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Tree Silverback Bears and A Baby 1 - Max - A51

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STAFF

Envio: Área 51 Traduções


Tradução: Louvaen Duenda
Revisão Inicial: Ane MacRieve
Segunda Revisão: PinkMintUnicorn
Revisão Final: Alessandra B.
Leitura Final: Louvaen Duenda
Formatação: Sariah Stonewiser
É SEM PR E BOM L EMBRA R QUE …

Esta tradução foi realizada por fãs sem qualquer propósito lucrativo e
apenas com o intuito da leitura de livros que não têm qualquer previsão de
lançamento no Brasil.

A fim de nos preservamos, o grupo se reserva no direito de retirar o


arquivo disponibilizado a qualquer momento, sem aviso prévio.

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MAX

TRÊS URSOS PRATEADOS1 E UM BEBÊ

LIVRO UM

UM ROMANCE DE SHIFTERS GRISALHDOS

Esses irmãos solteiros estão prestes a ter seu mundo virado de cabeça para

baixo!

1 Grisalhos, “coroas”. Manteremos como no livro o termo “prateado”.


NOT A D A REVI S ÃO

O texto a seguir foi revisado de acordo conforme as novas Regras Ortográficas,

entretanto, com o intuito de deixar a leitura mais leve e fluida, a revisão pode

sofrer alterações e apresentar linguagem informal em vários momentos,

especialmente nos diálogos, para que estes se aproximem da nossa comunicação

comum no dia a dia.

Alguns termos, gírias, expressões podem ser encontrados bem como objetos que

não estão em conformidade com a Gramática Normativa.

BOA LEITURA!
SI NOPSE

Max, Tad e Jake acham que o destino - e suas companheiras - passaram direto

por eles. Resignados à vida sozinhos, cada um deles colocou toda a sua energia

em suas carreiras. Mas a mudança chegou sob o pequeno disfarce, mas

perfeitamente formado, da bebê Milly. Órfã quando sua mãe tem uma overdose

com drogas, Milly mostra o lado protetor dos três irmãos shifters.

Bem, Jake pode precisar de um pouco de persuasão!

Mas isso não é tudo.

Quando a mãe adotiva de Milly, Josephine, vem visitar, Max

instantaneamente percebe que ela é sua companheira. Ele está mais do que

pronto para abrir seu coração e sua casa para Milly e Josephine. Mas Josephine

tem um passado oculto e, como o perigo ameaça, ele fará o que for necessário

para manter sua nova família segura.

Josephine tem um passado que prefere esquecer. Mas as visões do abuso que

ela sofreu nas mãos de um ex-namorado são impossíveis de apagar de sua

memória. Não que ela tenha permitido que suas ações a impedissem de construir

uma vida boa para si mesma. Uma onde ela oferece amor e carinho para crianças

carentes.

No entanto, ela nunca deixou um homem entrar em seu coração. Ela nunca

se permitiu confiar em outro homem.


Mas agora Max diz que ela é sua companheira. Josephine sabe o que isso

significa. E ela quer fazer parte de uma família, uma verdadeira família amorosa,

pela primeira vez. Ela pode abrir seu coração para amar?

Apenas quando ela encontra a resposta para essa pergunta, seu passado

finalmente a alcança.
CAPÍ TU L O UM
MAX

— Fiona. — Max abriu a porta da frente para o shifter dragão antes mesmo

de ela bater. Ele a sentiu a uma milha de distância e ouviu quando o carro dela

se aproximou enquanto fazia um café fresco.

O que ele não sentiu foi o bebê que ela segurava em seus braços.

— Maxwell. — Os olhos de Fiona desceram para o bebê em seus braços antes

de perguntar: — Thaddeus e Jacob estão em casa? — Ela já sabia a resposta, já

que seus sentidos shifter foram aprimorados ao longo de séculos. Mas durante os

mesmos séculos, Fiona havia aprendido a se misturar, e poucas pessoas sabiam

o que ela era e por quanto tempo andava nesta terra.

— Eles estão. Tad e Jake estão na cozinha. — Fiona era a única pessoa que

chamava os irmãos Harrison pelo nome completo. E eles desistiram de tentar

fazê-la mudar de atitude. O relacionamento deles com Fiona durava décadas. Ela

tocou a vida deles em um momento muito difícil, e eles lhe deviam lealdade e

discrição.

— Bom. — Ela olhou para ele como se estivesse olhando profundamente em

sua alma para ver se ele era digno. — Bom.

— Estamos apenas terminando o jantar. — Ele deu um passo para trás e

manteve a porta aberta para ela. — Você quer entrar?


E o bebê? Pergunte sobre o bebê, exigiu o urso, mas Max imaginou que Fiona

lhes contaria tudo o que precisavam saber quando ela estivesse bem e

pronta. Fiona não era o tipo de mulher da qual você exigia algo. Os shifters

dragão viviam muito, muito tempo e tinham dentes e garras afiadas. Ele os

respeitava da mesma maneira que respeitava a montanha e o clima.

Embora a língua de Fiona seja provavelmente mais afiada. Seu urso riu para

si mesmo, mas ambos estavam cientes de que até o enorme urso não seria

corajoso o suficiente para dizer isso na cara de Fiona.

— Obrigada. Eu preciso falar com todos vocês. Juntos. — Fiona passou por

Max e entrou na casa que ele dividia com seus dois irmãos. Era a casa da família

e, apesar de todos os três irmãos atingirem uma idade em que os cabelos

prateados apareciam nas têmporas e as rugas nos rostos pareciam os córregos e

riachos de água que desciam a montanha depois de uma tempestade de nuvens,

nenhum deles sentiu o desejo de sair e seguir em frente. Talvez se algum deles

tivesse conhecido sua companheira, as coisas teriam sido diferentes. Mas como

nenhum deles tinha, eles nunca saberiam.

Uma tristeza encheu o coração de Max. Perderam a esperança de encontrar

suas companheiras esquivas e, desde que se tornaram ursos grisalhos, cada um

se jogou em suas respectivas carreiras. Por isso, numa sexta à noite, sempre

estavam sentados em volta da mesa da cozinha jantando juntos.


— Fiona. — Tad encostou-se ao balcão. — Café? — Era uma pergunta

redundante. Fiona sempre bebia café. Os irmãos Harrison costumavam brincar

que era uma maneira de subjugar um shifter de dragão.

— Sim, por favor. — Um sorriso secreto se espalhou por seu rosto. — Então...

todos vocês precisam se sentar.

— Isso soa ameaçador. — Jake lavou um prato, colocou-o no escorredor e

secou as mãos antes de deslizar em uma cadeira. — Especialmente quando você

está segurando um bebê em seus braços.

— Aqui. — Max puxou uma cadeira para Fiona e ela se sentou, ajustando

cuidadosamente o bebê em seus braços antes de deixar cair uma bolsa de fraldas

no chão de ardósia cinza.

— Oh, esse café cheira bem. — Ela respirou fundo quando Tad serviu o café

fresco e colocou quatro canecas fumegantes sobre a mesa.

— Sirva-se de açúcar e leite.

Fiona habilmente manipulou o bebê, que estava olhando para o teto com os

olhos mais claros e azuis que Max já vira. Como o céu em um dia claro de inverno,

eles brilhavam como joias.

— Você gostaria de segurá-la?

A cabeça de Max se levantou e seus olhos encontraram os de Fiona.

— Talvez seja melhor você nos dizer por que está aqui.
— Talvez eu deva. — Fiona tomou um gole de café como se estivesse

parando.

Deve ser ruim se este poderoso shifter dragão está evitando nos dizer por que

está aqui. Seu urso deu um suspiro profundo enquanto olhava para o bebê. Se ao

menos tivéssemos conhecido nossa companheira.

— Então? — Jake perguntou. — Você vai nos contar?

Fiona colocou a xícara de café em cima da mesa e levantou o bebê pequeno

no ar. Ela não podia ter mais de seis meses e balbuciou e arrulhou feliz quando

olhou para Fiona.

— Essa é Milly. Ela é sua prima, filha de Sally. — Os olhos de Fiona se

fecharam. Quando os abriu novamente, ela disse: — Sinto muito dizer que Sally

morreu alguns dias atrás. Brad estava vindo aqui para lhe dizer, mas ele foi

chamado em um caso de emergência, então eu me ofereci.

— O que? — Jake estendeu as mãos sobre a mesa e levantou-se da cadeira.

— Como ela morreu? — Max perguntou. A prima Sally era uma criança

selvagem que saíra dos trilhos ainda jovem. A culpa tomou conta de Max quando

ele percebeu que estava mais surpreso com a notícia de que Sally tinha um filho

do que com a notícia de que ela havia morrido.

— Uma overdose de drogas. — Fiona sacudiu o bebê pequeno no colo e

engoliu em seco. — A polícia acredita que foi um acidente e não um suicídio.


— Não sei se isso melhora as coisas. — Jake passou a mão pelos cabelos e

soltou um suspiro profundo e trêmulo. — Perdemos contato com Sally há alguns

anos.

— Nós nem sabíamos que ela havia encontrado seu companheiro, muito

menos que teve um filho com ele. — Admitiu Max.

— Eu não tenho certeza se ela encontrou seu companheiro. Às vezes, essas

coisas simplesmente acontecem. Para shifters e pessoas comuns. Ser um shifter

não impede que uma pessoa cometa erros. Eu acho que todos nós sabemos isso.

— Fiona olhou para eles, um por um, como se pudesse ver profundamente em

suas almas e identificar cada um de seus erros.

— Isso é verdade, e somos prova disso, já que não estávamos lá quando Sally

precisou de nós. — Disse Tad amargamente.

— Você não é responsável pelas ações de Sally. Pelo que deduzi do detetive

com quem falei, ela esteve em uma espiral descendente por algum tempo, mas

recusou qualquer ajuda que lhe foi oferecida. — Fiona aninhou a bebê Milly na

dobra de seu braço. — Tudo o que podemos agradecer é que esta pequena dama

tem um bom atestado de saúde.

Max olhou nervosamente do bebê para Jake, que também estava olhando

para o bebê. Só havia uma razão para Max pensar no motivo pelo qual Fiona

estava aqui na cozinha com o bebê de Sally. Se ela tivesse vindo apenas para dar

a notícia sobre Sally, ela não teria trazido o bebê junto.


Ela teria?

Parente mais próximo, seu urso sussurrou suavemente na cabeça de Max.

— Fiona. — Max indicou a bebê Milly. — Espero que você não tenha trazido

a bebê Milly até aqui sem nenhum motivo.

Fiona apertou os lábios enquanto olhava em volta da cozinha para os três

homens de meia-idade, cada um com manchas cinza nas têmporas e linhas ao

redor dos olhos que contavam a história de suas vidas. Eles podem não ter

encontrado suas companheiras, mas não haviam sacrificado sua felicidade em

busca de algo para preencher o vazio interior. Um vazio que só poderia ser

preenchido por uma companheira.

Em vez disso, cada um deles construiu uma carreira fazendo o que amava,

cercados por bons amigos. E um ao outro. Seu vínculo fraterno pode ter sido

testado várias vezes, muitas vezes até o limite, mas nunca se rompeu. E isso não

quebraria agora, mesmo que Max suspeitasse que eles estavam prestes a

enfrentar a maior decisão de suas vidas.

— Vocês três são seus únicos parentes vivos. —Fiona olhou para cada um

deles novamente com intensidade o suficiente para que todos entendessem seu

significado.

— Você quer deixar Milly aqui conosco? — Tad perguntou incrédulo. — Não

sabemos nada sobre bebês.


— A maioria dos pais que não tem filhos também. Claro, eles leem livros e se

preparam, mas não sabem. — Os olhos de Fiona brilharam intensamente.

— Se dissermos não, você vai nos queimar em cinzas? — Jake perguntou.

— Eu poderia pensar sobre isso. — Seus olhos brilharam quando seu humor

mudou sutilmente. — Eu sei que é um grande passo. Entendo

completamente. Então, providenciei que Milly morasse com uma família adotiva

em Bear Creek por algumas semanas.

O desejo de estender a mão e pegar a bebê pequena de Fiona era quase demais

para Max. Milly pertencia à família, não a um estranho. No entanto, o

pensamento de ter um filho era quase demais. Todos eles tinham empregos,

compromissos em tempo integral, como um bebê se encaixaria em suas vidas? E,

o mais importante, eram os três homens maduros a melhor chance de felicidade

de Milly?

— Só precisamos de um pouco de tempo para entender isso.

— O choque da morte de Sally e ela ter um bebê ... — Tad levantou-se e deu

a volta na mesa para pairar no ombro de Fiona. Estendendo a mão, ele acariciou

o queixo de Milly com as pontas dos dedos e um pequeno sorriso apareceu em

seus lábios. — Ela é um bebê muito doce.

— Você quer segurá-la? — Fiona ofereceu o bebê a ele e Tad estendeu os

braços e pegou Milly, segurando-a gentilmente nos braços dele. — É isso aí, apoie

a cabeça dela.
Max se aproximou de seu irmão e de Milly, apoiada em seu antebraço, dando

uma boa olhada nela pela primeira vez.

— Eu acho que ela tem os olhos de Sally.

Tad assentiu e engoliu em seco.

— Nós devíamos ficar com ela. — A testa dele enrugou. — Devemos isso a

Sally.

— A culpa sentimental não é uma razão boa o suficiente para adotar uma

criança. — Disse Jake severamente. — Ser do mesmo sangue não garante que

seremos bons pais. Uma criança precisa de uma mãe e um pai. Não foi por isso

que Sally acabou do jeito que acabou? Se tivesse uma figura paterna, ela poderia

ter feito escolhas diferentes.

— Sally fez suas próprias escolhas. — Respondeu Max. — Sua mãe tentou o

seu melhor antes de falecer. E tentamos apoiá-las como uma família. Não teve

nada a ver com Sally não ter um pai quando estava crescendo.

— Max está certo. E errado. As crianças podem se dar bem com um dos

pais. Da mesma forma, uma criança pode ter ambos os pais e ainda acabar fora

dos trilhos. — Fiona bebeu o resto do café, pensativa. — Não sabemos o que se

passa na cabeça de outras pessoas. E não acredito que Sally teve uma overdose

de propósito. Mas esses fatos estão no passado. Essa criança precisa crescer

cercada por pessoas que a amam. Ela merece pais que querem ser os melhores

pais que puderem ser para ela. Não por culpa ou senso de dever.
Tad olhou para Milly. Sua expressão respondeu à pergunta de Fiona. Ele

queria criá-la.

— Você deveria levá-la, Fiona. — Tad entregou Milly de volta à shifter

dragão. — Precisamos processar isso e tomar uma

decisão. Uma decisão unânime.

— Concordo. Todos nós temos que querer fazer isso. — Jake foi até a porta

da cozinha e esperou que Fiona pegasse a bolsa de fraldas do chão. Quando ela

pegou, Max veio a sua frente.

— Aqui, eu vou levá-la até o carro. — Os dedos de Max se enroscaram na alça

da bolsa quando ele a pegou de Fiona. Os olhos de Milly se arregalaram

enquanto ela observava Max antes de balbuciar incoerentemente, mas quando os

olhos deles se encontraram, ele teve certeza de que ela estava tentando se

comunicar com ele com bastante clareza. — Ela com certeza sabe como puxar as

cordas do meu coração.

Ela precisa de nós. Ela quer morar conosco. — O urso dele traduziu a

tagarelice do bebê.

— É isso que os bebês fazem. — Disse Jake. — É o que eles estão programados

para fazer.

— Eles não são robôs, Jake! — Disse Tad ao irmão rapidamente.

— Não, eles não são. Mas têm autopreservação embutida em seu DNA. Eles

parecem fofos com suas cabeças grandes e inocentes olhos azuis por um
motivo. — Como se em resposta às palavras de Jake, Milly cuspiu uma framboesa

molhada de seus lábios cor de rosa.

— Bem, ela certamente já entendeu você. — Max observou e recebeu uma

careta de seu irmão mais velho. Seria possível que esse pequeno pacote de

travessuras na forma de um bebê fofo seria a ruína de mais de quarenta anos de

amor fraterno?

— Ela é inteligente, a maioria das mulheres demora pelo menos alguns meses

para ver além de sua aparência encantadora e seu grande saldo bancário. — Tad

levantou as mãos quando Jake pegou um pano de prato para jogar.

— Cuidado. Não perto do bebê. — Alertou Tad.

— E vocês três não acham que serão bons pais quando ainda são crianças. —

Fiona virou-se para encará-los, deixando Milly com os olhos arregalados e um

pequeno sorriso nos lábios. — Vocês todos têm muito amor para dar. Eu acredito

que são as pessoas certas para criar Milly. Se não acreditasse, não estaria aqui.

Max assentiu.

— Nós apenas precisamos processar isso, Fiona. Não é todo dia que alguém

aparece na sua porta com um bebê.

— Compreendo. Só não deixe passar muito tempo. — Ela suspirou e voltou-

se para a porta. Após um momento de hesitação, ela saiu de casa com Max

arrastando-se pensativo atrás dela.


— Você realmente acha que somos as melhores pessoas para criar Milly? —

Max perguntou quando chegaram ao carro dela.

— Sim. Existem três de vocês. Vocês irão amá-la, respeitá-la e estar lá

quando a mãe não estiver. Vocês a ensinarão sobre as montanhas e os rios. Vocês

ensinarão a ela como ser inteligente e como ser gentil. — Fiona acenou com a

cabeça em direção à casa. — Não é como se vocês não tivessem um quarto. E essa

casa de vocês sempre pareceu carecer do riso de crianças.

— Você tem um ponto. — Max abriu a porta do carro para Fiona e ela

deslizou Milly em seu assento. — Você tem o endereço do lar adotivo? Eu

gostaria de visitar amanhã. Talvez todos nós possamos.

— Sim. E vou passar seus detalhes para a pessoa responsável da casa

também, se estiver tudo bem. — Fiona fechou a fivela do cinto de segurança do

bebê e depois enfiou a mão dentro do carro. Pegando um pequeno cartão do

painel, ela o entregou a Max. — Aqui.

— Sim, claro. Dê o que ela precisar. — Josephine Conway. Max fez uma

careta. O nome parecia familiar de alguma forma, mas ele não se lembrava de

ter conhecido ela.

— Ela é nova na cidade. Mudou-se para cá há algumas semanas. — Fiona

olhou para a bebê e depois para Max. — Ela cuidará desta pequena. Mas tenha

isso de um shifter dragão que viu muito deste mundo. Essa garotinha pertence

a vocês. Eu posso sentir isso nos meus ossos.


Max ficou de pé e viu Fiona entrar no carro e se afastar, levando uma pequena

parte dele com ela.

— Somos realmente as pessoas certas para criar uma criança? — Tad

perguntou quando ele e Jake se juntaram a Max na frente da casa. Era um dia

bonito e a montanha chamava sua alma. Ele queria mudar para seu urso e correr

por quilômetros e quilômetros, enquanto seu cérebro aceitava a perda de Sally e

a alegria de ter um bebê em suas vidas. Estava tudo misturado. Mas era a

realidade que eles tinham que lidar.

— Talvez sim. Talvez não. Mas acho que devemos a Sally e Milly pelo menos

tentar. — Max suspirou. — Mas isso tem que ser uma decisão conjunta.

— E quando é que alguma vez fizemos isso? — Jake levantou uma

sobrancelha, e os outros dois concordaram.


CAPÍ TU L O DOI S
J OSEPHI NE

Josephine jogou as almofadas espalhadas pelo sofá uma última vez, enquanto

observava o carro entrar na garagem. Os nervos estremeceram quando ela se

aproximou da porta da frente e esperou Fiona, que trabalhava no departamento

de serviço social local, bater.

Josephine hesitou, não querendo parecer muito ansiosa quando abriu a porta

e ficou cara a cara com uma das mulheres mais temíveis que já teve a chance de

conhecer. De acordo com a reputação de Fiona, pelo menos.

— Fiona? — O sorriso caloroso no rosto da pessoa do serviço social deixou

Josephine desequilibrada. Estava muito quente. Muito amigável - para ser Fiona.

Marjory Pierson, a assistente social com quem Josephine havia conversado

sobre a criação da bebê Milly, e que descreveu Fiona como um velho dragão

cuspidor de fogo, estava tirando sarro? Ou problemas?

— Sim. — Fiona estendeu a mão para Josephine, enquanto embalava a bebê

pequena na outra. — Prazer em conhecê-la. Eu ouvi coisas boas sobre você,

Josephine.

As bochechas de Josephine ficaram coloridas de prazer.


— Obrigada. — Mesmo agora, qualquer elogio era difícil de

receber. Certamente, depois de atravessar a barreira dos quarenta anos de idade,

uma mulher deveria ter aprendido a não corar como uma criança pequena. E, no

entanto, no fundo, ela era mesmo uma criança.

Josephine deslizou a mão na de Fiona e sentiu uma conexão instantânea

quando uma sensação quente tomou conta dela. O rubor se espalhou por suas

bochechas e pelo pescoço enquanto ela sorria amplamente. Ela devia parecer

uma imbecil com um sorriso estúpido no rosto.

Então seus olhos se fixaram na bebê Milly e sua pele voltou ao normal quando

sua necessidade de proteger e nutrir a bebê entrou em ação.

— Ela é linda.

— Ela é. E com necessidade de trocar a fralda. — Fiona torceu o nariz

enquanto Josephine as recebia em sua casa.

— Aqui, eu posso cuidar disso. — Josephine estendeu os braços para a bebê

e Fiona a entregou.

— Eu não tenho ideia do que ela tomou no café da manhã, mas algo explosivo

ocorreu em sua fralda. — Fiona seguiu Josephine até a cozinha, onde depositou

a bolsa de fraldas em uma cadeira.

— Sirva-se de café. Volto assim que limpar essa pequena. — Ela acariciou o

rosto de Milly com as costas da mão e sorriu quando a bebê balbuciou e chutou
as pernas. — Você está cheirando mal. — Milly chutou as pernas com mais força

e se contorceu nos braços de Josephine. — Eu entendi você.

Josephine apertou os braços em torno de Milly e se dirigiu para as

escadas. Ela acolheu um punhado de bebês nos últimos dez anos e era

especialista em trocar fraldas. Josephine nunca teve um filho, mas amava cada

uma das crianças que passavam por seus cuidados.

— Vamos deitar você no trocador e tirar essa fralda suja. Limparemos você

toda em pouco tempo. — Josephine deitou Milly e evitou suas pernas que

chutavam enquanto puxava as meias justas das pernas gordinhas. — Oh, isso

cheira ainda pior. Sim. Isto. Cheira.

Josephine acenou com a cabeça e sorriu para Milly enquanto desabotoava a

fralda descartável e a colocava de lado segurando a bebê imóvel. Ou tão quieta

quanto você poderia segurar um bebê que estava tentando se passar por uma

enguia escorregadia.

— Uau, isso é uma assadura de fralda. — Josephine suspirou. Ela havia sido

avisada de que Milly tinha um passado conturbado. Também foi avisada de que

estava um pouco desnutrida e com um caso grave de assaduras. Embora,

infelizmente, ela tivesse visto coisas piores. — Vamos colocar um pouco de

pomada mágica na sua assadura. Terá curado em uns 2 dias.

Josephine trabalhou rapidamente e logo Milly estava embalada em seus

braços enquanto descia as escadas para Fiona. Ela pegou a cadeira, que havia

desempacotado e limpado assim que soube que estava recebendo um novo bebê
adotivo e sentou Milly nela. A garotinha bateu as mãos na bandeja de plástico

enquanto Josephine foi à geladeira buscar um mordedor gelado para ela. Com

um grito de alegria, Milly logo começou a mordiscá-lo.

— Perfeito. — Fiona observou Josephine de perto, embora Josephine tentasse

não notar, enquanto se servia de uma xícara de café e se sentava à mesa da

cozinha.

— Ela é uma boa bebê. — Josephine observou enquanto Milly continuava se

divertindo com o mordedor gelado.

— Ela é um bom bebê que não teve um grande começo. Mas tudo isso vai

mudar. — Fiona fez cócegas no pé de Milly, causando uma gargalhada.

— Você falou com os parentes dela? — Josephine fez uma careta para

Milly. Era emocionante ver sua reação. Não importa que tipo de começo ela teve,

esta bebê estava determinada a encontrar a felicidade.

— Eu falei. — Fiona assentiu distraidamente. — Você tem algum cookie?

— Para você ou a bebê? — Josephine arriscou uma piada. Fiona parecia ter

um bom coração e o bem-estar de Milly era primordial. Outras pessoas poderiam

pensar que ela era um dragão velho, mas Josephine gostava dela.

— Para mim. Fico um pouco irritada se não tomar uma dose regular de

açúcar. — A expressão impassível de Fiona pegou Josephine desprevenida e a

cor inundou suas bochechas mais uma vez. Os olhos de Fiona se estreitaram

enquanto ela estudava Josephine, lembrando-a de uma criança que não tinha
aprendido que encarar poderia ser considerado rude. — Se eu passar mais de

duas horas sem café, a fumaça sai dos meus ouvidos.

Os cantos da boca de Josephine se ergueram quando ela relaxou e sorriu.

— Você faz um trabalho difícil. Deve ser terrível lidar com crianças que

entram no sistema de assistência social. Tantas histórias tristes.

— E felizes sempre depois. — Fiona sorriu melancolicamente. — Esse é meu

objetivo, deixar todas as crianças do sistema felizes para sempre.

— Bem, esta pequena dama tem uma boa chance. — Josephine olhou

diretamente para Fiona. — Então, e os parentes?

— Três irmãos que não tinham ideia de que a prima teve uma filha e estão

em choque com a morte dela. — Fiona serviu-se de um biscoito do prato que

Josephine colocou sobre a mesa. — Estes são bons. Caseiros?

— Sim, asso quando estou nervosa e me mudar para Bear Creek foi um

grande passo para mim, isso me deixou muito nervosa. — Confessou

Josephine. — Então, ficar com esta pequena por alguns dias é exatamente o que

eu preciso.

— Bom saber disso. Dei aos irmãos seus dados de contato, conforme

combinado. E eu escrevi o endereço e o número de telefone deles para você

aqui. — Fiona deslizou um pedaço de papel em direção a Josephine. — Estou

certa de que, uma vez superado o choque, eles terão a ideia de adotar Milly. Mas

seria ótimo se eles passassem algum tempo com Milly vendo sua rotina e
exatamente o que ser pai significa antes de decidirem. — Fiona mordeu outro

biscoito. — Estes são divinos.

— Não tenho mais nada planejado além de terminar de desempacotar. Eles

são bem-vindos para vir visitar, ou eu poderia ir até lá. Faz sentido que Milly se

acostume com eles em seu próprio ambiente, isso pode facilitar as coisas.

— Josephine sorriu. — As pessoas tendem a ser mais relaxadas em suas próprias

casas.

— Se você tem certeza, isso parece fabuloso. Para ser honesta acho que Jake

pode demorar um pouco para se acostumar com a ideia. Mas se ele vir Milly em

sua própria casa, pode ser mais receptivo. — Fiona suspirou. — É um grande

passo. Mas tenho certeza de que é a coisa certa. Esses três irmãos nunca se

casaram. Eles merecem saber como é ser pai.

— Você os conhece bem? — Josephine perguntou. Tendo se mudado

recentemente para Bear Creek, ela estava lentamente conhecendo o povo da

cidade, mas havia apenas tantas pessoas que provavelmente conheceria. Com

tantas fazendas e cabanas nas montanhas, havia muitas pessoas nas quais ela

nunca poderia pôr os olhos, mesmo se morasse aqui pelo resto da vida. Então,

ela gostaria de reunir o máximo de conhecimento possível sobre os habitantes

locais de Bear Creek.

— Eu sempre os conheci. Max é um guarda florestal local. Ele me ajudou com

um ou dois filhos perdidos ao longo dos anos. Tad trabalha com as mãos, ele é
um escultor. Ele é um homem trabalhador que tem interesse em detalhes. — A

boca de Fiona parou de mastigar enquanto considerava o irmão final.

— E Jake? — Josephine perguntou, pegando um biscoito e triturando-o

ruidosamente.

— Jake é um empresário de muito sucesso. Ele dedicou todo o seu tempo e

esforço na construção de um negócio sólido. — Fiona tirou as migalhas do suéter

e se levantou. — Você vai gostar deles. Todos bons homens à sua maneira.

— Mal posso esperar para conhecê-los. — Ela corou até as raízes dos

cabelos. — Não porque eles são homens. Mas porque eles são pais em potencial.

— Ela tropeçou em suas palavras.

Fiona deu um sorriso torto.

