11/09/2024, 14:41 SEI/IBAMA - 20387598 - Ofício-Circular
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
DIRETORIA DE USO SUSTENTÁVEL DA BIODIVERSIDADE E FLORESTAS
OFÍCIO-CIRCULAR Nº 86/2024/DBFLO
Brasília/DF, na data da assinatura digital.
Às Superintendências do Ibama nos estados
Assunto: Alteração do mecanismo de cobrança de reposição florestal no Sistema DOF+
Rastreabilidade.
Referência: Caso responda este Ofício, indicar expressamente o Processo nº 02001.027051/2024-80.
Senhor(a) Superintendente,
1. Com nossos cordiais cumprimentos, vimos informar que, na data de 16/09/2024,
será implantado aprimoramento no modo de cobrança de reposição florestal efetuado pelo sistema DOF+
Rastreabilidade, com o objetivo de simplificar o procedimento e garantir o pleno cumprimento das
normativas em vigor.
2. Os procedimentos da referida cobrança foram delineados no sistema com base no Decreto
nº 5.975, de 30 de novembro de 2006, na Instrução Normativa MMA nº 6, de 15 de dezembro de 2006,
na Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012, e na Instrução Normativa Ibama nº 21, de 24 de
dezembro de 2014, no que tange à utilização de matéria-prima de origem florestal.
3. Conforme o paradigma legal, as operações de emissão de DOF e conversão de produto são
consideradas modalidades de utilização de produto e, portanto, igualmente sujeitas ao débito de
reposição florestal em volume equivalente ao utilizado nas transações. Atualmente, o sistema aplica a
exigência proporcionalmente sobre os montantes utilizados em cada uma das citadas operações. Na
conversão, debita-se a reposição correspondente à perda do processo de transformação; no DOF emitido,
é exigida sobre o volume de produto processado resultante da conversão. Desta forma, o somatório
desses volumes parciais por fim totaliza a quantidade de matéria-prima extraída da vegetação natural,
não a ultrapassando em hipótese alguma.
4. Tal método será alterado, de modo que o sistema DOF+ passará a debitar a reposição
florestal integralmente sobre o volume de matéria-prima florestal utilizado na conversão, não apenas na
perda. E, para não incorrer em duplicidade, deixará de ser cobrada dos produtos processados
posteriormente incluídos em guias de transporte DOF. A Ordem de Serviço referente a esta medida
encontra-se em fase de testes e sua implantação se dará na data informada ao início.
5. Uma vez implantada, tornará mais simples o entendimento do mecanismo e permitirá que
os usuários antecipem as exatas quantidades de reposição que lhes serão cobradas a cada transação.
Adicionalmente, propiciará o cumprimento mais estrito do parâmetro normativo, o qual restringe a
obrigatoriedade às matérias-primas.
6. Também está em curso outra evolução no sistema, que disponibilizará a escolha de usuário
cumpridor de reposição florestal nas emissões de DOF a partir de autorizações de exploração do tipo Uso
Alternativo do Solo (UAS). Destarte, minimizará a necessidade de transferências de saldos de reposição
florestal entre usuários, conferindo-lhes maior independência, sempre dentro das permissões legais. Esta
demanda depende da conclusão da primeira e não deve requerer muito tempo de desenvolvimento, por
[Link] 1/2
11/09/2024, 14:41 SEI/IBAMA - 20387598 - Ofício-Circular
se tratar de um esforço de programação relativamente simples, haja vista que já é disponibilizada às
Autorizações de Supressão de Vegetação (ASV).
7. Para maiores explicações sobre embasamento legal, conceito, responsabilidades e toda a
lógica de funcionamento da reposição florestal operacionalizada por meio do sistema DOF+
Rastreabilidade, recomendamos a leitura da Nota Técnica nº 45/2024/Coflo/CGFlo/DBFlo (20316254) que
segue anexa.
Atenciosamente,
(assinado eletronicamente)
LIVIA KARINA PASSOS MARTINS
Diretora de Biodiversidade e Florestas
Portaria de Pessoal MMA nº 2463, de 17 de maio de 2023
Anexos:
Nota Técnica nº 45/2024/Coflo/CGFlo/DBFlo (20316254)
Documento assinado eletronicamente por LIVIA KARINA PASSOS MARTINS, Diretora, em
03/09/2024, às 17:58, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do
Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
A autenticidade deste documento pode ser conferida no site [Link]
informando o código verificador 20387598 e o código CRC 0AC4C1CA.
