melhor linhagem para se conseguir maior ren- no núcleo da célula hospedeira, resultou no aumento
dimento de polímeros secretados no meio de cultura? quantitativo da produção de proteínas recombinantes
com diversas finalidades biotecnológicas. O mesmo
(A) I. (D) IV.
tipo de estratégia poderia ser utilizada para produzir
(B) II. (E) V. proteínas recombinantes em células de organismos
(C) III. eucarióticos não fotossintetizantes, como as levedu-
ras, que são usadas para produção comercial de várias
18. A silicose é uma patologia comum entre os mineiros
proteínas recombinantes e que podem ser cultivadas
decorrente da inalação repetida de sílica. Nesta con-
em grandes fermentadores.
dição, os macrófagos pulmonares são recrutados e fa-
gocitam essas partículas inorgânicas não degradáveis. Considerando a estratégia metodológica descrita,
Esse processo leva ao rompimento e à liberação de qual organela celular poderia ser utilizada para inser-
enzimas no citoplasma, acarretando morte celular. ção de transgenes em leveduras?
Qual organela presente nos macrófagos é a principal (A) Lisossomo.
responsável pelo processo acima descrito? (B) Mitocôndria.
(A) Ribossomos. (C) Peroxissomo.
(B) Mitocôndrias.
(D) Complexo golgiense.
(C) Lisossomos.
(E) Retículo endoplasmático.
(D) Nucléolo.
(E) Retículo endoplasmático agranular. 21. Para a identificação de um rapaz vítima de acidente,
fragmentos de tecidos foram retirados e submetidos à
19. O uso constante de drogas psicotrópicas, como o ál-
extração de DNA nuclear, para comparação com o DNA
cool, pode fazer com que seus usuários desenvolvam
disponível dos possíveis familiares (pai, avô materno,
certa tolerância à droga, de tal modo que passam a
avó materna, filho e filha). Como o teste com o DNA
ser necessárias doses cada vez maiores para que o
nuclear não foi conclusivo, os peritos optaram por usar
efeito seja obtido.
também DNA mitocondrial, para dirimir dúvidas.
Nesses casos, é correto dizer que, nas células do fíga-
Para identificar o corpo, os peritos devem verificar se
do desses usuários,
há homologia entre o DNA mitocondrial do rapaz e o
(A) o retículo endoplasmático liso se apresenta pou- DNA mitocondrial do(a)
co desenvolvido. Esse processo pode contribuir
(A) pai.
para diminuir a eficácia de alguns medicamentos,
como os antibióticos. (B) filho.
(B) o retículo endoplasmático liso se apresenta bas- (C) filha.
tante desenvolvido. Esse processo pode contri- (D) avó materna.
buir para diminuir a eficácia de alguns medica-
mentos, como os antibióticos. (E) avô materno.

[Link] | Produção: [Link] 59


Biologia

22. O cianureto é um veneno que mata em poucos minu- 24. Três tubos de ensaio identificados como I, Il e III re-
tos, sendo utilizado na condenação à morte na câmara ceberam, cada um, uma folha recém-cortada de um
de gás. Ele se combina de forma irreversível com, pelo arbusto. Os tubos foram fechados hermeticamente e
menos, uma molécula envolvida na produção de ATP. colocados a distâncias diferentes de uma mesma fon-
Assim, ao se analisar uma célula de uma pessoa que te de luz. Após duas horas, verificou-se que:
tenha sido exposta ao cianureto, a maior parte do ve- – a concentração de CO2 no interior do tubo I diminuiu;


neno será encontrada dentro de – no interior do tubo II, a concentração de CO2 man-
(A) retículo endoplasmático. teve-se inalterada;
– no interior do tubo III, a concentração de CO2 du-
(B) peroxissomos. plicou.
(C) lisossomos. Tais resultados permitem concluir que a folha do tubo
(D) mitocôndria. (A) I ficou exposta a uma intensidade luminosa infe-
(E) complexo de Golgi. rior a seu ponto de compensação fótico.
(B) II ficou exposta a uma intensidade luminosa supe-
23. O gráfico ilustra o espectro de absorção da luz pelas rior a seu ponto de compensação fótico.
clorofilas a e b, em diferentes comprimentos de onda. (C) III ficou exposta a uma intensidade luminosa su-
Elas são duas das principais clorofilas presentes nos perior a seu ponto de compensação fótico.
eucariontes fotossintetizantes. (D) III ficou exposta a uma intensidade luminosa infe-
rior a seu ponto de compensação fótico.
(E) II ficou exposta a uma intensidade luminosa infe-
rior a seu ponto de compensação fótico.

1. A 13. D
Suponha que três plantas (I, II e III) da mesma espécie
2. B 14. D
ficaram expostas diariamente aos comprimentos de
onda 460 nm, 550 nm e 660 nm por um mês, respec- 3. B 15. A
tivamente. É possível supor que
4. C 16. D
(A) todas sucumbiram depois desse período, devido
5. C 17. A
à falta de reservas orgânicas.
6. E 18. C
(B) apenas a planta II conseguiu sintetizar matéria or-
gânica suficiente para crescer. 7. B 19. B
(C) as plantas I e III conseguiram sintetizar matéria 8. D 20. B
orgânica suficiente para crescerem. 9. C 21. D
(D) todas permaneceram no seu ponto de compensa- 10. A 22. D
ção fótico durante esse período.
11. E 23. C
(E) a planta II respirou e as outras realizaram somen-
te a fotossíntese para crescer. 12. C 24. D

60 [Link] | Produção: [Link]


O NÚCLEO E AS DIVISÕES CELULARES

NÚCLEO CELULAR
Importância do Núcleo
No final do século XIX, Balbiani executou com amebas
um processo conhecido por merotomia. Ao microscópio,
seccionava mecanicamente esses organismos unicelulares
em dois fragmentos, um nucleado e outro anucleado. O
fragmento anucleado tornava-se esférico, parava de se Como as proteínas têm papel catalítico ou estrutural,
locomover e de se alimentar, morrendo cerca de 20 dias o DNA nuclear controla o metabolismo e mantém a arqui-
depois. O fragmento nucleado vivia normalmente. Caso tetura celular.
dentro das primeiras horas após a merotomia o fragmen-
to anucleado recebesse o núcleo transplantado de uma Estrutura do Núcleo Interfásico

BIOATP - O NÚCLEO E DIVISÕES CELULARES


outra ameba, voltava a locomover-se e alimentar-se nor-
malmente e podia se reproduzir. Uma típica característica do núcleo é a variação que
sofre durante a vida celular. Quando não está em divisão,
é chamado núcleo interfásico. A divisão celular (mitose e
meiose) envolve profundas modificações nucleares, po-
dendo o núcleo ser caracterizado de mitótico, meiótico ou
interfásico.
núcleo
envelope
nuclear

A)
Essas observações sugeriam o papel do núcleo como
controlador da atividade celular.
Núcleos interfásicos isolados degradam glicose, sinte-
tizam ATP e proteínas. No nível do DNA nuclear, depositá- cromatina
rio de caracteres hereditários e controlador de atividade
nucléolo
celular, estão as informações genéticas da célula.
nucleoplasma
O núcleo tem atividade autossintética. Cada uma de
suas moléculas de DNA pode originar uma cópia idênti-
ca de si mesma, em um processo chamado replicação. As
informações do DNA são passadas para o citoplasma por poros
moléculas de RNA mensageiro, cuja produção é a trans- B)
envelope
crição, que emprega as moléculas de DNA como “molde”. nuclear
O RNA mensageiro dirige-se ao citoplasma, onde a sua
leitura pelos ribossomos determina a produção de prote- Esquema de uma célula eucariótica
ínas, na tradução. (A) e esquema do núcleo em destaque (B).

[Link] | Produção: [Link] 61


Biologia

Nos eucariotos, o núcleo interfásico apresenta os se-


guintes elementos:
• Envoltório nuclear: também chamado cario-
teca, membrana nuclear ou cariomembrana. É
formada por uma dupla membrana lipoproteica
porosa. Apresenta continuidade com o retículo cromatina condensada du-
rante a fase de divisão celular
endoplasmático o qual pode estar aderido a ri-
bossomos.
• Cariolinfa: também chamada nucleoplasma,
suco nuclear ou matriz nuclear. Refere-se ao co-
loide que preenche o interior do núcleo formado
por proteínas, RNA, fosfolipídeos, DNA, água e
sais minerais.
• Nucléolo: também conhecido como plasmosso-
cromatina descondensada
mo, é um corpúsculo intranuclear onde se for- durante a fase de intérfase
mam os ribossomos. Cada nucléolo é rico em
RNAr e proteínas, além de possuir um fragmento
de DNA responsável pela transcrição do RNAr. É
a união deste RNAr e proteínas que formam os
ribossomos.
• Cromatina: O complexo de DNA e de proteínas
histonas é denominado cromatina. O DNA carre- Micrografia de células da raiz de uma planta,
ga a informação genética; as proteínas organizam vistas ao microscópio óptico, evidenciando célula em
divisão celular e células com núcleo interfásico
fisicamente o cromossomo e regulam a atividade (aumento aproximado de 750 vezes e colorido artificial).
do DNA. A cromatina troca dramaticamente de
forma durante a mitose e a meiose. Durante a
interfase, a cromatina está desespiralizada e tão
“embolada” entre si e com as outras cromatinas dupla-hélice
que não pode ser vista no núcleo por microscó- do DNA
pio ótico. Durante a mitose e a meiose, as cro-
matinas começam a se espiralizar, passando a
ser chamadas de cromossomos. Mas durante a
maior parte da mitose e da meiose, a cromatina
está altamente compactada e os cromossomos
aparecem como objetos densos e volumosos.
Essas formas que se alternam estão relacionadas
à função da cromatina durante as diferentes fa- histona
ses do ciclo celular. Antes de cada mitose, o ma-
terial genético é replicado. Na mitose, o material
genético replicado é separado em dois novos
núcleos. Essa separação é fácil de ser alcançada
se o DNA estiver nitidamente arranjado em uni-
dades compactas e não todo emaranhado como
um “prato de espaguete”. Durante a interfase,
entretanto, o DNA deve dirigir as atividades da
célula. Tais funções necessitam que partes do
DNA estejam desenroladas e expostas para que 1400 nm
possam interagir com enzimas.
cromossomo
Quando observamos o núcleo interfásico, notamos
dois tipos de cromatina: a heterocromatina, com Representação do DNA de células eucarióticas associado
os filamentos condensados, e a eucromatina, com às proteínas histonas na organização da cromatina.
Os cromossomos, estado condensado da cromatina,
filamento menos condensados e com genes ativos.
só podem ser visualizados no núcleo da célula quando
Quando as cromatinas encontram-se no máximo esta se encontra em processo de divisão.
de condensação é chamado de cromossomo.

62 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

mado por uma molécula fita dupla de DNA e proteínas)


enquanto que, na fase G2, a cromatina possui dois fila-
mentos unidos por uma constrição chamada centrômero.
heterocromatina Cada um destes filamentos que compõem a cromatina de-
nomina-se cromátide. Os dois filamentos de uma mesma
nucléolo cromatina dupla são cromátides-irmãs.
Fica subentendido, portanto, que é na fase S da intér-
eucromatina fase que ocorre o processo de duplicação das cromatinas,
o que envolve a síntese de uma nova molécula de DNA, e
citoplasma
portanto, na fase G1 são produzidos RNA e proteínas.
Micrografia de corte do núcleo interfásico, mostrando heterocromatina
e eucromatina (microscopia eletrônica de transmissão; aumento
aproximado de 2 130 vezes e colorido artificial).

BIOATP - O NÚCLEO E DIVISÕES CELULARES


A     B      C      D       E

Esquema dos graus de compactação da cromatina, do menos compactado
(A) para o mais compactado (E). No núcleo interfásico, a cromatina que Cromossomos
apresenta maior grau de compactação é chamada de heterocromatina Como já foi visto, durante a intérfase, o DNA associa-
e encontra-se inativa; já a cromatina com menor grau de compactação do à proteínas encontra-se desespiralizado, recebendo o
recebe o nome de eucromatina e encontra-se em intensa atividade gênica.
nome de cromatina. Este formato se altera durante a mi-
A intérfase é subdivida em três fases: G1, S e G2. Na tose e a meiose, fases em que as cromatinas começam a
fase G1, a cromatina apresenta um único filamento (for- se compactar, passando a ser chamadas de cromossomos.
DNA fita dupla

Conjunto de oito
moléculas de histonas 2 nm
Uma molécula de DNA ligada com
histonas, formando um vasto número
DNA Histona H1 de nucleossomos.

Os nucleossomos
formam “contas”
na “fita” de DNA.

Os nucleossomos se empacotam em uma


espiral que gira em outra espiral maior, e
assim por diante, produzindo fibras de
cromatina superenroladas e condensadas.

30 nm As espirais se do-
bram para formar
alças.

As alças se espiralam ainda


mais, formando um cro- O DNA se empacota no
300 nm mossomo.
cromossomo mitótico. O
Cromossomos nucleossomo, formado
em metáfase pelo DNA e pelas histonas,
é a parte essencial desta
700 nm estrutura altamente
1.400 nm compactada.

Extensivo 63
Biologia

Classificação dos Cromossomos


Todo cromossomo apresenta uma região especial, centrômero, em geral localizada em um estrangulamento do cro-
mossomo condensado. É por meio dessa região que os cromossomos duplicados se prendem aos microtúbulos encarre-
gados de separar as cromátides durante as divisões celulares.
O centrômero divide o cromossomo em duas partes, que os cito-
logistas denominam braços cromossômicos. A posição do centrômero
(e, consequentemente, o tamanho relativo dos braços cromossômicos)

Braço
serve de critério para classificar os cromossomos em quatro tipos:
• (figura A) metacêntrico: o centrômero está no meio e os dois

Centrômero
braços têm, aproximadamente, o mesmo tamanho;
• (figura B) submetacêntrico: o centrômero é um pouco desloca-
do da região mediana e os braços têm tamanho desigual;

Braço
• (figura C) acrocêntrico: o centrômero localiza-se perto de uma
das extremidades e um dos braços é bem maior que o outro;
• (figura D) telocêntrico: o centrômero localiza-se junto a uma
das extremidades do cromossomo e há praticamente um só
A.      B.     C.     D.
braço.
Disponível em: [Link]

Na espécie humana, cada célula apresenta 46 cromossomos, dos quais 44 são autossomos e os outros dois são os sexuais.
Autossomos são os tipos de cromossomos presentes tanto em células masculinas quanto em células feminina.
Cromossomos sexuais são os que variam entre os sexos e caracteriza células masculinas (um cromossomo X e um Y)
e femininas (dois cromossomos X).
Ao invés de dizer que cada célula humana tem 44 cromossomos autossomos, pode-se dizer que existem 22 partes de
cromossomos autossomos. Apesar de matematicamente as duas falas se referirem à mesma coisa, a segunda maneira
de se expressar implica que existem pares de cromossomos idênticos: cromossomos homólogos.
Assim, mulheres apresentam 22 pares de cromossomos autossômicos e um par de cromossomos X. Já os homens
apresentam 22 pares de cromossomos autossômicos, além de um cromossomo X e outro Y. Células deste tipo, com du-
plas de homólogos, são chamadas de diploides ou 2n (do grego diplos, duplo, dois). Em contrapartida, gametas como o
espermatozoide e o ovócito apresentam apenas um representante de cada par de cromossomos, sendo chamadas de
haploides ou n (do grego haplos, simples).

46 cromossomos XY
paternos (2n)

XX
46 cromossomos (23 de
Espermatozoide (n) origem paterna e 23 de
(23 cromossomos) origem materna)

Os genes de espécie humana distribuem-se em


24 tipos de cromossomos. Cada pessoa herda
XX dois conjuntos de 23 desses cromossomos, um
46 cromossomos Óvulo (n)
maternos (2n) proveniente da mãe e outro proveniente do pai.
(23 cromossomos)

64 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Cariótipo ocorre ao acaso e em uma fase do desenvolvimento na qual


O cariótipo representa o conjunto diploide (2n) de cro- o número de células é relativamente pequeno, é de se es-
perar que metade das células de uma mulher tenha ativo o
mossomos das células somáticas de um organismo.
X de origem paterna, enquanto que a outra metade tenha
Um cariótipo pode ser representado por meio de ima- o X de origem materna em funcionamento. Por isso, diz-se
gem dos cromossomos (cariograma) ou pela ordenação que as mulheres são “mosaicos”, pois quanto aos cromos-
de acordo com o tamanho dos cromossomos em esquema somos sexuais, apresentam dois tipos de células.
fotográfico (idiograma).
A determinação do sexo nuclear (presença do corpús-
culo de Barr) tem sido utilizada em jogos olímpicos, quan-
do há dúvidas quanto ao sexo do indivíduo.
XX

BIOATP - O NÚCLEO E DIVISÕES CELULARES


Disponível em: [Link]
Imagem de células femininas.
Na espécie humana, as células somáticas possuem As setas apontam para a cromatina sexual.
46 cromossomos (2n = 46), agrupados em 23 pares, sendo
22 pares autossômicos e um par sexual, diferenciando o DIVISÃO CELULAR
gênero de um organismo em masculino e feminino.
Divisão Celular por Mitose
Cariótipo normal masculino → 46, XY ou 44A + XY (fi-
gura anterior); Uma célula só entra em divisão celular após duplicação
de seus DNAs e dos centríolos (centro celular), o que ocor-
Cariótipo normal feminino → 46, XX ou 44A + XX.
re na fase S da intérfase.
Mecanismo de Compensação de Dose Em seguida, iniciam-se as fases da mitose ou da meio-
se: prófase, metáfase, anáfase e telófase.
Em 1949, o pesquisador inglês Murray Barr descobriu A separação final em duas células resultantes é chama-
que há uma diferença entre os núcleos interfásicos das da citocinese.
células masculinas e femininas: na periferia dos núcleos • prófase: fragmentação da carioteca e do nucléolo,
das células femininas dos mamíferos existe uma massa de migração dos centríolos para lados opostos da cé-
cromatina que não existe nas células masculinas. Essa cro- lula com formação dos fusos mitóticos e condensa-
matina possibilita identificar o sexo celular dos indivíduos ção dos cromossomos;
pelo simples exame dos núcleos interfásicos: a ela dá-se o • metáfase: nesta fase, já houve a desagregação da
nome de cromatina sexual ou corpúsculo de Barr. carioteca, o que libera os cromossomos, neste mo-
A partir da década de 1960, evidências permitiram que mento já altamente condensados. Os centríolos já
a pesquisadora inglesa Mary Lyon levantasse a hipótese se encontram em lados opostos da célula e, por
de que cada corpúsculo de Barr fosse um cromossomo X meio de seus fusos, organizam os cromossomos
que, na célula interfásica, se espirala e se torna inativo. alinhados no equador da célula (placa equatorial
Dessa forma, esse corpúsculo cora-se mais intensamente ou placa metafásica);
que todos os demais cromossomos, que se encontram ati- • anáfase: encurtamento dos fusos mitóticos levam
vos e na forma desespiralada de fios de cromatina. à separação das cromátides-irmãs, sendo puxadas
Segundo a hipótese de Lyon, a inativação atinge ao para lados opostos da célula;
acaso qualquer um dos dois cromossomos X da mulher, • telófase: reconstituição da célula para voltar para

seja o proveniente do espermatozoide ou do óvulo dos a G1 da intérfase, o que envolve a reorganização
progenitores. Alguns autores acreditam que a inativação da carioteca e do nucléolo e descondensação dos
de um cromossomo X da mulher seria uma forma de igua- cromossomos. Termina na citocinese, separação
lar a quantidade de genes nos dois sexos. A esse mecanis- do citoplasma, o que resulta na separação de duas
mo chamam de compensação de dose. Como a inativação células-filhas.

[Link] | Produção: [Link] 65


Biologia

Fibras do fuso
em formação
Centro celular

Carioteca

PRÓFASE Cromossomos
Nucléolo em duplicados em
desaparecimento condensação

Fragmentos da Cromátides-irmãs
carioteca
Fuso mitótico

METÁFASE
Fibras
cromossômicas
Cromossomos condensados
alinhados no equador
(placa metafásica)

ANÁFASE
Encurtamento das fibras
cromossômicas Cromossomos-irmãos
migrando para pólos
opostos

Reaparecimento Reorganização Cromossomos


dos núcléolos da carioteca simples em
descondensação

TELÓFASE

Divisão
citoplasmática
(citocinese)

De cima para baixo, sequência das fases da mitose. Os esquemas coloridos, à direita, são representações de fenômenos que puderam ser
descobertos apenas com o emprego da microscopia eletrônica e de técnicas especiais de coloração. À esquerda estão reproduzidos os desenhos
publicados em 1882, pelo citologista alemão Walter Flemming (1843-1905), considerado o descobridor da mitose.

66 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

A mitose é representada pelo símbolo E!, sendo E a mossomos homólogos é chamado quiasma. Estes
inicial do termo equacional, que significa igualdade. Isso cromossomos trocam fragmentos de DNA, proces-
porque se a célula é diploide, ao sofrer mitose, origina so chamado crossing-over (permutação ou recom-
duas diploides. Se é haploide, a célula que sofre mitose, binação).
originará duas outra também haploides. • metáfase I: a linha equatorial é formada no entan-
Divisão Celular por Meiose e to com pareamento de homólogos, o que não ocor-
reu na metáfase da mitose.
Anomalias Cromossômicas • anáfase I: o encurtamento dos fusos dos centríolos se-
Diferente da mitose, a meiose é representada pela le- param os cromossomos de seus pares de homólogos.
tra R!, sendo R a inicial do termo reducional. Isso porque, • telófase I: há reorganização da célula, como ocorre na
no final da meiose (a qual repete o ciclo duas vezes), as telófase da mitose. No entanto, os dois núcleos for-
quatro células filhas formadas apresentam a metade da mados apresentam metade dos números de cromos-
ploidia da célula-mãe. Assim, uma célula diploide formará somos presentes no núcleo original. Cada cromosso-
quatro haploides após ter completado a meiose. Isso im- mo, diferentemente da mitose, ainda está constituído
possibilita que a meiose ocorra em células-mãe haploides. por duas cromátides unidas pelo centrômero.
Os fenômenos ocorridos na prófase, metáfase, anáfase Após a citocinese, cada uma das duas células-filhas en-
e telófase da mitose se repetem na meiose, destacando-se tra na meiose II, na qual as fases prófase II, metáfase II,
diferenças na: anáfase II e telófase II não apresentam diferenças daque-
• prófase I: Na profáse I da meiose ocorre empare- las ocorridas durante a mitose.
lhamento dos cromossomos homólogos, os quais, Como a meiose I começa com células diploides e ter-
formando duplas pareadas, são chamados de té- mina com duas haploides, pode-se dizer que se trata de

BIOATP - O NÚCLEO E DIVISÕES CELULARES


trades ou bivalentes. Cromátides de um cromosso- uma meiose reducional. Já a meiose II começa com duas
mo encosta na cromátide do outro cromossomo; células haploides e termina com quatro também haploi-
este ponto de encontro entre cromátides de cro- des, e, por isso trata-se de uma meiose equacional.

Profase I

Metafase I

Anafase I

Profase II

Anafase II

Telofase II

[Link] | Produção: [Link] 67


Biologia

Quadro Comparativo entre Mitose e Meiose


Mitose (E!) Meiose (R!)
n  →  n  n
Ocorrência e ploidia 2n →  n  n n n


2n  → 2n 2n




Duplicação do DNA Uma vez, durante a intérfase Uma vez, durante a intérfase
Divisão celular Uma Duas
Emparelhamento de cromossomos homólogos Não Sim
Permutação Não Sim
Separação dos cromossomos homólogos Não Sim
Divisão do centrômero e separação das cromáti-
Ocorre durante a anáfase Ocorre durante a anáfase II
des irmãs
Número de células-filhas Duas Quatro
Variabilidade genética Não promove Promove
Reprodução de unicelulares eucario- Produção de gametas, esporos e de
Ocorrência
tos e crescimento de pluricelulares organismos haploides

Gametogênese Gametogênese Feminina (Ovogênese)


Gametogênese é o processo de formação e desenvol- Diferentemente do sexo masculino, a maturação do
vimento de células geradoras especializadas denominadas gameta feminino inicia-se ainda no período pré-natal e
gametas ou células germinativas. Durante a gametogêne- termina depois do fim da maturação sexual (puberdade).
se, o número de cromossomos é reduzido à metade e a • Maturação pré-natal
forma da célula é modificada.

No início da vida fetal, as ovogônias proliferam por di-
Essa redução se dá durante a meiose, um tipo de divi- visão mitótica e, ainda antes do nascimento, todas cres-
são celular que ocorre durante a gametogênese. Esse pro-
cem, formando os ovócitos primários, e iniciam a primeira
cesso de maturação é chamado de espermatogênese, nos
divisão meiótica. As células permanecem em prófase sus-
homens, e dá origem ao gameta masculino, denominado
espermatozoide. Nas mulheres, é chamado ovogênese e pensa da primeira divisão meiótica (dictióteno) até o início
dá origem ao gameta feminino, ou ovócito. dos períodos reprodutivos, na puberdade.
• Maturação pós-natal
Gametogênese Masculina (Espermatogênese)
Na puberdade, a cada período reprodutivo, vários ovó-
A espermatogênese compreende o processo pelo qual citos reiniciam a divisão meiótica, porém apenas um vai
as espermatogônias são transformadas em espermatozoi- ser eliminado a cada mês na ovulação.
des. Esse processo tem início com a puberdade.
O ovócito primário aumenta de tamanho e termina
As espermatogônias tipo A se dividem também por mi-
a primeira divisão meiótica pouco antes da ovulação (48
tose, mantendo assim a população de espermatogônias.
As espermatogônias do tipo B se dividem por meiose, a 72 horas antes), porém a divisão gera duas células de
originando os gametas. O processo da espermatogênese tamanhos desiguais: o ovócito secundário fica com quase
no homem é contínuo, não obedecendo a nenhum ciclo todo o citoplasma e a maioria das organelas, a outra cé-
específico, e continua até a velhice. lula, bem menor, é chamada de corpúsculo polar e logo
Etapas da espermatogênese: degenera. Durante o processo de ovulação (eliminação
do ovócito do ovário), o ovócito inicia a segunda divisão
1. Espermatogônias crescem e suas cromatinas se
meiótica, porém esta é novamente suspensa, desta vez na

condensam, transformando-se nos espermatóci-
tos primários. metáfase, e só será completada no momento da fecun-
dação, com a entrada do espermatozoide no interior da
2. Os espermatócitos primários sofrem, então, uma
célula. Ocorrendo a fecundação, antes da fusão dos dois

divisão reducional, a primeira divisão meiótica, ge-
pró-núcleos, o masculino e o feminino, o ovócito secundá-
rando dois espermatócitos secundários.
rio termina a segunda divisão meiótica, novamente elimi-
3. Cada espermatócito secundário passa pela segunda nando outro corpúsculo polar.

divisão meiótica, originando duas espermátides.
• Ovulação ou ovocitação
4. Cada espermátide transforma-se gradualmente em
É o processo de liberação do ovócito II do ovário em

um espermatozoide por meio de um processo de-
nominado espermiogênese. direção à tuba uterina.

68 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Principais Diferenças entre os Processos da interrompido na andropausa, enquanto que a


Gametogênese Masculina e Feminina produção de gametas femininos cessa com a me-
1. A espermatogênese é um processo contínuo, en- nopausa.

quanto a ovogênese está relacionada ao ciclo re- 4. O espermatozoide é uma célula pequena e móvel,


produtivo da mulher; enquanto que o ovócito é uma célula grande e sem
2. Na espermatogênese, cada espermatogônia pro- mobilidade.

duz quatro espermatozoides. Na ovogênese, cada
5. Quanto à constituição cromossômica, existem dois
ovogônia dá origem a apenas um ovócito e células


tipo de espermatozoides: 23,X ou 23,Y. A mulher só
inviáveis denominadas corpúsculos polares.
produz um tipo de gameta quanto à constituição
3. A produção de gametas masculinos é um pro-
cromossômica: 23,X.

cesso que continua até a velhice, podendo ser

BIOATP - O NÚCLEO E DIVISÕES CELULARES


Anomalias Cromossômicas alinhar aleatoriamente na metáfase I, justamente como
Um par de cromossomos homólogos pode ser defi- cromossomos durante a mitose, e existe 50% de chance
ciente na separação durante a meiose I, ou as cromáti- de que ambos irão para o mesmo pólo.
des-irmãs podem deixar de se separar durante a meiose Se, por exemplo, o par de cromossomos 21 deixar de
II ou durante a mitose. Esse fenômeno é chamado de se separar durante a formação do óvulo humano (e en-
não disjunção e resulta na produção de células aneu- tão ambos os membros do par forem para o mesmo pólo
ploides. durante a anáfase I), o ovócito resultante irá conter dois
A aneuploidia é uma condição em que um ou mais cromossomos 21 ou nenhum. Se o óvulo com os dois cro-
cromossomos ou pedaços de cromossomos encontram-se mossomos é fertilizado por um espermatozoide normal, o
ausentes ou presentes em excesso. zigoto resultante irá possuir três cópias do cromossomo:
Uma razão para a não disjunção pode ser a ausência ele será trissômico para o cromossomo 21. Uma criança
do quiasma. Relembre que essa estrutura, formada du- com um cromossomo 21 extra manifesta a síndrome de
rante a prófase I, mantém os dois cromossomos homólo- Down: inteligência prejudicada, anormalidades caracte-
gos juntos na metáfase I. Isso assegura que um homólogo rísticas das mãos, da língua e da linha dos olhos e uma
ficará de frente para um pólo e o outro homólogo para suscetibilidade aumentada a doenças cardíacas e doenças
o outro pólo. Sem essa “cola”, os dois homólogos podem como a leucemia.

[Link] | Produção: [Link] 69


Biologia

Incidência de Síndrome de Down em


Somente um par de A não disjunção ocorre se,
cromossomos homólogos durante a anáfase da meiose I, Fetos e Nativivos em Relação à Idade Materna
está representado. Em ambos os homólogos vão para o
humanos, há um total de mesmo pólo. Idade materna Na 16ª semana de Ao nascimento
22 outros pares.
(anos) gestação
15-19 — 1/1250
20-24 — 1/1400
Depois da meiose ... enquanto estes
possuem um cro-
33 1/420 1/625
II, estes gametas
perderam um mossomo extra. 37 1/150 1/225
cromossomo...
39 1/90 1/140
42 1/40 1/65
45 ou mais 1/20 1/25
THOMPSON & THOMPSON. Genética médica. 7 ed. Rio de Janeiro:
Elsevier. (Adaptado)

A diferença de incidência da síndrome de Down obser-


vada, com relação às mesmas idades maternas, na 16ª se-
mana de gestação e ao nascimento, se deve àqueles fetos
com esta síndrome que morrem durante este período.
Existe um procedimento, chamado amnioncentese, que
se realiza durante a gestação, permitindo saber se o neném
possui alguma anomalia como a síndrome de Down. A amnio-
centese é um método de diagnóstico pré-natal que consiste
na aspiração transabdominal duma pequena quantidade de
A fertilização com um gameta
um contendo um número
A fertilização com um ga- fluido amniótico da bolsa amniótica, que envolve o feto.
meta contendo um número
normal de cromossomos (23) normal de cromossomos (23) Este procedimento pode ser realizado logo que exis-
resulta em um indivíduo com
um cromossomo a menos
resulta em um indivíduo com ta quantidade suficiente de fluido (líquido amniótico) em
um cromossomo extra.
(monossomia) volta do feto, para que possa ser recolhida uma amostra
com segurança – em alguns casos chega a fazer-se a cerca
Não disjunção gera aneuploidias. de 13 semanas de gestação, embora o período mais co-
A não disjunção ocorre se cromossomos homólogos mum seja entre as 15 e 20 semanas. As amostras demo-
deixam de separar durante a meiose I. ram geralmente duas semanas a produzir resultados. Este
O resultado é aneuploidia: um ou mais cromossomos método implica alguns riscos e a recolha de líquido amni-
estão faltando ou presentes em excesso.
ótico deverá ser feita apenas por técnicos especializados.

Fluído amniótico com


células do feto
Agulha da seringa

São retirados mais ou


menos 20 mL de líquido

Líquido amniótico

Células
do feto

Células
As células são sepa-
   O DNA radas do fluído por
é analisado pa- centrifugação
ra verificar
mutações As células crescem em
meio de cultura
Faz-se o cariótipo para
verificação de anomalias
cromossômicas As células são analisadas para
verificar problemas metabólicos

Amnioncentese.

70 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Atenção:
Síndromes cromossômicas não são doenças genéticas,
logo, não apresentam caráter hereditário. São prove-
nientes de erros da segregação cromossômica durante
a meiose.
A representação do cariótipo de uma menina com sín-
drome de Down é: 45A + XX (21) ou 47, XX (21).
Existem outras anomalias cromossômicas:

Síndrome de Turner (44A + X0). Sempre mulheres.


Imagem destaca o pescoço alado e ausência de cromatina
Síndrome de Edwards ou trissomia do 18 (45A + XY sexual mesmo sendo do sexo feminino.

BIOATP - O NÚCLEO E DIVISÕES CELULARES


(18)), como na imagem. Quando for uma menina (45A +
Existem também a síndrome do triplo X ou síndrome
XX (18)). Imagem destaca que o crânio é muito alongado
da super fêmea (44A + XXX) e síndrome do duplo Y ou sín-
na região occipital.
drome do super macho (44A + XYY).

1. O núcleo celular foi descoberto pelo pesquisador es-



cocês Robert Brown, que o reconheceu como com-
ponente fundamental das células. O nome escolhido
Síndrome de Patau ou trissomia do 13 (45A + XY (13)), para essa organela expressa bem essa ideia: a palavra
como na imagem. Quando for uma menina (45A + XX). “núcleo”, de acordo com o dicionário brasileiro, signi-
Imagem destaca o lábio leporino e a fenda palatina. fica centro ou parte central. A respeito da constitui-
ção e função do núcleo celular, julgue as afirmativas,
como falsas ou verdadeiras:
I. O núcleo só é encontrado em células eucariontes,

portanto as bactérias não apresentam essa organela.
I. Existem células eucariontes com um único nú-

cleo, células com vários núcleos e outras células
anucleadas.
III. O núcleo abriga o material genético das células,

uma vez que dentro dele se encontram os cro-
mossomos que contêm a informação genética.
IV. A carioteca é o envoltório nuclear, que impede a

troca de qualquer tipo de material entre o núcleo
e o restante da célula.
(A) V – V – F – F (D) V – V – V – F
Síndrome de Klinefelter (44A + XXY). Sempre homens.
Imagem destaca a ginecomastia. E a presença de cromati- (B) F – F – F – V (E) V – F – V – V
na sexual mesmo sendo do sexo masculino (C) V – F – V – F

[Link] | Produção: [Link] 71
Biologia

2. Analise a figura 5. Quando afirmamos que o metabolismo da célula é




controlado pelo núcleo celular, isso significa que
(A) todas as reações metabólicas são catalisadas por


moléculas e componentes nucleares.
(B) o núcleo produz moléculas que, no citoplasma,


promovem a síntese de enzimas catalisadoras das
reações metabólicas.
(C) o núcleo produz e envia, para todas as partes da célu-


la, moléculas que catalisam as reações metabólicas.
A figura representa um cromossomo em metáfase mi-
(D) dentro do núcleo, moléculas sintetizam enzimas

tótica. Portanto, os números I e II correspondem a


catalisadoras das reações metabólicas.
(A) cromossomos emparelhados na meiose, cada um (E) o conteúdo do núcleo passa para o citoplasma e

com uma molécula diferente de DNA.


atua diretamente nas funções celulares, catali-
(B) cromátides não-irmãs, cada uma com uma molé- sando as reações metabólicas.

cula idêntica de DNA.
6. O núcleo de uma célula é formado por cromossomos
(C) cromátides-irmãs, cada uma com duas moléculas


de diversas formas e tamanhos, podendo, às vezes,

diferentes de DNA.
apresentar um ou mais cromossomos de cada tipo. A
(D) cromátides-irmãs, com duas moléculas idênticas ploidia de um ser vivo cuja célula é 2n = 2 está repre-

de DNA. sentada em:
(E) cromossomos duplicados, com duas moléculas
(A)  (C)

diferentes de DNA.
3. Com relação às várias estruturas presentes no núcleo

das células eucariotas, afirma-se:
I. O nucléolo é constituído, principalmente, de áci-

do desoxirribonucleico (DNA).
(B)  (D)
II. A carioteca apresenta duas membranas lipopro-

teicas.
III. Na fase G1 são produzidos RNA e proteínas.

IV. A cromatina e os cromossomos ocorrem, simulta-

neamente, na fase G1 da intérfase.
São corretas apenas as afirmativas 7. A ilustração representa o cariótipo humano que permi-

te determinar o número e a forma dos cromossomos.

(A) I e III. (C) II e III.
(B) I e IV. (D) II e IV.
4. Em relação ao núcleo das células e seus constituintes,

é correto afirmar que
(A) no núcleo eucariótico, o conjunto haploide de

cromossomos é denominado cariótipo, enquanto
o número, a forma e o tamanho dos cromosso-
mos são denominados de genoma.
(B) o núcleo interfásico de células vegetais apresenta

uma carioteca, cuja estrutura não permite a co-
municação com o citoplasma.
(C) o nucléolo é uma estrutura intranuclear.

(D) em células procariontes, existem proteínas res- Analisando-se a figura, é correto concluir que se refe-

ponsáveis pela condensação das fitas de DNA,

re a um indivíduo portador da síndrome de
denominadas histonas.
(A) Klinefelter. (C) Turner.
(E) a cromatina é uma estrutura presente, tanto no ci-
(B) Patau. (D) Down.

toplasma, como no núcleo de células eucarióticas.

72 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

8. Um cientista, examinando ao microscópio células so- Estão corretas




máticas de um organismo diploide 2n = 14, observa (A) I, II, III, IV e V.   (D) apenas II, III, IV e V.
nos núcleos que se encontram na fase G1 da intérfase
um emaranhado de fios, a cromatina. Se fosse pos- (B) apenas I, II, III e IV.    (E) apenas II, III e IV.
sível desemaranhar os fios de um desses núcleos, o (C) apenas I, II, III e V.


cientista encontraria quantas moléculas de DNA?
11. Os cromossomos das células somáticas de um dado ani-
(A) 14.   (C) 1.  (E) 2.


mal foram esquematizados como mostra a figura a seguir:
(B) 7.   (D) 28.
A partir desse esquema, foram feitas as seguintes de-
9. Analisando o desenho esquemático que representa o


duções sobre esse animal:

núcleo de uma célula animal qualquer, podemos iden-
tificar que o componente responsável pela síntese de
RNA que forma o ribossomo é assinalado pelo número:

(A) 1.


(B) 2.


(C) 3.

(D) 4. I. Suas células diploides possuem 2n = 16 cromos-

somos.

(E) 5.
II. Suas células haploides apresentam n = 8 cromos-


10. A ilustração procura representar experimentos reali- somos.

zados em amebas e que demonstram a importância III. Seu cariótipo é formado por quato cromossomos

do núcleo no controle das atividades celulares. metacêntricos, dois cromossomos submetacên-
tricos e dois cromossomos acrocêntricos.
Dessas afirmações,

(A) apenas I é verdadeira.

(B) apenas II é verdadeira.

(C) apenas III é verdadeira.

(D) apenas I e II são verdadeiras.

(E) I, II e III são verdadeiras.

12. A análise citogenética realizada em várias células de

um mamífero permitiu elaborar o seguinte esquema:
Ele representa

Analise as afirmativas:

I. Uma ameba, com núcleo transplantado, é incapaz

de se dividir.
II. O transplante do núcleo para o fragmento de uma

ameba anucleada regenera as funções vitais da
ameba.
III. A porção nucleada da ameba cresce e vive nor- (A) o fenótipo do organismo.


malmente. (B) o genoma de uma célula haploide.

IV. A porção nucleada da ameba é capaz de se dividir (C) o genoma de uma célula diploide.

normalmente.

V. A porção anucleada de uma ameba seccionada (D) os cromossomos de uma célula haploide.


degenera. (E) os cromossomos de uma célula diploide.

[Link] | Produção: [Link] 73
Biologia

13. Assinale o gráfico que representa corretamente a 15.




quantidade de DNA no núcleo de uma célula de ma-
mífero durante as fases da meiose. Considere MI = 1ª
divisão e MII = 2ª divisão.

Quantidade de DNA
(A)   (D) 

por célula

Fases do ciclo celular

A imagem representa a variação da quantidade de DNA


ao longo do ciclo celular de uma célula eucariótica.
Em relação aos eventos que caracterizam as mudan-


(B)   (E)  ças observadas na imagem, pode-se afirmar:

(A) A duplicação do DNA ocorre a partir da etapa G1,


finalizando na G2.
(B) A redução do número cromossômico é concreti-


zada pela separação dos cromossomos homólo-
gos na etapa M.
(C) A divisão equacional da etapa M é justificada a partir


dos eventos de replicação que ocorrem na etapa S.
(C) (D) A condensação do material genético é essencial

para que o processo de replicação seja plenamen-

te completado na etapa M.
(E) A expressão da informação genética é garantida

a partir dos eventos realizados exclusivamente
na etapa S.
16. O processo de mitose é essencial para o desenvolvimen-

to e o crescimento de todos os organismos eucariotos.
14. Observe a figura que ilustra uma célula em determi-

nada etapa de um processo de divisão celular.

(KLUG, Willian et al. Conceitos de Genética. 9. ed. Porto Alegre: Artemed, 2010. p. 24.)

Com base na figura e nos conhecimentos sobre o ciclo



celular, é correto afirmar:
Sendo 2n o número diploide de cromossomos, é cor- (A) O período durante o qual ocorre a síntese do DNA

é maior que o período em que não ocorre síntese

reto afirmar que tal célula encontra-se em anáfase da
alguma de DNA.
mitose de uma célula-mãe
(B) Ao final de um ciclo celular, a quantidade de ma-
(A) 2n = 8, ou anáfase I da meiose de uma célula-mãe

terial genético, nos núcleos de cada célula-filha,

2n = 8. equivale ao dobro da célula parental.
(B) 2n = 16, ou anáfase II da meiose de uma célula- (C) O tempo gasto para o pareamento cromossômico


-mãe 2n = 8. na placa equatorial equivale ao tempo gasto para
(C) 2n = 4, ou anáfase I da meiose de uma célula-mãe síntese de DNA.
(D) Em mais da metade do tempo da mitose, as cro-

2n = 8.

mátides estão duplicadas, separadas longitudinal-
(D) 2n = 8, ou anáfase II da meiose de uma célula- mente, exceto no centrômero.

-mãe 2n = 16.
(E) Durante a fase mais longa da mitose, as cromá-
(E) 2n = 4, ou anáfase II da meiose de uma célula-

tides-irmãs se separam uma da outra e migram

-mãe 2n = 8. para as extremidades opostas da célula.

74 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

17. Um pesquisador analisou células em divisão das gôna- 19. Considere os eventos abaixo, que podem ocorrer na


das e do trato digestório de um macho de uma nova mitose ou na meiose:
espécie de mosca. A partir de suas observações, fez as I. Emparelhamento dos cromossomos homólogos
seguintes anotações:


duplicados.
Nas células do tecido I, em uma das fases da divisão II. Alinhamento dos cromossomos no plano equato-

celular, veem-se oito cromossomos, cada um deles


rial da célula.
com uma única cromátide, quatro deles migrando
III. Permutação de segmentos entre cromossomos
para um dos polos da célula e os outros quatro mi-


homólogos.
grando para o pólo oposto.
IV. Divisão dos centrômeros, resultando na separa-
Nas células do tecido II, em uma das fases da divisão


ção das cromátides irmãs.

celular, veem-se quatro cromossomos, cada um deles
com duas cromátides, dois deles migrando para um No processo de multiplicação celular para reparação


dos pólos da célula e os outros dois migrando para o de tecidos, os eventos relacionados à distribuição
pólo oposto. equitativa do material genético entre as células resul-
tantes estão indicados em
Pode-se afirmar que as células do tecido I e as células
(A) I e III, apenas. (D) I e IV, apenas.

do tecido II são, respectivamente,
(B) II e IV, apenas. (E) I, II, III e IV.
(A) da gônada e do trato digestório. Essa nova espé-
(C) II e III, apenas.

cie de mosca tem 2n = 2.


(B) da gônada e do trato digestório. Essa nova espé- 20. Os gráficos a seguir representam processos de divisão

celular, em que X é o número haploide de material

cie de mosca tem 2n = 4.
genético.
(C) do trato digestório e da gônada. Essa nova espé-

cie de mosca tem 2n = 8.
(D) do trato digestório e da gônada. Essa nova espé-

cie de mosca tem 2n = 2.
(E) do trato digestório e da gônada. Essa nova espé-

cie de mosca tem 2n = 4. É incorreto afirmar que o processo

(A) I permite o crescimento de plantas.
18. Após uma aula sobre divisão celular, em células euca-

(B) II ocorre nos testículos e ovários.

riontes, o professor projeta a imagem de uma célula

2n = 4, que representa uma das etapas estudadas, e (C) I pode ocorrer em hemácias maduras.

pergunta a seus alunos qual fase e divisão celular es- (D) II está ligado à variabilidade genética.

tão sendo representadas.
21. Responder à questão com base no cariótipo (conjunto
Observe a imagem da representação projetada e assi-

de cromossomos) humano representado abaixo.

nale, das alternativas abaixo, qual a resposta correta
para a questão proposta pelo professor.

O cariótipo é de um indivíduo do sexo ___________



com síndrome de __________.
(A) Metáfase da Mitose.

(A) feminino - Klinefelter
(B) Anáfase da Mitose.

(B) masculino - Klinefelter

(C) Anáfase I da Meiose.

(C) masculino - Down


(D) Metáfase II da Meiose. (D) feminino - Turner


(E) Anáfase II da Meiose. (E) masculino - Turner


[Link] | Produção: [Link] 75
Biologia

22. Abaixo estão representados cinco núcleos de células (D) A redução no número de cromossomos ocorre


somáticas e cada ponto escuro corresponde à croma- durante a etapa 3.
tina sexual. Qual destes núcleos poderia, com mais
(E) A separação das cromátides-irmãs ocorre durante
probabilidade, ser encontrado em um indivíduo por-


a etapa 1.
tador da Síndrome de Turner?
25. O trecho a seguir foi extraído do artigo Desencontros


sexuais, de Drauzio Varella, publicado na “Folha de S.
Paulo”, em 25 de agosto de 2005.
Nas mulheres, em obediência a uma ordem que parte


de uma área cerebral chamada hipotálamo, a hipófise
libera o hormônio FSH (hormônio folículo estimulan-
(A) I te), que agirá sobre os folículos ovarianos, estimulan-

do-os a produzir estrogênios, encarregados de ama-
(B) II durecer um óvulo a cada mês.

(C) III FSH e estrogênios dominam os primeiros 15 dias do


ciclo menstrual com a finalidade de tornar a mulher

(D) IV fértil, isto é, de preparar para a fecundação uma das

350 mil células germinativas com as quais nasceu.
(E) C


O trecho faz referência a um grupo de células que a
mulher apresenta ao nascer. Essas células são
23. Durante a ovulogênese na espécie humana, nem sem-

pre se observa a fase de óvulo. Quando observado, (A) ovogônias em início de meiose, presentes no

este tipo celular será encontrado interior dos folículos ovarianos e apresentam
23 cromossomos.
(A) no ovário de uma recém-nascida.

(B) ovócitos em início de meiose, presentes no inte-

(B) na tuba uterina. rior dos folículos ovarianos e apresentam 46 cro-

mossomos.
(C) no ovário após a segunda divisão meiótica.

(C) ovócitos em fase final de meiose, presentes no

(D) na mucosa uterina. interior de folículos ovarianos e apresentam

23 cromossomos.
24. O esquema a seguir representa etapas do processo de (D) óvulos originados por meiose, presentes na tuba

gametogênese no homem.

uterina e apresentam 23 cromossomos.
(E) ovogônias em início de meiose, presentes na tuba

uterina e apresentam 46 cromossomos.

1. D 8. A 15. C 22. A




2. D 9. C 16. D 23. B




Sobre esse processo, assinale a alternativa correta.
3. C 10. D 17. E 24. A





(A) A célula A é diploide e as células B, C e D são ha-
4. C 11. C 18. C 25. B

ploides.




(B) A separação dos homólogos ocorre durante a eta- 5. B 12. E 19. B




pa 2.
6. B 13. B 20. C
(C) As células A e B são diploides e as células C e D são




haploides. 7. D 14. E 21. B



76 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

Considere as afirmativas abaixo:


I. A célula 4 apresentará as características genéticas


da célula 5.
II. Pode-se concluir que, por serem anucleadas, as


hemácias são células que vivem pouco tempo.
1. Para se descobrir a função das estruturas celulares, III. Entre outras funções, o núcleo é responsável pela


uma via experimental usada pelos cientistas é a remo- reprodução.
ção da estrutura celular que se quer estudar e a poste-
Assinale
rior verificação do que acontece à célula na ausência
da estrutura. O uso de organismos mutantes é uma al- (A) se todas as afirmativas estiverem corretas.


ternativa para a obtenção dessas células modificadas.
(B) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
Embriões de sapos compostos de células sem nucléo-


los (anucleoladas) foram comparados a embriões nor- (C) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.


mais. O desenvolvimento a partir do zigoto acontece de (D) se somente a afirmativa III estiver correta.
forma semelhante nos dois casos, mas, no momento


da eclosão do girino, os mutantes anucleolados mor- (E) se somente a afirmativa II estiver correta.


rem. Paralelamente a isso, a principal alteração obser-
vada nas células de indivíduos normais foi um aumento 3. Uma célula em crescimento passa por um ciclo celu-


significativo na concentração de ribossomos no cito- lar que compreende essencialmente dois períodos: a
plasma, o que não ocorreu nos mutantes anucleolados. intérfase e a divisão. Por muitos anos, os citologis-
Com base nessas informações e nos conhecimentos de tas preocuparam-se primordialmente com o período
Biologia Celular, considere as seguintes afirmativas: de divisão, durante o qual profundas alterações cro-
1. Nos indivíduos mutantes anucleolados, a eclosão mossômicas eram vistas ao microscópio óptico, en-

do girino não acontece, por falta de alimentação quanto a intérfase era considerada como uma fase
adequada do embrião, o que leva à sua morte. de “repouso”. Observou-se, entretanto, que as célu-
2. O nucléolo é o responsável pela produção dos ri- las passam a maior parte de sua vida em intérfase,

bossomos, por sua vez responsáveis pela síntese que é um período de atividade biossintética intensa,
das proteínas necessárias ao processo de eclosão durante o qual a célula dobra de tamanho e duplica
dos girinos. o seu complemento cromossômico.
3. A eclosão do girino só acontece na presença de

uma grande quantidade de energia, na forma de
ATP, que é obtida por meio dos ribossomos.
4. Os indivíduos mutantes anucleolados sobrevive-

ram à fase embrionária por já contarem com ri-
bossomos prontos, presentes no óvulo.
Assinale a alternativa correta.

(A) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.

(B) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.

(C) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.

(D) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. Observando o gráfico acima, que representa a varia-


(E) Somente a afirmativa 3 é verdadeira. ção da quantidade de DNA no núcleo de uma célula
em função do tempo durante a intérfase, podemos

2. O esquema abaixo representa um experimento reali- afirmar que

zado em amebas.
(A) se trata seguramente de uma célula em mitose.

(B) A, B e C representam todas as etapas do ciclo celular.

(C) ao sofrer mitose, a quantidade de DNA nas célu-

las-filhas será igual à metade da quantidade pre-
sente inicialmente.
(D) no período representado em B surgem as cromá-

tides-irmãs.
(E) o período A é conhecido como intérfase.

[Link] | Produção: [Link] 77
Biologia

4. O esquema a seguir apresenta um experimento reali- por X e Y. Sendo assim, uma célula somática do corpo

zado com uma alga unicelular. de uma mulher apresenta
(A) 22 autossomos + Y.


(B) 22 autossomos + XX.


(C) 22 autossomos + XY.


(D) 44 autossomos + X.


(E) 44 autossomos + XX.


6. Observe os cromossomos a seguir esquematizados.


(Adaptado de LOPES, Sônia. Bio 1. São Paulo: Saraiva, 1997. p. 200)

Esse e outros experimentos semelhantes levaram à



conclusão de que o núcleo comanda e coordena todas
as funções nas células, sendo indispensável à manu-
tenção da vida.
A partir dessa conclusão, pode-se inferir que o resul-

tado do experimento foi o seguinte:
(A) I regenerou uma porção igual a ela, o mesmo

acontecendo com II, formando-se duas algas dife-
rentes. As figuras que representam, respectivamente, um

(B) I regenerou a porção II, formando-se uma alga conjunto diploide e o conjunto haploide correspon-

igual à que foi cortada, e II morreu. dente são
(C) II regenerou a porção I, formando-se uma alga (A) I e III.



igual à que foi cortada, e I morreu.
(B) I e IV.
(D) I e II regeneraram as porções perdidas, formando-



-se duas algas iguais à que foi cortada. (C) II e III.

(E) I e II morreram. (D) II e IV.


5. (E) V e I.

7. Os gatos possuem 38 cromossomos, com o sistema

XX/XY de determinação sexual. No desenvolvimento
embrionário de fêmeas, um dos cromossomos X é
inativado aleatoriamente em todas as células do orga-
nismo. Em gatos domésticos, a pelagem de cor preta
(dominante) e amarela (recessiva) são determinadas
9 por alelos de um gene localizado no cromossomo X.
8 10 11 12
7 Fêmeas heterozigóticas para cor da pelagem são man-
3 6
4 5 chadas de amarelo e preto. Um geneticista colocou
1
2 um anúncio oferecendo recompensa por gatos ma-
chos manchados de amarelo e preto. A constituição
cromossômica desses gatos é
Y (A) 37, YO.
19 20 21 22


16 17 18 (B) 37, XO.
15


13 14 X
(C) 38, XX.

A figura anterior representa os diferentes tipos de cro- (D) 39, XXY.

mossomos humanos. Os autossomos estão numera-

dos de 1 a 22, e os cromossomos sexuais, designados (E) 39, XXX.

78 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

8. Notícia de algum jornal do futuro... 9. Considerando que a ilustração a seguir, referente à




divisão de uma célula somática hipotética, apresenta
Iniciada a campanha nacional de vacinação contra um erro, assinale a alternativa que apresenta a situa-

sarampo e tuberculose ção que tornaria o desenho correto.
O destaque da campanha de vacinação, neste ano, é a

utilização de cerejas coloridas, sem sementes. Segundo
a bióloga Josefa da Silva, responsável pela equipe que
desenvolveu os novos frutos, técnicas especiais de
cruzamento foram aplicadas em dois tipos de cerejei-
ras transgênicas, resultando na obtenção de plantas
triploides (3n = 72), incapazes de produzir sementes.
Apesar de passar por todas as etapas do ciclo reprodu-
tivo, não há a formação de endosperma, e o processo
cessa nas primeiras divisões celulares do zigoto. As no-
vas cores (amarela, verde, roxa e branca) haviam sido
obtidas, anteriormente, por mutação no gene respon-
sável pela produção de pigmento na casca do fruto. As
formas mutantes para esse loco, diz a pesquisadora,
não interferem na eficiência das plantas transgênicas
como produtoras de vacinas. Elas continuam apresen- (A) A célula-mãe deveria ter apenas 2 cromossomos e

tando, nos frutos, as substâncias que, depois de libera- as células-filhas deveriam ter 4 cromossomos, pois
das pela digestão, ligam-se à membrana plasmática dos têm origem após a duplicação dos cromossomos.
linfócitos e sofrem endocitose, determinando o desen- (B) A célula-mãe deveria ter 4 cromossomos e as

volvimento da resposta imunológica. células-filhas deveriam ter 2 cromossomos, pois
Outra inovação dessas cerejas é a resistência às mos- foram originadas por mitose.

cas Anastrepha fraterculus que, nos últimos anos, (C) A célula-mãe deveria ter 4 cromossomos e as célu-

estabeleceram-se como pragas importantes do cul- las-filhas deveriam ser 4 e ter cada uma 2 cromos-
tivo de cerejas-vacina. Da mesma forma, as plantas somos, pois seriam o resultado de uma meiose.
apresentam resistência aos nematoides que atacavam (D) A célula-mãe deveria ter 4 cromossomos e cada

a raiz principal do sistema axial desses vegetais. Com célula-filha 4 cromossomos, pois seriam o resul-
o cultivo das novas variedades de cerejas resistentes, tado de uma mitose.
espera-se que essas pragas mantenham-se afastadas (E) A célula-mãe deveria ter 2 cromossomos e as cé-

dos pomares de vacinas, por algum tempo. lulas-filhas 2 cromossomos, pois seriam o resulta-
do de uma meiose.
Se as plantas desenvolvidas para serem produtoras de

vacina são triploides (3n = 72), então 10. Bioquímicos, médicos, biólogos, químicos, entre ou-

tros, podem trabalhar em pesquisa e descobrir subs-
(A) o número cromossômico das células gaméticas
tâncias que podem interferir em algum mecanismo

dessas plantas será sempre igual a 24. celular e, com isso, auxiliar na saúde humana. Entre
(B) as células somáticas, durante a mitose, formarão elas, está a vinblastina, alcaloide que impede a forma-

36 pares de cromossomos homólogos. ção das proteínas chamadas microtúbulos, presentes
(C) as células somáticas terão três grupos ou conjun- nas fibras do fuso. Ela pode

tos de cromossomos homólogos, cada um com 24 (A) inibir divisões mitóticas, impedindo, assim, o

cromossomos. crescimento de um tumor.
(D) na metáfase da meiose II, será possível observar (B) inibir divisões meióticas, impedindo, assim, a for-

mação de células somáticas.

18 grupos de cromossomos, cada um formado
por quatro cromossomos homólogos. (C) reduzir a digestão lipídica, favorecendo a perda

de massa corpórea.
(E) durante a anáfase da mitose, os cromossomos
(D) facilitar a perda de proteínas durante a digestão,

serão divididos de modo desigual, e as células-

favorecendo o emagrecimento.
-filhas terão números cromossômicos diferentes
(E) estimular a divisão citoplasmática do final da mi-
do original.

tose, estimulando o crescimento.

[Link] | Produção: [Link] 79


Biologia

11. Câncer é o termo genérico para descrever uma co- (C) mitose e tem participação dos centríolos.


leção de cerca de 150 doenças diferentes, caracte- (D) cromossômico e origina duas células diploides.
rizadas por uma rápida e anormal divisão celular do


(E) mitose celular e origina células haploides.
tecido e pela migração de células cancerígenas para


partes do corpo distantes da origem. Com a rápida e 13. Leia a placa informativa presente em uma churrascaria.
desnecessária divisão celular, logo se forma um exces-


so de tecido, conhecido como tumor.
Adaptado de [Link]

A primeira observação de que alguns medicamentos ou



produtos químicos poderiam atuar em tumores acon-
teceu na Segunda Guerra Mundial. Após vazamento de
gás mostarda, pessoas com tumores que ficaram ex-
postas ao gás, tiveram redução nesses tumores. Sendo
assim, a quimioterapia é um tratamento que utiliza Porcos e javalis são subespécies de uma mesma es-


medicações específicas, as quais têm propriedade de pécie, Sus scrofa. A referência ao número de cromos-
atuar “inativando” ou “destruindo” as células tumorais. somos justifica-se pelo fato de que são considerados
Disponível em: [Link] javalis puros apenas os indivíduos com 36 cromosso-
mos. Os porcos domésticos possuem 38 cromosso-
O agente quimioterápico ideal mataria as células can- mos e podem cruzar com javalis.

cerígenas e seria inofensivo às células sadias. Nenhum
Desse modo, é correto afirmar que
agente quimioterápico, por enquanto, atende a estes
critérios, e os efetivos são também os mais tóxicos para (A) os animais com 37 cromossomos serão filhos de

os humanos e, portanto, precisam ser cuidadosamente um leitão ou de uma leitoa, mas não de um casal
controlados quando ministrados aos pacientes. de javalis.
Disponível em: [Link] (B) um híbrido de porco e javali, conhecido como ja-

vaporco, terá 74 cromossomos, tendo herdado o
Uma pessoa com câncer foi submetida a um trata- material genético de ambas as subespécies.

mento quimioterápico, após o qual não houve forma-
ção de novas células tumorais. (C) do cruzamento de uma leitoa com um javali de-

vem resultar híbridos fêmeas com 38 cromosso-
A partir das informações contidas nos textos apresen- mos e híbridos machos com 36 cromossomos.

tados, é possível considerar que os agentes quimiote-
rápicos atuam sobre (D) os animais não puros terão o mesmo número de

cromossomos do porco doméstico, mas não o nú-
(A) a membrana plasmática, criando o encapsula-
mero cromossômico do javali.

mento do tumor.
(B) a circulação sanguínea, impedindo o tráfego da (E) os animais puros, aos quais o restaurante se re-

fere, são filhos de casais em que pelo menos um

doença.
dos animais paternos tem 36 cromossomos.
(C) os peroxíssomos, bloqueando a produção de ca-

talase. 14. Uma maneira de se obter um clone de ovelha é trans-

(D) algumas mitocôndrias, impedindo a respiração ferir o núcleo de uma célula somática de uma ovelha

aeróbica. adulta A para um óvulo de uma outra ovelha B do qual
(E) algum ponto do ciclo celular, fazendo cessar as foi previamente eliminado o núcleo. O embrião resul-

mitoses. tante é implantado no útero de uma terceira ovelha C,
onde origina um novo indivíduo. Acerca do material
12. Quando ocorre a divisão celular descontrolada das cé- genético desse novo indivíduo, pode-se afirmar que

lulas de determinada região do organismo, pode ocor-
(A) o DNA nuclear e o mitocondrial são iguais aos da
rer a formação de um tumor. Nos tumores benignos,

as células permanecem no local, prejudicando apenas ovelha A.
o órgão onde se originou o tumor ou os tecidos vizi- (B) o DNA nuclear e o mitocondrial são iguais aos da

nhos. O câncer é um tumor maligno prejudicial que se ovelha B.
espalha para outras regiões do corpo. (C) o DNA nuclear é igual ao da ovelha B, mas o DNA

O processo celular envolvido nessa desobediência ge- mitocondrial é igual ao da ovelha A.

nética é chamado de (D) o DNA nuclear é igual ao da ovelha A, mas o DNA

(A) meiose e origina células haploides. mitocondrial é igual ao da ovelha B.

(B) fissão e ocorre nas células eucarióticas dos ani- (E) o DNA nuclear é igual ao da ovelha A, mas o DNA

mitocondrial é igual ao da ovelha C.

mais evoluídos.

80 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

15. O número dos cromossomos nas células do cavalo (C) o número de cromossomos encontrados no ga-


(Equus caballus) é 64 e no trigo (Triticum aestivum) é 42. meta seja 23.
Quando esses organismos passam pelos processos de (D) um cromossomo de cada par seja direcionado


para uma célula-filha.

mitose e meiose, respectivamente, como serão os nú-
meros cromossômicos de: (E) um gameta raramente terá o número correto de


cromossomos da espécie.
(I) Cavalo

(II) Trigo 18. Sob condições experimentais adequadas, é possível



fazer com que certos tipos celulares se dividam por
(A) (I) 32 e 64, (II) 42 e 21. mitose. Para isso, tais células são colocadas em fras-

cos contendo meio de cultura e outras drogas neces-
(B) (I) 128 e 32, (II) 84 e 21.
sárias à indução da divisão celular.

(C) (I) 64 e 32, (II) 42 e 21. Com o objetivo de obter células para observar a mito-


(D) (I) 32 e 16, (II) 42 e 21. se, um laboratorista adotou o seguinte procedimento:

colocou uma amostra de sangue humano tratado com
(E) O número de cromossomos não sofre modifica- anticoagulante em um tubo de ensaio e, em seguida,

ções. centrifugou o tubo para precipitar os elementos mais
16. O ciclo de vida dos animais é caracterizado pelo cresci- pesados. Ao final do processo, observou-se o conteú-
do do tubo e verificou-se a existência de três frações

mento, reprodução e morte dos indivíduos. Sabendo
que o crescimento ocorre a partir de sucessivas divi- bem distintas. As hemácias, mais pesadas, ocupavam
sões celulares e a reprodução, pela formação dos ga- a fração 1 do tubo. Acima destas, uma fina camada de
metas e consequente fecundação com um gameta de linfócitos formava a fração 2. A fração 3 era constituí-
outro indivíduo da mesma espécie, qual das alternati- da pelo plasma sanguíneo.
vas abaixo indica, respectivamente, o tipo de divisão Para observar células em divisão, o laboratorista de-

celular envolvido nos processos de crescimento do verá adicionar aos frascos de cultura
organismo e formação dos gametas?
(A) apenas a fração 1.

(A) Fissão binária e meiose. (B) apenas a fração 2.


(B) Meiose e mitose. (C) apenas a fração 3.


(C) Mitose e fissão binária. (D) a fração 1 mais a fração 3.


(D) Mitose e meiose. (E) qualquer uma das três frações.


(E) Fissão binária e mitose.
19. A síndrome de Down ocorre quando o indivíduo pos-


17. Quando adquirimos frutas no comércio, observamos sui no núcleo de suas células três cópias do cromosso-

com mais frequência frutas sem ou com poucas se- mo 21 em vez de duas. É uma anomalia cromossômica
mentes. Essas frutas têm grande apelo comercial e com prevalência de 1 em cada 691 nascimentos. No
são preferidas por uma parcela cada vez maior da po- Brasil, há pelo menos 300 mil pessoas com síndrome
pulação. Em plantas que normalmente são diploides, de Down. Pela análise dos cromossomos, é possível
isto é, apresentam dois cromossomos de cada par, detectar a anomalia que caracteriza a síndrome de
uma das maneiras de produzir frutas sem sementes Down. O esquema a seguir apresenta quatro eventos
é gerar plantas com uma ploidia diferente de dois, da divisão celular.
geralmente triploide. Uma das técnicas de produção Disponível em: [Link]
dessas plantas triploides é a geração de uma planta normal-e-ser-diferente

tetraploide (com quatro conjuntos de cromossomos),


que produz gametas diploides e promove a reprodu-
ção dessa planta com uma planta diploide normal.
A planta triploide oriunda desse cruzamento apresen-

tará uma grande dificuldade de gerar gametas viáveis,
pois, como a segregação dos cromossomos homólogos
na meiose I é aleatória e independente, espera-se que
(A) os gametas gerados sejam diploides.

(B) as cromátides-irmãs sejam separadas ao final

desse evento.

[Link] | Produção: [Link] 81


Biologia

Os eventos possíveis da meiose que levam à síndrome



de Down são os de número
(A) 1 e 4.


(B) 1 e 3.


(C) 2 e 3.

(D) 2 e 4.

(E) 3 e 4.

20. Com relação ao início do período reprodutivo, as mu-

lheres são, de forma geral, mais “precoces” que os ho-
mens. Isso ocorre porque a produção dos hormônios
gonadotróficos hipofisários começa um pouco mais
cedo no sexo feminino. Com relação à gametogênese,
tal fato também é verificado, porém com uma preco-
cidade ainda maior, pois
(A) a formação meiótica dos gametas se inicia logo

após o nascimento, sendo maturados e liberados
a partir da puberdade.
(B) por volta dos sete anos de idade se iniciam as

meioses que formarão os folículos ovarianos.
(C) cerca de três anos antes da puberdade as mulhe-

res iniciam a meiose em células ovarianas para
que ocorram as ovulações mensais.
(D) as mulheres já nascem com os gametas prontos

para serem fecundados, bastando serem libera-
dos na ovulação a partir da puberdade.
(E) ainda no útero materno células ovarianas precur-

soras dos gametas iniciam, porém não finalizam,
a divisão meiótica.

1. C 11. E


2. A 12. C


3. D 13. A


4. C 14. D


5. E 15. C


6. B 16. D


7. D 17. E


8. C 18. B


9. D 19. C


10. A 20. E


82 [Link] | Produção: [Link]
Biologia
GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA

GENÉTICA Herdado
da mãe
Herdado
do pai
Estes genes são chama- Para demonstrar que
dos de alelos porque os alelos determinam
ocupam o mesmo o mesmo caráter,
locus em cromossomos basta representá-los pela
Alelos homólogos. Caso o ⇒ mesma letra. Assim, os
⇒ alelo representado por alelos representados na
do
gene vermelho caracterize imagem podem ser AA
cor da pele, certamen- ou Aa ou aa. Observe
te o alelo azul também que mesmo podendo
determina cor da pele, usar letra maiúscula ou
locus mesmo que um alelo minúscula, trata-se de
do gene seja dominante e outro uma mesma letra.
recessivo.

São homólogos os cromossomos idênticos na


cromossomos homólogos ⇒ forma e no tamanho. Cromossomos homólogos
apresentam genes alelos.

Variação genética na cor dos grãos de milho. Cada grão representa


um indivíduo separado com uma constituição genética distinta. A foto Genes alelos: São aqueles que formam pares e se si-

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


simboliza a história do interesse da humanidade pela hereditariedade. tuam em loci correspondentes nos cromossomos homó-
Os humanos cruzaram milho por milhares de anos antes do advento da logos. Respondem pelo mesmo caráter. Cada caráter é de-
disciplina da Genética. Ampliando essa herança, o milho, hoje, é um dos terminado pelo menos por um par de genes alelos.
principais organismos de pesquisa na Genética Clássica e Moderna.
Se num determinado local (locus) de um cromossomo
Disponível em: [Link]
houver um gene responsável pela manifestação da carac-
terística ‘cor do olho’, no cromossomo homólogo haverá
Conceitos Básicos um gene que determina o mesmo caráter, no locus cor-
Gene ou gen: É a unidade hereditária presente nos respondente do cromossomo homólogo. Se, por exemplo,
cromossomos e que, agindo no ambiente, será res- houver um gene A num cromossomo, o gene a localizado
ponsável por determinados caracteres do indivíduo. no homólogo correspondente será alelo de A. Da mesma
Também pode ser definido como segmento do DNA forma, B é alelo de b; mas A não é alelo de b.
responsável pela síntese de um RNA. Cada gene é re- Cada par de genes vai determinar um caráter, podendo
presentado por uma ou mais letras. Ex: A, a, XD, IA, ser homozigoto (letras iguais – AA ou aa) ou heterozigoto
CCR5, etc. (letras diferentes – Aa).
Locus ou loco: É o local certo que cada gene ocu-
pa no cromossomo. Loci é o plural de locus. O posi-
cionamento de um gene fora do seu locus normal em B b

determinado cromossomo implica, quase sempre, A a


uma mutação.
Cromossomos Homólogos: São considerados ho-
mólogos (homo = igual) entre si os cromossomos que,
Representação de uma célula com dois pares de cromossomos homólogos
juntos, formam um par. Esses pares só existem nas cé- (o par azul e o par vermelho). Neles, estão demonstrados dois pares de
lulas somáticas, que são diploides (2n). Em um par, os alelos (o ‘A’ é alelo do ‘a’ e vice-versa, e o ‘B’ é alelo do ‘b’ e vice-versa).
dois homólogos possuem genes para os mesmos ca-
Durante a meiose I, os cromossomos homólogos são
racteres. Esses genes têm localização idêntica nos dois
separados e, com isso, os alelos se separam. Com a meio-
cromossomos (genes alelos). Na célula-ovo ou zigoto,
se II, as cromátides são separadas e, assim, cada gameta
um cromossomo é herdado do pai e outro da mãe e apresenta um único alelo para cada par de genes. Observe
ficam emparelhados. a imagem a seguir de uma célula cujos alelos são Ss:

[Link] | Produção: [Link] 83


Biologia

Alelos de genes para


forma da semente
“escondidos” (em recesso) quando o gene dominante está
presente. No caso de herança ligada ou restrita aos cro-
Esse ponto do cromossomo
mossomos sexuais, o gene recessivo pode se manifestar,
é locus do gene com os S s mesmo em dose simples.
alelos S e s.
Homozigoto e heterozigoto: Quando os pares de ale-
los são iguais, dizemos que os indivíduos são homozigotos
Cromossomos Ss (puros) para aquele caráter, podendo ser dominantes ou
homólogos Interfase meiótica recessivos. Quando os pares de alelos são diferentes, di-
zemos que os indivíduos são heterozigotos (híbridos) para
Antes da meiose I, cada
um dos cromossomos aquele caráter. Ex: são homozigotos – AA, aa, BB, bb, etc.;
homólogos se replica. S S s s
são heterozigotos – Aa, Bb, etc.
Genótipo: É a constituição genética de um indivíduo,
a soma dos fatores hereditários (genes) que o indivíduo
No final da meiose I, os dois
Ss
recebe dos pais, e que transmitirá aos seus próprios filhos.
alelos são segregados em duas
células-filhas separadas.
Não é visível, mas pode ser deduzido pela análise dos as-
cendentes e descendentes desse indivíduo.
Fenótipo: É a expressão do genótipo, mostrando-se
Meiose I
como a manifestação visível ou detectável do caráter con-
S S s s siderado. É a soma total de suas características de forma,
tamanho, cor, tipo sanguíneo, etc.
Dois indivíduos podem apresentar o mesmo fenótipo
S s embora possuam genótipos diferentes. Por exemplo, a cor
do olho pode ser escura para os dois, sendo um homozigoto
Meiose II
(puro) e o outro heterozigoto (híbrido). Externamente, porém,
não podemos distingui-los, apresentando, portanto, o mesmo
S S s s fenótipo. As características fenotípicas não são transmitidas
dos pais para os filhos. Transmitem-se os genes, que são os fa-
tores potencialmente capazes de determinar o fenótipo.
Gametas
S S haploides s s O fenótipo pode sofrer influência do meio, logo: fenó-
tipo = genótipo + ambiente.
No final da meiose II, cada gameta haploide contém um membro de cada par dos
cromossomos homólogos e, consequentemente, um alelo para cada par de genes. Um exemplo bem estudado da interação entre genó-
A Meiose é responsável pela segregação dos alelos. Embora Mendel tipo e ambiente na produção do fenótipo é a reação dos
não tivesse conhecimento da meiose ou dos cromossomos, agora coelhos da raça himalaia à temperatura. Esses animais
sabemos que um par de alelos se localiza nos cromossomos homólogos têm pelos pigmentados (pretos ou marrons) apenas nas
e que a meiose segrega esses alelos.
extremidades corporais – focinho, orelhas, pernas, patas
Caráter dominante: É o caráter resultante da presença de e rabo –, sendo o restante do corpo coberto por pelos
um gene que, mesmo sozinho, em dose simples ou em hete- brancos, desprovidos de pigmento. Esse tipo de pelagem
rozigose, encobre a manifestação de outro (chamado de re- desenvolve-se apenas se os coelhos da raça himalaia es-
cessivo). Os genes são representados por letras. Geralmente tiverem em ambientes com temperatura entre 15 oC e
usamos a primeira letra do recessivo para representá-los. 24 oC. Se forem criados em temperaturas abaixo de 2 oC,
Para o gene recessivo, usamos a letra em minúsculo, e para o eles passam a ter pelagem pigmentada em todo o corpo.
gene dominante, a mesma letra, porém em maiúsculo. Por outro lado, animais criados em ambientes com tempe-
Exemplo: no homem, existe um gene normal para a raturas acima de 29 oC têm pelagem inteiramente branca.
pigmentação da pele, que domina o gene para a ausência Estudos genéticos e bioquímicos mostraram que, de-
de pigmentação (albinismo). Representamos, pois, esse vido ao genótipo dos coelhos himalaias, a enzima respon-
caráter por A (gene normal) e por a (gene para albinismo). sável pela síntese do pigmento melanina só é ativa em
Um indivíduo Aa terá um fenótipo normal porque o gene células epidérmicas expostas a temperaturas inferiores a
A é dominante sobre o gene a. Entretanto, esse indivíduo irá 15 oC. Quando esses animais vivem em ambientes entre
transmitir para alguns dos seus descendentes o gene a. 15 oC e 24 oC, ocorrem temperaturas inferiores a 15 oC
Caráter recessivo: É aquele que só se manifesta quan- apenas nas extremidades corporais, que perdem mais ca-
do o gene está em dose dupla ou homozigose. Assim, só lor que o resto do corpo; nelas, portanto, a enzima para
teremos indivíduos albinos quando o genótipo for aa. melanina é ativa e os pêlos são pigmentados, no resto do
Esses genes são chamados recessivos porque eles ficam corpo, em que a temperatura se mantém mais elevada, a

84 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

enzima é inibida e a pelagem é branca. Quando os coelhos As ervilhas são plantas da família das leguminosas, que
são criados em temperaturas superiores a 29 oC, até mes- apresentam fruto em forma de vagem, chamado de legu-
mo a epiderme das extremidades do corpo permanece a me pelos botânicos. A flor da ervilha é hermafrodita, isto
temperaturas superiores a 15 oC, o que faz a pelagem ser é, possui órgãos reprodutores masculinos e femininos; es-
totalmente branca. Em ambientes com temperaturas infe- tes ficam encerrados em uma espécie de urna – a quilha
riores a 2 oC, a temperatura geral da epiderme não ultra- –, formada por duas pétalas modificadas e sobrepostas.
passa 15 oC; portanto, a enzima é ativa em todo o corpo, e A quilha impede a polinização por pólen de outras flores;
a pelagem é totalmente pigmentada. Situação semelhante consequentemente, os óvulos de uma flor são quase sem-
ocorre com o gato siamês. pre fecundados por seus próprios grãos de pólen, proces-
Se rasparmos o pelo do dorso de um coelho himalaia so denominado autofecundação.
onde a pelagem é normalmente branca, mantendo-a res- Para realizar fecundação cruzada entre duas plantas de
friada com uma bolsa de gelo até o nascimento da nova ervilha, é preciso abrir previamente a quilha de algumas
pelagem, esta será pigmentada. flores e cortar suas anteras, o que corresponde a “castrar”
Área Bolsa Crescimento de a parte masculina. Quando a parte feminina está madura,
raspada raspada pêlos pigmen-
tados na área abre-se novamente a quilha e coloca-se, sobre o estigma,
raspada
pólen retirado de flores intactas de outra planta. Assim,
podem-se cruzar variedades distintas e obter sementes
híbridas (do grego hybris, misturado por cruzamento).
A B

Foto de gato siamês e coelho da raça himalaia. A ilustração representa Pétalas


um experimento que mostra a influência da temperatura na cor da Pistilo
pelagem nessa raça de coelhos.
Quilha Sépalas Estames
Outro exemplo da interação entre genótipo e ambiente

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


Quilha aberta
na manifestação do fenótipo refere-se à produção de cloro- Polinização
mostrando aparelho
reprodutor
fila nas plantas. Os genes envolvidos na síntese desse pig- C
Flor doadora artifcial
e pólen
mento são ativos somente na presença de luz. Plantas ger-
minadas no escuro não produzem clorofila, apresentando
fenótipo albino. Nessas condições, a planta sobrevive ape- Flor receptora de
pólen (anteras
nas enquanto duram as reservas de alimento da semente. Coleta de pólen eliminadas)

Por Que Ervilhas? D Estigma Ovário em corte


(futura vagem) E
Anteras Sepala
A maioria dos biólogos da segunda metade do século XIX
acreditava que a hereditariedade baseava-se na transmis- Planta
jovem de
são de entidades materiais dos pais para os filhos. Eles ad- ervilha

mitiam, também, que essa transmissão só poderia ocorrer


Sementes em formação
por meio dos gametas, pois estes são a única ligação física (óvulos fecundação) Germinação da semente

entre as gerações. Mendel descobriu que as características


Foto (A) e representação esquemática (B) de flor e ervilha, mostrando suas
hereditárias são herdadas segundo regras bem definidas e principais partes C: Esquema da polinização artificial em ervilha.
propôs uma explicação para a existência dessas regras. D: Esquema de parte de uma flor de ervilha fecundada, com o ovários
Mendel escolheu como material de estudo a ervilha- cortado longitudinalmente, mostrando as sementes em formação
(os “grãos-de-ervilha”). E: Ao germinar, a semente origina uma nova planta.
-de-cheiro Pisum sativum. As principais razões que o leva-
ram a optar por essa espécie foram: Mendel iniciou seus trabalhos com 34 variedades di-
1. a facilidade de cultivo; ferentes de ervilha, entre as quais selecionou as que mais

2. a existência de variedades facilmente identificá- convinham a seus experimentos. A ideia era trabalhar com
variedades cujas características não sofressem alteração

veis por características marcadamente distintas;
de uma geração para outra, o que seria uma garantia de
3. o ciclo de vida curto, que permite obter várias ge-
se estar trabalhando com características hereditárias, e

rações em pouco tempo;
não com variações decorrentes de fatores ambientais.
4. a obtenção de descendência fértil no cruzamento Mendel escolheu, também, características com formas

de variedades diferentes; bem contrastantes, para que não houvesse dúvida quanto
5. a facilidade com que se pode realizar poliniza- à sua identificação. Por exemplo, quanto à característica

ção artificial. “cor dos cotilédones da semente”, há apenas duas cores,

[Link] | Produção: [Link] 85


Biologia

amarela e verde, sem cores intermediárias. Depois de um


criterioso trabalho de seleção, Mendel concentrou-se no
estudo de sete características, cada uma delas com duas
formas, ou traços, bem contrastantes.
Um dos grandes méritos de Mendel foi ter considerado
apenas uma característica de cada vez. Ao cruzar plantas de
semente amarela com plantas de semente verde, por exem-
plo, ele simplesmente desconsiderava características como
altura, forma das sementes, posição das flores no caule etc.,
atendo-se exclusivamente à característica escolhida.
Forma da Cor dos Cor da casca Forma de Cor da Posição Altura
semente cotilédones da semente vagem vagem das flores da planta

De acordo com o heredograma:


I → os pais apresentam fenótipo dominante e o filho
possui fenótipo recessivo. É possível ainda dizer que os
Lisa   Amarela   Cinza Inflada Verde Axilar Alta pais apresentam o genótipo heterozigoto (ex.: Aa) en-
quanto que o filho é homozigoto recessivo (ex.: aa). Como
os pais são afetados, conclui-se que a característica é de-
terminada por gene dominante.
II → os pais também apresentam fenótipo dominante
Rugosa    Verde    Branca Comprimida Amarela Terminal Anã
e o filho possui fenótipo recessivo. Para que seja possível
Em seus estudos com ervilhas, Mendel escolheu sete diferentes
características. Cada uma apresenta duas formas alternativas,
pais de mesmo fenótipo ter filho de fenótipo diferente, os
ou traços, facilmente identificáveis. pais devem apresentar o genótipo heterozigoto (ex.: Aa)
enquanto que o filho é homozigoto recessivo (ex.: aa).
Determinando o Genótipo Como os pais são normais e o filho é afetado, conclui-se
que a característica é determinada por gene recessivo.
O genótipo que um indivíduo apresenta é inferido a
partir da observação de suas características fenotípicas e III → os pais e o filho são afetados. Neste caso todos,
pela análise do fenótipo de seus pais ou de seus filhos. podem ser homozigotos recessivos (ex.: aa) ou todos po-
dem apresentar pelo menos um gene dominante (ex.: AA
Quando um indivíduo apresenta o fenótipo condiciona-
ou Aa). Logo, não é possível determinar se a característica
do pelo alelo recessivo, conclui-se que ele é homozigótico é decorrente de um gene dominante ou recessivo.
quanto ao alelo em questão. Por exemplo, uma semente
de ervilha com cotilédones verdes é homozigótica vv. Por IV → os pais e o filho são normais. Neste caso, todos
podem ser homozigotos recessivos (ex.: aa) ou todos po-
outro lado, o indivíduo que apresenta o fenótipo condicio-
dem apresentar pelo menos um gene dominante (ex.: AA
nado pelo alelo dominante de um gene pode ser tanto ho-
ou Aa). Logo, não é possível determinar se o fenótipo nor-
mozigótico como heterozigótico. Uma semente de ervilha
mal, nem mesmo o fenótipo afetado, é decorrente de um
com cotilédones amarelos, por exemplo, pode ter genótipo
gene dominante ou recessivo.
VV ou Vv. Nesse caso, pode-se tentar determinar o genóti-
po pela análise dos genitores ou da descendência. Cruzamento-teste
Se um indivíduo com fenótipo dominante tem um dos Uma maneira amplamente utilizada para determinar
pais com fenótipo recessivo, isso permite concluir que seu o genótipo de um indivíduo com fenótipo dominante é o
genótipo é heterozigótico, pois o indivíduo herdou daque- cruzamento-teste. Este consiste em cruzar o indivíduo de
le genitor um alelo recessivo. Entretanto, se ambos os pais fenótipo dominante com um indivíduo de fenótipo reces-
do indivíduo apresentam fenótipo dominante, como ele, sivo e, portanto, necessariamente homozigótico.
nada se pode concluir sobre seu genótipo. Pode-se tentar Se entre os descendentes de um cruzamento-teste
determinar o genótipo, também, pela descendência do in- houver tanto indivíduos com fenótipo dominante quanto
divíduo: se algum de seus filhos exibe fenótipo recessivo, com fenótipo recessivo, conclui-se que o indivíduo testa-
concluímos que ele é heterozigótico. do é heterozigótico. Se, por outro lado, a descendência é
Observe os seguintes heredogramas e tente determinar grande e todos os descendentes têm fenótipo dominante,
em quais deles a característica é determinada por um gene esse é um bom indicativo de que o indivíduo testado é
dominante e em quais heredogramas a característica é de- homozigótico dominante.
terminada por um gene recessivo. Para isso, considere os Por exemplo, se cruzarmos uma planta de ervilha de co-
símbolos verdes para a representação de indivíduos afeta- tilédones amarelos, cujo genótipo pode ser VV ou Vv, com
dos e os símbolos brancos para os indivíduos normais. uma planta de cotilédones verdes (vv), e surgirem descen-

86 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

dentes verdes (vv), teremos certeza de que o tipo parental biam o traço recessivo, ou seja, a proporção (ou razão)
amarelo é heterozigótico (Vv). Por outro lado, se uma des- entre os dois tipos de planta da geração F2. Essa visão
cendência grande é inteiramente amarela, é bem provável matemática, quantitativa, aplicada aos cruzamentos, foi
que o tipo parental amarelo seja homozigótico VV. uma das grandes novidades que Mendel introduziu nos
Sementes amarelas de genótipo desconhecido estudos genéticos.
No cruzamento entre plantas puras de sementes ama-
relas e plantas puras de sementes verdes, por exemplo,
Mendel obteve, em F2, de um total de 8.023 semen-
tes, 6.022 sementes amarelas e 2.001 sementes verdes.
Dividindo-se o número de sementes amarelas pelo núme-
ro de sementes verdes, obtém-se a proporção de aproxi-
madamente 3,01 : 1.
Em outro experimento, em que plantas puras de se-
mentes lisas foram cruzadas com plantas puras de semen-
tes rugosas, Mendel obteve, em F2, 5.474 sementes lisas
e 1.850 sementes rugosas, o que representa a proporção
de aproximadamente 2,96 : 1. Apesar de haver pequenas
Descendência amarela Descendência amarela e verde variações, os números obtidos nos diferentes experimen-
Cruzamento-teste em ervilhas. A ervilha amarela testada no tos eram sempre próximos de 3 : 1.
cruzamento à esquerda é, muito provavelmente, homozigótica (VV),
pois sua descendência é inteiramente constituída por sementes
amarelas. Por outro lado, a ervilha amarela testada no cruzamento
à direita é, com certeza, heterozigótica (Vv), pois, em sua descendência,
há indivíduos verdes, recessivos (vv).

Primeira Lei de Mendel

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


Gerações P, F 1 e F 2
Antes de iniciar cada cruzamento, Mendel certificava-
-se de estar lidando com plantas de linhagens puras. Para
ele, eram puras as linhagens que, por autofecundação, da-
vam origem somente a plantas iguais a si. Uma linhagem
pura alta, por exemplo, quando autofecundada ou cruza-
da com outra idêntica a si, só produz descendentes altos.
Mendel realizou cruzamentos entre plantas puras que
diferiam quanto a cada uma das sete características que
ele escolheu. Por exemplo, plantas puras de semente ama-
rela eram cruzadas com plantas puras de semente verde;
plantas puras altas eram cruzadas com plantas puras anãs;
plantas puras de flores terminais eram cruzadas com plan-
tas puras de flores axiais; e assim por diante.
Nesses cruzamentos, a geração constituída pelas va-
riedades puras era denominada geração parental, hoje
chamada, abreviadamente, geração P. A descendência
imediata desses cruzamentos era chamada de primeira
geração híbrida, hoje denominada geração F1 (primeira
geração de filhos). A descendência resultante da autofe-
cundação da primeira geração híbrida (F1) era denomina-
da segunda geração híbrida, hoje chamada de geração F2.
A Proporção 3 : 1 na Geração F2
Alguns predecessores de Mendel já haviam observado
que certos traços desapareciam em uma geração, reapa-
recendo na geração seguinte. A originalidade de Mendel
consistiu em estabelecer a relação entre as quantidades Esquema do cruzamento de ervilhas amarelas e verdes
de plantas que exibiam o traço dominante e as que exi- e de amarelas entre si.

[Link] | Produção: [Link] 87


Biologia

O fato de as proporções entre os traços dominantes e É interessante notar que os indivíduos Rh negativo não
recessivos serem tão parecidas em todas as características possuem o antígeno Rh nas hemácias, mas também não
analisadas levou Mendel a pensar na existência de uma possuem os anticorpos anti-Rh, diferentemente do fator
lei geral, responsável pela herança das características nas ABO, no qual os anticorpos são naturais. Se uma pessoa
ervilhas, que hoje é chamada de lei da segregação dos fa- Rh negativa, porém, recebe sangue Rh positivo, fica sen-
tores ou primeira lei de Mendel. sibilizada e começa a produzir anticorpos anti-Rh. Por isso
O aspecto essencial da primeira lei de Mendel é a se- mesmo, indivíduos Rh– não devem receber sangue Rh+.
paração dos fatores hereditários (genes) na formação dos
gametas. Essa lei pode ser enunciado como a seguir:
Os fatores que condicionam uma característica segre- Portanto, podemos concluir que, com relação ao fa-
gam-se (separam-se) na formação dos gametas; estes, tor Rh, o indivíduo Rh– é o “doador universal”. É o sangue
portanto, são puros com relação a cada fator. que todos podem receber sem preocupação de aglutina-
Sistema Rh: Exemplo de Herança que Segue a ção, no entanto, só podem receber outro sangue igual.
Primeira Lei de Mendel Posteriormente estudaremos os tipos de sangue com rela-
ção ao sistema ABO, e ficará clara porque o sangue O– é o
Em nível de ensino médio, o Sistema Rh, aquele que
verdeiro doador universal.
determina se o sangue é Rh negativo ou Rh positivo, é um
exemplo de primeira lei de Mendel. Para entender a genética do sistema Rh vamos consi-
derar, em nível de ensino médio, um caso de dominância
A história de descoberta dessa característica sanguí-
nea inicia em 1940. simples, seguindo as regras da primeira lei de Mendel.
Nesta data, o mesmo Landsteiner e seu colega Wiener Gene R Presença de antígeno Rh
descobriram o fator Rh depois de realizarem a seguinte
Gene r Ausência de antígeno Rh
experiência: injetaram sangue de macaco Rhesus em co-
elhos e verificaram que o organismo do coelho produzia Pode-se usar também a letra ‘D’ para identificar o gene
anticorpos contra o sangue do macaco. Concluíram que porque o antígeno Rh é também conhecido como antígeno D.
o sangue do macaco possuía um determinado antígeno
(chamado de Rh, em homenagem ao macaco) que não Aglutinogênios Aglutinas
existia no sangue do coelho. Os anticorpos produzidos Fenótipos Genótipos
hemácias plasma
pelo organismo do coelho foram denominados anticorpos Incapacidade em
anti-Rh. Posteriormente, retiraram soro de coelhos sensi- Presença do
Rh positivo RR; Rr DD; Dd produzir anti-
antigeno Rh
bilizados, ricos em anticorpos anti-Rh, e testaram-no em -corpos anti-Rh.
amostras de sangue humano. Obtiveram o seguinte resul- Capacidade em
tado: houve reação positiva de aglutinação, indicando a produzir anti-
Rh nega- Ausência do
presença do mesmo antígeno do macaco nessas pessoas, tivo
Rr dd
antígeno Rh
-corpos anti-Rh, se
em cerca de 85% dos casos. Essas pessoas foram, então, receberam hemá-
cias positivas.
chamadas de Rh+. Entretanto, em cerca de 15% dos casos
não houve reação de aglutinação, indicando a ausência de Uma grande importância da descoberta do fator Rh foi
antígenos Rh nessas pessoas que foram chamadas de Rh–. que se podem esclarecer as causas da eritroblastose fetal,
doença hemolítica do recém-nascido que causava muitos
100% das amostras
de sangue do casos de abortos, natimortos ou a morte logo após o nasci-
macano Rhesus
aglutinam na mento do bebê. O fator Rh foi confirmado como o respon-
presença do soro
anti-Rh. sável por essa doença que se caracteriza pela destruição das
hemácias do feto, provocando anemia, icterícia (coloração
amarela da pele e das mucosas provocada pela liberação do
85% das amostras
de sangue de seres pigmento tóxico amarelo – a bilirrubina, produto da degra-
humanos aglutinam
na presença do soro dação da hemoglobina liberada na hemólise).
anti-Rh (apresentam
o mesmo fator que o Riscos de eritroblastose fetal somente acontecem se a
soro macaco): são Rh+.
injetado anti-Rh mãe for Rh–, o pai Rh+ e o bebê Rh+, porque as mulheres
em coelhos
ou cobaias Rh– podem produzir anticorpos anti-Rh se forem sensi-
bilizadas ao gerarem filhos Rh+ ou tiverem recebido, aci-
15% das amostras de
sangue Rh+.
sangue não aglutinam dentalmente, transfusões de sangue Rh+. Isso acontece
(não apresentam o
fator do macaco): porque, durante a gravidez e, principalmente, na hora do
são Rh–.
parto, ocorrem rupturas na placenta que permitem passa-
Esquema do procedimento para a produção de anticorpos contra o
gem das hemácias Rh+ da criança para a circulação mater-
fator presente nas hemácias do macaco Rhesus. na. O organismo materno fica então sensibilizado, passan-

88 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

do a produzir anticorpos anti-Rh e adquirindo a memória


imunológica quanto ao fator Rh. Geralmente, o primeiro
filho escapa ileso porque, na primeira gravidez, a sensibili-
zação materna ainda é pequena e o nível de anticorpo no
sangue da mãe ainda não é suficiente para afetar a criança
Destruição das
(a não ser que a mãe já tenha sido sensibilizada antes por hemácias fetais (Rh+)
uma transfusão de sangue Rh+, por exemplo). Entretanto,
a partir da segunda gestação, na mesma situação, o bebê
correria o risco de apresentar a doença, quando os anti-
corpos anti-Rh do sangue da mãe, agora em muito maior
número, caíssem na sua circulação sanguínea, provocando
a destruição das suas hemácias.

Representação esquemática do tratamento pós-parto para evitar a


sensibilização de uma mulher Rh– que deu a luz um primeiro filho Rh+.
mãe Rh–
Genes Letais
São genes que determinam a morte do indivíduo no
placenta
estado embrionário ou após o nascimento, quando em
iro
primeRh+ anticorpos
segundo
homozigose. Podem ser dominantes ou recessivos.
feto anti-Rh
feto Rh+ São letais os genes para a cor amarela em ratos, a
anticorpos
anti-Rh+
braquidactilia, a idiotia amaurótica infantil, a coreia de
Huntington, entre outros.
O geneticista francês Lucien Claude J. Cuénot (1866-

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


Primeira Entre Segunda
gravidez gravidezes gravidez
1951), em seus experimentos, no início do século XX,
Esquema da patogenia da etitroblastose fetal.
cruzou várias vezes machos e fêmeas de camundongos
amarelos, estes heterozigotos, e sempre obteve 2/3 de
Ilustração produzida com base em: TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B.
Princípios de anatomia e fisiologia. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
animais amarelos e 1/3 de animais cinza, e não a clássica
Koogan, 2010, p. 702. proporção de 3 : 1 da primeira lei de Mendel. Foi assim
que Cuénot descobriu que homozigotos para o alelo P,
O tratamento da DHRN pode ser efetuado com trans- que determina a cor amarela dos camundongos, morriam
fusão substitutiva, administrando-se sangue Rh negativo ainda quando embriões, sendo abortados.
e compatível quanto ao sistema ABO à criança, a fim de
evitar outras aglutinações e debelar a crise aguda.
Essa troca de sangue pode ser realizada com a criança
ainda no útero materno ou logo após o nascimento, porém Pp (amarelo)         Pp (amarelo)
os resultados não são plenamente satisfatórios. O proce-
dimento mais eficaz consiste em evitar a sensibilização da P p P p
mãe Rh negativa através do uso da imunoglobulina anti-
-Rh (anticorpo anti-Rh), que lhe deve ser aplicada pouco
antes do parto ou até três dias após. Nesse procedimento,
a imunoglobulina injetada destrói as hemácias positivas
do feto recém-introduzidas na circulação materna, evitan-
do que a produção de anticorpos seja estimulada na mãe.
Como a imunoglobulina injetada (ao contrário da pro-
duzida naturalmente) tem vida curta e é logo consumida abortado Pp (amarelo) Pp (amarelo)      pp (cinza)


PP
no processo de inativação das hemácias fetais, ela se es-
gota nesse processo, evitando a imunização da mãe.
2/3 1/3
A imunoglobulina anti-Rh é preparada a partir de
doadores masculinos Rh negativos que receberam Esquema do cruzamento entre camundongos amarelos
heterozigotos. Em homozigose, o alelo P é letal. Observe que, apesar
sangue positivo ou de mulheres que tiveram também de ser um alelo dominante para a cor dos pelos do camundongo,
imunização prévia, por meio de transfusões, filhos ou o alelo P apresenta o caráter letalidade recessivo, pois manifesta
abortos incompatíveis. letalidade apenas em dose dupla.

[Link] | Produção: [Link] 89


Biologia

A braquidactilia (do grego brachys = curto + Nos heredogramas, usamos as seguintes simbologias:
daktylus = dedo) determina dedos anormalmente cur-
tos, além de outros problemas. É causada por um ale-
lo dominante que, em homozigose (BB), é letal. Em
heterozigose (Bb), o alelo provoca a manifestação da
doença com expressividade variável, isto é, que vai
desde o encurtamento de alguns dedos, até formas
mais graves que envolvem outras anomalias ósseas e
retardo mental. Os indivíduos homozigotos recessivos
(bb) são normais.
A idiotia amaurótica infantil (do grego amaurotikós
= próprio para escurecer), ou doença de Tay-Sachs, tem
esse nome porque um dos seus sintomas é a perda da vi-
são. Ela é causada pro um alelo recessivo que, em homo-
zigose (ii), é letal nos primeiros anos de vida. Indivíduos
homozigotos dominantes (II) ou heterozigotos (Ii) são Convenções em um heredograma.
normais. As crianças nascem com aparência normal,
Ilustração produzida com base em: SNUSTAD, D. P.; SIMMONS,
mas, já nos primeiros meses de vida, manifestam sinto- M. J. Fundamentos da Genética, 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
mas iniciais que, muitas vezes, passam despercebidos. 2008. p. 55.

Progressivamente, vão perdendo os movimentos, como O heredograma a seguir apresenta um caso de albi-
a capacidade de engatinhar, sentar ou levantar a cabeça. nismo humano, deficiência caracterizada pela falta de
A cegueira e a paralisia precedem a morte, entre o se- pigmentação na pele, cabelos e olhos – o albinismo ocu-
gundo e quarto ano de vida. locutâneo.
A coreia de Huntington é uma degeneração nervo-
sa com tremores generalizados e sinais de deteriora-
ção mental, às vezes só manifestados após os 30 anos
o que leva à transmissão dos genes aos descendentes.

Região do cérebro já inexis-


tente devido ao processo
degenerativo causado pela
doença de Huntington. Em
uma pessoa normal esta
regiãoe estaria preenchida
por neurônios.

Representação esquemática de heredograma mostrando a transmissão


do alelo para o albinismo em uma família.
Heredograma
Nesse heredograma, estão representadas três gera-
O heredograma, também chamado árvore genea- ções e observa-se que o albinismo é uma característica
lógica, pedigree ou genealogia, é a representação de condicionada por alelo recessivo. Ele se manifesta nos
indivíduos I-2 e I-3 e só reaparece em III -1, uma pessoa
cruzamentos realizados experimentalmente ou ocorri-
do sexo feminino. Os indivíduos II-3 e II-4, pais de III-
dos naturalmente. Os machos são representados por
1, são heterozigotos para albinismo, pois cada um tem
quadrados e as fêmeas, por círculos. Os cruzamentos um genitor albino. Nos heredogramas, quando os pais
são indicados por traços horizontais e os descenden- apresentam um mesmo fenótipo para um determinado
tes, por traços verticais. Os diferentes fenótipos são caráter dominante e o filho apresenta fenótipo diferen-
representados por algum sinal de diferenciação (cor, te, conclui-se que os pais são heterozigotos e o filho é
pontilhado, tracejado, entre outros). homozigoto recessivo.

90 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Noções de Probabilidade Aplicada à Genética da também é 1/2. Assim, a probabilidade conjunta desses
dois eventos ocorrerem é 1/2 x 1/2 = 1/4.
Princípios Básicos de Probabilidade
A segregação dos alelos de um gene é um evento ca-
Probabilidade é a chance de um determinado evento sual comparável à obtenção de “cara” ou “coroa” no lan-
ocorrer, entre dois ou mais eventos possíveis. Por exem- çamento de uma moeda. Suponha que o lançamento de
plo, a chance de uma moeda cair com a face “cara” vol- uma moeda dourada represente a formação do gameta
tada para cima representa um entre dois eventos possí- feminino, que o lançamento de uma moeda prateada re-
veis, “cara” ou “coroa”. Nesse exemplo, dizemos que a presente a formação do gameta masculino, e que “cara” e
probabilidade de sair “cara” é 1/2 (uma chance em duas “coroa” sejam os dois alelos de um gene, A e a. O resulta-
possíveis) ou 50%, pois espera-se que em metade dos lan- do da fecundação é comparável à combinação das faces
çamentos de uma moeda seja obtida a face “cara”. Esta obtidas no lançamento simultâneo das duas moedas.
probabilidade é baseada no fato de a obtenção de “cara” Aa Aa
no lançamento de uma moeda ser um evento aleatório e Segregação de um par Segregação de um par
de alelos na formação de alelos na formação
independente, ou seja, obter “cara” ao lançar uma moeda do gameta feminino do gameta masculino
não aumenta nem diminui a chance de sair “cara” em um
novo lançamento da moeda.
Atenção: lembrar que o numerador da fração de uma
probabilidade é o número de eventos desejados e o de-
nominador é o número possível daquele evento ocorrer.
Exemplo: Analise o seguinte heredograma.

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


Pergunta: Qual a probabilidade de II.2 ser heterozigoto?
Resposta: De acordo com o heredograma, conclui-se
que os pais são heterozigotos, II.1 é homozigoto recessi-
vo e II.2 ou é homozigoto dominante ou heterozigoto. Ou
seja, não é possível dizer o genótipo de II.2, mas há uma Comparação entre as probabilidades de obtenção de cara e coroa no
certeza, II.2 não é homozigoto recessivo, afinal está repre- lançamento de duas moedas e a formação de diferentes genótipos pela
sentado por um símbolo vazio (não está colorido). combinação ao acaso de um par de alelos, em um cruzamento genético.
Cruzando os pais Aa X Aa, obtém-se: AA, Aa, Aa ou aa. Vejamos outro exemplo. Qual é a probabilidade de um
Assim, a probabilidade de II.2 ser heterozigoto é de casal ter dois filhos do sexo masculino? Uma vez que a pro-
duas chances em três possíveis, afinal aa é um genótipo babilidade de nascer homem é 1/2, a probabilidade de o ca-
impossível para II.2. sal ter dois meninos, isto é, de o primeiro filho ser homem
e o segundo também ser homem, é 1/2 x 1/2, ou seja, 1/4.
A Regra do “e”
A teoria das probabilidades diz que a probabilidade A Regra do “ou”
de dois ou mais eventos independentes ocorrerem con- Outro princípio da teoria das probabilidades diz que a
juntamente é igual ao produto das probabilidades de eles ocorrência de dois eventos mutuamente exclusivos é igual à
ocorrerem separadamente. Esse princípio é conhecido soma das probabilidades de ocorrer cada um dos eventos iso-
popularmente como regra do “e”, pois corresponde à ladamente. Eventos mutuamente exclusivos são aqueles em
pergunta: qual é a probabilidade de ocorrer determinado que, ocorrendo um, o outro não ocorre. Esse princípio é co-
evento e também um outro? nhecido popularmente como regra do “ou”, pois correspon-
Por exemplo, se jogarmos uma moeda duas vezes, qual de à pergunta: qual é a probabilidade de ocorrer um deter-
é a probabilidade de obtermos duas vezes a face “cara”, minado evento ou outro (eventos mutuamente exclusivos)?
isto é, de sair face “cara” no primeiro lançamento e face Por exemplo, a probabilidade de se obter “cara” ou
“cara” no segundo? A chance de sair “cara” na primeira “coroa” no lançamento de uma moeda é igual a 1, ou seja,
jogada é 1/2, e a chance de sair “cara” na segunda joga- é a probabilidade de sair “cara” somada à probabilidade

[Link] | Produção: [Link] 91


Biologia

de sair “coroa” (1/2 + 1/2 = 1). Da mesma forma, a proba- duas características, como a cor e a textura dos grãos de
bilidade de obter-se “face 1” ou “face 6” no lançamento ervilha, ou a cor e o tipo de implantação das flores. Ele
de um dado é 1/6 + 1/6 = 1/3. observou que a distribuição dos fenótipos, em F2 ocorria
Considere agora a seguinte questão: qual é a probabili- sempre nas mesmas proporções, isto é, para cada 16 er-
dade de se obter “cara” e “coroa” no lançamento de duas vilhas, apareciam sempre quatro fenótipos diferentes, na
moedas? Para responder a essa questão devem-se levar em proporção de 9 : 3 : 3 : 1.
conta as duas maneiras de se obter “cara” e “coroa”, quan-
do se lançam duas moedas: pode sair “cara” na primeira e geração parental ervilhas ervilhas
“coroa” na segunda ou “coroa” na primeira moeda e “cara” (P) amarelas
lisas
verdes
rugosas
na segunda. Como já vimos, a probabilidade de sair “cara” e
“coroa” é 1/4 (1/2 x 1/2); da mesma forma, a probabilidade
de sair “coroa” e “cara” é 1/4. Como esses dois eventos são
mutuamente exclusivos, devemos somar suas probabilida- VVRR vvrr

des, obtendo a probabilidade final de 2/4 ou 1/2 (1/4 para


“cara” e “coroa” + 1/4 para “coroa” e “cara”). gametas VR vr

O Mesmo Raciocínio é Válido para a Genética


Por exemplo, um casal quer ter dois filhos; qual é a primeira geração filial VvRr
(F1)
probabilidade de um ser menina e o outro menino? Há ervilhas amarelas lisas

duas maneiras de um casal ter um menino e uma menina;


a primeira criança pode ser menino e, a segunda, menina
(1/2 x 1/2 = 1/4), ou a primeira pode ser menina e, a se-
gunda, menino (1/2 x 1/2 = 1/4). Portanto, a probabilidade ervilhas
amarelas
ervilhas
amarelas
de o casal ter uma menina e um menino é 1/4 + 1/4 = 1/2. lisas lisas

Como exercício, tente calcular a chance de um casal ter


duas crianças do sexo masculino e uma do sexo feminino. cruzamento da
Pense na ordem em que as três crianças podem nascer e primeira geração VvRr VvRr
filial (F1 X F2)
faça os cálculos.
Agora considere duas características para ervilhas: cor gametas VR Vr vR vr VR Vr vR vr
(amarela – VV ou Vv – ou verde – vv) e textura (liso – RR
ou Rr – ou rugoso – rr). Sabendo que o cruzamento é entre segunda geração V–R– V–rr vvR– vvrr
ervilhas VvRr x VvRr, qual a probabilidade de nascer ervi- filial (F2)
ervilhas ervilhas ervilhas ervilhas
lhas amarelas e lisas? amarelas amarelas verdes verdes
Para resolver esse problema, aconselha-se fazer a aná- lisas rugosas lisas rugosas
lise da cor separadamente da textura, exemplo:
• com relação à cor, as ervilhas cruzadas são 9   :   3   :    3   :   1

Vv X Vv, e os descendentes possíveis são VV, Vv,
Vv e vv. Logo, a chance de nascer ervilhas amarelas Esquema do cruzamento de ervilhas amarelas e lisas com ervilhas
é de 3/4 (três chances em quatro possíveis). verdes e rugosas e de amarelas e lisas entre si.
• com relação à textura, as ervilhas cruzadas são Os gametas formam-se combinando os alelos ao aca-

Rr X Rr, e os descendentes possíveis são RR, Rr, Rr
so, pois os dois pares de alelos são independentes. O nú-
e rr. Logo, a chance de nascer ervilhas lisas é de 3/4
mero de gametas diferentes formados por um genótipo
(três chances em quatro possíveis).
com vários pares de alelos pode ser obtido por meio da
• a chance de nascer uma ervilha amarela e lisa é fórmula 2n, em que n é o número de pares de alelos hete-

um exemplo de regra do “e”, de modo que, rozigotos e 2 é o número de gametas no monoibridismo.
3/4 x 3/4 = 9/16, ou seja, nove chances em dezes-
Assim, um indivíduo duplo-heterozigoto VvRr, por exem-
seis possíveis.
plo, pode produzir 2n = 4 tipos de gametas. Veja, a seguir,
O exercício analisado é uma maneira muito comum de as possibilidades de formação desses tipos de gametas.
se resolver questões de segunda lei de Mendel, que será
mais detalhado a seguir. Formação de gametas em indivíduo
duplo-heterozigoto VvRr
Segunda Lei de Mendel alelos R r
Na primeira lei de Mendel, foi analisado uma única
V VR Vr
característica da ervilha por vez. No entanto, outro fator
analisado por Mendel foi a transmissão simultânea de v vR vr

92 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Em cruzamento entre dois indivíduos duplo-heterozi- Do cruzamento entre indivíduos da F1 (ou seja, du-
gotos VvRr, os diferentes tipos de gametas formados com- plos heterozigotos – VvRr X VvRr) qual a chance de nas-
binam-se ao acaso, resultando na geração F2. cer ervilhas:
Veja nos quadros a seguir as possibilidades de com- • Amarelas lisas?
binações dos gametas nesse tipo de cruzamento, com os


O cruzamento dos pais, com relação à cor é Vv X Vv.
respectivos genótipos e fenótipos resultantes.
Logo, a chance de nascer uma ervilha amarela é de ¾.
Possibilidades de combinações dos gametas no cruza-
O cruzamento dos pais, com relação à textura é
mento entre dois indivíduos duplo-heterozigotos VvRr e
Rr X Rr. Logo, a chance de nascer uma ervilha lisa é de ¾.
os genótipos possíveis em F2.
De acordo com a “regra do e”, a chance de nascer ervi-
Quadro de Punnett
lhas amarelas e lisas é ¾ x ¾, que é igual a 9/16.
  VR    Vr    vR
 vr • Amarelas rugosas?


 VVRR   VVRr   VvRR    VvRr O cruzamento dos pais, com relação à cor é Vv X Vv.
VR Logo, a chance de nascer uma ervilha amarela é de ¾.
O cruzamento dos pais, com relação à textura é
 VVRr   VVrr   VvRr    Vvrr Rr X Rr. Logo, a chance de nascer uma ervilha rugosa é de ¼ .
Vr De acordo com a “regra do e”, a chance de nascer ervi-
lhas amarelas e rugosas é ¾ x ¼, que é igual a 3/16.
 VvRR   VvRr   vvRR    vvRr • Verdes lisas?


vR O cruzamento dos pais, com relação à cor é Vv X Vv.
Logo, a chance de nascer uma ervilha verde é de ¼ .
 VvRr   Vvrr   vvRr    vvrr O cruzamento dos pais, com relação à textura é
vr Rr X Rr. Logo, a chance de nascer uma ervilha lisa é de ¾.
De acordo com a “regra do e”, a chance de nascer ervi-

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


gametas femininos
gametas masculinos
lhas verdes e lisas é ¼ x ¾ que é igual a 3/16.
• Verdes rugosas?

Genótipos e fenótipos em F2
O cruzamento dos pais, com relação à cor é Vv X Vv.
Genótipos Fenótipos Logo, a chance de nascer uma ervilha verde é de ¼ .
1 VVRR O cruzamento dos pais, com relação à textura é
2 VVRr Rr X Rr. Logo, a chance de nascer uma ervilha rugosa é de ¼ .
9 ervilhas amarelas lisas De acordo com a “regra do e”, a chance de nascer ervi-
2VvRR
lhas verdes e rugosas é ¼ x ¼, que é igual a 1/16.
4 VvRr
Repare, portanto que as probabilidades encontradas
1VVrr foram: 9/16, 3/16, 3/16 e 1/16. Já que os denominado-
3 ervilhas amarelas rugosas
2Vvrr res são os mesmos, eliminando-os tem-se a proporção
1 vvRR [Link], exatamente a mesma encontrada por meio do
3 ervilhas verdes lisas quadro de Punnett.
2 vvRr
1 vvrr 1 ervilha verde rugosa Gametas
Observando que os fatores para as diferentes caracte- É preciso ressaltar que os gametas, por serem haploi-
rísticas apresentavam um comportamento independente des, não apresentam pares de alelos. Assim, não podemos
e se recombinavam ao acaso, Mendel propôs a sua segun- representar o genótipo de um gameta com repetição de
da lei ou Lei da segregação independente dos fatores. Os uma mesma letra. Exemplo:
casos que analisam a transmissão de dois pares de alelos
constituem exemplos de diibridismo. • Um indivíduo de genótipo VvRr pode gerar game-

Vimos que a proporção fenotípica da F2 da segunda lei tas do tipo VR, Vr, vR ou vr. Repare que em ne-
de Mendel é [Link]. Ou seja, para cada 9 ervilhas amare- nhum dos gametas existem duas letras “vês” ou
las lisas que nascem, surgem 3 amarelas rugosas, 3 verdes duas letras “erres”.
lisas e 1 verde rugosa proveniente do cruzamento de ervi- • Um indivíduo de genótipo VVRr pode gerar game-
lhas duplas heterozigotas (cruzamento entre F1).

tas do tipo VR ou Vr.
Essa mesma proporção poderia ser alcançada por meio
de cálculos de probabilidade já estudados anteriormente. • Por fim, um indivíduo de genótipo VVRR só pode

Observe o raciocínio a seguir. gerar gametas de um tipo VR.

[Link] | Produção: [Link] 93


Já vimos que quando se pretende descobrir o número Quantidade de
de tipos de gametas que um indivíduo é capaz de produzir, Genótipos Fenótipos
genes dominantes
pode-se utilizar a fórmula 2n, no qual n representa o nú-
mero de pares de alelos heterozigotos. Exemplo: 4 AABB Negro
3 AABb; AaBB Mulato escuro
• um indivíduo VvRr possui 2 pares de alelos hete- 2 AAbb; aaBB; AaBb Mulato médio

rozigotos (o par Vv e o par Rr), logo 22 é igual a 1 Aabb; aaBb Mulato claro
4. Este indivíduo pode produzir 4 variedades de 0 aabb Branco
gametas.
• um indivíduo Aa BB Cc Dd ee possui 3 pares de ale- Por fim, existe um terceiro tipo de interação gênica

los heterozigotos (o par Aa, o par Cc e o par Dd), chamada epistasia que será mais bem detalhado a seguir.
logo 23 é igual a 8. Logo este indivíduo pode produ-
Epistasia
zir 8 variedades de gametas.
Outro caso de interação gênica é a epistasia, que con-
Vários Genes Determinando uma siste no bloqueio da expressão do par de alelos de um
Mesma Característica gene pelo par de alelos de outro gene. O alelo que enco-
bre a manifestação de outro é denominado epistático, e
A determinação de um fenótipo pode resultar, muitas o que tem sua expressão mascarada, hipostático. O alelo
vezes, da ação conjunta de dois ou mais genes, que têm inibidor ou epistático pode ser dominante ou recessivo,
segregação independente. Nesses casos, os descendentes havendo dois tipos principais de interações epistáticas:
não se distribuem nas proporções mendelianas clássicas epistasia dominante e epistasia recessiva.
esperadas. Devido à interação dos genes a razão fenotípi-
Epistasia versus dominância
ca [Link], observadas entre os descendentes de pais dií-
bridos, altera-se para outras proporções. A ocorrência de Sabemos que a epistasia ocorre quando um par de ale-
interações gênicas é muito significativa, pois mostra que los inibe a ação de outros pares. Assim sendo, há uma
os fenótipos resultam de processos complexos que envol- diferença entre epistasia e dominância. A dominância
ocorre entre alelos de um mesmo gene e a epistasia,
vem, muitas vezes, vários genes.
entre alelos de genes distintos.
Um exemplo de interação gênica é a surdez hereditária
humana, em que um gene dominante D é essencial para A epistasia dominante ocorre quando o alelo dominan-
que ocorra, durante o desenvolvimento embrionário, a te de um par inibe a ação de aleIos de outro par. Um exem-
formação da cóclea, enquanto outro gene dominante E plo clássico desse tipo de epistasia é o da cor das penas de
é essencial para a formação do nervo auditivo. Portanto, galinhas. Aves da raça Leghorn têm dois pares de aleIos, um
para que um indivíduo tenha audição normal, é essencial cujo aleIo dominante condiciona penas coloridas (C) e ou-
a presença desses dois genes dominantes. A ausência de tro cujo aleIo dominante bloqueia a manifestação de cor (I).
qualquer um deles provoca a surdez. Com outras palavras, Isso significa que o aleIo I é epistático em relação ao aleIo
os dois pares de alelos se complementam na determina- C. Por outro lado, a raça Wyandotte tem plumagem branca
ção da audição normal e, por isso, essa interação gênica é condicionada por dois pares de aleIos recessivos.
do tipo herança complementar. Assim: Galo da raça
Leghorn
com penas
Audição normal Surdez brancas.

D_ee
D_E_ ddE_
ddee
Outro caso de interação gênica é a cor da pele huma-
na. Neste caso, a expressão do caráter manifesta-se de
forma quantitativa, dependendo da quantidade de genes
dominantes que estão agindo na interação. Podemos con- Galo da raça
cluir então que, nesse tipo de herança, os genes possuem Leghorn
com penas
efeito aditivo e, por isso, é uma interação gênica é do tipo coloridas.
herança quantitativa.
Galo da ração Leghorn com penas coloridas.
Dependendo da quantidade de genes dominantes, as
pessoas podem produzir maior ou menor quantidade de Cruzando-se galos Leghorn homozigotos com galinhas
melanina. Assim: Wyandotte brancas, obtêm-se em F1 somente aves bran-

94
Biologia

cas. As aves de F1 cruzadas entre si produzem galinhas


brancas e galinhas coloridas na proporção 13 : 3.

rato albino fêmea preta


geração parental (P) ccAA CCaa

gametas cA Ca

F1 CcAa
aguti Esquema do
cruzamento
entre rato
albino e fêmea
preta.

Autocruzando F1, obteremos a seguinte proporção fe-


notípica: 9 aguti, 3 pretos e 4 albinos.
Gametas IC Ic iC ic
Gametas CA Ca cA ca
IC IICC IICc IiCC IiCc
CCAA CCAa CcAA CcAa
Ic IICc IIcc IiCc Iicc CA

iC IiCC IiCc iiCC iiCc


CCAa CCaa CcAa Ccaa
ic IiCc Iicc iiCc iicc Ca

CcAA CcAa ccAA ccAa


cA

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


CcAa Ccaa ccAa ccaa
Esquema do cruzamento entre galo homozigoto branco e galinha ca
homozigota branca e de cruzamento entre aves de F1, com penas brancas.

Gametas Fenótipos Genótipos Fenóticos


C_A_ aguti
I_C_
C_aa pretos
I_cc Brancas
ccA_
iicc albinos
ccaa
iiC_ Coloridas
Ratos com genótipo cc são
albinos, indiferentemente do seu
Nos casos de epistasia recessiva, o alelo recessivo de genótipo para outro locus, por-
que o genótipo cc bloqueia toda
a produção de pigmentação.
um gene, quando em homozigose, inibe o efeito do par de
alelos de outro gene, com o qual interage.
Um exemplo de epistasia recessiva é a cor da pe-
lagem nos ratos. O alelo A de um par interage com o
alelo C do outro par, originando a pelagem castanho-
-acinzentado, denominada aguti. O alelo c é epistático
em relação ao alelo A, mas o alelo recessivo a não pro-
duz coloração aguti.
Por sua vez, o alelo C determina a cor preta, desde que Ratos com genótipo C– são Ratos que possuem
sem o alelo A, e o caráter albino é obtido pelo alelo c em pretos, a menos que tam-
bém tenham pelo menos A
pelo menos um alelo
dominante em cada
(o que os torna agouti). locus são aguti.
dose dupla.
Os genes podem interagir epistaticamente – A epistasia ocorre quando
Ao cruzarmos um rato albino ccAA com uma fêmea um gene altera o efeito fenotípico de outro gene. Nesses ratos, a
preta CCaa, teremos uma F1 100% aguti, com genóti- presença do genótipo recessico (cc) em um locus bloqueia à produção
do pigmento, produzindo um rato albino, não importando qual é o
po CcAa. genótipo do segundo locus.

[Link] | Produção: [Link] 95


Ausência de Dominância: Dominância A B
Incompleta e Codominância
A ausência de dominância é um caso que envolve um
único par de alelos, mas com proporções que fogem das
regras mendelianas. Ocorre quando não existe dominân-
cia absoluta de um gene em relação ao seu alelo. Nesse
caso, em heterozigose, os dois genes se interagem, sur-
gindo um terceiro tipo de fenótipo. Essa herança pode ser
subdividida em dois tipos: dominância incompleta (ou he-
C
rança intermediária) e codominância.

Dominância Incompleta
(Herança Intermediária)
Na herança intermediária, o fenótipo do heterozigoto
é intermediário, como acontece com as flores de boca-
-de-leão que podem ser vermelhas ou brancas. O hete-
rozigoto é cor-de-rosa, um fenótipo intermediário entre
vermelho e branco. Outro exemplo é a herança da cor da
plumagem de galinhas de raça andaluza, que podem ser
Nos cruzamentos com animais da raça Shorthorn, é possível obter três
pretas, brancas ou azuladas. fenótipos distintos: animal com pelagem branca (A);
animal com pelagem avermelhada (B) e animal malhado (C).
Flor vermelha Flor branca

Geração P
Outro exemplo de codominância é o que ocorre no sis-
F VFV F BF B
tema sanguíneo MN, descoberto, em 1927, pelo médico
Gameta FV FB austríaco Karl Landsteiner (1868-1943) e seu colaborador
Flor cor de rosa Philip Levine (1900-1987).
Geração F1
O sistema MN apresenta três fenótipos, que corres-
F VF B Planta F1
Planta F1
pondem aos tipos sanguíneos M, MN e N.
FV FV
Gametas Gametas
FF
V B F VF B Os tipos sanguíneos humanos são determinados pela
FB FB
F VF V presença de antígenos nas hemácias. A presença apenas
F VFB F VFB do antígeno M nas hemácias é determinada pelo genótipo
LMLM e caracteriza o tipo sanguíneo M; a presença apenas
F BF B
do antígeno N nas hemácias, por sua vez é determinada
Geração F2
pelo genótipo LNLN e caracteriza o tipo sanguíneo N; por
Exemplos de dominância incompleta – fim, a presença de ambos os antígenos (M e N) nas hemá-
Acima, representação esquemática do cruzamento cias é determinada pelo genótipo LMLN e caracteriza o tipo
entre plantas de boca-de-leão com flores vermelhas e
com flores brancas.
sanguíneo MN.
Os testes de tipagem sanguínea podem ser realizados
graças à presença desses antígenos nas hemácias, pois
Codominância
estes reagem de maneira específica com determinados
A codominância ocorre quando os dois alelos do fatores obtidos do soro sanguíneo. Ao reconhecer o seu
heterozigoto são ativos. Na dominância incompleta, o antígeno específico, o soro provoca uma reação deno-
híbrido representa um terceiro fenótipo, enquanto na minada aglutinação, na qual as hemácias ficam aglome-
codominância os dois fenótipos apresentam-se no he- radas. Dessa maneira, a aglutinação das hemácias, em
terozigoto. Por exemplo, no gado da raça Shorthorn, presença de um soro conhecido, indica a presença do
quando cruzamos um animal de pelos avermelhados antígeno específico: o soro chamado anti-M provoca a
com um animal de pelos brancos, nasce um animal aglutinação das hemácias que possuem antígeno M, en-
ruão, isto é, malhado, com parte da pelagem vermelha quanto o soro anti-N provoca aglutinação das hemácias
e parte da pelagem branca. que possuem antígeno N.

96
Biologia

tipo Relação de dominância entre alelos de um gene


genótipo sanguíneo reações com antissoros
(antígeno Tipo de relação Características
presente) soro anti-M soro anti-N
Dominância Os indivíduos heterozigóticos apresentam o
completa mesmo fenótipo que um dos homozigóticos.
Dominância Os indivíduos heterozigóticos apresentam fenó-
incompleta tipo intermediário entre os dois homozigóticos.
LM L M M
(M) Os indivíduos heterozigóticos apresentam am-
Codominância
bos os fenótipos dos homozigóticos.

Alelos Múltiplos ou Polialelia


Polialelia é também uma herança que passa para as ex-
tensões da genética mendeliana. Décadas depois do traba-
LM LN MN lho de Mendel, outros descobriram que as em muitos casos,
(M e N) hemácias os alelos não demonstram uma relação simples entre domi-
aglutinadas
nância e recessividade. Em outros, um único alelo pode apre-
sentar múltiplos efeitos fenotípicos quando é expresso. Os
alelos existentes podem formar novos alelos por mutação,
podendo haver muitos alelos para um único caractere.
hemácias
LN LN N não Devido às mutações aleatórias, um grupo de indivídu-
(N) aglutinadas os pode ter mais de dois alelos para certo gene. (Qualquer
indivíduo possui somente dois alelos, é claro – um prove-
niente de sua mãe e o outro de seu pai.) De fato, existem
Esquema de teste de tipagem sanguínea para o sistema MN.
Submetendo-se amostras de sangue aos soros anti-M e anti-N é muitos exemplos desses alelos múltiplos.
possível identificar os tipos sanguíneos M, N e MN. A cor da pelagem em coelhos é determinada por um
gene com quatro alelos. Existe uma dominância hierárqui-
Ilustração produzida com base em:

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


SNUSTAD, D. P.; SIMMONS, M. J. Fundamentos da Genética. 4. ed. ca nas combinações do gene:
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. p. 69. C > cch > ch > c
Qualquer coelho com o alelo C (junto com qualquer um dos quatro) é cinza escuro, e um coelho que é cc é albino. As
cores intermediárias resultam das diferentes combinações alélicas encontradas na figura a seguir.

Genótipos
CC, Ccch, Cch, Cc cch, cch cch ch, cchc ch ch, ccc cc
possíveis
Fenótipo Cinza-escuro Cinza-escuro Cinza-claro Himalaia Albino

Existem quatro alelos do gene para a cor da pelagem em coelhos. Combinações diferentes de dois alelos produzem cores diferentes.

Os alelos múltiplos aumentam o número de possíveis Ou seja, IA e IB são alelos ativos no heterozigoto, dando
fenótipos. No cruzamento monoíbrido de Mendel, havia origem ao sangue de fenótipo AB. Isso é um caso de co-
apenas um par de alelos (Ss) e dois possíveis fenótipos (re- dominância.
sultantes de SS, Ss ou ss). Os quatro alelos do gene da cor Por isso se diz que o sistema ABO é um exemplo clás-
da pelagem em coelhos produzem cinco fenótipos. sico de alelos múltiplos codominantes. A classificação do
tipo sanguíneo nesse sistema baseia-se na presença de um
Sistema ABO: Um Caso de Alelos antígeno A ou B, que se localiza na superfície das hemácias.
Múltiplos Codominantes Assim, o tipo sanguíneo A apresenta o antígeno A; o tipo
sanguíneo B, o antígeno B; o tipo sanguíneo AB, os antíge-
Como o sistema ABO envolve três alelos: IA, IB e i, se diz
nos A e B; e o tipo sanguíneo O não apresenta antígenos.
que é um exemplo de polialelia (alelos múltiplos). Com relação
à dominância de cada um destes alelos pode-se resumir em: Antígenos estranhos introduzidos no organismo determi-
nam uma resposta imunológica, com formação de anticorpos
IA = IB > i específicos. A função desses anticorpos é inativar os antíge-

[Link] | Produção: [Link] 97


nos. Contra os antígenos A e B, formam-se no plasma sanguí-
sangue sangue
neo anticorpos anti-A e anti-B, que promovem aglutinação tipo sanguíneo
+ soro + soro
das hemácias portadoras dos antígenos correspondentes. anti-A anti-B
Os antígenos do sangue são denominados aglutinogê-
nios, e os anticorpos, aglutininas. Como os antígenos e
0
os anticorpos correspondentes não podem coexistir num
mesmo organismo, os grupos sanguíneos do sistema ABO
apresentam os seguintes fenótipos:
Sistema ABO A
Grupo Aglutinogênios (na Aglutininas (no
sanguíneo superfície das hemácias) plasma sanguíneo)
A A anti-B
B
B B anti-A
AB AeB nenhuma
O nenhum anti-A e anti-B
Fonte de pesquisa: MADER, S. S. Inquiry into life. 9. ed. New York: McGraw- AB
Hill Higher Education, 2001. p. 278.

Para que não haja aglutinação no organismo de um


receptor, as doações de sangue devem ser específicas, se-
guindo o seguinte esquema: hemácias não aglutinadas

hemácias aglutinadas

Esquema do teste de tipagem sanguínea para o sistema ABO.

Ilustração produzida com base em: MADER, S. S. Inquiry life. 9. ed. New York:
McGraw-Hill Higher Education, 2001. p. 278.

O sistema sanguíneo ABO é determinado por três ale-


los IA, IB e i. O alelo IA controla a síntese do aglutinogênio A
Lembre que além do sistema ABO, existem outros sis- e é codominante com o alelo IB, que controla a síntese do
temas sanguíneos. Entre eles, o mais importante é o siste- aglutinogênio B. Ambos são dominantes sobre i, que con-
ma Rh, que já foi estudado anteriormente, como um caso diciona a não produção de aglutinogênios. Os genótipos e
de monoibridismo. fenótipos possíveis são:
Considerando o sistema ABO e o sistema Rh, pode-se
dizer que o individuo O– é o verdadeiro “doador universal” Genótipos Fenótipos
enquanto o AB+ é o verdadeiro “receptor universal”. IAIA e lAi Sangue tipo A
A propriedade da aglutinação permite a determinação l l el i
BB B
Sangue tipo B
do tipo de sangue por meio de um teste simples: sobre ll
AB
Sangue tipo AB
uma lâmina de vidro, colocam-se duas gotas de soro, uma
de anti-A e outra de anti-B. A cada uma delas mistura-se ii Sangue tipo O
uma gota de sangue. Pode ocorrer aglutinação em uma Fonte de pesquisa: SNUSTAD, D. P.; SIMMONS, M. J. Fundamentos da Gené-
das gotas, em ambas ou em nenhuma, o que permite a tica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. p. 70.
identificação do tipo sanguíneo. O conhecimento da herança dos tipos sanguíneos per-
mite que se faça previsão do tipo de sangue dos descen-
dentes, a partir do tipo sanguíneo dos pais. Da mesma for-
ma, pode-se determinar o tipo sanguíneo dos pais quando
se conhece o tipo sanguíneo dos filhos. A análise da here-
Lâminas com gotas de sangue
humano, com hemácias não ditariedade do sistema ABO foi muito usada em Medicina
aglutinadas e hemácias Legal para resolver dúvidas de paternidade e suspeita de
aglutinadas. troca de crianças em maternidades. Atualmente, o teste
do DNA substitui com vantagem as análises dos sistemas
sanguíneos para os casos de paternidade duvidosa.

98
Biologia

O teste do DNA para paternidade surgiu na década Y). As fêmeas possuem o cariótipo 2A + XX e os machos
de 1980 e permite estabelecer relações de parentesco ao 2A + XY, em que 2A representa os pares de autossomos.
comparar o DNA dos indivíduos. Esse teste determina a Apresentam essa diferenciação sexual do tipo XY vários in-
paternidade com mais de 99,99% de certeza, enquanto as setos, como a mosca-de-frutas Drosophilla melanogaster, e
análises dos sistemas sanguíneos apenas excluem candi- a maioria dos mamíferos, inclusive a nossa espécie humana.
datos, mas não conseguem indicar quem é o pai. Veja, no esquema a seguir, o cariótipo da espécie humana.
Herança Ligada ao X
Todos os tipos de herança que vimos até agora são classi-
ficados como herança autossômica, porque os seus respec-
tivos genes se localizam nos cromossomos autossomos, que
são comuns aos dois sexos, masculino e feminino. Portanto,
manifestam-se indistintamente em ambos os sexos. Mas exis-
tem também os chamados cromossomos sexuais ou alosso-
mos, responsáveis pela determinação genética do sexo em
vários animais. Nos mamíferos, são denominados X e Y.
A herança condicionada por genes localizados nestes
cromossomos sexuais é chamada, genericamente, de he-
rança relacionada ao sexo. Cariótipos normais da espécie humana em que 2n = 46. Em A – mulher
Nas espécies animais que obedecem ao sistema XY, as normal – com 22 pares de autossomos + XX, e em B – homem normal –
com 22 pares de autossomos + XY.
fêmeas possuem dois cromossomos sexuais do mesmo
tipo (cromossomo X) e os machos possuem um cromos- O cromossomo Y possui uma região homóloga ao X (em
somo sexual correspondente ao das fêmeas (cromossomo verde), mas também possui uma região não homóloga (em
X) e outro diferente, tipicamente masculino (cromossomo laranja), onde existem genes exclusivos do sexo masculino.

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


A
Daltonismo
hemofilia, atrofia óptica
e outros genes ligados ao
sexo (sex-flocked) Ictiose
Hiperictiose auricular e C
Genes exclusivos outros genes holândricos
do sexo
masculino

9 Cegueira total 9

14 Xerodermia pigmentar 14
B 17 Moléstia de Oguchi 17 B Fotomicrografia e
18 Paraplegia espástica 18 desenho esquemático
20 Epidermólise bolhosa 20 dos cromossomos sexuais
humanos. Observe a
Retinite pigmentar
região não homóloga
28 28
entre eles.
34 Diátese hemorrágica 34
Processos convulsivos
x y

A herança condicionada por genes localizados na re- causadores de doenças como o daltonismo, a hemofilia,
gião homóloga desses cromossomos não desperta maior a distrofia muscular Duchenne (com atrofia e degenera-
interesse porque se comporta como qualquer herança do ção dos músculos esqueléticos), a síndrome de Fabry (um
tipo autossômica. transtorno no armazenamento de lipídios que provoca
Na herança relacionada ao sexo, interessa-nos aquela graves problemas renais e cardíacos) e a displasia ecto-
condicionada por genes localizados na região não homó- dérmica hipoidrótica (em que há redução drástica das
loga dos cromossomos X e Y. glândulas sudoríparas e sebáceas, poucos pelos e defeitos
Quando os genes se localizam na região não homólo- dentários). Todas essas anomalias são condicionadas por
ga do cromossomo X, ocorre a herança ligada ao sexo ou genes recessivos localizados na região não homóloga do
ginefórica. Na espécie humana, já se conhecem vários ge- cromossomo X. Mas também existem doenças condicio-
nes localizados nessa região, muitos deles, infelizmente, nadas por genes dominantes localizados nessa região do

[Link] | Produção: [Link] 99


cromossomo X, como o gene que causa o raquitismo hi-
pofosfatêmico (um tipo de nanismo com cabeça e tronco
de tamanho normal, mas com os membros muito curtos,
deformados e com limitação de movimentos).

Teste para discromatopsia (cegueira para cores)

Foto de criança Se você não tem nenhuma discromatopsia, verá, no


com distrofia círculo A, o número 29; no B, o número 45; no C, nenhum
muscular número; no D, o número 26.
Duchenne.
Se sofrer discromatopsia em relação ao vermelho verá,
no círculo D, o número 6. Se a discromatopsia for em re-
A herança ligada ao sexo é também chamada de he- lação ao verde, verá apenas o número 2 no círculo D. Se
rança ginefórica porque é transmitida da mãe para o filho tiver cegueira para as cores verde e vermelho (daltonismo
do sexo masculino. Vamos usar o daltonismo como exem- clássico), vai enxergar, no círculo A, o número 70, nada nos
plo padrão desse tipo de herança. círculos B e D e o número 5, no círculo C. Quem tem dis-
O daltonismo é uma anomalia genética na qual o indi- cromatopsia total (cegueira total para cores) não distingue
víduo não distingue cores como verde, vermelho e azul. nada nos quatro círculos.
No tipo mais comum, a pessoa não distingue o verde do Os cruzamentos são representados como em monoi-
vermelho, sendo ambas as cores percebidas como mar- bridismo. Veja um exemplo de um cruzamento de um ho-
rom. É causado por gene recessivo ligado ao cromossomo mem normal com uma mulher normal portadora.
X. Vamos representá-lo pela letra d e seu alelo dominante,
que condiciona a visão normal, por D. Para a mulher mani-
festar o daltonismo, é necessário que ela seja homozigota
recessiva. Já o homem pode manifestar com apenas um
alelo d, porque ele não existe no cromossomo Y. Veja os
genótipos e fenótipos.
Símbolo usado em
Genótipo Fenótipo
heredogramas
mulher de visão Como podemos identificar, em heredogramas, uma
XDXD herança ligada ao X recessiva? Precisamos procurar
normal
uma mulher afetada (XdXd). Para ser esse tipo de he-
mulher normal rança, seu pai e todos os seus filhos do sexo masculino,
XDXd
portadora obrigatoriamente, serão também afetados.
XdXd mulher daltônica E como descobrir se a herança é ligado ao X domi-
nante? Neste caso você deve identificar que todo o pai
homem de visão
XD Y com a característica terá filhas com o mesmo fenótipo.
normal
Além disso, todo menino com a característica terá mãe
XdY homem daltônico com o mesmo fenótipo.

Quando você for fazer o exame médico para tirar sua Outros Tipos de Herança
carteira de motorista, o médico vai lhe mostrar uma sé- Relacionada ao Sexo
rie de círculos com bolinhas coloridas, pedindo-lhe que • Herança restrita ao sexo ou ligada ao cromossomo

diga qual o número que você enxerga em cada uma delas. Y: refere-se aos genes holândricos, ou seja, genes
Observe as quatro figuras nos círculos A, B, C e D e diga o localizados no segmento do cromossomo Y que
que você enxergou. não apresenta homologia com o cromossomo X.

100
Biologia

No ser humano, são conhecidos alguns genes holândri- clivam (“cortam”) o DNA no mesmo sítio do seu reconhe-
cos, dentre os quais os responsáveis pelo desenvolvimen- cimento. O sítio de reconhecimento deste tipo de enzima
to e funcionalidade das gônadas masculinas. é normalmente uma sequência palíndrômica, ou seja, ela
• Herança influenciada pelo sexo: os genes locali- tem um eixo de simetria e a sequência de bases de uma

zam-se na parte homóloga do par de cromossomos fita é a mesma fita complementar, quando lida na direção
sexuais X e Y, mas têm manifestações diferentes oposta. Atualmente, mais de 1000 enzimas de restrição já
em machos e fêmeas; um exemplo é a calvície, que foram identificadas.
tem expressão dominante nos homens e recessiva
nas mulheres. Enzima de
restrição

BIOTECNOLOGIA
Tecnologia do DNA Recombinante ou Enzima de
restrição
Engenharia Genética
A utilização de micro-organismos, plantas e animais
para a produção de substâncias úteis ao ser humano é
chamada de biotecnologia. A engenharia genética é uma
nova biotecnologia baseada nas técnicas modernas de
manipulação do DNA, que permite transplantar genes de Extremidades livres
uma espécie para outra e criar uma nova molécula de DNA
que não exista na natureza.
Durante um processo de engenharia genética é utili-

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


zada uma técnica conhecida como clonagem molecular.
Disponível em: [Link]
A origem do termo clonagem molecular vem da Genética
Bacteriana, que considera uma colônia de bactérias como
um clone, pois todos os indivíduos são geneticamente O Processo de Geração do DNA
idênticos à bactéria inicial. Essa é a técnica central da tec- Recombinante Passo-a-Passo
nologia do DNA Recombinante. Ela consiste no isolamento
e propagação de moléculas de DNA idênticas. Há pelo me- • Os pesquisadores querem estudar um gene que

nos dois estágios importantes: produz uma proteína que não se sabe a função.
• Elaboração do DNA recombinante: O inserto (frag-
• Os pesquisadores “recortam” (utilizando Enzimas

mento de DNA de interesse) é ligado ao vetor (uma


de Restrição), do DNA, o gene de interesse.
outra molécula de DNA) para formar o DNA recom-
binante. • Esse fragmento de DNA contendo o gene é mul-

• Inserindo o DNA Recombinante numa célula: tiplicado por PCR (Polimerase Chain Reaction).