— Seria bom você conhecê-los. Melhor ainda se você fosse companheira de

um deles. — Fiona olhou Josephine de cima a baixo. — Você sabe sobre shifters,

não é?

Josephine assentiu.

— Sim. Minha melhor amiga no ensino médio era um shifter leão. Antes dela

me falar sobre shifters, eu não fazia ideia. Ela me disse por que estava com medo

da primeira transformação e queria que eu estivesse lá com ela. — Os olhos de

Josephine se iluminaram. — Foi algo incrível.


— Isso é incrível. — Fiona tirou um maço de papéis da pasta que ela havia

colocado na bolsa de fraldas. — Vamos lidar com a papelada e eu posso ir embora

e deixar vocês duas para se familiarizarem.

— OK. O que eu preciso saber? — Josephine olhou os papéis que Fiona

passou para ela. Tudo parecia direito. — Mãe falecida. E o pai?

— Não há nome na certidão de nascimento. A polícia local está conduzindo

inquéritos, mas não tem muita esperança. Parece que Sally poderia ter recorrido

a meios desesperados para alimentar seu hábito de usar drogas. — Fiona não

disse realmente prostituição, mas o significado estava lá. — Embora ela tenha

conseguido ir à reabilitação e ficado sem drogas enquanto esteve grávida.

— Ela tentou o seu melhor para o bebê. — Uma onda de tristeza varreu

Josephine. Sally nunca conseguiria ver a pessoa que sua filha se tornaria. Ela

nunca testemunharia seus primeiros passos, suas primeiras palavras ou a

confortaria por seu primeiro coração partido. Mas então Milly poderia nunca ter

seu coração partido. Ela era um shifter, com apenas um amor verdadeiro. Com

apenas um companheiro de verdade.

Ela não teve que passar pelo desgosto de romances fracassados. A pessoa

com quem deveria estar pelo resto da vida estava lá fora, esperando.

— Josephine. Você está bem? — Fiona perguntou gentilmente.

— Sim. Eu estava pensando em como é triste que Sally nunca assista a filha

crescer. — Josephine levantou-se e levantou Milly da cadeira onde estava


mastigando um mordedor. Segurando-a perto, ela beijou o topo de sua cabeça. —

Mas você vai ter três pais para cuidar de você.

— Se eles decidirem que um bebê é o que precisam em suas vidas. — Fiona

deslizou a papelada de volta para a pasta e pegou a sacola de fraldas. — Se

precisar de mais alguma coisa, me avise. Ligo para você amanhã e apareço no dia

seguinte.

— Ok. Nós ficaremos bem e eu arranjarei um encontro com os irmãos

Harrison amanhã. — Ela acompanhou Fiona até a porta com a pequena Milly nos

braços. Enquanto observava Fiona sair, ela balançou o bebê gentilmente e deu-

lhe um tapinha nas costas. — Nós vamos ficar bem. Nós vamos ficar bem.

Quando Fiona se foi, ela fechou a porta, mas seus olhos permaneciam nos

picos das montanhas ao longe. Ela havia feito o movimento certo para se mudar

para Bear Creek?

A bile subiu na garganta. Era longe o suficiente para correr? Essa era a

verdadeira questão.

O medo esfaqueou seu peito e ela inalou profundamente, forçando-se a

respirar. Talvez Milly estria melhor com outra pessoa. Talvez ela estivesse mais

segura com outra pessoa.

Isso é o que ela realmente quis dizer.

Soltando um longo suspiro, ela soltou seu medo e culpa. Ela se mudou três

vezes nos últimos dez anos e mudou de nome a cada vez. Quando ela deixou
cada vida para trás, ela derramava o horror de seu passado como uma cobra

derramando sua pele. Ela estava em segurança. Ela tinha sido cuidadosa. Seria

quase impossível para ele encontrá-la agora que estava livre.

Ele era o passado dela. E ela não o deixaria arruinar seu futuro.
CAPÍ TU L O TRÊS
MAX

— Certo. Venha até aqui. — Tad ouviu a voz do outro lado da linha enquanto

tentava comunicar algo a Max. Mas Max nunca havia aprendido a decifrar as

sobrancelhas trêmulas de Tad, mesmo depois de 45 anos como irmãos. — Te vejo

em breve.

Tad encerrou a ligação e recebeu um encolher de ombros confuso de Max.

— O que isso significa? — Ele balançou as sobrancelhas aleatoriamente.

— Isso significa que a mãe adotiva de Milly está trazendo-a para uma visita

e você deve tirar as botas do balcão. — Tad apontou para as botas de Max. — Por

que elas estão lá?

— Eu estava limpando elas. — Max tirou as botas da bancada. — E elas estão

em cima do jornal.

— Você não respondeu à pergunta de por que elas estão na bancada, sobre o

jornal. — Tad foi até a pia e correu a água até que ficasse bem quente antes de

adicionar sabão. Se Tad estava no modo de limpeza, ele deveria ter algo em

mente.
Você não precisaria ser vidente para saber o que, comentou o urso de

Max. Ele estava certo, todos os três irmãos Harrison tinham exatamente a mesma

coisa em mente. Eles deveriam concordar em adotar Milly?

— Eu estava checando minhas botas e a luz é melhor logo ali. — Ele apontou

para a luz embutida escondida sob os armários da parede. — É temporada

turística. As coisas estão ficando loucas na montanha e preciso garantir que meu

kit esteja em boas condições.

— Bem, mova-as. — Tad acrescentou canecas de café e dois pequenos pratos

à água na pia antes de vasculhar a cozinha em busca de qualquer outra coisa que

pudesse precisar de lavagem. Max rapidamente tirou as botas do balcão, não

confiando em Tad para adicioná-las à espuma e sabão na pia. — Quero causar

uma boa impressão.

— Você e eu. É Jake que precisamos convencer. — Max colocou as botas na

porta do estábulo de madeira que levava ao quintal. A seção inferior estava

fechada, enquanto a seção superior estava aberta, deixando entrar o ar fresco da

montanha. Max inalou profundamente, a montanha ainda o chamava, mas ele

ficou parado, sabendo que essa era uma decisão conjunta que ele tinha que tomar

com seus irmãos. — Ele acha que um bebê vai tornar as coisas muito

complicadas.

— Sim. — Jake falou do corredor. Ele entrou na cozinha vestindo um terno

cinza bem cortado e gravata azul. — Todos nós temos vidas completas. Você

realmente acredita que somos a melhor coisa para esse bebê?


— Você quer dizer que ela é a melhor coisa para nós? — Tad perguntou. —

Escute, nenhum de nós jamais encontrou nossas companheiras. E eu não sei sobre

vocês dois, mas a necessidade de nutrir uma criança e ensiná-la sobre o mundo é

algo que eu desejo.

— Jake está certo, nós temos vidas inteiras. — Max se afastou dos irmãos e foi

até a janela da cozinha. Descansando as mãos na beira da bancada, ele olhou para

as montanhas que eram sua segunda casa. — Nós realmente temos tempo para

um bebê?

Seu urso bufou. Deveríamos ganhar tempo. De qualquer forma, somos

três. Nós podemos dividir a carga.

— Eu vou cuidar da maior parte dos cuidados dela. — ofereceu Tad. — E

sempre podemos contratar uma babá.

Max desviou o olhar da montanha.

— Uma babá. Não seria exatamente nós que a criaríamos.

Tad encolheu os ombros.

— Eu quero fazer isso.

— E eu não. — A boca de Jake estava firme e seus irmãos sabiam que isso

significava que ele já havia se decidido.

— Então eu vou falar com Fiona e ver se posso adotá-la sozinho. — respondeu

Tad. — Vou me mudar e conseguir um lugar próprio.


— O que? — Jake perguntou, se virando para ele.

— Eu quero fazer isso. — Tad bateu no peito logo acima do coração. Dos três

irmãos Harrison, Tad era quem agia com base em suas emoções. Jake e Max

sempre culparam a natureza artística de Tad. Talvez culpa fosse a palavra

errada. Mas como escultor, Tad via as coisas de maneira diferente e

experimentava emoções em um nível mais profundo do que seus dois irmãos. —

Mais do que qualquer outra coisa que eu sempre quis fazer. Parece certo —. Ele

encontrou os olhos de Jake e depois os de Max, sua expressão mortalmente

séria. — Não sei explicar. Mas isso parece certo. Como se fosse algo que

deveríamos fazer.

Jake olhou para o irmão mais novo por um longo tempo antes de levantar as

mãos e dizer:

— Tudo bem. Se vocês dois concordarem, nós o faremos.

— Max? — Tad virou-se para o guarda da montanha. — O que você

disse? Isso tem que ser unânime.

— Vou me esforçar o máximo que puder, mas como eu disse, este é um

período ocupado na montanha, e eu tenho responsabilidades. — Max

assentiu. Ele estava realmente concordando em adotar um bebê? Eles não sabiam

nada sobre bebês.

— Então está resolvido, daremos as boas-vindas a Milly em nossa

família. Josephine está a caminho. Vamos todos nos comportar melhor e mostrar
a ela que somos três adultos responsáveis. — Tad sorriu, todo o rosto se

iluminando. — Nós vamos ser pais!

Jake ficou em silêncio enquanto olhava para Tad.

— Você realmente teria se mudado?

Tad olhou por cima do ombro e respondeu:

— Vivemos juntos a vida toda. Seria difícil, mas sim.

— Esta é a nossa casa, Jake, — Max disse suavemente. Jake lutou duro para

mantê-los juntos a vida toda. — Mas se algum de nós conhecesse a sua

companheira, poderíamos ter nos mudado. Não acho que haja muitas mulheres

por aí que enfrentariam três irmãos. — Max pegou um pano e começou a limpar

as superfícies.

— Por quê? Não é como se não fôssemos treinados. — Jake respondeu antes

que seu rosto se abrisse em um sorriso. — Isso foi uma piada. Eu sempre soube

que uma mulher poderia dividir nosso lar feliz. Eu só não esperava que ela ainda

estivesse usando fraldas.

Tad riu, uma risada profunda na barriga.

— Você sabe, Milly pode ser a razão pela qual nunca conhecemos nossas

companheiras. O destino pensou que seria uma boa piada. Sim, esses irmãos

Harrison, eles não precisam de uma mulher para separá-los, eles precisam de

uma para mantê-los juntos.


— Ou talvez ela seja a razão de termos amigos. — Jake pegou o aspirador de

pó da despensa e foi em direção à sala de estar. — Você sabe que as mulheres são

atraídas por bebês. Elas vão pensar que somos o material ideal para acasalar.

— Então é por isso que você concordou que Milly venha morar conosco? —

Max perguntou, feliz que a tensão entre seus irmãos se foi. — Você acha que ela

será como um ímã para mulheres.

Jake parou na porta que dava para a sala de estar.

— Não ajudaria, não é? Podemos atrair todas as mulheres que queremos, mas

se elas não forem a única, não importaria.

— Você está certo. Claro que você está certo. — Max olhou para cima quando

o som de um carro se aproximando o alcançou. — Eu acho que elas estão

aqui. Fiona está vindo também, ou é apenas Milly e a mãe adotiva? — Ele não

conseguia sentir Fiona, mas então estava tendo problemas para sentir alguma

coisa. Era como se alguém estivesse atolando seus sentidos shifter.

— Josephine também não mencionou nada sobre a vinda de Fiona. — Os

olhos de Tad se estreitaram enquanto ele estudava Max por um momento. —

Você está bem?

— Sim, apenas me sinto um pouco tonto. — Ele colocou a mão na cabeça

enquanto seu estômago dava um giro nas costas. — Parece que eu comi algo

ruim.
— Todos nós comemos a mesma coisa, a menos que você tenha um

esconderijo secreto de comida em algum lugar que esconde de seus irmãos. Ou

você comeu algo que pegou nas montanhas? Algo venenoso que você pode ter

confundido com algo comestível. — O comentário de Tad foi recebido com um

olhar irônico de Max. Um olhar foi tudo o que ele pôde reunir quando seus

joelhos ficaram fracos e ele estendeu a mão e apertou em torno da bancada. Era

como se sua vida estivesse se esvaindo.

Ou talvez sua antiga vida estivesse desaparecendo. Essa consciência estava

lhe dizendo que ele precisava abandonar a velha se planejava adotar Milly? Seu

trabalho era importante para ele, mas ele precisaria estar mais presente se o bebê

se tornasse parte de suas vidas. Ele sabia há anos que esse momento chegaria e

ele teria que entregar mais responsabilidade aos membros mais jovens da equipe

de guarda florestal da montanha. Mas ele sempre pensou que faria isso em seu

próprio tempo e em seus próprios termos.

— Max. — Tad secou as mãos em uma toalha e foi em direção ao irmão. —

Escute, se você acha que está desmoronando com alguma coisa, talvez deva subir

e se deitar. Acho que ninguém ficará feliz se você transmitir um vírus para o bebê

ou a mãe adotiva.

— Eu não tenho vírus. Eu estava perfeitamente bem até ... — Ele olhou em

direção à porta da frente, mas seus sentidos shifter se estendiam além da porta

de madeira.

— Até... — Tad seguiu seu olhar e depois ofegou bruscamente. — Você sente?
Max deu de ombros.

— Eu não sei. — Ele balançou a cabeça, tentando se livrar do que estava

tentando agarrá-lo e trazê-lo de joelhos.

— Jake! — Tad chamou o irmão mais velho pelo som do aspirador de pó. —

Jake!

A casa ficou em silêncio quando Jake desligou o aspirador e saiu correndo da

sala para o corredor para ver o que havia de errado.

— Max...

Jake correu para frente e colocou o braço embaixo do de Max. Mas Max o

empurrou.

— Estou bem. Eu não estou doente.

O carro estava perto agora, tão perto que ele podia senti-la. Não era o

bebê. Não, isso foi diferente. Isso era único. A companheira dele estava

aqui. Josephine, a mulher que estava cuidando do bebê Milly era sua

companheira.

A companheira dele. As palavras eram estranhas, mesmo quando a voz em

sua cabeça as pronunciou. Mesmo quando ele a sentiu sair do carro e ouviu seus

passos enquanto ela subia os degraus da varanda e atravessava-a até a porta da

frente.
— Atenda a porta, Tad. — ordenou Jake, olhando Max de cima a baixo. —

Você não quer que ela te veja assim. Você parece que vai ter um ataque cardíaco.

A boca de Max se levantou nos cantos.

— Eu sabia que podia depender de você para me dizer como é.

— É para isso que servem os irmãos mais velhos. — Ele deu um tapa no braço

de Max. — Você tem duas opções. Você pode se recompor e ir encontrá-la, ou eu

posso dar um tapa no seu rosto ou jogar água fria em você.

— Isso parece com três opções. — Os olhos de Max deslizaram para os lados

enquanto observava Tad abrir a porta da frente. Ele respirou fundo e firmemente

enquanto recuperava as pernas e se erguia. Jake estava certo, ele não queria que

sua companheira o visse assim. As primeiras impressões eram difíceis de abalar,

e ele não queria que a primeira impressão de sua companheira fosse de um

homem fraco.

Ele precisava ser forte. Ele precisava se preparar.

— Eu poderia dar um tapa em você enquanto jogo água em você, se você

quiser. — Um sorriso malicioso apareceu nos lábios de Jake. — Ou talvez eu deva

te enfiar no armário de vassouras e me apresentar a sua companheira.

Max revirou os olhos para o irmão mais velho.

— Eu sei que você nunca faria algo assim. O resto do mundo pode pensar que

você é um idiota, mas eu conheço o verdadeiro você.


— Você? — Jake arqueou uma sobrancelha enquanto passava a cabeça pela

porta. — Ela está aqui. E ela parece adorável.

— Adorável. — Max se levantou do balcão e deu sua primeira olhada em sua

companheira.

— Eu quis dizer a bebê. — Jake deu um tapinha nas costas de Max e depois

caminhou pelo corredor para encontrar Josephine.

Max respirou fundo. Ele confiou em suas pernas para levá-lo pelo corredor e

pela porta da frente. Mas ele não confiava em sua voz para falar, tinha certeza de

que sairia estridente como um adolescente na puberdade. Não era a primeira

impressão que ele queria dar.

— Oi. — Josephine estava emoldurada na porta como uma obra-prima

original.

Eca, se você falar assim com ela, estamos condenados a uma vida

sozinhos, disse o urso dele.

— Olá, você deve ser Josephine, e nós conhecemos a bebê Milly. — Tad fez

cócegas em Milly sob o queixo e tirou uma pequena risada rouca dela. — É isso

mesmo, eu sou Tad, o engraçado. O papai que vai fazer você rir.

— Milly com certeza gosta de rir. — Josephine disse, olhando para o bebê em

seus braços como se estivesse com vergonha de erguer os olhos para os três

homens à sua frente. — Não é querida?


— Sou Jake. Foi muito gentil da sua parte vir trazer Milly. — Jake inclinou a

cabeça na direção de Max, chamando-o para mais perto. — E este é Max.

— É ótimo conhecer todos vocês. Fiona disse que você estava vacilando em

adotar Milly. Imaginei que, se você passasse algum tempo com ela, seria mais

fácil tomar uma decisão. De qualquer maneira, não há pressão. — Josephine

olhou para cima e imediatamente encarou Max. Ela engoliu em seco e a cor subiu

em suas bochechas.

— Tivemos uma conversa sobre Milly agora e estamos todos comprometidos,

— Jake olhou para Max. — Não é mesmo?

— Sim. — Max tropeçou em suas palavras enquanto dava alguns passos à

frente. — Comprometido.

Jake revirou os olhos e eles enrugaram nos cantos quando ele sufocou um

sorriso. — Entre. Nós não podemos nos conhecer na porta.

Max amou e odiou seu irmão naquele momento. Ele amava Jake por convidar

sua companheira para entrar em casa, pois ele parecia incapaz de formar palavras

coerentes. E ele também odiava Jake por ser tão descontraído e confiante.

Mas quando Josephine entrou na casa, Jake e Tad recuaram e deram espaço a

Max. Agora cabia a ele impressionar a mulher com quem deveria passar o resto

de sua vida.

Então, temos uma companheira e um bebê, disse o urso.


Parecia que o destino não havia abandonado esse irmão Harrison, afinal.

CAPÍ TU L O QU ATR O
Jos e phi ne
Josephine se agarrou a Milly como se ela fosse uma tábua de salvação quando

elas entraram na casa dos Harrison. Suas mãos tremiam quando ela enfiou os

dedos no cobertor macio de soft enrolado na criança. Havia algo nos três homens

à sua frente que a deixava nervosa.

Não é um bom sinal quando seu objetivo era incentivá-los a adotar um

pequeno bebê.

Mas havia algo definitivamente errado sobre a situação. Como se tivessem

um segredo oculto.

Josephine engoliu nervosamente enquanto caminhava pelo corredor,

entrando no covil deles.

No entanto, o covil deles tinha uma cozinha incrível, iluminada e arejada,

com vista magnífica para a montanha, que atraiu seus olhos enquanto ela

circulava pela sala, procurando a rota de fuga mais rápida desde que Jake, que

ela supunha ser o irmão mais velho, guardava a porta da cozinha por onde ela

havia entrado.

— Vocês têm uma boa casa. — comentou Josephine.

Houve um breve silêncio em que Jake e Tad olharam para Max, esperando

que ele respondesse, mas ele simplesmente abriu e fechou a boca como um peixe

dourado, enquanto a cor passava por suas bochechas.


— Obrigado. Moramos aqui há décadas. — Jake deu um passo à frente,

afastando-se da porta e lançou a Max um olhar de lado que Josephine não

conseguiu interpretar. — Café?

— Sim, por favor. — Josephine andava de um lado para o outro, embalando

Milly em seus braços. Mais para confortar a si mesma do que a bebê, que estava

calma e quieta, como sempre. Josephine nunca havia conhecido uma criança tão

quieta. E isso meio que a incomodou.

— Está tudo bem? — Max finalmente conseguiu falar, e quando ela o olhou

surpresa, sua expressão era cheia de preocupação. — Você parece perturbada.

— Não, não é nada realmente. — Ela baixou o olhar para a doce bebê que

soprou uma bolha em resposta. — Ela é um pouco quieta. Para um bebê.

— Ela precisa de um médico? Eu posso te levar. — Max ofereceu, sua voz

rouca como se estivesse ressecada.

— Ela teve um check-up com um pediatra quando a polícia a encontrou. —

Ela apertou os lábios, não querendo lembrá-los da morte da mãe de Milly. —

Além de estar abaixo do peso, Milly só precisa de estímulo com brinquedos e

muita interação com as pessoas.

— Isso nós podemos fazer. Todos nós queremos que Milly seja feliz. — A

preocupação de Max era um bom sinal de que ele parecia genuinamente

interessado no bem-estar de Milly. No entanto, ele ainda estava olhando para

Josephine como se ela fosse seu prato favorito no menu.


Tad atravessou a cozinha e puxou uma cadeira para ela.

— Gostaríamos muito de ter alguma experiência prática em cuidar de Milly.

— Tad encolheu os ombros com as mãos viradas para cima. — Isso tudo é novo

para nós. Seria ótimo se pudéssemos passar muito tempo com ela. Não é, Max?

Max prendeu a respiração e olhou para o irmão. Mas então ele deixou escapar

um longo suspiro e disse:

— Sim. Se estiver tudo bem com você, Josephine.

Josephine assentiu. A maneira como ele disse o nome dela. Era como se sua

boca formasse a palavra com amor e adoração.

— Claro, isso seria bom.

A cabeça dela continuava acenando como um daqueles cachorros de

brinquedo presos no painel. Tirando isso, ela percebeu que estava agindo tão

estranho quanto os irmãos. Forçando-se a avançar, ela atravessou a cozinha até a

cadeira que Tad havia puxado e se sentou. Tad imediatamente se sentou ao lado

dela.

— Posso segurar Milly? — Tad perguntou ansiosamente.

— Milly? — Os olhos de Josephine voltaram ao foco, ela estava olhando para

Max, que estava olhando de volta. — Sim. É por isso que estou aqui, para

familiarizá-los com esta pequena.


Tad estendeu os braços e Josephine colocou o bebê neles e posicionou a

cabeça na dobra do braço dele.

— Ela é tão leve.

— Ela vai exigir muito cuidado. — Josephine deu uma risada curta. — Parece

que você está recebendo um filhote, não um bebê.

— Aqui. Café. — Jake colocou quatro canecas de café na mesa e sentou-se,

deixando a cadeira diretamente à sua frente vazia. — Max, quer pegar um pouco

do bolo e trazê-lo?

— Certo. — Max entrou em ação, satisfeito por ter algo para ocupar as

mãos. Talvez ele fosse apenas um cara nervoso que não era bom com pessoas que

ele não conhecia. Josephine certamente poderia simpatizar com ele.

— Está na hora da sua alimentação. Você gostaria de dar a ela? — Ela

perguntou a Tad, voltando o foco para o bebê. No entanto, tudo o que ela queria

era assistir Max enquanto ele se movia pela cozinha pegando pratos e garfos e

um rico bolo de chocolate, que ele colocou no balcão antes de cortar habilmente

quatro fatias.

— Sim. — Tad parecia nervoso e sua testa enrugou quando ele ajustou seu

aperto em Milly. — Quão difícil isso pode ser?

— É fácil. Eu vou te ajudar com isso. Eu só preciso aquecer primeiro. —

Josephine abriu a bolsa de fraldas que ela trouxera cheia de parafernália de bebê
e pegou a mamadeira da bolsa que a mantinha na vertical. — Eu preciso de água

quente e uma tigela.

Max era o único irmão que não estava sentado à mesa, então a tarefa coube a

ele.

— Certo. Mostre-me o que você precisa. E o que fazer. — Ele olhou para

Milly. — Estamos juntos nessa. Desde a alimentação até a troca de fraldas, para

o que mais precisar ser feito.

— Amor. — Josephine deixou escapar. — Ela precisa de amor e carinho e

aprender sobre esse mundo incrível ao nosso redor. Não acho que ela tenha tido

nenhuma dessas coisas até agora em sua curta vida. — A mão dela voou para a

boca. — Sinto muito, isso foi sem tato e pouco profissional da minha parte.

— Não, está tudo bem. Sabemos como Sally morreu. Sabemos como Sally

viveu. Ela era uma pessoa difícil de se conectar. Pessoas tentaram. Os pais dela,

nós quando ela morava por aqui. Profissionais de saúde... — Max parou de falar

abruptamente. — Queremos focar no futuro de Milly e fazer o melhor possível.

— Isso é tudo o que qualquer um pode pedir. — Josephine levantou a

mamadeira como se fosse um escudo para afastar as sensações quentes que

fluíam por seu corpo quando Max olhou para ela. Realmente olhou para ela como

se ela fosse a coisa mais preciosa deste mundo. Ninguém nunca olhou para ela

dessa maneira. Nem os pais dela.


— Aqui. — Max colocou um jarro no balcão e derramou água quente nele. —

Tudo bem?

— Perfeito. — Ela colocou a mamadeira para esquentar, onde ele subia e

descia. Quando ela se virou para verificar Milly, Tad e Jake rapidamente viraram

a cabeça e fingiram estarem muito interessados nas mãozinhas de Milly.

Josephine esperou que o conteúdo da mamadeira esquentasse até a

temperatura correta e depois testou-a no pulso. Max circulou a cozinha como um

predador, seus olhos a observando a cada movimento. Se as circunstâncias

fossem diferentes, ela poderia estar assustada, mas Jake e Tad estavam cantando

para a bebê Milly, suas vozes suaves e reconfortantes.

— Eu nunca imaginei que bebês poderiam ser tão adoráveis. — Jake acenou

com a cabeça para Milly. — Você é adorável. Sim você é. — Ele foi recompensado

com um beicinho e um grande sorriso iluminou seu rosto.

— Aqui, o leite está pronto. Vou mostrar como testá-lo para garantir que não

esteja muito quente nem muito frio —. Josephine explicou rapidamente como

aquecer o leite e testá-lo. Em seguida ela mostrou a Tad como alimentar Milly

para que ela não ficasse cheia de ar e com cólica. — Perfeito.

— Ela está bebendo. — Tad não tirou os olhos de Milly e da mamadeira de

leite.

— Essa é a ideia, gênio, — Jake murmurou, embora ele também parecesse

apaixonado por Milly.


— Você acolheu muitos bebês? — Max perguntou enquanto se inclinava

contra o balcão. Ele estava assistindo Tad alimentar Milly, mas não conseguia

evitar que seus olhos se demorassem em Josephine. O que ela achou lisonjeiro e

um pouco perturbador.

Esses homens eram shifters. Fiona tinha sido franca e honesta sobre como

seria melhor para Milly morar aqui com os irmãos Harrison, porque precisaria

das mãos orientadoras deles quando aprendesse a mudar na puberdade. Desde

que ela não era companheira de Max, seus longos olhares persistentes pareciam

desconfiados.

Esse era o tipo de ambiente em que Milly deveria crescer?

Claro que Jake e Tad pareciam ótimos, muito empenhados em fazer todas as

perguntas certas sobre Milly e seu bem-estar. Mas Max, seus olhos a penetraram

como se estivessem olhando profundamente em sua alma, na tentativa de ver a

verdadeira essência de quem Josephine era. E os segredos que ela escondia.

— Você tem algum problema? — As palavras saíram da boca de Josephine

antes que ela pudesse filtrá-las através de seu cérebro. Silêncio. Todos os três

irmãos a encararam antes de Tad e Jake olharem para Max. Que era exatamente

onde seus olhos estavam fixos.

— Um problema? — Max gaguejou, os olhos arregalados enquanto a olhava.

— Sim, você está agindo um pouco estranho. — Ela o encarou, ou pelo menos

tentou, mas seus olhos estavam fixos nela como se fossem um míssil que
procurava calor e ela era o alvo deles. Calor. Ela estava com calor. Um brilho

quente se espalhou por seu corpo, ventilado por um desejo profundo e

inexplicável pelo homem diante dela.

O homem que estava olhando para ela, mesmo agora. Se ele desviasse o olhar,

ela iria murchar e morrer. Ambos iriam murchar e morrer. O sangue escorreu de

seu rosto e suas mãos tremiam quando ela se levantou e se aproximou de Max.

— Eu sempre fui um pouco estranho. — Ele tentou abrir um sorriso, mas não

conseguiu aliviar a intensidade do seu rosto.

— Por que você está me encarando? — Ela repetiu, sua língua traiçoeira

serpenteando para umedecer os lábios na esperança de que ele pudesse se

inclinar para frente, deslizar o braço em volta da cintura dela e puxá-la para ele

em um beijo ardente.

— Porque... — Os olhos dele se voltaram para os lábios dela. Ele ia beijá-la.

