ALFABETIZAÇÃO E ALFABETISMO/LETRAMENTO: TRAJETÓRIAS E CONCEITUALIZAÇÕES DOS FENÔMENOS Luciana Piccoli1 – lucianapcl@yahoo.

com Resumo As definições dos fenômenos de alfabetização, alfabetismo e letramento estão relacionadas aos diferentes olhares lançados sobre tais processos. A investigação trata, portanto, da trajetória desses conceitos abordados por diferentes autores em um recorte da produção acadêmica na área da educação. Faz-se uma incursão sobre a origem dos termos, já que a história da alfabetização, do alfabetismo e do letramento entrelaça-se com a própria história de cada uma dessas palavras. Por fim, salienta-se a compreensão de alfabetização como o processo de aquisição da leitura e da escrita e faz-se a opção por alfabetismo no lugar de letramento no que se refere às práticas sociais, culturais e históricas que advêm da utilização de tais habilidades. Palavras-chave: Alfabetização. Alfabetismo. Letramento. Práticas de leitura e de escrita. Estado da arte. 1 Introdução A presença do conceito de alfabetização aliado ao de alfabetismo e ao de letramento tornou-se corrente na área da educação desde aproximadamente a década de 1980. As definições desses fenômenos, entretanto, são distintas e algumas vezes até imprecisas, dependendo tanto do contexto histórico no qual estão inseridas quanto das diferentes perspectivas teóricas e metodológicas que as embasam. Ao considerar que a compreensão dos diferentes olhares lançados sobre tais processos é significativa para a comunidade acadêmica, para a formação do professor e, conseqüentemente, para a aprendizagem de crianças, jovens e adultos no que se refere à leitura e à escrita, proponho-me a localizar produções acadêmicas que explicitam os fenômenos de alfabetização, alfabetismo e letramento. Mais especificamente, meu intuito é analisar, através de aproximações e distanciamentos, os conceitos anteriormente referidos, abordados por diferentes autores em um recorte da produção acadêmica na área da educação de crianças, jovens e adultos. Após explicitar os objetivos desta investigação teórica, é importante esclarecer que, dentre os vastos estudos pelos quais perpassam a temática da leitura e da escrita, faz-se necessária a realização de uma seleção dos autores e de suas respectivas pesquisas para posterior análise. Assim, o critério para a escolha dos autores foi o grau de intensidade da produção intelectual de cada um e, para a seleção dos estudos, a representatividade de cada perspectiva dentro dos múltiplos olhares pelos quais se torna possível visualizar os conceitos de alfabetização, alfabetismo e letramento. Ao considerar que minha intenção não é abarcar a totalidade das produções intelectuais, proponho-me a citar excertos, comentar aspectos e tecer considerações que possibilitem a visualização dos fenômenos através de algumas dimensões

Esta investigação é resultado de um recorte teórico da monografia de conclusão do Curso de Especialização em “Alfabetização e Letramento: articulações com a ação supervisora” da Universidade do Vale do Rio dos Sinos sob a orientação da Profª. Drª. Iole Maria Faviero Trindade - ioletrin@terra.com.br. Atualmente, sou professora da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre na Educação de Jovens e Adultos, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tendo como orientadora a Profª. Drª. Maria Helena Degani Veit, exercendo a função de professora temporária do Departamento de Ensino e Currículo no Curso de Pedagogia da mesma Instituição.

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Cadernos FAPA – N. Especial. – 2008 – www.fapa.com.br/cadernosfapa

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47).] sendo. da língua inglesa. o sentido que assumem. na década de 1980. Especial. uma relação entre o significado da palavra e a realidade social.. 3 Originalmente.. não apresentando. Mortatti (2004. sociológica e educacional ou pedagógica. professora na área da alfabetização e pesquisadora. o que não acontece com o termo alfabetismo que se refere justamente ao estado contrário. Tais alternativas expressam a falta de um consenso. na realidade brasileira. p. aqui. entretanto. entretanto. Na tradução do texto de Graff3 (1990. Dentro desse campo de análise. evidenciando. no momento de seu ressurgimento. apresentado juntamente com “letramento” e encontrando-se também nos três dicionários gerais. as obras e os excertos selecionados são resultado de uma escolha. para designar esse fenômeno relacionado à leitura e à escrita.]”.2 2 História do processo. há outras produções e trechos significativos para serem analisados.. quando sofrem influência do vocábulo inglês literacy e quando apontam a necessidade de ampliação. uma vez que essa é uma tarefa imprescindível ao estudo proposto. na obra “Educação e letramento”. p. critique and proposals (grifo nosso). As palavras letrado e letramento remontam aos séculos XVIII e XIX. remontando ao início do século XVIII e significando “[. atualmente: “letramento” é a palavra mais recorrente utilizada na maioria dos textos acadêmicos sobre o tema e se encontra também no dicionário geral mais recente e nos dicionários técnicos de lingüística abordados. explicita que analfabeto é a de uso mais antigo. uma vez que fora traduzida. possivelmente. Tomaz Tadeu da Silva escreveu uma nota para justificar a preferência pela palavra alfabetismo. do alfabetismo e do letramento entrelaça-se com a própria história de cada uma dessas palavras. no Brasil. respectivamente. quais sejam: as perspectivas histórica. alfabetismo. letramento. Cadernos FAPA – N. história da palavra A história da alfabetização. Tal seleção é atravessada pela minha história de vida e pelos diferentes papéis que nela desempenho ao ser estudante.. explicita: Em síntese. não cabe.] “lectoescrita” é mais recorrentemente utilizado em sentido relativamente diferente. da definição de saber ler e escrever. nas propostas e práticas alfabetizadoras decorrentes do pensamento de Emilia Ferreiro.com.fapa. p. serão utilizados tanto o termo alfabetismo quanto letramento. 