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Sumário
1 Sobre o Autor 2
2 Prefácio 3
3 Introdução 4
4 O que é Infidelidade? 8
4.1 O que isso diz sobre uma pessoa? . . . . . 11
4.2 A infidelidade emocional é um reflexo do
caráter. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
4.3 Qual é o Mal da Infidelidade Emocional? . 12
4.4 As consequências do flerte online . . . . . 12
4.5 Estudo 1: O que eles encontraram . . . . . 14
4.6 Estudo 2: O que eles encontraram . . . . . 15
4.7 O que aprendemos? . . . . . . . . . . . . . 16
4.8 O que leva à infidelidade? . . . . . . . . . . 16
4.9 A infidelidade é contagiosa . . . . . . . . . 17
4.10 Infidelidade e despistamento . . . . . . . . 20
5 Infidelidade feminina 21
5.1 A infidelidade Feminina é tolerada . . . . . 25
5.2 Infidelidade financeira e conjugal estão li-
gadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
5.3 As batalhas do passado . . . . . . . . . . . 29
5.4 Companheiros valiosos . . . . . . . . . . . 31
5.5 Seleção e atração . . . . . . . . . . . . . . 32
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5.6 Mudanças cíclicas e atração . . . . . . . . . 35
5.7 Como as mulheres fazem a troca? . . . . . 37
5.8 Psicologia da troca de parceiros . . . . . . 39
6 Traição e Desejo Sexual 41
6.1 Desejo Sexual Feminino . . . . . . . . . . . 42
6.1.1 Então o que ela quer? . . . . . . . 43
6.1.2 Problema resolvido? . . . . . . . 44
6.2 Traição e Desejo Sexual . . . . . . . . . . . 51
7 Ciúmes 53
7.1 Função do ciúme e a identificação da traição 54
7.2 A função do ciúme nos homens . . . . . . 57
7.3 Homens e mulheres não diferem em frequên-
cia ou a magnitude . . . . . . . . . . . . . 60
7.4 Homens são feitos para desconfiar da fide-
lidade da mulher . . . . . . . . . . . . . . . 61
7.5 Confie nos seus instintos . . . . . . . . . . 63
7.6 Mulheres e o ciúme . . . . . . . . . . . . . 66
7.7 Provocar ciúmes é vantajoso para as mulheres 68
7.8 Mulheres ganham vantagens ao flertar e
fazer ciúmes . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
8 Como reconhecer a infidelidade 70
8.1 Mostrar mais interesse pelo parceiro . . . . 71
8.2 Falta de informações . . . . . . . . . . . . 72
8.3 Estabilidade Forçada . . . . . . . . . . . . . 73
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8.4 Angústia precede a traição . . . . . . . . . 73
8.5 Um abraço longo pode ser infidelidade? . . 79
9 Táticas usadas para esconder a infidelidade 81
9.1 Algumas estratégias são mais detectáveis . 83
9.2 A ocultação estratégica dificulta a detecção 87
9.3 A chance depende da personalidade . . . . 88
10 Estatísticas da Traição 90
10.1 Quem tem mais probabilidade de trair? . . 91
10.2 Existe diferença entre a traição masculina
e feminina? . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
10.3 Pessoas que traem desenvolvem maior de-
sejo sexual . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
10.4 Pessoas que traíram irão trair novamente . 102
10.5 Baixo RSA . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
10.5.1 O Jogo da Culpa . . . . . . . . . . 103
10.5.2 O Jogo da Vergonha . . . . . . . 104
10.6 Estatísticas sobre a infidelidade feminina . 104
10.7 Mulheres de meia idade querem amantes,
mas não querem separação . . . . . . . . . 106
10.8 As mulheres nem sempre se sentem mal por
trair . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
10.9 Pais separados por traição . . . . . . . . . 108
10.10 Elas engravidam de propósito . . . . . . . 109
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Referências 111
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Tudo é sobre sexo, exceto
o sexo. Sexo é sobre poder.
- Oscar Wilde
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A verdade liberta
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K
Sobre o Autor
Me chamo Felippe Chaves e sou o criador da pá-
gina Fúria e Tradição que já tem mais de 300 mil
seguidores no Instagram e mais de 100 mil no Fa-
cebook. Também estamos presentes no Twitter e
YouTube. Alcançando mais de 2 milhões de pessoas
semanalmente.
Criei a página ao identificar um grande problema
aos jovens: a ausência paterna. Crescer sem o pai
nos priva de entender devidamente sobre todas as
relações sociais que são extremamente importante
para nossas vidas.
Todo o movimento conhecido hoje como redpill
nada mais é que a sistematização dos ensinamen-
tos paternos sobre como lidar com mulheres, mas
que se perderam quando os pais deixaram de ser
presentes.
Então eu decidi resgatar os valores que os homens
deixaram de entender. O que ensino é buscando
tornar os homens fortes para recuperarem seu lugar
na sociedade e nas famílias.
Faço isso pelas páginas e principalmente pela Co-
munidade Bela e Fúria. Que é um ambiente de for-
mação onde aprofundamos os temas que são proi-
bidos de serem tocados nas mídias sociais. Existe
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3 Comunidade Bela e Fúria
um movimento contra os homens, e eu combato
esse movimento todos os dias por meio das minhas
aulas e e-books.
Conheça a nossa Comunidade, venha se encontrar
com seus irmãos, basta clicar no link a seguir:
https://comunidadebelaefuria.com.br/
Felippe e Vanessa Chaves
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K
Prefácio
Dedico este livro a todos os homens que cresceram
sem a presença de um pai forte e amoroso que
lhes ensinassem a correta instrução sobre como
deveriam agir com as mulheres.
Nestas páginas você encontrará a dura verdade
sobre o que pode se tornar o comportamento femi-
nino, como reconhece-lo e, após isso, cair fora.
É preciso salientar que os alunos da Comunidade
Bela e Fúria que estão lendo este e-book irão notar
que muitas passagens aqui estavam presentes em
2 dos nossos e-books passados. Este é basicamente
um upgrade, com a adição de aproximadamente 40
páginas sobre o material prévio, com novos estudos
e perspectivas recentes.
Então, ainda que você já tenha lido os outros e-
books, encontrará aqui vasto material novo.
E você que adquiriu esse e-book separadamente,
considere ser nosso aluno e ter acesso a um material
que não encontra paralelo em nenhum outro lugar.
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K
Introdução
Porque homens acabam se submetendo a aceitar
humilhações em relacionamentos?
Porque homens acabam se submetendo a aceitar
humilhações em relacionamentos? Talvez a mai-
oria de nós afirme com veemência que nunca se
submeteriam a determinados comportamentos fe-
mininos que observam amigos tendo. Eu, como
todo jovem de 16 anos criado sem a presença do pai
e criado unicamente pela mãe, já tive meus momen-
tos daquilo que é popularmente conhecido como
”gadismo”, me tornando um serviçal de mulheres.
E nesse meio tempo um amigo que nunca havia
namorado sempre me alertava dos meus erros e
debochava de mim.
Amadurecemos, eu comecei a formar minha perso-
nalidade masculina e esse rapaz começou a namo-
rar. E, de forma inesperada, ele começou a ter as
mesmas atitudes de gado em seu relacionamento
que tanto criticava em mim e havia me ajudado a
superar. Então fui até ele e perguntei o que estava
havendo, por que ele não estava agindo da forma
que sempre me disse que deveria. ”Quando a gente
vive, é difícil...”foi a resposta que ele me deu...
Mas será que existe algum motivo subjacente que
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3. Introdução 6
leve os homens a fraquejar diante de uma mulher
e que os leva a se submeter? A resposta do meu
amigo simplesmente não parecia satisfatória ou
completa. Foi então que procurei na ciência o que
seria a resposta a essa questão: Compromisso com
um relacionamento romântico reduz a testosterona
em homens [1].
De acordo com pesquisa, estar envolvido em um
relacionamento romântico reduz os níveis de tes-
tosterona nos homens, mas apenas se eles esti-
verem comprometidos com a monogamia nesse
relacionamento. E a quantidade de testosterona
influencia diretamente nosso comportamento e a
capacidade de sermos ou não ”dominados”, ou de
nos submetermos a situações que não desejamos.
Um homem com alta concentração de testosterona
simplesmente não tolera desrespeito nem se torna
paciente com mulheres que possuam um comporta-
mento errado. Eles apenas seguem adiante e aban-
donam a mulher, indo em busca de outra realmente
alinhada com seus valores.
Porém o que este estudo deixou claro é que a di-
minuição de testosterona impede que os homens
pensem em buscar outra mulher que lhe seja ade-
quada. E como consequência ele se mantém em
um relacionamento ruim de forma submissa.
Claro que essa mudança de comportamento não
acontece com todos os homens. Todos devemos
Felippe e Vanessa Chaves
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7 Comunidade Bela e Fúria
conhecer homens que começaram relacionamentos
e continuaram fortes e firmes em sua postura. A
questão é que estes homens possuíam níveis de
testosterona altos. Tão altos que mesmo com a
redução, isso não foi suficiente para lhes afetar tão
gravemente.
Sendo assim o problema está quando o rapaz tem
níveis baixos de testosterona, o que sabemos é co-
mum a quase todos os jovens hoje, graças ao estilo
de vida que assumimos.
E existe um outro ponto importante a ser deba-
tido: as mulheres são inclinadas a negar qualquer
comportamento errado que possam ter, se aprovei-
tando da tendência masculina de “querer acreditar”
no que elas dizem como forma de confirmar sua
esperança e desejo de que “aquela” é uma mulher
perfeita, uma vez que foi isso que nos ensinaram
desde o início de nossas vidas.
É o que chamamos de efeito “Mulheres São Mara-
vilhas”:
O efeito mulheres-são-maravilhosas é o fenômeno
encontrado em pesquisas psicológicas e socioló-
gicas que sugerem que as pessoas associam mais
atributos positivos às mulheres do que aos homens.
Esse viés reflete um viés emocional em relação às
mulheres como um caso geral. A frase foi cunhada
por Alice Eagly e Antonio Mladinic em 1994 [2],
depois de descobrir que tanto os participantes mas-
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4. Introdução 8
culinos quanto femininos tendem a atribuir caracte-
rísticas positivas às mulheres, com as participantes
femininas mostrando um viés muito mais pronun-
ciado.
Então qualquer negação da mulher sobre seus er-
ros tende a ser aceita sem muita ponderação, e por
vezes apenas ao término das relações os homens
começam a perceber como foram bobos em acei-
tar qualquer desculpa ou justificativa que não se
sustentaria a uma simples ponderação.
O que quero que você tenha em mente neste ebook
é que os homens podem se tornar extremamente
vulneráveis à manipulação feminina, então você
precisa olhar racionalmente para os comportamen-
tos apresentados, deixando a emoção o máximo de
lado.
Felippe e Vanessa Chaves
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K
O que é Infidelidade?
Tendemos a imaginar a infidelidade apenas em pa-
râmetros concretos. Dessa forma determinamos
que se houve a troca de carícias e o ato sexual,
houve traição, enquanto excluímos outras formas
de infidelidade como nutrir intenção e desejo, ainda
que não sejam nunca realizados. E uma forma
pouco discutida: quando entregamos a alguém de
fora, do sexo oposto, nossas confidências que ape-
nas nossos cônjuges deveriam ter acesso. Entre-
tanto é igualmente infidelidade. E sobre isso que
iremos tratar aqui.
A visão tradicional da infidelidade envolve traição
física; ser infiel por ter um relacionamento român-
tico ou sexual com alguém que não seja um cônjuge
ou parceiro. Isso se distingue da traição emocional,
que faz parte de uma definição mais ampla de infi-
delidade. Esse tipo de infidelidade ocorre quando
um parceiro compartilha intimidade emocional e
conexão com alguém que não seja seu cônjuge. Es-
ses assuntos do coração e da mente também fo-
ram rotulados de micro-trapaça. Isso se refere às
pequenas e aparentemente insignificantes coisas
que uma pessoa pode fazer que, embora não seja
explicitamente infiel, pode carregar o indício de
infidelidade.
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4. O que é Infidelidade? 10
Trair nem sempre tem que envolver sexo ou mesmo
falar sobre sexo. Assuntos emocionais envolvem
uma conexão pessoal que ultrapassa fronteiras.
Isso pode incluir conversas inapropriadas por causa
de sua “frequência e familiaridade”. Esse tipo de
contato pode ser considerado íntimo, pois envolve
compartilhar sentimentos e pensamentos sobre in-
formações pessoais relacionadas a cônjuges e filhos
ou assuntos particulares envolvendo saúde e finan-
ças. A infidelidade emocional forma um vínculo
que imita a proximidade de um relacionamento ro-
mântico e pode até envolver alguma tensão sexual
ou atração romântica.
A cultura de hoje oferece amplas oportunidades
para esse tipo de infidelidade. A traição emocio-
nal pode acontecer pessoalmente em um ambiente
compartilhado, como o escritório, dando origem ao
conceito de “cônjuges de trabalho”.
Trapaças emocionais ocorrem frequentemente on-
line, onde são desenvolvidas em conversas de apli-
cativos de troca de mensagens como o Whatsapp
ou escondidas em DMs no Facebook, Twitter e Ins-
tagram. As bandeiras vermelhas de um caso emo-
cional incluem aquelas pessoas que escondem seus
computadores e celulares e removem evidências
incriminatórias; excluindo seus textos, mensagens
e telefonemas.
Assuntos emocionais podem nem envolver uma
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11 Comunidade Bela e Fúria
pessoa se comunicando secretamente com alguém
com quem “não deveria estar falando”, mas entre
“amigos”, conhecidos e colegas de trabalho. Al-
gumas vezes seu cônjuge vai até saber que você
conversa com a pessoas, apesar de não saber o
conteúdo das conversas. Porém as trocas on-line
sempre serão consideradas preocupantes e inapro-
priadas.
1. O que isso diz sobre uma pessoa?
As pessoas que se envolvem em trapaças emocio-
nais costumam dizer que estão infelizes em seu re-
lacionamento principal e se sentem negligenciadas
ou incompreendidas. Eles podem estabelecer uma
conexão com uma pessoa que oferece mais apoio
emocional porque não se sentem valorizados em
seu relacionamento. Alguns assuntos emocionais
são por motivos mais egoístas, como fugir do tédio.
Essas pessoas anseiam pela excitação e paixão dos
assuntos emocionais, achando-os tão intoxicantes
e viciantes quanto o álcool ou as drogas.
2. A infidelidade emocional é um reflexo
do caráter.
Aqueles que se envolvem em assuntos não físicos
podem estar emocionalmente inseguros ou com
medo de compromisso. Esse comportamento mui-
tas vezes revela falta de autoestima e falta de res-
peito pelo parceiro. Ter casos emocionais, espe-
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4. O que é Infidelidade? 12
cialmente para que erra insistentemente sempre
em alguma coisa, pode indicar sua falta de bússola
moral, revelando um transtorno de deficiência de
empatia.
3. Qual é o Mal da Infidelidade Emocio-
nal?
Alguns podem descartar a infidelidade emocional
como inócua ou inofensiva. Aqueles em um rela-
cionamento podem minimizar seu envolvimento e
minimizar o caso como “apenas” emocional, tam-
bém argumentando “mas não fizemos sexo”. No
local de trabalho, os assuntos emocionais são pouco
profissionais e antiéticos, causando problemas de
comunicação e conflitos interpessoais. Os assun-
tos emocionais são traumáticos para os cônjuges
e parceiros afetados. Eles levam a uma sensação
de traição e perda de confiança. ressentimento e
desconfiança duradouros. Muitos relacionamentos
não sobrevivem a questões emocionais e resultam
em separação ou divórcio.
4. As consequências do flerte online
Se você passa algum tempo na internet, principal-
mente nas redes sociais, provavelmente já recebeu
algum tipo de atenção não solicitada. Pode ser um
comentário aleatório, uma curtida em um post de
dois anos atrás, ou até mesmo uma mensagem di-
reta. Essas interações geralmente são inocentes,
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13 Comunidade Bela e Fúria
mas às vezes as mensagens que você recebe podem
se tornar sedutoras e até sugestivas. Você pode
conversar com essa outra pessoa, alheio às suas in-
tenções. Mais frequentemente você vai perceber o
que eles estão fazendo e obedientemente ignorar ou
repreender seus avanços, enquanto os lembra que
você está em um relacionamento feliz. Inofensivo,
certo? Talvez não.
Conversar assim por si só provavelmente não é tra-
paça. Mesmo quando não solicitado, simplesmente
flertar com (ou seja, o objeto do interesse de ou-
tra pessoa) online pode ter consequências para seu
relacionamento na vida real.
Alguns estudos examinaram o impacto do flerte
online não solicitado [3]. No primeiro estudo, os
participantes tiveram a oportunidade de conver-
sar online com outro participante do sexo oposto
que era muito atraente (com base em uma foto que
o participante viu). Na realidade, o participante
atraente fazia parte do experimento (ou seja, um
cúmplice) que dava falas roteirizadas com base em
qual condição o participante foi aleatoriamente de-
signado.
Para metade dos participantes, o confederado era
muito paquerador (por exemplo, elogiando-os “Você
é linda por dentro e por fora” e sugerindo que eles
saíssem “Devemos ir lá juntos!”). A outra metade
dos participantes simplesmente conversou sem ne-
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4. O que é Infidelidade? 14
nhum flerte.
5. Estudo 1: O que eles encontraram
Os resultados mostraram que os participantes na
condição de flerte reconheceram que o outro parti-
cipante (o cúmplice) estava flertando com eles.