— Sim? — Ela avançou como se estivesse sendo puxada para mais perto por

uma força invisível.

— Você e eu ... — Ele deu um passo para longe do balcão, seus ombros largos

pairando acima dela, mas ela não estava assustada. Ele podia ser alto,

incrivelmente tonificado e forte, mas havia uma gentileza nele.

— Diga. — Josephine o empurrou, ela precisava ouvi-lo dizer as palavras,

porque, embora tivesse certeza de que eram companheiros, parecia


impossível. Por que o destino os escolheria para ficar juntos? O que eles tinham

em comum?

Bebê Milly. Claro, ela estava aqui para ajudá-los a adotar o bebê em sua

família. Mas isso significaria que ela também faria parte dessa família. Uma onda

de emoção passou por ela.

— Nós somos companheiros. — Seu olho esquerdo cintilou, as linhas de riso

enrolando em torno da íris marrom escura. — Você sabe o que isso significa, não

é?

— Eu sei. — Ela soltou um suspiro e Jake e Tad também.

— Bem, isso foi tenso, não foi, Milly? — Tad cantou para o bebê que estava

prestes a terminar sua mamadeira.

Os ombros de Max caíram para a frente.

— Eu não tinha certeza se você sabia. — Ele passou a mão pelo cabelo e depois

deixou-o cair ao seu lado. — Quando eu era mais jovem, eu ensaiava o que diria

quando encontrasse minha companheira repetidamente. Mas como o destino

parecia nos cercar, eu tinha perdido a esperança.

— Mas aqui estamos nós. — Josephine precisava se afastar de Max e

supervisionar Tad colocando o bebe para arrotar. No entanto, seus pés estavam

colados ao local, seu corpo ancorado na posição.


— Mas aqui estamos nós. — Max estendeu a mão para ela e seus dedos se

contraíram, querendo sentir o primeiro contato.

Com uma respiração profunda, ela levantou a mão, as pontas dos dedos

tocando brevemente enquanto uma corrente elétrica passava pelos dedos e subia

pelo braço. Era como se ele estivesse dando um chute no coração dela,

redefinindo-o para que ela pudesse viver novamente. Amar de novo.

Atrás dela, Milly arrotou alto e a tensão quebrou.

— Ok, agora que temos o drama fora do caminho, talvez possamos continuar

com a verdadeira razão pela qual Josephine está aqui. — Jake manteve o rosto

perfeitamente reto, mas seus olhos dançavam com humor.

— Estou fazendo isso certo? — Tad tinha Milly por cima do ombro e ele a

estava esfregando nas costas em um movimento circular.

— Isso está ótimo. — Josephine sentou-se à mesa, os joelhos subitamente

fracos enquanto a adrenalina que alimentava seu corpo se dissipava. — Você é

um profissional.

— Eu sempre soube que descobriríamos no que você era bom um dia. —

brincou Jake. Ele era um homem que gostava de cobrir seus sentimentos com

comentários impetuosos, mas ela sentiu que ele amava seus irmãos. Eles eram a

família dele.

Mas como ele se sentiria com essas novas mudanças em sua família?
— Posso pegar uma xícara de café fresco para você? — Max perguntou,

pairando atrás do ombro dela.

— Isto está bom. — Ela pegou a xícara de café morno e tomou um gole. — É

bom. E beber café frio é algo com que você se acostuma muito rapidamente

quando tem filhos.

— Não! — Tad ofegou e segurou Milly à distância do braço, o que ela achou

engraçado. Uma risada profunda saiu de seu pequeno corpo. — Leve-a de volta,

não tomamos café frio nesta casa!

Quatro adultos foram pegos pela explosão de riso de Milly e a atmosfera que

havia estragado sua chegada se rompeu. Todos deram o primeiro passo para se

tornar uma unidade familiar.

Mesmo que fosse uma unidade familiar estranha.


CAPÍ TU L O CI NC O
Max

— Então eu a seguro assim? — Max perguntou, suas mãos grandes e fortes,

gentis enquanto Milly se aninhava em seus braços. A necessidade de protegê-la

era incrivelmente forte e seus músculos ficaram tensos antes dele se forçar a

relaxar.

— É isso aí, ela está relaxada e feliz. — Josephine ofereceu o dedo a Milly para

segurá-lo e a criança pequena o segurou. — Ela é um bebê lindo.

— Então, o que acontece depois? — Max perguntou. Ele queria convidá-la

para jantar, mas essa reunião deveria ser sobre Milly. Afinal, esse precioso bebê

era a pessoa mais importante em tudo isso. Era ela quem precisava de cuidados

24 horas. Aquela que precisava experimentar as coisas boas da vida. Eles não

tinham ideia do que ela tinha visto em seus poucos meses curtos neste

planeta. Tudo o que podiam agradecer era que ela era jovem demais para se

lembrar de sua mãe morta ao lado dela por horas.

— Sobre a adoção de Milly? — Josephine perguntou. O cheiro de sua

companheira era avassalador e sua boca salivou; ele queria se inclinar para frente

e beijar seus lábios. Mas não era a hora. Mesmo que Tad e Jake os tivessem

deixado em paz para se conhecerem.


— Sim. Qual é o procedimento? — Max se concentrou em Milly e nas

necessidades dela, e não nas dele.

— Quando você concordar em adotá-la, diga a Fiona e ela começará a

papelada. Enquanto isso, você pode passar um tempo conhecendo Milly e sua

rotina. Embora, já que ela acabou de chegar aos meus cuidados, ainda não temos

uma rotina exata. Vamos trabalhar com todos vocês para descobrir isso.

— Uh hl. — Max teve que se concentrar muito enquanto ouvia Josephine

falando. Sua mente queria se afastar e projetar imagens dos dois juntos.

— O que você faz? — Josephine abaixou a cabeça para chamar sua atenção. —

Como trabalho? Todos vocês?

— Desculpa. Eu estava a quilômetros de distância na montanha. — Ele sorriu

melancolicamente.

Com você, acrescentou o urso, igualmente melancólico.

— Eu adoraria explorar as montanhas com você. Foi o que me chamou a Bear

Creek. Eu me mudei para cá algumas semanas atrás. Eu sempre sonhei em

simplesmente desaparecer nas montanhas. Você sabe, vivendo do que a natureza

fornece —. Ela sacudiu a cabeça e seus olhos focaram em Milly. — Eu saí do

assunto, não foi?

— Na verdade não. — Max balançou Milly gentilmente quando a menina

fechou os olhos. Com uma voz baixa e calma, ele disse: — Eu trabalho como

guarda florestal e também trabalho como voluntário em resgate nas


montanhas. Eu patrulho a montanha regularmente. Normalmente, trabalho no

turno do dia e com o turno da noite ocasionalmente, apenas para verificar se não

há caçadores ilegais ou alguém lá em cima causando danos.

— Então você é o homem mais indicado, se eu quiser um grande passeio pela

montanha. — Os olhos de Josephine brilharam enquanto ela falava. Excitação

saiu dela, mas ela rapidamente endireitou as costas e juntou as mãos enquanto

assumia uma maneira mais formal. — Ok, então você trabalha em turnos.

Max estendeu a mão e cobriu as mãos dela.

— Eu adoraria fazer um passeio completo pelas montanhas sempre que

quiser. — Ele olhou para o bebê em seus braços, que havia adormecido em paz. —

A coisa boa sobre esta pequena ter três shifters urso como pais é que ela nunca

terá falta de babás.

Josephine esfregou o polegar sobre os dedos.

— Tudo isso é um pouco estranho para mim. Então, tenha paciência comigo

enquanto eu me acostumo.

Ele deu um sorriso torto.

— O fato de me tornar papai em um dia é um pouco estranho para

mim. Então juntos podemos nos ajudar com isso.

Josephine assentiu.

— E Tad e Jake? Eles trabalham horas normais?


— Não exatamente. Jake é um grande empresário que assumiu a

responsabilidade por nós quando perdemos nossos pais. — Max cerrou os dentes

quando uma onda de emoção tomou conta dele. — Devemos muito a ele. Ele

deixou a escola cedo e desistiu de sua vida para cuidar de todos nós e nos

prover. Ele colocou eu e Tad na faculdade, trabalhando longas horas para manter

essa casa e nos dar um bom começo de vida.

— Eu não fazia ideia. — Josephine engoliu em seco e puxou uma mão debaixo

da dele para enxugar uma lágrima de sua bochecha. — Foi um sacrifício difícil,

mas eu posso entender por que ele faria isso e provavelmente faria tudo de

novo. Família é a coisa mais importante do mundo.

— Sua mãe e seu pai ensinaram isso a você? — Max perguntou.

— Sim, mas não da maneira que você pensa. — Ela esfregou a bochecha com

a mão e abaixou a cabeça. — Não tive uma ótima infância. Eu acho que foi por

isso que decidi acolher crianças. Eu queria que eles tivessem mais chances, mais

opções do que eu tive.

— Você é uma mulher incrível. — Max se inclinou para a frente e pressionou

os lábios na bochecha dela, seu corpo cuidadosamente angulado para não

acordar Milly. Josephine ficou tensa e depois soltou um suspiro enquanto se

afastava. — Desculpe, eu não pude resistir.

Cor varreu suas bochechas.

— Eu gostei. Embora eu devia estar trabalhando aqui.


— Então trabalhe fora. — Max recostou-se na cadeira e observou sua

companheira. — O que mais você precisa saber?

— Hum. Então, quem cuidaria de Milly durante o dia? Você trabalha em

turnos, presumo que Jake vá ao escritório? Então isso deixa Tad.

— Jake provavelmente poderia levar Milly ao escritório com ele em alguns

dias. O escritório dele é grande o suficiente para conter um bebê pequeno. — Max

sorriu. — Mas Tad trabalha principalmente em casa, então ele será o responsável

pela maior parte da creche quando eu estiver trabalhando. Quando eu não tiver

turno, vou assumir para que ele possa trabalhar.

— E o que Tad faz? — Josephine perguntou, anotando as respostas de Max.

— Ele é um escultor. Ele vende suas peças para colecionadores. Seu trabalho

é muito procurado, então ele não precisa sair para vendê-las. O que significa que

ele está aqui a maior parte do tempo. E ele costuma gostar de trabalhar à noite,

quando o resto de nós está dormindo. Acho que nós três poderemos cumprir bem

nossos deveres parentais. — Max parecia mais confiante do que sentia. Cuidar de

Milly não era apenas sobre as horas do dia, mas também sobre como essas horas

eram preenchidas.

Grupos de mães e bebês seriam assustadores para três homens mais velhos

quando todos os pais na sala fossem mais jovens e provavelmente mulheres. Ou

isso era ser machista? Ou antigo?

Foco, seu urso disse bruscamente. De preferência em nossa companheira.


— Ótimo. Vai demorar um pouco para resolver o que funciona para todos

vocês. Mas vocês parecem se dar bem, então tenho certeza de que chegarão lá. —

Josephine olhou para o relógio. — Eu preciso ir. Eu tenho algumas coisas a fazer.

— Estamos todos comprometidos com isso. — Assegurou Max, levantando-

se e guardando toda a parafernália do bebê. — Nós nem sequer iríamos

considerar isso se não pensássemos que podemos fazer a coisa certa por Milly.

— Eu sei. — Ela se inclinou para frente e devolveu o beijo, seus lábios

queimando a pele dele quando tocaram sua bochecha. — E acho que estarei por

perto para ajudar.

— Você tem seus próprios filhos? — Max perguntou e sua mão parou

enquanto ela guardava a mamadeira lavada.

— Não. — Ela balançou a cabeça rapidamente. — E ... eu nunca poderei ter

filhos.

Ele tocou um nervo e Josephine desligou, trancando-o fora quando ela fechou

a bolsa de fraldas de Milly.

— Estou dando uma palestra no museu esta tarde sobre a história do resgate

nas montanhas. Talvez você queira vir junto.

— Romântico. — Ela deu um meio sorriso.

— Desculpe, isso é tudo novo para mim. Eu preciso de um curso de

atualização sobre namoro. — Ele brincou, embaraçado.


— Eu gostaria de ir. É difícil mudar para uma nova cidade e tentar conhecer

pessoas. E meu avô costumava fazer parte de uma equipe de resgate nas

montanhas. Eu nunca o conheci, mas minha avó costumava me contar histórias

sobre ele. Ele era um cara popular. Os velhos amigos dele costumavam manter

contato, mesmo depois que minha avó faleceu. — Josephine parou de falar e

fechou a boca com força, os dentes traseiros se apertando.

— Você está bem? — Max estudou seu rosto, incapaz de ler sua expressão

quando ela desligou suas emoções.

Josephine assentiu e respirou fundo.

— Estou bem. Foi apenas uma manhã interessante. Eu vim aqui para

conhecer três pais em potencial e vou embora sabendo que sou sua companheira.

— Ela terminou de arrumar sua papelada.

— Não tenha pressa. E se houver algo que você precise. — Ele se levantou e

Milly se mexeu em seus braços. — Você faz parte desta família agora, Josephine.

Ela colocou a bolsa no ombro e pegou a bolsa.

— Bem desse jeito?

— Bem desse jeito. Não há procedimento de adoção e não somos

examinados. Nós apenas confiamos no destino. — Max percebeu como isso deve

parecer para um não-shifter. — Nós não somos um culto ou algo assim.


— Eu sei. — Ela saiu da cozinha e ele a seguiu. — Minha melhor amiga

quando criança era um shifter. Ela me contou tudo sobre como a mudança

funciona e como o vínculo de união funciona. — Virando-se para encará-lo, ela

acrescentou: — Eu sempre me perguntei como seria ter uma pessoa na minha

vida que sabia que eu era a pessoa certa para ela. Que me amaria e respeitaria. —

Sua boca se curvou nos cantos. — Eu nunca experimentei um relacionamento

como esse, Max. Essa é a parte que é nova para mim.

— Nós vamos nos completar. — Ele deu um sorriso tranquilizador. — E

temos o resto de nossas vidas para entender isso.

— Você vai se despedir de Tad e Jake por mim? — Josephine perguntou

enquanto caminhava para o carro, levando Milly e seu coração com ela.

— Saindo? — Tad perguntou, aparecendo do outro lado da casa.

— Sim. Eu tenho algumas coisas a fazer. — Josephine abriu a porta do carro,

colocou Milly na cadeirinha e levantou o cinto de segurança sem acordá-la.

— Você está deixando ela ir tão cedo? — Jake brincou quando se juntou a eles.

— Você estava escondido aqui esperando? — Max perguntou.

— Queríamos dizer adeus. — Jake olhou para o relógio. — Eu deveria ir ao

escritório.

— Ahhh, eu imaginei por que você estava vestindo terno e gravata. Pensei

que talvez você sempre se vestisse de maneira elegante quando duas senhoras
vêm visitar vocês. — Josephine fechou a porta do carro e virou-se para encarar

os três irmãos. — Você parece bem.

— Eu sou o mais bonito. — Jake levantou a mão como se estivesse na escola.

— Mas a modéstia não é seu ponto forte. — Tad bateu no braço de Jake,

brincando.

— Ei, não faça isso ou Josephine dirá a Fiona para não nos deixar adotar Milly.

— Jake reclamou enquanto esfregava o braço teatralmente.

Josephine riu.

— Milly vai envolver os três em torno de seu dedo mindinho. — Ela colocou

as mãos nos quadris enquanto olhava para cada um deles. — Vocês não têm ideia

de como ela vai dominar a vida de vocês.

— E Max não tem ideia de como conhecer sua companheira vai dominar sua

vida. — brincou Jake. — Mas acho que a única coisa que os irmãos Harrison

podem concordar é que ele não poderia ter encontrado uma mulher melhor para

compartilhar sua vida.

— Uau, você é bom — Josephine felicitou Jake. — Eu posso ver por que você

é um bom homem de negócios.

— Max tem te contado todos os segredos da família. — Jake ajeitou a

gravata. — Eu sou bom no que faço. — Então sua linguagem corporal se

suavizou. — Mas todos nós somos. Todos fazemos a diferença à nossa maneira.
— Todos nós fazemos. — Josephine assentiu. — Eu devo ir. Vejo você mais

tarde, Max.

— Mal posso esperar. — Max a observou entrar no carro, preparando-se para

o bombardeio de perguntas que receberia assim que sua companheira fechasse a

porta do carro e ligasse o motor.

— Assim? Você raposa prateada, você tem um encontro quente

marcado. Você trabalha rápido. Estou impressionado. — Jake parecia

adequadamente impressionado. Mas não por muito tempo.

— Convidei-a para o museu esta tarde. — Confessou Max.

— O Museu? Você convidou sua companheira para ouvir algumas conversas

sobre ser um guarda florestal da montanha no seu primeiro encontro? — Tad

riu. — Você tem idade suficiente para fazer melhor que isso.

— Ela gosta das montanhas. — Insistiu Max enquanto o carro de Josephine

desaparecia. Ele voltou-se para a casa. — De qualquer forma, o que vocês dois

saberiam sobre companheiras e primeiros encontros, já que não têm um? Vocês

estão apenas com ciúmes. — Ele acenou com a mão com desdém para os dois.

— Com ciúmes! — Jake riu.

— Ele está certo, nós estamos. — Admitiu Tad.


— Sim, mas você não precisa dizer a ele que ele está certo. — Jake balançou a

cabeça. — A primeira regra dos negócios é aprender a blefar. Não diga ao seu

oponente nada que ele não precise saber.

— Nós não somos oponentes. Somos irmãos e estamos nisso

juntos. Acabamos de concordar em adotar um bebê, lembra? — Max perguntou.

— Verdade. — Jake seguiu Max para dentro. — Você discutiu isso com ela

também, ou estava muito ocupado olhando arregalado para ela?

— A única coisa em que estou com olhos arregalados hoje é café. Quer um

pouco? — Max perguntou quando entrou na cozinha.

— Ele não vai deixar você provocar ele hoje. — disse Tad a Jake.

— Eu não vou. Estou de bom humor e você não vai estragar tudo. — Max

colocou três canecas.

— Eu tentei. — Jake sentou-se e alisou o paletó. — Mas é hora de levar a

sério. Estamos realmente prontos para um bebê em nossas vidas?

— Ter um bebê em nossas vidas está atrasado cerca de trinta anos e eu

esperava ter uma companheira antes de um bebê, mas sou a favor disso. —

respondeu Tad. — Você está tendo dúvidas?

— Não. — Jake pegou seu café e olhou para nada em particular enquanto se

perdia em pensamentos. — Você está certo, eu sempre pensei em encontrar

minha companheira, me casar e depois ter um filho. Eu certamente não esperava


criar um bebê com meus irmãos. Mas isso não significa que não será tão

surpreendente.

— Vai ser incrível. — Max concordou. — Isso está certo. Para todos nós. —

Ele se sentou à mesa e se inclinou para frente, escolhendo suas palavras com

cuidado. — Gostaria de poder compartilhar o que sinto agora com vocês

dois. Mas eu não posso. No entanto, posso compartilhar ser pai de Milly com

vocês.

— Vamos ser os melhores pais que pudermos ser, e você será o melhor

companheiro que um homem pode ser. — respondeu Tad. — Estamos nisso

juntos e será a maior aventura de nossas vidas.

— Sem pressão então. — O tom de Jake não era o mais confiante dos

confiantes. Jake era mais atencioso, mais reservado.

— Sabe, finalmente acho que você pode estar crescendo. — perguntou Max.

— Você pode estar certo. — Jake concordou enquanto levantava os olhos para

olhar cada um de seus irmãos. — Esta é a maior decisão de nossas vidas e não

podemos nos dar ao luxo de errar.

— Nós não vamos. — Assegurou Max. — Nós vamos fazer muito bem.

Porque temos nossa companheira para ajudar, acrescentou o urso.

Temos uma companheira para compartilhar nossas vidas. A família que ele

sempre conheceu estava prestes a mudar. E os três irmãos também mudariam.


CAPÍ TU L O SEI S
Josephi ne

Josephine voltou para a cidade com a janela do carro abaixada. A primavera

estava no ar. Estava lá nos brotos verdes macios, repletos de promessas nas

árvores, e no canto dos pássaros que enchiam o ar enquanto as criaturas

emplumadas procuravam um companheiro. Um companheiro com quem

construiriam um ninho, criariam jovens e os assistiriam voar.

Agora ela tinha um companheiro. Um homem com quem ela deveria passar

o resto de sua vida. Ela desistiu de todas essas esperanças e sonhos há muito

tempo. No entanto, aqui estava na frente dela. Ela teve uma escolha?

Se ela decidisse que ele não era o homem para ela, poderia simplesmente ir

embora? A resposta, de acordo com sua melhor amiga, Mona, que havia

compartilhado todo o seu conhecimento de shifter com ela, era não. Mas a versão

dos eventos de Mona se misturava aos contos de fadas, onde o príncipe e a

princesa sempre encontravam seu único amor verdadeiro?

Essa era a vida real. Poderia ser tão simples? Max sabia que ela era a pessoa

certa para ele e era isso, fim da história, acordo.

Enquanto o sol brilhava através do para-brisa, Josephine considerava os

eventos desta manhã de todos os ângulos e teve uma resposta. Ou melhor, uma

pergunta disfarçada de resposta.


Por que ela estava questionando se os verdadeiros companheiros deveriam

estar juntos quando ela já sabia a resposta?

Porque ela estava procurando uma cláusula de saída, uma maneira de evitar

estar com alguém. Uma maneira de parar de se machucar.

Ela aprendeu a se proteger e, ao fazê-lo, evitou deixar as pessoas entrarem.

Mas isso tinha que mudar, ela tinha uma chance real de felicidade com Max e

queria estender a mão e agarrá-lo com as duas mãos.

— E isso significa que estarei lá para vê-la crescer, Milly. Vou ver seus

primeiros passos e ouvir suas primeiras palavras. — Sua voz ficou mais tensa

quando a emoção tomou conta dela. Ela nunca se considerou uma pessoa de

sorte, mas agora ela se sentia verdadeiramente abençoada.

É claro que depois que ela morasse com Max, ela pode não ser capaz de

continuar cuidando...

Seus dedos se curvaram ao redor do volante e ela o apertou mais forte

enquanto seu coração batia forte no peito. Ela estava pronta para morar com

alguém? Com um homem? Claro, ela compartilhou sua casa com crianças, mas

nunca um homem. Não por muito tempo.

Não. Desde…

— Isso é passado. — A mão esquerda soltou automaticamente o volante e os

dedos se enroscaram no pulso direito. Ela não era mais essa pessoa; ele não

poderia machucá-la. Ele nem sabia onde ela estava. Ela mudou de nome e não
deixou rastro. Mudar-se para Bear Creek fora uma medida preventiva final, com

o objetivo de garantir que ela estivesse livre dele para sempre.

Ele. Ele tinha um nome. Seu terapeuta havia dito a ela para chamá-lo pelo

nome dele quando ela pensava nele como uma maneira de humanizá-lo quando

sua mente consciente queria acreditar que ele era o diabo.

Um olhar de soslaio para Milly a deixou enjoada. Talvez ela não devesse ter

criado outro filho. Agora não.

Não agora que ele estava livre.

Ele estava livre. Mas Josephine nunca seria livre. Não de verdade.

— Oh, eu quase passei pela curva. — Ela dirigiu o carro bruscamente para a

direita e dirigiu em direção a Bear Creek antes de pegar outra à direita na

Pickwick Street, onde a pequena casa que ela comprara ficava no meio de casas

quase idênticas. Ela poderia ter comprado uma casa em um local mais isolado,

mas gostava da sensação de segurança que morar perto de outras pessoas lhe

dava.

Quando ela se mudasse com Max, teria três shifters de urso para protegê-la

se ela precisasse de proteção.

— Eu tenho que contar a ele. Preciso explicar tudo para Max antes de me

tornar parte da vida dele. — disse Josephine a Milly enquanto estacionava o carro

na pequena entrada que levava à sua casa de dois quartos. Milly olhou para ela
com seus intensos olhos azuis que perfuravam a alma de Josephine. — Talvez

todos vocês ficassem mais seguros sem mim em suas vidas.

Milly murmurou, o que Josephine interpretou como se negando. E a criança

pequena tinha razão. Não havia como Vincent Branston encontrá-la. De jeito

nenhum. Uma mudança de nome e três mudanças, cruzando o país, devem ser

suficientes para se tornar invisível.

— O que vamos almoçar? — Josephine perguntou a Milly enquanto a

carregava para dentro da casa que ainda não parecia um lar. — Que tal um purê

de banana? Você já experimentou banana?

Milly respondeu com uma framboesa e um pequeno grito de urso.

— Vamos trocar sua fralda primeiro, não é? — Josephine fechou e trancou a

porta da frente, verificando se a corrente do outro lado da porta estava segura

antes de ela colocar a bolsa e as chaves na mesa do corredor. Trocando Milly para

o outro braço, ela carregou a bolsa de bebê com as fraldas para o bonito quarto

do bebê e a sentou no trocador.

Alguns minutos depois, Milly estava limpa, fresca e pronta para o almoço.

— Então, como você se sente com um passeio esta tarde? — Josephine

perguntou a Milly enquanto comia seu purê de banana e arroz. — Não sei dizer

qual é a sua resposta, já que você tem mais comida no rosto do que entrou na

boca.
Um sorriso deslizou pelo rosto de Josephine quando ela colocou a comida na

boca aberta de Milly. Alimentar bebês era uma habilidade que ela nunca

conseguira dominar, talvez porque cada bebê que ela adotou tinha seu próprio

jeito encantador de comer ou de evitar comer.

Milly não foi exceção. Ela podia abrir a boca para comer, mas tinha o hábito

de fechá-la muito cedo.

— Eu acho que você não teve muita prática. Vamos tentar de novo?

Vinte minutos depois, Milly foi alimentada e limpa mais uma vez. — Bebês,

se um lado não precisa de limpeza, o outro precisa. Sim.

Josephine viu a hora. Se elas iam chegar ao museu a tempo da palestra de

Max, elas precisavam ir agora. Recolhendo rapidamente sua bolsa e a bolsa de

fraldas, ela agarrou Milly, sentou-a firmemente no carrinho e saiu pela

porta. Quando a fechou atrás dela, apertou-a duas vezes para se certificar de que

estava trancada e depois correu pela entrada.

A bile subiu na garganta quando ela olhou ao redor do bairro tranquilo. Ela

odiava se sentir tensa e assustada. Se ela não desistisse, Vincent Branston

venceria e continuaria vencendo se deixasse que ele afetasse sua vida e sua

felicidade.

Ela queria um futuro cheio de amor, não de medo.

E Max ofereceu isso a ela. Ela pode tê-lo conhecido hoje, mas, de certa forma,

ela já o conhecia melhor do que qualquer outra pessoa que já conhecera. Uma
parte dela estava conectada a ele, ela podia sentir como se estivessem amarrados

e agora que eles se conheceram, sempre poderiam encontrar um ao outro, não

importa em que lugar do mundo estivessem.

Josephine deu uma última olhada em sua casinha arrumada antes de correr

pela rua. Ele não a encontraria. Aqui em Bear Creek, ela estava a salvo de Vincent

Branston.

Foi uma curta caminhada até o museu e, enquanto caminhava pela rua

principal pela cidade, começou a relaxar. Ela se sentia segura aqui, as pessoas

eram amigáveis e a maioria parecia feliz. Com a loja local, situada na estrada

principal que atravessava Bear Creek, ela tinha tudo o que precisava. Havia uma

chance de que, uma vez estabelecida, ela talvez nunca tivesse que sair da

cidade. Nunca.

Vincent Branston estava ganhando mais uma vez? Ou ela sempre desejou ser

um eremita?

Com uma seleção tão grande de lojas, além de compras pela internet, ela

imaginou que muitos moradores de Bear Creek nunca saíam da cidade. Era o que

as pessoas faziam, nos dias de hoje. Ela não estava tentando se esconder.

Um gemido escapou dela, e Milly deu um pulo antes de olhar para Josephine

como se ela fosse uma alienígena de outro planeta.

— Desculpe querida. Vamos ver Max. Quando você for mais velha, podemos

explorar o museu de cima para baixo. Eu adorava o museu e a biblioteca quando


era jovem. É um lugar para onde você pode fugir. Mas então você não precisará

desse tipo de fuga, terá a infância mais feliz que qualquer criança poderia pedir.

Quinze minutos depois, Josephine chegou ao museu. A palestra estava

prestes a começar, e ela não queria se atrasar, então correu pelo

estacionamento. Felizmente, uma rampa recém-instalada que levava à entrada

do museu dava acesso fácil aos deficientes e aos pais com carrinhos de

bebê. Josephine subiu correndo a rampa e atravessou as grandes portas

ornamentadas que estavam abertas, embora tenha parado por um momento para

olhar as gárgulas impressionantes montadas nos altos muros de pedra.

