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DIREITO ADMINISTRATIVO I

Sistema de Administração Judiciário ou do tipo Britânico ² este sistema vigorou em Inglaterra , bem como, nos territórios e países inspirados no modelo político -constitucional britânico no séc. XIX, sendo que podemos dizer que permanece até aos dias de hoje. Perante este sistema a administração pública é regulada pelo direito comum, isto é, não existe nenhum direito especial para os órgãos administrativos, por isso, a administração pública e os particulares têm os mesmos poderes, visto que estão sujeitos ao mesmo direito. Aqui, a administração pública não goza do privilégio de execução prévia, não podendo executar as decisões por autoridade própria . Neste sistema, os tribunais encontram -se numa posição de primazia sobre a administração , sendo que por isso, é submetida ao controle jurisdicional dos tribunais comuns, onde o contencioso administrativo é de plena jurisdição, porque estes podem anular as decisões ilegais e dar ordens às autoridades administrativas para que estas cumpram a lei . Consequentemente à existência destes tribunais comuns, e como não existem tribunais administrativos, não se verifica a jurisdição de conflitos. Neste sistema a administração pública apresenta uma estrutura descentralizada , que não responde por danos causado s, quem responde são os próprios agentes . Sistema de Administração Executiva ou do tipo Francês ² este sistema nasceu em França, e alastrou-se por toda a Europa continental, sendo que nos dias de hoje já não vigora em estado puro. Neste a administração pública é regulada por um conjunto de normas ou princípios de um direito especial, o Direito Administrativo , que coloca a administração pública numa posição supra infra ordenação sobre os particulares. Assim, a administração pública goza do privilégio da execução prévia, são assim atribuídos a esta privilégios e prerrogativas de autoridade, que lhe permite sanificar os cidadãos sem consentimento destes e sem uma prévia decisão do tribunal , este privilégio permite à administração pública o uso da auto-tutela executiva, ou seja, esta pode executar as suas decisões por autoridade própria e sem decisão dos tribunais . Consequentemente a isto, os actos administrativos gozam de presunção de legalidade, que os torna imediatamente executórios em confronto com os particulares. Este sistema apresenta uma estrutura bastante centralizada e hierarquizada, na qual os seus agentes actuam sob a direcção e controlo dos seus superiores, por isso , em caso de dano causado a responsabilidade recai sobre a própria administração , é a própria administração que responde . Tem presente tribunais administrativos , e consequentemente verifica -se a jurisdição de conflitos, entre estes e os tribunais comuns . O contencioso administrativo é de mera anulação, o s tribunais administrativos apenas podem anular os actos ilegais, sendo que não p odem dar ordens às autoridades administrativas. A administração pública tem poder regulamentar e os seus agentes podem gozar de garantia administrativa. Sistema de Administração Pública Portuguesa ² este sistema é de origem executiva, mas sofreu evoluções e aproximou -se do sistema judiciário. A nossa administração pública está sujeita ao direito administrativo, este lhe confere privilégios e prerrogativas de autoridade, impondo-lhe deveres e restrições. Neste sistema a administração pública goza do privilégio de execução prévia, decorrente da auto-tutela executiva, que permite à administração executar as suas decisões por autoridade própria , sem consentimento do s cidadão e sem uma decisão prévia do tribunal, onde os seus actos administrativos são imediatamente executórios . Esta pode aprovar regulamentos com força externa, apresentando uma estrutura bastante hierarquizada. Verifica-se a existência de tribunais administrativos , bem como um tribunal de conflitos. Este sistema consagra o contencioso de plena jurisdição. Por fim, apesar de ser um sistema fortemente executivo, apresenta características do sistema judici ário: uma estrutura descentralizada, abolição da garantia administrativa dos funcionários e uma crescente privatização do sector administrativo. Privilégio de Execução Prévia ou Auto-tutela Executiva ² os actos administrativos gozam, assim, de presunção da legalidade, o que os torna imediatamente executórios no confronto com os particulares. Auto-Tutela Declarativa ² possibilidade que a administração pública tem de tomar
