REBECCA ZANETTI
SÉRIE
DARK PROTECTORS 01
01
02 2.5 03 04 05
5.5 06 6.5 07 7.5 7.75
7.8 08 09 9.5 10
7.9
11 11.5 12 12.5 13 14
14.5 15
Case comigo!
Cara Paulsen não desiste facilmente. Cientista e mãe
solteira, está acostumada a lutar pelo que quer, mantendo
a cabeça fria e fazendo o que for preciso para proteger sua
filha Janie. Mas – o que for preciso – nunca incluiu um
casamento forçado com um estranho de aparência
perigosa com um problema de controle.
Se não!
Claro, o misterioso Talen diz que ele está lá para
proteger Cara e Janie. E também que é um vampiro de
trezentos anos. Claro, do jeito que ele a toca, Cara pode
realmente acreditar que teve bastante tempo para
praticar.
— Mamãe! Mamãe, acorde. — Pequenas mãos agarraram a
camisa de dormir gasta de Cara, tremendo com todas as suas forças.
Os olhos de Cara se abriram e seu coração bateu no peito. Olhos
azuis aterrorizados a introduziram no crepúsculo da manhã. A
garotinha deve ter tido outro pesadelo.
— Janie, querida, o que foi?
— Eles estão vindo. Estão vindo agora, os homens maus. Temos
que correr. — Janie respirou fundo antes de soltar um soluço agudo.
Cara balançou a cabeça, estendendo a mão para envolver a filha
em um abraço. Acalmou sua própria respiração, a necessidade de
confortar sua filha a dominando. Pobre Janie. Era outro
pesadelo. Pegou os óculos de leitura sobre a mesa apenas para perceber
que havia adormecido com eles, de novo. A mais nova edição
da Botanical Magazine não foi tão excitante quanto esperava.
Alisou os cabelos de Janie enquanto o silêncio ecoava ao seu
redor. Agora, mais do que nunca, desejava que Simon estivesse vivo,
talvez ele pudesse acalmar os medos da filha deles. Acendendo a antiga
lâmpada de vidro rosa.1 — Está tudo bem, querida. Tenho certeza de
que foi apenas um pesadelo...
Um estrondo veio do outro quarto e Cara gritou de susto. O som
de madeira quebrando a colocou em ação. Pulando da cama, puxou
Janie para seus braços e correu para o banheiro principal, por pouco
acertando a samambaia no canto no caminho. Com o coração batendo
contra as costelas, trancou a porta e correu em direção à pequena
janela. Não conseguiu destrancá-la antes que a porta fina explodisse
aberta atrás dela.
Uma mão larga impediu que a porta se chocasse contra a
parede. Pelo menos um metro e noventa de músculos masculinos
enchesse a porta.
Com um grito, deixou Janie de pé e se esquivou à frente da
criança de quatro anos. O ar ficou preso em sua garganta e seus
ouvidos começaram a zumbir quando a adrenalina disparou em seu
sangue. Isso não estava acontecendo. Puxou a cabeça para o lado e se
forçou a aceitar a situação. Aceitar que precisava lutar. Levando
oxigênio para seus pulmões apertados e procurou uma arma no balcão
de azulejos, pois suas pinças provavelmente não machucariam
ninguém.
Empurrou Janie contra a parede. Recuando um passo, estendeu
uma das mãos para afastar a ameaça. O tamanho dele a fez engolir. Os
olhos castanhos tiraram a tenção de Cara do rosto duro, e os cabelos
negros atingiram o colarinho com uma liberdade que negava qualquer
1
Fittonia albivenis (Grupo Verschaffeltii) 'White Anne' é a planta nervosa, esse nome faz referência à veia
colorida quase compensada que decora as folhas dessa planta
vínculo com os militares embora ele usasse botas de trabalho e jeans
escuros sob um colete à prova de balas. Tinha visto este equipamento
em um especial do Discovery Chanel sobre os soldados.
A energia que emanava dele roubou o seu fôlego.
— Saia. — Declarou, protegendo sua filha. Tentando se proteger
dos sentimentos que jogou nela. Raiva, paixão e urgência se
misturavam, misturando-se com o seu próprio pânico e deixando-a
tonta. Seus joelhos tremiam e a cabeça começou a doer. Ela geralmente
bloqueava melhor que isso. Ou talvez suas emoções fossem tão fortes.
— Precisamos ir. — Seu tom era de água correndo sobre rochas
afiadas, como se ele estivesse tentando suavizar uma voz naturalmente
áspera. Então seus olhos caíram para a camisa desbotada dela e viu a
imagem de Einstein cercada por sacolas de compras estampada. —
Quantum Shopping. — Seu lábio superior curvou e uma covinha
apareceu. Seu batimento cardíaco diminuiu em resposta. Então ele deu
um passo mais para perto, as mãos ao seu lado do corpo, e o olhar dela
voou para a arma no quadril dele, para as várias facas presas em seu
colete.
Seu coração voltou a entrar em ação.
— Você está na casa errada. — Olhou para o rosto implacável
dele, seu rosto parecendo de granito com um queixo feito para dar um
soco. Teria que pular para chegar perto.
O cheiro de pinho temperado e masculino infundiu a sala.
Ele balançou sua cabeça. Um buraco do tamanho de uma grande
pedra se estabeleceu em seu estômago quando a adrenalina bateu a
sala em foco nítido. Sua respiração veio em passos curtos, e sua mente
científica procurou uma resposta. Uma maneira de derrubar seu corpo
enorme. Ficou em um pânico crescente quando nada veio à mente, e
novamente procurou uma arma, localizando a Fitônia White Anne
plantada no vaso. Não podia jogar Annie no homem; a planta nunca
sobreviveria.
O intruso deu outro passo para espiar por cima do ombro. —
Tudo dará certo. Temos que ir. — Sua mão grande envolveu o bíceps
de Cara antes de arrastá-la para o quarto. O medo tomou conta de suas
cordas vocais por um momento, e sua mente se dispersou. Deveria
dizer a Janie para correr? Poderia desacelera-lo por tempo suficiente?
Então, com uma maldição abafada, ele largou seu braço. Um
rosnado baixo emanou dele quando olhou para sua mão. Ele a limpou
na perna da calça e a agarrou novamente. O que tinha estado na blusa
dela?
O telefone perto da cama chamou sua atenção, e se
atendesse. Ele a puxou de volta, com a mão quente e firme em seu
braço. Cara enfiou os pés no tapete, mas o impulso para a frente não
diminuiu, então tentou se afastar quando a puxou em direção a uma
cesta de roupas ao pé da cama.
— Janie, siga-nos — ele disse por cima do ombro.
Cara tossiu engasgada. Ele sabia o nome de Janie. Isso não foi
aleatório. O medo a sufocou novamente. — Como você sabe o nome
dela?
Ele girou até que bateu contra ele. O calor a encheu, a cercou. As
mãos dele pousaram nos seus braços, e sua determinação e intenção a
abateram. Droga. Não podia bloqueá-lo, respirou fundo com a
compreensão. Então ele abaixou a cabeça.
— Eu conheço seus nomes, Cara. Ouça. Meu nome é Talen
Kayrs, e não vou machucá-la. Estou aqui para ajudar. — Olhos
determinados capturaram os seus enquanto lhe dava um tempo. —
Respire fundo. Posso sentir o seu poder. Você pode encontrar a verdade
aqui. Sabe que não vou machucá-la. — Sua voz retumbou. Calmante.
Seu corpo se suavizou com o tom dele, enquanto a sua mente se
rebelava. Sua respiração se igualou. O perigo irradiava do homem, mas
não sentia nenhuma intenção de prejudicá-la. Ou a Janie.
Janie puxou sua cintura. — Está tudo bem, mamãe. Temos de
ir. Eles estão vindo.
Cara deu um passo para o lado e assentiu. — Bem. Nós vamos
embora. Podemos segui-lo. — Se pudesse levar Janie para o carro ...
Ele sorriu, mostrando seus dentes brancos. — Você não pode
mentir. Tem um minuto para vestir a roupa. — O som de sua voz áspera
disparou terminações nervosas vivas através de sua pele. Mas não por
medo. Ele virou-se para a porta.
— Não. — Ela novamente tentou se afastar enquanto o seu corpo
formigava onde encontrava o dele.
— Então você vai de pijama. — Ele pegou a cesta de roupas em
seu outro braço enquanto a arrastava para o corredor. — Continue
Janie. ―A garotinha tropeçou para trás, mantendo as mãos coladas na
cintura de Cara.
— Espere, mamãe — Janie gritou, puxando a mãe. — Preciso do
Sr. Mullet. — Sua voz subiu para um soluço estridente.
Talen se virou e olhou por cima do ombro de Cara. — Sr. Mullet?
— Ele olhou para a entrada da sala e depois se concentrou na
garotinha.
Cara pressionou a mão no peito dele, estabelecendo sua postura
para proteger sua filha. — Sr. Mullet é seu urso de pelúcia, ela não vai
a lugar nenhum sem ele. — Se Janie pudesse sair da sala, Cara poderia
realmente lutar.
Talen levantou uma sobrancelha, seu olhar pensativo. —
Depressa Janie. Pegue o urso, temos que ir.
Rápida como um flash, Janie saiu correndo da sala. Olhos
escuros encontraram os de Cara e ela vacilou, depois atirou o joelho
para cima na virilha dele, simultaneamente, socando o punho na
direção do rosto dele com um grunhido feroz.
Ele se mexeu, permitindo que o joelho dela se conectasse ao
músculo da coxa dele, enquanto o braço dele disparava para impedir o
soco. A mão larga dele envolveu o punho dela a centímetros do queixo,
e o tapa na pele ecoou pela sala. O cesto de roupas permaneceu seguro
em seu braço livre.
A dor percorreu sua perna e o medo caiu em sua
espinha. Ofegante, esperou por retaliação. Se a batesse, a derrubaria. E
Janie?
Talen inclinou a cabeça para o lado, a mão quente em torno da
dela. — Sua perna está bem?
Ele perguntou sobre a perna dela? Sério? Apenas tentou
transformá-lo em um eunuco. — Tudo bem — disse entre os dentes.
— Hmmm. — Falou, torcendo a mão para agarrar o pulso dela e
puxá-la para a sala de estar. — Pode querer trabalhar para não
transmitir sua intenção com esses lindos olhos azuis da próxima vez.
― A mera polidez coloriu o seu tom, sem nem um pingo de raiva.
Cara tropeçou, verdadeiramente desequilibrada pela primeira
vez naquela noite.
— Peguei ele, mamãe. — Janie disse, correndo para o quarto com
o urso de pelúcia e o seu cobertor gasto. — Podemos ir agora.
A porta da frente pendia quebrada, dividida em duas. À vista,
Cara começou a lutar novamente. Com um suspiro exasperado, Talen
deixou cair o cesto de roupas, mudou-a para o lado e levantou Janie
em seus braços.
— Não! — Cara gritou, pegando a filha antes de bater em suas
costas largas. O puro instinto a moveu para proteger Janie, e a raiva a
sufocou quando bateu em seu colete escuro.
— Pegue as roupas e mova-se. — Ele rosnou por cima do
ombro. Atravessou a varanda da frente, indo em direção a um Hummer
preto parado no meio-fio.
Cara se jogou contra o homem segurando a sua filha,
derrubando a cesta. Roupas espalhadas pelas tábuas de madeira.
— Deixe-a ir, seu idiota!
Ele pode não pretender ferir, mas não tinha o direito de
sequestrá-las. Ela apertou um braço em volta do pescoço enorme
enquanto seus joelhos afundavam na espinha dele. Empurrou com
força contra a sua traqueia. Uma onda de raiva bateu em seu corpo,
deixando para fora o medo.
Mesmo com ela lutando nas costas dele, seus longos passos
continuaram em direção ao veículo sem impedimentos. Ele abriu a
porta traseira, colocou Janie em um assento auxiliar e a afivelou com
movimentos rápidos. Cara se moveu para pular dele, apenas para fazê-
lo fechar a porta, agarrar seu braço e puxá-la. Duas mãos fortes a
seguravam no ar. Aço duro encontrou o seu traseiro quando ele entrou
no seu espaço pessoal, seu rosto baixando ao dela. — Pare de lutar
comigo.
Sua força era inacreditável. Sua própria vulnerabilidade a
atingiu quando percebeu que sua camisola havia subido para revelar
uma calcinha rosa pálida. O ar frio da noite corria por suas pernas
nuas. O jeans escuro arranhou a pele macia de suas coxas e abriu a
boca para gritar.
Um movimento rápido e sua boca cobriu a dela. Quente, firme e
de alguma forma contida. O força de sua restrição cercou-a. Ele lutou
para se controlar. O calor bateu nela. Um rugido encheu seus ouvidos
e a sua respiração engatou. Seu coração diminuiu a velocidade e o
tempo parou. Por um breve momento, o batimento cardíaco ecoou por
todo o corpo dela até um ponto abaixo do estômago.
Ele rosnou baixo e sua boca se moveu sobre a dela, não a
silenciando, mas provando, explorando. Um braço grosso passou por
sua cintura e a puxou para ele; o outro se levantou para enredar uma
das mãos em seus cabelos. Ele puxou, inclinando a cabeça mais para
o lado. Foi mais fundo.
Gemeu quando a língua dele encontrou a sua. Explorou a sua
boca como se a possuísse. Por um momento, ele fez. Ela esqueceu
tudo. Havia apenas os lábios dele nos seus, exigentes, promissores. Seu
calor a aqueceu quando retornou o beijo, puxando para mais perto de
seu corpo duro, esquecendo a realidade.
Força pura a cercava quente, perigosa e tentadora. Então um
pássaro gritou bem alto e a consciência colidiu com ela.
Jogou a cabeça para trás, seus lábios formigando, sua mente
girando. Olhos castanhos profundos mantiveram o olhar dela. O braço
dele apertou a cintura dela enquanto ele levantava a cabeça.
— Não grite. — Sua voz se aprofundou em algo gutural, algo que
aumentou a vibração em seu estômago.
— Mamãe? — A voz de Janie oscilou de dentro do veículo.
— Ela não pode nos ver, tenho as janelas escuras. — Murmurou
Talen.
Ótimo. Para que ninguém pudesse ver também. Sequestrador
inteligente.
— Diga a ela que está tudo bem. — Ele soltou o cabelo de Cara
para deixar um espaço entre eles.
— Não. Vamos embora. — A realidade voltou em cascata com a
frieza dele e se afastou. O que fez? Abaixou o cotovelo na clavícula
dele. Duro. Um raio de dor subiu por seu braço, e seus olhos se
arregalaram. Como isso não o machucou?
Ele sorriu, a diversão suavizando sua boca dura. Soltando-a,
abriu a porta do lado do passageiro e a colocou dentro, apertando o
cinto de segurança antes que ela pudesse piscar. Então o rosto dele
estava no dela novamente. — Saia deste cinto e amarrarei você.
A porta bateu e ele voltou ao carro antes que ela respirasse
fundo. Suas palavras deveriam tê-la assustado. Mas, em vez disso, a
fúria ameaçou explodir fora dela. Ela tinha que pensar como a cientista
que era, sairia dessa.
Com um arrancar de pneus, ele levou o Hummer para a rua
tranquila. Ela procurou freneticamente por algum tipo de arma. Poucos
minutos se passaram desde que Janie a acordou, foram levadas tão
rapidamente que ninguém saberia que se foram. Ela lançou seu olhar
para o homem agora silencioso. A luz do amanhecer filtrava através das
janelas escuras e dançava nos planos duros de seu rosto. Ela o
estudou, procurando uma fraqueza. Qualquer fraqueza.
— Janie, você estará segura em breve. — A bondade teceu
através de suas palavras.
Cara virou a cabeça. — Ficará tudo bem, Janie — sussurrou para
a filha, lutando contra suas lágrimas.
Janie, seus olhos azuis brilhando, sorriu de volta. — Eu sei,
mamãe. Eu sabia que Talen viria.
— Você sabia?
— Sim. Sonhei com ele. Mas não sabia quando. — Sorrindo, ela
apertou o ursinho de pelúcia no peito, aconchegando o nariz nos
cabelos macios.
Cara olhou para a frente, sua mente girando. Estava no meio de
um experimento no trabalho, precisava estar lá amanhã. E se abrisse
a janela e gritasse? Alguém ouviria?
— Não te machucarei, Cara. — Ele entrou na estrada vazia.
Ela prendeu o lábio com os dentes. Kimmie seria a primeira a
saber que elas se foram quando Janie não comparecesse à pré-escola
amanhã. Ela ligaria para alguém, certo? Ou apenas pensaria que Janie
estivesse em casa doente com o vírus do estômago circulando pela sala
de aula? — Então, e você nos deixará ir, hum, Talen? — Ela se
perguntou se ele era louco, se poderia de alguma forma argumentar
com ele.
Ele lhe lançou um olhar para o uso de seu nome e o calor correu
para o rosto dela. — Não posso deixar você ir.
Não, não há raciocínio com ele. — Por que não? — Deslizou a
mão até a fivela do cinto.
— Não estava brincando sobre amarrar você. — Seu aviso
retumbou através do pequeno espaço. Ela empurrou a mão de volta ao
colo. — Você está em perigo, mais do que pode entender agora.
Oh, entendeu tudo muito bem. Ela se endireitou quando ele saiu
da rodovia na beira do lago Mercy, sua pequena cidade segura nos
arredores de Boston. Seu estômago caiu quando percebeu que havia
apenas um lugar para onde eles poderiam ir. — Você está nos levando
para o aeroporto privado?
— Sim.
— Por quê? — O aeroporto exclusivo era usado apenas para jatos
corporativos e pequenos aviões aquáticos.
— Porque é lá que está o avião. — Seu tom não convidou mais
discussões.
— Não posso voar para algum lugar com a minha camisola. — O
comentário saiu antes que pudesse se conter.
Ele se virou surpreso, exibindo um sorriso que fazia coisas
estranhas na sua barriga. Cara, ela estava perdendo — disse para você
trazer a cesta de roupas.
— Ouça. — Tentou argumentar com ele novamente. — Vamos
embora, e não contaremos a ninguém. Prometo.
— Aprecio isso — disse Talen secamente. — Mas eu te disse que
não posso. Você está em perigo.
— Certo. Perigo. — O pavor tomou conta de seu estômago quando
eles pararam diante de um elegante jato prata. Ele desligou a ignição e
o silêncio ecoou por todo o espaço. Virou para ela, erguendo uma
sobrancelha.
— Teremos problemas para entrar no avião?
— Nós não entraremos naquele avião. — Ela precisava tirar Janie
do carro para que pudessem correr em busca de ajuda. Abriu o cinto.
Uma mão em seu braço e uma em seu quadril facilmente a
levantaram sobre o console para se acomodar no colo dele, onde sua
bunda repousou brevemente contra o pau duro de um homem bem
construído. Outro movimento suave e eles estavam do lado de fora do
veículo com ela nos braços dele. A mão larga dele protegia a cabeça
dela do carro, enquanto ela lutava contra ele.
Ela enfiou um cotovelo em suas costelas.
O rosto dele mergulhou para confrontar o dela. — Cara. Isso é
suficiente. Duvido que queira que sua filha a veja por cima do meu
ombro sendo carregada no avião. Exibindo aquela linda calcinha rosa.
Cara ficou boquiaberta para ele, com a respiração
entrecortada. Ele aproveitou o alívio para deixá-la de pé e abrir a porta
traseira. — Tire Janie.
Seu corpo quente a prendeu no lugar; não teve escolha a não ser
desatar a filha. Ela levantou Janie e seus braços pequenos agarraram
o seu pescoço. — Eles ainda estão vindo — Janie sussurrou.
— Também os sinto — disse Talen, sua respiração agitando seus
cabelos. Uma das mãos envolveu seu braço. — Vamos sair daqui. —
Ele bateu à porta.
Ondas de urgência atingiram Cara de ambos os lados,
impulsionando-a para o plano silencioso, enquanto sua mente rolava
com perguntas. Com reservas. Talvez ela e Janie devessem tentar levar
o Hummer.
— Pare de pensar tanto. — Talen soltou o braço dela enquanto a
empurrava gentilmente pelos pequenos degraus. — Vamos
embora. Agora.
— Vá, mamãe. Depressa. — Janie implorou.
Cara cedeu. Subiu os degraus para se sentar em um sofá cinza
grosso. Janie se aconchegou ao lado dela com um suspiro de alívio, e
Cara prendeu as duas. Talen segurou a porta e alcançou um cubículo
acima das janelas para pegar um cobertor azul, que entregou a Cara
com um sorriso. Nenhuma ameaça veio dele, pelo menos nenhuma
dirigida a ela. Quando ele se sentou de frente para ela no sofá do outro
lado do corredor estreito, os motores ganharam vida e o avião taxiou
em direção à pista.
Talen se permitiu relaxar enquanto o avião estabilizou. Elas
estavam a salvo. Sorriu para Janie enquanto a garota o estudava. Ela
era muito pequena para ter demolido três séculos de paz. Olhos azuis
de açafrão dispararam curiosidade e ousadia em seu rosto jovem
enquanto ela falava. — Então, você nos protegerá?
Cara pulou com a voz da criança. O pequeno jato ergueu-se no
ar como um predador em uma missão, enquanto dois pares de olhos
azuis idênticos focalizavam o pequeno corredor.
— Está tudo bem com você? — Voltou a olhar para a criança. Ela
o fascinou. Tão frágil que até o vento sussurrado a ameaçaria. Uma
criança de verdade. Humana.
Janie olhou de soslaio antes de olhar seu corpo de cima a baixo
e, chegando a uma decisão, assentiu solenemente, seu — sim — um
sussurro nu. Os nós de dedos minúsculos se apertaram na mão de sua
mãe.
Talen permaneceu em silêncio por um momento, observando as
feições pálidas das duas mulheres. O cobertor azul envolveu as
duas. Sabendo muito bem o que ele prometeu. — Sim. Estou aqui para
protegê-la. — Seu voto passou pela aconchegante cabine, e a criança
soltou o ar com um sorriso enquanto Cara franziu a testa, olhando em
volta. Provavelmente por uma arma.
Ele sabia o que havia prometido e, como não havia quebrado uma
promessa em sua longa vida, recusou-se a começar agora. Estudou as
duas enquanto o avião ganhava altitude. Ambas tinham cabelos longos
e encaracolados, da cor de madeira polida, olhos azuis profundos e
ossos delicados. Algo próximo à proteção cutucou a sua consciência.
Janie deu um sorriso desdentado. — Então você veio por
nós. Finalmente.
Ela puxou o urso marrom esfarrapado para mais perto do peito
e Talen sorriu. O Sr. Mullet realmente usava um mullet2 azul desbotado
como penteado. Talen se acomodou no sofá macio. — Estou aqui por
você, Janie.
— Quem é você? — Cara puxou Janie ainda mais perto.
Talen suspirou. — Explicarei quando chegarmos a DC,
Cara. Tudo o que posso dizer agora é que você está segura.
— Acho que não. O que diabos está em DC?
— Quem está em Washington.
— Tudo bem. — Seus lindos olhos se estreitaram como punhais.
—Quem diabos está em DC?
As luzes internas silenciadas iluminavam seus traços frágeis. A
agitação em seus ombros agora fazia sentido para ele. Ele sentiu a
mudança em sua pele, em seu sangue no segundo em que a tocou, e
agora tinha provas de sua conexão na palma da mão. Para sempre. Ele
2
Corte de cabelo curto na frente em cima e nos lados e longo atrás.
se absteve de estudar sua mão novamente, faria isso mais tarde. — O
diretor do departamento de justiça dos EUA.
— Você não é um oficial americano. — Ela lançou as palavras
como uma acusação. Um desafio, até.
Ele sorriu. — Nem perto, querida.
— Explique.
A acusação e o desafio poderiam ter ignorado, mas o pedido, a
preocupação de uma mãe tentando proteger a sua filha, bem, mesmo
ele não podia ignorar isso. E considerando que elas acabaram de se
tornar dele, deveria tentar fazê-las felizes.
— Não conheço todos os detalhes, só que você está em perigo. A
vida que está levando acabou agora.
— Que tipo de perigo?
Ele a estudou, imaginando o quanto deveria revelar. A mulher
parecia estar no limite e, infelizmente, não havia muito que pudesse
fazer sobre isso, e se lhe contasse tudo, bem ...
— Seus olhos estão errados. — A voz suave de Janie passou
através do som estridente dos motores a jato de ponta.
— Meus olhos? — Ele lutou com um sorriso. Seu irmão Dage
estava correto, como sempre. Janie era além de talentosa, mais que
uma médium normal.
— Sim. Eles não são marrons.
— Talvez não sejam — concordou.
— Lentes de contatos, como na TV? — Janie franziu o rosto,
franzindo a testa.
— Lentes de contatos. — Afirmou.
— Você pode tirá-las?
— Ainda não. Mais tarde irei.
— Ok. — A menina se inclinou contra a mãe antes de fechar os
olhos com um suspiro.
Um calafrio percorreu a espinha de Cara enquanto ouvia a
conversa. O que havia de errado com seus olhos? Por que Janie já sabia
disso? Por que a doce criança tinha que ver o futuro?
Se a senhorita Kimmie não ligar para checá-las, certamente o Dr.
Phillips, chefe de Cara, ligaria. O idiota estava dentro de um prazo para
manter sua concessão, e ele precisava dela no trabalho. Sua pesquisa
sobre a criação de um vírus que aumentaria a produção de milho
mostrou-se promissora o suficiente para reunir duas doações sólidas
para o próximo ano. Oh Deus! Sua irmã Emma ficaria louca. Ela
destruiria o Departamento de Justiça dos EUA para encontrá-las.
Cara se endireitou na cadeira, cravando as unhas nas palmas
úmidas enquanto Talen mantinha o olhar nela. Levantou o queixo para
encarar o homem grande sentado tão relaxado do outro lado do
corredor. O tamanho dele a fazia se sentir
pequena. Vulnerável. Feminina.
Ele tinha um corpo projetado para outdoors. O peito grosso, a
cintura estreita e as pernas longas mostravam poder e força. Olhos
arrojados assentavam-se em um rosto duro, suavizado de maneira
alguma por sua própria beleza; uma severidade masculina que deixaria
um observador sem palavras de longe. Assim, o efeito foi devastador.
— Dará tudo certo, Cara. — Sua voz suavizou quando ele se
recostou mais no sofá. — Está segura agora.
Ela se recusou a responder e continuou a estudá-
lo. Sobrancelhas escuras cortaram os olhos castanhos que
aparentemente não estavam certos. As bochechas do rosto
sobressaiam como cristais sobre cavidades profundas, e a sua
mandíbula se apertava forte e formidável. E a boca dele, seus lábios
cheios não sugeriam uma sensualidade oculta; eles ousadamente
prometeram sexo quente. Sem desculpas. Minutos antes que os
mesmos lábios estivessem nos dela, e quando eles se aproximaram de
sua avaliação, uma agitação fez cócegas em sua barriga. Um
desconhecido que agitava a cientista nela ansiava por investigar.
A mulher no fundo sabia melhor.
Ele deu um sorriso cheio. — Sugiro que descanse um pouco,
querida. A vida tornou-se muito interessante a partir de agora.
— E as minhas plantas? — Murmurou, odiando as palavras
enquanto saiam de sua boca. Que diabos? Ela e Janie tinham acabado
de ser levadas por um enorme soldado que beijava como o diabo, e
estava preocupada com suas plantas.
Talen levantou uma sobrancelha. — Suas plantas em sua casa?
Assentiu, mordendo o lábio.
— Cuidarei disso. — Com a testa franzida, assentiu. — Prometo,
Cara. Suas plantas serão cuidadas. — Ele pigarreou. — Alguma outra
preocupação?
Arrogância pura, esse homem.
— Sim. Minha irmã Emma enlouquecerá tentando nos
encontrar. Já que amanhã à noite deveríamos jantar. — Preciso ligar
para ela. — Seus pais haviam morrido pouco antes de Cara completar
dezesseis anos; Emma, de dezoito anos, a criou a partir desse
ponto. Como sempre, faziam um plano juntas.
Um movimento lento da cabeça de Talen fez os nervos pularem
sobre a pele de Cara. — Não. Vamos ao departamento de justiça e
descobriremos tudo a partir daí. Não se preocupe com as plantas ou
sua irmã, pode confiar em mim. Agora tente descansar um pouco. —
Ele cruzou as pernas compridas nos tornozelos e fechou os olhos.
Não teve escolha senão confiar nele. Suas plantas ficariam bem,
e descobriria uma maneira de contatar Emma. Ao lado dela, Janie
murmurou enquanto dormia. Droga. Janie teria um encontro com um
novo amigo amanhã. E Cara tinha um encontro de adultos. O primeiro
em, — Deus, — quanto tempo? O contador que estava ligando para ela
há meses de repente parecia, bem, pequeno e entediante. Cara se
afastou do volumoso soldado relaxando do outro lado do corredor. Bem
acordada, viu as nuvens passarem pela janela.
Duas horas depois, Cara olhou para a mesa de conferência
enquanto Janie comia um donut ao seu lado. As migalhas caiam como
neve na superfície lisa. Eles estavam esperando por trinta minutos no
único edifício de metal à esquerda da pequena pista, mas pelo menos
jeans e suéter novos foram fornecidos para elas. O silêncio da sala a
embalou em direção a um sono muito necessário.
Ela esperava poder manter a sua filha segura. O perigo rodopiou
ao redor delas com uma respiração própria. Pode não ter o senso claro
de Janie, mas sabia que estava lá. Seu olhar se concentrou em uma
bonita fileira de violetas africanas alinhadas contra a janela roxa, rosa
e branca. A calma se apoderou dela.
Acariciava os cachos selvagens de Janie quando a porta de aço
se abriu, e um homem esbelto e mais velho, com cerca de sessenta
anos, entrou na frente de um Talen de rosto sombrio. Os cabelos cinzas
do homem estavam despenteados, as linhas no rosto esculpidas com
uma faca cega. Se endireitou na cadeira quando eles se sentaram na
pequena mesa de conferência, esperando um deles falar.
— Senhora Paulsen, sou o diretor McKay, e quero me desculpar
pelo drama desta manhã. — Ele estendeu a mão para lhe dar um
tapinha nos nós dos dedos, com as mãos manchadas da idade. O mal-
estar percorreu seu corpo enquanto sua respiração chegava a rajadas
curtas. Seu próprio corpo ficou tenso em reação, agora não conseguia
nem bloquear as emoções desse homem? O olhar do diretor voltou-se
para Talen e voltou.
— Diretor. — Cara prendeu o homem com seu melhor olhar fixo
de mãe. — Quero uma explicação. — Ele pode estar com medo da
ameaça silenciosa ao seu lado, mas ela não estava.
O diretor McKay pigarreou antes de sorrir. Seus lábios tremeram
um pouco. — Bem, simplesmente, Janie e você foram alvejadas pela
gangue Merodize de Nova York.
— Quem alvejou quem? — Cara balançou a cabeça. — Uma
gangue? Não há como alguma gangue da cidade ter ouvido falar de nós,
confie em mim. O que realmente está acontecendo aqui? — Lançou um
olhar estreito para o homem imóvel ao lado do diretor. — Bem?
— Senhora Paulsen. — O diretor bufou antes de fazer uma careta
para Talen. Era óbvio quem estava no comando.
Talen se inclinou para frente. — A gangue é irrelevante; serve
apenas como soldados de infantaria para os Kurjans.
— Os Kurjans? Parece um grupo terrorista estranho. O que eles
poderiam querer conosco? — Cara perguntou, assim quando Janie
respirou fundo, fazendo com que todos os olhos se voltassem para ela.
— Eles são reais? — Janie perguntou a Talen, seu rosto
empalidecendo com a cor da pasta molhada.
— Eles são reais. — Confirmou Talen, sendo firme. ― Mas te
prometo que não te machucarão, Janie. Você está segura, em minha
vida.
Todo instinto maternal ganhava vida em Cara quando sua filha
começava a tremer. — Quem diabos são os Kurjans? — Bateu a mão
na mesa antes de se levantar.
— Sente-se. — Viu-se obedecendo ao forte comando de Talen
antes de pensar sobre isso. Ele fez uma careta. — Os Kurjans são um
inimigo em comum. Por razões em que não precisamos entrar agora. —
Ele assentiu sutilmente para Janie. — O principal objetivo deles é
sequestrar mulheres. Aquelas com habilidades aprimoradas são
especialmente procuradas. Eles agora querem você, Cara. ―Ele
estreitou o olhar nela. ―E suas habilidades de pesquisa seriam um
bônus.
O sangue bateu em sua cabeça quando seus olhos se
arregalaram nos dois homens. Suas habilidades de pesquisa? Não
havia como um grupo terrorista iraquiano procurar mulheres com
habilidades aprimoradas. Ou para aqueles, como ela, trabalhando para
alterar a genética das plantas para serem mais resistentes a doenças. O
que diabos estava acontecendo? Tudo bem, brincaria por um momento,
pelo menos até conseguir agarrar a filha e fugir. — Quais habilidades
aprimoradas?
— Vamos lá, Cara. Você não precisa mais se esconder. ― O
queixo de Talen endureceu ainda mais.
— Está tudo bem, mamãe. — Janie sussurrou, dando um
tapinha no joelho da mãe. — Ele já sabe.
— Tudo bem. — A única palavra era tudo o que ela estava
disposta a dar neste momento. — E agora?
Talen pigarreou. — Preciso de uma lista de seus parentes.
— Desculpe?
— Uma lista. Você mencionou sua irmã. Ela também é empática?
De jeito nenhum. Não era da conta dele. — Não.
Seus ombros enormes se endireitaram, e ele se inclinou para
frente para agarrar a mão dela. — Entenderei como um sim. Se os
Kurjans estiverem atrás de você, eles também procurarão a sua
irmã. Onde ela está?
Terror cru e quente acelerou pelas veias de Cara. Ela procurou o
rosto dele, buscando a verdade. — Você a ajudará?
Ele deu um breve aceno de cabeça. — Sim. Mandarei alguém
imediatamente.
O momento importava. Confiança doeu. Cara engoliu em seco e
deu o trabalho e o endereço residencial de Emma. Tão perto de sua
própria casa. Deus, por favor, deixe Emma estar bem.
Talen assentiu e pegou um telefone celular do bolso de trás,
usando a discagem rápida antes de dar ordens. Os soldados
recuperariam Emma no dia seguinte. Ele fechou. — Outros parentes?
Recuperar Emma? Rapaz, a irmã dela não gostaria disso. — Não
que eu saiba. — Sua mãe era filha única e que diabos sabia sobre o
cretino que foi seu pai. Quem diabos se importava? — O que realmente
está acontecendo aqui?
O diretor olhou para a porta. — Sr. Kayrs pode explicar toda a
situação para você, enquanto Janie e eu pegamos mais rosquinhas.
―Ele se levantou.
— Não, espere. — Cara agarrou a mão de Janie.
— Cara. — A voz profunda de Talen engrossou. — Precisamos
conversar. Sozinhos.
Janie se inclinou para frente. — Está tudo bem, mamãe. Eu
sonhei com o Talen. Ele é bom. Sei disso.
Cara balançou a cabeça, o medo se acumulando no estômago
quando Janie saiu com o diretor. Uma raiva lenta começou a queimar
seu medo. Ela olhou para Talen. — Então fale.
Ele respirou fundo. — A descoberta de sua filha terminou com
quase três séculos de paz entre o meu povo e os Kurjans.
— Janie? Que povo?
Talen franziu os lábios, um cenho franzido entre os olhos. Dando
de ombros, ele arrancou uma lente de contato marrom de um olho,
depois do outro.
— O que... — Ofegou. Olhos dourados luminescentes brilhavam
como lava derretida. Ela se afastou da mesa apenas para que Talen
agarrasse seu pulso, colocando a mão sob a dele.
— Fique. Há muito mais. — Ele sorriu e rolou a cadeira para
mais perto.
— Isso é um truque. — Ela olhou para o impossível tom dourado,
o calor da mão dele dominando o frescor da mesa debaixo da sua.
— Não tem truque, Cara. Sou um protetor da raça Sanguessuga.
— Sanguessuga? Isso não é latim? — Ela havia cursado apenas
dois semestres da língua na faculdade.
— Sim.
— Para quê?
O aperto dele apertou seu pulso. — Vampiro.
Cara tossiu uma risada. — Você é um vampiro? — Seu olhar foi
para a porta. Onde estava Janie?
Soltando outro suspiro profundo que ela estava começando a
igualar a ele, ele sorriu. Dois caninos afiados surgiram
instantaneamente.
— Oh Deus. — Cara lutou para puxar a mão de volta.
— Preciso morder você para que acredite em mim? — Interesse e
algo mais sombrio passaram por ele, dentro dela. Lutou para bloquear
suas emoções.
— Não. Sem morder. — Sua mente girou enquanto a realidade
girava para longe. — Isso não pode ser verdade. — Ela balançou a
cabeça. — Mas você estava no sol. Era cedo, mas o sol estava fora. —
Isso não estava acontecendo.
— O sol só incomoda os Kurjans, Cara. Estamos bem com um
dia na praia.
— Eles são vampiros também?
Talen deu de ombros. — Não. Eles são monstros. ―Seus caninos
se retraíram.
— Mas eles têm presas e bebem sangue?
— Sim.
— E você bebe sangue?
— Somente em situações extremas.
— Extremas? — Isso não poderia estar acontecendo.
— Durante uma briga ou sexo. — Sua voz baixou para o rosnado
que ele tinha proferido pouco antes de aprofundar o beijo anterior. Algo
deslizou por sua barriga em resposta.
— Oh. — Sua mente brilhou, espontaneamente, para suas
presas. E sexo. Seu coração bateu uma vez. Duro. — Por quê? — Ela
parou de lutar. Por um momento.
— Por quê? — O polegar dele traçou círculos quentes na ponta
do seu pulso, seu olhar dourado caindo no pescoço dela.
— Por que Janie? Por que eles querem mulheres com habilidades
estranhas?
Talen passou a mão pelo queixo, os olhos voltando para o seu
rosto. ― Janie é especial. Você sabe disso. Suas habilidades psíquicas
são as mais fortes que já vimos.
Cara endireitou a coluna. Enquanto o medo caía em cascata. —
Mas como você sabe? Como eles a encontraram?
Talen fez uma careta. — Ambas as raças podem sentir essas
habilidades em humanos, mas precisamos estar próximos para fazê-
lo. Não sabemos como eles encontraram Janie. Poderia ter sido um
acaso, mas duvido.
— Como você nos encontrou?
— Temos fontes na gangue Meridoze; ouvimos sobre o plano de
extração bem a tempo.
Cara pisou no pânico lutando para subir. — Sua paz acabou?
— Sim. Estivemos em guerra por centenas de anos até que
sofremos muitas perdas. Um tratado foi assinado proibindo qualquer
contato com humanos. — Talen deu de ombros. — A paz durou muito
mais do que alguém previu.
Cara estreitou os olhos. — Você não parece lamentar que a paz
tenha acabado.
Caninos enganosamente normais brilharam em um sorriso. —
Fomos feitos para lutar. Além disso, viver entre vocês sem ter contato,
tem sido difícil. Precisamos dos humanos. ―Um calor dourado
percorreu o seu rosto.
— Por sangue. — Náusea aumentou dentro dela.
— Isso também. — Sua voz baixou.
Tudo nela parou e até seu coração pode ter parado por um
segundo. Ela não tinha o foco para bloquear os sentimentos que
vinham dele agora. — O que mais? — Sua voz falhou.
— Ambas as raças nascem masculinas. Somente. Nossas
companheiras são humanas. E Cara. — Sua voz caiu em um sussurro
rouco. — Você é a minha.
Dessa vez, Talen a deixou ir.
Cara pulou, derrubando a cadeira estreita. ― Sem chance. — Ela
não reconheceu o rosnado ecoando em sua própria voz. Estava em um
prédio seguro protegido pelo serviço dos U.S. Marshal’s3, pelo amor de
Deus, ela não tinha nada a temer aqui.
Lentamente, Talen se levantou e atravessou a sala de
conferências.
Cara deu um passo para trás, com a respiração presa.
Sorrindo, ele encostou na porta fechada.
Precisaria passar por ele para sair. Deus, ele era enorme. Mesmo
que soubesse lutar, duvidava que tivesse uma chance diante de
tamanho e força óbvios. Um medo feminino e uma vibração que ela se
recusava a identificar sussurravam através dela.
— Não a machucarei. — Sua voz baixou, aprofundando-se em
um tom que aumentou sua vibração. Ele relaxou a sua postura contra
a porta, seus braços musculosos cruzados. — Não deixarei ninguém
machucar nenhuma de vocês. Nunca.
3
O United States Marshals Service em português Serviço de Delegado de Polícia dos Estados Unidos - é
uma agência de aplicação da lei e uma unidade de polícia federal dos Estados Unidos, pertencente ao
Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
OK. Bem. Ele era grande demais para ela lutar, mas tinha um
cérebro.
— Escute, Talen. — Manteve a voz suave e reconfortante. — É
ótimo que a sua lista de namoro tenha acabado de abrir e tudo, mas
não estou à procura.
Uma covinha apareceu em sua bochecha, parando em suas
palavras. Ela lutou para manter o tom suave. — Estou te divertindo?
— O queixo dela se levantou.
— Sim.
— Por quê? — Podia até sentir a diversão dele no ar, caramba.
— Seu povo. Nunca entendi por que vocês ignoram o destino. Ele
tem seus próprios planos.
— Destino? — Ele estava jogando o destino para ela? Por favor.
Ele assentiu. — Destino.
— Uau. Isso é poético, Talen. — O sarcasmo substituiu a
suavidade. — Mas não há como o destino estar envolvido aqui.
— Você está errada.
— Prove.
— Ok. — Ele levantou a mão direita, palma para fora. Uma crista,
intrincada, se espalhava por sua pele calejada. Grossa e preta, uma
teia de arcos formava um nó com o que poderia ser um elaborado K no
meio.
— Uma tatuagem? — Ela levantou uma sobrancelha, se
perguntando se ele tinha outras tatuagens naquele corpo magnífico.
— Não. Uma espécie de marca. Apareceu mais cedo depois que
peguei seu braço.
— Uma marca? — Ela bufou. — Besteira.
Talen deu de ombros. — É verdade, Cara. A marca geralmente
não aparece até o ato de acasalamento, mas há exceções. — Olhos
dourados a prenderam. — Nosso vínculo deve ser forte.
— Não.
Talen deu de ombros.
Sua mente se rebelou com a evidência física diante de seus
olhos. — Eu disse não. Escolho ignorar o seu destino. — Como a marca
poderia ter aparecido? A convicção se instalou facilmente em seu rosto
e o seu estômago revirou com a pergunta de quão longe ele seguiria seu
destino.
— Essa é a sua escolha. — Ele concordou.
— Caramba. — Ela procurou seu rosto por um truque,
determinação apertando seu próprio queixo. Uma sobrancelha erguida
encontrou o seu olhar. — Mas você não sabe nada sobre mim. Eu
poderia ser casada.
— Você não é.
— Como sabe?
Ele deu de ombros. — Meu irmão Dage enviou seu arquivo para
o meu smartphone.
Smartphone? Vampiros usavam smartphone? Vamos. — Onde
você estava? — Droga de curiosidade.
— Em uma reunião com o meu outro irmão, Conn.
Nossa. Soou como uma criatura familiar da noite. Ou dia. Como
queira. Ela tentou outra tática. — Além disso, tenho um encontro hoje
à noite.
Ela não tinha certeza de qual era seu objetivo, mas não o
alcançou. Um sorriso genuíno passou por seus lábios, e ele descruzou
os braços. — Você não conseguirá.
Inalou fortemente, tentando acalmar seus nervos. Tentando
limpar a cabeça. A maioria dos homens relaxavam quando sorria,
tornando-os mais acessíveis. Com Talen, uma exibição de dentes
parecia um aviso. O olhar dele correu sobre o seu rosto e sua pele corou
em resposta. O suficiente. Uma raiva rastejante começou a arder em
sua barriga. — Saia do meu caminho para que eu possa pegar a minha
filha.
Um lento movimento da cabeça dele deslizou inquieto por sua
espinha. — Embora você possa optar por ignorar o destino, o resultado
deste dia é inevitável.
— Resultado? — Ela odiava o tremor em sua voz.
— Nos casaremos antes de deixar este prédio e acasalaremos
antes que outro amanhecer surja.
— Eu. Disse. Não. — Lutando contra o desejo de pegar a cadeira
do chão e jogá-la na cabeça teimosa dele.
— Você pode optar por ignorar o destino, e pode optar por ignorar
as suas próprias necessidades; ou ainda, a sua própria intuição que
diria que isso é o certo, mas, — manchas verdes de raiva giravam
através do ouro derretido de seus olhos. —não tem escolha quando se
trata da segurança da sua filha. É primordial. Como mãe dela, sabe
disso.
Ela recuou um passo, a fúria batendo nela. — Você está
ameaçando a minha filha? — O pânico entrou em conflito com a sua
mente racional e sua respiração ficou presa. Precisava chegar até
Janie. Agora.
Talen se endireitou em toda a sua altura. — De jeito nenhum. O
dever mais sagrado que terei é proteger essa criança. — As manchas
verdes naqueles olhos alcançaram o ouro. — E quaisquer outros que
possamos ter.
— Não entendo. — Caos e pura negação rodavam em seu cérebro.
— Isso é porque você não está sendo racional.
— Racional? — Sua voz subiu para um grito desconfortável. Ela
não era uma mulher que gritava, droga.
— Sim. Pare por um momento e pense. O tratado acabou. Você
e Janie foram descobertas. Você é uma companheira em potencial, que
os Kurjans farão de tudo para adquirir. Você não quer isso, Cara.
— Eu posso manter a minha filha segura. — Seus olhos se
arregalaram quando riu. Ele realmente riu.
— Levei você em menos de três minutos, e isso foi para impedir
que se machucasse. Sem assustar Janie. Não pode protegê-la. Caralho,
o seu governo não pode protegê-la. Cara, eu sou tudo o que vocês têm.
— Ele endireitou a sua postura.
Ela deu outro passo para trás. — Se nosso governo não é útil,
por que estamos aqui? Por que nos encontraremos com eles?
— Eu não disse que eles não eram úteis. Disse que eles não
podem te proteger. Eles são úteis para uma história, que você
precisará. Desde que simplesmente desapareceu.
Desaparecida? Oh Deus. Um soluço subiu em sua garganta, e
ela pisou no medo. Quem regaria as suas plantas? Ela se esforçou para
argumentar com ele. ― Contratarei você.
— Não preciso de dinheiro. — Ele se afastou da porta.
Em direção a ela.
— Se o que diz é verdade, e não estou dizendo que acredito, mas,
mesmo assim, se me casar com você, os Kurjans ainda me querem.
— Não. Você só tem um companheiro, querida. Estará segura
assim que amanhecer. Eles não poderão te tocar. Literalmente. — Dois
passos lentos e ele ficou a menos de um pé de distância.
Ela levantou a cabeça para encontrar seus olhos, recusando-se
a recuar mais um passo. — Por quê?
Talen empurrou um cacho de sua bochecha. — Agentes químicos
naturais. Algo muda durante o ato de acasalamento. — Outro passo e
as suas energias nadaram sobre ela, através dela. O cheiro do homem
e do propósito se misturavam ao pinheiro temperado para dançar sobre
a sua pele.
O ouro de seus olhos a segurou no lugar. Seu coração começou
a palpitar. A mão dele pegou o seu queixo e aqueles olhos a desafiaram
a pará-lo. A tensão atravessou a sala, e um zumbido começou em seus
ouvidos. Abriu a boca para dizer algo, qualquer coisa.
Ele abaixou a cabeça. Então, fogo.
Lábios firmes aqueceram os seus, levando-a para baixo. A outra
mão dele se moveu para as suas costas. Ele a pressionou para mais
perto. Para uma dureza impossível. A lava a atravessou e bateu com os
escudos no lugar, mas essa paixão era sua. Ela não conseguia se
proteger por dentro.
Ele a inclinou para se encaixar nele, sua boca tomando a dela
com uma fome mal controlada. Esqueceu onde estava. Caralho,
esqueceu quem era. Devolveu o beijo dele, choramingando
profundamente por dentro e pressionou em sua força. Seu corpo
amoleceu quando o dele endureceu.
Ainda assim, ele foi mais fundo.
Seu rosnado ecoou no sangue correndo por suas veias. Ele girou,
levantando-a sobre a mesa. Sua bunda bateu na madeira dura quando
ele se encostou nela, uma das mãos agarrando seus cabelos, a outra
segurando-a na vertical. Seus joelhos apertaram os quadris dele, e a
língua dele pegou a sua, ferozmente e sem questionar.
Ele levantou a cabeça, e ela só pôde olhar, confusa. O verde
dominava o ouro em seus olhos. Como isso foi possível? Um rubor
escuro atravessou as suas bochechas do rosto e os seus caninos caíram
baixos e afiados.
O alarme cortou seu desejo, e seu corpo congelou, preparando-
se para fugir. Seu coração disparou e a sua boca ficou seca. — Espere.
— Ela começou a lutar.
Talen levantou a cabeça em direção à porta como um lobo
captando um perfume. Ele a soltou e se afastou. — Eles estão voltando.
— Seus caninos se retraíram novamente.
Cara pulou da mesa para arrumar os cabelos e as roupas. O que
diabos tinha acontecido? Bom Deus, ela o beijou como se a verdade
existisse em suas amígdalas. Seus seios ainda doíam pesados e cheios
por ele. Um estranho mortalmente perigoso com presas, alguém que
provavelmente poderia matá-la sem suar a camisa, e o beijou como se
fosse dela. Precisava de um psiquiatra.
— Ainda está questionando o nosso vínculo?
Ela se concentrou na porta fechada, recusando-se a olhar para
ele. — Não precisamos nos casar.
— Sim nós faremos.
— Você acredita em casamento?
— Não. Nossos rituais de acasalamento são anteriores ao seu
casamento. Mas acho que quero os seus votos. — Ele também observou
a porta. — Como posso ouvir nosso ministro com o diretor, você pode
querer aceitar esse fato agora.
— Talen. — Tinha que haver alguma maneira de argumentar com
ele.
— Janie não está segura até chegarmos à minha sede. Apenas
os companheiros têm permissão para saber a sua localização, e não
vamos embora até que faça esses votos, Cara.
Sua mente lutou para sair dessa bagunça. Não havia nada além
da necessidade de manter Janie segura. — Tudo bem. — Ela cuspiu.
— Mas meus votos não significam nada, Talen. — As paredes se
fecharam sobre ela, e sufocou a vontade de gritar. Como um rato em
um labirinto, seu olhar percorreu a sala procurando uma saída.
— Você acha que dirá não, querida? Depois daquele beijo? — Sua
risada profunda fez o seu temperamento girar.
— Que beijo? — respondeu.
Sua segunda risada ecoou mais alta que a primeira.
Um pequeno sinal sonoro a fez olhar para o relógio de Talen, onde
ele apertou um botão. — Meu irmão chegou para nos buscar. Você está
pronta para se casar? — O tom profundo de seus olhos encontraram
os dela em desafio. A porta se abriu e Janie entrou diante do diretor e
de um homem redondo de túnica preta.
O coração de Cara gaguejou e depois derreteu quando Janie
correu em seus braços. Instinto e amor a invadiram, ela faria qualquer
coisa para manter a sua filha segura. Até se casar com um vampiro.
— Estou pronta.
Menos de uma hora depois, Cara assinou a licença para o
ministro se perguntando se o documento seria gravado em algum
lugar. A cerimônia do casamento ocorreu rapidamente na pequena sala
de conferências. Talen proferiu seus votos em uma voz profunda e
segura, enquanto segurava a sua mão em um aperto grande e
gentil. Janie dançava com alegria ao seu lado. Então Talen envolveu
um punho de metal quente em torno de seu pulso esquerdo. Ela tentou
estudar o intrincado padrão embutido no cobre grosso, mas foi
interrompida quando o juiz disse à Talen que ele poderia beijar a sua
noiva.
Ele agarrou seu queixo com uma das mãos quente, seus olhos
escurecendo como ouro queimado quando se inclinou, pressionando os
seus lábios nos dela. Foi uma afirmação dura e rápida; uma promessa
de mais por vir, enviando uma onda de calor através de Cara, que quase
a dobrou. Ela estava tão despreparada para isso.
— Muito bem pessoal. — O diretor McKay tirou Cara de seu
devaneio. — Talen, preciso que termine de assinar o novo contrato no
meu escritório e Cara, você precisa assinar os documentos do programa
com o oficial Nelson. — O diretor acenou com a cabeça em direção a
um oficial de polícia, que havia chegado à sala de conferências em meio
a uma multidão de papéis.
A mente de Cara se recusou a se concentrar. — Documentos do
programa?
— Sim. Precisamos colocá-la formalmente no WITSEC4 antes de
perdermos o seu arquivo. Dessa forma, podemos explicar a qualquer
família e amigos que você viu uma gangue atropelar alguém e precisou
ser realocada. — O diretor relembrou a história que eles haviam
inventado para ela anteriormente. Ele examinou o
relógio. Provavelmente desejando que esse dia tivesse acabado.
— Tudo bem, vamos Janie. — Cara se virou para ir formando um
plano para a fuga delas, depois que deixarem o prédio do governo. Elas
pegariam o elevador até o andar inferior e roubariam um carro. Talen
estava errado. Ela poderia manter Janie segura. Só tinham que chegar
até sua irmã Emma.
— Não. Eu quero ir com Talen. — Janie torceu o rosto em uma
expressão prometendo uma luta. Cara suspirou. A filha precisava de
uma soneca.
— Ela pode vir comigo. — Ele avançou e pegou o braço de
Cara. — Você fica com Nelson e a encontro no escritório dele em alguns
minutos. ―Ela tentou afastar o braço, mas o aperto de Talen a segurou
enquanto seus olhos focavam em seu rosto. — Estou falando sério,
Cara. Daqui apenas para o escritório de Nelson. Os Kurjans têm aliados
ao seu redor.
— Tudo bem. — Ela precisava acabar com as formalidades para
poder fazer uma pausa. Talen soltou o braço dela. A filha pequena
4
United States Federal Witness Protection Program - O Programa Federal de Proteção a Testemunhas dos
Estados Unidos
pulou para a frente e pegou a mão de Talen para leva-la pela porta atrás
do diretor. Talen encurtou os seus passos para combinar com o de
Janie. No final do corredor, Talen se virou, dando a Nelson um olhar
de aviso antes de seguir Janie para a sala.
O pânico a encheu por estar separada de Janie. Ela se acalmou
com o conhecimento instintivo de que Talen não deixaria nada
machucar a sua filha. No entanto, ela não tinha mais certeza de sua
própria segurança com o homem.
— Por aqui, Srta. Paulsen. — Nelson engoliu em seco e gesticulou
em direção ao elevador. — Quero dizer, Sra. Kayrs.
Irritação saltou sob a sua pele, e ela puxou os seus escudos de
volta no lugar. — Gostaria de dizer algo, oficial Nelson?
— Oh, bem, não. — Ele digitou um número do andar inferior,
algo perto do pé esquerdo capturando seu olhar marrom enlameado. —
São apenas, bem, eles são tão bárbaros. Quero dizer,
eles sequestraram o diretor há três anos, chamam a atenção e nem nos
dizem onde moram. Eles são homens das cavernas com uma tecnologia
superior. Nem compartilham essa tecnologia conosco! — Nelson
respirou fundo para continuar o seu discurso retórico e depois bateu
os lábios quando as portas se abriram. Dois oficiais grandes entraram
no elevador, lotando o pequeno espaço.
Quando o elevador desceu, um dos homens sorriu para Cara com
uma fileira perfeita de dentes brancos e uniformes. Ela
automaticamente devolveu o sorriso até encontrar os olhos dele. Um
aviso inquieto ecoou no fundo de sua mente. Os sentimentos que o
rodeavam continham uma escuridão que ela nunca havia
encontrado. Seus escudos se fecharam.
Girou para avisar Nelson, quando o outro oficial girou,
empurrando-o contra a parede lateral, injetando algo nele com uma
pequena agulha. Começou a gritar quando Nelson caiu no chão e então,
com uma picada rápida no pescoço dela. E o mundo ficou escuro.
Resmungando, Talen terminou de assinar o último dos
documentos legais enquanto Janie coloria alegremente fotos de pôneis
ao seu lado. Seu irmão Dage devia muito a ele por indicá-lo para esta
agência. O prédio de metal que abrigava a base secreta do marechal
americano acumulava calor como um avarento com ouro, e ele queria
sair. O terceiro andar era ainda mais sufocante do que os inferiores,
com a escassa sala de conferências. Estava ansioso para conseguir sua
nova casa de família e reivindicar a sua companheira.
De repente, seu relógio piscou em um verde insistente. Ele
apertou um pequeno botão ao lado.
— Por que diabos você está viajando para longe do local de busca
a uma velocidade rápida? — Embora ele tenha formulado isso como
uma pergunta, a voz profunda de seu irmão parecia mais irritada do
que curiosa.
— O quê? — O coração de Talen bateu forte.
— Nós. Vimos. Você. Se. Movendo. Pra. Longe. — A voz de Dage
passou de irritada para muito irritada em um piscar de olhos. Ele era
conhecido por não gostar de surpresas.
— Porra. — Talen ficou de pé e pegou Janie assustada, correndo
para o elevador. A porta se abriu e não ficou surpreso ao ver Nelson
inconsciente no chão. Talen se esquivou quando o diretor passou um
cartão por uma pequena janela antes de se inclinar para garantir que
Nelson ainda estivesse respirando.
Talen não deu uma olhada no homem caído. Um aperto estranho
no estômago fez com que sua respiração se prendesse e um zumbido
encheu seus ouvidos. Medo? cheiro de pinha estilhaçada encheu suas
narinas, e seus olhos começaram a queimar.
— Você está na pista? — perguntou ao seu irmão, uma raiva
crescente em seu intestino.
— Claro. — Dage rosnou. — Onde diabos você está?
— No elevador, descendo. Não estou usando minha
pulseira; minha esposa está usando. — Talen segurou Janie perto
enquanto o elevador se movia devagar, muito devagar, e por vários
andares. Ele deveria ter ido pelas escadas.
Houve uma pausa silenciosa, então. — Esposa?
— Sim, esposa. — Confirmou Talen enquanto corria do elevador,
direto para o irmão no local seguro de desembarque, a criança pequena
segura em seus braços. Ele passou por Dage, pulando a bordo da
escotilha aberta do elegante navio azul. Seu irmão girou e seguiu,
sentando- se no banco do piloto ao lado de Talen, apertando botões
antes mesmo de ele se sentar.
— Pronto para zarpar — disse Dage enquanto o motor
silenciosamente rugia à vida. O navio militar foi mexido um pouco pelo
irmão Com.
— Que diabos? — Dage murmurou para ele enquanto habilmente
manobrava o pequeno navio. Talen nunca havia apreciado a
capacidade de seu irmão de entrar em ação tanto quanto agora. Ou a
capacidade de seu irmão Conn de pegar qualquer veículo e alterá-lo
para atender às suas necessidades.
— Aqui está ela. — A mente de Talen se concentrou no frio estado
de matança quando um pequeno sinal se moveu sobre o radar. O
soluço silencioso de Janie contra seu peito o fez educar o seu rosto em
uma expressão branda. Ele levantou seu queixo com um dedo gentil,
sorrindo para os olhos azuis cheios de lágrimas.
— Está tudo bem, querida. Recuperaremos a sua mãe. — Os
olhos arregalados nele continham uma quantidade humilde de medo e
confiança. Talen sentiu um antigo instinto masculino de tirar
sangue. Alguém pegou o que era dele. Empurrou qualquer pensamento
de Cara sendo ferida no fundo de sua mente e começou a planejar
friamente como seus sequestradores morreriam.
Dage assentiu para Janie. — Esta deve ser a criança que você
deveria adquirir?
— Oi. — Janie se aconchegou mais perto do peito de Talen. —
Você esteve nos meus sonhos.
Dage voltou toda a atenção para a garotinha, seu sorriso de
reconhecimento correspondendo ao dela. — Você esteve nos meus
também.
— Tirando seus olhos, você se parece muito com o Talen — ela
disse timidamente.
— Não. — Dage focou seus olhos prateados e lançou covinhas
para a menina. — Tenho uma aparência muito melhor.
— Minha filha, Janie. — Talen não ficou surpreso que sua nova
filha aparentemente entendeu a piada particular que Dage
compartilhou com o destino. — Janie, este é seu tio Dage.
Os olhos metálicos de Dage encontraram os de Talen antes que
ele voltasse a olhar para a pequena e frágil fêmea. — Minha sobrinha
— disse ele solenemente e aceitando, como se apenas ele ouvisse o som
do destino se encaixando. Talen pensou que era alto o suficiente até
que os humanos pudessem decifrar seu teor.
Dage deu um sorriso cheio para ele. — Você foi embora apenas
por um dia.
— Eu sei.
— Então, irmão, nunca disse que você tinha que se casar com a
mulher. — Dage levantou uma sobrancelha.
— Alguém precisava. — A boca de Talen se apertou. — Você sabe
que era a única maneira de mantê-la segura.
— Sim, mas por que você? — Dage desafiou quando seus dedos
se moveram habilmente sobre o painel de controle.
— Porque ela é minha — respondeu Talen com uma finalidade
que fez Dage sorrir em aceitação. Então ele virou a palma da mão para
revelar o desenho complexo.
Os olhos de Dage se arregalaram. — A marca.
— Sim — disse Talen presunçosamente. — Definitivamente
minha.
— Parabéns. — Dage passou a mão pelo rosto. — Comecei a me
perguntar se a marca de Conn era um acaso, se as lendas da marca
natural eram verdadeiras. Se isso poderia acontecer sem um acordo e
o voto.
— Acho que deveria acontecer assim — disse Talen. — A marca
se formou no segundo em que toquei o braço de Cara. E doeu muito
por um momento.
Dage sorriu. — Perguntei sobre isso também. Conn disse que sua
mão parecia como uma lança ardente perfurada por ela. — Ele apertou
alguns botões no console. — Esperava que dois de nós encontrássemos
naturalmente nossas companheiras.
— Todos nós deveríamos, Dage. Viver com uma companheira
arranjada através de contrato não é uma maneira de passar a
eternidade, irmão. ― A mão de Talen começou a pulsar quanto mais
perto chegavam do veículo com sua companheira. — Além disso, você
não sonharia com a mesma mulher há séculos se o destino não tivesse
um plano para vocês.
— Talvez. — Dage disse. — Você contou tudo a sua
companheira?
— Claro que não.
— Como você a perdeu? — A varredura de vida presa ao colete
salva-vidas era forte e constante enquanto se movia para o noroeste. O
sorriso de Dage desapareceu quando Talen o alcançou em eventos
recentes. — Nós dois devemos ir.
— Não. — Talen rosnou. — Minha esposa. Minha luta. Além
disso, você deve manter Janie segura.
— Eu vou com você. — A menina se sentou-se com um olhar
altivo. — Minha mamãe. Minha luta.
Os dois homens abafaram as risadas quando seus olhos se
encontraram na cabeça de Janie. O olhar de Dage ficou claro, como
quando uma janela para o futuro se abriu em sua mente, seus olhos
se fecharam e ele inclinou a cabeça, ouvindo algo que só ele podia
ouvir. Maldito médium. É melhor ele prever boas notícias dessa vez.
De repente, uma voz veio pelo rádio. — Dage, entre por favor. —
A tensão zumbiu através da voz do homem.
— Dage aqui, Chalton. E aí?
— Há uma rápida quantidade de atividades sobre as linhas de
comunicação. Um contingente de Kurjans está se movendo em direção
a nossa base em DC. Eles sabem que estamos com as fêmeas.
— Merda. — Dage murmurou baixinho, quando alcançaram um
SUV preto jogando pedaços de terra no ar, enquanto manobrava entre
as massas de pinheiros altos. — Envie reforços para DC. Chegarei à
sede dentro de um dia. Dage, desligo.
Ele se virou para Talen. — Os sinais de vida dela parecem bons,
você consegue sentir alguma coisa dela?
— Não. Ainda não acasalei com ela. — Talen espiou o SUV abaixo
deles. — Recue um pouco para que eles não nos vejam.
Com um aceno de cabeça, Dage relaxou os controles quando
Janie bateu no visor. — Minha mãe está aí?
Talen a abraçou mais perto, o cheiro de pó e inocência em torno
dele. — Sim. Ela está bem, Janie.
— Digitalizei. — Dage se afastou a uma distância segura e Talen
voltou sua atenção para o scanner de bordo. — Um motorista, três
passageiros e uma quinta pessoa inclinada na traseira do SUV.
O sangue de Talen fervia com a imagem de sua esposa do lado
dele, as mãos amarradas diante dele. Ele rapidamente trouxe um mapa
eletrônico de toda a área. — A estrada leva até aqui. — Apontou para
uma área profunda e arborizada a cerca de 80 quilômetros ao
norte. Apertou mais alguns botões até que um pequeno lago com
algumas cabanas esparsas apareceu.
— Eles devem ir para uma dessas cabanas. Esta é a maior,
provavelmente o destino deles. Há uma clareira. — Apontou para uma
clareira duvidosa a cerca de um quilômetro e meio da maior cabana. —
Deixe-me sair daqui; posso chegar na cabana antes que eles o façam.
— Tudo bem. — Dage aumentou a velocidade, e eles viraram
bruscamente para a esquerda em direção à pequena clareira. —
Podemos esperar por uma hora.
Talen franziu o cenho. — Muito arriscado. Coloque Janie em
segurança e eu vou para a casa de Jordan. Vamos conseguir transporte
para lá.
Quando seu irmão pousou, Talen prendeu Janie no assento
antes de pular e pegar uma mochila. Vestiu um colete escuro, inseriu
facas de várias larguras e comprimentos e enfiou a arma na parte de
trás do jeans escuro. Finalmente, ele prendeu os seus cabelos grossos
com um elástico.
Inclinou para frente, dando a Janie seu sorriso mais
tranquilizador. — Ficará tudo bem, Janie. Trarei sua mãe para você
assim que você e Dage cuidarem dos negócios.
A menina jogou os dois braços em volta do pescoço dele e
efetivamente cortou seu coração em dois, enquanto sussurrava: —
Cuidado, papai. Estou esperando há muito tempo por você.
Talen levantou-se, um nó na garganta quando entregou a sua
filhinha ao irmão.
— Minha filha — disse, e com um aceno de cabeça, Dage
respondeu: — Minha vida. — O voto era tão antigo quanto seus
ancestrais mais antigos, mas foi a primeira vez que um dos cinco
irmãos teve motivos para cumpri-lo.
Talen sentiu o futuro se aproximar quando a sua filha colocou a
mãozinha na de Dage.
Ele se afastou de sua família, toda a aparência do homem
civilizado que ele usava desapareceu. Seus olhos se aqueciam em uma
lava feroz, seus traços selvagens avisavam a vida selvagem nas
proximidades que um verdadeiro predador estava no meio
deles. Quando uma chuva leve começou a cair, correu em direção
à cabana para recuperar a sua companheira.
Cara abafou um gemido quando o SUV atingiu mais um buraco,
e raios de dor brotaram em sua cabeça enevoada. Como diabos ela
sairia disso? Conteve um soluço. Graças a Deus Janie tinha ido com
Talen.
— Mino disse que o comprador não a quer danificada. — Uma
voz baixa com um forte sotaque espanhol sibilou no banco da frente. —
Ela e a garota valem cinco milhões. Otários.
— Mas não conseguimos a filha. — Uma voz mais próxima a ela
cuspiu.
— Sim, mas esta deve valer pelo menos a metade. — Veio a
resposta brusca do primeiro homem.
— Quem diabos pagaria isso por algumas garotas? — Alguém
zombou.
— Mino não diria. Provavelmente alguém que a cadela deixou
chateada.
— Bem, podemos pelo menos nos divertir enquanto esperamos?
— Uma voz nasal desta vez, causando arrepios na espinha.
— Não. Ela deve ficar ilesa.
O desejo faminto de causar dor irradiando da frente do carro fez
os ombros de Cara ficarem tensos e depois tremerem. Seu estômago
apertou. Ela lutou para colocar seus escudos mentais e emocionais no
lugar, talvez seu pai estivesse certo sobre os empatas5 serem tocados
pelo diabo. Deus não a machucaria assim.
Engoliu outro soluço, fingindo estar inconsciente. Tinha que
pensar em uma maneira de sair disso para poder voltar para o seu
bebê. O cheiro de mofo do tapete velho fez cócegas em seu nariz, e
segurou um espirro antes que ele pudesse sair.
O carro diminuiu a velocidade até parar. Quatro portas abriram
e se fecharam. Segundos depois, o porta-malas traseiro se abriu e o
homem do elevador entrou e puxou Cara pelas mãos atadas. A cabeça
dela bateu contra a porta antes que tropeçasse contra ele e depois se
encontrasse pisando nas folhas molhadas, vários metros abaixo. Eles
elevaram o veículo a uma altura ridícula.
Ele apertou o seu braço, sua respiração quente contra a sua
testa. — Você deveria estar acordada agora, cadela.
Ela puxou para o lado, sua cabeça latejando. Chutou a canela
dele para escapar da dor no braço enquanto a bile subia na garganta.
— Oh, nós temos uma lutadora. — Ele riu duro e grosseiro
enquanto soltava sua carne machucada. — Isso pode ser divertido. —
Sua risada carregava imagens de dor sombria, e ela lutou para
bloquear a sua mente. O movimento de seus escudos empáticos rasgou
5
Pessoas com uma sensibilidade extrema e que conseguem sentir as energias do ambiente e das pessoas
que as cercam
através dela, e um medo cru que nem suas ameaças conseguiram
alcançar. Ele a arrastou em direção a uma cabana grande.