— Impressionante. — Josephine empurrou o carrinho pelo vestíbulo do

museu, olhando para o pôster anunciando uma palestra sobre o resgate nas

montanhas pela história, proferida por Maxwell Harrison.

— Boa tarde, você está aqui para a palestra? — Um homem mais velho com

cabelos prateados se aproximou, seus olhos atraídos para Milly quando eles se

aproximaram. — Comece com eles jovens, é o que eu sempre digo.

Josephine passou a mão pelos curtos cachos escuros de Milly. —Nunca se é

jovem demais para aprender.

— Ou muito velho. — Ele sorriu e seus olhos enrugaram nos cantos —. Sou

George. Eu sou voluntário no museu. E você deve ser Josephine e esta pequena é

Milly.

A testa dela enrugou enquanto ela estudava George.


— Como você sabe?

— Max me disse que você estava vindo. — George se inclinou para mais perto

e acrescentou em voz baixa: — E como você é a única mulher que chegou com

um bebê, deduzi que era você.

Josephine não conseguiu esconder o sorriso que se espalhou pelo rosto.

— Quão Sherlock Holmes é da sua parte.

— Esse é o meu trabalho, embora na maioria das vezes eu descubra pistas

deixadas no passado que nos ajudem a entender nossos ancestrais e o legado que

eles deixaram para trás. — George a levou para fora do vestíbulo e entrou em

uma grande sala com piso de mármore cheia de exposições.

— Este lugar é incrível. Muita história para uma cidade pequena. —

Josephine virou a cabeça e viu uma exposição recontando a fundação de Bear

Creek.

— Você deve vir visitar algum dia, e eu darei a você uma grande turnê. —

George disse a ela enquanto indicava uma porta que dava para a sala

principal. — A palestra de Max será aqui.

— Eu gostaria disso. — Josephine respondeu. — Eu sempre amei a história,

mas nunca estabeleci raízes. — Ela passou a mão na cabeça de Milly. — Mas acho

que está na hora.


— Bem, você faz parte da cidade agora. — A mão de George repousava na

maçaneta da porta atrás da qual a voz de Max soou nos primeiros guardas da

montanha.

— Max falou sobre nós? — ela perguntou, embora já soubesse a resposta. As

notícias certamente viajavam rapidamente em Bear Creek.

— Ele falou. Ele está feliz. Acho que depois da perda de Sally, que os atingiu

com força, ele vê você e Milly como um novo começo. — George piscou. — Não

seja muito dura com ele por me contar seu segredo.

— Eu não vou. E não é realmente um segredo. Não temos nada a esconder. —

Cor aumentou em suas bochechas enquanto ela falava. De certa forma, ela tinha

muito a esconder.

Mas não do Max. O relacionamento deles tinha que ter confiança em seus

alicerces, o que significava que ela contaria tudo sobre seu passado. Ela só

esperava que isso não prejudicasse seu futuro.


CAPÍ TU L O SETE
Max

— Isso foi tão interessante. — Josephine esperou até que ele respondesse às

perguntas de todos antes que ela se aproximasse dele com Milly no carrinho. Seu

coração disparou ao vê-la. Ele se acostumaria com isso ou o efeito que ela tinha

sobre ele diminuiria com o tempo?

— Você não precisa dizer isso. — Ele sorriu do mesmo jeito, satisfeito por ela

ter vindo.

— Eu quis dizer. Não fazia ideia de que meu avô vivia uma vida tão

perigosa. — Josephine olhou ao redor da sala. — Você teve uma grande

audiência.

— Eles vieram apenas para tomar café e bolo de graça. — brincou Max

enquanto a acompanhava até o lado direito da sala onde as bebidas estavam

sendo servidas.

— Não faça isso. — Josephine disse a ele um pouco bruscamente. Ela

suavizou sua observação com um sorriso. — Não se menospreze. Você e os

outros membros da equipe de resgate nas montanhas são incrivelmente

corajosos.

— É a minha vida. — Admitiu Max. — Até agora.


— E não faça isso também. Não estou esperando que você desista por

mim. Temos que nos conhecer e nos entender. Enquanto fazemos isso,

trabalhamos duro para garantir que o outro tenha o que precisa. — Ela olhou de

soslaio para ele enquanto guiava o carrinho pelas pessoas reunidas em volta da

mesa onde estavam dispostos café, chá, sanduíches e bolos. — Desculpe, eu estou

sendo mandona.

— Não há nada errado em expor sua opinião, e eu concordo. Nós dois temos

muito a aprender um sobre o outro e sobre nós mesmos. Eu não sei sobre você,

mas desde que pensei que ficaria sozinho pelo resto da vida, fiquei mais

teimoso. Menos flexível. — Max apontou para os copos. — Café ou chá?

— Bolo, por favor! — Ela olhou avidamente para o bolo, ignorando as bebidas

não alcoólicas.

— Limão ou chocolate? — Max perguntou.

— Não! Não deveria. Outro problema em envelhecer é que os quilos tendem

a permanecer nos meus quadris por mais tempo do que deveriam. — Ela desviou

os olhos do bolo de limão.

— Vamos lá, isso é uma celebração. Você e eu nos encontrando. Isso tem que

valer um pedaço de bolo. E se isso faz você se sentir melhor, eu vou ajudá-la a

trabalhar com os quilos extras. — Ele olhou para os quadris curvos dela e

suspirou. — Embora eu não veja nenhum problema com eles.

Sua companheira corou, a cor subindo em suas bochechas.


— Vejo que você não tem problemas com quilos extras. Você deve trabalhar

muito.

— É uma vantagem de ser um urso. Alto metabolismo. — Serviu-se de um

pedaço de bolo de limão e ofereceu a Josephine. — Este é o que você queria, certo?

— Você é um leitor de mentes. — Ela lambeu os lábios e um pequeno sorriso

apareceu em seu rosto. — Você é uma má influência para mim.

— Acredito que sim. — Ele sorriu, sentindo-se como um adolescente

novamente, em vez de um homem ultrapassado em seu auge, segundo a

sociedade. Estreitando os olhos, ele colocou os dedos nas têmporas e cruzou os

olhos. — E você gostaria de chá.

Ela levantou as sobrancelhas.

— Estou impressionada.

Ele encolheu os ombros.

— Um dos meus muitos presentes. — Ele serviu uma xícara de chá e

acrescentou leite. — Açúcar?

Ela movimentou o rosto.

— Estou transmitindo a resposta do meu cérebro para o seu.


— Sem açúcar. — Ele esperou a resposta dela, os olhos fixos nos lábios

dela. Ele não se importava se tivesse conseguido a resposta certa ou errada, tudo

o que ele queria fazer era inclinar-se para a frente e...

Dê a ela um pouco de açúcar, seu urso terminou prestativamente.

Ela é doce o suficiente, Max respondeu.

— Sem açúcar. — Josephine estendeu a mão para a xícara enquanto

equilibrava o prato com o bolo de limão na cobertura do carrinho.

Max pegou um café e um pedaço de bolo de chocolate e indicou uma fileira

de cadeiras onde a plateia estava sentada.

— Vamos nos sentar?

— Isso seria mais fácil. — Josephine habilmente guiou o carrinho para a fila

de cadeiras, e eles se sentaram, um assento à parte. O assento sobressalente logo

foi usado como mesa enquanto eles comiam bolo, enquanto o zumbido de vozes

ao seu redor crescia. Sua palestra foi bem recebida e Josephine achou

interessante. Ela chamaria isso de sucesso.

— Oi, Max, desculpe interromper. Posso pegar sua foto para o jornal? —

Cynthia perguntou, seus olhos varrendo Josephine antes de voltar a descansar

em Max. — A história local geralmente não é minha área, mas eu escrevi uma

história sobre resgate em montanhas. Vocês merecem mais crédito do que

recebem.
— Concordo. Vocês são os heróis desconhecidos das montanhas, —

Josephine concordou.

— Apenas fazendo nosso trabalho. — Max se levantou e limpou as migalhas

da camisa azul que estava enfiada em uma calça azul de caminhada. Seu

uniforme padrão para a vida cotidiana, não apenas seu tempo na montanha.

Talvez seja hora de comprar roupas novas, brincou o urso.

Possivelmente. Mas Josephine parece ser o tipo de mulher mais interessada

no que está por dentro, não no exterior. Max gostou disso em sua

companheira. Mas então ele gostou de tudo sobre sua companheira.

— Max. — Josephine solicitou gentilmente.

Ele estava olhando para ela como se ela fosse a única pessoa na sala.

— Certo, foto. — Max deu alguns passos para longe das cadeiras e fez uma

pose natural enquanto Cynthia tirava a foto.

— Posso tirar uma foto também? — Um dos homens da plateia

perguntou. Max não conseguia se lembrar do nome, era Harry ou Henry. Sua

memória devia estar falhando, pois o sujeito se apresentou mais cedo quando fez

uma pergunta sobre nós de corda. — Sou membro de um grupo de resgate de

montanhas no Facebook. Eu disse que escreveria sobre sua palestra hoje, se

estiver tudo bem?


— Certo. Gosto de incentivar o compartilhamento de conhecimentos,

principalmente do passado, para não esquecermos os que vieram antes. — Max

sorriu mais informalmente quando o cara levantou o telefone e bateu na tela. Um

breve flash depois e foi feito. — Obrigado por vir.

— Foi uma conversa interessante. Meu pai costumava fazer parte da equipe

de resgate da montanha Bear Creek trinta anos atrás. Ele costumava me contar

histórias dos resgates, mas sua palestra realmente ajudou a mostrar o pouco o

equipamento que eles usavam comparados com hoje. Sem GPS. — Harry ou

Henry estava prestes a lançar um longo monólogo. Max podia ler os sinais.

Ótimo, esse cara vai falar para sempre e nossa companheira vai ficar

entediada e sair, seu urso disse um pouco cruel. Normalmente, eles ficavam

felizes em conversar sobre o tema do resgate nas montanhas por horas.

Mas isso foi antes de conhecerem sua companheira. Agora, tudo o que eles

queriam era se aquecer em seu olhar. Afinal, eles esperaram muito tempo por ela.

E garoto, ela valeu a espera!

— Ei, Harry. Por que você não me dá uma exclusiva? — Cynthia perguntou,

chamando Harry em sua direção. — Nós poderíamos nos sentar lá. — Ela

apontou para uma fileira de assentos do outro lado da sala.

— Obrigado. — Max falou enquanto Harry caminhava ansiosamente em

direção aos assentos que Cynthia indicava.


— Falei com Tad mais cedo. Estou escrevendo uma série de artigos sobre

artistas locais. O que é oportuno, já que o Bear Creek Craft Barn será inaugurado

em alguns meses. — Cynthia recuou quando Harry se sentou em uma cadeira

bem longe de Max e Josephine. — Enquanto eu estava lá, ele me contou sobre

vocês dois. Fora do registro, é claro. — Ela piscou e Max sorriu.

— As notícias com certeza se espalham rápido. — disse Max. — Trocadilho

intencional.

— É bom que sejam boas notícias se espalhando rápido para variar. Parabéns!

— Cynthia virou-se e atravessou a sala para se juntar a Harry, que começou a

falar antes mesmo que o repórter se sentasse.

— Ele tem razão. As más notícias sempre espalham rápido, é ótimo ser a

pessoa responsável pelas boas notícias. — disse Max, sentando-se ao lado de

Josephine.

— Eu gosto que seus amigos estejam tão interessados e felizes por você.

— Eles estão felizes por nós dois. — respondeu Max. — Você faz parte desta

cidade agora.

— Foi o que George disse. — Ela olhou para Milly. Ela estava evitando o olhar

dele.

— Está tudo bem? Eu deveria ter mantido as notícias privadas, me

desculpe. — Max estendeu a mão e colocou a mão sobre a dela. — Você não está
tendo dúvidas, está? — Se ele estragasse tudo ou fizesse Josephine se sentir

constrangida por ser sua companheira, nunca se perdoaria. Ou superaria isso.

Viver sem a sua companheira porque você ainda não a conheceu já era ruim

o suficiente, mas viver sem ela quando a viu e sabia que ela estava lá fora no

mundo, mas não ao seu lado, era outra coisa. Ele não queria ser aquele cara. No

ano passado, a equipe de resgate foi chamada quando um hóspede não retornou

ao hotel local, The Catherine. O dono do hotel, Julius, havia se reunido

recentemente com sua companheira depois de vê-la décadas atrás. Ele era um

homem mudado, cheio de esperança, calor e amor. O Júlio antes de sua

companheira voltar à sua vida sempre tinha um olhar assombrado, como se uma

parte dele estivesse faltando, o que, para um shifter, estava.

— Está tudo bem. Honestamente. Eu queria conhecer muitas pessoas na

cidade, agora estou conseguindo realizar meu desejo. — Ela bebeu o chá e se

espreguiçou. — Quer sair daqui?

— Oh, eu deveria convidar você para jantar.

Ela balançou a cabeça.

— Eu não tenho uma babá para Milly. E mesmo que eu tivesse, não quero que

ela pense que a estou abandonando. Eu quero que ela se sinta estabelecida e

segura. É por isso que eu gostaria de ajudá-la a se acostumar com todos vocês

depois que a adotarem.


— Você fará parte da vida dela Josephine, já que você faz parte da minha

vida. — Max olhou para ela um pouco demais, enquanto tentava entender essa

linda mulher na frente dele. Com um rosto redondo e macio e olhos que

brilhavam de emoção, ela era a mulher mais atraente que ele já

conhecera. Mesmo se ela não fosse sua companheira, ela viraria a cabeça dele

quando entrasse em uma sala.

Josephine levantou-se e colocou as mãos no carrinho de Milly.

— Eu não quero que você concorde em adotar Milly, porque você acha que

eu estarei lá.

— Não foi por isso que concordamos em adotá-la. — Max se levantou e deu

um passo mais perto de sua companheira. Havia algo a incomodando, mas

quando ela apertou os lábios e desviou o olhar, seus olhos fixos em Milly, ele

sentiu que a estava perdendo. A proximidade entre eles se foi.

— Josephine.

Ela sorriu brilhantemente, muito brilhantemente quando se virou para

encará-lo mais uma vez.

— Não quero que nosso relacionamento fique no caminho.

— No caminho de quê? — Max perguntou, confuso e de repente

assustado. — Alguma coisa mudou?


— Não. Na verdade, não. Só não quero ser um problema. — Ela encolheu os

ombros. — Venha, vamos.

— E o jantar? Eu não estava pedindo para você deixar Milly. Eu deveria ter

sido mais claro. Tad está cozinhando e gostaríamos que você e Milly se juntassem

a nós. — Ele se inclinou e acariciou o queixo de Milly. — Precisamos de algumas

lições sobre como colocar comida na boca de um bebê. Acho que todos nós já

vimos esses vídeos de bebês com comida por todo o rosto. — Ele sorriu, tentando

aliviar o clima.

— Vocês todos irão se dar bem. Todo novo pai tem os mesmos medos. — Ela

tocou a mão de Milly. — E honestamente, não acho que Milly tenha tido o melhor

começo de vida. Ela está aprendendo a confiar e a se sentir segura. — Josephine

olhou com amor para a criança pequena. — Ela tem todo o tipo de coisas para

aprender e, desde que seja amada, vai lidar muito bem.


CAPÍ TU L O OI TO
Josephi ne

— Você gosta da cidade? — Max perguntou enquanto eles caminhavam em

direção ao parque. Milly estava cochilando no carrinho e poderia realmente fazer

um cochilo. Se ela dormisse agora, estaria acordada e em seu melhor

comportamento para o jantar com seus novos pais em potencial.

— Eu gosto muito. — Josephine respirou o ar limpo da montanha. — Então,

você viveu aqui a vida toda?

— Sim, vivi. — Max estendeu as mãos e olhou para si mesmo. — Isso mostra?

— Há algo diferente em uma pessoa quando ela está em sua cidade natal. Eu

não posso explicar o que. — Ela o estudou criticamente. — Mas há algo….

— Realmente? Suponho que nunca me atentei para isso. — Ele virou a cabeça

e olhou para os picos das montanhas distantes. — Eu nunca quis ir longe. Esta é

a minha casa. Esses picos são o meu quintal.

— Muito poético. — Ela gostava mais dele do que deveria, considerando o

pouco tempo que se conheciam. Mas, às vezes, duas pessoas apenas se

encaixavam. Ou pelo menos ela tinha ouvido isso. Mas conhecer Max foi

diferente. Havia uma conexão entre eles. Ela não chamaria isso de amor à

primeira vista, já que ela realmente não acreditava que essa emoção existisse. Mas

isso era bem próximo.


— Eu gostaria de mostrá-los a você um dia, em breve. Gostaria que

subíssemos lá e nos conhecêssemos. A expressão de Max brilhava com verdade

e honestidade. Ela era uma mulher de sorte por ter um homem tão direto e

sincero em sua vida.

— Há partes de mim que você pode não gostar. — Josephine queria retribuir

sua honestidade, mas esse não era o momento ou o lugar para contar sua sórdida

história de vida.

Max inalou profundamente.

— Uma coisa que aprendi nos meus anos na montanha é que as pessoas são

seres muito complicados. Todos temos bagagem, todos temos pontos claros e

escuros, como as nuvens deslizando pelo sol em um dia de verão. Nós não somos

todos bons. Não somos todos ruins. Nós não somos infalíveis. Mas também

podemos crescer e mudar. Nunca somos os mesmos de um momento para o

outro. — A mão de Max pousou na de Josephine enquanto ela empurrava o

carrinho. — Eu vejo como você está com Milly. Eu vejo como você quer o melhor

para ela e para nós. Você quer nos ajudar a nos tornarmos uma família. Uma

família da qual quero que você faça parte. Para mim, esta é quem você é agora. E

isso é tudo o que importa.

Lágrimas formigaram nos olhos de Josephine e ela as piscou para longe

enquanto atravessavam a estrada e desciam uma trilha em direção a um parque

onde crianças brincavam, seus gritos alegres e doces elevando seu coração. Esta
era uma cidade feliz e ela poderia ser feliz aqui. Se ela se deixasse. Ela não podia

passar a vida inteira correndo. Ela poderia estabelecer raízes aqui.

— Então, jantar hoje à noite. — Josephine mudou de assunto. Ela precisava

de tempo para pensar sobre as coisas e decidir exatamente o que planejava contar

a Max. E o que ela pretendia manter escondido. No entanto, quanto mais ela

pensava em esconder detalhes de sua antiga vida, mais percebia que precisava

ser completamente honesta com ele. Não apenas porque ele merecia saber tudo

sobre ela, tudo sobre no que ele estava se metendo, se ele iria querer buscar um

relacionamento com ela. Mas também porque ela precisava saber se ele quis dizer

o que disse.

De certa forma, contar a Max sobre seu passado era como um julgamento. Se

ele aceitasse quem ela era, passaria no julgamento. Se ele surtasse e a repudiasse,

ele falharia. Pelo menos os dois saberiam onde estavam. Ele ainda tinha a opção

de ir embora. Embora pelo que sua melhor amiga lhe disse sobre os shifters, não

havia opção. Se o relacionamento dele com Josephine não desse certo, não havia

plano B. Ele não podia simplesmente ir e encontrar outra companheira.

Se fosse assim tão simples, ele certamente já estaria estabelecido com uma

esposa e uma família. Mas ele era solteiro. E Josephine também.

— Jantar sim. Tad é um bom cozinheiro. Ele cuida das refeições em casa há

anos, já que é o único que fica em casa por horas regulares. Trabalho em turnos

e, se houver uma emergência, talvez precise sair em uma missão de resgate a


qualquer hora do dia ou da noite. — Max abriu o portão que dava para o parque

e Josephine empurrou Milly, que agora dormia, para dentro do parque.

— Você quer dizer que alpinistas e caminhantes não esperam que você

termine sua refeição antes que precisem ser resgatados? — Josephine perguntou,

um brilho malicioso nos olhos.

— Não, não esperam. Nem consideram se já fomos dormir. Ou se estamos em

um encontro quente.

— Que falta de consideração. — Josephine manteve o rosto sério enquanto

andavam lado a lado, relaxados na companhia um do outro.

— Eu sei. Você pensaria que eles só teriam acidentes durante o horário de

trabalho definido. — Ele riu e seus olhos se voltaram para a montanha. — Eu

brinco com isso, mas gosto do meu trabalho. Eu gosto de fazer a diferença. Você

deve entender isso. Acolher crianças é um empreendimento enorme e uma coisa

incrivelmente generosa a se fazer. Você desiste de sua vida pelos filhos que cria.

— Eu não desisto. Mas coloco minha vida em espera. — Ela o cutucou

gentilmente. — Não que eu tenha uma vida de qualquer maneira. Eu vivo para o

meu trabalho.

— Eu costumava fazer isso. Mas não mais. As coisas estão mudando. — Ele

piscou para Josephine. — Não se preocupe, não quero dizer que você está me

afastando do trabalho que amo. Quero dizer essa pequena dama. — Ele olhou

para Milly com um amor profundo em sua expressão e seu coração doía por
ele. Milly era uma garotinha sortuda de ter pelo menos um homem em sua vida

que a amaria e cuidaria dela como Max faria. Mas ela tinha três. Três grandes

machos shifters que a protegeriam de qualquer um que pudesse lhe causar dano.

Se apenas seus pais tivessem sido amorosos e protetores, ela poderia não ter

terminado em um relacionamento tão abusivo como o que ela compartilhava com

Vincent Branston. Mas eles não mudaram o passado e não teriam importância

para o futuro.

— Quero fazer parte dessas mudanças, Max. Eu realmente quero.

— Sinto que há um mas escondido em algum lugar. — Os olhos dele se

estreitaram enquanto a estudava por um momento. — Qualquer coisa que você

me disser, qualquer coisa que você precisar compartilhar ficará entre nós. Você é

a pessoa mais importante do mundo para mim e eu sempre guardarei seus

segredos e lutarei ao seu lado.

Ela assentiu enquanto engolia o nó de emoção na garganta.

— Mais tarde. Agora não. — Ela olhou para o céu azul claro e viu um bando

de pássaros correndo em direção às montanhas distantes. — Eu preciso de um

pouco mais de tempo.

— Compreendo. — Eles circularam pelo parque em silêncio e observaram as

crianças brincando no balanço e subindo os degraus do escorregador antes de

correrem com gritos de pura alegria inocente. — Mal posso esperar até Milly ter

idade suficiente para vir aqui e brincar.


— Ela crescerá tão rápido, bem diante dos seus olhos. É um momento tão

emocionante. Um momento tão especial. — Josephine olhou para Milly

adormecida. Enquanto ela dormia, sua respiração se aprofundou e uma pequena

bolha se formou em seus lábios. Uma onda de amor fez seu coração

inchar. Ansiava por ver Milly crescer e se transformar em uma jovem garota sem

preocupações no mundo. Josephine travava uma batalha diária contra as

memórias de sua própria infância, ela acolhia crianças na esperança de que ela

salvasse outras pessoas de experimentar o mesmo destino infeliz.

— Devo levá-la para casa? — Max perguntou quando eles completaram o

circuito do parque e voltaram para o portão por onde haviam entrado.

— Eu posso encontrar o meu próprio caminho. — Josephine captou a

expressão que flutuou no rosto de Max. — Mas eu gostaria da companhia.

— Eu também gosto de companhia. — Ele sorriu. — Desculpe, isso foi

brega. Estou sem prática nesse tipo de coisa. Namorar não tem sido uma

prioridade minha nos últimos anos.

— Nem minha. — Seria tão fácil se abrir e contar a ele sobre seu passado, mas

ela não estava pronta. — O que você mais gosta em Bear Creek?

Ele ergueu as sobrancelhas, sua súbita mudança de assunto o pegou de

surpresa, mas ele não voltou ao tema do namoro. Ele era maduro o suficiente

para perceber que ela havia mudado de direção por um motivo, mesmo que não

fosse sutil. — Eu gosto da montanha. Obviamente. Mas eu também amo as

pessoas daqui. Se alguma vez você estiver com problemas, alguém vai cuidar de
você. Seja um problema com seu carro, um acidente na montanha ou uma

necessidade desesperada de um celeiro ser erguido antes que uma tempestade

aconteça.

— Vocês têm muitas tempestades? — Atravessaram a rua e passearam pela

estrada principal da cidade, passando por lojas que vendiam mantimentos,

presentes e equipamentos de montanha, entre outros. A cidade estava

prosperando, apesar da recessão que vira em outras cidades pequenas causada

por compras on-line.

— Não muito, mas o suficiente. Não há nada como estar no topo da montanha

enquanto uma tempestade se espalha ao seu redor. Faz-me sentir vivo. — Ele

inalou profundamente e ela não conseguia tirar os olhos dele. Ele podia ter os

cabelos cinza nas têmporas, com manchas grisalhas nos cabelos castanhos

escuros, mas estava cheio de vitalidade.

Ela sorriu, o que o fez parecer com um Springer spaniel ou outro cachorro

com rabo abanando e nariz molhado.

— Ter Milly em sua vida fará com que você se sinta ainda mais vivo. Não há

nada como uma criança para lhe dar uma nova oportunidade de vida.

— Eu poderia dizer a mesma coisa sobre uma companheira na minha

vida. Conhecer você me fez ver as coisas de maneira diferente. Eu parei de olhar

para o futuro. Minha vida se tornou o hoje. Não o amanhã. Eu quero planejar as

coisas. Talvez até planeje férias. — Ele olhou para ela timidamente. — Odeio

admitir, mas não saio de Bear Creek há alguns anos ou mais.


— E por que você o faria quando tudo que você poderia querer está aqui?

— Soltou o carrinho com uma mão e indicou a cidade e as montanhas. — Não me

incomodaria se simplesmente vivêssemos nossas vidas aqui e nunca saíssemos.

Josephine ficaria feliz em se esconder aqui em Bear Creek para sempre. Se ela

nunca fosse embora, as chances de Vincent encontrá-la eram quase

inexistentes. Mas isso ainda dava a Vincent alguma influência sobre sua vida e

ela não queria que ele tivesse nenhum controle sobre ela. Enquanto ele estava na

prisão, ela se permitiu acreditar que estava livre dele, mas agora percebeu que

era uma fachada. Agora que a fachada havia desmoronado, as amarras ainda

estavam lá. Era como se ainda a segurassem, como se as mãos dele ainda

estivessem sobre seus ombros, segurando-a sob a água, enquanto ela se agitava

impotente, tentando escapar dele.

— Quero mais do que isso para você, Josephine. Quero que vejamos o mundo

juntos. Quando Milly for um pouco mais velha. — Seu otimismo era

contagioso. Se ao menos ela pudesse deixar ir e acreditar no futuro que ele

pintou. — Quero ver montanhas e rios em todos os continentes. Quero ver o sol

nascer dos picos mais altos e o pôr do sol sobre um oceano sem fim.

— Talvez por enquanto devêssemos focar no hoje. — Josephine levou-o ao

longo da estrada que levava a sua casa perfeitamente escondida em sua estrada

perfeitamente discreta. Escondendo-se à vista, como ela gostava de chamar. —

Estou ansiosa para o jantar. Mal posso esperar para conhecer seus irmãos e,

realmente, conhecer todos vocês.


— Ei, eu sou seu companheiro, não vá dar muita atenção a eles. — Max

passou o braço em volta da cintura dela quando chegaram à beira da entrada,

levando à porta da frente perfeitamente discreta. Quem passasse pela casa não

daria uma segunda olhada nela. Mas quando Max se inclinou e seus lábios se

encontraram, Josephine percebeu que não havia nada de discreto sobre o beijo

que ele roçou nos lábios dela.

— Vejo você mais tarde. — Ela colocou a mão no peito dele para se firmar

quando o beijo perfeito deles se rompeu. Seu coração disparou e ela se sentiu

como uma adolescente novamente, apanhada no primeiro rubor de amor por um

menino novo. Mas Max não era garoto, era um homem, e esse amor não era

passageiro, duraria para sempre.

Se ela desse a ele uma chance de florescer e crescer.


CAPÍ TU L O NO VE
Max

— Ela estará aqui. — disse Tad a Max pela décima vez. — Apenas relaxe.

— Ela está atrasada. — Max olhou para o relógio pela centésima vez. —

Talvez eu deva ir e ver se ela está bem.

— Você não tem o número do celular dela? — Jake perguntou. — Ligue para

ela.

— Eu não quero parecer desesperado. — Suas palavras foram recebidas por

risadas abafadas de seus irmãos. — Esperem até encontrar suas companheiras e

depois verão como é.