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ocorrem alguns casos em que lei praticamente nada diz. e poderíamos ter feito outra. porque os actos administrativos são considerados legais até que os tribunais administrativos ditem o contrário. e. no exercício das suas funções. dever ser adequado e necessário aos fins concretos que tais actos prosseguem. Estes conceitos agrupam -se em três categorias: os conceitos classificatórios. mas sim de uma opção que ele considerou ser melhor para a administração pública prosseguir um interesse público. e os positivos. Interesses Públicos ² a lei estabelece os interesses públicos a prosseguir pela administração pública. Assim sendo. e garantir os direitos e interesses dos particulares. aqueles cujo significado não se apresenta com clareza e mesmo que o intérprete se esforce para ultrapassar essa indeterminação não consegue. ele desempenha essencialmente duas funções: assegurar a primazia do poder legislativo sobre o poder adminis trativo. O fundamento do poder discricionári o é a própria lei. O termo discricionariedade é abordado quando fazemos uma coisa. e. o equilíbrio. Consequentemente. esta é que atribui aos órgãos da administração pública o poder discricionário. só é considerado como verdadeiro o Estado de Necessidade. Sendo que. estes podem ser empíricos. pelos actos dos poderes. Distinguindo os termos da legalidade e mérito. na medida que garante uma administração mais justa e razoável. Contudo. relativamente precisa do espaço dessa decisão. Princípio da Legalidade ² este princípio tem como formulação a ideia de que os órgãos da administração pública . era ilícito pelo Direito. não gozando de qualquer liberdade de decisão. aquel es constituídos por uma parte fáctica e uma parte valorativa. . mas noutros casos em que não. evocando a ideia de escolha parametrizada. Sendo que apresenta dois tipos de efeitos: os negativos. de acordo com certos limites.DIREITO ADMINISTRATIVO I decisões. técnicos ou descritivos. Este poder. a necessidade do fim a alcançar. ponderamos essa realidade: legalidade corresponde à zona da decisão administrativa que está Poder Discricionário Existem situações em que a lei vincula totalmente a administração pública. isto nem sempre acontece. Auto-Tutela Executiva ² possibilidade que a administração pública tem de executar as suas decisões sem recurso aos tribunais. nada regula. A decisão discricionária tem de assentar numa realidade própria. os conceitos de valor. susceptível a algum controlo. Actualmente. a di scricionariedade não resulta por um esquecimento do legislador. bem como favorável quando confrontado com aqueles fins. O princípio da legalidade apresenta uma forma positiva. ou seja. devem actuar com fundamento na lei e dentro dos limites por ela estabelecidos. porque a administração pública esta proibida de violar a lei. que corresponde a uma circunstância que torna lícito um comportamento que por lesar um interesse de outrem. pois assim os seus actos sofrer ão de invalidade. 2 de 12 . é o caso dos conceitos indeterminados ou imprecisos. aqueles que só aparentemente são impr ecisos. não é susceptível de determinar imediatamente a actuação administrativa. Esta definição evidencia três princípios: a adequação na medida em que o comportamento administrativo tomado deve ser ajustado ao fim a alcançar. em que só a parte fáctica é controlada por o tribunal. como estabelece também as regras a que deve obedecer tal presunção. os conceitos compostos. do simples respeito da lei não sucede uma determinada decisão administrativa. existem casos onde a concessão do poder discricionário é visível. Das várias excepções que lhe são atribuídas. Princípio da Proporcionalidade ² princípio segundo o qual a limitação de bens ou interesses dos privados. a parte valorativa é interpretada pela administração como quiser e achar conveniente. podendo escolher um de vários conteúdos decisionais. mas sim uma delimitação. conferindo uma margem de liberdade de decisão à administração pública . por não poderá traduzir -se numa escolha caprichosa.