Árvores os cercavam, pura segurança esperando por ela. Se
pudesse se libertar, poderia correr para a floresta. Seguiu a trilha mais
próxima através de sua visão periférica. Se escapasse dessa maneira,
se desviaria dos arbustos e eles a perderiam.
Tropeçou e caiu de joelhos. Ele a puxou para os seus pés e bateu
no seu rosto. A cabeça dela voou para o lado. Aparentemente, — ilesa
— significava algo diferente para ele do que para ela. Rangeu os
dentes. O pai dela bateu mais forte, mesmo depois de um período de
três dias. O cretino que a segurava bateu novamente, e enquanto
permanecia de pé, o golpe espalhou seus sentidos e os escudos mentais
se afastaram. Oh Deus.
Um rugido caiu da floresta circundante, e uma raiva que não era
dela a atingiu com a força de um soco no peso do título. Seu medo se
transformou em puro terror.
O que estava por vir?
O homem que a segurava congelou, examinando as árvores
espessas. Sem aviso, um grande borrão de movimento escuro passou
por ela para levar o homem ao chão. O sangue espirrou em um arco
gracioso nas pernas de Cara e a adrenalina atingiu o seu sangue com
uma necessidade de fuga. O cobre enferrujado se misturou com o
aroma limpo da chuva, e seus pés recusaram a se mover.
— Talen — disse ela, mal conseguindo respirar quando ele se
levantou em toda a sua altura. O sangue espirrou em seus traços
brutais e sobre as suas mãos, seus olhos eram de um ouro primordial
na chuva crescente. Ficou boquiaberta com as presas afiadas saindo
da boca dele. Escorriam vermelho. Então, o som rápido de tiros encheu
o ar. Talen atacou e ela gritou. Ele a protegeu com seu corpo e os rolou
embaixo do carro para o outro lado, onde folhas molhadas estalavam
com o cheiro de mofo embaixo deles.
Protegidos pelo SUV, Talen levantou- se em um movimento suave
e fluido, ele jogou uma faca de dois gumes no ar. Cara espiou por baixo
do veículo. Um homem caiu no chão com um suspiro de dor, a mão na
arma que estava enterrada até o punho em seu pescoço.
Afastando-se de debaixo do carro, Cara agarrou a maçaneta da
porta e se levantou, determinada a fugir, se necessário. A segurança da
floresta a chamou.
Os dois homens restantes correram em direção ao porto. Com
um berro animalesco, Talen pulou sobre o SUV e derrubou o primeiro
sequestrador com um equipamento voador. Suas mãos nuas
esmagaram o pescoço do homem com um ruído alto. Com um estalo
final do pulso de Talen, ele se levantou e encarou o homem restante,
que recuou em direção a Cara, orando em espanhol.
Os olhos estranhamente brilhantes de Talen não mostravam
piedade quando ele perseguiu o homem horrorizado.
— Por favor, não me mate. — Implorou o homem enquanto
continuava tropeçando para trás.
— Você tocou no que é meu. — A voz de Talen era estranhamente
gutural quando ele alcançou o homem.
— Não, não, eu não fiz. — Protestou o homem, fazendo o sinal da
cruz no ar. — Eu nunca a toquei.
— Tudo bem — disse Talen agradavelmente. — Então você morre
rapidamente. — Com um rápido corte do braço, a cabeça do homem
caiu no chão. Então, Talen virou-se para Cara. A lâmina da faca brilhou
prateada ao luar emergente, seu ponto pingando vida vermelha na terra
molhada. O sangue espirrou em suas roupas e cobriu as suas mãos. A
selvageria estava estampada em cada linha do rosto. Suas presas
brilhavam afiadas e mortais à luz sombria.
Os olhos de Cara reviraram em sua cabeça e, com um pequeno
gemido, ela caiu sobre as folhas molhadas.
Cara recuperou sua consciência com um grito quando Talen a
levantou do banco do passageiro do SUV. Ele a silenciou com um aperto
rápido.
— Onde estão suas presas? — perguntou grogue.
Ele riu e a levou para uma pequena cabana de verão, chutando
facilmente a porta com um pé. Segurou-a longe do sangue que cobria
suas roupas. Ela olhou em volta, lutando com a realidade enquanto o
cheiro persistente de limpador de limão enchia seu nariz. O que
viu? Seu coração batia forte enquanto os músculos das costas
amoleceram de exaustão. O conflito em guerra dentro dela ameaçava
encerrá-la completamente.
A sala de estar continha um sofá e uma lareira enorme. À
esquerda, a cozinha continha aparelhos de cor abacate e uma grande
cama coberta com colcha estava no canto oposto. A chuva continuava
a cair lá fora, quando Talen colocou Cara no sofá de couro escuro e
pegou uma toalha velha para limpar o sangue do seu rosto.
Ele acendeu uma fogueira e, uma vez que as toras estalaram, se
agachou ao nível dos olhos dela e afastou seus cabelos do rosto. —
Fique aqui e se aqueça, bebê. Volto em breve. — O cheiro de pinheiro
picante e o cheiro escuro e terroso do homem a inundaram.
— Espere. — Cara agarrou seu braço, seu olhar sobre as
características agora calmas de seu rosto.
Os olhos dele se suavizaram. — Preciso levar o SUV de volta para
a cabana. Eles enviarão reforços, quando os sequestradores não
fizerem o check-in. Enquanto já deixei algumas surpresas para eles,
adicionarei mais algumas no carro. Não se preocupe, voltarei em breve.
— Onde está Janie? — Ela estava quase com medo de perguntar.
— Com o meu irmão, Dage. Ela está segura.
— Espere. Não devemos ficar com o SUV, só por precaução? —
Ela não podia fugir dele, se necessário, precisava de um veículo.
Talen sacudiu a cabeça. — Não. Eles têm GPS e a última coisa
que precisamos é que nos rastreiem se corrermos. — E, com um beijo
final na testa dela, ele desapareceu na chuva forte.
Cara se sentou cansada, com o olhar no fogo. Talen salvou a sua
vida, sem dúvida, mesmo quando ele borrifou sangue, ficou agradecida
por ele ter vindo buscá-la. Mas seus olhos brilhavam com brutalidade
quando ele matou, o que o fez sem pensar duas vezes, sem hesitar. O
último homem implorou por sua vida. Parte dela queria correr, mas
Talen, qualquer que fosse ou quem quer que fosse, tinha a sua filha, e
não tinha escolha a não ser ficar até ter Janie de volta.
Então ela poderia correr.
Olhou ao redor da cabana. O espaço singular era totalmente
isolado e, com a chuva batendo lá fora, era íntimo demais. Desde o final
do outono, não havia chance de mais alguém estar por perto. Ela tinha
que encontrar segurança.
Ela se moveu em direção à janela, olhando para o cinza
chuvoso. A chuva salpicou a varanda da frente, e um pequeno vaso
verde no parapeito chamou sua atenção. Sugando o ar, ela abriu a
porta e se lançou sobre as tábuas de madeira para agarrar a
planta. Uma margarida de olhos de boi. Deixada do lado de fora para
sobreviver quando seus donos saíram para a temporada. Babacas.
— Está tudo bem. — Ela cantou, carregando a planta dentro da
cabana agora quente. A margarida não tinha florescido e suas folhas
escuras caíam, mas as noites ainda não estavam frias o suficiente para
causar algum dano real. — Eu te nomeio de Henry. — Sorriu, colocando
a planta no centro da mesa.
Seu estômago roncou. Quando foi a última vez que tinha
comido? Que horas eram agora? Como poderia estar com fome? Para
fugir de Talen e encontrar Janie, precisava de suas forças. Ela começou
a abrir os armários para procurar comida.
Quando Talen voltou, ela fazia um ensopado aromático no velho
fogão. Talvez ela não tivesse que matá-lo. Ele a salvou depois de
tudo. Ele entrou e ela se virou do fogão, vendo o tamanho dele, a força
bruta rodopiando em torno dele. Ela nunca seria capaz de matá-lo, sem
chance no inferno. A percepção se assentou como uma pedra no
estômago, e ela apertou as mãos. O que deveria fazer?
Ele cheirou o ar salgado e depois sorriu. — Sim, companheira?
— ele questionou com uma sobrancelha levantada quando fechou a
porta atrás dele, abafando o som da chuva forte.
— Companheira? Soa diferente de esposa.
— Ambos se aplicam a você, querida. — Ele tirou o colete e
colocou as armas no manto acima da lareira.
— Você lavou o sangue. — Murmurou, sua coluna endireitando,
sua postura desafiadora. Este homem tem sua filha. Isso fazia dele um
aliado ou um inimigo? De qualquer maneira, ela tinha que afastar Janie
o mais longe possível dele.
— A chuva fez isso. — Seus olhos brilharam em resposta quando
ele espremeu a água dos cabelos escuros.
— Você está com fome? — Ela se retirou da batalha, tentando
adicionar alguma normalidade à situação.
— Morrendo de fome. — Os olhos dele brilharam quando a olhou,
a reivindicaram.
— Sente-se. — Cara ignorou seu duplo sentido, gesticulando
para a mesa e pegou duas tigelas de ensopado de uma lata deixada pelo
proprietário. — Hum, como sabemos que mais desses homens não
estão vindo? Nós ainda temos tempo para comer?
Ele assentiu.
— Acabei de falar com Dage e pedi que ele localizasse um satélite
para a área. Ninguém está a centenas de quilômetros. Também
estamos monitorando os campos inimigos, ouviremos quando forem
informados sobre o sequestro fracassado. — Talen caiu em uma
cadeira, que chiou contra o seu peso. — Sairemos quando amanhecer,
então não se preocupe.
Ela se sentou em sua frente e desdobrou o guardanapo no colo,
relaxando os ombros agora que estava a salvo. Pela noite pelo menos.
Ele levantou uma sobrancelha. — Onde você conseguiu a planta
triste?
Sério? — Ele não está triste. Só precisava de um pouco de calor.
— Ele?
— Sim, ele — disse, balançando a cabeça. — Então, você é
realmente um vampiro? — Droga. Ela pretendia entrar na discussão.
A risada de Talen aliviou um pouco da tensão na sala. — Não é
como você pensa.
— O que isso significa?
— Você viu as minhas presas. Às vezes eu tomo sangue. — Ele
deu uma colherada no ensopado e fechou os olhos, seu prazer
dançando ao longo de sua própria pele até que ela colocou os escudos
mentais no lugar. — Mas apenas em situações extremas, como durante
uma batalha ou sexo. Não bebemos sangue para sobreviver e não
derretemos ao sol. Uma estaca de madeira no coração mataria qualquer
um, menos nós.
— Você é mais rápido e mais forte do que a maioria dos homens
que conheci. E nunca vi olhos metálicos antes. — Além disso, ele matou
quatro homens perigosos sem suar, e sem receber um pequeno
arranhão em troca.
— Sim, suponho que é apenas uma diferença entre as nossas
raças. — Ele deu de ombros, empurrando outro bocado do ensopado
perfumado.
— Mas. — Cara se recostou enquanto os pensamentos corriam
em sua mente — Você não acha estranho termos essas lendas sobre
vampiros e acontecer que você realmente existe?
— Não. Como eu disse, nossas companheiras sempre foram
humanas. — Sua ênfase na palavra companheira trouxe um rubor à
sua pele e um formigamento na barriga.
— Por quê? — ela perguntou, concentrando-se nas palavras dele
e não em sua reação interna.
Talen deu de ombros. — Genética básica. As fêmeas humanas
têm dois cromossomos X e os machos têm um X e um Y, certo?
Cara assentiu.
— Nos humanos, a mulher sempre passa um cromossomo X e,
se o homem passa um X, você cria uma garota, XX. Se ele passa um Y,
você ganha um menino, XY. — Talen deu outra mordida. — Em termos
cromossômicos, os vampiros têm um V e um X
— Você tem um cromossomo diferente? — Cara pensou por um
momento. — Então, uma fêmea humana passa um cromossomo X para
um bebê, e você passa um V ou um X?
— Não. Só podemos transmitir um V, criando assim um bebê XV,
que é um vampiro masculino. Ninguém sabe o porquê.
— Nunca, em toda a sua história, você criou uma vampira?
— Nunca.
Uau. Emma era a geneticista da família, ela ficaria fascinada com
isso. — Então, de alguma forma, a palavra saiu. Sobre vocês, quero
dizer. — Alguém em algum lugar deve ter notado seus olhos e presas
estranhas.
Um rubor opaco percorreu seu rosto. — Havia outro motivo. —
Talen pegou mais um ensopado da panela no meio da mesa. — Há cerca
de um século e meio, tínhamos um grupo de malucos que pensavam
que viviam para sugar sangue. Você os chamaria de culto. Eles
interagiram com seu povo e agiram como os vampiros de suas
lendas. Nós cuidamos deles. Mas não temos orgulho disso.
— Meu povo? Você quer dizer os Estados Unidos ou todos os
humanos? — Cara perguntou. — E por que vocês não nos procurou
antes? Quero dizer, se vocês são tão avançado e tudo mais, por que não
se tornou aliado conosco antes? Deixe todos nós sabermos sobre vocês?
— Vocês não avançou a um ponto que o tornou benéfico para
nós, então nós os protegemos de longe.
— Benéfico? Em termos de armas?
— Não. Em termos científicos.
— Você precisa de nossos cientistas?
Talen deu outra mordida no ensopado antes de balançar a
cabeça. — Nós não. Os Kurjans fazem.
— Então vocês não viram nenhuma razão para interagir conosco
antes. — Na verdade, foi um pouco ofensivo.
— Não. — Ele deu de ombros. — O contato individual era uma
coisa, mas como raça, não tinham o que queríamos. Até agora. — O
olhar dele percorreu o seu rosto e ela se contorceu em seu assento.
Uma mulher mais corajosa poderia ter perguntado o que ele
queria agora. Cara aceitou que não era tão corajosa quanto esperava. —
Incrível. — Ela balançou a cabeça quando o mundo mudou ao seu
redor. — Espere um minuto. Minha filha está com vampiros? Agora
mesmo? — Seu olhar correu para a porta, terminações nervosas
ganhando vida ao longo de sua pele.
— Ela está segura, Cara. Meu irmão a protegerá com a sua vida.
Ela achou que não, e sua mente se esforçou para acompanhar. —
Os Kurjans, vampiros malignos de algum lugar que eu nunca ouvi
falar, querem a minha filha. — Uma névoa vermelha oscilou em sua
visão. — Isso é a porra de um resumo?
— Muito perto. — Seus olhos se estreitaram. — Embora você
provavelmente já tenha ouvido falar. Eles são localizados em
Minnesota.
— Minnesota? — Ela respirou quase em uma risada. Isso não
poderia estar acontecendo.
— Sim.
— Há quanto tempo eles estão localizados lá? — Sua mente
girou.
— Acho que eles se mudaram para lá talvez a trezentos anos
atrás — disse ele, como se discutisse fatos históricos simples.
— Oh. — O sarcasmo veio fácil para ela agora. — E nós,
humanos, não notamos?
— Não. Vocês, humanos, não percebem nada que não querem,
Cara. —Ele deu outra mordida no ensopado.
Ela fez suas perguntas em uma sequência rápida. — Como os
vampiros viveram entre nós por três séculos? Eles matam? Conheço
vampiros? Eles pagam impostos como todo mundo?
Depois que ela se acalmou, Talen respondeu. — Vivemos entre
vocês para protegê-los da nação Kurjans. Nosso tratado te protegeu.
— E agora eles o quebraram?
— Sim, e eles matam, ou costumavam fazer antes do
tratado. Você pode conhecer vampiros, mas definitivamente não os
Kurjans. Eles não se parecem conosco e não podem sair ao sol, que é
onde sua ciência está entrando. E, é claro, todo mundo paga
impostos. Você não mexe com o IRS, não importa a que raça você
pertence. — Ele deu um sorriso irônico.
— Quantas pessoas sabem que você existe?
— Não muitos. Duas pessoas importantes no seu governo, só
isso.
— Você é imortal?
— Perto o suficiente. — Sentou-se e a estudou. — Vivi o suficiente
para ter perdido entes queridos. — Esfregando a mão no queixo, ele
limpou a garganta. — Seu arquivo mencionou o pai de Janie. Sinto
muito por você ter perdido Simon. A ferida ainda está fresca?
A respiração de Cara ficou presa na garganta e ela deu de
ombros. — Sinto falta dele. Nós éramos bons amigos e acho que Janie
o amaria.
Talen inclinou a cabeça para o lado. — Vocês eram meros
amigos?
Alisando o guardanapo no colo, Cara assentiu. — Sim. Nós
namoramos um pouco, mas nunca esperei amor ou casamento na
minha vida. — Sua mente lutou por mais alguma coisa para falar. —
Você disse anteriormente que era um protetor para a sua espécie.
— Eu sou. Assim como os meus irmãos. — Talen cruzou os
braços sobre o peito, uma expressão pensativa deslizando pelos fortes
planos de seu rosto.
— O que isso significa? — Ela precisava encontrar Janie.
— Acho que você nos chamaria de família dominante. Meu irmão
mais velho, Dage, seria considerado o rei em muitas civilizações.
— Se você faz parte da família real, como é um protetor? — Ela
colocou o guardanapo na tigela. — Quero dizer, se o seu título significa
o que implica?
— Sim. Mesmo ao proteger humanos impossíveis. — Talen bufou
em diversão. — Mas, como família real, somos os primeiros a lutar
quando necessário. Nós cinco treinamos desde a infância. É nosso
dever, como família real, ser o primeiro a defender. Os primeiros a
morrer, se necessário.
Cara pegou seu olhar solene com uma careta confusa.
— Eu sei. — Talen concordou com seu olhar. — Seu povo não
brigava com tanta frequência se os que decidiram lutar fossem os
primeiros a sangrar. Sua sociedade tem um longo caminho a percorrer,
se vocês não se explodirem primeiro.
O olhar superior em seu rosto irritou o seu temperamento. O
bebê dela estava com os protetores. O primeiro a morrer, se
necessário. Isso era inaceitável. — E onde você está?
— Você aprenderá tudo sobre a nossa casa quando chegarmos
lá, Cara.
— Ah, eu acho que não. — A realidade absurda a atingiu como
uma bola de demolição. O homem diante dela era puro perigo e todos
os seus instintos de sobrevivência gritava para correr. — Traga a minha
filha aqui, agora. — Ela se levantou, seus olhos disparando para o bloco
de faca no balcão e de volta.
— Tente. — Sua voz suavizou-se perigosamente quando ele
relaxou na cadeira. A chuva batia um zumbido suave contra a cabine
aconchegante em oposição direta à energia agora tensa que rodopiava.
Ela pensou sobre isso, realmente pensou: a imagem da lâmina
perfurando seu peito imortal, a surpresa absoluta em seu rosto quando
uma de suas inofensivas presas mergulhou a faca profundamente,
limpando essa arrogância irritante. Mas o homem ainda tinha Janie.
Cara respirou fundo e usou seu tom mais razoável. — Isso não
funcionará, Talen. Mudei de ideia. Janie e eu ficaremos bem sozinhas.
— Somos casados, Cara. Você e Janie nunca mais estarão por
sua conta. — Ele falou devagar, como se tivesse a certeza de que ela
ouvia e entendia cada palavra.
— Nós anularemos, Talen. Não estou brincando. Até sua raça
bárbara deve ter algum tipo de processo de anulação. Eu quero um.
— Bárbara? — Talen levantou uma sobrancelha e encolheu os
ombros. — Talvez. Mas apenas aqueles que não se acasalam recebem
o que você chamaria de anulação, Cara.
— Bom. Nós não nos acasalamos. — Ela corou até suas
bochechas doerem.
— Acasalaremos esta noite, esposa. — Seus olhos brilharam
quentes e dourados.
— Não. — Ela levantou o queixo e ignorou o deslizamento na
parte inferior do estômago.
— Cara. — Ele se inclinou para a frente em sua cadeira. — Antes
que esta noite termine, você não terá dúvida de que está acasalada.
A intenção o cercou. Então bateu nela. Droga de escudos
empáticos defeituosos, talvez ela devesse estar trabalhando na
habilidade no lugar de fingir que não existia.
— Sem chance. — Seu corpo cantarolava para concordar
enquanto sua mente gritava. — Além disso, você disse que
morde durante uma batalha ou sexo. Você não quer dizer que sim,
quero dizer...
— Oh sim, querida. — Olhos dourados brilhantes encontraram
os dela. — Vou te morder. E você gostará.
— Não. — Cara tentou colocar força nas palavras, mesmo
quando a necessidade passou rapidamente por seu estômago e dançou
pela espinha. — Nada disso acontecerá, Talen. — Um desejo formigou
dentro de suas veias e a chamou de mentirosa.
Uma sobrancelha arqueada encontrou o seu olhar sério. —
Somos casados, Cara. Em breve estaremos acasalados. 'Não' não é uma
opção para você.
— Uma merda que vamos. — Cara pode não conhecer o homem
muito bem, mas ele nunca a forçaria.
— Provavelmente deveria te dizer agora para controlar a sua
língua. — O rosto de Talen se estabeleceu em linhas definidas, seus
olhos diretos, sua mandíbula firme.
— Foda-se.
Seus dentes brilharam e ele se levantou a toda a sua altura. —
Porra, se você não é perfeita. — Ele esfregou o queixo, seu olhar caindo
para os seios dela. — E não pense por um segundo que não pagará pelo
seu desafio.
O estrondo de sua voz emitindo a ameaça sexual encharcou a
sua calcinha. Claro e simples. Ela procurou outro apelo. — Você
prometeu que não me machucaria.
O olhar de Talen viajou até seus olhos, e seus lábios se
inclinaram quase em um sorriso. — Eu não vou.
Ela bateu as mãos nos quadris e se perguntou se um ajudante
decente poderia arrancar o joelho dele. — Não quero me acasalar.
— Você irá.
Cara abriu a boca para responder no momento em que ele bufou
irritado e puxou a camisa por cima da cabeça. Seu olhar pegou um
peito liso e perfeitamente musculoso antes de se mover para o lado. Um
buraco ensanguentado cobria seu braço. Ela engoliu em
seco. Carmesim passou pelo contorno dos músculos. — Você levou um
tiro — ela disse lentamente.
— Sim, parece. — Ele deu de ombros. — Acho que uma bala me
atingiu, mas passou direto. — Ele cutucou o buraco escuro e
redondo. — Provavelmente deveria colocar algo sobre isso agora, no
entanto.
A sala girou em torno dela, e ela pegou o balcão de apoio. — Você
se sentou durante o jantar com um ferimento de bala?
Talen levantou uma sobrancelha em surpresa. — Eu disse que
foi até o fim. Não é grande coisa, Cara. — Ele estendeu a mão e pegou
uma toalha de cozinha para pressionar contra a ferida. — Procure
embaixo da pia um kit de primeiros socorros, sim?
Cara olhou embaixo da pia antes de correr para o banheiro para
encontrar um kit no armário de remédios. Ela se concentrou em não
vomitar enquanto limpava a ferida, o espanto se acumulando em seu
estômago quando o buraco de bala se fechou e virou em carne saudável
depois que removeu o sangue coagulado. Trabalhou com plantas por
um motivo. Não ajudou que o olhar de Talen a esquentasse quando
suas mãos tocaram a sua carne. Então ele emitiu um rosnado baixo da
garganta.
Cara pigarreou. Ele era o único acesso à filha e tinha que esperar
um pouco. Deu um passo para trás depois de prender o curativo no
grande bíceps e passou a mão na testa. Recusou a olhar atentamente
para o peito forte e nu dele e se moveu para que a mesa ficasse entre
eles.
Um relâmpago a fez pular. A tempestade lá fora quebrou com a
fúria de uma batalha de muito tempo atrás, e o olhar de Talen
permaneceu quente e ainda nela, dentro dos pequenos limites da
cabine.
— Pare de me encarar. — Ela retrucou, encarando-o
diretamente. Estremeceu quando a tempestade do lado de fora trouxe
uma quietude desconfortável ao pequeno espaço.
— Pare de fugir de mim. — Veio sua resposta arrogante. Ele
cruzou os braços, os olhos sombriamente dourados à luz sombria, sua
postura enganosamente calma.
Cara olhou para o guerreiro intimidador a poucos metros dela. A
excitação a esquentou como um bom vinho. Seus longos cabelos
escuros estavam em mechas grossas e úmidas em torno de um rosto
esculpido em pedra. Seus olhos brilhavam tão selvagens quanto a terra
ao seu redor, seu corpo forjado de aço. Ele era toda fantasia sombria
que já teve, e doía em lugares desconhecidos. Seus músculos se
contraíram na necessidade de quebrar alguma coisa.
Não havia como se entregar a um macho alfa dominante e
arrogante que acabara de conhecer. Um vampiro, não mesmo. Uma voz
minúscula lembrou que ele a caçara, ele matara. Suas ações tiveram
consequências que ela talvez não fosse capaz de expressar em palavras,
mas as sentiu até os ossos. Sem sequer tocá-la, ele a fez dele. Seu olhar
primitivo lhe disse isso.
Seus mamilos endureceram com o pensamento, e ela balançou a
cabeça contra a reivindicação dele.
Os olhos de Talen se fecharam quando o ar vibrou em torno dele.
— Você não balançará a cabeça para mim. — Seu comando foi
silencioso em comparação com a chuva forte lá fora, mas ainda
apresentava mais perigo.
O pulso dela acelerou. — Farei o que eu quiser, Talen. — Recebeu
o ataque de seu temperamento, como um alívio da dor não realizada
em sua parte inferior do corpo. — Podemos estar temporariamente
casados, mas não sou do seu povo e não recebo ordens de você.
Ele parou, seus olhos únicos afiados, cor de ouro queimado. Sem
sequer uma pitada de piedade, eles capturaram a dela.
— Esperava chegarmos em casa antes de domar esse seu
temperamento, companheira. — A voz de Talen se suavizou em aviso,
uma luz predatória realçando as manchas verdes em seus olhos. —
Mas estou bem em cuidar disso agora, se desejar.
Cara só podia olhar para o homem grande diante dela. Um desejo
veloz guerreava com o seu temperamento pesado. O perigo a
rodeava. Isso não deveria excitá-la, droga. Ela pegou um objeto mais
próximo, uma velha panela de ferro fundido, e foi atrás do bloco de
facas.
Talen se moveu o mais rápido possível. Seu corpo muito maior a
prendeu contra os armários inferiores, uma das mãos emaranhada em
seus cabelos, a outra em volta de sua cintura pequena. Ela nem tocou
no cabo da faca. Ele facilmente a pegou com um braço e a jogou no
balcão. Os quadris dele forçaram seus joelhos. Com um giro de seu
pulso, ele puxou a cabeça dela para olhar nos olhos dele.
— Você não é a única com raiva, companheira. — Cascalho
agitado revestiu sua voz. Baixou o rosto esculpido para um centímetro
do dela, e a sua virilha endurecida pressionou firmemente contra a
suavidade dela. — É melhor se lembrar disso.
A onda de calor não era bem-vinda, e ela lutou furiosamente em
seu aperto firme. As mãos dela empurraram inutilmente contra o peito
duro como uma pedra. Seus seios se esticaram quando ele segurou a
cabeça dela. — Pare de me chamar de 'companheira' e me solte. —
Reprimiu um gemido contra o desejo que se acumulava entre as suas
coxas.
Seus lábios fizeram cócegas nos dela antes que ele falasse. —
Você é minha companheira. ― Ele escovou os lábios dela novamente.
— E não há nenhuma maneira de deixar você ir. — Com um gemido,
ele pegou a sua boca, seus lábios firmes e implacáveis. Ele mergulhou
profundamente nos espaços quentes de sua boca, o braço em volta da
sua cintura a puxando contra sua ereção. Cara não teve problema em
recusá-lo. Ele não perguntou. Ele pegou.
Ela congelou contra o calor exigente de sua boca, lutando contra
o fogo líquido correndo através dela. Ele inclinou a cabeça,
aprofundando-se mais do que antes, pegando exatamente o que queria,
e aparentemente o que ela também queria. A chuva e o vento soavam
do lado de fora, enquanto a selvageria erótica de seu beijo conquistou
impiedosamente qualquer resistência remanescente.
Com um gemido, ela parou de tentar controlar o rumo de sua
nova realidade e se entregou ao fogo subindo rápido e queimando
quente dentro dela. O que um beijo poderia machucar? O cheiro do
homem encheu sua cabeça e, de repente, ela desejou. Retribuiu o beijo
com toda a paixão que mantinha afastada por anos. A força incrível
dele, sua pura masculinidade, a dominaram. A palma da sua mão se
espalhou contra o granito sólido do peito dele, e gemeu profundamente
dentro da sua garganta.
O calor a encheu. Ele começou a se afastar e ela mordeu o lábio
inferior, querendo mais. Seus olhos escureceram como fogo derretido. A
mão em seus cabelos se apertou e o pulso dele torceu novamente,
expondo a graciosa coluna de seu pescoço. Ele a levantou do balcão
pelas nádegas. Ficou molhada quando ele facilmente a equilibrou
contra si com uma mão, seus joelhos apertando as laterais dos quadris
dele. Balançando a cabeça com esperteza, esperou até que ele relaxasse
seu aperto e pressionou a boca no pescoço dele. Sal e especiarias
explodiram em seu paladar.
Gemendo, alcançou o seu abdômen, traçando os músculos duros
com as mãos. Perfeito. Masculino. Forte. Ela se inclinou para a frente,
girando a língua em torno de um mamilo e lutou contra um sorriso
enquanto ele tremia.
— Cara? — A mão em seus cabelos puxou até seu olhar
adormecido encontrar ouro líquido puro.
— Hmmm? — Ela pegou a fivela do cinto, deslizando o fecho
livre. Nunca sentiu tanta excitação. Pode ser temporário, mas não
perderia isso.
— Cara. — Ele apertou sua mão, enviando uma dor erótica pelo
couro cabeludo. — Eu preciso saber, querida.
— Saber o quê? — Ela soltou o cinto dele e o deixou cair no chão,
tentando pressionar seu núcleo dolorido com mais força contra
ele. Estava pronta, caramba e agora ele queria conversar?
Ele se inclinou para mais perto, sua respiração roçando sua pele,
seu olhar perfurando o dela. — Que você me aceita, que você nos
aceita. Que quer isso.
O calor se espalhou por seu coração para combinar com isso em
seus lombos. — Eu quero isso.
Ele sorriu, a mão no seu cabelo deslizou para cobrir seu couro
cabeludo. — E?
Ela inalou o cheiro apimentado dele e sua mente girou. — Aceito
você agora, o resto teremos que ver — Cara, se ela não o deixasse nu
logo morreria. Ou ele faria.
— Bom o suficiente — disse ele.
Então o mundo mudou quando ele puxou a cabeça para trás,
abaixando a boca no pescoço vulnerável dela. — Eu disse a você que
meu povo marca nossas companheiras? — Seu hálito quente penetrava
sobre a pele macia, a mão amassando a carne macia de sua bunda.
— Hum. — Cara podia sentir apenas o delicioso atrito quando
ele esfregou o seu núcleo contra o dele.
A mão em seu cabelo apertou em aviso quando ele parou seus
movimentos. — Fiz uma pergunta, Cara. — Ele levantou a cabeça para
prendê-la com um olhar que a desafiou a perder o foco novamente.
— Hum... — Ela lutou para encontrar as palavras dele em sua
mente. — Espere. Você disse que marcam suas companheiras? — Ela
parou de se mover.
— Sim. — Satisfeito, ele começou a abaixar a boca novamente no
pescoço dela.
— Espere. — Ela lutou para se libertar. — Não. Espere,
Talen. Sem marca.
Talen facilmente a segurou no lugar quando ele levantou a
cabeça para dentro de uma polegada dela. — Oh, haverá uma marca,
Cara.
— Você não marcará o meu pescoço — sussurrou, mesmo
enquanto pulsava contra ele.
— Quem disse alguma coisa sobre o seu pescoço? — Com sua
pergunta sombria, ele tomou seus lábios com um lampejo de
calor. Virou-se para a cama, com as mãos fortes em suas costas, o som
de um trovão diretamente acima deles.
O fogo lambeu debaixo de sua pele quando seus joelhos
apertaram a cintura estreita de Talen, suas mãos nela, sua boca nela,
exigindo mais. Ela choramingou profundamente em sua garganta. ―
Depressa. — Gemeu, todo o seu ser pegando fogo.
Um braço forte varreu a blusa do seu corpo em um movimento
fluido, exibindo seus seios aos olhos dele. Ele rosnou e então, com um
mero passo à frente, ela estava de costas e ele estava nela. Com a boca
quente e insistente na dela, ele se inclinou e arrancou o jeans e a
calcinha do seu corpo e jogou fora.
Cara ofegou em choque quando ele a penetrou até o punho, sem
preliminares, sem alívio, apenas uma posse pura e primitiva. Ele
entrou e saiu instantaneamente. Dedos fortes cavaram os seus
quadris, movendo-a para encontrar seus impulsos. Bom Deus. Com o
que ela concordou? Com o corpo molhado e disposto, lutou para se
ajustar à penetração dele, a respiração presa dolorosamente na
garganta enquanto ele saqueava as suas profundidades intocadas. O
orgasmo teve vida própria, impiedosamente, ferozmente a atingindo e
rasgando todo o seu sistema. O nome dele encheu a sua cabeça e então
houve silêncio ao redor deles quando ela gritou e as estrelas explodiram
atrás de seus olhos.
Ainda assim, ele empurrou. — Você está bem, querida? — A voz
dele retumbou a um tom profundo o suficiente para ecoar ao longo de
cada terminação nervosa.
— Sim. — Ela empurrou para cima nos planos duros de seu
corpo incrível. — Faça isso novamente.
Ele pode ter rido, apertando o seu aperto, de alguma forma
aumentando sua velocidade.
Não podia fazer nada além de rezar, as pernas enroladas nos
quadris sólidos de Talen. Um desejo dolorosamente afiado tomou conta
dela novamente. A ampla circunferência dele a encheu ao ponto de dor,
a boca quente em seu pescoço. Ela não tinha controle sobre o ritmo,
nenhum controle sobre o seu próprio corpo quando o próximo orgasmo
bateu tão repentinamente quanto o primeiro. Mordeu a carne dura de
seu peito enquanto cavalgava para fora das ondas. Ela não teria parado
isso por nada.
Talen rosnou quando seus dentes penetraram a sua
carne. Quando as ondas pararam de rasgá-la, ele se levantou e a virou
sobre as mãos e joelhos, bombeando os quadris o tempo todo. Seus
impulsos aumentaram em velocidade e força e a última imagem de seu
rosto forte queimou em sua memória, os ângulos agudos se
transformaram em brutais linhas de desejo, seus cabelos grossos e
escuros em volta dos ombros.
Ela gemeu quando ele empurrou os ombros para a cama, uma
das mãos subindo emaranhando seus cabelos, a outra apertando seu
quadril enquanto ele a montava. Enterrando o rosto na colcha macia,
soluçou o nome dele. Uma agitação começou bem no fundo. E se
transformou em uma sensação que roubou qualquer respiração que ela
pudesse ter mantido. Fortaleceu até uma nitidez exata. Oscilou em
uma ponta fina, lutando para não cair, lutando contra o desconhecido,
quando, com uma torção feroz de seus quadris, ele a forçou. Ela deu
um grito agudo enquanto seu prazer crescia cada vez mais alto até que
o seu mundo explodiu. Ela só podia abrir a boca em um grito
silencioso. Ondas intensas de êxtase a percorreram.
Desceu com um gemido, os olhos fechados, o corpo lento e
relaxando. Ele continuou a entrar e sair. Seu rugido encheu sua cabeça
quando uma libertação quase dolorosa o atravessou, ecoando por todo
o seu corpo, seus escudos empáticos em frangalhos.
Ele permaneceu cheio e duro dentro dela. Uma das mãos forte
agarrou o seu ombro para guiar seu corpo flácido, enquanto a outra
mão queimava como carvão quente na frente de seu osso do quadril. Ele
a segurou diante dele de joelhos, de costas para o peito úmido. Passou
os dedos pelos seus cabelos, puxou a cabeça para o lado, expôs o
pescoço e rosnou: — Minha.
Com um ataque rápido, ele a mordeu.
A grande tela falhou de preto profundo a cinza estático diante
dos olhos de Dage. Às vezes, a recepção em sua sede subterrânea
deixava a desejar, embora o oxigênio puro que fluía através das
cavernas e reforços bem iluminados para as paredes de granito
garantisse que nem mesmo um terremoto da Mãe Terra prejudicasse
os habitantes daqui. Vários metros abaixo da superfície, onde mísseis
ou miras em busca de calor nunca penetrariam, ele deixou o puro
perfume da terra e da rocha aterrá-lo.
Seus ombros estavam relaxados desde o check-in de Talen na
noite anterior, ele e a sua nova companheira estavam seguros. Dage
imaginou que seu irmão levara menos de uma hora ontem para
recuperar e proteger a mulher. O orgulho encheu o rei.
Dage se concentrou, e a imagem foi limpa para revelar atividades
furiosas ao redor do campo dos Kurjans mais próximo.
— Senhor. — Chalton, seu especialista em computadores, olhou
por cima do ombro. — Eles querem conversar.
Dage se endireitou na cadeira e apertou uma série de botões no
painel de controle à esquerda. Uma grande imagem imediatamente
preencheu a tela.
— Kayrs. — A figura se aproximou da tela e os olhos negros de
carvão endureceram. — Isso foi há algum tempo.
— Não há tempo suficiente. — Dage reconheceu o atual
governante Kurjans com um aceno entediado. — Lamento saber da
morte de Lance. — Ele estudou o minério de ferro e a taconita6 que
compunham a parede de pedra em branco atrás de Lorcan. A sede
poderia estar em qualquer lugar da Rússia ao Brasil. Embora seu
dinheiro ainda estivesse em Minnesota, quando sua intuição
sussurrou, Dage ouviu.
— Sim, bem. — Lorcan afastou os cabelos vermelhos do rosto
pálido, mostrando a escuridão dos olhos. — Acidentes acontecem. —
Ele deu de ombros e gesticulou com um corte de unhas afiadas. — Fui
nomeado Governante na semana passada. As coisas estão prestes a
mudar, Kayrs.
— Realmente? — Dage perguntou quando outro Kurjans
apareceu para sussurrar algo inaudível para Lorcan. — Acho que não.
Lorcan acenou com a cabeça para o subordinado e levantou a
cabeça, seus olhos escuros brilhando. — Você tem a criança.
— Que criança? — Dage manteve a voz neutra quando Chalton
passou os dedos rapidamente pelo teclado para obter informações. É
melhor ele não ter um vazamento de segurança. Embora houvesse
chances da gangue Merodize já ter relatado a Lorcan.
6
É uma variedade de formação de ferro, uma rocha sedimentar contendo ferro, na qual os minerais de ferro são
intercalados com quartzo, chert ou carbonato.
— Você sabe que criança. — Lorcan sibilou, seus lábios
naturalmente vermelhos contrastando com a brancura pastosa de sua
pele. — Nossos oráculos viram o seu destino. Você deve entrega-la para
mim agora.
— Nenhuma transmissão dentro ou fora do último dia. —
Chalton murmurou silenciosamente, suas mãos batendo no painel de
controle. — Nenhuma brecha do nosso lado.
— Não há criança aqui, Lorcan. Você pode reavaliar os seus
informantes. — A fachada entediada de Dage permaneceu no lugar. —
Além disso, o que poderia querer com uma criança humana? Está
começando uma escola para humanos?
— Engraçado. Essa garota é especial. Ela tem o dom da visão que
estamos esperando e deve ser acasalada em seu vigésimo aniversário
com o meu filho mais velho, Kalin. Os Oráculos declararam o futuro
que deve acontecer, se algum de nós sobreviver ao que está por vir. —
Os olhos de Lorcan brilharam em roxo enferrujado. — E a mãe é minha.
Dage levantou uma sobrancelha para a resposta certa de seu
irmão a essa afirmação. — Realmente? Algo está vindo, hein? Sempre
me perguntei por que cada sucessor dos Kurjans é um pouco mais
maluco do que o anterior. Existe algum tipo de critério lunático que
vocês tentam atender? — E Deus ajude a todos, se esse maluco Kalin
assumiu. Dage não o conhecera pessoalmente, mas seus pesadelos
contavam um destino possível que nenhum deles sobreviveria.
— Silêncio! — A força do grito de Lorcan fez seus subordinados
recuarem um ou dois pés, e Dage observou impassível os olhos de
Lorcan se transformarem em um roxo rosado. — Você não zombará dos
oráculos. Eles viram o futuro chegar. Até para o seu povo, os shifters
acabarão com todos nós. — Lorcan lutou visivelmente para se
controlar, seus caninos moendo como um triturador de rocha.
— Entregue à criança e a mãe agora, e você evitará a guerra que
enfrentou nos últimos três séculos. — Última chance.
Dage sorriu o sorriso predatório pelo qual ele era conhecido do
outro lado do Reino. — Foda-se. — Ele acenou para Chalton para armar
as armas armazenadas bem abaixo da superfície da terra.
Lorcan não conseguiu esconder uma inquietação. — Tudo bem.
Ele se afastou da tela, aparentemente não disposto a começar a
sua guerra neste momento. — Mas você não conseguirá se concentrar
nas mulheres humanas por muito tempo, Kayrs. — De fato os dentes
amarelos de Lorcan brilhavam na semi escuridão. — Acho que estará
ocupado com assuntos mais importantes. Em breve. — Com a última
palavra, a tela ficou preta.
— Droga, Chalton! — Dage digitou vários comandos no controle
na ponta dos dedos. — Entre em contato com nossos batedores e
descubra o que diabos está acontecendo.
— Sim, senhor — respondeu Chalton distraidamente, seu olhar
nos computadores.
Dage enviou uma mensagem para seus irmãos entrarem em
contato com ele. Jesus. Kane estava do outro lado do oceano, Talen
correu pelos EUA com uma companheira a reboque, uma
companheira. E Conn. Mano, Conn tinha que colocar sua vida em
ordem, a distração o controlava muito nos dias de hoje. Todos sabiam
que a distração ruiva praticava magia poderosa na terra das fadas,
magia que todos poderiam precisar em breve.
Esfregando a mão nos olhos, Dage suspirou. Ele não podia
ordenar a Conn para readquirir sua companheira, especialmente
porque eles provavelmente teriam que ir à guerra para Moira sair da
ilha verde. Ele sorriu. Ele gostou daquela bruxa corajosa desde o início.
Um pedido soou através do fone de ouvido e ele apertou um botão
para deixar a porta se abrir e Janie entrou e pulou no colo dele. — Oi,
tio Dage.
Ele a colocou em segurança no lugar. — Oi, docinho. —
Determinação fluiu através dele para proteger esta criança
perfeita. Seus olhos azuis olharam com adoração quando ela lhe
mostrou o desenho que carregava. — Eu fiz um macaco.
Bem, talvez. Ou um cachorro com braços compridos. — Está
perfeito.
Ela sorriu, se contorcendo feliz. — O que você está fazendo? —
Seu mundo aparentemente se endireitou na noite passada quando ele
a informou que Talen e Cara estavam em segurança.
— Trabalhando. — Ele olhou ao redor da parede de pedra ao
redor da caverna silenciosa. Apenas Chalton trabalhava ocupado em
seu computador, seus cabelos loiros presos na nuca e fora do caminho.
— Esta é quase uma sala vazia — disse Janie, sorrindo para
Chalton. Ela lhe deu um pequeno aceno de dedo que praticamente
garantiu um excelente presente de Natal do especialista em
computadores. Ele deu um meio sorriso e uma saudação simulada
antes de voltar para o computador. Chalton apenas sorriu? Dage não
sabia que o homem tinha dentes.
Dage mexeu no nariz empinado de Janie. — Sim. Nós apenas
usamos esta sala para teleconferências. — Talvez a câmara estivesse
muito forte para uma garotinha. Ele não queria que nada a
assustasse. Nunca.
— O que é uma telie, uma telecom. — Ela franziu a boca
minúscula em questão.
Ele sorriu. — É como um telefone, mas com uma tela.
— Como TV?
— Sim. — Exceto que os monstros na televisão não eram
reais. Ele lutou contra a carranca que queria perder. Janie precisava
acreditar na segurança de seu mundo.
— Você está preocupado com a guerra? — ela perguntou, suas
mãos pequenas se juntando.
O cenho venceu. — A guerra? Acabou, querida.
— Não. — Ela balançou a cabeça, dando um tapinha na foto
premiada. — Não aquela. A que está por vir.
Consciência e algo próximo ao pavor moveram por seu
corpo. Seus músculos ficaram tensos. — Você sabe sobre isso?
— Sim. — Ela franziu a testa, seus lindos olhos azuis
escurecendo quando ela encontrou seu olhar.
O arrependimento o encheu agora. — Estou tentando impedir
que isso aconteça.
Um sorriso sábio velho demais para seu rosto jovem deslizou por
ele. — Eu sei. Mas isso acontecerá e precisaremos lutar.
Ele balançou sua cabeça. — Eu lutarei, querida. Você não
precisará.
Ela colocou as duas mãos quentes contra o rosto dele,
imobilizando efetivamente o governante dos seres mais poderosos
existentes.
— Eu precisarei. Você sabe disso, tio Dage. Você sabe.
Deus. Não enquanto ele respirava. O destino estava em apuros
neste caso, e ele precisava voltar ao trabalho. Colocando um código no
fone de ouvido, ele esperou. — Jaze? Encontre-me na sala de recreação,
precisamos planejar. — Quem pensaria que o seu irmão mais novo e
mais selvagem se tornaria o mais confiável, no momento, pelo
menos. Para onde diabos o seu mundo iria?
A vários estados de distância, Lorcan acenou para um
subordinado para desligar a tela. Unhas compridas estalaram contra o
teclado até que apenas lâmpadas fluorescentes iluminassem a sala de
controle subterrânea. Uma tela preta cobria a rocha em uma parede
inteira com dois terminais de cada lado e não dando nenhuma pista
sobre o paradeiro dele. As grossas montanhas de Minnesota
proporcionavam segurança contra intrusos, inimigos e sol.
Ele virou-se para a porta e entrou em um longo corredor
mobiliado com Picassos de valor inestimável que o mundo não
conhecia. Malditos Kayrs. O cretino tinha apenas cinquenta anos mais
que os trezentos de Lorcan, mas uma sabedoria antiga repousava no
rei do Reino. Desgraçado.
O felpudo tapete branco abafou os pesados passos de Lorcan, e
ele inalou o puro perfume lilás que ele infundia no ar todas as
manhãs. Quase tão bom quanto estar acima ou fora da
superfície. Quase.
Kayrs não tinha o direito de tal superioridade, a maioria das
criaturas não humanas vivas hoje tinha aproximadamente a mesma
idade. Seus ancestrais haviam procriado rapidamente durante a
guerra, sabendo que era provável a morte e um possível tratado que
proibia o contato com humanos no horizonte. Proibindo o contato com
parceiros em potencial. Humanos, pelo menos.
Lorcan sorriu quando ele abriu a porta do seu escritório
particular. Não que tivesse aderido ao tratado. A prova de seu desafio
estava em uma cadeira de couro grosso, assistindo a um campeonato
de luta final.
Seu filho desligou a televisão e virou-se para encará-lo, olhos
roxos profundos, tudo menos interessado. — Você queria me ver? —
Tédio e apenas uma pitada de insolência cobriram as palavras.
Lorcan endireitou a coluna, fechando a porta. Ele andou em
torno de sua enorme mesa de ônix, colocando-se na posição de poder
com a cadeira levantada. — Sim. — O borbulhar de seu aquário tropical
de um metro e oitenta de comprimento não conseguiu distrair seu
habitual lugar contra a parede lateral. — Soube que você quase matou
Jastin durante o treinamento ontem.
Kalin deu de ombro. — E daí. — Ele descansou uma das mãos
larga no braço da cadeira de couro, relaxado.
A casualidade enviou um raio de irritação através de
Lorcan. Maldito garoto poderia pelo menos fingir estar com medo de
seu pai. Seu governante. Lorcan estudou o seu filho, percebendo como
o jeans preto e a camisa branca lhe davam uma aura mais velha e
perigosa do que um garoto de quinze anos. Ele amarrava seu grosso
cabelo preto e vermelho do pescoço, jogando proeminentes planos
brancos e afiados do rosto. Sua coloração era suave, mais sutil que a
maioria. Lorcan tentou esconder toda emoção do garoto, sabendo que
qualquer fraqueza seria instantaneamente explorada.
Kalin revirou os olhos. — Ele é fraco.
Lorcan lutou contra o frio olhar quase vazio naqueles olhos roxos
incomuns. A maioria de seu povo tinha olhos roxos, mas os de Kalin
eram roxos quase misturados com verdes. Os olhos devem estar roxos,
vermelhos ou pretos. Não a cor do fogo mais quente, o verde no fundo
de um lago poluído. — Verdade. Mas você o liderará um dia.
— Então ele deveria aprender a me temer agora. — Nem por um
decibel a inflexão mudou.
Lorcan pigarreou. — Também é verdade. — Ele estendeu a mão
e embaralhou alguns papéis sobre a mesa. — Também queria discutir
o fato de que outra mulher desapareceu de St. Paul.
— Sério? — Sobrancelhas negras se levantaram. — St. Paul é
uma cidade grande, pai.
Porra, se o orgulho não o infundia com o desejo do pequeno
sociopata. — Sim. Mas precisamos manter um perfil discreto por um
tempo. Não que eu esteja te acusando, filho. Mas.
— Acusando-me do quê, pai? – Kalin se inclinou para a frente,
seus profundos lábios castanhos vincados em um sorriso. — De tirar
aquela mulher da varanda dos fundos e carrega-la para a floresta? De
deitá-la e tirar essas roupas bobas de ioga de seu corpo exuberante? —
Caninos afiados brilharam no que nunca poderia ser considerado um
sorriso.
Lorcan lutou para manter o rosto calmo e os olhos divertidos. Ele
esperava que Kalin limitasse a sua raiva ao campo de treinamento, por
enquanto, pelo menos. Ele realmente não queria ter que se mudar,
gostava do tempo e do céu nublado em Minnesota. E se Kalin
persistisse em suas aventuras, as autoridades humanas poderiam se
tornar um incômodo.
Kalin soltou um suspiro. — Ela não deveria ter tirado aquele
cachorro quando a escuridão caiu. Gostaria de saber como foi afundar
meus dentes em sua coxa? — Um rubor escuro cobriu o branco natural
de suas bochechas. — De como eu peguei seu corpo, sua alma e,
finalmente, seu sangue, como ela implorou? Como ela prometeu
alguma coisa para viver?
— Kalin.
— Eles nunca encontrarão o corpo dela, pai. Prometo a você. —
Kalin sorriu e Lorcan lutou contra o desejo de revirar os próprios
olhos. Orgulhando-se de matar uma mulher humana indefesa, o garoto
amadureceu.
Uma batida na porta terminou a discussão. — Entre.
Uma pequena loira humana se arrastou para dentro carregando
uma bandeja Belleek com duas xícaras. — Chá da manhã, Vossa
Senhoria. — Ela manteve o olhar baixo, concentrando-se no bule
fumegante do trevo, cada passo cuidadosamente colocado até chegar à
mesa dele.
— Laranja especial? — Lorcan perguntou.
— Sim, senhor — respondeu a mulher, os dedos tremendo e a
xícara que ela estendeu sacudiu contra o pires. Um aroma de leite
azedo misturado com o chá de especiarias laranja perfumado. Droga. O
medo da mulher arruinaria a hora do chá.
— Lila? — Kalin perguntou, sua voz caindo em seda por trás
dela. — Você já está grávida?
Ela pulou, segurando o bule de chá que acabara de pegar. Para
sua sorte, nenhuma gota caiu sobre sua mesa grossa. — Hum, não
Mestre Kalin, ainda não. — Seu olhar permaneceu no pote, enquanto
seus ombros endureciam para balançar.
Lorcan franziu a testa. Droga. Blythe a acasalou quase um ano
atrás, qual era o problema? A mulher clarividente fez um acordo com o
diabo, e é melhor ela continuar com seu fim. Ela era o quê, uma artista
sem-teto faminta quando a encontraram? Os deuses certamente
tinham um senso de humor exigindo que sua raça superior acasalasse
com as suas próprias presas.
— Hum. Pena isso. Bem, sempre poderíamos usá-la para os
experimentos. — Couro protestou quando Kalin mudou o seu peso. —
Ou eu poderia te engravidar. Blythe nunca precisa saber.
Seu suspiro prelúdio o forte cheiro de enxofre que acompanhava
o terror cru.
Lorcan revirou os olhos. — Você está demitida. Servirei o meu
próprio chá.
Agora, o merdinha do seu filho estava se oferecendo para procriar
com as companheiras de seus soldados. Qual seria o próximo?
Seu abafado “Sim, senhor” mal fez som quando quase saiu
correndo pela porta.
— Jesus, Kalin. Ela quase caiu na minha mesa. — Lorcan se
inclinou para a frente e derramou chá na xícara, erguendo a
sobrancelha para o filho.
— Não, obrigado. Chá não é coisa minha — disse Kalin, olhando
para a porta.
Um formigamento de aviso percorreu a espinha de Lorcan.
— Ela é uma companheira, Kalin. Deixe Lila em paz. — Era tudo
o que ele precisava, uma guerra entre seu próprio povo. Matar era um
bom esporte, mas, como futuro líder, Kalin precisava aprender
diplomacia. Estratégia. — Além disso, a alergia ao acasalamento pode
mata-lo na sua idade.
Kalin deu de ombros, recostando-se na cadeira. — Não se
preocupe. Ela não é do meu tipo.
—Você tem quinze anos. Você tem um tipo?
— Sim. Lutando, louca e desesperada. Eu ficaria entediado em
dois minutos com aquela cadela. Deveríamos usá-la para os
experimentos. — Kalin mostrou seus caninos novamente. — Falando
em desafios, como foi a conversa com o rei? Acha que eles têm as
nossas fêmeas?
A fúria dançava na espinha de Lorcan. — Sim.
— Hmmm. Bem, é melhor começarmos os experimentos. Você
sabe que um dos Kayrs acasalará com a mãe.
— Cretinos. — Eu sei. — Falaremos com ela antes disso. —
Lorcan tomou um gole de chá, e o tempero laranja explodiu em seu
paladar.
— Talvez. — Kalin esfregou o queixo. — Sempre me perguntei por
que eles só conseguem uma companheira. Quero dizer, se uma das
nossas morre, podemos simplesmente arranjar outra para dar à luz.
Lorcan encolheu os ombros. — Eu não sei. É a maior fraqueza
deles.
— Ou, a maior força deles — disse Kalin, apertando os lábios.
— Possivelmente. — Lorcan tomou outro gole. — Porém, tivemos
Kurjans acasalando por toda a vida.
— Mas você não o fez. — O roxo nos olhos de Kalin rodou com o
verde. — Com minha mãe, quero dizer.
— Não. — Concordou Lorcan, com uma cova no estômago. —
Embora não a tenha matado, Kalin. — Ele se perguntou se Kalin teria
se envolvido em suas atividades extracurriculares se a sua mãe tivesse
vivido. Mostraria a ele o amor de uma mulher, se a cadela sem valor
tivesse sido capaz disso. Não que Lorcan se importasse. Mas, se a
caçada, se a matança, ofuscou a guerra, Kalin deve parar.
— Eu sei. Ela se matou no dia seguinte ao meu nascimento. —
Nenhuma emoção apareceu no rosto do jovem. Talvez ele não tivesse
emoções reais.
— Sim, Kalin. — E deu certo, agora Lorcan poderia acasalar a
mulher Paulsen. — Sua mãe era uma prostituta que tirei das ruas de
Dublin. — Mas uma talentosa e não apenas com a boca. — Como estão
indo as suas habilidades psíquicas?
Kalin deu de ombros. — Bem o suficiente para saber que a minha
jovem companheira não será capturada.
— Isso foi inaceitável. — Kayrs não conseguiria esconder a
criança para sempre. — Você está errado; nós adquiriremos a sua
companheira.
Kalin soltou um suspiro. — Eu já te disse, eu não quero adquiri-
la ainda.
Balançando a cabeça, Lorcan tomou um gole de chá. — Claro
que você faz. Se conseguirmos a criança agora, você terá tempo para
treiná-la, para ensiná-la os nossos caminhos.
De pé e indo em direção à porta, Kalin se virou. — Eu não a quero
treinada, pai.
Lorcan parou com o copo a meio caminho da boca. — Isso é
ridículo. Por que diabos você gostaria que ela crescesse com os
vampiros, rebeldes e independentes?
— Para que eu possa quebra-la.
A chuva tamborilava no telhado, enquanto Talen enroscava os
dedos nos cabelos sedosos da esposa, o cheiro de lilás ao seu redor. A
esposa dele. Ele sempre imaginou que seria o último dos irmãos a
acasalar, não o primeiro. Ou melhor, o segundo. Ele raramente
lembrava que Conn havia acasalado quase um século atrás, já que o
idiota não via a mulher há tanto tempo. Talen se espreguiçou com
surpreendente satisfação e se perguntou o presente que ele
segurava. Ele não era estranho ao sexo, mas nunca sentira o prazer
fundido e puro da noite anterior. Ele dissera a ela que não a deixaria
ir. Ele agora sabia que essa era a verdade completa e absoluta. —
Minha. — Ele sussurrou na cabana aconchegante.
Uma explosão distante rasgou o ar e Cara acordou com um grito
suave. Ela se viu encolhida contra o corpo grande e quente de Talen, a
mão estendida sobre o coração dele, enquanto os dedos dele se moviam
suavemente pelos cabelos.
— Está tudo bem. — A voz áspera do sono de Talen sussurrou
acima dela, e ela levantou a cabeça. Deus. Ele parecia ainda mais um
guerreiro antigo, com um dia de barba escura e olhos dourados
suavizados pelo sono. A respiração ficou presa na garganta quando o
seu corpo ganhou vida. Então seus olhos se aprofundaram em ouro
líquido, e ela exalou um suspiro.
Ele se inclinou e pressionou sua boca contra a dela antes de
levantar-se para estudar seu rosto. — Você está bem?
O calor se espalhou por suas maçãs do rosto e suas pálpebras
se fecharam para cobrir os olhos. — Sim, hum, estou bem.
— Abra seus olhos, Cara.
Ela olhou para o ouro profundo. — Estou bem, sério. — Ela
passou a mão pelo braço e puxou a pulseira de metal ainda preso ao
pulso. Um ouro polido, enrolado duas vezes como uma antiga
braçadeira egípcia que ela usara com seu traje de Cleópatra durante o
Halloween. — Não posso tirar isso.
Talen sorriu. — Eu sei. É o meu bracelete. Só eu posso removê-
lo.
Sério? Ainda bem que não era um cinto de castidade, pelo amor
de Deus. — É ouro? — Ela puxou o metal aquecido, franzindo a testa
quando ele não se mexeu.
— Há ouro nele. Um alquimista xamã os criou para nós, irmãos
séculos atrás, como um presente para minha mãe. Ele imaginou que
ela precisaria de ajuda para rastrear nós cinco. — Talen se virou de
costas e a puxou para o lado dele, passando a mão pelo braço para
apertar o punho. — Podemos nos rastrear em qualquer lugar do mundo
com ele.
— Você pode colocar em alguém?
— Não. A pulseira vai sobre nós ou uma companheira. — A mão
dele envolveu seu pulso, o movimento suave de um homem tão forte
fazendo-a prender a respiração na garganta. — Ou, no caso de Conn,
está jogada em uma gaveta em algum lugar.
— Conn é um irmão? — Ela se moveu contra o lado de Talen, o
calor acumulando em seu abdômen pelo calor dele.
— Sim. Ele é o quarto soldado puro. Meu irmão mais velho, Dage,
está sempre em Conn para usa-la, mas é um assunto difícil, então...
Cara inclinou a cabeça para trás para encontrar o olhar dourado
de Talen. — Por quê?
Talen fez uma careta. — Conn acidentalmente acasalou com a
filha mais nova de um sumo sacerdote irlandês de bruxaria cerca de
um século atrás. A pulseira pertence a ela.
Acidentalmente? Como diabos... — Oh. — Cara bufou. — Você
quer dizer que ele teve uma noite e acabou se acasalando? — Não que
ela acreditasse nessa porcaria de acasalamento, mas ainda
assim. Serviu.
Os lábios carnudos de Talen se ergueram. — Perto o
suficiente. No entanto, acredito que ele lhe deu tempo suficiente para
lidar com a situação. — Um trovão berrou ao longe, e um leve
tamborilar soou do telhado.
— Ah, uma bruxa? Como uma bruxa de verdade? — A
curiosidade lutou com a mente cientista de Cara.
— Sim. Você provavelmente a conhecerá em breve. Não ficaria
surpresa se você tivesse uma cunhada para se queixar em breve.
Inquietação varreu Cara. — Hum, Talen. Provavelmente
deveríamos falar sobre tudo isso. Quero dizer, é temporário, você sabe?
— Um simplesmente não se casou e se acasalou após algumas horas
de conhecer alguém.
— Temporário, não é — disse ele, abaixando a cabeça para
colocar um beijo inteligente em sua boca. Agora o trovão batia
diretamente em cima. Seus olhos se estreitaram e ele rolou para fora
da cama, aparentemente despreocupado com sua nudez. Não podia
culpá-lo. Ele era todo pele macia e músculos duros. Bom Deus, uma
mordida marcou seu peito esquerdo, que combinava com seus
dentes. Lutou contra um rubor quando ele rapidamente vestiu suas
roupas e armas do dia anterior.
— Fique aqui, querida. Darei uma olhada na cabana e garantir
que as minhas surpresas para os membros de gangue humanas
terminem o trabalho. — Ele se inclinou e deu um beijo forte nela antes
de ir para a porta.
Cara esperou até a porta se fechar atrás dele antes de se esticar
na cama grande com um gemido suave. Estava sensível em todos os
lugares. Sua mente tocou cenas da noite anterior como um projetor de
filmes antigos. Talen alternou entre sexo selvagem e sedução suave,
deixando-a relaxada e solta pela manhã. E dolorida.
Nunca se considerou uma mulher apaixonada. Seu pai havia lhe
ensinado desde cedo que os homens não eram confiáveis, quanto
maiores, mais duramente atingidos. Ela se formou no colegial um ano
mais cedo e imediatamente foi para a faculdade e a pós-
graduação. Depois de perder os pais, ela se dedicou aos estudos e se
concentrou em plantas, não em pessoas; resultando em ser tímida e
um pouco estranha. Sua única experiência sexual foi mais uma
experiência com seu bom amigo e nerd de laboratório, Simon, que
morreu em um acidente de carro apenas um mês depois, deixando-a
com o maravilhoso presente Janie. Entre a maternidade e o trabalho,
não havia mais nada. Sorriu suavemente sobre seu novo conhecimento,
poderia ser uma mulher muito apaixonada.
Cara perdeu o sorriso enquanto passava um dedo sobre as
feridas já cicatrizantes no pescoço. Seu aroma único de pinheiro
temperado grudava na pele dela. Ela mal conhecia Talen; bem, talvez
ela o conhecesse um pouco melhor do que na noite anterior, mas ainda
assim, eles não eram da mesma espécie. Ele a reivindicou em um nível
primitivo que não sabia como definir; não sabia como se proteger
dele. Ainda mais, sabia que ele não permitiria.
E isso a assustou muito.
Um estrondo de trovão lá fora a fez pular e se impulsionar para
fora da cama para pegar suas roupas do chão de madeira. Precisava se
vestir quando Talen retornasse. Parou de vestir sua calcinha. — O
que... ― Ela contorceu o tronco para encarar o quadril direito. Sua pele
continha a impressão completa dos dedos da mão de um homem. Uma
das mãos grande. Girou para ver a palma da mão conectada na parte
de trás do quadril com a intrincada crista negra colocada no
meio. Aquilo era um K? Era a marca perfeita da mão de Talen, como
ele a segurou quando a mordeu. Uma marcação na bunda dela.
— Como? — perguntou baixinho enquanto cutucava a
impressão. Não doeu. Portanto, não poderia ser uma queimadura. Mas
ela lembrou quão quente a mão dele esteve, embora seu foco estivesse
em outro lugar.
A porta da frente se abriu e sua boca se abriu em choque com
Talen.
— Você me marcou? — Uma fúria maior do que poderia imaginar
a varreu e fez sua voz rouca. A raiva acelerou a respiração e deu vida
aos nervos ao longo de sua pele.
Ela o mataria.
Talen fez uma pausa quando o vento jogou pedrinhas de chuva
dentro da cabana antes de entrar e bater à porta com força. — Agora
não, querida. Vista-se rapidamente. Temos um problema. — Ele se
virou para olhar pela janela, apertando um botão no relógio.
— Dage, entre. — Sua voz era baixa e controlada, mas o senso
de urgência no ar fez Cara vestir suas roupas. Ela o mataria mais tarde.
— Dage aqui. — A tensão estalou através da linha.
— Você está na sede? — Talen olhou para o dia chuvoso e
cinzento, enquanto Cara olhava para as costas dele.
— Por mais alguns minutos. Eles nos atingiram no Texas,
Canadá e Espanha.
— Droga. Estamos em guerra. — Nojo revestiu a voz de Talen. —
Preciso que encontre um satélite para a minha localização e me diga
quantos Kurjans estão na área.
— É dia. Não deveria haver — disse Dage quando o som da
digitação atravessou a linha.
— Diga isso ao que acabei de matar. —Respondeu Talen. — Além
disso, está chovendo. Não há sol à vista.
— Porcaria. Um esquadrão de cinco está a cerca de três
quilômetros a sudeste da sua localização.
Talen assentiu. — Eu matei o batedor.
Jesus. Quantas pessoas ele matou? Quantas vezes ele matou? O
medo adormeceu na espinha de Cara para se acalmar abaixo de suas
costelas.
— Mandarei alguém para você — respondeu Dage.
— Não há necessidade. Seguiremos o seu caminho. Você cuida
do Texas.
Cara se aproximou dele com um suave som de angústia. Talen
voltou os olhos para ela. — Dage? Como está minha filha? — Seus olhos
a mantiveram cativa.
Um bufo masculino ecoou pela linha. — Agora ela é dona de sete
pôneis. No entanto, ela gostou mais do que lhe dei. — O orgulho
satisfeito veio claramente através das milhas. — Diga a sua
companheira que a segurança de Janie é a nossa maior prioridade.
Deixarei Jase e Brack com ela enquanto estou no Texas.
A testa de Talen franziu em preocupação. Brack? Ele protegerá
Janie com sua vida, mas olhar para ele pode dar uma criança doce
como seus pesadelos por anos.
Dage riu. — Sim. Atualmente, o tio Brack está aprendendo a
fazer cupcakes gelados com sua filha encantadora.
— Cupcakes? Ele é o soldado mais mortal que eu treinei, há
rumores de que sua carranca traz o diabo.
— Ela ainda o tem vestindo um avental.
— O quê? — Talen sorriu para Cara.
— É azul com flores brancas. — Dage riu alto. — Entrarei em
contato com o Texas. — A linha ficou inoperante.
Talen virou os olhos divertidos para Cara. — Aparentemente,
nossa filha encantou nossos soldados.
Os olhos de Cara se encheram de lágrimas. — Nós nunca nos
separamos, Talen.
O olhar de Talen se suavizou em sua esposa. — Então
chegaremos a ela, querida. — Ele abriu a porta para ela. Uma picape
Chevy marrom com o motor ligado aguardava na chuva forte.
Depois de pegar a planta, Cara correu pelo dilúvio e pulou dentro
da picape para se instalar em um cobertor áspero de um pássaro do
trovão. Ela afivelou o cinto de segurança quando Talen acomodou seu
grande volume e começou a dirigir pela estrada esburacada em direção
ao norte. — Continuaremos indo para o noroeste para encontrar alguns
amigos — ele murmurou enquanto os limpadores de para-brisa
trabalhavam em alta velocidade para limpar a janela.
— E os Kurjans? — Cara examinou as árvores antes de espiar
pelas costas.
Talen deu de ombros. — Eles estão a alguns quilômetros atrás
de nós e, em algum momento, devemos chegar ao sol. — Ele se virou
para ela. — Você pode senti-los?
— Claro que não. — Do que ele estava falando?
— Eu acho que você pode, Cara.
— Isso é ridículo. — Ela ignorou a grande pedra no estômago
enquanto protestava. — De quem é essa picape?
— Peguei emprestada de um vizinho.
— Ah. — A mente de Cara girou. — Quem são Brack e Jase?
— Jase é meu irmão mais novo e Brack é um dos nossos
soldados. Janie não poderia estar mais segura do que está agora. —
Ele xingou baixinho enquanto evitava os galhos que caíam dos
pinheiros ao redor deles. — Você não pode ignorar suas habilidades
para sempre, companheira.
Cara novamente ignorou o assunto. — Você a chamou de —
nossa filha — disse suavemente, com os olhos na estrada enlameada
enquanto um raio iluminava o céu diante deles.
— É claro — disse Talen, surpreso. — Eu quis dizer o que disse,
Cara.
— Onde ela está? — A suavidade tinha aço por baixo.
— Ela está na nossa sede.
Cara soltou um assobio irritado. — Onde, Talen?
Ele ficou quieto por um momento. — Nas montanhas ao redor de
Boulder.
— Boulder? Colorado? — Ela se surpreendeu com o perfil dele
quando um vento feroz bateu contra sua janela.
