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I PARTE: OPERAÇÕES FINANCEIRAS BÁSICAS


CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO - CONCEITOS BÁSICOS


1. Objecto Do Cálculo Financeiro


O objecto do calculo financeiro é aplicar a lógica e os métodos da matemática ao
estudo e análise das operações económicas através das quais é feita a aplicação
financeira ou o investimento directo de capitais, determinando o seu progresso em
resultado e em função de uma predeterminada rentabilidade, ou a sua produtividade
em função do processo desenvolvido.

É frequente o uso da expressão «Matemática(s) Financeira(s)» em vez de «Cálculo
Financeiro». Não se discute esta dualidade. O juízo seguido foi o de que não existe
na realidade nenhuma matemática financeira. O que ocorre é a necessidade natural
de quantificar as operações económico-financeiras com recurso obvio à
matemática. Fazer contas é calcular, não é fazer matemática.

Com um fim de entreajuda , o que os matemáticos têm feito é elaborar
sistematizações específicas de «matemáticas» para economistas e financeiros,
simplificando deste modo o trabalho destes.

A aplicação financeira e o investimento de capitais oferecem três aspectos basilares
que constituem outros tantos ângulos de observação das operações:

i) a geração e acumulação dos rendimentos obtidos, ou seja o processo de
capitalização;
ii) o retorno de capitais à sua espécie monetária original após concluído o ciclo da
aplicação realizada, ou seja o processo de
amortização/reintegração/recuperação;
iii) a avaliação dos próprios capitais em função dos fluxos de rendimento que
produzem nos seus investimentos , ou seja o processo de actualização.

Estes ângulos de visão transcendem o campo restrito das operações financeiras
tradicionais de depósito e empréstimo, abarcando assim todo o domínio da
microeconomia, dentro do qual a utilização do crédito constitui tão somente um
caso particular.

Deste modo, passa-se da análise do processo e da rentabilidade das operações
financeiras “stricto sensu” para a análise do investimento e rentabilidade de
quaisquer capitais em geral.



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É bastante habitual empregar a expressão Cálculo Financeiro para o tratamento
matemático dos problemas de avaliação e decisão sobre investimentos. Não se vê a
necessidade nem a vantagem daquela expressão, quando uma breve reflexão
evidencia rapidamente que a expressão clássica de cálculo financeiro se aplica com
plena propriedade e rigor a toda a microeconomia. Sugere-se que a expressão ou
título de Cálculo Económico sejam reservados ao domínio da macro economia.

Na óptica adoptada o Capital pode assumir qualquer das formas sob que se
apresenta na vida económica real: monetária, instrumento de produção ou valor
intangível de suporte. É apenas um valor stock aplicado ou investido num processo
económico.

O rendimento ou renda deste processo produtivo pode, em consequência, assumir
qualquer das facetas sob que se considere em particular: juro, aluguer (renda) ou
lucro, consoante se trate respectivamente da cedência do uso do capital-monetário,
da cedência do uso do capital-instrumento (capital mobiliário ou imobiliário), ou
dos resultados variáveis e contingentes do capital-empresa (investimento directo
num processo produtivo).

E a taxa de rentabilidade (rendibilidade ou produtividade) é, portanto, a relação
entre o rendimento produzido e o capital stock que o gerou dentro de cada período
de produção considerado/ definido, seja qual for a natureza desse capital. Tal taxa
de rentabilidade designar-se-á por taxa de juro, taxa de retorno, taxa de lucro, taxa
de produtividade, etc., consoante a espécie do capital stock e a situação económico-
jurídica da aplicação ou investimento.

O juro (tal como o aluguer ou renda) é geralmente pré fixado, podendo, no entanto,
variar ao longo do processo de aplicação, e nunca pode ter valores negativos em
termos nominais.

O lucro é essencialmente variável e pode ter valores nominais negativos (prejuízo
visível).

Nesta óptica alargada insere-se, por outro lado, um conceito consequente que é
tanto extremamente geral como imensamente útil: o conceito de fluxo líquido ou
fluxo de caixa (cash flow), que é uma maneira de exprimir um rendimento através
de valores contabilísticos específicos relativos à operação de um certo capital stock.
Com efeito, o rendimento é calculado fazendo a diferença entre as receitas e
encargos efectivamente imputáveis àquela operação com plena exclusividade. Por
este processo, obtém-se uma taxa efectiva específica de rentabilidade (dita taxa
interna) do capital stock em causa.






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Assim também o juro é um fluxo líquido de caixa, depois de deduzir ao valor
recebido do mutuário qualquer despesa específica incorrida e também os impostos
que sejam devidos (como o de aplicação de capitais e de selo).

Neste contexto, o Cálculo Financeiro poderá ser mesmo definido como a técnica de
análise de fluxos de caixa de capitais investidos, procedendo à sua transformação
em fluxos equivalentes que permitam comparações e decisões com vista a
manobrar a aplicação dos capitais pela forma mais rentável possível.

Porém (e não obstante esta generalização e abstracção quanto à rentabilidade dos
capitais) o juro permanece a variável estratégica central da vida económica e
financeira, e bem assim a variável basilar do Cálculo Financeiro. Deve, pois, ser-
lhe dedicada uma atenção teórica especial, não só para assentar em sólido alicerce
aquela disciplina técnica, como também para penetrar no cerne do conceito e da
teoria do rendimento em geral. Na verdade, tendo grande parte, ou a maior parte,
dos capitais investidos nas empresas origem no crédito, é evidente que a taxa de
juro dos empréstimos no mercado de capitais comanda efectivamente o nível do
investimento e o nível realizável de lucro líquido empresarial, ou seja da taxa de
rentabilidade do investimento global (capitais próprios e alheios). É assim que o
aumento do custo do dinheiro conduz à quebra do investimento, pois pode fazer
com que não valha a pena o esforço e o risco de investir.


2. Síntese Dos Conceitos De Capital, Dinheiro E Juro


2.1. Capitais e Dinheiro e o Preço do Seu Uso

Desde que vivemos em economia monetária que as expressões capital e dinheiro se
utilizam indistintamente num sentido abstracto equivalente.

A palavra capital tanto se usa para significar um bem ou instrumento de produção
de natureza física ou tangível, utilizado de modo directo ou indirecto no processo
de produção, como um valor intangível tão somente incorporado no património
contabilístico duma empresa. Ou, mais abstractamente ainda, para significar o
montante do direito dos proprietários da empresa (capital accionista), ou as fontes
de financiamento do activo das empresas (capital próprio e capital alheio ou de
crédito).

A palavra dinheiro significa indistintamente ou globalmente o dinheiro moeda e o
dinheiro crédito bancário.
Em paralelo com estas abstracções monetaristas do capital, dinheiro e crédito,
também a noção genérica do juro é de que este é o preço de mercado daqueles bens
ou valores, ou seja o preço pelo qual os detentores dos mesmos valores estão
dispostos a ceder o seu uso.


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Notemos agora que o traço comum dos capitais, dinheiro e crédito é serem uma
“propriedade” de alguém (ou os seus detentores legais). Daí que os vocábulos
“renda” ou “aluguer” que vulgarmente se utilizam para traduzir o preço pago pela
utilização de propriedades imobiliárias e mobiliárias serem equivalentes, na
realidade, ao juro em termos económicos. Em síntese tem-se pois que o juro é o
preço dos capitais (e o rendimento dos respectivos possuidores), assim como o
salário é o preço do trabalho humano ( e o rendimento das pessoas que trabalham)

2.2. A Lógica do Juro

Hoje está ultrapassada a velha questão levantada pelos filósofos da antiguidade
acerca da injustiça do juro. Este é o preço económico da reconstituição dos capitais,
que são trabalho humano acumulado para aumentar a produção futura (ou para
usufruir em consumo futuro), tal como o salário é o preço pela reconstituição
permanente do trabalho humano.

O que acontece é que, por deficiências humanas, tanto o juro como o salário podem
ser injustos em determinadas situações ou ocorrências, quer por serem
excessivamente altos quer por serem excessivamente baixos em relação ao valor
económico correcto que deveriam ter. E repare-se que as situações de injustiça - tal
como delas se pode aperceber e julgar o senso comum - são sempre motivadas por
posições relativas de força.

Suponhamos que numa ilha um reduzido grupo de habitantes vive num estado
primitivo de produção. Vivem quase exclusivamente de peixe, que pescam com
anzóis improvisados ou com as próprias mãos. Em suma, com os meios
rudimentares de que dispõem carecem de trabalhar duramente para conseguirem os
alimentos dia a dia.... Imaginemos que eles decidem construir uma rede e uma
canoa com o que poderão duplicar, por exemplo e desde logo a produção de peixe.
Este grupo tem dois caminhos:

1) Todos resolvem produzir a maior soma possível de pescado, e ao mesmo tempo
reduzir o seu consumo de peixe ao mínimo possível, de modo a construir um
“fundo” de peixe seco capaz de alimenta-los enquanto todos (ou todos numa
primeira fase e alguns numa segunda fase) têm de abandonar a pesca para se
dedicarem à fabricação da rede e da canoa.

2) Parte das pessoas continua a pescar enquanto a outra parte - a necessária no
mínimo - se devota à construção da rede e da canoa, consequentemente em mais
tempo do que na primeira hipótese, mas de qualquer modo significando sempre
um sacrifício na produção e no consumo, presentemente, de peixe.






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Este exemplo muito simples encerra em si e desencadeia logicamente as seguintes
deduções e ilações:

- A construção de bens de capital - meios ou processos coadjuvantes, directos ou
indirectos, de aumentar a produtividade e a produção no futuro - representa e
significa sempre um certo sacrifício de consumir.

- Que este sacrifício de consumir - que chamamos “poupança” - é a base essencial
e necessária para construir “bens (ou instrumentos) de capital (ou produção)” -
acto este de construção que chamamos “investimento”.

- Que os bens ou instrumentos de produção são uma parte da produção total de
uma colectividade, constituindo trabalho acumulado com o intuito de criar “lucro
futuro” a partir dos acréscimos sucessivos da “produtividade”. O nosso grupo de
náufragos pode fabricar mais redes e canoas para “vender” ou “emprestar” aos
habitantes de uma outra ilha próxima, que se dedicam a produzir, por exemplo,
sementes em excesso das suas próprias necessidades e que podem trocar por
redes e canoas.

- Que o “capital acumulado” pode ser substituído por outro mais produtivo,
carecendo em qualquer hipótese de ser constantemente substituído, renovado,
reforçado, aperfeiçoado e sofisticado, para além da necessidade do esforço de
manutenção daquele que permanece em uso.

- Que o acto de “poupar” (abstenção de consumo), sendo condição necessária do
“investimento” (construção dos bens, instrumentos ou equipamentos de
produção) não é condição suficiente pois que a poupança apenas libera factores
de produção do sector dos bens de consumo para o sector dos bens de capital,
pelo que se torna indispensável consumar a decisão de produzir mesmo estes
bens de capital para haver realmente investimento.

Poupança sem a decisão de investir é “entesouramento” e este, se ultrapassar o
limite relativo admissível de reserva de valor, acabará por tornar inútil o esforço da
poupança realizado e estancará a realização de poupança futura.

- Que o “ganho” ou “lucro” obtido com a capitalização de factores de produção é,
portanto, sempre representado por um acréscimo na produção futura, acréscimo
esse que depende da “produtividade” do capital envolvido (o qual também se
chama desde Keines a “eficiência marginal do capital”) e que é precisamente o
“juro”.






2.3. Produtividade Líquida Ou Eficiência Marginal Do Capital

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Vamos dar dois exemplos extraídos do compêndio “Economics - An Introdution
Analysis” de Paul Samuelson, uma das melhores obras de caracter geral que se
publicaram dentro dos conceitos económicos actuais.

- Uma máquina que nos custou 100 unidades monetárias (UM) dura um ano de
trabalho intenso. Pode ser alugada durante esse ano por 115 UM. A
produtividade líquida ou eficiência marginal é de 115 - 100 = 15 UM, e a
respectiva taxa é de 15UM / 100UM (custo original) ou seja 15%.

- Um certo equipamento que dura em principio indefinidamente pode render no
mercado, em cada ano, uma vigésima parte do seu valor de custo, o qual foi de
1.000.000 de UM. Visto que tal equipamento não tem desgaste físico, então o
seu “rendimento bruto” de 50.000 (igual a 1/20 x 1.000.000 UM) pode ser
tratado como um rendimento líquido. Assim, a taxa de produtividade líquida é de
5% = (50.000 / 1.000.000).

Conclui-se destes exemplos que a produtividade líquida dum “capital” é, na
verdade, expressa por uma “taxa de rendimento sobre o seu custo” .

O vocábulo “eficiência” significa qualquer medida de grau de funcionamento ou
desempenho em termos de um padrão ou objectivo pré determinado, por dizer
respeito a um bem de capital, operações de toda a natureza, funcionamento de
organizações, ou desempenho de indivíduos. Em economia, a eficiência traduz:

 a capacidade/habilidade de produzir a uma dada taxa com menores custos;
 a capacidade/habilidade de produzir a uma maior taxa com menos custos.

Em sentido lato, por conseguinte, significa no fundo o mesmo que lucratividade ou
rentabilidade, mas em sentido técnico restrito o termo eficiência (ou eficácia)
elimina quaisquer níveis transitórios (bastante altos ou baixos) que os lucros
oferecem, pois aponta para um nível “esperado” ou “standart” de rentabilidade.

A expressão “marginal” traduz um excedente, incremento, ou diferencial além da
reprodução, reconstrução de um valor de custo. Este excesso ou margem constante,
portanto, é a única fonte possível de lucro líquido. E aquele excesso somente será
este lucro líquido se não houver mais nenhum custo a incorrer.

Pois bem, a “taxa de juro” num “estado natural” da economia é exactamente a
“produtividade líquida” ou a “eficiência marginal do capital”.




Esta taxa tem como justificação, do lado da oferta dos capitais, a compensação pela
espera dos que poupam ou economizam, isto é, deixam de consumir agora para

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faze-lo mais tarde, realizando assim um sacrifício; e no lado da procura a
justificação reside na disposição ou preferência dos tomadores de capitais em pagar
um certo prémio ou ágio pelo uso dos mesmos, a começar imediatamente, em vez
de fazerem uma acumulação prévia de fundos durante um determinado período de
tempo eles próprios.

Mas a determinação do nível das taxas de juro é muito mais complexa do que
aquilo que ficou dito, e se já não há praticamente discordância quanto à explicação
do fundamento económico dos juros, continua sem formulação unanimemente
aceite uma teoria unitária que explique o nível das taxas de juro, isto é, porquê 3%,
5%, 10% ou 20% ao ano. Vamos no seguimento procurar dar uma ideia do estado
deste problema

2.4. Taxas de Juro do Mercado

Vimos que a taxa natural, que é o mesmo que uma taxa pura, é uma função:

- de haver utilidades/pessoas que poupem, esperando receber mais no futuro;
- da eficácia das tecnologias e técnicas de produção, sendo evidente que maior
produtividade comporta maior taxa de juros;
- da escassez relativa de capital e/ou de mão de obra, uma vez que maior procura
de capital eleva por si só os juros, assim como maior procura de mão de obra
eleva os salários - e a elevação destes eleva o custo dos bens ou
equipamentos/instrumentos de capital, arrastando consigo o aumento da própria
taxa, por força da expectativa de aumentos futuros continuados.

Mas nos mercados reais outras forças intervêm para influenciar o valor das taxas de
juro, e com impactos tão importantes como os das causas primárias que ditam as
taxas naturais ou puras.

Essas forças fazem intervir pelo menos mais quatro elementos na formação e
composição das taxas de juro:

i) O risco das aplicações, dependendo de serem tomadores prósperos ou tomadores
de comportamento duvidoso; ou de serem títulos do Estado, da Administração
Regional ou do domínio privado; ou de serem operações de longo prazo ou de curto
prazo. A taxa será menor para tomadores de elevado crédito e para o Estado; será
maior para operações a longo prazo, uma vez que envolvem um maior risco que as
operações de curto prazo.

ii) O custo da intermediação, ou seja a taxa agregada ao intermediário financeiro
em função principalmente do custo de captação dos recursos.


iii) A correcção monetária, isto é, a parcela necessária para repor no fim do
período - em situação inflacionária - o poder aquisitivo do capital emprestado. Esta
parcela pode ter um impacto tanto ou mais relevante do que os ingredientes da taxa

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pura, tanto mais que se confunde também com a expectativa de inflação futura, isto
é, com a taxa esperada da elevação do índice de preços no futuro próximo - facto
que Keines pós em especial relevo na sua teoria do juro.

iv) Por último, os impactos directos e/ou indirectos das políticas monetárias e
fiscais do governo no sentido de controlar, reorientar, realinhar, estimular ou
incentivar a economia.

O efeito deste elemento de política económica e financeira do governo tanto pode
ser no sentido de agravar como de desagravar a taxa de juros, e diferentemente
conforme o sector da economia, consoante os objectivos que haja em vista naquela
política.

Em síntese tem-se que:

- A taxa natural ou pura, acrescida das parcelas de risco e de custo da
intermediação do sistema bancário, constitui a taxa de juros real;
- Acrescendo-se a correcção monetária e a correcção discricionária e arbitrária
decretada pelo governo (correcção que pode ter efeito positivo ou negativo)
obtém-se a taxa de juros nominal ;

- A taxa nominal é sempre a taxa do mercado, enquanto que a taxa real é a taxa de
mercado em termos de uma economia em situação de funcionamento perfeito.
As duas taxas aproximam-se na medida em que aumenta a estabilidade de preços
e emprego e o governo se abstenha de intervir.

2.5. Taxa de Juro e Inflação

Já dissemos que a inflação é um dos elementos fundamentais que intervêm na
determinação da taxa nominal de juros. Na realidade a simples expectativa de
continuada subida do nível geral de preços tem de ser reconhecida agora como uma
das variáveis mais significativas na determinação em geral dos agentes
económicos. Na taxa de juros, a inflação passou a ser no momento que vivemos a
parcela mais importante na composição do seu valor. Até numa economia da
dimensão dos Estados Unidos, por exemplo, quando a Prime Rate está em 10% isso
significa que a taxa real é de 4% a 5% e o restante traduz a inflação esperada nos
meses próximos.

Mas uma forte correlação entre a taxa nominal de juros e o nível de preços fora já
um facto observado em períodos passados de alta e persistente inflação (ou
deflação).


Em tais períodos de persistente e alta variação nos preços, os seus efeitos sempre
assumiram magnitude que se sobrepôs aos efeitos das outras variáveis normalmente
componentes dos fenómenos económicos e mais significativamente no juro.


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Keines chamou a esta correlação de “Paradoxo de Gibson” (o economista inglês
A.H. Gibson escreveu vários artigos acerca do relacionamento entre o rendimento
dos títulos de longo prazo e o nível de preços na Inglaterra).
E é um paradoxo porque em termos de economia clássica a taxa de juros deveria
em princípio descer se a massa monetária subisse (oferta de moeda maior, logo um
preço menor...), ora acontece o contrário...(porém, a massa monetária não é a
oferta. Logo não há paradoxo).

O economista e estatístico norte americano Irving Fisher, no final do século
passado, já havia feito uma análise muito simples e muito directa da relação entre a
taxa de juros e a inflação, aproveitando a observação de uma queda acentuada e
prolongada que nessa época ocorreu nas taxas de juros nos Estados Unidos. Sem
quaisquer preconceitos derivados das aparências teóricas da teoria quantitativa que
então imperava, e tão somente recolhendo os resultados reais mensuráveis da
observação. Fisher concluiu que, na realidade, a taxa de juros nominal do mercado
é composta de dois elementos conceptualmente independentes:
- a taxa de juros real (a eficiência marginal do capital e o risco das transações)
- a expectativa de variação nos preços.

Chamemos (i) à taxa de juros nominal e (r) à taxa de juro real. Uma unidade
monetária emprestada à taxa (r) deverá proporcionar ao mutuante no final do ano a
quantia (1+r). Mas se houver a expectativa de que no próximo período os preços
vão ter uma subida, o emprestador apenas continuará a oferecer os seus recursos
financeiros se a taxa (r) for acrescida de um valor (uma sobretaxa) correspondente à
variação esperada no índice de preços.
Por conseguinte, sendo (f) a taxa de inflação esperada, a quantia que o mutuário
(tomador de fundos) deverá devolver ao emprestador terá de ser (1+f) vezes maior
do que quando não existiam expectativas inflacionárias. Ou seja, a quantia em
causa deverá ser agora: (1+r) (1+f) e a relação entre as taxas (i) e (r) será então:

(1+i) = (1+r) (1+f)

resolvendo a igualdade obtém-se:

i = r+f+r*f
r+f(1+r)
f+r(1+f)

r = (i-f)/(1+f)



Para uma situação inflacionária persistentemente crescente, o valor de (f) tende
para tomar em consideração não apenas a expectativa a curto prazo, mas antes um
valor médio das expectativas a médio prazo. Assim, sendo (Po) o índice de preços
no presente, (Pn) o mesmo índice no fim do prazo (n) considerado, e ( Pn) a
variação desse índice ao longo do tempo (n), ter-se-á que:

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f’= (Pn/n) (1/P0)

o valor tendencial é superior à simples expectativa de inflação no período (ano)
seguinte:

f’ > f = ( P1/P0)

Uma situação de inflação continuadamente crescente arrasta consigo a expectativa
duma continuada subida dos preços, donde resulta um estado de espírito estimulado
para uma antecipação de compras e formação de stocks, sendo os produtos de
consumo durável os que atingem o máximo da procura.
Acontece, assim, uma dissolução da função da moeda como reserva de valor. Mas
em contraste, a procura de moeda (de crédito) para realizar o desiderato de
antecipar compras e fazer stocks contribui só por si para o crescimento da taxa de
juro. É a bola de neve de efeitos combinados acelerativos.


3. O Processo De Capitalização


A Capitalização é a acção - e também o efeito - de adicionar cumulativamente a
um capital os juros produzidos em consequência de uma aplicação económica desse
capital.
Para efeito do cálculo do juro, o tempo é dividido em períodos de duração
constante. O ano é a unidade de tempo básica do processo de capitalização, pois é o
período do exercício económico-administrativo da vida das empresas, de outras
instituições em geral, e das actividades orçamental e fiscal dos governos. Nos
nossos dias, o ano tornou-se universalmente coincidente com o ano de calendário
(de 1 de Jan. a 31 de Dez.). Mas no cálculo financeiro o ano é um período qualquer
de doze meses consecutivos.
O juro em cada período de capitalização é igual ao capital no inicio do período
multiplicado pela taxa de juro referida à mesma unidade de tempo.
Este produto do capital por uma taxa em cada data de vencimento do juro foi, desde
tempos remotos, a base empírica do Cálculo Financeiro e que constitui o alicerce
sobre o qual assenta toda a construção teórica do mesmo.




Em símbolos matemáticos, sendo Jn o juro do período (n); Cn-1 o capital no início
do período (n), ou seja no fim do período (n-1); e (i) a taxa de juro convencionada,
tem-se por definição que:

Jn=C
n-1
i

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onde sucessivamente é n =1,2,3,....

Quanto ao destino, período a período, dos juros produzidos há dois
comportamentos extremos possíveis:

 os juros serem liquidados (levantados) no vencimento de cada período;
 os juros serem adicionados ao capital.

No primeiro regime, os juros de cada período são sempre calculados sobre o capital
primitivo (inicial), dito também de principal. Portanto, se nunca houver alteração
da taxa de juro estipulada, o juro periódico terá invariavelmente o mesmo valor.
Este processo de cálculo e de liquidação do juro constitui o regime de juro simples.
É também chamado de processo de juro constante ou de capitalização linear.

No segundo regime há capitalização dos juros, sendo a liquidação do capital e juros
acumulados efectuada no final do processo de capitalização. O valor dos juros vai
crescendo em cada período sucessivo por força de o cálculo ser feito sobre uma
base de valor progressivamente aumentada. Este processo de cálculo e de
liquidação do juro constitui o regime de juro composto .É também designado por
processo de capitalização geométrica porquanto o montante acumulado cresce em
progressão geométrica.

Também se diz que há anatocismo num processo de capitalização quando os juros
produzidos são acumulados ao capital principal gerando por sua vez juros no
futuro.. Anatocismo é, pois, a produção de juros pelos próprios juros. E capital
acumulado é o resultado do anatocismo do seu rendimento.

Entre os dois extremos dos regimes simples e composto há uma infinidade de
regimes mistos concebíveis, em que uma parte arbitrária de juros é liquidada
conforme o processo de juro simples e a outra parte é recapitalizada conforme o
processo de juro composto. Porém, estes regimes mistos não têm qualquer interesse
para a construção teórica do cálculo financeiro.








Para finalizar, deixemos registado que o termo capitalização/capitalizar também
assume outros sentidos na linguagem económico-contabilística. Designadamente,
significa registar numa conta patrimonial de activo fixo (imobilizado) o valor de
custo (ou aquisição) de um bem ou instrumento de capital, cuja contribuição para o
processo produtivo e correspondentes benefícios esperados acontecerão ao longo de

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um certo número de períodos futuros, consoante a vida útil daquele bem ou
instrumento.

E em pura linguagem contabilística e fiscal, capitalizar também significa incorporar
lucros líquidos, livres e não distribuídos, na conta de capital social.

Mas mais generalizadamente, capitalizar significa a abstenção de retirar da empresa
rendimentos produzidos (e que seriam legitimamente apropriados pelos
empresários), reservando-os para fins de autofinanciamento do crescimento futuro,
ou por precaução para fins de segurança face à ameaça de riscos prováveis.


4. O Processo De Actualização


A actualização é a operação inversa da capitalização. Pela capitalização, como se
viu, adiciona-se o juro a um certo capital, constituindo essa soma o montante
acumulado.

Pela actualização, deduz-se ou desconta-se o valor daquele mesmo juro de modo a
reconstituir aquele mesmo capital primitivo. Em termos matemáticos e com os
símbolos já utilizados, o valor de um capital no fim dum período (n) é igual ao seu
valor no fim do período anterior (n-1) mais o juro produzido ao longo do período
(n), ou seja:

Cn = Cn-1+Jn
= C
n-1
+ C
n-1
* i

C
n
= C
n-1
(1+i)

em que Cn-1 é o capital primitivo e Cn é o montante acumulado. Então o valor de
Cn-1 tira-se imediatamente:

C
n-1
=C
n
/(1+i)
=C
n
(1+i)
-1







Estes processos inversos ou recíprocos podem ter uma representação gráfica como
por exemplo:

Processo de capitalização
(C0<C1<C2<...<Ck<...Cn-1<Cn)
C
k
= C
k-1
(1+i)

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C0 Cn
Tempo
0 1 2 3 4 k n-1 n


C
k-1
=C
k
(1+i)
Processo de actualização
Cn>Cn-1>...>Ck>...>C2>C1>C0



Os pontos (0), (1), (2), ..., (k), ..., (n) são os períodos sucessivos de capitalização
em que o ponto (0) é a origem do processo, e os capitais C0 e Cn são o capital
inicial e o capital acumulado no final. Os juros podem ser produzidos por qualquer
dos regimes simples, composto ou misto (em termos de processos de cálculo), não
sendo em qualquer caso nunca, por hipótese retirados do bolo.
A soma de todos os juros produzidos, (sem nunca serem retirados), ao capital
principal C0 irá produzindo sucessivamente ao longo do processo os capitais de
valor crescente C1, C2,...,Ck,...Cn-1, Cn.

A extirpação em sentido inverso dos juros relativos a cada período, a partir do
capital final Cn, irá reconstruindo os capitais primitivos no início desses períodos,
até se chegar neste movimento de retroacção ao capital principal inicial do
momento zero.

Este processo de actualizar denomina-se de método racional, porquanto a
actualização dum capital deve logicamente ser a acção de reproduzir o seu valor
mediante o desconto dos juros que ele próprio tenha gerado num processo de
capitalização. A necessidade que surgiu no cálculo financeiro para empregar o
vocábulo “racional”, em algo que já é racional em si mesmo, foi motivada pelo
facto de existir consagrado na prática um outro método de abordagem e de cálculo
que, como veremos mais tarde na altura própria, tem de ser classificado de
irracional.



A actualização assume um sentido equivalente ao de avaliação se dissermos que
vamos achar (avaliar) o capital que produziu uma certa sucessão de juros
periódicos durante um dado tempo. Este modo de considerar o problema confirma
que o método racional no processo de actualização é, tal como no de capitalização,
calcular os juros sempre sobre o valor do capital no início de cada período.

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Neste momento podemos resumir o quadro das expressões que são correntemente
utilizadas, no cálculo financeiro e na prática financeira, em relação com os
processos de capitalização e de actualização:

Operação de Capitalização (Acumulação)

C0 - Capital inicial ou principal;
Cn ou M - Capital ou Valor Acumulado, ou Valor Adquirido;
J - Juros globais produzidos durante o período (n);
i - Taxa de juro ou de capitalização, que é o juro do capital unitário no tempo
unitário;
(1+i) - Factor de capitalização unitário

Operação de Actualização (Desconto)

C’0 ou V - Valor actual, ou valor presente ou valor descontado. Tem de ser : C’0=
C0= V;
C’n ou M - Valor futuro ou final. Tem de ser: C’n= Cn= M;
E - Desconto global efectuado pelo tempo (n). Tem de ser E=J;
Œ - Taxa de desconto ou de actualização, que é o desconto do capital unitário no
tempo unitário. Dentro do esquema racional definido tem de ser:

Œ=i

1/(1+i) = (1+i)
-1

( factor de actualização unitário que é obviamente)

(1+i)
-1
=(1+Œ)
-1


Este esquema em síntese ordenado e com símbolos simétricos faz sugerir uma outra
maneira de dar uma ideia palpável dos processos de capitalização e actualização -
um objecto e a sua imagem invertida num espelho.









5. Operações Financeiras Na Prática


5.1. Conceitos e Definições


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Página 15
Operações financeira são aquelas em que se encontram envolvidos capitais com
direito ao recebimento dum juro explícito, ou dando lugar à aplicação de um juro
implícito.
Nesta hipótese basilar da existência de um certo juro assentam quer a própria
natureza duma operação financeira quer toda a estrutura técnica do cálculo
financeiro.
Com objectivos práticos, a classificação fundamental das operações financeiras é:
(1) a curto, médio e longo prazos; (2) operações certas e incertas.

Operações certas são aquelas em que a duração está taxativamente fixada, não
dependendo da ocorrência de nenhum evento aleatório ou contingente. A alteração
do prazo de vigência poderá vir a ter lugar mediante acordo entre as partes, assim
como ser alterada a taxa de juro ou outro elemento da operação, que esta não
deixará de ser certa, porquanto de uma maneira ou de outra será sempre realizada
dentro do prazo que em definito vier a ser fixado.

Numa operação incerta a sua duração está dependente da ocorrência de um
determinado evento aleatório ou contingente, evento esse cuja verificação nunca
deixa de ser considerada ainda que os outros elementos ou factores da operação
sofram qualquer modificação posterior à realização do contrato.

As operações certas constituem o domínio do cálculo financeiro. As operações
incertas ou aleatórias constituem o domínio do cálculo actuarial, no qual tem de
entrar como ingrediente uma taxa de probabilidade da ocorrência aleatória, além da
taxa de juro que de modo geral se acha implícita nas operações de seguro de vida e
nas reservas técnicas dos seguros.

As operações certas a curto prazo destinam-se essencialmente a alimentar as
necessidades de tesouraria em termos de efectividade de liquidez. As operações
certas a longo prazo (globalmente além de 1 ano) destinam-se a financiar os
projectos de investimento.

As operações incertas a curto prazo constituem o campo dos seguros temporários
de duração aquém de um ano, para protecção dos riscos inerentes à vida ou à
doença dos seres humanos, ou que afectam os bens económicos. As operações
incertas a longo prazo constituem o campo dos seguros a mais de um ano, ou
vitalícios, relativos à vida humana, e os seguros prorrogáveis por anos sucessivos
relativos aos bens económicos.



5.2. Glossário de Operações fundamentais

As seguintes operações são a essência da vida financeira:

5.2.1. Depósito


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Em sentido mais genérico o depósito significa a guarda de dinheiro, títulos, ou
quaisquer outros valores por uma terceira pessoa, sob confiança, por um período
limitado de tempo. A pessoa que deposita é o depositante e a que guarda é o
depositário.

O depósito bancário é uma operação pela qual uma pessoa confia a um banco, por
um período desde logo determinado ou não, com ou sem benefício de um juro,
fundos que poderá ou não utilizar livremente. Assim, o depósito bancário pode ser
concretizado de dois modos: (1) registado numa conta à ordem da qual podem ser
feitos saques sem restrição até ao montante do mesmo depósito (e neste caso pode
não haver lugar ao direito de um juro, ou este ser meramente simbólico); (2)
registado numa conta especial a prazo sujeita a levantamentos em conformidade
com os termos de uma convenção pré estabelecida e vencendo um juro adequado.

As intenções e finalidades do depósito bancário podem ser de três ordens:

i) colocar fundos ao abrigo dos riscos de perda, roubo, incêndio, etc. É um motivo
de segurança.
ii) Beneficiar dos vários recursos das técnicas bancárias com vista à liquidação de
dívidas (pagamentos a terceiros, transferências, compensações, movimentações
cambiais, etc.); ou para fins de cobrança de créditos (cobrança de cheques, ordens
de pagamento, letras de câmbio, etc.). É um motivo de comodidade.
iii) Aplicar fundos resultantes de poupanças (ou aforro) com propósito
remunerador. É um motivo de investimento ou capitalização.

É este terceiro motivo que origina os depósitos a prazo. Buscando uma colocação
estável e segura, os depositantes permitem ao sistema bancário a disponibilidade
de fundos em volume e consistência necessários à concessão de créditos a prazos
mais longos e consequentemente em operações mais lucrativas do que as têm como
base de sustentação a massa flutuante dos depósitos à ordem.

Através do sistema bancário como intermediário, o depósito é, pois, uma forma
efectiva de capitalização e a fonte mais importante do empréstimo, que por sua vez
é a base de apoio imprescindível ao investimento nas economias monetárias. O
depósito e o crédito bancários constituem, de facto, o binário estrutural das acções
financeiras ao serviço das acções económicas.
Em estreita relação com os termos depósito e dinheiro surge na vida financeira e
comercial corrente um termo de generalizada utilização: fundo ou fundos.


Por detrás da sua vulgaridade, este vocábulo oferece um amplo espectro de sentidos
que convém referir:
- No plural - fundos - o termo é equivalente a caixa-dinheiro, ou dinheiros, ou
pretende abarcar a globalidade do capital circulante, ou simplesmente do activo
disponível.
- A palavra composta fundo-de-maneio significa precisamente a diferença entre o
activo e o passivo correntes.

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Página 17
- Mais especificamente, significa o montante do dinheiro, títulos de crédito, ou
mesmo outros valores activos, colocados nas mãos de um fiel depositário e cuja
soma principal e rendimentos serão administrados, aplicados ou despendidos nos
termos regulados por um contrato formal, que pode ser do tipo do contrato de
adesão.
- Ainda dentro deste exemplo do dinheiro-espécie, significa um montante pré
fixado de caixa-dinheiro, separado dos outros dinheiros, e especificamente
consignado ou destinado a uma certa finalidade de utilização no tempo
decorrente.
- Num sentido legal e em contabilidade pública, um fundo é a soma de dinheiro
(ou mesmo de outros valores) constituindo uma entidade contabilística
autónoma, que é criada e mantida para um determinado fim específico, e cujas
movimentações e transacções delas derivadas estão sujeitas a regras e restrições
legais e administrativas.
- Mas em sentido financeiro propriamente dito, um fundo é o montante
sistematicamente acumulado através de um ou mais depósitos necessários e da
integração nesses depósitos dos juros produzidos, sendo estes movimentos
registados numa conta específica com o objectivo de providenciar pelo
pagamento, liquidação ou cobertura de uma responsabilidade assumida, ou uma
contingência determinada. Por outro lado, a constituição de fundos desta
natureza e com estes objectivos compreende necessariamente caixa-dinheiro e
outros valores activos disponíveis ou realizáveis, até à concorrência dos valores
desses fundos.

5.2.2. Empréstimos

Em termos de extrema simplicidade, o empréstimo é a cedência de alguma coisa a
alguém com o compromisso deste de a restituir ao fim de um certo tempo.
No domínio financeiro que nos ocupa, a coisa emprestada é dinheiro-monetário e
há sempre lugar ao pagamento de um determinado juro (por vezes
antecipadamente), e para finalizar estes entendimentos é invariavelmente elaborado
um contrato, ou há um contrato proposto por uma das partes ao qual a outra adere.







É de interesse a seguinte classificação dos empréstimos:

a) Quanto ao caracter público ou privado do mutuário:

 Empréstimos públicos contraídos pelo Estado, Municipalidades, e empresas
públicas;
 Empréstimos contraídos por particulares e empresas privadas.


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b) Quanto à nacionalidade do mutuante:

 Empréstimos externos (contraídos com entidades estrangeiras)
 Empréstimos internos (contraídos no espaço nacional com entidades
nacionais )

c) Quanto ao número de mutuantes:

 Um único mutuante (empréstimos ordinários)
 Vários mutuantes (empréstimos por obrigações)

d) Quanto à garantia que encerram:

 Empréstimos sem garantia especial para além da que em geral gozam os
credores em face dos princípios da lei civil.
 Empréstimos com garantia especial, que pode ser real (hipoteca ou penhor)
ou pessoal (fiança e aval).

e) Quanto à onerosidade ou gratuidade:

 Empréstimos com juros (caso normal)
 Empréstimos sem juros - não são operações financeiras e não têm nenhum
interesse no âmbito do calculo financeiro.

f) Quanto à obrigatoriedade de emprestar

 Empréstimos voluntários, que são os normais
 Empréstimos forçados - sob a forma de depósitos obrigatórios reembolsáveis,
vencendo ou não juros, e obviamente em que o Estado é o mutuário e os
mutuantes são sempre os cidadãos ou empresas privadas. Não é um
empréstimo mas verdadeiramente um quase-imposto.

g) Quanto à finalidade:

 Financiar o consumo (como as vendas a prestações)
 Financiar o investimento (para financiar infra-estruturas, equipamentos e
outros bens de capital em geral ou para financiar a produção).

h) Quanto à duração do empréstimo:

 Empréstimos perpétuos ou consolidados - só podem ser da iniciativa do
Estado
 Empréstimos temporários - a curto prazo (até 1 ano), a médio prazo (de 1 a 5
anos) e a longo prazo (além de 5 anos).

i) Quanto ao processo de amortização


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 De amortização sistemática, que é o caso normal
 De amortização não sistemática (por pagamentos soltos e aperiódicos)

Mas a essência económica do empréstimo é que através dele os recursos
financeiros resultantes da poupança daqueles que não desejam investir (ou não
estão em condições de investir) são colocados ao serviço daqueles que não dispõem
desses recursos em quantidade suficiente, mas têm o desejo e a capacidade (e estão
em condições) de poder investir com sucesso previsível.
Sem o dinamismo impulsionado pela existência do empréstimo seria inimaginável
o progresso que tem caracterizado a era moderna industrial, e nem sequer o avanço
científico e tecnológico que está implícito nesse progresso.
Pode notar-se nesta altura que a poupança dos indivíduos e das empresas constitui a
fonte material dos fundos de empréstimos.
Na linguagem do tempo presente, os termos financiamento e empréstimo usam-se
indistintamente com idêntico significado. A verdade é que quando se refere
“empréstimo” está-se a pensar nos aspectos contratuais (jurídicos). Quando se
refere “financiamento” está-se a pensar nos aspectos económico-financeiros da
operação.
Os empréstimos ou financiamentos vão ocupar uma parte substancial deste
compêndio, como aplicação que são da teoria matemática das rendas.
Convém, no entanto, introduzir já aqui neste parágrafo de generalidades os
conceitos fundamentais que dizem respeito à estrutura dos empréstimos e à forma
de proceder quanto à sua liquidação.
As variáveis elementares que enquadram o empréstimo são:

a) O capital emprestado (C);
b) O prazo ou duração do empréstimo que é o tempo (n) durante o qual deve ser
reembolsado o capital emprestado e pagos os juros produzidos, ao longo desse
tempo, sobre os saldos em dívida no início de cada período de pagamento;
c) A taxa de juro (i) convencionada;
d) O modo de efectuar os pagamentos periódicos, o que envolve a definição dos
períodos de pagamento (anual, semestral, etc.) e a maneira de tratar a
amortização do capital e a liquidação dos juros;




Sendo (Q
k
) a parcela da amortização no período (k) e (J
k
) a parcela do juro devido
nesse mesmo período, e sendo (J) o encargo final nominal de todos os juros, o
montante (M) que o devedor vai pagar no conjunto de todos os (n) períodos da
liquidação do empréstimo será obviamente:

n n
M = C+J = ¿ Q
k
+¿ J
k

k=1 k=1

em que também obviamente


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n n
C = ¿ Q
k
J=¿ J
k

k=1 k=1

É claro que (Q
k
) e (J
k
) poderiam ser quaisquer valores no decurso dos (n) períodos,
na condição de que se verificassem as igualdades acima. Na prática porém, são
praticadas apenas quatro maneiras fundamentais de fazer a liquidação dum
empréstimo:
i) Reembolsar a totalidade do capital e pagar a totalidade dos juros no momento
final do prazo do empréstimo. É o sistema do montante final;
ii) Pagar os juros vencidos no fim de cada período (sempre de igual valor) e
reembolsar a totalidade do capital no final do empréstimo, juntamente com o
pagamento do juro do último período. É o sistema do pagamento periódico de
juros, ou sistema de juro constante;
iii) Pagar uma prestação igual em todos os períodos de liquidação, contendo cada
prestação uma parcela relativa à amortização do capital (Qk) e uma parcela do
juro do período (Jk) de tal modo que é sempre constante a soma (Q
k
+J
k
) para os
sucessivos tempos K=1,2,3,...,n. É o sistema de prestações (ou anuidades)
constantes. É desde logo evidente que os valores dos juros periódicos são
decrescentes, sendo necessariamente crescentes os valores das quotas periódicas
de amortização. O cálculo destes valores exige o estudo prévio das rendas
Assunto que iremos abordar posteriormente). Para já, basta reconhecer que o
capital remanescente vai-se tornando cada vez menor, do que resulta irem
diminuindo os juros de cada prestação por incidirem sobre uma base sempre
menor. E como o valor da prestação é constante, claro está que a parcela de
amortização de cada prestação vai aumentando com o tempo.
iv) Pagar uma prestação constante como amortização do capital emprestado, isto é:
Q=C/n, e pagar consequentemente os juros sobre os n saldos remanescentes do
capital em cada período. É o sistema de amortizações constantes, de aplicação
muito fácil e portanto bastante popular. Continua, como no sistema precedente a
ser válida a relação:

Prestação = Amortização + Juro



mas agora as prestações são decrescentes uma vez que os juros em cada período
sucessivo também o são. Neste sistema não é necessário a aplicação da teoria das
rendas, pois é fácil reconhecer que o cálculo das prestações segue o seguinte
processo elementar:
a) Calcular a parcela constante de amortização mediante a divisão do capital pelo
número de períodos (pagamentos);
b) Calcular os juros de cada período sucessivo pela aplicação da taxa da
operação sobre o valor do capital remanescente no início de cada período;
c) Calcular o valor de cada prestação pela soma do valor (a) com o valor (b).