6º CPA). 6º CPA). 3 de 12 . Este impõe à administração pública . A principal dificuldade é que esta objectividade depende sempre dos valores prosseguidos pelo ordenamento jurídico (art. e desigualmente os cidadãos cuja situação seja objectivamente diferente. Princípio da Justiça ² traduz a ideia que a administração está sujeita a critérios de justiça material. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA ˜ Organização Administrativa ² traduz-se num grupo humano estruturado em função dos fins a atingir. sempre que tiver conhecimento por interessados. A administração pública não deve favorecer. Princípio da Igualdade ² princípio que obriga a administração pública a tratar igualmente os cidadãos que se encontrem em situação objectivamente idêntica . A prática deste princípio concretiza -se: nos impedimentos. Princípio da Imparcialidade ² está presente no relacionamento da administração pública com os cidadãos. 124º al. que são situações em que não existe uma proibição absoluta da intervenção. procura evitar que a prossecução de um interesse público se confunda com quaisquer interesses privados. ainda que de interesse público (art. O conceito de organização pública integra quatro elementos: Um grupo humano. 266 nº2 CRP e art. tudo fazer para averiguar a veracidade ou não dos actos (art. 5º CPA). mas em que esta deve ser excluída por iniciativa do próprio titular do órgão ou agente do cidadão interessado (art. por um lado procura assegurar que a tomada de decisão administrativa leve em consideração todos os interesses públicos e privados. contudo impõe dois limites negativos a esta: não deve atraiçoar a confiança dos particulares em relação a um comportamento seu. 266º nº2 CRP). um procedime nto concursal da ocorrência de factos que podem ser reflectidos na gradação dos candidatos. 48º CPA). nem prejudicar um interesse privado (art. um modo peculiar de relacionamento dos vários elementos da organização entre si e com o meio social em que ela se insere. sejam superiores aos custos gastos. nas escusas e nas suspeições. por outro lado. O papel determinante dos representantes da co lectividade do modo como se estrutura a organização. 13º e art. 22º CPA). A violação deste leva á ilegalidade do acto (art. no qual se tem o encargo de indemnizar os prejuízos das suas acções e omissões no exercício da actividade administrativa pública (art. a obrigação de oficiosamente. isto é.DIREITO ADMINISTRATIVO I onde os benefícios a alcançar pelas medidas tomadas. Uma estrutura. ˜ Organização Pública ² consiste num grupo humano estruturado pelos representantes de uma comunidade com vista à satisfação de necessidades colectivas predeterminadas desta. d) CPA. A violação deste princípio constitui fundo autónomo de recurso contencioso. a satisfação de necessidades colectivas predeterminadas. bem como. art. Princípio da Boa-fé ² não apresenta especificidade à sua aplicação na administração pública. 44º CPA). Princípio da Responsabilidade ² corresponde às consequências de sfavoráveis de um comportamento. 266º nº2 CRP). com o propósito de alcançar um outro objectivo diferente. que consubstanciam situações de proibição de intervenção (art. e. Ì PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ORGANIZAÇÃO PÚBLICA . Uma finalidade. não deve iniciar o procedimento legalmente previsto para alcançar determinado objectivo.

conferidas por lei. ˜ Princípio da Desconcentração ² impõe que a Administração Pública venha a ser. ˜ Princípio da Desburocratização ² significa que a Administração Pública deve ser organizada e deve funcionar em termos de eficiência e de facilitação da vida do s particulares. 267 nº1 e 2 da CRP. mas sim. devem poder participar na tomada de decisões administrativas. . gradualmente.DIREITO ADMINISTRATIVO I Estes princípios constitucionais são referidos no art. Deste artigo decorre o modelo de organização constitucional da Administração Pública Portuguesa. a Administração Pública deve ser organizada de tal forma que nela existam órgãos em que os particulares participem. De um ponto de vista funcional . Ì MODOS OU SISTEMAS DA ADMINISTRATIVA PÚBLICA a) DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA: ˜ Sistema Centralizado ² sistema em que todas as atribuições administrativas de um determinado país são. ficando depois alheios a todo o funcionamento do aparelho e só podendo pronunciar -se de novo quando voltar a haver eleições para a escolha dos dirigentes. cada vez mais descentralizada. 267º nº2 CRP) ² a Constituição vem dizer que a Administração Pública deve ser descentralizada. ao Estado. e não ficasse circunscrita apenas à pessoa colectiva pública Estado. 8º CPA). mas também a outras pessoas colectivas territoriais (autarquias locais) . 4 de 12 . ou seja. Recomenda que em cada pessoa colectiva pública haja uma repartição de competências entre o superior hierárquico e os órgãos que lhe sejam subalternos. De um ponto de vista estrutural. ˜ Princípio da Participação dos Interesses na Gestão da Administração Pública ² significa que os cidadãos não devem intervir na vida da Administração . o que decorre do princípio da participação é a necessidade da colaboração da Administração com os particulares (art. Centralização ² verifica-se quando os órgãos das autarquias locais s ão livremente nomeadas e demitidos pelos órgãos do Estado ou quando devem obediência ao Governo ou ao Partido Único. ¶ ˜ Princípio da Descentralização (art. nomeadam ente. psicológico e físico. de forma facilitada. ˜ Princípio dos Serviços às Populações ² significa a Administração Pública deve ser estruturada de tal forma que os seus serviços se localizem o mais possível junto das populações que visam servir. 7º CPA) e a garantia dos vários direitos de participação dos particulares na actividade administrativa (art. apenas através da eleição dos respectivos órgãos. antes devem ser chamados a intervir no próprio funcionamento quotidiano da Administração Pública e. num sentido não só geográfico. ˜ Sistema Descentralizado ² sistema em que as atribuições administrativas são conferidas não só ao Estado. isso significa que a função administrativa deve ser levada a cabo por pessoas colectivas públicas.