Numa célula hospedeira compatível é introduzida É um método de amplificação (de criação de múl-
a molécula de DNA recombinante, num processo tiplas cópias) de DNA (ácido desoxirribonucleico)
chamado de transformação. sem o uso de um organismo vivo, por exemplo,
Para que fragmentos de DNA possam ser seleciona- Escherichia coli (bactéria) ou leveduras, para ob-
dos, as chamadas enzimas de restrição são utilizadas. As ter várias cópias do mesmo fragmento (ou da
enzimas de restrição ou endonucleases de restrição são mesma informação).
divididas em várias classes, dependendo da estrutura, da • A mesma enzima que clivou (“cortou”) o gene do

atividade e dos sítios de reconhecimento e clivagem. O in- DNA é utilizada para clivar o plasmídeo (material
teresse por estas enzimas aumentou em 1973, quando se genético circular não ligado ao cromossomo que
percebeu que elas poderiam ser usadas para fragmentar fica espalhado pelo hialoplasma das bactérias).
o DNA deixando extremidades de fitas simples de DNA, Lembre-se que o fragmento de DNA, ao ser cli-
que permitiam a ligação de outros fragmentos. As enzi- vado, gera pontas “adesivas” que são comple-
mas do tipo II, as mais importantes na Tecnologia do DNA mentares ao plasmídeo se este for clivado com
recombinante, são proteínas monoméricas ou diméricas e a mesma enzima.

[Link] | Produção: [Link] 101


• A seguir, o plasmídeo clivado é misturado com os

As tabelas a seguir demonstram o uso da tecnologia do

fragmentos de DNA (contendo o gene) e uma en- DNA recombinante na medicina e na agricultura:
zima chamada ligase “cola” os fragmentos ao plas- Alguns produtos de uso medicinal obtidos por meio da
mídeo, produzindo o chamado DNA recombinante. biotecnologia
Isso feito, o DNA recombinante é introduzido em
uma bactéria hospedeira. Produto Uso
• A bactéria hospedeira é colocada em um meio Estimula o recrescimento de
Fator neurotrópico


nutritivo seletivo, apenas aquelas que possuem o tecidos cerebrais em pacientes
derivado do cerébro
DNA recombinante crescem, formando colônias. com a doença de Lou Gehrig
Após muitas gerações de bactérias, o produto da Estimula a produção de células
Fator estimulante
expressão dos genes, as proteínas desejadas, são brancas do sangue em pacientes
de colônias
purificadas das bactérias (são separadas das prote- com câncer e AIDS
ínas das bactérias). Previne anemia em pacientes
Eritropoietina
submetidos a hemodiálise
Acompanhe na imagem a ilustração desse processo:
Repõe fator de coagulação
Corte do plasmídio Fator VIII ausente em pacientes com
por enzima de
Corte do DNA a
hemofilia do tipo A
restrição
ser clonado com a Hormônio de Repõe hormônio ausente em
mesma enzima
de restrição crescimento pessoas de baixa estatura
Estimula a absorção de glicose do
Insulina
sangue em pessoas com diabete
Fator de
crescimento derivado Estimula a cicatrização de feridas
de plaquetas
União do plasmídio
Ligase com o DNA a Ligase Ativador de plasmi- Dissolve coágulos de sangue após
ser clonado nogênio em tecidos ataques do coração e derrames
Proteínas vacinas:
DNA recombinante hepatite B, herpes,
(plasmídio + DNA a Previne e trata doenças
influenza, doença
ser clonado) infecciosas
de Lyme, meningite,
coqueluche, etc.
Introdução do DNA
recombinante na
bactéria hospedeira Aplicações da biotecnologia na agricultura em desenvol-
Nucleoide
vimento
Multiplicação dos
plasmídios recombinantes
e divisão da bactéria
Problema Tecnologias/Genes
Bactéria hospedeira
com DNA recombinante Melhoramento das adapta- Genes para tolerância à
ções ambientais de plantas seca e ao sal
No desenvolvimento industrial, em comparação Melhoramento de Esterilidade do macho para
com os avanços da Medicina e da Agricultura, o DNA reprodução sementes híbridas
recombinante ainda está em sua “infância”, mas, ape- Melhoramento de traços
Sementes ricas em lisina
sar disso, vem crescendo com força. Um dos objetivos nutricionais
fundamentais é a produção de baixo custo de maté- Atraso do amadurecimento
Melhoramento de plantas
rias-primas renováveis que possam substituir os recur- de frutas; tomates mais
após a colheita
sos fósseis. Além disso, a tecnologia do DNA recom- sólidos; vegetais mais doces
binante vai ajudar a maximizar recursos industriais, Utilização de plantas como Plástico, óleos e fármacos
utilizando alternativas biológicas, que são altamente biorreatores produzidos em planta
sustentáveis e por consequência os preços dos produ- Tolerância a herbicidas; re-
Controle de pestes em
tos (dependendo do produto e das técnicas de purifi- sistência a vírus; bactérias,
plantações
cação do mesmo) podem até reduzir. fungos e insetos

102
Biologia

Clonagem químico. Este processo é chamado de partenogênese e a


prole são clones das fêmeas que depositaram os ovos.
Clonagem é o processo de criar um organismo gene-
ticamente idêntico ao progenitor por meios assexuados. Outro exemplo de clonagem natural são os gêmeos
idênticos. Apesar de serem geneticamente diferentes dos
A natureza tem clonado organismos há bilhões de
pais, os gêmeos idênticos são clones entre si e que ocor-
anos. Por exemplo, quando um pé de morango gera uma
rem naturalmente.
muda de micropropagação (uma forma de ramo modifica-
do), uma nova planta cresce onde a muda se enraíza. Essa Os cientistas já experimentaram com a clonagem ani-
nova planta é um clone. Uma clonagem parecida ocorre mal, mas nunca foram capazes de estimular uma célula
com grama, batatas e cebolas. especializada (diferenciada) para produzir diretamente
um novo organismo. Em vez disso, eles transplantam a in-
As pessoas têm clonado plantas de uma maneira ou
formação genética de uma célula especializada em uma
de outra por milhares de anos. Por exemplo, quando você
célula de óvulo não fertilizado cuja informação genética
corta um ramo de uma planta e enxerta em outra (pro-
foi destruída ou removida fisicamente.
pagação vegetativa), você está clonando a planta original
porque a nova planta possui a mesma composição gené- Nos anos 70, um cientista chamado John Gurdon clonou
tica da planta doadora. A propagação vegetativa funciona girinos com sucesso. Ele transplantou o núcleo de uma célula
porque a extremidade do corte forma uma massa de célu- especializada de um sapo em um ovo não fertilizado de outro
las não especializadas, chamada de calo. Com sorte, o calo sapo no qual o núcleo foi destruído por luz ultravioleta. O ovo
crescerá, se dividirá e formará várias células especializa- com o núcleo transplantado se desenvolveu em um girino
das (raízes, ramos) e finalmente formará uma nova planta. que era geneticamente idêntico ao segundo sapo.
Mais recentemente, os cientistas foram capazes de
clonar plantas, pegando partes de raízes especializadas,
extraindo as células da raiz e cultivando-as em uma cultu-

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


Sapo A Sapo B Clone do
ra rica em nutrientes. Na cultura, as células especializadas Sapo B
se tornam não especializadas (desdiferenciadas) em calos.
Os calos podem então ser estimulados com os hormônios Os ovos se
Célula epitelial
de planta adequados para crescerem e se tornarem novas Ovo desenvolvem
totalmente
em girinos
plantas, que são idênticas à planta original de onde as par- Radiação destrói
diferenciada

tes da raiz foram retiradas. núcleo


Etapas da multiplicação in vitro Núcleo da célula Ovo com
Ovo sem núcleo
epitelial núcleo
(condições de assepsia) transplantado

Núcleo implantado no ovo

Apesar de os girinos de Gurdon não terem sobrevivido


até se tornarem sapos adultos, o seu experimento mos-
trou que o processo de especialização em células animais
era reversível e sua técnica de transferência nuclear abriu
caminho para sucessos posteriores em clonagem.
Em 1997, a clonagem foi revolucionada quando Ian
Wilmut e seus colegas do Instituto Roslin em Edinburgo,
Escócia, clonaram com sucesso uma ovelha chamada
Dolly. Dolly foi o primeiro mamífero clonado.
Disponível em: [Link]

Porém, as plantas não são os únicos organismos que po-


dem ser clonados naturalmente. Os ovos não fertilizados de
alguns animais (pequenos invertebrados, vermes, algumas
A Dolly (à direita) foi
espécies de peixe, lagartos e sapos) podem se desenvolver acasalada e deu à luz um
em adultos plenamente crescidos sob determinadas con- filhote “normal”
dições ambientais – normalmente algum tipo de estímulo (o cordeiro a esquerda).

[Link] | Produção: [Link] 103


Wilmut e seus colegas transplantaram um núcleo uma cópia saudável do tecido ou do órgão de uma pessoa
de uma célula de glândula mamária de uma ovelha Finn doente para transplante.
Dorsett no ovo desnucleado de uma ovelha Blackface es- As células-tronco são classificadas em dois tipos: célu-
cocesa. A combinação núcleo-ovo foi estimulada com ele- las-tronco embrionárias e células-tronco adultas. As célu-
tricidade para fundi-los e estimular a divisão celular. A nova las-tronco embrionárias são particularmente importantes
célula se dividiu e foi colocada no útero de uma ovelha porque são multifuncionais, isto é, podem ser diferencia-
Blackface para se desenvolver. Dolly nasceu meses depois. das em diversos tipos de células. Podem ser utilizadas no
Dolly provou ser geneticamente idêntica às células ma- intuito de restaurar a função de um órgão ou tecido, trans-
márias Finn Dorsett e não à ovelha Blackface, o que de- plantando novas células para substituir as células perdi-
monstrou claramente que era um clone bem-sucedido (fo- das pela doença, ou substituir células que não funcionam
ram feitas 276 tentativas antes de dar certo o experimento). adequadamente devido a um defeito genético (ex.: doen-
Depois disso, Dolly cresceu e reproduziu várias proles pró- ças neurológicas, diabetes, problemas cardíacos, derra-
prias a partir de meios sexuados normais. Portanto, Dolly mes, lesões da coluna cervical e doenças sanguíneas). As
era um clone viável e com poder reprodutivo saudável. células-tronco adultas não possuem essa capacidade de
Desde Dolly, diversos laboratórios universitários e se transformar em qualquer tecido. As células musculares
empresas empregaram várias modificações da técnica de vão originar células musculares, as células de fígado vão
transferência nuclear para produzir mamíferos clonados, originar células de fígado, e assim por diante.
inclusive vacas, porcos, macacos e camundongos. Esta técnica esbarra numa delicada questão: após a
Ovelha de coleta das células, o embrião seria descartado. Seria lícito
cara preta
Núcleo removido matar uma vida para salvar outra? Mas, afinal, quando co-
meça mesmo a vida?
Óvulo sem núcleo
Fusão
Ovo doador

Células
totipotentes
Núcleo da célula Blastocisto
Fusão da célula e somática retirada
ovo sem núcleo do doador Cultura de
com eletricidade células
pluripotentes

Célula Ovo fundido


com célula

Ovelha de Embrião
cara branca Médula Célula Músculo
óssea nervosa cardíaco

Ilustração de Sirio J. B. Cançado para o suplemento especial clonagem


Embrião
implantado da pesquisa Fapesp nº 73, de março de 2002.
Disponível em: [Link]
gem_terapeutica.jpg
Ovelha de cara branca
com carneiro de cara Associação entre Biotecnologias
branca (clone)
Como descrito, a clonagem da ovelha Dolly não foi
feita apenas por curiosidade científica. Um dos principais
Clonagem Terapêutica objetivos da companhia de biotecnologia associada a esse
A técnica de clonagem apresentada anteriormente, experimento é fazer produtos de uso benéfico no leite de
que tem como objetivo a produção de um novo indiví- animais leiteiros.
duo, é chamada de clonagem reprodutiva. A Clonagem Essa estratégia transgênica é aquela descrita anterior-
terapêutica é um procedimento cujos estágios iniciais mente. Ela pode ser utilizada também para fazer produtos
são idênticos à clonagem para fins reprodutivos, difere farmacêuticos, tais como a antitripsina α-I humana (ATα-
somente no fato do blastocisto não ser introduzido em 1). Essa proteína inibe a elastase, uma enzima que degrada
um útero. Trata-se de células totalmente indiferenciadas tecido conectivo. A elastase é encontrada em excesso nas
com a capacidade de se diferenciar em qualquer tecido. superfícies dos pulmões de indivíduos com fibrose cística,
Ele é utilizado em laboratório para a produção de células- sendo parcialmente responsável pelos seus problemas de
-tronco (totipotentes) a fim de produzir tecidos ou órgãos respiração. Portanto, o uso de um inibidor de elastase po-
para transplante. Esta técnica tem como objetivo produzir deria aliviar os sintomas nesses pacientes.

104
Biologia

O problema é que tem sido muito difícil obter a anti-


tripsina -I de soro humano. Para suplantar esse proble-
a
ma, o gene da antitripsina α-I humana foi introduzido em
ovos fertilizados de ovelha, próximo ao promotor para lac-
toglobulina, uma proteína feita em grandes quantidades
no leite. Visto que o leite é produzido em grandes quan-
tidades durante o ano inteiro, esse “biorreator” natural
produziu um estoque grande a antitripsina α-I que foi fa-
cilmente purificado dos outros componentes do leite. 1. Relacione os conceitos dos verbetes, utilizados na ge-


nética, da primeira coluna com o significado da segun-
A produção de animais com transgenes integrados de
forma segura e confiável é muito difícil. Portanto, uma da coluna.
abordagem diferente é a construção de clones transgê- 1. Genótipo
nicos. Nesse caso, o gene humano (com seu promotor) é
2. Fenótipo
inserido em células somáticas de ovelha. Aquelas células
de ovelhas que incorporarem o transgene poderão, então, 3. Alelo dominante
ser usadas como fonte do núcleo doador para clonagem. 4. Alelo recessivo
Essa foi a motivação para a criação da ovelha Dolly.
5. Cromossomos homólogos
Cabras, ovelhas e vacas estão sendo utilizadas para o
que está sendo chamado de pharming, fabricação de pro- 6. Lócus gênico


dutos de uso medicinal no leite. Esses produtos incluem
fatores de coagulação sanguínea para tratamento de he- ( ) Expressa-se mesmo em heterozigose.


mofilia e anticorpos para tratamento de câncer do cólon. ( ) Pareiam-se durante a meiose.


neor
( ) Conjunto de características morfológicas ou fun-

Promotor para
O vetor de expressão β-lactoglobulina cionais do indivíduo.
possui o gene para (ovelha)
resistência ao antibió- ( ) Local ocupado pelos genes nos cromossomos.

tico neomicina.

BIOATP - GENÉTICA E BIOTECNOLOGIA


Gene AT α-1 ( ) Constituição genética dos indivíduos.

Adicionar vetor de humano
expressão a células Células de ovelha ( ) Expressa-se apenas em homozigose.
somáticas de ovelha. mantidas em uma

placa de cultura
Assinale a alternativa que contém a sequência corre-

Adicionar neomicina
ta, de cima para baixo.
que mata todas as
células que não Células resistentes (A) 4–6–5–2–1–3
contêm o valor.

à neomicina
(B) 3–5–6–2–1–4

(C) 3–5–1–6–2–4

Células resistentes à (D) 3–5–2–6–1–4

morte contêm
o vetor e são transgê- (E) 4–3–1–5–6–2
nicas; elas crescem

e dividem.
2. Os dados a seguir relatam características fenotípicas e

genotípicas de um fruto de uma determinada espécie
Uma célula transgê-
nica é usada como vegetal, bem como o cruzamento entre os indivíduos
fonte de núcleo para
fusão com um ovo dessa espécie.
sem núcleo. Núcleo de célula
transgênica
I. A característica cor vermelha do fruto é dominante

Ovo sem núcleo
Um embrião se e a característica cor amarela do fruto é recessiva.
desenvolve...
Produção
II. Na geração parental ocorreu o cruzamento entre um

de Clones indivíduo homozigoto de fruto vermelho e um homo-
Transgênicos zigoto de fruto amarelo, originando a geração F1.
para Pharming.
A produção
III. Dois indivíduos dessa geração F1 cruzaram entre si.

de animais
transgênicos
Com base nos dados apresentados, a probabilidade de

Desenvolvimento
e nascimento envolve a se obter frutos vermelhos em heterozigose em F2 é:
combinação da
... e é implantado em
uma fêmea de aluguel. tecnologia do (A) 0 (D)  3 4



(B) 1
DNA e
tecnologia 4 (E) 1



O clone produz AT α-1
com abundância no leite. reprodutiva.
(C) 1 2

[Link] | Produção: [Link] 105
Biologia

3. O primeiro relato da ocorrência da Síndrome de Spoan 6. A talassemia é uma doença hereditária que resulta em


foi feito em Serrinha dos Pintos, município no interior anemia. Indivíduos homozigotos MM apresentam a
do Rio Grande do Norte. forma mais grave, identificada como talassemia maior
“Estima-se que 10% da população desse município e os heterozigotos MN, apresentam uma forma mais

possuam o gene causador da síndrome, que se ma- branda chamada de talassemia menor. Indivíduos ho-
nifesta por atrofia do sistema nervoso e paralisia. A mozigotos NN são normais. Sabendo-se que todos os
síndrome é determinada por um alelo autossômico indivíduos com talassemia maior morrem antes da
recessivo e as chances de ela ocorrer é favorecida maturidade sexual, qual das alternativas a seguir re-
através de descendentes de casais consanguíneos”. presenta a fração de indivíduos adultos, descenden-
Disponível em:<[Link].> Acesso em: 12 jul. 2011. tes do cruzamento de um homem e uma mulher por-
tadores de talassemia menor, que serão anêmicos?
Suponhamos que um casal de primos, natural de
(A) 1/2 (C) 1/3     (E) 1/8

Serrinha dos Pintos, aguarde o nascimento do seu pri-





meiro filho. Embora não apresentem a Síndrome de (B) 1/4 (D) 2/3



Spoan, o casal gostaria de saber a probabilidade de
esse filho vir a apresentá-la, ou de ser saudável, mas 7. Na espécie humana, a miopia e a habilidade para a


portador do gene para esse tipo de síndrome. mão esquerda são caracteres condicionados por ge-
nes recessivos que se segregam de forma indepen-
Os princípios básicos que regem a transmissão de caracte-
dente. Um homem de visão normal e destro, cujo pai

rísticas hereditárias indicam que o filho desse casal tem
tinha miopia e era canhoto, casa-se com uma mulher
(A) 75% de probabilidade de apresentar a síndrome, míope e destra, cuja mãe era canhota. Qual a proba-

se ambos os pais forem heterozigotos. bilidade de esse casal ter uma criança com fenótipo
(B) 25% de probabilidade de apresentar a síndrome, igual ao do pai?

se apenas um dos pais possuir um alelo recessivo.
(A) 1/2   (C) 1/8   (E) 3/8
(C) 50% de chance de ser saudável, mas ser portador




(B) 1/4   (D) 3/4

do gene, se apenas um dos pais possuir um alelo


recessivo. 8. Um casal, ambos polidáctilos (com mais de 5 dedos)

(D) 100% de chance de ser saudável, mas portador do e de visão normal, tem uma criança normal para po-

gene, se ambos os pais forem heterozigotos. lidactilia, mas míope. Considerando-se que ambas as
anomalias são autossômicas e os respectivos genes
4. Um casal normal teve dois filhos normais e um filho
estão em cromossomos diferentes, então, a probabi-

com albinismo, doença genética, condicionada por
um único par de alelos, caracterizada pela ausência lidade do casal ter outra criança normal para as duas
de pigmentação na pele, cabelo e olhos. características é:
Com base neste caso, é correto afirmar. (A) 1 (C) 3/16   (E) 0



(A) A anomalia é condicionada por um gene dominante. (B) 1/16 (D) 9/16



(B) A probabilidade de o casal ter um próximo filho 9. A fibrose cística e a miopia são causadas por genes au-

albino é de 50%.

tossômicos recessivos. Uma mulher míope e normal
(C) Os pais são homozigotos. para fibrose cística casa-se com um homem normal

(D) O gene para a anomalia é recessivo. para ambas as características, filho de pai míope. A pri-

(E) Todos os filhos normais são heterozigotos. meira criança nascida foi uma menina de visão normal,

mas com fibrose. A probabilidade de o casal ter outra
5. Uma determinada doença humana segue o padrão de menina normal para ambas as características é de

herança autossômica, com os seguintes genótipos e
fenótipos: (A) 3/8.   (C) 3/16.   (E) 1/8.



AA – determina indivíduos normais. (B) 1/4.   (D) 3/4.


AA1 – determina uma forma branda da doença. 10. Em tomates, a característica planta alta é dominante
A1A1 – determina uma forma grave da doença. em relação à característica planta anã e a cor verme-
Sabendo-se que os indivíduos com genótipo A1A1 lha do fruto é dominante em relação à cor amarela.
Um agricultor cruzou duas linhagens puras: plan-

morrem durante a embriogênese, qual a probabilida-
de do nascimento de uma criança de fenótipo normal ta alta/fruto vermelho x planta anã/fruto amarelo.
a partir de um casal heterozigótico para a doença? Interessado em obter uma linhagem de plantas anãs
com frutos vermelhos, deixou que os descendentes
(A) 1/2 (C) 1/4 (E) 3/4
dessas plantas cruzassem entre si, obtendo 320 no-



(B) 1/3 (D) 2/3 vas plantas. O número esperado de plantas com o fe-


106 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

nótipo desejado pelo agricultor e as plantas que ele 13. Em coelhos, o gene P produz pelagem preta e o seu
deve utilizar nos próximos cruzamentos, para que os alelo recessivo p, pelagem parda desde que esteja
descendentes apresentem sempre as características presente o gene A. Os animais aa são sempre albi-
desejadas (plantas anãs com frutos vermelhos), estão nos. Considerando que ocorra segregação indepen-
corretamente indicados em: dente entre esses genes, a partir do cruzamento
(A) 16; plantas homozigóticas em relação às duas ca- PpAa x ppaa espera-se uma proporção fenotípica de

racterísticas. (A) 1 preto: 1 pardo: 2 albinos.


(B) 48; plantas homozigóticas em relação às duas ca- (B) 1 preto: 1 pardo: 8 albinos.



racterísticas. (C) 1 preto: 1 albino: 2 pardos.


(C) 48; plantas heterozigóticas em relação às duas ca- (D) 1 preto: 3 albinos: 2 pardos.



racterísticas. (E) 1 pardo: 3 albinos: 3 pretos.


(D) 60; plantas heterozigóticas em relação às duas ca- 14. As flores de uma determinada planta podem ser bran-

racterísticas.


cas, vermelhas ou creme. A cor branca (ausência de
(E) 60; plantas homozigóticas em relação às duas ca- deposição de pigmento) é condicionada por alelo re-

racterísticas. cessivo (aa). O alelo A determina a deposição de pig-
mento. O alelo dominante B produz pigmento verme-
11. Oitenta células de um animal com a constituição apre- lho, enquanto seu recessivo, a cor creme. Cruzando-se

sentada na figura sofrem meiose. plantas heterozigotas para os dois genes entre si, a
probabilidade de obtermos uma planta branca é de
3
(A)    (C)  7    (E)  12
16


16 16
4 9
(B)    (D) 
16 16


15. As flores da planta maravilha podem ser vermelhas,
brancas ou rosas. As flores vermelhas e brancas são ho-
mozigotas, enquanto as rosas são heterozigotas. Para
se obter 50% de flores brancas, é necessário cruzar:
(A) duas plantas de flores rosas.

(B) uma planta de flores brancas com outra de flores
O número de espermatozoides diferentes produzidos

rosas.

por esse animal e o número de espermatozoides com
a constituição AbGm será, respectivamente: (C) uma planta de flores rosas com outra de flores

vermelhas.
(A) 16 e 40 (C) 16 e 20 (D) uma planta de flores vermelhas com outra de flo-



(B) 8 e 20 (D) 8 e 40 res brancas.


12. Um criador de cães labradores cruzou machos pretos (E) duas plantas de flores vermelhas.


com fêmeas de mesma cor e obteve filhotes pretos, 16. A cor da pelagem em coelhos é causada por quatro

chocolate (marrons) e dourados (amarelos). Trata-se de alelos diferentes do gene c: os alelos selvagem, chin-
um caso de epistasia recessiva associada ao alelo e, que chila, himalaia e albino. O alelo tipo selvagem é to-
impede a deposição de pigmento no pelo, condicionan- talmente dominante em relação aos demais; o alelo
do pelagem dourada. O alelo E permite a pigmentação. chinchila apresenta dominância incompleta em re-
A coloração preta é condicionada pelo alelo dominante lação ao alelo albino e codominância em relação ao
B, e a chocolate, pelo seu alelo recessivo b. alelo himalaia. O alelo himalaia, por sua vez, é total-
A proporção fenotípica esperada para cães pretos, mente dominante em relação ao alelo albino.

chocolate e dourados, respectivamente, no cruza- De acordo com essas informações, quantos diferentes
mento entre um macho preto, EeBb, e uma fêma dou-

fenótipos podem ser encontrados para a pelagem de
rada, eeBb, é coelhos?
(A) 3 : 1 : 4 (D) 9 : 4 : 3 (A) 2. (D) 5.




(B) 9 : 3 : 4 (E) 4 : 1 : 3 (B) 3. (E) 6.




(C) 3 : 4 : 1 (C) 4.


[Link] | Produção: [Link] 107
Biologia

17. A cor dos pelos nas cobaias é condicionada por uma 20. Paulo e Mariana têm dois filhos, Júlio e Baltazar. Com


série de alelos múltiplos com a seguinte escala de do- relação aos tipos sanguíneos do sistema ABO, pai,
minância: mãe e os dois filhos têm, cada um deles, um tipo san-
guíneo diferente.
C (preta) > C1 (marrom) > C2 (creme) > c (albino).
Em razão disso, pode-se afirmar corretamente que


Uma fêmea marrom teve 3 ninhadas, cada uma com (A) se o pai tem sangue tipo A, a mãe necessariamen-

um macho diferente. A tabela a seguir mostra a cons-


te tem sangue tipo B.
tituição de cada ninhada.
(B) se a mãe tem sangue tipo AB, o pai necessaria-


Número de descendentes mente terá sangue tipo A ou tipo B.
Ninhada Pretos Marrons Cremes Albinos (C) se a mãe tem sangue tipo O, um dos filhos terá


necessariamente sangue tipo AB.
1 5 3 0 2
(D) se um dos filhos tem sangue tipo AB, o outro ne-
2 0 4 2 2


cessariamente terá sangue tipo A ou tipo B.
3 0 5 0 4
(E) se um dos filhos tem sangue tipo O, o outro ne-


cessariamente terá sangue tipo A ou tipo B.
A partir desses dados é possível afirmar que o macho

responsável pela ninhada: 21. A análise de grupos sanguíneos é uma maneira simples


de se esclarecer casos de paternidade duvidosa. Esse
(A) 1 era marrom homozigoto.
tipo de teste permite provar, em alguns casos, que de-

(B) 1 era preto homozigoto. terminada pessoa não pode ser o pai de uma criança, o

(C) 2 era albino heterozigoto. que ocorre em apenas uma das situações abaixo:

(D) 2 era creme heterozigoto. (A) mulher do grupo A, homem do grupo A, criança


(E) 3 era marrom homozigoto. do grupo O
(B) mulher do grupo A, homem do grupo B, criança


18. Assinale a alternativa correta em relação ao tipo san- do grupo O

guíneo na seguinte situação: um casal tem três filhos, (C) mulher do grupo B, homem do grupo AB, criança

sendo que dois filhos possuem o tipo sanguíneo O, e do grupo O
um filho possui o tipo sanguíneo A. (D) mulher do grupo AB, homem do grupo A, criança

(A) A mãe possui o tipo sanguíneo O, e o pai o tipo A do grupo B

heterozigoto. (E) mulher do grupo O, homem do grupo A, criança

(B) A mãe possui o tipo sanguíneo A heterozigoto, e o do grupo A

pai o tipo O heterozigoto. 22. O sistema Rh em seres humanos é controlado por um
(C) A mãe e o pai possuem o tipo sanguíneo AB. gene com dois alelos, dos quais o alelo dominante R é

(D) A mãe possui o tipo sanguíneo O, e o pai o tipo responsável pela presença do fator Rh nas hemácias,
e portanto, fenótipo Rh+. O alelo recessivo r é respon-

sanguíneo A homozigoto.
sável pela ausência do fator Rh e fenótipo Rh–.
(E) A mãe possui o tipo sanguíneo O, e o pai o tipo

sanguíneo AB homozigoto.

19. Considere uma situação hipotética em que um indi-



víduo de tipo sanguíneo AB, Rh negativo, receberá
uma transfusão de sangue de um doador, escolhido
ao acaso, de uma população em que todos os tipos
sanguíneos ocorrem com a mesma frequência. Neste
caso, a probabilidade de haver produção de anticor-
pos devido à incompatibilidade sanguínea é de:

3
(A) (D)  1
4 Com base no heredograma acima, determine os genó-


4

tipos dos indivíduos 1, 2, 3, 4, 5 e 6, respectivamente.
1 1 (A) RR, Rr, Rr, RR, Rr, RR
(B) (E) 

2 8

(B) Rr, Rr, rr, Rr, Rr, rr

3 (C) Rr, Rr, Rr, rr, RR, Rr
(C)

8 (D) Rr, Rr, rr, RR, Rr, rr


108 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

23. Assinale a alternativa incorreta em relação à possibili- (B) O pai desse homem é doador universal.


dade de doações e às possíveis transfusões sanguíneas. (C) Esse homem apresenta aglutinogênio A em suas


(A) Pessoas do grupo sanguíneo O são as receptoras hemácias.

universais, enquanto as do grupo sanguíneo AB (D) Esse homem poderia ter um irmão pertencente


são as doadoras universais. ao tipo O, Rh–.
(B) Pessoas do grupo sanguíneo AB e fator Rh+ (posi- (E) Esse homem poderia ter tido eritroblastose fetal


tivo) são receptoras universais. ao nascer.
(C) Pessoas do grupo sanguíneo O e fator Rh– (negati-
26. Os esquemas mostram as possíveis transfusões de san-

vo) são doadoras universais.


gue tradicionais em relação aos sistemas ABO e Rh.
(D) Pessoas do grupo sanguíneo A podem doar para

pessoas do grupo sanguíneo A e para as do grupo
sanguíneo AB.
(E) Pessoas do grupo sanguíneo AB podem doar so-

mente para as do grupo sanguíneo AB.
24. Leia o texto a seguir.

Estudante descobre não ser filha dos

pais em aula de genética
Uma aula sobre genética tumultuou a vida de uma fa-

mília que vive em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Uma estudante descobriu que não poderia ser filha na- Pode-se dizer que os tipos sanguíneos mais difíceis e

tural dos pais. Miriam Anderson cresceu acreditando mais fáceis para receber sangue são, respectivamente:
que Holmes e Elisa eram os seus pais. Na adolescência, (A) O Rh+ e O Rh– (C) A Rh– e OB Rh+



durante uma aula de genética, ela entendeu que o tipo (B) O Rh– e AB Rh+ (D) AB Rh+ e O Rh–



sanguíneo dos pais era incompatível com o dela.
27. Interpretando a figura a seguir sobre a Doença
“Jornal Hoje” – Rede Globo, 29/09/08.

Hemolítica do recém-nascido (DHR), assinale a afir-

Considerando que o tipo sanguíneo de Miriam seja O, mativa incorreta.

Rh–, assinale a alternativa que apresenta o provável
tipo sanguíneo do casal que confirmaria o drama des-
crito na reportagem, ou seja, que Holmes e Elisa não
poderiam ter gerado Miriam.
(A) Pai: AB, Rh+ e mãe: O, Rh–.

(B) Pai: A, Rh+ e mãe: B, Rh+.

(C) Pai: B, Rh– e mãe: B, Rh–.

(D) Pai: O, Rh– e mãe: A, Rh+.

(E) Pai: B, Rh+ e mãe: A, Rh+.

25. O quadro representa os resultados dos testes de tipa-
gem sanguínea para um homem, para seu pai e para
sua mãe. O sinal + indica que houve aglutinação e o (A) A placenta normalmente funciona como uma
sinal – indica ausência de aglutinação.

barreira que separa as células sanguíneas fetais e
maternas.
Anti-A Anti-B Anti-Rh
(B) Após a 1ª gravidez, os antígenos fetais não se-
Homem – + +

rão capazes de induzir a produção de anticorpos
Pai + + + anti-Rh pela mãe.
Mãe – – – (C) Em III, após o contato com o antígeno Rh+, a mãe

produz anticorpos anti-Rh que podem ser transfe-
Assinale a alternativa correta. ridos para a corrente sanguínea fetal.

(A) Esse homem tem anticorpos contra o sangue de (D) Se, logo após o parto da 1ª gravidez, a mãe recebes-


sua mãe. se anticorpos anti-Rh, a DHR poderia ser evitada.

[Link] | Produção: [Link] 109


Biologia

28. A hemofilia A, uma doença hereditária recessiva que As probabilidades de os indivíduos 7, 12 e 13 serem


afeta o cromossoma sexual X, é caracterizada pela de- portadores do alelo mutante são, respectivamente,
ficiência do fator VIII da coagulação.
(A) 0,5; 0,25 e 0,25.
Considere a primeira geração de filhos do casamento



(B) 0,5; 0,25 e 0.

de um homem hemofílico com uma mulher que não



possui o gene da hemofilia. (C) 1; 0,5 e 0,5.


As chances de que sejam gerados, desse casamento, fi- (D) 1; 0,5 e 0.

lhos hemofílicos e filhas portadoras dessa doença, corres-


pondem, respectivamente, aos seguintes percentuais: (E) 0; 0 e 0.


(A) 0% – 100% (C) 50% – 100% 32. A Escherichia coli é o micro-organismo mais estuda-



(B) 50% – 50% (D) 100% – 100% do por cientistas no mundo todo, não somente pela


importância de seu combate pelos órgãos promoto-
29. Considerando que o daltonismo na espécie humana
res da saúde pública, devido às doenças intestinais

é uma característica determinada por um gene reces-
causadas por essa bactéria, mas, fundamentalmente,
sivo e ligado ao sexo, assinale a única alternativa cor-
porque a Escherichia coli é muito utilizada em técnicas
reta referente a um casal que, apesar de possuir visão
de engenharia genética.
normal para cores, tem uma criança daltônica.
Na técnica do DNA recombinante, a Escherichia coli é
(A) Essa criança é do sexo feminino, e o gene para o

amplamente utilizada devido

daltonismo lhe foi transmitido pelo pai.
(B) Essa criança é do sexo masculino, e o gene para o (A) à facilidade de manipulação em laboratório do DNA

cromossômico dessa bactéria não patogênica.

daltonismo lhe foi transmitido pelo pai.
(C) Essa criança é do sexo feminino, e o gene para o (B) à incorporação de enzimas de restrição específi-


daltonismo lhe foi transmitido pela mãe. cas para o genoma da Escherichia coli, que não
(D) A criança é do sexo masculino, e o gene para o podem ser utilizadas em outro material genético.

daltonismo lhe foi transmitido pela mãe. (C) à presença do plasmídeo bacteriano, ao qual são

(E) Tanto o pai como a mãe pode ter transmitido incorporados genes de interesse econômico ou

o gene para o daltonismo a essa criança; mas, médico que passam a se expressar nas bactérias
apenas com esses dados, nada podemos afirmar geneticamente modificadas, acarretando a pro-
quanto ao sexo dela. dução de proteínas específicas.

30. O daltonismo é consequência de um alelo mutante de (D) ao fato de ser o único micro-organismo no mundo

um gene localizado no cromossomo X. Um homem com o genoma mapeado, o que facilita seu estu-
daltônico e uma mulher não daltônica, mas portado- do por parte dos pesquisadores.
ra do gene do daltonismo, estão esperando um bebê.
Neste caso, a probabilidade de a criança ser daltônica 33. A tecnologia do DNA recombinante abriu novas pers-

e a probabilidade de ser do sexo masculino e não dal- pectivas no melhoramento genético dos organismos.
tônica são, respectivamente, Essa técnica consiste na inserção de um segmento de
DNA de uma espécie em outra e, para o seu desenvol-
(A) 0,25 e 0,25. (D) 0,50 e 0,25.
vimento, diversas enzimas são utilizadas.


(B) 0,25 e 0,50. (E) 0,50 e 0,75.
Com base na literatura sobre a tecnologia do DNA re-


(C) 0,25 e 0,75.

combinante, é correto afirmar:

31. No heredograma abaixo, o símbolo  representa um (A) As enzimas de restrição identificam o segmento

homem afetado por uma doença genética rara, causa- de DNA que será inserido na célula alvo.
da por mutação num gene localizado no cromossomo
(B) Os plasmídeos são enzimas importantes para unir
X. Os demais indivíduos são clinicamente normais.

as moléculas de DNA.
(C) A enzima DNA ligase é importante para inserir o

DNA na célula alvo.
(D) As enzimas de restrição são utilizadas para cortar

a molécula de DNA.
(E) O uso de plasmídeos diminui a eficiência das téc-

nicas de manipulação do DNA.

110 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

34. Para um pesquisador transferir um gene de interesse, 36. A ovelha Dolly, primeiro clone animal oficialmente de-


diferentes etapas são cumpridas em laboratório, en- clarado, após adulta foi acasalada com um macho não
tre as quais: a utilização de enzima do tipo (1), para aparentado.
o corte e a separação do segmento de DNA a ser es- Desse cruzamento resultou o nascimento de um filho-
tudado; a extração e o rompimento de (2), e a inclu-


te com características “normais”. Este filhote:
são em (2) do segmento obtido (gene isolado) com
o auxílio de enzimas do tipo (3). Os números 1, 2 e 3 (A) é geneticamente idêntico à sua mãe, a ovelha


indicam, respectivamente: Dolly.
(B) é geneticamente igual à sua avó, mãe da ovelha


Dolly.
(C) não tem nenhum patrimônio genético de seu pai.


(D) tem todo seu patrimônio genético herdado de


seu pai.
(E) tem parte do material genético de seu pai e parte


de sua mãe.
37. Se retirarmos o núcleo de uma célula-ovo de rã e o


substituirmos por outro núcleo diploide de uma célu-
la de tecido muscular de rã adulta, a nova célula-ovo
assim formada será capaz de produzir uma outra rã.
(A) enzima de restrição, plasmídio e enzima ligase. Assinale a alternativa que explica, corretamente, o

(B) enzima transcriptase reversa, cromossomo circu- que ocorre, neste caso, em relação à sequência fun-

lar e enzima de restrição. cional do DNA da célula diploide doadora.
(C) DNA recombinante, RNA plasmidial e enzima exo- (A) Foi integralmente inativada.


nuclease. (B) Foi parcialmente inativada.

(D) enzima transcriptase reversa, plasmídio e enzima (C) Foi integralmente mantida ativa.

de restrição.

(D) Expressou-se como na célula germinativa.
(E) enzima de restrição, RNA plasmidial e enzima

(E) Expressou-se como na célula muscular.

transcriptase reversa.

35. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

(Embrapa) planeja trabalhar na clonagem de espécies
ameaçadas de extinção no Brasil, de animais como
lobo-guará, onça pintada e veado catingueiro. No en-
tanto, esse projeto não pretende se tornar a principal
ferramenta de preservação dessas espécies, mas, sim,
complementar os esforços de conservação de matas, 1. D 14. B 27. B
rios e reservas.



2. C 15. B 28. A



Disponível em: <[Link]
clonagem- inedita-de-animais-ameacados-de-extincao-no-brasil,960681,0. 3. C 16. E 29. D



htm.>. Acesso em: 08 Abril 2013 (adaptado).
4. D 17. D 30. D



A principal limitação dessa técnica, apesar dos seus 5. B 18. A 31. D




benefícios ecológicos, é
6. D 19. B 32. C
(A) diminuir a variabilidade genética das populações.



7. E 20. A 33. D

(B) impedir a adaptação de animais nascidos em cati-



8. C 21. C 34. A

veiro.



(C) necessitar de um grande número de óvulos do 9. C 22. B 35. A




doador do DNA. 10. E 23. A 36. E



(D) requerer gametas masculinos compatíveis de di-
11. C 24. A 37. C

ferentes espécies.



(E) precisar de uma mãe de aluguel da mesma raça 12. A 25. E



para gerar o clone. 13. A 26. B


[Link] | Produção: [Link] 111
Biologia

3. Após a redescoberta do trabalho de Gregor Mendel,


vários experimentos buscaram testar a universalidade
de suas leis. Suponha um desses experimentos, reali-
zado em um mesmo ambiente, em que uma planta de
linhagem pura com baixa estatura (0,6 m) foi cruzada
com uma planta de linhagem pura de alta estatura
(1,0 m). Na prole (F1) todas as plantas apresentaram
1. Em um experimento, preparou-se um conjunto de estatura de 0,8 m. Porém, na F2 (F1 x F1) os pesquisa-

plantas por técnica de clonagem a partir de uma planta dores encontraram os dados a seguir.
original que apresentava folhas verdes. Esse conjun-
to foi dividido em dois grupos, que foram tratados de Altura da planta (em metros) Proporção da prole
maneira idêntica, com exceção das condições de ilumi- 1,0 63
nação, sendo um grupo exposto a ciclos de iluminação
0,9 245
solar natural e outro mantido no escuro. Após alguns
dias, observou-se que o grupo exposto à luz apresenta- 0,8 375
va folhas verdes como a planta original e o grupo culti- 0,7 255
vado no escuro apresentava folhas amareladas. 0,6 62
Ao final do experimento, os dois grupos de plantas Total 1000

apresentaram
(A) os genótipos e os fenótipos idênticos. Os pesquisadores chegaram à conclusão, a partir da


(B) os genótipos idênticos e os fenótipos diferentes. observação da prole, que a altura nessa planta é uma

(C) diferenças nos genótipos e fenótipos. característica que

(D) o mesmo fenótipo e apenas dois genótipos dife- (A) não segue as leis de Mendel.


rentes. (B) não é herdada e, sim, ambiental.

(E) o mesmo fenótipo e grande variedade de genótipos. (C) apresenta herança mitocondrial.


2. Considere o resultado obtido em um estudo realizado (D) é definida por mais de um gene.


com 28 pares de gêmeos. Dentro de cada par, um era (E) é definida por um gene com vários alelos.

ávido corredor de longa distância e o outro um seden-
tário “de carteirinha”. 4. Mendel cruzou plantas puras de ervilha com flores ver-

melhas e plantas puras com flores brancas, e observou
(...) Por seis semanas, parte dos gêmeos foi submetida
que todos os descendentes tinham flores vermelhas.

a uma dieta gordurosa e a outra a uma de baixa calo-
Nesse caso, Mendel chamou a cor vermelha de domi-
ria. Depois, os papéis se inverteram. Ao final, o san-
nante e a cor branca de recessiva. A explicação ofereci-
gue de todos os voluntários foi recolhido e testado.
O resultado mostrou que, se um dos gêmeos comia da por ele para esses resultados era a de que as plantas
comida gordurosa e o mau colesterol não subia, com de flores vermelhas da geração inicial (P) possuíam dois
o outro ocorria o mesmo, mesmo que este último não fatores dominantes iguais para essa característica (VV),
praticasse nenhuma atividade física. E vice-versa. e as plantas de flores brancas possuíam dois fatores re-
cessivos iguais (vv). Todos os descendentes desse cru-
(Ciência Hoje, agosto de 2005.)
zamento, a primeira geração de filhos (F1), tinham um
A partir da leitura e análise desses resultados, pode- fator de cada progenitor e eram Vv, combinação que

-se afirmar que assegura a cor vermelha nas flores.
(A) o fator ambiental é muito mais significativo que o Tomando-se um grupo de plantas cujas flores são ver-

melhas, como distinguir aquelas que são VV das que

fator genético na regulação do “mau colesterol”.
(B) a influência genética é tão mais forte que não é são Vv?

necessária a prática de exercícios físicos para a (A) Cruzando-as entre si, é possível identificar as

saúde do coração. plantas que têm o fator v na sua composição pela
(C) é impossível definir se foram gêmeos dizigóticos análise de características exteriores dos gametas

ou univitelinos que participaram da pesquisa. masculinos, os grãos de pólen.
(D) o resultado obtido só foi possível porque somente (B) Cruzando-as com plantas recessivas, de flores


gêmeos idênticos participaram da referida pesquisa. brancas. As plantas VV produzirão apenas des-
(E) o projeto genoma humano não oferece nenhum cendentes de flores vermelhas, enquanto as plan-

avanço na identificação dos genes que regulam a tas Vv podem produzir descendentes de flores
produção do “mau colesterol”. brancas.

112 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

(C) Cruzando-as com plantas de flores vermelhas da (C) se a planta for homozigótica, 50% da descendên-


geração P. Os cruzamentos com plantas Vv produ- cia será de plantas com flores brancas e 50% de
zirão descendentes de flores brancas. descendentes com flores vermelhas.
(D) Cruzando-as entre si, é possível que surjam plan- (D) se a planta for heterozigótica, 100% da descendên-


tas de flores brancas. As plantas Vv cruzadas com cia será de plantas que produzem flores brancas.
outras Vv produzirão apenas descendentes ver- (E) se a planta for homozigótica, 75% da descendên-
melhas, portanto as demais serão VV.


cia será de plantas com flores vermelhas e 25% de
(E) Cruzando-as com plantas recessivas e analisan- descendentes com flores brancas.

do as características do ambiente onde se dão os
cruzamentos, é possível identificar aquelas que 8. Em determinado tipo de camundongo, a pelagem


possuem apenas fatores V. branca é condicionada pela presença do gene “A”, le-
tal em homozigose. Seu alelo recessivo “a” condiciona
5. Uma mulher negra, de 27 anos, tem cinco filhos, três pelagem preta.

meninos e duas meninas. Ocorre que três crianças são Para os filhotes vivos de um cruzamento de um casal
albinas. Exames comprovaram que o albinismo é do


de heterozigotos, esperam-se as seguintes propor-
tipo óculo-cutâneo de herança autossômica recessiva ções de camundongos de pelagem branca e preta,
(Tipo 1 – deficiência de tirosinase). respectivamente:
A partir da leitura do texto, podemos afirmar que: (A) 1/2 e 1/2



(A) as meninas não poderiam ser afetadas pela ano- (B) 1/4 e 3/4



malia. (C) 2/3 e 1/3

(B) a doença está relacionada à deficiência do amino- (D) 3/4 e 1/4


ácido tirosina. (E) 1/2 e 1/4

(C) o pai biológico dessas crianças, obrigatoriamente,
9. Anemia Falciforme é uma das doenças hereditárias

deve ser albino.

mais prevalentes no Brasil, sobretudo nas regiões que
(D) os pais biológicos têm que ser portadores do receberam maciços contingentes de escravos africa-

gene do albinismo Tipo 1. nos. É uma alteração genética, caracterizada por um
(E) a doença afeta apenas a área dos olhos, com pou- tipo de hemoglobina mutante designada por hemo-

ca pigmentação da íris. globina S. Indivíduos com essa doença apresentam
eritrócitos com formato de foice, daí o seu nome. Se
6. Após seu retorno à Inglaterra, Darwin casou-se com sua
uma pessoa recebe um gene do pai e outro da mãe

prima Emma, com quem teve dez filhos, dos quais três
para produzir a hemoglobina S ela nasce com um par
morreram. Suponha que uma dessas mortes tenha sido
de genes SS e assim terá a Anemia Falciforme. Se re-
causada por uma doença autossômica recessiva. Nesse
ceber de um dos pais o gene para hemoblobina S e do
caso, qual seria o genótipo do casal para esta doença?
outro o gene para hemoglobina A ela não terá doen-
(A) Aa e Aa. (C) AA e Aa.   (E) aa e aa. ça, apenas o Traço Falciforme (AS), e não precisará de



(B) AA e aa. (D) AA e AA. tratamento especializado. Entretanto, deverá saber


que se vier a ter filhos com uma pessoa que também
7. Suponha uma espécie de planta cujas flores possam herdou o traço, eles poderão desenvolver a doença.

ser brancas ou vermelhas. A determinação genética Disponível em: [Link]
da coloração é dada por um gene, cujo alelo que de- Acesso em: 02 mai. 2009 (adaptado).
termina a cor vermelha é dominante sobre o alelo que
Dois casais, ambos membros heterozigotos do tipo
determina a cor branca. Um geneticista quer saber se

AS para o gene da hemoglobina, querem ter um filho
um representante dessa espécie de planta, que pro-
cada. Dado que um casal é composto por pessoas ne-
duz flores vermelhas, é homozigótico ou heterozigó-
gras e o outro por pessoas brancas, a probabilidade
tico para esse caráter. Para resolver a questão, decide
de ambos os casais terem filhos (um para cada casal)
promover a polinização dessa planta com outra que
com Anemia Falciforme é igual a
produza flores brancas porque,
(A) 5,05%.
(A) se a planta for homozigótica, 100% da descendên-

(B) 6,25%.

cia será de plantas que produzem flores vermelhas.

(B) se a planta for heterozigótica, 75% da descendên- (C) 10,25%.


cia será de plantas que produzem flores verme- (D) 18,05%.

lhas e 25% de descendentes com flores brancas. (E) 25,00%.

[Link] | Produção: [Link] 113
Biologia

10. A anemia falciforme é uma doença monogênica que (A) 1/6. (D) 1/2.  




afeta a hemoglobina, fazendo com que as hemácias (B) 1/4. (E) 1/3.
que a contêm apresentem formato de foice, o que



(C) 1/8.
prejudica o transporte de oxigênio.
Com a chegada da população africana no Brasil, ocor- 13. A fenilcetonúria e a miopia são doenças decorrentes da



reu um aumento na frequência do alelo recessivo con- ação de genes autossômicos recessivos. Do casamen-
dicionante da anemia falciforme na população. Esse to entre uma mulher normal, filha de mãe com fenil-
fato ocorreu, porque, na África, o alelo para a anemia cetonúria e pai míope, com um homem normal para
falciforme apresenta alta frequência, pois indivíduos fenilcetonúria e míope, nasceu uma criança de visão
com traço falcêmico (heterozigotos) desenvolvem re- normal e fenilcetonúrica. A probabilidade desse casal
sistência à malária, doença endêmica dessa região. ter uma criança normal para as duas características é:
A partir do exposto, considere a seguinte situação: (A) 1/8 (D) 7/8





Álvaro e Leda, um casal brasileiro, ambos portadores (B) 1/2 (E) 3/4




do traço falcêmico, procuraram aconselhamento ge-
(C) 3/8
nético para saber a probabilidade de terem uma me-



nina portadora de anemia falciforme. 14. Em determinada raça animal, a cor preta é determina-


Nessas circunstâncias, a probabilidade de nascer uma da pelo alelo dominante M e a marrom pelo alelo m, o
alelo B condiciona padrão uniforme e o b, presença de

criança do sexo feminino com anemia falciforme é de:
manchas brancas. Esses dois pares de alelos autossô-
(A) 25% (C) 50% (E) 15%
micos segregam-se independentemente.



(B) 12,5% (D) 30%
A partir do cruzamento


11. Na espécie humana, a habilidade para o uso da mão
Mmbb × mmBb,

direita é condicionada pelo gene dominante E, sen-
do a habilidade para o uso da mão esquerda devida a probabilidade de nascer um filhote marrom com
a seu alelo recessivo e. A sensibilidade à feniltiocar-

manchas é
bamida (PTC) é condicionada pelo gene dominante I,
e a insensibilidade a essa substância é devida a seu (A) 1/16

alelo recessivo i. Esses dois pares de alelos apresen- (B) 3/16

tam segregação independente. Um homem canhoto (C) 1/4
e sensível ao PTC, cujo pai era insensível, casa-se com

(D) 1/2
uma mulher destra, sensível, cuja mãe era canhota e

insensível. A probabilidade de esse casal vir a ter uma (E) 3/4

criança canhota e sensível ao PTC é de 15. Sessenta células de um animal, com a constituição re-

(A) 3/4.   (C) 1/4.   (E) 1/8. presentada na figura, sofrem meiose.



(B) 3/8.   (D) 3/16.


12. No heredograma a seguir, os indivíduos marcados

apresentam um tipo de cegueira noturna.

São esperados, apresentando a constituição ABC,



(A) 30 espermatozoides.

(B) 60 espermatozoides.

(C) 90 espermatozoides.


A probabilidade do casal 4X5 ter uma criança de sexo (D) 120 espermatozoides.

feminino e de visão normal é de: (E) 180 espermatozoides.

114 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

16. Na cebola, a presença de um alelo dominante C deter- No quadro a seguir, estão representados três cruzamen-


mina a produção de bulbo pigmentado; em cebolas tos entre peixes com padrões de coloração distintos para
cc, a enzima que catalisa a formação de pigmento não nadadeiras e suas respectivas gerações F1 e F2.
é produzida (cebolas brancas). Outro gene, herdado Geração F2 (número
de forma independente, apresenta o alelo B, que im- Cruzamentos Geração F1
de indivíduos)
pede a manifestação de gene C. Homozigotos bb não 1. rajada x amarela 100% rajadas 50 rajadas; 17 amarelas
têm a manifestação da cor do bulbo impedida.
2. negra x amarela 100% negras 100 negras; 35 amarelas
Quais as proporções fenotípicas esperadas do cruza- 3. negra x rajada 100% negras 65 negras; 21 rajadas

mento de cebolas homozigotas coloridas com cebolas
BBcc? Se um macho da F1 do cruzamento 3 cruza com uma


(A) 9/16 de cebolas brancas e 7/16 de cebolas coloridas. fêmea da F1 do cruzamento 1, quais as proporções de
coloração das nadadeiras dorsais esperadas para os

(B) 12/16 de cebolas brancas e 4/16 de cebolas colo- descendentes?

ridas.
(A) 50% de indivíduos com nadadeiras negras e 50%
(C) 13/16 de cebolas brancas e 3/16 de cebolas colo-


de indivíduos com nadadeiras rajadas.

ridas.
(B) 75% de indivíduos com nadadeiras negras e 25%
(D) 15/16 de cebolas brancas e 1/16 de cebolas colo-


de indivíduos com nadadeiras amarelas.

ridas.
(E) 16/16 de cebolas brancas. (C) 75% de indivíduos com nadadeiras negras e 25%


de indivíduos com nadadeiras rajadas.

17. A cor da pelagem em cavalos depende, dentre outros (D) 50% de indivíduos com nadadeiras negras e 50%

fatores, da ação de dois pares de genes Bb e Ww. O

de indivíduos com nadadeiras amarelas.
gene B determina pelos pretos e o seu alelo b deter-
(E) 100% de indivíduos com nadadeiras negras.
mina pelos marrons. O gene dominante W “inibe” a

manifestação da cor, fazendo com que o pelo fique 20. Valéria gostava muito de flores. Observando seu jar-
branco, enquanto que o alelo recessivo w permite a

dim, notou a existência de plantas de uma mesma
manifestação da cor.
espécie que possuíam indivíduos com flores brancas,
Cruzando-se indivíduos heterozigotos para os dois pa- rosas e vermelhas. Curiosa para saber como se dava

res de genes obtém-se: a transmissão desse caráter, Valéria promoveu uma
(A) 3 brancos: 1 preto autofecundação nas plantas de cor rosa e, para sua

(B) 9 brancos: 3 pretos: 3 mesclados de marrom e surpresa, obteve plantas que davam flores brancas,
vermelhas e rosas, estas últimas em quantidade duas

preto: 1 branco
vezes maior que as plantas de flor branca e vermelha,
(C) 1 preto: 2 brancos: 1 marrom
obtendo plantas que só davam flores de cor rosa.

(D) 12 brancos: 3 pretos: 1 marrom
Valéria concluiu corretamente que:

(E) 3 pretos: 1 branco
(A) trata-se de dominância da cor rosa sobre as demais.


18. Numa espécie de planta, a cor das flores é determi- (B) trata-se de um caso de co-dominância entre os

nada por um par de alelos. Plantas de flores verme-

genes alelos que determinam o padrão de cor.
lhas cruzadas com plantas de flores brancas produzem
(C) as plantas de flor rosa eram recessivas.
plantas de flores cor-de-rosa.

(D) as plantas de flor vermelha eram dominantes e as
Do cruzamento entre plantas de flores cor-de-rosa,

de cor branca recessivas.

resultam plantas com flores
(E) trata-se de um caso de gene letal, pois o cruza-
(A) das três cores, em igual proporção.

mento de plantas de flores brancas e vermelhas

(B) das três cores, prevalecendo as cor-de-rosa. só originou flores rosas.

(C) das três cores, prevalecendo as vermelhas.

(D) somente cor-de-rosa. 21. Suponha que em uma certa espécie diploide exista um

caráter relacionado com uma série de quatro alelos

(E) somente vermelhas e brancas, em igual proporção.
(alelos múltiplos). Em um determinado indivíduo da

19. Em uma espécie de peixes de aquário, aparecem três espécie referida, o número máximo de alelos represen-

padrões distintos de coloração na nadadeira dorsal: tados relacionados ao caráter em questão será igual a
negra, rajada e amarela. Esses padrões são resultan- (A) 2. (C) 6. (E) 10.
tes das combinações de três diferentes alelos de um



(B) 4. (D) 8.
mesmo loco.


[Link] | Produção: [Link] 115
Biologia

22. Coelhos podem ter quatro tipos de pelagem: chinchila, 24.



himalaia, aguti e albina, resultantes das combinações
de quatro diferentes alelos de um mesmo loco. Num
experimento, animais com diferentes fenótipos foram
cruzados várias vezes. Os resultados, expressos em nú-
mero de descendentes, constam na tabela a seguir.

Fenótipos Fenótipos da progênie


Cruzamentos
parentais Hi Ch Ag AI
1 Ag X AI 12 0 11 0 A probabilidade do casal 5x6 ter uma criança perten-


cente ao tipo O, RH– é de
2 Ag X Hi 0 0 23 0
3 Ag X Ch 0 14 15 0 (A) 1 (C) 1/4 (E) 1/6




4 Ag X Ch 6 6 12 0 (B) 1/2 (D) 1/8



5 Ch X Ch 9 30 0 0 25. A eritroblastose fetal, ou doença hemolítica perinatal,


6 Hi X AI 18 0 0 0 consiste na destruição das hemácias do feto (Rh+) pelos
Onde: AI = Albino; Hi = himalaia; Ch = chinchila; Ag = aguti. anticorpos da mãe (Rh–) que ultrapassam lentamente a
placenta. Devido a uma destruição maciça das hemácias,
Se o animal progenitor aguti do cruzamento 1 for uti- o indivíduo torna-se anêmico, e a hemoglobina presente

lizado para a obtenção de filhotes com o progenitor no plasma é transformada, no fígado, em bilirrubina.
chinchila do cruzamento 4, que proporção de descen-
Em relação a essa condição, é correto afirmar:
dentes poderemos prever?

(A) A mãe (Rh–) só produzirá anticorpos anti-Rh se ti-
(A) 1 aguti: 1 chinchila.

ver uma gestação de uma criança Rh+ com passa-

(B) 1 aguti: 1 himalaia. gem de hemácias para a circulação materna.

(C) 9 aguti: 3 himalaia: 3 chinchila: 1 albino. (B) A mãe (Rh–) poderá produzir anticorpos anti-Rh


(D) 2 aguti: 1 chinchila: 1 himalaia. devido a uma gestação de uma criança Rh+ cujas

(E) 3 aguti: 1 chinchila. hemácias passaram para a circulação materna,

comumente, por ocasião do parto, ou se receber
23. Em uma espécie de abelha, a cor dos olhos é condicio- uma transfusão de sangue incompatível (Rh+).

nada por uma série de cinco alelos, entre os quais há a
(C) A mãe produzirá anticorpos anti-Rh que podem
seguinte relação de dominância:

atingir todos os seus filhos Rh+, incluindo o feto que
a1 > a2 > a3 > a4 > a primeiro induziu a produção desses anticorpos.
a1 : marrom a4 : creme (D) No caso de mulheres Rh– que já tenham tido uma


a2 : pérola a : amarelo gestação anterior Rh+ e estejam novamente grávi-
das, é ministrada uma dose da vacina Rhogam por

a3 : neve
volta da 28ª semana de gestação e outra até 72
Uma rainha de olhos marrons, heterozigótica para pé- horas após o parto, o que evita, assim, que essa

rola, foi inseminada por espermatozoides provenien- criança, caso seja Rh+, tenha eritroblastose fetal.
tes de machos com olhos das cores marrom (20%),
(E) O tratamento de bebês que nascem com o pro-
pérola (20%), neve (20%), creme (20%) e amarelo

blema pode incluir uma transfusão total de san-
(20%). Essa rainha produziu, em um dia, 1 250 game-
gue. O bebê recebe sangue RH+, que já não terá
tas dos quais 80% foram fecundados. Todos os game-
mais suas hemácias destruídas pelos anticorpos
tas produzidos resultaram em descendentes.
da mãe presentes no recém-nascido.
Os descendentes dessa rainha terão olhos
26. Sofia e Isabel pertencem ao grupo sanguíneo AB e
(A) somente da cor marrom.

são casadas, respectivamente com Rodrigo e Carlos,

(B) somente das cores marrom ou pérola. que pertencem ao grupo sanguíneo O. O casal Sofia e

(C) da cor marrom se forem fêmeas; da cor pérola, se Rodrigo tem um filho, Guilherme, casado com Joana,

forem machos. filha de Isabel e Carlos. Qual a probabilidade de o ca-
(D) da cor marrom ou pérola, se forem fêmeas, e, nos sal Guilherme e Joana ter um descendente que per-

machos, as cinco cores serão possíveis. tença ao grupo sanguíneo O?
(E) da cor marrom ou pérola, se forem machos, e, nas (A) 75%. (C) 25%.  (E) zero.




fêmeas, as cinco cores serão possíveis. (B) 50%. (D) 12.5%.


116 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

27. O sangue de um determinado casal foi testado com a uti- uma mulher portadora do mesmo e filha de uma mãe

lização dos soros anti-A, anti-B e anti-Rh (anti-D). Os re- heterozigótica:
sultados são mostrados a seguir. O sinal + significa agluti- (A) será daltônica, se o pai também for daltônico.
nação de hemácias e – significa ausência de reação.


(B) será daltônica, mesmo que o pai não seja daltônico.


(C) terá 50% de chance de nascer daltônica, caso o


pai seja daltônico.
(D) terá 25% de chance de nascer daltônica, caso o


pai seja daltônico.
(E) não será daltônica independente do genótipo do pai.


31. O milho transgênico é produzido a partir da manipula-


ção do milho original, com a transferência, para este,
Esse casal tem uma criança pertencente ao grupo O de um gene de interesse retirado de outro organismo
de espécie diferente.

e Rh negativo. Qual a probabilidade de o casal vir a
ter uma criança que apresente aglutinogênios (antí- A característica de interesse será manifestada em de-


genos) A, B e Rh nas hemácias? corrência
(A) do incremento do DNA a partir da duplicação do
(A) 1/2 (C) 1/8 (E) 3/4


gene transferido.



(B) 1/4 (D) 1/16 (B) da transcrição do RNA transportador a partir do



28. Um homem daltônico e normal para a miopia tem gene transferido.
(C) da expressão de proteínas sintetizadas a partir do

uma filha também daltônica, mas míope. Sabendo

que a mãe da menina não é míope, assinale a alterna- DNA não hibridizado.
tiva correta. (D) da síntese de carboidratos a partir da ativação do

(A) A mãe é certamente daltônica. DNA do milho original.
(E) da tradução do RNA mensageiro sintetizado a

(B) A menina é homozigota para ambos os genes.

partir do DNA recombinante.

(C) A miopia é condicionada por um gene dominante.

(D) Todos os filhos do sexo masculino desse homem 32. Um instituto de pesquisa norte-americano divulgou

recentemente ter criado uma “célula sintética”, uma

serão daltônicos.
bactéria chamada de Mycoplasma mycoides. Os pes-
(E) Essa menina poderá ter filhos de sexo masculino
quisadores montaram uma sequência de nucleotíde-

não daltônicos.
os, que formam o único cromossomo dessa bactéria,
29. Filha de um hemofílico, uma advogada holandesa o qual foi introduzido em outra espécie de bactéria,

temia transmitir essa condição a seus descendentes. a Mycoplasma capricolum. Após a introdução, o cro-
Distúrbio que dificulta a coagulação do sangue, a he- mossomo da M. capricolum foi neutralizado e o cro-
mofilia é causada por uma mutação de um gene em mossomo artificial da M. mycoides começou a geren-
um dos cromossomos que determinam o sexo. (...) ciar a célula, produzindo suas proteínas.
Impressionada com o sofrimento que essa condição GILBSON et al. Creation of a Bacterial Cell Controlled by a
sempre causou a seu pai, a advogada, ao ficar grávi- Chemically synthesized Genome. Science v. 329, 2010 (adaptado).
da, resolveu fazer teste genético pré-natal para saber
se seu filho seria hemofílico. A importância dessa inovação tecnológica para a co-

munidade científica se deve à
(“A ciência das escolhas difíceis” – VEJA, 7 de setembro, 2011)
(A) possibilidade de sequenciar os genomas de bac-
As chances de essa mulher transmitir o gene da hemo-

térias para serem usados como receptoras de cro-

filia para um descendente e de esse descendente, que mossomos artificiais.
apresenta o gene da hemofilia, sendo do sexo masculi- (B) capacidade de criação, pela ciência, de novas for-
no, apresentar a doença são, respectivamente, de

mas de vida, utilizando substâncias como carboi-
(A) 100% e 50%. (D) 100% e 100%. dratos e lipídios.


(B) 50% e 50%. (E) 25% e 75%. (C) possibilidade de produção em massa da bactéria

Mycoplasma capricolum para sua distribuição em


(C) 50% e 100%. ambientes naturais.

30. O daltonismo é uma condição genética que impede (D) possibilidade de programar geneticamente mi-

crorganismos ou seres mais complexos para pro-

a distinção de certas cores. No daltonismo do tipo II,
a pessoa vê o “vermelho” como se fosse “verde” e, duzir medicamentos, vacinas e biocombustíveis.
neste caso, a doença herdada é ligada ao cromosso- (E) capacidade da bactéria Mycoplasma capricolum

mo X. Considerando que o alelo para o daltonismo de expressar suas proteínas na bactéria sintética
comporta-se como recessivo, é correto afirmar que e estas serem usadas na indústria.

[Link] | Produção: [Link] 117


Biologia

33. Um novo método para produzir insulina artificial que I. Retirou-se um óvulo da vaca Z. O núcleo foi des-


utiliza tecnologia de DNA recombinante foi desenvol- prezado, obtendo-se um óvulo anucleado.
vido por pesquisadores do Departamento de Biologia II. Retirou-se uma célula da glândula mamária da
Celular da Universidade de Brasília (UnB) em parceria


vaca W. O núcleo foi isolado e conservado, des-
com a iniciativa privada. Os pesquisadores modificaram prezando-se o resto da célula.
geneticamente a bactéria Escherichia coli para torná-
III. O núcleo da célula da glândula mamária foi intro-
-la capaz de sintetizar o hormônio. O processo permitiu


duzido no óvulo anucleado. A célula reconstituída
fabricar insulina em maior quantidade e em apenas 30
foi estimulada para entrar em divisão.
dias, um terço do tempo necessário para obtê-la pelo
método tradicional, que consiste na extração do hor- IV. Após algumas divisões, o embrião foi implantado


mônio a partir do pâncreas de animais abatidos. no útero de uma terceira vaca Y, mãe de aluguel.
Ciência Hoje, 24 abr. 2001.
O embrião se desenvolveu e deu origem ao clone.
Disponível em: [Link] (adaptado).
Considerando-se que os animais Z, W e Y não têm pa-


A produção de insulina pela técnica do DNA recombi- rentesco, pode-se afirmar que o animal resultante da
clonagem tem as características genéticas nucleares

nante tem, como consequência,
provenientes da vaca.
(A) o aperfeiçoamento do processo de extração de
(A) Z, apenas (D) Z e da W, apenas

insulina a partir do pâncreas suíno.



(B) a seleção de microrganismos resistentes a antibi- (B) W, apenas (E) Z, W e Y




óticos. (C) Y, apenas


(C) o progresso na técnica da síntese química de hor- 36. A sequência a seguir indica de maneira simplificada

mônios.
os passos seguidos por um grupo de cientistas para a
(D) impacto favorável na saúde de indivíduos diabéticos. clonagem de uma vaca:

(E) a criação de animais transgênicos. I. Retirou-se um óvulo da vaca Z. O núcleo foi des-


prezado, obtendo-se um óvulo anucleado.
34. A Embrapa possui uma linhagem de soja transgêni- II. Retirou-se uma célula da glândula mamária da

ca resistente ao herbicida IMAZAPIR. A planta está

vaca W. O núcleo foi isolado e conservado, des-
passando por testes de segurança nutricional e am- prezando-se o resto da célula.
biental, processo que exige cerca de três anos. Uma III. O núcleo da célula da glândula mamária foi intro-
linhagem de soja transgênica requer a produção ini-

duzido no óvulo anucleado. A célula reconstituída
cial de 200 plantas resistentes ao herbicida e destas foi estimulada para entrar em divisão.
são selecionadas as dez mais “estáveis”, com maior
IV. Após algumas divisões, o embrião foi implantado
capacidade de gerar descendentes também resisten-

no útero de uma terceira vaca Y, mãe de aluguel.
tes. Esses descendentes são submetidos a doses de
O embrião se desenvolveu e deu origem ao clone.
herbicida três vezes superiores às aplicadas nas lavou-
ras convencionais. Em seguida, as cinco melhores são Se a vaca Y, utilizada como “mãe de aluguel”, for a
separadas e apenas uma delas é levada a testes de se-

mãe biológica da vaca W, a porcentagem de genes do
gurança. Os riscos ambientais da soja transgênica são núcleo da “mãe de aluguel” presente no clone será
pequenos, já que ela não tem possibilidade de cruza-
mento com outras plantas e o perigo de polinização (A) 0 %    (C) 50 %    (E) 100 %



cruzada com outro tipo de soja é de apenas 1%. (B) 25 %    (D) 75 %


A soja transgênica, segundo o texto, apresenta baixo

risco ambiental porque
(A) a resistência ao herbicida não é estável e assim

não passa para as plantas-filhas.
(B) as doses de herbicida aplicadas nas plantas são 3

vezes superiores às usuais.
(C) a capacidade da linhagem de cruzar com espécies 1. B 10. B 19. A 28. B





selvagens é quase inexistente. 2. D 11. B 20. B 29. C




(D) a linhagem passou por testes nutricionais e após 3. D 12. C 21. A 30. C

três anos foi aprovada.




4. B 13. C 22. D 31. E
(E) a linhagem obtida foi testada rigorosamente em




5. D 14. C 23. B 32. D

relação a sua segurança.




6. A 15. A 24. D 33. D




35. A sequência a seguir indica de maneira simplificada 7. A 16. E 25. B 34. C





os passos seguidos por um grupo de cientistas para a 8. C 17. D 26. C 35. B
clonagem de uma vaca:




9. B 18. B 27. C 36. C




118 [Link] | Produção: [Link]
ORIGEM DA VIDA
Átomos Organelas celulares te constitui um sistema. Os sistemas de órgãos, em seu con-
junto, compõem o nível do organismo individual.
Moléculas
A hierarquia da organização biológica não para por aí:
Células o conjunto de indivíduos constitui uma população e. avan-
çando ainda mais, encontra-se a comunidade, o ecossiste-
ma e, enfim, a mais alta das hierarquias biológicas, a que
reúne todos os ecossistemas da Terra: a biosfera.
Órgãos
Uma das grandes indagações humanas, antiga, mas
ainda presente em nossas mentes é: a vida se limita à
biosfera, ou existe vida fora do planeta Terra? Quem sabe
Tecidos
a busca por vida em outros planetas nos leve a ter de
Sistemas Comunidades acrescentar um novo nível a essa hierarquia biológica.
biológicas
Como Surgem os Seres Vivos?
Ecossistemas
A ideia de que seres vivos podiam surgir por outros
mecanismos além da reprodução foi muito difundida na

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


antiguidade e ficou conhecida por teoria da geração es-
pontânea ou teoria da abiogênese. Essa teoria admitia,
Organismos por exemplo, que cobras, rãs e crocodilos podiam se for-
mar a partir da lama de lagos e rios, e que gansos podiam
Populações Biosfera surgir pela transformação de crustáceos marinhos. A abio-
gênese resume-se no surgimento de seres vivos a partir de
matéria bruta na presença de uma força vital, um princípio
imaterial (princípio ativo) que acreditavam ser indispensá-
vel ao surgimento de vida.
A geração espontânea foi aceita, entre outros, pelo fi-
lósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.). A grande influência
do pensamento aristotélico sobre a cultura ocidental fez
com que filósofos e cientistas ilustres do Renascimento,
Níveis de organização da vida. De cima para baixo, as setas indicam os como o francês René Descartes (1596-1650) e o inglês
diferentes níveis de organização, do molecular ao planetário. Isaac Newton (1642-1727), adotassem a abiogênese para
Ao estudar a vida, podemos distinguir diversos níveis explicar a origem de certos organismos. lan Baptista van
hierárquicos de organização biológica, que vão do sub- Helmont (1577-1644), célebre médico de Bruxelas e pes-
quisador da fisiologia das plantas, chegou mesmo a elabo-
microscópico ao planetário. Começando do plano submi-
rar uma “receita” para produzir ratos por geração espon-
croscópico, vemos que a matéria viva é constituída de áto-
tânea. Dizia ele: “... colocam-se, num canto sossegado e
mos, que reúnem quimicamente, formando as moléculas.
pouco iluminado, camisas sujas. Sobre elas espalham-se
Subindo a hierarquia da organização biológica, vemos grãos de trigo e o resultado será que, em vinte e um dias,
que as moléculas orgânicas estão organizadas de modo a surgirão ratos...”. Sua crença na geração espontânea era
formar diversos tipos de organelas celulares que se inte- tão grande que ele nem considerava a possibilidade de os
gram na constituição das células. As células são considera- ratos serem atraídos pelas condições favoráveis (abrigo e
das as unidades básicas da vida e, com exceção dos vírus, alimento) e não produzidos espontaneamente.
todos os seres vivos são constituídos de células. A crença na abiogênese não resistiu, porém, à expan-
Do nível celular, passamos ao nível seguinte, os tecidos, são do conhecimento científico e aos testes rigorosos
os quais se organizam formando os órgãos, unidades anatô- realizados por Redi, Spallanzani e Pasteur, entre outros.
micas e funcionais dos seres multicelulares complexos. Estes, Esses pesquisadores forneceram evidências e, no caso do
por sua vez, não trabalham sozinhos; eles funcionam integra- experimento de Pasteur, irrefutáveis, de que seres vivos
dos a outros para o desempenho de determinadas funções surgem somente pela reprodução de seres de sua própria
corporais. Um conjunto de órgãos integrados funcionalmen- espécie, teoria que ficou conhecida como biogênese.

[Link] | Produção: [Link] 119


Biologia

A
C
3 4
1 2

Barnacles

Alguns viam semelhança entre os barnacles


(Branta leucopsis), crustáceos marinhos, e A Biologia moderna tem como premissa básica a
os gansos, o que levou à crença de que estes
podiam surgir por transformação dos barnacles. ideia de que um ser vivo pode originar-se apenas
pela reprodução de seres semelhantes.
Exemplos que
B Acreditava-se ilustram a teoria da
que sapos, cobras
e crocodilos geração espontânea,
podiam surgir para que perdurou até o
transformação do
lodo dos charcos. século XIX, segundo
1 3
2 o qual os seres
vivos podiam surgir
espontaneamente de
matéria não viva.

Francesco Redi depositados por moscas na carne e não por geração


espontânea.
Um dos primeiros experimentos científicos sobre a
origem de seres vivos foi realizado pelo médico italia- Redi testou essa hipótese por meio do seguinte ex-
no Francesco Redi (1626-1697) em meados do sécu- perimento: colocou cadáveres de animais em frascos
lo XVII. Uma crença bastante difundida na época era de boca larga, vedou alguns deles com uma gaze muito
que os seres vermiformes que surgem nos cadáveres fina e deixou outros abertos. Nestes últimos, em que
de pessoas e animais originavam-se pela transfor- as moscas entravam e saíam livremente, logo surgiram
mação espontânea da carne em putrefação. Redi foi “vermes”. Nos frascos tampados com a gaze, que impe-
contra essa crença e formulou a hipótese de que tais dia a entrada das moscas, não apareceu nenhum ver-
“vermes” eram estágios imaturos do ciclo de vida de me, mesmo depois de passados muitos dias. A previsão
moscas. Ele acreditava que os vermes nasciam de ovos feita a partir da hipótese confirmou-se e ela foi aceita.

B
A) Esquema do experimento de Redi, que descartou
a hipótese da geração espontânea dos “vermes”
da carne em putrefação. No frasco à esquerda,
tampado com gaze, não surgiram “vermes” (larvas).
No frasco à direita, onde as moscas puderam entrar,
os vermes surgiram e se alimentavam da carne.
B) Trecho, em grego, do poema Ilíada, do qual
Redi tirou a ideia para seu experimento.

120 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Needham versus Spallanzani vital não existia. Em experimentos criativos, Pasteur de-
A hipótese da geração espontânea, entretanto, não esta- monstrou definitivamente que os microrganismos surgem
va derrotada. Em 1745, o pesquisador inglês John Needham em caldos nutritivos pela contaminação por germes vin-
(1713-1781) colocou caldos nutritivos em diversos frascos, dos do ambiente externo.
ferveu-os por 30 minutos e, imediatamente, vedou-os com A teoria da geração espontânea foi definitivamen-
rolhas de cortiça. Depois de alguns dias, os caldos estavam te invalidada no século XIX com os trabalhos de Louis
repletos de seres microscópicos. Assumindo que a fervura Pasteur, que realizou experimentos semelhantes aos de
eliminara todos os seres eventualmente existentes no caldo Spallanzani. Em lugar de vedar os frascos, esticou seus gar-
original e que nenhum ser vivo poderia ter penetrado atra- galos, transformando-os em tubos recurvados. O ar podia
vés das rolhas, Needham argumentou que só havia uma ex- penetrar nos frascos, mas os microrganismos ficavam reti-
plicação para a presença de micro-organismos nos frascos: dos na curva do gargalo.
eles haviam surgido por geração espontânea.
O padre e pesquisador italiano Lazzaro Spallanzani (1729- Experimento
1799), um ardente defensor da biogênese, refez os experi- Pergunta: Pasteur perguntou: “A vida se origina
mentos de Needham. Ele preparou oito frascos com caldos espontaneamente ou vem apenas da vida pré-existente?”
nutritivos, vedou quatro deles com rolhas de cortiça, como
MÉTODO
fizera Needham, e derreteu no fogo os gargalos dos outros
quatro, vedando-os hermeticamente. Em seguida, ferveu os Experimento 1 Experimento 2
frascos durante longo tempo. Enquanto nos frascos arrolha- A fervura mata os micror-
dos com cortiça desenvolveram-se microrganismos, eles não ganismos que cresciam no
meio de cultura.
apareceram nos frascos vedados hermeticamente, mesmo
depois de muitos dias. Spallanzani concluiu que o tempo de
fervura e a vedação utilizada por Needham não tinham sido
capazes de impedir a contaminação do caldo.

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


Needham defendeu-se com o argumento de que a fer-
vura prolongada realizada por Spallanzani havia destruído a
força vital do caldo, um princípio imaterial (princípio ativo)
Uma longa cânula em forma
que ele acreditava ser indispensável ao surgimento de vida. de “pescoço-de-cisne” era
Em resposta, Spallanzani quebrou os gargalos de vidros Poeira mantida aberta, mas bloquea-
fundidos de alguns dos frascos, que ainda se mantinham va as partículas que portavam
os microrganismos vivos.
estéreis, expondo seu conteúdo ao ar. Em pouco tempo
surgiram microrganismos, mostrando que o caldo não havia
perdido sua “força vital” pela fervura prolongada.
Needham, entretanto, contra-argumentou dizendo
que o princípio ativo, deteriorado pelo longo tempo de Poeira
fervura, havia se restabelecido com a entrada de ar fresco;
com isso, os microrganismos puderam surgir espontane- Se a cânula é quebrada...
amente. A controvérsia não chegou a ser resolvida, pois
Spallanzani não conseguiu elaborar um experimento que RESULTADOS
descartasse essa possibilidade. ... as partículas de pó e os mi-
crorganismos vivos entram no
Louis Pasteur: Experimento do frasco e crescem rapidamente
no meio de cultura rico em
“Pescoço de Cisne” nutrientes.

Pintura de Robert
Thom (1915-1979)
representando Louis
Crescimento Nenhum
Pasteur analisando microbiano cresrimento
frascos com gargalos microbiano
recurvados e frascos
com gargalos quebrados,
utilizados em seus Conclusão: Toda vida vem de vida pré-existente.
experimentos que
invalidaram a teoria da Experimentos refutaram a geração espontânea da vida.
geração espontânea. Os experimentos clássicos de Louis Pasteur mostraram que, sob as
circunstâncias atuais, uma solução realmente estéril permanece sem
O gênio do cientista francês Louis Pasteur (1822-1895), organismos vivos indefinidamente. Apenas após ser “contaminada” por
porém, entraria em cena para mostrar que a suposta força organismos vivos, a “vida” surge nos frascos.

[Link] | Produção: [Link] 121


Pasteur conseguiu comprovar que os microrganismos Atualmente, para muitos cristãos e judeus, os sete
presentes no ar estavam grudados na curvatura do gargalo dias da criação do mundo, de que fala a Bíblia, não de-
tornando um dos frascos livre de microrganismos, prepa- vem ser entendidos literalmente e representam apenas
rado havia meses, e inclinando-o fazendo o caldo atingir a uma forma metafórica e alegórica de explicar a criação do
parte recurvada do gargalo. Através do frasco deixado em Universo. Mas, mesmo assim, algumas correntes cristãs
repouso, em poucos dias, pode observar o desenvolvimen- defendem a leitura literal da Bíblia e, motivadas por este
to de microrganismos. Graças a Pasteur, ficou comprovado relato de criação e outros trechos da bíblia, rejeitam a ida-
que é preciso vida para produzir vida, instalando, assim, a de do universo e da Terra estipulada pela ciência moderna
biogênese e dando o golpe mortal na geração espontânea. e defendem que o universo surgiu em apenas seis dias.
Este movimento é chamado de criacionismo cristão e se
Se um Ser Vivo só Vem de Outro apresenta de diversas formas, variando desde o criacio-
Pré-Existente, Como Surgiu o Primeiro? nismo da Terra plana, que defende um modelo de Terra
plana, até a aceitação das teorias científicas modernas
Criacionismo sem conflito com a leitura da Bíblia.
A história da criação encontrada nos dois primeiros ca-
pítulos do livro de Gênesis descreve um começo sobrena- Panspermia
tural para a Terra e a vida. Segundo a panspermia, a vida na Terra teve origem
O capítulo “No princípio” descreve a criação do mundo a partir de seres vivos ou de substâncias precursoras da
por Deus através da fala divina culminando com a criação da vida provenientes de outros locais do cosmo. Essas ideias
humanidade à imagem de Deus e a designação do sétimo dia surgiram no século XIX e no princípio do século XX, tendo
como Sabbath, um dia de descanso ordenado por Deus. É no entre seus primeiros defensores o físico irlandês William
sexto dia da semana da criação que Deus manda a terra pro- Thomson (Lord Kelvin) (1824-1907) e o químico sueco
duzir criaturas vivas por meio do comando: “Produza a terra Svante August Arrhenius (1859-1927). Atualmente, a teo-
seres viventes segundo as suas espécies: animais domésti- ria da panspermia voltou a ganhar força com a descoberta
cos, animais pequenos e animais selvagens, segundo as suas de que o espaço interestelar não é um ambiente tão hostil
espécies”. E assim se fez. Deus, então, disse: “Façamos o ho- à vida como se pensava anteriormente. Com a descoberta
mem à nossa imagem, segundo nossa semelhança, para que da presença de substâncias orgânicas oriundas de outros
domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais locais do espaço, como o formaldeído, álcool etílico e al-
domésticos, todos os animais selvagens e todos os animais guns aminoácidos e ainda a descoberta de um meteorito
que se movem pelo chão.” Assim, Deus criou o ser humano à na Antártica, na década de 1980, contendo um possível
sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele fóssil de bactéria também reforça a panspermia.
os criou. E enfim um último comando: “Frutificai, multiplicai- Para muitos, aceitá-la apenas responderia sobre o
-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do surgimento da vida na Terra tornando, ainda, obscura a
mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se resposta acerca de como ela se formou, realmente. Além
arrastam sobre a terra.” disso, muitos cientistas argumentam sobre a possibilidade
No capítulo “O ser humano”, Deus cria primeiro o ho- quase negativa de seres extraterrestres atravessarem os
mem, na figura de Adão e, depois, a mulher, Eva, que é criada raios cósmicos e ultravioletas sem serem lesados.
a partir de uma costela de Adão, de acordo com o trecho que
diz “Então o Senhor Deus fez vir sobre o homem um profun-
do sono, e ele adormeceu. Tirou-lhe uma das costelas e fe- ALH84001,0
chou o lugar com carne. Depois da costela tirada do homem,
o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem.”
Termina com uma afirmação referente ao casamento entre o
homem e a mulher: “Por isso deixará o homem o pai e a mãe
e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.”

Meteorito marciano ALH84001 mostra formações microscópicas


que podem ter sido criados pela vida.

Teoria da Evolução Química


No final do século XIX, vários cientistas passaram a
considerar a possibilidade de os primeiros seres vivos da
Terra terem evoluído de certos compostos orgânicos, em
A Criação de Adão, de Michelangelo. condições muito especiais.

122
Biologia

No início do século XX, o bioquímico russo Aleksander Terra. No início, a água deve ter formado uma camada es-
Ivanovich Oparin (1894-1980) e o biólogo inglês John pessa de vapor, cuja condensação produzia chuva, que, ao
Burdon S. Haldane (1892-1964) propuseram, indepen- atingir a superfície quente, era novamente transformada
dentemente um do outro, uma hipótese sobre a origem em vapor. Com o resfriamento da crosta, as águas das chu-
da vida por evolução química, em que o passo inicial teria vas puderam ser acumuladas em depressões de sua su-
sido a formação de moléculas orgânicas a partir de com- perfície, formando os oceanos primitivos. Outro fator fun-
postos simples de carbono. Essas moléculas teriam se tor- damental para a origem da vida foi a presença de carbono,
nado mais complexas, agregando-se em unidades organi- hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, elementos que entram
zadas que teriam evoluído para as primeiras células. na composição dos seres vivos. Acredita-se que tais ele-
Portanto, a vida teria se originado de uma sequência mentos deveriam estar presentes na atmosfera primitiva,
evolutiva das substâncias inorgânicas às orgânicas, destas constituída principalmente de moléculas de metano (CH4),
às macromoléculas, daí aos agregados moleculares e, fi- amônia (NH3), água (H2O) e hidrogênio (H2).
nalmente, às primeiras formas celulares. Além desses fatores, outra condição indispensável foi
O esquema a seguir representa a sequência hipotética um suprimento de energia que permitiu a ocorrência de
da evolução química, segundo Oparin e Haldane. reações químicas capazes de levar à formação de molécu-
las orgânicas complexas. Esse suprimento existiria na for-
ma de raios ultravioleta, calor do Sol, radiações cósmicas,
descargas elétricas, entre outros.
Assim, o início da existência de nosso planeta foi bas-
Oparin propôs um modelo de pré-célula, constituído tante turbulento. A temperatura atingiu níveis altíssimos,
por um agregado de moléculas orgânicas, circundado por a ponto de fundir as rochas na superfície terrestre. Além
moléculas de água. Tais agregados foram denominados disso, o jovem planeta Terra era continuamente bombar-
coacervados. deado por asteroides vindos do espaço sideral. Estes se
Coacervados são aglomerados de proteínas que se for- chocavam com a superfície terrestre em eventos catastró-

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


mam espontaneamente em soluções aquosas com certo ficos, contribuindo para o aumento da temperatura e da
grau de acidez e de salinidade. No processo de formação massa do planeta.
de um coacervado, moléculas de proteína se agrupam em A B C
glóbulos microscópicos, ao redor dos quais se organiza uma
película de moléculas de água, que passa a separar o conte-
údo do coacervado do ambiente ao redor. Recentemente,
pesquisadores dissolveram em água material orgânico ex-
traído de meteoritos e obtiveram coacervados.
A

Representação artística de mudanças do ambiente da Terra primitiva


que, gradualmente, criaram condições para o surgimento da vida.

Os cientistas estimam que cerca de 1018 toneladas de


B matéria foram agregadas à Terra em formação durante essas
monumentais colisões. Considerando que a massa da Terra
Proteínas é de 5,977 x 1021 toneladas, conclui-se que parte substancial
de seus componentes originou-se de asteroides e meteoritos
Membrana do coacervado provenientes do espaço. Descobertas recentes mostraram
formada por moléculas
de água
que a maior parte da água e do elemento carbono (C) exis-
tentes em nosso planeta chegou com os asteroides que se
incorporaram ao planeta durante sua formação. Há indícios,
A) Fotografia, ao microscópio de luz, de coacervados obtidos pela
também, de que a intensidade dos choques com asteroides
dissolução em água de moléculas orgânicas extraídas de um meteorito.
B) O esquema representa a película de moléculas de água que diminuiu drasticamente entre 4,2 e 3,8 bilhões de anos atrás.
envolve os coacervados. A água trazida pelos corpos celestes evaporava em de-
Um fator importante para o desenvolvimento da vida corrência do impacto e se acumulava como vapor na at-
foi o acúmulo de água na fase líquida na superfície da mosfera da Terra em formação. Ao atingir as camadas supe-

[Link] | Produção: [Link] 123


riores e frias da atmosfera, o vapor d’água se condensava, A partir de determinado momento, a superfície da
formando nuvens carregadas e precipitando-se em forma Terra já havia esfriado o suficiente para que água líquida
de chuva. Devido às altíssimas temperaturas da superfície se acumulasse nas regiões mais baixas da crosta, forman-
terrestre, a água voltava a se evaporar e o processo se repe- do imensas áreas alagadas, precursoras dos oceanos. Foi
tia. Acredita-se que, na Terra de pouco mais de 500 milhões em um cenário como esse que devem ter surgido os pri-
de anos de idade, tempestades torrenciais caíram sem in- meiros seres vivos, dos quais descendem todas as formas
tervalos, durante dezenas de milhões de anos. de vida presentes e passadas.

Hipótese da evolução gradual dos sistemas químicos

Sol

Calor
Moléculas A chuva arras- Formação
Gases da atmosfera Esses gases sofrem orgânicas ta essas mo- de moléculas
primitiva influência de fortes simples na léculas para a orgânicas
descargas elétricas atmosfera. Mares quentes.
superfície da complexas.
e de raios ultravio- Terra.
leta, formando mo-
léculas orgânicas.

Alteração de acidez Inúmeras reações


do meio propicia a químicas ocorrem,
formação de aglo- sendo algumas
merados proteicos altamente vantajosas,
isolados do meio pois originam
(coacervados). sistemas químicos
capazes de repro-
dução: os primeiros
seres vivos.

Um passo crucial na origem dos seres vivos foi a aqui- Qual a importância da descoberta das ribozimas para
sição da capacidade de se reproduzir, ou seja, de originar as pesquisas sobre origem da vida? O fato de o RNA po-
novos seres com características semelhantes. Na reprodu- der se duplicar e controlar reações químicas vitais sugere
ção biológica, instruções para o funcionamento das célu- que esse ácido nucleico poderia estar presente no início
las, as informações genéticas, têm de ser transmitidas à da vida. Alguns cientistas têm utilizado a expressão “mun-
descendência. Na quase totalidade dos seres vivos atuais, do do RNA” para se referir a esse hipotético período que
as informações genéticas estão escritas em um código quí- precedeu o aparecimento da vida na Terra.
mico especial, o código genético, nas moléculas filamen- Os defensores da ideia do “mundo do RNA” acreditam
tosas de DNA. que foi nessa etapa da história da vida que a seleção na-
Há algumas décadas, surgiu a ideia de que uma ou- tural passou a atuar. Ao se multiplicarem, moléculas de
tra substância dos seres vivos, o RNA, poderia ter sido o RNA produziam versões ligeiramente diferentes entre si;
material genético primordial. Testes laboratoriais deram algumas delas tinham maior capacidade de se perpetuar
sustentação a essa hipótese ao mostrar que moléculas de e de se reproduzir, transmitindo essas capacidades à des-
RNA podem ser produzidas em condições abióticas e que cendência. Acredita-se que esse foi o primeiro passo em
têm capacidade de se multiplicar, originando moléculas direção ao desenvolvimento de um “sistema genético”,
semelhantes. Na década de 1980, o bioquímico norte- que pode ter surgido antes mesmo do aparecimento de
-americano Thomas R. Cech e seus colaboradores desco- sistemas isolados por membranas (como coacervados ou
microsferas).
briram que moléculas de RNA podem atuar diretamente
no controle de reações químicas. Diversos tipos de rea- Os cientistas agora se empenham em explicar o passo
ções importantes que ocorrem nas células, como a união seguinte na trajetória da vida: a passagem do “mundo do
dos aminoácidos na produção das proteínas, são direta- RNA” para um “mundo de DNA e proteínas”, como é o dos
mente controladas por moléculas de RNA denominadas seres vivos atuais.
ribozimas. Por essas descobertas, Cech recebeu o prêmio Pelo menos a confirmação que é possível que molécu-
Nobel de Química em 1989. las orgânicas podem se formar espontaneamente, a partir

124
Biologia

de reações químicas, como sugere a teoria da evolução Os aminoácidos e outras moléculas orgânicas forma-
química, já existe. Experimentos realizados em laboratório das na Terra primitiva teriam se reunido, constituindo
demonstraram este fato. macromoléculas. Assim, teriam surgido substâncias mais
Um deles foi realizado, na década de 1950, pelos complexas, como as proteínas, que constituem o material
químicos norte-americanos Stanley Miller (1930-2007) básico para a estrutura e a fisiologia dos seres vivos. Além
e Harold Urey (1893-1981), da Universidade de Chicago disso, o surgimento do material genético e da capacidade
(EUA), que construíram um aparelho em cujo interior cir- de reprodução também foram eventos essenciais para a
culavam metano, amônia, vapor de água e hidrogênio, e origem dos seres vivos.
no qual eram simuladas as condições existentes em nosso
planeta há bilhões de anos. Deixando o aparelho funcio-
Comparação Entre: Criacionismo, Panspermia
nar por alguns dias, sob a ação de descargas elétricas, os e Teoria da Evolução Química
cientistas analisaram a água e nela encontraram compos- A Panspermia e a Teoria da evolução química não são
tos orgânicos, tais como aminoácidos, bases nitrogenadas antagônicas. Pelo contrário, os defensores da moderna
purinas e pirimidinas, ácidos orgânicos e ureia. panspermia admitem que, onde quer que a vida tenha
surgido, o processo deve ter ocorrido por evolução mole-
Experimento
cular. Todos concordam, também, que algumas condições
Pergunta: Compostos orgânicos podem ser gerados são fundamentais ao surgimento da vida: água em estado
sob condições semelhantes àquelas da Terra primitiva? líquido, moléculas orgânicas e fonte de energia para as re-
ações químicas. A diferença, portanto é que os defensores
MÉTODO
Uma solução da origem terrestre da vida argumentam que tais condições
química simples é estavam presentes na Terra primitiva e que, portanto, não é
aquecida, produzin-
do uma “atmos- necessário recorrer à possibilidade de viagens interplanetá-
fera redutora” de rias de seres ancestrais para explicar nossas origens.
metano, amônia, Choques elétri- H2O
Em ambas as teorias são delineadas a ideia de que a

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


hidrogênio e vapor cos, simulando
d´água. N2 CH4
raios, fornecem Terra tem, aproximadamente, quatro bilhões de anos, que
energia para a
CO2 os organismos que vivem hoje evoluíram a partir de an-
síntese de novos NH3 H2
compostos. compartimento cestrais unicelulares e que muitos organismos, dramatica-
“atmosférico”
mente diferentes daqueles que vemos hoje, viveram na
Um condensador esfria os
gases “atmosféricos” sob Água Terra em um passado remoto. Para rejeitar essa visão da
forma de uma “chuva” fria história da Terra, uma pessoa deve rejeitar não somente a
contendo novos compos-
tos, que se precipitam
biologia evolucionária, mas também os modernos conhe-
sobre o “oceano”. cimentos da geologia, astronomia, química e física. Toda
Condensação essa ampla evidência científica é rejeitada ou interpretada
erroneamente por proponentes da “ciência da criação”
A condensação em favor de seus credos religiosos.
compartimento é recolhida e
“oceânico”
analisada. As evidências reunidas por meio de procedimentos cien-
tíficos não diminuem o valor das explicações religiosas para
a criação. Os credos religiosos são baseados na fé - não em
hipóteses que podem ser falsas, como é a ciência. Servem
Calor
a uma proposta diferente, dando significado e orientação
espiritual aos seres humanos. Formam a base para o esta-
RESULTADOS
belecimento de valores – algo que a ciência não pode fazer.
Os compostos orgânicos re-
agem em água, formando,
eventualmente, purinas,
pirimidinas e aminoácidos.
Como Sabemos que a Terra é Antiga?
É difícil estimar a idade das rochas de um tipo particu-
Conclusão: Os blocos orgânicos construtores da vida lar porque elas poderiam ter sido formadas em qualquer
são gerados na atmosfera provável da Terra primitiva.
momento na história da Terra. É mais fácil determinar a
idade das rochas em comparação umas com as outras. O
Ficou assim comprovada a possibilidade de formação primeiro a reconhecer isso foi o médico Nicolaus Steno,
de moléculas orgânicas, sem a participação direta de um no século XVII. Steno observou que, numa sequência
ser vivo, a partir dos elementos químicos e das condi- não obliterada de rocha sedimentar, o estrato mais anti-
ções específicas que supostamente estavam presentes go está localizado na base, enquanto os mais jovens são
na Terra primitiva. progressivamente mais altos.

[Link] | Produção: [Link] 125


Cada radioisótopo tem uma meia-vida característica.
Qual radioisótopo será utilizado para estimar a idade de
um material antigo depende de quão velho é o material
a ser analisado. O tritium (3H) tem uma meia-vida de
12,3 anos, enquanto o carbono-14 (14C) tem uma meia-
-vida de 5.700 anos. A meia-vida do potássio-40 (40K) é de
1,3 bilhão de anos; a transformação de potássio-40 em ar-
gônio-40 tem sido utilizada para datar a maioria dos even-
tos antigos da evolução da vida.
Para usar um isótopo radioativo na datação de eventos
do passado, é preciso conhecer ou estimar a concentra-
ção do isótopo na época em que tal evento aconteceu. No
caso do carbono, sabemos que a produção de um novo
átomo de 14C na atmosfera superior (pela reação de nêu-
trons com 14N) compensa a perda natural de radioativida-
de de 14C. Assim, a proporção de 14C e seu isótopo estável
12
C mantém-se num equilíbrio mais ou menos estável nos
Rochas jovens residem sobre rochas velhas. As rochas mais antigas organismos vivos e no seu ambiente.
embaixo na foto do North Rim, Grand Canyon, foram formadas há
540 milhões de anos. As rochas mais jovens no topo da foto têm cerca Entretanto, tão logo o organismo morre, ele cessa de
de 500 milhões de anos. trocar componentes de carbono com o resto do mundo.
Se o carbono-14 decai e não é reposto, logo a proporção
Posteriormente, geólogos combinaram as suposi-
entre 14C e 12C decresce. A proporção entre 14C e 12C em
ções de Steno com observações de fósseis – remanes-
fósseis com menos de 50 mil anos pode ser usada para
centes de organismos antigos – contidos nas rochas.
datá-los com um certo grau de confiança (assim como as
Descobriram que os fósseis encontrados em estratos
rochas sedimentares que os contêm).
mais recentes da rocha eram mais parecidos com os
organismos atuais do que aqueles encontrados em Datar as rochas com mais de 50 mil anos requer a esti-
estratos mais antigos. Com essa informação, pude- mativa da concentração de isótopos existentes em rochas
ram inferir sobre a idade das rochas sedimentares e vulcânicas (mas não em rochas sedimentares). Para datar
sobre os padrões de evolução da vida. Mas ainda não as rochas sedimentares, os geólogos buscaram locais onde
podiam determinar quão antigas eram as rochas. Um cinzas vulcânicas ou lava tenham se introduzido em leitos
método preciso para estimar a idade das rochas não de rochas sedimentares. A datação radiométrica, junto
foi desenvolvido até o surgimento da tecnologia de da- com as observações dos fósseis, é o método mais eficiente
tação radioativa por volta do século XX. de determinar a idade das rochas.
Os isótopos radioativos decaem de forma regular Mas existem locais onde não existem intrusões vulcâ-
em sucessivos períodos de tempo. Durante cada um nicas e poucos fósseis são encontrados. Nessas áreas ou-
desses intervalos de tempo, uma fração do material tros métodos de datação podem ser utilizados. Um deles
permanece radioativa enquanto uma fração igual de- é baseado no fato de que os polos magnéticos da Terra
cai, transformando-se em outro elemento ou em um se movem e, ocasionalmente, revertem. Devido ao fato
isótopo estável do mesmo elemento. Por exemplo, em de que tanto as rochas sedimentares quanto as ígneas
14,3 dias metade de uma quantidade qualquer de fós- preservam registros dos campos magnéticos do tempo
foro-32 (32P) decai para seu isótopo estável fósforo-31 em que foram formadas, o paleomagnetismo auxilia na
(31P). Durante os próximos 14,3 dias, metade da quanti- determinação da idade dessas rochas. Outra “máquina
dade remanescente decairá, restando apenas um quarto do tempo”, que será descrita posteriormente, inclui a
da quantidade original de 32P. O intervalo de tempo que deriva continental, as trocas nos níveis dos mares e o re-
um isótopo leva para reduzir sua radioatividade à meta- lógio molecular.
de é chamado de meia-vida. Após 42,9 dias, três meias- Usando esses métodos, os geólogos têm dividido a his-
-vidas de 32P têm-se passado, restando apenas um oitavo tória da Terra em eras, as quais por sua vez são subdividi-
(½ X ½ X ½) da quantidade original do isótopo. das em períodos.

126
Biologia

tivo História geológica da Terra


o rela
Temp a vida
d Era      Período      Início Modificações físicas maiores na terra Maiores eventos na história da vida
Quaternário 1,8 ma Clima frio e seco; glaciações repetidas Evolução do homem; extinção dos grandes mamíferos
Cenozoica
Radiação das aves, mamíferos, plantas superiores e insetos
Terciário 65 ma Continentes em posições semelhantes às atuais; clima ameno
Cretáceo 114 ma Continentes do norte ligados; começa a deriva da Radiação dos dinossauros; diversificação dos mamíferos e plantas su-
Gondwana; meteorito cai na Península de Yucatán periores. Extinção em massa ao final do período (≈ 76% de espécies
desapareceram)
Mesozoica Jurássico 206 ma Dois grandes continentes se formam: Laurásia (norte) e Diversificação dos dinossauros; primeiras aves; duas extinções menores
Gondwana (sul); clima aquecido
Dinossauros primitivos; primeiros mamíferos; diversificação dos inverte-
Triássico 245 ma Pangea lentamente começa mover-se; clima quente e brados marinhos. Extinção em massa ao final do período (≈ 65% das
úmido espécies desaparecem)
Permiano 290 ma Radiação de répteis; declínio dos anfíbios
Pré-cambiano

Continente agregados na Pangea; grandes formações


glaciares; clima seco no interior da Pangea Extinção em massa ao final do período (≈ 96% das espécies desparecem)
Carbonífero 354 ma
Clima ameno; gradiente climáticos latitudinais Florestas de samambaias; primeiros répteis; radiação dos insetos; plan-
Devoniano 409 ma tas com flores primitivas
Colisão dos continentes no final do período; provável
Paleozoica colisão com asteróide Diversificação dos peixes, primeiros insetos e anfíbios.
Siluriano 440 ma
Nível dos mares sobe; dois grandes continentes são forma- Extinção em massa ao final do período (≈ 75% das espécies desaparecem)
dos; clima quente e úmido Diversificação dos peixes mandibulados; surgimento dos primeiros pei-
Ordoviciano 510 ma
Gondwana se move em direção ao pólo sul; glaciações sem xes ósseos; plantas e animais colonizam a terra
massa; nível do mar baixa 50 m Extinção em massa ao final do período (≈ 75% das espécies desaparecem)
Cambriano 543 ma Nível de oxigênio se aproxima do atual Maioria dos filos animiais; diversas algas
600 ma Nível de oxigênio é cerca de 5% do atual Fauna ediacarana
2,5 ba Nível de oxigênio é cerca de 1% do atual Evolução dos eucariotos; aparecem vários filos animais
Pré-cambriano 3,8 ba Oxigênio aparece na atmosfera
4,5 ba Origem da vida; os procariontes se desenvolvem

As fronteiras entre essas divisões, que são baseadas nização e metabolismo mais simples. Nos oceanos primi-
em diferenças nos fósseis contidos em camadas sucessivas tivos, deviam estar acumulados compostos orgânicos em
de rocha, foram estabelecidas antes de as idades atuais grande quantidade, que serviriam de alimento a esses he-
das eras e dos períodos serem conhecidas. terótrofos. Eles deveriam conseguir energia por um pro-

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


A Terra tem sofrido muitas trocas físicas que influen- cesso anaeróbio, ou seja, seriam fermentadores, porque
ciaram a evolução da vida. Os eventos físicos, bem como não havia gás oxigênio livre na natureza. Esta hipótese
os mais importantes marcos da história da vida, estão lis- para explicar a evolução do metabolismo energético é co-
tados na tabela anterior. A maioria desses marcos biológi- nhecida como hipótese heterotrófica.
cos ocorreu a partir das súbitas explosões de surgimentos Com o crescimento e a multiplicação dos heterótrofos, o
de novas formas de vida, que caracterizaram o período material orgânico disponível que lhes servia de alimento co-
Cambriano inicial, há cerca de 543 milhões de anos. A es- meçou a escassear e a seleção natural passou, então, a favo-
cala na esquerda da tabela anterior fornece uma escala re- recer organismos mutantes capazes de converter substâncias
lativa ao tempo geológico e à extensão do Pré-cambriano, simples em outras mais complexas. Foram os primeiros orga-
durante o qual a vida primitiva evoluiu em meio a estu- nismos autótrofos quimiossintetizantes. Outros organismos,
pendas mudança físicas na Terra. que formavam pigmentos capazes de absorver energia lumi-
nosa, teriam uma vantagem seletiva ao usar essa energia para
promover reações de síntese de moléculas orgânicas. A evolu-
ção de tais pigmentos teria levado à formação da clorofila e ao
surgimento de autótrofos fotossintetizantes, que, além de pro-
duzirem o próprio alimento, passaram a ser fonte de alimento
para os heterótrofos.
O aparecimento de organismos fotossintetizantes
trouxe outra consequência importante: a formação de
gás oxigênio, que começou a se acumular na atmosfera.
Esse fato significou, no início, um problema para muitos
organismos, pois esse gás era tóxico para a maioria deles.
Estromatólitos na Baía dos Tubarões (Austrália). Estruturas semelhantes a Acredita-se ter ocorrido o aparecimento de mutantes ae-
essas, com 3,6 bilhões de anos, têm sido apresentadas como evidência de
atividade biológica primitiva. Entretanto, novas evidências sugerem que os
róbios, que, por meio da respiração, eram capazes de uti-
estromatólitos poderiam surgir sem a participação dos seres vivos. Essa é lizar o gás oxigênio nas reações de obtenção de energia a
apenas mais uma das polêmicas sobre a origem da vida em nosso planeta. partir do alimento. Eles levavam a vantagem de aproveitar
melhor a energia armazenada nos compostos orgânicos e,
Como se Nutria o Primeiro Ser Vivo? assim, tornaram-se o grupo predominante de seres vivos.
Uma característica básica dos seres vivos é o metabo- Os primeiros organismos procariontes deram origem
lismo, isto é, a ocorrência de reações químicas ordenadas aos eucariontes, numa etapa posterior do processo evolu-
e catalisadas por enzimas. Acredita-se que os primeiros tivo. Há registros fósseis que sugerem o aparecimento de
organismos foram heterótrofos, por apresentarem orga- células nucleadas há cerca de 1,4 bilhão a 2 bilhões de anos.

[Link] | Produção: [Link] 127


Biologia

Alguns autores consideram a hipótese autotrófica • Lei da transmissão dos caracteres adquiridos: al-


para explicar a evolução do metabolismo energético. terações provocadas em determinadas caracterís-
Segundo essa hipótese, os primeiros seres vivos teriam ticas do organismo, pelo uso ou desuso, são trans-
sido autótrofos quimiossintetizantes, em vez de heteró- mitidas aos descendentes.
trofos, utilizando compostos inorgânicos presentes na
Terra primitiva para obter energia. Ao longo do processo Lamarck utilizou vários exemplos para explicar sua teo-
evolutivo, teriam surgido os seres fermentadores, os fo- ria. Segundo ele, as aves aquáticas tornaram-se pernaltas
tossintetizantes e os aeróbios. devido ao esforço que faziam no sentido de esticar as per-
nas para evitarem molhar as penas durante a locomoção
na água. A cada geração, esse esforço produzia aves com
pernas mais altas, que transmitiam essa característica à
geração seguinte. Após várias gerações, teriam sido origi-
Fonte hidrotermal nadas as atuais aves pernaltas.
submarina, localizada Através do lamarckismo, poderiam ser explicadas tam-
no assoalho do oceano
Atlântico. Segundo a
bém as seguintes aquisições:
hipótese autorófica, todas as • orelha longa dos coelhos: audição aguçada para es-


espécies que existem hoje no capar de predadores;
planeta têm como ancestral
comum seres provavelmente • garras desenvolvidas e língua comprida dos taman-



semelhantes às bactérias duás: esforço para remover a terra dos formiguei-
quimiossintetizantes atuais ros, cupinzeiros e alcançar as formigas e os cupins;
que habitam essas fontes.
• apêndice vermiforme nos humanos - desuso na di-


Autótrofo: organismo capaz de sintetizar moléculas or- gestão da celulose.
gânicas a partir de substâncias inorgânicas. Um exemplo lamarckista muito didático refere-se ao
Heterótrofo: organismo incapaz de produzir seu próprio aumento do comprimento do pescoço das girafas ao lon-
alimento orgânico. São exemplos animais, fungos, certos go das gerações. Para Lamarck, os ancestrais das girafas
protistas e muitas bactérias. atuais tinham pescoço curto, membros anteriores e pos-
teriores do mesmo tamanho e se alimentavam de plantas
Como a Partir do Primeiro Ser Vivo rasteiras. Devido, provavelmente, à escassez de plantas
Surgiu Toda Biodiversidade Atual? rasteiras para toda a população de girafas e para outros
mamíferos, algumas girafas passaram a se alimentar de
O Que é Evolução? ramos de árvores. Para tanto, esticavam o pescoço e alon-
Evolução é o processo através do qual ocorrem as mu- gavam os membros anteriores para alcançarem as copas
danças ou transformações nos seres vivos ao longo do das árvores mais altas, com folhas tenras e macias.
tempo, dando origem a espécies novas. Essas distensões dos membros anteriores (patas) e
Vale ressatar que tais mudanças ocorrem sempre alea- pescoço foram se desenvolvendo cada vez mais pelo uso
toriamente podendo, ao acaso, tornar os indivíduos mais (Lei do uso e desuso) e transmitidas aos descendentes (Lei
adaptados ou não. da transmissão dos caracteres adquiridos).
As Teorias Evolutivas
Várias teorias evolutivas surgiram, destacando-se, en-
tre elas, as teorias de Lamarck e de Darwin. Atualmente,
foi formulada a Teoria sintética da evolução, também de-
nominada Neodarwinismo, que incorpora os conceitos
modernos da genética às ideias essenciais de Darwin so-
bre seleção natural.
A Teoria de Lamarck
Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), naturalista fran-
cês, foi o primeiro cientista a propor uma teoria sistemáti-
ca da evolução. Sua teoria foi publicada em 1809, em um
livro denominado Filosofia Zoológica.
Segundo Lamarck, o princípio evolutivo estaria basea-
do em duas leis fundamentais:
• Lei do uso ou desuso: o uso de determinadas par-

tes do corpo do organismo faz com que estas se
desenvolvam, e o desuso faz com que se atrofiem. Caracterísitcas adquiridas pela hipertrofia do órgão (lei do uso ou desuso).

128
Biologia

A teoria de Lamarck não é aceita atualmente, pois suas turas e comportamentos, os quais, a seu ver, pareciam ter-
ideias apresentam um erro básico: as características ad- -se desenvolvido para auxiliar a sobrevivência e o sucesso
quiridas não são hereditárias. Verificou-se que alterações reprodutivo dos indivíduos que os apresentavam. Darwin
em células somáticas dos indivíduos não alteram as infor- teve uma oportunidade única de estudar as adaptações
mações genéticas contidas nas células germinativas, não em organismos de diferentes partes do mundo quando,
sendo, dessa forma, hereditárias. em 1831, seu professor de botânica, John Henslow, re-
Duas observações são importantes serem destacadas comendou-o como naturalista ao Capitão Robert Fitzroy,
sobre o lamarckismo: que estava preparando uma viagem ao redor do mundo a
• o ambiente é o agente causador da variação. bordo do navio de pesquisa e observação H.M.S. Beagle.
Sempre que possível, ao longo dessa viagem, Darwin (que


Exemplo: o pescoço da girafa só cresceu devido
ao fato das árvores serem altas, logo se as árvores seguidamente estava mareado) descia a terra para obser-
fossem baixas o pescoço não teria se alongado. Ou var e coletar espécimes de plantas e animais.
ainda, os peixes da caverna são cegos, pois o es- Darwin passou muito de seu tempo de coleta na
curo induziu a perda da visão. Se este meio fosse América do Sul, onde as espécies por ele observadas di-
iluminado os peixes enxergariam. Outra fala lamar- feriam enormemente daquelas encontradas na Europa.
ckista muito divulgada é: “o uso incorreto de anti- Também observou que as espécies das regiões tempera-
bióticos tornam as bactérias resistentes”. Hoje sa- das da América do Sul (Argentina e Chile) eram mais simi-
bemos que o torna uma bactéria resistente é uma lares àquelas da América do Sul tropical (Brasil) do que o
mutação aleatória, logo não foi a existência do an- eram em relação às espécies europeias. Quando explorou
tibiótico no meio o agente causador da resistência. o arquipélago de Galápagos, situado a oeste do Equador,
• as mudanças nos seres vivos sempre ocorrem por observou que a maioria das espécies presentes naquele
ambiente não era encontrada em nenhuma outra parte do

algum motivo, nunca aleatoriamente, tornando a
espécie cada vez mais adaptada, corroborando com mundo, apesar de serem similares a espécies da América
uma ideia teleológica. Exemplo: os dentes sisos es- do Sul continental, localizada 1.000 km ao leste. Darwin
também observou que a fauna das diferentes ilhas que

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


tão desaparecendo porque não tem função. Isso
não é aceito atualmente. Pessoas que nascem sem compunham o arquipélago diferia de uma para a outra.
dentes sisos são resultados de mutações aleatórias, Postulou que alguns animais teriam chegado às ilhas a
assim, a inexistência desses dentes não está relacio- partir da América do Sul continental e então teriam evolu-
nado com a ausência de função destes órgãos. ído de forma distinta nas diferentes ilhas.
Quando retomou à Inglaterra em 1836, Darwin con-
A Teoria de Darwin tinuou a ponderar e amadurecer suas observações. Nos
Charles Darwin foi um naturalista bastante perspicaz 10 anos seguintes ele havia desenvolvido a base daquela
que observou uma grande quantidade de diferentes estru- que viria a ser sua teoria da evolução.

Darwin e a viagem do Beagle.


(a) A missão do H.M.S. Beagle de fazer uma cartografia
maritíma e coletar informações biológicas e oceanográficas
ao redor do mundo. O mapa indica o caminho percorrido
pelo navio, enfatizando as Ilhas Galápagos; a observação
dos organismos ali encontrados foi a fonte das ideias de
Darwin sobre a seleção natural.
(b) Charles Darwin aos 24 anos, na Inglaterra, logo
após seu regresso da viagem do Beagle.

[Link] | Produção: [Link] 129


Charles Darwin (1809-1882), naturalista inglês, desenvol-
veu uma teoria evolutiva que é a base da moderna teoria sin-
tética: a teoria da seleção natural, que também foi proposta
independemente por Alfred Russel Wallace em 1858. Segundo
Darwin e Wallace, os organismos mais bem adaptados ao
meio têm maiores chances de sobrevivência que os menos
adaptados, deixando um número maior de descendentes. Os
organismos mais bem adaptados são, portanto, selecionados
Animais não adaptados ao meio
para aquele ambiente.
Os princípios básicos das ideias de Darwin podem ser
resumidos do seguinte modo
• os indivíduos de uma mesma espécie apresentam

variações em todos os caracteres, não sendo, por-
tanto, idênticos entre si;
• todo organismo tem grande capacidade de re-

produção, produzindo muitos descendentes.
Entretanto, apenas alguns dos descendentes che- Animais não adaptados ao meio Animais adaptados ao meio
gam à idade adulta;
Ilustração da hipótese de Darwin.
• o número de indivíduos de uma espécie é mantido

mais ou menos constante ao longo das gerações; O principal destaque sobre o darwinismo:
• assim, há grande “luta” pela vida entre os descen- • o ambiente é o agente selecionador da variação.


dentes, pois apesar de nascerem muitos indivídu- Exemplo: a natureza de árvores altas selecionou as
os poucos atingem a maturidade, o que mantém girafas que nasciam de pescoço longo. Ou ainda,
constante o número de indivíduos na espécie; a presença de antibiótico não induziu as bactérias
• na “luta” pela vida, organismos com variações favo- sensíveis se tornarem resistentes, apenas selecio-

ráveis às condições do ambiente onde vivem têm nou aquelas que já nascem resistentes.
maiores chances de sobreviver, quando comparados
aos organismos com variações menos favoráveis; Para você saber!
• os organismos com essas variações vantajosas têm Durante a viagem a bordo do navio Inglês Beagle,
Darwin ficou muito impressionado com a semelhan-

maiores chances de deixar descendentes. Como há
transmissão dos caracteres de pais para filhos, es- ça entre os pássaros fringilídeos que habitavam o
tes apresentam essas variações vantajosas; arquipélago de Galápagos (conjunto de pequenas e
• assim, ao longo das gerações, a atuação da seleção áridas ilhas situadas no oceano Pacífico, a cerca de
800 km da costa do Equador). A figura mostra o fe-

natural sobre os indivíduos mantém ou melhora o
grau de adaptação destes ao meio. nômeno da especiação que ocorreu a partir de um
ancestral comum, originando 13 espécies diferentes
Como seriam as explicações darwinistas para o pesco-
ço longo das girafas? de fringilídeos, cada uma adaptada a modos de vida
peculiares nas diferentes ilhas do arquipélago.
Os ancestrais das girafas atuais apresentam, na sua
população, indivíduos com variedade de patas dianteiras
desenvolvidas e pescoço de tamanhos diferentes (curtos,
médios e longos). A competição por alimento da copa
das árvores (folhas jovens e tenras) selecionou as girafas Pequeno. Come sementes Bico grosso. Porte médio. Tipo grande, de bico grande.
de pescoço longo e patas dianteiras mais desenvolvidas. minúsculas de cactos Exclusivamente granívoro. Come frutos e grãos

Essas girafas tinham a melhor variação naquele dado mo-


mento e naquele ambiente e foram, então, favorecidas
Claro. Porte médio. Bico
pela ação da seleção natural. Cruzaram mais e deixaram grosso e grande. Insetívoro.
maior número de descendentes, vencendo a luta pela
vida. Dessa maneira, as girafas com pescoços pequenos
e médios diminuíram cada vez mais a sua população, até Bico fino e curvo. Insetívoro. Come,
serem extintas, permanecendo apenas aquelas mais bem também, minhocas e larvas.

adaptadas (pescoço longo).


Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado aos casos das Bico fino e reto. Pequeno porte.
pernas longas das garças, orelhas longas dos coelhos, gar- Canoro. Insetívoro e larvófago.

ras desenvolvidas e língua comprida dos tamanduás, entre


Especiação em tentilhões das lhas Galápagos.
outros exemplos.

130
Biologia

A Teoria Sintética da Evolução Os fatores evolutivos que atuam sobre o conjunto gê-
A teoria sintética da evolução ou neodarwinismo foi nico da população podem ser reunidos em três categorias:
formulada por vários pesquisadores durante anos de estu- • fatores que tendem a aumentar a variabilidade



dos, tomando como essência as noções de Darwin sobre genética da população: mutação gênica, mutação
seleção natural e incorporando noções atuais de genética. cromossômica, recombinação;
A mais importante contribuição individual da Genética, • fatores que tendem a diminuir a variabilidade ge-



extraída dos trabalhos de Mendel, substituiu o conceito nética da população: seleção natural, endogamia;
antigo de herança por meio da mistura de sangue pelo • fatores que atuam sobre a variabilidade genética já



conceito de herança através de partículas: os genes. estabelecida: migração e deriva genética.
A teoria sintética considera, conforme Darwin já havia A integração desses fatores associada ao isolamento
feito, a população como unidade evolutiva. A população geográfico pode levar, ao longo do tempo, ao desenvolvi-
pode ser definida como grupamento de indivíduos de uma mento de mecanismos de isolamento reprodutivo, quan-
mesma espécie que ocorrem em uma mesma área geo- do, então, surgem novas espécies. A seguir, esses tópicos
gráfica, em um mesmo intervalo de tempo. serão abordados com maiores detalhes.
Para melhor compreender essa definição, é importan-
te conhecer o conceito biológico de espécie: conjunto de Fatores Evolutivos
indivíduos semelhantes entre si, capazes de cruzarem e
gerarem descendentes férteis por inúmeras gerações.
Mutação Gênica
Quando, nessa definição, se diz potencialmente in- As mutações gênicas originam-se de alterações na se-
tercruzantes, significa que uma espécie pode ter popu- quência de bases nitrogenadas de um determinado gene, du-
lações que não se cruzam naturalmente por estarem rante a duplicação da molécula de DNA. Essa alteração pode
geograficamente separadas. Entretanto, colocadas ar- ser devida a perda, adição ou substituição de nucleotídeos,
tificialmente em contato, haverá cruzamento entre os originando um gene capaz de codificar outra proteína.


BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO
indivíduos, com descendentes férteis. Por isso, são po- As mutações gênicas são consideradas as fontes pri-
tencialmente intercruzantes. márias da variabilidade, pois aumentam o número de
A definição biológica de espécie só é válida para or- alelos disponíveis em um locus, condição que incremen-
ganismos com reprodução sexuada, já que, no caso dos ta o conjunto gênico da população. Embora ocorram es-
organismos com reprodução assexuada, as semelhanças pontaneamente, podem, no entanto, ser provocadas por
entre características morfológicas é que definem os agru- agentes mutagênicos, como radiações e certas substân-
pamentos em espécies. cias químicas.
Observando as diferentes populações de indivíduos As mutações ocorrem ao acaso, de modo que não
com reprodução sexuada, pode-se notar que não existe é possível prever o gene a ser mutado nem relacionar a
um indivíduo igual ao outro. Exceções a essa regra pode- existência de mutação com a adaptabilidade às condições
riam ser os gêmeos univitelínicos, mas mesmo eles não ambientais. As mutações não ocorrem para adaptar o in-
são absolutamente idênticos, apesar de o patrimônio ge- divíduo ao ambiente; elas ocorrem ao acaso e, por seleção
nético inicial ser o mesmo. Isso porque podem ocorrer al- natural, são mantidas quando são adaptativas (seleção po-
terações somáticas devidas à ação do meio. sitiva) ou eliminadas no caso contrário (seleção negativa).
A enorme diversidade de fenótipos em uma população As mutações podem ocorrer em células somáticas ou
é indicadora da variabilidade genética dessa população, em células germinativas, sendo, neste último caso, de fun-
podendo-se notar que esta é geralmente muito ampla. damental importância para a evolução, pois são transmiti-
das aos descendentes.
A compreensão da variabilidade genética e fenotípica
dos indivíduos de uma população é fundamental para o Recombinação Genética
estudo dos fenômenos evolutivos, uma vez que a evolu-
Enquanto a mutação gênica é a fonte primária da va-
ção é, na realidade, a transformação estatística de po-
riação genética, pois através dela é que são formados ge-
pulações ao longo do tempo, ou, ainda, alterações na
nes “novos”, a recombinação é um mecanismo que reor-
frequência dos genes dessa população. Os fatores que
ganiza os genes já existentes nos cromossomos.
determinam alterações na frequência dos genes são de-
nominados fatores evolutivos. Cada população apresenta O mecanismo primário de recombinação genética é a
certo conjunto gênico, que, sujeito a fatores evolutivos, reprodução sexuada, que se realiza em duas fases conse-
pode ser alterado. O conjunto gênico de uma população cutivas: gametogênese (formação de gametas) e fecunda-
é o conjunto de todos os genes presentes nessa popula- ção (união do gameta masculino com o feminino).
ção. Assim, quanto maior o conjunto gênico da população, Durante a gametogênese, a célula germinativa diploi-
maior é a variabilidade genética. de sofre meiose, produzindo quatro gametas – células

[Link] | Produção: [Link] 131


haploides que contêm um cromossomo de cada par de seleção natural sobre uma determinada população, me-
homólogos. Como se sabe, os cromossomos segregam-se nor será a sua variabilidade, pois apenas alguns genótipos
independentemente, o que possibilita grande número de serão selecionados.
combinações entre os cromossomos, dando origem a vá-
rios tipos de gametas. O número de tipos diferentes de
gametas produzidos por um indivíduo diploide é dado por
2n, em que n = lote haploide de cromossomos.
Na espécie humana, em que n = 23 (23 pares de cro-
mossomos), o número de gametas diferentes produzidos
por um indivíduo é 223 = 8.388.602, número válido tanto
para o homem quanto para a mulher. O número de en-
contros possíveis entre esses gametas na fecundação é
(8.388.602)2, cujo valor aproximado é de 70 trilhões de
zigotos possíveis. Dessa forma, a probabilidade de dois ir-
mãos serem iguais é praticamente nula.
Todas as considerações feitas até agora não incluíram
a ocorrência de crossing-over (recombinação genética),
que aumenta a variabilidade genotípica, uma vez que es-
tabelece novas combinações entre os genes e aumenta o
A seleção natural atua permanentemente sobre todas
número de tipos diferentes de gametas.
as populações. Mesmo em ambientes estáveis e constan-
Formados os gametas, pode ocorrer: tes, a seleção natural, que age de modo estabilizador, está
• fecundação cruzada: união entre gametas de indi- presente, eliminando os fenótipos desviantes.

víduos diferentes, mas da mesma espécie;
• autofecundação: união entre gametas masculinos Migração

e femininos produzidos pelo mesmo indivíduo. Migração corresponde à entrada ou saída de indivídu-
Populações de indivíduos que apresentam fecundação os em uma população. A entrada de indivíduos denomina-
cruzada têm maiores possibilidades de aumentar a varia- -se imigração e a saída, emigração.
bilidade genética sem adição de genes novos (por muta- Através dos processos imigratórios, há possibilidade
ção, por exemplo) do que populações de indivíduos com de serem introduzidos genes novos em uma população.
autofecundação. Assim, se indivíduos emigrarem de uma população para
A variabilidade genética é importante para a sobrevi- outra da mesma espécie, poderão introduzir ali genes no-
vência da espécie. Nesse sentido, até bissexuados desen- vos e contribuir para o aumento da variabilidade genotípi-
volveram, ao longo de sua evolução, vários mecanismos ca da população para a qual imigraram.
que dificultam a autofecundação e favorecem a fecun- Através das migrações é estabelecido um fluxo gênico,
dação cruzada, possibilitando, desse modo, aumento na que tende a diminuir as diferenças genéticas entre as po-
variabilidade. A partir da recombinação genética, uma pulações de uma mesma espécie.
população pode aumentar sua variabilidade genética sem
adição de genes novos, produzidos por mutação ou por Oscilação Genética ou Deriva Genética
imigração de indivíduos de outras populações. Este processo ocorre apenas em populações pequenas.
Nestas, qualquer alteração ao acaso pode produzir alterações
Seleção Natural
na frequência genotípica, o que não ocorre em populações
A seleção natural é o principal fator evolutivo que atua grandes. Assim, os desvios estatísticos adquirem importância
sobre a variabilidade genética da população. Pode-se di- especial quando se verificam em populações pequenas, pois
zer, simplificadamente, que a evolução é o resultado da podem até mesmo eliminar determinados genótipos.
atuação da seleção natural sobre a variabilidade genética
de uma população.
A ação da seleção natural consiste em selecionar genó-
tipos mais bem adaptados a uma determinada condição
ecológica, eliminando aqueles desvantajosos para essa
mesma condição.
A expressão mais bem adaptado refere-se à maior
probabilidade de, em um determinado ambiente, um de-
terminado indivíduo deixar descendentes. Os indivíduos
mais bem adaptados a um ambiente têm chance maior de
sobreviver e de deixar descendentes.
A seleção natural tende, portanto, a diminuir a varia-
bilidade genética. Desse modo, quanto mais intensa for a

132
Biologia

Em populações muito pequenas a deriva genética Mesmo organismos que normalmente compõem popu-
pode ser forte o suficiente para influir na direção da mu- lações de grande tamanho podem, ocasionalmente, passar
dança das frequências alélicas mesmo na presença de al- por períodos nos quais apenas um número pequeno de in-
gum outro fator evolutivo que apresente força contrária. divíduos sobreviva. Durante esses gargalos-de-garrafa po-
Alelos deletérios, por exemplo, podem ter frequências pulacionais, a diversidade genética poderá sofrer redução
aumentadas devido à ação da deriva genética; do mesmo devido à deriva genética. O modo de ação desse processo
modo, alelos vantajosos que se encontram em frequên- está ilustrado a seguir, na qual as frequências alélicas estão
cias muito baixas poderão ser perdidos. representadas por feijões amarelos e laranjas:

O efeito gargalo-de-
garrafa. Gargalos-de-
garrafa populacionais
ocorrem quando
poucos indivíduos
sobrevivem a um
A população original apre- Um evento ao acaso que Os indivíduos sobrevi- ... o que leva a uma evento aleatório,
senta frequências aproxima- ocasiona mudança ambien- ventes têm frequências população com mais provocando uma
damente iguais dos alelos tal reduz acentuadamente o alélicas diferentes das alelos laranjas do que mudança das
vermelho e amarelo. tamanho da população. frequências da popula- amarelos. frequências alélicas
ção original... na população.

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


A pequena amostra retirada a partir da população ori- Um caso particular de oscilação genética é o princí-
ginal está composta, em sua maioria, por feijões laranja pio do fundador, que se refere ao estabelecimento de
que “sobreviveram” ao acaso para germinar a próxima uma nova população a partir de poucos indivíduos que
geração. Assim, a nova população terá uma frequência emigram da população original. Esses indivíduos serão
muito maior de feijões laranja quando comparada com a portadores de pequena fração da variação genética da
geração anterior. população de origem e seus descendentes apresentarão
Diferentes situações podem levar populações naturais apenas essa variabilidade, até que genes novos ocorram
a sofrerem a ação do efeito gargalo-de-garrafa. Os preda- por mutação. O princípio do fundador determina, assim,
dores podem drasticamente reduzir o número de indiví- uniformidade genética e fenotípica. Além disso, essa pe-
duos das populações de suas presas. Por volta do ano de quena população sofrerá os efeitos dos vários fatores
1890, a caça indiscriminada reduziu para, aproximada- evolutivos já discutidos, podendo originar indivíduos di-
mente, 20 indivíduos o número de elefantes-marinhos de ferentemente adaptados.
uma população da costa nordeste do México. A população O estabelecimento de populações pelo princípio
reprodutivamente ativa nessa colônia deve ter sido muito do fundador parece ser um dos métodos mais comuns de
menor, pois, nessa espécie, poucos machos cruzam com dispersão de inúmeras espécies de animais e de plantas.
todas as fêmeas disponíveis e geram toda a prole de uma
determinada geração. Casos Clássicos da Ativação dos
Fatores Evolutivos
a) Melanismo Industrial
O melanismo industrial é um fenômeno observado em
regiões altamente industrializadas. É caracterizado pelo
aumento da frequência gênica de indivíduos com colo-
ração escura; por isso o termo melanismo. Um exemplo
clássico de melanismo industrial é o da mariposa Biston
betularia, em regiões industrializadas da Inglaterra.
Antes do incremento da industrialização, a maio-
Uma espéice com baixa diversidade genética. Tendo em vista que ria das mariposas apresentava coloração esbranquiça-
apenas poucos machos geram praticamente toda a prole dessa colônia da, sendo raras as de coloração escura. Os indivíduos
de elefantes-marinhos, o tamanho da população procriadora é menor dessa espécie têm o hábito de pousar sobre troncos de
do que o tamanho da população total. Esse padrão de cruzamento
árvores que, em locais não poluídos, são cobertos por
não aleatório, junto a um efeito gargalo-de-garrafa provocado pela
caça excessiva desses animais no final do século XIX, ocasionou uma liquens, os quais dão ao tronco coloração clara. Nesses
população com reduzida diversidade genética. locais, ao pousar sobre os troncos cobertos por liquens,

[Link] | Produção: [Link] 133


as mariposas claras não são tão visíveis quanto as ma- c) Anemia Falciforme (Siclemia) e a malária
riposas escuras, que se tornam, assim, presas fáceis de A anemia falciforme ou siclemia é uma anomalia que
seus predadores – os pássaros. ocorre na espécie humana, determinada por um gene le-
Com o incremento da industrialização, a fumaça e a tal em dose dupla. Esse gene condiciona a formação de
fuligem lançadas pelas fábricas provocaram a morte dos moléculas anormais de hemoglobina. Essas hemoglobinas
liquens, deixando os troncos das árvores expostos. Dessa “anormais” têm pouca capacidade de transporte de oxigê-
forma, o substrato utilizado pelas mariposas para pouso nio e, devido a isso, as hemácias que as contêm adquirem
adquiriu coloração escura e, com isso, as mariposas claras o formato de foice quando a concentração de oxigênio di-
tornaram-se mais visíveis que as escuras. Com o tempo, a minui. Por essa razão, são chamadas hemácias falciformes.
forma escura começou a predominar sobre a clara, devido
à atuação da seleção natural.
a) b)

Formato das hemácias normais.

À esquerda, a situação inicial, com a mariposa selvagem bem disfarçada


e o tipo mutante muito visível; à direita a situação atual, um século
depois que o parque industrial da Europa se instalou em Manchester.
A fuligem lançada pelas fábricas escureceu o solo, as rochas, os troncos.
O meio ambiente mudou. Ai o tipo original tornou-se bem visível e o Hemácias falciformes.
tipo mutante ficou camuflado. A partir dessa mudança, a variedade Entre o gene para siclemia e o seu alelo que determi-
negra tornou-se comum em Manchester, enquanto a variedade na a síntese de hemoglobinas normais, não há relação de
selvagem, vítima dos ataques das aves predadoras, regrediu e
hoje quase não mais se vê.
dominância.
Os indivíduos heterozigotos apresentam tanto hemá-
Como pode ser observado nesse exemplo, a alteração cias e hemoglobinas normais como hemácias falciformes:
gradativa de uma condição ambiental determinou altera- apesar de ligeiramente anêmicos, sobrevivem. Embora com
ção na frequência gênica de uma população em um deter- menor viabilidade em relação aos homozigotos normais.
minado sentido, como resposta à seleção natural.
Em condições ambientais normais o gene para anemia
b) Resistência a Antibióticos ou a Inseticidas falciforme sofre forte efeito seletivo negativo, ocorrendo
A resistência de bactérias a antibióticos e de insetos a com frequência baixa nas populações. Observaram-se, no
inseticidas tem aumentado muito nos últimos anos, ha- entanto, altas frequências desse gene em extensas regiões
vendo sempre a necessidade de se desenvolverem novos da África, onde há grande incidência de malária.
antibióticos e novos inseticidas. Essa alta frequência deve-se ao fato de que os heterozi-
A resistência a esses produtos ocorre do seguinte modo: gotos para anemia falciforme são mais resistentes à malá-
os indivíduos estão adaptados a uma determinada condi- ria. Os “homozigotos normais” correm alto risco de morte
ção ambiental; se introduzirmos no meio uma certa quan- por malária e os “homozigotos para a anomalia” morrem
tidade de determinado antibiótico ou de inseticida, haverá de anemia. O heterozigoto, entretanto, apresenta, sob es-
grande mortalidade de indivíduos, mas alguns poucos, que sas condições ambientais, superioridade adaptativa, propi-
já apresentavam mutações que lhes conferiam resistência ciando a alta taxa de um gene letal na população.
a essas substâncias, sobreviverão. Estes, por sua vez, ao se Formação de Uma Nova Espécie (Especiação)
reproduzir, originarão indivíduos com características que se
A especiação é também um importante fenômeno
distribuem em torno de um outro tipo médio.
evolutivo. Inicia-se a partir de uma população original
Se esses indivíduos forem submetidos a doses mais al- que, através de diversos mecanismos, alcança tamanha
tas das substâncias em questão, novamente haverá alta diferenciação gênica que permite a formação de uma ou
mortalidade e sobreviverão apenas aqueles que já tive- até mais espécies. Para que ocorra a especiação, são ne-
rem condições genéticas de resistir a doses mais altas cessários os seguintes mecanismos:
da droga. Repetindo o procedimento, será possível obter • migração;
populações cada vez mais resistentes a uma determinada

• isolamento geográfico;
droga, podendo-se observar um deslocamento da média

• pressões seletivas diferentes (mutação, recombi-
das características no sentido da maior resistência a uma

nação, seleção, adaptação);
determinada substância. • isolamento reprodutivo.

134
Biologia

Observe o esquema da especiação e leia atentamente o texto a seguir:

Especiação – a formação de novas espécies.

Considere uma espécie A que forma uma população A pulação. Dessa maneira, alguns genes podem ser man-
com um conjunto gênico característico, adaptada a um de- tidos e outros eliminados através da seleção e deriva
terminado ambiente, sofrendo as mesmas pressões seleti- genética, aumentando, ainda mais, as diferenças ou a
vas (mutação, recombinação, seleção natural, adaptação) variabilidade entre as populações.
e trocando genes por tempo indefinido.
Novas mutações ocorrem nas populações e podem
Determinado número de indivíduos da população ser eliminadas ou mantidas. Com isso, as populações
A migra para um novo ambiente e passa a viver isolado ficam ainda mais diferenciadas. Se as populações A1 e
por algum tempo, formando duas novas populações,
A2 voltam a viver no mesmo ambiente, mas não trocam
A1 e A2. Barreiras geográficas (montanhas, água, deri-
va continental) separam ainda mais as populações A1 genes, não se reproduzem, dizemos que ocorreu isola-
mento reprodutivo e formação de novas espécies: a po-

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


e A2 que ficam isoladas geograficamente. As popula-
ções A1 e A2 agora são afetadas por pressões seletivas pulação A1 formou a espécie B, e a população A2 formou
diferentes (mutação, recombinação, seleção natural, a espécie C. Se as populações A1 e A2, porém, voltam a
adaptação). Pode ocorrer também deriva genética, que viver no mesmo ambiente e ocorre troca de genes, então
é uma variação casual na frequência gênica em uma po- não houve especiação.
Evidências Evolutivas
A evolução tem suas bases fortemente corroboradas pelo estudo comparativo dos organismos, sejam fósseis ou
atuais.
Homologia e Analogia
Por homologia entende-se a semelhança entre estruturas de diferentes organismos, devida unicamente a uma mes-
ma origem embriológica. As estruturas homólogas podem exercer ou não a mesma função.
Braço do homem Pata dianteira do cavalo Asa de morcego
Carpo Falange I
Rádio
Metacarpo
Úmero
Úmero Úmero
Ulna

Rádio Falanges

Rádio IV II e III
Carpo Ulna V

Osso estiloide
(metacarpo dos Carpo Falanges Nadadeira da baleia
Ulna Rádio
dedos II e IV)
I
Carpo Osso da canela
(metacarpo do
Metacarpo dedo III)
IV III II

V V
Falanges III (Falange única) Úmero
I Metacarpo
II III IV Ulna

Homologia ente os membros anteriores dos mamíferos.

