UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ – UECE ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ESMP CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS – CESA Coordenação

do Programa de Pós-Graduação Lato Sensu Curso: Direito Penal e Direito Processual Penal

CRIMES FALIMENTARES ANÁLISE DAS DISPOSIÇÕES PENAIS DA LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIAS – LEI Nº 11.101/2005

Alice Iracema Aragão

2

Fortaleza-Ce Março, 2010

ALICE IRACE ARAGÃO

CRIMES FALIMENTARES ANÁLISE DAS DISPOSIÇÕES PENAIS DA LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIAS – LEI Nº 11.101/2005

Monografia

apresentada

ao

curso

de

Especialização em Direito Penal e Direito Processual Penal da Universidade Estadual do Ceará como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em Direito. Orientadora: Silvia Lúcia Correia Lima Paleni

Fortaleza – Ceará 2010

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL

Título do Trabalho: CRIMES FALIMENTARES - ANÁLISE DAS DISPOSIÇÕES PENAIS DA LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIAS – LEI Nº 11.101/2005 Autor(a): Alice Iracema Aragão

Data da Defesa: __/__/__ obtido:________________

Conceito Nota obtida:___________________

BANCA EXAMINADORA

___________________________________________________________ Professora Sílvia Lúcia Correia Lima Paleni, Ms Universidade Estadual do Ceará – UECE Orientadora

___________________________________________________________ Professor Teodoro Silva Santo, Ms Universidade Estadual do Ceará – UECE

___________________________________________________________ Professor Bruno Queiroz de Oliveira, Ms Faculdade Christus

de forma sucinta das diferenças entre a união estável e o concubinato dentro da legislação civil vigente através do conceito e espécies dos dois institutos. demonstrando a necessidade que se teve em regularizar tal instituto dentro do sistema legal do Código Civil de 2002. os requisitos para configuração da união estável como entidade familiar – união heterossexual. Palavras-chave: União Estável. Examinam-se. finalmente. a convivência pública. da necessidade da coabitação e a intenção da constituição de família. Código Civil Brasileiro. como também a questão sucessória dos companheiros. Trata-se também da conversão da união estável em casamento. . E. a união contínua e duradoura. Entidade Familiar. Conclui-se mostrando que a união estável é também uma forma de constituição de entidade familiar como o casamento. Apresenta-se historicamente o surgimento da união estável e os conceitos dispostos na Constituição Federal de 1988 até os dias atuais. no Código Civil de 2002.RESUMO A união estável e o reconhecimento como entidade familiar. Reconhecimento. discorre-se. Esclarece sobre a formação do contrato de convivência da união estável enfocando as relações patrimoniais.

SUMÁRIO .

que despontam na arena da palavra. objetivando mostrar quanto é importante e democrática é a instituição do Júri. analisando suas características e peculiaridades e ainda as possíveis nulidades que podem ocorrer durante a realização do seu rito processual.689/2008 e Lei 11. especialmente em razão da vigência das Leis nº 11. e ainda estimular o aprendizado dos inúmeros jovens advogados e colegas do Parquet. Buscamos trazer um tema que estivesse estreita relação com o trabalho por nós desenvolvido em quinze anos representando o Ministério Público junto as Promotorias do Júri do interior de nosso Estado e três anos frente á 2ª Promotoria do Júri da Capital.690/2008. A finalidade primordial deste estudo é mostrar que conhecer a instituição do Júri é extremamente interessante e apaixonante. Tentamos neste ensaio aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso no esclarecimento de propostas para os diversos problemas profissionais vivenciados. .INTRODUÇÃO O presente estudo é requisito para a conclusão do Curso de Especialização em Direito Penal e Direito Processual Penal. uma realização da Escola do Ministério Público e Universidade Federal do Ceará.

e ratificada pelo Brasil em 24 de janeiro de 1992. garantindo-lhes. A Lei Máxima do Brasil. respeitarem os direitos essenciais do indivíduo. conhece limitações. também conhecida como Pacto de São José de Costa Rica. acima de tudo liberdade e justiça.a (XXI) da Assembléia Geral das Nações Unidas. em 16 de dezembro de 1966. Outrossim os países firmaram declarações conjuntas onde os signatários assumem o compromisso de. em seu Título II enumera os Direitos e Garantias Fundamentais dos brasileiros estrangeiros residentes no País. em seus territórios. aos 10 de dezembro de 1948.200 . a Convenção dos Direitos Humanos. os direitos e deveres individuais e coletivos quando se perceberá que a liberdade conferida aos brasileiros subordinados à tal Constituição. o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos adotado pela Resolução 2. sendo que os direitos ali garantidos são essencialmente direitos de defesa do cidadão contra o próprio cidadão ou contra o Estado.1 DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS E O PROCESSO PENAL CONSTITUCIONAL 1. . ratificada pelo Brasil em 25 de setembro de 1992. a Convenção Européia para a Salvaguarda dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais. Citemos algumas delas: Declaração dos Direitos Universais do Homem produzida na Assembléia das Nações Unidas.1 Introdução Com a evolução dos indivíduos na sociedade surgiu a necessidade de normas que garantissem os direitos fundamentais dos cidadãos humanos contra o poder do Estado. Estão delineados no capítulo I. subscrita em Roma em 10 de novembro de 1948. Assim os países ditos civilizados. passaram a inserir em suas Constituições regras que garantissem a observância destes direitos básicos. deste título. ali reconhecendo dignidade à pessoas humana.

num plano jurídicoobjetivo. a terceira.Ed. a paz. o poder de exercer positivamente direitos fundamentais (liberdade positiva) e de exigir omissões dos poderes públicos. previstos no Capítulo I.57) a. Atlas). (Canotilho. que no dizer de Alexandre de Morais são “os chamados direitos de solidariedade ou fraternidade. 1995. da CF/88. Cit.”(Alexandre de Morais – Direitos Constitucionais – 4ª Edição . ”primeira geração seria a dos direitos de liberdades. num plano jurídico-subjetivo. Gomes. ao progresso. Implicam. Este jurista separava as disposições declaratórias das disposições assecuratórias. acreditando que aquelas imprimem existência legal aos direitos reconhecidos (instituem os direitos) e estas últimas disposições são as que em defesa do direito. proibindo fundamentalmente as ingerências deste na esfera jurídica individual: 2. 541) Hodiernamente. a segunda dos direitos de igualdade. normas de competência negativa para os poderes públicos. assim. sendo que entre elas não há vínculos jurídicos ou fáticos muito precisos. Igualdade. . em sua obra Direitos Humanos Fundamentais (Ed. saraiva. os doutrinadores pátrios têm classificado os direitos fundamentais em três gerações. limitam o poder (instituem as garantias). E na conclusão de Manoel Gonçalves Ferreira Filho. O último destes direitos fundamentais são de terceira geração. econômicos e culturais. a autodeterminação dos povos e a outros direitos difusos. que englobam o direito a um meio ambiente equilibrado.J. Os direitos fundamentais de primeira geração são os direitos e garantias individuais e políticos clássicos (liberdade pública). sendo Rui Barbosa o precursor no direito brasileiro. Fraternidade. P. Título II. do Título II.9 Canotilho acredita que os direitos fundamentais cumprem “ a função de direito de defesa dos cidadãos sendo uma dupla perspectivas: 1. Chama-se direitos fundamentais de segunda geração os direitos sociais. Constituem. uma saudável qualidade de vida. basicamente previsto no Capítulo II. completando o lema da Revolução Francesa: Liberdade. p. Op. Muitos doutrinadores diferenciam as garantias fundamentais. de forma a evitar agressões lesivas por parte dos mesmos(liberdade negativa)”. Direito. J. que são os interesses de grupos menos determinados de pessoas. da Constituição Federal de 1988.

ficando no entanto assegurado: a plenitude de defesa. estando claro que a Carta Magna somente assegura o gozo dos direitos fundamentais dentro do território nacional. a segurança. daí afirmarmos que o direito processual retrata a ideologia dominante em determinado país e as diretrizes básicas do seu sistema político naquele momento histórico. como órgão judicante. destina-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País. O Júri da forma como fora posto na Lei Maior. Sendo assim. José Frederico – A instituição de Júri – Bookseller – 1997). como mandado de segurança e outros remédios constitucionais.10 A proteção assegurada pelo artigo 5º. assim dizermos que o processo penal constitucional é o estudo do processo penal à luz da Constituição Federal. no inciso XXXVIII. sendo sua organização estabelecida pela lei ordinária. pois têm direito à existência. são um reflexo da necessária relação que liga o processo e Estado. o sigilo das votações. marca de maneira específica e própria. Também as pessoas jurídicas são beneficiárias dos direitos e garantias individuais. é a sua qualificação de instituto destinado a tomar mais sólido e inquebrável o direito individual de liberdade. etc. do artigo 5º. O processo. à proteção tributária.” (Marques.2° Edição). a atividade jurisdicional. a instituição de Júri. como garantia constitucional. A ligação analógica entre o processo e o Estado decorre da inclusão cada vez mais intensa nos textos constitucionais de princípios e regras de direito processual. à propriedade. a soberania dos veredictos e a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Ensina-nos José Frederico Marques que “foi para garantir o direito da liberdade que o júri acabou mantido pela constituição vigente. reflete valores sociológicos éticos e políticos de uma nação. . no entender de Antônio Scarance Fernandes (Processo Penal Constitucional . dentre elas as contidas no artigo quinto. Vale ainda ressaltar que ao estrangeiro em trânsito no território brasileiro é permitido acesso às ações. é um órgão judiciário imprescindível para garantir o direito de liberdade do cidadão.2 O júri como garantia constitucional Está reconhecida no Capítulo dos Direitos e Garantias Individuais. No plano processual as garantias constitucionais. 1. da CF/88.

o direito de liberdade do réu. embora que ordinária.11 Existem doutrinadores que questionam se a absolvição sumária do réu. a absolvição sumária e a revisão criminal se deferida. e se outra lei. prevê normas que tutelam este direito. Portanto. não maculam as exigências mínimas que a constituição consagrou na instituição do júri. em especial a soberania dos veredictos e a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. no fim da primeira fase dos processos julgados pelo tribunal do júri e a revisão criminal em tais processo. pois os elementos mínimos que o texto constitucional considerou indeclináveis para o legislador ordinário. não violam os preceitos constitucionais referente aos tribunais do Júri. . são normas que visam melhor garantir a liberdade do réu ou o jus libertatis. Acreditamos que isto não ocorra. seria um absurdo não aplicá-las sob a alegativa que ferem a Constituição. posto que aqueles podem ser desrespeitados em nome de um direito maior.