Atribuições de personalidade jurídica do direito público. conferindo -se a funcionários ou agentes subalternos certos poderes decisórios. criação das pessoas colectivas públicas. consequentemente aos poderes das entidades descentralizadas. b) DESCONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA: A desconcentração traduz -se num processo de descongestionamento de competências. Limites ao exercício de poderes transferidos . ˜ Graus de Descentralização (adquire-se uma a uma): Atribuições de personalidade jurídica do direito privado. Limites à quantidade de poderes transferíveis para as entidades descentralizadas. os quais numa administração concentrada estariam reservados exclusivamente ao superior (267º nº2 CRP). ˜ Tipos de Descentralização: Descentralização Territorial ² descentralização da qual resultam as autarquias locais (art. realizar o bem comum das populações em relação aos seus problemas. Funcional ou por Serviços ² descentralização da qual resultam as institutos. . Tutela. ficando os subalternos limitados às tarefas de preparação e execução das decisões daquele. 199º alínea d)): Vantagens ² garante as liberdades locais. ˜ Administração Concentrado ² sistema em que o superior hierárquico mais elevado é o único órgão competente para tomar decisões. empresas e fundações (hospitais. ˜ Vantagens e Desvantagens da Descentralização (art. Atribuições de autonomia administrativa. serviços públicos). e soluções vantajosas de longo -prazo. mas de fins específicos (ordem dos advogados). Atribuições de autonomia financeira. 5 de 12 . 237º CRP). Descentralização Técnica.DIREITO ADMINISTRATIVO I Descentralização ² verifica-se quando os órgãos das autarquias locais s ão livremente eleitos pelas populações ou quando a lei os considera independentes no âmbito das suas atribuições e competências. ˜ Limites à Descentralização: Limites a todos os poderes d a administração. ˜ Controlo da Descentralização (art. 199º alínea d)): Superintendência (fiscalização). Desvantagens ² descoordenação no exercício da função pública e mau uso dos poderes discricionários. Atribuições de faculdades regulamentares. Descentralização Institucion al ou Associativa ² descentralização da qual resultam as associações públicas.

