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Assessoria de Comunicação e Imprensa - UNICAMP

Alimentos Superpoderosos
(Revista Galileu - Edição 165 - Abr/05 )

Você já cansou de ouvir falar que comer frutas, verduras e legumes


faz bem para a saúde. Mas sabia que entre todos esses alimentos
considerados saudáveis, alguns são ainda mais potentes, pois
contêm substâncias capazes de prevenir doenças? São os
chamados alimentos funcionais, definidos como "alimento
semelhante aos convencionais em aparência, que, além de
satisfazer os requerimentos nutricionais, produzem benefícios
específicos à saúde, à capacidade física e mental". Estão nessa
categoria diversos vegetais, como brócolis, tomate, cebola, uva e
maçã (veja quadros nas páginas seguintes).

Saber que eles contêm substâncias que, quando ingeridas


regularmente, podem reduzir o risco do desenvolvimento de
diversos problemas de saúde, como câncer, colesterol e pressão
alta, problemas intestinais, entre outros, pode ser um bom motivo
para incluí-los diariamente na dieta, e não somente quando você
resolve fazer regime. É justamente isso o que já estão fazendo 44%
dos consumidores brasileiros, que sempre escolhem seus alimentos
com base na relação que eles têm com a saúde. Segundo uma
pesquisa encomendada pela Solae Company e divulgada em
fevereiro, as principais razões pela busca de alimentos saudáveis
entre os brasileiros são a preocupação com o estado de saúde no
futuro e os benefícios diários que a alimentação correta pode
oferecer.

Pesquisa semelhante realizada nos Estados Unidos mostrou que


95% da população desse país acredita que os alimentos podem
trazer benefícios à saúde e ajudar a combater doenças
Por conta disso, é cada vez maior a atenção dada a essa classe de
alimentos capaz de prevenir doenças, tanto por parte dos
consumidores, como dos pesquisadores. Prova desse interesse é o
primeiro congresso da recém-criada Sociedade Brasileira de
Alimentos Funcionais (SBAF), que acontece neste mês de abril e
cujo objetivo é ajudar a promover e incentivar as pesquisas sobre
os benefícios dos alimentos à saúde. No local, serão apresentadas
diversas novidades sobre o tema. A preocupação com a qualidade
nutricional dos alimentos deve-se, sobretudo, aos avanços no
conhecimento dos cientistas sobre o papel da alimentação na
saúde, segundo a nutricionista Jocelem Salgado, presidente da
SBAF.

Linhaça Semente de girassol

Componentes: proteínas, fibras, ômega 6 e um potente


antioxidante e anticancerígeno chamado lignana.

Propriedades: as mais conhecidas são a regularização do


funcionamento do intestino, em especial no tratamento da prisão de
ventre e na revitalização da pele. Auxilia na coagulação sangüínea,
no metabolismo dos ácidos graxos, além de ativar o sistema
imunológico do organismo e reduzir a taxa de LDL-colesterol do
sangue. A linhaça fortalece unhas, dentes e ossos e torna a pele
mais saudável. Possui ação antioxidante e efeito terapêutico em
distúrbios do cólon, do sistema urinário, da próstata e em desordens
menstruais. Também é utilizada para o tratamento de infecções
(urinária, psoríase), distúrbios imunológicos (lúpus), alergias e
eczema, artrite reumatóide e aterosclerose. Auxilia no tratamento da
asma e do diabetes, e atenua a formação de radicais livres pelo
estresse. Componentes: ômega 6, vitamina B, fibras e cálcio.

Propriedades: diminui o risco de doenças cardíacas e câncer.


Recomenda-se o consumo de uma colher de sopa por dia.