Talen assentiu. — Sim. Nós gostamos das montanhas e a
quantidade de sol garante que os Kurjans não visitem.
Cara pensou por um momento. — Boulder? — Sua voz subiu
quando a fúria bateu nela. — Você não pode simplesmente nos levar
lá, quero dizer, sem a cerimônia?
— Você era minha no segundo em que a vi. — Seus olhos não
deixaram a estrada.
— Você não precisava se casar comigo. — Seus olhos procuraram
algo para o cinto.
— Eu fiz. Além disso, apenas as companheiras podem saber a
localização de nossa sede, era necessário mantê-la segura. — Ele
habilmente manobrou a picape em torno de uma árvore caída e seus
galhos rasparam a tinta marrom como um grito agudo.
A raiva fez todo o seu corpo tremer. — Quanto tempo sua
impressão das mãos ficará no meu quadril? — Ela precisava afastar a
filha dos vampiros.
Talen virou surpreso olhos dourados em seu caminho. — Eu te
marquei, Cara. Eu te disse.
— Quanto tempo, Talen? — ela perguntou entre dentes. Como
ele podia parecer tão calmo quando todas as células do corpo dela
explodiam de fúria?
Talen balançou a cabeça, voltando-se para a estrada e apertando
a mandíbula. — É uma marcação, Cara. É permanente.
— Seu filho da puta. — Ela precisava de uma arma.
Talen puxou o caminhão para o lado antes de colocá-lo em ponto
morto, e seu coração disparou para a garganta. O silêncio ecoou como
um trovão. Ele suavemente, deliberadamente mudou para encará-
la. Seus olhos brilhavam como um topázio lívido à luz sombria, e o
predador lá dentro se revelou.
A mãe natureza bateu sua fúria contra as janelas rapidamente
enevoadas. A boca de Cara se transformou em serragem quando os
olhos de Talen brilharam faíscas verdes quentes através de ouro
perigoso. Ela lembrou a si mesma que estava certa. E que ele não a
assustou.
No entanto, quase gritou quando ele estendeu a mão e
habilmente soltou o cinto de segurança. A razão deu lugar à
sobrevivência quando pegou a maçaneta da porta da picape com as
duas mãos e a levantou com todas as suas forças. Ela não
conseguiu. Duas mãos agarraram seus braços e a puxaram pelo
assento para pousar em seu colo firme. A marcação em uma palma
aqueceu seu braço. Ela bateu as próprias mãos no peito dele. Ele
abaixou o rosto furioso para uma polegada dela.
— Desculpa, esposa. — Sua voz era baixa e controlada, assim
como as mãos segurando os seus braços. Ele não a estava
machucando, e ainda o rápido bater de seus batimentos cardíacos
ecoou em sua cabeça. Pinho apimentado e almíscar masculino enchiam
o ar.
— Você se desculpa. — Desafiou, forçando-se a encontrar os
olhos dele e a não engolir quando o verde ultrapassou o ouro, como ela
estava aprendendo muitas vezes acontecia quando emoções fortes o
atingiam. Oh Deus, o que estava fazendo?
Seu rosto abaixou ainda mais. Várias batidas passaram antes
que ele soltasse um suspiro. — Desculpe, não expliquei a situação
melhor para você.
Ficou boquiaberta com o pedido de desculpas dele. Não esperava
isso. — Desculpe por ter chamado esse nome — disse de má vontade. —
Por que você não me contou tudo?
Ele levantou uma sobrancelha para ela.
Cara revirou os olhos. Ele provavelmente estava certo. Ela teria
corrido gritando na outra direção. — A impressão da mão realmente
permanece para sempre?
Talen assentiu. — Sim. Marquei você, mudei você. Foi necessário
para a sua proteção.
Quando o calor sumiu de seu rosto, ela ofegou e começou a lutar
nos braços dele. — Você me mudou? Meu Deus. Eu sou uma vampira?
Talen começou e depois jogou a cabeça para trás e riu. Mesmo
assim, ele a manteve no lugar. — Claro que não. — Ele sorriu para ela
antes de dar um beijo rápido em seus lábios. — Os vampiros nascem,
não são criados. — O vento batia mais forte contra as janelas quando
um raio voltou a brilhar lá fora.
Ela parou de lutar e franziu a testa. — Oh. Mas …
Talen respirou fundo. — O processo de acasalamento envolve a
marcação, a mordida e a troca de fluidos. Além da marca, seu DNA foi
alterado para combinar com o meu.
— Alterado? — O pânico aumentou novamente nela.
Talen assentiu rapidamente. — Sim, alterado. Meus anticorpos
agora são seus. Você envelhecerá na mesma proporção que eu e deve
ser protegida de todas as doenças humanas. — Ele ficou sério. — E
nenhum outro homem pode tocá-la intimamente sem ter uma reação
adversa.
— Sério? — Cara franziu a testa em descrença.
— Realmente. — Confirmou Talen. — Meu irmão Jase tentou
dormir com uma mulher acasalada há um século e, em um minuto de
beijos leves, ele teve uma reação semelhante à pior alergia que você
poderia imaginar. Ele disse que era além de insuportável. — Talen
sorriu em lembrança.
— Há um século atrás? — Ela franziu a testa. — Exatamente
quantos anos você tem?
—Cerca de Trezentos e cinquenta anos. — Ele olhou para fora
enquanto a tempestade rodopiava ao redor do caminhão.
Cara ficou quieta por um momento enquanto absorvia tudo. —
Quantas mulheres ao longo dos séculos seguraram sua marca de mão,
Talen? — O ciúme a surpreendeu. O mesmo aconteceu com o coração
dela.
Talen voltou, seus olhos suavizando os dela. — Reivindicamos só
uma companheira, Cara. Você é a minha.
— Oh. — O prazer que a inundou a surpreendeu ainda mais que
o ciúme. — Então, hum, não é como se você fosse um ...— Hmmm. Não
tem jeito.
— Hum o quê?
— Hum, quero dizer, você teve, hum... — Nossa, isso poderia ser
mais estranho?
Talen sorriu. — Já fiz sexo antes, querida.
Sim, ela percebeu isso. Então como? ―Quero dizer, por que eu?
— Porque você é a minha companheira. Temos apenas uma, e
quando a encontramos, o destino assume. Ou, se isso faz você se sentir
melhor, a biologia assume o controle.
Oh, bem, tudo bem. Biologia, ela podia entender. — Sempre?
Talen deu de ombros. — Bem, talvez não. Houve um tempo em
que combinamos acasalamentos envolvendo uma cerimônia e votos, a
marca apareceu e esses casais pareciam tão felizes quanto o
resto. Assim como casamentos arranjados do seu povo, eu acho.
Cara franziu a testa. — Mas nós não fizemos uma cerimônia
antiga ou votos. — A marcação em seu quadril esquentou. A marcação
permanente.
— Eu sei. Como eu disse, destino. — A presunção cobria sua voz.
O quadril dela começou a latejar com as palavras dele. — Então
agora os Kurjans não me querem.
Talen sacudiu a cabeça. — Eles ainda estão atrás de você,
Cara. Eles simplesmente não podem acasalar com você agora.
Ela fez uma careta. — Você deveria ter explicado tudo isso para
mim, Talen.
— Talvez. — Ele permitiu enquanto gentilmente a colocava de
volta no banco do passageiro e afivelava o cinto de segurança ao seu
redor. — Mas isso não teria mudado o resultado.
— Você é muito arrogante, não é?
— Não me faça morder você de novo. — Ele deu um sorriso
descuidado enquanto colocava a picape na estrada e manobrava o
veículo na estrada cheia de buracos. Seus seios formigavam em
resposta.
— Há mais alguma coisa que você não me contou? — ela
perguntou.
— Provavelmente.
— Sobre a mordida ...— A voz dela parou quando ele mudou para
encará-la.
— Você também me mordeu, querida. — Seu sorriso era puro
pecado em um rosto esculpido por deuses.
O desejo percorreu seu estômago quando ele voltou para a
estrada. Como poderia afetá-la com apenas um olhar? Cara voltou o
olhar perturbado para a tempestade lá fora, enquanto tentava controlar
a sua libido. O controle foi uma ilusão desde que ela conheceu esse
homem.
Sua mente tentou organizar e entender as mudanças em sua
vida. Estava casada, acasalada e marcada. Sabia no fundo do coração
que o caminho mais seguro para Janie era com Talen e a sua família,
mas era uma mulher que sempre viveu em sua mente, e Talen queria
esse mesmo coração. Ela tinha lhe dado ontem à noite? Em um ponto,
ela teria lhe dado qualquer coisa, até sua alma. Talvez tivesse.
— Você está pensando demais. ― Ele disse enquanto aumentava
a velocidade dos limpadores de para-brisa com um movimento do
pulso.
— É muito para absorver, Talen.
— Seria mais fácil se apenas aceitasse, Cara.
— Você quer tudo de mim.
— Sim. — Ele ficou tenso quando levantou a mão para ficar
quieto.
— O quê? — Ela sussurrou enquanto procurava na floresta
circundante. — São os Kurjans?
— Não. Eles estão cerca de um quilômetro atrás de nós.
— Como você sabe?
— Posso senti-los.
— Então o quê?
Talen estacionou a picape em uma pequena clareira entre as
árvores antes de desligar a ignição. — Sinto muito, querida, você se
molhará. — Soltando o cinto, ele a ajudou a atravessar o assento, e ela
agarrou a planta, depois o seguiu para fora da picape e saiu na chuva.
O cheiro de pinho molhado a assaltou quando Talen agarrou o
seu braço e a levou através das árvores e mato alto. A picape
desapareceu atrás deles. O vento batia contra seus rostos
molhados. Ela tropeçou no mato ensopado, tentando acompanhar. Ele
parou e ela colidiu com suas costas fortes enquanto ele fechava os
olhos e levantava o rosto com a brisa. Então a agarrou pelo braço e
apressou-a em direção a um afloramento de rochas na base de uma
colina alta.
Ficou quieta enquanto a chuva jogava seus longos cabelos no
rosto. Talen se inclinou perto de sua orelha. — Logo acima daquela
colina, pelo menos seis homens estão esperando para emboscar a
picape. Eles estão bem armados.
— Homens ou Kurjans? — ela perguntou sussurrando.
— Homens. Os Kurjans estão vindo do Sul; se continuássemos
na estrada, ficaríamos presos entre os dois.
— Como você sabe que existem seis homens? — Ela estremeceu
no frio úmido.
— Posso sentir o cheiro deles. E ouvi-los. — Ele ergueu o rosto
para o ar novamente. — Você também poderia se parasse de ser tão
teimosa. — Ele a puxou para uma abertura nas pedras e enfiou a mão
na cintura para tirar uma arma verde de aparência estranha, que ele
colocou nas suas mãos. — Agache-se lá e atire em alguém que não seja
eu. — Ele se inclinou e deu-lhe um beijo duro nos lábios. — Volto já.
Ele desapareceu na floresta.
Cara se agachou entre as grandes pedras, com as costas contra
as ervas daninhas, colocando a planta em segurança no chão atrás
dela. A natureza a cercava, grama, arbustos e árvores. Segurança.
A chuva caiu. Pinheiros altos batiam cones de cerdas no chão ao
seu redor. Ela tentou focar seus pensamentos, mas o medo deixou tudo
nublado e o frio cortando seus ossos não ajudou. O estrondo de uma
explosão soou do Norte, e pulou de medo, apenas para congelar no
lugar quando o rugido selvagem de um animal encheu o ar.
A cena entrou em foco quando uma cacofonia de uivos se
misturou com o trovão no céu escuro. A cientista dentro dela sabia que
essa súbita clareza era a adrenalina nas veias. A mulher dentro dela
desejava que a nebulosidade retornasse.
Um borrão de pelo saltou sobre ela e caiu com um baque leve
nas ervas daninhas cor de trigo. Ela abafou um grito agudo. O animal
se virou e ela ficou cara a cara com o maior leão da montanha que se
possa imaginar.
Olhos azuis arregalados encontraram um castanho dourado
enquanto ambos congelavam no lugar enquanto a chuva caía sem
distinção em suas cabeças. A mão de Cara apertou a arma no colo
enquanto estudava a criatura. Seus instintos a advertiram para não
fazer movimentos bruscos. O enorme animal multicolorido tinha mais
de um metro e meio de comprimento, pesava pelo menos vários quilos
e tinha uma cauda graciosa de ponta preta apoiada no chão. Sua pele
colorida escureceu rapidamente de um ouro polido para um vermelho
molhado na chuva. Seus olhos focaram nela e seus bigodes se
contorceram através de um pedaço de pelo branco e macio espalhado
por seu rosto. Presas afiadas se projetavam dos cantos da boca.
Olhos inteligentes de fulvo seguraram os dela por um
momento. O leão abaixou a cabeça em um movimento exagerado para
focar na arma na mão dela. A pele voou quando a cabeça do animal
balançou de um lado para o outro. Então se endireitou para procurar
o seu rosto.
OK. Isso não aconteceu por acaso. — Você não quer que eu atire
em você? — Sua voz rouca mal passou pela tempestade.
O enorme gato balançou a cabeça novamente e esperou sua
resposta.
Sua mente girou. Ela imaginou que eles haviam viajado de DC
para as montanhas da Virgínia Ocidental. Ela tinha certeza de que os
leões da montanha não eram indígenas da região. Ainda mais bizarro,
ela estava se comunicando com o gato selvagem. — Ok. Não atirarei em
você, se não tentar me comer. — Sua voz calma desmentia seu coração
acelerado. E sua mente incrédula.
Um aceno agudo veio do gato antes de dar dois rosnados
abruptos. Um rosnado mais agudo surgiu atrás de Cara antes que um
leão menor se juntasse ao primeiro. Este era mais branco que vermelho
e obviamente uma mulher. Ela se aproximou ainda mais de Cara e
cheirou o ar antes de levantar os ouvidos em interesse para o homem,
que parecia quase sorrir em resposta. Os dois se viraram e pegaram o
que só poderia ser descrito como posições defensivas entre Cara e a
floresta.
Ela olhou perplexa para as costas retas, enquanto os animais
espiavam a floresta. Uma série de uivos e tiros irromperam do Norte, e
os três giraram em direção aos sons. Com um grito, Cara se levantou
para ajudar Talen; ela tinha a arma, afinal. Um grunhido do leão a
deteve quando sua cabeça grande girou para se aproximar
dela. Assustada, Cara sentou-se novamente e o leão voltou seu foco
para a floresta.
A claridade veio com um estalo repentino. — Eu tenho um tumor
no cérebro. — Ignorou o bufar alto do leão. Realmente era a única
explicação. Deve estar em um hospital em coma em algum
lugar. Cheirou e limpou a chuva imaginária do rosto, esperando que
Emma estivesse cuidando bem de Janie.
Ambos os leões ficaram tensos e saltaram de quatro com
grunhidos de advertência do fundo de suas gargantas. Esqueceu o
tumor. Cara espiou pela floresta o que os alertou, mas apenas galhos
pingando e grandes pinheiros encheram sua visão. Duas figuras saíram
das árvores e os neurônios em seu cérebro pararam de disparar. O
medo poderia congelar os processos de pensamento como um meio de
proteção, sua mente se recusava a acreditar em seus olhos. Com um
tremor mental, ela se forçou a aceitar.
Eles eram altos, com mais de um metro e oitenta, cabelos ruivos
de ponta preta e pele branca de pergaminho. Presas afiadas se
projetavam entre os lábios carmesins enquanto passeavam para
frente. Eles estavam vestidos armados para a batalha de preto, que
combinavam com seus olhos insondáveis, e além de andar de pé, não
eram nada próximos do humano.
O líder liderou o foco em Cara e cheirou o ar antes de descascar
os lábios para revelar ainda mais suas presas. Então começou a
avançar.
Com um uivo arrepiante que deve ter levado quilômetros, o leão
atacou.
Rosnados rasgaram o ar quando o macho agarrou o pescoço do
monstro mais próximo. Um Kurjan — tinha que ser. O monstro berrou
de dor antes de apunhalar suas longas garras na pele do leão. Cara
ofegou em choque quando a leoa rosnou baixo e pulou direto para a
garganta do outro Kurjan, que girou e jogou a leoa no chão molhado. O
felino ficou de pé e afundou as presas afiadas no joelho do inimigo,
forçando-o a cair. Ela desceu sobre o pescoço e o sangue espirrou.
O estômago de Cara se revoltou quando o cheiro acobreado do
sangue se misturou com a terra fresca. O leão virou-se e jogou a cabeça
de um Kurjan na escuridão da floresta, deixando o seu corpo
decapitado caído inutilmente no chão. O sangue cobriu a pele grossa e
os bigodes do gato quando ele levantou a cabeça e uivou em
fúria. Então ele se virou para a fêmea no momento em que mais três
Kurjans saltaram da floresta. Ele instantaneamente girou para atacar
os dois mais próximos de sua posição.
A fêmea foi absorvida em arrancar a cabeça do oponente e não
viu a faca atirada contra ela pelo quinto Kurjan. Ela caiu no chão com
um grito de dor — o cabo da faca se projetava do lado dela. Com um
sorriso feroz de amarelo, o soldado Kurjan avançou sobre ela.
Cara gritou e ficou de pé enquanto apontava a arma para
ele. Apertou o gatilho. O impacto das estranhas rajadas de luz verde
jogou o monstro para trás vários metros. Ela instintivamente correu
para a frente para se colocar entre a leoa caída e os Kurjan, a arma
apontada para a ameaça.
A leoa rosnou em protesto atrás dela.
— De nada — Cara sibilou através da chuva, a mão tremendo ao
redor da arma. Os olhos do Kurjan haviam mudado de preto para um
roxo profundo em redemoinho. Que diabos? Ele emitiu um trinado
estridente enquanto avançava, uma imagem que a lembrava de um
romance de terror que lera quando adolescente. Como isso pode estar
acontecendo?
Ela atirou de novo e ele caiu de joelhos. Com um soluço,
continuou atirando e depois ofegou quando ele ficou tenso e saltou em
sua direção. Gritou e se preparou para o impacto. Mas um borrão
escuro saltou sobre ela por trás e colidiu com os Kurjan.
— Talen. — Ficou aliviada quando ele forçou o Kurjan ao
chão. Com uma explosão desumana de poder, torceu o corpo para
mergulhar uma faca grande na sua garganta. Ele rasgou a faca através
da cartilagem e osso como se fosse seda, efetivamente decapitando o
monstro. Com o rosto duro, frio e impiedoso, permaneceu concentrado
enquanto o sangue espirrava. Como ele poderia ser o mesmo homem
que a segurara com tanto cuidado naquela manhã? Mas estava
agradecida por ele ter chegado para defende-la.
Mais leões dispararam das árvores para se juntar à briga.
Cara virou-se para ajudar a leoa, apenas ofegando em choque
com a pequena mulher deitada nua no chão. O sangue escorria da faca
ainda embutida em seu lado. Cara caiu de joelhos ao lado da jovem e
afastou os cabelos loiros cor de mel de um rosto molhado. Olhos
castanhos encontraram os dela.
Com um gemido, a mulher estendeu a mão e agarrou a alça da
faca.
— Espere — disse Cara com urgência. — Acho que você deveria
deixar isso até que esteja no hospital. — Ela ignorou os sons de
rosnados, assobios e gritos de agonia atrás deles.
A jovem revirou os olhos. — Não preciso de um hospital. — Ela
puxou a faca com um pequeno grito de dor antes de soltar a lâmina
vermelha no chão molhado.
Talen ouviu o som da dor, mas não se virou enquanto se
mantinha plantado entre sua companheira e o soldado Kurjan
passando por cima de seu companheiro caído. Ele deu um sorriso
maligno das afiadas presas amarelas enquanto arrancava uma arma
elegante de suas costas. Talen retornou o sorriso antes de se
concentrar no sistema nervoso central da criatura e congelá-lo. Ele
precisava de muito pouca energia para manipular o jovem e
inexperiente Kurjan. Seus olhos roxos se arregalaram em Talen quando
ele o deixou imóvel com um mero pensamento.
— Sim, não são rumores. — Confirmou Talen, estendendo a mão
para passar a faca pela garganta do inimigo. Fazendo uma matança
rápida e mostrando misericórdia onde ninguém teria mostrado a sua
companheira. Com precisão lógica e limpa, ele decapitou o soldado
antes de enfrentar a ameaça restante.
O sangue perfumava o ar ao redor de Talen, escuro e oleoso por
sua morte recente, puro e levemente doce por trás dele. A imagem da
sua companheira diante do soldado Kurjan disparando aquela arma o
assombraria pelo resto da vida. Ele precisava leva-la em
segurança. Mas primeiro, precisava acabar com o monstro de rosto
branco avançando sobre ele.
Exibiu profundas presas amarelas, seus olhos brilhando no
vermelho do inferno. — Kayrs.
Talen levantou uma sobrancelha. — Eu não sei o seu nome,
idiota. — Nem se importava. Mas se perguntou por que um simples
soldado de infantaria o conheceria.
— Todo mundo saberá o meu nome depois que eu te matar,
depois o seu rei. — O Kurjan puxou uma lâmina de dois gumes do bolso
de trás e endireitou-se a uma altura total de cerca de dois metros.
— Meu rei poderia fazer o seu cérebro escorrer da sua cabeça
com um piscar de olhos — respondeu Talen como se discutissem o
clima. Então o rugido satisfeito de um leão misturou-se com um grito
de dor de Kurjan à sua esquerda e ele sorriu. — Parece que os shifters
cuidaram de seus amigos.
O monstro encolheu os ombros quando a chuva transformou
seus cabelos na cor de sangue seco. — Não importa. Você também
morrerá. ― E se lançou para frente, sua faca apontando para a garganta
de Talen.
Talen se virou para o lado, pegando o Kurjan no estômago com
um soco sólido. Poderia terminar rapidamente, congelar o sistema
nervoso do soldado, mas a necessidade de derramar sangue pulsava
em suas veias. O Kurjan se dobrou e Talen juntou as mãos, batendo-
as no pescoço do inimigo. O soldado ferido caiu de joelhos, a cabeça
baixa, sibilando de raiva.
Talen arrancou sua própria faca do colete, cortando primeiro
uma e depois a outra orelha do inimigo. Ele gritou de dor, rolou e ficou
de pé.
Uma onda de terror atingiu Talen, e percebeu que vinha de sua
companheira. Droga, isso seria assustador para ela.
Com quase um suspiro de arrependimento, sacudiu a cabeça e
congelou o Kurjan que se aproximava. — Desculpe terminar isso tão
rápido, mas minha companheira precisa de minha ajuda. — Mergulhou
a faca na jugular do inimigo, forçando o Kurjan de joelhos. Talen rasgou
a lâmina para o lado, parando apenas quando a cabeça do Kurjan rolou
de seu corpo, que então caiu no chão.
O prazer o encheu, foi uma boa luta.
Cara ignorou os sons de batalha ao seu redor quando o sangue
começou a sair do ferimento da mulher. Ela arrancou a camiseta
molhada e a empurrou contra as costelas da mulher. — Precisamos
levá-la a um médico. — Ela estremeceu quando a chuva maliciosa
encharcou seu sutiã branco liso.
— Não. Nós curamos muito rápido, companheira de Talen. — Os
olhos castanhos cheios de dor e um sorriso trêmulo curvaram seus
lábios carnudos. Mesmo como humana, a mulher tinha traços felinos
afiados, com cílios escuros emoldurando olhos âmbar sobre maçãs do
rosto altas. Nenhuma sarda manchava sua profunda pele cor de creme.
— Meu nome é Cara. — Ela empurrou o pano mais firme contra
a ferida ainda sangrando, olhando freneticamente para o mato
selvagem que os cercava.
— Eu sou Katie. — Ela fez uma careta com a surpresa no rosto
de Cara antes de gemer de dor. — O quê? Você esperava Sheena, Shayla
ou Lyonina?
— Algo assim. — Detectando um grupo de pequenas flores
brancas com miçangas amarelas, Cara se inclinou para frente e as
puxou.
— O que você está fazendo? — Katie perguntou, com os olhos
fechados.
— É Achillea millefolium — disse Cara, puxando as pequenas
flores do caule, enchendo o ar com o cheiro de sálvia.
— O quê? — Katie gemeu.
— Cavalinha. É uma erva usada para feridas, cortes e abrasões.
— Cara continuou torcendo, querendo os menores pedaços
possíveis. — Aquiles levou consigo para a batalha para ajudar a tratar
seus soldados quando necessário.
— Oh, bem, isso é útil. — Katie soltou um suspiro profundo, seus
músculos visivelmente relaxando. — A dor está diminuindo, graças a
Deus.
Um silêncio repentino encheu o ar e Cara se virou.
A batalha terminou e nenhum Kurjan permaneceu de pé. Talen
e cinco leões, todos cobertos com várias quantidades de sangue
jogaram pedaços dos soldados Kurjan em uma grande pilha na beira
da floresta. Duas picapes Off-Road pretas entraram na pequena
clareira. Talen se virou e propositalmente começou a se aproximar dela,
seus olhos dourados e sérios.
Katie suspirou. — Você tem alguma ideia de quanto receberei por
ser esfaqueada?
Cara não respondeu quando Talen a olhou. Um corte acima do
olho esquerdo sangrou livremente, e um hematoma roxo escuro
floresceu sob o olho direito. Arranhões profundos cortaram o seu
pescoço forte. Ela congelou no lugar enquanto todo instinto gritava
para correr. Em direção ou longe dele, não tinha certeza. Os olhos dele
a percorreram quando se agachou ao lado de Katie, e a chuva
finalmente parou de cair.
Dois homens saltaram dos utilitários esportivos, e um segurava
uma lata do que parecia um líquido mais leve.
— Você está ilesa? — perguntou Talen enquanto afastava os
cabelos molhados de seu rosto enquanto se ajoelhava. Ele arrancou a
camiseta e a puxou sobre a cabeça dela, espalhando as flores
esmagadas pelo chão.
— Sim. Mas Katie foi esfaqueada. — Cara disse com urgência,
pressionando as mãos contra o ferimento de Katie novamente, seu
olhar viajando pelo peito bronzeado.
Talen desviou o olhar para Katie e gentilmente colocou a mão na
bochecha dela. — Oi, pirralha.
— Oi, imbecil. — Katie respondeu com um bufo antes de se
inclinar e puxar as mãos de Cara para longe do moletom. Ela removeu
o pano e Cara olhou surpresa para a ferida já cicatrizada. Parara de
sangrar.
— Como você chegou aqui tão rápido? — Talen olhou mais perto
para examinar a ferida.
— Sorte pura. — Katie cutucou ao seu lado. — Cara, isso
dói. Minha primeira lesão em batalha.
— Sua primeira lesão, ponto final. — Talen suspirou. — O que
você está fazendo aqui, Kate?
Katie suspirou. — Estávamos caçando na área e cheiramos os
soldados Kurjan. Jordan me mandou para casa e seguiu para lá.
— Você não foi para casa — disse Talen balançando a cabeça.
Nesse momento, uma figura apareceu atrás de Talen desceu e
cobriu Katie com um cobertor antes de levantá-la em seus
braços. Olhos castanhos selvagens encontraram os de Cara quando
Talen a ajudou a se levantar. O homem enorme estava sem camisa e
obviamente vestira uma calça jeans desbotada que não se incomodou
em fechar antes de seguir seu caminho.
— Você é o leão. — Cara disse enquanto olhava para os planos
duros de seu rosto e longos cabelos loiros escuros. Ela ignorou a vasta
extensão de peito musculoso segurando Katie.
— Obrigado por não atirar em mim. — Veio a resposta irônica
quando facilmente mudou Katie para que ele pudesse estender a mão
para apertar. — Eu sou Jordan.
— Cara. — Eles tremeram. Cara estremeceu com o frio e Talen
instantaneamente a puxou de volta contra seu peito nu para esfregar
calor em seus braços, a marca em sua mão áspera ao longo de sua
pele. O calor de seu corpo lentamente passou pela camisa molhada.
— Eu vi você se colocar entre Katie e os Kurjan. Obrigado. — O
olhar sério de Jordan focou em seu rosto.
Cara deu de ombros. — Eu estava com a arma.
— Hum, Jordan. — Katie começou a falar e depois parou quando
Jordan abaixou o olhar e seu queixo se fechou com um clique
zangado. Cara teria dado um passo atrás da violência em seus olhos se
Talen não estivesse bem atrás dela.
— Nenhuma palavra. Lidaremos com o fato de que você me
seguiu contra as ordens, depois que eu tiver certeza de que está bem.
— Jordan voltou sua atenção para Talen. — Volte para a fazenda
durante a noite e conversaremos.
Talen sorriu e eles seguiram Jordan até o primeiro SUV. Atrás
deles, um grande incêndio irrompeu na pilha e uma profunda fumaça
negra flutuou no céu.
Pela primeira vez naquele dia, a água em cascata sobre seu corpo
acalmou ao contrário de bater nos ossos. Vários chuveiros emergiram
de ladrilhos de granito escuro e borrifaram água quente em sua
pele. Cara gemeu e fechou os olhos em êxtase. A extensa casa da
Jordan, situada em cinquenta acres de terra montanhosa da Virgínia
Ocidental, proporcionou um alívio bem-vindo da chuva forte.
Não perdeu tempo pulando no chuveiro ligado ao quarto
confortável. Encolhendo os ombros, permitiu que a água quente
batesse nos músculos doloridos. Então duas mãos largas a viraram e
ela ofegou. Não o ouviu entrar no chuveiro espaçoso.
— Você foi muito corajosa com a arma hoje, companheira. — A
voz profunda de Talen ecoou no vapor quando ele derramou xampu nas
mãos antes de ensaboar os cabelos dela.
— Você não parece feliz com isso. — Ela fechou os olhos
novamente enquanto os dedos longos dele massageavam o seu couro
cabeludo. Formigamentos e um tipo diferente de calor caíam por sua
espinha.
Ele ficou quieto por um momento. — Preferiria que você se
abrigasse com segurança em algum lugar e que não seja ameaçada por
predadores ou pneumonia.
— Hmmm. — Ela poderia ter concordado quando a puxou para
que quase se tocassem. O calor do corpo dele rivalizava com o vapor
atrás dela, e levantou a cabeça para abrir os olhos sonolentos nos dele.
Seus olhos estavam tudo menos sonolentos. Quando as mãos
ensaboadas dele se moveram em seus cabelos para cobrir seus seios,
um puxão afiado se deu a conhecer na parte inferior da barriga. Um
polegar calejado varreu levemente um mamilo já endurecido enquanto
o seu olhar segurava o dela. Um dedo se juntou e ele rolou o pico. Ela
ofegou. Talen abaixou a boca para passar a língua pelo lábio inferior e
um monte de calor correu para o sul. Ele a pressionou contra os
ladrilhos lisos enquanto sua mão continuava tocando. A marca no
quadril começou a queimar como uma nova marca.
— Talen? — Ela respirou, sem saber o que ela perguntou.
Ele respondeu traçando um caminho para o sul e segurando sua
pelve com a outra mão. Um dedo se moveu e seus olhos quase se
cruzaram.
— O quê? — Seus olhos se aqueceram nela.
Ela ficou de pé no chuveiro com olhos dourados, com uma das
mãos quentes dele cobrindo seu coração e a outra segurando seu
núcleo. Esqueceu como pensar. Ele era grande e moreno e
definitivamente mais perigoso. A força definida mostrou-se nos
músculos tensos e nos cabelos escuros sobre o peito, bem como no
queixo e no foco do olhar. Os planos duros de seu rosto coraram sobre
cavidades mais profundas, carimbando-o com um olhar predatório que
vivia naturalmente nele.
E ele a queria.
Ela era uma mulher que vivia em sua cabeça, mas agora seu
corpo falava mais alto. Droga, gritou. Deu o menor passo à frente e
estendeu as duas mãos para enredar os dedos nos seus cabelos
grossos. Puxou a cabeça dele e tomou a sua boca com uma demanda
feminina.
Ele pode ter rosnado quando ela mergulhou fundo, desta vez
exigindo tudo dele. Era o homem mais incrível que ela poderia
imaginar.
E ele a queria.
Ele não conseguiu voltar atrás. Mãos largas curvaram-se ao
redor de seu corpo e a ergueram pelas nádegas. Ela não interrompeu o
beijo quando suas coxas apertaram seus quadris e pressionaram ainda
mais perto de sua dureza. Então, com um beliscão no lábio inferior, ela
se inclinou até a cabeça descansar contra a parede e exigiu: —
Agora. Talen.
Ele obedeceu. Uma mudança poderosa e a empurrou. Ela gritou
contra o pescoço dele. Os dois pararam de se mover por um segundo
para recuperar o fôlego. Ele moveu uma das mãos para enredar em
suas mechas molhadas e puxar a cabeça para o lado, enquanto a outra
a segurava com força.
Faíscas verdes dispararam de seus olhos surpreendentes quando
ele capturou seus olhos arregalados com um olhar feroz. Ah, o verde
ultrapassou o ouro novamente. Um sorriso malicioso brilhou em seu
rosto, e ele começou a se mover. Começou a se mover mais rápido e a
bater forte, e Cara viu estrelas.
— Pensei em devagar e com gentileza desta vez, companheira. —
Ele terminou de enxaguar o sabão dos cabelos dela pela segunda vez.
Ela riu. — Talvez da próxima vez, Talen.
— Talvez. — Mas ele parecia duvidoso. Ele a virou para encará-
lo e deu um beijo suave em sua boca. — Eu amo o seu corpo.
Ela sorriu contra a boca dele e ficou surpresa quando ele se
inclinou para olhá-la.
— Mas exigirei o seu coração, Cara.
Ela não teve uma resposta quando ele pegou uma toalha branca
grossa e secou o cabelo dela. Saíram do banheiro para encontrar
roupas em cima da enorme cama kingsize. Cara encolheu os ombros
com jeans e uma camisa azul de mangas compridas, enquanto Talen
seguia o exemplo na espaçosa suíte de hóspedes. A sala era confortável,
com aparadores de bordo, óleos de animais selvagens e uma ampla
porta de proteção que dava para um convés convidativo. Henry, a
planta, havia se instalado de um lado da cômoda grande. A chuva
começou a cair novamente ao anoitecer.
— Então, há quanto tempo você conhece Jordan? — Ela fez o
possível para pentear o cabelo.
Talen encolheu um ombro grande. — Algumas centenas de anos.
Cara parou em choque. — Realmente?
— Sim. O clã deles é um aliado nosso desde que me lembro.
— E eles se transformam em leões da montanha, pumas? — Era
quase demais para absorver.
— Sim. Os shifter são predestinados em sua forma animal;
Jordan é um leão da montanha. A mesma coisa que um puma
ocidental.
— Forma predestinada? — Quão legal seria se transformar em
um animal selvagem, ser tão livre, mesmo que por pouco tempo? Ela
espremeu água extra do cabelo.
— Sim. Os shifters são felinos, caninos ou multi. — Talen afastou
o próprio cabelo grosso do rosto com as duas mãos largas.
— O que multi significa?
Ele esticou o pescoço para um lado e depois para o outro. —
Multis geralmente podem ter qualquer forma que desejarem, exceto
felinos ou caninos.
Fascinante. A genética envolvida com um multi manteria a sua
irmã Emma intrigada por décadas. ― O Jordan é o líder dos leões?
— Definitivamente. — Talen esfregou o queixo. — O Jordan se
tornou líder do Orgulho na mesma época em que Dage se tornou rei.
— Realmente?
— Sim. — Os olhos de Talen escureceram, e um verde espesso
rodopiou através do ouro. — Nós estávamos em guerra com os Kurjans
e seus aliados por quase dois séculos e uma cúpula foi
convocada. Líderes de todo o mundo fizeram esforços para participar,
mas foi um truque.
— Os Kurjans têm aliados? — Cara perguntou, seu coração
acelerando em relação ao aperto da mandíbula de Talen.
— Sim. Os Kurjans, shifters de leopardo, xamãs escuros, para
citar alguns. Achamos que um tratado era provável, pois todos
sofremos muitas perdas. ―Ele respirou fundo. — Os Kurjans atacaram
quando os líderes viajaram e mataram meus pais. Assim como os de
Jordan.
O estômago de Cara se apertou como se alguém a tivesse
socado. — Sinto muito, Talen. Quantos anos você tinha?
Ele encolheu os ombros. — Vinte. Dage tinha vinte e cinco; Kane
dezoito, Conn dezesseis e Jase apenas quinze.
— Dage se tornou rei aos vinte e cinco? E intermediou um
tratado? — Uau, impensável.
Balançando a cabeça, Talen concentrou o olhar em algum lugar
do passado. — Ele se tornou rei, e fomos à guerra, criando um campo
de batalha sangrento que a Terra nunca tinha visto. — Um músculo
pulsava no queixo de Talen e sua coluna se endireitou. — Até o sangue
e a morte ofuscarem a vida e o ar.
Dor palpável emanava do homem imortal que segurava sua mão,
e Cara procurou uma maneira de acalmar. Ela se aconchegou mais
perto. — O que então?
— Então Dage mediou o tratado. — Finalidade cobriu as palavras
de Talen. — Era isso ou o fim da vida de todos neste planeta.
Cara passou um dedo gentil pelo rosto forte. — Como eram seus
pais?
Os lábios de Talen se ergueram e um leve brilho iluminou seus
olhos. — Minha mãe era irlandesa, de temperamento e tudo. Cabelo
preto, olhos azuis, e ela governava o mundo.
— Seu pai? — O ex-rei era um bom homem? Talen teve a sorte
de conhecer o amor de um pai, e não a dor?
— Um soldado e um diplomata. Ele era um homem grande com
uma risada maior. — Um sorriso cheio iluminou o rosto de Talen por
um momento. — Ele adorava o ar que minha mãe respirava.
Ah. Mulher de sorte. — Então, você conheceu o Jordan através
da guerra e tempos pacíficos?
Talen deu um breve aceno de cabeça.
— E Katie é a sua companheira?
Talen exibiu dentes brancos contra a pele bronzeada em um
sorriso divertido. — Oh sim. Mas nenhum deles tem uma pista ainda.
Cara sorriu em resposta. — É óbvio, não é?
O olhar dele se aqueceu no dela. — Sempre. — Ele estendeu a
mão para ela e a puxou para sentar-se na cama grande. — Feche seus
olhos.
— Por quê? — ela perguntou enquanto obedecia, a marca na
palma da mão pulsando com calor contra a sua.
— Quero que você me diga onde Jordan e Katie estão na casa
agora.
Os olhos de Cara se abriram em alarme quando ela tentou puxar
a mão da dele e se levantar. — Eu não posso fazer isso.
— Sim, você pode. — Ele respondeu, apertando a mão na dela.
— Não, sério, isso é ridículo. — Ela suspirou quando a ansiedade
começou a acumular-se como cola em seu estômago. Ela tentou
arrancar a mão de Talen enquanto ele a mantinha na cama.
— É fácil. — Sua voz era baixa, suave. — Apenas identifique-os
por suas emoções. Eu posso dizer que você pode senti-los.
— Você pode dizer? — ela perguntou, confusa.
— Sim. Estamos acasalados, Cara. Posso sentir o que você
sente. Agora suas habilidades devem se fortalecer.
— Não. — Sua mandíbula apertou quando ela se afastou dele.
uma das mãos firme em seu queixo a virou para encará-lo, seus olhos
dourados suaves e pensativos.
— Por que não?
— Porque não posso. — O último foi dito com frustração. Às
vezes, ela não podia deixar de se sentir junto com outras pessoas, mas
certamente não conseguia fazer isso.
— Por que não?
— Não é natural. — Ela sussurrou, os olhos quase lacrimejando.
O olhar de Talen endureceu. — Quem machucou você, Cara?
— Ninguém. —Ela fechou os olhos contra as perguntas dele. —
Por favor, Talen ...
Algo mudou dentro dele. Sua esposa corajosa, teimosa e doce
estava com medo. Ele gostava do temperamento dela e do seu queixo
firme quando o desafiava. Não gostou da incerteza ou do medo
dela. Olhou ao redor do quarto espaçoso do rancho de Jordan. — Abra
seus olhos.
A cautela os encheu. Ele se inclinou e deu um beijo suave em
sua boca macia. — Nunca deixarei ninguém te machucar, Cara. — Ele
acariciou um dedo pela suavidade de seu rosto. — Você é exatamente
quem deveria ser e seus dons fazem parte de você, companheira. Nada
é mais natural do que isso.
Porra, algo em seu peito doía por ela. Não podia ser seu coração,
ele havia perdido isso durante aqueles anos sangrentos depois que seus
pais foram assassinados. Mas ele gostava de sua pequena
companheira; gostaria mais dela se ela se permitisse amá-lo. Ela era
uma mulher, era uma companheira. O amor era o seu chamado.
Ele pode não ser capaz de sentir amor em troca, mas com certeza
poderia lhe dar segurança e paz. Certificando-se de que sorrisse e risse,
bem, esse era o chamado dele agora.
Ele se levantou e a puxou junto com ele. — Vamos lá, tenho uma
surpresa para você.
A mão dela apertou a sua, e ela o deixou puxá-la do quarto. Talen
olhou em apreciação para as antiguidades e os genuínos óleos
ocidentais nas paredes escuras enquanto conduzia sua companheira
pela espaçosa sala principal da casa da fazenda até um escritório em
casa com uma vista impressionante das montanhas cobertas de branco
ao longe.
Atravessou uma ampla mesa de carvalho polido e digitou duas
chaves em um grande computador antes de apontar Cara para a
cadeira. Ela caminhou em sua direção e depois ofegou quando o
pequeno rosto de Janie encheu a tela do computador.
— Olá mamãe. Quão legal é isso? — Janie sorriu e o seu
companheiro ofegou novamente.
— Você perdeu um dente. — A voz de Cara abaixou com o som
de lágrimas.
— Sim. — O sorriso aumentou. — Você acredita nisso? E a fada
dos dentes dá muito mais aqui do que em casa.
— Sério? — Cara sentou-se pesadamente em uma cadeira de
couro acolchoada enquanto Talen passava uma das mãos
tranquilizadora em volta da sua nuca. Ele esperava que fosse uma boa
ideia. — Quanto ela dá por um dente aí?
Janie se inclinou para a frente, conspiratória. ——
Cinquenta dólares, um novo jogo de bolso e três bonecas. — Talen se
perguntou se isso era demais. Talvez ele devesse conversar com seus
irmãos.
— Nossa. — Cara tossiu com um sorriso de resposta. — Isso é
muito.
Os olhos azuis de Janie quase brilharam de felicidade enquanto
ela segurava uma boneca em uma mão, embora as várias tranças
entrelaçadas em seus cabelos fossem desequilibradas e
incompatíveis. — Hum, querida, quem tem penteado seu cabelo?
Janie revirou os olhos. — Primeiro o tio Jase, mas depois ele ficou
frustrado porque suas mãos são grandes demais e depois o tio Brack,
mas ele não consegue nem acertar. Tio Dage os fez no primeiro dia
antes dele ir e esses foram os melhores. Hoje, o tio Conn se esforçou
muito, mas foi o dobro de difícil para ele. — Ela sacudiu tristemente as
tranças.
Uma tosse envergonhada soou quando um rosto largo se inclinou
para o alcance da câmera. — Me desculpe por isso. Farei melhor de
agora em diante.
Cara assentiu quando Talen fez uma careta para o irmão. Os
olhos verdes metálicos de Conn sorriram em seu pedido de desculpas
quando ele sorriu para Cara.
— Eu sou Conn. Bem-vinda à família. — Então ele se esquivou.
Janie sorriu em adoração fora da câmera antes de voltar para a
mãe. — Quando você estará aqui?
— Assim que eu puder. — Cara disse suavemente. — Você está
se divertindo?
— Oh sim. É realmente divertido aqui em... — Uma grande mão
masculina sobre o microfone abafou o resto de sua declaração. Janie
sorriu. — Opa, esqueci que não deveria dizer onde estamos. Enfim... —
Ela revirou os olhos em direção a Conn. — Estou me divertindo muito,
mas sinto a sua falta.
— Também sinto a sua falta. Não há outras crianças por aí?
Janie sacudiu a cabeça. — Não.
— Sério? — Cara se perguntou. Janie assentiu em afirmação
antes de olhar interrogativamente ao redor de Cara.
Talen se inclinou para que ele pudesse ser visto por Janie. — Oi,
querida.
— Oi. — A garotinha sorriu, seus olhos se iluminando ainda
mais. — Conheci todos os seus irmãos, com exceção de Kane, porque
ele está do outro lado do oceano em algum lugar, mas falei com ele por
telefone hoje de manhã, e todos disseram que tudo bem que você é meu
pai agora.
Talen sorriu. — Achei que eles poderiam.
Janie saltou alegremente. — E o tio Conn disse que você me
merecia.
— Ele disse?
— Sim. Algo sobre dias selvagens, o que isso significa?
— Isso significa que minha perspectiva em relação a mulheres
bonitas mudou.
— Por quê? — ela perguntou com uma sobrancelha enrugada.
Talen sacudiu a cabeça. — Difícil de explicar, querida.
Agora Cara revirou os olhos ao lado dele. Talen lhe deu mais
alguns minutos para conversar com Janie antes que ele dissesse que
tinham que encerrá-lo. Quando a tela ficou em branco, Cara levantou
os olhos lacrimejantes.
— Chegaremos lá o mais rápido que pudermos, Cara.
— Eu sei. — Ela apertou a mão dele quando eles deixaram a
sala. — Quando?
— Logo. — Ele a conduziu pela formidável lareira de pedra da
grande sala e entrou em uma cozinha ampla e expansiva, onde Jordan
mexia algo em uma panela grande.
Cara suspirou. Ela imaginou que, logo, teria que ser bom o
suficiente. Então seu estômago roncou quando o cheiro de ensopado
fresco assaltou seus sentidos.
— Pare de mexer com isso — disse Katie da mesa próxima com
um olhar.
— Você sempre queima. — Veio a resposta seca. Então Jordan
virou os olhos castanhos manchados na direção deles. — Sua ligação
foi bem-sucedida?
— Sim, obrigada. — Cara respondeu calorosamente quando se
juntou a Katie na mesa. A jovem tomou banho e vestiu jeans
desbotados e uma camisa vermelha. — Como está o seu lado?
— Curado. — O sorriso era de puro arteiro.
— Obrigada pelas roupas.
— Não tem problema. — Katie olhou para cima quando Jordan
começou a servir tigelas perfumadas de ensopado antes que os homens
se juntassem a elas na mesa. Cara não pôde deixar de notar que,
mesmo na forma humana, uma sensação de perigo selvagem se
agarrava à Jordan. Não é à toa que ele e Talen pareciam bons amigos.
Eles cavaram como se estivessem famintos.
No meio da refeição, Jordan pediu licença para ligar para a
cozinha confortável, com uma expressão séria no rosto duro. — Vamos
em trinta minutos.
Os olhos de Talen se estreitaram. — Pensei que o ataque estava
marcado para amanhã à noite.
— Estava. Perdemos contato com o Dr. Bigsby. Não podemos
arriscar que eles estejam se preparando para nós.
Talen assentiu e se levantou.
— Espere um minuto. — Cara estendeu a mão em sinal de
protesto. — Que ataque? Quem é Bigsby?
— Vou te dar um minuto — disse Jordan a Talen quando ele saiu
da sala.
— Espere, Jordan. — Katie chamou atrás dele quando ela pulou
e saiu correndo da sala. Cara não conseguiu ouvir o que Katie disse,
mas ouviu a resposta aguda de Jordan de: — Absolutamente de jeito
nenhum. — Enquanto os passos deles se retiravam pela grande sala.
Ela voltou os olhos curiosos para Talen quando ele se sentou à
mesa redonda de carvalho. Seus olhos polidos brilhavam um sério ouro
puro sem verde. ―Não sei por onde começar. O Reino estava em guerra
com os Kurjans por várias centenas de anos, até que ambos sofremos
tantas perdas que criamos um tratado para proteger a nós e aos
humanos, cerca de trezentos anos atrás.
— O reino?
— Oh, sim. — Talen franziu a testa. — Somos nós. É como suas
Nações Unidas; somos nós, vários clãs que mudam de forma, Wiccanas
amigáveis e outros.
— Sem fadas? — Cara perguntou secamente.
Talen deu de ombros. — Elas não se alinham com ninguém. Nós
brigamos com elas, contra elas, você nunca sabe direito.
— Sério? — Cara estava brincando.
— Oh sim. As fadas são como a Suíça, com um pau grande. —
Ele deu um arrepio exagerado com um sorriso.
Cara balançou a cabeça com espanto. — Então os Kurjans
quebraram o tratado, vindo atrás de Janie e eu?
— Sim. Além disso, eles violaram o acordo, realizando pesquisas
em várias instalações para alterar seu DNA, para que possam suportar
a luz solar. Tivemos aliados em diferentes lugares do mundo para ficar
de olho nas coisas.
O cientista nela notou. — Como é possível alterar o DNA?
Talen deu de ombros. — Acredite, não sou o científico da minha
família. — Ele sorriu. — Acho que você é.
— Adoraria ver a pesquisa — disse ela, pensativa.
— Você irá. Estamos invadindo uma de suas instalações em
Springfield em cerca de quinze minutos. Trarei o que puder.
— Talvez eu deva vir. Eu saberia melhor o que procurar. — Sua
mente girou com os resultados científicos que poderiam ser
alcançados. Se tal alteração do DNA fosse realmente possível, a maioria
das doenças genéticas humanas poderia ser curada antes de
começar. Sua mente ficou confusa.
— Não. — Manchas verdes apareceram por todo o ouro em seus
olhos.
— Mas Talen, isso pode ser maior do que qualquer um de nós.
— Eu disse que não, Cara.
Seu temperamento irritou. — Não acho que essa seja sua
decisão, Talen.
Seu lampejo de dentes não passou de um sorriso quando ele
passou o dedo pelas marcas de punção duplas no pescoço pálido. —
Discordo.
— Então estamos em um impasse.
Dessa vez ele riu. — Na verdade não. Vamos a pé, é muito mais
rápido do que usar veículos. Mesmo teimosa como você é, não há como
continuar.
Cara soltou um bufo irritado. Ele estava certo. A velocidade dele
combinava com a dos leões, e mesmo em seu melhor dia ela não era
muito rápida, mesmo para um humano. — Isso é péssimo.
Talen se levantou da mesa. — Olhe para o lado positivo. Pelo
menos não tenho que amarrá-la na cama para garantir que fique aqui.
— Engraçado.
— Não estou brincando. — Seu rosto mostrou que não estava.
— Hum. — Não foi a resposta mais inteligente, mas teria que
servir.
Ele revirou os olhos antes de sair da sala, e mal reprimiu o desejo
de mostrar a língua enquanto ele estava de costas. Bufando de
irritação, se concentrou no jantar, agora sem fome. Talvez apenas
lavasse a louça.
Praticamente tinha terminado quando ele voltou vestido com
calça cargo preta, camisa, colete e botas de palha. Todo soldado, todo
propósito. Todo macho puro e gostoso. Seu corpo respondeu
instantaneamente, seus mamilos se mexendo e um formigamento lento
deslizando por sua barriga.
Talen cheirou o ar e sorriu. — Não demorarei muito,
companheira.
Droga. Ela jogou o pano de prato na pia. — Tenha cuidado. — As
palavras subiram espontaneamente de algum lugar que ela se recusou
a reconhecer.
Em resposta, ele agarrou o seu braço e a puxou para mais perto,
abaixando a boca. Demorou um pouco, provando-a, tentando-a com
calor bruto e promessa perigosa. Ela gemeu e pressionou contra ele,
suas mãos se espalhando contra o material áspero do colete cobrindo
seu peito largo.
A marca em seu quadril começou a queimar.
Jordan limpou a garganta da porta e Cara deu um salto para
trás. Que diabos estava pensando? Tirou os cabelos do rosto e ignorou
o sorriso do leão, bem como a risada de Talen. Deu-lhe um rápido beijo
na testa, depois se foram.
Ela terminou de limpar a cozinha e disse a Katie que queria
descansar um pouco. A jovem assentiu, totalmente envolvida em
comprar sapatos na Internet.
Uma vez em seu quarto, Cara trancou a porta. Respirando fundo
por coragem, sentou-se na cama, pegou o telefone e discou o número
certo. A irmã atendeu antes que o primeiro toque terminasse.
— Cara?
— Em! — Ela deveria saber que Emma estaria preparada para a
ligação. Respiração que ela não tinha percebido que segurou ressurgiu
em alívio.
—Onde você está? Você está bem? Onde está Janie? — Passos
ecoaram juntos, como se Emma estivesse correndo em direção à porta.
— Nós duas estamos bem. — Cara suspirou. — Só precisava ter
certeza de que você estava mantendo isso discreto. — Ela puxou um fio
solto no edredom de luxo.
— Discreto! — A voz de Emma subiu ao ponto que Cara
estremeceu. — Você está brincando comigo? Algum oficial me disse que
você foi realocada por causa de algum golpe de gangue? O que diabos
está acontecendo?
Cara passou a mão trêmula pelos cabelos. — Ok, apenas se
acalme. — Sim, certo. — Janie e eu estamos seguras por enquanto e
você não pode fazer tempestade. Só um pouco, Emma. Ou todos
estaremos em perigo.
— Mas...
— Emma! Você confia em mim? — Cara esperou depois de jogar
o trunfo. Ela tinha que manter em seguro, era a vez dela.
— Sim.
— Então me escute. Estamos a salvo. Por enquanto, se você não
fizer tempestade. — Ela esperava. A última coisa que precisava era
Emma fazendo o suficiente para alertar os Kurjans. Se eles
descobrissem como ela era talentosa... — Não, você não
entende. Deus. Você precisa confiar em mim. Estamos todos em perigo,
e a culpa é minha. — A voz de Emma baixou. — Onde você
está? Precisamos correr.
— Correr? Emma. O quê?
— Os oficiais não podem nos manter a salvo desses homens,
Cara. Agora, onde diabos você está? — O eco de uma porta batendo
com força bateu sobre a linha. — Estou no meu carro. Eu tenho um
lugar seguro para me esconder. — A ignição ganhou vida através do
telefone.
Cara congelou, arrepios rasgando sua pele para causar um
arrepio. — Esses homens? Você quer dizer os Kurjans? — Como diabos
Emma sabia sobre os demônios?
O silêncio mortal deslizou pela linha por um momento antes de
Emma falar. — Você conhece os Kurjans? Diga-me que não está com
eles.
Isso respondeu. O medo começou a sair sob a pele de Cara. —
Nós não estamos com eles. Hum, você conhece os vampiros?
— Você está com os vampiros. — Pneus guincharam do outro
lado da linha.
— Sim. Diga-me que eles são os mocinhos, Em. — Considerando
que um tinha acabado de marcar a bunda de Cara.
— Bem, de qualquer maneira, eles não são os bandidos. — Emma
exalou um suspiro alto. — Acho que não. Quero dizer, acabei de
descobrir sobre eles ontem.
— OK. Você está relativamente segura por
enquanto. Provavelmente.
Provavelmente? Porcaria. — Precisamos nos encontrar. — Sua
irmã provavelmente tentaria derrubar os Kurjans sozinha. O medo
explodiu na mente de Cara.
— Nós vamos. Tenho trabalhado em uma das instalações de
pesquisa Kurjan.
— O quê? — Cara se engasgou.
— Não sabia que era propriedade deles. De qualquer forma,
descobri o que estava acontecendo e escondi alguns dos meus dados.
Preciso recuperá-los, depois entrarei em contato. — Uma buzina soou
alta e clara. — Droga. Onde essas pessoas aprendem a dirigir? Outra
buzina tocou. — OK. Tenho que jogar este telefone. Você precisa
descobrir se o telefone do qual está ligando está seguro, o que suponho
que seja.
Seguro? Caralho. Ela pode ter acabado de levar os Kurjans ao
rancho de Jordan. O que foi isso, um filme de espionagem?
— Tenho certeza de que você está bem, Cara. Além disso,
configurei novas contas de e-mail com um provedor on-line usando
nomes falsos, para que não possam ser rastreados. Verifique o seu a
cada poucos dias e tentarei manter contato. Você é
hotdixie@[Link]. Eu te amo.
— Eu também te amo.
A linha ficou morta.
A vários estados de distância, Janie se aconchegou em sua cama
feminina, com o tio Jase relaxando no sofá do lado de fora do quarto,
assistindo basquete na TV. Ela sabia que estava segura, e sua mãe
estaria aqui em breve. Abraçando o cobertor e o Sr. Mullet para mais
perto, deslizou para o mundo sombrio entre sonhos e realidade e
suspirou enquanto procurava o amigo.
— Oi, Zane. — Ela sorriu e mostrou as covinhas que sabia que
ele gostava. O mundo dos seus sonhos era o seu lugar favorito.
— Oi, Janie Belle. — Zane emergiu da névoa com um sorriso no
rosto largo, os ângulos agudos já sugerindo o guerreiro que ele se
tornaria. Ele havia lhe dado o apelido na primeira vez que ela invadiu
seus sonhos, declarando Janet Isabella muito crescida para ela. —
Você está em algum lugar seguro agora?
— Sim — disse Janie com um sorriso. — Finalmente estou com
minha nova família, então pare de se preocupar.
— Bom. Meu pai recebeu uma notícia ontem à noite sobre sua
segurança, então parei meus preparativos para ir atrás de você.
— Você estava vindo atrás de mim? — Seu coração de quatro
anos se aqueceu com o pensamento. Os transformadores foram legais,
mas Zane era um herói da vida real. Dela.
— Claro. — Embora ela fosse seis anos mais nova, era a melhor
amiga de Zane. E mesmo em sua juventude, ele morreria para protegê-
la. De fato, ele sabia no fundo que um dia seria chamado a fazê-lo, e
foi por isso que treinou mais e mais do que qualquer outro. Seu pai
orgulhosamente pensou que Zane se preparava para tomar seu lugar
algum dia como líder deles, o que, de certa forma, ele supôs que
era. Mas a luta por vir seria por Janie. E ele pretendia vencer.
Eles brincaram por um tempo com Janie mostrando fotos
mentais de seus novos pôneis. Uma consciência fez cócegas na parte
de trás do pescoço, e ele olhou para a linha das árvores.
— O quê? — perguntou Janie, mudando as folhas de verde para
branco e o céu para amarelo.
Zane deu de ombros. — Não sei. Eu senti algo.
Ela seguiu o olhar dele. — Posso manter os bandidos fora,
Zane. É o meu sonho.
Olhos verdes piscando se voltaram para ela. — Bandidos? Você
sente alguma coisa?
Janie copiou os ombros dele.
— Janie? – Zane apertou a mandíbula.
Ela lutou contra o desejo de bater o pé. Quando todo mundo
aprenderia que ela era forte?
— Sim. Posso sentir algo, alguém querendo entrar. Ele já tentou
isso antes. — E ela não o deixou. Foi o sonho dela. Bem, seus sonhos,
pelo menos.
Zane ficou de pé. Muito mais alto que ela. Foi em direção às
árvores.
Ela suspirou, deixando cair as fotos no chão agora cor de
pêssego. — Ele não está nas árvores, Zane. Ele está fora do sonho.
Zane parou de costas para ela, os novos músculos em seus
braços se juntando. Ela gostou que ele tivesse crescido seus cabelos
pretos até os ombros. — Ele?
Ela esperou até Zane voltar a encará-la. — Sim. Acho que
sim. Parece um ele.
Colocando as mãos nos quadris, Zane franziu a testa. — Por que
você não me contou?
Droga. Ela não queria Zane bravo com ela, e não queria que seus
sentimentos machucassem. — Não queria que você fosse.
— Você está no meu sonho, como eu poderia ir?
Ela encolheu os ombros. — Você poderia. Nós dois temos nossos
sonhos e os abrimos um para o outro. — Ele não sabia que poderia
fechar seus sonhos para ela. Se Zane a deixasse, nunca mais falaria
com ele. Jamais.
— Então. — Ele esfregou o queixo. — Alguém mais está
sonhando? Alguém mais está tentando entrar em nossos sonhos?
Janie assentiu. — Acho que sim. Mas se não o deixarmos entrar,
ele não poderá entrar. — Agora, de qualquer maneira. Ela aprendeu
que a prática sempre ajudava com coisas assim.
Zane respirou fundo e se concentrou. — Você sabe alguma coisa
sobre ele, Janie? Tenho a sensação de que ele não é um de nós.
Janie balançou a cabeça, mesmo quando um nome sussurrou
em sua mente. Kalin. Ela não contaria mais nada a Zane. Ele iria com
certeza.
Então, a paz se estabeleceu através do pequeno prado. — Ele se
foi — disse Janie com um sorriso.
Zane levantou uma sobrancelha, lembrando-a de Talen. —
Prometa-me que não guardará mais segredos como esse de mim.
Ela pensou nisso. — Ok, Zane. — Não havia muitos segredos
como esse, realmente.
— OK. Vejo você em breve. — Ele deu a ela o sorriso que sempre
aqueceu seu coração.
— Você já tem que ir? — ela perguntou, quase choramingando.
— Eu preciso. — Seus olhos verdes escuros ficaram sérios. —
Treino com meus irmãos em meia hora. Você sabe o quanto isso é
importante.
— Eu sei. Você acha que sempre seremos amigos, Zane? — A
tristeza a percorreu com o pensamento de vida sem ele.
— Claro. — Ele piscou para ela antes de se virar para ir
embora. — Sempre, Janie Belle.
Janie riu do apelido antes de cair em um sono mais profundo.
Vestida com sua roupa nova de ioga, Cara bateu o tapete com
um tapa e rolou de joelhos, empurrando os cachos para fora do rosto. —
Boa jogada. — Ela esfregou os braços, agradecida pelas grossas
almofadas que cobriam a academia do porão de Jordan. Assim como
as roupas novas, ela e Katie haviam feito algumas compras algumas
semanas antes.
— Obrigada. — Katie sorriu, seus tênis dançando alegremente
nas almofadas azuis. — Você se esqueceu de bloquear novamente.
Não brinca. Deveria ter escutado Emma e frequentado aquelas
aulas de autodefesa. — Sim, mas você está treinando desde que
completou quatro anos. — Cara ficou de pé, as mãos indo até os
joelhos, as calças de ioga soltas e confortáveis. Ela treinava com Katie
todas as noites, algo para fazer enquanto os homens se preparavam
para invadir ou se recuperar de uma invasão.
— Você pensaria que nessas três semanas de treinamento
saberia como contrariar minha única jogada boa. — Katie sorriu. —
Você gastou muito tempo decifrando todas as informações que os
homens recuperaram dos ataques e não treinando comigo.
Verdade. Toda vez que os homens invadiam uma instalação,
descobriam mais dois lugares para invadir. — Gostaria que
pudéssemos encontrar o seu Dr. Bigsby — disse Cara.
Katie assentiu. — Eu também. Então, como foi a sua conversa
com Janie mais cedo? — Seu olhar deslizou para os joelhos de Cara.
— Ótima. — Cara preparou sua posição, feliz por ter descoberto
que não só o telefone de Jordan estava seguro, como também o
computador dele. — Ela realmente gostou da história de ninar que você
contou ontem à noite sobre a leoa perdida na floresta.
Katie sorriu. — Sim, parte disso era verdade, especialmente a
parte sobre o belo rei leão que a resgatou.
Assentindo, Cara bufou. — Pensei assim.
— Ela gostou tanto quanto o que Talen disse a ela sobre a
princesa vampira?
Cara revirou os olhos. — Janie acha que Talen pendurou a lua e
as estrelas. Nem tentaria competir. — Ela podia atestar ver estrelas
todas as noites nos braços de Talen. Houve momentos em que ela
realmente pensou que poderia pertencer a esse lugar. De fato, seu
marido mostrou a ela um lado de si mesma que nunca sonhou
existir; embora estivesse preocupada, seu coração estava confundindo
a paixão pelo amor nessas férias da realidade. Ela ignorou a voz
minúscula em sua cabeça sussurrando que talvez fosse amor.
— Não a culpe. — Katie se lançou, derrubando Cara no chão,
que rolou para prender a leoa no tapete grosso.
Katie bateu. — Bom trabalho! — Saltando de pé, ela esticou os
braços atrás da cabeça. — Sabia que você podia fazer isso, você se
exercita regularmente e tem um abdômen muscular decente. — Ela
trocou suas roupas roxas de treino, agachando-se. — E, desde que você
se acasalou, também deveria ver resultados físicos.
O calor inundou o rosto de Cara e se agachou na defensiva,
inalando o perfume do limpador de limão.
Katie riu alto. — Não quis dizer esse tipo de resultado físico.
Revirando os olhos, Cara entrou com outro equipamento,
derrubando a leoa no chão novamente. Dessa vez, Katie empurrou Cara
para o lado, passando as pernas por cima da cabeça para dar um salto
para trás. — Muito melhor. Sua força melhorou loucamente nas
últimas noites.
Cara rolou para seus próprios pés. — Sim, estranho, hein? —
Era quase como se o sangue de Talen bombeasse em suas veias com
uma força antiga. — Me sinto mais forte. — Ela riu. — Quando eu tinha
dezesseis anos, minha irmã Emma teve uma aula de karatê e, em um
mês, ela disse que se sentia uma fodona.
Katie bufou. — Ela era?
— Não. Mas com certeza se sentia como uma. — Cara esticou as
mãos sobre a cabeça. — Me pergunto se me sinto tão rígida só porque
acho que tenho a força de Talen agora. — Quem poderia saber? ―Ela
então levantou uma sobrancelha para sua nova amiga. — E você? Você
já tem a força de um leão; se tornará ainda mais forte quando se
acasalar?
Katie deu de ombros, pegando uma toalha do chão. — Depende
de quem é o meu companheiro.
Cara sorriu. — Certo. Bem, hipoteticamente falando, e se o seu
companheiro for o líder leão da montanha orgulhoso? Só por
curiosidade, é claro.
Jogando a toalha em Cara, Katie soltou um suspiro. —
Considerando que provavelmente ficarei absolutamente louca
esperando que isso aconteça, acho que não precisamos nos preocupar
com isso.
— E se?
Katie deu de ombros novamente. — Então sim, eu ganharia
força. E ele ganharia minha capacidade instintiva. — Ela caiu no tapete
para se esticar. — Embora ele sempre me veja como aquele filhote que
salvou daqueles podres pais adotivos.
— Eles enlouqueceram quando você mudou, não é?
— Isso é um eufemismo. Eu corri e o velho Jim Bob me perseguiu
com uma espingarda. Foi pura sorte que Jordan caçava nas
proximidades. — Kate rolou o pescoço para um lado e depois para o
outro.
Nossa, Cara desejou poder ter visto o rosto da garota quando se
transformou pela primeira vez. — Você não tinha ideia de que poderia
se transformar?
— Não. Meu pai deixou o Orgulho para se estabelecer na cidade
com minha mãe, que era humana. Eles morreram em um acidente de
trem e fui colocada no sistema. — Katie deu de ombros. — Não sei o
que teria acontecido se Jordan não estivesse caçando na floresta
naquele dia.
— Então Jordan criou você? — Ok, isso pode ser meio estranho.
Katie riu. — Não, graças a Deus. Ele pagou aos idiotas adotivos,
e minha mãe me adotou. Ela era viúva sem filhos e realmente me
queria. — Orgulho e amor fluíram através de cada palavra, e Katie
sorriu. — Embora Jordan estivesse sempre por perto, especialmente
quando tive problemas.
Cara sorriu de volta. — Imagino. Onde está sua mãe agora?
Katie bufou. — Ela está em um cruzeiro de mahjong7 de dois
meses com um monte de amigos, eles adoram esse jogo. — Ela levantou
uma sobrancelha. — Como foi o seu primeiro marido?
Cara sentou-se e esticou as pernas diante de si mesma. — Simon
e eu não éramos casados.
— Oh. — Katie puxou um braço sobre o peito. — Como era
Simon?
— Agradável. Ele era um bom amigo. Trabalhamos juntos no
laboratório com vírus de plantas. — Alto, sério, muito desajeitado, o
homem tinha um coração de ouro. — Ele se aproximou de mim um dia,
muito sério, e propôs que saíssemos. — Cara sorriu. — Achei que fosse
um plano racional e bem pensado para alguma companhia. — Sem
paixão, sem medo, geralmente associado a estar perto de homens. Ela
lembrou a si mesma que, diferentemente do pai, a maioria dos homens
não batia.
Katie riu. — Entendo. Soa diferente de Talen.
7
Jogo de mesa de origem chinesa que foi exportado, a partir de 1920, para o resto do mundo e principalmente
para o ocidente. É composto de 144 peças, chamadas comumente de “pedras”.
— Oh sim. Não há dúvida. — Seu coração nunca esteve em perigo
com Simon. — Ele morreu em um acidente de carro, nem mesmo soube
sobre Janie. — Se ele tivesse vivido, teriam feito arranjos sensatos com
relação à filha.
— Você se casaria com ele?
Ela teria? — Não. Nunca pretendi me casar.
— Então, Talen mudou sua ideia?
— Você poderia dizer isso. — Ela sorriu para a amiga, a marca
no quadril começando a latejar pouco antes de Talen enfiar a cabeça
dentro da porta.
— Mais vínculo feminino? — ele questionou, tocando um
hematoma roxo escuro sob seu próprio olho esquerdo, cruzando para
onde ela estava.
Cara esticou as costas e gemeu. — Se você considera vínculo
feminino como eu recebendo um chute na bunda.
Talen a puxou para ele, raspando os dentes em seu pescoço
úmido. — Por que você não me deixa treiná-la?
O calor bateu em seu corpo. Dando-lhe um empurrão com as
duas mãos que não conseguiu movê-lo uma polegada, Cara
suspirou. — Porque quero aprender a lutar, não ...— Seu rosto aqueceu
quando ela percebeu que Katie ainda estava na sala.