— Mal posso esperar, mas acho que Jake e eu podemos ter perdido para você.

— Tad colocou os pratos na mesa e apontou para a geladeira. — Pegue o vinho.

Jake abriu a geladeira e pegou a garrafa de vinho perfeitamente gelada que

ele comprou para acompanhar a refeição.

— Sim, esperamos tanto tempo para que um de nós consiga uma

companheira, duvido que tenhamos a sorte de repetir esse evento.

— Você nunca sabe, e eu não estou disposto a perder a esperança. — Max

disse aos dois enquanto uma onda de culpa varria ele. Ele amava seus irmãos e

queria que eles fossem felizes. Ele queria que eles experimentassem a mesma
felicidade que encontrara nas últimas horas desde que conheceu Josephine e

percebeu quem ela era.

— Você sempre viveu na esperança, enquanto eu vivo na realidade. — Jake

derramou o vinho em quatro copos quando Max levantou a cabeça e ouviu o

carro de Josephine se aproximando. Ele podia senti-la. Era como se houvesse um

fio conectando-os.

— Você teve que viver na realidade. — Admitiu Max. — Se não fosse por

você e sua realidade, teríamos nos separado quando crianças. Mas agora talvez

seja a hora de você ter um gostinho de viver em um mundo onde você pode

sonhar com o que é e se.

— Os é e os se não são bons para os negócios. — Jake inclinou a cabeça em

direção à porta da frente. — Você vai esperar ela bater?

— Eu devo. — Mas Max já estava indo para a porta, seus nervos

estremecendo com o pensamento de ver Josephine novamente. O tempo que ele

passou com ela esta tarde foi incrível, mas havia algo que ela queria contar a ele,

algo sobre seu passado, e ele precisava que ela confiasse nele o suficiente para

compartilhar o que quer que fosse.

Seja o que for, ela está preocupada com isso, disse o urso.

Com medo, até, Max acrescentou.


Sim, ela tem medo de algo ou alguém do passado e precisa saber que

podemos e a protegeremos de qualquer coisa. Não há nada neste mundo que

possa machucá-la enquanto estivermos perto, seu urso disse ferozmente.

Com exceção de um dragão. Max pegou a maçaneta da porta, pronta para

abri-la. Não temos chance contra um dragão.

Por que precisamos lutar contra um dragão? seu urso perguntou confuso.

Nós não vamos. Mas se o fizéssemos, não teríamos chance.

Seu urso bufou e saiu para se deitar no canto da mente de Max. Com uma

respiração profunda e firme, Max esperou Josephine abrir a porta traseira do

passageiro e tirar a cadeirinha de Milly. Então ele prendeu a respiração quando

ela se aproximou.

— Se você não respirar, pode desmaiar. — falou Tad da cozinha.

— Como você sabe que eu não estou respirando? — Max sibilou.

— Eu aprendi a ouvir. — Tad chegou à porta da cozinha e olhou para o

corredor. — Apenas relaxe. Ela gosta de você. Você sabe que ela é a pessoa certa

para você. Então apenas vá em frente. Não pense demais nas coisas.

— Eu não penso demais nas coisas. — respondeu Max quando Josephine

bateu na porta, quase fazendo-o pular de sua pele.

Jake riu.
— Você quer que eu atenda a porta?

Max respirou fundo e girou a maçaneta, abriu a porta e cumprimentou sua

companheira.

— Olá, Josephine! Olá Milly! — Ele fez cócegas no bebê borbulhante sob o

queixo, e ela olhou para ele e arrulhou.

— Isso sempre acontece? — Jake perguntou enquanto passeava pelo corredor

para encontrar Josephine com um beijo na bochecha que inflamou o ciúme de

Max.

— A voz do bebê? — Josephine perguntou com um sorriso. — Bastante. Mas

acho que é meio fofo.

Max levantou os olhos e olhou para ela.

— Você está bonita.

Josephine corou, a cor rastejando por suas bochechas enquanto ela olhava

suas roupas.

— Obrigada. — Ela passou a mão sobre o vestido de veludo amassado que se

prendia às curvas de maneira mais agradável. — Não me arrumo para uma noite

desde não sei quando. Como a idade de meus companheiros habituais tem

menos de um ano, eles não se importam se eu usar moletom e camiseta.

— Eu também não teria me importado. — Max estendeu a mão para o

carrinho de bebê. — Devo ajudá-la com tudo?


— Sim, eu vou levar a bolsa de fraldas. — Jake ofereceu.

— Obrigada. — Josephine entregou o bebê e a bolsa. — Embora desde que

cheguei à sua porta da frente carregando as duas coisas, eu poderia ter chegado

aos últimos metros na cozinha.

— Fomos criados para sermos cavalheiros. — Jake disse a ela enquanto

liderava o caminho para a cozinha.

— Espero que você garanta que todos os possíveis namorados de Milly sejam

igualmente corteses quando ela for mais velha. — Josephine riu quando Jake

olhou por cima do ombro com uma expressão horrorizada no rosto.

— A única pessoa com quem Milly vai sair é seu companheiro. Qualquer

outra pessoa será educada, mas firmemente, obrigada a sair.

— Oh, sinto uma rebelião adolescente em formação. — disse Max enquanto

colocava o carrinho de bebê no chão. — Ok, como a tiramos disso?

— Basta soltar o cinto aqui. — Josephine se inclinou e ele inalou o cheiro dela

enquanto o cabelo dela passava pelo rosto dele em uma nuvem de flor de

maçã. — Veja, fácil.

— Eu entendi. Da próxima vez, não precisarei perguntar. — Max levantou

Milly em seus braços.

— Mm, tudo cheira maravilhoso. — Josephine levantou a cabeça enquanto

inalava o aroma da comida que Tad havia preparado.


— Obrigado, venha e sente-se. Jake está cuidando do vinho. — Tad começou

a servir a refeição. Cordeiro assado com batatas e legumes frescos que pegou no

jardim esta tarde. — Lá, sente-se e coma. — Tad limpou as mãos no avental antes

de soltá-lo e desliza-lo sobre a cabeça.

— Você fará uma ótima esposa para alguém. — comentou Jake enquanto

colocava os copos de vinho em cima da mesa.

— Ei, você está com ciúmes porque não está em contato com o seu lado

feminino. — respondeu Tad. — Eu gosto de cozinhar. Pelo menos eu saberia

cuidar da minha companheira.

— Jake saberia como cuidar de sua companheira. Ele vai apenas mostrar seu

cartão de crédito onde quer que vá e conseguirá que outra pessoa o faça. — Max

levantou as mãos como se quisesse afastar Jake quando seu irmão mais velho

olhou para ele. — Estou brincando. Todos sabemos o quanto lhe devemos.

— Jake nos uniu e não nos deixou desistir um do outro, mesmo quando o

mundo parecia contra nós. — Tad colocou o jarro de molho sobre a mesa

enquanto Josephine pegava um pequeno pote de comida para bebê da sacola de

fraldas. — Como faço para aquecê-lo?

— Eu vou fazer isso. — Ela procurou uma tigela e uma colher pequena e

pegou a comida do bebê na vasilha. — Posso perguntar o que aconteceu com seus

pais?
— Nossa mãe morreu de câncer e o pai morreu de coração partido. — disse

Jake com naturalidade enquanto se sentava à mesa e pegava seu copo de vinho.

— Jake tinha dezoito anos, Tad e eu ainda estávamos na escola. Os assistentes

sociais queriam colocar Tad e eu em lares adotivos, enquanto Jake seria deixado

para cuidar de si mesmo. — explicou Max.

— Mas Jake jurou que encontraria uma maneira de todos nós ficarmos juntos.

— Tad fez uma pausa. Não por um efeito dramático, mas porque mesmo agora,

tantos anos depois, Tad e Max ainda estavam impressionados com o

irmão. Apesar de estar desesperadamente triste por perder os pais, ele se

aproximou e fez as coisas funcionarem.

E ele trabalhou, por longas horas, até poder pagar as prestações da casa e

colocar comida na mesa. Dentro de seis meses, Jake havia passado de um garoto

despreocupado para um homem que assumia a responsabilidade de dois irmãos

mais novos, uma casa e um negócio próprio.

— Você tem uma família unida. — O tom de Josephine continha mais do que

uma pitada de admiração por Jake. A maioria não conhecia esse lado de Jake,

apenas via o empresário que estava disposto a arriscar e se esforçar para

conseguir o que queria.

— E agora Milly também faz parte dessa família. — Jake ignorou os

sentimentos expressos por seus irmãos e Josephine, como sempre fazia. Aos

olhos de Jake, ele não tinha feito nada de especial. Ele simplesmente fez o que

precisava ser feito.


— Ela com certeza faz, e é hora dessa família se sentar e compartilhar uma

refeição. — Tad terminou de servir o jantar e sentou-se na cadeira. Os outros

rapidamente o seguiram com Milly na cabeceira da mesa em uma cadeira alta.

— Fiona deixou isso no início da tarde, quando ela trouxe alguns papéis para

assinarmos. — explicou Max, sentando Milly na cadeira e fechando o cinto. —

Pronto, você não pode cair daí. — Ele testou essa teoria puxando as correias do

cinto e, em seguida, assistindo Milly se contorcer por alguns momentos para se

certificar de que ela não conseguia se movimentar para sair do assento.

— Ela tem sido muito gentil desde que me mudei para cá. — Josephine

sentou-se ao lado de Max, com Milly à esquerda. Jake sentou-se em frente a ela e

Tad estava à sua direita. — Disseram-me que ela era meio como um dragão velho.

Tad quase se engasgou quando tomou um gole de vinho. Jake deu um tapa

nas costas dele quando seus olhos dispararam para encontrar os de Max.

— Ela tem uma certa reputação. — disse Max com facilidade. Ele não podia

mentir completamente para Josephine, mas também não era hora de dar a notícia

a sua companheira que dragões eram reais, pelo menos shifters eram reais. Não

era a mesma coisa?

Josephine olhou para Max e ele fixou sua atenção no prato, incapaz de

encontrar o olho dela. Ele nunca fez um teste de detector de mentiras, mas

imaginou que o escrutínio de sua companheira provavelmente era mais difícil de

contornar do que qualquer máquina. Era como se ela pudesse olhar diretamente

para a alma dele e ver a verdade em suas palavras. Ou a mentira.


Não estamos mentindo, garantiu o urso, mas nenhum deles se sentiu à

vontade em não contar a Josephine que os dragões eram reais, e Fiona era uma.

— Ela me deu alguns detalhes sobre os grupos de mães e bebês na área. Há

um em Bear Creek e outros em Bear Bluff. Algum de vocês se sente à vontade

para assistir às aulas? — Josephine pegou uma pequena quantidade de comida

para bebê e colocou na boca de Milly.

— Eu ficaria feliz. Desde que eu já estou confortável com o meu lado

feminino. — Tad fez uma careta para Jake quando ele pegou sua faca e garfo. —

Eu sei que provavelmente receberemos alguns olhares estranhos e alguns

comentários sobre sermos avós, mas como estamos nisso há muito tempo, quero

conhecer algumas mães e pais para que Milly cresça com os amigos.

— Boa ideia, já que ela não terá irmãos. Será bom garantir que ela sempre

tenha amigos e sempre sejam bem-vindos aqui. — Max provou um pedaço de

cordeiro. — Isso está incrível, Tad.

Josephine colocou a colher de bebê na tigela e pegou o garfo. Com cuidado,

ela pegou um pedaço de cordeiro e adicionou um pouco de batata antes de dar

uma mordida. Ela revirou os olhos em sua cabeça com prazer.

— Isto está fantástico.

— Obrigado, vocês todos podem vir novamente. — Tad sorriu de felicidade.


Se Jake era o ganha-pão, Tad era a dona de casa. Ele adorava manter a casa

limpa e arrumada. Max sempre imaginou que era seu urso preparando uma toca

para sua companheira. Mas ela nunca apareceu.

Quando a conversa em torno da mesa mudou para Milly e sua rotina, Max

sentiu uma pontada de arrependimento por Tad nunca ter experimentado os

sentimentos aos quais Max havia sido exposto desde que encontrou Josephine.

Se ele pudesse ter um desejo, um desejo em todo o mundo, seria para seus

dois irmãos, os dois homens com quem ele compartilhava tanto, encontrarem

suas companheiras e serem felizes para sempre.


CAPÍ TU L O DEZ
Josephi ne

— Isso estava delicioso. — Josephine estava satisfeita. O cordeiro foi cozido à

perfeição, e as ervas adicionadas tornaram o sabor incrível. — Você com certeza

sabe cozinhar, Tad.

— Obrigado. — Tad levantou-se e começou a limpar a mesa.

— Ei, eu vou fazer isso. — Max estava fora de seu lugar e pegando os pratos

tão rápido que era como se ele estivesse embaçando enquanto se movia.

— Ele é rápido. — Jake se inclinou sobre a mesa e disse a Josephine, cujos

olhos se arregalaram de admiração.

— Porque ele é um shifter urso? — Josephine perguntou enquanto Max

limpava a mesa e Tad foi à geladeira, pegou um pote de sorvete e colocou no

balcão antes de remover uma torta de pêssego do forno.

— Sim, todos nós temos sentidos aprimorados, mas Max também aprimorou

sua velocidade, para que ele pudesse subir a montanha como se tivesse asas.

Max lançou a Jake um olhar estranho por cima do ombro enquanto ele ligava

a torneira e deixava a água escorrer até que estivesse agradável e quente.


— Aprendi no início de minha carreira que o tempo que levo para subir a

montanha pode significar a diferença entre vida e morte para uma pessoa presa

na montanha esperando por ajuda.

— Você não tem um helicóptero de busca e salvamento? — Josephine

perguntou enquanto alimentava Milly com o último cereal de arroz da tigela.

— Sim, mas nem sempre é possível acessar o local de um acidente. — Max

começou a lavar as facas e os garfos e a colocá-los no escorredor, mantendo um

olho na doce sobremesa que Tad estava colocando em tigelas. — Isso cheira ainda

mais delicioso que o jantar.

— Isso é porque você tem um dente doce. — Tad segurou uma das tigelas

debaixo do nariz do irmão e soprou o perfume em sua direção. — Devo fazer

você terminar todos os pratos antes de pegar sua torta?

Max sacudiu a espuma das mãos e as secou em uma toalha.

— Eu não vou esperar por sua permissão.

Tad riu.

— Venha se sentar. Não vou fazer você implorar na frente de sua

companheira.

Max sentou-se na cadeira e agarrou a colher antes de lançar um olhar de

soslaio para Josephine.

— Hábito.
— No início, quando estávamos morando juntos, a comida era escassa. Não

acho que nenhum de nós tenha esquecido isso. — explicou Jake.

— Não são muitas as pessoas que conseguem ver as coisas de duas

perspectivas opostas. — comentou Josephine. — Vocês são uma verdadeira

história de trapos para riquezas.

— Não é nada e, certamente, não é algo que eu digo à maioria das pessoas. —

Jake segurou a colher na mão, mas não pegou a sobremesa. Em vez disso, ele

bateu levemente no lado da tigela enquanto olhava para os pêssegos alaranjados

cobertos por um xarope leve, distante.

— Jake mantém sua história guardada, caso seus concorrentes a vejam como

uma fraqueza. — explicou Max.

— Eu não. — Jake rejeitou a declaração de seu irmão ferozmente enquanto

mergulhava a colher na sobremesa.

— Você sim. — Insistiu Tad. — Você sempre odiou deixar as pessoas

conhecerem suas fraquezas, mesmo na escola. E se alguém soubesse que éramos

sua fraqueza, poderia ter nos usado contra você.

— Somos todos adultos agora. — Jake apontou sua colher para Tad e Max. —

Como eles poderiam usar vocês contra mim?

Tad encolheu os ombros.


— Talvez não possam. Agora não, mas o medo está enraizado na sua

personalidade. Você fica na defensiva para que as pessoas não tenham a chance

de ver a fenda na sua armadura.

Os olhos de Josephine descansaram no rosto perfeito da criança pequena

sentada na cadeira alta, chutando as pernas alegremente enquanto punha um

punho na boca. Milly era uma fraqueza.

A cozinha ficou em silêncio e ela tinha certeza de que todos haviam chegado

à mesma conclusão.

— É uma coisa boa que eu não precise mais lutar contra garras e dentes por

negócios. Minha empresa é grande o suficiente para que ninguém tente me

manipular através da minha família. — Jake pigarreou. — Isso está bom, Tad. A

quantidade certa de mel.

— Obrigado. — A voz de Tad, cheia de emoção, vacilou antes que ele

continuasse. — Mal posso esperar para que esse filhote de urso possa comer

minha comida. Quantos anos Milly tem que ter antes que possa comer o que

comemos?

— Como não sabemos qual era a rotina dela com a mãe, Fiona e eu decidimos

que alimentaríamos Milly como se ela tivesse acabado de começar os sólidos. O

que significa introduzir novos alimentos e novas texturas lentamente. Quando

soubermos que ela não terá nenhuma reação adversa à maioria dos alimentos,

você pode começar a alimentá-la com os mesmos alimentos que você come, mas

amassados. — Josephine deslizou para dentro da segurança de sua personalidade


profissional, que era a única maneira de impedir as lágrimas que lhe ardiam nos

olhos.

Eles haviam perdido seus pais décadas atrás e, no entanto, falavam como se

a perda de seus pais e sua luta para permanecer juntos na casa da família ainda

estivessem frescos em suas mentes. Quanta mágoa e dor eles devem ter superado

para chegar onde estavam hoje. Se ela tivesse alguma dúvida de que os irmãos

Harrison dariam maravilhosos pais adotivos, agora elas se foram com firmeza.

Eles eram as pessoas perfeitas para ajudar Milly a lidar com qualquer trauma

em sua vida que pudesse surgir do sentimento de ser abandonada por sua mãe.

Josephine engoliu o nó de emoção que ameaçava interromper seu fôlego. Eles

também eram as pessoas perfeitas para ajudá-la a lidar com seu próprio senso de

abandono? Os pais dela não estavam mortos, mas não estavam na vida dela. Ela

foi criada por sua avó idosa, enquanto seus pais saíam para viver suas próprias

vidas e ter aventuras incríveis em todo o mundo. Uma criança teria sido um

inconveniente.

Ela empurrou a torta de pêssego em volta da tigela. Seus pais nunca fizeram

parte de sua vida. Então, por que uma parte dela sentia falta deles, lamentava por

eles como se estivessem mortos?

— Então, você está planejando seu casamento? — Tad perguntou, mudando

de assunto tão rápido que ela ficou tonta.


— Casamento? — Max perguntou, de olhos arregalados. — Acabamos de nos

conhecer. — Ele olhou de lado para Josephine enquanto tentava se recuperar. —

Mas eu estou pronto para me casar com você assim que você quiser.

— Não tenho pressa. — Josephine apertou os lábios. Casamento. Uma

cerimônia de casamento. Isso colocou seu próprio conjunto de problemas. Quem

diabos a levaria pelo corredor? Ela não tinha ninguém, seus avós estavam

mortos, e seu pai estava Deus sabe onde. — Eu não sou uma garotinha inocente

que passou a vida inteira planejando seu casamento.

— Não? — Jake perguntou. — Achei que todas as mulheres tivessem um

casamento dos sonhos flutuando em suas cabeças.

— Oh, isso é sexista. — Max disse levemente.

Josephine riu.

— Ok, talvez ele esteja certo. — Ela respirou fundo. — Quando eu tinha vinte

anos, passei por uma loja de noivas e havia um lindo vestido na janela, e fiquei

ali olhando por cerca de cinco minutos. Apenas olhando para este vestido com

seu corpete de miçangas e uma calda de tule que ficaria atrás de mim quando eu

andasse pelo corredor para me casar com o homem dos meus sonhos.

Ela assentiu ao recordar as imagens que haviam enchido sua cabeça, como se

ela fosse a estrela de seu próprio filme particular. O vestido, o bolo de três

camadas, o noivo que se parecia muito com George Clooney.


— E? — Max perguntou, seus olhos fixos nela enquanto ela recuperava

aquelas memórias da parte de seu cérebro que armazenava todo o lixo absurdo

que não tinha valor real.

— E então eu percebi que não era do tipo que se casa. — Ela mexeu em sua

sobremesa. A torta estava tão deliciosa quanto o resto da refeição.

— Mas você mudou de ideia agora? — Max perguntou enquanto mastigava

devagar, saboreando cada pedacinho.

— Nada de especial. — Ela olhou para sua figura curvilínea. — Certamente

não vou me encaixar no vestido que vi na vitrine todos esses anos atrás.

— Eu não ligo para o que você veste. — Max insistiu. — Mas eu quero fazer

de você minha esposa.

Jake olhou para Tad, que assentiu e deslizou a mão no bolso. Quando ele

puxou, ele colocou algo na mesa da cozinha. Um anel.

— Era da nossa mãe. — explicou Jake. — E todos ficaríamos honrados se você

a usasse e se casasse com nosso irmão.

— Jake, você tem certeza? — Max perguntou enquanto pegava e segurava

entre o dedo e o polegar. — Eu pensei que nós concordamos que você daria à sua

companheira já que você é o mais velho.

Jake acenou com a mão acima da cabeça, como se estivesse atirando um

mosquito para longe.


— Foi quando todos pensamos em nos estabelecer um dia com nossas

companheiras e iniciar famílias. — Ele olhou em volta da cozinha. — As coisas

não saíram como qualquer um de nós esperava. Então, Tad e eu conversamos

sobre isso e decidimos que, em vez de o irmão primogênito ter o anel, o primeiro

irmão a encontrar sua companheira deveria tê-lo.

— Se Josephine quiser o anel... e você. — Tad sorriu quando os três irmãos

olharam para Josephine.

As lágrimas ardendo em seus olhos venceram e uma grande lágrima rolou

por sua bochecha.

— Como eu poderia dizer não?

O rosto de Max se enrugou de preocupação, mas ele se levantou antes de se

ajoelhar na frente dela. O coração de Josephine galopou a milhares de

quilômetros por hora e ela pensou que estava prestes a ter um enfarte quando

Max perguntou:

— Josephine, por favor, me daria a honra de se casar comigo?

Ela assentiu e soluçou quando respondeu:

— Sim.

O que ela estava fazendo? Depois de Vincent, ela prometeu a si mesma que

seria cuidadosa e nunca se apressaria em um relacionamento, mas aqui estava ela

depois de conhecer Max por um dia, concordando em se casar com ele.


Ao aceitar o anel de sua mãe, ela aceitou não apenas a mão de Max em

casamento, mas também aceitou fazer parte dessa família.

A felicidade irradiava de Max quando ele deslizou o anel em seu dedo,

acompanhado por palmas e alguns gritos de Tad.

— Bem-vinda à família.

— Obrigada. — Ela olhou para o anel por um longo tempo enquanto tentava

se recompor. Essa foi a coisa mais estúpida e louca que ela já fez ...

Não. Não, não foi. A coisa mais estúpida e louca que ela já fez foi deixar

Vincent entrar em sua vida. Aceitar a mão de Max em casamento era,

provavelmente, uma das melhores coisas que ela já havia feito. Enquanto se

sentavam juntos e terminavam a refeição, Josephine sentiu como se pertencesse

pela primeira vez em sua vida.

Ela finalmente encontrou a única coisa que sempre quis. Um lar.


CAPÍ TU L O ON ZE
Max

— Desculpe por te expor dessa maneira. — Max secou o último prato. Ele

entregou um prato a Josephine, que se virou e o empilhou com os outros no

armário enquanto ele guardava os copos de vinho.

— Foi inesperado. Mas eu não teria dito sim se não parecesse certo —. Ela

levantou a mão para a luz e uma onda de emoção inesperada rolou sobre

Max. Ele nunca esperou se sentir tão emocional vendo uma mulher, sua mulher,

usando o anel de sua mãe.

O anel de noivado de diamante e safira havia sido guardado no cofre de Jake

por décadas. O fato de Jake e Tad terem pensado em discutir se Josephine deveria

usar o anel de sua mãe o tocou profundamente.

— Foi inesperado para mim também. — admitiu Max. — Eu não tinha ideia

do que aqueles dois estavam fazendo.

— Eles são bons homens. E irmãos ainda melhores. Você é muito sortudo. —

Josephine fechou o armário e virou-se para encará-lo. Tad e Jake haviam levado

Milly para a sala e estavam brincando com ela enquanto Max e sua companheira

lavavam e limpavam a mesa e o balcão.


Agora que essas tarefas estavam concluídas, parecia uma pena não aproveitar

ao máximo esse tempo sozinhos. No entanto, ele não tinha certeza de que algo

poderia melhorar ainda mais seu súbito noivado.

— Eles são bons homens. E eu sei o quão sortudo eu sou. — Ele pendurou o

pano de prato para secar. — E não estou falando apenas dos meus irmãos.

Josephine passou a mão pelos cabelos e depois se afastou dele enquanto ela

tirava migalhas imaginárias da bancada que já haviam limpado.

— Há coisas sobre as quais precisamos conversar. Coisas que você deveria

saber sobre mim.

— Eu sei tudo o que preciso saber. — Ele estendeu a mão e tocou o braço

dela. — Josephine, eu sou um homem paciente. — Ele deu uma risada curta. —

Você deve ser capaz de ver isso.

— Há muitas coisas sobre você, eu vejo. — Ela se virou para encará-lo, seus

olhos tremulando para encarar os lábios dele antes de arrastá-los para cima para

travar com seu olhar bobo apaixonado. — Cada uma delas é boa.

Ele balançou sua cabeça.

— Não me coloque em nenhum tipo de pedestal. Ninguém é bom ou

ruim. Todos nós temos tons de luz e escuridão dentro de nós. E prefiro julgar as

pessoas por suas ações.


— Mesmo se houver algo... alguém no meu passado que possa... — Ela se

virou e deu alguns passos para longe dele.

— Alguém que pode o quê? — Max perguntou gentilmente.

— Eu não sei. Ele é um fantasma do meu passado. — Ela encolheu os ombros

como se estivesse se protegendo desse alguém.

— Eu não acredito em fantasmas. — Ele colocou a mão no ombro dela e a

virou suavemente para encará-lo. Ela não resistiu. — E mesmo que esse fantasma

fosse real, estamos nisso juntos agora, Josephine.

— Isso parece um pouco injusto para você. — Ela levantou os olhos para

ele. — Você esperou todo esse tempo para que sua companheira aparecesse e não

pode escolher ou ter uma opinião sobre se sou ou não a pessoa com quem você

deseja compartilhar o resto da sua vida.

— Sabe, se eu tivesse uma escolha, eu ainda a escolheria. A questão é se você

me escolheria? — Max suspirou. — Eu fui rápido demais? Se o anel no seu dedo

a deixa nervosa, podemos dar um passo atrás e começar de novo.

Ela esfregou o polegar contra o anel de noivado.

— Não. — Ela colocou a mão no coração e o diamante captou a luz, brilhando

como uma estrelinha. — Eu estou feliz.

— Então me diga o que você precisa que eu saiba. — Ele deu um sorriso

torto. — É como arrancar um band-aid, às vezes é preciso fazer rápido.


Josephine engoliu em seco.

— Não contei isso a ninguém. Exceto o terapeuta que visitei.

— Não tenha pressa. — Ele pegou a mão dela, levou-a para a mesa e puxou

uma cadeira. — Você quer café ou chá?

Ela balançou a cabeça.

— Isso vai me manter acordada quando eu quero dormir. — Ela se sentou e

apoiou os cotovelos na mesa antes de juntar as mãos. — Se eu não estivesse

dirigindo, pediria algo mais forte.

— Você pode ficar a noite toda. — Ele estendeu a mão. — Quero dizer, no

quarto de hóspedes, com Milly. Tenho certeza de que podemos descobrir um

lugar para ela dormir. — Ele desejou que eles tivessem saído direto e comprado

todas as coisas de bebê que precisariam para que Milly tivesse um berço para

dormir. Ele tinha certeza de que se Milly estivesse confortável e segura em sua

própria cama, então Josephine ficaria.

Qualquer que seja o fantasma que a assombra, isso a deixou pálida e nervosa.

— Não, eu estou bem. — Ela ignorou a oferta dele. — Quero que Milly se

acomode em minha casa. Ela precisa de estabilidade e continuidade. Sei que as

coisas vão mudar quando você a adotar, mas até então quero manter uma rotina.

— Eu entendo completamente. — Max afastou a decepção de sua expressão.


— Porque não esquecemos disso por enquanto. — Josephine pegou sua

mão. — Talvez possamos conversar sobre isso amanhã.

Sua testa franziu.