Azeite de oliva
(extra virgem)

Componentes: antioxidantes fenólicos, vitaminas e gordura


monoinsaturada (que não afeta o colesterol). É a maior fonte natural
de ômega 9 (que ajuda a reduzir o colesterol total e LDL, além de
impedir a obstrução de artérias). Propriedades: auxilia na redução
do LDL, o colesterol ruim, e pode reduzir em até 40% o risco de
doenças cardíacas se usado no lugar de manteiga ou margarina.
Recomenda-se uma colher de sopa por dia.

Alguns pesquisadores já comparam o impacto que os alimentos


funcionais terão nas próximas décadas, ao que os alimentos light e
diet tiveram da década de 1990. "A frase dita por Hipócrates há
cerca de 2.500 anos, que resumidamente quer dizer 'faça do
alimento o seu medicamento', está recebendo interesse renovado.

Mais do que nunca, as pesquisas e os estudos estão mostrando o


quanto é importante o papel de certos alimentos na nossa vida.
Orientar as pessoas a comer adequadamente e em quantidades
certas tem sido uma constante em vários trabalhos científicos", diz
Jocelem. Ela ressalta que, atualmente, um dos principais fatores
relacionados ao aparecimento de doenças no organismo humano é
a alimentação, havendo uma estreita relação entre o que comemos
e a nossa saúde. "Além da relação com as doenças crônicas, como
problemas cardiovasculares, câncer, diabetes e obesidade, há
fortes evidências também do papel da dieta na melhora da
performance mental e física, no retardamento do processo de
envelhecimento e no fortalecimento do sistema imunológico",
completa.

Germes do bem

O mercado brasileiro deve ganhar ainda no primeiro semestre, um


novo tipo de alimento funcional, muito recente e ainda inexistente
no país , denominado simbiótico. Trata-se de uma linha de iogurtes
e bebidas lácteas de soja desenvolvida pela Unicamp.

Alimentos simbióticos são uma mistura de probióticos (classe de


microorganismos que fazem bem aos seres humanos, pois entre
outros benefícios fortalecem o sistema imunológico, produzem
vitaminas e substâncias anticancerígenas. Alimentos pró-bióticos
são aqueles que contêm esses microorganismos, como alguns tipos
de iogurtes e leites fermentados) e pré-bióticos (substâncias que
servem de alimentos para esses microorganismos. Essas
substâncias diminuem o colesterol, o triglicérides e melhoram o
funcionamento do intestino). "Os alimentos simbióticos, portanto,
multiplicam os efeitos dos pró e pré-bióticos e fazem com que a
pessoa se beneficie dessas propriedades com mais rapidez",
explica o professor Francisco Maugeri Filho, do Departamento de
Engenharia de Alimentos da Unicamp e coordenador do projeto.

A busca nos alimentos por componentes que poderiam reduzir os


riscos de várias doenças crônicas começou na década de 1970,
quando problemas como hipertensão arterial, câncer, obesidade e
doenças cardiovasculares - que estão direta ou indiretamente
relacionadas com o consumo de alimentos -tornaram-se motivo de
preocupação com a saúde pública nos países desenvolvidos. "Foi
nessa época que surgiram recomendações à população sobre a
importância da prática de uma alimentação com baixos teores de
gordura saturada e com maior consumo de hortaliças, frutas,
cereais integrais e leguminosas, com o objetivo de reduzir os riscos
dessas doenças", explica o nutrólogo Edson Credidio, diretor da
Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

O vilão virou mocinho

Depois de ser acusado de fazer mal para o coração, para a pressão


e aumentar a incidência de câncer, o café agora pode ganhar status
de alimento funcional. A bebida é uma das principais apostas da
ciência para combater esses e outros problemas, como depressão,
diabetes e pedra na vesícula.