A jovem pigarreou, indo direto para a porta. — Darei uma olhada
no Jordan. Até mais tarde.
Talen riu contra o pulso que batia rapidamente no pescoço de
Cara.
— Garota esperta. — Ele beliscou sua clavícula. — Você estava
dizendo?
Ela levantou a cabeça, estudando o machucado. — O que
aconteceu? Eu pensei que vocês estavam fazendo o jantar.
Ele mostrou os caninos afiados para ela.
— Discordamos sobre a quantidade de molho quente para o chili
e levamos a discussão para fora.
Cara bufou uma risada. — Você entrou em uma briga por molho
picante?
Talen deu de ombros. ― Considere isso como treinar sem os
tapetes. — O hematoma roxo mudou para verde e depois amarelo.
— Quem ganhou?
Ele levantou uma sobrancelha. — Eu estava bem perto, então
Baye gritou pela janela que ele adicionou jalapenhos8.
— Ah. Baye é o mediador, hein? — Como um dos executores de
Jordan, ele parecia mais um assassino para ela.
— Não. Ele só gosta de jalapenhos. — Talen sorriu, suas mãos
abaixando para segurar sua bunda. — Então, você aprendeu alguma
coisa?
8
Ou pimenta-jalapenhos é uma pimenta doce
O corpo dela instintivamente pressionou o dele. — Aprendi que
lutar não é um dos meus talentos. — Estendeu a mão para traçar o
peito dele através do algodão grosso. — E aprendi que estou feliz por
ter Katie como amiga.
Ele localizou a orelha de Cara com a língua e abaixou a voz. —
Você tem muitos amigos?
— Não. — Seus olhos reviraram em sua cabeça. — Realmente
não cheguei muito perto das pessoas antes. — Talen colocou o lóbulo
da orelha na boca dele e ela gemeu. — Tenho conhecidos no trabalho,
mas não tenho amigos de verdade como Katie. — Ela imaginou que a
falta de amigos de infância tinha algo a ver com o pai ser um cretino
completo e ela não querer trazer outras crianças para vê-la, mas ela
não sentia que se doía com passado até esse momento. Especialmente
com a boca quente de Talen em sua pele.
Talen levantou a cabeça, fragmentos verdes emergindo do ouro
em seus olhos. — Você verificou na sua conta de e-mail uma mensagem
de retorno de Emma hoje?
— Sim. Ela ainda não respondeu. — Sua irmã se recusou a usar
o computador em qualquer esconderijo que ela montou, ao contrário
de levar o laptop a locais públicos. Algum lugar. — Mas ela só fez check-
in duas vezes. Você ouviu alguma coisa?
— Não. Nossos contatos nos informaram que os Kurjans não a
encontraram, mas estão procurando ativamente. — A mão na bunda
dela começou a amassar.
Eles não encontrariam Emma. — Minha irmã é provavelmente
uma das pessoas mais inteligentes do planeta, Talen. E,
aparentemente, ela tem algum trabalho a fazer antes de confiar no seu
povo. — O orgulho puro fez Cara levantar o queixo, mesmo quando o
desejo começou a acelerar o seu ritmo cardíaco.
— Acho que você tem uma opinião distorcida de sua irmã mais
velha de super-herói.
Possivelmente. Cara havia sobrevivido à infância por causa de
Emma, sem dúvida. — Talvez. Mas, novamente, apenas um super-herói
poderia iludir os Kurjans por três semanas.
Talen assentiu, um lábio levantando-se. — Não estou surpreso
que os Kurjans não a tenham encontrado, mas o fato de nossos
batedores estarem andando em círculos me assusta um pouco.
Cara levantou um ombro, lutando contra um sorriso. — Talvez
você esteja sem prática. A paz pode levar à preguiça. — Se Emma não
quisesse ser encontrada, ninguém a encontraria.
Seu sorriso transformou seus olhos na cor do sol fresco. —
Preguiça. Hmmm. — Abaixando a boca para correr ao longo do queixo
de Cara, sua mão percorreu o seu quadril para roçar seu núcleo.
Apenas o outro braço em volta da cintura dela impedia que os
joelhos a dobrassem no tapete. ― Talen. — Não havia algo que eles
deveriam estar fazendo? A estática branca encheu sua mente enquanto
seu corpo assumia o controle.
Então Katie desceu as escadas. — O jantar está pronto.
Oh sim. Jantar. Com um suspiro de arrependimento, Cara deu
um passo atrás. — Salva pelo chili.
— Ligeira prorrogação, companheira. Muito ligeira. — Talen
pegou a mão dela e a levou para a porta quando o hematoma
desapareceu completamente de seu rosto.
Cara se espreguiçou contra o corpo duro de Talen mais tarde
naquela noite enquanto fazia uma careta e empurrava o edredom
pesado. — Você é muito quente — ela murmurou, com o corpo em
massa líquida após várias horas de seu marido, mostrando-lhe quanto
calor ele era capaz de fazer.
Como resposta, ele a puxou para mais perto de seu abraço e
passou um queixo pensativo em sua testa. — Cara, é hora de parar de
correr.
— Correr? De quê? — Ela bocejou e se escondeu.
— De si mesma.
Ela parou quando seus batimentos cardíacos aceleraram. — Não
sei o que você quer dizer.
— Sim, você faz.
— Estou cansada, Talen. — Ela fechou os olhos.
— Bom. O tempo entre a vigília e o sono puro é o melhor
momento para alcançar sua mente. Agora, me diga como estou me
sentindo.
— Satisfeito. — Cara rebateu.
— Você não precisa de habilidades especiais para fazer essa
determinação, companheira. — Ele riu contra o cabelo dela. — Agora,
me diga o que Katie está sentindo.
— Nem sei onde ela está, Talen. — Ela tentou controlar sua
respiração ansiosa.
— Sim, você faz. Diga-me onde.
— Não. — A respiração dela ficou agitada enquanto tentava se
afastar do corpo inflexível dele. Ele facilmente a segurou no lugar.
— Por que você está prestes a sofrer um ataque de ansiedade? —
Ele não fez nada para esconder a firmeza sob a preocupação.
— Eu não sei.
— Não minta para mim, companheira. — A firmeza virou pedra.
— Não estou. — Ela suspirou e começou a lutar contra seu
aperto. Ele suavemente, quase casualmente, rolou até que ela ficasse
presa debaixo dele. Seu peso a empurrou para dentro do colchão, seus
olhos diretamente nos dela. Duas mãos fortes prenderam as dela em
ambos os lados da cabeça, a marca dele contra a pele dela. Mesmo no
limite, uma emoção de desejo a percorreu.
— Diga-me o que Katie está sentindo. — Ele enfatizou claramente
cada palavra.
— Ela provavelmente está dormindo, Talen — disse Cara,
exasperada. O desejo diminuiu.
— Nós dois sabemos que ela não está. — Ele respondeu.
— Como? — Cara não pôde deixar de perguntar.
— Porque aqueles de nós que não negam nossas habilidades
naturais podem sentir sua frustração e necessidade de bater em
alguma coisa.
— Os homens fazem isso conosco — disse Cara,
descontente. Pressionou o corpo sólido acima dela e escondeu um
sorriso satisfeito quando ele endureceu. Ela fez de novo. Os olhos dele
se estreitaram nos dela quando o verde começou a se mover através do
ouro.
— Não me distraia, companheira.
Para resposta, ela arqueou novamente. Beliscou suas costas
antes de envolver as duas pernas ao redor de seus quadris
musculosos. — O que você quer dizer com. companheira? — A
respiração dela ficou presa por uma razão completamente diferente
quando um rubor escuro percorreu seu rosto afiado.
Os olhos dele caíram nos lábios dela. Ela passou a língua
molhada ao longo do lábio inferior.
— Você não sabe o que está convidando, Cara.
— Não sei? — Ela desafiou, apertando as coxas ao redor dele,
seus olhos azuis se enchendo de ousadia.
O rosnado baixo em sua barriga vibrou contra ela e enviou calor
líquido derramando dela. O calor dele derreteu através dos poros dela
quando as pernas o cercaram. Com um sorriso malicioso, ele colocou
as duas mãos em uma das dele e esticou os braços acima da
cabeça. Estava presa, indefesa. Ele puxou e seus seios achataram
contra seu peito duro. A outra mão dele percorreu o comprimento dela
para agarrar firmemente a bunda dela e levantá-la do colchão.
— Talen? — ela perguntou, incerta.
Ele não respondeu enquanto dirigia dentro dela com um golpe
poderoso. Mesmo tão pronta quanto estava, ele a assustou e ela
gritou. Ele encheu seu passado o que julgara possível. Perdeu a
capacidade de pensar. A boca dele abaixou para roçar seus
mamilos. Lentamente entrou e saiu de seu corpo furioso antes de tomar
um bico rosa na boca e chupar. Duro.
Gemeu contra ele enquanto torturava primeiro um depois o outro
seio enquanto continuava a mover através de sua suavidade. A boca
dele subia pelo seu pescoço para beijar os olhos, bochechas e,
finalmente, a boca. Seu corpo estava pegando fogo e ela queria mais.
— Me perco no seu cheiro, sua paixão. — A respiração de Talen
roçou seu pescoço. — Não há sabor mais doce em toda a história do
mundo do que sua pele pegando fogo para mim. ―Ele rosnou baixo e
profundo quando se retirou do corpo dela antes de mergulhar
novamente. — Quero tudo de você, companheira. E atendo meus
desejos.
A mente dela se debateu com a afirmação. Uma sugestão de
ameaça surgiu sob as palavras, mas não conseguiu se concentrar
nela. Por segundos, por minutos, ele se moveu dentro dela, ao seu
redor. Um beijo gentil, um puxão no mamilo que a fazia ver estrelas,
então ele aumentava sua profundidade, aumentava sua velocidade até
que ela estivesse tão perto... então desacelerava novamente. Droga.
Ela perdeu a noção do tempo, de quanto tempo estava dentro
dela enquanto continuava seu ataque. Seus movimentos eram muito
lentos, muito controlados.
Finalmente, sua mente virou mingau, seu corpo vibrando como
uma corda de violão, Cara deu um suspiro frustrado e apertou as coxas
contra os quadris dele. — Mova-se mais rápido. — Não reconheceu sua
própria voz com sua extremidade baixa e desesperada.
— Não. — Ele continuou a tomar seu tempo, levando-a quase à
loucura. Sua boca tomou a dela em um beijo brutal que disparou em
seu sangue como eletricidade em suas veias. Então, acelerou seus
golpes e começou a bater. Assim que seus músculos internos
começaram a se contrair, diminuiu a velocidade.
— Talen. — Chamou seu nome em um gemido, suas coxas
segurando-o com uma força que impressionou os dois.
— O quê? — Ele riu contra o ponto fraco atrás da orelha dela.
— Pare de me provocar.
Ele levantou a cabeça com um sorriso masculino satisfeito em
sua boca machucada, expressão confusa e pele corada. — Você não
consegue o que quer até que eu consiga o que quero, companheira.
— O.. que? — perguntou confusa, movendo—se contra ele
novamente. — O que você quer? — Jesus. Ela daria qualquer coisa a
ele neste momento.
— Abra-se, Cara.
—Talen. Estou mais aberta que uma garota pode conseguir. —
Gemeu de brincadeira quando suas mãos começaram a lutar nas dele.
Ele riu contra a boca de Cara.
— Não é isso que eu quero dizer. Começaremos devagar. Esqueça
as outras pessoas, apenas se concentre em mim.
— Eu estou. — Ela sibilou em frustração.
Ele mordeu o lábio inferior antes de lavar a pequena ferida com
a língua. — Quero dizer, sinta o que estou sentindo.
— Estou sentindo você, droga.
Ele balançou a cabeça acima dela, apenas a fina mancha de suor
na testa mostrando o que seu controle lhe custou. — Não, você não
está. Você está me sentindo dentro da sua própria pele. Você não
consegue o que quer até sentir de dentro da minha pele. — Ele se
inclinou para castigá-la com um beijo duro. — Eu prometo que gostará.
— Eu não posso — ela gemeu frustrada enquanto se contorcia
contra ele.
Talen parou, seu corpo a prendendo enquanto seus olhos
mantinham os dela em cativeiro. — Você pode. E vai.
Cara doía. Caralho, ela doía. A necessidade de liberação a
invadiu com uma demanda animalesca e tornou-se mais aguda, mais
forte do que qualquer ansiedade que pudesse ter. Nada no mundo
importava mais do que dar a seu corpo a liberação explosiva que tanto
ansiava. Com um calafrio, cedeu. Abriu a mente e procurou a conexão
que já tinha com ele. Instantaneamente, força e poder bateram
nela. Junto com desejo e necessidade incensados. Ele finalmente
começou a se mover. Martelar nela enquanto a sentia dentro dele.
Os olhos de Cara se arregalaram quando seu corpo navegou. À
medida que os sentimentos entre eles aumentavam, não podia mais
dizer quais sentimentos, quais compulsões eram dela. Não poderia
imaginar o fogo brotando dentro dele. A cega necessidade, levar,
reivindicar. O desejo básico e primitivo que o levou a afirmar seu
domínio, a imprimir sua própria alma nela. Nela. Ela ignorava
alegremente a força incrível que ele demonstrara até agora. Em seu
controle.
Quando o aceitou, quebrou.
Seus dentes travaram no pescoço dela quando ele bateu com
mais força, mais fundo nela. Sangue doce picante provocou seu próprio
paladar enquanto ele bebia. Ela podia sentir a força e a luz que o
enchiam quando ele desejou seu sangue. Quando deixou isso
preenchê-lo. Enquanto ela o enchia.
Com um grunhido carnal, ele torceu os quadris e a enviou para
um lugar onde não estava. Em algum lugar que não poderia ter
imaginado. Explodiu em um milhão de pedaços sem um pensamento
coerente de proteção, de permanecer apegada ao seu mundo. Havia
apenas ele. E ele a seguiu com um grito rouco.
Então, quando viu a escuridão, o sono a reivindicou com braços
macios.
O conforto de um sono irracional era dela apenas por um curto
período. Sua mente, talvez sua alma, não a deixaria tão fácil. Mudou
alguma coisa. Ela finalmente aceitou uma parte de si mesma e sua
consciência tinha um preço a pagar. Como um jogador que paga o seu
apostador, o reembolso só pode ser encontrado no reembolso.
O sonho começou nublado como um dia de verão no sul. Andou
com um lindo vestido florido azul, sua pequena Bíblia marrom agarrada
nas mãos minúsculas quando a porta de tela desbotada se fechou atrás
dela. Flores alaranjadas perfumavam o ar. — Está tudo bem,
mamãe. Não fiquei chateada — ela disse suavemente para a mãe
enquanto descia os degraus.
— Não estou chateada. — A mãe olhou para trás com olhos azuis
machucados, uma ruga de preocupação entre as sobrancelhas.
— Sim, você está, eu posso sentir — ela disse com certeza.
Ela não o viu parado ao lado da casa. Não teria falado de outra
maneira. O golpe a pegou de surpresa e gritou quando bateu no chão
duro de terra. — O diabo está em você tanto quanto sua irmã. — Papai
gritou, suas bochechas coradas bufando em um rosto redondo e
indignado. — Se eu pude arrancar Satanás dela, posso arrancá-lo de
você. — Sua grande sombra caiu sobre o sol enquanto ele se
aproximava.
Gritando de alarme, ela acordou e se viu apertada contra um
peito firme. Calor e pinho temperado cobriam sua pele, fornecendo
calor através dos músculos, ossos e coração para sua alma.
— Sinto muito. — Murmurou Talen contra sua testa, tendo
caminhado em seu sonho com ela. — Deixe sair, querida.
Ela balançou a cabeça, mesmo quando as lágrimas começaram
a cair. Ele a abraçou, sussurrando palavras reconfortantes em idiomas
que nunca tinha ouvido antes. Mas ela as sentiu em seus
ossos. Finalmente, quando terminou, ele afastou os cabelos da testa. —
Eu o mataria se já não estivesse morto. — A suavidade da voz de Talen
falhou em esconder a raiva que vibrava em seu corpo.
Ela se enterrou em seu calor. Em segurança. — Não me importei
quando meu pai morreu. Mas desejei que mamãe pudesse ter
vivido. Segura e feliz em lugar de morrer com ele.
— Eu sei, bebê. — Ele colocou as cobertas com mais segurança
em torno deles. — Vá dormir, Cara. Posso proteger você em seus sonhos
agora. Confie em mim.
Surpreendentemente, ela fez. O sono foi um conforto desta vez.
Cara colocou a tigela de pipoca na mesa resistente ao lado do
sofá de couro e bocejou no final das horas. — Esse foi o filme de
lobisomem mais idiota que eu já vi. — Ela lutou contra o desejo de
sussurrar na silenciosa casa da fazenda de Jordan, mesmo que ela e
Katie fossem as únicas ocupantes.
Katie riu enquanto colocava o disco de volta no seu suporte. —
Sim. Faço Jordan assistir quando estou realmente irritada com ele.
Cara revirou os olhos. — Eu sei, pensei que os tínhamos
convencido dessa vez a nos deixar ir para o ataque. — Ela estava no
rancho por cinco semanas agora, e era hora de ir para casa. Embora
gostasse de formar amizade com Katie, sua filha precisava dela. Diria
a Talen no segundo em que voltasse.
— Eu gostaria. Estou enlouquecendo aqui. — Katie gemeu.
Cara sorriu quando a curiosidade tomou conta dela. — Há
quanto tempo você mora com Jordan?
— Não moro com ele. — Katie suspirou. — Tenho o meu próprio
lugar. Só ficarei aqui até descobrirmos o que os Kurjans estão fazendo.
— Oh. — Cara assentiu. — Então, se não se importa que eu
pergunte, exatamente quantos anos você tem?
Katie sorriu. — Exatamente vinte e quatro.
— Realmente?
— Sim. Sou o único membro do nosso clã com menos de cem
anos. Às vezes é realmente péssimo.
— Uau. Você continuará envelhecendo?
Katie balançou a cabeça. — Não. Provavelmente já terminei.
— Por que não há mais de você?
— A maioria das criaturas do Reino tem dificuldade em se
reproduzir. Os bebês são bastante raros, mesmo com os companheiros
presos há séculos. — Katie torceu o nariz. — Provavelmente, à maneira
do destino de garantir que não produzimos em massa e dominamos o
mundo.
— Humanos de sorte — disse Cara ironicamente.
Katie assentiu seriamente. — Sim. Seus números absolutos
equilibram um pouco a balança.
Cara abriu a boca com outra pergunta, assim que o telefone
tocou.
— Olá? — Katie congelou no lugar. — Espere um minuto. Espere
um minuto. Calma, Dr. Bigsby, não consigo entender
você. Onde? Quando? Não, ele não está aqui. — Ela levantou os olhos
castanhos preocupados para Cara enquanto ela ouvia. — Não, não sei
quando voltará. — Ela ouviu mais. — Você tem certeza? Quantos? —
Os olhos dela ficaram desesperados. — Amostras? Onde você está
agora? Sim. Fique dentro de casa com outras pessoas. Chegaremos aí
o mais rápido que pudermos. — Ela desligou o telefone.
— Bigsby está fugindo e está em uma parada de caminhões fora
de Martzaville. —Katie passou a mão frustrada pelos cabelos loiros.
— Existe alguma maneira de entrar em contato com Jordan?
Katie soprou ar. — Eles poderiam ter ido a noite toda. E Bigsby
disse que acha que alguns Kurjans estão esperando do lado de fora do
restaurante por ele.
— Você disse amostras? — A mente de Cara se aguçou.
— Sim. Ele coletou amostras e muitos de seus dados.
— Você pode dizer se ele está mentindo?
— Ele não está. Ele trabalhou conosco por muito tempo. Além
disso, posso dizer se alguém está mentindo. O tom de sua voz muda
um pouco. Ele está apavorado. E dizendo a verdade.
— Precisamos ir buscá-lo. — Cara ficou de pé.
— Nossa, Cara. Você sabe que é uma armadilha, certo?
— Você disse que ele está dizendo a verdade.
— Ele está. Mas o cientista não é exatamente o operador secreto
que você pensaria. — Katie disse ironicamente. — Se ele pode ir ao
restaurante e nos ligar, os Kurjans o permitiram. É uma armadilha.
— Oh. — Cara pensou por um momento. — Mas eles esperarão
Jordan, certo?
Katie apertou os lábios. — Sim, vejo para onde vai.
— E eles não esperarão para sempre para fazer a sua jogada,
vão?
Katie passou as duas mãos pelos cabelos grossos, mordendo o
lábio inferior. Elas ficaram em silêncio no final da hora, enquanto se
entreolharam através da confortável sala de estar. Finalmente, Katie
assentiu. — Tudo bem, vamos lá. — Ela foi em direção ao escritório da
casa para apertar um botão e revelar uma sala escondida cheia de uma
infinidade de armas. Ela se esquivou do lado de dentro, pegou armas e
várias facas antes de entregar duas armas para Cara, que encolheu os
ombros e colocou uma na parte de trás da cintura, mantendo a outra
na mão. Tão fria, verde e pesada quanto ela se lembrava.
— Por que as armas são verdes? — ela perguntou.
Katie se abaixou e pegou um telefone celular comum em uma
caixa. — Elas emitem balas especiais de energia dura que afetam os
Kurjans, vampiros e shifter. — Ela se virou e apertou o botão
novamente para que o painel se fechasse. — Então, não atire em mim
acidentalmente.
— Farei o meu melhor — respondeu Cara, forçando a sua mente
a aceitar que estava saindo para resgatar um cientista com duas armas
em seu poder. Era bom que eles apontassem e atirassem, porque sua
única experiência com uma arma foi quando ela protegeu Katie do
soldado Kurjan. Cara, se Emma pudesse vê-la agora. — O que há com
o telefone?
— É descartável. No caso de precisarmos ligar de volta aqui ou
Bigsby.
Ela e Katie saíram na Dodge Ram SRT-10 de Jordan com
potência Viper e aceleraram a um ritmo que não podia ser seguro. Até
ela ouvira falar da caminhonete mais rápido que rápido. Cara afivelou
o cinto de segurança e engoliu em seco quando Katie a seguiu.
— O que você acha que eles farão quando receberem nosso
bilhete? — Cara perguntou nervosamente.
— Virão atrás de nós. — Veio sua resposta tensa.
— Quão loucos você acha que ficarão?
— Não acho que devemos pensar sobre isso.
Cara assentiu. — Gosto desse plano. Sem pensar.
— Além disso. — Katie ficou de pé com mais força no chão e as
árvores escuras iluminadas por uma meia-lua se misturaram do lado
de fora. — Só temos cerca de uma hora para pensar em um bom plano.
Cara assentiu. — Deveríamos chegar lá por volta da meia-noite,
então, infelizmente, a parada do caminhão não estará ocupada. Você
se transformará num leão?
— Apenas como último recurso. Os Kurjans não sabem de mim,
e estou sob ordens bastante rígidas para mantê-lo assim. Mas. — Katie
olhou seriamente para Cara. — Se eu começar a mudar, fique fora do
caminho. A energia liberada pode quebrar todos os ossos que você tem.
Cara esperava que não chegasse a isso. — Sabe, parece que
quanto mais pessoas na parada de caminhões, melhor estaremos.
Katie assentiu em concordância.
— Acho que o telefone descartável é fiel ao seu nome? Quero
dizer, abandonaremos se usarmos?
— Sim.
— Então vamos usá-lo.
— O que você quer dizer?
— Quero dizer, chamaremos uma ameaça de bomba. Ou uma
ameaça de antraz. Ou algum tipo de grande ameaça que levará a
polícia, o exército ou ambos à parada de caminhões.
Katie pensou por um momento. — Essa é uma boa ideia. Mas
precisaremos remover a bateria e danificar o telefone assim que
terminarmos, para que não possa ser rastreado. E então não teremos
telefone.
Cara deu de ombros, sem ver uma alternativa. — Com que
rapidez as autoridades dessa área responderão a uma ameaça?
— Dez, quinze minutos.
— OK. Avise-me quando chegarmos a dez minutos.
Antes que Cara percebesse, era hora de fazer a ligação. Katie
parou o carro e eles ficaram do lado de fora com grilos cantando na
noite agora seca, quando Cara discou 911 com o relato de ter visto uma
bomba na traseira de um dos caminhões na parada. Elas haviam
decidido que um antraz ou uma ameaça biológica criava mais diversão
do que desejavam. Depois de dar as informações, Cara desligou o
telefone e o entregou a Katie, que arrancou a bateria e rasgou o restante
antes de jogar as peças na floresta. Elas saltaram de volta para o carro
e aceleraram em direção à parada do caminhão.
O único ponto de luz ao longo da estrada escura 35, a parada de
caminhões, iluminava a noite por quilômetros. Enquanto Katie entrava
no estacionamento iluminado, uma voz masculina forte soou com um
retumbante – Pare, volte para o rancho! — Na cabeça de Cara. Ela
empalideceu e agarrou a cabeça com as duas mãos. — Oh.
— O quê? — Katie virou-se preocupada.
— Poderia jurar que Talen gritou comigo na minha cabeça. — Ela
virou os olhos incrédulos para sua amiga enquanto seu coração
acelerava ainda mais.
— Oh. — Katie torceu o nariz. — Porcaria. Acho que eles sabem
onde estamos.
— O quê?
— Cara. Ele realmente não explicou tudo isso para você, não é?
— Katie se aproximou da lanchonete comprida que lançava luz pelas
janelas retangulares ao longo do lado vermelho e amarelo.
— Não. — Cara abaixou as mãos. — Você está me dizendo que
ele pode ler minha mente?
— Oh, não de jeito nenhum. Ele pode apenas rastreá-la e,
aparentemente, enviar uma mensagem forte ou duas. — Katie olhou
para fora antes de se virar para Cara. — Eu acho que você pode fazer
a mesma coisa. Feche os olhos e descubra se eles estão no rancho ou
ainda estão nas instalações.
Cara balançou a cabeça em descrença antes de fechar os olhos e
se concentrar em Talen. Nada veio à mente. Ela clareou seus
pensamentos e tentou novamente. A imagem embaçada de um grande
edifício branco entrou em foco e ela abriu os olhos surpresos para a
amiga. — Eles não estão no rancho.
Katie bateu no volante. — Foi o que eu imaginei. Não temos
tempo para esperar por eles. — A voz em sua cabeça parecia louca?
— Oh sim.
— Porcaria. Oh, bem, chegamos até aqui. Pararei ao lado da
porta, e quando parar, corrermos.
Cara puxou a camisa para cobrir as duas armas e assentiu. Katie
parou a caminhonete e as duas saltaram e correram para a porta.
Cara deu um suspiro de alívio quando a porta se fechou atrás
delas. O interior era claro e quente, com mesas laranja e grossas
cabines azuis ao longo da janela. O bacon cozido e oleoso perfumava o
ar. Vários olhares masculinos se viraram surpresos ao ver as mulheres
passarem pelas mesas para se sentarem em frente a um homem mais
velho em um casaco bege. Ele tremia enquanto segurava um caderno
nas mãos.
— Katie? Onde está o Jordan? — Olhos castanhos preocupados
espiaram através de óculos grossos sob os cabelos grisalhos que
estavam em pé.
Katie deu de ombros. — Na instalação. Dr. Bigsby, essa é Cara.
Cara assentiu. — Você tem as amostras?
Bigsby bateu de leve em uma grande pasta de couro, sentada no
banco ao lado dele. — Sim, e todos os meus dados. Mas vi pelo menos
um Kurjan hoje à noite. — Ele encolheu os ombros ossudos em
derrota. — Não sei como eles me encontraram.
Os olhos de Katie encontraram os de Cara. O médico
provavelmente foi levado para a área remota. — Dr. Bigsby, achamos
que isso provavelmente é uma armadilha. Você precisa estar pronto
para correr, certo?
— Armadilha? Correr para onde? — A voz do médico aumentou.
— Para o carro preto estacionado do lado de fora — respondeu
Cara, estendendo a mão para acariciar sua mão retorcida.
Nesse momento, os veículos da polícia pararam do lado de
fora. Luzes azuis e vermelhas brilhavam assustadoramente ao redor da
lanchonete quando vários policiais saltaram de seus veículos e foram
para os caminhões estacionados do outro lado do estacionamento. Dois
caminhões de bombeiros, uma ambulância e um veículo grande
marcado com BOMB SQUAD rolaram para paradas rápidas.
Uma mulher corpulenta, de uniforme marrom de xerife, entrou
na lanchonete e levantou a mão. — Gente, preciso que vocês sigam até
a saída mais próxima o mais rápido possível, por favor. — Seu curto
cabelo preto saltou quando ela assentiu. Utensílios bateram contra os
pratos enquanto as pessoas se levantavam de suas refeições.
Cara se levantou e sussurrou para Bigsby segui-las. Eles
caminharam atrás de vários caminhoneiros em flanela até a noite
úmida e em direção ao caminhão. Bigsby subiu nas costas com a
maleta apertada ao lado dele no banco. Cara e Katie subiram na frente
e Katie saiu lentamente do estacionamento.
— Você consegue sentir algum Kurjans ao nosso redor? — Bigsby
sibilou.
Katie balançou a cabeça. — Eles devem ter decolado quando os
policiais chegaram. — Ela deu um sorriso aliviado para Cara quando
eles aceleraram na escuridão. — Bom plano.
Cara engoliu em seco quando o suave luar brilhou em seus
rostos. Eles não estavam em casa ainda, a maior ameaça
provavelmente seria encontrá-la lá. ― Sim. — Ela concordou
sombriamente.
Katie deu de ombros. — Esperava que chegássemos em casa
antes deles, mas eu esqueci que Talen poderia te rastrear. Quão loucos
eles podem estar? Pegamos Bigsby e não disparamos um tiro.
— Você está tentando me convencer ou a si mesma? — Cara
perguntou ironicamente.
— Nós duas. — Katie respondeu calmamente.
Elas andaram por vários quilômetros em silêncio, todos perdidas
em seus próprios pensamentos. Quando saíram da estrada para a
estrada menor, Katie ficou tensa.
— O quê? — Cara perguntou, olhando para fora.
Katie ficou quieta por um momento; ela levantou a cabeça
enquanto pensava. —Nada, eu acho. — Ela encolheu os ombros. —
Imaginação selvagem.
Cara relaxou em seu assento enquanto o borrão das árvores
passava do lado de fora. — Foi uma noite louca.
Katie assentiu e depois gritou quando uma explosão rasgou o
ar. O carro virou para a esquerda com um guincho agudo. Ela lutou e
endireitou o veículo grande apenas para ter mais três explosões
afetando os pneus em rápida sucessão. O carro seguiu
descontroladamente até bater de cabeça em um pinheiro antigo.
Cara gritou quando foi jogada no cinto de segurança antes que o
airbag a batesse contra o assento, arrancando o ar dos pulmões. A
bolsa esvaziou com uma tosse empoeirada. Uma pontada estranha de
galhos caindo sobre o metal encheu o ar.
Ela virou os olhos arregalados para Katie, cuja boca formava um
O perfeito. — A armadilha não estava no restaurante.
Quietude se instalava no carro com uma batida perigosa. Com a
respiração ofegante, Cara olhou para a luz pouco iluminada em busca
de qualquer sinal de movimento. Tudo ainda estava na estrada deserta.
— Eu posso senti-los. — Katie arrancou o cinto de segurança. —
Existem pelo menos cinco.
— Caramba. — Cara tirou o cinto e pegou as duas armas antes
de se virar para verificar Bigsby.
— Estou bem — disse o médico, cansado, enquanto também
desabotoava o cinto de segurança. Após um momento de reflexão, Cara
entregou a ele uma de suas armas. Ele assentiu em resposta e virou-
se para a noite. Terror e determinação fluíram dele em ondas fortes, e
ela se concentrou em bloquear os dois.
— Então, nós não fomos tão espertas, hein? — Cara perguntou
suavemente.
— Não. — Os olhos de Katie rodaram para um marrom mais
claro. — Sou mais forte se eu mudar.
— Mas eles saberão sobre você. — Pensamentos zumbiram
através do cérebro de Cara. — Usaremos as armas, então se você
precisar, pode mudar e....
Uma figura apareceu do lado de fora do veículo e arrancou a
porta das dobradiças. Ela gritou e pegou Katie, mas mãos ásperas a
arrancaram do carro. Seu grito ficou silencioso quando ela olhou nos
olhos roxos maus. Raiva bruta e escura emanava dele, e ela lutou para
arrancar os escudos no lugar.
Dentes amarelos brilhavam quando os Kurjan a arrastaram para
a estrada antes de se inclinar para cheirar o pescoço.
— Ela está acasalada. — Ele rosnou por cima do ombro para o
Kurjan arrastando Katie e o médico na direção deles. Cara começou a
lutar contra as mãos fortes que a seguravam. Ela largou a arma quando
ele a puxou do carro, e sua mente trabalhou furiosamente para
encontrar uma fuga.
O soldado Kurjan sacudiu-a bruscamente. — Pare.
Cara olhou desesperada para Katie, que estava com um Kurjan
enquanto o outro segurava o médico. A lua brilhava em uma cena
tranquila feita para o amor, não sangue. Vestidos de preto, de botas e
coletes grossos, os Kurjans tinham várias armas enfiadas por toda
parte. Seus cabelos grossos brilhavam de um vermelho sobrenatural
na luz suave.
Outro Kurjan saiu da floresta para parar diante de Cara. Ele era
mais alto, mais largo que os outros, e duas barras vermelhas metálicas
decoravam seus ombros. Ele atirou uma unha afiada contra o queixo e
puxou a cabeça dela para encará-lo.
— Eu sou Lorcan. — Sua voz ressoou durante a noite, e Cara
lutou para não se encolher. — Você deveria ser a minha companheira,
Cara.
Ela olhou surpresa ao usar o nome dela, e então a fúria tomou
conta dela. ― Acho que é tarde demais, idiota.
A garra debaixo do pescoço cortou a pele delicada. Dor aguda a
atravessou, seguida de puro terror. Ele forçou o rosto mais para cima
e ela mordeu o lábio para não gritar.
— Não necessariamente humana. Nossos cientistas têm
trabalhado mais do que nossa aversão ao sol. — Ele deu um passo para
trás e colocou o dedo vermelho na boca. — Delicioso.
O estômago de Cara se revoltou. Uma fome forte, sombria e
maligna, bateu contra seus escudos, manchando-a. Ela bateu a bile
subindo na garganta.
— Onde está a sua filha? — Ele se aproximou e quase
gentilmente raspou a mesma unha muito comprida pelo lado do
rosto. O Kurjan atrás dela a impediu de recuar, então Cara só pôde
ficar lá e encarar.
Bigsby começou a lutar e o soldado que o segurava derrubou o
cotovelo no pescoço, enviando o cientista ao chão. Inconsciente.
Cara olhou para Bigsby, suspirando de alívio quando o peito do
homem se movia enquanto ele respirava. Ele ainda estava vivo. — Você
nunca encontrará a minha filha. — Pelo canto do olho, ela podia ver
Katie girando para ficar entre dois dos soldados Kurjan.
Lorcan sorriu afiados dentes amarelados para ela.
— Veremos sobre isso. A vida de nossos oráculos depende de
estarem corretos sobre o futuro. Eles sempre estão.
Cara manteve o rosto calmo quando Katie deu um sinal e jogou
uma arma verde em seu caminho. Então o ar começou a brilhar ao
redor da jovem.
— Foda-se — berrou o Kurjan mais próximo quando uma força
do ar o soprou para trás vários metros. Ele caiu com um baque agudo
no asfalto escuro. O outro Kurjan caiu de quatro quando um leão da
montanha estava em cima de roupas rasgadas onde Katie estivera. Ela
não perdeu tempo em ir para a garganta dele.
Cara pegou a arma e atirou no peito de Lorcan, jogando-o para
trás a vários metros. Ela se virou para correr, apenas para que o Kurjan
atrás dela a envolvesse com os dois braços, imobilizando-a
efetivamente. Ela manteve o olhar em Lorcan enquanto ele lutava para
recuperar o equilíbrio, o que aconteceu mais cedo do que ela
gostaria. Com um rugido feroz que levantou os cabelos da nuca dela,
ele correu para a frente e passou uma das mãos ossuda ao redor de
sua garganta. Ele apertou, cortando o suprimento de ar dela. Seus
olhos lacrimejaram e seus pulmões se apertaram. Ele acenou com a
cabeça para o monstro que a segurava. — Vá cuidar do Shifter.
Os braços de Cara caíram inutilmente ao seu lado. Sua visão
ficou cinza, ela balançou em direção ao inimigo. Lorcan baixou o rosto
para um centímetro do dela, o hálito sujo dele lavando a boca de Cara
enquanto falava:
— Quebrar você será agradável.
Um grito agudo de felino atravessou a noite, seguido por um uivo
furioso a quilômetros de distância.
A consciência a atingiu quando percebeu que ainda segurava a
arma. Ela levantou e puxou o gatilho. Lorcan a soltou e recuou dois
passos. O ar começou a arder em sua garganta até que os pulmões
gritavam e ela engoliu em seco. Uma névoa sombria ainda nublava sua
visão, mas sua mão continuava disparando contra o monstro à sua
frente.
Lorcan recuou com um uivo estridente. Então pulou para a
esquerda e levantou o corpo flácido de Bigsby do chão para usá-lo como
escudo. Com um soluço de fúria, Cara parou de atirar e procurou uma
saída. Katie estava inconsciente na forma humana nua com um Kurjan
decapitado ao lado dela. O soldado Kurjan atingido pela explosão ainda
estava deitado a vários metros da estrada. Ele lentamente se levantou
e começou a rondar na direção delas.
Aquele que segurava Cara estava sobre Katie e deliberadamente
colocou o pé na parte de trás do pescoço dela, pressionando o rosto no
asfalto áspero.
Lorcan deu um assobio agudo. — Largue a arma, ou o mandarei
esmagar o pescoço dela. Mesmo um Shifter masculino não se curaria
disso, Cara. — Ele continuou segurando um Bigsby inconsciente na
frente dele.
Com um último olhar desesperado, Cara largou a arma aos seus
pés.
— Chute-a para mim. — As presas de Lorcan brilharam
brilhantes e perigosas.
Tremendo na noite úmida, Cara chutou a arma.
— Cara — Lorcan falou suavemente — Observe o que acontece
quando você me desafia. — Com um brilho sombrio, ele levantou o
corpo de Bigsby a um pé do chão, prendeu as presas no pescoço do
médico e começou a beber com força. Seus olhos escureceram para
preto, depois mudaram para vermelho.
— Não. — Cara gritou quando começou a avançar, apenas para
que o Kurjan retornasse a agarrasse pelos cabelos e a puxasse de
volta. Ela lutou quando a cor de Bigsby mudou de um rubor saudável
para um branco pastoso. Até que seu sangue foi drenado. Seus olhos
permaneceram fechados até Lorcan dar de ombros despreocupado e
jogá-lo no chão. Lorcan atirou a língua para fora para lamber o líquido
vermelho dos lábios manchados.
Ele deu um passo em sua direção. ― Você tem um gosto melhor.
Uma névoa cinzenta desceu sobre sua visão e ela começou a
balançar. Um rugido soou, o Kurjan que a segurava foi arrancado e o
chão se levantou para encontrá-la. A última coisa que ela viu antes de
sucumbir à escuridão foi Talen, seus olhos de um verde selvagem, seu
rosto uma máscara selvagem e suas presas cobertas de sangue.
Talen realmente não sentia medo há séculos e pensava
furiosamente que não gostava disso. Ele rapidamente arrancou a
cabeça do Kurjan que ousara tocar sua companheira. Então ele se
lançou em direção a Lorcan, levando o líder ao chão em um barulho de
osso. Sangue espalhado por sua mão antes de dois soldados o
afastarem.
Jogando os cotovelos, ele os jogou para trás e se virou. Os dois
pularam para ele. Ele parou o mais novo no meio do voo com um mero
pensamento. Mas ele permitiu que o segundo o derrubasse no
chão. Para que pudesse sentir o sangue quente de seu inimigo. Ouviu
vagamente Jordan rugir na clareira.
Sua faca brilhou, afiada e perversa. Sangue vermelho profundo
cobria o asfalto enquanto a cabeça do Kurjan rolava para longe de seu
corpo. Talen se levantou, seu olhar em Lorcan, seus caninos se
alongando até o animal dentro com fome.
O que ele congelou se soltou com um grito agudo de raiva e o
apressou em um ataque esmagador. Eles pegaram a estrada, deixando
um entalhe em forma de tigela na superfície dura. Talen atirou um
cotovelo na traqueia do soldado e rolou até montar no inimigo que
lutava. Um corte rápido no pescoço e a luta parou.
Talen se levantou, a fúria enchendo seus poros na estrada agora
vazia. Lorcan havia desaparecido. O forte desejo de caçar guerreava
com a necessidade de levar sua companheira para a segurança. Como
sempre seria o caso, sua companheira veio primeiro.
A última mulher não morreu fácil. Kalin não sabia por que, mas
ele gostava disso nela. Nada de especial, nenhuma habilidade extra,
certamente não alguém que ele pudesse levar de volta ao
acampamento. No entanto, ela lutou contra a morte como um animal.
No entanto, no final, deu seu último suspiro. Mesmo seu Deus
não a salvaria, mais uma prova da condenação dessa presa tola e
fácil. As árvores grossas forneciam copa da lua brilhante na floresta
tranquila, sem vida se arrastando. Nada na natureza era tão mortal
quanto ele.
Ele se perguntou, quando o esporte se tornaria emocionante
novamente. Quando a emoção retornaria. Possivelmente não por
décadas, quando ele finalmente a conheceu. Janie. Tão longe, mas um
piscar de olhos para o seu povo.
As noites de outono em Minnesota haviam esfriado a uma
temperatura confortável. Ele enterrou a pá com sua última presa,
chutando o restante do pé de terra. Virando o pescoço, examinou a
área, certificando-se de que tinha limpado. Então, com um olhar para
a lua minguante, começou a correr para casa, pensando em sua futura
companheira. Tentou repetidamente entrar nos sonhos de Janie, mas
se chocou contra algo forte cada vez; mais alguém estava lá, alguém
que provavelmente nem sabia que o bloqueava.
Kalin tinha pouco interesse pela jovem Janie naquele momento,
mas a outra presença, uma presença perigosa, ainda em
desenvolvimento, bem isso era interessante.
Ainda se perguntando sobre o novo jogador, Kalin escalou a
parede de pedra e se esquivou da entrada da caverna obscurecida antes
de pressionar a palma da mão contra a rocha manchada. A parede se
abriu, revelando um grande elevador que desceu na terra. Ignorou as
sentinelas postadas de ambos os lados enquanto emergia e passeava
pelo tapete felpudo até os aposentos de seu pai.
Três mulheres humanas saíram exatamente quando chegaram à
porta pálidas, trêmulas, cheirando a medo sulfúrico, mantiveram os
olhos baixos enquanto passavam por ele. Respirou fundo, girando para
detectar o vermelho escorrendo de um pescoço fino. Tentação de cobre
e doce encheu suas narinas. Seu pai estava se alimentando.
Sorrindo, Kalin atravessou a porta. Luz suave, carpete de marfim
e grossos painéis de carvalho mostravam classe e elegância, enquanto
pinturas a preto, vermelho e branco enfeitavam as paredes. Cenas de
sangue e morte distorcida. Se nada mais, seu pai realmente tinha um
excelente gosto em arte.
— Pai? — Ele chamou, movendo-se em direção à pequena
cozinha à esquerda.
— Aqui. — Lorcan retornou em um rosnado baixo.
Kalin parou ao ver seu pai sangrando sobre a mesa de carvalho.
― Presumo que o plano não ocorreu bem? — Deveriam tê-lo deixado ir.
Lorcan sibilou, pressionando uma toalha encharcada de sangue
no pescoço. — Não. O cretino quase arrancou minha jugular e a viagem
de helicóptero para casa levou uma eternidade. Está me levando uma
eternidade para curar. — Ele correu avaliando os olhos roxo—
avermelhados sobre o filho. — Onde diabos você estava?
Kalin deu de ombros, pegando a lata de biscoitos no armário,
feita especialmente em Londres. — Fora.
Jogando a toalha encharcada na pia, Lorcan arrancou o restante
de uma manga esfarrapada, revelando várias quebras no braço
esquerdo. — Mal posso esperar até você terminar com a
puberdade; isso está ficando cansativo. — Suas pálpebras se fecharam
e ele respirou fundo, os ossos voltando ao lugar com um estalo
agudo. Seus olhos rodaram roxos através do vermelho quando ele os
reabriu. — Você cobriu seus rastros?
— Claro. — O fracasso de seu pai irritou Kalin. Ele estava ansioso
para conhecer a mãe de Janie, talvez de tê-la. — Suponho que um dos
Kayrs apareceu?
— Sim. Talen Kayrs. Junto com um clã de shifters. — Lorcan
esfregou o queixo. — Só espero que o primo Franco não tenha ouvido
falar do desastre.
— Você acha que ele vai desafiá-lo pelo trono? — Kalin mastigou
um biscoito, se perguntando se seria ele quem acabaria por matar seu
pai pelo título.
— Sim. Eu pensei em colocar a minha esposa no lugar e com a
criança antes de Franco ficar tentado demais. Odiaria ter que matar
um dos nossos melhores lutadores na véspera de outra guerra com os
vampiros.
Kalin deu de ombros. — Eu digo para o tirarmos agora.
O pai dele suspirou. — Kalin, você precisa entender
estratégia. No momento, precisamos de Franco e sua força para
combater o Reino. Iniciar a nossa própria guerra interna levaria a um
desastre para nós. E seu futuro acasalamento é imperativo.
— Você entende o porquê? —Kalin jogou a lata de volta para
dentro e fechou o grosso armário de carvalho. — O que há de tão
especial nessa garota humana? — Ele se perguntou o que os oráculos
haviam revelado.
Lorcan o lançou com um olhar afiado. — Não. Pensei que você
tivesse uma ideia, considerando as habilidades psíquicas de sua mãe.
Kalin levantou uma sobrancelha, mentindo com facilidade. —
Não faço ideia. Talvez não tenha me passado a capacidade psíquica
suficiente. — Conhecimento era poder, e ele pretendia reunir o
máximo. — Bem, pai, deixarei você descansar. Vejo você de manhã. —
Ele se virou, imaginando se hoje seria a noite em que ele finalmente
invadiria os sonhos de Janie. Ele tinha a sensação de que seu maior
adversário, quem quer que fosse essa presença, estaria esperando por
ele lá.
As presas de Kalin se alongaram, seu coração acelerou e sorriu.
Cara acordou bem descansada e espreguiçada, grata por estar
viva. Talen e Jordan cuidaram dos soldados Kurjan enquanto Lorcan
escapou. Estremeceu na cama quente com o pensamento. Katie foi
nocauteada e voltará à consciência no caminho de volta para casa
depois que um dos homens de Jordan as resgatou, e o corpo de Bigsby
foi enterrado pelo mesmo homem mais tarde naquela noite. Enquanto
ela e Katie tinham ido para a cama, os homens haviam se mudado para
um centro de pesquisa adicional que haviam descoberto a partir de
arquivos recolhidos no ataque anterior. Talen a avisou de que vários
guardas estavam posicionados em torno do rancho, e ela deveria ficar
parada.
O som do chuveiro a fez pular da cama. Talen estava de volta. Ele
a informou na noite anterior que eles discutiriam suas atividades
quando ele voltasse e ela tivesse uma boa noite de sono.
Com uma careta, vestiu suas roupas e praticamente saiu
correndo do quarto para a cozinha silenciosa. Estava vazia. Era muito
cedo para sair da cama. Ela olhou para uma cesta cheia de maçãs no
balcão e o seu estômago balançou. Ela não estava com fome.
— E aí Cara. Fugindo, não é? — Sua voz era um rosnado
profundo.
Assustada, virou de costas para o balcão de granito, derrubando
a cesta de maçãs. — Talen, você me assustou. — Ela sussurrou.
— Acredito que disse para você parar e voltar ao rancho na noite
passada. — Sua voz sedosa despertou as borboletas no estômago dela
quando ele avançou na cozinha para parar a alguns metros dela.
Deu uma boa olhada no homem diante dela. A forma
extremamente selvagem, pura e dominante de um homem. ― Hum. —
Ela começou quando a tensão começou a cercá-la, preenchê-la. —
Tivemos que ir atrás de Bigsby, você sabe disso. — Então, quando
percebeu sua vulnerabilidade em responder a um homem,
especialmente esse homem, levantou o queixo.
Olhos dourados escuros se estreitaram em um rosto forte. Os
cabelos molhados em sua nuca não fizeram nada para amolecê-lo. Ele
ergueu uma sobrancelha para a leve demonstração de desafio dela, e
seus músculos tremeram como um Dobermann se controlando antes
de receber o comando de ataque. — Atrás do Bigsby? Sabendo muito
bem que os Kurjans esperavam por você? — O próprio ar vibrou ao seu
redor enquanto ele se movia, sua voz perigosamente suave.
Ele deu outro passo mais perto.
Ela reprimiu um arrepio com a tensão. No perigo que a
rodeava. Notou tardiamente que sua calcinha estava ficando
molhada. O perigo não deveria excitá-la, pensou, enquanto suas
pupilas largas rastreavam a ameaça diante dela. Isso não deveria
excitá-la.
Ele estava vestido de preto, uma camiseta apertada enfatizando
a força e os músculos de seu torso. Assim como seus braços cruzados
com bíceps de aço. Um músculo vibrou em seu queixo inflexível quando
a examinou, da cabeça aos pés, como um predador examinando uma
presa, garantindo sua segurança.
Droga, ele parecia chateado, e um arrepio percorreu suas
costas. Sua calcinha ficou ainda mais molhada. Tentou esconder o
arrepio revelador, mas seu sorriso divertido mostrou que ele viu. Não
apenas o arrepio, mas o efeito sobre ela. E isso a irritou. Acolheu a
chegada de seu temperamento como um alívio desse outro sentimento
desesperado. Na verdade, se apegou a isso.
O queixo dela se levantou mais alto, e ela encontrou o olhar de
aço dele de frente. — Sim. Era a coisa certa a se fazer. E sabe disso. —
Suas bochechas coraram enquanto falava diante do perigo. Mas seus
olhos permaneceram firmes nos dele, mesmo quando seu corpo ficou
tenso para fugir.
Ele parou. Completamente. Seus olhos se transformaram em
algo predatório, algo intenso. Ele inclinou a cabeça para um lado e sua
voz, quando falou, era sombria, sedosa e perigosa.
— Você quer me domesticar, pequenina? — Ele deu um passo
mais perto, um pé descalço, o ar cheio de tensão permanecendo entre
eles.
O calor indesejado correu por seu corpo e quase a dobrou. O
temperamento e o desejo guerreavam por toda parte. Ele não estava
jogando. Ela não precisava lê-lo para saber que estava falando
sério. Seus olhos percorreram a grande cozinha, procurando escapar
do macho alfa intimidador diante dela. Não havia nada.
Não tinha palavras para combater esse efeito em seus sentidos,
para combatê-lo. O desafio era a sua única defesa, então ela inclinou
os lábios em um pequeno sorriso que era em parte doce e puro
atrevimento.
— Assim seja. — Ele rosnou em reação imediata. Um longo passo
diminuiu a distância entre eles antes que se abaixasse e a jogasse sobre
um ombro largo masculino. O impacto chocante tomou fôlego quando
ele se virou e seguiu pelo corredor. A respiração dela voltou apressada
enquanto lutava por cima do ombro dele, as mãos apertadas batendo
na grande extensão de suas costas duras.
— Pare com isso. — Uma grande mão masculina bateu em seu
traseiro.
Seu grito de indignação e o aumento na luta não teve efeito sobre
ele. Ele entrou pela porta do quarto e fechou-a com uma bota
grossa. Controlou facilmente o seu corpo, balançando-a para se apoiar
em seus braços. ― Isso é domesticar. — Os olhos dele não mostraram
piedade quando uma das mãos arrancou seu jeans e calcinha antes de
jogá-la na cama em suas mãos e os joelhos.
A força absoluta de seus movimentos a fez recuperar o fôlego
quando se viu de frente para a cabeceira da cama, completamente
exposta a esse ser mais forte do que qualquer homem humano. Tentou
avançar enquanto um braço forte passava pela sua cintura. A mão dele
deslizou pelo seu corpo para envolver a frente do seu pescoço. O desejo
a controlava quando a puxou de joelhos, sua ereção feroz cavando suas
costas, sua capacidade de respirar comandada por uma das mãos
larga.
Ela ofegou quando a sua outra mão tirou o top e o sutiã por cima
da sua cabeça. Suas costas nuas encontraram sua camiseta grossa. A
marca no quadril começou a queimar. Ela reprimiu um gemido de
desejo e tentou trazer o bom senso de volta à situação.
— Talen, por favor. — Respirou quando a mão esquerda dele
emaranhou seus cabelos e puxou para o lado. Ele abaixou a cabeça
para passar uma presa afiada da orelha exposta até a cavidade do
pescoço vulnerável.
— Não, bebê. — Sua voz grossa era puro pecado em seu ouvido
enquanto ele a segurava onde a queria. — Eu te direi quando implorar.
— Ele mordeu.
A mordida enviou uma linha direta do pescoço para o núcleo. Um
orgasmo se aproximava dela. Desesperada, reduzida a sentimentos, ela
empurrou contra a dureza atrás dela, buscando libertação. ― Não. —
A ferocidade da voz em seu ouvido a fez parar. — Eu também controlo
isso. Você gozará quando eu disser. — Ele a empurrou novamente para
suas mãos e joelhos.
Assustada, fora de seu elemento, com o corpo vibrando para se
liberar, ficou parada enquanto o cinto dele raspava quando puxado por
suas calças. O som áspero filtrou-se pelo quarto silencioso, e abafou
um gemido quando atingiu o chão. Um farfalhar de roupas e sua
camisa seguiam o cinto. Então, o ruído de um zíper a fez estremecer
antes que chutasse seu jeans para fora do caminho. Ele falou, sua voz
baixa e áspera. — E já tive o suficiente de você negando as suas
habilidades naturais. É provável que salve a sua bunda teimosa, se
permitir.
Ela estremeceu quando duas mãos grandes agarraram os seus
quadris. Uma das mãos acariciou as suas costas e depois desceu ao
longo de sua dobra. Ofegou quando finalmente ele a tocou onde mais
precisava. — Ah, droga. — Sua voz era áspera na escuridão. Ele a
segurou com uma das mãos grande. Ela pensou que desmaiaria
quando ele inseriu um dedo nela, depois dois. — Deus, você é apertada.
— Ele se inclinou sobre as costas dela, seus dedos trabalhando dentro
dela e gentilmente beijou a marca de mordida em seu pescoço.
Ela choramingou quando começou a se mover no tempo com os
dedos dele, o calor dele a envolvendo. — Você precisa gozar junto
comigo, bebê — ele murmurou em seu ouvido, seus dedos trabalhando
dentro dela enquanto sua palma se deslocava e se chocava contra o
feixe de nervos escondido. — Agora. — O orgasmo a atingiu com uma
ferocidade que roubou o seu fôlego quando ondas de prazer a
percorreram.
Seus dedos experientes puxaram o orgasmo até que finalmente
ela estremeceu e caiu para a frente sobre os braços dobrados. Seu
corpo começou a relaxar até que ele a rolou de costas. Então ela deu
uma boa olhada no homem totalmente excitado diante dela.
Começou a recuar em direção à cabeceira da cama. Ele estendeu
a mão e agarrou o seu tornozelo, puxando-a de volta para o lugar. —
Oh Deus — ela gemeu, seus olhos presos pela promessa sombria em
seus olhos dourados.
— Tarde demais para orar, querida. — A voz dele era divertida,
excitada, quando ele colocou uma das mãos em cada lado do seu corpo
e subiu até ficar nariz a nariz, pele a pele. Sua ereção, longa e dura,
pulsou contra o seu estômago. Então ele não se mexeu. Apenas estava
deitado contra ela, os músculos contraídos e tensos, observando o jogo
do luar contra sua pele pálida. — Deus, você é linda. — Murmurou
enquanto se apoiava em um cotovelo e devorava o seu rosto com seu
olhar.
Olhos azuis, cheios de confusão e consciência, se abriram com
suas palavras. Talen sorriu. Verdade seja dita, ele também não se
importava de ver. Gostava que ela perdesse o equilíbrio. E exigia
controle. Ela era inteligente por estar ciente dele. Especialmente se isso
a fizesse pensar duas vezes antes de se arriscar uma próxima vez.
Ele traçou os contornos do rosto dela, gentilmente, observando o
desejo substituir a consciência em seus olhos. A confusão permaneceu
enquanto a intensidade da noite estava fora de sua
experiência. Francamente, também estava fora de si. Nunca quis
possuir uma mulher assim. Ela era dele e desde o segundo em que seu
governo indefeso lhe entregou a sua foto.
Uma intensidade possessiva balançou dentro dele. Se certificou
disso. Eles estavam conectados, e estava na hora dela perceber
isso. Em resposta, a adrenalina a levou ao modo de voo, e seus olhos
se encheram com a necessidade de escapar.
— Você não tem para onde fugir. — Murmurou contra os lábios
dela, lendo-a corretamente, seu corpo grande quase o cercando muito
menor. — Minha. — Rosnou quando tomou a sua boca com posse,
exigindo rendição quando sua língua varreu dentro e duelou com a
dela.
Uma mão agarrou o seu cabelo para inclinar sua cabeça mais
para o seu gosto. Lutou contra um gemido quando seu doce corpo
arqueou nos planos duros dele. Podia até sentir o calor da marca no
quadril dela. Foi direto para seu coração.
Quase ofegante, interrompeu o beijo, encarando com satisfação
masculina o olhar confuso e os lábios inchados. Queria isso desde a
primeira vez que viu seus lindos olhos azuis o desafiando.
A arrogância em seu rosto trouxe Cara de volta à realidade, ou
parcialmente de volta, de qualquer maneira. Os escudos dela eram
inúteis contra ele. Droga. Ela estava fora de si, desesperadamente
excitada, e seu coração estava vulnerável. E vulnerável de uma maneira
que arrogantemente pensou que seria capaz de evitar. O último a
assustou, e o medo se transformou em raiva. Ela se moveu contra ele,
tentou evitar que seus olhos caíssem em sua cabeça e se rebelou. ―
Então. — Sua voz era sarcástica, mas a respiração provavelmente a
arruinou. — Já estou domada?
Sua breve risada foi inesperada, e ela arregalou os olhos ao ouvir
o som. Dominância expulsou a arrogância de seu rosto. Seu útero se
apertou quando a mão em seus cabelos se apertou e puxou, expondo a
sua jugular a ele. Tentou balançar a cabeça para desalojar a mão dele
e conseguiu atrair lágrimas aos olhos enquanto seus cabelos eram
puxados por sua própria ação. Sua cabeça permaneceu onde ele
queria.
— Não. Mas você estará. — Era uma promessa. Ele se inclinou
com um propósito quieto e envolveu a sua jugular com os lábios, a
língua áspera contra a veia latejante, as presas uma mera sugestão de
seu poder. Ela parou com a implicação e se aproximou de outro
orgasmo.
Ficou imóvel por um momento, deixando-a sentir a sua força e
sua vulnerabilidade. Segurava sua vida em suas mãos. Ou melhor, sua
boca. Testou a força dos ombros dele com um empurrão. Ele era duro
como uma rocha e imóvel.
Ele levantou a cabeça e fixou o olhar de olhos arregalados com
calor dourado.
— Coloque as mãos acima da cabeça. — Era um comando. Ela
procurou nos seus olhos por suavidade ou um quarto. Não encontrou
nenhuma. Com um suspiro suave, esticou os braços acima da
cabeça. Ele piscou os dentes diante da sua obediência e começou a
penetrá-la.
Lutou contra os sentimentos que a atravessavam. A resposta
física a ele, a acolheu. Se ele parasse, ela o mataria. Mas as demandas
emocionais de seu próprio coração, e do dele, não podia mais
bloquear. E ele sabia disso. Ele não permitiu nenhum acordo enquanto
a beliscava no pescoço e lentamente, com firmeza, começou a enchê-la
ainda mais. ― Relaxe. — Ronronou em seu ouvido, e
surpreendentemente, ela o fez. Ele manteve seu ritmo constante e, em
breve, estava completamente dentro dela. Ela se sentiu empolgada ao
ponto da dor e respirou fundo para relaxar seu corpo. Então ele se
moveu.
— Oh Deus. — Gemeu quando ele acariciou os nervos que não
sabia que tinha. Ele se retirou parcialmente, depois empurrou de volta
ao máximo, seus desejos misturando com os dela. Soluçou com o
prazer requintado. Não tinha ideia.
Ele começou a entrar e sair dela, mantendo ritmo lento e suave
até que de repente, cheio além da paixão, ela se levantou e o mordeu
acima de seu coração. Sentiu a mudança dentro, antes dele.
Ele agarrou as suas coxas com força e empurrou os joelhos
contra o peito enquanto entrava e saía, empurrando-a para cima da
cama enquanto o fazia. Cara cravou as unhas nas costas dele enquanto
ele a montava, outro orgasmo ameaçador.
Olhou nos seus olhos e quase foi conquistada com a intensidade
refletida em suas profundidades metálicas. Ele era primordial, seu foco
em fazê-la dele. Foi demais. Fechou os olhos com um gemido quando
ele aumentou a força de seus impulsos além do que pensava ser
possível, as mãos em suas coxas a mantendo aberta, exposta para ele.
— Abra os olhos, Cara. — Ordenou, empurrando as pernas ainda
mais contra o peito.
Superada, obedeceu e se concentrou nos olhos escuros que a
reivindicavam. Sua aceitação alimentou algo nele que o fez aumentar a
velocidade de seus impulsos. De repente, no fundo, um orgasmo
atingiu com uma intensidade que fez todo o seu corpo tremer em
resposta. Ela gritou. O orgasmo dela provocou o dele, e ele jogou a
cabeça para trás com um grito rouco. Então caiu para morder o seu
pescoço. A mordida prolongou o seu orgasmo até que ela desabou de
exaustão. Talen soltou suas pernas e adormeceu em segundos.
Cara acordou pela segunda vez naquela manhã e fez uma careta
quando seus músculos íntimos gritaram em protesto. Mas a dor em
seu coração superou todos eles. Cobriu o rosto negando a
vulnerabilidade crua que a percorria. Sua mente, por mais
impressionante que fosse, não era páreo para a combinação de seu
coração e corpo e sua vontade de dar tudo o que ela tinha, tudo o que
era, para outro ser. Para Talen.
Uma voz astuta na parte de trás de sua cabeça sussurrou que
deveria aceitar a oferta do destino. Como se fosse seguro fazê-lo. Sua
capacidade de confiar cegamente fora destruída durante a infância, e o
instinto de se proteger não podia ser negado. A mesma voz lembrou a
ela que Talen também não.
Uma batida na porta a tirou de seu debate interno. Katie enfiou
a cabeça dentro do quarto quente. — Você está acordada?
Cara assentiu e sentou-se na cama grande. — Entre.
Katie sorriu e pulou na cama para espiar o queixo de Cara. —
Seu corte daquele idiota do Lorcan sarou bem rápido.
Cara assentiu. — Acho que tenho a capacidade de cura de Talen
agora. Muito útil.
— Você não parece muito feliz com isso.
Cara deu de ombros e suspirou.
— Ele te ama, você sabe.
— É assustador. — As palavras eram inadequadas.
— Sim, eu sei. Mas pelo menos ele está disposto a arriscar. —
Katie pegou o edredom.
Cara sorriu para a amiga. — É óbvio que Jordan tem sentimentos
por você, Katie.
A esperança encheu os olhos de Katie antes de franzir a testa. —
Sim, mas não o suficiente. Sempre serei a pirralha que o seguia quando
era criança.
Cara deu de ombros. — Então mostre a ele que você está crescida
agora.
— Como?
Cara ficou quieta por um momento. — Não tenho absolutamente
nenhuma ideia. — Sorriu e depois riu quando sua amiga entrou. —
Onde estão as maldições de nossa existência?
— Estão na cozinha examinando a pesquisa de Bigsby. Eles
gostariam de ajuda, se estiver pronta para se levantar.
— Pularei no chuveiro e já vou. — Cara sorriu. — Hum,
exatamente quão bravo estava Jordan na noite passada?
Katie levantou duas sobrancelhas. — Digamos apenas que tive
que choramingar e fingir que a minha dor de cabeça era horrível só
para que ele me deixasse ir para a cama. Ele está mais do que furioso
que os Kurjans saibam sobre mim agora.
— Então você realmente não lidou com isso ainda.
— Não estou pensando sobre isso.
— Não culpo você. — Cara foi para o chuveiro.
Ela emergiu e vestiu mais um par de jeans e um suéter verde
escuro antes de atravessar a espaçosa casa para a cozinha. Talen
estudou uma massa de papéis espalhados sobre a grande mesa de
carvalho. Jordan encostou-se ao balcão de granito, lendo uma
impressão no telefone enquanto Katie digitava furiosamente em um
laptop empoleirado na ilha central de granito.
Talen olhou para cima quando ela entrou, seus olhos polidos
percorrendo seu corpo da cabeça aos pés. Era impossível para ela parar
o rubor quente que escorria do peito para o rosto em reação. Talen
sorriu. — Verifiquei sua conta de e-mail e imprimi a última mensagem
de sua irmã errante. — Sua voz continha uma admiração relutante pela
frágil humano que fugia de suas tropas.
Com um rolar de olhos, Cara avançou e sentou-se ao lado dele
na mesa antes de se inclinar e espiar com interesse no papel. — Oi
Mana. Estou em algo, não se preocupe. Esses Kurjans não podem me
encontrar. Corra para o sol, querida. Em.
Cara lutou com um sorriso. Corra para o sol. Aparentemente,
sua irmã sabia tudo sobre os Kurjans. Ela virou-se para o marido,
dizendo a si mesma que ele não parecia incrível em uma camiseta
marrom escura e calça jeans. A voz em sua cabeça a alertou para parar
de mentir para si mesma, que não era saudável.
Ele lhe entregou uma pilha de documentação de pesquisa. —
Examinaremos esses papéis hoje de manhã, tiraremos cópias e
levaremos conosco quando voltarmos para casa. — Talen passou a mão
gentilmente pelos cabelos, voltando a ler.
— Casa? Logo? — Cara olhou para ele, imaginando se tinha
alguma ideia de quantas vezes a acariciava. Um tapinha na mão, um
puxão no cabelo, geralmente um deslizar suave pelas costas. Ele
provavelmente enfrentaria os demônios do inferno antes de admitir,
mas seu companheiro era sensível.
Ele assentiu com um sorriso nos papéis.
Cara relaxou em seu assento. Em breve veria o seu bebê. Então
seu olhar se concentrou no papel à sua frente. — Uau.
Talen assentiu. — Sim. Eles pegaram os resultados do Projeto
Genoma Humano e estão tentando aplicar engenharia genética ou
terapia genética aos Kurjans.
— Hmmm. Enquanto os humanos têm vinte e três pares de
cromossomos, os Kurjans têm trinta. — Ela leu mais adiante. — Como
os vampiros. — Leu por um tempo. — E parece que eles isolaram o par
que carregava o 'gene sem luz solar' para os Kurjans.
Talen se inclinou para a frente e entregou-lhe um pedaço de
papel. — Decifre isso, certo?
Cara assentiu e leu por alguns momentos. — Eles estão tentando
a engenharia da linha germinativa para genes em óvulos,
espermatozoides ou embriões muito precoces. — Ela se inclinou para
trás para olhar para Talen quando Jordan desligou o telefone e se
sentou à mesa em frente a eles. — Isso significa que eles estão tentando
manipular as células germinais, ou melhor, o óvulo e o esperma. Hoje,
na prática, isso significa alterar o óvulo fertilizado. — Ela se inclinou
para frente, o interesse girando em sua mente. — A primeira célula do
embrião é o óvulo fertilizado e, se você mudar isso, todas as alterações
serão copiadas para todas as outras células. O interessante desse tipo
de manipulação é o que seria herdado por todas as gerações seguintes.
— Quão perto eles estão? — Jordan perguntou preocupado.
Cara balançou a cabeça. — Primeiro eles usaram DNA de
vampiro saudável e inseriram vírus diferentes no que eles pensavam
serem as células Kurjan apropriadas, mas até agora eles não tiveram
nenhum sucesso com o método. — Ela vasculhou os papéis e recostou-
se no que procurava. — Mas eles tentaram criar um cromossomo
Kurjan artificial e adicioná-lo aos trinta existentes. A pesquisa deles é
impressionante, mas até agora tiveram pouco sucesso.
— E pelo que eu li. — Katie falou do outro lado da cozinha. —
Parece que eles ainda estão trabalhando para superar a 'alergia' do
acasalamento por falta de uma palavra melhor.
Cara assentiu em concordância. — É apenas uma questão de
tempo até que possamos manipular os genes, mas como não temos
certeza de que genes fazem o quê, o risco supera em muito qualquer
benefício possível. — Ela franziu os lábios. — Eles analisaram tudo,
desde a fotossíntese das plantas até a terapia de aversão à luz e a
manipulação de vírus.
Ela pegou a próxima pilha de papéis quando o telefone tocou ao
lado de Jordan.
—Pride aqui — respondeu. Ele ouviu antes de se recostar na
cadeira. — Olá, detetive. Sim, o caminhão Dodge é meu. Eu estava na
parada de caminhões ontem à noite. — Talen ergueu os olhos da leitura
e estreitou os olhos. Katie saltou da cadeira e Jordan balançou a cabeça
para ela ficar quieta antes de falar com o interlocutor.