SCEN Trecho 2 - Edifício Sede - Telefone: (61) 3316-1212
CEP 70818-900 Brasília/DF - [Link]
[Link] 2/2
11/09/2024, 14:52 SEI/IBAMA - 20316301 - Nota Técnica
INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS
NOTA TÉCNICA Nº 45/2024/COFLO/CGFLO/DBFLO
PROCESSO Nº 02001.027051/2024-80
INTERESSADO: Órgãos Estaduais de Meio Ambiente
1. ASSUNTO
1.1. Exigência de reposição florestal em transações do Sistema DOF+ Rastreabilidade e iminente
adaptação do mecanismo de cobrança.
2. REFERÊNCIAS
2.1. Decreto nº 5.975, de 30 de novembro de 2006 - Regulamenta os arts. 12, parte final, 15,
16, 19, 20 e 21 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, o art. 4º, inciso III, da Lei nº 6.938, de 31 de
agosto de 1981, o art. 2º da Lei nº 10.650, de 16 de abril de 2003, altera e acrescenta dispositivos aos
Decretos nº 3.179, de 21 de setembro de 1999, e 3.420, de 20 de abril de 2000, e dá outras providências.
2.2. Instrução Normativa MMA nº 6, de 15 de dezembro de 2006 - Dispõe sobre a reposição
florestal e o consumo de matéria-prima florestal, e dá outras providências.
2.3. Resolução Conama nº 411, de 6 de maio de 2009 - Dispõe sobre procedimentos para
inspeção de indústrias consumidoras ou transformadoras de produtos florestais madeireiros brutos e
processados de origem nativa, bem como os respectivos padrões de nomenclatura e coeficientes de
rendimento volumétricos, inclusive carvão vegetal e resíduos de serraria.
2.4. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 - Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera
as Leis nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de
dezembro de 2006; revoga as Leis º 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e
a Medida Provisória º 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências.
2.5. Instrução Normativa Ibama nº 21, de 24 de dezembro de 2014 - Institui o Sistema Nacional
de Controle da Origem dos Produtos Florestais – Sinaflor, em observância ao disposto no art. 35 da Lei nº
12.651, de 2012, com a finalidade de controlar a origem da madeira, do carvão e de outros produtos e
subprodutos florestais e integrar os respectivos dados dos diferentes entes federativos.
3. OBJETIVOS
3.1. Esta Nota Técnica visa abordar os aspectos legais da Reposição Florestal aplicáveis ao
controle exercido pelo sistema DOF+ Rastreabilidade e comunicar sobre importantes adaptações no
mecanismo de cobrança que serão implementadas em breve no sistema.
4. BASE LEGAL E CONCEITO DE REPOSIÇÃO FLORESTAL
4.1. A norma mais antiga em vigor que aborda o tema é o Decreto 5.975, de 30 de novembro
de 2006, dedicando-lhe o Capítulo V - Da Obrigação à Reposição Florestal, arts. 13 a 19. Alguns ditames
mais relevantes desse trecho foram replicados pelo art. 33 da Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de
2012. Já a Instrução Normativa MMA nº 6, de 15 de dezembro de 2006, expõe na ementa a sua finalidade
precípua: "Dispõe sobre a reposição florestal e o consumo de matéria-prima florestal, e dá outras
[Link] 1/5
11/09/2024, 14:52 SEI/IBAMA - 20316301 - Nota Técnica
providências". Este ato normativo, calcado no Decreto supra, transcreve os principais comandos do
referido segmento e lhes acrescenta minúcias que pertinem ao âmbito infralegal. O mesmo se dá com os
arts. 63 e 64 da Instrução Normativa Ibama nº 21, de 24 de dezembro de 2014, que regulamenta os
procedimentos do Sistema DOF.
4.2. Por estas razões, utilizaremos como base o Decreto 5.975, de 2006, considerando sua
abrangência a todas as esferas de governo e focando apenas nos pontos condizentes com esta análise. Em
alguns argumentos será empregada a IN MMA nº 6, de 2006, e a IN Ibama nº 21, de 2014, naquilo em
que se requeira uma elucidação mais granular.
4.3. O referido Decreto conceitua reposição florestal da seguinte forma (grifos nossos):
Art. 13. A reposição florestal é a compensação do volume de matéria-prima extraído de vegetação
natural pelo volume de matéria-prima resultante de plantio florestal para geração de estoque ou
recuperação de cobertura florestal.
4.4. É de vital importância reconhecer o alcance da compensação vinculada à reposição
florestal. Complementando o conceito com outros ditames legislativos, fica nítido que deve abranger a
quantidade total da matéria-prima que passou pelo processo de exploração, incluindo eventual volume
submetido à conversão, conforme se demonstrará ao longo da presente Nota Técnica.