64).. O tradutor também atenta para o fato de que o vocábulo analfabetismo é amplamente conhecido na língua portuguesa. Sem dúvida. realizar uma investigação que abarque todo o estado da arte da alfabetização. “alfabetismo” (considerada mais “vernácula”) é utilizado em alguns textos acadêmicos. e “lectoescrita” é o termo que figura no dicionário técnico de alfabetização abordado.] qualidade ou estado de ser alfabetizado [. Farei uma breve incursão sobre a origem dos termos. [. – 2008 – www. Nesta investigação. por vezes. 38). iletrado apresenta um significado semelhante ao de analfabeto.] o ignorante das letras do alfabeto. a palavra literacy. merece atenção especial. que não sabe ler nem escrever e.. que teria uma definição nos dicionários muito semelhante ao termo literacy: “[. para o português.. [. A autora (MORTATTI. lectoescrita e cultura escrita. o artigo foi publicado em 1981 e intitula-se Reflections on the history of literacy: overview. 2004. para caracterizar os estudos dos autores selecionados. em detrimento ao neologismo letramento.br/cadernosfapa 41 . quero reiterar o fato de que os autores. também. em diferentes versões: alfabetização.que os conceituam de forma explícita. A palavra analfabetismo. Sobre os usos da tradução de literacy.. em sentido que se quer semelhante ao de “letramento” e “alfabetismo”. ao analisar palavras desse campo semântico em três dicionários gerais da língua portuguesa. naquela época. referindo-se ao problema que envolvia o estado ou condição de analfabeto. Contemporâneo a esse termo. 2 Diante do exposto. nas últimas décadas.. porém. entretanto.. que não tem instrução primária”. é utilizada apenas no final do século XIX.

15) explica que a palavra letramento. Gnerre (1985. primeiramente. p. em artigos de revistas pedagógicas. Cadernos FAPA – N. Em 1988.. depois pelo gênero texto didático e. em documentos oficiais de instituições escolares. 28) explicita a complexidade dessa tarefa: 4 5 Na obra. 9) situa o primeiro processo no campo individual e o segundo. a complexidade desse campo de investigação para. Kato. em 1995 é uma evidência da ampliação de seu uso: “Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita” (2004a). 15) levanta a hipótese de que é a partir desse fato que a palavra letramento recebe estatuto de termo técnico na área da educação e da lingüística para. p..fapa. Desde então. Soares (2003. então. a análise dos fenômenos sob diferentes perspectivas teóricas e metodológicas.com. A Prova Brasil. por fim.] o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire em grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita”. A presença do referido conceito no título de livro organizado por Kleiman e publicado. desde a primeira edição de Letramento: um tema em três gêneros. Uma das primeiras ocorrências do termo está presente na obra de Kato. a palavra letramento tornou-se abrangente.. em avaliações nacionais5 e internacionais de leitura e de escrita divulgadas pela mídia. 7-8). exame do Ministério da Educação aplicado ao final do Ensino Fundamental. seria uma conseqüência do letramento.] focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição da escrita”. de uma palavra que pudesse ser usada para designar esse processo de estar exposto aos usos sociais da escrita. Especial.. A autora organizou a obra em três diferentes gêneros para discutir o tema. que a função da escola seria a de introduzir a criança no mundo da escrita. 19) explicita na introdução:4 “Podemos definir hoje o letramento como um conjunto de práticas sociais que usam a escrita. presente em conversas informais entre professores. p. ou língua falada culta. – 2008 – www. pelo gênero verbete.Soares (2003. enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia. na qual a autora (1986. enfatizo. no âmbito social. obra publicada pela primeira vez em 1995. Kleiman (2004b. no Brasil. publicada em 1998. com foco em leitura e solução de problemas. uma vez que “[.br/cadernosfapa 42 . é um exemplo de avaliação que procura mensurar o conhecimento de língua portuguesa e de matemática. letramento perpassa. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. primeiramente. pelo gênero ensaio. Tfouni (2004. no qual a autora (1988. explicita a utilização do neologismo letramento para suprir “[. alfabetismo e letramento. p. 7) explicita. sem no entanto saber ler nem escrever”. no prólogo de Letramento e alfabetização. tornando-a um cidadão funcionalmente letrado: “[. iniciar.] um sujeito capaz de fazer uso da linguagem escrita para sua necessidade individual de crescer cognitivamente e para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação”. para objetivos específicos”..] a falta. primeiramente. efetivamente. define o fenômeno como “[... a norma-padrão. p. em nossa língua. p. perpassando por vários espaços da sociedade. Tfouni estabelece uma distinção entre alfabetização e letramento no capítulo introdutório do livro Adultos não alfabetizados: o avesso do avesso. 3 Leitura e escrita: um complexo campo de investigação Ao considerar que as contribuições de diferentes ciências são fundamentais para a compreensão dos processos de alfabetização. tornar-se cada vez mais corrente nos discursos de especialistas. teve sua origem no campo da educação e das ciências lingüísticas a partir da segunda metade dos anos de 1980. depois. Baseada em Scribner e Cole (1981). nas páginas iniciais. Para Kato. a autora sugere que o termo letramento tenha sido cunhado por Mary A.. Soares (2003). p. Assim. em contextos específicos.