— Não, estava entrando quando toda a emoção começou e um
policial sugeriu que nos afastássemos do prédio. Então, fui para casa.
— Jordan ouviu por um momento. — Gostaria de poder ajudar a
identificar os outros no restaurante, mas como disse, não
entrei. Claro. Se houver algo que possa fazer para ajudar, ligue-me. —
Ele desligou o telefone com um olhar direto para Talen.
— Deveríamos estar saindo da cidade — disse Talen.
Jordan assentiu. — Eles não serão capazes de identificar Cara
ou provavelmente Bigsby, e manteremos Katie em segredo por um
tempo. Tenho os meus homens preparando o Hawk para leva-lo para
casa. Partimos em uma hora.
Cara embaralhou seus papéis. — Não é um helicóptero militar?
Jordan exibiu afiados dentes brancos. — Foi até ser
modificado. Você estará em casa em pouco tempo.
A manhã passou e logo Cara se despediu da quase chorosa
Katie. Prometeu manter contato e esperava que a jovem pudesse visitar
o Colorado em breve. Jordan pilotou por várias horas a oeste, até que
as montanhas do Colorado aparecerem. As terras selvagens
combinavam com seu novo marido. Ambos eram ferozes em sua beleza
e bem capazes de suportar as forças perigosas ao seu redor.
Os afiados picos brancos contra o céu puro e sem nuvens
proporcionaram uma recepção impressionante à elevação mais alta,
enquanto a cidade de Boulder se espalhava por baixo deles.
Jordan pilotou a nave baixa por várias montanhas até pousar em
uma pequena clareira com grama verde profunda soprando no
vento. Talen pulou da frente e estendeu a mão para ajudá-la. Ela subiu
no ar frio e o seguiu através do prado até um grande pinheiro. Eles
acenaram e viram Jordan subir ao céu. Ele acenou com a cabeça e o
céu ficou em silêncio.
Pássaros cantaram alegremente nas árvores. O cheiro de
pinheiro e algo mais doce da miríade de flores silvestres roxas e
amarelas ao seu redor flutuavam no ar. Ao longe ecoou o relincho de
um garanhão. Árvores monstruosas que acabavam de perder o abeto
cercavam a clareira, e o ruído dos pequenos animais que viviam seus
dias soou suavemente.
Talen sorriu. — Bem-vinda em casa, companheira.
Cara se virou em confusão. — Casa? — Árvores saudáveis e flores
silvestres agitavam-se com a brisa. — Não há nada aqui.
Talen pegou a mão dela. — Haverá. — Ele caminhou ao redor da
árvore e Cara o seguiu, eles se esquivaram e atravessaram a floresta,
passando cuidadosamente sobre galhos caídos e arbustos não
cortados. As árvores grossas repeliam a luz do sol, e Talen a manteve
perto para leva-la através da escuridão. Finalmente, chegaram a uma
cordilheira quebrada coberta por uma exposição irregular de
rocha. Talen subiu e colocou a palma da mão à direita da superfície
lisa, e Cara deu um passo para trás quando a clareira escura deslizou
para a esquerda, revelando uma pequena sala quadrada.
Ela congelou no lugar. — Meu Deus. Você realmente vive debaixo
do chão.
Ele riu. — Não, eu moro do lado de fora de Boulder, no lago. Esta
é a nossa sede principal e a nossa casa segura, quando necessário. Ele
gentilmente a puxou para dentro. — E é onde a sua filha está esperando
por você.
Cara apertou os dedos frios em torno de sua mão quente quando
a parede se fechou, deixando-os na escuridão. Ela pulou quando a sala
se encheu de luz e uma voz profunda perguntou: — Identificação?
— Kayrs 23416. —Respondeu Talen.
— Bem-vindo em casa, mano. — A voz sorriu e o elevador
começou a descer.
Cara virou-se para o marido. — Eles não sabiam que éramos nós
até você se identificar?
Talen sacudiu a cabeça. — Eles sabiam que éramos nós no
segundo em que voávamos. O código era para garantir que tudo estava
bem, que nada de inesperado estivesse acontecendo.
— Boa segurança — disse Cara, pensativa.
— Você não tem ideia. — Talen sorriu.
— Bem, você teve séculos.
Antes que percebesse, o elevador parou e a mesma porta se abriu
para revelar uma ampla sala esculpida em rocha metamórfica e
granito. Dois soldados estavam de guarda em ambos os lados de uma
enorme porta de pedra. Eles eram grandes, armados e sem sorrir. Cara
se aproximou de Talen.
Ele a puxou pelo amplo piso e parou com um sorriso. — Max,
Jones, esta é a minha companheira, Cara.
A mudança nos homens foi imediata e um pouco
surpreendente. Sorrisos largos cobriam rostos predadores enquanto se
revezavam apertando a sua mão, tomando muito cuidado para não a
esmagar.
— Oi, senhora. Janie está tão animada em vê-la que não
consegue ficar quieta. — Aquele apelidado de Max se virou e digitou
um código para abrir a porta atrás deles. — Por favor, diga a ela que
ela me deve uma revanche na Old Maid9.
9
Old Maid é um jogo de cartas vitoriano para dois ou mais jogadores, provavelmente decorrente de um
antigo jogo de apostas em que o perdedor paga pelas bebidas. O jogo inclui um elemento de blefar
Cara tropeçou atrás de Talen quando ele a puxou pela porta e
ela se fechou. Braços grandes a agarraram e a puxaram para um peito
duro, apertando-a no que só poderia ser chamado de abraço de urso. —
Bem-vinda em casa, irmãzinha. — Uma voz profunda ecoou em seu
ouvido quando ela foi colocada de pé novamente. Olhos verdes
familiares brilharam para ela.
— Obrigada, Conn. — Sorriu enquanto recuperava o
equilíbrio. Os irmãos eram iguais em altura e tamanho, mas Conn
tinha cabelos castanhos mais claros cortados com manchas curtas e
prateadas nos olhos musgosos. O formato forte de seu rosto lembrava
o de Talen, e uma grande covinha piscou para a direita de sua boca
generosa.
A grande sala parecia uma sala de conferências comum. Se
alguém pudesse chamar paredes de granito, uma enorme mesa de
granito escuro e uma infinidade de telas de plasma montadas comuns.
— Esta é a primeira sala de reuniões onde às vezes convidamos
aliados para se encontrar. — Talen fez um gesto para que ela avançasse
para outra porta profunda colocada na rocha.
Seus pés ecoavam na superfície dura. — Onde está Janie?
— Os locais seguros para a família estão em direção ao centro da
montanha. Ela não chegaria nem perto desse perímetro ou da entrada
— disse Conn, colocando a mão na parede ao lado de sua cabeça,
inclinando-se para a frente e olhando para uma pequena tela que
disparava um raio verde nos olhos. A porta se abriu.
Conn os conduziu a um amplo corredor de pedra que passava
por várias portas fechadas até que finalmente pararam em uma
camada de rocha sedimentar. A impressão de suas mãos abriu a porta
e Talen gentilmente empurrou Cara para dentro.
— Mamãe! — Janie gritou e pulou para a sua mãe.
Cara riu enquanto colocava a filha nos braços e a
segurava. Junto. Enterrou o rosto no pescoço macio da filha e sentiu o
cheiro de terra e criança. Seu mundo finalmente se endireitou.
Ajoelhou-se sobre um joelho com os braços ainda em volta de
Janie e se virou para dar uma boa olhada no seu bebê. Janie usava
jeans novos, camisa azul escura e suas tranças eram uma bagunça
estranha no início, torta no meio e terminações desiguais. Os olhos
azuis brilhavam e suas mãos batiam palmas de alegria, esmaltes azuis,
verdes e rosa decoravam cada unha e alguns dedos.
— Senti a sua falta. — Cara sussurrou.
Janie sorriu e jogou os braços em volta do pescoço da mãe. —
Também senti a sua falta. — Ela se recostou com as mãos ainda nos
ombros de Cara. — Estamos no meio de uma montanha, perto da
terra. Ela gosta de nós aqui. — Janie mostrou o dente aberto.
— Ela faz?
— Sim. E é mais fácil falar com ela tão perto.
— Com a Terra? — Cara perguntou.
Janie revirou os olhos. — Quem mais?
— Não recebo um abraço? — Uma voz profunda perguntou por
trás de Cara.
Janie deu um murmúrio feliz e soltou a mãe para se atirar em
Talen, confiante de que ele a pegaria.
Ele fez e depois a pegou do chão em um abraço gentil. — Você
sabia que estávamos vindo hoje?
Janie assentiu. — Sim. A Terra me disse.
— Pensei que ela pudesse. Dizem que você deve uma revanche a
Max no Old Maid.
Janie balançou a cabeça enquanto colocava as duas mãos
pequenas nas bochechas de Talen. — Ele realmente não é muito bom
em cartas. — Ela fechou os olhos por um momento. — Cuidado com
suas costas, papai.
Talen estreitou os olhos. — O que você quer dizer?
Janie deu de ombros. — A Terra me disse para lhe contar. Não
esqueça.
— Eu não vou. — Ele prometeu. — O que mais ela disse a você?
Janie ficou quieta por um momento antes de dar de ombros. —
Terei um irmãozinho. — Cara tossiu de surpresa quando Janie sorriu
maliciosamente. — Mas não sei quando.
Talen riu e colocou a sua filha de volta no chão.
Cara acenou para os dois soldados de cada lado da pequena sala
de entrada e eles sorriram para ela em boas-vindas. Um se virou e
apalpou a parede atrás dele para abrir uma porta lisa. A segurança no
local era além da obsessiva.
— Talen. — Conn murmurou. — Dage está de volta com algumas
informações. Jase está nos encontrando na sala de controle em um
minuto e Kane está entrando virtualmente, há algum tipo de
problema. Precisamos ir agora.
Talen assentiu e se inclinou para dar um beijo suave nos lábios
de Cara antes de leva-la e Janie pela porta. — Fique nos aposentos da
família e peça a Janie para lhe mostrar o local. Volto assim que puder.
Cara engoliu em seco com um olhar nervoso. — Deixei a minha
planta em Katie.
Talen franziu o cenho. — Tenho certeza de que ela cuidará bem,
Cara.
— Eu sei. — O coração de Cara acelerou. — É só que as plantas
fornecem oxigênio e conforto. Elas não podem viver embaixo da terra.
― Merda, ela precisava da natureza, não de rocha pura ao seu redor. As
paredes começaram a se fechar.
Talen passou uma das mãos reconfortante pelas costas. — Está
tudo bem, querida. Prometo que temos bastante oxigênio bombeado. —
Ele deu-lhe um empurrão gentil. — Agora vá explorar com a sua filha.
Ela pegou a mão de Janie na dela e a porta de pedra
silenciosamente se fechou atrás delas. Janie puxou-a pelo corredor
iluminado com óleos da paisagem até se transformar em uma sala
familiar ampla e confortável, com uma televisão de tela grande montada
na parede e dois sofás de couro marrom diante de uma mesa de café
em carvalho. O plasma mostrou uma cena pacífica de montanha vista
de uma janela emoldurada. Uma pequena cozinha aberta com uma
mesa redonda ficava à esquerda.
— Esta é a sala de diversão — disse Janie enquanto manobrava
a mãe em torno de um sofá para entrar em um corredor estreito em
frente à cozinha. Três portas estavam abertas no corredor de granito. —
Este é o seu quarto. — Janie apontou para um quarto grande com cama
king size coberta de seda azul pálida antes de acenar para o final do
corredor. — Um banheiro. — Ela puxou Cara para a terceira porta. ―
Quarto.
Uau. O quarto rosa brilhante continha uma cama de solteiro
coberta por um edredom de flores roxas, uma cômoda branca clara e
uma enorme casa de bonecas no canto. Um alegre tapete verde-limão,
com a forma de uma flor espalhada de uma ponta a outra, e uma tela
de plasma montada mostravam pôneis bonitos correndo pelo rio.
— Incrível — disse Cara.
— Sim. — Janie concordou. — Peguei essas coisas no primeiro
dia no computador e depois tudo apareceu na manhã seguinte. Você
acredita nisso?
Cara balançou a cabeça. — Você ficou aqui sozinha?
Janie assentiu. — Mas Jase ou Conn dormem no sofá todas as
noites. Ou eles trabalham com a TV ligada. Não acho que eles dormem
tanto quanto nós.
— Oh. — Cara disse sem graça quando notou a enorme
quantidade de roupas de garotinha no armário aberto.
— Eu disse a eles que poderiam dormir no seu quarto, mas eles
gostam do sofá. — Janie deu de ombros.
A posição deles os mantinha diretamente entre qualquer ameaça
e a filha. Os vampiros podem ser uma raça assustadora, mas com
certeza fizeram todo o possível para proteger seu bebê.
— Então, mãe. — Janie olhou esperançosa para ela. — Você
consertará as minhas tranças?
Cara riu e assentiu antes de começar a trabalhar.
Elas tinham acabado de se sentar no sofá de couro quente para
assistir a um filme sobre princesas e pôneis quando Talen entrou no
quarto com Max logo atrás dele.
Cara virou os olhos curiosos para eles. Ela estava separada de
Talen por menos de uma hora e, no entanto, borboletas tremulavam
em seu estômago. Seus grossos cabelos negros estavam presos em uma
faixa, colocando os ângulos duros do rosto em foco, enquanto manchas
verdes dançavam em seus olhos dourados. Perigo, ou talvez até
violência, passavam por baixo de sua pele. O ouro esquentou quando
seu olhar a varreu.
Então o seu coração bateu forte com o que ele carregava em suas
mãos. Colocado em um balde de limpeza branco profundo, estava um
jovem Pseudotsuga menziesii.10 — Você me trouxe um pequeno
pinheiro? — perguntou se virando e se levantando do sofá.
10
Espécie de conífera nativa do oeste da América do Norte.
Talen arrastou os pés e pigarreou. — Sim. — O pinheiro tinha
cerca de sessenta centímetros, as agulhas verdes suaves desbotaram
até o marrom, caindo na direção da terra. — Estava na sombra de
várias árvores maiores, sem sol. Pensei em replantá-lo em casa.
Seus olhos se encheram de lágrimas. Ele trouxe uma árvore para
ela. O cheiro de terra rica e pinheiro encheu o ar, e ela respirou fundo,
se acomodando.
Talen se virou e colocou a recipiente da árvore em cima da mesa.
― Está tudo bem. Rasguei-o pelas raízes, para que seja fácil replantar.
— Ele franziu o cenho para a sua oferta.
Ela foi até ele, estendendo as duas mãos para segurar o seu
rosto. — Obrigada.
Ele sorriu, seus braços indo para as costas dela. — De
nada. Acho que ele trará oxigênio suficiente para o espaço para fazer
você feliz.
Paz e calor coraram através dela. Ela se inclinou e colocou a boca
na dele.
Max pigarreou, empurrando uma xícara de café cheia de um
dente de leão da montanha entre eles. — Trouxe isso para você. — Ele
era tão alto quanto Talen, mas não tão largo no peito; longos cabelos
castanhos claros ilustravam um rosto afiado com olhos azuis claros.
Cara pegou a xícara, dando um passo para trás e dando a Max
um grande sorriso. — Obrigada, Max.
Ele deu de ombros, um pequeno rubor colorindo suas maçãs do
rosto altas. — Talen disse que você gostava de plantas e outras coisas
por aí, então pensei que essa era bonita. — Sua voz grave baixou e ele
colocou o queixo no ombro.
— É lindo. — Cara concordou, lutando contra uma risadinha. O
grande e perigoso vampiro era tímido.
Ele se virou para Janie sentada no sofá e puxou um baralho de
cartas do bolso.
— Estou aqui para a minha revanche. — Max jogou o baralho no
ar para pegar na outra mão. Seu sorriso para Janie era genuíno.
— Tudo bem. — Janie falou baixinho. — Mas o perdedor tem que
pintar as unhas de rosa dessa vez.
Max hesitou por um momento antes de dar de ombros e dar um
passo em direção ao sofá.
— Cara. — Talen balançou a cabeça em diversão para o amigo.
— Kane está enviando algumas informações de um laboratório no
Canadá, e pensamos que seu conhecimento sobre vírus de plantas e
manipulação de genes seria útil. Você se importa?
Cara franziu a testa, olhando para a filha.
— Está tudo bem, mãe. — A menina sorriu maliciosamente. —
Max ficará bonito com as unhas cor de rosa.
— Oh, eu trouxe o meu jogo. — O vampiro bufou enquanto se
sentava no outro sofá.
— Já era hora. — Retrucou Janie.
Cara assentiu e, com um último olhar para a filha assistindo Max
embaralhar as cartas, seguiu Talen do quarto. Uma vez no corredor,
seu corpo forte se virou e a prendeu contra a parede antes que ele
abaixasse a boca e prendesse a dela. O beijo foi quente, profundo e
insistente. Cara gemeu no fundo da garganta. Quando Talen recuou,
seu sorriso foi fácil, mas seus olhos rodaram verde através do ouro. —
Senti a sua falta, companheira.
A fome que emanava dele roubou seu fôlego. A dor na parte
inferior do corpo queria alívio agora, e ela balançou a cabeça em busca
de clareza.
Talen agarrou seu queixo antes de passar o polegar sobre o lábio
inferior inchado. Os olhos dele esquentaram ainda mais quando a
língua dela se esticou e se conectou com o polegar – então ele deu um
passo para trás e deixou cair a mão. — Eles estão esperando por nós,
companheira. Mais dois segundos e não conseguiremos.
Cara juntou as mãos em um esforço para controlar os hormônios
em fúria.
Talen sorriu de novo. — Não me importaria, mas os meus irmãos
idiotas viriam nos procurar, confie em mim.
— Oh — Cara disse com uma careta. Essa era a última coisa que
ela queria.
— Vamos. — Talen colocou um braço pesado em volta dos
ombros e a impulsionou pelo corredor sinuoso até que parou e colocou
a palma da mão contra a parede de pedra ao lado de uma grande porta
de granito. Isso se abriu.
Cara entrou em uma espaçosa sala redonda cortada na rocha
com uma enorme tela de plasma montada na parede oposta. Vários
computadores estavam sentados à frente e à direita empoleirados em
uma grande mesa de pedra onde Conn e dois outros homens espiavam
uma série de impressões.
Conn acenou para ela quando os outros dois homens se
levantaram. O primeiro tinha mais de um metro e oitenta, com olhos
de cobre manchados de zinco escuro; ele era um pouco mais magro que
Talen, mas a semelhança com os longos cabelos negros e o sorriso
profundo era óbvia. — Eu sou Jase, o irmão inteligente. —Disse,
apertando a mão dela antes de retornar ao seu lugar na mesa.
O outro homem era maior que o resto e parecia um pouco mais
velho. Não no rosto, mas seus olhos falavam de uma vida longa. Ele a
estudou com uma intenção que quase a deixou desconfortável.
— Dage? — Talen perguntou.
Dage pigarreou antes de dar um passo à frente para segurar a
mão dela com um aperto suave. ― Desculpe. — Sua voz rouca
retumbou com um poder antigo. — Você se parece com alguém.
— Quem? — Cara perguntou, confusa.
Dage sorriu e deu de ombros. — Não sei o nome dela.
Cara sorriu e inclinou a cabeça para trás para ver o líder do
Reino. Olhos prateados profundos brilhavam em um rosto duro,
apenas suavizado por sua boca cheia. Ele a puxou gentilmente para a
mesa para se sentar ao lado de Jase. Talen estava do outro lado, e todos
encaravam a tela grande. Gigantes a cercaram.
Conn digitou um par de teclas e o rosto de outro irmão encheu a
tela.
Olhos violetas metálicos inteligentes percorreram a sala antes de
descansarem nela. — Você deve ser a companheira de Talen. — O
sorriso era aquele que ela já tinha visto em seus irmãos. — Tenho que
te dizer olhos azuis, você poderia ter feito melhor.
Talen zombou ao lado dela. ― Invejoso. — Ele jogou um braço em
volta dos ombros dela. — Antes de começarmos aqui, você voltará para
o colóquio no próximo fim de semana?
Kane assentiu. — Sim. Bem, pelo menos no segundo dia, posso
perder o baile.
Jase bufou do caminho. — Você sempre perde o baile.
Cara virou a cabeça. — O que é o colóquio?
Talen sorriu. — A cada dez anos, o Reino tem um tipo de
simpósio ou convenção que começa com u baile. Kane de alguma forma
consegue errar a cada década.
— Um baile? Mas... — O protesto morreu em sua garganta.
Talen se inclinou, sua respiração mexendo seus cabelos.
— Não se preocupe. Guarda-roupas completos serão fornecidos
para todos nós. — Sorrindo, ele se acomodou de volta no lugar.
Cara revirou os olhos. Ok, era o que ela diria, mas ainda
assim. Não é como se ela tivesse vestidos de baile pendurados no
armário, pelo amor de Peter.
Dage pigarreou, obviamente pronto para começar a trabalhar.
— Kane, você tem a mais nova notícia?
Kane assentiu, seus olhos ficando sérios. — Está chegando
agora. Transmitirei a informação para você, e poderemos descobrir isso
juntos.
Ele olhou para baixo e o som da digitação pôde ser ouvido.
— Acabamos de decifrar a criptografia desses arquivos, nós os
tiramos de um laboratório de pesquisa em Paris na noite passada.
Dage ficou tenso do outro lado de Conn.
— O quê? — Talen perguntou, seus olhos ainda na tela.
Dage deu de ombros. — Mau pressentimento.
O nível de tensão na sala aumentou, e Cara se mexeu na
cadeira. Aparentemente, os sentimentos de Dage carregavam algum
peso com seus irmãos. Conn digitou um pouco mais e a tela se dividiu
em duas, então Kane permaneceu de um lado e uma série de imagens
surgiu do outro. Cara estudou as imagens por um momento. Um
gráfico de uma hélice espiralada de ácidos encadeados rodopiava em
uma infinidade de cores. — Existem 23 pares de cromossomos, esse é
o DNA humano, não a planta.
Talen assentiu quando uma segunda imagem apareceu ao lado
da primeira. Cara se engasgou enquanto contava trinta pares de
cromossomos na segunda corrente. — Esse é o DNA dos vampiros. —
Confirmou Talen em voz baixa.
Cara olhou com interesse para a terceira cadeia colorida de DNA
espiralando juntos ao lado dos outros. Ela contou os pares. Então ela
os contou novamente. — Existem 27 pares de cromossomos. ―Ela
voltou os olhos curiosos para Talen. — Quem tem vinte e sete?
Talen deu de ombros. — Não sei. Os shifters têm vinte e oito.
―Todos estudaram as diferentes imagens por vários momentos,
enquanto Kane trabalhava furiosamente para decodificar mais
arquivos.
Cara lentamente apertou a boca em compreensão. — Conn? Você
colocaria a cadeia desconhecida de DNA no meio?
Conn assentiu e trocou as imagens na tela.
— Agora coloque a desconhecida sobre a humana. — Ele fez isso
e 23 pares de DNA humano alinharam-se exatamente com o
desconhecido, deixando quatro restos da amostra de DNA
desconhecida.
— Agora, sobre a vampiro. — Desta vez, vinte e sete pares de
DNA de vampiro se alinharam perfeitamente com a amostra
desconhecida, deixando três pares de DNA de vampiro sobrando.
As respirações afiadas simultâneas irromperam em torno dela
quando os homens a viram.
— O desconhecido é o DNA combinado. — Ela virou os olhos
surpresos para Talen, cuja mandíbula endureceu para combinar com
os olhos dele. — Uma combinação de humano e vampiro. Você disse
que me mudou. Provavelmente é o meu DNA.
Cara estudou a tela enquanto a tensão furiosa se formava
através do silêncio na sala de conferências subterrânea. — Ou é o DNA
de qualquer companheira, eu acho. — Ela pensou por um momento. —
Talvez isso tenha algo a ver com a reação alérgica que você tem com a
companheira de outra pessoa.
— Talvez. — Talen não escondeu a raiva bruta que passava por
sua voz.
Os gigantes sentados à mesa mantiveram o olhar na tela grande.
— Oh, droga — disse Kane através do monitor enquanto enviava
imagens adicionais para substituir as cadeias de DNA.
Uma célula saudável apareceu na tela antes que uma bolha azul
espinhosa e redonda se prendesse à célula e invadisse seu interior. —
É um vírus — disse Jase sombriamente.
Cara assentiu e seu coração começou a gaguejar quando a bolha
infectou e mudou a célula. — Eles criaram um vírus que ataca as
companheiras de vampiros? — Uma dor maçante bateu em seu
estômago. — Se as células são da companheira vampiro, por que o
vírus não atacaria vampiros também?
— Talvez os três pares extras de cromossomos que não
transmitimos nos protejam e aos Kurjans do vírus — disse Talen, com
fúria em suas palavras.
Isso realmente fazia sentido. Cara se mexeu na cadeira.
Kane observou algo fora da câmera por um momento antes de
voltar para o grupo, seus olhos se estreitando enquanto ele falava. —
Talen, você pode querer levar a sua companheira de volta para seus
aposentos.
— Não. — Protestou Cara. — Seja o que for, eu quero saber.
Talen olhou-a por um momento antes de dar um pequeno aceno
ao irmão.
Kane balançou a cabeça e apertou um botão. Uma mulher
pequena andando em uma cela quadrada e fria entrou em foco. Ela
tinha cabelos loiros escuros, olhos azuis claros e pele pálida e leitosa,
Cara adivinhou que tinha cerca de 25 anos.
— Quem é ela? — Dage perguntou calmamente.
— Ela era uma sotie Kurjan — respondeu Kane depois de ler algo
fora da tela.
— O que é um sotie? — Cara perguntou.
— Uma companheira. — Jase respondeu.
— Por que alguém acasalaria com um Kurjan? — Cara perguntou
em voz alta.
Talen pigarreou. — O acasalamento não precisa ser feito de boa
vontade.
O estômago dela embrulhou. E desejou ter voltado para seus
aposentos.
— A mulher foi injetada com o vírus menos de uma hora antes
da gravação. —Disse Kane em voz baixa, embaralhando uma pilha de
papéis.
A mulher andou pela cela antes de começar a falar rapidamente
consigo mesma, as palavras incoerentes e cheias de dor. Ela bateu uma
das mãos na parede de pedra e depois socou a superfície implacável
várias vezes em rápida sucessão; sangue espirrou dos nós dos dedos
quando começou a gritar de agonia. Cara pulou de surpresa.
As mãos da mulher foram para a cabeça com um aplauso
retumbante, enquanto os gritos se transformavam em gemidos e depois
voltavam a gritar antes de começar a arrancar cabelos loiros da cabeça
em pedaços grossos que logo emaranhavam o chão de cimento. Seus
olhos selvagens, seu corpo contorcido, os gritos pararam quando a
loucura a dominou, e ela começou a se bater contra as barras de aço. O
estalo estridente dos ossos ecoou pela câmera. Os ossos de Cara doíam
em resposta, mas ela se recusou a se virar. De alguma forma, não podia
deixar a mulher sozinha em sua miséria, mesmo que já tivesse
passado. Tontura a inundou, e choramingou em simpatia enquanto a
mulher enjaulada tentava arrancar a sua jugular com uma mão.
— Chega. — Talen rosnou para o irmão.
Kane assentiu e a tela ficou em branco. — Ela quebrou o próprio
pescoço contra as barras exatamente duas horas depois de ser injetada
com o vírus.
— Oh meu Deus. —Cara respirou, respirando fundo para não
vomitar. Ela realmente não entendeu. — Por que criar um vírus que
você precisa injetar para matar companheiras? Por que não atirar
nelas? — A cientista nela acordou. — Oh. É apenas o primeiro passo. Se
desenvolverem o vírus até que ele esteja no ar, eles não precisariam
saber onde estavam localizadas as companheiras de vampiro. Eles
poderiam liberar o vírus.
Talen ficou de pé, seu corpo quase vibrando com a violência. —
Eles não o libertarão até que tenham um antídoto ou imunização para
suas próprias companheiras.
Dage deu de ombros antes de ficar em pé e caminhar atrás deles
até um teclado de computador e digitar algumas informações. —
Talvez. Talvez não. Que eu saiba os Kurjans nunca valorizaram as suas
companheiras em grande medida.
Cara falou suavemente. — Precisamos de um geneticista
nisso. Não tenho experiência com genética humana.
Kane assentiu através da tela. — Estamos trabalhando nisso. —
Ele sussurrou papéis. — De fato, precisaremos desviar alguns fundos
para a pesquisa científica — tenho uma proposta a apresentar quando
voltar para casa. — Ele forçou um sorriso. — A tempo do colóquio, é
claro.
Assentindo, Talen se recostou na parede. — Aparentemente,
enquanto modificamos as armas no século passado, os Kurjans se
voltaram para a ciência. ―A raiva queimando em seu estômago deu a
suas palavras um som gutural. Um vírus foi projetado especificamente
para ferir ou matar a sua companheira, e sua necessidade de proteger
prolongou os incisivos afiados em sua boca sem pensar
conscientemente de sua parte.
Cara pensou rapidamente em sua irmã Emma, que estava à
frente de seu campo em engenharia genética. Ela também
compartilhou a estranha capacidade de Janie de ver o futuro. Cara
lutou com sua necessidade de resolver a crise e proteger sua irmã.
— Cara? — Movendo-se para sua linha de visão, os olhos de Dage
se aprofundaram em zinco. Uma intenção básica caiu em cascata e um
formigamento fez cócegas na mente de Cara. Como pernas de aranha
na ponta dos pés em seu crânio. Ela o empurrou mentalmente de volta.
Ela balançou a cabeça quando Talen colocou as duas mãos nos
ombros por trás. Ele apertou e depois se moveu para bloqueá-la de seu
irmão.
Dage fechou os olhos por um momento antes que eles se
abrissem em uma labareda de luz prateada. — Sua irmã é mais do que
uma geneticista, não é? — Seu olhar percorreu os ângulos de seu
rosto. — Ela também é uma médium.
Talen congelou em seu caminho. Cara não respondeu, seu olhar
cauteloso em Dage. Como ele fez isso?
— Ela é? — Talen perguntou surpreso antes de encarar Dage. —
Faz sentido, mas isso não estava na Intel que recebi. E fique longe da
cabeça da minha esposa.
Cara começou. — Você recebeu a Intel comigo? — Ela se virou
para encará-lo.
Talen assentiu. — Claro. Eu lhe disse que Dage enviou
informações para o meu smartphone. — Ele olhou para o irmão em
questão.
— Não houve tempo. — Dage passou a mão frustrada por seus
grossos cabelos pretos. — Ouvimos sobre a ordem de adquiri-las bem
a tempo de interceptar e, desde então, lidamos com as instalações de
pesquisa Kurjan. Ainda não fizemos uma verificação completa dos
antecedentes. — Ele suspirou. — Peço desculpas por invadir os seus
pensamentos.
Ela ignorou o pedido de desculpas, lidaria com o rei mais
tarde. — Você já sabe que os Kurjans estão perseguindo Emma por sua
pesquisa genética.
— Cara. — Talen girou a cadeira e se agachou até o nível dos
olhos. — Eles não a estão perseguindo para a pesquisa. Eles a estão
perseguindo porque ela é psíquica e, portanto, uma companheira em
potencial.
— Oh Deus. — Cara sussurrou, olhos azuis se enchendo de
lágrimas. — Emma.
— E aparentemente boa em se esconder — disse Dage, sombrio,
enquanto lia a informação piscando na tela do computador antes que
uma foto de Emma sorrindo em um jaleco preenchesse o espaço. Ele
parou, todos os músculos de seu corpo impressionante se apertando
diante dos olhos de Cara.
— O quê? — O medo gelou seu sangue e ela estremeceu.
A cabeça dele girou em direção a ela como se estivesse em câmera
lenta. — Ela se parece muito com você, Cara. — Fragmentos azuis
perfuravam a prata em seus olhos, girando para uma cor nem mesmo
próxima ao humano.
As emoções vindas do rei eram fortes demais para ela
bloquear. Raiva. Determinação. Impaciência. — Então?
— Então, precisamos encontra-la antes que os Kurjans o
façam. É apenas uma questão de tempo. — Dage digitou uma série de
comandos no computador. — Estou enviando todos que temos e me
juntarei a eles amanhã. —Seu queixo se endureceu como granito.
Talen foi até o computador, digitando sua conta de e-mail e
depois sua senha, que havia compartilhado há muito tempo. Uma
mensagem de fleeingfanny@[Link] apareceu na tela. Cara
avançou para ler.
Ei mana, tive que me mudar. Estou segura, não se
preocupe. Amor a garota. E
Cara suspirou. Se Emma dissesse que estava segura, Cara
poderia acreditar. Ela se afastou de Talen quando a fúria a varreu. —
Eu não entendo. Por que diabos é tão importante encontrar mulheres
com características aprimoradas?
Uma tosse assustadora veio de Jase, e o resto dos homens Kayrs
permaneceu em silêncio enquanto vários pares de olhos se viravam
para olhar para Talen. Ele abriu a boca para responder quando Kane
voltou à tela.
— Não pretendo interromper, mas decodificamos mais dez discos
marcados com nomes femininos diferentes que precisamos ver. — Sua
voz era um rosnado furioso.
Os joelhos de Cara bateram juntos enquanto ela se voltava para
seu assento. — OK. Estou pronta. — A Intel que eles tiraram das
instalações de Kurjan foi a melhor chance que tiveram para terminar
tudo isso para que sua irmã pudesse parar de se esconder.
Talen a levantou do chão e nos braços dele, onde ela deu um
grito assustado. — Você voltará com Janie, Cara.
— Não, não vou. — Protestou quando ele girou e se dirigiu para
a porta, seu rosto forte determinado, seu queixo endurecido. — Posso
ajudar, Talen.
— Não há necessidade de você ver as fitas. Se descobrirmos
alguma coisa sobre genética ou informações sobre a sua irmã através
das visões, prometo que vou recuperá-la.
Agora no corredor, ela começou a lutar nos braços dele. Ele
apertou os músculos afiados, efetivamente acalmando seus
movimentos. — Não discuta comigo, companheira. — Sua voz não
segurou um quarto.
Com um bufo irritado, Cara permitiu que ele a puxasse para
mais perto de seu peito. — E se os Kurjans a encontrarem primeiro? —
Cara abafou um soluço.
— Então lidaremos com isso. — Ele deu um beijo suave na
cabeça dela. — Mas ela está escondida com sucesso, não apenas dos
Kurjans, mas também de nós. Provavelmente, ela está segura.
Se alguém pudesse fazer isso, sua irmã mais velha poderia. Ela
pensou por um momento enquanto os passos certos de Talen ecoavam
no chão áspero de pedra. — Talen? Dage lê mentes?
Talen suspirou. — Ele tem a capacidade, mas prometeu ficar fora
de nossas cabeças. Geralmente ele faz.
— Nossa. — Ela teria que aprender a bloqueá-lo. Outro
pensamento ocorreu a ela. — Quantas companheiras de vampiro
existem?
Talen deu de ombros. — Eu não sei. Estamos espalhados por
todo o mundo, não conheço uma contagem real.
Ela balançou a cabeça. — Mas não pode haver tantas. Parece um
desperdício de recursos para os Kurjans gastar tanto tempo com um
vírus para nos matar.
O aperto de Talen endureceu. — Quem sabe por que os Kurjans
fazem alguma coisa. — Ele a colocou do lado de fora da porta dos
aposentos antes de colocar a palma da mão contra a rocha. — No
entanto, eles sabem muito bem que nossas companheiras são nossas
vidas, pegue-as e você praticamente nos destrói. — A porta se abriu
para revelar Janie alegremente dando os retoques finais do esmalte
rosa nas mãos de Max.
— Bem na hora — disse o soldado com uma careta.
Talen bufou. — Você está aliviado, caso precise passar pó nas
bochechas.
— Engraçado. — O soldado mexeu no nariz de Janie quando ele
se levantou e caminhou até a porta.
Talen deu um beijo na bochecha de Cara antes de se virar para
seguir Max. — Voltarei quando puder.
Cara entrou no quarto para suspirar ao lado da filha, que a olhou
com olhos sábios. Muito sábios. — Tudo ficará bem, mamãe.
Cara se endireitou e procurou o rosto da filha. — Você tem
certeza?
— Eu prometo. — Janie estendeu a mão e pegou um controle
remoto. — Vamos assistir ao filme do pônei, você gostará.
Talen voltou várias horas depois, quando Cara estava fazendo
uma panela grande de macarrão com queijo na pequena, mas bem
equipada cozinha. Os aparelhos eram de aço inoxidável e top de linha.
— Cheira bem — disse ele quando ela se virou para estudar o
seu rosto. Linhas afiadas cortaram suas bochechas, seus olhos
endureceram para metal amassado e uma pulsação pulsou em sua
mandíbula. A tensão vibrando através de seus ombros colocou seus
dentes no limite, e ela se perguntou o que ele tinha visto naquelas fitas.
— Ruim? — Ela passou um dedo gentil pelo rosto duro.
Ele fechou os olhos brevemente. — Sim. — Ele olhou em volta. —
Onde está Janie?
— Cochilando.
Ele puxou Cara para ele e tocou seus lábios nos dela antes de
mergulhar fundo com um gemido. Ela respondeu como se não o visse
há dias. As mãos dela se esticaram para agarrar os cabelos dele,
enquanto as dele envolviam suas nádegas para puxá-la para a
ereção. Ambos ofegaram quando ele levantou a cabeça. A impressão em
seu quadril pulsava em demanda.
A raiva ainda ardente em seus olhos a fez dar um passo para
trás.
— O quê? — Ela se virou para mexer o macarrão.
— O vírus não é para matar — disse ele sobriamente.
Cara se virou surpresa. — Não foi feito para matar? Como?
— Sete das onze mulheres se mataram para escapar da agonia
do vírus. — Talen caiu em uma cadeira grossa de madeira na mesa
redonda de granito. ― As outras sobreviveram.
Cara sentou-se em frente a ele. — Sobreviveram a serem
infectadas? Eu não entendo.
— O objetivo do vírus não é matar é mudar a companheira de
volta à forma humana. — Seus olhos eram pederneiras metálicas de
raiva.
— Oh. Por quê?
Talen respirou fundo. — Para que possam ser acasaladas com
um Kurjan.
Cara enrugou a testa. — Eles criaram um vírus inteiro apenas
para roubar suas companheiras? — Ela deu uma risada incrédula. —
Não há mulheres humanas suficientes no mundo para dar a volta?
Talen permaneceu em silêncio, seu olhar sério sobre ela quando
ela alcançou.
— Não há mulheres suficientes. — Murmurou quando a
compreensão a atingiu. Ficou de pé. — Não me diga. Somente aquelas
com habilidades estúpidas aprimoradas são capazes de acasalar com
vocês.
— E ter os nossos filhos. — Retrucou Talen.
— Oh Deus. Quão raras somos? — O medo de sua filha superou
todo o resto.
— Extremamente. — Confirmou Talen, fechando os olhos.
Ela deu um passo para trás da mesa. — Você sabia. Você sabia
disso quando acasalou comigo.
Talen se desdobrou. — Eu sabia que você era a minha
companheira quando acasalei com você.
Uma voz pequena fez os dois se virarem. — Mamãe? — Janie
esfregou as mãos seus olhos. — Estou com fome.
Com um último olhar para Talen, Cara correu e pegou Janie. —
Fiz sua comida favorita, venha e sente-se. — Levou a filha para a mesa
e a colocou gentilmente em uma cadeira.
— Essa discussão está marcada, não terminamos, esposa —
disse Talen em um grunhido profundo quando abriu o celular e leu a
mensagem de texto. — Preciso ir. As informações mais recentes
revelaram outro laboratório no sul da Califórnia, e precisamos invadi-
lo hoje à noite. — Ele estendeu a mão para emaranhar seus cabelos
antes de abaixar a cabeça para um beijo rápido.
— Emma? — ela perguntou suavemente quando ele se afastou.
Talen sacudiu a cabeça. — O laboratório parece uma instalação
de pesquisa, mas devemos obter mais informações com o ataque.
Ficarei de olho, Cara.
— Você tem que ir? — Ela se sentia mais segura com ele; além
disso, queria terminar essa luta e ver onde eles estavam.
Ele assentiu. — Sim. Sou o chefe de segurança do Reino.
Cara balançou a cabeça em surpresa com essa nova
informação. — Há tanta coisa que não sabemos um sobre o outro,
Talen. — Deu um passo para trás.
Olhos dourados se fecharam. — Então é bom que tenhamos
séculos, não é companheira? — Com um pequeno beijo na cabeça de
Janie, ele se foi.
O resto da noite passou jogando Old Maid, assistindo filmes e
finalmente jogando-se na cama por várias horas. Quando Cara
conseguiu dormir, sonhou com monstros brancos pálidos com dentes
vermelho sangue rindo enquanto a enterravam em um caixão de
granito.
Cara acordou na cama enorme com um grito, apenas para ter
um braço masculino forte em volta dela e arrastá-la para o seu corpo,
estilo conchinha. — Volte a dormir, é cedo. — Murmurou Talen
sonolento em seu ouvido.
O corpo dela derreteu de novo no calor dele, e ela apertou a
gagueira instantânea do coração. — Você invadiu a instalação?
— Sim. Analisaremos os dados mais tarde. Encontramos a
mesma informação que o local na Virgínia Ocidental. — O cabelo áspero
dele acariciava a dela.
— Não há companheiras? — Sua voz captou a última palavra.
— Não. — Sua respiração se aprofundou e seu corpo relaxou no
sono. O calor ao seu redor embalou-a em sonhos reconfortantes desta
vez.
Ela acordou sozinha na grande cama azul. Se inclinou para ver
uma cesta cheia de roupas no chão de granito, suas roupas. Seu
coração pulou um pouco que Talen trouxe suas roupas para o
Colorado, mas aquela voz em sua cabeça a lembrou de suas dúvidas. As
dúvidas que gritavam de que Talen não teria se acasalado sem um gene
estranho que ela herdou que lhe deu não apenas dons aprimorados,
mas a capacidade de criar um filho vampiro. O dever para com seu
povo o montava com força.
Com um encolher de ombros, tomou um banho rápido no
banheiro anexo antes de vestir jeans e um suéter azul e ir para o
corredor. Seguiu vozes abafadas até a cozinha, onde Janie e Talen
comiam ovos mexidos e discutiam as melhores cores do arco-íris.
— De jeito nenhum — disse Talen com um sorriso. — Amarelo
dourado é o melhor.
Janie balançou a cabeça tristemente. — Os adultos são tão
cegos. — Seu cabelo caiu em tranças perfeitas em ambos os lados da
cabeça quando ela se concentrou no café da manhã.
— Quem arrumou o seu cabelo? — Cara perguntou.
Janie sorriu encantada para Talen, que lhe deu um sorriso
presunçoso. — Ele fez. — Então ela começou a pular na cadeira. —
Adivinha? Hoje vamos à nossa nova casa.
Cara franziu a testa. — É seguro?
Talen assentiu. — Sim. Tenho homens varrendo a casa e os
terrenos, os Kurjans não têm ideia de onde estamos, mesmo que
tivessem tempo de montar um ataque. Atingimos muitas instalações
na semana passada e eles estão se esforçando para se proteger.
Cara passou a mão pelos cabelos de Janie antes de se sentar à
mesa.
— E todas as minhas coisas? — Janie perguntou antes de enfiar
uma mordida nos ovos.
— Apenas traga suas roupas e bonecas, Janie. Já tenho
duplicatas de todo o resto em casa — disse Talen.
— Dupl... Duplicatas?
— Hum, isso mesmo. Você tem a mesma cama, casa de boneca
e tapete em casa.
— Legal.
O telefone de Talen tocou e ele abriu a tampa para ler o texto
antes de se levantar. — Nossos aliados invadiram outra instalação na
Europa Oriental, não foram encontradas companheiras, mas muita
informação. — Seu olhar fixou o de Cara. — Me encontrarei com Dage
enquanto vocês duas arrumam as coisas de Janie. Estejam prontas
para ir em uma hora. — A expressão dele disse mais alto que as
palavras que a discussão da noite anterior permaneceu sobre a
mesa. Ela franziu a testa em resposta.
Cara ignorou o café da manhã para ajudar Janie a arrumar as
suas coisas. Tinham acabado de empilhar tudo nas cestas de roupa
entregues por Max quando Talen voltou para leva-los para casa. Vários
soldados seguiram para ajudar a carregar as cestas.
Assim que eles passaram pela sala de controle, Janie recusou. —
Espere um minuto. Esqueci a minha foto do tio Dage.
— Não havia uma foto no seu quarto — respondeu Cara.
— Ainda estava no quarto dele, mamãe. Ele prometeu. Ele
desenhou um pônei rosa e disse que eu poderia leva-lo para casa. Por
favor?
Cara se virou exasperada para Talen, que riu e desceu várias
portas para colocar a mão contra a rocha perto de uma grande porta
de granito. A porta se abriu, revelando quartos semelhantes ao que eles
haviam desocupado, exceto que este tinha dois laptops e cachos de
papel espalhados pela mesa. Várias latas vazias de bebida energética
de uva cobriam a área também.
Apressando-se para a frente com um grito feliz, Janie abriu um
grande bloco de desenho sentado aleatoriamente entre a bagunça. Um
pônei rosa bonito sorriu para eles.
Janie cuidadosamente pegou o papel pelo canto e o levantou,
parando apenas quando Cara ofegou e avançou. Cara estendeu a mão
e ergueu um intrincado desenho a carvão de um rosto que ela conhecia
quase tão bem quanto o seu. Estreitando os olhos, virou página após
página detalhando sua irmã com diferentes expressões em diferentes
contextos. Dage capturou perfeitamente os inteligentes olhos
amendoados de Emma, nariz empinado e uma pequena covinha à
direita de sua boca cheia. O cabelo de Emma estava preso no alto da
cabeça no último retrato, e seus olhos escuros ardiam com uma
expressão que Cara nunca tinha visto.
Ficou chocada quando Dage entrou no quarto atrás de Talen,
seus olhos prateados sérios nos dela. Talen se moveu para o lado dela,
seu olhar curioso em seu irmão.
— Eu não entendo. — Murmurou, pronta e disposta a se colocar
entre Emma e qualquer ameaça.
Dage permaneceu em silêncio.
— Por que você tem tantos desenhos da minha irmã?
Dage não pareceu surpreso, mas Talen deu um suspiro de
entendimento ao lado dela.
— Por que, Dage? — Sua voz endureceu em aborrecimento.
Dage deu um sorriso. — Sonho com essa mulher há duzentos
anos, Cara.
— Oh. — Não tinha certeza do que dizer. — Dage, Emma não é,
quero dizer, ela não é exatamente ...— Pode não conhecer Dage bem,
mas conhecia a irmã como um livro. E sua irmã nunca suportaria um
tipo de macho alfa dominante, que Dage gritou de espadas.
— Não se preocupe, pequena Cara — disse Dage com um aceno
arrogante. — O destino quer o que ele quer. Não machucarei a sua
irmã.
Cara balançou a cabeça. — Não estava preocupada com ela.
— Humph. — Veio a resposta enquanto ele gesticulava para fora
de seus aposentos.
Era uma viagem de duas horas em um SUV preto do quartel-
general até a ampla casa da fazenda, com vista para Great Bear
Lake. Cara não perdeu o grande portão ou a multiplicidade de câmeras
montadas em vários pinheiros, enquanto passavam por entre as
árvores até que a entrada de asfalto circulasse em frente a uma casa
profunda de madeira com uma grande varanda envolvente. A porta era
de aço reforçado verde floresta e parecia capaz de suportar uma
explosão nuclear, mantendo de alguma forma seu caráter pitoresco e
amadeirado.
Silêncio e solidão a cercaram quando ela saiu do veículo e lutou
contra a sensação de que finalmente chegara em casa. O cheiro de
pinho encheu o ar, e os pássaros gorjearam lá do alto. Então ela gritou
quando Talen a levantou nos braços e atravessou a varanda de madeira
grossa antes de chutar a porta com uma bota forte e conduzi-la através
de brilhantes telhas de granito para a sala de estar.
Ele gentilmente a colocou no chão duro de carvalho antes de se
esquivar do lado de fora e carregar uma Janie rindo acima do limiar.
— Uau — disse Cara, olhando para as janelas do chão ao teto,
mostrando o lago calmo cercado por árvores e montanhas. Ela passou
pela lareira de pedra alta, sofás pretos confortáveis e pinturas a óleo
impressionantes para ficar de pé nas janelas e apenas olhar. Virou e
encontrou Talen olhando para ela, uma expressão insondável em seus
olhos sobrenaturais.
— É lindo — sussurrou, quase com medo de quebrar o silêncio.
— Impressionante. — Ele concordou, seus olhos acariciando seu
rosto, o pinheiro em suas mãos.
Janie quebrou o clima. — Onde fica o meu quarto?
Rindo, Talen abaixou a árvore que segurava até um ponto perto
da porta e estendeu a mão, que Janie pegou com um pulo feliz. Cara
os seguiu por um corredor acarpetado até uma bonita sala em rosa
familiar. Além da cama, cômoda e casa de bonecas, este quarto tinha
uma mesa branca clara, closet e banheiro anexo.
Janie respirou antes de correr e pular na cama.
Fotos de Janie, Cara e Emma cobriam a cômoda, e o calor
inundou Cara quando ela se virou em direção a Talen. — Estas são da
nossa casa em Massachusetts.
Ele assentiu. — E a garagem está cheia de caixas que precisam
ser desembaladas.
Cara sorriu. — Você mudou todas as nossas coisas para nós?
Talen sorriu de volta. — Você pode me agradecer adequadamente
depois.
Hum. Talvez ela apenas fizesse. Talen mostrou a elas o restante
da casa; a enorme cozinha tinha bancadas de granito escuro, armários
de cerejeira e todos os utensílios de aço inoxidável. A ilha central tinha
muito espaço para alguém que gostava de cozinhar, o que Cara fazia.
Talen logo desapareceu em seu escritório para planejar a
estratégia para o Reino, enquanto Cara e Janie começaram a trabalhar
para desempacotar as suas caixas. O desejo de criar uma vida com o
marido a provocava, enquanto o medo sussurrava que o casamento era
apenas conveniente. Ela tinha o gene certo e estava no lugar certo na
hora certa, ou errada. Não era como se ele proclamou qualquer grande
amor por ela. Na verdade, ele a tratara como uma possessão. Um para
ser guardado, é verdade, mas os planos de Cara sempre foram
desfrutar de uma vida agradável, suave e solitária.
Talen era tudo menos agradável ou suave, e não havia nada de
solitário nos sentimentos que ele inspirava nela.
Depois do jantar, Talen colocou Janie na cama enquanto Cara
arrumava o seu novo armário. Terminou de arrumar os sapatos quando
Talen se moveu em direção à gaveta aberta ao lado da cama e removeu
a pistola prateada de nove milímetros.
— Você pode atirar? — Talen pegou a arma e verificou o clipe
vazio.
— Hum, não. — Cara confirmou. — A arma é de Emma e ela
queria que eu a tivesse quando houvesse arrombamentos no bairro.
— Não está carregada.
— Não me sentia segura com balas, mas prometi a Emma,
então...
— Eu te ensinarei como usá-la, Cara. — Ele colocou a arma
dentro da gaveta e puxou um livro com orelhas.
Deu de ombros e depois corou quando viu o que Talen segurava
em uma mão. Ela lutou para ficar de pé.
— Corações Amarrados? — A voz de Talen se aprofundou quando
ele examinou a contracapa. — Bem, bem, bem, Cara. Bom material de
leitura. — Ele ergueu os olhos do livro e seus olhos brilharam em ouro
líquido enquanto passavam por seu rosto ardente.
— É apenas um livro, Talen. Não é grande coisa e definitivamente
não é da sua conta. — Cara desejou o calor do rosto, sem sorte. Pelo
amor de Deus, todo mundo lê um pouco de erotismo de vez em quando,
embora ela devesse ter jogado o livro depois de desempacotar a caixa
do quarto em casa.
— Não tenho tanta certeza disso. — A voz de Talen estava quase
rouca agora. — Você já foi espancada, querida?
Cara prendeu a respiração com a intenção sombria em seus
olhos, e seu traseiro realmente se apertaram em protesto. — Hum, bem,
não. — Corou ainda mais. — É apenas um livro, Talen. Isso é tudo.
— Acho que não. — O poder masculino fluiu forte em sua voz
rouca. — Acho que você gostaria. — Seu olhar manteve o dela enquanto
colocava o livro no lugar e fechava a gaveta. Cara deu um passo para
trás e se impediu de dar outro quando os olhos dele brilharam quando
ele reconheceu a retirada dela pelo que era.
O silêncio cobriu pesado quando eles se entreolharam através da
cama coberta de azul, os olhos atentos de Talen segurando-os
cativos. — Corre.
Com um grito instintivo, Cara se virou e fez exatamente
isso. Correu pelo corredor, atravessou a sala e entrou na sala de jantar,
buscando segurança. Sentiu, ao invés de ouvir, o caçador em seus
calcanhares enquanto derrapava até parar em volta da grande mesa de
cerejeira.
— Agora, Talen. — Ela levantou uma das mãos para acalmá-lo
enquanto tragava enormes rajadas de ar.
Ele levantou uma sobrancelha e permaneceu enganosamente
calmo dentro das amplas portas francesas, sem ofegar nem um pouco.
— Está sala está cheia de belas, muitas louças quebráveis. — Os
olhos de Cara dispararam para escapar enquanto ela tentava recuperar
o fôlego com uma risada nervosa. Infelizmente, ela estava presa. — Nós
não queremos quebrar nada. — Continuou com outra gargalhada. —
Vamos parar com esse jogo bobo e talvez assistir a um filme ou algo
assim.
— Mas Cara. — Talen se moveu graciosamente para a esquerda,
sua voz baixa e suave — Eu quero brincar. — Ele parou de se mover
enquanto ela avançava na outra direção, seus olhos o seguindo. Mesmo
brincalhão, Talen era tão intimidador quanto o inferno.
— Sim. — Retrucou Cara. — Como um leão brinca com uma
gazela. Antes que a coma.
Um sorriso lento e preguiçoso cruzou seu rosto e ela engoliu em
seco, percebendo o que havia dito. Seu sangue começou a vibrar com
a emoção da perseguição, com a emoção do que ele faria com ela se a
pegasse.
— Parece que você está presa, pequena gazela. — Ele se moveu
um pouco mais para a esquerda. — Agora eu comerei você. — Com o
último, ele pulou sobre a mesa em uma exibição formidável de poder e
velocidade.
Cara gritou em pânico feminino e disparou na outra direção, mal
escapando de seu braço estendido. Voou pela porta larga, a risada
masculina de Talen ecoando atrás dela, deixando-a saber que estava
livre simplesmente porque ele não tinha terminado de jogar. Apenas o
pensamento de acordar Janie a impediu de gritar novamente durante
a perseguição.
Os pés descalços de Cara bateram nos ladrilhos grossos da
entrada, enquanto ela passava pela porta da frente para o porto seguro
da cozinha. Contornou a ilha escura coberta de granito e recuou até o
balcão, os olhos arregalados na entrada e o cotovelo bateu na enorme
cesta de maçãs vermelhas profundas.
A maçã vermelha arremessada atingiu Talen no peito quando ele
entrou na cozinha. Ele pegou a segunda maçã velejada a centímetros
do nariz quando Cara levantou uma terceira para atirar.
— Se eu fosse você não faria isso. — Cara parou, com a mão
levantada, pronta para jogar, a respiração subindo e saindo de seu
peito. Ele avançou como a vez em que a perseguiu na cozinha de
Jordan, e Cara sufocou um gemido.
Seu sorriso de resposta era mais predatório do que malicioso
quando ele começou a dar voltas na ilha, mantendo os olhos
cativos. Cara congelou quando o limite afiado do desejo lutou para
reconciliar o predador com a diversão que estava tendo. Talen
aproximou-se de sua forma imóvel e gentilmente pegou a maçã da mão.
Um dedo levantou o queixo para encontrar seu rosto forte. — Tal
tentação. — Sua voz soou como cascalho e enviou o desejo correndo ao
seu núcleo. — Adão não teve a mínima chance. — Talen lentamente
passou a pele macia da maçã pelo lado do rosto. E baixou os lábios nos
dela.
Cara se derreteu quando ele aprofundou o beijo, sua língua
duelando com a dela, desejo furioso com o toque de dor por todo o
corpo. De repente, foi levantada do chão e depositada no balcão frio de
granito, a saia levantada e os joelhos abertos em ambos os lados dos
quadris masculinos. Ela se sentia pequena e feminina em comparação
com o homem poderoso que a prendia no balcão, e porra se isso não a
excitava.
Ele a disse para correr. Ele a perseguiu pela casa enquanto ela
lutava contra a necessidade de rir como uma adolescente. Instinto puro
tinha os dedos cravados nas costelas dele.
— Ei. — Talen se afastou, suas mãos apertando seus braços. —
Pare com isso.
De jeito nenhum. De jeito nenhum! Ela cavou com mais força,
pressionando entre as costelas dele e apertando.
— Pare. — Ele riu, agarrando as mãos dela, prendendo-as nas
dele.
Ela sorriu, os joelhos apertando os quadris fortes. — Não tinha
ideia de que grandes vampiros ruins eram delicados, Talen. — Quão
fofo era isso?
Ele sorriu em resposta, e o coração dela caiu em câmera lenta
sem rede.
— Hmmm. Bem, veremos. — Ele soltou as mãos dela para ir para
a sua cintura. E a pressionou.
O grito que deu quando suas mãos enormes fizeram cócegas em
seus lados deveria ter levantado os mortos. — Não, não, nãooooo. —
Ela chorou, lutando para fugir, rindo enquanto retribuía o favor,
empurrando os joelhos contra a frente dele para escapar. Ainda bem
que Janie dormia profundamente.
Talen se virou para o lado, enroscou sua mão grande em seus
cabelos grossos e puxou não muito gentilmente para um lado, expondo
a graciosa coluna do pescoço à boca dele. Seus lábios traçaram um
caminho desde a orelha dela, descendo pela bochecha até a cavidade
entre o pescoço e o ombro, onde ele beliscava. A marca no quadril dela
queimava por ele. — Que tal chamarmos uma trégua?
Hmmm. Uma trégua parecia boa. Se preocuparia com o seu
coração mais tarde. Uma coisa era querer o homem, outra
completamente era gostar genuinamente dele. O lado divertido do líder
perigoso era quase demais para resistir. Então seus dentes afiados
mordiscaram novamente, lembrando a ela que sua verdadeira ideia de
diversão continha um indício de perigo genuíno.
Os joelhos de Cara apertaram seus quadris quando pressionou
seu núcleo dolorido contra a sua ereção coberta de brim. Um braço
forte ao redor de suas costas a puxou ainda mais perto, enquanto ele
continuava sua exploração pelo seu corpo. Ele murmurou em
apreciação quando seus lábios encontraram o inchaço do peito
esquerdo acima do decote arredondado. Soltando seu cabelo, ele
inseriu um dedo em seu decote e puxou a camiseta para baixo para
expor um mamilo rosa endurecido, que imediatamente cobriu com a
boca, os olhos se fechando de prazer.
O prazer dele alimentou o seu e ela se abriu para as sensações
que o provocavam, talvez ser um empata não fosse tão ruim. Fechou
os olhos e apoiou os ombros contra os armários macios, enquanto ele
revirava o mamilo na boca, a pélvis pressionada contra a dele. Gemeu
e emaranhou as duas mãos em seus cabelos grossos, puxando-o ainda
mais perto de sua carne latejante. Seu corpo gritava para lhe dar o que
ele queria enquanto sua mente procurava a razão.
Seu coração deve permanecer seu.
Talen levantou a cabeça, deu-lhe um beijo duro nos lábios e
rasgou a camiseta no meio com as duas mãos fortes. — Comprarei uma
nova para você. — Prometeu, voltando a sua atenção para o outro seio
dela. Cara só podia ofegar quando os puxões afiados em seu peito,
juntamente com a ereção coberta de Talen pressionando a sua calcinha
úmida a enviaram em espiral em um orgasmo agudo.
Enterrou a cabeça no pescoço salgado dele para não gritar alto
demais. As ondas a rasgaram, e todos os seus músculos se apertaram
com o esforço de ficar quieta.
Talen distribuiu beijos suaves na parte de baixo de ambos os
seios enquanto ela se agarrava fracamente a ele, suas mãos agora
flácidas nos cabelos dele. Parou de tremer e Talen levantou a cabeça
para reivindicar novamente a sua boca, as mãos estendendo a
cintura. Perdida em seu beijo, Cara instintivamente colocou as pernas
em volta dos seus quadris e os braços em volta do seu pescoço quando
ele a levantou do balcão e abandonou a cozinha.
Talen atravessou a casa, empurrando a porta do quarto com um
pé, sua boca reivindicando a dela. A depositou na cama antes de puxar
a camiseta por cima da cabeça. Seu cinto e calça jeans seguiram sua
camisa até o chão, revelando o corpo de seu guerreiro. O desejo a
invadiu novamente, enquanto observava os músculos duros e a força
absoluta do homem desumano. Ele colocou uma das mãos sobre a
parte superior do peito e a empurrou de costas.
— Minha vez de comer, pequena gazela. — Murmurou, os olhos
concentrados no pedaço de renda diante dele. Ajoelhou-se no
chão. Duas mãos fortes estenderam-se e puxaram-na para mais perto
da beira da cama, a respiração quente através da calcinha
encharcada. Ele se inclinou e apertou a cintura elástica com dentes
afiados, puxando. A calcinha se recusou a se mover, então com um
grunhido, Talen a rasgou em duas com mãos desesperadas. —
Comprarei uma nova para você. — Repetiu enquanto abaixava a boca
para a agora carne nua, suas mãos segurando suas coxas.
Ela arqueou em sua boca com um grito suave. Sua mente se
fechou quando a sensação tomou conta.
— Tão doce. Tão picante — declarou Talen contra ela, as
vibrações fazendo Cara apertar suas coxas contra as mãos dele. Ele a
lambeu de uma ponta a outra, soltando uma coxa para inserir um,
depois dois dedos nela.
A esticou e falou contra ela:
— Verdadeiramente suculenta, Cara. — Com um grunhido,
Talen beliscou-a, jogando-a na onda de outro orgasmo. Apertou os
lençóis com juntas brancas quando ele a saqueava, prolongando onda
após onda até que ela estremeceu com um suspiro final de liberação.
Então explodiu novamente quando duas presas perfuraram a
sua coxa e ele bebeu.
Talen beijou a ferida perfurada e depois subiu lentamente por
seu corpo até que eles estavam virilha a virilha, sua ereção aninhada
impaciente contra o seu núcleo. Sua boca dominou a dela sem
indulgência. O beijo foi sombrio e dominante; Cara provou a língua de
Talen enquanto ele começava a possuí-la lentamente. Então, com um
rosnado e um impulso poderoso, ele se enterrou em seu calor. Sua boca
reivindicou seu choro assustado.
Cara estava esticada quando Talen começou a entrar e sair dela,
sua boca mergulhando mais fundo com um beijo imponente, sua mão
torcida em seus cabelos. Não podia lutar contra a sua reação a ele,
mesmo que quisesse. Por que diabos iria querer? Ela se preocuparia
com isso mais tarde. Gemeu quando ele aumentou seus impulsos e o
atrito criou uma série maravilhosa de explosões elétricas no fundo de
seu útero, abriu a sua mente, seu coração tanto quanto podia. Uma
energia poderosa a atingiu de dentro dele reivindicando, golpeando
nervos, emoções que não sabia que tinha. Na verdade, não tinha
certeza de que eram as suas emoções. Talvez fossem as dele.
Eles quebraram ao mesmo tempo. Cara não sabia se era a sua
liberação ou a dele que a fez ver estrelas. Talvez tenha sido a
combinação de ambos.
O toque do telefone havia acordado Talen quando o amanhecer
começou a se agarrar ao horizonte. Ele pegou o fone, ficando em alerta
instantaneamente. — O quê? — Ele se sentou na cama e acendeu a
luz. — Quando? — Ele puxou Cara para mais perto, e seus olhos azuis
se arregalaram. Ele balançou a cabeça com as palavras de Jordan. —
Ela não pode ir ao ataque, Jordan. Eu sei... — Ele passou a mão
frustrada nos olhos. — Tudo bem. Nos vemos em meia hora. — Ele
desligou o telefone antes de encarar o companheiro.
— É Emma? — Sua voz sussurrou com medo.
Talen sacudiu a cabeça. — Não. Os Kurjans sequestraram Katie.
— Katie? — Cara sentou-se com um suspiro. — Não! Por quê?
Talen deu de ombros. — Eu não sei. Pode haver várias razões. —
Ele pulou da cama. — Jordan os seguiu até o leste do Oregon; ele acha
que sabe onde ela está sendo mantida. — Ele vestiu jeans e uma camisa
escura de mangas compridas.
— Por que ele me quer no ataque, Talen?
— Isso não importa. — Ela ainda pode não possuir suas
habilidades empáticas, mas sua determinação o golpeou com uma
força impressionante.
— Sim. — Ela respondeu enquanto vestia jeans e um suéter e o
encarava do outro lado da cama.
Talen olhou para Cara com cuidado. — Está em um grande
hospital particular, e Jordan não sabe onde ela está. Ele acha que você
pode senti-la se estiver perto o suficiente.
— Eu provavelmente posso.
— Não.
— Talen, você não pode me forçar a aceitar essa capacidade e
depois não me deixar usá-la. Especialmente quando uma amiga precisa
de mim. — Sua voz ficou baixa, direta. Impressionante, isso. — Você
não viu como ela lutou quando Lorcan me teve, ou como ela se
transformou em um leão para me proteger quando soube que isso a
exporia aos Kurjans. Eu devo a ela.
Talen deu um rosnado baixo do fundo da garganta e saiu do
quarto. Cara tinha razão, e ele não gostou. Ele a empurrou desde o
primeiro dia para abraçar suas habilidades empáticas, então como
poderia recusar que ela precisasse usá-las? Cada instinto que tinha
berrou para trancá-la em um armário até que lidasse com a
ameaça. Ele não contava com essa porra de tumulto quando imaginou
sua vida com uma companheira.
Ele suspirou. Ela não era apenas uma companheira. Ela era
dele. A pequena cientista de boca inteligente segurava o seu coração
nas mãos dela. Isso o mataria se ela deixasse algo acontecer consigo
mesma.
Uma vez em seu escritório, levantou o telefone e começou a latir
ordens. Sua companheira ainda pode precisar aprender o lugar dela
em sua vida, mas o resto da porra do Reino faria como ele ordenou.
Tinha acabado de desligar quando ela entrou na sala vestindo
jeans desbotados e um suéter azul marinho que enfatizava seios
empinados e ombros frágeis. Com a pele pálida sobre as maçãs do rosto
delicadas, ela colocou a boca macia em uma linha dura. Olhos da cor
do céu no fim do dia brilharam faíscas azuis nele, e apenas a criança
nos seus calcanhares o impedia de responder ao seu desafio e leva-la
ao chão naquele momento.
Seu intestino apertou quando percebeu que sua raiva estava
consigo mesmo. Ele a amava.
Então Janie deu um pequeno sorriso, seu cabelo bonito em
pequenas tranças com fitas cor de rosa. Seu coração
tropeçou. Jesus. Elas eram a vida dele. O medo e uma determinação
feroz para mantê-las em segurança quase o derrubaram, e a marcação
na palma da mão queimou até o coração.
Cara abriu a boca para falar. Caralho, para discutir
provavelmente.
Ele levantou a mão. — Jordan estará nos pegando em quinze
minutos. Deixaremos Janie na sede e obteremos reforços antes de ir
para o Oregon.
— Nós? — Esperança passou pelo rosto de Cara.
Ele respirou fundo, lutando contra cada impulso que ele tinha
para protegê-la. — Sim. Você estava certa. Não faz sentido ter as suas
habilidades se não as usa. Mas, Cara. — Sua voz baixou e ele enviou
uma onda emocional como uma ameaça, veja-a bloqueie isso, droga. —
Você segue as ordens. Permanece em segundo plano até limparmos as
instalações e, se eu disser para fazer alguma coisa, é muito bom fazê-
lo. — Se ela lhe desse uma dica de que se colocaria em perigo, a deixaria
aqui.
— Eu vou. — Prometeu, sua voz sexy baixa e ofegante.
Talen balançou a cabeça quando um desconforto o varreu
enquanto ele lutava contra seu intestino. Todos os instintos dele
berravam para manter a sua companheira em segurança, longe dos
Kurjans e do ataque, caralho, longe de qualquer indício de perigo. O
som de lâminas cortando o ar chamou a sua atenção. — Jordan está
aqui.
Ela assentiu enquanto segurava a mão de Janie, e eles saíram
pela porta da frente para assistir o enorme helicóptero pousar no
gramado.
— Abaixe a cabeça. — Gritou Talen enquanto corriam para a
frente e pulavam no veículo elegante. Com um rápido aceno de cabeça
para eles, Jordan levantou o Hawk para o céu.
Nas profundezas da sede subterrânea de Kayrs, havia uma sala
com uma impressionante variedade de computadores e tecnologia que
era pelo menos tão avançada quanto qualquer coisa pertencente ao
governo de Cara, talvez até mais. Dados rolavam pelas telas em flashes
de verde, preto e amarelo, lembrando parecendo um filme de ficção
científica que ela vira quando adolescente.