[Link] | Produção: [Link] 135


Biologia

O braço do homem, a pata do cavalo, a asa do morce- As estruturas análogas


go e a nadadeira da baleia são estruturas homólogas entre não refletem por si sós qual-
si, pois todas têm a mesma origem embriológica. Nesses quer grau de parentesco. Elas Golfinho
casos, não há similaridade funcional. fornecem indícios da adapta- (mamífero)

Ao analisar, entretanto, a asa do morcego e a asa do ção de estruturas de diferen-


inseto, verifica-se que ambas têm a mesma origem em- tes organismos a uma mesma
variável ecológica. Quando Ictiossauro
briológica e estão, ainda, associadas à mesma função. (réptil fóssil)
organismos não intimamen-
A homologia entre estruturas de dois organismos dife- te aparentados apresentam
rentes sugere que eles se originaram de um grupo ances- estruturas semelhantes exer-
tral comum, embora não indique o grau de proximidade cendo a mesma função, dize- Tubarão
entre eles. Quando, de um ancestral comum, partem vá- mos que eles sofreram evolu- (peixe)
rias linhas evolutivas que originam várias espécies diferen- ção convergente. Evolução convergente.
tes, fala-se em irradiação adaptativa. Ao contrário da irradia-
As espécies assim originadas guardam vestígios de sua ção adaptativa (caracterizada pela diferenciação de orga-
ancestralidade. nismos a partir de um ancestral comum, dando origem a
Chimpanzé
vários grupos diferentes adaptados a explorar ambientes
Preguiça diferentes), a evolução convergente ou convergência evo-
Lobo lutiva é caracterizada pela adaptação de diferentes orga-
nismos a uma condição ecológica igual. Assim, as formas
do corpo do golfinho, dos peixes, especialmente tubarões,
Esquilo voador
e de um réptil fóssil chamado ictiossauro são bastante se-
melhantes, adaptadas à natação. Neste caso, a semelhan-
Marmota
ça não é sinal de parentesco, mas resultado da adaptação
Antílope
desses organismos ao ambiente aquático.
(antilocapro)
Morcego Órgãos Vestigiais
Órgãos vestigiais são aqueles que, em alguns organis-
mos, encontram-se com tamanho reduzido e geralmente
Castor
Urso Toupeira sem função, mas em outros organismos são maiores e exer-
cem função definida. A importância evolutiva desses órgãos
vestigiais é a indicação de uma ancestralidade comum.
Um exemplo bem conhecido de órgão vestigial no ho-
Baleia Leão-marinho mem é o apêndice vermiforme, estrutura pequena e sem
função que parte do ceco (estrutura localizada no ponto
Irradiação adaptativa em mamíferos. onde o intestino delgado liga-se ao grosso).
Nos mamíferos roedores, o ceco é uma estrutura bem
Homologia: mesma origem embriológica de estrutu-
desenvolvida, na qual o alimento parcialmente digerido é
ras de diferentes organismos, sendo que essas estruturas
armazenado e a celulose, abundante nos vegetais ingeri-
podem ter ou não a mesma função. As estruturas homó-
dos, é degradada pela ação de bactérias especializadas.
logas sugerem ancestralidade comum.
Em alguns desses animais o ceco é uma bolsa contínua e
Analogia: semelhança entre estruturas de diferen- em outros, como o coelho, apresenta extremidade final
tes organismos, devida unicamente à adaptação a uma mais estreita, denominada apêndice, que corresponde ao
mesma função. São consideradas resultado da evolução apêndice vermiforme humano.
convergente. Coelho
Ceco
As asas dos insetos e as das aves são estruturas dife-
rentes quanto à origem embriológica, mas ambas estão Intestino
adaptadas à execução de uma mesma função: o voo. São, delgado

portanto, estruturas análogas. Intestino


Asa de inseto Asa de ave grosso

Ceco Homem Intestino


Apêndice grosso

Quitina
Ossos
Ceco
Nervuras

Penas Apêndice Intestino


vermiforme delgado

Estruturas análogas.

136
Biologia

Embriologia Comparada
O estudo comparado da embriologia de diversos vertebrados mostra a grande semelhança de padrão de desen-
volvimento inicial. À medida que o embrião se desenvolve, surgem características individualizantes e as semelhanças
diminuem. Essa semelhança também foi verificada no desenvolvimento embrionário de todos os animais. Nesse caso,
entretanto, quanto mais diferente são os organismos, menor é o período embrionário comum entre eles.
 Tubarão     Salamandra      Lagarto     Gambá     Macaco     Homem


Adultos

Última forma fetal ou recém-saído do ovo ou recém-nascido

Embrião com membros anteriores e posteriores

Fendas branquiais e membros anteriores formados

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


Formação de somitos (segmentos do corpo)

Últimas clivagens

Embriologia comparativa,
Óvulos fertilizados do peixe ao homem.

Estudo dos Fósseis na resina pegajosa, eliminada pelos pinheiros, morriam. A


resina endurecia, transformando-se em âmbar, e o inseto
aí contido era, preservado nos detalhes de sua estrutura.
Também são considerados fósseis impressões deixadas
por organismos que viveram em eras passadas, como, por
exernplo, pegadas de animais extintos e impressões de folhas,
de penas de aves e da superfície da pele dos dinossauros.

Plantas fósseis: impressões


deixadas sobre rochas
sedimentares.

É considerado fóssil qualquer indício da presença de


organismos que viveram em tempos remotos da Terra. As Esqueleto e reconstituição de um mamute (aproximadamente 3 m de
partes duras do corpo dos organismos são aquelas mais altura), animal extinto que viveu na América do Norte e na Eurásia.
frequentemente conservadas nos processos de fossiliza- A importância do estudo dos fósseis para a evolução está
ção, mas existem casos em que a parte mole do corpo na possibilidade de conhecermos organismos que viveram na
também é preservada. Dentre estes, podemos citar os fós- Terra em tempos remotos, sob condições ambientais distintas
seis congelados, como, por exemplo, o mamute encontra- das encontradas atualmente, e que podem fornecer indícios
do na Sibéria do Norte e os fósseis de insetos encontrados de parentesco com as espécies atuais. Por isso, os fósseis são
em âmbar. Neste último caso, os insetos que penetravam considerados importantes testemunhos da evolução.

[Link] | Produção: [Link] 137


Biologia

Bioquímica Comparada dos vertebrados diferir do citocromo do lêvedo em apenas


A semelhança na sequência dos aminoácidos de uma 43-48 pontos é um testemunho eloquente da semelhança
determinada proteína ou mesmo a semelhança em toda básica entre os organismos localizados em posições dis-
proteína de diferentes espécies é também uma ótima tantes na escala da vida” (MOODY, PA, 1975).
ferramenta de evidência dos processos evolutivos. A se- Evolução Humana
quência de aminoácidos estabelece a estrutura primária
de uma proteína e é determinada pelo código genético Se a história da Terra fosse visualizada como um mês
presente na molécula de DNA. As espécies descendentes de 30 dias, o registro humano na história é confinado aos
de um ancestral comum mais recente apresentam maior últimos 30 segundos do último dia do mês.
semelhança na sequência de determinada proteína, en-
quanto espécies descendentes de um mesmo ancestral,
porém mais distante, apresentam mais diferenças nas se-
quências dos aminoácidos.
No processo de respiração celular da maioria dos se-
res vivos, encontramos a proteína citocromo c. Por estar
presente na maioria dos seres vivos, o citocromo c deve
ter surgido nos primórdios da origem da vida na Terra,
quando os primeiros seres vivos passaram a obter energia
através da respiração celular. Portanto, o estudo do cito-
cromo c é um bom indicativo de evolução, permitindo a
determinação ou não de parentescos.
Constituído basicamente por 104 aminoácidos com al-
gumas variações, o citocromo c pode apresentar mais di-
ferenças quanto mais distantes evolutivamente estejam as
espécies. Observe a tabela, que apresenta diferenças rela-
tivas nos citocromos c extraídos de organismos diferentes.
Tempo provável desde a
Espécies Diferenças entre divergência da
comparadas os aminoácidos ancestralidade comum
em milhões de anos

Homem-macaco 1 50-60
Rhesus

Homem-cavalo 12 70-75
Calendário da vida. Se a história da vida na Terra fosse descrita
Homem-cão 10 70-75 na escala de um calendário mensal de 30 dias, a história humana
registrada ocuparia somente os últimos 30 segundos.
Porco-vaca-carneiro 0 —
Os restos fósseis dos hominídeos têm sido encontrados
Cavalo-vaca 3 60-65 desde fins do século XIX e constituem ainda um registro mui-
to fragmentário. Entretanto, o que se conhece permite fazer
Mamíferos-galinha 10-15 280 inferências sobre a sequência evolutiva que originou a nossa
espécie. As modificações mais importantes do grupo foram:
Vertebrados-lêvedo 43-48 1000-2000
MOODY, P. A. Introdução à evolução, 1975. p. 77 (modificada)
a) postura bípede, que resultou de alteração do es-

queleto, especialmente nos ossos da bacia e na ar-
As semelhanças e/ou as diferenças entre os aminoáci- ticulação dos membros posteriores;
dos (do citocromo c) são perfeitamente concordantes com b) maior desenvolvimento da habilidade manual;
o grau de parentesco entre elas, de tal forma que porco,

c) aumento da capacidade craniana, com aumento
vaca e carneiro, todos eles mamíferos de casco com nú-

do cérebro, principalmente das áreas relacionadas
mero par de dedos (Artiodátila) têm citocromo c idênti- com a atividade inteligente;
cos. Já o cavalo (Perissodátila) difere da vaca em apenas
d) modificações na mandíbula e nos dentes, que per-
três aminoácidos. O parentesco é bem marcante quando

comparamos o homem e o macaco Rhesus (ambos prima- mitiram o desenvolvimento da linguagem articula-
tas). Quando nos comparamos com cão (10) e cavalo (12), da e modificações na dieta alimentar;
as diferenças aumentam, aumentando também o tempo e) comportamento grupal e comunicação, que am-

provável desde a ancestralidade. “O fato de o citocromo pliaram as possibilidades de defesa.

138
Biologia

Restos fósseis do
Questionamentos comuns:
esqueleto de Lucy,
encontrado na Etiópia, Se os humanos vieram dos macacos, porque ainda
em um local datado em hoje existem macacos?
3,2 milhões de anos. Lucy Se a evolução realmente aconteceu, porque parou
é o fóssil mais completo nas espécies atuais?
de australopiteco já
encontrado. Com relação à primeira pergunta, quando é dito que
os humanos descendem de macacos, refere-se a primatas
ancestrais e não os atuais. Assim, em nenhuma hipótese
pode-se pensar que o chimpanzé, ou o gorila são ances-
trais humanos; eles apenas compartilham um ancestral
comum aos Homo sapiens.
Evidências recentes e os estudos sobre a evolução da es-
pécie humana vêm sugerindo que uma linhagem de Homo
erectus teria originado, há cerca de 250 mil anos, a espécie
Homo neanderthalensis, antigamente conhecida como sen-
do uma subespécie do Homo sapiens (Homo sapiens nean-
Reconstituição artística de derthalensis). Este se extinguiu há cerca de 30 mil anos.
Lucy (em primeiro plano);
Possivelmente, como acreditam alguns cientistas, por
acredita-se que ela media
cerca de 1 m de altura e volta de 200 mil a 150 mil anos atrás, uma outra linhagem de
pesava aproximadamente Homo erectus teria originado o Homo sapiens, a espécie hu-
30 kg. mana moderna. Logo, é a espécie Homo erectus a ancestral
dos humanos, e não os chimpanzés ou gorilas (ditos macacos
atuais). Homo erectus, por sua vez, não existem atualmente,
pois sofreu especiação, tornando-se o homem atual.

BIOATP - ORIGEM DA VIDA E EVOLUÇÃO


Prossimios Antropoides

társio lêmure simios do simios do gibão orangotango gorila chimpanzé


Novo Mundo Velho Mundo ser humano

ancestrais mamíferos
dos primatas

Esquema simplicado da provável árvore filogenética dos primatas.

Com relação à segunda pergunta, a resposta é: a evolução não parou, mas eventos evolutivos do tipo especiação
demandam muitos anos, o que inviabiliza visualizarmos, a não ser por meio de registros fósseis ou outras evidências
evolutivas, nos dando a impressão que nós, humanos, não estamos evoluindo.
O Futuro da Evolução
Os agentes da evolução estão atuando tanto no presente quanto o fizeram no passado quando a vida surgiu na Terra.
Entretanto, mudanças maiores são ocasionadas como resultado do incrível aumento da população humana. Até recen-
temente, as extinções causadas pelo homem afetaram apenas a maioria dos grandes vertebrados, mas agora essas per-
das estão sendo ampliadas pela perda de espécies pequenas, causadas, especialmente, por modificações na vegetação
da Terra. Deliberada ou inadvertidamente, as pessoas estão movimentando milhares de espécies ao redor do mundo.
Os homens têm influenciado a evolução de espécies com importância econômica por meio da seleção artificial ou
da biotecnologia. Nossa habilidade em modificar espécies tem sido ampliada com o surgimento de técnicas de biologia
molecular, que nos permitem passar genes de uma espécie para outra, independentemente da distância genética entre
elas. Em um curto espaço de tempo, o homem se tornou o agente evolutivo dominante sobre a Terra. A maneira como
faremos uso dessa influência afetará grandemente o futuro da vida na Terra.

[Link] | Produção: [Link] 139


Biologia

Com relação ao experimento, analise as afirmativas


abaixo.
I. A gaze no frasco B impede a entrada de insetos,


mas não impede a entrada de micro-organismos.
II. Os vermes são formas larvais das moscas e, por


isso, só apareceram no frasco A.
Origem da Vida III. O frasco A controla experimentalmente o frasco B.


IV. Redi não padronizou a quantidade de carne nos
1. O experimento, utilizando-se de frascos de vidro, com


frascos. Com isso, o experimento é inconclusivo.

o formato de “pescoço de cisne”, contendo um “caldo V. Toda matéria em estado de decomposição produz
nutritivo” e submetido primeiramente ao isolamento


naturalmente seus vermes. Por isso, os vermes fo-
e posteriormente à exposição ao ar, conforme figura ram observados nos dois frascos.
abaixo, foi usado para se provar a origem da vida. VI. Os vermes aparecem nos dois frascos, porém


aparecem primeiro no frasco A e vários dias de-
pois no frasco B.
De acordo com essa análise, estão corretas apenas as


alternativas
Fervura O líquido
permanece estéril (A) II, III e IV.



(B) l, V e VI.


(C) I, II e III.
(D) IV, V e VI.
Fervura Quebra do Crescimento
gargalo microbiano 3. O planeta abriga uma imensa diversidade biológica,

cuja origem possivelmente ocorreu em lagos e ocea-
nos na Terra primitiva. Considerando que a formação
O autor e a teoria por ele provada foram, respectiva-
de coacervados, ilustrada abaixo, poderia fornecer

mente,
uma explicação para o surgimento da vida, há bilhões
(A) Charles Darwin e Teoria da Evolução. de anos, analise as afirmativas abaixo.

Água Coacervado
(B) Francesco Redi e Teoria da Abiogênese.

(C) Aristóteles e Teoria da Geração Espontânea.

(D) Louis Pasteur e Teoria da Biogênese.

(E) Louis Joblot e Teoria da Seleção Natural.

2. O aparecimento de animais vermiformes em carne

durante o processo de decomposição pode ser obser- Proteínas
vado frequentemente. Em 1668, Francesco Redi reali-
zou um experimento para tentar elucidar o fenômeno 1. Caso houvesse disponibilidade de metano, amônia,

citado. O experimento, de forma simplificada, consis- hidrogênio e água na atmosfera da Terra primitiva,
tiu em dois frascos de vidro, onde, em ambos, Redi tais compostos seriam prováveis fontes de aminoá-
colocou pedaços de carne. Um dos frascos foi fechado cidos necessários à formação de coacervados.
com gaze e o outro mantido aberto, conforme a figura 2. Os coacervados eram células eucariontes primitivas
a seguir. Depois de vários dias, Redi encontrou os ani-

envoltas por uma película de água e com funções
mais vermiformes. básicas intracelulares, como absorção e excreção.
gaze 3. Nos coacervados, as reações químicas eram pro-

movidas com energia de ativação fornecida pela
radiação solar e pelas descargas elétricas.

Está(ão) correta(s) apenas



carne
carne (A) 1 e 2. (C) 1. (E) 2 e 3.



Frasco A       Frasco B (B) 1 e 3. (D) 2.


140 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

4. A origem das células a partir de compostos químicos Pela teoria de Oparin, os primeiros seres surgidos na


espumosos pode ter ocorrido uma vez ou diversas ve- Terra teriam sido
zes. Em qualquer caso, as primeiras células em nossa (A) heterótrofos e aeróbicos.
linhagem foram sistemas proteicos autossustentáveis


(B) heterótrofos e anaeróbicos.
fechados por membranas, baseados em RNA e DNA.


(C) autótrofos e anaeróbicos.
Em termos de detalhes da estrutura celular do com-


portamento metabólico, elas eram muito semelhan- (D) autótrofos e aeróbios.


tes a nós. Seus componentes materiais estavam em (E) autótrofos e heterótrofos.


constante intercâmbio com o ambiente externo. Elas 6. Charles Darwin, além de postular que os organismos
se desfaziam dos resíduos enquanto obtinham ali-


vivos evoluíam pela ação da seleção natural, também
mentos e energia. Seus padrões perduravam enquan- considerou a possibilidade de as primeiras formas de
to elas reabasteciam as entranhas com compostos vida terem surgido em algum lago tépido do nosso
químicos trazidos do ambiente. Planeta. Entretanto, existem outras teorias que ten-
MARGULIS, Lynn. O planeta simbiótico: uma nova perspectiva da evolução.
Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
tam explicar como e onde a vida surgiu. Uma delas, a
panspermia, sustenta que
A respeito dos pré-requisitos necessários na geração
(A) as primeiras formas de vida podem ter surgido

dos primeiros seres vivos no planeta e as suas reper-


nas regiões mais inóspitas da Terra, como as fon-
cussões na determinação do padrão básico celular
tes hidrotermais do fundo dos oceanos.
atual, pode-se afirmar que
(B) compostos orgânicos simples, como os aminoáci-


(A) uma evolução química na atmosfera primitiva dos, podem ter sido produzidos de maneira abió-

do planeta Terra permitiu forjar os elementos tica em vários pontos do planeta Terra.
químicos essenciais na constituição dos pri- (C) bactérias ancestrais podem ter surgido por toda a

meiros seres vivos. Terra, em função dos requisitos mínimos necessá-
(B) a membrana lipoproteica favoreceu o isolamento rios para a sua formação e subsistência.

do protobionte em relação ao ambiente circun- (D) a capacidade de replicação das primeiras molécu-

dante presente nos oceanos primitivos. las orgânicas foi o que permitiu que elas se difun-
(C) a presença de uma molécula para a informação dissem pelos oceanos primitivos da Terra.

genética capacitou os seres vivos primordiais na (E) a vida se originou fora do Planeta Terra, tendo

realização de uma reprodução associada à here- sido trazida por meteoritos, cometas ou então
ditariedade. pela poeira espacial.
(D) a obtenção de energia e matéria a partir da utili-
7. Oparin acreditou que a vida na Terra poderia ter sur-

zação do seu próprio resíduo foi essencial no esta-

gido a partir de substâncias orgânicas formadas por
belecimento desses seres autotróficos originais.
combinação de moléculas, como metano, amônia,
(E) os seres atuais se diferenciam dos protobiontes
hidrogênio e vapor de água, presentes na atmosfera

devido à ausência, nos sistemas vivos primordiais,
primitiva de nosso planeta. Depois teriam ocorrido a
de um metabolismo celular que controlasse as
síntese proteica nos mares, a formação de coacerva-
atividades biológicas.
dos e o surgimento das primeiras células.
5. Em 1936, Alexander Oparin propõe uma nova expli- Levando-se em conta os processos de formação e as

maneiras de utilização dos gases oxigênio e dióxido de

cação para a origem da vida. Sua hipótese se resume
nos seguintes passos descritos no esquema que se se- carbono, a sequência mais provável dos primeiros se-
gue. res vivos na Terra é a de organismos
(A) heterótrofos anaeróbicos → autótrofos → hete-

rótrofos aeróbicos.
(B) heterótrofos anaeróbicos → heterótrofos aeróbi-

cos → autótrofos.
(C) heterótrofos aeróbicos → autótrofos → heteró-

trofos → anaeróbicos.
(D) autótrofos → heterótrofos anaeróbicos → hete-

rótrofos aeróbicos.
(E) autótrofos → heterótrofos aeróbicos → heteró-

trofos anaeróbicos.

[Link] | Produção: [Link] 141


Biologia

8. (UEL-PR) Analise o esquema a seguir. (D) a influência do conjunto de circunstâncias às quais




os indivíduos são submetidos como fator determi-
nante na constituição de novas espécies, baseadas
nos conceitos de genética e seleção natural.
(E) a importância das situações de pressão para a


ocorrência de mutações e formação de variações
dentro de uma espécie e até mesmo de novas es-
pécies geradas pelo conjunto de indivíduos que
sofreram as mesmas alterações genéticas.
Com base no esquema e nos conhecimentos sobre a 10. Pesquisas mostram que, em modalidades que exigem

origem da vida, considere as afirmativas a seguir.


bom condicionamento aeróbico, o coração do atleta dila-
I. O esquema representa a origem abiótica da vida, ta, pois precisa trabalhar com grande volume de sangue.

em conformidade com a teoria de Oparin-Haldane. Em um esforço rápido e súbito, como um saque no tê-


II. Os organismos primitivos – microrganismos – fo- nis, uma pessoa normal pode ter o pulso elevado de 70

ram precedidos, em nosso planeta, por uma longa a 100 batimentos por minuto; para um atleta pode se
evolução dos compostos químicos. elevar de 60 a 120 bpm, como mostra o gráfico a seguir.
III. Os organismos mais complexos portam em seu

DNA muitas informações dos organismos que lhes
antecederam na Terra.
IV. As moléculas de proteínas e de ácidos nucleicos

dos organismos atuais são estruturalmente distin-
tas daquelas presentes em organismos primitivos.
Estão corretas apenas as afirmativas

(A) I e III. (D) I, II e III. (Adaptado de “Folha de S. Paulo”, 06/06/2004)


(B) I e IV. (E) II, III e IV. Se os filhos de atletas nascessem com corações maio-



(C) II e IV. res que a média da população, isso seria considerado

Evolução um reforço para a teoria
(A) neodarwinista.
9. Leia o texto para responder à questão a seguir.

(B) da seleção natural.


“(...) os indivíduos que, por causas particulares, são (C) da sobrevivência do mais apto.


transportados a uma situação muito diferente daque- (D) da herança dos caracteres adquiridos.

la em que se encontram, e que experimentam cons- (E) da luta pela reprodução diferencial.

tantemente outras influências nessa situação, tomam
11. “O ambiente afeta a forma e a organização dos ani-
novas formas devido aos novos hábitos, e como con-

mais, isto é, quando o ambiente se torna muito dife-
sequência disso constituem uma nova espécie, forma-
rente, produz ao longo do tempo modificações corres-
da pelo conjunto de indivíduos que estão na mesma
pondentes na forma e organização dos animais... As
circunstância”.
cobras adotaram o hábito de se arrastar no solo e se
O trecho retirado do livro Recherches sur l’organisation esconder na grama: de tal maneira que seus corpos,
como resultados de esforços repetidos de se alongar,

des corps vivants, de Jean Baptiste Lamarck, demonstra
adquiriram comprimento considerável...”.
(A) a teoria fixista indicando que as situações às quais
O trecho citado foi transcrito da obra Filosofia

os indivíduos são expostos influenciam a forma-

ção de novas características que serão transmiti- Zoológica de um famoso cientista evolucionista.
das aos descendentes. Assinale a alternativa que contém, respectivamente, a

(B) o rompimento, em termos filosóficos, do fixismo ideia transmitida pelo texto e o nome do seu autor.

com o modelo apresentado por Lamarck, propon- (A) Seleção natural - Charles Darwin.

do uma visão evolucionista sobre a formação de (B) Herança dos caracteres adquiridos - Jean Lamarck.
novas espécies.

(C) Lei do transformismo - Jean Lamarck.
(C) a constituição de uma nova espécie baseada na

(D) Seleção artificial - Charles Darwin.

seleção natural dos indivíduos mais aptos a so-

breviver quando submetidos a diferentes condi- (E) Herança das características dominantes - Alfred

ções de pressão. Wallace.

142 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

12. 13. A ema (Rhea americana), o avestruz (Struthio camelus)




e o emu (Dromaius novaehollandiae) são aves que não
voam e que compartilham entre si um ancestral comum
mais recente que aquele que compartilham com outros
grupos de aves. Essas três espécies ocupam hábitats
semelhantes, contudo apresentam área de distribuição
bastante distinta. A ema ocorre no sul da América do Sul,
o avestruz é africano e o emu ocorre na Austrália.
ema

Modelo do Beagle (acima, Charles Darwin)

Em 1831 a bordo do navio Beagle, Charles Darwin, na- avestruz emu



turalista inglês, iniciou uma viagem de exploração cientí-
fica pelo mundo, durante a qual fez importantes obser-
vações dos seres vivos que resultaram na publicação do
livro A origem das espécies por meio da seleção natural.
Nesse livro, considerado um dos mais importantes da

história da Biologia, Darwin apresentou sua teoria so-
bre a evolução das espécies – o darwinismo –, que se Disponível em: [Link].
baseia principalmente nas seguintes ideias:
Segundo a explicação mais plausível da biologia moderna,
– Todos os seres vivos descendem, com modifica-

a distribuição geográfica dessas aves é consequência da

ções, de ancestrais comuns. (A) fragmentação de uma população ancestral que

– Os indivíduos com características mais vantajosas se distribuía por uma única massa de terra, um

são selecionados naturalmente para a reprodução. supercontinente. Em razão da deriva continental,
Entre as muitas evidências apontadas como provas as populações resultantes, ainda que em hábitats
semelhantes, teriam sofrido divergência genética,

da evolução dos seres vivos, Darwin destacou os fós-
seis que encontrou em vários países por onde pas- resultando na formação das espécies atuais.
sou. Na Argentina, por exemplo, descobriu o fóssil de (B) migração de indivíduos de uma população ances-

um bicho preguiça gigante com mais de três metros tral, provavelmente da África, para a América do
de comprimento. Sul e a Austrália, utilizando faixas de terra existen-
tes em épocas de mares rasos. Nos novos hábi-
Essas descobertas, entre outras, ajudaram a concluir
tats, as populações migrantes divergiram e forma-

que nosso planeta foi habitado por organismos dife-
rentes dos atuais e que muitas espécies recentes têm ram as espécies atuais.
semelhanças com esses organismos, o que é um forte (C) origem independente de três espécies não apa-

indício de parentesco evolutivo. rentadas, na América do Sul, na África e na
Austrália, que, mesmo vivendo em locais diferen-
De acordo com o texto, é correto afirmar que tes, desenvolveram características adaptativas se-

(A) a descoberta de fósseis foi um fator que dificultou melhantes, resultando nas espécies atuais.
(D) migração de ancestrais dessas aves, os quais, embo-

a comprovação da teoria evolucionista de Darwin.

ra não aparentados entre si, tinham capacidade de
(B) o darwinismo se baseou no estudo de espécies que
voo e, portanto, puderam se distribuir pela América

contradizem, até hoje, a teoria da seleção natural.
do Sul, pela África e pela Austrália. Em cada um des-
(C) a teoria da origem das espécies, ao contrário do
ses lugares, teriam ocorrido mutações diferentes

que Darwin esperava, não teve repercussão nos
estudos da Biologia. que teriam adaptado as populações aos seus res-
pectivos hábitats, resultando nas espécies atuais.
(D) as características dos indivíduos são imutáveis ao
(E) ação do homem em razão da captura, transporte

longo das gerações, pois eles são cópias idênticas

e soltura de aves em locais onde anteriormente
dos seus ancestrais. não ocorriam. Uma vez estabelecidas nesses no-
(E) os indivíduos não são exatamente iguais, apre- vos locais, a seleção natural teria favorecido ca-

sentando diferenças que os tornam mais adapta- racterísticas específicas para cada um desses há-
dos ou menos adaptados ao ambiente. bitats, resultando nas espécies atuais.

[Link] | Produção: [Link] 143


Biologia

14. Charles Darwin estudou a distribuição dos tentilhões 16. O texto abaixo descreve um experimento com a maripo-


no Arquipélago de Galápagos e sua relação com o tipo sa Biston betularia, realizado na Inglaterra em 1950, por
de bico e o hábito alimentar. um pesquisador chamado Kettlewell.
Em um bosque poluído por fuligem, foram soltas 630


mariposas, das quais 137 eram claras e 493 escuras.
Todas elas haviam sido marcadas por uma pequena
mancha de tinta. Após algumas horas, o pesquisador
bico grande bico grande bico curto bico bico grande e
e forte que e afiado e fino que pequeno fino que tira procedeu a uma recaptura, com a ajuda de uma lâm-
esmaga que agarra apanha e forte néctar das pada ultravioleta, que atraía as mariposas para uma ar-
sementes e corta insetos das que parte flores
grandes e insetos fendas sementes madilha. Conseguiu recapturar 131 escuras e 18 claras.
duras no solo Esse experimento visou demonstrar


(A) o processo evolutivo segundo Lamarck e Darwin.


(B) a seleção natural, base da teoria evolucionista de


Darwin.
(C) a lei do uso e desuso, base da teoria proposta por


Lamarck.
Disponível em: [Link]. Acesso em: 04 dez. 2012
(D) ocorrência da mutação, base da teoria sintética


da evolução.
A relação entre o tipo de bico e o alimento é definida (E) o neodarwinismo, baseado na mutação e na sele-

pela(o)


ção natural.
(A) possibilidade de extinção das aves. 17. Considere os tópicos abaixo:


(B) espaço geográfico ocupado pelos animais. I. Seleção natural

II. Herança dos caracteres adquiridos

(C) disponibilidade de recursos no ambiente.

III. Adaptação ao meio


(D) capacidade de adaptação a novos alimentos. IV. Ancestralidade comum


(E) deslocamento de cada espécie entre as ilhas. V. Mutação


Quais deles foram considerados por Darwin na elabo-
15. O ambiente é responsável direto pela seleção de ca-

ração de sua teoria da evolução das espécies?

racterísticas, genotípicas e fenotípicas, de uma popu-
(A) Somente I, III e IV. (D) Somente III, IV e V.
lação.


(B) Somente I, II e V. (E) Somente I e V.
Os eventos ilustrados nas figuras representam uma


(C) Somente I e III.

possível sequência de um processo evolutivo.

18. Um dos maiores problemas mundiais de saúde públi-

ca é a infecção hospitalar. Recentemente, constatou-
-se que a bactéria Klebsiella pneumoniae, responsável
pela pneumonia e por infecções da corrente sanguí-
nea, tornou-se resistente a todos os antibióticos uti-
lizados atualmente. Essa resistência, por sua vez, foi
 1         2      3     4 propagada por conjugação para a bactéria Escherichia
Disponível em: [Link]. coli, que vive nos intestinos de animais de sangue
De acordo com a teoria sintética da evolução, é corre- quente e é onipresente em nosso ambiente.

to afirmar que Considere as afirmações abaixo sobre a situação apre-

(A) a visão e o bico do pássaro evoluíram em decor- sentada.

rência de suas utilizações. I. A utilização de antibióticos exerce pressão seleti-

(B) a diversidade gênica dos besouros não é afetada va para a aquisição de resistência.
II. A utilização de antibióticos causa mutações que

pela predação do pássaro.

(C) o pássaro é um agente de seleção de característi- conferem resistência às bactérias.
III. As bactérias podem adquirir resistência sem te-

cas genotípicas nos besouros.

rem sido expostas aos antibióticos.
(D) a seleção natural atua na população de besouros,
Quais estão corretas?

mas não na de pássaros.

(E) a coloração dos besouros que sofrem maior pre- (A) Apenas I. (D) Apenas II e III.



dação é um fenótipo recessivo. (B) Apenas II. (E) I, II e III.


(C) Apenas I e III.

144 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

19. O termo “superbactérias” é atribuído às bactérias que III. Homólogas têm apenas estruturas de mesma fun-


desenvolvem resistência a, praticamente, todos os an- ção e origem.
tibióticos. Vários fatores estão envolvidos na dissemi- IV. Homólogas têm estruturas de mesma função,
nação desses micro-organismos multirresistentes, in-


mas de diferente origem.
cluindo o uso abusivo de antibióticos, procedimentos
invasivos (cirurgias, implantação de próteses médicas Assinale a alternativa correta.


e outros) e a capacidade das bactérias de transmitir (A) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.


seu material genético. (B) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
(Ciência Hoje, n.º 287, novembro de 2011)


(C) Somente a afirmativa I é verdadeira.
A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos


(D) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.

de biologia, é correto afirmar que


(E) Somente a afirmativa II é verdadeira.
(A) os antibióticos provocam alterações diretas no



RNA, que é o material genético das bactérias. 22. Leia o texto a seguir.


(B) os antibióticos provocam alterações diretas no Os animais não podem digerir a celulose sem a aju-



DNA, que é o material genético das bactérias. da de bactérias, e muitos vertebrados reservam um
(C) os antibióticos provocam alterações diretas nas pro- beco sem saída no intestino, o ceco, que abriga esses
micro-organismos. O apêndice humano é um resquí-

teínas bacterianas, uma vez que esses polipeptídeos
cio do ceco mais avantajado dos nossos ancestrais
constituem o material genético desses procariontes.
vegetarianos.
(D) bactérias portadoras de mutações provocadas DAWKINS, R. O maior espetáculo da Terra: As evidências da evolução.

por antibióticos perdem a capacidade de transmi- São Paulo: Companhia das Letras. 2009. p. 113.
tir genes a seus descendentes.
Este texto exemplifica a
(E) Na população em geral, e principalmente no am-

(A) presença de órgãos vestigiais.

biente hospitalar, há uma seleção de genes bacte-
rianos que determinam resistência a antibióticos. (B) presença de estruturas análogas.

(C) ocorrência de adaptação ao meio.
20. Nas figuras, as mudanças de cores nas esferas simbo-

(D) ocorrência de convergência adaptativa.

lizam a aquisição de novas características nas espécies

(E) transmissão de caracteres adquiridos.
ao longo do tempo.

23. Observe a representação da ancestralidade comum

aos mamíferos.

As figuras que representam, respectivamente, a teo-



ria criacionista, a transformista (Lamarck) e a darwi-
nista são
(A) I, II e III. (D) II, III e I.


(B) I, III e II. (E) III, II e I.


(C) II, I e III.
Disponível em: [Link]. Acesso em: 18 fev. 2013.

21. Nos estudos de evolução no reino animal, é frequente
A estrutura locomotora dos animais apresentados fa-

o uso dos termos análogo e homólogo. Analise as pro-

posições abaixo, de acordo com estes estudos. vorece sua(seu)
(A) hábito alimentar.
I. Análogas têm estruturas de mesma função, mas

(B) reserva de gordura.

de diferente origem.

(C) funcionalidade sensorial.
II. Análogas têm estruturas de mesma origem, mas

(D) adaptação aos ambientes.

de diferente função.

(E) resistência a variações térmicas.

[Link] | Produção: [Link] 145
Biologia

24. Utilizando-se técnicas de hibridização ou de determi- Texto para a próxima questão:



nação da sequência de bases do DNA, é possível esti- Muitas vezes, o processo de evolução por seleção na-


mar o grau de parentesco entre espécies de seres vivos. tural é alvo de interpretações distorcidas. E quando o
Analise esta árvore evolutiva dos primatas antropoides: assunto é a evolução humana, a distorção pode ser ain-
Laços de Sangue da maior, pois o Homo sapiens é apresentado como o
Gibão Orangotango Gorila Homem Bonobo Chimpanzé ápice do desenvolvimento. As ilustrações mais conhe-
cidas da evolução estão todas direcionadas no sentido
de reforçar uma cômoda concepção da inevitabilidade
0 0 e da superioridade humanas. A principal versão dessas
1 ilustrações é a série evolutiva ou escada de progresso
2
linear. Esse avanço linear ultrapassa os limites das re-
5
presentações e alcança a própria definição do termo
3 10 evolução: a palavra tornou-se sinônimo de progresso. A
4 Diferença Milhões 15 história da vida não é uma escada em que o progresso
5 percentual de DNA de anos 20 se faz de forma previsível e sim um arbusto ramificado
e continuamente podado pela tesoura da extinção.
Caminhos da Terra, 1995. Adaptado. (Adaptado de: GOULD, S. J. Vida maravilhosa: o acaso na evolução e a natureza da
história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p.23-31.)
A partir dessa análise, é correto deduzir que, dos pri-

matas representados, a maior semelhança genética
ocorre entre
(A) homem e chimpanzé.  (C) homem e gorila.

(B) chimpanzé e bonobo.  (D) orangotango e gibão.

25. Analise uma das hipóteses sobre a origem da espécie

humana.
Adapatado de: GOULD, S. J. Vida maravilhosa: o acaso na evolução e a natureza
da história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 27.
26. A árvore filogenética, representada na figura a seguir,

é construída com base nas comparações de DNA e
proteínas.

Com base na análise dessa árvore filogenética, assina-


A partir das informações contidas na representação,

le a alternativa correta.

pode-se afirmar que a espécie
(A) O grupo formado pelos lêmures é o mais recente,
(A) humana surgiu na África, a partir de linhagens de

porque divergiu há mais tempo de um ancestral

Homo ergaster. comum.
(B) Homo ergaster migrou para a Europa para origi- (B) Os chimpanzés apresentam maior proximidade fi-


nar a espécie Homo neanderthalensis. logenética com os gorilas do que com os humanos.
(C) Homo erectus é a espécie ancestral mais recente (C) Os gorilas compartilham um ancestral comum


da espécie humana. mais recente com os gibões do que com o grupo
(D) Homo neanderthalensis conviveu em algum mo- formado por chimpanzés e seres humanos.
(D) Os gorilas são os ancestrais comuns mais recentes do

mento com a espécie Homo rudolfensis.

(E) humana e a Homo ergaster não apresentam grau grupo formado por chimpanzés e seres humanos.
(E) Os macacos do Velho Mundo e do Novo Mundo apre-

de parentesco evolutivo.

sentam grande proximidade filogenética entre si.

146 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

1. D 10. D 19. E
Origem da Vida



2. C 11. C 20. C



1. Em certos locais, larvas de moscas, criadas em arroz
3. B 12. E 21. C


cozido, são utilizadas como iscas para pesca. Alguns



4. C 13. A 22. A criadores, no entanto, acreditam que essas larvas sur-



gem espontaneamente do arroz cozido, tal como pre-
5. B 14. C 23. D conizado pela teoria da geração espontânea.



6. E 15. C 24. B Essa teoria começou a ser refutada pelos cientistas




7. A 16. B 25. A ainda no século XVII, a partir dos estudos de Redi e



Pasteur, que mostraram experimentalmente que
8. D 17. A 26. E



(A) seres vivos podem ser criados em laboratório.
9. B 18. C




(B) a vida se originou no planeta a partir de microrga-

nismos.
(C) o ser vivo é oriundo da reprodução de outro ser

vivo pré-existente.
(D) seres vermiformes e microrganismos são evoluti-

vamente aparentados.
(E) vermes e microrganismos são gerados pela ma-

téria existente nos cadáveres e nos caldos nutriti-
vos, respectivamente.

2. Nas recentes expedições espaciais que chegaram ao



solo de Marte, e através dos sinais fornecidos por
diferentes sondas e formas de análise, vem sendo
investigada a possibilidade da existência de água na-
quele planeta. A motivação principal dessas investiga-
ções, que ocupam frequentemente o noticiário sobre
Marte, deve-se ao fato de que a presença de água in-
dicaria, naquele planeta,

(A) a existência de um solo rico em nutrientes e com



potencial para a agricultura.
(B) a existência de ventos, com possibilidade de ero-

são e formação de canais.
(C) a possibilidade de existir ou ter existido alguma

forma de vida semelhante à da Terra.
(D) a possibilidade de extração de água visando ao

seu aproveitamento futuro na Terra.
(E) a viabilidade, em futuro próximo, do estabeleci-

mento de colônias humanas em Marte.

[Link] | Produção: [Link] 147


Biologia

3. Na solução aquosa das substâncias orgânicas pré-bióti- Legenda: 1 - Pneumatosfera primitiva;




cas (antes da vida), a catálise produziu a síntese de mo- 2 - Aparecimento da vida;


léculas complexas de toda classe, inclusive proteínas e 3 - Começo da fotossíntese;


ácidos nucléicos. A natureza dos catalisadores primitivos 4 - Primeira célula eucarionte;


que agiam antes não é conhecida. É quase certo que as 5 - Pré-Cambriano;
argilas desempenharam papel importante: cadeias de


6 - Primário;
aminoácidos podem ser produzidas no tubo de ensaio


7 - Secundário;
mediante a presença de certos tipos de argila. (...)


8 - Terciário e Quaternário;


Mas o avanço verdadeiramente criativo – que pode, 9 - Primeiros vertebrados;


na realidade, ter ocorrido apenas uma vez – ocorreu 10 - Conquista da Terra.


quando uma molécula de ácido nucleico “aprendeu” a
orientar a reunião de uma proteína, que, por sua vez, De acordo com o gráfico, é correto afirmar que


ajudou a copiar o próprio ácido nucleico. Em outros (A) as primeiras formas de vida surgiram na ausência


termos, um ácido nucleico serviu como modelo para a de O2.
reunião de uma enzima que poderia então auxiliar na (B) a atmosfera primitiva apresentava 1% de teor de
produção de mais ácido nucleico. Com este desenvol-


oxigênio.
vimento apareceu o primeiro mecanismo potente de
realização. A vida tinha começado. (C) após o início da fotossíntese, o teor de oxigênio


Adaptado de: LURIA, S.E. Vida: experiência inacabada. na atmosfera mantém-se estável.

Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1979. (D) desde o Pré-Cambriano, a atmosfera mantém os
Considere o esquema abaixo:


mesmos níveis de teor de oxigênio.

(E) na escala evolutiva da vida, quando surgiram os

anfíbios, o teor de oxigênio atmosférico já se ha-
via estabilizado.
5. As áreas numeradas no gráfico mostram a composi-

ção em volume, aproximada, dos gases na atmosfera
terrestre, desde a sua formação até os dias atuais.

Adaptado de GEPEQ - Grupo de Pesquisa em Educação Química.



USP - Interações e Transformações atmosfera: fonte de materiais extrativos e
sintéticos. São Paulo: EDUSP, 1998.
O “avanço verdadeiramente criativo” citado no texto

deve ter ocorrido no período (em bilhões de anos)
compreendido, aproximadamente, entre
(A) 5,0 e 4,5. (D) 2,0 e 1,5.


(B) 4,5 e 3,5. (E) 1,0 e 0,5. (I) Metano e Hidrogênio (IV) Nitrogênio





(C) 3,5 e 2,0. (II) Vapor d’água (V) Gás Carbônico



4. O gráfico abaixo representa a evolução da quantidade (III) Amônia (VI) Oxigênio



de oxigênio na atmosfera no curso dos tempos geo- Adaptado de The Random House Encyclopedias, 3 ed., 1990.
lógicos. O número 100 sugere a quantidade atual de

Considerando apenas a composição atmosférica, iso-
oxigênio na atmosfera, e os demais valores indicam

lando outros fatores, pode-se afirmar que
diferentes porcentagens dessa quantidade.
I. não podem ser detectados fósseis de seres aeró-

bicos anteriores a 2,9 bilhões de anos.
II. as grandes florestas poderiam ter existido há

aproximadamente 3,5 bilhões de anos.
III. o ser humano poderia existir há aproximadamen-

te 2,5 bilhões de anos.
É correto o que se afirma em

(A) I, apenas. (D) II e III, apenas.


(B) II, apenas. (E) I, II e III.


(C) I e II, apenas.

148 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

Evolução 9. As cobras estão entre os animais peçonhentos que


6. Alguns anfíbios e répteis são adaptados à vida sub- mais causam acidentes no Brasil, principalmente na
área rural. As cascavéis (Crotalus), apesar de extrema-

terrânea. Nessa situação, apresentam algumas ca-
racterísticas corporais como ausência de patas, corpo mente venenosas, são cobras que, em relação a ou-
anelado que facilita o deslocamento no subsolo e, em tras espécies, causam poucos acidentes a humanos.
alguns casos, ausência de olhos. Isso se deve ao ruído de seu “chocalho”, que faz com
Suponha que um biólogo tentasse explicar a origem que suas vítimas percebam sua presença e as evitem.
Esses animais só atacam os seres humanos para sua

das adaptações mencionadas no texto utilizando con-
ceitos da teoria evolutiva de Lamarck. Ao adotar esse defesa e se alimentam de pequenos roedores e aves.
ponto de vista, ele diria que Apesar disso, elas têm sido caçadas continuamente,
por serem facilmente detectadas.
(A) as características citadas no texto foram origina-
Ultimamente os cientistas observaram que essas co-

das pela seleção natural.


(B) a ausência de olhos teria sido causada pela falta de bras têm ficado mais silenciosas, o que passa a ser um
problema, pois, se as pessoas não as percebem, au-

uso dos mesmos, segundo a lei do uso e desuso.
mentam os riscos de acidentes.
(C) o corpo anelado é uma característica fortemente

adaptativa, mas seria transmitida apenas à pri- A explicação darwinista para o fato de a cascavel estar


meira geração de descendentes. ficando mais silenciosa é que
(D) as patas teriam sido perdidas pela falta de uso e, (A) a necessidade de não ser descoberta e morta mu-

em seguida, essa característica foi incorporada


dou seu comportamento.
ao patrimônio genético e então transmitida aos
descendentes. (B) as alterações no seu código genético surgiram


para aperfeiçoá-Ia.
(E) as características citadas no texto foram adquiridas
(C) as mutações sucessivas foram acontecendo para

por meio de mutações e depois, ao longo do tem-

po, foram selecionadas por serem mais adaptadas que ela pudesse adaptar-se.
ao ambiente em que os organismos se encontram. (D) as variedades mais silenciosas foram seleciona-

7. Charles R. Darwin (1809-1882) apresentou, em das positivamente.
(E) as variedades sofreram mutações para se adapta-

1859, no livro A origem das espécies, suas ideias a

respeito dos mecanismos de evolução pelo processo rem à presença de seres humanos.
da seleção natural. Ao elaborar a Teoria da Evolução,
Darwin não conseguiu obter algumas respostas aos 10. Analise as ilustrações a seguir.

seus questionamentos.
O que esse autor não conseguiu demonstrar em sua

teoria?
(A) A sobrevivência dos mais aptos.

(B) A origem das variações entre os indivíduos.

(C) O crescimento exponencial das populações.

(D) A herança das características dos pais pelos filhos.

(E) A existência de características diversas nos seres

da mesma espécie.
8. As mudanças evolutivas dos organismos resultam de
Esses animais pertencem ao mesmo filo e classe, mas

alguns processos comuns à maioria dos seres vivos.

É um processo evolutivo comum a plantas e animais a diferentes ordens. Mesmo assim, apresentam gran-
vertebrados: de semelhança de coloração.
(A) movimento de indivíduos ou de material genético Esse fato justifica-se por


entre populações, o que reduz a diversidade de (A) modificações intencionais na coloração da pele,
genes e cromossomos.

evitando a predação dessas espécies.
(B) sobrevivência de indivíduos portadores de deter-
(B) infecções similares causadas por fungos, estimu-

minadas características genéticas em ambientes

específicos. lando a pigmentação das áreas afetadas.
(C) aparecimento, por geração espontânea, de novos (C) defeitos na produção de pigmentos escuros, im-


indivíduos adaptados ao ambiente. pedindo que a pele seja monocromática.
(D) aquisição de características genéticas transmiti- (D) transformação de um grupo de organismos em

das aos descendentes em resposta a mudanças

outro, modificando sua estrutura corporal.
ambientais.
(E) equivalência entre as pressões seletivas, caracte-
(E) recombinação de genes presentes em cromosso-

rizando um caso de convergência adaptativa.

mos do mesmo tipo durante a fase da esporulação.

[Link] | Produção: [Link] 149


Biologia

11. Os ratos Peromyscus polionotus encontram-se distri- conservar-se úmida, favorecendo as trocas gasosas e,

buídos em ampla região na América do Norte. A pe- também, pode apresentar glândulas de veneno con-
lagem de ratos dessa espécie varia do marrom claro tra microrganismos e predadores.
até o escuro, sendo que os ratos de uma mesma po- Segundo a Teoria Evolutiva de Darwin, essas caracte-


pulação têm coloração muito semelhante. Em geral, rísticas dos anfíbios representam a
a coloração da pelagem também é muito parecida à (A) lei do uso e desuso.
cor do solo da região em que se encontram, que tam-


(B) atrofia do pulmão devido ao uso contínuo da pele.
bém apresenta a mesma variação de cor, distribuída


(C) transmissão de caracteres adquiridos aos des-
ao longo de um gradiente sul norte. Na figura, encon-


cendentes.
tram-se representadas sete diferentes populações de
P. polionotus. Cada população é representada pela (D) futura extinção desses organismos, pois estão


pelagem do rato, por uma amostra de solo e por sua mal adaptados.
posição geográfica no mapa. (E) seleção de adaptações em função do meio am-


biente em que vivem.
13. O que têm em comum Noel Rosa, Castro Alves, Franz


Kafka, Álvares de Azevedo, José de Alencar e Frédéric
Chopin?
Todos eles morreram de tuberculose, doença que ao

longo dos séculos fez mais de 100 milhões de víti-
mas. Aparentemente controlada durante algumas
décadas, a tuberculose voltou a matar. O principal
obstáculo para seu controle é o aumento do número
de linhagens de bactérias resistentes aos antibióti-
cos usados para combatê-la. Esse aumento do núme-
ro de linhagens resistentes se deve a
(A) modificações no metabolismo das bactérias,

para neutralizar o efeito dos antibióticos e incor-
porá-los à sua nutrição.
MULLEN, L. M.; HOEKSTRA, H. E. Natural selection along an (B) mutações selecionadas pelos antibióticos, que


environment gradient: a classic cline in mouse pigmentation. Evolution, 2008.
eliminam as bactérias sensíveis a eles, mas per-
O mecanismo evolutivo envolvido na associação entre mitem que as resistentes se multipliquem.

cores de pelagem e de substrato é (C) mutações causadas pelos antibióticos, para que

(A) a alimentação, pois pigmentos de terra são absor- as bactérias se adaptem e transmitam essa adap-
tação a seus descendentes.

vidos e alteram a cor da pelagem dos roedores.
(B) o fluxo gênico entre as diferentes populações, (D) modificações fisiológicas nas bactérias, para tor-

ná-las cada vez mais fortes e mais agressivas no

que mantém constante a grande diversidade in-
terpopulacional. desenvolvimento da doença.
(C) a seleção natural, que, nesse caso, poderia ser (E) modificações na sensibilidade das bactérias,

ocorridas depois de passarem um longo tempo

entendida como a sobrevivência diferenciada de
indivíduos com características distintas. sem contato com antibióticos.
(D) a mutação genética, que, em certos ambientes, 14. A determinação da Agência Nacional de Vigilância

como os de solo mais escuro, têm maior ocorrên-

Sanitária (Anvisa) busca impedir o consumo indiscri-
cia e capacidade de alterar significativamente a minado de antibióticos, pois associa este fato ao sur-
cor da pelagem dos animais. gimento de superbactérias.
(E) a herança de caracteres adquiridos, capacidade MENDES,G. C.F. Farmácias fora da lei.

Disponível em:<[Link]
de organismos se adaptarem a diferentes am- Acesso em: 24 jul. 2012. (Adaptado).
bientes e transmitirem suas características gené-
O surgimento dos micro-organismos citados justifica-
ticas aos descendentes.

-se pelo fato de os antibióticos
12. Os anfíbios são animais que apresentam dependência (A) atuarem sobre o genoma microbiano, ocasionan-


de um ambiente úmido ou aquático. Nos anfíbios, a do mutações.
pele é de fundamental importância para a maioria das (B) provocarem alterações metabólicas, originando

atividades vitais, apresenta glândulas de muco para novas espécies.

150 [Link] | Produção: [Link]


(C) debilitarem o sistema imunológico, reduzindo a De acordo com essa teoria, a extinção ocorreu em


capacidade de defesa do corpo. função de modificações no planeta que
(D) possuírem baixo espectro de ação, induzindo a (A) desestabilizaram o relógio biológico dos animais,


geração de linhagens resistentes. causando alterações no código genético.
(E) causarem pressão seletiva, mantendo os genes (B) reduziram a penetração da luz solar até a superfí-


de resistência nas populações microbianas. cie da Terra, interferindo no fluxo energético das
teias tróficas.
15. As figuras a seguir representam as frequências do (C) causaram uma série de intoxicações nos animais,



alelo da anemia falciforme (à esquerda) e as regi- provocando a bioacumulação de partículas de po-
ões de endemia da malária (à direita), causada pelo eira nos organismos.
Plasmodium falciparum, na África. Regiões com maior (D) resultaram na sedimentação das partículas de po-


quantidade de indivíduos heterozigotos para a ane- eira levantada com o impacto do meteoro, provo-
mia falciforme são as que apresentam maior incidên- cando o desaparecimento de rios e lagos.
cia de malária. (E) evitaram a precipitação de água até a superfície


da Terra, causando uma grande seca que impediu
a retroalimentação do ciclo hidrológico.
17. Uma expedição de paleontólogos descobre em um


determinado extrato geológico marinho uma nova es-
pécie de animal fossilizado. No mesmo extrato, foram
encontrados artrópodes xifosuras e trilobitas, braqui-
ópodos e peixes ostracodermos e placodermos.
O esquema a seguir representa os períodos geológi-

cos em que esses grupos viveram.
Alelo da anemia
falciforme Placo-
dermo
1 - 5% Regiões endêmicas
5 - 10% da malária Ostracodermo
10 - 20%

Braquiópodo

Por que se observa a coincidência das distribuições


Trilobita

dessas duas situações?
Xifosura
(A) A malária atinge, preferencialmente, indivíduos

com anemia falciforme.
Quaternário

Ordoviciano
Carbonífero

Cambriano
Devoniano
Permiano
Jurássico

Siluriano
Terciário

(B) Os indivíduos heterozigotos têm menor chance


Triássico
Cretácio

de contrair o Plasmodium.
Era Era Era
(C) Os indivíduos infectados pela malária têm maio- Cenozoica Mesozoica Paleozoica

res chances de desenvolver anemia falciforme.
Observando esse esquema, os paleontólogos concluí-

(D) Os indivíduos heterozigotos têm maior chance de ram que o período geológico em que haviam encontrado

sobreviver quando infectados pelo Plasmodium. essa nova espécie era o Devoniano, tendo ela uma idade
(E) O Plasmodium invade apenas as hemácias em estimada entre 405 milhões e 345 milhões de anos.

forma de foice, típica dos indivíduos com anemia Destes cinco grupos de animais que estavam associados

falciforme. à nova espécie, aquele que foi determinante para a defi-
nição do período geológico em que ela foi encontrada é
16. Paleontólogos estudam fósseis e esqueletos de dinos- (A) xifosura, grupo muito antigo, associado a outros

sauros para tentar explicar o desaparecimento desses

animais.
animais. Esses estudos permitem afirmar que esses (B) trilobita, grupo típico da era Paleozoica.
animais foram extintos há cerca de 65 milhões de anos.

(C) braquiópodo, grupo de maior distribuição geológica.
Uma teoria aceita atualmente é a de que um asteroi-

(D) ostracodermo, grupo de peixes que só aparece

de colidiu com a Terra, formando uma densa nuvem

até o Devoniano.
de poeira na atmosfera.
(E) placodermo, grupo que só existiu no Devoniano.

151
Biologia

18. No Período Permiano, cerca de 250 milhões de anos (C) do isolamento reprodutivo das espécies resultan-


atrás (250 m.a.a.), os continentes formavam uma úni- te da separação dos continentes.
ca massa de terra conhecida como Pangeia. O lento e (D) da interação entre indivíduos de uma mesma es-
contínuo movimento das placas tectônicas resultou na


pécie antes da separação dos continentes.
separação das placas, de maneira que já no início do
Período Terciário (cerca de 60 m.a.a.), diversos conti- (E) da taxa de extinções ter sido maior que a de espe-


nentes se encontravam separados uns dos outros. ciações nos últimos 250 milhões de anos.
Uma das consequências dessa separação foi a forma-
19. “Os progressos da medicina condicionaram a sobrevi-

ção de diferentes regiões biogeográficas, chamadas
biomas. Devido ao isolamento reprodutivo, as espé- vência de número cada vez maior de indivíduos com
cies em cada bioma se diferenciaram por processos constituições genéticas que só permitem o bem-estar
evolutivos distintos, novas espécies surgiram, outras quando seus efeitos são devidamente controlados
se extinguiram, resultando na atual diversidade bio- através de drogas ou procedimentos terapêuticos.
lógica do nosso planeta. A figura ilustra a deriva dos São exemplos os diabéticos e os hemofílicos, que só
continentes e suas posições durante um período de sobrevivem e levam vida relativamente normal ao re-
250 milhões de anos. ceberem suplementação de insulina ou do fator VIII
da coagulação sanguínea”.
SALZANO, M. Francisco. Ciência Hoje:


SBPC: 21(125),1996.


Essas afirmações apontam para aspectos importantes
que podem ser relacionados à evolução humana.
Pode-se afirmar que, nos termos do texto,

(A) os avanços da medicina minimizam os efeitos da

seleção natural sobre as populações.
Período Permiano Período Cretáceo Início do Período
(250 maa) (100 maa) Terciário (60 maa) (B) os usos da insulina e do fator VIII da coagulação

sanguínea funcionam como agentes modificado-
RICKLEFS, R. E. A economia da natureza. Rio de Janeiro, res do genoma humano.
Guanabara Koogan, 2003. (adaptado).
(C) as drogas medicamentosas impedem a transfe-
De acordo com o texto, a atual diversidade biológica

rência do material genético defeituoso ao longo

do planeta é resultado das gerações.
(A) da similaridade biológica dos biomas de diferen- (D) os procedimentos terapêuticos normalizam o ge-


tes continentes. nótipo dos hemofílicos e diabéticos.
(B) do cruzamento entre espécies de continentes que (E) as intervenções realizadas pela medicina inter-


foram separados. rompem a evolução biológica do ser humano.

20.

Um dos seres mais Sua altura permite
peculiares da que ela mastigue
natureza, a girafa é os brotos mais suculentos
totalmente adequa- e mais difíceis
da ao seu meio. de alcançar

Nova Escola, nº 226, out. 2009.


A tirinha mostra que o ser humano, na busca de atender suas necessidades e de se apropriar dos espaços,

(A) adotou a acomodação evolucionária como forma de sobrevivência ao se dar conta de suas deficiências impostas

pelo meio ambiente.
(B) utilizou o conhecimento e a técnica para criar equipamentos que lhe permitiram compensar as suas limitações físicas.

(C) levou vantagens em relação aos seres de menor estatura, por possuir um físico bastante desenvolvido, que lhe

permitia muita agilidade.
(D) dispensou o uso da tecnologia por ter um organismo adaptável aos diferentes tipos de meio ambiente.

(E) sofreu desvantagens em relação a outras espécies, por utilizar os recursos naturais como forma de se apropriar

dos diferentes espaços.

152 \[Link] | Produção: [Link]


21. Foi proposto um novo modelo de evolução dos pri- 22. Se fosse possível a uma máquina do tempo percorrer


matas elaborado por matemáticos e biólogos. Nesse a evolução dos primatas em sentido contrário, aproxi-
modelo, o grupo de primatas pode ter tido origem madamente quantos milhões de anos precisaríamos
quando os dinossauros ainda habitavam a Terra, e não retroceder, de acordo com a árvore filogenética apre-
há 65 milhões de anos, como é comumente aceito.
sentada, para encontrar o ancestral comum do ho-
mem e dos macacos antropoides (gibão, orangotango,
gorila e chimpanzé)?
(A) 5.    (B) 10.    (C) 15    (D) 30.    (E) 6


23. Foram feitas comparações entre DNA e proteínas da


espécie humana com DNA e proteínas de diversos pri-
matas. Observando a árvore filogenética, você espera
que os dados bioquímicos tenham apontado, entre os
primatas atuais, como nosso parente mais próximo o:
(A) Australopithecus.



(B) Chimpanzé.



AGUIAR, Raquel. Ciência Hoje online 13/05/2002. (C) Ramapithecus.


Examinando esta árvore evolutiva, podemos dizer que (D) Gorila.


a divergência entre os macacos do Velho Mundo e o (E) Orangotango.
grupo dos grandes macacos e de humanos ocorreu

24. Após observar o material fornecido pelo professor, os
há, aproximadamente,

alunos emitiram várias opiniões, a saber:
(A) 10 milhões de anos.   (D) 65 milhões de anos.
I. os macacos antropoides (orangotango, gorila,

(B) 40 milhões de anos.   (E) 85 milhões de anos.

chimpanzé e gibão) surgiram na Terra mais ou

(C) 55 milhões de anos.
menos contemporaneamente ao Homem.

Texto para as próximas três questões:
II. alguns homens primitivos, hoje extintos, descen-
O assunto na aula de Biologia era a evolução do

dem dos macacos antropoides.

Homem. Foi apresentada aos alunos uma árvore filo-
genética, igual à mostrada na ilustração, que relacio- III. na história evolutiva, os homens e os macacos an-

nava primatas atuais e seus ancestrais. tropoides tiveram um ancestral comum.
Legenda da ilustração: IV. não existe relação de parentesco genético entre

1 - Símios do Novo Mundo  5 - Gorila macacos antropoides e homens.
Analisando a árvore filogenética, você pode concluir

2 - Símios do Velho Mundo  6 - Chimpanzé

que


3 - Gibão  7 - Homem
(A) todas as afirmativas estão corretas.

4 - Orangotango

(B) apenas as afirmativas I e III estão corretas.
I. Hilobatídeos

(C) apenas as afirmativas II e IV estão corretas.

II. Pongídeos


III. Hominídeos (D) apenas a afirmativa II está correta.


I II III (E) apenas a afirmativa IV está correta.

Milhões
de anos
0
1   2      3     4    5    6

5
Australo-
10 pithecus

Ramapithecus
15
1. C 6. B 11. C 16. B 21. B





Dryopithecus
25
2. C 7. B 12. E 17. E 22. C





35 3. B 8. B 13. B 18. C 23. B





Mamíferos insetívoros 4. A 9. D 14. E 19. A 24. B
50





“Árvore filogenética provável dos antropoides.” 5. A 10. E 15. D 20. B




153
MICROBIOLOGIA

BIODIVERSIDADE Reação a Estímulos


A Terra é povoada por organismos que vivem nos mais Muitos seres vivos são capazes de dar respostas
diferentes tipos de ambientes e podem ser encontrados rápidas a estímulos físicos ou químicos do ambiente, ha-
desde o alto das montanhas até o fundo dos mares. Além vendo a possibilidade de adaptação às modificações am-
disso, esses organismos apresentam enorme diversidade bientais. Dessa capacidade resultam todas as formas de
quanto ao tamanho, forma, comportamento e duração comportamento dos seres vivos, como a obtenção de ali-
do ciclo vital. Simples ou complexas, uni ou pluricelula- mentos e a fuga de predadores pelos animais.
res, terrestres ou aquáticas, todas as espécies estão muito
bem adaptadas ao seu ambiente, que é extremamente
variado, dinâmico e seletivo. Entretanto, apesar das dife-
renças, todos os seres vivos são reconhecíveis por deter-
minadas propriedades comuns.
Comparando uma mosca a um objeto qualquer na sua
sala de aula, de que maneira você diferenciaria o ser vivo
daquilo que não é vivo?
As plantas também reagem a estímulos do ambiente. A Mimosa pudica,
Propriedade dos Seres Vivos também conhecida como sensitiva ou dormideira, fecha seus folíolos
após um toque.
Os seres vivos distinguem-se do que não é vivo pelas
suas características gerais: organização celular, reação a
estímulos, metabolismo, reprodução e mutação. Metabolismo
Metabolismo compreende o conjunto das atividades
Organização Celular bioquímicas de cada ser vivo, que envolvem absorção e
A organização dos seres vivos é bastante complexa. liberação de energia. As reações de síntese correspondem
Moléculas orgânicas agrupam-se, formando estruturas ao metabolismo construtivo ou anabolismo e as reações
que, em conjunto, constituem as células, as unidades de decomposição ou degradação, ao metabolismo ener-
estruturais e funcionais de qualquer ser vivo. Há células gético ou catabolismo.
procarióticas, mais simples, que não apresentam compar-
timentos internos delimitados por membranas, e células
eucarióticas, mais complexas, nas quais tais comparti-

BIOATP - MICROBIOLOGIA
mentos estão presentes, desempenhando funções celu-
lares especializadas; nas células eucarióticas, destaca-se
ainda a presença do núcleo, um compartimento membra-
noso onde se localiza o material genético dessas células.
Apesar de não apresentarem um núcleo organizado, as
células procarióticas também possuem material gené-
tico; este, presente nas células de todos os seres vivos,
contém a informação para a realização das funções que
são características dos organismos vivos. Os vírus, apesar
de também possuírem material genético, são acelulares e Representação esquemática das transformações químicas que ocorrem
figuram no limite entre o vivo e o não vivo. nos seres vivos, compreendendo o anabolismo e o catabolismo. (1)
Os seres vivos que são constituídos por uma única cé- O alimento ingerido é quebrado em moléculas menores no tubo
digestório e absorvido. (2) No interior da célula, algumas moléculas são
lula, seja ela procariótica ou eucariótica, são ditos seres usadas na construção do corpo (anabolismo). (3) Outras são utilizadas
unicelulares; já aqueles que apresentam mais de uma cé- para obtenção de energia (catabolismo).
lula são chamados pluricelulares, todos eucarióticos. Na
maioria dos pluricelulares, as células agrupam-se, forman- São denominados autótrofos os seres vivos capazes de
do tecidos que, por sua vez, podem formar órgãos. Os plu- utilizar a energia luminosa ou a energia liberada por rea-
ricelulares de organização mais complexa têm os órgãos ções químicas e de incorporar essa energia em compostos
reunidos em sistemas. orgânicos, seu alimento.

[Link] | Produção: [Link] 154


Biologia

Os autótrofos que utilizam a energia luminosa para A mutação é muito importante por ser um dos fatores res-
a síntese do alimento são os seres fotossintetizantes, re- ponsáveis pela variabilidade dos seres vivos, juntamente
presentados pelas plantas, algas e algumas bactérias. Os com a reprodução sexuada. Essa variabilidade permite,
autótrofos que utilizam a energia liberada por reações muitas vezes, a adaptação aos ambientes em que os orga-
químicas para a síntese do alimento são os seres quimios- nismos se encontram e, como consequência, a evolução da
sintetizantes, representados por algumas bactérias, tais espécie. Algumas mutações podem ser induzidas por agen-
como as nitrobactérias, que vivem nos solos e participam tes mutagênicos, entre os quais estão certos tipos de radia-
do ciclo do nitrogênio na natureza. ção ou determinados compostos, como a nicotina, e serem
Os seres que dependem direta ou indiretamente dos deletérias, isto é, levarem a alterações desfavoráveis que
autótrofos para obtenção de energia são os heterótrofos, inviabilizam a sobrevivência do indivíduo no seu ambiente.
incapazes de produzir o próprio alimento, necessitando,
portanto, obter o alimento do ambiente onde vivem; são
representados por algumas bactérias, pelos protozoários,
fungos e animais.
Reprodução
Reprodução é o processo que permite a todos os seres
vivos originar descendentes com características semelhan-
tes às suas. Na maioria dos casos, a reprodução é sexuada
e se dá com a união de uma célula reprodutora masculina
Moscas com duas asas normais (A) e mutante, com quatro asas (B).
e outra feminina, originando uma célula-ovo ou zigoto. A Esse é um exemplo de mutação desfavorável, uma vez que as asas do
reprodução pode ser, também, assexuada, na qual a for- mutante impedem o voo desses animais.
mação dos descendentes depende de um único indivíduo.

Reprodução sexuada em borboletas Battus polydamas, envolvendo a


participação de um macho e de uma fêmea da espécie. O polegar oponível aos outros dedos da mão do ser humano permitiu
que ele manipulasse e segurasse objetos. Esse é um exemplo de
mutação vantajosa, por conferir precisão e força, necessárias à
manipulação.

Classificação e Nomenclatura
dos Seres Vivos
A enorme biodiversidade em todo o planeta sempre
compeliu o ser humano, desde a Antiguidade, à neces-
sidade de classificar os seres vivos, organizando-os em
grupos. O filósofo grego Aristóteles (348 a.C.-323 a.C.), na
Antiga Grécia, por exemplo, propôs um sistema de acor-
Reprodução assexuada em bactérias Porphyromonas gingivalis, do com o qual os animais eram divididos em terrestres,
processo por meio do qual uma única célula bacteriana se divide, aquáticos e aéreos, enquanto as plantas eram divididas
originando novos indivíduos (aumento aproximado de 6 mil vezes e
colorido artificial). em ervas, arbustos e árvores. O naturalista e botânico sue-
co Carl Von Linné (1707-1778) – ou simplesmente Lineu
Mutação – propôs a classificação dos seres vivos em apenas dois
Por meio da reprodução, os descendentes herdam reinos: animal e vegetal. Assim, o que não cabia em um
material genético, que lhes confere características seme- reino, forçosamente teria de caber no outro. Entre o sis-
lhantes às dos ancestrais. Esse material hereditário, às tema de Aristóteles e o de Lineu, outras ideias e vários
vezes, sofre modificação espontânea, a mutação, e os des- outros sistemas de classificação apareceram, muitos dos
cendentes podem apresentar alguma característica nova. quais têm hoje valor meramente histórico.

155 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

O nome científico do cão doméstico, por exemplo, é Canis


familiaris, sendo Canis o nome do gênero e a expressão
Canis familiaris o nome da espécie. A palavra familiaris so-
zinha é chamada de epíteto específico. Ainda, de acordo
com as normas da nomenclatura científica das espécies, o
nome científico deve ser grafado com destaque em itálico
ou sublinhado.
Desde que foi criada a nomenclatura binominal, suces-
sivas gerações de biólogos e naturalistas já descreveram e
nomearam formalmente cerca de 1,7 milhão de espécies
Carl Von Linné, ou Lineu, como é mais conhecido, propôs as categorias
viventes.
taxonômicas em seu sistema de classificação. Essas categorias são
utilizadas até hoje. Um exemplo de classificação
A suçuarana, também chamada onça-parda,
No seu sistema de classificação, Lineu propôs encaixar
puma ou leão da montanha, é um felino encontrado
os seres vivos em cinco categorias, que obedeciam a uma
nas três Américas e é classificada assim:
ordem de abrangência. A primeira delas era o reino , a ca-
tegoria mais ampla, pois englobaria todas as outras. Cada Reino Animalia Família Felidae
reino compreendia um conjunto de classes que englobava Filo Chordata Gênero Puma
diversas ordens; cada ordem incluía vários gêneros e um Classe Mammalia       Espécie Puma concolor
gênero, uma ou mais espécies. Espécie, segundo Lineu, Ordem Carnivora
compreende apenas um tipo determinado de organismo,
sendo que dois organismos só reproduzem e originam
uma prole fértil quando são da mesma espécie.
Posteriormente, foram incluídas novas categorias – filo
e família – a esse sistema de classificação, obedecendo à
seguinte ordem de abrangência:

Reino > Filo > Classe > Ordem > Família > Gênero > Espécie

O grande mérito de Lineu foi ter utilizado característi-


cas anatômicas, fisiológicas e embriológicas para agrupar
A espécie Puma concolor, é popularmente conhecida como
os seres vivos. Além disso, ele fixou as bases da nomencla-
suçuarana ou onça-parda. Tem ampla distribuição no Brasil e nas
tura biológica moderna, segundo a qual cada espécie de Américas, mas está ameaçada de extinção.
ser vivo deve ser referida por um binômio latino exclusivo.

BIOATP - MICROBIOLOGIA
O sistema de classificação proposto por Lineu revelou-se extremamente útil, pois permitiu resolver confusões
comuns que aconteciam na identificação dos organismos. Ficou fácil e mais seguro identificar tanto um organis-
mo que recebe vários nomes populares ou regionais como outros seres diferentes, que são conhecidos por um
mesmo nome.
A mandioca, por exemplo, também chamada aipim, aipi, macaxeira, maniva, maniveira e pão-de-pobre, pode ser
identificada em qualquer lugar do mundo pelo nome científico de Manihot utilissima. Outro exemplo é o pau-brasil,
cujo nome é atribuído a árvores de algumas espécies diferentes. O verdadeiro pau-brasil, que deu o nome ao nosso
país, é Caesalpinia echinata, enquanto outros, com o mesmo nome popular, são Caesalpinia echinata e Rhamnidium
elaeocarpus. Portanto, essas duas últimas espécies não produzem a famosa tinta vermelha, tão apreciada na Europa do
século XVI.
Em 1982, as biólogas norte-americanas Lynn Margulis (1938-2011) e Karlene Schwartz apresentaram uma proposta
de classificação dos seres vivos na qual as algas pluricelulares, até então classificadas no reino Plantae, foram incluídas
no reino Protista (chamados por elas reino Protoctista), juntamente com os seres unicelulares eucariontes.
Margulis e Schwartz propuseram também a criação de dois super reinos: Prokarya e Eukarya. O super reino Prokarya
compreende todos os procariontes, ou seja, seres vivos unicelulares sem núcleo, como ribossomos e cromossomos
circulares no mesmo compartimento, desprovidos de citoesqueleto e de um sistema de endomembranas no interior da

156
Biologia

célula; os seres do reino Monera fazem parte desse super-reino. O super-reino Eukarya, por sua vez compreende seres
vivos eucariontes uni ou pluricelulares, em cujas células estão presentes, além dos ribossomos, o citoesqueleto e o siste-
ma de endomembranas, com destaque para o núcleo, dentro do qual se encontram os cromossomos; desse super-reino
fazem parte os reinos Protista, Fungi, Plantae e Animalia.
• Pluricelulares


• Eucariotos


• Autótrofas


super-reino reino Plantae
Eukarya
• Pluricelulares


• Unicelulares e • Eucariotos


• Heterótrofos

Pluricelulares


• Eucariotos

• Heterótrofos

reino Fungi
reino Animalia

• Unicelulares • Unicelulares (todos



• Procariotos protozoários e

• Autótrofos algumas algas)

(cianobactérias e e Pluricelulares
algumas bactérias) (algumas algas)
e heterótrofos, biodiversidade reino Protista
• Eucariotos
(maioria das reino Monera Cerca de 1,7 milhão de • Heterótrofos
bactérias) espécies viventes estão (protozoários) e
super-reino
arranjadas em cinco reinos. Autótrofos (algas)
Prokarya

Espécie: A Unidade de Classificação Para escrever o nome de alguma espécie ou de qual-


dos Seres Vivos quer outro táxon, exige-se que regras já estabelecidas se-
jam seguidas.
Entre os vários conceitos de espécie, o mais relevante
Nomenclatura Biológica
é o da Espécie Biológica, cuja definição consiste em um
conjunto de organismos semelhantes entre si capazes de Todo nome científico de um ser vivo deve seguir regras
se cruzar naturalmente e gerar descendentes férteis atra- já estabelecidas chamadas de Regras Taxonômicas.
vés das gerações.
Este conceito apresenta, no entanto, algumas impor- • Todos os nomes dos seres vivos devem ser em
tantes limitações: Latim ou palavra latinizada e destacados do texto.
Ex.: Homo sapiens, Mammalia, Metaphyta.
• Não pode ser aplicado a organismos fósseis, pois
não se reproduzem; • Todas as categorias taxonômicas de Reino até
Gênero são uninominais e escritos com letra inicial
• Não pode ser aplicado a organismos que apresen- maiúscula.
tem reprodução assexuada, pois não produzem
descendentes por cruzamentos. • Família: como dito anteriormente, é uninominal e
com inicial maiúscula. Possui terminação especial.
Nesse contexto, os seres híbridos também oferecem O nome da família dos animais obtém-se acrescen-
problemas. Híbridos são indivíduos provenientes do cru- tando a terminação –idae à raiz do nome de um
zamento entre duas espécies diferentes e são estéreis. Um dos gêneros. Nas plantas, a terminação que carac-
exemplo clássico é o burro ou a mula, animais provenien- teriza a família é –aceae (existem exceções). Ex.:
tes do cruzamento da égua (Equus caballus) e do jumento Zoologia: Culicidae, Felidae, Hominidae; Botânica:
(Equus asnus). Rosaceae, Rutaceae, Musaceae.

157 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

• Gênero: como dito anteriormente, é uninominal e Características Gerais


com inicial maiúscula. Deve estar destacado do tex-
• Ausência de organização celular;
to. Ex.: Triatoma, Pan, Felis.
• Ausência de metabolismo próprio (ausência de ati-
• Espécie: categoria constituída por duas palavras.
vidade ribossomal);
A primeira palavra é o nome genérico, escrita com
letra maiúscula, e a segunda, o epíteto específico, • Parasitas intracelulares obrigatórios;
escrito com letra minúscula. Ex.: Canis familiaris, • Somente visíveis ao microscópio eletrônico;
Limnoperna fortunei, Chrysocyon brachyurus. • Especificidade. Em geral, um tipo de vírus ataca um
• Subespécie: Trinominal. Primeiro nome com inicial ou poucos tipos de célula. Isso porque um determi-
maiúscula, segundo e terceiro nomes com inicial nado tipo de vírus só consegue infectar uma célula
minúscula. Ex.: Homo sapiens sapiens. que possua, na membrana, substâncias às quais ele
• Subgênero: Trinominal. Primeiro nome com inicial possa se ligar.
maiúscula, segundo, com inicial maiúscula e entre
parênteses; o terceiro nome com inicial minús- Vírus é Ser Vivo?
cula. Ex.: Aedes (Stegomyia) aegypti, Anopheles
(Kerteszia) bambusicolus. Argumento contra Argumento a favor

MICROBIOLOGIA Vírus não possuem nenhuma


Vírus possuem material
genético. No entanto, há uma
A ciência da Microbiologia [do grego: mikros (“pe- célula, ou seja, são acelulares.
peculiariedade: todos os seres
queno”), bios (“vida”) elogos (“ciência”)] é o estudo dos Nenhum ser vivo é desprovido de
vivos possuem DNA e RNA em
célula; possui pelo menos uma,
organismos microscópicos e de suas [Link]- como é o caso dos unicelulares.
suas células, enquanto que os
se com a forma, a estrutura, a reprodução, a fisiologia, o vírus possuem DNA ou RNA.
metabolismo e a identificação dos seres microscópicos.
Inclui o estudo da sua distribuição natural, suas relações Todo ser vivo, para se manter Vírus podem se reproduzir.
recíprocas e com outros seres vivos, seus efeitos benéfi- vivo, exerce um gigantesco Uma pedra, cadeia, areia, por
conjunto de reações químicas exemplo, por serem abióticos,
cos e prejudiciais sobre os homens e as alterações físicas e em seu organismo, chamado nunca se reproduzirão. No
químicas que provocam em seu meio ambiente. de metabolismo. Fora de uma entanto , vírus só se reproduzem
Os principais grupos de microrganismos são os protozo- célula hospedeira, os vírus são se estiverem no interior de uma
absolutamente inertes. Assim, os célula hospedeira, o que faz dos
ários, fungos, algas e bactérias. Os vírus, apesar da polêmi- vírus não possuem metabolismo vírus parasitas intracelulares
ca ao redor de sua vida, têm algumas características de cé- próprio. obrigatórios.
lulas vivas e, por isso, são estudados como microrganismos.
E você? Considera ou não vírus um ser vivo?
OS VÍRUS
Em 1892, Dimitri Ivanovski apresentou à Academia de Estrutura dos Vírus

BIOATP - MICROBIOLOGIA
Ciências de São Petesburgo um artigo relativo a uma do-
ença do tabaco, o mosaico. Ele mostrou que a seiva ex- Os vírus apresentam-se com seu material genético
traída de plantas doentes continha um agente infeccioso (DNA ou RNA) envolto por uma cápsula proteica deno-
que podia ser transmitido em série mesmo depois de ser minada capsídeo. A partícula viral, quando fora da célula
filtrado por um filtro de porcelana ultrafino. Os poros do hospedeira, é chamada de vírion.
filtro retinham as bactérias e permitiam a passagem desse Ácido nucleico mais o capsídeo basta para constituir
agente infeccioso. Posteriormente, tais agentes invisíveis alguns vírus. Outros, no entanto, possuem um envelope
e filtráveis foram denominados vírus. externo. Esses vírus são denominados vírus envelopados.

filamento de RNA nucleocapsídeo envelope


envelope
capsídeo capsídeo

capsômeros
capsômeros nucleocapsídeo
nucleocapsídeos
A B C D E
Vírus da poliomielite Vírus do mosaico Vírus da gripe Bacteriófago Vírus do herpes
do tabaco

158
Biologia

Classificação dos Vírus Reprodução dos Vírus


Uma forma comum de classificação dos vírus é A multiplicação no interior das células é um processo
separá-los conforme seu material genético (DNA ou de replicação e não de divisão: a partícula viral se decom-
RNA), e ainda se seus ácidos nucleicos se encontram põe e, em seguida, é reconstruída em múltiplos exempla-
como fita simples ou fita dupla. Alguns vírus RNA apre- res pelo autoacoplamento de diferentes componentes
sentam mais de uma molécula de RNA, enquanto o que a célula produz, sob controle do genoma viral. (Henri
DNA de uma família de vírus é circular. Outros níveis de Agut, em Scientific American Brasil).
classificação dependem de fatores tais como a forma Quando os vírus entram em uma célula hospedeira, po-
geral dos vírus e a simetria do capsídeo. Outro nível de dem reproduzir através do ciclo lítico ou ciclo lisogênico.
classificação é baseado na presença ou ausência de um O ciclo lítico ocorre quando o vírus passa a comandar
envelope membranoso em torno do vírion; algumas sub- o metabolismo da célula hospedeira, multiplicar seu ma-
divisões baseiam-se no tamanho do capsídeo. terial genético e sintetizar proteínas virais, dando origem

 
Uma outra maneira para classificar os vírus é pelo tipo a novos vírus e lisando a célula.
de hospedeiro. Veremos como os ciclos reprodutivos e Já no ciclo lisogênico, o material genético do vírus é in-
outras propriedades variam entre os principais grupos de corporado ao DNA da célula hospedeira, não interferindo
vírus, os que infectam bactérias, animais e plantas. no metabolismo da célula.

O REINO MONERA
O grupo é representado principalmente pelas bactérias e cianobactérias (também conhecidas como Cianofíceas ou
Algas Azuis) e apresenta as seguintes características:
• São unicelulares;
• Procariontes;
• Existem organismos autótrofos (cianobactérias e algumas bactérias) e heterótrofos (maioria das bactérias);
Cianobactérias
As cianobactérias são autótrofas fotossintetizantes. Essa capacidade de produzir seu próprio alimento faz que as
cianofíceas ou algas azuis (outros nomes para cianobactérias) assumam um importante papel: cadeia alimentar, ou seja,
ocupam o nível tráfico correspondente aos produtores. Elas têm organização celular semelhante às demais bactérias: são
unicelulares procarióticas, podendo viver isoladas ou em colônias filamentosas ou globosas, quase sempre envoltas por
uma camada mucilaginosa ou gelatinosa. São cosmopolitas, sendo encontradas na água doce ou salgada, nas camadas
internas do solo, entre os pêlos de animais, como o bicho-preguiça e o urso-polar, em associação mutualística com outros
seres vivos.

159 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

O citoplasma das cianobactérias é diferenciado em


duas porções. Na mais interna, denominada centroplas-
ma, encontra-se o DNA e os ribossomos livres. A porção
periférica ou cromoplasma apresenta lamelas concêntri-
cas onde se prendem vários pigmentos: clorofila, carote-
noides, ficocianina (pigmento azul) e ficoeritrina (pigmen-
to vermelho).

camada mucilaginosa
parede celular

membrana celular

ribossomos
DNA Floração de cianobactérias na Represa Billings (São Paulo, 2006). A cor
membrana da água se deve à proliferação das cianobactérias.
fotossintética com
clorofila e outros
pigmentos Bactérias
As bactérias foram os primeiros seres a surgir na Terra
Esquema da estrutura celular de uma cianobactéria. há cerca de 3,6 bilhões de anos. Estes pequenos sobrevi-
ventes estão sempre evoluindo e tornaram-se adaptados a
todos os meios ambientes, do mais frio ao mais quente, do
Muitas cianobactérias filamentosas apresentam um mais ácido ao mais alcalino e ao mais salgado. Alguns vivem
tipo de célula maior e com parede celular mais espes- onde o oxigênio é abundante, enquanto outros onde não
sa, intercalada com células pigmentadas. Essas célu- há oxigênio. Vivem ainda em grandes profundezas do oce-
las, denominadas heterocistos, são responsáveis pela ano e até mesmo dentro de outros organismos, inclusive
fixação do nitrogênio atmosférico, transformando-o no corpo humano. Na realidade, o número de bactérias do
em compostos nitrogenados que serão utilizados por trato intestinal de uma pessoa, por exemplo, ultrapassa o
outros seres vivos. número de humanos que já existiram e até mesmo o núme-
ro total de células humanas no corpo dessa mesma pessoa.

Formas
As bactérias podem assumir formas variadas, sendo
as mais comuns: cocos (forma esférica), bacilos (forma de
bastonete), espirilos (forma espiralada) e vibriões (forma

BIOATP - MICROBIOLOGIA
de vírgula):
esporos bacterianos

cocos diplococos
Cianobactérias do gênero Anabaena formam colônias filamentosas
constituídas por uma cadeia de células unidas pelas paredes
celulares. Nesta micrografia, as duas células alaranjadas
bactéria flagelada
(colorido artificial) correspondem a heterocisto
(aumento aproximado de 175 vezes).
estreptococos
estafilococos
Algumas espécies produzem toxinas que podem preju-
dicar a saúde e até matar animais, inclusive os humanos.
As toxinas tornam-se perigosas quando são eliminadas em
vibriões
grande quantidade, por ocasião da proliferação excessiva
das cianobactérias em lagos e reservatórios, devido ao au- espirilos bacilos
mento de nutrientes na água. Esse fenômeno, conhecido
como eutrofização, pode ter causas naturais, mas é, em
geral, provocado pela ação humana, devido ao despejo in-
devido de esgoto e outros resíduos nas águas. Formas variadas das bactérias.

160
Biologia

Estrutura Micrografias eletrônicas de transmissão mostrando a formação de


Independente da forma assumida, as células bacte- endósporo em célula de Paenibacillus larvae
rianas contêm os quatro componentes fundamentais a
qualquer célula: membrana plasmática, hialoplasma,
ribossomos e uma molécula de DNA circular, que cons-
titui o único cromossomo bacteriano. A região ocupada
pelo cromossomo bacteriano costuma ser denominada
nucleoide. Observe a figura a seguir:
Fig.1 - Célula vegetariana; Fig.2 - Endósporo imaturo
cápsula
nota-se a espessa camada de aparece envolvido pela
fímbrias peptideoglicano da parede célula-mãe (esporângio).
celular da bactéria.
camada
externa
parede
a de celular
camad eoglicano
peptid
membrana
plasmática
DNA em
nucleoide

Fig.3 - Uma cópia do DNA Fig.4 - O endósporo é


é confinada no interior do liberado do esporângio.
endósporo em formação;
a espessa parede do
endósporo indica que a
diferenciação está completa,
mas o endósporo permanece
flagelo no interior do esporângio.

Estrutura bacteriana.
Copyright Donald P. Stahly & Nouna Bakhiet.
Caracterização das estruturas bacterianas:
• Glicocálice: forma a cápsula (polissacarídeos for- Reprodução
temente aderidos à parede celular) ou a camada As bactérias se reproduzem principalmente por bipar-
viscosa (polissacarídeos fracamente aderidos à pa- tição, também conhecido como cissiparidade ou ainda
rede celular) que envolve a célula. fissão binária. Trata-se de uma reprodução assexuada, ou
• Flagelos: estendem-se da membrana celular até o seja, sem recombinação de material genético entre indiví-
meio externo, permitindo a locomoção da bactéria. duos. Nesse caso, cada bactéria divide-se em duas outras
• Fímbrias: estruturas usadas para a fixação da bactérias geneticamente iguais, supondo-se que não ocor-
bactéria ao substrato, inclusive em outras células. ram mutações.
• Pili (pêlos): estrutura mais longa que as fímbrias,
cuja função é unir uma célula bacteriana à outra
A
para transferência de DNA. Reprodução assexuada por
• Parede celular: estrutura semi-rígida e responsável bipartição
pela forma e proteção da célula. B
C
• Membrana Plasmática: além de exercer função de
D
proteção e de transporte seletivo, auxilia a replica- E
ção do DNA, realiza respiração e ainda pode arma-
zenar pigmentos fotossintéticos.
• Citoplasma: coloide que preenche a célula e que abri-
ga a única organela não membranosa – o ribossomo.
• Nucleoide: área que contém DNA, algum RNA e Algumas outras bactérias podem reproduzir sexuada-
também proteínas associadas. mente, ou seja, ocorrer recombinação genética. É o caso
• Plasmídeo: pequeno DNA extracromossômico. Não da conjugação, na qual bactérias geneticamente diferen-
são cruciais para a sobrevivência da bactéria, mas tes se unem por meio de pontes citoplasmáticas. Uma
são vantajosos para a célula. delas, a bactéria doadora, injeta parte de seu material
• Endósporos: são estruturas desidratadas e resis- genético na outra, a bactéria receptora. Em seguida, as
tentes às agressões do meio, podendo sobreviver a bactérias se separam e, naquela receptora, haverá recom-
temperaturas extremas, falta de água, exposição a binações entre o DNA existente anteriormente e aquele
substâncias químicas tóxicas e à radiação. recém-recebido.

161 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Classificação das bactérias quanto à nutrição

Fotossintetizantes
Autotróficas
Quimiossintetizantes

Facultativas
Anaeróbicas
Respiradoras Obrigatórias
Heterotróficas
Aeróbicas

Bactérias em conjugação unidas pela ponte citoplasmática. Fermentadoras

Existem outras duas formas de reprodução sexuada:


• Transformação: uma bactéria pode absorver DNA Importâncias
livre no meio ambiente, proveniente de outra bac-
Você já ouviu falar em “lactobacilos vivos”? Você já
téria morta, e inserí-lo ao seu material genético.
deve ter escutado este termo muito utilizado nas propa-
• Transdução: uma bactéria recebe DNA de outra
gandas de Yakult, referindo-se a algo que faz bem à saúde
através de um vírus. Observe esse processo:
humana, não é mesmo?
Bactérias dentro do nosso corpo nem sempre são sinal
de doença. Muito pelo contrário: cada milímetro quadra-
do de um intestino saudável deve ter cerca de 10 bilhões
de microrganismos vivendo nele para funcionar correta-
mente. Essa é a chamada flora intestinal, que, em muitos
casos, têm seu número reduzido, seja por alguma enfer-
midade e/ou pelo uso de antibióticos. Isso não apenas di-
ficulta a digestão, como torna o aparelho digestivo vulne-
rável ao ataque de microrganismos nocivos.
É aí que entram os tais lactobacilos, para ajudar a
combater essa carência da flora intestinal. As bactérias
do gênero Lactobacillus não são as mais numerosas,
mas têm uma grande vantagem: podem ser ingeridas e
ainda chegar vivas ao intestino, atravessando sem pro-
blemas o estômago, ambiente ácido onde a maioria dos
microrganismos não sobrevive.
Uma vez no intestino, esses seres se reproduzem com
grande rapidez e ainda criam um ambiente propício para

BIOATP - MICROBIOLOGIA
que outras bactérias benignas possam se estabelecer ali.
Como se não bastasse, eles produzem um muco que pro-
tege as vilosidades (pequenas dobraduras) intestinais e
também sintetizam parte das vitaminas do complexo B e
também vitamina K de que necessitamos.
Não é somente o homem que se beneficia das associa-
Características nutricionais das bactérias ções com bactérias. Esses micro-organismos também vi-
As bactérias apresentam grande diversidade de estra- vem no intestino de ruminantes, ajudando-os na digestão
tégias nutricionais, ou seja, de modos de se alimentar. De da celulose.
acordo com essas estratégias, elas podem ser divididas No solo, existem bactérias que usam o nitrogênio do
em dois grandes grupos: autotróficas e heterotróficas. As ar e o converte em compostos úteis para as plantas, um
bactérias autotróficas podem ser quimioautotróficas (re- processo denominado fixação do nitrogênio. As bactérias
alizam quimiossíntese) ou fotoautotróficas (realizam fo- do gênero Rhizobium, capazes de fixar nitrogênio direta-
tossíntese bacteriana). As bactérias heterotróficas podem mente do ar, mantêm relação de estreita cooperação com
ser respiradoras (realizam respiração celular) ou fermen- plantas da família das leguminosas (soja, feijão, alfafa,
tadoras (realizam fermentação). As bactérias respiradoras, etc.). Estas possuem, em suas raízes, nódulos cujas células
por sua vez, podem ser aeróbicas ou anaeróbias e estas são repletas de bactérias Rhizobium, que captam nitrogê-
últimas ainda podem ser separadas em anaeróbicas facul- nio (N2) do ar e, com ele, produzem compostos nitrogena-
tativas e anaeróbicas obrigatórias. dos. Esses compostos produzidos pelas bactérias fixadoras

162
Biologia

de nitrogênio são compartilhados com a planta hospedeira. Em troca, a planta leguminosa fornece açúcares e outros
compostos orgânicos às suas hóspedes bactérias.

A Penetração das
Bactérias Rhizobium bactérias na raiz

Pêlo absorvente no solo


Raiz de luguminosa

Rhizobium no interior da
célula da raiz

Nódulo formado por


células com bactérias

B C

Rizóbio

Nódulos

A) De cima para baixo, etapas da infecção da raiz de uma planta leguminosa por bactérias do gênero Rhizobium. B) Nódulos na raiz de um tipo de feijão.
C) Fotomicrografia ao microscópio eletrônico de varredura, colorizada artificialmente, de bactérias Rhizobium leguminosarum (aumento @ 15.000 X).

Os compostos nitrogenados produzidos pelas bactérias Fermentação é um processo biológico em que molé-
dos nódulos das leguminosas fertilizam o solo, favorecen- culas orgânicas ricas em energia são degradadas incom-
do também plantas não leguminosas. Por isso, certos agri- pletamente, com liberação de menos energia do que na
cultores alternam o plantio de espécies não leguminosas respiração. Dependendo do microrganismo que realiza a
(milho, por exemplo) com leguminosas (como o feijão fermentação, formam-se diferentes produtos a partir das
ou a soja), método conhecido como rotação de culturas. substâncias orgânicas degradadas. Por exemplo, a fermen-
Pode-se também plantar leguminosas e não leguminosas tação de glicídios por certas bactérias e leveduras origina
simultaneamente, em fileiras alternadas, método conhe- álcool etílico e gás carbônico, sendo, por isso, denominada
cido como plantação consorciada. Há agricultores, ainda, fermentação alcoólica. Certas bactérias (lactobacilos) fer-
que plantam leguminosas e depois da colheita deixam as mentam glicídios, originando ácido lático, processo deno-
minado fermentação lática.
plantas apodrecerem no campo, como preparação do solo
para uma próxima cultura de não leguminosas; esse méto- A fermentação é a forma de obter energia utilizada
do é chamado adubação verde. por certas bactérias, por certos fungos e até mesmo por
células de nossos músculos, em situações de necessidade.
Há ainda aquelas decompositoras que atuam na trans-
Os passos iniciais dos vários tipos de fermentação são seme-
formação da matéria orgânica em inorgânica, por exem-
lhantes: uma molécula de glicose é quebrada em duas molé-
plo, transformação de lixo ou de indivíduos mortos em culas de ácido pirúvico, liberando energia, a qual é utilizada
água e sais minerais. para produzir ATP. O ácido pirúvico, por sua vez, é transfor-
Existem também várias espécies de bactérias usadas mado nos produtos da fermentação (álcool, CO2, ácido lático
na preparação de comidas ou bebidas fermentadas. etc.), que são excretados pela bactéria fermentadora.

163 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

À esquerda, esquema simplificado do processo de fermentação até a formação do ácido pirúvico; essa parte do processo é comum a vários tipos de
fermentação. À direita, tipos de bactéria que realizam cada um dos tipos de fermentação e os produtos finais originados a partir do ácido pirúvico.

A fermentação lática realizada por bactérias é larga- e o aroma característicos do iogurte. Um dos segredos da
mente utilizada na produção de alimentos. Diferentes fabricação de um bom iogurte é o equilíbrio entre a multi-
espécies bacterianas são usadas na produção de picles, plicação dessas duas espécies de bactérias.
queijos, coalhadas e iogurtes. Bactérias fermentadoras que produzem ácido lático
Diversos queijos são fabricados a partir de leite pre- (lactobacilos) vivem também em diversas partes de nosso

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viamente coagulado por uma enzima, a renina, obtida corpo, contribuindo para mantê-lo saudável. Elas habitam
a partir do estômago de mamíferos. Após a drenagem normalmente a vagina, o intestino e a cavidade bucal,
do fluido (soro), a massa coagulada é inoculada com a onde o ácido lático excretado por elas impede o desenvol-
linhagem de bactéria correspondente ao tipo de queijo vimento de outras bactérias potencialmente patogênicas.
que se quer obter. Diversas substâncias produzidas e eli- Outras bactérias fermentadoras industrialmente im-
minadas pelas bactérias fermentadoras são responsáveis portantes são as acetobactérias (gêneros Acetobacter e
pelo sabor e aroma dos queijos. Quanto mais longo for Gluconobacter), que convertem álcool etílico (etanol) em
o tempo de ação das bactérias, conhecido como período ácido acético, processo denominado fermentação acéti-
de amadurecimento do queijo, mais acentuados serão ca. A ação dessas bactérias aeróbicas foi observada logo
seu sabor e acidez. que se instaurou a indústria vinícola, quando vinhos ex-
As coalhadas são produzidas pela ação de bactérias postos ao ar tornavam-se azedos, transformando-se em
láticas que agem sobre o leite. Os iogurtes comerciais são vinagre. Hoje, esse produto, obtido pela fermentação do
produzidos a partir de leite desnatado, do qual parte da álcool do vinho (e de outros fermentados alcoólicos) pe-
água foi removida por evaporação a vácuo, concentran- las acetobactérias, é amplamente usado na alimentação
do-o. O leite concentrado é inoculado com uma mistura humana, como tempero e na conservação de alimentos.
de Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus Observe a equação a seguir, que mostra o processo de fer-
e incubado a 45 °C por várias horas. Durante essa incuba- mentação acética:
ção, o estreptococo produz ácido lático e o lactobacilo pro- C2H5OH + O2 → CH3COOH + H2O
  
  
  
  
  
  
duz a maior parte das substâncias que conferem o sabor Álcool
etílico
Gás
oxigênio
Ácido
acético
Água

164
Biologia

Pode-se dizer ainda que o desenvolvimento científico O REINO PROTISTA


e tecnológico tem levado, cada vez mais, à utilização de
seres vivos em tecnologias úteis à humanidade, atividade O que são Protistas
conhecida genericamente como biotecnologia.
No sistema de classificação adotado por esta obra,
Embora tenham sido descobertos apenas no sécu-
protozoários e algas estão reunidos no reino Protista, um
lo XVII, os microrganismos já eram utilizados desde a
grupo muito heterogêneo de organismos eucariontes, uni
Antiguidade em biotecnologias de produção de alimen-
e pluricelulares, autótrofos e heterótrofos. Há formas de
tos. A indústria de laticínios, por exemplo, utiliza bactérias
vida livre, que se encontram na água doce e salgada ou em
dos gêneros Lactobacillus e Streptococcus para a produ-
locais úmidos. Muitas espécies vivem em interação mutu-
ção de queijos, iogurtes e requeijões. O vinagre é produ-
alística com outros organismos ou como parasitas. Outras
zido por bactérias do gênero Acetobacter, que convertem
espécies, fotossintetizantes, têm grande importância eco-
o álcool do vinho em ácido acético. Bactérias do gênero
lógica, no planeta.
Corynebacterium têm sido utilizadas para a produção em
larga escala de ácido glutâmico, um aminoácido muito uti- Há biólogos que preferem o termo protoctista no lugar
lizado em temperos por sua propriedade de intensificar o de protista, porque, segundo eles, assim ficaria desvincu-
sabor dos alimentos. lada a ideia de organismos somente unicelulares para esse
Bactérias também são utilizadas na indústria farma- reino que, atualmente, também inclui as algas pluricelu-
cêutica para a produção de antibióticos e vitaminas. O lares. Outros biólogos argumentam a inexistência desse
antibiótico neomicina, por exemplo, é produzido por uma reino, por considerarem que os diferentes organismos vi-
bactéria do gênero Streptomyces. A indústria química vos nele agrupados seria mais bem classificados em vários
também utiliza bactérias para produzir substâncias como reinos distintos.
o metanol, o butanol, a acetona, etc. Nos grandes centros Independentemente dessas questões, acredita-se que
urbanos, as bactérias ganham cada vez mais destaque os ancestrais de fungos, plantas e animais correspondem
como agentes decompositores da matéria orgânica dos a seres que, se ainda existissem, poderiam ser classifica-
esgotos domésticos e do lixo. dos como protistas. O estudo e o conhecimento das espé-
O potencial biotecnológico das bactérias cresceu nas cies atuais de protistas, portanto, pode trazer respostas
últimas décadas devido ao desenvolvimento da tecnologia sobre a origem evolutiva dos organismos complexos que
do DNA recombinante, também chamada de Engenharia hoje habitam nosso planeta.
Genética. Essa tecnologia consiste de um conjunto de • Você sabe qual é o importante papel ecológico
bactérias, fazendo-as produzir substâncias de interesse desempenhado pelos protistas fotossintetizantes?
comercial. Por exemplo, já se pode comprar hormônio de
crescimento e insulina idênticos aos humanos, porém pro- Algas: Protistas Autotróficos
duzidos por bactérias geneticamente transformadas pela Quanto às Algas, há muitas divergências a respeito de
Engenharia Genética. sua classificação. Vamos estudar todas as algas, unicelula-
Bactérias também têm importância na biorremedia- res e pluricelulares, como integrantes do Reino Protista.
ção, que consiste na utilização de microrganismos para No entanto, outros autores as incluem no Reino Vegetal
limpar áreas ambientais contaminadas por poluentes. e existem ainda aqueles que dizem que algas unicelulares
O grande interesse por esse tipo de procedimento são pertencentes ao Reino Protista e as pluricelulares ao
deve-se ao fato de a biorremediação ser mais simples, Reino Vegetal.
mais barata e menos prejudicial ao ambiente que os pro- Independente do reino a qual pertence as algas, elas
cessos não biológicos utilizados atualmente, como reco- apresentam as seguintes características:
lher os poluentes e transportá-los para outros locais. • Podem ser unicelulares e pluricelulares;
Como exemplo de biorremediação pode-se citar o uso • São eucariontes;
de bactérias do Gênero Pseudomonas na descontamina-
ção de ambientes poluídos por pesticidas ou por petró- • São autótrofos.
leo. Pseudomonas e outras bactérias semelhantes oxidam a) Algas Unicelulares
diversos compostos orgânicos nocivos, transformando-os
Estrutura e Reprodução das Euglenophyta
em substâncias inócuas ao ambiente.
O gênero Euglena é o mais representativo deste filo, e
Atualmente a biorremediação tem se voltado para o
estudo genético dessas bactérias, a fim de modificar seus dele derivou o nome Euglenophyta. São protistas unice-
genes e aumentar sua eficiência como despoluidoras. lulares, com um flagelo longo e emergente e outro rudi-
mentar, não emergente. Vivem principalmente em água
Mas é o papel das bactérias na saúde, como agentes
infecciosos, o mais conhecido: o tétano, a febre tifoide, a doce e não apresentam parede celular. Próximo à base
pneumonia, a sífilis, a cólera e tuberculose são apenas al- do flagelo, há uma mancha ocelar ou estigma, responsá-
guns exemplos. Vale lembrar que nas plantas, as bactérias vel pela percepção da luminosidade (sistema fotossensí-
também podem causar doenças. vel). Além disso, as euglenas possuem vacúolo contrátil

165 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

essencial ao equilíbrio osmótico do protista. Os cloroplastos serve como órgão flutuador em mares abertos. A maioria
armazenam um carboidrato semelhante ao amido, chama- é fotossintetizante; há uma mistura de diversos pigmentos,
do paramilo ou paramido. Uma característica muito espe- conferindo aos cloroplastos a cor avermelhada ou marrom-
cial da euglena é sua nutrição mixotrófica, o que significa -dourada. Também possuem nutrição mixotrófica (muitos
que pode atuar tanto como um ser autotrófico (sintetiza deles possuem uma estrutura tubular – o pedúnculo, que
suga o alimento para a nutrição heterotrófica). Os cloro-
glicose através da fotossíntese) como heterotrófico (captu-
plastos armazenam óleos e amido. Os flagelos localizam-se
ra partículas alimentares – fagocitose – presentes no meio em sulcos e as algas se movimentam como um peão.
através de uma pequena abertura na base do flagelo).
A
Euglenófita
Invaginação
Película

Estigma
Vacúolo B
contrátil

Flagelo
Núcleo
Plastos
Fenômeno da floração tóxica, conhecido como “maré vermelha”
(Austrália, 2010). Gymnodinium (A) e Gonyaulax (B) são dois gêneros de
dinófitas que causam o fenômeno (aumento aproximado de 3 000 vezes
(A) e de 5 000 vezes (B); colorido artificial.

Muitos dinoflagelados são endossimbiontes, pois vi-


Pare e Pense: vem em mutualismo no interior de vários invertebrados,
As euglenas, quando colocadas no escuro, não con- como os corais (eles contribuem para o crescimento do
coral através da fotossíntese e também são responsáveis
seguem executar a fotossíntese e passam a se ali-
pela sua coloração). Quando as pirrófitas são endossimbi-
mentar da matéria orgânica em decomposição na ônticas, recebem o nome de zooxantelas. Podem produzir
água. Quando exposta novamente à luz, voltam a cistos como forma de resistência. Muitos são biolumines-
executar a fotossíntese. Um experimento foi reali- centes, principalmente quando são importunados. A hipó-
zado com algumas euglenas que, tratadas com anti- tese mais aceita é que os flashes desorientam seus preda-
bióticos ou mutagênicos, perderam totalmente seu dores, inibindo a predação. Algumas pirrófitas, em certas
pigmento fotossintético. Uma dessas euglenas, utili- épocas do ano, nas águas costeiras, proliferam – floração
zada no experimento, reproduziu-se assexuadamen- ou maré vermelha – e liberam toxinas que são responsá-
te, gerando vários descendentes. O que você pode veis pela morte de peixes, moluscos e outros animais ma-
inferir quanto aos seus descendentes? rinhos. A maré vermelha geralmente está associada com

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a eutrofização dos oceanos através das descargas de es-
gotos e o uso de fertilizantes na agricultura. Reprodução
A reprodução das euglenas é assexuada por divisão bi- sexuada e assexuada por cissiparidade.
nária, como representado a seguir:
Estrutura e Reprodução das Crysophyta
A maior parte das Crysophyta está representada pelas
diatomáceas. São as algas mais abundantes do fitoplânc-
ton marinho. Vivem em ambientes marinhos e dulcícolas.
Muitas possuem parede celular dividida em duas meta-
des – as frústulas, constituídas de sílica. As diatomáceas
não possuem cílios nem flagelos, mas algumas espécies
podem deslocar por deslizamento através de secreções.
As carapaças ou frústulas são resistentes à decomposi-
ção, assim, quando a alga unicelular morre, as carapa-
ças se depositam nos sedimentos, formando, após mi-
lênios, o diatomito (rocha porosa e leve). Atualmente,
Estrutura e Reprodução das Pyrrophyta
é utilizado como inseticida não poluente, pois blo-
Os principais seres que compõem esse Filo são os dino- queia as traqueias dos insetos. Apresenta pigmentos
flagelados. A maioria dos dinoflagelados vive no mar, exis- variados, principalmente a fucoxantina (carotenoide mar-
tindo alguns de água doce. Muitas possuem uma carapaça rom-dourado). Reservam óleos e um carboidrato denomi-
– a lórica, formada por celulose que, além de protegê-las, nado crisolaminarina em seus vacúolos.

166
Biologia

Reprodução sexuada e assexuada por cissiparidade, característico, a laminarina. Em geral, as feófitas são de
este último, em esquema abaixo: grande porte. Muitas são comestíveis como a kombu,
apreciada na culinária japonesa. A reprodução pode ser
assexuada e sexuada.
Algas pluricelulares:

Clorófita ou Alga
b) Algas Pluricelulares verde: De acordo com Homem carregando uma
a teoria evolucionista, alga do grupo Feófita.
Algas Verdes (Chlorophyta) representantes das Podem chegar a medir
clorófitas são ancestrais 50 metros ou mais de
As clorofíceas também são chamadas de algas verdes
de todo o Reino Vegetal. comprimento.
(do grego chloro = verde, phyton = planta). É o grupo mais
numeroso e diversificado de algas. As clorófitas habitam
os mais diversos ambientes, porém sua grande maioria é
de água doce (cerca de 90%). Os representantes marinhos
são bentônicos. Os representantes terrestres podem viver
sobre barrancos úmidos, outros em camadas de gelo nos
polos. Vivem em mutualismo com fungos (formando os li-
quens), com protozoários de água doce, esponjas e celen-
terados. Apresentam reprodução assexuada, conjugação e
singamia (união de gametas ou fecundação). Sushi é um prato japonês feito
com a alga nori – integrantes
do grupo de Algas Rodófitas.
Algas Vermelhas (Rhodophyta)
As rodofíceas também são chamadas de algas verme- A reprodução das algas pode ser representada por três
lhas (do grego Rhodon = rosa, Phyton = planta). São or- tipos de ciclos reprodutivos, como representados abaixo:
ganismos eucariontes e reservam amido. Os cloroplastos
possuem os pigmentos como a ficoeritrina (vermelho) e
ficocianina (azulado) o que lhes confere a cor vermelha. A
maior parte dos representantes faz parte dos bentos mari-
nhos. Existem poucas espécies de água doce. Predominam
em regiões equatoriais, em águas transparentes. A parede
celular é formada por celulose, ágar e carragena. O ágar
é usado como meio de cultura em laboratórios, enquan-
to a carrena é usada em sorvetes e caramelos. Algumas
rodófitas são usadas na alimentação, como a nori. Muitas
espécies revestem-se de carbonato de cálcio, tornam-se
rígidas e fazem parte da composição dos recifes de coral,
sendo muitas vezes confundidas com os corais. A reprodu-
ção pode ser assexuada e sexuada.

Algas Pardas (Phaeophyta)


As feofíceas (do Gr. Phaios, ‘pardo’, ‘marrom’) ou fe-
ófitas são predominantemente marinhas. Tem essa colo-
ração devido a um pigmento carotenoide, a fucoxantina.
Possuem polissacarídeos, como a algina, utilizada na fa-
bricação de sorvetes, na indústria alimentícia e farma-
cêutica. Como reserva, apresentam um polissacarídeo

167 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Protozoários: Protistas Heterótrofos


Os protozoários são organismos unicelulares heteró-
trofos. A maioria é aeróbica e vive isoladamente na água
doce, na água salgada ou em ambientes terrestres úmi-
dos; podem formar pequenas colônias. Há, no entanto,
espécies parasitas e anaeróbicas. Muitas espécies apre-
sentam organelas de locomoção, nutrição, regulação os-
mótica e sustentação. Carapaça do foraminífero Peneroplis planatus (aumento aproximado de
6 vezes). Dotados de uma carapaça externa, os foraminíferos pertencem
A reprodução pode ser assexuada ou sexuada. Com ao filo Foraminifera, representado por espécies principalmente
relação a este último tipo de reprodução destaca-se a fe- marinhas. Em algumas espécies de foraminíferos, os pseudópodes
cundação realizada pelos gametas do Plasmodium (proto- podem ser emitidos através de poros presentes na sua
zoário causador da malária e ainda a conjugação, processo carapaça externa.
em que protozoários ciliados pareiam seus citóstomas e
trocam seus micronúcleos).
Antigamente, os protozoários eram classificados em
quatro grupos principais, de acordo com a estrutura de
locomoção que apresentam. As propostas de classificação
mais atuais, no entanto, embora ainda estejam em cons-
tante discussão, têm considerado a existência de vários
filos. Nesta obra, optamos por apresentar as estruturas de
locomoção bem como exemplos de alguns protozoários
que as apresentam, sem discutir em detalhes as atuais Micrografia eletrônica de varredura de esqueleto mineral de um
propostas de classificação desses seres vivos. radiolário (aumento aproximado de 150 vezes e colorido artificial).
Os radiolários, pertencentes ao filo Actinopoda, são importantes
Organelas de Locomoção representantes do plâncton marinho. São geralmente esféricos e emitem
pseudópodes finos e longos, os quais se irradiam de toda a sua superfície.
Pseudópodes
Os pseudópodes são expansões citoplasmáticas tem- Flagelo
porárias e mutáveis de alguns protozoários que permitem Flagelos são prolongamentos filiformes formados por
a locomoção por deslizamento e a captura ou engloba- fibrilas contráteis, que batem ativamente e podem em-
mento de partículas alimentares (fagocitose). purrar ou puxar o protozoário.
Antigamente agrupados no filo Sarcodinea e atual- Embora os protozoários flagelados já tenham sido
mente distribuídos em diversos filos distintos, os protozo- classificados em um único grupo, o dos protozoários fla-
ários com pseudópodes podem ser encontrados em água gelados ou mastigóforos, atualmente, tem-se proposto
doce, solos úmidos e mares. A maioria é de vida livre, mas organizá-los em filos distintos, os quais são representados
há formas parasitas, como a Entamoeba histolytica, para- por uma grande diversidade de formas de vida. Há espé-
sita do ser humano. cies de vida livre que são marinhas, que vivem em água
Reproduzem-se assexuadamente por bipartição e, em doce ou que habitam solos úmidos; muitas são parasitas,

BIOATP - MICROBIOLOGIA
condições desfavoráveis, muitas espécies formam cistos, como as dos gêneros Trypanosoma e Leishmania, e outras
uma forma inativa envolvida por uma membrana que re- vivem em associação mutualística com outros organismos,
siste à perda de água, choques mecânicos e variações de como é o caso de flagelados do gênero Trichonympha, que
temperatura. vivem no intestino de cupins e de baratas.
Muitas espécies de água doce possuem vacúolos con-
tráteis ou pulsáteis, organelas que permitem a regulação flagelo
osmótica, eliminando o excesso de água que entra por os-
mose em sua célula. membrana ondulatória

núcleo

mitocôndria

cinetoplasto

Esquema de um protozoário flagelado do gênero Trypanosoma. Esse


Micrografia de ameba expandindo seus pseudópodes (aumento gênero possui espécies que parasitam o ser humano e outros animais.
aproximado de 85 vezes e colorido artificial). Agrupadas no filo Pertencentes ao filo Kinetoplastida, esses protozoários flagelados
Rhizopoda, a maioria das espécies de amebas não possui organela possuem em sua célula uma única mitocôndria, longa, com uma região
que confere sustentação à sua célula. rica em DNA – o cinetoplasto.

168
Biologia

Micrografia de protozoário flagelado do gênero Trichonympha, em que


são evidentes seus muitos flagelos (aumento aproximado de 209 vezes
e colorido artificial). Baratas e cupins, ao se alimentarem de madeira,
dependem desses protozoários para a digestão da celulose; em troca, os
protozoários recebem proteção e alimento no intestino desses insetos.

Micrografia de ciliados do gênero Vorticella, que vivem fixos em um


substrato, por meio de um pedúnculo. (Aumento aproximado de 200
vezes e colorido artificial).
flagelo

Leitura Complementar
núcleo

Nutrição e Regulação Osmótica


em Paramécios
Os paramécios possuem hábito alimentar filtrador,
membrana obtendo o alimento por meio de correntes que os ba-
ondulatória axóstilo timentos dos cílios podem produzir. O alimento, cons-
tituído principalmente por bactérias, é conduzido por
Esquema de protozoário com vários flagelos da espécie Trichomonas um sulco oral e entra na célula do paramécio por uma
vaginalis, representando o axóstilo, uma estrutura de sustentação
de sua célula. Essa espécie é um parasita do sistema genital humano, abertura – o citóstomo. Dentro da célula, o alimento é
que pode ser transmitido por meio de relações sexuais sem uso de englobado por vacúolos digestivos, onde as partículas
camisinha. alimentares serão digeridas. Os restos não digeridos e
Ilustração produzida com base em: RUPPERT, E. E; BARNES, R. D. Zoologia dos outros resíduos serão conduzidos pelos vacúolos diges-
invertebrados. 6. ed. São Paulo: Roca, 1996. p. 33. tivos ao citopígeo ou citoprocto, uma abertura fixa pre-
Cílios sente na superfície da célula, sendo, então, eliminados.
Cílios são filamentos mais curtos e mais numerosos que As organelas de controle osmótico são os vacúolos
os flagelos. Também batem ordenadamente, permitindo contráteis ou pulsáteis, que regulam o excesso de água
um deslocamento rápido na água e auxiliando na captu- no interior dos protozoários que vivem em água doce.
ra de alimento. São organelas dos protozoários ciliados,
classificados atualmente em um filo único, o Ciliophora, cílios
composto por espécies de água doce, marinhas ou que vi-
vem em solos úmidos. Muitas espécies são de vida livre, vacúolos
como as do gênero Paramecium, que são comumente en- digestivos
contradas em charcos de água doce; outras espécies são
micronúcleo sulco oral
parasitas, sendo um exemplo o Balantidium coli, parasita
do ser humano que causa diarreia com sangue nas fezes. macronúcleo
citóstomo

vacúolo vacúolo
digestivo alimentar em
abrindo no formação
citopígeo
vacúolo
contrátil

Esquema de um paramécio
Micrografia eletrônica de varredura de um ciliado de vida livre do
gênero Paramecium, em que ficam evidentes os seus cílios (aumento
aproximado de 200 vezes e colorido artificial).

169 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

O REINO FUNGI
A Diversidade dos Fungos
vacúolo
contrátil Qual o maior ser vivo do mundo? O que acha da ba-
leia? A baleia-azul é o maior animal vivo, podendo chegar
a ter 33 metros de comprimento e mais de 180 toneladas
de peso, mas não é o maior ser vivo.
No reino vegetal, também existem plantas gigantescas
como é o caso da Sequóia, que pode ultrapassar os 100
metros de altura, e algumas dezenas de metros de circun-
ferência. Para se ter uma ideia, algumas dessas árvores nos
Paramecium caudatum (aumento aproximado de 130 vezes Estados Unidos possuem troncos tão robustos que se pôde
e colorido artificial). escavar túneis para a passagem de carros em suas bases.
É sem dúvida uma árvore impressionante, não é mesmo?
Os ciliados reproduzem-se assexuadamente, por Mas ainda não é o maior ser vivo do planeta.
divisão binária transversal, e sexualmente, por conju- Bem... O maior ser vivo do mundo é um... fungo!
gação. Muitas espécies de ciliados, como as do gênero No início de agosto de 2000, pesquisadores do
Paramecium, apresentam dos núcleos: um macronúcleo, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos encon-
grande, relacionado aos processos de regulação do meta- traram um fungo tão grande que só pode ser dimensiona-
bolismo da célula, e um micronúcleo, pequeno, relaciona- do quando comparado com cidades inteiras ou constru-
do aos processos reprodutivos. ções multiplicadas às dezenas. Nessa escala, o tamanho
Esporozoários: Protozoários sem Estruturas do fungo equivaleria a 47 estádios do Maracanã colocados
de Locomoção lado a lado. Este fungo é da espécie Armillaria ostoyae e
se desenvolve cerca de 1 metro abaixo da superfície do
Alguns protozoários, como o Plasmodium sp. causador solo, mas pode expor à superfície grupos grandes de co-
da malária, e o Toxoplasma gondii, causador da toxoplas- gumelos dourados, cujos “chapéus” podem atingir até 30
mose, não possuem nenhuma organela locomotora em centímetros de diâmetro.
suas células. Todos eles são exclusivamente parasitas, ob-
tendo os alimentos por absorção direta dos nutrientes dos
organismos hospedeiros.
A maioria das espécies conhecidas são agrupadas no filo
Apicomplexa ou Sporozoa, por possuírem em comum a pre-
sença de um conjunto de organelas na região apical de sua
célula, chamado complexo apical, relacionado com a pene-

BIOATP - MICROBIOLOGIA
tração do protozoário parasita na célula do hospedeiro.
Muitas espécies possuem ciclo de vida com alternân-
cia de gerações.
complexo
apical

Grupo de “chapéus” do fungo da espécie Armillaria ostayae.

No mesmo reino que se encontra o maior ser vivo do


mundo, também estão presentes os mofos ou bolores. Em
certas condições eles crescem em paredes, nas roupas,
nos sapatos, no pão, nas frutas ou em verduras.
núcleo
E quanto aos champignons, que são cogume-
los comestíveis muito apreciados em certos pratos?
Você já os experimentou? Pois saiba que também são fungos.
mitocôndria Já foram descritas cerca de 70.000 espécies de fungos,
mas talvez existam até 1,5 milhão de espécies, sendo que
Esquema de um esporozoário, representando o complexo a maioria ainda está para ser identificada e descrita pelos
apical em sua célula. micologistas.

170
Biologia

Características Gerais A vasta maioria dos fungos apresenta o corpo forma-


do por filamentos denominados hifas. O conjunto de hifas
dos Fungos recebe o nome de micélio, e não é considerado um tecido
Mesmo referindo-se a um grupo tão diverso, os fun- verdadeiro. Existem, basicamente, três tipos morfológicos
gos apresentam algumas características em comum: são de hifas:
heterotróficos (ou seja, não realizam fotossíntese, afinal
são desprovidos de clorofila), eucariontes (portando, com
núcleo celular delimitado por membrana, além de orga-
nelas membranosas, como as mitocôndrias). No entanto,
a característica mais geral dos fungos é aquela que define
o reino: organismos heterotróficos que incorporam os ali-
mentos por absorção. Além desta, existem outras que aju-

Septadas
dam a distinguir os fungos dos demais organismos. Essas
características são: parede celular, substância de reserva, Cenocítica
organização do corpo e padrão de reprodução. Cada um
desses aspectos será analisado a seguir.

Parede Celular Septada


mononucleada
A maioria dos fungos possui células com parede ce-
lular rígida, formada principalmente por quitina, não
estando presente a celulose. A quitina é um polissacarí- Septada bi ou multinucleada
deo encontrado também no Reino Animal, em estruturas
como carapaças de invertebrados, pêlos, unhas e cascos Tipos de Hifas
de vertebrados. Já a celulose é um polissacarídeo típico da
Não possuem septos, que são paredes
parede celular de todas as plantas e ocorre também em transversais derivadas das paredes dos
alguns protistas. Cenocíticas ou não
filamentos. Neste caso, as hifas possuem
septadas
vários núcleos dispersos em massa
citoplasmática comum (estrutura cenocítica).
Substância de Reserva
Os fungos armazenam o glicogênio como substância Septadas Possuem septos transversais separando
mononucleadas compartimentos com apenas um núcleo.
de reserva em suas células, do mesmo modo como fa-
zem os animais. Nas plantas, a substância de reserva é Septadas bi ou Possuem septos transversais separando
o amido. multinucleadas compartimentos com dois ou mais núcleos.

Organização do Corpo Os “chapéus” (corpo de frutificação) que existem em


alguns cogumelos são muitas hifas férteis, produtoras de
Algumas poucas espécies de fungos agrupam organis- esporos – unidades relacionadas com a reprodução desses
mos unicelulares ou formados por pequeno número de fungos.
células, como é o caso das leveduras, representadas pelo Estrutura reprodutora
levedo de cerveja, o Saccharomyces cerevisiae.

Estruturas produtoras
Hifas de esporos

Micélio

Micélio e hifas férteis organizadas na formação de um


Fotomicrografia óptica de Saccharomyces cerevisiae. corpo de frutificação.

171 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

É interessante perceber que os fungos apresentam Basidiomycota


características comuns aos vegetais e aos animais. Você
saberia dizer algumas dessas características? Os basidiomicetos são de todos os fungos os mais vulga-
res. São exemplo grandes cogumelos de chapéu, licopudon,
Fungos e vegetais apresentam parede celular, apesar
cogumelo comestível, ferrugem, fuligem, etc. Esta classe de
de ser de constituição diferente: parede celular de fungos
fungos inclui cerca das 2500 espécies conhecidas.
é constituída de quitina, enquanto que a dos vegetais é
de celulose. Os basidiomicetos distinguem-se dos restantes fungos
Em contrapartida, fungos e animais são organismos he- pela produção de basidiósporos, que se formam a partir
terotróficos e armazenam glicose na forma de glicogênio. de uma estrutura esporífera denominada basidiocarpo. O
micélio desta classe de fungos é sempre septado.
Grupos de Fungos
Filo Zygomycota
O filo Zygomycota reúne
fungos que não formam corpo
de frutificação durante os pro-
cessos sexuados. Eles apresen-
tam hifas cenocíticas.
Reúne espécies de vida livre,
como Rhizopus sp., um bolor
negro que cresce sobre super-
fície úmidas de alimentos ricos Rhizopus sp.
em carboidratos, como pão velho, frutas e verduras.
À esquerda, imagem de um basideosporângio e, à direita, um Agaricus
Existem também zigomicetos parasitas de protozoários, campestris conhecido como champignon.
de vermes e de insetos e espécies que formam associações
mutualísticas com raízes e plantas, as chamadas micorrizas. Importância dos Fungos
Filo Ascomycota Fungos Decompositores
Os ascomicetos representam cerca de metade das espé-
cies descritas de fungo. Eles caracterizam-se por formar, no Os fungos podem viver sob temperaturas extremas,
ciclo de reprodução sexuada, células especiais em forma de que variam de 10 °C à 60 °C, no entanto só sobrevivem
saco, os ascos, de onde provém o nome do filo. No interior em locais onde exista matéria orgânica para se alimentar.
dos ascos, formam-se esporos sexuais denominados ascós- Os fungos possuem digestão extracorpórea, ou seja,
poros. Em certos ascomicetos, os ascos ficam reunidos em liberam suas enzimas digestivas sob a matéria orgânica

BIOATP - MICROBIOLOGIA
corpos de frutificação carnosos chamados de ascocarpos. pré-existente e depois absorvem os nutrientes digeridos
Existem ascomicetos comestíveis como Morchella es- por difusão.
culenta, muito apreciado pelos amantes da culinária, e Quando a matéria orgânica digerida pelo fungo for
espécies que vivem em associações mutualísticas com al- proveniente de corpos de organismos mortos ou de partes
gas ou cianobactérias, formando líquens. Na maioria dos ou resíduos de seres vivos eliminados no ambiente, como
líquens, o fungo participante é um ascomiceto. pele, folhas e frutas, estamos nos referindo aos fungos
decompositores ou saprófitas.
Assim, fungos e bactérias são muito importantes para
o equilíbrio biológico nos diversos ecossistemas da Terra,
contribuindo para a reciclagem da matéria na natureza.

Fungos Mutualísticos
Existem também os fungos mutualísticos, que se asso-
ciam a outros seres e ambos se beneficiam com essa as-
sociação. Os líquens, por exemplo, são resultantes de uma
associação entre fungos e algas. As algas, que fazem fotos-
síntese por ter clorofila, doam parte da matéria orgânica
À esquerda, o corpo de frutificação Morchella e, à direita, produzida para os fungos. Já as hifas dos fungos envolvem
Saccharomyces, este último, responsável pela produção do álcool. as algas, protegendo-as contra a desidratação.

172
Biologia

É o caso do “sapinho”, muito comum em crianças. Essa


doença se manifesta por múltiplos pontos brancos na mu-
cosa, como a boca.

Líquen (mancha clara) crescendo sobre uma rocha.


Os líquens são os primeiros a colonizar uma rocha e favorecer
Micose (doença causada por fungo) em couro cabeludo.
o ambiente para que outros seres habitem aquele local.
Por isso, são conhecidos como pioneiros na sucessão ecológica.
Fungos e os Seres Humanos
Micorriza é o nome dado a outro exemplo de mutua- Alguns fungos são explorados pelos seres humanos em
lismo que envolve os fungos, no caso, associado às raízes processos de fermentação, como é o caso das leveduras,
de plantas. Enquanto as plantas fornecem matéria orgâ- que são fungos unicelulares.
nica aos fungos, afinal produzem essa matéria através da A fermentação é um processo anaeróbio (que não
fotossíntese, os fungos, através de suas hifas, absorvem necessita de oxigênio) realizado por alguns fungos para
água e sais minerais do ambiente, sendo que parte desse produzir energia utilizada por seu próprio metabolismo.
material absorvido é utilizado pelas plantas. Simultaneamente à produção de energia, a fermentação
pode produzir gás carbônico e álcool etílico. Ambas as
substâncias são de interesse humano.
Fungo (Boletus)
Na fabricação de pães, bolos ou outras massas, o fer-
mento biológico adicionado pelo cozinheiro são leveduras
do gênero Sacchromyces. São elas quem promovem o cres-
cimento das massas através da liberação de gás carbônico.
Hifas do fungo
Quanto ao álcool etílico produzido na fermentação, pode
ser empregado como combustível de automóveis, na limpeza
doméstica e na fabricação de bebidas como o vinho e a cerveja.
Raízes do
Certas espécies de fungos do gênero Penicillium são
pinheiro utilizadas na fabricação de queijos, como o queijo roque-
Hifas
Raízes (Pinus) fort e o camembert.
Micorrizas
Têm ainda os fungos comestíveis, como o Agaricus cam-
pestris, conhecido como champignon. Mas, cuidado! Alguns
cogumelos, como o Boletus satanas e o Amanita verna,
Micorrizas: associação mutualística entre fungos e raízes de plantas.
são exemplos de cogumelos venenosos, podendo provo-
car a morte de uma pessoa quando ingeridos. O cogumelo
Fungos Parasitas
Amanita muscaria produz uma potente substância alucinó-
Parasitas são organismos que vivem em associação gena, isto é, que provoca alucinações em quem o ingere.
com outros dos quais retiram os meios para a sua sobre-
vivência, normalmente prejudicando o organismo hospe-
deiro, um processo conhecido por parasitismo.
Assim, fungos parasitas são aqueles que vivem à custa de
outro ser vivo, prejudicando-o e podendo até matá-lo por meio
de inúmeras doenças que provocam em plantas ou animais.
Nos vegetais, a “ferrugem” é uma doença muito conheci-
da causada por fungo. É uma doença que ataca as folhas do
café ou da soja, prejudicando a realização da fotossíntese.
A esquerda: Amanita muscaria – cogumelo que produz muscarina,
Nos seres humanos, as doenças mais comuns ocor- substância tóxica que causa alucinações. À direita, Claviceps purpúrea –
rem na pele, podendo-se manifestar em qualquer par- produz ergotamina utilizado na síntese de LSD.
te da superfície do corpo. São comuns as micoses do Por fim, existem ainda aqueles fungos com capacidade
couro cabeludo e da barba (ptiríase), das unhas e as de produzir antibiótico (remédio que combate as bactérias).
que causam as “frieiras” (pé-de-atleta). As micoses Trata-se do fungo Penicillium notatum, que produz a penici-
podem afetar também as mucosas como a da boca. lina, primeiro antibiótico descoberto pela humanidade.

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Biologia

Pensando nas características de alguns seres representa-


dos na árvore filogenética, é correto afirmar que o reino
(A) Animalia agrupa os seres vivos unicelulares e plurice-


lulares, organizados em vertebrados e invertebrados.
(B) Fungi é formado por seres vivos autótrofos, como
os cogumelos e os bolores.
1. (UFTM) Na animação Rio, do brasileiro Carlos (C) Protoctista reúne as algas e os protozoários exclu-
Saldanha, os personagens são, principalmente, dife- sivamente pluricelulares.
rentes tipos de aves e um cachorro. (D) Monera inclui as bactérias que não têm núcleo e
nem material genético.
(E) Plantae agrupa seres vivos pluricelulares, clorofi-
lados e eucariontes.
3. Considerando a importância da luz solar nos proces-
sos de origem e evolução biológica, assinale a afirma-
tiva correta.

Considerando que tenham sido baseados em animais


reais e de acordo com a atual classificação biológica,
pode-se afirmar que
(A) todos pertencem à mesma classe, porém, seriam (A) Os vírus foram os primeiros seres vivos a surgir no
separados em duas ordens distintas. planeta, a partir de seres autotróficos.
(B) todos pertencem ao mesmo filo, porém, seriam (B) Os fungos incluem seres eucarióticos e autotróficos.

separados em duas classes distintas. (C) Na evolução da vida, as bactérias foram precurso-
(C) as aves são do mesmo gênero, porém, pertencem ras dos protozoários.
a ordens distintas. (D) Todas as bactérias são heterotróficas, sendo dividi-

das em aeróbicas, anaeróbicas e fermentadoras.
(D) as aves são da mesma classe, porém, pertencem (E) Os reinos dos fungos e dos protozoários apresen-
a reinos distintos. tam exemplos de seres primitivos e procarióticos.
(E) todos pertencem ao mesmo subfilo, porém, per-
4. Para facilitar o estudo dos seres vivos, os cientistas
tencem a domínios distintos.
subdividem os reinos em grupos menores: filo, classe,
ordem, família, gênero e espécie. Os organismos per-
2. A figura a seguir representa uma árvore filogenéti- tencentes a um mesmo grupo possuem característi-
ca, referente à classificação dos seres vivos em cinco cas que contemplam determinados critérios, devendo
reinos, bem como alguns seres vivos pertencentes a descender de um único ancestral comum.
cada um desses reinos.
Sobre isso, é correto afirmar-se que
(A) à medida que os subgrupos se aproximam da es-
pécie, os critérios tornam-se cada vez mais gerais.
(B) as aves que pertencem à mesma ordem apresen-
tam características comuns, como fecundação ex-
terna e plumagem brilhante.
(C) o gênero é uma subdivisão da família e compreende

todos os animais que possuem coluna vertebral.
(D) os fungos são seres procariontes unicelulares ou
pluricelulares. Os cogumelos, as leveduras e os
bolores são representantes do reino dos fungos.
(E) os indivíduos que pertencem a uma mesma es-
pécie possuem várias características em comum.
Por exemplo, são capazes de se reproduzir entre
si, gerando descendentes férteis.

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Biologia

5. Os vírus são minúsculos “piratas” biológicos porque in- O experimento demonstra que entre as bactérias
vadem as células, saqueiam seus nutrientes e utilizam ocorreu, exceto,
as reações químicas das mesmas para se reproduzir. (A) transformação bacteriana.
Logo em seguida, os descendentes dos invasores trans- (B) absorção de material genético.
mitem-se a outras células, provocando danos devasta-
(C) alteração genotípica e fenotípica.
dores. A estes danos, dá-se o nome de virose, como a
raiva, a dengue hemorrágica, o sarampo, a gripe, etc. (D) ação viral na transdução bacteriana.
(Texto modificado do livro “PIRATAS DA CÉLULA”, de Andrew Scott.) 8. As cianobactérias são organismos frequentemente en-
De acordo com o texto, é correto afirmar: contrados no ambiente aquático. Esses organismos
(A) Os vírus utilizam o seu próprio metabolismo para (A) são procariontes, com material genético diploide
destruir células, causando viroses. e pertencentes ao Reino Protista.
(B) Os vírus utilizam o DNA da célula hospedeira para (B) são uni ou multicelulares com parede celular rígi-
produzir outros vírus. da e flagelos locomotores.
(C) Os vírus não têm metabolismo próprio.
(C) possuem pigmentos fotossintéticos, mas realizam
(D) As viroses resultam sempre das modificações ge- quimiossíntese como metabolismo energético.
néticas da célula hospedeira.
(D) podem, em ambientes eutrofizados, proliferar e
(E) As viroses são transcrições genéticas induzidas
produzir toxinas que contaminam peixes.
pelos vírus que degeneram a cromatina na célula
hospedeira. (E) participam, igual a outras bactérias, das cadeias
alimentares como produtores e decompositores.
6. Assinale a alternativa correta em relação aos vírus.
(A) Os vírus não têm estrutura celular, são menores que 9. Com relação aos vírus e às bactérias, analise as afir-

as bactérias, possuem uma cápsula de proteína cha- mativas abaixo.
mada capsídeo e ácido nucleico em seu interior. I. Todo vírus é parasita intracelular porque penetra
(B) Os vírus possuem organelas celulares, por isso em uma célula e usa do metabolismo dessa célula
são classificados dentro dos cinco reinos. para produzir novos vírus.
(C) O bacteriófago é uma estrutura bacteriana e não II. O material genético dos vírus é sempre DNA e
faz parte da organização viral. RNA.
(D) Algumas doenças são causadas por vírus, como III. As bactérias distinguem-se de todos os seres vi-
Aids, cólera e sífilis. vos por serem procarióticas.
(E) Para combater todos os vírus, o ser humano deve IV. Todas as bactérias são seres autotróficos, fotos-

tomar doses de antibióticos e anti-helmínticos. sintetizantes e quimiossintetizantes.
7. Observe o esquema a seguir, que representa o famo- Marque a alternativa que apresenta somente afirma-
so experimento de Fred Griffith, que provou a exis- tivas corretas.
tência de várias linhagens da bactéria ‘Diplococcus (A) I e IV. (C) I e III.
pneumoniae’. Algumas linhagens causam pneumonia (B) II e IV. (D) II e III.
e são consideradas virulentas; outras não, e são não
virulentas. A bactéria virulenta possui uma capa po- 10. A análise laboratorial de uma amostra de água reve-
lissacarídica e, quando cultivada numa placa de ágar, lou a presença de dois patógenos (A e B) com as se-
cria colônias com um aspecto liso e são denominadas guintes características:
bactérias S. Já as não virulentas não têm essa capa, Patógeno A → organismo filtrável, parasita intracelu-
e suas colônias são de aspecto rugoso, portanto são lar, constituído por uma capa proteica que envolve a
denominadas bactérias R. molécula de ácido nucleico.
Analise o esquema a seguir, que representa o experi- Patógeno B → organismo não filtrável, que tem uma
mento com as bactérias S e R. membrana lipoproteica revestida por uma parede rica
camundongo injetado em polissacarídeos, que envolve um citoplasma onde
s s s com bactérias S morre
s se encontra seu material genético constituído por
camundongo injetado com uma molécula circular de DNA.
R bactérias R continua saudável
R
R
R Esses organismos são, respectivamente,
camundongo injetado com (A) uma bactéria e um fungo.
s bactérias S mortas por (B) um protozoário e um fungo.
s s s
aquecimento continua sadável
(C) um vírus e uma bactéria.
R camundongo injetado com
s
s R
bactérias R vivas + bactérias S
(D) uma bactéria e um vírus.
R s
s R mortas por aquecimento morre. (E) um vírus e um protozoário.

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Biologia

11. O ciliado Paramecium caudatum é constituído por 13. Observe a figura abaixo.
uma só célula alongada e achatada, medindo entre
150 e 300 micrômetros de comprimento e seu aspec-
to lembra o formato de uma sola de sapato. É reco-
berto por cílios. Analise as afirmações relacionadas ao
paramécio e aos protozoários em geral.
I. Os cílios presentes no paramécio, com a função
de locomoção, têm origem nos centríolos.
II. Os protozoários, como o paramécio, apresentam
duas membranas, a plasmática e a parede celular.
III. A regulação osmótica no paramécio é feita por Os ciliados são protistas que apresentam reprodução
dois vacúolos contráteis, localizados em cada assexuada por divisão binária e sexuada pelo proces-
uma de suas extremidades. Esses vacúolos são so de conjugação. Durante o processo de conjugação,
encontrados em protozoários de água doce. não existe divisão e os protozoários pareiam seus
citóstomas e trocam os micronúcleos. Além de apre-
IV. A maioria dos ciliados têm vida livre, como o pa-
sentarem dimorfismo nuclear com macro e micronú-
ramécio. cleo, outra característica importante dos ciliados é a
V. Diversas espécies de protozoários são parasitas, cau- presença de uma ultraestrutura esquelética abaixo

sando doenças em animais, inclusive no homem. da membrana chamada infraciliatura. A infraciliatu-
Estão corretas as afirmações ra está organizada apresentando elementos rígidos
orientados transversalmente. O padrão de disposição
(A) I, II, IV e V. (D) I, II, III e V. desses elementos impede a divisão dos ciliados no
(B) I, III, IV e V. (E) II, III, IV e V. plano longitudinal.
(C) I, II, III e IV. Com base nas informações do texto, é correto afirmar
12. que a figura acima representa
(A) o processo de brotamento em ciliados.
(B) um ciliado em reprodução assexuada.
(C) uma colônia de ciliados em estágio inicial de formação.

(D) dois ciliados em reprodução sexuada.
14. A figura a seguir representa o protozoário ciliado de
vida livre do gênero Paramecium com indicação de al-
gumas de suas estruturas.
Macronúcleo vacúolo contrátil
fagossoma

vacúolo
digestivo
cílios
micronúcleo

citóstoma
“ É do Comitê de Direitos dos Protozoários. Eles querem
saber para que o senhor está usando seus clientes.” Leia com atenção as afirmações a seguir.
I. O protozoário dado apresenta nutrição heterótro-
Sidney Harris. “A Ciência Ri”, 2007.
Editora UNESP (Adaptado).
fa com digestão intracelular.
II. A maioria dos protozoários é unicelular, e o grupo
O cartum acima refere-se aos protozoários, seres dos ciliados é tipicamente parasita de animais e
__________ que servem como bons indicadores da plantas.
qualidade do meio ambiente. Os protozoários são, III. Seus vacúolos contráteis trabalham para manter
em sua maioria, seres ___________ de vida livre e o animal isotônico em relação ao meio externo.
__________. IV. Os vacúolos digestivos podem se formar pela
união de lisossomos com fagossomos.
(A) unicelulares – autotróficos – terrestre V. A reprodução sexuada é possível por conjugação
(B) unicelulares – heterotróficos – aquática em alguns protozoários ciliados.
(C) unicelulares – autotróficos – aquática São afirmações corretas:
(D) multicelulares – heterotróficos – aquática (A) I, IV e V apenas. (C) II, III e V apenas.
(E) multicelulares – autotróficos – terrestre (B) I, III e IV apenas. (D) I, II, III e IV.

