Criação do SUS Constituição 88: Regulamentação: Lei Orgânica Saúde 90 Estruturação 90-94 Universalidade/Integralidade Descentralização 94-98: Estruturação da Municipalização/Criação PSF

/Redes Estaduais Avanços de 1988/2006 Estruturação MS 98-2002: Estruturação ANS/ANVISA/SNT/EC 29, Lei Genéricos↓ M. Infantil (redução 41% de 91 a 2004) 45,1x26,6 ↑Esperança de vida – 66,6 (91)x71,7 (2004) Controle doenças (pólio, sarampo, difteria, rubéola) Criação Agências Reguladoras, Ampliação Acesso: 97% (atendimento) 87% (medicamento) 91% (internaram mesmo dia) Maior sistema público de transplante do mundo. Avanços Institucionaiis 2003/2006 1) Financiamento: Subfinanciamento (94 dólares hab/ano) e Regulamentação EC 29 2) Mecanismos Gestão: Mais do mesmo – não há propostas de novos modelos (legalização PSF; gerência H. Públicos RJ, Cartão SUS; Câmara de Compensação etc.) 3) Descentralização: Municipalização e estadualização dos programas (descentralização responsabilidades sem descentralizar meios e recursos) - Indefinição de responsabilidades Incorporação Tecnológica - SUS vítima do dar tudo à todos. Está dando muito à poucos - SUS vítima monopólios e complexos industriais (incorporação tecnológica desregulada) Ex.: densitometria óssea/osteoporose - Concessão medicamentos, insumos, procedimentos por ações judiciais - Inexistência marco regulador (Lei Medicamento/AIDS/ Consensos) - Acordos de transferência de tecnologia: vacina gripe hemoderivados. Estagnação na busca de equidade REFORSUS/Avança Brasil X ? Per capitas diferentes para o PSF; combate a Dengue; Campanha de Vacinação X ? Modernização de Equipamentos/ hemodiálise/ radioterapia X ? Tabelas de financiamento medicamentos excepcionais diferenciados regiões Recursos Humanos Criação de financiamento equipes PSF x Criação Equipes odontologia Inexistência regulamentação trabalho/ profissões/carreiras e direitos do PSF – proposta concurso público ↑ serviço público?

muitos não funcionam.0 milhões até 2005 em S. ou se funcionam não resolvem os problemas de doença. Paulo Proposta 8.0 milhões até 2005 em S. Paulo Mutirões de cirurgia: 640 mil cirurgias/ano (2005) nova proposta do Ministério da Saúde burocratiza mutirão com nome e CPF de cada paciente.00. que irá reduzir número de beneficiados Criação de redes de alta complexidade Proposta 1. .0 milhões de reais ano para rede de cirurgias cardiovasculares para pacientes de outros estados x 16. inclusive o Canadá. Paulo Mutirões de cirurgia: 640 mil cirurgias/ano (2005) nova proposta do Ministério da Saúde burocratiza mutirão com nome e CPF de cada paciente.400 até 2005 em S. também pudera! O salário mínimo é de apenas R$ 260.200 próteses auditivas mês x 2.. Paulo CONCLUSÃO Controle da malária 389 mil casos 2002 x 464 mil casos 2004 Farmácia popular 340 milhões de reais para 420 farmácias no Brasil x 120 milhões de reais para 2000 farmácias Dose Certa Estado de S. Para falar do SUS é preciso fazer uma retrospectiva histórica de como ele apareceu no cenário brasileiro.!” Estes são alguns dos títulos das notícias que circulam nos jornais pelo Brasil afora. O CPMF poderá continuar. IMPASSES E RETROCESSOS Theny Mary Viana Fireman Psicóloga – CRP/a5 – 0888.200 próteses auditivas mês x 2...0 milhões de reais ano para rede de cirurgias cardiovasculares para pacientes de outros estados x 16. poucos são os que funcionam. Este trabalho tem por objetivo analisar o SUS enquanto política de inclusão social que mais deu certo neste país durante esses dezesseis anos. O sistema que tem grandes números de atendimentos para mostrar e muito paises querendo copia esse sistema. que irá reduzir número de beneficiados Criação de redes de alta complexidade Proposta 1. Paulo Proposta 8. Se alguém precisar dos serviços de saúde. Paulo SUS: AVANÇOS. Assistente Social Sanitarista. e isto demonstra que a saúde da população não vai bem.Retrocessos Operacionais Controle da malária 389 mil casos 2002 x 464 mil casos 2004 Farmácia popular 340 milhões de reais para 420 farmácias no Brasil x 120 milhões de reais para 2000 farmácias Dose Certa Estado de S. mas isto também não é novidade. Introdução “A saúde vai mal! Não se tem dinheiro para financiar a saúde! As pessoas estão morrendo..400 até 2005 em S.

com seu emprego. "A saúde é um direito de todos e um dever do Estado". expropriação e mais valia) após nossa morte. o onisciente. quando e onde atacar.Refletir este tema. O que estamos assistindo e vivenciando dia-a-dia. o onipotente. pois sem trabalho não há dignidade e mais. etc. a 10ª economia do mundo pelo PIB (Produto Interno Bruto). a prática pelo Estado das políticas públicas universalistas e assim indo ao encontro da grande revolução: TORNAR IGUAIS OS BRASILEIROS. pois pior do que estão vivendo 48% dos brasileiros excluídos. habitação. Somos. é dinheiro especulando dinheiro. Não dá para fazer de conta que as coisas são diferentes.8% da população. O SUS é uma dessas políticas e por ser um DIREITO de cada brasileiro e DEVER do Estado é preciso criar melhores condições para seu fortalecimento. é o dinheiro competindo até com o ar que respiramos. escrita na Constituição Brasileira (1988) foi a maior conquista da sociedade brasileira no campo das políticas sociais. Isso sim é uma VERGONHA. Esta frase. é hora de dizer NÃO AO CAPITAL. ou seja. o país que apresenta a maior desigualdade do mundo. a participação popular e o controle social. comer restos de carnes humanas retiradas em cirurgias plásticas e criar anticorpos que lhe dão condições de sobreviver como PORCOS. para exigir.. É ele que define quem. quer seja nos filmes. segundo o DIEESE. é uma RESPOSTA a tão infame concentração de renda. Estamos conseguindo chegar no fundo do poço e pasmem. dos salários. até chegar ao cúmulo de sermos culpados pela nossa própria morte quando nossas aposentadorias (depois de um longo processo de exploração. quer seja ao vivo e a cores. é uma HUMILHAÇÃO. configurando assim. mesmo que seja através de lutas como a do Movimento dos Sem Terras – MST. O CAPITAL passou a ser o sagrado. . educação. E tudo em nome do CAPITAL. É preciso romper com o FMI. não dá para ficar. das indústrias. promulgada em 1988. e somos ainda. É o dinheiro sobrepujando o homem! É o dinheiro animalizando o homem. de imediato percebe-se que é muito abrangente. no lixo. das fábricas. do amor. Viver na rua. é o momento de lembrarmos ao governo as promessas até então divulgadas. Ao reafirmar os preceitos constitucionais daquela Constituição Cidadã. da solidariedade. na TV. na prática e não só no papel. pois com essas diferenças não dá para continuar. a bandeira da necessidade de robustecer os movimentos sociais. mas estamos na 62° posição em qualidade de vida. Isso sim é que tem que mudar! Reafirmar o SUS é priorizar e investir recursos financeiros na seguridade Social para garantir a assistência social. responsabilizados por tudo de ruim que está acontecendo. o onipresente. pelo CAPITAL e para o CAPITAL. revista e nos jornais. dos empregos. mas também decisivo: O SUS não pode acabar! O Brasil tem que desenvolver políticas públicas voltadas para as melhorias da vida das pessoas. É o dinheiro fazendo aumentar as desigualdades entre as pessoas. à saúde e a previdência social. o intocável. Precisamos reafirmar a VIDA como o maior bem possível e a SOLIDARIEDADE como forma de doação para os dias melhores que virão. onde 50% de toda riqueza produzida está concentrada nas mãos de 9. É dinheiro comprando dinheiro. ficará apenas em 50% do nosso salário para os nossos companheiros e companheiras. o país como um Estado Democrático de Direito e um Estado de Bem Estar Social. Chega! Frente a essa esquizofrenia é preciso um tratamento a altura. Não dá para continuarmos assistindo imóvel a derrubada das famílias. levantamos hoje. Este é o momento de REAFIRMARMOS O SUS. saber que dispõem de serviços públicos de boa qualidade como a saúde. na lama. É garantir e fomentar uma política de emprego e renda para que os BRASILEIROS possam ter no mínimo três refeições diárias de acordo com seu poder aquisitivo. é o dinheiro decidindo tudo.