As evidências são tão boas que o Instituto do Coração (Incor)


montou um grupo dedicado às pesquisas sobre os efeitos do café
na saúde. A Unidade Café e Coração irá analisar o efeito do café no
doente cardíaco e no diabético, além da influência da forma de
preparo nos componentes da bebida. "O café filtrado parece ter
mais efeito na diminuição da incidência de infarto do que o fervido",
explica o cardiologista Miguel Moretti, coordenador da Unidade Café
e Coração. Ele explica que o café contém somente 2% de cafeína,
que, quando consumida em doses moderadas (até 4 xícaras
médias por dia para adultos), possui propriedades antidepressivas
(é até usada no tratamento de dependentes de drogas). Além disso,
o café é composto por outras substâncias, cujas propriedades
funcionais estão sendo analisadas, como os ácidos clorogênicos
(proteção cardiovascular), sais minerais, como potássio e
magnésio, vitaminas do complexo B e açúcares.

Mas o termo alimento funcional surgiu no Japão, somente por volta


de 1980, quando o governo japonês iniciou um programa de
redução de custos de seguro saúde. Para diminuir as despesas
com medicamentos, foi implantado um programa denominado
Foshu (comida para uso específico de saúde, na sigla em inglês),
que consistia em avaliar quais alimentos teriam benefícios
comprovados à saúde da população, cumprindo funções
específicas no organismo.

Uva – Cenoura
Componentes: flavonóides, fibras, cálcio e reverastol (presente no
vinho tinto também e que possui propriedades anticancerígena e
protetora do coração).

Propriedades: anticoagulante, anticancerígena, reduz o colesterol e


antioxidante. Sugere-se a ingestão de 240 ml de vinho tinto e de
240 a 480 ml de suco de uva, ou um cacho da fruta por dia.
Componentes: uma das melhores fontes de betacaroteno. Pode ser
convertido em vitamina A, vitamina C e ferro.
Propriedades: fortalece o sistema imunológico. Recomenda-se o
consumo de 100 gramas por dia (ralada ou cozida).

Alho – Brócoli

Componentes: alicina, vitamina C, Selênio e Zinco. Propriedades:


estudos demonstraram que o consumo regular de alho fortalece o
sistema imunológico e reduz a incidência de tumores de estômago
e cólon. O alho também atua na prevenção de doenças
cardiovasculares, reduzindo a taxa de LDL (colesterol ruim) do
sangue e possui ação reguladora da pressão arterial.

Recentemente descobriram-se propriedades antibióticas no alho, o


que auxilia no combate à H. pylori (bactéria que causa gastrite).
Recomenda-se o consumo diário de um dente (cerca de 600 mg),
para a redução da pressão arterial e dos níveis de colesterol.
Componentes: glicosinato, um potente anticancerígeno, estimula os
genes que aumentam a produção de glutationa (antioxidante que
auxilia o fortalecimento do sistema imunológico), proteínas, cálcio,
vitamina C e ferro. Propriedades: age no organismo como
antiinflamatório, antibiótico, anticoagulante e analgésico. Além
disso, combate viroses, protege o fígado, reduz o colesterol,
combate a dor muscular; diminui a pressão arterial e previne o
câncer. Assim como outros alimentos da mesma família das
crucíferas (como couve-flor), o brócolis previne várias formas de
câncer, incluindo os de estômago, esôfago, pulmão, faringe, útero,
pâncreas e cólon. Recomenda-se o consumo de 100 gramas por
dia.

Entre elas, a melhoria dos mecanismos de defesa imunológicos,


prevenção ou tratamento de alguma doença ou disfunção, melhoria
das condições físicas e mentais, do estado geral de saúde e
retardamento do processo de envelhecimento orgânico. Nos
Estados Unidos, o conceito de alimentos funcionais passou a ser
difundido na década de 1990, quando o Instituto Nacional do
Câncer desse país deu início ao Programa de Alimentos Projetados,
para pesquisar os componentes de alimentos naturais que
apresentassem propriedades anticancerígenas. A partir de então, os
estudos ganharam impulso em praticamente todo o mundo.