a autora (1989. método..] ensino fundamental. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 estabelece. p. Dos Princípios e Fins da Educação Nacional. Nessa época. artigo 3º. sistema fonológico/sistema ortográfico. 7 Acrescento o prefixo negativo não. inciso I.. além de políticas públicas9 e de programas sociais empunharem a bandeira da alfabetização.fapa. Assim. é indeclinável dever do Estado garantir o acesso e a permanência na escola (grifo nosso). prontidão. uma disputa acirrada era travada entre os defensores dos diferentes métodos na busca do reconhecimento da maior eficiência para ensinar a ler e a escrever. artigo 206. aproximadamente. A análise da produção acadêmica e científica resultou na identificação dos seguintes temas. p. o documento Alfabetização no Brasil: o estado do conhecimento. Da Educação. a continuidade dos percursos escolares e a democratização do conhecimento. que compreende o período de 1961 a 1989. da Cultura e do Desporto. capítulo III. seus direitos e interesses. p. segundo esses documentos. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria”. fatores determinantes de sucesso ou insucesso na aprendizagem da leitura e da escrita.Podemos dizer que o campo de estudos da escrita.] na [não-]alfabetização. 1) afirma que é impossível deixar de reconhecer “[. no título II. a autora apresenta um levantamento e uma avaliação da produção acadêmica e científica sobre o tema. ao termo alfabetização. Da Ordem Social.] as abordagens psicológicas cognitivas.br/cadernosfapa 43 . as investigações sobre alfabetização centravam-se nos paradigmas psicológicos e pedagógicos.. 2): Ao enfoque psicológico predominantemente de natureza fisiológica e neurológica. a educação. seção I. Até. sobretudo no quadro da Psicogênese. conceituação de língua escrita.. Nas palavras de Soares (1989. Do Direito à Educação e do Dever de Educar. língua oral/língua escrita. Da Educação. alcançar uma boa compreensão da série de fatos e de idéias que são relevantes para o campo de estudos da escrita é uma façanha complexa. a antropologia e a psicologia. tais como a história. para enfatizar que o problema era o insucesso na aprendizagem escolar. caracterização do alfabetizador. aqui. inciso I: “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: [.8 as taxas de repetência e evasão eram alarmantes nas séries iniciais do Ensino Fundamental. concepção de alfabetização. no título III. 8 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) estabelece. sua investigação passou a ser contemplada por diferentes áreas do conhecimento. houve uma multiplicação de estudos e pesquisas na área acadêmica e científica sobre o tema. este último com ênfase nos prérequisitos e nos métodos para a alfabetização. – 2008 – www.7 o problema básico do sistema educacional brasileiro”. O mesmo texto aparece na LDBEN de 1996.. No embate contra o analfabetismo.. artigo 4º. 1989. a década de 1980. No ano seguinte. Nele. arrolados por ordem de predominância: proposta didática. obrigatório e gratuito.6 Os artigos publicados em periódicos especializados. 9 Políticas públicas são compreendidas. Especial. formação do alfabetizador. letra de forma/letra cursiva. Por essa razão.. Quando a complexidade do fenômeno da alfabetização e a multiplicidade de olhares pelos quais se pode visualizar esse processo foi reconhecida. é um cruzamento estimulante das principais áreas de categorização das atividades intelectuais tradicionais no pensamento ocidental. Desde então. dificuldades de aprendizagem.com. a sociologia. e à perspectiva psicológica vieram juntar-se perspectivas que explicam 6 Há um estudo posterior de Soares.] igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. avaliação. havendo um distanciamento entre a democratização do acesso à escola. como o conjunto de ações de governo que produz efeitos sobre determinado grupo social. organizado conjuntamente com Francisca Izabel Pereira Maciel (2000). abrangendo o período de 1954 a 1986. cartilhas. inciso I: “O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: [. como foi constituído nas últimas décadas. em 1989. Cadernos FAPA – N. Soares iniciou uma pesquisa sobre o estado da arte da alfabetização no contexto brasileiro que originou. utilizado pela autora. acrescentam-se [. 17). no título VIII. literatura para alfabetizandos (SOARES.. a lingüística. Apesar de o direito à educação estar garantido na legislação. dissertações e teses foram analisados a partir de categorias para identificar sob quais facetas a alfabetização foi investigada.