mesmo com essas dificuldades. cada um de vocês (ou seus pais). Esta situação ocorre. pois. era chamado indigente ou carente. além do mais. Ocupamos há vários anos o posto de número um do mundo em pior distribuição de renda. a nossa saúde vai realmente de mal a pior. transporte. aquele que não possuía tal carteirinha e que não podia pagar pelos serviços. podemos dizer que a área da saúde teve um grande avanço. Por Política entende-se um conjunto de normas e diretrizes que vão expressar uma visão e uma atuação do homem no mundo. torna-se necessário definir todos estes termos. bem como nos remetermos às determinações históricas de todo esse processo. Inúmeras razões podem ser apontadas como causas deste quadro as quais. além do mais. Neste sentido. nós não temos um Estado (governo) que garanta as nossas necessidades.. nos faltam alimentação. Entretanto. mas coexistiam intimamente. mais ainda. ou quando se manifesta como “concessão” do Estado. e aliado a isso. Uma das formas de expressão dessa relação Estado-sociedade são as Políticas Sociais.. em sua maioria têm sua discussão mais aprofundada situada além dos limites deste texto. água. Sessenta em cada mil crianças que nascem. temos uma taxa de analfabetismo altíssima (cerca de 28 milhões de pessoas não sabem ler). enquanto essas necessidades não forem superadas. que vai estar relacionada a uma ação que exerce impacto direto sobre o bem-estar social dos cidadãos quando lhes proporciona serviço ou renda. e por Políticas Sociais.. habitação. nas quais estão incluídas as Políticas de Saúde. terra. o conceito de saúde se restringia à assistência médica na situação de doença. contudo. até antes de 1988. lazer. e quanto mais baixa a renda. morrem antes de completar um ano de vida e perto de trinta e dois milhões de brasileiros passam fome. fruto de um longo processo histórico de lutas. somente em 1988 este direito foi conquistado? Por que a saúde deve ser direito de todos? Por que o Estado tem que suprir seus cidadãos com assistência à saúde? E. mais de dois terços da população não dispõe de renda suficiente para assegurar o acesso a condições dignas de vida. isto não ocorria. se faz necessário entender o conceito de política e de políticas sociais. porque nós não temos QUALIDADE DE VIDA. concebe-se como uma política do governo. A Política Social se operacionaliza através do Estado ou por reivindicação e insatisfação do povo. pois. por que isto não está acontecendo no Brasil? Como sabemos. e geralmente essas políticas sociais aparecem para aliviar as tensões e para a manutenção do status quo (da ordem estabelecida). para que seja possível compreender o quadro atual da saúde no Brasil. Quando se fala na Política Nacional de Saúde supõe-se que toda Nação participou da sua elaboração e antes de 1988. uma vez que a baixa renda traz necessariamente à doença. era preciso ter uma política de saúde para cuidar da vida de todos os brasileiros. e para termos a compreensão da Política Nacional de Saúde. um sem número de indicadores sociais coloca o Brasil numa das mais vergonhosas posições no cenário mundial. emprego. etc. . que as condições de saúde de uma população são um reflexo de como são estabelecidas as relações entre o Estado e a sociedade. ou seja. as políticas sociais não respeitavam as particularidades regionais. Frente a esta situação era preciso fazer alguma coisa. a questão da renda e saúde era antagônica. ou seja. educação. maior possibilidade da doença se instalar. É fato.Mas por que. Convivemos com doenças há muito erradicadas em outras nações. o fosso entre os muito ricos e os muito pobres é cada dia maior. a saúde do brasileiro vai mal. devem se lembrar daquele tempo em que a pessoa que tinha a Carteira de Trabalho assinada e que pagava a Previdência Social tinha garantido assistência médica (com a carteirinha do INPS ou FUNRURAL).