Estes quatro sistemas podem ser visualmente confrontados através dos seguintes
gráficos ilustrativos:

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i)
Capital + Juros
0 1 2 n Tempo
Sistema do Montante Final



ii)
Capital + Juros do Período (n)
Juro Simples
0 1 2 n Tempo
Sistema do Juro Constante



iii)
Juros
Amortização
0 1 2 n Tempo
Sistema das Prestações Constantes






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iv)
Juro
Amortização
0 1 2 n Tempo
Sistema da Amortização Constante



5.2.3. Desconto De Efeitos

Viu-se anteriormente na análise descritiva do processo de actualização que o
desconto é a operação que conduz à determinação do valor primitivo de um capital
realizável no futuro após a acumulação de um certo juro.
Sob um ponto de vista mais generalizado, pode dizer-se que, sendo estipulado que
uma certa soma (c) é pagável dentro de um determinado prazo (n) o seu valor em
qualquer época anterior é necessariamente menor que (c). A operação que consiste
em calcular este valor real no momento presente (ou valor actual) chama-se
desconto.
Em termos económicos puros, tem-se que qualquer capital oferece um fluxo de
rendimentos esperados no futuro. Consequentemente, será capitalizado pelos
compradores e vendedores no mercado em função desses rendimentos e portanto
avaliado na base do valor actual presente dos mesmos rendimentos.





Destas circunstâncias resulta que um dado capital (c) - valor para o seu detentor -
pode ser transaccionado por um outro valor (c’) maior ou menor que (c), tudo
dependendo do valor actual dos seus rendimentos futuros em expectativa. Então
tem-se:
C’ > C - existe lucro
C’ < C - existe prejuízo
C’ = C - o capital não tem rendimento nem expectativa de perda.
Mas na prática financeira e comercial, desconto é a operação pela qual uma
instituição de crédito adquire a propriedade de uma letra de câmbio, extracto de
factura, promissória ou livrança, pagando imediatamente o seu valor ao portador
delas antes do vencimento, deduzido de certa percentagem proporcional ao tempo
que falta até ao vencimento dos títulos. Esta percentagem é um juro e designa-se
por prémio de desconto.
O desconto constitui a via mais correntemente utilizada para mobilizar o crédito
bancário. No fundo, o desconto bancário é um empréstimo concedido pelo banco
ao cedente (portador da título de crédito).

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CAPÍTULO 2: OPERAÇÕES FINANCEIRAS DE CAPITAIS INDEVISOS


1. Processos De Capitalização Simples E Composta


1.1. Domínios de Aplicação do Juro Simples e do Juro Composto

O regime simples deve ser encarado como de excepção no domínio do cálculo das
operações financeiras. A realidade é que ele ficou consagrado pela prática habitual
de séculos e pela facilidade de cálculo que oferece, porquanto o tratamento lógico
matemático que foi muito depois desenvolvido teria naturalmente
institucionalizado o uso universal do juro composto, que só o respeito por factos
consumados não permitiu.
Os seguintes tipos de operações são susceptíveis de utilizar a técnica do juro
simples :
a) As cedências de dinheiro de uns bancos a outros por prazos curtos (em regra da
ordem dos dias), com vista a equilibrar o mercado monetário mediante a
movimentação da moeda daqueles bancos que a tenham em excesso das suas
necessidades de liquidez para outros que dela carecem momentaneamente;
b) Os créditos (empréstimos) a curto prazo (até um ano) que os bancos e outras
instituições financeiras concedem aos seus clientes;
c) O desconto pela banca dos efeitos comerciais que os fornecedores recebem dos
seus compradores em liquidação de vendas efectuadas a curto prazo (mais
frequentemente até 180 dias);



d) A manutenção, dentro de cada período anual, das contas correntes comerciais ou
bancárias com juros;

e) O cálculo dos pagamentos escalonados em caso de vendas a prestações.
Contudo, nada legalmente impede que neste caso particular os cálculos sejam
efectuados pelo regime do juro composto;

Para operações a médio prazo e a longo prazo o regime de juro composto é a lei
universalmente seguida nos mercados financeiros.
Quando aplicado, o regime composto é incidente desde o momento inicial (tempo
zero) das operações, isto é, nunca se aplica o regime simples para o primeiro ano e
o regime composto para os anos seguintes. Não obstante, tudo o acima exposto e
determinado, não deve deixar de ser observado que aplicar o regime de juro
simples ou o regime de juro composto poderá ser encarado como uma questão de
mera convenção entre os interessados (devedor e credor), já que é sempre possível
escolher uma taxa de juro para um regime que produza o mesmo resultado final, a
outra taxa de efeito equivalente no outro regime , tanto para uma mesma duração

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total da operação como para durações diferentes. O que não é legitimo é empregar a
mesma taxa em ambos os regimes.

Se esta taxa for a taxa corrente do mercado, uma das partes ficará com uma mais
valia à custa da outra parte. Se for uma taxa superior, será ainda mais grave tal
apropriação abusiva.

1.2. Montante Acumulado a Juro Simples (Js)

O esquema abaixo desenvolve de modo visível o processo de capitalização a juro
simples definido anteriormente:

C
0
C
0
C
0
C
0
C
0
C
0
Tempo
0 1 2 3 n-1 n
J
1
= J
2
= j
3
= J
n-1
= J
n
Juros produzidos

O juro é sempre e exclusivamente produzido pelo capital inicial à taxa anual de
juros (i) ou seja:

J1 =J2 = J3 = ...=Jn-1 = Jn = C0 i

E o juro global é, obviamente:

J = J
1
+J
2
+...+J
n-1
+J
n
= C
0
i n

ou seja (n) vezes o juro constante (C
0
i)

tomando um capital qualquer (C) tem-se:

J = C i n

que é a fórmula básica do juro simples : CAPITAL x TAXA x TEMPO.

Para o capital unitário e o tempo unitário, o juro é igual à taxa, como por definição
foi estabelecido.
Admite-se que o juro é capitalizado e adquirido dia a dia, mas que apenas é pagável
em intervalos regulares, ou no vencimento do contrato. Assim, no fim de cada
período, o capital em divida é (C
0
+C
0
i). Se o juro (C
0
i) for pago imediatamente, o
capital em dívida volta a ser o capital inicial (C
O
), o que é a hipótese de base do
regime de juros simples. Mas podemos admitir e convencionar que o juro constante
periódico não seja liquidado e antes guardados, sem vencer juros, para ser pago em
globo no final do processo de capitalização juntamente com o capital inicial, ou
seja a soma global (C
0
+C
0
in).

Considerando uma capital qualquer (C) tem-se:

M=C(1+in)

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que é a fórmula do montante a juros simples, isto é, o valor acumulado de um
capital a juro simples à taxa (i).

Esta operação é do tipo j=a+bx; por isso o juro simples se diz de capitalização
linear. A variável dependente é o capital acumulado e a variável independente é o
tempo, sendo constante o capital inicial e a taxa de juro. O montante acumulado a
juro simples cresce, pois, em linha recta. Adiante se fará a sua representação gráfica
em conjunto com o montante acumulado a juros compostos.

A hipótese formulado de o juro periódico não ser pago período a período, sendo
sucessivamente adicionado ao capital primitivo sem direito a vencer juros, pode
ocorrer na prática. Neste caso costuma chamar-se ao processo de regime dito
simples para distinguir do regime simples puro em que o juro é sucessivamente
retirado nas datas de vencimento.

Da fórmula do montante obtêm-se as fórmulas derivadas do prazo e da taxa, como
segue:

n=(M-C)/(Ci)

i=(M-C)/(Cn)






1.3. Montante Acumulado A Juro Composto

Para o processo a juro composto o esquema antes utilizado tem a seguinte estrutura:

C
0
C
1
C
2
C
3
C
n-1
C
n
Tempo
0 1 2 3 n-1 n
J
1
< J
2
< j
3
< J
n-1
< J
n
Juros produzidos

Agora o juro periodicamente produzido é integrado no capital, vencendo também
juros no futuro. Portanto temos:

C
1
= C
0
+ J
1
= C
0
(1+i)
C
2
= C
1
+ J
2
= C
0
(1+i) + C
0
(1+i) i = C
0
(1+i) (1+i) = C
0
((1+i)
2

C
3
= C
2
+ J
3
= C
0
(1+i)
2
+ C
0
(1+i)
2
i = C
0
(1+i)
2
(1+i) = C
0
((1+i)
3

C
n
= C
n-1
+ J
n
= C
0
(1+i)
n-1
+ C
0
(1+i)
n-1
i = C
0
((1+i)
n


Designando (C
n
) por (M) e considerando genericamente um capital qualquer (C),
tem-se :


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Página 26
M=C(1+i)
n


que é a fórmula do montante a juros compostos, isto é, o valor acumulado de um
capital a juro composto à taxa anual de juro (i).

Desta fórmula geral podem obter-se as fórmulas derivadas do juro, do prazo e da
taxa, como segue:

J=M-C  C(1+i)
n
-C  C{(1+i)
n
-1}

n=(log N-Log C)/Log (1+i)

i= M C
n
/ -1

As duas últimas fórmulas obtêm-se por simples resolução algébrica da equação do
montante em relação às variáveis (n) e (i).

Para ilustrar com um exemplo o processo de juro composto em comparação com o
processo de juro simples, consideremos o seguinte caso: um depósito de 1000
contos é feito à taxa de 10% ao ano durante cinco anos. Vai determinar-se o
montante do saldo credor no final de cada um dos cinco anos, por conseguinte o
montante acumulado a receber no fim do prazo, separadamente com capitalização a
juros simples e a juro composto. Os resultados estão apresentados nos quadros
seguintes.

Regime simples

Período Capital no início de
cada período
Juro do período Capital no fim de
cada período
1 1000 1000 x 0.10 = 100 1100
2 1100 1000 x 0.10 = 100 1200
3 1200 1000 x 0.10 = 100 1300
4 1300 1000 x 0.10 = 100 1400
5 1400 1000 x 0.10 = 100 1500


Regime composto

Período Capital no início de
cada período
Juro do período Capital no fim de
cada período
1 1000 1000 x 0.10 = 100 1100
2 1100 1100 x 0.10 = 110 1210
3 1210 1210 x 0.10 = 121 1331
4 1331 1331 x 0.10 = 133 1464

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Página 27
5 1464 1464 x 0.10 = 146 1610

Verifica-se imediatamente que:

a) O montante no fim do primeiro período anual é igual em ambos os regimes.

b) O montante vai sendo progressivamente mais distante ente os regimes simples e
composto à medida que o tempo progride. Para taxas de juro elevadas aquele
afastamento é muito mais sensível.

Veremos que dentro do primeiro ano (entre o tempo zero e o tempo de doze meses)
o montante em juros simples excede o montante em juro composto.

O modelo do quadro de desenvolvimento e apresentação dos cálculos que acima foi
usado é de extrema importância no Cálculo Financeiro prático.

1.4. Comparação Algébrica E Gráfica Dos Processos De Juro Simples E De
Juro Composto

Na fórmula do montante a juro composto, desenvolvendo (1+i)
n
pela fórmula do
binómio obtém-se:

M
composto
=(1+i)
n
=1+ni+{n(n-1)/2!}i
2
+{n(n-1)(n-2)/3!}i
3
+...+{n(n-1)(n-2)..(n-
k+1)/k!}i
k
+...+ni
n-1
+i
n



Vê-se logo que os dois primeiros termos deste desenvolvimento representam o
valor acumulado a juro simples (1+in) = M
simples
. Deste modo, a comparação entre os
montantes M
c
e M
s
resume-se a analisar o comportamento do valor global dos
restantes termos do desenvolvimento binomial a partir do terceiro. Para esta análise
há que considerar as hipóteses:

n<1 ; n=1 ; n>1

Para n<1: Os termos do desenvolvimento a partir do terceiro são alternadamente
negativos (os que contêm potências pares de (i) e positivos os que contêm potências
impares de (i), sendo sempre maiores em valor absoluto os termos negativos, pelo
que o somatório de todos é necessariamente negativo. Portanto:

M
c
= M
s
- K
M
c
<M
s
J
c
<J
s


Para n=1: Vê-se imediatamente que todos os termos do desenvolvimento a partir do
terceiro são nulos, sendo nulo o seu somatório. Portanto:

M
c
=M
s
 J
c
=J
s


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Página 28

Para n>1: Agora todos os termos a partir do terceiro são positivos, sendo portanto o
seu somatório um número maior que zero. Portanto:

M
c
=M
s
+K M
c
>M
s
J
c
>J
s


Fazendo a representação gráfica em simultâneo da função exponencial (1+i)
n
e da
função linear (1+in) para um mesmo valor da taxa de capitalização (i), obtém-se as
curvas seguintes:


 Capital Acumulado (Juro Composto)

Capital Acumulado (Juro Simples)



Capital Inicial (C
0
)



0 1 2 n tempo




A curva da exponencial (juro composto) fica abaixo da recta (juro simples) para
valores de (n) desde zero até um ano; as duas curvas cruzam-se no ponto n=1 (os
valores são iguais), e daí em diante a exponencial vai-se afastando cada vez mais da
recta (o juro composto passa a exceder progressivamente o juro simples).


2. Anos Civil E Comercial. Contagem De Dias


A banca portuguesa seguia o figurino francês do ano comercial de 360 dias. Por
determinação da Inspecção Geral de Crédito e Seguros (circular 10/65 de 20 de
Outubro de 1965) passou a utilizar sempre e generalizadamente o ano civil (de
calendário) de 365 dias (366 dias nos anos bissextos).

Este compêndio considera apenas o ano de 365 dias, tanto na parte teórica como
nos problemas práticos, embora reconhecendo que muitos livros nacionais e
estrangeiros continuam a contemplar indistintamente as duas bases de tempo anual.
Alguns autores chamam de tempo exacto ao ano de calendário e de tempo
aproximado ao ano uniforme de 365 dias.


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Página 29
Foi com o objectivo de simplificar os cálculos que no passado se consagrou muito
generalizadamente o ano comercial. Com efeito, 360 é divisível por 12 (que é o
número de meses do ano), produzindo meses com duração também uniforme de 30
dias; e cada mês compreende sempre quatro semanas de 7 1/2 dias cada.

Os motivos do passado não têm mais razão de ser no tempo actual das calculadoras
electrónicas e dos computadores. Os cálculos fazem-se sempre com a mesma
facilidade e rapidez, sejam quais foram os números trabalhados.

Nestas condições, o movimento generalizado é pela adopção do tempo real. As
equivalências de tempos no calendário real (ano comum) são as seguintes:

- 1 ano = 12 meses = 52 semanas = 365 dias
- 1 mês = 365 / 12 = 30.416667 dias (30
5
/12)
- 1 mês = 52 / 12 = 4.3333333 semanas (4'/3)
- 1 semana = 365 / 52 = 7.019231 dias (7'/52)
também:
- 1 mês = 30.416667 / 7.019231 = 4 1/3 semanas








No tempo real, o juro produzido num dia é (i / 365 = ir ) contra (i / 360 = ic ) no
tempo comercial. Para uma mesma taxa de juro (i), o cálculo por esta segunda
maneira traz uma vantagem para o credor, como segue:

(i/360) - (i/365) = i(365-360)/(360*365) = 5i/131400 = i/26280

ic - ir = (i/360)*(1/73)

A vantagem é assim de 1/73 do juro calculado na base do ano comercial. Também
se tem que:

ir/ic = (360/365) = 72/73  ir = (72/73) ic

Na efectivação de cálculos financeiros, em particular com juros simples, há
frequentemente necessidade de determinar o número de dias compreendidos entre
duas datas de calendário.

A “tabela para contagem de dias” anexa neste texto permite obter rápida e
directamente o número pretendido. Sem poder dispor de uma tal tabela, o cálculo
poderá ser feito, com ou sem ajuda de calendário, conforme exemplo a seguir (o
mesmo utilizado na citada tabela):

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Página 30
«Determinar o número de dias compreendidos entre 30 de Março e 29 de Julho de
1985:

Nº de Dias
Do mês de Março 2
2 meses de 30 dias 60
1 mês de 31 dias 31
De 1 a 29 Julho 28_
TOTAL 121

Regra: Na contagem do número de dias entre duas datas, inclui-se o dia em que a
operação é realizada e exclui-se o dia do respectivo vencimento.


3. Dobrar, Triplicar, Etc. um Capital Em Processo De Acumulação


Acontece com frequência nos estudos demográficos, análises económicas e de
investimento, e nos trabalhos de planeamento em geral, querer saber-se em quanto
tempo uma certa grandeza duplicará, triplicará, quadruplicará, etc., a uma
determinada taxa de crescimento, ou alternativamente a que taxa aquela
multiplicação ocorrerá durante um tempo dado.



Esta questão geral tem a mesma resposta que saber para um certo capital (C) como
as referidas incógnitas são calculadas a juro simples ou composto.

Seja ( ·) a constante que indica o multiplicador inteiro que se pretende para o
capital (ou valor base) considerado.
Em regime de juro simples tem-se:

M=·C =C(1+in)  ·=(1+i)
n

i=( ·-1)/n

n=( ·-1)/i

A juro simples, portanto, um capital duplica no tempo 1/i, triplica no tempo 2/i,
etc..

Em regime de juro composto tem-se:

M=·C = C(1+i)
n
 ·=(1+i)
n


i= o
n
-1


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Página 31
n=(log ·)/Log (1+i)

Para valores de (M) iguais ao dobro, ao triplo, ao quadruplo, etc., do valor de (C),
basta fazer nas fórmulas acima =2, =3, etc.

Nesta altura pode-se ter um alerta para o efeito ampliador do juro composto. Por
exemplo, a uma taxa anual de 10%, um capital cresce sete vezes em 20,4 anos, e
em 31,4 anos tornar-se-á 20 vezes maior. É então evidente que a capitalização a
juros compostos não se pode exercer de uma maneira indefinida. Na realidade, o
efeito do crescimento geométrico é tal que para valores grandes do prazo (n) e/ou
para valores altos da taxa (i) o valor acumulado atinge níveis absurdamente
elevados e impossíveis de serem comportados dentro de qualquer espaço
económico da vida real. O que acontece é que os prazos não excedem um número
moderado de anos, e quando vão além de 10 anos há, em regra, motivos especiais
de ordem socio-económica que reduzem as taxas de juro aos valores mínimos
praticados nos mercados.









4. Fraccionamento Do Tempo


4.1. Taxas Proporcionais e Taxas Equivalentes

Embora o ano seja a unidade basilar de tempo do cálculo financeiro, as operações
financeiras são constantemente efectivadas em períodos de tempo inferiores ao ano.

Na vida prática estes períodos fraccionários do ano são apenas o semestre, o
quadrimestre, o trimestre, o bimestre, o mês , a semana e o dia, ou seja, os períodos
que são sub-múltiplos inteiros do ano. Os períodos superiores ao mês estão muito
relacionados com a vida comercial das empresas. Os prazos mensal e semanal
constituem unidades de tempo operacionais da vida das famílias, por estarem
dentro do período em que os rendimentos são normalmente auferidos e encaixados.
Em suma, o tempo inferior a um ano é o domínio do curto prazo que já foi definido.
Com respeito ao regime de juro simples, a divisão do ano em períodos
fraccionários não traz qualquer problema em virtude da linearidade da função juro e
seu montante acumulado.

Esta linearidade arrasta consigo uma perfeita proporcionalidade entre o tempo e o
valor do juro produzido. Sem nenhuma complicação, o juro correspondente a seis
meses é exactamente metade do juro de um ano; e o juro de dois meses é a sexta

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Página 32
parte do juro anual, e assim por diante para outros subperíodos. Este modo de
operar é perfeitamente equivalente a mudar a base de referência da taxa de juro do
ano para uma fracção submúltipla e tornar a taxa proporcional correspondente.
Com efeito tem-se que :

J=Ci(n/2)= C(i/2)n=...=Ci’(n/k)=C(i’/k)n

em que (k) é o número de subperíodos de fraccionamento do ano.
Taxas proporcionais são, pois, as que referidas a períodos diferentes estão entre si
na mesma relação em que estão os períodos a que respeitam. Por exemplo, as taxas
anual de 6%, semestral de 3%, trimestral de 1,5% e mensal de 0,5% são taxas
proporcionais entre si. Dizem-se também taxas fraccionadas pois são
respectivamente ½, ¼, e 1/12 de 6%.
E na capitalização simples, as taxas proporcionais produzem juros equivalentes por
força da linearidade da função juro, conforme ficou provado.
No regime de juro composto, esta equivalência das taxas proporcionais deixa de se
verificar em virtude da natureza exponencial da função. Isso salta à evidência pela
simples observação visual da curva que a representa (com curvatura sempre mais
acentuada para taxas progressivamente crescentes).





Agora é imperioso definir uma taxa fraccionária (i
k
) para cada um dos (k)
subperíodos iguais em que se divide o ano. Se ao ano corresponder a taxa (i), torna-
se evidente que a taxa (i
k
) será equivalente à taxa (i) se forem iguais no fim do ano
as respectivas capitalizações, isto é, se:

1+i=(1+i
k
)
k


1+i
k
= 1+i
k
=(1+i)
1/k


A taxa (i
k
) definida pelas igualdades precedentes é a taxa equivalente à taxa anual
(i) para o período 1/k.
Tomando o exemplo precedente, as taxas equivalentes à taxa anual de 6% em
capitalização composta são:

taxa semestral = 2,956301%
taxa trimestre = 1,467384%
taxa mensal = 0,486755%

em vez das taxas proporcionais de 3%, 1,5%, e 0,5% respectivamente.

Taxas equivalentes são pois, as que referidas a períodos diferentes de capitalização
produzem, para um mesmo capital, o mesmo valor acumulado em igual período de
tempo.

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Página 33
Generalizadamente, sendo (h) e (k) dois conjuntos de períodos 1/h e 1/k dentro do
ano, tem-se

(1+i
h
)
h
=(1+i
k
)
k
=1+i

onde

1+i
h
=(1+i
k
)
k/h


e

1+i
k
=(1+i
h
)
h/k


relações que permitem obter directamente, por exemplo, uma taxa semestral
equivalente a uma taxa trimestral sem passar pelo cálculo (nem sequer pela
definição) da taxa anual (i).
Pelo exemplo dado viu-se já que a taxa equivalente (i
k
) é inferior à taxa
proporcional (1/k), o que deriva obviamente do facto de haver capitalização dos
juros produzidos nos sucessivos subperíodos.



Esta conclusão pode ser demonstrada em geral e o valor da própria diferença entre
as taxas proporcional e equivalente ser determinada através do seguinte
desenvolvimento binomial:

1+i
k
=
1
1
k
i ( ) + = (1+i)
X
=
=1 + xi +
x x ( )
!
÷1
2
i
2
+
x x x ( )( )
!
÷ ÷ 1 2
3
i
3
+...

donde se tira

i
k
-xi=
x x ( )
!
÷1
2
i
2
+
x x x ( )( )
!
÷ ÷ 1 2
3
i
3
+...

onde (i
k
) é a taxa equivalente e (xi=i/k) é a taxa proporcional, pois fez-se (1/k=x).
Como x<1, tem-se que o produto x(x-1) é negativo, o que implica necessariamente
que o somatório que forma o segundo membro da equação acima seja globalmente
negativo, pois sendo ele formado por termos alternadamente negativos e positivos,
mas em que os negativos são de valor absoluto sempre superior, o sinal do primeiro
termo determina em consequência o sinal do somatório, sendo portanto:

(i
k
- i/k) <0 (valor negativo do ¿ )

isto é, a taxa proporcional é sempre superior à taxa equivalente, e a diferença
absoluta entre elas é o valor do módulo do somatório ( | ):

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Página 34

| = |
( / ) ( / ) 1 1
2
k k k ÷
÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷

i
2
+

( / ) ( / ) ( / ) 1 1 1 2
6
k k k k k ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷
i
3

+
...|

Esta diferença é bastante reduzida e até desprezível para períodos muito curtos e/ou
para taxas de juro baixas.
À mesma conclusão se chega (de a taxa proporcional ser sempre superior à taxa
equivalente) verificando o resultado da capitalização da taxa proporcional: |1+(i/k)|
k

deveria produzir (1+i) tal como acontece com a taxa equivalente (i
k
), pois que :

|1+(
i
k
)|
k
= (1+i)

Pela fórmula do binómio tem-se:

1+

¸

(
¸
(
( )
i
k
= (1+i)+
k k ( )
!
÷

¸

(
¸
(
(
1
2
( )+...
2
2
i
k
=



= (1+i
k
)
k
+
k k ( )
!
÷

¸

(
¸
(
(
1
2
( )+...
2
2
1
k


valor este que é sempre superior a (1+i) e portanto a (1+i
k
)
k
, porquanto é k>1, e
consequentemente o somatório | | ¿ é um número positivo.

O seguinte exemplo ilustra toda esta análise: Seja uma taxa anual de 10% e um
fraccionamento trimestral do ano. As taxas equivalentes a juros compostos e as
taxas proporcionais a juro simples são como se segue:

i
k
= 1
4
+ i -1= 110
4
, -1= 0,024114

(1+0,10)
0,25
=(1+0,024114)
1
=1,024114
(1+0,10)
0,5
=(1+0,024114)
2
=1,048809
(1+0,10)
0,75
=(1+0,024114)
3
=1,074100
(1+0,10)
1
=(1+0,024114)
4
=1,100100

Para facilitar este parágrafo, defina-se período de capitalização: é o período de
tempo em que, por convenção ou decisão arbitrária, se processa a produção do juro.
Em principio, a taxa de juro deveria referir-se ao mesmo período de capitalização.

4.2. Taxas Nominais e Taxas Efectiva (ou reais)


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Página 35
Acontece, porém, que é usual (e indiferente nos regimes de capitalização simples e
composta) anunciar uma certa taxa de juros anual, muito embora o esquema das
operações financeiras considere pagamentos realizáveis em períodos fraccionários
do ano. Esta “praxe” não tem qualquer consequência no domínio do juro simples,
dada a igualdade absoluta entre taxas proporcionais e equivalentes. Mas o mesmo
não acontece no domínio do juro composto. Por exemplo: Um empréstimo
hipotecário a uma taxa de 24% ao ano, a reembolsar em pagamentos mensais
durante vinte anos. Se a capitalização fosse simples, aquela taxa de 24% e a taxa
mensal de 2% seriam equivalente. Mas no regime composto, a taxa mensal
equivalente à taxa de 24% ao ano é 1,80876% e não 2%. E por seu turno a taxa
anual equivalente à taxa real de 2% ao mês é 26,82418% e não 24%.
Neste exemplo existe uma disparidade entre o período de capitalização e o “período
de referência ou definição da taxa de juro”. Uma vez que o período unitário de
produção do juro, ou período de capitalização, é o mês, a taxa oferecida e
publicitada deveria ser, por exemplo, de 2% ao mês, mas o costume é fixar as taxas
de juro com referência ao ano por ser essa a base quando se pensa em termos de
taxas de juro.





Daí que a incoerência cometida por motivos de comodidade ou conveniência
comercial se possa remover mediante a seguinte convenção: «diz-se 12% ao ano
para significar também 1% ao mês, ou 3% ao trimestre, ou 6% ao semestre, etc.».
Nestas circunstâncias, a taxa oferecida, anunciada, ou apresentada diz-se nominal,
sendo a taxa efectiva ou real aquela que for de facto utilizada nos cálculos dos
juros, e que pode coincidir ou não com a taxa nominal. Assim, uma instituição de
poupança que anuncie para remuneração dos depósitos uma taxa de 24%aa
capitalizáveis trimestralmente, esta a oferecer uma taxa efectiva de 6% ao trimestre,
à qual equivale uma taxa real anual de 26,2477% para depósitos capitalizáveis a
juros compostos por prazos superiores a um ano., e apenas 24% anunciados no caso
de capitalização a juro simples. Uma vez mais estamos perante uma convenção, a
que no entanto é preciso estar atento para não cometer erros nem cair em falsa
suposição. A resposta correcta a um assincronismo do período de capitalização e do
período de referência ou definição da taxa de juro é achar a taxa equivalente àquela
que se queira que seja a taxa efectiva de capitalização (a que vigore).
A equivalência de taxas é a regra matemática que tem em conta a produção de juros
pelos juros. As taxas que respeitam esta regra são reais no sentido de que são as
efectivamente praticadas, as que não respeitam essa regra podem ser meramente
nominais no sentido em que se limitam a fazer uma apresentação comercial duma
taxa.


5. Fórmulas Do Juro E Do Montante Em Tempos Fraccionários



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A duração de um processo de capitalização pode não ser um número inteiro de
períodos; por exemplo, (n) anos, (m) meses e (d) dias.
Em regime de juro simples, as fórmulas do juro e do montante apresentam-se como
se segue:

JURO

J=Cin+
Cim
12
+
Cid
365


J=Ci(n+m+d) ou

J=Ci
n
k


em que (k) é um número inteiro maior ou menor que (n): K >ou< n





MONTANTE

M=C(1+in+
im
12
+
id
365
)

M=C(1+
in
12
) com k<ou>n

As fórmulas acima desenvolvidas resultam obviamente da proporcionalidade entre
o juro e o tempo. A razão n/k é por exemplo 7,625 anos, ou 7 anos, 7 meses e 15
dias. É indiferente a maneira de fazer o cálculo: com o número fraccionário ou o
número complexo.

Em regime de juro composto as fórmulas do montante e do juro desenvolvem-se
como se segue:

MONTANTE

M=C(1+i)
n+(m/12)+(d/365)


Por força da propriedade de potências da mesma base e diferentes expoentes
quando em produto. Mais generalizadamente, para qualquer prazo inteiro ou
fraccionário e maior ou menor que a unidade tem-se:

M=C(1+i)
(n/k)
(k><n)


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JURO

J=C{(1+i)
(n/k)
-1}


6. Prazo De Capitalização Com Número Não Inteiro De Períodos


Esta situação ocorre quando um prazo de capitalização tem uma parte inteira de
períodos (n) e uma parte fraccionária (x), por exemplo 2 anos e 5 meses: tempo
total=n+x.
Em capitalização simples o assunto não tem qualquer interesse teórico ou prático,
dada a proporcionalidade entre o tempo e o juro.
E em capitalização composta também não deveria ser suscitada qualquer questão,
pois que, como ficou dito, o juro composto - assim como o simples - é para ser
aplicado desde o tempo zero até ao vencimento das operações financeiras. Viu-se
isso no parágrafo precedente.



Contudo, é corrente na prática tratar a fracção (x) distintamente dos (n) primeiros
períodos, calculando dentro dela o juro pela taxa proporcional à taxa
convencionada (i) e pela técnica do juro simples.
A solução teórica para obter o montante de um capital (C) no tempo (n+x) à taxa (i)
é:

M=C(1+i)
n+x


M=C(1+i)
n
(1+i)
x


O expediente que na prática se usa é achar o montante no fim do prazo inteiro (n), e
depois capitalizar esse montante a juro simples para a fracção de tempo (x), do
modo que se segue:

M’=C(1+i)
n
(1+ix)

Como x<1, tem-se que (1+i)
x
<(1+ix) pelo que M’>M.
A única explicação para esta tradição entronca-se na existência de tábuas
financeiras apenas para tempos inteiros e na existência das calculadoras de hoje.


7. Capitalização A Taxas Variáveis


Pode acontecer que a taxa de juro se altere uma ou mais vezes durante o processo
de capitalização, e isso constitui um problema matemático no regime de juro
composto. Por exemplo, num determinado empréstimo pode ser convencionado que

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Página 38
a taxa de capitalização variará segundo uma regra previamente definida como seja:
(i
1
) no tempo (n
1
), (i
2
) no tempo (n
2
), ..., (i
k
) no tempo (n
k
), sendo n
1
+n
2
+...+n
k
=n.

O valor acumulado do capital unitário no fim dos 1º, 2º, ...k
mo
períodos é facilmente
dedutível como segue:

M
n1
(1+i1)
n1


M
n1+n2
=M
n1
(1+i
2
)
n2
= (1+i
1
)
n1
(1+i
2
)
n2

M
n1+n2+...+nk
=M
n
=(1+i
1
)
n1
(1+i
2
)
n2
...(1+i
k
)
nk


Para o capital (C), o montante acumulado e o juro são portanto:

M
n
=C(1+i
1
)
n1
(1+i
2
)
n2
...(1+i
k
)
nk


J=M
n
-C = C{1+i
1
)
n1
(1+i
2
)
n2
...(1+i
k
)
nk
-1}


8. Capitalização Contínua - Taxa Instantânea De Capitalização E «Coeficiente
De Fraccionamento».


Se no processo de fraccionamento da unidade de tempo reduzirmos
indefinidamente o intervalo de tempo fraccionário, aumentará necessariamente em
sentido inverso o número de intervalos de tempo de duração infinitésima que
globalmente continuarão a perfazer um ano.

Quando assim procedemos à cisão do tempo penetramos no domínio da
capitalização contínua, que se realiza de instante a instante consequentemente.
E a taxa de juro correspondente ao subperíodo de tempo infinitésimo designa-se
por taxa instantânea de capitalização, ou taxa contínua.
Juros contínuos são, pois, os juros compostos quando o número de capitalizações
tende para infinito. Retomemos a equação da taxa equivalente:

(1+i)=(1+i
k
)
k

substitua-se a taxa fraccionária (i
k
) por uma taxa proporcional (u ) tal que:

i
k
=
u
k


substituindo as variáveis e fazendo os artifícios algébricos tem-se sucessivamente

(1+i) = (1+
u
k
)
k
= (1+
1
k / u
)
ku u /
= {(1+
1
k / u
)
k / u
}
u



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Página 39
Quando (k) tende para infinito é claro que
k
u
tende igualmente para infinito. O
binómio dentro do parêntesis curvo é, no seu limite para (k ·), precisamente o
número de neper: e=2,718282 (arredondado). Tem-se portanto:

(1+i) = lim
k ÷>·
{(1+
1
k / u
)
k / u
}
u


1+i=e
u


O valor de (u ) é a taxa instantânea ou taxa contínua e é equivalente à taxa anual (i).
Portanto, (u ) é a taxa anual pagável uma infinidade de vezes por ano, tal como a
taxa i’=k.i
k
é a taxa anual pagável (k) vezes num ano.
Esta taxa (i’) é sempre inferior à taxa (i), conforme ficou verificado e demonstrado
ao tratar-se das taxas equivalentes e proporcionais em capitalização composta.


Portanto tem-se que
i
k
>i
k
e
i
k
k
i
>1 
i
k
k
i
=¸ em que ¸ se define como coeficiente de
fraccionamento e é sempre superior à unidade. Pode mais simplesmente escrever-
se:

¸ =(i/ki
k
)

multiplicando-se por este valor ( ¸ ) a taxa (i’) - projecção anual da taxa fraccionária
(i
k
) equivalente a (i) - obtém-se exactamente a taxa anual básica (i). Se escrevermos
i= ¸ ki
k
concluímos que o segundo membro é um valor constante para uma taxa
fixa (i). Por conseguinte, quando fizermos crescer indefinidamente o número (k)
terá forçosamente que diminuir indefinidamente a taxa (i
k
), a qual se transformará
progressivamente na taxa fraccionária infinitésima que capitalizada uma infinidade
de vezes produzirá no limite a taxa contínua (u ) equivalente à taxa (i).

Tem-se pois que:

lim
k ÷>·
k i
k
= u

e o coeficiente de fraccionamento vem:

·
¸ = i/u

ou seja: o quociente entre a taxa anual descontínua e a taxa anual contínua.
Retomemos outra vez a equação da taxa equivalente e transformemo-la por
logaritmização neperiana:

(1+i)=(1+i
k
)
k


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Página 40

L(1+i)=k L(1+i
k
)

Sendo o primeiro membro uma constante, quando (k) crescer indefinidamente terá
forçosamente que decrescer indefinidamente o valor de L(1+i
k
). E torna-se óbvio
que este é no limite o valor da taxa infinitésima de capitalização que produz a taxa
anual contínua (u ), isto é:

lim
k ÷>·
k L(1+i
k
) = lim
k ÷>·
ki
k
= u = L(1+i)

donde

1+i=e
u





Um exemplo será útil para ilustrar toda esta análise. Sejam:

i=12% = 0,12

Fraccionamento mensal: km=12

Taxa proporcional: i
12
=0,12/12=0,01

Taxa equivalente: i
m
= 112
12
, -1=0,0099489

Taxa anual correspondente: i’=mi
m
=12*0,009489=0,113868

Coeficiente de fraccionamento: ¸ =
i
m
m
i
= 0,12/0,113868 = 1,053852

Reprodução da taxa básica (i): i=¸ i’=1,053852*0,113868=0,12

Taxa instantânea (contínua): u
e
L
=L(1+i)  u =L1,12 =0,113329

alternativamente: u =
log( )
log
1+ i
e
=
0 049218
0 4342945
,
,
=0,113329

Coeficiente de fraccionamento instantâneo:
·
¸ =
i
u
= 0,12/0,113329=1,058864

É chegada a altura de apresentar um panorama geral da problemática do
fraccionamento do tempo no processo de capitalização composta.
No quadro 1 está feito um resumo de símbolos e formulas das taxas de juro para os
períodos múltiplos e submúltiplos do ano. Note-se em especial o tipo de simbologia

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Página 41
adoptada para distinguir as taxas proporcionais e equivalentes, a qual será
invariavelmente seguida ao longo deste compêndio. Na base do quadro estão
também resumidas as relações matemáticas fundamentais respeitantes às taxas
equivalentes.
No quadro 2 estão tabulados os valores das várias taxas proporcionais e
equivalentes, em ordem decrescente da duração do período de tempo, desde o ano
até ao instante. Foi escolhida para este efeito a taxa anual básica de 24%, com vista
a obter resultados com diferenças suficientemente visíveis e avaliáveis dentro do
campo de 5 decimais. Na realidade, vimos que a diferença entre as taxas
proporcionais e equivalentes é geralmente bastante reduzida e mesmo desprezível
tanto para períodos curtos como para taxas de juro de baixo valor. As taxas
proporcionais constantes da coluna (3) deste Quadro (de valor i/k) são também as
taxas equivalentes (reais e efectivas) no caso da capitalização a juro simples. E no
caso da capitalização composta, essas taxas proporcionais são apenas taxas
nominais, sendo as taxas reais as que constam das colunas (4) e (5).

