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Pentatônica por Osmani Jr. Aplicações modais da escala Pentatônica: Aplicações modais da escala Pentatônica Antes

Pentatônica

por Osmani Jr.

Aplicações modais da escala Pentatônica:

Aplicações modais da escala Pentatônica

Antes de entrarmos na aplicação propriamente dita, vamos voltar um pouco e re- lembrar o que é na verdade uma escala pentatônica. “Penta” significa cinco, ou seja, uma escala apenas com cinco notas, e que é também muito mais antiga que a escala maior. Provavelmente qualquer escala com cinco notas poderia ser descrita como pentatônica, mas as que geralmente usamos na música ocidental são a Pentatônica Maior e a Pen- tatônica Menor:

são a Pentatônica Maior e a Pen- tatônica Menor: Se empilharmos todas as notas da pentatônica

Se empilharmos todas as notas da pentatônica maior, teremos um acorde C6/9. Da pentatônica menor, teremos um acorde Am7(11). Se você ainda não tinha feito esse tipo de análise, é uma boa hora para começar. Tente olhar as escalas não apenas de maneira horizontal, mas também vertical. Acordes são escalas e escalas são acordes, depen- dendo somente de como você posiciona as notas no tempo. Como disse antes, escalas pentatônicas contém apenas cinco notas e por causa disso, elas não parecem tão esca- lares quanto as escalas de sete notas, soando mais como arpejos. Ou seja, um arpejo de cinco notas não parece uma coisa tão estranha quanto um de sete.

A escala Pentatônica Menor

As aplicações que vamos introduzir agora são baseadas na pentatônica menor. A razão disso é que o formato da pentatônica menor é provavelmente o primeiro desenho de es- cala que aprendemos e, portanto nos é mais confortável do que o da pentatônica maior. Se você estiver mais familiarizado com o desenho maior, simplesmente transponha as fórmulas correspondentes para a pentatônica maior.

com o desenho maior, simplesmente transponha as fórmulas correspondentes para a pentatônica maior. www.osmanijr.com.br

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Sequências

Os mesmos licks de blues que você toca podem ou não funcionar nesta nova aplicação, então talvez você queira deixar um pouco de lado suas frases favoritas. A pentatônica é cheia de intervalos de 4as e 5as, tente tirar vantagem deles o máximo possível. Vamos começar com uma seqüência de quartas:

possível. Vamos começar com uma seqüência de quartas: Uma variação da anterior: Uma seqüência de quintas:

Uma variação da anterior:

com uma seqüência de quartas: Uma variação da anterior: Uma seqüência de quintas: Toque estas sequências

Uma seqüência de quintas:

Uma variação da anterior: Uma seqüência de quintas: Toque estas sequências de maneira ascendente e descendente.

Toque estas sequências de maneira ascendente e descendente. Também há várias outras seqüências que você pode tentar descobrir sozinho. Elas são grandes ferramentas quando bem usadas, mas sem exagero para não soarem mecâncas demais.

Aplicando a Pentatônia Menor sobre Acordes Maiores

Vamos começar usando uma pentatônica menor sobre um acorde da família Maior. Como exemplo, vamos supor que tenhamos que improvisar sobre um acorde C7M. Aqui está a fórmula básica para lembrarmos:

Sobre um Acorde Maior, você pode tocar uma Pentatônica Menor saindo da 7ª, 3ª e 6ª do Acorde.

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Pentatônica Menor tocada sobre o 7º grau de um acorde Maior

Sim, é verdade, sobre o 7º! Isto significa que primeiro você precisa localizar a 7ª do seu acorde Maior 7M, neste caso C7M, que é a nota SI. Então você pode tocar uma Pen- tatônica de Bm sobre o acorde C7M. Eu sei que parece estranho mas confira a análise abaixo e você verá como funciona:

mas confira a análise abaixo e você verá como funciona: A única coisa que poderia confundi-lo

A única coisa que poderia confundi-lo um pouco é o fato de não haver a presença da tônica nesta escala. Não se preocupe, tônicas não são necessárias em escalas quando

usadas para improvisação. Quando você assimilar isso, milhares de possibilidades de no- vas relações escala/acorde irão se abrir. Pode ser útil pensar nesta pentatônica como

Lídio por causa da presença da #11. Como ela contém todas as extensões (9, #11, 13), deverá funcionar melhor sobre um acorde com as mesmas ou algumas destas extensões (C7M#11, C7M/13, etc.) mas também funciona bem sobre um simples C7M ou C7M9.