5. RESPONSABILIDADES NA REPOSIÇÃO FLORESTAL
5.1. O art. 14 do Decreto 5.975, de 2006 (com texto idêntico no § 1º do art. 33 da Lei nº 12.651,
de 2012, e no art. 5º da IN MMA nº 6, de 2006), estabelece quem possui a obrigatoriedade (grifos
nossos):
Art. 14. É obrigada à reposição florestal a pessoa física ou jurídica que:
I - utiliza matéria-prima florestal oriunda de supressão de vegetação natural;
II - detenha a autorização de supressão de vegetação natural.
5.2. Sobre os incisos I e II supra, o § 2º do mesmo artigo determina que "o detentor da
autorização de supressão de vegetação fica desonerado do cumprimento da reposição florestal efetuada
por aquele que utiliza a matéria-prima florestal" (grifos nossos). Tal previsão encontra-se transcrita no §
2º do art. 5º da IN nº 6, de 2006, o qual acrescenta ao final do texto: "..., ainda que processada no imóvel
de sua origem" (grifos nossos). Constata-se clara vedação à sobreposição de cobrança, enquanto a IN
inclui um sensato adendo sobre a possibilidade de conversão (processamento) no local de origem.
5.3. Na sequência, o Decreto em comento indica as hipóteses de dispensa da reposição
florestal:
Art. 15. Fica isento da obrigatoriedade da reposição florestal aquele que comprovadamente utilize:
I - resíduos provenientes de atividade industrial, tais como costaneiras, aparas, cavacos e similares;
II - matéria-prima florestal:
a) oriunda de supressão da vegetação autorizada, para benfeitoria ou uso doméstico dentro do
imóvel rural de sua origem;
b) oriunda de PMFS;
c) oriunda de floresta plantada; e
d) não-madeireira, salvo disposição contrária em norma específica do Ministério de Meio Ambiente.
5.4. Por exclusão, depreende-se que, entre os tipos autorizativos presentes no universo do
Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor) e do DOF, elencados no art. 17
da Instrução Normativa Ibama nº 21, de 24 de dezembro de 2014, a reposição florestal incide sobre
Autorização de Supressão de Vegetação (ASV) e Uso Alternativo do Solo (UAS).
6. REGRAS PARA CUMPRIMENTO DA REPOSIÇÃO FLORESTAL
6.1. Interessante destacar que o mesmo Decreto também preceitua a forma de cumprimento
da reposição (grifos nossos):
[Link] 2/5
11/09/2024, 14:52 SEI/IBAMA - 20316301 - Nota Técnica
Art. 17. A reposição florestal dar-se-á no Estado de origem da matéria-prima utilizada, por meio da
apresentação de créditos de reposição florestal.
6.2. Este artigo traz dois enfoques distintos. De início, remete ao aspecto operacional do plantio
de espécies florestais com vistas a efetivar a reposição, cujos critérios e procedimentos encontram-se
disciplinados na IN MMA nº 6, de 2006. A segunda parte do enunciado alude aos créditos de reposição
florestal, os quais são gerados a partir da expectativa de volume aferida no plantio. Para a finalidade da
presente análise, não adentraremos nos detalhes técnicos dessa prática. Basta realçar o art. 8º da norma
infralegal, que estabelece a paridade entre os volumes utilizados e os repostos (grifos nossos):
Art. 8º - Aquele que utiliza matéria-prima florestal oriunda de supressão de vegetação natural
cumprirá a reposição florestal por meio da apresentação de créditos de reposição florestal
equivalentes ao volume de matéria-prima florestal a ser utilizado.
6.3. Aqui se confirma o entendimento de que a compensação deve cobrir integralmente o
volume extraído da natureza, corroborando as assertiva do item 4.4 desta Nota Técnica.
6.4. A mesma Instrução Normativa ainda explicita a incidência de reposição na emissão de DOF:
Art. 11 - A emissão do Documento de Origem Florestal-DOF fica condicionada ao cumprimento da
reposição florestal nos moldes desta Instrução Normativa, observado o disposto no art. 32 do
Decreto nº 3.179, de 21 de setembro de 1999.
6.5. Vale clarificar que o Decreto aí mencionado dispunha sobre infrações ambientais, função
hoje exercida pelo Decreto nº 6.514, de de 22 de julho de 2008, que a revogou.
6.6. De forma mais incisiva, a IN Ibama nº 21, de 2014, estabelece no § 5º do art. 35 o seguinte:
§ 5º O DOF somente será emitido pela pessoa física ou jurídica quando esta estiver em situação
regular com relação à obrigação de cumprimento da reposição florestal, nas hipóteses em que esta
for exigível.