A taxa instantânea a juros contínuos é apenas exprimível em termos anuais, já que,
como se viu, a taxa fraccionária para o tempo instantâneo pode tão somente ser
representada pelo símbolo matemático lim
k ÷>·
L(1+i
k
).

TAXAS DE JUROS
QUADRO I
RESUMO DE SÍMBOLOS E FÓRMULAS


PERÍODO
TAXAS
PROPORCIONAIS
TAXAS
EQUIVALENTES
COMPOSTAS
Anual (Básica) i i=(1+i)
1
-1 =i
i= 1
1
+ i -1 =i
Quadrienal
4
i=4i i
Q
=(1+i)
4
-1
Trienal (Trianual)
3
i=3i i
T
=(1+i)
3
-1
Bienal (Bianual)
2
i=2i i
B
=(1+i)
2
-1
Semestral
i
2
=
i
2

i
s
= 1+ i -1
Quadrimestral
i
3
=
i
3

i
q
= 1
3
+ i -1
Trimestral
i
4
=
i
4

i
t
= 1
4
+i -1
Bimestral
i
6
=
i
6

i
b
= 1
6
+i -1
Mensal
i
12
=
i
12

i
m
= 1
12
+i -1
Semanal
i
52
=
i
52

i
w
= 1
52
+i -1
Diária
i365=
i
365

id= 1
365
+i -1

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Página 42
Instantânea u
u =
log( )
log
1+ i
e
=
log( )
,
1
0 4342945
+ i


1+i=(1+i
k
)
k

1+ i
k
=1+i
k


1+i=
u
e

u =
log( )
log
1+ i
e
=L(1+i)





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Página 1
QUADRO II

Período do Ano


(1)
Fracção do Ano


(2)
Taxas Proporcionais a
24%

(3)
Taxas Equivalentes
a 24%

(4)
Taxas Anuais
Equivalentes às Taxas
Proporcionais
(5)
Coeficientes de
Fraccionamento
¸ =(3)/(4)

Semestral

½

12,0

11,35529

25,440000

1,05678

Quadrimestral

1/3

8,0

7,43371

25,97120

1,07618

Trimestral

¼

6,0

5,52501

26,24770

1,02597
Bimestral 1/6 4,0
3,65023 26,53190 1,09582

Mensal

1/12

2,0

1,80876

26,82418

1,10573

Semanal

1/52

0,461539

0,41453

27,05484

1,11340

Diário

1/365

0,065753

0,05895

27,11330

1,11540

Horário

1/2760

0,0000273973

0,0000245564

27,12421

1,11568

Instantâneo

1
K ÷ ·


24,0 anual

21,51114 anual

27,12492

1,11570
i=24% 1/k i/k
i
k
= 1+ i
k
-1
i’’=(1+
i
k
)
k
-1 ¸ =
i
k ki


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Página 1

Todo o contexto deste quadro II evidencia que o montante acumulado a juros
compostos aumenta à medida que o número de capitalizações aumenta, atingindo a
intensidade máxima com a capitalização contínua de instante a instante. É o que se
comprova no gráfico abaixo: Para um certo capital (C) e uma taxa anual (i), a curva
correspondente aos montantes em função do número de capitalizações, num tempo
constante, tem a concavidade para o eixo das abcissas, não crescendo
proporcionalmente com o aumento dessas capitalizações, mas antes cada vez mais
lentamente.

M=C(1+i
k
)
kn
c
0 n


Sendo (n) um tempo constante, o montante (M) nesta definição particular é o limite
da capitalização quando (k) tende para infinito.


9. Montante Acumulado A Juro Contínuo E Formulas Derivadas


Logaritmizando a equação da taxa instantânea nas bases neperiana e decimal obtém-
se as relações

1+i =
u
e
 L(1+i) = u L e  log(1+i) = u log e

donde se isolam as fórmulas das taxas descontínua e contínua em função uma da
outra:


i =
u
e
-1


u = L(1+i)


u =
log( )
log
1+ i
e






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Página 46
E considerando a taxa fraccionária equivalente (i
k
) tem-se:

(1+i
k
)
k
=
u
e
 K L(1+i
k
) = u =  k log (1+i
k
) = u log e

donde


i
k
=
u
k
e
-1

ik=
L i
k
e
( ) 1+
-1



u = k L(1+i
k
)



u =
k
e
k
i
log( )
log
1+



Generalizando a equação da taxa instantânea para o tempo (n) e o capital (C), obtém-
se imediatamente as seguintes equações do montante acumulado contínuo e fórmulas
derivadas:


M= C
u n
e


C=
M
n
e
u


J=C(
u n
e

-1)


CAPÍTULO 3:PROCESSO DE ACTUALIZAÇÃO E DESCONTO DE
CAPITAIS


1.Valor Actual E Desconto Em Juro Simples


Viu-se através da análise do processo de actualização que o valor actual de um capital
(C), só realizável numa época futura (n), é o capital (V) que, colocado a juros à taxa
(i) durante o tempo (n), produzirá um valor acumulado igual a (C). Nestes termos
tem-se:

V+Vin=C  V(1+in)=C

V=
C
in 1+


fórmula do valor actual a juro simples.



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Página 47
Por definição, o desconto (E) será a diferença entre o capital futuro (C) e o seu valor
actual (V):

E=C-V

Substituindo valores tirados da fórmula do valor actual, o desconto vem expresso em
função de (C) e de (V) pelas fórmulas seguintes:

E=C(1-
1
1+ in
) =
Cin
in 1+


E=V(1+in) - V = Vin

Lembrando que o valor do juro simples é J=Cin, vê-se facilmente que (J)e (E) estão
relacionados entre si pela equação:

J=E(1+in) = E+Ein

isto é, o juro simples do capital (C) é igual ao desconto a juro simples desse capital
mais o juro do mesmo desconto.
As fórmulas anteriormente deduzidas traduzem o tratamento racional e o valor teórico
correcto do desconto a juro simples, que por isso se chama desconto racional e
vulgarmente desconto por dentro.
Na prática comercial, a operação do desconto foi desde sempre e fundamentalmente
mobilizada através do crédito bancário. Os empresários obtêm dos seus banqueiros o
pagamento imediato antecipado dos «efeitos comerciais» das suas transações
mediante a dedução do desconto (prémio de desconto bancário).
E os bancos, por óbvio motivo de simplicidade, calculam este desconto pela aplicação
da taxa de juro sobre o próprio valor nominal do capital futuro explícito no título
descontado, isto é:

D=Cin

fórmula do desconto bancário, também chamado comercial ou «desconto por fora»
(cálculo directo sobre o capital conhecido - valor por fora - em oposição ao cálculo
sobre a valor actual desconhecido - valor de dentro).
Portanto tem-se que o desconto por dentro é o juro do valor actual do capital,
enquanto que o desconto por fora é o juro do valor nominal do mesmo capital.
A fórmula do valor actual no regime de desconto por fora deduz-se então:

V=C-D = C-Cin =C(1-in)  fórmula do desconto comercial



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Página 48
A relação entre os valores dos descontos por dentro e por fora obtém-se facilmente a
partir da fórmula do desconto por dentro:

E=
Cin
in 1+
=
D
in 1+
D=E(1+in)

D=E+Ein

ou seja, o desconto por fora é igual ao desconto por dentro mais o juro do desconto
por dentro. Por outras palavras, a diferença entre o desconto por fora e o desconto por
dentro é o juro do desconto por dentro. Assim, o excesso do desconto por fora sobre o
desconto por dentro é tanto mais acentuado quanto maior for a taxa de juro (i) e maior
a duração do tempo (n). Com efeito, o juro simples cresce indefinidamente com o
tempo.
Em absoluto contraste, o desconto por dentro é uma fracção que tende para o valor do
capital nominal (C) quando o tempo (n) cresce indefinidamente, e permanecendo
sempre abaixo desse valor. Na verdade

E=
Cin
in 1+
=C
i
n
i
1
+
= lim
n÷·
E = C
i
i
= C

O gráfico abaixo ilustra estas realidades que derivam do aumento do tempo:

D
C
E
n
1/i


(D) cresce indefinidamente, (E) cresce a caminho de (C), e quando o tempo atinge o
valor 1/i, o valor do desconto por fora é igual ao valor do capital nominal descontado,
enquanto o desconto por dentro é nesse momento precisamente a metade; e para n>1/i
o desconto por fora excede o capital descontado. É por isto que na prática o emprego
do desconto por fora é limitado a operações de curto prazo - mais frequentemente até
180 dias, como já se disse.



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Página 49
Para além do curto prazo, ou muito curto prazo para taxas elevadas, o desconto por
fora seria impraticável - salvo adoptando taxas de juro adequadamente inferiores às
taxas correntes no mercado.

Na verdade, pelo emprego do desconto por fora, o banco está a emprestar um capital
actual V=C-D mas a cobrar um juro sobre o capital nominal, e o devedor
(descontante) fica apenas a dispor do capital actual, mas pagando juros como se
dispusesse do capital nominal. Ora o correcto será pagar juros à taxa do mercado
sobre o capital de que efectivamente se dispõe. Daí que é em relação a este capital
que deve ser analisada a taxa de juro que efectivamente se paga, isto é:

e (taxa efectiva)=
Juro Anual
CapitalUtilizado
=
Ci
V
=
i
in 1÷


Ao mesmo resultado se chega fazendo a equivalência entre os valores entre os valores
actuais racional e bancário:

1
1+ en
=(1-in)  1+e n-in-ie n
2
=1
e -i-ie n=0 donde se tira:
e =
i
in 1÷
i=
e
e 1÷ n

e >i i<e

respectivamente a taxa efectiva real em função da taxa nominal ou aparente, e a taxa
nominal em função da taxa efectiva. Para n=1 as equivalências simplificam-se para:

e =
i
i 1÷
i=
e
e 1+


Portanto, praticando uma taxa de juro (o ) inferior à taxa de juro do mercado (i) seria
indiferente o método de cálculo do desconto desde que:

o =
i
in 1÷


Este problema assumiu muito maior acuidade na época contemporânea de elevada
inflação e taxa de juro. Para o eliminar só existem duas soluções possíveis: ou passar
a fazer os cálculos pela forma racional do desconto; ou adoptar legalmente a
obrigação de efectuar os cálculos a taxas mais baixas, equivalentes à taxa de marcado
que se tome como taxa real a praticar.



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Página 50
Por exemplo, para o prazo de um ano e uma taxa de mercado de 25%, a taxa real
praticada no desconto bancário é 33,3%, e a taxa que devia ser praticada para
respeitar os 25% seria 20%. Para um prazo de seis meses estes números converter-se-
iam respectivamente em 28% e 22,2%.

Os descontos racional e bancário podem ter uma representação geométrica em
simultâneo de maneira muito interessante e esclarecedora, como segue:

H
B F
D
0 A C E G


Triângulo tracejado (OEF)  Tempo=1 ano
Triângulo contínuo (OGH)  Tempo=1/i

Para quaisquer valores dados do capital nominal (C), da taxa de juro (i) e do tempo
(n), os descontos por dentro e por fora são representáveis através de um triângulo
rectângulo cuja base é a soma do capital nominal com o desconto por fora e cuja
altura é o valor deste desconto; sendo o desconto por dentro exactamente
representado pelos segmentos AB para o caso de n=1/i e CD para o caso de n=1,
segmentos que se obtêm mediante os seguintes traçados e relações geométricas:

Para o tempo n=1

EF = Desconto por fora
CE = EF
CD = Desconto por dentro
OC = Capital nominal
OF = Capital nominal + desconto por fora

GH = Desconto por fora
AG = GH
AB = Desconto por dentro
OA = Capital nominal

OG = Capital nominal + Desconto por fora


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Página 51

Neste caso têm-se as seguintes relações particulares:

OA = AG = Capital nominal = Desconto por fora
AB = ½ GH (Desconto por dentro metade do por fora)

Convertendo esta representação geométrica em linguagem algébrica obtém-se o
seguinte desenvolvimento:

Descontopor fora
Descontopor dentro
=
EF
CD
=
Cin
Cin
in 1+
=
1
1
+ in
=
C Cin
C
+
=
OE
OC
=
EF
OE
=
CD
OC


o que comprova a exactidão da representação geométrica.
O progressivo e rápido afastamento entre o desconto racional e o desconto bancário à
medida que o tempo avança torna-se bastante sensível nesta representação
geométrica.


2. Valor Actual E Desconto Em Juro Composto


Assim como o processo de capitalização composta consiste, como se viu, na soma
progressiva de capitalizações simples período a período, também o desconto
composto é uma soma de descontos simples calculados em cada período.
Na capitalização composta, o processo de cálculo e de adição sucessiva parte do
momento inicial (zero) para o momento final (n); no desconto composto, o processo
de cálculo e de adição parte do vencimento final para o momento inicial ou actual.
Considere-se o diagrama:

V=V
n
V
n-1
V
n-2
V
2
V
1
C
0 1 2 n-2 n-1 n







O capital (C) é descontado um ano para o valor (V
1
) no tempo (n-1); o novo capital
(V
1
) é descontado para o valor (V
2
) no tempo (n-2); e assim sucessivamente em


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Página 52
movimento retroactivo até finalmente se descontar o valor (V
n-1
) no tempo (1) para o
valor (V
n
) no tempo inicial, sendo este valor descontado final o valor actual (V) do
capital (C).

Traduzindo em linguagem algébrica este processo, tem-se sucessivamente:

V
1
= C-E
1
= C-
Ci
i 1+
=
C
i 1+


V
2
= V
1
-E
2
= V
1
-
1
1
V
i
i +
=
C
i 1+
-
C
i
i
i
1
1
+
+
=
C
i 1+
-
Ci
i
2
1 ( ) +
=
C i
i
( )
( )
1
2
1
+
+
-
Ci
i
2
1 ( ) +
=
C
i
2
1 ( ) +


V
3
= V
2
-E
3
= V
2
-
2
1
V
i
i +
= ...=
C
i
3
1 ( ) +


V
n
= V
n-1
-E
n
= V
n-1
-
n
V
i
i
÷
+
1
1
= ...=
C
n
i ( ) 1+



V=
C
n
i ( ) 1+



que é a equação do montante acumulado resolvida em ordem ao valor actual.
Se o processo algébrico descrito conduziu a este esperado resultado, também é óbvio
que o desconto total composto no prazo (0-n) é igual ao somatório dos descontos
simples em cada período unitário, isto é:

E=E1+E2+E3+...+En =
k
k
n
E
=
¿
1





substituindo valores, vem:



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Página 53
E=
Ci
i 1+
+
1
1
V
i
i +
+
2
1
V
i
i +
+...+
n
V
i
i
÷
+
1
1


=
Ci
i 1+
+
i
i 1+
(V
1
+V
2
+...+V
n-1
)

=
Ci
i 1+
+
i
i 1+
(
C
i 1+
+
C
i
2
1 ( ) +
+
C
n
i
÷
+
1
1 ( )
)

=
Ci
i 1+
(1+
C
i 1+
+
C
i
2
1 ( ) +
+
C
n
i
÷
+
1
1 ( )
)

Como o desenvolvimento dentro do parêntesis é a soma dos termos de uma
progressão geométrica decrescente de razão
1
1+ i
, tem-se de modo simplificado:

E=
Ci
i 1+
x
1
1 1
1
1
1
1
1
1
÷
+
÷
+
÷
+
n
i
x
i
i
( )
( )


=
Ci
i ( ) 1+
x
n
n
i
i
( )
( )
1
1
1
+
+
÷
x
( ) 1+ i
i


e finalmente:

E=C
n
n
i
i
( )
( )
1
1
1
+
+
÷
= C
1
1
n
i ( ) +

¸

(
¸
(
(


que é a fórmula do desconto composto racional ou real sob as duas formas em que
pode ser representado.
Directamente a partir da própria definição de desconto se chega, claro está, à mesma
fórmula:




E=C-V =C-
C
n
i ( ) 1+
= C
1
1
n
i ( ) +

¸

(
¸
(
(



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Página 54

Em capitalização composta não existe o problema o desconto por dentro e do
desconto por fora que se põe na prática do desconto comercial ou bancário.
O desconto praticado em juros compostos é sempre o desconto racional obtido pelo
processo lógico e em coerência com as leis basilares do cálculo financeiro:

E =C-C
÷
+
n
i ( ) 1


que é uma terceira maneira de apresentar a fórmula.
Mas embora assim seja, não deixa de ter interesse técnico desenvolver a fórmula que
seria de um desconto composto do tipo bancário e que é tão irracional como o
desconto por fora em capitalização simples.
Seja um capital (c) a descontar ou resgatar (n) anos antes do seu vencimento à taxa
anual (i).

Procedendo da maneira seguida atrás para o desconto racional, mas fazendo incidir
agora o juro sobre o capital nominal conforme a técnica do desconto por fora, tem-se
sucessivamente:


V
1
=C-Ci =C(1-i)

V
2
=V
1
-V
1
i =C(1-i)-C(1-i)i =C(1-i) (1-i) = C(1-i)
2

V
n
=V
n-1
-V
n-1
i =...= C(1-i)
n



V= C(1-i)
n



que é a fórmula do valor actual composto irracional.
Para distinguir, de futuro, os valores actuais racional e irracional, será reservado o
símbolo algébrico (V) para o valor racional e adoptado o símbolo (B) para o valor
irracional, em paralelo com os símbolos (E) para o desconto racional e o símbolo (D)
para o desconto irracional, bancário ou comercial.
Da fórmula acima tira-se a fórmula do desconto bancário:

D = C-B = C-C(1+i)
n



= C
| |
1 1 ÷ ÷
n
i ( )


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Página 55


A taxa real a que o desconto bancário é efectuado em equivalência com o desconto
racional obtém-se igualando os respectivos valores actuais:

V = C x
1
1
n
+e
= C(1-i)
n
= B

e derivadamente

(1+e )
n
(1-i)
n
= 1 (1+e ) (1-i)=1
1+e -i-e i=1  e -i-e i=0

E, portanto, as fórmulas das taxas real (e ) e nominal (i) em função uma da outra são:

e =
i
i 1÷
i =
e
e 1+


ou seja, precisamente as mesmas relações encontradas para os descontos racional e
bancário na capitalização a juro simples, quando o tempo é unitário: n=1. Significa
isto que, em capitalização composta, as taxas real e nominal são sempre equivalentes
para qualquer duração do processo de desconto; e que essas taxas são as mesmas da
capitalização a juro simples para o tempo unitário.
Da fórmula do montante acumulado a juro contínuo extraem-se directamente as
fórmulas do valor actual contínuo e do desconto composto contínuo, respectivamente:

V =
C
n
e
u
= C e
÷u n
E = c(1-e
÷u n
)


3. Desconto Bancário Na Prática, Fórmulas Derivadas Com A Inserção De
Encargos Devidos Além Do Juro

Como se viu, o desconto é efectuado pelos bancos aplicando a técnica do desconto
por fora. O encargo total com a operação do desconto não se limita ao débito do juro,
incluindo em geral as seguintes deduções ao valor facial (nominal) dos efeitos
comerciais descontados:

1) Prémio de desconto a uma taxa de juro em regra variável consoante o prazo da
operação. Este inclui mais dois dias úteis de «tolerância» (Artº 38º da Lei
Uniforme) e se o dia de vencimento caiu num domingo ou feriado será adicionado
mais um dia.


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Página 56
2) Sobretaxa para o fundo de compensação incidente sobre o valor nominal do título e
independentemente do prazo.
3) Comissão de cobrança também incidente sobre o valor nominal do título, e
agravada com um prémio de transferência quando o local do pagamento é diferente
do local de desconto (ou praça). As comissões de cobrança estão em regra sujeitas
a valores mínimos e máximos fixados (x5, mas nunca menos de ... nem mais de ...).
4) Imposto de selo, retido na fonte e aplicado sobre a soma das três alíneas
precedentes.

5) Portes e outros serviços prestados, englobando correio, telefone, telegramas ou
outros, e que constituem um encargo fixo por cada título ou por um dado conjunto
de títulos.

Consideremos os seguintes símbolos e valores correntes:

C = Valor nominal do título;
o = Prémio de desconto (taxa de juro): 28%;
| = Fundo de compensação: 0,5%;
o = Comissão de cobrança: 2%
0
;
o = Imposto de selo: 3%;
¸ = Encargos diversos (fixo): 50;
h = Tempo que falta para o vencimento do título (período compreendido entre a data
do desconto e a data do vencimento): 180 dias;
h+2 = Prazo com a tolerância: 182 dias

tem-se sucessivamente:

- Desconto por fora: D = C
h + 2
365
o

- Fundo Compensação: | C

- C. Cobrança: o C

- Imposto: (D+o C+| C) o

- Diversos: ¸ (fixo)

O desconto bancário total é pois:

DB = (D+o C+| C) (1+o )+¸



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Página 57
=C(
( ) h + 2
365
o +o +| ) (1+o )+¸

e o valor líquido do desconto é:

VB = C(
( ) h + 2
365
o +o +| ) (1+o )-¸


Com os valores exemplificativos acima apresentados, o desconto bancário completo e
o correspondente valor líquido do desconto são:

DB = 100.000(
182
365
x 0,28 + 0,002 + 0,05) x 1,03 + 50

DB = 19.787

VB = C - DB = 80.213

em que os componentes são:

Prémio de desconto: 13.962
Cobrança: 200
Compensação: 500
Imposto: 440
Diversos: 50
TOTAL ______
15.152


O custo desta operação oferece as seguintes taxas específicas:

- Taxa nominal (aparente) de desconto 28% ao ano

- Taxa real do desconto e =
13962
86 038
.
.
x 2 = 32,5% aa

- Custo total efectivo
19 787
80 213
.
.
x 2 = 49,4%


CAPÍTULO 4: EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS DIFERIDOS



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Página 58

1. O Problema Geral Da Equivalência De Capitais: Equações De Valor. Capital
Comum E Vencimento Comum

Diz-se que dois ou mais capitais são diferidos quando são realizáveis em datas
diferentes. E esses capitais serão equivalentes numa certa data se, nesse momento se
igualarem os seus valores actuais. Este momento de equivalência dos capitais
designa-se por data de avaliação ou data focal.

Generalizando, diremos que dois conjuntos de capitais são equivalentes numa certa
data de avaliação quando, nesse momento, forem iguais as somas dos valores actuais
dos capitais que formam cada conjunto.
Uma equação de valor é estabelecida quando fazemos serem iguais numa certa data
de avaliação ou comparação, as somas dos valores de dois conjuntos de capitais ou
obrigações.

O encontro ou estabelecimento de equações de valor, ou de equilíbrio, constitui um
objectivo constante na resolução de problemas financeiros como de económicos.
A data focal de equivalência pode ser presente (actual), passada, ou futura. Os
capitais de cada conjunto que se reportem a datas anteriores à data focal terão de ser
capitalizados para essa data; e os capitais que se refiram a datas posteriores à data
focal terão de ser actualizados para esta. O valor das somas iguais de dois conjuntos
na data focal diz-se o capital comum, que é o capital único que nessa data equivale
aos conjuntos e os pode, portanto, substituir financeiramente.
Quando a data focal é procurada para equilibrar um conjunto de capitais com um
dado capital único, designa-se por vencimento comum.
Para efeitos de análise, temos de considerar separadamente as equações de valor em
regime de juro simples e de regime de juro composto. Mas apenas para estudo, pois
na prática pode perfeitamente haver equivalência entre um conjunto de capitais a juro
simples e um outro a juro composto.

1.1. Equações De Valor Em Juro Simples

Fazendo o desconto racional para efeito de actualização, dois capitais (C
1
) e (C
2
),
realizáveis respectivamente nos tempos (n
1
) e (n
2
) à taxa de juro (i), são equivalentes
se os seus valores actuais se igualarem:

(C
1
/1+in
1
) = (C
2
/1+in
2
) = V

e operando com o desconto bancário tem-se:

C
1
(1-in
1
) = C
2
(1-in
2
) = B



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Página 59
Se os mesmos capitais se reportam ao momento actual, os seus montantes futuros
serão equivalentes se:

C
1
(1+in
1
) = C
2
(1+in
2
) = M





Generalizadamente com dois conjuntos de capitais, tem-se sucessivamente:

k
k
k
t
C
n
i 1
1
+
=
¿
=
h
h
h
m
B
n
i 1
1
+
=
¿
= V

k
k
t
C
=
¿
1
(1-in
k
) =
h
h
m
B
=
¿
1
(1-in
h
) = A

k
k
t
C
=
¿
1
(1+in
k
) =
h
h
m
B
=
¿
1
(1+in
h
) = M

Tratando-se da actualização pelo desconto bancário, a equação do meio acima pode
escrever-se:

A =
k
k
t
C
=
¿
1
-i
k
k
t
C
=
¿
1
n
k =
h
h
m
B
=
¿
1
-i
h
h
m
B
=
¿
1
n
h


Se os dois conjuntos de capitais contiverem itens anteriores, coincidentes e
posteriores ao momento focal, a equação de valor terá a seguinte forma (sendo a
actualização pelo desconto racional):

¿
C
k
(1+in
k
) +
¿
C’
r
+
¿
s
s
C
n
i
''
1+


¿
B
h
(1+in
h
) +
¿
B’
w
+
¿
z
z
B
n
i
''
1+


Verificar-se-á que, em capitalização simples, dois conjuntos diferentes de capitais,
que são equivalentes numa data, não são equivalentes em outra data qualquer. Para
exprimir esta realidade, diz-se que o «juro simples não é cindível ou não é
seccionável».



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Página 60
1.2. Equações de Valor em Juro Composto

Deve operar-se sempre com o desconto racional para efeito de actualização. As
equações gerais de valor apresentam as seguintes formas:

k
k
t
C
=
¿
1
(1+i)
n
k
=
h
h
m
B
=
¿
1
(1+i)
n
h
= M


para montantes acumulados num ponto focal futuro

C
i
n
k
k
t
k
( ) 1
1
+
=
¿
=
C
i
n
h
h
m
h
( ) 1
1
+
=
¿
= V

para uma igualdade de valores actuais.
A equação de valor que iguala numa determinada data focal dois conjuntos de valores
com itens de vencimento anterior, coincidente, e posterior ao momento focal, terá o
seguinte aspecto:

k
C
¿
(1+i)
n
k
+
¿
C’
r
+
C
i
n
s
s
' '
( ) 1+
¿
=
h
B
¿
(1+i)
n
h
+
¿
B’
W
+
B
i
n
z
z
' '
( ) 1+
¿


Exemplifiquemos com um caso muito frequente: uma obrigação de valor (C) é devida
dentro de (n) anos, e uma outra (B) é devida dentro de (m) anos. Pretende-se
substituir estas duas obrigações por uma única (M) liquidar no fim de (s) anos. A
equação de valor escreve-se:

C
i
n
( ) 1+
(1+i)
s
+
B
i
m
( ) 1+
(1+i)
s
= M

M = C(1+i)
s-n
+ B(1+i)
s-m


podendo estar (s) compreendido entre (m) e (n), ser menor que ambos, ou ser maior
que ambos.
Verificar-se-á que, em capitalização composta dois conjuntos de capitais equivalentes
numa determinada data focal continuam a ser equivalentes em qualquer outra data de
avaliação anterior ou posterior àquela. Esta realidade exprime-se dizendo que o juro
composto é cindível ou é seccionável.
A demonstração da cindibilidade da capitalização composta e da não cindibilidade da
capitalização simples é feita na parte dos apêndices deste compêndio.
Porém, é conveniente ilustrar desde já com exemplos estas realidades.


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Página 61









Exemplo 1

À taxa de avaliação de 24% aa em juro simples, calcular o valor equivalente no
momento actual, dentro de seis meses e dentro de um ano das seguintes obrigações:

1.000 devidos hoje
2.000 devidos em 6 meses com juro acrescido de 25% aa
3.000 devidos em 12 meses com juro acrescido de 26%aa

(1º) Avaliação no momento actual:


V
0
= C + C(
1
1
+
+
in
in
) + C(
1
1
+
+
in
in
)

V
0
= 1.000 +
2 000 1 0 25 0 5
1 0 24 0 5
. ( , , )
, ,
+
+
x
x
+
3000 1 0 26
1 0 24
. ( , )
,
+
+


V
0
= 6.057

(2º) Avaliação a 6 meses

V
6
(1+0,24x0,5) = 1.000 (1+0,24x0,5)+2.000 (1+0,25x0,5)+
3000 1 0 26
1 0 24
. ( , )
,
+
+


V
6
= 6.022

(3º) Avaliação a 12 meses

V
12
(1+0,24)=1.000 (1+0,24)+2.000 (1+0,25x0,5)(1+0,24x0,5)+3.000 (1+0,26)

V
12
= 6.081

Todos os valores (VV) são diferentes porque o juro simples não é cindível.


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Página 62

Exemplo 2

A mesma questão resolvida no domínio do juro composto

(1º) Avaliação no momento actual:



V
0
= 1.000+
2 000 1 0 25
1 0 24
0 5
0 5
. ( , )
( , )
,
,
+
+
+
3000 1 0 26
1 0 24
. ( , )
( , )
+
+


V
0
= 6.056

(2º) Avaliação a 6 meses

V
6
(1+0,24)
0 5 ,
= 1.000(1+0,24)
0 5 ,
+ 2.000(1+0,25)
0 5 ,
+
3000 1 0 26
1 0 24
0 5
. ( , )
( , )
,
+
+


V
6
= 6.056

(3º) Avaliação a 12 meses

V
12
(1+0,24) = 1.000(1+0,24)+2.000(1+0,25)
0 5 ,
(1+0,24)
0 5 ,
+3.000(1+0,26)

V
12
= 6.056

Todos os valores (VV) são agora iguais, porque o juro composto é cindível:
capitalizando e actualizando para pontos focais quaisquer mantém-se inalterável a
equivalência de valores. Como pode ser visto na demonstração em apêndice, esta
constância de equivalência resulta da propriedades da função exponencial de que a
função linear não goza.

Exemplo 3

Seja o capital de 10.000 que é capitalizado a juros compostos durante 5 anos à taxa de
24%aa. O montante acumulado é:

M = 10.000(1+0,24)
5
= 29.316



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Página 63
Se actualizarmos cinco anos este novo capital obtém-se o capital primitivo, como é
lógico.

V = 29.316 (1+0,24)
5
= 10.000

Se seccionarmos os cinco anos em dois períodos de três e dois anos, e descontarmos
em duas etapas, temos sucessivamente:

1º etapa - V1 = 29.316(1+0,24)
÷3
= 15.376

2º etapa - V2 = 15.376 (1+0,24)
÷2
= 10.000 = V

ou seja o capital inicial cujo retorno se esperava.

Porém, se utilizarmos o regime de juro simples, todos os cálculos anteriores são
correspondentemente os seguintes:

M = 10.000 (1+0,24x5) = 22.000

V = 22.000 (1+0,24x5)
÷1
= 10.000

Isto é, não havendo cisão, recai-se no capital primitivo como é lógico.
Mas se seccionarmos pela forma operada com o juro composto, os resultados alteram-
se:

V
1
= 22.000 (1+0,24x3)
÷1
= 12.791

V
2
= 12.791 (1+0,24x2)
÷1
= 8.643 < V

V
2
= V

E se capitalizarmos em duas etapas:

M
1
= 10.000 (1+0,24x3) = 17.200

M
2
= 17.200 (1+0,24x2) = 25.456 > M

M
2
= M

Isto é, qualquer forma de cisão, ou de operação que modifique os pontos focais rompe
o equilíbrio precedente, passando a haver novas equivalências, O que teria a


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Página 64
aparência de ser financeiramente lógico não acontece matematicamente com o juro
simples. Esta é mais uma particularidade que leva alguns autores a afirmar que o
regime de juro composto (e consequentemente o desconto composto) constitui o
verdadeiro sistema racional do cálculo financeiro.







2. Casos Particulares De Equivalência Financeira


2.1. Substituição ou Reforma de Efeitos Comerciais. Vencimento Médio

Na vida comercial surge constantemente a necessidade ou o interesse de substituir um
conjunto de obrigações ou capitais por outro conjunto financeiramente equivalente.
Para esse efeito, as partes intervenientes devem concordar sobre a estrutura do novo
conjunto, uma taxa de juro a aplicar, e a nova ou novas datas de liquidação. Portanto,
a resolução deste problema prático consiste sempre em estabelecer uma adequada
equação de valor, igualando um só capital a um conjunto de capitais, ou um conjunto
de capitais a outro conjunto.
Quando o caso é substituir um conjunto de obrigações por uma única obrigação, cai-
se no problema de achar o capital comum com o respectivo vencimento comum:
vários C
k
(k=1,2,3,...), com vencimentos respectivamente n
k
(k=1,2,3,...)
devem ser substituídos por um único capital (C) com vencimento no prazo (n). Este
capital comum resulta das equações:

- Em juro simples com desconto racional

C
in 1+
=
C
in
1
1
1+
+
C
in
2
2
1+
+ ...+
C
in
k
k
1+
=
¿

C
in
k
k
1+


- Em juro simples com desconto bancário

C(1-in) = c
1
(1-in
1
) + C
2
(1-in
2
) + ...+ c
k
(1-in
k
)

=C
1
- C
1
in
1
+ C
2
- C
2
in
2
+ ...+C
k
- C
k
in
k


donde



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Página 65
C(1-in) =
¿
C
k
(1-in
k
)

- Em juro composto

C(1+i)
÷n
= C
1
(1+i)
1
÷n
+C
2
(1+i)
2
÷n
+...+C
k
(1+i)
k
n ÷


=
¿
C
k
(1+i)
k
n ÷




Neste caso, a incógnita é vulgarmente o (C); mas pode ser o (n) ou mesmo o (i). Na
situação do juro composto, o cálculo da taxa de juro única só pode ser feito por
tentativas práticas. Mas se as taxas dos capitais (C
k
) forem diferentes de (i) e sejam
evidentemente dadas, então o cálculo da taxa (i) para o capital único pode ser
calculada algebricamente mesmo em juro composto:

C(1+i)
÷n
=
¿
C
k
(1+i)
k
n ÷


(1+i)
÷n
=
C
C i
k k
n
k
( ) 1+
÷
¿


i=
C
C i
k k
n
n
k
( ) 1+
÷
¿
-1

Em todas as fórmulas desenvolvidas foi pressuposto que os capitais (C), (c
1
), ..., (C
k
)
são capitais diferentes e diferidos, para os quais se procura uma condição de
equivalência, sendo apenas implícita a evidência de que o capital comum (C) deve ser
maior que qualquer dos capitais do conjunto (em condições normais de taxas de juro).
Mas põe-se o caso particular de se desejar que o capital comum e os vários capitais
que lhe sejam equivalentes tenham valores nominais iguais, ou seja: C = C
1
+C
2
+...+C
k

o que é uma hipótese única entre a infinidade de hipóteses admissíveis. Neste caso
particular o vencimento comum toma a designação de vencimento médio (ou prazo
médio).

Com esta hipótese, nenhuma alteração algébrica é viável na fórmula do juro simples
com desconto racional, assim como na do juro composto. No caso do juro simples
com desconto bancário, o seguinte desenvolvimento conduz a uma fórmula mais
simplificada e com uma implicação de interesse (o que é importante, por ser o regime


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Página 66
de juro simples com desconto bancário aquele que oferece mais aplicação na prática
no tocante ao problema da substituição de efeitos comerciais). Tem-se:

C - Cin =
¿
C
k
- i
¿
C
k
n
k
, mas

¿
C
k
= C, logo

C - Cin = C - i
¿
C
k
n
k


Cn =
¿
C
k
n
k


C =
C n
n
k k
¿
 n =
C n
C
k k
k
¿
¿
=
C n
n
k k
¿


isto é, no caso particular de ser (C=
¿
C
k
) tanto o capital comum como o vencimento
comum (vencimento médio) são totalmente independentes da taxa de juro. E agora
também se vê porque se chama a (n) vencimento médio: é, com efeito, prazo médio
da operação ponderado com os capitais.

Em regime de juro composto também assume interesse particular a hipótese de um
capital comum igualar a soma dos capitais produzindo juro. Desde logo, o valor do
capital único passa a ser um dado conhecido (C=
¿
C
k
), pelo que a única incógnita de
interesse que resta achar é o vencimento comum - que passa a ser o vencimento ou
prazo médio.

Exemplificando, calcule-se o vencimento (prazo) médio das seguintes obrigações:

10.000 dentro de um ano;
15.000 dentro de um ano e nove meses
20.000 dentro de três anos e meio
sendo o juro de 12% aa

45.000x1,12
÷n'
= 10.000x1,12
÷1
+15.000x1,12
÷1 75 ,
+20.000x1,12
÷3,5
= 34.681,5

1,12
÷n'
=
34 6815
45000
. ,
.
= 0,7707

1,12
n'
= 1,297522



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Página 67

n =
log ,
log ,
1297522
12
= 2,3

E agora a fórmula prática:

n’ =
10000 1 15000 175 20000 35
45000
. . , . ,
.
x x x + +
= 2,35

então

n = 2,3  2 anos 3 meses 18dias


n’ = 2,35  2anos 4 meses 6 dias

Se for C= C
1
+C
2
+...+C
k
os valores (n) e (n’) afastam-se com o aumento da diferença e
com o agravamento da taxa de juro. A fórmula é intuitiva e empírica.
Posto isto, consideremos agora o problema ao invés, ou seja substituir uma única
obrigação por um conjunto de obrigações. A este problema chama-se desdobramento
de um capital ou efeito. É óbvio que as equações antes desenvolvidas permanecem
imutáveis: apenas sucede que o capital único (C) passa a ser um dado e os capitais
(C
1
, C
2
, ...,C
k
) são as incógnitas. Mas logo se torna de igual modo óbvio que o
problema só tem solução prática possível no caso particular de os capitais
desdobrados serem todos do mesmo valor, ou existir entre eles uma relação que
permita exprimir todos do segundo ao último em função do primeiro (variando em
progressão aritmética, em progressão geométrica, ou cada um ser um múltiplo do
primeiro capital).
Ora a hipótese de os capitais serem de igual valor é a mais corrente, sendo portanto:
C
1
= C
2
= ...=C
k
= T
Assim, as equações que fornecem o valor de (T) apresentam-se como segue

- Em juro simples com desconto racional

T (
1
1
1
+ in
+
1
1
2
+ in
+...+
1
1+ in
k
) =
C
in 1+


T
¿

1
1+ in
k
=
C
in 1+


- Em juro simples com desconto bancário


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Página 68

T ( ) ( ) ... ( ) 1 1 1
1 2
÷ + ÷ + + ÷

¸

(
¸
(
in in in
k
= C(1-in)

T (k-i n
k
)
¿
= C(1-in)

T =
C in
k i n
k
( ) 1÷
÷
¿






- Em juro composto

C (1+i)
÷n
= T ( ) ( ) ... ( ) 1 1 1
1 2
+ + + + + +

¸

(
¸
(
÷ ÷ ÷
i i i
n n n
k


C = T ( ) ( ) ... ( ) 1 1 1
1 2
+ + + + + +

¸

(
¸
(
÷ ÷ ÷
i i i
n n n n n n
k


T =
C
i
n n
k
( ) 1+
÷
¿


b) Pagamentos parciais variáveis

Com frequência, os compromissos financeiros são liquidados atravésde uma série de
pagamentos parciais (ou prestações) ao longo do prazo contratual, em vez de por um
pagamento único no vencimento desse prazo. Tal questão é equivalente ao problema
do desdobramento de uma obrigação num conjunto de obrigações parciais. As
fórmulas de resolução do problema foram já apresentadas para essa hipótese. No
entanto, para a liquidação de dívidas comerciais com relativamente reduzido número
de pagamentos, é também muito corrente o caso de pagamentos variáveis com
intervalos variáveis de tempo.
Este tipo de problema pode ser resolvido com a regra de MERCHANT, pela qual é
estabelecida uma equação de valor com a data de avaliação coincidente com a data de
vencimento. O juro é calculado sobre a dívida original e sobre cada pagamento
parcial até à data do vencimento. A importância final em dívida é a diferença entre o
montante acumulado da dívida original e a soma dos pagamentos parciais antes
efectuados.


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Página 69
Portanto, o problema central destes casos é achar o saldo final a pagar na data do
vencimento após ter sido efectuada uma série de pagamentos parciais.