Os homens Kayrs estavam lado a lado com os quatro shifters
imponentes. Talen trouxe a imagem holográfica de um hospital
particular no centro de Portland na grande tela central. — O objetivo
principal aqui é resgatar Katie e quaisquer outros cativos, de acordo
com a Diretiva Operacional do Reino 25.
Jordan bateu uma faca no colete. — Estamos esperando outros
cativos?
Talen deu de ombros. — É possível. O segundo objetivo é
recuperar informações, pegar todos os computadores ou arquivos que
você veja. O objetivo final é matar os Kurjans. — Ele balançou a
cabeça. — Esta nova política Kurjan de se esconder à vista de todos me
preocupa. Um hospital, pelo amor de Deus. Precisamos alterar a nossa
estratégia de batalha e nossos cenários de treinamento.
Um pensamento momentâneo sussurrou no subconsciente de
Cara, como Jordan havia seguido Katie até Portland? A realização
bateu em casa. Oh não, ele não fez. Ela balançou a cabeça. Katie ficaria
furiosa. — Quando você colocou o rastreador em Katie, Jordan?
Seu olhar amarelado encontrou o dela antes que ele desse de
ombros. — Qual rastreador?
Jase bufou ao lado dele.
Talen pigarreou. — Os dados que coletamos mostram que a
instalação é relativamente nova e provavelmente ainda não está
totalmente segura. Mesmo assim, eles saberão que estamos chegando,
então o plano é de choque e pavor. Nós batemos rápido, e batemos
forte, levando os dois Hawks juntos.
Depois que todos cumpriram suas ordens, Talen os conduziu
para outra sala segura, abastecida com todas as armas imagináveis,
incluindo armas, espadas, facas, canhões e foguetes.
— Uau — disse Cara, examinando as armas abundantes. Sua
respiração ficou presa na garganta.
Talen era todo negócio, quando ele largou um colete preto leve
sobre a cabeça e o prendeu nas laterais.
— À prova de balas? — ela perguntou. Sua mente passou para a
filha. Janie precisava de uma mãe. Medo e culpa percorreram a espinha
de Cara.
— Sim. O colete a protegerá até de nossas balas — disse Talen
sobriamente enquanto colocava um colete semelhante sobre a própria
cabeça. Ele levantou o olhar. — Você tem certeza de que quer ir?
Não, ela não tinha. Mas Katie precisava dela.
— Sim, tenho certeza.
Seu rosto se endureceu e ele recuou para se preparar para a
batalha. A sala de armas o convinha como chefe de segurança de todo
o Reino. O colete encaixava-se bem na camisa preta, enfatizando
claramente a largura do peito e a força musculosa dos braços. Ele
puxou seu cabelo escuro para trás em uma faixa eficiente, e seu rosto
ficou duro em linhas de concentração enquanto verificava cada arma
antes de entrega-lo aos guerreiros que esperavam. O próprio ar ao seu
redor vibrando com propósito, seus sobrenaturais olhos dourados
brilhavam com intenção.
Mas não era apenas a cor perigosa de seus olhos; era a pura
inteligência e poder básico brilhando neles. Sua capacidade de criar
estratégias e criar o plano de batalha para garantir o sucesso deles a
impressionou, criando um desejo profundo que ela não conseguia
reprimir. Droga.
Ela pressionou as costas contra a parede, buscando um
momento de calma em seus próprios pensamentos. Dage, Conn e Jase
eram um negócio silencioso, pois colocavam as armas à mão antes de
checar os coletes uns dos outros e vestir moletom escuro. Reconheceu
os shifters com Jordan desde o tempo em que estava no rancho, os três
irmãos, Mac, Noah e Baye, eram seus melhores Executores e eles se
pareciam. Os três eram altos e musculosos, com cabelos loiros
profundos e riscados com um conjunto de cores mais escuras, se ela
não soubesse que eram leões, teria se perguntado a cor.
Mac piscou um olho de chocolate escuro para ela e acenou com
a cabeça para ela verificar novamente o fone de ouvido. Cara
concordou, notando que era a única pessoa na sala com menos de um
metro e oitenta de altura. Também era a única mulher, e a testosterona
girando ao redor a deixava tonta.
— Mantenha isso com você e atire em alguém que não conhece.
— Talen a tirou de seus pensamentos silenciosos enquanto segurava
uma arma verde brilhante ao lado de seu colete antes de cobri-la com
um moletom escuro e fechar o zíper. — A arma é apontar e disparar,
você já usou uma antes.
— Dará tudo certo, Talen. — Ela esfregou seu antebraço grosso
enquanto ele inseria seu próprio fone de ouvido.
— É melhor que dê, Cara. — Ele desceu e deu um beijo duro nos
lábios dela antes de pegar a sua mão e leva-la da sala por vários
corredores até chegarem a um elevador que os levava para fora. Jordan
e seus homens pularam em um Falcão, e Cara se aconchegou entre
Talen e Jase na parte de trás do outro pilotado por Dage. Conn apertou
os botões do assento do copiloto.
— Cara, espero que você não fique enjoada — disse Dage
secamente através do fone de ouvido enquanto ligava o impressionante
veículo.
— Acho que não vou — respondeu, o medo se acumulando no
seu estômago.
— Descobriremos. — Observou Jase ao lado dela com um leve
sorriso.
— Voaremos perto da terra para que eles não nos vejam,
companheira. O passeio será rápido, cheio de curvas e volumoso. Tem
certeza de que não quer ficar aqui? — A voz suave de Talen disparou
através de seus ouvidos e direto ao seu âmago. Como ele fez isso com
ela?
Cara balançou a cabeça quando Dage puxou uma alavanca e o
chão caiu mais rápido do que ela teria pensado ser possível; então o
mundo passou por baixo dela em um borrão de verde e marrom. Ela
quase riu com alegria. Aparentemente, ela não era propensa a
enjoos. Mesmo quando Dage caiu tão perto do chão, os galhos das
árvores arranharam a barriga do helicóptero, ela teve a sensação de
voar pelo ar. Enquanto Jase balançava a cabeça em diversão com o
deleite de olhos arregalados, Talen olhou para as nuvens reluzentes,
com a mente claramente na batalha por vir.
O pouso foi rápido e inesperado. Eles aterrissaram no telhado do
edifício, imaginando que os Kurjans estariam mais preparados para um
ataque frontal. Ela pulou do helicóptero atrás de Jase e o seguiu até a
porta de metal em tijolo vermelho com Talen logo atrás dela. Ela se
mexeu quando os outros seis soldados balançaram sobre os lados em
cordas grossas presas aos Hawks; segundos depois, o vidro quebrou
com um grande estrondo.
— Fogo cruzado. — Jase gritou.
Talen a puxou para o lado e cobriu sua cabeça com o corpo
dele. Uma explosão rasgou o ar. Ele deu um passo para trás e ela
seguiu Jase pela porta cheia de fumaça, a porta de metal estava
enrugada e quebrada para o lado. Dois soldados Kurjan apareceram e
ela gritou com as armas apontadas para o peito, depois o choque a
encheu quando o inimigo congelou no lugar, ambos obviamente
tentando se mover em sua direção, mas agindo como se estivessem
atravessando o concreto.
Suor escorria no lábio superior de Talen. — Estes são mais
velhos e bem treinados. — Ele sussurrou para Jase. Então sua cabeça
bateu para trás e ele fez uma careta.
— O quê? — Cara perguntou.
Talen sacudiu a cabeça. Jase disparou dois tiros
instantaneamente e desviou-se para cortar a cabeça de um Kurjan
enquanto Talen despachava o outro.
— Vamos. — Talen rosnou quando agarrou Cara pelo braço para
descer as escadas de cimento atrás de Jase. Eles desceram os quatro
voos para pousar na porta do primeiro andar. Ele se virou para ela. —
Feche seus olhos. Você sente Katie?
Cara fechou os olhos, o coração batendo forte no peito. Deus, por
favor, deixe isso funcionar. Nada. Com um silvo, ela se concentrou no
rosto de sua amiga, seu sorriso, seu sorriso travesso. Um arrepio de
consciência começou a zumbir na parte de trás de sua cabeça. Ela se
concentrou mais e seus olhos se abriram. — Ela está aqui. Ela está
realmente brava e tentando não ter medo.
— Onde ela está? — A voz rosnada de Jordan através do fone de
ouvido fez Cara pular.
Cara balançou a cabeça e voltou os olhos ansiosos para Talen. —
Eu não sei. É como se ela estivesse muda. — Cara fechou os olhos e se
concentrou ainda mais. — Como se algo pesado estivesse entre nós.
— Ela está no subsolo. — Murmurou Talen.
— O quarto andar está protegido — disse Mac claramente através
dos fones de ouvido. — Este lugar é na verdade um hospital, e nós
apenas assustamos um monte de pacientes. Cortamos as
comunicações e declaramos uma situação militar, para que eles não
possam chamar.
— Status? — Talen perguntou enquanto colocava uma das mãos
na porta de metal marrom e fechava os olhos para se concentrar.
— Terceiro andar protegido. — Afirmou Conn. — Enfermeiras e
pacientes, sem Kurjans.
— O mesmo acontece no segundo andar. — A voz baixa de Baye
apareceu claramente.
— Primeiro andar protegido, sem Kurjans—, relatou Noah.
— Encontramos a entrada do porão em um armário, no canto
norte do primeiro andar — disse Dage em voz baixa. — Jordan e eu
vamos entrar.
— Espere — disse Cara, enquanto mais sussurros passavam por
sua mente. — Ela não está sozinha. Há mais alguém com ela, outra
mulher. Fêmea. Com dor.
— Outra cativa? — Talen se virou da porta.
Cara deu de ombros, os olhos arregalados nele. — Eu não sei. Ela
é meio que em branco. Como se apenas uma essência estivesse lá. —
A respiração em sua garganta se transformou em gelo. — Também sinto
uma escuridão, talvez um mal ao seu redor.
— Sim, eu também sinto isso — disse Talen secamente. — Sinto
cinco Kurjans abaixo. — Ele assentiu para Jase. — Todo mundo
mantenham as suas posições. Jase, Cara e eu vamos para o canto
norte, e quando eu der o sinal, todos evacuam para o telhado. — Ele
deu um breve aceno para Jase, que abriu a porta. — Seja casual. —
Murmurou Talen baixinho enquanto a puxava para uma sala de espera
padrão de hospital com cadeiras de tecido e linóleo estampado. Estava
vazio, exceto por Noah em pé ao lado de uma loira de quarenta e poucos
anos no balcão de entrada. A mulher corpulenta corou um rosa suave,
tentando alisar os cabelos macios.
— Coronel, enfermeira Reed e eu garantimos o primeiro andar —
disse Noah solenemente a Talen. — As portas estão trancadas e os
pacientes estão a salvo.
— Muito bem, major — disse Talen suavemente e virou um
sorriso para a mulher. — Seu país agradece, senhorita.
Os olhos densamente maquiados da enfermeira se arregalaram
e sua boca ficou frouxa. Ela corou ainda mais, ofegando quando Jase
entrou em sua visão. A mão no cabelo dela começou a tremer.
— Acredito que este foi um alarme falso, mas precisamos
verificar mais uma coisa — disse Talen enquanto passava pela mesa
com Cara e Jase nos calcanhares. — Major, fique aqui com a
enfermeira.
Eles correram pelos corredores silenciosos até chegar ao armário
de um zelador no canto norte. A voz de Conn veio através da linha
grossa e divertida. — Você não disse a ela que seu país a devia.
Talen riu. — Demais? — Ele entrou e fechou a porta atrás dos
três. Um buraco na parede oposta mostrava onde Dage e Jordan
haviam ido. Eles desceram cuidadosamente um lance de degraus de
cimento duro até um corredor estreito onde estavam dois Kurjans
decapitados.
— Droga. — A voz de Jordan ecoou através do fone de ouvido. —
Cinco Kurjans caídos, não sinto mais nada.
— Nem eu. — Concordou Talen, enquanto avançava. — Eles
certamente não estavam nos esperando.
— Tenho certeza de que eles divulgaram a notícia, no
entanto. Provavelmente temos dez minutos até que os reforços
cheguem — disse Dage, sombrio, com passos correndo soando ao
fundo.
Cara se afastou das paredes duras de pedra, suas botas
levantando poeira do chão de terra. Molde perfumava o ar viciado.
— Este lugar é um labirinto de voltas e mais voltas. — Jordan
assobiou através do fone de ouvido quando eles dobraram um canto
em uma sala redonda com quatro corredores espalhados em direções
diferentes. — É quase como se eles tivessem criado o laboratório ou
abandonado. Onde diabos ela está? — A raiva ecoou por cada palavra.
Cara parou quando Dage e Jordan emergiram de um dos grandes
túneis. Ela fechou os olhos e tentou relaxar. Imaginou Katie sorrindo e
se transformando em um leão. Se concentrou o máximo que pôde e,
dando um grito agudo, virou-se e correu pelo túnel para a extrema
esquerda, com Talen e Jordan nos calcanhares.
A sujeira bateu em seus pés quando passou de porta fechada
após porta fechada antes de emergir para outra sala redonda com
túneis se afastando. Ela parou e fechou os olhos novamente. — Por
aqui — disse enquanto corria direto para o túnel mais próximo. Era
mais estreito que os outros e as luzes amarelas industriais lançavam
sombras assustadoras sobre a rocha pálida. Finalmente, ela parou em
frente a uma porta estreita de pedra e começou a bater na superfície
lisa. — Katie? — Ela gritou, batendo mais forte. Uma suavidade feroz
vibrou para ela do outro lado, sua amiga estava tão perto.
Talen afastou Cara e deu um breve aceno a Jordan antes que os
dois homens jogassem ombros maciços na pedra dura. A porta se abriu
com um estrondo, revelando um quarto de hospital com duas camas,
monitores e uma infinidade de equipamentos médicos. Ambas as
camas estavam ocupadas.
— Katie. — Jordan rosnou quando ele correu para frente e
arrancou as restrições de seus pulsos e tornozelos. — Você está bem?
— As mãos dele foram para os ombros dela e a puxaram contra o
peito. A respiração de Cara ficou presa na garganta com a emoção crua
gravada no rosto do Shifter, enquanto seus escudos se moviam para
bloquear a raiva e o alívio que rolavam dele em ondas profundas.
— Sim — disse Katie, passando a mão trêmula pelos cabelos
despenteados e endireitando o vestido branco do hospital. — Eles me
injetaram algo uma vez, mas acho que foi apenas um sedativo. — Ela
pulou da cama e cambaleou antes que Jordan a pegasse nos braços. —
Ajude Maggie — disse ela quase em um soluço.
— Por que você não mudou? — Jordan rosnou, indo em direção
à porta.
— No começo eu não podia, depois não queria machucar Maggie.
— Katie suspirou.
O cheiro antisséptico de alvejante bateu em Cara enquanto ela
corria para a outra cama que continha uma mulher pequena com olhos
castanhos escuros e cabelos pretos grossos. Os olhos se arregalaram
de medo. O terror puro caía de seus poros e Cara instantaneamente
tentou acalmá-la com palavras suaves e sem sentido. Ela começou a
puxar as restrições de couro apenas para que Talen a empurrasse
gentilmente para o lado e as separasse.
— Eu disse que eles viriam — disse Katie quase sorrindo para a
outra mulher, acomodando-se ainda mais no peito largo de Jordan.
Maggie assentiu e tentou ficar de pé, só para balançar para a
esquerda. Agarrando um cobertor gasto, Talen a envolveu e
rapidamente a pegou e se dirigiu para a porta. — Cara, fique entre
Jordan e eu. — Ele ordenou enquanto se movia. Ele entregou Maggie a
Jase na grande sala redonda e liderou o caminho pelo túnel final, com
Dage na posição traseira.
— Todos evacuem. — Talen deu a ordem enquanto subia as
escadas para o armário do zelador. O som de pés no concreto e nas
portas se abrindo encheu suas linhas quando todos se dirigiram para
os Falcões. Em várias batidas do coração, Cara foi novamente abrigada
em segurança entre Jase e Talen, com o mundo girando abaixo deles.
Cara correu entre Baye e Jase com Talen nas costas para outro
refúgio profundo esculpido na terra. Dage liderou o caminho, enquanto
Jordan e Mac carregavam Katie e Maggie atrás deles. Menos de duas
horas se passaram desde que eles recuperaram Katie do hospital
Kurjan, e os membros de Cara começaram a se cansar quando a
adrenalina diminuiu.
A rocha subterrânea nos arredores de Seattle era de uma cor
mais clara e manchada do que a pedra dura do Colorado. Dage se
transformou em uma sala ampla com várias mesas grandes cercadas
por cadeiras laranja. Antisséptico e alvejante encheram suas
narinas. Dois homens vestidos com jaleco branco e luvas grossas de
plástico avançaram.
— Sou o Dr. Jones — disse o primeiro, as sobrancelhas cinza —
a cada sílaba. Ele apontou para uma mesa cheia de suprimentos
médicos. — As instalações médicas ainda estão sendo montadas, isso
terá que servir por enquanto.
Jordan colocou Katie em uma mesa com muita precisão. — Acho
que vocês não se preocuparam com instalações médicas de emergência
desde que a guerra terminou.
Talen assentiu. — Sim. Desculpe por isso, estamos nos
debatendo um pouco. — Ele se virou para encarar os médicos enquanto
Mac colocava Maggie ao lado de Katie. ― Algo foi injetado nelas,
precisamos saber o que é.
O coração de Cara bateu duas vezes contra a sua caixa
torácica. Katie parecia tão pequena e vulnerável na camisola do
hospital com os pés descalços. O que os Kurjans haviam injetado nela?
O Dr. Jones assentiu e puxou uma seringa antes de inseri-la no
braço da jovem leoa. O outro médico fez o mesmo com Maggie.
Talen pegou a mão de Cara, a marca na palma da mão
instantaneamente esquentando contra a pele dela.
— Então, Katie. Quer explicar como os Kurjans sequestraram
você? – Jordan não fez nada para esconder a sua raiva, fervendo logo
abaixo da superfície de sua voz baixa, e Cara deu um sorriso simpático
à amiga.
— Bem. — Katie fez uma careta quando o Dr. Jones removeu a
agulha. ― O xerife ligou e me pediu para descer e responder perguntas
sobre a noite na parada de caminhões.
— E você foi? — perguntou Jordan, incrédulo. — Sem contar a
nenhum de nós?
— Você não estava por perto. — Katie quase sibilou de volta. Ela
começou a balançar as pernas nuas para frente e para trás debaixo da
mesa. — Ele me pediu para encontra-lo na parada de caminhões, então
eu fui.
— Não era o xerife? — Cara adivinhou, balançando um pouco de
exaustão.
— Não. — Katie franziu a testa. — Mas não tive a sensação de
que ele estava mentindo ao telefone. Eu simplesmente não entendo. ―
0 Dr. Jones colocou um aparelho de pressão arterial em volta do braço
e começou a bombear.
— Então o quê? — Talen perguntou baixinho, soltando a mão de
Cara para puxá-la contra o seu calor.
— Bem, quando cheguei à parada do caminhão, comecei a entrar
e essa grande van branca parou, dois Kurjans saltaram e me
agarraram, e um enfiou uma agulha no meu braço antes que eu
pudesse mudar. — A voz de Katie subiu. Ansiedade. — O que quer que
tenha sido me nocauteou, e acordei naquele quarto que você viu. — Ela
olhou em volta, esticando o braço enquanto o médico removia o
aparelho. — Quanto tempo sumi?
— Cinco horas. — Jordan rosnou.
— Uau. — Katie murmurou. — Como você me achou tão rápido?
— Não importa. — Veio a resposta. — É bom que o fizemos.
Katie parou. — Acho que isso importa. Como Jordan?
O líder dos leões encolheu os ombros, com o maxilar forte e
firme. Ele se inclinou para o lado para ler a tabela que o Dr. Jones
estava preenchendo.
A percepção surgiu no rosto pálido de Katie. — Você tinha um
rastreador em mim? — Ela levantou a cabeça. — Onde?
— No seu sapato. — Retrucou Jordan, concentrando-se nela. —
Rastreamos você até a instalação, mas eles jogaram os seus sapatos
fora. Cara encontrou você a partir desse ponto.
Katie mordeu o lábio inferior até ficar branco. — Discutiremos
esse rastreador mais tarde, Jordan.
— Esteja certa de que sim. — Sua raiva obviamente superou a
dela.
Katie o ignorou e virou-se para Cara. — Obrigada.
Cara assentiu, sabia que sua amiga ficaria irritada. — Claro. O
que aconteceu então?
Katie deu de ombros. — Não tenho certeza. Eles estavam
esperando que um médico viesse me injetar alguma coisa. — Dr. Jones
inseriu um termômetro na sua boca e ela fechou os lábios, os olhos
ainda disparando faíscas em Jordan.
— Dr. Jaylin. — Maggie falou, sua pele clara empalidecendo
ainda mais quando todos os olhos se voltaram para ela. — Ele deveria
estar de volta hoje à noite. — O outro médico removeu o aparelho do
braço dela e passou a rabiscar anotações em um arquivo.
— Eles disseram algo sobre a injeção? — Dage perguntou em voz
baixa.
— Não. Embora saiba que tive várias. — Maggie olhou para os
machucados dentro do cotovelo esquerdo. — Também não sei quando,
nem quantas vezes.
— Você não se lembra? — Cara perguntou, se perguntando se
era por isso que ela só podia ter uma suave sensação da mulher a sua
frente.
— Não. — Maggie balançou a cabeça, seus olhos castanhos
desesperados. — Não me lembro de nada antes de ontem. O Dr. Jaylin
disse que explicaria tudo, mas não acreditei nele.
— Ele continuou chamando-a de Maggie, mas não sabemos se
esse é realmente o nome dela. — Explicou Katie.
— Sim, me sinto mais como uma 'Cassandra' — disse Maggie
com um pequeno sorriso.
— Ou uma Bernadette. — Katie se juntou. — Passamos um bom
tempo imaginando possíveis nomes.
— Jaylin era humano? — Talen perguntou.
— Não. Rosto branco, olhos negros, realmente assustador —
disse Maggie estremecendo. — Ontem eu vi dois outros como ele.
— Kurjans. — Cara murmurou enquanto Katie assentiu. Ela
fechou os olhos e concentrou-se o máximo que pôde em
Maggie. Sussurros de pensamentos e sentimentos a percorreram.
— Você pode sentir se ela era uma companheira? — Talen
perguntou.
— Não. Mas há algo lá... — Cara focou novamente.
— O quê? — Maggie perguntou, seus olhos se enchendo de
lágrimas.
Cara abriu os olhos e deu de ombros. — Eu não sei. Há uma
energia sobre você, mais ou menos como a de Katie. Mas diferente de
alguma forma.
— Talvez ela seja uma shifter. — Jordan falou.
— Talvez. — Cara concordou.
— Shifter? — Maggie perguntou depois de um momento.
— Longa história. Vamos trabalhar nisso depois que você se
recuperar. — Katie deu uma tapinha na mão de Maggie. —
Pergunta. Por que os Kurjans queriam shifters? Pensei que eles
estavam atrás de companheiras vampiro.
Ninguém tinha uma resposta para ela.
―Companheiras vampiros? ―O clamor na cabeça de Maggie
aumentou em volume. Que diabos? Sussurros de pensamento, espirais
de cores, sinais de dor. Demais para uma cabeça, um crânio para levar.
Algo pulsou no sangue de Maggie, algo que os Kurjans haviam
injetado nela. Ou já tinha estado lá antes? Ela tentou se concentrar em
sua nova amiga, tentou se concentrar na energia, principalmente
masculina, rodopiando pela sala. O gosto acobreado do sangue encheu
sua boca, ela havia mordido a língua para não gritar. O sangue atingiu
seu estômago e rosnou. Ela estava com fome.
Cruzando as pernas, ela se mexeu na mesa fria. O doce aroma
de seu próprio sangue encheu suas narinas, e ela lutou contra o
rosnado subindo de sua alma. Fome. Sangue. Necessidade.
Ela abriu a boca para falar, e um rugido estridente surgiu. Um
silêncio mortal caiu sobre a sala e todos os olhos se voltaram para
ela. Talen mudou seu peso em frente a ela, protegendo parcialmente
Cara. Ah sim. O predador mais perigoso da sala, aquele com algo a
proteger. Então ela pegou Jordan se movendo em sua direção pelo
canto do olho.
Talvez não.
Ela balançou a cabeça. O que estava pensando? Estes eram seus
amigos, seus salvadores. Se virou na direção de Katie para dizer algo
no momento em que um raio de dor explodiu atrás de seus olhos. O
grito agudo que assaltou seus ouvidos veio de sua própria
garganta. Parou ofegante, os olhos arregalados nos assustados de
Katie. Então, quando a dor cortou sua pele, abriu a boca para gritar
novamente.
Sua mandíbula continuou se abrindo com estalos altos e
rachaduras afiadas, mais amplas do que humanamente possível. O
grito que emergia de sua garganta não podia ser humano. Ossos
estalaram em seu queixo, em seu pescoço, mudando, se
transformando, doendo.
Talen agarrou Cara e pulou sobre algumas cadeiras para ir para
a porta. Seu irmão Dage pegou uma faca no colete. — É lua cheia?
— Sim. —Disse Jordan, agarrando o braço de Katie e puxando-a
da mesa para ficar diretamente atrás dele. — Tire seu pessoal daqui.
— Mas espere. — Cara protestou dos braços de Talen quando
eles se aproximaram da porta. — E você?
O olhar de Jordan permaneceu em Maggie quando ele
resmungou: — A energia da sua mudança não nos machucará,
podemos absorvê-la. — Ele empurrou Katie de volta para a parede,
pegando o comunicador do bolso e inserindo-o no ouvido. — Bloqueie
a porta. Eu ligo se precisarmos de apoio.
A porta se fechou com um estrondo audível quando a rocha
encontrou a rocha. Apenas o pessoal de Jordan e Maggie
permaneceram. Ela virou os olhos desesperados para ele. Olhos que
agora viam moléculas individuais no ar, um milhão a mais de cores do
que ela sabia que existiam. — O quê? — Ela rosnou, quase sem fôlego
de dor.
Ele falou baixo, calmo. — Eu não sei. Mas você ficará bem,
Maggie.
— Ele se acomodou em uma postura pronta. — Katie, Baye e
Mac, vocês mudam. Noah e eu ficaremos em forma humana por
enquanto.
Katie tentou seguir em frente. — Não, Jordan. Preciso ficar para
que ela me entenda.
Jordan ficou turvo quando as lágrimas se juntaram nos olhos de
Maggie.
— Transforme-se ou você vai embora. — Jordan disse a Katie
sem mover o olhar um pouco. Suas mãos permaneceram ao lado do
corpo, nem mesmo avançando em direção à faca perto do
quadril. Maggie poderia pegar sua mão, arrancá-la, provar esse
músculo e sangue antes que ele pudesse se mover. Terror cru a
percorreu com o próprio pensamento, mesmo quando seu corpo
ansiava pela alimentação.
Um suspiro irritado atendeu a sua ordem antes que um brilho
de luz cercasse a nova amiga de Maggie, e então...
Três leões rondavam onde as pessoas tinham acabado de
estar. Oh Deus. Ela se transformaria em um leão?
Contra sua vontade, os dedos de suas mãos se endireitaram e se
espalharam. Ossos estalaram e sua pele se abriu como se pedaços de
vidro cru substituíssem seus glóbulos vermelhos. A dor de dentro
dessas células, de um nível molecular básico, atravessava suas
terminações nervosas. — Faça parar. — Era a voz dela? Baixa, gutural,
desumana?
— Eu não posso — disse Jordan, seus olhos castanhos
compreensivos.
Seus dedos se curvaram, longas garras amarelas emergindo. Um
pelo grosseiro e áspero atravessou sua pele, os arbustos arranhando e
arranhando no caminho. Uma leve dor em comparação com o resto,
mas a vontade de chorar quase a dominou.
— Porra, ela é um lobisomem — disse Noah de seu posto perto
da porta.
Que diabos? Lobisomem? Ela era um lobisomem? Isso não
parecia certo. Rosnando, manteve o olhar nas mãos, mesmo quando os
ossos de suas pernas começaram a latejar e estalar.
Quase cega de dor, o choque a percorreu quando os cabelos de
suas mãos se transformaram em um marrom escuro, em algo
macio. Algo familiar.
Jordan se aproximou. — Que diabos?
Uma dor crua e intensa tomou conta dela novamente, e os
cabelos voltaram à versão grossa. Ofegando, caiu da mesa de quatro,
emitindo um uivo selvagem e levantando a cabeça. O chão de pedra fria
acalmava seus nervos em frangalhos.
A tensão aumentou ainda mais na sala.
Seu rosto doía enquanto se alongava e os cabelos da lixa
deslizavam por sua pele. Então suavizou e seu rosto se estreitou, antes
de voltar para a versão mais longa.
Jordan caiu de joelhos, seu olhar nos olhos agora embaçados. —
Lute, Maggie. Lute contra a dor, procure o lobo.
Três leões se aproximaram, flanqueando-o, com a intenção de
proteger enchendo o ar. O cheiro de leão e terra provocava seus
sentidos. Junto com sangue, carne e carne. Comida. Amigo. Inimigo.
Sua coluna se endireitou e ela arrancou a camisola do hospital,
transformando-se em algo duro, depois algo mais suave. Ambos
selvagens; ambos chorando para se libertar.
— Encontre o lobo, Maggie. — Jordan cantou, seus olhos
passando rapidamente para uma fase felina. — Lute pelo lobo. Ele
precisa de você.
O lobo. O lobo precisava dela. Fechando os olhos, Maggie
empurrou contra a dor. Ela não aceitaria, não deixaria vencer. O lobo
estava lá em algum lugar. O lobo precisava dela.
Um rasgo irregular rasgou seu coração, e ela deu um uivo agudo
de agonia. Os shifters se afastaram. Onde estava o lobo? Um sussurro
de pensamento, uma voz. Um apelo. Encontre o lobo, moça. Ela é
minha, mantenha-a segura para mim.
A voz, concentre-se na voz. Tanta força, tal propósito. A voz. Com
um grunhido de fúria, Maggie empurrou a dor para o caralho e
encontrou o lobo. Um zumbido calmante logo abaixo do coração. Uma
batida da natureza, um sussurro da verdade. Aliviando sua pele, o pelo
macio, os músculos e ossos lisos. Casa.
Instalando-se na forma familiar, ela balançou a cabeça, deixando
o pelo macio do lobo se espalhar. Ela deu um gemido curto e examinou
a sala. Ela estava cercada por gatos.
Bem, droga.
A Terra tinha sua própria presença debaixo do chão, onde ela
cantarolava e ecoava por toda parte, vibrando com sabedoria e
propósito antigos. Ainda nas instalações do estado de Washington,
Cara sentou-se na cadeira e examinou a pequena sala de conferências,
com a barriga feliz e cheia. Dage pode ser o Rei do Reino, um vampiro
antigo, mas fazia um omelete médio. O café da manhã estava delicioso.
Passaram a noite e aguardaram os resultados dos testes de Katie
e Maggie. Cara ficou aliviada ao encontrar um e-mail de Emma dizendo
que estava bem, chegando ao final de sua pesquisa e que estariam
juntas em breve. Cara também falou com Janie, sentia falta da filha e
precisava sentir a garotinha nos braços.
Seu olhar pousou em Maggie, que estava pálida e quieta do outro
lado da mesa de mármore. A rocha bege manchada que os rodeava por
todos os lados lançava uma sombra de areia sobre o rosto. Menos de
quinze horas se passaram desde que Talen a tirou da sala de reuniões
quando Maggie começou a se transformar. — Como você está? —
perguntou.
Maggie encolheu os ombros, seus profundos olhos castanhos
mostrando um cansaço que combinava com seus ombros caídos. — Eu
não sei. Quero dizer, a forma do lobo parecia certa, parecia
natural. Embora não pudesse voltar até o amanhecer, e isso parecia
estranho.
Jordan e Katie flanquearam Maggie à mesa enquanto Dage
estava sentado à frente.
Talen mudou seu peso na cadeira ao lado de Cara, a mão dele
aquecendo a dela debaixo da mesa. Ele se inclinou para frente. — Então
deixe-me ver se entendi. Ela se transformou em lobo, em um lobisomem
e depois voltou a ser um lobo?
Jordan assentiu. — Sim, quase como se as duas formas lutassem
entre si para sair.
A porta se abriu e todos se viraram quando um homem baixo,
com cabelos brancos e espessos, tropeçou dentro, as mãos cheias de
papéis. O cheiro de álcool encheu o ar. Olhando em volta, ele assentiu
e sentou-se ao pé da mesa.
Dage limpou a garganta. — Este é o Dr. Miller, nosso cientista
chefe. — Outro humano. Interessante que todos os três médicos fossem
humanos.
O médico assentiu, espalhando seus papéis na superfície
dura. — Oi, hum, sim, oi. — Empurrando os óculos de aro preto pelo
nariz bulboso, ele respirou fundo. — Nunca vi nada
parecido. Senhorita, ah, a senhorita Maggie é uma Shifter lobo com os
vinte e oito cromossomos necessários. No entanto, ela aparentemente
foi infectada com um vírus que atacou o cromossomo mutável.
— Cromossomo mutável? — Maggie perguntou, juntando as
mãos na mesa até ficarem brancas.
— Hum, sim. O vigésimo sétimo par cromossômico marca os
shifters como tipo canino, felino ou multi, muito parecido com o
cromossomo que determina a cor dos olhos, você sabe, azul ou marrom
— disse o médico. — Estranhamente, acreditamos que o vigésimo
sétimo cromossomo das companheiras vampiro detém a chave para a
chamada alergia ao acasalamento. — Ele puxou um lenço do bolso do
peito e soprou alto. — Alguns cromossomos são mais poderosos que
outros, e aparentemente o vigésimo sétimo é um dossiê.
Um dossiê? A mente de Cara cambaleou com as novas
informações, merda como desejava que Emma estivesse aqui. —
Entendo. E os cromossomos de Maggie?
O médico colocou o lençol de volta na jaqueta, encarando
Maggie. — Você é um Shifter lobo por natureza, e é por isso que o lobo
saiu na noite passada.
Jordan recostou-se na cadeira. — Não foi tudo o que saiu ontem
à noite.
— Sim, sim, bem. — Os óculos grossos do médico aumentaram
seus olhos cinzentos até que ele quase parecia ser um personagem de
desenho animado. — Não há um biólogo de plantas aqui?
Cara assentiu. — Sou fisiologista de plantas.
— Hum, bom. Bem, você sabe como seu pessoal está injetando
vírus nas plantas, nas lavouras para obter melhor rendimento?
— Certo.
— Bem, isso é semelhante. O vírus ataca a genética do Shifter e
o transforma. — Ele puxou um papel do fundo da pilha. — Em um
lobisomem.
Katie ofegou e estendeu a mão para acariciar a mão de Maggie. —
Está tudo bem, Maggie. Nós descobriremos isso.
— Descobrir o quê? — Maggie perguntou, lágrimas enchendo
seus olhos. — É obvio. Eu era um Shifter lobo, e agora estou me
transformando em um lobisomem. Por alguma razão, não me lembro,
isso é um coisa ruim.
Katie se endireitou. — Você é um shifter. Vi o seu lobo se formar
com meus próprios olhos ontem à noite.
Cara pigarreou. — Qual é a diferença? Quero dizer, entre um lobo
e um lobisomem?
Soltando a mão, Talen tirou o cabelo de um ombro. —
Lobisomens são animais puros, sem razão, sem inteligência. Eles são
escravizados por um mestre com um feitiço simples, um mestre que
tem total controle sobre eles.
Isso foi péssimo. O interesse de Cara cresceu com a ciência
envolvida. — Mas ninguém desencadeou a mudança na noite passada.
Jordan assentiu. — Verdade. Mas havia lua cheia, e todos os
lobisomens mudam durante a fase completa querendo ou não.
Isso era inacreditável. — E quando estão em forma
humana? Eles vivem vidas normais? — Novamente desejou que Emma
estivesse aqui, sua irmã entenderia muito melhor a genética envolvida.
— Não. O humano fica disperso, confuso. Depois da terceira lua
cheia, ou da terceira mudança, a forma onde estamos é permanente —
disse Jordan.
Uau. A lenda urbana estava tão errada. — Como alguém
normalmente se torna um?
Talen passou um braço em volta dos ombros. — Os filmes têm
isso direito, principalmente. Se um humano é mordido ou arranhado
por um lobisomem, eles mudam, então o feitiço ou maldição vincula a
besta a um mestre.
— E os Kurjans querem ser os mestres — disse Cara. — Então,
eles não estão apenas usando a ciência para se aventurar no sol e
roubar companheiras, mas também tentando transformar uma classe
shifters de lobisomens em escravos. — Tamborilou com os dedos na
mesa por um momento, mordendo o lábio. — Mas não entendo. Se os
Kurjans querem uma enorme classe de escravos, por que não infectar
um monte de humanos? Por que todo o trabalho de criar um vírus para
transformar shifters em lobisomens?
Jordan sentou-se à frente. — Porque os lobisomens humanos
vivem no máximo um ano. Eles são frágeis demais para sobreviver em
forma de animal.
Uau, isso fez sentido. — Então, transformar shifters em
lobisomens pode levar à longevidade de uma classe de escravos. — Cara
meditou.
Dage assentiu. — Faz um sentido estranho e cria uma vantagem
dupla. Primeiro, eles acabam com um exército imortal da linha de
frente para fazer o trabalho sujo e, segundo, eles matam muitos de
nossos aliados. Ou seja, se esse vírus realmente funcionar, e os
Kurjans encontrarem uma maneira de contaminar em massa. — Seu
olhar prateado se aprofundou e ele se concentrou no médico. — O vírus
funciona? Quero dizer, Maggie lutou contra a mudança e mudou para
uma forma natural de lobo.
O médico assentiu, fungando alto. — Sim. Bem, sim. Eu nunca
vi isso antes e não sabemos se os Kurjans aperfeiçoaram o processo.
— Então o que acontece agora? — Maggie perguntou, sua voz
cheia de derrota.
O médico encolheu os ombros ossudos. — Eu não faço ideia. Ou
o vírus seguirá o seu curso e você voltará ao normal, ou o vírus seguirá
seu curso e você acabará sendo um lobisomem.
Nossa. Ele poderia ter adoçado isso um pouco mais. Cara
apertou os lábios. — A maldição ou feitiço como é feito?
Talen esfregou círculos suaves em seu ombro quando
respondeu. — É um encantamento que o mestre dá enquanto o
lobisomem está algemado em correntes de prata diante dele.
— Então eles precisam estar no mesmo quarto? — Cara
perguntou.
— Sim — disse Talen.
Bem, ótimo. Eles manteriam Maggie segura até que uma cura ou
mesmo tratamento para o vírus pudesse ser encontrado. Cara sorriu
para sua nova amiga, aliviada quando Maggie tentou um pequeno
sorriso em troca.
O médico pigarreou. — Eu, hum, ah, ainda não notifiquei o
Conselho de Banes.
Katie ficou de pé, um rubor vermelho de fúria deslizando pelas
maçãs do rosto altas. — E você não vai, caramba. Ela não é um
lobisomem.
Jordan puxou Katie de volta em sua cadeira e a jovem mulher
relutantemente voltou a sentar, seu olhar quente no médico. Os olhos
de Jordan endureceram quando ele se concentrou no homem. — O
estatuto determina que a notificação só é adequada se um lobisomem
for encontrado. Maggie é uma shifter, não um lobisomem.
O médico se inclinou para frente. — Sim, hum, mas o estatuto
exige notificação se alguém suspeitar da presença de um lobisomem.
— Seus olhos se arregalaram por trás dos óculos ridículos, e sua voz
aumentou. — Eu suspeito que há a presença de um.
Ao lado dela, Talen se endireitou. O que estava acontecendo? —
O que é o Conselho dos Banes? — Cara perguntou.
Voltando os olhos suplicantes para ela, o médico endireitou a
gravata borboleta vermelha listrada. — O Conselho investiga, caça e
acaba com lobisomens. Somos obrigados por lei a notifica-lo.
Ela se virou para Dage. — Você é o rei do Reino. — Ao seu aceno,
ela continuou: — Então não pode perdoar um lobisomem?
Dage sorriu, mostrando até dentes brancos. — Perdoar? Não. —
Ele descansou as mãos na mesa impecável. — Enviamos solicitações
de informações que levam a um Shifter desaparecido e esperamos
resultados em breve. Além disso, como houve lua cheia na noite
passada e Maggie se transformou em lobo e não em lobisomem,
acredito que ela não é um lobisomem. — Ele prendeu o médico com um
forte olhar prateado. — E, portanto, o Conselho não precisa ser
notificado no momento.
Cara, Dage era suave. Um verdadeiro diplomata que carregava
um grande porrete. Cara sorriu para ele.
Jordan se inclinou para a frente e mostrou seus próprios dentes
afiados. — Maggie está sob a proteção do meu orgulho. Ponto.
Não é tão suave, mas tão eficaz. E mortal.
O médico engoliu em seco, o pomo de adão subindo e descendo
em seu pescoço esquelético. — Como vocês dois desejarem. — Ele se
levantou, arrastando os pés em direção à porta. — Por agora.
Várias horas depois, a terra pressionou e Cara fingiu que as
árvores enchiam o quarto, suas folhas macias caindo em cascata ao
seu redor enquanto ela estava deitada na cama enorme. Não havia vida
vegetal real nas instalações de Washington, droga. Ela rolou de lado,
sua imaginação inalando o oxigênio fresco dos altos choupos. Onde
estava Talen? Ele disse que logo dormiria.
Eles passaram o dia no laboratório tentando decifrar os
resultados do laboratório. Sem sorte finalmente, depois de um jantar
tardio de caçarola de frango, ela foi para a cama enquanto Talen
continuava tramando a estratégia com Dage. Várias horas
atrás. Deveria estar pronto agora.
Ela se virou de costas. Que diabos estava acontecendo? Agora
precisava dele ao lado dela para dormir? Isso não funcionaria.
No entanto, não pôde impedir seu suspiro de alívio quando ele
finalmente entrou no quarto, largando as roupas no caminho para a
cama. Calor e pinho picante a envolveram um segundo antes que seu
corpo duro a envolvesse.
— Por que você ainda está acordada? — perguntou em seus
cabelos.
Deu de ombros, os ombros ricocheteando no peito dele. — Não
sei. — Bocejou, seu queixo rachando. — Talvez esteja preocupada com
Maggie. E se ela quase se transformar em lobisomem esta noite de
novo? — Não tinha pensado em Maggie a noite toda, sabia que não
devia mentir para si mesma.
Talen deu um beijo suave em sua orelha. — Não se
preocupe. Lobisomens só mudam em uma noite de lua cheia, o resto é
lenda urbana. — Seu braço enrolado em volta da cintura de Cara a
puxou ainda mais perto. — Agora vá dormir, precisa descansar.
— Por que estamos no subsolo? — ela perguntou quando seus
olhos se fecharam.
— Por segurança. — A respiração dele acariciou sua orelha e ela
lutou contra um calafrio de consciência. De necessidade.
— Mas seu inimigo jurado não pode se aventurar na luz do
sol. Acho que você viveria em casas de vidro na Flórida. — Nossa os
vampiros não eram racionais, ou o quê?
Ele riu. — Essa foi uma consideração. Mas a maioria dos nossos
inimigos tem poderes que não são óbvios, tele transporte, telecinesia,
habilidades psíquicas, a Terra nos protege de alguém na superfície
usando aqueles contra nós.
— Mas você pode usar essas habilidades quando estiver
clandestinamente um contra o outro ou com qualquer outra pessoa
aqui embaixo.
— Certo. Agora vá dormir.
Ela pode ter murmurado alguma coisa, deixando seu calor
acaricia-la até o esquecimento.
O sonho reivindicou Cara facilmente após o dia cansativo. O pai
dela a perseguiu por toda a floresta perto da casa deles, ele realmente
a mataria dessa vez. Seus passos grandes e tropeços atingiram a terra
dura e compactada em sua trilha, e mesmo bêbado como estava, ele
seria capaz de pegá-la se a visse.
— Sua putinha. — Ele gritou quando botas grossas destruíram
galhos baixos. Os pés sujos e arranhados de Cara, de dez anos,
pararam abruptamente quando se virou para acompanhar o progresso
dele, escondida atrás de um arbusto de amora espessa enquanto a lua
cheia iluminava o homem musculoso que a seguia. Sua camisa
abotoada estava rasgada na barriga grande que se tornara gorda, e
suas mãos carnudas se fecharam em punhos duros enquanto
vasculhava as árvores com olhos febris. Seu rosto vermelho e inchado
se contorceu de raiva. — Eu sabia que o diabo havia reivindicado você,
assim como a sua irmã puta.
Cara se encolheu quando sua voz áspera ecoou pela floresta,
tentando não tremer da picada da noite fria de outono. As árvores
estavam assustadoramente silenciosas ao seu redor, todos os animais
selvagens sabendo ficar quietos. Ela observou cautelosamente quando
ele se virou e seguiu por um caminho gasto, gritando o tempo todo para
que aparecesse antes que ele tivesse que voltar e matar sua
irmã. Mesmo aterrorizada, Cara sorriu. Dera a Emma tempo suficiente
para sair da casa agredida e ficar em segurança pelo resto da noite, se
pudessem sobreviver até que ele desmaiasse da bebida, viveriam outro
dia. Elas repetiram o mantra uma à outra mais de uma vez. Sua testa
franziu enquanto rezava para que mamãe tivesse deixado Emma leva-
la embora desta vez. Caso contrário, se ele ainda estivesse alerta o
suficiente quando retornasse, descontaria em sua mamãe.
As árvores formavam uma copa espessa sobre ela, e os arbustos
a protegiam de vista. A vida florestal e vegetal proporcionou abrigo e
segurança.
Ela perdeu a noção do tempo sentado na terra fria. Logo seus
joelhos tremeram e uma dor subiu por sua pele. Finalmente, os
pássaros começaram a cantar ao seu redor, provando que a ameaça
havia terminado, pelo menos durante a noite. Com um grito, ela
tropeçou em um grande tronco de árvore e afundou no chão da floresta
antes de enterrar o rosto nos joelhos e deixar os soluços virem. A culpa,
talvez a vergonha, doía mais que o medo.
Não tinha entendido por que Emma sempre parecia deixa-lo
bravo de propósito. Pensara que ele batia nelas porque Emma o deixou
com raiva. Esta noite foi a primeira vez, com a sabedoria de uma
menina de dez anos, que viu o que Emma estava fazendo. E por
quê. Sua irmã mais velha estava propositalmente se colocando no
caminho de suas mãos carnudas para que ele batesse nela ao invés de
Cara. Ao contrário de mamãe. Ela se encolheu no pequeno canto da
cozinha enquanto papai avançava sobre Emma com uma faca na mão
perigosa.
— Se eu matar você, garotinha. — Seu pai sibilou para Emma.
— Quem protegerá as outras duas? Hmmm? Acha que não sei por que
você é a primeira a pular no meu caminho? Acha que sou idiota? — Ele
gritou e uma veia se destacou em seu pescoço, o rosto corado com
bebidas e raiva.
— Eu sei que você é idiota. — Emma, de doze anos, gritou de
volta, limpando o sangue do canto da boca do último golpe dele,
enquanto se apoiava nos armários amarelos gastos. — E eu também
sei que o diabo estará aqui para você em breve.
Cara não teve defesa contra a onda de raiva que desabou de seu
pai, tentou tanto bloquear seus sentimentos, seus demônios, mas às
vezes eram fortes demais. Talvez ele estivesse certo. Talvez o diabo a
tivesse infectado com a habilidade. Os olhos dela se arregalaram
quando ele se arrastou pelo chão de terra lisa, tão grande, tão forte em
relação à irmã, que era tão pequena. E corajosa.
Os cabelos pretos de Emma enrolados despenteados em torno de
seu rosto pálido, um hematoma escuro já se formando em seu queixo
e profundos olhos azuis brilhando com ódio. E medo.
Foi o medo que fez isso. Cara pulou da sua posição e colidiu com
o pai antes de afundar os dentes no braço que segurava a faca. A faca
caiu no chão e, com um golpe, ele balançou o braço, jogando-a através
da cozinha nos armários. A dor balançou do ombro até a cabeça e ela
lutou contra um soluço. Ela ficou de pé. — Ela está certa, papai. Eu
tive uma visão que você morrerá e irá para o inferno logo. — Então,
correu pela porta da cozinha para a floresta como a coisa mais próxima
do diabo imaginável que a perseguia.
Finalmente, inclinando-se contra a casca dura, soluçou
enquanto lutava para se livrar da raiva dele que a enchia. Não era
dela. Ela não deveria ter que sentir o ódio negro, não deveria ter o desejo
cego de matar sua própria irmã. Não foi justo. E não faria isso de
novo. Os soluços subiram quando seus pequenos ombros
estremeceram com a dor.
— Querida, acorde. — A voz de Talen ficou baixa e suave
enquanto sua respiração agitava seus cabelos e seus braços se
apertavam em torno dela na cama grande. — Acorde agora, Cara. —
Bem, isso explica algumas coisas. Árvores e plantas a resgataram uma
vez, agora ela as resgatou.
Ela acordou, congelando no lugar. Sob o braço dele, o coração
dela saltou rapidamente e seu medo bateu nele com dedos gelados de
dor. Ele puxou, recusando-se a deixa-la bloqueá-lo. Levou um
momento, na verdade, vários, até que sua respiração se
acalmou. Então, enterrou o rosto na coluna tensa do pescoço dele e se
inclinou.
Sua dor era palpável mesmo sem a conexão deles. Teve que
reunir toda a força de sua formidável vontade para permanecer calmo,
passar a mão grande pelas costas trêmulas dela, negar a raiva, a
necessidade de violência vibrando para se libertar sob sua pele. Essa
batida com garras afiadas para sair. Sentiu cada estremecimento, cada
lágrima caindo, como uma fatia física em seu próprio coração,
sangrando frustração e raiva em sua própria alma. Não havia um
monstro vivo do qual não pudesse protegê-la, não existia nada que não
resistisse antes e derrotasse para garantir sua segurança. Ele era Talen
Kayrs, o líder militar dos seres mais poderosos que existia, e ganhou o
título através de inteligência, batalha e vitória.
E agora estava desamparado.
Bloqueou seus pensamentos, sua raiva, enquanto a confortava,
estremecendo com a delicadeza dos ossos frágeis que acariciava. A
marca na palma da mão queimava com uma fúria que correspondia
apenas à sua alma. Ela era sua companheira e agora ganhava força
dele. E poder. Mas quando ela precisava dele, quando não tinha força
nem poder, ele não estava lá. Não a protegeu. O fracasso o sufocou com
um peso que ele não tinha pensado ser possível.
— Não foi sua culpa. — Olhos azuis cheios de lágrimas ergueram
para os dele enquanto os braços dela envolviam seus ombros. — Não
havia como você saber, Talen. — Agora ela esfregava círculos suaves
em sua carne tensa.
Ele cobriu sua surpresa por ela ter passado pelo bloqueio
emocional dele e deixado a testa na dela enquanto seus olhos nadavam
de emoção. — Sinto muito, companheira.
Cara balançou a cabeça. — Tão poderoso quanto você é, nem
mesmo você pode controlar o universo inteiro e todos os seus seres. Não
acho que você deveria.
— Claro que sou. — Sua arrogância trouxe o sorriso aos lábios
dela, que ele precisava desesperadamente ver. Sentir.
— Estou com tanto frio, Talen. — Ela pressionou ainda mais
nele, uma perna deslizando entre as dele e pressionando contra sua
virilha. Ele estava nu e sua reação foi imediata quando se endureceu
contra ela. — Me aqueça. — Ela se inclinou e lambeu da clavícula até
a parte inferior do seu queixo, enquanto se pressionava mais forte
contra ele.
Sua mente lutou por coesão enquanto seu corpo esquentava e
endurecia. Eles precisavam conversar, e o controle era uma ilusão para
os dois agora. — Não é uma boa ideia, querida. Seu sonho nos atingiu.
— As emoções dele haviam atingido um nível volátil que ele precisava
de horas de descanso para subjugar. Ela não podia ter ideia do que
convidou.
— Por favor, Talen. — Sua voz ofegante sussurrou ar doce em
seu ouvido.
— Cara, pela primeira vez atenda ao meu aviso. Durma agora,
conversaremos mais com o amanhã. — Um clamor tomou residência
em suas bolas, e ele considerou um banho frio.
— Não. — Ela beliscou o lóbulo da orelha dele não muito
gentilmente, e ele estava perdido. Com um movimento rápido, mexeu e
recostou-se enquanto a puxava em cima dele, e uma das mãos rasgou
a blusa por cima da cabeça. Seus movimentos a desequilibraram e ela
ofegou, agarrando seus quadris com as coxas para se endireitar. Sua
carne macia ao redor da dele o tentava muito mais do que ele
gostava. Ela moveu os olhos assustados para ele quando casualmente,
facilmente colocou uma das mãos larga atrás da cabeça e relaxou de
volta na cama grossa.
— Pegue o que quiser, companheira. — Desafiou com uma voz
áspera.
Ela lambeu os lábios e seus olhos dispararam para o peito
dele. Forçou uma calma ao seu comportamento, mas temia que ela
pudesse sentir as emoções tumultuadas rasgando através dele.
Cara sorriu. Seu controle era muito impressionante. Desafiou a
fazê-lo perder. E a garota que estava tão paralisada de susto há alguns
minutos atrás emocionou-se com o desafio, com o desafio de pegar seu
poder formidável e torna-lo dela. Ela levantou as pálpebras com o que
só poderia ser chamado de um olhar sensual que se transformou em
triunfo quando ele a empurrou em resposta. Ele deu um grunhido
baixo na barriga, mas não foi enganado.
— Quanto tempo você acha que pode se conter? — Ronronou
enquanto as unhas roçavam o peito dele, sobre os mamilos escuros
para puxar a trilha de cabelos que conduzia de sua barriga plana ao
céu. Músculos apertados sob suas mãos provocadoras. Pressionou seu
núcleo com mais força na linha dura de sua ereção, sentindo-se segura
com sua calcinha de algodão ainda no lugar.
— Poderia tirá-las de você antes que você piscasse. — Foi a vez
dele gemer. E sua vez de triunfar quando o calor líquido derramou dela
e o aqueceu mesmo através do pano enquanto suas palavras a
acariciavam. Tinha esquecido que ele a visitou. Ele a avisara de sua
falta de controle e algo dentro dela, algo feminino e poderoso, queria
destruí-lo completamente.
— Mas então você perderia. — O lembrou quando um rubor
aquecido subiu de seu peito para seu pescoço, e sua pélvis se inclinou
contra ele com uma mente própria.
— Dificilmente — respondeu com um sorriso ilegível. — Mas
desde que você deseja jogar, que tal eu prometer que não moverei as
minhas mãos até que você me implore?
Agora a arrogância fluiu através dela. — É uma aposta. —
Ignorou o lampejo de aviso sussurrando em sua consciência de que não
tinha ideia do que desencadeou. De propósito.
Talen balançou a cabeça, seus olhos reluzindo para teca
polida. — Querida, você nunca deve me subestimar, uma lição que
suponho que já teria aprendido até agora. — Sua voz era calma, mas
seu corpo começou a vibrar apenas o suficiente para tentar seu ventre.
— Eu subestimei você, companheiro? — Ela balançou os quadris
contra a plenitude dele antes de passar as próprias mãos pelo
abdômen, pelos seios e pelos cabelos.
O sangue de Talen saltou em resposta e o braço atrás de sua
cabeça começou a se mover antes que ele se conteve
furiosamente. Seus mamilos rosados fizeram beicinho para ele,
enquanto o néctar fluía sem controle dela; era a criatura mais feminina
que ele jamais imaginara, e o tentou.
Sua risada foi um erro tático do qual se arrependeria mais
tarde. Isso despertou um domínio nele, que pensara ter controlado,
havia pensado em controlar. Ela não estava prestando atenção em seus
pensamentos, em seus impulsos, ou teria sido advertida. E teria se
reagrupado. Mas estava ocupada brincando, e a fera dentro dele
sorriu. Depois, começou a ensinar-lhe uma lição.
Cara ofegou quando um calor bateu nela na base do pescoço
antes de fluir descontroladamente através de seus seios, provocando,
apertando-os por dentro. No entanto, ele não tinha movido um
músculo. A dor insuportável endureceu seus mamilos até pontos
afiados de diamante. Ela precisava de algo. Precisava de mais. O que
ele estava fazendo com ela? Como?
Os olhos dela se abriram em um suspiro assustado ao ver as
manchas verdes brilharem intensamente e brilharem através do ouro
dele, sua expressão ao mesmo tempo impiedosa e promissora. Ele a
observou enquanto o calor crescia em seu peito antes de mover, fluindo
para o sul em direção ao seu núcleo, apenas para envolve-la até as
costas e aquecer isso também.
Com um grito, ela empurrou com mais força o comprimento dele
enquanto o fogo se movia para o seu ventre enquanto seus olhos
seguravam os dela. Manteve o dela. Provocando o dela com o que ele
fez com seu corpo. De dentro. A pura arrogância iluminou suas
feições. Sua força, seu poder, acariciaram, provocaram e a tentaram de
dentro de sua própria pele, dentro de seu próprio coração.
— Como? — Ela não reconheceu o som de sua própria voz
enquanto seu corpo esquentava após um ponto de dor onde a promessa
de prazer era dura e profunda.
Seus pensamentos, seu poder, a tocaram por dentro quando ele
se recusou a responder. Ela furiosamente começou a se concentrar e
forçar seu poder de volta ao seu próprio corpo, e a risada que saiu de
seus lábios carnudos aumentou sua fúria. Ela mentalmente empurrou
de volta o mais forte que pôde, apenas para que o calor agitasse
perigosamente em seu útero para identificar um local incrível com uma
necessidade exigente. Oh Deus.
Reprimiu um gemido enquanto tentava pressionar contra
ele; todo sentimento, toda necessidade. Ele a deteve. Não com sua força
impressionante. Ou suas mãos grandes. Com um pensamento. Com
um pensamento descuidado, ele a impediu de se mover.
Os olhos dela se abriram incrédulos nos dele. O medo viria mais
tarde, mas agora uma necessidade ofuscante e animalesca de
libertação a envolvia. O calor doloroso exigiu que ela se movesse. —
Talen.
Ele levantou uma sobrancelha e a determinação se firmou em
seu rosto. — Você abriu a porta, querida. Só eu posso fechá-la.
Que porta? Que porta maldita? Ela gemeu e tentou novamente
se mover. Uma força oculta mantinha seus membros imóveis enquanto
aquecia seu sangue.
— Talen...— Ela suspirou.
— Não está bom o suficiente. — Ele balançou a cabeça e um
orgasmo sugeriu sua presença profundamente dentro de seu
abdômen. Se ele permitisse. Ela lutou contra o seu domínio mental,
qualquer coisa para esfregar contra ele.
Ele piscou os dentes. — Diga ‘por favor’. Você me quer, implore
por mim.
— Por favor.
O pedido veio espontaneamente de algum lugar que nunca
percebeu que existia. Um lugar que teria negado conscientemente.
Sua reação foi imediata. Ele estalou os lados da sua calcinha e a
levantou antes de bater com força enquanto se lançava para
cima. Jogou a cabeça para trás e deu um grito duro. Ele a encheu
enquanto ela começava a se mover a uma velocidade e com uma força
que não sabia que possuía. Se inclinou para a frente para agarrar o seu
peito com unhas afiadas, enquanto movia os quadris em sintonia com
as investidas dele, as mãos dele apertando contusões nos seus quadris
enquanto ele se aproximava. A pele dele umedecendo sob as suas mãos,
o suor escorria livremente pelas suas costas.
Ela abriu os olhos, sem visão e sem piedade, dirigindo em direção
a um sentimento espiralado profundo que alcançava garras perigosas
até que, com um grito agudo, ela se transformou em um milhão de
pedaços; todo pensamento, toda identidade, quebrado. Ouviu
vagamente seu grito de dor enquanto ele a seguia. Sua explosão de
prazer caiu em cascata pelo próprio peito quando o êxtase conquistou
os dois.
Seus sentidos, os velhos familiares e os novos assustadores,
todos sobrecarregados de uma só vez e seu corpo deslizou para a
segurança da escuridão. Ela caiu para a frente no peito dele e suspirou
quando a inconsciência a abençoou.
Talen segurou sua esposa imóvel contra seu coração enquanto o
remorso o batia. Oh Deus. O que ele fez? Ela estava com frio. Sua
necessidade de que ela reconhecesse o que havia entre eles havia
superado qualquer senso de cautela que pudesse ter sentido. Sempre
controlou o poder dentro dele e nunca tomou a vontade de outra
pessoa, a não ser em batalha. Um ego denso lembrou-o que foi uma
batalha, mas seu coração temia que ele tivesse acabado de sacrificar a
guerra por sua vitória. Rezou para que o custo não fosse tão alto
quando fechou os olhos e a seguiu na escuridão.
Momentos ou talvez horas depois, Cara acordou com a
necessidade de correr batendo em sua cabeça. Permaneceu imóvel
quando a consciência amanheceu, ao perceber onde estava. E com
quem. Nas profundezas da superfície da terra, na última hora ele
manteve um braço pesado em volta da sua cintura, o rosto virado para
o seu ombro, o calor a mantendo quente. Abriu os olhos cautelosos e
se deslocou para estuda-lo, a pequena luz no canto do quarto lançando
um brilho suave sobre a cama. Mesmo no sono, a força, o poder e o
objetivo carimbavam com força os ângulos agudos de seu rosto,
nenhuma doce juventude ou inocência o suavizavam enquanto ele
descansava, um perigo ousado o marcava até agora.
Ela precisava correr.
Não era capaz da confiança necessária para equilibrar o
desamparo que sentira enquanto ele controlava facilmente seu corpo. E
as reações dela. Ignorou o suspiro dentro de si enquanto seu olhar
percorria os cílios escuros ridiculamente longos contra a pele
bronzeada, os lábios sensuais e o queixo firme que ela desejava traçar
com um dedo. Ficou tensa para saltar em busca de segurança e foi
parada quando aquelas tampas se abriram e claros olhos dourados a
prenderam no lugar. — Não. — Sua voz profunda retumbou com
determinação.
Cara bateu instintivamente escudos duros ao redor de seu
cérebro até que ecoassem por sua cabeça.
— Impressionante — ele murmurou enquanto a mão em volta da
sua cintura, lentamente, corria sobre seu estômago e seios, fazendo a
pele enrugar e doer antes que ele finalmente a descansasse contra seu
pescoço. Ele deixou a mão em volta da sua garganta contra o pulso que
batia rapidamente.
— Me deixe ir. — Ela quis dizer mais do que o momento imediato,
e ambos sabiam disso.
Seus olhos se concentraram ainda mais nos dela quando ele
abriu a boca para falar, apenas para ter um alarme estridente cortando
suas palavras. Ele rolou para o lado e estendeu a mão para vestir um
jeans desbotado enquanto pegava o fone de ouvido da mesa de
cabeceira e o enfiava no ouvido.
— Status. — Ele latiu, acenando para ela se vestir, uma fúria
vermelha varrendo seu rosto.
Cara pulou da cama e vestiu o jeans e a camisa que tinha deixado
cair no chão na noite anterior, antes de voltar para Talen, cuja fúria se
aprofundara em raiva. Ela deu um passo para trás. Ele alcançou a
mesa e sacou uma arma verde que jogou para ela antes de pegar suas
duas facas e enfiar uma no bolso de trás. ― Chamada — ele murmurou
enquanto atravessava a sala até a porta, onde esperou um momento
enquanto ouvia, e começou a latir ordens. — Eles apenas violaram os
dois primeiros níveis, todos vão para o arsenal na seção três. Jordan,
você sabe onde é? Bom. Mexa-se agora.
Puxando as botas, ele se virou para ela, o rosto frio e cheio de
propósito, o peito nu e largo, um antigo guerreiro se preparando para
a batalha. — Estamos sob ataque e só temos uma equipe de esqueletos
aqui.
— Como eles nos encontraram? — Cara sussurrou urgentemente
enquanto se aproximava dele.
— Eu não sei. Nos preocuparmos com isso mais tarde. Agora,
precisamos chegar ao arsenal.
O alarme soou pela instalação subterrânea e Cara correu perto
o suficiente para sentir o calor do corpo de Talen. Sentir sua
segurança; sua força de propósito.
— Fique atrás de mim, companheira. Quando disser para você
se mexer, faça. — Ele abriu a porta antes de olhar primeiro para um
lado e depois para o outro e acompanha-la até o corredor, correndo por
várias voltas e mais voltas até que ele parou e a pressionou contra a
parede. Protegendo-a de qualquer ameaça que ele sentisse, seu corpo
inteiro rígido e preparado. Ele relaxou quando Jordan saiu das
sombras com Maggie logo atrás dele, a jovem ainda mais pálida do que
no dia anterior.
— Onde está Katie? — Cara perguntou.
Jordan apenas rosnou. — Não onde ela deveria estar.
— Ela está com Jase, ele ligou dizendo que eles estavam jogando
sinuca na sala de recreação quando o alarme tocou — respondeu
Talen. Ele e Jordan se acalmaram, levantando a cabeça e ouvindo os
fones de ouvido.
— Acenda as luzes, com força total — respondeu Talen depois de
um momento.
Cara estremeceu e fechou os olhos contra o brilho repentino ao
redor deles. A potência de poderosas luzes brancas colocadas com força
no teto de pedra era brilhante o suficiente para ser dolorosa e a fez
apertar os olhos para ver a forma forte de Talen diante dela.
— Isso deve atrasá-los. — Murmurou Talen quando ele agarrou
a mão dela e começou a descer o corredor com Jordan e Maggie
seguindo. Ele parou na frente de uma folha de pedra em branco antes
de colocar a mão no centro e se inclinar para frente para abrir os dois
olhos. Uma porta escondida se abriu à sua esquerda e ele a puxou para
uma escada comum de cimento, iluminada quente e brilhante pelas
luzes intrometidas, e eles desceram, seus passos ecoando duro
rapidamente nos degraus.
Correram dois lances, e Talen fez outra varredura antes que uma
porta se abrisse e três armas de aparência média instantaneamente
apontassem para suas cabeças. As armas caíram quando Dage, Conn
e Noah as reconheceram e voltaram para uma grande sala de controle
com monitores trêmulos colocados na parede, mostrando diferentes
áreas da base subterrânea. Dois estavam em branco.
Dage jogou óculos de sol para eles e eles os vestiram
rapidamente. Cara suspirou aliviada.
Um balcão comprido, com uma infinidade de equipamentos de
informática, percorria toda a sala, e uma grande mesa de pedra coberta
de papéis estava à esquerda e mapas pontilhavam as paredes. Um
arsenal com sua multiplicidade de armas apareceu por uma porta à
direita.
— Eles cortaram as comunicações das seções um e dois — disse
Dage, sombrio, enquanto se virava para um teclado no momento em
que Mac e Baye saíam do arsenal com coletes e armas prontos. — Os
médicos e o laboratório estavam no dois, não temos contato com os
guardas na entrada da frente ou com os três dentro do primeiro
perímetro.
Jordan agarrou o braço de Maggie e a puxou para o arsenal.
— Quem mais nós temos? — Conn perguntou em voz baixa
enquanto digitava em um teclado diferente.
— É isso — disse Talen. — Estamos dispersos após os ataques
recentes.
— Além do mais, que vocês não se reproduzem há algumas
centenas de anos — Murmurou Baye enquanto checava sua arma.
— E você tem, gatinho? — Conn voltou sem levantar os olhos da
digitação, sentindo falta do sorriso de apreciação que Baye retrocedeu.
— É hora de remediar isso. — Ponderou Dage, causando um
arrepio na espinha de Cara. Ela não foi colocada na terra para criar
soldados para enviar para a morte, caramba. O desejo de correr pulsava
forte e rápido através de seu sangue; nisso, o destino era uma vadia
completa que não conseguiria o que queria. Levantou os olhos para ver
Talen esperando calmamente que ela se concentrasse.
— Uma coisa de cada vez, companheira.
Ela assentiu em resposta e virou-se para Dage enquanto ele
falava novamente.
— O esquadrão de ataque Kurjan tinha doze, sete passaram
pelos dois primeiros pontos de entrada, eles foram para o laboratório
médico e depois para a sala de recreação. — Ele balançou a cabeça em
frustração. — Temos quatro confirmados. As câmeras são inúteis. —
Ele olhou na direção de Cara. — Você pode sentir Katie, Jase ou os
médicos?
Cara fechou os olhos e tentou se concentrar em Jase. Uma
imagem de seu sorriso, sua alegria por Janie e sua força encheram seus
pensamentos. Ela recuou com um grito quando uma onda de raiva, de
propósito a atingiu com tanta força que perdeu o equilíbrio e colidiu
com Talen, que a endireitou com braços gentis. — Ele está vivo, se
preparando para lutar... — Ela não terminou a frase quando outra onda
de determinação cercada de pânico a encheu. Ela sentiu Katie antes e
instantaneamente soube sua essência. — Katie está lá, e acho que ela
está se preparando para mudar.
— Afaste-se, Cara — disse Talen urgentemente em seu ouvido. —
Agora.
Ela virou os olhos surpresos para ele, assim como fez como ele
ordenou e deixou sua conexão com os sentimentos de Katie
diminuir. — Por quê?
— Ela liberará uma quantidade incrível de energia, e você ainda
não está equipada para filtrá-la, companheira. — Ele olhou em volta. —
Prepare-se. Dage, Jordan, Noah e eu iremos para a sala de recreação e
o laboratório médico, enquanto Conn e Mac levam Cara e Maggie pelos
túneis do lado leste. Nos encontramos no Colorado.