Rio de Janeiro.2 O TRIBUNAL DO JÚRI 2.Le Démocretie en Amérique. apesar dos julgadores estarem subordinados aos sacerdotes. XXXVIII. p. . ou ainda nas Ilhas Britânicas. 2. II. É de Arthur Pinto da Rocha(O júri e a sua evolução. Diz-nos este doutrinador que as leis de Moisés. todavia colocaram o órgão no Título dos Direitos e Garantias Fundamentais seguindo assim a tradição constitucional legislativa. 15º Ed. Vol. na Heliéia (Tribunal dito popular) ou no Areópago grego. 1919. 92. 5º. No dizer de José Frederico Marques “o júri é a participação popular nos julgamentos criminais” (José Frederico Marques. consumado e tentado. nos centeni comites dos primitivos germanos. Entendemos pois que o Tribunal do Júri é um órgão que exerce a Justiça Penal ordinária (apesar de não está enumerado no art. no elenco das garantias fundamentais).1 Conceito Muitas são as definições apresentadas pelos doutrinadores para conceituar o Júri. nos dikastas. 8 – 9) a argumentação de que o Tribunal de Júri tem sua origem na legislação mosaica. 179). da CF/88. O eminente Hermínio Alberto Marques Porto (Júri – Procedimento e aspectos do julgamento – Malheiros. 92 da Carta Maior.2 Origens Os estudiosos não têm muito certeza onde ele começou. o define como um certo número de cidadãos escolhidos pela sorte e revestidos momentaneamente do poder de julgar” (Alexis de Tocqueville . mas os mais remotos antecedentes do Tribunal do Júri encontra-se na lei mosaica. Brookseller – 1997. está previsto no art. Alexis de Tocqueville. que tem a participação popular para realização de julgamento dos crimes dolosos contra a vida. 28). p. a instituição do júri. – 1993) definiu-o como Órgão do Poder Judiciário acreditando que ocorreu na omissão enumerativa dos constituintes de 1988 por não elencá-lo no art. p. na antigüidade foram as primeiras que interessaram os cidadãos nos julgamentos dos tribunais. 7º Ed.

156). p. existia o direito de recusa e a incomunicabilidade. O Deuteronômio. Neste tribunal o magistrado presidente escolhia de 10 a 24 pessoas para deporem e depois julgavam em conjunto. 15/16). A Heliéia era um tribunal popular integrado por 201 a 2501 cidadãos(os heliastas). era mais um meio de apurar a verdade do que na forma de julgamento. vizinhos e amigos). Eram duas instituições da Atenas Clássica que buscavam a restauração da paz social. O Êxodo. Entende o renomado doutrinador que o tribunal popular para julgar o ser humano integrante de uma comunidade. A dupla Nádia de Araújo e Ricardo R. tinha que sua estrutura mesmo que rudimentar. reputação libada e quitação plena do tesouro público. era guiado pela prudência de um senso comum jurídico. Todavia antes da composição deste tribunal. foram recebidas do britânicos. observando . Seus integrantes (os arcondes) seguiam apenas os ditames da consciência. na simples linguagem do direito mosaico. após audição da defesa do réu. – SP.13 Para fazer parte do grande tribunal os juízes populares tinha que ter 30 anos de idade. ed. as ordálias (prova das águas e do fogo) e as conjurações (julgamento prestados em juízo pelos litigantes e seus pais. Revista dos tribunais. do Conselho dos Anciãos e do Grande Conselho. Almeida (O Tribunal do Júri nos Estados Unidos – sua evolução histórica e algumas reflexos sobre seu estado atual – Revista Brasileira de Ciência Criminais – S. 1996 – RT 15:200) após aprofunda pesquisa concluiu que a origem do Júri está no Areópago e na Heliéia gregos. acreditam que o júri moderno encontra seu embrião no processo penal romano. seguindo-se a jurata. O juiz podia se pronunciar de acordo com a decisão do jurados ou em discrepância com esta. O nome inquisitio foi substituído pelo de recognitio e assisa. dentre os quais Rogério Lauria Tucci (Tribunal do Júri – Estudo sobre a mais democrática instituição jurídica brasileira. Rui Barbosa (Comentários à Constituição Federal Brasileira – Saraiva – 1934. após a conquista normanda. Alguns autores no entanto. O Aerópago julgava os crimes de sangue. Concorda com este pensamento Carlos Maximiliano (Comentários a Constituição Brasileira – 4º Ed. nos falam do Tribunal Ordinário. que julgavam segundo suas íntimas convicção. p. 1999. o povo da Grécia antiga era chamado em praça pública para decidir as grandes questões judiciárias.P. p/ 119/120) acreditava que os primeiros traços da forma do júri. o Leviticio e os Números. no reinado de Henrique II. O Tribunal da inquisitio primitiva substituiu os duelos judiciários. 1948.

. no máximo. cavaleiros e “tribuni aenarii”. de 149 a. A “quaestio” era composta de um presidente (praetor vel quaestor) e cinqüenta cidadãos(indices iurati). As quaestio com o correr do tempo. escolhidos entre os senadores. “quaestio de iniuriis” (julgavam os que cometiam injúria grave e violavam a paz doméstica). . Várias outras “quaestiones” sucederam a primeira. passaram de temporárias a permanentes. Em 122 a. que teve a finalidade de investigar e julgar casos em que o funcionário estatal estivesse causando prejuízo ao provinciano(quaestio repetundis). para serem indicados oportunamente. eventualmente. Fora a primeira espécie de jurisdição penal que Roma conheceu. propôs que também os cavaleiros compusessem a quaestio e fora aceita pela Lex Sempronia. prévias e regularmente editadas. podendo ser recusados. “quaestio de adulteriis” (julgavam os adúlteros e os que seduziam donzelas de boa fama) e “quaestio de vi” (julgavam os que praticavam qualquer ato de violência). uma terça de cada ordem.C. C. eram colocados uma urna. magia. cujo constituição e atribuições. a “quaestio” fora composta de senadores. Caio Graco. que criou a primeira “quaestio”. sacras e religiosas).14 certas regras antes estabelecidas. sendo que isso somente ocorreu em Roma. 70 a. representantes do povo romano. e assim foram denominadas de questiones perpetuae. com as chamadas quaestio. “quaestio ambitris” (julgavam os que praticavam corrupção eleitoral). As listas oficiais de jurados continham mil nomes de jurados. “quaestio de falsis” (julgavam os falsificadores de testamento ou de moedas). presidido por um pretor. Fora a Lex Calpurnia. dentre elas as “quaestio maiestatis” (julgamento crime de alta traição e de desobediência do Estado). assim como os crimes de sua competência e as penas. “quaestio de peculatu et sacrilegio” (julgavam somente os que defraudavam a propriedade pública. Anos depois. C. falso testemunho ou atentados à segurança pública) “quaestio de parricidiis” (julgavam os homicidas). eram definidas em leis. “quaestio de sacariis at veneficiis” (julgavam os que cometiam assassinatos. “Quaestio” eram órgão colegiados constituídos por cidadãos.

Se o acusado negasse a prática do crime o pretor determinava que as partes voltasse a juízo trazendo suas provas. podendo este último ser representado por um patrono (os oradores ou advocati). às quais se cominara a infâmia). contendo a indicação do crime imputado ao acusado e a lei violada. absolvição ou pelo alargamento da instrução. votavam pela condenação do réu. decidir sobre a competência. o nome do réu era publicado numa tábua (embrião do rol das testemunhas).15 Ao presidente cabia examinar preliminarmente a acusação. o presidente escolheria o mais idôneo ou o mais interessado. se não comparecesse seus bens eram confiscados após um ano da citação. Na data antes estabelecida. Primeiro o acusador depois o acusado. No momento da acusação o acusador era posto defronte ao acusado. sendo cancelado se este fosse absorvido. Após falavam as partes. escolher e convocar o corpo de jurados(indices iurati). vinculando-se a ela até o final do processo. Os jurados deviam participar de todo o procedimento e ao final. inclusive indicando preposto para controlá-la. tendo o acusado como réu convicto. O processo acusatório inaugurava-se pela proposta de acusação. era interrogado. tudo terminava. exceto os incapazes (mulheres e libertos) e os indignos (pessoas reprováveis. Todo cidadão podia acusar. se fosse réu confesso. sendo que assumia (o acusado) os deveres e direitos de parte no sentido processual. podendo o acusado acompanhar esta atividade. O acusado era citado. Aquele que pretendesse sustentar acusação deveria oferecer o libelo. podendo as partes os recusarem livremente. Recebida a acusação. Comparecendo. Se vários fossem os acusados. receber o juramento das partes. não podendo dispor da acusação formulada. presidir as discussões e fazer executar a sentença. sendo sorteado os jurados. . o libelo permanecia guardado no erário público. compunha-se o órgão julgador. Ao acusado cabia a investigação necessária para comprovar a acusação.