Exemplo com juros simples

Uma obrigação de 200.000 com juros de 15% aa vence-se dentro de um ano. O
devedor paga 60.000 no fim de 5 meses e 80.000 no fim de nove meses. Achar o
saldo devedor (último pagamento) na data do vencimento. Tem-se

200.0 (1+0,15) = 60.000 (1+0,15 x
7
12
) + 80.000 (1+0,15 x
3
12
) + X

X = 81.750


Uma equação genérica será:

A (1+i) = T
1
(1+i
n n
n
÷
1
) + T
2
(1+i
n n
n
÷
2
) + ...+ T
k
(1+i
n n
n
k
÷
) X

No comércio, costuma fazer-se os cálculos numa disposição vertical. Para o nosso
exemplo numérico é como se segue:

Descrição Valores
Débito original 200.000
Juros de 15% (12 meses) 30.000
Soma 230.000
Primeiro pagamento 60.000
Juros de 7 meses x 60.000 5.250
Segundo pagamento 80.000
Juros de 3 meses x 80.000 3.000
Soma 148.250
Saldo em dívida 81.750
230.000

Exemplo com juros compostos

Uma obrigação de 200.000 com juros de 15% aa vence-se dentro de 20 meses. O
devedor paga 40.000 no fim de 7 meses; 50.000 no fim de 12 meses; 70.000 no fim
de 16 meses; e o saldo no vencimento. Achar o valor deste último pagamento.
Para calcular com anos é preciso primeiro transformar os meses em anos
equivalentes:



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7 meses  7/12 = 0,5833 anos
12 meses  = 1 ano
16 meses  16/12 = 1,3333 anos
20 meses  20/12 = 1,6667 anos

O tempo a decorrer entre cada pagamento e o vencimento final é o seguinte:

Para 7 meses  1,0833 = 13 meses
Para 12 meses  0,6667 = 8 meses
Para 16 meses  0,3334 = 4 meses
Para 20 meses  0 = 0 meses





Então tem-se:

200000(1+0,15)
1 6667 ,
=40000(1+0,15)
1 0833 ,
+50000(1+0,15)
0 6667 ,
+70000(1+0,15)
0 3334 ,
+X

X = 77.700

Numa tabulação vertical tem-se:

Descrição Valores
Débito original 200.000
Juros de 15% (20 meses) 52.460
Soma 252.460
Primeiro pagamento 40.000
Juros de 13 meses x 40.000 6.540
Segundo pagamento 50.000
Juros de 8 meses x 50.000 4.882
Terceiro pagamento 70.000
Juros de 4 meses x 70.000 3.338
Soma 174.760
Saldo em dívida 77.700
252.460

Com os mesmos símbolos adoptados para o exemplo a juro simples, pode-se
estabelecer para o juro composto a seguinte equação de valor genérica:

A(1+i)
n
=T
1
(1+i)
n n ÷
1
+ T
2
(1+i)
n n ÷
2
+ ...+ T
k
(1+i)
n n
k
÷
+ X


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Página 71

Apenas para o juro simples e um reduzido número de pagamentos, o problema em
causa pode ser resolvido por uma outra regra designada de «juro sobre o saldo
devedor», ou «fórmula do capital em dívida». Por esta regra, o juro é calculado
sistematicamente sobre o saldo por liquidar da dívida após cada pagamento parcial
efectuado. No caso de um pagamento exceder o juro então devido, a diferença aplica-
se para reduzir o débito. Se o pagamento é menor que o juro devido, então o
pagamento permanece sem juros até que outros parciais sejam efectuados e a sua
soma exceda o juro devido no momento do último dos pagamentos parciais.

Tomando os dados do exemplo com juros simples ilustrativo da regra de
MERCHANT a fórmula do capital em dívida para a regra do juro sobre o saldo
devedor desenvolve-se assim:



{|200.000(1+0,15
5
12
)-60.000| (1+0,15
4
12
)-80.000}(1+0,15
3
12
)-X = 0

X = 83.130

No habitual desenvolvimento vertical os cálculos são como se segue:

DESCRIÇÂO VALOR
Débito original 200.000
Juros de 5 meses 12.500
Dívida após 5 meses 212.500
1º pagamento 60.000
Sub-total 152.500
Juros de 4 meses 7.625
Dívida após 9 meses 160.125
2º pagamento 80.000
Sub-total 80.125
Juros de 3 meses 3.005
Dívida após 12 meses 83.130
Último pagamento 83.130


3. Taxa Média De um Conjunto De Capitais


Dado um conjunto de capitais C
1
, C
2
, ..., C
k,
aplicados durante os prazos n
1
, n
2
, ..., n
k
às
taxas de juro respectivamente i
1
, i
2
, ..., i
k
designa-se por taxa média desse conjunto à


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Página 72
taxa (i) que substituindo para cada capital as suas taxas i
1
, i
2
, ..., i
k
produz o mesmo
capital comum no mesmo momento comum.
Este problema de achar uma taxa única que substitua (k) taxas distintas produzindo o
mesmo resultado financeiro tem soluções específicas para a capitalização simples e
composta.

Em Capitalização Simples:

A equação de equivalência é:

C
1
(1+i
1
n
1
)+C
2
(1+i
2
n
2
)+...+C
k
(1+i
k
n
k
) = C
1
(1+in
1
)+C
2
(1+in
2
)+...+C
k
(1+in
k
)





Desembaraçando de parêntesis e tomando os somatórios obtém-se:

C
h
h
k
=
¿
1
+ C i n
h h h
h
k
=
¿
1
= C
h
h
k
=
¿
1
+ C i n
h h
h
k
=
¿
1


ou seja

C i n
h h h
h
k
=
¿
1
= i C n
h h
h
k
=
¿
1


donde se vê que a equivalência dos valores acumulados se reduz à equivalência entre
os juros. A taxa média ponderada é, portanto:

i=
C i n
C n
h h h
h
h h
h
k
=
=
¿
¿
1
1


que é a média ponderada das (k) taxas distintas.

Em Capitalização Composta

A equação de equivalência é agora :

C
1
(1+i
1
)
n
1
+C
2
(1+i
2
)
n
2
+..+C
k
(1+i
k
)
n
k
= C
1
(1+i)
n
1
+C
2
(1+i)
n
2
+...+C
k
(1+i)
n
k




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Página 73
ou sinteticamente

C i
h h
nh
h
k
( ) 1
1
+
=
¿
= C i
h
h
h
k
( ) 1
1
+
=
¿


Como é sabido, a resolução desta equação em ordem à variável (i) só poderá ser feita
por tentativas ou recorrendo a métodos não algébricos de solução de equações não
lineares.
Sem dúvida, a via algébrica a seguir exposta fornece um resultado perfeitamente
aceitável para a maioria dos casos práticos; ou, pelo menos, um valor tão próximo
que um valor mais correcto e definitivamente aceitável poderá ser alcançado numa
segunda tentativa.



Os sucessivos termos do somatório com a taxa média (i) podem escrever-se pelo
desenvolvimento binomial:

C
1
(1+i
1
)
n
1
= C
1
1
1
2 1
1 1
2
1
+ +
÷
+ +

¸

(
¸
(
(
n i
n n
i i
n
( )
. . .

C
2
(1+i
2
)
n
2
= C
2
1
1
2 2
2 2
2
2
+ +
÷
+ +

¸

(
¸
(
(
n i
n n
i i
n
( )
...

C
k
(1+i
3
)
n
k
= C
k
1
1
2
2
+ +
÷
+ +

¸

(
¸
(
(
n i
n n
i i
k
k k
n
k
( )
...

operando e consolidando todos os somatórios obtém-se:

C i C i C n i C
n n
i C
n n n
i
h h
h
k k k k
k k
k
k k k
n
h
k
k
( )
( ) ( )( )
... 1
1
2
1 2
6
2 3
1
+ = + +
÷
+
÷ ÷
+ +
¿ ¿ ¿ ¿ ¿ ¿
=


O primeiro membro é o montante comum, o qual se calcula.
O segundo membro, toma-se para valor de (i) - em todos os termos de potência
superior a (i
2
) - a média ponderada das (k) taxas como se fosse um cálculo em juro
simples



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Página 74
i=
C i n
C n
h h h
h
h h
h
k
=
=
¿
¿
1
1


e com este valor calculam-se todos os termos em i
3
, i
4
, ..., i
k

Fica-se, finalmente, com uma equação de segundo grau em (i), a qual se solucionava.
E é a taxa procurada.

Um exemplo ilustrará este processo:

C
1
= 200 i
1
= 12% n
1
= 1
C
2
= 300 i
2
= 15% n
2
= 2
C
3
= 400 i
3
= 20% n
3
= 3


C
4
= 500 i
4
= 22% n
4
= 4

Então teremos:

C
1
(1+i
1
) = 200 x 1,12 = 224
C
2
(1+i
2
)
2
= 300 x 1,15 = 397
C
3
(1+i
3
)
3
= 400 x 1,20 = 691
C
4
(1+i
4
)
4
= 500 x 1,22 = 1108
2420

C
1
n
1
= 200 x 1 = 200
C
2
n
2
= 300 x 2 = 600
C
3
n
3
= 400 x 3 = 1200
C
4
n
4
= 500 x 4 = 2000
4000


C
1
i
1
n
1
= 200 x 0,12 = 24
C
2
i
2
n
2
= 600 x 0,15 = 90


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Página 75
C
3
i
3
n
3
= 1200 x 0,20 = 240
C
4
i
4
n
4
= 2000 x 0,22 = 440
794


A média ponderada das taxas é:


i
_
=
C n i
C n
k k k
k k
¿
¿
=
794
4000
= 19,85%






O desenvolvimento binomial dos termos em (i) é:

C
1
(1+i) = C
1
+ C
1
i
C
2
(1+i)
2
= C
2
+ 2 C
2
i + C
2
i
2

C
3
(1+i)
3
= C
3
+ 3 C
3
i + 3 C
3
i
2
+ i
3

C
4
(1+i)
4
= C
4
+ 4 C
4
i + 6C
4
i
2
+ 4C
4
i
3
+ i
4


Substituindo as incógnitas pelos valores obtém-se:

C
1
(1+i) = 200 + 200i
C
2
(1+i)
2
= 300 + 600i + 300i
2

C
3
(1+i)
3
= 400 + 1200i +1200i
2
+ i
3

C
4
(1+i)
4
= 500 + 2000i + 3000i
2
+ 2000i
3
+ i
4


A soma dos termos em (i
3
) e (i
4
)

i
4
+ 2000i
3
+ i
3
= 0,1985
4
+ 2001 x 0,1985
3
= 15,651374



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Página 76
E a equação de 2ª grau em (i) vem:

4500i
2
+ 4000i + 1400 + 15,6514 = 2420

ou

4500i
2
+ 4000i - 1004,35 = 0

E dividindo por 100:

45i
2
+ 40i - 10 = 0

Donde:

i =
÷ + + 40 40 1800
2 45
2
x
=
÷ + 40 3400
90
=
÷ ÷ 40 58 31
90
,
=
18 31
90
,
= 0,20345

Ensaiando:

200 x 1,20345 + 300 x 1,20345
2
+ 400 x 1,20345
3
+ 500 x 1,20345
4
=
=241 + 434 +697 + 1048 = 2420

ou seja o mesmo valor do montante comum exacto. A taxa média do conjunto de
capitais em causa é, pois, de 20,345%.


II PARTE - RENDAS CERTAS


CAPÍTULO 5: CONCEITOS E ANÁLISE GERAL


1. Definições E Classificação Das Rendas


No estudo das equações de valor traduzíveis da equivalência de capitais, foi tratado o
caso geral de conjuntos de capitais quaisquer, subordinados a taxas de juro variáveis,
e vencíveis em diferentes épocas entre si distanciadas por quaisquer intervalos de
tempo. E viu-se como calcular o capital comum dum conjunto de capitais numa data
focal, achou-se o vencimento comum para um dado capital único equivalente a um
conjunto de capitais.


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Página 77
Uma renda é um caso particular dum conjunto de capitais, em que os vencimentos são
periódicos e equidistantes, a taxa de juro é única, e o capital comum é calculado
essencialmente em dois momentos - ou o tempo actual(tempo zero) ou o tempo final
(vencimento do capital extremo), conforme o seguinte esquema geral:

C
1
C
2
C
3
C
n÷2
C
n÷1
C
n

----------|--------|--------|---------------|--------|--------|
0 1 2 3 n-2 n-1 n

A equidistância dos capitais em sucessão e a constância do juro são, assim, as
condições básicas da existência duma renda. Não obstante, no domínio prático
também os capitais não são quaisquer nas operações financeiras correntes, apenas o
sendo no domínio da actividade económica em que as rendas são utilizadas como
instrumento analítico.




Existem autores que, em total generalização, também consideram como rendas
sucessões de capitais não equidistantes, chamando-lhes “rendas não periódicas”. E
outros há que deixam de chamar rendas a sucessões de capitais quaisquer, ainda que
vencíveis periodicamente e sujeitos a um mesmo regime de taxa de juro. Trata-se de
opiniões extremistas, a primeira por excesso e a segunda por defeito, as quais não
ponderam as seguintes questões de fundo:
i) o caracter naturalmente periódico das séries ou sucessões cronológicas resultantes
da observação, registo, análise e avaliação dos fenómenos económicos ou por
qualquer forma ligados à vivência humana.
ii) a circunstância inevitável de serem de valor inconstante e portanto de sucessão
irregular as medidas periodicamente tomadas daqueles mesmos fenómenos, e para
cuja análise e mensuração as rendas constituem um instrumento científico
adequado.

As seguintes definições - com os correspondentes símbolos algébricos - são
necessários para enquadrar a estrutura geral duma renda qualquer:

R
k
- Cada um dos valores R
1
, R
2
, ..., R
n
que formam a sucessão com vencimentos
periódicos (símbolo que se passará a usar aqui especificamente em vez do símbolo C
k
). Certamente por analogia com qualquer sucessão numérica, designa-se por termo
da renda ao valor de cada uma das quantias R
1
, R
2
, ., R
n
.


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Página 78
Conforme a natureza das operações que estejam associadas às rendas, assim os
termos podem designar-se como prestação, pagamento, desembolso, depósito,
reembolso, custo ou rendimento.
p - Período da renda, ou seja o intervalo de tempo constante entre cada dois termos
consecutivos.
n - Duração total da renda, ou prazo; quantidade que também define o número de
termos ou de períodos.
i - Taxa de juro efectiva, definida em consonância com a periodicidade da renda.
S - Valor acumulado da renda, ou seja, o somatório dos valores acumulados de todos
os termos capitalizados até ao final dos (n) períodos.
A - Valor actual da renda , ou seja, o somatório dos valores actuais no momento zero
de todos os termos da renda descontados para o início dos (n) períodos.

Serviço duma renda é a produção da sua constituição efectiva através dos termos.






Com respeito a classificação, as rendas podem ser consideradas sob os seguintes
aspectos e critérios:

1.1. Quanto ao Objectivo da Constituição

i) Renda de Capitalização - quando é destinada a constituir um certo capital no final
de um determinado prazo em que esse capital terá uma utilização programada.
Também se chama renda de colocação, aplicação ou acumulação. É o valor (S) que
ficou definido.
ii) Renda de Amortização - quando é destinada a fazer o serviço do juro e do
reembolso dum empréstimo, ou a operar a gradual extinção ou depreciação de um
capital ou bem-de-capital. É o valor (A) definido anteriormente.
iii) Renda de Avaliação - quando é destinada a avaliar, definir ou quantificar/medir a
rendibilidade dum certo capityal ou investimento económico. É o mesmo valor (A)
atrás referido.

iv) Renda de Remuneração - quando é apenas destinada a fazer a mera remuneração
de um capital utilizado por terceiros, ou da prestação dum serviço. É o caso do juro
simples produzido em cada período de capitalização, ou da mensalidade devida
pelo aluguer de bens-de-capital (sem haver transferência do título de propriedade).
Também o mesmo valor (A) traduz este tipo de renda, mas significando tão
somente o valor actual do capital que produz os rendimentos simples estipulados.



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Página 79
As rendas de amortização (em sentido estrito), avaliação e remuneração formam o
conjunto das rendas de actualização; ou rendas de amortização (em sentido lato).

1.2. Quanto ao Regime de Capitalização do Processo de Constituição da Renda

i) Rendas a Juro Composto - são as rendas normalmente constituídas, tanto mais que
as operações envolvidas são, em regra, a médio ou longo prazos, apontando
portanto para o juro composto.
ii) Rendas a Juro Simples - estas rendas são excepcionalmente utilizadas, mas
quando o são - particularmente para os (n) pagamentos em vendas a prestações -
tanto se aplicam em prazos inferiores a um ano, como nos médios prazos (até um
máximo de cinco anos) a que tais operações se realizam. Para longos prazos, nunca
devem ser utilizadas rendas em regime de juro simples.







1.3. Quanto ao Número dos Termos ou Duração

i) Rendas Temporárias - se o número de termos é limitado, o que traduz uma
duração finita.
ii) Rendas Perpétuas - se o número de termos é ilimitado, o que significa uma
duração infinita ou indefinida (em cálculo financeiro um tempo infinito deve ser
interpretado como um tempo indefinido ou indeterminado).

1.4. Quanto ao Valor dos Termos

i) Rendas Constantes - quando o valor de todos os termos é constante
(R=R=...=R=R). Também se dizem rendas de termos constantes e são a larga
maioria das rendas que surgem na prática das operações financeiras.
ii) Rendas Variáveis - quando os termos têm valores diferentes, podendo a variação
de valor obedecer a uma dada lei (o que é o caso em operações financeiras), ou não
seguir nenhuma lei (o que acontece em geral com os fluxos de valores
económicos).

1.5. Quanto ao Vencimento dos Termos em Cada Período

i) Rendas Antecipadas (de termos antecipados) - quando os termos forem vencíveis
no início de cada período (alguns autores chamam-lhes rendas adiantadas, aliás
com propriedade).


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Página 80
ii) Rendas Postecipadas (de termos postecipados) - quando os termos forem
vencíveis no fim de cada período a que correspondem. Normalmente, as rendas são
de termos postecipados. É esse o caso natural de todas as rendas de actualização e
nas rendas de capitalização; apenas as de acumulação através de depósitos em
dinheiro são naturalmente antecipadas, desde a data zero inicial de constituição do
fundo. Assim, as rendas postecipadas são correntemente designadas por rendas
normais ou ordinárias.

1.6. Quanto ao Início do Serviço ou Época de Liquidação

i) Numa renda qualquer podem ser encontrados quatro momentos relevantes e
cruciais:
- O momento zero da operação ou contrato, no qual fica implícita a obrigação de
constituir a renda, e em que necessariamente começa a contagem dos juros à taxa
fixada e com o regime de capitalização convencionado;
- O momento inicial do primeiro período do serviço da renda, ou da constituição
propriamente dita;
- O momento final do último período da renda, no qual esta se considera
definitivamente liquidada e extinta;

- O momento focal, ou aquele a que é referido, ou reportado, o valor actual da renda.

O momento inicial pode coincidir ou não com o momento zero, quer nas rendas de
capitalização quer nas de actualização.
O momento final pode coincidir ou não com o fim do período de serviço nas rendas
de capitalização e deverá sempre coincidir nas rendas de actualização.
O momento focal é em regra coincidente com os tempos inicial ou final; mas pode ser
outro qualquer em que convenha avaliar a renda, particularmente um momento
anterior ao início do período correspondente ao primeiro termo do serviço.

Posto isto, podem definir-se:

- Rendas Imediatas - aquelas em que o momento inicial do primeiro período do
serviço da renda coincide com o momento zero, devendo também o momento final
do último período do serviço coincidir com o momento final de liquidação da
renda no caso das rendas de capitalização.

- Rendas Diferidas - aquelas em que, para as rendas de amortização, o momento
inicial do primeiro período de serviço apenas ocorre a partir do momento inicial de
um certo período de ordem (k) posterior ao momento zero; ou ainda, para as rendas
de capitalização, quando a liquidação do seu fundo acumulado até ao fim do último


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Página 81
período do serviço apenas ocorre no fim de um certo tempo (k) posterior a este
momento.

Os diagramas cronológicos (I), (II), (III) e (IV) seguintes contêm respectivamente os
esquemas das rendas imediatas postecipadas, imediatas antecipadas, diferidas de
actualização antecipadas ou postecipadas, diferidas de capitalização também
antecipadas ou postecipadas.

1.7. Quanto à Relação Entre os Períodos da Renda e da Taxa de Juro

i) Rendas Inteiras - se saõ coincidentes os períodos da renda (do termo) e da taxa de
juro.
ii) Rendas Fraccionadas - se são diferentes os períodos da renda e da taxa de juro
(acontecendo mais normalmente que o período da taxa é maior que o período da
renda).

1.8. Quanto à Dependência de Factores Aleatórios Externos

i) Rendas Certas - aquelas em que estão perfeitamente definidos todos os elementos
da renda: prazo da renda, número e valor dos termos. Estas são as rendas de que se
ocupa o Cálculo Financeiro.

ii) Rendas Contigentes - aquelas em que um ou mais elementos da renda dependem
de algum factor aleatório com uma certa probabilidade de ocorrência. São as
rendas de que se ocupa o Cálculo Actuarial.


2. Diagramas Cronológicos Das Rendas


i) Rendas Imediatas Postecipadas


R R R R R R R
i
A |---- -|------|-^-^-^-^-^-|------|-^-^-^-^-^-|------|---- | S
0 P 1 2 … K K+1 n-2 n-1 n
Período


ii) Rendas Imediatas Antecipadas


R R R R R R R
i


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Página 82
A |---- -|------|-^-^-^-^-^-|------|-^-^-^-^-^-|------|------| S
0 P 1 2 … K K+1 … n-2 n-1 n
Período


iii) Rendas Diferidas com Processo de Actualização


R R R R

R R R R

 Diferimento do serviço 
A |<-----|------|-^-^-^-^-^-|------- ---|-^-^-^-^-^-|------- ---|---------- | S
0 P 1 2 … K K+1 … K+n-2 K+n-1 K+n
__________\/______________0 1 n-2 n-1 n
Diferimento







iv) Rendas Diferidas com Processo de Capitalização

R R R R R

R R R R R  Diferimento da liquidação 

i
A |<-----|----------|-^-^-^-^-^-|--------|--------|---------|-^-^-^-^-^-|--- -----|-------| S
0 P 1 2 … n-2 n-1 n n+1 n+k-2 n+k-1 n+k
Serviço 0 1 … k-2 k-1 k


3. Equações Gerais Das Rendas Ordinárias


Através de uma análise evolutiva duma conta corrente a juros compostos – na
hipótese de uma taxa de juro invariável e de uma periodicidade constante para os
pagamentos envolvidos na relação devedor/credor – chegou-se à equação geral de
valor:

n
n
i A
i
i
R S ) 1 (
1 ) 1 (
+ =
÷ +
=


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Página 83

em que (S) é o somatório dos valores acumulados dos pagamentos (R) feitos pelo
devedor ao longo do tempo (n), com o objectivo de liquidar o capital (A) vencendo
juros à taxa (i) a favor do credor.
Considerando, agora, os conceitos e definições desenvolvidos no parágrafo
introdutório precedente, verifica-se que a equação de valor acima constitue
precisamente a equação geral das rendas ordinárias imediatas de capitalização e de
amortização. Com efeito, daquela equação geral se deduzem directamente as formulas
dessas rendas tal como foram definidas:

Renda de Capitalização – somatório dos valores acumulados dos termos constantes
(R):




Renda de Amortização – somatório dos valores actuais dos termos constantes (R).
Sendo



Nesta altura, vê-se claramente que as equações das rendas, quando consideradas sob a
forma de somatórios, não são mais do que um caso particular das equações gerais de
equivalência financeira, em que se procura um capital comum com um vencimento
comum para substituir um conjunto de capitais com prazos de vencimento diferentes
e eventualmente taxas de juro também diversas. A particularidade nas equações das
rendas consiste em ser constante o período de tempo que medeia entre os sucessivos
vencimentos de capitais, e em ser constante, explícita ou implicitamente, a taxa de
juro que governa o processo de rentabilização dos capitais envolvidos. Então:
| | 1 ) 1 ( ... ) 1 ( ) 1 (
2 1
+ + + + + + + =
÷ ÷
i i i R S
n n
i
i
R S
n
1 ) 1 ( ÷ +
=
S i R i R S
n
h
h
n
k
h n
¬ + ¬ + =
¿ ¿
÷
= =
÷
1
0 1
) 1 ( ) 1 (
¬
+
+ + + + + + +
= ¬
+
= ¬ + =
÷ ÷
n
n n
n
n
i
i i i
R A
i
S
A i A S
) 1 (
1 ) 1 ( ... ) 1 ( ) 1 (
) 1 (
) 1 (
2 1
| |
n n
i i i i R A
÷ ÷ ÷ ÷ ÷
+ + + + + + + + = ) 1 ( ) 1 ( ... ) 1 ( ) 1 (
) 1 ( 2 1
¿
=
÷
+ =
n
h
h
i R A
1
) 1 (


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Página 84

Renda é o capital comum, num certo vencimento comum, de um conjunto, limitado
ou supostamente ilimitado, de valores em sucessão, vencíveis em momentos
equidistantes no tempo e sujeitos a uma determinada taxa de juro.

Quando o momento focal de avaliação coincide com o final da duração total (n) do
processo, todos os valores são capiatalizados até esse momento futuro, e está-se
perante uma renda de capitalização:


Respectivamente para termos constantes e termos variáveis.

Quando o momento focal de avaliação coincide com o tempo zero – tempo actual –
todos os valores são actualizados para o presente, e está-se perante uma renda de
amortização:



Respectivamente para os termos constantes e termos variáveis.

A focalização num momento qualquer intermédio no tempo total (0-n) não oferece
utilidade prática, salvo quando relacionada com rendas diferidas, ou no caso de se
querer liquidar a renda.
É que estas rendas são, no fundo, uma avaliação duma renda imediata para àquem ou
para além dos limites do prazo de serviço da renda. De modo que uma mudança de
momento focal dentro do prazo de diferimento pode ter interesse, além de
proporcionar uma generalização teórica mais completa.

Na verdade, seja o seguinte diagrama de uma renda de amortização:

Serviço
Diferimento 0 1 n-2 n-1 n

0 1 2 x-1 x k-1 k k+1 k+n-2 k+n-1 k+n




¿ ¿
=
÷
=
÷
+ = + =
n
h
h n
h
n
h
h n
i R S ou i R S
1 1
) 1 ( ) 1 (
¿ ¿
=
÷
=
÷
+ = + =
n
h
h
h
n
h
h
i R A ou i R A
1 1
) 1 ( ) 1 (
Data Focal Início dos
Pagamentos


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Página 85
Neste esquema de rendas diferidas o diferimento ocorre na fase inicial – prazo (0,k) –
e o serviço na fase final – prazo (k, k+n).

O primeiro período (0,1) dos vencimentos das rendas é o período (k, k+1) da sua
duração total (k+n). É facilmente visível através da simples observação do diagrama
que o valor acumulado duma renda de capitalização diferida tem de ser o montante
acumulado, no tempo de diferimento, do valor normal da renda, ou seja:

h n
n
h
h
k
i R i S
÷
=
+ + =
¿
) 1 ( ) 1 (
1


E que o valor actual duma renda de amortização diferida deve ser o valor actualizado,
para àquem do diferimento, do valor normal da renda:

h
n
h
h
k
i R i A
÷
=
÷
+ + =
¿
) 1 ( ) 1 (
1


Se mudarmos as datas focais naturais (0) e (n) daquelas rendas para o momento (x)
situado algures no tempo de diferimento, é também obviamente visível que se terá de
capitalizar (1+i)
x
o valor da renda de amortização; e de descontar (1+i)
-x
o valor da
renda de capitalização.


Seja uma renda de amortização de duração (k+n), com um diferimento (k) e termos
com vencimentos dentro do período subsequente (n). A renda é avalizada na data
focal (x). O seu valor é:

¿
=
÷ ÷
+ + + =
n
h
h x k
i i i R A
1
) 1 ( ) 1 ( ) 1 (

Para x = 0 cai-se na renda de amortização diferida. E com k = 0 por acréscimo, cai-se
na renda de amortização ordinária.

Se agora se fizer x = k+n, isto é, uma avaliação no limite da duração, tem-se
sucessivamente:

¿ ¿ ¿
=
÷
=
÷ ÷ +
=
÷ ÷
¬ + ¬ + + ¬ + + =
n
h
h n
n
h
h k n k
n
h
h k x
S i R i i R i i R A
1 1 1
) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( ) 1 (

fórmula da renda ordinária de capitalização.



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Página 86
Quer dizer, avaliando uma renda de amortização no termo da sua duração total – em
vez de ser no seu ponto focal natural (0) – cai-se numa renda de capitalização.
Inversamente, fazendo a avaliação duma renda de capitalização no início da sua
duração - em vez de no seu ponto focal natural extremo – cai-se numa renda de
amortização.
Na verdade, a fórmula da renda de capitalização diferida, com diferimento (k) e
avaliação no ponto focal (x) é:

¿
=
÷ ÷
+ + + =
n
h
h n x k
i i i R S
1
) 1 ( ) 1 ( ) 1 (

sendo então x = k+n tem-se

¿
=
÷ + ÷
+ + + =
n
h
h n n k k
i i i R S
1
) (
) 1 ( ) 1 ( ) 1 (

¿
=
÷ ÷
+ + =
n
h
h n n
i i R S
1
) 1 ( ) 1 (

¿
=
÷
¬ + =
n
h
h
A i R S
1
) 1 (



Além de intuitivamente lógicas, estas conclusões não devem surpreender, pois que da
equação geral das rendas


se deduz imediatamente que a renda de capitalização é o valor acumulado da renda de
amortização

n
n
i S
i
S
A
÷
+ =
+
= ) 1 (
) 1 (


Feita esta análise absolutamente geral e em interligação com a problemática da
equivalência financeira de capitais, vai-se proceder ao estudo em profundidade de
cada um dos tipos de renda que se apresentam na prática corrente do cálculo
financeiro. Toda a análise será desenvolvida dentro do domínio do juro composto (ou
juro contínuo) em que as rendas naturalmente se colocam.

n
n
i A
i
i
R S ) 1 (
1 ) 1 (
+ =
÷ +
=


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Página 87

4. Síntese Das Equações Gerais Das Rendas


I - Equações Estruturais Normais

¦
¦
¦
)
¦
¦
¦
`
¹
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
+ = + =
+ = + =
¿
¿
=
÷ ÷
=
÷
n
h
n h
h
n
h
n h n
h
i S i R A
iáveis termos Para
i A i R S
1
1
) 1 ( ) 1 (
) var (
) 1 ( ) 1 (



¦
¦
¦
)
¦
¦
¦
`
¹
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
+ =
+ ÷
=
+
÷ +
=
+ = =
÷ +
=
÷
÷
n
n
n
n
n
n
i S
i
i
R
i i
i
R A
tes cons temos Para
i A
i
i
R S
) 1 (
) 1 ( 1
) 1 (
1 ) 1 (
tan
) 1 (
1 ) 1 (




II – Rendas de Capitalização (Termos variáveis, diferimento k e avaliação no ponto
focal x)

¿
=
÷ ÷
+ + =
n
h
h n
h
x k
i R i S
1
) 1 ( ) 1 (

III – Rendas de Amortização (Termos variáveis, diferimento k e avaliação no ponto
focal x)

¿
=
÷ ÷
+ + =
n
h
h
h
k x
i R i A
1
) 1 ( ) 1 (


CAPÍTULO 6: RENDAS INTEIRAS DE TERMOS CONSTANTES


1. Rendas de Capitalização



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Página 88

Conforme foi dito, as rendas de capitalização são destinadas a constituir um
determinado capital no fim de um tempo dado. Deste modo são na realidade uma
forma de investimento.
Na vida prática não é necessariamente através de aplicações ou depósitos de valor
constante e com periodicidade certa que se opera sempre a acumulação de fundos
com vista a um objectivo futuro.
Em cálculo financeiro, porém, apenas será considerado o caso das rendas certas de
periodicidade constante.
A importância teórica das rendas de capitalização no cálculo financeiro excede,
talvez, a importância das suas aplicações práticas. Contudo, as rendas de capitalização
têm uma aplicação frequente na gestão financeira, seja com vista a acumular fundos
para aplicação específica futura, seja com o objectivo de criar reservas técnicas
apropriadas para fazer face no futuro a aplicações programadas.
A aquisição de novos equipamentos, ou a substituição de equipamentos obsoletos, ou
a criação de novos produtos ou de um novo ramo de actividade, são exemplos
relevantes entre muitos outros para a constituição de capitais futuros a partir de
poupanças do presente.

Seguidamente apresenta-se a simbologia específica das rendas de capitalização, assim
como se desenvolvem as suas principais fórmulas estruturais e derivadas.




O símbolo algébrico básico (S) é enrequecido com outras notações que, como
progressivamente se verá, têm a maior utilidade na construção formal dos cálculos
financeiro e actuarial. Para já, em vez da letra (S) isolada usa-se especificamente o
símbolo
n
S , o qual indica tratar-se de uma renda de capitalização temporária de
duração (n) e termos postecipados. Sendo uma renda de termos antecipados, o
símbolo passa a ser
| n
S .
Por vezes, convém especificar no símbolo da renda qual a taxa de juro (i) aplicável e
então o símbolo mais completo escreve-se
i
n
S
|
ou
i
n S | .
A seu tempo serão referidas outras notações complementares, como as que indicam
diferimento da renda, ou fraccionamento do período de pagamento e/ou do período de
capitalização.
O valor acumulado de um termo qualquer de ordem (h) é, por definição

R (1+i)
h n÷


Sendo o valor de uma renda postecipada, como já se sabe


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Página 89

| | 1 ... ) 1 ( ) 1 ( ) 1 (
2 1
1
+ + + + + · + =
÷ ÷
=
÷
¿
n n
n
h
h n
n
i i R i R S

somamdo a progressão geométrica dentro do parentesis recto

i
i
R S
n
n
1 ) 1 ( ÷ +
=

resolvendo em ordem a (R):

1 ) 1 ( ÷ +
=
n
i
i S
R

se na formula de (S) fizermos R=1 e na formula de (R) fizermos S=1, as novas
formulas serão:

i
i
s
n
n
1 ) 1 ( ÷ +
= ;
1 ) 1 ( ÷ +
=
n
i
i
R =
n
s
1






O (s) minúsculo em oposição ao (S) maiúsculo antes usado traduz a renda unitária de
capitalização, a qual é o valor acumulado de capital unitário colocado durante (n)
períodos, no fim de cada período, a uma certa taxa de juro composto. E o símbolo
i
n
s significa o mesmo, mas à taxa de juro específica (i).
O valor de
n
s é sempre positivo e superior à unidade (
n
s >1).
O valor inverso de
n
s , que é o termo constante períodico da renda de capitalização, é
sempre inferior à unidade ( 1/
n
s < 1).
A relação entre o valor da renda unitária e da renda geral para um termo qualquer (R)
é:

n
S = R
n
s

Se a renda de capitalização for antecipada, a colocação de cada termo ocorre no início
de cada período, e então a primeira colocação capitaliza durante (n) períodos, a


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Página 90
segunda durante (n-1) períodos, e assim sucessivamente, capitalizando a penúltima
colocação durante dois períodos e a última durante um período.

O somatório destes valores capitalizados é pois:

) 1 ( ) 1 ( ... ) 1 ( ) 1 (
2 1
i i i i s
n n
n
+ + + + + + + + =
÷


=
i
i i
i
i i i
n n
) 1 ( ) 1 (
1 ) 1 (
) 1 ( ) 1 ( ) 1 (
1
+ ÷ +
=
÷ +
+ ÷ + +
+


n
n
n
s i
i
i
i s ) 1 (
1 ) 1 (
) 1 ( + =
÷ +
+ =

Isto é, a renda antecipada acresce a capitalização de um período acumulado pela
renda postecipada.

E para a renda geral será, obviamente:

n n n n
s i R s R S i S ) 1 ( ) 1 ( + = = + =

Se uma renda de capitalização não for liquidada no final da sua duração,
permanecendo o montante acumulado em aplicação por mais (k) períodos, a renda
terá uma liquidação diferida e o seu novo montante no fim do prazo dilatado (n+k)
será:

n
k
n
k
n
S i s i R S
k
) 1 ( ) 1 ( + = + =

O símbolo completo para a renda de capitalização com liquidação diferida é:

k
n
S

Fazendo k=1 cai-se em n S ; e para k=0 cai-se em
n
S , o que é lógico.

Se na fórmula de
n
s for feito o desenvolvimento binomial do seu factor exponencial
obtém-se

i
i
s
n
n
1 ) 1 ( ÷ +
=



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Página 91
=
i
i ni i
x x
n n n
i
x
n n
ni
n n
1 ...
3 2 1
) 2 ( ) 1 (
2 1
) 1 (
1
1 3 2
÷
(
¸
(

¸

+ + +
÷ ÷
+
÷
+ +
÷


=
1 2
...
3 2 1
) 2 ( ) 1 (
2 1
) 1 (
÷
+ +
÷ ÷
+
÷
+
n
i i
x x
n n n
i
x
n n
n

Embora sem interesse prático para cálculo, esta fórmula pode ser utilizada com
vantagem em comparações ou demonstrações teóricas.
Se for desdobrado o prazo (n) duma renda em duas parcelas (h) e (k), pode ser
calculado o valor de
n
s em função de (h) e (k). Com efeito:

i
i
s s
k h
k h n
1 ) 1 ( ÷ +
= =
+
+


i
i i i i
h h k h
1 ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( ÷ + ÷ + + + +


i
i
i
i i i
h h k h
1 ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( ÷ +
+
+ ÷ + +


h k
h
k h
s s i s + + =
+
) 1 (



Se acima se houvesse utilizado o artifício algébrico de somar e subtrair ao numerador
da fracção
k
i) 1 ( + , em vez de
h
i) 1 ( + , ter-se-ia chegado à formula

k h
k
k h
s s i s + + =
+
) 1 (

Estas duas fórmulas agora derivadas são designadas por fórmulas de extensão e têm
grande aplicação prática e teórica. Em particular, permitem achar o valor duma renda
cujo prazo caia fora do limite da tábua financeira que esteja a ser utilizada no cálculo.
Das relações acima tira-se uma fórmula peculiar da taxa de juro num processo de
capitalização por renda:

1 ÷
÷
=
+
h
k
h k h
s
s s
i



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Página 92
1 ÷
÷
=
+
h
h
k k h
s
s s
i

Se se fizer (k) negativo e sendo h>k, a fórmula de extensão vem:

k
h
h k h
k
k
h
h
k
h
h h k
h
h h k h k h k h
k h
a i s s
finalmente e
i i
i
i
i
i
i
i
i
i
i
i
i
i
i
i
i
i i i i
i
i i
i
i
s
) 1 (
) 1 (
1 ) 1 (
) 1 (
1 ) 1 (
) 1 ( 1
) 1 (
1 ) 1 ( 1 ) 1 ( 1 ) 1 (
) 1 (
1 ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( 1 ) 1 ( ) 1 ( 1 ) 1 (
+ ÷ =
+
÷ +
+ ÷
÷ +
·
·
+ ÷
+ ÷
÷ +
·
÷ +
+
÷ +
+ ·
÷ + + + ÷ + +
·
÷ + +
·
÷ +
=
÷
÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷
÷


em que
k
a é a renda unitária de amortização (à semelhança de
k
s ).





Se por mera hipótese se considerar h<k, a renda terá uma duração negativa, e isso não
tem evidentemente nenhum sentido como o confirma o próprio valor também
negativo obtido para a renda. Sejam h=10, k=20 e i=10%

14456 , 6 10 , 1
20
10
10 20 10
÷ = ÷ =
÷
a s s

2. Rendas De Amortização / Actualização

Sem dúvida as de maior importância entre todas, as rendas de amortização ou
actualização são principalmente destinadas, como se disse já, a fazer o serviço do juro
e do reembolso de empréstimos. Mas elas têm na vida financeira – e em economia –
uma aplicação mais generalizada que lhes concede uma utilidade prática
incomensurável, constituindo não só a base da teoria dos empréstimos ordinários e
por obrigações, como também da teoria da depreciação económica e da avaliação
financeira de investimentos. Assim, ao invés das rendas de capitalização, a


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Página 93
importância teórica das rendas de amortização no cálculo financeiro é equivalente, se
não excedida pela importância das suas aplicações práticas, tanto mais que se
introduzem profundamente nos domínios da teoria económica.
A simbologia específica e as principais fórmulas estruturais e derivadas das rendas de
amortização são desenvolvidas seguidamente:
Em paralelo com as rendas de capitalização, o símbolo algébrico básico (A) é
complementado com as notações consagradas:

i n i n n n
A A A A ; ; ;

os dois primeiros para a renda de amortização temporária de duração (n), de termos
postecipados a primeira e de termos antecipados a segunda; e os dois últimos
símbolos respectivamente para as rendas anteriores, mas para uma certa taxa de juro
(I) e não uma taxa qualquer.
Com R=1 têm-se as rendas unitárias de amortização em que o (A) maiúsculo é
substituído pelo (a) minúsculo e os símbolos são:

i n i n n n
a a a a ; ; ;

A renda unitária de amortização
i n
a é, pois, o somatório dos valores actuais de
pagamentos unitários feitos no final de cada período durante (n) períodos com juro
devidos à taxa (i).