Aqui é onde fica interessante: depois de ser flertado,
quando os participantes responderam a perguntas
como “Até que ponto você acha que seu parceiro
romântico atual é atraente?” eles perceberam seu
próprio parceiro como menos atraente.
Além disso, eles tinham sentimentos menos posi-
tivos (por exemplo, pensar que seu parceiro era
charmoso, fabuloso etc.) em relação ao parceiro
atual.
Em outras palavras, simplesmente receber um flerte
não solicitado parece minar a forma como eles
veem seu próprio parceiro. Mas isso não era tudo.
No segundo estudo, um novo conjunto de partici-
pantes foi aleatoriamente designado para as mes-
mas duas condições (um bate-papo de paquera ver-
sus um bate-papo sem paquera). Desta vez, o pes-
quisador queria ver como o flerte não solicitado
afetava as fantasias sexuais (por exemplo, “Pense
em uma fantasia sexual que envolve o parceiro
atual, acrescentando que a fantasia pode envolver
outras pessoas também ou apenas o parceiro atual”)
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15 Comunidade Bela e Fúria
e como eles se sentem sobre (por exemplo, “Sinto
muito desejo sexual por outras pessoas além do
meu parceiro atual que apareceu na minha fanta-
sia”).
6. Estudo 2: O que eles encontraram
Os resultados indicaram que, mais uma vez, os par-
ticipantes perceberam quando o outro participante
estava flertando com eles. E, como antes, houve
consequências.
Desta vez, aqueles que experimentaram o flerte
relataram sentir-se mais atraídos pelo cúmplice.
Além disso, relataram mais desejo por parceiros al-
ternativos em sua fantasia, juntamente com menos
desejo pelo parceiro atual. Juízes independentes
que revisaram as fantasias escritas também desco-
briram que os participantes na condição de flerte
expressavam mais desejo sexual por parceiros al-
ternativos e menos por seu próprio parceiro.
Análises adicionais no Estudo 2 mostraram que
muito do aumento do desejo por parceiros alterna-
tivos se deveu ao fato de achar o cúmplice atraente
mais atraente. Em suma, quando você flerta, você
acha os outros mais atraentes, e seu próprio par-
ceiro menos atraente.
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4. O que é Infidelidade? 16
7. O que aprendemos?
Então o que está acontecendo? Em nossa vida co-
tidiana, somos capazes de evitar interações com
outros parceiros em potencial e reduzir a tentação.
Nesses estudos, o flerte não foi solicitado, mas a
tentação é quase inevitável (ou seja, você não pode
deixar de perceber o que a outra pessoa diz).
Apesar de tentar ignorar ou desvalorizar alterna-
tivas, quando alguém nos corteja ativamente, isso
pode nos fazer pensar diferente. Essa atenção recém-
descoberta pode aumentar nossa percepção de nossa
própria atratividade e nos tornar mais conscientes
de outros parceiros românticos em potencial, os
quais podem prejudicar a forma como vemos nosso
relacionamento atual.
Como qualquer flerte como esse (solicitado ou não)
afeta seu relacionamento, parece razoável consi-
derar contextos limitadores que tornam o flerte
mais provável, especialmente online. Seu relacio-
namento na vida real pode depender disso.
8. O que leva à infidelidade?
Primeiro, a insatisfação no relacionamento é um
dos preditores mais poderosos da infidelidade fe-
minina, mas não da infidelidade masculina [4].
Em segundo lugar, a insatisfação com o relaciona-
mento prediz o interesse sexual das mulheres por
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17 Comunidade Bela e Fúria
outros homens durante as fases fértil e lútea do
ciclo de ovulação.
Em terceiro lugar, os benefícios relatados pelas mu-
lheres do acasalamento extrapar (traição) incluem
(a) encontrar um parceiro mais desejável do que
o parceiro atual, (b) facilitar o rompimento com o
parceiro atual, (c) ser capaz de substituir o parceiro
atual, e (d) descobrir outros parceiros potenciais
que possam estar interessados em um relaciona-
mento.
Em quarto lugar, os contextos que as mulheres re-
latam as inclinariam à infidelidade, incluindo um
parceiro que não consegue manter um emprego,
conhecer alguém mais bem-sucedido do que seu
parceiro atual que parece interessado nelas e co-
nhecer alguém que está disposto a passar muito
tempo com elas. Então o que estamos descobrindo
aqui é que as mulheres também traem, ainda que
sejam por motivos diferentes dos homens.
9. A infidelidade é contagiosa
Já falamos anteriormente sobre o contágio social
em outro ebook, mas prosseguiremos sobre isso
agora. Um novo estudo [5] ressalta o poder das
forças situacionais em tornar alguém suscetível à
possibilidade de considerar alternativas românti-
cas.
Um ambiente de pares que dá a impressão de que a
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4. O que é Infidelidade? 18
infidelidade é aceitável pode fazer com que as pes-
soas gravitem em torno de alternativas atraentes –
e saber que outras pessoas estão tendo casos pode
fazer com que as pessoas se sintam mais à vontade
ao pensar em ter casos.
É claro que ambientes nos quais a infidelidade pre-
valece não necessariamente transformam as pes-
soas em trapaceiros, mesmo assim, se alguém já
é vulnerável a trapaças ou se surgem oportunida-
des de infidelidade, esses ambientes podem dar o
empurrão extra necessário para resolver o conflito
entre seguir valores morais e sucumbir às tentações
de uma forma que promova a infidelidade.
Para entender melhor o fenômeno da infidelidade,
os autores exploraram se a exposição a histórias
e casos de infidelidade diminuiria o compromisso
com o parceiro atual e aumentaria o desejo por
parceiros alternativos.
Em três estudos, eles expuseram participantes ro-
manticamente envolvidos ao comportamento de
trapaça de outras pessoas. Seguiu-se o registro das
reações dos participantes enquanto eles pensavam
ou interagiam com outras pessoas atraentes.
O estudo mostrou que, após a exposição a atos
desonestos e comportamento de traição de outras
pessoas, os participantes experimentaram menos
comprometimento com seu relacionamento atual e
expressaram um desejo maior de parceiros alterna-
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19 Comunidade Bela e Fúria
tivos.
Ambientes que promovem uma maior prevalência
de infidelidade podem tornar as pessoas mais vul-
neráveis, se não ’infectá-las’ completamente com a
infidelidade.
As percepções de altas normas de desonestidade,
portanto, permitem que as pessoas justifiquem os
maus comportamentos como menos imorais, o que,
por sua vez, as ajuda a descartar a confusão mo-
ral entre objetivos de longo prazo que sustentam
valores morais e tentações de curto prazo.
Existem, entretanto, diferenças na suscetibilidade
das pessoas em perceber tais normas e se compor-
tar de acordo com elas. Pesquisas anteriores mos-
traram que várias características de personalidade,
como neuroticismo, narcisismo e inseguranças de
apego, tornam as pessoas mais propensas a se en-
volver em casos fora de seu relacionamento sério.
Outras pesquisas [6] sugerem que a infidelidade
é prevista por níveis mais altos de neuroticismo e
níveis mais baixos de religiosidade.
Além disso, algumas pesquisas sugerem que apro-
ximadamente metade dos adultos casados (53% das
mulheres e 44% dos homens, para ser exato) já pra-
ticaram sexo extraconjugal.
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4. O que é Infidelidade? 20
10. Infidelidade e despistamento
A infidelidade é uma tática eficaz para provocar o
divórcio, mas também é perigosa. Na verdade, a in-
fidelidade é a principal causa [7] de violência entre
parceiros íntimos e também é um dos principais
motivos [8] por trás do assassinato conjugal. Ape-
sar desses riscos, cerca de um quarto das mulheres
ainda se aventuram. Curiosamente, as mulheres ca-
sadas na faixa dos 30 anos têm maior probabilidade
de ter um caso, talvez refletindo uma motivação
para trocar de parceiros enquanto sua desejabili-
dade ainda é alta.
Algumas linhas de evidência apoiam a noção de
que a infidelidade serve como uma função de troca
de parceiro para as mulheres.
Primeiro, as mulheres que iniciam casos têm muito
mais probabilidade de sofrer de insatisfação con-
jugal do que as mulheres que não o fazem. Isso
pode parecer incrivelmente óbvio, mas os mesmos
estudos [9] mostram que os homens que têm casos
não diferem, de fato, daqueles que se abstêm de
casos em seus níveis de felicidade conjugal.
Em segundo lugar, as mulheres são muito mais
propensas do que os homens a se envolverem emo-
cionalmente e se apaixonarem por seus parceiros
amorosos. Cerca de 70% das mulheres relatam fazê-
lo, em contraste com apenas 30% dos homens. Além
disso, as mulheres são mais propensas a citar o en-
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21 Comunidade Bela e Fúria
volvimento emocional como motivo para o caso.
Os homens são mais propensos a citar o puro pra-
zer sexual. Essas diferenças críticas entre os sexos
apontam para razões funcionais dramaticamente
diferentes para a infidelidade masculina e feminina.
Especialmente para as mulheres, eles apontam para
a função de troca de parceiros.
Para aqueles que buscam encerrar uma parceria
atual, sair do companheirismo é claramente o passo
final. Uma tática de ejeção clichê envolve dizer:
“Não é você, sou eu”, em uma tentativa de mini-
mizar a vingança motivada pela raiva. A segunda
envolve transformar o relacionamento romântico
existente em uma amizade, também destinada a
minimizar a ira do ex. Em alguns casos, as mu-
lheres podem continuar por um tempo a fornecer
favores sexuais a um ex para minimizar custos ou
tentar direcionar sua atenção sexual para outras
mulheres.
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K
Infidelidade feminina
O que pode explicar a infidelidade feminina? De
uma perspectiva evolutiva, a infidelidade mascu-
lina é bastante direta. Os homens desenvolveram
um forte desejo de variedade sexual, mais forte
que o das mulheres em média, devido às grandes
assimetrias no investimento parental. Os homens
podem se reproduzir com o mínimo de esforço ne-
cessário para inseminar uma mulher fértil.
As mulheres precisam de uma gravidez de nove me-
ses metabolicamente cara para produzir um único
filho. Dito de outra forma, um ancestral casado
com dois filhos poderia ter aumentado sua produ-
ção reprodutiva em 50% por uma única reprodução
bem-sucedida com um parceiro amoroso. Adici-
onar parceiros sexuais adicionais para mulheres
que já têm um geralmente não aumenta, e nunca
poderia aumentar drasticamente seu sucesso repro-
dutivo.
No entanto, as mulheres têm casos extraconjugais,
um fenômeno que, até agora, tem sido explicado
pela “hipótese dos bons genes”: o conceito de que
as mulheres desenvolveram uma estratégia dupla
de acasalamento - garantir o investimento de um
homem enquanto acasala paralelamente com ho-
mens que têm genes melhores do que seus parceiros
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23 Comunidade Bela e Fúria
regulares.
Mas a hipótese dos bons genes falha em explicar
por que, após a infidelidade, tantas mulheres lite-
ralmente se desviam, trocando um companheiro
atual pelo parceiro amoroso. O novo conceito da
hipótese da troca de parceiros preenche a lacuna
na compreensão científica, explicando o que ob-
servamos no mundo real. A hipótese da troca de
parceiros postula que as mulheres têm casos para
se livrar de uma parceria ruim e trocar por um
parceiro melhor.
Para ambos os sexos, a hipótese explica o que comu-
mente observamos no dia a dia e que levam a uma
traição, como um ano após o casamento uma mu-
lher sente-se atraída sexualmente por seu colega de
trabalho. Ou depois de trocar a quinta fralda do dia
de seu filho, um homem se pergunta se cometeu
um erro terrível e fantasia sobre sua namorada do
ensino médio que fugiu.
Esses cenários diversos decorrem de uma causa
comum – os humanos desenvolveram adaptações
estratégicas para a troca de parceiros, um fenômeno
que é generalizado entre as espécies. A adaptação
mais simples é a estratégia [10] de “afastamento”,
na qual os organismos simplesmente se separam
fisicamente de parceiros cooperativos custosos. A
hipótese da troca de parceiro propõe uma versão da
estratégia de afastamento sustentada por adapta-
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5. Infidelidade feminina 24
ções psicológicas humanas projetadas para detectar
e abandonar parceiros caros em favor de parceiros
mais benéficos.
Muitos nas culturas modernas crescem acreditando
em um mito sobre o amor para toda a vida. Somos
informados sobre a queda para o primeiro e único.
Aprendemos que o caminho para a realização é
pavimentado com uma única união gloriosa. Mas
os enredos das histórias de amor fictícias muitas
vezes chegam ao fim com a descoberta daquele e
único, e raramente examinam as consequências.
A história de Cinderela termina com ela conquis-
tando o príncipe. Depois de superar inúmeros obs-
táculos, uma união é finalmente consumada. Pou-
cas fantasias românticas seguem o enredo do aca-
salamento comprometido - a desatenção gradual
às necessidades um do outro, o declínio constante
na satisfação sexual, a excitante atração da infi-
delidade, a dúvida sobre se o monótono cinza da
vida de casado é realmente tudo o que a vida tem a
oferecer.
Na verdade, viemos de uma linhagem longa e inin-
terrupta de ancestrais que passaram por crises de
acasalamento – ancestrais que monitoraram o va-
lor do parceiro, rastrearam a satisfação com suas
uniões atuais, cultivaram reforços, avaliaram al-
ternativas e trocaram de parceiros quando as con-
dições se mostraram propícias. Para entender o
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25 Comunidade Bela e Fúria
porquê, devemos voltar nosso olhar para esses an-
cestrais e descobrir os desafios de acasalamento
que eles enfrentaram.
1. A infidelidade Feminina é tolerada
Todos já ouviram a reclamação feminista sobre o
duplo padrão pelo qual a sociedade submete ho-
mens e mulheres, julgando de forma diferente os
mesmos erros, dependendo de qual sexo os comete.
Eu já expliquei aqui a os motivos que levam a exis-
tência do duplo padrão sobre a quantidade de par-
ceiros sexuais antes do casamento, com mulheres
sendo mais criticadas por isso. Dessa forma a vi-
são feminista diz que a sociedade sempre julgará
a mulher de forma pior. Entretanto existe outro
duplo padrão de julgamento sobre a infidelidade
conjugal, e não é nada do que você imagina ou do
que as feministas falem.
Sobre o ponto de vista da infidelidade conjugal, ho-
mens e mulheres têm respostas muito diferentes.
Pesquisas consistentemente descobriram que a mai-
oria das pessoas considera a infidelidade conjugal
moralmente censurável. No entanto, os julgamen-
tos são mais complexos do que parecem à primeira
vista. As atitudes públicas sobre a moralidade da
infidelidade estão condicionadas ao fato de ser co-
metida por um homem ou uma mulher.
66% das pessoas dizem que quando um homem
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5. Infidelidade feminina 26
tem um caso, é sempre moralmente errado. Porém
um número MENOR (55%) diz que é sempre mo-
ralmente errado quando uma mulher tem um caso
extraconjugal [11]. Ou seja: MAIS pessoas acham
que o homem trair é errado, e MENOS pessoas
acham que se uma mulher trair é errado.
Tanto as mulheres quanto os homens exibem um
padrão duplo na avaliação da moralidade dos casos
extraconjugais, embora isso seja um pouco maior
entre as mulheres.
70% das mulheres dizem que um homem casado
que tem um caso é sempre moralmente errado, en-
quanto menos (56%) dizem o mesmo quando as
mulheres casadas têm relacionamentos fora do ca-
samento. O gênero desempenha um papel mais
modesto entre os homens na forma como eles jul-
gam a moralidade da infidelidade conjugal. 53% dos
homens dizem que é sempre moralmente errado
uma mulher ter um caso, enquanto 61% dizem o
mesmo para os homens.
As diferenças também emergem pelo nível de esco-
laridade. Quanto mais escolaridade (pós-graduação),
mas as mulheres não veem problema na infideli-
dade. Cerca de 55% das mulheres com pós-graduação
acham que a infidelidade não é um problema.
Em contraste, 61% das mulheres com até o ensino
médio dizem que isso é moralmente errado, inde-
pendentemente das circunstâncias.
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27 Comunidade Bela e Fúria
Há uma diferença de idade notável também. 73%
das mulheres jovens dizem que é sempre moral-
mente errado um homem ter um caso, enquanto
apenas 51% diz o mesmo para uma mulher.
O duplo padrão entre as mulheres mais velhas não
é tão grande. 69% das mulheres mais velhas dizem
que é sempre errado um homem casado ter um caso,
enquanto 60% dizem que é sempre errado quando
uma mulher o faz.
No fundo o que essa pesquisa demonstra é que a
sociedade, e principalmente as mulheres, acham
que a traição feminina não é errada enquanto a
traição masculina será sempre errada. É interes-
sante quando combinamos com um achado que
eu já trouxe aqui: os homens tendem a perdoar a
traição das mulheres, enquanto as mulheres não
aceitam a traição dos homens.
2. Infidelidade financeira e conjugal es-
tão ligadas
Um parente meu era noivo de uma moça que pediu
para ele pagar um curso que ela queria fazer pois,
segundo ela, com esse curo ela conseguiria se alocar
mais rapidamente no mercado de trabalho e pode-
ria ajuda-lo a comprar as coisas necessárias para o
casamento, como móveis e utensílios de casa. Me
recordo dele me contando isso com orgulho, imagi-
nando que a vida seria mais fácil com uma esposa
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5. Infidelidade feminina 28
que dividira tudo com ele, porém o que aconteceu
na verdade não foi bem assim.
Por ele confiar totalmente nela, apenas fazia os de-
pósitos em conta sem pedir para ver nada, nem ao
menos sabia onde o curso seria feito. Desconfio
até que ele não tinha nem ideia de que curso seria.