O julgamento era presidido por um conde. Devido a dificuldade de comunicação entre os burgos. 2. que não participava da votação.3 Evolução Com a invasão do Império Romano pelos bárbaros. inclusive a confissão). a maioria decidia a resultado. em razão da coincidência das características entre duas instituições. executava-se a sentença. que a célula mater do júri brasileiro dormita nas quaestiones perpetuae do processo penal acusatório romano. exceto em casos graves. depois passaram a fazê-lo supra tabellas: A (absolvido). Preliminarmente os jurados votavam oralmente. levaram os reis a substituí-los por escabinos (cidadãos idôneos e instruídos). . “per tabulas” (documentais). A sentença não ficara sujeita a revisão. Contado os votos. julgavam a causa.16 O tempo era limitado pela presidente. os abusos. “per teste” (testemunhais) e “per quaestiones” (demais meios de provas. O mesmo acontecendo com o feudalismo. Se o resultado fosse a condenação. Se fosse absolvição instaurava-se um processo contra o acusado. sendo que a decisão seria revisada por um magistrado superior. e após a atuação acusatória e defensiva. como incompetência do tribunal e inobservância de garantias fundamentais à defesa do acusado. A pena estava fixada na lei instituidora da quaestio. os escândalos produzidos pelas decisões de tais julgados. estabeleceu-se que em cada cidade ou burgo. admitindo-se a réplica. que era anunciado pelo presidente. C (condenado) ou NL (remessa para instrução mais ampla). de verificar a existência de fatos criminoso e a sua autoria. As provas eram de três espécie. havia um grupo de encarregados (compurgtoes). selecionados pelo Conde. Após a colheita de provas passava-se ao julgamento. dentre os homens livres. Após este relato percebe-se claramente.

que copiaram. o veredicto será publicado na sala do tribunal. júri de acusação (composto de oito membros. bem como pela a dos Estados federados. regime de plena oralidade. impedindo ainda o cidadão de ocupar. sorteados de um lista de trinta cidadãos). Fora colocado na Carta Régia em 1629. pelos colonos de Plymouth (primeiro grupo de imigrante incumbido da civilização colonial). Todavia guardam semelhança ou suas formalidades. Na Inglaterra o júri foi desenvolvido com tanto rigor que ultrapassou fronteiras atingindo toda Europa e as Américas. No século XVII. por dois anos. Outrossim. o modelo de júri inglês chegou na América do Norte. se não se inscrevesse na lista de jurados. levaram consigo a modalidade de atuação judicial popular. o processo do júri generalizou-se como padrão comum. abrangendo o julgamento geral de todos as causas. A Assembléia Constituinte deliberou (03/NOV/1789) que a justiça seria totalmente remodelada. o cidadão tinha que ser eleito. assim como na Inglaterra. demasiadamente. dos romanos. dentre as quais publicidade dos atos. embora de maneira rudimentar. contraditoriedade real. com direito a recusa de vinte pelas partes).17 Os normandos que invadiram a Inglaterra. Adotou-se a publicidade dos debates. debates e júri de julgamento (formado de doze membros. A instituição do júri fora consagrado pela constituição norte-americana. à organização judiciária. o processo penal passou a compor-se de três fases: instrução preparatória. apesar de sua organização não ser idêntica nos diversos Estados. assumindo caráter sigiloso apenas no momento de votação. Antes de atingir a Europa. sorteados numa lista de duzentos cidadãos. Em 30/ABR/1790 esta mesma assembléia consagrou o júri criminal como instituto judiciário. qualquer função pública. Os ideais iluministas que inspiraram a Revolução Francesa afetaram. Estabeleceram-se ainda que para ser jurados. determinando-se que o júri funcionaria em causas criminais. A Constituinte Francesa de 1790 também admitiu a proclamação individual do voto (devendo o jurado julgar de acordo com sua consciência) além de admitir a condenação do . atingindo o resultado (necessariamente unânime).

escolhidos dentre os cidadãos bons.. p.B. inteligentes e patriotas. vigários. no Diário Fluminense. de 29 de novembro de 1832. no Brasil. essa lei do júri foi aplicada pela primeira vez. A Constituição Política do Império. seguindo o exemplo das leis inglesas. . em ação penal decorrente de carta injuriosa publicada com as iniciais R. oficiais de justiça. conselheiros e ministros de Estado.4 O tribunal do júri no Brasil O Júri fora instituído na legislação brasileira pela Lei de 18 de junho de 1822. o primeiro – Júri de acusação . Haviam dois conselhos de jurados. aliás o teria absolvido.P. magistrados.era composto de vinte e três membros. estabeleceu em seu artigo 151. Outros. outorgou ao Júri atribuições muito amplas. honrados. em 1825. seria composto de juizes (que aplicariam a lei) e de jurados (que julgariam os fatos). que. Somente a Lei de 20 de setembro de 1830. promulgada em 25 de março de 1824. no entanto. (Cândido de Oliveira Filho . comandantes de armas e dos corpos de primeira linha. Segundo Enéas Galvão. apontam João Soares Lisboa. Intendente Geral de Polícia da Corte. deputados. juizes eclesiásticos. presidentes e secretários dos governos das Províncias. O Código de Processo Criminal do Império. deu ao Júri organização mais específica. ao revés da Inglaterra que somente aceitava uma condenação pela unanimidade de votos dos jurados. 2. cabendo sua nomeação ao Corregedor e Ouvidores do crime.Júri de Sentença – era composto de doze. escolhidos dentre os eleitores de reconhecido bom senso e probidade. Este tribunal era composto de vinte e quatro jurados.18 acusado pela maioria dos votos. dos nossos mais renomados juristas. instituindo o Júri de Acusação e Júri de Julgação. A reforma do Júri. como o primeiro a comparecer perante o Tribunal do Júri. bispos.09). e as suas decisões cabia apelação para o Príncipe Regente D. norte americanas e francesas. que o Poder Judicial independente. o que lhe custou várias críticas. injúrias essas que visaram à pessoa de Francisco Alberto Ferreira de Aragão. com competência exclusiva para o julgamento dos crimes de imprensa. e o segundo . Não podiam fazer partes deste conselho os senadores. redator do Correio do Rio de Janeiro. Pedro. 1932.

de 24 de janeiro de 1967. 2. A Carta de 1937. esclarecendo ainda que o tribunal popular do júri nunca fora extinto e fora mantido pelo preceito genérico do artigo 183. foram publicadas as Leis 11. que declarava em vigor.5 O tribunal do júri no mundo de hoje Na América do sul não existe composição semelhante ao Júri brasileiro. Na data de 09 de julho de 2008. emenda Constitucional 01. artigo 72. enquanto não revogadas. Criada a Justiça Federal.19 A Lei 261. parágrafo 28. neste singelo trabalho iremos analisar as possíveis nulidades que podem ocorrer neste procedimento diante das alterações legais. de 16 de setembro de 1946. fez crer que ela se achava extinta. parágrafo 31. que organizou a Justiça Federal. parágrafo 18.689/2008 e 11. com re-instauração do regime democrático. artigos 141. no artigo 150. manteve a instituição em seu artigo 72. parágrafo 18. . criando também o júri federal. artigo 5. dentre as quais a extinção do Júri de Acusação. nem ao menos o instituiu em sua legislação. delegando aos juizes municipais e as autoridades policiais a incumbência da formação da culpa e da sentença de pronúncia. omitindo-se a respeito da instituição. A Carta Maior da República brasileira. A Argentina nunca. A partir daí todas as demais Constituições da República (de 16 de julho de 1934. de 11/10/1990). que alteraram em grande parte o procedimento do Tribunal do Júri. quando em 05 de janeiro de 1938. de 24 de fevereiro de 1891. foi promulgado o Decreto-lei 167. de 11 de outubro de 1890. de 03 de dezembro de 1841. não contrariassem as suas disposições. apresentou modificações significativas a instituição do Júri. inciso XXXVIII) dispuseram sobre o júri no texto constitucional. da Constituição de 1937. as leis que explícita ou implicitamente. de 05 de outubro de 1988. disciplinando-o.690/2008. artigo 153. de 17 de outubro de 1969. A Proclamação da República trouxe-nos o Decreto 848. também para ela é previsto o júri (Decreto 848.

A Espanha o havia suprimido na constituição de 1936. Na Ásia nem a Coréia do Sul nem o Japão possuem Júri. Imitando o sistema francês. Na Holanda não existe a instituição do Júri. cada grupo de pequenas cidades ou vilas. por exemplo. e são júris mistos onde se reúnem magistrados de carreira e leigos. com necessidade de votação unanime para condenação. tem seu próprio procedimento. instituindo-se o escabino com a figura de assessores. sorteados para a sessão trimestral. a Argélia previu o seu Tribunal Criminal composto de três juízes e quatro assessores jurados. Por outro lado. sendo doze o número de jurados. no Reino Unido não é possível fazer uma comparação face a variantes possíveis na forma procedimental. . Na Inglaterra o júri é muitíssimo respeitado. Em Genebra. Importa mencionar que no mundo existem tribunais que apresentam semelhanças com o Tribunal do Júri que conhecemos. Na Suécia. A França em 1941 suprimiu o Júri tradicional e instituiu o sistema escabinado. Já na Suíça. Estes estão em franca ascensão. o tribunal dos escabinos só julga os crimes de imprensa. composto de doze jurados. Na Bélgica e na Dinamarca este é o sistema aplicado. e julgam ao lado de três magistrados. decidindo sobre a culpabilidade e a pena. todavia o sistema judiciário do deste último é muito semelhante ao adotado no EUA. compõem o Tribunal Criminal de Valais. são os chamados escabinos. O voto é revelado.20 Nos EUA o modelo que mais se assemelha ao brasileiro é o Trial Juries. sendo que na Escócia este número sobe para quinze. composto de três juízes e nove cidadãos. Procedimentos semelhantes são encontrado por toda a África. onde se reúnem doze jurados deliberam sobre a culpabilidade antes de reunirem-se com três magistrados para decidir a pena a ser aplicada. sendo que dois jurados são eleitos por quatro anos. não existe a incomunicabilidade dos jurados nem o sigilo das votações. Na Alemanha suprimiu-se da lei o júri tradicional em 1925. mas recentemente Constituição de 1978 previu a participação dos cidadãos na distribuição da Justiça. doze jurados e três magistrados.

Rússia e Romênia. . Importante lembrar que o jurista Guilherme de Sousa Nucci anuncia na obra Tribunal do Júri (Editora Revista dos Tribunais – São Paulo .21 Formas assemelhadas ao Júri existem ainda no Canadá. mas os jurados não podem. por prévio alistamento. estes últimos irão proferir o veredicto. 2.689/2008. Nova Zelândia. Tratando-se pois de uma garantia especial que aplica à fase do plenário. que decidem pela sua convicção íntima e tratam exclusivamente de questões de fato. de ofício. nascendo daí a necessidade de se garantir a réu plenitude de defesa. sendo este procedimento dividido em duas fases. XXXVIII. a decisão dos jurados não é motivada. uma de formação da culpa (iudicium accusationis) e outra de julgamento (iudicium causae). letra a. a soberania dos veredictos e a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. sorteio e escolha. a defesa plena levando-se em conta principalmente o fato de que. do Capítulo II (referente ao júri) com fase específica (“Da preparação do Processo para o Julgamento em Plenário”). em votação secreta. a plenitude de defesa. O legislador quis assegurar ao réu no júri além da ampla defesa geral de todos os acusados. Grécia. O processo de competência do júri tem caráter público. Garante o artigo 5°. e assim confirmou a existência de três estágios para atingir o julgamento de mérito. contraditório e oral. destinou a Seção III. e parecidos com escabinado na Bulgária. A Constituição Federal reconhece plenamente esta instituição. Por esta razão se acredita que se exige mais do advogado no júri.2008) que acredita que o procedimento do júri é composto de três fases e não apenas duas como afirma a maioria dos doutrinadores. Polônia. O órgão julgador é composto de um juiz togado. Acreditam os doutrinadores que o legislador constitucional não fora redundante. o sigilo das votações. Pode o juiz. pois neste artigo coexistem dois princípios. acrescentando inclusive que a Lei 11. Noruega. sendo que o mesmo artigo assegura a todos os litigantes e aos acusados em geral a ampla defesa (inciso LV). admitir em favor do réu tese não apresentada pela defesa. diferentemente das decisões judiciais nos processos em geral.6 Características processuais constitucionais do júri O Júri constitui-se de juizes tirados do povo. no seu julgamento. Áustria. assegurando-lhe a plenitude de defesa. que será seu presidente e juizes de fato.