E dizendo renda unitária de actualização, esta é o somatório dos valores actuais dum
fluxo de rendimentos unitários auferidos no final de cada período durante (n)
períodos, a uma certa taxa de juro ou rendimento (i).
A relação entre o valor da renda unitária e da renda geral para um termo qualquer (R)
é:

n n
a R A =

O valor de
n
a é sempre superior a zero, mas pode ser 1 ><
n
a

O valor actual de um termo qualquer de ordem (h) é, por definição,
h
i R
÷
+ ) 1 ( . Sendo
o valor da renda o somatório



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Página 94
| |
n
n
h
h
n
i i i R i R A
÷ ÷ ÷
=
÷
+ + + + + + · + =
¿
) 1 ( ... ) 1 ( ) 1 ( ) 1 (
2 1
1


somando a progressão geométrica decrescente contida no parentesis recto temos:

i
i
R A
n
n
÷
+ ÷
=
) 1 ( 1


multiplicando ambos os termos da fracção por
n
i) 1 ( + :

n
n
n
i i
i
R A
) 1 (
1 ) 1 (
+
÷ +
=

que é a fórmula já conhecida que resultou da equação geral das rendas.


Estas duas fórmulas equivalentes são indistintamente usadas para o cálculo da renda.
No entanto, conforme se verá, há situações em que, para outros fins, é preferível ou
necessário usar uma e não a outra. De qualquer delas se tira o valor de (R) em função
de (A):


1 ) 1 (
) 1 (
) 1 ( 1 ÷ +
+
·
+ ÷
=
÷ n
n
n
i
i Ai
i
Ai
R

para A=1 tem-se:

n
n
n
n
a i
i i
i
i
R
1
1 ) 1 (
) 1 (
) 1 ( 1
·
÷ +
+
·
+ ÷
=
÷


Assim, o valor inverso de
n
a é o termo constante periódico da anuidade unitária de
amortização, valor que é superior à unidade para 1 <
n
a e inferior para 1 >
n
a , sendo
sempre A=1.

Sendo a renda de amortização de termo antecipado, os pagamentos (ou recebimentos)
ocorrem no início de cada período, acontecendo então que o primeiro pagamento,
tendo lugar no próprio momento zero (0) do processo, fica desde logo actualizado,
sendo os sucessivos termos actualizados por tempos que vão desde um período para o
segundo termo até (n-1) períodos para o n
mo
termo, ou seja:



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Página 95
) 1 ( 2 1
) 1 ( ... ) 1 ( ) 1 ( 1
÷ ÷ ÷ ÷
+ + + + + + + =
n
n
i i i a

somando esta progressão geométrica decrescente de razão
i + 1
1
:

n
n
n
n n
n
a i i
i
i
a
i
i i i
i
i i
a
) 1 ( ) ) 1 (
) 1 ( 1
) 1 ( ) 1 ( ) 1 (
1
1
1
) 1 ( ) 1 ( 1
1 ) 1 (
+ = +
+ ÷
=
+ + ÷ +
·
+
÷
+ + ÷
=
÷
÷ ÷ ÷ ÷


Isto é, tal como na renda de capitalização, a renda antecipada de amortização acresce
a capitalização de um período ao valor actualizado pela renda postecipada.

Se for desdobrado o prazo (n) duma renda em duas parcelas (h) e (k), o valor de
n
a
em função de (h) e (k) vem (com os artifícios algébricos já utilizados para a renda de
capitalização):

k
h
h k h
k
h
h
k h h h
k h
k h
a i a a
i
i
i
i
i
i
i i i
i
i
a
÷
+
÷
÷
÷
+ ÷ ÷ ÷
+ ÷
+
+ + =
+ ÷
+ +
+ ÷
+ ÷ + + + ÷
+ ÷
=
) 1 (
) 1 ( 1
) 1 (
) 1 ( 1
) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( 1
) 1 ( 1
) (
) (


E idêntico artifício de somar e subtrair ao numerador da fracção
k
i
÷
+ ) 1 ( em vez de
h
i
÷
+ ) 1 ( conduz a:

k h
k
k h
a a i a + + =
÷
+
) 1 (

Também destas fórmulas de extensão se tira uma fórmula da taxa de juro quando
incógnita num processo de amortização por renda:



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Página 96
1 1 ÷
÷
· ÷
÷
=
+ +
k
k k h
h
h
h k h
k
a a
a
a a
a
i

Fazendo (k) negativo e sendo h>k, a fórmula de extensão vem:

k
h
h k h
k
h
h
k
h
h
k h h h k h
k h
s i a a
i
i
i a
i
i
i
i
i
i
i i i i
i
i
a
÷
÷
÷ ÷
÷
+ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷
÷
+ ÷ =
÷ +
+ ÷ ·
+ ÷
+ +
+ ÷
·
+ + ÷ + + + ÷
·
+ ÷
=
) 1 (
1 ) 1 (
) 1 (
) 1 ( 1
) 1 (
) 1 ( 1
) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( 1 ) 1 ( 1
) (


Para h<k, a renda não tem qualquer sentido em cálculo financeiro.

Se o serviço duma renda de amortização tiver início no k
mo
período após o momento
zero do processo de contagem de juros (a data do começo da operação ou do
contrato), a renda terá uma constituição diferida; e o seu valor actual para o novo
prazo de liquidação dilatado (n+k) será:


n
k
n
k
n
k
A i a i R A
÷ ÷
+ = + = ) 1 ( ) 1 ( /

O símbolo completo para a renda de amortização diferida é:

n
k
A /

Fazendo k=0 cai-se, obviamente, na renda imediata postecipada
n
A ou cair-se-ia na
renda antecipada n A se também fosse antecipada n a . Mas para K = 1, a renda
continua a ser diferida, tendo o serviço início no segundo período dela.
Fazendo na fórmula de
n
a o desenvolvimento do factor exponencial pela fórmula do
binómio tem-se:

i
i
a
n
n
÷
+ ÷
=
) 1 ( 1




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i
i
x x
n n n
i
x
n n
ni
a
n
(
¸
(

¸

+
+ +
÷
+
+ ÷ ÷
=
...
3 2 1
) 2 ( ) 1 (
2 1
) 1 (
1 1
3 2


...
4 3 2 1
) 3 ( ) 2 ( ) 1 (
3 2 1
) 2 ( ) 1 (
2 1
) 1 (
3 2
+
+ + +
÷
+ +
+
+
÷ = i
x x x
n n n n
i
x x
n n n
i
x
n n
n a
n


Este desenvolvimento binomial de
n
a tem interesse paralelo ao de
n
s . Foi, sobretudo,
na busca de um processo correcto do cálculo da taxa de juro (i) quando incógnita que,
como se verá, tais desenvolvimentos tiveram aplicação mais relevante.


3. Análise Da Função
n
A


A mesma fórmula de
n
A pode escrever-se assim:

(
¸
(

¸

+
+
+
+ +
+
+
+
=
÷ n n n
i i i i
R A
) 1 (
1
) 1 (
1
...
) 1 (
1
1
1
1 2





Esta maneira de desenvolver é designada pela fórmula dos valores actuais, e exprime
que se um capital (A) é reembolsado exactamente com os seus juros através de (n)
pagamentos (R) espaçados periódicamente, esta capital (A) é igual à soma dos valores
actuais desses pagamentos sucessivos, o primeiro dos quais é efectuado um período
inteiro após o empréstimo de capital (A).
Constata-se imediatamente que (A) varia:
- no sentido inverso de (i) quando (n) permanece constante;
- e no mesmo sentido de (n) se (i) permanece constante.

Inserir gráficos


No primeiro gráfico, se i = 0 o valor de (n) anuidades é evidentemente n * R; e
quando (i) cresce, o valor de (n) anuidades diminui até se anular para i = ·.

No gráfico da direita, o valor de zero anuidades é evidentemente (0); passa a
i
R
+ 1

para uma anuidade, e depois cresce sempre cada vez mais lentamente até ao valor


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limite
i
R
para n = ·. Este limite calcula-se imediatamente com a fórmula básica:
i
R
A
i
i
R A
n
n
n
= ¬
+
÷
=
·
· ÷
) 1 (
1
1
lim .

A curva é, pois assíntota à paralela ao eixo do tempo no ponto
i
R
, o que –
interpretado em termos de cálculo financeiro – nos conduz à fórmula do juro simples
R = Ai, sendo, portanto, a renda (R) cobrável no fim de cada período o valor, à taxa
(i), do juro que renderia a colocação do capital (A).









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CÁLCULO FINANCEIRO

É bastante habitual empregar a expressão Cálculo Financeiro para o tratamento matemático dos problemas de avaliação e decisão sobre investimentos. Não se vê a necessidade nem a vantagem daquela expressão, quando uma breve reflexão evidencia rapidamente que a expressão clássica de cálculo financeiro se aplica com plena propriedade e rigor a toda a microeconomia. Sugere-se que a expressão ou título de Cálculo Económico sejam reservados ao domínio da macro economia. Na óptica adoptada o Capital pode assumir qualquer das formas sob que se apresenta na vida económica real: monetária, instrumento de produção ou valor intangível de suporte. É apenas um valor stock aplicado ou investido num processo económico. O rendimento ou renda deste processo produtivo pode, em consequência, assumir qualquer das facetas sob que se considere em particular: juro, aluguer (renda) ou lucro, consoante se trate respectivamente da cedência do uso do capital-monetário, da cedência do uso do capital-instrumento (capital mobiliário ou imobiliário), ou dos resultados variáveis e contingentes do capital-empresa (investimento directo num processo produtivo). E a taxa de rentabilidade (rendibilidade ou produtividade) é, portanto, a relação entre o rendimento produzido e o capital stock que o gerou dentro de cada período de produção considerado/ definido, seja qual for a natureza desse capital. Tal taxa de rentabilidade designar-se-á por taxa de juro, taxa de retorno, taxa de lucro, taxa de produtividade, etc., consoante a espécie do capital stock e a situação económicojurídica da aplicação ou investimento. O juro (tal como o aluguer ou renda) é geralmente pré fixado, podendo, no entanto, variar ao longo do processo de aplicação, e nunca pode ter valores negativos em termos nominais. O lucro é essencialmente variável e pode ter valores nominais negativos (prejuízo visível). Nesta óptica alargada insere-se, por outro lado, um conceito consequente que é tanto extremamente geral como imensamente útil: o conceito de fluxo líquido ou fluxo de caixa (cash flow), que é uma maneira de exprimir um rendimento através de valores contabilísticos específicos relativos à operação de um certo capital stock. Com efeito, o rendimento é calculado fazendo a diferença entre as receitas e encargos efectivamente imputáveis àquela operação com plena exclusividade. Por este processo, obtém-se uma taxa efectiva específica de rentabilidade (dita taxa interna) do capital stock em causa.

Página 2

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CÁLCULO FINANCEIRO

Assim também o juro é um fluxo líquido de caixa, depois de deduzir ao valor recebido do mutuário qualquer despesa específica incorrida e também os impostos que sejam devidos (como o de aplicação de capitais e de selo). Neste contexto, o Cálculo Financeiro poderá ser mesmo definido como a técnica de análise de fluxos de caixa de capitais investidos, procedendo à sua transformação em fluxos equivalentes que permitam comparações e decisões com vista a manobrar a aplicação dos capitais pela forma mais rentável possível. Porém (e não obstante esta generalização e abstracção quanto à rentabilidade dos capitais) o juro permanece a variável estratégica central da vida económica e financeira, e bem assim a variável basilar do Cálculo Financeiro. Deve, pois, serlhe dedicada uma atenção teórica especial, não só para assentar em sólido alicerce aquela disciplina técnica, como também para penetrar no cerne do conceito e da teoria do rendimento em geral. Na verdade, tendo grande parte, ou a maior parte, dos capitais investidos nas empresas origem no crédito, é evidente que a taxa de juro dos empréstimos no mercado de capitais comanda efectivamente o nível do investimento e o nível realizável de lucro líquido empresarial, ou seja da taxa de rentabilidade do investimento global (capitais próprios e alheios). É assim que o aumento do custo do dinheiro conduz à quebra do investimento, pois pode fazer com que não valha a pena o esforço e o risco de investir.

2. Síntese Dos Conceitos De Capital, Dinheiro E Juro

2.1. Capitais e Dinheiro e o Preço do Seu Uso Desde que vivemos em economia monetária que as expressões capital e dinheiro se utilizam indistintamente num sentido abstracto equivalente. A palavra capital tanto se usa para significar um bem ou instrumento de produção de natureza física ou tangível, utilizado de modo directo ou indirecto no processo de produção, como um valor intangível tão somente incorporado no património contabilístico duma empresa. Ou, mais abstractamente ainda, para significar o montante do direito dos proprietários da empresa (capital accionista), ou as fontes de financiamento do activo das empresas (capital próprio e capital alheio ou de crédito). A palavra dinheiro significa indistintamente ou globalmente o dinheiro moeda e o dinheiro crédito bancário. Em paralelo com estas abstracções monetaristas do capital, dinheiro e crédito, também a noção genérica do juro é de que este é o preço de mercado daqueles bens ou valores, ou seja o preço pelo qual os detentores dos mesmos valores estão dispostos a ceder o seu uso.

Página 3

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Notemos agora que o traço comum dos capitais. Daí que os vocábulos “renda” ou “aluguer” que vulgarmente se utilizam para traduzir o preço pago pela utilização de propriedades imobiliárias e mobiliárias serem equivalentes.se devota à construção da rede e da canoa. mas de qualquer modo significando sempre um sacrifício na produção e no consumo. de modo a construir um “fundo” de peixe seco capaz de alimenta-los enquanto todos (ou todos numa primeira fase e alguns numa segunda fase) têm de abandonar a pesca para se dedicarem à fabricação da rede e da canoa..são sempre motivadas por posições relativas de força. Suponhamos que numa ilha um reduzido grupo de habitantes vive num estado primitivo de produção. por deficiências humanas. quer por serem excessivamente altos quer por serem excessivamente baixos em relação ao valor económico correcto que deveriam ter.. consequentemente em mais tempo do que na primeira hipótese. de peixe. com os meios rudimentares de que dispõem carecem de trabalhar duramente para conseguirem os alimentos dia a dia. por exemplo e desde logo a produção de peixe. E repare-se que as situações de injustiça . assim como o salário é o preço do trabalho humano ( e o rendimento das pessoas que trabalham) 2.a necessária no mínimo . presentemente. tal como o salário é o preço pela reconstituição permanente do trabalho humano.. O que acontece é que. Imaginemos que eles decidem construir uma rede e uma canoa com o que poderão duplicar.tal como delas se pode aperceber e julgar o senso comum . na realidade. ao juro em termos económicos. dinheiro e crédito é serem uma “propriedade” de alguém (ou os seus detentores legais). Este grupo tem dois caminhos: 1) Todos resolvem produzir a maior soma possível de pescado. tanto o juro como o salário podem ser injustos em determinadas situações ou ocorrências. A Lógica do Juro Hoje está ultrapassada a velha questão levantada pelos filósofos da antiguidade acerca da injustiça do juro. Em suma. Em síntese tem-se pois que o juro é o preço dos capitais (e o rendimento dos respectivos possuidores). 2) Parte das pessoas continua a pescar enquanto a outra parte . Este é o preço económico da reconstituição dos capitais. que pescam com anzóis improvisados ou com as próprias mãos.2. e ao mesmo tempo reduzir o seu consumo de peixe ao mínimo possível. que são trabalho humano acumulado para aumentar a produção futura (ou para usufruir em consumo futuro). Vivem quase exclusivamente de peixe. Página 4 .

3. sempre representado por um acréscimo na produção futura. directos ou indirectos. O nosso grupo de náufragos pode fabricar mais redes e canoas para “vender” ou “emprestar” aos habitantes de uma outra ilha próxima. acabará por tornar inútil o esforço da poupança realizado e estancará a realização de poupança futura. por exemplo. Poupança sem a decisão de investir é “entesouramento” e este. portanto.  Que os bens ou instrumentos de produção são uma parte da produção total de uma colectividade. reforçado.é a base essencial e necessária para construir “bens (ou instrumentos) de capital (ou produção)” acto este de construção que chamamos “investimento”. carecendo em qualquer hipótese de ser constantemente substituído.  Que o “ganho” ou “lucro” obtido com a capitalização de factores de produção é.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Este exemplo muito simples encerra em si e desencadeia logicamente as seguintes deduções e ilações:  A construção de bens de capital . renovado. para além da necessidade do esforço de manutenção daquele que permanece em uso. sementes em excesso das suas próprias necessidades e que podem trocar por redes e canoas. instrumentos ou equipamentos de produção) não é condição suficiente pois que a poupança apenas libera factores de produção do sector dos bens de consumo para o sector dos bens de capital. que se dedicam a produzir. pelo que se torna indispensável consumar a decisão de produzir mesmo estes bens de capital para haver realmente investimento.  Que o “capital acumulado” pode ser substituído por outro mais produtivo. constituindo trabalho acumulado com o intuito de criar “lucro futuro” a partir dos acréscimos sucessivos da “produtividade”. aperfeiçoado e sofisticado.  Que o acto de “poupar” (abstenção de consumo). 2. acréscimo esse que depende da “produtividade” do capital envolvido (o qual também se chama desde Keines a “eficiência marginal do capital”) e que é precisamente o “juro”. de aumentar a produtividade e a produção no futuro .meios ou processos coadjuvantes.que chamamos “poupança” . Produtividade Líquida Ou Eficiência Marginal Do Capital Página 5 .representa e significa sempre um certo sacrifício de consumir. sendo condição necessária do “investimento” (construção dos bens.  Que este sacrifício de consumir . se ultrapassar o limite relativo admissível de reserva de valor.

A produtividade líquida ou eficiência marginal é de 115 . e a respectiva taxa é de 15UM / 100UM (custo original) ou seja 15%.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Vamos dar dois exemplos extraídos do compêndio “Economics . uma das melhores obras de caracter geral que se publicaram dentro dos conceitos económicos actuais. mas em sentido técnico restrito o termo eficiência (ou eficácia) elimina quaisquer níveis transitórios (bastante altos ou baixos) que os lucros oferecem.An Introdution Analysis” de Paul Samuelson. ou diferencial além da reprodução. Assim. portanto. então o seu “rendimento bruto” de 50. deixam de consumir agora para Página 6 . Em sentido lato. a “taxa de juro” num “estado natural” da economia é exactamente a “produtividade líquida” ou a “eficiência marginal do capital”. A expressão “marginal” traduz um excedente. pois aponta para um nível “esperado” ou “standart” de rentabilidade.000 UM) pode ser tratado como um rendimento líquido.  Uma máquina que nos custou 100 unidades monetárias (UM) dura um ano de trabalho intenso. a eficiência traduz:  a capacidade/habilidade de produzir a uma dada taxa com menores custos. expressa por uma “taxa de rendimento sobre o seu custo” . Visto que tal equipamento não tem desgaste físico. por conseguinte.000). na verdade. O vocábulo “eficiência” significa qualquer medida de grau de funcionamento ou desempenho em termos de um padrão ou objectivo pré determinado.000 (igual a 1/20 x 1. Este excesso ou margem constante. ou desempenho de indivíduos. E aquele excesso somente será este lucro líquido se não houver mais nenhum custo a incorrer. isto é.  Um certo equipamento que dura em principio indefinidamente pode render no mercado. por dizer respeito a um bem de capital.000. operações de toda a natureza.  a capacidade/habilidade de produzir a uma maior taxa com menos custos. o qual foi de 1. a compensação pela espera dos que poupam ou economizam. Esta taxa tem como justificação.000 de UM. em cada ano. a taxa de produtividade líquida é de 5% = (50. Pois bem.100 = 15 UM. incremento. funcionamento de organizações. Conclui-se destes exemplos que a produtividade líquida dum “capital” é. significa no fundo o mesmo que lucratividade ou rentabilidade. uma vigésima parte do seu valor de custo. do lado da oferta dos capitais. Em economia.000. é a única fonte possível de lucro líquido.000 / 1. Pode ser alugada durante esse ano por 115 UM. reconstrução de um valor de custo.000.

realizando assim um sacrifício. da Administração Regional ou do domínio privado. Mas a determinação do nível das taxas de juro é muito mais complexa do que aquilo que ficou dito. sendo evidente que maior produtividade comporta maior taxa de juros. e com impactos tão importantes como os das causas primárias que ditam as taxas naturais ou puras. a parcela necessária para repor no fim do período . ou de serem títulos do Estado.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO faze-lo mais tarde. em vez de fazerem uma acumulação prévia de fundos durante um determinado período de tempo eles próprios. arrastando consigo o aumento da própria taxa. continua sem formulação unanimemente aceite uma teoria unitária que explique o nível das taxas de juro. é uma função:  de haver utilidades/pessoas que poupem.  da escassez relativa de capital e/ou de mão de obra. Mas nos mercados reais outras forças intervêm para influenciar o valor das taxas de juro. A taxa será menor para tomadores de elevado crédito e para o Estado.e a elevação destes eleva o custo dos bens ou equipamentos/instrumentos de capital. assim como maior procura de mão de obra eleva os salários . Vamos no seguimento procurar dar uma ideia do estado deste problema 2. uma vez que maior procura de capital eleva por si só os juros. esperando receber mais no futuro. isto é. ii) O custo da intermediação.4. dependendo de serem tomadores prósperos ou tomadores de comportamento duvidoso. e se já não há praticamente discordância quanto à explicação do fundamento económico dos juros. e no lado da procura a justificação reside na disposição ou preferência dos tomadores de capitais em pagar um certo prémio ou ágio pelo uso dos mesmos. isto é. ou de serem operações de longo prazo ou de curto prazo. será maior para operações a longo prazo. Esta parcela pode ter um impacto tanto ou mais relevante do que os ingredientes da taxa Página 7 .  da eficácia das tecnologias e técnicas de produção. ou seja a taxa agregada ao intermediário financeiro em função principalmente do custo de captação dos recursos. a começar imediatamente. Taxas de Juro do Mercado Vimos que a taxa natural. uma vez que envolvem um maior risco que as operações de curto prazo. 10% ou 20% ao ano. por força da expectativa de aumentos futuros continuados. Essas forças fazem intervir pelo menos mais quatro elementos na formação e composição das taxas de juro: i) O risco das aplicações. 5%. iii) A correcção monetária. porquê 3%.em situação inflacionária .o poder aquisitivo do capital emprestado. que é o mesmo que uma taxa pura.

Taxa de Juro e Inflação Já dissemos que a inflação é um dos elementos fundamentais que intervêm na determinação da taxa nominal de juros. constitui a taxa de juros real. e diferentemente conforme o sector da economia. 2. Em síntese tem-se que:  A taxa natural ou pura. Mas uma forte correlação entre a taxa nominal de juros e o nível de preços fora já um facto observado em períodos passados de alta e persistente inflação (ou deflação). As duas taxas aproximam-se na medida em que aumenta a estabilidade de preços e emprego e o governo se abstenha de intervir. os impactos directos e/ou indirectos das políticas monetárias e fiscais do governo no sentido de controlar. Página 8 . iv) Por último. Na taxa de juros. estimular ou incentivar a economia. acrescida das parcelas de risco e de custo da intermediação do sistema bancário. com a taxa esperada da elevação do índice de preços no futuro próximo . enquanto que a taxa real é a taxa de mercado em termos de uma economia em situação de funcionamento perfeito. por exemplo. quando a Prime Rate está em 10% isso significa que a taxa real é de 4% a 5% e o restante traduz a inflação esperada nos meses próximos. reorientar. os seus efeitos sempre assumiram magnitude que se sobrepôs aos efeitos das outras variáveis normalmente componentes dos fenómenos económicos e mais significativamente no juro. O efeito deste elemento de política económica e financeira do governo tanto pode ser no sentido de agravar como de desagravar a taxa de juros.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO pura. Até numa economia da dimensão dos Estados Unidos. Em tais períodos de persistente e alta variação nos preços. realinhar. Na realidade a simples expectativa de continuada subida do nível geral de preços tem de ser reconhecida agora como uma das variáveis mais significativas na determinação em geral dos agentes económicos.  A taxa nominal é sempre a taxa do mercado. isto é. a inflação passou a ser no momento que vivemos a parcela mais importante na composição do seu valor.5. tanto mais que se confunde também com a expectativa de inflação futura.facto que Keines pós em especial relevo na sua teoria do juro.  Acrescendo-se a correcção monetária e a correcção discricionária e arbitrária decretada pelo governo (correcção que pode ter efeito positivo ou negativo) obtém-se a taxa de juros nominal . consoante os objectivos que haja em vista naquela política.

a massa monetária não é a oferta.. sendo (Po) o índice de preços no presente. Chamemos (i) à taxa de juros nominal e (r) à taxa de juro real. ter-se-á que: Página 9 . na realidade. aproveitando a observação de uma queda acentuada e prolongada que nessa época ocorreu nas taxas de juros nos Estados Unidos. sendo (f) a taxa de inflação esperada. no final do século passado. Sem quaisquer preconceitos derivados das aparências teóricas da teoria quantitativa que então imperava. Mas se houver a expectativa de que no próximo período os preços vão ter uma subida. o valor de (f) tende para tomar em consideração não apenas a expectativa a curto prazo.H. a quantia que o mutuário (tomador de fundos) deverá devolver ao emprestador terá de ser (1+f) vezes maior do que quando não existiam expectativas inflacionárias.. logo um preço menor. já havia feito uma análise muito simples e muito directa da relação entre a taxa de juros e a inflação. mas antes um valor médio das expectativas a médio prazo. O economista e estatístico norte americano Irving Fisher.. Uma unidade monetária emprestada à taxa (r) deverá proporcionar ao mutuante no final do ano a quantia (1+r). a taxa de juros nominal do mercado é composta de dois elementos conceptualmente independentes: . Ou seja.). Gibson escreveu vários artigos acerca do relacionamento entre o rendimento dos títulos de longo prazo e o nível de preços na Inglaterra).a taxa de juros real (a eficiência marginal do capital e o risco das transações) . ora acontece o contrário.(porém. Logo não há paradoxo). (Pn) o mesmo índice no fim do prazo (n) considerado.a expectativa de variação nos preços. Por conseguinte. E é um paradoxo porque em termos de economia clássica a taxa de juros deveria em princípio descer se a massa monetária subisse (oferta de moeda maior.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Keines chamou a esta correlação de “Paradoxo de Gibson” (o economista inglês A. Assim. a quantia em causa deverá ser agora: (1+r) (1+f) e a relação entre as taxas (i) e (r) será então: (1+i) = (1+r) (1+f) resolvendo a igualdade obtém-se: i = r+f+r*f r+f(1+r) f+r(1+f) r = (i-f)/(1+f) Para uma situação inflacionária persistentemente crescente. e tão somente recolhendo os resultados reais mensuráveis da observação.. e ( Pn) a variação desse índice ao longo do tempo (n). Fisher concluiu que. o emprestador apenas continuará a oferecer os seus recursos financeiros se a taxa (r) for acrescida de um valor (uma sobretaxa) correspondente à variação esperada no índice de preços.

Para efeito do cálculo do juro. o ano tornou-se universalmente coincidente com o ano de calendário (de 1 de Jan. desde tempos remotos.). O Processo De Capitalização A Capitalização é a acção . Nos nossos dias. e (i) a taxa de juro convencionada. Mas no cálculo financeiro o ano é um período qualquer de doze meses consecutivos. de outras instituições em geral. tem-se por definição que: Jn=Cn-1i Página 10 . e das actividades orçamental e fiscal dos governos. ou seja no fim do período (n-1). O juro em cada período de capitalização é igual ao capital no inicio do período multiplicado pela taxa de juro referida à mesma unidade de tempo. É a bola de neve de efeitos combinados acelerativos. O ano é a unidade de tempo básica do processo de capitalização. Cn-1 o capital no início do período (n). a procura de moeda (de crédito) para realizar o desiderato de antecipar compras e fazer stocks contribui só por si para o crescimento da taxa de juro. Acontece. donde resulta um estado de espírito estimulado para uma antecipação de compras e formação de stocks.e também o efeito . Mas em contraste. uma dissolução da função da moeda como reserva de valor. sendo os produtos de consumo durável os que atingem o máximo da procura. o tempo é dividido em períodos de duração constante.de adicionar cumulativamente a um capital os juros produzidos em consequência de uma aplicação económica desse capital. a 31 de Dez. assim. a base empírica do Cálculo Financeiro e que constitui o alicerce sobre o qual assenta toda a construção teórica do mesmo. Em símbolos matemáticos. 3. sendo Jn o juro do período (n). Este produto do capital por uma taxa em cada data de vencimento do juro foi.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO f’= (Pn/n) (1/P0) o valor tendencial é superior à simples expectativa de inflação no período (ano) seguinte: f’ > f = ( P1/P0) Uma situação de inflação continuadamente crescente arrasta consigo a expectativa duma continuada subida dos preços. pois é o período do exercício económico-administrativo da vida das empresas.

a produção de juros pelos próprios juros. significa registar numa conta patrimonial de activo fixo (imobilizado) o valor de custo (ou aquisição) de um bem ou instrumento de capital. o juro periódico terá invariavelmente o mesmo valor. Portanto. os juros de cada período são sempre calculados sobre o capital primitivo (inicial). em que uma parte arbitrária de juros é liquidada conforme o processo de juro simples e a outra parte é recapitalizada conforme o processo de juro composto. deixemos registado que o termo capitalização/capitalizar também assume outros sentidos na linguagem económico-contabilística. Porém. No segundo regime há capitalização dos juros. pois. dos juros produzidos há dois comportamentos extremos possíveis:  os juros serem liquidados (levantados) no vencimento de cada período. Este processo de cálculo e de liquidação do juro constitui o regime de juro composto . O valor dos juros vai crescendo em cada período sucessivo por força de o cálculo ser feito sobre uma base de valor progressivamente aumentada.. se nunca houver alteração da taxa de juro estipulada.É também designado por processo de capitalização geométrica porquanto o montante acumulado cresce em progressão geométrica. Quanto ao destino. cuja contribuição para o processo produtivo e correspondentes benefícios esperados acontecerão ao longo de Página 11 ... período a período. estes regimes mistos não têm qualquer interesse para a construção teórica do cálculo financeiro.. Designadamente. Para finalizar. Também se diz que há anatocismo num processo de capitalização quando os juros produzidos são acumulados ao capital principal gerando por sua vez juros no futuro. E capital acumulado é o resultado do anatocismo do seu rendimento.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO onde sucessivamente é n =1. Entre os dois extremos dos regimes simples e composto há uma infinidade de regimes mistos concebíveis. No primeiro regime. Anatocismo é.2.3.. dito também de principal. sendo a liquidação do capital e juros acumulados efectuada no final do processo de capitalização.  os juros serem adicionados ao capital. Este processo de cálculo e de liquidação do juro constitui o regime de juro simples. É também chamado de processo de juro constante ou de capitalização linear.

na conta de capital social. livres e não distribuídos. constituindo essa soma o montante acumulado. Pela capitalização. E em pura linguagem contabilística e fiscal. deduz-se ou desconta-se o valor daquele mesmo juro de modo a reconstituir aquele mesmo capital primitivo.. O Processo De Actualização A actualização é a operação inversa da capitalização. consoante a vida útil daquele bem ou instrumento.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO um certo número de períodos futuros. Pela actualização.. Mas mais generalizadamente. o valor de um capital no fim dum período (n) é igual ao seu valor no fim do período anterior (n-1) mais o juro produzido ao longo do período (n). 4.Cn-1<Cn) Ck= Ck-1 (1+i) Página 12 . Então o valor de Cn-1 tira-se imediatamente: Cn-1=Cn/(1+i) =Cn(1+i)-1 Estes processos inversos ou recíprocos podem ter uma representação gráfica como por exemplo: Processo de capitalização (C0<C1<C2<. reservando-os para fins de autofinanciamento do crescimento futuro.. Em termos matemáticos e com os símbolos já utilizados. capitalizar significa a abstenção de retirar da empresa rendimentos produzidos (e que seriam legitimamente apropriados pelos empresários). capitalizar também significa incorporar lucros líquidos. ou por precaução para fins de segurança face à ameaça de riscos prováveis.. adiciona-se o juro a um certo capital. ou seja: Cn = Cn-1+Jn = Cn-1 + Cn-1 * i Cn = Cn-1 (1+i) em que Cn-1 é o capital primitivo e Cn é o montante acumulado.<Ck<. como se viu.

A actualização assume um sentido equivalente ao de avaliação se dissermos que vamos achar (avaliar) o capital que produziu uma certa sucessão de juros periódicos durante um dado tempo.. Página 13 . A extirpação em sentido inverso dos juros relativos a cada período.>C2>C1>C0 Os pontos (0). (n) são os períodos sucessivos de capitalização em que o ponto (0) é a origem do processo.... (2).. . não sendo em qualquer caso nunca.. a partir do capital final Cn. Este processo de actualizar denomina-se de método racional. como veremos mais tarde na altura própria.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO C0 0 1 2 3 4 k n-1 n Cn Tempo Ck-1=Ck (1+i) Processo de actualização Cn>Cn-1>.... C2.Ck. Os juros podem ser produzidos por qualquer dos regimes simples.. Cn. (k). A soma de todos os juros produzidos. tal como no de capitalização. por hipótese retirados do bolo... ao capital principal C0 irá produzindo sucessivamente ao longo do processo os capitais de valor crescente C1.>Ck>. até se chegar neste movimento de retroacção ao capital principal inicial do momento zero.Cn-1.. . (1). porquanto a actualização dum capital deve logicamente ser a acção de reproduzir o seu valor mediante o desconto dos juros que ele próprio tenha gerado num processo de capitalização. em algo que já é racional em si mesmo. tem de ser classificado de irracional. irá reconstruindo os capitais primitivos no início desses períodos. e os capitais C0 e Cn são o capital inicial e o capital acumulado no final. calcular os juros sempre sobre o valor do capital no início de cada período.. (sem nunca serem retirados).. composto ou misto (em termos de processos de cálculo). A necessidade que surgiu no cálculo financeiro para empregar o vocábulo “racional”.. Este modo de considerar o problema confirma que o método racional no processo de actualização é.. foi motivada pelo facto de existir consagrado na prática um outro método de abordagem e de cálculo que.

Factor de capitalização unitário Operação de Actualização (Desconto) C’0 ou V . i . Œ .Valor futuro ou final. ou valor presente ou valor descontado.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Neste momento podemos resumir o quadro das expressões que são correntemente utilizadas.Taxa de desconto ou de actualização. ou Valor Adquirido. C’n ou M . Tem de ser E=J. que é o desconto do capital unitário no tempo unitário.Valor actual.Juros globais produzidos durante o período (n). Dentro do esquema racional definido tem de ser: Œ=i 1/(1+i) = (1+i)-1 ( factor de actualização unitário que é obviamente) (1+i)-1=(1+Œ)-1 Este esquema em síntese ordenado e com símbolos simétricos faz sugerir uma outra maneira de dar uma ideia palpável dos processos de capitalização e actualização um objecto e a sua imagem invertida num espelho. Operações Financeiras Na Prática 5.Capital ou Valor Acumulado. E . Tem de ser: C’n= Cn= M. (1+i) . em relação com os processos de capitalização e de actualização: Operação de Capitalização (Acumulação) C0 . Tem de ser : C’0= C0= V.Desconto global efectuado pelo tempo (n). no cálculo financeiro e na prática financeira. 5.1. Cn ou M .Taxa de juro ou de capitalização. Conceitos e Definições Página 14 .Capital inicial ou principal. que é o juro do capital unitário no tempo unitário. J .

As operações certas constituem o domínio do cálculo financeiro. evento esse cuja verificação nunca deixa de ser considerada ainda que os outros elementos ou factores da operação sofram qualquer modificação posterior à realização do contrato.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Operações financeira são aquelas em que se encontram envolvidos capitais com direito ao recebimento dum juro explícito. (2) operações certas e incertas. ou dando lugar à aplicação de um juro implícito. As operações incertas a curto prazo constituem o campo dos seguros temporários de duração aquém de um ano.2. não dependendo da ocorrência de nenhum evento aleatório ou contingente. As operações incertas a longo prazo constituem o campo dos seguros a mais de um ano. Com objectivos práticos. Nesta hipótese basilar da existência de um certo juro assentam quer a própria natureza duma operação financeira quer toda a estrutura técnica do cálculo financeiro. médio e longo prazos. A alteração do prazo de vigência poderá vir a ter lugar mediante acordo entre as partes. para protecção dos riscos inerentes à vida ou à doença dos seres humanos. que esta não deixará de ser certa. Depósito Página 15 . no qual tem de entrar como ingrediente uma taxa de probabilidade da ocorrência aleatória. ou vitalícios.2. Operações certas são aquelas em que a duração está taxativamente fixada. Glossário de Operações fundamentais As seguintes operações são a essência da vida financeira: 5. As operações certas a curto prazo destinam-se essencialmente a alimentar as necessidades de tesouraria em termos de efectividade de liquidez. Numa operação incerta a sua duração está dependente da ocorrência de um determinado evento aleatório ou contingente. relativos à vida humana. As operações certas a longo prazo (globalmente além de 1 ano) destinam-se a financiar os projectos de investimento. e os seguros prorrogáveis por anos sucessivos relativos aos bens económicos. assim como ser alterada a taxa de juro ou outro elemento da operação. a classificação fundamental das operações financeiras é: (1) a curto. além da taxa de juro que de modo geral se acha implícita nas operações de seguro de vida e nas reservas técnicas dos seguros. As operações incertas ou aleatórias constituem o domínio do cálculo actuarial. porquanto de uma maneira ou de outra será sempre realizada dentro do prazo que em definito vier a ser fixado. ou que afectam os bens económicos.1. 5.

(2) registado numa conta especial a prazo sujeita a levantamentos em conformidade com os termos de uma convenção pré estabelecida e vencendo um juro adequado. iii) Aplicar fundos resultantes de poupanças (ou aforro) com propósito remunerador. pois. os depositantes permitem ao sistema bancário a disponibilidade de fundos em volume e consistência necessários à concessão de créditos a prazos mais longos e consequentemente em operações mais lucrativas do que as têm como base de sustentação a massa flutuante dos depósitos à ordem. Em estreita relação com os termos depósito e dinheiro surge na vida financeira e comercial corrente um termo de generalizada utilização: fundo ou fundos. Por detrás da sua vulgaridade. incêndio. por um período limitado de tempo. O depósito e o crédito bancários constituem. que por sua vez é a base de apoio imprescindível ao investimento nas economias monetárias. É um motivo de investimento ou capitalização. compensações. movimentações cambiais. ou quaisquer outros valores por uma terceira pessoa. ou para fins de cobrança de créditos (cobrança de cheques. etc. Página 16 . É este terceiro motivo que origina os depósitos a prazo.  A palavra composta fundo-de-maneio significa precisamente a diferença entre o activo e o passivo correntes. o depósito é.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Em sentido mais genérico o depósito significa a guarda de dinheiro. transferências. de facto. etc. ou este ser meramente simbólico). etc. por um período desde logo determinado ou não. ou simplesmente do activo disponível.).). com ou sem benefício de um juro. Através do sistema bancário como intermediário. sob confiança. O depósito bancário é uma operação pela qual uma pessoa confia a um banco. ii) Beneficiar dos vários recursos das técnicas bancárias com vista à liquidação de dívidas (pagamentos a terceiros. o depósito bancário pode ser concretizado de dois modos: (1) registado numa conta à ordem da qual podem ser feitos saques sem restrição até ao montante do mesmo depósito (e neste caso pode não haver lugar ao direito de um juro. A pessoa que deposita é o depositante e a que guarda é o depositário. o binário estrutural das acções financeiras ao serviço das acções económicas. roubo. É um motivo de segurança. ordens de pagamento. títulos. As intenções e finalidades do depósito bancário podem ser de três ordens: i) colocar fundos ao abrigo dos riscos de perda.o termo é equivalente a caixa-dinheiro.fundos . Buscando uma colocação estável e segura. É um motivo de comodidade. ou pretende abarcar a globalidade do capital circulante. Assim. letras de câmbio. este vocábulo oferece um amplo espectro de sentidos que convém referir:  No plural . ou dinheiros. uma forma efectiva de capitalização e a fonte mais importante do empréstimo. fundos que poderá ou não utilizar livremente.

e para finalizar estes entendimentos é invariavelmente elaborado um contrato.  Ainda dentro deste exemplo do dinheiro-espécie. colocados nas mãos de um fiel depositário e cuja soma principal e rendimentos serão administrados. ou mesmo outros valores activos. separado dos outros dinheiros.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO  Mais especificamente. a coisa emprestada é dinheiro-monetário e há sempre lugar ao pagamento de um determinado juro (por vezes antecipadamente). Empréstimos Em termos de extrema simplicidade. significa o montante do dinheiro. ou há um contrato proposto por uma das partes ao qual a outra adere. liquidação ou cobertura de uma responsabilidade assumida. aplicados ou despendidos nos termos regulados por um contrato formal. Por outro lado.  Num sentido legal e em contabilidade pública.2. o empréstimo é a cedência de alguma coisa a alguém com o compromisso deste de a restituir ao fim de um certo tempo. 5. a constituição de fundos desta natureza e com estes objectivos compreende necessariamente caixa-dinheiro e outros valores activos disponíveis ou realizáveis. que é criada e mantida para um determinado fim específico. Municipalidades. É de interesse a seguinte classificação dos empréstimos: a) Quanto ao caracter público ou privado do mutuário:  Empréstimos públicos contraídos pelo Estado. um fundo é a soma de dinheiro (ou mesmo de outros valores) constituindo uma entidade contabilística autónoma. títulos de crédito. significa um montante pré fixado de caixa-dinheiro. e empresas públicas. Página 17 .2. No domínio financeiro que nos ocupa.  Empréstimos contraídos por particulares e empresas privadas. que pode ser do tipo do contrato de adesão. sendo estes movimentos registados numa conta específica com o objectivo de providenciar pelo pagamento. um fundo é o montante sistematicamente acumulado através de um ou mais depósitos necessários e da integração nesses depósitos dos juros produzidos. ou uma contingência determinada.  Mas em sentido financeiro propriamente dito. até à concorrência dos valores desses fundos. e especificamente consignado ou destinado a uma certa finalidade de utilização no tempo decorrente. e cujas movimentações e transacções delas derivadas estão sujeitas a regras e restrições legais e administrativas.