— Não, Talen — disse Cara, enquanto seguia seu longo passo até
o arsenal. — Eu quero ficar aqui, posso sentir Katie e Jase por você. —
Ela fechou os olhos e procurou os médicos, mas apenas a escuridão a
rodeava. — Embora eu não possa sentir seus médicos. — Ela abriu os
olhos quando Jordan e Maggie, com coletes e armas protetoras,
voltaram para a sala principal.
Talen puxou um colete sobre a cabeça antes de vestir o seu. —
Não. Estamos em menor número e você precisa estar em
segurança. Prometo que estarei lá rapidamente. — Ele verificou suas
armas e facas e prendeu seus longos cabelos escuros em uma faixa na
base do pescoço.
— Eu ficarei, Talen. — Cara murmurou impaciente enquanto
pegava uma faca na parede de pedra.
Ele mergulhou até seu rosto estar a uma polegada do dela. —
Não discuta, companheira. — Seus olhos se estreitaram
implacavelmente. — Você irá com Conn, de um jeito ou de outro.
— Sério? — Ela cuspiu de volta quando a raiva a encheu. Como
ele ousa? Ela fez um ótimo trabalho no último ataque.
— Sim. Garanto-lhe que posso impedi-la de se mover. — Ele se
endireitou a toda a sua altura, seus olhos mortalmente sérios. — Mas
garanto que não gostará. E preciso me concentrar em outras coisas. —
Ele esperou a resposta dela.
— Você não faria.
— Eu faria. — Ele realmente quis dizer isso. Tiraria a liberdade
de movimento dela. Era insondável.
Ela girou nos calcanhares e saiu da sala sem olhar para trás. Já
esteve desamparada uma vez antes, e estaria condenada se ficasse
assim novamente. Entendeu que eles eram simbióticos, que ambos
haviam aumentado em força e potencial no segundo em que se
acasalaram, e ela sabia que, de alguma forma, no fundo, seu poder
algum dia corresponderia ao dele. Por enquanto, ela esperaria. Lembre-
se.
— Eu ouvi isso. — Seu marido riu em sua cabeça. — Cara. —
Agora eles podiam ler a mente um do outro.
Sua resposta mental foi uma que ela não teria pronunciado em
voz alta. Ele enviou uma imagem mental dela por cima do joelho, e teve
que lutar contra o sorriso de resposta em si mesma. Burro. Então ela
ficou séria. Só porque ele tinha uma habilidade, uma que não tinha
falado, não significava que tinha que usá-la. Ele não tinha o direito de
segurá-la em segurança, enquanto outros precisavam de sua ajuda.
— Eu tenho toda a porra do direito. — Sua risada se foi há muito
tempo e uma breve imagem de seu sonho passou por sua cabeça antes
que ele a afastasse. Ela parou quando percebeu que o sonho o
impactara muito mais do que ela pensara. — Isso mesmo,
companheira. Você já esteve em perigo antes, e eu não estava lá. Estou
aqui agora e juro que estará em segurança.
— Mas, eu fui ao ataque por Katie. — Protestou veementemente
em sua cabeça quando os homens começaram a se reunir ao seu redor.
— Um erro que não repetirei. — Veio sua resposta firme. O
suspiro mental dele sussurrou em sua mente. — Lute comigo outro dia,
companheira. Hoje esta batalha acabou. — Ele entrou na sala, armado
com armas e objetivos, o poder quase deslizando pela pele bronzeada
acima do colete escuro.
Seus olhos encontraram os dele enquanto ela mentalmente fazia
sua pergunta. — Todo mundo sabe sobre a sua capacidade?
— Não. Apenas meus irmãos sabem que posso manipular o
movimento, ou melhor, o desejo de me mover.
— Não tinha notado que você o usava antes.
— Não precisava disso.
Dage pigarreou enquanto colocava outra faca na cintura. — Se
vocês dois terminaram de sussurrar mentalmente um ao outro, pensei
em ir resgatar nosso irmão mais novo.
Talen assentiu e se dirigiu para a porta.
Três andares acima, Katie engoliu em seco quando ela e Jase
observaram os cinco soldados Kurjan do outro lado da grande sala,
com um sorriso agudo e cruel, olhos ocultos por óculos escuros. O
alarme interrompeu abruptamente, deixando um toque estranho
através do súbito silêncio.
Jase ficou parado como uma estátua ao seu lado, as manchas
azuis em seus olhos tendo tomado conta do cobre, quando ele matou
os dois primeiros Kurjans a atravessar a porta antes de ataca-la atrás
da mesa de sinuca enquanto uma bomba destruía metade da pedra
parede. Uma bagunça amassada de jogos de árcade, dardos esmagados
e uma televisão de tela plana esfarrapada espalhava-se pela sala
enquanto a luz neon acima da mesa de sinuca balançava para frente e
para trás, lançando faíscas. As luzes excessivamente brilhantes
forçavam pura dor branca a todos os cantos.
— Você terá que mudar. — Jase murmurou baixinho.
— Não, Jase. — Katie protestou. — Eu poderia te matar.
— Ficarei bem. Você é muito frágil como humana, Katie. Você
sabe. Se lutará, precisará mudar. — Ele virou um pouco para a
esquerda da mesa de bilhar, preparando-se para atacar.
Ele estava certo. Ela seria de pouca ajuda contra os monstros
que os enfrentam em sua forma atual. Apressou para a direita,
querendo colocar o máximo de espaço possível entre eles. Parou
quando o soldado Kurjan no meio levantou uma grande mão desossada
e sorriu com dentes amarelos passando pelos lábios vermelhos. — Nós
não queremos você, Shifter. Nós apenas queremos a outra. Onde ela
está?
Katie olhou para Jase, que estudou todos os cinco soldados com
olhos medidos. — Suponho que você não me quer também? — Sua voz
era seca.
— Pelo contrário — a voz rouca dos Kurjan se aprofundou. —
Matar um Kayrs garantirá meu lugar nas nossas forças armadas o
tempo todo. Mas, me diga onde encontro a outra Shifter, e não matarei
a sua amiga aqui.
— Por que você a quer? — Katie perguntou calmamente.
O soldado encolheu os ombros enormes sob o colete protetor. —
Irrelevante. — Ele virou os olhos cruéis para Jase. — Bem?
O sorriso de Jase estava cheio de violência. — Eu recuso sua
oferta. — Ele se lançou para o soldado-chefe enquanto gritava para
Katie mudar.
Katie reuniu seu poder, investigando profundamente o animal
dentro de sua pele. Sua coluna formigava, uma dor brilhou ao longo de
sua pele e os dedos dos pés se endireitaram. O poder fluiu através de
seu sangue e, com um simples comando, ela passou da delicada
mulher para uma feroz leoa, enviando ondas e ondas de ar elétrico
batendo pela sala. A eletricidade jogou os dois Kurjans mais próximos
de volta para os limites irregulares das paredes de pedra, caindo em
montes de sangue jorrando músculo enquanto Jase era empurrado
contra a parede oposta para aterrissar com um estrondo forte contra
vários bancos de bar. Com um rugido feroz, ele se levantou, o sangue
escorrendo livremente pelo rosto e de um ferimento ao seu lado,
cobrando para levar um soldado ao chão com uma das mãos forte em
volta do pescoço. Katie se lançou para a jugular da ameaça mais
próxima ao mesmo tempo.
O líder se virou para ajudar seu subordinado com Jase, no
momento em que os dois Kurjans feridos se ajudaram a levantar antes
de rodear a leoa determinada com as mandíbulas presas no pescoço de
um Kurjan. Um levantou uma arma verde e apontou para o ombro dela.
A bala atingiu o pescoço dela e gritou de dor antes de se virar
com a cabeça de um Kurjan na mandíbula e jogá-la no soldado que
atirara. Droga. Eles estavam se curando rapidamente. Eram quatro
contra dois. E parte do sangue que cheirava o ar com cobre não era
Kurjan. Era vampiro. Ela se lançou para o soldado segurando a arma
sem lançar um olhar para Jase; ele era um lutador e costumava
sangrar. O Kurjan gritou quando agarrou a perna dele e arrancou o
joelho da pele, cuspindo-o no chão com um grunhido. Ela se preparou
para atacar no momento em que o atirador atirou novamente,
enviando-a para o chão de pedra dura com uma agonia ricocheteando
em seu corpo.
Uma dor insuportável percorreu seu sistema nervoso. Tentou
recuperar os pés, apenas para cair novamente quando a sala
excessivamente brilhante a rodeava. Seus caninos se retraíram, seu
pelo desapareceu, deixando-a nua e vulnerável no chão frio de pedra. O
doce cheiro de seu próprio sangue encheu suas narinas. — Jordan —
sussurrou o nome dele, querendo que fosse a última coisa que ela disse
antes de atravessar. Então, mesmo com dor, revirou os olhos para si
mesma.
Seu coração batia em sintonia com um rugido feroz do fundo da
terra antes que a escuridão a reivindicasse, e sua cabeça descansava
contra a pedra fria do chão.
Jase arrancou a cabeça do soldado dos ombros com um grito de
indignação antes de se atirar para o próximo alvo mais próximo,
plenamente consciente de que Katie havia caído. Ele ouviu os tiros e
agora cheirou o sangue dela. Sua mente girou com dor quando o punho
do soldado bateu no ferimento sangrento ao seu lado antes de
empurrar a dor para trás e seguir em direção à garganta.
Imaginando a combinação de moléculas de oxigênio e água no
ar, ele levantou uma massa de detritos para bater contra seus
inimigos. Os elementos lhe pertenciam, o ar e a água obedeciam aos
seus comandos. Mas a dor em seu corpo persistiu e sua concentração
diminuiu. Ele tinha que chegar a Katie para conter o fluxo sanguíneo,
mesmo agora o ar cheirava a doçura acobreada.
Jordan voou através do buraco irregular na parede, e Jase
instantaneamente permitiu que o ar largasse suas armas. Seu cabelo
era uma massa selvagem de cor, seu rosto esculpido até a morte,
Jordan agarrou o Kurjan ainda segurando uma arma em Katie e enfiou
os dedos no pescoço do soldado, os joelhos pressionando contra o
peito. Estranho que ele não tivesse mudado. Quase como se a
necessidade de matar com as próprias mãos o montasse.
Jordan arrancou a cabeça do inimigo dos ombros poderosos, e
sangue vermelho profundo atravessou seu peito e rosto. Olhos de
topázio lívidos procuraram e encontraram Katie deitada em uma poça
de sangue do outro lado do caminho. Com um rugido profundo, Jordan
saltou em sua direção, deslizando pelos joelhos vermelhos para
alcança-la.
Hmmm. Jase não fazia ideia, o rei do orgulho amava a pequena
leoa. Ainda bem que ele não a convidou para sair. Jase balançou a
cabeça, a escuridão caindo sobre sua visão, seu aperto afrouxando a
jugular do inimigo. Agora não era hora de se tornar filosófico. Um
zumbido tomou conta de seus ouvidos. Quanto sangue ele perdeu?
O Kurjan passou as garras afiadas no rosto de Jase. A dor cortou
seu crânio. Jase apertou mais o pescoço, sem forças para arrancar a
cabeça do idiota. Isso não poderia ser bom.
O ar sussurrou em seu ouvido que seus irmãos haviam
chegado. Sobre a porra do tempo. Talen enfrentou o Kurjan atualmente
tentando arrancar a cabeça de Jase, enquanto Dage jogava o ultimo no
chão. Um estranho ruído de trituração encheu o ar quando Dage foi
trabalhar. Então a escuridão desceu sobre o irmão caçula Kayrs, e não
houve mais dor.
Cara se engasgou quando o helicóptero virou para a direita e
mudou de rumo, a escuridão do lado de fora não fornecendo pistas
sobre a nova direção.
— Vamos para um hospital seguro perto de Laird, Ontário. —
Conn respondeu sua pergunta não dita através do fone de
ouvido. Uau. Agora eles foram para o Canadá? Ela estendeu a mão e
apertou a mão de Maggie enquanto Conn continuava: — Jase e Katie
estão feridos, estaremos lá em trinta minutos.
Cara encostou a cabeça no assento e limpou a mente antes de
procurar Talen. — Quão machucados eles estão?
— Jase precisa de pontos, vários, e Katie precisa remover duas
balas. Os dois são fortes, companheira.
— Você está bem? — Uma dor ecoou por suas costelas, e a
própria doía em resposta.
— Bem.
Bufando em descrença, ela revirou os olhos. Cara durão. — O
que há de errado com o seu lado?
Ela podia realmente sentir sua surpresa quando ele notou pela
primeira vez que seu lado doía. — Hmmm. Três costelas quebradas, eu
acho. Curarão quando eu te vir. — Então uma dor aguda se instalou
em seu pulso e ele xingou.
— O que há de errado? — perguntou, com a respiração presa na
garganta.
— O maldito Jase está se alimentando do meu pulso. Suas
presas têm a sutileza de um caminhão Mac. — A preocupação por seu
irmão teceu com as palavras raivosas. — Não é à toa que ele não
consegue um encontro.
— Quanto sangue ele perdeu?
— Não é suficiente para pegar todo o meu, companheira. Não se
preocupe, nós dois estaremos quase bem quando a virmos. — Agora a
arrogância infligiu seu tom.
Ela balançou a cabeça. — Mais alguém se machucou?
— Não. Mas Jordan está muito irritado, como eu estaria se a
minha companheira se encontrasse em perigo em lugar de ficar onde
eu a coloquei.
Cara se irritou com o aviso intencional. Então, lembrando-se de
sua resposta instintiva mais cedo, ela estendeu a mão e bateu escudos
de metal duro ao redor de seu cérebro. O silêncio ecoou forte e seguro,
e ela sorriu em triunfo para as nuvens turvas lá fora.
Cara nunca esteve no Canadá, mas a terra a recebeu de braços
abertos. Exuberantes árvores de bordo, com folhas brilhantes em tons
de laranja, dourado e vermelho, enchiam a paisagem do resort privado
de duzentos hectares. Hospital, na verdade, embora apenas conhecido
pelas criaturas do Reino. Uma estrada de terra levava a uma enorme
instalação de pinheiros disfarçada de chalé, enquanto trilhas
desgastadas serpenteavam pela floresta até cabanas rústicas. Rústico
por fora, pelo menos.
Chegaram na noite anterior e sonhos assustadores a
atormentaram, mesmo estando segura aninhada braços de Talen. Com
o amanhecer chegando, eles tomaram o café da manhã no chalé antes
de visitar Katie e Jase em quartos com maior probabilidade de serem
encontrados em uma pousada do que em um hospital. Os dois ainda
estavam dormindo.
Finalmente, Talen a acompanhou até a pequena academia
localizada no porão do alojamento. — Volto em uma hora mais ou
menos — disse ele, inclinando-se para traçar sua boca com a dele.
O calor inundou seu sistema e ela o pressionou, separando os
lábios para um beijo mais profundo. Talen a obrigou, deslizando a
língua dentro de sua boca para provar. Um estrondo baixo ecoou em
seu peito, e ele levantou a cabeça, olhos dourados quentes nos dela.
— Ou, poderíamos voltar para nossa cabana.
Cara sentiu seu próprio sorriso na ponta dos pés. — Pensei que
você tivesse que planejar uma estratégia com Conn e Jordan. — Os
homens ficaram furiosos ao encontrar um pequeno transmissor
inserido sob o cotovelo esquerdo de Katie, que permitira aos Kurjans
segui-los até as instalações subterrâneas de Washington. Os médicos
rapidamente removeram e o destruíram.
— Conn — disse Talen, seu olhar ainda em sua boca. — Apenas
Conn. Jordan não sairá do lado de Katie até que o médico retorne das
rondas.
Sim, Cara tinha notado isso antes. — Hmmm. Vá conspirar,
realmente gostaria de uma corrida. — Não esteve em uma esteira desde
que conheceu Talen.
Um estrondo afiado rasgou o ar e ela pulou, girando em direção
ao canto do amplo espaço onde Dage esmurrou um saco de pancadas
roxo pendurado no teto. Sem camisa, os músculos duros de suas
costas ondulavam sob uma intrincada tatuagem preta. O desenho
passava por cima do ombro esquerdo, parcialmente no braço esquerdo
e na metade das costas. Grunhindo, ele bateu com o punho feroz no
centro da bolsa.
Talen levantou uma sobrancelha, seu olhar agora em seu irmão.
— Interessante. O rei está chateado.
Cara engoliu em seco. Então ela olhou mais de perto. — Ei. Não
é o mesmo desenho que está na sua mão?
— Sim. É a marca dos Kayrs — disse Talen, esfregando o queixo.
— Ótimo. Sua mão, as costas de Dage, em minha bunda. Nós
combinamos. — Isso foi uma chatice, sem dúvida.
Talen sorriu, mergulhando em outro beijo. — Sim. — Ele se virou
para ir embora.
— Espere, Talen — disse Cara, segurando o pulso esquerdo em
sua direção. — Estou segura com Dage aqui. Tire isso, quero dizer, caso
eu levante pesos.
Juntando as sobrancelhas, Talen estudou o bracelete de ouro. —
Tudo bem, mas fique com Dage até eu voltar. — Ele colocou a mão
inteira sobre o bracelete e deslizou-o facilmente antes de envolvê-lo em
seu próprio pulso. — Mande Dage te encontrar. — Com um sorriso,
Talen se afastou.
Arrogância. Puro e simples. Cara balançou a cabeça e pulou em
uma das três esteiras, elevando a inclinação para trabalhar seus
glúteos. Deslizando facilmente em uma corrida, estudou Dage
descaradamente, enquanto ele batia punho após punho na bolsa, o
suor escorrendo por suas costas maciças.
Com os pés descalços, ele dançou no tapete, seu moletom cinza
se moldava até as coxas grossas e uma bunda dura. Não que ela
devesse checar a bunda do cunhado, mas alguém apreciaria a
masculinidade diante dela. Era como assistir a uma corrida de puro-
sangue. Além disso, não havia dúvida de que Talen era o mais bonito
de todos os irmãos. Todo mundo sabia disso.
O outro canto continha bancos e pesos livres alinhados contra a
parede, enquanto esteiras, aparelhos de musculação e bicicletas
estacionárias ocupavam o resto do espaço. A academia estava vazia,
exceto por ela e o rei.
Sua mente vagou quando suas pernas esquentaram e suas
panturrilhas começaram a doer. Ela se perguntou sobre suas
experiências no trabalho; alguém os assumiu? Um vírus vegetal mais
forte foi criado para aumentar a produção de milho? O povo, as nações,
que esse resultado ajudaria, lhe deu esperança. O mundo não
precisava estar com fome.
Com um bipe, a esteira terminou o programa e diminuiu a
velocidade para que ela pudesse esfriar. Após cinco minutos de
caminhada, Cara saiu da máquina, pegando uma toalha para limpar o
rosto. Esticando as panturrilhas enquanto se movia, colocou pesos de
dez quilos na barra e deitou-se para fazer o supino.
Dage apareceu instantaneamente acima de sua cabeça. — Você
precisa de um observador para o supino, irmãzinha. — Os aromas de
couro, âmbar e sândalo se misturavam no ar ao seu redor, criando o
cheiro único de poder.
Cara ofegou, o rei se moveu rápido. — Não quero interromper a
sua luta imaginária. — Alcançou a barra de metal e se levantou.
Dage sorriu, seu olhar prateado nos braços dela. — Apenas um
treino. Realmente.
Direto. E ela tinha uma ponte que gostaria de vender. — Se você
diz. ― Droga, a barra estava pesada. Pressionando a cabeça no banco
acolchoado, abaixou a barra contra o peito, contando até cinco no
caminho.
Ele pegou sua toalha descartada e passou-a pelo seu rosto
suado, sua postura pronta para o caso de ela precisar de ajuda. —
Então, me conte sobre Emma.
Cara vacilou e Dage agarrou a barra com uma das mãos para
equilibrá-la, seu rosto cinzelado franzindo a testa em preocupação
quando ele a olhou.
— Tenho isso ― falou, recuperando o equilíbrio, sorrindo para ele
quando a soltou. Contar a ele sobre Emma? Certo... — Hum, bem, ela
é a pessoa mais inteligente que eu já conheci, além de uma das mais
corajosas. — Mas ela não aceitaria as regras que governavam o mundo
de Dage, isso era certo. Cara continuou levantando e abaixando a barra
e terminou a oitava repetição com um suspiro de alívio.
Dage assentiu, pegando a barra e recolocando-a no suporte. —
Descanse entre as séries.
Mandão. Correto, mas mandão. — E ela nunca receberá ordens
de um homem, nem mesmo de um rei.
Ele mostrou covinhas. — O que você está dizendo?
Cara deu de ombros, sentando-se. — Você dá ordens o tempo
todo. Ser autocrático provavelmente é um risco para o seu trabalho,
mas Emma não aceitará.
Dage riu baixo, entregando seus dois pesos azuis da pilha e
pegando grandes pesos de prata para si. Ele se sentou no próximo
banco, de frente para ela. — Cachos de bíceps?
Cara assentiu e se posicionou. — Os seus são maiores —
declarou, sorrindo.
— Só um pouco. — Os olhos prateados de Dage brilharam para
ela enquanto ele curvava a mão em direção ao ombro, os músculos
contraídos e flexionados.
Cara fez uma careta. ― Mas. — Ele realmente parecia um homem
decente. — Ela gostaria que você criasse um tratado e terminasse
séculos de guerra.
Dage suspirou, movendo-se para o outro braço. — Eu não criei
o tratado. Talen fez. — Dando de ombros, ele juntou os dois pesos
maciços em uma das mãos para continuar. — Seu companheiro
terminou os séculos de sangue e morte, Cara. Não eu.
Cara mudou um peso para o outro braço, o prazer se movendo
através dela. — Ele fez? Uau. Por quê?
Dage sacudiu a cabeça, erguendo uma sobrancelha. — Por sua
causa, minha irmã. A paz finalmente aconteceu por sua causa.
A intriga a pegou e ela largou os pesos para descansar entre as
séries. — Eu não entendo.
Dage assentiu, colocando seus próprios pesos no chão e
esticando as pernas em direção ao banco dela. — Nos primeiros cinco
anos após a morte de nossos pais, o sangue correu espesso pelo
chão. Pela minha mão, pelas mãos dos meus irmãos. Nós matamos. —
Sua voz baixou em lembrança. — Aliados morreram, inimigos
morreram, muitos humanos morreram. — A prata deslizou para o
carvão quando seu olhar a fixou. — E eu queria mais. Mais morte. Mais
sangue.
Dedos gelados coçaram a espinha de Cara com a mudança em
seus olhos, a dor crua em sua voz. — Sinto muito. — As palavras não
foram suficientes.
Dage acenou com a cabeça em direção aos pesos dela e agarrou
o seu para a próxima série. — Talen veio até mim um dia e deixou duas
pilhas de papel em minha mesa. — Fazendo uma careta, Dage se
concentrou em algo acima de seu ombro. — Em uma pilha, ele colocou
sua espada. Ainda vermelha de sangue que absorveu o papel e cheirou
como a morte. Talen assentiu e me disse que o plano de batalha para
acabar com nossos inimigos estava sob o sangue; embora a maior parte
dos humanos também morresse. — Dage se concentrou nela. — Eu o
corrigi, disse 'humanidade', não 'humanos', e Talen, seu rosto jovem
tão sério, disse 'isso também'.
A imagem vívida encheu a mente de Cara e seu coração doeu
pelos dois irmãos. — E a outra pilha de papéis? — Ela mudou o peso
para a outra mão para uma série.
— Uma caneta. Talen jogou a caneta tinteiro de ouro de nosso
pai na outra pilha. — Dage largou os pesos no chão e agarrou a toalha
para limpar a testa. — A outra pilha compreendia o tratado; do jeito
que todos nós podemos viver em paz por um tempo. — Apertando a
toalha com as duas mãos largas, Dage continuou:
— Perguntei a Talen o porquê. Por que diabos devemos nos
preocupar com humanos?
Fúria e repulsa cobriram as palavras do rei agora, e Cara lutou
contra o desejo de pegar sua mão e proporcionar conforto. — O que ele
disse?
— Ele disse 'por que ela está lá fora. A minha companheira. E
toda vez que um ser morre, há uma chance dela não nascer.' — Dage
se levantou e esticou o pescoço, pegando seus pesos. — Talen lutou
pela paz para que você pudesse nascer, Cara.
Ele fez? Havia apenas uma companheira para cada um? O
pensamento encheu partes dela de luz, esperança. Mas a dúvida tinha
um jeito de se enfiar pela fé. — Então você escolheu o tratado?
— Sim. — Dage estendeu a mão para ajudá-la. — O acordo levou
dois anos para ser negociado e assinado, mas no final desses anos,
tivemos a chance de paz. — Ele gesticulou em direção à porta. — A
exaustão me dominou, e eu disse a Talen que ele precisava subir ao
trono, por assim dizer, que eu tinha terminado.
Cara tropeçou, voltando-se para Dage quando a surpresa
apertou seu estômago.
— Realmente? Você disse a Talen para ser o rei? — Uau. — O
que ele disse?
Um sorriso cheio iluminou o rosto de Dage. — Nada. Ele quebrou
o meu queixo. — Sua mão esfregará o queixo, teimosa, Dage balançou
a cabeça. — Meu irmão tem um gancho de esquerda justo.
Oh. Cara franziu a testa. — Então o quê? — Caramba.
Dage deu de ombros. — Eu disse 'entendo', Talen assentiu, e esse
foi o fim da discussão. Vamos, Cara, vou acompanhá-la até o seu
companheiro.
Ela pegou o braço dele e esticou as panturrilhas a cada passo no
corredor, instinto sussurrando para ela que tinha acabado de ser
incluída em um clube muito pequeno. — Você normalmente não se
abre para as pessoas, não é, Dage?
Ele deu uma risada curta. — Não. Ser o rei de um mundo pronto
para entrar em erupção não leva a muitas confidências.
O calor a inundou, e ela lutou contra o desejo de pular. Mas ela
não pôde evitar o sorriso cheio que se espalhou por seu rosto.
— O quê? — Dage perguntou.
Ela encolheu os ombros. — Havia uma família na igreja onde
crescemos. Eles tinham cerca de dez filhos, geralmente barulhentos,
geralmente brigando. Mas sempre juntos, especialmente se alguém
ameaçava um deles. Eu estava com tanta inveja, desejando pertencer
a uma família assim.
O rei pegou o braço dela e o colocou no dele. — Bem-vinda à
família, irmãzinha. Você pertence, e não deixaremos ninguém te
machucar. Nunca.
Uma família para manter Janie segura. O que mais ela poderia
querer? — Emma não confia nos homens, Dage. — A culpa a encheu
enquanto discutia sua irmã, mas ele precisava saber. Ele precisava
saber que Emma poderia agir como uma durona, mas tinha a alma
mais gentil que se possa imaginar.
— Por que não? — Seu corpo inteiro enrijeceu, mesmo quando
ele diminuiu o passo para combinar com o mais curto.
Cara encolheu os ombros, seu olhar nas cores deslumbrantes do
lado de fora das janelas por onde passavam. — Nosso pai era um
bêbado.
Um rosnado baixo retumbou no peito de Dage. — Ele machucou
você?
— Sim. — Sua voz baixou a um sussurro. — Ele machucou
Emma mais.
— Ele ainda está vivo? — Os músculos do braço de Dage se
contraíram como se estivessem se preparando para bater em
algo. Difícil.
— Não. — Cara deu um tapinha no braço dele. — Emma se
colocava no seu caminho todas as chances que tinha, então ele batia
nela e não em mim ou na mamãe. Ela era tão corajosa, Dage.
Dage suspirou. — Ela o matou?
Cara começou apertando a mão em Dage. — Não. Ele e a mamãe
morreram em um acidente de carro. Caíram de um penhasco.
O rei relaxou.
— Bom. — Na porta do quarto de Katie, ele se virou e tocou o
braço dela, seus olhos brilhando em prata polida. — Protegerei o
coração da sua irmã, Cara. Eu prometo. — Com um aceno de cabeça
para Talen descansando em uma cadeira laranja grossa, Dage deu um
empurrão em Cara para dentro antes de se concentrar em Katie. — Olá
Katie. Como está o lado?
Katie revirou os olhos, sentando-se em uma cama de hospital
macia. — Estou bem, Dage. Fale com o Jordan, sim?
Dage sorriu. — Sobre o quê?
— É hora de eu ir para casa — minha casa. E ele está puxando
o saco do 'Eu sou o chefe do Orgulho'.
— Ele é o chefe do Orgulho.
— Sim, mas você é o rei. Você o supera.
Dage balançou a cabeça. — Não é verdade. Sou o Rei do Reino,
mas cada espécie tem o seu próprio líder, e eles não respondem a
mim. Todos assinamos acordos para pertencer ao Reino.
Cara ofegou quando Talen a puxou para seu colo. — Então você
é como as Nações Unidas? — ela perguntou, acomodando-se mais
confortavelmente nas coxas duras.
Dage assentiu. — Com um pouco mais de dentes, no entanto. —
Então ele riu de sua própria piada antes de assentir e se mover pelo
corredor em direção ao quarto de Jase.
Cara se voltou para Katie, que tinha os cabelos castanhos presos
em uma faixa, exibindo seus estranhos olhos de topázio e pele
impecável. — Como você está?
— Tudo bem. — Katie revirou os olhos. — Pronta para sair daqui,
ainda preciso encontrar um vestido para a baile que está chegando.
Talen colocou o bracelete de ouro no pulso de Cara e ela pulou.
― Ei.
— Aí ou no tornozelo, companheira — disse Talen, em pé e
colocando as costas na cadeira. — Verificarei Jase, fique aqui até eu
voltar. — Ele acenou com a cabeça em direção a Katie. — Jordan disse
que voltaria logo, então eu ficaria na cama se fosse você. — Ele
assobiou o hino nacional canadense enquanto passeava para fora da
sala.
Cara girou o bracelete no pulso e focou na amiga.
— Homens.
— Idiotas — respondeu Katie.
O grupo voou para a sede subterrânea do Colorado para ficar
uma noite em que Janie adorou conhecer os shifters. A ideia de seus
novos amigos se tornarem leões da montanha a intrigava, e ela sabia
que muitos de seus futuros desenhos seriam de leões e não mais de
pôneis.
Ela protestou com veemência quando chegou a hora de dormir,
até Katie dizer que iria para a cama também. Janie imaginou que, da
maneira como a leoa legal fosse para a cama às oito horas, ela também
poderia.
Seu quarto rosa e branco a cercava, e uma luz noturna de
borboleta lançava luz suave em todos os cantos. Os cabelos azuis do
Sr. Mullet fizeram cócegas em seu nariz até que ela o puxou para mais
perto de seu peito. Fechou os olhos com o cheiro de talco de bebê e logo
vagou por uma floresta de neve cheia de árvores altas.
— Zane? — Chamou, jogando mentalmente botas grossas e
peludas e um casaco azul. Não sentiu o frio, mas queria fingir.
— Oi — disse ele, saindo de trás de um grande tronco de árvore
marrom. — Parece que você está no meu sonho, agora.
— É aqui que você mora? — ela perguntou, inclinando-se para
fazer uma bola de neve.
— Moro perto — respondeu, erguendo uma sobrancelha para a
arma perfeitamente redonda em suas mãos pequenas. — A partir de
agora nos encontramos em outro lugar além de onde você mora, ok?
— Mas eu quero que você veja onde estou morando agora. — Ela
bateu a bola em uma forma mais dura.
De repente, um grosso casaco cinza cobriu a camiseta preta de
Zane. — Não. Nós nos encontramos aqui ou em um lugar de faz de
conta, Janie.
— Por quê? — Ela preparou sua postura para jogar.
— Porque não queremos que quem está tentando entrar nos seus
sonhos saiba onde você está. — Zane pegou um punhado de neve e
começou a dar uma forma.
— Você não jogará isso em mim — declarou, puxando o braço
para trás e deixando a arma voar. Ela atingiu o ponto morto no peito
de Zane e a neve explodiu para se alojar em seus cabelos escuros. Ele
virou os olhos verdes brilhando nela e ela riu.
— Por que você diz isso? — ele questionou, enrolando o braço.
Janie bateu palmas. — Porque você é muito forte.
— Errado — ele contestou, e soltou.
Gritou em protesto encantada quando a bola de neve passou pelo
seu ombro esquerdo para colidir com uma árvore espessa. Ele
protestou e o pó frio caiu do alto para aterrissar ao redor deles.
— Eu errei. — Zane sorriu com seus dentes brancos.
Janie revirou os olhos. Poderia ter apenas quatro anos, mas não
era burra. — Tanto faz.
— Então, Janie. — Zane se aproximou. — Pode sentir alguém
tentando entrar nos nossos sonhos agora?
Janie perdeu o sorriso. — Sim.
Franzindo a testa, Zane a alcançou e puxou o colar ao redor das
orelhas. — Você pode dizer quem é?
Ela balançou a cabeça.
— Você sabe alguma coisa sobre essa pessoa? — Zane focou os
olhos da cor do lago de Talen nela, e Janie lutou contra o desejo de se
contorcer. — Janie?
Ela encolheu os ombros. — Não. Poderíamos deixa-lo entrar e
ver. — Se ela dissesse o nome, Zane sairia para descobrir por si
mesmo. Eles precisavam trabalhar juntos.
— Não. — Zane balançou a cabeça. — Nós nunca o deixamos
entrar. Ok?
— Tudo bem. — Concordou, pegando outro punhado de neve.
Mais tarde naquela semana, Cara se viu aconchegada em sua
nova cama na casa de Talen, com vista para o grande lago. Os shifters
permaneceram na sede subterrânea, imaginando que voltariam para o
colóquio em alguns dias. Dage prometeu a Katie que ele entregaria uma
impressionante seleção de vestidos para fazer a jovem concordar em
ficar.
A última coisa na mente de Cara era encontrar um vestido. Sua
preocupação por Emma criou buracos profundos de ácido em seu
estômago, e tentou abrir a mente para encontrar a sua irmã, mas nada.
Rolou na cama, revivendo sua última visita à sede. Empacotou
as roupas de Janie para levar para o rancho, grata por estarem
morando na superfície por um tempo. Antes de sair, Cara correu para
a pequena suíte para recuperar o bloco de desenho de Janie e, no
caminho de volta, ouviu uma discussão entre Max e Brack enquanto
jogavam sinuca na sala de recreação próxima.
— Conn deve sair do seu rabo e ir recuperar a sua companheira.
— Max retrucou. — Você sabe que estamos todos sob ordens de
reivindicar companheiras.
— Nós não estamos sob ordens — Brack respondeu enquanto se
inclinava para dar uma tacada.
— Sim, estamos. Você sabe que o conselho governante é tão forte
quanto a família Kayrs os profetas ainda proclamam leis.
— Talvez. — Brack tinha permitido.
— Sim. Não podemos esperar mais. — Max deu um tacada.
— Quero dizer, não acho que precisamos nos casar
imediatamente. Mas a família real sim, basta olhar para Talen.
O coração de Cara caiu e sua pele começou a doer.
— Eles se encaixam, Max ― respondeu Brack.
— Sim, eles fazem. Mas você sabe que Kayrs teria acasalado com
ela de qualquer maneira.
— Eu não sei.
Com um soluço suave, ela se virou e correu o mais rápido que
pôde para o elevador. Deus, era verdade? Ele a acasalou por causa de
ordens? Ela começou a se apaixonar, mas e se ele se casasse com ela
por obrigação? Ignorou seus olhares preocupados no caminho de volta
para casa e virou-se imediatamente para a cama depois de colocar
Janie na dela.
Agora aqui ela estava sentada no escuro, jogando e virando em
uma cama cheirando a especiarias e homem. Mas pelo menos os
pássaros cantavam do lado de fora e as pinhas caem no chão
periodicamente, lembrando que sua natureza vigiava todos eles. Ela
abriu a mente novamente para Emma.
— Cara? — Talen perguntou, quando ele levantou o edredom
para deslizar para cama. — Por que você está acordada? — Ele levantou
a cabeça, como se estivesse cheirando o ar. — E por que você está
chorando?
Ela esfregou as mãos sobre o rosto, enxugando as lágrimas. —
Ainda não encontramos Emma, Talen. E se os Kurjans a encontrarem?
Talen suspirou e puxou Cara para dentro de seu corpo. Calor e
conforto instantâneo a cercaram. — Ela é dura, querida. Temos todos
os aliados procurando por ela, alguém deve ter visto ou ouvido alguma
coisa. Até agora, ela tem sido um mestre em se esconder. — Ele se
aconchegou com mais segurança em torno de Cara, e ela fungou.
— Eu sei. — Se aconchegou novamente no calor. — Mas é hora
de trazê-la aqui em segurança. Ela está sozinha há tempo suficiente.
— Droga. Somente Emma acreditaria que ela poderia salvar o mundo
sozinha.
Talen passou a mão pelo braço de Cara para se acomodar ao
redor do bracelete de ouro em seu pulso. — Examinamos todos os
dados de todos os ataques e contatamos todos. Não se preocupe,
saberemos algo em breve. Acho que Dage nem dormiu desde que
finalmente encontrou sua companheira.
Cara se preocuparia com a reação de Emma a Dage mais
tarde. No momento, estava agradecida à própria alma pôr o rei
determinado estar a caçando. Que Deus o ajude.
— Obrigada por trazer minhas plantas — disse ela
suavemente. Uma fileira de lírios, impatiens11 e íris agora cobriam a
penteadeira em bonitas plantadoras de terracota.
Ele assentiu e sua mão percorreu o quadril dela. — Certo. Além
disso, sua casa foi vendida na semana passada, o departamento de
justiça enviará um cheque pelo dinheiro.
Dinheiro? Ela nem tinha pensado em despesas de vida ou algo
assim. — Oh, bem, hum... acho que coloque isso com o resto. —
Franzindo a testa, ela puxou o edredom. — Precisamos de dinheiro?
Talen riu contra ela. — Não, querida, estamos bem. Investi um
pouco ao longo dos séculos.
11
Ou maria-sem-vergonha é um género botânico pertencente à família Balsamináceas
Que estranho. Séculos. A cientista se levantou por dentro. —
Séculos? Qual a melhor coisa inventada durante a sua vida? —
Aviões? Eletricidade? O dinheiro dela estava na Internet.
Esfregando o queixo ao longo da sua cabeça, Talen deu-lhe um
beijo rápido. — Pizza congelada.
Ela bufou uma risada. — Sério? Pizza congelada?
— Sim. Massa, queijo, carne toda na geladeira e você a joga no
forno. O céu em cada fatia.
Como se fosse uma sugestão, seu estômago revirou e ela
gemeu. Estava pensando em alguma coisa?
Ele endureceu. — Você está se sentindo bem?
Cara balançou a cabeça e forçou a náusea a descer. Não pensaria
em pizza por um tempo. — Não, realmente Talen, estou com
sono. Tivemos uma semana bastante dramática. ― Se mexeu. — Então,
o que você fez durante seus séculos de paz além de comer pizza?
Ele a colocou mais firmemente em seu corpo grande. — Acredite
ou não, administrar o Reino é um trabalho de tempo integral. Manter
nossos aliados felizes um com o outro pode causar dor de cabeça. —
Ele balançou a cabeça contra o cabelo dela. — Apenas espere até o baile
amanhã à noite.
Ok, talvez ela devesse se preocupar com um vestido. — Não posso
ir a um baile quando minha irmã está fugindo.
— Certamente você pode. Faz parte do pacote, querida. — Ele
puxou os cabelos dela e beijou sua nuca. — A realeza tem seu preço. No
entanto, se não estiver disposta, certamente não iremos. Agora vamos
dormir um pouco.
Com um suspiro, Cara fechou os olhos e deixou o calor do marido
lhe proporcionar conforto. O sono a reivindicou com sonhos inquietos.
Mal havia entrado na terra dos sonhos quando mãos pequenas
a sacudiram. — Mamãe, acorde. — O rosto de Janie olhou perto do
dela. — Você está dormindo desde sempre. Acorde.
Cara acordou assustada e gemeu enquanto o quarto girava por
um momento.
— Você está bem? — Janie recostou-se preocupada.
— Sim. Só estou cansada — disse Cara, afastando os cabelos
grossos do rosto. Seu olhar pegou as lindas flores que revestiam a
penteadeira em vasos alegres. Lágrimas instantaneamente encheram
seus olhos, e ela as afastou impacientemente.
— Sonhei com a tia Emma ontem à noite — disse Janie, com o
rosto pequeno franzindo o cenho.
— Oh? — Cara se sentou, tentando parecer despreocupada.
— Sim. — Ela estava esmurrando o tio Dage no nariz. ―Os olhos
azuis se arregalaram de preocupação e Janie mordeu o lábio.
Cara esfregou a mão sobre os olhos. Infelizmente, o cenário era
mais do que provável se Dage pensasse que poderia acasalar com sua
irmã de temperamento quente, embora isso lhe desse esperanças de
que os Kurjans não tivessem capturado Emma. — Tenho certeza de que
eles estavam apenas brincando, querida. — Sem chance alguma.
Janie parecia duvidosa, mas deu de ombros e se virou quando
Talen caminhou pela porta.
Cara levantou uma sobrancelha para o seu companheiro. O
equipamento de combate preto o cobriu das botas de palha até o colete
à prova de balas. Facas e armas sugeriam guerra. Com o cabelo escuro
amarrado na nuca, ele parecia alguém preparado para conceder a
morte. — Indo para algum lugar?
Ele deu um breve aceno de cabeça. — Descobrimos mais duas
instalações e precisamos invadir agora antes que os Kurjans se movam
novamente. — Seguindo em frente, ele se sentou na cama. — Janie,
querida, Max está esperando por você na cozinha. Ele precisa de ajuda
para encontrar os bagels12.
Com um salto feliz, Janie saiu do quarto.
Talen passou a mão no queixo sombreado. — Ah, preciso que
você fique calma aqui.
O coração de Cara acelerou. — Você encontrou Emma?
Seus olhos escureceram e ele pressionou uma palma quente
contra o braço dela. — Descobrimos onde ela estava escondida em
Dakota do Norte, mas ela não está mais lá.
Dakota do Norte? O medo apertou o coração de Cara no gelo. —
Ela não está? — Cara se sentou, preparada para correr.
12
pão tipicamente americano
Talen colocou as duas mãos nos ombros, segurando-a no
lugar. — Não. Ela alugou uma cabana em um resort particular, mas a
cabana está vazia agora.
— Oh Deus. — Cara empurrou contra ele, determinada a sair da
cama. — Nós precisamos ir.
Ele balançou a cabeça, apertando as mãos. — Não. Você e Janie
ficarão aqui com Max.
— Mas eu não posso.
Olhos dourados se transformaram em faíscas. — Você pode e
irá. Não sabemos se os Kurjans a têm. Encontraremos a sua irmã,
Cara. Eu prometo.
A exaustão a inundou por um momento. — Mas se eles tiverem,
você precisará que eu a sinta.
— Não. Estamos enviando uma equipe para invadir uma
instalação no oeste de Nevada, enquanto meus irmãos e eu viajamos
para um hospital em Utah. Se os Kurjans a levaram, Emma estará
lá. Nós a encontraremos, Cara.
Cara abriu todos os sentidos que tinha, rezando para um
universo que raramente ouvia. Nada. Ela não conseguia sentir nada de
Emma. Droga. — Eu preciso fazer algo, Talen.
Ele ficou. — Sim, você fará. Fique aqui com Max, mantenha Janie
segura e confie em mim. Enquanto está nisso, há mais dados de
pesquisa entrando no computador, fique à vontade para descobrir isso
para mim.
Ela suspirou. Ele estava certo, do jeito que estava se sentindo,
só o atrasava. Bem. Estendeu o braço direito. — Posso fazer um pouco
de ioga ou mesmo correr, você tira a pulseira? — Essa permissão para
tirar uma pulseira estava ficando extremamente cansativa. Se eles
ficassem juntos, teriam que discutir isso.
Ele juntou as sobrancelhas.
Seu temperamento começou a ferver. — Não sou um cachorro
nem um animal selvagem para ser etiquetada, caramba. Agora tire.
Ele sorriu. — Não é para marcar você, querida. É para te
localizar, se algo ruim acontecer, como, eu não sei, talvez uma gangue
de Nova York sequestrar você.
Cara revirou os olhos. — Acho que estou a salvo da gangue aqui,
Talen. — Estendeu o pulso em um desafio claro.
Ele puxou uma rajada de ar, removendo a pulseira.
― Pronto. Mas acho que você deve descansar e não correr. —
Colocando as costas da mão na testa dela, ele franziu o cenho
novamente. — Você não está com febre, mas está pálida. Max pescaria
com Janie, mas talvez eles devessem ficar perto.
— Não. Janie adora pescar. Estou bem, só preciso de um tempo
de inatividade.
— OK. Ligarei assim que souber de alguma coisa. — Com um
último olhar preocupado, ele saiu.
Janie cutucou a cabeça alguns minutos depois, dizendo que ela
e Max estavam indo pescar e trariam de volta o almoço. Cara a enviou
com um aceno.
Ficou deitada na cama por alguns momentos e deixou a calma e
tranquila casa penetrar e acalmá-la. Deus, por favor, deixe Emma ficar
bem. Com um gemido, saiu da cama e foi tomar um banho quente. Um
café da manhã com torradas e chá a fez se sentir um pouco melhor,
então entrou no escritório de Talen para continuar decifrando a
pesquisa que eles trouxeram para casa. Também inicializou o
computador dele pensando que deveria pelo menos verificar seu e-
mail. O computador deu um sinal de que estava atualizando e sendo
paciente.
Um gráfico na impressão ao seu lado chamou sua atenção e
procurou na escrivaninha profunda de Talen um marcador. Depois,
vasculhou as gavetas para encontrar algum papel, e um arquivo na
gaveta de baixo chamou sua atenção.
Com uma sensação de afundamento, puxou o arquivo rotulado
‘Diretiva’ e o abriu sobre a mesa grossa de carvalho. Uma carta do
Conselho do Profeta instruindo os irmãos Kayrs procurar
companheiras de habilidades aprimoradas. A carta dizia que a guerra
com os Kurjans reuniria força novamente, e estava na hora de angariar
recursos.
Cara leu mais, seu estômago começando a se
agitar. Aparentemente, a marca na palma da mão poderia ser forçada,
como foi feita há séculos para conseguir parceiros. Acasalamentos
arranjados, às vezes casamentos, eram comuns e incentivados.
Uma vez na presença de uma mulher melhorada, o vampiro
poderia querer que a marca aparecesse em sua mão. Era simplesmente
uma questão de energia mental.
Sentou e lutou contra a náusea que crescia em sua
garganta. Talen possuía capacidade mental em espadas. Ele disse que
a marca apareceu naturalmente na palma da mão, mas, não é? Ele
pretendia marca-la, e disse que faria isso.
Virou a página e seu coração parou ao ler uma cópia da carta
enviada por Talen em resposta, na qual ele concordou que era hora de
encontrar companheiras. Sua assinatura ousada se espalhou pelo
fundo. Ele concordou.
Cara fechou a pasta com força e recostou-se na cadeira como se
tivesse levado um soco no estômago. Talen se casara para gerar filhos
para treinar para a batalha. Ela não era nada além de uma égua
parideira para ele. Pensou na marca em seu quadril. Ele até a
marcou. Filho da puta.
Aqui ela começou a acreditar que poderia realmente haver amor
entre eles. A paixão deles percorreu sua cabeça, alimentando sua raiva
como um fluido mais leve. Aquele cretino. A fúria fez a sala girar
enquanto uma névoa vermelha cobria sua visão, e recolocou o arquivo
e fechou a gaveta com um estalo agudo. Ela realmente estava indo para
matá-lo.
A razão mal superou a raiva e se voltou para os papéis à sua
frente. Precisava encontrar uma maneira de se proteger do vírus
agora; ela lidaria com Talen mais tarde.
Sua mente continuou girando até uma enxaqueca pairar sobre
sua cabeça. O computador concluiu a atualização com um bipe
agudo. Finalmente. Digitou sua conta de e-mail, esperando que Emma
tivesse fugido e estava entrando.
Um endereço de retorno familiar apareceu e ofegou com a
mensagem enviada no dia anterior. Emma deve estar bem. Abriu a
mensagem com a respiração suspensa e seu estômago bateu no chão
quando uma foto de sua irmã se desenrolou na tela. Emma sentou-se
amarrada em uma cadeira com um olhar furioso no rosto e uma
contusão na bochecha.
Um número de telefone rolou sob a fotografia.
As mãos de Cara tremiam quando discou rapidamente o número,
com toda a segurança de Talen, as linhas telefônicas devem estar
protegidas. Ela esperava.
Uma voz profunda atendeu o telefone. — Olá, Sotie.
Droga. — Eu não sou sua companheira, Lorcan. — Seu coração
começou a bater forte.
— Você será. — O som de papéis embaralhando atravessou a
linha. — Obrigado pela sua chamada.
— Onde está a minha irmã?
— Ah, sua irmã. Tenho que lhe dizer, teria pensado que você era
a dor na bunda depois do nosso último encontro, mas estaria errado.
— Uma risada arrepiante deslizou pela linha, e um forte medo tomou
conta dela. Estômago. — Estou muito satisfeito por ter a irmã mais
madura.
— Onde ela está? — As juntas de Cara ficaram brancas no
telefone.
— Ela está perfeitamente bem, Cara. Não tenho vontade de
machucar a irmã da minha companheira e gostaria muito de deixá-la
ir. Acredite em mim. — Sua voz se intensificou, aparentemente a sua
irmã estava sendo difícil. — Terei prazer em trocá-la por você. O mais
breve possível.
Cara não precisava das habilidades psíquicas de Janie para
saber que ele mentia. Não havia como os Kurjans deixarem uma
mulher com habilidades aprimoradas liberta e se Emma ainda não foi
acasalada era questão de tempo. — Tudo bem, Lorcan. Deixe-me falar
com a minha irmã e garantir que ela esteja bem; se assim for, me
trocarei por ela.
Um suspiro frustrado veio ao telefone. — Muito bem.
Vozes abafadas encheram o silêncio, mas Cara não conseguiu
entender as palavras individuais até que uma porta se abriu. Então, —
Não estou falando com ninguém, seu imbecil. — Veio claramente do
outro lado da linha.
— Emma? — Cara ficou de pé.
— Droga. Cara? Faça o que fizer, não dê ouvidos a esse idiota. Ele
é doido... ― Sua irmã deu um grito abafado e uma porta bateu.
— Juro pelos profetas, matarei essa cadela se ela ficar aqui por
mais tempo. — A voz estridente de Lorcan enviou calafrios por sua
espinha.
— Não, não — sussurrou Cara, seu coração trovejando e seus
pés formigando com a necessidade de correr. Deus, ela precisava de
Talen. Podia estar seriamente chateada com ele, mas não havia dúvida
de que ela precisava da ajuda dele aqui.
— Só você pode me parar, sotie. Nosso rastreio revelou que você
está no oeste dos Estados Unidos, mas, infelizmente, não consigo
identificar sua localização mais perto do que isso. Aparentemente, os
vampiros também aumentaram a sua tecnologia. Onde você está
querida?
Ela não podia contar a ele. Se os Kurjans tivessem alguma ideia
de onde ficava o quartel-general dos vampiros, eles atacariam. Mesmo
pela sua irmã, ela não faria isso, e sua mente percorreu as
possibilidades. — Cadê você, Lorcan?
— Em uma das minhas fortalezas temporárias no Oeste. Nós nos
mudamos para cá enquanto rastreávamos seus movimentos.
Por favor, deixe-os em Utah ou Nevada. Os vampiros devem estar
nas duas instalações agora. — Bom. Eu irei até você. Apenas me diga
onde.
— Prefiro ir buscá-la.
— Tenho certeza. Mas isso não acontecerá. — Manteve a voz
calma e resolveu, enquanto seu estômago se apertava. — Encontrarei
você em qualquer lugar que deseje, mas não direi a minha localização.
O silêncio encheu a linha por um momento. — Você não pode
proteger seu ex-companheiro de mim para sempre, Cara.
— Talen é mais do que capaz de cuidar de si mesmo. — Até ela
podia ouvir a amargura em sua voz.
— Ah. — O tom satisfeito de Lorcan quase a fez amordaçar: —
Você viu as verdadeiras cores dos vampiros, viu?
— Não estou tendo essa discussão com você, Lorcan. Deseja se
encontrar comigo ou não? — Deus, como ela salvaria não apenas
Emma, mas a si mesma?
— Sim, estou na Wheatland, Cara. Estou avisando que, se os
vampiros me encontrarem e atacarem, matarei a sua irmã com muita
dor. E Cara, me divertirei.
Ela acreditou nele. A verdade ecoou em sua voz; ele sacrificaria
um parceiro em potencial nesse caso.
— Onde diabos é Wheatland?
Ele suspirou. — O sistema educacional humano realmente
falhou com você. Wheatland fica no leste do Wyoming.
Droga. Os vampiros não estavam nem perto. Levaria pelo menos
três horas para chegar a Wyoming. — Preciso de um tempo.
— Você tem duas horas. Então começo a cortar pedaços dessa
vadia desagradável.
Então, ela iria para o norte. Ela poderia prender Lorcan por mais
uma hora que os irmãos Kayrs levariam. — Bem. Ligarei para esse
número quando chegar a Wheatland. E falarei com a minha irmã antes
de lhe dizer onde estou.
— Claro. Estou ansioso para vê-la novamente. —Ele desligou.
Cara ficou parada por um momento, sua mente cambaleando
com as possibilidades, seu olhar voando pelo escritório de Talen. Tinha
que salvar sua irmã e tinha que deixar Janie para fazer isso. Talen se
certificaria que Janie estivesse protegida, mesmo que algo acontecesse
com Cara. O cretino pode ter se casado com Cara para criá-la, mas sua
afeição por Janie era óbvia. Uma voz profunda perguntou se o carinho
que ele mostrava por ela também era verdadeiro. Ela disse à voz para
crescer, os arquivos não mentiam.
A voz lhe disse para criar um par de bolas e lutar pelo que
queria. Lute pelo homem e deixe de ser uma maldita galinha. Maldita
voz.
Apertando as teclas do computador, encontrou a rota mais direta
para Wheatland. Basicamente, siga para o norte por cerca de duzentos
e vinte e cinco quilômetros. Poderia fazer isso.
Se acalmou com várias respirações profundas, seu olhar
calculando enquanto examinava o escritório de Talen. Lembrou da sala
escondida na casa de Jordan e perguntou-se onde Talen guardaria
suas armas. Em algum lugar seguro. Em algum lugar longe de
Janie. Ignorou a parede das janelas e concentrou-se nas batidas, nas
paredes laterais. Eles pareciam iguais. Não oco. Com um suspiro
frustrado, ela se sentou e redigiu uma nota rápida para Max e outra
para Janie.
Expirando todas as suas dúvidas, ela abriu sua mente para
Talen. — Você está aí, companheiro?
— Sim. No meio de algo aqui, Cara. — Um suspiro mental veio
alto e claro. — Emma não está aqui.
A imagem de um edifício quase reduzido a escombros encheu sua
mente. — Eu sei. Vou encontrá-la em Wyoming.
— Não, você não vai. — Raiva e medo afiaram cada palavra.
Ele teve a audácia de lhe dizer o que fazer? Sério? A fúria fez seus
escudos escorregarem por apenas um momento. — Não recebo ordens
de você, companheiro. — Zombou da última palavra.
Silêncio. Então. — Posso explicar o arquivo, Cara.
— Encontre-me em Wheatland, Talen. Protelarei Lorcan até você
chegar lá. — Bateu com força os escudos mentais antes que ele pudesse
responder. Rapaz, ele ficaria chateado.
Perguntou por sua capacidade de fazer o que estava prestes a
fazer. Restava a opção de esperar até que Talen chegasse, mas Lorcan
parecia sério sobre machucar Emma. De fato, ele parecia quase ansioso
para fazê-lo.
Além disso, sua irmã era uma médium incrivelmente forte, ela
estaria esperando por Cara, sabendo de seu plano.
Respirando determinada, correu para a cozinha e pegou duas
facas no balcão, uma que enfiou na meia direita e a manteve na
mão. Com uma rápida oração por ajuda, correu para a garagem que
abriu com o apertar de um botão. Olhou confusa para o Hummer preto
e um elegante carro esportivo de dois lugares. Hmmm. Bem, por um
dólar... Alívio a bombardeou ao encontrar as chaves na ignição do carro
esportivo, que ronronava como um tigre acordado, e não podia deixar
de comparar seu rugido abafado com o Talen, ambos elegantes e
famintos. E poder inimaginável promissor. Não conseguia controlar
nenhum deles.
Saiu correndo da garagem, imaginando quanto tempo Talen
poderia chegar em Wyoming. Apertou o pé no pedal e ignorou sua
inquietação enquanto os bonitos pinheiros se misturavam em um longo
borrão verde do lado de fora. Chegou a Wheatland em pouco mais de
duas horas e, cansada, entrou em um Texaco fora da cidade para fazer
a sua ligação. Seu estômago revirou novamente, provavelmente por
medo de injetá-la com o vírus o mais rápido possível. Perguntou se
deveria ter esperado por reforços.
Com um suspiro, estacionou ao lado da cabine telefônica azul
clara e saiu do carro para o ar suave da primavera. Agarrou a lateral
do carro esportivo enquanto o mundo girava ao seu redor, e com uma
respiração profunda, se concentrou antes de caminhar devagar, com
cuidado para dentro da cabine. Passou o cartão de crédito pela
abertura e digitou o número antes que pudesse mudar de ideia,
sabendo que eles poderiam rastrear a ligação e não vendo motivo para
mentir sobre o paradeiro dela.
— Olá, Cara. — O tom satisfeito de Lorcan a fez querer vomitar.
— Coloque a minha irmã. — Sua voz soou mais calma do que ela
esperava.
— Claro.
Um barulho se espalhou pela linha, depois — Diga-me que você
não veio para Wyoming. — Indignação elevou a voz da irmã uma oitava.
— Olá Emma. É bom falar com você também — Cara disse
ironicamente.
— Droga, Cara, corra! — Agora! Houve um som de briga, sua
irmã xingando como um caminhoneiro e depois silêncio.
— Como você pode ouvir, sua irmã enfurecida está bem. —
Lorcan assobiou.
— Sim. — Cara concordou, com um nó na garganta. Quanto
tempo Emma ficou bem, estava certamente em dúvida.
— Onde você está, Cara?
— Estou no Texaco, a leste da cidade.
— Ah bom. Enviarei homens para recuperá-la. E, se você não
estiver com eles quando eles retornarem... — Ele deixou a ameaça
pairar do outro lado da linha.
— Eu vou, Lorcan. — Tinha chegado tão longe, era tarde demais
para desistir.
— Estou ansioso para começar nossa vida juntos. — Sua voz
estranha quase tinha uma qualidade calmante. Quase.
— Acho que não importa que não queira uma vida com você? —
Talvez ela o tenha interpretado mal.
— Nem um pouco. — Sua risada rivalizou com a mais
assustadora gravação de Halloween já feita. — Mas você deve se
considerar sortuda, pois podemos devolvê-la à forma humana e livrá-
la da marca do vampiro. Caso contrário, eu teria que te matar.
A mente de Cara girou para uma resposta apropriada. Não havia
uma. O medo se acumulou como lodo de dinossauro em seu intestino
quando pensou em Talen, enquanto ele pode ter se casado com ela
porque ela era um potencial, ele não a teria matado se as coisas não
tivessem dado certo. Realmente não havia uma questão de quem eram
os mocinhos aqui.
— É melhor que a minha irmã esteja inteira quando eu chegar,
Lorcan. — Ela desligou o telefone, fazendo uma careta para o bonito
carro esportivo. É melhor esconder isso antes que os Kurjans
apareçam.
Colocando a segunda faca na parte de baixo das costas, sentou-
se no meio—fio amarelo com o queixo nas mãos quando a van branca
chocante parou. O posto de gasolina se espalhava atrás dela com vagas
vazias de estacionamento asfaltadas. Havia pouca atividade nos
arredores da cidade, e imaginou que estava sozinha enquanto olhava o
veículo silencioso. As janelas estavam pintadas quase de preto, mas
sabia quem, ou melhor, o que estava dentro esperando por ela. O medo
deslizou dentro de seu estômago em tempo uniforme com a porta da
van se abrindo; antes que pudesse espiar o interior escuro, o cheiro do
mal rolou para fora e seu coração parou. Se levantou e deu um passo
à frente.
Vacilou em seu próximo passo quando a voz de Talen teceu forte
e segura através de sua consciência enquanto olhava para a
escuridão. — Não entre nessa van.
— Eu não tenho escolha — Pensou de volta para ele o mais forte
que pôde.
— Corra para o sol longe da van, companheira. — A raiva
engrossou sua voz, e seu coração pulou para a vida em resposta.
Balançou a cabeça, seus pensamentos girando. Tinha que salvar
Emma. Tentou enviar um pedido para que Talen cuidasse de Janie,
caso ela não sobrevivesse a isso. Deu outro passo em direção à van no
momento em que uma onda em cascata de pura fúria passou por seu
cérebro para pousar em seu coração e, com um grito, viu a escuridão.
— Porra. Acho que causei um curto-circuito em seu cérebro. —
Talen rosnou de raiva de seu assento no helicóptero modificado.
— Sério? — Dage virou espantado. — Você sabe quão raro é esse
tipo de conexão?
Talen cortou os olhos dourados para o irmão. — Quem se
importa? Agora ela está com frio, e eu não sei dizer para onde ela está
indo. — Ele se virou para ver a paisagem abaixo deles passar. — E ela
fugiu de mim. Que tipo de conexão é essa?
— Ela foi salvar sua irmã, Talen. — Dage se concentrou em voar
a uma velocidade maior do que deveria. Jase e Conn murmuraram algo
um para o outro no banco de trás.
— Bem, esse é o meu trabalho, não é Dage? — Um rosnado feroz
percorreu as palavras.
— Na verdade, é o meu trabalho, irmão. E não esqueça. — O tom
de Dage combinava com o de Talen.
Talen lançou um olhar de dor para Dage. — Você realmente acha
que Emma é sua companheira?
— Eu sei. — Um tom absoluto ecoou pelos fones de ouvido.
— Bem, boa sorte.
— Obrigado. — Agora o teor estava seco. — E, francamente, você
está mais chateado com você do que com a sua companheira.
— Desculpe?
— Você deveria ter contado a ela sobre esse maldito arquivo,
Talen. Além disso, deixando o acesso dela ao computador e a essa
conta? É claro que eles a contactariam.
— Eu estava tentando manter a sua mente ocupada enquanto
procurávamos por sua irmã. — Na verdade, ele não estava
pensando. Na verdade, ele não pensava direito desde que conhecera a
pequena cientista. — E você está errado. — A expressão de Talen se
fechou.
— Sobre o quê? — perguntou Dage.
— Estou mais chateado com a minha companheira. Um fato que
ela logo se arrependerá.
Dage balançou a cabeça. — Tenho certeza de que você não
entende as mulheres.
Talen deu de ombros. — Eu não ligo. Mas a minha me entenderá.
Dage verificou vários indicadores. — Estamos cinco minutos fora
de Cheyenne. Ela recuperou a consciência?
Talen fechou os olhos para se concentrar melhor antes de reabri-
los. — Não. Ainda não. — Ele desviou o olhar ansioso pela janela.
Cara acordou em braços fortes com um grito, mas os braços
estavam errados, muito longos, muito frios e muito indesejados. Ela
olhou para os olhos roxos rodopiantes e a náusea bateu nela.
— Olá, Cara. Você desmaia com frequência?
— Não. Ponha-me no chão. — Ela olhou ao redor de Lorcan para
algum tipo de túnel escuro com grossas paredes de pedra. Subterrâneo,
novamente. Os pés da bota soavam suavemente sobre o que devia ser
um chão de terra, e a pele branca e pastosa brilhava sobre o rosto dela
enquanto ele se detinha diante de uma porta de madeira redonda,
abrindo-a com um pé.
Ele a pôs de pé e a empurrou rapidamente para dentro. —
Voltarei para você.
A porta se fechou com força e uma chave passou por uma
fechadura. Olhou através de uma sala subterrânea redonda e olhos
azuis encontraram olhos azuis idênticos por uma batida assustada. ―
Emma. — Ela respirou quando encontrou sua irmã no meio do
caminho, e se abraçaram com força.
— Cara. — Emma disse com um gemido e deu um passo para
trás. Seu rosto cansado examinou sua irmã mais nova. —
Caralho. Você está grávida.
— O quê? — Cara disse através das lágrimas enquanto a sala se
inclinava perigosamente.
— Você. Está. Grávida. — Emma agarrou ambas as mãos. —
Você não sabia?
Cara balançou a cabeça. — Não. Acho que faz sentido, mas...
Estive no controle de natalidade. Sei que nunca é cem por cento, mas...
— Sua mente girou quando Emma a envolveu em um abraço gentil. —
Tem certeza, Emma? — Ela já sabia a resposta, mesmo antes de sua
irmã assentir. As habilidades psíquicas de Emma nunca haviam
falhado. Claro, quem diabos sabia se o controle da natalidade
funcionava contra a semente de vampiro pelo amor de Deus?
Cara respirou fundo e estudou sua irmã mais velha. — Você
parecia melhor. — Os cabelos escuros de Emma estavam enrolados em
seus ombros esbeltos, um hematoma roxo manchado de pele clara e
cobria uma bochecha inteira, e marcas escuras de preocupação caíam
sob seus olhos.
— Sim, e você está grávida. — Emma respondeu antes de se
mover em direção à porta e puxar um tubo de batom mutilado do bolso
de trás de seu jeans desbotado. — A porta é uma madeira grossa e
estou perto de abrir a fechadura. As paredes são feitas de tijolos de
pedra, e estamos embaixo do chão em algum lugar, mas vi um mapa
quando cheguei aqui e acho que consigo descobrir a saída.
Cara levantou uma sobrancelha. — Você está arrombando a
fechadura com um batom, Em? — Droga, sua irmã tinha perdido o
juízo.
Emma bufou. — É uma fechadura camuflada de batom,
manequim. Estou fugindo há dois meses, acredite, estou me
preparando para isso. — Ela avançou em direção à porta e inseriu a
palheta na fechadura antiquada antes de se dobrar sobre um joelho e
começar a torcer. — Todas aquelas vezes que papai nos trancou no
armário estão realmente sendo úteis. Engraçado, hein?
— Na verdade não — respondeu. — Ele realmente era um cretino,
não era?
— Sim. Talvez ele esteja gostando do inferno agora.
— Você acha? — Cara se inclinou para mais perto para ver sua
irmã manipular a fechadura.
— Sim. Não acho que você possa usar Deus para espancar as
pessoas e depois se safar.
Com a mente ainda girando, Cara deslizou para o chão duro de
terra, sem precisar procurar a faca nas costas, claramente se foi. Poeira
e mofo molhado a fizeram espirrar. Lembrou-se tardiamente da faca
escondida em sua meia antes de se inclinar para acariciar sua
perna. Droga. Lorcan deve ter pegado a arma enquanto ela estava
inconsciente. — Então, onde estamos, Em?
―Em algum lugar do Wyoming. Em uma nova instalação, porque
algo aconteceu com sua fortaleza em Portland. A boa notícia é que este
lugar ainda não está totalmente lotado, e eles me trouxeram aqui
apenas porque sabiam que você estava próxima. Emma esfregou as
mãos na calça jeans antes de voltar a atenção para a fechadura. — Esta
é uma instalação temporária, sinto que a instalação permanente seria
muito mais difícil de escapar.
— Sim, invadimos o local em Portland, embora não ache que um
deles tenha sido totalmente ocupado ainda.
Emma virou os olhos surpresos para ela. — Você invadiu o lugar?
— Uh, sim. Eles sequestraram uma amiga minha e tivemos que
ir buscá-la.
— Quem exatamente somos 'nós’? — Emma voltou para a
fechadura.
— Hum, bem, meu marido, Talen, e seus irmãos.
— Você é casada? — A voz de Emma subiu para um tom
estranho.
— É acasalada — disse calmamente, imaginando o quanto
Emma sabia. Teve sua resposta quando sua irmã girou para encará-la
e ficou quase branca.
— Não com um Kurjan?
— Não. — Cara se inclinou para frente para dar um tapinha no
braço da irmã. — Com um vampiro.
— O quê? Você se casou com um dos vampiros?
— Sim. O que você sabe sobre eles? — Escolheu não mencionar
Dage e seu interesse por Emma.
Emma deu de ombros. — Eles são inimigos mortais dos Kurjans,
se parecem conosco, exceto por seus olhos, e precisam de
companheiras com habilidades aprimoradas. — Ela passou a mão
pelos cabelos revoltos. — Acho que as suas habilidades empáticas
fizeram de você um potencial. — Seus olhos se concentraram em
preocupação. — Onde está Janie?
— Segura.
— Graças a Deus. — Emma a estudou de perto. — Você foi
forçada?
— A acasalar? — Cara corou até as raízes dos cabelos.
Sim.
— Hum. Não, na verdade não.
— Na verdade não? — O olhar de Emma endureceu.
— De jeito nenhum, na verdade. — Cara suspirou enquanto
abaixava as mãos e corava novamente sob o olhar de busca da irmã.
— Onde ele está, Cara?
— A caminho — disse miseravelmente.
— A caminho? — Emma franziu a testa, nuvens de tempestade
se formando em seus olhos.
— Sim. Eles estavam pelo menos três horas fora e eu poderia
chegar aqui mais rápido sem esperar por eles. — Cara sussurrou a
afirmação, um rubor profundo subindo sob sua pele para se acumular
em seu rosto.