6.7. Os dois últimos artigos aqui transcritos permitem concluir que a emissão da guia de
transporte DOF configura-se como utilização do produto, justificando a condição imposta. Daí se
fundamenta o controle efetuado no sistema DOF+, que requer o prévio cadastramento de créditos de
reposição florestal para abatimento dos montantes utilizados nos transportes. Neste caso, considera-se
como utilizador aquele usuário para o qual a carga é destinada.
7. REPOSIÇÃO FLORESTAL APLICADA À CONVERSÃO DE PRODUTO
7.1. A legislação não estaria plenamente satisfeita se os volumes de produtos eventualmente
submetidos à conversão não entrassem no cômputo do consumo, pois esta operação representa também
uma modalidade de utilização da matéria-prima. Caso desconsiderada, teríamos uma defasagem no
cumprimento da reposição. O § 2º do art. 5º da IN MMA nº 6, de 2006, citado no item 5.2 supra, é a
chave para entender essa lógica.
7.2. A IN inseriu o adendo sobre processamento no imóvel de origem com uma motivação
bastante coerente. Por definição, essa prática consiste em empregar certa quantidade de um produto-
origem (matéria-prima), que possui uma denominação específica, e transformá-lo em um produto-
destino (processado) que adquire outra denominação. Logo, a matéria-prima foi efetivamente utilizada
na conversão. Note-se que é gerada uma quantidade menor do produto-destino em relação ao volume
de entrada, haja vista que todo processo de transformação implica perdas. Com efeito, o Anexo II da
Resolução Conama nº 411, de 6 de maio de 2009, e o Anexo II da Instrução Normativa Ibama nº 21, de 24
de dezembro de 2014, estabelecem os limites de rendimento permitidos nas conversões.
7.3. Assim, visando ao atendimento da regra, o exercício da conversão no Sistema DOF+ implica
no débito de reposição florestal equivalente à perda de volume da matéria-prima. Destarte, é
compensada aquela parcela que foi extraída da natureza e utilizada, mas que não será mais passível de
aproveitamento. Quem a utilizou, neste caso, foi o usuário que registrou a conversão e a quem cabe o
cumprimento da reposição.
7.4. A outra parte desse material, que resultou no produto processado, ainda estará sujeita à
reposição que não foi cobrada durante a conversão. Nesta etapa, o volume incluído na emissão do DOF
[Link] 3/5
11/09/2024, 14:52 SEI/IBAMA - 20316301 - Nota Técnica
representa a quantidade restante da matéria-prima original. A responsabilidade agora recai sobre o
destinatário da guia de transporte, pois ele é quem utilizará o produto.
7.5. Exemplificando: o usuário "A" registra uma conversão de 100 estéreos (st) de lenha para 30
metros de carvão vegetal (mdc). Neste momento, o sistema debita do usuário "A" 70 st de reposição
florestal, referente à perda na conversão. Ao emitir um DOF contendo 30 mdc para o usuário "B", são
abatidos 30 mdc do saldo de reposição do usuário "B". Desta forma, compreende-se que não há cobrança
sobreposta ou em duplicidade; a reposição atrelada à perda na conversão, junto com o volume alocado
no DOF, somam-se para totalizar os 100 st de lenha (matéria-prima extraída de supressão de vegetação),
consoante ao que determina o diploma legal. O sistema DOF+ Rastreabilidade está programado desta
forma desde seu lançamento, ocorrido em 5 de dezembro de 2022.
8. TRANSFERÊNCIA DE SALDO DE REPOSIÇÃO FLORESTAL
8.1. Importa destacar que existe previsão no regramento legal para os casos em que o usuário
cumpridor da reposição florestal perante o sistema não seja o mesmo que adquiriu os créditos de
reposição florestal, situação relativamente comum na prática. A IN MMA nº 6, de 2006, assim dispõe
(grifos nossos):
Art. 21 - O crédito de reposição florestal poderá ser utilizado por seu detentor ou transferido uma
única vez para outras pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao cumprimento da reposição florestal.
Parágrafo único - A transferência do crédito de reposição florestal, mencionada no caput deste
artigo, poderá se dar integralmente ou em partes.
8.2. O art. 64 da IN Ibama nº 21, de 2014, secunda estas mesmas disposições, acrescentando
ao § 4º uma salutar distinção dos créditos de reposição florestal em relação à titularidade dos produtos
florestais em si:
§ 4º A transferência ou comercialização dos créditos de reposição florestal não transfere o domínio
do produto florestal a ser extraído.