dirigir perguntas e solicitar esclarecimento ao juiz e por intermédio deste às partes (artigo 476 e 478. submetendo. se for imprescindível. a tréplica ainda quando não houve a réplica. CPP). que. (Processo Penal Constitucional . pois ao contrário da forma usada na Constituição Federal. O sigilo no julgamento pelo júri expressa-se sob duplo aspecto: sigilo das votações e incomunicabilidade dos jurados. com direito a recusas e a possibilidade de conhecer os jurados. o réu indefeso. para abarcar o sigilo como um princípio da função do jurado. Ao juiz incumbe o controle da defesa eficiente. quando se fizer necessário. a formulação e a votação dos quesitos. ano 2000). a tempo maior para os debates. ainda.2° Edição revista e atualizada.no ato crucial do julgamento. ou admitindo. 468.22 Antônio Scarande Fernandes nos demonstra que o início do exercício da plenitude de defesa ocorre “no momento da escolha dos jurados e continua no plenário abrangendo: a formação do Conselho de sentença. Por fim realça. Vigora no processo penal brasileiro o princípio do sigilo das votações. a inovar na tréplica sua tese de defesa. declarando. além de inquirir testemunhas (art. vez que poderão os jurados desde que não externem opinião ou convicção. No nosso sistema legal traz a regra da incomunicabilidade adjunta ao princípio da imparcialidade. tem direito : a ouvir mais testemunhas do que permite o rol. os debates. quando for necessário para a defesa plena. como. é certo. Extrai interessantes conclusões . prefere o autor interpretar a regra em seu sentido mais amplo. por exemplo. CPP). deve o juiz formular quesitos sobre todas as teses apresentadas pelo advogado e sobre defesas trazidas pelo réu em seu interrogatório”. no artigo 5°.Editora Revista dos Tribunais .principalmente.juízes leigos. dela resultando o veredicto e a sorte do acusado. a de que o réu. sua pretensão à apreciação do juiz. A incomunicabilidade que a lei quer assegurar diz respeito ao mérito do . XXXVIII. Todavia Maurício Antônio Ribeiro Lopes (em seu trabalho denominado: Do sigilo e da Incomunicabilidade do Júri) acredita que devemos denominar tal princípio de princípio do sigilo dos jurados. que é a deposição dos votos. prejudiciais à defesa a permanência do réu algemado em plenário ou a exibição dos antecedentes do acusado. para a defesa plena. Entende. Tampouco é absoluta a incomunicabilidade. mas também do restante da participação do jurado na sessão de julgamento decorre da necessidade de resguardar-se a independência dos jurados . destituídos de garantias . em sentido positivo ou negativo. A forma sigilosa ou secreta da votação .

em determinados atos. Na Emenda n° 1. não se referiu à soberania de seus veredictos. A soberania dos veredictos retornou na Constituição de 1988. apesar de manter a instituição do Júri. III. A violação da incomunicabilidade dos jurados acarreta nulidade do julgamento (CPP. O momento exato do início do sigilo das votações no júri ocorre quando da transposição dos jurados do Plenário à sala secreta. quer prejudicando qualquer das partes. O julgamento na sala secreta não viola o princípio da publicidade dos atos processuais e das decisões judiciais previstas nos artigos 5°. XXXVIII. e 93. aos advogados e as partes.23 julgamento e tem como objetivo impedir que o jurado exteriorize sua forma de decidir e venha a influir. consoante o disposto no artigo 5°. A soberania dos veredictos foi prevista preliminarmente pela Constituição Federal de 1946 e mantida na CF de 1967. soberania dos veredictos traduz a impossibilidade de uma decisão calcada em veredicto dos jurados ser substituída por outra sem esta base. permite a lei que se . IX. 564. Esta soberania não consiste todavia. A soberania do Júri significa a impossibilidade de outro órgão judiciário substituir ao Júri na decisão de uma causa por ele proferida. É importante salientar que a Constituição Federal de 1988 não aboliu a denominada sala secreta. art. não podendo o Tribunal de Justiça alterar a decisão dos jurados. Os veredictos são soberanos. 480 e 481 do CPP foram recepcionados pela atual Constituição Federal. todavia como a redação do Código de Processo Penal ficara inalterada. de 1969. porque só os veredictos é que dizem se é procedente ou não a pretensão punitiva. sendo que nas razões pelas quais o Júri responde aos quesitos consiste a soberania da sua consciência. na impossibilidade de um controle sobre o julgamento. LX. CF. Os artigo 476. O Júri decide exclusivamente pela livre convicção. continuou o entendimento de que permanecia a soberania do júri. que sem subtrair ao Júri o poder exclusivo de julgar a causa. O veredicto é composto de respostas monossilábicas que afirmam ou negam os quesitos que são formulados. quer favorecendo. havendo mantido a votação no referido recinto. em face da faculdade que a parte final deste último dispositivo constitucional concede à lei de limitar a presença. j).

. sendo que a soberania do veredicto dos jurados não exclui a recorribilidade de suas decisões.271-0-SP – DJU 02. para que profira novo julgamento. Outro argumento seria de que a revisão criminal é garantia implícita da Constituição e. não pode subtrair dos jurados a possibilidade de proferirem decisão absolutória mais ampla sem a necessidade de se constranger o réu ao cumprimento da medida de segurança. 71. entre duas garantia.1994). do CPP) permitiu a absolvição sumária do acusado para evitar que seja submetido às delongas do julgamento pelo júri.1989. HC 67.1989. em reiteradas decisões. O Supremo Tribunal Federal. Ainda sobre esse tema há duas hipóteses que merecem destaque: quando há absolvição sumária em casos de inimputabilidade.11. no caso a garantia da revisão sobre a garantia das soberanias dos veredictos.531.617-RS – DJU 22. transitada em julgado a sentença do Juiz Presidente. uma vez cassada a decisão recorrida (Ac. em revisão criminal. sendo assegurada com a devolução dos autos ao Tribunal do Júri. tem entendido que em matéria criminal não pode haver decisão intangível. Em casos de revisão criminal. mesmo aquelas proferidos pelo júri. a soberania dos veredictos apenas tem seu sentido e seus efeitos restritos ao processo enquanto relação jurídico-processual não decidida. HC 67. Quanto a competência do Tribunal do Júri a quem compete julgar os crime dolosos contra a vida. deve prevalecer a mais favorável ã liberdade. o tribunal absolve réu condenado. Ac. quando. em posição contrária à orientação que vinha prevalecendo nos tribunais. e o que foi decidido na esfera revisional Não fere a soberania do Júri. é cabível a revisão do processo findo (artigo 621. decidiu que aplicação de medida de segurança representa restrição de liberdade ao réu e. CPP).24 examine se houve ou não um grosseiro error in judicando. Ac. Primeiramente a lei (artigo 411. sendo aplicada pelo juiz medida de segurança ao acusado e. pois se assim não o fosse haveria de confundir-se essa soberania com onipotência insensata e sem freios.06. a CF prevê a regra mínima e inafastável.SC – DJU 30. assim.06. bem como algumas exceções. não impedindo que o legislador infraconstitucional lhe atribua outras diversas competências. Assim. No tocante a soberania dos veredictos o STF.

III e artigo 29. Vale salientar. a fim de que seja o segundo réu submetido a julgamento perante o Tribunal do Júri. artigo 18. artigo 105. e c. os membros do Ministério Público. biparte-se o processo. artigo 96. que se o crime é cometido em co-autoria com terceiro sem prerrogativa de foro. b. I. I. VIII. que são as hipóteses de foro especial por prerrogativa de função. apenas para exemplificar. .25 Outra exceção à competência do júri é aquela apresentada pelos artigos 102. os deputados estaduais e os prefeitos municipais pela prática de crimes dolosos contra a vida é o Tribunal de Justiça do Estado. o tribunal competente para julgar os juizes de direito. a. a. I. os secretários de estado. Assim sendo.

meio e fim. sem falhas ou irregularidades. é um caminho com princípio. Com relação aos atos meramente formais se a lei não estabelecer conseqüência alguma para sua inobservância. Paulo Sérgio Leite Fernandes. Por derradeiro vêm os atos não formais que são os de forma livre. que nunca poderão ser sanadas. Anulabilidade. Tipos de nulidades. O processo é um conjunto de atos processuais. A regulamentação do processo é chamada de regra de conduta processual. 3. mesmo que oportunamente apontados. independente da vontade .689/2008. As nulidades absolutas são aquelas expressamente indicadas na lei. Os vícios ou defeitos com força de tornar ineficaz o ato ou o processo são as nulidades.1 Conceito. Existem três categorias de atos processuais: os atos estritamente formais. os atos meramente formais e os atos não formais. Existem dois tipos de nulidades: as absolutas e as relativas.1994) conceitua a nulidade processual como o efeito ou conseqüência da falta de cumprimento das disposições legais. caracterizam-se como meras imperfeições sem importância. a formalidade é apenas relativamente imperativa. as irregularidades processuais somente serão declaradas se reclamados pelas partes e finalmente os defeitos. A inobservância dos requisitos exigidos para os primeiros acarreta a ineficácia do ato processual ou o torna sem efeito. em sua obra Nulidades no Processo Penal(Editora Revista dos Tribunais – Quarta Edição . As formalidades são regras de procedimento. sendo que as partes devem trilhá-lo superando todos os obstáculos apresentados. sendo que o juiz deverá decretá-las a qualquer tempo.3 ALGUMAS NULIDADES NO PROCEDIMENTO DO JÚRI Á LUZ DA LEI 11.