Após meses dando dinheiro e após algumas con-
versas comigo, ele finalmente decidiu pedir para a
noiva mostrar o material do curso.
Inicialmente ela começou enrolando para mostrar
chegando ao ponto de tentar inverter a situação
alegando que ele não estava confiando nela, “como
você pode querer casar comigo se você nem ao
menos confia em mim?”
Após um tempo ela finalmente confessou: estava
utilizando o dinheiro para pagar as próprias contas
e dívidas. Não havia nenhum curso.
Essa é uma grande verdade dura de aceitar: muitas
mulheres utilizam os homens como bancos pesso-
ais, e não apenas isso: existe uma ligação entre a
infidelidade financeira com a infidelidade conjugal.
Uma grande parte das mulheres mantém segredo
quanto a seus gastos, mentindo sobre o valor de
uma roupa, uma joia ou qualquer coisa que tenham
investido dinheiro. O que se descobriu é que as
pessoas que mais traem sexualmente são mais pro-
pensas a cometer infidelidade financeira [12].
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29 Comunidade Bela e Fúria
Mulheres são muito acostumadas a mentir sobre os
seus gastos, e talvez isso seja um reflexo do compor-
tamento promíscuo feminino que foi normalizado
na sociedade. Dessa forma a infidelidade financeira
é uma consequência da personalidade das mulheres
que favorecem vários traços de traição e infideli-
dade em várias áreas.
A mulher que mente sobre os gastos é capaz de
mentir sobre qualquer coisa. E como é muito mais
fácil encontrar essas mentiras financeiras que ou-
tras, uma vez detectadas devem ser avaliadas com
cuidado pelos homens, e merecem uma investiga-
ção sobre as possíveis outras formas de infidelidade
que possam estar ocorrendo.
3. As batalhas do passado
Os humanos ancestrais enfrentaram três grandes
lutas na vida. Primeiro foram os perigos do ambi-
ente físico – obter comida suficiente para comer,
encontrar abrigo contra a tempestade, afastar extre-
mos de calor e frio. Em segundo lugar estavam as
lutas com outras espécies. A sobrevivência estava
sempre em risco de cobras perigosas, felinos carní-
voros e parasitas que faziam dos corpos humanos
seus lares. Uma terceira classe de desafios mostrou-
se não menos fundamental – competição e conflito
com membros de nossa própria espécie. Outros
humanos, com suas múltiplas fundas e flechas, for-
maram coletivamente uma importante força hostil
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5. Infidelidade feminina 30
da natureza.
No contexto dessas lutas, os humanos desenvolve-
ram um menu de estratégias de acasalamento, das
quais a união de pares comprometida a longo prazo
tornou-se central [13]. Um companheiro compro-
metido poderia fornecer carne durante os invernos
frios, quando nenhuma fruta estava florescendo.
Um parceiro de longo prazo pode oferecer prote-
ção contra predadores famintos e humanos hostis.
Companheiros de vida podiam alimentar os filhos,
os veículos inestimáveis que carregavam a preciosa
carga genética para o futuro. O acasalamento de
longo prazo, em suma, oferecia uma abundância
de benefícios, auxiliando no combate contra todas
as três classes de lutas humanas.
Mas algo sempre pode dar errado. Um caçador
inicialmente promissor pode ser prejudicado por
ferimentos ou infecções. Um parceiro regular pode
ser mordido por uma aranha venenosa, ferido em
batalha ou morto em uma guerra entre grupos. Ou
seu status dentro do grupo pode despencar, dimi-
nuindo sua prioridade privilegiada de acesso aos
recursos críticos do grupo.
O valor do companheiro de um parceiro, inicial-
mente prometendo um caminho ascendente, pode
sofrer reveses calamitosos. A seleção de parceiros
de longo prazo tem tudo a ver com a trajetória fu-
tura, e o futuro muitas vezes traz consigo traição e
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31 Comunidade Bela e Fúria
tragédia.
4. Companheiros valiosos
Outro desafio enfrentado por um companheiro com-
prometido é que parceiros mais valiosos, inicial-
mente ausentes ou indisponíveis, às vezes apare-
cem em cena. O valor do seu companheiro pode
aumentar, tornando-o atraente para parceiros em
potencial que inicialmente estavam desinteressa-
dos. Um parceiro em potencial anteriormente in-
disponível pode repentinamente ficar livre devido
à morte ou deserção de seu próprio parceiro. A fu-
são de duas tribos separadas pode apresentar uma
nova riqueza de oportunidades de acasalamento.
Em suma, os caprichos da vida forneceram novas
perspectivas para nossos ancestrais negociarem no
mercado de acasalamento.
E, por outro lado, os indivíduos podem se ver no
lado perdedor com um parceiro pelo qual se desen-
canta. Um marido pode começar um caso, desvi-
ando valiosos recursos familiares para outra mu-
lher e seus filhos. Um homem pode sentir que seu
status lhe dá direito a uma segunda esposa, redu-
zindo pela metade a participação da esposa inicial
em seus recursos. Ou ele pode se divorciar dela
completamente, abandonando-a e seus filhos de-
pendentes, assim como o avanço da idade reduz seu
valor de companheiro e obscurece suas próprias
perspectivas de re-acasalamento.
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5. Infidelidade feminina 32
Todos esses desafios ancestrais favoreceram a evo-
lução de soluções estratégicas. Algumas soluções
envolvem táticas de retenção de parceiros, motiva-
ções para afastar os caçadores furtivos e manter
um parceiro investidor. Essas táticas vão da vi-
gilância à violência. Mas existia outro conjunto
importante de soluções – adaptações para troca de
companheiros, ao qual nos voltaremos agora.
5. Seleção e atração
Embora muitas pesquisas científicas tenham se con-
centrado nos estágios iniciais de seleção e atração
de parceiros, e algumas na retenção de parceiros,
relativamente pouca atenção [14] tem sido dada às
adaptações para a troca de parceiros.
Uma das mais importantes envolve o monitora-
mento do valor do companheiro de um parceiro,
que é composto de dezenas de qualidades. Estes
incluem qualidades sociais – o status ou estima em
que são mantidos; sua rede de amizade e aliados de
coalizão; o poder de suas alianças de parentesco. As
qualidades físicas também contribuem para o valor
do parceiro, como proeza atlética, físico formidá-
vel, atratividade e sinais observáveis de saúde. A
personalidade também é importante. Um parceiro
é enérgico, confiável, ambicioso, emocionalmente
estável, sociável, tranquilo ou dominante? A maio-
ria dessas qualidades muda com o tempo. O status
social pode subir ou cair. A saúde e o bem-estar au-
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33 Comunidade Bela e Fúria
mentam e diminuem dia a dia, mas também podem
ser prejudicados de forma mais permanente por
um parasita, doença ou lesão. As personalidades
mudam.
Os níveis de energia podem diminuir com a idade.
A ambição pode ser saciada pela seleção pós-companheira.
Mesmo a estabilidade emocional pode mudar de-
vido a traumas psicológicos ou físicos. TEPT é uma
consequência comum das provações de guerra e
agressão sexual. As mudanças nesses componen-
teschave do valor do parceiro, inevitáveis em todas
as vidas, exceto nas mais isoladas, devem ser moni-
toradas.
O valor do companheiro de um parceiro também é
uma função [15] crítica de quanto eles valorizam
você. O termo técnico é razão de trade-off (troca)
de bem-estar (WTR), a proporção de quanto valor
eles atribuem ao seu bem-estar em relação ao seu
próprio bem-estar. Alguns seletores de parceiros
sofrem um choque rude quando um WTR alto du-
rante a fase de namoro se transforma em um WTR
egoisticamente distorcido após os votos de casa-
mento. Essa pode ser uma das razões pelas quais
o divórcio é mais comum nos primeiros anos de
casamento e depois diminui com o tempo.
Um parceiro que inicialmente mostra alto inves-
timento pode reduzir esse investimento ao longo
do tempo. A satisfação com o relacionamento, um
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5. Infidelidade feminina 34
barômetro que sobe e desce com as marés do tempo,
é o principal mecanismo de monitoramento psico-
lógico que rastreia os componentes do valor do
companheiro de um parceiro, seu nível de inves-
timento e o WTR que eles mantêm em relação a
você. O valor do companheiro dentro dos casais é
inerentemente relativo. Consequentemente, moni-
torar o valor do companheiro de um parceiro não
é suficiente.
A autoavaliação é necessária. O valor do compa-
nheiro de uma mulher ou homem pode aumentar
com o tempo. Qualquer pessoa pode subir de status,
herdar uma abundância de recursos ou se distinguir
por meio de atos de bravura, liderança ou sabedoria,
tornando-os mais desejáveis no mercado de acasa-
lamento. Uma mulher cujo valor de companheiro
aumenta pode sentir-se insatisfeita com o marido,
mesmo que a atratividade dele tenha permanecido
inalterada.
Mulheres com alta atratividade elevam [16] seus
padrões de acasalamento, esperando níveis mais
altos de qualidades de parceiros em métricas como
status, recursos, comprometimento e cooperação.
O valor do companheiro de uma mulher varia até
mesmo durante o ciclo de ovulação mensal. Na
medida em que o valor do companheiro de uma
mulher é uma função de sua fertilidade, ela se torna
mais desejável na época da ovulação do que em
outras fases de seu ciclo.
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35 Comunidade Bela e Fúria
Mudanças sutis na atratividade das mulheres refle-
tem [17] essas mudanças de ovulação. Sua pele bri-
lha um pouco mais, sua proporção cintura-quadril
torna-se ligeiramente menor e suas vozes se ele-
vam um pouco, todas qualidades encontradas para
aumentar a percepção da beleza feminina. O fato
de que as mulheres se tornam mais exigentes em
suas preferências de parceiro precisamente neste
momento do ciclo pode refletir uma adaptação para
monitorar seu próprio valor de companheiro e ajus-
tar seus padrões de acordo.
6. Mudanças cíclicas e atração
Não sabemos se essas mudanças cíclicas ou mais
duradouras na desejabilidade das mulheres influ-
enciam qualidades como seu nível de satisfação
com seu parceiro atual, sua atração por parceiros
alternativos em potencial, seu esforço para culti-
var parceiros substitutos ou sua tentação de ter um
caso. Mas há evidências tentadoramente sugesti-
vas. Um estudo [18] descobriu que as mulheres
são mais propensas a fugir dos esforços de guarda
de seus parceiros precisamente em sua fase mais
fértil – um efeito mais pronunciado entre mulheres
parceiras de homens com baixa atratividade.
Essas mulheres ficam mais interessadas em parti-
cipar de eventos sociais, talvez porque possam in-
teragir com companheiros alternativos. E relatam
flertar mais com homens que não sejam seus par-
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5. Infidelidade feminina 36
ceiros regulares. Essas descobertas [19] apontam
para a possibilidade de que as mulheres monito-
rem o valor de seu próprio companheiro e, quando
ele aumenta, os parceiros alternativos podem pa-
recer mais atraentes. Isso, por sua vez, requer o
monitoramento de possíveis parceiros alternativos.
De acordo com a hipótese da troca de parceiros, a
busca por companheiros alternativos permanece
ativada mesmo entre aqueles em relacionamentos
felizes. Às vezes, esse rastreamento [10] ocorre
em níveis baixos quando novos parceiros disponí-
veis aparecem ou quando a atração ou o interesse
de um parceiro em potencial aumenta. Às vezes,
é ativado em níveis elevados, como quando uma
mulher fica cada vez mais insatisfeita com seu com-
panheiro regular e quer sair do relacionamento.
Os estudos [20] sugerem que as mulheres que ras-
treiam companheiros alternativos operam em três
dimensões:
• A primeira é o interesse: o parceiro em po-
tencial demonstra atenção, atração e desejo?
Contato visual prolongado, sorrisos seletivos
e olhares de soslaio são alguns indicadores
documentados aqui. Esses indicadores sina-
lizam um interesse de longo prazo ou um
desejo sexual passageiro? Muitas mulheres
relutam em deixar seu parceiro regular por
uma fantasia passageira, embora algumas ve-
jam isso como um sinal importante de que
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37 Comunidade Bela e Fúria
algo está seriamente errado em seu relacio-
namento regular.
• A segunda dimensão é o valor do parceiro:
apenas grandes incrementos no valor do par-
ceiro comprometido provavelmente valerão
os custos de separação.
• A terceira dimensão para rastreamento é ele-
gibilidade: a alternativa interessada está real
mente livre de compromissos onerosos, como
um cônjuge existente ou obrigações esmaga-
doras com filhos dependentes? Também se
descobriu que as mulheres reduziram o es-
forço para reter seu parceiro regular apenas
quando operavam em uma ou mais das di-
mensões acima.
7. Como as mulheres fazem a troca?
Esses padrões clássicos e generalizados nunca te-
riam evoluído sem produzir decisões e comporta-
mentos de acasalamento no mundo real. Então,
como as mulheres realmente implementam uma
estratégia potencial de troca de parceiros? Temos
três estratégias [21] principais - cultivar parceiros
de apoio, implementar casos e decretar uma sepa-
ração.
Uma mulher disse: “Homens são como sopa; você
sempre quer ter alguns em banho-maria”. A hipó-
tese do companheiro de reserva afirma que mesmo
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5. Infidelidade feminina 38
as pessoas que experimentam uma satisfação rela-
tivamente alta no relacionamento se beneficiam de
cultivar companheiros de reserva porque nada na
vida ou no amor vem com garantia. Os estudos [22]
sobre isso descobrem que tanto mulheres quanto
homens relatam cultivar companheiros de reserva -
substitutos potenciais para seu companheiro atual,
caso seus relacionamentos implodam. Em média,
ambos os sexos listam ter cerca de três potenciais
companheiros de reserva. As pessoas também rela-
tam que ficariam chateadas se seu companheiro de
reserva se envolvesse seriamente romanticamente
com outra pessoa.
Curiosamente, as mulheres são mais propensas do
que os homens a relatar que ficariam chateadas
se seu apoio entrasse em um relacionamento de
longo prazo ou se apaixonasse por outra pessoa.
As mulheres, mais do que os homens, relatam que
tentariam ativamente impedir que seus substitutos
se casassem com outra pessoa. A implicação parece
clara – o profundo envolvimento de acasalamento
de um companheiro de reserva com outra pessoa
mina seu valor como um companheiro de reserva
real.
Às vezes, amigos [23] do sexo oposto servem como
reforços. As mulheres mais do que os homens pri-
orizam os recursos econômicos e as proezas físicas
em seus amigos do sexo oposto – diferenças de gê-
nero que refletem precisamente as diferenças de
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39 Comunidade Bela e Fúria
sexo nas preferências de parceiros de longo prazo.
Mas as qualidades que as mulheres valorizam em
um amigo do sexo oposto e em um companheiro
de longa data podem ser quase idênticas por pura
coincidência? Uma previsão importante da hipó-
tese da troca de parceiros é que as mulheres au-
mentarão seus esforços para solidificar amigos do
sexo oposto como possíveis reforços quando as cir-
cunstâncias sugerirem que uma troca de parceiros
está no horizonte.
Outra pista é que as pessoas raramente revelam a
seus parceiros regulares que consideram alguém
um parceiro reserva. “Somos apenas amigos” é um
bordão [24] comum. Mas ser “apenas amigos” tam-
bém é uma tática usada por caçadores furtivos que
tentam atrair alguém para longe de um relaciona-
mento de longo prazo. Companheiros de reserva
muitas vezes escondem suas próprias motivações
de acasalamento.
8. Psicologia da troca de parceiros
A hipótese da troca de parceiros explica uma série
de descobertas que, de outra forma, permanecem
misteriosas. Isso explica por que a maioria das pes-
soas cultiva companheiros de reserva, por que as
qualidades desejadas em amigos do sexo oposto ma-
peiam as qualidades desejadas em um companheiro
de longo prazo e por que os companheiros de re-
serva geralmente passam despercebidos pelo radar
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5. Infidelidade feminina 40
do companheiro regular. Isso explica por que as mu-
lheres ficam insatisfeitas com seus relacionamentos
existentes quando existem alternativas disponíveis
no pool de acasalamento que são mais valiosas em
termos de parceiros do que seus parceiros regulares.
Ele fornece uma explicação convincente de por que
as mulheres estão dispostas a arriscar tanto para
ter casos, um quebra-cabeça evolutivo duradouro
porque as mulheres não obtêm benefícios diretos
na moeda do sucesso reprodutivo.
Reconhecer que os humanos desenvolveram uma
psicologia dedicada à troca de parceiros, sem dú-
vida, será perturbador para muitos. Pode ser des-
concertante para um homem perceber que sua es-
posa tem uma apólice de seguro de companheira,
nutre fantasias sexuais com seu colega de trabalho
ou tem “apenas um amigo” que é seu rival. Pode ser
deprimente perceber que você é mais substituível
do que imaginava. Pode ser perturbador quando
você percebe que a infelicidade de seu parceiro
pode não ser transitória e, em vez disso, pressagia
um plano oculto para sair do relacionamento.
Mas nada no acasalamento permanece estático. A
evolução não projetou os humanos para a felicidade
matrimonial vitalícia, ainda que sejamos agentes
morais e possamos mudar isso. Nossos ancestrais
enfrentaram um mundo de acasalamento onde algo
sempre pode dar errado. Aqueles que se destaca-
ram nos bons e maus momentos podem ganhar ad-
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41 Comunidade Bela e Fúria
miração por sua lealdade. Mas os humanos moder-
nos descendem de ancestrais bem-sucedidos que
carregavam seguro de companheiro; que dedicou
energia à construção de cenários, às simulações
cognitivas de fantasiar sobre possíveis companhei-
ros e traçar planos para sair; e quem agiu nesses
cenários quando o cálculo oculto apontou para os
benefícios da troca de parceiros.