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Biologia

15. Os fungos, popularmente conhecidos por bolores, 18. A lei 7678 de 1988 define que “vinho é a bebida ob-
mofos, fermentos, lêvedos, orelhas-de-pau, trufas e tida pela fermentação alcoólica do mosto simples
cogumelos-de-chapéu, apresentam grande variedade de uva sã, fresca e madura”. Na produção de vinho,
de vida. É correto afirmar sobre os fungos, exceto: são utilizadas leveduras anaeróbicas facultativas. Os
(A) São organismos pioneiros na síntese de matéria orgâ- pequenos produtores adicionam essas leveduras
ao mosto (uvas esmagadas, suco e cascas) com os

nica para os demais elementos da cadeia alimentar.
tanques abertos, para que elas se reproduzam mais
(B) Os saprófitas são responsáveis por grande parte
rapidamente. Posteriormente, os tanques são her-
da degradação da matéria orgânica, propiciando
meticamente fechados. Nessas condições, analise as
a reciclagem de nutrientes.
seguintes afirmações:
(C) Podem provocar nos homens micoses na pele,
couro cabeludo, barba, unhas e pés. I. o vinho se forma somente após o fechamento dos
tanques, pois, na fase anterior, os produtos da
(D) Podem participar de interações mutualísticas
ação das leveduras são a água e o gás carbônico.
como as que ocorrem nas micorrizas e nos líquens.
II. o vinho começa a ser formado já com os tanques
16. As afirmações abaixo se referem ao grupo dos fungos. abertos, pois o produto da ação das leveduras,
I. As leveduras são conhecidas por sua capacidade nessa fase, é utilizado depois como substrato
de fermentar carboidratos e produzir álcool etí- para a fermentação.
lico e dióxido de carbono, sendo utilizadas pelos
III. a fermentação ocorre principalmente durante a
vinicultores, panificadores e cervejeiros.
reprodução das leveduras, pois esses organismos
II. Fungos patogênicos são os principais causadores necessitam de grande aporte de energia para sua
de doenças de pele em pessoas que estão com o multiplicação.
sistema imunológico afetado, como, por exemplo,
as que estão contaminadas com o vírus HIV. Estão corretas as afirmações:
(A) I.
III. Aflatoxinas são metabólitos secundários produzi-
dos por alguns fungos, que frequentemente con- (B) II.
taminam amendoim, milho, trigo, entre outros, (C) III.
podendo causar câncer de fígado em pessoas e (D) I e II.

animais que as ingerem. (E) I e III.

Quais estão corretas? 19. Considere as afirmativas abaixo:
(A) Apenas I. (D) Apenas II e III. I. Líquens são associações simbióticas entre fungos
(B) Apenas II. (E) I, II e III. e algas verdes unicelulares ou cianobactérias.
(C) Apenas I e II. II. As algas parasitam o micélio dos fungos, retirando
destes matéria inorgânica essencial ao metabolis-
17. A professora de Ciências solicitou aos alunos que fi-
mo dos mesmos.
zessem um trabalho sobre alguns microrganismos e,
diante dessa proposta, o aluno Thales afirmou para III. Na associação entre fungos e algas, chamada de
sua amiga Mariana que as bactérias e os fungos só líquen, as algas fornecem matéria orgânica para
causam problemas e deveriam ser eliminados do os fungos, enquanto estes abastecem as algas com
mundo não havendo muito que se estudar sobre eles. matéria inorgânica e ajudam na retenção de água.
Em resposta, Mariana disse que isso seria impossível IV. Os líquens podem ser usados como bioindicado-
e que eles são importantes também para os seres hu- res, pois apresentam um sistema radicular capaz
manos, defendendo seu ponto de vista. Um argumen- de absorver partículas inorgânicas da atmosfe-
to correto que ela poderia usar seria: ra. Variações na concentração dessas partículas,
(A) Eles realizam a fotossíntese, mantendo constante como o aumento dos poluentes, podem levar os
a concentração de gás oxigênio na natureza e po- liquens à morte.
deriam até substituir os vegetais.
Com base nessa análise, estão corretas apenas as afir-
(B) Todos são bons e nunca seriam eliminados porque
mativas
não existem substâncias sintéticas que os eliminem.
(C) Alguns fungos podem produzir a penicilina e certas (A) I e II.

bactérias atuam na produção de alguns alimentos. (B) III e IV.
(D) Eles realizam a fermentação, utilizando a energia (C) I e III.
solar e isso faz deles os grandes produtores de to- (D) II e IV.
dos os ambientes.

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Biologia

20. Em relação aos fungos é correto afirmar: 22. Casacos de lã, sapatos de couro e cintos de algodão
guardados por algum tempo em armários podem ficar
(A) São procariontes e realizam sua nutrição por qui-
mofados, pois os fungos necessitam de
miossíntese.
(B) Não possuem organelas celulares, pois a estrutu- (A) algas simbióticas para digerir o couro, a lã e o al-
ra deles é constituída de capsídeo. godão.
(C) São classificados em quatro classes: Sarcodínea, (B) baixa luminosidade para realizar fotossíntese.
Ciliophora, Flagellata e Sporozoa.
(C) baixa umidade para se reproduzirem.
(D) São nocivos à saúde, pois todas as espécies cau-
sam micoses ao homem. (D) substrato orgânico para o desenvolvimento
(E) São eucariontes e a maioria deles possui sua es- adequado.
trutura composta por um emaranhado de fila-
mentos designados hifas, cujo conjunto se chama 23. Considere algumas características que podem ser en-
micélio. Também existem formas unicelulares. contradas em diferentes seres vivos.

21. Há evidências de que a prática da cervejaria originou- I. Parede celular de quitina e digestão extracorpórea.


-se há mais de 5 mil anos na região da Mesopotâmia, II. Material genético disperso no citoplasma e pre-
onde a cevada cresce em estado selvagem. Gravuras, sença de plasmídeos dispersos no citosol.
inscrições, poemas e registros arqueológicos des-
te período sugerem o uso da cerveja. Outros docu- III. Cápsula proteica envolvendo o material genético,
mentos históricos mostram, em 2100 a.C., sumérios podendo ser DNA ou RNA.
alegrando-se com uma bebida fermentada, obtida de IV. Multicelulares, presença de tecidos e autótrofos.
cereais. Mais tarde, a cerveja passou a ser produzida
por padeiros, devido à natureza dos ingredientes que Vírus, bactérias, vegetais e fungos apresentam, res-
utilizavam: leveduras e grãos de cereais. A cevada pectivamente, as características
era deixada de molho até germinar e, então, moída
e moldada em bolos, aos quais se adicionava a leve- (A) I, II, III e IV.
dura. Os bolos, após parcialmente assados e desfei-
tos, eram colocados em jarras com água e deixados (B) II, IV, III e I.
fermentar. (C) III, I, II e IV.
Com o passar do tempo, cada família produzia a (D) II, I, IV e III.
sua própria bebida. A expansão da produção se
deu com o Império Romano. E foram os gauleses (E) III, II, IV e I.
que cunharam o nome atualmente usado, deno-
minando essa bebida de cevada de “cerevisia”, ou
24. Considere os seguintes processos:
“cervisia”, em homenagem a Ceres, deusa da agri-
cultura e da fertilidade. Na Idade Média, os con- I. Produção de iogurtes e queijos.
ventos assumiram a fabricação da cerveja, e os II. Produção de açúcar a partir da cana.
monges reproduziram em manuscritos a técnica
III. Fixação de nitrogênio no solo pelo cultivo de legu-
de fabricação. Artesãos, pequenas fábricas e, por
minosas.
fim, grandes indústrias trouxeram, de então, esse
nobre líquido aos dias atuais. IV. Extração do amido do milho.

Elaborado com base em informações obtidas em Quais dos processos acima mencionados dependem
http:// [Link] da participação de micro-organismos?
A levedura que processa a fermentação referida no
(A) Apenas I e II.
texto é
(B) Apenas II e III.
(A) uma alga unicelular. (C) Apenas I e III.
(B) uma alga multicelular.
(D) Apenas II e IV.
(C) uma bactéria unicelular.
(E) Apenas III e IV.
(D) um fungo unicelular.
(E) um fungo multicelular.

[Link] | Produção: [Link] 178


Biologia

25. Analise as afirmativas sobre fatores que são levados em


conta nos processos utilizados para conservar alimentos.
I. Os microrganismos dependem da água líquida
para sua sobrevivência.
II. Os microrganismos necessitam de temperaturas
adequadas para crescerem e se multiplicarem.
A multiplicação de microrganismos, em geral, é 1. No sistema de classificação de Lineu, os fungos eram
mais rápida entre 25 °C e 45 °C, aproximadamente. considerados vegetais inferiores e compunham o mes-
III. As transformações químicas têm maior rapidez mo grupo do qual faziam parte os musgos e as samam-
quanto maior for a temperatura. baias. Contudo, sistemas de classificação modernos
IV. Há substâncias que, acrescentadas ao alimento, colocam os fungos em um reino à parte, reino Fungi,
dificultam a sobrevivência ou a multiplicação de que difere dos vegetais não apenas por não realizarem
microrganismos. fotossíntese, mas também porque os fungos
V. No ar, há microrganismos que, encontrando ali- (A) são procariontes, uni ou pluricelulares, enquanto
mento, água líquida e temperaturas adequadas, os vegetais são eucariontes pluricelulares.
crescem e se multiplicam. (B) são exclusivamente heterótrofos, enquanto os
vegetais são exclusivamente autótrofos ou hete-
Sobre esse assunto, lê-se em uma embalagem de lei- rótrofos.
te “longa-vida”: “Após aberto, é preciso guardá-lo em (C) não apresentam parede celular, enquanto todos os


geladeira”. vegetais apresentam parede celular formada por
celulose.
Assinale a opção correta sobre os fatores, dentre os
(D) têm o glicogênio como substância de reserva
apresentados, que atuam na deterioração rápida do energética, enquanto nos vegetais a reserva ener-
leite, caso uma pessoa não siga tal instrução, princi- gética é o amido.
palmente no verão tropical. (E) reproduzem-se apenas assexuadamente, en-
(A) Apenas a afirmativa I é verdadeira. quanto nos vegetais ocorre reprodução sexua-
(B) Apenas a afirmativa II é verdadeira. da ou assexuada.
(C) Apenas as afirmativas II, III e V são verdadeiras. 2. A laranja é um dos principais produtos da fruticultura
brasileira. O setor citrícola, no país, cultiva 200 milhões
(D) Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras.
de pés de laranja, emprega cerca de 400 mil pessoas
(E) Apenas as afirmativas I, III, IV e V são verdadeiras.
e gera negócios anuais da ordem de US$ 4 bilhões.
A morte súbita dos citros – que já atingiu cerca
de 2 milhões de laranjeiras em São Paulo e Minas
Gerais – vem preocupando os setores produtivos.
Pesquisadores atribuem a um vírus a causa da mo-
léstia – que promove o bloqueio dos vasos que con-
duzem a seiva da copa para as raízes. O uso de um
resistente porta-enxerto - planta sobre a qual cresce
1. B 14. A a variedade de laranjeira que se deseja cultivar – é
2. E 15. A um método de controle empregado, além de outros,
como o controle de insetos transmissores (pulgões).
3. C 16. E
Pesquisa FAPESP, nº 109, março de 2005 [adapt.].
4. E 17. C De acordo com o texto e seus conhecimentos, é corre-
5. C 18. A to afirmar que
(A) propagação assexuada por enxertia – em que o cul-
6. A 19. C tivar de laranjeira enxertada apresenta a mesma
7. D 20. E constituição genética do porta-enxerto – garante
8. D 21. D a não contaminação pelo vírus, micro-organismo
unicelular patogênico constituído por uma cápsu-
9. C 22. D la proteica e DNA.
10. C 23. E (B) o vírus da morte súbita dos citros é transmitido, de
11. B 24. C uma planta para outra, por um artrópode perten-
cente à classe insecta, o qual causa, no vegetal, o
12. B 25. C bloqueio do xilema, levando, consequentemente,
13. D à interrupção da condução da seiva elaborada.

179 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

(C) o agente causador da doença das laranjeiras ci- 3. Os vírus são altamente específicos em relação ao hos-
tada no texto é um parasita intracelular que in- pedeiro; em geral, um tipo de vírus só é capaz de atacar
vade a célula do hospedeiro para se multiplicar um ou uns poucos tipos de célula. A explicação para
e promove o bloqueio do floema, levando conse- essa especificidade é que, para penetrar na célula ou
quentemente à interrupção da condução da seiva injetar seu material genético, o vírus precisa aderir a
elaborada. certas substâncias da membrana celular. Assim, apenas
células portadoras das substâncias em sua membrana
(D) o bloqueio do xilema – tecido condutor vegetal podem ser invadidas por determinada espécie de vírus.
constituído por elementos de tubos crivados e FONTE: AMABIS, J.M.; MARTHO, G. R. Fundamentos da biologia moderna.
células companheiras –, provocado pelo vírus, Volume único. São Paulo. Moderna, 2002. p. 178.

promove uma interrupção no fornecimento de Assinale a alternativa correta:


seiva bruta para as raízes, ocasionando a morte (A) Os vírus que atacam bactérias são conhecidos
da planta. como bacteriófagos.
(B) Os vírus são constituídos de células eucariontes.
(E) o vírus, ao infectar a planta, passa a controlar o
metabolismo da célula hospedeira, multiplicando- (C) O vírus da tuberculose é altamente perigoso.
-se e promovendo um bloqueio na condução da (D) No ciclo lítico e lisogênico, a célula hospedeira é
seiva elaborada através dos tecidos condutores destruída.
constituídos por elementos de vasos lenhosos. (E) Os vírus são sempre constituídos de capsídeo,
DNA e RNA.

4. As bactérias não apresentam reprodução sexuada típica, mas, em certas espécies, há a incorporação de genes de outro
indivíduo, processo denominado recombinação genética, que leva à formação de bactérias com características genéticas
diferentes. Nos quadros A, B e C, a seguir, estão esquematizados três processos através dos quais uma bactéria pode in-
corporar genes de outras.

A Bactéria doadora Vírus Bactéria DNA


B C Bactéria
doadora doadora
Pêlo sexual (pilli)
Bactéria
Bactéria receptora
receptora
Bactéria
receptora
DNA
DNA da cromossômico
DNA da DNA da
bactéria bactéria bactéria
doadora doadora doadora

Bactéria doadora rompida liberando vírus que Bactéria doadora rompida liberando o DNA, Bactéria doadora (“macho”), unida por meio de
podem conter um pedaço de cromossomo que é captado pela bactéria receptora. um pêlo sexual (pilli), à bactéria receptora.
bacteriano: este será injetado na bactéria
receptora pelo vírus doador.

Figuras adaptadas de AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R.


Biologia dos organismos. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004.

Os fenômenos descritos nos quadros A, B e C correspondem, respectivamente, aos seguintes processos de recom-
binação genética:

(A) transformação, conjugação e transdução.


(B) conjugação, transdução e transformação.
(C) transdução, conjugação e transformação.
(D) transformação, transdução e conjugação.
(E) transdução, transformação e conjugação.

[Link] | Produção: [Link] 180


Biologia

5. Um pesquisador interessado em descobrir se o fósfo- 8. Estudos de fluxo de energia em ecossistemas demons-


ro representava o elemento químico responsável pelo tram que a alta produtividade nos manguezais está di-
aumento da população de cianobactérias (bactérias ae- retamente relacionada às taxas de produção primária
róbicas) causadoras do processo de eutrofização reali- líquida e à rápida reciclagem dos nutrientes. Como
zou o seguinte experimento: separou dois conjuntos de exemplo de seres vivos encontrados nesse ambiente,
lagos e, em metade deles (grupo 1), adicionou grandes temos: aves, caranguejos, insetos, peixes e algas.
quantidades de nitrogênio e carbono. Nos lagos cor-
respondentes à outra metade (grupo 2), ele adicionou Dos grupos de seres vivos citados, os que contribuem
grandes quantidades de nitrogênio, carbono e fósforo. diretamente para a manutenção dessa produtividade
no referido ecossistema são
Se o fósforo realmente for o elemento responsável (A) aves. (D) insetos.
pelo aumento da população de cianobactérias, qual
deveria ser o resultado esperado depois de algumas (B) algas. (E) caranguejos.
semanas após o início deste experimento? (C) peixes.
(A) Os lagos do grupo 2 deveriam apresentar maior 9. O impressionante exército de argila de Xian, na China,
abundância de peixes vivos que os lagos do grupo 1. enfrenta finalmente um inimigo. O oponente é um ba-
(B) Os lagos de ambos os grupos deveriam se tornar tur- talhão composto por mais de quarenta tipos de fun-

vos e apresentar menor disponibilidade de oxigênio. gos, que ameaça a integridade dos 6000 guerreiros e
(C) Nos lagos do grupo 2, diferentemente dos lagos do cavalos moldados em tamanho natural. Os fungos que

grupo 1, deveria haver alta mortalidade de peixes. agora os atacam se alimentam da umidade provocada
(D) Nos lagos do grupo 1, deveria haver alta morta- pela respiração das milhares de pessoas que visitam a
lidade de peixes, e os lagos do grupo 2 deveriam atração a cada ano. (Adaptado de “Veja”, 27/09/2000)
permanecer inalterados.

 
Ao contrário do que está escrito no texto, a umidade
(E) Os peixes e os invertebrados deveriam morrer não é suficiente para alimentar os fungos pois os indi-
mais rapidamente nos lagos do grupo 1 se com- víduos do Reino Fungi por serem
parados aos dos lagos do grupo 2.
(A) heterótrofos necessitam também de substrato or-
6. O organismo A é um parasita intracelular constituído gânico.
por uma cápsula protéica que envolve a molécula de (B) heterótrofos necessitam também de sais minerais.
ácido nucléico. O organismo B tem uma membrana
(C) fotossintetizantes necessitam também de gás car-
lipoprotéica revestida por uma parede rica em po-
lissacarídeos que envolvem um citoplasma, onde se bônico.
encontra seu material genético, constituído por uma (D) fotossintetizantes necessitam também de luz solar.

molécula circular de DNA. Esses organismos são, res- (E) decompositores necessitam também matéria
pectivamente, morta.
(A) uma bactéria e um vírus. 10. Frequentemente, os fungos são estudados juntamen-
te com as plantas, na área da Botânica. Em termos
(B) um vírus e um fungo.
biológicos, é correto afirmar que essa aproximação
(C) uma bactéria e um fungo.
(D) um vírus e uma bactéria. (A) não se justifica, pois a organização dos tecidos
(E) um vírus e um protozoário. nos fungos assemelha-se muito mais à dos ani-
mais que à das plantas.
7. Na embalagem de um antibiótico, encontra-se uma (B) se justifica, pois as células dos fungos têm o mes-
bula que, entre outras informações, explica a ação do mo tipo de revestimento que as células vegetais.
remédio do seguinte modo: O medicamento atua por (C) não se justifica, pois a forma de obtenção e arma-
inibição da síntese proteica bacteriana.
zenamento de energia nos fungos é diferente da
Essa afirmação permite concluir que o antibiótico encontrada nas plantas.
(A) impede a fotossíntese realizada pelas bactérias (D) se justifica, pois os fungos possuem as mesmas
causadoras da doença e, assim, elas não se ali- organelas celulares que as plantas.
mentam e morrem. (E) se justifica, pois os fungos e as algas verdes têm o
(B) altera as informações genéticas das bactérias cau- mesmo mecanismo de reprodução.
sadoras da doença, o que impede manutenção e
reprodução desses organismos. 11. O quadro abaixo lista características que diferenciam
(C) dissolve as membranas das bactérias responsá- os reinos dos fungos, das plantas e dos animais, quan-
veis pela doença, o que dificulta o transporte de to ao tipo e ao número de células e quanto à forma de
nutrientes e provoca a morte delas. nutrição de seus integrantes.
(D) elimina os vírus causadores da doença, pois não CARACTERÍSTICA I II III
conseguem obter as proteínas que seriam produ- Exclusivamente Maioria Exclusivamente
Tipo de célula
zidas pelas bactérias que parasitam. procarióticos eucarióticos eucarióticos
(E) interrompe a produção de proteína das bactérias Exclusivamente Unicelulares ou Exclusivamente
Número de células
unicelulares pluricelulares pluricelulares
causadoras da doença, o que impede sua multipli- Exclusivamente Autotróficos ou Exclusivamente
Forma de nutrição
cação pelo bloqueio de funções vitais. heterotróficos heterotróficos autotróficos

181 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Com relação a essas características, os seres vivos que 14. Para preparar uma massa básica de pão, deve-se mis-
compõem o reino dos fungos estão indicados em: turar apenas farinha, água, sal e fermento. Parte do
TIPO DE NÚMERO DE
trabalho deixa-se para o fungo presente no fermen-
FORMA DE NUTRIÇÃO to: ele utiliza amido e açúcares da farinha em reações
CÉLULA CÉLULAS
químicas que resultam na produção de alguns outros
(A) I III II
compostos importantes no processo de crescimento
(B) II III I da massa. Antes de assar, é importante que a massa
(C) III II I seja deixada num recipiente por algumas horas para
(D) III I II que o processo de fermentação ocorra.
(E) II II III Esse período de espera é importante para que a mas-
12. Muitos fungos são utilizados na produção de bebidas sa cresça, pois é quando ocorre a
e no preparo de alimentos. O gênero Saccharomyces, (A) reprodução do fungo na massa.
por exemplo, compreende inúmeras espécies, sendo (B) formação de dióxido de carbono.
uma das principais a levedura de cerveja. Sabe-se que (C) liberação de energia pelos fungos.
o levedo de cerveja é um fermento inativo, resultante (D) transformação da água líquida em vapor d’água.
do processo de fermentação da cevada durante a pro-
dução de cerveja. É uma das fontes naturais de vitami- (E) evaporação do álcool formado na decomposição
nas do complexo B, de proteínas, fibras e vitaminas. dos açúcares.
Tendo em vista o tema apresentado acima, analise as 15. A Aids é uma doença viral e sem cura que ataca o sis-
proposições abaixo: tema imunológico, tornando o paciente mais suscetí-
vel a doenças oportunistas. O vírus causador da Aids é
I. O termo levedura é usado para nomear espécies
de fungos unicelulares. o HIV, que possui como principal alvo:
II. A Saccharomyces cerevisae é capaz de realizar (A) as plaquetas.
fermentação alcoólica na presença de oxigênio, (B) os eosinófilos.
degradando o açúcar em álcool etílico e gás car- (C) as células Natural Killer.
bônico. (D) os linfócitos B.
III. Para adquirir uma bebida de maior teor alcóoli- (E) os linfócitos T.
co o tanque de fermentação deve estar tampado 16. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é
uma vez que leveduras do gênero Saccharomyces manifestação clínica da infecção pelo vírus HIV, que
são fermentantes facultativas. leva, em média, oito anos para se manifestar. No Brasil,
IV. A fermentação das leveduras durante o processo desde a identificação do primeiro caso de AIDS em
de produção de bebidas libera álcool, diferente 1980 até junho de 2007, já foram identificados cerca
da fermentação das leveduras durante o cresci- de 474 mil casos da doença. O país acumulou, aproxi-
mento das massas que lebira CO2. madamente, 192 mil óbitos devidos à AIDS até junho
Somente está correto o que se afirma em de 2006, sendo as taxas de mortalidade crescente até
meados da década de 1990 e estabilizando-se em cerca
(A) I e II. (D) II e III.
de 11 mil óbitos anuais desde 1998. [...] A partir do ano
(B) I e III. (E) II e IV. 2000, essa taxa se estabilizou em cerca de 6,4 óbitos
(C) I e IV. por 100 mil habitantes, sendo esta estabilização mais
evidente em São Paulo e no Distrito Federal.
13.

Disponível em: [Link]
Há milhares de anos o homem faz uso da biotec- Acesso em: 01 de maio 2009 (adaptado)
nologia para a produção de alimentos como pães, cer-
vejas e vinhos. Na fabricação de pães, por exemplo, A redução nas taxas de mortalidade devido à AIDS
são usados fungos unicelulares, chamados de levedu- a partir da década de 1990 é decorrente
ras, que são comercializados como fermento biológi- (A) do aumento do uso de preservativos nas relações
co. Eles são usados para promover o crescimento da sexuais, que torna o vírus HIV menos letal.
massa, deixando-a leve e macia. (B) da melhoria das condições alimentares dos soro-
O crescimento da massa do pão pelo processo citado positivos, a qual fortalece o sistema imunológico
é resultante da deles.
(C) do desenvolvimento de drogas que permitem di-
(A) produção de ATP..
ferentes formas de ação contra o vírus HIV.
(B) formação de ácido lático.
(D) das melhorias sanitárias implementadas nos últi-
(C) formação de água. mos 30 anos, principalmente nas grandes capitais.
(D) liberação de gás carbônico (E) das campanhas que estimulam a vacinação con-
(E) liberação de calor. tra o vírus e a busca pelos serviços de saúde.

[Link] | Produção: [Link] 182


Biologia

17. Estima-se que haja atualmente no mundo 40 milhões (B) Para que o material genético do vírus entre em
de pessoas infectadas pelo HIV (o vírus que causa a contato com o da célula, é fundamental que todo o
AIDS), sendo que as taxas de novas infecções continu- vírus atravesse a membrana da célula hospedeira.
am crescendo, principalmente na África, Ásia e Rússia. (C) a fase da biossíntese, o material genético do vírus
Nesse cenário de pandemia, uma vacina contra o HIV é duplicado.
teria imenso impacto, pois salvaria milhões de vidas.
(D) Os vírus formados no interior da célula podem ser
Certamente seria um marco na história planetária e
liberados por meio do rompimento da célula in-
também uma esperança para as populações carentes
fectada ou pelo processo de brotamento.
de tratamento antiviral e de acompanhamento médico.
(E) A fase de adesão só é possível graças à interação
TANURI, A.; FERREIRA JUNIOR, O. C. Vacina contra Aids: desafios e esperanças.
Ciência Hoje (44) 26, 2009 (adaptado). das proteínas encontradas no vírus e na membra-
na plasmática da célula que será parasitada.
Uma vacina eficiente contra o HIV deveria
21. Os itens de I a VI apresentam, não necessariamente
(A) induzir a imunidade, para proteger o organismo na sequência, os passos pelos quais um vírus é repli-
da contaminação viral. cado.
(B) ser capaz de alterar o genoma do organismo por-
tador, induzindo a síntese de enzimas protetoras. 1. Síntese das proteínas do vírus.
(C) produzir antígenos capazes de se ligarem ao vírus, 2. Adesão da capa do vírus com a membrana celular.


impedindo que este entre nas células do organis- 3. Produção de proteína.
mo humano. 4. Abandono da cápsula.
(D) ser amplamente aplicada em animais, visto que 5. Liberação do vírus da célula.
esses são os principais transmissores do vírus 6. Replicação do RNA
para os seres humanos.
(E) estimular a imunidade, minimizando a transmis- Assinale a alternativa que apresenta todos esses pas-
são do vírus por gotículas de saliva. sos na sequência correta.

18. Cada vírus só é capaz de parasitar células específicas, (A) II- IV- I- VI- III- V
uma vez que em sua superfície são encontradas pro- (B) VI- IV- I- III- V- II
teínas que se encaixam perfeitamente em receptores (C) II - VI- IV- III- I- V
localizados na membrana das células hospedeiras. As
(D) V- II- I- IV- VI- III
proteínas encontradas na superfície do capsídio ou do
envelope lipoproteico recebem o nome de: (E) II- IV- VI- I- III- V

(A) virulentas.
(B) ligantes.
(C) conectoras.
(D) carregadoras.
(E) estimulantes.
19. Sobre os vírus, é correta a afirmação: 1. D 12. B
(A) Todos os vírus têm DNA na sua constituição. 2. C 13. D
(B) Os vírus diferem dos seres vivos por serem acelu-
lares. 3. A 14. B
(C) Não necessitam de outros organismos para sua 4. E 15. E
reprodução.
(D) Não infectam células bacterianas. 5. C 16. C
(E) É considerado um ser unicelular.
6. D 17. A
20. A reprodução dos vírus deve acontecer no interior de
7. E 18. B
uma célula, uma vez que esses organismos não pos-
suem metabolismo próprio. Desde a interação do ví- 8. B 19. B
rus com a célula até a liberação de novas partículas vi-
rais, várias etapas ocorrem. A respeito dessas etapas, 9. A 20. B
analise as alternativas a seguir e marque a incorreta:
10. C 21. E
(A) Durante a fase de penetração, o material genético
do vírus é inserido dentro da célula. 11. C

183 [Link] | Produção: [Link]


MICRO-ORGANISMOS PATOGÊNICOS

Os Micro-organismos são uma forma de vida que não


pode ser visualizada sem auxílio de um microscópio. Estes
seres diminutos podem ser encontrados no ar, no solo e,
inclusive, no homem.
Com relação ao seu contato com o homem, este pode
ocorrer de forma positiva e indispensável à vida (bactérias
nitrificantes) ou bastante negativa. Neste caso, os efeitos
prejudiciais à saúde, e até mesmo à vida do homem, se
dão pelo contato com microrganismos patogênicos (cau-
sadores de doenças).
Estes seres tão minúsculos não são todos iguais; eles
Disponível em: [Link]
podem ser muito diferentes em tamanho e modo de vida.
O conhecimento deste tipo de vida se deu graças a
Via Oral-fecal
descobertas ocorridas ao longo de muitos anos. O ápice
destas descobertas ocorreu em 1878, quando Pasteur A transmissão oral-fecal ocorre quando alguém ingere

BIOATP - MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS


apresentou a “Teoria dos Germes”. A partir daí, deu-se iní- o parasita presente no tubo digestivo do doente. O agente
cio à chamada Era Bacteriológica. patogênico que usa esse método de transmissão infecta
primariamente o sistema digestivo, causando diarreias e
As pesquisas de Pasteur foram acompanhadas por um vômitos, permitindo sua disseminação. A transmissão di-
grande número de cientistas e médicos. Alguns deles, im- reta ocorre geralmente por meio de mãos sujas contami-
pressionados pelas descobertas, promoveram mudanças nadas com material fecal. Durante a higiene anal, as mãos
bastante significativas em seus métodos de trabalho. e/ou as unhas podem reter parasitas, os quais podem
Além dos microrganismos já identificados e classifica- permanecer viáveis por um determinado tempo em con-
dos (bactérias, fungos, parasitas), havia outra categoria que dições ambientes. É importante lembrar ainda a forma de
só pôde ser observada após a invenção do microscópio ele- transmissão direta que geralmente ocorre entre homosse-
trônico. Tratava-se de um ser de estrutura organizacional xuais masculinos por meio do contato oral-anal.
bastante simples e de existência já presumida: o vírus. A transmissão indireta se dá pela ingestão de alimen-
tos contaminados palas mãos de um eliminador de para-
Vias de Transmissão das Doenças sitas (o contaminado), ou de alimentos naturais contami-
nados com fezes humanas utilizadas como adubo. Outra
Via Aérea forma é a ingestão de água contaminada com dejetos
humanos contaminados. Os insetos também têm impor-
Alguns causadores de doenças são transmitidos atra-
tância na transmissão indireta por meio do transporte me-
vés de miúdas gotas de saliva, expelidas pelo espirro ou
cânico dos parasitas.
pela tosse. Na transmissão aérea, as gotículas evaporam
e permanecem suspensas no ar. No entanto, algumas do- Via Sangue
enças de origem aérea residem em partículas de poeira.
Neste caso, o parasita presente na corrente sanguínea
Uma pessoa pode se tornar infectada se essas gotículas
do doente pode ser transferido para uma pessoa saudável
entrarem em contato com os olhos, o nariz ou a boca.
através de transfusões de sangue e seus derivados, caracteri-
Quando a saliva contaminada entra em contato com o in- zando a forma direta de transmissão. A forma indireta acon-
divíduo sadio pelo beijo ou pelo espirro no rosto, a via aé- tece quando o sangue contaminado entra em contato com
rea é de transmissão direta. Quando ocorre mediada por a corrente sanguínea do sadio através de material cortante/
objetos como talheres compartilhados entre o doente e o perfurante como agulhas, alicates, giletes, entre outros.
sadio, ou ainda através de maçanetas ou apertos de mãos,
a via aérea é de transmissão indireta. Via Sexual
O parasita que usa esses métodos de transmissão in- A transmissão sexual (transmissão através de con-
fecta primariamente o sistema respiratório, causando tos- tato sexual) é uma forma específica de transmissão por
se e espirros, disseminando a saliva contaminada. contato direto. Doença sexualmente transmitida (DST) é

[Link] | Produção: [Link] 184


Biologia

aquela que tem grande probabilidade de ser transmiti-


da através da relação sexual, a qual inclui sexo vaginal,
oral e anal. Qualquer relacionamento sexual que envol-
va contanto com outra pessoa ou seus fluidos corpo-
rais pode ser considerado como tendo algum risco para
transmissão de DST.

Via Vetores
Parasitas vetoriais são aqueles transmitidos por meio
da mordida, picada, ou deposição de fezes de um ani-
mal. Insetos, cachorros, carrapatos, ratos e ácaros são
algumas das criaturas que podem agir como vetores de
parasitas patogênicos. Prevenção por Vacinas e outros
Via Vertical Tipos de Imunidade
A via vertical de contaminação de patógenos consiste As vacinas são substâncias, como proteínas, toxinas,
na transmissão da mãe para o filho, o que inclui a trans- partes de bactérias ou vírus, ou mesmo vírus e bactérias
inteiros, atenuados ou mortos, que, ao serem introduzi-
missão no útero via placenta ou durante o parto, pela ex-
das no organismo de um animal, suscitam uma reação do
posição ao sangue e às secreções, e ainda exposição pós- sistema imunológico semelhante à que ocorreria no caso
-parto via amamentação. de uma infecção por um determinado agente patogênico,
desencadeando a produção de anticorpos e de células de
memória que acabam por tornar o organismo imune a
esse agente (e às doenças por ele provocadas).
Ao inserir no organismo esse tipo de substâncias, fa-
zemos com que o corpo combata o agente, estimulando a
síntese de anticorpos, que protegem o nosso organismo,
além de desenvolver a chamada memória imunológica,
tornando mais fácil o reconhecimento do agente patogê-
nico em futuras infecções e aumentando a eficiência do
sistema imune em combatê-lo. Quando o corpo é atacado
por algum agente patogênico, não chega a desenvolver a
doença porque o organismo encontra-se protegido.
Quando uma pessoa entra em contato com um patógeno
pela primeira vez, ela desencadeia a resposta imune primá-
ria, a qual envolve a produção relativamente lenta e pequena
Disponível em: [Link] de anticorpos. Simultaneamente, o organismo pode desen-
volver células de memória. A vacina simula essa primeira in-
fecção. Quando o indivíduo é contaminado pela segunda vez
Medidas Profiláticas por esse mesmo antígeno, há produção bem mais rápida e
As medidas de prevenção das doenças têm relações de grande quantidade de anticorpos devido às células de me-
diretas com as suas vias de transmissão: mória estimuladas na primeira infecção. Isso permite a des-
truição do parasita sem que a pessoa desenvolva a doença.

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Biologia

Tanto no caso da pessoa ter sido contaminada pelo eficiente promovido pela OMS na década de 1970. Essa foi
patógeno ou ter sido vacinada, o organismo desenvolveu a primeira vacina da história da humanidade.
uma imunidade ativa, uma vez que o indivíduo produz Eram conhecidos dois tipos básicos de varíola: a va-
anticorpos. No primeiro caso, no entanto, a imunidade ríola atenuada, doença que não levava à morte e que
foi ativa natural e, no segundo caso, ativa artificial. Há também atacava o gado bovino, e a varíola maligna, do-
ainda alguns casos em que o indivíduo pode receber os ença que podia matar o doente.
anticorpos prontos pela placenta, pelo colostro (primeira
secreção láctea) ou na amamentação, caracterizando uma No século XVIII, acreditava-se que os indivíduos que
imunidade passiva natural. Por fim, a imunidade passiva tivessem contraído a “varíola da vaca” não contrairiam a
artificial ocorre em casos de soroterapia. varíola maligna. Para testar essa crença, o médico inglês
Edward Jenner (1749-1823) extraiu líquido das feridas de
uma pessoa com “varíola da vaca” e injetou-o num me-
nino sadio. O menino, como era esperado, ficou doente,
mas curou-se logo, afinal tratava-se da varíola atenuada.
Quando um surto de varíola maligna atingiu a aldeia em
que o menino morava, ele não ficou doente.
Jenner concluiu, então, que o menino estava imune à
doença: tinha sido descoberto o princípio das vacinas, que
recebeu esse nome em virtude de o líquido imunizante ter
sido extraído de vacas.
A poliomielite, que pode provocar a paralisia infantil, é uma doença que Apesar da erradicação, a doença voltou às manchetes

BIOATP - MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS


tem prevenção por meio da vacina, a famosa “gotinha”, que consta no de jornal, em virtude da suposição de que ela pudesse ser
calendário oficial brasileiro de vacinação infantil. utilizada como arma biológica. É válido lembrar que o ví-
rus hoje é guardado em dois laboratórios governamentais
bem vigiados, nos EUA e na Rússia.

Por meio do leite


materno, o bebê
recebe, além
de nutrientes,
anticorpos que lhe
conferem proteção
contra diversas
doenças.
Pústulas características da varíola, doença de transmissão aérea.

Viroses Poliomielite
Virose é qualquer doença causada por vírus. Assim, se
Também conhecida como paralisia infantil, por ser mais
você precisar ir ao médico e ele disser que você está com
comum em crianças, é uma doença de transmissão oral-fe-
uma virose, muito pouco foi dito a respeito da doença que
cal. É importante salientar que também ocorre em adultos.
lhe prejudica.
Os vírus são responsáves pela maioria das infecções A Poliomielite é uma doença em erradicação pela vacina-
humanas, causando inúmeras doenças como varíola, polio- ção dirigida pela OMS. Essa vacina é conhecida como Sabin.
mielite, raiva, sarampo, rubéola, caxumba, catapora, den-
gue, febre amarela, herpes, hepatite, gripe e até a AIDS.
Raiva (Hidrofobia)
Vamos destacar algumas dessas doenças: É chamada de Raiva porque, quando acomete os cães, es-
tes passam a salivar excessivamente, dando-lhes a aparência
Varíola de serem cães bravos. Estes cães contaminados, ao morder
uma pessoa, transmite a doença através de sua saliva.
A varíola matou quase 500 milhões de pessoas só no
século XX. O último caso registrado de varíola ocorreu na Nos humanos, a doença pode provocar espasmos nos
Somália em 1977. Este sucesso de erradicação só foi possível músculos responsáveis pela deglutição. Quando o pacien-
porque o único hospedeiro do vírus era o ser humano, só há te ingere água, por exemplo, a violenta contração de seus
um sorotipo (logo, a imunização protege contra 100% dos músculos geram uma forte dor. Assim, a pessoa pode de-
casos), além da existência de um programa de vacinação senvolver uma fobia à água e, por isso, o nome Hidrofobia.

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Biologia

A transmissão da Raiva também ocorre por meio da de cabeça, febre e cansaço. Tais sintomas caracterizam a
mordedura de gatos infectados, de morcegos, e até mes- Dengue Clássica. Se for contaminada pela segunda vez, pode
mo de quatis, raposas ou outros animais silvestres. apresentar, além de todos os sintomas da Dengue Clássica,
A prevenção contra a doença consiste basicamente na hemorragia, o que caracteriza a Dengue Hemorrágica.
vacinação e é de extrema importância uma vez que ainda
não existe um tratamento específico. Febre Amarela
No entanto, uma técnica desenvolvida nos Estados Trata-se de uma doença que apresenta o mesmo ve-
Unidos, que salvou um paciente em 2004, conseguiu ser tor da Dengue, ou seja, também é transmitida pela picada
aplicada com sucesso pela primeira vez no Brasil. Ela re- da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Achar que dengue
sultou na sobrevivência do garoto Marciano Menezes da e febre amarela apresentam o mesmo agente etiológico
Silva, de 16 anos, que havia sido contaminado após ser (causador da doença) é um erro muito comum entre os es-
mordido por um morcego. O caso do menino Marciano, tudantes. Dengue e febre amarela compartilham apenas
ocorrido em 2009, é apenas o terceiro a superar a raiva, e o mesmo vetor (transmissor da doença) e não o mesmo
o segundo a sobreviver no mundo. agente etiológico.
As mesmas medidas profiláticas utilizadas contra a
Sarampo, Rubéola e Caxumba (Parotidite) Dengue podem ser usadas para a Febre amarela, no en-
As três doenças são transmitidas por vias aéreas atra- tanto, para essa última doença, a prevenção mais eficaz é
vés de gotículas de saliva e por objetos contaminados, a vacinação.
como garfos, facas e copos. São prevenidas através da
vacina tríplice viral e acometem principalmente crianças. Herpes
Tanto no paciente com sarampo quanto naquele com Existem dois tipos de Herpes:
rubéola, observa-se a presença de manchas avermelhadas
na pele. Essas duas doenças têm desenvolvimento benig- Herpes labial: caracterizada por vesículas (pequenas
no, mas, no caso da rubéola, pode ser transmitida de mãe bolhas) dolorosas cheias de líquido em torno dos lábios,
para filho durante a gestação e provocar lesões ou até nariz e queixo. Estudos realizados demonstram que 80%
mesmo a morte do feto. da população é portadora do HSV-1, vírus responsável
pela doença. 20% dos infectados sofrem episódios regula-
Já no caso da caxumba, a característica principal é o
res de herpes labial. Não se sabe exatamente qual a causa
inchaço da glândula parótida, localizada abaixo da orelha,
de uma manifestação do HSV-1, mas, entre os fatores de-
e, por isso, o nome parotidite.
sencadeadores, poderão contar-se:
Catapora (Varicela) • Exposição ao sol
É uma doença que costuma atingir principalmente as • Stress
crianças. Em geral, é benigna e costuma incomodar princi-
• Febre
palmente pelas manchas vermelhas e pela coceira intensa.
• Constipação/Gripe
A transmissão se dá pelo ar através de gotículas de saliva.
Existe uma vacina. • Menstruação
Herpes genital: o vírus provoca lesões semelhantes às
Dengue
da herpes labial, só que na região genital. Como a transmis-
A dengue é transmitida pela picada do mosquito são é via sexual, o uso de camisinha e higienização genital
fêmea do Aedes aegypti, que tem hábitos diurnos, é adap- antes e após o relacionamento sexual é recomendável.
tado aos meios intradomiciliares e se desenvolve em água
parada. Hepatite
Como ainda não existe vacina, a profilaxia se limita
As hepatites podem ser provocadas por vários tipos
em evitar o acúmulo de água no interior de garrafas, latas
diferentes de vírus (destacaremos os vírus A, B e C) e tam-
vazias, pneus velhos, vasos de flores e outros recipientes
bém pelo consumo de produtos tóxicos como o álcool,
que possam servir como local para a postura de ovos pelas
medicamentos e algumas plantas.
fêmeas e posterior desenvolvimento das larvas do mos-
quito. Usar telas em janelas e portas para impedir que o Os vírus da hepatite podem ser transmitidos através
mosquito entre nas casas e, até mesmo, o uso de repelen- da água e de alimentos contaminados com matérias fecais
tes podem evitar a contaminação. (A), pelo contato com sangue contaminado e/ou por via
Existem quatro sorotipos do vírus da dengue, D1, D2, sexual (B e C).
D3 e D4. Quando uma pessoa adquire dengue pela primei- Existem vacinas contra a hepatite A e B, mas não con-
ra vez, apresenta dores musculares e nas articulações, dor tra a hepatite C.

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Biologia

Gripe Quando os vírus influenza de diferentes espécies (hu-


manos, aves e suínos) infectam simultaneamente o mes-
O vírus influenza é facilmente transmitido de uma pes-
mo animal (como o suíno), podem reorganizar-se geneti-
soa para outra a partir de gotículas eliminadas por meio
camente e originar uma nova estirpe de vírus, tal como
da tosse ou do espirro. Condições como aglomeração de
acredita-se ter acontecido com este novo vírus circulante
pessoas em ambientes fechados, principalmente durante
Influenza A/H1N1.
o inverno, facilitam a disseminação do vírus influenza.
As pessoas idosas e as portadoras de doenças crônicas AIDS (Síndrome da
que desenvolvem gripe têm maior risco de complicações, Imunodeficiência Adquirida)
como a pneumonia bacteriana, o que pode tornar neces-
sário a internação hospitalar. A vacina contra a gripe reduz O vírus da AIDS é conhecido pela sigla HIV – vírus da imu-
o risco de adoecimento causado pelo vírus influenza e, em nodeficiência humana. O nome deve-se ao fato deste vírus
razão disso, o de complicações bacterianas. entrar em células do sistema imunológico dos humanos.
O vírus influenza é classificado de acordo com o ma- Sistema Imunológico é o conjunto de células que de-
terial genético em três tipos diferentes (A, B e C). Os vírus fendem o organismo, destruindo qualquer antígeno (cor-
influenza A são capazes de infectar diversas espécies de po estranho). Esse antígeno pode ser vírus, bactéria, pro-
animais (pássaros, galinhas, patos, porcos, cavalos, baleias tozoário, mas também moléculas que o corpo humano
etc). Os vírus influenza B e C, basicamente, infectam seres não reconhece como próprias do organismo.
humanos. Uma das principais células do sistema imunológico é
Em 1918-19 surgiu a gripe espanhola, causada pelo conhecida como linfócito T e é justamente essa a célula in-
subtipo H1N1. Essa gripe causou a morte de um número fectada pelo HIV, o que leva a uma imunodeficiência como

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de pessoas estimado entre 20 e 40 milhões. o próprio nome da doença sugere.
Em 2005 tomava conta dos noticiários da época a gripe Nas pessoas portadoras do HIV, o vírus pode ser en-
aviária causada pelo subtipo H5N1. É um tipo de gripe que contrado no sangue, no esperma (homens), nas secreções
conhecemos desde 1900, identificada na Itália, apresen- vaginais e no leite (mulheres).
tando-se em grande parte do globo, mas concentrando-se Assim, uma pessoa pode adquirir o HIV por meio de re-
principalmente no sudeste asiático. lações sexuais sem o uso de preservativos, de transfusões
As pessoas pegavam a doença por meio de contato com sangue contaminado, pela aplicação de injeções com
próximo com aves infectadas vivas. Os pássaros expelem o seringas e agulhas contaminadas. Mulheres grávidas por-
vírus nas fezes, que depois de secas, pulverizam-se, sendo tadoras do HIV podem transmitir o vírus para o feto atra-
inaladas com o ar pelos seres humanos. Não se contami- vés da placenta, como também vir a passar o vírus para o
nava comendo carne de frangos. bebê por meio da amamentação.
Havia grandes receios de que o H5N1 pudesse se li- Ainda não há vacina contra a AIDS. O que existe são
gar a um vírus da gripe humana, criando, desse modo, um medicamentos que retardam o agravamento da enfermi-
novo vírus que ganharia a capacidade de ser passado de dade no organismo. Por isso, o melhor é adotar medidas
uma pessoa para outra. Isso poderia ocorrer caso uma de prevenção:
pessoa estivesse infectada com a gripe aviária e a humana • usar preservativos;

ao mesmo tempo. • usar seringas descartáveis;

Na época, todas as aves – em torno de 1,5 milhão – • evitar gravidez e amamentação, no caso de mulhe-

foram mortas em três dias. Especialistas acreditam que a res portadoras do HIV;
medida foi decisiva para conter a epidemia. • evitar o uso coletivo de materiais cortantes ou per-

O mais recente caso (2009) de gripe com iminente furantes, tais como giletes, alicates de unha, agu-
chance de pandemia é a gripe A ou gripe mexicana, lhas;
que no ínicio da divulgação da doença foi chamada de • certificar-se da procedência e da qualidade do san-
gripe suína.

gue a ser utilizado em transfusões.
Teve início no México, mas foram confirmados casos
em vários outros países de vários continentes. Perguntas frequentes sobre AIDS:
A contaminação se dá da mesma forma que a gripe co- 1) HIV pode ser transmitido através de um mosquito,
mum, por via aérea, contato direto com o infectado, ou caso este inseto pique o doente e depois uma pessoa sau-
indireto (através das mãos) com objetos contaminados. dável?
Não há contaminação pelo consumo de carne ou produ- Não. Não existe nenhum caso que comprove essa hi-
tos suínos. Cozinhar a carne de porco a 70 graus Celsius pótese, mesmo porque a quantidade de sangue sugada
destrói os micro-organismos patogênicos. por um mosquito é bem pequena.

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Biologia

2) Uma pessoa pode ter uma vida normal sendo um após a contaminação, o organismo leva de 2 a 12 sema-
portador do HIV? nas pra produzir uma certa quantidade de anticorpos que
Sim. Principalmente se essa pessoa iniciou o tratamen- pode ser detectada no exame para detecção do HIV. A AIDS

 
to rapidamente. O coquetel para aidéticos é um conjun- não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
to de remédios que impede a reprodução do vírus. Com Mas, em geral, os sintomas iniciais são: febre constante,
uma carga viral baixa, os sintomas da doença não surgem, calafrios, dor de cabeça, dor de garganta, dores muscula-
podendo, assim, a pessoa ter uma saúde sem prejuízos. É res, manchas na pele, gânglios ou ínguas embaixo do bra-
válido notar que os remédios não matam o vírus, somente ço, no pescoço ou na virilha (que levam muito tempo para
impedem sua multiplicação. desaparecer). Mas é válido lembrar que existem remédios
que podem permitir o portador do vírus ser assintomático
3) O beijo transmite HIV? por toda sua vida.
A AIDS não é transmitida pelo beijo. Para ocorrer a 5) Uma mulher portadora do HIV pode gerar um filho e
transmissão do vírus seria necessário que houvesse uma este nascer sem o vírus?
lesão grave de gengiva e sangramento na boca. Além dis-
Sim. A cada 100 crianças nascidas de mães infectadas,
so, substâncias presentes na saliva são capazes de neutra-
20 podem tornar-se HIV+. Com ações de prevenção, no
lizar o HIV. Por esta razão, beijar a boca, fumar o mesmo
entanto, a transmissão pode reduzir-se para menos de 1%.
cigarro e tomar água no mesmo copo não oferecem riscos
Quanto mais precoce o diagnóstico da infecção pelo HIV
de contágio com o HIV. Assim, é importante notar que a
na gestante, maiores são as chances de evitar a transmis-
convivência social com portadores de HIV não constitui
são para o bebê. O uso de medicamentos anti-retrovirais
um meio de transmissão do vírus.
(AZT) em gestante e recém-nascido, a cesariana progra-
4) Depois de quanto tempo após a contaminação pelo mada e a substitução do aleitamento materno podem re-
HIV a pessoa manifesta os sintomas? duzir o risco de transmissão do HIV da mãe para o filho.
O tempo entre a contaminação e o aparecimento dos Segue uma tabela com características gerais de inúme-
sintomas da AIDS pode ser de até dez anos. Além disso, ras viroses:

PRINCIPAIS VIROSES HUMANAS


Doença Transmissão Sintomas Observações
Sarampo - RNA Contato direto e gotículas de secreções nasais. Tosse seca, fotofobia e manchas vermelhas na pele (exan- Há vacina.
tema).

Rubéola - RNA Contato direto e secreções nosobucais. Febre, dor de cabeça, dores articulares, linfonodas incha- Malformações em fetos (surdez, catarata). Há
das e exantema. vacina.

Caxumba - RNA Contato direto e saliva. Febre, dor de cabeça e inflamação das glândulas parótidas Complicação: orquite (inflamação dos testí-
(salivares). culos).

Catapora (varicela) - DNA Contato direto e secreção nasal. Febre, fraqueza, linfonodos inchados, manchas vermelhas As manchas se tornam vesículas com líquido.
na pele e coceira.

Gripe (vírus influenza) - RNA Contato direto e gotículas de saliva. Febre, tosse, dor de cabeça e dores musculares. Epidemias. Há vacina.

Poliomielite - RNA Fecal-oral. Afeta os neurônios motores, causando paralisias muscular Vacinas Salk e Sabin. Erradicada no Brasil.
e respiratória.

Hidrofobia (raiva) - RNA Mordidas (saliva): cão, gato e morcego. Febre, es- Há vacina.
pasmos musculares, deglutição difícil, paralisia e
coma.

Herpes - DNA Saliva e relação sexual. Lesões labiais (herpes labial) e genitais (herpes genital). Não há vacina. Recorrente por trauma, estres-
se e luz solar.

Mononuclease infecciosa Saliva e secreção nasal. Febre, dor de garganta e hipertrofia do baço. Não há vacina.
- DNA

Varíola - DNA Provocou graves epidemias no passado; hoje está mundialmente erradicada e o último caso foi registrado na Somália, em 1977. O vírus está guardado em labora-
tório.

Febre amarela - RNA Mosquito (Aedes aegypti). Febre, dores musculares, dor de cabeça, icterícia, fotofo- Há vacina, que protege por até 10 anos.
bia e prostação.

Dengue - RNA Mosquisto (Aedes aegypti). Mesmos sintomas da febre amarela. Na segunda infecção, Não há vacina.
pode ocorrer a grave dengue hemorrágica.

Papiloma (HPV) - DNA Contato de pele e genital. Verrugas na pele, papilomas (HPV1 a 4) e verrugas genitais O HPV16 causa câncer uterino.
(HPV6 e 11).

Hepatite A (hepatite infec- Fecal-oral. Maioria assintomática. Febre, vômito, icterícia e náuseas. Há vacina.
ciosa) (HAV) - RNA

Hepatite B (soro hepatite) Sangue e relação sexual. Icterícia; a forma crônica causa cirrose. Há vacina.
(HBV) - DNA

Hepatite C (HCV) - RNA Sangue e relação sexual. Febre, vômito e icterícia; a forma crônica predispõe para Não há vacina.
o câncer hepático.

AIDS (HIV) - RNA Relações sexuais, transfusão de sangue e seringas Exantema, aftas, inchaço dos nódulos linfáticos, febre tos- Não há vacina.
contaminadas. se, mal-estar e diarreia.

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Biologia

Bacterioses de esporos, presentes em areia ou terra, em qualquer tipo


de ferimento na pele. Queimaduras e tecidos necrosados
Tuberculose também são porta de entrada para a bactéria tetânica.
A Tuberculose é causada pelo Mycobacterium tubercu- A Difteria pode ter sérias consequências, inclusive le-
losis, ou bacilo de Koch, e é transmitida por meio da fala, var ao óbito. Logo nos primeiros dias, a formação de uma
tosse e espirro. Existe uma vacina, chamada BCG, aplicada extensa membrana na garganta (sobre as amígdalas, pa-
no primeiro mês de vida, que é capaz de prevenir as for- lato, faringe e laringe) poderá resultar em sufocação (in-
mas mais graves da doença, principalmente nas crianças. suficiência respiratória alta). Adicionalmente, a liberação
No entanto, para prevenir a doença de forma mais segura, de toxinas poderá induzir manifestações sistêmicas, re-
é muito importante identificar rapidamente os pacientes sultando não raras vezes em comprometimento cardíaco
com tuberculose para tratá-los mais rapidamente, redu- (alterações de ritmo e função), neurológico (paralisias de
zindo a chance de contaminação do ambiente. Assim sen- nervos) e renal.
do, conheça bem os sintomas da tuberculose: tosse (em Os sintomas da Coqueluche são semelhantes aos da
geral que persiste por mais de 15 dias), febre (mais fre- gripe e consistem em tosse, coriza, febre e olhos irritados.
quente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, O próximo estágio tem como característica acessos de
emagrecimento e cansaço fácil. É importante também que tosses sucessivas, com intervalos variáveis. Estas podem
o doente, ao tossir e espirrar, tenha o cuidado de proteger estar acompanhadas de muco, e a ocorrência de vômito é
a boca e o nariz. possível. Tais eventos duram alguns minutos, a cada crise,
Em alguns casos, avaliados pelo médico, pode ser e impedem que o indivíduo respire até que sejam encer-
necessário o uso de remédios por seis meses para que a rados. No término, o fôlego é retomado, geralmente por
doença seja prevenida. Interromper o tratamento pode um “guincho respiratório”. As crises tendem a ser mais fre-

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levar à seleção de bactérias resistentes ao antibiótico, pre- quentes no período noturno.
judicando drasticamente a saúde do paciente. Por fim, o Tétano caracteriza-se pelos espasmos mus-
culares e suas complicações. Quando alguém se fere pro-
Hanseníase ou Lepra fundamente e não faz a higiene necessária, os médicos so-
A hanseníase é uma doença causada por um bacilo licitam a aplicação do soro antitetânico para que o tétano
denominado Mycobacterium leprae, que apresenta como não se desenvolva. Esse cuidado é muito importante, por-
sintomas: sensação de formigamento, fisgadas ou dormên- que a toxina tetânica tem afinidade pelo sistema nervoso
cia nas extremidades; manchas brancas ou avermelhadas, e pode levar a pessoa à morte.
geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e
tato; caroços e placas em qualquer local do corpo.
Leptospirose
Os pacientes sem tratamento eliminam os bacilos atra- É uma doença infecciosa causada por uma bactéria
vés do aparelho respiratório superior. O paciente em tra- chamada Leptospira presente na urina do rato. Em situ-
tamento regular ou que já recebeu alta não transmite. ações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, pre-
sente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à
A maioria das pessoas que entra em contato com estes
lama das enchentes. Qualquer pessoa que tiver contato
bacilos não desenvolve a doença. Somente um pequeno
com a água ou a lama contaminada poderá se infectar. A
percentual, em torno de 5% de pessoas, adoece. Fatores
Leptospira penetra no corpo pela pele, principalmente se
ligados à genética humana são responsáveis pela resistên-
houver algum ferimento ou arranhão.
cia (não adoecem) ou suscetibilidade (adoecem).
Já que não existe vacina, evite o contato com água ou
Quanto à profilaxia, existe a vacina BCG que, apesar
lama de enchentes e impeça que crianças nadem ou brin-
de não garantir imunidade total, deve ser aplicada em
quem em ambientes que possam estar contaminados pela
todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio
urina dos ratos. Pessoas que trabalham na limpeza de lamas,
com o portador da doença. É importante ainda que se
entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e lu-
divulguem junto à população os sintomas da doença e
vas de borracha. Também são necessárias medidas ligadas ao
a existência de tratamento e cura, por meio de todos os
meio ambiente, tais como o controle de roedores, obras de
meios de comunicação.
saneamento básico (abastecimento de água, lixo e esgoto) e
Difteria (crupe), melhorias nas habitações humanas.
Coqueluche (tosse comprida) e Tétano Cólera, Febre Tifoide e Gastroenterite
São três doenças cuja principal forma de prevenção é a São doenças cuja transmissão se dá através da ingestão
vacina Tríplice Bacteriana. de água ou alimentos contaminados, ou seja, transmissão
A Difteria e a coqueluche são doenças de transmissão oral-fecal. Portanto, apresentam características comuns,
aérea, enquanto que o tétano se transmite pela entrada como os locais de manifestação das doenças – locais po-

[Link] | Produção: [Link] 190


Biologia

bres desprovidos de saneamento básico – e as medidas Já os sintomas da sífilis caracterizam-se por uma pe-
profiláticas – lavar bem os alimentos, beber somente água quena ferida ou ulceração firme e dura que geralmente
previamente fervida ou mineral, além de obras de sane- aparece no pênis, na vagina, ou ainda no reto ou na boca.
amento básico. Compartilham ainda os sintomas que se
caracterizam por diarreia e vômitos. Botulismo
É importante salientar que alimentos como maionese Doença cuja transmissão se dá através da ingestão de
e ovo são muito propícios para proliferação das bactérias alimentos contaminados. Alimentos enlatados, cujo reci-
causadoras da Febre Tifoide e Gastroenterite e, portanto, piente encontra-se estufado, são associados com infecção
sua ingestão requer cuidados maiores. microbiana, podendo o micróbio ser o Clostridium botuli-
num – bactéria causadora do Botulismo.
Gonorreia (Blenorragia) e Pode ser fatal, uma vez que a bactéria produz uma to-
Sífilis (Cangro Duro) xina capaz de paralisar os músculos, inclusive o miocárdio
As bactérias responsáveis pelas duas doenças são e o diafragma.
transmitidas através da prática sexual desprevenida, A toxina botulínica é usada em pequenas doses, como tra-
ou seja, são doenças sexualmente transmissíveis (DST). tamento cosmético temporário, porém seus riscos não devem
Assim, a profilaxia se dá pelo uso de camisinha. ser ignorados. A sua intensa capacidade paralítica é desejada
Na gonorreia, observa-se uma ardência ao urinar por indivíduos que procuram esconder as suas rugas (as rugas
acompanhada de febre baixa e o aparecimento de um cor- são causadas por contrações musculares) e outras imperfei-
rimento amarelo e purulento saindo da uretra. ções faciais. Tal tratamento é conhecido como Botox.

Protozooses
Protozooses com Transmissão através de Vetores Biológicos

Malária ou Impaludismo ou Febre Treme-treme

Causador da doença: Protozoário integrante do grupo esporozoário (protozoários sem organela de locomoção),
do gênero Plasmodium é o responsável por causar a Malária.

Glóbulos vermelhos infectados com o Plasmodium falciparum, causador da malária (nas setas).
Transmissão: É uma doença transmitida por meio da picada do mosquito fêmea infectado – do gênero
Anopheles – que, ao sugar o sangue humano, inocula o parasita na corrente sanguínea por
meio de sua saliva. Esse inseto também é conhecido como mosquito-prego.
Características da doença: O protozoário, logo após infectar uma pessoa, instala-se em diversos órgãos, como o fígado
e o baço, onde fica incubado por vários dias. Após certo período, os parasitas penetram
nas hemácias e, ao se reproduzirem, promovem sua lise. É nesse momento que o paciente
apresenta febre alta, sudorese e tremor.
Prevenção: A pulverização adequada de inseticida em locais onde seja detectada a presença dos mos-
quitos transmissores da malária é uma das maneiras de combater essa doença. Outra forma
profilática consiste no uso de telas protetoras em portas e janelas, o que evita o acesso dos
mosquitos às moradias humanas.

191 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Ciclo
sexuado meiose
parede esporozoítos
gameta gástrica
masculino zigoto
estômago do
mosquito
gameta
feminina glândula Esquema do ciclo
salivar do da malária. Como a
mosquito
reprodução sexuada
Em mosquitos anofelinos
ocorre no organismo
Em humanos
esporozoíto do mosquito anófele,
células do fígado ele é considerado o
merozoítos merozoítos hospedeiro definitivo
do plasmódio; já o ser
Ciclo sexuado
(o desenvolvimento humano é considerado
Ciclo o hospedeiro
posterior ocorre no assexuado
mosquito) Ciclo intermediário, pois é
assexuado (fígado)
(hemácias) em seu organismo que
feminino ocorre a reprodução
assexuada do
hemácia núcleo
protozoário parasita.
gametócitos masculino hemácia

Doença de Chagas
Causador da doença: O Trypanosoma cruzi é o protozoário causador da doença de Chagas. Esse parasita pertence

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ao grupo Flagelado, afinal, apresenta flagelo como forma de locomoção.
Transmissão: A principal transmissão ocorre por meio das fezes do barbeiro Triatoma contaminado. Esse
barbeiro se aloja em frestas de paredes, chiqueiros e paióis e sai à noite para sugar sangue das
pessoas enquanto essas dormem. Durante a picada, o barbeiro infestado elimina fezes con-
tendo tripanossomos. Coçando o local da picada, a pessoa espalha as fezes do inseto, intro-
duzindo-a na corrente sanguínea por meio do orifício deixado pela picada. Também pode ser
transmitida por meio de transfusões com sangue contaminado, além da transmissão vertical
(mãe transmite o protozoário por meio da placenta ou amamentação para seu filho).

Características da doença: Uma vez na corrente sanguínea, os protozoários atingem geralmente o coração, levando à
hipertrofia desse órgão, que é chamada de cardiomegalia.
Prevenção: Melhorias habitacionais, controle dos bancos sanguíneos e o combate dos percevejos com o
uso de inseticidas são as principais medidas para evitar a doença de Chagas.

tripomastigota
tripomastigota

Representação esquemática do ciclo de vida do Trypanosoma


cruzi, causador da doença de Chagas, mostrando as fases do
2 desenvolvimento do protozoário nos organismos humano
e do inseto barbeiro. (1) Um inseto triatomídeo (barbeiro)
no vertebrado
contaminado com tripanossomos pica o ser humano e,
Ser humano tripomastigota concomitantemente, defeca no local, o que pode contaminar
1 a ferida; a forma tripomastigota do protozoário alcança
3
a corrente sanguínea do hospedeiro humano, indo se
tripomastigota tripomastigota alojar dentro de células, onde, sob a forma amastigota, se
5 multiplica assexuadamente, enchendo a célula-hospedeira
de novos protozoários. (2) Por fim, a célula hospedeira se
amastigota rompe e o protozoário, sob a forma tripomastigota, cai
novamente na corrente sanguínea, podendo ser capturado
no vertebrado por outro barbeiro, quando este pica uma pessoa doente
epimastigota
Triatoma infestans.
(3). No barbeiro, os tripanossomos se reproduzem
4 assexuadamente (4), reiniciando o ciclo (5).
epimastigota

[Link] | Produção: [Link] 192


Biologia

Leishmaniose
Causador da doença: Protozoário integrante do grupo Flagelado, do gênero Leishmania, é o causador da
Leishmaniose. Existem duas espécies de grande interesse parasitológico: Leishmania cha-
gasi (causador da leishmaniose visceral ou calazar) e Leishmania brasiliensis (causador da
leishmaniose tegumentar ou úlcera de Bauru).

Protozoários flagelados do gênero Leishmania causam a leishmaniose,


doença que afeta 12 milhões de pessoas no mundo.
Transmissão: É uma doença transmitida ao ser humano por meio da picada do mosquito flebótomo con-
taminado (gênero Lutzomyia ou Phlebotomus) – popularmente conhecido como mosquito-
-palha ou birigui. É importante salientar que cães também adquirem a doença, mas não a
transmitem para o homem por meio de mordida.
Características da doença: A leishmaniose visceral caracteriza-se pela hipertrofia de vários órgãos, como baço e fígado.
Já a leishmaniose tegumentar é uma doença que ataca a pele e as mucosas dos lábios e do
nariz, produzindo feridas.
Prevenção: A utilização de inseticida em locais onde seja detectada a presença dos mosquitos transmis-
sores e o uso de telas protetoras em portas e janelas são algumas maneiras de combater
essa doença. Sabendo que o mosquito-palha pode se contaminar ao picar um cão que esteja
infectado pelo protozoário, o sacrifício desses animais também consiste em uma profilaxia.

Ferida característica da leishmaniose tegumentar.

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Biologia

Protozooses com Transmissão Oral-fecal



Amebíase
Causador da doença: A causa da amebíase ocorre pela infecção do protozoário Entamoeba histolytica, que pertence
ao grupo Sarcodino – grupo de protozoários que se locomovem por meio de pseudópodes.

Ameba e seus pseudópodes


(prolongamentos citoplasmáticos utilizados
na locomoção e captura de alimento).

Transmissão: A transmissão ao homem é por meio do consumo de alimentos ou água contaminados por fezes
humanas, devido à falta de higiene domiciliar. Essa transmissão é conhecida como oral-fecal.
Características da doença: Amebíase é uma doença cujos principais sintomas são desconforto abdominal, forte diar-
reia acompanhada de sangue ou muco, além de febre e calafrios.
Prevenção: Para evitar a contaminação, é necessário ferver a água que será consumida e lavar muito
bem verduras e frutas; além de observar cuidados higiênicos, como a lavagem das mãos,

BIOATP - MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS


principalmente antes das refeições.

Giardíase
Causador da doença: É uma infecção intestinal causada pelo protozoário flagelado Giardia lamblia.
Transmissão: Transmissão oral-fecal.
Características da doença: Diarreia com cheiro forte, fraqueza e cólicas abdominais no hospedeiro (que, além do ho-
mem, podem ser cão, gato, gado e roedores), graças às toxinas que libera. Essas manifesta-
ções podem gerar um quadro de deficiência vitamínica e mineral e, em crianças, pode causar
a morte, caso não sejam tratadas.
Prevenção: A prevenção é como no caso da amebíase. Devem ser adotados hábitos de higiene, como
lavar as mãos após ir ao banheiro, ingerir unicamente água tratada e higienizar os alimentos
antes do consumo.

Balantidiose
Causador da doença: Balantidium coli é um protozoário do grupo Ciliado causador da balantidiose.

Balantiduim coli – protozoário ciliado.


Transmissão: Transmissão oral-fecal.
Características da doença: A diarreia é o principal sintoma da doença.
Prevenção: Não diferente das duas doenças mencionadas anteriormente, ferver a água que será consu-
mida, lavar muito bem os alimentos e ter cuidados higiênicos caracterizam as formas profi-
láticas da balantidiose.

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Biologia

Protozoose com Transmissão Sexual (DST)


Tricomoníase

Causador da doença: O Trichomonas vaginalis é mais um parasita do grupo Flagelado.


Transmissão: O contágio é por meio de secreções durante relação sexual sem preservativo, com parceiro
contaminado.
Características da doença: Muitas mulheres não apresentam os sintomas da doença e, quando isso ocorre, o principal
sinal é o corrimento com gás, com mau cheiro, ardor, desconforto ao urinar e prurido vagi-
nal. A maioria dos homens não apresenta sintomas. Quando isso acontece, consistem em
uma irritação na ponta do pênis, ardor uretral e secreção amarelada.
Prevenção: A utilização do preservativo masculino ou feminino e o tratamento simultâneo do parceiro
são formas de prevenir a tricomoníase.

Protozoose com Transmissão Variada


Toxoplasmose
Causador da doença: Toxoplasmose é uma doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, que, assim como
o causador da malária, é um integrante do grupo Esporozoário.
Transmissão: É transmitida aos humanos pelo contato com fezes (principalmente de gatos), que podem
contaminar alimentos ou ainda ser inaladas quando se encontram secas, ingestão de carne
de animais infectados (carne crua ou mal passada), ingestão de leite contaminado ou ainda
contaminação vertical.
Características da doença: Os sintomas da doença incluem mal-estar, dores de cabeça, dores musculares e febre. Às ve-
zes, pode causar lesões oculares e em mulheres grávidas pode levar à cegueira, deficiência
mental e até mesmo à morte do feto.
Prevenção: Como a principal forma de contaminação é via oral, de uma forma geral a prevenção deve
ser feita pela não ingestão de carnes cruas ou mal cozidas, beber água e leite somente após
fervura, comer apenas vegetais e frutas bem lavadas em água corrente, evitar contato com
fezes de gato. As gestantes, além de evitar o contato com gatos, devem submeter-se a ade-
quado acompanhamento médico (pré-natal).

Micoses tomáticos e, nas mulheres, a candidíase provoca coceira


e ardência na vagina e canal vagina, além de corrimen-
Muitos são os fungos que parasitam plantas e animais. to esbranquiçado, semelhante à nata do leite. Embora
Plantas conhecidas por cereais, como trigo, aveia, milho,
a candidíase não seja considerada uma doença sexual-
cevada e arroz, são frequentemente atacadas por fungos,
mente transmissível, o fungo causador da doença pode
o que pode prejudicar a produção dos grãos e representar,
também, grande perda no aspecto econômico. ser transmitido por meio de relações sexuais, mas, geral-
mente, a infecção está associada a quadros de queda de
Entre as micoses humanas, as mais comuns são as imunidade, gravidez, diabetes ou ao uso de antibióticos.
que afetam a pele. Entretanto, as que atingem órgãos Caso esses sintomas se manifestem, a pessoa deve pro-
internos costumam ser bastante graves, como as his-
curar um médico, que irá fazer o diagnóstico correto e
toplasmoses, as blastomicoses e as coccidiomicoses.
indicar o tratamento adequado.
Dentre outras afecções, essas micoses podem causar
pneumonia, quando atingem os pulmões, endocardite, Outros fungos, normalmente não patogênicos, presen-
quando atacam o coração, ou meningite, quando afetam tes no solo ou em ambientes fechados e úmidos, podem
o cérebro. A endocardite, por exemplo, pode se manifes- causar doenças graves ao atingirem a corrente sanguínea
tar no pós-operatório de pessoas que foram submetida de pessoas mal nutridas, sob o uso de drogas imunode-
a cirurgia cardíaca, ou em usuários de drogas injetáveis. pressoras ou após cirurgias.
Em pessoas imunodeprimidas, como é o caso dos so- Muitos desses fungos podem ainda provocar reações
ropositivos para o HIV, ou daqueles que sofreram trans- alérgicas, principalmente nas vias respiratórias. Pessoas
plante de algum órgão, fungos como a Candida albicans, que passam muito tempo em ambientes fechados estão
que causa o conhecido “sapinho”, podem provocar infec- sujeitas a essas manifestações. Os condicionadores de ar
ção generalizada e levar à morte. contribuem para aumentar o problema, pois retêm gran-
A Candida albicans também pode causar a candidí- des quantidades de esporos e garantem um ambiente
ase na região genital. Os homens são geralmete assin- com temperatura e umidade ideais para os fungos.

195 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

ximidades do centro. Este é o terceiro caso de raiva em


morcego registrado este ano em Botucatu. O primei-
ro foi notificado no início do mês de junho, na região
central da cidade. O segundo caso na Vila Antártica, no
final do mês de julho. O morcego encontrado é da es-
pécie Myotis sp e alimenta-se de insetos.
(Portal da Prefeitura Municipal de Botucatu, 18.08.2006)
1. Um novo coquetel de drogas anima os cientistas a fa-



larem no fim da AIDS como doença fatal: O AZT é um
inibidor de transcriptase reversa inibem a reprodução Para se evitar a disseminação do vírus da raiva, o pro-


do vírus em seu estágio inicial (...). Os vírus que esca- cedimento imediato mais adequado que deverá ser
pam são atacados por um inibidor de protease (...). tomado pelas autoridades da referida cidade será
Como resultado, poucos vírus conseguem reproduzir- (A) promover campanha para localização e elimina-


-se (...). O vírus HIV é uma peste microscópica que ção das colônias de morcegos nas áreas urbana
contém apenas nove genes e mesmo assim se vinha e rural.
impondo contra o complexo organismo humano e (B) medicar com antibióticos específicos os animais
seus 100.000 orgulhosos genes. (Veja, 10/07/1996)


domésticos que tenham entrado em contado com
A nova multiterapia combinada para o tratamento os morcegos.

dessa terrível doença é resultado do trabalho dos pes-
(C) antecipar a vacinação anti-rábica de cães e gatos
quisadores americanos David Ho e Roy Gulick e está


nas regiões onde os morcegos foram encontrados.
amparada em conhecimentos sobre vírus, Biologia
Celular e em avanços na área farmacêutica. (D) promover campanha para a vacinação anti-rábica

da população humana.
Sobre o tema anterior enfocado, é correto afirmar:
(E) informar a população que não tenha receio, pois

(A) Como os demais vírus, o vírus da imunodeficiência

apenas os morcegos hematófagos, representam

humana, HIV, é um parasita intracelular obrigatório risco de transmissão da raiva.
e sem metabolismo próprio.
(B) Transcriptase reversa e protease são substâncias 3. Observe as duas charges:


especiais, denominadas enzimas, compostos do
Se o governo
grupo dos carboidratos, importantes para o me- cuidar dessa gripe
tabolismo viral. O que é como cuidou da
isso? dengue, até nós
(C) Transcriptase reversa e protease são enzimas do vamos pegá-la!

hospedeiro que permitem a realização de etapas
importantes na multiplicação do HIV.
(D) Inibidores são substâncias que, ao bloquearem as

ações das enzimas transcriptase reversa e protea-
se, mata o HIV.
(E) O genoma (ou material genético) encontrado na

célula do vírus é uma molécula muito reduzida
quando comparada ao genoma humano.
2. Detectado foco de morcego positivo para raiva na ci-

dade de Botucatu, SP.
Confirmada a presença do vírus causador da raiva em E você?

um morcego apreendido em uma praça no centro da Vai passar o Incubado!
cidade. O animal estava caído e se debatendo, quan- verão onde?
do foi visto por estudantes. O morcego doente era da
espécie que se alimenta de frutas.
(Portal “Estadão”, 06.06.2006)

Mais um caso de morcego positivo para raiva na ci-

dade de Botucatu.
A Secretaria Municipal de Saúde registrou mais um caso

de morcego positivo para raiva na cidade de Botucatu.
O animal foi encontrado caído em uma praça nas pro-

[Link] | Produção: [Link] 196


Biologia

Sabendo que cada charge se refere ou à dengue, ou à 6. A imprensa brasileira noticiou, no início de 2001, o au-


gripe A, ou às duas doenças simultaneamente é corre- mento da incidência de dengue em diversos estados
to afirmar que brasileiros. No mesmo período, a Secretaria de Estado da
(A) a frase “... até nós vamos pegá-la” insinua que a Saúde de Minas Gerais confirmou a existência de uma epi-

gripe A não tem tratamento e, por isso, se tornou demia de febre amarela em alguns municípios do Estado.
pandemia. Em relação a essas duas doenças, é correto afirmar que
(B) a máscara usada pelo Aedes aegypti da primeira char-


(A) a campanha de vacinação promovida pela

ge é uma das maneiras de se prevenir da dengue.


Secretaria de Saúde para combate à febre amare-
(C) a segunda charge representa o vírus H1N1, pois no
la vai reduzir, também, a incidência da dengue.

verão aumenta os índices de dengue e não de gripe.
(B) ambas são transmitidas pelo mesmo vetor e au-
(D) as hemácias desenhadas na segunda charge re-


mentam sua incidência no mesmo período do ano

presentam a principal célula infectada pelos vírus
para se replicarem. considerando uma população não vacinada para
febre amarela.
(E) a gripe A é mais perigosa que a dengue, pois a
(C) as medidas preventivas adotadas para evitar o

gripe tornou-se pandemia, enquanto a dengue é


uma endemia. ressurgimento da dengue e da febre amarela são
as mesmas.
4. Um paciente chegou a um hospital com sintomas de
(D) o mesmo vírus é responsável pelo surgimento de

uma doença que pode ocasionar consequências pre-


judiciais à sua saúde. O médico disse que se tratava de ambas, que se distinguem por seus sintomas nos
uma doença causada por um ser bastante pequeno, indivíduos.
desprovido de célula e metabolismo próprio, no en- 7. Segundo o IBGE, por falta de investimentos do gover-
tanto, era adequado tratar o quanto antes. O paciente

no em saneamento básico, o volume de água sem tra-
insatisfeito disse que o médico estava sendo muito
tamento distribuído para consumo da população au-
impreciso, afinal, a doença poderia ser:
mentou 191,3% em 2001 (Fonte: “Folha de S. Paulo”,
1. Rubéola 6. Sarampo 9/4/2002). Tal quadro favorece o aumento de risco
2. Hepatite 7. AIDS para aquisição de diversas doenças por parte da po-
pulação. Assinale a doença que NÃO está diretamente
3. Febre amarela 8. Caxumba
relacionada ao quadro acima descrito:
4. Toxoplasmose 9. Dengue
(A) Hepatite. (D) Febre tifoide.
5. Poliomielite 10. Doença de Chagas
(B) Cólera. (E) Hidrofobia.
O paciente errou quando disse as doenças represen-
(C) Gastroenterite.

tadas pelos números:

(A) 1, 3 e 8. (C) 3 e 8. (E) 7, 9 e 10. 8. A AIDS leva à perda da resistência imunológica nor-

(B) 2, 5, 6 e 9. (D) 4 e 10. mal. A seguir estão arroladas diversas situações pos-
síveis ou não da transmissão dessa doença. Escolha
5. Pandemias graves de gripe por vírus influenza repe- a alternativa que apresenta corretamente as vias de

tem-se, no mundo, a determinados intervalos de tem- transmissão da AIDS entre as citadas:
po, causando milhões de mortes. Cientistas da OMS
alertam para o fato de que a gripe aviária, surgida no 1. Transfusões sanguíneas.

sudeste asiático, pode provocar uma nova pandemia. 2. Agulhas não descartáveis, acupuntura, alicates de

O controle do alastramento deste vírus é problemático, unha, tatuagem e aparelhos de barba.

não só devido às facilidades de transporte no mundo, 3. Aperto de mão e abraço.

mas, também, porque as vacinas produzidas para com- 4. Uso de piscinas e transportes coletivos.
batê-lo podem perder a sua eficácia com o tempo.

5. Utensílios domésticos.
Essa perda de eficácia está associada à seguinte carac-

6. Relação gestante-feto e aleitamento materno.

terística dos vírus influenza:

7. Relacionamento social.

(A) sofrer alterações em seu genoma com certa fre- 8. Líquido espermático e vaginal.

quência.

(B) inibir com eficiência a produção de anticorpos (A) As citadas em 1 - 2 - 6 - 8 apenas.


pelo hospedeiro. (B) As citadas em 2 - 4 - 6 - 8 apenas.

(C) destruir um grande número de células responsá- (C) As citadas em 1 - 4 - 6 - 8 apenas.

veis pela imunidade.

(D) As citadas em 1 - 2 - 5 - 6 apenas.
(D) possuir cápsula protetora contra a maioria das

(E) Todas citadas.

defesas do hospedeiro.

197 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

9. Dengue é uma doença limitada a certas áreas geográ- 12. Nos países em desenvolvimento, devido às precárias


ficas. condições de saneamento e à má qualidade das águas
Essa limitação deve-se para consumo humano, as doenças de veiculação hí-
drica têm sido responsáveis por vários surtos epidêmi-

(A) ao fato de a doença não ser contagiosa. cos e pelas elevadas taxas de mortalidade infantil por

(B) à falta de combate adequado ao transmissor. infecções intestinais. Segundo a Organização Mundial

(C) à distribuição geográfica do inseto transmissor. de Saúde, órgão da Organização das Nações Unidas
– ONU – ocorreram, na América Latina e Caribe, seis

(D) à inexistência do agente patogênico em regiões milhões de mortes por infecções intestinais no perío-

tropicais. do de 1965 a 1990.
(E) à ausência de alimento para o agente patogênico
Indique a alternativa que apresenta maior número de

em certos ambientes.


doenças diarreicas veiculadas por água contaminada.
10. A OMS (Organização Mundial de Saúde) advertiu on- (A) Febre tifoide, cólera e giardíase.



tem que a Ásia enfrenta uma epidemia combinada de (B) Tuberculose, cólera e giardíase.


AIDS e tuberculose que irá ultrapassar todas as dispo- (C) Sarampo, filariose e salmonelose.
nibilidades de atendimento médico.


(D) Meningite, hepatite B e malária.


(“Folha de São Paulo”, 11/08/94)
(E) Febre tifoide, amebíase e meningite.


A notícia se refere à AIDS como uma epidemia. 13. Infecção bacteriana rumo ao Brasil

Entende-se por epidemia uma doença
Endêmica dos Andes, a bartonelose se alastra com

(A) congênita, restrita a uma determinada região. abertura de estradas e degradação ambiental.

(B) infecciosa, que se propaga lentamente na população. Uma doença praticamente desconhecida dos profis-


(C) hereditária, que se propaga rapidamente, atingin- sionais de saúde brasileiros está se aproximando de
nossa fronteira, e seu impacto pode ser agravado pelo

do grande número de pessoas.
modelo de desenvolvimento adotado na Amazônia. A
(D) degenerativa, restrita a uma determinada área ao infecção em questão é a bartonelose, originária dos

longo dos tempos. Andes, causada pela bactéria Bartonella bacillifor-
(E) contagiosa, que atinge grande número de pesso- mis e transmitida pelos mesmos mosquitos vetores

as num curto período de tempo. da leishmaniose. O receio é que, caso a bartonelose
entre na Amazônia brasileira, sua disseminação seja
11. Desde sua introdução na década de 40, os antibióticos acelerada pela falta de treinamento específico dos

tornaram-se um sucesso no controle de doenças bac- profissionais de saúde do país.
terianas, sendo considerados medicamentos milagro- (SCIENTIFIC AMERICAN, março de 2005)

sos. Consequentemente, passou-se a acreditar que
essas doenças eram coisas do passado. Entretanto, Sobre esse assunto, assinale a afirmativa incorreta.

tem-se verificado o “ressurgimento” de muitas delas. (A) A construção de estradas, de hidrelétricas e a ex-

pansão da agropecuária extensiva impulsionam
Todas as seguintes medidas podem ser implementa-
o desmatamento, as queimadas e migrações, e

das, tratando-se de Saúde Pública, para minimizar o
tudo isso pode contribuir para aumentar a ocor-
problema crescente de bactérias com resistência múl-
rência de novas doenças.
tipla a antibióticos, exceto
(B) A doença é transmitida por fêmeas de mosquitos
(A) aumentar o uso profilático desses medicamentos

hematófagos do gênero Lutzomyia que, ao se ali-

em rações animais, objetivando a imunização dos
mentarem, inoculam formas infectantes no teci-
consumidores.
do subcutâneo dos hospedeiros.
(B) criar programas de vigilância hospitalar e comuni-
(C) O diagnóstico dessa doença pode ser laboratorial,

tária para evitar o uso inadequado e abusivo des-

e o seu tratamento pode ser efetivado pelo uso
ses medicamentos.
de antibióticos.
(C) proibir a venda livre desses medicamentos e escla-
(D) Apesar de ser uma ameaça, a bartonelose dificil-

recer a população dos riscos da automedicação.

mente passaria a engrossar a lista das enfermida-
(D) vacinar a população para aumentar as defesas do des endêmicas na região, pois a Amazônia brasi-

organismo contra as doenças bacterianas, redu- leira não apresenta condições necessárias para
zindo o uso desses medicamentos. que a doença se instale no país.

[Link] | Produção: [Link] 198


Biologia

14. Atualmente, no Brasil, órgãos do Ministério da Saúde 17. Observe a figura.




consideram como doenças emergentes ou reemer-
gentes diversas infecções produzidas por micro-orga-
nismos. Muitas delas são transmitidas ao homem por
vetores animais bem definidos.

!!!
im
Uma enfermidade de natureza viral cujo vetor é um

ch

At
inseto, uma infecção bacteriana cujo vetor é um ro-
edor e uma doença causada por protozoário, mas
transmitida por inseto, estão relacionadas, respecti-
vamente, na seguinte alternativa:
(A) dengue – leptospirose – malária.

(B) toxoplasmose – hanseníase – amebíase.



(C) cólera – febre amarela – doença de Chagas. Num ambiente fechado, as gotículas de saliva elimina-


(D) tuberculose – leishmaniose – poliomielite. das por meio de espirro ou tosse podem contaminar

as pessoas com as seguintes doenças, exceto
15. Dona Margarida observou que uma lata de sardinha es-
(A) giardíase. (C) gripe.

tava estufada e resolveu não consumir o seu conteúdo.
Assinale a alternativa que apresenta uma justificativa (B) sarampo. (D) tuberculose.

incorreta para a atitude de dona Margarida.
18. Existem várias doenças humanas causadas por micro-
(A) O alimento pode conter toxinas produzidas por
-organismos que apresentam inúmeras formas de

microrganismos.
transmissão.
(B) O alimento pode estar em processo de decomposi-
Uma enfermidade de natureza bacteriana transmitida

ção.

por via oral-fecal, uma infecção viral cujo vetor é um
(C) Os gases responsáveis pelo estufamento da lata
inseto e uma doença protista transmitida pelas fezes

são tóxicos.
de um inseto, estão relacionadas, respectivamente,
(D) Pode ter ocorrido falta de higiene durante o pro- na seguinte alternativa:

cesso de embalagem.
(A) dengue - leptospirose - malária

16. A tuberculose é uma doença que pode ser controlada.
(B) toxoplasmose - hanseníase - amebíase

Observe este gráfico, em que está representada a inci-

(C) cólera - febre amarela - doença de Chagas

dência de tuberculose no Brasil:

(D) tuberculose - leishmaniose – poliomielite

19. Pretende-se realizar uma pesquisa sobre as possíveis

causas de ocorrência de malária na população humana
que habita a Região Metropolitana de Belo Horizonte –
manancial Rio Manso/COPASA – no verão de 2003.
Nesse caso, podem ser considerados todos os seguin-

tes fatores, exceto
(A) contaminação da fauna silvestre pelo protozoário.

Considerando-se as informações desse gráfico, todos (B) migração constante de pessoas contaminadas.


os seguintes fatores explicam a curva que caracteriza
(C) proliferação do transmissor em ambiente aquático.
as décadas de 80 e 90, exceto

(D) vacinação da população em épocas de chuva.
(A) alto custo do diagnóstico e uso de antibióticos


ineficientes.
20. De janeiro a outubro de 2002, a Secretaria
(B) aumento da desnutrição e da pobreza e queda na

Municipal de Saúde de Londrina contabilizou 69

qualidade das moradias como consequência da casos de leishmaniose, enfermidade também co-
política social. nhecida como úlcera de Bauru. De acordo com os
(C) a ocorrência de AIDS, tornando os pacientes mais dados de epidemiologia dessa Secretaria, a zona

susceptíveis ao bacilo. rural ainda é a área de maior incidência da doença.
(D) movimentos migratórios da população humana e Analise as seguintes medidas preventivas para di-

consequente dispersão do bacilo por várias regiões. minuir a ocorrência de leishmaniose.

199 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

I.
Combate ao vetor por meio de inseticidas. (C) a sensação de alívio é determinada pela presença


II. Acesso da população a antibióticos. dos vírus na corrente sanguínea.

III. Acesso da população ao saneamento básico. (D) o acesso febril é desencadeado no momento da


liberação dos parasitas no plasma.

IV. Cuidados com a higiene pessoal e dos alimentos.
(E) o agente da malária é um parasita extracelular e


Assinale a alternativa que contém a(s) medida(s) temporário.

correta(s).
(A) Apenas I. (E) Apenas II, III e IV. 24. A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que,


no Terceiro Mundo, quase meio bilhão de pessoas es-
(B) Apenas II. (D) Apenas I e III.
tão sofrendo de doenças tropicais. Uma dessas doen-
(C) Apenas III e IV. ças é a malária. Para combatê-la, entre outras medi-

21. Assinale a alternativa correta sobre a Entamoeba his- das profiláticas, pode-se

tolytica. (A) construir redes de esgotos e estações de tratamento.


(A) Apresenta reprodução sexuada no hospedeiro (B) incentivar uso de calças e camisas de mangar lon-


definitivo. gas em regiões endêmicas.
(B) É transmitida ao homem por meio de cistos. (C) substituir choupanas por casas de alvenaria.

(C) O homem pode ser infectado pela ingestão de


(D) ter cuidados com higiene pessoal e alimentos.

água e alimentos contendo ovos do parasita.


(D) Também conhecida como ameba pode ser dissemi- (E) vacinar populações ribeirinhas.



nada por via sexual.
25. Conforme tem sido noticiado na imprensa mineira, a
(E) Pode apresentar reprodução sexuada no vetor.

incidência de Calazar, Leishmaniose visceral, nos cães

de áreas urbanas tem aumentado significativamente.
22. A maioria das endemias brasileiras pode ser controla-

da com algumas intervenções em áreas de ocorrência. Em relação a essa doença é incorreto afirmar-se que

No caso da doença de Chagas, o procedimento mais (A) a mordida do cão pode transmitir a doença ao ho-
eficaz para reduzir a sua incidência será

mem.
(A) construir redes de esgotos e tratá-los adequada- (B) a raposa também é reservatório da doença no

mente.

meio rural.
(B) facilitar o acesso aos serviços médicos. (C) o agente patogênico é um protozoário flagelado.


(C) melhorar as condições de habitação rural.
(D) o vetor pertence à mesma classe do barbeiro.

(D) melhorar as condições de trabalho e lazer.

(E) uma medida profilática é a eliminação de cães

(E) tomar mais cuidado na higiene dos alimentos.

contaminados.

23. As ilustrações abaixo expressam as variações da tem-
26. Uma descrição sucinta do Triatoma (vulgarmente co-

peratura corporal de um indivíduo com malária rela-

cionadas com o estado do paciente e o ciclo reprodu- nhecido como chupança ou barbeiro) diria que é um
tivo assexuado do parasita no interior da hemácia: inseto com carta de dois centímetros de comprimento,
asas achatadas, largas e listradas nas bordas, não muito
diferente de uma barata doméstica comum, mas com
um ferrão comprido. Ao contrário da barata, porém, é
hematófago. O pior de tudo é que, além de chupar o
sangue das pessoas, defeca ao mesmo tempo.
Temperatura oC

40 E é pelas fezes que transmite a moléstia.



39 (De Cicco)

38 O texto anterior se refere ao hospedeiro intermediá-

37 rio da
0     24     48   horas
(A) malária.


Da análise dessas ilustrações, conclui-se que: (B) ancilostomose.



(A) a febre eleva-se a intervalos regulares de 24 horas. (C) esquistossomose.


(B) calafrios e febre aparecem quando os plasmo- (D) úlcera de Bauru.


dium multiplicam-se dentro da hemácia. (E) doença de Chagas.

[Link] | Produção: [Link] 200
Biologia

27. Considere as seguintes medidas profiláticas:



I. colocação de telas em portas e janelas;

II. ingestão de frutas e verduras bem lavadas;

III. ingestão de água não contaminada;

IV. eliminação do barbeiro transmissor;

V. erradicação do mosquito transmissor;

VI. saneamento básico. 1. A partir do primeiro semestre de 2000, a ocorrência


Podem diminuir a incidência da disenteria amebiana de casos humanos de febre amarela silvestre extrapo-

causada pela Entamoeba histolytica, somente lou as áreas endêmicas, com registro de casos em São
(A) I, II e III. (D) II, IV e V. Paulo e na Bahia, onde os últimos casos tinham ocor-
(B) I, IV e V. (E) IV, V e VI. rido em 1953 e 1948. Para controlar a febre amarela
silvestre e prevenir o risco de uma reurbanização da
(C) II, III e VI.
doença, foram propostas as seguintes ações:

28. O pediatra, após observar múltiplos pontos brancos I. Exterminar os animais que servem de reservató-

na mucosa da boca de um recém-nascido, diagnos-


rio do vírus causador da doença.
ticou a doença como “sapinho”. À mãe da criança,
tranquilizando-a corretamente, informou tratar-se de II. Combater a proliferação do mosquito transmissor.


uma doença causada por III. Intensificar a vacinação nas áreas onde a febre


(A) protozoários.   (D) fungos. amarela é endêmica e em suas regiões limítrofes.
(B) bactérias.   (E) algas unicelulares. É efetiva e possível de ser implementada uma estraté-
(C) vírus.

gia envolvendo

29. A candidíase é uma doença oportunista que geral- (A) a ação II, apenas.    (D) as ações II e III, apenas.

mente se instala quando o indivíduo está com suas (B) as ações I e II, apenas.  (E) as ações I, II e III.
defesas debilitadas. É causada por
(C) as ações I e III, apenas.
(A) protozoário. (D) fungo.

(B) bactéria. (E) vírus. 2. Uma nova preocupação atinge os profissionais que

(C) verme. trabalham na prevenção da AIDS no Brasil. Tem-se ob-

servado um aumento crescente, principalmente entre
30. A Candida albicans é causadora de micoses brandas que
os jovens, de novos casos de AIDS, questionando-se,

atingem os dedos dos pés e as mucosas vaginais. Na clas-
sificação dos seres, a Candida albicans é considerada inclusive, se a prevenção vem sendo ou não relaxada.
Essa temática vem sendo abordada pela mídia:
(A) vírus. (D) protozoário.
(B) bactéria. (E) briófita. “Medicamentos já não fazem efeito em 20% dos infec-

tados pelo vírus HIV.
(C) fungo.
Análises revelam que um quinto das pessoas recém-


-infectadas não haviam sido submetidas a nenhum
tratamento e, mesmo assim, não responderam às
duas principais drogas anti-AIDS. Dos pacientes estu-
dados, 50% apresentavam o vírus FB, uma combina-
ção dos dois subtipos mais prevalentes no país, F e B”.
(Adaptado do “Jornal do Brasil”, 02/10/2001.)
1. A 11. A 21. B




2. C 12. A 22. C Dadas as afirmações acima, considerando o enfoque




3. C 13. D 23. D da prevenção, e devido ao aumento de casos da doen-



4. D 14. A 24. B ça em adolescentes, afirma-se que



5. A 15. C 25. A I. O sucesso inicial dos coquetéis anti-HIV talvez




tenha levado a população a se descuidar e não
6. B 16. A 26. E
utilizar medidas de proteção, pois se criou a ideia



7. E 17. A 27. C de que estes remédios sempre funcionam.



8. A 18. C 28. D II. Os vários tipos de vírus estão tão resistentes que




9. C 19. D 29. D não há nenhum tipo de tratamento eficaz e nem



10. E 20. D 30. C mesmo qualquer medida de prevenção adequada.



201 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

III. Os vírus estão cada vez mais resistentes e, para É dengue... ou influenza A (H1N1)?


evitar sua disseminação, os infectados também
A pergunta tem sido feita por várias pessoas e torna-
devem usar camisinhas e não apenas administrar


-se de vital importância uma vez que um surto de in-
coquetéis.
fluenza A (H1N1) começa a se espalhar pelo mundo.
Está correto o que se afirma em Sinais semelhantes como febre alta, dor no corpo e

(A) I, apenas. (D) II e III, apenas. mal-estar podem acabar confundindo. No entanto, as
diferenças entre as duas doenças são claras.
(B) II, apenas. (E) I, II e III.
(C) I e III, apenas. Os sintomas que alguns tendem a confundir também



possuem grandes diferenças. “A dengue não apresen-
3. O Aedes aegypti é vetor transmissor da dengue. Uma ta problemas e sinais respiratórios. Não se tem coriza

pesquisa feita em São Luís – MA, de 2000 a 2002, ma- e nem tosse produtiva”, esclarece Victor Berbara, su-
peou os tipos de reservatório onde esse mosquito era perintendente em vigilância sanitária da Secretaria de
encontrado. A tabela adiante mostra parte dos dados Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro.
coletados nessa pesquisa.
Em qualquer caso, livre-se da dúvida. Procure um pos-


população de A. aegypti to de saúde, uma UPA ou um hospital. Só um teste
tipos de reservatórios
2000 2001 2002
sanguíneo poderá dizer ao certo qual o seu proble-
pneu 895 1.658 974
ma. Não negligencie os sinais que seu corpo envia.
tambor/tanque/depósito de barro 6.855 46.444 32.787
Portanto, quer seja um resfriado, a dengue ou a in-
fluenza A (H1N1), procure uma emergência. Com a
vaso de planta 456 3.191 1.399
sua saúde não se brinca.
material de construção/peça de carro 271 436 276
(Disponível em: [Link])
garrafa/lata/plástico 675 2.100 1.059
poço/cisterna 44 428 275
Uma das reportagens foi alterada de modo a falsear

caixa d´água 248 1.689 1.014
informações. O erro está na
recipiente natural, armadilha, piscina e outros 615 2.658 1.178
total 10.059 58.604 38.962
(A) primeira reportagem, pois mais pessoas no Brasil

morrem de gripe suína do que de dengue.
Caderno Saúde Pública, vol. 20, nº 5, Rio de Janeiro, out./2004 (com adaptações).
(B) primeira reportagem, pois, apesar da dengue ser

De acordo com essa pesquisa, o alvo inicial para a antiga, ainda não existe vacina para essa doença.

redução mais rápida dos focos do mosquito vetor da
(C) segunda reportagem, pois o vírus da dengue oca-
dengue nesse município deveria ser constituído por

siona insuficiência respiratória, assim como acon-
(A) pneus e caixas d’água. tece com o vírus da gripe.

(B) tambores, tanques e depósitos de barro.
(D) segunda reportagem, pois o diagnóstico da den-

(C) vasos de plantas, poços e cisternas.

gue e da gripe não é possível ser feito com teste

(D) materiais de construção e peças de carro. sanguíneo.

(E) garrafas, latas e plásticos. (E) segunda reportagem, pois febre alta é sintoma


característico da gripe e não da dengue.
4. Dengue versus gripe suína H1N1

A gripe suína (H1N1) está em destaque em todos os 5. Estima-se que haja atualmente no mundo 40 milhões

noticiários e é muito importante a tomada de consci-

de pessoas infectadas pelo HIV (o vírus que causa a
ência sobre medidas preventivas e diagnóstico preco-
AIDS), sendo que as taxas de novas infecções continu-
ce da doença para evitar uma pandemia. No entanto,
am crescendo, principalmente na África, Ásia e Rússia.
não se pode esquecer de outras doenças que nos afe-
tam há várias décadas, em especial uma virose trans- Nesse cenário de pandemia, uma vacina contra o HIV
mitida pelo mosquito Aedes aegypti, a dengue. teria imenso impacto, pois salvaria milhões de vidas.
Enquanto a gripe suína em junho de 2009 possui Certamente seria um marco na história planetária e


35 casos confirmados no Brasil, 266.285 pessoas ha- também uma esperança para as populações carentes
viam contraído dengue até 24 de junho, um número de tratamento antiviral e de acompanhamento médico.
absurdo para uma doença que tem vacina.
TANURI, A.; FERREIRA JUNIOR, O. C. Vacina contra Aids:
(Disponível em: [Link]. Acesso em 09 jun. 2009.) desafios e esperanças. Ciência Hoje (44) 26, 2009 (adaptado).

[Link] | Produção: [Link] 202


Biologia

Uma vacina eficiente contra o HIV deveria 7. Decorridos mais de 50 anos do uso dos antibióticos,


(A) induzir a imunidade, para proteger o organismo a tuberculose figura, neste final de século, como uma
das doenças mais letais; isso se deve ao fato de os

da contaminação viral.
bacilos terem se tornado resistentes ao antibiótico
(B) ser capaz de alterar o genoma do organismo por- usado para combatê-los. Considerando que a resis-

tador, induzindo a síntese de enzimas protetoras. tência de uma população de bactérias a um antibió-
(C) produzir antígenos capazes de se ligarem ao vírus, tico é resultado de mutação ao acaso e que a taxa de

impedindo que este entre nas células do organis- mutação espontânea é muito baixa, foi proposto o
mo humano. uso simultâneo de diferentes antibióticos para o tra-
(D) ser amplamente aplicada em animais, visto que tamento de doentes com tuberculose. Com relação
a esse procedimento, foram levantados os seguintes

esses são os principais transmissores do vírus
para os seres humanos. argumentos:

(E) estimular a imunidade, minimizando a transmis- I. O tratamento não será efetivo para o paciente,


uma vez que a resistência ao antibiótico não é

são do vírus por gotículas de saliva.
reversível.
6. Uma das maiores preocupações a respeito da gripe II. O tratamento terá alta chance de ser efetivo para

aviária, ou gripe do frango, é o risco de uma mistura


o paciente, pois a probabilidade de que uma bac-
entre o vírus que causa tal doença e o vírus da gripe téria seja resistente a dois ou mais antibióticos é
humana comum, o que facilitaria a transmissão da gri- extremamente baixa.
pe aviária entre as pessoas. O vírus da gripe aviária é o
H5N1, e o tipo mais comum da gripe humana é causa- III. O tratamento poderá apresentar riscos para a po-

do pelo vírus H3N2. Suponha que um laboratório ob- pulação, pois poderá selecionar linhagens bacte-
teve um vírus “híbrido”, com capa proteica de H5N1 rianas altamente resistentes a antibióticos.
e material genético de H3N2. Esse vírus foi inoculado Analisando as informações contidas no texto, pode-se
em embrião de galinha, no qual se reproduziu. Os ví-

concluir que apenas
rus obtidos foram isolados e inoculados em galinhas
adultas sadias, nas quais também se reproduziram. (A) o argumento I é válido.

(B) o argumento II é válido.
Pode-se dizer que essas galinhas

(C) o argumento III é válido.

(A) devem permanecer isoladas de qualquer contato

(D) os argumentos I e III são válidos.

com humanos, pois podem transmitir a esses o

vírus que desenvolve a gripe aviária e que já pro- (E) os argumentos II e III são válidos.

vocou a morte de algumas dezenas de pessoas.
(B) devem permanecer isoladas de qualquer contato 8. Casos de leptospirose crescem na região


com humanos, pois podem adquirir destes o vírus M.P.S. tem 12 anos e está desde janeiro em tratamen-

H3N2, o qual pode hibridizar com o vírus das aves, to de leptospirose. Ela perdeu a tranquilidade e en-
produzindo uma forma infectante para o homem. controu nos ratos, (...), os vilões de sua infância. “Se
(C) devem permanecer isoladas de qualquer contato eu não os matar, eles me matam”, diz. Seu medo re-

com humanos, pois apresentam em seu organismo flete um dos maiores problemas do bairro: a falta de
ambos os tipos de vírus, H3N2 e H5N1, sendo este saneamento básico e o acúmulo de lixo...
último capaz de infectar o organismo humano. (O Estado de S. Paulo, 31/07/1997)

(D) apresentam em seu organismo apenas vírus do

tipo H3N2 e, muito embora devam ser mantidas Oito suspeitos de leptospirose

isoladas do contato humano, não apresentam ris- A cidade ficou sob as águas na madrugada de anteon-

cos de serem transmissoras da gripe aviária. tem e, além de 120 desabrigados, as inundações es-
(E) apresentam em seu organismo apenas vírus do tão fazendo outro tipo de vítimas: já há oito suspeitas

tipo H5N1 e, muito embora devam ser mantidas de casos de leptospirose (...) transmitida pela urina de
isoladas do contato humano, não apresentam ris- ratos contaminados.
cos de serem transmissoras da gripe aviária. (Folha de S. Paulo, 12/02/1999)

203 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

As notícias dos jornais sobre casos de leptospirose es- Está correto apenas o que se afirma em


tão associadas aos fatos: (A) I.



I. Quando ocorre uma enchente, as águas espa- (B) II.



lham, além do lixo acumulado, todos os dejetos
(C) III.
dos animais que ali vivem.


(D) I e II.
II. O acúmulo de lixo cria ambiente propício para a



proliferação dos ratos. (E) II e III.


III. O lixo acumulado nos terrenos baldios e nas mar-
10. São frequentes os surtos de leptospirose nas zonas ur-

gens de rios entope os bueiros e compromete o


escoamento das águas em dias de chuva. banas das grandes cidades, especialmente quando há
enchentes causadas pelas chuvas e transbordamento
IV. As pessoas que vivem na região assolada pela en- de rios. Sobre essa enfermidade, pode-se dizer que

chente, entrando em contato com a água conta-
minada, têm grande chance de contrair a leptos- (A) após infectar o homem, a transmissão da bactéria


pirose. de pessoa a pessoa passa a constituir a mais im-
portante forma de propagação da enfermidade.
A sequência cronológica de fatos que relaciona (B) em regiões sujeitas a inundações sazonais, a vaci-

corretamente a leptospirose, o lixo, as enchentes


nação preventiva da população deve ser instituí-
e os roedores, é: da antes do período das chuvas.
(A) I, II, III e IV. (C) a principal forma de contágio é pelo contato da



(B) I, III, IV e II. pele e/ou mucosas com água contaminada com


(C) IV, III, II e I. urina de animais.

(D) II, IV, I e III. (D) a vacinação dos animais domésticos é imprescindível

para o controle da doença na população humana.

(E) II, III, I e IV.
(E) seu tratamento é apenas sintomático, uma vez


9. Entre 1975 e 1999, apenas 15 novos produtos foram que não há medicação adequada para as infec-

desenvolvidos para o tratamento da tuberculose e de ções virais.
doenças tropicais, as chamadas doenças negligencia-
das. No mesmo período, 179 novas drogas surgiram 11. O botulismo é uma intoxicação resultante da inges-

para atender portadores de doenças cardiovasculares. tão de alimentos que contenham uma toxina produ-
zida durante o crescimento da bactéria esporulada
Desde 2003, um grande programa articula esforços Clostridium botulinum. Os esporos resistem ao aque-

em pesquisa e desenvolvimento tecnológico de ins- cimento a 100 °C por 3-5 horas, mas a toxina, que é
tituições científicas, governamentais e privadas de uma proteína, é destruída em apenas 20 minutos nas
vários países para reverter esse quadro de modo du- mesmas condições.
radouro e profissional.
A toxina botulínica é um dos venenos mais letais co-

Sobre as doenças negligenciadas e o programa inter- nhecidos pelo homem, sendo que 1-2µg (microgra-

nacional, considere as seguintes afirmativas: mas) são suficientes para provocar a morte. Ela age
I. As doenças negligenciadas, típicas das regiões sub- nas sinapses dos nervos motores e nas junções neuro-
-musculares (placa motora) impedindo a liberação de

desenvolvidas do planeta, são geralmente associa-
das à subnutrição e à falta de saneamento básico. acetilcolina.
Os sintomas aparecem 18-24 horas após a ingestão do
II. As pesquisas sobre as doenças negligenciadas

alimento tóxico, na forma de visão dupla, dificuldades

não interessam à indústria farmacêutica porque
na deglutição e na fala, e progridem até levar o in-
atingem países em desenvolvimento, sendo eco-
divíduo à morte por asfixia. Atualmente, essa toxina,
nomicamente pouco atrativas.
em concentrações extremamente baixas, vem sendo
III. O programa de combate às doenças negligenciadas comercializada com o nome de BOTOX e usada em te-

endêmicas não interessa ao Brasil porque atende a rapias para a eliminação de rugas e outras marcas de
uma parcela muito pequena da população. expressão facial.

[Link] | Produção: [Link] 204


Biologia

Com base no texto e em seus conhecimentos sobre o Aparentemente controlada durante algumas décadas,


assunto, assinale a alternativa errada a tuberculose voltou a matar. O principal obstáculo
para seu controle é o aumento do número de linha-
(A) O aquecimento do alimento a 100 °C por tempo
gens de bactérias resistentes aos antibióticos usados

superior a 20 minutos, imediatamente antes do
para combatê-la. Esse aumento do número de linha-
seu consumo, elimina o perigo de intoxicação
gens resistentes se deve a
pela toxina botulínica.
(A) modificações no metabolismo das bactérias para
(B) O uso de antibiótico eficiente contra o Clostridium


neutralizar o efeito dos antibióticos e incorporá-

botulinum em pacientes que tenham ingerido ali-
-los à sua nutrição.
mentos contaminados com esse microrganismo
é estratégia eficiente para evitar o botulismo em (B) mutações selecionadas pelos antibióticos, que


eliminam as bactérias sensíveis a eles, mas per-
adultos.
mitem que as resistentes se multipliquem.
(C) A asfixia, referida no texto, ocorre por paralisia
(C) mutações causadas pelos antibióticos para que as

dos músculos responsáveis pela expansão da cai-


bactérias se adaptem e transmitam essa adapta-
xa toráxica. ção a seus descendentes.
(D) Os esporos bacterianos são formas de resistência (D) modificações fisiológicas nas bactérias para tor-

que, se não destruídos, podem germinar após o


ná-las cada vez mais fortes e mais agressivas no
aquecimento. desenvolvimento da doença.
(E) O uso de antitoxina botulínica e a manutenção (E) modificações na sensibilidade das bactérias,

de ventilação pulmonar por respirador mecânico


ocorridas depois de passarem um longo tempo
podem fazer parte do tratamento para salvar in- sem contato com antibióticos.
divíduos intoxicados.
14. Os planos de controle e erradicação de doenças em

12. O botulismo, intoxicação alimentar que pode levar à animais envolvem ações de profilaxia e dependem em

morte, é causado por toxinas produzidas por certas bac- grande medida da correta utilização e interpretação
térias, cuja reprodução ocorre nas seguintes condições: de testes diagnósticos. O quadro mostra um exemplo
é inibida por pH inferior a 4,5 (meio ácido), temperatu- hipotético de aplicação de um teste diagnóstico.
ras próximas a 100 °C, concentrações de sal superiores a
10% e presença de nitritos e nitratos como aditivos. condição real dos animais
resultado do total
A ocorrência de casos recentes de botulismo em con- infectado não infectado
teste

sumidores de palmito em conserva levou a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) a implemen- positivo 45 38 83
tar normas para a fabricação e a comercialização do negativo 5 912 917
produto. total 50 950 1.000
No rótulo de uma determinada marca de palmito em Manual Técnico do Programa Nacional de Controle e Erradiação da

conserva, encontram-se as seguintes informações:

Brucelose e da Tuberculose Animal – PNCEBT. Brasília: Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, 2006 (adaptado).
I. Ingredientes: Palmito açaí, sal diluído a 12% em

água, ácido cítrico; Considerando que, no teste diagnóstico, a sensibilidade

II. Produto fabricado conforme as normas da é a probabilidade de um animal infectado ser classifica-
do como positivo e a especificidade é a probabilidade

ANVISA;
de um animal não infectado ter resultado negativo, a
III. Ecologicamente correto. interpretação do quadro permite inferir que

As informações do rótulo que têm relação com as me- (A) a especificidade aponta um número de 5 falsos


didas contra o botulismo estão contidas em positivos.
(A) II, apenas. (D) II e III, apenas. (B) o teste, a cada 100 indivíduos infectados, classifi-

(B) III, apenas. (E) I, II e III. caria 90 como positivos.
(C) I e II, apenas. (C) o teste classificaria 96 como positivos em cada

100 indivíduos não infectados.

13. O que têm em comum Noel Rosa, Castro Alves, Franz (D) ações de profilaxia são medidas adotadas para o


Kafka, Álvares de Azevedo, José de Alencar e Frédéric tratamento de falsos positivos.
Chopin? (E) testes de alta sensibilidade resultam em maior

Todos eles morreram de tuberculose, doença que ao número de animais falsos negativos comparado a

longo dos séculos fez mais de 100 milhões de vítimas. um teste de baixa sensibilidade.

205 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

15. O gráfico a seguir mostra a incidência de determinada cultivo pelo sistema chamado cabruca, os pés de ca-

moléstia em um centro urbano durante um período cau são abrigados entre as plantas de maior porte,
de 20 anos. em espaço aberto criado pela derrubada apenas das
plantas de pequeno porte.
Os cacaueiros dessa região têm sido atacados e devas-


tados pelo fungo chamado vassoura-de-bruxa, que se
reproduz em ambiente quente e úmido por meio de
esporos que se espalham no meio aéreo.
As condições ambientais em que os pés de cacau são


plantados e as condições de vida do fungo vassoura-
-de-bruxa, mencionadas nos parágrafos anteriores,
permitem supor que sejam mais intensamente ataca-
dos por esse fungo os cacaueiros plantados por meio
A análise desses dados permite afirmar que a molés- do sistema

tia foi (A) convencional, pois os pés de cacau ficam mais


(A) epidêmica, mas houve dois surtos endêmicos no expostos ao sol, o que facilita a reprodução do

período. parasita.
(B) endêmica, mas houve dois surtos epidêmicos no (B) convencional, pois a proximidade entre os pés de



período. cacau facilita a disseminação da doença.
(C) endêmica, mas houve um único surto epidêmico (C) convencional, pois o calor das queimadas cria as


no período. condições ideais de reprodução do fungo.
(D) exclusivamente epidêmica em todo o período. (D) cabruca, pois os cacaueiros não suportam a som-


(E) exclusivamente endêmica em todo o período. bra e, portanto, terão seu crescimento prejudica-
do e adoecerão.

16. Houve uma grande elevação do número de casos de (E) cabruca, pois, na competição com outras espé-

malária na Amazônia que, de 30 mil casos na déca-

cies, os cacaueiros ficam enfraquecidos e adoe-
da de 1970, chegou a cerca de 600 mil na década de cem mais facilmente.
1990. Esse aumento pode ser relacionado a mudan-
ças na região, como 18. Foram publicados recentemente trabalhos relatando

(A) as transformações no clima da região decorrentes o uso de fungos como controle biológico de mosquitos

do efeito estufa e da diminuição da camada de transmissores da malária. Observou-se o percentual
ozônio. de sobrevivência dos mosquitos Anopheles sp. após
exposição ou não a superfícies cobertas com fungos
(B) o empobrecimento da classe média e a conse-
sabidamente pesticidas, ao longo de duas semanas.

quente falta de recursos para custear o caro trata-
Os dados obtidos estão presentes no gráfico.
mento da doença.
(C) o aumento na migração humana para fazendas,

grandes obras, assentamentos e garimpos, insta-
lados nas áreas de floresta.
(D) as modificações radicais nos costumes dos povos

indígenas, que perderam a imunidade natural ao
mosquito transmissor.
(E) a destruição completa do ambiente natural de re-

produção do agente causador, que o levou a mi-
grar para os grandes centros urbanos.
17. Na região sul da Bahia, o cacau tem sido cultiva-

do por meio de diferentes sistemas. Em um deles,
o convencional, a primeira etapa de preparação do No grupo exposto aos fungos, o período em que hou-

solo corresponde à retirada da mata e à queimada ve 50% de sobrevivência ocorreu entre os dias
dos tocos e das raízes. Em seguida, para o plantio (A) 2 e 4.     (C) 6 e 8.    (E) 10 e 12.
da quantidade máxima de cacau na área, os pés de
cacau são plantados próximos uns dos outros. No (B) 4 e 6.     (D) 8 e 10.

[Link] | Produção: [Link] 206


Biologia

19. Recentemente, tem havido no estado do Ceará inú-



meros casos de leishmaniose visceral ou calazar.
Assinale a alternativa que cita, corretamente, o agen-
te causador, a forma de transmissão e a profilaxia des-
sa doença.
(A) Protozoário Leishmania chagasi – picada do mos-

quito do gênero Lutzomyia – combate ao mosqui-
1. D 12. C
to.



(B) Protozoário Entamoeba histolytica – ingestão de 2. C 13. B




oocistos – eliminação de cães contaminados.
3. B 14. B
(C) Protozoário Leishmania brasiliensis – picada do




mosquito do gênero Aedes – combate ao mosquito. 4. B 15. B



(D) Protozoário Toxoplasma gondii – ingestão de cis-
5. A 16. C

tos – remoção de dejetos de gatos.



(E) Protozoário Balantidium coli – ingestão de cistos 6. D 17. B



– saneamento básico.
7. E 18. D
20. Certas células de alguns tecidos humanos apresentam



estruturas de locomoção também presentes em al- 8. E 19. A


guns protozoários. Assinale a alternativa que associa
corretamente a estrutura de locomoção do protozoá- 9. D 20. B


rio, no qual a estrutura se faz presente, às células do 10. C 21. A
corpo humano, onde essa estrutura ocorre.


11. B

Estrutura de Células
Protozoários
locomoção humanas
(A) Amebas pseudópodos espermatozoides
(B) células epiteliais
Paramécios cílios
da traquéia
(C) células da muco-
Giárdias flagelos
sa intestinal
(D) Plasmódios pseudópodos hemácias
(E) Trypanosoma cílios leucócitos

21. Considere os seguintes métodos preventivos e de tra-



tamento de doenças parasitárias.
I. Abstenção de contato com água possivelmente

contaminada.
II. Uso de medicamentos que combatem o parasito

no homem.
III. Aplicação de inseticidas nas casas.

IV. Uso de sanitários e higiene das mãos.

No caso da malária, os métodos de prevenção e trata-

mento válidos são apenas
(A) II e III.


(B) I e III.


(C) I e II.

(D) I e IV.

(E) III e IV.

207 [Link] | Produção: [Link]
PLANTAS

O REINO VEGETAL fértil e produtiva. Além disso, funcionam como “guarda-


-chuvas” dos solos, uma vez que os protegem das fortes
Por Que Estudar as Plantas? chuvas, evitando lixiviação, erosão e até assoreamentos.
Como todo organismo autótrofo, as plantas consti-
O estudo das plantas é importante não apenas pelo
tuem a base da cadeia alimentar, de forma que sua extin-
seu fascínio. Trata-se de um grupo de seres vivos funda-
mental para a manutenção de toda a biodiversidade. ção levaria à morte dos herbívoros e, logo em seguida, dos
carnívoros devido à falta de alimentação.
Podemos começar a explicação de o porquê estudar as
plantas citando uma de suas maiores importâncias para É possível revelar ainda importâncias de interesses hu-
o ecossistema: a produção de O2. A fotossíntese realiza- manos do reino metáfita. O homem utiliza as plantas na
da pelos vegetais contribui para o equilíbrio do ciclo do sua alimentação diretamente, como arroz, feijão, batata
oxigênio ao liberar esse gás para a atmosfera, permitindo, entre tantos outros, ou indiretamente por meio de pro-
assim, que todos os organismos aeróbios tenham condi- dutos que resultam da sua transformação, como os que
ções de sobreviver e de se perpetuarem. Vale ressaltar, no precisam do trigo para sua fabricação.
entanto, que o verdadeiro pulmão do mundo (metáfora Elas também constituem uma fonte de diferentes ma-
utilizada para se referir ao maior liberador de O2 para a at- térias-primas que são utilizadas em diversas indústrias.
mosfera) não é a floresta e, sim, o fitoplâncton constituído Muitas plantas produzem fibras utilizadas na indústria têx-
pelas algas. til, como é o caso do algodão, produzido pelo algodoeiro.
A mesma fotossíntese que produz O2 também absorve As madeiras extraídas de algumas árvores, por exemplo,
CO2, retirando-o da atmosfera e incorporando-o na biomas- os carvalhos e os pinheiros, têm particular importância na
sa. Dessa forma, pode-se dizer que os vegetais também indústria do mobiliário e na construção civil. A madeira de
possuem grandiosa participação no ciclo do carbono,uma eucalipto, rica em celulose, é utilizada no fabrico de papel.
vez que a fotossíntese é o único processo que retira CO2
No nosso país, o que também têm grande importância
atmosférico enquanto inúmeros outros processos liberam
industrial é a cortiça, extraída do caule do sobreiro, e a
esse gás. Observe a figura a seguir, que demonstra que a
resina, extraída do pinheiro, que é usada nas indústrias de
retenção de CO2 através da fotossíntese é o único proces-
colas e tintas.
so existente que contrabalanceia a emissão desse gás por
meio da combustão, respiração e decomposição.

BIOATP - PLANTAS

Ainda pensando nas importâncias ecológicas dos vege-


tais, pode-se exaltar sua influência no clima, uma vez que
realizam evapotranspiração, aumentando a umidade do ar.
As plantas também enriquecem os solos com suas fo- Imagem do sobreiro (árvore da qual se extrai a cortiça), extração da
lhas e ramos que caem, decompõem e tornam a terra mais cortiça e rolhas de cortiça respectivamente.

[Link] | Produção: [Link] 208


Biologia

Além destas aplicações há, ainda, plantas que produ- guaraná diminuía a proliferação celular e induzia a mor-
zem essências que são utilizadas na indústria de perfuma- te das células tumorais.
ria e outras substâncias medicinais, utilizadas como medi-
camentos, conforme demonstra a reportagem do “Ciência
Hoje”.

Guaraná retarda avanço do câncer


Células de mama cancerosas proliferam mais lenta-
mente em camundongos alimentados com a planta.
Por: Fabíola Bezerra
Publicado em 14/08/2007 | Atualizado em 19/10/2009

Estudo feito em camundongos com tumor de


Ehrlich mostrou que o animal tratado com guaraná (à
direita) teve seu volume abdominal reduzido em rela-
ção ao do que não recebeu tratamento (à esquerda),
o que significa menor desenvolvimento tumoral (foto:
Ilustração botânica do Heidge Fukumasu).
guaraná (Paullinia cupana).
Imagem: Koehler’s
Em sua pesquisa de doutorado, Fukumasu investigou
Medicinal-Plants. os efeitos do guaraná sobre a progressão de tumores de
Ehrlich, um tipo de tumor de mama de camundongos.
As sementes de guaraná, planta originária da Os resultados comprovam que o processo de prolifera-
Amazônia, podem impedir a proliferação de célu- ção das células cancerosas é desacelerado quando os ca-
las cancerosas e o desenvolvimento de tumores, de mundongos são alimentados com guaraná por sete dias
acordo com pesquisa da Universidade de São Paulo antes de terem o câncer induzido pelos cientistas e mais
(USP). Camundongos alimentados com essa planta 14 dias após o estabelecimento da doença.
tiveram diminuição de 54% na quantidade de células Depois de quantificar as células cancerosas dos ani-
cancerosas associadas a um tipo de câncer de mama mais nutridos com guaraná e do grupo controle, que
chamado tumor de Ehrlich, o que retardou a progres- consumia apenas água, a equipe constatou também a
são da doença e aumentou significativamente a so- diminuição do volume abdominal desses camundongos,
brevida dos animais.
o que está associado ao menor crescimento tumoral.
Os efeitos quimiopreventivos e terapêuticos do gua-
Parte do inchaço nessa área do corpo deve-se ao
raná começaram a ser estudados em 2001 pelo veteri-
intenso processo inflamatório e à consequente dila-
nário Heidge Fukumasu, no Laboratório de Oncologia
tação e danificação dos vasos sanguíneos provocados
Experimental e Comparada da Faculdade de Medicina
pelo crescimento do tumor. O pesquisador pretende
Veterinária e Zootecnia da USP, durante sua graduação.
dar continuidade ao estudo a fim de conhecer a que
Sua orientadora, Maria Lúcia Zaidan Dagli, estudava os
substância do guaraná esse efeito preventivo é atribuí-
benefícios de plantas, entre elas, o chá verde, no com-
do e como ela atua nas células. Ele planeja uma parce-
bate ao câncer. “Como os níveis de cafeína e os com-
ria com outros institutos para realizar testes em seres
postos polifenólicos presentes no chá verde poderiam
humanos no futuro. “Por enquanto, observamos esses
ser os responsáveis por seu efeito anticancerígeno,
procuramos uma planta brasileira que tivesse níveis se- efeitos em animais. Há um longo caminho para enten-
melhantes dessas substâncias e chegamos ao guaraná”, der como isso se dá na complexidade do metabolismo
conta Fukumasu. humano e em outras espécies”, conclui.
BEZERRA, Fabíola. Ciência Hoje Online 14/08/2007.
As primeiras pesquisas do veterinário mostraram
que, depois de seis meses alimentados com guaraná, A relação das plantas com os animais é uma relação
camundongos com tumor de fígado apresentavam me- tão íntima que, na natureza, há inúmeros casos de prote-
nos células cancerosas do que os que não haviam in- ção animal dada aos vegetais. Incoerentemente, falta ao
gerido a planta. Posteriormente, ao realizar um novo homem, o único racional entre todos os animais, se con-
experimento em camundongos com melanoma (um vencer da necessidade dos vegetais e demonstrar respeito
tipo de tumor de pele), o pesquisador percebeu que o a partir de atitudes conservacionistas.

209 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Leitura Complementar: Para testar se as abelhas eram mesmo capazes de


reduzir a atividade das lagartas, os cientistas monta-
Zumbido protetor
ram duas tendas de mesmo tamanho próximas uma da
Som produzido por abelhas previne destruição das outra. Em cada tenda foram plantadas dez árvores de
folhas das plantas por lagartas. pimentão (Capsicum annuum) com seis a 15 folhas por
Além de polinizar planta e, em outro experimento, dez plantas de soja
as flores, as abelhas (Glycine max) com 11 a 30 folhas cada uma. O pimen-
protegem as plan- tão foi testado com e sem frutos.
tas do ataque de la- No início dos experimentos, dez lagartas da espé-
gartas (foto: Helga R. cie Spodoptera exigua foram colocadas em cada planta.
Heilmann/ BEEgroup). Essa espécie foi escolhida porque se alimenta de cerca
Muita gente perde de 50 plantas diferentes, tem pêlos sensoriais capazes
de detectar a vibração do ar e exibe respostas de defesa
o apetite quando sofre
contra vespas quando estimulada pela vibração de ar
alguma perturbação. Com as lagartas não é diferente.
gerada pelo bater de asas.
Um estudo alemão mostrou que elas comem menos
folhas das plantas que infestam quando são constan- Uma das tendas estava conectada a uma colmeia e
tinha recipientes com soluções açucaradas semelhan-
temente expostas ao zumbido de abelhas. Os resulta-
tes ao néctar, que atraíam as abelhas. Depois de 13 a 18
dos, publicados esta semana na revista Current Biology,
dias, quando a maior parte das lagartas havia comple-
revelam que as abelhas têm outra importante função
tado seu ciclo de crescimento e iniciado a fase de pupa,
para as plantas além da polinização: protegê-las do ata- as plantas foram removidas das tendas e as folhas des-
que de pragas. tacadas para avaliação.
Em estudos anteriores, o pesquisador Jurgen Tautz, da Destruição menor de folhas
Universidade de Wurzburg (Alemanha), já havia descober-
Após 18 dias de exposição a lagartas, as folhas de soja
to que muitas lagartas possuem finos pêlos sensoriais que
da tenda que recebeu a vi-
lhes permitem detectar vibrações no ar, como o som do
sita de abelhas (à esquer-
bater de asas de vespas predadoras. Como estratégia de
da) sofreram dano muito
defesa para tentar garantir sua sobrevivência, as lagartas –
menor que o das folhas de
que comem quase sem parar – ficam imóveis ou se soltam
soja da tenda sem conexão
da planta ao perceber a aproximação das vespas.
com a colmeia (à direita).
Agora, uma equipe liderada por Tautz descobriu que Fotos: Current Biology.
o mesmo acontece quando abelhas inofensivas se apro-
Nos experimentos com árvores sem frutos, as lagar-
ximam. “O sistema nervoso e o equipamento sensorial
tas destruíram de 60% a 70% menos folhas na tenda
das lagartas é muito simples e não consegue diferenciar que tinha sido visitada por abelhas em comparação com
vespas e abelhas, já que elas têm tamanho e frequência as plantas da tenda às quais esses insetos não tiveram
de batimento de asas iguais”, diz o pesquisador à CH On- acesso. Uma diferença menor nos danos às folhas foi
line. Se a exposição ao zumbido de abelhas for constan- observada nos testes com plantas com frutos, porque
te, como acontece em árvores frutíferas muito carrega- as lagartas se deslocaram para dentro dos pimentões.
das de flores, as lagartas se alimentarão bem menos, o “Nossos resultados indicam pela primeira vez que
que resultará em plantas mais saudáveis. a visita de abelhas dá às plantas uma vantagem total-
Pimentão, soja, abelhas e lagartas mente inesperada: as abelhas que voam ao redor das
plantas inibem a intensidade da alimentação de lagartas
herbívoras, resultando em uma clara redução do dano BIOATP - PLANTAS
às folhas”, dizem os pesquisadores no artigo. A equipe
pretende agora testar o sistema em uma área maior.
Tautz acredita que a descoberta pode ser usada no
desenvolvimento de um método de controle biológico
de pragas totalmente novo e ter aplicações na agricul-
tura sustentável. “A habilidade das abelhas pode per-
mitir a redução do uso de inseticidas em certos locais
As lagartas têm um sistema de defesa que faz com e por certos períodos, se os cultivos forem combinados
que fiquem imóveis ou se soltem das plantas ao per- com o plantio de flores que atraiam a visita desses in-
ceberem a aproximação de um possível predador, o setos”, afirma. “Consequentemente, isso pode diminuir
que resulta em um dano menor às folhas (foto: Helga um pouco a poluição ambiental.”
R. Heilmann/ BEEgroup). FERNANDES, Thaís. Ciência Hoje Online 22/12/2008.

[Link] | Produção: [Link] 210


Diversidade Vegetal Protista no módulo anterior, vamos considerar somente as
plantas como integrantes do Reino Vegetal.
O Reino Vegetal é, sem dúvida, espetacular! As plan-
tas nos impressionam e fascinam em vários aspectos. A Este reino por sua vez, também chamado de
capacidade de sobreviver por tanto tempo é um destes Reino Plantae, é dividido em quatro grupos: Briófitas,
aspectos surpreendentes. Pteridófitas, Gimnospermas e Angiospermas, e vamos
estudá-los adiante.
A mais antiga planta conhecida é um pinheiro, Pinus
aristata, que está vivendo há mais de 4.900 anos – quase Evolução das Plantas
50 séculos! Em comparação, há dúvida se algum animal
tenha vivido por cerca de dois séculos. As idades extremas Origem das Plantas
alcançadas por algumas árvores provam que as plantas As primeiras plantas terrestres se originaram das algas
podem adaptar-se com êxito aos seus ambientes. verdes, também chamadas clorofíceas ou clorófitas. Entre
Fascinante também é entender como a água e os sais as evidências que levaram os biólogos a essa conclusão,
minerais (seiva bruta) conseguem subir através do xilema estão a presença das clorofilas a e b, o armazenamento de
da raiz em direção à folha, vencendo a força da gravidade, amido, a presença da parede celulósica, e ainda um ciclo
sem existir um órgão propulsor para impulsionar esse lí- haplodiplobiôntico, presente tanto nestas algas, que são
quido para cima. aquáticas, como nos vegetais terrestres.
E as plantas carnívoras? Adaptadas a solos pobres em A passagem do meio aquático para o terrestre foi pro-
nitrogênio, conseguem detectar o exato momento da pre- porcionada por uma série de adaptações morfológicas nas
sença do inseto e, como uma armadilha perfeita, suas fo- algas, que permitiram a sua sobrevivência nesse novo meio.
lhas aprisionam e digerem o animal retirando dele todo As algas retiravam da água os gases e nutrientes que ne-
o nitrogênio necessário à sua sobrevivência. É impressio- cessitavam. Ao mesmo tempo, a água é um eficiente meio
nante não é mesmo? de sustentação do corpo. A reprodução é facilitada pela
Mas é quando nos aprofundamos na complexa vida confecção de gametas e esporos móveis, que têm na água
vegetal que mais nos surpreendemos. Pense: se você é um eficiente meio de locomoção.
atacado, o que faz? É natural que peça ajuda. Pois saiba Assim, a colonização do ambiente terrestre pelos ve-
que as plantas também agem assim. Quando as lagartas getais só foi possível graças a adaptações que surgiram
começam a mastigar as folhas de milho, de algodão ou de gradativamente por meio de mutações, permitindo su-
outras espécies, as plantas sintetizam sinais químicos na perar os dois grandes obstáculos enfrentados por quem
atmosfera. Essas substâncias atraem outros insetos que sai do ambiente aquático: a falta d’água e a capacidade
se alimentam de lagartas. Assim, as plantas se livram dos de sustentação corporal.
seus “inimigos” graças ao seu “grito de socorro”.
Comprovando que realmente as plantas comunicam- As Adaptações que Permitiram a
-se, um estudo feito por especialistas em vida selvagem Conquista do Meio Terrestre
da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que Entre as diversas adaptações ao meio terrestre, pode-
teve o apoio de uma equipe da Universidade de Kyoto, no mos destacar:
Japão, revelou que as plantas podem alertar umas às ou-
• O aparecimento dos tecidos de condução. Estes
tras quando algum perigo se aproxima.

permitiram uma eficiência maior nos transportes
Segundo a pesquisa, uma planta que esteja sendo da água e dos nutrientes minerais.
agredida por algum herbívoro pode avisar às vizinhas
• Um eficiente mecanismo de absorção de água e
enviando “mensagens químicas” pelo ar. Quando a

nutrientes através das raízes.
outra planta “lê” a mensagem, reage, aumentando
suas defesas naturais contra gafanhotos, lagartas e • A impermeabilização das superfícies expostas ao ar

outros invasores. Essas defesas envolvem a produção para evitar a perda excessiva de água, como a cutí-
de substâncias com sabores desagradáveis ou maior cula nas folhas.
produção de cera nas folhas. • Estruturas que facilitam as trocas gasosas chama-

Resumindo: por mais inacreditável que seja, as plantas das de estômatos.
“conversam”! • A presença de um tecido rígido para a sustentação

Esses incríveis organismos do reino vegetal são euca- por meio da substância lignina.
riontes, pluricelulares e autótrofos. Possuem parede celu- • A independência da água para a reprodução.

lar de celulose e o amido é o carboidrato de reserva. • O aparecimento das sementes.

Existem vários sistemas de classificação das plan- • Finalmente, o surgimento dos frutos que são exclu-

tas. Como já estudamos todas as algas dentro do Reino sivos nas angiospermas.

211
História Evolutiva das Plantas O gametófito masculino, por meio de anterídios, pro-
Estudos mostram que as primeiras plantas surgiram duz gametas móveis, com flagelos, chamados de antero-
por volta de 750 milhões de anos. A partir daí, por meio de zóides. Já o feminino, por meio de arquegônios, produz
mutações e da seleção natural, surgiram os quatro grupos gametas imóveis, chamados de oosferas. Levados pelas
de vegetais atuais que conhecemos. gotas de água, os anterozoides alcançam a planta femini-
na e nadam em direção à oosfera.
Observe o esquema que demonstra a evolução dos
grupos vegetais: Da união de um anterozoide com uma oosfera, surge
o zigoto, que, sobre a planta feminina cresce e forma um
embrião, que se desenvolve originando a fase assexuada
chamada de esporófito, isto é, fase produtora de esporos.
O esporófito possui uma haste e uma cápsula, no inte-
rior da qual se formam os esporos. Quando maduros, os
Briófitas Pteridófitas Gimnospermas Angiospermas esporos são liberados e podem germinar no solo úmido.
Cada esporo, então, pode formar uma espécie de “broto”
chamado de protonema. Cada protonema, por sua vez, de-
Plantas
com senvolve-se e origina um novo musgo verde (gametófito).
fruto Todo este ciclo reprodutivo está apresentado no es-
quema a seguir:
Primeiras
plantas com Ciclo Reprodutor de um Musgo
sementes
Cápsula (2n)
Primeiras com caliptra
plantas R! Cápsula sem
vasculares caliptra
Clorofíceas
E (2n)

Anterozoide
Anterídio
As algas verdes (clorofíceas) originaram as briófitas
(musgos, hepáticas) e as plantas vasculares. Esporos (n)
G (n)

Arquegônio Proto- Planta


Briófitas nema
Oosfera
Briófitas (do grego bryon: musgo; e phyton: planta)
tem como principais representantes os musgos e as hepá- Planta
ticas, plantas que vivem em locais úmidos e sombreados,
afinal são desprovidas de cutícula – estrutura que impede Biologia – César e Sezar. Ed. Saraiva.
a perda excessiva de água – ou quando a possui, encontra-
-se bastante delgada. Na figura, as letras E e G representam o esporófito (indi-
São plantas pequenas, geralmente com alguns poucos víduo que produz esporos) e gametófito (indivíduo que pro-
centímetros de altura. Esse fato se justifica por uma das duz gametas), respectivamente. Anterídio é o local onde se
características mais marcantes das briófitas: elas não pos- produz o gameta masculino – anterozoide – e arquegônio o
suem vasos para a condução de nutrientes, são atraque- local onde se produz o gameta feminino – oosfera.
ófitas. Estes são transportados de célula a célula por todo Observe que briófitas são criptógamas (não possuem

BIOATP - PLANTAS
o vegetal através de difusão. Assim, o transporte de água flores), não espermatófitas (não possuem sementes) e
e de nutrientes célula a célula é muito lento e, caso estes também assifonógamas (não possuem tubo polínico).
vegetais fossem grandes, as células mais distantes daque-
Pteridófitas
la fotossintética morreriam por falta de alimento.
Justamente por se tratar de vegetais bem pequenos e Na evolução das plantas, as pteridófitas foram as pri-
simples, seu corpo é formado basicamente de três partes meiras traqueófitas, ou seja, a apresentar um sistema de
ou estruturas: rizoide (ao invés de raiz verdadeira), cau- vasos para conduzir nutrientes, chamados de vasos condu-
loide (ao invés de caule verdadeiro) e filoide (ao invés de tores de seiva e classificados em xilema e floema.
folha verdadeira). O xilema é o vaso responsável por conduzir a seiva bru-
Quanto à reprodução das briófitas, existem duas fa- ta (constituída de água e sais minerais) que entra pela raiz
ses: uma assexuada e outra sexuada. Os musgos que po- e sobe até as folhas do vegetal. Já o floema conduz seiva
demos ver num muro úmido são plantas sexuadas, que elaborada (constituída de água e açúcar) que foi produzida
representam a fase chamada de gametófito, isto é, fase nas folhas através da fotossíntese e é distribuída por todo
produtora de gametas. vegetal, até a raiz.

212
Soro aberto Quando adulta, esta planta forma soros, iniciando novo ci-
liberando esporos clo de reprodução, como apresentado no esquema a seguir.
Ciclo Reprodutor de uma Samambaia

Meiose
(R!)