o governo.Conselho Consultivo de Administração da Saúde Previdenciária. cria programas como o PIASS . núcleos de resistências e mobilização contra o sistema de saúde vigente. como um direito de todos e um dever do Estado. só que do papel à prática. No governo de Sarney é criado o Sistema Único Descentralizado de Saúde – SUDS. com o golpe de 1964.grande beneficiária do sistema vigente. houve no país inteiro. a descentralização é garantida com a aprovação da Constituição de 1988. já que existia e existem muitos setores querendo ver a sua derrota. levou mais dois anos para ter experiências concretas. Para podermos entender o processo de municipalização da saúde é preciso compreender duas questões básicas: Qual o conceito de saúde? Como se obtém saúde? .Federação Brasileira de Hospitais . mas. depois de garantido na CF/88. de onde vinham às resistências? Elas vinham da FBH . O SUS levou vinte e cinco anos para ser implantado.Associação Brasileira de Medicina de Grupo. através de práticas clientelistas. houve um grande retrocesso. mesmo assim. conforme seu 1º artigo. a tese da municipalização ganha corpo e em 1984 todos os estados brasileiros participam das Ações Integradas de Saúde . Nessas Conferências discutiam-se os problemas inerentes à Saúde. após essa aprovação. e dentro destas políticas. emergente na ocasião e que apresentava uma face de modernização capitalista. Através da abertura política. porém. pré-requisito para o SUS. apresenta o PREV-SAÚDE cujo objetivo era a descentralização do sistema. Assim sendo. pois o extinto INAMPS. na livre iniciativa e no pluralismo político. o SUS aconteceu e já mostrou que pode mudar os rumos do Brasil. como um Estado Democrático de Direito.AIH. o retrocesso não demorou a chegar. nos valores sociais do trabalho. só que houve tantas resistências que na prática as idéias do Prev-Saúde foram totalmente diferentes. e da ABRAMGE . E. quando definiu o Brasil. na dignidade da pessoa humana. encampa a expansão do sistema de pagamento por Autorização de Internamento Hospitalar . tenta aprovar propostas que criticam a visão funcionalista do Sistema Nacional de Saúde e o governo na tentativa de minimizar tais dificuldades. o grupo que assumiu o poder desenvolve uma política de saúde meramente técnica. demorou mais dois anos para ter suas leis complementares aprovadas.Programa de Interiorização de Ações de Saúde e Saneamento. na cidadania. foi utilizado um marco histórico recente. a oposição àquele poder. houve também muitas diferenças e finalmente. o país assume a responsabilidade em desenvolver políticas sociais que garantam os direitos constitucionais. mostrando que era possível. Com o agravamento da crise da saúde. onde o objetivo centrava-se na contenção dos gastos. está a saúde.AIS. Por ser um Estado Democrático de Direito. Retrospectiva Histórica da Descentralização O processo de municipalização se mistura com a história das Conferências Nacionais de Saúde nos últimos 30 anos. na tentativa de se perpetuar no poder. parou-se com as Conferências. o governo cria o CONASP . a Constituição Federal de 1988 (CF/88). Para continuar as discussões dos problemas da saúde.Para esta análise. o qual foi transformado em cartilha para o movimento sanitarista. baseados na soberania. quando demonstra a necessidade de trabalhar na perspectiva da promoção da saúde e na prevenção das doenças. Mas. No ano de 1979 a idéia do SUS é apresentada no primeiro Simpósio Nacional de Saúde.

precisamos: Boa qualidade de vida Assistência à saúde Moradia Alimentação Água tratada Esgoto Transporte Educação Lazer Profissionais de saúde Centros de saúde Postos de saúde Hospitais Laboratórios Vacinas Medicamentos . A luta pela saúde é a luta pela própria vida Para se ter boa saúde. hospitais. trabalho. lazer. não pode ter saúde. esses princípios foram incorporados à Constituição Federal. o VOTO. escolas. nascendo daí. onde se ampliou o conceito de saúde e garantiu-se a SAÚDE COMO UM DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO. no sentido de ter garantido alguns direitos. Por este conceito podemos entender que a Saúde é um DIREITO de todos e um DEVER do Estado (país. que é um princípio básico da Reforma Sanitária. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. Sua história está vinculada ao esforço e a luta da população. se não temos direitos a isto tudo. Em 1988. município). isto é. acesso aos serviços de saúde. estado. educação. E para se obter saúde precisamos ter garantido os nossos direitos e esses direitos começam num simples ato. através dos vários atores envolvidos. o indivíduo que não se alimenta bem. que muitos não gostam. Daí dizermos que. Mas. médicos. uma vez que para se ter saúde é preciso que o indivíduo tenha uma casa para morar. o conceito de saúde é muito mais amplo. proteção e recuperação”. etc. vem desenvolvendo esforços no sentido de dar respostas aos graves problemas de saúde da população. transporte. A política de saúde no Brasil. A grande maioria de doenças existentes é decorrente das dificuldades de sobrevivência do povo. quando foram reafirmadas as primeiras idéias. os princípios e diretrizes do que viria se chamar de SUS. tenha alimentação. de como deveria ser o sistema de saúde do país. A VIII Conferência Nacional de Saúde – primeira a ser aberta à população – foi um marco na política de saúde do Brasil.A Constituição Brasileira traz no seu artigo 196 da Saúde: "a saúde é direito de todos e dever do Estado. que não é servido de água e esgoto e convive com alguns insetos transmissores de doenças sérias. que não tem onde morar. não teremos saúde.

ainda tem algumas dificuldades porque: • A saúde ainda não é considerada direito real.  Em 2002 o MS cria o PROMED para implantar novas diretrizes no curso de Medicina. Em 1986 acontece a VIII CNS onde se discutiu mudanças na política e na estrutura da saúde e em 1988.142/90). A efetivação do SUS. Entre os anos de 1991 e 1996 surgem as NOB’s (91. o Movimento da Reforma Sanitária (grupo de profissionais de saúde que se uniram para propor novas alternativas para o sistema de saúde). Entretanto. mas sim que se tem todas as condições para viver uma vida dígna. os processos de trabalho.) UMA CONSTATAÇÃO:  O mercado empobreceu. integrar o ciclo básico ao ciclo profissional e incluir o relacionamento entre profissional e comunidade.080 e 8. beneficiava apenas quem tinha carteira assinada e pagava a Previdência Social. surgem muitos movimentos. as pessoas não tem dinheiro para comprar serviços médicos. E O QUE É PRECISO FAZER PARA MUDAR?  Mudar o modelo de atenção. a assistência. • A população ainda sem ter acesso aos serviços. tem pouca qualidade nos serviços. • E quando se tem acesso. o SUS é criado e a saúde passa a ser direito. POR QUE ENTENDER A POLÍTICA DE SAÚDE? Porque a partir da CF/88 tudo mudou. com isso: 1. os trabalhadores e. Diminuiu os consultórios particulares. Aumentou-se a busca pelo SUS  Em 2000 o MS criou o PROFAE para melhorar os serviços públicos e privados no atendimento ambulatorial e hospitalar. conforme já comentamos. Mas o que é o SUS? Dentro da Constituição Federal há o Sistema de Seguridade Social.  Mudar a formação profissional (currículos.Ter boa saúde não quer dizer apenas ausência de doenças. entre eles. cirurgia ambulatorial. que é o “conjunto de iniciativas dos poderes públicos e da sociedade destinadas a garantir e assegurar os direitos relativos à Saúde. as leis orgânicas da saúde só aparecem em 1990 (8. ações de promoção e prevenção. as escolas precisam formar técnicos mais competentes para interagir com o modelo existente: ex: internação domiciliar.  Fortalecer o controle social (participação popular). O país vivia na ditadura e com a abertura política. PSF. apesar de vários avanços. Previdência Social e à Assistência Social”. Na década de 70 o sistema era organizado pelo modelo médico-assistencial. tudo se tornou novo: as instituições. Diminuiu os profissionais contrários a idéia da saúde coletiva 3. etc. .93 e 96) e em 2001 surge a NOAS. principalmente o usuário que deixa de ser “o que tem carteira assinada” para ser o cidadão com direito à saúde e essa assistência à saúde pressupõe novos trabalhadores. 2. novas formas de trabalho e conseqüentemente nova formação profissional. na CF.