— Nós despertamos memórias que você acha perturbadoras. Tem certeza de

que não prefere me contar? Costumo achar que pensar em fazer algo ou dizer

algo é pior do que realmente fazê-lo.

— Eu sei. E eu concordo. Só não quero entrar nisso tão tarde. Eu tenho que

levar Milly para casa em breve. Estamos estabelecendo uma rotina noturna. —

Josephine passou os dedos pelos dele. — Eu sou uma covarde. Mas prometo que

amanhã, quando tiver tempo, conversaremos.

— Quando você estiver pronta. — Ele estudou o rosto dela por um momento,

procurando uma pista sobre que tipo de demônio se escondia em seu

passado. Ela estava tão perto de lhe contar seu doloroso segredo, mas agora o

momento se foi.

Mas ela está usando nosso anel no dedo, lembrou o urso dele.

Sim. Ela está. Eu só queria que ela confiasse em nós com seu passado da

mesma maneira que está disposta a confiar em nós com seu futuro. Max acenou

com a cabeça em direção à sala de estar.

— Vamos garantir que Tad e Jake não estejam ensinando maus hábitos a

Milly?
— Eles têm algum mau hábito? — Josephine perguntou em um tom sério. —

Se o fizerem, precisarei colocá-los no meu relatório.

— Há um relatório? — A expressão de Max transmitiu sua preocupação antes

que um sorriso surgisse em seu rosto. — Você tem uma cara de pôquer incrível.

— Obrigada. — Ela sorriu. — Estou convencida de que você e seus irmãos

são a melhor chance de felicidade que Milly tem. Meu relatório refletirá isso.

— Realmente há um relatório. — Os nervos ao longo de sua espinha

formigavam. — Eu pensei que era tudo simples, já que somos seus parentes mais

próximos.

— É, mas os serviços sociais não entregam as crianças sem muita

papelada. Mas você ficará bem. Honestamente, é mais uma formalidade do que

qualquer coisa. Fiona já deu sua aprovação e todos sabemos que só um homem

corajoso, ou mulher, discutiria com ela.

— Não tenho intenção de discutir com ela. — Admitiu Max. — Mas o coração

dela está no lugar certo. Eu não acho que ela teria aparecido na nossa porta com

Milly se ela ainda não tivesse decidido que éramos as melhores pessoas para

cuidar dela. Embora todos tenhamos quase a idade suficiente para sermos avós.

— Ela deve pensar que você é jovem de coração. — Brincou Josephine.

— Eu imagino que Milly nos dará mais cabelos brancos antes que ela cresça

completamente. — Max entrou na sala para encontrar Tad e Jake deitados no


chão com o bebê Milly. Ambos tinham brinquedos de pelúcia nas mãos e estavam

encenando algum tipo de história.

— Estamos recontando a história de Cachinhos Dourados e os Três Ursos. —

disse Tad.

— Em nossa versão, deixamos claro que Cachinhos Dourados nunca deveria

ter entrado na casa dos três ursos sem ser convidada e ela certamente estava

errada ao comer a comida e quebrar os móveis. — Jake rolou de costas. — Esses

pobres ursos sempre passam por um momento tão difícil.

Josephine riu.

— Eu concordo totalmente. — Ela se sentou no sofá e acenou para Milly, mas

o bebê só tinha olhos para os dois brinquedos. Estendendo as mãos, ela chutou

os pés no ar enquanto tentava alcançá-los.

— Droga. — O telefone de Max emitiu o toque que ele havia definido para

emergências nas montanhas. A noite divertida de Josephine terminou, ele

precisava começar a trabalhar.

— Vá, vamos cuidar de tudo aqui. — Disse Jake, levantando-se do chão. —

Vamos garantir que Milly e Josephine cheguem em casa com segurança.

— Você tem certeza? — Max perguntou. Jake e Tad ouviram sua conversa

com Josephine, eles sabiam sobre o fantasma do passado dela?


— Sim, vá e faça seu trabalho. — Tad rolou de joelhos e pegou Milly nos

braços enquanto se levantava. — É assim que às vezes será quando vocês

estiverem juntos. Pense nisso como um teste.

— Josephine, me desculpe. — Ele pegou o telefone e atendeu.

— Está bem. E será bom conhecer seus irmãos também, pois eles também

precisam constar no meu relatório. — Josephine se inclinou para frente e roçou

os lábios na bochecha dele. — Vá ser um herói.

— Olá, Shane, o que houve? — Max ouviu Shane, o coordenador de resgate

nas montanhas, fazer um breve resumo da chamada. Enquanto falava, Max subiu

as escadas e pegou seu equipamento, trocando rapidamente as botas e vestindo

calças resistentes e impermeáveis antes de vestir uma jaqueta impermeável que

continha seu equipamento de emergência, como apito, lanterna e rações de

emergência.

Correndo de volta, ele largou a mochila na bancada e verificou o

conteúdo. Sempre estava bem abastecida e, se ele usasse alguma coisa, ele sempre

a substituía imediatamente em seu retorno para casa. No entanto, ele sempre a

verificava antes de sair. Os resgates nas montanhas costumavam ser uma questão

de vida ou morte, e ele não queria arriscar a vida de alguém apenas porque se

esquecera de substituir cordas perdidas ou mosquetões.

— Vejo você amanhã? — Josephine entrou na cozinha atrás dele.


— Gostaria disso. — Ele colocou a mochila no ombro e levou um segundo

para olhar para sua companheira. — Eu sinto muito.

— Não sinta. — Ela apertou os lábios e rapidamente acrescentou: — Amanhã

conversaremos.

— Gostaria disso. Estou aqui por você, Josephine. — Ele beijou seus lábios, o

mais suave dos beijos, mas despertou eletricidade entre eles.

— Agora, você tem que estar lá. — Ela apontou a janela para os picos das

montanhas, envolta em trevas, mas iluminada pela lua cheia.

A montanha chamava por ele. Essas eram as noites que ele mais gostava, as

noites em que ele saía do quintal com Tad e Jake e seguia pela trilha da montanha

antes de correr livre e rápido por vales íngremes e por planaltos gramados. Mas

não havia nada despreocupado nessa noite e, embora viajassem rápido, o fariam

com dois pés, não quatro patas.

— Amanhã. — Ele saiu da cozinha, não querendo desviar os olhos dela

enquanto ela se levantava e o observava sair. Mas com um último aceno de mão,

ele se virou e saiu correndo da cozinha, atravessou o quintal e atravessou o portão

para onde seu caminhão aguardava na entrada da garagem.

Ele entrou e inseriu a chave na ignição. Ligou na primeira vez; o caminhão

dele nunca falhava. Tanto como parte de seu kit quanto suas roupas e mochila,

ele o mantinha com manutenção regular e sempre cheio de gasolina. Assim que

o motor deu partida, ele pisou no pedal e dirigiu pela entrada e saiu para a
estrada. Cinco minutos depois, ele chegou ao ponto de montagem de resgate de

montanha na Tall Pines Road. Não era mais do que um celeiro convertido, mas

possuía todo o equipamento, incluindo alguns ATVs que eles usavam quando o

resgate acontecia nas encostas mais baixas.

Eles não seriam muito bons esta noite. Shane já estava informando os

membros da equipe reunidos, sobre o paradeiro de um alpinista que havia ficado

preso em um vale. Era uma caminhada de duas horas sobre um terreno difícil.

Em duas pernas. Com quatro patas, poderíamos estar lá dentro de uma

hora, seu urso disse sem rodeios.

Caminhamos com todo mundo, Max disse ao urso. O cara não está sangrando

e tem alguém com ele para cuidar dele. Se ele estivesse em perigo, o helicóptero

seria enviado e uma pequena equipe cairia mais perto. Você sabe disso.

Seu urso resmungou. É claro que ele sabia disso, mas desde que conheceu sua

companheira, seu urso queria correr rápido pelas montanhas e consumir parte

de sua energia nervosa reprimida. Max era compreensivo, mas ambos sabiam

que tinham que se concentrar na tarefa diante deles e trazer de volta o alpinista

em segurança. Isso significava trabalhar em equipe e, como parte da equipe não

era de shifters, isso significava subir a montanha com duas pernas.

— Ok, estamos todos aqui. — Disse Shane depois de uma chamada. — Vamos

fazer isso. — Como um, a equipe virou-se para a trilha que levava às montanhas

e partiu em direção ao seu destino, cada um deles esperando um resultado bem-

sucedido para a noite.


CAPÍ TU L O DO ZE
Josephi ne

— Obrigado pelo jantar, Tad. Foi maravilhoso. E Jake, eu não preciso de uma

escolta para casa. — Josephine estava colocando Milly em seu carro. Ela estava

cansada, mas feliz. Realmente feliz, e seu humor parecia ter contaminado Milly,

que estava sorrindo em torno de seu punho, que ela enfiara na boca. — Aqui,

Milly, mastigue isso em vez disso. — Josephine gentilmente puxou o punho

minúsculo da boca de Milly e sacudiu o mordedor de dentição para ela.

— Ela é linda. — Jake disse melancolicamente, enquanto observava Milly

pegar o mordedor de dentição e apertar as gengivas em torno dele.

— Ela é. — Josephine se endireitou depois de verificar se o cinto estava

seguro. — Você será um ótimo pai.

— É por isso que eu vou acompanhá-la até em casa. Max nunca me perdoaria

se algo acontecesse com você. — Jake abriu a porta do lado do passageiro e

deslizou no assento antes que ela pudesse discutir.

— Deixe-o fazer isso. — Disse Tad gentilmente. — Ele não costuma ser um

bom rapaz muita frequência.

— Ele é um cara legal para mim. — Josephine respondeu. — O que ele fez por

todos vocês quando era mais jovem. Isso requer coragem.


— Nós sabemos. Mas há um Jake que mora aqui conosco e há um Jake que

administra uma grande corporação no mundo real. São dois homens

diferentes. — Tad se inclinou para frente e beijou Josephine na bochecha. — Se

eu não disse isso antes, seja bem-vinda à família.

— Obrigada. — Ela olhou para o anel no dedo. Levaria um tempo para se

acostumar a usá-lo. — Você tem certeza disso?

— Sim. — Ele a acompanhou até o lado do motorista e abriu a porta para

ela. — Agora, vá para casa e coloque o bebê na cama.

— Boa noite. E obrigada novamente pelo jantar. — Josephine deslizou no

banco do motorista e afivelou o cinto de segurança, enquanto Tad estava

encostado na porta.

— Você é bem-vinda. Foi bom ter uma companhia feminina. — Ele piscou

para Josephine e sorriu quando ele fechou a porta.

— OK. Vamos levar Milly para casa. Ela olhou de soslaio para Jake enquanto

se afastava da casa dos Harrison. — Você ouviu o que Tad disse sobre você ser

um cara legal?

Jake assentiu enquanto se recostava no banco.

— Não é a primeira vez que eu escuto. Tad gosta de acreditar que sou algo

que não sou.


— Você quer dizer um cara legal? Você não se vê como um cara legal? —

Josephine chegou ao final da entrada e entrou na estrada que levava à cidade. Ela

gostava daqui, longe da cidade, por não haver outras casas por perto, mas perto

o suficiente para que, se alguma vez houvesse uma emergência, pudessem chegar

ao hospital ou aos médicos em pouco tempo.

— Não sou tão bom quanto meus irmãos, isso é certo. — Jake virou-se para

encará-la. — Olhe para Max, largando tudo para sair para a montanha no escuro,

para salvar um estranho quando ele poderia estar em casa com sua companheira.

— Você não faria a mesma escolha se fosse ele? — Josephine perguntou.

— Eu não seria ele em primeiro lugar. O trabalho não paga o suficiente. —

Respondeu Jake sem rodeios.

— Quando você era mais jovem e estava com medo de perder tudo, isto

afetou sua vida e a maneira como você a manejou. Mas suas ações resultaram em

Max tendo a liberdade de perseguir seu desejo de ajudar os outros e não se

concentrar tanto no dinheiro. — Ela sorriu amplamente quando ele fez uma

careta. — Veja, você é um bom homem. Você é um catalisador para o bem.

— E você? — Jake perguntou. — Já que estamos me colocando no

microscópio, que tipo de pessoa você é, Josephine?

— Não sou tão boa quanto Max. — Ela apertou a mandíbula. — Se eu tivesse

algum senso, entregaria Milly a vocês três e fugiria.


— Você está com medo de compromisso? — O interesse de Jake foi

despertado, e ele se endireitou e a fixou com toda a atenção.

— Não, não de compromisso. — Ela olhou para a estrada à frente enquanto o

silêncio se estendia entre eles e sua necessidade de preenchê-la corroeu sua

determinação em manter seu passado em sigilo. — Você é um negociador alfa?

— Você é uma mestre em desviar a atenção de assuntos estranhos? — Os

olhos de Jake se estreitaram. — Você contornou essa questão com seu passado

algumas vezes com Max. Mas não sou tão fácil de se livrar.

— Você é como um pequeno terrier. — Ela cerrou os dentes e rosnou, o que

forçou um sorriso nos lábios de Jake. — Melhor, imaginei que você tivesse

esquecido como sorrir.

— Desvio. — Jake falou com uma voz irritantemente persistente.

A estrada fazia uma grande curva e as luzes da cidade eram visíveis, ficando

maiores e mais brilhantes à medida que o carro viajava em direção a Bear Creek

e à casinha indefinida que era sua casa. Quando ela se mudou para cá, ela não

tinha planejado contar a ninguém sobre seu passado. Não era da conta de

ninguém, a não ser dela, já que Vincent nunca a encontraria aqui. Mas conhecer

Max e seus irmãos a fez perceber que ela não queria esconder seus segredos deles.

Manter a verdade já estava criando uma pressão dentro de sua cabeça que

explodiria como um barril de pólvora se ela não compartilhasse sua história com

eles.
— Havia esse cara. — Uma lágrima escorreu por sua bochecha e ela a

enxugou com as costas da mão.

— Um cara legal? — Jake perguntou gentilmente.

Ela balançou a cabeça e sua voz falhou ao dizer:

— Não, um cara muito ruim.

Jake suspirou e assentiu.

— Você não precisa me dizer. Não se você preferir contar a Max primeiro.

— Eu não sei como. — Ela soluçou enquanto dirigia o carro por sua estrada

indefinida para sua casa indefinida. Ela odiava que todas as suas escolhas fossem

feitas em torno de um homem que a havia aterrorizado por dois anos antes de

finalmente encontrar coragem para ir à polícia e denunciá-lo.

— Ele é seu companheiro, você pode dizer o que quiser, o que precisar, e ele

entenderá. Ele é a única pessoa no mundo inteiro em quem você pode confiar em

qualquer coisa. — Ele deu um breve sorriso —. Além de mim. Você pode me

dizer qualquer coisa, Josephine, e eu não direi a uma alma.

— Nem mesmo Max? — ela perguntou surpresa enquanto estacionava o

carro e desligava o motor.

— Nem mesmo Max. A menos que você queira que eu faça. — A voz de Jake

transmitia confiança e simpatia e Josephine teve que se lembrar de que ele era um

homem de negócios cruel que sabia como conseguir o que queria através da
manipulação da situação. Mas ele também era o irmão do homem com quem ela

deveria passar o resto de sua vida. E ela precisava confiar em alguém.

— Vamos entrar? — Ela soltou o cinto de segurança, esperando que ele fizesse

algum comentário grosseiro sobre como os vizinhos falavam, ou algo igualmente

extravagante, mas ele não falou. Jake não era esse tipo de homem. Ou talvez

homens maduros, aqueles que eram experientes na vida, não faziam esse tipo de

comentário.

Uau, fazia tanto tempo desde que ela namorara, era como se ela tivesse se

mudado para uma nova geração de homens. Homens que sabiam que a vida

tinha seus altos e baixos. Homens que haviam conquistado a própria vida e não

procuravam uma mulher para casar, fazer uma hipoteca e depois criar uma

família.

— Eu vou pegar as bolsas enquanto você pega Milly. — Jake sugeriu.

Alguns minutos depois, Josephine estava abrindo a porta da frente e eles

estavam entrando na casa. Ela hesitou e ouviu os sons da casa. Era o único hábito

que ela não conseguia se livrar, mesmo quando Vincent estava na prisão. Mas

essa casa era nova e ela ainda não sabia. Ela não tinha aprendido como a casa

respirava, como se estabeleceu e como se mudou.

— Você quer que eu vá e verifique os quartos? — Jake perguntou em um

sussurro abafado.

Josephine balançou a cabeça e acendeu o interruptor, iluminando o corredor.


— Não, está tudo bem. — No entanto, sua voz tremeu de nervosismo.

— Eu poderia lhe dar o número de um cara que pode vir e instalar um sistema

de alarme de segurança para você. — Jake ofereceu enquanto caminhava pelo

corredor. — A cozinha está aqui?

Josephine fez uma pausa enquanto a casa rangia e depois seguiu Jake até a

cozinha. Ela estava em segurança. Não havia como ela ser encontrada aqui. Ela

cobriu bem seus rastros, mudou seu nome várias vezes, não tinha amigos

conectando seu antigo eu ao seu novo eu...

Ela parou as palavras fluindo em seu cérebro e se concentrou em Milly e no

que ela precisava antes de dormir.

— Você quer café? — Josephine perguntou a Jake quando ela pegou Milly e

descansou a criança pequena no quadril.

— Eu vou fazer isso. — Jake ficou ocupado fazendo um bule de café fresco,

enquanto Josephine colocou Milly no banco e aqueceu uma mamadeira. —

Branco, sem açúcar?

— Sim por favor. — Josephine havia tomado banho com Milly antes de

saírem para jantar, já que ela não sabia a que horas iriam chegar em casa. Tudo o

que ela teve que fazer enquanto a fórmula esquentava era trocar a fralda de Milly,

colocá-la em sua roupa limpa e limpar as mãos e o rosto.


— Acho que nunca vou conseguir fazer isso tão rápido. E tenho certeza de

que as fraldas dela cairão mais vezes do que ficarão. — Jake a observava com os

braços cruzados sobre o peito enquanto se recostava no balcão.

— Você logo vai dominar a troca de fraldas. — Josephine disse a ele. —

Quando você começou nos negócios, deve ter aprendido coisas novas. — Ela o

chamou. — Aqui, comece com as coisas fáceis. Sente-se aqui e alimente-a.

Jake parecia um pouco duvidoso quando se sentou no assento à mesa da

cozinha dela e estendeu os braços para o bebê.

— Desse jeito?

— Você conseguiu. — Josephine ajustou cuidadosamente a posição de Milly

nos braços de Jake e depois entregou-lhe a mamadeira. — Você precisa dar a ela

com o leite já no bico, para que ela não aspire muito ar. É isso aí.

Milly abriu e fechou a boca como um peixe dourado, enquanto Jake seguia

lenta e deliberadamente as instruções de Josephine. Um sorriso se espalhou pelo

rosto de Jake quando Milly começou a beber o leite, os olhos revirando a cabeça

de prazer enquanto ela dormia.

— Ela está bebendo.

— Ela está. Você está se saindo muito bem. — Josephine serviu os cafés e os

colocou sobre a mesa antes de se sentar ao lado de Jake. — Eles não vêm com um

manual de instruções e nenhuma criança é a mesma. Muito do que você precisa


aprender é experiência prática, mente aberta, muita paciência e amor, geralmente

em igual medida.

— Por que você começou a acolher? — Jake perguntou enquanto observava

Milly esvaziar o conteúdo da mamadeira em sua barriga.

— Meus pais nunca me quiseram, tive sorte, fui criada por minha avó. Mas

quando ela morreu, eu fiquei perdida. — Ela pegou o café e tomou um gole,

embora estivesse muito quente.

— E? — Jake perguntou.

— E acabei em um relacionamento abusivo com um homem que... me

machucou. — Seu coração disparou no peito; ela ainda não tinha descoberto

como lidar com as emoções que surgiam em seu corpo sempre que pensava nos

dois anos de sua vida que ela perdeu para Vincent.

Dois anos. Foi mais do que isso. Ela passou dois anos no inferno e mais de

vinte anos revivendo todas as noites quando ia para a cama. Apesar da terapia,

que a ajudou muito, ela nunca dominou a arte de dormir sem que seus

pensamentos voltassem para aqueles dias sombrios. Ela ofegou, seu cérebro

preso no momento em que as mãos de Vincent pressionaram seus ombros e a

afundaram sob a água da banheira.

Ela pulou, o café escorrendo pelo vestido, e pulou da cadeira e pegou um

pano de prato para limpá-lo antes que ele se manchasse.


— Josephine. — A voz calma de Jake a trouxe de volta para sua cozinha em

sua casa indefinida.

— Foi ruim. — Sua voz era apenas um sussurro.

— Mas você fugiu. — Jake a observou de perto. — Você disse que foi às

autoridades e o denunciou.

— Sim. — Sua boca estava tão seca, como quando ele a trancou no porão e

não lhe deu comida ou água até que ela estivesse delirando.

— Ele foi para a prisão? — Jake perguntou suavemente enquanto Milly

terminava de mamar.

— Você tem que sentar e esfregar as costas. Ela precisa arrotar, ou ficará com

cólica. — Josephine atuou no piloto automático enquanto mostrava a Jake o que

fazer.

— Ele foi para a prisão? — Jake repetiu e ela balançou a cabeça em resposta,

enquanto Milly deu um arroto alto.

— Boa menina, querida. — Josephine sentou-se novamente quando os olhos

de Milly se fecharam e ela adormeceu nos braços de Jake. Ela olhou para o doce

rosto do bebê antes de assentir e dizer: — Sim, ele foi para a prisão.

— Mas?

— Mas ele saiu algumas semanas atrás. — Josephine observou a reação de

Jake. Não havia nenhuma. — Você já sabia?


— Foi um palpite. O jeito que você entrou na casa, no limite. Se o seu agressor

ainda estivesse na prisão, você ficaria mais relaxada. — Ele a estudou por um

momento. — Você está em perigo? Você acha que ele virá atrás de você? — Os

braços de Jake se apertaram ao redor de Milly e ela viu nele a reação que ela temia

ver em Max.

— Eu não sei. Se ele me encontrasse, possivelmente. — Ela passou a mão

pelos cabelos e andou pela cozinha enquanto lutava contra o pânico crescente

que ameaçava sufocá-la. — Eu deveria sair. Depois de Milly, eu devo sair.

— Não! — Afiado, como um chicote, o tom de Jake fez Milly pular em seus

braços. Ela abriu os olhos em pânico, mas ele a fez voltar a dormir.

— Você é natural com ela.

— Josephine. Prometi guardar seus segredos, mas você precisa contar a Max

tudo o que me contou e muito mais. Você também tem que me prometer que não

vai embora. Max nunca superará isso e eu não posso perder um irmão da mesma

maneira que perdi meu pai. — Sua voz crua de emoção partiu seu coração e ela

assentiu.

— Não quero ir embora, gosto daqui, me sinto em casa. Mas não quero

colocar nenhum de vocês em perigo. — Josephine estava dividida. Não havia

uma resposta correta.

— Vou contratar alguém para localizá-lo. Vou ficar de olho nele pelo resto da

vida, se for preciso —. O tom selvagem de Jake a assustou.


— Mas não mais. — Ela colocou as mãos sobre a mesa e se inclinou para

frente, olhando diretamente nos olhos dele. — Max não precisa perder um irmão

por isso também.

Ele segurou o olhar dela enquanto assentia.

— Você está bem?

Ela se sentou pesadamente na cadeira de madeira, sua energia drenada

quando ela colocou o rosto nas mãos e assentiu.

— Obrigada.

— Um problema compartilhado é um problema dividido. — Ele estendeu a

mão e segurou a mão dela, puxando-a em sua direção. — Você faz parte da

família agora, Josephine. Qualquer um que tentar machucá-la, encontrará os três

irmãos Harrison.

Ela olhou para Jake através das lágrimas.

— Você realmente é um bom homem, Jake.

E ela o defenderia contra quem dissesse o contrário.


CAPÍ TU L O TREZ E
Max

— Bom dia! — Max entrou na cozinha desejando ter escovado os dentes e

penteado os cabelos antes de descer as escadas. Ele ainda estava sonolento com

o sono e não tinha sentido sua companheira até que ele esteve na metade da

escada. Nesse ponto, ele imaginou que seria rude dar meia-volta e voltar para o

banheiro, já que, mesmo sem os sentidos afiados, Josephine saberia que ele estava

voltando.

— Bom dia! Pensamos em vir verificar se você estava bem e perguntar como

foi o resgate. — Josephine balançou Milly no joelho enquanto segurava seus

braços. Milly riu, seus olhos brilhando de alegria enquanto ela babava pelo

queixo. No entanto, mesmo com a baba, Max achou a criança adoravelmente

irresistível. Ela era deles para amar e proteger, assim como sua companheira.

— Foi tudo bem. Tiramos o alpinista em segurança da montanha. Tivemos

que carrega-lo todo o caminho, ele quebrou o tornozelo, mas somos bem

treinados e tudo correu bem.

— Essas são ótimas notícias. — Josephine bebeu a xícara de café.

Café. Max foi até a cafeteira e serviu uma caneca grande de café forte.

— Você quer mais? — O sono ainda embaçava seu cérebro, mas uma boa dose

de cafeína deveria acordá-lo.


Pelo menos você se lembrou de vestir as calças, observou o urso.

— Não, eu estou bem, obrigada. Tad me deixou entrar e me deu café antes de

sair. Ele disse que estava indo para a cidade e Jake foi trabalhar —. Ela o observou

enquanto ele se sentava do outro lado da mesa. Havia algo diferente nela. Uma

mudança que ele não conseguiu identificar.

— Jake levou você para casa ontem à noite. — Era uma afirmação, não uma

pergunta.

A cor passou pelas bochechas de Josephine.

— Ele levou. — Ela assentiu distraidamente enquanto tomava a xícara de café

com as duas mãos. — Ele conversou com você?

— Não. Apenas uma mensagem de texto ontem à noite para dizer que você

estava em casa em segurança. — Ele suspirou. — Ele disse algo para chateá-la?

— Não. — Ela respondeu um pouco rápido demais. — Não, nada disso. —

Seus olhos estavam fixos firmemente em sua xícara de café quando ela

acrescentou: — Mas nós conversamos.

— Entendo. — Jake tinha conseguido descobrir o que estava incomodando

Josephine? Ela confiava mais no irmão de fala mansa dele do que em Max?

— Ele é bom em arrancar informações das pessoas. — Os olhos dela se

ergueram brevemente para encarar os de Max. — Eu sei que deveria ter falado

com você primeiro, mas não tinha certeza de como você reagiria. — Ela deu uma
risada curta. — Eu não sabia se vocês estariam melhor se eu simplesmente

desaparecesse.

— Não! — Max disse rapidamente e provocou a mesma reação de Milly como

Jake na noite anterior.

— Ele me fez prometer nunca fazer isso. Ele é um homem bom, um bom

irmão, ele ainda cuida de você e Tad, não é? — Josephine relaxou os ombros, mas

a tensão ainda estava lá em seu rosto.

— Ele cuida. Nós cuidamos um do outro. — Ele deslizou a mão sobre a mesa,

as pontas dos dedos avançando sobre a familiar madeira macia. Ela soltou a

xícara de café com uma mão e enrolou os dedos nos dele, segurando-a como se

sua vida dependesse disso. — Fale comigo. Fale comigo sobre o que está

incomodando você, não sobre Jake.

Ela assentiu e respirou fundo. Com tudo o que ela tinha a dizer, ela estava

com medo que ele não gostasse. Mas estava na hora de compartilhar seus

problemas com ele, afinal, ela encontrou coragem para compartilhá-los com

Jake. Sua mão apertou a xícara de café enquanto tentava controlar seu ciúme. Ele

estava agradecido por Jake ter levado Josephine para casa e feliz por ela confiar

em seu irmão mais velho o suficiente para confiar nele. Mas o ciúme estava lá da

mesma forma.

— Meus pais nunca me quiseram quando eu nasci e fui criada por minha avó,

que morreu quando eu tinha dezoito anos. Suponho que estava procurando uma

figura parental quando conheci um homem... Vincent Branston. Ele era


charmoso, tinha um bom emprego, conversava comigo como se eu fosse

inteligente e esperta, como se ele pudesse me ver de verdade e pudesse atrair essa

pessoa, se eu me entregasse a ele total e completamente. — Ela engoliu em seco

e concentrou o olhar nos dedos que ainda estavam entrelaçados.

Max esfregou o polegar sobre os dedos, querendo aliviar sua dor.

— É difícil estar sozinho nessa idade. Tive sorte de ter Tad e Jake, mas não

era o mesmo que ter meus pais aqui para transmitir sua sabedoria e me ajudar a

orientar o meu futuro.