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO b) Quanto à nacionalidade do mutuante:  Empréstimos externos (contraídos com entidades estrangeiras)  Empréstimos internos (contraídos no espaço nacional com entidades nacionais ) c) Quanto ao número de mutuantes:  Um único mutuante (empréstimos ordinários)  Vários mutuantes (empréstimos por obrigações) d) Quanto à garantia que encerram:  Empréstimos sem garantia especial para além da que em geral gozam os credores em face dos princípios da lei civil.não são operações financeiras e não têm nenhum interesse no âmbito do calculo financeiro. e obviamente em que o Estado é o mutuário e os mutuantes são sempre os cidadãos ou empresas privadas. que são os normais  Empréstimos forçados . a médio prazo (de 1 a 5 anos) e a longo prazo (além de 5 anos).a curto prazo (até 1 ano). que pode ser real (hipoteca ou penhor) ou pessoal (fiança e aval). equipamentos e outros bens de capital em geral ou para financiar a produção).  Empréstimos com garantia especial. Não é um empréstimo mas verdadeiramente um quase-imposto. g) Quanto à finalidade:  Financiar o consumo (como as vendas a prestações)  Financiar o investimento (para financiar infra-estruturas.só podem ser da iniciativa do Estado  Empréstimos temporários . vencendo ou não juros. f) Quanto à obrigatoriedade de emprestar  Empréstimos voluntários. i) Quanto ao processo de amortização Página 18 . h) Quanto à duração do empréstimo:  Empréstimos perpétuos ou consolidados .sob a forma de depósitos obrigatórios reembolsáveis. e) Quanto à onerosidade ou gratuidade:  Empréstimos com juros (caso normal)  Empréstimos sem juros .

Quando se refere “financiamento” está-se a pensar nos aspectos económico-financeiros da operação. introduzir já aqui neste parágrafo de generalidades os conceitos fundamentais que dizem respeito à estrutura dos empréstimos e à forma de proceder quanto à sua liquidação. Sendo (Qk) a parcela da amortização no período (k) e (J k) a parcela do juro devido nesse mesmo período. como aplicação que são da teoria matemática das rendas.) e a maneira de tratar a amortização do capital e a liquidação dos juros. b) O prazo ou duração do empréstimo que é o tempo (n) durante o qual deve ser reembolsado o capital emprestado e pagos os juros produzidos. o montante (M) que o devedor vai pagar no conjunto de todos os (n) períodos da liquidação do empréstimo será obviamente: n k=1 n k=1 M = C+J =  Qk +  Jk em que também obviamente Página 19 . Convém. mas têm o desejo e a capacidade (e estão em condições) de poder investir com sucesso previsível. os termos financiamento e empréstimo usam-se indistintamente com idêntico significado. ao longo desse tempo. sobre os saldos em dívida no início de cada período de pagamento. c) A taxa de juro (i) convencionada. no entanto. etc. e sendo (J) o encargo final nominal de todos os juros. Os empréstimos ou financiamentos vão ocupar uma parte substancial deste compêndio. d) O modo de efectuar os pagamentos periódicos. semestral. o que envolve a definição dos períodos de pagamento (anual. Sem o dinamismo impulsionado pela existência do empréstimo seria inimaginável o progresso que tem caracterizado a era moderna industrial.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO  De amortização sistemática. Pode notar-se nesta altura que a poupança dos indivíduos e das empresas constitui a fonte material dos fundos de empréstimos. Na linguagem do tempo presente. que é o caso normal  De amortização não sistemática (por pagamentos soltos e aperiódicos) Mas a essência económica do empréstimo é que através dele os recursos financeiros resultantes da poupança daqueles que não desejam investir (ou não estão em condições de investir) são colocados ao serviço daqueles que não dispõem desses recursos em quantidade suficiente. A verdade é que quando se refere “empréstimo” está-se a pensar nos aspectos contratuais (jurídicos). e nem sequer o avanço científico e tecnológico que está implícito nesse progresso. As variáveis elementares que enquadram o empréstimo são: a) O capital emprestado (C).

juntamente com o pagamento do juro do último período. É o sistema do pagamento periódico de juros. ou sistema de juro constante. Neste sistema não é necessário a aplicação da teoria das rendas. e pagar consequentemente os juros sobre os n saldos remanescentes do capital em cada período. b) Calcular os juros de cada período sucessivo pela aplicação da taxa da operação sobre o valor do capital remanescente no início de cada período. iii) Pagar uma prestação igual em todos os períodos de liquidação. É o sistema de prestações (ou anuidades) constantes. Para já. claro está que a parcela de amortização de cada prestação vai aumentando com o tempo. contendo cada prestação uma parcela relativa à amortização do capital (Qk) e uma parcela do juro do período (Jk) de tal modo que é sempre constante a soma (Q k+Jk) para os sucessivos tempos K=1. são praticadas apenas quatro maneiras fundamentais de fazer a liquidação dum empréstimo: i) Reembolsar a totalidade do capital e pagar a totalidade dos juros no momento final do prazo do empréstimo. basta reconhecer que o capital remanescente vai-se tornando cada vez menor. E como o valor da prestação é constante. ii) Pagar os juros vencidos no fim de cada período (sempre de igual valor) e reembolsar a totalidade do capital no final do empréstimo. O cálculo destes valores exige o estudo prévio das rendas Assunto que iremos abordar posteriormente). isto é: Q=C/n.3. como no sistema precedente a ser válida a relação: Prestação = Amortização + Juro mas agora as prestações são decrescentes uma vez que os juros em cada período sucessivo também o são..CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA n n CÁLCULO FINANCEIRO C =  Qk k=1 J=  Jk k=1 É claro que (Qk) e (Jk) poderiam ser quaisquer valores no decurso dos (n) períodos. c) Calcular o valor de cada prestação pela soma do valor (a) com o valor (b). Na prática porém. pois é fácil reconhecer que o cálculo das prestações segue o seguinte processo elementar: a) Calcular a parcela constante de amortização mediante a divisão do capital pelo número de períodos (pagamentos). É o sistema do montante final. na condição de que se verificassem as igualdades acima. Continua.n. É desde logo evidente que os valores dos juros periódicos são decrescentes. Estes quatro sistemas podem ser visualmente confrontados através dos seguintes gráficos ilustrativos: Página 20 . É o sistema de amortizações constantes. sendo necessariamente crescentes os valores das quotas periódicas de amortização..2. de aplicação muito fácil e portanto bastante popular... do que resulta irem diminuindo os juros de cada prestação por incidirem sobre uma base sempre menor. iv) Pagar uma prestação constante como amortização do capital emprestado.

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO i) Capital + Juros 0 1 2 n Tempo Sistema do Montante Final ii) Capital + Juros do Período (n) Juro Simples 0 1 2 n Tempo Sistema do Juro Constante iii) Juros 0 1 Amortização 2 n Tempo Sistema das Prestações Constantes Página 21 .

Em termos económicos puros. Mas na prática financeira e comercial. Destas circunstâncias resulta que um dado capital (c) .3.existe prejuízo C’ = C . extracto de factura. o desconto bancário é um empréstimo concedido pelo banco ao cedente (portador da título de crédito). será capitalizado pelos compradores e vendedores no mercado em função desses rendimentos e portanto avaliado na base do valor actual presente dos mesmos rendimentos. No fundo.existe lucro C’ < C . sendo estipulado que uma certa soma (c) é pagável dentro de um determinado prazo (n) o seu valor em qualquer época anterior é necessariamente menor que (c). pagando imediatamente o seu valor ao portador delas antes do vencimento. deduzido de certa percentagem proporcional ao tempo que falta até ao vencimento dos títulos. Sob um ponto de vista mais generalizado. tem-se que qualquer capital oferece um fluxo de rendimentos esperados no futuro.valor para o seu detentor pode ser transaccionado por um outro valor (c’) maior ou menor que (c). Então tem-se: C’ > C . Desconto De Efeitos Viu-se anteriormente na análise descritiva do processo de actualização que o desconto é a operação que conduz à determinação do valor primitivo de um capital realizável no futuro após a acumulação de um certo juro. promissória ou livrança.o capital não tem rendimento nem expectativa de perda. Consequentemente. desconto é a operação pela qual uma instituição de crédito adquire a propriedade de uma letra de câmbio. tudo dependendo do valor actual dos seus rendimentos futuros em expectativa. O desconto constitui a via mais correntemente utilizada para mobilizar o crédito bancário.2.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO iv) Juro Amortização 0 1 2 n Tempo Sistema da Amortização Constante 5. Página 22 . Esta percentagem é um juro e designa-se por prémio de desconto. A operação que consiste em calcular este valor real no momento presente (ou valor actual) chama-se desconto. pode dizer-se que.

c) O desconto pela banca dos efeitos comerciais que os fornecedores recebem dos seus compradores em liquidação de vendas efectuadas a curto prazo (mais frequentemente até 180 dias). tanto para uma mesma duração Página 23 . d) A manutenção. porquanto o tratamento lógico matemático que foi muito depois desenvolvido teria naturalmente institucionalizado o uso universal do juro composto. e) O cálculo dos pagamentos escalonados em caso de vendas a prestações. Não obstante. Os seguintes tipos de operações são susceptíveis de utilizar a técnica do juro simples : a) As cedências de dinheiro de uns bancos a outros por prazos curtos (em regra da ordem dos dias). Contudo. isto é. nunca se aplica o regime simples para o primeiro ano e o regime composto para os anos seguintes. com vista a equilibrar o mercado monetário mediante a movimentação da moeda daqueles bancos que a tenham em excesso das suas necessidades de liquidez para outros que dela carecem momentaneamente. dentro de cada período anual. A realidade é que ele ficou consagrado pela prática habitual de séculos e pela facilidade de cálculo que oferece.1.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO CAPÍTULO 2: OPERAÇÕES FINANCEIRAS DE CAPITAIS INDEVISOS 1. Quando aplicado. tudo o acima exposto e determinado. Para operações a médio prazo e a longo prazo o regime de juro composto é a lei universalmente seguida nos mercados financeiros. a outra taxa de efeito equivalente no outro regime . das contas correntes comerciais ou bancárias com juros. nada legalmente impede que neste caso particular os cálculos sejam efectuados pelo regime do juro composto. que só o respeito por factos consumados não permitiu. b) Os créditos (empréstimos) a curto prazo (até um ano) que os bancos e outras instituições financeiras concedem aos seus clientes. já que é sempre possível escolher uma taxa de juro para um regime que produza o mesmo resultado final. Domínios de Aplicação do Juro Simples e do Juro Composto O regime simples deve ser encarado como de excepção no domínio do cálculo das operações financeiras. não deve deixar de ser observado que aplicar o regime de juro simples ou o regime de juro composto poderá ser encarado como uma questão de mera convenção entre os interessados (devedor e credor). o regime composto é incidente desde o momento inicial (tempo zero) das operações. Processos De Capitalização Simples E Composta 1.

Para o capital unitário e o tempo unitário. para ser pago em globo no final do processo de capitalização juntamente com o capital inicial. obviamente: J = J1+J2+. Se esta taxa for a taxa corrente do mercado.+Jn-1+Jn = C0 i n ou seja (n) vezes o juro constante (C0 i) tomando um capital qualquer (C) tem-se: J=Cin que é a fórmula básica do juro simples : CAPITAL x TAXA x TEMPO.. O que não é legitimo é empregar a mesma taxa em ambos os regimes. Montante Acumulado a Juro Simples (Js) O esquema abaixo desenvolve de modo visível o processo de capitalização a juro simples definido anteriormente: C0 0 C0 1 J1 C0 2 J2 = C0 3 j3 C0 n-1 Jn-1 C0 Tempo n Jn Juros produzidos = = = O juro é sempre e exclusivamente produzido pelo capital inicial à taxa anual de juros (i) ou seja: J1 =J2 = J3 = . mas que apenas é pagável em intervalos regulares. Se for uma taxa superior. como por definição foi estabelecido. o juro é igual à taxa.=Jn-1 = Jn = C0 i E o juro global é. o capital em dívida volta a ser o capital inicial (CO). 1.. o que é a hipótese de base do regime de juros simples. ou no vencimento do contrato.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO total da operação como para durações diferentes. o capital em divida é (C0+C0 i). Considerando uma capital qualquer (C) tem-se: M=C(1+in) Página 24 . uma das partes ficará com uma mais valia à custa da outra parte. Mas podemos admitir e convencionar que o juro constante periódico não seja liquidado e antes guardados. Se o juro (C0 i) for pago imediatamente.2. Assim... Admite-se que o juro é capitalizado e adquirido dia a dia. será ainda mais grave tal apropriação abusiva. no fim de cada período. sem vencer juros. ou seja a soma global (C0+C0in).

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO que é a fórmula do montante a juros simples.3. O montante acumulado a juro simples cresce. pode ocorrer na prática. Montante Acumulado A Juro Composto Para o processo a juro composto o esquema antes utilizado tem a seguinte estrutura: C0 0 C1 1 J1 C2 2 J2 < C3 3 j3 Cn-1 n-1 Jn-1 Cn Tempo n Jn Juros produzidos < < < Agora o juro periodicamente produzido é integrado no capital. A variável dependente é o capital acumulado e a variável independente é o tempo. tem-se : Página 25 . Da fórmula do montante obtêm-se as fórmulas derivadas do prazo e da taxa. como segue: n=(M-C)/(Ci) i=(M-C)/(Cn) 1. por isso o juro simples se diz de capitalização linear. Esta operação é do tipo j=a+bx. Neste caso costuma chamar-se ao processo de regime dito simples para distinguir do regime simples puro em que o juro é sucessivamente retirado nas datas de vencimento. sendo sucessivamente adicionado ao capital primitivo sem direito a vencer juros. isto é. Portanto temos: C1 = C0 + J1 = C0 (1+i) C2 = C1 + J2 = C0 (1+i) + C0 (1+i) i = C0 (1+i) (1+i) = C0 ((1+i)2 C3 = C2 + J3 = C0 (1+i) 2 + C0 (1+i) 2 i = C0 (1+i) 2 (1+i) = C0 ((1+i)3 Cn = Cn-1 + Jn = C0 (1+i) n-1 + C0 (1+i) n-1 i = C0 ((1+i)n Designando (Cn) por (M) e considerando genericamente um capital qualquer (C). sendo constante o capital inicial e a taxa de juro. A hipótese formulado de o juro periódico não ser pago período a período. o valor acumulado de um capital a juro simples à taxa (i). Adiante se fará a sua representação gráfica em conjunto com o montante acumulado a juros compostos. pois. vencendo também juros no futuro. em linha recta.

separadamente com capitalização a juros simples e a juro composto.10 = 100 1100 x 0. por conseguinte o montante acumulado a receber no fim do prazo. Os resultados estão apresentados nos quadros seguintes.10 = 110 1210 x 0.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO M=C(1+i)n que é a fórmula do montante a juros compostos.10 = 100 1000 x 0. Regime simples Período 1 2 3 4 5 Capital no início de cada período 1000 1100 1200 1300 1400 Juro do período 1000 x 0. como segue: J=M-C  C(1+i)n-C  C{(1+i)n-1} n=(log N-Log C)/Log (1+i) i= n M/C -1 As duas últimas fórmulas obtêm-se por simples resolução algébrica da equação do montante em relação às variáveis (n) e (i).10 = 121 1331 x 0. isto é. Vai determinar-se o montante do saldo credor no final de cada um dos cinco anos.10 = 100 1000 x 0. consideremos o seguinte caso: um depósito de 1000 contos é feito à taxa de 10% ao ano durante cinco anos.10 = 100 Capital no fim de cada período 1100 1200 1300 1400 1500 Regime composto Período 1 2 3 4 Capital no início de cada período 1000 1100 1210 1331 Juro do período 1000 x 0. o valor acumulado de um capital a juro composto à taxa anual de juro (i). do prazo e da taxa.10 = 100 1000 x 0. Desta fórmula geral podem obter-se as fórmulas derivadas do juro. Para ilustrar com um exemplo o processo de juro composto em comparação com o processo de juro simples.10 = 100 1000 x 0.10 = 133 Página 26 Capital no fim de cada período 1100 1210 1331 1464 .

+nin-1+in Vê-se logo que os dois primeiros termos deste desenvolvimento representam o valor acumulado a juro simples (1+in) = Msimples. Deste modo. sendo sempre maiores em valor absoluto os termos negativos. Comparação Algébrica E Gráfica Dos Processos De Juro Simples E De Juro Composto Na fórmula do montante a juro composto.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO 5 1464 1464 x 0... Portanto: Mc=Ms  Jc=Js Página 27 . 1. Para esta análise há que considerar as hipóteses: n<1 ... n=1 .(n- k+1)/k!}ik+.K Mc<Ms Jc<Js Para n=1: Vê-se imediatamente que todos os termos do desenvolvimento a partir do terceiro são nulos. n>1 Para n<1: Os termos do desenvolvimento a partir do terceiro são alternadamente negativos (os que contêm potências pares de (i) e positivos os que contêm potências impares de (i). Para taxas de juro elevadas aquele afastamento é muito mais sensível. sendo nulo o seu somatório. Portanto: Mc = Ms .4. pelo que o somatório de todos é necessariamente negativo. desenvolvendo (1+i) n pela fórmula do binómio obtém-se: Mcomposto=(1+i)n =1+ni+{n(n-1)/2!}i2+{n(n-1)(n-2)/3!}i3+.. a comparação entre os montantes Mc e Ms resume-se a analisar o comportamento do valor global dos restantes termos do desenvolvimento binomial a partir do terceiro.10 = 146 1610 Verifica-se imediatamente que: a) O montante no fim do primeiro período anual é igual em ambos os regimes. Veremos que dentro do primeiro ano (entre o tempo zero e o tempo de doze meses) o montante em juros simples excede o montante em juro composto. b) O montante vai sendo progressivamente mais distante ente os regimes simples e composto à medida que o tempo progride. O modelo do quadro de desenvolvimento e apresentação dos cálculos que acima foi usado é de extrema importância no Cálculo Financeiro prático.+{n(n-1)(n-2).

Contagem De Dias A banca portuguesa seguia o figurino francês do ano comercial de 360 dias. Este compêndio considera apenas o ano de 365 dias. as duas curvas cruzam-se no ponto n=1 (os valores são iguais). 2. Alguns autores chamam de tempo exacto ao ano de calendário e de tempo aproximado ao ano uniforme de 365 dias.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Para n>1: Agora todos os termos a partir do terceiro são positivos. sendo portanto o seu somatório um número maior que zero. Anos Civil E Comercial. obtém-se as curvas seguintes:  Capital Acumulado (Juro Composto) Capital Acumulado (Juro Simples) Capital Inicial (C0) 0 1 2 n tempo A curva da exponencial (juro composto) fica abaixo da recta (juro simples) para valores de (n) desde zero até um ano. Por determinação da Inspecção Geral de Crédito e Seguros (circular 10/65 de 20 de Outubro de 1965) passou a utilizar sempre e generalizadamente o ano civil (de calendário) de 365 dias (366 dias nos anos bissextos). Portanto: Mc=Ms+K Mc>Ms Jc>Js Fazendo a representação gráfica em simultâneo da função exponencial (1+i)n e da função linear (1+in) para um mesmo valor da taxa de capitalização (i). e daí em diante a exponencial vai-se afastando cada vez mais da recta (o juro composto passa a exceder progressivamente o juro simples). tanto na parte teórica como nos problemas práticos. embora reconhecendo que muitos livros nacionais e estrangeiros continuam a contemplar indistintamente as duas bases de tempo anual. Página 28 .

e cada mês compreende sempre quatro semanas de 7 1/2 dias cada. Com efeito. Também se tem que: ir/ic = (360/365) = 72/73  ir = (72/73) ic Na efectivação de cálculos financeiros. o cálculo por esta segunda maneira traz uma vantagem para o credor. Para uma mesma taxa de juro (i). o movimento generalizado é pela adopção do tempo real. como segue: (i/360) . o cálculo poderá ser feito. Os motivos do passado não têm mais razão de ser no tempo actual das calculadoras electrónicas e dos computadores.019231 dias (7'/52) também:  1 mês = 30. Sem poder dispor de uma tal tabela. Os cálculos fazem-se sempre com a mesma facilidade e rapidez. 360 é divisível por 12 (que é o número de meses do ano). há frequentemente necessidade de determinar o número de dias compreendidos entre duas datas de calendário. produzindo meses com duração também uniforme de 30 dias. A “tabela para contagem de dias” anexa neste texto permite obter rápida e directamente o número pretendido. conforme exemplo a seguir (o mesmo utilizado na citada tabela): Página 29 .416667 / 7.(i/365) = i(365-360)/(360*365) = 5i/131400 = i/26280 ic . sejam quais foram os números trabalhados. As equivalências de tempos no calendário real (ano comum) são as seguintes:  1 ano = 12 meses = 52 semanas = 365 dias  1 mês = 365 / 12 = 30.ir = (i/360)*(1/73) A vantagem é assim de 1/73 do juro calculado na base do ano comercial.416667 dias (305/12)  1 mês = 52 / 12 = 4. com ou sem ajuda de calendário.019231 = 4 1/3 semanas No tempo real. em particular com juros simples. Nestas condições.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Foi com o objectivo de simplificar os cálculos que no passado se consagrou muito generalizadamente o ano comercial. o juro produzido num dia é (i / 365 = ir ) contra (i / 360 = ic ) no tempo comercial.3333333 semanas (4'/3)  1 semana = 365 / 52 = 7.

portanto.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO «Determinar o número de dias compreendidos entre 30 de Março e 29 de Julho de 1985: Nº de Dias 2 60 31 28_ 121 Do mês de Março 2 meses de 30 dias 1 mês de 31 dias De 1 a 29 Julho TOTAL Regra: Na contagem do número de dias entre duas datas. inclui-se o dia em que a operação é realizada e exclui-se o dia do respectivo vencimento. a uma determinada taxa de crescimento. triplica no tempo 2/i. etc. um capital duplica no tempo 1/i. análises económicas e de investimento. 3. Em regime de juro composto tem-se: M=  C = C(1+i)n   =(1+i)n i= n  -1 Página 30 . ou alternativamente a que taxa aquela multiplicação ocorrerá durante um tempo dado. e nos trabalhos de planeamento em geral. Dobrar.. Esta questão geral tem a mesma resposta que saber para um certo capital (C) como as referidas incógnitas são calculadas a juro simples ou composto. Etc.. etc. quadruplicará. Triplicar. Em regime de juro simples tem-se: M=  C =C(1+in)   =(1+i)n i=(  -1)/n n=(  -1)/i A juro simples. triplicará. Seja (  ) a constante que indica o multiplicador inteiro que se pretende para o capital (ou valor base) considerado. querer saber-se em quanto tempo uma certa grandeza duplicará. um Capital Em Processo De Acumulação Acontece com frequência nos estudos demográficos.

o efeito do crescimento geométrico é tal que para valores grandes do prazo (n) e/ou para valores altos da taxa (i) o valor acumulado atinge níveis absurdamente elevados e impossíveis de serem comportados dentro de qualquer espaço económico da vida real. 4. a semana e o dia. Na realidade. ou seja. os períodos que são sub-múltiplos inteiros do ano. e o juro de dois meses é a sexta Página 31 . =3. Taxas Proporcionais e Taxas Equivalentes Embora o ano seja a unidade basilar de tempo do cálculo financeiro.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO n=(log  )/Log (1+i) Para valores de (M) iguais ao dobro.4 anos. do valor de (C). Os períodos superiores ao mês estão muito relacionados com a vida comercial das empresas. O que acontece é que os prazos não excedem um número moderado de anos. o bimestre. o quadrimestre. basta fazer nas fórmulas acima =2. Sem nenhuma complicação. Esta linearidade arrasta consigo uma perfeita proporcionalidade entre o tempo e o valor do juro produzido. motivos especiais de ordem socio-económica que reduzem as taxas de juro aos valores mínimos praticados nos mercados.1. etc. Os prazos mensal e semanal constituem unidades de tempo operacionais da vida das famílias. e em 31. a divisão do ano em períodos fraccionários não traz qualquer problema em virtude da linearidade da função juro e seu montante acumulado. em regra. e quando vão além de 10 anos há. Com respeito ao regime de juro simples. um capital cresce sete vezes em 20. o juro correspondente a seis meses é exactamente metade do juro de um ano. etc. ao quadruplo. Na vida prática estes períodos fraccionários do ano são apenas o semestre. Nesta altura pode-se ter um alerta para o efeito ampliador do juro composto. ao triplo. por estarem dentro do período em que os rendimentos são normalmente auferidos e encaixados. o trimestre. o tempo inferior a um ano é o domínio do curto prazo que já foi definido.. Em suma. a uma taxa anual de 10%. o mês . É então evidente que a capitalização a juros compostos não se pode exercer de uma maneira indefinida. Por exemplo. as operações financeiras são constantemente efectivadas em períodos de tempo inferiores ao ano.4 anos tornar-se-á 20 vezes maior. Fraccionamento Do Tempo 4.

No regime de juro composto. Isso salta à evidência pela simples observação visual da curva que a representa (com curvatura sempre mais acentuada para taxas progressivamente crescentes). e 0. Por exemplo.=Ci’(n/k)=C(i’/k)n em que (k) é o número de subperíodos de fraccionamento do ano. pois.5% e mensal de 0. o mesmo valor acumulado em igual período de tempo.5% respectivamente. isto é. Este modo de operar é perfeitamente equivalente a mudar a base de referência da taxa de juro do ano para uma fracção submúltipla e tornar a taxa proporcional correspondente. se: 1+i=(1+ik)k 1+ik= k 1 i =(1+i)1/k A taxa (ik) definida pelas igualdades precedentes é a taxa equivalente à taxa anual (i) para o período 1/k. tornase evidente que a taxa (ik) será equivalente à taxa (i) se forem iguais no fim do ano as respectivas capitalizações. esta equivalência das taxas proporcionais deixa de se verificar em virtude da natureza exponencial da função. Taxas proporcionais são.486755% em vez das taxas proporcionais de 3%. as taxas equivalentes à taxa anual de 6% em capitalização composta são: taxa semestral = 2. Tomando o exemplo precedente. as que referidas a períodos diferentes de capitalização produzem. Página 32 .5%. trimestral de 1. Taxas equivalentes são pois. para um mesmo capital. e assim por diante para outros subperíodos. semestral de 3%. Agora é imperioso definir uma taxa fraccionária (ik) para cada um dos (k) subperíodos iguais em que se divide o ano.. as que referidas a períodos diferentes estão entre si na mesma relação em que estão os períodos a que respeitam.956301% taxa trimestre = 1. 1. Se ao ano corresponder a taxa (i). conforme ficou provado.467384% taxa mensal = 0.. as taxas anual de 6%.5% são taxas proporcionais entre si. as taxas proporcionais produzem juros equivalentes por força da linearidade da função juro. e 1/12 de 6%. E na capitalização simples. Dizem-se também taxas fraccionadas pois são respectivamente ½. Com efeito tem-se que : J=Ci(n/2)= C(i/2)n=.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO parte do juro anual. ¼.

. por exemplo.i/k) <0 (valor negativo do  ) isto é. tem-se que o produto x(x-1) é negativo. o que implica necessariamente que o somatório que forma o segundo membro da equação acima seja globalmente negativo. 2! 3! donde se tira ik-xi= x ( x  1) 2 x ( x  1)( x  2) 3 i + i +. pois sendo ele formado por termos alternadamente negativos e positivos. mas em que os negativos são de valor absoluto sempre superior. Esta conclusão pode ser demonstrada em geral e o valor da própria diferença entre as taxas proporcional e equivalente ser determinada através do seguinte desenvolvimento binomial: 1+ik= =1 + xi + (1 i) 1 k = (1+i)X = x ( x  1) 2 x ( x  1)( x  2) 3 i + i +.. uma taxa semestral equivalente a uma taxa trimestral sem passar pelo cálculo (nem sequer pela definição) da taxa anual (i). o que deriva obviamente do facto de haver capitalização dos juros produzidos nos sucessivos subperíodos. o sinal do primeiro termo determina em consequência o sinal do somatório. 2! 3! onde (ik) é a taxa equivalente e (xi=i/k) é a taxa proporcional.. Pelo exemplo dado viu-se já que a taxa equivalente (ik) é inferior à taxa proporcional (1/k). a taxa proporcional é sempre superior à taxa equivalente. sendo portanto: (ik . Como x<1. sendo (h) e (k) dois conjuntos de períodos 1/h e 1/k dentro do ano. pois fez-se (1/k=x).. tem-se (1+ih)h=(1+ik)k=1+i onde 1+ih=(1+ik)k/h e 1+ik=(1+ih)h/k relações que permitem obter directamente. e a diferença absoluta entre elas é o valor do módulo do somatório (  ): Página 33 .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Generalizadamente.

As taxas equivalentes a juros compostos e as taxas proporcionais a juro simples são como se segue: . Em principio.75=(1+0. 4. por convenção ou decisão arbitrária.2.100100 Para facilitar este parágrafo.25=(1+0.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO  =| (1 / k ) (1  k / k ) 2 (1 / k ) (1  k / k ) (1  2 k / k )  i +  6 2 i3 + . e consequentemente o somatório  é um número positivo. defina-se período de capitalização: é o período de tempo em que.10)0. Taxas Nominais e Taxas Efectiva (ou reais) Página 34 .5=(1+0. À mesma conclusão se chega (de a taxa proporcional ser sempre superior à taxa equivalente) verificando o resultado da capitalização da taxa proporcional: |1+(i/k)|k deveria produzir (1+i) tal como acontece com a taxa equivalente (ik).. porquanto é k>1.024114)3=1...  2! k    k valor este que é sempre superior a (1+i) e portanto a (1+i k)k .. a taxa de juro deveria referir-se ao mesmo período de capitalização.048809 (1+0.10)0.024114)2=1.| Esta diferença é bastante reduzida e até desprezível para períodos muito curtos e/ou para taxas de juro baixas.024114)4=1. O seguinte exemplo ilustra toda esta análise: Seja uma taxa anual de 10% e um fraccionamento trimestral do ano.024114)1=1.  k     k   2! i k =  k ( k  1) 12  = (1+ik) +  ( 2 )+. pois que : |1+( )|k = (1+i) Pela fórmula do binómio tem-se:  k ( k  1) i2  i   1  ( )  = (1+i)+  ( 2 )+..074100 (1+0.024114 (1+0.10)1=(1+0.024114 (1+0. se processa a produção do juro.. ik= 4 1  i -1= 4 110 -1= 0.10)0.

sendo a taxa efectiva ou real aquela que for de facto utilizada nos cálculos dos juros. Por exemplo: Um empréstimo hipotecário a uma taxa de 24% ao ano. Assim. uma instituição de poupança que anuncie para remuneração dos depósitos uma taxa de 24%aa capitalizáveis trimestralmente. Uma vez que o período unitário de produção do juro. A equivalência de taxas é a regra matemática que tem em conta a produção de juros pelos juros. etc. muito embora o esquema das operações financeiras considere pagamentos realizáveis em períodos fraccionários do ano. a que no entanto é preciso estar atento para não cometer erros nem cair em falsa suposição. ou apresentada diz-se nominal. ou 3% ao trimestre. Mas o mesmo não acontece no domínio do juro composto. Uma vez mais estamos perante uma convenção. 5.80876% e não 2%. a taxa oferecida. Nestas circunstâncias. E por seu turno a taxa anual equivalente à taxa real de 2% ao mês é 26. A resposta correcta a um assincronismo do período de capitalização e do período de referência ou definição da taxa de juro é achar a taxa equivalente àquela que se queira que seja a taxa efectiva de capitalização (a que vigore). e que pode coincidir ou não com a taxa nominal. dada a igualdade absoluta entre taxas proporcionais e equivalentes.». que é usual (e indiferente nos regimes de capitalização simples e composta) anunciar uma certa taxa de juros anual. a taxa mensal equivalente à taxa de 24% ao ano é 1. ou período de capitalização.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Acontece. Neste exemplo existe uma disparidade entre o período de capitalização e o “período de referência ou definição da taxa de juro”.82418% e não 24%. Fórmulas Do Juro E Do Montante Em Tempos Fraccionários Página 35 . mas o costume é fixar as taxas de juro com referência ao ano por ser essa a base quando se pensa em termos de taxas de juro. as que não respeitam essa regra podem ser meramente nominais no sentido em que se limitam a fazer uma apresentação comercial duma taxa. porém. Se a capitalização fosse simples.2477% para depósitos capitalizáveis a juros compostos por prazos superiores a um ano. de 2% ao mês. ou 6% ao semestre. a taxa oferecida e publicitada deveria ser. a reembolsar em pagamentos mensais durante vinte anos. aquela taxa de 24% e a taxa mensal de 2% seriam equivalente. à qual equivale uma taxa real anual de 26. Mas no regime composto. Esta “praxe” não tem qualquer consequência no domínio do juro simples. esta a oferecer uma taxa efectiva de 6% ao trimestre. por exemplo. é o mês.. Daí que a incoerência cometida por motivos de comodidade ou conveniência comercial se possa remover mediante a seguinte convenção: «diz-se 12% ao ano para significar também 1% ao mês. e apenas 24% anunciados no caso de capitalização a juro simples. As taxas que respeitam esta regra são reais no sentido de que são as efectivamente praticadas. anunciada.

Mais generalizadamente.625 anos.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO A duração de um processo de capitalização pode não ser um número inteiro de períodos. Em regime de juro composto as fórmulas do montante e do juro desenvolvem-se como se segue: MONTANTE M=C(1+i)n+(m/12)+(d/365) Por força da propriedade de potências da mesma base e diferentes expoentes quando em produto. É indiferente a maneira de fazer o cálculo: com o número fraccionário ou o número complexo. para qualquer prazo inteiro ou fraccionário e maior ou menor que a unidade tem-se: M=C(1+i)(n/k) (k><n) Página 36 . 7 meses e 15 dias. Em regime de juro simples. (n) anos. (m) meses e (d) dias. as fórmulas do juro e do montante apresentam-se como se segue: JURO J=Cin+ Cim Cid + 12 365 J=Ci(n+m+d) ou J=Ci n k em que (k) é um número inteiro maior ou menor que (n): K >ou< n MONTANTE M=C(1+in+ im id + ) 12 365 M=C(1+ in ) com k<ou>n 12 As fórmulas acima desenvolvidas resultam obviamente da proporcionalidade entre o juro e o tempo. por exemplo. ou 7 anos. A razão n/k é por exemplo 7.

e isso constitui um problema matemático no regime de juro composto. como ficou dito. do modo que se segue: M’=C(1+i)n(1+ix) Como x<1. Capitalização A Taxas Variáveis Pode acontecer que a taxa de juro se altere uma ou mais vezes durante o processo de capitalização. por exemplo 2 anos e 5 meses: tempo total=n+x. é corrente na prática tratar a fracção (x) distintamente dos (n) primeiros períodos. Em capitalização simples o assunto não tem qualquer interesse teórico ou prático. Prazo De Capitalização Com Número Não Inteiro De Períodos Esta situação ocorre quando um prazo de capitalização tem uma parte inteira de períodos (n) e uma parte fraccionária (x). pois que. e depois capitalizar esse montante a juro simples para a fracção de tempo (x). 7. Contudo. calculando dentro dela o juro pela taxa proporcional à taxa convencionada (i) e pela técnica do juro simples.assim como o simples . Por exemplo. A única explicação para esta tradição entronca-se na existência de tábuas financeiras apenas para tempos inteiros e na existência das calculadoras de hoje. dada a proporcionalidade entre o tempo e o juro. tem-se que (1+i)x<(1+ix) pelo que M’>M. Viu-se isso no parágrafo precedente. E em capitalização composta também não deveria ser suscitada qualquer questão.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO JURO J=C{(1+i)(n/k) -1} 6. num determinado empréstimo pode ser convencionado que Página 37 . o juro composto .é para ser aplicado desde o tempo zero até ao vencimento das operações financeiras. A solução teórica para obter o montante de um capital (C) no tempo (n+x) à taxa (i) é: M=C(1+i)n+x M=C(1+i)n(1+i)x O expediente que na prática se usa é achar o montante no fim do prazo inteiro (n).

que se realiza de instante a instante consequentemente. Retomemos a equação da taxa equivalente: (1+i)=(1+ik)k substitua-se a taxa fraccionária (ik) por uma taxa proporcional (  ) tal que: ik =  k substituindo as variáveis e fazendo os artifícios algébricos tem-se sucessivamente (1+i) = (1+ )k = (1+  k 1 k /  1 k /  ) = {(1+ ) } k / k / Página 38 .. Capitalização Contínua .. ou taxa contínua.. . sendo n1+n2+. aumentará necessariamente em sentido inverso o número de intervalos de tempo de duração infinitésima que globalmente continuarão a perfazer um ano.. o montante acumulado e o juro são portanto: Mn=C(1+i1)n1(1+i2)n2. (i2) no tempo (n2).. O valor acumulado do capital unitário no fim dos 1º.. (ik) no tempo (nk).(1+ik)nk Para o capital (C). E a taxa de juro correspondente ao subperíodo de tempo infinitésimo designa-se por taxa instantânea de capitalização.+nk=n. pois.(1+ik)nk J=Mn-C = C{1+i1)n1(1+i2)n2..(1+ik)nk-1} 8. Juros contínuos são..kmo períodos é facilmente dedutível como segue: Mn1(1+i1)n1 Mn1+n2=Mn1(1+i2)n2 = (1+i1)n1(1+i2)n2 Mn1+n2+. Quando assim procedemos à cisão do tempo penetramos no domínio da capitalização contínua.. 2º.....+nk=Mn=(1+i1)n1(1+i2)n2... os juros compostos quando o número de capitalizações tende para infinito. Se no processo de fraccionamento da unidade de tempo reduzirmos indefinidamente o intervalo de tempo fraccionário.Taxa Instantânea De Capitalização E «Coeficiente De Fraccionamento».CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO a taxa de capitalização variará segundo uma regra previamente definida como seja: (i1) no tempo (n1). .