este princípio requer que a atenção integral exige ações não só dentro do setor saúde. Enfim. é preciso fazer programas integrados para eliminar as causas das doenças e assim. política. Os serviços devem atender a todos gratuitamente. crianças. c) Integralidade – as ações de saúde devem ser combinadas e voltadas ao mesmo tempo para a prevenção e para a cura. Estados e Municípios – e pelo setor privado contratado e conveniado. . O SUS e suas características O SUS deve ser entendido como um “sistema” pois é formada pelos três níveis de governo – União. cujos princípios são: Princípios Doutrinários: a) Universalidade de Atendimento – isto se traduz na certeza de que toda pessoa tem direito ao atendimento. Todos. católicos. pobres. tratar desigualmente os desiguais. Também tem muita gente agindo e querendo boicotar o cumprimento da Lei. O grande desafio hoje é fazer a Lei funcionar na prática. evangélicos. diminuir as desigualdades existentes. mulheres. O SUS garante “universalidade da cobertura e do atendimento”. índios. ricos.os serviços de saúde devem levar em consideração as diferenças existentes entre os grupos da população. Ele é “único” porque tem a mesma doutrina. independente da sua condição sócio. além do mais. sem exceção. oferecendo mais a quem precisa e assim. detectando-se e trabalhando para cada necessidade. isto é. b) Equidade .O sistema de Seguridade existe para toda a população: homens. étnica. E isto fica reforçado pelo fato do SUS estar contido neste sistema. promover cada vez mais a saúde. é direito de todo cidadão brasileiro. a mesma filosofia de atuação em todo território nacional e é organizado de acordo com uma mesma sistemática. brancos. que é de fato. serão beneficiados por todas as ações de saúde. etc. a partir da compreensão de que o indivíduo é um todo e não deve ser visto e tratado por parte. a política adequada para a saúde do brasileiro. negros. É preciso estar muito atento e atuar sempre para avançar com o SUS. cultural.

Os espaços de participação baseados na legislação são os conselhos e as conferências de saúde. circunscrito a uma determinada área geográfica. não deve ver a pessoa como um amontoado de partes. deve atuar como se fosse público. as prioridades. Legislação do SUS: A legislação brasileira atual contempla leis e normas que norteiam o setor saúde e ajuda aos municípios a se organizarem para a descentralização. o que significa que as ações de saúde devem estar voltadas. e) NOB – 01/93 e 01/96 f) NOAS – SUS/2001 e 2002. é formado por várias instituições dos três níveis de governo (União. usando as mesmas normas do serviço público. Assim. freqüentemente. • Deve ser descentralizado. acompanhar e avaliar o que está sendo feito pelo SUS. b) Lei 8. é fundamental que a população. no entanto. É comum. c) Lei 8. O SUS é um sistema. ou seja. Além disso. mais próximo possível de quem deles padecem. isto é. Cada esfera de governo é autônoma e soberana nas suas decisões e atividades. atualmente. sendo elas: a) Constituição Federal – artigos 196 a 200. que é a principal interessada. corredores lotados. se terem notícias muito ruins sobre o SUS. b) Descentralização e Comando Único – para trabalhar dentro das necessidades de saúde de cada realidade é preciso que haja transferência quanto a recursos e poder de decisão sobre o que fazer de melhor para resolver os problemas. para o indivíduo e para a comunidade.Princípios Organizativos: a) Regionalização e Hierarquização.142 de 28/12/90 – recursos financeiros e controle popular. é preciso conhecer os princípios deste sistema que estão contemplados na lei. Os meios de comunicação. c) Participação da Comunidade – para definir as necessidades. d) Constituição Estadual – artigos 186 a 189.. isso ocorre? Por que o SUS ainda não conseguiu ser implantado em sua plenitude? Em primeiro lugar. ou seja. planejados a partir da inteligência epidemiológica e com definição e conhecimento da população a ser atendida. Por que. para a prevenção e para o tratamento e respeitar e dignidade humana. respeitando os princípios gerais e a participação da sociedade. mas como um todo. é único. então. mais chance se tem de acertar sobre a sua solução. o SUS tem as seguintes características principais: • Deve atender a todos. veiculam notícias aterradoras sobre a ineficiência do sistema. • Deve atuar de maneira integral. ao mesmo tempo. g) Leis Orgânicas Municipais. participe. grandes filas. Isso significa que as ações e serviços que atendem à população de um município devem ser municipais. o poder de decisão deve ser daqueles que são responsáveis pela execução das ações. profissionais malremunerados. quanto mais perto do problema. hospitais sucateados. quando é contratado pelo SUS. o serviço privado. Estados e Municípios) e pelo setor privado contratado e conveniado. pois. Depois. que faz parte de uma sociedade. como se fosse um mesmo corpo.isto significa que os serviços devem ser organizados em níveis crescentes de complexidade. de acordo com suas necessidades. as que servem e alcançam .080 de 19/09/90 – regulamenta o SUS. independentemente de que a pessoa pague ou não Previdência Social e sem cobrar nada pelo atendimento. isto é tem a mesma doutrina e a mesma filosofia de atuação em todo o território nacional e é organizado de acordo com uma mesma sistemática.