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K
Traição e Desejo Sexual
1. Desejo Sexual Feminino
O que os homens querem é considerado muito bem
compreendido. Em geral, seu desejo sexual é orde-
nado, consistente e estritamente direcionado. Um
homem heterossexual é heterossexual. Se você
mostrar a ele sexo heterossexual, sua fisiologia se-
xual e seu desejo subjetivo e relatado aumentam em
conjunto. O sexo homossexual o deixará frio tanto
física quanto emocionalmente. Para os homens, há
uma excelente correspondência entre a excitação
fisiológica (medida pela tumescência peniana) e o
nível de desejo relatado.
O sucesso do Viagra demonstra a simplicidade do
mecanismo masculino. O Viagra não visa o desejo,
mas funciona aumentando o fluxo sanguíneo ge-
nital, permitindo a ereção. Isso, aparentemente, é
tudo o que é necessário em muitos casos. Conforme
o pênis sobe, o desejo já está esperando.
Para as mulheres, a história é diferente. O corpo
feminino, mostram os estudos [25], gosta de tudo,
ou pelo menos responde a tudo (ou não sabe do que
gosta, dirão alguns cínicos). A excitação fisiológica
feminina (medida pela lubrificação vaginal) ocorre
em resposta a qualquer tipo de atividade sexual:
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43 Comunidade Bela e Fúria
homem com mulher, mulher com mulher, homem
com homem. Até mesmo assistir sexo entre ma-
cacos bonobos estimula a excitação fisiológica nas
mulheres.
Os pesquisadores canadenses Kelly Suschinsky e
Martin Lalumiere propuseram que esse padrão de
excitação abrangente é uma adaptação evolutiva.
De acordo com esta teoria, a vagina fica imediata-
mente úmida a qualquer sinal de atividade sexual
nas proximidades, de modo a proteger a mulher de
ferimentos em caso de estupro ou violência sexual.
Essa excitação não está necessariamente relacio-
nada aos desejos, intenções ou preferências sexuais
da mulher. Afinal, as mulheres realmente não que-
rem fazer sexo com bonobos.
De fato, ao contrário dos homens, as respostas cor-
porais objetivas das mulheres não refletem seus
desejos mentais subjetivos. Esta é uma das razões
pelas quais o Viagra não funciona para as mulhe-
res. A preparação física não implica desejo. Que a
mulher pode fazer sexo não significa que ela queira.
6.1.1 Então o que ela quer?
Por um lado, há evidências consideráveis de que as
mulheres buscam e valorizam um sentimento de
intimidade e proximidade emocional com seus par-
ceiros sexuais. As razões para isso parecem claras
e lógicas: tendo apenas um útero para encher com
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6. Traição e Desejo Sexual 44
um feto de cada vez, a mulher não obtém nenhuma
vantagem evolutiva óbvia da promiscuidade. Para
as mulheres, que não possuem semente para espa-
lhar, o sexo com mais pessoas não resulta em mais
descendentes genéticos potenciais. Além disso, as
mulheres correm maior risco do que os homens de
violência sexual e doenças sexualmente transmis-
síveis, sem mencionar o risco único de gravidez.
Vale a pena que as mulheres sejam cuidadosas na
escolha de seus parceiros sexuais.
Além disso, o orgasmo feminino é alcançado de
forma menos confiável do que o masculino, por-
tanto, suas chances de desfrutar de sexo casual ou
anônimo são menores. Uma mulher que deseja au-
mentar suas chances de prazer e minimizar suas
chances de dano é melhor conhecer bem seu par-
ceiro antes de começar a fazer sexo. Dessa lógica
segue a afirmação de que as mulheres são biopro-
gramadas para querer relacionamentos, não sexo;
que eles precisam de um relacionamento íntimo e
estável para se sentirem excitados e, portanto, cons-
truídos para a monogamia sexual e o casamento.
6.1.2 Problema resolvido?
Não tão rápido. Primeiro, estudos mais recentes
mostram que as diferenças de gênero no número
relatado de parceiros sexuais são reduzidas ou de-
saparecem completamente se as mulheres forem
informadas de que estão conectadas a um detec-
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45 Comunidade Bela e Fúria
tor de mentiras e que as informações fornecidas
permanecerão confidenciais. Em outras palavras,
quando as mulheres se sentem seguras o suficiente
ou compelidas a dizer a verdade sobre seu compor-
tamento sexual, a história que contam se assemelha
mais à história masculina.
Além disso, se as mulheres acreditam que não serão
prejudicadas e que o sexo será bom, sua disposição
de praticar sexo casual é igual à dos homens. A
tendência feminina para um olhar errante também
pode ser inferida, do próprio fenômeno do ciúme
masculino, que é comum em todas as sociedades
e consistentemente relacionado aos medos mas-
culinos de traição em potencial. Se as mulheres
realmente não querem sexo extraconjugal, então
por que os homens são tão desconfiados e ciumen-
tos? Por que colocar placas de pare em uma rua
sem trânsito?
Em segundo lugar, estudos recentes indicam que
a sexualidade humana é adaptada para a compe-
tição do esperma. Em outras palavras, nosso pas-
sado evolutivo programou as mulheres para buscar
sexo com diferentes homens em uma curta sucessão
e fazer com que seus espermatozoides competis-
sem intravaginalmente pelo direito de paternidade.
Assim, enquanto as mulheres podem não ter sua
própria semente para espalhar, elas têm múltiplas
variedades de sementes masculinas para escolher.
Estudos recentes indicam que os objetos de atração
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6. Traição e Desejo Sexual 46
sexual feminina variam com o ciclo menstrual. Du-
rante seus dias férteis, as mulheres tendem a gostar
de homens com testosterona alta, que não são bons
candidatos à monogamia, mas têm genes masculi-
nos saudáveis. É difícil estimar quantas mulheres
casadas secretamente agem por esse impulso, mas
esse tipo de ”caça furtiva de esperma”parece ser
bastante normativo entre nossos parentes primatas.
Os homens, por sua vez, também são projetados
para essa competição de esperma. O biólogo Robin
Baker [26] descobriu, por exemplo, que a quanti-
dade de esperma que um homem libera durante
a relação sexual com sua esposa não depende do
momento da última ejaculação do homem, mas do
tempo desde sua última relação sexual com sua
esposa. Se muito tempo se passou (aumentando
as chances de que a semente de outra pessoa te-
nha entrado na vagina de sua esposa), a ejaculação
do marido contém mais espermatozóides, o que
aumenta suas chances competitivas. O sexo após
uma longa separação tende a ser mais intenso e
prolongado. Isso porque relações sexuais longas
aumentam a chance de a mulher atingir o orgasmo.
De acordo com a pesquisa de Baker e do biólogo
Mark Bellis, as contrações dos músculos uterinos
que acompanham o orgasmo feminino ajudam a re-
ter os espermatozóides dentro da vagina e movê-los
em direção aos ovários e à fertilização.
Além disso, as evidências sugerem que as mulheres
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47 Comunidade Bela e Fúria
iniciam o divórcio com mais frequência do que os
homens e se beneficiam menos do casamento do
que os homens em termos de saúde, felicidade e
riqueza. Além disso, como é bem conhecido por
psicólogos clínicos e conselheiros matrimoniais em
todos os lugares, muitas mulheres que se sentem
próximas de um parceiro amoroso não conseguem
sentir paixão por ele. A pesquisadora australiana
Lorraine Dennerstein descobriu que o declínio da
libido das mulheres ao longo dos anos da idade
adulta está fortemente ligado à perda de interesse
sexual por seus parceiros de longa data.
Se monogamia, intimidade e comunicação são os
motores do desejo feminino, por que tantas mu-
lheres falham em se inflamar com um homem fa-
miliar e fiel? Por que a paixão deles fracassa no
casamento? Por que eles procurarão pastar secre-
tamente em pastagens estrangeiras? Por que eles
não se beneficiam mais do arranjo monogâmico?
Por que eles quebram mais facilmente?
À luz das novas descobertas da pesquisa, a velha
narrativa – de que as mulheres desejam relaciona-
mentos em vez de sexo e, portanto, são construídas
para a monogamia – começa a desmoronar. Em vez
disso, surge uma nova narrativa na qual o desejo
sexual feminino é poderoso, flexível, complexo – e
até subversivo.
Como evidência adicional, a psicóloga do desen-
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6. Traição e Desejo Sexual 48
volvimento Lisa Diamond [27], da Universidade de
Utah, descobriu que muitas mulheres experimen-
tam seus interesses sexuais como fluidos e abertos,
abrangendo em momentos diferentes homens ou
mulheres, ou ambos. Richard Lippa, da Califor-
nia State University, descobriu que, ao contrário
dos homens, cujo apetite sexual diminui à medida
que aumenta, as mulheres sexualmente carregadas
exibem uma orientação cada vez mais aberta. Mu-
lheres com libido mais alta são mais propensas a
sentir desejo por membros de ambos os sexos.
Marta Meana [28], pesquisadora da Universidade
de Nevada, argumentou provocativamente que o
princípio organizador da sexualidade feminina é o
desejo de ser desejada. Na visão dela, o cara deli-
cado e hesitante que pensa educadamente em você
e pergunta se isso está certo ou aquilo é um cara
que pode atender às expectativas de sua política
de gênero feminista e as preferências de seus pais,
mas ele também pode colocá-lo em coma sexual -
não apesar dessas qualidades, mas por causa delas.
O desejo feminino é ativado quando uma mulher
se sente extremamente desejada, não considerada
racionalmente. A literatura erótica feminina, in-
cluindo todos aqueles tons de cinza, é construída
sobre essa fantasia. O desejo sexual nesta visão
não funciona de acordo com nossas expectativas e
valores sociais. O desejo busca o caminho do de-
sejo, não o caminho da retidão. Ela prospera não na
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49 Comunidade Bela e Fúria
ordem social, mas em sua negação. Esta é uma das
razões pelas quais todas as religiões e sociedades
tentam controlar, conter, limitar e redirecioná-lo.
Marta Meana fez homens e mulheres assistirem a
fotos eróticas de contato entre um homem e uma
mulher e rastreou os movimentos dos olhos dos
participantes. Ela descobriu que homens e mulhe-
res se concentram em diferentes aspectos do evento
sexual. Os homens olhavam para as mulheres, en-
quanto as mulheres observavam os dois gêneros
igualmente. Eles se concentraram no rosto do ho-
mem e no corpo da mulher. O que aparentemente
as excitava eram o desejado corpo feminino, com o
qual se identificavam, e o olhar lascivo do homem,
pelo qual ansiavam. Apesar do que comumente se
acredita a sexualidade feminina é mais egocêntrica
do que a masculina. As fantasias masculinas se
concentram em dar satisfação, não em recebê-la.
Os homens se veem em suas fantasias levando a
mulher ao orgasmo, não a si mesmos. As mulhe-
res veem o homem, incendiado por uma luxúria
incontrolável por elas, levando-as ao êxtase. Os
homens querem excitar as mulheres. As mulheres
querem que os homens as excitem. Ser desejada
é o verdadeiro orgasmo feminino e suas palavras
ressoam como uma espécie de verdade. Afinal, não
haveria mais mulheres com ciúmes da mulher de-
sejada que não consegue gozar do que da mulher
orgástica que não é desejada?
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6. Traição e Desejo Sexual 50
Esse aspecto da sexualidade feminina explica a pre-
valência de fantasias de estupro no repertório de
fantasias femininas. As fantasias de estupro, nesse
entendimento, são na verdade fantasias de entrega,
não por anseios masoquistas de ser prejudicada ou
punida, mas pelo desejo feminino de ser desejada
por um homem a ponto de deixá-lo fora de controle.
Por essa lógica, a fantasia é, na verdade, sobre a
entrega voluntária depois que o homem cobiçado,
em sua incapacidade de se conter, atesta a própria
desejabilidade suprema da mulher.
De acordo com essa visão, o casamento monogâ-
mico funciona para as mulheres em certo nível:
fornece segurança, intimidade e ajuda com os fi-
lhos. Mas também sufoca o desejo sexual feminino.
Como a autora feminista Toni Bentley escreveu
recentemente: “Não há praticamente nenhum pro-
blema sexual feminino — hormonal, menopausa, or-
gásmico ou simplesmente a velha falta de interesse
— que não seja resolvido por um novo amante.”
No final das contas, as evidências acumuladas pa-
recem revelar um elemento paradoxal no cerne do
desejo feminino, uma tensão entre dois motivos
conflitantes. De um lado está o desejo de estabili-
dade, intimidade e segurança — imagine a chama
de um fogão a gás: controlada, utilitária, domesti-
cada e boa para fazer o jantar. Por outro lado, está a
necessidade de se sentir total e incontrolavelmente
desejado, o objeto da luxúria crua e primitiva - uma
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51 Comunidade Bela e Fúria
casa em chamas.
2. Traição e Desejo Sexual
Muitas mulheres que traem seus maridos ou namo-
rados alegam que estão traindo porque não rece-
bem a devida atenção, e talvez essa seja uma das
maiores desculpas existentes para errar e se livrar
da culpa do próprio erro, enquanto joga sobre o
outro a responsabilidade.
A questão é que as mulheres sexualmente satisfei-
tas são as que MAIS traem [29], apenas convencionou-
se que alegar falta de atenção (e quando falo aten-
ção estou me referindo ao ato sexual, que é o me-
didor de satisfação sexual entre o casal), seria a
justificativa para a traição. E talvez a maior sur-
presa seja que as mulheres mais feias são as que
estatisticamente mais traem seus maridos/namora-
dos.
Muitos homens pensam ”eu não vou ficar com mu-
lher muito bonita, pois isso é fórmula para ser
traído”, entretanto esse pensamento está totalmente
errado. As feias são as maiores traidoras.
”Ah, mas ela pode ser sexualmente satisfeita, mas
ser uma pessoa triste!”Hoje é comum culpar o ma-
rido pela tristeza feminina (e amanhã pretendo fa-
zer um vídeo sobre isso aqui pro canal, explicando
que o homem não é o responsável pela felicidade
da esposa), mas um hábito estimulado pelas femi-
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6. Traição e Desejo Sexual 52
nistas pode ser o responsável direto pela falta de
prazer sexual das mulheres: o uso de anticoncep-
cionais hormonais pelas mulheres foi associado a
um menor prazer sexual [30] momentâneo para as
mulheres e seus parceiros masculinos.
O que as feministas falaram durante anos de que o
uso de anticoncepcionais era a libertação feminina,
é justamente aquilo que tem tornado as mulheres
frustradas sexualmente. E quando as mulheres es-
tão frustradas, eles vendem a ideia de que a solução
para isso é que o homem PRECISA ser ”gentilzi-
nho”, ”bonzinho”para sua esposa voltar a ser feliz.
Mas isso apenas piora a situação, uma vez que ho-
mens bonzinhos tem maior probabilidade de serem
traídos pelas suas mulheres [31].
E aqui vale um adendo: as mulheres tendem a sem-
pre agir baseado na forma que elas sentem naquele
momento. Elas assumem que a sensação é a ex-
pressão da verdade e, baseado nisso, tomam suas
decisões.
Então talvez o que eu diga aqui choque muitas
mulheres (e alguns homens), mas as mulheres são
programadas para se sentirem MENOS atraídas
pelo seu marido, sobre a influência de seus ciclos
menstruais: Quando estão se aproximando do seu
período mais fértil, elas começam a se sentir ME-
NOS atraídas por seus maridos [32].
Isso é uma adaptação evolutiva para LIVRAR as mu-
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53 Comunidade Bela e Fúria
lheres de relações ruins. A ideia seria que quando
elas estivessem mais próximas de poder gerar um
filho, ela pudesse avaliar o homem com quem es-
tivesse se relacionando, com menor influência da
paixão, e avaliarem eles de modo mais frio. E se
eles fossem parceiros ruins, elas os largariam e en-
contrariam outro melhor.
Mas o que seria uma estratégia evolutiva, mudou
seu sentido por influência do feminismo. Se antes a
mulher se sentia menos atraída para poder avaliar
sua relação de ”forma fria”, agora foi dito a elas
que isso significa que ”o amor acabou”ou que ela
está em um ”relacionamento tóxico”, e que ela deve
largar esse homem.
Mas o que ninguém conta é que esse afastamento
emocional é momentâneo e que passará com a mu-
dança do seu ciclo hormonal. Muitas mulheres
largam seus maridos e destroem suas vidas e famí-
lias, unicamente porque não entendem a própria
fisiologia.
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K
Ciúmes
1. Função do ciúme e a identificação da
traição
Creio que a maioria aqui já deva ter visto fotos de
mulheres nas mídias sociais fazendo o famoso ”con-
trapposto”, uma posição em que a mulher levanta
um dos lados do quadril para uma foto [33]). A
questão é que as mulheres fazem isso, ainda que
inconscientemente, pois nesta posição as curvas
femininas foram percebidas como mais sexy que
o normal [34]. Esse princípio do contrapposto é o
que torna a ”dança do ventre”sensual pela mesma
inclinação dos quadris, e também o que leva as
mulheres a usarem salto alto, pois quando andam
geram artificialmente essa inclinação. É a mulher
que anda ”rebolando”.
Se você perguntar a uma mulher porque ela usa
salto alto, provavelmente ela dirá que por passar
seriedade ou elegância, mas na verdade a origem
desse costume é passar sensualidade e atrair aten-
ção masculina. Preciso ressaltar que não estou de
forma alguma dizendo que as mulheres devem pa-
rar de usar salto alto, estou apenas mostrando a
origem do uso.