só se efectiva mediante um acto específico praticado para o efeito pelo superior. 6 de 12 . 111º nº2 CRP). portanto. traduz -se na delegação de poderes . a desconcentração é menos intensa e. 35º nº1 CPA). a Delegação de Poderes. Quanto às ´formas de desconcentraçãoµ. conforme o delegante resolva delegar uma grande parte dos seus poderes ou apenas uma pequena parcela deles. que outro órgão ou agente pratiquem actos a dministrativos sobre a mesma matéria (art. ˜ Espécies de Desconcentração: Quanto ao ´níveis de desconcentraçãoµ. Desvantagens ² impossibilitar de uma actuação harmoniosa. carecendo embora de permissão legal expressa. pode abranger a prática de um acto isolado ou permitir a prática de uma pluralidade de actos. os quais. e do outro a desconcentração derivada : a primeira é a que decorre imediatamente da lei. esta pode ser específica ou genérica. a) REQUISITOS DA DELEGAÇÃO DE PODERES ˜ Lei de Habilitação ² lei que preveja expressamente a faculdade de um órgão delegar poderes noutro . coerente e concertada da Administração. redução do âmbito das actividades dos subalternos e diminuição da qualidade dos serviços. no outro. no primeiro caso. A desconcentração derivad a. Ì DELEGAÇÃO DE PODERES OU DE COMPETÊNCIAS Do ponto de vista do Direito Administrativo. ˜ Sob o prisma do objecto da delegação. o delegado continua indefinidamente a dispor de competência. consoante ela se inscreva no âmbito dos serviços da Administração central ou no âmbito dos serviços da Administração local. sujeitos à direcção e supervisão daquele. Quanto aos ´graus de desconcentraçãoµ. embora atribuindo certas competências próprias a órgã os subalternos. no segundo. ˜ Sob o prisma da sua extensão. permanecem. 29º nº 1 e 2 CPA. a qu al exercerá sempre que tal se torne necessário. Porque a competência é irrenunciável e inalienável. a delegação de poderes pode ser ampla ou restrita. normalmente competente para decidir em determinada matéria. temos de um lado a desconcentração originária. que desde logo reparte a competência entre o superior e os subalternos. permite de acordo com a lei. a desconcentração é tão intensa e é levada tão longe que os órgãos por ela atingidos se transformam de órgãos subalternos em órgãos independentes. ˜ Vantagens e Desvantagens da Desconcentração: Vantagens ² eficiência dos serviços públicos e melhor qualidade dos serviços.DIREITO ADMINISTRATIVO I ˜ Administração Desconcentrada ² sistema em que o poder decisório se reparte entre superior e um ou vários órgãos subalternos. só pode haver delegação de poderes com base na lei (art. há que distinguir entre desconcentração a nível central e desconcentração a nível local . em regra. a segunda. ela pode ser absoluta ou relativa: no primeiro caso. todavia. Mas o art. . traduz-se no acto pelo qual um órgão da Administração. uma vez praticado o acto pelo delegado. mantém a subordinação destes ao poder do superior (regra geral no Direito português). isto é. a delegação caduca.

b) CPA). f) EXTINÇÃO OU CESSAÇÃO DA DELEGAÇÃO (art. o delegante e o delegado. 35º nº1 e art. um acto praticado intuitu personae . b) PODERES DO DELEGANTE E SUBDELEGANTE (art. 39° CPA) ˜ Poder de Direcção ou Orientação ² possibilidade que o órgão delegante tem para emanar directivas e instruções sobre o exercício dos poderes delegados. os a ctos praticados pelo subalterno. permitindo -lhe a prática de certos actos na maté ria sobre a qual é normalmente competente (art. ˜ Subdelegação de poderes ou delegação de 2º grau . 36° CPA) É uma delegação de segundo grau. Delegação não Hierárquica ² delegação de poderes de um órgão administrativo noutro órgão ou agente que não dependa hierarquicamente do delegante. c) SUBDELEGAÇÃO (art. conforme o número de subdelegações que forem praticadas. não necessita de uma lei de habilitação. ˜ Caducidade ² sempre que mudar a pessoa do delegante ou a do delegado (art. d) GRAUS DE DELEGAÇÃO ˜ Delegação propriamente dita ou delegação de 1º grau. em casos concretos em que pretenda ser ele a decidir. ou de 4º. um acto precário . em que o delegado funciona também como delegante. ˜ Órgão de Delegação ² existência de dois órgãos. ¶ Se algum destes faltar a delegação é inválida. mas sim de uma lei de autorização do delegante. ˜ Poder de Revogação ² possibilidade que o órgão delegante tem de revogar o s actos praticados pelo órgão delegado. Contudo. sendo que. ou de 3º. pôr termo à delegação (art. em qualquer momento e sem necessidade de fundamentação. podem sempre ser revisto pelo superior hierárquico delegante. uma vez que não há hierarquia não pode haver recurso hierárquico . e qualquer acto daí proveniente é inválido por incompetência. A delegação de poderes é. os actos do delegado são definitivos e executórios nos mesmos termos em que o seriam se tivessem sido praticados pelo delegante. ¶ Delegação Hierárquica ² delegação dos poderes de um superior hierárquico para um subalterno. 37º nº2 CPA).DIREITO ADMINISTRATIVO I acentua bem que os princípios da irrenunciabilidade e da inalienabilidade da competência não impedem a figura da delegação de poderes . 40º CPA) ˜ Revogação ² o delegante pode. ˜ Acto de Delegação ² acto pelo qual o delegante concretiza a delegação dos seus poderes no delegado. pois. e) REGIME DOS ACTOS PRATICADOS NA DELEGAÇÃO Em regra geral. 40ºal.a) CPA). ˜ Poder de Avocação ² possibilidade que o órgão delegante tem de c hamar a si os poderes delegados. pois. ˜ Publicação ² o acto tem de ser publicado no Diário da República ou no boletim da Publicação (art. 7 de 12 . 40º al. 37º nº1 CPA). perante uma delegação hierárquica. A delegação de poderes é. Tratando-se de uma delegação não hierárquica. estando submetido ao mesmo regime jurídico. .