Folíolo Esporângio
Soro
Soros
Folha Esporo
E (2n) Protalo
Esporófito
jovem Arquegônio
Báculo G (2n)
(samambaia
jovem)
Protalo
Rizoma (calule Oosfera (gametófito)
subterrâneo) Rizoides

Com esse sistema eficiente de distribuição de substância


pelo corpo vegetal, as pteridófitas podem assumir grande por- Anterozoide
Anterídeo
pluriflagelado
te. Além disso, elas possuem raiz, caule e folha verdadeiros. SOLO

As samambaias e avencas são exemplos mais expressi- Biologia – César e Sezar. Ed. Saraiva.
vos desse grupo de vegetais e, apesar de possuírem cutí-
Observe que as pteridófitas, assim como as briófitas,
cula espessa (o que impede que o vegetal desidrate), ha-
são criptógamas (não possuem flores), não espermató-
bitam, predominantemente, lugares úmidos e sombrios.
fitas (não possuem sementes) e também assifonógamas
Se as pteridófitas possuem cutícula espessa e, portan- (não possuem tubo polínico).
to, não perdem água para atmosfera, o que impede estes
vegetais de colonizar ambientes mais secos? Gimnospermas
A resposta está na reprodução. Essas plantas, assim As gimnospermas (do grego
como as briófitas, também dependem da água para que Gymnos: ‘nu’; e sperma: ‘semente’)
ocorra a fecundação (encontro do gameta masculino – an- são plantas terrestres que vivem,
terozoide – com o gameta feminino – oosfera). preferencialmente, em ambientes
de clima frio ou temperado. Nesse
Em certas épocas, na superfície inferior das folhas da
grupo incluem-se plantas como pi-
samambaia, formam-se pontos escuros chamados de so-
nheiros, sequoias e ciprestes.
ros, onde se produzem os esporos.
Observe a figura de um pinhei-
ro-do-paraná (Araucária angustifo-
lia) e tente descobrir as característi-
cas das Gimnospermas.
Facilmente se percebe que gimnospermas são vege-
tais de grande porte e, portanto, possuem raízes, caule
e folhas verdadeiras. A partir dessa informação, pode-se
deduzir que estes vegetais possuem vasos condutores de
seiva, afinal, plantas de grande porte não sobrevivem sem
uma eficiente distribuição de nutrientes proporcionada
Protalo monoico. por estes vasos.
Quando analisamos o local onde se encontram os pinhei-
Quando os esporos amadurecem, os soros abrem-se, ros, concluímos que são adaptados a ambientes secos, logo,
deixando-os cair no solo úmido; cada esporo, então, pode há cutícula espessa impedindo a morte por desidratação.
germinar e originar um protalo, uma plantinha bem pe-
quena em forma de coração. O protalo é uma planta sexu-
ada, produtora de gametas; por isso, ele representa a fase
chamada de gametófito. Welwitschia mirabilis:
No protalo, formam-se os anterozoides e as oosferas. gimnosperma
encontrada apenas no
Os anterozoides, deslocando-se em água, nadam em dire- deserto da Namíbia.
ção à oosfera, fecundando-a. Surge, então, o zigoto, que se Suas folhas crescem por
desenvolve, transformando-se em uma nova samambaia. toda a vida da planta.

213
A grande diferença entre as Pteridófitas e Contudo, as gimnospermas não produzem frutos.
Gimnospermas (grupo anteriormente estudado) diz res- Suas sementes são “nuas”, ou seja, não ficam encerra-
peito à reprodução. As Gimnospermas possuem ramos das em frutos. O único grupo vegetal com fruto são as
reprodutivos com folhas modificadas chamadas estróbilos Angiospermas, plantas que estudaremos a seguir.
(órgão reprodutor evidente), portanto são fanerógamas.
Em muitas gimnospermas, como os pinheiros e as se- Angiospermas
quoias, os estróbilos são bem desenvolvidos e conhecidos Neste grupo vegetal, estão presentes todas as carac-
como cones – o que lhes confere a classificação no grupo terísticas existentes em gimnospermas. O que difere as
das coníferas. Angiospermas do último grupo estudado é a aquisição
de flores com atrativos (cores vivas, néctar e odor), o que
permite que a polinização se dê por animais (aves, insetos,
Estróbilo ou cone (inflorescência) de
um pinheiro-do-paraná. Cada flor, morcegos) além da polinização pelo vento como já ocorria
que é representada por uma única nas Gimnospermas.
folha estaminal ou carpelar, chama-se No entanto, a grande novidade evolutiva das
esporófilo. Trata-se de uma flor sem
atrativos e portanto a polinização é feita
Angiospermas é a presença do fruto, que protege e auxilia
somente através do vento. na dispersão das sementes. Foi essa aquisição evolutiva
que deu o nome desse grupo vegetal: angios – “urna” e
sperma – “semente”.
Existe estróbilo masculino, o qual produz o grão-de-
Existem flores masculinas, flores femininas e ainda flo-
-polen, e o estróbilo feminino, no qual existe óvulo envol-
res monóclinas, ou seja, com parte feminina e masculina
vendo o gameta feminino – oosfera.
simultaneamente.
Quando o grão-de-pólen é levado pelo vento até o es-
tróbilo feminino, nasce a partir dessa estrutura um tubo – Não diferente do que ocorre nas Gimnospermas, a
Tubo Polínico – que produz e conduz o gameta masculino parte masculina da flor produz o grão-de-pólen. No entan-
até a oosfera. to, na parte feminina, existe o ovário (novidade evolutiva
exclusividade das angiospermas), além do óvulo e o game-
O gameta masculino em Gimnospermas é diferente da-
ta feminino (também existentes nas gimnospermas).
quele visto em Pteridófitas. Neste caso, o gameta, chamado
de Núcleo Espermático, é imóvel e independe da água para Quando o grão-de-pólen é transportado até a parte fe-
alcançar a oosfera porque foi conduzido pelo tubo polínico. minina da flor, surge o Tubo Polínico, que produz e conduz
Portanto, tubo polínico foi a aquisição evolutiva que tornou o núcleo espermático (gameta masculino) até a oosfera
gimnospermas independentes da água para fecundação. (gameta feminino).
Plantas com tubo polínico são chamadas de sifonógamas. Logo após a fecundação, o óvulo se desenvolve, dando
Outra novidade evolutiva refere-se à produção de se- origem à semente, enquanto o ovário origina o fruto, es-
mentes: elas se originam nos estróbilos femininos e se res- trutura importante na disseminação da semente. Dentro
ponsabilizam por proteger o embrião que se encontra no seu da semente existe um endosperma triploide e secundário
interior. As sementes também nutrem o embrião através de – produzido após a fecundação do gameta feminino com o
um tecido haploide que surgem antes mesmo da fecunda- masculino. Analise a figura a seguir:
ção: o endosperma primário. Quando a semente cai no solo,
mediante condições favoráveis, ela germina dando origem a Ciclo Reprodutor da Angiosperma
Antera
uma nova árvore. Plantas com sementes são chamadas de (em corte) Meiose
R!
espermatófitas. Observe o ciclo reprodutivo de um pinheiro.
E Pólen (n)

BIOATP - PLANTAS
(2n)
Gin
ece
u
Estigma
Tubo
polínico
Oosfera Estilete
(n)
Ovário Óvulo
Semente Núcleos
polares
(n)
Fruto
Embrião G (n) (saco
embrionário)

Biologia – César e Sezar. Ed. Saraiva.

As partes que constituem a flor (órgãos reprodutores)


Esquema simplificado do ciclo reprodutivo do pinheiro-do-paraná.
Os símbolos significam, respectivamente, masculino e feminino. das angiospermas serão estudadas posteriormente.

214
Classificação das Angiospermas: ORGANOLOGIA VEGETAL
Monocotiledônea X Eudicotitedônea
Dentro do grupo das Angiospermas observa-se a divisão
Semente
dessas plantas em Monocotiledônea e Eudicotitedônea. É o óvulo maduro e já fecundado das plantas gimnos-
Estas subdivisões se diferenciam em várias características, permas ou angiospermas, sendo formada por:
como podemos observar na tabela abaixo: • Tegumento ou casca;


Órgão Monocotiledônea Eudicotiledônea • Embrião;


Tipo de raiz. • Endosperma.


Sua importância está relacionada à propagação ou
dispersão da espécie vegetal para novas regiões, além
de permitir a sobrevivência do embrião em ambientes
desfavoráveis.

Axial ou pivotante (possui Semente das Angiospermas


raiz com eixo principal.
Fasciculada ou cabeleira Após a dupla fecundação, iniciam-se várias modifica-
(não possui raiz com eixo ções coordenadas que levam ao desenvolvimento da se-
principal).
mente (embrião, endosperma e tegumentos) e do fruto:
Disposição dos o núcleo 3n (originado dos dois núcleos polares + um nú-
feixes libero-
-lenhosos (con- cleo espermático) sofre mitoses e origina o endosperma,
junto de xilema o zigoto se desenvolve em embrião por mitose, os tegu-
e floema) no
caule.
mentos do óvulo se desenvolvem numa capa protetora da
semente e o ovário se desenvolve em fruto.
A semente madura apresenta:
Tegumento ou casca: O tegumento ou casca reves-
Difusos.
te a semente e geralmente se divide em testa e tegma.
Concêntricos Constituem os envoltórios da semente, sendo a testa o
Disposição das externo e o tegma o interno. O tegumento sofre redução
nervuras (con- em espessura e de desorganização parcial para revestir e
junto de xilema
e floema) na proteger a semente.
folha. Amêndoa: É o conteúdo da semente, corresponde ao
Paralelinérvia (nervuras pa- embrião e cotilédones (diploides) e endosperma (triploide
ralelas).
Peninérvia (nervuras reticu- nas angiospermas).
lares).
Embrião: O zigoto (2n) divide-se por mitose – uma cé-
Quantidade de lula-filha origina o embrião e a outra origina o suspensor
pétalas na flor.
(estrutura que suporta e empurra o embrião para dentro do
endosperma permitindo comunicação entre nutrientes e
embrião). O alongamento do embrião origina o eixo central
que apresenta um meristema apical na extremidade supe-
Trímeras (formadas por três Tetrâmetras ou pentâmeras rior (plúmula) e um meristema na extremidade inferior (ra-
pétalas ou seus múltiplos). (formadas por 4 ou 5 pétalas, dícula). A plúmula origina as primeiras folhas (cotilédones).
os seus múltiplos).
Durante a germinação da semente, a plúmula desenvolve-
Quantidade de
cotilédones (fo-
-se origina o caule, a radícula dá origem a raiz primária.
cotilédones
lha que nutre Cotilédone e Endosperma: Cotilédones são as primei-
o embrião) na
semente. ras folhas que surgem dos embriões das espermatófitas
(plantas com sementes). São estruturalmente diferentes
feijão das outras folhas, uma vez que cumprem uma função es-
pecial para a subsistência deste ser vivo, contribuindo com
Um cotilédone. Dois cotilédones. suas reservas de nutrientes para alimentar a plântula em
Representantes Milho, bambu, cana-de-acú- Feijão, amendoim, café, gi- desenvolvimento, enquanto esta não pode ainda pro-
car, alho, arroz, palmeira, rassol, laranja, mamão, aba- duzir a quantidade suficiente de nutrientes a partir da
grama, cebola, etc. cate, seringueira, etc.
fotossíntese. As sementes das angiospermas monocotile-

215
dôneas possuem apenas um cotilédone, enquanto as di- Na dispersão por animais, os frutos
cotiledôneas possuem dois. Nas gimnospermas, o número são normalmente suculentos, coloridos
de cotilédones é variável. e exalam odor agradável. Nesse caso,
O endosperma é um tecido vegetal, de natureza tri- como ocorre com as goiabas, um ani-
ploide (3n), nas angiospermas, e haploide (n) nas gimnos- mal pode ingerir o fruto e eliminar as
permas. Refere-se a um tecido que muitas vezes acumula sementes com as fezes, longe da plan-
reservas nutritivas, utilizadas pelo embrião durante seu ta-mãe. Mas nem sempre as sementes
desenvolvimento. disseminadas por animais estão conti-
Amêndoa das em frutos carnosos. É o caso dos
embrião carrapichos: dotados de ganchos fixa-
endosperma dores, eles aderem aos pêlos ou penas
cotilédones de alguns animais e são assim dissemi- Carrapicho.
ápice caule nados. Observe a foto ao lado.
(plúmula)
Raiz
ápice raiz (radícula) plúmula
A raiz é normalmente um órgão subterrâneo, acloro-
suspensor semente filado, com ramificações, que absorve água e sais do solo
casca da semente e transporta as seivas. Desenvolve-se a partir de uma
radícula
a) b) radícula, visível na germinação da semente. A raiz pode
crescer como um longo eixo, a raiz pivotante ou axial, de
  onde saem as ramificações secundárias (dicotiledôneas),
a) Estruturas de uma semente de angiosperma dicotiledônea. ou como um feixe de raízes finas e longas, partindo todas
b) Germinação de uma semente mostrando a radícula e a plúmula. de um mesmo ponto. Estas são as raízes fasciculadas, ou
Nos últimos estágios de desenvolvimento embrioná- em cabeleira, das monocotiledôneas.
rio, a semente perde água. Nesse estado de desidratação, a)            b)


o embrião é incapaz de se desenvolver. Ele permanece em
estado de dormência até que condições ambientais ade-
quadas a ele permitam germinar.
A dormência de uma semente envolve:
• Exclusão de água e oxigênio (casca impermeável);

• Casca da semente dura (barreira mecânica);

• Inibição química (hormônios).
  

A quebra da dormência envolve:
O sistema pivotante da beterraba (a) contrasta com o sistema
• Desgaste ou quebra da casca (contato com solo ou fasciculado de uma gramínea (b).

água, trato digestivo de animais, microorganismo e
fogo, que permitem chegada da água ao embrião); Na estrutura típica de uma raiz são reconhecidas, da
• Estímulos químicos (hormônios); ponta para a base, as seguintes regiões:

• Coifa ou caliptra: região terminal na qual as célu-

BIOATP - PLANTAS
• Luz e temperatura.


las, sofrendo um contínuo processo de descama-
A Dispersão de Sementes
ção e substituição, protegem a região de cresci-
Como você sabe, o fruto contribui para a dispersão de
mento da raiz.
sementes na natureza, favorecendo a conquista de novos
territórios pelas angiospermas. Essa • Zona meristemática (zona de divisões) – um me-

dispersão é realizada sobretudo pelo ristema primário, protegido pela coifa.
vento e por animais diversos. • Zona lisa ou de alongamento – região de cresci-

A dispersão pelo vento ocorre ge- mento, onde as células se distendem, proporcio-
ralmente com sementes leves (exem- nando um crescimento longitudinal.
plo: orquídeas), às vezes dotadas de • Zona pilífera – região dos pêlos absorventes,
muitos pêlos disseminadores. As se- unicelulares e que pelo grande número consti-
mentes de dente-de-leão, por exem-
tuem uma extensa área de absorção de soluções
plo, têm pêlos e lembram um pára-
do solo.
-quedas. Veja. Dente-de-leão.

216
• Zona de ramificações – dessa região saem as ra-
mificações que se originam do periciclo, um me-
ristema localizado sob a endoderme, no cilindro
central.

raiz lateral
Raízes sugadoras
(erva-de-passarinho)
raiz lateral
incipiente

pêlos absorventes Raízes (sumaúma)

mucilagem
zona de divisão Raízes respiratórias

caliptra Caule
O caule é geralmente um órgão aéreo, que tem a fun-
ção de sustentação do corpo da planta e da condução da
Partes da raiz.
seiva. É um órgão vegetal portador de folhas e de suas
Tipos de Raízes possíveis modificações, inclusive estruturas reprodutivas.
As duas principais funções são suportar as folhas, flo-
Aéreas: expostas ao ar. Comum em epífitas (orquídeas
res e frutos e condução (seiva elaborada e seiva bruta). No
e bromeliáceas).
entanto pode exercer ainda outras funções:
Aquáticas: lodosas (em vege- • Reserva;
tais que se fixam em pântanos e

• Propagação vegetativa;
no fundo de rios e lagos) e natan-

tes (vegetais que flutuam). • Síntese de substâncias;

Terrestres: presentes em ve- • Proteção (altas e baixas temperaturas, fogo).

getais que vivem em solo firme. Maioria dos vegetais – caule aéreo, no entanto existem
caules subterrâneos e aquáticos.
Adaptações: sugadoras ou
haustórios (vegetais parasitas: Morfologia Externa do Caule
erva-de-passarinho e cipó- Gemas: Regiões meristemáticas (alto índice mitótico)
-chumbo), grampiformes (tre- protegidas por primórdios foliares ou por escamas locali-
padeiras), suporte ou escoras zadas em diversos pontos do caule.
(existentes em plantas de man-
Raízes aquáticas Gemas terminais – ápice caulinar
gues e pântanos), pneumatófo-
ras (em solos alagados, mangues e pântanos), assimilado- Gemas laterais – axila das folhas
ras (orquídeas – realizam a fotossíntese além de, algumas, Nós: regiões do caule onde ocorre a inserção das folhas.
armazenarem água), tubérculos (hipertrofia devido ao Entrenós: regiões localizadas entre dois nós consecutivos.
acúmulo de nutrientes), tabulares e estranguladoras. gema apical

folha jovem

gema lateral

entrenós

Raiz tuberosa (beterraba) Raízes-escoras de


  plantas de mangue Partes do caule.

217
As angiospermas podem se reproduzir assexuadamen- pelo acúmulo de reservas – batata-inglesa e cará);
te por propagação vegetativa, que consiste na formação bulbo (cebola, lírio, açafrão); formam-se em plan-
de novos indivíduos a partir de partes destacadas do cor- tas de caatinga e cerrado, regiões sujeitas a secas
po vegetal, como pedaços de caule ou de folhas. prolongadas, queimadas ou derrubadas; possuem
grande resistência e são capazes de regenerar as
Caules e ramos contêm gemas laterais portadoras de
partes aéreas da planta.
células capazes de se multiplicar intensamente. Em cer-
tas condições, tais células podem gerar uma nova planta.
Assim, cortando-se em vários pedaços uma cana-de-açú-
car ou uma batata comum, por exemplo, cada porção po-
derá originar uma nova planta, desde que contenha uma
gema lateral e esteja em condições adequadas.
A propagação vegetativa tem notável aplicação prática
para o ser humano. Na agricultura, é muito frequente a Tronco (Jacarandá) Estipes (coqueiros)

reprodução de plantas – como cana-de-açúcar, mandioca,


batata, eucalipto, roseira e bananeira – por meio de peda-
ços de caule, que são utilizados como “mudas”.
Cana-de-açúcar
Caule rastejante
plantas em desenvolvimento
(abobrinha)
Colmo (cana-de-açúcar)

Pedaços de caule contendo gema.

Propagação vegetativa em cana-de-açúcar.


Tubérculo (batata comum).
Haste (salsa) Os populares “olhos da
Tipos de Caule batata” são gemas laterais.
A presença dessas gemas
Quanto à consistência: herbáceos (tenros, carnosos, identifica a batata como
um caule – e não como
suculentos) em que predominam o colênquima; lenhosos raiz, ao contrário do que
(rígidos ou flexíveis e bastante consistentes) em que pre- algumas pessoas pensam.
dominam o esclerênquima.
Quanto à localização no ambiente:
Caule trepador (uva)
• Aéreos erguidos: haste (herbáceos e geralmente

verdes); tronco (lenhoso e ramificado); colmo (com
nós e entrenós bem evidentes e largos – bambu);

BIOATP - PLANTAS
estipe (com entrenós curtos – palmeiras); cladó-
dios (clorofilados, áfilos ou com folhas rudimenta-
res ou ainda transformadas em espinhos). Bulbo (cebola)
• Aéreos rasteiros: estolão (paralelos ao solo e emi- Rizoma (gengibre)
tem raízes adventícias – morangueiro); prostrados
(paralelos ao solo, mas não emitem raízes – melan-
cia).
Folhas
• Aéreos trepadores: volúveis (enrolam-se em algum As folhas são apêndices laterais do caule. São órgãos
vegetativos, geralmente laminares, com simetria bilateral,

suporte); sarmentosos (possuem gavinhas – mara-
cujá e uva); cipós ou lianas. clorofilados e de crescimento limitado. As folhas apresen-
tam como função a fotossíntese para nutrição da planta,
• Subterrâneos: rizoma (paralelo a superfície – ba- respiração e transpiração, além de condução e distribui-

naneira; samambaia); tubérculo (hipertrofiado ção da seiva.

218
Regiões das Folhas • Reserva: folhas das crassuláceas (plantas carono-


sas) armazenam água; os catáfilos da cebola arma-
zenam nutrientes.
• Reprodução: estames e carpelos – folhas modifica-


das para a reprodução sexuada.

Antúrio, folhas modificadas


em brácteas.

Nephentes, folhas
modificadas que
Limbo: é a parte laminar da folha, os vasos condutores Cacto, folhas modificadas capturam insetos e
se ramificam no limbo e, em conjunto, constituem as ner- em espinhos. outros seres pequenos.
vuras. Em geral, tanto em sua superfície superior quanto Para você saber:
na inferior existem milhares de estômatos.
Plantas Insetívoras (carnívoras)
Cada estômato é formado por duas células epidér-
micas modificadas, entre elas há um pequeno poro – o Essas curiosas plantas desenvolveram diferentes
ostíolo, que permite a comunicação entre o interior da tipos de folhas modificadas, que são verdadeiras arma-
folha e o ambiente externo. Assim, através dos estôma- dilhas para a captura de insetos. Na maioria das espé-
tos, as folhas realizam trocas gasosas entre a planta e o cies, essas folhas não passam de alguns centímetros.
meio externo. Nos gêneros Nepenthes e Sarracenia, o limbo for-
Pecíolo: eixo de sustentação do limbo. ma urnas ou tubos que secretam enzimas digestivas
acumuladas no fundo, onde são digeridos os insetos
Bainha: é uma dilatação da base da folha que envolve
captados. Essa captura é passiva, pois os insetos, atraí-
o caule, servindo para sua melhor fixação.
dos por odores fortes, acabam caindo nas urnas.
Principais adaptações das folhas:
Em Drosera, o limbo é coberto por pêlos secretos
• Proteção: pétalas e sépalas das flores para prote- de enzimas, que se curvam sobre o inseto, aprisionan-

ger os órgãos reprodutores. do-o e digerindo-o.
• Estípula: apêndice localizado na base da folha para Em Dionaea, o limbo é articulado, e o inseto, pas-

proteger a gema. sando sobre ele, gera um estímulo que o faz dobrar-se
• Bráctea: folhas modificadas que protegem os bo- encerando o pequeno animal numa espécie de gaiola,
onde será digerido.

tões florais e também atraem agentes polinizado-
res. Todas essas plantas são fotossintetizantes e, por-
• Espinhos: contribuem para evitar a perda excessiva tanto, autótrofas, mas dependem de uma dieta extra
de nutrientes nitrogenados.

de água: proteção.
• Gavinhas: sustentação; podem ser formadas por
Flor

modificações do limbo ou pelo prolongamento do
pecíolo. A flor é o órgão de reprodução sexuada das espermató-
fitas. Nas angiospermas, a flor apresentava vários verticilos,
• Folhas rosuladas: armazenam água e a absorvem que são conjuntos de folhas modificadas, geralmente , em

pela epiderme (bromeliáceas). flores completas, esses verticilos estão dispostos em círcu-
• Ascídias: folhas modificadas em forma de jarra de los: sépalas, pétalas, estames e carpelos.

certas plantas carnívoras, próprias para capturar e Se a flor estiver organizada com três folhas por verti-
digerir insetos. cilo, fala-se em trimeria, característica das monocotiledô-

219
neas. Se o número básico for 2, 4, 5 ou múltiplos deles, cias de reserva) o endocarpo (porção interna que ro-
fala-se, respectivamente, em flores dímeras, tetrâmeras e deia e protege as sementes).
pentâmeras, encontradas nas eudicotiledôneas. Pericarpo
As flores se originam de pequenos botões localizados
Epicarpo
nas axilas das folhas ou, mais raramente, em toda a super- Endocarpo
fície do caule, em regiões já sem folhas (caulifloria), o que Mesocarpo (pétro)
é característico de jabuticabeiras, jaqueiras e cacaueiros. (fibroso)
Os verticilos são quatro:
1º) Cálice: é formado pelas sépalas, geralmente ver-
des, de função protetora. Apresentam-se isoladas ou liga-
das entre si.
2º) Corola: é o conjunto de pétalas e tem função atra-
tiva. Podem estar isoladas ou unidas, formando um tubo.
Os dois primeiros verticilos são acessórios e correspon-
dem ao perianto. Se as sépalas e pétalas são semelhantes O coco-da-baía,
um fruto com
em forma, tamanho e cor, fala-se em tépalas (lírio, íris). Água
(endosperma Endosperma endocarpo
3º) Androceu: é o conjunto de estames, livres ou li- líquido) pétreo, duro,
gados. Estame é uma folha modificada, constituído de Embrião envolvendo uma
um filete com a extremidade bilobada, a antera. A antera única semente.
Semente
apresenta duas metades, ou tecas, cada uma com dois sa-
cos polínicos, e têm diferentes tipos de aberturas (deis-
cências), que permitem a saída dos grãos de pólen.
4º) Gineceu (pistilo): é formado por uma ou mais fo-
lhas modificadas (carpelares) e apresenta ovários, estilete
e estigma, que é onde serão depositados os grãos de pó-
len para a fecundação. Os carpelos geralmente se unem,
formando um ovário simples, e seu número acompanha o
das demais peças florais. Eles podem ser mono, bi, tricar-
pelares, etc.

Estigma
Estilete Gineceu ou
Antera pistilo
Estame Ovário
Filete

Pétala

Óvulo

BIOATP - PLANTAS
Sépala
Receptáculo Pedicelo

Representação de uma flor completa.

Fruto Tipos de Frutos


Os frutos que apresentam o pericarpo relativamente
O fruto é um órgão exclusivo das angiospermas, ori-
macio e suculento são chamados frutos carnosos. Os fru-
gina-se do desenvolvimento do ovário e, portanto, das
tos que têm pericarpo seco são chamados frutos secos.
folhas carpelares. No fruto já formado, elas compõem
o pericarpo. Os frutos protegem as sementes, podem Frutos carnosos: Em geral comestíveis, os frutos car-
servir de alimento para as próprias sementes e auxiliam nosos são ricos em substâncias nutritivas.
a dispersão delas. Quando observado de fora para den- São muitos os exemplos de frutos carnosos que o ser
tro, apresenta o epicarpo (revestimento externo – pa- humano utiliza como alimento. Entre eles, citamos laranja,
rede do carpelo), o mesocarpo (porção intermediária, limão, goiaba, mamão, melancia, tomate, abóbora, berinjela,
geralmente se torna carnoso, suculento, com substân- pepino, azeitona, manga, ameixa, pêssego, abacate e cereja.

220
Os frutos carnosos podem ser classificados em: Em certas plantas, não é o ovário da flor e, sim, outras
• bagas – têm uma ou várias sementes “livres”, sol- partes dela que se desenvolvem depois da fecundação,

tas, não envolvidas por “caroço”; entre os frutos originando estruturas carnosas e suculentas que lembram
relacionados acima, temos os seguintes exemplos: frutos verdadeiros – mas não são. Por isso eles são chama-
laranja, limão, goiaba, mamão, melancia, tomate, dos falsos frutos ou pseudofrutos.
abóbora, berinjela e pepino; No caju, por exemplo, o ovário desenvolve-se e origina
• drupas – têm endocarpo duro, formando um “caro- a castanha, que abriga a semente. Portanto, a castanha é o

ço” dentro do qual há uma semente; entre os fru- fruto verdadeiro do cajueiro; a porção suculenta e comes-
tos exemplificados acima, temos azeitona, manga, tível do caju corresponde ao pedúnculo da flor que se de-
ameixas, pêssego, abacate e cereja. senvolveu. Assim, sua porção suculenta é um falso fruto.
Frutos secos: São os que apresentam pericarpo seco. Outro exemplo é a maçã: o verdadeiro fruto é a parte
Entre os muitos exemplos conhecidos, destacamos as va- interna, uma espécie de bolsa que envolve as sementes.
gens das leguminosas (feijão, soja, ervilha) que são deis- A parte carnosa e comestível corresponde ao receptáculo
centes (abrem-se espontaneamente) e os grãos de milho, da flor que se desenvolveu; então, essa parte da maçã é
trigo, arroz e de outras gramíneas que são indeiscentes um falso fruto.
(não se abrem espontaneamente).
E o morango? Seus verdadeiros frutos são os peque-
Observe:
nos pontos escuros espalhados por toda a parte vermelha;
a parte carnosa e comestível do morango corresponde ao
pericarpo receptáculo floral desenvolvido e, portanto, é também um
seco
falso fruto.
semente
Outros exemplos de falsos frutos: pêra – sua parte co-
mestível é o receptáculo floral; figo – os frutos verdadeiros
são as estruturas internas parecidas com sementes, sendo
a parte comestível o receptáculo da flor; abacaxi – os fru-
Vagem de ervilha, um Grão de milho, exemplo
tos verdadeiros situam-se na “casca”; a parte comestível é
exemplo de fruto seco. Seu de fruto seco. Seu o receptáculo floral mais o pendúculo floral, que forma um
pericarpo é seco e envolve pericarpo é seco e envolve eixo um pouco mais duro no centro do abacaxi, e também
várias sementes. uma única semente. pode ser comido.
Os Falsos Frutos Partenocarpia
Você sabe que o fruto resulta do desenvolvimento do A partenocarpia é o desenvolvimento do ovário em
ovário da flor e que ele pode ser carnoso ou seco. Agora, fruto sem que haja fecundação, ou seja, sem a formação
pense: por que será que as estruturas mostradas abaixo de sementes. O exemplo mais comum é a banana.
são consideradas falsos frutos?
Caju Maçã HISTOLOGIA VEGETAL
semente Os tecidos vegetais representam grupos de células
que têm a mesma especialização e, por isso, geralmente
pendúculo fruto
froral realizam as mesmas funções. Os tecidos encontrados nos
vegetais são divididos em dois grupos:
receptáculo • Meristemas ou tecidos embrionários;
froral

• Tecidos adultos ou permanentes.
castanha

(fruto
verdadeiro)
Os meristemas
Características:
Morango • Apresentam grande capacidade de divisão celular

(mitose – crescimento);
receptáculo
froral • Vacúolos (controlam a entrada de água na célula

vegetal), quando presentes, são pequenos e nume-
rosos;
frutos
• Apresentam parede celular (membrana celulósica)

delgada;
Exemplos de falsos frutos. • O citoplasma é abundante e o núcleo é central.

221
Biologia

Tipos de Meristemas Meristemas Secundários (M.S.)


Origem: Esses meristemas têm origem a partir de
Meristemas Primários (M.P.)
células de certos tecidos que sofrem desdiferenciação
Origem: Os meristemas primários se originam do em- (é a capacidade que o tecido adulto possui de voltar a
brião da semente. se dividir).
Localização na planta: Localiza-se nas partes jovens da Localização: Esses meristemas localizam-se nas partes
planta. mais velhas da planta.
Função: São responsáveis pelo crescimento em altura.
Função: Os M.S. são responsáveis pelo crescimento
Tipos de meristemas primários: em espessura da planta.
• Dermatogênio ou Protoderme: Esse meristema
Tipos de meristemas secundários:
primário origina o primeiro tecido de revestimento
da planta, a epiderme; • Felogênio: O felogênio, quando entra em ativida-
de, dá origem a dois tecidos: súber e feloderma;
• Periblema: Esse meristema primário origina a cas-
ca ou o córtex (parte mais externa) da planta; Obs.: Felogênio + Súber + Feloderma = Periderme;
• Pleroma ou Procâmbio: Esse meristema primário • Câmbio: É um meristema secundário responsável
origina o cilindro central e os primeiros tecidos de pela origem dos tecidos de condução de seiva: o
condução de seivas (floema e xilema). floema ou líber e o xilema ou lenho.

Os tecidos meristemáticos e suas respectivas derivações estão esquematizados abaixo:

BIOATP - PLANTAS

222
Os Tecidos Permanentes Tecido de Síntese e Reserva
Os tecidos adultos ou permanentes são resultantes Esses tecidos são representados pelos parênquimas.
da diferenciação dos meristemas. Existem vários tipos de parênquimas, dentre eles se des-
tacam os parênquimas de preenchimento, clorofiliano e
Tecidos de Revestimento e Proteção de reserva.
Os parênquimas de preenchimento ocupam espaços
Os tecidos de revestimento servem para proteger o entre outros tecidos e formam boa parte da medula (pa-
vegetal dos agentes nocivos do meio externo, além de rênquima medular) e do córtex (parênquima cortical)
controlar e regular as trocas de nutrientes entre os meios dos caules e raízes.
interno e externo. Esses tecidos são divididos em epider- Os parênquimas clorofilianos (clorênquimas) são ricos
me e súber. em cloroplastos, sendo, portanto, responsáveis pela fotos-
A epiderme é um tecido vivo, constituído por uma úni- síntese nas folhas e em outros órgãos verdes.
ca camada de células vivas e firmemente unidas, conferin- Os parênquimas de reserva são tecidos predomi-
do à planta uma grande proteção mecânica. nantes em certos órgãos suculentos (frutos), tuberosos
(caules, raízes) e nas sementes. Suas grandes células ar-
Especializações da Epiderme mazenam água (parênquima aquífero), proteínas, óleos,
sacarose e especialmente amido (parênquima amilífero).
Cutícula: Encontrada em cactos, a cutícula é uma pelí-
cula de cutina que tem por objetivo evitar a perda de água Tecido de Sustentação
por transpiração;
São tecidos com células com paredes celulares espes-
Pêlos ou tricomas: São projeções formadas por uma sadas por celulose e pectina, gerando rigidez e sustenta-
ou mais células com a função de regular a transpiração ção para a planta. Existem duas variedades – colênquima
excessiva da planta; e esclerênquima.
Acúleos: Os acúleos são saliências pontiagudas forma- Colênquima: células vivas, clorofilados, paredes es-
das por células epidérmicas que servem como uma estru- pessas por celulose. Localiza-se em caules jovens, no pecí-
tura de proteção ao vegetal; olo das folhas, caules herbáceas, ou seja, gera flexibilidade
Estômatos: É a mais importante variação da epiderme, e resistência.
pois regula as trocas gasosas entre o vegetal e o meio ex- Esclerênquima: células mortas, paredes espessas por
terno. Eles são formados por céulas-guarda ou estomáti- lignina, localizam-se nos órgãos mais velhos e ao redor dos
cas, que delimitam entre elas um poro regulável chamado vasos do xilema.
ostíolo, onde ocorrem as trocas de gases e a eliminação Tecido de Condução
de vapor de água. Ao lado das células-guarda existem as
células anexas ou companheiras. Composto por células alongadas, especializadas no
transporte de líquidos. Dividem-se em xilema (ou lenho) e
floema (ou líber).
Xilema: O xilema, ou lenho, transporta a seiva bruta
(ou seiva inorgânica, por ser composta de nutrientes re-
tirados do solo pela planta, água e sais minerais) e está
localizado na camada mais interna do caule. Transporta a
seiva das raízes até as folhas, onde farão fotossíntese. É
formado por células mortas e ocas, reforçadas com ligni-
na, que tem função de evitar a deformação causada pela
Eletromicrografia ao microscópio de varredura de pressão da seiva.
uma abertura estomática entre duas células-guarda. Floema: O floema, ou líber, transporta seiva elabo-
rada (ou orgânica, produto da fotossíntese, onde os nu-
O súber, ao contrário da epiderme, é formado por
trientes são convertidos em glicose) e está localizado na
células mortas com paredes celulares repletas de camada mais externa do caule, abaixo do tecido da casca.
suberina (lipídio impermeabilizante), cheias de ar e Transporta seiva elaborada das partes clorofiladas, onde
justapostas. As células do súber formam as diversas ocorreu a fotossíntese, para as partes vivas da planta,
camadas da casca de uma árvore protegendo o caule onde a glicose será quebrada e convertida em energia. É
contra choques mecânicos. formada por células vivas, alongadas e anucleadas.

223
Biologia

(a) Desenvolvendo a raiz lateral Endoderme Periciclo

Epiderme
Endoderme

(c) Raiz de
eudicotiledôneas
Endoderme Floema Xilema

Medula

Endoderme

(b) Pêlos da raiz  (d) Raiz de monocotiledônea

Meristema apical
Coifa
Anatomia da raiz. O desenho à esquerda mostra a estrutura geral da raiz lateral. As células no periciclo dividem-se e o produto diferencia-se,
formando os tecidos de uma raiz lateral. (b) Eletromicrografia de pêlos da raiz, vistos ao microscópio de varredura. (c, d) Os tecidos primários de raiz
de uma eudicotiledônea e de uma monocotiledônea. A monocotiledônea tem uma região medular central, ausente na eudicotiledônea.

Tecido de Secreção FISIOLOGIA VEGETAL


Estão presentes em vários órgãos produzindo uma Absorção de Água e Sais Minerais
gama de substâncias, com as mais diferentes funções.
Os nutrientes minerais presentes no solo são absorvi-
O néctar, uma substância doce e perfumada produzida dos pelas plantas em solução aquosa, por meio de pêlos
nas flores, serve para atrair os insetos e as aves responsá- absorventes presentes na zona pilífera da raiz. Esses pêlos
veis pelo transporte do grão do pólen, realizando a polini- estendem-se em grande área de solo junto à planta. Feita
zação e fecundação. a absorção pela epiderme da raiz, as soluções com os so-
Esta substância é produzida pelos nectários. lutos minerais seguem até o lenho. Esse caminho corres-
ponde ao chamado transporte horizontal e, uma vez atin-
O látex, que ao coagular protege o órgão ferido e facili- gido o lenho, inicia-se o deslocamento vertical da solução
ta sua regeneração é produzido nos tubos lactíferos. absorvida. A concentração de sais no solo, o oxigênio, o
Os canais resiníferos produzem resina de ação bacte- gás carbônico e a temperatura são alguns dos fatores que
riana e anti-séptica (coníferas). influenciam na absorção.
O Caminho das Seivas
O principal tipo de célula responsável pela condução
de seiva bruta nas plantas vasculares são os traqueídes.
Somente no grupo dos Angiospermas os elementos de
vasos são as principais células de transporte, apesar de
possuírem também os traqueídes.
Os vasos lenhosos transportam a solução mineral ab-
sorvida do solo e que, na planta, constitui a seiva bruta, BIOATP - PLANTAS
Látex retirado da seringueira para a fabricação da borracha. normalmente ascendente. Os vasos liberianos transpor-
tam uma solução orgânica, a seiva elaborada, contendo
especialmente os produtos da fotossíntese e do metabo-
lismo da planta. É uma seiva normalmente descendente.
A demonstração experimental mais simples do cami-
nho por onde circulam as seivas é a retirada de um anel
cortical (externo) do caule de uma planta lenhosa, dico-
tiledônea. Esse anel de Malpighi removido apresenta
uma camada suberificada, parênquima e vasos liberianos.
Depois de algumas semanas, a seiva elaborada que des-
ce pelo líber (periférico), não podendo mais passar para
as raízes, acumula-se parcialmente no borda superior do
Resina em Pinus. corte em cicatrização, tornando-o mais grosso. A seiva

224
bruta continua subindo normalmente pela região central coesão entre as moléculas de água, obstruindo a ascensão
do caule (lenho). Se o anel de Malpighi for feito no caule da coluna de água através do xilema.
principal, as raízes morrem por falta de compostos orgâni-
seiva bruta
cos e, em seguida, morre a planta toda.
célula
Transpiração

estômato
Fotossíntese água

Tensão ar
Folha (evapotranspiração)

parede
adesão do
xilema xilema

Gradiente de potencial hídrico


Seiva
Condução

elaborada
(floema)

Seiva coesão por


bruta Coesão e
(xilema) Acúmulo pontes H
de seiva adesão
elaborada
Remoção de anel Interrupção da fluxo Morte das
da casca de seiva elaborada raízes e da
Raiz árvore
Absorção água
Caminhos das seivas na planta Demonstração do experimento do
pêlo
  (transporte vertical). anel de Malpighi
radicular
partícula
Transporte de Seiva Bruta: Teoria de Dixon ou do solo
Teoria da Tensão – Coesão – Adesão solução
Absorção na raiz do solo
O transporte da seiva bruta ou inorgânica é realizada
em duas etapas, apresentando um transporte horizontal
(do solo para a raiz) e um transporte vertical de ascen-
são de seiva (da raiz até as folhas). O transporte vertical Gutação ou Sudação
de seiva ocorre desde os pêlos absorventes da epiderme,
É outra teoria que explica o transporte de seiva bru-
até o vasos de xilema. A ascensão da seiva ocorre até as
folhas, onde ocorrem os fenômenos da fotossíntese e da ta no vegetal. Porém, só ocorre em plantas jovens, com
transpiração. A melhor explicação para a ascensão de sei- crescimento exuberante e em plantas herbáceas. Só muito
va bruta nos vegetais é a teoria da tensão-coesão-adesão raramente em árvores e arbustos.
ou teoria de Dixon, que está baseada no fato de as folhas A gutação consiste eliminação de água líquida através
exerceram uma força de sucção que garante a ascensão dos hidatóides. Para ocorrer a gutação, o ar deve estar sa-
de uma coluna de água pelo corpo do vegetal, conforme turado de vapor de água, o que inibe a perda de água por
ocorre a transpiração. Nos vasos condutores de xilema, transpiração. O solo deve ser rico em nutrientes, com bom
existe uma coluna contínua de água, formada por molécu- suprimento de água e poroso.
las de água, fortemente coesas, interagidas por ligação de Plantas em crescimento absorvem continuamente sais
hidrogênio. Além da força de coesão entre as moléculas minerais por transporte ativo.
de água, estas estão fortemente aderidas às paredes dos
vasos de xilema. Conforme ocorre a saída de água na for- O bombeamento dos
ma de vapor através das folhas, existe um movimento da sais minerais para o interior
coluna de água através dos vasos, desde as raízes até as da raiz cria elevadas pres-
folhas, pois estão coesas e submetidas a uma força de ten- sões osmóticas no interior
são que movimenta a coluna de água através do xilema. do xilema, o que provoca en-
À medida que a água é perdida pela transpiração ou usa- trada de água por osmose.
da na fotossíntese, ela é removida do caule e retirada da A água presente no xile- A pressão da raiz é responsável
raiz, sendo absorvida pelo solo. Para este movimento de ma gera uma pressão posi- pela eliminação de água por
aberturas desta folha
água no corpo do vegetal é imprescindível a força de suc- tiva na raiz. de morangueiro.
ção exercida pelas folhas. Para ocorrer a ascensão da seiva
bruta nos vasos de xilema, não deve ocorrer a formação de A seiva bruta é levada até as folhas e o excesso é libe-
bolhas de ar nos vasos condutores, pois estas romperiam a rado através dos hidatódios.

225
Biologia

Transpiração Transporte de Seiva Elaborada (Translocação):


À perda de água pela planta, sob a forma de vapor de Teoria de Munch
água, através das partes aéreas do vegetal, dá-se o nome A seiva elaborada ou orgânica formada nas folhas por
de transpiração, ou evaporatranspiração. meio da fotossíntese é distribuída por todo o corpo do vege-
tal através dos vasos de floema ou líber, que estão localizados
Temperatura, umidade, luminosidade, ventilação, ta-
próximo à casca dos vegetais. Apesar de a força da gravidade
manho da folha, umidade do solo, exposição da folha, ser favorável a este transporte, existe um fluxo sob pressão
abertura e fechamento dos estômatos, entre outros, in- das folhas em direção às raízes conforme o modelo físico de
fluenciam a transpiração vegetal. Munch. No vegetal, deve ser mantida a diferença de concen-
Os mecanismos de abertura e fechamando dos estô- tração de açúcar entre o órgão produtor, que são as folhas
matos podem ser classificados como: onde ocorre a fotossíntese, e o restante do corpo do vegetal.
Mantido este gradiente de concentração entre folhas e o res-
Mecanismo hidroativo: a água é o principal agente re- to do corpo do vegetal, ocorrerá o fluxo sob pressão de seiva
gulador da abertura e do fechamento dos estômatos, pois elaborada através do floema, pois essa seiva tenderá a ir para
quando a célula recebe água, a pressão de turgescência regiões de menor concentração de açúcar.
aumenta e permite a abertura do ostíolo, e quando a cé- Munch usou um modelo físico para explicar a sua
lula elimina água, o ostíolo se fecha. Podemos dizer que a teoria: usou dois recipientes, A e B, de membrana perme-
intensidade do processo de absorção e evapotranspiração ável à água e impermeável à sacarose. O recipiente A é
é controlada pelo grau de abertura e fechamento dos es- cheio com solução concentrada de sacarose e o recipien-
tômatos. te B com água. Os recipientes são ligados por um tubo e
Mecanismo fotoativo: duas hipóteses procuram expli- mergulhados numa tina com água. O que se verifica é que
car a abertura e o fechamento dos estômatos na depen- a entrada de água para o recipiente A, com a solução hi-
pertônica, causa um aumento tal de pressão que a solução
dência da luz solar.
se desloca no tubo até o recipiente B, arrastando consigo
Mecanismo fotoativo enzimático: no escuro, as mito- a sacarose. No recipiente B, a água sai novamente para a
côndrias liberam mais CO2 no suco celular do que os clo- tina. Este fluxo para quando as concentrações se igualam
roplastos são capazes de absorver: o suco torna-se ácido nos recipientes A e B, mas se for adicionada sacarose ao
(H2CO3). Nessas condições, as enzimas fosforilases polime- recipiente A, este fluxo nunca para. As bolinhas azuis re-
rizam as glicoses (solúveis em água), convertendo-as em presentam a sacarose e as vermelhas água.
amido (insolúvel). A concentração na célula estomática di-
minui e ela perde água para as células vizinhas, tornando-se
murcha e, consequentemente, o ostíolo se fecha.
Mecanismo do transporte ativo de potássio (K+):
quando as células estomáticas ficam expostas à luz solar,
ocorre transporte ativo de potássio, que se transfere das
células vizinhas para o interior daquelas células. As células
estomáticas ficam, então, hipertônicas e passam a absor-
ver água (túrgidas), fazendo com que os ostíolos se abram.
No escuro, ocorre o inverso.

Hormônios Vegetais

BIOATP - PLANTAS
Auxina ou AIA Giberelina ou ácido Citocininas ou
Etileno (gasoso) Ácido abscísico
(ácido indolacético) giberélico cinetinas
Meristemas apicais do caule, da Maior concentração nos me- Ocorre em sementes e frutos Só não foi observado nas se- Ocorre em todos os órgãos
raiz, folhas jovens e sementes ristemas apicais, nas semen- em desenvolvimento mentes dos vegetais
tes e nas folhas jovens
• Crescimento do caule e da raiz: • Crescimento em varieda- • Promoção da divisão celular • Amadurecimento dos frutos • Senescência foliar
alongamento celular des anãs ou mitose Induz a floração em al- • Dificulta a germinação
• Dominância apical • Indução da floração em al- • Desenvolvimento dos frutos gumas espécies, como o das sementes
• Controla os tropismos gumas espécies • Quebra da dormênca e ge- abacaxi • Inibe o crescimento das
• Enraizamento (formação de raí- • Quebra da dormência em mas • Abscisão das folhas gemas, permitindo, as-
zes adventícias) sementes • Inibe o crescimento em sim, a interrupção de
• Formação de frutos • Formação de frutos caules, raízes e folhas várias atividades do ve-
• Estimula a partenocarpia • Aumenta a taxa de senes- getal e possibilitando
• Ação herbicida cência foliar sua sobrevivência em
condições adversas, por
exemplo, no inverno
• Inibe a abertura dos es-
tômatos

226
Biologia

Movimentos Vegetais um fototropismo positivo, enquanto que a raiz apresenta


Os movimentos dos vegetais respondem à ação de fototropismo negativo.
hormônios ou de fatores ambientais como substâncias Geotropismo
químicas, luz solar ou choques mecânicos. Estes movi- Movimento orientado pela força da gravidade. O caule
mentos podem ser do tipo crescimento e curvatura e do responde com geotropismo negativo e a raiz com geotro-
tipo locomoção. pismo positivo, dependendo da concentração de auxina
nestes órgãos.
Movimentos de Crescimento e Curvatura
Quimiotropismo
Estes movimentos podem ser do tipo tropismos. Os
tropismos são movimentos orientados em relação à fonte Movimento orientado em relação a substância quími-
de estímulo. Estão relacionados com a ação das auxinas. ca do meio.
Fototropismo Tigmotropismo
Movimento orientado pela direção da luz. Existe uma Movimento orientado por um choque mecânico ou
curvatura do vegetal em relação à luz, podendo ser em suporte mecânico, como acontece com as gavinhas de
direção ou contrária a ela, dependendo do órgão vegetal chuchu e maracujá que se enrolam quando entram em
e da concentração do hormônio auxina. O caule apresenta contado com algum suporte mecânico.

Elementos Minerais Exigidos por Plantas


Elemento Forma absorvida Funções principais
Macronutrientes
Nitrogênio (N) NO−3 e NH+4 Em proteínas, ácidos nucleicos, etc.

Fósforo (P) H2PO-4 e HPO-4 2 Em ácidos nucleicos, ATP, fosfolipídios, etc.

Potássio (K) K+ Ativação enzimática; equilíbrio hídrico, equilíbrio iônico; abertura estomática
Enxofre (S) SO-4 2 Em proteínas e coenzimas

Cálcio (Ca) Ca+2 Afeta o citoesqueleto, membranas e muitas enzimas; segundo mensageiro
Magnésio (Mg) Mg +2
Na clorofila: exigido por muitas enzimas; estabiliza ribossomos
Micronutrientes
Ferro (Fe) Fe+2 Em sítio ativo de muitas enzimas redox e transportadores de elétrons; síntese de clorofila
Cloro (Cl) Cl– Fotossíntese; equilíbrio iônico
Manganês (Mn) Mn +2
Ativação de muitas enzimas
Boro (B) B (OH)3 Possivelmente transporte de carboidratos (função pouco conhecida)
Zinco (Zn) Zn+2 Ativação enzimática; síntese de auxina
Cobre (Cu) Cu +2
Em sítio ativo de muitas enzimas redox e de transportadores de elétrons
Níquel (Ni) Ni +2
Ativação de uma enzima
Molibdênio (Mo) MoO -2 Fixação de nitrogênio; redução de nitrato
4

Algumas Deficiências Minerais em Plantas


Decificiência Sintomas
Cálcio Dessecamento progressivo de pontos de crescimento; folhas jovens são amarelas e enrugas
Ferro Folhas jovens são brancas ou amarelas, com nervuras verdes
Magnésio Folhas mais velhas têm listras amarelas entre as nervuras
Manganês Folhas mais jovens são pálidas, com listras de manchas mortas
Nitrogênio Folhas mais velhas tornam-se amarelas e morrem prematuramente; a planta fica atrofiada
Fósforo A planta é verde-escura, com nervuras púrpuras, e fica atrofiada
Potássio Folhas mais velhas têm margens mortas
Enxofre Folhas jovens são amarelas e brancas, com nervuras amarelas
Zinco Folhas jovens são anormalmente pequenas; folhas mais velhas têm muitas manchas mortas

227
Observe os experimentos e tire suas conclusões. Experimento
Pergunta: Um ingrediente específico de um meio de
Experimento cultura é um nutriente vegetal essencial?
Pergunta: Solutos orgânicos são transportados no xile- Método: Cultivar plântulas num meio que carece do
ma ou no floema? elemento em questão (nesse caso, o nitrogênio)
Controle  Experimento
 Método  Resultado

Plântula crescen- Plântula crescen-
-do num meio de -do num meio
cultura completo carente de
nitrogênio

Resultados

Tempo
Casca

Lenho
O crescimento
é normal. O crescimento
Conclusão: é anormal.

Conclusão:


Experimento
Experimento
Pergunta: Um hormônio de crescimento pode ser isola-
do da extremidade do coleóptilo? Pergunta: Como a auxina afeta a abscisão foliar?
Método Resultados
 Método       Resultado

Pecíolo

Lâmina

A lâmina A auxina não O pecíolo


foliar é asbscide.
removida. é adicionada.

BIOATP - PLANTAS
Experimento Auxina em
lanolina

Coleóptilo
de aveia

A lâmina A auxina O pecíolo


foliar é é adicio- permanece
removida. nada. ligado à planta.
Conclusão:
Conclusão:

228
Biologia

4. A figura seguinte corresponde a duas plantas com


partes de suas estruturas morfológicas e reprodutivas
indicadas por I, II, III e IV.

III
II
I
1. Algas e musgos possuem diversas características em

comum. Uma característica comum a todos os tipos
de algas e musgos é a inexistência de
IV
(A) nutrição autotrófica.

(B) estruturas pluricelulares.

(C) vasos condutores de seiva.

(D) reprodução do tipo sexuado.

2. Instrução: Responda à questão preenchendo com V Observe a representação e assinale a afirmativa correta.



(verdadeiro) ou F (falso) os parênteses corresponden- (A) III corresponde a soros 2n que produzem os espo-
tes às afirmativas sobre os musgos.


ros nas pteridótifas.
( ) Pertencem ao grupo das briófitas. (B) A estrutura indicada por I é diploide e correspon-


( ) São seres vivos heterotróficos. de ao prótalo.
(C) II indica os anterozoides haploides produzidos
( ) São desprovidos de células do xilema.

pelo esporângio.
( ) Preferem solos secos e frios. (D) As duas plantas são vascularizadas e apresentam

( ) São parentes das hepáticas. folha clorofiladas.
(E) As estruturas indicadas por IV são gametófitos ha-
A sequência correta, resultante do preenchimento

ploides.

dos parênteses, de cima para baixo, é
5. No ciclo de vida de uma Pteridófita ocorre metagêne-
(A) F – F – V – V – V.

se (alternância de gerações), como mostra a figura a

(B) F – V – F – V – F. seguir.

(C) V – F – V – F – V.

(D) V – V – V – F – F.

Esporângio
3. A figura seguinte mostra um musgo. X Fase assexuada
Esporos
1 II

Esporófito 2
adulto Gametófito
Sobre ela, fizeram-se as seguintes afirma- Prótalo

ções:
I. X resultou do zigoto e vive à custa de Y. I Soros

II. Y é o gametófito feminino e, nos Y II

musgos, o gametófito representa a
fase duradoura do ciclo de vida.
Arquegônio encer-
III. X e Y são, respectivamente, haploide rando a oosfera
Esporófito

e diploide. jovem Anterídio
libertanto os
anterozoides
É correto o que se afirma, apenas, em

IV
(A) I. Fase


sexuada
(B) II.


(C) III. Indique a etapa onde ocorre a meiose.

(D) I e II. (A) II. (C) III. (E) V.



(E) II e III. (B) I. (D) IV.


229 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

6. São características do grupo das pteridófitas: 10. No curso da evolução dos vegetais, a presença de va-


(A) ausência de vasos condutores – flores – gametófi- sos condutores de seiva foi inicialmente observada
em

to como fase dominante – corpo com raiz, caule,
folha e fruto. (A) coníferas. (D) angiospermas.



(B) vasos condutores – ausência de flores – esporófi- (B) briófitas. (E) gimnospermas.



to como fase dominante – corpo com raiz, caule e (C) pteridófitas.
folha.


(C) vasos condutores – flores vestigiais – sem game- 11. Analise as seguintes características apresentadas pe-


las plantas:

tófito – corpo com rizoide e folhas.
(D) ausência de vasos condutores – ausência de flo- I. As folhas, ricas em cloroplastos, garantem a reali-


zação da fotossíntese.

res – gametófito e esporófito sem dominância –
corpos sem frutos. II. A ocorrência de meiose para a produção de espo-


(E) vasos condutores – flores – sem órgãos de repro- ros garante a variabilidade genética dos futuros
gametófitos, dos gametas originados por essa ge-

dução – corpo sem semente.
ração haploide e dos futuros esporófitos.
7. Considere os seguintes grupos vegetais: III. O sistema vascular, composto por xilema e flo-



ema, garante a distribuição de substâncias por
I. algas IV. gimnospermas
todo o corpo da planta.


II. angiospermas V. pteridófitas
Associando um pinheiro (gimnosperma) e uma sa-


III. briófitas

mambaia (pteridófita) às características é correto afir-

mar que
Possuem gametas masculinos flagelados, que necessi-

tam de água para se locomover em direção aos game- (A) um pinheiro apresenta apenas as características I e II.

tas femininos, todos os indivíduos dos grupos (B) uma samambaia apresenta apenas as característi-

(A) I, II e III. (D) II, III e IV. cas II e III.


(B) I, III e IV. (E) II, IV e V. (C) um pinheiro e uma samambaia apresentam as ca-



racterísticas I, II e III.
(C) I, III e V.

(D) um pinheiro e uma samambaia apresentam ape-

8. Ao compararmos o ciclo reprodutivo de briófitas e nas as características I e III.

pteridófitas, podemos concluir que (E) um pinheiro apresenta apenas a característica III,

(A) em ambas, a fase gametofítica é a predominante. enquanto uma samambaia apresenta apenas a

(B) a fase predominante nas briófitas corresponde à característica II.

da geração gametofítica e, nas pteridófitas, a fase 12. China tem fóssil só encontrado no Hemisfério Sul.
predominante é a da geração esporofítica.

Uma equipe dirigida por Nick Fraser, do Museu de
(C) em ambas, a geração haploide corresponde à fase

Ciências Naturais da Escócia, descobriu na província

esporofítica. de Liaoning, no norte da China, o fóssil de uma planta
(D) em ambas, a geração esporofítica é haploide, e a que era encontrada apenas no Hemisfério Sul.

gametofítica é diploide. Os cientistas sempre acreditaram que havia uma clara

(E) tanto briófitas quanto pteridófitas só apresentam distinção entre os tipos de vegetação presentes nos

reprodução sexuada. continentes dos dois hemisférios, mas essa descober-
ta contesta essa teoria.
9. O fato de as pteridófitas apresentarem sistema vascu- “Descobrimos um grupo de sementes nuas que se en-

lar e as briófitas não, significa que

contram frequentemente associadas a um dos fósseis
(A) as pteridófitas são plantas aquáticas. de planta predominante no Hemisfério Sul”, explica

(B) as briófitas apresentam muitos metros de altura. Fraser, em um comunicado da instituição escocesa.

“Em certo sentido, isto não deveria surpreender to-
(C) as pteridófitas estão mais adaptadas ao ambiente

talmente, porque no período triássico (de 200 a

terrestre.
250 milhões de anos atrás), todos os continentes esta-
(D) as briófitas possuem um sistema de condução vam unidos e formavam um único continente chama-

complexo. do Pangea”, acrescenta o cientista.
(E) as duas pertencem à mesma divisão taxonômica. (Adaptado de [Link]. Acessado em 15.09.2009)

[Link] | Produção: [Link] 230
Biologia

14. Analise as afirmativas quanto à polinização e à repro-


dução nas plantas gimnospermas.
I. Os morcegos, as abelhas e os pássaros são os


principais agentes polinizadores.
II. As flores apresentam autofecundação, e o vento


contribui para autofecundação, transportando
as oosferas.
III. Sementes de gimnospernas não estão localizadas


no interior de um fruto.
IV. O grão de pólen possui sacos aéreos que, durante


o dia, ao se manterem aquecidos, são carregados
pelo vento; à noite, quando a temperatura é re-
duzida, eles caem sobre as flores femininas.
De acordo com a notícia e com a árvore filogenética

apresentadas, pode-se afirmar que a planta fóssil per- Assinale a alternativa correta.


tence a um grupo vegetal que surgiu há
(A) Somente a afirmativa I é verdadeira.


(A) mais de 750 maa. (D) 400 maa.
(B) Somente a afirmativa II é verdadeira.
(B) exatamente 750 maa. (E) 360 maa.


(C) Somente a afirmativa III é verdadeira.
(C) 480 maa.

(D) Somente a afirmativa IV é verdadeira.


13. O vento soprava fraco, dobrando levemente as hastes
(E) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.

de uma planta dominante, que mal superava a altura

do tornozelo, mas nem sempre era assim. Na maior
15. Os possíveis ancestrais das plantas com flor descen-
parte das vezes, o deslocamento de ar era intenso e se

dem de um grupo de algas verdes.
transformava num jato de uivos poderosos, durante
as tempestades de verão. Açoitadas pelo deslocamen- Considerando-se essa informação, é incorreto afirmar

to de ar, as hastes se dobravam e se agitavam para que os DOIS grupos mencionados têm EM COMUM
liberar o conteúdo das copas, arredondadas como an- (A) a clorofila como pigmento fotossintetizante.

tigas lâmpadas incandescentes. (B) a parede celular com celulose.

Então as sementes partiam. Cada uma pousaria num
(C) o glicogênio como fonte de energia.

ponto distinto, determinadas a perpetuar a espécie,

adaptando-se com a disposição de migrantes que de- (D) os pigmentos acessórios de diversas cores.

sembarcam numa terra estranha. O futuro está ali,
não lá, de onde partiram. 16. Os organismos I, II, III, IV e V apresentam característi-

(CAPOZZOLI, Ulisses. Memória da Terra. Scientific American Brasil, cas descritas na tabela a seguir:
janeiro 2010. Adaptado.)

O texto retrata uma cena na Terra há alguns milhões I II III IV V


Características

de anos. Vascular + – + – +
Pode-se dizer que o texto tem por protagonista as _____
Raíz, caule e folha ou estruturas semelhantes + – + + +

e descreve um processo que lhes permitiu _____.
Os espaços em branco poderiam ser corretamente Clorofila + + + + +

preenchidos por Flor – – + – –

(A) briófitas … manterem-se como uma mesma espé- Semente – – + – +



cie até os dias atuais Fruto – – + – –

(B) pteridófitas … manterem-se como uma mesma Legenda: + = presença



espécie até os dias atuais     – = ausência
(C) pteridófitas … diversificarem-se em várias espé-
A ordem crescente de complexidade desses organis-

cies, algumas delas até os dias atuais

mos é
(D) gimnospermas … manterem-se como uma mes-
(A) II, IV, I, III e V.   (D) IV, II, I, V e III.

ma espécie até os dias atuais
(B) IV, I, V, II e III.   (E) II, IV, I, V e III.
(E) gimnospermas … diversificarem-se em várias es-
(C) II, IV, V, I e III.

pécies, algumas delas até os dias atuais.

231 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

17. A evolução do processo esquematizado a seguir foi 20. Plantas traqueófitas, isto é, possuidoras de vasos con-


responsável pelo aparecimento do (a) (s) dutores de seiva são
(A) as algas, os fungos e as briófitas.


A Dobramento
Óvulos (B) as algas, as pteridófitas e as angiospermas.


(C) as briófitas, as pteridófitas e as angiospermas.


(D) as briófitas, as gimnospermas e as angiospermas.


B
(E) as pteridófitas, as gimnospermas e as angios-


permas.

Megasporófilo 21. Abaixo a estrutura e função de planta pertencente


(folha carpelar) ao grupo das fanerógamas. Correlacione a estrutura
C
com sua função correspondente e assinale a alterna-
Ovário
tiva correta:
linha de solda- Estrutura
dura do carpelo Óvulo
I. Parênquima paliçádico



II. Floema



(A) monocotiledôneas. III. Pêlos radiculares




(B) dicotiledôneas. IV. Xilema



(C) semente. Função

(D) fruto. 1. Transporte de Seiva inorgânica

(E) flores. 2. Absorção de água

3. Fotossíntese
18. Na evolução das plantas terrestres surgiram adap-
4. Transporte de seiva orgânica

tações para a vida fora d’água e ocorreu um pro-
cesso de redução gradativa de uma das fases do ci- (A) I-3, II-1, III-2, IV-4.


clo de vida, redução essa que culminou no ciclo das (B) I-3, II-4, III-2, IV-1.
Angiospermas. Indique a alternativa que apresenta,


(C) I-2, II-4, III-3, IV-1.
respectivamente, a fase do ciclo de vida que sofreu

o processo de redução e uma adaptação reprodutiva (D) I-2, II-3, III-4, IV-1.

para a vida fora d’água. (E) I-1, II-3, III-4, IV-2.

(A) Fase gametofítica; presença de vasos condutores 22. A avenca, o pinheiro-do-paraná e a jabuticabeira perten-

de seiva.

cem, respectivamente, aos seguintes grupos vegetais:
(B) Fase esporofítica; presença de cutícula espessa. (A) briófitas – gimnospermas – angiospermas.


(C) Fase gametofítica; presença de cutícula delgada. (B) gimnospermas – pteridófitas – angiospermas.


(D) Fase esporofítica; presença de vasos condutores (C) pteridófitas – angiospermas – gimnospermas.

de seiva.

(D) gimnospermas – angiospermas – pteridófitas.
(E) Fase gametofítica; presença de tubo polínico.

(E) pteridófitas – gimnospermas – angiospermas.


19. A presença de semente é uma adaptação importan-
23. As angiospermas se diferenciam das gimnospermas

te de certos grupos vegetais ao ambiente terrestre.

Caracterizam-se por apresentar sementes: por
(A) apresentar raízes, caules e folhas.
(A) pinheiros e leguminosas.


(B) apresentar frutos.
(B) gramíneas e avencas.

(C) apresentar alternância de gerações.

(C) samambaias e pinheiros.

(D) apresentar sementes.

(D) musgos e samambaias.

(E) apresentar traqueídeos como tecido de con-

(E) gramíneas e musgos.

dução.

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Biologia

24. Considere alimentação como o processo pelo qual 26. Na figura abaixo, estão esquematizadas uma semente


um organismo obtém energia para sua sobrevivência. e uma folha.
Usando esta definição, atente para o fato de que ela
vale para todos os organismos, inclusive os vegetais.
Entre as plantas, as chamadas “carnívoras” atraem,
prendem e digerem pequenos animais em suas folhas.
Elas vivem em terrenos pobres e utilizam o nitrogênio
dos tecidos desses animais em seu metabolismo. Com
esses pressupostos, assinale a alternativa que contém
a afirmação correta.
(A) As plantas carnívoras não dependem do nitrogê- Embrião

nio dos animais que capturam para se alimentar.
Assim, mesmo sem capturar, são capazes de so- Sementes e folhas com essas características são en-


breviver havendo temperatura, umidade e lumi- contradas em
nosidade adequadas. (A) monocotiledôneas.



(B) O nitrogênio é importante para a alimentação de (B) dicotiledôneas.

vegetais em geral, sendo absorvido pelas raízes



(C) gimnospermas.
ou folhas. Plantas carnívoras que não capturam


animais morrerão por falta desse alimento. (D) pteridófitas.


(C) Havendo acréscimo de nitrogênio ao solo, as plan- (E) briófitas.



tas carnívoras são capazes de absorvê-lo pelas ra- 27. A ocorrência de frutos que contêm apenas sementes
ízes. Com esse nitrogênio, produzirão o alimento

rudimentares, como a banana, pode ser explicada a
de que precisam, sem a necessidade de capturas. partir de flores que
(D) O nitrogênio integra a estrutura de proteínas e li- (A) eram unissexuadas masculinas.

pídeos que servirão de alimento para as plantas.

Daí a importância de as carnívoras efetivamente (B) sofreram uma autopolinização.

capturarem os animais. (C) apresentavam apenas o perianto.

(E) O nitrogênio é usado pelas plantas carnívoras e (D) foram fecundadas por pólen de outra flor.


demais plantas como complemento alimentar. (E) desenvolveram o ovário sem serem fecundadas.

Existem outros nutrientes mais importantes,
como o fósforo e o potássio, que são essenciais e 28. Um pesquisador pretende comparar o número de es-

não podem faltar aos vegetais. tômatos abertos nas folhas de plantas do Cerrado em
diferentes épocas do ano. Nessa região, o inverno cor-
25. Algumas características de angiospermas estão lista- responde ao período de menor pluviosidade e menor

das a seguir.
temperatura. Pode-se afirmar corretamente que ele
a − axial encontrará maior número de plantas com estômatos
I. Raiz 
b − fasciculada abertos
(A) no inverno, pois os dias mais curtos induzem a
a − reticulínea
II. Folha 

abertura estomática para que haja maior capta-
b − paralelinérvea ção de luz.
a − trímera (B) no inverno, pois as altas temperaturas do verão
III. Flor 

b − pentâmera induzem o fechamento dos estômatos, evitando
a perda d´água.
Com base nas mesmas, é possível selecionar as mono- (C) no inverno, pois a menor quantidade de água dis-


cotiledôneas de um lote de angiospermas escolhendo ponível no solo induz a abertura dos estômatos
as que apresentam as características para captação da umidade atmosférica.
(A) Ia, IIa e IIIa. (D) no verão, pois temperaturas mais altas e maior


(B) Ib, IIa e IIIa. quantidade de água disponível aumentam a
eficiência fotossintética.

(C) Ib, IIb e IIIa.
(E) no verão, pois a planta absorve água em excesso

(D) Ia, IIb e IIIb.

e todo o excedente deve ser perdido, para evitar

(E) Ib, IIb e IIIb. acúmulo de água no parênquima.

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Biologia

29. A capilaridade e a transpiração, segundo a teoria da (B) parênquima de reserva; vasos lenhosos; tecido


coesão-tensão, são dois fenômenos responsáveis suberoso; tecido secretor.
pelo(a) (C) tecido secretor; parênquima de reserva; vasos le-


(A) transporte da seiva elaborada apenas. nhosos; tecido suberoso.

(B) entrada de água nas raízes. (D) parênquima de reserva; tecido suberoso; vasos



(C) transporte da seiva bruta apenas. lenhosos; tecido secretor.

(D) processo de gutação. (E) tecido suberoso; vasos lenhosos; tecido secretor;



(E) transporte da seiva bruta e elaborada. parênquima de reserva.

30. Para matar árvores, algumas pessoas descascam seu 33. Observe o esquema de um vegetal superior.



tronco. 1
Nesse caso, a morte é ocasionada principalmente por 2

interferência no processo de
(A) acúmulo de sais. (D) respiração. 3
(B) fotossíntese. (E) transporte.
(C) produção de hormônio.

31. As plantas terrestres desenvolveram durante a evolu-

ção mecanismos eficientes de proteção contra a perda 4
de água, adquirindo a cutícula impermeável à água e
os estômatos. Estes, através de um mecanismo rápido 5
de fechamento, também são capazes de economizar
água. Mas uma planta não pode ficar com seus estô- O processo de mitose e o processo de meiose ocor-

matos permanentemente fechados. Todas as razões -rem nas estruturas indicadas, respectivamente, pelos
abaixo procuram explicar por que uma planta deve números
abrir seus estômatos, exceto (A) 1 e 2. (C) 2 e 3. (E) 4 e 5.
(A) facilitar a transpiração. (B) 1 e 3. (D) 2 e 4.    

(B) permitir o fluxo de água no xilema.

(C) facilitar a absorção de dióxido de carbono.

(D) facilitar a absorção e a eliminação de oxigênio.

(E) permitir a eliminação de água no estado líquido.

32. Durante uma aula de Botânica, à fim de destacar a

importância econômica de vários produtos de origem
vegetal, um professor de Biologia ressaltou que 1. C 12. E 23. B



• Da raiz tuberosa da mandioca se retiram vários 2. C 13. E 24. A



produtos importantes para a alimentação, ricos
principalmente, em amido; 3. D 14. E 25. C



• Dos caules de árvores, como mogno, cedro, pe-
roba, jacarandá, pinho, imbuia, ipê, etc., se retira 4. A 15. C 26. B



uma grande variedade de madeiras; 5. A 16. E 27. E



• Do caule do sobreiro é extraída a grossa camada
externa, conhecida como cortiça; 6. B 17. D 28. D



• Do caule da seringueira brasileira é extraído o lá-
tex, que fornece a preciosa borracha. 7. C 18. E 29. C



Os produtos citados pelo professor e destacados no 8. B 19. A 30. E




texto – amido, madeiras, cortiça e látex – se relacio-
nam a diferentes tipos de tecidos vegetais, respec- 9. C 20. E 31. E



tivamente,
10. C 21. B 32. B



(A) tecido de sustentação, parênquima de reserva;

vasos lenhosos; tecido suberoso. 11. C 22. E 33. A



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Biologia

4. As Fanerógamas representam cerca de 90% a 95% da


cobertura vegetal do Planeta Terra. Isto se deveu a al-
guns fatores relacionados à sua estrutura e fisiologia,
tais como:
I. Surgimento de um mecanismo de veiculação dos


gametas masculinos, através da formação de um
sifão, que as tornou independentes da água para
1. A conquista definitiva da terra pelas plantas só foi a fecundação;

possível quando estas adquiriram verdadeiros tecidos II. Capacidade de manter protegido e inativo o espo-
condutores. Do ponto de vista geocronológico, as pri-


rófito imaturo, dentro de uma semente;
meiras plantas com esses tecidos foram as III. Independência com relação aos animais, para a


(A) briófitas. sua reprodução e disseminação, devido à forma-


(B) pteridófitas. ção de flores e frutos.


(C) algas. Considerando as três afirmativas, pode-se dizer que



(D) gimnospermas. (A) apenas II e III são corretas.



(E) angiospermas. (B) apenas I e II são corretas.



(C) apenas III é correta.
2. Caso os cientistas descobrissem alguma substância


(D) apenas I é correta.

que impedisse a reprodução de todos os insetos, cer-


tamente nos livraríamos de várias doenças em que (E) apenas I e III são corretas.

esses animais são vetores. Em compensação teríamos
5. Considere, no esquema a seguir, as características de
grandes problemas como a diminuição drástica de

determinados grupos vegetais.
plantas que dependem dos insetos para polinização,
que é o caso das 1 2 3 4

(A) algas.

(B) briófitas, como os musgos. fruto
tempo

sementes (milhões
(C) pteridófitas, como as samambaias. vasos condutores
de anos)

(D) gimnospermas, como os pinheiros. embrião

(E) angiospermas, como as árvores frutíferas.

Com base no esquema, que representa a evolução
3 “Nas plantas, a transição da vida aquática para a ter-

vegetal ao longo de milhões de anos, assinale a alter-

restre só foi possível devido a uma série de adapta- nativa que apresenta os grupos vegetais que corres-
ções, muitas das quais apareceram inicialmente nas pondem, respectivamente, aos números 1, 2, 3 e 4.
briófitas e atingiram o máximo de especialização nas
angiospermas”. Com relação à evolução das plantas, é (A) Briófitas, angiospermas, gimnospermas e pteri-

correto afirmar que: dófitas.
(B) Briófitas, pteridófitas, angiospermas e gimnos-
(A) Só nas pteridófitas e espermatófitas desenvolveu-

permas.

-se um sistema vascular para transporte de seiva,
o que permitiu um aumento do porte vegetal. (C) Pteridófitas, briófitas, gimnospermas e angios-

permas.
(B) A água continua sendo o principal meio de disper-
(D) Briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angios-

são dos gametas em todas as plantas terrestres

permas.
atuais.
(E) Pteridófitas, briófitas, angiospermas e gimnosper-
(C) A alternância de fases no biociclo das plantas ter-

mas.

restres ocorre porque o gametófito é aquático, e
o esporófito, terrestre. 6. O trecho faz parte do artigo Dor, Forma, Beleza, publi-

cado na seção Tendências e Debates da “Folha de S.
(D) Como o ar tem menor densidade que a água, so-
Paulo”, 30.08.05. (Os números 1, 2 e 3 foram coloca-

mente as plantas que possuíam grão-de-pólen
dos para destacar três frases desse trecho.)
puderam ocupar o ambiente terrestre com êxito.
“Alimentação e abrigo são necessidades de uma plan-
(E) Com o aparecimento do tubo polínico, os vegetais

ta (1); acresça-se sexo e estaremos no reino animal

puderam realizar trocas gasosas, necessárias tan- (2); um pouco mais de afeto e estaremos no espaço
to para a fotossíntese como para a respiração. dos bichos de estimação (3).”

235 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Embora o artigo não tivesse por objetivo ensinar ou Com relação a esses grupos de plantas e suas caracte-


discutir biologia, pode-se dizer que, em um contexto rísticas, podemos afirmar que:
biológico, I. O passo evolutivo (2) representa o surgimento dos


(A) a frase 1 está errada porque, além de as plantas não vasos condutores ou feixes vasculares, sendo que

necessitarem de abrigo, também não necessitam de as briófitas podem ser denominadas plantas não
substratos do meio para subsistir: produzem glicose vasculares, e as pteridófitas, gimnospermas e an-
alimento por meio da fotossíntese. giospermas podem ser denominadas traqueófitas.
(B) a frase 2 está errada, porque há reprodução sexu- II. O passo evolutivo (3) representa o surgimento



ada entre os vegetais e reprodução assexuada no das sementes, sendo que briófitas e pteridófitas
reino animal. são conhecidas como plantas sem sementes, e as
plantas com sementes são conhecidas como es-
(C) a frase 2 está correta, pois a reprodução sexuada
permatófitas.

só está presente nos animais.
III. Todos os membros do grupo definido pelo passo
(D) as frases 1 e 2 estão corretas e se complementam:


evolutivo (1), que é o surgimento de órgãos ver-

plantas e animais necessitam de alimento e abri- dadeiros, podem ser conhecidos como cormófitas
go, mas só os animais apresentam reprodução se- ou embriófitas.
xuada.
(E) a frase 3 está correta porque, ao longo da evolu- Marque a alternativa que apresenta somente

afirmativa(s) correta(s).

ção animal, apenas os animais domésticos desen-
volveram sentimentos como o afeto. (A) II e III. (D) Apenas III.
(B) I e III. (E) Apenas I.
7. As Angiospermas constituem o grupo de plantas
(C) I e II.

que obtiveram maior sucesso na conquista de dife-

rentes ambientes. Considere os itens seguintes, que 9. O desenho ao lado representa
sugerem possíveis explicações para o sucesso das

um tipo de planta que ao longo
Angiospermas. do processo evolutivo sofreu a
I. Sementes protegidas por frutos. transformação das suas folhas em

espinhos, tendo em vista condi-
II. Mecanismos que impedem a fecundação cruzada.
ções ambientais e relacionamen-

III. Estruturas que atraem polinizadores. to com outros seres à sua volta.

Essa modificação atendeu fun-
Quais estão corretos?
damentalmente às necessidades

(A) Apenas I. decorrentes dos fenômenos de

(B) Apenas I e II. (A) circulação e parasitismo.


(C) Apenas I e III. (B) absorção e inquilinismo.


(D) Apenas II e III. (C) fixação e comensalismo.


(E) I, II e III. (D) excreção e mutualismo.


(E) evaporação e predatismo
8. O esquema seguinte representa diferentes grupos de


plantas com algumas mudanças evolutivas represen- 10. Há algumas centenas de milhões de anos, um grupo

tadas pelos passos 1 a 4. de plantas terrestres apresentou uma importante ino-
Angiospermas
vação evolutiva: desenvolveu estruturas eficientes na
distribuição de água e alimento pelo corpo do indiví-
Gimnospermas duo. Esse grupo de plantas foi o ancestral de todas
4
as plantas chamadas traqueófitas. Como exemplo de
Pteritófitas plantas traqueófitas, podemos citar:
3
(A) samambaia, abacateiro, orquídea.

Briófitas
2
(B) musgo, cogumelo, alga.

1 (C) cogumelo, orquídea, hepática.

(D) alga, avenca, cana-de-açúcar.

(E) abacateiro, musgo, orquídea.

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Biologia

11. Os frutos são exclusivos das angiospermas, e a disper- (D) redução do calibre dos vasos que conduzem a


são das sementes dessas plantas é muito importante água e os sais minerais da raiz aos centros produ-
para garantir seu sucesso reprodutivo, pois permite tores do vegetal, para evitar perdas.
a conquista de novos territórios. A dispersão é favo- (E) crescimento sob a copa de árvores frondosas, que


recida por certas características dos frutos (ex.: cores impede o ressecamento e consequente perda de
fortes e vibrantes, gosto e odor agradáveis, polpa su- água.
culenta) e das sementes (ex.: presença de ganchos e
outras estruturas fixadoras que se aderem às penas 13. De um ramo de uma macieira em flor, retirou-se um


e pêlos de animais, tamanho reduzido, leveza e pre- anel da casca (anel de Malpighi). Espera-se que os fru-
sença de expansões semelhantes a asas). Nas matas tos desse ramo, em relação aos restantes, sejam
brasileiras, os animais da fauna silvestre têm uma (A) mais doces, porque a condução da seiva bruta da


importante contribuição na dispersão de sementes e, árvore não foi interrompida pelo anel de Malpighi
portanto, na manutenção da diversidade da flora. e pode acumular-se nos frutos.
CHIARADIA, A. Mini-manual de pesquisa: Biologia. Jun. 2004 (adaptado). (B) mais doces, porque toda a seiva elaborada, pro-


Das características de frutos e sementes apresenta- duzida nesse ramo, é impedida de chegar às ou-
tras partes da árvore e se acumula nos frutos.

das, quais estão diretamente associadas a um meca-
nismo de atração de aves e mamíferos? (C) mais ácidos, porque eles recebem seiva bruta e


não a elaborada, visto que a condução dessa últi-
(A) Ganchos que permitem a adesão aos pêlos e penas.
ma foi interrompida pelo anel de Malpighi.

(B) Expansões semelhantes a asas que favorecem a
(D) mais ácidos, porque o anel de Malpighi interrom-

flutuação.


pe o processo da fotossíntese no ramo, não ha-
(C) Estruturas fixadoras que se aderem às asas das aves.
vendo produção suficiente de açúcar.

(D) Frutos com polpa suculenta que fornecem ener-
(E) igualmente doces, porque o anel de Malpighi não

gia aos dispersores.

interfere na distribuição de açúcares pelo floema
(E) Leveza e tamanho reduzido das sementes, que fa-
da planta.

vorecem a flutuação
14. O gráfico mostra a transpiração e a absorção de uma
12. Alunos de uma escola no Rio de Janeiro são convida-

planta, ao longo de 24 horas.

dos a participar de uma excursão ao Parque Nacional
de Jurubatiba. Antes do passeio, eles leem o trecho de
Massa de água, em cada 2 horas (gramas)

40
uma reportagem publicada em uma revista: Transpiração
Absorção
Jurubatiba será o primeiro parque nacional em área

de restinga, num braço de areia com 31 quilômetros 30

de extensão, formado entre o mar e dezoito lagoas.


Numa área de 14.000 hectares, ali vivem jacarés, ca- 20
pivaras, lontras, tamanduás-mirins, além de milhares
de aves e de peixes de água doce e salgada. Os peixes 10
de água salgada, na época das cheias, passam para
as lagoas, onde encontram abrigo, voltando ao mar
na cheia seguinte. Nos terrenos mais baixos, próximos 0   8 10 12 14 16 18 20 22 24   2 4 6 Hora
aos lençóis freáticos, as plantas têm água suficiente









para aguentar longas secas. Já nas áreas planas, os A análise do gráfico permite concluir que

cactos são um dos poucos vegetais que proliferam, (A) quando a transpiração é mais intensa, é mais rápi-

pintando o areal com um verde pálido. da a subida da seiva bruta.
Depois de ler o texto, os alunos podem supor que, em (B) quando a transpiração é mais intensa, os estôma-


Jurubatiba, os vegetais que sobrevivem nas áreas pla- tos encontram-se totalmente fechados.
nas têm características tais como (C) das 22 às 6 horas, o lenho, sob tensão, deverá fi-

(A) quantidade considerável de folhas, para aumen- car esticado como se fosse um elástico, reduzindo
o diâmetro do caule.

tar a área de contato com a umidade do ar nos
dias chuvosos. (D) não existe qualquer relação entre transpiração e ab-

(B) redução na velocidade da fotossíntese e realização sorção, e um processo nada tem a ver com o outro.

ininterrupta desse processo, durante as 24 horas. (E) das 12 às 16 horas, quando se observa maior

(C) caules e folhas cobertos por espessas cutículas transpiração, é pequena a força de tensão e coe-

que impedem o ressecamento e a consequente são das moléculas de água no interior dos vasos
perda de água. lenhosos.

238 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

15. A porção terminal das raízes das angiospermas (A) Condição



apresenta as partes representadas no esquema Horas do dia
climática
abaixo.
8h 10h 12h 14h 16h 17h
Zona suberosa Chuvoso 2 2 2 0 2 2
Zona pilífera Seca 1 1 0 0 1 1
Zona lisa
Seca intensa 1 1 0 0 0 0
Coifa
(B) Condição
Horas do dia
Com a finalidade de realizar um experimento de ab- climática

sorção, um professor usou três tubos com solução 8h 10h 12h 14h 16h 17h
nutritiva para mergulhar raízes não destacadas das Chuvoso 1 1 1 1 1 1
respectivas plantas, conforme os esquemas a seguir.
Seca 1 1 0 0 1 1
Seca intensa 0 0 0 0 0 0

(C) Condição
Horas do dia
climática
   I    II    III 8h 10h 12h 14h 16h 17h


(A) As plantas dos três tubos sobreviveram. Chuvoso 1 1 0 0 0 0

(B) As plantas dos três tubos morreram. Seca 1 1 0 0 0 0

(C) Somente as plantas dos tubos I e III sobreviveram. (D)
Condição
Horas do dia

(D) Somente as plantas dos tubos I e III morreram. climática

(E) Somente as plantas dos tubos I e II sobreviveram. 8h 10h 12h 14h 16h 17h

Seca 1 1 0 0 0 0
16. Na transpiração, as plantas perdem água na forma de
Seca intensa 0 0 0 0 0 0

vapor através dos estômatos. Quando os estômatos
estão fechados, a transpiração torna-se desprezível. (E) Condição
Por essa razão, a abertura dos estômatos pode fun- Horas do dia
climática
cionar como indicador do tipo de ecossistema e da es-
8h 10h 12h 14h 16h 17h
tação do ano em que as plantas estão sendo observa-
das. A tabela a seguir mostra como se comportam os Chuvoso 2 2 2 0 2 2
estômatos de uma planta da caatinga em diferentes Seca 2 2 2 2 2 2
condições climáticas e horas do dia.
17. Um botânico, com o objetivo de pesquisar as trocas

Condição climática Horas do dia gasosas que ocorrem em uma planta, calculou o quo-
ciente entre as quantidades de CO2 produzido e con-
8h 10h 12h 14h 16h 17h
sumido por essa planta, durante um mesmo intervalo
Chuvoso 2 2 2 0 2 2 de tempo e sob diferentes condições de iluminação.
Seca 1 1 0 0 0 0 O gráfico representa os dados obtidos pelo botânico.

Seca intensa 0 0 0 0 0 0
1,75
CO2 = produzido / CO2 consumido

P1
Legenda: 1,50

0 = estômatos completamente fechados 1,25
P2
1 = estômatos parcialmente abertos 1,00

2 = estômatos completamente abertos 0,75 P3


0,50
Considerando a mesma legenda dessa tabela, assinale
0,25

a opção que melhor representa o comportamento dos
estômatos de uma planta típica da Mata Atlântica. 0,00 1      2      3      4
Taxa de iluminação (unidade arbitrárias)

[Link] | Produção: [Link] 239
Biologia

Sabendo que a taxa respiratória manteve-se constan- 20.




te nas diversas condições de iluminação, pode-se di-
zer que
(A) o quociente (O2 produzido) / (CO2 produzido) foi me-

nor em P1.
(B) o consumo de O2 foi maior em P3.

(C) o peso da planta aumentou em P1 e P2.

Em um experimento, um pesquisador retira um anel
(D) em P3, o peso da planta diminuiu.


da casca de um ramo, como pode ser visto na figura. A

(E) o quociente (O2 consumido) / (CO2 consumido) foi área operada é protegida com lanolina para evitar res-

maior em P2. secamento local. Após alguns dias, ao ser comparado
com o controle (um ramo intacto), verifica-se que a
18. A figura 1 representa um pulgão sugando, em um relação peso/área das folhas do ramo experimental é

caule herbáceo de uma angiosperma, um líquido que- (A) maior, devido ao acúmulo de matéria orgânica.
contém glicose, e a figura 2, o interior do mesmo cau-


(B) maior, devido ao acúmulo de água nos tecidos fo-
le em corte transversal.


liares.
Figura 1      Figura 2 (C) menor, devido à desidratação dos tecidos foliares.


(D) menor, devido ao consumo de amido pelos teci-
I

II dos foliares.
III
(E) maior, devido ao acúmulo de sais minerais nos

IV
tecidos foliares.

V 21. O gráfico a seguir mostra o ponto de compensação



para duas espécies vegetais (1 e 2) que se encontram
no mesmo ambiente:

Examinando as estruturas indicadas na figura 2, é cor-


Taxa de fotossíntese

espécie 2
(CO2 absorvido)

reto afirmar que o inseto obtém o líquido apenas em espécie 1

(A) I.

(B) III. respiração

(CO2 liberado)
(C) III e IV.

(D) IV. Intensidade luminosa

(E) II e V Foram feitas as seguintes afirmações com relação à


análise desse gráfico:
19. Quando se quer tingir flores brancas, o procedimento I. O ponto de compensação varia de uma espécie

mais indicado é colocar

para outra.
(A) hastes cortadas em solução colorida, em ambiente II. A espécie 1 pode ser uma planta de sombra (um-


saturado de umidade. brófila) e a espécie 2, uma planta de sol (heliófi-
(B) hastes cortadas em solução colorida, em ambiente la).

seco. III. A taxa de fotossíntese é a mesma para as espécies

(C) plantas infectadas em solução colorida, em ambiente 1 e 2.

saturado de umidade. Pode-se considerar

(D) plantas intactas em solução colorida, em ambiente (A) apenas I correta. (D) I e III corretas.

seco. (B) apenas II correta. (E) II e III corretas.
(E) planta intacta em solo regado com solução colorida. (C) I e II corretas.


240 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

22. O ponto vegetativo apical de um grupo de plantas foi O fato de a planta do experimento crescer na direção


retirado e substituído por uma pasta de lanolina mis- horizontal, e não na vertical, pode ser explicado pelo
turada com um hormônio. Para verificar se é esse hor- argumento de que o giro faz com que a auxina se
mônio que inibe o desenvolvimento das gemas laterais, (A) distribua uniformemente nas faces do caule, estimu-
o procedimento adequado é usar um outro grupo de


lando o crescimento de todas elas de forma igual.
plantas como controle e nesse grupo, após o corte,
(B) acumule na face inferior do caule e, por isso, de-
(A) colocar uma pasta de Agar misturada com o hor-


termine um crescimento maior dessa parte.

mônio.
(C) concentre na extremidade do caule e, por isso,
(B) aspergir uma solução nutritiva na região cortada.


iniba o crescimento nessa parte.

(C) colocar apenas lanolina na região cortada. (D) distribua uniformemente nas faces do caule e,


(D) retirar também as gemas laterais. por isso, iniba o crescimento de todas elas.

(E) colocar a mesma pasta utilizada no grupo experimen- (E) concentre na face inferior do caule e, por isso, ini-


tal, mantendo as plantas no escuro. ba a atividade das gemas laterais.
25. Os adubos inorgânicos industrializados, conhecidos
23. Analise o gráfico abaixo em que AIA significa ácido


pela sigla NPK, contêm sais de três elementos quími-

indolil-acético (auxina).
cos: nitrogênio, fósforo e potássio. Qual das alterna-
Efeito do tivas indica as principais razões pelas quais esses ele-
AIA sobre o
crescimento mentos são indispensáveis à vida de uma planta?
Caule
100

% de Nitrogênio Fósforo Potássio


indução
Raiz (A) É constituinte de É constituinte de É constituinte
0 ácidos nucleicos ácidos nucleicos de ácidos nu-
e proteínas. e proteínas. cleicos, glicídios
% de e proteínas.
inibição
100 (B) Atua no equilí- É constituinte de Atua no equilí-
Concentração de AIA brio osmótico e ácidos nuclei- brio osmótico e
na permeabilida- cos. na permeabili-
de celular. dade celular.
Com base nos dados nele representados, é possível
(C) É constituinte de É constituinte de Atua no equilí-

afirmar que ácidos nucleicos ácidos nuclei- brio osmótico e
(A) quanto maior for a concentração de AIA, maior e proteínas. cos. na permeabili-
dade celular.

será o crescimento da raiz e do caule.
(D) É constituinte de Atua no equilí- É constituinte
(B) a raiz e o caule são igualmente sensíveis ao AIA. ácidos nuclei- brio osmótico e de proteínas.

(C) o AIA, por ser um hormônio, sempre estimula o cos, glicídios e na permeabili-
proteínas. dade celular.

crescimento.
(E) É constituinte de É constituinte de Atua no equilí-
(D) as concentrações de AIA que estimulam o cresci- glicídios. ácidos nucleicos brio osmótico e

mento do caule têm efeito inibidor na raiz. e proteína. na permeabili-
dade celular.
(E) não há relação entre concentração de AIA e cres-

cimento da raiz e do caule.

24. A produção de hormô-



nios vegetais (como a
auxina, ligada ao cres-
cimento vegetal) e sua planta vaso
distribuição pelo orga- sentido
do giro 1. B 8. C 15. D 22. C
sistema




nismo são fortemente de relógio
2. E 9. E 16. E 23. D
influenciadas por fatores




3. A 10. A 17. A 24. A
ambientais. Diversos são




os estudos que buscam
suporte 4. B 11. D 18. B 25. C




compreender melhor 5. D 12. C 19. B



essas influências. O experimento demonstrado integra 6. B 13. B 20. A



um desses estudos. 7. E 14. A 21. C



[Link] | Produção: [Link] 241
OS ANIMAIS

Diversidade Animal • Aos folhetos embrionários. “Diblástico são animais


cujos embriões apresentam apenas dois folhetos
O reino Animalia é definido segundo características co- embrionários, a ectoderme e endoderme. Somente
muns a todos os animais: organismos eucariontes, plurice- os cnidários são diblásticos. Triblásticos são animais
lulares e heterótrofos. São desprovidos de parede celular cujos embriões apresentam três tecidos embrio-
e usam o glicogênio como material de reserva energética. nários: ectoderme, endoderme e a mesoderme.
Os animais evoluíram a partir de ancestrais protistas fla- Somente estes animais com mesoderme podem
gelados coloniais, como resultado das divisões de trabalho apresentar o celoma, afinal esta é uma cavidade to-
entre suas células agregadas. Dentro dessas colônias celu- talmente revestida pela mesoderme. É válido ressal-
lares ancestrais algumas células se tornaram especializadas tar que os poríferos não entram nesta classificação
para o movimento, outras para a nutrição, e outras ainda se por não apresentarem diferenciação das suas célu-
diferenciaram em gametas. Esses grupos coordenados de las embrionárias em folhetos.”
células evoluíram, originando organismos maiores e mais • Ao Celoma. Celoma é a cavidade revestida pela



complexos, que hoje chamamos de animais. mesoderme. Aqueles que a possui são chamados
de celomados, quem não possui é acelomado e
Toda a diversidade animal é classificada em nove filos: aqueles que apresentam uma cavidade revestida
porífero, cnidário, platelminto, asquelminto, anelídeo, internamente pela endoderme e externamente
artrópode, molusco, equinodermo e cordado. pela mesoderme são os pseudocelomados (ou
Os Filos do Reino Animal podem ser classificados quanto: blastocelomados).
Esquema de cortes transversais
de um triblástico acelomado
A ectoderme      B    C (A), pseudocelomado (B)
ectoderme





ectoderme
plenária mesoderme mesoderme e celomado (C). Celoma
lombriga minhoca
mesoderme é a cavidade totalmente
pseudoceloma
celoma revestida pela mosoderme;
endoderme
o Pseudoceloma é uma
cavidade revestida apenas na
endoderme
tubo digestório
endoderme tubo digestório sua face mais periférica pela
tubo digestório mesoderme. Observe que sua
face interna é revestida
pela endoderme.
    

• Ao desenvolvimento do Blastóporo. Blas-




tóporo é uma abertura que serve de comuni-
cação na fase embrionária, pondo em contato
a cavidade digestiva com o meio externo. Na
maioria dos animais, o blastóporo dá origem à

BIOATP - ANIMAIS
boca (protostômios – origina primeiro a boca.
Protos, primeiro; stoma, boca). Nos equinoder-
mos e nos cordados o blastóporo dá origem ao
ânus (deuterostômios – origina o ânus primei-
ro e a boca por segundo. Deuteros, segundo;
stoma, boca).
De todos os nove filos, somente dentro do gru-
po cordado encontramos animais com vértebras e,
portanto, os outros oito filos constituem os inver-
tebrados.

[Link] | Produção: [Link] 242


Biologia

Invertebrados 1 A água, carregando 2 A água flui através do corpo da


alimento, entra esponja e sai por uma abertura
através de muitos grande, o ósculo.
Poríferos poros pequenos.
Poro
Darwin, hoje conhecido como o maior evolucionista, já
dizia que, se pudéssemos voltar no passado, testemunha-
ríamos o nascimento do primeiro animal na Terra.
Ósculo
No princípio, não havia seres no planeta. Então, cer- Espículas
ca de 3,5 bilhões de anos atrás, apareceu algo totalmente
novo: a vida. Pelos 2,5 bilhões de anos seguintes, os seres
unicelulares reinaram. Eram criaturas minúsculas envoltas
numa membrana frágil, os quais ainda não compreendiam
Coanócito Espículas
os animais. De algum modo, as células criaram uma “lin-
guagem” para trabalharem juntas e essa foi a grande vira- A parede do corpo é
cheia de céluas de ali-
da para a vida no planeta. O primeiro animal começava a mentação especializadas
se formar. Mas que criatura foi essa? chamadas coanócitos.

Esse animal deve ter sido bastante simples. Não de-


via ter cabeça, cérebro, boca, nem nenhum órgão inter-
no, nem mesmo esqueleto. Seria um ser formado de um
amontoado de células, as quais deviam funcionar em coo-
peração para o bem do animal como um todo.
Qual seria a aparência desse animal? E mais importan-
te: era parecido com algum animal atual?
Incrivelmente, esses animais existem ainda hoje e são O Plano Corporal da Esponja – O fluxo de água através da esponja é
conhecidos como Esponjas, integrantes do filo Porífero. mostrado pelas setas azuis. A parede do corpo é coberta com coanócito,
Possuem diversidade expressiva e habitam os mais varia- um tipo especializado de células de alimentação que pode ser um elo
entre os animais e os protistas.
dos tipos de ambientes aquáticos, apesar de predominan-
temente marinhos. Cada coanócito possui um longo flagelo. O batimento
Poríferos são animais que não possuem tecidos defi- dos flagelos promove um contínuo fluxo de água do am-
nidos e não apresentam órgãos e nem sistemas. Essa pe- biente para o átrio do animal. A essa água estão mistu-
rados restos orgânicos e micro-organismos, que são cap-
quena diferenciação celular confere a esses seres grande
turados e digeridos pelos coanócitos. Como a digestão
capacidade de regeneração. De forma impressionante, é
ocorre apenas no interior de células, diz-se que os porífe-
possível separar as células desses animais por meio de
ros apresentam digestão exclusivamente intracelular.
uma peneira e, de alguma maneira, continuam reconhe-
O esqueleto das esponjas é formado principalmente
cendo umas às outras. Em questão de horas, começam a
por espícolas de calcário ou de sílica, com formas variadas,
se aproximar, formando novos indivíduos.
e uma rede de proteína chamada espongina. Esponjas des-
O corpo de um porífero possui células que apresen- providas de espícolas e contendo apenas a macia rede de
tam certa divisão de trabalho. Algumas dessas células são espongina podem ser utilizadas como buchas de banho.
organizadas de tal maneira que formam pequenos orifí-
cios, denominados poros, em todo o corpo do animal. É
por isso que esses seres recebem o nome de poríferos (do
latim porus: ‘poro’; ferre: ‘portador’).
Observe no esquema a seguir como a água penetra
no corpo do animal através dos vários poros existentes
em seu corpo. Ela alcança então uma cavidade cen-
tral denominada átrio. Observe também que a parede
o corpo é revestida externamente por células acha-
tadas que formam a epiderme. Já internamente,
a parede do corpo é revestida por células denomina-
As Esponjas diferem em tamanho e forma. A esponja vulcânica
das coanócitos. marrom é comum dentre as esponjas marinhas simples.

243 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Se reproduzem sexuadamente, com gametas originadas ros”, “intestino”) referindo à característica de serem os
de gonócitos, que são células derivadas dos amebócitos. primeiros animais a apresentarem sistema digestivo, ape-
Fazem, também, reprodução assexuada por brotamento, sar de ser incompleto, ou seja, não possuem ânus, apenas
fragmentação e gemulação. uma boca que também se livra dos resíduos. Apresentam
sistemas respiratório, excretor e circulatório ausentes.
Cnidários ou Celenterados
É também o primeiro filo a apresentar sistema ner-
À primeira vista, alguns cnidários nem parecem ani- voso (difuso), além da presença de células musculares. A
mais. Observe a figura abaixo: partir daí, ganharam a capacidade de se movimentar: eles
podem se flexionar ou estender, buscando a melhor posi-
ção para se alimentar.
Parece simples, mas toda criatura que rasteja, voa ou
nada, hoje, depende de músculos e nervos para isso, o le-
gado dos Cnidários.
Podem se apresentar na forma de pólipo (bentônica)
ou medusa (planctônica).
As medusas são a forma de vida dominante
dos cifozoários e são conhecidas por nós
como mães-d´água.
A larva plânula
é um produto
Disponível em: [Link] da reprodução
Anemona_claudio.jpg sexuada.

Medusa
adulta
O filo Cnidaria (do grego knidos, irritante, e do latim
aria, sufixo plural) são os animais aquáticos de que fazem Fase Sexuada
parte hidras, medusas, águas-vivas, anêmonas, carave-
las e corais. Tal denominação refere-se à principal célu-
la: cnidoblasto, que libera substância urticante capaz de
paralisar suas presas. Apresentam simetria radial e são
protostômios.
Os cnidários cheios de tentáculos vivendo presos ao Pólido
fundo do mar não parecem muito diferentes das algas à Éfira jovem
Medusa
sua volta. Esses organismos intrigam pesquisadores há sé- jovem Fase Polipoide
(assexuada)
culos. Os primeiros indagavam se eram plantas, animais
ou estariam numa categoria intermediária.
Há milhares de anos, antes de os animais nadarem
nos oceanos ou correrem pelo fundo do mar, só existia As medusas liberam
um grupo animal: as esponjas, as quais, como já foram pólipos por divisão
transversal.
previamente estudadas, eram praticamente um amonto- Os pólidos
em seguida
ado de células.

BIOATP - ANIMAIS
produzem
medusas.
Desde então, surgiram seres bem mais complexos, Estrobilização Broto
que mudaram o mundo para sempre: os Cnidários.
Aparentemente pode não parecer, mas esses seres As medusas domina os ciclos de vida dos cifozoários – As medusas dos
protagonizaram uma virada importante no compor- cifozoários são as populares mães-d´água das águas costeiras.
Os pequenos pólipos sésseis rapidamente produzem medusas.
tamento dos animais. Foram os primeiros seres a de-
senvolver tentáculos sensíveis. Foram eles também os Num dado momento, os pólipos começam a se dividir.
primeiros a apresentar boca, seguida de uma cavidade É como se formassem camadas, uma por cima da outra.
digestiva. Essa inovação brilhante logo se disseminaria
Cada camada vai se tornar um indivíduo separado
no reino animal.
ou éfira. Éfira é a medusa em sua fase juvenil e cada
Devido a essa novidade evolutiva que o filo em questão uma delas se solta do caule do pólipo e, em seguida,
também foi denominado Coelenterata (das palavas gregas transforma-se no indivíduo adulto, como pode ser visto
“coela”, o mesmo que “cela” ou “espaço vazio” e “ente- no esquema a seguir:

[Link] | Produção: [Link] 244


Biologia

Ciclo de vida da água-viva O sistema nervoso já não é mais difuso como nos cnidá-
rios. Ele apresenta gânglios nervosos e por isso se diz: siste-
Medusa
Larva
ma nervoso ganglionar. Tal sistema, mesmo sendo simples
plânula (formado por gânglio cerebral e cordões nervosos unidos
por comissuras como mostrado no esquema a seguir), foi
capaz de conferir a esses animais a capacidade de monito-
Éfira
Pólido
ramento da luz para orientação, detecção de sombras (pre-
dadores e presas) e determinação do fotoperíodo.
Florescência de pólido I   II


gânglio
cerebroide
Os cnidários podem ser classificados em:
• Hydrozoa: forma predominante de pólipo.

Exemplos: hidras, obélias, etc.
cordão
• Cifozoa: forma predominante de medusas. nervoso

Exemplos: águas-vivas e caravelas. célula
nervoso
longitudinal

• Antozoa: forma exclusiva de pólipo. Exemplos: co-



rais e anêmonas.
Dentre tantos represen-

  
tantes de cnidários, é relevan- Comparação dos sistemas nervosos de cnidário e platelminto.
I representa uma hidra (cnidário), cujo sistema nervoso é difuso e
te destacar os corais, os quais II representa uma planária (platelminto), cujo sistema nervoso é ganglionar.
são responsáveis pela forma-
ção de grandes recifes, poden- Com relação ao sistema digestório, se diz incomple-
do ser visualizados até mesmo to, ou seja, possui boca, mas não tem ânus. A boca serve
por satélites, como apresenta- Imagem por satélite da barreira para ingestão e egestão de substâncias. No caso da classe
do na figura ao lado: de coral na Austrália. Cestoda, grupo que inclui a tênia ou solitária, o sistema
Platelmintos digestivo é ausente.
Os platelmintos são vermes achatados, semelhante a
uma folha, os quais apresentam simetria bilateral e são
acelomados e protostômios. Têm como habitat ambientes Faringe
Boca
muito úmidos, a água doce e o mar, enquanto várias espé- Ocelos
cies parasitam outros animais.
São os primeiros animais com sistema excretor, repre-
sentado por células-flama ou protonefrídeo. Observe o
esquema a seguir: Intestino
ramificado Faringe
Abertura
da faringe
Poros
excretores

Boca
Ocelos

Demonstração dos ocelos e do sistema digestório de uma


planária com sua faringe estendida apreendendo alimento.
Célula flama
Os platelmintos realizam trocas gasosas por difusão
Flagelos
Túbulo coletor simples, afinal são desprovidos de sistema respiratório
e circulatório.
Um curioso representante de platelmintos é a planá-
Representação da estrutura excretora dos platelmintos. ria. Este verme é de vida livre, aquático (marinho/límnico)
e com tamanho variando entre poucos milímitros a 60 cm.
A célula-flama tem a função de coletar a excreção lí-
quida das células circundantes. Após a coleta de excretas, Planárias apresentam impressionante capacidade de
os cílios vibram e dirigem o líquido coletado para os duc- regeneração: cortadas em uma ou mais partes, podem se
tos excretores, por onde serão eliminados para o meio. regenerar gerando novos indivíduos.

245 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

O tempo de regeneração depende da região do corpo cor- É possível prevenir-se da doença evitando contato com
tada: próximo à cabeça (6 dias), distante da cabeça (18 dias). as águas que tenham caramujos contaminados, construin-
Partes regeneradas do redes de saneamento básico para evitar a contamina-
ção do ambiente, avisando às autoridades sanitárias so-
bre a existência de caramujos e exigindo tratamento de
esgoto. O uso de moluscocidas é a forma mais rápida de
controle, desde que sejam levados em conta os efeitos da-
nosos sobre o equilíbrio ecológico da região.
• Teníase


A teníase pode ser causada por duas espécies de ver-
Regeneração de uma planária.
mes, ambos monoicos (hermafroditas): Taenia solium
A regeneração é um exemplo de reprodução assexua- e Taenia saginata. Estes vermes, que popularmente são
da. Porém a maioria dos platelmintos realiza reprodução conhecidos como solitárias, apresentam diferenças mor-
seuxada, sendo monóicos ou dióicos. fológicas entre si, no entanto, é quanto aos seus respecti-
Verminoses vos hospedeiros que o destaque é maior. A Taenia solium
• Esquistossomose ou Xistose apresenta o homem e os suínos como hospedeiros, en-

Nessa doença, o homem contaminado abriga o quanto a Taenia saginata prefere o homem e os bovinos.
Schistosoma mansoni na sua forma adulta em vasos san-
guíneos do Fígado – sistema porta-hepático. Os vermes se A doença é adquirida quando se ingere carne mal-pas-
reproduzem sexuadamente e produzem ovos, os quais, ao sada, de porco ou de boi, que contenha a larva cisticerco.
caírem no intestino, são liberados nas fezes. Quando as carnes contêm essas larvas, é comum o uso
Caso as fezes sejam depositadas em lagos e/ou lagoas, os popular da nomenclatura “canjiquinha”. Observe a figura
ovos ali presentes eclodem e dão origem à larva Miracídeo. com carne contendo “canjiquinha”:
Essa larva tem capacidade de penetrar em caramujos, geral-
mente do gênero Biomphalaria. Caso isso ocorra, o caramujo
passará a liberar um segundo tipo de larva – Cercária.
A cercária, caso encontre alguma pessoa nesse am-
biente aquático contaminado, perfura sua pele, cai na
corrente sanguínea se aloja no sistema porta-hepático,
fechando, assim, o ciclo de vida do Schistosoma mansoni.
Observe o esquema desse ciclo de vida:

Verme adulto (macho e



fêmea) que se alojam no
sistema porta-hepático À esquerda, tênia adulta e, à direita, carne contendo cisticercos.
Ovos do verme que
Cercária são liberados pelo
Ao ingerir a carne contaminada, o cisticerco passa pelo
penetra na homem contaminado tubo digestivo da pessoa e alcança o intestino já na forma
pele de por meio das fezes.
homens e adulta. É nesse local que o verme se reproduz, podendo

BIOATP - ANIMAIS
torna-se
adulta
fazer autofecundação, e produz ovos que serão liberados
no ambiente por meio de suas fezes.
Caramujo Caso estas fezes humanas forem depositadas em locais
libera larva
cercária Larva inadequados, os ovos poderão contaminar os alimentos
miracídeo dos suínos e bovinos, os quais passarão a obter o cisticer-
eclode
do ovo co em seus músculos ou carnes.
Miracídeo
infecta caramujo Conhecendo o ciclo de vida da Taenia, facilmente iden-
Biomphalaria
tificamos as profilaxias: não comer carne mal-passada e
saneamento básico, além do tratamento dos doentes.
• Cisticercose

A cisticercose também é causada pela Taenia, no en-
Ciclo de vida do Schistosoma mansoni. tanto, somente a Taenia solium.

[Link] | Produção: [Link] 246


Biologia

Nesse caso, ao invés do homem comer a carne com cis- As larvas atravessam a parede
intestinal, caem na corrente san-
ticerco, haverá a ingestão de água ou de alimento conta- guínea, migram por vários órgãos
e retornam ao intestino, no qual
minado com ovos do verme. Assim, o ovo ingerido, ao pas- completam seu desenvolvimento.

sar pelo tubo digestivo, eclode e libera a larva cisticerco. Vermes adultos no
instestino delgado
Essa larva perfura a parede do sistema digestivo e cai
na corrente sanguínea, podendo se alojar em diversos lo-

Ingestão de água e alimentos contaminados


cais, como os músculos e até mesmo o encéfalo.
Como a forma de contaminação da cisticercose é dife-
rente da existente na teníase, as profilaxias também se di-
ferem. Deve ser ingerida somente água mineral ou previa- Ovos liberados
nas fezes
mente fervida e lavar bem os alimentos. Já o saneamento
básico é uma prevenção em comum entre as duas doen-
ças em questão, assim como o tratamento dos doentes.

Asquelmintos ou Nematelmintos
Asquelminto é um grupo que reúne representantes
Ovo com larva
alongados e frequentemente cilíndricos, não segmentados,
de tamanho reduzido e corpo revestido por uma cutícula. Ciclo de vida do Ascaris lumbricoides.
Os asquelmintos são animais que possuem sistema di-
• Ancilostomose ou Amarelão ou doença do Jeca Tatu
gestivo completo, mas os sistemas circulatório e respiratório


são ausentes; sistema nervoso continua ganglionar. A excre- As histórias de Monteiro Lobato vão além de divertir e
ção se dá pelos tubos em H. Geralmente, sexos separados. entreter o público infantil. Com muitas delas, ele trouxe à
tona os problemas de saúde pública existentes no Brasil.
Entre os asquelmintos, o grupo mais numeroso e de Jeca – Tatu é uma das personagens que serviu como fer-
maior importância para o homem é a classe Nematoda, ramenta de campanha em favor do saneamento, além de
a qual muitos autores atribuem a categoria de filo (filo esclarecer e educar a população sobre uma doença tropi-
Nematelminthes). cal que, na época, vitimava milhões de brasileiros e era tão
São pseudocelomados e protostômios. negligenciada: o amarelão.
Verminoses Observe a peça publicitária do Laboratório Fontoura.
Adaptado em história em quadrinhos ou na forma de fo-
• Ascaridíase lheto, ou ainda fazendo parte de almanaques, teve até os

Ascaridíase é uma verminose causada pelo Ascaris anos 60 uma tiragem de cerca de 18 milhões de exempla-
lumbricoides, popularmente conhecido como lombriga, res. Há testemunhos de que sua leitura transformou a vida
que vive no intestino humano. de muita gente.
As lombrigas se alimentam das substancias nutritivas
que encontram no intestino humano, onde as fêmeas fe-
cundadas liberam milhares de ovos por dia. Esses ovos são Pergunta Monteiro – Não é preguiça “seu” Lobato. É uma
eliminados juntamente com as fezes e podem contaminar Lobato, o autor de
Urupés, a Jéca Tatu.
dôr na cacunda, palpitação, uma can-
ceira que não acaba nunca! ...
água e alimentos diversos. – Sim, eu sei, Jéca Tatu amigo,
Soffres de AMARELÃO (ou opila-
Quando uma pessoa engole ovos deste verme junta- ção). Tens no sangue e nas tripas
um jardim zoológico da peor es-
mente com frutas e verduras cruas e mal-lavadas ou água pécie. É essa bicharia que te faz
contaminada, esses ovos alcançam o intestino, onde se papudo, feio, molengo e inerte.
Só tens um remédio, o verdadeiro
rompem e liberam larvas. As larvas atravessam a parede específico do amarellão:

intestinal, caem na corrente sanguínea e migram sucessi-


vamente para os pulmões, os brônquios, a traqueia, a la-
ringe e a faringe. São então engolidas e retornam ao intes-
tino, onde se desenvolvem e se transformam em vermes Publicidade do Laboratório Fontoura.

adultos, fechando o ciclo. Almanaque do Biotônico, 1935, p. 4 (ilustração de J. U. Campos).


Percebe-se, portanto, que saneamento básico, hi-
A ancilostomose, também conhecida por amarelão, é
gienização dos alimentos, além da ingestão de apenas uma doença causada por vermes (espécie: Necator ame-
água previamente fervida ou mineral consistem nas ricanus e Ancylostoma duodenale) parasitas exclusivos do
profilaxias da Ascaridíase. ser humano. As formas adultas desses parasitas se insta-

247 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

lam no aparelho digestivo das pes- • Educação da comunidade, bem como o tratamento



soas, onde ficam fixadas na porção das pessoas doentes.
que compreende o intestino delgado, • Filariose ou Elefantíase


nutrindo-se de sangue do hospedeiro Filariose é uma doença causada por filárias –
e causando anemia. A hematofagia é Wuchereria bancrofti, que são vermes que se alojam em
possível devido aos pares de dentes e vasos linfáticos.
um par de lâminas cortantes que per- Os vasos linfáticos coletam e transportam a linfa, um
Cápsula bucal do
furam a mucosa intestinal. líquido retirado dos espaços intercelulares dos tecidos, no
Ancilóstomo.
Essa doença é transmitida por meio interior dos órgãos.
da penetração ativa de pequenas larvas na pele de um indiví- As filárias obstruem os vasos linfáticos e dificultam o esco-
duo em contato com ambientes propensos, principalmente o amento da linfa. Com isso, a perna de uma pessoa, por exem-
solo, contendo fezes contaminadas por ovos que eclodem e plo, fica muito inchada, lembrando a perna de um elefante.
desenvolvem as larvas. Uma pessoa adquire elefantíase quando é picada por
Após passarem pela epiderme, as larvas atingem a cor- mosquitos do gênero Culex, conhecidos como muriçocas.
rente sanguínea, seguindo em direção aos pulmões. Por
Ao sugarem o sangue de uma pessoa, os mosquitos
meio das vias respiratórias, as larvas se deslocam pela tra-
contaminados inoculam as larvas do parasita no organis-
queia até a faringe, onde são deglutidas, passando pelo esô-
fago, estômago e alcançando a parede do intestino. Neste mo humano que completarão seu desenvolvimento nos
local se reproduzem, eliminando ovos juntamente às fezes. vasos linfáticos.
Assim, essa doença é evitada basicamente com o com-
Larva filarioide penetra bate controlado do inseto e dificultando seu acesso às mo-
através da pele
radias, colocando, por exemplo, telas em janelas.
Larvas
filarioides
1

2
Larvas
rabdotoides
Adultos no intestino delgado

Ciclo de vida do
Ancylostoma
Ovos
duodelane. 4
nas fezes
3
Essa doença pode ser controlada mediante as seguin-
tes medidas profiláticas:
• Utilização de calçados, evitando o contato direto

BIOATP - ANIMAIS


com o solo contaminado;
• Fornecimento de infraestrutura básica para a po- 1 – Verme Wuchereria bancrofti, 2 – Inseto transmissor Culex fatigans,


pulação, proporcionando saneamento básico e 3 – Saco escrotal hipertrofiado e 4 – Perna hipertrofiada.
condições adequadas de higienização;
• Ter o máximo de cuidado quanto ao local destinado ao Outras verminoses causada por Nematelmintos po-
dem ser visualizadas na tabela a seguir:

lazer das crianças, pois acabam brincando com terra;
Doença Agente etiológico Forma de contágio Características Profilaxia
Por meio da penetração das Marcas na pele por onde a
Bicho Ancylostoma Evitar contato com fezes de animais,
larvas (presentes nas fezes de larva passa, coceira e
geográfico brasiliensis principalmente cães e gatos
gato e cachorro) na pele irritação no local
Ingestão de ovos junto aos Roupa de cama bem lavada; unhas corta-
Oxiuríase Enterobius Prurido anal (geralmente
alimentos; autoinfecção (levam os das rentes; higiene pessoal; tratamento
ou oxiurose vermicularis à noite)
ovos da região perianal à boca) de todas as pessoas infectadas na família

[Link] | Produção: [Link] 248


Biologia

Anelídeos froditas, são necessárias duas minhocas para a repro-


Anelídeos (Annelida – do latim annelus, pequeno dução. Elas se unem, através do clitelo, possibilitando,
anel + ida, sufixo plural) são vermes segmentados – assim, a troca de gametas.
com o corpo formado por anéis ou metâmeros, que são
repetições iguais ao longo do corpo recoberto por uma
cutícula de quitina. Os hirudíneos (sanguessugas) são
exceção à metamerização homônoma.
Existem mais de 15.000 espécies destes animais em
praticamente todos os ecossistemas, terrestres, marinhos
e de água doce. Encontram-se anelídeos com tamanhos
desde menos de um milímetro até mais de três metros.
O sistema digestivo é completo e bastante especiali-
zado, apresentando papo e moela, além de boca, faringe, As minhocas (Lumbricus terrestris) são exemplos de
esôfago, intestino e ânus. Por isso, apresentam uma gran- seres hermafroditas com fecundação cruzada.
de variedade de dietas. Muitas espécies são predadoras,
São animais celomados, grupo em que essa caracterís-
outras detritívoras, outras se alimentam por filtração, ou-
tras ainda ingerem sedimentos, dos quais o intestino tem tica ocorre pela primeira vez. Neles a boca é formada pri-
de separar a parte nutritiva; finalmente, as sanguessugas meiro que o ânus e, por isso, são também protostómios.
alimentam-se de sangue de outros animais, por sucção. Sua classificação se dá de acordo com a quantidade de
O sistema nervoso é ganglionar e apresentam tam- cerdas, podendo ser oligoguetas (poucas cerdas); polique-
bém sistema sensorial com células fotorreceptoras e qui- tos (muitas cerdas) ou aquetos (sem cerdas).
miorreceptoras.
Anelídeos são os primeiros animais a apresentar sistema Artrópodes
circulatório fechado – sistema cujo “sangue” percorre em va- Os Artrópodes (do grego arthros: articulado e podos:
sos sanguíneos. O sangue apresenta pigmentos respiratórios,
pés, patas, apêndices) são caracterizados por possuírem
que, no caso das minhocas, chamam-se hemoglobinas.
apêndices rígidos e articulados, como patas, antenas, pe-
Nas minhocas e em alguns sanguessugas, a respiração
dipalpos, pinças e peças bucais, sendo os únicos inverte-
é cutânea, mas existem representantes com brânquias.
brados a possuí-las. São esses apêndices que permitiram o
O sistema excretor é formado por rins primitivos cha-
grande sucesso evolutivo desse grupo, o qual está presen-
mados de nefrídios ou metanefrídios. Observe o esquema
comparativo entre protonefrídio e metanefrídio. te nos mais variados ambientes.
É o maior grupo de animais existentes, representados
Nefridióporo
pelos insetos, aracnídeos, crustáceos, quilópodes e dipló-
Nefróstoma podes, somam mais de 4/5 das espécies existentes.
ciliado
Os artrópodes têm estreitas relações de parentesco
evolutivo com os anelídeos. Uma grande evidência dessa
relação se refere à segmentação bastante evidente nas
Nefroduto fases embrionárias dos artrópodes além do revestimen-
Protonefrídio to de quitina, ambas características também existentes
Parede nos anelídeos.
Metanefrídio corporal
Sistema digestivo completo, sistema nervoso ganglio-
Comparação entre um Protonefrídio e Metanefrídio. nar e sistema circulatório aberto são algumas de suas ca-
As setas representam o fluxo do excreta.
Protonefrídeo: Sistema exretor de platelmintos. racterísticas. É válido ressaltar que a hemolinfa (sangue)
Metanefrídeo: Sistema de anelídeo e molusco. não possui pigmentos respiratórios na maioria dos artró-
A forma de reprodução dos anelídeos varia de es- podes. Além disso são celomados e protostômios.
pécie para espécie, podendo ser tanto assexuada como Observe a tabela na qual mais características são
sexuada. Embora as minhocas sejam animais herma- detalhadas por classe:

249 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Insetos Aracnídeos Crustáceos Quilópodes Diplópodes


Cabeça, tórax Cefalotórax e Cabeça, tórax e Cabeça, tórax Cabeça, tórax e
Segmentação
e abdome abdome abdome e abdome abdome
Nº de pares 1 par por 2 pares por
3 4 5 ou mais
de patas segmento segmento
Nº de pares
1 par (díceros) Ausentes (áceros) 2 pares (tetráceros) 1 par (díceros) 1 par (díceros)
de antenas
Túbulos de
Túbulos de
Túbulos de Malpghi (ver Glândulas verdes ou Malpighi (ver
Excreção Glândulas coxais Malpighi (ver na
na figura a seguir) antenais na figura a
figura a seguir)
seguir)
Traqueal (ver
Traqueal (ver na figura a Branquial (aquáticos) Traqueal (ver na
Respiração Filotraqueal na figura a
seguir) Traqueal (terrestres) figura a seguir)
seguir)
Barata, Borboleta, Ácaro, Aranha, Car- Camarão, Lagosta, Siri, Centopeia ou Piolho-de-cobra
Representantes
Formiga, Pernilongo, Pulga rapato, Escorpião Tatuzinho-de-jardim lacraia ou embuá
Homeostase

Túbulo de Túbulos de Malpighi


Malpighi dos insetos. Os
túbulos de Malpighi
Intestino localizam-se na junção
Espiráculo do instestino médio e
Traqueia do posterior (reto). Os
Células solutos presentes na
epiteliais
Tubo hemolinfa circundante
traqueal O2 do artrópodo,
principalmente o
Traquéola Espiráculo Solutos potássio, são secretados
int água ativamente para o
CO2 est excretas
ino interior dos túbulos,

dio seguidos pela água e
pelos excretas. Os fluídos
Solutos reto
Água
são drenados para o
água
Músculo excretas solutos reto, onde a água e os
ex solutos são reabsorvidos
cre
Glândula ta ativamente, deixando
s
retal os escretas para serem
Esquema da respiração traqueal de um inseto. Esse mesmo tipo de
eliminados.
respiração ocorre em outros artrópodes, de acordo com a tabela
anterior. Observe que a oxigenação das células não depende do sangue.

Imagens de representantes

Insetos Aracnídeos BIOATP - ANIMAIS

Crustáceos Quilópodes

Piolho -de-cobra

Diplópodes
       
[Link] | Produção: [Link] 250
Biologia

É característico dos artrópodes apresentarem um exo-


esqueleto – esqueleto externo – de quitina – um carboidra-
to rígido. Ele é resistente e limita o crescimento do animal. Zangão
Assim, o exoesqueleto “velho” é periodicamente trocado (Apis melifera).
por um “novo” e “folgado”, que permite a continuidade do
crescimento do animal. Essa troca de exoesqueleto, que
pode ocorrer várias vezes durante a vida do animal, é cha-
mada de muda ou ecdise. Observe o gráfico e a ilustração:
Rainha de abelha
manduri (Melipona
marginata)

Curva I ilustra o crescimento de animais em geral, exceto artrópodes.


Curva II ilustra crescimento dos artrópodes.

Cigarra

exúvia Cigarra
Moluscos
abandonando
seu exoesqueleto Os moluscos (do latim molluscus, mole) constituem um
(exúvia). grande filo de animais invertebrados marinhos, de água
doce ou terrestres, que compreende seres vivos como os
Apesar da maioria dos artrópodes se reproduzir de
caramujos, as ostras e as lulas.
forma sexuada, existe um caso particular de reprodução
realizado por alguns insetos, como abelhas, formigas e Por ser animais de corpo mole, apresentam revesti-
cupins chamado partenogênese. Essa é uma reprodução mento (total ou parcial) denominado manto. É esse re-
assexuada que também pode ocorrer em alguns vermes vestimento responsável pela formação da concha, quase
e alguns lagartos. sempre presente que lhes oferece proteção.
Neste tipo de reprodução, há desenvolvimento de Os moluscos podem apresentar uma única concha ex-
óvulos, formando novos indivíduos, sem que estes game- terna, como os caracóis, duas conchas externas, como as
tas tenham sido fecundados. Todos os descendentes, por ostras, concha interna como as lulas e ainda existem aque-
meio de partenogênese, carregam apenas o material ge- les sem conchas, como as lesmas e os polvos.
nético materno, uma vez que não houve fecundação. São Dentro da concha pode estar presente as vísceras do
todos indivíduos haploides, sem recombinação gênética. animal, cujo conjunto é chamado de massa visceral.
A reprodução partenogenética pode resultar exclusiva- A concha externa é considerada um exoesqueleto cal-
mente em fêmeas, em machos, ou, em alguns animais, em cário. Observe a figura:
indivíduos de ambos os sexos. conha
No caso das abelhas (gênero Apis), a partenogênese ori- fígado
pulmão
gina exclusivamente machos. A abelha rainha põe ovos e ânus
poro respiratório olho
óvulos. Os ovos desenvolvem-se em zigotos diploides, que estômago
rim
vão originar somente fêmeas – a rainha fértil e as operárias manto
estéreis. A diferenciação das fêmeas em férteis ou estéreis é coração glândula cerebral
determinada pelo tipo de alimentação. Se as larvas fêmeas ducto
deferente
canal salivar
boca
forem alimentadas com pólen e mel, se transformarão em pé

operárias; entretanto, se uma larva fêmea for alimentada papo


glândula viscosa pênis glândula salivar
com geleia real, ela se transformará em rainha. oviducto vagina poro genital
Já os óvulos, via partenogênese, desenvolvem-se em zi- bolsa reprodutiva

gotos haploides que vão originar somente machos, os zan-


Diagrama da estrutura interna de um gastrópode típico.
gões (n), os quais produzem gametas (n) por mitose e podem,
então, fecundar a rainha, originando novas fêmeas diploides. São celomados e protostômios.

251 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Possuem um sistema digestivo completo (da boca ao Eles têm um sistema ner- Placa
Canal
madrepórica
ânus) podendo apresentar uma estrutura chamada rádula, voso radial simples composto circular

formada por dentículos quitinosos que raspam o alimento. por anéis nervosos com (ner-
vos radiais em volta da boca
se estendendo por cada bra-
ço). Os ramos desses nervos Canal
coordenam o movimento do radial

animal. Os equinodermos
não têm cérebro, embora al- Pés
guns possam ter gânglios. ambulacrários
Estruturas de uma estrela-do-mar.
Corte transversal da cavidade bucal, visualizando a rádula. Os equinodermos tipi-
camente possuem um sistema hidrovascular ou siste-
Podem ser hemafroditas ou dióicos. ma aquífero (também denominado sistema ambula-
Sistema nervoso ganglionar, associado a um sistema cral), que funciona na locomoção destes animais.
sensorial responsável pela formação de tentáculo e olhos A placa madrepórica (é uma espécie de segunda boca)
em algumas espécies. que conecta o meio externo ao canal circular. Dali partem
Apresentam sistema respiratório representado por cinco canais laterais. Eles vão para os braços da estrela.
brânquias ou pulmões. O oxigênio atmosférico que entra Estes originam canais menores, os canais radiais. Eles se
no organismo é distribuído através do sistema circulató- ligam às ampolas (saquinhos) que terminam nos pés am-
bulacrais (aos pares) que, através da água que entra pela
rio, que é do tipo aberto, com exceção dos cefalópodes, placa madrepórica, movimentam o animal.
como os polvos, que é fechado.
Por fim, o sistema excretor é formado por rins primiti-
vos chamados de nefrídios ou metanefrídios.

(a) Oxycomantlus bentelli     (b) Oxycomantlus bentelli


(a) Tonicella lineata Diversidades de Equinodermos –
(a) Os braços flexíveis deste crinoide
são claramente visíveis. (b) Os ouriços-
do-mar púrpura são importantes
pastadores de algas na zona intertídal
da costa do Pacífico da América do
Norte. (c) Este pepino-do-mar vive
em substratos rochosos nos mares
(c) Bohadschia argus próximos a Papua Nova Guiné.
(c) Hypsclodoris sp. (b) Tridacna gigas.

Diversidade entre os moluscos. (a) Os quítons são comuns nas zonas Os equinodermos possuem sistema digestório comple-
intertidais da costa da América do Norte. (b) A concha gigante da to. O sistema circulatório é ausente ou rudimentar. Não há
Indonésia é um dos maiores moluscos bivalves. (c) As lesmas são sistema excretor, sendo as excreções lançadas diretamente
gastrópodes terrestres e marinhos que perderam as conchas; esta no sistema hidrovascular. Não há, também, sistema respi-
lesma-do-mar sem concha é muito colorida. ratório, já que a respiração ocorre por difusão entre o meio
e o líquido no interior do sistema ambulacral. Existem, em
A reprodução é sexuada, com fecundação interna e alguns representantes, filamentos simples que podem ser
cruzada, em sua maioria. chamados de brânquias. São dioicos, com reprodução sexuada
e fecundação externa ou assexuada, com regeneração.
Equinodermos BIOATP - ANIMAIS
Os equinodermos são os seres do filo Echinodermata OS CORDADOS
(do grego echinos, espinho + derma, pele) caracterizados
por animais marinhos. Como exemplo podem ser citados: Os cordados constituem um filo composto por 45 a
estrela-do-mar, pepino-do-mar e ouriço-do-mar. Estes 50 mil espécies, agrupadas em dois subfilos: os protocor-
animais se aproximam muito dos cordados por serem dados e os vertebrados. Os protocordados são animais
pequenos, simples e exclusivamente marinhos. Os verte-
deuterostômios, ou seja, o orifício embrionário conheci- brados, subfilo predominante e com grande biodiversida-
do como blastóporo origina o ânus dos indivíduos. Todos de, são representados por várias classes, desde os mais
os demais filos são chamados de protostômios, ou seja, o primitivos, ainda sem mandíbulas (lampreias), aos mandi-
blastóporo origina a boca quando estes filos a possui. São bulados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos).
também celomados. Os cordados são animais de simetria bilateral, seg-
Possuem esqueleto formado por placas calcárias e es- mentados, triblásticos, celomados e deuterostômios. De
pinhos, que formam um rígido suporte que contém em si forma simplificada, podemos classificar esses dois grupos
os tecidos do organismo. (Protocordados e Vertebrados) do seguinte modo:

[Link] | Produção: [Link] 252


Biologia

Subfilo Classe Características


Larvas com notocorda apenas na cauda, que é desenvolvida. Adultos fixos,
Urocordados
sem notocorda e sem cauda. Ascídia.
F
I Corpo alongado, semelhante ao de um peixe. A notocorda vai da cabeça à
Cefalocordados
L cauda. Anfioxo.
O Protocordados
Classes Características
Agnatos
Corpo alongado, boca sugadora, com dentes córneos, raspadores. Alguns são
(sem Ciclóstomos
parasitas de peixes. Lampreias e feiticeiras.
C mandíbula)
O P Esqueleto cartilaginoso. Pele com escamas placoides. Cinco a sete pares de
E Condríctios
R I fendas branquiais. Tubarões.
X
D E Esqueleto ósseo. Pele com escamas cicloides e ctenoides. Quatro pares de
A S Osteíctios
fendas branquiais, recobertas por um opérculo. Sardinha.
D
T
O Gnatostômios E Anfíbios Pele mucosa, com finíssima camada córnea. Sapos, rãs e pererecas.
T
S (com R Pele seca, impermeável. Camada córnea espessa, com escamas ou placas.
Vertebrados mandíbula) Á Répteis
P Cobras, lagartos, jacarés e tartarugas.
O
D
O Pele seca, recoberta por penas. Asas e regulação da temperatura corporal (ho-
Aves
S meotermia). Gavião.
Glândulas mamárias, pele recoberta por pêlos. A maioria com placenta; ho-
Mamíferos
meotermia. Homem.

 Leitura Complementar ancestral desconhecido, que teria originado os urocor-


dados e os equinodermos. Os primeiros vertebrados e
Origem Evolutiva dos Cordados o anfioxo teriam surgido das larvas das ascídias primiti-
vas, que se tornaram sexualmente maduras. Contudo,
Os filos dos equi- ainda faltam mais evidências para apoiar essa origem.
nodermos, corda- Tromba
Ânus Fonte de consulta: RUPPERT, E.E. & BARNES, R. D. Invertebrate zoology.
dos e hemicordados [Link] Worth: Saunders College, 1994, p.908-13.
apresentam algumas
características em co- Fendas Boca A seguir está representada a árvore filogenética dos
mum que não são en- branquiais
cordados:
contradas em outros Colar

filos, o que indica que


eles devem ter tido o
mesmo ancestral. Balanoglossus

Os hemicordados são animais marinhos, em forma


de verme, medindo cerca de dois centímetros, poden-
do chegar a mais de um metro. Vivem enterrados na
areia ou sob as pedras. Possuem uma probóscide ou
tromba, com a qual escavam a areia; apresentam fen-
das na faringe e são enterocelomados, como os cor-
dados. Sua larva, chamada tornária, é semelhante à
larva bipinária dos equinodermos.
O nome do filo Hemichordata (hemi = meio)
deve-se à hipótese de que um cordão de células perto
da boca dos hemicordados constituia uma notocorda,
característica dos cordados. Posteriormente, desco-
briu-se que esse cordão não era equivalente à notocor-
da, mas o nome do filo não foi modificado.
Ainda se discute a origem dos cordados. Alguns
acreditam que eles podem ter surgido a partir de um

253 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Pare e pense Tanto as lampreias quanto as feiticeiras são aquáticas;


Observe a figura a seguir: com o corpo cilíndrico; pele sem escamas; nadadeiras ím-
pares; fendas branquiais externas (não são protegidas por
Peixes amandibulados
(agnatas) opérculos, estruturas exclusivas dos peixes ósseos); esque-
Fendas branquiais
leto é cartilaginoso e a notocorda persistente no adulto.

Arcos branquiais
são compostos
por cartilagem.

Peixes mandibulados primitivos


(placodermes)

Boca circular e com Parasitismo em lampreia.


Fendas branquiais dentes da lampreia.


Os Peixes
Os peixes constituem o maior grupo de vertebrados,
Alguns arcos branquais
anteriores se modificam, com cerca de 21 mil espécies, mais da metade das espé-
formando as mandíbulas.
cies marinhas. Exibem grande diversidade de formas, ta-
Peixes mandibulados atuais (peixes cartilaginosos e peixes ósseos)
manhos e modo de vida.
São divididos em dois grupos: condríctes (peixes cartilagi-
nosos – tubarão, raias e quimeras) e osteíctes (peixes ósseos).
A notável adaptação à vida aquática é o que mais marca o
grupo. A respiração se dá por brânquias (membranas que per-
mitem a troca gasosa entre água e sangue), que em alguns pei-
Arcos branquiais adiconais foram xes – (os osteíctios e quimeras) são protegidas por opérculos.
incorporados, formando mandíbulas mais
pesadas e mais eficientes. Para a locomoção na água, esses grandes nadadores
têm gasto energético, em parte reduzido por causa das
O que representou, em termos evolutivos, o apareci- adaptações relacionadas à forma hidrodinâmica do cor-
mento da mandíbula nos vertebrados? po e às glândulas mucosas da pele, que lhes permitem
vencer melhor a resistência da água. As nadadeiras dão
Os Vertebrados boa impulsão, enquanto a bexiga natatória (presente nos
Os vertebrados constituem o maior grupo de corda- osteíctios) e o acúmulo de óleos de baixa densidade no fí-
dos, com cerca de 45 mil espécies, correspondentes a uma gado (presente nos condríctios) facilitam a flutuabilidade.
pequena parcela do total de espécies já extintas, milhares
Além disso, eles desenvolveram exclusivos e eficientes
delas preservadas como fósseis.
órgãos sensoriais, que lhes permitem uma boa exploração
Os vertebrados mostram excepcional biodiversidade, do meio aquático. A linha lateral, os órgãos olfativos e as
especialmente quanto ao tamanho, forma, comportamen- ampolas de Lorenzini são bons exemplos desses órgãos. A
to, metabolismo e reprodução. Assim, muitos animais que linha lateral detecta a direção e a velocidade das correntes
aparentemente nada têm em comum exibem várias ca- aquáticas, as ondas sonoras e a pressão da água. As ampo-
racterísticas, algumas bem evidentes, outras não, que os las de Lorenzini são eletrorreceptores que detectam varia-
incluem nesse grande e bem-sucedido grupo. ções no potencial elétrico da água que circunda o animal.
Esse grupo é caracterizado pela presença de coluna ver-
tebral segmentada e de crânio, que lhes protege o cérebro. Anatomia Barbatana

BIOATP - ANIMAIS
dorsal Barbatana
dorsal mole
Outra característica adicional é a presença de um tubo ner- externa espinhosa Barbatana
caudal
voso dorsal. Todos os cordados também apresentam, em de peixe Narinas
Opérculo
pelo menos alguma fase de sua vida, notocorda-tubo de Olhos
sustentação corporal, cauda e fendas branquiais.
Todos possuem sistema digestivo completo e com glân-
dulas. O sistema circulatório é fechado e, por fim, o sistema Pedúnculo
Boca
excretor é formado por pares de rins localizados no abdômem. Barbatanas Linha lateral
Escamas Ânus
peitorais
Os Ciclóstomos Barbatanas
pélvicas
Barbatana
anal

A classe ciclostomata engloba os vertebrados mais


primitivos, representada pelas lampreias e mixines (fei- Os peixes são incapazes de produzir calor por meio do
ticeiras). O nome ciclóstomo significa boca circular, pois próprio metabolismo com intuito de manter a tempera-
apresentam amplo funil bucal com o qual se prendem aos tura corporal constante, por isso são classificados como
animais que parasitam, especialmente peixes. ectotérmicos.

[Link] | Produção: [Link] 254


Biologia

Os Condríctios Os Osteíctios
• Esqueleto cartilaginoso; mandibulados; nadadeiras • Esqueleto ósseo; mandibulados; pele com glân-




(pares e pélvicas), além das ímpares (dorsal, caudal, dulas mucosas e, geralmente, com escamas acha-
anal) e heterocercas (o lobo dorsal é mais desenvol- tadas de origem dérmica; nadadeiras (pares e ím-
vido); pele com glândulas mucosas e escamas pla- pares) flexíveis, homocercas ou dificercas; sistema
coides (origem dermo-epidérmica) com projeções digestivo completo e presença de ânus em vez de
semelhantes a um dente; sistema digestivo completo cloaca; não possuem vávula espiral; sistema res-
(presença da válvula espiral, que atua aumentando a piratório branquial (as brânquias são protegidas
superfície de absorção do alimento digerido; presen- por uma estrutura óssea chamada opérculo); pre-
ça de cloaca); sistema respiratório branquial com as sença de bexiga natatória como órgão flutuador e
fendas branquiais externas; sistema excretor com também como órgão respiratório (“pulmão” nos
rins mesonefros que excretam ureia; ausência de peixes dipnoicos ou pulmonados); sistema excre-
bexiga natatória; sistema circulatório fechado, circu- tor é semelhante ao dos peixes cartilaginosos, mas
lação venosa e coração com apenas duas cavidades excretam amônia; sistema circulatório, sensorial e
– um átrio e um ventículo – circulação simples. nervoso semelhantes aos dos condríctes.
• Sistema sensorial: os tubarões possuem olhos que • A reprodução ocorre por fecundação interna ou


externa, podendo-se formar uma espécie de lar-


formam imagem, mas não distingue cores; as nari-
nas não se comunicam com a cavidade bucal e têm va chamada alevinos, que na realidade é a forma
jovem do animal. Muitas espécies são ovíparas e
apenas função olfativa; possuem um ouvido inter-
outras ovovivíparas.
no, sensível às vibrações; possuem a linha lateral
formada por células chamadas neuromastos, que Anatomia de um osteíctio
captam as vibrações provocadas por correntes de Dentrículos

água, movimentos de outros animais e sons de bai-


xa frequência. Outro meio de detecção de animais
(presas em potencial) são as ampolas de Lorenzini,
localizadas na cabeça do animal, que se comuni-
Escamas (à esquerda)
cam com a água e com as células sensoriais, detec- cicloide e ctenoide
(à direita)
tando a presa pelo seu potencial elétrico. Nadadeiras
• Reprodução: são animais dioicos, com fecunda- dorsais

ção interna e desenvolvimento direto, o qual pode Linha
lateral
ocorrer no interior da fêmea (ovoviviparidade) ou Narinas

no meio externo (oviparidade). Nadadeira


caudal
homocerca
Anatomia de um condríctio
Coração Nadadeira
Fígado Bexiga anal
natatória Ânus
Cecos
pilóricos Gônada
Nadadeira
pélvica Cecos
Nadadeira cau- pilóricos
Detalhe de fendas dal heterocerca
branquias Esôfago
Escama placóide,
em corte
Esmalte
Polpa
Escama com Dentina Estômago
dentículo Epiderme Arco branquial
Intestino aberto, Derme Intestino
mostrando prega espiral
Opérculo removido

Leitura Complementar
Mesmo vivendo em
O Problema da osmorregulação
ambiente aquático,
algumas espécies, Os invertebrados aquáticos geralmente se encon-
como o tubarão- tram em equilíbrio osmótico, ou isotonia, com o am-
tigre (Galeocerdo
cuvier), também biente. Nos vertebrados, no entanto, a concentração
realiza fecundação de sais no sangue se mantém constante, independen-
interna. temente da água do meio.