e não como é hoje. somente em 1990 foi aprovada. deve produzir resultados positivos quando as pessoas o procuram ou quando um problema se apresenta na comunidade. ou há um aparelho altamente sofisticado. eliminando o desperdício e fazendo com que os recursos públicos sejam aplicados da melhor maneira possível. Ou seja.. só o especialista. Isto é. que o contrato seja feito nesse nível. E mesmo após a sua aprovação. assim como no controle sobre a execução das ações e serviços de saúde. • Deve ser eficaz e eficiente. a comunidade. Dessa forma deverá haver uma inversão na situação atual. para serem colocados em prática exigem mudanças profundas e complexas.vários municípios devem ser estaduais e aquelas que são dirigidas a todo o território nacional devem ser federais. para tanto. Isso implica necessidades não só de equipamentos adequados e pessoal qualificado e comprometido com o serviço e a população. constantemente relegada a um segundo plano durante o governo de Fernando Collor. estaduais e municipais. e. personificada nas leis 8080 e 8142. Ainda assim. a idéia e a estratégia de organização dos Conselhos de Saúde nacional. mas não há médico geral. os usuários do serviço de saúde. precisa ter qualidade. saiu com muitas restrições. poderia até se pensar que a batalha estava ganha e o sistema de saúde brasileiro seria. para cumprir funções bem definidas e sob controle direto da instituição pública contratante. finalmente o ideal. de acordo com a realidade local e a disponibilidade de recursos. devendo respeitar o critério de composição paritária: participação igual entre usuários e os demais. principalmente para este último. Para isso o SUS deve se organizar a partir de de pequenas regiões e ser planejado para suas populações. ou seja. como o INAMPS.) Por isso. como a adoção de técnicas modernas de administração dos serviços de saúde. de acordo com o que elas precisam e não com o que alguém decide 'lá em cima'. • Deve ser democrático. deve assegurar o direito de participação de todos os segmentos envolvidos com o sistema . produzindo o que se tem chamado de municipalização da saúde. das conquistas obtidas na lei. conforme o princípio da descentralização." Todos esses princípios. onde em muitos lugares há serviços hospitalares mas não há serviços básicos de saúde. depois de muita negociação do Ministério da Saúde com o movimento da Reforma Sanitária. devem passar para os níveis estadual e municipal. Esse direito implica a participação de todos esses segmentos no processo de tomada de decisão sobre as políticas que são definidas no seu nível de atuação. Ainda se continuou com a prática dos convênios e outros expedientes centralizadores. além de ter poder de decisão (não ser apenas consultivo). Isso inclui a decisão sobre a necessidade de se contratar ou não serviços privados. Mas não basta: é necessário que utilize as técnicas mais adequadas. É essencial. a população. Só que a parte mais difícil ainda estava por vir: a implementação. que essas decisões sejam tomadas por uma autoridade de saúde de nível local. até mesmo por que questiona muitos interesses ainda muito presentes na vida política brasileira. quando a maioria dos serviços de saúde que têm sido vinculados ao nível federal. e quando se decide pela contratação. a Lei Orgânica. É a isso que se chama de Distrito Sanitário. A Constituição remetia a regulamentação do sistema para a chamada Lei Orgânica da Saúde. . • Deve ser racional.. (. facilitadores do clientelismo e da corrupção. o SUS deve se organizar de maneira que sejam oferecidos ações e serviços de acordo com as necessidades da população. ao repasse automático de recursos para os Estados e Municípios. prestadores de serviços. na prática. que foi. Com a aprovação do SUS na Constituição. para exercerem esse controle social sobre o SUS. com resistências claras do Ministério da Saúde ao processo de descentralização.dirigentes institucionais. trabalhadores de saúde e principalmente. houve muita dificuldade de implantação.

sem aumentar a qualidade nem a quantidade da prestação da assistência. bastava ser cidadão. Havia um consenso de que o aparato jurídico já estava definido e era preciso ter a "ousadia de cumprir e fazer cumprir a lei". Com o estrangulamento da classe média. A NOB funcionou como uma espécie de manual para o processo de municipalização. pois não é do interesse deles manter um sistema como esse. após a queda de Collor. Isso explica a política de privatização. A estratégia dos últimos governos. o governo ignorava as mudanças estruturais que deveriam ser implementadas. ou seja. foi de ignorar a legislação relativa ao SUS. no entendimento dos neo-liberais. cujos maiores representantes são os planos de saúde privados. também provocado pela política econômica. A política neo-liberal defende a existência de um Estado mínimo. não foram criadas estratégias para dar conta desse aumento. houve um crescimento vertiginoso da assistência médica privada oferecida pelos planos . de acordo com as formas de organização política e econômica dos países. algumas experiências inovadoras foram desenvolvidas em alguns municípios que encararam de frente o processo de municipalização. Por seu turno. O que se configurou. É comum ouvirmos alguns setores. a Norma Operacional Básica (NOB) n0 1. E sob esta afirmação foram geradas as principais discussões na 9a Conferência Nacional de Saúde que deveria ter ocorrido em 1990. sofre com os sucessivos cortes. Com o aumento da demanda. a abertura ao capital estrangeiro e. Ainda assim. não era preciso mais ser contribuinte da previdência para ter acesso aos serviços de saúde. principalmente os trabalhadores organizados divulgarem que devemos lutar contra a política neo-liberal do governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas o que significa isso e quais são os seus reflexos sobre o campo da saúde? Como vimos inicialmente. o Estado não deve se responsabilizar por estas questões. ou seja a interferência do Estado na vida das pessoas deve ser reduzida ao máximo. nem a nível de financiamento. o SUS enfrenta hoje grandes dificuldades de implementação. apesar de temos uma legislação avançada no campo da saúde. que regulamentava o processo de descentralização das ações de saúde para Estados e Municípios. o SUS apenas aumentou o contingente de pessoas que se acotovelavam para ter acesso aos serviços de saúde. O Ministério da Saúde vem enfrentando sucessivas crises e o financiamento do setor. Mas como isso foi acontecer justo na hora em que o SUS deveria se firmar como o sistema de saúde para todos os brasileiros? Ocorreu um fenômeno que Eugênio Vilaça chama de universalização excludente. as políticas sociais adquirem aspectos variados. Definia ainda as formas de controle social através da atuação dos Conselhos de Saúde. mas só veio a acontecer em 1992. de caráter neo-liberal. um total abandono. os governos que deveriam pô-la em prática têm uma outra visão de saúde. é publicada. Como um desdobramento da 9a Conferência. já no governo Itamar. no entanto.No entanto. Com o advento do SUS. no sistema de saúde a partir dos anos 90 foi uma expansão da chamada medicina supletiva. de políticas sociais e de relação Estado e Sociedade. de maio de 1993. o raciocínio neo-liberal ignora esse conceito. no campo das políticas sociais. com regras claras sobre a participação dos diversos níveis e explicitando os estágios crescentes de municipalização. Desnecessário se faz discutir novamente a condição de saúde como dever do Estado. trazendo prejuízos ao funcionamento do serviço. a assistência à saúde foi universalizada. Toda essa situação ocorre por que. O gasto per capita com saúde no Brasil é um dos menores do mundo (menos de 50 dólares por ano) e vem apresentando um declínio nos últimos anos. Assim. ainda dependente dos recursos da previdência. uma vez que. nem a nível de implementação de medidas racionalizadoras como a municipalização. distritalização e controle social. pelo Ministério da Saúde.

