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Crise de 1929 - Apostila

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CRISE DE 1929

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CRISE DE 1929

alimentos os mercados interno e externo. As


CONCEITO
indústrias funcionavam a todo vapor, transformando
A Crise de 1929 foi uma grande crise econômica as pessoas comuns, principalmente as de classe
que atingiu, inicialmente, os Estados Unidos e, média, em consumidoras compulsivas. Era importante
posteriormente, todo o mundo capitalista. Também é que cada família tivesse o último modelo de máquina
conhecida como Quebra da Bolsa de Nova York ou de lavar, do fogão e do rádio produzido nos EUA.
Grande Depressão. É considerado o pior e o mais
longo período de recessão econômica do século XX. ESPECULAÇÃO FINANCEIRA
CONTEXTO A euforia econômica foi acompanhada de grande
especulação na Bolsa de Valores de Nova York, que
Após a Primeira Guerra Mundial, os EUA continuaram se transformou no pulmão econômico do planeta e, a
a crescer em ritmo acelerado e, nesse contexto, a partir de 1927, pequenos, médio e grandes
Europa estava com a economia decadente devido à investidores passaram a aplicar suas economias em
destruição causada pela guerra. Assim, os EUA ações.
passam a exportar enorme quantidade de capital e de
produtos para os países europeus. Essa situação criou
um clima otimista que tomou conta dos EUA, fazendo
QUEBRA DA BOLSA
a economia crescer. Exportações, aumento do Contagiados pela febre do lucro fácil, muitos
consumo interno, crescimento industrial e das empresários especulavam aumentando
aplicações na bolsa de valores. Parte da indústria artificialmente o preço das ações de suas
bélica havia se transformado em produtora de bens empresas.
de consumo. Aliado a isso, os EUA recebiam grandes
quantidades de dinh eiro de Assim, depois da alta espetacular no primeiro
países europeus como semestre de 1929, os preços não correspondiam mais
pagamento de dívidas de à real situação das empresas; mesmo as que se
guerra. Existiam, portanto, encontravam no vermelho, viram suas ações subindo
condições favoráveis para a muito além do esperado.
realização do sonho
americano, o consumo em Em um dado momento, percebendo que o valor das
massa e grande produção suas ações tinha subido
fabril, o chamado American Way of Life. exageradamente, milhares
de investidores começaram
AMERICAN WAY OF LIFE a vendê-las e, como não
havia compradores em
Caracterizada pelo jazz, pelas estradas rasgando o número suficiente, os
país, o automóvel ao alcance da maior parte de preços desabaram em 24
população, o mundo de Hollywood, a Lei Seca, a máfia de outubro, atingindo os piores números no dia 29 de
e os gangsters. outubro.

O consumismo desenfreado era amplamente


MECANISMO DA CRISE
incentivado; os meios de comunicação diziam que
consumir era um ato de patriotismo. A confiança na Quando a oferta é maior que a procura, os preços
prosperidade econômica, a facilidade aberta pela tendem a cair. Assim, em outubro de 1929,
compra a prestação e a força da propaganda, levaram ocorreu aumento da venda de ações e diminuiu
os estadunidenses a consumirem mais. a compra. Mais de 80% das ações não
encontraram compradores, causando a
Assim, os anos 20 foram marcados pela plena euforia desvalorização. Foi o fim do sonho americano.
econômica. Naquele período, a agricultura, tida
como a mais mecanizada do mundo, inundava de
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CRISE DE 1929

Milhares de indústrias e empresas rurais foram à


CAUSAS
falência e milhões de pessoas perderam o emprego,
Por volta de 1924, a economia europeia, demonstrava deixando, como isso, de pagarem as prestações das
sinais de recuperação. Com isso, ocorreu a inevitável compras feitas pela facilidade de crédito obtida
diminuição das importações dos produtos durante a euforia econômica; causando a falência de
estadunidenses. 5 mil instituições financeiras e bancos. Os anos
seguintes foram marcados por uma grande depressão
A diminuição das exportações estadunidenses, não econômica.
foi acompanhada pela diminuição da produção
agrícola e industrial, que teve como reflexo, a crise de A quebra da Bolsa de Valores de Nova York, afetou o
superprodução. Inspirado nas ideias liberais, nos mundo inteiro, pois a economia estadunidense era a
Estados Unidos vigorava o livre mercado, ou seja, alavanca do capitalismo mundial. As bolsas de
cada empresário fazia o que bem entendia, sem Londres, Berlim e Tóquio também quebraram.
interferência do governo.