Aveia – Tomate

Componentes: fibras insolúveis e solúveis (beta-d-glucanas),


fósforo, cálcio e carboidratos. Propriedades: alguns estudos têm
demonstrado a diminuição do LDL-colesterol. Há evidências de que
as beta-d-glucanas têm efeito protetor no desenvolvimento do
câncer de cólon e na diminuição da absorção da glicose em
diabéticos. Em 1997, o FDA (Food and Drug Administration)
aprovou uma nova regulamentação, permitindo que produtos de
aveia integral tragam em seus rótulos apelo de benefício à saúde,
relacionando seu consumo à redução do risco de doenças
cardíacas. O FDA concluiu que a beta-d-glucana é o componente
responsável pela diminuição do colesterol total e LDL no sangue em
dietas que contenham cerca de 3 g/dia de beta-d-glucanas
(equivalente ao consumo de 40 g de farelo de aveia e 60 g de
farinha de aveia). Componentes: rico em licopeno, substância
responsável pela coloração vermelha, que possui ação antioxidante
e está presente também em outras frutas vermelhas, como
melancia, goiaba e mamão papaia. O tomate cru tem alto teor de
vitaminas A, B e C.

Propriedades: o efeito antioxidante do licopeno reduz a presença


de radicais livres, protegendo as células da oxidação. Estudos
demonstraram que alimentos contendo licopeno reduzem o risco de
câncer intestinal, estomacal, da bexiga, do colo úterino, da pele e
dos pulmões. O licopeno também previne o surgimento de doenças
cardiovasculares, em especial aterosclerose, reduzindo o risco de
infarto.

Cebola – Repolho

Componentes: rica em quercetina (especialmente as roxas), um


poderoso antioxidante, um anticancerígeno chamado Alicina,
vitaminas A e C e cálcio. Propriedades: ajuda na regulação da
pressão e circulação sangüíneas, tem efeito anticoagulante e
aumenta o bom colesterol (HDL), que protege o coração. A
recomendação de consumo diário é de cerca de 100 gramas, na
comida. Componentes: ferro, magnésio, cálcio, vitamina C e
sulforafeno (um potente antioxidante). Propriedades: ajuda a
prevenir o câncer do aparelho digestivo e reduz o risco do
desenvolvimento de outros tumores em até 35%, além de eliminar
toxinas do organismo. Recomenda-se o consumo de uma xícara de
chá por dia (cozido).

Mais do que comida

Todos esses anos de pesquisa resultaram na descoberta de


diversos compostos com importantes propriedades biológicas
presentes em alguns alimentos, conforme informam no livro
"Alimentos Funcionais - A Nova Revolução", os pesquisadores
Alexandre Cabral Craveiro e Afrânio Aragão Craveiro, professores
da Universidade Federal do Ceará.

O vilão virou mocinho

Margarinas e leites que diminuem o colesterol e protegem contra


problemas cardíacos, iogurtes e bebidas que auxiliam o
funcionamento do intestino e produtos a base de soja que ajudam a
prevenir osteoporose são alguns dos alimentos industrializados com
alegações funcionais existentes no mercado. Também chamados de
nutracêuticos, essa é uma categoria de produtos que cresce na
mesma proporção que o interesse do consumidor pela prevenção
de doenças e longevidade. O mercado mundial de alimentos
funcionais movimentou mais de 50 bilhões de dólares em 2004, e
em países da Europa e no Japão é possível encontrar de pães a
balas com alegações funcionais.

