UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO NÚCLEO DE TECNOLOGIAS
PARA EDUCAÇÃO – UEMANET
CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE BACABAL - CESB
CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GASTRONOMIA
DISCIPLINA: GASTRONOMIA SUSTENTÁVEL
TUTORA: RAYANE BASTOS
PROFESSOR: LEANDRO AMADO BURNETT
EUNICE DOS SANTOS SILVA
LINDALVA DA SILVA PEREIRA
GASTRONOMIA SUSTENTÁVEL: Ação inspiradora, que promove benefícios
sociais e ambientais para a comunidade local.
Bacabal – MA
2024
INTRODUÇÃO
A gastronomia sustentável busca integrar práticas alimentares responsáveis,
respeitando o meio ambiente e valorizando produtos locais, com o objetivo de criar
um sistema alimentar que minimize o desperdício e promova a saúde. Isso envolve o
aproveitamento integral dos alimentos, utilizando todas as partes de um ingrediente,
como cascas, talos, folhas e sementes, e transformando sobras em receitas criativas.
Essa abordagem abrange desde a produção e o processamento até o consumo, e,
conforme aponta Bittencourt (2020), a educação alimentar é fundamental para
conscientizar sobre a origem dos alimentos e os impactos de suas escolhas,
incentivando hábitos mais saudáveis e sustentáveis.
No Brasil, existe uma iniciativa de gastronomia social denominada “Comida
Invisível”, fundada em 2016 pela advogada e empreendedora social Daniela Leite,
focada na transformação sustentável do desperdício alimentar. O projeto surgiu para
conectar estabelecimentos com excedente de alimentos – como restaurantes,
supermercados e feiras – a ONGs e instituições que atendem populações vulneráveis,
redistribuindo comida em boas condições e evitando que toneladas de alimentos
sejam descartadas em aterros sanitários. Através de uma plataforma digital de
geolocalização, a iniciativa promove uma logística eficiente de redistribuição de
alimentos, permitindo impacto em várias regiões do Brasil.
Além da redistribuição, o Comida Invisível atua em frentes de educação e
estímulo a políticas públicas, organizando campanhas, workshops e materiais
educativos para conscientizar o público sobre o impacto social e ambiental do
desperdício de alimentos. O projeto incentiva práticas como o consumo de alimentos
com pequenos defeitos estéticos ou próximos da validade, e orienta sobre o uso
integral dos ingredientes para minimizar o desperdício doméstico. Em nível
institucional, o Comida Invisível defende a criação de uma legislação que favoreça a
doação de alimentos e a segurança jurídica no processo.
O impacto da iniciativa é vasto: além de reduzir o desperdício, o projeto
promove a segurança alimentar e incentiva o consumo consciente, influenciando
diretamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como o
ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e o ODS 12 (Consumo e Produção
Responsáveis). Parcerias com empresas e instituições fortalecem essa atuação, e o
projeto já foi reconhecido pela FAO/ONU por seu papel na luta contra o desperdício.
Com uma abordagem inovadora e abrangente, o Comida Invisível demonstra como a
gastronomia social pode impactar positivamente comunidades, promovendo uma
economia circular e sustentável no setor alimentício.
2 PROPOSTA DE AÇÃO
Iniciativas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a
Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável (PNDS) incentivam a agricultura
familiar e valorizam o consumo de alimentos quilombolas. Por meio da lei nº
11.947/2009, que destina 30% dos recursos do PNAE para a compra de produtos de
agricultura familiar, incluindo comunidades quilombolas, essas políticas promovem o
consumo local e reduzem o impacto ambiental ao diminuir o uso de insumos químicos.
Para apoiar essas práticas e o empreendedorismo comunitário, propomos uma
roda de conversa com mulheres quilombolas intitulada “Do Campo à Mesa:
Transformando Sobras em Sabor e Renda.” A proposta visa o reaproveitamento de
alimentos cultivados localmente, promovendo receitas que utilizem partes
normalmente descartadas, como cascas e talos. Além de reduzir o desperdício, essa
ação estimula a criação de produtos para venda em feiras locais, contribuindo para a
renda familiar e a difusão de práticas sustentáveis nas comunidades quilombolas.