1. Administração Independente ² parte da administração estadual directa. porque antes de o delegante praticar o acto de delegação o delegado não é competente. para a esfera de competência do delegado. Então. mas uma competência alheia. nem é uma autorização. Esta tese não é aceitável porque não respeita os requisitos. dispondo frequentemente de poderes públicos e estando submetidas a deveres públicos. 8 de 12 . assim sendo. Resulta da desconcentração administrativa e decorre dentro de cada pessoa colectiva (Lei nº4/2004 de 15 de Janeiro). mas uma transferência do exercício dos poderes. que não está submetida à hierarquia do Governo. . a competência advém -lhe do acto de delegação. no qual. e não da lei de habilitação. Ì ELEMENTOS DE ORGANIZAÇÃO PÚBLICA a) As pessoas colectivas b) Os órgãos c)Os serviços públicos a) AS PESSOAS COLECTIVAS São criadas por iniciativa pública para assegurar a prossecução necessária de interesses públicos. Administração Estadual ² actividade administrativa pública que é desenvolvida no âmbito da pessoa colectiva pública Estado . a titularidade dos poderes. a lei de habilitação confere desde logo uma competência condicional ao delegado. a delegação de poderes constitui uma transferência do delega nte para o delegado: não. ˜ Tese da Autorização ² de acordo com esta. porém. 29º nº1 e 2 do CPA). ˜ Administração Directa ² quando a actividade administrativa estadual é exercida por órgãos e serviços da própria pessoa colectiva pública Estad o. e com fundamento na lei de habilitação. Antes da delegação. Comissão Nacional de Eleições). 40º CPA) ˜ Tese da Alienação ² de acordo com esta tese. pois o seu estatuto assenta numa ligação privilegiada à Assembleia da República (Provedor de justiça. a delegação de poderes não é uma alienação porque o delegante não fica alheio à competência que decida delegar. ˜ Tese da Transferência de Exercício ² nesta. passa por força desta.DIREITO ADMINISTRATIVO I g) NATUREZA JURÍDICA DA DELEGAÇÃO (art. só que não pode exercer essa sua competência enquanto o delegante lho permitir. não satisfaz. a competência exercida pelo delegado com base na delegação de poderes não é uma competência própria. uma transferência da titularidade dos poderes. A razão pela qual esta tese. o delegado já é competente . que pertencia ao delegante antes da delegação. reside na sua incapacidade de explicar adequadamente o regime jurídico estabelecido na l ei para a delegação de poderes (art. Esta é por isso a tese que prevalece na nossa lei. a delegação de poderes é um acto de transmissão ou alienação de competências do delegante para o delegado. Logo. sobre as matérias em que permite a delegação. isto é. a personalidade jurídica é reconhecida pelo direito interno .