8.3. O sistema DOF+ possui módulo gerencial para operações dessa natureza, permitindo
debitar saldo do cedente e creditar ao beneficiário em total aderência à legislação, particularmente no
que tange ao art. 22 da IN em tela (grifos nossos):
Art. 22 - As operações de concessão e transferência de créditos de reposição florestal, de apuração
de débitos de reposição florestal e a compensação entre créditos e débitos serão registradas em
sistema informatizado e disponibilizado por meio da Rede Mundial de Computadores - Internet
pelo órgão ambiental competente.
8.4. Em vista disso, oferece-se uma solução aos usuários quanto à cessão de créditos
necessários para acobertar as transações do sistema que exigem reposição florestal, sendo necessária
prévia tratativa entre as partes e solicitação ao órgão ambiental da jurisdição, a fim de operacionalizar a
transferência.
9. ADAPTAÇÕES A SEREM IMPLANTADAS NO SISTEMA DOF+ RASTREABILIDADE
9.1. Conforme dmonstrado, a implantação da exigência de reposição florestal no Sistema DOF+
se deu de maneira compartimentalizada, abrangendo as funcionalidades de registro de conversão de
produtos e de emissão da guia de transporte DOF, para que os atores envolvidos sejam responsabilizados
de modo justo em relação aos volumes que cada um utiliza. Isto porque, segundo o regramento legal,
a reposição florestal deve vincular-se à totalidade dos volumes de produtos oriundos de explorações
florestais sobre as quais a regra incide.
9.2. Entretanto, com base em atendimentos recentes aportados a esta Coordenação de
Monitoramento do Uso da Flora (COFLO), percebe-se que pode estar havendo uma interpretação
equivocada por parte dos usuários do sistema quanto aos percentuais de reposição cabíveis a cada
operação e quanto ao próprio conceito de utilização da matéria-prima. A fim de buscar uma solução, a
COFLO promoveu debates sobre o assunto entre os meses de junho a agosto do corrente ano, com a
[Link] 4/5
11/09/2024, 14:52 SEI/IBAMA - 20316301 - Nota Técnica
presença de gestores e analistas de seu próprio quadro, de outras coordenações e da Superintendência
do Ibama em Mato Grosso do Sul.
9.3. As discussões culminaram na constatação de que o atual modelo, por possibilitar tais
equívocos de interpretação, deverá ser simplificado para o melhor entendimento dos usuários. Foram
então abertas Ordens de Serviço ao Serpro, empresa prestadora de serviços e responsável pelo suporte
dos sistema do Ibama, para promover algumas adaptações no mecanismo adotado pelo sistema DOF+.
9.4. Uma delas, que atualmente se encontra em fase de testes e com perspectiva de
implantação em breve, é a OS nº 29697. Esta consiste em aplicar o débito de reposição
florestal integralmente sobre o volume de matéria-prima florestal utilizado na conversão, não apenas
na perda. E, para não incorrer em duplicidade, deixará de ser cobrada dos produtos processados
posteriormente incluídos em guias de transporte DOF. Assim se propiciará o cumprimento mais estrito
do parâmetro normativo, o qual restringe a obrigatoriedade às matérias-primas, conforme visto nas
explanações anteriores.
9.5. Obviamente, DOFs contendo somente produtos brutos como lenha ou tora continuarão
sujeitos à cobrança da reposição florestal equivalente, como já é praticado no sistema. A implantação da
OS nº 29697 doravante tornará mais simples o método, permitindo que os usuários antecipem o exato
quantitativo de reposição que lhes será cobrado a cada transação.
9.6. Também está em curso a OS nº 29699, que disponibilizará a escolha de usuário cumpridor
de reposição florestal nas emissões de DOF a partir de autorizações de exploração do tipo Uso Alternativo
do Solo (UAS). Este mecanismo já é disponibilizado às Autorizações de Supressão de Vegetação (ASV).
Desta forma, a nova possibilidade minimizará a necessidade de transferências de saldos previstas no
retromencionado art. 21 da IN MMA nº 6, de 2006. Esta demanda depende da conclusão da primeira OS
e não deve requerer muito tempo de desenvolvimento, por se tratar de um esforço de programação
relativamente simples.
Documento assinado eletronicamente por SANDRO YAMAUTI FREIRE, Analista Ambiental, em
28/08/2024, às 18:58, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do
Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
A autenticidade deste documento pode ser conferida no site [Link]
informando o código verificador 20316301 e o código CRC 7D676521.
Referência: Processo nº 02001.027051/2024-80 SEI nº 20316301
[Link] 5/5