Objetivo Geral
• Promover o aproveitamento de alimentos locais, capacitando mulheres
quilombolas a criar receitas a partir de partes normalmente descartadas,
gerando renda por meio do empreendedorismo sustentável.
Objetivos Específicos
• Capacitar participantes em técnicas de aproveitamento integral de
alimentos, incluindo receitas e métodos de conservação;
• Estimular a criação de produtos a partir de sobras para venda em feiras
locais e eventos comunitários.
Metodologia
A atividade começará com uma roda de conversa, em que mulheres
quilombolas serão convidadas a compartilhar experiências e degustar lanches
produzidos com cascas de frutas, demonstrando que, mesmo sem desperdício, é
possível obter produtos saborosos e nutritivos. Em seguida, elas atuarão como
multiplicadoras dessas práticas sustentáveis em suas comunidades, promovendo
uma economia circular e reduzindo o descarte alimentar.
A redução do desperdício fortalece a gastronomia local, permitindo a criação de
receitas nutritivas e uma menor geração de resíduos, beneficiando a saúde das
pessoas e o meio ambiente. Em anexo se encontra o plano de ações desse projeto.
REFERÊNCIAS
Bittencourt, L., & Silva, A. (2020). Gastronomia Sustentável: Práticas e Desafios.
Editora Sustentável.
Brasil. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre a alimentação escolar e
dá outras providências.
Comida Invisível. Quem somos. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 06 nov. 2024.
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). (2020). Política
Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO – UEMA
NÚCLEO DE TECNOLOGIAS PARA EDUCAÇÃO – UEMANET
TÍTULO DO PROJETO – PLANO DE AÇÃO
Do campo à mesa: Transformando sobras em sabor e renda
Equipe: EUNICE DOS SANTOS SILVA Público-alvo: REPRESENTANTES DE MULHERES
LINDALVA DA SILVA PEREIRA QUILOMBOLAS (MULTIPLICADORAS)
Município Polo: BACABALM - MA Data de início: 04/11/2024
Objetivo Geral Recursos Etapa da ação Cronograma
✓ Promover o Apoio do grupo UNEGRO – 1. Etapa 1: Elaboração do Estabeleça um cronograma com
reaproveitamento de alimentos Bacabal. União de Negros e plano com tema e objetivos. as etapas de implementação.
cultivados pelas mulheres Negras pela Igualdade. 2. Etapa 2: Apresentar o plano 04/11/2024 - Elaboração do plano;
quilombolas, incentivando a Data show; caixa de som, à presidente do grupo 05/011/2024 – Apresentação do
criação de receitas que utilizem microfone. UNEGRO - Bacabal plano a presidente da UNEGRO –
partes normalmente descartadas, Ingredientes: Abóbora, bananas, 3. Etapa 3: Roda de conversa Bacabal;
visando a redução do desperdício frutas, açúcar, trigo, fermento, com representantes de 11/11/2024 – Desenvolvimento
e a geração de renda por meio do ovos, leite. quilombos que serão das ações do plano, com roda de
empreendedorismo sustentável; Utensílios: copos descartáveis, multiplicadoras, para conversa e capacitação das
jarras, formas, fogão, batedeira, informar sobre a iniciativa mulheres representantes dos
✓ Capacitar as participantes bols, bandejas e liquidificador, do projeto e desenvolver a quilombos, que serão
com conhecimentos sobre capacitação, com multiplicadoras.
técnicas de aproveitamento degustação de receitas que
integral dos alimentos, incluindo sustentarão os objetivos do
receitas e métodos de plano.
conservação que valorizem as
sobras;
✓ Incentivar as mulheres a
desenvolverem produtos
alimentícios a partir das sobras,
promovendo a venda em feiras
locais ou eventos comunitários
como uma forma de aumentar sua
renda familiar.