. 2. Ì Administração Periférica Especializada ² administração estadual directa e subordinada. . de estrutura não empresarial. traduz -se numa actividade administrativa do Estado. ˜ Administração Indirecta ² quando a actividade administrativa estadual é exe rcida por pessoas colectivas distintas do Estado. possuem um órgão próprio de fiscalização e a sua contabilidade segue as regras d a contabilidade industrial. através de entidades públicas com personalidade jurídica própria e de autonomia administrativa. Do prisma subjectiv o ou orgânico. mas por ele criadas. centro de emprego ). ligada à representação do Governo e a missões no âmbito da segurança de pessoas e bens (governadores civis e assembleias distritais). repartições de finanças. pertencentes ao Estado ou a outra pessoa colectiva (art.  Institutos Reguladores ² criar o enquadramento normativo adequado ao desenvolvimento de actividades económicas de cariz privado Nacional de Comunicações ² ANACOM). Institutos Públicos ² pessoa colectiva pública do t ipo institucional . isto é. agência para a qualidade e segurança alimentar).  Administração Central ² é a administração estadual directa e subordinada que abrange todo o território nacional (ou continental).  Institutos de Infra-estruturas ² encarregados da construçã o e manutenção de infra-estruturas ou do respectivo financiamento (Instituto Marítimo-Portuário). Fundações Públicas ² fundações que revestem a natureza da pessoa colectiva e que se traduzem no património afectado de fins públicos essenciais (Fundação Centro Cultural de Belém). Estado. inspecção ou avaliação de riscos da actividade privada (autoridade da concorrência. 9 de 12 .S. Entidades Públicas Empresariais ² têm todas as características das empresas.  Institutos de Prestação ² vocacionados para a prestação de ser viços à colectividade (hospitais públicos . dependentes de um membro deste. 11º nº4 al. Do prisma objectivo ou material.DIREITO ADMINISTRATIVO I Administração Subordinada ² parte da administração estadual directa. através de entidades públicas com personalidade jurídica própria e de autonomia administrativa e financeira . É constituída por pessoas colectivas que não foram criadas pelo Estado. que pretende a realização dos fins deste.  Administração Periférica ² é a administração estadual directa e subordinada que abrange somente uma porção do território nacional e funciona sob direcção dos correspondentes órgãos centrais (art.Administração Autónoma ² actividade administrativa que é desenvolvida fora da pessoa colectiva pública. adstrita ao desempenho de missões determinadas. que pretende a realização dos fins deste. que visa assegurar o desempenho de determinadas funções administrativas. b) da Lei nº4/2004 de 15 de Janeiro).P. (esquadras da P. Resulta da descentralização imprópria ou da devolução de poderes . Ì Administração Periférica Comum ² administração estadual directa e subordinada. 2º e art. traduz -se numa actividade administrativa do Estado. 3º e 4º LAIP). cujos órg ãos e serviços estão submetidos à hierarquia do Governo. (Autoridade  Institutos Fiscalizadores ² encarregadas de tarefas de controlo. correspondentes a certos serviços. universidades).

que asseguram a prossecução de interesses comuns resultantes da proximidade geográfica. No plano económico.possuem por exigência constitucional. ˜ Princípio da Autonomia Local (art. o agregado populacional. um órgão legislativo parlamentar e um governo. correspondentes aos agregados de residentes em diversas circunscrições do território nacional. ˜ Princípio da Subsidiariedade ² tudo quanto puder ser eficazmente decidido e executado ao nível autárquico. a) FREGUESIAS As freguesias são autarquias locais que dentro do território municipal visam a presunção de interesses próprios da população residente em cada circunscrição paroquial (Lei nº8/93 de 5 de Março). Autarquias Locais (exposição nas págin as seguintes) Ì AUTARQUIAS LOCAIS Pertencente à Administração Autónoma Territorial. os interesses comuns e os órgãos representativos (art. Entidades auto-reguladoras (federações desportivas). 10 de 12 . 267° nº4 CRP) ² pessoas colectivas públicas com personalidade jurídica. Apenas dispõem de uma Administração Pública própria. não deve ser atr ibuído ao Estado e aos seus agentes . através dos seus serviços desenrolam os processos eleitorais de carácter político e administrativo. Instituições particulares de solidariedade social (as misericórdias). . sob a sua responsabilidade e no interesse das respectivas populações. co m a finalidade de prosseguir estes (ordens profissionais: dos advogados. uma Administração Pública própria. Estas suportam quatro elementos: o território. Consórcios Públicos ² pessoas colectivas públicas com personalidade jurídica. consiste nas pessoas colectivas públicas de base territorial. ˜ Administração Autónoma Territorial : Regiões Autónomas . mediante a actividade de órgãos próprios representativos das populações. de tipo associativo criadas por grupos de cidadãos com interesses públicos próprios específicos. nos termos da lei. dos médicos). uma parte importante dos assuntos públicos. No plano cultural e social. descentralização administrativa. são as freguesias que realizam o recenseamento eleitoral e. e são fruto da descentralização administrativa . 235º CRP).DIREITO ADMINISTRATIVO I prosseguindo interesses públicos próprios das colectividades que as instituíram. e são fruto da descentralização política. Universidades Públicas. associações de municípios de direito público). Resulta da ˜ Administração Autónoma não Territorial : Associações Públicas (art. 6° nº1 CRP) ² o direito e a capacidade efectiva de as autarquias regulamentarem e gerirem. desenvolvem um importante papel em matéria de cultura popular e de assistência social (Lei nº 159/99 de 14 de Setembro). de tipo associativo que reúnem as entidades públicas que as instituíram na prossecução de interesses públicos comuns (área metropolitana de Lisboa. No plano político. as freguesias ocupam -se da administração dos seus bens e promovem obras públicas.