No Brasil, já estão registrados cerca de 130 alimentos dessa


categoria. A denominação determinada pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) é "alimento com alegação funcional".
"Aquele que, comprovadamente, possui um componente que reduz
o risco de desenvolvimento de determinada enfermidade", explica
Antônia Maria de Aquino, gerente de produtos especiais da Anvisa.
Mas os especialistas alertam que nem sempre vale a pena
consumir um produto com alegação funcional. "O grande problema
está na concentração dos nutrientes funcionais. O leite com ômega
3, por exemplo, tem uma concentração muito baixa dessa
substância, por isso não vale a pena sua ingestão", explica o
nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Abran.
Além disso, é preciso consumir os alimentos com alegações
funcionais da maneira correta e dentro de uma alimentação
adequada. "As margarinas enriquecidas com fitoesteróis, por
exemplo, destinadas a indivíduos com colesterol alto, precisam ser
consumidas diariamente, sempre na quantidade determinada, para
auxiliar na redução da absorção de colesterol. Também é preciso
reduzir o consumo de gordura saturada e colesterol", explica a
nutricionista Kátia Iared, do Serviço de Nutrição e Dietética do Incor.

Ela ressalta que muitas frutas, legumes e verduras possuem


benefícios comprovados à saúde. "Os alimentos in natura são mais
gostosos, baratos e certamente funcionam mais, pois não foram
manipulados", completa a nutricionista Cynthia Antonaccio.

Entre as principais substâncias citadas estão os óleos e outros


componentes bioativos de origem marinha ricos em ácidos graxos
poliinsaturados, conhecidos pela denominação genérica ômega 3.
Essas substâncias, encontradas em alguns tipos de peixes, são
essenciais à manutenção da saúde, porém não são produzidas pelo
nosso organismo e só podem ser obtidas por meio da alimentação.

A lista de benefícios atribuídos aos ácidos do tipo ômega 3 não pára


de crescer: diminuem os riscos de doenças cardíacas (pois
reduzem o triglicérides e a pressão arterial, além de auxiliar na
elasticidade das artérias, impedindo sua obstrução), são agentes
antiinflamatórios (previnem problemas como asma, artrite e dores
de cabeça), mantém a visão saudável, entre outros.

Peixes – Abacate

Componentes: maior fonte natural de ômega 3, ferro, selênio e


cálcio. Propriedades: aumenta o colesterol bom (HDL), auxilia na
redução de doenças cardiovasculares, auxilia na formação do feto
durante a gestação e melhora a atuação da insulina no organismo.
Recomenda-se o consumo de pelo menos 180 gramas por semana,
para a redução de problemas cardiovasculares. Componentes:
ácido graxo monoinsaturado (ômega 9), potássio, vitamina E e
proteínas Propriedades: aumenta o bom colesterol (HDL), protege
contra doenças cardiovasculares e contra o câncer. Recomenda-se
o consumo de 100 gramas por dia.

Castanha – Espinafre
Componentes: ômega 6, ácidos graxos poliinsaturados, cálcio,
vitamina C, ferro e antioxidantes (na castanha-do-Pará).

Propriedades: auxilia na prevenção de problemas cardíacos. Indica-


se o consumo de uma castanha-do-pará ou três amêndoas por dia.
Componentes: ácido fólico, vitaminas A e C, cálcio, potássio, ferro e
outros antioxidantes. Propriedades: previne defeitos da má
formação fetal. Como possui ácido oxálico (que pode ser tóxico),
não deve ser ingerido em exagero. O recomendável é a ingestão de
uma xícara de chá por dia (cozido).

Outro grupo de substâncias funcionais que vem ganhando destaque


são os carotenóides, pigmentos responsáveis pelas cores
alaranjadas de alguns vegetais. Fazem parte dessa categoria o
betacaroteno (presente na cenoura, por exemplo), que quando
ingerido transforma-se em vitamina A. Outros, como o licopeno
(presente no tomate, por exemplo) agem no organismo como
antioxidantes, evitando a degradação das células. Algumas
pesquisas também sugerem a participação do licopeno na
prevenção e controle do câncer de próstata. Os flavonóides,
substâncias presentes em algumas frutas e vegetais e responsáveis
pelas cores vermelha, roxa e amarela, também se destacam por
suas propriedades antioxidantes. Alguns flavonóides têm ações
específicas, como as isoflavonas presentes na soja, cuja redução
no risco de doenças cardíacas foi reconhecida pela Agência que
controla o uso de medicamentos e alimentos nos EUA, o FDA.