que propõe novos olhares sobre o alfabetismo ao questionar os supostos efeitos e conseqüências no 10 Originalmente. Ao retomar os objetivos desta investigação.br/cadernosfapa 44 . a perspectiva educacional ou pedagógica será conduzida através das discussões de Ferreiro e Teberosky (1999). princípios de organização e utilização de cartilhas. explicito as perspectivas e os respectivos autores que serão apresentados. Graff.. literária. uma revisão teórica em profundidade não cabe nos seus limites. p. sob as perspectivas sociológica.fapa. no capítulo “Sobre o estado da arte das pesquisas de alfabetização e de cartilhas” (2004b). Diante do exposto.. – 2008 – www.outras facetas da alfabetização: a perspectiva psicolingüística. uma vez que estes estão circunscritos a uma compreensão em extensão dos diferentes paradigmas que abordam os conceitos de alfabetização. fundamental na tessitura da rede de relações entre as perspectivas. entre outras fontes. sociedade e cultura: relações. que introduz o livro da autora. a pesquisadora (2004b) corrobora o estado incipiente das pesquisas históricas e culturais acerca da alfabetização no Rio Grande do Sul e propõe tal estudo através de ambas as dimensões. Soares (1995. as possibilidades de análise do fenômeno alfabetismo. no artigo “Língua escrita. Na área da educação. as propostas de alfabetização e de letramento tornaram-se tema preponderante nas discussões. a partir dos enfoques histórico e lingüístico. Além disso. Por fim. qual seja. Em seguida. que produziram impacto sobre a comunidade acadêmica a partir das décadas de 1970 e 1980 com a publicação de Psicogênese da língua escrita (1999). métodos e procedimentos. Através da busca bibliográfica sobre o tema no documento elaborado por Soares (1989). dimensões e perspectivas”. explicitamente. 13-15). abrindo o leque de alternativas de Gnerre e de seu estudo sobre o estado da arte da alfabetização. suas opções acerca dos fenômenos de alfabetização. Primeiramente. da sociologia e da educação na conceitualização dos fenômenos Inicio com o renomado historiador e pesquisador Harvey J. Reitero que a seleção dos autores está intimamente relacionada ao fato de que tais pesquisadores conceituam. alfabetismo e letramento. 2006) e Gadotti (2005). A edição brasileira de 1999 comemora os vinte anos de publicação.com. formação do professor alfabetizador – fosse desafiada por estudos e pesquisas provenientes de outros arcabouços teóricos. em 1979. econômica e política. anteriormente apresentadas. 11 O mesmo artigo está publicado na primeira parte do livro “Alfabetização e letramento” da referida autora (2004a). nos catálogos da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd). Especial. a dimensão histórica será visualizada através de Graff (1990) e Trindade (2004a). 4 Os olhares da história. desde os estudos de Ferreiro e Teberosky sobre o processo de aquisição da língua escrita.] o ensino e a escola. de forma enumerativa e exemplificativa. abre espaço para a discussão do estado do conhecimento das pesquisas de alfabetização e de cartilhas. tem produzido estudos sobre os condicionantes da alfabetização. Diante da amplitude do tema alfabetização e da exploração de seus variados vieses. a obra foi publicada em espanhol sob o título “Los sistemas de escritura en el desarrollo del niño”. em investigações recentes sobre letramento/alfabetismo. Cadernos FAPA – N. Ferreiro (2003) e Soares (2004b). Assim. mas a aprendizagem da leitura e da escrita. alfabetismo e letramento. o paradigma sociológico será focalizado a partir das vozes de Freire (1998. a cultural. elencando outras dimensões: discursiva. Todas essas facetas contribuíram para que a dimensão pedagógica – anteriormente centrada nas questões de pré-requisitos e preparação à alfabetização. destacando aquela que se evidenciou desde a década de 1990.11 menciona. Trindade (2004a).10 as investigações passaram a focalizar não mais o ensino. a sociolingüística e a propriamente lingüística. a compreensão dos determinantes sociais e políticos da educação. antropológica. resultado da análise crítica a que se vem submetendo [. textual.