Paralelamente a esse comportamento provocador
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55 Comunidade Bela e Fúria
natural das mulheres, temos outra questão: o ciúme
masculino sobre a mulher evoluiu como forma de
garantir a paternidade do homem sobre os filhos
que ele tem com sua esposa.
A questão da paternidade está no centro de grande
parte do comportamento dos homens - e por boas
razões evolutivas. Em nosso passado primitivo, os
homens que investiram em filhos que não eram
seus teriam, em média, deixado menos descenden-
tes do que aqueles que criaram apenas seus pró-
prios descendentes genéticos. Como consequência,
os homens estavam, e continuam a estar, preocu-
pados com a paternidade e isso moldou não apenas
muitos comportamentos masculinos, mas, talvez
surpreendentemente, alguns comportamentos fe-
mininos também. A forma mais óbvia pela qual
a preocupação dos homens com a paternidade se
manifesta é no ciúme - observando uma parceira
e mantendo-a longe de concorrentes em poten-
cial [35].
A preocupação com a paternidade moldou o com-
portamento dos homens. Então o ciúme masculino
é uma forma de restringir a sexualidade feminina
da parceira. Quando o homem reclama de uma
roupa ou comportamento (como a posição das fo-
tos como iniciamos o texto), ele está fazendo o que
evoluiu para fazer.
A maioria das mulheres acha desmedida essa ati-
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7. Ciúmes 56
tude dos homens, mas existe um fator que as leva a
pensar assim: infidelidade das mulheres prejudica
a satisfação no relacionamento mais fortemente do
que a dos homens [36].
Veja: a infidelidade feminina é pior para os ho-
mens que a infidelidade masculina é para a mulhe-
res, pois existe um aspecto físico no ciúme para
os homens, especialmente para os homens pro-
fundamente ligados à relação. A mera suspeita
de infidelidade compromete seriamente a saúde fí-
sica e mental [37], levando os homens a realmente
adoecerem fisicamente e se traumatizarem emocio-
nalmente, desenvolvendo até síndrome do estresse
pós-traumático [38].
E é por isso que as mulheres sentem menos ciúme e
acham que homens sentem ciúmes com ”coisas bo-
bas”, se recuperam mais rapidamente de términos
e não se importam em ter determinados comporta-
mentos que os homens veem como problemáticos,
pois os processos que ocorrem com elas não é exa-
tamente o mesmo que ocorre com homens. Para
os homens a longa desconexão física vem de nosso
impulso inato para garantir a paternidade e a garan-
tia de não perder a companheira para um homem
rival.
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57 Comunidade Bela e Fúria
2. A função do ciúme nos homens
Sempre que os machos contribuem para sua prole,
eles confrontam o problema da paternidade incerta.
Este problema ocorre, pois, sempre a fertilização e
a gestação ocorrem dentro do corpo da fêmea, e tor-
nasse exacerbada sempre que os machos investem
na prole após o nascimento.
Comparado com muitos outros mamíferos machos,
os homens investem tremendamente em sua prole.
Por isso ser traído é um sério problema adaptativo
que os homens, ao longo da história evolutiva da
humanidade, tiveram que resolver. A prevalência
do problema no reino animal se reflete no fato de
que tão poucos mamíferos machos investem em
seus filhotes [39] [40].
Entre os chimpanzés, nossos parentes primatas
mais próximos, os machos defendem sua tropa con-
tra agressores da mesma espécie, mas não investem
nada em sua própria prole. O investimento dos ho-
mens em seus filhos sem certeza da paternidade
seria extremamente improvável de ter evoluído,
uma vez que os machos incorreriam em uma du-
pla perda. Seu esforço parental não seria apenas
desperdiçado, mas também ser canalizado para a
descendência de um rival.
A falha geral dos mamíferos machos a investir em
seus filhotes sugere que a maioria dos mamíferos
machos não resolveu o problema da gvarantia da
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7. Ciúmes 58
paternidade. O fato de os homens investirem pesa-
damente em seus jovens fornece evidências circuns-
tanciais poderosas que nossos ancestrais desenvol-
veram mecanismos psicológicos eficazes para re-
solver o problema da paternidade e para reduzir a
probabilidade de traição.
E os estudos do ciúme sexual, em todas as suas
diversas manifestações, fornecem evidência de que
o ciúme é esse mecanismo. Imagine chegar em casa
e encontrar seu cônjuge na cama com outra pessoa.
Que emoções você sentiria?
Se você é uma mulher, provavelmente experimen-
tará tristeza e sentimentos de abandono. Se você
for um homem, provavelmente sentirá raiva. Se
você é ser humano, provavelmente experimentaria
humilhação [41].
O ciúme sexual consiste em emoções que são evo-
cadas por uma ameaça a uma relação sexual. A
percepção de uma ameaça leva a ações projetadas
para reduzir ou eliminar essa ameaça [42].
Estes podem variar de vigilância, que funciona para
monitorar o parceiro em busca de sinais de envol-
vimento, à violência, que inflige um alto custo ao
companheiro ou rival.
O ciúme sexual é ativado quando um é confrontado
com sinais de que outra pessoa tem interesse em
sua companheira ou com sinais de deserção por um
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59 Comunidade Bela e Fúria
companheiro, como flertar com alguém.
A raiva, tristeza e humilhação que seguem esses si-
nais motivam a ação tipicamente destinada a cortar
um rival ou impedir que a companheira vá embora.
Os homens que não conseguem resolver esse pro-
blema adaptativo correm o risco de não apenas
sofrer custos reprodutivos diretos, mas também
perdendo status e reputação, o que pode prejudicar
seriamente sua capacidade de atrair outras compa-
nheiras.
Homens traídos são objetos universais de escárnio.
As penalidades por falha em manter uma compa-
nheira para si inclui, assim, a perda de status social,
que pode diminuir o sucesso futuro no perigoso
jogo do acasalamento. A maioria das pesquisas
sobre ciúme se concentrou no ciúme sexual mascu-
lino, provavelmente por causa da assimetria entre
a confiança de homens e mulheres sobre sua pater-
nidade. No entanto, as mulheres também experi-
mentam ciúmes.
O contato do companheiro com outras mulheres
pode levá-lo a redirecionar seus recursos e compro-
misso para longe dela e de seus filhos e em direção
a outra mulher — e seus possíveis filhos.
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7. Ciúmes 60
3. Homens e mulheres não diferem em frequên-
cia ou a magnitude
Apesar das semelhanças, existem diferenças sexu-
ais intrigantes no conteúdo e foco do ciúme, ou os
eventos específicos que desencadeiam o ciúme em
homens e mulheres.
Uma pesquisa feita com vinte homens e vinte mu-
lheres foram pedidas a desempenhar um papel em
um cenário em que ficaram com ciúmes [43].
Mas primeiro os sujeitos foram solicitados indivi-
dualmente a escolher seu cenário entre um grupo
de cenários possíveis, que normalmente envolviam
ciúme sobre o envolvimento sexual de um parceiro
com outra pessoa ou ciúme por dedicação de tempo
e recursos do parceiro para outra pessoa.
Dezessete das mulheres escolheram a infidelidade
sobre recursos ou tempo como o ciúme indutor
do evento, enquanto apenas três mulheres esco-
lheram a infidelidade sexual. Dentro do contraste
marcante, dezesseis dos vinte homens escolheram
a infidelidade sexual como o evento indutor de ciú-
mes, e apenas quatro homens escolheram o desvio
de tempo ou recursos.
Este estudo fornece a primeira pista de que, embora
homens e mulheres têm o mecanismo psicológico
do ciúme, é desencadeado por diferentes eventos,
que correspondem aos problemas adaptativos de
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61 Comunidade Bela e Fúria
garantir paternidade para os homens e garantir
recursos e comprometimento para as mulheres.
Em outro estudo, pediu-se a quinze casais que lis-
tassem situações que os deixaria com ciúmes. Os
homens identificaram envolvimento sexual entre
seu parceiro e um terceiro como a causa primária
do ciúme, e secundariamente comparação entre
eles e um rival.
As mulheres, ao contrário, indicaram que teriam
reações ciumentas principalmente se o parceiro
estivesse passando tempo com outras mulheres,
conversando com uma concorrente, e beijando uma
competidora [44].
O ciúme feminino, em suma, é desencadeado por
pistas para o possível desvio do investimento de
seu companheiro para outra mulher, enquanto o
ciúme dos homens é desencadeado principalmente
por sugestões para os possíveis desvios dos favores
sexuais de suas companheiras para outro homem.
4. Homens são feitos para desconfiar da
fidelidade da mulher
O ciúme masculino é sempre rotulado como infanti-
lidade, ”masculinidade tóxica”, ou alguma bobagem
nesse sentido, porém o fato de que homens sentem
mais ciúmes que as mulheres é uma determinação
biológica para sermos dessa forma, uma vez que a
diferença nas percepções de infidelidade pode ser
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7. Ciúmes 62
atribuída a um viés cognitivo nos homens [45].
Vieses cognitivos referem-se a padrões particulares
de percepção, julgamento ou tomada de decisão em
que um erro é feito de forma previsível. Os vieses
cognitivos têm sido entendidos como mecanismos
evoluídos de processamento de informações que
são tendenciosos para errar em uma direção espe-
cífica, independentemente da realidade objetiva.
Nesse caso, o viés cognitivo nos homens é errar na
direção de suspeitar de infidelidade.
Embora homens e mulheres tenham interesse em
detectar a infidelidade, de uma perspectiva evolu-
tiva, as consequências de não detectar a infideli-
dade pode ser mais grave para os homens do que
para as mulheres.
Se um homem suspeita erradamente que a mulher
é infiel, ele pode manter a relação se desculpando,
por exemplo. Mas se ele erra em NÃO perceber a
infidelidade, acaba sendo obrigado a criar filhos que
não são dele, gastando tempo e recursos preciosos
no processo.
Enquanto uma mulher pode ter muita certeza, por
razões óbvias, de que um filho é dela, um homem
não tem essa certeza e pode investir tempo e re-
cursos em uma criança que não é geneticamente
relacionada a ele.
Assim, o custo evolutivo da infidelidade é mais
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63 Comunidade Bela e Fúria
grave para os homens do que para as Mulheres.
5. Confie nos seus instintos
A primeira regra para evitar a traição é: confie nos
seus instintos. Já estudamos em uma aula espe-
cífica na Comunidade Bela e Fúria como homens
conseguem extrair muita pouca informação dos
seus sentidos. Desta forma ele não percebe peque-
nas alterações no timbre de voz que as mulheres
captam com facilidade. Para você entender bem
isso pense em um homem discutindo com a esposa
e subitamente ela diz: “Não fale comigo nesse tom!”.
A Reação masculina não pode ser outra do que pen-
sar “que tom?”. Para o homem ele está falando
exatamente da mesma maneira, mas a mulher con-
segue perceber as variações sutis que revelam como
está o estado emocional deste homem. Apensar da
nossa desvantagem em captar de forma consciente
tais informações, a testosterona nos garante uma
vantagem tática: nossos instintos nos induzem a
ter sensações sobre pessoas e situações que não são
captadas racionalmente como as mulheres.
Pense em dois homens de negócio buscando um
contrato. Tudo está quase fechado quando um de-
les tem uma certeza interior de que não deve fechar
negócio. Então ele não fecha e tempos depois des-
cobre que teria se prejudicado muito se tivesse ido
até o fim.
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7. Ciúmes 64
Ele tomou essa decisão com base em uma sensação
(note que não é uma “emoção”, mas uma “sensação”.
Mulheres nesses casos mulheres tem emoções, ho-
mens tem sensações), ele não tinha certeza, nem
tinha provas, mas algo dentro dele “decidiu”. Isso
acontece porque evolutivamente os homens com
altas taxas de testosterona desenvolveram a ligação
com instintos que permitiam a sobrevivência na
falta de um real conhecimento. É a mente mascu-
lina primitiva “captando” instintivamente sinais de
alerta sobre situações que conscientemente não são
captados. Para se aprofundar neste tema e confe-
rir os estudos sobre ele, assista a aula referente na
Comunidade Bela e Fúria.
Desta forma, instintivamente, homens conseguem
reconhecer a infidelidade feminina apenas olhando
para as mulheres.
Apesar do que nos ensinaram, sempre julgue um
livro pela capa. É interessante que é do interesse
feminino dizer que a aparência não deve ser im-
portante e que não devemos fazer escolhas senti-
mentais meramente pelo que vemos, entretanto o
que temos descoberto é que o fato de sermos le-
vados a fazer escolhas baseado no que vemos é
extremamente importante para os homens.
Costumo falar sobre a necessidade masculina de ter
diante de si escolhas de possíveis parceiras para sua
vida pois, ao contrário das mulheres, a quantidade
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65 Comunidade Bela e Fúria
de escolhas é benéfica para o masculino.
Enquanto as mulheres ficam indecisas diante de
vários parceiros potenciais e após a escolha elas
tendem a ficar deprimidas e insatisfeitas, como já
estudamos nos ebooks da Comunidade Bela e Fúria,
os homens diante da quantidade fazem escolhas
mais rapidamente pela melhor mulher e se sentem
satisfeitos com a escolha. Porém não apenas isso,
mas existe o fator mais importante: a quantidade de
escolhas ajuda os homens se decidir pela mais fiel
e reconhecer a infidelidade apenas olhando para as
mulheres.
Em dois experimentos, os pesquisadores descobri-
ram que quando homens heterossexuais eram apre-
sentados a imagens de duas mulheres em uma ta-
refa de escolha forçada (eles eram obrigados a esco-
lher uma delas), eles tendiam a escolher a mulher
mais fiel [46].
No entanto, os participantes do sexo masculino
não mostraram precisão na classificação de mulhe-
res individualmente, sugerindo que a capacidade
dos homens de detectar a infidelidade só prevalece
mediante a possibilidade de escolhas.
Desta forma o homem que não conseguem atrair
pretendentes não conseguem saber ao certo se a
mulher disponível é fiel ou não. Talvez isso seja
uma adaptação evolutiva ruim: já que o homem só
tem diante de si aquela mulher, ele é impedido de
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7. Ciúmes 66
saber se ela é fiel ou não para que assim fique com
ela de qualquer forma. E é por isso que os betas
tendem a ficar sempre com as piores mulheres.
É a máxima que sempre ensino: você precisa ser o
melhor homem possível dentro do contexto social
em que está inserido, assim irá atrair a atenção
feminina e poderá escolher a melhor mulher para
sua vida.
6. Mulheres e o ciúme
Mulheres sabem quando um homem está dando em
cima delas.
Qual é a melhor maneira para cafajestes dormi-
rem com uma mulher que já está em um relaciona-
mento? Talvez uma pergunta melhor seja: existe
algum comportamento feminino que favoreça que
homens tentem conquistar uma mulher comprome-
tida? É essa questão que os estudos estão buscando
identificar [47].
Os pesquisadores entrevistaram 168 homens e 280
mulheres estudantes universitários dos Estados
Unidos para ver quais eram as ações considera-
das mais eficazes quando se tratava de atrair uma
pessoa que já estava em um relacionamento român-
tico.
Os homens eram mais propensos do que as mu-
lheres a ver “Beber ou ficar bêbada”, “Falar mal do
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67 Comunidade Bela e Fúria
namorado”, “Aceitar toques físicos”, “Ler as men-
sagens que ele manda”, “Ela ir a festas”, “Acei-
tar encontrar-se secretamente” e “Dançar com ela”
como formas eficazes de se infiltrar em um rela-
cionamento. Esses atos são entendidos pelos ho-
mens como um convite feminino para a traição.
Lembrem-se que na Comunidade bela e Fúria já
foram apresentados os estudos que mostram como
beber bebidas alcóolicas estimula o comportamento
de buscar sexo sem compromisso entre as mulhe-
res [48].
Por outro lado, homens e mulheres tendiam a con-
cordar que “ser atencioso”, “elogiá-la”, “passar tempo
juntos”, “ser compassivo”, “fazer trabalhos escola-
res juntos”, “oferecer-lhe ajuda com problemas” e
“sair com as amigas ou se aproximar delas” eram
atos eficazes para um homem que quer ser amante
de uma mulher, pudesse conquista-la. Percebam
que as próprias mulheres sabem que quando estão
em um relacionamento e um outro homem apa-
rece tendo esse comportamento, ele está invaria-
velmente tentando conquista-la.
Claro que as mulheres irão disfarçar estarem ci-
entes disso alegando para o namorado que aquele
outro homem é ”apenas gentil”, que ”não tem nada
a ver”. Entretanto elas sabem que isso é uma estra-
tégia masculina para ter algo com elas. Elas sabem
que esse cara tem segundas intenções.
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7. Ciúmes 68
7. Provocar ciúmes é vantajoso para as
mulheres
Se as mulheres sabem quando existem homens
dando em cima delas, por qual motivo elas aceitam
apesar de que isso é potencialmente danoso para
a relação? Talvez não seja nem apenas “permitir”
essa aproximação, mas muitas buscam ativamente
pelo flerte.
Bem, muitas mulheres são estimuladas por influen-
cers femininas para propositadamente flertar com
outros homens a fim de melhorar a própria relação.
Não é difícil encontrarmos mulheres que se sentem
poderosas por fazerem isso com seus namorados e
maridos, e existe um motivo evolutivo que as leva
a se portarem assim: a desconfiança que a mulher
possa ter um amante modifica o comportamento
sexual masculino [49].