inclusive nos aspectos econômicos e financeiros. com o aprendizado da participação popular influindo. é no conselho de saúde que a população participa organizadamente do "controle" da qualidade dos serviços de saúde. É preciso também que haja uma mudança de mentalidade do servidor público da saúde. Devem sempre ser ressaltadas as iniciativas que deram e que estão dando certo. Os conselhos são previstos em lei. pois é a população quem paga os impostos os quais pagam os serviços públicos. Os municípios que encararam a municipalização com seriedade estão colhendo os frutos de um serviço público de saúde mais eficiente e universal.de saúde. então é ela. Ele foi criado para ser o sistema de saúde de todos os brasileiros. sindicatos. se fortalece no cotidiano. eficiente. influenciando nas tomadas de decisão dentro das Unidades de Saúde. 12. isto é. uma vez que a consciência da cidadania garantida pela Constituição. mais democracia e mais humanidade dentro da sociedade. de qualidade. Esse controle deve ser feito pelo Conselho Municipal de Saúde. através de seus representantes. A estratégia das grandes corporações médicas acabou dando certo e o que eles não tinham conseguido na Constituição. igrejas. etc.5% para os prestadores de serviços.5% para o governo e 12. O controle social é a instância local de formulação de estratégias e de controle da execução da política de saúde. Com o controle social. Controle Social É a participação popular decidindo e acompanhando as políticas públicas (aquelas que são executadas pelo governo). provocada pelo achatamento salarial. com a conivência do governo brasileiro. onde um mínimo de assistência é dado aos pobres e indigentes e o restante da população fica à mercê da medicina privada. O Conselho Municipal de Saúde é um órgão colegiado. para dizer e controlar como deve ser o atendimento. só serão . quem deve decidir ONDE e COMO deverão ser gastos os recursos. inclusive. Essa é uma forma de. prestadores de serviços e trabalhadores de saúde. havendo inclusive normas que regulamentam suas ações. Os Usuários são os representantes das associações de moradores. A partir do entendimento que todos nós temos de saúde enquanto direito. é nosso dever lutar para que este sistema seja desenvolvido em sua plenitude. Os usuários não podem ser escolhidos pelos governantes e. Este foi o tema da Décima Conferência que ocorreu este ano: o SUS que deu certo. deve haver uma paridade na sua formulação. os demais 50% são divididos entre: governo. grupos jovens. Isto significa dizer que a população tem metade (50%) dos assentos do Conselho. pois o sistema de saúde existe para atender a essa população e ninguém melhor do que o usuário. profissionais de saúde e governo. A importância desse processo é que há uma garantia da participação popular. A composição do Conselho deve ser paritária em relação aos representantes da população. resolutivo e democrático. eficaz. Ocorre que o SUS não foi criado para servir como o sistema de saúde dos pobres e indigentes. A chamada Medicina de Grupo cresceu a níveis assustadores nos últimos anos às expensas da falência premeditada do serviço público de saúde e da fuga da classe média dos consultórios privados. o "chefe". acabaram conseguindo por outros meios. promover mais justiça social. Este modelo de prestação de serviços é típico de países de política neo-liberal. nas tomadas de decisões no tocante a assistência à saúde da população e nós temos o dever de informar a população os seus direitos. ou seja. que terão obrigatoriamente 50% da representação. nas tomadas de decisões e mudanças de ações. fica demonstrado que o governo deixa de ser o "árbitro". sendo 50% destinados aos usuários e os outros 50% destinados aos prestadores de serviços. ficando 25% para os trabalhadores de saúde.

O Brasil é um país democrático que se constitui por Unidades Federadas (Estados) que por sua vez se divide em Unidades Menores (Municípios). esta no GOVERNO ou nos GOVERNOS e seus REPRESENTANTES. este governo cumpre a Constituição e realiza políticas sociais voltadas para o povo. Ser representante implica em assumir responsabilidade e compromisso em defender os interesses de seus representados e também deve prestar contas de suas ações repassando as informações. Devem estar informados sobre quais são os principais problemas de saúde da população e cobrar do órgão gestor (SMS) informações sobre ONDE e COMO estão sendo gastos os recursos e repassar essas informações para suas entidades. na Câmara Federal. O poder executivo governa. no Senado. A Constituição é um conjunto de leis que regem a vida do povo. É preciso que nós tenhamos conhecimento da nossa Constituição. com aqueles relacionados à saúde. estado e no município. assim termos saúde? (pois como já vimos anteriormente. com a nossa participação e controle. O que você entende por Municipalização? Para que possamos entender a municipalização. Legislativo e o Judiciário. Governadores e Prefeitos. bem como. nas Assembléias Legislativas Estaduais e nas Câmaras de Vereadores. troca de . Os conselheiros não devem se preocupar apenas com a assistência médica curativa individual. precisamos ter clareza na seguinte questão: de quem é a responsabilidade para que nós tenhamos uma vida adequada e digna e. para sabermos quais são os nossos direitos e nossos deveres. lixo. Quando o povo escolhe bem o seu governo. essas pessoas são indicadas por nós. Como um país democrático. o Presidente da República. com toda a coletividade. que fazem ou aprovam as leis para o governo executar. é lutar pelo que é seu. Devem também contribuir no levantamento e análise dos problemas de saúde. sem que haja assistencialismo. Deputados Federais e Estaduais e os Vereadores. e sim. Poder Judiciário  Poder Executivo  Poder Legislativo  Faz parte do Poder Executivo. do Legislativo são os Senadores. possui três poderes que conduzem a vida de seu povo: Executivo. é elaborada pelos representantes do povo. além de acompanhar as ações realizadas. como é o caso da educação. É por isso que se torna muito importante sabermos LER. a resposta da questão formulada acima. Essa questão nos leva a pensar na organização política do lugar onde moramos.representantes LEGÍTIMOS se forem indicados pelo grupo ou entidade que faz parte. através do VOTO para cumprir a Constituição que existe no país. além de acompanhar a qualidade do atendimento e o funcionamento dos serviços de saúde. fiscalizando os resultados para verificar se houve melhorias nas condições de saúde da população. etc. o poder legislativo faz as leis e/ou aprova ou não o que o executivo quer fazer e o judiciário julga o que os outros dois poderes fazem. para se ter saúde precisamos ter uma vida digna). saneamento. Assim sendo. Ter acesso à leitura e saber ler é desvendar os véus do mundo.