das práticas de leitura e de escrita em diferentes grupos sociais e da escolarização da aprendizagem do ler e do escrever. é a publicação. o estudo da história dos sistemas de escrita. como. contrariamente o mais complexo. p. sociais.]”. os graus nos quais essas demandas foram satisfeitas. afirmando que alfabetismo é “[. possuir livros. claramente. relacionando o primeiro conceito ao processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita.] o alfabetismo alfabético. – 2008 – www. e o segundo. a extensão cambiante da restrição social na distribuição e difusão do alfabetismo. quando. p. testamentos.. mas não o menos importante. p.br/cadernosfapa 45 . O último critério. o matemático (‘numerismo’). As fontes para o estudo histórico do alfabetismo (censos. 35) deixa explícito. Além disso. apesar de carregarem suas especificidades. 40). entre outros tipos. p. os países.. 1990. assinalando que é preciso fazer uma distinção entre suas várias matizes que. Graff (1990. escrever.] reconstrução dos contextos de leitura e escrita. aos “[. portanto. o simbólico. a população considerada. 34 grifo do autor) elenca três tarefas para o estudo e interpretação do conceito. o contexto sócio-histórico no qual ele está inserido acaba sendo desconsiderado. das possibilidades de acesso à escrita. que o primeiro está mais próximo às palavras analfabetismo e alfabetização. o tecnológico e o mecânico. etc. residência. nacional e mestra: queres ler?. memorizar). depoimentos escritos. escrituras. uma vez que é polissêmico. 51) reitera a necessidade da definição do conceito. como livro. religião.. o visual e o artístico.” A perspectiva histórica contempla. e as diferenças reais e simbólicas que emanaram da condição social do alfabetismo entre a população. 1990. as demandas colocadas sobre as habilidades alfabéticas. (GRAFF. em vez de letramento. Cadernos FAPA – N. que se fazem dessas habilidades. por que e para quem o alfabetismo foi transmitido.] uma tecnologia ou conjunto de técnicas para a comunicação e a decodificação e reprodução de materiais escritos ou impressos [.]. tamanho e estrutura da família. os significados que lhe foram atribuídos. lugar de nascimento. inventários. trata da: [. O autor (1990. estão relacionadas: “[. assinar. É. ocupação. Níveis básicos ou primários de leitura e escrita constituem os únicos sinais ou indicações razoáveis que satisfazem esse critério essencial”.] usos históricos.. uma habilidade adquirida de forma distinta daquelas orais e/ou não-verbais. o autor (GRAFF. Primeiramente. a preferência pelo termo alfabetismo nos estudos históricos. as medidas de alfabetismo (ler. da tese de doutoramento da autora. estado civil. No ensaio “O mito do alfabetismo”. 35) diferencia alfabetização de alfabetismo. associa-o às práticas sociais da leitura e da escrita e apoia-se na definição que Graff faz do conceito. são focalizadas as cartilhas e os métodos de alfabetização adotados no período entre 1890 e 1930. A invenção de uma nova ordem para as cartilhas: ser maternal.] uma definição consistente que sirva comparativamente ao longo do tempo e através do espaço. Ao tratar da história do alfabetismo no Estado do Rio Grande do Sul. dados econômicos) são indicações sistemáticas e diretas para o estudo do alfabetismo. vê-se. Em segundo lugar. o espacial e o gráfico [. de Iole Maria Faviero Trindade (2004a). culturais. onde. utilizar uma cruz..com. a época. como poucos o fazem...fapa.desenvolvimento sócio-econômico... um fundamento. portanto. Diante dos pesquisadores apresentados.. Especial. uma base. p. na ordem social e no progresso individual dos sujeitos.. os usos que dele foram feitos....” A partir do campo da historiografia e dos Estudos Culturais.. a autora justifica. é necessária “[. então. seu entendimento acerca do complexo conceito literacy. sexo. Ao optar pelo termo alfabetismo. O autor atenta para o fato de que. independentemente da qualidade e complexidade de domínio das mesmas. das conseqüências sociais e culturais da imprensa. Trindade (2004a. registros de casamento e de exames catequéticos). através da exacerbada valorização do alfabetismo. além de outras variáveis adicionais (idade.