A pesquisa é baseada na teoria de que o formato do
pênis o torna um “dispositivo de deslocamento de
sêmen”. Em outras palavras, o pênis humano de-
senvolveu sua forma única, com uma glande extra-
ordinariamente grande, a fim de deslocar o sêmen
deixado por outros homens no trato reprodutivo
feminino. Desta forma os homens acabam instin-
tivamente penetrando mais fundo e mais rápido
quando suspeitarem que têm um rival sexual.
A pesquisa foi realizada com homens e mulheres
que traíam seus parceiros, e traiam com pessoas
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69 Comunidade Bela e Fúria
comprometidas. As descobertas forneceram evi-
dências de que os homens mudaram seus compor-
tamentos sexuais quando souberam que havia um
rival sexual. Os participantes relataram que os or-
gasmos eram mais fáceis de ter, mais intensos e
duradouros quando os homens sabiam que tinham
rivais sexuais. E o mais importante: Os homens
também se esforçavam mais para satisfazer a par-
ceira quando sabiam que havia um rival, enquanto
as mulheres não.
Desta forma quando a mulher causa ciúmes pro-
positadamente em um homem o levando a pensar
que ela pode larga-lo para ficar com outro, ou pode
traí-lo, isso o leva instintivamente a transar mais
com ela, de uma forma mais intensa, e se dedicar
mais ao relacionamento para agrada-la. E a mulher
que vivencia esses benefícios unilaterais (ao custo
do bem estar emocional do homem) acredita que
esse é o caminho para a própria satisfação, o que
a leva a continuar com o comportamento leviano
de flertar com outros homens, retroalimentando o
ciclo.
8. Mulheres ganham vantagens ao fler-
tar e fazer ciúmes
Sabemos que homens experimentam muito menos
sensação de medo que as mulheres, enquanto ”te-
mer”faz parte da experiência ontológica feminina
comum. as levando a vivenciar a vida a partir dessa
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8. Ciúmes 70
experiência, e isso molda todo o comportamento
feminino. Então quando a mulher quer te fazer ter
medo de perde-la, ela quer colocar você no ”polo
feminino”, para te tornar mais fácil de ser contro-
lado e fazer servi-la. E a mulher que tenta te fazer
ciúmes constantemente já fez o mesmo em todos
os seus relacionamentos. Essa é a dinâmica com
que ela está acostumada a lidar com a vida. Ela não
se importa de te fazer sofrer desde que isso traga
benefícios para ela às suas custas. É por isso que
ela nunca irá mudar.
A mulher correta para um relacionamento é aquela
que está preocupada em te dar paz e deixar sua
mente tranquila, pois o comportamento natural
dela é uma garantia de fidelidade, afastando e im-
pondo limites para todos os outros homens. A mu-
lher que sorri demais para qualquer um, que quer
ser agradável com qualquer um, não te respeita.
Então você deve larga-la.
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K
Como reconhecer a
infidelidade
Por mais perceptivos que a maioria de nós goste
de pensar que somos, a maioria de nós foi enga-
nada. Julgar mal outra pessoa é particularmente
doloroso no caso de um parceiro romântico infiel,
principalmente se não percebermos as red flags.
No entrando elas estão lá se você souber procurar.
A pessoa que trai assume estratégias para manter
a traição oculta, porém existem cerca de 7 destas
estratégias tendem a sempre se repetir em 70% das
pessoas entrevistadas que traíam e participaram do
estudo sobre infidelidade [50]. Então o reconheci-
mento da existência das estratégias de ocultação
torna mais fácil percebermos a traição.
1. Mostrar mais interesse pelo parceiro
Uma das red flags mais comuns para ocultação de
traição consiste em, de repente, mostrar mais inte-
resse pelo parceiro, onde os trapaceiros tentam ca-
muflar a infidelidade expressando interesse e amor.
Imagine um relacionamento que você esteja e não
existe da parte da mulher a expressão de amor. É
uma mulher fria. E ”do nada”ela começa a fazer
por você coisa que nunca fez antes, com naturali-
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8. Como reconhecer a infidelidade 72
dade. Não houve uma conversa sobre o que seria
necessário muda, ela apenas mudou e passou a agir
como se sempre tivesse sido dessa forma.
Muitas vezes os parceiros traídos tem dificuldade
em reconhecer essa red flag porque a interpretam
com ironia ou arrependimento do outro. Como se
finalmente ela estivesse ”tomando jeito”. Porém
46% dos participantes do estudo indicaram que usa-
ram essa estratégia, e precisamos notar que que
alguns parceiros podem realmente acreditar que
seus companheiros estão mais apaixonados por
eles.
Em relação às personalidades dispostas a usar estra-
tégias de ocultação de infidelidade, foi descoberto
que o maquiavelismo, caracterizado por “engano,
manipulação e exploração de outros”, era um predi-
tor significativo. As estratégias para esconder a in-
fidelidade provavelmente envolvem engano, como
mentir diretamente para um parceiro, bem como
manipulação, muitas vezes na forma de expressar
amor para garantir aos parceiros sua devoção.
2. Falta de informações
Entenda: Às vezes, a falta de dados é suspeita. E
por isso mesmo que a segunda estratégia de oculta-
ção de infidelidade mais popular era eliminar evi-
dências digitais. Pessoas normais deixam rastro
do que fazem nas mídias sociais a todo instante.
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73 Comunidade Bela e Fúria
A maioria das pessoas enche o celular com troca
de mensagens com todos que conhecem, principal-
mente as mulheres. Então, se de repente as coisas
”somem”isso é uma red flag. TODA mulher gosta
de conversar MUITO. Se você namora uma mulher
que nunca tem mensagens, apesar de ter contatos,
isso é um claro sinal de alerta que ela está ocultando
alguma coisa.
3. Estabilidade Forçada
Todos seguimos rotinas em nossas vidas, entretanto
eventualmente saímos da rotina para resolver as
situações do dia a dia ou fazemos pequenas mudan-
ças pontuais. Isso é normal. Porém aqueles que se
recusam a sair da rotina e se esforçam para manter
a rotina podem estar sinalizando para uma tenta-
tiva de esconder alguma coisa de sua vida. Isso
acontece porque normalmente mudanças bruscas
revelam infidelidade, como por exemplo, a mulher
começar a se arrumar demais, comprar maquia-
gens ou roupas extravagantes. Então a traidora se
esforça para se manter sempre a mesma, quase ro-
bótica, para que você nunca suspeite de nada. Se a
mudança brusca é sinal de red flag, a total ausência
de mudança também é.
4. Angústia precede a traição
Uma nova pesquisa [51] sugere que o conflito e o
sofrimento no relacionamento precedem a infideli-
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8. Como reconhecer a infidelidade 74
dade romântica.
Usando um estudo de longo prazo da dinâmica fa-
miliar de 12 anos, os pesquisadores avaliaram uma
amostra representativa de adultos e seus principais
parceiros românticos. Eles descobriram que tanto
o bem-estar individual quanto o do relacionamento
diminuíram antes de incidentes de infidelidade para
os membros dos casais que se envolveram na infi-
delidade e para seus parceiros, as vítimas da infide-
lidade.
A infidelidade tem sido associada a dificuldades
de relacionamento e é uma das principais causas
de busca de terapia de casais. No entanto é difí-
cil estabelecer se a infidelidade causa ou decorre
da disfunção do relacionamento. Se sugere que a
infidelidade pode fazer com que parceiros infiéis
sintam culpa, guardem segredos de seus compa-
nheiros e até se sintam deprimidos, levando assim
a um aumento do conflito e angústia no relaciona-
mento.
Da mesma forma, sentir-se desligado de um par-
ceiro de longa data e sentimentos reduzidos de com-
promisso com esse parceiro também pode levar a
uma maior probabilidade de ser infiel a esse par-
ceiro. As relações causais são difíceis de discer-
nir a partir de dados não experimentais. Portanto,
os autores usaram métodos exclusivos para tentar
avaliar se o descontentamento no relacionamento
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75 Comunidade Bela e Fúria
precede ou segue as experiências de infidelidade.
No projeto atual, os pesquisadores acompanharam
casais em relacionamentos de longo prazo por uma
média de cinco a oito anos. Os pesquisadores co-
letaram dados sobre incidências auto-relatadas de
infidelidade dos entrevistados primários (tanto as
infidelidades relatadas como aqueles que se envol-
veram na infidelidade, denominados “perpetrado-
res”, quanto as infidelidades relatadas como aqueles
que foram traídos, denominados “vítimas”). Os pes-
quisadores então examinaram modelos de mudança
descontínua para rastrear mudanças de bem-estar
em pessoas que sofreram infidelidade.
Esses modelos permitiram aos pesquisadores de-
terminar se a diminuição do bem-estar precedeu
ou seguiu as experiências dos casais com a infideli-
dade. O estudo maior foi projetado para avaliar a
dinâmica familiar e, portanto, incluiu avaliações de
bem-estar individual, como satisfação com a vida
e autoestima, bem como medidas de bem-estar no
relacionamento, incluindo satisfação no relaciona-
mento, intimidade e conflito percebido.
As incidências de infidelidade relatadas incluíram
609 indivíduos que confessaram ter traído seus par-
ceiros e 338 indivíduos que relataram que seus par-
ceiros foram infiéis a eles. Nesse conjunto de dados,
a maioria das pessoas indicou que apenas um caso
ocorreu, embora alguns indivíduos tenham rela-
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8. Como reconhecer a infidelidade 76
tado até seis casos diferentes.
Os pesquisadores encontraram evidências claras
de que as experiências de infidelidade foram pre-
cedidas por uma diminuição gradual no bem-estar
pessoal e de relacionamento das vítimas e perpe-
tradores. Os autores argumentaram que essas re-
duções nos fatores individuais e no nível do re-
lacionamento podem ter levado os perpetradores
a buscar relacionamentos românticos alternativos
para aqueles que iniciaram os casos. Além disso, de-
pois de um caso, eventos de infidelidade não foram
seguidos por padrões de recuperação constantes.
Nem os parceiros envolvidos nos casos nem os par-
ceiros que foram vítimas de infidelidade recupe-
raram seus níveis básicos de bem-estar após rela-
tar/descobrir a infidelidade. Em vez disso, casais
que estavam mais comprometidos com seus rela-
cionamentos antes da infidelidade continuaram a
declinar em bem-estar após suas experiências de
infidelidade. Especificamente, os indivíduos que
relataram ter casos amorosos mostraram declínios
mais fortes no bem-estar após a infidelidade em
comparação com aqueles que relataram que seus
parceiros foram infiéis.
Como a amostra de indivíduos que confessaram
trair seus próprios parceiros foi quase duas vezes
maior do que a amostra de indivíduos que relata-
ram que seus parceiros haviam traído, os autores
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77 Comunidade Bela e Fúria
especulam que muitos casais podem experimen-
tar infidelidade que é mantida em segredo pelo
parceiro perpetrador. Manter essa infidelidade em
segredo pode desempenhar um papel nos declínios
mais acentuados no bem-estar evidentes em perpe-
tradores versus vítimas de infidelidade.
Outra questão que basicamente o que motiva as pes-
soas a traírem é um “senso de direito” elevado que
possuem, mas precisamos trabalhar essa ideia me-
lhor para entendermos isso e a História do post-it
nos serve de excelente ilustração onde, vários aci-
dentes e falhas aconteceram acidentalmente para
criar o produto que conhecemos.
Em 1968, Spencer Silver, um cientista da 3M, estava
trabalhando no desenvolvimento de um adesivo
forte e durável para a construção de aeronaves.
A certa altura, ele criou um adesivo muito fraco.
Embora não tivesse a resistência necessária, tinha
as notáveis qualidades de não deixar resíduos e ser
reutilizável.
No entanto, a 3M considerou o produto inútil, colocou-
o de lado e esqueceu-se dele.
Anos depois, Art Fry, engenheiro químico da 3M
e membro do coral da igreja, ficou frustrado por
perder seu lugar em seu hinário. Fry, que estava
ciente da invenção de Silver, teve uma ideia: ele
revestiu alguns papéis com o adesivo falhado de Sil-
ver, marcou as páginas do hinário com os pedaços
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8. Como reconhecer a infidelidade 78
de papel e removeu o papel após o serviço religioso
sem danificar as páginas.
Vendo o valor potencial do produto, Fry o reapre-
sentou a seus superiores. Eles rejeitaram a ideia e
ordenaram que ele parasse de trabalhar no projeto.
No entanto, Fry desafiou essas ordens e continuou
com o projeto. Ele construiu uma máquina para
produzir os post-its, distribuindo os protótipos para
as secretárias da 3M, que adoraram. Fry ignorou
as ordens dos seus gerentes, usou propriedade da
empresa sem permissão e contornou os protocolos
estabelecidos da empresa - tudo para perseguir sua
ideia.
A 3M finalmente viu o valor do produto e o fabri-
cou. Os post-its tornaram-se extremamente bem-
sucedidos e lucrativos: Fry pegou o que era conside-
rado um produto inútil e o aplicou de uma maneira
única e útil. Mas a história do post-it demonstra
tanto o lado positivo quanto o lado sombrio da sua
busca por realização pessoal. Por um lado, uma
ideia criativa resultou em valor e lucro; por ou-
tro, um indivíduo estava disposto a ser intencional-
mente desonesto para executar sua ideia.
É esse lado obscuro da busca pelos interesses pró-
prios e sua ligação com a desonestidade.
Por exemplo, Francesca Gino, professora da Har-
vard University, e Dan Ariely, professor da Duke
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79 Comunidade Bela e Fúria
University, descobriram que o pensamento criativo
permite que os indivíduos justifiquem sua deso-
nestidade [52]. É uma ladeira escorregadia: assim
que uma pessoa pode justificar ter um comporta-
mento, é mais provável que ela se envolva nesse
comportamento mesmo sabendo que ele é errado.
O grande problema é justamente que as pessoas
desenvolvem um senso de direito por se acharem
importantes ou pensarem que o que elas querem é
mais importante que todo o resto – a crença de que
são mais merecedoras do que outras. Eles enxer-
gam a si mesmas como especiais e, como resultado,
acham que têm o direito de agir de uma determi-
nada maneira mesmo que seja moralmente errada
ou de serem recompensados por seus esforços. Por
exemplo, eles podem ver o roubo e traição como
um meio justificado de reivindicar algo que acham
que merecem.
Voltando à história do post-it, Art Fry pode ter acre-
ditado que seu produto era tão valioso e importante
que ele tinha o direito de quebrar as regras e ser
desonesto para produzi-lo. Nesse caso o final foi
feliz, mas quantas outras pessoas podem dizer o
mesmo?
5. Um abraço longo pode ser infidelidade?
A infidelidade não é simplesmente uma relação se-
xual fora de um relacionamento. A infidelidade é
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8. Como reconhecer a infidelidade 80
um tópico complexo, muitas vezes determinado por
meio de contexto e comportamentos compostos.
Todos entendemos a relação sexual e o beijo como
dois comportamentos explícitos que normalmente
se qualificam como infidelidade, porém o estudo
também revelou que abraços longos e nenhum con-
tato físico eram frequentemente considerados atos
de infidelidade quando combinados com envolvi-
mento emocional, conteúdo erótico online e longa
duração [53].
O estudo foi feito da seguinte forma: Os participan-
tes leram uma vinheta fornecida e determinaram
se o comportamento descrito era qualificado como
infidelidade. Os pesquisadores tinham um cache
de 26.633 vinhetas que descreviam ambos os sexos
como envolvidos em comportamentos explícitos
(coito, beijos, abraços longos ou nenhum contato
físico) em diferentes contextos que podem incluir
envolvimento emocional, conteúdo erótico online
ou envolvimento de longo prazo. Cada participante
recebeu nove vinhetas escolhidas aleatoriamente.
Todas as vinhetas foram utilizadas no estudo.
Os resultados expõem o panorama de julgamentos
complexos sobre o tema da infidelidade. A pro-
babilidade de a relação sexual ser julgada como
infidelidade foi de quase 100%; isso era verdade em
todas as circunstâncias.
Por outro lado, o beijo tem alta probabilidade de
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81 Comunidade Bela e Fúria
ser identificado como infidelidade se envolvimento
emocional, contato erótico online e longa duração
também forem verdadeiros. A probabilidade cai
quando o beijo ocorre com apenas dois fatores de
contexto, depois um, depois nenhum. Da mesma
forma, a probabilidade de alguém chamar um longo
abraço de infidelidade é de 80% quando há envolvi-
mento emocional, comportamento erótico online e
longa duração do relacionamento. A probabilidade
cai para 11% quando nenhum desses fatores está
presente.
É interessante que essa pesquisa contribui para a
nossa compreensão sobre este tema. Isso sugere
que a relação sexual não é o único comportamento
que resulta na percepção de infidelidade. Por isso
que abraços longos e carinhosos com o sexo oposto
são tão perigosos e podem denotar o que está den-
tro do coração de cada um.
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K
Táticas usadas para esconder
a infidelidade
Como vimos, alguns parceiros podem usar a infide-
lidade como uma estratégia de saída, querendo que
seu parceiro saiba para que ele inicie um rompi-
mento. Para outros, no entanto, esconder a infide-
lidade é uma prioridade. Eles querem manter seu
principal parceiro de relacionamento. Eles também
querem manter seu(s) parceiro(s) extradiádico(s).
Os custos de perder o relacionamento principal,
nesses casos, são muito altos, então eles se voltam
para o árduo trabalho de esconder sua infidelidade.
Pesquisas recentes [54] [55] identificaram as es-
tratégias que as pessoas usam para proteger seus
relacionamentos primários enquanto mantêm a in-
fidelidade. No primeiro estudo, 300 participantes
foram convidados a fazer um brainstorming sobre
o que poderiam fazer para esconder a infidelidade.