255 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

O nome anfíbio refere-se à vida dupla (anfi =”ambos”,


Os peixes ósseos marinhos, por exemplo, bebem
“dois” + bio = “vida”), indicando a transição do meio aquá-
água com 3,5% de sais e eliminam o excesso desses
tico para o terrestre.
sais pela atividade de células especiais das brânquias,
através de um transporte ativo. Sua urina é reduzida e Os anfíbios são representados pelos anuros (sapos,
concentrada, pois os rins ainda contribuem para expul- rãs e pererecas), tetrápodos e sem cauda; pelos urodelos
sar os sais. (salamandras e tritões), tetrápodos e com cauda longa; e
pelos gimnofionos (cecílias, cobras-cegas).
Nos peixes ósseos dulcícolas, ao contrário, a con-
centração do sangue é mais alta do que a do meio, pois
eles conseguem absorver sais pelas brânquias, através
de transporte ativo. Seus rins têm boa capacidade de
filtração e eliminam um urina abundante e diluída. Não
bebem água, pois ela en-
Regulação osmótica em peixes
tra constantemente, por ósseos marinhos e dulcícolas
osmose, através das mu- Excreção de sais
Marinho
Perereca (anuro) Salamandra (urodelo)
cosas que estão em con- Água
Água
tato permenente com a
água do meio.
Os peixes cartilagino-
sos mantêm-se quase em Urina reduzida, concentrada
isotonia com a água do Dulcícola Cobra-cega (gimnofiono)
Água
mar, pois conseguem su- A pele dos anfíbios é permeável, úmida, sem escamas e
portar alta taxa de ureia bem irrigada por vasos sanguíneos, permitindo uma boa troca
no sangue (de 2 a 2,5%), de gases respiratórios. Além das glândulas mucosas, existem
que é a chamada uremia Urina abundante, diluída também pequenas glândulas de veneno dispersas na pele.
Absorção de sais
fisiológica. O veneno só pode ser expelido por pressões externas,
Répteis e aves marinhas que não têm acesso à servindo de proteção contra predadores. Anfíbios veneno-
agua doce bebem água do mar e eliminam o excesso sos geralmente se apresentam com cores bastante vivas.
de sais pelas glândulas de sal, localizadas na cabeça, Este fenômeno se chama aposematismo e é considerado
junto aos olhos. um mecanismo de defesa contra predadores.
O sistema digestivo apresenta glândulas anexas (pân-
Pare e Pense creas e fígado) e o intestino termina na cloaca, onde de-
sembocam os canais genitais e urinários. Apresentam uma
Cite quatro características que distinguem os peixes
boca larga e sem dentes, porém, a língua é bem desenvol-
cartilaginosos dos ósseos. vida, podendo ser retrátil.
Os Anfíbios A respiração nas larvas (girino) é branquial, e nos adul-
Os anfíbios foram os primeiros vertebrados a iniciar tos, pulmonar e cutânea. A respiração cutânea é responsável
a conquista do meio terrestre, o que fica evidente pelo pela maior parte do oxigênio absorvido pelo animal, o qual,
aparecimento de algumas características, como os dois em função disso, deve manter a pele com abundante secre-
pares de extremidades locomotoras (tetrápodos), a respi- ção mucosa e permanecer em ambientes bem úmidos.
ração pulmonar e a epiderme dotada de uma fina camada O sistema circulatório é fechado e o coração possui
córnea. Acredita-se que os anfíbios constituem uma classe
muito provavelmente originada de peixes pulmonados.
três cavidades (duas aurículas ou átrio e um único ventrí-
culo). A circulação é dupla, pois o sangue circula duas ve- BIOATP - ANIMAIS
zes pelo coração, e incompleta, pois há mistura do sangue
arterial com o sangue venoso.
A excreção é realizada por rins do tipo mesonefro, sen-
do que os canais ureteres desembocam na cloaca, onde
há uma bexiga urinária. Nas larvas e nos adultos aquáti-
cos, o produto excretado é a amônia enquanto os adultos
terrestres eliminam ureia.
Os anfíbios apresentam epitélios olfativos nas narinas
Representação e botões gustativos na boca; olhos desenvolvidos, que
da transição formam imagens (a visão é capaz de perceber objetos em
dos peixes para movimento, como os insetos durante o voo) e presença
anfíbios.
de pálpebras e glândulas lacrimais. As espécies aquáticas

[Link] | Produção: [Link] 256


Biologia

de urodelos não possuem pálpebras. As cecílias ou cobras- A maior parte dos anfíbios tem fecundação externa
-cegas têm olhos atrofiados e recobertos por pele; ouvido (nos sapos, geralmente, os óvulos são fecundados durante
interno, presente também nos peixes, e o ouvido médio. o abraço sexual).

Reprodução em anuros

9 A rã respira pelos
pulmões; sua cauda
é reabsorvida.

Adulto

1 Os adultos
fazem a
postura dos
ovos na água. 8 Aparecem
os membros
anteriors.

Espermatozoides

7 O girino respira
Óvulos por brânquias Para dentro e para fora da água –
internas; aparecem A maioria dos estágios do ciclo de
2 O óvulo fertilizado os membros
desenvolve-se posteriores. vida das rãs de zonas temperadas
na água. ocorre na água. O girino aquático se
6 A larva (girino)
respira por brânquias transforma em um adulto terrestre
3 O embrião
desenvolve-se. externas. por meio da metamorfose.
Forma-se
4 uma cauda. 5 O ovo eclode.

Em muitos anfíbios existem algumas variações na re- Pare e Pense


produção, como é o caso da neotonia. A neotenia é um Apesar de haver cópula, sapos e rãs têm fecundação
tipo especial de reprodução observada em alguns anfíbios externa.
cujas larvas não terminam a metamorfose, mas ficam ma-
Qual é então a importância biológica da cópula nesses
duras sexualmente, perpetuando a espécie. Existem duas
modalidades de neotenia: a facultativa e a obrigatória. anfíbios se ela não existe em outros animais de fecunda-
ção externa?
A neotenia facultativa ocorre, por exemplo, na salaman-
dra Ambystoma mexicanun, cuja larva, a axolotle, não termi- Os Répteis
na a metamorfose por fatores puramente ambientais: (1) a Essa classe engloba cerca de 6 mil espécies, sendo que
falta de iodo nas águas da região onde habitam. A ausência mais de 90% delas pertencem aos lagartos e às cobras.
de iodo impede a produção do hormônio tiroxina, essencial Atualmente, os répteis (repere, rastejar) estão represen-
para completar a metamorfose (acredita-se que a falta de tados por apenas quatro grupos, das dezesseis ordens já
cálcio, sódio e magnésio também sejam determinantes para existentes – rincocéfalos (com apenas uma espécie atual
a finalização da metamorfose); (2) as temperaturas baixas re- – Sphenodon punctatum – endêmico da Nova Zelândia);
duzem o metabolismo (os anfíbios são animais pecilotermos) os crocodilianos (jacarés, crocodilos, aligatores); os quelô-
e a baixa produção dos hormônios não é suficiente para de-
nios (jabutis, tartarugas e cágados); escamados ou esqua-
sencadear o término da metamoforse.
matas (lagartos ou lacertílios e cobras ou ofídios).
A neotenia obrigatória ocorre devido a um gene recessivo
Os répteis representam o primeiro grupo de verte-
que impede a continuação da metamorfose, ocorrendo no tri-
brados bem-sucedidos na conquista efetiva do meio
tão cavernícola Proteus, na salamandra Necturus entre outras.
terrestre, o que se deveu a várias e importantes adapta-
ções. A pele é seca, sem glândulas e completamente im-
permeável, com a camada externa de escamas ou placas
córneas formada por uma proteína, a queratina. A respi-
Axolote, larva
ração é exclusivamente pulmonar, mesmo nas espécies
de salamandra aquáticas, e os pulmões são muito mais eficiente do que
que amadurece os dos anfíbios, pois apresentam alvéolos complexos, com
sexualmente. grande superfície para a troca de gases.

257 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Compare, na figura abaixo, a respiração pulmonar de Uma importante adaptação bioquímica à vida terres-
anfíbio, réptil e mamífero. tre é a eliminação de ácido úrico (uricotelismo), como
Anfíbio         Réptil (ofídio)      Mamífero principal excreta nitrogenada, sob a forma de uma pasta
branco-amarelada. O ácido úrico, insolúvel em água, re-


quer mínima quantidade de água para ser eliminado, ao
contrário da ureia, muito solúvel, que é excretada dissol-
vida em grande volume de líquido. Isso proporciona uma
vantajosa economia de água para os animais terrestres,
sempre sujeitos à desidratação.
Além disso, os répteis, na grande maioria, são ovíparos, Apresentam como no-
produzindo o chamado ovo terrestre, pois sua reprodução vidade no sistema digesti-
não depende mais do meio aquático. Tais ovos têm uma vo, em relação aos anfíbios,
casca membranosa resistente, que pode estar calcificada. dentes, que podem estar
Armazenam no seu interior água e grande quantidade de firmemente implantados em
substâncias nutritivas, que garantem o desenvolvimento dos alvéolos e, nas cobras, ser
embriões, bem protegidos de fatores ambientais. Os embri- especializados na inoculação
ões, que dependem do meio unicamente para a troca de ga- de veneno. Todas as espécies
possuem cloaca. Cobra-de-duas-cabeças
ses respiratórios através da casca porosa dos ovos, desenvol-
(escamados).
vem anexos: o âmnio, o córion e a A circulação é dupla,
alantoide. Os répteis são, portanto, incompleta, como nos anfíbios, pois o coração tem dois
os primeiros amniotas, ao contrário átrios e apenas um ventrículo. Nos crocodilianos já exis-
dos anfíbios, anâmnios. No interior tem dois ventrículos, e não ocorre a mistura de sangue
do ovo, está armazenado alimento arterial e venoso no interior do coração, mas apenas fora
(vitelo), que fica em um saco vitelí- dele, no cruzamento das duas grandes artérias que saem
nico, permitindo o desenvolvimen- Sphenodon (rincocéfalo). uma de cada ventrículo. Nesse caso, a circulação é dupla,
to embrionário. completa. Todos os répteis, mesmo aqueles com circula-
Conforme o modo como se dá o desenvolvimento do ção completa, são ectotérmicos.
embrião, as fêmeas dos animais podem ser classificadas Os rins são do tipo metanefro, pois suas unidades ex-
em ovulíparas, ovíparas, ovovivíparas e vivíparas. cretoras filtram o plasma sanguíneo, removendo dele, e
As fêmeas ovulíparas, como, as de alguns peixes e an- não do celoma, as substâncias tóxicas.
fíbios, lançam seus óvulos no meio aquático, onde vivem, Como sistema sensorial, esse grupo apresenta olhos,
para serem fertilizados pelos espermatozóides dos ma- epitélio olfativo nas fossas nasais; nas cobras e nos lagar-
chos, também lançados nesse meio. tos, existem os órgãos de Jacobson (função olfativa), que se
As fêmeas ovíparas botam ovos – fertilizados ou não –, abrem no fundo da cavidade bucal (no palato). Percebe-se
e o desenvolvimento do embrião ocorre fora do seu cor- a presença das fossetas loreais em serpentes peçonhentas,
po. Por exemplo, podemos citar as fêmeas de aves e de que têm como função a captação de calor que permitem a
répteis, além de mamíferos monotremados, como o orni- percepção das presas (pequenos roedores).
torrinco e a équidna. Na sua grande maioria, os répteis são animais de sexos
separados e ovíparos. Algumas espécies são ovovivíparas;
nessas, o ovo, por ocasião da postura, já contém um filho-
As fêmeas das
te praticamente formado, que logo o abandona, tornado-
tartarugas, como -se independente. É o caso de muitas cobras peçonhentas.
as da espécie Muitas cobras e lagartos são vivíparos, dando à luz filhotes
Chelydra serpentina,
são ovíparas.
prontos. A fecundação é sempre interna, e os órgãos co-
puladores dos machos são cecos que ficam protegidos no
BIOATP - ANIMAIS
interior da bolsa cloacal.
As fêmeas ovovivíparas retêm os ovos dentro do seu
Entre os répteis, existe uma forma de reprodução
corpo até sua eclosão, quando, então, os filhotes são ex-
pulsos para o exterior. São exemplos as fêmeas dos lebis- bastante curiosa. Em certas localidades ao longo do Rio
Amazonas, são encontradas populações de determinada
tes, peixes comuns em água doce, e algumas serpentes.
espécie de lagarto que se reproduzem por partenogênese.
Essas populações são consti-
tuídas, exclusivamente, por
As fêmeas de fêmeas que se procriam sem
algumas serpentes machos, gerando apenas fê-
são ovovivíparas. meas. Isso se deve a muta-
Na foto, uma cascavel
(Crotalus duríssus)
ções que ocorrem ao acaso
dando à luz. nas populações bissexuais.

[Link] | Produção: [Link] 258


Biologia

Em muitos lagartos As serpentes aglifodontes têm todos os dentes


que se reproduzem por iguais e voltados para trás.
partenogênese, como o
filho de dragão-de-komodo Está presente na jiboia, sucuri ou anaconda, boipe-
(Varanus komodoensis), o va, cobras-d’água, jararacuçu-do-brejo.
que determina o sexo dos
indivíduos é a temperatura • Dentição opistóglifa (posterior): Um par de dentes


do ambiente onde se inoculadores fixos, contendo um sulco por onde
desenvolvem os ovos. escorre o veneno. Estão localizados na região pos-
terior da boca, um de cada lado da cabeça.
Principais adaptações dos répteis à vida terrestre

Escamas

Epiderme
Pelo em
corte

Derme
As serpentes opistoglifodontes são as falsas-corais,
muçuranas e cobras-cipó. Não oferecem perigo ao
homem, pois, ao mordê-lo, as presas não atingem
Anexos embrionários sua pele, devido à sua posição.
Ácido úrico
Embrião • Dentição proteróglifa (dianteiro): Dentes inocula-


Ovo com CO2 O2
casca Alantoide dores fixos, localizados na região anterior da boca.
Cório
Câmara de ar
Casca
do ovo
Albumina
Pulmão
alveolar Saco vitelino

As serpentes proteroglifodontes têm presas com


Esse grupo já foi representado pelos dinossauros e
um sulco profundo por meio do qual o veneno
hoje abriga os jacarés, crocodilos, tartarugas, camaleões,
penetra no local atingido pela mordida do animal.
lagartos e cobras. Estas últimas podem ser peçonhentas
Ocorre em corais-verdadeiras e najas (Índia, China
(capaz de inocular o veneno na presa) ou não peçonhentas
e África).
(incapazes de inocular o veneno mesmo que o produza).
• Dentição solenóglifa (tubo): Os dentes inoculado-

Ofidismo res de veneno estão presentes e localizam-se na
Há um grande número de espécies de cobras peço- região anterior da boca. Esses dentes são móveis e
nhentas distribuídas por todo o mundo. O termo indica grandes, com um canal por onde o veneno penetra
no local atingido pela mordida do animal.
a capacidade de inoculação de
veneno, enquanto que venenoso
é o animal que apenas produz a
substância tóxica, sendo incapaz
ou não de inoculá-la. Os venenos
são produzidos e armazenados
em glândulas salivares modifica- As serpentes solenoglifodontes têm as presas ino-
culadoras retráteis e ocas (com um canal interno
das, que se localizam na região
semelhante a uma agulha de injeção). Atrás delas
dorsal posterior da cavidade bu-
ficam outros pares menores, que podem substituí-
cal e se ligam por canais aos den-
-las em caso de perda. Ocorre em urutu, cascavel,
tes inoculadores.
jararaca, surucucu.
Veja a seguir os diferentes tamanhos e posições das
É relativamente fácil distinguir as cobras peçonhentas
presas de serpentes.
das inofensivas, não só por traços morfológicos, mas, tam-
• Dentição áglifa (sem sulco): Não existem dentes ino- bém, pelo comportamento. Na tabela a seguir, estão algu-

culadores e nem glândulas secretoras de veneno. mas das características diferenciais.
Vale ressaltar que existem exceções para essas caracterís-
ticas. Aquela mais confiável é a presença da fosseta loreal: pe-
çonhentas possuem e não peçonhentas não a possui. Mas
para essa regra também tem exceção: coral verdadeira é
peçonhenta, no entanto, não possui a fosseta loreal.

259 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Características Peçonhentas Não peconhentas


Mais ou menos triangular Mais ou menos ovalada

Forma

Cabeça Pupilas Em fenda vertical Circulares


Escamas Pequenas, com carenas (saliências) Grandes, lisas
Fossetas Presentes Ausentes
Dentes Dente com canal inoculador de veneno (solenóglifas) Sem dentes inocularores (áglifas)

Pequenas, com carenas e sobrepostas Grandes, lisas e justapostas

Corpo Escamas

Curta, afina bruscamente


Longa e fina

Cauda

Pode haver guizo (cascavéis)


Hábito Noturno Diurno
Comportamento Lentas; se atacadas, enrolam-se Ágeis; se atacadas, fogem

Pare e Pense tram uma grande variedade de bicos, que revelam adap-
Quais características permitem às cobras engolirem ali- tação a determinados tipos de alimentação.
mentos de diâmetro muitas vezes superior ao de seus corpos?

As Aves
As aves atuais pertencem a dois grupos, as ratitas, não
voadoras, e as carinatas, voadoras. O termo carinata refere-
-se a uma grande quilha ou carena do osso esterno, onde
se fixam os fortes músculos peitorais que movimentam as
asas. O esqueleto é relativamente leve, mas bem resistente. Colhereiros possuem bicos
achatados que usam para criar
Os ossos longos são ocos (ossos pneumáticos) e suas cavi- correntes que suspendem a
dades são ligadas aos pulmões por canalículos que permi- presa na coluna d´água, onde
tem uma boa circulação do ar. As asas têm dupla função ae- podem capturá-las.
rodinâmica: atuam na propulsão do animal e fazem o papel O Beija-Flor tem bico fino
de aerofólios móveis e flexíveis, que dão eficiência ao voo. e longo, adaptado a sugar
néctar.
As penas das asas, são para propulsão; as da cauda, são

BIOATP - ANIMAIS
para direcionamento do voo e as menores, cobrem todo
o corpo. São estas últimas que impedem uma excessiva
perda de calor, participando assim da termorregulação.
As aves são capazes de produzir calor matabólico (endo-
térmicos) e são animais homeotermos, com temperatura
corporal constante girando em torno de 40 oC. Para perder
calor, elas liberam vapor de água na expiração.
A pele das aves é seca, sem glândulas e impermeável, o
que dificulta a perda de água. Nas espécies que frequentam O bico do Pica-Pau escava Tucano com bico útil para quebrar
as águas, há na região caudal duas glândulas uropigianas buracos em árvores mortas sementes, apanhar frutos em
cuja secreção oleosa é esparramada sobre as penas, para e, então, usa sua longa língua locais difíceis e também jogar frutos
para investigar as galerias. A nos outros, durante o ritual de
evitar que elas se encharquem (impermeabilização). ponta da língua tem espinhos acasalamento.
Os anexos epidérmicos além das penas, são as esca- que espetam os insetos
mas córneas nas patas, o bico e as garras. As aves mos- encontrados.

[Link] | Produção: [Link] 260


Biologia

O sistema digestivo é completo, a língua é reduzida e, Adaptações das aves para o voo
após a cavidade bucal, seguem-se a faringe e o esôfago, Sacos
onde fica o papo, que armazena e amolece o alimento. aéreos
Cerebelo
Segue-se um estômago químico, secretor de enzimas di- desenvolvidos
gestivas e a moela, um grande estômago mecânico, mus-
cular, que tritura os alimentos com a ajuda de pedrinhas Membrana
nictante Penas
e outros materiais duros que as aves engolem. Ao sair da
moela, o alimento é uma espécie de farelo amarelado, em
Asa
parte já digerido. Completada a digestão no intestino, pela
ação dos sucos pancreático, intestinal e a bile, os restos são
eliminados pela cloaca, junto com o ácido úrico excretados
pelos rins do tipo metanefro. Não existe bexiga urinária.
Sistema digestivo das aves Eterno com Ossos pneumáticos
quilha Músculo
peitoral
Língua Faringe
As aves com frequência mostram um marcante dimor-
Cecos
Esôfago Reto fismo sexual, sendo os machos mais vistosos do que as fê-
Papo meas, além de entoarem cantos de atração para o acasala-
Cloaca
Proventrículo
Intestino
mento. Após a cópula, os óvulos fecundados descem pelo
Fígado Pâncreas oviduto, onde vão recebendo camadas de albumina (clara)
Moela e chegam ao útero. Aí, em algumas horas, completa-se a
formação da casca, e o ovo, já pronto, é posto no ninho.
Este ovo possui os mesmos anexos embrionários encontra-
do nos répteis: saco vitelínico, alantoide, âmnion e córion.
O sistema respiratório é constituído de uma longa
traqueia, e no ponto de bifurcação dos dois brônquios
Os Mamíferos
há um complexo órgão relacionado ao canto, a sirin- Os mamíferos são vertebrados muito bem-sucedidos,
ge. Os dois pulmões são relativamente pequenos, mas pois há cerca de 4 500 espécies existentes, na maioria pla-
centárias, mostram uma grande irradiação adaptativa,
têm uma extensa rede de cana- Traquéia ocupando os mais diversos ambientes. A grande diversi-
lículos, os parabrônquios, que
Siringe dade de formas, o comportamento e adaptações muito
garantem uma ótima circulação especiais lhes garantiram vantagens na competição com
interna do ar. São, portanto, di- outros grupos. Algumas dessas adaptações são os pêlos
ferentes dos pulmões alveolares Pulmão e as glândulas sudoríparas, que atuam no mecanismo de
dos demais vertebrados. Dos termorregulação (homeotermia); as glândulas mamárias,
pulmões das aves surgem sacos cujo leite garante a nutrição das crias; um cérebro e or-
Saco
aéreos, os quais diminuem a aéreo gãos sensoriais bem desenvolvidos; capacidade de masti-
densidade corporal, favorecen- gação, com rápida digestão; altas taxas de metabolismo.
do o voo.
O sistema circulatório apresenta uma novidade: o
coração tem dois átrios e dois ventrículos, completa- A localização das glândulas
mamárias é variável: elas
mente separados. É uma circulação dupla e comple-
são peitorais na espécie
ta, pois não há mistura dos sangues venoso e arterial humana, nos macacos e
dentro do coração. Uma única aorta sai do ventrículo nos elefantes, por exemplo;
inguinais ou pélvicas na
esquerdo e curva-se para a direita, levando o sangue
vaca, égua, cabra, ovelha
arterial para o corpo. e baleia; e abdominais,
O sistema nervoso das aves é bem desenvolvido, em na porca, nas fêmeas de
carnívoros e de roedores,
especial o cerebelo, onde ficam os centros nervosos coor- que se deitam de lado
denadores dos movimentos de voo e equilíbrio. Os olhos enquanto os filhotes
são grandes, e sob as duas pálpebras há uma fina e quase mamam. Evidentemente,
as glândulas situam-se em
transparente membrana nictante, que se fecha durante o locais de mais fácil acesso
vôo, protegendo-os. aos filhotes.

261 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

A pele dos mamíferos tem estrutura bem mais comple- seja, constituída pela união do saco vitelínico com
xa do que a dos demais vertebrados. Além dos pêlos e das a parede do útero.
glânduas sudoríparas que se relacionam ao controle da A placenta é transitória, durando até o nascimento
temperatura, há ainda glândulas sebáceas, que lubrificam do embrião.
a pele, além de garras, cascos, unhas, espinhos, cornos e
placas córneas, de queratina, com diferentes funções. Eutérios
No sistema digestório, são de grande importância os • Representantes: os eutérios compreendem a


dentes, que podem ter diferentes formas, adaptados à maioria dos mamíferos, todos placentários e com
preensão, laceração, trituração, perfuração. cerca de 3 800 espécies.
A respiração é exclusivamente pulmonar, mesmo nas • Características: são animais vivíparos que possuem


espécies aquáticas. Os pulmões têm câmaras alveolares placenta desenvolvida e duradoura.
complexas, com grande superfície para troca de gases res- Há um útero e uma vagina.
piratórios. Os mamíferos são os únicos vertebrados com
um músculo membranoso, o diafragma, que separa as ca- Reprodução
vidades torácica e abdominal e permite os movimentos Os mamíferos têm sempre fecundação interna e são
respiratórios de inspiração e expiração. todos amniotas. São vivíparos, com exceção dos monotre-
O coração tem quatro cavidades, e a circulação é mados (prototérios). Nestes, o ovo fecundado é mantido
portanto dupla, completa. A aorta é voltada para o no interior do corpo da fêmea durante algumas semanas,
lado esquerdo do corpo, e as hemácias são anucleadas, onde completa seu crescimento. Em seguida, são acres-
discoides, enquanto nos demais vertebrados elas são centadas as camadas externas, a casca, e o ovo é expulso.
ovais, nucleadas. Depois da eclosão, os jovens se alimentam de leite mater-
Existe bexiga urinária, os rins são metanefros, e o pro- no. Nos monotremados, a reprodução é, portanto, uma
duto final de excreção é a ureia (são ureotélicos). combinação da reprodução de répteis e de mamíferos.
O encéfalo dos mamíferos é bastante desenvolvido; Nos marsupiais, há algumas novidades. O embrião se
nos mais complexos, os numerosos dobramentos super- desenvolve no útero em três a quatro semanas. Quando
ficiais (ou circunvoluções) determinam uma grande su- nesce, tem tamanho muito reduzido. Um filhote de cangu-
perfície de córtex (substância cinzenta), com um número ru, ao deixar a cavidade uterina, pesa cerca de um grama.
excepcional de neutrônios. Muitas espécies veem cores. Isso é compreensível, já que, não havendo uma placenta
São dotados de orelha interna, média e externa. (que fornece nutrientes) nos marsupiais, o embrião não
pode crescer muito. Ao nascer, o jovem, ainda muito in-
Classificação completo, arrasta-se até o marsúpio (bolsa) da mãe, fixa-
-se a um de seus mamilos e aí se desenvolve.
Prototérios Um recém-nascido humano pesa cerca de três quilo-
• Representantes: ornitorrinco (bico de pato) e gramas. Comparado a um bebê de canguru, ele é gigan-

équidna (corpo coberto por espinhos), encontra- tesco. Por que isso ocorre? A resposta, obviamente, está
dos na Austrália e Nova Guiné. na presença da placenta, anexo embrionário exclusivo dos
• Características: a única ordem sobrevivente dos mamíferos placentários, que fornece ao embrião alimento

mamíferos prototérios foi a dos monotremados e, e oxigênio, retirando gás carbônico e excretas nitrogena-
ainda, mantém algumas características dos répteis, das. Dessa forma, todo o desenvolvimento pode ocorrer
como a postura de ovos (ovíparos) e a presença de
cloaca. Seus representantes possuem pêlos e glân-
com segurança no interior do corpo materno.
BIOATP - ANIMAIS
dulas mamárias (o leite transuda da pele, como o
suor), mas não possuem útero típico (dilatação da
trompa), vagina ou placenta; nos machos, o pênis
não tem uretra. Os ornitorrincos possuem um úni-
co oviduto ou trompa funcional.

Metatérios
• Representantes: canguru, coalas (autralianos) e

gambás (América do Sul), etc.
Ornithorhyncus anatinus
• Características: a ordem dos marsupiais apresenta

animais vivíparos, mas de placenta rudimentar, ou Monotremados – O ornitorrinco é a terceira espécie
de monotremados existentes.

[Link] | Produção: [Link] 262


Biologia

1. Uma esponja-viva é um animal multicelular com pe-


quena diferenciação celular. Suas células podem ser
mecanicamente desagregadas, passando-se a esponja
numa peneira. Se a suspensão celular é agitada por
umas poucas horas, as células se reagregam para for-
mar uma nova esponja. É o processo de adesão celu-
lar. Sobre esse assunto, é incorreto afirmar:
(a) Macropus rufus
(A) A agregação celular depende do reconhecimen-


to que se estabelece entre as células e deve ser
espécie-específica.
(B) A simplicidade celular das esponjas se deve ao fato


de elas não apresentarem reprodução sexuada.
(C) Se duas diferentes espécies de esponjas são de-


sagregadas juntas, as células de cada espécie se
reagregam isoladamente.
(b) Calumorys phicander (D) O alto grau de regeneração celular observado nas

esponjas se deve ao pequeno grau de diferencia-
ção celular do animal.
2. Esta é a turma do Bob Esponja:

(c) Sarcophilus harrissi

Marsupiais – (a) O canguru australiano é dito como o marsupial típico,
mas a evolução dos marsupiais também deu origem a
(b) espécies arborícolas como este opossum da América do Sul e Bob Esponja Patric
(c) carnívoros, como este diabo-da-tasmánia.

(a) Corollia perspicillapa

Lula Molusco Sr. Siriguejo


Lula Molusco é supostamente uma lula; Patric, uma

estrela-do-mar; o Sr. Siriguejo, um caranguejo; e Bob
é supostamente uma esponja-do-mar. Cada um, por-
tanto, pertence a um grupo animal diferente. De acor-
do com seus conhecimentos a respeito desses grupos
de animais, marque a opção correta:
(b) Tursiops Truncatus (A) Bob Esponja não poderia ter boca, pois poríferos

não apresentam sistema digestivo.
Diversidades de Eutérios – (a) os morcegos das zonas temperadas
são todos insetívoros, mas muitos morcegos tropicais como este se (B) Sr. Siriguejo é entre os integrantes da turma do

alimentam de frutas. (b) Os golfinhos representam uma linhagem de Bob Esponja aquele de maior grau de parentesco
eutérios que retornou ao ambiente marinho. com os humanos.

263 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

(C) Lula Molusco e Sr. Siriguejo pertencem ao mesmo 4. As planárias são vermes acelomados, pequenos e


filo do reio Animal, ambos são Moluscos. achatados dorso-ventralmente; apresentam um tubo
(D) De acordo com a evolução dos animais, pode-se digestório com inúmeras ramificações.

dizer que o Bob Esponja é o personagem mais O tamanho e a forma das planárias estão diretamente


novo da turma. relacionados
(E) Patric representa um grupo que faz parte do fito- (A) à capacidade regenerativa de seu mesênquima.

plâncton e, portanto é capaz de realizar fotossíntese.


(B) ao sistema nervoso ganglionar ventral.


3. (C) à presença de células flama.

Deu branco no coral


(D) aos ocelos acima dos gânglios cerebroides.
  Os corais estão ficando descorados. Habitantes



das águas quentes dos trópicos, eles são as vítimas (E) à ausência de um sistema circulatório.


mais visíveis do Efeito Estufa. A ONU vem estudando
o fenômeno e agora o Brasil mergulha nessa pesquisa. 5. Com relação ao Reino Animal, leia as alternativas


  Imagine um termômetro capaz de indicar, mudan- abaixo:

do sutilmente de coloração, pequenas alterações na I. Formado por animais sésseis e geralmente herma-
temperatura do mar. Agora imagine que não exista um,


froditas, a maioria das espécies do filo Poríferos
mas milhões desses termômetros. São os corais. Eles são aquáticas, apesar de existirem algumas espé-
proliferam na região tropical, onde se formam ecossis- cies terrestres.
temas extremamente complexos. Mas, de repente, um
alerta: eles estão ficando brancos. O seu embranque- II. A lombriga e a solitária (tênia), parasitas do intes-


cimento progressivo, constatado pela primeira vez em tino humano, pertencem aos filos Platelmintos e
1987, indica que o aquecimento provocado pelo Efeito Nematelmintos, respectivamente.
Estufa está causando sérios danos ao mar. III. Animais cujo corpo é formado por numerosos

  Em 1993, o Comitê Oceanográfico Internacional anéis repetidos (metâmeros) pertencem ao filo
Anelídeos, do qual a minhoca é o representante

da ONU iniciou um projeto ambicioso: usar os co-
rais como termômetros vivos da saúde marítima em mais conhecido.
dezessete países. Pesquisadores de várias partes do IV. O filo Cnidários é formado, basicamente, por dois

mundo verificaram que eles trazem não só sua idade tipos morfológicos de indivíduos, que são: póli-
registrada no esqueleto, mas também as marcas das pos, cujo principal representante é a água-viva, e
agressões ambientais sofridas. medusas, representadas pelos corais.
  O branqueamento é resultado da quebra da estrei- V. No filo Moluscos existem indivíduos com concha

ta relação entre corais e algas microscópicas (zooxante-

externa, como é o caso das ostras e mexilhões, e
las) que vivem “aprisionadas” em células da sua epider- também indivíduos sem ela, como é o caso da lula
me. As zooxantelas são responsáveis pela variedade de e do polvo.
cores exibida pelos corais. Quando a alga vai embora,
VII. De todo o reino animal, o filo Artrópodes é o que
ele embranquece. E a debandada delas está crescendo.

“O que se pensava ser um fenômeno isolado é hoje vis- apresenta o maior número de espécies.
to em escala global”, afirma o biólogo Clóvis Barreira e VIII. No filo Cordados, somente a classe Mamíferos

Castro, do Museu Nacional do Rio de Janeiro. apresenta circulação dupla e completa.
Super Interessante, mai.2005.
São corretas as alternativas
(Texto adaptado para fins didáticos.)

Sobre os recifes de corais, é correto afirmar que: (A) I, II, VII


(B) III, V e VI
(A) os principais animais formadores dos recifes são os

(C) I, III, V

corais, os quais são considerados termômetro devido

sua grande tolerância a variações de temperatura. (D) II, IV, V

(B) os recifes de corais ocorrem em águas com tem- (E) III, VI, VII


peraturas relativamente altas durante todo ano,
6.
sofrendo, portanto, pouca influência do aqueci-

Minhocultura cresce em todo o mundo
mento global.
As minhocas há muito tempo são utilizadas como
(C) os pólipos de corais formadores dos recifes, em-

aliadas do ser humano. Sua criação (minhocultura) é,

bora sejam heterótrofos, dependem da luz, afinal entre nós, uma atividade recente e desconhecida do
seu alimento é produzido pelas zooxantelas. grande público.
(D) o branqueamento dos pólipos deve-se a perda da O comércio de minhocas vivas, como isca para a pesca


capacidade de secretar pigmentos devido ao au- esportiva, tem sido o grande responsável pelo desen-
mento da temperatura da água do mar. volvimento da minhocultura em muitos países.

[Link] | Produção: [Link] 264


Biologia

Nos EUA, estima-se que os 100 milhões de pescado- nereis



res ali existentes movimentam centenas de milhões
de dólares anuais com o comércio de minhocas para
finalidades esportivas.
No Brasil, os baixos investimentos exigidos na sua cria-

ção têm levado muitas pessoas a se interessarem em
explorar a minhocultura como uma fonte de carne
(proteína) barata, para a alimentação de pequenos ani- centopéia
mais, como rãs, peixes, aves, camarão-de-água-doce.
As minhocas proporcionam também outras vanta- Assinale a alternativa correta.



gens, exceto: (A) O nereis é um anelídeo, a centopéia é um artró-


(A) as galerias subterrâneas construídas pelas minho- pode e ambos apresentam circulação aberta.

cas aumentam a aeração do solo favorecendo a (B) O nereis é um artrópode, a centopéia é um anelí-
atividade microbiana.


deo e ambos apresentam circulação fechada.
(B) túneis na terra construídos pelas minhocas faci- (C) O nereis é um asquelminto, a centopéia é um platel-

litam a drenagem da água diminuindo riscos de


minto e ambos não apresentam sistema circulatório.
lixiviação.
(D) O nereis é um anelídeo, a centopéia é um artró-
(C) a produção de húmus fertiliza o solo tornando-o


pode e ambos apresentam exoesqueleto.

favorável para fins de jardinagem, florístico, de
paisagismo. (E) O nereis é um anelídeo, a centopéia é um artró-


pode, mas apenas a centopéia apresenta exoes-
(D) minhocas são base da cadeia alimentar e portan-
queleto.

to permite o equilíbrio entre os microorganismo
do solo. 10. Observe o esquema.

(E) minhocas enterram folhas e depositam fezes na
Pássaro

terra, contribuindo para adubação do solo e favo-
rendo a agricultura. habitat poucas presença de
terrestre cerdas nifrídeos
7. Dentre os grupos de doenças citados abaixo, marque 1 2 3

a alternativa na qual todas elas sejam causadas por sangue com aparelho papo e
hemoglobina circulatório moela
vermes. 4 ausente 5 6
(A) Filariose, giardíase, ascaridíase, leishmaniose. respiração respiração aparelhos
branquial cutânea circulatório

(B) Filariose, triquinose, ancilostomose, leishmaniose. 7 8 fechado 9

(C) Teníase, giardíase, ancilostomose, esquistossomose. simetria celomado
bilateral 11

(D) Cisticercose, tricocefalíase, ancilostomose, es- 10

quistossomose. Minhoca

(E) Hidatidose, amarelão, balantidiose, oxiurose. Suponha que o pássaro, se quiser comer a minhoca,


tenha que passar por seis retângulos que contenham
8. Organismos que apresentam corpo dividido em pro-
pistas (informações) com características deste anelí-

glotes, com escólex na parte anterior e sem tubo di-
deo, não podendo pular nenhum retângulo. Um cami-
gestivo, podem parasitar o homem através de:
nho correto a ser percorrido é
(A) Contato com água contaminada;
(A) 2, 3, 6, 9, 8 e 11. (D) 2, 3, 6, 5, 8 e 10.

(B) Ingestão de carne malcozida;


(B) 2, 3, 6, 5, 8 e 11. (E) 3, 2, 1, 4, 7 e 10.

(C) Pés descalços;


(C) 1, 4, 7, 8, 9 e 11.

(D) Picada de inseto;


(E) Transfusão de sangue. 11. A estação ecológica de Tripuí, em Ouro Preto, foi cria-


da em 1978 para a preservação do Peripatus acacioi
9. As figuras a seguir representam dois animais inverte- (veja figura a seguir), um invertebrado raro, membro

brados, o nereis, um poliqueto marinho e a centopéia, do filo Onychophora. Os onicóforos despertam gran-
um quilópode terrestre. Apesar de apresentarem al- de interesse dos zoólogos porque compartilham ca-
gumas características comuns, tais como, apêndices racterísticas com os membros do filo Anelida e com o
locomotores e segmentação do corpo, estes animais filo Arthropoda, sendo considerados um “elo evoluti-
pertencem a filos diferentes. vo” entre os dois últimos filos.

265 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

A seguir estão relacionadas algumas das característi- 14. Analise este esquema de parte de uma árvore evoluti-


cas dos onicóforos. va de invertebrados, em que I, II, III e IV representam
I. Presença de quitina na superfície corporal. grupos de organismos com as características destaca-

II. Corpo segmentado. das nos quadros a que cada um deles se relaciona.

III. Um par de nefrídios por segmento.

IV. Respiração por sistema traqueal.

V. Sistema circulatório aberto.

Assinale a alternativa que atribui corretamente ca-

racterísticas encontradas em representantes dos filos
Anelida e Arthropoda, dentre as listadas acima.

Características morfofuncionais
Filho Anelida Filo Arthropoda


(A) I, II e III I, II, IV e V
Considerando as informações do esquema a seguir e


(B) I, III e IV II, III e V

outros conhecimentos sobre o assunto, assinale a al-


(C) II e III I, III, IV e V ternativa em que o animal mostrado não representa o


(D) III e IV I, III grupo indicado.


12. No gráfico, as curvas representam o padrão de cresci- (A)  IV

mento de dois grupos distintos de organismos.

(B) 
I

(C) 
II

(D) 
As curvas A e B representam, respectivamente, o cres- III

cimento de
(A) anelídeos e moluscos. (D) artrópodes e anfíbios.
15. O animal A é hermafrodita e tem respiração cutânea,

(B) mamíferos e anfíbios.  (E) mamíferos e anelídeos.

enquanto o animal B é dióico (tem sexos separados)

(C) moluscos e artrópodes. e excreção por túbulos de Malpighi; já o animal C

13. Os ácaros domésticos são animais microscópicos, nor- apresenta simetria pentarradial e sistema ambulacral.
Os animais A, B e C podem ser, respectivamente,

malmente parasitas da epiderme humana. Vivem no
pó acumulado em tapetes, carpetes, cortinas e rou- (A) minhoca, gafanhoto e estrela-do-mar.
pas de cama onde, normalmente, se alimentam de

descamações epidérmicas humanas e de outros ani- (B) minhoca, planária e estrela-do-mar.

mais domésticos, sendo capazes de provocar alergia. (C) barata, planária e ouriço-do-mar.

Alguns deles podem mesmo provocar lesões na pele (D) barata, gafanhoto e hidra.
humana como a sarna e o cravo de pele. A respeito

desses animais, é correto afirmar, exceto: (E) gafanhoto, barata e hidra.

(A) São insetos microscópicos.
16. Os moluscos bivalves (ostras e mexilhões) são orga-

(B) Apresentam exoesqueleto quitinoso.

nismos economicamente importantes como fonte

(C) São heterótrofos e realizam respiração celular. de alimento para o homem, por possuírem alto valor

(D) Possuem quatro pares de patas e não apresentam nutritivo. Eles conseguem filtrar grandes volumes de

antenas. água em poucas horas, daí serem comumente chama-

[Link] | Produção: [Link] 266


Biologia

dos “organismos filtradores”, mas, em consequência, Equipe 2:


podem acumular no seu trato digestivo, altas concen- • animais com endoesqueleto calcáreo e espinhos


trações de microorganismos e compostos químicos = Filo Platyhelminthes;
tóxicos, eventualmente presentes na água onde vi- • animais com formato de pólipo e tentáculos = Filo


vem, assim pondo em risco a saúde pública e exercen- Coelenterata;
• animais invertebrados com patas articuladas =
do grande impacto social e econômico nas áreas de


Filo Arthropoda.
sua criação. Equipe 3:
Assinale a afirmação correta. • animais com cabeça, pé muscular e massa visce-



ral = Filo Mollusca;
(A) Os moluscos não possuem sistema digestivo.
• animais com vértebras e crânio calcáreos = Filo

(B) Os moluscos não possuem sistema nervoso gan-


Chordata;

glionar. • animais com corpo dorso-ventralmente achata-


(C) Os mexilhões possuem concha com apenas uma dos = Filo Platyhelminthes.

valva. Assinale a alternativa correta:


(D) Nos mexilhões, as brânquias têm função respira- (A) apenas as equipes 2 e 3 classificaram os animais


corretamente.

tória e importante papel na nutrição.
(B) apenas a equipe 3 classificou os animais correta-
(E) Os moluscos são sempre hermafroditas.


mente.

17. Observe estas figuras: (C) apenas a equipe 2 classificou os animais correta-


mente.

(D) apenas as equipes 1 e 3 classificaram os animais


corretamente.
(E) apenas a equipe 1 classificou os animais correta-

mente.
19. O filo dos invertebrados mais relacionado ao homem

é aquele que inclui as estrelas-do-mar, ou seja, os
equinodermas. A justificativa para essa conclusão
surpreendente foi baseada principalmente no estudo
Mexilhão adulto Crescimento de mexilhões no comparativo:
filtro autolimpante de uma usina.
(A) do desenvolvimento embrionário.
O mexilhão dourado de água doce, molusco originário

(B) da simetria dos organismos.

do sudoeste da Ásia, é uma espécie invasora do siste-

ma hídrico brasileiro, que provoca sérios problemas (C) do documentário fóssil.

em estações de água, indústrias e hidrelétricas.
(D) da fisiologia.
Entre as características que facilitam a disseminação e

(E) do genoma.

o aumento da população desse molusco, não se inclui

(A) o notável controle de sua população por inimigos 20. “Um pequenino grão de areia


naturais. que era um pobre sonhador
(B) a intensa disseminação de suas larvas. olhando o céu viu uma estrela

(C) a sua rápida maturação sexual. e imaginou coisas de amor

(D) a sua considerável capacidade adaptativa a dife- (...)
(...) o que há de verdade

rentes ambientes.
é que depois, muito depois
18. Após várias aulas teóricas de zoologia, o professor apareceu a estrela do mar”

propõe a seguinte prática, muito comum em diversos (Herivelto Martins)
colégios: no laboratório, são distribuídos vários ani- As estrelas do mar são:

mais (alguns vivos, outros conservados) nas equipes (A) equinodermos com revestimento calcário, sem

ou bancadas e é solicitado aos alunos que os classifi- espinhos e tecido muscular
quem em seus respectivos grupos. (B) equinodermos com epiderme recobrindo os es-

A seguir estão os resultados de algumas equipes: pinhos calcários articulados às placas do endoes-

Equipe 1: queleto
(C) equinodermos com epiderme queratinizada nos
• animais com concha e moles = Filo Mollusca;

pés ambulacrais e superfície corporal lisa

• animais segmentados e com exoesqueleto quiti- (D) poríferos com epiderme recobrindo os espinhos

noso = Filo Arthropoda;

calcários articulados às placas do esqueleto
• animais com poros e espículas no esqueleto = Filo (E) poríferos com epiderme queratinizada nos pés


Porifera. ambulacrais

267 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

21. A figura esquematiza um aquário contendo um peixe Assinale a alternativa que contém apenas as afirmati-


mergulhado em uma solução básica de azul de bro- vas corretas
motimol, que é azul em pH > 7, verde em pH = 7 e (A) I e II
amarela em pH < 7.



(B) II e III



Solução básica de azul de (C) II e IV


bromotimol
(D) III e IV


(E) I, III e IV


24. Os répteis se adaptam com facilidade à vida em regi-


ões desérticas. Por excretarem o nitrogênio pela uri-
na incorporado em uma substância pouco solúvel em
água, seu volume de urina diário é pequeno e, conse-
quentemente, sua ingestão de água é menor. Esse não
Marque a alternativa correta , relativa à situação ante- é o caso do homem, que excreta o nitrogênio através
de um produto muito solúvel em água.

rior, considerando o produto da respiração.
(A) O pH sobe e a solução continua azul. Os gráficos abaixo representam a excreção urinária de


(B) O pH e a cor da solução permanecem inalterados. produtos nitrogenados. Em cada um deles, no eixo da
abscissa, estão indicados os produtos eliminados e,

(C) O pH baixa e a solução fica amarela.
no eixo da ordenada, as respectivas quantidades ex-

(D) O pH sobe e a solução fica amarela. cretadas em 24 horas.

(E) O pH baixa e a solução fica verde.

1 2 3 4

22. Entre os peixes e os primeiros anfíbios, foram ne-



cessários 40 milhões de anos de lenta e constante
evolução.
Todas as afirmativas contêm adaptações surgidas du-

ácido úrico

uréia

alantoína

amônia

ácido úrico

uréia

alantoína

amônia
rante essa evolução, exceto:

ácido úrico

uréia

alantoína

amônia

ácido úrico

uréia

alantoína

amônia
(A) manutenção da pele úmida.

(B) membros articulados.
Os gráficos que correspondem, respectivamente, aos

(C) respiração pulmonar.

seres humanos e aos répteis são os de números:

(D) termorregulação. (A) 1 e 3



23. O esquema a seguir representa as fases de desenvol- (B) 1 e 4



vimento de um anfíbio anuro. (C) 3 e 2

(D) 4 e 2

25. Qual das alternativas é a melhor explicação para

a expansão e o domínio dos répteis durante a Era
Mesozóica, incluindo o aparecimento dos dinossauros
e sua ampla distribuição em diversos nichos do am-
biente terrestre?
Sobre esse processo, analise as seguintes afirmativas: (A) Prolongado cuidado com a prole, garantindo pro-


I. Na fase larval, a respiração é cutânea e na fase teção contra os predadores naturais.

adulta, é branquial. (B) Aparecimento de ovo com casca, capaz de evitar

II. Na fase larval, o principal excreta nitrogenado é a o dessecamento.

amônia e na adulta, é a uréia. (C) Vantagens sobre os anfíbios na competição pelo

III. Os ovos possuem casca impermeável para evitar alimento.

a dessecação. (D) Extinção dos predadores naturais e consequente

IV. Na cadeia alimentar, o girino geralmente é consi- exploração populacional.

derado consumidor primário e o adulto é consu- (E) Abundância de alimento nos ambientes aquáticos

midor secundário. abandonados pelos anfíbios.

[Link] | Produção: [Link] 268


Biologia

26. Assinale a alternativa correta a respeito do processo – O instituto que emite os certificados de qualidade


respiratório. ISO 9002, tem qualidade certificada por quem?
(A) Nos indivíduos terrestres, a troca de gases com – Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”.


o meio ocorre por difusão simples, enquanto nos
animais aquáticos essa troca é feita por transpor- Um internauta respondeu a última pergunta e ganhou


te ativo. o prêmio. Sabendo que a galinha é uma ave, do pon-
to de vista biológico e evolutivo, a alternativa correta
(B) Os pigmentos respiratórios são proteínas exclusi-
para responder a essa questão que foi escrita pelo in-

vas de animais vertebrados, capazes de aumentar
ternauta foi:
a eficiência do transporte de gases e permitir que
esses animais sejam homotermos. (A) o ovo, pois as aves são todas ovíparas e alguns


répteis também.
(C) A respiração cutânea ocorre em animais aquáti-

cos e em alguns animais terrestres como os arac- (B) o ovo, pois as aves descendem dos répteis, que


nídeos. também põem ovos.
(D) Em insetos, não há um órgão específico que rea- (C) a galinha, pois o ovo surgiu nas aves posterior-



lize as trocas gasosas. Sendo assim, o O2 é levado mente ao seu surgimento.
diretamente a cada célula do corpo. (D) o ovo, que deu origem às aves e depois aos rép-


(E) A superfície de troca de uma brânquia é pequena, teis nessa ordem evolutiva.

sendo pouco eficiente na absorção de O2 . (E) a galinha, pois os répteis que originaram as aves

não punham ovos.
27. Os animais a seguir representados são bastante dife-

rentes na sua aparência, mas apresentam várias ca- 29. As aves não possuem glândulas sudoríparas e man-
racterísticas comuns.

têm a temperatura do corpo constante.
A estratégia adaptativa utilizada por esses animais,

quando a temperatura ambiente está muito alta, é o
aumento de
(A) perda de água na expiração.

(B) metabolismo de carboidratos.

(C) quantidade de gás carbônico no sangue.

(D) consumo de oxigênio.

Entre essas características não se inclui: 30. Analise esta figura, em que está representada a


PROVÁVEL filogenia dos vertebrados:
(A) fecundação interna.


(B) homeotermia. Anfíbios


Ancestral
(C) oviparidade. Répteis

(D) respiração pulmonar.

Aves

28. Um determinado site oferecia prêmios para internau-



tas que soubessem a resposta para uma das pergun- Mamíferos

tas cujo título era: Perguntas sem respostas.


A partir dessa análise, é correto afirmar que o ances-
Algumas das perguntas estão descritas abaixo:

tral desses quatro grupos apresentava:
– Por que os Flint Stones comemoravam o Natal se (A) membros locomotores e pulmões.

eles viviam numa época antes de Cristo?

(B) coração com quatro cavidade e brânquias.
– Por que os filmes de batalhas espaciais tem explo-

(C) pêlos no corpo e glândulas mamárias.

sões tão barulhentas, se o som não se propaga no

vácuo? (D) homeotermia e placenta.

269 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

31. Este gráfico refere-se à taxa metabólica de cinco ani- (B) menores, porque insetos e peixes podem viver


mais de diferentes pesos corporais em um determina- em ambientes diferentes.
do intervalo de tempo. (C) menores, porque insetos e peixes apresentam sis-


temas respiratórios diferentes.
Camundongo
(D) maiores, porque as aves surgiram há mais tempo
Taxa metabólica

Rato


Coelho do que os homens.
Homem
(E) maiores, porque aves e homens vivem em am-


Cavalo
bientes completamente diferentes.
Peso corporal 34. Na tabela abaixo, o sinal (+) indica a presença da carac-


terística, enquanto o sinal (–) indica a ausência dessa
Com base no gráfico e em seus conhecimentos é cor-
característica. Observe atentamente a tabela e assinale

reto afirmar que
a alternativa que se aplica aos nematelmintos.
(A) A digestão é mais eficiente no cavalo do que no

coelho. Sistema Sistema cir- Sistema res- Sistema Sistema
(B) A taxa de consumo de oxigênio é maior no coelho digestivo culatório piratório excretor nervoso

do que no rato. (A) + – – + +
(C) A taxa metabólica depende da relação entre a su- (B) – + – – +

perfície e o volume corpóreo.
(C) – + – + –
(D) A taxa metabólica é diretamente proporcional ao
(D) – – + – +

peso corporal.
(E) + + + + +
32. Observe esta figura, em que está representada a lon-

gevidade média de vários animais:

Hipopótamo
Leão
Raposa
Gato-do-mato
Camundongo

Tempo anos

1. B 13. A 25. B



2. A 14. C 26. D



3. C 15. A 27. B



Os animais de vida curta diferem dos de vida longa
4. E 16. D 28. B

por todas as seguintes características, exceto



(A) maior número de indivíduos nas populações. 5. B 17. A 29. A




(B) menor número de células.
6. D 18. E 30. A

(C) menor taxa metabólica.




(D) menor tempo de gestação. 7. D 19. A 31. C




33. Na classificação dos seres vivos, as diferenças entre
8. B 20. B 32. C
os grupos Monera e Protista são bem maiores do que



aquelas existentes, por exemplo, entre Briófitas e 9. E 21. C 33. A
Pteridófitas. Baseados nessa afirmação, podemos en-



tão assegurar que as diferenças entre uma ave e um 10. A 22. D 34. A



homem, quando comparadas às que existem entre
um inseto e um peixe, são: 11. A 23. C


(A) menores, porque ave e homem são classificados

como cordados. 12. C 24. A


[Link] | Produção: [Link] 270
Biologia

(D) Não foram expostos a nenhum tipo de pressão


ambiental.
(E) Não apresentaram muita variabilidade genética.


3.


Planta ou animal?
À primeira vista, ele parece uma lindíssima e rara


1. Leia a tira a seguir, que ilustra os dilemas alimentares flor, o que não se distância muito da verdade; esta

na vida de uma esponja. bela criatura é da classe Anthozoa, que em grego sig-
A água do mar passa
nifica flor-animal (Anthos = flor + Zoon = animal).
Olá!
Eu sou uma
esponja!
constantemente
através de mim. O delgado cerianto vive solitariamente no fundo


do mar, onde habita um escuro buraco cavado verti-
Os bichos Fred Wagner

calmente na areia, revestido por um muco secretado


por seu corpo.
Ninguém pode dizer


É assim que me
alimento.
É claro que eu
preferia um hambúrger
que o cerianto não é es-
com fritas. perto: ao menor sinal de
ataque de um inimigo, ele
se contrai todo e “enterra-
-se” em seu tubo, prote-
gendo-se até que desapa-
Adaptado de: “Zero Hora”, 26 jul. 2003. reça o perigo.
Com relação aos poríferos marque a correta: Apesar de ter a aparência frágil de uma flor, os


ceriantos são bastante resistentes e podem viver vá-
(A) Na evolução dos animais as esponjas represen-
rios anos em cativeiro. Existem registros de ceriantos

tam o grupo mais primitivo e, portanto o menos
com mais de 50 anos de idade em aquários.
adaptados ao ambiente marinho.
Com relação à dúvida apresentada no título do texto,
(B) A fala expressa no segundo quadro pode ser ve-

é correto afirmar que os ceriantos são

rídica porque as esponjas apresentam inúmeros
poros em seu corpo que permite o fluxo da água. (A) plantas, afinal vivem solitariamente enquanto

animais vivem em sociedade.
(C) A fala expressa no terceiro quadro demonstra que
(B) plantas, pois apresentam pétalas, estruturas ex-

as esponjas se alimentam de água marinha que

passa constantemente dentro de seu corpo. clusivas de vegetais.
(D) Esponjas apresentam tecidos bastante especia- (C) animais, afinal plantas não são capazes de se con-

trair protegendo-se do perigo.

lizados sendo os coanócitos as células responsá-
veis pelo fluxo da água em seu corpo. (D) animais, pois vegetais não alcançam 50 anos de

(E) O desejo da esponja, expresso no último quadro, idade, morrendo antes disso.

não pode se realizar pois estes animais apresen- (E) animais, afinal plantas não habitam escuros bura-

tam cavidade digestiva muito simples. cos, pois necessitam da luz.
2. As esponjas constituem o filo Porifera do reino Animal, 4. Um professor realizou uma excursão para coletar in-


sendo indivíduos de organização corporal simples, con- vertebrados macroscópicos num manguezal. Seus
siderados um ramo primitivo na evolução dos metazo- alunos estudaram o material coletado, verificando as
ários. Os poríferos são usados pelos pintores para obter seguintes características antes de identificá-los:
certos efeitos especiais na técnica de aquarela; antiga- I. Corpo dividido em cefalotórax e abdome; região
mente, eram usados também como esponjas de banho.

cefálica com 2 pares de antenas; região torácica
Assinale a alternativa que menciona, corretamente, o com 5 pares de apêndices articulados; brânquias

que pode significar, sob o ponto de vista evolutivo, o como órgãos respiratórios.
fato de animais com características primitivas, como
II. Corpo dividido em cabeça, tórax e abdome; ca-
as esponjas, terem sido um dos primeiros a se formar

beça com um par de antenas; tórax com 3 pares
e serem abundantes até hoje.
de patas articuladas e 2 pares de asas; traquéias
(A) Sua estratégia evolutiva não foi bem sucedida. como órgãos respiratórios.

(B) A seleção natural não atuou sobre as esponjas. III. Corpo único, indiviso, alojado no interior de duas


(C) As esponjas mostraram adaptação às pressões valvas calcárias articuladas; presença de um único

ambientais. pé musculoso; brânquias como órgãos respiratórios.

271 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Os alunos identificaram corretamente os animais I, II e (A) promove a maior ocupação de diferentes nichos


III, respectivamente, como sendo um ecológicos pela espécie.
(A) molusco, um inseto e um crustáceo. (B) favorece o sucesso reprodutivo individual de am-



(B) inseto, um molusco e um crustáceo. bos os parentais.

(C) crustáceo, um inseto e um molusco. (C) impossibilita a transmissão de genes do macho


para a prole.

(D) crustáceo, um molusco e um inseto.
(D) impede a sobrevivência e reprodução futura do

(E) inseto, um crustáceo e um molusco.


macho.

5. Uma empresa dedetizadora expôs o seguinte anúncio: (E) reduz a variabilidade genética da população.



7. A invasão de espécies exóticas é uma grande amea-


ça à integridade dos ecossistemas aquáticos. O uso
de “água de lastro” nos grandes navios, para obter
Estamos preparados para livrar a sua casa de
maior estabilidade, tem sido um eficiente meio de
todos os tipos de insetos: ratos, baratas, traças,
aranhas, carrapatos, ácaros, formigas e escorpiões. dispersão de organismos, marinhos e de água doce,
para outros ecossistemas. A navegação é um sis-
tema de transporte importante, capaz de integrar
as economias dos cinco países da Bacia do Prata
(Brasil, Bolívia, Argentina, Paraguai e Uruguai), mas
Analisando-se a propaganda da empresa, pode-se ela trouxe o mexilhão-dourado, Limnoperna fortu-
nei (Bivalvia, Mollusca), observado desde 1991 na

afirmar:
I. O anúncio contém informações incorretas por- Argentina. É um bivalve pequeno (cerca de 3 cm),
originário dos rios asiáticos. Em 1998 foi observado

que, além de insetos, estão citados quelicerados
e vertebrados. no pantanal mato-grossense, seguindo a rota da na-
II. Carrapatos, ácaros e escorpiões não são insetos, vegação.
(Extraído de: http: [Link])

e sim quelicerados pertencentes ao grupo dos
Arachnida. Considere as afirmativas a seguir, relacionadas com o

III. Os insetos citados no anúncio são as baratas, as texto apresentado:

traças e as formigas. I. A ausência de predadores e parasitas para espé-

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s): cies exóticas pode ser a causa de seu sucesso nos
ambientes invadidos.

(A) I, II e III


II. O mexilhão-dourado é uma espécie de água
(B) apenas I e II

doce, mas chegou à Argentina pelo estuário


(C) apenas II e III do Rio da Prata, que apresenta água salobra.

(D) apenas I e III Conclui-se daí que a alta tolerância às condições

(E) apenas III ambientais é um fator que favorece o sucesso de
espécies exóticas.

6. As fêmeas de algumas espécies de aranhas, escor- III. Como o texto afirma que a espécie foi introduzida


piões e de outros invertebrados predam os machos pela água de lastro, deduz-se que foi transporta-
após a cópula e inseminação. Como exemplo, fême- da na forma de larvas.
as canibais do inseto conhecido como louva-a-deus, IV. Sendo bivalves, os mexilhões-dourados não de-
Tenodera aridofolia, possuem até 63% da sua die-

vem apresentar dificuldade de se alimentar no
ta composta por machos parceiros. Para as fêmeas, novo ambiente, pois são filtradores.
o canibalismo sexual pode assegurar a obtenção de
nutrientes importantes na reprodução. Com esse in- Assinale a alternativa correta.

cremento na dieta, elas geralmente produzem maior
quantidade de ovos. (A) Somente a afirmativa II é verdadeira.

BORGES, J. C. Jogo mortal. Disponível em: [Link] (B) Somente a afirmativa III é verdadeira.

Acesso em: 1 mar. 2012 (adaptado).
(C) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.

Apesar de ser um comportamento aparentemente
(D) As afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras.

desvantajoso para os machos, o canibalismo sexual

evoluiu nesses táxons animais porque (E) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.

[Link] | Produção: [Link] 272
Biologia

8. “A Baía de Guanabara mantém uma relação de inter- III. As espécies migradoras sobem o rio em levas con-


dependência com vários ecossistemas a que se inte- secutivas que podem ser constituídas por peixes
gra. A qualidade das águas não poderia deixar de ser de vários tamanhos.
influenciada pela carga poluidora lançada nos rios de
IV. Os peixes nadam contra a correnteza e, por essa
seu entorno e no espelho d’água”.


razão, há uma alta produção de ácido lático em
Os mexilhões podem ser utilizados como bioindicado-
seus músculos.

res para o monitoramento da poluição em ambientes
marinhos devido à sua capacidade de V. Ocorre a fabricação de um hormônio provocada


(A) fixação ao substrato (D) filtração pela estimulação do ácido lático. Esse hormônio


(B) oxigenação (E) adaptação é o responsável pela maturação das células repro-
dutoras dos peixes.


(C) decomposição

9. As estrelas do mar comem ostras, o que resulta em Com base nessas informações, aponte a alternativa


que classifica de maneira correta as razões que levam

efeitos econômicos negativos para criadores e pesca-
dores. Por isso, ao se depararem com esses predado- à ocorrência da piracema.
res em suas dragas, costumavam pegar as estrelas-do-
-mar, parti-las ao meio e atirá-las de novo à água. Mas Fatores Produção de Reações
o resultado disso não era a eliminação das estrelas- abióticos substância químicas
(do ambiente química pelo em cadeia
-do-mar, e sim o aumento do seu número.
físico) peixe (feedback)
DONAVEL, D. A bela é uma fera. Super Interessante.
Disponível em: [Link] Acesso em: 30 abr. 2010 (adap- (A) I V III
tado). (B) I IV V
A partir do texto e do seu conhecimento a respeito (C) III I II

desses organismos, a explicação para o aumento da III IV II
(D)
população de estrelas-do-mar baseia-se no fato de
elas possuírem (E) V II

(A) papilas respiratórias que facilitaram sua reprodu-


11. Em uma área observa-se o seguinte regime pluviomé-

ção e respiração por mais tempo no ambiente.

trico:
(B) pés ambulacrários que facilitaram a reprodução

e a locomoção do equinodermo pelo ambiente 350

aquático. 300
250
(C) espinhos na superfície do corpo que facilitaram
200

sua proteção e reprodução, contribuindo para a 150
sua sobrevivência. 100
(D) um sistema de canais que contribuíram na distri- 50

buição de água pelo seu corpo e ajudaram bas- 0
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
tante em sua reprodução. Meses do ano
(E) alta capacidade regenerativa e reprodutiva, sen-

do cada parte seccionada capaz de dar origem a Os anfíbios são seres que podem ocupar tanto am-

um novo indivíduo. bientes aquáticos quanto terrestres. Entretanto, há
10. Todos os anos, algumas espécies de peixes sobem até espécies de anfíbios que passam todo o tempo na ter-
ra ou então na água. Apesar disso, a maioria das espé-

as cabeceiras dos rios, nadando contra a correnteza para
realizar a reprodução. É a piracema, fenômeno conside- cies terrestres depende de água para se reproduzir e
rado essencial para a preservação da piscosidade (abun- o faz quando essa existe em abundância.
dância de peixes) das águas de muitos rios e lagoas. Os meses do ano em que nessa área, esses anfíbios

A seguir são dadas algumas informações sobre a pira- terrestres poderiam se reproduzir mais eficientemen-

cema: te são de
I. As primeiras piracemas costumam acontecer por
(A) setembro a dezembro.

volta de outubro quando, devido às chuvas, ocor-


re uma série de enchentes. (B) novembro a fevereiro.


II. As chuvas e as enchentes estimulam a ovulação (C) janeiro a abril.

nas fêmeas e fazem com que os peixes formem

um cardume em um determinado trecho do rio, (D) março a julho.

para realizar a reprodução. (E) maio a agosto.

273 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

12. O gráfico a seguir apresenta medidas da excreção de (B) espécie A, pois é a espécie de maior grau de pa-


substâncias nitrogenadas durante a metamorfose de rentesco com Phyllobates terribilis, logo, prova-
certa espécie de sapos. velmente o ancestral comum dessas duas espé-
Amônia Uréia
cies possui venenos.
100 0 (C) espécie B, pois a presença de veneno é uma ca-


racterística que provavelmente tenha surgido no
80 20 ancestral comum mais próximo de E. tricolor, es-
Porcentagem de excretas

pécie B e P. terribilis.
60 40
(D) espécie B, pois entre as espécies R. palmipes,


E. tricolos e P. terribilis da árvore filogenética, a
40 60
espécie B demonstra maior grau de parentesco
20
com E. tricolor, a qual produz alcalóide.
80
(E) espécie A e espécie B, afinal todas as espécies


0 100 representadas na árvore filogenética apresentam
40    50    60    70   80   90   100    110
Idade (em dias) ancestral comum, assim, provavelmente todos os
descendentes produzem.
Os dados mostram que a excreção de:
14. Em certas localidades ao longo do rio Amazonas, são


(A) amônia só ocorre nos primeiros dias de vida. encontradas populações de determinada espécie de

(B) uréia começa a ocorrer por volta do centésimo dia. lagarto que se reproduzem por partenogênese. Essas

(C) amônia predomina sobre a de uréia em todo o populações são constituídas, exclusivamente, por fê-

período considerado. meas que procriam sem machos, gerando apenas fê-
(D) uréia aumenta significativamente por volta do oc- meas. Isso se deve a mutações que ocorrem ao acaso

togésimo dia. nas populações bissexuais. Avalie as afirmações se-
(E) amônia e de uréia faz-se em grande quantidade guintes, relativas a esse processo de reprodução.

na fase larvária. I. Na partenogênese de lagartos, as fêmeas dão ori-

13. Alguns anfíbios possuem venenos que têm por base gem apenas a fêmeas, enquanto, nas populações
bissexuais, cerca de 50% dos filhotes são fêmeas.

compostos químicos alcalóides. Os alcalóides obtidos
a partir dessas espécies vêm sendo utilizados em pes- II. Se uma população bissexuada se mistura com

quisas biomédicas, por causa de suas propriedades uma que se reproduz por partenogênese, esta úl-
farmacológicas. Os cientistas acreditam que o conhe- tima desaparece.
cimento das relações evolutivas (filogenéticas) dos III. Na partenogênese de lagartos, um número x de
anfíbios pode auxiliar na escolha das espécies a serem

fêmeas é capaz de produzir o dobro do número
estudadas na busca de novos alcalóides. A figura a se- de descendentes de uma população bissexuada
guir mostra as relações entre cinco espécies de anfí- de lagartos de x indivíduos, uma vez que, nesta,
bios. As espécies Phyllobates terribilis e Epipedobates só a fêmea põe ovos.
tricolor apresentam alcalóides, enquanto a espécie
Rana palmipes não possui este tipo de substância. É correto o que se afirma

Espécie A (A) apenas em I   (D) apenas em II e III



(B) apenas em II   (E) em I, II e III



(C) apenas em I e III
Rana palmipes

15. A figura a seguir se refere à determinação do sexo em

algumas espécies de tartarugas e lagartos.
Epipedobates tricolor Com base nessa figura pode-se afirmar que

Espécie B 1,0
Proporção de fêmeas

Legenda
Phyllobates terribilis
tartarugas
0,5
A espécie que deveria ser estudada primeiro pelos cientis-
lagartos

tas na busca por alcalóides de interesse farmacológico é a
(A) espécie A, pois é a espécie mais antiga e portanto, 0,0

a espécie submetida a maior tempo de adaptação
24   26   28   30   32   34
à proteção contra predadores através da produ-
Temperatura de incubação (oC)
ção de veneno.

[Link] | Produção: [Link] 274


Biologia

(A) a determinação do sexo nesses animais é inde- III. A migração de várias espécies reduz a competição


pendente da localização dos ovos no ninho e da na época da reprodução, quando a demanda por
época da postura. alimento é maior.
(B) a determinação do sexo, sob controle de tempe- Qual alternativa correta?

ratura, pode ser útil em condições de manejo de


(A) apenas I (D) apenas II e III
espécies em extinção.



(B) apenas II (E) todas estão corretas
(C) indivíduos de sexo indeterminado, em tartarugas,



(C) apenas III

são produzidos em temperaturas abaixo de 28°C.


(D) temperaturas maiores que 28°C produzem fême- 18. A maior parte dos mamíferos – especialmente os

as tanto em tartarugas quanto em lagartos.


grandes – não pode viver sem água doce. Para os ma-
(E) machos são produzidos em baixas temperaturas míferos marinhos, água doce é ainda mais difícil de

tanto para tartarugas quanto para lagartos. ser obtida. Focas e leões-marinhos captam água dos
peixes que consomem e alguns comem neve para
16. O grupo dos répteis notabilizou-se por abrigar repre- obtê-la. Os peixes-boi procuram regularmente água

sentantes que, ao longo da evolução, constituíram o doce nos rios. As baleias e outros cetáceos obtêm
primeiro grupo de vertebrados a conquistar efetiva- água de seu alimento e de goladas de água do mar.
mente o ambiente terrestre. Para tanto, surgiram inú- Para tanto, os cetáceos desenvolveram um sistema
meras adaptações, como as relacionadas a seguir: capaz de lidar com o excesso de sal associado à inges-
I. presença de ovo com casca tão de água marinha.

II. pele seca e rica em queratina Wong. K, Os mamíferos que conquistaram os oceanos.

III. exotermia In. Scientific American Brasil. Edição Especial nº5: Dinossauros e Outros

Monstros. (adaptado).
IV. ocorrência de sexos separados

V. órgãos respiratórios internos
A grande quantidade de sal na água do mar


São adaptações que permitiram a conquista do am-
(A) torna impossível a vida de animais vertebrados

biente terrestre pelos répteis as citadas apenas em

nos oceanos.
(A) I, II e V (D) I, II, IV e V
(B) faz com que a diversidade biológica no ambiente


(B) I, III e V (E) II, III, IV e V

marinho seja muito reduzida.


(C) I, II, III e IV
(C) faz com que apenas os mamíferos adaptados à inges-


17. O I.V. é um indicador da variedade de formas e tama- tão direta de água salgada possam viver nos oceanos.

nhos dos bicos de grupos de espécies de aves. Quanto (D) faz com que seja inapropriado seu consumo dire-

maior o I.V. de um grupo de espécies, maior a varie- to como fonte de água doce por mamíferos mari-
dade dos bicos. O gráfico a seguir relaciona o I.V. das nhos, por exemplo, as baleias.
espécies de aves de duas regiões (A e B) à porcenta- (E) exige de mamíferos que habitam o ambiente
gem de espécies de cada região que migra para ou-

marinho adaptações fisiológicas, morfológicas
tros locais do planeta durante a época de reprodução ou comportamentais que lhes permitem obter
e criação dos filhotes. água doce.
100
Porcentagem das espécies que migram

90
A
80
70
60
50
40
30 1. B 7. D 13. C
B



20
10
2. C 8. D 14. C



0
0,22 0,35
Índice de variação (I.V.) 3. E 9. E 15. B



Analisando esse gráfico e baseado em conhecimentos
4. C 10. B 16. A

prévios, um estudante fez as seguintes afirmações:




I. provavelmente há maior competição intra-especí-
5. A 11. B 17. E

fica por alimentos na espécie A que na espécie B.



II. a espécie B tem maior variedade de bicos, o que po-
6. B 12. D 18. E

deria explicar a menor porcentagem de migração.



275 [Link] | Produção: [Link]
DESENVOLVIMENTO HUMANO:
DA REPRODUÇÃO À FORMAÇÃO DOS TECIDOS
SISTEMA REPRODUTOR
O sistema reprodutor humano, também chamado de sistema genital, é formado por órgãos que constituem o apare-
lho genital masculino e feminino, caracterizados abaixo.

5 O sêmen é ejaculado pelo


órgão copulador, o pênis. Ureter

Bexiga urinária
Bexiga urinária
Cólon
4 Os fluídos seminais são produ-
zidos pelas vesículas seminais, Osso pubiano
pela glândula prostática e pela Vesícula seminal
glândula bulbouretral.
Tecido erétil
esponjoso Reto
3 Os espermatozoides são libe- Glândula
rados na uretra pelos canais Uretra
prostática
deferentes, os quais se unem
à uretra atrás da bexiga. Glândula

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO


Glande do pênis
bulbouretral O sistema reprodutor
2 Os espermatozoides são
armazenados e sofrem Prepúcio Canal deferente masculino. Visão
maturação no epididimo.
Epidídimo frontal e lateral dos
Escroto
1 Os espermatozoides órgãos reprodutores
são produzidos nos
testículos. Testículo masculinos.

Célula de
Núcleo da Sertoli
célula de
Cada célula de Sertoli envolve, Sertoli Membrana basal do A espermatogo-
Canal nutre e protege os espermato- túbulo seminífero nia (2n) desenvol-
deferente Espermatogônia (2n) ve-se em esperma-
zoides em desenvolvimento. tozoides (n).
Epidídimo Proliferação por mitose
Testículo Espermatócito
primário (n)
Primeira divisão meiótica
Acrossomo
Espermatócito
secundário (n) Nos túbulos
Segunda divisão meiótica Cabeça seminíferos, ocorre a
Espermátides (n) Núcleo
espermatogênese.
Espermátides Centríolo Os túbulos seminíferos
Tubo Corte transversal do diferenciando-se
Peça
preenchem os testículos
seminífero túbulo seminífero Mitocôndria
intermediária do homem. Enquanto
Os espermatozoides As células de Leyding localiza-
desenvolvem-se das no tecido entre os túbulos Lumen do túbulo seminífero os espermatozoides
continuamente ao seminíferos produzem os
longo de todo o hormônios masculinos. amadurecem, eles se
comprimento dos Os espermatozoides maduros
túbulos seminíferos. são liberados dentro do lúmen movem pela parede do
dos túbulos seminíferos. túbulo em direção ao
centro, onde são liberados
Espermatozoide (n) no lúmen do túbulo.

Sistema Reprodutor Masculino Testículos: são as gônadas masculinas. Cada testícu-


lo é composto por um emaranhado de tubos, os ductos
O sistema reprodutor masculino é formado por: seminíferos. Esses ductos são formados pelas células de
• Testículos ou gônadas; Sértoli (ou de sustento) e pelo epitélio germinativo, onde
ocorrerá a formação dos espermatozoides. Em meio os


• Vias espermáticas: epidídimo, canal deferente, uretra;
ductos seminíferos, as células intersticiais ou de Leyding

• Pênis;
(nomenclatura antiga) produzem os hormônios sexuais


• Escroto; masculinos, sobretudo a testosterona, responsáveis pelo


• Glândulas anexas: próstata, vesículas seminais, desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e dos


glândulas bulbouretrais. caracteres sexuais secundários:

[Link] | Produção: [Link] 276


Biologia

• Estimulam os folículos pilosos para que façam cres-



do de estímulo erótico, ocorre a inundação dos corpos

cer a barba masculina e o pêlo pubiano; cavernosos e esponjoso, com sangue, tornando-se rijo,
• Estimulam o crescimento das glândulas sebáceas e com considerável aumento do tamanho (ereção). O pre-


a elaboração do sebo; púcio deve ser puxado e higienizado a fim de se retirar
• Produzem o aumento de massa muscular nas crian- dele o esmegma (uma secreção sebácea espessa e es-
branquiçada, com forte odor, que consiste principalmen-


ças durante a puberdade, pelo aumento do tama-
nho das fibras musculares; te em células epiteliais descamadas que se acumulam
• Ampliam a laringe e torna mais grave a voz; debaixo do prepúcio). Quando a glande não consegue
ser exposta devido ao estreitamento do prepúcio, diz-se


• Fazem com que o desenvolvimento da massa óssea
que a pessoa tem fimose.


seja maior, protegendo contra a osteoporose.
Fimose – fases da circuncisão
Epidídimos: são dois tubos enovelados que partem dos
testículos, onde os espermatozoides são armazenados.
Canais deferentes: são dois tubos que partem dos testícu-
los, circundam a bexiga urinária e se unem-se ao ducto ejacu-
latório, onde desembocam as vesículas seminais.
Vesículas seminais: responsáveis pela produção de
um líquido, que será liberado no ducto ejaculatório que,
Disponível em: [Link].
juntamente como o líquido prostático e os espermatozoi-
des, entrarão na composição do sêmen. O líquido das ve- A uretra é comumente um canal destinado para a uri-
sículas seminais age com fonte de energia para os esper- na, mas os músculos na entrada da bexiga se contraem du-
matozoides e é constituído principalmente por frutose, rante a ereção para que nenhuma urina entre no sêmen.
apesar de conter fosfatos, nitrogênio não proteico, clo- Todos os espermatozoides não ejaculados são reabsorvi-
retos, colina (álcool de cadeia aberta considerado como dos pelo corpo dentro de algum tempo.
integrante do complexo vitamínico B) e prostaglandinas. Escroto: Um espermatozoide leva cerca de 70 dias
Próstata: glândula localizada abaixo da bexiga urinária. para ser produzido. Eles não podem se desenvolver ade-
Secreta substâncias alcalinas que neutralizam a acidez da quadamente na temperatura normal do corpo (36,5 oC).
urina e ativa os espermatozoides. Assim, os testículos se localizam na parte externa do cor-
Glândulas bulbo uretrais ou de Cowper: sua secreção po, dentro do escroto, que tem a função de termorre-
transparente é lançada dentro da uretra para limpá-la e gulação (aproximam ou afastam os testículos do corpo),
preparar a passagem dos espermatozoides. Também tem mantendo-os a uma temperatura geralmente em torno
função na lubrificação do pênis durante o ato sexual. de 1 a 3 oC abaixo da corporal.
Pênis: é considerado o principal órgão do aparelho
sexual masculino, sendo formado por dois tipos de te- Sistema Reprodutor Feminino
cidos cilíndricos: dois corpos cavernosos e um corpo es- O sistema reprodutor feminino é constituído por dois
ponjoso (envolve e protege a uretra). Na extremidade ovários, duas tubas uterinas, um útero, uma vagina, uma
do pênis encontra-se a glande – cabeça do pênis, onde vulva. Ele está localizado no interior da cavidade pélvica.
podemos visualizar a abertura da uretra. Com a manipu- A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza uma
lação da pele que a envolve – o prepúcio – acompanha- função protetora.

Os ovócitos II amadure- Os óvulos são liberados dentro do


cem e são liberados tubo uterino, pelos quais eles chegam
pelos ovários. ao útero. A fertilização deve ocorrer na
porção superior do oviduto, iniciando
o desenvolvimento.

Ovário

Oviduto
Cólon
Ovário Cavidade
(visto por corporal Útero
dentro)
Ovário (visto Bexiga Endométrio
por fora) O blatocisto implanta-se urinária (revestimento
no endométrio, onde do útero)
o desenvolvimento
continua. Uretra Cérvix
Clitóris
Reto
Os espermatozoides A abertura do útero O sistema reprodutivo
são depositados na – a cérvix – está
vagina durante a fechada durante a Grandes Pequenos Vagina feminino. Vista frontal
cópula. A vagina atua gestação e dilata-se lábios lábios e lateral dos órgãos
também como canal para permitir o
de parto. nascimento. reprodutores femininos.

277 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

A vagina é uma canal de 8 a 10 cm de comprimento, e da vagina. Na vulva também está o clitóris, formado por
de paredes elásticas, que liga o colo do útero aos genitais tecido esponjoso erétil, homólogo à glande do homem.
externos. Contém de cada lado de sua abertura, porém Ovários: são as gônadas femininas. Produzem estróge-
internamente, duas glândulas denominadas glândulas de no e progesterona, hormônios sexuais femininos.
Bartholin (homólogas às glândulas bulbouretrais), que se- No final do desenvolvimento embrionário de uma meni-
cretam um muco lubrificante. na, ela já tem todas as células que irão transformar-se em
A entrada da vagina é protegida por uma membrana gametas nos seus dois ovários. Estas células – os ovócitos pri-
circular – o hímem – que fecha parcialmente o orifício mários – encontram-se dentro de estruturas denominadas
vulvo-vaginal e é quase sempre perfurado no centro, po- folículos de Graaf ovarianos. A partir da adolescência, sob
dendo ter formas diversas. Geralmente, essa membrana ação hormonal, os folículos ovarianos começam a crescer
se rompe nas primeiras relações sexuais. e a desenvolver. Os folículos em desenvolvimento secretam
o hormônio estrógeno. Mensalmente, apenas um folículo
A vagina é o local onde o pênis deposita os espermato-
geralmente completa o desenvolvimento e a maturação,
zoides na relação sexual. Além de possibilitar a penetração rompendo-se e liberando o ovócito secundário (gameta fe-
do pênis, possibilita a expulsão da menstruação e, na hora minino): fenômeno conhecido como ovulação. Após seu
do parto, a saída do bebê. rompimento, a massa celular resultante transforma-se em
A genitália externa ou vulva é delimitada e protegida corpo lúteo ou amarelo, que passa a secretar os hormônios
por duas pregas cutâneo-mucosas intensamente irrigadas progesterona e estrógeno. Com o tempo, o corpo lúteo re-
e inervadas – os grandes lábios (homólogos ao escroto). gride e converte-se em corpo albicans ou corpo branco, uma
Na mulher reprodutivamente madura, os grandes lábios pequena cicatriz fibrosa que irá permanecer no ovário.
são recobertos por pêlos pubianos. Mais internamente, O gameta feminino liberado na superfície de um dos
outra prega cutâneo-mucosa envolve a abertura da vagina ovários é recolhido por finas terminações das tubas uteri-
– os pequenos lábios – que protegem a abertura da uretra nas – as fímbrias.

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO


Se a gravidez não ocorre, o cor- Os ovócitos primários
po lúteo degenera. Em caso de
gravidez, o corpo lúteo produz estão presentes
progesterona nos primeiros
meses de gestação. no ovário desde o
nascimento.
As células foliculares
Ligamento (prende o ovário
remanescentes formam
na cavidade abdominal)
o corpo lúteo, o qual
produz progesterona e
estrogênio. Uma vez ao mês,
aproximadamente, 6 a
Folículo rompido 12 ovócitos primários
iniciam a maturação.
Óvulo

Um ovócito primário
e as células que o
rodeiam constituem
Na ovulação, o folículo um folículo.
rompe-se, liberando o óvulo.
Ovário Ovócito
Oócito secundário Células foliculares

O ovócito em desenvolvi-
mento é nutrido pelas célu-
las foliculares circundantes.

Após uma semana, geralmente apenas um


ovócito primário (2n) continua a se desen-
volver. Uma divisão meiótica pouco antes da
ovulação produz o ovócito secundário (n).

O ciclo ovariano – O ciclo ovariano progride do desenvolvimento de um folículo até sua ovulação e, finalmente, até o crescimento
e a degeneração do corpo lúteo. A micrografia mostra um folículo maduro de mamífero; o ovócito está no centro.

Observação: na ovulação, é expelido do ovário não um óvulo já formado, mas um ovócito II, pois a meiose ainda
não está terminada. É a penetração do espermatozoide que estimula o ovócito a completar a maturação, transfor-
mando-se em óvulo.

[Link] | Produção: [Link] 278


Biologia

Tubas uterinas ou ovidutos: são dois ductos que unem cia lipídica que lhe dá uma cor amarela típica, passando
o ovário ao útero. Seu epitélio de revestimento é formado a se chamar corpo amarelo ou lúteo. Entre o vigésimo
por células ciliadas. Os batimentos dos cílios microscópi- quarto e o vigésimo oitavo dia do ciclo, caso não tenha
cos e os movimentos peristálticos das tubas uterinas im- ocorrido a fecundação, o corpo amarelo degenerará. Se
pelem o gameta feminino até o útero. ocorrer a fecundação, o corpo amarelo aumentará de
tamanho e secretará hormônios até aproximadamente
Útero: órgão oco situado na cavidade pélvica anterior- o terceiro mês da gestação, quando a placenta passa a
mente à bexiga e posteriormente ao reto, de parede mus- assumir esta função.
cular espessa (miométrico) e com formato de pêra inverti-
da. É revestido internamente por um tecido vascularizado Ciclo Uterino
rico em glândulas – o endométrio.
A fase proliferativa se estende do final da menstrua-
Ciclo Sexual Feminino ção até a ovulação. O endométrio se espessa pela rápida
proliferação de suas células e pelo aumento do número de
Ciclo Ovariano glândulas e vasos sanguíneos. Essa fase está sob o coman-
do do estrógeno ou estrogênio.
Geralmente, o ciclo ovariano dura certa de 28 dias e se
A fase secretora ocorre após a ovulação e vai até o
caracteriza pela maturação do ovócito II. A fase pré-ovu-
início da próxima menstruação. O endométrio permane-
latória ou folicular corresponde aos primeiros 14 dias do
ce muito vascularizado e as glândulas secretam substân-
ciclo, período em que se dá o crescimento e a maturação cias para a nutrição do embrião – no caso de haver fe-
de um folículo. No décimo quarto dia aproximadamente, cundação – adquirindo um aspecto esponjoso. Está sob
ocorre a ovocitação; o folículo maduro se rompe e libera o o comando da progesterona.
ovócito II que penetra nas tubas uterinas.
A fase menstrual ou descamativa ocorre na ausência da
A fase pós-ovulatória vai do décimo quinto dia ao vi- fecundação; o endométrio será destruído e haverá a he-
gésimo oitavo dia do ciclo, correspondendo entre o pe- morragia, devido à ruptura dos vasos sanguíneos. A mulher
ríodo da ovulação e o início da menstruação. Nessa fase, pode perder de 50 mL a 150 mL de sangue durante essa
o folículo começa a apresentar a luteína, uma substân- fase. Ocorre queda de estrógeno e progesterona.

(a) Gonadotrofinas (hipófise anterior)


Estrogênio inibe a Estrogênio estimula Estrogênio inibe a
liberação de a liberação de liberação de
LH e FSH LH e FSH LH e FSH

0       5       10      15      20       25

Hormônio
luteinizante (LH)

O FSH e o LH estão sob o controle do


GnRH hipotalâmico e dos hormônios Hormônio Folículo
estimulante (FSH)
ovarianos, estrogênio e progesterona.

(b) Eventos no ovário (ciclo ovariano)


O FSH estimula o desenvolvimento dos
folículos; o pico de LH causa a ovulação e Desenvolvimento Ovulação Corpo lúteo Desenvolvimento
do folículo do ovócito
então o desenvolvimento do corpo lúteo. Maturação
do ovócito

(c) Hormônios ovarianos


Os hormônios ovarianos estimulam o
desenvolvimento do endométrio em Estrogênio
preparação para a gravidez.
Progesterona Os ciclos ovariano e uterino.
Durante os ciclos ovariano e
utenino da mulher, ocorrem
O desenvolvimento do revestimento (d) Eventos no endométrio (ciclo uterino) mudanças coordenadas
uterino (o endométrio) é controlado pelo
Sangramento e descamação (a) na liberação de
estrogênio e pela progesterona. do revestimento uterino
gonadotrofinas pela hipófise
anterior; (b) no ovário; (c)
na liberação dos esteroides
sexuais femininos; e (d) no
Mens- útero. O ciclo se inicia com
truação Proliferação Fase secretora
a menstruação; a ovulação
0       5       10      15      20       25 ocorre na metade do ciclo.
Dias do ciclo uterino

279 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Gametas Humanos espermatozoide, que esse ovócito é estimulado e a meio-


se se completa. Após este evento, o núcleo do óvulo se
São células haploides (n), ou seja, com um único conjun-
to de 23 cromossomos. Os espermatozoides são os gametas funde ao do espermatozoide, formando o zigoto.
masculinos e apresentam 22 cromossomos autossomos e Fecundação
1 cromossomo sexual, que pode ser ou cromossomo X ou o
Y. Já o ovócito, gameta liberado pela mulher na tuba uterina, Dos aproximadamente 300 milhões de espermatozoi-
apresenta 22 cromossomos autossomos e 1 cromossomo X. des eliminados na ejaculação, apenas cerca de 200 atin-
gem a tuba uterina, e só um fecunda o ovócito II.
• Espermatozoide

O espermatozoide é uma célula pequena e móvel;
apresenta cabeça com núcleo haploide e flagelo ou outra
estrutura de motilidade.
O espermatozoide humano pode ser dividido em três
regiões: cabeça, peça intermediária e cauda. Na cabeça,
situam-se o núcleo e o acrossomo, com enzimas que irão Ovócito II Óvulo
Espermatozoide
digerir a membrana do ovócito na fecundação. A peça inter- Penetração do espermatozoide
mediária apresenta muitas mitocôndrias, responsáveis pela


liberação da energia necessária à movimentação do esper-
matozoide, realizada pelos batimentos da cauda ou flagelo. Reação
acrossômica

acrossomo Membrana de
núcleo cabeça fecundação
citoplasma
centríolos Corona
peça intermediária
mitocôndrias radiata
Zona
pelúcida

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO


flagelo Grânulos
corticais

cauda

Na fecundação, o espermatozoide passa pela coroa


Esquema de um radiada e, ao atingir a zona pelúcida, sofre alterações, for-
espermatozoide humano. mando a membrana de fecundação, que impede a pene-
tração de outros espermatozoides no ovócito.
• Ovócito II Ao mesmo tempo, há finalização da meiose, dando ori-

O ovócito dos humanos é uma célula haploide, grande gem ao óvulo e formando-se o segundo corpúsculo polar.
e imóvel, apresenta pouco material nutritivo ou vitelo, por
isso é do tipo oligolécito.
Assim que o ovócito é liberado do ovário em direção à Corpúsculos
polares
tuba uterina, células do folículo ovariano saem junto ao seu
redor, formando um envoltório chamado corona radiata ou
coroa radiada que está ligada à camada protetora exterior do
ovócito, a zona pelúcida. A sua principal função em muitos Fusão dos núcleos 1ª mitose (metáfase)
masculino e feminino
animais é a de fornecer proteínas vitais à célula. Aparece du-
  
rante a ovocitação, mas pode desaparecer após a fertilização. Na fecundação, o espermatozoide fornece para o zigoto
Células foliculares ou corona radiata o núcleo e o centríolo. As mitocôndrias dos espermatozoides
desintegram-se no citoplasma do óvulo. Assim, todas as mito-
Membrana plasmática côndrias do corpo do novo indivíduo são de origem materna.
Hoje se sabe que há muitas doenças causadas por mu-
Citoplasma tações no DNA mitocondrial e que elas são transmitidas di-
retamente das mães para seus descendentes. Além disso, a
Núcleo
análise do DNA mitocondrial tem sido usada em testes de
maternidade para verificar quem é a mãe de uma criança.
Zona pelúcida O núcleo haploide do óvulo e o núcleo do esperma-
tozoide recebem, respectivamente, os nomes pró-núcleo
feminino e pró-núcleo masculino. Com a união desses
O ovócito II é uma célula cuja meiose ainda não está núcleos (anfimixia), temos a formação da célula-ovo ou
terminada. É apenas na fecundação, com a penetração do zigoto e o início do desenvolvimento embrionário.

[Link] | Produção: [Link] 280


Biologia

Algumas vezes ocorre poliovulação, quando dois ou Fases da Embriogênese


mais ovócitos são liberados do ovário e fecundados, cada A embriogênese animal caracteriza-se por uma suces-
um por um espermatozoide. Formam-se, desse modo, os são de fenômenos na seguinte ordem: segmentação ou
gêmeos bivitelinos ou dizigóticos (fraternos), que podem clivagem, gastrulação e organogênese.
não apresentar semelhanças entre si e não ser do mesmo
sexo, uma vez que não são geneticamente idênticos. No A – Segmentação
caso dos gêmeos univitelinos ou monozigóticos (idênti- Logo após a fecundação, o zigoto (célula-ovo) começa
cos), a mulher liberou um único ovócito e este foi fecun- a se dividir por mitose. A essas divisões iniciais do zigoto
dado por um único espermatozoide. No entanto, durante dá-se o nome segmentação ou clivagem.
o desenvolvimento embrionário, as células do embrião se Cada uma das células resultantes da segmentação
separam, e cada uma forma um indivíduo, neste caso, ge- denomina-se blastômero. À medida que as mitoses se su-
neticamente idênticos (clones naturais). cedem, os blastômeros diminuem de tamanho, de modo
A B
que o tamanho do embrião, após algumas divisões, é pra-
espermatozoide espermatozoides ticamente igual ao tamanho do zigoto inicial. O aspecto
do embrião, após sucessivas divisões, é o de uma pequena
amora; é o primeiro estágio embrionário e recebe o nome
ovócito
mórula (do latim morula = amora).
ovócitos
2 blastômeros 4 blastômeros

Ovo

divisão do divisão dos


embrião embriões
8 blastômeros

desenvolvimento desenvolvimento 32 blastômeros 16 blastômeros


de dois embriões de dois embriões
Esquema da
cordão umbilical formação Esquema da
de gêmeos segmentação.
mórula
univitelinos
(A), um caso de
poliembrionia, A segmentação do ovo resulta numa massa de célu-
e de gêmeos las que, após o estágio de mórula, começa a aumentar de
bivitelinos (B), tamanho, devido ao aparecimento de uma cavidade em
um caso de
poliovulação da
seu interior. Fica assim caracterizado o segundo estágio
espécie humana. embrionário, denominado blástula ou blastocisto. A cavi-
dade é a blastocele, cujo tamanho pode variar de acordo
Desenvolvimento Embrionário com o tipo de ovo que lhe deu origem; a camada de célu-
las que envolve essa cavidade é a blastoderme.
No caso dos seres humanos, cerca de sete dias depois
da fecundação, a qual ocorre na tuba uterina, o embrião no
estágio de blastocisto é implantando no endométrio (cama-
da interna do útero), processo denominado nidação.
Da ovocitação à nidação
Embrião humano Massa
celular Útero
com aproximadamente interna
8 semanas e Dia 2 Dia 3
4 centrímetros. Dia 4
Dia 1
A fecundação do gameta feminino por um gameta Tuba
uterina 2 Blastocisto
4 células
masculino forma uma única célula, que passa a ser deno- Zigoto
células implantado
minada zigoto. Fecundação
Mórula
Dia 7
Para que um novo ser se forme a partir do zigoto, ele
deve passar por uma série de modificações progressivas, Dia 0
Embrião
com a multiplicação celular e a especialização das células Camada
que passam a desempenhar funções específicas, resultan- Ovócito II muscular
do em um aumento de complexidade. Ovário
À medida que as modificações vão se sucedendo, o novo Endométrio
ser, já considerado um embrião, vai tomando formas diferen-
Disponível em: [Link]
tes, até o momento em que ele está pronto para o nascimento. PublishingImages/[Link]

281 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Celoma Tubo neural

Um embrião precoce.
Este embrião
Notocorda
mamífero foi aberto
para mostrar as Endoderme
células-tronco Estágio em corte
Intestino longitudinal mediano
indiferenciadas.
Nêurula.
As células-tronco embrionárias, que são células de um Em seguida, os três folhetos embrionários começam a
embrião mamífero muito precoce, são capazes de formar um se organizar em tecidos e órgãos dos animais adultos:
organismo inteiro se separadas umas das outras. Essas células • Ectoderme: formará a epiderme – que reveste o cor-


podem ser removidas de um embrião e mantidas indefinida- po externamente –, o revestimento interno da boca
mente no laboratório. Se pudessem ser alteradas genetica- e do ânus, os órgãos sensoriais e o sistema nervoso.
mente para se tormarem aceitáveis para transplantes, elas po- • Mesoderme: formará a derme, os músculos, os os-


deriam ser uma fonte de reposição de tecido não apenas para sos, as cartilagens, os órgãos excretores e genitais,
corações lesados, mas para o pâncreas em pessoas com dia- os órgãos do sistema cardiovascular e as serosas
betes e para o cérebro em pessoas com doença de Alzheimer. que envolvem os órgãos.
Embora a utilização de células-tronco para a medicina ain- • Endoderme: formará o revestimento interno do


da não seja possível, têm surgido novos conhecimentos consi- tubo digestório, suas glândulas anexas e o revesti-
deráveis sobre a biologia molecular do desenvolvimento. mento interno dos órgãos do sistema respiratório e
B – Gastrulação da bexiga urinária.
Na maioria dos animais, as células da blástula reorga-
nizam-se, migrando para o interior do embrião e diferen- TECIDOS HUMANOS
ciando-se em camadas, ou seja, nos folhetos embrionários: Após a fecundação, as células embrionárias, além de

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO


ectoderme, mesoderme e endoderme. Ocorre também o se dividirem, vão se tornado diferentes umas das outras.
surgimento de uma nova cavidade, o arquêntero (do grego Algumas células, por exemplo, tornam-se alongadas e ca-
archaios = primitivo + enteron = intestino). Esse fenômeno pazes de se contrair; outras acumulam gordura no seu in-
constitui a gastrulação, e o embrião encontra-se, agora, no terior. Formam-se, assim, grupos de células especializadas
terceiro estágio embrionário, denominado gástrula. na realização de certas funções: os tecidos.
blastocela
Por que os tecidos são necessários? Podemos compre-
blastoderme ender isso analisando o movimento do corpo, que é pro-
duzido por células especiais, as células musculares. Uma
única célula não poderia mexer um braço ou uma perna,
Blástula
por exemplo. Cada movimento do nosso corpo é produzido
arquêntero
por um conjunto de células musculares trabalhando juntas.
mesentoderme blastocela Do mesmo modo, outros tipos de células se agrupam e for-
ectoderme ectoderme mam tecidos que executam diferentes funções específicas.
Além das células musculares, existem aquelas que re-
Esquema da vestem o nosso corpo – são as epiteliais. Outras chegam
formação da
a perder o núcleo, ficando com seu citoplasma cheio de
gástrula em
Glástula
arquêntero em
embrião.
hemoglobinas – são as hemácias, presentes no sangue,
blastóporo formação que transportam oxigênio dos pulmões para todo o corpo.
C – Organogênese Neurônios –
Fibras musculares
– Células do tecido
Nos animais cordados, dentre os quais os vertebrados, Células do tecido nervoso muscular

a primeira etapa da organogênese constitui a neurulação, Hemácias –


Células do tecido
com o início da organização do sistema nervoso, caracteri- conjuntivo hema-
zando o estágio embrionário denominado nêurula. tocitopoiético

Ao longo do dorso do embrião dos animais cordados, a


ectoderme forma um sulco, que se aprofunda, e cujos bor-
dos superiores se juntam, originando um canal ou tubo neu-
ral, que originará o sistema nervoso desses animais, e forma-
-se acima da notocorda, um cordão longitudinal originado da
mesoderme, também dorsal, que serve de eixo de sustenta-
ção do embrião. A notocorda nos humanos só existe na fase
embrionária, sendo depois substituída pela coluna vertebral. Adipócitos –
Células do tecido
É também durante o estágio de nêurula que ocorrem conjuntivo adiposo
Epiderme –
Células do
os processos de formação do celoma. tecido epitelial

[Link] | Produção: [Link] 282


Biologia

São quatro tipos de tecidos encontrados em nosso or- Assim, podemos classificar o tecido epitelial em dois
ganismo: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. tipos principais: tecido epitelial de revestimento e teci-
do epitelial glandular. No primeiro caso, como o próprio
Tecido Epitelial nome diz, a sua função é basicamente revestir e automa-
ticamente promover proteção. No caso das glândulas, a
O tecido epitelial é formado por várias camadas de função é secreção. Estes dois tecidos podem ainda sofrer
células bem unidas, e por isso, com pouca substância subclassificações como mostrado a seguir:
intercelular. Os epitélios também se caracterizam por
serem avasculares e, por isso, são nutridos pelo conjun-
tivo subjacente; possuírem alta capacidade regenerati-
va; estarem frequentemente apoiados sobre uma mem-
brana basal, que os separa do conjuntivo. No caso dos
epitélios que revestem as cavidades de órgãos ocos,
esta camada de tecido conjuntivo recebe o nome de
lâmina própria.

Epitélio

Membrana basal

Lâmina própria

Capilares sanguíneos

Desenho representando o tecido epitelial simples cúbico e a


membrana basal que faz a separação do epitélio e da lâmina
própria (tecido conjuntivo).

Quanto à sua origem embrionária, apresenta uma Na figura a seguir, observe alguns exemplos de tecidos
peculiaridade: provém dos três tecidos embrionários. epiteliais de revestimento:
A epiderme e os anexos da pele, boca, fossas nasais e
ânus são provenientes da diferenciação da ectoderme. Exemplos de tecidos epiteliais
Já o endotélio (tecido epitelial que reveste internamen- de revestimento
te os vasos sanguíneos), o sistema urinário e as gônadas
são oriundos da mesoderme. Por fim, a endoderme se
diferencia em epitélio do sistema digestório e glândulas
anexas, além do sistema respiratório.
Os epitélios são tecidos cujas células têm vida limitada.
Ocorre, pois uma renovação constante dessas células, gra- Pavimentoso Pavimentoso Cúbico simples
ças a uma atividade mitótica contínua. A velocidade dessa simples estratificado Revestimento externo
Revestimento Revestimento da cavidade do ovário e dos
renovação, porém, é variável, podendo ser muito rápida oral, faringe, esôfago, canal
interno de vasos túbulos renais.
em certos casos e lenta em outras. Como exemplo extre- sanguíneos e alvéo- anal e vaginal. Presente
também revestindo a pele,
mo, citamos o epitélio de revestimento do intestino, que los pulmonares.
mas, neste caso, apresenta
se renova a cada dois ou três dias, e o das glândulas sali- camada de queratina.
vares e do pâncreas, que levam mais de dois meses para
se renovar. Nos epitélios estratificados e pseudoestratifi-
cados, em geral, as mitoses ocorrem nas células situadas
junto à lâmina basal.
Ele está presente na pele e também forra a cavida- Transição Prismático simples Prismático
de de órgãos, como estômago, coração, brônquios, etc. Revestimento da Revestimento interno pseudo-estratificado
bexiga. do intestino delgado e Revestimento das vias
Funciona como uma barreira contra agentes estranhos estômago. Neste caso, aéreas como a traqueia.
que podem invadir nosso corpo e nos deixar doentes apresenta microvilosi- Estão representados
(vírus, bactérias, fungos, por exemplo). O tecido epite- dades para absorção de os cílios e as células
nutrientes. caliciformes produtoras
lial é também aquele que secreta substâncias quando do muco.
formam glândulas.

283 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

tecido epitelial ducto

invaginação região
TC CC Corte histológico do tecido secretora
da traqueia com epitelial
glândula
demonstração do exócrina
tecido epitelial
VS de revestimento
desligamento do
pseudoestratificado. tecido epitelial
LT TC: tecido conjuntivo;
células
VS: vaso sanguíneo; secretoras
N: núcleos; LT: Iúmen
N (cavidade) traqueal; glândula
GC endócrina capilar
CC: células ciliadas. glândula em formação sanguíneo
GC: Glândula
calciforme.
Glândulas exócrinas são aquelas que despejam sua secreção fora da
Na imagem anterior de um corte histológico da tra- corrente sanguínea e, por isso, possuem ductos. Ex: lacrimal, salivar,
sudorípara e gástrica. Glândulas endócrinas são aquelas que despejam
queia, é possível observar a célula caliciforme, cujo muco sua secreção (hormônio) na corrente sanguínea. Ex: hipófise e tireoide.
produzido junto aos cílios das células epiteliais deste local
é responsável pela eficácia na remoção das partículas de- Perceba por meio da imagem anterior que glândulas
positadas na parede das vias aéreas. A mobilidade destes exócrinas apresentam ductos por onde secretam o produ-
cílios pode ser diminuída em temperaturas muito baixas e to liberado. Já as glândulas endócrinas são formadas bem
com o uso de nicotina, prejudicando, assim, o mecanismo próximas de vasos sanguíneos, afinal sua secreção, os hor-
de filtração do ar e, consequentemente, aumentando a mônios, é sempre despejada na corrente sanguínea.
susceptibilidade a infecções respiratórias. Com as imagens a seguir será possível observar uma
Entre os diversos tipos de tecido epitelial de reves- glândula mista, o pâncreas:
timento, destaca-se o presente na pele, que é chamado

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO


epiderme. Além de proteger o corpo contra organismos
invasores, a epiderme o defende contra a ação de certos
produtos químicos, o atrito e o sol. Ducto biliar
Estômago
Duodeno
Poro da glândula Glândula Insulina na
Pêlo
sudorípara sebácea circulação
sanguínea
Queratina Vaso
sanguíneo

Epiderme
Queratina
Glândula
sudorípara
Derme
Músculo Fibras Ilhotas de Langerhans
retor (levanta produtora de hormônios
o pêlo) Células produtoras de enzimas
Células digestivas e bicarbonato
epidérmicas
Células
adiposas Tela subcutânea, rica em tecido Representação do pâncreas, glândula mista, afinal, apresenta células
adiposo (não faz parte da pele) exócrinas produtoras de enzimas digestivas e bicarbonato e células
Nervo
endócrinas (ilhotas de Langerhans ou ilhotas pancreáticas) produtoras
Desenho da pele feito com base em imagens produzidas por dos hormônios insulina ou glucangon.
microscópio óptico. A pele tem, em média, 0,1 cm de espessura e
Disponível em: [Link]
cobre cerca de 2 m² do nosso corpo.
A epiderme também impede que o corpo perca um
volume excessivo de água. Células epiteliais da camada ácinos pancreáticos
mais externa produzem uma substância impermeável, a
queratina. Os cabelos, os pêlos e as unhas também são
compostos de queratina.
Na pele, encontramos glândulas sudoríparas, que produ-
zem o suor, e glândulas sebáceas, que produzem substâncias
que lubrificam a pele e os pêlos. Essas glândulas são forma-
das também por um tipo de tecido epitelial, o tecido epitelial
glandular. Nesses casos, suas células se especializaram em ilhota de Langerhans
produzir substâncias importantes para o corpo, as secreções.
Pâncreas
Como demonstrado em um esquema anterior, as
glândulas podem ser endócrinas, exócrinas ou mistas. Corte histológico do pâncreas mostrando os ácinos pancreáticos
Observe o desenho a seguir da formação de uma glân- (parte exócrina) e as ilhotas de Langerhans (parte endócrina).
dula exócrina e endócrina. Disponível em: [Link]

[Link] | Produção: [Link] 284


Biologia

Tecido Conjuntivo As células do TCPD produtoras da matriz celular (subs-


tância entre as células do tecido) é o fibroblasto, que quan-
Volte a observar com cuidado a figura da pele. Você do envelhecida recebe o nome de fibrócito. O processo de
é capaz de dizer por que a pele não é um tecido e, sim, cicatrização envolve a ação dessas células, que, produzindo
um órgão? matriz rica em colágeno, reconstitui o tecido lesionado.
A pele é formada pela epiderme (tecido epitelial) e pela Macrófagos também estão presentes neste tecido,
derme (tecido conjuntivo). E um órgão é justamente isso: sendo estes células de defesa por meio da fagocitose
a união de tecidos que desempenham funções diferentes. de antígenos.
O tecido conjuntivo é proveniente da diferenciação
da mesoderme e possui um material entre suas células, Osso
a substância intercelular, que colabora em suas ativi- Tendão
Epimísio
dades. Há vários tipos de tecido conjuntivo, e em cada Endomísio
Perimísio
um deles a substância intercelular e as células assumem Miofibrila
funções diferentes.
Na derme, por exemplo, há um tipo de tecido conjunti- Músculo
Fibra muscular
vo, chamado tecido conjuntivo propriamente dito (TCPD) Feixe muscular
ou tecido conjuntivo próprio, que contém uma substância
intercelular gelatinosa e fios microscópicos de proteínas O endomísio é um tipo de TCPD frouxo; perimísio e epimísio
que dão resistência e elasticidade à pele – as fibras protei- apresentam TCPD denso.
cas, principalmente do tipo colágeno.

Quando há poucas proteínas na


matriz celular do TCPD, ele é dito
frouxo, atuando no preenchimento
de espaços não ocupados por outros
tecidos, formando a membrana basal
que nutri os epitélios e ainda envolve
nervos, músculos, vasos sanguíneos e
Músculo
linfáticos. flexor
Quando este tecido apresenta ma- Músculo
extensor
triz rica em proteínas, ele é do tipo Músculos flexores e (quadríceps)
extensores trabalham
denso, e está presente nos tendões e antagonisticamente para
ligamentos. movimentar a junta.
Tendões ligam o
músculo ao osso.
Fêmur

Patela (rótula)

Juntas, ligamentos e Cartilagem


tendões. Uma visão
lateral do joelho mostra Ligamentos ligam
interações do músculo, um osso a outro.
do osso, da cartilagem,
dos ligamentos e Fíbula
dos tendões dessa Tíbia
importante e vulnerável
junta humana.

Abaixo da derme, há a tela subcutânea ou hipoderme,


onde podemos encontrar outro tipo de tecido conjuntivo,
o tecido adiposo, rico em células que armazenam gordura,
as células adiposas ou adipócitos. A gordura pode servir de
LCA reserva de alimento, além de ser um bom isolante térmico
Cadáver (protege o corpo contra o frio). É também uma proteção
contra pancadas ou choques mecânicos. Observe a figura
que ilustra o tecido adiposo situado na pele e ainda duas
Foto do ligamento
cruzado anterior (LCA)
imagens do corte histológico deste tecido multilobulado,
que, quando lesado quando apresenta várias “gotas” de gordura, e o unilobu-
parcial ou totalmente, lado, quando o citoplasma da célula é preenchido por uma
possui potencial de única “gota” de gordura, e rica em mitocôndrias, apresen-
cicatrização pobre. tando-se nos recém-nascido e com a função termogênica.

285 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

vasos
sanguíneos
As células ósseas recebem nutrientes e oxigênio atra-
vés de vasos sanguíneos localizados em canais que passam
por dentro do osso, canais estes que também permitem a
passagem de nervos. Estas células podem ser osteoblasto
(produtora da matriz óssea que quando envelhecida passa
a ser chamada de osteócito) e osteoclasto (célula que di-
gerem a matriz óssea e libera o cálcio no sangue). É devido
à ação destas duas células que o osso, apesar da aparen-
te dureza, é considerado um tecido plástico, em vista da
constante renovação de sua matriz.
A osteoporose, principal causa de fraturas entre idosos,
é resultado da perda gradual da densidade da matriz ós-
sea, que é remodelada pelos osteoblastos e osteoclastos.
Segundo os especialistas, a prevenção contra a osteoporose

deve começar na infância, com alimentação rica em cálcio
e em vitamina D, exposição diária ao sol e exercícios físicos.
Hoje está provado que o tecido adiposo é a maior
glândula endócrina do organismo. Existem dezenas A manutenção dos níveis normais de cálcio sanguíneo
de hormônios produzidos por ele, ligados à hiperten- depende das ações de dois hormônios, que agem antagoni-
camente no osso: o paratormônio, que provoca a mobilização
são (angiotensinogênio) e ao apetite, como a leptina.
do cálcio através de uma reabsorção óssea, estimulando os os-
Quanto mais gordura, maior a produção desse hor-
teoclastos, enquanto que a calcitonina age suprimindo a mo-
mônio que age no cérebro e faz diminuir o apetite. bilização do cálcio do osso, uma vez que inibe os osteoclastos.
Há quase uma década que os cientistas sabem que a
Durante o período de menopausa entram em jogo
leptina tem um papel importante na queima de gor-
outros fatores, sendo que o papel do estrógeno é funda-

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO


dura. O problema é que até hoje não se descobriu o mental. Estudos realizados em vitro demonstraram a exis-
caminho que esse hormônio produzido por células tência de receptores para estrógenos tanto ao nível dos
adiposas faz pelo corpo. osteoblastos, quanto dos osteoclastos. Atuam eles tanto
Fonte: WAJCHENBERG,Bernardo Leo. no mecanismo de morte celular (apoptose osteoclástica)
Disponível em: [Link] quanto nos processos de absorção de cálcio pelo intestino
Acesso em: 20 set.2005.
e na reabsorção tubular renal deste íon. Por isso, a causa
mais comum na mulher é a diminuição dos níveis de estró-
genos após a menopausa.
No osso também encontramos tecido conjuntivo, cha-
mado tecido conjuntivo ósseo. Nesse caso, a substância Outro tipo de tecido conjuntivo é a cartilagem ou
intercelular é rica em sais minerais de cálcio e em fibras de tecido conjuntivo cartilaginoso, cuja célula é chamada
colágeno (uma proteína fibrosa), o que torna o osso rígido condroblasto e, quando envelhecida, condrócito. A car-
e resistente. Desse modo, além de sustentar o corpo, os tilagem é resistente, mas, ao contrário do osso, é flexível.
ossos protegem órgãos como o cérebro e a medula espi- Isso porque, em vez de sais de cálcio, ela possui uma subs-
nhal, e apoiam os músculos, permitindo os movimentos tância intercelular cuja consistência lembra a da borracha.
do corpo. Veja a figura do corte do fêmur. Outra característica das cartilagens é a ausência de ner-
vos, o que a torna insensível, além da ausência de vascula-
célula óssea
rização e, por isso, de baixo poder regenerativo.
vasos sanguíneos
A cartilagem dá forma e sustentação a alguns órgãos
do corpo, como a orelha externa, a parte inferior do nariz,
a traqueia, a laringe e os brônquios. É encontrada também
entre as vértebras (os ossos que formam a coluna verte-
bral), onde forma os discos intervertebrais. Esses discos
funcionam como “almofadas”, pois amortecem os cho-
ques contra a coluna quando andamos ou corremos.
A cartilagem também cobre a superfície dos ossos nas
articulações, isto é, nos locais onde eles se encontram (jo-
elhos, cotovelos, tornozelos, etc.), o que facilita o desliza-
mento deles. A figura seguinte mostra dois exemplos de
partes do corpo em que as articulações são encontradas.

[Link] | Produção: [Link] 286


Biologia

osso (vértebras)

cartilagem

osso

cartilagem

O sangue é outro tipo de tecido conjuntivo. A característica incomum do sangue é que a matriz extracelular é líquida,
portanto o sangue é um tecido fluido.
As células sanguíneas podem ser separadas da matriz fluida, chamada plasma, por centrifugação.

O sangue é retirado, colocado em um


tubo de ensaio e centrifugado.
100
Porção plasmática
90 Transportes pelo sangue:
Sais Proteínas plasmáticas
Nutrientes
 Sódio, potássio,  Albumina
Componentes Água (p. ex., glicose, vitaminas)
80  cálcio, magnésio,  Fibrogênio
Produtos de excreção do
 cloreto, bicarbonato  Imunoglobulinas metabolismo
70 Gases respiratórios
Balanço osmótico, Balanço osmótico,
Funções Solvente (O2 e CO2)
tamponamento do pH, regulação tamponamento do pH,
Percentagem

Hormônios
60 dos potenciais de membrana coagulação, reações imunes
Calor

50 Porção celular
Eritrócitos Leucócitos Plaquetas
40 (glóbulos (glóbulos brancos)
Componentes vermelhos)
Monócitos
30 Basófilos Eosinófilos Neutrófilos Linfócitos
Número por 5-6 milhões 5.000-10.000 250.000-
20 mm3 de sangue 400.000
Transporte de
10 Destroem células estranhas, produzem anticorpos, funções nas Coagulação
Funções oxigênio e dióxido sanguínea
de carbono respostas alérgicas.

A Composição do Sangue. O sangue consiste em uma solução aquosa complexa, numerosos tipos celulares e fragmentos de células.

Se uma amostra de 100 ml de sangue é centrifugada, A maioria das células sanguíneas são eritrócitos, ou
todas as células movem-se para o fundo do tubo, deixando glóbulos vermelhos. Glóbulos vermelhos maduros são
o plasma límpido, de tonalidade palha, na superfície. O vo- discos bicôncavos, flexíveis, carregados com hemoglobi-
lume de células reunidas, ou hematócrito, é a percentagem na. Sua função é transportar os gases respiratórios. Seu
do volume sanguíneo constituída pelas células. O hemató- formato lhes dá uma grande área superficial para trocas
crito normal é em torno de 38% para mulheres e 46% para gasosas, e sua flexibilidade permite que se espremam por
homens, mas esses valores podem variar consideravelmen- capilares estreitos. Existem em torno de 5 a 6 milhões de
te. Por exemplo, eles normalmente são mais elevados em glóbulos vermelhos por mililitro de sangue.
pessoas que vivem e trabalham em grandes altitudes, pois Os glóbulos vermelhos são gerados por células es-
a baixa concentração de oxigênio em altitudes elevadas es- peciais da medula óssea vermelha chamadas de células-
timula a produção de mais glóbulos vermelhos. -tronco, particularmente na medula óssea das costelas, no
Existem três classes de elementos celulares no sangue: externo, na pelve e nas vértebras.
os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos (ou leucóci- Cada glóbulo vermelho circula por aproximadamente
tos) e as plaquetas, as quais são fragmentos de células. 120 dias e então se desintegra. À proporção que ele enve-

287 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

lhece, sua membrana se torna menos flexível e mais frá- morrer; o pus, secreção de cor amarelada, com odor de-
gil. Portanto, células vermelhas velhas frequentemente se sagradável, produzida em consequência de processos de
rompem à medida que se deformam para se ajustar a ca- infecção, é resultado dessa destruição parcial de glóbulos
pilares estreitos. Um local onde elas realmente são espre- brancos pelos agentes invasores. Uma análise completa do
midas é no baço, um órgão localizado próximo do estôma- pus mostra que essa secreção é constituída por glóbulos
go, na porção esquerda superior da cavidade abdominal. brancos em processo de degeneração, plasma, fragmen-
Já os leucócitos ou glóbulos brancos são células nu- tos de bactérias, proteínas e outros elementos orgânicos.
cleadas, de diferentes formas, tamanhos e funções. Seu Todo esse conjunto de efeitos contra um antígeno pode
número, na espécie humana, varia em condições normais ser chamado de inflamação, caracterizado por dor, calor e
entre sete e nove mil glóbulos brancos por mm³ de san- rubor no local inflamado.
gue. Porém podem ocorrer variações desse número cau- Os efeitos dos anti-inflamatórios estão associados à pre-
sadas por processos infecciosos e alérgicos no organismo. sença de inibidores da enzima chamada ciclooxigenase 2
Dá-se o nome de leucocitose a um pequeno aumento do (COX-2). Essa enzima degrada substâncias liberadas de te-
número de glóbulos brancos e, para uma diminuição, dá- cidos lesados e as transforma em prostaglandinas pró-infla-
-se o nome de leucopenia. Na leucemia, ocorre uma con- matórias, responsáveis pelo aparecimento de dor e inchaço.
centração exagerada de glóbulos brancos, que podem Os anti-inflamatórios produzem efeitos colaterais de-
chegar a dezenas de milhares por mm3 de sangue, ocu- correntes da inibição de uma outra enzima, a COX-1, res-
pando os lugares das células vermelhas (eritrócitos). ponsável pela formação de prostaglandinas, protetoras da
A principal função dos glóbulos brancos é a defesa do or- mucosa gastrintestinal.
ganismo. Essa atividade pode ser exercida por meio da fago- Os glóbulos brancos costumam ser classificados em
citose ou da produção de proteínas de defesa, os anticorpos. granulócitos e agranulócitos, de acordo com a presença
Alguns glóbulos brancos são capazes de sair dos va- ou ausência, no seu citoplasma, de grânulos específicos na
sos sanguíneos, passar entre as células da parede do vaso forma e no tamanho.
(fenômeno da diapedese) e se deslocar entre as células O quadro a seguir mostra os tipos de glóbulos bran-
dos órgãos e tecidos, onde fagocitam os corpos estra- cos e suas funções, bem como a quantidade em que estão
nhos. Durante essa ação, alguns glóbulos brancos podem presentes no sangue humano.
Glóbulos brancos

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO


Granulócitos Agranulócitos
Tipos Neutrófilo Eosinófilo Basófilo Linfócito Monócito
Esquemas

Características Núcleo geralmente Núcleo bilobulado Núcleo volumoso Núcleo grande e esférico Núcleo em forma de rim
do núcleo trilobulado e citoplasma que ocupa quase toda a ou ferradura
granuloso célula
Função Fagocita elementos es- Fagocita determi- Atua em proces- Responde pela defesa imu- Diferencia-se em
tranhos no organismo nados elementos e sos alérgicos nitária do organismo; alguns macrófagos, células
atua em processos linfócitos transformam-se fagocitártias que des-
alérgicos em plasmócilos, capazes de troem microrganismos
produzir anticorpos pela ação de enzimas
lisossômicas
Quantidade em 2.700 a 6.500 (cerca de 100 a 300 (cerca de 0 a 50 (cerca de 1.500 a 3.000 (cerca de 25% 250 a 500 (cerca de 3% a
mm3 de sangue 55% a 65% do total de 2% a 3% do total de 0,5% do total de a 35% do total de glóbulos 10% do total de glóbulos
glóbulos brancos) glóbulos brancos) glóbulos brancos) brancos) brancos)
Fonte de pesquisa: JUNQUEIRA, L, C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. p. 195-203.

Além de produzirem os glóbulos vermelhos e os leucócitos, as células-tronco da me- Megacariócitos


dula óssea geram células chamadas megacariócitos. Os megacariócitos são células gran-
des que permanecem na medula óssea e partem-se continuamente em fragmentos de
célula chamados plaquetas.
A plaqueta é somente uma minúscula porção de uma célula, mas está carregada
com as enzimas e substâncias químicas necessárias para sua função: vedar vazamen-
tos em vasos sanguíneos e iniciar a coagulação sanguínea.
A lesão a um vaso sanguíneo expõe fibras colágenas. Quando uma plaqueta en-
contra fibras colágenas, ela é ativada. Ela incha, assume um formato irregular, torna-
-se viscosa e libera substâncias químicas que ativam outras plaquetas e iniciam a coa-
gulação sanguínea. As plaquetas viscosas formam um tampão no local danificado e a
coagulação subsequente produz uma rede mais forte no vaso. Plaquetas

[Link] | Produção: [Link] 288


Biologia

A coagulação do sangue requer muitas etapas e nu- Os fatores de coagulação sanguínea participam de uma
merosos fatores de coagulação. A ausência de qualquer cascata de eventos que ativa outras substâncias circulan-
um desses fatores pode prejudicar a coagulação e cau- tes no sangue. A cascata inicia-se com a lesão celular e a
sar sangramento excessivo. Pelo fato de o fígado pro- ativação plaquetária, levando à conversão de uma enzima
duzir a maioria dos fatores de coagulação, doenças he- circulante inativa, a protrombina, para sua forma ativa, a
trombina. A trombina causa a polimerização de moléculas
páticas como a hepatite e a cirrose podem resultar em
plasmáticas chamadas fibrinogênio e a formação de uma
um sangramento exagerado. A hemofilia, doença here- rede de fibrina. A rede de fibrina origina a malha que for-
ditária ligada ao sexo é um exemplo de incapacidade ma o coágulo sanguíneo, veda o vaso e fornece um reves-
genética para produzir um dos fatores de coagulação. timento para a formação do tecido de cicatrização.

(a) Uma lesão ao revestimento de As plaquetas liberam substâncias que causam O coágulo de fibrina fecha a
um vaso sanguíneo expõe fibras a contração do vaso. Plaquetas pegajosas ferida até que a parede do
colágenas; as plaquetas aderem e formam um tampão e iniciam a formação de vaso cicatrise.
tornam-se pegajosas. um coágulo de fibrina.
Plaqueta

Glóbulo vermelho Fibras colágenas Tampão plaquetário Rede de fibrina


Fatores de coagulação Coagulação do sangue.
1. Liberados pelas plaquetas e pelo tecido (b)
danificado
(a) Lesão de um vaso
2. Proteínas plasmáticas sintetizadas no fígado e Ca+2 e vitamina K sanguíneo inicia uma
postas em circulação na forma inativa
cascata de eventos que
Protrombina Trombina produz a rede de fibrina.
circulante no (b) À medida que a
plasma rede se forma, glóbulos
Fibrinogênio Fibrina vermehos são envolvidos
circulante
no plasma
nos filamentos de fibrina,
formando o coágulo.

Tecido Muscular O tecido muscular esquelético forma os músculos


presos aos ossos, os músculos esqueléticos. O músculo e
As células do tecido muscular, que assim como o te- suas células são também envolvidos por tecido conjuntivo
cido conjuntivo são provenientes da diferenciação da e tecido adiposo.
mesoderme, são capazes de se contrair e, assim, dimi- Por serem alongadas, as células musculares costumam ser
nuir de tamanho. São essas contrações que geram os denominadas fibras musculares. Ao microscópio, elas apare-
movimentos do corpo. cem com listras ou estrias transversais. Por isso, esse tecido é
Existem três tipos de tecido muscular em nosso corpo: também chamado tecido muscular estriado esquelético.
o esquelético, o liso e o cardíaco. Observe a figura. Esses músculos podem ser controlados por nossa von-
tecido muscular tade. Isso quer dizer que podemos, conscientemente, con-
estriado esquelético trolar a sua contração. Se quisermos, podemos dobrar o
braço para apanhar um objeto, mover a perna para chutar
tecido muscular uma bola, girar o pescoço para o lado, etc. Por isso, dize-
estriado cardíaco núcleo da mos que os músculos esqueléticos são voluntários ou têm
célula
contração voluntária.
Os músculos esqueléticos são encontrados também na
face, na língua, no abdome e no diafragma, que é o mús-
culo que ajuda o ar a entrar e a sair dos pulmões.
O tecido muscular liso é formado por células alongadas
(as fibras) e afinadas nas pontas. Ele é encontrado em diver-
sos órgãos ocos do nosso corpo: o tubo digestório, a bexiga, a
traqueia e os brônquios, o útero e também as artérias e veias.
tecido muscular liso Esse músculo é involuntário, ou seja, sua contração não
núcleo pode ser controlada por nossa vontade. São os músculos li-
da sos do estômago e intestino que se contraem quando ocor-
célula
rem as cólicas intestinais, quando você ouve o estômago
“roncar” de fome e também enquanto impulsionam o ali-
mento ao longo do tubo digestório. Mas, na maior parte do
tempo, não nos damos conta do trabalho desses músculos.
Finalmente, há o tecido muscular cardíaco, que é en-
contrado no coração, onde suas contrações têm a função

289 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

de impulsionar o sangue para o corpo. É também um mús- que ela encurte, e o encurtamento de todas as miofibrilas
culo involuntário e em suas células podem ser observadas faz com que a fibra encurte também. O músculo contrai ou
listras ao microscópio. Por isso é também chamado tecido relaxa quando suas fibras encurtam ou distendem.
muscular estriado cardíaco.
• Contração muscular

Os músculos exercem sua atividade sob o estímulo de im- A
pulsos nervosos, sem os quais se tornam inertes e se atrofiam.
Os músculos estriados esqueléticos, por exemplo, nunca estão fibra relaxada
completamente relaxados, pois recebem constantes impulsos
dos centros nervosos. O estado de ligeira contração em que
eles permanecem é conhecido como tônus muscular.
Ao se contrair, o músculo torna-se mais curto, em razão B
do encurtamento de suas fibras. Nelas encontram-se miofi-
brilas formadas por miômeros ou sarcômeros, unidades fun- Esquema da fibra muscular
fibra contraída relaxada (A) e contraída (B).
cionais e estruturais do sistema muscular contrátil. Em cada
miômero são encontrados miofilamentos grossos e finos, miômero
que se repetem regularmente. Os miofilamentos grossos são • Energia para a contração muscular
constituídos por miosina, e os finos, por actina. As duas pro-


teínas contráteis se associam, formando o complexo actina- As células musculares, por atividade enzimática, trans-
-miosina, responsável pela contração da fibra muscular. formam o glicogênio nelas armazenado em glicose. No pro-
cesso de respiração celular, a glicose libera energia para a
produção de ATP. A energia retida no ATP, por sua vez, é
fornecida para a contração do complexo actina-miosina.

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO


O ATP deve ser constantemente regenerado na célula
muscular. Entretanto, durante os períodos de intensa ativi-
dade, a reação de degradação do glicogênio para formar o
ATP necessário não é suficientemente rápida, sendo preciso
feixe muscular
uma fonte adicional de energia, a qual é fornecida por um
composto, a fosfocreatina, que funciona como reservatório
núcleo de fósforo (P). Na falta de ATP, a miosina mantém-se unida
à actina, causando o enrijecimento do músculo. É isso que
acontece após a morte, produzindo o rigor mortis. Por isso
miofibrila há gasto de ATP tanto para contrair quanto para relaxar.
fibra muscular
miômero

miofibrila faixas claras


e escuras

Esquema de regeneração do ATP.


miosina
arranjo dos actina As células nervosas controlam a contração do músculo
miofilamentos estriado esquelético por meio da liberação de mediadores
(proteínas químicos, os quais produzem estímulos elétricos que pas-
contráteis) complexo actina-miosina sam pela membrana plasmática da célula muscular até o
Esquema da estrutura ultramicroscópica do músculo. seu retículo sarcoplasmático (retículo endoplasmático não
granuloso) por meio de túbulos T. Este libera íons cálcio, os
Ilustração produzida com base em: JUNQUEIRA, L, C.; CARNEIRO, J. quais expõem os sítios de ligação das actinas com as miosi-
Histologia básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. p. 163.
nas, promovendo o deslizamento das fibras de actina e, com
O encurtamento das miofibrilas depende dos miofi- isso, a contração do músculo. Cessado o impulso nervoso, o
lamentos de actina e de miosina de cada miômero. Eles cálcio é levado de volta para o retículo sarcoplasmático, por
não alteram o seu comprimento durante a contração; o transporte ativo, e as fibras de actina voltam ao seu lugar ori-
que ocorre é o deslizamento dos miofilamentos de actina ginal. Com isso, o músculo relaxa. O relaxamento do músculo
entre os de miosina, encurtando o miômero. O encurta- também depende que a acetilcolina (neurotransmissor) seja
mento de todos os miômeros de uma miofibrila faz com degradada, o que ocorre por meio da acetilcolinistrase.

[Link] | Produção: [Link] 290


Biologia

Neurônio motor

Fibra muscular

Um potencial de ação
(seta preta) chega ao
terminal do neurônio
motor.

A membrana plasmática da fibra muscular


Potencial
de ação gera um potencial de ação que se espalha
Junção neuromuscular pelos túbulos T...

Túbulo T

... os quais fazem a liberação


do Ca+2 armazenado no
retículo sarcoplasmático.

Retículo
sarcoplasmático

Miofibrila Túbulos T em funcionamento.


Liberação do Ca +2 Um potencial de ação na
estimula a junção neuromuscular
contração muscular. espalha-se através da
fibra muscular via rede de
Membrana túbulos T, provocando a
plasmática liberação do Ca+2 do retículo
Sarcômero
sarcoplasmático.

• Fibra de contração lenta X fibra de contração rápida São fibras com um mau rendimento energético e que, por

A classificação das fibras musculares faz-se de acordo acumularem muito ácido láctico e H+, são facilmente fatigá-
com o metabolismo energético dominante, da velocida- veis. Predominam em músculos que movem pernas e bra-
de de contração e da sua coloração histoquímica, a qual ços. Corredores de 100m, levantadores de peso e atletas de
depende das atividades enzimáticas. Os músculos esque- salto apresentam maior número de fibras rápidas.
léticos dos vertebrados são compostos por dois tipos prin- Fibras lentas Fibras rápidas
cipais de fibras: fibras lentas oxidativas ou vermelhas, e (vermelhas ou (brancas ou
tipo II, as fibras rápidas glicolítica ou brancas. oxidativas) glicolíticas)
As fibras lentas ou vermelhas (oxidativas) exibem cor Atividade ATPásica ↓ ↑
vermelho-escuro devido à grande vascularização e alto
conteúdo de mioglobina e citocromos, já que são espe- [ ] de mioglobina ↑ ↓
cialmente ricas em mitocôndrias, além de terem diâme-
Nº de mitocôndrias ↑ ↓
tros relativamente menores que maximizam a difusão do
oxigênio até as mitocôndrias no interior da célula; natu- Reserva de ↑ ↓
ralmente, têm alta capacidade de oxidar aerobicamente glicogênio
carboidratos e ácidos graxos para gerar ATP, permitindo
exercícios duradouros, como nos casos de maratonistas Tecido Nervoso
e nadadores de longas distâncias. Como a velocidade de Imagine tudo o que acontece quando você escuta algo
produção de ATP (atividade ATPásica) por processo aeró- do tipo: “O jantar está na mesa!” O sistema nervoso recebe
bios é bem menor do que a velocidade das vias anaeróbias uma mensagem do seu órgão auditivo, analisa essa infor-
e a reserva de substratos para a oxidação aeróbia é maior, mação e comanda uma série de movimentos em seu corpo.
as fibras tipo I têm contração mais lenta e mais prolonga- Tudo isso é feito pelo tecido nervoso. As mensagens são
da e sofrem fadiga mais lentamente. conduzidas por células nervosas, também chamadas neurô-
As fibras rápidas ou brancas (glicolítica) são mais claras nios, que são as principais células desse tecido (há também ou-
por apresentarem poucas mioglobinas e conterem poucas tras células, encarregadas de nutrir e proteger os neurônios).
mitocôndrias. São fibras de contração rápida, nas quais ob- Veja na figura ao abaixo que um neurônio apresenta
tém energia quase exclusivamente por glicólise anaeróbi- uma região – o corpo celular – onde se localizam o núcleo
ca (por isso chamadas de fibras glicolítica), usando apenas e boa parte do citoplasma. Do corpo celular saem dois ti-
glicose e glogogênio, o que origina uma grande acumula- pos de prolongamento: os dendritos e o axônio. Os den-
ção de ácido láctico no final do exercício. Essas fibras têm dritos são geralmente menores e mais ramificados que
elevados níveis de atividade ATPásica, o que revela grande o axônio. No entanto, os dendritos e axônios são carac-
velocidade na elaboração das interações actina-miosina. terizados por sua função em conduzir impulso nervoso e

291 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

não por sua morfologia. Assim, através dos dendritos, o Dendritos Astrócito
Oligodendrócito
impulso nervoso é transmitido na direção do corpo celular Axônio
e através dos axônios.
mensagems
de outros
neurônios

dendritos

corpo
celular Núcleo Neurônio
Terminais do axônio
sentido dos
impulsos axônio Disponível em: [Link]
nervosos 2010/04/[Link]

Nosso sistema nervoso tem uma organização impressio-


nante: são cerca de 100 bilhões de neurônios, cada qual re- Reprodução
cebendo mensagens de milhares de outros pelos dendritos
1. A figura abaixo refere-se aos sistemas reprodutores
ou pelo corpo celular (alguns neurônios do cérebro chegam

BIOATP - DESENVOLVIMENTO HUMANO



a ter 50 mil dendritos). A mensagem pode seguir então para humanos.
outros milhares de neurônios ou para um músculo ou uma 5 8 9
7
glândula. Essa rede de neurônios funciona como uma es-
4
pécie de supercomputador, com uma capacidade fantástica
de analisar ações extremamente complexas e de comandar 3 13 10
6
o movimento dos músculos e o trabalho das glândulas! 2 16
11
• Células da glia ou células gliais 14

Além dos neurônios, o tecido nervoso inclui células de
1
sustentação ou suporte, denominadas células da glia ou 15 12
células gliais.
Os órgãos que produzem espermatozoides e óvulos,
Há diversos tipos de células gliais:

respectivamente, são os de número
(A) 8 e 4. (C) 10 e 3.


(B) 9 e 2. (D) 12 e 5.


2. A esterilização masculina chamada vasectomia é um

método contraceptivo que só deve ser utilizado por
micróglia
homens que não desejam mais ter filhos, pois sua re-
astrócito oligodendrócitos versão é muito difícil.
Esquema de células gliais. O processo da vasectomia consiste em
(A) inutilizar os tubos seminíferos para que os esper-
Os astrócitos formam prolongamentos de sustentação

matozoides não sejam mais produzidos.
e coesão, dispõem-se ao longo dos capilares sanguíneos
do encéfalo e controlam a passagem de substâncias do (B) seccionar os canais deferentes, não sendo mais

sangue para os neurônios. possível eliminação dos espermatozoides.
A micróglia corresponde a um pequeno macrófago (C) remover a vesícula seminal para que o sêmen fi-

que atua na defesa do sistema nervoso. que bastante diminuído.
Os oligodendrócitos formam a bainha de mielina nos (D) inocular hormônios nos testículos para dificultar

axônios de neurônios do sistema nervoso central. a ereção do pênis.
As células de Schwann formam a bainha de mielina (E) alterar o funcionamento da próstata, reduzindo a

nos axônios de neurônios do sistema nervoso periférico. quantidade de espermatozoides produzida.

[Link] | Produção: [Link] 292


Biologia

3. TÉCNICA REVERTE MENOPAUSA E DEVOLVE 6. Para clonar animais, separa-se, artificialmente, as




FERTILIDADE células de um embrião no começo do desenvolvimen-
Mulher estéril voltou a produzir óvulos após receber um to. Nessa etapa, cada célula é capaz de se tornar um

transplante de ovário congelado nos Estados Unidos. embrião caso seja separada das outras. (...) Uma téc-
(“O Globo”, 24/09/99) nica diferente foi criada por cientistas escoceses, que
clonaram, em 1996, uma ovelha. Para fazer o clone,
No procedimento médico-cirúrgico acima, o tecido eles usaram três ovelhas. Vamos chamá-las de 1, 2 e 3.

ovariano transplantado foi induzido por hormônios a Primeiro, pegaram um óvulo da ovelha 1 e retiraram o
produzir óvulos. núcleo, onde estão os genes. Depois, conseguiram uma
Isso foi possível porque a função ovariana é estimulada célula da mama da ovelha 2. Tiraram seu núcleo e o

pelos seguintes hormônios secretados pela hipófise: inseriram dentro do óvulo sem núcleo da ovelha 1. O
(A) estrogênio e progesterona. óvulo da ovelha 1 com o núcleo da célula da mama da
ovelha 2 foi posto no útero da ovelha 3, desenvolveu-se

(B) estrogênio e hormônio luteinizante. e gerou uma ovelha com genes iguais aos da ovelha 2:

(C) folículo estimulante e progesterona. o clone, que recebeu o nome de Dolly.

(D) folículo estimulante e hormônio luteinizante. Disponível em: (texto adaptado e imagem): [Link]

br/revista/ revista-chc-2002/122/copia-fiel/clones-de-laboratorio
4. A gestação assistida, por meio de procedimentos clí-

nicos, permite que casais impossibilitados de gerarem Esquema da
Clonagem da
filhos naturalmente obtenham sucesso em sua consti- Ovelha Dolly
tuição familiar.
Alguns desses procedimentos estão listados em se-

quência. Ovelha 1 Ovelha 2
1. Estímulo à ovulação.

2. Aspiração de óvulos liberados a partir dos folícu-

los ovarianos.
Núcleo Núcleo
3. Estímulo ao desenvolvimento do endométrio.