. consideradas de ordem pública. Na primeira o ato processual nasce ineficaz. mas pode ser afetado por vício posterior. do CPP ou por omissão prevista no inciso IV. como por exemplo. após as alegações finais quando o juiz de direito proferirá uma decisão. do CPP). ou pela aceitação dos efeitos do ato irregular. desde que o faça dentro do prazo determinado para tal fim. São sanáveis pela oposição no momento oportuno. nesta última o ato nasce válido. podendo ele pronunciar (artigo 413. e também no tocante a inquirição de testemunhas pelas partes. hipótese em que processo será encaminhado ao órgão jurisdicional competente (artigo 419. perdendo sua eficácia.689/2008. 3. As chamadas nulidades relativas são as que não podem ser decretadas de ofício. não podem ser apontadas por quem lhes deu causa ou que para elas concorreu. Pode argüí-las quem lhes tenha dado causa ou quem não tenha legítimo interesse na anulação.27 das partes ou da fase em que se encontra o processo. I . as nulidades decorrentes do reconhecimento dos I. II e III. bem ainda. do mesmo dispositivo legal. sendo as nulidades sanadas pelo trânsito em julgado da sentença de pronúncia. do CPP) . Delas as partes não podem dispor. São também denominadas nulidades de sentido substancial. Importa mencionar a diferença entre nulidade relativa e anulabilidade. impronunciar (artigo 414.2 Algumas nulidades no procedimento do júri á luz da lei nº 11. do CPP). As diferenças entre os procedimentos começam a aparecer na audiência de instrução e julgamento no tocante ao tempo destinado as partes para manifestação derradeira. O rito adotado pelo Código de Processo Penal para a primeira fase do procedimento dos crimes julgados pelo Tribunal Popular do Júri é praticamente idêntico ao ordinário previsto para os crimes de reclusão. absolver o réu (artigo 415. ainda que a infração a ser julgada pelo Júri seja apenada com detenção. somente poderá suscitá-las a parte que tiver interesse na observância do preceito. do artigo 564. merecem ser decretada mesmo sem a motivação recursal original. As nulidades relativas ocorridas durante a primeira fase do procedimento do Júri deverão ser argüidas na etapa das alegações finais escritas (artigo 571. do CPP). e principalmente. do CPP) ou desclassificar a infração cometida pelo réu.

V. do CPP). pois encerra a fase de formação da culpa. é o que prevê o artigo 413. VIII.1 Pronúncia O juiz se convencendo da existência do crime e de indícios de autoria proferirá a decisão de pronúncia e mandará o réu para o julgamento pelo Tribunal Popular. inaugurando a fase de preparação do plenário. inciso III. A partir de então iremos nos deter em comentários sobre os atos praticados após a decisão de pronúncia e também os vícios desta decisão. Na decisão de pronúncia o juiz deve avaliar fundamentadamente.28 Quanto as nulidades relativas ocorridas durante a preparação do julgamento deverão ser levantadas. do Código de Processo Penal. A jurisprudência tem considerado inválida a sentença de pronúncia que não declara os dispositivos em que o réu está incurso e também aquela que o magistrado exorbitou na análise das provas colhidas na instrução. Entretanto continua a possuir formalmente a estrutura de uma sentença. deverão ser argüidas imediatamente depois de ocorridas e seu registro feito em ata. possíveis preliminares argüidas pelas partes nas alegações finais. letra “f”. logo após anunciado o processo a pregoadas as partes (artigo 571. durante a sessão de julgamento. impreterivelmente. . também sob pena de preclusão (artigo 571. do CPP). As nulidades relativas que ocorreram em Plenário. mas simples decisão. A pronúncia apesar de ter natureza de decisão interlocutória mista. do CPP). do CPP. todavia deve usar de moderação na linguagem empregada evitando assim alguma influencia na decisão dos jurados. mas sobretudo por representar garantia do réu diretamente relacionada ao sistema constitucional.2. Não mais se denomina sentença de pronúncia. e como tal deve atender os requisitos do artigo 381. além da existência do crime e os indícios da autoria. sob pena reclusão. ou no exame dos aspectos da personalidade do réu que pode terminar com vantagens ou prejuízos para as partes nos debates em plenário. A ausência da sentença de pronúncia nos processos do júri traz como conseqüência a nulidade absoluta (artigo 564. não só pela previsão legal. analisar as qualificadoras que pesam sobre o réu. que levará ao julgamento de mérito. 3.

Se o réu estiver solto. e não for localizado no local constante nos autos. a ausência do acusado no plenário do Júri. Da intimação da pronúncia. determina o comando do artigo 420. Com a superveniência da reforma do Código de Processo Penal. a intimação deverá ser feita por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca. por outro lado estando o réu preso sua intimação somente poderá ser pessoal.689/08. 3.2. não será causa de adiamento da sessão colegiada. excetuando se houver pedido de dispensa de comparecimento subscrito por ele e seu defensor. corretamente. A comunicação feita ao advogado dativo não supre a do réu. Conseqüentemente o questionário a ser proposto aos jurados terá correspondência com o julgamento de admissibilidade da acusação e a tese exposta em plenário. Hoje a pronúncia assume a missão de estabelecer fiel fronteira para a imputação feita pelo órgão acusatório. todavia não se chega ao ponto de concluir pela nulidade da pronúncia.29 No entanto. O órgão acusatório não poderá extrapolar em suas teses no plenário do júri. sob pena de nulidade. que desdobrava em artigos a classificação penal fixada pela decisão de pronúncia. do CPP. salvo se este estiver preso e não for conduzido para plenário. sob pena de se violar o princípio constitucional da plenitude de defesa. TJSP. CPP). que deverá ser feita pessoalmente ao pronunciado. TJMS. sendo crime afiançável ou não. bem como ao assistente do Ministério Público. deve a acusação sustentar nesse prisma o concurso de agentes diante dos jurados e . RT 558/7. Quanto ao defensor constituído. a posição mais aceita na jurisprudência. RTJ 23/23. será intimado da pronúncia por intermédio de edital.2 Preparo do processo para julgamento Com o advento da Lei n° 11. parágrafo 1°. (STF. acreditando-se não ser aconselhável o uso de uma linguagem mais contundente utilizada pelo magistrado na prolação desta sentença. Portanto se o réu “A” foi acusado de ser co-autor e o réu “B” de ser partícipe. dessa forma reconhecido na pronúncia. tem sido menos rigorosa. o nome do acusado (artigo 370. seu defensor dativo e ao Ministério Público. ocorreu a extinção do libelo era uma peça oferecida pelo Ministério Público. RT 586/08.

ofendendo-se a plenitude de defesa. as diligências necessárias para o saneamento de irregularidades ou nulidades ainda subsistentes bem como esclarecimento de fato que interesse à decisão da causa (artigo 423.3 Intimações para as sessões de julgamento: réu. Este despacho é de natureza ordinatória. Houve uma inovação A falta de intimação dos jurados dará causa à anulação do julgamento por impedir que dele participem aqueles especialmente sorteados para esse ato. do CPP). de ofício ou a requerimento das partes. Dentro do qüinqüídio legal. a não intimação do réu para sessão de julgamento acarreta nulidade absoluta. estes deverão ser intimados a estar presentes à reunião do Júri. O preparo é o ato do juiz que consiste em ordenar. testemunhas e jurados Procedido ao sorteio dos jurados que devam participar do Conselho de sentença. Alguns doutrinadores pátrios acreditam que. Assemelha-se ao despacho saneador no processo civil. CPP). e naturalmente nulidade.30 o mesmo constará no questionário. Após o oferecimento do parecer previsto no artigo 422. por configurar-se evidente cerceamento do direito de defesa. A não intimação do acusado para a sessão de julgamento é um caso de nulidade relativa como previsto no artigo . haverá surpresa para a defesa. 3. havendo também a possibilidade de ser sanada como prevê o artigo . do CPP. . não cabendo recurso. do CPP pelas partes. do mencionado estatuto legal. bem como requerer a realização de diligencias. apesar do previsto nos artigos antes mencionados. o órgão acusatório público ou particular. A lei prevê que o réu deverá ser intimado da sessão do Júri. o processo será preparado para o julgamento no Tribunal do Júri. À defesa este mesmo direito é garantido. poderá juntar documentos relativos a lide penal.2. garantia constitucional. Do contrário. quando não for permitido seu julgamento à revelia (quando este tiver cometido um crime afiançável e quando sua ausência ocorra sem motivo legítimo – artigo.

que as partes indicaram o local onde poderiam terem sido encontradas e ainda as arrolarem sob cláusula de imprescindibilidade. A falta de intimação destas testemunhas.31 No parecer do artigo 422. do CPP as partes poderão apresentar testemunhas que tem interesse em serem ouvidas em plenário. sendo que o juiz deverá ordenar a intimação destas para comparecimento na sessão de julgamento. . implicará na nulidade do julgamento.

A falta de referência na Ata faz presumir o não cumprimento desta formalidade e ensejará a nulidade do julgamento. do CPP). característica essencial do Júri no sistema constitucional brasileiro (artigo 5. Estando presentes quinze jurados e havendo impedimento ou suspeição de dois ou mais deles não impede a realização do julgamento.32 3. O sorteio do Conselho de Sentença deverá ser realizado publicamente pelo juiz presidente. A verificação antecipada das cédulas antes da formação do Conselho de Sentença é uma formalidade que deve constar expressamente na Ata. dentre os vinte e cinco que compõem o tribunal. bem como o sigilo das votações. A incomunicabilidade do jurado representa a garantia de sua independência de convencimento. que o jurado exteriorize sua forma de decidir e venha influir. Durante o período do descanso os jurados não estão obrigados a permanecer mudos e isolados. todavia se ocorrer com recusas imotivadas (três para a acusação e três para a defesa) e motivadas número insuficiente para instalação da sessão. por absoluta falta de previsão legal. todavia. após a leitura das advertências previstas no artigo 465. sorteio e incomunicabilidade dos jurados No dia e horário designados para realização do julgamento o juiz presidente abrirá a sessão e fará a conferência da urna. que esta incomunicabilidade que a lei quer asseguarar diz respeito ao mérito do julgamento e tem como objetivo impedir. o júri será adiado para a primeiro dia desimpedido (artigo 466. É bom lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a nulidade do julgamento em que no Conselho de Sentença participa um jurado que funcionou no julgamento de co-réu (RT 624/301). B. onde deverá constar o nome dos vinte um jurados que deverão funcionar nas sessão periódica. XXXVIII. Para a realização da sessão é imprescindível a presença de no mínimo quinze jurados. Saliente-se. . CF). do CPP. basta que não manifestem sua opinião sobre o processo. A violação desta fórmula essencial no julgamento perante o Júri acarreta nulidade absoluta do mesmo.2. favorecendo ou prejudicando as partes. não constituindo causa de nulidade eventuais irregularidades ocorridas no referido sorteio.4 Presença.