Josephine esfregou as costas da mão na bochecha e depois sorriu para Milly,

que gritou de prazer quando ela puxou o mordedor de dentição da boca e

acenou. Josephine deu um beijo em sua cabeça antes de voltar para continuar sua

história.

— Eu lutei para fazer amigos na escola. Eu tinha uma boa amiga, Mona, a

shifter de que falei. — Josephine esperou que Max assentisse. — Na época em

que conheci Vincent, ela saiu para se descobrir, ou para descobrir o que realmente

significava ser um shifter. Ela foi de mochila ao redor do mundo, visitando todos

esses lugares exóticos. Para encurtar a história, ela conheceu seu companheiro e

se estabeleceu.

— Deixando você isolada. — Max cerrou os dentes, preparando-se para o que

Josephine estava prestes a lhe dizer.


— Eu não tinha ninguém por perto para conversar. Parece estúpido e

ingênuo, mas Vincent era o meu mundo, ele me fez rir, me construiu. Olhando

pra trás, eu posso ver tão claramente o que ele estava fazendo, mas na época

não. Acho que quando você está tão perto de uma chama, não vê como é fácil se

queimar. E ele me queimou. Ele marcou minha alma com seus caminhos

perversos. E meu corpo. — Ela ergueu a manga e mostrou a Max onde Vincent

havia queimado sua pele, deixando um anel de cicatrizes. Desbotado agora, ele

só podia imaginar o quão vermelhos e inflamados estavam quando infligidos.

— Eu sinto muito. — Ele se forçou a relaxar quando seus dedos apertaram os

dela. Ele queria espremer a vida do homem que fez isso com sua

companheira. Ninguém tinha o direito de ferir outro ser humano dessa maneira.

— Não é sua culpa. — Ela puxou o tecido de volta pelo braço. — Ele me

isolou, me dominou, me machucou de maneiras que me deixam fria de pavor até

hoje.

— O que aconteceu? — Max perguntou baixinho.

— Um dia ele quase me matou. Ele colocou as mãos nos meus ombros

enquanto eu estava na banheira e me segurou embaixo da água. — A mão dela

tremia enquanto ela cobria a boca. — Ainda me lembro da vida escapando de

mim. Ainda me lembro do momento em que ele fez RCP e me trouxe de volta à

vida. Tossi, a água escorrendo da minha boca enquanto eu estava lá, nua e

molhada no chão do banheiro.


Os olhos de Max brilharam em âmbar e ele enrolou os dedos da mão livre em

torno da borda da mesa, as unhas cravando na madeira até que o branco dos nós

dos dedos aparecesse.

— Ele te afogou. Ele realmente te matou.

— Sim. — Ela assentiu e se arrastou na cadeira. — Eu acho que ele achou que

isso era prova de que ele tinha o poder supremo sobre mim. Mas o que ele não

viu foi que suas ações naquele dia provocaram algo dentro de mim. Enquanto eu

lutava contra suas mãos enquanto ele me segurava debaixo da água, decidi em

um momento de pura clareza que se eu vivesse, viveria. Eu não pertenceria mais

a outra pessoa. Eu não racionalizaria mais a maneira como ele me tratava.

— Esse foi o catalisador necessário para terminar o relacionamento. — Max

assentiu. — Você é incrivelmente corajosa.

— Não, eu não sou. Uma pessoa incrivelmente corajosa teria se afastado da

primeira vez que ele apagou um cigarro na minha pele. — Josephine afastou os

cabelos do rosto. — Há algumas partes da minha história que não posso mudar,

mas tenho orgulho de mim mesma por encontrar coragem para finalmente ir

embora. Naquela noite, quando ele estava dormindo, tirei minha bunda do

apartamento dele e fui até a delegacia local e fiz uma declaração.

— Eles o prenderam? — Max perguntou esperançosamente.

— Sim. E quando o caso foi a julgamento, outras cinco mulheres se

apresentaram para testemunhar contra ele. — A expressão dela vacilou. — Ele


foi preso. Mas ele conseguiu convencer o conselho de liberdade condicional de

que ele era um homem mudado. Ele saiu há duas semanas.

— Você acha que ele virá atrás de você? — Max perguntou. Seu urso rugia

em sua cabeça e a adrenalina bombeava em torno de seu corpo quando o

mecanismo de luta dentro dele disparou. Ele mataria por sua companheira,

rasgaria esse homem de membro a membro se tentasse machucar Josephine

novamente.

— Eu não sei. — Ela brincou com o anel no dedo ao admitir: — Josephine não

é meu nome verdadeiro. Eu mudei meu nome várias vezes na tentativa de me

esconder dele. Eu mudei ao mesmo tempo, então não havia como vincular o novo

eu ao antigo eu. Eu acho que estou segura aqui.

— Você está segura, Josephine. Estamos aqui para protegê-la. — Max queria

destruir o mundo até encontrar esse homem e garantir que nunca mais chegasse

perto de Josephine. Mas ele também sabia que, se agisse de maneira imprudente

e Vincent se machucasse, Josephine ficaria mais uma vez sozinha.

Tad e Jake sempre estarão aqui para ela, lembrou o urso.

Mas isso não seria o mesmo que Max estar ao seu lado. Ele planejava se casar

com ela e criar Milly com Josephine ao seu lado, junto com Tad e Jake. Vincent

tinha arruinado vidas suficientes; ele não iria estragar mais no que dependesse

de Max.
— Ele pode nem se importar comigo. — Ela argumentou. — Depois de tanto

tempo na prisão, ele pode ter mudado. Ou ele pode estar tão desesperado para

encontrar outra mulher para controlar que ele apenas siga em frente.

— Talvez. Você sabe onde ele está? — Max perguntou. Se eles pudessem

localizá-lo, eles teriam alguma ideia de seus planos.

— Não. Eu sei onde ele foi libertado da prisão, mas não sei para onde ele foi

dali. — Ela deu-lhe um olhar de soslaio. — Jake se ofereceu para rastreá-lo para

que possamos saber onde ele está.

Os ombros de Max caíram para a frente.

— O bom e velho Jake, ele sempre cuidando de nós.

— Você está bem comigo dizendo a Jake? — Ela apertou mais os dedos

dele. — Eu nunca contei a ninguém, exceto pelo meu terapeuta. Eu não tinha

ideia de como você aceitaria, então Jake parecia ser a opção mais fácil.

Max deu uma risada curta.

— Acho que nunca ouvi alguém chamar Jake de uma opção fácil.

— Ele não está tão envolvido emocionalmente. Fiquei com medo de que,

quando te contasse, você pudesse fazer algo estúpido. — Ela estendeu a mão e

colocou a mão na bochecha dele. — Eu não quero que Vincent estrague nosso

relacionamento. Não quero arruinar sua vida, nem a de Milly, nem de Tad e

Jake. Ele já fez o suficiente.


— Mas você concordou em permitir que Jake o localizasse? — Max

perguntou. Ele não queria agir por trás das costas de Josephine, mas queria saber

onde Vincent estava. Por nenhuma outra razão senão saber que o homem que

feriu Josephine estava a uma boa distância de Bear Creek.

— Eu concordei. E também o fiz prometer que ele não faria nada que pudesse

acabar com sua bunda na prisão, ou pior. Quero que você me prometa a mesma

coisa. — Josephine encarou Max. — Eu preciso que você prometa. Caso

contrário, vou me afastar dessa família assim que Milly for adotada, apenas para

manter todos em segurança.

— Eu prometo, — Max concordou rapidamente. — Pelo menos, prometo não

o caçar, mas se ele vier aqui e ameaçar você ou qualquer outra pessoa, farei tudo

ao meu alcance para protegê-la.

— É tudo o que posso pedir. Embora, se ele vier aqui e causar problemas,

talvez seja necessário entrar na fila. Esse bastardo me deve. — Ela cobriu a boca

e olhou de soslaio para Milly, que ainda brincava alegremente com o mordedor

de dentição, enquanto tagarelava em sua tagarelice.

— Se as primeiras palavras dela forem palavrões, prometo não dizer que ela

aprendeu com você. — Max sorriu, tentando aliviar o clima, mesmo que ele e seu

urso sentissem algo, exceto luz.

Mas manteremos nossa palavra para nossa companheira, disse o urso.


Claro, fizemos uma promessa. Mas parte dele desejava poder despedaçar o

homem que machucou sua companheira. Até então, ele teria que aprender a

viver com a raiva que ardia dentro dele com o pensamento de que ele quase

perdera sua companheira para sempre nas mãos de outro homem.


CAPÍ TU L O QU AT ORZE
Josephi ne

— Eu acho que tudo correu bem. Não é? — Josephine perguntou a Milly

quando elas deixaram a casa dos Harrison e dirigiram pelas estradas secundárias

que seguiam ao longo da encosta da montanha. Elas marcaram um encontro com

Fiona, que convidou Josephine e Milly para almoçar, para que pudessem discutir

a adoção.

Milly olhou para Josephine e chutou os pés.

— Vou tomar isso como um sim. — Josephine girou o volante e dirigiu o carro

por uma estrada estreita que levava mais alto às montanhas. Era aqui que Fiona

morava com sua família. Com as informações que Josephine aprendeu sobre

Fiona, que parecia ser uma pessoa muito reservada, ela morava aqui com o

marido, duas filhas adotivas e um filho pequeno.

Josephine estava ansiosa para conhecer mais de Fiona. Até agora, ela não teve

a chance de fazer novas amizades com outras mulheres em Bear Creek. Talvez

Fiona possa sugerir alguns lugares que Josephine poderia visitar para encontrar

pessoas da sua idade. O problema de ser mãe adotiva de bebês é que as pessoas

que ela conhecia tendiam a ser mais jovens que Josephine com necessidades

diferentes quando se tratava de uma vida social. Josephine havia pendurado as

calças sensuais e os sapatos de dança há alguns anos. Hoje em dia, ela preferia

banhos quentes e assistir Dancing with the Stars.


— Bom dia! — Fiona cumprimentou da varanda quando Josephine

estacionou o carro e saiu.

— Bom dia! — Josephine sorriu. Faltavam alguns minutos para o meio-

dia. — É um lindo dia. — Ela acenou com a mão para o céu azul imaculado.

— O que você está usando? — Fiona estava fora do balanço da varanda e se

apressava em direção a Josephine em velocidade mais baixa. Seu instinto era

recuar, mas ela permaneceu firme quando Fiona se aproximou, com seus olhos

mirados para o anel no dedo de Josephine.

— Oh. Isto? — Ela fechou a mão em punho. — Eu estou comprometida.

— Você nunca mencionou isso em seu currículo. — Os olhos de Fiona se

estreitaram enquanto ela estudava Josephine.

— Isso aconteceu muito de repente. — Josephine não havia pensado

completamente nas consequências de dizer sim a Max. Fiona insistiria em colocar

Milly com uma mãe adotiva diferente? — É Max.

— Max? — Fiona parecia ter levado um tapa no rosto com um peixe

molhado. — Max Harrison?

— Sim. Nós nos conhecemos, sou sua companheira, ele propôs. Bem, ele pode

não ter proposto tão rápido, mas Tad e Jake conversaram sobre o anel de noivado

de sua mãe e decidiram que, como não tinham companheiras, Max deveria dar...

para mim. — Ela estava divagando, e Fiona não estava exatamente ouvindo.
— Você e Max são companheiros. — Seus olhos cruzaram para onde Milly

estava sentada no carro, chutando as pernas alegremente, sem saber como a

conversa poderia afetar sua vida.

— Sim. Isso é um problema? Quero dizer com o meu relatório sobre os irmãos

Harrison. — Josephine sentiu-se como uma criança novamente sob o escrutínio

de sua avó. Nem uma vez ela se saiu bem sob o julgamento de sua avó.

— Não, não vejo que isso seja um problema. O que poderia ser melhor do que

uma mãe adotiva se juntar à família? — Fiona abriu um sorriso largo. — Vamos

comer e você pode me contar tudo sobre isso.

— Não há muito o que contar. — Josephine levantou Milly para fora do carro

e seguiu Fiona para dentro de casa. — Você sabe como os shifters são assim que

vêm o companheiro.

— Olá, eu sou Harlan. — Um homem acenou para Josephine e apertou a

mãozinha de Milly. — E sim, Fiona sabe exatamente como são os shifters quando

encontram seu companheiro. — Ele passou o braço em volta de Fiona e sorriu.

— Josephine. — Ela estendeu a mão e ele a apertou. — Você tem uma casa

adorável.

— Obrigado. Harlan cuida da casa enquanto trabalho. — disse Fiona a

Josephine.

— Oh, um marido de casa, isso é um toque moderno. — O comentário de

Josephine foi recebido por uma risada de Harlan.


— Eu costumava ser um empresário esforçado. Mas desde que fomos

abençoados com um filho nosso, eu dei um passo para trás no trabalho e

entreguei a administração do meu império à próxima geração.

— Harlan, não significa que nossas crianças o estejam dirigindo. — Explicou

Fiona. — Temos três filhas adotivas entre nós e Harlan está lentamente

permitindo que elas assumam o controle. Ele está gostando de dar um tempo aos

seus negócios para criar nosso filho. Mas você não precisa ouvir tudo sobre

nós. Estamos aqui para descobrir um plano de ação para os garotos Harrison.

— Eles não são garotos exatamente, são? — Harlan disse enquanto estendia

as mãos para Milly. — Posso?

— Claro. — Josephine desistiu de segurar Milly.

— Por que eu não a levo para a sala e podemos brincar com os brinquedos

enquanto vocês conversam? — Harlan sacudiu Milly em seus braços, e ela riu e

bateu palmas, sem se importar com o mundo.

— Ela já parece mais feliz. Você está fazendo um trabalho incrível com ela, —

comentou Fiona.

— Acredito que sim. Ela é uma delícia. — Foram para a cozinha e Fiona

serviu café enquanto Josephine se sentava à mesa da cozinha e colocava a maleta

aos pés.

— Harlan fez o almoço. — Fiona abriu a porta do forno e inalou

profundamente. — Não sei o que é, mas cheira muito bem.


— Ele gosta de cozinhar e cuidar de todos vocês. — Josephine abriu a pasta e

colocou o relatório na mesa. Depois que Jake saiu ontem à noite, ela estava

cansada demais para dormir, então, depois de colocar Milly no berço, Josephine

começou a compilar seu relatório preliminar, cobrindo coisas como nomes,

idades, ocupação e todas as informações gerais que estavam prontamente

disponível. Nos próximos dias e semanas, o relatório aumentaria à medida que

mais detalhes fossem adicionados.

— Ele gosta. Ele é como uma mãe galinha, mas funciona. — Fiona colocou o

café na mesa e sentou-se. — Quando nos conhecemos, insisti que não poderia

desistir do meu trabalho. Sei que tenho a reputação de ser um velho machado de

batalha, mas é apenas porque quero o melhor para as crianças que entram em um

orfanato. Sou especialista em encontrar lares adotivos para crianças shifter. Eu

acho importante que os lares adotivos e os pais que os adotam saibam o que estão

assumindo. A puberdade é um período difícil para a maioria das crianças, mas

as crianças shifter têm a perspectiva assustadora de sua primeira transformação

para lidar.

— É por isso que você está ansiosa para que os Harrison adotem Milly? Para

que ela cresça com uma família que a compreenda e a suas necessidades

particulares. — Josephine gostava de Fiona. Ela tinha um trabalho

difícil. Encontrar pais adotivos para filhos muitas vezes era bastante difícil, mas

encontrar pais adotivos para filhos shifters devia ser ainda mais difícil.

— Eu odiaria que uma criança shifter crescesse sem a orientação de uma

pessoa que possa explicar o que está acontecendo com ela. Pode ser muito difícil
controlar a primeira transformação. — Fiona puxou o relatório de Josephine para

ela. — Felizmente, isso não é algo com que Milly tenha que se preocupar. E agora

ela tem o bônus de ter você como mãe.

Josephine acabara de tomar um gole de café e quase se engasgou com as

palavras de Fiona.

— Eu não me imagino como a mãe dela.

— Como você se imagina? Desde que você está usando o anel de Max e ele

será um dos pais dela. — A expressão de Fiona se tornou simpática. — Você não

se vê como uma mãe de verdade. Porque você acolhe, você se vê como uma

substituta temporária. Isso está certo?

— Acho que sim. — Ela pegou o café e tomou um gole antes de colocar a

xícara de volta na mesa com cuidado. — Nunca me vi como mãe de longo

prazo. Comecei a acolher porque, como você, queria que as crianças tivessem o

melhor começo de vida possível. Se os pais biológicos de uma criança não a

quisessem ou não pudessem lidar com elas por qualquer motivo, eu queria estar

lá para elas da minha maneira, mesmo que pequena.

— Acolher não é uma coisa pequena. — Disse Fiona com admiração. — Nem

sempre é fácil abrir sua casa e seu coração para uma pequena pessoa.

— Eu sempre me vi como uma piada. Você sabe, um trampolim. Uma criança

sozinha precisa de alguém para acolhê-la e dar-lhe um lugar seguro, de onde

possa seguir em frente e começar de novo. — Josephine recostou-se na cadeira e


mordeu o interior dos lábios enquanto examinava seus pensamentos. — Eu não

conseguia me ver como uma mãe de longo prazo, porque isso tornaria impossível

deixar cada criança ir.

— Ah, você tentou proteger seu coração. — Fiona assentiu com

compreensão. — Fiz a mesma coisa por muito tempo. Eu também estava

sozinha. Eu assisti as pessoas irem e virem. Perdi as pessoas que amava e, então

finalmente abri meu coração.

— Até Harlan? — Josephine perguntou.

— Até Harlan. E Ruby e Sapphi. Todos eles partiram o exterior duro do meu

coração até que entraram. — Fiona se levantou. — Vamos comer.

Josephine assentiu.

— O que posso fazer para ajudar?

— Acho que consigo colocar dois pratos na mesa. — Fiona pegou uma luva

de forno e abriu a porta, liberando um cheiro maravilhoso na

cozinha. Abaixando-se, ela pegou um prato. — Você poderia colocar uma dessas

esteiras aqui embaixo, por favor?

— Claro. — Josephine colocou a primeira esteira e depois a outra, enquanto

Fiona colocava os pratos sobre eles. — Há uma razão pela qual o destino me deu

Harlan.

— Por que ele pode cozinhar? — Josephine perguntou levemente.


— Sim. Esta velha é um dragão com dor de cabeça quando está com fome. —

Enquanto Fiona servia sua refeição, Josephine ficou com a impressão de que ela

não estava apenas brincando sobre o dragão com dor de cabeça. Mas ela não foi

corajosa o suficiente para fazer mais perguntas.

***

— Bem, acho que foi tudo bem. — Josephine olhou para Milly. — Eu ouvi

você rindo com Harlan.

Milly lutou para manter os olhos abertos, mas finalmente o sono

venceu. Josephine adorava assistir Milly dormir, a suave subida e descida de seu

minúsculo peito e as pequenas bolhas que estalavam em seus lábios a

acalmavam. Este era o momento de silêncio, o momento de refletir.

A hora de planejar.

Durante sua conversa com Fiona, Josephine abandonou as emoções que a

estavam impedindo. Não apenas por ser mãe de Milly, mas também por fazer

parte de um relacionamento amoroso com Max. Sim, ela pode ter o anel dele no

dedo, mas o compromisso verbal que ela havia dado para ser sua esposa era

superficial. Ela segurou uma parte de si mesma, com medo de se machucar, com

medo de amar.
Com medo de ser amada.

Agora ela estava pronta. Ela queria se comprometer com essa nova vida que

ele oferecia com todas as suas partes. Mente, corpo e alma. Ela estava pronta para

ser consumida pelo amor e todas as outras emoções confusas das quais se afastara

desde que Vincent Branston tentara destruí-la.

— Então, vamos convidar Max para jantar. — Ela falou com Milly mesmo que

estivesse dormindo. Josephine gostava de manter a jovem informada sobre o que

iria acontecer em sua vida.

Josephine parou o carro na entrada da garagem e cuidadosamente tirou Milly

do carro. Dirigindo-se para a casa, ela olhou rapidamente ao redor para verificar

se estava tudo bem e depois inseriu a chave na porta. Girando suavemente, ela

abriu a porta e entrou. Com os dois pés no capacho, ela ficou em silêncio e ouviu

a casa. Não houve chiado no piso quando alguém mudou seu peso, nenhum

passo abaixo da escada e nenhum som de movimento nos quartos do térreo.

Talvez quando ela morasse com Max, ela pudesse deixar esse hábito.

Mas morar com Max era um grande passo e, por enquanto, ela simplesmente

queria conhecê-lo. E isso significava passar tempo com ele. Sozinhos.

Por mais que ela amasse Tad e Jake, ela precisava conhecer o homem com

quem passaria o resto de sua vida. Confiante de que não havia ninguém dentro

da casa, ela levou Milly até a sala onde a deixou dormindo em silêncio.
Tirando o telefone do bolso, Josephine bateu na tela e discou o número do

celular de Max, que Jake havia lhe dado na noite anterior. De fato, Jake havia lhe

dado todos os seus números, incluindo os do escritório, juntamente com

instruções para ligar para eles, se ela precisasse de algo. Se alguma coisa a

assustasse, por menor que fosse, ela poderia chamar os irmãos Harrison e um

deles estaria lá.

Mas quando Max atendeu o telefone e sua voz sexy e profunda falou na linha,

Josephine sabia que havia apenas um homem que ela precisava ao seu lado.

— Oi, Max, estava me perguntando se você gostaria de vir jantar. —

Josephine manteve a voz leve, embora seus nervos vibrassem como sinos de

trenó.

— Sim claro. — Ele fez uma pausa. — Só eu, ou devo perguntar aos outros?

— Só você. — Ela sorriu para si mesma, cavando fundo para encontrar sua

coragem. — Eu pensei que seria bom nos conhecermos um pouco melhor. Seis

horas para você?

Ela esperava que ele não estivesse trabalhando; Max não tinha mencionado

uma mudança.

— Sim. Seis seria ótimo.

— Perfeito. Vejo você mais tarde então. — Ela desligou e soltou um grande

ar dos pulmões.
Mudar-se para Bear Creek fora uma chance de mudar sua vida e começar de

novo. E era exatamente o que ela estava fazendo. Ela teve que admitir; ela estava

orgulhosa de si mesma.

Muito orgulhosa.
CAPÍ TU L O QUI N Z E
Max

Max não estava tão nervoso em um encontro desde o colegial. Enquanto

ajeitava a gravata, sentiu-se tentado a afrouxá-la, puxá-la sobre a cabeça e enfiar

no bolso do paletó. Era demais. Ele parecia ir a um restaurante chique, não para

jantar na casa de sua noiva.

Noiva. Isso não estava amadurecendo rápido.

Poderia, já que preferimos que Josephine fosse nossa esposa, seu urso

corrigiu.

Verdade. Eu nunca pensei nisso assim. Ele torceu o rosto quando respirou

fundo e bateu na porta da frente de Josephine. Mas não queremos nos apressar e

assustá-la.

Max não achou que houvesse chance de assustá-la, mas ele não queria

empurrá-la rápido demais. Sua experiência com Vincent havia minado sua

autoconfiança. A última coisa que Josephine precisava era sentir como se

estivesse perdendo o controle e sendo pressionada. Ele queria que ela visse que

ele não era nada como Vincent.

Ela sabe, o urso dele disse a ele.


— Olá! — Josephine abriu a porta com a bebê Milly equilibrada no quadril. —

Olha quem é, Milly.

— Oi, Milly! — Max olhou para as mãos. Não havia algo que ele deveria dar

a ela? — Oh, um segundo.

Ele se virou e correu de volta para sua caminhonete, onde as flores que ele

havia comprado ainda estavam no banco da frente. Agarrando-as, ele correu de

volta para a casa, onde Josephine estava esperando com um olhar confuso no

rosto.

— Rosas. Elas são lindas. As minhas favoritas. — Ela se inclinou para a frente

e inalou o perfume das flores perfumadas.

— Não acredito que as esqueci. — Ele sorriu. — Estou ficando velho.

— Desde que você seja jovem no coração, tudo bem para mim. — Ela inclinou

a cabeça e chamou-o para dentro. — Vamos lá, o jantar está pronto.

Max a seguiu para dentro e fechou a porta da frente firmemente atrás dele,

empurrando a corrente.

— Se você quiser que eu chegue e verifique a segurança, eu ficaria mais do

que feliz.

Ela lançou um rápido olhar por cima do ombro, os olhos descansando na

porta da frente.
— Uma das razões pelas quais escolhi esta casa foi porque ela tinha boas

características de segurança.

— Que tal instalar um alarme? — Max sugeriu.

— Jake se ofereceu para me passar o contato de alguém que instala alarmes,

mas não tenho certeza se quero um. Eu acho que seria bom para quando

estivermos fora, então não chego em casa com nenhuma surpresa desagradável,

mas tenho que acordar durante a noite se Milly acordar e não quero desarmá-lo.

— Ela sentou Milly na cadeira e entregou-lhe uma cenoura para mastigar. — Seu

dente está nascendo, uma cenoura gelada ajuda a aliviar as gengivas doloridas.

— Isso é bom, Milly? — Max olhou ao redor da cozinha. A mesa estava posta

para dois, com copos e pratos de vinho dispostos. — Há algo que eu possa fazer?

— Você poderia colocar as flores na água enquanto eu termino o jantar. O

vaso está no armário embaixo da pia. Está um pouco lascado. — Ela esvaziou

uma panela de macarrão na pia. — Não compro flores para mim com muita

frequência. E ninguém mais compra para mim.

— Então eu comprarei um vaso bonito para as flores da próxima vez.

Ele esperou Josephine se afastar da pia com o macarrão fumegante antes de

abrir o armário e retirar o vaso. Ela estava certa, estava lascado e um pouco

empoeirado por dentro. Colocando-o na pia, ele abriu a torneira e o enxaguou

antes de enchê-lo com água. Então, ele tirou a ferramenta múltipla do bolso e
abriu a faca. A lâmina era afiada, e ele rapidamente cortou as pontas das hastes

das flores e depois as organizou no vaso.

— Meu Deus, você daria uma dona de casa perfeita. Tad pode ter alguma

competição. — Brincou Josephine enquanto mexia a massa no molho, que

cheirava divino.

— O que posso dizer, três irmãos solteiros, tivemos que lidar com qualquer

trabalho que surgisse, mesmo aqueles que precisavam do toque de uma mulher.

— Ele colocou o vaso na mesa. — Pronto. Espero que toda vez que você olhe para

elas, pense em mim.

— Ah, é por isso que você as trouxe. E eu pensando que você estava sendo

atencioso. Em vez disso, você tinha um motivo oculto. — Ela fingiu uma

expressão chocada.

— Eu gosto de ser completamente transparente. — Ele estendeu as mãos

enquanto terminava de arrumar as flores. — Pronto.

— Obrigado. — Ela se inclinou para frente e beijou sua bochecha. — Agora,

sente-se e coma. Não posso prometer que o jantar será tão bom quanto o de Tad,

já que estou acostumada a cozinhar para uma pessoa. Ou, às vezes, uma e meia.

Max sentou-se e Josephine serviu a massa e acrescentou um prato de pão de

alho que ela colocou ao lado de uma grande tigela de salada verde.

— Tudo cheira bem e tenho certeza de que a companhia será muito mais

interessante do que o jantar com meus irmãos.


— Oh, eu não sei. Na verdade, não tenho muita vida realmente, além de

cuidar de crianças. — Josephine sentou-se e depois se inclinou para pegar uma

garrafa de vinho branco gelado no balcão. Ela serviu o vinho em duas taças e

depois colocou a garrafa sobre a mesa. Antes de começar a fazer sua própria

refeição, ela pegou uma banana amassada da tigela de Milly e a ofereceu ao

bebê. — Ela tem um dente doce.

— Como a maioria dos ursos. — Max admitiu. — Tenho certeza de que ela

vai gostar de mel quando for mais velha.

— Tenho certeza de que vai. Porém, mesmo um bebê shifter urso não deve

comer mel até que tenha mais de um ano de idade. — Josephine colocou mais

banana na boca de Milly e foi recompensada com uma risada de prazer. — Você

sabe, a maior parte da minha vida é gasta conversando sobre o que entra em uma

extremidade de um bebê e sai na outra.

— Eu imagino. E se tornará nossa nova realidade quando adotarmos Milly.

— Ele acariciou o queixo dela, evitando a baba pegajosa de banana. — Mal posso

esperar.

— Os bebês consomem a sua vida. — Brincou Josephine. — Tudo o que você

vai falar é sobre o que ela comeu, se ela deu os primeiros passos, qual nome ela

dirá primeiro.