4. Fertilização in vitro.

Célula da mama
5. Implantação do embrião no útero. Óvulo

Em função da sequência de procedimentos referentes à

biologia reprodutiva humana, está correto afirmar que
(A) o estímulo à ovulação ocorre através de hormô- Núcleo da

nios hipofisários. Óvulo sem célula da
núcleo mama
(B) a ovulação ocorre no útero, após cerca de 14 dias

de estímulo hormonal.
Óvulo da ovelha
(C) o desenvolvimento do endométrio permanece 1 com núcleo da

até o final da gestação. célula mamária
da ovelha 2
(D) a fertilização de um óvulo por dois espermatozoi-

des origina gêmeos fraternos.
(E) a implantação do embrião no útero, a nidação, Embrião

ocorre na fase de nêurula.
Embrionário
5. Os estudos de Biologia Molecular têm auxiliado na busca Ovelha 3

do conhecimento sobre origem, evolução e jornada do
homem na Terra. Nesses estudos, utiliza-se, principal-
mente, o DNA mitocondrial. Os bons resultados alcança-
dos para os estudos entre espécies próximas, utilizando
o DNA mitocondrial, ocorrem porque essa molécula
(A) é herdada maternalmente.

(B) acumula mutações de forma lenta. Dolly

(C) sofre recombinações com alta frequência. A imagem e o texto acima fornecem um exemplo de for-


(D) apresenta fita única e replica-se facilmente. mação de clones de animais em laboratório. Entretanto,

(E) possui polimerase capaz de iniciar sozinha a sínte- é possível a formação de clones humanos naturalmente,
durante o processo reprodutivo, através da

se de sua cadeia.

293 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

(A) formação de gêmeos monozigóticos (idênticos), 9. Durante a vida de um animal, as divisões celulares são


que são formados quando o embrião gerado pela rigorosamente controladas, de modo a garantir o bom
fecundação de um óvulo com um espermatozoide funcionamento do organismo. Entretanto, certas alte-
divide-se em dois ou mais, em fases iniciais do de- rações genéticas podem danificar o sistema de con-
senvolvimento. trole da divisão celular, levando à multiplicação des-
(B) formação de gêmeos dizigóticos (diferentes), que controlada da célula, com potencialidade para formar
um tumor. Os tumores malignos são classificados em

são formados a partir de fecundações distintas de
um óvulo com um espermatozoide, gerando indi- dois grupos: sarcomas, que são originados de células
víduos geneticamente distintos. do mesoderma, e carcinomas, provenientes de células
originadas do ectoderma ou endoderma. Leucemia
(C) ocorrência de anomalias, tal como a fissão de
é caracterizada pela produção excessiva de células

um zigoto, formado pela fecundação de um es-
brancas anormais, superpovoando a medula óssea.
permatozoide e de um óvulo, através da ação
A infiltração da medula óssea resulta na diminuição
de radiação.
da produção e do funcionamento de células sanguí-
(D) formação de gêmeos monozigóticos (idênticos), neas normais. Dependendo do tipo, a doença pode se

quando estes são formados pela fecundação de um espalhar para os nódulos linfáticos, baço, fígado, sis-
óvulo por dois espermatozoides, gerando dois ou tema nervoso central e outros órgãos e tecidos, cau-
mais embriões geneticamente idênticos. sando inchaço na área afetada. Esse tipo de câncer é
7. A figura abaixo mostra um dos estágios do desenvolvi- proveniente de células originadas no seguinte folheto
embrionário:

mento embrionário observado em vários grupos ani-
mais. Sobre este tema, é correto afirmar que (A) mesoderme. (C) endoderme.



(B) ectoderme. (D) notocorda.


1 3
10. Ao longo do desenvolvimento embrionário de organismos

multicelulares, ocorrem sucessivas divisões mitóticas, e
2 grupos de células se especializam para o desempenho das
diferentes funções que o corpo deverá realizar. Sobre esse
assunto, analise as proposições abaixo.
1. As mitoses nos blastômeros se sucedem com ra-
(A) nesse estágio, é possível identificar o tubo neural (2).

pidez até que o embrião assuma a aparência de

(B) o blastóporo (1) dará origem ao ânus nos verte- uma bola de células, a mórula.

brados. 2. Quando o embrião já se constitui de algumas cen-

(C) a figura mostra a blástula, estágio em que a blas- tenas de células, começa a surgir em seu interior

tocela (2) está repleta de líquido. uma cavidade cheia de líquido; o embrião é, en-
(D) o arquêntero (2) originará a boca nos moluscos e tão, chamado de blástula.
3. No estágio de gástrula, o embrião já apresenta um

artrópodes.

“esboço” de seu futuro tubo digestivo, o arquêntero.
(E) as células que originarão o sistema nervoso mi-
4. No estágio de gástrula, as células embrionárias

gram da periferia (3) para o interior do embrião.

começam a se diferenciar, formando os primeiros
8. No estágio de gástrula da maioria das espécies animais, tecidos, conhecidos por folhetos germinativos ou

os blastômeros diferenciam-se em três conjuntos de embrionários.
células conhecidos por folhetos germinativos. Está(ão) correta(s)
Esses folhetos germinativos formam todos os tecidos

(A) 1, 2, 3 e 4. (D) 1, 2 e 4 apenas.

corporais, sendo que


(B) 1 e 4 apenas. (E) 1 apenas.
(A) o folheto mais externo (ecdoderma) origina os


(C) 2 e 3 apenas.

músculos, ossos, sistema cardiovascular e sistema

urogenital. 11. As células-tronco têm sido muito estudadas com o ob-

(B) o folheto mais interno (endoderma) origina o re- jetivo de produzir órgãos que possam ser utilizados em
transplantes. Além dos problemas éticos envolvidos

vestimento interno do tubo digestivo, as glându-
las associadas à digestão e o sistema respiratório nesta questão, conceitos errôneos têm sido veiculados
(brânquias ou pulmões). pela mídia não especializada. Em relação às células-
-tronco humanas, assinale a afirmativa correta:
(C) o folheto que se localiza entre o ectoderma e o
(A) Em adultos são encontradas células totipotentes.

endoderma é chamado de mesoderma, e origina

a epiderme e o sistema nervoso. (B) Originam linhagens celulares específicas.

(D) os cnidários, os poríferos e todos os mamíferos (C) São encontradas apenas em embriões.

(D) Se transplantadas, não provocam rejeição.

possuem somente dois folhetos germinativos e

são nomeados de diblásticos. (E) São células transgênicas.

[Link] | Produção: [Link] 294
Biologia

Histologia – Tecido Epitelial Histologia – Tecido Conjuntivo


12. O esquema a seguir é representativo de um epitélio 15. Nos processos de cicatrização, podemos observar a
de revestimento estratificado. Pode-se observar que


participação do tecido conjuntivo, quando da migra-
as camadas superiores, em contato com o meio exter-
no, são compostas por células cada vez mais achata- ção de determinadas células para o local lesionado,
das. Além disso, essas células achatadas geralmente ocasionando o seu fechamento. A célula envolvida no
estão mortas e descamam do tecido. Um exemplo processo de cicatrização é
desse tipo de epitélio é encontrado no esôfago de
animais carnívoros. (A) o condroblasto. (D) o osteoblasto.



(B) o osteoclasto. (E) o linfoblasto.



(C) o fibroblasto.


16. Algumas lesões na pele deixam cicatrizes bem visíveis,


que podem permanecer durante toda a vida do indi-
víduo. Qual dos tecidos a seguir é o responsável pelo
processo de cicatrização?
Qual o principal motivo que leva essas células a morrerem
(A) Cartilaginoso. (D) Muscular.

e descamarem do epitélio?



(A) O atrito causado pelos componentes de meio ex- (B) Conjuntivo. (E) Nervoso.



terno que entram em contato com o epitélio. (C) Epitelial.

(B) A justaposição das células, que cria uma falta de


espaço para que todas se acomodem na superfí- 17. Os órgãos do corpo humano são formados por vários

cie do epitélio.


tecidos. Cada tecido possui células com funções especí-
(C) O contato com o meio externo, que leva a uma ficas. O tecido representado a seguir foi observado em
hiperoxigenação das células.

(D) A distância dessas células em relação às fontes de corte histológico ao microscópio ótico.
oxigênio e alimento, trazidos pelos tecidos adja-

núcleo
centes ao epitélio.
(E) O deslocamento da posição das organelas intra-
celulares, por conta do achatamento promovido

pelo citoesqueleto.
gordura
13. O Demodex folliculorum é um ácaro que habita os fo-

lículos pilosos dos seres humanos, alimentando-se de
pele e sebo. Algumas pessoas podem ter reações alér-
gicas a esse animal e desenvolver a acne. A bactéria
Propionebacterium acnes é um ser vivo oportunista e
prolifera na pele, causando inflamação.
Pelo tipo de células, pode-se afirmar que o exemplo é
As glândulas envolvidas nesse processo infeccioso são

um tipo de tecido

chamadas de
(A) epitelial. (D) muscular.
(A) sebáceas e exócrinas.


(B) conjuntivo. (E) glandular.

(B) sudoríparas e endócrinas.


(C) hematopoiético.

(C) sebáceas e endócrinas.


(D) sudoríparas e exócrinas.
18. Analise a figura de um

(E) mistas e exócrinas.

corte histológico de

14. Uma das funções mais importantes dos tecidos epi-
um tipo especial de

teliais de revestimento é, justamente, a proteção dos
tecidos e órgãos internos, como barreira a patógenos. tecido conjuntivo e
Os epitélios são altamente resistentes à tração, graças as suas características
à forte adesão entre as suas células. descritas no texto.
Em relação aos tecidos epiteliais de revestimento, é É um tipo de teci-

do conjuntivo de

INCORRETO afirmar que
(A) os alvéolos e o estômago são revestidos por epi- consistência rígida,
télio formado por apenas uma camada de células. que tem função de Fonte: LOPES, Sônia 2006, vol. I. Ed. Saraiva.

(B) a mucosa que reveste a cavidade intestinal e o sustentação e de
peritônio que reveste a cavidade abdominal têm

revestimento de superfícies articulares. Suas células,
origem endodérmica. condrócitos e condroblastos são responsáveis pela
(C) no epitélio de revestimento do intestino são en- formação das fibras colágenas e da substância inter-
contradas células secretoras e células especializa-

das na função de absorção. celular, denominada de matriz.
(D) o endotélio é um tipo de tecido epitelial pavimen- Assinale a alternativa que indica corretamente o teci-

toso simples, de origem mesodérmica, que reves- do correspondente.

te internamente os vasos sanguíneos. (A) Tecido adiposo. (D) Tecido ósseo.
(E) a epiderme é um epitélio pavimentoso estratifica-


do, de origem ectodérmica, que apresenta, entre (B) Tecido cartilaginoso. (E) Tecido sanguíneo.



outros tipos de células, os melanócitos. (C) Tecido epitelial.

295 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

19. A osteoporose, principal causa de quedas entre idosos, (B) O procedimento descrito acima só foi possível


é resultado da perda gradual da densidade da matriz pelo fato de o tecido ósseo ser um tipo de tecido
óssea, que é remodelada por osteoblastos e osteoclas- conjuntivo, assim como o tecido muscular.
tos. Segundo os especialistas, a prevenção contra a os- (C) As células do tecido ósseo se localizam em espaços
teoporose deve começar na infância, com alimentação


(lacunas) do material intercelular, comunicando-se
rica em cálcio e em vitamina D, exposição diária ao sol e entre si pelos prolongamentos citoplasmáticos.
exercícios físicos. Sobre os vários fatores envolvidos na
formação do osso, é correto afirmar que (D) Para preencher o molde, foi utilizado o sangue,


que, assim como o tecido adiposo, é exemplo de
(A) a fixação do cálcio no tecido ósseo depende da
tecido conjuntivo especializado.

presença de vitamina D, cuja síntese é diminuída
em indivíduos que têm o hábito de tomar sol. (E) A maior parte dos minerais dos ossos se localiza


(B) o excesso de vitamina C pode levar à diminuição na matriz extracelular.

da densidade óssea, pois essa vitamina causa de-
gradação das moléculas de colágeno. 22. O sistema imune apresenta um tipo de célula que pas-


(C) os osteoblastos e os osteoclastos são células res- sa do vaso sanguíneo para o tecido conjuntivo, onde
irá exercer sua função de defesa. A célula e a passa-

ponsáveis, respectivamente, pela captura de cál-
cio e pela absorção de vitamina D. gem são, respectivamente, identificadas como
(D) os osteoblastos e os osteoclastos são células res- (A) basófilos e pinocitose.



ponsáveis, respectivamente, pela produção e pela (B) macrófagos e fagocitose.
degradação de componentes da matriz óssea.


(C) leucócitos e endocitose.


20. A osteoporose é uma doença caracterizada pela perda (D) leucócitos e diapedese.



de massa óssea podendo ser devido a um aumento na (E) glóbulos brancos e endocitose.
reabsorção óssea, o que fragiliza o osso, aumentando

a probabilidade da ocorrência de fraturas. 23. O termo inflamação pode ser definido como

A célula óssea responsável pelo mecanismo descrito (A) o processo de instalação, multiplicação e dano te-


acima é cidual pela ação de um determinado patógeno.
(A) megacariócito. (D) osteoclasto. (B) a resposta do organismo contra diversos tipos de



(B) osteócito. (E) condrócito. agentes lesivos, na tentativa de combatê-los.


(C) esteoblasto. (C) a produção de anticorpos específicos contra mi-


crorganismos invasores no organismo hospedeiro.
21. (D) o estabelecimento de células tumorais em deter-

A  B

minados tecidos, que originam o câncer.

(E) a reação da memória imunitária a uma exposição

antigênica subsequente.

24. O tecido cartilaginoso pode ser encontrado na ore-



lha, no nariz, na traqueia e nas articulações e possui
algumas características que são comuns aos demais
tecidos conjuntivos. Analise as proposições abaixo,
quanto ao tecido cartilaginoso.
I. As células jovens do tecido cartilaginoso são cha-

Graças a uma mandíbula feita sob medida, um homem madas de condroblastos e as células adultas de

de 56 anos de idade, que teve câncer na face, conseguiu condrócitos.
fazer sua primeira refeição sólida, depois de 9 anos. Para II. As fibras colágenas e as fibras elásticas, em asso-

isso, foi criado um molde na forma de ‘U’ (Figura A), ciação com proteínas e carboidratos, conferem
preenchido com hidroxiapatita, sangue e proteínas, que consistência e flexibilidade ao tecido.
ajudaram a formar a estrutura óssea. O protótipo foi co- III. O tecido cartilaginoso adulto é calcificado e apre-
locado na musculatura das costas do paciente (Figura B,

senta os canais de Havers, responsáveis pela nu-
setas) e, sete semanas depois, foi retirado e implantado trição das células.
na face. Após quatro semanas da cirurgia de implanta- IV. A abundância de glândulas mucosas, nervos e vasos
ção, o paciente comeu salsicha e pão.

sanguíneos permite a fácil regeneração deste tecido.
“Ciência Hoje”, vol. 35, n0. 209, 2004 [adapt.]
Assinale a alternativa correta.


Com base no texto e em seus conhecimentos, assinale (A) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.


a alternativa INCORRETA. (B) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.

(A) As células do tecido no qual foi colocado o molde (C) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.


para a formação da mandíbula são ricas em fila- (D) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.
mentos contráteis, especializadas em contração.

(E) Todas as afirmativas são verdadeiras.

[Link] | Produção: [Link] 296
Biologia

A(s) questão(ões) refere(m)-se à figura abaixo, que Quais estão corretas?




mostra os diversos tipos de tecidos encontrados no (A) Apenas I. (D) Apenas II e III.
braço humano.



(B) Apenas II. (E) I, II e III.



1      2         3 (C) Apenas I e II.





29. Dentre os tecidos animais, há um cuja evolução foi


fundamental para o sucesso evolutivo dos seres hete-
rotróficos.
Aponte a opção que indica corretamente tanto o tipo


de tecido em questão como a justificativa de sua im-
portância.
(A) Tecido epitelial queratinizado – permitiu facilitar a


 4    5     6  7
desidratação ao impermeabilizar a pele dos animais.




(B) Tecido conjuntivo ósseo – permitiu a formação de


carapaças externas protetoras para todos os ani-
25. Os tecidos 6 e 7 possuem em comum mais, por ser um tecido rígido.

(A) plasma entre as células. (C) Tecido muscular – permitiu a locomoção eficiente


para a predação e fuga, por ser um tecido contrátil.

(B) estrutura celular semelhante.
(D) Tecido nervoso – permitiu coordenar as diferen-

(C) substância intercelular abundante.


tes partes do corpo dos animais, por ser um teci-

(D) organelas citoplasmáticas ausentes. do de ação lenta.

26. Osteoclastos são células específicas do tecido de número (E) Tecido conjuntivo sanguíneo – permitiu o transpor-

te de substâncias dentro do corpo do animal, por

(A) 2.    (B) 3.   (C) 4.   (D) 5.
ser um tecido rico em fibras colágenas e elásticas.


Histologia – Tecido Muscular
Histologia – Tecido Nervoso
27. Os músculos esqueléticos dos vertebrados são com- 30. Observe a imagem abaixo.

postos por dois tipos de fibras: I – as fibras lentas oxi-

dativas ou vermelhas, e II – as fibras rápidas ou bran- Dendrito curto
cas. O tipo de atividade física exercida por uma pessoa Axônio longo
pode, até um certo grau, alterar a proporção dessas
fibras em seu corpo. De acordo com a modalidade es-
portiva e o tipo de treinamento, quais desses atletas
olímpicos apresentam maior número de fibras lentas?
Axônio
I. Corredor de 100 m. Dendrito longo
curto

II. Maratonista (percorre 42 km).

III. Nadador de 1.500 m.

IV. Levantador de peso. A partir dessa imagem assinale a alternativa correta.


V. Atleta de salto. (A) Os dendritos e os axônios são responsáveis pela


(A) I e II.   (C) II e III. (E) IV e V. condução do impulso nervoso. O que os diferen-
cia é que o axônio é o prolongamento mais longo



(B) I e III.   (D) III e IV.
e não ramificado e os dendritos são prolonga-


28. Considere as afirmações a seguir sobre o tecido mus- mentos mais finos e ramificados.
(B) O axônio é o prolongamento celular mais longo

cular esquelético.

dos neurônios e é responsável por conduzir o im-
I. Para que ocorra contração muscular, há necessi-
pulso nervoso.

dade de uma ação conjunta dos íons cálcio e da
energia liberada pelo ATP, o que promove um (C) Os dendritos e axônios são caracterizados por sua

deslizamento dos filamentos de actina sobre os função em conduzir impulso nervoso e não por
de miosina na fibra muscular. sua morfologia. Assim, através dos dendritos, o
II. Exercícios físicos promovem um aumento no vo- impulso nervoso é transmitido na direção do cor-
po celular e através dos axônios o impulso nervo-

lume dos miócitos da musculatura esquelética,
so é conduzido a partir do corpo celular.
através da produção de novas miofibrilas.
III. Em caso de fadiga muscular, parte do ácido láti- (D) Os neurônios são tipos celulares diferenciados que

têm como característica prolongamentos celulares

co produzido através da fermentação lática passa
para a corrente sanguínea e é convertida em ami- finos e ramificados chamados de dendritos e um
noácidos pelo fígado. prolongamento longo chamado de axônio.

297 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

31. Considere o texto a seguir: 33. Os tecidos são arranjos celulares funcionais, consti-


tuindo os órgãos e os sistemas. Um órgão é uma or-
Um implante de células nervosas, já testado com ganização de diferentes tecidos geralmente de vários

sucesso em ratos para recuperar lesões cere- tipos, realizando funções específicas.
brais, foi feito pela primeira vez em seres huma- Fonte: Histologia. Disponível no site da UFRJ:[Link]
nos nos EUA, por pesquisadores da Universidade [Link], acessado em 25 de agosto de 2012.
de Pittsburgh, segundo informou ontem o jornal Em relação a essa afirmação, assinale a alternativa
“The Washington Post”. [...] O material implanta-


correta.
do, extraído de um tumor de testículo, foi cultiva- (A) O tecido epitelial é formado por células arranja-
do em laboratório por 20 anos. Nesse período, os


das morfologicamente para revestir superfícies,
cientistas foram capazes de ‘forçar’ quimicamente cavidades ou formar glândulas. Os vasos sanguí-
a transformação das células cancerosas em neurô- neos e o intestino, por exemplo, são revestidos
nios. As células de tumor foram escolhidas porque internamente por tecido epitelial.
têm grande poder de multiplicação. [...] Cerca de (B) O tecido conjuntivo é um tecido de preenchimen-


2 milhões de novas células nervosas foram aplica- to formado por matriz extracelular e não tem for-
das na região lesada de uma mulher de 62 anos, ma definida.
parcialmente paralisada por um derrame cerebral (C) O tecido muscular é composto de células muscu-


ocorrido há 19 anos. [...] Segundo os pesquisadores, lares, em forma de fuso, que têm a capacidade de
a eficácia da operação só poderá ser comprovada contraírem-se e gerarem movimento. Assim, todo
em alguns meses. o sistema motor é formado de tecido muscular.
(FOLHA DE SÃO PAULO, 3 de julho de 1998). (D) O tecido nervoso é o tecido que forma o sistema


nervoso, ou seja, os neurônios, os nervos e o cé-

Ao transformar células cancerosas em células nervo- rebro são formados de tecido nervoso.

sas, os cientistas conseguiram que estas últimas pas- 34. Tecidos biológicos são unidades cooperativas de célu-
sassem a ter a seguinte constituição básica:

las similares que desempenham uma função específi-
(A) corpo celular, parede celular e flagelos. ca. Considere as afirmações a seguir sobre diferentes

(B) parede celular, axônio e dendritos. tipos de tecido:
I. O tecido cartilaginoso é muito vascularizado;

(C) corpo celular, axônio e dendritos.

II. O tecido sanguíneo é formado por células e plasma;


(D) axônio, dendritos e flagelos. III. O tecido epitelial cobre a superfície do corpo e


(E) corpo celular, parede celular e dendritos. dos órgãos internos;

IV. O músculo esquelético é composto por fibras

32. O filme “O óleo de Lorenzo” conta a história de um musculares lisas e estriadas;
V. O tecido nervoso se origina da ectoderma.

menino afetado por uma doença chamada leucodis-

trofia, que leva a deficiências auditivas, visuais e mo- Está correto o que é afirmado somente em
toras. Essas deficiências devem-se à destruição da

bainha de mielina das células nervosas. (A) I, II e III. (C) I, IV e V.


Analise a figura a seguir, referente a uma célula nervosa (B) II, III e V. (D) I, III e IV.



na qual alguns componentes foram numerados de 1 a 4.
Assinale a alternativa que contém o número corres-

pondente à bainha de mielina.

2
1. D 10. A 19. D 28. C




3
2. B 11. B 20. D 29. C




3. D 12. D 21. B 30. C




4 4. A 13. A 22. D 31. C




5. A 14. B 23. B 32. C
(A) 1




6. A 15. C 24. C 33. A

(B) 2




7. B 16. B 25. C 34. B





(C) 3
8. B 17. B 26. D




(D) 4 9. A 18. B 27. C




[Link] | Produção: [Link] 298
Biologia

As transformações sociais possibilitam novas formas


de constituição familiar. O desenvolvimento científico
e tecnológico consegue ajudar casais a terem filhos,
recorrendo à reprodução assistida.
Nesse contexto e supondo que um casal constituído


por duas mulheres deseje ter um bebê, considere as
afirmativas a seguir.
Reprodução Humana I. A célula-ovo será resultante de um óvulo retira-


do de uma das mães que foi fecundado por um
1. Pesquisadores americanos e britânicos conseguiram espermatozoide e implantado no útero de uma

realizar com sucesso o primeiro implante de ovário. O mulher ou no de uma das mães.
novo tipo de transplante poderá ser usado para tratar
II. A fusão dos núcleos dos óvulos das mães pode-
a esterilidade...


(O Globo - 24/09/99)
rá dar origem a um embrião do sexo feminino ou
masculino, o qual apresenta genes de ambas as

Através dessa técnica, poderão ser usados ovários de genitoras, portanto com características haploides

fetos abortados, em mulheres que tiveram suas gôna- de cada uma delas.
das retiradas cirurgicamente. Isso abre, porém, uma III. O embrião formado, gerado in vitro, foi implanta-
discussão ética muito grande, pois a criança gerada


do no útero de uma “mãe de barriga de aluguel”
será geneticamente para que o bebê tivesse características dela.
(A) descendente do feto doador do tecido. IV. O bebê será do sexo feminino, caso o núcleo diploi-


(B) mutante com menor chance de sobrevivência. de que lhe deu origem for resultante da fertilização

(C) idêntica à própria mãe. do óvulo de uma das mães com o espermatozoide
haploide com cromossomo X de um homem.

(D) um clone do tecido transplantado.
Assinale a alternativa correta.

(E) uma mistura de genoma da mãe e do feto.

(A) Somente as afirmativas I e II são corretas.


Embriologia (B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

(C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
2. A utilização de células-tronco do próprio indivíduo


(autotransplante) tem apresentado sucesso como (D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

terapia medicinal para a regeneração de tecidos e (E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
órgãos cujas células perdidas não têm capacidade

de reprodução, principalmente em substituição aos 4. Um professor de Biologia, em uma aula sobre Sistema

transplantes, que causam muitos problemas devido à Reprodutor, explicou a formação de gêmeos univiteli-
rejeição pelos receptores. nos e fraternos, a partir do momento da fecundação.
O autotransplante pode causar menos problemas de Alguns alunos, após ouvirem as explicações, fizeram

as seguintes afirmativas.

rejeição quando comparado aos transplantes tradicio-
nais, realizados entre diferentes indivíduos. Isso por- − Maria: os gêmeos univitelinos são geneticamente

que as idênticos e possuem, entre outras características,
(A) células-tronco se mantêm indiferenciadas após o mesmo sexo.

sua introdução no organismo do receptor. − Cristina: os gêmeos fraternos, apesar de não se-

(B) células provenientes de transplantes entre di- rem geneticamente idênticos, compartilham a
mesma placenta.

ferentes indivíduos envelhecem e morrem ra-
pidamente. − Renato: gêmeos fraternos também podem ser cha-

(C) células-tronco, por serem doadas pelo próprio mados de dizigóticos, pois são resultantes da fecun-
dação de dois óvulos por dois espermatozoides.

indivíduo receptor, apresentam material genético
semelhante. − Ivan: a formação de gêmeos univitelinos pode ser

(D) células transplantadas entre diferentes indivíduos considerada um exemplo de clonagem por apre-
sentar o desenvolvimento de dois embriões iguais

se diferenciam em tecidos tumorais no receptor.
(E) células provenientes de transplantes convencio- entre si, porém diferentes do pai e da mãe.

nais não se reproduzem dentro do corpo do re- Assinale a alternativa que indica os estudantes que

ceptor. fizeram as afirmativas corretas.
(A) Maria e Renato, apenas.
3. “Adquira o óvulo em um país, faça a fertilização em

(B) Maria e Ivan, apenas.

outro e contrate a mãe de aluguel num terceiro.

Está pronto o seu filho com muita economia”. (C) Maria, Renato e Ivan, apenas.

(D) Maria, Cristina e Renato, apenas.
(COSTA, C. Bebê globalizado. Supernovas. Super Interessante.

São Paulo: Editora Abril, [Link]., out. 2011, p.28.) (E) Cristina e Ivan, apenas.

299 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

5. Para a identificação de um rapaz vítima de acidente, (A) a probabilidade de que todas sejam meninas é de


fragmentos de tecidos foram retirados e submetidos à 50%, que é a mesma probabilidade de que todos
extração de DNA nuclear, para comparação com o DNA sejam meninos.
disponível dos possíveis familiares (pai, avô materno, (B) a probabilidade de as crianças serem do mesmo


avó materna, filho e filha). Como o teste com o DNA sexo é de 25%, e a probabilidade de que sejam
dois meninos e duas meninas é de 50%.
nuclear não foi conclusivo, os peritos optaram por usar
também DNA mitocondrial, para dirimir dúvidas. (C) embora as crianças possam ser de sexos diferentes,


uma vez que se trata de gêmeos, serão genetica-
Para identificar o corpo, os peritos devem verificar se mente mais semelhantes entre si do que o seriam

há homologia entre o DNA mitocondrial do rapaz e o caso tivessem nascidas de gestações diferentes.
DNA mitocondrial do(a) (D) as crianças em questão não serão geneticamente


(A) pai. (C) filha.      (E) avô materno. mais semelhantes entre si do que o seriam caso
não fossem gêmeas, ou seja, fossem nascidas de




(B) filho. (D) avó materna. quatro diferentes gestações.



6. Em maio deste ano, foi relatado um caso raro de qua- (E) as crianças serão gêmeos monozigóticos, geneti-


camente idênticos entre si e, portanto, todas do

drigêmeos em Belo Horizonte. Três meninos e uma mesmo sexo.
menina nasceram prematuros. A menina nasceu de
parto normal e para os irmãos, foi necessário fazer ce- 8. As células-tronco são capazes de originar vários tipos


sariana. A novidade do caso está no fato de os quatro de tecidos, representando importante avanço no tra-
apresentarem tipos sanguíneos distintos. tamento de doenças, pois, ao serem
Essas informações nos levam a concluir que (A) produzidas pela hipófise, glândula produtora do


(A) os meninos são gêmeos univitelinos e a menina FSH, especializam-se na maturação de óvulos em
mulheres com disfunção reprodutiva.

teve origem a partir de outro óvulo fecundado.
(B) os quatro irmãos não são gêmeos fraternos. (B) produzidas pelas ilhotas do pâncreas, levam o

indivíduo a secretar insulina, controlando o dia-

(C) os quatro irmãos tiveram sua origem a partir de
betis mellitus.

um mesmo zigoto.
(C) retiradas da medula óssea, dão origem a novas cé-
(D) os quatro irmãos tiveram sua origem a partir de

lulas sanguíneas utilizadas no tratamento de leuce-

zigotos diferentes. mia do próprio doador, sem risco de rejeição.
(E) esse é um caso de poliembrionia, pois envolveu (D) obtidas a partir de fibra conjuntiva adulta, dão

apenas um óvulo e um espermatozoide.

origem a novas células nervosas, minimizando os
efeitos das doenças decorrentes de acidente vas-
7. cular cerebral.

(E) retiradas da zona pelúcida de embriões, dão ori-

gem a novas células cardíacas que substituirão a
cicatriz decorrente de infarto do miocárdio.
Histologia – Tecido Epitelial
9. Nosso organismo é frequentemente exposto a agen-

tes poluentes liberados na atmosfera. Para evitar a
Nunca se viram tantos gêmeos e trigêmeos. As absorção de tais agentes contaminantes, nosso siste-

estatísticas confirmam a multiplicação dos bebês, ma respiratório apresenta mecanismos de filtração e
que resulta da corrida das mamães às clínicas de produção de muco nas vias respiratórias superiores.
reprodução. O motivo pelo qual a reprodução assis- Sobre o tema, é correto afirmar.
tida favorece a gestação de mais de uma criança é
a própria natureza do processo. Primeiro, a mulher (A) O muco resulta do acúmulo de líquidos e de par-

toma medicamentos que aumentam a fertilidade tículas inaladas da atmosfera e sua produção de-
e, em consequência, ela libera diversos óvulos em pende da umidade relativa do ar.
vez de apenas um. Os óvulos são fertilizados em la- (B) A eficácia na remoção das partículas depositadas
boratório e introduzidos no útero. Hoje, no Brasil,

na parede das vias aéreas depende da atividade
permite-se que apenas quatro embriões sejam im- do sistema mucociliar do tecido epitelial.
plantados – justamente para diminuir os índices de
gravidez múltipla. (C) A respiração rápida e superficial estimula o acú-

(Veja, 30 de março de 2011.)
mulo de partículas estranhas na região alveolar.
(D) O muco que recobre o epitélio pulmonar tem
Suponha que uma mulher tenha se submetido ao

como função a hidratação das vias aéreas e pouco

tratamento descrito na notícia, e que os quatro em- contribui para a sua limpeza.
briões implantados em seu útero tenham se desen-
volvido, ou seja, a mulher dará à luz quadrigêmeos. (E) A viscosidade do muco depende da quantidade

Considerando-se um mesmo pai para todas as crian- de partículas inaladas e independe do estado de
ças, pode-se afirmar que hidratação do indivíduo.

[Link] | Produção: [Link] 300


Biologia

10. A pele humana é o maior orgão do corpo humano. Assim, baseado no exame de ressonância magnética


É constituída por dois tecidos, o tecido epitelial, a do joelho de um atleta, que apresentava perfeitas
epiderme, formado por células em constantes divi- condições nessa articulação, um médico fez os esque-
sões, que empurram as mais velhas para as cama- mas A e B, conforme a figura.
das superiores, e o tecido conjuntivo, a derme, rico Disponível em: [Link]
em diversas estruturas, tais como vasos sanguíne- Acesso em: 10.09.2010. (Adaptado)
os, terminações nervosas e glândulas. Logo abaixo, Tendão patelar
Fêmur
não fazendo parte da pele, está a tela subcutânea, a
hipoderme, formada pelas células adiposas respon-
sáveis por armazenar gordura.
Pelos

Poro Menisco
Folículo
piloso
Epiderme
Tíbia
Ligamento cola- Fíbula
Derme teral fibular B
A
Vaso
sanguíneo Glândula Tela
Visão lateral da articulação do joelho:
sebácea subcutânea (A) não flexionado e (B) flexionado


Sobre os componentes estruturais dos esquemas A e
B, assinale a alternativa correta.
Células Músculo Glândula
adiposas eretor do pelo sudorípara (A) O tendão patelar é formado por tecido conjuntivo

(Amabis e Martho. Fundamentos da Biologia Moderna. Adaptado). denso, rico em fibras colágenas muito compactadas.
(B) Os meniscos são formados por células cartilaginosas,
Tendo por base essas informações, pode-se dizer

os condrócitos, que produzem hemácias e leucócitos.

que, ao fazer uma tatuagem, a agulha injetora de
(C) Os ligamentos são cordões cartilaginosos desprovi-
tinta penetra

dos de vasos sanguíneos e muito ricos em fósforo.
(A) na epiderme, para que a tinta não afete os vasos (D) Os tendões e os ligamentos unem os ossos e os

sanguíneos, as glândulas e as terminações nervosas

meniscos aos músculos da perna e do joelho.
da derme, nem as células adiposas da hipoderme.
(E) Os meniscos são estruturas adiposas e flexíveis
(B) na derme, pois, se realizada na epiderme, a tinta

localizadas entre a tíbia e o fêmur.

injetada seria eliminada com as células queratini-
zadas mortas. 12. Um dos grandes problemas do câncer é a metástase,
(C) na hipoderme, para que a tinta não seja elimi-

uma vez que células do tumor se espalham pelo corpo

nada com as células queratinizadas mortas, nem e invadem outros tecidos. Por serem de rápido cresci-
afete os vasos sanguíneos, as glândulas e as ter- mento, tais células necessitam de grande suprimento
minações nervosas. de nutrientes.
(D) na camada superficial da epiderme, para que a Quando essa invasão ocorre em cartilagens, não há o

desenvolvimento de tumor, pois o tecido cartilaginoso

tinta afete o mínimo possível as estruturas infe-
riores da pele. (A) possui inibidores específicos do crescimento de

(E) na hipoderme, para que a tinta seja assimilada células cancerosas.
(B) não possibilita a formação de vasos sanguíneos.

pelas células adiposas, pois são células que não

sofrem tantas alterações ao longo do tempo. (C) possui muita matriz extracelular, dificultando o

crescimento do tumor.
11. Hoje em dia não se pode falar em medicina esportiva (D) não possui muita matriz extracelular, dificultando


sem falar em ressonância magnética, especialmente a instalação dos tumores.
no diagnóstico das lesões das articulações. O joelho, (E) possui células fagocitárias que atacam o tumor.

por exemplo, é uma das articulações que mais pre-
ocupam preparadores físicos e esportistas, pois os 13. Os aparelhos ortodônticos são utilizados para alinhar a

afastamentos por lesões costumam tirar os atletas de dentição que apresenta problemas. O posicionamento
circulação por vários meses. correto dos dentes nas arcadas, a partir do uso desses
aparelhos, depende principalmente do processo de
O joelho constitui uma das maiores e mais complexas (A) reabsorção óssea.

articulações do corpo humano, pois é formado por os-

(B) multiplicação epitelial.
sos, tendões, cartilagens, meniscos e ligamentos que

permitem a movimentação, a estabilidade e a resis- (C) diferenciação glandular.

tência para suportar, aproximadamente, 70% do total (D) reorganização muscular.

da massa corporal. (E) especialização neural.

301 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

14. Um paciente deu entrada em um pronto-socorro Com base nessas informações, é correto concluir-se que


apresentando os seguintes sintomas: cansaço, difi-
(A) o piroxicam é o anti-inflamatório que mais pode
culdade em respirar e sangramento nasal. O médico


interferir na formação de prostaglandinas prote-
solicitou um hemograma ao paciente para definir um toras da mucosa gastrintestinal.
diagnóstico. Os resultados estão dispostos na tabela:
(B) o rofecoxibe é o anti-inflamatório que tem a


Constituinte Número normal Paciente maior afinidade pela enzima COX-1.
Glóbulos (C) a aspirina tem o mesmo grau de afinidade pelas
4,8 milhões/mm3 4 milhões/mm3


vermelhos duas enzimas.
Glóbulos (D) o diclofenaco, pela posição que ocupa no esque-
(5 000 - 10 000)/mm3 9 000/mm3


brancos ma, tem sua atividade anti-inflamatória neutrali-
Plaquetas (250 000 - 400 000)/mm3 200 000/mm3 zada pelas duas enzimas.
(E) o nimesulide apresenta o mesmo grau de afinida-


Relacionando os sintomas apresentados pelo paciente de pelas enzimas COX-1 e COX-2.

com os resultados de seu hemograma, constata-se que
Histologia – Tecido Muscular
(A) o sangramento nasal é devido à baixa quantidade

de plaquetas, que são responsáveis pela coagula- 16. Alguns chefs de cozinha sugerem que o peru não deve
ção sanguínea.


ser preparado inteiro, pois a carne do peito e a da coxa
(B) o cansaço ocorreu em função da quantidade de têm características diferentes, que exigem preparos

glóbulos brancos, que são responsáveis pela coa- diferentes. A carne do peito é branca e macia, e pode
gulação sanguínea. ressecar dependendo do modo como é preparada. A
(C) a dificuldade respiratória ocorreu da baixa quan- carne da coxa, mais escura, é mais densa e suculenta
e deve ser preparada separadamente.

tidade de glóbulos vermelhos, que são responsá-
veis pela defesa imunológica. Embora os perus comercializados em supermerca-

dos venham de criações em confinamento, o que
(D) o sangramento nasal é decorrente da baixa quan- pode alterar o desenvolvimento da musculatura,

tidade de glóbulos brancos, que são responsáveis
eles ainda mantêm as características das populações
pelo transporte de gases no sangue.
selvagens, nas quais a textura e a coloração da carne
(E) a dificuldade respiratória ocorreu pela quantida- do peito e da coxa decorrem da composição de suas

de de plaquetas, que são responsáveis pelo trans- fibras musculares e da adequação dessas muscula-
porte de oxigênio no sangue. turas às funções que exercem. Considerando as fun-
ções desses músculos nessas aves, é correto afirmar
15. Os efeitos dos anti-inflamatórios estão associados à
que a carne

presença de inibidores da enzima chamada ciclooxi-
genase 2 (COX-2). Essa enzima degrada substâncias (A) do peito é formada por fibras musculares de con-

liberadas de tecidos lesados e as transforma em pros- tração lenta, pobres em mitocôndrias e em mio-
taglandinas pró-inflamatórias, responsáveis pelo apa- globina, e eficientes na realização de esforço mo-
recimento de dor e inchaço. derado e prolongado.
Os anti-inflamatórios produzem efeitos colaterais de- (B) do peito é rica em fibras musculares de contração

correntes da inibição de uma outra enzima, a COX-1,

rápida, ricas em mitocôndrias e em mioglobina,
responsável pela formação de prostaglandinas, prote- e eficientes na realização de esforço intenso de
toras da mucosa gastrintestinal. curta duração.
O esquema a seguir mostra alguns anti-inflamatórios (C) da coxa é formada por fibras musculares de con-

(nome genérico). As setas indicam a maior ou a menor

tração lenta, ricas em mitocôndrias e em mioglo-
afinidade dessas substâncias pelas duas enzimas. bina, e eficientes na realização de esforço mode-
rado e prolongado.
(D) da coxa é formada por fibras musculares de con-

tração rápida, pobres em mitocôndrias e em mio-
globina, e eficientes na realização de esforço in-
tenso de curta duração.
(E) do peito é rica em fibras musculares de contra-

ção lenta, ricas em mitocôndrias e em mioglo-
bina, e eficientes na realização de esforço mo-
derado e prolongado.

[Link] | Produção: [Link] 302


Biologia

17. A exposição “O Fantástico Corpo Humano”, atualmen- De acordo com a organização estrutural dos tecidos


te em cartaz em São Paulo, mostra corpos humanos descrita, aquele que possui a capacidade de formar
inteiros e peças preservadas em silicone. O visitante barreiras contra agentes invasores e evitar a perda de
dessa exposição poderá notar diversos feixes de fibras líquidos corporais é o tecido
musculares e tendões em corpos mostrados em posi- (A) ósseo.
ções cotidianas, como alguém lendo um livro, chutan-


(B) conjuntivo denso.
do uma bola, comendo.


(C) conjuntivo frouxo.
Em relação ao músculo esquelético, é correto afirmar que


(D) epitelial de revestimento.


(A) nas extremidades do músculo esquelético, for- (E) muscular estriado esquelético.

mam-se bainhas de tecido conjuntivo frouxo, os


tendões, que prendem o músculo ao osso. 20. A água é um dos componentes mais importantes das


(B) o músculo esquelético propicia a locomoção, células. A tabela a seguir mostra como a quantidade

juntamente com os tendões e os ossos, devido à de água varia em seres humanos, dependendo do tipo
diminuição do comprimento dos sarcômeros das de célula. Em média, a água corresponde a 70% da
miofibrilas. No processo de contração muscular, composição química de um indivíduo normal.
os filamentos espessos de actina se sobrepõem Tipo de célula Quantidade de água
aos filamentos delgados de miosina.
(C) a contração do músculo esquelético é dependente de Tecido nervoso – substância cinzenta 85%

íons de sódio, armazenados no retículo endoplasmá- Tecido nervoso – substância branca 70%
tico, que favorecem ligação da actina com a miosina.
Medula óssea 75%
(D) o músculo esquelético é formado por tecido mus-

cular estriado esquelético e tecido conjuntivo rico Tecido conjuntivo 60%
em fibras colágenas, o qual envolve o músculo Tecido adiposo 15%
como um todo e mantém os feixes de fibras mus-
Hemácias 65%
culares, nervos e vasos sanguíneos unidos.
(E) o músculo estriado esquelético se diferencia do Ossos sem medula 20%

músculo cardíaco por apresentar uma contração Durante uma biópsia, foi isolada uma amostra de teci-

rápida diferentemente do que acontece no cora- do para análise em um laboratório. Enquanto intacta,
ção, além da frequente ocorrência de fermenta- essa amostra pesava 200 mg. Após secagem em estu-
ção na geração do ATP. fa, quando se retirou toda a água do tecido, a amos-
tra passou a pesar 80 mg. Baseado na tabela, pode-se
18. Uma mulher grávida sofre irradiação com raios-X. No
afirmar que essa é uma amostra de

momento da irradiação, o embrião estava sob a for-
ma de gástrula, e somente as células da ectoderme (A) tecido nervoso – substância cinzenta.

foram atingidas. Poderão sofrer mutação os tecidos: (B) tecido nervoso – substância branca.

(A) nervoso, conjuntivo e epiderme. (C) hemácias.

(D) tecido conjuntivo.

(B) nervoso e do aparelho circulatório.

(E) tecido adiposo.

(C) nervoso, de revestimento da boca, nariz, ânus e


epiderme.
(D) conjuntivo, do aparelho urinário e muscular.

(E) de revestimento do tubo digestivo, urinário e re-

produtivo.
Histologia – Geral
19. Os tecidos animais descritos no quadro são formados por

um conjunto de células especializadas, e a organização es- 1. A 11. A


trutural de cada um reflete suas respectivas funções.
2. C 12. B


Tecido Organização estrutural
3. B 13. A
Células encerradas em uma matriz


Ósseo extracelular rica principalmente em fibras 4. C 14. A
colágenas e fosfato de cálcio.


Conjuntivo denso Grande quantidade de 5. D 15. A


fibras colágenas
6. D 16. C
Fibras proteicas frouxamente


Conjuntivo frouxo entrelaçadas
7. D 17. D


Células intimamente unidas entre si,
Epitelial de podendo formar uma ou mais 8. C 18. C
revestimento


camadas celulares
9. B 19. D
Muscular estriado Longas fibras musculares ricas em


esquelético proteínas filamentosas
10. B 20. D


303 [Link] | Produção: [Link]
FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO

SISTEMA DIGESTÓRIO tenham os aminoácidos essenciais em doses adequa-


das para garantir a síntese de todas as nossas proteí-
A Nutrição nas específicas.

Para manter-se vivo, o organismo deve continuamente As carnes, os ovos e o leite têm proteínas ricas em ami-
obter, transformar, assimilar e eliminar substâncias. Tais noácidos essenciais, sendo por isso considerados alimen-
substâncias são chamadas nutrientes e devem ser forneci- tos de alto valor biológico ou nutricional. Já as proteínas
das pelos alimentos, consumidos em quantidade e varie- vegetais são mais pobres em aminoácidos essenciais, e a
dade adequadas. diversidade deles é pequena. Em consequência, o consu-
mo predominante ou exclusivo de vegetais, ou pior, só de
Uma vez digeridos os alimentos e absorvidos os nu-
determinados vegetais, pode levar à desnutrição, por faltar
trientes, eles são distribuídos para todos os tecidos e
alguns tipos de aminoácidos indispensáveis. Portanto, se al-
usados para a construção e a reparação da matéria viva,

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


guém deseja seguir uma dieta vegetariana, ela deverá ser
sendo ainda desdobrados para a liberação da energia in-
bem variada, com alimentos ricos não só em aminoácidos
dispensável às atividades vitais.
essenciais, mas também em carboidratos, lipídios, vitami-
Importância Nutricional das Proteínas nas e sais minerais.
Além da função plástica, as proteínas são também res- Para você saber
ponsáveis pela proteção do organismo (anticorpos), catáli- A grande diversidade das práticas esportivas e o
se (enzimas), regulação e crescimento (hormônios), trans- permanente cuidado com a forma física e a estética
porte de oxigênio (hemoglobina), coagulação (fibrina). A tem levado um crescente número de pessoas ao con-
carência nutricional proteica provoca graves problemas sumo de inúmeras drogas, além de complementos ali-
de saúde, como edemas, enfraquecimento geral, baixo mentares, incluindo as vitaminas. Em geral, isso é feito
sem orientação médica, o que representa risco à saú-
metabolismo, apatia, diarreia, lesões cutâneas, redução
de, pois doses excessivas de vitaminas podem causar
da taxa de crescimento, sendo particularmente grave em
problemas tão graves quanto sua carência. A hipervita-
crianças novas, caracterizando o chamado kwashiorkor, minose A pode causar dor de cabeça, falta de apetite,
descrito pela primeira vez em algumas cidades europeias problemas de pele e dor óssea, e a hipervitaminose D,
(Budapeste e Berlim). perda de peso e danos renais.

A Digestão
A digestão transforma as moléculas grandes e comple-
xas dos alimentos em moléculas pequenas, simples e solú-
veis. Assim, um polissacarídeo insolúvel, como o amido, só
pode ser aproveitado após ser transformado em glicose,
um monossacarídeo, solúvel.
As proteínas, que são macromoléculas, devem ser des-
dobradas em aminoácidos; os lipídios, em ácidos graxos
e glicerol, como pode ser observado na imagem a seguir.
As fontes de proteínas são sobretudo carnes, peixes, Uma vez absorvidas pela mucosa do tubo digestório,
ovos, queijos e soja. Como sabemos, todas as proteínas tais substâncias são transportadas pelo sangue, chegando
são formadas por aminoácidos e, dos 20 existentes, nosso aos tecidos.
organismo só é capaz de sintetizar 12. Os oito restantes A digestão abrange processos mecânicos e químicos.
devem ser obrigatoriamente obtidos dos alimentos, sen- Os primeiros correspondem à preparação e mistura dos
do chamados aminoácidos essenciais. alimentos às enzimas para a efetivação da digestão quí-
Portanto, em qualquer dieta alimentar, devemos mica. A mastigação, a deglutição e o peristaltismo (peris-
nos preocupar com o consumo de proteínas que con- talse), por exemplo, são processos mecânicos.

[Link] | Produção: [Link] 304


Biologia

Degradação de algumas substâncias orgânicas

O sistema digestório está adaptado para realizar deter- A boca é a abertura anterior do tubo digestivo dos animais
minadas funções que, em conjunto, provocam profundas e onde se inicia o processo da digestão no homem. A boca hu-
modificações no alimento ingerido que será utilizado pelas mana é constituída pelos dentes e pela língua, que misturam
células – a ingestão (introdução do alimento no organismo); e transformam os alimentos em bolo alimentar, ao envolvê-
a digestão (degradação das macromoléculas complexas em -los em saliva. Para tanto, ela possui os dentes. Conforme a sua
moléculas simples e menores pela ação de processos me- função, cada dente tem uma forma diferente. Podemos distin-
cânicos e enzimáticos); a absorção (assimilação das peque- guir os incisivos, cuja missão é cortar os alimentos; os caninos,
nas moléculas pelas células); e a egestão (eliminação dos encarregados de rasgar os alimentos, e os pré-molares e mola-
resíduos que não são digeridos ou absorvidos pelas células. res, que servem para a trituração dos mesmos.
O tubo digestório humano compreende: boca, faringe, A língua é formada essencialmente de músculo es-
esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, quelético, dotado de muita mobilidade para poder movi-
reto e ânus. Suas glândulas anexas são os três pares de mentar o alimento para a mastigação e também moldar o
glândulas salivares (parótidas, sublinguais e submaxila- bolo alimentar em uma massa arredondada para facilitar
res), o fígado e o pâncreas. a deglutição. O lado dorsal da língua é revestida de papilas
gustativas, e a língua tem uma aparência macia e rosada.
Cavidade bucal Faringe
Boca Epiglote
Amígdalas

Esôfago

Estômago
Fígado
Pâncreas Grandes
Superfície papilas
Vesícula biliar da língua

Duodeno Papilas
Cólon transversal
Cólon ascendente
Cólon descendente Ponta da
língua

Ceco
Apêndice Reto As glândulas salivares têm a função se secretar a saliva
Ânus e são de três tipos: duas parótidas, duas submaxilares ou
Intestino delgado
submandibulares e duas sublinguais. A saliva é formada

305 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

de 99% de água, sais minerais, muco (mucina), amilase sa- autônomo, que, dando continuidade ao trabalho da fa-
livar e lisozima que, em conjunto, representam 1% da sua ringe, leva o alimento até o estômago. O peristaltismo do
constituição. A enzima lisozima destrói bactérias e prote- esôfago empurra o alimento para o esfincter (cárdia) da
ge a boca de infecções e cáries dentárias. A amilase salivar entrada do estômago.
em pH neutro, ou ligeiramente ácido, digere parcialmente o O estômago é uma bolsa de parede musculosa, que
amido e converte-o em maltose (um tipo de carboidrato – se comunica com o esôfago pela cárdia e com o intestino
dissacarídeo.) É na boca, com a amilase salivar, que começa pelo piloro. A cárdia evita que o alimento retorne para o
a digestão química dos alimentos, caso eles contenham mo- esôfago. O esfincter pilórico regula a liberação do bolo ali-
léculas de amido, ingeridos. A água umedece o alimento, o mentar do estômago para o intestino delgado.
muco lubrifica-o e a amilase catalisa a hidrólise do amido,
que o transforma em moléculas de açúcares mais simples. Fundo

Esôfago
Cárdia

Corpo

Duodeno

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


G. Parótida

G. Sublingual Antro
Esfincter
G. Submandibular polírico

O estômago é revestido internamente pela mucosa


gástrica formada por células epiteliais de revestimento e
células secretoras chamadas glândulas gástricas , que pro-
duzem o suco gástrico. Além dessas, há células produtoras
de muco, que protegem a mucosa gástrica da ação cor-
rosiva das secreções originadas pelas glândulas gástricas.
No estômago, ocorrem leves contrações que mistu-
ram o alimento com as secreções das glândulas gástricas,
transformando o bolo alimentar numa massa pastosa de-
A faringe é um canal comum ao aparelho digestivo e ao nominada quimo. Nesse instante, o pH está em torno de
aparelho respiratório. É responsável por conectar o nariz e a 1,5 a 2 devido ao ácido clorídrico.
boca à laringe e ao esôfago. Na faringe, ocorre o fenômeno Este ácido tem função antisséptica, evitando putrefa-
da deglutição e, durante esse fenômeno, a abertura da fa- ções causadas por bactérias ingeridas com os alimentos.
ringe, chamada glote, é fechada pela epiglote, uma válvula Além disso, catalisa a conversão do pepsinogênio (inati-
cartilaginosa que impede a entrada de alimento nas vias vo) em pepsina e mantém um pH ótimo para ação dessas
respiratórias. Em seguida o alimento desce para o esôfago. enzimas. Além da pepsina, no estômago, está presente a
lipase fraca e a renina.

Parte nasal da faringe


Palato duro
Palato mole Bolo
Úvula palatina
Língua
Faringe
Epiglote
Faringe
Laringe

Esôfago A lipase fraca degrada lipídios formados por ácidos


graxos de cadeia pura e glicerol. Já a renina, atua sobre a
caseína encontrada no leite, provocando sua coagulação.
Passagem do alimento da boca para a faringe. Tanto a renina quanto a lipase fraca são produzidas em
O esôfago é um canal que conduz o alimento até o maior quantidade no recém-nascido, diminuindo com o
estômago. O esôfago é um condutor musculoso de con- passar dos anos, quando o leite é substituído por outras
trações involuntárias, controladas pelo sistema nervoso fontes alimentares.

[Link] | Produção: [Link] 306


Biologia

A mucosa do estômago é impermeável à absorção Controle hormonal da digestão


da maioria das substâncias que se encontram no seu
interior, à exceção de um pouco de água, alguns sais
Lobo esquerdo
minerais, certas drogas como a aspirina (ácido acetil do fígado
salicílico) e o álcool. Lobo direito
do fígado
O intestino delgado é um tubo com cerca de 6,5 me-
tros de comprimento por 4 cm de diâmetro e pode ser
ago
dividido em três regiões: duodeno (cerca de 25 cm), Estôm

jejuno (cerca de 5 m) e íleo (cerca de 1,5 m). A maior


parte da digestão e da absorção ocorre no intestino del-
gado; assim, sua estrutura é especialmente adaptada
Pâncreas
para essa função. Seu comprimento fornece uma gran-
de área para a absorção, e esta área é aumentada ainda O bolo alimentar (quimo) sai do estômago e chega
mais pelas vilosidades da mucosa e as microvilosida- ao intestino delgado. No duodeno, o quimo entra em
des das células entéricas. contato com a parede intestinal e estimula a produção
Luz do intestino delgado de três hormônios – a enterogastrona, a secretina e a
Vilosidades Capilar Quilíferos colecistocinina.
sanguíneo
A enterogastrona atua no estômago inibindo a secre-
ção de mais suco gástrico e seu peristaltismo; a secretina
Epitélio
simples Mucosa estimula a secreção pancreática de bicarbonato; e a co-
Tecido conjuntivo
lecistocinina (pancreozimina ou CCK) estimula a vesícula
Abertura de
glândula intestinal Submucosa
biliar e o pâncreas, fazendo-os lançar no duodeno a bile e
Nódulo linfático
Músculo
as enzimas pancreáticas, respectivamente.
Vaso linfático
O quimo sofre a ação da bile e do suco pancreático –
Músculo
Nervos Serosa o bicarbonato neutraliza sua acidez e as enzimas tripsina
Músculo
e quimiotropsina degradam os peptídeos produzidos pela
ação da pepsina em peptídeos ainda menores. Essas duas
O pâncreas é uma glândula mista ou anfícrina. A por- enzimas são produzidas em formas inativas, o tripsinogê-
ção endócrina do pâncreas produz insulina e glucagon e nio e o quimiotripsinogênio. A primeira transforma-se em
sua parte exócrina secreta uma mistura de enzimas di- tripsina pela ação de uma enzima produzida no duodeno,
gestivas – o suco pancreático. O suco pancreático con- a enteroquinase; a segunda é ativada pela ação da própria
tém água, alguns sais, bicarbonato de sódio e enzimas. tripsina produzida.
O bicarbonato levemente alcalino (pH 7,1 a 8,2) neutrali- A digestão termina no jejuno-íleo, que produz o suco
za a acidez do quimo proveniente do estômago, criando intestinal. O suco entérico (ou intestinal) é produzido pelas
um ambiente ideal para ação das enzimas pancreáticas e células da parede do intestino delgado. Em sua composi-
intestinais. As enzimas pancreáticas são a amilase pan- ção, existem muco e enzimas que deverão completar a di-
creática, que digere o amido; as enzimas tripsina, qui- gestão dos alimentos. As principais enzimas presentes são:
miotripsina e peptidase, que digerem proteínas; a lipase • Sacarase, que atua na digestão da sacarose, libe-
pancreática, com ação sobre as gotículas de lipídios, e as

rando glicose e frutose;
nucleases, que digerem DNA e RNA.
• Lactase, que atua na lactose (dissacarídeo presen-
O fígado é a maior glândula do corpo humano, com

te no leite), desdobrando-a em galactose e glicose;
cerca de 1,4 kg, e está situado à direita do estômago, abai-
xo do músculo diafragma. Sua função é produzir a bile, • Maltose, que atua nas moléculas de maltose for-

que é lançada no duodeno pelo canal colédoco. A bile é madas na digestão prévia do amido, liberando mo-
um líquido amarelo-esverdeado, com pH de 7,6 a 8,6, for- léculas de glicose;
mado de água, sais biliares, colesterol, lecitina (fosfolipí- • Nucleotidases, que atuam nucleotídeos formados

dio), pigmentos e vários íons. Ela é produzida pelo fígado, na digestão dos ácidos nucleicos, liberando pento-
mas armazenada na vesícula biliar. ses, fosfatos e bases nitrogenadas;
A bile não tem enzimas, mas seus sais biliares • Peptidases, que atuam nos peptídeos, levando à


são capazes de emulsionar os lipídios, ou seja, trans- liberação de aminoácidos.
formá-los em várias gotas para facilitar a ação da lipa- Os produtos finais da digestão ficam em solução, o
se pancreática. quilo, e em condições de serem absorvidos. A grande ca-

307 [Link] | Produção: [Link]


pacidade de absorção dessas substâncias simples (glicose, Estômago dos ruminantes
frutose, aminoácidos, ácidos graxos e glicerol) pela mucosa
1 Esôfago
do intestino se deve às suas inúmeras vilosidades e às mi- Pança (rúmen)
crovilosidades da superfície livre das suas células epiteliais. 2
Na parede intestinal, esses nutrientes chegam aos va- Barrete (retículo)

sos sanguíneos e linfáticos e caem na circulação geral. 3


Folhoso (omaso)
Os restos que não são digeridos, misturados ainda a
grande volume de água, passam para a primeira porção
do intestino grosso, o ceco, a uma espécie de bolsa que
continua pelo cólon ascendente, do lado superior, e tem o
Intestino
apêndice do lado inferior. 4
Coagulador (abômaso)
O intestino grosso (cólon ascendente, transverso e
descendente) é responsável por grande reabsorção de
água; consequentemente, o material não digerido que Leitura Complementar
chega ao reto, sua porção final, já constitui as fezes, semi-
Engordar ou Emagrecer
sólidas. As fezes contêm ainda restos de descamação da

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


mucosa digestiva e grande número de bactérias da flora O tipo de alimentação e a prática de exercícios físicos
intestinal, além dos pigmentos biliares que lhes dão a cor são sem dúvida dois importantes fatores dos quais de-
característica. Finalmente, a expulsão das fezes se proces- pendem diretamente nossa forma física e nossa saúde.
sa pela abertura do esfíncter anal. Vamos discutir alguns fatos acerca da alimentação, cuja
importância não é levada em conta por muitas pessoas.
A atividade do intestino, especialmente seu peristaltis-
mo, é estimulada pela ingestão de alimentos de origem ve- Nossos sistemas circulatório, respiratório e excretor, in-
getal (frutas, verduras, cereais), ricos em fibras (celulose), o dependentemente da pessoa, de sua consciência ou von-
que favorece e regula a defecação e diminui o risco do apa- tade, trabalham ou metabolizam sempre as mesmas subs-
recimento do comum e temido câncer do intestino grosso. tâncias, ao contrário do sistema digestório, que só pode
trabalhar e utilizar as substâncias que escolhemos ingerir.
Cólon transverso
No entanto, será que sabemos escolher o que comer?
Geralmente, os animais, em seus habitats naturais,
Cólon
ascendente
Cólon consomem instintivamente determinados alimentos
descendente
que lhes fornecem todos os nutrientes indispensáveis.
O homem civilizado, ao contrário, tem as mais variadas
Apêndice
e extremas opções alimentares, relacionadas a diferen-
Reto tes fatores: racial, social, cultural e até religioso, o que
frequentemente o leva a erros e maus hábitos.
Anatomia do intestino grosso.
O que determina nossa escolha? Certamente não é o
O Estômago dos Ruminantes valor nutritivo dos alimentos, mas especialmente o sabor
Os ruminantes (boi, cabra, veado, girafa, carneiro) e o aspecto que nos agradam ou, ainda, os hábitos adqui-
possuem um estômago complexo, com quatro câma- ridos desde a infância e a indiscutível força da publicidade.
ras, além de um longo intestino, que lhes permite dige- É óbvio que comer bem não significa apenas quan-
rir a celulose dos alimentos ainda que em sucos diges- tidade, mas também qualidade dos alimentos, a fim de
tivos não exista celulose. A primeira câmara (o rúmen) evitar deficiências nutricionais, sobretudo proteicas e
armazena o alimento ingerido, que aí sofre uma intensa vitamínicas, que comprometem o desenvolvimento e a
ação bacteriana para a digestão da celulose. Aos pou- saúde. Mas será que comer bem nos garante uma boa
cos, o alimento passa para a segunda câmara (o retícu- disposição física e peso adequado? Em princípio sim, a
lo), voltando à boca por inversão do peristaltismo. Após não ser que haja algum problema hormonal, de absor-
demorada mastigação (ruminação), ele retorna ao es- ção alimentar ou até parasitário.
tômago, diretamente para a terceira câmara (o omaso).
Passa finalmente para a quarta câmara (o abômaso) e A alimentação correta nos fornece todos os nutrien-
só aí ocorre a digestão química. Nessa digestão são des- tes indispensáveis: plásticos, energéticos, reguladores e
truídas grandes massas das bactérias que desdobraram ainda os sais minerais. Cabem, agora, algumas conside-
a celulose à ainda sintetizaram diferentes substâncias rações. Nas últimas décadas, nos países desenvolvidos,
indispensáveis a nutrição do ruminante e que em segui- tem havido um consumo exagerado de carboidratos, na
da são absorvidas no intestino. Tais substâncias são os forma de pães, biscoitos, doces, balas, chocolates, sorve-
aminoácidos, as proteínas e as vitaminas. tes e refrigerantes, além daqueles naturalmente presen-

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Biologia

tes nos alimentos comuns, como arroz, feijão, macarrão hemoglobina das hemácias destruídas e fagocitadas no
e frutas. Por outro lado, o consumo de proteínas (carnes, próprio fígado.
leite, ovos, peixes, soja) muitas vezes não é satisfatório e, A bile é armazenada na vesícula biliar, que, durante
com isso, as crianças e os jovens podem ter o desenvol- a digestão, se contrai e expulsa todo o seu conteúdo
vimento comprometido, além de aumentar muito o acú- no duodeno, sobre o alimento que aí chega. Quando a
mulo de gorduras, sintetizadas a partir dos carboidratos vesícula é obstruída por “pedras” (cálculos biliares ri-
não utilizados, pelo excesso ingerido. O fato se agrava cos em colesterol), a bile passa com dificuldade para
quando muitos jovens passam horas sentados (aulas, o duodeno, e manifestam-se cólicas muito dolorosas.
videogame, TV, computadores) e sem praticar esportes. Parte dos pigmentos biliares passa então para a corren-
Nos adultos, isso é um problema mais sério. Está te sanguínea, e a pessoa fica amarelada (pele e olhos),
provado estatisticamente que, nos países de melhor além de eliminar uma urina também muito amarela.
condição econômica, boa parcela da população mostra Isso caracteriza a icterícia. Com frequência, é indicada
um crescente número de doenças diretamente relacio- a cirurgia de extração da vesícula biliar, o que não traz
nadas ao excesso de peso. É o caso do diabete, da hi- maiores problemas, pois a bile passa a correr, em fluxo
pertenção e dos enfartos. contínuo, diretamente para o duodeno.
Em resumo, a saúde é consequência de uma ali- Uma doença comum do fígado é a cirrose, que sur-
mentação variada, sem excessos, associada a exercí- ge por necrose do tecido normal e com sua substituição
cios físicos regulares e moderados durante toda a vida. por tecidos adiposo e fibroso. É frequente nos casos de
A obesidade, a fraqueza, a anemia e outros problemas alcoolismo ou excesso de drogas e toxinas. Os pacientes
tão comuns sem dúvida podem ser resolvidos com mu- com cirrose ficam com graves problemas metabólicos,
danças dos hábitos alimentares e a prática de atividade especialmente deficiências de absorção, metabolização
física adequada a cada situação pessoal. Um acompa- e sínteses de várias substâncias.
nhamento médico é indispensável nos casos que envol-
vam comprovadamente disfunções hormonais e outros Gastrite e Úlceras
problemas orgânicos. Portanto, devem ser firmemente
descartadas as dietas e as drogas milagrosas que acenam Dois dos problemas mais comuns do sistema diges-
com soluções rápidas e definitivas para todos os proble- tório são a gastrite e as úlceras, que surgem por um de-
mas de nutrição, as quais podem trazer sérias complica- sequilíbrio das secreções de ácido clorídrico e pepsina,
ções para a saúde, com efeitos colaterais imprevisíveis ambos presentes no suco gástrico. O estresse, o fumo,
e até risco de vida. Pior do que isso é a automedicação o álcool, temperos fortes e molhos apimentados e até
por informação de leigos, que leva as pessoas ao uso de certos medicamentos, como anti-inflamatórios e a as-
drogas contraindicadas em função de seu histórico clíni- pirina, para muitas pessoas sensíveis, são fatores que
co, que podem acarretar sérios distúrbios psicológicos e agravam a erosão da mucosa do estômago, com forte
acidentes mortais por dosagens excessivas. irritação e dor, características das gastrites. Já as úlce-
Enfim, deve ficar claro que o bem-estar orgânico e ras são ferimentos mais profundos e dolorosos que com
o peso adequado são consequência direta da qualidade frequência sangram. Nesse caso, a pessoa fica anêmica,
dos alimentos e da relação entre quantidade de alimen- e suas fezes se mostram escuras (sangue digerido) e
to ingerido e quantidade usada, ou seja, o equilíbrio en- com o aspecto do café retido no coador. As úlceras, na
tre o total de calorias obtido dos alimentos e o total maioria duodenais, podem perfurar o tubo digestório
gasto nas atividades diárias. e, nesse caso, quase sempre são fatais, pois além de
forte hemorragia interna costuma ocorrer infecção do
O Fígado peritônio, membrana que forra a parede abdominal.
O fígado é o maior órgão da cavidade abdominal,
chegando a pesar 2,5 kg. É basicamente formado por um
tecido maciço, cujas células, os hepatócitos, são excep-
Excesso de Gordura Gera
cionais “laboratórios bioquímicos”, capazes de sintetizar Diversos Riscos à Saúde
enzimas e outras proteínas, ureia e sais biliares. O fígado
Até pouco tempo atrás, acreditava-se que um bebê
neutraliza substâncias tóxicas (álcool e drogas) absorvi-
gordinho era um bebê saudável e que uma criança ma-
das no intestino e ainda armazena glicogênio e ferro.
grinha estava necessariamente doente, pois isso não seria
Embora pareça estranho, apesar da grande quanti- normal. Na verdade, essas crenças estavam completa-
dade de bile produzida pelos hepatócitos, cerca de 0,5 mente equivocadas: nem toda pessoa gorda é saudável e
litro por dia, ela não contém nenhuma enzima diges- nem toda pessoa magra é doente.
tiva. A bile é uma solução amarelo-esverdeada, cujo
Hoje em dia, ao contrário, gordura e obesidade são
pigmento, a bilirrubina, é resultado da degradação da
um assunto que assusta muita gente e com toda razão. Na

309 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

verdade, no ritmo em que as coisas caminham, logo deve- na revista “Health Affairs”, nos Estados Unidos, entre 1987
rão ser realizados grandes investimentos no ramo de saú- e 2002, os gastos privados em problemas médicos asso-
de pública para se evitar este problema que afeta e muito ciados à obesidade aumentaram de 3,6 bilhões de dólares
o bem-estar físico, mental e social de qualquer indivíduo. para 36,5 bilhões de dólares, ou 11,6 por cento dos gastos
Mas vamos por partes: primeiro, o que significa obesidade? médicos no país. No Brasil, essas proporções também não
Ser uma pessoa obesa significa estar acima do peso ideal, são diferentes.
a ponto de ter dificuldades em realizar determinadas tare- Apesar de informações genéticas herdadas estarem vin-
fas, sentir limitações ao se locomover e correr sérios riscos culadas ao problema, atualmente, acredita-se que a melhor
relacionados à própria saúde e qualidade de vida. Sem falar maneira de evitá-lo é a prevenção, pois a partir do momen-
na discriminação que os obesos também acabam sofrendo. to que este já se encontre instalado e incorporado, os da-
nos são difíceis de serem sanados. Para isso, é necessária
Células Adiposas uma dieta equilibrada e a prática de exercícios físicos.
Mas como ocorre a obesidade? Em primeiro lugar,
a obesidade parece estar diretamente ligada à infância, Distúrbios Alimentares
pois, por volta dos dois anos de idade, adquirimos a maior
Os distúrbios alimentares graves são agrupados em
parte das células adiposas, responsáveis pelo armazena-
três categorias: a recusa em manter um peso corpóreo
mento de gordura em nosso corpo. Essas células são mui-
mínimo normal (anorexia nervosa), a ingestão excessiva
to elásticas e, quando nos alimentamos em excesso, são
de alimentos seguida pela purgação (bulimia nervosa) e

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


estimuladas a armazenar gordura, podendo adquirir até
a ingestão excessiva de alimentos sem purgação (comer
10 vezes o seu tamanho normal. Quando chegam a esse
compulsivo ou binge eating). O comer compulsivo (binge
limite, dividem-se ao meio, dando origem a nova célula,
eating) é o consumo rápido de grandes quantidades de
também capaz de armazenar mais reservas adiposas.
alimento em um período curto de tempo, acompanhado
Essas células adquiridas na infância nos acompanham por um sentimento de descontrole. A purgação é o vômito
durante toda a nossa existência, mas a partir da adoles- autoinduzido ou o uso inadequado de laxantes, diuréticos
cência elas perdem o poder de duplicação. O processo de ou enemas para eliminar os alimentos do organismo.
engordar e emagrecer, o conhecido “efeito sanfona”, ocor-
re devido à produção de células adiposas na infância. Anorexia Nervosa
Fatores Ambientais A anorexia nervosa é um distúrbio caracterizado por
Outros fatores que favorecem a obesidade são sociais uma distorção da imagem corpórea, um medo extremo da
e ambientais. Estão associados principalmente aos hábi- obesidade, a recusa em manter um peso corpóreo mínimo
tos dos familiares; se comem diariamente em “fast-foods”, normal e que, nas mulheres, produz a ausência de perío-
por exemplo, ou se apresentam ou não uma dieta equi- dos menstruais. Cerca de 95% dos indivíduos que sofrem
librada (consumindo, na quantidade certa, carboidratos, de anorexia nervosa são de sexo feminino. Ela geralmen-
proteínas, fibras, legumes, verduras e frutas), se praticam te se inicia na adolescência, às vezes antes, e menos fre-
alguma atividade física ou se são sedentários. quentemente na idade adulta. A anorexia nervosa afeta
sobretudo indivíduos das classes socioeconômicas média
É conveniente esclarecer que uma dieta equilibrada
e alta. Na sociedade ocidental, o número de indivíduos
não significa abolir totalmente o consumo de gordura,
com esse distúrbio parece estar aumentando. A anorexia
pois esta também é essencial para a manutenção da boa
nervosa pode ser leve e temporária ou grave e prolon-
qualidade de vida. As gorduras ou lipídeos realizam várias
gada. Foram relatadas taxas de mortalidade entre 10% e
funções diferentes, como, por exemplo, estão relaciona-
20%. No entanto, como existe a possibilidade de casos le-
das ao crescimento, ajudam a dissolver vitaminas (vitami-
ves não terem sido diagnosticados, não se conhece exata-
nas lipossolúveis A, D, E e K), agem no processo de esper-
mente quantos indivíduos sofrem de anorexia nervosa ou
matogênese (produção de espermatozoides) e também
qual porcentagem de indivíduos morrem em decorrência
atuam como uma reserva de energia.
dela. A sua causa é desconhecida, mas os fatores sociais
Colesterol e Prevenção parecem ser importantes. O desejo de ser magro é algo
Ao se falar em problemas relacionados à gordura, con- muito frequente na sociedade ocidental e a obesidade é
vém não esquecer o colesterol. Este é um tipo de gordura considerada pouco atrativa, não saudável e indesejável.
enviada para o sangue, que se encarrega de distribuí-la para Mesmo antes da adolescência, as crianças estão a par des-
todo o corpo. Existe um colesterol ruim, o LDL, que pode sas atitudes e dois terços das adolescentes fazem dieta ou
formar pequenos trombos, isto é, pequenos aglomerados adotam outras medidas para controlar o peso. No entan-
de células gordurosas, impedindo a passagem do sangue do, somente uma pequena porcentagem delas desenvolve
pelos vasos sanguíneos e ocasionando doenças cardiovas- anorexia nervosa.
culares. Mas existe também um colesterol bom, o HDL, que Sintomas
impede o LDL de circular na corrente sanguínea. Muitas mulheres que mais tarde apresentam anorexia
As implicações da obesidade são o aumento dos ris- nervosa são meticulosas e compulsivas, com metas muito
cos de desenvolver diabetes, hipertensão arterial (pressão elevadas de realização e êxito. Os primeiros indicadores
alta) a arteriosclerose. Segundo uma pesquisa publicada da iminência do distúrbio são o aumento da preocupação

[Link] | Produção: [Link] 310


Biologia

em relação à dieta e ao peso corpóreo, inclusive entre segunda, a psicoterapia, frequentemente complementada
aquelas que já são magras, como é a maioria dos indiví- com um tratamento medicamentoso. Quando a perda de
duos com anorexia nervosa. A preocupação e a ansiedade peso ocorre de forma rápida ou grave (por exemplo, mais
em relação ao peso aumentam à medida que eles se tor- de 25% abaixo do peso corpóreo ideal) a recuperação do
nam cada vez mais magros. Mesmo quando chega a ema- peso é crucial. Essa perda de peso pode colocar em risco a
ciação, o indivíduo declara que se sente obeso, nega estar vida do indivíduo. Comumente, o tratamento inicial é rea-
apresentando algum problema, não se queixa de falta de lizado em ambiente hospitalar, onde membros experientes
apetite ou de perda de peso e, geralmente, resiste ao tra- da equipe médica incentivam – de modo firme, porém de-
tamento. O indivíduo geralmente não procura um médico licado – o indivíduo a alimentar-se. Raramente, o paciente
até ser levado por membros da família que se mostram é alimentado através da via intravenosa ou através de uma
preocupados. Anorexia significa “falta de apetite”, mas, na sonda gástrica que é inserida pelo nariz. Quando o estado
verdade, os indivíduos com anorexia nervosa têm apetite nutricional do indivíduo é considerado aceitável, é institui-
e preocupam-se com a alimentação. do um tratamento de longo prazo, que deve ser feito por
Eles estudam regimes e calorias; acumulam, escondem especialistas em distúrbios alimentares. Esse tratamento
e desperdiçam deliberadamente os alimentos; colecionam pode incluir a psicoterapia individual, em grupo, ou fami-
receitas e preparam refeições elaboradas para os outros. liar, além de medicamentos. Quando a depressão é diag-
Metade dos que sofrem de anorexia nervosa comem com- nosticada, são prescritos medicamentos antidepressivos. O
pulsivamente e, em seguida, realiza a purgação através do tratamento visa estabelecer um ambiente tranquilo, estável
vômito ou do uso de laxantes e diuréticos. A outra meta- e interessado no indivíduo, estimulando-o a consumir uma
de simplesmente restringe a quantidade de alimentos in- quantidade adequada de alimento.
geridos. A maioria também exercita-se excessivamente
para controlar o peso. As mulheres param de menstruar, Bulimia Nervosa
algumas vezes antes de perder muito peso. Tanto as mu- A bulimia nervosa é um distúrbio caracterizado por
lheres quanto os homens podem perder o interesse sexual. episódios repetidos de comer compulsivo seguido pela
Tipicamente, eles apresentam uma baixa frequência cardía- purgação (vômito autoinduzido ou ingestão de laxantes
ca, hipotensão arterial, baixa temperatura corpórea, edema e/ou diuréticos), dieta rigorosa ou prática excessiva de
tissular causada pelo acúmulo de líquido e pêlos finos e ma- exercícios para contrabalançar os efeitos do comer com-
cios ou excesso de pilificação corpórea ou facial. pulsivo. Como ocorre na anorexia nervosa, a maioria dos
Os anoréxicos que emagrecem muito tendem a man- indivíduos que sofrem de bulimia nervosa são do sexo fe-
ter uma grande atividade, incluindo a prática de progra- minino, apresentam uma grande preocupação em relação
mas de exercícios intensos. Eles não apresentam sintomas à forma e ao peso corpóreo e pertencem as classes socio-
de deficiências nutricionais e, surpreendentemente, estão econômicas média e alta. Embora a bulimia nervosa tenha
livres de infeções. A depressão é comum e os indivíduos sido retratada como uma epidemia, somente cerca de 2%
com esse distúrbio, frequentemente, mentem sobre a das estudantes universitárias, como a população de maior
quantidade de alimento consumido e ocultam o vômito risco, são bulímicas verdadeiras.
e os hábitos alimentares peculiares. As alterações hor-
monais resultantes da anorexia nervosa incluem níveis Sintomas
acentuadamente reduzidos de estrogênio e do hormônio O comer compulsivo (consumo rápido e impulsivo de
tireoidiano e níveis aumentados de colesterol. Se o indiví- grandes quantidades de alimento acompanhado por uma
duo tornar-se gravemente desnutrido, todos os principais sensação de perda de controle) é seguido de uma angústia
sistemas orgânicos podem ser afetados. Os mais perigosos intensa e também de purgação, dieta rigorosa e prática ex-
são os problemas cardíacos e os relacionados a líquidos cessiva de exercícios. A quantidade de alimento consumi-
e eletrólitos (sódio, potássio, cloreto). O coração torna- do em uma vez pode ser bastante grande ou pode não ser
-se fraco e bombeia menos sangue para o organismo. O maior que a de uma refeição normal. O estresse emocional,
indivíduo pode apresentar desidratação e estar propen- muitas vezes, desencadeia a ingestão excessiva, geralmente
so ao desmaio. O sangue pode tornar-se ácido (acidose realizada em segredo. Um indivíduo deve apresentar esse
metabólica) e a concentração de potássio no sangue pode comportamento pelo menos duas vezes por semana para
diminuir. O vômito e o uso de laxantes e diuréticos podem que a bulimia nervosa seja diagnosticada, mas pode ocorrer
piorar o quadro. Pode ocorrer a morte súbita, provavel- com maior frequência. Apesar de os bulímicos preocupa-
mente em decorrência de arritmias cardíacas. rem-se com a obesidade e alguns serem obesos, o seu peso
corpóreo tende a oscilar em torno do normal.
Diagnóstico e Tratamento O vômito autoinduzido pode provocar erosão do es-
Normalmente, a anorexia nervosa é diagnosticada malte dos dentes, aumento das glândulas salivares das bo-
baseando-se na perda de peso acentuada e nos sintomas chechas (glândulas parótidas) e inflamação do estômago.
psicológicos característicos. A anoréxica é uma adolescente O vômito e a purgação podem reduzir a concentração de
que perdeu pelo menos 15% de seu peso corpóreo, teme a potássio no sangue, produzindo arritmias cardíacas. Foram
obesidade, parou de menstruar, nega estar doente e pare- descritos casos de morte súbita após a ingestão repetida de
ce saudável. Em geral, o tratamento consiste em duas eta- grandes quantidades de ipeca (erva medicinal) para a indu-
pas: a primeira é a restauração do peso corpóreo normal; a ção do vômito. Raramente, os indivíduos que apresentam

311 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

esse distúrbio comem tanto durante um episódio de comer pêuticos padrões para ele. A maioria dos indivíduos com
compulsivo que ocorre a ruptura do estômago. Em compa- esse distúrbio é tratado com programas convencionais de
ração com os indivíduos que apresentam anorexia nervosa, perda de peso, utilizados no tratamento da obesidade, os
aqueles com bulimia nervosa tendem a ser mais conscien- quais dão pouca atenção ao comer compulsivo, embora
tes de seu comportamento e sentem remorso ou culpa. 10% a 20% dos participantes desses programas apresen-
Eles apresentam maior tendência a admitir suas preocu- tem esse problema. A maioria dos individuos aceita essa
pações ao médico ou a um outro confidente. Geralmente, situação porque estão mais preocupados com a obesida-
os bulímicos são mais extrovertidos e mais propensos a um de do que com o comer compulsivo. Os tratamentos es-
comportamento impulsivo (por exemplo, abuso de drogas pecíficos para o comer compulsivo encontram-se em fase
ou álcool e depressão manifesta). de desenvolvimento e baseiam-se no tratamento da buli-
mia nervosa. Eles incluem a psicoterapia e o tratamento
Diagnóstico e Tratamento
medicamentoso (antidepressivos e inibidores de apetite).
O médico suspeita da bulimia nervosa quando um Embora ambos os tratamentos sejam razoavelmente efi-
indivíduo demonstra uma preocupação evidente sobre cazes no controle do comer compulsivo, a psicoterapia pa-
o ganho de peso e apresenta oscilações importantes de rece ter efeitos mais duradouros.
peso corpóreo, especialmente quando existem evidências Disponível em: [Link]
do uso excessivo de laxantes. Outros indícios incluem o Merck/[Link].
aumento das glândulas salivares das bochechas, cicatrizes

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


nos nós dos dedos pelo uso dos dedos para a indução do
vômito, erosão do esmalte dos dentes causada pelo ácido
SISTEMA CIRCULATÓRIO
gástrico e uma concentração baixa de potássio no sangue. O sistema circulatório é constituído por um conjunto
O diagnóstico somente é confirmado quando o indivíduo de vasos nos quais o sangue circula sob pressão e veloci-
descreve o comportamento de comer compulsivo e pur- dade impulsionado pelo coração. As principais funções do
gação. As duas modalidades de tratamento são a psicote- sistema circulatório são:
rapia e o tratamento medicamentoso. A psicoterapia, re- • Transporte de gases – oxigênio e gás carbônico.
alizada por um terapeuta com experiência em distúrbios


• Transporte de nutrientes dissolvidos no plasma –
alimentares, pode ser muito eficaz. Um medicamento an-


sais minerais e substâncias orgânicas absorvidas no
tidepressivo de uso frequente pode ser útil no controle da
tubo digestivo – para todas as células do corpo.
bulimia nervosa, mesmo quando o indivíduo não apresen-
ta uma depressão evidente. No entanto, o distúrbio pode • Transporte de excretas (produtos finos do metabo-


retornar após a interrupção da droga. lismo) até os órgãos responsáveis pela excreção.
• Transporte de hormônios, os quais coordenam a
Comer Compulsivo (Binge Eating)


atividade de vários órgãos, contribuindo para ativi-
O comer compulsivo (binge eating) é um distúrbio ca- dade integradora de todo o organismo.
racterizado pelo consumo exagerado de alimentos que
• Intercâmbio de substâncias.
não é acompanhado por uma purgação. Nesse distúrbio,


o consumo exagerado de alimentos contribui para uma • Transporte de calor, mantendo a temperatura cor-


ingestão excessiva de calorias. Ao contrário da bulimia poral dos animais homeotérmicos.
nervosa, o comer compulsivo é mais comum em indiví- • Distribuição de elementos de defesa – anticorpos e
duos obesos e torna-se mais prevalente com o aumento


células especializadas.
do peso corpóreo. Os indivíduos que apresentam comer
compulsivo tendem a ser mais velhos do que aqueles com Sistema Circulatório Humano
anorexia nervosa ou bulimia nervosa e a proporção de
ocorrência em homens é maior (quase 50%). O coração é um órgão musculoso responsável pela pro-
pulsão do sangue. As paredes do coração são formadas
Sintomas pelo músculo estriado cardíaco (miocárdio), que é respon-
Os indivíduos que apresentam esse distúrbio sofrem sável pela contração (sístole) e relaxamento (diástole) des-
por causa dele. Aproximadamente 50% dos comedores se órgão. Externamente, o coração apresenta uma camada
compulsivos obesos apresentam depressão, enquanto serosa (pericárdio) e internamente apresenta o endocárdio.
apenas 5% dos obesos sem esse distúrbio são deprimidos. O coração apresenta quatro cavidades, dois átrios (ca-
Embora esse distúrbio não acarreta os problemas físicos vidades superiores) e dois ventrículos (cavidades inferio-
que podem ocorrer na bulimia nervosa, ele é um proble- res). Os átrios e os ventrículos se comunicam por válvulas.
ma para aquele que está tentando perder peso. Entre o átrio e o ventrículo direito existe a válvula tricúspi-
de e entre o átrio e o ventrículo esquerdo existe a válvula
Tratamento bicúspide ou mitral. Durante a contração dos átrios, o san-
Como o comer compulsivo foi identificado apenas re- gue passa para os ventrículos através das válvulas, a se-
centemente, não foram desenvolvidos programas tera- guir, as válvulas se fecham impedindo o refluxo sanguíneo.

[Link] | Produção: [Link] 312


Biologia

A cada contração do coração, o sangue entra num siste- Circulação


Carótidas (2)
ma de vasos compreendido pelas artérias, veias e capilares. humana Veia cava
superior
A circulação humana é fechada, dupla e completa. O sangue Artéria
sempre entra no coração por veias e sai por artérias. As arté- pulmonar Pulmão
rias, portanto, são vasos que levam sangue do coração, en-
quanto as veias são vasos que trazem sangue para o coração.

Aorta
Válvula pulmonar Artéria pulmonar
A.E.
Para o pulmão A.D.
Para o pulmão Veia pulmonar Veia pulmonar
Veia cava superior Proveniente V.E.
do pulmão V.D.
Proveniente
do pulmão Veias pulmonares Fígado
1 Sangue desoxigenado 4 Do circuito pulmonar o
dos tecidos do corpo sangue retorna ao átrio
esquerdo...
Aorta
entra no átrio direito...

2 ... e flui pela válvula 5 ... e flui pela válvula Veia cava
stino
atrioventricular para o atrioventricular para o inferior Inte
ventrículo direito. ventrículo esquerdo.

3 O ventrículo direito 6 O ventrículo esquerdo


bombeia o sangue para bombeia o sangue pa-
o circuito pulmonar. ra o circuito sistêmico.
Válvula aórtica Rim Rim
Veia cava inferior Ventrículo
esquerdo

As artérias levam sangue do coração para outros lo-


cais do organismo, por isso, as artérias suportam maior
A Grande e a Pequena Circulação
pressão. Elas exercem função de irrigação. As artérias
conduzem sangue venoso, como a pulmonar e a do cor- A circulação é chamada dupla porque o sangue passa
dão umbilical, mas a maioria conduz sangue arterial. As duas vezes pelo coração, percorrendo dois ciclos: o pulmo-
artérias de pequeno calibre são chamadas arteríolas. nar e o sistêmico. O ciclo pulmonar ou pequena circulação é
realizado entre o coração e os pulmões. O ciclo sistêmico ou
As veias levam sangue das diversas regiões do orga- grande circulação ocorre entre o coração e o corpo.
nismo para o coração, por isso, trabalham a uma pres-
Pequena circulação: o VD se contrai, o sangue passa
são menor que das artérias. Exercem função de drena-
pela válvula pulmonar e chega à artéria pulmonar. Em se-
gem. No interior das veias podemos encontrar válvulas
quência, chega aos pulmões e então ocorre a hematose e
para impedir o refluxo do sangue. Geralmente, conduzem o sangue oxigenado chega ao AE do coração através das
sangue venoso, mas as veias pulmonares e a do cordão veias pulmonares.
umbilical transportam sangue arterial. As veias de menor
Grande circulação: o VE se contrai, o sangue passa pela
calibre são conhecidas como vênulas.
válvula da artéria aorta e segue em direção aos tecidos do
Os capilares são vasos de pequeno diâmetro que rea- corpo. Esse sangue passa dos capilares para os tecidos onde
lizam troca diretamente com os tecidos. ocorrem: troca de gazes, liberação de nutrientes e água e
Comparação das artérias, capilares e veias
captura das excretas ou resíduos metabólicos. O sangue que
deixa os capilares é rico em gás carbônico e em excretas ni-
trogenadas, mas com menor teor de nutrientes e será levado
para o AD através das veias cavas superiores e inferiores.
Para você saber
Aneurismas
Células
Capilar (apenas
túnica íntima) endoteliais As artérias são tubos com paredes que aguentam
certa pressão sanguínea resultante do bombeamento
Túnica adventícia
cardíaco. Às vezes, no entanto, por esclerose da túnica
Túnica média elástica das suas paredes, hipertensão, trombos (coá-
Válvula
Túnica íntima venosa gulos) ou traumatismos, elas podem sofrer rupturas, os
Lúmen
aneurismas, causando hemorragias internas.
Quando isso acontece no cérebro, fala-se em aciden-
Sai do
Chega ao
coração
te cerebral vascular (AVC) ou simplesmente derrame,
Artéria
(espessa túnica média)
coração Veia
(fina parede, túnica adventícia
que pode causar paralisias, inconsciência, coma e até a
relativamente espessa) morte súbita. Em pessoas idosas, é frequente o aneuris-

313 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

ma de aorta, na região abdominal. Devido ao grosso cali- Acima dela existe uma espécie de “lingueta” de cartilagem
bre dessa artéria e à consequente grave hemorragia que denominada epiglote, que funciona como válvula. Quando
ocorre na cavidade abdominal, esse aneurisma é quase nos alimentamos, a laringe sobe e sua entrada é fechada
sempre fatal, mesmo que haja socorro imediato. pela epiglote. Isso impede que o alimento ingerido penetre
nas vias respiratórias. O epitélio que reveste a laringe apre-
Pare e Pense senta pregas, as cordas vocais, capazes de produzir sons du-
Qual é a razão das artérias possuírem paredes bastan- rante a passagem de ar.
te elásticas? O que pode ocorrer quando essas pare- Traqueia: é um tubo de aproximadamente 1,5 cm de
des calcificam? diâmetro por 10-12 centímetros de comprimento, cujas
paredes são reforçadas por anéis cartilaginosos. Bifurca-se na
SISTEMA RESPIRATÓRIO sua região inferior, originando os brônquios, que penetram
nos pulmões. Seu epitélio de revestimento mucociliar adere
O sistema respiratório humano é constituído por um partículas de poeira e bactérias presentes em suspensão no
par de pulmões e por vários órgãos que conduzem o ar ar inalado, que são posteriormente varridas para fora (graças
para dentro e para fora das cavidades pulmonares. O con- ao movimento dos cílios) e engolidas ou expelidas.
junto dos órgãos que compõe o sistema respiratório tem
por finalidade captar oxigênio e eliminar gás carbônico. O Pulmões: os pulmões humanos são órgãos esponjosos,

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


oxigênio, ao entrar na célula, é utilizado na respiração ce- com aproximadamente 25 cm de comprimento, sendo en-
lular e esse processo consiste na degradação da glicose a volvidos por uma membrana serosa denominada pleura.
partir do gás oxigênio, culminado na liberação de água e Nos pulmões, os brônquios ramificam-se profusamente,
gás carbônico. Tudo isso com o objetivo de produzir ener- dando origem a tubos cada vez mais finos, os bronquíolos.
gia para a ocorrência do metabolismo. O conjunto altamente ramificado de bronquíolos é a árvo-
Fossas nasais: são duas cavidades paralelas que come- re brônquica ou árvore respiratória. Cada bronquíolo ter-
çam nas narinas e terminam na faringe. Elas são separadas mina em pequenas bolsas formadas por células epiteliais
uma da outra por uma parede cartilaginosa denominada achatadas (tecido epitelial pavimentoso) recobertas por
septo nasal. Possuem um revestimento dotado de células capilares sanguíneos, denominadas alvéolos pulmonares,
produtoras de muco e células ciliadas. Têm a função de cuja função é realizar a hematose.
filtração para reter partículas de poeira, função de aque-
cimento e tornar o ar úmido que vai em direção aos pul- A hematose nos pulmões: o sangue venoso que chega
mões, além de transmitir sensações olfativas ao cérebro aos pulmões contém HHb nas hemácias e HCO-3 no plas-
por nervos especializados. ma. Nos capilares dos alvéolos pulmonares ocorrem então
Faringe: é um canal comum aos sistemas digestório duas reações. Numa delas (a), o oxigênio do ar inspirado
e respiratório e comunica-se com a boca e com as fossas combina-se com a hemoglobina (HHb), que passa a HbO2
nasais. O ar inspirado pelas narinas ou pela boca passa ne- (oxiemoglobina), liberando H+. Na outra reação (b), esse
cessariamente pela faringe, antes de atingir a laringe. íon combina-se ao HCO-3 do plasma, formando o H2CO3,
Laringe: é um tubo sustentado por peças de cartilagem que se desdobre em H2O e CO2. O CO2, agora livre, difun-
articuladas, situado na parte superior do pescoço, em conti- de-se do sangue venoso dos capilares para os alvéolos e
nuação à faringe. A entrada da laringe é denominada glote. daí para o meio exterior. Observe o esquema a seguir:

1 Capilar sanguíneo, 2 Algum CO2 3 Nas células sanguíneas 4 Os íons bicarbo- 5 Nos pulmões, esse 6 O CO2 difunde-se
o CO2 difunde-se combina-se com a vermelhas e no endotélio, nato entram no fora das CSV para o
processo é inverso.
das células o plas- hemoglobina (Hb). o CO2 é rapidamente con- plasma na troca plasma sanguíneo e
O bicarbonato forma
ma e para dentro vertido a íons bicarbonato por íons cloreto. para o ar no alvéolo e
ácido carbônico que
nas células sanguí- porque a anidrase carbôni- é exalado.
se dissocia, liberando
neas vermelhas. ca está presente. CO2.

O dióxido de carbono é
transportado como íons
bicarbonato. Nas células
endoteliais capilares a
anidrase carbônica facilita a
conversão do CO2 produzido
pelos tecidos em íons
bicarbonato carreados pelo
plasma. Nos pulmões, o
processo é inverso; assim, o
CO2 é exalado.
Tecido corporal Capilar sanguíneo Capilar sanguíneo Pulmão

[Link] | Produção: [Link] 314


Biologia

dos alvéolos pulmonares. Com isso, diminui bastante


a superfície de hematose, e há deficiência de oxigena-
ção dos tecidos. Os pulmões perdem a elasticidade, e
torna-se difícil a expulsão do ar pela expiração, o que
aumenta a frequência respiratória, causando grande
desconforto, forte cansaço e falta de ar. Às vezes, o tra-
tamento implica a inalação de oxigênio. A respeito do
fumo, cabe aqui um importante dado. O câncer pulmo-
nar, que mata mais de 150 mil norte-americanos por
ano, tem incidência 20 a 30 vezes maior entre fumantes
do que entre não fumantes.
O nitrogênio e os mergulhadores
O nitrogênio presente no ar, embora inativo na respi-
ração, está presente nos fluidos corporais, pois é absorvi-
do com o oxigênio, ficando dissolvido especialmente no
plasma sanguíneo. Em altas concentrações, tem efeito
Sistema respiratório.
tóxico, provocando paralisia e entorpecimento em mer-
Para você saber gulhadores que atingem profundidades acima de 50-60
metros. Por isso, nos cilindros de gás para mergulho, ele
Bloqueio da hemoglobina é substituído pelo hélio em mistura com o oxigênio.
O monóxido de carbono (CO) é um gás inodoro, asfi- Se um mergulhador volta rapidamente à superfície
xiante, produzido na queima de carvão, lenha, combus- após mergulhos de 30 metros ou mais, a descompressão
tíveis e automóveis, etc. Combina-se facilmente com a brusca pela diminuição da pressão da água provoca a for-
hemoglobina, formando um composto muito estável, a mação de bolhas de nitrogênio, não só no sistema circulató-
carboxiemoglobina. As moléculas de hemoglobina ficam rio mas também nos líquidos intercelulares. Os efeitos são
então bloqueadas, por assim dizer ocupados pelo CO, o muito graves, especialmente no sistema nervoso, surgindo
que impede o transporte do oxigênio. Dependendo da fortes dores em todo o corpo, paralisias, distúrbios mentais
taxa de CO e estando num ambiente fechado ou mal e deficiências sensoriais que podem levar à morte.
ventilado, a pessoa que inspira sente sonolência, dor de
cabeça e desmaia, correndo risco de morte por asfixia.
Pare e Pense
Diafragma: a base de cada pulmão apoia-se no dia-
fragma e localiza-se logo acima do estômago. O dia- Qual é a vantagem de a oxiemoglobina ser um com-
fragma é um órgão músculo-membranoso que separa posto instável?
o tórax do abdômen, presente apenas em mamíferos,
promovendo, juntamente com os músculos intercos-
tais, os movimentos respiratórios. SISTEMA EXCRETOR
Traqueia O sistema excretor é formado por um conjunto de órgãos
Pulmão que filtram o sangue, produzem e excretam a urina. É cons-
tituído por um par de rins, um par de ureteres, pela bexiga
urinária e pela uretra, como se observa na figura a seguir:
Sistema urinário humano
Expiração Diafragma Inspiração Veia cava inferior
Supra-renal
Veia renal
Artéria renal
Rim
Aorta
Uréter

Expiração Inspiração

Enfisema e fumo Bexiga

O enfisema é um grave problema pulmonar, crônico Uretra


e irreversível, em geral decorrente de longos anos de
tabagismo. Caracteriza-se pela destruição da parede Biologia: César e Sezar. Ed. Saraiva.

315 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Os rins estão situados na parte dorsal do abdome, logo adaptadas ao transporte ativo. Nesse túbulo, ocorre reab-
abaixo do diafragma, um de cada lado da coluna vertebral. sorção ativa de sódio. A saída desses íons provoca a remo-
Nessa posição, estão protegidos pelas últimas costelas e ção de cloro, fazendo com que a concentração do líquido
também por uma camada de gordura. Tem a forma de um dentro desse tubo fique menor (hipotônico). Com isso,
grão de feijão enorme e possuem uma cápsula fibrosa, que quando o líquido percorre o ramo descendente da alça de
protege o córtex – mais externo, e a medula – mais interna. Henle, há passagem de água por osmose do líquido tubu-
Cada rim é formado de tecido conjuntivo, que sustenta e lar (hipotônico) para os capilares sanguíneos (hipertôni-
dá forma ao órgão, e por milhares ou milhões de unidades cos) – ao que chamamos reabsorção. O ramo descenden-
filtradoras, os néfrons, localizados na região renal. te percorre regiões do rim com gradientes crescentes de
O néfron é uma longa estrutura tubular microscópica concentração. Consequentemente, ele perde ainda mais
que possui, em uma das extremidades, uma expansão em água para os tecidos, de forma que, na curvatura da alça
forma de taça, denominada cápsula de Bowman, que se de Henle, a concentração do líquido tubular é alta.
conecta com o túbulo contorcido proximal, que continua Esse líquido muito concentrado passa então a percor-
pela alça de Henle e pelo túbulo contorcido distal; este rer o ramo ascendente da alça de Henle, que é formado
desemboca em um tubo coletor. São responsáveis pela fil- por células impermeáveis à água e que estão adaptadas
tração do sangue e remoção das excreções. ao transporte ativo de sais. Nessa região, ocorre remo-
Glomérulo ção ativa de sódio, ficando o líquido tubular hipotônico.

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


Arteríola
eferente Cápsula
Ao passar pelo túbulo contorcido distal, que é permeável
à água, ocorre reabsorção por osmose para os capilares
sanguíneos. Ao sair do néfron, a urina entra nos dutos co-
Glomérulo letores, onde ocorre a reabsorção final de água.
Arteríola
aferente Túbulo proximal
Dessa forma, estima-se que em 24 horas são filtrados
cerca de 180 litros de fluído do plasma; porém é formado
s

(em corte)
ola
í
ter

apenas 1 a 2 litros de urina por dia, o que significa que apro-


Ar

Túbulo distal
ximadamente 99% do filtrado glomerular é reabsorvido.
Cápsula de
Bowman
(em corte)
Além desses processos gerais descritos, ocorre, ao
longo dos túbulos renais, reabsorção ativa de aminoáci-
Vênula dos e glicose. Desse modo, no final do túbulo distal, essas
substâncias já não são mais encontradas. Os capilares que
reabsorvem as substâncias úteis dos túbulos renais se re-
Ramo únem para formar um vaso único, a veia renal, que leva o
descendente
Alça
de
sangue para fora do rim, em direção ao coração.
Henle
Ramo
ascendente Túbulo
coletor
Regulação da Função Renal
A regulação da função renal relaciona-se basicamen-
Biologia: César e Sezar. Ed. Saraiva. te com a regulação da quantidade de líquidos do corpo.
Havendo necessidade de reter água no interior do corpo,
Como os Rins Funcionam a urina fica mais concentrada, em função da maior reab-
O sangue chega ao rim através da artéria renal, que se sorção de água.
ramifica muito no interior do órgão, originando grande nú- O principal agente regular do equilíbrio hídrico no cor-
mero de arteríolas aferentes, onde cada uma se ramifica no po humano é o hormônio ADH (antidiurético), produzido
interior da cápsula de Bowman do néfron, formando um no hipotálamo e armazenado na hipófise. A concentração
enovelado de capilares denominado glomérulo de Malpighi. do plasma sanguíneo é detectada por receptores osmóti-
O sangue arterial é conduzido sob alta pressão nos ca- cos localizados no hipotálamo. Havendo aumento na con-
pilares do glomérulo. Essa pressão, que normalmente é de centração do plasma (pouca água), esses osmorregulado-
70 a 80 mmHg, tem intensidade suficiente para que parte res estimulam a produção de ADH. Esse hormônio passa
do plasma passe para a cápsula de Bowman, processo de- para o sangue, indo atuar sobre os túbulos ditais e sobre
nominado filtração. Essas substâncias extravasadas para a os túbulos coletores do néfron, tornando as células des-
cápsula de Bowman constituem o filtrado glomerular, que ses tubos mais permeáveis à água. Dessa forma, ocorre
é semelhante, em composição química, ao plasma sanguí- maior reabsorção de água e a urina fica mais concentrada.
neo, com a diferença de que não possui proteínas, pois Quando a concentração do plasma é baixa (muita água),
são incapazes de atravessar os capilares glomerulares. há inibição da produção do ADH e, consequentemente,
O filtrado glomerular passa em seguida para o túbulo menor absorção de água nos túbulos ditais e coletores,
contorcido proximal, cuja parede é formada por células possibilitando a excreção do excesso de água, o que torna

[Link] | Produção: [Link] 316


Biologia

a urina mais diluída. Certas substâncias, como é o caso do Túbulo contorcido proximal (células adaptadas
álcool, inibem a secreção de ADH, aumentando a produ- ao transporte ativo) há reabsorção ativa de
ção da urina. sódio/remoção passiva de cloro
Além do ADH, há outro hormônio participante do equi- ⇓
líbrio hidroiônico do organismo: a aldosterona, produzida Líquido tubular torna-se hipotônico em relação o plasma
nas glândula supra-renais. Ela aumenta a reabsorção ativa dos capilares
de sódio nos túbulos renais, possibilitando maior reten- ⇓
ção de água no organismo. A produção de aldosterona é Absorção de água por osmose para os capilares na porção
regulada da seguinte maneira: quando a concentração de descendente da alça de Henle
sódio dentro do túbulo renal diminui, o rim produz uma ⇓
proteína chamada renina, que age sobre uma proteína
Porção ascendente da alça de Henle impermeável
produzida no fígado e encontrada no sangue denominada à água e adaptada ao transporte ativo de sais e
angiotensinogênio (inativo), convertendo-a em angioten- à remoção ativa de sódio
sina (ativa). Essa substância estimula as glândulas supra-

-reais a produzirem a aldosterona.
Líquido tubular hipotônico. Há reabsorção de água por
Rim Córtex da adrenal osmose no túbulo contorcido distal
Fígado
Observação: Ocorre, também, ao longo dos túbulos re-
nais, reabsorção ativa de aminoácidos e glicose. Desse
modo, no final do túbulo distal, essas substâncias já não
são mais encontradas.

Resumo da Regulação da Função Renal


Hormônio antidiurético (ADH): principal agente fisio-
lógico regulador do equilíbrio hídrico, produzido no hipo-
Renina Aldosterona
tálamo e armazenado na hipófise.
Angiotensinogênio
Angiotensina
Aldosterona: produzida nas glândulas supra-renais,
aumenta a absorção ativa de sódio e a secreção ativa de
potássio nos túbulos distal e coletor.
A Eliminação da Urina Elevação na concentração de íons de potássio e redução de
sódio no plasma sanguíneo
Uréter: os néfrons desembocam em dutos coletores,
que se unem para formar canais cada vez mais grossos. A ⇓
fusão dos dutos origina um canal único, denominado ure- Rins
ter, que deixa o rim em direção à bexiga urinária. ⇓
Bexiga urinária: a bexiga urinária é uma bolsa de pa- Renina (enzima)
rede elástica, dotada de musculatura lisa, cuja função é
acumular a urina produzida nos rins. Quando cheia, a be- ⇓
xiga pode conter mais de ¼ de litro (250 ml) de urina, que Angiotensinogênio (inativo) torna ativa
é eliminada periodicamente através da uretra. angitensina (ativa)
Uretra: a uretra é um tubo que parte da bexiga e ter- ⇓
mina, na mulher, na região vulvar e, no homem, na extre- Córtex da supra-renal
midade do pênis. Sua comunicação com a bexiga mantém-
-se fechada por anéis musculares – chamados esfíncteres. ⇓
Quando a musculatura desses anéis é relaxada e a muscu- Aumenta taxa da secreção da aldosterona
latura da parede da bexiga se contrai, urinamos. ⇓
Resumindo Sangue
Sangue arterial conduzido sob alta pressão nos capila- ⇓
res do glomérulo (70 a 80 mmHg) → filtração → parte do Rins (túbulos distal e coletor)
plasma (sem proteínas e sem células) passa para a cápsula

de Bowman (filtrado glomerular) → reabsorção ativa da
Na+, K+, glicose, aminoácido e passiva de Cl– e água ao lon- Aumento da excreção de potássio/
reabsorção de sódio e água
go dos títulos do néfron, como esquematizado a seguir.

317 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Para você saber dos envolvidos pelas células de Schwann, a parte celular
da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo
O diabetes insipidus desta célula, constitui o chamado neurilema.
O diabetes insipidus é uma disfunção hormonal da Núcleo
hipófise que ocasiona baixa produção do hormônio Nucléolo

antidiurético (ADH). Com isso, há uma pequena rea- Corpo


Bainha de mielina celular
bsorção de água nos túbulos renais e a consequente
eliminação de um grande volume de urina, que pode Célula de
chegar a mais de 20 litros por dia. As pessoas com esse Schwann
Neurilema Dentritos
problema têm uma sede insaciável e devem beber Axônio

muita água para repor a que foi perdida.

Pare e Pense Nódulo de Ranvier


O álcool inibe a liberação de ADH pelo hipotálamo.
Qual é então a consequência de uma alta ingestão de
álcool em relação à diurese? Justifique sua resposta. O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso cen-
tral (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). Vamos estu-

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


dar detalhadamente cada um, no entanto, pode-se adian-
SISTEMA NERVOSO tar que a bainha de mielina no SNC é constituída por uma
O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócri- célula chamada oligodendrócito, enquanto que no SNP a
no, capacita o organismo a perceber as variações do meio bainha de mielina é feita a partir de uma célula chamada
(interno e externo), a difundir as modificações que essas célula de Schwann.
variações produzem e a executar as respostas adequadas Dois neurônios não se tocam e o espaço entre eles é
para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (ho- chamado de sinapse. O estímulo nervoso passa de um
meostase). São os sistemas envolvidos na coordenação e neurônio para outro, ou de um neurônio para um múscu-
na regulação das funções corporais.
lo, conduzido por substâncias chamadas de mediadores
A unidade básica do sistema nervoso é a célula nervo- químicos ou neurotransmissores, por exemplo: acetilco-
sa, denominada neurônio, que é uma célula extremamen- lina e adrenalina.
te estimulável; é capaz de perceber as mínimas variações
que ocorrem em torno de si, reagindo com uma alteração Sistema Nervoso Central (SNC)
elétrica que percorre sua membrana. Essa alteração elétri-
O sistema nervoso central compreende o encéfalo e a
ca é o impulso nervoso. As células nervosas estabelecem
medula espinhal, localizados, respectivamente, no interior
conexões entre si de tal maneira que um neurônio pode
do crânio e da coluna vertebral. O encéfalo é formado por
transmitir a outros os estímulos recebidos do ambiente,
cérebro, tálamo e hipotálamo, tronco encefálico (mesen-
gerando uma reação em cadeia.
céfalo, ponte e bulbo) e pelo cerebelo.
Um neurônio típico apresenta três partes distintas:
corpo celular, dentritos e axônio. No corpo celular, a par- O Cérebro
te mais volumosa da célula nervosa, localiza-se o núcleo e
O cérebro humano pesa em média 1450 g e apresenta
a maioria das estruturas citoplasmáticas. Os dentritos (do
grossas pregas, as circunvoluções, em toda a sua superfí-
grego dendron, árvore) são prolongamentos finos e geral-
cie. É formado por dois grandes hemisférios (direito e es-
mente ramificados que conduzem os estímulos captados
querdo), ligados ventralmente por um grosso corpo calo-
do ambiente ou de outras células em direção ao corpo
so, constituído por fibras que associam os centro nervosos
celular. O axônio é um prolongamento fino, geralmente
dos dois hemisférios.
mais longo que os dentritos, envolvido por uma membra-
na lipídica (gordurosa) e isolante, a bainha de mielina. Sua A grande superfície externa cerebral, a matéria cinzen-
função é transmitir para outras células os impulsos nervo- ta, constitui o córtex, onde ficam as camadas neuronais.
sos provenientes do corpo celular. Os corpos celulares dos Suas ramificações formam uma complexa rede, da qual
neurônios estão concentrados no sistema nervoso central partem fibras voltadas para a matéria branca existente na
e também em pequenas estruturas globosas espalhadas região interna. É no córtex que se localizam as áreas res-
pelo corpo, os gânglios nervosos. Os dentritos e o axônio, ponsáveis pelo controle sensorial (audição, visão) e motor
genericamente chamados fibras nervosas, estendem-se (movimentos de todo o corpo e fala). O cérebro é também
por todo o corpo, conectando os corpos celulares dos a sede de outras importantes funções, como a inteligência
neurônios entre si e às células sensoriais, musculares e e a memória, as quais, no entanto, não estão relacionadas
glandulares. Em axônios mielinizados existem regiões de a áreas específicas e bem delimitadas.
descontinuidade da bainha de mielina, que acarretam a Substância normalmente ingeridas influenciam o fun-
existência de uma contrição (estrangulamento) denomi- cionamento do cérebro. A cafeína é uma delas e atua
nada nódulo de Ranvier. No caso dos axônios mieliniza- bloqueando a ação natural de um componente químico

[Link] | Produção: [Link] 318


Biologia

associado ao sono, a adenosina. Para uma célula nervosa, mações de vários órgãos do corpo, controlando as funções
a cafeína se parece com a adenosina e combina-se com autônomas (a chamada vida vegetativa): batimento car-
seus receptores. No entanto, ela não diminui a atividade díaco, respiração, pressão do sangue, reflexos de saliva-
das células da mesma forma. Então, ao invés de diminuir ção, tosse, espirro e o ato de engolir. A ponte participa de
a atividade por causa do nível de adenosina, as células algumas atividades do bulbo, interferindo no controle da
aumentam sua atividade, fazendo com que os vasos san- respiração, além de ser um centro de transmissão de im-
guíneos do cérebro se contraiam, uma vez que a cafeína pulsos para o cerebelo. Serve ainda de passagem para as
bloqueia a capacidade da adenosina de dilatá-los. Com fibras nervosas que ligam o cérebro à medula.
a cafeína bloqueando a adenosina, aumenta a excitação
dos neurônios, induzindo a hipófise a liberar hormônios O Cerebelo
que ordenam às suprarrenais que produzam adrenalina, Como o cérebro, também está dividido em dois hemis-
considerada o hormônio do alerta. Destaca-se também a férios. Em corte, cada hemisfério mostra a matéria cinzen-
capacidade da cafeína em contrair os vasos sanguíneos do ta, também externa. O cerebelo coordena as funções mo-
cérebro, o que leva à diminuição da compressão sobre as toras, evitando uma sobrecarga do cérebro. Garante certo
terminações nervosas auxiliando contra a dor de cabeça. automatismo aos movimentos e um ajuste adequado a
cada movimento. Dessa forma, o cerebelo se relaciona
O Tálamo e o Hipotálamo com os ajustes dos movimentos, equilíbrio, postura e tô-
Todas as mensagens sensoriais, com exceção das pro- nus muscular.
venientes dos receptores do olfato, passam pelo tálamo
antes de atingir o córtex cerebral. Esta é uma região de
A Medula Espinhal
substância cinzenta localizada entre o tronco encefálico A medula espinhal é uma estrutura longa e frágil, que
e o cérebro. O tálamo atua como estação retransmissora começa na extremidade do tronco encefálico e continua
de impulsos nervosos para o córtex cerebral. Ele é res- até praticamente o final da coluna vertebral. Ela é a prin-
ponsável pela condução dos impulsos às regiões apro- cipal via de comunicação entre o cérebro e o restante do
priadas do cérebro onde eles devem ser processados. corpo. Assim como os ossos do crânio protegem o cére-
O tálamo também está relacionado com alterações no bro, a medula espinhal é protegida pelas vértebras, ossos
comportamento emocional, que decorre, não só da pró- que formam a coluna vertebral. A comunicação do cére-
pria atividade, mas também de conexões com outras es- bro com muitas áreas do corpo é feita através das fibras
truturas do sistema límbico (que regula as emoções). ascendentes e descendentes da medula espinhal. Cada
O hipotálamo, também constituído por substâncias vértebra forma uma abertura entre ela e as vértebras
cinzenta, é o principal centro integrador das atividades localizadas imediatamente acima e abaixo delas. Através
dos órgãos viscerais, sendo um dos principais responsá- dessa abertura, emerge um par de nervos espinhais que
veis pela homeostase corporal. Ele faz ligação entre o sis- se ramifica e transmite mensagens da medula espinhal às
tema nervoso e o sistema endócrino, atuando na ativação partes mais distantes do corpo.
de diversas glândulas endócrinas. É o hipotálamo que con- A medula é também o centro dos arcos reflexos. É o
trola a temperatura corporal, regula o apetite e o balanço que acontece quando tocamos um objeto muito quente
de água no corpo, o sono e está envolvido na emoção e no
e rapidamente tiramos a mão, ou quando pisamos em al-
comportamento sexual. Especificamente, as partes late-
gum objeto pontudo e levantamos imediatamente a per-
rais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto
na. Os nervos da mão ou do pé levam impulsos para a me-
que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao
dula, que encaminha uma mensagem para os músculos.
desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável.
Um exemplo clássico de arco reflexo é o reflexo patelar:
O Tronco Encefálico alguém dá uma batida no seu joelho e ele involuntaria-
mente se levanta.
O tronco encefálico possui três funções gerais: (1) Patela – antiga rótula – é um pequeno osso do jo-
recebe informações sensitivas de estruturas cranianas elho. Quando a perna do indivíduo encontra-se fle-
e controla os músculos da cabeça; (2) contém circuitos xionada e suspensa (como ao sentarmos com a perna
nervosos que transmitem informações da medula espi- pendurada, sem tocar o chão), uma pancada no joe-
nhal até outras regiões encefálicas e, em direção con- lho, abaixo da região patelar leva à extensão da perna,
trária, do encéfalo para a medula espinhal; (3) regula a colocando o joelho em posição mais protegida. O ten-
atenção, função esta que é mediada pela formação reti- dão existente na região do joelho possui terminações
cular (agregação mais ou menos difusa de neurônios de de neurônios sensoriais modificados para funciona-
tamanhos e tipos diferentes, separados por uma rede rem como receptores de pressão (em outros casos há
de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco modificações também para receptores térmicos, por
encefálico). Além destas três funções gerais, as várias di- exemplo). Eles enviam impulsos para a medula espi-
visões do tronco encefálico desempenham funções mo-
nhal onde ocorrem sinapses com neurônios associati-
toras e sensitivas específicas.
vos e, em sequência, com os neurônios motores. Estes
O mesencéfalo apresenta funções de visão, audição, últimos levam impulsos aos órgãos efetores, neste
movimento dos olhos e do corpo. O bulbo recebe infor- caso, os músculos extensores da perna.

319 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

O arco reflexo As terminações nervosas do simpático liberam o neuro-


transmissor noradrenalina nas sinapses e, por isso, são cha-
Gânglio
madas adrenérgicas; as terminações do sistema parassim-
pático liberam a acetilcolina, sendo chamadas colinérgicas.
Substância branca
Como esses mediadores químicos têm ação antagônica, os
dois sistema também têm. Embora não seja necessária uma
Neurônio de memorização, observe no quadro os principais efeitos anta-
associação
gônicos das fibras simpáticas e parassimpáticas.
Medula
em corte SN.
Fibra sensorial SN. Simpático Parassimpático
Substância Órgão
(libera adrenalina) (libera acetilco-
cinzenta Receptor
intramuscular lina)
(sensorial)
Músculo esfíncter Dilatação Constrição
Fibra motora Músculo
Peristaltismo
Inibição Estimulação
intestinal
Pulmões (bronquí-
Placa motora Dilatação Constrição
olos)

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


Patela (antiga rótula)
Coração Aumenta ritmo Diminui ritmo
Tendão Vasos sanguíneos
Constrição Dilatação
periféricos
Biologia: César e Sezar. Ed. Saraiva. Pressão arterial Aumenta Diminui

As Meninges e o Líquor O sistema nervoso autônomo controla o nosso meio


interno, participando da homeostase. Dele dependem a
A integridade do encéfalo e da medula é garantida não maioria das atividades das quais não se tem consciência
só pela caixa craniana e pelas vértebras, mas também por e que não se pode controlar: batimentos cardíacos (ta-
três resistentes invólucros, as meninges. Essas membranas, quicardia e bradicardia), movimentos peristálticos (mais
de origem conjuntiva, são, de fora para dentro: a dura-má- lentos ou mais acelerados), dilatação e contração da pu-
ter (mais grossa), a aracnoide e a pia-máter (fina), a última pila, secreção contínua das glândulas lacrimais e salivares,
em contato direto com o tecido nervoso. Entre a aracnoide vasoconstrição e vasodilatação das artérias periféricas
e a pia-máter há um espaço preenchido pelo líquido cefa- (palidez ou rubor), etc. Todas essas atividades são refle-
lorraquidiano ou líquor. Trata-se de um fluido incolor que xas. Geralmente, o sistema simpático estimula ações que
também preenche os ventrículos encefálicos e um fino ca- requerem energia, permitindo que o corpo responda a si-
nal interno da medula (canal do epêndimo). Uma de suas tuações de emergência ou estresse, enquanto o parassim-
principais funções é amortecer choques mecânicos e regu- pático estimula as atividades relaxantes; portanto, essa
lar a pressão no interior de todo o sistema nervoso. ação antagônica permite um controle mais preciso do fun-
O exame do líquor é de grande interesse para diagnos- cionamento de cada órgão.
ticar várias doenças do sistema nervoso, como a meningi-
te, uma infecção muitas vezes causada pelo meningococo,
uma bactéria que ataca especialmente essas membranas.

Sistema Nervoso Periférico (SNP)


O sistema nervoso periférico (SNP) é formado pelos
nervos de atividade voluntária ou nervos da vida de rela-
ção e pelos nervos de atividade involuntária, que formam
o sistema nervoso periférico autônomo ou visceral. Os
nervos voluntários são os 12 pares de nervos cranianos e
os 31 pares de nervos espinhais – responsáveis pelas ativi-
dades conscientes, ou seja, estão sob o controle da nossa
vontade (dançar, mover um braço, sorrir, etc.). Eles estão
relacionados ao ajuste do nosso organismo ao meio exter-
no. Os nervos involuntários ou nervos da vida vegetativa
são os nervos simpáticos e os parassimpáticos; os primei-
ros originam-se na região mediana da medula e os segun-
dos saem do bulbo e da extremidade final da medula.

[Link] | Produção: [Link] 320


Biologia

Para você saber Estímulo

Como vai seu hipotálamo?


Essa pergunta poderia ser mais direta: como vão suas
emoções? Muitas pesquisas em diferentes animais e no Despolarização da membrana
homem têm demonstrado que o hipotálamo é o centro provocando impulso nervoso
Na+ Na+
nervoso das nossas emoções, ou seja, é o organizador do
nosso comportamento emocional. Estimulações diretas
em diferentes pontos do hipotálamo desencadeiam ma- Na+ Na+
nifestações emocionais leves ou intensas, especialmente
de raiva, medo, prazer, tristeza, alegria. Além disso, ficam Área de
repolarização
no hipotálamo importantes centros nervosos regulado- Na+ Na+

res relacionados a frequência cardíaca, temperatura in- K K Na


+ + +

terna, volume de água corporal, sede, fome e ainda os Na+ Na+


controladores de funções endócrinas e dos níveis do
metabolismo geral. Assim, o hipotálamo tem intensa e
direta participação nos mecanismos de homeostase. Quando um estímulo químico, mecânico ou elétrico
chega ao neurônio, pode ocorrer a alteração da permea-
Tudo indica que diferentes neurotransmissores atu- bilidade da membrana, permitindo grande entrada de só-
am nos vários pontos ou núcleos do hipotálamo e que dio na célula e pequena saída de potássio dela. Com isso,
nosso comportamento emocional depende muito do ocorre uma inversão das cargas ao redor dessa membra-
nível dessas substâncias normalmente liberadas nessa na, que fica despolarizada gerando um potencial de ação.
pequena porção do nosso diencéfalo (segunda vesícula Essa despolarização propaga-se pelo neurônio caracteri-
encefálica), situado na região ventral do cérebro, onde zando o impulso nervoso.
fica presa a hipófise.
Imediatamente após a passagem do impulso, a mem-
A esclerose múltipla brana sofre repolarização, recuperando seu estado de re-
Em consequência de fatores ainda não bem deter- pouso, e a transmissão do impulso cessa.
minados (genéticos, viroses, alterações imunológicas), O estímulo que gera o impulso nervoso deve ser forte
algumas pessoas podem apresentar uma progressiva o suficiente, acima de determinado valor crítico, que va-
degeneração da bainha de mielina dos neurônios, que ria entre os diferentes tipos de neurônios, para induzir a
compromete a condução do impulso nervosos nos ner- despolarização que transforma o potencial de repouso em
vos afetados. As principais manifestações da esclerose potencial de ação. Esse é o estímulo limiar. Abaixo desse
múltipla, são dormência, descoordenação, dores e até valo o estímulo só provoca alterações locais na membrana,
cegueira. É comum ocorrer, ainda, uma disfunção do que logo cessam e não desencadeia o impulso nervoso.
sistema nervoso autônomo, que altera o controle de Qualquer estímulo acima do limiar gera o mesmo po-
órgãos viscerais, especialmente intestino e bexiga. tencial de ação que é transmitido ao longo do neurônio.
Assim, não existe variação de intensidade de um impulso
Transmissão do Impulso nervoso nervoso em função do aumento do estímulo; o neurônio
obedece à regra do “tudo ou nada”.
Em um neurônio, os estímulos se propagam sempre no
mesmo sentido: são recebidos pelos dendritos, seguem O gráfico a seguir apresenta o potencial de membra-
na em milivolts em um neurônio em repouso que passa a
pelo corpo celular, percorrem o axônio e, da extremidade
emitir um impulso nervoso e em seguida volta ao repouso.
deste, são passados à célula seguinte (dendrito – corpo
celular – axônio). O impulso nervoso que se propaga atra- Em repouso a bomba
de sódio e potássio
vés do neurônio é de origem elétrica e resulta de altera- esta funcionando
ções nas cargas elétricas das superfícies externa e interna mantendo a
da membrana celular. membrana polarizada
(– 70 milivolts)
A membrana de um neurônio em repouso apresenta- → durante a
-se com carga elétrica positiva do lado externo (voltado despolarização (1) a
para fora da célula) e negativa do lado interno (em contato bomba foi inativada
com o citoplasma da célula). Quando essa membrana se e canais de sódio se
abrem permitindo
encontra em tal situação, diz-se que está polarizada. Essa a entrada de sódio
diferença de cargas elétricas é mantida pela bomba de só- enquanto canais de potássio se mantem inativos → Em (2) há inversão
dio e potássio. Assim separadas, as cargas elétricas esta- de polaridade → Durante a repolarização (3) canais de sódio se fecham
belecem uma energia elétrica potencial através da mem- e de potássio abrem, permitindo o efluxo de potássio; esse período
é chamado de refretário absoluto pois o neurônios não responde a
brana: o potencial de membrana ou potencial de repouso outro estímulo neste momento → em (4) há redistribuição de sódio e
(diferença entre as cargas elétricas através da membrana). potássio pela bomba ativada.

321 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

O Sistema Nervoso e as Drogas


Classe Nomes comuns Efeitos Riscos do abuso

Dependência psíquica e física, náusea e


Opiáceos Morfina,
Euforia vômito, constipação intestinal, morte por
codeína e heroína
insuficiência respiratória

Elevação da temperatura corporal,


Convulsões, alucinações, arritmias
Estimulantes Cocaína Coca, Creack taquicardia, dilatação das pupilas,
cardíacas, dependência psíquica
euforia, excitação
Taquicardia e taquipneia, Arritmias cardíacas, dor torácica,
Anfetamina Bolinha “cristal” hipertensão arterial, diminuição do ansiedade, alucinações, hemorragias
apetite, estado de alerta cerebrais, coma, dependência psíquica
Vasoconstrição, taquicardia,
Náuseas, vômitos, dependência psíquica
Nicotina Tabaco, cigarro, etc. hipertensão arterial, estimulação,
e física
euforia
Queda na temperatura e

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


na frequência respiratória, Lesões hepáticas, cerebrais, cardíacas,
Sedativos Etanol Bebidas alcoólicas vasodilatação, alterações visuais e falência respiratória, dependência
do equilíbrio, depressão do sistema psíquica e física
nervoso central, euforia, depressão
Depressão circulatória e respiratória,
Valium, Limbitrol, Redução da ansiedade, elevação da
Benzodiazepínicos incoordenação muscular, tonturas,
etc. autoestima
dependência psíquica
Lesões pulmonares, diminuição na
Alucinógenos Maconha, erva, Taquicardia, vasodilatação, euforia,
espermatogênese, queda na produção
Canabinoides marijuana alterações sensoriais
de testosterona, dependência psíquica
Psicoestimulação, taquicardia, aluci- Alterações de humor, desagregação da
Ácido lisérgico LSD, ácido
nações, euforia, distúrbios sensoriais personalidade, dependência psíquica

SISTEMA ENDÓCRINO As Glândulas Endócrinas Humanas


O sistema endócrino é formado pelo conjunto de glân- As glândulas endócrinas que merecem atenção es-
dulas endócrinas, as quais são responsáveis pela secreção pecial estão representadas esquematicamente na figura
de substâncias denominadas hormônios. As glândulas en- a seguir. Seus muitos hormônios têm múltiplas ações no
dócrinas são assim chamadas porque lançam suas secreções organismo, e a variação da sua concentração no sangue
(hormônios) diretamente no sangue, por onde eles atingem provoca problemas clínicos bem marcantes, caracterizan-
do as chamadas disfunções.
todas as células do corpo. Cada hormônio atua apenas sobre
alguns tipos de células, denominadas células-alvo. Glândulas endócrinas
As células-alvo de determinado hormônio possuem, Epífase
na membrana ou no citoplasma, proteínas denominadas
receptores hormonais, capazes de se combinar especifica-
mente com as moléculas do hormônio. É apenas quando a Hipófise
combinação correta ocorre que as células-alvo exibem as Tireoide e paratireoides

respostas características da ação hormonal.


Os hormônios influenciam praticamente todas as fun-
ções dos demais sistemas corporais. Frequentemente, o
Supra-renal
sistema endócrino interage com o sistema nervoso, for- Pâncreas
mando mecanismos reguladores bastante precisos. O sis-
tema nervoso pode fornecer ao endócrino a informação
sobre o meio externo, ao passo que o sistema endócrino
regula a resposta interna do organismo a esta informa-
ção. Dessa forma, o sistema endócrino, juntamente com Testículo Ovário

o sistema nervoso, atuam na coordenação e regulação das


funções corporais. Biologia: César e Sezar. Ed. Saraiva.

[Link] | Produção: [Link] 322


Biologia

A Hipófise ou Pituitária A Tireoide


A hipófise, no homem, é dividida em duas partes, Localiza-se no processo, estando apoiada sobre as car-
denominadas lobos anterior e posterior. O lado anterior tilagens da laringe e da traqueia. Seus dois hormônios,
(maior) é designado adeno-hipófise e o lobo posterior, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), aumentam a velocida-
neuro-hipófise. de dos processos de oxidação e de liberação de energia
nas células do corpo, elevando a taxa metabólica e a gera-
Hormônios produzidos no ção de calor. Estimulam ainda a produção de RNA e a sín-
Lobo Anterior da Hipófise tese de proteínas, estando relacionados ao crescimento,
• Samatotrofina (GH) – Hormônio do crescimento. à maturação e ao desenvolvimento. A calcitonina, outro
hormônio secretado pela tireoide, participa do controle


• Hormônio tireotrófico (TSH) – Estimula a glândula
da concentração sanguínea de cálcio, inibindo a remoção


tireoide.
do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma sanguí-
• Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) – Age sobre neo, estimulando sua incorporação pelos ossos.


o córtex das glândulas supra-renais.
Ação dos hormônios tireoidianos
• Hormônio folículo-estimulante (FSH) – Age sobre a


maturação dos folículos ovarianos e dos esperma-
tozoides.
• Hormônio luteinizante (LH) – Estimulante das célu-


las intersticiais do ovário e do testículo; provoca a
ovulação e a formação do corpo amarelo.
• Hormônios lactogênicos (LTH) ou prolactina –


Interferem no desenvolvimento das mamas, e na
produção de leite.
• Os hormônios designados pelas siglas FSH e LH po-


dem ser reunidos sob a designação geral de gona-
dotrofinas.

Hormônios Liberados pelo Lobo Posterior da As Paratireoides


Hipófise mas Produzidos pelo Hipotálamo São pequenas glândulas, geralmente em número
• Ocitocina – Age particularmente na musculatura de quatro, localizadas na região posterior da tireoide.


lisa da parede do útero, facilitando, assim, a expul- Secretam o paratormônio, que estimula a remoção de
são do feto e da placenta. cálcio da matriz óssea (o qual passa para o plasma san-
• Hormônio antidiurético (ADH) ou vasopressina – guíneo), a absorção de cálcio dos alimentos pelo intestino
e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais, aumentan-


Constitui-se em um mecanismo importante para a
regulação do equilíbrio hídrico do organismo. do a concentração de cálcio no sangue. Neste contexto, o
cálcio é importante na contração muscular, na coagulação
A hipófise sanguínea e na excitabilidade das células nervosas.

Células O Hipotálamo
neurossecretoras
do hipotálamo Localizado no cérebro diretamente acima da hipófise,
Vasos
sanguíneos
é conhecido por exercer controle sobre ela por meios de
Sangue conexões neurais e substâncias semelhantes a hormônios
chamados fatores desencadeadores (ou de liberação), o
Hipófise
meio pelo qual o sistema nervoso controla o comporta-
posterior mento sexual via sistema endócrino.
Hormônios
liberadores e O hipotálamo estimula a glândula hipófise a liberar os
inibidores do
hipotálamo hormônios gonadotróficos (FSH e LH), que atuam sobre
as gônadas, estimulando a liberação de hormônios gona-
dais na corrente sanguínea. Na mulher, a glândula-alvo
Células do hormônio gonadotrófico é o ovário; no homem, são
Hormônios endócrinas
da hipófise da hipófise os testículos. Os hormônios gonadais são detectados pela
pituitária e pelo hipotálamo, inibindo a liberação de mais
hormônio pituitário, por feed-back.

323 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Como a hipófise secreta hormônios que controlam ou- Os Ovários


tras glândulas e está subordinada, por sua vez, ao sistema
nervoso, pode-se dizer que o sistema endócrino é subor- Na puberdade, a adeno-hipófise passa a produzir quan-
dinado ao nervoso e que o hipotálamo é o mediador entre tidades crescentes do hormônio folículo-estimulante (FSH).
esses dois sistemas. Sob a ação do FSH, os folículos imaturos do ovário continuam
seu desenvolvimento, o mesmo acontecendo com os óvulos
O hipotálamo também produz outros fatores de libe- neles contidos. O folículo em desenvolvimento secreta hor-
ração que atuam sobre a adenohipófise, estimulando ou mônios denominados estrógenos, responsáveis pelo apareci-
inibindo suas secreções. Produz também os hormônios mento das características sexuais secundárias femininas.
ocitocina e ADH (antidiurético), armazenados e secreta-
dos pela neuro-hipófise. Outro hormônio produzido pela adeno-hipófise – hor-
mônio luteinizante (LH) – atua sobre o ovário, determi-
Ação dos hormônios hipotalâmicos nando o rompimento do folículo maduro, com a expulsão
do ovócito (ovulação).
O corpo amarelo (corpo lúteo) continua a produzir es-
trógenos e inicia a produção de outro hormônio – a pro-
gesterona – que atuará sobre o útero, preparando-o para
receber o embrião caso tenha ocorrido a fecundação.

BIOATP - FUNCIONAMENTO DO CORPO HUMANO


Os Testículos
Entre os túbulos seminíferos encontra-se um tecido
intersticial, constituído principalmente pelas células de
Leydig, onde se dá a formação dos hormônios andrógenos
(hormônios sexuais masculinos), em especial a testostero-
na. Os hormônios andróngenos desenvolvem e mantém
os caracteres sexuais masculinos.
As Adrenais ou Supra-Renais Leitura Complmentar
Localizam-se sobre os rins e apresentam duas regiões Diabetes mellitus
bem definidas, a periférica ou cortical (córtex) e a central
ou medular (medula). Na região cortical, são produzidos os Nossa taxa normal de glicose (glicemia) varia de
corticosteroides, classificados funcionalmente em dois gru- 80 a 120 mg por 100 mL de sangue. Quando essa taxa
pos: os glicocorticoides e os mineralocorticoides. Destes é ultrapassada, atingindo cerca de 180 mg/100 mL, as
últimos, a aldosterona, por exemplo, regula as taxas de só- células dos túbulos dos néfrons não conseguem rea-
dio e potássio no sangue, enquanto os glicocorticoides têm bsorver toda a glicose filtrada e ela aparece na urina
excepcional ação antialérgica e anti-inflamatória, estando (glicosúria). A elevada taxa de glicose sanguínea, cha-
relacionados ao metabolismo dos açúcares e das gorduras. mada hiperglicemia, é uma característica do diabetes,
um desequilíbrio bioquímico que afeta milhões de pes-
Na região medular, é produzida a adrenalina (ou epi- soas. A causa é uma deficiência de insulina, hormônio
nefrina) e a noradrenalina. Essas substâncias, quando li- produzido pelas células das ilhotas de Langerhans, teci-
beradas no sangue, potencializam, ou reforçam, o efeito do endócrino disperso por todo o pâncreas. A insulina
do sistema nervoso simpático (instinto de luta ou fuga). controla a entrada de glicose nas células e, portanto,
sua utilização pelos diferentes tecidos corporais. Essa
O Pâncreas doença, quando não controlada por dietas e medica-
É uma glândula mista ou anfícrina – apresenta determi- mentos que baixem a glicemia, ou pela própria injeção
nadas regiões endócrinas e determinadas regiões exócrinas diária de insulina, pode levar a um preocupante quadro
(da porção secretora partem ductos que lançam as secreções clínico: enfraquecimento, queda de metabolismo, pro-
para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo. As blemas vasculares, cegueira, dificuldades de cicatriza-
chamadas ilhotas de Langherhans são a porção endócrina, ção de ferimentos e de coagulação do sangue. Há ainda
onde estão as células que secretam os dois hormônios: insu- o risco de coma e morte, quando são metabolizadas al-
lina e glucagon, que atuam no metabolismo da glicose. tas taxas de ácidos graxos, que produzem cetonas (ce-
Insulina – Facilita a penetração da glicose, presente no toacidose), alterando muito o pH dos fluidos corporais.
sangue circulante, nas células, em particular nas do fíga- Prostaglandinas e endorfinas
do, onde é convertida em glicogênio (reserva de glicose).
Essas substâncias foram descobertas recentemente
Glucagon – Responsável pelo desdobramento do glico-
e suas funções no organismo ainda estão sendo pes-
gênio em glicose e pela elevação da taxa desse açúcar no
quisadas. São de natureza endócrina, produzidas nos
sangue circulante.

[Link] | Produção: [Link] 324


Biologia

mais diferentes tecidos e funcionam como mediadoras obesidade. Na infância, quando não tratado precocemente,
na efetivação de inúmeras funções relacionadas, por leva ao cretinismo – doença caracterizada pela debilidade
exemplo, à homeostase, ritmo de atividades, etc. mental, ossificação lenta e deficiência no desenvolvimento
dos órgãos sexuais. A identificação da doença se faz pelo
As prostaglandinas agem na musculatura lisa, na co-
teste do pezinho, processo de triagem neonatal, a partir de
agulação do sangue, nas manifestações de dor, febre e
uma gota de sangue retirada do calcanhar da criança.
nas inflamações. Uma importante descoberta é que a
aspirina bloqueia a ação da enzima relacionada à pro- Já no caso do hipertireoidismo, observa-se uma hiper-
função da tireoide e, portanto, um excesso de produção de
dução de prostaglandinas, entendendo-se assim seu
tiroxina. Isso ocasiona um aumento do metabolismo geral do
efeito analgésico, anti-inflamatório e anticoagulante.
corpo, levando a um emagrecimento, a uma aceleração dos
As endorfinas são substâncias analgésicas naturais, batimentos cardíacos e dos movimentos respiratórios, e tam-
liberadas pelo tecido nervoso. Ao que tudo indica, sua bém a uma saliência dos bulbos dos olhos. Em geral, o indiví-
taxa no organismo aumenta com a atividade física regu- duo é muito nervoso e manifesta um apetite fora do comum.
lar. Ligam-se aos mesmos receptores específicos para
a morfina (potente analgésico), encontrados nas mem- 2
branas de certos neurônios, inibindo assim os mecanis-
mos da dor. Parece que as agulhas usadas na acumpu- 1
tura induzem a liberação de endorfinas em pontos bem
localizados do corpo e têm, por isso, efeito analgésico.

Sistema Endócrino e Saúde


Os problemas de saúde relacionados com o sistema
endócrino se devem a disfunções de uma ou mais glându- 3
las endócrinas. Vamos, aqui, considerar disfunções envol-
vendo a tireoide e o pâncreas.

Disfunções da Tireoide
Os hormônios produzidos pela tireoide, dos quais o Na figura 1, observa-se que a criança no colo apresenta hipotireoidismo,
principal é a tiroxina, possuem iodo na sua constituição. que poderia ter sido diagnosticado logo após o nascimento pelo teste
Diante de uma carência na alimentação deste sal mineral, do pezinho, mostrado na figura 2. A figura 3 apresenta um dos sintomas
a tireoide não produz hormônios ativos, mesmo sendo es- do hipertireoidismo – exoftalmia.
timulada pela tireotrofina produzida pela hipófise.
Por consequência disso, a tireoide sofre uma hipertro-
Disfunções do Pâncreas
fia, caracterizando o bócio endêmico, popularmente co- O pâncreas não somente assume o papel de glândula en-
nhecido como papo ou papeira. dócrina – produzindo insulina e glucagon, como também é
Adicionar iodo ao sal foi uma forma encontrada por considerado uma glândula exócrina (glândulas cuja secreção
vários governos de prevenir a doença. No Brasil, a obri- não cai na corrente sanguínea, como ocorre com os hormô-
gatoriedade da adição do iodo no sal foi determinada em nios) afinal libera suco pancreático já estudado no sistema
1953, e assim permanece até os dias atuais. digestivo. Glândulas com esse comportamento, endócrino e
exócrino simultaneamente, são ditas glândulas mistas.
A região do pâncreas responsável pela produção
de hormônios é chamada de
Ilhotas pancreáticas e sua hi-
pofunção causa o diabetes,
Paciente doença resultante da baixa
com bócio ou nula produção de insulina.
endêmico. Nessa situação, o paciente
tem excesso de açúcar (glico-
Ainda com relação às disfunções tiroidianas, existem o se) no sangue, que acaba sen-
hipotireoidismo e o hipertireoidismo. do liberado na urina.
Na primeira situação, a tireoide trabalha menos do O diabético é caracteri-
que o necessário e, portanto, resulta em baixa produção zado por ter sede exagerada,
do hormônio tiroxina. Por consequência, ocorre diminui- aumento do apetite, pressão
ção geral do metabolismo. O indivíduo apresenta cres- arterial alta, cansaço, maior Paciente com diabetes aplicando
cimento retardado, engrossamento da pele, tendência a atividade urinária, etc. sua injeção diária de insulina.