o processo de alfabetização inicia com a “leitura” do mundo – do pequeno mundo onde os sujeitos estão inseridos – do qual emerge a leitura da palavra. ao pensar em uma educação para os grupos populares.. É justamente a continuidade da frase que permite seu pleno entendimento. portanto. estendendo-se na compreensão do mundo e na ação política do ser humano na sociedade. Assim. 2006. “grávidas de mundo”. p. A concepção de alfabetização freireana é um ato político. quer dizer. à investigação sobre o valor simbólico da escrita em contextos sociais e sobre o lugar que a leitura e a escrita ocupam como bens culturais. 1998.]” (FREIRE.com. mas amplia o conceito para a compreensão do mundo. o discurso crítico sobre o mundo é uma forma de refazê-lo. na práxis. inseridas em um conjunto de representações de situações concretas possibilitam uma “[. p. à perspectiva sociológica. dessa maneira. podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’ ou de ‘reescrevêlo’. Ao propor uma compreensão crítica do ato de ler. Freire enfatiza a necessidade de as palavras presentes no programa de alfabetização pertencerem ao universo vocabular dos grupos populares. com estrita ligação à democratização da cultura. a imaginação torna-se essencial para que os sujeitos históricos e transformadores da realidade. então. agora. enfatiza que é necessário distinguir esses processos tanto pedagógica como politicamente. o ponto final é antecipado para onde. é um movimento dinâmico. O autor (FREIRE. Sua célebre frase: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra. de transformá-lo através de nossa prática consciente. carregadas da significação do povo. de reescrevê-lo e. Especial. toma lugar a leitura da “palavramundo”. Para ele. antecipem um mundo novo. Recentemente. p. uma vez que preconiza o sentido amplo da alfabetização: ir além do domínio do código escrito.” O processo de alfabetização. p. Ambos os autores apresentam Paulo Freire para sustentar seus argumentos. uma vez que linguagem e realidade prendem-se dinamicamente. salienta a linguagem como caminho de invenção de cidadania. 11) tem sido alvo de distintas interpretações. criador e de conhecimento que pode ser relacionada ao conceito de letramento em uma perspectiva sociológica.. 41). Dentre a vasta produção teórica de Paulo Freire. 20) propõe a continuação deste percurso: “De alguma maneira. daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. por último. já que o entendimento crítico do ato de ler ultrapassa a decodificação da linguagem escrita. está a vírgula. Como ler e escrever são atos indicotomizáveis. Moacir Gadotti e Magda Becker Soares discutem a questão “Alfabetização e Letramento Têm o Mesmo Significado?”. em uma comunicação sobre as relações da biblioteca popular com a alfabetização de adultos e. ao tratar das relações de aproximação e de distanciamento entre alfabetização e letramento. cuja primeira edição foi publicada em 1982. que se refere às relações entre as práticas sociais de leitura e de escrita com as características sociais dos sujeitos que as exercem. As palavras.br/cadernosfapa 46 . muitas vezes.fapa. O livro constituise em uma palestra sobre a importância do ato de ler. Freire (2006. 2006. A autora indica Freire como um precursor do conceito de letramento. Em função disso. porém. Cadernos FAPA – N. Freire não restringe a leitura à decodificação pura da linguagem escrita.Passo. Em outras palavras: para Freire.. já que. 21). a partir da continuidade de ambas as leituras – do mundo e da palavra –. atenho-me àquela que mais diretamente se relaciona às práticas de leitura e de escrita: A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. em um artigo que relata a experiência de alfabetização de adultos realizada por Freire e sua equipe em São Tomé e Príncipe. originalmente. Soares (2005).” (FREIRE. – 2008 – www.] ‘leitura’ mais crítica da ‘leitura’ anterior menos crítica do mundo [..

com. pois reduz esse processo à técnica de leitura e de escrita e esvazia seu caráter político. basicamente. apesar de serem referência nos estudos psicológicos e psicolingüísticos. Os métodos de alfabetização propõem um ingresso imediato ao código escrito. em transmitir-lhes o equivalente sonoro das letras e exercitálas na realização gráfica da cópia. As autoras (1999. como decifrado. para a possibilidade de opção por um dos termos ser concretizada. inibindo ambos os domínios. Ao considerar que a educação sofre influência das dimensões anteriormente referidas. sem haver independência e precedência de um processo em relação ao outro. as relações entre o grau de alfabetismo/letramento de diferentes contextos familiares e o sucesso ou fracasso na aprendizagem da língua escrita. para as autoras. as crianças chegam à escola nos mais diversos níveis de conceitualização da escrita. a definem como uma forma particular de representação gráfica. é possível afirmar que o termo alfabetização. as determinações de objetivos e metas do alfabetismo/letramento. materializa-se nas práticas sociais de leitura e de escrita. A ajuda consiste. através de uma lenta construção de critérios que lhe permitam compreendê-lo. O que a criança aprende – nossos dados assim o demonstram – é função do modo em que vai se apropriando do objeto. enfatizando a distinção entre eles.Gadotti (2005). assim como o da educação. mas oferecem subsídios para a compreensão do processo de aquisição da leitura e da escrita por parte da criança. ao afirmar que. considera a escrita como cópia e a leitura. 