incluindo aí a área da saúde. Organizada a partir de conferências municipais e estaduais. só que. entre outros) a IX Conferência Nacional de Saúde ocorreu praticamente às vésperas da votação do "impeachment" do presidente Fernando Collor de Melo. NOB-SUS 01/93. seja na luta contra o retrocesso. como estratégia. Logo após a sua realização. Este processo foi implantado a partir de novembro/dezembro de 1994. em demandas de mudanças e avanços. novamente o Movimento Sanitário reivindicou e pressionou pela realização da IX Conferência Nacional de Saúde já atrasada em dois anos. representando um importante ato político. como foros permanentes de negociação e deliberações. foram criadas as Comissões Intergestores Bipartite . DESCENTRALIZAÇÃO Na crise do governo. foi o referencial do processo de implantação do SUS desde aquele momento. com sua especificação na área da saúde. já havia mais de uma centena de municípios no Brasil. do próprio Governo Federal. foram habilitados e assumiram esta condição de Gestão Semi-Plena 24 (vinte e quatro) municípios. da assistência médica. com intensa participação social (representantes de usuários. Essa gestão define e assume a decisão política de continuar a luta pela efetiva implantação do SUS. em fins de 1994. à semelhança do início da Nova República. com diferentes níveis de responsabilidades para os Estados e Municípios e. tendo como eixo central o processo de formulação e implantação da NOB SUS 01/93. Ao final de 97. sendo que no Brasil. seremos sempre deixados à margem de qualquer política social. que se expressa no documento "A Ousadia de Cumprir a Lei" e na chamada Norma Operacional SUS 01/93.4% da população e 10. compreendendo 7. Para os Municípios. em 1992.86% dos municípios. houve alteração no quadro encontrado de 1992 até dezembro de 1994. explicitando a dimensão e o poder de articulação acumulados pelos defensores do SUS e de seu processo de descentralização na gestão dos serviços e ações de saúde. época era de retrocesso na política e administração pública. Para a coordenação. movimentos populares e sindicais. com reafirmação e reforço da defesa dos avanços e conquistas jurídicas.07% dos recursos alocados do sistema financeiro das despesas federais para o custeio (SIA/SIH/SUS). institucionais e práticas da reforma sanitária e da implantação do SUS. corrupções e ingerências políticas. Neste sentido. gerenciamento e controle deste processo. a qual veio a ser realizada no período de 9 a 14 de agosto de 1992 tendo como tema central "Saúde: a Municipalização é o Caminho". expressão prática de decisão política da "Ousadia de Cumprir a Lei". a Constituição e as Leis do SUS. agora. associações. é importante a nossa ORGANIZAÇÃO. reformulação do aparelho estatal. Assumiu a gestão da saúde um grupo técnico/político do Movimento Sanitário. . ou seja. seriamente afetada. Por isso. estavam habilitados 43 (quarenta e três) municípios. em outra realidade da reforma sanitária. perfazendo um total de 0. foi destituído o governo e houve a expectativa e esperança de um novo momento de avanço democrático. desenvolvimento econômico e social.CIB e Tripartite . A terceira Norma Operacional Básica do SUS. Em fins de julho de 1995. com intensa participação da sociedade em denúncias e críticas. tendo procurado sistematizar o processo de descentralização da gestão do sistema e serviços.CIT. num esquema de transição. de maio de 1993. foram estabelecidas três condições de gestão: Incipiente. por relação. É preciso ressaltar também que sem uma organização consciente do povo.favores. duas: Parcial e Semi-Plena. seja de apoio ao movimento político pela substituição do governo (Carta da IX Conferência Nacional de Saúde à Sociedade Brasileira). Parcial e Semi-Plena e para os Estados.

criando mecanismos para o fortalecimento da capacidade de gestão do Sistema Único de Saúde e atualizando os critérios de habilitação de estados e municípios. definindo como principal operador da rede de serviços do SUS o Sistema Municipal de Saúde . em relação ao financiamento federal do SUS. definindo o processo de regionalização da assistência. Houve um verdadeiro movimento municipal de saúde no sentido de as prefeituras assumirem. e a necessidade de seu aprimoramento. descentralizando os instrumentos gerenciais necessários por meio das formas de gestão propostas.R. Para a gestão estadual estabeleceu também duas condições: Avançada do Sistema Estadual . começou a ser estudada e formulada a quarta Norma Operacional Básica do SUS. caracteriza as responsabilidades sanitárias de cada gestor.NOAS-SUS 01/2001. F. b) promover as condições e incentivar o gestor estadual com vistas ao desenvolvimento dos sistemas municipais de modo a conformar o SUS Estadual. em termos de concretizar ou pôr em prática os seus princípios e diretrizes. de 26 de janeiro de 2001. 95. desse modo. o da descentralização das ações e serviços de saúde foi o que teve maior presença e avanço. o Movimento Municipalista vem tendo um progressivo crescimento e articulação. passou a ter significativa participação do Movimento Sanitário e no processo de implantação do SUS. a questão da municipalização não surgiu de uma visão filosófica doutrinária ou técnica provinda da União e dos estados. publicada no Diário Oficial da União. o compromisso com a resolutividade. através da Portaria GM/MS. permitindo aos usuários ter visibilidade dos responsáveis pelas políticas públicas que determinam o seu estado de saúde e condições de vida. em 1987 (CONASEMS).GASM e Plena do Sistema Estadual . Em síntese. se aprovou a Norma Operacional da Assistência à Saúde . foi implantada no início de 1998. Por último. assim. a NOB-SUS 01/96." De fato. culminando com a criação do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde. levando à população a extensão de cobertura. Montes Claros (1985) e Londrina (1987). a integração e a modernização dos sistemas estaduais compondo.A. as Transferências Regulares e Automáticas Fundo a Fundo e a Remuneração por Serviços Produzidos. através da Portaria Ministerial Nº. ao lado do Conselho . E.GPSM. A NOB-SUS 01/96 estabeleceu. no âmbito nacional. e o momento político de novas gestões federal e estaduais.GPSM. A NOB-SUS 01/96. Dada a complexidade do processo. o SUS Nacional. A NOB-SUS 01/96.GPAB e Plena do Sistema Municipal . pode-se dizer que. permite o estabelecimento do princípio constitucional do comando único em cada nível de governo. ampliando as responsabilidades dos municípios na atenção básica. para assistência hospitalar e ambulatorial. 1995). no encaminhamento do processo de implantação do SUS. duas condições de gestão municipal: Plena da Atenção Básica . Como diz Nelson Rodrigues dos Santos (in Goulart. Municipalização: Veredas Caminhos do Movimento Municipalista de Saúde no Brasil. estabeleceu. também. embora com as dificuldades referentes ao financiamento do SUS. destacando-se os Encontros Nacionais de Secretários Municipais de Saúde. c) fomentar a harmonização. mantendo neste último caso a modalidade da Transferência por Convênio. com cerca de 12% de população e 20% dos recursos do teto financeiro. para as ações de vigilância sanitária e para as ações de epidemiologia e de controle de doenças. que aconteceram em São José dos Campos (1982). Para o Ministério da Saúde estabeleceu quatro papéis básicos: a) exercer a gestão do SUS. cada vez mais.habilitados na Gestão Semi-Plena. não mais meramente preventivista e contemporizadora. de 06/11/96. e d) exercer as funções de normalizações e de coordenação no que se refere à gestão nacional do SUS. que avança o processo de municipalização do setor saúde e.