Paralelamente à crise ESTADOS UNIDOS


de superprodução,
existia a crise de  85 mil empresas faliram;
subconsumo no  5 mil bancos e empresas financeiras
mercado interno dos quebraram;
 Desemprego com taxas de 27%;
EUA. Havia grande
 Fome e a miséria;
concentração de
 Queda de 45% na produção industrial;
riqueza, que restringia o consumo, uma vez que, 90%
 Queda de 60% na produção do aço;
das riquezas estadunidenses estava nas mãos de 13%
 Queda de 70% na indústria de automóveis.
da população. Além disso, os salários dos
trabalhadores da indústria e do comércio se
mantiveram achatados, restringindo o poder
aquisitivo da população. EUROPA

 Crise socioeconômica;
Dessa forma, a concentração de riquezas nas mãos de
 Não pagamento de dívidas internacionais;
poucos, a compressão dos salários, o aumento
 Sentimento nacionalista de revanchismo;
constante do ritmo de produção industrial e agrícola
 Crescimento do ideal socialista;
e a concorrência europeia no mercado internacional,
 Ascensão de regimes totalitários.
geraram mais mercadorias à venda do que pessoas
com capacidade de compra, configurando-se, assim,
a crise de superprodução e a crise de subconsumo. BRASIL
O resultado disso foi o acúmulo de estoques. Sem
conseguir vender suas produções, as empresas O Café, principal produto de exportação
diminuíam a produção e demitiam seus empregados brasileiro, tinha os Estados Unidos como o
principal consumidor. Com a crise, os EUA
que, consequentemente, paravam de consumir. Com
diminuíram suas importações, provocando o
as empresas falindo, aumentava ainda mais o
aumento dos estoques do produto no Brasil e,
desemprego e diminuía o consumo.
consequentemente, sua desvalorização.

CONSEQUÊNCIAS
A crise acabou chegando ao mercado de ações. De
1920 a 1929, os estadunidenses compraram ações de
diversas empresas. Com a crise, os preços das ações
na Bolsa de Nova York, um dos maiores centros
capitalistas da época, despencaram, ocasionando a
quebra, em 24 de outubro e atingindo os piores
números no dia 29 de outubro.

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CRISE DE 1929

disso, criou leis que protegiam os trabalhadores e os


MUNDO
desempregados.
O comércio internacional reduziu 25%, e a
produção industrial teve uma queda de No início, Roosevelt enfrentou forte resistência da
aproximadamente 39%. classe empresarial liberal. No entanto, ela diminuiu
Na América Latina, a repercussão da crise foi com o tempo, pois essas medidas ajudaram os EUA a
grande, pois os países forneciam basicamente saírem da crise econômica. Entretanto, os efeitos
produtos agrícolas e matérias-primas aos EUA, econômicos da depressão de 30 só foram superados
que reduziram ou cortaram as compras que faziam
com a Segunda Guerra Mundial, quando o Estado
desses países. Com menos dinheiro, os países
tomou conta, de fato, da economia, ajudando a
latino-americanos deixaram de investir, gerando
ampliar as exportações. Podemos até concluir que a
desemprego e miséria.
guerra foi, então, uma saída natural para a crise do
sistema capitalista.
ATENÇÃO!!!
O New Deal inspirou o surgimento do Welfare State,
A crise só não atingiu a URSS, que, isolada pelos
visto que foi uma nova forma econômica assumida
países do Ocidente, após a Revolução Socialista
pelo capitalismo internacional, o neocapitalismo,
de 1917, tinha um comércio insignificante com os
que permaneceu forte até a década de 1970, quando
países capitalistas. Nessa época, a URSS entrava
foi substituído pelo neoliberalismo.
numa fase de industrialização rápida e intensa por
meio dos Planos Quinquenais, que estipulavam o
que produzir, como produzir e como distribuir.
MEDIDAS ADOTADAS

[ Intervenção do Estado nos setores econômico


e financeiro;
NEW DEAL [ Contratação de empregados pelo Estado com
a criação de frentes de trabalho (obras
O início da Grande Depressão acentuou a públicas);
necessidade de medidas estatais para tentar proteger [ Destruição de parte da produção agrícola
a economia estadunidense. Em 1933, o democrata para a recuperação dos preços;
Franklin Roosevelt, assume como presidente dos [ Controle sobre os preços e a produção na
Estados Unidos e, para contornar a crise, elaborou um agricultura e na indústria;
programa de ação desenvolvido pelo economista [ Seguro-desemprego e previdência social para
inglês John Maynard Keynes, que tinha o objetivo de idosos acima de 65 anos;
resgatar o crescimento econômico, denominado New [ Diminuição da jornada de trabalho, com o
Deal. objetivo de abrir novos postos.

Basicamente, o New
Deal consistia em uma
maior interferência do
Estado na economia,
regulando o mercado, o
que abalava os
“dogmas” do
capitalismo liberal. O
governo estadunidense
passou a controlar os preços e a produção das
indústrias e das fazendas, diminuindo a inflação e
evitando a formação de estoques. Também criou
empregos por meio de obras públicas e empresas
estatais. Construiu hidrelétricas, estradas, represas,
portos, hospitais, praças, escolas e aeroportos. Além

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