Tem-se pois que: k  lim k ik =  e o coeficiente de fraccionamento vem:   = i/  ou seja: o quociente entre a taxa anual descontínua e a taxa anual contínua. Por conseguinte. Se escrevermos i=  kik concluímos que o segundo membro é um valor constante para uma taxa fixa (i).CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Quando (k) tende para infinito é claro que binómio dentro do parêntesis curvo é. Pode mais simplesmente escreverse:  =(i/kik) multiplicando-se por este valor (  ) a taxa (i’) . conforme ficou verificado e demonstrado ao tratar-se das taxas equivalentes e proporcionais em capitalização composta. Portanto.ik é a taxa anual pagável (k) vezes num ano. tal como a taxa i’=k. O  1 k /  ) } k / 1+i=e  O valor de (  ) é a taxa instantânea ou taxa contínua e é equivalente à taxa anual (i).projecção anual da taxa fraccionária (ik) equivalente a (i) . quando fizermos crescer indefinidamente o número (k) terá forçosamente que diminuir indefinidamente a taxa (ik). Esta taxa (i’) é sempre inferior à taxa (i). no seu limite para (k   ). a qual se transformará progressivamente na taxa fraccionária infinitésima que capitalizada uma infinidade de vezes produzirá no limite a taxa contínua (  ) equivalente à taxa (i). precisamente o número de neper: e=2.obtém-se exactamente a taxa anual básica (i).718282 (arredondado). Retomemos outra vez a equação da taxa equivalente e transformemo-la por logaritmização neperiana: (1+i)=(1+ik)k Página 39 . Tem-se portanto: (1+i) = lim {(1+ k  k tende igualmente para infinito. (  ) é a taxa anual pagável uma infinidade de vezes por ano. i i i Portanto tem-se que >ik e k >1  k =  em que  se define como coeficiente de k ik ik fraccionamento e é sempre superior à unidade.

quando (k) crescer indefinidamente terá forçosamente que decrescer indefinidamente o valor de L(1+i k).113329=1.12 =0. isto é: k  lim k L(1+ik) = lim kik =  = L(1+i) k  donde 1+i=e  Um exemplo será útil para ilustrar toda esta análise.113329 log e 0.4342945 Coeficiente de fraccionamento instantâneo:   = i = 0.12 Taxa instantânea (contínua):  alternativamente:  = L =L(1+i)   =L1.0099489 Taxa anual correspondente: i’=mim=12*0.12/12=0.113329 e log(1  i ) 0.113868=0.058864  É chegada a altura de apresentar um panorama geral da problemática do fraccionamento do tempo no processo de capitalização composta.049218 = =0. E torna-se óbvio que este é no limite o valor da taxa infinitésima de capitalização que produz a taxa anual contínua (  ).12/0.12/0.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO L(1+i)=k L(1+ik) Sendo o primeiro membro uma constante.12 Fraccionamento mensal: km=12 Taxa proporcional: i12=0. Sejam: i=12% = 0.113868 = 1. Note-se em especial o tipo de simbologia Página 40 .01 Taxa equivalente: im = 12 1.009489=0.053852 mi m Reprodução da taxa básica (i): i=  i’=1.053852*0.12 -1=0. No quadro 1 está feito um resumo de símbolos e formulas das taxas de juro para os períodos múltiplos e submúltiplos do ano.113868 Coeficiente de fraccionamento:  = i = 0.

Na realidade. Foi escolhida para este efeito a taxa anual básica de 24%. já que. em ordem decrescente da duração do período de tempo. como se viu. sendo as taxas reais as que constam das colunas (4) e (5). No quadro 2 estão tabulados os valores das várias taxas proporcionais e equivalentes. a qual será invariavelmente seguida ao longo deste compêndio. A taxa instantânea a juros contínuos é apenas exprimível em termos anuais. essas taxas proporcionais são apenas taxas nominais. a taxa fraccionária para o tempo instantâneo pode tão somente ser representada pelo símbolo matemático lim L(1+ik). desde o ano até ao instante. As taxas proporcionais constantes da coluna (3) deste Quadro (de valor i/k) são também as taxas equivalentes (reais e efectivas) no caso da capitalização a juro simples. Na base do quadro estão também resumidas as relações matemáticas fundamentais respeitantes às taxas equivalentes. com vista a obter resultados com diferenças suficientemente visíveis e avaliáveis dentro do campo de 5 decimais. vimos que a diferença entre as taxas proporcionais e equivalentes é geralmente bastante reduzida e mesmo desprezível tanto para períodos curtos como para taxas de juro de baixo valor. E no caso da capitalização composta.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO adoptada para distinguir as taxas proporcionais e equivalentes. k  TAXAS DE JUROS QUADRO I RESUMO DE SÍMBOLOS E FÓRMULAS TAXAS PROPORCIONAIS i i=4i 3i=3i 2i=2i 4 PERÍODO Anual (Básica) Quadrienal Trienal (Trianual) Bienal (Bianual) Semestral Quadrimestral Trimestral Bimestral Mensal Semanal Diária i 2 i i3 = 3 i i4 = 4 i i6 = 6 i i12= 12 i i52= 52 i i365= 365 i2 = TAXAS EQUIVALENTES COMPOSTAS i=(1+i)1-1 =i i= 1 1  i -1 =i iQ=(1+i)4-1 iT=(1+i)3-1 iB=(1+i)2-1 is= 1  i -1 iq= 3 1  i -1 it= 4 1  i -1 ib= 6 1  i -1 im= 12 1  i -1 iw= 52 1  i -1 id= 365 1  i -1 Página 41 .

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Instantânea  = log(1  i ) log(1  i ) = 0.4342945 log e k 1+i=(1+ik)k 1+i= e  1  i =1+ik log(1  i ) =L(1+i) = log e Página 42 .

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO QUADRO II Período do Ano Fracção do Ano Taxas Proporcionais a 24% (3) 12.09582 1.11540 1.05678 1.0 anual Taxas Equivalentes a 24% (4) 11.11570  = i i=24% 1/k i/k ki k Página 1 .440000 25.51114 anual ik= k 1  i -1 (1) Semestral Quadrimestral Trimestral Bimestral Mensal Semanal Diário Horário Instantâneo (2) ½ 1/3 ¼ 1/6 1/12 1/52 1/365 1/2760 1 K Taxas Anuais Equivalentes às Taxas Proporcionais (5) 25.07618 1.11330 27.80876 0.0 6.97120 26.53190 26.02597 1.43371 5.24770 26.0000273973 24.461539 0.0 8.065753 0.52501 3.0000245564 21.11340 1.35529 7.41453 0.65023 1.12421 27.10573 1.05895 0.0 4.12492 i’’=(1+ )k-1 i k Coeficientes de Fraccionamento  =(3)/(4) 1.0 0.0 2.05484 27.82418 27.11568 1.

.

É o que se comprova no gráfico abaixo: Para um certo capital (C) e uma taxa anual (i). o montante (M) nesta definição particular é o limite da capitalização quando (k) tende para infinito. num tempo constante. não crescendo proporcionalmente com o aumento dessas capitalizações. a curva correspondente aos montantes em função do número de capitalizações. M=C(1+ik)kn c 0 n Sendo (n) um tempo constante. Montante Acumulado A Juro Contínuo E Formulas Derivadas Logaritmizando a equação da taxa instantânea nas bases neperiana e decimal obtémse as relações 1+i = e  L(1+i) =  L e  log(1+i) =  log e donde se isolam as fórmulas das taxas descontínua e contínua em função uma da outra:   i= e -1  = L(1+i)  = log(1  i ) log e Página 1 . atingindo a intensidade máxima com a capitalização contínua de instante a instante.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Todo o contexto deste quadro II evidencia que o montante acumulado a juros compostos aumenta à medida que o número de capitalizações aumenta. tem a concavidade para o eixo das abcissas. mas antes cada vez mais lentamente. 9.

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E considerando a taxa fraccionária equivalente (ik) tem-se: (1+ik)k = donde

e

 K L(1+ik) =  =  k log (1+ik) =  log e

ik = ik= e

e

k

-1 -1

 = k L(1+ik)

 =

L (1 i ) k

k log(1  i k ) log e

Generalizando a equação da taxa instantânea para o tempo (n) e o capital (C), obtémse imediatamente as seguintes equações do montante acumulado contínuo e fórmulas derivadas: M= C e
n

C=

M

e

n

J=C( e -1)

n

CAPÍTULO 3:PROCESSO DE ACTUALIZAÇÃO E DESCONTO DE CAPITAIS

1.Valor Actual E Desconto Em Juro Simples

Viu-se através da análise do processo de actualização que o valor actual de um capital (C), só realizável numa época futura (n), é o capital (V) que, colocado a juros à taxa (i) durante o tempo (n), produzirá um valor acumulado igual a (C). Nestes termos tem-se: V+Vin=C  V(1+in)=C V= fórmula do valor actual a juro simples.
C 1  in

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Por definição, o desconto (E) será a diferença entre o capital futuro (C) e o seu valor actual (V): E=C-V Substituindo valores tirados da fórmula do valor actual, o desconto vem expresso em função de (C) e de (V) pelas fórmulas seguintes: E=C(11 Cin )= 1  in 1  in

E=V(1+in) - V = Vin Lembrando que o valor do juro simples é J=Cin, vê-se facilmente que (J)e (E) estão relacionados entre si pela equação: J=E(1+in) = E+Ein isto é, o juro simples do capital (C) é igual ao desconto a juro simples desse capital mais o juro do mesmo desconto. As fórmulas anteriormente deduzidas traduzem o tratamento racional e o valor teórico correcto do desconto a juro simples, que por isso se chama desconto racional e vulgarmente desconto por dentro. Na prática comercial, a operação do desconto foi desde sempre e fundamentalmente mobilizada através do crédito bancário. Os empresários obtêm dos seus banqueiros o pagamento imediato antecipado dos «efeitos comerciais» das suas transações mediante a dedução do desconto (prémio de desconto bancário). E os bancos, por óbvio motivo de simplicidade, calculam este desconto pela aplicação da taxa de juro sobre o próprio valor nominal do capital futuro explícito no título descontado, isto é: D=Cin fórmula do desconto bancário, também chamado comercial ou «desconto por fora» (cálculo directo sobre o capital conhecido - valor por fora - em oposição ao cálculo sobre a valor actual desconhecido - valor de dentro). Portanto tem-se que o desconto por dentro é o juro do valor actual do capital, enquanto que o desconto por fora é o juro do valor nominal do mesmo capital. A fórmula do valor actual no regime de desconto por fora deduz-se então: V=C-D = C-Cin =C(1-in)  fórmula do desconto comercial

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A relação entre os valores dos descontos por dentro e por fora obtém-se facilmente a partir da fórmula do desconto por dentro: E=
Cin D = D=E(1+in) 1  in 1  in

D=E+Ein ou seja, o desconto por fora é igual ao desconto por dentro mais o juro do desconto por dentro. Por outras palavras, a diferença entre o desconto por fora e o desconto por dentro é o juro do desconto por dentro. Assim, o excesso do desconto por fora sobre o desconto por dentro é tanto mais acentuado quanto maior for a taxa de juro (i) e maior a duração do tempo (n). Com efeito, o juro simples cresce indefinidamente com o tempo. Em absoluto contraste, o desconto por dentro é uma fracção que tende para o valor do capital nominal (C) quando o tempo (n) cresce indefinidamente, e permanecendo sempre abaixo desse valor. Na verdade E=
Cin i i =C 1 =  lim E = C = C n 1  in i i n

O gráfico abaixo ilustra estas realidades que derivam do aumento do tempo:

D C

E n 1/i

(D) cresce indefinidamente, (E) cresce a caminho de (C), e quando o tempo atinge o valor 1/i, o valor do desconto por fora é igual ao valor do capital nominal descontado, enquanto o desconto por dentro é nesse momento precisamente a metade; e para n>1/i o desconto por fora excede o capital descontado. É por isto que na prática o emprego do desconto por fora é limitado a operações de curto prazo - mais frequentemente até 180 dias, como já se disse.

Página 48

o desconto por fora seria impraticável . e o devedor (descontante) fica apenas a dispor do capital actual. isto é:  (taxa efectiva)= Ci i Juro Anual = = CapitalUtilizado V 1  in Ao mesmo resultado se chega fazendo a equivalência entre os valores entre os valores actuais racional e bancário: 1 =(1-in)  1+  n-in-i  n2=1 1 n   -i-i  n=0 donde se tira: = i 1  in i=  >i  1 n i<  respectivamente a taxa efectiva real em função da taxa nominal ou aparente.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Para além do curto prazo. Ora o correcto será pagar juros à taxa do mercado sobre o capital de que efectivamente se dispõe. o banco está a emprestar um capital actual V=C-D mas a cobrar um juro sobre o capital nominal. ou adoptar legalmente a obrigação de efectuar os cálculos a taxas mais baixas. ou muito curto prazo para taxas elevadas.salvo adoptando taxas de juro adequadamente inferiores às taxas correntes no mercado. Na verdade. e a taxa nominal em função da taxa efectiva. Daí que é em relação a este capital que deve ser analisada a taxa de juro que efectivamente se paga. mas pagando juros como se dispusesse do capital nominal. Página 49 . equivalentes à taxa de marcado que se tome como taxa real a praticar. praticando uma taxa de juro (  ) inferior à taxa de juro do mercado (i) seria indiferente o método de cálculo do desconto desde que: = i 1  in Este problema assumiu muito maior acuidade na época contemporânea de elevada inflação e taxa de juro. Para n=1 as equivalências simplificam-se para: = i 1 i i=  1  Portanto. Para o eliminar só existem duas soluções possíveis: ou passar a fazer os cálculos pela forma racional do desconto. pelo emprego do desconto por fora.

e a taxa que devia ser praticada para respeitar os 25% seria 20%. Os descontos racional e bancário podem ter uma representação geométrica em simultâneo de maneira muito interessante e esclarecedora. para o prazo de um ano e uma taxa de mercado de 25%.2%. Para um prazo de seis meses estes números converter-seiam respectivamente em 28% e 22. sendo o desconto por dentro exactamente representado pelos segmentos AB para o caso de n=1/i e CD para o caso de n=1. segmentos que se obtêm mediante os seguintes traçados e relações geométricas: Para o tempo n=1 EF CE CD OC OF GH AG AB OA = Desconto por fora = EF = Desconto por dentro = Capital nominal = Capital nominal + desconto por fora = Desconto por fora = GH = Desconto por dentro = Capital nominal OG = Capital nominal + Desconto por fora Página 50 .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Por exemplo. como segue: H B D F 0 A C E G Triângulo tracejado (OEF)  Tempo=1 ano Triângulo contínuo (OGH)  Tempo=1/i Para quaisquer valores dados do capital nominal (C). da taxa de juro (i) e do tempo (n). a taxa real praticada no desconto bancário é 33.3%. os descontos por dentro e por fora são representáveis através de um triângulo rectângulo cuja base é a soma do capital nominal com o desconto por fora e cuja altura é o valor deste desconto.

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Neste caso têm-se as seguintes relações particulares: OA = AG = Capital nominal = Desconto por fora AB = ½ GH (Desconto por dentro metade do por fora) Convertendo esta representação geométrica em linguagem algébrica obtém-se o seguinte desenvolvimento: 1  in C  Cin EF OE EF CD Desconto por fora Cin = = Cin = = = = = 1 C Desconto por dentro CD OC OE OC 1  in o que comprova a exactidão da representação geométrica. O progressivo e rápido afastamento entre o desconto racional e o desconto bancário à medida que o tempo avança torna-se bastante sensível nesta representação geométrica. o processo de cálculo e de adição parte do vencimento final para o momento inicial ou actual. também o desconto composto é uma soma de descontos simples calculados em cada período. no desconto composto. Na capitalização composta. e assim sucessivamente em Página 51 . Valor Actual E Desconto Em Juro Composto Assim como o processo de capitalização composta consiste. na soma progressiva de capitalizações simples período a período. o novo capital (V1) é descontado para o valor (V2) no tempo (n-2). como se viu. 2. o processo de cálculo e de adição sucessiva parte do momento inicial (zero) para o momento final (n). Considere-se o diagrama: V=Vn 0 Vn-1 1 Vn-2 2 V2 n-2 V1 n-1 C n O capital (C) é descontado um ano para o valor (V1) no tempo (n-1).

Se o processo algébrico descrito conduziu a este esperado resultado. tem-se sucessivamente: V1 = C-E1 = CCi C = 1 i 1 i C i V 1 = C .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO movimento retroactivo até finalmente se descontar o valor (Vn-1) no tempo (1) para o valor (Vn) no tempo inicial.= 1 i 2 C (1 i) C 3 Vn = Vn-1-En = Vn-1 - V n 1 i 1 i = .1 i i = C V2 = V1-E2 = V11 i 1 i 1 i 1 i C Ci (1 i) 2 = C (1 i ) (1 i) 2 - Ci (1 i) 2 = (1 i) V3 = V2-E3 = V2 - 2 V i = .. Traduzindo em linguagem algébrica este processo. vem: Página 52 .... isto é: E=E1+E2+E3+.+En = E k 1 n k substituindo valores. também é óbvio que o desconto total composto no prazo (0-n) é igual ao somatório dos descontos simples em cada período unitário.= (1 i) n V= C (1 i) n que é a equação do montante acumulado resolvida em ordem ao valor actual... sendo este valor descontado final o valor actual (V) do capital (C).

..+Vn-1) 1 i 1 i = Ci i C + ( + 1 i 1 i 1 i C (1 i) 2 + C (1 i) n 1 ) = C Ci C C (1+ + ) 2 + 1 i 1  i (1 i ) (1 i ) n 1 Como o desenvolvimento dentro do parêntesis é a soma dos termos de uma progressão geométrica decrescente de razão 1 1 ... claro está. à mesma fórmula: E=C-V =C- C (1 i) n =C     n  (1 i)    1 Página 53 .+ V n 1 1 i 1 i 1 i 1 i = Ci i + (V1+V2+.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO E= i Ci V 1 i V 2 i + + +. tem-se de modo simplificado: 1 i 1 E= Ci x 1 i (1 i) 1 n n 1 x 1 (1  i ) 1 1 i (1  i ) i Ci = (1  i ) x (1 i)  1 x (1 i) n e finalmente: E=C (1 i)  1 = C  1     (1 i)  (1 i)   n n n que é a fórmula do desconto composto racional ou real sob as duas formas em que pode ser representado. Directamente a partir da própria definição de desconto se chega.

Mas embora assim seja. mas fazendo incidir agora o juro sobre o capital nominal conforme a técnica do desconto por fora. em paralelo com os símbolos (E) para o desconto racional e o símbolo (D) para o desconto irracional. de futuro.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Em capitalização composta não existe o problema o desconto por dentro e do desconto por fora que se põe na prática do desconto comercial ou bancário. Seja um capital (c) a descontar ou resgatar (n) anos antes do seu vencimento à taxa anual (i). bancário ou comercial. não deixa de ter interesse técnico desenvolver a fórmula que seria de um desconto composto do tipo bancário e que é tão irracional como o desconto por fora em capitalização simples. O desconto praticado em juros compostos é sempre o desconto racional obtido pelo processo lógico e em coerência com as leis basilares do cálculo financeiro: E =C-C (1 i) n que é uma terceira maneira de apresentar a fórmula.. será reservado o símbolo algébrico (V) para o valor racional e adoptado o símbolo (B) para o valor irracional.= C(1-i)n V= C(1-i)n que é a fórmula do valor actual composto irracional. tem-se sucessivamente: V1 =C-Ci =C(1-i) V2 =V1-V1i =C(1-i)-C(1-i)i =C(1-i) (1-i) = C(1-i)2 Vn =Vn-1-Vn-1i =. os valores actuais racional e irracional. Da fórmula acima tira-se a fórmula do desconto bancário: D = C-B = C-C(1+i)n = C 1  (1i)  n  Página 54 . Para distinguir.. Procedendo da maneira seguida atrás para o desconto racional.

Desconto Bancário Na Prática. Página 55 . Este inclui mais dois dias úteis de «tolerância» (Artº 38º da Lei Uniforme) e se o dia de vencimento caiu num domingo ou feriado será adicionado mais um dia. as fórmulas das taxas real (  ) e nominal (i) em função uma da outra são:  = i 1 i i=  1  ou seja. Da fórmula do montante acumulado a juro contínuo extraem-se directamente as fórmulas do valor actual contínuo e do desconto composto contínuo. Fórmulas Derivadas Com A Inserção De Encargos Devidos Além Do Juro Como se viu. e que essas taxas são as mesmas da capitalização a juro simples para o tempo unitário. Significa isto que. i=0 E. portanto. incluindo em geral as seguintes deduções ao valor facial (nominal) dos efeitos comerciais descontados: 1) Prémio de desconto a uma taxa de juro em regra variável consoante o prazo da operação. respectivamente: V= C n e =Ce  n E = c(1-e  n ) 3. O encargo total com a operação do desconto não se limita ao débito do juro. em capitalização composta.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO A taxa real a que o desconto bancário é efectuado em equivalência com o desconto racional obtém-se igualando os respectivos valores actuais: V=Cx 1 1 n = C(1-i)n = B e derivadamente (1+  )n (1-i)n = 1 (1+  ) (1-i)=1 1+  -i. precisamente as mesmas relações encontradas para os descontos racional e bancário na capitalização a juro simples. i=1   -i. o desconto é efectuado pelos bancos aplicando a técnica do desconto por fora. quando o tempo é unitário: n=1. as taxas real e nominal são sempre equivalentes para qualquer duração do processo de desconto.

h = Tempo que falta para o vencimento do título (período compreendido entre a data do desconto e a data do vencimento): 180 dias. telefone. 4) Imposto de selo. 3) Comissão de cobrança também incidente sobre o valor nominal do título.  = Comissão de cobrança: 2%0.. 5) Portes e outros serviços prestados.  = Imposto de selo: 3%. nem mais de .5%. mas nunca menos de .. Cobrança:  C  Imposto: (D+  C+  C)   Diversos:  (fixo) O desconto bancário total é pois: DB = (D+  C+  C) (1+  )+  h2  365 Página 56 . retido na fonte e aplicado sobre a soma das três alíneas precedentes.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO 2) Sobretaxa para o fundo de compensação incidente sobre o valor nominal do título e independentemente do prazo.  = Fundo de compensação: 0. As comissões de cobrança estão em regra sujeitas a valores mínimos e máximos fixados (x5. englobando correio.  = Encargos diversos (fixo): 50. h+2 = Prazo com a tolerância: 182 dias tem-se sucessivamente:  Desconto por fora: D = C  Fundo Compensação:  C  C.  = Prémio de desconto (taxa de juro): 28%.. e que constituem um encargo fixo por cada título ou por um dado conjunto de títulos. telegramas ou outros.. Consideremos os seguintes símbolos e valores correntes: C = Valor nominal do título. e agravada com um prémio de transferência quando o local do pagamento é diferente do local de desconto (ou praça).).

962 x 2 = 32.213 CAPÍTULO 4: EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS DIFERIDOS Página 57 .152 O custo desta operação oferece as seguintes taxas específicas:  Taxa nominal (aparente) de desconto  Taxa real do desconto  Custo total efectivo 28% ao ano  = 13. o desconto bancário completo e o correspondente valor líquido do desconto são: DB = 100. 365 Com os valores exemplificativos acima apresentados.038 19.002 + 0.213 em que os componentes são: Prémio de desconto: Cobrança: Compensação: Imposto: Diversos: TOTAL 13.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO =C( e o valor líquido do desconto é: (h  2)  +  +  ) (1+  )+  365 VB = C( (h  2)  +  +  ) (1+  ).03 + 50 365 DB = 19.787 x 2 = 49.962 200 500 440 50 ______ 15.28 + 0.4% 80.05) x 1.787 VB = C .000( 182 x 0.5% aa 86.DB = 80.

as somas dos valores de dois conjuntos de capitais ou obrigações. E esses capitais serão equivalentes numa certa data se. Mas apenas para estudo. dois capitais (C1) e (C2). O Problema Geral Da Equivalência De Capitais: Equações De Valor. Quando a data focal é procurada para equilibrar um conjunto de capitais com um dado capital único. ou futura. portanto. 1. designa-se por vencimento comum. A data focal de equivalência pode ser presente (actual). Equações De Valor Em Juro Simples Fazendo o desconto racional para efeito de actualização. e os capitais que se refiram a datas posteriores à data focal terão de ser actualizados para esta. Este momento de equivalência dos capitais designa-se por data de avaliação ou data focal. nesse momento se igualarem os seus valores actuais. Para efeitos de análise.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO 1. constitui um objectivo constante na resolução de problemas financeiros como de económicos. pois na prática pode perfeitamente haver equivalência entre um conjunto de capitais a juro simples e um outro a juro composto. Generalizando. realizáveis respectivamente nos tempos (n1) e (n2) à taxa de juro (i). substituir financeiramente. Uma equação de valor é estabelecida quando fazemos serem iguais numa certa data de avaliação ou comparação. ou de equilíbrio. temos de considerar separadamente as equações de valor em regime de juro simples e de regime de juro composto. O valor das somas iguais de dois conjuntos na data focal diz-se o capital comum. Os capitais de cada conjunto que se reportem a datas anteriores à data focal terão de ser capitalizados para essa data. O encontro ou estabelecimento de equações de valor. nesse momento. que é o capital único que nessa data equivale aos conjuntos e os pode. Capital Comum E Vencimento Comum Diz-se que dois ou mais capitais são diferidos quando são realizáveis em datas diferentes. são equivalentes se os seus valores actuais se igualarem: (C1/1+in1) = (C2/1+in2) = V e operando com o desconto bancário tem-se: C1(1-in1) = C2(1-in2) = B Página 58 . diremos que dois conjuntos de capitais são equivalentes numa certa data de avaliação quando. forem iguais as somas dos valores actuais dos capitais que formam cada conjunto.1. passada.

Página 59 . os seus montantes futuros serão equivalentes se: C1(1+in1) = C2(1+in2) = M Generalizadamente com dois conjuntos de capitais. não são equivalentes em outra data qualquer. a equação do meio acima pode escrever-se: A=  C -i  C k 1 k k 1 t t k nk =  Bh -i  Bh nh h 1 h 1 m m Se os dois conjuntos de capitais contiverem itens anteriores.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Se os mesmos capitais se reportam ao momento actual. que são equivalentes numa data. coincidentes e posteriores ao momento focal. Para exprimir esta realidade. tem-se sucessivamente: C  1 i t k 1 k n = k  1 B in m h h 1 =V h  Ck (1-ink) = k 1 t B h 1 m h (1-inh) = A C k 1 t k (1+ink) = B h 1 m h (1+inh) = M Tratando-se da actualização pelo desconto bancário. diz-se que o «juro simples não é cindível ou não é seccionável». em capitalização simples. dois conjuntos diferentes de capitais. a equação de valor terá a seguinte forma (sendo a actualização pelo desconto racional):   Ck (1+ink) +   C’r +  1Ci''  n s z s Bh (1+inh) + B’w + B  1  i'' n z Verificar-se-á que.

A equação de valor escreve-se: C (1  i ) n (1+i) + s B (1  i ) m (1+i) = M s M = C(1+i)s-n + B(1+i)s-m podendo estar (s) compreendido entre (m) e (n). Verificar-se-á que. ou ser maior que ambos.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO 1.2. Esta realidade exprime-se dizendo que o juro composto é cindível ou é seccionável. Porém. coincidente. As equações gerais de valor apresentam as seguintes formas: C k 1 t n (1+i) k k = B h1 m n (1+i) h h =M para montantes acumulados num ponto focal futuro  k 1 t C k (1  i ) = n k  h 1 m C h (1  i ) nh =V para uma igualdade de valores actuais. ser menor que ambos. terá o seguinte aspecto: C n k (1+i) k +  C’r +  C' ' s (1  i ) ns = B n h (1+i) h +  B’W +  B' ' z (1  i ) nz Exemplifiquemos com um caso muito frequente: uma obrigação de valor (C) é devida dentro de (n) anos. Página 60 . Equações de Valor em Juro Composto Deve operar-se sempre com o desconto racional para efeito de actualização. é conveniente ilustrar desde já com exemplos estas realidades. e posterior ao momento focal. em capitalização composta dois conjuntos de capitais equivalentes numa determinada data focal continuam a ser equivalentes em qualquer outra data de avaliação anterior ou posterior àquela. e uma outra (B) é devida dentro de (m) anos. Pretende-se substituir estas duas obrigações por uma única (M) liquidar no fim de (s) anos. A demonstração da cindibilidade da capitalização composta e da não cindibilidade da capitalização simples é feita na parte dos apêndices deste compêndio. A equação de valor que iguala numa determinada data focal dois conjuntos de valores com itens de vencimento anterior.

24 x 0. calcular o valor equivalente no momento actual.26) 1 0.24 1 0.5) + 1 0.5)+3.24x0.24)+2.000 devidos hoje 2.25x0. Página 61 3.000 (1+0.5)(1+0.000 (1  0.25x0.000 (1+0.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Exemplo 1 À taxa de avaliação de 24% aa em juro simples.5)+2.057 (2º) Avaliação a 6 meses V6 (1+0.000 devidos em 6 meses com juro acrescido de 25% aa 3.000 (1+0.26) 2.000 (1+0.022 (3º) Avaliação a 12 meses V12 (1+0.24 .25x 0.24x0.081 Todos os valores (VV) são diferentes porque o juro simples não é cindível.5 V0 = 6.000 + 3.5)+ V6 = 6.24)=1.000 (1  0.000 devidos em 12 meses com juro acrescido de 26%aa (1º) Avaliação no momento actual: 1  in 1  in ) + C( ) 1  in 1  in V0 = C + C( V0 = 1.26) V12 = 6.000 (1+0.5) = 1.24x0.000 (1  0. dentro de seis meses e dentro de um ano das seguintes obrigações: 1.

24)+2.056 (2º) Avaliação a 6 meses V6 (1+0.26) 0 . porque o juro composto é cindível: capitalizando e actualizando para pontos focais quaisquer mantém-se inalterável a equivalência de valores.24) = 1.000(1+0.5 V6 = 6.26) (1  0.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Exemplo 2 A mesma questão resolvida no domínio do juro composto (1º) Avaliação no momento actual: V0 = 1.24) = 29.5 + 3.000(1+0.000(1+0.25) (1  0.5 Página 62 .000+ 2.24) 0. Exemplo 3 Seja o capital de 10.000(1+0.000(1  0.25) 0 .000(1+0.24) 0 .26) (1  0.5 (1+0.000 que é capitalizado a juros compostos durante 5 anos à taxa de 24%aa.000(1  0. esta constância de equivalência resulta da propriedades da função exponencial de que a função linear não goza.24) 0 .24) +3.25) V12 = 6. Como pode ser visto na demonstração em apêndice.5 + 2.000(1  0.5 = 1.5 0 .5 + 3.24) V0 = 6.000(1+0.24 ) 0 .316 5 0 . O montante acumulado é: M = 10.056 Todos os valores (VV) são agora iguais.056 (3º) Avaliação a 12 meses V12 (1+0.

ou de operação que modifique os pontos focais rompe o equilíbrio precedente.V2 = 15.316 (1+0.V1 = 29. passando a haver novas equivalências. V = 29.316(1+0. Mas se seccionarmos pela forma operada com o juro composto. se utilizarmos o regime de juro simples.791 = 8.376 (1+0.376 = 10. como é lógico.24) 2 ou seja o capital inicial cujo retorno se esperava. qualquer forma de cisão.791 (1+0.000 (1+0.200 M2 = 17.000 Isto é.000 V = 22. os resultados alteramse: V1 = 22. e descontarmos em duas etapas.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Se actualizarmos cinco anos este novo capital obtém-se o capital primitivo. temos sucessivamente: 1º etapa .24x5) = 22.24x3) V2 = 12.000 Se seccionarmos os cinco anos em dois períodos de três e dois anos. todos os cálculos anteriores são correspondentemente os seguintes: M = 10. não havendo cisão.000 = V 2º etapa .24x2) = 25.643 < V Página 63 . O que teria a 1 1 = 12.24x3) = 17.24x2) V2  V E se capitalizarmos em duas etapas: M1 = 10.000 (1+0.24) = 10.000 (1+0.000 (1+0.456 > M M2  M Isto é.24x5) 1 = 10. Porém. recai-se no capital primitivo como é lógico.200 (1+0.24) 3 5 = 15.

3.. uma taxa de juro a aplicar.. ou um conjunto de capitais a outro conjunto....+Ck . e a nova ou novas datas de liquidação. 2.2.2. Este capital comum resulta das equações:  Em juro simples com desconto racional C C C C 1 2 k = + + ..1. a resolução deste problema prático consiste sempre em estabelecer uma adequada equação de valor..Ckink donde Página 64 . Para esse efeito. Quando o caso é substituir um conjunto de obrigações por uma única obrigação. Portanto.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO aparência de ser financeiramente lógico não acontece matematicamente com o juro simples.) devem ser substituídos por um único capital (C) com vencimento no prazo (n).+ = 1  in 1  in 1  in 1  in 1 2 k  C k 1  in k  Em juro simples com desconto bancário C(1-in) = c1(1-in1) + C2(1-in2) + . Substituição ou Reforma de Efeitos Comerciais.3. Casos Particulares De Equivalência Financeira 2...C2in2 + .C1in1 + C2 . caise no problema de achar o capital comum com o respectivo vencimento comum: vários Ck (k=1. igualando um só capital a um conjunto de capitais.. as partes intervenientes devem concordar sobre a estrutura do novo conjunto. com vencimentos respectivamente nk (k=1.+ ck(1-ink) =C1 .).. Vencimento Médio Na vida comercial surge constantemente a necessidade ou o interesse de substituir um conjunto de obrigações ou capitais por outro conjunto financeiramente equivalente.. Esta é mais uma particularidade que leva alguns autores a afirmar que o regime de juro composto (e consequentemente o desconto composto) constitui o verdadeiro sistema racional do cálculo financeiro.

. o cálculo da taxa de juro única só pode ser feito por tentativas práticas.. mas pode ser o (n) ou mesmo o (i). Neste caso particular o vencimento comum toma a designação de vencimento médio (ou prazo médio).. Mas se as taxas dos capitais (Ck) forem diferentes de (i) e sejam evidentemente dadas. sendo apenas implícita a evidência de que o capital comum (C) deve ser maior que qualquer dos capitais do conjunto (em condições normais de taxas de juro). .+Ck o que é uma hipótese única entre a infinidade de hipóteses admissíveis. Com esta hipótese. Mas põe-se o caso particular de se desejar que o capital comum e os vários capitais que lhe sejam equivalentes tenham valores nominais iguais. por ser o regime Página 65 . assim como na do juro composto. o seguinte desenvolvimento conduz a uma fórmula mais simplificada e com uma implicação de interesse (o que é importante.. nenhuma alteração algébrica é viável na fórmula do juro simples com desconto racional. para os quais se procura uma condição de equivalência..CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO C(1-in) =  Em juro composto C(1+i) n  Ck(1-ink) = C1(1+i) = n1 +C2(1+i) Ck(1+i) n2 +.. No caso do juro simples com desconto bancário. ou seja: C = C1+C2+.. a incógnita é vulgarmente o (C).+Ck(1+i)  nk   nk Neste caso. então o cálculo da taxa (i) para o capital único pode ser calculada algebricamente mesmo em juro composto: C(1+i) (1+i) n =  Ck(1+i) C  nk n =  C (1 i ) k k n k i= C n  C (1  i k n -1 ) k k Em todas as fórmulas desenvolvidas foi pressuposto que os capitais (C). (c1). Na situação do juro composto. (Ck) são capitais diferentes e diferidos.

E agora também se vê porque se chama a (n) vencimento médio: é.000x1. 15.12 1.000x1.12 3. logo C .5 = 0.000x1.12  n' = 10. Desde logo. pelo que a única incógnita de interesse que resta achar é o vencimento comum .681. mas  Ck = C. 75 +20. Em regime de juro composto também assume interesse particular a hipótese de um capital comum igualar a soma dos capitais produzindo juro.12 +15.000 dentro de três anos e meio sendo o juro de 12% aa 45. o valor do capital único passa a ser um dado conhecido (C=  Ck). com efeito.297522 Página 66 .Cin = C . Exemplificando.i  Cknk.5 = 34.000 dentro de um ano e nove meses 20.5 = 34. prazo médio da operação ponderado com os capitais.Cin =  Ck .000 n' 1.000x1. Tem-se: C . calcule-se o vencimento (prazo) médio das seguintes obrigações: 10.que passa a ser o vencimento ou prazo médio.12  n' 1 1.000 dentro de um ano. no caso particular de ser (C=  Ck) tanto o capital comum como o vencimento comum (vencimento médio) são totalmente independentes da taxa de juro.i  Cknk Cn =  Cknk C= C n k k n n= C n C k k k = C n k k n isto é.681.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO de juro simples com desconto bancário aquele que oferece mais aplicação na prática no tocante ao problema da substituição de efeitos comerciais).7707 45.12 = 1.

000x1.35  2anos 4 meses 6 dias Se for C  C1+C2+.2 10.+ )= 1  in 1  in 1  in 1  in 1 2 k T  C 1 = 1  in 1  in k  Em juro simples com desconto bancário Página 67 . Ora a hipótese de os capitais serem de igual valor é a mais corrente. ou existir entre eles uma relação que permita exprimir todos do segundo ao último em função do primeiro (variando em progressão aritmética. Posto isto.Ck) são as incógnitas.3  2 anos 3 meses 18dias n’ = 2.. consideremos agora o problema ao invés.000x1  15. as equações que fornecem o valor de (T) apresentam-se como segue  Em juro simples com desconto racional T( C 1 1 1 + +..000 então n = 2.75  20...297522 = 2. em progressão geométrica. A este problema chama-se desdobramento de um capital ou efeito...CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO n= E agora a fórmula prática: n’ = log 1..=Ck = T Assim.35 45.+Ck os valores (n) e (n’) afastam-se com o aumento da diferença e com o agravamento da taxa de juro. A fórmula é intuitiva e empírica. ou cada um ser um múltiplo do primeiro capital). .. C2. ou seja substituir uma única obrigação por um conjunto de obrigações.3 log 1.000x3.5 = 2. É óbvio que as equações antes desenvolvidas permanecem imutáveis: apenas sucede que o capital único (C) passa a ser um dado e os capitais (C1. Mas logo se torna de igual modo óbvio que o problema só tem solução prática possível no caso particular de os capitais desdobrados serem todos do mesmo valor.. sendo portanto: C1 = C2 = .

. Este tipo de problema pode ser resolvido com a regra de MERCHANT. para a liquidação de dívidas comerciais com relativamente reduzido número de pagamentos. os compromissos financeiros são liquidados atravésde uma série de pagamentos parciais (ou prestações) ao longo do prazo contratual. No entanto.. pela qual é estabelecida uma equação de valor com a data de avaliação coincidente com a data de vencimento. (1  in )  = C(1-in)    1 2 k  T (k-i  n ) = C(1-in) k T= k i n C (1  in ) k  Em juro composto C (1+i) n = T (1  i )  (1  i ) 1   n n 2 .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO T (1  in ) (1  in ).(1  i ) k    T= C  (1  i ) n n k b) Pagamentos parciais variáveis Com frequência.. As fórmulas de resolução do problema foram já apresentadas para essa hipótese... A importância final em dívida é a diferença entre o montante acumulado da dívida original e a soma dos pagamentos parciais antes efectuados. é também muito corrente o caso de pagamentos variáveis com intervalos variáveis de tempo. Tal questão é equivalente ao problema do desdobramento de uma obrigação num conjunto de obrigações parciais.. (1  i ) nn n k    C = T (1  i )   nn 1 (1  i ) nn 2 . Página 68 . O juro é calculado sobre a dívida original e sobre cada pagamento parcial até à data do vencimento. em vez de por um pagamento único no vencimento desse prazo.

Para o nosso exemplo numérico é como se segue: Descrição Débito original Juros de 15% (12 meses) Soma Primeiro pagamento Juros de 7 meses x 60. Tem-se 200. O devedor paga 60...15 x ) + X 12 12 X = 81.000 Segundo pagamento Juros de 3 meses x 80.000 no fim de 5 meses e 80.000 Soma Saldo em dívida Valores 200.000 no fim de 7 meses.000 5.750 Uma equação genérica será: nn nn nn A (1+i) = T (1+i 1 1 n ) + T (1+i 2 2 n ) + . e o saldo no vencimento.0 (1+0.000 (1+0.000 no fim de nove meses.000 230.000 3.15 x 7 3 ) + 80. costuma fazer-se os cálculos numa disposição vertical.000 30.000 148.000 60. O devedor paga 40. Exemplo com juros simples Uma obrigação de 200.000 com juros de 15% aa vence-se dentro de 20 meses.750 230.000 no fim de 12 meses.000 Exemplo com juros compostos Uma obrigação de 200.000 (1+0.000 no fim de 16 meses.000 com juros de 15% aa vence-se dentro de um ano.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Portanto.15) = 60. Achar o valor deste último pagamento. Para calcular com anos é preciso primeiro transformar os meses em anos equivalentes: Página 69 . 70.+ T (1+i k k n )X No comércio.250 81. o problema central destes casos é achar o saldo final a pagar na data do vencimento após ter sido efectuada uma série de pagamentos parciais. 50. Achar o saldo devedor (último pagamento) na data do vencimento.250 80.