Essas ideias gerais foram sintetizadas em 11 estraté-
gias diferentes. Os 300 participantes do segundo es-
tudo, todos os quais admitiram ter sido infiéis a um
parceiro romântico, indicaram com que frequência
adotaram cada estratégia.
As descobertas fornecem um vislumbre importante
da infidelidade: ao conhecer essas táticas, podemos
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83 Comunidade Bela e Fúria
saber melhor se um parceiro está tendo um caso?
1. Algumas estratégias são mais detectá-
veis
As pessoas variam em quão criativas são para es-
conder a infidelidade e quanta energia colocam
para impedir que seu parceiro principal descubra
sua infidelidade. As seguintes estratégias, listadas
aqui do mais comum ao menos comum, alinham-se
com táticas específicas que as pessoas podem usar
para esconder seus casos.
1. Se mantém discretos. A abordagem mais co-
mumente endossada para manter um caso
em segredo é ser intencional sobre comuni-
cações e reuniões, para limitar a descoberta.
2. Removem as evidências digitais. No mundo
tecnológico de hoje, mensagens de texto ou
fotos incriminatórias podem ser facilmente
lidas em um telefone que não esteja prote-
gido ou em uma caixa de entrada aberta. As
pessoas que desejam manter sua infidelidade
em segredo removerão qualquer evidência
de correspondência com seus parceiros amo-
rosos, tornando mais difícil para seu parceiro
principal fazer acusações informadas.
3. Comportam-se como de costume. Comporta-
mentos incomuns podem alertar um parceiro
primário, então parceiros infiéis prestarão
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9. Táticas usadas para esconder a infidelidade 84
atenção e trarão seu eu típico para suas in-
terações com o parceiro. Não importa seu
estilo típico de interação, eles mantêm esse
estilo após o início do caso. Ao manter a
mesma dinâmica de casal, eles trabalham
para eliminar suspeitas.
4. Mantém a mesma rotina. Além de manter
os mesmos tipos de atitudes, conversas e
comportamentos com seu parceiro princi-
pal como costumam fazer, os parceiros in-
fiéis aderirão a hábitos e rotinas diárias. Mu-
danças na aparência (novos cortes de cabelo,
nova moda) podem levantar suspeitas, as-
sim como novas despesas não contabilizadas.
Trapaceiros espertos cuidarão de seus hábi-
tos do dia-a-dia e permanecerão consistentes
como forma de encobrir seu caso. Seguir na
hierarquia ocultar-infidelidade foram as es-
tratégias “manter o mesmo comportamento”
e “manter a mesma rotina”, que envolvem
trapaceiros fazendo um esforço para evitar
mudar atitudes e comportamento em rela-
ção aos parceiros, bem como sua rotina e
aparência. Essas estratégias podem ser efica-
zes porque geralmente é uma modificação de
guarda-roupa ou comportamento dentro de
relacionamentos estabelecidos que desperta
suspeitas.
5. Usam os amigos como desculpas (e apoio).
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85 Comunidade Bela e Fúria
Os amigos de uma pessoa podem ter novas
responsabilidades (quer saibam ou não) quando
uma pessoa inicia um caso. Especificamente,
não é incomum que parceiros infiéis usem
seus amigos para fornecer álibis ou descul-
pas críveis. Os amigos podem saber, ou não,
que estão sendo a desculpa de um parceiro
infiel para se conectar com seus parceiros
extradiádicos.
6. Bloqueiam toda a tecnologia. Evidências con-
cretas do caso de um parceiro não seriam
difíceis de obter com todas as comunicações
gravadas de que dependemos hoje (mensa-
gens de texto, e-mails). Parceiros que não
excluem, ou que excluem, mas desejam prote-
ção extra, podem certificar-se, e intencional-
mente, de bloquear seus dispositivos. Alterar
senhas, sair da mídia social - esses tipos de
comportamento são estratégias para reduzir
a consciência do parceiro principal.
7. Limitam o contato com o parceiro extradiá-
dico (amante). Em vez de ver um parceiro ex-
tradiádico com frequência, os indivíduos que
desejam manter seu relacionamento primá-
rio (mesmo que desejem continuar seu caso)
limitarão intencionalmente a frequência com
que se encontram com seu parceiro extradiá-
dico. Como parte da discrição, a atenção à
frequência reduz a probabilidade de desco-
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9. Táticas usadas para esconder a infidelidade 86
berta.
8. Parecem inocentes. Para encobrir um caso,
algumas pessoas se certificam de nunca fa-
zer perguntas sobre a infidelidade de seu par-
ceiro (para limitar as perguntas de retorno) e
tentam fazer parecer que está tudo bem. Eles
podem adotar um novo hobby - bastante ino-
cente! - para reduzir a suspeita de que eles
estão sendo infiéis
9. Aumentam a atenção ao parceiro principal.
Uma maneira presumida de distrair um par-
ceiro principal para que ele não suspeite é
enchê-lo de interesse, amor e atenção. Ser
mais caloroso e generoso, por exemplo, são
estratégias que os parceiros podem usar para
encobrir um caso. Os trapaceiros tentam ca-
muflar a infidelidade expressando interesse
e amor. Essa estratégia torna os trapaceiros
vulneráveis a uma estratégia de detecção de
infidelidade do tipo “observar mudanças em
seu comportamento”, porque os parceiros po-
dem interpretar ironicamente, mas com pre-
cisão, expressões repentinas de amor como
um sinal de infidelidade. Embora essa estra-
tégia seja raramente usada, 46
10. Novo e-mail ou telefone. Outra abordagem
tecnológica para administrar um caso é abrir
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87 Comunidade Bela e Fúria
novas contas que um parceiro principal não
conhece. Isso ajuda a proteger a comuni-
cação com parceiros extradiádicos para que
o parceiro principal tenha menos probabili-
dade de descobrir
11. Apresentam um parceiro primário a um par-
ceiro extradiádico. Uma maneira bastante
dramática de as pessoas infiéis poderem des-
pistar um parceiro principal do cheiro da infi-
delidade é apresentar o parceiro extradiádico
como um amigo, colega ou associado. Ao
definir ativamente o relacionamento, os par-
ceiros infiéis tentam controlar a consciência
de seu parceiro principal e desviar suas sus-
peitas.
2. A ocultação estratégica dificulta a
detecção
Freqüentemente, conhecemos muito bem nossos
parceiros românticos e eles a nós. Por causa dessa
intimidade, os parceiros infiéis provavelmente têm
uma vantagem em cobrir seus rastros. Eles po-
dem saber quais estratégias e táticas de acompa-
nhamento são mais importantes de usar e quais
podem parecer artificiais, suspeitas ou alarmantes
para seu parceiro específico. Em outras palavras,
eles podem enganar seu parceiro principal.
É importante ressaltar que a maioria das pessoas
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9. Táticas usadas para esconder a infidelidade 88
adota prontamente pelo menos sete estratégias se-
paradas para esconder sua infidelidade. Isso é tra-
balhoso, mas adotar uma abordagem multifacetada
pode ser percebido como a maneira mais eficaz de
manter um caso em segredo. Talvez isso sugira que
uma avaliação holística dos comportamentos do
parceiro, não focada em uma estratégia em particu-
lar, pode ser a melhor maneira de discernir se um
parceiro está tendo um caso. Múltiplos sinais, em
outras palavras, podem ser mais informativos do
que um comportamento.
3. A chance depende da personalidade
Como já tratamos em um texto específico, as mulhe-
res sentem-se atraídas por traços faciais masculinos
que denotam infidelidade, então não vou repetir
aqui esses achados, mas trarei um com relação aos
homens: a chance do homem ser traído depende
da personalidade [56] que ele tem.
Quando falamos sobre traços de personalidade, nos
referimos aos Cinco Grandes traços: abertura à
experiência, consciência, amabilidade, extroversão
e neuroticismo.
Três dos cinco grandes traços não mostraram asso-
ciação com a infidelidade do parceiro: extroversão,
abertura à experiência e neuroticismo. No entanto,
conscienciosidade e amabilidade foram ligadas à
infidelidade do parceiro, mas em direções diferen-
Felippe e Vanessa Chaves
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89 Comunidade Bela e Fúria
tes.
Especificamente, quanto mais conscienciosas as
pessoas fossem, menor a probabilidade de terem
sido enganadas. Conscienciosidade envolve ser
muito detalhista, trabalhador, organizado e respon-
sável. Para cada 1 unidade de aumento na carac-
terística conscienciosidade, as chances de relatar
infidelidade conjugal diminuem em 53%.
Por outro lado, quanto mais agradáveis as pessoas
fossem, maior a probabilidade de terem sido enga-
nadas. A amabilidade envolve ser muito cuidadoso
e preocupado com o bem-estar dos outros – isto
é, pessoas agradáveis tendem a ser muito gentis e
atenciosas. Para cada aumento de 1 unidade na ca-
racterística amabilidade, as chances de infidelidade
do parceiro são quase triplicadas.
Ora, mas se as mulheres relatam desejar homem
agradáveis, por que os homens mais agradáveis
são os mais traídos? Provavelmente as mulheres
se acostumem com seus parceiros altamente com-
preensivos e acomodados, tanto que assumem que
até a infidelidade – se descoberta – será perdoada.
Dessa forma elas acreditam que o homem já está
garantido de tal forma que importa o que ela faça,
ela sempre será perdoada. Ela sabe que irá receber
uma segunda chance.
Lembre-se do texto que eu já trouxe aqui: homens
são MAIS propensos que as mulheres a perdoarem
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10. Táticas usadas para esconder a infidelidade 90
uma traição e continuarem com elas, ao contrário
das mulheres que tendem a nunca perdoar.
Então respondendo ao debate que foi gerado nos
comentários: ainda que seja afirmado que mulhe-
res não gostam de cafajestes, ao menos devemos
admitir que elas não gostam de homens bonzinhos.
Felippe e Vanessa Chaves
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K
Estatísticas da Traição
1. Quem tem mais probabilidade de trair?
As pesquisas encontraram vários preditores de infi-
delidade. Por exemplo, sabemos que os homens são
mais propensos a trair e que a diferença de gênero
aumenta com a idade. Um estudo [57] de 2018 de
James McNulty e colegas da Florida State Univer-
sity também descobriu que a infidelidade era mais
comum entre aqueles menos satisfeitos com seus
relacionamentos atuais.
Atratividade física também desempenha um papel.
Mulheres atraentes têm menos probabilidade de ter
um caso (por incrível que pareça, as mulheres feias
são as que mais traem); não é assim para os homens.
A atratividade do parceiro também é importante.
Os homens (mas não as mulheres) são “mais pro-
pensos a serem infiéis quando suas parceiras são
menos atraentes”.
A história sexual também é importante. Os homens
que relataram ter mais parceiros sexuais de curto
prazo antes do casamento eram mais propensos a
ter um caso, enquanto o oposto era verdadeiro para
as mulheres.
Histórico pessoal, hábitos e atitudes também são
importantes. Aqueles que cresceram em famílias
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10. Estatísticas da Traição 92
intactas são menos propensos a trapacear, assim
como aqueles que frequentam serviços religiosos
regularmente e aqueles que se identificam como
republicanos.
O apego à infância também pode desempenhar um
papel. Michelle Russell descobriu [58] que os côn-
juges eram mais propensos a perpetrar infidelidade
quando eles ou seu parceiro tinham alta (vs. baixa)
ansiedade de apego. Além disso, a evitação do
apego do parceiro foi negativamente associada à
infidelidade, indicando que os cônjuges eram me-
nos propensos a perpetrar infidelidade quando seu
parceiro pontuava alto (vs. baixo) em evitação do
apego.
O poder social também é um jogador na equação
da infidelidade. O psicólogo Joris Lammers e seus
colegas descobriram [59] que o poder elevado está
positivamente associado à infidelidade porque o
poder aumenta a confiança na capacidade de atrair
parceiros.
A pesquisa documentou uma forte correlação entre
a infidelidade e uma série de problemas de rela-
cionamento. No entanto, correlação não implica
causalidade. Uma questão central para os pesqui-
sadores da infidelidade tem a ver com o ”problema
da flecha causal”: a infidelidade e os conflitos con-
jugais tendem a se correlacionar. Qual é a causa e
qual é o efeito?
Felippe e Vanessa Chaves
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93 Comunidade Bela e Fúria
Um estudo [60] recente procurou fornecer respos-
tas. Os pesquisadores usaram uma amostra naci-
onalmente representativa de mais de 12.000 adul-
tos alemães, acompanhados por até 12 anos (entre
2008 e 2020) para examinar a dinâmica do relaciona-
mento em torno da infidelidade. Os pesquisadores
documentaram mais de 1.000 eventos de infideli-
dade em sua amostra.
Eles analisaram se as diminuições no bem-estar de
ambos os parceiros precederam ou seguiram a infi-
delidade e compararam esses dados com um grupo
de controle pareado de casais que não experimen-
taram infidelidade. Os pesquisadores coletaram
dados sobre satisfação no relacionamento e bem-
estar pessoal, para explorar o impacto potencial da
infidelidade nos participantes individuais.
Vários resultados se destacaram.
Primeiro, como seria de esperar, a infidelidade é
mais provável de acontecer em relacionamentos de
má qualidade. Ambos os membros dos casais que
experimentaram infidelidade durante o período do
estudo eram mais propensos a relatar níveis mais
baixos de bem-estar pessoal e de relacionamento
e níveis mais altos de conflito de relacionamento,
em média ao longo dos anos.
Os indivíduos que relataram ser infiéis e seus par-
ceiros pontuaram menos em satisfação com a vida,
relataram menor satisfação com o relacionamento
Felippe e Vanessa Chaves
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10. Estatísticas da Traição 94
e relataram maior conflito de relacionamento, em
média ao longo dos anos. Essas descobertas se ali-
nham com o senso comum, bem como resultados
semelhantes na literatura recente [61].
Em segundo lugar, a infidelidade é precedida por
um declínio gradual na qualidade do relaciona-
mento. Tanto para os perpetradores quanto para
as vítimas de infidelidade, observamos uma dete-
rioração gradual na maioria dos indicadores de
bem-estar do relacionamento que começou antes
do evento.
Tanto os perpetradores quanto as vítimas de infide-
lidade experimentaram uma diminuição na satisfa-
ção e admiração no relacionamento e um aumento
no conflito de relacionamento antes eventos de infi-
delidade. Em outras palavras, é mais provável que
a infidelidade aconteça quando os relacionamentos
de baixa qualidade se deterioram ainda mais.
Em terceiro lugar (e surpreendentemente, talvez),
o estudo descobriu que o bem-estar dos iniciadores
da infidelidade diminuiu mais do que o de seus
parceiros traídos. Os perpetradores de infideli-
dade experimentaram uma mudança básica no bem-
estar: durante o tempo após (em relação à antes)
do evento, os perpetradores relataram baixa auto-
estima, menor satisfação e intimidade no relacio-
namento e mais conflitos de relacionamento. Em
contraste, a evidência de uma mudança de linha
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95 Comunidade Bela e Fúria
de base no bem-estar foi menos conclusiva para as
vítimas de infidelidade: elas relataram menos auto-
estima e mais conflitos de relacionamento depois
(vs. antes) de serem traídas, mas não experimenta-
ram nenhuma mudança em outros indicadores de
bem-estar.
Quarto, com poucas exceções, a recuperação do re-
lacionamento pós-infidelidade é difícil. Nem as ví-
timas nem os perpetradores pareciam se recuperar
de seus níveis iniciais de bem-estar no relaciona-
mento. No entanto, surgiu um padrão de sociali-
zação mais consistente com relação ao bem-estar
pessoal: tanto as vítimas quanto os perpetradores
experimentaram um aumento gradual na satisfação
com a vida e na auto-estima nos anos seguintes ao
evento.
Em outras palavras, os indivíduos podem se recu-
perar mais facilmente da infidelidade do que os
relacionamentos. Às vezes, a verdadeira vítima da
infidelidade não é nenhum dos envolvidos, mas a
união entre eles.
Quinto, os autores usaram seus dados para tes-
tar teorias concorrentes de comportamento pós-
infidelidade. Por um lado, o ”modelo de investi-
mento” [62] prevê que os parceiros de alto compro-
metimento serão mais propensos a perdoar seus
parceiros, pois estão mais dispostos a investir na
manutenção do relacionamento. Por outro lado, a
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10. Estatísticas da Traição 96
teoria da violação da expectativa [63] argumenta
que indivíduos altamente comprometidos terão me-
nos probabilidade de esquecer e perdoar, porque
seu desapontamento com a violação de seu parceiro
seria mais forte do que indivíduos menos compro-
metidos.
Os dados dos autores fornecem suporte para o úl-
timo. Eles observam: “Consistente com a teoria
da violação da expectativa, níveis mais altos (vs.
mais baixos) de comprometimento foram associa-
dos a um pior ajustamento (para ambos os parcei-
ros) após a infidelidade”.
Finalmente, os dados sugerem que o gênero desem-
penha um papel na dinâmica da infidelidade. Dada
a crença popular de que os homens são mais in-
clinados à infidelidade, pode-se supor que eles se
beneficiem mais com isso.
Surpreendentemente, no entanto, os iniciadores
masculinos da infidelidade foram mais afetados
negativamente pelo evento do que os iniciadores
femininos. As mulheres que iniciaram a infideli-
dade tendiam a experimentar um aumento gradual
(muitas vezes na forma de uma recuperação após
declínios pré-evento) no bem-estar pessoal após o
evento.