pois no Júri o que realmente importa é a própria incomunicabilidade. não causará nulidade ao julgamento (RT 468/314).33 O Código de Processo Penal reclama que a incomunicabilidade seja certificada na Ata. A razão da primeira incompatibilidade esta assentada no fato de que já se sabe previamente qual foi a inclinação do tribunal do júri quanto ao julgamento anterior. logo em seguida a defesa se pronunciará por igual período de tempo. pois além de representar ofensa ao princípio . do CPP. e se forem dois ou mais réus será acrescida de uma hora e elevado ao dobro o da réplica e tréplica. a Súmula 206 do STF: “É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou em julgamento anterior do mesmo processo. No Júri a atuação do Ministério Público e da defesa durante o julgamento é erigida em fundamental pressuposto de eficácia do ato.2. sendo que o Ministério Público e seus eventuais assistentes terão uma hora e meia para pronunciamento.5 A acusação e a defesa na sessão de julgamento Terminada a instrução do processo em plenário do Júri. que se esta não foi posta em dúvida. Tem plena aplicabilidade no que tange a matéria jurídica discursada. A título de inovação o legislador erigiu no artigo 449. independente da causa determinante do posterior. quando manifestou o seu convencimento no sentido de acolher ou não a pretensão punitiva pública ou privada. houver integrado o Conselho de Sentença que julgou o outro acusado. tiver manifestado prévia disposição para condenar ou absolver o acusado. No tocante a proibição do jurado compor o conselho de sentença. quando diz que não poderão servir no conselho o jurado que tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo processo. todavia a orientação do STF é no sentido de que esta formalidade não é essencial. o juiz presidente anunciará a fase dos debates.” 3. sua isenção restou rompida. A acusação e a defesa na sessão de julgamento são requisitos essenciais à validez da ação penal. também no caso do concurso de pessoas. acrescida de mais uma hora. três situações compreendendo a incompatibilidade dos jurados como causa de nulidade do julgamento. bem como certificada pelos oficiais de justiça. está na neutralidade.

Vale ressaltar. é postular pela improcedência da pretensão punitiva. por violar o imperativo da plenitude de defesa. sendo que constatada a ausência do defensor do acusado o julgamento deve ser adiado (artigo 449. Uma vez não haja elemento nos autos capazes de fazer com que seja sustentada a acusado. que não é ausência de acusação o Representante do Ministério Público pedir a absolvição do réu no Plenário do Júri. sendo causa de nulidade da sessão a falta desta fala. reflete prejuízo à formação do convencimento dos jurados. Não é permitido a concordância do defensor com a tese acusatória. iniciados os debates. todavia uma defesa consistente. Outrossim. prevê nulidade absoluta se durante os debates as partes fizerem referência a pronúncia ou acórdão que a confirmou ou que determinou a . do CPP). do CPP. do CPP). A jurisprudência tem decidido que não se pode caracterizar deficiência da defesa no Júri o fato do advogado não usar integralmente o período de tempo concedido para seu pronunciamento. não é obrigatório ao Parquet pedir a condenação do réu em Plenário. desde que a prova indique que a sua atuação foi juridicamente perfeita e adequada às circunstâncias do caso (RT 564/367). necessitam destarte conhecer com amplitude as teses apresentadas pelas partes. o artigo 478. todavia é importante que se distinga o que vem a ser cada uma delas. na qualidade de custos legis (artigo 257. ao Promotor de Justiça não é permitido desistir do uso da palavra para a acusação. De forma rigorosa. No tocante a acusação. é nulo o julgamento realizado sem a presença do defensor escolhido pelo réu. todavia. pois os juízes de fato não conhecem os fatos contidos nos autos nem as questões de direitos ali mencionadas. mesmo porque seu dever funcional. que possam abrandar a pena ou afastar qualificadoras e agravantes propostas pela acusação.34 constitucional do contraditório. que se limite ao pedido de reconhecimento de certos benefícios legais. A falta de acusação ou de defesa em plenário é causa de nulidade absoluta do julgamento. prevendo a lei processual a possibilidade do juiz presidente do Júri dissolver o Conselho de Sentença quando verificar que o réu estar indefeso. como fora dito. A defesa em plenário deve ser efetiva. deve ser considerada eficiente e consentânea com a exigência constitucional.

2. cremos que também não se justifica. entende-se justamente a interrogação formulada pelo juiz-presidente do tribunal do júri para que seja respondida pelo conselho de sentença. mesmo porque independentemente de a parte fazer menção ás algems. uma vez que transgride e macula o direito do contraditório exercido pela acusação. No tocante ao uso de algemas. inciso LVIII. contendo os quesitos. O dispositivo cerceia o direito de qualquer das partes explorar as provas lícitas constantes nos autos. caput. pode tecer comentários negativos ou positivos em relação ao acusado. A maioria dos doutrinadores acredita que o este dispositivo normativo é plenamente inócuo e inútil. 3. pois viciará a própria decisão popular. antes do advento da Lei 11. o que não é vedado. A proibição de menção de pronúncia tem como objetivo não permitir que o corpo de jurados seja influenciado por decisão proferida pela magistratura togada.6 Quesitos Do latim quaesitum (pergunta). ou uma tese de defesa . o legislador brasileiro segui o modelo francês de júri. ao silencio do réu ou a ausência de interrogatório. correspondentes ás questões de fato e de direito expostas pelas partes em plenário. além de dizer respeito ao conteúdo da pronúncia. porque somente as ilícitas é que são vedadas pela Constituição Federal (artigo 5º. Qualquer deficiência dos quesitos ou das suas respostas acarretará nulidade absoluta ao julgamento. hoje extinto. devia representar uma assertiva constante do libelo. apresentado pelo órgão acusatório. ao uso de algemas. CF e artigo 186. Quanto ao silencio do acusado na ocasião de seu interrogatório. CPP). O quesito. jamais poderá ser interpretado em prejuízo da defesa. O questionário é a peça elaborada pelo juiz presidente. LVI). que é uma prerrogativa constitucional (artigo 5º. Este questionário é a maior fonte de nulidade de decisões oriundas do tribunal do júri. se mostra inconstitucional. Seu conjunto é denominado questionário.689/2008.35 submissão do acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri. destinados aos jurados para a realização do julgamento na sala especial.

fonte insondável de nulidades.1 Quesito sobre o fato principal O questionário que será submetido à apreciação do conselho de sentença.2. por ausência de formalidade substancial (artigo 584. é formalidade indeclinável que os quesitos sejam formulados de acordo com a ordem estabelecida nos incisos do artigo 482. . o modelo de votação do sistema norte-americano. O magistrado também está obrigado a formular os quesitos nos termos da pronuncia ou do acórdão que a confirmou. consubstanciado no veredicto único em relação á culpa ou inocência. ela pode. do CPP. ou que pronunciou o acusado. 3. CPP). completa e fáctica. Entretanto. A reforma do Tribunal do Júri aproximou.36 sustentada em plenário. que deve também integrar o questionário. É esse o traço marcante da denominada competência funcional por objeto do juízo. Seguindo as pegadas do sistema Frances. inciso IV. relativamente. nos debates em plenário. quando da prolação da sentença. devem ser organizados conforme determinação previamente estabelecida pelo legislador no artigo 483. já que aquela envolvendo o direito está afeto ao juiz que preside a sessão. que compete ao juiz togado.6. a partir da reforma passa-se a indagar se o réu deve ser absolvido ou condenado. Se isso não ocorrer. Em itens específicos será apontada a ordem cronológica para a sua formulação. é vedado ao juiz de direito formular pergunta de sua livre escolha. Reiterando o que já restou anteriormente consubstanciado. Nessa ordem de consideração. deve ficar bem claro que os jurados decidem matéria fática e jamais de direito. cujo somatório constitui o questionário. bem como com suporte no interrogatório do acusado. Os quesitos devem ser elaborados de forma clara. somente deverá versar sobre matéria de fato e se o acusado deve ser absolvido (artigo 482. CPP). é por intermédio da votação dos quesitos. com isso solucionando a causa penal. do CPP. Os quesitos. apontar circunstancias agravante. haverá nulidade absoluta do julgamento. que o tribunal do júri julga a pretensão punitiva e de liberdade submetida. No caso da acusação. e também de acordo com as teses sustentadas pela defesa em plenário. No Brasil.

do CPP). primeiramente. do CPP). afastando o reconhecimento da materialidade ou da autoria ou da participação (votação negativa) o julgamento será encerrado. É ele também considerado como sendo obrigatório. como é evidente o nexo causal ou etimológico. Em sentido oposto. Em determinados crimes. passando-se a apreciação do quesito envolvendo a absolvição do acusado (artigo 483. se o acusado induziu a vitima a tirar sua própria vida. em primeiro plano. se a vítima provocou em si lesões corporais. e finalmente. passa-se a análise de outra infrações. ao depois. inclusive facilita a votação pelos jurados. Se em relação aos quesitos principais houver votação por maioria. dando-se o acusado como absolvido (artigo 483. onde deve ser argüido.37 A questão sobre o fato principal. do CPP). envolvendo. parágrafo segundo. Não obstante o legislador fazer menção a um quesito. há necessidade de desdobramento dos quesitos em tema de fato principal. se essas lesões foram causa determinante de seu óbito. . nada impede que sejam feitas questões distintas no que tange à autoria. seja ele qual for. que é obrigatória. Afinal. materialidade e/ou nexo causal. caso seja negada a existência do delito doloso contra a vida. Isso significa que de qualquer maneira ele deverá ser confeccionado. parágrafo primeiro. quer de primeiro grau de jurisdição. Fato principal. por exemplo. Também nos casos em vários forem os delitos imputados. induzimento ao suicídio. se aquela votação for positiva. o julgamento terá seu prosseguimento. quer de segunda instancia. outros crimes passarão a analise do juiz togado. O quesito principal também é denominado de quesito de acusação. Somente após fixada a competência do Tribunal do Júri. a autoria ou participação. É o que preceitua o legislador processual penal (artigo 483. deverá ser formulada em conformidade com a decisão que pronunciou o acusado. é aquele que diz respeito a materialidade do fato. indaga-se acerca da ocorrência do crime doloso contra a vida.