controlar e avaliar as ações e serviços existentes e necessários à assistência de sua população. plenárias. através do relatório anual de gestão. mas a responsabilidade de administrar a saúde da população através da autonomia de planejar. Hospitais.Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS). ter uma comissão de estudos para elaborar o plano de carreira. a solução dos seus problemas. aos governos federal e estadual e aos seus conselhos de saúde e ter uma rede básica de serviços de saúde. habitação. favorece a democratização do sistema pela proximidade maior dos usuários do centro de decisões. pois é no MUNICÍPIO que o indivíduo mora e sente seus problemas. através dos diferentes mecanismos de participação (conselhos. a capacidade de controle social. etc. Posteriormente. quais sejam: ter um plano municipal de saúde.). . no sentido de que o Município pode assumir e atuar como base da Federação. O que será municipalizado? Inicialmente.) serão também municipalizadas. tendo a garantia da solução para o seu problema. o indivíduo deverá ser encaminhado a outro. ter um conselho municipal de saúde. financeiros. o processo de municipalização se deu na área da SAÚDE. É importante compreender que. da descentralização/municipalização da saúde parece ter um potencial significativo. A idéia. nos seus respectivos e competentes papéis constitucional e das Legislações Complementares. editou-se a NOB que regularizava a transferência dos recursos financeiros da União para os Estados e Municípios. e outros grupos institucionais e sociais. caso não haja resolutividade naquele município. contudo. etc. já que a descentralização. principalmente na área das políticas sociais. em tese. A municipalização não é só o repasse financeiro e de poder da esfera federal e estadual para o município. Na prática. da rede física das unidades de saúde (Postos. prestando contas. deve ser também no município. enquanto política pública. cargos e salários para os servidores da saúde. Centros. particularmente na saúde. deve preencher os requisitos da lei 8. Departamentos. das atividades e aplicação dos recursos. organizar. normas e regulamentos que constituem o arcabouço (estrutura) jurídico do SUS. O que não significa isolamento. materiais e técnicos existentes. daí. porém. destinar anualmente 10% dos recursos orçamentários do município ao setor saúde. executar.). dos órgãos da administração central (SMS. dos recursos humanos. aumentando assim. para efetivar o processo. com a municipalização da saúde. o município trabalhará conjuntamente com os governos federal e estadual e.) bem como de seus dirigentes. Sistema Municipal de Saúde Um Sistema Municipal de Saúde compõe-se: do conjunto de leis. transporte. etc. instituir um fundo municipal de saúde. municipalização significa a transferência de responsabilidades e recursos da União e do Estado para os Municípios. das políticas e diretrizes fixadas para o setor no âmbito do município. conferências. com maior agilidade para provocar as devidas transformações. etc. mas uma progressiva e permanente articulação e integração com os níveis estadual e federal. portanto. todas as outras áreas (educação. dos usuários. Laboratórios. o planejamento das ações de saúde e o controle social.142.

83 . local que seja a referência para a população. o MUNICÍPIO deverá ter uma estrutura técnica-administrativa-financeira para atingir ao objetivo proposto.ter o diagnóstico do município. É preciso criar as condições para assistência à saúde da população. e. lutarmos por um modelo preventivo. Incentivo de Vig. Vale salientar que toda e qualquer ação de saúde "produz" um recurso orçamentário o qual voltará para a própria saúde. A NOB/96 garante financiamento diferenciado para cada tipo de gestão e quanto maior cobertura de assistência básica à população for garantida no município. Enquanto perdurar um modelo assistencial curativo.ter a figura do Secretário Municipal (gestor) que deve ter visão de saúde pública.00/ano. . . Financiamento da Saúde O recurso para assegurar as ações de saúde são provenientes dos recursos orçamentários da União.00 per capta (mês) 3 – PAB Variável que se compõe de: PACS = R$ 240.1.ter estrutura organizacional (organograma) . tais como: Secretaria Municipal de Saúde.00/ano e Mod. equipe técnica capacitada e capacidade administrativa. .00 X população X ano 4 . De que é constituído o Teto Financeiro do Município? 1 – AIH 2 – PAB Fixo = R$ 0. Epidemiológica – TFECD Medicamento = R$ 2.FAE que compõe: Fisioterapia Outros Exames de Imagenologia Radiodiagnóstico .Mod.00 X nº de ACS PSF = faixa de cobertura PSF/Saúde Bucal . . Incentivo de Vig. Esses recursos devem ser destinados para a Saúde e com criação do FMS é garantido que estes recursos serão geridos pelo setor de saúde e não pela Secretaria da Fazenda em caixa única para o município. II = R$ 19.25 X pop. as causas de muitas doenças serão deixadas de lado. . I = R$ 15. No município existe a Prefeitura e seus Órgãos Administrativos (Secretarias) e no processo de municipalização alguns pontos são essenciais. dos Estados e Municípios. ou seja.ser criada oficialmente através de lei ou decreto. este receberá incentivo através das prerrogativas. Fundo Municipal de Saúde e Política de Recursos Humanos. autonomia administrativa financeira.200.elaborar o plano municipal de saúde. Sanitária = R$ 0. daí ser importante.ter estrutura física definida. Conselho Municipal de Saúde. Secretaria Municipal de Saúde É a instituição local que irá promover a política municipal de saúde e deve: . o Município destina uma parte de seu orçamento para o Fundo Municipal de Saúde – FMS e recebe também dos governos estadual e federal.definir suas normas internas – regimento da SMS.É preciso estar bem claro que no processo de municipalização. habilidade para trabalhar com a pessoa do prefeito.600.

29/2000 Esfera de Governo 2004 União 5% + 1999 variação do PIB Estados 7% Municípios 7 % 2000 2001 2002 2003 Idem + variação do PIB Idem + variação do PIB Idem + variação do PIB 8 % 9 % 10 % 12 % 8. e para haver a assistência à saúde. no SUS. ele estará ajudando a si mesmo. Exigir capacitação é um dever que o próprio sistema tem que cumprir.2 % 11. ao sistema e principalmente a população.8 % 15 % Idem + Política de Recursos Humanos Este item é de suma importância porque estamos tratando dos recursos humanos. Odontológico (Procedimento) Órtese/Prótese – Ortopédica Ultrassonografia TFD Medicamentos Especiais Urgência e Emergência 5 – ALTO CUSTO que compõe: Medicina Nuclear Exames Hemodinâmicos Radioterapia Quimioterapia Outras Terapias Especializadas Diálise 6 – Convênios: REFORSUS VIGISUS Específicos Emenda Constitucional nº. dessa forma.Patologia Clínica Outros Exames Especializados Consultas Especializadas Consultas com Procedimentos Atendimento. assim sendo. precisamos ter bem clara uma política de recursos humanos em todos os níveis. é muito importante a participação de todos para que haja a concretização de um plano de cargos e vencimentos municipal. O ACS pode e deve participar da profissionalização para auxiliar de enfermagem. como também. não deverá haver diferenças salariais para a mesma atividade. .6 % 10.

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