— Por que você não esperou por eles? — Emma perguntou
surpresa. — Como nenhuma de nós é exatamente uma lutadora forte,
um inimigo jurado do maldito Kurjans seria útil agora.
— Eu sei. — Suspirou. — Mas Lorcan disse que começaria a
cortar as partes do seu corpo se eu não me apressasse.
— E? — Droga. Sua irmã a conhecia muito bem.
— E encontrei um arquivo na mesa de Talen pedindo para ele
acasalar e gerar filhos. — Cara evitou os olhos de sua irmã olhando ao
redor da pequena sala vazia, mas apenas paredes de pedra amarelada
e um chão de terra eram visíveis. Ela simplesmente não podia entrar
em toda a situação da marca ainda.
— Oh. Então você estava chateada?
Cara assentiu.
— E você estava machucada? — A voz de Emma suavizou.
Cara assentiu novamente e piscou para conter as lágrimas.
— Ok, descobriremos tudo isso mais tarde. Agora mesmo
precisamos sair daqui antes que algum médico chegue. Se Lorcan
souber que você se casou, ele tentará usar o vírus em você.
— Você sabe sobre isso?
— Sim. O laboratório em que trabalhei ajudou a desenvolvê-lo,
mas pensávamos que estávamos curando doenças genéticas. Não
tínhamos ideia de que os Kurjans existiam. Quando descobri, tentei
destruir o vírus, mas já era tarde demais.
— E eles vieram atrás de você?
Emma assentiu. — Sim. Eles sabiam de mim desde o primeiro
dia; sempre foi o plano deles 'me adquirir' depois que desenvolvemos o
vírus. — Ela corou. — E eles conferiram meu histórico e descobriram
sobre você e Janie. É minha culpa que você esteja aqui.
— É culpa deles, Em. — Cara fechou os olhos e concentrou-se
em alcançar Talen. Apenas estática encheu sua cabeça, e se perguntou
o que tinha acontecido antes havia quebrado sua conexão. Nesse caso,
ela orou fervorosamente para que os resultados fossem temporários.
— Cara, eles me mostraram as fitas do que o vírus faz com as
mulheres acasaladas. — Os olhos de Emma se encheram de
preocupação por sua irmã. — Não sabíamos o que estávamos
desenvolvendo.
— Existe alguma maneira de vencer a infecção?
— Não.
— O que faremos?
Emma não teve chance de responder antes da fechadura clicar e
a porta se abrir. — Agora vamos correr. — Emma disse com
determinação enquanto se levantava e a puxava.
Cara seguiu enquanto Emma fazia uma curva acentuada para
baixo no túnel vazio úmido antes de começar a corrida através da área
mal iluminada.
— Vamos lá. — Emma sussurrou. — Não podemos voltar pelo
caminho que você entrou, os Kurjans estão montando a sala de
controle principal na entrada e tenho certeza de que vi uma saída.
Cara deu de ombros e aumentou o ritmo para acompanhá-la,
seus pés batendo na terra que rapidamente se transformou em lama
enquanto se aventuravam mais longe na penumbra iluminada por
luzes industriais fracas penduradas a cada três metros. Parecia que
passou a maior parte de sua vida no subterrâneo neste momento.
Tentou novamente alcançar Talen com sua mente e só acabou
com uma pulsação maçante em suas têmporas, caramba, o que ele
fez? Uma pequena voz culpada na parte de trás de sua cabeça dolorida
sussurrou que ele reagiu a ela correndo para encontrar seu inimigo
mortal, e sua raiva provavelmente foi justificada. Talvez. Mas isso não
era motivo para causar um curto-circuito no cérebro.
Uma voz na escuridão à frente as congelou no lugar.
— Matre aqui, o túnel sul é seguro. — Uma voz profunda de
Kurjan teceu pelo espaço.
Cara pressionou contra a parede de pedra até a água escorrer
pelas costas de sua blusa. — Você ainda tem a picareta?
— Sim. — Emma olhou em volta furtivamente. — Nós teremos
que tirá-lo. Não há tempo para voltar para o quarto.
— Eu sei. Ele provavelmente está armado; se pudéssemos
derrubá-lo, eu poderia pegar a arma.
— Você e seu bebê ficam fora do caminho. — Emma retrucou. —
Se abaixe.
As duas se agacharam quando passos abafados ecoaram pelo
espaço subterrâneo.
— Escolha o pescoço dele com a picareta. — Cara se inclinou
perto da orelha da irmã. — Você tem que ir para a jugular e decapitá-
lo.
— Não quero saber como você sabe disso. — Emma respondeu
tão suavemente.
A água escorrendo da pedra para se acumular na terra batia com
o tempo, com os passos se aproximando enquanto as irmãs se
agachavam na escuridão como presas furiosas prontas para saltar. A
determinação fluiu forte e segura entre as duas enquanto ficavam
tensas, Cara viu os pés antes de Emma e chutou sua perna para fazer
o soldado tropeçar que caiu com um grunhido assustado na
lama. Emma pulou para frente e mergulhou o metal fino em seu
pescoço assim que Cara pegou sua arma verde brilhante. Assobiando,
o soldado estendeu a mão com garras para jogar Emma na parede mais
próxima antes de se levantar e arrancar a arma sangrenta de sua carne.
Seus dentes brilhavam afiados e mortais à luz suave quando ele
se moveu em direção a Cara, e com um olhar atento, ela levantou a
arma e puxou o gatilho, apenas para ter a arma na mão. Com um
grunhido, ela se concentrou o máximo que pôde em uma imagem do
coração dos Kurjan e tentou apreender o órgão mentalmente,
recorrendo a qualquer poder que Talen pudesse ter passado para ela. O
soldado ofegou e tropeçou, seus olhos roxos se arregalando quando ela
o deteve. Então, com um grito feroz, ele se livrou do seu controle e
começou a avançar novamente.
Gritando, Cara apertou o gatilho, e desta vez a arma disparou. O
soldado deu um grito duro quando foi jogado de volta na parede de
pedra, e Cara continuou atirando direto em seu pescoço, aproximando-
se, suas mãos apertando a arma com tanta força que seus dedos
lutaram contra a dormência até que o Kurjan caiu no chão. Emma
pulou através do túnel em um borrão de movimento e agarrou a faca
presa em seu cinto, enquanto Cara passou a mira para a cabeça dele e
continuou atirando.
Sua carne partiu e o sangue espirrou.
— Mergulhe a lâmina em seu pescoço. — Assobiou enquanto o
fogo verde continuava a sair da arma.
Com um soluço severo, Emma estendeu a mão e cravou a faca
no pescoço do Kurjan e depois girou a cabeça para o lado enquanto o
sangue espirrava em seu rosto. Olhou para trás e tentou puxar a faca,
mas sem sucesso. Cara colocou a arma na parte de trás da calça e se
inclinou com as duas mãos para ajudar a irmã, mas a lâmina não se
moveu. — Talen fez isso parecer fácil. — Resmungou enquanto puxava
com todas as suas forças. A faca estava imóvel no tecido duro do
pescoço do soldado.
— Mais uma razão pela qual seria bom se ele estivesse aqui. —
Emma caiu de costas. Ela assentiu para o soldado caído. — Bem, ele
está inconsciente, pelo menos, vamos dar o fora daqui. — Ela se
levantou com dificuldade.
Cara assentiu, puxou o fone de ouvido do soldado e pulou para
seguir a irmã em uma corrida mortal, quem sabia quanto tempo levaria
para o soldado recuperar a consciência e puxar a faca da garganta? Ela
tentou alcançar Talen em sua mente enquanto corria pela lama agora
grossa e teto pingando, mas a estática suave estalava onde a voz dele
deveria estar. Droga, ele provavelmente também não podia rastreá-la.
Ela e Emma estavam realmente sozinhas.
A luz ficou ainda mais fraca enquanto corriam, e depois de um
tempo suas panturrilhas começaram a queimar quando o túnel subiu,
a lama lamacenta camuflou seus passos até chegarem a uma grande
porta de pedra. Estenderam a mão para puxar, e a porta se abriu com
um gemido áspero. A luz fez Cara piscar contra a dor. Ela correu atrás
de Emma pela porta, empurrando a porta com seus corpos antes de
olhar em torno de uma grande caverna com paredes lisas.
O coração de Cara despencou quando percebeu a distância até
um buraco no telhado que deixava entrar luz abundante. — Como
diabos... — Perguntou cansada enquanto a náusea a
atravessava. Ofegante, se virou para a parede de pedra e vomitou o
conteúdo escasso do estômago. Emma correu para a frente e afastou
os cabelos do rosto. — Eu estou bem. — Murmurou enquanto passava
um braço sujo na boca.
— Não, não está. — Sua irmã respondeu, olhando ansiosamente
sobre a pequena caverna. — Há um tipo de escada esculpida na rocha.
— Refletiu enquanto apontava através do pequeno espaço.
— Deus Emma. — Cara suspirou enquanto olhava para a luz
agora desaparecendo, que está a pelo menos quinze metros de altura.
— Eu sei — disse Emma enquanto atravessava a sala
apressadamente e colocou o pé no entreposto na rocha que, de outra
forma, era lisa. O coração de Cara acelerou quando sua irmã alcançou
um grunhido suave e se levantou antes de começar a subir
desajeitadamente, mão sobre o pé. Ela parou na metade do caminho.
— Você está bem? — perguntou.
— Sim, apenas tomando um momento. — Emma respondeu
antes de começar a subir novamente.
Cara deu um suspiro de alívio quando Emma chegou ao topo e
se puxou para fora do grande buraco. Cabelos escuros voaram ao redor
de seu rosto machucado enquanto ela olhava para Cara. — Estamos
no meio de uma área florestal, não vejo corda nem nada. Você precisa
subir, mana.
Cara assentiu e respirou fundo antes de colocar o pé no corte
mais baixo. Suas mãos tremiam quando ela alcançou outras fendas
para se equilibrar antes de começar a subir as mãos sobre a
parede. Ignorou o estômago palpitante e o possível perigo para o bebê,
se ela caísse e se concentrou em subir de forma constante e
calma. Antes que percebesse, Emma a ajudou a entrar em uma
pequena clareira cercada por grandes pinheiros. Graças a
Deus. Natureza e oxigênio. Ficou deitada de costas, ofegante por alguns
momentos preciosos, até perceber as espessas nuvens negras se
formando logo acima delas, depois rolou de pé.
Droga. Os Kurjans poderiam se aventurar do lado de fora com
nuvens assim. Elas precisavam correr.
— Qual caminho você acha? — Emma perguntou ansiosamente.
— Nesse caminho. — Apontou para a direção oposta dos túneis
subterrâneos. Emma assentiu e rapidamente liderou o caminho
através de dois pinheiros monstruosos enquanto o trovão batia com
fúria acima deles. Seguiu a irmã por entre árvores, por arbustos
profundos, e ao longo de colinas rochosas, enquanto um raio brilhava
ao redor delas e a chuva batia em suas camisas e jeans leves. Ofegou e
tropeçou na escuridão repentina mais de uma vez. Finalmente, com o
pé preso em um galho baixo e com um grito, ela se esparramou sobre
as mãos e os joelhos na terra pedregosa.
— Cara! — Emma, seu cabelo escuro grudado no rosto molhado,
correu instantaneamente para o lado e a puxou para seus pés. —
Vamos lá. — Ela gritou sobre a chuva forte e puxou cara ao longo do
lado da rocha para uma pequena abertura.
Cara olhou ao redor da caverna isolada antes de se mover por
uma parede lisa de pedra para se sentar na terra dura e compactada. A
tempestade assolou lá fora. Tirou os cabelos encharcados do rosto
pingando e estremeceu até Emma se sentar ao seu lado e colocar um
braço gentil em volta dos ombros.
— Vamos enfrentar a tempestade e continuar correndo. —
Acalmou Emma.
— Bom plano. — Estremeceu novamente, enquanto suas mãos e
joelhos doíam mais do que um dente compactado. A sensação de se
amontoar com a irmã enquanto um monstro as procurava trouxe uma
dor crua na garganta. Elas já estiveram aqui antes. — Eu nunca te
agradeci.
— Hmmm? — Emma murmurou, esfregando os ombros de Cara
para aquecê-la.
— Em. Eu nunca te agradeci, por me salvar do papai. Por ser
atingida para que eu não o fizesse. — Ela voltou o olhar, agora
embaçado pelas lágrimas, na direção da irmã mais velha.
Emma respirou, seus próprios olhos se enchendo de lágrimas. —
Nós nos salvamos, Car. Ele teria me matado a noite com a faca, se você
não o tivesse acusado. — Ela inclinou a cabeça para descansar no
ombro de Cara. — Sobrevivemos a ele, podemos sobreviver a isso.
Elas poderiam, e fariam. Ela perguntou se deveria avisar Emma
sobre Dage.
— Então. — Emma levantou a cabeça para se recostar na rocha.
― Me conte sobre esse seu marido.
— Talen. — O nome era um soluço em seus lábios. — Ele é
grande, forte, e muito teimoso...
Emma riu. — Parece perfeito para você.
— Hum.
— Isso não é uma palavra. Então, ele te ama ou não?
Cara ficou quieta enquanto pensava nisso. Enquanto lutava
contra isso.
— Vamos, Cara. Mesmo se mentimos para nós mesmas, não
mentimos uma para a outra. — Os olhos azuis familiares não
hesitaram.
Cara suspirou em derrota. — Acho que sim.
— Então, por que você correu?
— Para resgatá-la. — Bufou quando se inclinou para a irmã,
lutando contra um espirro.
— Hum.
— Isso não é uma palavra — respondeu.
— Você correu porque o ama também. — As palavras afundaram.
— Idiota.
Cara riu. — Ele é maior que a vida, sabe? Além disso, ele tem
esse poder. Manipular ou controlar as ações físicas de outras
pessoas. Não ficarei indefesa de novo, Em.
Emma suspirou profundamente. — Não. Você não pode
compará-lo ao papai, ele não era maior que a vida, Cara. Ele era
pequeno. Um homem muito pequeno, malvado e patético. — Emma
apertou seu aperto. — Parece que seu Talen não é nada como o nosso
pai.
O vento assobiava um apelo triste, enviando um ar gelado para
dentro da caverna. — É só. — Cara se esforçou para explicar. — Ele
assume tudo, como papai, mas de uma maneira diferente, eu acho.
— Talen é mau?
A imagem de Talen carregando Janie rindo no limiar de sua casa
encheu sua mente. — Não.
— Ele machucou você? Ou Janie?
— Não.
Emma bufou. — Nossa, Cara. Talen é um dos mocinhos ou não?
Cara ficou em silêncio por um momento. — Sim. Ele é
definitivamente um dos mocinhos. — Respirou fundo. — Embora ele
esteja realmente chateado com isso.
Emma deu de ombros. — Não posso culpá-lo muito por isso.
— Ei. Você deveria estar do meu lado.
— Sempre. — Emma ficou quieta por um momento. — Você
mencionou que os vampiros têm olhos diferentes de nós. O que quis
dizer?
— A cor dos de Talen são dourados.
Emma ficou tensa ao lado dela. — Como um ouro metálico?
— Sim. Por quê?
— Você conheceu alguém com olhos que eram, não sei, como
prata? — A voz de Emma falhou no final.
Oh droga. Emma sabia sobre Dage. — Hum, bem, na verdade
sim. Dois de seus irmãos têm olhos prateados.
— E eles mordem. Como vampiros? — Emma ficou sem fôlego.
— Sim. Estou assumindo que você sonhou com um? Talvez um
grande e bastante dominante chamado Dage? — Oh garoto, em foi um
despertar rude. Ou Dage era. Talvez ambos.
— Eu não sei o nome dele — disse Emma.
Ela devia a Emma a verdade, pelo menos para que ela pudesse
se preparar — Agora você faz. Ele acha que é o seu companheiro.
— Ele não é. — O orgulho teimoso iluminou o rosto de sua irmã.
— Eu disse a ele. — Não que ele tivesse escutado, é claro.
— Obrigada.
A chuva diminuiu para uma garoa do lado de fora enquanto as
irmãs estavam sentadas, ambas perdidas em seus próprios
pensamentos. Cara teve a súbita necessidade de encontrar o seu
companheiro. Foi tão estúpida. Ele a encheu de poder, e caramba,
pertenciam juntos. Destino ou não.
— É melhor irmos — disse, levantando-se e puxando Emma com
ela. Saíram cautelosamente de seu refúgio para a chuva agora calma
que banha a terra. Cara virou-se para a irmã no momento em que um
braço forte envolveu seu pescoço e a levantou do chão. Jogou os
cotovelos e chutou para trás até se virar e ver Emma em uma posição
semelhante, mantida por um soldado Kurjan no chão com uma arma
brilhante pressionada contra a têmpora, os olhos disparando furiosas
faíscas azuis enquanto ela lutava.
— Olá, sotie. — A voz de Lorcan em seu ouvido a gelou até os
ossos. — Pare de lutar ou mandarei o meu soldado atirar em sua irmã.
— Cara parou de chutar e moveu a mão em suas costas. — Não, não,
não — Lorcan riu quando ele puxou a arma da sua cintura e a sacudiu
com força. — Chega de atirar em Kurjans, Cara. Você atingiu seu limite
hoje. — Ele se inclinou para mais perto do que sussurrar em seu
ouvido. — Se lutar comigo, darei a sua irmã a Matre; você se lembra do
soldado que levou um tiro no túnel? Ele está ansioso por alguma
vingança. — Cara parou de lutar e balançou a cabeça em advertência
para a irmã antes de fechar os olhos e tentar manipular o sistema
nervoso do líder Kurjan. Uma risada áspera soou em seu ouvido.
— Você não é forte o suficiente para me influenciar, sotie. — Com
isso, ele bateu seus pensamentos focados de volta em sua própria
cabeça, juntamente com pontadas afiadas de dor. Cara fechou os olhos
com força quando a dor percorreu todo o seu sistema. Lorcan começou
a correr pela floresta com ela ainda em seus braços enquanto o outro
soldado carregava Emma.
Cara? Mantenha os olhos abertos, companheira. Eu preciso ver
para onde você está indo.
— Talen! — Ela gritou o nome dele em sua cabeça, as árvores
voando por ela. Seu coração deu um pulo quando percebeu que podia
ouvi-lo novamente, e observou atentamente a floresta se fundir até que
emergiram em um grande campo fora de uma antiga fazenda
branca. Eles voltaram para a entrada muito mais rápido do que ela e
Emma haviam fugido. Manteve seus olhos bem abertos quando Lorcan
entrou e desceu várias escadas até uma grande porta de pedra que
abriu com uma bota, então eles estavam em túneis novamente. Ele
caminhou por alguns momentos antes de abrir uma porta que dava
para uma sala familiar.
— Pegamos o grampo da fechadura da sua irmã. — Lorcan
assobiou muito perto da orelha dela. — Desta vez você fica parada. —
Ele a deixou cair e a empurrou para dentro com Emma. — Diga adeus.
— Ele bateu à porta atrás de si.
Emma deslizou para o chão com as costas contra a parede e um
olhar triste de derrota em seus traços clássicos. Cara correu para se
sentar ao seu lado e colocar um braço reconfortante em volta dos
ombros. — Não se preocupe, Emma, Talen e seus irmãos estarão aqui
em breve.
— Como você sabe? — Emma sussurrou.
— Confie em mim, eu sei. — Ela deu um tapinha na irmã. — Ele
está na minha cabeça, podemos nos comunicar dessa maneira. —
Revirou os olhos. — Sem mencionar que meu quadril está esquentando
como um louco.
— Seu quadril? — Emma perguntou, virando-se para encará-la
e levantando uma sobrancelha.
O calor encheu o rosto de Cara. — Eh, longa história.
— Acredito que temos tempo. — Os lábios de Emma tremeram
em uma paródia de um sorriso. — O que, é algo como a artrite da velha
Sra. Tulley, quando chovia, ela mal podia andar, lembra? Você tem
artrite Talen perto da sua bunda?
Cara bufou. Quantas vezes a irmã a fez rir enquanto se
aconchegavam, rezando por segurança? Um presente verdadeiro, isso
foi. — Ok, não surte. — A mulher deve ser avisada de qualquer
maneira. Se Dage colocasse sua grande pata velha em qualquer lugar
perto de Emma, seu quadril provavelmente doeria também.
De pé, Cara abriu os jeans, empurrando-os para baixo o
suficiente para mostrar a marca.
— Que diabos? — Emma ficou de joelhos, cutucando a carne. —
Uma tatuagem?
— Hum, mais ou menos.
Emma cutucou mais. — O que 'mais ou menos' significa? O que
é esse design?
Cara estudou o desenho complexo. — É a marca dos Kayrs. O
desenho apareceu na mão dele, depois na minha bunda durante, hum,
bem...
Recostando-se na parede e deslizando, Emma ofegou. — Você
deixou o homem te marcar?
Cara puxou seu jeans de volta. — Não descobri sobre a marca
até muito tarde. — Revirou os olhos, sentando-se perto de sua irmã. —
Eu estava ocupada.
— Caralho.
Sim, isso resumiu tudo. — Eu sei. Aparentemente, o
acasalamento de vampiros envolve biologia, a troca de fluidos, uma
marca e agora eu tenho suas defesas.
— Meu Deus! Você é um vampiro? — Os olhos azuis de Emma
se arregalaram.
Cara bufou. — Claro que não. Vampiros nascem, não são feitos.
Emma relaxou. — Você envelhece?
Dando de ombros, Cara endireitou a blusa. — Não muito rápido,
se é que o fez. — Limpou a garganta. — É bom você saber, Em. Tenho
certeza de que Dage tem planos para você usar sua marca. — Deus
ajude o rei.
— Então ele pode planejar perder as suas bolas.
Sim. O rei tem um trabalho difícil pela frente. Cara suspirou.
O tempo passou rápido demais, e as duas se levantaram quando
a porta se abriu e Lorcan preencheu o espaço. Ambas as mulheres se
moveram para proteger a outra do monstro que as enfrentava com uma
arma de aparência cruel em uma mão. Com um suspiro, Emma venceu
a batalha e colocou Cara atrás dela, sussurrando: — Salve o meu
sobrinho.
Cara tropeçou até parar.
— Emma, venha comigo. — Lorcan acenou para Cara sobre a
cabeça de Emma. — Prometi que deixaria a sua irmã ir, sotie. Ela está
livre para ir.
— Prefiro ficar aqui. — Emma disse com raiva, sabendo tão bem
quanto cara que Lorcan não tinha intenção de deixá-la ir livre.
— Que pena. Venha comigo agora, ou eu mato vocês duas.
— Você atiraria em sua futura companheira? — Cara desafiou.
— Sim. A arma está pronta para atordoar, mas você nunca sabe
que tipo de dano uma arma Kurjan terá em um humano.
Ou um feto.
— Não podemos arriscar. — Emma murmurou. Ela levantou a
voz. — Não se preocupe, Cara. Tenho certeza de que ele tem planos
melhores para mim do que a morte.
— É claro. — Lorcan desistiu do fingimento e fez um gesto para
Emma adiante. — Você gostará do meu primo Franco. Você é uma
combinação perfeita. — Ele riu de sua própria piada.
Emma se virou e deu um abraço em Cara. — Vejo você em breve.
Ela se virou e seguiu Lorcan para fora da sala.
Lágrimas encheram os olhos de Cara quando a fechadura bateu
trancada. Ela fechou os olhos em um soluço enquanto se inclinava
contra a parede oposta e deslizava para o chão.
— Está tudo bem, companheira, eu estou voltando.
— Estou com medo. — Cara sussurrou na sala vazia no
subsolo. As instalações de Kurjan cheiravam a enxofre e decomposição,
pura maldade.
— Eu sei. — Como no mundo eles poderiam se comunicar
assim? Não importava, graças a Deus eles podiam conversar
novamente. Iria discutir o fato de que ele causara um curto-circuito
com suas habilidades de comunicação mais tarde.
Cara fechou os olhos e se recostou na parede de pedra antes de
colocar as duas mãos contra o estômago. Como ela não sabia? Isso era
tão óbvio. O que o vírus Kurjan faria com o bebê? Ela protegeu seus
pensamentos sobre o bebê de Talen antes de estender a mão. — Quão
perto você está?
— Cinco minutos — respondeu claramente. Preocupação e raiva
percorreram as palavras.
Deus, ela esperava ter cinco minutos até que eles a injetassem
com o vírus. Mordeu o lábio para não soluçar e tentou não se perguntar
o que estava acontecendo com Emma. Ela alcançou seus pensamentos,
com seu coração, e não encontrou nada. Onde estava Emma?
Talen chegaria a tempo. Ela foi tão estúpida, por que não pediu
sua ajuda? Eles deveriam ter feito um plano juntos.
O silêncio pairava denso e pesado na sala enquanto ela
esperava. Pelo que, não podia ter certeza. Emma deteria Lorcan o
máximo possível para impedi-lo de injetar o vírus em Cara e esperava
que sua irmã não se matasse tentando protegê-la.
Concentrou-se novamente em Talen e viu Dage, Conn e Jase
fugindo de um helicóptero preto em direção a uma pequena fazenda
cercada por campos. Com um sobressalto, percebeu que viu através
dos olhos de Talen. Ele estava vindo.
Se recusou a apenas se sentar e esperar para ser
resgatada. Então, pulou e foi em direção à porta determinada, uma
rápida torção da maçaneta confirmou que estava trancada. Procurou
algo para destrancar a fechadura, mas apenas paredes de terra e pedra
a encaravam. Com um suspiro, voltou ao seu antigo lugar e fechou os
olhos para se concentrar em Talen.
Seus olhos se abriram com a porta. Lorcan estava parado na
abertura com três arranhões vermelhos sangrentos cortados em um
lado de seu rosto desumanamente pálido, seus olhos da cor da morte
sombria.
— Parece que a minha irmã chutou sua bunda — disse
presunçosamente do seu lugar.
— Ela entrou em uma enquanto eu entrei em várias. — Lorcan
retrucou, presas amarelas brilhando na luz abafada.
— Onde ela está? — Ainda sem se mexer, o medo se acumulando
no estômago.
— A caminho de encontrar o seu destino. Franco tem desejos
muito específicos em uma sotie, e acredite que matá-la seria mais
gentil.
— Você sabe que em algum momento eu te matarei, certo? —
Cara perguntou, inclinando a cabeça para o lado.
A risada de Lorcan rastejou sobre a sua pele como as pernas de
uma centopeia.
— Você pode tentar, sotie. Mas como espero que esteja grávida
nos primeiros meses, presumo que terá as mãos cheias.
Cara lutou para se conter. O que ele faria quando descobrisse
que ela já estava grávida? Supondo que o bebê sobrevivesse ao
vírus. Oh Deus, onde estava Talen?
As botas de Lorcan fizeram um baque surdo contra a terra
quando avançou e a puxou para seus pés. As garras dele cavaram
profundamente em seu braço. Ela se afastou apenas para que ele a
obrigasse a atravessar a sala e entrar no túnel onde a puxou atrás dele
por alguns momentos antes de parar na frente de outra pequena porta
de madeira. Ele abriu a porta para revelar um quarto do tipo hospital
com cama, monitores e uma bandeja com duas seringas cheias de
líquido âmbar. Tropeçou ao notar as restrições presas à cama.
Lorcan seguiu seu olhar. ― Para que você não se machuque
enquanto o vírus toma conta.
O medo correu através dela, e tentou afastar o braço dele. — Me
deixar ir.
— Não seja boba — disse Lorcan com simpatia. Ele a puxou mais
para dentro da sala e a levantou quase gentilmente sobre a mesa.
Cara chutou forte com os dois pés e se conectou com as
pernas. Com um grunhido, ele a deu um soco no rosto, jogando-a na
cama grande e rapidamente segurando uma de suas mãos na grossa
proteção de couro. Uma dor crua ecoou em seu rosto, e ela gritou
quando ele beliscou a pele em seu pulso. Bateu com a mão livre e coçou
as unhas nas marcas já curadas no rosto dele, chicoteando seu corpo
em protesto quando Lorcan agarrou seu pulso com um aperto doloroso
para garantir a outra restrição. Cara lutou inutilmente contra o colchão
duro por um momento antes de chamá-lo com seu olhar.
— Você é um idiota tão completo. ― Ela disse, sentindo o pulso
e o rosto doendo. O cheiro de lixívia e antisséptico rodopiou e ameaçou
seu estômago. A bile subiu de sua barriga.
Tocando cautelosamente as novas marcas que marcavam seu
rosto, Lorcan piscou afiados dentes amarelos. — E você é uma cadela
indisciplinada que deveria saber melhor. — Ele estendeu uma unha
afiada e rasgou a camiseta dela no meio. — Hmmm. Talvez nos
conheçamos antes de receber o vírus. No entanto, prefiro renda
vermelha a algodão branco, sotie. — Seu olhar se aprofundou em
vermelho arroxeado quando ele se inclinou e agarrou um seio pelo sutiã
na mão em forma de garra.
A dor floresceu em seu peito. Cara gritou o nome de Talen porque
o medo quase a sufocou, seja em voz alta ou em sua cabeça que ela
não tinha certeza.
— Estou indo, companheira. — Ele parecia frio, determinado,
letal.
Cara tirou força de sua voz e começou a lutar no momento em
que Lorcan assobiou e puxou a mão como se estivesse queimada. Ele
deu um passo surpreso para longe da cama e colocou as duas mãos na
cabeça como se estivesse em agonia.
— Essa alergia ao acasalamento é uma porra, não é Lorcan? —
Cara disse triunfante, puxando contra as restrições, bloqueando sua
dor com escudos esfarrapados.
— Me perguntei se era verdade. — Lorcan murmurou enquanto
abaixava as mãos. Seus olhos se afiaram para vermelho. — Bem, acho
que teremos que esperar até que o vírus siga seu curso, Cara. — Ele
acenou para as seringas com grandes agulhas na bandeja ao lado de
sua cabeça. — Nosso médico estará aqui em breve para administrar,
eu faria isso sozinho, mas continuo esquecendo a ordem correta das
injeções. Não gostaríamos que você se transformasse em um
orangotango, não é mesmo? — Ele riu da própria piada.
— Foda-se. — Cara disse com um sorriso malicioso.
Lorcan se aproximou da cama, seu rosto ficando lívido.
— Vá em frente. — Cara provocou suavemente. — Toque-
me. Tente.
Seus olhos a percorreram, mas ele não se aproximou. — Oh, eu
irei, não duvide.
Então um alarme estridente soou por todo o túnel subterrâneo,
e ele puxou um receptor de telefone da parede. — Quantos? — Seu
rosto ficou tenso enquanto ele ouvia. — Não, enviei quatro com a
companheira de Franco. — Ele rosnou baixo. — Cuide deles.
Ele recolocou o fone antes de arredondar para Cara. —
Verificamos você, não há dispositivos de rastreamento em você. Como
eles te encontraram?
Cara arregalou os olhos para os dele. Ele não sabia sobre a
capacidade de rastrear companheiros? Deu de ombros. Com certeza ela
não contaria a ele.
Lorcan olhou para ela um momento antes de levantar uma das
seringas e movê-la para sua linha de visão. — Você sabe, se são
injetadas na ordem errada ou mesmo ao mesmo tempo, o sistema
humano praticamente se fecha. Com uma dor inimaginável.
Cara lutou para conter o medo e manter o rosto calmo enquanto
estava deitado na cama branca. — Eu vi as fitas, Lorcan.
— Entendo. — Ele sorriu. — Bem, isso foi antes de aprendermos
a administrar as injeções com um dia de intervalo, há uma chance
menos provável de morte.
— A morte seria preferível a ficar com você, Lorcan.
Ele empurrou o cabelo preto avermelhado por cima do ombro e
deu um suspiro profundo.
— Pretendo garantir isso, Cara. — Ele novamente exibiu incisivos
amarelados. — Você implorará pela morte quando eu terminar com
você.
— Sério? — Cara forçou uma risada. — É o melhor que você tem?
Sua voz se tornou uma imitação estranha de um monstro do
cinema.
— Você implorará pela morte, minha linda...
— Silêncio! — Seu grito ecoou dentro da pequena sala quando
ele se inclinou sobre ela e pressionou a agulha em seu pescoço. O olhou
silenciosamente enquanto o alarme gritava através do inferno
subterrâneo.
Lorcan xingou e pegou o telefone novamente.
— Você os tem? — Ele xingou novamente. — Por que diabos não?
— Bateu o telefone, virando-se para ela. — Você se tornou um saco,
Cara. É uma coisa boa que sua filha foi profetizada, ou seria mais fácil
te matar.
— Você nunca pegará minha filha. — Pura convicção ecoou em
cada palavra.
Caninos afiados brilharam.
— Oh, eu não teria tanta certeza. Você não conheceu o
companheiro dela, meu filho Kalin. O garoto é verdadeiramente focado,
verdadeiramente talentoso.
— O orgulho deslizou pelos olhos roxos de Lorcan, junto com
apenas uma pitada de medo. Que tipo de mal esse monstro temeria?
Um calafrio deslizou pela espinha de Cara, seguido de pura
raiva. Seu bebê nunca terminaria nas mãos de monstros. Então uma
onda fervente de fúria aquecida a alcançou do túnel.
A porta se abriu com um estrondo e antes que Lorcan pudesse
se virar, mãos grandes o agarraram pelo pescoço e o jogaram pela sala
para aterrissar com um baque forte contra a parede oposta. O olhar de
Talen a percorreu e depois endureceu a blusa rasgada e o rosto
machucado.
— Eu estou bem — disse suavemente, tentando não ter medo do
desejo de matar dançando em seus olhos de topázio. O som da batalha
podia ser ouvido no túnel do lado de fora, onde gritos assustadores de
dor ecoavam. Talen rapidamente se abaixou e cortou as duas restrições
antes de se virar para encarar Lorcan, que lentamente se levantou.
— Você nunca a tirará daqui viva. — Lorcan limpou o sangue do
canto da boca com um golpe rápido.
— Acha que não? — A voz de Talen era irreconhecível. Era uma
dor animalesca, gutural e prometida. Cara engoliu em seco enquanto
tentava se sentar na cama.
Lorcan deu um passo lento em direção à porta.
— Você não conseguirá. As palavras mal saíram da boca de Talen
quando Lorcan se lançou sobre ele e os dois atingiram a bandeja,
derrubando os tiros no chão antes de colidir com a parede.
Talen pegou o telefone e enrolou violentamente o fio em volta do
pescoço de Lorcan antes de puxar pelos dois lados. Lorcan conectou
um cotovelo no rosto de Talen, batendo a cabeça na parede, antes de
agarrar o cabo telefônico e pular para a porta.
Talen estava sobre ele antes que passasse a porta, e os dois
caíram no chão com rosnados ferozes e membros lutando. Cara gritou
quando Lorcan jogou Talen sobre sua cabeça para aterrissar com um
estrondo contra a parede do túnel. Choveram pedras sobre todos eles.
Talen se levantou, agrupou e jogou Lorcan no chão com um
rugido de gelar o sangue, aterrissando a um pé de onde Cara ainda
estava sentada na mesa. Ela rastreou a onda furiosa de socos entre os
dois, contando o som de ossos quebrando e a pele se abrindo. O sangue
voou em arcos largos para decorar as paredes de pedra e mergulhar no
chão de terra até Lorcan se conectar com uma rachadura sólida no
pulso de Talen. A faca girou, vomitando pedaços de terra.
Cara pulou instintivamente da mesa e mergulhou na faca
enquanto os dois seres lutavam ferozmente no chão de terra. Ela
agarrou o cabo da faca e girou quando uma crise acompanhou Talen
jogando o cotovelo no nariz de Lorcan. O monstro gritou de
dor. Segurando a faca contra o peito, avançou ao longo da parede,
procurando uma abertura nos corpos agitados.
— Afaste-se. — Rosnou Talen quando enfiou o punho no rosto
de Lorcan.
Ela congelou contra a parede, pronta para pular e defender seu
companheiro. O instinto de fazê-lo foi tão avassalador que quase
ignorou o ligeiro aviso que fluía por seu cérebro. A voz de Janie,
ecoando com um pulso antigo, percorreu sua consciência. Mas as
palavras a iludiram.
Sua mente girou. O que Janie queria que ela soubesse? O que
ela disse? Os pensamentos de Cara percorreram o último mês para
finalmente aterrissar no primeiro dia em que estiveram na sede. Janie
havia dado um aviso da Terra. O que foi isso? Ela ofegou, lembrando-
se e virando a tempo de ver um soldado Kurjan aparecer na porta
segurando uma faca de lâmina comprida. Talen agachou-se sobre
Lorcan com as mãos em um aperto na garganta do Kurjan, lentamente
sufocando a vida do monstro, de costas para a porta.
— Cuidado com as costas! — Gritou o aviso de Janie para Talen
antes de jogar a faca com todas as suas forças. A lâmina caiu com um
baque forte na garganta do Kurjan. O soldado Kurjan olhou incrédulos
roxo-avermelhados para ela, erguendo as duas mãos para arrancar a
arma da garganta com um gorgolejo sangrento. Seus dez anos jogando
basebol finalmente foram úteis. Sangue vermelho espesso escorria por
seu peito enquanto ele sorria caninos afiados, girava a faca para
agarrar o cabo e se dirigia para ela.
Talen estava de pé e tinha Lorcan em uma chave de braço antes
que Cara pudesse piscar, seus redemoinhos olhos dourados focados na
nova ameaça. O soldado deu um meio passo à frente e congelou no
lugar, seu rosto se transformando de emoção em horror. Então, com
uma torção feroz dos braços de Talen, o pescoço de Lorcan quebrou
com um estalo alto.
Talen deixou o corpo de Lorcan cair no chão com um ar
despreocupado enquanto avançava sobre o inimigo ainda
congelado. Chutou uma bota impressionante para o lado do soldado
Kurjan, que caiu no chão com o som de um trovão. Na falta de um
pingo de piedade, Talen arrancou a faca da sua mão, enfiou-a na
garganta e arrancou sua cabeça. Sangue jorrou em direção às quatro
paredes. Cara não conseguia desviar o olhar quando Talen se virou,
inclinou a cabeça de Lorcan para trás e cortou de um lado para o outro.
A cabeça de Lorcan caiu no chão e rolou para a parede
oposta. Cara mordeu o lábio, a bile subindo na garganta, o quarto
começando a girar. Tentou focar seus pensamentos, controlar suas
reações. A nebulosidade cinzenta penetrou em sua visão, e ela oscilou
até a escuridão a beijar e ela sair.
Talen deu um chute rápido na cabeça de Lorcan quando ele ficou
de pé para ver sua companheira desmaiar na cama do hospital, o
machucado roxo violento quase se espalhando por seu rosto
delicado. Ele xingou e depois se inclinou para levantá-la em seus
braços quando Conn entrou na sala, um corte grosso estragando sua
mandíbula.
— Ela está bem? — Conn perguntou com preocupação quando
ele se abaixou e pegou os tiros ainda cheios para colocá-los
cuidadosamente em uma bolsa de couro.
— Sim — disse Talen abruptamente quando um Jase coberto de
sangue apareceu na porta.
— Vamos lá, eles pediram reforços — disse Jase com urgência,
limpando o vermelho do rosto com a manga saturada. — Não é meu
sangue. — Ele respondeu à pergunta não feita de seu irmão.
Talen assentiu e seguiu Jase através do túnel com sua
companheira nos braços e Conn nas costas. O silêncio reinou em torno
deles, tinha certeza de que eles haviam enviado todos os Kurjan ainda
na instalação para o inferno. Exceto o que está sendo interrogado
atualmente por Dage. Os gritos de Kurjan ecoaram estridente e alto
pelos túneis enquanto corriam para a saída, depois silêncio. Dage deve
ter recuperado a informação.
Cara acordou sã e salva nos braços de Talen enquanto ele saia
correndo da casa para fora. Deu um suspiro de alívio, percebendo que
as nuvens haviam se dissipado no início da tarde. Os Kurjans não
podiam sair agora.
Dage esperava por um grande helicóptero preto enquanto Jase e
Conn pulavam na frente. — Onde está Emma? — perguntou a Dage.
Os olhos dele se estreitaram em punhais de prata. — Se foi. Eles
a levaram daqui antes para a sede de Franco em Nunavut. — Ele jogou
a arma para Talen, as mãos indo para os prendedores do colete escuro.
Cara se engasgou e tentou sair dos braços do marido. — Onde
fica isso? Temos que encontrá-la.
— Nunavut fica no norte do Canadá, escasso e frio. E não se
preocupe, Cara, encontrarei a sua irmã. Prometo a você. — Tirando o
colete, ele o jogou na parte de trás do helicóptero. Ele se virou para
seus irmãos.
— Talen, Colorado, Jase, Alasca e Conn, Texas. Entrarei em
contato. — Ele soltou o bracelete e o entregou a Conn. Com um aceno
para todos, ele desapareceu. Um segundo estava na frente deles, no
outro acabou de sair.
— Que diabos? — perguntou entorpecida.
— Ele pode se teletransportar, companheira. — Talen se
acomodou no banco de trás do helicóptero. — É um dos dons de
Dage. Jase também pode se teletransportar.
— Por que ele deu o bracelete? — Náusea brotou de seu
estômago.
— Por alguma razão, o metal não pode se teletransportar com
ele. Nunca descobrimos o porquê. — Talen estendeu a mão e abriu a
porta.
— Você pode se teletransportar?
— Infelizmente não, querida. — As palavras eram carinhosas,
mas a tensão nos músculos ásperos que a seguravam contava outra
história. Ele estava lívido. Teve que reunir coragem para olhar para o
seu rosto. Frio como uma pedra, seus olhos pontudos e dourados, os
planos duros de seu rosto se estabeleceram em linhas ferozes e
implacáveis. Até sua boca generosa se apertou e seu queixo fez o
granito parecer macio.
— Então, você está muito chateado, hein? — perguntou baixinho
quando o medo encheu seus pulmões como ar envenenado. Lutou
contra o desejo de tossir.
Seus olhos brilhavam para o topázio enquanto seus braços se
apertavam ao redor dela. — Discutiremos isso mais tarde,
companheira. — Um movimento rápido e seu bracelete de ouro foi
enrolado em seu pulso novamente.
Escolheu não se opor, e, no entanto, não conseguiu parar o frio
que as palavras dele enviaram voando pelo peito dela. As palavras
inócuas eram mais ameaçadoras do que imaginara. O motor estridente
cortou o silêncio como uma lâmina através da carne, e se recostou em
Talen, exausta, dormindo antes mesmo de saírem do chão.
Talen deixou Cara dormir por várias horas depois que
retornaram ao rancho. Como um predador em uma caçada, a observou
se mover devagar, propositalmente, na confortável sala de estar,
enquanto o sol desvanecido lançava uma suave luz rosa através das
tábuas duras do chão. Ela usava jeans desbotado e uma blusa de
malha branca que abraçava seus seios cheios, os nós celtas decorativos
serpenteando ao longo do decote sussurrados de segredos e fascínio
femininos. Seus cabelos soltos exibiam faíscas de carvalho enquanto o
sol dançava sobre a pele de porcelana. Era tão bonita que seu peito
doía. No entanto, seus deslumbrantes olhos azuis estavam
determinados, seus ombros magros para trás e o queixo erguido,
parecia pronta para uma boa luta. A dor recuou quando o desejo
arranhou com garras afiadas através de seu sangue para atingir sua
virilha.
Ele a obrigaria com a luta.
O toque dos olhos dele em si era mais um chicote do que uma
carícia, e teve que se concentrar para não tropeçar enquanto
contornava o sofá para ficar na beira dele. Ele estava ao lado do fogo
estrondoso na enorme lareira de pedra, um braço masculino
repousando negligentemente no manto, sua mão girando um líquido
dourado em um copo. Vestia uma calça jeans desbotada e uma camisa
de bronze profunda que precisava ser de seda e voltou os olhos para o
topázio de um predador noturno. Eles se encaixam perfeitamente em
um rosto estampado com uma exibição perigosa de dureza e
cavidades. Um músculo pulsou em seu queixo áspero, e a sombra que
acidentalmente projetava da luz do fogo indicava amplitude e força.
O medo lutou com o desejo por suas veias.
— Onde está Janie? — Olhou para o quartinho rosa a caminho
da sala de estar e o encontrou vazio.
— Ela ainda está na sede de Jase. — A razão subjacente deslizou
como uma ameaça sussurrada sobre sua pele.
— Por quê? — Estava protelando, e sabia disso.
— Precisávamos de privacidade. — Seus olhos dourados não
revelaram nada enquanto ele continuava girando o líquido, cubos de
gelo batiam contra o cristal, e o frio fazia cócegas em sua espinha.
Ela não respondeu, enquanto se encaravam do outro lado da
mesa de café de madeira. A grande impressão em seu quadril começou
a queimar.
Ele quebrou o silêncio primeiro. — O helicóptero de Franco não
chegou ao quartel-general, acho que Dage está com Emma agora. Jase
e Conn estão a caminho para busca-los.
Alívio a encheu por um momento, mesmo com a tensão
infundindo a sala. — Graças a Deus.
Olhos dourados endureceram até cobre antigo. — Você está bem
descansada?
— Sim. — Seu estômago revirou enquanto ela lutava para manter
a calma. Ela o conhecia, não? Ele não a machucaria. — Não quero
brigar com você. — As palavras a surpreenderam, não tinha a intenção
de dizê-las.
Sua sobrancelha erguida também mostrou sua surpresa. — Não?
— Não. — Os olhos dela se estreitaram de raiva e lutou contra o
desejo de bater o pé. — Claro que não.
Ele tomou um gole do líquido, seus olhos duros e pensativos
sobre o limite. — Acredito que tenho sido menos do que claro quanto
às regras que regem o nosso casamento.
— Regras? — A raiva passou por suas palavras enquanto sua
coluna endireitava uma vértebra de cada vez. Como ele ousa?
— Sim. — Seu rosto não cedeu.
— Lamento lhe contar isso, Talen, mas se queria uma esposa
obediente e irracional, deveria ter encontrado uma durante o último
século. Tenho certeza de que você teve sua chance. — Aceitou a raiva,
muito mais fácil de lidar do que o medo.
No caminho dos animais selvagens, de lobos a homens, Talen
mostrou os dentes, a fera dentro dele criando com uma vingança
exigindo tomar. Dominar. Ele quase a perdeu hoje, e ainda aqui estava
desafiando-o. — Não há nada que eu não faria para mantê-la segura,
companheira.
O tom possessivo de sua voz deslizou para o sul do estômago de
Cara quando um desejo indesejado se juntou rápido e duro entre suas
coxas. ― E isso quer dizer o quê? — Saiu como um sussurro rouco.
— Significa que a realidade é algo que você entenderá, e fará isso
agora.
— Eu não entendo.
— Não? — ele questionou suavemente enquanto tomava outro
gole de uísque. — Acho que sim, Cara. Acho que você entende que a
liberdade que desfrutou, a liberdade que você abusou. — Sua voz
endureceu no último. ― É uma que eu permiti.
— Permitiu? — Engasgou-se com a palavra enquanto uma fina
névoa vermelha cobria sua visão. Se fosse possível para a cabeça dela
girar e explodir, isso teria acontecido. Rapaz, este era um vampiro que
precisava de uma boa lição de relacionamento moderno.
— Você escolheu a garota errada para dominar, Drácula.
Sua mão larga bateu o copo no manto com um estalo severo
quando ele se virou para encará-la. O desejo a agarrou com lâminas
afiadas enquanto ele observava o seu rosto corado, punhos cerrados e
a pura ousadia necessária para chama-lo por esse nome ridículo. No
entanto, sua voz quando ele falou era sedosa, sombria. Ele deu um
passo à frente e seus olhos brilharam nas pedras duras de seus
mamilos através do algodão leve.
Resistiu ao desejo de cruzar os braços sobre os seios traidores,
enquanto as coxas se suavizavam ainda mais em resposta. Isso estava
ficando fora de controle, precisava trazer alguma razão para a
conversa. Pior ainda, sabia que estava errada antes. Isso a mataria,
mas a justiça exigia a verdade, lidaria com a proclamação idiota dele
sobre regras mais tarde.
Ela mexeu os pés. — Me desculpe, fui para Wyoming sem você.
No mínimo, esperava um reconhecimento gracioso, até uma
aceitação de seu pedido de desculpas. O que conseguiu, no entanto, foi
um sorriso arrogante. — Você acha?
Ela piscou em confusão. — Acho que sim?
— Você acha que está arrependida?
— Eu apenas disse que estava.
— Não. — A arrogância permaneceu.
— Não, o quê? — Cara perguntou exasperada.
—Você não está arrependida. Ainda não, de qualquer maneira.
— Seu passo à frente foi tão gracioso quanto qualquer gato da selva
que caça sua presa. Pinho temperado fez cócegas em seu nariz.
Era bater o pé em frustração ou dar um passo para trás em
retirada. O chão de madeira vibrou quando tomou a primeira opção. —
Pare de me ameaçar.
A carícia severa de seus olhos sobre os mamilos doloridos a fez
estremecer em resposta. Ouro duro levantou-se para encontrar seu
olhar, e estremeceu novamente. Desejo, vontade e necessidade tudo se
misturou através de seu sangue. — Isso foi uma afirmação, não uma
ameaça. — Outro passo mais perto. Menos de um pé de ar cheio de
tensão permaneceu entre eles.
— Você é quem mentiu. — Retrucou, lembrando de repente
porque estava com tanta raiva.
Uma sobrancelha superior se levantou. — Eu não menti.
— Sim, você fez. Você se casou comigo porque algum maldito
profeta disse que precisava. — Seu temperamento se juntou como uma
tempestade de inverno em suas veias.
— Besteira.
Ela ofegou e uma névoa de fúria cruzou sua visão. — Eu vi a
carta, Talen.
— Eu sei disso, companheira. O que eu não sei, o que não
entendo, é porque você não me perguntou sobre a carta. — Seu
temperamento aumentou para combinar com o dela. — Na verdade,
acredito que entendo. Você não estava fugindo de mim, Cara. Você
estava fugindo de si mesma. — Raiva brilhou em seu rosto quando ele
se lembrou do perigo que ela havia se colocado. — Você realmente
acredita que eu deixaria alguém ordenar que eu me acasalasse?
— Bem, você fez — respondeu, lutando contra o desejo de
recuar. — Vi a sua resposta.
— Você viu as datas das duas cartas? — Baixou a voz.
Ela inclinou o queixo. Não exatamente.
— Acho que não. As cartas eram cópias daquelas enviadas mais
de um século atrás, companheira. As originais estão em um cofre na
sede.
— Você ainda concordou. — A voz dela sumiu no final, talvez
devesse ter olhado para a data.
— Eu acasalei com você porque você é minha, Cara. E sabe muito
bem. — No silêncio teimoso dela, um brilho perigoso entrou em seus
olhos. — E admitirá, querida.
A alegação pairou no ar tenso entre eles por várias batidas. —
Não correrei — murmurou, insegura se avisou a si mesma ou ao
guerreiro se aproximando.
— Correr seria infrutífero. — Ele concordou, estendendo a mão
para passar um dedo sobre um mamilo coberto de pano.
Mordeu o lábio para não gemer e depois ofegou quando ele a
beliscou. — Chega de se segurar, companheira. — Ele emitiu um aviso
silencioso antes de acalmar sua carne abusada com uma das mãos
larga. Carne que estava implorando por mais, droga. Ela deu de ombros
negligentemente e se afastou, apenas para que sua outra mão
segurasse seu quadril e a segurasse no lugar. Ele flexionou a mão em
sua cintura e enviou dedos de antecipação pelo abdômen; rapidamente
reprimiu o gemido que queria soltar. A mão em seu quadril deslizou e
bateu em suas costas em retaliação.
— Ei. —Protestou, levantando as duas mãos para empurrar
contra o peito dele. Um calor líquido derramou dela, preparando seu
corpo para ele com um abandono alegre.
— Eu disse para não se conter mais, Cara. — A mão alcançou
seus cabelos e puxou, forçando seus olhos a encontrar os dele
mortais. — Todo choro, todo gemido, todo grito é meu. Você me dará,
companheira.
— Eles não são seus. — Não tinha certeza do que eles estavam
falando, mas sabia que precisava protestar. Embora seu corpo
estivesse implorando para deixa-lo nu.
Ele reagiu com a velocidade de uma cobra impressionante. Com
uma torção do pulso, expôs seu pescoço e imediatamente mergulhou
para afundar dentes afiados em carne tenra. Não conseguiu conter o
grito que escapou dessa vez, e não havia dúvida de que era um som de
êxtase e não de dor. Enquanto ele bebia dela com força, ela se
perguntou por que não doía. Não deveria doer? Em vez disso, o fogo
disparou primeiro para a marca no quadril e depois para o ápice entre
as pernas. Se moveu para ele com um gemido suave e gemeu quando
ele deslizou uma coxa musculosa entre as suas pernas para
pressionar. Duro. De alguma forma, com outro grito, ela quebrou.
Quando voltou à terra, focou nos olhos dele logo acima de si. Com
um sorriso feroz, ele se inclinou e falou calorosamente contra os lábios
dela. — Eles são meus. Assim como o seu sangue, seus orgasmos e a
sua alma, Cara. E antes que esta noite acabe, você me implorará para
aceitar todos eles.
Com um movimento rápido, ele a levantou e andou determinado
em direção ao quarto. Ele parou e olhou para baixo, seu rosto
inabalável, seus olhos metálicos determinados. — Esta noite você
submeterá, companheira. — Ele entrou e chutou a porta antes de
colocá-la em pé.
Cara deixou o instinto assumir quando dava vários passos para
trás do guerreiro determinado em pé entre ela e a porta do quarto. Seu
rosto atento, seu corpo tenso para a ação, ele espelhou seus passos até
que suas coxas encontraram a cama. Procurou por uma fuga, mas não
encontrou. A gentileza das mãos dele na base da sua blusa a
surpreendeu, assim como a rapidez com que foi jogada sobre sua
cabeça. O desejo a atravessou; Deus, ela queria esse homem. Ele
entrou em seu espaço e pegou o botão do seu jeans. O calor a envolveu
quando o zíper foi puxado para baixo antes que seus jeans e calcinha
fossem empurrados para baixo; ele até a ajudou a levantar primeiro um
e depois o outro joelho para liberar as pernas. Com um leve empurrão
no peito, ela caiu na cama.
Ficou atordoada quando Talen rapidamente se livrou de sua
camisa escura e jeans antes de se inclinar e puxar as meias grossas
dos pés, os olhos quentes e concentrados nos dela o tempo
todo. Estremeceu à luz do dia quando ele se ajoelhou e beijou
suavemente o arco de um pé gelado.
— Você é a minha companheira, Cara. — Ele beijou sua perna,
quadris e barriga, sua respiração aquecida pelo desejo. — Os profetas
nos ordenaram há trezentos anos atrás para encontrar uma
companheira. — Ele continuou subindo, colocando beijos suaves em
cada seio antes de mover pelo pescoço até o rosto. — E eu esperei por
você. — Sua boca desceu gentilmente, gentilmente, na dela, e sua força
a cercou.
Cara sabia que ele falava a verdade antes mesmo que se abrisse
para a intensa emoção que corria através dele, mesmo antes dele
aprofundar o beijo até que tudo o que podia fazer era
sentir. Choramingou profundamente em sua garganta enquanto o
beijava de volta, suas línguas duelando enquanto suas mãos corriam
pelos cabelos de ébano, descendo pelo pescoço forte até os ombros
musculosos, ele era toda a pele macia sobre a dureza, e arqueou contra
ele em desejo, em flagrante convite.
Ele riu quando soltou a boca e mordiscou uma orelha delicada
para lavar as feridas de gêmeas já curadas em seu pescoço antes de se
virar para os seios. — Você é tão bonita. — Murmurou contra a sua
pele, fazendo-a apertar as mãos em sua cintura estreita antes de passar
sobre sua bunda dura como pedra.
— Você tem uma bunda maravilhosa. — Cara respondeu em um
murmúrio gutural enquanto traçava seu próprio caminho até o pescoço
dele para morder sua orelha. Ele reagiu pressionando-a e franzindo os
lábios em torno de um mamilo distendido. Ofegou e empurrou-o para
o lado, ciente de que ele rolava de costas apenas porque queria, e
imediatamente se aproveitou para se apoiar em sua virilha antes de se
inclinar e apimentar seu incrível peito com beijos e beliscões ferozes. As
mãos dele foram para sua retaguarda e depois para cima, enquanto ela
se movia para o sul.
Ele se acalmou quando ela rapidamente pegou seu pau em sua
boca, o sabor picante dele fazendo-a gemer de entusiasmo. Se
perguntou sobre isso. Uma das mãos desceu suavemente para segurar
suas bolas enquanto ela passava beijos para cima e para baixo em seu
comprimento antes de tomar o máximo dele em sua boca como podia,
se concentrou na ponta enquanto sua mão pequena tentava circundar
seu comprimento. Uma das mãos em seus cabelos tentou puxá-la para
longe e ela deu uma risada baixa, fazendo com que ele ficasse embaixo
dela.
Então ela estava debaixo dele. Ele se moveu rápido demais para
ela seguir, um segundo ela estava tocando e no outro estava deitada de
costas com ele enterrado nela até o fim. Não teve tempo de respirar
antes que ele se movesse, duro, rápido e fora de controle. Ele era grande
demais, o prazer era intenso, quase doloroso, o orgasmo a atingia
profundamente, tudo o que podia fazer era agarrar seus ombros e gritar
pelas ondas deliciosas que a atravessavam.
Ela caiu com um gemido apenas para que a chicoteasse de volta,
dirigindo para ela, uma das mãos emaranhada em seus cabelos, a
outra segurando seu quadril enquanto ele esmurrava.
Deus, ela o amava.
Ofegou quando a sensação espiral dentro de seu útero, dentro de
seu coração, começou de novo e suas mãos agarraram suas nádegas
duras, puxando-o ainda mais para dentro de si. Talen diminuiu a
velocidade e beliscou seu lábio inferior com muita suavidade. Ele
levantou a cabeça e perfurou seus olhos com os dele. — Minha.
— Talen? — Cara perguntou suavemente, suas mãos
freneticamente subindo pelos seus ombros largos enquanto tentava
puxá-lo mais fundo dentro dela. — Não pare — ela gemeu, apertando
todo o comprimento dele.
— Diga, Cara. — Talen enfatizou seu comando gutural com um
puxão firme nos cabelos.
A hesitação de Cara incitou algo primitivo dentro dele que rugiu
por dele com força selvagem. Seus escudos empáticos inexistentes com
ele, ela entendeu o que fez.
— Mas... — Foi tudo o que disse antes que ele se afastasse e a
virasse de barriga. Com mãos ásperas, a puxou de joelhos enquanto
ela tentava encontrar equilíbrio com as mãos. Entrou nela de uma só
vez. Ele disse que ela se submeteria a ele está noite. Ele começou a se
mexer. A bater.
Cara se sentiu sobrecarregada. Suas pernas se espalharam pelos
quadris grandes dele, o aperto em seus quadris mantendo-a no
lugar. Enorme e indomável, uma força indomável atrás dela. Não
conseguia mexer-se e não tinha controle sobre a situação. Talvez ele
também não. Seus golpes implacáveis a forçaram a um orgasmo ainda
maior, se isso fosse possível. Todo o seu ser focado neste
orgasmo. Queria mais do que respirar.
Então, de repente, enterrado nela, ele parou.
Choramingou e tentou se mover contra ele para mantê-lo em
movimento. As mãos firmes em seus quadris a mantiveram imóvel até
que uma das mãos forte se erguesse para prender seus cabelos e
inclinar a cabeça para que ele pudesse ver seu rosto.
Sua voz se aprofundou em algo irreconhecível quando
murmurou: — A quem você pertence?
Ela lutou, mal conseguindo se concentrar em meras palavras
quando esse orgasmo estava ao seu alcance.
— Cara. — Ele apertou a mão em seus cabelos, a leve dor
chamou sua atenção.
— O quê? — Respirou, tentando avançar e voltar novamente.
— Diga. — Rosnou, sua voz áspera e exigente em seu ouvido
delicado.
— Mas... — Ela começou.
— Agora. — Enfatizou sua demanda, retirando-se e batendo nela
novamente.
Mesmo em seu estado excitado, ela sabia o que ele queria. O que
exigiu. Ela fez uma pausa, seu coração trovejando quando olhou ao
redor do quarto masculino dele com novos olhos. Tudo parecia
diferente. Finalmente, com um suspiro suave de liberação, ela focou
por cima do ombro nos olhos dele e disse: — Você. Eu pertenço a você.
Ele inchou ainda mais dentro dela quando soltou seu
cabelo. Cara fechou os olhos e se inclinou sobre os braços cruzados. Foi
uma verdadeira aceitação e ambos sabiam disso. Com sua rendição,
seu controle desapareceu. Ela sentiu escapar dele. Com um aperto
contundente em seus quadris, ele bateu dentro e fora dela quando o
rugido em sua cabeça, em suas bolas, assumiu.
Os dentes dele agarraram seu ombro, seu orgasmo bateu com
um uivo dela, e viu escuridão por um momento.
Seu corpo o ordenhou ferozmente até que ele veio com um grito
rouco, preenchendo-a completamente além. Ele a segurou no lugar,
enterrada ao máximo, enquanto os tremores secundários de seu
orgasmo aumentavam o dele. Finalmente, com um beijo final nas
marcas de perfuração em seu ombro, ele se afastou.
Cara dormiu instantaneamente e não ouviu Talen ir ao banheiro
e voltar com uma toalha úmida para limpá-la suavemente. Ela se virou
em seus braços quando ele a aconchegou mais perto e não ouviu o
‘minha’ satisfeito que ele murmurou antes de segui-la no sono.
Cara acordou sozinha na cama e suspirou enquanto esticava os
músculos sobrecarregados. Novamente. Podia muito bem se acostumar
com isso. Deus, amava aquele vampiro teimoso, chauvinista e
mandão. Seu olhar pousou nas lindas flores que pontilhavam sua
cômoda e sua memória mudou ao longo do tempo em que ele lhe
trouxera a árvore, seus pés se arrastando enquanto tentava fazê-la
feliz. Para trazer sua paz.
Tudo bem, ele também poderia ser doce.
Se enrolou em um cobertor azul escuro e saiu em busca do
marido. O companheiro dela. Tinha algo a dizer a ele. Algumas coisas,
na verdade.
Ele estava sentado em uma confortável cadeira de madeira no
convés, olhando pensativamente para um lago iluminado pelo sol da
manhã. Seus olhos se aqueceram quando a viu andar descalça sobre a
madeira lisa, e estendeu as duas mãos para puxá-la para o colo. —
Bom dia, companheira. — Murmurou, colocando um beijo suave na
cabeça dela.
— Bom dia. — Ela respirou. Se aconchegou mais perto do calor
de Talen e não pôde evitar o beijo suave que deu contra o pulso
constante em seu pescoço.
Com a conexão deles, ela sentiu o coração dele rolar no peito
quando seus lábios macios encontraram sua pele. Seus braços se
apertaram e ele olhou para o verde profundo do lago que despertava à
frente deles.
Talen permaneceu quieto por um momento, aparentemente
reunindo seus pensamentos. — Eu amo você, Cara. — uma das mãos
forte estendeu a mão para se entrelaçar com a dela enquanto seu tom
se aprofundava. — Eu sei que devo lhe conceder a liberdade, dizer que
sua vida é sua e liderar e prometer deixá-la ir. — O arrependimento
dominado em sua voz.
— Acho que você não dirá isso? — Cara perguntou ironicamente,
seu hálito quente contra o pescoço dele, calor líquido aquecendo-a por
dentro enquanto seu amor vibrava em torno de ambos. Muito parecido
com o futuro deles, o lago brilhava limpo e puro à frente
deles. Pinheiros e tulipas doces e antigas perfumavam o ar.
A mão dele envolveu a dela. — Não. — Ele deslizou um anel de
diamante quadrado de dois quilates na mão esquerda.
— Talen. — Inalou. — É lindo. — O anel de platina era simples e
elegante. Em outras palavras, perfeito.
— O anel me lembra você. ― Ele disse suavemente, virando a
mão para dar um beijo suave na palma da mão. — Você é minha
companheira, e eu estou mantendo você. — Ele mudou. — Mas posso
lhe dar tempo para me aceitar. Para nos aceitar.
— Sério? — Ela se esticou como um gato bem alimentado em
seus braços. — Quanto tempo, Talen?
Ele deu um beijo suave na cabeça dela. — Tanto quanto você
precisar.
— Então, meio que gostaria que saíssemos juntos? — A ideia dele
aparecer para um primeiro encontro, puxando uma gravata,
imaginando se deveria dar um beijo de boa-noite nela quase a fez bufar.
Seu coração esquentou contra ela, através dela. Ele
aparentemente gostou do som disso. — Sim. Como namorar.
— Oh. Bem, onde eu moraria enquanto namorássemos? — Seu
sorriso satisfeito encheu sua voz.
— Comigo. — Sua voz ficou firme.
— Oh. Que quarto eu usaria? — Ela tentou não rir dele. Ele
realmente estava tentando ser doce.
— O nosso. — Foi mais um rosnado.
— Mas como dormiremos no mesmo quarto e não fazer sexo? —
Ela virou a mão, traçando a intrincada marca na palma da mão com
um dedo. Ele endureceu embaixo dela.
— Fazer amor faz parte do namoro, esposa. — Todos os músculos
do corpo magro, segurando-a, ficaram tensos.
— Não, não faz — respondeu e se dissolveu na gargalhada que
estava reprimindo. Um pássaro cantou no alto em resposta.
Talen a moveu para que pudesse ver seu rosto divertido. — Você
está rindo de mim, companheira?
— Eu não preciso de tempo, Talen. — Se inclinou para a frente e
passou um beijo suave em sua boca franzida. — Eu te amo. E quero
me casar com você.
Emoção, quente e doce, passou através dele com as palavras dela
e encheu-a com a luz. Com amor. Ele pegou sua boca no que começou
como um beijo suave, mas rapidamente deslizou para algo mais
profundo, mais quente. Os dois respiraram pesadamente quando ele
levantou a cabeça e as risadas dela desapareceram por muito tempo.
— Além disso. — Cara deu um beijo rápido em sua boca agora
sorridente. — Precisaremos de nós dois para impedir que o seu filho se
transforme em um vampiro arrogante e mandão como o pai dele.
Não precisava das palavras de Emma para saber que o bebê que
carregava era um menino. Finalmente estava aceitando as habilidades
aprimoradas que havia negado por tanto tempo; sem elas, não teria
conhecido Talen.
— Filho? — Ele parou quieto ao seu redor. — Um bebê?
Ela ergueu a cabeça para a dele, não considerou que ele poderia
não gostar da paternidade. O sorriso largo iluminando seu rosto
perigoso despachou seus medos.
— Um bebê? — ele questionou novamente, o verde em seus olhos
girando para dominar o ouro.
Ela assentiu. — Você está feliz? — Um pequeno fio de
preocupação permaneceu.
Talen deu um beijo suave no nariz arrebitado. — Em êxtase. —
Ele se inclinou para trás para olhar o lago enquanto a alegria passou
através dele e direto em seu coração. — Precisamos ir buscar Janie,
quero a minha família em um só lugar.
Suas palavras espalharam a alegria para ela. — Tudo bem. Ela
deve estar acordada quando chegarmos lá. Eu amo você, companheiro.
— Ele a abraçou forte.
— Para sempre, Cara.
— Janie, você está aí? — Zane percorreu o mundo dos sonhos
com um suspiro de frustração; esse era o universo dela e ele era apenas
um convidado. Onde diabos ela estava?
— Oi, Zane. — Ela saiu de trás de uma árvore balançando umas
folhas rosa espalhadas ao seu redor.
— Bela árvore — disse com um sorriso agradecido. O cheiro mais
estranho de brownie em pó grudava nos galhos.
— Obrigada. — Seu sorriso de resposta foi mais lento do que o
habitual. E tingido de tristeza.
— Está tudo bem, Janie Belle. — Deu um passo à frente para
colocar um braço fraterno em torno de seus pequenos ombros. — O rei
é um dos guerreiros mais ferozes já nascidos; ele encontrará sua tia
Emma. — Zane abraçou sua melhor amiga mais perto. — Além disso,
estamos nos preparando para ajudar, se necessário. Os Kurjans não
têm chance.
— Eu sei. — Janie o abraçou de volta. — Mas não consigo
ver. Não consigo entender a tia Emma. — As feições de Pixel se voltaram
para ela preocupado.
Zane deu de ombros. — Talvez você não deva ver tudo, Belle.
— Bem. — Para uma criança de quatro anos, o ressentimento
feminino foi pronunciado e trouxe um sorriso aos lábios carnudos de
Zane. Ele mudou de assunto. — Como está a sua mãe?
O sorriso de Janie veio mais facilmente desta vez. — Ela está
bem. Pronta para estar com a tia Emma novamente. — Janie já podia
ver seu irmão bebê em sua cabeça, seu poder magnífico só seria
equilibrado por seu coração incrível. Ela desejou que ele se apressasse
e nascesse.
— Isso é bom, Belle. Certifique-se de que ela descanse, nossa
luta está apenas começando.
Janie assentiu. Ela não o corrigiu, mas, na verdade, a luta ainda
não havia começado. Uma vez que isso acontecesse, o mundo que todos
conheciam mudaria. E mesmo com seus poderes, ela não podia ver o
final, não podia ver o mundo que emergiria dos
escombros. Determinação misturada com fé em sua alma quando
olhou para o jovem guerreiro diante dela. Juntos, eles acertariam.
Ela esperava.