proclamado a absolvição em torno das excludentes ou dirimentes. devendo ser respondidos os quesitos na ordem cronológica estabelecida pelo preceito de regência. quando for o caso. Essa novidade legislativa.2 Quesito sobre absolvição O legislador diz textualmente no inciso III. A improcedência da pretensão punitiva está definida. do precitado estatuto. no que diz respeito ao excesso doloso e culposo. o julgamento prossegue. estado de necessidade. como Heráclito Antonio Mossin. do CPP. quando não houver pedido ou qualquer tipo de manifestação a respeito. do artigo 483. . Decidindo os jurados pela condenação. Havendo os jurados. inspirada no direito inglês (NOT GUILTY). principalmente quando havia a imposição relativamente as excludentes ou dirimentes. principalmente quando a prova colhida em instrução não admitir o reconhecimento de qualquer causa que conduza a improcedência da pretensão punitiva pública ou privada. erro sobre a ilicitude do fato. legitima defesa) alem de.6.38 3. razão pela qual foi imperiosa a mudança de tratamento legal sobre a matéria de se questionar os jurados em torno dela. caput. Existem alguns doutrinadores. sempre se mostrou por demais complexa aos jurados. do artigo 26. que deve ser formulado um quesito sobre se os jurados absolvem o réu. foi bastante oportuna e também essencial na sistemática de votação do conselho de sentença. Em matéria. Argumentando inclusive que a fonte do questionário da defesa são suas teses defensivas em plenário e também o que serviu de conteúdo para a versão dada pelo acusado quando de seu interrogatório frente à magistratura popular. O assunto jurídico em questão envolve matéria que diz respeito ao assunto jurídico capitulado nos artigos 20 a 25 do Código Penal (discriminantes putativas. que acreditam que não é obrigatório ser proposto ao conselho de sentença a votação de mencionado quesito. coação irresistível. é vedado ao magistrado analisar se houve excesso doloso ou culposo relativamente a elas. que por sinal se revelou fonte insondável de nulidades. sendo este o principio orientador dos quesitos de defesa.2.

Em sentido amplo. parágrafo terceiro. E será ele submetido à votação sempre que forem respondidas afirmativamente as questões concernentes à materialidade do fato e sua autoria. uma vez que sendo os jurados pessoas normalmente esclarecidas não. muito embora.39 Outros.3 Quesitos de defesa Os quesitos sob consideração são aqueles relacionados com a diminuição da pena (artigo 483. mesmo porque os jurados podem absolver o réu até mesmo por pura clemência. . inciso I. como Guilherme de Sousa Nucci. o magistrado está obrigado a fazer pergunta a respeito. “é absoluta a nulidade do julgamento pelo júri quando os quesitos de defesa não precedem os das circunstancias agravantes”. Tendo em vista o principio da liberdade da ampla defesa.2. as causas que conduzem a redução da sanção penal são as circunstâncias atenuantes encartadas no artigo 65 (atenuantes genéricas) e a causa de diminuição especial da pena está prevista no parágrafo primeiro. O STJ tem entendido ser admissível a quesitação dos jurados a respeito da excludente de culpabilidade de inexigibilidade de conduta diversa. CPP).6. do CP (homicídio privilegiado). negar a prática do fato típico e ao mesmo tempo aduzir que o praticou por erro. se requerida pela defesa. permitem-se a defesa contraditória perante o júri. do artigo 121. matéria que é alegada pela defesa com tese no plenário. sob o ponto de vista lógico e de capacidade de defesa. essa contradição seja sumamente prejudicial ao acusado. Conforme enunciado da Súmula 162 do Colendo Supremo Tribunal Federal. Logo tendo sido argüida essa matéria na discussão plenária. crêem que lei exige seja incluído o quesito referente à possibilidade de absolvição do réu em todos os questionários. Tem havido questionamento quanto á inclusão no questionário de causa supralegal excludente de antijuridicidade ou de culpabilidade. podem suportar antinomia dessa natureza. como teses antagônicas de negativa de autoria e legitima defesa putativa. 3.

a causa precipitada dentre ser verificada nos lindes da questão: o jurado absolve o acusado? Outra matéria interessante a ser destacada diz respeito a possibilidade de ser discutida em plenário e integrar o questionário envolvendo desistência voluntária e arrependimento eficaz (artigo 15. nada mais evidente que nessa amplitude deixada pelo legislador. entendeu o STJ que o quesito relativo se torna imperioso. Sendo todos os crimes dolosos contra a vida de cunha material. desde que.6. deverá então o magistrado fazer a quesitação pertinente. Como ambas as situações que se agregam a teoria política-criminal. a matéria tenha sido discutida em plenário. sob pena de nulidade do julgamento por cerceamento de defesa. Como é evidente pela sistemática processual penal na formalização e resposta dos quesitos. portanto. deve ser adicionada a inexigibilidade de conduta diversa.2. logicamente. 3. o iter criminis. cumpre ao magistrado fazer quesito a respeito.40 Embora não haja norma penal reconhecendo diretamente a inexigibilidade de conduta diversa como forma excludente da culpabilidade ou da antijuricidade. se houver tese nesse sentido sustentada em plenário do júri. cumpre ao magistrado formular pergunta a respeito. Portanto se a defesa sustentar no plenário qualquer fato ou circunstancia que por lei isente de pena ou exclua o crime.4 Quesitos sobre a qualificadora e a causa de aumento de pena . há possibilidade da verificação da desistência voluntária e do arrependimento eficaz. sob pena de ocorrer cerceamento de defesa. que por sinal é bastante abundante. portanto matéria que é de apreciação da magistratura popular em termos fáticos. bastando para a verificação consulta em matéria pertinente. a verdade é que a doutrina e a jurisprudência a tem agasalhado de forma quase que uníssona. No que pertine a desistência voluntaria. pressupondo. do CP). impregnando de nulidade o decisum levado a efeito pela magistratura popular. Sendo o mesmo entendimento deve ser lavrado no que concerne ao arrependimento eficaz. Nos casos em que a defesa apresentar tese nova durante o último momento de sua fala. implicam exclusão da punibilidade. dispensando qualquer indicação específica a respeito.

CPP). independentemente de constar ela de qualquer tipo de decisão. o título mesmo de novidade. De outro lado. do CPP. do Código Penal. obrigatoriamente deve ser feita a votação. do CPP. desde que reconhecida na pronúncia. que são as circunstancias agravantes contidas nos artigos 61. ou em acórdão que a confirmou ou que determinou que o acusado fosse julgado pelo júri popular. No tocante a reformatio in peius. naquela sentença de pronúncia ou no acórdão.41 Seguindo a ordem cronológica determinada pelo artigo 483. todos do CP). cabe uma advertência quanto aquele dispositivo. o que é vedado ao órgão do Ministério Público e também ao querelante. o magistrado está obrigado a fazer o quesito a respeito. assunto jurídico envolvendo situação que pode acrescer à reprimenda legal. . Outrossim. é facultado à acusação apresentar no plenário do júri. A outra está compreendida no parágrafo único do artigo 626. Como pacificamente se nota nos dizeres que compõem o preceito citado. Uma delas é quando houver apelação unicamente da defesa (artigo 617. o legislador subordina a apresentação do quesito envolvendo a matéria de interesse da acusação. independentemente de ter havido debates sobre elas no plenário. e artigo 127. as questões referentes as qualificadoras (artigo 121. Doutrinariamente as duas situações são denominadas de reformatio in peius indireta. que deixaria no momento do pedido de ser órgão acusatório. para efeito de julgamento do recurso perante tribunal de segundo grau de jurisdição. 62 e 122. em seguida deverão ser votados aqueles da acusação. que são elementares do crime. parágrafo segundo. que também são voluntários. É que constando essa causa que torna o delito contra a vida mais grave. incisos I e II. Portanto. em juízo constitucional ou natural. Sua elisão a pedido da acusação implicaria desistência parcial da ação. sustentando esta causa de aumento da sanctio legis no plenário. finda a cotação dos quesitos da defesa. deverá ser feita a indagação sobre qualificadora mesmo quando a acusação tiver nessa oportunidade manifestada contrariamente a seu reconhecimento. Entretanto. somente em duas situações previamente determinadas pelo legislador processual ela poderá ocorrer. devolvendo ao parquet a titularidade da ação. somente poderão ser propostas quando estiverem especificadas na pronúncia.

a exemplo do que acontece com as qualificadoras. deve ela ser novamente votada pelo conselho de sentença devido à sua soberania e. quer constantes da Parte Geral e também da Especial do CP(artigo 12. do CPP. ultimada a votação sobre as qualificadoras e causas de exacerbação da pena. absolutamente nenhuma violação ao reformatio in peius indireta. Diante disso. não há previsão legal para que a mesma seja excluída do questionário em homenagem ao princípio da soberania dos veredictos. Esse quesito é tido como voluntário. .42 Por ela. sobrevindo condenação. da CF. anulado o processo. incisos I e II). inciso II. bastando que tenha feito referência aquela por ocasião dos debates em plenário. cumpre ao magistrado togado fazê-lo. O passo seguinte é analisar o questionamento sobre as causas de aumento de pena. pois se eventualmente o novo conselho de sentença reconhecer situação fática capaz de impor pena mais grave do que aquela imprimida no julgamento anulado. in casu. porquanto essa situação decorreu da soberania do veredicto. para que seja formulado quesito a respeito de circunstancia agravante não é imprescindível que a acusação tenha se manifestado sobre ela quando da denúncia. c. sobrevindo novo julgamento não há de se cogitar reformatio in peius indireta. a nova pena imposta não pode ser mais gravosa do que aquela constante do processo cuja sentença condenatória foi objeto de revisão criminal. desde que alencadas pela acusação publica ou particular. consagrado constitucionalmente no artigo XXXVIII. por não ser essa elementar do tipo penal. Não há. em processo do júri anulado em grau de recurso de apelação. ainda porque. serão submetidas aos jurados questões relativas ás agravantes. Obedecendo a ordem cronológica estabelecida pelo artigo 483. Situação diferente ocorrerá no tocante a julgamentos perante o Tribunal do Júri. Na sentença de pronúncia ou no acórdão que determinou que o acusado fosse julgado pelo tribunal do júri não se inclui circunstância agravante. e sendo o réu submetido a novo julgamento. como no exemplo anteriormente posto. motivo pelo qual mesmo que tenha sido no julgamento anterior afastada determinada qualificadora. Assim sendo.