Pentatônica Menor tocada sobre o 3º grau de um acorde Maior

Uma pentatônica menor tocada a partir da 3ª nos dá outra opção interessante. A 3ª de C é MI, então tudo o que temos a fazer é tocar uma Pentatônica de Em. Veja as notas de acorde abaixo:

uma Pentatônica de Em. Veja as notas de acorde abaixo: Como no exemplo anterior, aqui também

Como no exemplo anterior, aqui também não temos a presença da tônica na escala. Dif- erente da Pentatônica tradicional temos aqui a adição da 7M. É como se tivéssemos tro- cado a tônica pela 7M nesta.

Pentatônica Menor tocada sobre o 6º grau de um acorde Maior

A 6a de C é LA, então precisamos tocar uma Pentatônica de Am nesta outra possibili- dade. Veja as notas de acorde abaixo:

nesta outra possibili- dade. Veja as notas de acorde abaixo: Como vocês devem saber, a pentatônica

Como vocês devem saber, a pentatônica de Am e de C são a mesma escala. Então nada de novo e excitante aqui, mas vamos mantê-la na mão para depois

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Aqui vai o resumo para aplicação da pentatônica menor sobre acordes maiores:

pentatonicas menores/acordes maiores

pentatonicas menores/acordes maiores

grau a ser tocada

7

3

6

Notas de acorde criadas

2,3,#4,6,7

2,3,5,6,7

1,2,3,5,6

Colocando em prática

Vamos começar usando o que aprendemos acima sobre toda progressão de acordes maiores. É uma progressão simples de três acordes: A7M9, C7M9 e E7M9, quatro com- passos para cada. Tenho a tendência de fazer um mapa mental (e às vezes físico) das possibilidades sobre a pentatônica menor e então encontrar aquelas que estão a um ou dois trastes de distância de cada acorde. Desta maneira se torna muito fácil conectar lin- has e motivos melódicos. No exemplo acima, poderíamos fazer a seguinte escolha:

Acorde

Pentatonica menor

A7M9

G#

C7M9

A

E7M9

G#

Ou talvez

Acorde

Pentatonica menor

A7M9

C#

C7M9

B

E7M9

C#

Grave estas progressões e experimente com todas as possíveis pentatônicas:

e experimente com todas as possíveis pentatônicas: A razão da escolha destas pentatônicas é porque para

A razão da escolha destas pentatônicas é porque para o acorde C7M9 tudo o que temos

a fazer é mover a pentatônica de G#m meio tom acima até a pentatônica de Am. Não é

uma grande mudança, e por isso mesmo é uma boa maneira de conectar um motivo melódico de um compasso ao outro. Veja como podemos usar esse padrão com interva- los de 4as e 5as para obter esse efeito:

com interva- los de 4as e 5as para obter esse efeito: Aplicando a pentatônica menor sobre

Aplicando a pentatônica menor sobre acordes menores

Agora vamos fazer o mesmo, porém desta vez improvisando sobre acordes menores. A fórmula é:

Sobre acordes menores, você pode tocar uma Pentatônica Menor saindo da Tônica, 2ª e 5ª do acorde.

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Pentatônica Menor tocada sobre o 1º grau (tônica) de um acorde Menor

Esta escala sobre este acorde é como você está mais acostumado a usar então não va- mos entrar em muitos detalhes aqui. Antes de irmos aos próximos exemplos, vamos dar uma olhada nas notas de acorde que temos na mais comum das aplicações da pen- tatônica menor:

na mais comum das aplicações da pen- tatônica menor: Pentatônica Menor tocada sobre o 2º grau

Pentatônica Menor tocada sobre o 2º grau de um acorde Menor

Você pode tocar uma pentatônica menor 1 tom acima de um acorde menor. Veja porque:

menor 1 tom acima de um acorde menor. Veja porque: Esta aplicação da pentatônica menor tocada

Esta aplicação da pentatônica menor tocada sobre o 2º grau do acorde menor te dará a 6ª maior, que é “dórico” por natureza, então costumo pensar nesta escala usada neste con- texto como a pentatônica dórica. Esta forma, ela contém todas as extensões do acorde menor (9ª, 11ª, 13ª) e funciona bem sobre um acorde menor 6 ou menor 13.

Pentatônica Menor tocada sobre o 5º grau de um acorde Menor

Esta é outra boa alternativa para a nossa velha pentatônica. Tocada uma 5ª acima, você terá as seguintes notas de acorde:

para a nossa velha pentatônica. Tocada uma 5ª acima, você terá as seguintes notas de acorde:

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Diferente da pentatônica menor usual, você tem a adição da 9ª quando tocada neste con- texto. Você também estará perdendo a sua 3ª menor, o que dará a escala uma certa am- bigüidade tonal, o que pessoalmente me agrada.