249º e ss CRP). Competência ² art. 42º LAL e art. Funcionamento ² art. Funcionamento ² art. Composição ² art. 251º CRP). 24º LAL. 56º e ss LAL e art.  Função de Orientação Geral do Município ² discutir e aprovar o programa anual de actividade e o orçamento municipal.  Função de Fiscalização ² acompanha.  Função Preparatória e Executiva ² prepara as deliberações da AM e executa as.  Função de Gestão ² regular e assegurar os bens. entre outras.DIREITO ADMINISTRATIVO I ˜ Assembleia de Freguesia ² órgão deliberativo e representativo. Funcionamento ² art.  Função de Colaboração ² colaborar na ordenação territorial e urbanismo. Composição ² art.  Função de Estudo e Proposta ² estudar problemas e apresentar soluções . ˜ Assembleia Municipal ² órgão colegial deliberativo. Composição ² art.  Função de Decisão Superior . assim. 251º CRP. 41º e ss LAL e art. 53º LAL. Competência ² art. 57º LAL. serviços. 3º e ss LAL e art. 11 de 12 . obras. 252º CRP). b) MUNICÍPIOS Os municípios são autarquias locais que visam a presunção de interesses próprios da população .  Função Eleitoral ² compete eleger a Junta de Freguesia . entre outros. 62º e 63º LAL. 33º até 38º LAL. culturais. 24º LAL e art. com competências de gestão permanente dos assuntos municipais (art. Competência ² art. 17º LAL.  Função Executiva. que consiste no corpo administrativo da freguesia e que é composto pelo presidente e um certo número de vogais (art.  Função Tributária ² estabelecer impostos e taxas. 13º e 14º LAL.  Função de Fiscalização da Câmara Municipal. Funcionamento ² art.  Função de Regulamentação. reúne-se ordinariamente quatro vezes por ano (art. ˜ Câmara Municipal ² órgão colegial executivo. trata-se de uma circunscrição territorial dotada de personalidade jurídica e com certa autonomia administrativa. regulamentação e fiscalização (art. 246º CRP). 61º. com competências de orientação.  Função de Orientação Geral ² estabelecer poderes tributários e reguladores. Competência ² art. ˜ Junta de Freguesia ² órgão executivo. 5º LAL. constituindo -se de certos órgãos político -administrativos (art. Composição ² art. 49º LAL. controla e supervisiona a actividade da Junta. desportistas. 64º LAL. 244º e 245º CRP).  Função Decisória ² compete decidir os casos mais importantes. 30º LAL. .  Função de Fomento ² apoiar as iniciativas sociais.

com competências próprias ou delegadas (art. ² emite pareceres sobre as obras não sujeitas a  Função de Gestão. Competência ² art. 68º LAL.  Função Presidencial ² convoca e preside as reuniões.  Função Decisória ² dirige e coordena os serviços municipais. ˜ Presidente da Câmara ² órgão singular executivo do município.  Função Executiva. .  Função de Decisão . 65º nº1 e 68º LAL). 12 de 12 .  Função Interlocutório ² fornece as informações aos vereadores e à AM.  Função de Fomento ² apoia as iniciativas municipais.DIREITO ADMINISTRATIVO I  Função Consultiva licenciamento.