Soja – Maçã

Componentes: mais importante fonte de isoflavonóides, em especial


as isoflavonas, genisteína e daidzeína, empregadas como
alternativa na terapia de reposição hormonal. Também contém
vitamina B, ácido fólico, iodo, magnésio, potássio e fósforo.
Propriedades: previne e reduz risco de câncer e osteoporose,
atenua os sintomas da menopausa e doenças cardiovasculares.
Estudos epidemiológicos mostraram que indivíduos ou populações,
que ingerem soja regularmente possuem menor incidência de
tumores malignos. Seu consumo regular reduz o risco de câncer da
próstata e de mama em 50%, e o de câncer de cólon em 40%. Para
os grãos, a quantidade de consumo diário recomendada é de 1
xícara, para o tofu, 1 fatia de 30 gramas, e para o leite, dois copos
por dia (dentro de uma dieta balanceada). Componentes: fonte de
fibras solúveis que auxiliam no controle glicêmico, cálcio,
flavonóides, pectina (que auxilia o funcionamento do intestino) e
quercetina, um bioflavonóide com propriedades antiinflamatórias,
além de proteger o coração, possuir atividade anticâncer, antiúlcera,
antialérgica, e ajudar na diminuição do risco de desenvolver
catarata. Propriedades: a combinação dos fitoquímicos presentes
na casca e polpa da maçã é responsável por suas propriedades
antioxidantes e anticancerígenas. A ingestão regular de maçã
também ajuda a reduzir as taxas do colesterol prejudicial (LDL) ao
organismo, prevenindo problemas cardíacos. Recomenda-se o
consumo de uma por dia.

Sem mágicas

Mas como fazer para se beneficiar das propriedades dos


alimentos funcionais?

Nesse caso, mais uma vez vale a boa e velha recomendação da


dieta equilibrada. Não é preciso exagerar e só comer isso. "Todos
esses alimentos devem fazer parte de uma rotina alimentar, na
medida do possível, mas não dá para comer abacate, ou linhaça
todos os dias", exemplifica o nutrólogo Durval Ribas, presidente da
Abran.

Mas também não adianta se animar e achar que basta comer um


tomate, uma porção de soja ou qualquer um dos alimentos com
propriedades funcionais no meio de frituras, doces e outras
tranqueiras do gênero para se beneficiar. "As pessoas devem estar
cientes de que tais alimentos não são mágicos, eles não corrigirão
maus hábitos alimentares.

Devem fazer parte de uma alimentação equilibrada, assim como


praticar atividade física regularmente, evitar o fumo, reduzir o
estresse e manter peso saudável", alerta a nutricionista Kátia Iared,
do Serviço de Nutrição e Dietética do Instituto do Coração (Incor).

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Brasil perde César Lattes (Galileu - Abril/2005)

Fabíola Tarapanoff

César Lattes, falecido em 8 de março, foi um dos principais nomes


da física brasileira. Aos 23 anos, ganhou destaque internacional
quando participou da equipe de pesquisadores que em 1947
identificou o méson-pi (partículas cuja existência fora prevista em
1935 pelo japonês Hideki Yukawa), fato que desencadeou uma
revolução no estudo da estrutura da matéria. Por conta do seu
trabalho com mésons, por duas vezes passou perto de um prêmio
Nobel. Mas sua contribuição extrapolou os limites da pesquisa
básica. Lattes foi um dos membros mais destacados de uma
geração que consolidou a pesquisa científica no Brasil após a
Segunda Guerra. Esteve entre os fundadores do Centro Brasileiro
de Pesquisas Físicas (CBPF), do qual foi diretor. Também ajudou a
consolidar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq) e o núcleo de física da Unicamp.

Fonte:
http://www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/abril2005/clipp
ing050414_galileu.html