5 Quesitos sobre a desclassificação do crime É possível que a defesa venha pleitear no plenário do júri que o fato típico imputado seja classificado para delito da competência do juízo singular (ex. e nisto não há incompatibilidade. nada impede que o juiz faça o quesito da desclassificação após aquele sobre a absolvição. posto que cumpre aos jurados decidirem se o crime é ou não doloso contra a vida. para ser respondido após o segundo quesito. sem que haja pedido da acusação. exponha tese que envolva a absolvição do acusado (ex. no 3º quesito. é necessário tornar claro que o magistrado não pode incluir no questionário essa circunstância majorante da reprimenda legal. sendo este da competência do Tribunal do Júri.6 Quesitos sobre a tentativa de homicídio ou de outro crime de competência do júri Diz o parágrafo quinto. do CPP. Se isto acontecer. Embora o legislador confira uma alternativa quanto a ordem de formulação deste tipo de quesito que diz respeito a autoria ou a participação. Isso porque. sendo certo que a prova em qualquer sentido caminha para a legítima defesa). formular quesito a respeito.: tentativa de homicídio para lesões corporais. que a defesa defenda a tese da desclassificação comentada e. do artigo 483. entretanto.2. 3. para cada uma delas o magistrado deverá formular quesito.6.43 Outrossim. é indagado: “se o jurado absolve o réu?”.6. 3. Pode ocorrer.: sustentação de que não houve tentativa de homicídio mais crime de lesões corporais. concomitantemente. Em havendo mais de uma circunstância agravante a ser apreciada pelos jurados. cumprirá ao magistrado que preside a sessão. .2. Isso acontecendo. não podendo englobá-las em uma única questão. o juiz formulará quesito acerca destas questões. homicídio doloso para culposo). que sustentada a tese de ocorrência de crime na forma tentada ou havendo divergência sobre a tipificação do delito.

para cada co-réu ou participe deve ser feita uma série de quesitos. como se esse estivesse sendo unicamente julgado. para cada uma dessas situações deverá ser elaborado quesito separadamente. Em razão disso . De outro lado.7 Quesitos no concurso de pessoas e de crimes O enunciado legal sobre esta forma diferenciada de quesitos se encontra no parágrafo sexto. a possibilidade de tal verificação. ou seja. caso não haja concordância sobre o tipo penal envolvendo crime doloso contra a vida. se houver co-autoria e participação. Seguindo os critérios traçados pelo legislador no que diz respeito a ordem cronológica em que os quesitos devem ser formulados e respondidos. no sentido de sustentar ter ocorrido crime doloso contra a vida tentado. para cada um deles deverá haver uma serie de quesitos.6. que expõe que havendo mais de um crime ou mais de um acusado. cada acusação dever ser vista de forma independente. há de se convir que o preceito se mostra inaplicável. a matéria também deverá ser objeto de apreciação pelo colegiado popular. para não causar perplexidade no espírito dos jurados. os quesitos serão formulados em series distintas. os tribunais pátrios têm decidido que quando se trata da prática de homicídio mediante paga ou promessa de recompensa (artigo . que trata da autoria e participação. Esse procedimento se impõe uma vez que. na hipótese sublinhada a pergunta pertinente deverá ser formulada e respondida após o segundo quesito. do CPP. visando a garantia do julgamento. De outro lado.44 No que diz respeito sobre tese a cargo da defesa ou mesmo da acusação. 3. De outro lado.2. serão formulados tantas series de quesitos quantos forem os réus. Diante deste preceito sendo submetido a julgamento mais de um réu(co-autoria ou participação). do artigo 483. Logo. não obstante a continência de causas. Sob o ponto de vista processual esse mecanismo de votação facilita os jurado quanto a apreciação do questionário a eles submetidos a votação. consumado ou tentado. de plano. não se constata.

precipuamente. em sessão subseqüente. desde que. Essa inteligência se impõe. Deve-se atentar. Com esse providencia . Em primeiro lugar. do CP). seja ela condenatória. que haja separação do julgamento. uma vez eles já possuem concepção formada quanto a culpabilidade ou não do réu ou de partícipe. desde que possível. o que deve ser resolvido exclusivamente pelo juiz quando da sentença. que somente tem competência para resolver questões fáticas. o executor.45 121. o julgamento do feito criminal por juízes de fato distintos constitui motivo relevante (artigo 80. Havendo o desfazimento da continência. a fim de que a decisão quando a um dos réus não influencie a que deve ser tomada quanto ao outro réu. uma vez que o reconhecimento do concurso de crimes ou do delito continuado está afeto. CP). . principalmente quando hão a figura do mandante e do executor. fatalmente não ocorrerá prejuízo em termos de decisão aquele que executou o núcleo do tipo. que seu defensor deve defender a tese que proporcionar maior beneficio ao réu. ao juiz presidente do júri. o que é legalmente possível tendo em vista que. Em segundo lugar. ao depois. em primeiro lugar deve ser submetido ao tribunal do júri o mandante e. inciso I. evidentemente. Outrossim. deve ficar ressaltado. que a quesitação somente objetiva colher dos jurados dados relativos a pratica desses fatos típicos reunidos em concurso e não sobre as formas concursais(real e ideal) e sobre a continuidade delitiva. principalmente no âmbito da ampla defesa do acusado. essa não pode ser submetida á apreciação dos jurados. Tangentemente ao concurso de crimes (material ou formal) ou mesmo delito continuado. para cada infração típica deve ser formulada série de quesitos de forma separada. porem diante do magistrado e não do conselho de sentença. trata-se de matéria relacionada com a aplicação da pena. porque sendo matéria de cunho jurídico. deve o magistrado impedir que integrem o conselho de sentença jurados que participam do júri anterior. outrossim. Finalmente. como a do crime continuado ou do concurso formal.

logo em seguida sobre as teses de defesa. . (RT 585/354). quando apesar dela. sanada está esta irregularidade.46 O STF tem entendido que se as partes silenciarem. do CPP. o juiz presidente fará nova votação dos quesitos que receberam respostas antagônicas. por falta de quesito obrigatório. Outro ponto importante a ser comentado é o que diz respeito a previsão do artigo 484. nominando-a para diminuir a pena. a não ser que seja muito grave e que induza o Conselho de Sentença a erro ou perplexidade sobre o fato sujeito à decisão (RT 601/444). no tocante a ordem na formulação dos quesitos. pois sua inobservância trará nulidade absoluta ao julgamento. do CPP. de acordo com o previsto no artigo 489. Aplicando o princípio do favor rei. e ainda a falta de formulação dos quesitos referentes ao excesso doloso e culposo. explicando aos jurados os motivos da contradição. incisos I e III. durante o julgamento pelo Tribunal do Júri. bem como redigidos de forma prolixa e confusa. se tal fato não se verificar é um caso de nulidade absoluta. A Súmula 156 do STF acrescenta que é absoluta a nulidade do julgamento pelo Júri. não causa nulidade a omissão do quesito específico. entretanto. sobre alguma irregularidade na quesitação. pois decidiu que “positivado o quesito genérico sobre a existência de atenuantes. somente após estes é que serão formulados os demais quesitos da acusação. primeiro os jurados devem ser questionados sobre o fato principal. Durante a votação ocorrendo contradição entre nas respostas dos quesitos. Afirmada inicialmente a tese da defesa ficam prejudicados os demais quesitos acusatórios. haja o juiz considerado a atenuante mais parecida aplicável ao caso. A Jurisprudência diz-nos que também acarretará nulidade ao julgamento se os quesitos forem formulados de maneira negativa. o STJ vem admitindo uma flexibilidade na aplicação deste entendimento. sendo que neste último caso o reconhecimento da nulidade independe de protesto durante a sessão do Tribunal do Júri.

Terminemos nosso trabalho com as palavras de Adriano Marrey que declara que “o Júri. direito inviolável do indivíduo e não função atribuída ao Judiciário. deixemos pois esta tarefa aos estudiosos desta instituição. implicitamente. é uma instituição política. que fora acolhida entre os Direitos e Garantias Individuais com o fim de permaneça conservado em seus elementos essenciais.” (Marrey Adriano – Teoria e Prática do Júri – Sexta Edição – SP 1997 – Editora Revista dos Tribunais). que ao nosso ver. é uma das mais democráticas existentes no país. reconhecendo-se seja. entre nós. um direito dos cidadãos o de serem julgados por seus pares. . ao menos sobre a existência material do crime e a procedência da imputação. Esse ato de julgar o fato do crime e sua autoria é. mais que um mero órgão judiciário. É claro que neste trabalho não conseguiríamos delinear com precisão todos as suas variadas peculiaridades.CONCLUSÃO Abordamos em linhas gerais alguns pontos e aspectos desta apaixonante instituição processual penal que é o Tribunal do Júri.

Código de Processo Penal e sua interpretação Jurisprudencial – 2. A instituição do Júri. Andrey Borges de. _______. Rogério Lauria. 2008.ed. NUCCI. MARQUES Porto. 1998. 2008. Código de Processo Penal Comentado. Do Tribunal do Júri. Direitos Humanos Fundamentais. 8. Antonio Scarence. . FERNANDES. Rui . 1999. Paulo Sérgio Leite. 1990. Adriano. rev. OLIVEIRA. MARREY. Júri: crimes e processo. ed. 2008. 2008. FERNANDES. 2. 2009. Heráclito Antonio. ampl. Saraiva. Rio de Janeiro: Forense. Saraiva. Revista dos Tribunais. ed. Saraiva. José Frederico. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1993. TUCCI. São Paulo. Hermínio. Nulidades no processo penal. MENDONÇA. ed. Malheiros. 2003. Bookseller. Júri. 2. do inquérito ao plenário. 1997. Tribunal do Júri Popular na ordem jurídica constitucional. Marcus Vinicius Amorim de. _______. São Paulo: Revista dos Tribunais. Tribunal do Júri. 4. ALBERTO. Processo Penal Constitucional – 2. Manoel Gonçalves. FERREIRA FILHO. Guilherme de Souza. FRANCO. Júri. MOSSI. MORAIS. 1997. Revista dos Tribunais. 6. São Paulo: Método. Edilson Mongenot. v. Curitiba: Juruá. ed. 1995. Alberto Silva. 2000. 2000. Revista dos Tribunais. Revista dos Tribunais. STOCO. procedimentos e aspectos do julgamento. Alexandre de. Nova Reforma do Código de Processo Penal. Direito Constitucional – Editora Atlas. Tribunal do Júri. 3. Estudo sobre a mais democrática instituição jurídica brasileira. ed.REFERÊNCIAS BONFIM. Teoria e Prática do júri. MARQUES. ed. 1996. Revista dos Tribunais.

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