325 [Link] | Produção: [Link]


3. Complete o esquema com a função da secreção:


Sistema Digestório

Cavidade 2
bucal
1
3

4
B
A

Vesícula biliar
Duodeno
Cólon transversal
Cólon ascendente
Cólon descendente

Ceco
Apêndice Reto
Ânus
5

1. Complete: Sistema Circulatório



A digestão de carboidratos se inicia na ____________, Carótidas

enquanto que a digestão de proteínas apenas no 2
____________________. No entanto, a principal 3 Pulmão
digestão de lipídeos é a que se inicia mais tardia-
mente, apenas quando o bolo alimentar alcança o
____________________, que possui o duodeno como C
sua primeira parte. 4 A
D 4
B
Fígado
A e B são glândulas anexas ao duodeno e recebem,

respectivamente, os nomes ____________________ 5
o
e ____________________. 1
Inte
stin

A última parte do tubo digestivo, o



________________, não digere alimentos, apenas Rim Rim
absorve ________________ e ________________, e
é dividido em ceco, cólon ascendente, cólon transver-
sal, cólon descendente, sigmoide, reto e ânus.
4. Complete:

2. Cite os nomes dos órgãos representados pelos números:
• O sangue venoso é rico em _____ e passa pelo


1 - _______________________________ lado ____________ do coração. Geralmente, é
conduzido por veias, no entanto há exceções. Um
2 - _______________________________ exemplo é a _________________________, que
conduz sangue venoso.
3 - _______________________________ • O sangue arterial é rico em _____ e passa pelo

lado ____________ do coração. Geralmente, é
4 - _______________________________ conduzido por artérias, no entanto há exceções.
Um exemplo é a _________________________,
5 - _______________________________ que conduz sangue arterial.

326
5. Cite os nomes dos vasos sanguíneos representados 9. Considerando que a figura a seguir representa deta-


pelos números: lhes do que ocorre no pulmão, cite o que está acon-
tecendo em 1, 2, 4 e 5 e cite o nome das estruturas
1 - __________________________________
representadas pelos números 3 e 6:
2 - __________________________________
3 - __________________________________
4 - __________________________________
5 - __________________________________

6. Cite os nomes das cavidades do coração representa-



das pelas letras:
A - _______________________________
B - _______________________________
C - _______________________________
D - _______________________________
1 - __________________________________
7. Cite os nomes das válvulas encontradas: 2 - __________________________________

Entre o átrio e o ventrículo direito - _________________ 3 - __________________________________
Entre o átrio e o ventrículo esquerdo - _____________ 4 - __________________________________
Na artéria pulmonar e aorta - ____________________ 5 - __________________________________
Sistema Respiratório 6 - __________________________________

Sistema Excretor

Veia cava inferior


1
2 3 1
4 Veia renal
5 Artéria renal

6 Aorta
3
7

8
4
8. Cite os nomes das estruturas representadas pelos nú- 5

meros:
1 - _________________________________
10. Cite os nomes das estruturas representadas pelos nú-
2 - _________________________________

meros:
3 - _________________________________
1 - _______________________________
4 - _________________________________
2 - _______________________________
5 - _________________________________
6 - _________________________________ 3 - _______________________________
7 - _________________________________ 4 - _______________________________
8 - _________________________________ 5 - _______________________________

327
Sistema Nervoso
1
Arteríola Sistema nervoso central Sistema nervoso periférico
eferente 2
Córtex cerebral Crânio Autônomo ou
1 Meninges Vegetativo Somático
1
Epífise
Arteríola
aferente 3
A

5 3 B
Hipófise 2
2 Ponte
4 5

Vênula 14. Complete a tabela referente ao Sistema Nervoso Central:


Estrutura Nome Função

Ramo 1
descentente 2
4
Ramo
ascentente 6 3
4
5
11. Cite os nomes das estruturas representadas pelos nú-  

meros: 15. Analise o esquema de um ARCO-REFLEXO e identifi-

1 - _______________________________ que os neurônios:
2 - _______________________________ Gânglio

3 - _______________________________ Substância
branca
4 - _______________________________ 2

5 - _______________________________ Medula
em
corte 1
6 - _______________________________ Substância Receptor
cinzenta intramuscular
sensorial
12. Cite a função exercida: 3 Músculo

Pelo glomérulo de Malphig: _____________________
Placa motora
Pela rede de capilares: _________________________
Patela (antiga rótula)
Tendão
13. Complete a tabela:

1 - _____________________________________
Hormônios que 2 - _____________________________________
Glândula
atuam no sistema Função
produtora 3 - _____________________________________
excretor
16. Complete a tabela referente ao Sistema Nervoso

Periférico (SNP):
Aldosterona
Subdivisões
do SNP Nome Neurotransmissor Função
autônomo

Hormônio A
antidiurético (ADH)
ou vasopressina
Atenção: é liberado
B
pela neuro-hipófise.

328
Biologia

Sistema Endócrino

17. Complete:

18. Sabendo que o esquema representa o controle da calce- 19. Sabendo que o esquema representa o controle da gli-


mia, identifique os hormônios e cite onde são produzidos: cemia, identifique os hormônios e cite onde são pro-
duzidos:

1. Nome: __________________________________

Local: __________________________________ 1. Nome: __________________________________


Local: __________________________________

2. Nome: __________________________________

Local: __________________________________ 2. Nome: __________________________________


Local: __________________________________

329 [Link]|Produção:[Link]
Biologia

De acordo com o relatório “A grande sombra da


pecuária” (Livestock’s Long Shadow), feito pela
Organização das Nações Unidas para a Agricultura
e a Alimentação, o gado é responsável por cerca
de 18% do aquecimento global, uma contribuição
maior que a do setor de transportes.
Disponível em: [Link].
1. As serpentes que habitam regiões de seca podem fi- Acesso em: 22 jun. 2010.

car em jejum por um longo período de tempo devido
à escassez de alimento. Assim, a sobrevivência desses A criação de gado em larga escala contribui para o
predadores está relacionada ao aproveitamento máxi-


aquecimento global por meio da emissão de
mo dos nutrientes obtidos com a presa capturada. De
acordo com essa situação, essas serpentes apresentam (A) metano durante o processo de digestão.


alterações morfológicas e fisiológicas, como o aumento
(B) óxido nitroso durante o processo de ruminação.
das vilosidades intestinais e a intensificação da irriga-


ção sanguínea na porção interna dessas estruturas. (C) clorofluorcarbono durante o transporte de carne.


A função do aumento das vilosidades intestinais para (D) óxido nitroso durante o processo respiratório.

essas serpentes é maximizar o(a)


(E) dióxido de enxofre durante o consumo de pastagens.
(A) comprimento do trato gastrointestinal para caber



mais alimento. 4. Arroz e feijão formam um “par perfeito”, pois forne-

(B) área de contato com o conteúdo intestinal para cem energia, aminoácidos e diversos nutrientes. O

absorção dos nutrientes. que falta em um deles pode ser encontrado no outro.
(C) liberação de calor via irrigação sanguínea para Por exemplo, o arroz pobre no aminoácido lisina, que

controle térmico do sistema digestório. é encontrado em abundância no feijão, e o aminoáci-
(D) secreção de enzimas digestivas para aumentar a do metionina é abundante no arroz e pouco encontra-

degradação proteica no estômago. do no feijão. A tabela seguinte apresenta informações
(E) processo de digestão para diminuir o tempo de nutricionais desses dois alimentos.

permanência do alimento no intestino.
arroz feijão
2. A vesícula biliar é um órgão muscular onde a bile é (1 colher de sopa) (1 colher de sopa)

armazenada. Os cálculos biliares que algumas vezes
se formam neste órgão devem ser removidos cirurgi- calorias 41 kcal 58 kcal
camente, dependendo da avaliação da gravidade das
carboidratos 8,07 g 10,6 g
complicações decorrentes da presença desses cálcu-
los no indivíduo. Entretanto, apesar de algum prejuízo proteínas 0,58 g 3,53 g
causado pela remoção da vesícula biliar, o indivíduo
pode ter uma vida relativamente normal. lipídios 0,73 g 0,18 g
A remoção cirúrgica desse órgão retardará a colesterol 0g 0g
(A) síntese de glicogênio.
Silva, R. S. Arroz e feijão, um par perfeito.

(B) produção de bile. Disponível em: [Link]

(C) secreção de suco gástrico. Acesso em: 01 fev. 2009.

(D) produção de enzimas digestivas. A partir das informações contidas no texto e na tabe-


(E) digestão das gorduras. la, conclui-se que

3. (A) os carboidratos contidos no arroz são mais nutri-

Colocaram a culpa do
aquecimento global nas tivos que os do feijão.
E o que faremos?
vacas.
(B) o arroz é mais calórico que o feijão por conter

maior quantidade de lipídios.
(C) as proteínas do arroz têm a mesma composição

de aminoácidos que as do feijão.
Culparemos as galinhas (D) a combinação de arroz com feijão contém energia

e nutrientes e é pobre em colesterol.
(E) duas colheres de arroz e três de feijão são menos

calóricas que três colheres de arroz e duas de feijão.

[Link] | Produção: [Link] 330


Biologia

5. Defende-se que a inclusão da carne bovina na dieta Estômago


(desviado)
Estômago

é importante, por ser uma excelente fonte de proteí- Bolsa
nas. Por outro lado, pesquisas apontam efeitos preju-
diciais que a carne bovina traz à saúde, como o risco
de doenças cardiovasculares. Devido aos teores de
colesterol e de gordura, há quem decida substituí-la
por outros tipos de carne, como a de frango e a suína. Jejuno
O quadro a seguir apresenta a quantidade de coleste-
rol em diversos tipos de carne crua e cozida. Duodeno

Jejuno Duodeno
Colesterol (mg/100g) (desviado)
Alimento Intestino
Cru Cozido delgado

Carne de frango (branca) sem pele 58 75 Qual das alternativas abaixo apresenta justificativa cor-


Carne de frango (escura) sem pele 80 124 reta quanto ao procedimento denominado Capella?
Pele de frango 104 139 (A) O alimento que chega ao intestino já foi comple-


Carne suína (bisteca) 49 97 tamente digerido no estômago.
Carne suína (toucinho) 54 56 (B) Ao se diminuir o percurso no intestino delgado,


limita-se a absorção dos alimentos que acontece
Carne bovina (contrafilé) 51 66
principalmente nessa região.
Carne bovina (músculo) 52 67 (C) A ação do suco pancreático é otimizada pelo me-


Revista ProTeste, nº 54, dez/2006 (com adaptações). nor tamanho do intestino delgado.
(D) A proximidade com o intestino grosso promoverá
Com base nessas informações, avalie as afirmativas a

uma maior recuperação d’água no bolo alimentar e

seguir. consequentemente maior sensação de saciedade.
I. O risco de ocorrerem doenças cardiovasculares (E) A absorção de carboidratos no estômago é pre-


por ingestões habituais da mesma quantidade de servada, no entanto a absorção no intestino
carne é menor se esta for carne branca de frango grosso é eliminada.
do que se for toucinho.
II. Uma porção de contrafilé cru possui, aproximada- 7. O principal órgão digestivo do ser humano adulto não
é o estômago, como muitos equivocadamente afir-

mente, 50% de sua massa constituída de colesterol.
III. A retirada da pele de uma porção cozida de carne mam, mas, sim, o intestino.
Tal informação é justificada, fisiologicamente, pela

escura de frango altera a quantidade de coleste-

rol a ser ingerida. presença preponderante de uma enzima específica
no estômago, responsável pela digestão apenas
IV. A pequena diferença entre os teores de colesterol
(A) de proteínas e lipídeos, não ocorrendo a absorção

encontrados no toucinho cru e no cozido indica

que esse tipo de alimento é pobre em água. de nutrientes e água, enquanto no intestino ocor-
re a digestão de proteínas, lipídeos e carboidra-
É correto apenas o que se afirma em tos, seguida pela absorção de nutrientes e água.

(A) I e II. (B) de proteínas e aminoácidos, não ocorrendo a ab-



(B) I e III. sorção de nutrientes e água, enquanto no intes-
tino ocorre a digestão de lipídeos e carboidratos,


(C) II e III. seguida pela absorção de nutrientes e água.

(D) II e IV. (C) inicial de lipídeos, não ocorrendo a absorção de


(E) III e IV. nutrientes e água, enquanto no intestino ocorre

a digestão de proteínas e carboidratos, seguida
6. De acordo com a Organização Mundial de Saúde pela absorção de nutrientes e água.

(OMS), cerca de 500 milhões de pessoas sofrem de (D) inicial de proteínas, ocorrendo também a absor-

obesidade. A cirurgia bariátrica tem sido utilizada no ção de água, enquanto no intestino ocorre a di-
tratamento da obesidade mórbida, que acomete pes- gestão de proteínas, lipídeos e carboidratos, se-
soas com o índice de massa corporal (IMC) superior guida pela absorção de nutrientes e água.
a 40. Uma das técnicas desse tipo de cirurgia é de- (E) de carboidratos e lipídeos, ocorrendo também a

nominada de Capella, que liga o estômago ao fim do absorção de nutrientes e água, enquanto no in-
intestino delgado. testino ocorre a digestão de proteínas, lipídeos e
carboidratos, seguida pela absorção de nutrientes.

331 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

8. A imagem representa uma ilustração retirada do livro A adaptação da equipe foi necessária principalmente


De Motu Cordis, de autoria do médico inglês Willian porque a atmosfera de La Paz, quando comparada à
Harvey, que fez importantes contribuições para o en- das cidades brasileiras, apresenta
tendimento do processo de circulação do sangue no (A) menor pressão e menor concentração de oxigênio.
corpo humano. No experimento ilustrado, Harvey,


(B) maior pressão e maior quantidade de oxigênio.
após aplicar um torniquete (A) no braço de um volun-


(C) maior pressão e maior concentração de gás car-
tário e esperar alguns vasos incharem, pressionava-os


bônico.
em um ponto (H). Mantendo o ponto pressionado,
deslocava o conteúdo de sangue em direção ao coto- (D) menor pressão e maior temperatura.


velo, percebendo que um trecho do vaso sanguíneo (E) maior pressão e menor temperatura.


permanecia vazio após esse processo (H – O). 11. Analise as proposições em relação à circulação hu-


mana.
I. O átrio direito comunica-se com o ventrículo di-


reito por meio da válvula mitral, e o átrio esquer-
do comunica-se com o ventrículo esquerdo pela
válvula tricúspide.
II. O coração é envolto pelo pericárdio (membrana


dupla) e possui quatro câmaras: dois átrios e dois
ventrículos.
Disponível em: [Link]. Acesso em: 18 dez. 2012 (adaptado) III. O coração se contrai e relaxa. A fase de con-


A demonstração de Harvey permite estabelecer a re- tração denomina-se sístole e a de relaxamento,
diástole.

lação entre circulação sanguínea e
(A) pressão arterial.   (D) contração cardíaca.   IV. A artéria aorta está ligada ao ventrículo direito

pelo qual sai o sangue rico em gás carbônico.



(B) válvulas venosas.   (E) transporte de gases.  



(C) circulação linfática. Assinale a alternativa correta.


9. A produção de soro antiofídico é feita por meio da extra- (A) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.


ção da peçonha de serpentes que, após tratamento, é in- (B) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.

troduzida em um cavalo. Em seguida são feitas sangrias (C) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.
para avaliar a concentração de anticorpos produzidos

pelo cavalo. Quando essa concentração atinge o valor (D) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.

desejado, é realizada a sangria final para obtenção do (E) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.

soro. As hemácias são devolvidas ao animal, por meio de
12. As reações a seguir são fundamentais para o equilí-
uma técnica denominada plasmaferese, a fim de reduzir

brio ácido-base em mamíferos.
os efeitos colaterais provocados pela sangria.
Disponível em: [Link] Acesso em: 28 abr. 2010 (adaptado). CO2 + H2O  H2CO3  H+ + HCO3−
A plasmaferese é importante, pois, se o animal ficar com Com base nessas reações, conclui-se que um prima-


uma baixa quantidade de hemácias, poderá apresentar ta, introduzido em uma atmosfera rica em CO2, após a
(A) febre alta e constante. absorção desse gás, apresentará, como resposta fisio-

(B) redução de imunidade. lógica imediata, uma

(C) aumento da pressão arterial. (A) hiperventilação devido à resposta bulbar decor-


(D) quadro de leucemia profunda. rente do aumento da concentração de íons H+ no

(E) problemas no transporte de oxigênio. líquido intracelular.

10. A adaptação dos integrantes da seleção brasileira de (B) hiperventilação devido à resposta renal decorren-

futebol à altitude de La Paz foi muito comentada em te do aumento da concentração de íons HCO-3 no
1995, por ocasião de um torneio, como pode ser lido ultrafiltrado glomerular.
no texto abaixo. (C) hipoventilação devido à resposta bulbar decor-

A seleção brasileira embarca hoje para La Paz, capital rente do aumento da concentração de H2CO3 no

da Bolívia, situado a 3.700 metros de altitude, onde líquido intracelular.
disputará o torneio Interamérica. A adaptação deverá (D) hipoventilação devido à resposta pulmonar de-
ocorrer em um prazo de 10 dias, aproximadamente. O

corrente do aumento da concentração de HCO-3
organismo humano, em altitudes elevadas, necessita
desse tempo para se adaptar, evitando-se, assim, risco nos alvéolos.
de um colapso circulatório. (E) hipoventilação devido à resposta renal decorren-

(Adaptado da revista Placar, edição fev. 1995)
te do aumento H+ no ultrafiltrado glomerular.

[Link] | Produção: [Link] 332


Biologia

13. A troca do gás oxigênio entre o ar atmosférico, pre- no filtrado ultrapassa esse limiar (C), como ocorre

sente nos alvéolos pulmonares, e os capilares sanguí- em pessoas com diabetes melito, parte da glicose
neos pode ser expressa pela fórmula: escapa do transporte e aparece na urina.
Difusão do gás: A / E . D . (P1 – P2) →
Glomérulo Glomérulo

Glomérulo
A = área alveolar.

E = distância entre o tecido epitelial do alvéolo pulmo-

nar e capilar sanguíneo.
D = coeficiente de difusão do gás.

(P1 – P2) = diferença de pressão do gás entre o ar al-

veolar (atmosférico) e o sangue.
Urina Sangue Urina Sangue Urina Sangue
Quanto maior a altitude, menor a pressão atmosfé- A       B   C

rica, e o ar atmosférico torna-se mais rarefeito. Ao




glicose
escalar uma montanha, o alpinista percebe que sua
respiração vai ficando mais difícil. Essa dificuldade é Analise as seguintes afirmações sobre o mecanismo


ocasionada porque um dos fatores, expresso na fór- de reabsorção renal da glicose, em pessoas saudáveis:
mula, está alterado. Qual é esse fator?
I. Mantém constante a concentração de glicose no


(A) Área alveolar. sangue.

(B) Coeficiente de difusão do gás. II. Impede que a concentração de glicose no filtrado


(C) Distância entre o tecido epitelial do alvéolo pul- glomerular diminua.

monar e o capilar sanguíneo. III. Evita que haja excreção de glicose, que, assim,

(D) Diferença de pressão entre o ar alveolar (ar at- pode ser utilizada pelas células do corpo.

mosférico) e o capilar sanguíneo.
Está correto apenas o que se afirma em
(E) Produto entre a área alveolar pela distância entre

(A) I. (D) I e II.  

o alvéolo pulmonar e o capilar sanguíneo.



(B) II. (E) I e III.
14. Entre os principais agentes poluidores do ar atmos-



(C) III.

férico destaca-se o monóxido de carbono (CO), que é
um gás venenoso, inodoro e incolor, liberado profusa-
16. O teste antidoping, que frequentemente aparece nas
mente pela queima de combustível em automóveis.

notícias dos jornais, é feito a partir do exame da urina de
Um dos efeitos desse poluente na saúde humana é atletas. Isso se torna possível porque, através do néfron
(A) diminuição da capacidade de formação de anti- – unidade funcional dos rins – é executada a tarefa de:

corpos no sangue. (A) eliminar catabólitos.
(B) irritação nas mucosas do aparelho respiratório,

(B) absorver glicose.

causando doenças como asma, bronquite e enfi-

sema pulmonar. (C) secretar aminoácidos.

(C) asfixia provocada pela inutilização da molé- (D) filtrar glóbulos sanguíneos.


cula de hemoglobina no transporte dos gases (E) reabsorver sódio.
respiratórios.

(D) perturbações cardíacas em casos extremos de ex- 17. A cafeína atua no cérebro, bloqueando a ação natural


posição prolongada. de um componente químico associado ao sono, a ade-
(E) aumento da incidência de câncer pulmonar. nosina. Para uma célula nervosa, a cafeína se parece
com a adenosina e combina-se com seus receptores.

15. O mecanismo de reabsorção renal da glicose pode No entanto, ela não diminui a atividade das células da

ser comparado com o que acontece numa esteira mesma forma. Então, ao invés de diminuir a atividade
rolante que se move a uma velocidade constante, por causa do nível de adenosina, as células aumentam
como representado na figura a seguir. Quando a sua atividade, fazendo com que os vasos sanguíneos
concentração de glicose no filtrado glomerular é bai- do cérebro se contraiam, uma vez que a cafeína blo-
xa (A), a “esteira rolante” trabalha com folga e toda queia a capacidade da adenosina de dilatá-los. Com
a glicose é reabsorvida. Quando a concentração de a cafeína bloqueando a adenosina, aumenta a excita-
glicose no filtrado glomerular aumenta e atinge de- ção dos neurônios, induzindo a hipófise a liberar hor-
terminado nível (B), a “esteira rolante” trabalha com mônios que ordenam às suprarrenais que produzam
todos os compartimentos ocupados, ou seja, com adrenalina, considerada o hormônio do alerta.
sua capacidade máxima de transporte, permitindo a Disponível em: [Link]
reabsorção da glicose. Se a concentração de glicose Acesso em: 23 abr. 2010 (adaptado).

333 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Infere-se do texto que o objetivo da adição de cafeína Analisando-se o experimento, a diferenciação de célu-


em alguns medicamentos contra a dor de cabeça é las-tronco em neurônios ocorre estimulada pela
(A) contrair os vasos sanguíneos do cérebro, diminuin- (A) extração e utilização de células da pele de um in-

do a compressão sobre as terminações nervosas.


divíduo portador da doença.
(B) aumentar a produção de adrenalina, proporcio- (B) regressão das células epiteliais a células-tronco

nando uma sensação de analgesia.


em um meio de cultura apropriado.
(C) aumentar os níveis de adenosina, diminuindo a
(C) atividade genética natural do neurônio autista

atividade das células nervosas do cérebro.


(D) induzir a hipófise a liberar hormônios, estimulan- num meio de cultura semelhante ao cérebro.
(D) aplicação de um fator de crescimento (hormônio

do a produção de adrenalina.


(E) excitar os neurônios, aumentando a transmissão IGF1) e do antibiótico Gentamicina no meio de
cultura.

de impulsos nervosos.
18. É comum ouvir expressões como estas: (E) criação de um meio de cultura de células que imi-


ta o cérebro pela utilização de vitaminas e sais

“Meu coração disparou”, “Fiquei tão nervoso que co-
minerais.

mecei a suar”, “Senti a boca seca”. Estas reações são
características de um estado emocional alterado, e
são controladas sob a ação do(s) 20. O sistema somatossensorial nos informa o que ocor-


re tanto na superfície do corpo como em seu interior,
(A) sistema nervoso autônomo. e processa muitas classes de diferentes estímulos,

(B) sistema nervoso somático.
como pressão, temperatura, toque, posição. Em uma

(C) hormônios da tireoide.
experiência, após vendar os olhos do indivíduo, foram

(D) nervos do cerebelo.
feitos toques com as duas pontas de um compasso em

(E) centro nervoso medular.
diversas partes do corpo e em diferentes distâncias,

19. O estudo do comportamento dos neurônios ao longo visando à identificação das regiões e distâncias onde

de nossa vida pode aumentar a possibilidade de cura eram sentidos um ou dois toques. Os locais do corpo,
do autismo, uma doença genética. A ilustração do a quantidade de toques que foram sentidos e a distân-
experimento mostra a criação de neurônios normais cia entre as duas pontas do compasso estão apresen-
a partir de células da pele de pacientes com autismo: tados na tabela:

Distância (cm) 6 5 3,5 2,5 1 0,5 < 0,5


Locais Número de toques
Costas 2 2 1 1 1 1 1
Extração
Células de pele foram Panturrilha 2 1 1 1 1 1 1
retiradas de pacientes Antebraço 2 2 1 1 1 1 1
autistas e saudáveis Regressão
Polegar 2 2 2 2 2 2 2
Elas foram regredi-
das a células-tronco, Indicador 2 2 2 2 2 2 2
capazes de se trans-
formar em diversas DINIZ, C. W. P. Desvendando o corpo dos animais. Belém: UFPA, 2004.
células do corpo.

As diferenças observadas entre as várias regiões do



corpo refletem que a densidade dos receptores
(A) não é a mesma em todos os pontos, existindo re-
Defeito

Observa-se que os
giões com maior capacidade de discriminação e
neurônios vindos de sensibilidade, como o panturrilha e as costas.
células de autistas (B) apresenta pequena diferenciação entre os diver-
Redes neurais se atrofiam e fazem

Em um ambiente que menos sinapses. sos pontos, existindo regiões com menor capa-
imita o cérebro, por cidade de discriminação e sensibilidade, como o
meio de vitaminas e
sais, células-tronco
indicador e a panturrilha.
viram neurônios (C) apresenta pequena diferenciação entre os di-

versos pontos, diferenciando-se em regiões com
Diferença maior capacidade de discriminação e sensibilida-
de tamanho de, como as costas e o antebraço.
Revitalização (D) não é a mesma em todos os pontos, existindo re-

Em teste, o hormônio giões com maior capacidade de discriminação e
IGF1 e o antibiótico
Gentamicina revertem sensibilidade, como o indicador e o polegar.
a atrofia Neurônio Neurônio (E) se equivale, existindo pontos que manifestam
Normal Autista

uma maior sensibilidade e discriminação, como
HEIDRICH, G. Disponível em: [Link]
Acesso em: 29 ago. 2011 (adaptado).
as costas e o antebraço.

[Link] | Produção: [Link] 334


Biologia

21. Puxa, como estou 23. Desde o período colonial, em expedições pelo Brasil,


fora de forma!
principalmente pelas regiões do Centro-Oeste e
Norte, localizadas bem distantes do litoral, vários via-
jantes descreveram o bócio endêmico, uma doença
presente em determinadas comunidades devido à fal-
ta de iodo na alimentação.
Para suprir essa falta de iodo, há muitos anos ele vem


sendo acrescentado ao sal de cozinha, em proporção
estabelecida pela ANVISA.
Só há uma coisa Se não pode perder as
a fazer! banhas, amarre-as! O efeito visível e inconfundível dessa doença é o au-


mento de volume da base do pescoço, devido a um
distúrbio da glândula endócrina denominada

(A) timo.


(B) tireoide.     



(C) hipófise.
A condição física apresentada pelo personagem da
(D) adrenal.

tirinha é um fator de risco que pode desencadear do-
enças como (E) parótida.


(A) anemia.
24. Nas grandes cidades, encontramos indivíduos sub-


(B) beribéri.

metidos a jornadas de trabalho com longos perí-


(C) diabetes. odos em jejum, como também indivíduos que se

(D) escorbuto. alimentam excessivamente de carboidratos em re-
(E) fenilcetonúria. feições rápidas.
Com base nessas considerações e nos conhecimentos
22. O metabolismo dos carboidratos é fundamental para

sobre as ações dos hormônios insulina e glucagon, as-

o ser humano, pois a partir desses compostos orgâni- sinale a alternativa correta.
cos obtém-se grande parte da energia para as funções (A) Com a redução da taxa de glicose no sangue, as
vitais. Por outro lado, desequilíbrios nesse processo

células do fígado liberam insulina que age no pân-
podem provocar hiperglicemia ou diabetes. creas, quebrando o glicogênio em glicose.
O caminho do açúcar no organismo inicia-se com a in- (B) Com a redução da taxa de glicose no sangue, as

células do pâncreas liberam glicogênio na forma

gestão de carboidratos que, chegando ao intestino, so-
frem a ação de enzimas, “quebrando-se” em moléculas de insulina, que estimula o fígado a armazenar
glucagon na forma de glicogênio.
menores (glicose, por exemplo) que serão absorvidas.
(C) Com a redução da taxa de glicose no sangue, as
A insulina, hormônio produzido no pâncreas, é res-

células do pâncreas liberam glucagon, que age

ponsável por facilitar a entrada da glicose nas células. no fígado, quebrando o glicogênio em glicose.
Se uma pessoa produz pouca insulina, ou se sua ação (D) Com o aumento da taxa de glicose no sangue, as
está diminuída, dificilmente a glicose pode entrar na

células do fígado liberam glucagon, que estimula o
célula e ser consumida. pâncreas a armazenar glicose na forma de insulina.
Com base nessas informações, pode-se concluir que (E) Com o aumento da taxa de glicose no sangue, as cé-


lulas do pâncreas liberam glucagon, que estimula o
(A) o papel realizado pelas enzimas pode ser direta-
fígado a armazenar insulina na forma de glicogênio.

mente substituído pelo hormônio insulina.
(B) a insulina produzida pelo pâncreas tem um papel 25. Louco por um saleiro, “sal” foi uma das primeiras pa-


enzimático sobre as moléculas de açúcar. lavras que o garoto aprendeu a falar, antes de com-
(C) o acúmulo de glicose no sangue é provocado pelo pletar um ano de idade. Quando conseguiu caminhar
com as próprias pernas, passou a revirar os armários

aumento da ação da insulina, levando o indivíduo
a um quadro clínico de hiperglicemia. da cozinha em busca de tudo que fosse salgado e,
sempre que podia, atacava o saleiro. Aos três anos e
(D) a diminuição da insulina circulante provoca um
meio, por causa da suspeita de puberdade precoce, o

acúmulo de glicose no sangue.
menino foi internado num hospital.
(E) o principal papel da insulina é manter o nível de

glicose suficientemente alto, evitando, assim, um (Fonte: Christante, L. Sede de sal.
quadro clínico de diabetes. Revista Unesp Ciência, n.17, 2011.)

335 [Link] | Produção: [Link]


O apetite por sal da criança, cujo relato tornou-se 28. A ingestão de bebidas alcoólicas inibe a liberação



clássico na história da Medicina, era causado por do hormônio responsável pelo aumento da perme-
um desequilíbrio endócrino. Após a sua morte, abilidade das membranas das células dos túbulos
descobriu-se que a criança apresentava uma defi- renais.
ciência na produção de
Com isso, é diminuída a reabsorção
(A) aldosterona pelas glândulas adrenais.
(A) passiva de água, o que diminui a concentração

(B) insulina pelo pâncreas.


sanguínea e concentra a urina.

(C) tiroxina pela tireoide. (B) passiva de água, o que aumenta a concentração


(D) vasopressina pelo hipotálamo. sanguínea e dilui a urina.

(E) somatotrofina pela hipófise. (C) passiva de água, o que diminui a concentração



sanguínea e dilui a urina.
26. A concentração de glicose no sangue depende da atu- (D) ativa de água, o que aumenta a concentração san-


ação de dois hormônios, como mostra o esquema a guínea e dilui a urina.
seguir:
(E) ativa de água, o que diminui a concentração san-


guínea e concentra a urina.
FÍGADO
(Glicogênio)
A
PÂNCREAS
(Hormônios)
B

(Glicose)       SANGUE

1. B 15. C
Estes hormônios, representados pelas letras A e B são,



respectivamente, 2. E 16. A


(A) insulina e glucagon.
3. A 17. A



(B) insulina e adrenalina.

4. D 18. A
(C) adrenalina e glucagon.



(D) adrenalina e insulina. 5. E 19. E



(E) glucagon e insulina. 6. B 20. A



27. Um paciente adulto procurou um endocrinologis- 7. D 21. C



ta porque estava com baixo peso, metabolismo ba-
8. B 22. D
sal muito alto, nervosismo e globo ocular saliente


(exoftalmia). A disfunção hormonal que poderia ser 9. E 23. B


responsável pelo quadro apresentado pelo paciente
envolve 10. A 24. C


(A) o pâncreas. 11. B 25. A




(B) a paratireoide.
12. A 26. A


(C) a adrenal.



(D) a tiroide. 13. D 27. D



(E) a supra-renal.
14. C 28. B



336
ECOLOGIA

Conceitos Nicho Ecológico


Relação do indivíduo ou de uma população com os as-
Indivíduo
pectos do seu ambiente, incluindo o seu papel funcional
Qualquer organismo. no sistema natural, por exemplo, sua posição na cadeia
Espécie alimentar. O nicho ecológico de um organismo depende
não só de onde vive, mas também de como interage com
Grupo de indivíduos que se reproduzem entre si e que o meio – como transforma energia, como se comporta e
são reprodutivamente isoladas de todos os outros tipos reage ao meio físico e biótico e como o transforma.
de organismos. Devem gerar descendentes férteis por inú-
meras gerações. Habitat
Lugar onde vive um organismo, uma população ou
uma comunidade. O habitat, mais do que uma demarca-
ção geográfica, refere-se às diversas condições a que os
organismos estão expostos na superfície da Terra.
Ecótone
Zona de transição entre dois biomas, caracterizada pela
exuberância dos processos vitais, e que pode conter orga-
nismos de cada uma das comunidades que se entrecortam,
além dos organismos característicos de cada um deles.

O caiarara (Cebus kaaponi), primata brasileiro.


Naturalmente raro – perigo de extinção.

População
Organismos da mesma espécie que ocupam uma de-
terminada área ao mesmo tempo.
Comunidade
Conjunto de populações, vivendo numa mesma área,

BIOATP - ECOLOGIA
num determinado período de tempo.
Ecótone.
Ecossistema
Biodiversidade
Sistema que inclui todos os fatores físicos e biológicos
Significa a variabilidade de organismos vivos de todas
do meio e as interações recíprocas entre o meio e os or-
as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossiste-
ganismos. Um ecossistema diferencia-se de outro por sua
mas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos
diversidade biótica e estrutura trófica, além da troca de
e os complexos ecológicos de que fazem parte, compre-
matéria e energia entre esses elementos e do sistema com endendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre
a fronteira externa. espécies e de ecossistemas.
Um ecossistema em condições naturais possui elevada A biodiversidade é responsável pelo equilíbrio e esta-
diversidade de espécies e reduzido número de indivíduos bilidade dos ecossistemas e é um capital com grande po-
em cada espécie. Um ecossistema desequilibrado possui tencial de produção de benefícios sustentáveis e de uso
baixa diversidade de espécies e um elevado número de econômico. É a base da indústria, da biotecnologia e das
indivíduos em cada espécie. atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais.

[Link] | Produção: [Link] 337


Biologia

Cadeia e Teia Alimentar mento em geral dos seres produtores – seres autótrofos
e, portanto, produtores de seu próprio alimento (matéria
Não nos restam dúvidas que todos os seres vivos de-
orgânica produtora de energia), como as plantas – até os
pendem de alimentos para sobreviver. Os alimentos for-
necem a energia necessária para a realização de diversas seres decompositores – que se nutrem da matéria orgâ-
funções vitais que ocorrem nos organismos. Os alimentos nica morta (indivíduos mortos, folhas, frutas, pele, fezes,
fornecem também a matéria – substâncias e elementos pêlos, etc.) representados pelos fungos e pelas bactérias.
químicos variados – indispensáveis para a construção e a Analise um exemplo de cadeia alimentar e observe
manutenção das células. que os decompositores não estão representados. Isso
Numa cadeia alimentar, estabelece-se uma sequência pode ocorrer uma vez que a participação destes organis-
de relações alimentares em que seres vivos transferem ali- mos está implícita.

Na cadeia alimentar apresentada, existem quatro níveis tróficos, sendo que as plantas ocupam o 1º nível trófico (ou
produtor), o rato ocupa o 2º nível trófico (ou consumidor primário), a cobra ocupa o 3º nível trófico (ou consumidor
secundário) e a coruja ocupa o 4º nível trófico (ou consumidor terciário).
Essa representação indica que corujas se alimentam de cobras. Logo, a energia e a matéria contidas no corpo das co-
rujas vêm das cobras. As cobras alimentam-se de ratos; portanto, a energia e a matéria do corpo das cobras são obtidas
dos ratos. Por fim, ratos comem plantas e, por isso, a energia e a matéria do seu corpo vêm das plantas.
No entanto, as plantas não se alimentam de nenhum ser vivo. Então, de onde vem a energia e a matéria que constitui
o seu corpo? Você já deve saber a resposta, não é mesmo?
Como são seres produtores, fabricam sua matéria orgânica por meio da fotossíntese. Como critério de revisão, lem-
bre que, nesse processo, os vegetais, assim como as algas e as cianobactérias, usam a luz solar como fonte de energia e
substâncias químicas retiradas do ambiente, como o gás carbônico e a água.
Assim, concluímos que a fonte primária de energia para todos os seres vivos dessa cadeia alimentar é o Sol e a fonte
primária de matéria é extraída da Terra. Por isso, podemos dizer que, do pondo de vista energético e material, respecti-
vamente, todos os seres são “filhos” do Sol e “filhos” da Terra.
A verdade é que cadeias alimentares isoladas praticamente inexistem na natureza. O que existe é a ocorrência de um
conjunto de cadeias alimentares que se misturam chamada de Teia Alimentar. Observe o esquema a seguir e perceba que é
possível identificar vários exemplos de cadeias alimentares:

338 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Pirâmide Como sempre, a quantidade de energia diminui de um


nível trófico para outro, concluímos que nunca a pirâmide
de Energia de energia será invertida.
Considere a cadeia alimentar:
Pirâmide de Biomassa
plantas aquáticas → peixes → focas Uma pirâmide de biomassa, a qual mostra a massa dos
organismos existentes em diferentes níveis tróficos, ilustra
Em determinado intervalo de tempo (um mês, por a quantidade de biomassa que está disponível para os or-
exemplo), todas as plantas que vivem em uma determina- ganismos do próximo nível trófico em um dado momento.
da área (um m², por exemplo) absorvem certa quantidade
Pirâmides de energia e biomassa para o mesmo ecos-
de energia solar – cuja unidade de medida pode ser calo-
ria. Para se manterem vivas, essas plantas gastam, em seu sistema têm, geralmente, formatos semelhantes, mas, às
metabolismo, grande parte da energia contida na matéria vezes, não. O formato das pirâmides depende dos orga-
orgânica que produziram a partir da fotossíntese. Além nismos dominantes e de como eles alocam suas energias
disso, essas plantas, como qualquer outro ser vivo, trans- (se “investem” em tecidos de fácil ou difícil digestão). Isso
formam a energia contida no alimento em energia térmica pode ser observado na figura seguinte:
(calor), que é liberada para o meio externo.
Somente a energia que restou depois de toda essa per-
da será transferida para os peixes quando as plantas forem
comidas por esses animais. Resumindo:
Energia total dos Energia gasta no Energia
peixes adquirida – metabolismo e = transferida
das plantas liberada de calor para as focas

Da mesma maneira, os peixes gastam em seu meta-


bolismo a maior parte da energia química que receberam
das plantas, além da perda de calor. Assim, transferem
para os focas uma quantidade de energia bem menor do
que aquela que obtiveram das plantas. Resumindo:

Energia total das Energia gasta no Energia trans-


plantas adquiri- – metabolismo e = ferida para
da do sol liberada de calor os peixes

Podemos concluir que a quantidade de energia trans-


ferida ao longo de uma cadeia alimentar vai diminuindo
de um grupo de seres vivos para o seguinte. Alguns ecolo-
gistas consideram que um nível da cadeia recebe aproxi-
madamente 10% da energia que o nível anterior recebeu. A grande diferença entre o estudo da biomassa e da
É possível representar a transferência de energia atra- energia de uma cadeia alimentar refere-se ao tempo: na

BIOATP - ECOLOGIA
vés de uma pirâmide. Nela, cada segmento representa de- pirâmide de biomassa, o tempo é instantâneo e, na pirâ-
terminado nível trófico da cadeia alimentar. O tamanho do mide de energia, o tempo é por algum período.
segmento indica a quantidade de energia contida nesse
nível. Observe a pirâmide a seguir que contém quantida-
des hipotéticas de energia: Ecologia de Populações
Como já se sabe, população é o conjunto de indivídu-
os da mesma espécie que ocupam uma mesma área num
tempo determinado. A Ecologia de populações permite
entender como e por quê o tamanho das populações varia
no espaço e no tempo e ainda como é possível prever e
manejar o crescimento populacional.
Para preparar o cenário para o estudo das populações,
devem-se conhecer informações como densidade, natali-
dade/mortalidade, dispersão e distribuição etária os quais
constituem os atributos básicos de uma população.

[Link] | Produção: [Link] 339


Biologia

Densidade Populacional
Refere-se ao número de indivíduos ou biomassa / área
ou volume e pode ser avaliada de inúmeras formas como,
por exemplo, censo total, amostragem por “quadrados”,
marcação e recaptura, entre tantas outras maneiras.
Exemplos de densidades:
• 200 árvores por hectare.

• 5 milhões de diatomáceas por m³ de água.

• 200 kg de peixes por hectare de superfície aquática. Amostragem de bêtons por meio do método de quadrados.

Dinâmica Populacional
Termo utilizado para designar as mudanças no número de indivíduos de uma população ou na densidade populacio-
nal ao longo do tempo, bem como dos fatores responsáveis por essas mudanças.
Humanos se interessam em manipular a densidade populacional (aumentar densidade de plantas agrícolas, medicinais,
ornamentais, espécies em extinção ou diminuírem pestes agrícolas e transmissores de doenças). No entanto, para isso é
necessário conhecer quais fatores fazem as populações aumentarem ou diminuir de tamanho e como eles funcionam.
O número e a distribuição de membros de uma população mudam, podendo crescer ou diminuir com o tempo. Essa
dinâmica depende de:
1 - Taxa de natalidade (N) → Velocidade com que novos indivíduos são adicio-
nados à população por meio da reprodução.
Aumento da densidade
2 - Taxa de imigração (I) → Número de indivíduos que chegam a uma deter-
minada população.
3 - Taxa de mortalidade (M) → Velocidade com que novos individuos são
eliminados da população, por meio da morte.
Diminuição da densidade
4 - Taxa de emigração (E) → Número de indivíduos que deixam uma determi-
nada população.
Fatores bióticos podem atuar como reguladores do tamanho da população. Assim, as taxas de natalidade e de mor-
talidade podem ser dependentes da densidade por várias razões:
• Competição: quanto maior a densidade, maior o esgotamento de seu suprimento alimentar e hídrico. Isso au-

menta M e diminui N.
• Predação: quando há grande densidade, predadores são atraídos, aumentando M.

• Parasitismo: grande densidade facilita a dispersão de doenças, o que aumenta M.

Índice de Crescimento
O maior interesse no cálculo das taxas N, I, M e E é encontrar o índice de crescimento de uma população, assim
definido:
N+I Se o resultado for maior que 1 → população está crescendo
Se o resultado for menor que 1 → população está diminuindo
M+E Se o resultado for igual a 1 → população está em equilíbrio

Padrões de Crescimento Populacional


Todas as populações têm o potencial para um crescimento explosivo porque à medida que o número de indivíduos na po-
pulação aumenta, o número de novos indivíduos adicionados por unidade de tempo é acelerado, mesmo que a taxa de cres-
cimento populacional per capita permaneça constante. Esta forma de crescimento explosivo é chamada de potencial biótico.
Populações naturais podem ter um crescimento exponencial por curtos períodos sob condições favoráveis. Por
exemplo, uma população de salgueiros no País de Gales aumentou drasticamente em tamanho na década de 1970 após
o colapso da população de coelhos, os quais haviam consumido em grande quantidade as folhas de salgueiro. Esse co-
lapso da população de coelhos ocorreu devido a um surto da doença mixomatose.
Mas nenhuma população real pode manter um crescimento exponencial por muito tempo porque as limitações
ambientais fazem as taxas de natalidade diminuir e as taxas de mortalidade aumentar. De fato, no decorrer de longos
períodos de tempo, o tamanho da maioria das populações flutua ao redor de um número relativamente constante.

340 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Quando os gráficos do potencial biótico e do crescimen-


to real de uma mesma população são sobrepostos é possível
visualizar graficamente a influência da resistência do meio.

Uma curva de crescimento exponencial teórica (potencial biótico).

Curvas teóricas de crescimento de uma população.


O espaço correspondente à resistência do meio encontra-se situado
entre a curva que representa o potencial biótico de Chapman
e a curva logística de Verhulst.

O crescimento da população humana é quase expo-


nencial, isso porque humanos são capazes de aumen-
tar a capacidade suporte a seu favor. Como isso é pos-
sível? Qual é a atual capacidade suporte da Terra para
a humanidade?
Curva de crescimento de uma população real de salgueiros em
Newborough Warren, País de Gales. A espécie passou por uma onda
de crescimento exponencial quando os coelhos que se alimentavam de
Sucessão Ecológica
suas folhas foram dizimados por uma doença.
Sucessão ecológica é o nome dado à substituição se-
quencial de um grupo de populações por outro em um
hábitat, podendo essa ser seguinte a alguma perturbação.
Sucessão, algumas vezes, termina em um ecossistema re-
lativamente estável conhecido como comunidade clímax.
O diagrama seguinte representa os tipos de sucessão:

Uma população em um ambiente com recursos limitados usualmente


para de crescer exponencialmente muito antes de atingir a capacidade
BIOATP - ECOLOGIA
de suporte do ambiente.

A maneira mais simples de demonstrar os limites impos-


tos pelo ambiente é assumir que ele não pode sustentar
mais do que certo número de indivíduos de uma determi-
nada espécie. Esse número, chamado de capacidade su-
porte do ambiente, é determinado pela disponibilidade de
recurso, bem como por doenças, predadores e, em alguns
casos, interações sociais. Ao invés de ser exponencial, o
crescimento populacional diminui à medida que a popula-
ção se aproxima da capacidade suporte, de tal maneira que
as curvas de crescimento apresentam a forma de um S.

[Link] | Produção: [Link] 341


Biologia

Numa sucessão, temos inicialmente as comunida- geralmente autótrofos, como os líquens (associação entre
des pioneiras (primeiros seres vivos a ocuparem um fungos e algas fotossintetizantes), que necessitam de pou-
substrato), seguido por comunidades intermediárias cos recursos do meio ambiente.
que apresentam um nível maior de diversificação e, Os líquens modificarão a superfície das rochas ao pro-
finalmente, a comunidade clímax, quando a comuni-
dade atinge seu grau máximo de desenvolvimento e duzir ácido liquênico, o que abre fissuras na superfície,
equilíbrio. auxiliando na formação e espessamento do solo. Isso pro-
picia a chegada de outros seres vivos.
Como exemplo de uma sucessão primária, podemos
supor a formação de uma ilha vulcânica. Inicialmente, Cada comunidade estabelecida neste ambiente modi-
essa ilha será formada apenas por rochas, não apresen- ficará as condições físicas e será modificada ou substituída
tando condições para a instalação de um ecossistema ma- sucessivamente, até a formação da comunidade clímax,
duro. Entretanto, com o passar do tempo, será possível um ecossistema completo, com teias alimentares mais
identificar o estabelecimento de seres vivos pioneiros, complexas e estrutura mais estável.

Rocha nua Pioneiros → Liquens Intermediário → 40


(manchas brancas cm de “ilha de bio-
que produzem ácido massa” (pequeno
liquênico) grupo de vegetais) Intermediário → Arbustos Clímax → Comunidade mais
(vegetais com porte maior) complexa e estável

Relações entre Seres Vivos


Nas comunidades bióticas dentro de um ecossistema, encontram-se várias formas de interações entre os seres vivos
que as formam, denominadas relações ecológicas.
Quando a relação ecológica é formada por indivíduos da mesma espécie, dizemos que é uma relação intraespecífica;
quando é entre indivíduos de espécies diferentes, é uma relação interespecífica.
Podemos ainda classificar as relações ecológicas em harmônica e desarmônica.
As relações harmônicas são aquelas em que não há prejuízo para nenhum dos indivíduos da associação. Pode ser
representada pelo símbolo (+, +), que demonstra benefício para os dois indivíduos relacionados, ou pelo símbolo (+,0),
que demonstra benefício para um indivíduo e indiferença para o outro.
As relações desarmônicas são aquelas em que pelo menos um indivíduo da associação sai prejudicado. Pode ser
representada pelo símbolo (+, –), que demonstra benefício para um indivíduo e prejuízo para o outro, ou pelo símbolo
(–, –), que demonstra prejuízo para os dois indivíduos associados.
A tabela a seguir apresenta várias relações ecológicas:
Relação Ecológica
Classificação Tipo Símbolo Características principais
Colônia (+, +) Indivíduos ligados anatomicamente. Sem divisão de trabalho.
Intraespecífica
Sociedade (+, +) Indivíduos isolados. Com divisão de trabalho.
Mutualismo (+, +) Benefício mútuo e obrigatório (caso se separem, ambos indivíduos morrem).
Harmônica

Protocooperação (+, +) Benefício mútuo e não obrigatório (caso se separem, ambos indivíduos sobrevivem).
Comensalismo próprio (+, 0) Um indivíduo se nutre do resto de alimento deixado por outro.
Interespecífica
Comensalismo inquilinismo (+, 0) Um indivídio utiliza o outro como hábitat.
Comensalismo forésia (+, 0) Um indivíduo utiliza o outro como transporte. Vale para os animais.
Comensalismo epifitismo (+, 0) Um indivíduo utiliza o outro como suporte. Vale para os vegetais.
Indivíduos competem por espaço, alimento, luz (vegetais), recurso hídricos,
Competição (–, –)
Intraespecífica fêmeas, etc.
Canibalismo (+, –) Um indivíduo mata o outro para comer.
Desarmônica

Indivíduos competem por espaço, alimento, luz (vegetais), recursos hídricos,


Competição (–, –)
fêmeas, etc.
Amensalismo (0, –) Liberação de toxina inibe o crescimento ou mata outro indivíduo.
Interespecífica
Esclavagismo (+, –) Um indivíduo beneficia-se do trabalho forçado do outro.
Parasitismo (+, –) Um indivíduo beneficia-se de parte do corpo do outro.
Predatismo (+, –) Um indíviduo mata o outro para comer.

342 [Link] | Produção: [Link]


Observe os exemplos de cada uma dessas relações • Desarmônica intraespecífica


ecológicas:
• Harmônica Intraespecífica

Jacarés competindo por espaço
Viúva negra que mata e representam competição.
Sociedade de abelhas. come o macho representa
canibalismo.

Colônia de cianobactérias.
• Desarmônica Interespecífica


• Harmônica Interespecífica

Formiga obrigando pulgões
a sugar seiva representa
esclavagismo.
Pássaro palito comendo alimento
Nódulos de bactérias que fixam entre os dentes do crocodilo
nitrogênio nas raízes de plantas representa protocooperação.
representam mutualismo.
Bananeira liberando toxina no
solo para impedir crescimento
de outros vegetais representa
amensalismo.

Peixe agulha vivendo no


ânus do pepino-do-mar
representa inquilinismo.

BIOATP - ECOLOGIA
Hienas comendo resto de alimento
deixado pelos leões representam
comensalismo próprio.
Carrapato sugando
Leão matando para comer a zebra sangue do cachorro
representa predatismo. representa
parasitismo.

Impactos Ambientais e
Ciclos Biogeoquímicos
Tubarão nadando com
rêmora grudada no seu Entende-se por impacto ambiental qualquer altera-
abdômen representam ção das propriedades físicas, químicas e biológicas do
forésia. meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria
Bromélias utilizando o tronco de
árvore como suporte representam ou energia resultante das atividades humanas que, direta
epifitismo. ou indiretamente, afetem:

[Link] | Produção: [Link] 343


Biologia

I.
a saúde, a segurança e o bem-estar da população; fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis
II. as atividades sociais e econômicas; pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. O
SISNAMA é assim estruturado:

III. a biota;

I. órgão superior: o Conselho de Governo;
IV. as condições estéticas e sanitárias do meio am-



biente; II. órgão consultivo e deliberativo: o Conselho


V. a qualidade dos recursos ambientais. Nacional do Meio Ambiente (CONAMA);

Com o intuito de promover a preservação do meio am- III. órgão central: a Secretaria do Meio Ambiente da


biente, foi criada a Legislação Ambiental que fiscaliza as Presidência da República;
atividades que utilizam recursos ambientais, as atividades
efetiva ou potencialmente poluidoras e aquelas que, sob IV. órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio


qualquer forma, possam causar degradação ambiental. Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA);
No Brasil, a Lei Federal nº 6938, de 31/08/1981, insti-
tui a Política Nacional do Meio Ambiente, instrumento es- V. órgãos seccionais: os órgãos ou entidades esta-


truturador e norteador das ações voltadas para a proteção duais;
do meio ambiente no Brasil.
VI. órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais.
Para que a Lei seja cumprida, foi criado o SISNAMA


– Sistema Nacional do Meio Ambiente – constituído pe- A Lei Federal deve ser ampla o suficiente para prevenir
los órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito todos os impactos, os quais podem se apresentar de vá-
Federal, dos Territórios e dos Municípios, bem como as rias formas, as quais serão detalhadas a seguir:

Desmatamento

Define-se pela destruição, corte e abate indiscriminado de grandes extensões de matas e florestas, sem a reposição
devida, visando aos seguintes objetivos:

• utilização dos terrenos para agricultura e pecuária;



• comercialização de madeira;

• urbanização;

• implantação de obra de engenharia ou atividade econômica.

As consequências dos desmatamentos são:
• alteração da circulação da água na atmosfera;

• redução da biodiversidade genética, de hábitats e de ecossistemas;

• exposição do solo à erosão;

• assoreamento dos rios, facilitando a ocorrência de enchentes;

• redução do volume de água subterrânea;

• alterações climáticas.

Para evitar o desmatamento e outros impactos, existem espaços considerados Unidades de Conservação que são
salvaguardadas pela Lei Federal nº 9985, de 18/07/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação
da Natureza (SNUC).
As Unidades de Conservação são áreas sujeitas a um processo de ocupação ordenado, tendo em vista seus aspectos
naturais relevantes, tais como sítios geomorfológicos, mananciais hídricos, endemismos de fauna e flora, remanescentes
de vegetação em diferentes estágios de conservação, espécies ameaçadas de extinção, etc., que podem ser de domínio
público ou privado e estão sob jurisdição federal, estadual ou municipal.

344 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Acúmulo de Lixo
Lixo se refere a qualquer tipo de resíduo sólido produzido e descartado pela atividade humana doméstica, social e
industrial. Os resíduos sólidos são classificados de acordo com sua origem e composição, o que permite a escolha mais
adequada para a sua destinação final.
A destinação de resíduos sólidos deve obedecer a passos hierarquizados de acordo com a Gestão de Resíduos Sólidos.
Os passos a serem seguidos são:
1. segregação na fonte, isto é, separação de acordo com o tipo de resíduo no local onde foi gerado;

2. reaproveitamento e reciclagem;

3. tratamento visando ao reaproveitamento e à reciclagem, ou à disposição de forma mais segura do ponto de vista

ambiental;
4. disposição em aterro sanitário compatível com o tipo de resíduo gerado.

Para evitar que alguém jogue lixo
4 clandestinamente ou que algum desa-
visado entre no aterro, a área é toda 9 Esta é a área responsável por coordenar e
cercada. Em São Paulo, por exemplo, monitorar as atividades do aterro. É aqui
é obrigatório criar um cinturão verde também que se avalia se já é hora de encer-
de pelo menos 50 metros de largura rar as atividades do aterro e encomendar a
ao redor do aterro, com vegetação construção de um novo.
nativa.

1 O aterro sanitário come-


ça com a escavação de 8 Balanças controlam a
um buraco. Mas, antes quantidade de lixo que
disso, o solo é perfurado chega ao aterro em cada
até o lençol freático para caminhão.
verificar se não é areno-
so demais e calcular o
limite da escavação: o
fundo não pode ficar a
menos de 2 metros do
lençol. balança
administração
do aterro

cinturão
verde

terra

terra imper-
meabilizada camada
tambor p/ de lixo
acumulação
de gases
Piscinão de
bri percolado
ta

O percolato é tratado
no próprio aterro e lan-

BIOATP - ECOLOGIA
O lixo solta gases, çado no esgoto ou é re-
que são captados colhido em “piscinão”
por uma rede de e transportado em
tubos verticais caminhões para uma
cheios de furi- estação de tratamento
nhos. Por esses 7 de esgoto.
Para drenar o canos, os gases Quando o aterro es-
percolado (líqui- sobem recolhi- gota sua capacidade,
do que sai do lixo dos em tambores é preciso fechá-lo. A
misturado à água e outros são libe- maior parte deles dá
rados na atmos- Engenheiros calcu- origem a áreas ver-
Tratores compactam da chuva), a cada lam que cada metro
a terra do fundo do 20 metros são fera – o metano, des de conservação.
em contato com cúbico de lixo pesa Como o gás e o per-
buraco. Sobre o solo instaladas calhas
compacto é colocada de concreto, que
Calha para esco-
ar percolado
5 o ar, pega fogo. cerca de 0,6 tonela-
da. Cada camada do
colado continuam
uma espécie de manta levam a mistura sendo gerados por
aterro tem 5 metros pelo menos 15 anos,
de polietileno de alta nojenta até a de altura: 4 metros
densidade e, sobre ela, lagoa de acumu- não se recomenda
de lixo e 1 metro de
uma camada de pedra 3 lação. terra, brita e a man-
que o aterro seja
usado para constru-
britada, por onde pas-
sam os líquidos e gases
ta de polietileno.
Em cidades peque-
10 ções.
liberados pelo lixo. A nas, o limite é de
cada 5 metros de lixo, três camadas, mas,
e feita uma camada de
2 nas metrópoles,
impermeabilização. 6 elas chegam a 20.

[Link] | Produção: [Link] 345


Biologia

No Brasil são produzidos cerca de 1kg de lixo por dia tante nesse contexto, não é o único gás estufa existente:
por pessoa nas grandes cidades. O que fazer com todo metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e o clorofluorcarbono
esse lixo? O uso de lixões a céu aberto é ainda bastante (CFC) também são capazes de reter calor.
comum, mas pouco eficiente visto que, além do intenso
mau cheiro, é responsável pela proliferação de insetos
como baratas e moscas e outros animais, como ratos,
que são ótimos veículos de doenças. Os aterros sani-
tários preparam solo é previamente para impedir sua
contaminação e a do lençol freático. Como todo o lixo
é coberto, evita-se mau cheiro e a presença de animais
indesejados. Os produtos da decomposição, como o gás
Influência de cada gás estufa no agravamento do efeito estufa.
metano, podem ser reutilizado ou queimados. A incine-
ração é frequentemente utilizada para a queima de lixo O CO2 não pode ser encarado como um gás prejudicial,
contaminado, como lixo hospitalar, por exemplo. Apesar pois ele proporciona benefícios caso esteja em equilíbrio.
de controlado, esse processo sempre gera poluição atra- Tal equilíbrio envolve fenômenos que liberam este gás e
vés da emissão de fumaça. Há ainda a compostagem, outros que o absorvem, fechando, assim, o ciclo biogeo-
que transforma a parte orgânica do lixo em adubo, auxi-
químico do carbono.
liando assim na ciclagem dos nutrientes.
Ciclo do carbono
Intensificação do Efeito Estufa
O efeito estufa é um processo que ocorre quando uma
parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre é
absorvida por determinados gases presentes na atmosfe- Fotossíntese
ra. Como consequência disso, o calor fica retido, não sen- Glicose
Respiração
do libertado para o espaço. vegetal
Tecidos
O efeito estufa dentro de uma determinada faixa é de vegetais
vital importância, pois, sem ele, a vida como a conhece-
mos não poderia existir. Assim, o desequilíbrio ambiental Combustíveis
fósseis
ocorre quando há uma intensificação desse fenômeno.
Para entender melhor como ocorre o agravamento do
efeito estufa, analise a figura:

Efeito estufa Resíduos


O gás carbônico (CO2) permite a passagem da luz do
sol, mas retém o calor por ele gerado
Acúmulo
de CO2 CO2 Remoção do CO
2
no ar CO2 do ar pela CO2 absorvido pelas plantas
aumenta fotossíntese Movimento do carbono pelas cadeias alimentares
Luz o efeito de plantas e
algas diminui o Devolução do CO2 para a atmosfera
estufa
efeito
Biologia – César e Sezar. Ed. Saraiva.

A humanidade, no entanto, durante seu desenvolvi-


mento econômico, proporcionou a liberação de poluentes,
Calor principalmente o CO2, de várias maneiras, levando ao de-
sequilíbrio desse ciclo. As principais fontes de CO2 e, assim,
as principais causas da Intensificação do Efeito Estufa são:
• a queima de petróleo, gás e carvão mineral;

• as emissões industriais;

• a queima de madeira nos desmatamentos e quei-

madas para dar lugar à agricultura; as florestas
contêm de 20 a 100 vezes mais carbono por uni-
dade de área do que as plantações e pastos e, com
a queima, o carbono originalmente contido na ve-
De acordo com a figura, percebe-se que é o dióxido de getação e nos solos é liberado para a atmosfera, na
carbono (CO2) o gás responsável pela retenção do calor na forma de dióxido de carbono;
atmosfera terrestre, ou seja, o responsável pelo efeito es- • carvoarias;

tufa. A verdade é que, apesar do CO2 ser o gás mais impor- • termoelétricas.

346 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

A fermentação de produtos agrícolas, em particular no Biocombustível é qualquer combustível de origem bio-


arroz irrigado e no trato digestivo do gado ruminante, por lógica, desde que não seja de origem fóssil. É originado
liberar metano, também contribui para a intensificação do de mistura de uma ou mais plantas como cana-de-açúcar,
efeito estufa. mamona, soja, cânhamo, canola, babaçu, lixo orgânico,
De forma vergonhosa, o Brasil é um dos maiores emis- dentre outros tipos. Do ponto de vista ambiental, uma
sores de CO2 do mundo. Isso ocorre principalmente às distinção importante que se faz entre os combustíveis é
imensas e constantes queimadas da floresta amazônica, serem provenientes ou não de fontes renováveis. No caso
entre outros biomas. Pense: a cada minuto que se pas- dos derivados de petróleo e do álcool de cana, essa distin-
sa, uma área correspondente a um campo do maracanã ção se caracteriza pela diferença nas escalas de tempo de
e meio é devastada pelos homens na floresta amazônica formação das fontes, período geológico no caso do petró-
brasileira. leo e anual no da cana.
Mas, afinal, qual é o problema ocasionado pelo agrava- Comparado ao combustível derivado de petróleo, o
mento do efeito estufa? A consequência inicial baseia-se biocombustível pode reduzir em 78% as emissões líquidas
no aumento da média da temperatura em todo o planeta de gás carbônico, considerando-se a sua reabsorção pelas
Terra, que ficou conhecido como aquecimento global. plantas. Além disso, reduz em 90% as emissões de fumaça
Embora as estimativas disponíveis apresentem graus e praticamente elimina as emissões de óxido de enxofre.
de incerteza consideráveis, elas apontam para aumentos
O biocombustível pode ser usado em qualquer carro
da temperatura média do planeta de cerca de 1 °C até
2025, ou cerca de 0,3 °C por década, na hipótese da conti- flex, com nenhuma adaptação e pode ser importante pro-
nuação do atual ritmo de emissões. duto para exportação e independência energética nacio-
nal, associada à geração de emprego e renda nas regiões
O aquecimento global, por sua vez, pode levar a diver-
mais carentes do Brasil. É importante ressaltar problemas
sas outras consequências. Entre elas, as principais são:
decorrentes do desmatamento para plantio de cana e
• a variabilidade e a imprevisibilidade dos padrões também da monocultura.

climáticos, refletindo-se em situações extremas,
tais como secas, ciclones e tempestades tropicais; Outras formas de “lutar” contra o agravamento do
• o aumento do nível do mar, em consequência da efeito estufa é explorar as chamadas energias limpas
(aquelas que não poluem o meio). São elas a energia so-

elevação da temperatura média, o que produz o
aumento do volume de massa líquida; lar (obtida pelos raios solares), a energia eólica (produzida
• o derretimento do gelo das calotas polares, provo- através de correntes de ventos), a hidrelétrica (fornecida
a partir da movimentação da água), apesar dos impactos

cando inundação de zonas costeiras e insulares.
de sua construção, cujo alagamento diminui a biodiversi-
Muitos se indagam quanto à veracidade das conse-
dade local e ainda leva a liberação de metano por meio de
quências do agravamento do efeito estufa. No entanto,
decomposição anaeróbia. Até a energia nuclear pode ser
alguns fatos já podem ser observados em todas as partes
do planeta. considerada energia limpa, apesar dos rejeitos perigosos.
Segundo especialistas, os rejeitos permanecem radioati-
No Ártico, por exemplo, houve uma diminuição da cobertu-
vos por séculos, mas o lixo atômico não emite poluentes
ra de gelo, o que aumenta a distância que os ursos polares pre-
na atmosfera, ou seja, se devidamente descartados, não
cisam nadar para encontrar alimentos. Apesar de exímios na-
dadores, eles acabam morrendo afogados devido ao cansaço. oferecem riscos ao meio ambiente.
Já na península antártica, nos últimos 50 anos, as tem-
peraturas subiram quase 6 °C. Ao contrário do esperado,
o aquecimento tem aumentado a precipitação de neve.

BIOATP - ECOLOGIA
Isso ocorre porque o gelo marinho, que forma um manto
impermeável sobre o oceano, está derretendo devido à
elevação de temperatura, o que permite que mais umi-
dade escape para a atmosfera. Essa umidade cai na forma
de neve. Logo depois de chegar a essa região, certas espé-
cies de pinguins precisam de solos nus para construir seus
ninhos de pedregulhos. Se a neve não derrete a tempo,
eles põem seus ovos sobre ela. Quando a neve finalmente
derrete, os ovos se encharcam de água e goram. Usina eólica.
Diante de tantos prejuízos, muitos deles catastróficos, Existe ainda outro agravante quanto à energia nuclear:
ainda nos resta esperança. Ainda estamos em tempo de a poluição térmica. A energia térmica liberada em proces-
tentar, ao menos, abrandar a intensificação do efeito es- sos de fissão nuclear pode ser utilizada na geração de va-
tufa, desde que países do mundo inteiro estejam dispos- por para produzir energia mecânica que, por sua vez, será
tos a assumir um Mecanismo de Desenvolvimento Limpo convertida em energia elétrica. Abaixo está representado
(MDL). Nesse contexto, o Brasil é hoje destaque mundial um esquema básico de uma usina de energia nuclear e
por ser o maior produtor de biocombustível. uma foto de uma usina brasileira.

[Link] | Produção: [Link] 347


Biologia

O protocolo determina a criação de um fundo anual,


financiado pelos países industrializados, e regras para a
compra e venda de créditos obtidos por cortes nas emis-
sões de dióxido de carbono.
Cidadãos, e não somente governantes, podem tam-
bém contribuir com a minimização de emissões de CO2 ao
optar por abastecer os automóveis com biocombustível,
optar pelos transportes públicos - o que amenizaria ainda
o problema de trânsito nas grandes cidades – além de pra-
ticar o plantio de árvores.

Destruição da Camada de Ozônio


A camada de ozônio é a camada da atmosfera terrestre
que contém ozônio (O3) numa faixa localizada entre 15 e
55 km ao redor da Terra. É chamada de camada protetora
porque absorve os raios ultravioletas emitidos pelo Sol.
Essa radiação tem efeito nocivo sobre os organismos vivos
e, no caso do homem, causa câncer de pele e danos à vi-
são e ao sistema imunológico.
Foi descoberto, há alguns anos, que substâncias que con-
têm cloro e/ou bromo e que sobem da superfície terrestre
para a estratosfera, provocam a destruição dessa camada.
No dia 16 de setembro é celebrado o “Dia Internacional
Com relação ao impacto ambiental causado pela po- de Proteção à Camada de Ozônio”. Esta data do ano de
luição térmica no processo de refrigeração da usina nu- 1987 foi criada a partir do “Protocolo de Montreal”, o mais
clear, observa-se o aumento da temperatura da água de bem-sucedido protocolo de proteção ambiental já criado.
um rio, reduzindo, assim, a quantidade de oxigênio nela Ele conseguiu reduzir bastante a emissão dos gases
dissolvido, que é essencial para a vida aquática e para a que destroem a Camada de Ozônio, os chamados CFCs
decomposição da matéria orgânica, além da modificação (clorofluorcarbonos). No Brasil, conforme estabelecido
do metabolismo da fauna aquática devido a essa elevação na Resolução CONAMA nº 13, de 13/12/1995, a partir de
da temperatura do meio. 01/01/2001 foi proibido o uso de CFCs.
No Brasil, há predominância da energia proveniente de
Os CFCs foram utilizados em larga escala em aparelhos
hidrelétricas, mas o país deixa a desejar na pouca utiliza-
ção de energias eólica e solar, sendo que o Brasil é riquís- de refrigeração como freezers, condicionadores de ar, etc.,
simo em vento e sol. além de preencherem o interior de latas de spray aeros-
sol. Atualmente, sua utilização é proibida, com exceção de
alguns poucos equipamentos hospitalares. O problema
é que, mesmo com sua proibição, os gases que já foram
liberados na atmosfera ainda demorarão cerca de 150
anos para se degradarem. E, enquanto isso, a Camada de
Ozônio continua sentindo seus efeitos.

O MDL inclui também, como medida de redução de gases


estufa, o sequestro de carbono por meio de reflorestamentos.
Com esse mesmo intuito - reduzir os índices de emissão
de gases de efeito estufa - foi criado o Protocolo de Kyoto,
instrumento com força legal, assinado pelos países signa-
tários da Convenção sobre Mudança do Clima. De acordo
com o Protocolo de Kyoto, os países industrializados devem
reduzir as emissões de gases estufa em, pelo menos, 5% até
o período de 2008 a 2012, tendo como base os níveis de
1990. Até 2005, os países deveriam apresentar um progres-
so comprovado para alcançar os compromissos assumidos. Buraco na camada de ozônio localizados sobre a Antártida.

348 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Atuação do CFC na destruição do ozônio.

Chuva Ácida
É a chuva com pH abaixo de 5,6 contaminada principalmente pelas emissões de óxidos de enxofre e nitrogênio na
atmosfera, resultantes de atividades naturais e antrópicas. Dentre as fontes naturais que conferem acidez à chuva,
destacam-se as erupções vulcânicas, as descargas elétricas atmosféricas, a decomposição aeróbica de compostos orgâ-
nicos e as névoas litorâneas salinas. Quanto às fontes antrópicas, destacam-se os motores de combustão (produtores
de óxidos de nitrogênio e enxofre), as refinarias de petróleo, as usinas termelétricas, as fundições e fábricas de ácido
sulfúrico, bem como os meios de transporte (responsáveis pelas emissões de óxidos de enxofre).
Formação de Ácido Nítrico
SO2 + OH HNO3 Formação de Ácido Sulfúrico
Óxidos de Azoto NO2 + 2OH H2SO4
Dióxidos de Enxofre
Precipitação
seca

A precipitação ácida
afeta a Biosfera,
edifícios e monumentos

Representação da formação da chuva ácida. BIOATP - ECOLOGIA


A chuva ácida é mais comum em regiões altamente industrializadas. Nessas regiões, as chaminés altas lançam ao
ar, entre outros materiais, o dióxido de enxofre (SO2) que pode ser transportado por muitos quilômetros em poucos
dias. Dessa forma, podem ocorrer precipitações ácidas em regiões distantes, causando vários danos ao meio am-
biente como a diminuição do pH da água de um lago, o que acarretaria a morte de algumas espécies, rompendo a
cadeia alimentar e acidificando o solo, o que prejudicaria o crescimento de certos vegetais e exigiria procedimentos
corretivos, como a calagem.
A chuva ácida é a causa principal da destruição de florestas em diversos países da Europa e da dissolução de metais,
como alumínio (Al), manganês (Mn), zinco (Zn), cádmio (Cd), chumbo (PB), cobre (Cu) e níquel (Ni), presentes em lagos
acidificados em países do Hemisfério Norte.

[Link] | Produção: [Link] 349


Biologia

chuva. É então represada, corre de alto a baixo e move


turbinas de uma usina, acionando geradores. A eletrici-
dade produzida é transmitida através de cabos e fios e é
utilizada em motores e outros aparelhos elétricos. Assim,
para que o ciclo seja aproveitado na geração de energia
elétrica, constrói-se uma barragem para represar a água.
A construção dessa represa ocasiona vários impactos am-
bientais entre os quais devem ser destacados os alaga-
mentos e o desequilíbrio da fauna e da flora.
É nesse contexto que se perpetua grande preocupação
com o controle do desperdício da água, e também sua po-
luição, tanto no meio rural quanto no meio urbano.
Diz-se controle de perdas de água no meio rural, prin-
Chuvas ácidas prejudicam o meio ambiente, mas também o patrimônio
cultural. A figura demonstra danos em monumentos causados pelas cipalmente por meio de técnicas de irrigação, que repre-
chuvas ácidas. sentam um dos principais usos da água das bacias hidro-
gráficas. Técnicas de irrigação como pivôs centrais têm um
Desperdício de Água consumo elevado de água em função de grandes perdas
por evaporação. Atualmente, a técnica que mais contribui
A água é um recurso natural renovável em termos pla- para a racionalização do uso da água é o gotejamento. Por
netários, considerando-se o ciclo hidrológico, como pode meio do gotejamento, há a reposição da água na raiz da
ser observado a seguir. No entanto, em termos da reali- planta na medida exata das perdas por evaporação e eva-
dade local do afluente de uma bacia hidrográfica, a água potranspiração.
não é um recurso natural renovável, porque não se renova
nem em qualidade, nem em quantidade.
A
Ciclo da água
Energia solar
Vapor de água leva- B
do pelo vento

Chuvas sobre
Evaporação da a terra
água do mar
Evapotranspiração
e respiração C
Chuvas sobre
o mar
Técnicas de irrigação:
a) Irrigação como pivôs.
Água do subsolo
b) Irrigação por gotejamento
em grande escala.
c) Irrigação por gotejamento
Biologia – César e Sezar. Ed. Saraiva.
de uso doméstico.
A falta de água doce no Planeta será, possivelmente,
um dos mais graves problemas deste século. Prevê-se O controle de perdas de água no meio urbano é vol-
que, nos próximos vinte anos, a quantidade de água doce tado, principalmente, para os sistemas de distribuição de
disponível para cada habitante será drasticamente reduzi- água tratada nesse meio. A perda de água é a diferença
da. Por meio de seus diferentes usos e consumos, as ati- entre a quantidade tratada nas Estações de Tratamento de
vidades humanas interferem no ciclo da água, alterando Água – ETAs – e a que efetivamente é utilizada pelo con-
a qualidade e sua quantidade disponível para o consumo sumidor nas residências, nos escritórios e nas atividades
das populações. urbanas. As estatísticas mostram perdas médias no Brasil
em torno de 35%, índice bastante alto e que precisa ser
Mesmo no Brasil, país provido de grande riqueza de re- diminuído por meio de um sistema eficiente de automa-
cursos hídricos, é possível a existência de uma grave crise ção e controle da distribuição da água. Com a implantação
de água, que provavelmente será motivada por degrada- da cobrança pelo uso da água (instrumento da Política
ção dos mananciais e desperdício no consumo. Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei Federal
É válido ressaltar que o uso da água para produção de nº 9433/97), haverá o pagamento pelas quantidades de
eletricidade, a água de lagos e oceanos, irradiada pelo Sol, água captadas e espera-se que haja uma maior racionali-
evapora-se dando origem a nuvens e se precipita como zação do seu uso.

350 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

Eutrofização
Eutrofização é o processo acelerado pelo homem e pelo qual um corpo d’água adquire uma alta concentração
de nutrientes – especialmente fosfatos e nitratos oriundos de efluentes industriais e sanitários e do escoamento
de áreas com fertilizantes agrícolas – induzindo ao desenvolvimento de superpopulação de microrganismos, espe-
cialmente algas.
Fósforo e nitrogênio são sais necessários aos seres vivos e, portanto, importantes para a manutenção da biodi-
versidade quando existentes em equilíbrio na natureza. Os ciclos biogeoquímicos do fósforo e nitrogênio podem ser
analisados a seguir:

Ciclo do Nitrogênio

Ciclo do Fósforo

Rochas ficam descobertas


Animais
Decomposição das
rochas e liberação
de fosfato
Plantas

Fosfato em
Fosfato solução
Precipitação
Sedimentação = formação
Decompositores de novas rochas

À medida que as algas e os outros microorganismos


morrem e se decompõem além dos altos níveis de matéria
orgânica ali presentes, há um esgotamento progressivo de
oxigênio dissolvido presente na água, provocando a morte
de outros organismos. O sistema entra em anaerobiose,
causando mau cheiro principalmente pela presença de

BIOATP - ECOLOGIA
sulfetos e gás sulfídrico.
A falta de tratamento de esgoto é um dos principais
Ave coberta de sujeira, após mergulhar na lagoa da Pampulha, em Belo
fatores que aceleram o processo de eutrofização, afinal,
Horizonte (MG); com a poluição, a água da lagoa está esverdeada pela
nessa situação o esgoto sem tratamento é despejado nos proliferação de algas e microrganismos
rios e lagos. Este esgoto é rico em carbono, oxigênio, enxo-
fre, potássio, cálcio, nitrogênio, fósforo e outros nutrien- A construção de ETEs – Estação de Tratamento de
tes que permitem o crescimento e a reprodução desenfre- Esgoto – é visto como a principal forma de prevenir a eu-
ada das algas e plantas. trofização no meio urbano. Trata-se de um sistema por
meio do qual os esgotos domésticos são tratados para não
A camada superior desses meios aquáticos passa a ser
prejudicarem a saúde pública e a qualidade da água dos
a zona produtora de oxigênio, pela presença dos vegetais
corpos receptores. Os sistemas de tratamento mais utiliza-
aquáticos, e a camada inferior passa a ser a zona consumi-
dos são os biológicos, e o efluente da ETE deve atender aos
dora de oxigênio, pela presença dos decompositores (fun-
padrões de emissão previstos pela Resolução CONAMA
gos e bactérias). A lagoa da Pampulha é, para os mineiros,
nº 357, de 17/03/2005 e Deliberação Normativa COPAM
um vergonhoso exemplo de eutrofização. nº 010, de 16/12/1986.

[Link] | Produção: [Link] 351


Biologia

e zinco. A resolução CONAMA nº401 de 04/11/2008 de-


fine os teores máximos desses metais que pilhas e bate-
rias poderão conter. Já em relação ao mercúrio em cursos
d’água, a legislação brasileira define que o limite máximo
permitido para as concentrações de mercúrio total é de
500 nanogramas por grama de peso úmido.
Outra atividade antrópica relevante nesse contexto
refere-se à produção industrial de celulose e de papel. É
nos estágios de branqueamento do papel que se encontra
um dos principais problemas ambientais causados pelas
indústrias de celulose. Reagentes como cloro e hipoclori-
to de sódio reagem com a lignina residual, levando à for-
mação de compostos organoclorados. Esses compostos,
presentes na água industrial, despejada em grande quan-
tidade nos rios pelas indústrias de papel, não são biode-
gradáveis e acumulam-se nos tecidos vegetais e animais,
podendo levar a alterações genéticas. Para se diminuírem
os problemas ambientais decorrentes da fabricação do pa-
pel, é recomendável o tratamento da água industrial, an-
tes de retorná-la aos cursos d’água, com o objetivo de pro-
mover a degradação dos compostos orgânicos solúveis.

Principais Consequências à
metais pesados saúde humana
Causa problemas nos sistemas respirató-
Arsênio
Esquema de Consequências da eutrofização rio, cardiovascular e nervoso.
Atinge o sistema nervoso, a medula ós-
Chumbo
sea e os rins.
Magnificação Trófica ou Bioacumulação
Causa problemas gastrointestinais e res-
Processo de concentração crescente de produtos tóxi- Cádmio
piratórios.
cos por ingestão e acúmulo nos integrantes dos diversos
Provoca irritação na pele e, em doses
níveis das cadeias alimentares, ocasionando níveis preju- Cromo
elevadas, câncer.
diciais aos predadores do ápice da cadeia alimentar, quan-
Causa problemas respiratórios e efeitos
do podem estar até duas mil vezes mais concentrados. Manganês
neurotóxicos.
Bioacumulação de poluentes recebeu atenção públi-
Concentra-se em diversas partes do cor-
ca pela primeira vez nos anos 1960, com a descoberta de po como pele, cabelo, glândulas como
resíduos de DDT (diclorodifeniltricloroetano), DDD (diclo- a tireoide, sistema digestivo, pulmões,
Mercúcio
rodifenildicloroetano) e de metil-mercúrio em peixes e pâncreas, fígado, rins, aparelho repro-
animais silvestres. Problemas de mortalidade e de repro- dutivo e cérebro, provocando inúmeros
problemas de saúde.
dução em peixes e pássaros que se alimentam de peixes
foram relacionados às altas concentrações de DDT ou seus
metabólitos encontrados no tecido adiposo destes animais. Introdução de Espécie Exótica
Como especialmente os pássaros que eram carnívoros es- As espécies invasoras ou exóticas são seres vivos de
tavam com as concentrações mais elevadas de resíduos do outras regiões que chegaram acidentalmente ou foram
que o alimento (peixes) que ingeriram, assim, era lógico introduzidos deliberadamente pelo homem para cultivos,
postular que a acumulação havia ocorrido primariamente ornamentação, caça ou agentes de controle biológico.
pela transferência por meio da cadeia trófica. Esta ideia Essas espécies exóticas competem, parasitam ou
apoiou-se na observação dos resíduos de DDT que aumen- promovem a predação das espécies nativas, causando
tavam passo a passo de um nível trófico para o próximo. mudanças drásticas na composição vegetal e animal dos
Duas atividades humanas, além do uso de inseticidas ecossistemas. A introdução de espécies exóticas é consi-
em agriculturas, se destacam como causas do processo derada a segunda maior causa de perda de biodiversida-
de bioacumulação: o garimpo – que leva à contaminação de; só não é pior que o desmatamento.
de cursos d’água com mercúrio – e descarte incorreto de A água de lastro, usada para dar estabilidade aos na-
pilhas e baterias. Esta última é de extremo perigo devi- vios, acarretou esse grave problema ambiental: ela intro-
do aos metais pesados existentes no interior desses ma- duziu, indevidamente, no Brasil, espécies indesejáveis do
teriais, os quais não se degradam e são extremamente ponto de vista ecológico e sanitário, a exemplo do mexi-
nocivos à saúde e ao meio ambiente. Uma pilha comum lhão dourado, molusco originário da China.
contém, geralmente, três metais pesados: chumbo, cád- Trazido para o Brasil pelos navios mercantes, o mexi-
mio e mercúrio, além de manganês, cobre, níquel, cromo lhão dourado foi encontrado na bacia Paraná-Paraguai em

352 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

1991. A disseminação desse molusco e a ausência de pre- Aspectos Biológicos da Pobreza e do


dadores para conter o crescimento da população de mo-
luscos causaram vários problemas, como o que ocorreu na Desenvolvimento Humano
hidrelétrica de Itaipu, onde o mexilhão alterou a rotina de
manutenção das turbinas, acarretando prejuízo de US$ 1 O conceito de Desenvolvimento Humano é a base do
milhão por dia, devido à paralisação do sistema. Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), publicado
Uma das estratégias utilizadas para diminuir o problema anualmente, e também do Índice de Desenvolvimento
foi acrescentar um agente químico – o gás cloro – à água, o Humano (IDH). Ele parte do pressuposto de que, para afe-
que reduz em cerca de 50% a taxa de reprodução da espécie. rir o avanço de uma população, não se deve considerar
apenas a dimensão econômica, mas também outras ca-
racterísticas sociais, culturais e políticas que influenciam a
qualidade da vida humana.
Esse enfoque é apresentado desde 1990 nos RDHs,
que propõem uma agenda sobre temas relevantes liga-
dos ao desenvolvimento humano e reúnem tabelas esta-
tísticas e informações sobre o assunto. A cargo do PNUD,
o relatório foi idealizado pelo economista paquistanês
Mahbub ul Haq (1934-1998). Atualmente, é publicado em
dezenas de idiomas e em mais de cem países.
O objetivo da elaboração do Índice de Desenvolvimento
Outro fato que exemplifica esse impacto ambiental
ocorreu há quatro séculos, quando alguns animais domés- Humano é oferecer um contraponto a outro indicador
ticos foram introduzidos na Ilha da Trindade como “reser- muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita,
va de alimento”. Porcos e cabras soltos davam boa carne que considera apenas a dimensão econômica do desen-
aos navegantes de passagem, cansados de tanto peixe no volvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a colaboração
cardápio. Entretanto, as cabras consumiram toda a ve- do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio
getação rasteira e ainda comeram a casca dos arbustos Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma me-
sobreviventes. Os porcos revolveram raízes e a terra na dida geral, sintética, do desenvolvimento humano. Não
busca de semente. Depois de consumir todo o verde, de
volta ao estado selvagem, os porcos passaram a devorar abrange todos os aspectos de desenvolvimento e não é
qualquer coisa: ovos de tartarugas, de aves marinhas, ca- uma representação da “felicidade” das pessoas, nem indi-
ranguejos e até cabritos pequenos. ca “o melhor lugar no mundo para se viver”.
Com a introdução de uma espécie exótica, o ecossiste- Além de computar o PIB per capita, depois de corrigi-
ma, como o que ocorreu na Ilha da Trindade, é alterado, -lo pelo poder de compra da moeda de cada país, o IDH
pois não há uma interação equilibrada entre os seres vivos também leva em conta dois outros componentes: a longe-
daquele local.
vidade e a educação. Para aferir a longevidade, o indicador
Desenvolvimento Sustentável utiliza números de expectativa de vida ao nascer. O item
É diante de tantos impactos ambientais e necessidade educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela
crescente pelo crescimento econômico que nasce a tenta- taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. A renda é
tiva de Desenvolvimento Sustentável. mensurada pelo PIB per capita, em dólar PPC (paridade do
Desenvolvimento Sustentável é o processo dinâmico poder de compra, que elimina as diferenças de custo de
destinado a satisfazer as necessidades atuais sem compro- vida entre os países). Essas três dimensões têm a mesma
meter a capacidade de gerações futuras de satisfazer suas importância no índice, que varia de zero a um.

BIOATP - ECOLOGIA
próprias necessidades. No Desenvolvimento Sustentável,
busca-se compatibilizar o crescimento econômico com a
proteção ambiental, minimizando-se os impactos sobre a
qualidade do ar, da água e do solo.
Os princípios que regem as políticas de Desenvolvimento
Sustentável são:
• atendimento das necessidades de emprego, ali-

mentação, educação, moradia, saneamento e
energia;
• restabelecimento do ritmo de desenvolvimento

econômico;
• preservação da saúde e da qualidade de vida;

• aplicação da tecnologia, visando à preservação e

ao controle ambiental;
• compatibilização dos critérios de desenvolvimento

e proteção ambiental na tomada de decisões.

[Link] | Produção: [Link] 353


Biologia

Aos poucos, o IDH tornou-se referência mundial.


É um índice-chave dos Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio das Nações Unidas e, no Brasil, tem sido utilizado
pelo governo federal e por administrações do Índice de
Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), que pode
ser consultado no Atlas do Desenvolvimento Humano no
Brasil, um banco de dados eletrônico com informações so-
cioeconômicas sobre os 5.507 municípios do país, os 26 Texto para as próximas duas questões.
Estados e o Distrito Federal.
Do ponto de vista biológico, a pobreza afeta negativa- A corvina é um peixe carnívoro que se alimenta de


mente o IDH de duas maneiras principais: promovendo a crustáceos, moluscos e pequenos peixes que vivem
poluição da água e a desnutrição. Ambas as maneiras in- no fundo do mar. É bastante utilizada na alimentação
terferem na longevidade, um dos três itens considerados humana, sendo encontrada em toda a costa brasileira,
no cálculo do IDH. embora seja mais abundante no sul do País. A concen-
A pobreza e a poluição da água se relacionam princi- tração média anual de mercúrio no tecido muscular
palmente pelo fator saneamento básico, mas também por de corvinas capturadas em quatro áreas, bem como
uma menor educação ambiental. as características destas áreas estão descritas adiante:
Saneamento básico, de acordo com a Lei nº 11719, Baía de Guanabara (RJ) - 193,6


de 28/12/1994, do estado de Minas Gerais, refere-se ao Área de intensa atividade portuária, que recebe esgo-


conjunto de ações, obras e serviços prioritários em pro- tos domésticos não tratados e rejeitos industriais de
gramas de saúde pública e inclui abastecimento de água, cerca de 6.000 fontes.
destinação adequada de resíduos, drenagem urbana e
Baía de Ilha Grande (RJ) - 153,8
controle de vetores e roedores. Consideram-se ações de Recebe rejeitos de parque industrial ainda em fase de

saneamento básico: crescimento e é uma das principais fontes de pescado
I. captação, tratamento e distribuição de água; do estado.
Baía de Sepetiba (RJ) - 124,0

II. coleta e tratamento de esgotos sanitários;

Área sujeita a eficientes efeitos de maré e com baixa

III. coleta e disposição adequada dos resíduos sólidos;

atividade pesqueira, sem fontes industriais de conta-

IV. drenagem de águas pluviais;
minação por mercúrio.

V. controle de vetores e de reservatórios de doenças

transmissíveis. Lagoa da Conceição (SC) - 90,6*

Importante fonte de pescado no litoral catarinense,

na qual praticamente inexiste contaminação indus-
trial por mercúrio.
* Concentração natural de mercúrio, característica de local

não contaminado.
(KEHRIG. H. A. & MALM, O. Mercúrio: uma avaliação na costa brasileira.
Ciência Hoje, outubro, 1997.)

1. Comparando as características das quatro áreas de



coleta às respectivas concentrações médias anuais de
Rua sem rede de esgoto. mercúrio nas corvinas capturadas, pode-se considerar
O saneamento básico evita a contaminação da água que, à primeira vista, os resultados
por esgotos e/ou lixo. A água de um rio é considerada de
boa qualidade quando apresenta menos de mil coliformes (A) correspondem ao esperado, uma vez que o nível de

fecais e menos de dez tipos de microrganismos patogê- contaminação é proporcional ao aumento da ativi-
nicos por litro (como aqueles causadores de verminoses, dade industrial e do volume de esgotos domésticos.
cólera, esquistossomose, febre tifoide, hepatite, leptospi- (B) não correspondem ao esperado, especialmente
rose, poliomielite, etc.).

no caso da Lagoa da Conceição, que não apresen-
Assim, pode-se relacionar a pobreza com a frequência de ta contaminação industrial por mercúrio.
doenças de transmissão oral-fecal, mesmo que esta relação
não seja de forma diretamente proporcional: quanto maior a (C) não correspondem ao esperado no caso da Baía

pobreza, maior a frequência dessas doenças, consequente- da Ilha Grande e da Lagoa da Conceição, áreas nas
mente menor a longevidade e, portanto, menor o IDH. quais não há fontes industriais de contaminação
Já a relação da pobreza com a desnutrição é mais facilmen- por mercúrio.
te compreendida. Quanto maior a pobreza, menor a disponi- (D) correspondem ao esperado, ou seja, corvinas de
bilidade de alimentos com alto teor nutricional. A desnutrição,

regiões menos poluídas apresentam as maiores
por sua vez, ocasiona danos à saúde de inúmeras naturezas concentrações de mercúrio.
como anemia, déficit mental, prejuízo no crescimento, além
de uma imunodeficiência. Essa última torna o indivíduo mais (E) correspondem ao esperado, exceção aos resultados

susceptível às doenças. Prejuízos à saúde humana diminuem a da Baía de Sepetiba, o que exige novas investigações
longevidade dessas pessoas e também o IDH da região. sobre o papel das marés no transporte de mercúrio.

354 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

2. Segundo a legislação brasileira, o limite máximo per- Jurubatiba será o primeiro parque nacional em área


mitido para as concentrações de mercúrio total é de de restinga, num braço de areia com 31 quilômetros
500 nanogramas por grama de peso úmido. Ainda de extensão, formado entre o mar e dezoito lagoas.
levando em conta os dados fornecidos e o tipo de Numa área de 14.000 hectares, ali vivem jacarés, ca-
circulação do mercúrio ao longo da cadeia alimentar, pivaras, lontras, tamanduás-mirins, além de milhares
de aves e de peixes de água doce e salgada. Os peixes
pode-se considerar que a ingestão, pelo ser humano,
de água salgada, na época das cheias, passam para
de corvinas capturadas nessas regiões, as lagoas, onde encontram abrigo, voltando ao mar
(A) não compromete a sua saúde, uma vez que a con- na cheia seguinte. Nos terrenos mais baixos, próximos

centração de mercúrio é sempre menor que o li- aos lençóis freáticos, as plantas têm água suficiente
mite máximo permitido pela legislação brasileira. para aguentar longas secas. Já nas áreas planas, os
(B) não compromete a sua saúde, uma vez que a con- cactos são um dos poucos vegetais que proliferam,
pintando o areal com um verde pálido.

centração de poluentes diminui a cada novo con-
sumidor que se acrescenta à cadeia alimentar. 4. Depois de ler o texto, os alunos podem supor que, em


Jurubatiba, os vegetais que sobrevivem nas áreas pla-
(C) não compromete a sua saúde, pois a concentra- nas têm características tais como

ção de poluentes aumenta a cada novo consumi-
(A) quantidade considerável de folhas, para aumen-
dor que se acrescentar à cadeia alimentar.


tar a área de contato com a umidade do ar nos
(D) deve ser evitada, apenas quando entre as corvi- dias chuvosos.

nas e eles se interponham outros consumidores, (B) redução na velocidade da fotossíntese e realização


como, por exemplo, peixes de maior porte. ininterrupta desse processo, durante as 24 horas.
(E) deve ser evitada sempre, pois a concentração de (C) caules e folhas cobertos por espessas cutículas


mercúrio das corvinas ingeridas se soma à já ar- que impedem o ressecamento e a consequente
mazenada no organismo humano. perda de água.
(D) redução do calibre dos vasos que conduzem a

Texto para a próxima questão. água e os sais minerais da raiz aos centros produ-
Um dos problemas ambientais decorrentes da indus- tores do vegetal, para evitar perdas.

trialização é a poluição atmosférica. (E) crescimento sob a copa de árvores frondosas, que im-

Chaminés altas lançam ao ar, entre outros materiais, pede o ressecamento e consequente perda de água.
5. O sol participa do ciclo da água, pois, além de aquecer

o dióxido de enxofre (SO2), que pode ser transportado

por muitos quilômetros em poucos dias. Dessa for- a superfície da Terra, dando origem aos ventos, pro-
ma, podem ocorrer precipitações ácidas em regiões voca a evaporação da água dos rios, lagos e mares. O
vapor da água, ao se resfriar, condensa em minúsculas
distantes, causando vários danos ao meio ambiente
gotinhas, que se agrupam formando as nuvens, nebli-
(chuva ácida). nas ou névoas úmidas. As nuvens podem ser levadas
3. Com relação aos efeitos sobre o ecossistema, pode-se pelos ventos de uma região para outra. Com a con-

afirmar que: densação e, em seguida, a chuva, a água volta à super-
I. As chuvas ácidas poderiam causar a diminuição fície da Terra, caindo sobre o solo, rios, lagos e mares.
Parte dessa água evapora, retornando à atmosfera;

do pH da água de um lago, o que acarretaria a
outra parte escoa superficialmente ou infiltra-se no
morte de algumas espécies, rompendo a cadeia solo, indo alimentar rios e lagos. Esse processo é cha-
alimentar. mado de ciclo da água.
II. As chuvas ácidas poderiam provocar acidificação Considere, então, as seguintes afirmativas:

do solo, o que prejudicaria o crescimento de cer- I. A evaporação é maior nos continentes, uma vez que
tos vegetais.

o aquecimento ali é maior do que nos oceanos.
III. As chuvas ácidas causam danos se apresentarem II. A vegetação participa do ciclo hidrológico por


valor de pH maior que o da água destilada. meio da transpiração.
III. O ciclo hidrológico condiciona processos que
Dessas afirmativas, está(ão) correta(s)

ocorrem na litosfera, na atmosfera e na biosfera.
(A) I, apenas. (D) II e III, apenas. IV. A energia gravitacional movimenta a água dentro

do seu ciclo.


(B) III, apenas. (E) I e III, apenas. V. O ciclo hidrológico é passível de sofrer interferên-



(C) I e II, apenas. cia humana, podendo apresentar desequilíbrios.

Texto para a próxima questão. (A) Somente a afirmativa III está correta.

Alunos de uma escola no Rio de Janeiro são convida- (B) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.


dos a participar de uma excursão ao Parque Nacional (C) Somente as afirmativas I, II e V estão corretas.

de Jurubatiba. Antes do passeio, eles leem o trecho de (D) Somente as afirmativas II, III, IV e V estão corretas.

uma reportagem publicada em uma revista: (E) Todas as afirmativas estão corretas.

[Link] | Produção: [Link] 355
Biologia

6. A falta de água doce no Planeta será, possivelmente, Na floresta Amazônica, a principal fonte natural de


um dos mais graves problemas deste século. Prevê-se NCN é a própria vegetação. As chuvas de nuvens bai-
que, nos próximos vinte anos, a quantidade de água xas, na estação chuvosa, devolvem os NCNs, aeros-
doce disponível para cada habitante será drastica- sóis, à superfície, praticamente no mesmo lugar em
mente reduzida. que foram gerados pela floresta. As nuvens altas são
carregadas por ventos mais intensos, de altitude, e
Por meio de seus diferentes usos e consumos, as ativi- viajam centenas de quilômetros de seu local de ori-

dades humanas interferem no ciclo da água, alterando gem, exportando as partículas contidas no interior das
(A) a quantidade total, mas não a qualidade da água gotas de chuva. Na Amazônia, cuja taxa de precipita-
ção é uma das mais altas do mundo, o ciclo de evapo-

disponível no Planeta.
ração e precipitação natural é altamente eficiente.
(B) a qualidade da água e sua quantidade disponível

para o consumo das populações. Com a chegada, em larga escala, dos seres humanos à


(C) a qualidade da água disponível, apenas no sub- Amazônia, ao longo dos últimos 30 anos, parte dos ciclos
naturais está sendo alterada. As emissões de poluentes

-solo terrestre.
atmosféricos pelas queimadas, na época da seca, modi-
(D) apenas a disponibilidade de água superficial exis- ficam as características físicas e químicas da atmosfera

tente nos rios e lagos. amazônica, provocando o seu aquecimento, com modifi-
(E) o regime de chuvas, mas não a quantidade de cação do perfil natural da variação da temperatura com

água disponível no Planeta. a altura, o que torna mais difícil a formação de nuvens.
Paulo Artaxo et al. O mecanismo da floresta para fazer chover. In: Scientific
7. Um jornal de circulação nacional publicou a seguinte American Brasil, ano 1, nº 11, abr./2003, p. 38-45 (com adaptações).

notícia:
Na Amazônia, o ciclo hidrológico depende fundamen-
Choveu torrencialmente na madrugada de ontem em

talmente

Roraima, horas depois de os pajés caiapós Mantii e
Kucrit, levados de Mato Grosso pela Funai, terem par- (A) da produção de CO‚ oriundo da respiração das ár-

vores.
ticipado do ritual da dança da chuva, em Boa Vista. A
(B) da evaporação, da transpiração e da liberação de
chuva durou três horas em todo o estado e as previ-

aerossóis que atuam como NCNs.
sões indicam que continuará pelo menos até amanhã.
(C) das queimadas, que produzem gotículas micros-
Com isso, será possível acabar de vez com o incêndio

cópicas de água, as quais crescem até se precipi-
que ontem completou 63 dias e devastou parte das tarem como chuva.
florestas do estado. (D) das nuvens de maior altitude, que trazem para a
Jornal do Brasil, abril/1998 (com adaptações).

floresta NCNs produzidos a centenas de quilôme-
Considerando a situação descrita, avalie as afirmati- tros de seu local de origem.

vas seguintes. (E) da intervenção humana, mediante ações que mo-

I. No ritual indígena, a dança da chuva, mais que dificam as características físicas e químicas da at-

constituir uma manifestação artística, tem a fun- mosfera da região.
ção de intervir no ciclo da água. 9. Do ponto de vista ambiental, uma distinção importan-

II. A existência da dança da chuva em algumas cul- te que se faz entre os combustíveis é serem prove-
nientes ou não de fontes renováveis. No caso dos de-

turas está relacionada à importância do ciclo da
água para a vida. rivados de petróleo e do álcool de cana, essa distinção
se caracteriza
III. Uma das informações do texto pode ser expressa
(A) pela diferença nas escalas de tempo de formação

em linguagem científica da seguinte forma: a dan-

ça da chuva seria efetiva se provocasse a precipi- das fontes, período geológico no caso do petróleo
tação das gotículas de água das nuvens. e anual no da cana.
(B) pelo maior ou menor tempo para se reciclar o
É correto o que se afirma em

combustível utilizado, tempo muito maior no
(A) I, apenas. (D) II e III, apenas. caso do álcool.


(B) III, apenas. (E) I, II e III. (C) pelo maior ou menor tempo para se reciclar o



(C) I e II, apenas. combustível utilizado, tempo muito maior no

8. Os ingredientes que compõem uma gotícula de nuvem caso dos derivados do petróleo.
(D) pelo tempo de combustão de uma mesma quanti-

são o vapor de água e um núcleo de condensação de

nuvens (NCN). Em torno desse núcleo, que consiste em dade de combustível, tempo muito maior para os
uma minúscula partícula em suspensão no ar, o vapor derivados do petróleo do que do álcool.
de água se condensa, formando uma gotícula micros- (E) pelo tempo de produção de combustível, pois o

cópica, que, devido a uma série de processos físicos, refino do petróleo leva dez vezes mais tempo do
cresce até precipitar-se como chuva. que a destilação do fermento de cana.

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Biologia

10. Um estudo caracterizou cinco ambientes aquáticos, (C) não se justifica, porque ambos são consumidores


nomeados de A a E, em uma região, medindo parâ- primários em uma teia alimentar.
metros físico-químicos de cada um deles, incluindo o (D) é justificável, porque as minhocas, por se alimen-


pH nos ambientes. O gráfico I representa os valores tarem de detritos, não participam das cadeias ali-
de pH dos cinco ambientes. Utilizando o gráfico II, mentares.
que representa a distribuição estatística de espécies (E) é justificável, porque os vertebrados ocupam o


em diferentes faixas de pH, pode-se esperar um maior topo das teias alimentares.
número de espécies no ambiente:
12. Há quatro séculos alguns animais domésticos foram


introduzidos na Ilha da Trindade como “reserva de ali-
mento”. Porcos e cabras soltos davam boa carne aos
navegantes de passagem, cansados de tanto peixe no
cardápio. Entretanto, as cabras consumiram toda a ve-
getação rasteira e ainda comeram a casca dos arbustos
sobreviventes. Os porcos revolveram raízes e a terra
na busca de sementes. Depois de consumir todo o ver-
de, de volta ao estado selvagem, os porcos passaram
a devorar qualquer coisa: ovos de tartarugas, de aves
marinhas, caranguejos e até cabritos pequenos.
Com base nos fatos acima, pode-se afirmar que
(A) a introdução desses animais domésticos trouxe,

com o passar dos anos, o equilíbrio ecológico.
(B) o ecossistema da Ilha da Trindade foi alterado,

pois não houve uma interação equilibrada entre
os seres vivos.
(C) a principal alteração do ecossistema foi a presen-

ça dos homens, pois animais nunca geram dese-
(A) A. (D) D. quilíbrios no ecossistema.


(B) B. (E) E. (D) o desequilíbrio só apareceu quando os porcos co-



(C) C. meçaram a comer os cabritos pequenos.

(E) o aumento da biodiversidade, a longo prazo, foi
11. GARFIELD

favorecido pela introdução de mais dois tipos de

Você vive debaixo da terra E que faz pra conse- animais na ilha.
e come porcarias? guir comida?
13. No ciclo da água, usado para produzir eletricidade, a
Cavo.

É isso aí.
água de lagos e oceanos, irradiada pelo Sol, evapora-
-se dando origem a nuvens e se precipita como chuva.
É então represada, corre de alto a baixo e move tur-
binas de uma usina, acionando geradores. A eletrici-
Isso não é muito dade produzida é transmitida através de cabos e fios
glamuroso. Mas é assim que e é utilizada em motores e outros aparelhos elétricos.
ganho a sujeira
de cada dia... Assim, para que o ciclo seja aproveitado na geração
de energia elétrica, constrói-se uma barragem para
represar a água.
Entre os possíveis impactos ambientais causados por

“O Globo”, 01/09/2001. essa construção, devem ser destacados

Na charge, a arrogância do gato com relação ao com- (A) aumento do nível dos oceanos e chuva ácida.


portamento alimentar da minhoca, do ponto de vista
(B) chuva ácida e efeito estufa.
biológico,

(A) não se justifica, porque ambos, como consumidores, (C) alagamentos e intensificação do efeito estufa.


devem “cavar” diariamente o seu próprio alimento. (D) alagamentos e desequilíbrio da fauna e da flora.

(B) é justificável, visto que o felino possui função su-
(E) alteração do curso natural dos rios e poluição at-

perior à da minhoca numa teia alimentar.

mosférica.

[Link] | Produção: [Link] 357


Biologia

14. Uma região industrial lança ao ar gases como o dióxi- É correto o que se afirma

do de enxofre e óxidos de nitrogênio, causadores da (A) apenas em I. (D) apenas em II e III.



chuva ácida. A figura mostra a dispersão desses gases (B) apenas em II. (E) em I, II e III.
poluentes.



(C) apenas em I e II.


16. Devido ao aquecimento global e à consequente di-


minuição da cobertura de gelo no Ártico, aumenta a
distância que os ursos polares precisam nadar para
encontrar alimentos. Apesar de exímios nadadores,
eles acabam morrendo afogados devido ao cansaço.
A situação descrita acima
(A) enfoca o problema da interrupção da cadeia ali-
Considerando o ciclo da água e a dispersão dos gases,


mentar, o qual decorre das variações climáticas.

analise as seguintes possibilidades:
(B) alerta para prejuízos que o aquecimento global
I. As águas de escoamento superficial e de precipi-


pode acarretar à biodiversidade no Ártico.

tação que atingem o manancial poderiam causar (C) ressalta que o aumento da temperatura decor-
aumento de acidez da água do manancial e pro-


rente de mudanças climáticas permite o surgi-
vocar a morte de peixes. mento de novas espécies.
II. A precipitação na região rural poderia causar au- (D) mostra a importância das características das zonas


frias para a manutenção de outros biomas na Terra.

mento de acidez do solo e exigir procedimentos
corretivos, como a calagem. (E) evidencia a autonomia dos seres vivos em relação


ao habitat, visto que eles se adaptam rapidamen-
III. A precipitação na região rural, embora ácida, não
te às mudanças nas condições climáticas.

afetaria o ecossistema, pois a transpiração dos ve-
getais neutralizaria o excesso de ácido. 17. A energia térmica liberada em processos de fissão

nuclear pode ser utilizada na geração de vapor para
Dessas possibilidades,
produzir energia mecânica que, por sua vez, será con-
(A) pode ocorrer apenas a I. vertida em energia elétrica. Abaixo está representado

(B) pode ocorrer apenas a II. um esquema básico de uma usina de energia nuclear.

(C) podem ocorrer tanto a I quanto a II.

(D) podem ocorrer tanto a I quanto a III.

(E) podem ocorrer tanto a II quanto a III.

15. Nos últimos 50 anos, as temperaturas de inverno na

península antártica subiram quase 6 °C. Ao contrário
do esperado, o aquecimento tem aumentado a preci-
pitação de neve. Isso ocorre porque o gelo marinho,
que forma um manto impermeável sobre o oceano,
está derretendo devido à elevação de temperatura, o
que permite que mais umidade escape para a atmos-
Com relação ao impacto ambiental causado pela po-
fera. Essa umidade cai na forma de neve.

luição térmica no processo de refrigeração da usina
Logo depois de chegar a essa região, certa espécie de nuclear, são feitas as seguintes afirmações:

pinguim precisa de solos nus para construir seus ninhos I. O aumento na temperatura reduz, na água do rio,
de pedregulhos. Se a neve não derrete a tempo, eles

a quantidade de oxigênio nela dissolvido, que é
põem seus ovos sobre ela. Quando a neve finalmente essencial para a vida aquática e para a decompo-
derrete, os ovos se encharcam de água e goram. sição da matéria orgânica.
Scientific American Brasil, ano 2, n¡. 21, 2004, p.80 (com adaptações). II. O aumento da temperatura da água modifica o


A partir do texto, analise as seguintes afirmativas: metabolismo dos peixes.
III. O aumento na temperatura da água diminui o
I. O aumento da temperatura global interfere no ci-

crescimento de bactérias e de algas, favorecendo

clo da água na península antártica.
o desenvolvimento da vegetação.
II. O aquecimento global pode interferir no ciclo de
Das afirmativas acima, somente está(ão) correta(s):

vida de espécies típicas de região de clima polar.

(A) I. (D) I e II.
III. A existência de água em estado sólido constitui



fator crucial para a manutenção da vida em al- (B) II. (E) II e III.


guns biomas. (C) III.

358 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

18. Encontram-se descritas a seguir algumas das caracte- Em um estudo foram consideradas as seguintes possi-


rísticas das águas que servem três diferentes regiões. bilidades:
I. A variação da população de artemia pode ser usa-
Região I - Qualidade da água pouco comprometida


da como um indicador de poluição aquática.

por cargas poluidoras; casos isolados de mananciais
comprometidos por lançamento de esgotos; assorea- II. A artemia pode ser utilizada como um agente de


mento de alguns mananciais. descontaminação ambiental, particularmente em
ambientes aquáticos.
Região II - Qualidade comprometida por cargas polui- III. A eclosão dos ovos é um indicador de poluição


doras urbanas e industriais; área sujeita a inundações; química.
exportação de carga poluidora para outras unidades IV. Os camarões podem ser utilizados como fonte al-


hidrográficas. ternativa de alimentos de alto teor nutritivo.
Região III - Qualidade comprometida por cargas po- É correto apenas o que se afirma em

luidoras domésticas e industriais e por lançamento
(A) I e II. (D) II, III e IV.
de esgotos; problemas isolados de inundação; uso da



água para irrigação. (B) II e III. (E) I, II, III e IV.



(C) I, II e IV.


De acordo com essas características, pode-se concluir 20. Um rio que é localmente degradado por dejetos orgâ-

que


nicos nele lançados pode passar por um processo de
autodepuração. No entanto, a recuperação depende,
(A) a região I é de alta densidade populacional, com
entre outros fatores, da carga de dejetos recebida, da

pouca ou nenhuma estação de tratamento de es-
extensão e do volume do rio. Nesse processo, a distri-
goto.
buição das populações de organismos consumidores
(B) na região I ocorrem tanto atividades agrícolas e decompositores varia, conforme mostra o esquema:

como industriais, com práticas agrícolas que es-
tão evitando a erosão do solo.
(C) a região II tem predominância de atividade agrí-

cola, muitas pastagens e parque industrial inex-
pressivo.
(D) na região III ocorrem tanto atividades agrícolas

como industriais, com pouca ou nenhuma esta-
ção de tratamento de esgotos.
(E) a região III é de intensa concentração industrial e

urbana, com solo impermeabilizado e com amplo
tratamento de esgotos.

19. Artemia é um camarão primitivo que vive em Com base nas informações fornecidas pelo esquema,

são feitas as seguintes considerações sobre o proces-

águas salgadas, sendo considerado um fóssil vivo.
Surpreendentemente, possui uma propriedade se- so de depuração do rio:
melhante à dos vegetais, que é a diapausa, isto é, a I. a vida aquática superior pode voltar a existir a

capacidade de manter ovos dormentes (embriões la- partir de uma certa distância do ponto de lança-
tentes) por muito tempo. Fatores climáticos ou altera- mento dos dejetos;
ções ambientais podem subitamente ativar a eclosão II. os organismos decompositores são os que sobre-
dos ovos, assim como, nos vegetais, tais alterações

vivem onde a oferta de oxigênio é baixa ou inexis-
induzem a germinação de sementes. tente e a matéria orgânica é abundante;
III. as comunidades biológicas, apesar da poluição,
Vários estudos têm sido realizados com artemias, pois

não se alteram ao longo do processo de recupe-

estes animais apresentam características que suge-
ração.
rem um potencial biológico: possuem alto teor de
proteína e são capazes de se alimentar de partículas Está correto o que se afirma em

orgânicas e inorgânicas em suspensão. Tais caracterís- (A) I, apenas. (D) I e II, apenas.


ticas podem servir de parâmetro para uma avaliação (B) II, apenas. (E) I, II e III.
do potencial econômico e ecológico da artemia.


(C) III, apenas.

[Link] | Produção: [Link] 359
Biologia

21. Quando um reservatório de água é agredido ambiental- que se encontra um dos principais problemas ambien-

mente por poluição de origem doméstica ou industrial, tais causados pelas indústrias de celulose. Reagentes
uma rápida providência é fundamental para diminuir como cloro e hipoclorito de sódio reagem com a lig-
os danos ecológicos. Como o monitoramento constan- nina residual, levando à formação de compostos or-
te dessas águas demanda aparelhos caros e testes de- ganoclorados. Esses compostos, presentes na água
morados, cientistas têm se utilizado de biodetectores, industrial, despejada em grande quantidade nos rios
como peixes, que são colocados em gaiolas dentro da
pelas indústrias de papel, não são biodegradáveis e
água, podendo ser observados periodicamente.
acumulam-se nos tecidos vegetais e animais, podendo
Para testar a resistência de três espécies de peixes, levar a alterações genéticas.

cientistas separaram dois grupos de cada espécie,
cada um com cem peixes, totalizando seis grupos. Foi, Celênia P. Santos et al. Papel: como se fabrica?
então, adicionada a mesma quantidade de poluen- In: Química nova na escola, n¡. 14, nov./2001, p. 3-7
(com adaptações).
tes de origem doméstica e industrial, em separado.
Durante o período de 24 horas, o número de indivídu-
os passou a ser contado de hora em hora. Para se diminuírem os problemas ambientais decor-


rentes da fabricação do papel, é recomendável
Os resultados são apresentados a seguir.
(A) a criação de legislação mais branda, a fim de favo-


recer a fabricação de papel biodegradável.
(B) a diminuição das áreas de reflorestamento, com o


intuito de reduzir o volume de madeira utilizado
na obtenção de fibras celulósicas.
(C) a distribuição de equipamentos de desodorização

à população que vive nas adjacências de indús-
trias de produção de papel.
(D) o tratamento da água industrial, antes de retorná-

-la aos cursos d’água, com o objetivo de promover
a degradação dos compostos orgânicos solúveis.
(E) o recolhimento, por parte das famílias que habi-

tam as regiões circunvizinhas, dos resíduos sóli-
dos gerados pela indústria de papel, em um pro-
Pelos resultados obtidos, a espécie de peixe mais indica-
cesso de coleta seletiva de lixo.

da para ser utilizada como detectora de poluição, a fim
de que sejam tomadas providências imediatas, seria 23. No início deste século, com a finalidade de possibili-

tar o crescimento da população de veados no planalto
(A) a espécie I, pois, sendo menos resistente à poluição,
de Kaibab, no Arizona (EUA), moveu-se uma caçada

morreria mais rapidamente após a contaminação.
impiedosa aos seus predadores – pumas, coiotes e
(B) a espécie II, pois, sendo a mais resistente, haveria lobos. No gráfico a seguir, a linha cheia indica o cres-

mais tempo para testes. cimento real da população de veados, no período de
(C) a espécie III, pois, como apresenta resistência di- 1905 a 1940; a linha pontilhada indica a expectativa

ferente à poluição doméstica e industrial, propicia quanto ao crescimento da população de veados, nes-
estudos posteriores. se mesmo período, caso o homem não tivesse interfe-
(D) as espécies I e III juntas, pois, tendo resistência rido em Kaibab.

semelhante em relação à poluição, permitem
comparar resultados.
(E) as espécies II e III juntas, pois, como são pouco to-

lerantes à poluição, propiciam um rápido alerta.
22. À produção industrial de celulose e de papel estão as-

sociados alguns problemas ambientais. Um exemplo
são os odores característicos dos compostos voláteis
de enxofre (mercaptanas) que se formam durante a
remoção da lignina da principal matéria-prima para a
obtenção industrial das fibras celulósicas que formam Extraído de Amabis & Martho, Fundamentos de Biologia
o papel: a madeira. É nos estágios de branqueamento Moderna, pág. 42.

360 [Link] | Produção: [Link]


Para explicar o fenômeno que ocorreu com a população

de veados após a interferência do homem, um estudan- (D)


te elaborou as seguintes hipóteses e/ou conclusões:
I. Lobos, pumas e coiotes não eram, certamente,

os únicos e mais vorazes predadores dos veados;
(E)
quando estes predadores, até então despercebi-


dos, foram favorecidos pela eliminação de seus
competidores, aumentaram numericamente e 25. Ao longo do século XX, a taxa de variação na popula-


quase dizimaram a população de veados. ção do Brasil foi sempre positiva (crescimento). Essa
II. A falta de alimentos representou para os veados taxa leva em consideração o número de nascimentos
(N), o número de mortes (M), o de emigrantes (E) e o

um mal menor que a predação.
de imigrantes (I) por unidade de tempo.
III. Ainda que a atuação dos predadores pudesse repre-
É correto afirmar que, no século XX,

sentar a morte para muitos veados, a predação de-


monstrou-se um fator positivo para o equilíbrio dinâ- (A) M > I + E + N.



mico e a sobrevivência da população como um todo. (B) N + I > M + E.
IV. A morte dos predadores acabou por permitir um



(C) N + E > M + I.

crescimento exagerado da população de veados,


o que levou à degradação excessiva das pasta- (D) M + N < E + I.
gens, tanto pelo consumo excessivo como pelo (E) N < M – I + E.
seu pisoteamento. 26. O esquema a seguir representa os diversos meios em
O estudante acertou se indicou as alternativas

que se alimentam aves, de diferentes espécies, que

(A) I, II, III e IV. fazem ninho na mesma região.


(B) I, II e III, apenas.


(C) I, II e IV, apenas.

(D) II e III, apenas.
(E) III e IV, apenas.
24. Um agricultor, que possui uma plantação de milho e

uma criação de galinhas, passou a ter sérios proble-
mas com os cachorros-do-mato que atacavam sua
criação. O agricultor, ajudado pelos vizinhos, extermi-
nou os cachorros-do-mato da região. Passado pouco
tempo, houve um grande aumento no número de pás-
saros e roedores que passaram a atacar as lavouras. Com base no esquema, uma classe de alunos procu-
Nova campanha de extermínio e, logo depois, da des-

rou identificar a possível existência de competição ali-
truição dos pássaros e roedores, uma grande praga de mentar entre essas aves e concluiu que
gafanhotos destruiu totalmente a plantação de milho,
(A) não há competição entre os quatro tipos de aves
e as galinhas sem alimento.

porque nem todas elas se alimentam nos mesmos
Analisando o caso anterior, podemos perceber que hou- locais.

ve desequilíbrio na teia alimentar representada por: (B) não há competição apenas entre as aves dos ti-

pos 1, 2 e 4 porque retiram alimentos de locais
(A)
exclusivos.

(C) há competição porque a ave do tipo 3 se alimen-

ta em todos os lugares e, portanto, compete com
todas as demais.
(B) (D) há competição apenas entre as aves 2 e 4 porque


retiram grande quantidade de alimentos de um
mesmo local.
(E) não se pode afirmar se há competição entre

as aves que se alimentam em uma mesma re-
(C) ) gião sem conhecer os tipos de alimento que

consomem.

361
Biologia

27. Um grupo de ecólogos esperava encontrar aumento O gráfico registra a evolução das populações de larvas


de tamanho das acácias, árvores preferidas de grandes e parasitas.
mamíferos herbívoros africanos, como girafas e elefan-
tes, já que a área estudada era cercada para evitar a
entrada desses herbívoros. Para espanto dos cientistas,
as acácias pareciam menos viçosas, o que os levou a
compará-las com outras de duas áreas de savana: uma
área na qual os herbívoros circulam livremente e fazem
podas regulares nas acácias, e outra de onde eles foram
retirados há 15 anos. O esquema a seguir mostra os re-
sultados observados nessas duas áreas.
O aspecto biológico, ressaltado a partir da leitura do


gráfico, que pode ser considerado o melhor argumen-
to para que o produtor não retome o uso do veneno é:
(A) A densidade populacional das larvas e dos parasi-


tas não é afetada pelo uso do veneno.
(B) A população de larvas não consegue se estabilizar


durante o uso do veneno.
(C) As populações mudam o tipo de interação estabe-


lecida ao longo do tempo.
(D) As populações associadas mantêm um comporta-

mento estável durante todo o período.
(E) Os efeitos das interações negativas diminuem ao

longo do tempo, estabilizando as populações.
29. Na região sul da Bahia, o cacau tem sido cultivado por

meio de diferentes sistemas. Em um deles, o conven-
cional, a primeira etapa de preparação do solo corres-
ponde à retirada da mata e à queimada dos tocos e das
raízes. Em seguida, para o plantio da quantidade má-
xima de cacau na área, os pés de cacau são plantados
próximos uns dos outros. No cultivo pelo sistema cha-
mado cabruca, os pés de cacau são abrigados entre as
plantas de maior porte, em espaço aberto criado pela
derrubada apenas das plantas de pequeno porte.
Disponível em: <[Link]> (com adaptações).
Os cacaueiros dessa região têm sido atacados e devas-

tados pelo fungo chamado vassoura-de-bruxa, que se
De acordo com as informações acima, reproduz em ambiente quente e úmido por meio de
(A) a presença de populações de grandes mamíferos esporos que se espalham no meio aéreo.

herbívoros provoca o declínio das acácias. As condições ambientais em que os pés de cacau são

(B) os hábitos de alimentação constituem um padrão plantados e as condições de vida do fungo vassoura-de-
-bruxa, mencionadas anteriormente, permitem supor

de comportamento que os herbívoros aprendem
pelo uso, mas que esquecem pelo desuso. que sejam mais intensamente atacados por esse fungo
os cacaueiros plantados por meio do sistema
(C) as formigas da espécie 1 e as acácias mantêm (A) convencional, pois os pés de cacau ficam mais expos-

uma relação benéfica para ambas.

tos ao sol, o que facilita a reprodução do parasita.
(D) os besouros e as formigas da espécie 2 contri- (B) convencional, pois a proximidade entre os pés de


buem para a sobrevivência das acácias. cacau facilita a disseminação da doença.
(E) a relação entre os animais herbívoros, as formigas (C) convencional, pois o calor das queimadas cria as

condições ideais de reprodução do fungo.

e as acácias é a mesma que ocorre entre qualquer
predador e sua presa. (D) cabruca, pois os cacaueiros não suportam a som-

bra e, portanto, terão seu crescimento prejudica-
28. Um produtor de larvas aquáticas para alimentação de do e adoecerão.

peixes ornamentais usou veneno para combater pa- (E) cabruca, pois, na competição com outras espé-
rasitas, mas suspendeu o uso do produto quando os

cies, os cacaueiros ficam enfraquecidos e adoe-
custos se revelaram antieconômicos.
cem mais facilmente.

362 [Link] | Produção: [Link]


Biologia

30. Considerando a riqueza dos recursos hídricos brasilei- 32. Apesar da riqueza das florestas tropicais, elas estão


ros, uma grave crise de água em nosso país poderia geralmente baseadas em solos inférteis e improduti-
ser motivada por vos. Grande parte dos nutrientes é armazenada nas
folhas que caem sobre o solo, não no solo propria-
(A) reduzida área de solos agricultáveis.
mente dito. Quando esse ambiente é intensamente

(B) ausência de reservas de águas subterrâneas. modificado pelo ser humano, a vegetação desapare-

(C) escassez de rios e de grandes bacias hidrográficas. ce, o ciclo dos nutrientes é alterado e a terra se torna
rapidamente infértil.

(D) falta de tecnologia para retirar o sal da água do mar.

(CORSON, Walter H, Manual Global de Ecologia, 1993)
(E) degradação dos mananciais e desperdício no con-

sumo. No texto anterior, pode parecer uma contradição a


31. O crescimento da população de uma praga agrícola existência de florestas tropicais exuberantes sobre so-
los pobres. No entanto, este fato é explicado pela

está representado em função do tempo, no gráfico a
seguir, em que a densidade populacional superior a P (A) profundidade do solo, pois, embora pobre, sua


causa prejuízo à lavoura. espessura garante a disponibilidade de nutrientes
No momento apontado pela seta (1), um agricultor in- para a sustentação dos vegetais da região.

troduziu uma espécie de inseto que é inimigo natural (B) boa iluminação das regiões tropicais, uma vez
da praga, na tentativa de controlá-la biologicamente.


que a duração regular do dia e da noite garante
No momento indicado pela seta (2), o agricultor apli- os ciclos dos nutrientes nas folhas dos vegetais da

cou grande quantidade de inseticida, na tentativa de região.
eliminar totalmente a praga. (C) existência de grande diversidade animal, com

número expressivo de populações que, com seus
dejetos, fertilizam o solo.
(D) capacidade de produção abundante de oxigênio

pelas plantas das florestas tropicais, consideradas
os “pulmões do mundo”.
(E) rápida reciclagem dos nutrientes potencializada

pelo calor e umidade das florestas tropicais, o que
A análise do gráfico permite concluir que favorece a vida dos decompositores.

(A) se o inseticida tivesse sido usado no momento 33. Várias estratégias estão sendo consideradas para a


marcado pela seta (1), a praga teria sido controla- recuperação da diversidade biológica de um ambien-
da definitivamente, sem necessidade de um tra- te degradado, dentre elas, a criação de vertebrados
tamento posterior. em cativeiro. Com esse objetivo, a iniciativa mais
adequada, dentre as alternativas a seguir, seria criar
(B) se não tivesse sido usado o inseticida no momen-

to marcado pela seta (2), a população da praga (A) machos de umas espécies e fêmeas de outras,

continuaria aumentando rapidamente e causaria para possibilitar o acasalamento entre elas e o
grandes danos à lavoura. surgimento de novas espécies.
(C) o uso do inseticida tornou-se necessário, uma vez (B) muitos indivíduos da espécie mais representativa,

de forma a manter a identidade e a diversidade

que o controle biológico aplicado no momento (1)
não resultou na diminuição da densidade da po- do ecossistema.
pulação da praga. (C) muitos indivíduos de uma única espécie, para ga-

rantir uma população geneticamente heterogê-
(D) o inseticida atacou tanto a praga quanto os seus
nea e mais resistente.

predadores; entretanto, a população da praga re-
cuperou-se mais rápido, voltando a causar dano à (D) um número suficiente de indivíduos, do maior

lavoura. número de espécies, que garanta a diversidade
genética de cada uma delas.
(E) o controle da praga por meio do uso de insetici-
(E) vários indivíduos de poucas espécies, de modo a

das é muito mais eficaz que o controle biológico,

pois os seus efeitos são muito mais rápidos e têm garantir, para cada espécie, uma população gene-
maior durabilidade. ticamente homogênea.

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Biologia

34. Numa região originalmente ocupada por Mata (A) permite que toda água seja devolvida limpa aos


Atlântica, havia, no passado, cinco espécies de pássa- mananciais.
ros de um mesmo gênero. Nos dias atuais, essa re- (B) diminui a quantidade de água adquirida e com-
gião se reduz a uma reserva de floresta primária, onde


prometida pelo uso industrial.
ainda ocorrem as cinco espécies, e a fragmentos de (C) reduz o prejuízo ambiental, aumentando o consu-
floresta degradada, onde só se encontram duas das


mo de água.
cinco espécies. (D) torna menor a evaporação da água e mantém o
O desaparecimento das três espécies nas regiões de-


ciclo hidrológico inalterado.

gradadas pode ser explicado pelo fato de que, nessas (E) recupera o rio onde são lançadas as águas utilizadas.
regiões, ocorreu


37. A caixinha utilizada em embalagens como as de leite
(A) aumento do volume e da frequência das chuvas.


“longa vida” é chamada de “tetra brick”, por ser com-

(B) diminuição do número e da diversidade de habi- posta de quatro camadas de diferentes materiais, in-

tats. cluindo alumínio e plástico, e ter a forma de um tijolo
(C) diminuição da temperatura média anual. (brick, em inglês).

(D) aumento dos níveis de gás carbônico e de oxigê- Esse material, quando descartado, pode levar até cem


nio na atmosfera. anos para se decompor.
(E) aumento do grau de isolamento reprodutivo inte- Considerando os impactos ambientais, seria mais

respecífico.


adequado
35. A biodiversidade diz respeito tanto a genes, espécies, (A) utilizar soda cáustica para amolecer as embala-


gens e só então descartá-las.

ecossistemas, como a funções e coloca problemas de
gestão muito diferenciados. É carregada de normas (B) promover a coleta seletiva, de modo a reaprovei-

de valor. Proteger a biodiversidade pode significar: tar as embalagens para outros fins.
– a eliminação da ação humana, como é a proposta (C) aumentar a capacidade de cada embalagem, am-

pliando a superfície de contato com o ar para sua

da ecologia radical;
decomposição.
– a proteção das populações cujos sistemas de pro- (D) constituir um aterro específico de embalagens

dução e cultura repousam num dado ecossistema;

“tetra brick”, acondicionadas de forma a reduzir
– a defesa dos interesses comerciais de firmas que seu volume.

utilizam a biodiversidade como matéria-prima (E) proibir a fabricação de leite “longa vida”, conside-

para produzir mercadorias. rando que esse tipo de embalagem não é adequa-
(Adaptado de GARAY, I. & DIAS, B. Conservação da biodiversidade do para conservar o produto.
em ecossistemas tropicais)
De acordo com o texto, no tratamento da questão da 38. Um grupo de estudantes, saindo de uma escola, ob-

servou uma pessoa catando latinhas de alumínio jo-

biodiversidade no Planeta,
gadas na calçada. Um deles considerou curioso que a
(A) o principal desafio é conhecer todos os proble- falta de civilidade de quem deixa lixo pelas ruas acaba

mas dos ecossistemas para conseguir protegê-los sendo útil para a subsistência de um desempregado.
da ação humana. Outro estudante comentou o significado econômico
(B) os direitos e os interesses comerciais dos produ- da sucata recolhida, pois ouvira dizer que a maior
parte do alumínio das latas estaria sendo reciclada.

tores devem ser defendidos, independentemente
do equilíbrio ecológico. Tentando sintetizar o que estava sendo observado,
um terceiro estudante fez três anotações, que apre-
(C) deve-se valorizar o equilíbrio do meio ambiente,
sentou em aula no dia seguinte:

ignorando-se os conflitos gerados pelo uso da ter-
ra e seus recursos. I. A catação de latinhas é prejudicial à indústria de

(D) o enfoque ecológico é mais importante do que o alumínio;

social, pois as necessidades das populações não II. A situação observada nas ruas revela uma condi-

devem constituir preocupação para ninguém. ção de duplo desequilíbrio: do ser humano com a
(E) há diferentes visões em jogo, tanto as que só natureza e dos seres humanos entre si;

consideram aspectos ecológicos, quanto as que III. Atividades humanas resultantes de problemas so-

levam em conta aspectos sociais e econômicos. ciais e ambientais podem gerar reflexos (refletir)
36. Considerando os custos e a importância da preserva- na economia.

ção dos recursos hídricos, uma indústria decidiu puri-
ficar parte da água que consome para reutilizá-la no Dessas afirmações, você tenderia a concordar, ape-

processo industrial. nas, com

De uma perspectiva econômica e ambiental, a iniciati- (A) I e II. (C) II e III. (E) III.




va é importante porque esse processo (B) I e III. (D) II.



364 [Link] | Produção: [Link]
Biologia

39. Em um debate sobre o futuro do setor de transporte 41. A ocupação predatória associada à expansão da fron-


de uma grande cidade brasileira com trânsito intenso, teira agropecuária e acelerada pelo plantio da soja
foi apresentado um conjunto de propostas. tem deflagrado, com a perda da cobertura vegetal,
Entre as propostas reproduzidas a seguir, aquela que a diminuição da biodiversidade, a erosão do solo, a
escassez e a contaminação dos recursos hídricos no

atende, ao mesmo tempo, a implicações sociais e am-
bientais presentes nesse setor é bioma cerrado.
(A) proibir o uso de combustíveis produzidos a partir Segundo ambientalistas, o cerrado brasileiro corre o


risco de se transformar em um deserto.

de recursos naturais.
(B) promover a substituição de veículos a diesel por A respeito desse assunto, analise as afirmações a se-


guir.

veículos a gasolina.
(C) incentivar a substituição do transporte individual I. Considerando-se que, em 2006, restem apenas


25% da cobertura vegetal original do cerrado e

por transportes coletivos.
(D) aumentar a importação de diesel para substituir que, desse percentual, 3% sejam derrubados a
cada ano, estima-se que, em 2030, o cerrado bra-

os veículos a álcool.
(E) diminuir o uso de combustíveis voláteis devido ao sileiro se transformará em deserto.
II. Sabe-se que a eventual extinção do bioma cerra-

perigo que representam.


do, dada a pobreza que o caracteriza, não causará
40. Programas de reintrodução de animais consistem em impacto sistêmico no conjunto dos biomas brasi-

soltar indivíduos, criados em cativeiro, em ambientes leiros.
onde sua espécie se encontra ameaçada ou extinta. III. A substituição de agrotóxicos por bioinseticidas


O mico-leão-dourado da Mata Atlântica faz parte de um reduz a contaminação dos recursos hídricos no

desses programas. Como faltam aos micos criados em bioma cerrado.
cativeiro habilidades para sobreviver em seu habitat, são É correto o que se afirma
formados grupos sociais desses micos com outros captu-
rados na natureza, antes de soltá-los coletivamente. (A) apenas em I. (D) apenas em II e III.


O gráfico mostra o número total de animais, em uma (B) apenas em III. (E) em I, II e III.


(C) apenas em I e II.

certa região, a cada ano, ao longo de um programa de

reintrodução desse tipo.
42.

A montanha pulverizada
Esta manhã acordo e
não a encontro.
Britada em bilhões de lascas
deslizando em correia transportadora
entupindo 150 vagões
no trem-monstro de 5 locomotivas
– trem maior do mundo, tomem nota –
foge minha serra, vai
deixando no meu corpo a paisagem
Primack e Rodrigues. Biologia da Conservação. mísero pó de ferro, e este não passa.
Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética.
A análise do gráfico permite concluir que o sucesso do Rio de Janeiro: Record, 2000.

programa deveu-se
A situação poeticamente descrita sinaliza, do ponto
(A) à adaptação dos animais nascidos em cativeiro ao

de vista ambiental, para a necessidade de

ambiente natural, mostrada pelo aumento do nú-
mero de nascidos na natureza. I. manter-se rigoroso controle sobre os processos

(B) ao aumento da população total, resultante da rein- de instalação de novas mineradoras.

trodução de um número cada vez maior de animais. II. criarem-se estratégias para reduzir o impacto am-

(C) à eliminação dos animais nascidos em cativeiro biental no ambiente degradado.

pelos nascidos na natureza, que são mais fortes e III. reaproveitarem-se materiais, reduzindo-se a ne-

selvagens. cessidade de extração de minérios.
(D) ao pequeno número de animais reintroduzidos, É correto o que se afirma

que se mantiveram isolados da população de nas-
cidos na natureza. (A) apenas em I. (D) apenas em II e III.


(E) à grande sobrevivência dos animais reintroduzi-
(B) apenas em II. (E) em I, II e III.

dos, que compensou a mortalidade dos nascidos


na natureza. (C) apenas em I e II.

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Biologia

43. Se a exploração descontrolada e predatória verificada 45. As sociedades modernas necessitam cada vez mais de


atualmente continuar por mais alguns anos, pode-se energia. Para entender melhor a relação entre desen-
antecipar a extinção do mogno. Essa madeira já desa- volvimento e consumo de energia, procurou-se rela-
pareceu de extensas áreas do Pará, de Mato Grosso, cionar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
de Rondônia, e há indícios de que a diversidade e o nú- de vários países com o consumo de energia nesses
mero de indivíduos existentes podem não ser suficien- países. O IDH é um indicador social que considera a
tes para garantir a sobrevivência da espécie a longo longevidade, o grau de escolaridade, o PIB (Produto
prazo. A diversidade é um elemento fundamental na Interno Bruto) per capita e o poder de compra da po-
sobrevivência de qualquer ser vivo. Sem ela, perde-se a pulação. Sua variação é de 0 a 1. Valores do IDH próxi-
capacidade de adaptação ao ambiente, que muda tan- mos de 1 indicam melhores condições de vida.
to por interferência humana como por causas naturais. Tentando-se estabelecer uma relação entre o IDH e o


Disponível em: <[Link]> (com adaptações). consumo de energia per capita nos diversos países,
Com relação ao problema descrito no texto, é correto no biênio 19981-1992, obteve-se o gráfico a seguir,

afirmar que onde cada ponto isolado representa um país, e a linha
(A) a baixa adaptação do mogno ao ambiente amazô- cheia, uma curva de aproximação.

nico é causa da extinção dessa madeira.
(B) a extração predatória do mogno pode reduzir o

número de indivíduos dessa espécie e prejudicar
sua diversidade genética.
(C) as causas naturais decorrentes das mudanças cli-

máticas globais contribuem mais para a extinção
do mogno que a interferência humana.
(D) a redução do número de árvores de mogno ocorre

na mesma medida em que aumenta a diversidade
biológica dessa madeira na região amazônica.
(E) o desinteresse do mercado madeireiro interna-

cional pelo mogno contribuiu para a redução da
exploração predatória dessa espécie.
44. Usada para dar estabilidade aos navios, a água de las- *TEP: Tonelada equivalente de petróleo.
tro acarreta grave problema ambiental: ela introduz,

GOLDEMBERG, J. Energia, meio ambiente e desenvolvimento.
São Paulo. Edusp, 1998.
indevidamente, no país, espécies indesejáveis do ponto
de vista ecológico e sanitário, a exemplo do mexilhão Com base no gráfico, é correto afirmar que
dourado, molusco originário da China. Trazido para o (A) quanto maior o consumo de energia per capita,
Brasil pelos navios mercantes, o mexilhão dourado foi

menor é o IDH.
encontrado na bacia Paraná-Paraguai em 1991. A dis- (B) os países onde o consumo de energia per capita é
seminação desse molusco e a ausência de predadores

menor que 1 TEP não apresentam bons índices de
para conter o crescimento da população de moluscos
causaram vários problemas, como o que ocorreu na hi- desenvolvimento humano.
drelétrica de Itaipu, onde o mexilhão alterou a rotina (C) existem países com IDH entre 0,1 e 0,3 com con-

de manutenção das turbinas, acarretando prejuízo de sumo de energia per capita superior a 8 TEP.
US$ 1 milhão por dia, devido à paralisação do sistema. (D) existem países com consumo de energia per capi-

Uma das estratégias utilizadas para diminuir o proble- ta de 1 TEP de 5 TEP que apresentam aproxima-
ma é acrescentar gás cloro à água, o que reduz em cer- damente o mesmo IDH, cerca de 0,7.
ca de 50% a taxa de reprodução da espécie. (E) os países com altos valores de IDH apresentam

(GTÁGUAS, MPF, 4º CCR, ano 1, n¡. 2, maio/2007, (com adaptações.) um grande consumo de energia per capita (acima
De acordo com as informações do texto, o despejo da de 7 TEP).

água de lastro
(A) é ambientalmente benéfico por contribuir para a

seleção natural das espécies e, consequentemen-
te, para a evolução delas.
(B) trouxe da China um molusco, que passou a com-

por a flora aquática nativa do lago da hidrelétrica
de Itaipu.
(C) causou, na usina de Itaipu, por meio do micror- 1. E 10. D 19. C 28. E 37. B






ganismo invasor, uma redução do suprimento de 2. E 11. A 20. D 29. B 38. C





água para as turbinas. 3. C 12. B 21. A 30. E 39. C





(D) introduziu uma espécie exógena na bacia Paraná- 4. C 13. D 22. D 31. D 40. A






Paraguai, que se disseminou até ser controlada 5. D 14. C 23. E 32. E 41. B





por seus predadores naturais. 6. B 15. E 24. B 33. D 42. E
(E) motivou a utilização de um agente químico na





7. E 16. B 25. B 34. B 43. B

água como uma das estratégias para diminuir a





8. B 17. D 26. E 35. E 44. E





reprodução do mexilhão dourado. 9. A 18. D 27. C 36. B 45. D





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