291) explicitam este distanciamento: Parte-se do pressuposto de que todas as crianças estão preparadas para aprender o código. jovens e adultos na cultura escrita. para Soares. pretendendo ensinar aspectos que nem sempre coincidem com o que a criança consegue aprender.fapa. expõem as conseqüências pedagógicas entre as propostas didáticas no ensino da leitura e da escrita e as concepções infantis. diante da efervescência do vocábulo letramento. os enfoques centrais da perspectiva educacional ou pedagógica são as condições de promoção do alfabetismo/letramento. por sua vez. uma vez que é o acesso a essa cultura que desencadeia o processo de alfabetização. Entretanto. Especial. os processos metodológicos e didáticos de inserção de crianças. com a condição de que o professor possa ajudá-las no processo. p. Ferreiro e Teberosky.br/cadernosfapa 47 . afirma que utilizar o termo letramento como sinônimo de alfabetização é uma posição ideológica contrária à tradição freireana. preferindo a expressão cultura escrita. Apesar da dissonância entre os pesquisadores. discorda da tradução de literacy por letramento. na conclusão de Psicogênese da língua escrita (1999). As autoras. Anos após a intensa divulgação dos estudos sobre a psicogênese da língua escrita. privilegia as crianças que já percorreram um longo e prévio caminho na conceitualização do sistema alfabético. Soares (2004b) discorda da concepção de Ferreiro. justificando que um estaria compreendido no outro. Desse modo. Partindo desse pressuposto. A autora faz essa afirmação por não aceitar a coexistência das duas palavras. no amplo sentido que Freire atribui à palavra. Ferreiro e Teberosky não contrapõem uma prática pedagógica à proveniente dos métodos de alfabetização. A alfabetização e o letramento são Cadernos FAPA – N. o significado da alfabetização precisaria ser ampliado para além da aprendizagem grafofônica e o significado do letramento necessitaria incorporar a aprendizagem do sistema de escrita. é preferível conservar ambos os termos. Ferreiro também argumenta que o termo letramento acarretou na redução do conceito de alfabetização à decodificação. A prática decorrente dos métodos de alfabetização. Além disso. A percepção e o controle motor tomam o lugar do próprio saber lingüístico e da própria capacidade de compreensão do sujeito. nenhum dos conflitos pelos quais os sujeitos passam são considerados pelas práticas que utilizam os métodos de ensino da leitura e da escrita. a partir da consideração das origens psicogenéticas e históricas da escrita. – 2008 – www. Ferreiro (2003) argumenta ser possível optar pelo uso ou do termo alfabetização ou do termo letramento. A coerência lógica que as crianças exigem de si mesmas não é contabilizada pelas exigências escolares.

grifo do autor) explicita a relação entre esses dois fenômenos: Não são processos independentes. e este. Nesse contexto. p. Por isso. habilidades e competências específicos. Grande parte das produções acadêmicas exige um processo de inferência da posição ocupada acerca do conceito abordado. mas de naturezas diferentes que envolvem conhecimentos. Graff (1990) enfatiza que esta definição é essencial aos estudos que tratam do assunto.processos simultâneos. direta ou indiretamente. Segundo Soares (2004b). em dependência da alfabetização. mas interdependentes e indissociáveis: a alfabetização desenvolve-se no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita. isto é. a alfabetização se desenvolveria em um contexto de letramento. sem perder a especificidade de cada fenômeno. contribuindo. por sua vez. pois pressupõem ações pedagógicas distintas. Para concluir. A partir da trajetória dos estudos sobre alfabetização. a identificação das relações fonema-grafema. E. reconhecendo as facetas próprias dos mesmos e os procedimentos de ensino adequados a cada uma delas. pela natureza do tema.com.br/cadernosfapa 48 . o professor das séries iniciais do Ensino Fundamental precisa ter subsídios teóricos e de metodologia de alfabetização. 14. que pressupõem formas de aprendizagem diferenciadas e procedimentos de ensino distintos. sua formação necessita ser revista e reformulada. ainda. Soares (2004b. a participação em experiências variadas com a leitura e a escrita. Também se faz necessária a conciliação dessas duas dimensões da aprendizagem da língua escrita. explicitamente. abrangendo a consciência fonológica e fonêmica. 5 Conclusão Diante da produção acadêmica aqui apresentada cabem. Especial. quanto na formação continuada dos educadores. através de atividades de letramento. foi possível mapear as diferentes perspectivas pelas quais se torna possível visualizar os fenômenos. Assim. alfabetismo e letramento não é realizada. As características. e as várias facetas da alfabetização. a autora (2004b) enfatiza que não existe um método para a aprendizagem inicial da língua escrita. mas uma multiplicidade deles. As concepções de leitura e de escrita aqui apresentadas fornecem indicativos dos discursos circulantes de cada época. é preciso destacar que todos os estudos abordados nos diferentes campos do conhecimento apontam caminhos para uma reflexão sobre a prática pedagógica. das lutas pela supremacia de um sobre o outro. desde aqueles que descrevem historicamente os deslocamentos dos discursos até os que propõem alternativas de ação às práticas pedagógicas. assim Cadernos FAPA – N. não se esgota neste momento.fapa. de possibilitar a continuidade deste percurso que. por outro lado. culturais e históricas que advêm da utilização de tais habilidades. é preciso estabelecer a distinção entre as várias facetas do letramento. algumas considerações no intuito de propor fechamentos. por todos os autores. Nesse sentido. que precisam estar adequados a cada faceta do processo em questão. para isso. para enfrentar o fracasso na aprendizagem básica da língua escrita nas escolas brasileiras. explicito alfabetização como o processo de aquisição da leitura e da escrita e faço a opção por alfabetismo no lugar de letramento no que se refere às práticas sociais. o conhecimento e a interação com diferentes tipos de gêneros de material escrito. isto é. quais sejam: a imersão das crianças na cultura escrita. alfabetismo e letramento. – 2008 – www. as habilidades de codificação e decodificação da língua escrita. só se pode desenvolver no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonemagrafema. A definição e a interpretação dos termos alfabetização. o conhecimento e o reconhecimento dos processos de tradução da forma sonora da fala para a forma gráfica da escrita. as possibilidades e os interesses de cada grupo e de cada criança devem ser levados em consideração. para a realização de discussões tanto no meio acadêmico. mas.

Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita./jul. n. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. Revista Brasileira de Educação. Maria do Rosário Longo. Angela B. Ana. Campinas: Mercado de Letras. Referências FERREIRO. 48-49. p. KLEIMAN. As a conclusion. LITERACY: HISTORY AND CONCEPTS OF THE PHENOMENON Abstract The definition of the phenomenon of literacy is linked to the different views cast upon such process. 2006. Magda Becker. São Paulo: Martins Fontes. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 2. mai.). Maurizzio.com. Harvey J. 5-16. Especial. sociedade e cultura: relações. 1995. Teoria & Educação. Alfabetização no Brasil: o estado do conhecimento. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola. – 2008 – www. In: ______ (Org. SOARES. 15-61. UNESP. set. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. State-of-the-knowledge. Paulo. Magda Becker. FREIRE.). GADOTTI. Educação e letramento. 2004. SOARES. 2004b. KATO. 27-30. mas possibilitam a coexistência de diferentes paradigmas na contemporaneidade. 1999. ed. São Paulo: Paz e Terra. 7. Alfabetização e cultura escrita. Alfabetização. Mary A. MORTATTI. Brasília: INEP. Língua escrita. 1989. Porto Alegre: Artes Médicas. since the history of literacy intertwines with the history of the word itself. Moacir. 2005. The present paper aims at an in-depth analysis of the origin of the word. ed. cultural and historical practices that originate from the utilization of such abilities. São Paulo. Francisca Izabel Pereira (Org. Campinas: Mercado de Letras. p. ed. n. p. Letramento: um tema em três gêneros. GNERRE. TEBEROSKY. reimpr. 30-64. _____. SOARES. (Org. Magda Becker. São Paulo: Cortez. 1998. Emilia. SOARES. maio 2003. 1986. GRAFF. 2000. REDUC. KLEIMAN. Porto Alegre. 0. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. 7. p. Key-words: Literacy. 5. 2003. 2004a. 47. the investigation deals with the history of this concept as approached by several authors inside a segment of the production of scholars within the educational field. Emilia. dimensões e perspectivas. 1990. 34./dez. 1985. São Paulo: Ed. n. Rio de Janeiro.fapa. Reading and writing practices. the comprehension of literacy in its strictest meaning is understood as the process of acquiring the ability to read and write. Linguagem. Através da localização das produções acadêmicas. foi possível perceber a “força” que cada perspectiva apresentou em determinado período. Belo Horizonte: Autêntica. O mito do alfabetismo. entretanto.). MACIEL. As rupturas entre os discursos não são.como das repercussões dos mesmos nas práticas pedagógicas. Nova Escola. Alfabetização e letramento têm o mesmo significado? Pátio: revista pedagógica. p. Therefore. reimpr. reimpr. Magda Becker. Brasília: MEC/INEP/COMPED. Angela B. Cadernos FAPA – N. whereas in its broadest meaning it is related to the social. n.br/cadernosfapa 49 . Porto Alegre. escrita e poder. São Paulo: Ática. FERREIRO. limitadores que encerram um ciclo e iniciam outro. 7. Psicogênese da língua escrita. 27. 2.

p. São Francisco. Revista Brasileira de Educação.fapa. Leda Verdiani. Letramento e alfabetização. nacional e mestra: queres ler? Bragança Paulista: Ed. 2. Porto Alegre. p. p. nacional e mestra: queres ler? Bragança Paulista: Ed. São Francisco./abr. 2004b. Iole Maria Faviero. Cadernos FAPA – N. 2005. 50-52. 6. 2004. Univ. 5-17. 34. Especial. 2004a.SOARES. Univ. São Paulo: Contexto. Magda Becker. TRINDADE. 25-35. SOARES. TFOUNI. – 2008 – www. Iole Maria Faviero. Sobre o estado da arte das pesquisas de alfabetização e de cartilhas. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Campinas: Pontes. 2004a. TRINDADE. SOARES.br/cadernosfapa 50 . ed. São Paulo: Cortez. n. Rio de Janeiro. Magda Becker. Alfabetização e letramento têm o mesmo significado? Pátio: revista pedagógica. 2004b. jan. ed. TFOUNI. 25. A invenção de uma nova ordem para as cartilhas: ser maternal. 27-45. 1988. A invenção de uma nova ordem para as cartilhas: ser maternal.com./jul. Magda Becker. Leda Verdiani. In: ______. Alfabetização e letramento. Adultos não alfabetizados: o avesso do avesso. p. n. mai.

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