000 3.460 Com os mesmos símbolos adoptados para o exemplo a juro simples.000 Terceiro pagamento Juros de 4 meses x 70.540 50.700 Numa tabulação vertical tem-se: Descrição Débito original Juros de 15% (20 meses) Soma Primeiro pagamento Juros de 13 meses x 40.6667 anos O tempo a decorrer entre cada pagamento e o vencimento final é o seguinte: Para 7 meses  1.460 40.000 6.15) 1.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO 7 meses  7/12 = 0.6667 = 8 meses Para 16 meses  0..882 70. 0833 +50000(1+0.700 252.+ T (1+i) k k +X Página 70 .15) 0.000 Soma Saldo em dívida Valores 200.460 252.760 77. 6667 =40000(1+0.3333 anos 20 meses  20/12 = 1.000 Segundo pagamento Juros de 8 meses x 50. 6667 +70000(1+0..000 52.5833 anos 12 meses  = 1 ano 16 meses  16/12 = 1.15) 1. 3334 +X X = 77.000 4.338 174.0833 = 13 meses Para 12 meses  0.15) 0.3334 = 4 meses Para 20 meses  0 = 0 meses Então tem-se: 200000(1+0. pode-se estabelecer para o juro composto a seguinte equação de valor genérica: A(1+i) =T (1+i) 1 n n n 1 nn + T (1+i) 2 2 nn + .

.625 160.500 7. Taxa Média De um Conjunto De Capitais Dado um conjunto de capitais C1.130 3... .15 )-X = 0 12 12 12 X = 83. Ck...CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Apenas para o juro simples e um reduzido número de pagamentos. a diferença aplicase para reduzir o débito. . então o pagamento permanece sem juros até que outros parciais sejam efectuados e a sua soma exceda o juro devido no momento do último dos pagamentos parciais.500 60. i2.130 No habitual desenvolvimento vertical os cálculos são como se segue: DESCRIÇÂO Débito original Juros de 5 meses Dívida após 5 meses 1º pagamento Sub-total Juros de 4 meses Dívida após 9 meses 2º pagamento Sub-total Juros de 3 meses Dívida após 12 meses Último pagamento VALOR 200.000 80. No caso de um pagamento exceder o juro então devido.005 83..000 152. o juro é calculado sistematicamente sobre o saldo por liquidar da dívida após cada pagamento parcial efectuado.. ou «fórmula do capital em dívida».125 3. o problema em causa pode ser resolvido por uma outra regra designada de «juro sobre o saldo devedor». Se o pagamento é menor que o juro devido.000 12.. . Por esta regra.130 83. C2. n2.000(1+0. ik designa-se por taxa média desse conjunto à Página 71 .500 212.000| (1+0.125 80.000}(1+0. nk às taxas de juro respectivamente i1. aplicados durante os prazos n1. Tomando os dados do exemplo com juros simples ilustrativo da regra de MERCHANT a fórmula do capital em dívida para a regra do juro sobre o saldo devedor desenvolve-se assim: {|200.15 )-80.15 5 4 3 )-60..

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO taxa (i) que substituindo para cada capital as suas taxas i1.+Ck(1+ink) Desembaraçando de parêntesis e tomando os somatórios obtém-se:  C + C i n h 1 h h 1 k k = h h h  C + C i n h 1 h h 1 h k k h ou seja C i n h 1 k h h h = iC n h 1 h k h donde se vê que a equivalência dos valores acumulados se reduz à equivalência entre os juros.. Este problema de achar uma taxa única que substitua (k) taxas distintas produzindo o mesmo resultado financeiro tem soluções específicas para a capitalização simples e composta. ik produz o mesmo capital comum no mesmo momento comum. portanto: C i n i= h 1 k h h h C n h 1 h h que é a média ponderada das (k) taxas distintas...... A taxa média ponderada é.+Ck(1+iknk) = C1(1+in1)+C2(1+in2)+. i2.+C (1+i ) = C (1+i) +C (1+i) +.. ... Em Capitalização Composta A equação de equivalência é agora : n 1 1 C (1+i ) +C (1+i ) +.+C (1+i) 2 2 k k 1 2 k 1 n 2 n k n 1 n 2 n k Página 72 . Em Capitalização Simples: A equação de equivalência é: C1(1+i1n1)+C2(1+i2n2)+..

i    operando e consolidando todos os somatórios obtém-se:  C (1  i h 1 h k h )   C  i  C n i h k k k 2 C n (n  1) k k k 2 i 3 C n (n  1)(n  2) k k k k 6 .. pelo menos.. a via algébrica a seguir exposta fornece um resultado perfeitamente aceitável para a maioria dos casos práticos. a resolução desta equação em ordem à variável (i) só poderá ser feita por tentativas ou recorrendo a métodos não algébricos de solução de equações não lineares.. O segundo membro. o qual se calcula.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO ou sinteticamente  C (1  i ) h 1 h h k nh = C h 1 k (1  i ) h h Como é sabido.. ou. Os sucessivos termos do somatório com a taxa média (i) podem escrever-se pelo desenvolvimento binomial: n C (1+i ) 1 1 1 n ( n  1) 2  n  1 1  n i  1 1 =C i .em todos os termos de potência 2 superior a (i ) .i  2 1  1    n (n  1) 2  n  2 = C 1  n i  2 2 i .  i n k O primeiro membro é o montante comum..a média ponderada das (k) taxas como se fosse um cálculo em juro simples Página 73 ..i  2  2 2    n C (1+i ) 2 2 2 n C (1+i ) k 3 k = C 1  n i  k    n (n  1) k k k 2 n  2 k i . Sem dúvida. um valor tão próximo que um valor mais correcto e definitivamente aceitável poderá ser alcançado numa segunda tentativa.. toma-se para valor de (i) ..

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO i= h k1 C i n h h h C n h 1 h h e com este valor calculam-se todos os termos em i .12 1 2 1 2 1 = 24 = 90 C i n = 600 x 0. Um exemplo ilustrará este processo: C = 200 1 3 4 k i = 12% 1 n =1 1 C = 300 2 i = 15% 2 n =2 2 C = 400 3 i = 20% 3 n =3 3 C = 500 4 i = 22% 4 n =4 4 Então teremos: C (1+i ) 1 1 2 = 200 x 1. i ..20 = 691 3 3 4 C (1+i ) = 500 x 1..15 = 397 2 2 3 C (1+i ) = 400 x 1.12 = 224 C (1+i ) = 300 x 1. com uma equação de segundo grau em (i).15 2 Página 74 . E é a taxa procurada. a qual se solucionava. finalmente. .22 = 1108 4 4 2420 C n = 200 x 1 1 2 3 4 1 = 200 = 600 = 1200 = 2000 4000 C n = 300 x 2 2 3 4 C n = 400 x 3 C n = 500 x 4 C i n = 200 x 0.. i Fica-se.

85% 4000 O desenvolvimento binomial dos termos em (i) é: C (1+i) = C + C i 1 2 1 1 2 C (1+i) = C + 2 C i + C i 2 3 2 2 2 2 3 C (1+i) = C + 3 C i + 3 C i + i 3 4 3 3 3 2 3 4 C (1+i) = C + 4 C i + 6C i + 4C i + i 4 4 4 4 4 Substituindo as incógnitas pelos valores obtém-se: C (1+i) = 200 + 200i 1 C (1+i) = 300 + 600i + 300i 2 3 2 2 C (1+i) = 400 + 1200i +1200i + i 3 4 2 2 3 C (1+i) = 500 + 2000i + 3000i + 2000i + i 4 3 4 A soma dos termos em (i ) e (i ) i + 2000i + i = 0.1985 + 2001 x 0.22 4 A média ponderada das taxas é: _ i = C n i C n k k k k k = 794 = 19.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO C i n = 1200 x 0.651374 4 3 3 4 3 3 4 Página 75 .1985 = 15.20 3 4 3 4 3 = 240 = 440 794 C i n = 2000 x 0.

2 3 4 II PARTE .6514 = 2420 ou 4500i + 4000i .20345 2 x 45 90 90 90 2 2 2 2 Ensaiando: 200 x 1.20345 + 400 x 1. Página 76 . achou-se o vencimento comum para um dado capital único equivalente a um conjunto de capitais.31  40  3400 i= = = = = 0. pois. e vencíveis em diferentes épocas entre si distanciadas por quaisquer intervalos de tempo. de 20.20345 + 500 x 1.31 18.10 = 0 Donde:  40  40  1800  40  58. subordinados a taxas de juro variáveis.345%.RENDAS CERTAS CAPÍTULO 5: CONCEITOS E ANÁLISE GERAL 1.35 = 0 E dividindo por 100: 45i + 40i . E viu-se como calcular o capital comum dum conjunto de capitais numa data focal. A taxa média do conjunto de capitais em causa é. foi tratado o caso geral de conjuntos de capitais quaisquer.1004. Definições E Classificação Das Rendas No estudo das equações de valor traduzíveis da equivalência de capitais.20345 + 300 x 1.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO E a equação de 2ª grau em (i) vem: 4500i + 4000i + 1400 + 15.20345 = =241 + 434 +697 + 1048 = 2420 ou seja o mesmo valor do montante comum exacto.

análise e avaliação dos fenómenos económicos ou por qualquer forma ligados à vivência humana.. as quais não ponderam as seguintes questões de fundo: i) o caracter naturalmente periódico das séries ou sucessões cronológicas resultantes da observação.são necessários para enquadrar a estrutura geral duma renda qualquer: R . designa-se por termo k da renda ao valor de cada uma das quantias R . Trata-se de opiniões extremistas.ou o tempo actual(tempo zero) ou o tempo final (vencimento do capital extremo). Não obstante. R que formam a sucessão com vencimentos k 1 2 n periódicos (símbolo que se passará a usar aqui especificamente em vez do símbolo C ). também consideram como rendas sucessões de capitais não equidistantes. E outros há que deixam de chamar rendas a sucessões de capitais quaisquer. e o capital comum é calculado essencialmente em dois momentos . . Existem autores que.com os correspondentes símbolos algébricos . ii) a circunstância inevitável de serem de valor inconstante e portanto de sucessão irregular as medidas periodicamente tomadas daqueles mesmos fenómenos. as condições básicas da existência duma renda. registo. conforme o seguinte esquema geral: C 1 C 2 C 3 C n2 C n1 C n ----------|--------|--------|---------------|--------|--------| 0 1 2 3 n-2 n-1 n A equidistância dos capitais em sucessão e a constância do juro são.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Uma renda é um caso particular dum conjunto de capitais. assim. a primeira por excesso e a segunda por defeito. em que os vencimentos são periódicos e equidistantes. apenas o sendo no domínio da actividade económica em que as rendas são utilizadas como instrumento analítico. R . 1 2 n Página 77 .. R . a taxa de juro é única.. . Certamente por analogia com qualquer sucessão numérica.Cada um dos valores R . R . As seguintes definições . chamando-lhes “rendas não periódicas”. no domínio prático também os capitais não são quaisquer nas operações financeiras correntes.. e para cuja análise e mensuração as rendas constituem um instrumento científico adequado. ainda que vencíveis periodicamente e sujeitos a um mesmo regime de taxa de juro. em total generalização.

S . É o valor (S) que ficou definido. n .quando é apenas destinada a fazer a mera remuneração de um capital utilizado por terceiros. iv) Renda de Remuneração . depósito. Também o mesmo valor (A) traduz este tipo de renda. reembolso. Serviço duma renda é a produção da sua constituição efectiva através dos termos. definida em consonância com a periodicidade da renda. as rendas podem ser consideradas sob os seguintes aspectos e critérios: 1.Taxa de juro efectiva. A . mas significando tão somente o valor actual do capital que produz os rendimentos simples estipulados.Período da renda.1. Também se chama renda de colocação. o somatório dos valores acumulados de todos os termos capitalizados até ao final dos (n) períodos. pagamento. É o mesmo valor (A) atrás referido. ou prazo.Valor actual da renda . custo ou rendimento.quando é destinada a avaliar. ou da mensalidade devida pelo aluguer de bens-de-capital (sem haver transferência do título de propriedade). assim os termos podem designar-se como prestação. ou a operar a gradual extinção ou depreciação de um capital ou bem-de-capital. iii) Renda de Avaliação . ou seja o intervalo de tempo constante entre cada dois termos consecutivos. quantidade que também define o número de termos ou de períodos. ou da prestação dum serviço.quando é destinada a constituir um certo capital no final de um determinado prazo em que esse capital terá uma utilização programada. ou seja. É o valor (A) definido anteriormente.quando é destinada a fazer o serviço do juro e do reembolso dum empréstimo. desembolso.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Conforme a natureza das operações que estejam associadas às rendas. Com respeito a classificação. definir ou quantificar/medir a rendibilidade dum certo capityal ou investimento económico. p . ii) Renda de Amortização . o somatório dos valores actuais no momento zero de todos os termos da renda descontados para o início dos (n) períodos. Quanto ao Objectivo da Constituição i) Renda de Capitalização .Duração total da renda. Página 78 . É o caso do juro simples produzido em cada período de capitalização. aplicação ou acumulação. ou seja.Valor acumulado da renda. i .

apontando portanto para o juro composto. 1. 1. o que significa uma duração infinita ou indefinida (em cálculo financeiro um tempo infinito deve ser interpretado como um tempo indefinido ou indeterminado). mas quando o são .se o número de termos é ilimitado.se o número de termos é limitado. nunca devem ser utilizadas rendas em regime de juro simples.5. ou rendas de amortização (em sentido lato).4. ou não seguir nenhuma lei (o que acontece em geral com os fluxos de valores económicos). Página 79 .quando os termos forem vencíveis no início de cada período (alguns autores chamam-lhes rendas adiantadas. o que traduz uma duração finita.estas rendas são excepcionalmente utilizadas.3.são as rendas normalmente constituídas. ii) Rendas a Juro Simples . 1.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO As rendas de amortização (em sentido estrito).. Para longos prazos.particularmente para os (n) pagamentos em vendas a prestações tanto se aplicam em prazos inferiores a um ano. Quanto ao Valor dos Termos i) Rendas Constantes .=R=R).2. Também se dizem rendas de termos constantes e são a larga maioria das rendas que surgem na prática das operações financeiras. ii) Rendas Perpétuas . Quanto ao Número dos Termos ou Duração i) Rendas Temporárias . a médio ou longo prazos. aliás com propriedade)..quando o valor de todos os termos é constante (R=R=. como nos médios prazos (até um máximo de cinco anos) a que tais operações se realizam. avaliação e remuneração formam o conjunto das rendas de actualização. podendo a variação de valor obedecer a uma dada lei (o que é o caso em operações financeiras). Quanto ao Regime de Capitalização do Processo de Constituição da Renda i) Rendas a Juro Composto . 1. ii) Rendas Variáveis .quando os termos têm valores diferentes. Quanto ao Vencimento dos Termos em Cada Período i) Rendas Antecipadas (de termos antecipados) . tanto mais que as operações envolvidas são. em regra.

Assim. 1. o valor actual da renda. O momento inicial pode coincidir ou não com o momento zero.aquelas em que o momento inicial do primeiro período do serviço da renda coincide com o momento zero. ou da constituição propriamente dita. desde a data zero inicial de constituição do fundo. O momento final pode coincidir ou não com o fim do período de serviço nas rendas de capitalização e deverá sempre coincidir nas rendas de actualização. É esse o caso natural de todas as rendas de actualização e nas rendas de capitalização. ou ainda. Quanto ao Início do Serviço ou Época de Liquidação i) Numa renda qualquer podem ser encontrados quatro momentos relevantes e cruciais:  O momento zero da operação ou contrato. ou reportado. Normalmente.quando os termos forem vencíveis no fim de cada período a que correspondem. particularmente um momento anterior ao início do período correspondente ao primeiro termo do serviço. mas pode ser outro qualquer em que convenha avaliar a renda.  Rendas Diferidas .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO ii) Rendas Postecipadas (de termos postecipados) . no qual esta se considera definitivamente liquidada e extinta. e em que necessariamente começa a contagem dos juros à taxa fixada e com o regime de capitalização convencionado. no qual fica implícita a obrigação de constituir a renda. podem definir-se:  Rendas Imediatas . as rendas postecipadas são correntemente designadas por rendas normais ou ordinárias.  O momento focal. para as rendas de capitalização. apenas as de acumulação através de depósitos em dinheiro são naturalmente antecipadas. Posto isto. quando a liquidação do seu fundo acumulado até ao fim do último Página 80 . o momento inicial do primeiro período de serviço apenas ocorre a partir do momento inicial de um certo período de ordem (k) posterior ao momento zero. para as rendas de amortização. ou aquele a que é referido.  O momento final do último período da renda. devendo também o momento final do último período do serviço coincidir com o momento final de liquidação da renda no caso das rendas de capitalização. quer nas rendas de capitalização quer nas de actualização.aquelas em que.  O momento inicial do primeiro período do serviço da renda.6. O momento focal é em regra coincidente com os tempos inicial ou final. as rendas são de termos postecipados.

1. 2.8. número e valor dos termos. (II). diferidas de actualização antecipadas ou postecipadas.aquelas em que um ou mais elementos da renda dependem de algum factor aleatório com uma certa probabilidade de ocorrência. diferidas de capitalização também antecipadas ou postecipadas.7.se são diferentes os períodos da renda e da taxa de juro (acontecendo mais normalmente que o período da taxa é maior que o período da renda). ii) Rendas Fraccionadas .se saõ coincidentes os períodos da renda (do termo) e da taxa de juro. São as rendas de que se ocupa o Cálculo Actuarial.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO período do serviço apenas ocorre no fim de um certo tempo (k) posterior a este momento. (III) e (IV) seguintes contêm respectivamente os esquemas das rendas imediatas postecipadas.| S 0 P 1 Período 2 … K K+1 n-2 n-1 n ii) Rendas Imediatas Antecipadas R i R R R R R R Página 81 . 1. Os diagramas cronológicos (I).aquelas em que estão perfeitamente definidos todos os elementos da renda: prazo da renda. imediatas antecipadas. Quanto à Relação Entre os Períodos da Renda e da Taxa de Juro i) Rendas Inteiras .-|------|-^-^-^-^-^-|------|-^-^-^-^-^-|------|---. Estas são as rendas de que se ocupa o Cálculo Financeiro. Diagramas Cronológicos Das Rendas i) Rendas Imediatas Postecipadas R i R R R R R R A |---. ii) Rendas Contigentes . Quanto à Dependência de Factores Aleatórios Externos i) Rendas Certas .

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO A |---. Equações Gerais Das Rendas Ordinárias Através de uma análise evolutiva duma conta corrente a juros compostos – na hipótese de uma taxa de juro invariável e de uma periodicidade constante para os pagamentos envolvidos na relação devedor/credor – chegou-se à equação geral de valor: (1  i) n  1 SR  A (1  i) n i Página 82 .-|------|-^-^-^-^-^-|------|-^-^-^-^-^-|------|------| S 0 P 1 Período 2 … K K+1 … n-2 n-1 n iii) Rendas Diferidas com Processo de Actualização R R  Diferimento do serviço  R R R R R R A |<-----|------|-^-^-^-^-^-|------.---|---------.---|-^-^-^-^-^-|------.-----|-------| S 0 P 1 2 Serviço … n-2 n-1 n 0 n+1 1 n+k-2 n+k-1 n+k … k-2 k-1 k 3.| S 0 P 1 2 … K __________\/______________0 Diferimento K+1 1 … K+n-2 n-2 K+n-1 n-1 n K+n iv) Rendas Diferidas com Processo de Capitalização R R i R R R R R R R R  Diferimento da liquidação  A |<-----|----------|-^-^-^-^-^-|--------|--------|---------|-^-^-^-^-^-|--.

. não são mais do que um caso particular das equações gerais de equivalência financeira. vê-se claramente que as equações das rendas..  (1  i) 1  (1  i) n A  R  (1  i)  h h 1 A  R (1  i)1  (1  i)2  .. Então: Página 83 . os conceitos e definições desenvolvidos no parágrafo introdutório precedente. e em ser constante.  (1  i) 1   (1  i ) n  1 S R i S  R  (1  i) n  h k 1 n  R  (1  i) h  S h0 n 1 Renda de Amortização – somatório dos valores actuais dos termos constantes (R)... (1  i)( n 1)  (1  i) n   Nesta altura. a taxa de juro que governa o processo de rentabilização dos capitais envolvidos. daquela equação geral se deduzem directamente as formulas dessas rendas tal como foram definidas: Renda de Capitalização – somatório dos valores acumulados dos termos constantes (R): S  R (1  i)n 1  (1  i)n  2  . agora. Considerando. em que se procura um capital comum com um vencimento comum para substituir um conjunto de capitais com prazos de vencimento diferentes e eventualmente taxas de juro também diversas. Com efeito. Sendo S  A (1  i) n n  A S (1  i) n  A R (1  i) n 1  (1  i) n  2  .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO em que (S) é o somatório dos valores acumulados dos pagamentos (R) feitos pelo devedor ao longo do tempo (n).. A particularidade nas equações das rendas consiste em ser constante o período de tempo que medeia entre os sucessivos vencimentos de capitais. quando consideradas sob a forma de somatórios. verifica-se que a equação de valor acima constitue precisamente a equação geral das rendas ordinárias imediatas de capitalização e de amortização. com o objectivo de liquidar o capital (A) vencendo juros à taxa (i) a favor do credor. explícita ou implicitamente.

além de proporcionar uma generalização teórica mais completa. todos os valores são capiatalizados até esse momento futuro. no fundo. vencíveis em momentos equidistantes no tempo e sujeitos a uma determinada taxa de juro. É que estas rendas são. ou no caso de se querer liquidar a renda. num certo vencimento comum. e está-se perante uma renda de capitalização: S  R  (1  i) n  h h 1 n ou S   Rh (1  i) n  h h 1 n Respectivamente para termos constantes e termos variáveis. e está-se perante uma renda de amortização: A  R  (1  i)  h h 1 n ou A   Rh (1  i)  h h 1 n Respectivamente para os termos constantes e termos variáveis. de um conjunto. de valores em sucessão. salvo quando relacionada com rendas diferidas. Quando o momento focal de avaliação coincide com o final da duração total (n) do processo.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Renda é o capital comum. Na verdade. uma avaliação duma renda imediata para àquem ou para além dos limites do prazo de serviço da renda. seja o seguinte diagrama de uma renda de amortização: Diferimento 0 1 2 x-1 x k-1 Data Focal k 0 k+1 Início dos Pagamentos 1 Serviço n-2 k+n-1 n-1 k+n n k+n-2 Página 84 . De modo que uma mudança de momento focal dentro do prazo de diferimento pode ter interesse. limitado ou supostamente ilimitado. A focalização num momento qualquer intermédio no tempo total (0-n) não oferece utilidade prática. Quando o momento focal de avaliação coincide com o tempo zero – tempo actual – todos os valores são actualizados para o presente.

para àquem do diferimento. tem-se sucessivamente: A  R (1  i ) x  k  (1  i) h h 1 n  R (1  i ) k  n  k  (1  i) h h 1 n  R  (1  i ) n  h h 1 n  S fórmula da renda ordinária de capitalização. cai-se na renda de amortização ordinária. Se agora se fizer x = k+n.1) dos vencimentos das rendas é o período (k. é também obviamente visível que se terá de capitalizar (1+i)x o valor da renda de amortização. Seja uma renda de amortização de duração (k+n). E com k = 0 por acréscimo. uma avaliação no limite da duração. Página 85 . k+1) da sua duração total (k+n). O primeiro período (0.k) – e o serviço na fase final – prazo (k. com um diferimento (k) e termos com vencimentos dentro do período subsequente (n). k+n). no tempo de diferimento. do valor normal da renda: A  (1  i )  k R h 1 n h (1  i )  h Se mudarmos as datas focais naturais (0) e (n) daquelas rendas para o momento (x) situado algures no tempo de diferimento. O seu valor é: A  R (1  i )  k (1  i ) x  (1  i )  h h 1 n Para x = 0 cai-se na renda de amortização diferida. ou seja: S  (1  i ) k R h 1 n h (1  i ) n  h E que o valor actual duma renda de amortização diferida deve ser o valor actualizado. do valor normal da renda. A renda é avalizada na data focal (x). isto é. e de descontar (1+i) -x o valor da renda de capitalização. É facilmente visível através da simples observação do diagrama que o valor acumulado duma renda de capitalização diferida tem de ser o montante acumulado.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Neste esquema de rendas diferidas o diferimento ocorre na fase inicial – prazo (0.

Inversamente. com diferimento (k) e avaliação no ponto focal (x) é: S  R (1  i ) (1  i ) k x  (1  i) h 1 n n h sendo então x = k+n tem-se S  R (1  i ) k (1  i ) ( k  n ) n  (1  i) h 1 n h n n h S  R (1  i ) n n  (1  i) h 1 S  R  (1  i ) h  A h 1 Além de intuitivamente lógicas. Na verdade. pois que da equação geral das rendas (1  i) n  1 SR  A (1  i) n i se deduz imediatamente que a renda de capitalização é o valor acumulado da renda de amortização A S  S (1  i )  n n (1  i ) Feita esta análise absolutamente geral e em interligação com a problemática da equivalência financeira de capitais. Página 86 .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Quer dizer. Toda a análise será desenvolvida dentro do domínio do juro composto (ou juro contínuo) em que as rendas naturalmente se colocam. estas conclusões não devem surpreender. fazendo a avaliação duma renda de capitalização no início da sua duração . vai-se proceder ao estudo em profundidade de cada um dos tipos de renda que se apresentam na prática corrente do cálculo financeiro. a fórmula da renda de capitalização diferida.em vez de no seu ponto focal natural extremo – cai-se numa renda de amortização. avaliando uma renda de amortização no termo da sua duração total – em vez de ser no seu ponto focal natural (0) – cai-se numa renda de capitalização.

Equações Estruturais Normais n   S   Rh (1  i ) n  h  A (1  i ) n   h 1   ( Para termos var iáveis )       n   h  S (1  i )  n   A   Rh (1  i ) h 1     (1  i ) n  1 SR  A  (1  i ) n   i    Para temos cons tan tes      n n   (1  i )  1 1  (1  i ) R  S (1  i )  n  A  R i i (1  i ) n   II – Rendas de Capitalização (Termos variáveis. Rendas de Capitalização Página 87 . diferimento k e avaliação no ponto focal x) A  (1  i ) x  k R h 1 n h (1  i )  h CAPÍTULO 6: RENDAS INTEIRAS DE TERMOS CONSTANTES 1.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO 4. Síntese Das Equações Gerais Das Rendas I . diferimento k e avaliação no ponto focal x) S  (1  i ) k  x R h 1 n h (1  i ) n  h III – Rendas de Amortização (Termos variáveis.

CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Conforme foi dito. em vez da letra (S) isolada usa-se especificamente o símbolo Sn . ou a criação de novos produtos ou de um novo ramo de actividade. Por vezes. O símbolo algébrico básico (S) é enrequecido com outras notações que. assim como se desenvolvem as suas principais fórmulas estruturais e derivadas. as rendas de capitalização têm uma aplicação frequente na gestão financeira. talvez. apenas será considerado o caso das rendas certas de periodicidade constante. ou fraccionamento do período de pagamento e/ou do período de capitalização. Contudo. são exemplos relevantes entre muitos outros para a constituição de capitais futuros a partir de poupanças do presente. Na vida prática não é necessariamente através de aplicações ou depósitos de valor constante e com periodicidade certa que se opera sempre a acumulação de fundos com vista a um objectivo futuro. têm a maior utilidade na construção formal dos cálculos financeiro e actuarial. Sendo uma renda de termos antecipados. a importância das suas aplicações práticas. as rendas de capitalização são destinadas a constituir um determinado capital no fim de um tempo dado. A aquisição de novos equipamentos. como as que indicam diferimento da renda. i i A seu tempo serão referidas outras notações complementares. Seguidamente apresenta-se a simbologia específica das rendas de capitalização. Em cálculo financeiro. ou a substituição de equipamentos obsoletos. A importância teórica das rendas de capitalização no cálculo financeiro excede. o qual indica tratar-se de uma renda de capitalização temporária de duração (n) e termos postecipados. O valor acumulado de um termo qualquer de ordem (h) é. Para já. como progressivamente se verá. o símbolo passa a ser Sn| . Deste modo são na realidade uma forma de investimento. seja com o objectivo de criar reservas técnicas apropriadas para fazer face no futuro a aplicações programadas. como já se sabe Página 88 . convém especificar no símbolo da renda qual a taxa de juro (i) aplicável e então o símbolo mais completo escreve-se Sn | ou S n | . por definição R (1+i) nh Sendo o valor de uma renda postecipada. seja com vista a acumular fundos para aplicação específica futura. porém.

A relação entre o valor da renda unitária e da renda geral para um termo qualquer (R) é: Sn = R sn Se a renda de capitalização for antecipada.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO Sn  R  (1  i )n h  R (1  i )n 1  (1  i )n 2  . no fim de cada período.. e então a primeira colocação capitaliza durante (n) períodos. que é o termo constante períodico da renda de capitalização. i O valor de sn é sempre positivo e superior à unidade ( sn >1). as novas formulas serão: sn  (1  i ) n  1 i . E o símbolo s n significa o mesmo. a uma certa taxa de juro composto. a qual é o valor acumulado de capital unitário colocado durante (n) períodos.  1 h 1 n   somamdo a progressão geométrica dentro do parentesis recto (1  i ) n  1 Sn  R i resolvendo em ordem a (R): R Si (1  i ) n  1 se na formula de (S) fizermos R=1 e na formula de (R) fizermos S=1. mas à taxa de juro específica (i).. é sempre inferior à unidade ( 1/ sn < 1). O valor inverso de sn . a Página 89 . a colocação de cada termo ocorre no início de cada período. R i (1  i ) n  1 = 1 sn O (s) minúsculo em oposição ao (S) maiúsculo antes usado traduz a renda unitária de capitalização.

. e para k=0 cai-se em S n . E para a renda geral será. O somatório destes valores capitalizados é pois: sn  (1  i ) n  (1  i ) n 1  . a renda antecipada acresce a capitalização de um período acumulado pela renda postecipada. o que é lógico. permanecendo o montante acumulado em aplicação por mais (k) períodos. obviamente: Sn  (1  i ) S n  R sn  R (1  i ) sn Se uma renda de capitalização não for liquidada no final da sua duração.  (1  i ) 2  (1  i ) (1  i ) n (1  i )  (1  i ) (1  i ) n 1  (1  i )  (1  i )  1 i sn  (1  i ) (1  i ) n 1  (1  i ) sn i = Isto é.. capitalizando a penúltima colocação durante dois períodos e a última durante um período. e assim sucessivamente.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO segunda durante (n-1) períodos. Se na fórmula de sn for feito o desenvolvimento binomial do seu factor exponencial obtém-se sn  (1  i ) n  1 i Página 90 . a renda terá uma liquidação diferida e o seu novo montante no fim do prazo dilatado (n+k) será: S n  R (1  i ) k sn  (1  i ) k S n k O símbolo completo para a renda de capitalização com liquidação diferida é: Sn k Fazendo k=1 cai-se em S n .

em vez de (1  i) h ..  ni n 1  i n   1 1  ni  1 x 2 i  1x 2 x3  =  i = n n (n  1) n (n  1) (n  2) 2 i i  ..  i n 1 1x 2 1x 2 x 3 Embora sem interesse prático para cálculo.. permitem achar o valor duma renda cujo prazo caia fora do limite da tábua financeira que esteja a ser utilizada no cálculo. Com efeito: sn  sh  k  (1  i ) h k  1 i (1  i ) h (1  i ) k  (1  i ) h  (1  i ) h  1 i (1  i ) h (1  i ) k  (1  i ) h (1  i ) h  1  i i sh  k  (1  i ) h s k  sh Se acima se houvesse utilizado o artifício algébrico de somar e subtrair ao numerador da fracção (1  i) k . ter-se-ia chegado à formula sh  k  (1  i ) k s h  sk Estas duas fórmulas agora derivadas são designadas por fórmulas de extensão e têm grande aplicação prática e teórica. Em particular.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO   n (n  1) 2 n (n  1) (n  2) 3 i  .. Das relações acima tira-se uma fórmula peculiar da taxa de juro num processo de capitalização por renda: ih sh  k  sh sk 1 Página 91 . pode ser calculado o valor de sn em função de (h) e (k). esta fórmula pode ser utilizada com vantagem em comparações ou demonstrações teóricas. Se for desdobrado o prazo (n) duma renda em duas parcelas (h) e (k).

Mas elas têm na vida financeira – e em economia – uma aplicação mais generalizada que lhes concede uma utilidade prática incomensurável.CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO ih sh  k  sk sh 1 Se se fizer (k) negativo e sendo h>k. a fazer o serviço do juro e do reembolso de empréstimos. ao invés das rendas de capitalização. Se por mera hipótese se considerar h<k. como se disse já. Assim. Sejam h=10. as rendas de amortização ou actualização são principalmente destinadas. a Página 92 .14456 2. k=20 e i=10% s10  20  s10  1. e isso não tem evidentemente nenhum sentido como o confirma o próprio valor também negativo obtido para a renda. a renda terá uma duração negativa. constituindo não só a base da teoria dos empréstimos ordinários e por obrigações.1010 a20   6. a fórmula de extensão vem: sh k  (1  i ) h k  1 (1  i ) h (1  i )  k  1 (1  i ) h (1  i )  k  (1  i ) h  (1  i ) h  1   i i i (1  i ) k  1 (1  i ) h  1 (1  i ) h  1 1  (1  i ) k    (1  i ) h  i i i i  (1  i ) h  (1  i ) h  1 (1  i ) k  1  (1  i ) h i i (1  i ) k e finalmente sh k  sh  (1  i ) h a k em que a k é a renda unitária de amortização (à semelhança de sk ). como também da teoria da depreciação económica e da avaliação financeira de investimentos. Rendas De Amortização / Actualização Sem dúvida as de maior importância entre todas.

mas para uma certa taxa de juro (I) e não uma taxa qualquer. tanto mais que se introduzem profundamente nos domínios da teoria económica. An i . An . por definição. Sendo o valor da renda o somatório Página 93 . o símbolo algébrico básico (A) é complementado com as notações consagradas: An .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO importância teórica das rendas de amortização no cálculo financeiro é equivalente. R (1  i )  h . E dizendo renda unitária de actualização. An i os dois primeiros para a renda de amortização temporária de duração (n). A simbologia específica e as principais fórmulas estruturais e derivadas das rendas de amortização são desenvolvidas seguidamente: Em paralelo com as rendas de capitalização. an i . mas pode ser a n 1 O valor actual de um termo qualquer de ordem (h) é. A relação entre o valor da renda unitária e da renda geral para um termo qualquer (R) é: An  R a n O valor de a n é sempre superior a zero. o somatório dos valores actuais de pagamentos unitários feitos no final de cada período durante (n) períodos com juro devidos à taxa (i). esta é o somatório dos valores actuais dum fluxo de rendimentos unitários auferidos no final de cada período durante (n) períodos. an i A renda unitária de amortização a n i é. an . se não excedida pela importância das suas aplicações práticas. a uma certa taxa de juro ou rendimento (i). pois. e os dois últimos símbolos respectivamente para as rendas anteriores. de termos postecipados a primeira e de termos antecipados a segunda. Com R=1 têm-se as rendas unitárias de amortização em que o (A) maiúsculo é substituído pelo (a) minúsculo e os símbolos são: an .

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n

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An  R  (1  i ) h  R (1  i ) 1  (1  i ) 2  ...  (1  i )  n
h 1

somando a progressão geométrica decrescente contida no parentesis recto temos:
An  R 1  (1  i )  n i

multiplicando ambos os termos da fracção por (1  i) n :
An  R (1  i ) n  1 i (1  i ) n

que é a fórmula já conhecida que resultou da equação geral das rendas.

Estas duas fórmulas equivalentes são indistintamente usadas para o cálculo da renda. No entanto, conforme se verá, há situações em que, para outros fins, é preferível ou necessário usar uma e não a outra. De qualquer delas se tira o valor de (R) em função de (A):
Ai (1  i ) n (1  i ) n  1

R

Ai 1  (1  i )  n

para A=1 tem-se:
i R 1  (1  i )  n  i (1  i ) n  (1  i ) n  1 1 an

Assim, o valor inverso de a n é o termo constante periódico da anuidade unitária de amortização, valor que é superior à unidade para sempre A=1. Sendo a renda de amortização de termo antecipado, os pagamentos (ou recebimentos) ocorrem no início de cada período, acontecendo então que o primeiro pagamento, tendo lugar no próprio momento zero (0) do processo, fica desde logo actualizado, sendo os sucessivos termos actualizados por tempos que vão desde um período para o segundo termo até (n-1) períodos para o nmo termo, ou seja:
a n  1 e inferior para a n  1 , sendo

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a n  1  (1  i ) 1  (1  i ) 2  ...  (1  i )  ( n 1)
1 : 1 i

somando esta progressão geométrica decrescente de razão
1  (1  i )  ( n 1) (1  i ) 1 1 1 1 i

an 

(1  i )  (1  i )  n (1  i ) i

an 

1  (1  i )  n (1  i ) )  (1  i ) a n i

Isto é, tal como na renda de capitalização, a renda antecipada de amortização acresce a capitalização de um período ao valor actualizado pela renda postecipada. Se for desdobrado o prazo (n) duma renda em duas parcelas (h) e (k), o valor de a n em função de (h) e (k) vem (com os artifícios algébricos já utilizados para a renda de capitalização):
ah  k  1  (1  i )  ( h  k ) i

1  (1  i )  h  (1  i )  h  (1  i )  ( h  k ) i 1  (1  i )  h 1  (1  i )  k  (1  i )  h i i a h  k  a h  (1  i )  h a k

E idêntico artifício de somar e subtrair ao numerador da fracção (1  i )  k em vez de (1  i )  h conduz a:
ah  k  (1  i )  k ah  ak

Também destas fórmulas de extensão se tira uma fórmula da taxa de juro quando incógnita num processo de amortização por renda:

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ih

ak ah  k  ah

1 

ah
k

ah  k  ak

1

Fazendo (k) negativo e sendo h>k, a fórmula de extensão vem:
ah  k 1  (1  i )  ( h k ) 1  (1  i )  h  (1  i )  h  (1  i )  h (1  i )  k   i i

k k 1  (1  i ) h  h 1  (1  i )  h (1  i )  1   (1  i )  a h  (1  i ) i i i

a h  k  a h  (1  i ) h sk

Para h<k, a renda não tem qualquer sentido em cálculo financeiro. Se o serviço duma renda de amortização tiver início no k mo período após o momento zero do processo de contagem de juros (a data do começo da operação ou do contrato), a renda terá uma constituição diferida; e o seu valor actual para o novo prazo de liquidação dilatado (n+k) será:
/ An  R (1  i )  k a n  (1  i )  k An

k

O símbolo completo para a renda de amortização diferida é:
k

/ An

Fazendo k=0 cai-se, obviamente, na renda imediata postecipada An ou cair-se-ia na renda antecipada A n se também fosse antecipada a n . Mas para K = 1, a renda continua a ser diferida, tendo o serviço início no segundo período dela. Fazendo na fórmula de a n o desenvolvimento do factor exponencial pela fórmula do binómio tem-se:
an  1  (1  i )  n i

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no sentido inverso de (i) quando (n) permanece constante. 3. esta capital (A) é igual à soma dos valores actuais desses pagamentos sucessivos.    2 n 1 (1  i ) (1  i ) n  1  i (1  i ) Esta maneira de desenvolver é designada pela fórmula dos valores actuais. Análise Da Função An A mesma fórmula de An pode escrever-se assim:  1 1 1 1  An  R    . na busca de um processo correcto do cálculo da taxa de juro (i) quando incógnita que. tais desenvolvimentos tiveram aplicação mais relevante.. Inserir gráficos No primeiro gráfico. No gráfico da direita. se i = 0 o valor de (n) anuidades é evidentemente n * R. o valor de zero anuidades é evidentemente (0)... 1x2 1x 2 x3 1x 2 x3x 4 Este desenvolvimento binomial de a n tem interesse paralelo ao de s n . 1x 2 1x 2 x3   an  i an  n  n (n  1) n (n  1) (n  2) 2 n (n  1) (n  2) (n  3) 3 i i  i  .. sobretudo. ...CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO   n ( n  1) 2 n ( n  1) (n  2) 3 1  1  ni  i  i  . e exprime que se um capital (A) é reembolsado exactamente com os seus juros através de (n) pagamentos (R) espaçados periódicamente. como se verá. o primeiro dos quais é efectuado um período inteiro após o empréstimo de capital (A). passa a R 1 i para uma anuidade. e quando (i) cresce. Constata-se imediatamente que (A) varia: .e no mesmo sentido de (n) se (i) permanece constante. Foi. o valor de (n) anuidades diminui até se anular para i =  . e depois cresce sempre cada vez mais lentamente até ao valor Página 97 .

Página 98 . do juro que renderia a colocação do capital (A). à taxa (i). pois assíntota à paralela ao eixo do tempo no ponto interpretado em termos de cálculo financeiro – nos conduz à fórmula do juro simples R = Ai. Este limite calcula-se imediatamente com a fórmula básica: i 1 1 R (1  i ) n lim An  R  A  .CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA MULTIMÉDIA CÁLCULO FINANCEIRO limite R para n =  . n  i i R . sendo. o que – i A curva é. portanto. a renda (R) cobrável no fim de cada período o valor.

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