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TEORIA

DEGREDISTA

DEGREDISMO BARRENSE NAS ARTES

Degredismo é o conjunto de idéias expressadas por literatos que vivem longe de sua terra natal e através da literatura tentam preencher o vazio deixado pelas reminiscências do passado. A Literatura Barrense é literatura de uma identidade poética dos poetas para uma poesia de desterro, muitas vezes desterrados sobre o tempo, defronte ao próprio habitat humano, no sentimento de agir no tempo/espaço, manipulando-o como fosse laborioso trabalho poético, transformando e sendo transformado; a Literatura da terra dos intelectuais é uma poesia nativa, nascida no leito da terra dos poetas e solidificada nas vivências de nossa gente. Uma literatura de livre expressão e criação. Não me convence a adoração ao objeto como forma de criação, mesmo existindo, mas sim uma literatura sem correntes regionais a se expor ou convenções literárias ou atreladas a uma elite acadêmica. Antes a forma que a norma, no sentido moral. Antes o conteúdo que a forma, no sentido estético. É uma literatura fragmentária com o mundo e com as estruturas, e deveras lógica como o corpo. Uma literatura humilde que atua no entendimento das verdades absolutas. É uma literatura humana e universal. É uma literatura do concreto e da terra, dos edifícios e das matas, dos homens e dos não- homens. Uma literatura do povo para o povo e que fala do povo. É uma literatura dos espíritos livres. Sem grilhões, sem cadeados; sem chaves, sem ferrolhos ou dobradiças. A literatura barrense é degredada como forma de liberdade. Na construção da poesia do novo poema da terra do Marataoan. Primeiro passo na construção universal.

A poesia da vontade, como reveladora das verdades e não- verdades. Não é à poesia pela poesia. Mas por outra poesia. Além da ação estática da poesia oficial. A literatura Barrense é para os recitais revolucionários. Das origens aos nossos dias como forma de forjar um novo verbo. Como herança e influências históricas dos poetas barrenses, no combate pela inserção da poesia da terra dos governadores contemporânea no movimento estadual e até nacional. Um simples artigo que não pretende ficar parado frente à estática ação oficial e artificial da Academia de Letras do Vale do Longá. Que não se contenta com a posição de desconhecido. Com a posição de espectador. Somos contra a manifesta poesia das elites regionais e poetas estatais e financiados pelo ego-egocêntrico capitaneado. Somos Contra a Academia de Letras que forja mecanismos de ação e se limita a não-ação. Somos contra os poetas sem poesia que publicam livros e dão entrevistas ás custas dos próprios bolsos. Somos contra a atitude histórica de se criar deuses, criando homens, babaçuais, rio, carnaúbas, buritis, rapaduras como fossem deuses legítimos de um folclore artificial de poesia narcisista, poesia edipiana; coxa, pobre e magérrima. Pela exploração da contradição, pois assim se gera um fruto, que leva à reflexão. Pela literatura que vai ao encontro de Barras para incorporá-la e não para excluí-la do cenário piauiense. Uma literatura de ação popular, mas de certo, seus resultados são elitistas. Não queremos excluir elementos verdadeiros da cultura. Mas sim expulsar os elementos mentirosos e farsantes; os mistificadores. A literatura barrense que pede para nascer: “Deixem lacaios imortais, essa literatura-feto retardada e

lúcida com sua moral despontar rumo às pessoas no terreno cultural barrense e gemer em protesto”. Literatura Barrense que é manifestação cultural sem medo de ser feliz. A felicidade reside atrelada à existência. Ela já existe; é feliz desde os primórdios. A favor da poesia da dor. Pela literatura de movimento. Pela poesia da ação. Pela nova literatura dos barrenses, sem grilhões, sem rótulos, senão as próprias limitações do corpo. Literatura que avança abrindo o caminho. Um caminho estreito onde poucos investirão e como forma de se expressar a vontade de liberdade. Ninguém é realmente livre. Porém existem pessoas que induzem tal prisão a todos os aspectos da vida. Conformam-se num inespecífico jogo de palavras. Numa poesia que somente nos leva às origens de nossas algemas. Prevalecendo na conformidade dum período de facilidades. Então chega de entidades místicas/deuses gerais da poesia, chega de bruxaria poética, de primitivismos artificiais, da poesia do eterno amor/vício, da pieguice burocrática que saí nos jornais, de sílabas bem contadas e de biografias que são mais importantes que seus donos e que a poesia deles. Está gestando um movimento barrense; literatura de libertação da poesia barrense. Esse artigo é um fragmento de um bem maior, o amor a literatura barrense, cabe ao poetas julgar. Bem mais pretensioso. Libertação da literatura, da cultura e dos espíritos barrenses. Artigo epistolar; talvez de parágrafos incompletos; algum medíocre diria. Aqui não é necessário citar nomes, correntes e filosofias. Um artigo contra os poetas emudecidos do nosso povo, não contra a poesia. A literatura barrense clama dos babaçuais pelos ventos das carnaúbas e exalada nos buritis da

nossa terra. Poucos a merecem. Poucos a compreendem. Poucos a lêem. Artigo contra homens que nas suas auroras literárias não contemplam o que vemos e o que sentimos. Poesia que se sobressai às amarras do tempo e que sucumbe as areias das imperfeições filosóficas. Um artigo que visa romper com velhos paradigmas que de obsoletos enclausuram os enlaces de uma poesia da alma. Um capítulo novo no cenário literário de uma literatura além- academismo. A nossa ágora é a inquietação. É essa boca do inferno de amar, é o fiel poético que traduz e que transfigurar-se na literatura barrense.