De fato, os resultados sugerem que dois grupos ten-
dem a se beneficiar da infidelidade: pessoas com
baixo comprometimento no relacionamento e prin-
Felippe e Vanessa Chaves
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97 Comunidade Bela e Fúria
cipalmente as mulheres. A infidelidade dentro do
primeiro grupo é benéfica talvez porque níveis mais
baixos de comprometimento geram níveis mais bai-
xos de mágoa e desapontamento, insuficientes para
superar o lado positivo da infidelidade (excitação,
novidade, intimidade, prazer, etc.). Além disso, a
infidelidade nesses relacionamentos pode fornecer
um caminho para encontrar relacionamentos de
alto comprometimento.
Com relação aos efeitos positivos nas mulheres, os
autores especulam que a infidelidade das mulheres
é mais frequentemente motivada pela insatisfação
no relacionamento do que a dos homens e citam
pesquisas anteriores sugerindo que a infidelidade
cometida por esse motivo tem maior probabilidade
de levar a resultados positivos. Eles também pro-
põem que a infidelidade das
2. Existe diferença entre a traição mas-
culina e feminina?
Talvez a primeira coisa que precisamos saber é que
dependendo da faixa etária, as mulheres acabam
traindo mais que os homens.
Bem, segundo os dados do General Social Survey
[64], do período de 2010-2016, entre os adultos casa-
dos com idades entre 18 e 29 anos, as mulheres são
ligeiramente mais propensas a trair que os homens
(11% vs. 10%). Ou seja, segundo os dados, mais mu-
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10. Estatísticas da Traição 98
lheres admitiram ter traídos seus maridos do que
homens fizeram. Ora, pela narrativa vigente, a por-
centagem de traição feminina deveria ser MUITO
inferior à dos homens, mas ela é maior, ainda que
apenas em 1 ponto percentual.
Claro que é uma diferença pequena, mas é impor-
tante porque quebra a narrativa que homens traem
mais. A mulher no ápice do seu VSM (Valor Sexual
de Mercado), tende a trair mais que os homens.
Nunca confie em nada que é dito contra os homens
hoje em dia, pois sempre será uma mentira criada
por ideologias. Quando existe traição, os homens
tendem a perdoar muito mais a mulher [65] e man-
ter a relação do que o contrário.
Quando as mulheres são traídas elas tendem a aca-
bar a relação, enquanto homens que são traídos
buscam se manter de alguma forma e sustentar
seus casamentos, contrariando o senso comum que
fala sobre ”o orgulho masculino”. E isso é poten-
cialmente prejudicial pelo fato de que homens e
mulheres traem por motivos diferentes.
Uma das maiores qualidades que uma outra mulher
pode ter aos olhos de um homem, é tão somente sua
atratividade sexual. Um homem que trai, vai trair
apenas pela atratividade momentânea que ele sente
por uma mulher [66] e julgá-la por isso. Não existe
uma comparação na cabeça desse homem entre a
amante e a esposa e, por isso, por mais paradoxal
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99 Comunidade Bela e Fúria
que seja, um homem pode trair e continuar amando
sua mulher igualmente.
Os homens sucumbem às tentações sexuais mais
do que as mulheres, surgiu porque os homens ex-
perimentam impulsos mais fortes [67]. E por isso
que um homem que trai pode se arrepender do erro
e nunca mais trair.
Além disso o homem é capaz de ter relações se-
xuais sem comprometimento emocional, já com
as mulheres 79% das que têm casos relatam ter se
apaixonado por seus amantes [68].
Quando uma mulher trai, ela está buscando um
homem que aos seus olhos seja melhor que seu
marido em todos os aspectos [69]. Ela deseja hu-
milhar o marido e rebaixa-lo de todas as formas
possíveis. Vimos isso no recente caso da ”influen-
cer”que traiu o marido com o sertanejo Eduardo
Costa, e ainda mandou para o marido fotos dela
com o amante [70] dizendo que agora ela tem um
homem que iria calar a boca de todo mundo.
Ela não apenas queria outro homem, ela desejava
humilhar seu marido pois, na mente feminina, ela
faz questão de inferiorizar o homem em compara-
ção ao amante, tanto para ela mesma quanto para
a sociedade. E por isso que quando uma mulher
trai, dificilmente o relacionamento poderá ser res-
taurado ao ponto de que nunca mais haja traição
da parte dela, pois houve um rompimento de laços
Felippe e Vanessa Chaves
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10. Estatísticas da Traição 100
tão profundo que extrapolou os limites dos quis
poderiam ser retomados.
E por isso que eu não incentivo que homens conti-
nuem em relações em que foram traídos, pois além
da constante possibilidade de traição, cerca de me-
tade dos jovens adultos solteiros que sofrem infi-
delidade desenvolvem Síndrome do Estresse Pós-
Traumático [71], destruindo sua saúde mental e
emocional, além de que a mera suspeita de traição
compromete a saúde física dos indivíduos [72].
E por isso a infidelidade feminina afeta mais nega-
tivamente a relação do que a infidelidade mascu-
lina [73].
E não pense você que ser um amante de uma pes-
soa casada é viver sem preocupações! os estudos
nos mostram que os relacionamentos que são cons-
truídos na ”caça furtiva de parceiros”(em outras
palavras: amantes) são manchados, sofrendo de ní-
veis mais baixos de satisfação e confiança e níveis
mais altos de ciúme e infidelidade [74].
Claro que não estou justificando a infidelidade mas-
culina, nem dizendo que ela não tenha importância.
Infidelidade é falta de caráter, e apenas estou de-
monstrando fatos.
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101 Comunidade Bela e Fúria
3. Pessoas que traem desenvolvem maior
desejo sexual
Um interessante estudo explorou como experiên-
cias de infidelidade afetam relacionamentos futu-
ros. E o que foi descoberto é que ter traído um
parceiro no passado foi associado a uma sensação
de qualidade de relacionamento inferior em um re-
lacionamento atual. Porém não apenas isso: O ato
de trair o parceiro fazia com que os participantes do
estudo também desenvolvessem impulsos sexuais
mais elevados [75].
É importante salientar que, como já estudamos em
ebooks na Comunidade Bela e Fúria, uma das es-
tratégias psicológicas adaptativas para esconder a
infidelidade é apresentar maior dedicação ao relaci-
onamento, e desenvolver um maior impulso sexual
pode fazer parte destas adaptações de ocultamento
de traições.
Pense comigo: o sexo é o ”termômetro”da quali-
dade da relação, de tal forma que quando existe a
intimidade entre o casal, isso é interpretado como
um sinal de que tudo está bem entre eles, então ma-
ximizar essa métrica é um meio efetivo para passar
para o outro a falsa noção de que o relacionamento
está indo bem e que não existem problemas.
Um interesse súbito pelo parceiro, ou uma maior
dedicação sem motivo aparente, deve ser interpre-
tado como uma red flag no relacionamento, prin-
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10. Estatísticas da Traição 102
cipalmente quando acompanhada de um período
anterior de declínio significativo e constante na
qualidade da relação, em que você estava buscando
melhorar as coisas sem sucesso algum.
Os participantes também relataram quantos de-
les próprios foram vítimas de traições no passado.
Mais uma vez, aqueles que foram traídos no pas-
sado relataram menor qualidade de relacionamento
atual e aumento do desejo sexual. Os pesquisadores
dizem que esses resultados podem refletir desco-
bertas de pesquisas anteriores que mostram que
aqueles que foram traídos têm maior probabilidade
de trair um parceiro no futuro.
4. Pessoas que traíram irão trair nova-
mente
A infidelidade é incrivelmente dolorosa e comum.
Pesquisas indicam que a traição ocorre em até 20%
dos casamentos [76], e em até 70% das uniões não
casadas [77]. A infidelidade cria uma tremenda
perturbação, interna e relacionalmente.
De acordo com uma nova pesquisa, as pessoas que
traíram no passado têm uma probabilidade maior
de infidelidade futura [78]. Impressionantes 45%
das pessoas que fizeram sexo fora de um relacio-
namento anterior repetiram esse comportamento
mais tarde.
E o que marca a diferença entre alguém que conti-
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103 Comunidade Bela e Fúria
nua trapaceando e alguém que usa seu comporta-
mento doloroso como um catalisador para o cresci-
mento e a cura? Vontade de praticar a autoconsci-
ência relacional.
A autoconsciência relacional (RSA) é a prática con-
tínua de entender quem você é no contexto de suas
parcerias íntimas. Trata-se de entender suas cren-
ças relacionais, formadas pela família com a qual
você cresceu, seu contexto cultural, personalidade
e experiências de vida, pois elas orientam seus com-
portamentos relacionais. Sem autoconsciência rela-
cional, permanecemos presos, condenados a repetir
nossos erros.
Por isso que é importante você descobrir até que
ponto seu parceiro está comprometido em praticar
a autoconsciência relacional. A RSA molda as his-
tórias que contamos sobre nossas vidas, então veja
a história que seu parceiro conta sobre a traição.
Vou destacar dois exemplos de baixo RSA.
5. Baixo RSA
10.5.1 O Jogo da Culpa
“Meu ex era maluco. Qualquer mulher teria traído
ele. O relacionamento era tóxico e precisava termi-
nar. Eu estava infeliz, então é claro que procurei
em outro lugar.”
RSA é assumir a responsabilidade por nós mesmos
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10. Estatísticas da Traição 104
a serviço do crescimento e da cura. Se alguém só
sabe culpar o outro pelo que ela fez, ela não con-
seguirá integrar o capítulo da traição na história
maior de sua vida. Não aprenderá com a transgres-
são, e vai repetir o mesmo erro.
10.5.2 O Jogo da Vergonha
“Não quero falar sobre isso porque faz eu me sen-
tir muito mal. Eu só quero seguir em frente.” O
oposto de culpa (“É tudo culpa dele”) é vergonha
(“É tudo culpa minha”). Assim como a culpa, a
vergonha impedirá seu parceiro de integrar seu
erro a uma compreensão mais ampla de quem ele
é como pessoa. A experiência é colocada em uma
caixa chamada “Perigo. Não abra.”Aquilo que está
isolado permanece muito vivo e corre o risco de
causar estragos.
Nunca devemos nos relacionar com pessoas que já
traíram antes, pois as chances de sermos traídos
são muito altas.
6. Estatísticas sobre a infidelidade femi-
nina
Uma matéria sobre um homem que descobriu não
ser o pai biológico dos três filhos [79], causou muita
comoção entre o meio masculinista e eu fiquei pen-
sando sobre a infidelidade feminina. Bem, então
vamos debater sobre isso hoje: Veja que isso é uma
Felippe e Vanessa Chaves
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105 Comunidade Bela e Fúria
explicação evolucionista, SEM um julgamento mo-
ral sobre a questão. Somos todos aqui CONTRA
qualquer forma de traição, e também NÃO estou
falando mal de mulher ou tentando fazer com que
elas pareçam sempre vilãs, e NÃO estou justifi-
cando traição, apenas estou explicando o que as
pesquisas apontam.
Já conversamos anteriormente sobre as diferentes
causas que levam homens e mulheres a trair, e re-
centemente adicionei aquela transmissão que um
estudo descobriu que 79% das mulheres que tiveram
um caso, se apaixonaram pelo amante, enquanto
isso não ocorre entre os homens.
O fato surpreendente é que cerca de um terço de
todas as mulheres casadas terão um caso em algum
momento durante o curso de seu casamento [80],
e existe uma lógica evolucionária oculta por trás
disso.
O sexo extraconjugal fornece às mulheres informa-
ções sobre sua própria desejabilidade sexual, casos
extraconjugais aumentam a auto-estima e forne-
cem uma transição do relacionamento atual para
outro. Estudos do Buss Lab sobre as motivações
para o sexo apoiam isso. Uma mulher disse que ter
um caso tornou mais fácil romper com o marido.
Outro mencionou que seu caso a fez perceber que
ela poderia encontrar alguém muito ”mais compa-
tível com ela”do que seu marido.
Felippe e Vanessa Chaves
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10. Estatísticas da Traição 106
Então, dessa forma, quando a mulher está infeliz
no casamento ela é compelida a trair. Segundo a
ciência evolutiva, mulheres são programaras para
buscar sexo com diferentes homens, copmo vimos
anteriormente neste mesmo e-book.
A questão é que mulheres traem na mesma propor-
ção que homens [81] e, não apenas isso, mulheres
quando decidem trair, tem mais parceiros que ho-
mens [82].
7. Mulheres de meia idade querem aman-
tes, mas não querem separação
Os pesquisadores descobriram que a grande maio-
ria das mulheres casadas – 67% das mulheres entre
35 e 46 anos – estava buscando casos extraconju-
gais [83] porque queriam mais paixão romântica,
que sempre incluía sexo.
E a grande surpresa é que nenhuma delas queria
deixar o marido. Uma das possíveis explicações tal-
vez esteja no status social que o casamento confere
às mulheres e que elas não desejam perder.
Uma maneira pela qual as mulheres que procuram
casos podem diferir dos homens que procuram trair,
no entanto, é em seu número preferido de parceiros.
Enquanto apenas 47% das mulheres envolvidas no
estudo discutiram o número de parceiros que pro-
curavam, das que o fizeram, todas queriam um caso
exclusivamente com um homem. Por outro lado,
Felippe e Vanessa Chaves
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107 Comunidade Bela e Fúria
as pesquisas anteriores indicam que os homens em
busca de casos não estão procurando uma única
parceira.
Mas porque os homens buscam várias mulheres e
as mulheres buscam um amante único? Isso é uma
forma de defesa feminina para justificar seus erros.
Uma maneira de dizer a si mesmas que não são
vadias é dizer que estão desejando a monogamia
com sua infidelidade, e que a monogamia deve ter
paixão.
Isso é bem interessante sobre o que ambos os sexos
procuram. Enquanto os homens procuram novi-
dade e buscam aventuras sexuais, as mulheres estão
em busca de um novo parceiro para a vida, e por
isso as taxas de fraude de paternidade são tão al-
tas: pois elas sentem-se bem em engravidar dos
amantes.
8. As mulheres nem sempre se sentem mal
por trair
A infidelidade é condenada quase universalmente
e vista como a transgressão mais flagrante em um
relacionamento. Os casais costumam citar a infide-
lidade como o motivo da separação, e é o motivo
mais comum [84] dado para o divórcio. No en-
tanto, a infidelidade também é comum, com um em
cada cinco homens e uma em cada oito mulheres
admitindo isso.
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10. Estatísticas da Traição 108
9. Pais separados por traição
Eu entendo que alguns assuntos que trago machu-
cam algumas pessoas por muitas vezes se sentirem
representadas nos textos. Dessa forma quando falei
sobre a importância de namorarmos uma moça que
tenha um bom pai, as moças que NÃO tinham um
bom pai se sentiam descriminadas, e sentiram que
eu estaria falando contra ELAS. Mas não é isso.
Eu não falo nada aqui para ferir vocês. Mas algu-
mas vezes sou duro porque realmente falo como
se vocês fossem meus filhos e preciso apresentar o
mundo como ele é. Dito, isto, vamos ao texto desta
manhã.
Foi encontrado um padrão intergeracional de in-
fidelidade, isso significa que as pessoas são mais
propensas a trair seu parceiro se acreditarem que
seus pais foram infiéis [85], basicamente porque as
experiências familiares moldam o relacionamento
e os comportamentos sexuais dos indivíduos.
A infidelidade dos pais estava associada a uma
maior propensão dos filhos a se envolverem em
infidelidade. Em outras palavras, as crianças que
pensavam que seus pais estavam envolvidos em in-
fidelidade eram significativamente mais propensas
a trair seus parceiros em seus próprios relaciona-
mentos adultos.
Dessa forma a pesquisa indica que a infidelidade
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109 Comunidade Bela e Fúria
dos pais envia mensagens memoráveis aos filhos
sobre a maior aceitabilidade da infidelidade, e es-
sas comunicações são internalizadas e usadas para
construir os sistemas de crenças dos filhos.
É extremamente importante olharmos para a famí-
lia da pessoa com quem queremos nos relacionar,
pois a pessoa tende a ser um reflexo da dinâmica
familiar. Se a família dela age de uma forma que
você não gosta, há grandes chances dela agir da
mesma forma com você. É pela dinâmica dos pais
que os filhos aprendem a cria sua própria dinâmica
com os cônjuges.
10. Elas engravidam de propósito
Quando as mulheres acham um homem fisicamente
atraente, elas assumem um comportamento sexual
de risco para engravidar de propósito
O comportamento das mulheres é alterado depen-
dendo de sua percepção sobre fatores associados à
qualidade do parceiro, como sua tendência de in-
vestir na paternidade ou qualidade genética, porém
os achados atuais são surpreendentes.
As mulheres relataram uma maior prontidão para
se envolver em comportamentos sexuais de risco
de concepção quando tinham parceiros fisicamente
mais atraentes [86].
Esse comportamento de risco de engravidar está
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10. Estatísticas da Traição 110
positivamente relacionado com a retenção do par-
ceiro, isto é, mantê-lo ao seu lado sob a obrigação
de se responsabilizar pela gestação e formar com
ela uma família.
Em fato, dessa forma, temos muitos estudos que
demonstram que as mulheres possuem grande in-
tenção de ter relações sexuais com os homens sem
proteção alguma, quando possuem parceiros mais
atrativos, mesmo sob o risco de contrair alguma
DST (doença sexualmente transmissível).
Especula-se que um homem mais fisicamente atra-
ente aumenta o desejo da mulher em ter sexo, ao
passo que diminui até mesmo sua percepção do
perigo de contrair doenças.
Isso reforça e comprova uma teoria que circulou
há tempos nas mídias sociais de que prostitutas
tinham sexo com vários homens e não engravida-
ram, o que joga por terra a ideia de que mulheres
”engravidam sem querer”. Elas estão engravidando
para tentar prender o homem ao lado delas e poder
fazer uso de seus recursos.
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Referências
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