Novamente a tabela de fórmulas, agora da pentatônica menor sobre acordes menores:

Pentatonicas menores/acordes menores

Pentatonicas menores/acordes menores

Grau a ser tocada

1

2

5

Notas de acorde criadas

1,b3,4,5,b7

1,2,4,5,6

1,2,4,5,b7

Colocando em prática

Vamos começar usando o que aprendemos acima sobre uma progressão de acordes me- nores. Esta progressão é uma vamp de dois acordes (Cm7/9 e Em7/9) com quatro com- passos para cada. Novamente, prefiro usar as pentatônicas que estão próximas entre si, podendo assim conectar motivos melódicos através dos compassos:

acorde

Pentatonica menor

Cm7/9

C

Em7/9

B

ou talvez

Grave as progressões e experimente:

Acorde

Pentatonica menor

Cm7/9

G

Em7/9

F#

Acorde Pentatonica menor Cm7/9 G Em7/9 F# Esta é uma seqüência em intervalos de 5ª tocada

Esta é uma seqüência em intervalos de 5ª tocada através dos dois compassos:

em intervalos de 5ª tocada através dos dois compassos: Aplicando a Pentatônica menor sobre acordes Dominantes

Aplicando a Pentatônica menor sobre acordes Dominantes Alterados

Agora vamos fazer o mesmo, porém desta vez improvisando sobre acordes dominantes alterados. A fórmula é:

Sobre acordes dominantes alterados, você pode tocar uma Pentatônica Menor saindo da 3ª menor, 4ª e 7ª menor do acorde.

Pentatônica Menor tocada sobre o 3º grau menor de um acorde Dominante Alterado

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A 3ª menor ou 9ª aumentada de C é Mi bemol então esta é a pentatônica menor que to- caremos aqui. Veja o que temos:

a pentatônica menor que to- caremos aqui. Veja o que temos: O que mais poderíamos querer?

O que mais poderíamos querer? Temos as quatro alterações do acorde (b5,#5,b9,#9).

Pentatônica Menor tocada sobre o 4º grau de um acorde Dominante Alterado

No caso de C7(alt), uma pentatônica de Fm:

Alterado No caso de C7(alt), uma pentatônica de Fm: Talvez não seja a melhor escolha para

Talvez não seja a melhor escolha para um acorde com 7(b9,b5) mas é uma ótima opção para um C7(#5,#9). Você teria que ser um pouco cuidadoso quando tocasse a 4ª porém as escalas pentatônicas tem tantos intervalos de 4ª justa que isso não vai soar tão estra- nho.

Pentatônica Menor tocada sobre o 7º grau de um acorde Menor

No caso de C7(alt), uma pentatônica de Bbm:

um acorde Menor No caso de C7(alt), uma pentatônica de Bbm: Como nos exemplos anteriores, você

Como nos exemplos anteriores, você tem que ser cuidadoso com a 4ª, mas, com exceção da 5ª dim, você terá todas as outras alterações do acorde (#5, b9, #9).

Mais uma vez, nossa tabela de fórmulas, agora com a aplicação da pentatônica menor sobre os acordes dominantes alterados:

Pentatonicas menores/acordes alt

Pentatonicas menores/acordes alt

Grau a ser tocada

b3

4

b7

Notas de acorde criadas

b5,#5,b7,b9,#9

1,4,#5,b7,#9

4,#5,b7,b9,#9

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Colocando em prática

Vamos concluir usando o que aprendemos sobre uma progressão II – V – I. Como men- cionado nos exemplos anteriores, vamos procurar por pentatônicas que estejam meio tom distantes. Sobre as três escolhas que teremos para cada acorde, estas são as que pro- vavelmente eu escolheria:

acorde

pentatonica menor

Dm7

A

G7(alt)

Bb

C7M

B

Ou talvez

Grave as progressões e experimente:

acorde

Pentatonica menor

Dm7

E

G7(alt)

F

C7M

E

Pentatonica menor Dm7 E G7(alt) F C7M E Note como neste exemplo eu simplesmente movo a

Note como neste exemplo eu simplesmente movo a pentatônica meio tom acima para acomodar cada acorde:

a pentatônica meio tom acima para acomodar cada acorde: Usando as mesmas pentatônicas sobre a progressão

Usando as mesmas pentatônicas sobre a progressão II – V – I com dois acordes por compasso:

a progressão II – V – I com dois acordes por compasso: Neste exemplo, usei os

Neste exemplo, usei os mesmos motivos de intervalos como no nosso primeiro exemplo mas desta vez começando numa pentatônica de Em, movendo meio tom acima para G7(alt) e depois movendo meio tom abaixo, de volta a Em, como resolução:

movendo meio tom acima para G7(alt) e depois movendo meio tom abaixo, de volta a Em,

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É importante aprender todas as suas escalas e arpejos, mas as várias aplicações da pen- tatônica menor que vimos nesta lição são uma valiosa ferramenta de improvisação que você pode ter na manga. Até a próxima

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