— Isso fará com que Jake fale sobre o escritório e Tad fale sobre escultura.

— Max inalou o aroma do macarrão. Ele não queria começar a comer até

Josephine. O que ela logo percebeu.


— Coma. Vai ficar frio. — Ela pegou mais banana. — Eu deveria ter

alimentado Milly mais cedo, mas fui pega preparando o jantar e organizando o

cardápio dela para a próxima semana. Eu tenho que ir ao supermercado amanhã

e estocar tudo o que ela precisa. — Josephine revirou os olhos. — Desculpe, eu te

disse que minha vida gira em torno de todas essas coisas de bebê.

— Você deve ter outros interesses. E os livros? — Max perguntou. Ele

costumava sentar-se e ler durante a noite. No verão, ele relaxava do lado de fora

e observava o pôr do sol enquanto lia um bom livro.

Não diga a Josephine ou ela pensará que você é um homem velho, seu urso

disse sem rodeios.

Não é velho, Max insistiu. Maduro, talvez, mas não velho.

— Eu gosto de ler. Eu também gosto de assistir Netflix com frequência. —

Josephine pousou a colher de Milly por um momento e depois pegou o garfo e

mexeu o macarrão. Max fez o mesmo.

— Eu não assisto muita TV. Acho que vejo drama suficiente na vida real. —

Ele enfiou o macarrão na boca e saboreou a explosão de sabores. — Tem pimenta

nisso?

— Sim. — A expressão de Josephine escureceu. — Espero que esteja tudo

bem. Nunca pensei em perguntar se você era alérgico a alguma coisa.


— Não, é ótimo. A pimenta dá um belo toque à massa. — Ele comeu mais

algumas garfadas. — Vou dizer a Tad o quão bom é o seu macarrão. Ele

provavelmente vai querer a receita.

— Eu vou passar para ele. — Ela pegou um pedaço de pão de alho e o

mordeu. — Então me conte sobre sua vida nas montanhas. Meu avô costumava

trabalhar em resgate nas montanhas, como minha avó me contou. Ele continuou

até se aposentar cedo. Infelizmente, ele faleceu quando eu tinha quatro anos,

então nunca ouvi suas histórias em primeira mão. Eu realmente não me lembro

dele.

— Eu tenho muitas histórias. Muitos contos de advertência sobre como

bebidas e grandes altitudes não se misturam. — Ele deu um sorriso irônico. —

As pessoas pensam que são invencíveis depois de algumas bebidas.

— Sério? — Josephine pegou sua taça de vinho e bebeu profundamente.

— Sim, elas pensam. — Max sorriu. Ela tinha uma atitude divertida que ele

achava incrivelmente sexy. Mesmo depois de tudo o que ela passou, ela era capaz

de rir de si mesma e dos outros.

— Bem, você ficará feliz em saber que eu raramente bebo mais de uma taça

de vinho, por isso não é provável que eu faça algo imprudente enquanto estiver

sob a influência de uma bebida. — Ela colocou o copo de vinho em cima da

mesa. — Ser mãe adotiva significa estar sempre no comando de suas

faculdades. Acho que você pode me chamar de chata.


— Eu gosto de chato. — Ele sorriu. — Se é assim que você quer chamar. — Ele

voltou sua atenção para Milly, que estava mastigando um biscoito que Josephine

lhe ofereceu.

— Quando me mudei para Bear Creek, imaginei que me encaixaria na vida

daqui, talvez fazer alguns amigos, participar de uma aula de ioga ou de um grupo

local de caminhadas. Essa era a extensão dos meus objetivos. Mas conhecê-lo

virou tudo de cabeça para baixo. — Josephine olhou para Max, pensativa. — Eu

acho que conhecê-lo e descobrir que era sua companheira é o mais “menos

entediante” possível. — Ela levantou a mão esquerda. — Inferno, eu só estou

aqui há duas semanas e já estou noiva.

— E isso é apenas o começo. — Assegurou Max. — Vamos ter uma ótima vida

juntos, Josephine. Eu prometo.

— Você não precisa me fazer promessas. — Josephine colocou o garfo no

prato.

— Sim. Eu preciso. Eu prometo que nunca vou te machucar. Que eu sempre

estarei ao seu lado. Através do que quer que venha no nosso caminho. Não posso

prometer que todos os momentos de nossas vidas serão preenchidos com

felicidade, mas posso prometer que nunca serei a causa de qualquer tristeza.

Uma lágrima escorreu por sua bochecha e ela engoliu em seco.

— Isso é tudo o que eu quero.


Ele sorriu, um pequeno sorriso cheio de amor e uma fome que nenhuma

comida jamais poderia satisfazer.

— Sabe, houve muitas vezes ao longo dos anos em que amaldiçoei o destino

por esconder minha companheira de mim. Mas, sentado aqui com você,

pensando em nosso futuro juntos, valeu a pena esperar.

— Você diz as coisas mais doces. — Os olhos dela seguraram os dele por um

longo tempo e ele estendeu a mão sobre a mesa e segurou a mão dela. Esfregando

o polegar sobre sua pele, ele despertou eletricidade entre eles. E algo mais, uma

profunda necessidade física que se refletia em seus olhos. — Você quer lavar a

louça enquanto eu dou banho em Milly?

— Sim. — Ele se levantou abruptamente e bateu o joelho na perna da mesa. —

Ai!

Josephine levantou-se da mesa e se inclinou para beijar sua bochecha. —

Devagar, guarda, temos a noite toda.

— Isso é um convite? — Max perguntou esperançosamente.

— É, você tem que ligar para Jake e dizer a ele que não voltará para casa?

— ela brincou enquanto limpava o rosto de Milly e a pegava.

Max riu.

— Acho que meus irmãos vão adivinhar onde estou.


— Você tem certeza? Eles podem ficar preocupados. — Ela saiu da cozinha e

depois se virou e desapareceu no corredor.

Max olhou para ela até ouvi-la subir as escadas e entrar no banheiro. Certo

de que ela não estava correndo para descer as escadas e pegá-lo em flagrante, ele

pegou o celular e enviou uma mensagem rápida para Tad dizendo que ele não

estaria em casa hoje à noite.

Tecnicamente, dissemos a verdade. Não avisamos a Jake que não voltaríamos

para casa, seu urso riu.

Quando Max colocou o telefone de volta no bolso e foi até a pia para ligar a

água quente, seus primeiros nervos o atingiram novamente. Se ele tivesse lido os

sinais corretamente, estava prestes a fazer amor com sua companheira pela

primeira vez.

Sem pressão então. Sem pressão alguma.


CAPÍ TU L O DEZE S SEI S
Josephi ne

Josephine deu um banho em Milly e a vestiu com roupas limpas, antes de dar

uma olhada crítica em seu próprio reflexo no espelho do banheiro.

— Sabe, eu não acho que Max realmente se importe com a minha aparência.

— Josephine olhou por cima do ombro para Milly, que estava deitada de costas,

chutando as pernas no ar e tentando pegá-las com as mãos pequenas. — Quando

você conhecer um homem, espero que você tenha tanta sorte.

Ela se virou e olhou para Milly, antes de cair de joelhos para pegar a criança

pequena em seus braços. Josephine inalou o perfume da bebê recém-banhada e

deu um beijo em sua cabeça.

— Eu esqueci que você saberá quem é seu companheiro quando o

conhecer. Eu só espero que o destino escolha o homem certo para você. E espero

que você o encontre quando você ainda seja jovem o suficiente para ter seus

próprios filhos. — Ela colocou as mãos na barriga macia.

Até conhecer Max, ela se conformou em ser uma mulher solteira que nunca

conheceria o homem dos seus sonhos e nunca teria um filho em seu

ventre. Depois de Vincent, ela achou que era o melhor. Se ela pode escolher o

homem errado uma vez, ela poderia novamente. Casar-se com um homem como
Vincent e depois ter um filho com ele seria um tipo de inferno mais profundo do

que o que ela experimentou.

Mas agora, com Max... Um sentimento de perda tomou conta dela.

— Mas temos a sorte de ter você. — Ela pegou Milly nos braços e a abraçou

mais forte. — Somos todos muito sortudos.

Josephine estava sentada no chão do banheiro, absorvendo o calor de Milly e

oferecendo seu amor e apoio pelo resto da vida. Ela queria ser mãe tanto quanto

Milly precisava. Ela enfrentaria o desafio, assim como o desafio de se tornar

esposa e companheira de Max.

Levantando-se do chão, ela saiu do banheiro e desceu as escadas para aquecer

a mamadeira de Milly. Max terminou de lavar a louça e as panelas e estava

limpando a mesa da cozinha, antes de colocar o vaso de flores no centro.

— Pronto. Tudo feito. — Max secou as mãos e depois estendeu os braços para

Milly. — Devo segurá-la para você?

— Aqui, ela está toda aconchegada e pronta para dormir. Vou apenas aquecer

sua mamadeira e depois fazê-la dormir. — Josephine foi até a geladeira e pegou

uma. Sua mão tremia quando ela a colocou em um jarro de água quente para

aquecer. Fazia muito tempo desde que ela esteve com um homem, mas ela não ia

deixar seus nervos tomarem conta dela. Ela não ia mandar Max embora. — Há

um pouco de conhaque no armário, se você quiser servir dois copos para nós.
— Eu pensei que você não bebesse mais que um copo de vinho? — Max

perguntou quando ele abriu o armário e pegou uma garrafa pela metade de

conhaque. — Ei, isso é uma coisa boa.

— É puramente para fins medicinais. — Ela estendeu os braços para Milly. —

Aqui, eu levo essa jovem para a cama e você fique confortável na sala de

estar. Até deixo você assistir à Netflix enquanto espera.

— Obrigado. Não demore muito ou eu posso começar a assistir

compulsivamente. — Ele beijou Milly na bochecha. — Boa noite, querida, bons

sonhos.

— Vejo você em alguns minutos. — A mão dela roçou a dele quando ela

pegou uma Milly sonolenta dele e subiu as escadas. Josephine esperava que seu

nervosismo não passasse para o bebê sonolento. — Você precisa ir dormir, meu

doce bebê.

Ela balançou Milly nos braços enquanto subia as escadas e depois seguia para

o bonito quarto com paredes amarelas e um móbile de unicórnio pendurado em

um berço de madeira. No canto do quarto, havia uma cadeira velha e confortável,

que vira dias melhores, mas era perfeita para alimentar um bebê faminto ou

confortar uma criança chateada.

Sentando-se gentilmente, Josephine recostou-se na cadeira e ajustou a posição

de Milly, de modo que a cabeça estava na dobra do braço. Virando a mamadeira,

ela guiou o bico em direção à boca de Milly, evitando suas pequenas mãos

agitadas.
Na penumbra do quarto, Josephine alimentou e arrotou Milly antes de deitá-

la no colchão e cobri-la com um cobertor. Ela ficou olhando Milly por alguns

minutos, pensando no sono dos bebês e no silêncio deles. Tudo o que Milly

experimentou antes de ser levada para um orfanato não afetou sua capacidade

de dormir profundamente.

Não havia pesadelos óbvios, nem gritos de terror. E Josephine desistiu de

uma oração silenciosa que nada mudaria.

Afastando-se da sala, ela mandou um beijo para o bebê cochilando, depois se

virou e desceu as escadas em silêncio.

— Ela está dormindo? — Max perguntou quando Josephine se juntou a ele na

sala de estar.

— Ela está. Milly sempre parece tão pacífica quando está dormindo. Estou

tão agradecida por ela estar tão bem. — Josephine sentou-se no sofá ao lado de

Max e ele lhe entregou um copo grande de conhaque.

— Ao sentimento de sermos invencíveis. — Ele levantou o copo e tomou um

gole de conhaque, enquanto Josephine tomou um gole do dela lentamente. O

calor imediatamente infundiu suas veias.

— Somos invencíveis. — Ela tomou um gole maior e depois embalou o copo

nas mãos.

Max esvaziou o copo e o colocou na mesinha ao lado do sofá. Recostando-se,

ele passou o braço em volta dos ombros dela e a puxou para perto.
— Isso é bom.

— Bom. — Ela assentiu. — Muito bom. — Aproximando-se dele, ela

descansou a cabeça no ombro dele e olhou para nada em particular quando a sala

ficou fora de foco.

— Você se lembra de quando bom era um palavrão de três letras? — Max

perguntou sonhadoramente.

— Eu lembro. Agora, eu estou bem com bom. Bom é confortável. Bom é

aconchegante. Bom é seguro. — Ela se aconchegou mais perto dele.

— Bom, como um confortável par de chinelos. — Os braços de Max

apertaram seus ombros.

— Ou um bom cobertor quente em uma noite fria de inverno. — Os olhos

dela ficaram pesados. Tinha sido um longo dia, mas ela não queria dormir, ainda

não. Não quando Max estava aqui ao lado dela.

Ela se apoiou e mentalmente jogou um balde de água gelada sobre si

mesma. Balançando a cabeça, ela tentou pensar em algo espirituoso ou

inteligente para dizer, mas quando ela abriu a boca para falar, era como se a única

língua em que ela falava fluentemente fosse tagarelar.

— Você está cansada. — Max deslizou o braço dos ombros dela e sentou-

se. — Você parece pronta para dormir.

Josephine assentiu.
— Estou pronta para dormir. — Ela se levantou e estendeu a mão para ele. —

Vamos?

— Você tem certeza? — Max perguntou com uma mistura de esperança e

incerteza.

— Sim. Nunca tive mais certeza. — Josephine se inclinou para frente e

agarrou a frente da camisa. — Não me faça perguntar duas vezes.

Ele riu, um som que ela gostava mais do que sua música favorita. Não havia

nada obscuro ou malicioso em Max. Ele era leve e carinhoso, o tipo de pessoa que

você desejaria ao seu lado quando a merda atingisse o ventilador, para lhe dizer

que ia ficar tudo bem e fazer o seu melhor para garantir que estivesse tudo bem.

Quando ele saltou do sofá e entrou em seus braços, ela teve um momento de

pânico. A incerteza tomou conta dela quando ela colocou as mãos no peito dele

e olhou em seus olhos.

— Eu não mereço você. E não tenho certeza se você me merece.

— Ei, nunca diga isso. O destino nos uniu. E eu acredito no destino. Eu

acredito em você. — Ele segurou o queixo dela com a mão e esfregou o polegar

ao longo da mandíbula suave. — Sabe, quando olho para você e vejo você com

Milly, me pergunto o que fiz para merecê-la. Você é uma mulher incrível,

Josephine. Você se recuperou quando a vida a chutou no estômago várias

vezes. Você não deixou a porcaria que aconteceu com você manchar sua alma.
— Ele costumava dizer que era minha culpa. — Ela olhou para as mãos, mas

Max ergueu o queixo e olhou diretamente nos seus olhos.

―Não foi. Você sabe disso, certo? — Max perguntou. — Não há

circunstâncias em que seja aceitável que uma pessoa trate outra cruelmente.

— Eu sei disso agora. Mas ele me desgastou pouco a pouco. Ele costumava

me dizer que tudo estava na minha cabeça no começo. Isso foi porque eu era

insegura e ciumenta. — Ela passou os braços em volta do pescoço de Max. — Isso

nunca vai acontecer conosco.

— Não, não vai. — Ele afastou o cabelo do rosto dela. — Eu não sou esse tipo

de homem. Não que eu esteja tentando me tornar um herói ou algo especial. A

maioria dos homens são apenas homens comuns.

— Você é meu herói. — Josephine se inclinou para frente e beijou seus lábios

levemente. — E você é um herói para inúmeras pessoas que lhe devem suas

vidas.

— É o meu trabalho. — Insistiu Max, quando ela pegou a mão dele e o levou

para fora da sala de estar.

— Você pode pensar que é apenas o seu trabalho, mas você tem um conjunto

de habilidades em particular que ajuda a salvar vidas. Nem todo mundo pode

dizer isso. — Josephine o guiou para o andar de cima, com a mão livre segurando

o corrimão da escada e apoiando os joelhos em gelatina.


Não porque estava assustada ou com medo, embora estivesse um pouco

nervosa, mas porque queria tanto Max. Ela queria que a primeira vez juntos fosse

especial. Memorável.

— Hoje à noite, gostaria de mostrar um conjunto diferente de habilidades. —

Ele riu. — Porra, agora estou preocupado que você ficará desapontada.

Josephine virou-se na porta do quarto e olhou para ele.

— Colocamos muita pressão sobre nós mesmos. Vamos nos divertir. Com

verrugas e tudo.

Max deu um sorriso torto.

— Felizmente, eu não tenho verrugas.

— Mostre-me. — Ela brincou enquanto abria a porta do quarto e o puxava

para dentro.

Max soltou a mão dela enquanto contornava a cama e fechava as cortinas. Ele

a observou. Mas não da mesma maneira assustadora que Vincent costumava

observá-la. Claro, havia possessividade em seu olhar, mas Max não queria calá-

la e mantê-la só para ele. Mas ele a queria só para ele. Esse relacionamento

duraria para sempre.

Enquanto Josephine dava a volta na cama em direção ao homem, ela aceitou

que isso era para sempre. O amor, o relacionamento deles era para sempre e não

apenas porque ela usava o anel dele no dedo.


Max ficou perfeitamente imóvel, observando-a enquanto ela diminuía a

distância entre eles. Ele era como uma estátua, mal respirando quando ela

estendeu a mão e colocou as mãos no peito dele. Quando seus olhos se

encontraram, era como se ela estivesse olhando para piscinas profundas cheias

de emoções que ele nunca foi capaz de compartilhar.

— Eu nunca amei verdadeiramente uma mulher antes. — Sua voz ficou presa

na garganta. — Os sentimentos que tenho por você nunca estiveram lá. Não com

mais ninguém porque não eram elas. Elas não eram minha companheira.

— Eu estou aqui agora. — Ela ficou na ponta dos pés e pressionou os lábios

nos dele. — E eu sempre estarei aqui contanto que você precise de mim.

Um sorriso triste se espalhou por seu rosto.

— Eu vou precisar de você para a eternidade.

Josephine puxou a camisa de Max, puxando-a para fora de suas elegantes

calças pretas. Com dedos trêmulos, ela afrouxou a gravata dele.

— Eu fiz o nó muito apertado.

Max cobriu a mão dela com a dele e depois a ergueu sobre a cabeça.

— Sem problemas.

Ela engoliu o nó de emoção que se formou em sua garganta. Com Max,

nenhum problema seria grande demais para não serem superados. Ela queria

essa segurança mais do que jamais havia percebido. Até agora, ela estava
sozinha, independente e capaz de consertar tudo sozinha. Mas ela estava pronta

para se tornar parte de algo mais, algo maior, mesmo que isso significasse perder

a independência que ela lutou tanto para recuperar depois de Vincent.

Max a abraçou e pegou o zíper do vestido e Josephine começou a desabotoar

a camisa. Seus dedos pareciam pertencer a outra pessoa a princípio, mas como

cada botão cedeu revelando mais do seu corpo firme, ela ganhou mais confiança.

Ele era perfeito. Pele levemente bronzeada, com um punhado de pelos

grisalhos que levavam ao cós da calça. Ela só conseguia imaginar o que havia por

baixo do tecido. Empurrando a camisa dos ombros, Josephine puxou o cinto,

querendo ver se a realidade correspondia à sua imaginação.

Isso não aconteceu. Quando ela soltou o cinto, suas calças deslizaram para o

chão, revelando suas coxas tonificadas. Seu trabalho devia mantê-lo em

forma. Subir a montanha lhe deu uma resistência incrível...

Seu corpo ficou tenso e pequenas emoções percorreram sua espinha ao pensar

em estar com Max.

Confiante, Max rapidamente abriu o zíper do vestido de Josephine e o tirou

dos ombros. Deslizou por seu corpo cheio de curvas e se acumulou no chão a

seus pés. Saindo do tecido, que estava enrolado nos tornozelos, ela se moveu em

direção à cama.
Max a seguiu. Não que ela tivesse duvidado que ele duvidasse. Era como se

estivessem unidos por um fio invisível. Ela nunca experimentou o mesmo tipo

de conexão com outra pessoa.

Deslizando sob as colchas, ela as levantou e Max deslizou na cama ao lado

dela. Quando ela deixou as cobertas caírem, ele a embalou em seus braços, seus

lábios quentes em seu pescoço, enviando deliciosas sensações por sua pele. Seus

sentidos intensos sobrecarregaram seu cérebro enquanto tentavam processar

cada toque das pontas de seus dedos, cada beijo de seus lábios. Deitado com ele

ao lado dela, pele contra pele nua, era como se seu corpo estivesse pegando fogo.

Calor crescendo dentro dela. Intenso. Um inferno que apenas Max poderia

apagar.

Josephine deslizou a mão entre os corpos deles e a envolveu em seu

comprimento endurecido. A respiração sibilou entre os dentes dele e ele parou,

ofegando por ar enquanto ela acariciava seu sexo duro. Seu corpo doía de

necessidade, querendo senti-lo dentro dela, enchendo-a, esticando-a.

Josephine apertou as coxas enquanto tentava liberar a menor quantidade de

pressão. Como se sentisse sua necessidade, Max deslizou a mão entre as coxas e

acariciou seu monte. Ela fechou os olhos, lutando para permanecer no controle

enquanto ele empurrava um dedo e depois outro dentro dela.

Dentro e fora, ele moveu os dedos no mesmo ritmo em que ela acariciava seu

comprimento duro. Mas ela queria mais. Ela queria que seu homem, seu

companheiro a reivindicasse.
Josephine parou de acariciar o comprimento endurecido de Max e virou-se

de costas. Como se estivesse lendo sua mente, Max moveu-se para aninhar-se

entre as pernas e ela abriu mais as coxas. Guiando-se nela, ele empurrou para

frente, enchendo-a lentamente. Seus músculos ficaram tensos, revestindo-o

quando ele puxou os quadris para trás e depois empurrou para frente com mais

força.

Ele se movia em um ritmo constante, esticando os músculos internos dela

enquanto lenta, mas deliberadamente a preenchia com sua dureza.

Tensão construída em seu corpo, a necessidade de liberação quase

demais. Passando as pontas dos dedos pelas costas dele, ela insistiu. A cada

impulso, seu ritmo acelerava. Dentro e fora, o atrito de sua carne contra a dela

aumentou sua excitação até que, com um grito estrangulado, ela veio.

Ondas intensas de emoção a envolviam, toda vez que ela pensava que tinha

atingido o pico, Max a levava mais alto com o toque das mãos ou o beijo dos seus

lábios. Seu corpo ansiava por cada toque de seus dedos, ou lamber de sua língua,

até que finalmente ele veio, empurrando sua semente profundamente dentro

dela.

Quando eles alcançaram sua libertação final juntos, ela se agarrou a ele, como

um alpinista caído na montanha poderia se agarrar a uma fenda para impedir-se

de cair no abismo abaixo.

Mas quando a respiração de Max diminuiu e ele a envolveu em seus braços

fortes, ela sabia que ele nunca a deixaria cair.


CAPÍ TU L O DEZE S SETE
Max

— Obrigado pela noite maravilhosa. — Ele se sentou do outro lado da mesa

na pequena cozinha dela enquanto Josephine alimentava Milly com a mamadeira

dela. Elas pareciam tão serenas, mãe adotiva e bebê, compartilhando um

momento de ternura antes do dia começar.

Ele desejou que eles pudessem ter se conhecido mais cedo e ter tido um filho

próprio. Mas ele estava agradecido por terem a chance de assistir Milly crescer. A

infância dela se tornaria mais especial, porque ele a compartilharia com as três

pessoas que mais amava no mundo. Seus irmãos e sua companheira.

É muito cedo para declarar nosso amor eterno? seu urso perguntou. Ele

amava Milly como se ela fosse sua e não podia esperar pela criança pequena

encontrá-lo em carne e osso. Ou pelo.

Por que não convidar Josephine e Milly para um piquenique nas montanhas

e deixá-la vê-lo? Max sugeriu.

Hoje? A excitação de seu urso era tangível.

Sim, não estamos trabalhando. Nós poderíamos fazer isso hoje. Max gostou

muito da ideia.
— Obrigado por uma noite maravilhosa também. — Josephine esfregou as

costas de Milly quando ela terminou sua mamadeira e pacientemente esperou o

bebê arrotar.

— Você tem planos para hoje? — Max perguntou enquanto mordia sua

torrada, na qual ele tinha passado manteiga e mel.

Um urso tem que fazer o que ele tem que fazer, seu urso lambeu os lábios ao

pensar em mel.

— Além de alimentar e trocar essa pequena dama, comprar alguns

mantimentos e preparar o jantar? — Josephine perguntou. — Ah, e brincar com

ela. Milly com certeza gosta de companhia enquanto rola da frente para trás no

chão. E ela está até tentando rastejar. A vida está prestes a ficar interessante.

— Muito interessante. — Max confirmou. — E não apenas da maneira que

você pensa.

— Oh, você sabe algo que eu não sei? — Josephine perguntou.

— Eu tenho um convite para você. — Max sorriu quando sua expressão

vacilou. — Não é nada ruim, como um casamento surpresa.

— Oh, ótimo. Quero dizer, eu sei que estamos noivos e, como somos

companheiros, as coisas vão mudar um pouco mais rápido, mas ... por favor, não

me surpreenda ... nunca.


— Eu prometo. — Ele parou quando pegou sua xícara de café e tomou um

gole. — Eu ... nós ... queríamos convidar você e Milly para um piquenique nas

montanhas.

A expressão de Josephine ficou clara e ela sorriu brilhantemente.

— Nós adoraríamos.

— Ótimo. Eu preciso ir para casa e me trocar e depois posso buscá-la e dirigir

até Mountain View, é uma pequena área onde as pessoas gostam de ir e fazer um

piquenique. Há um acesso fácil e algumas trilhas que poderíamos seguir. — Ele

hesitou. — Nós poderíamos encontrar um lugar isolado e eu poderia

mudar. Meu urso realmente quer conhecer você e Milly.

Os olhos de Josephine se arregalaram. — Oh, esse nós. — Ela abriu um

sorriso. — Eu pensei que você quis dizer nós como em Jake e Tad.

— Não, eu gostaria de mantê-la para mim por um dia. Vocês duas. — Ele

revirou os olhos. — Não de maneira possessiva. É que a noite passada foi tão

especial e eu gostaria de ... eu não sei, parece brega, mas eu gostaria de deixar a

mágica durar um pouco mais.

— Gosto do som de passarmos o dia juntos e, também da ideia de conhecer

seu urso. E desde que ele seja grande, fofo e nem um pouco assustador, acho que

Milly também o amará. — Josephine sacudiu Milly de cima a baixo no joelho

enquanto raspava a manteiga sobre um pedaço de torrada com a mão livre.


— Você sabe que meu urso é um urso enorme, não um urso panda fofo, não

é? — Max perguntou.

— Eu pensei que ele amasse crianças e assim estaria em seu melhor

comportamento de urso fofinho hoje. — Josephine respondeu enquanto colocava

a faca de manteiga em seu prato e pegava sua torrada.

— Ele vai se comportar muito bem. — Garantiu Max a Josephine. — Mas eu

queria que você soubesse que, se ele tivesse que proteger você ou Milly, ele

lutaria com garras e dentes para mantê-las seguro.

— Eu sei. Mas espero que não precisemos desse tipo de proteção hoje. — Os

olhos de Josephine se voltaram para a janela com vista para o quintal enquanto

ela falava.

— Sinto muito por sugerir que você precisaria de proteção. — Max disse

gentilmente. — Eu não quis lembrá-la de ...

— Vincent? — Ela colocou a torrada no prato. — Está tudo bem, você pode

dizer o nome dele. Não é como se falar fosse fazê-lo aparecer ou algo assim. —

Mesmo assim, seus olhos se voltaram para a janela e sua mão apertou a cintura

de Milly.

— Então, por que eu não vou para casa e arrumo um pouco de comida e

depois volto aqui e pego vocês duas, — sugeriu Max.

— Ou podemos encontrá-lo em Mountain View. Tenho algumas tarefas para

executar e posso pegar alguma comida no supermercado. — Josephine deu outra


mordida na torrada. — Não faz sentido você voltar aqui para nos buscar. Além

disso, eu gosto de conhecer os caminho para os lugares, assim saberei como

chegar lá novamente. Não sei, por algum motivo, guardo melhor as rotas se eu

dirijo.

Max estava prestes a insistir em voltar para elas, mas depois mudou de

ideia. Ele não queria ser o cara que organizava a vida de Josephine, gostando ou

não.

— Claro, isso soa como um plano. Vou para casa, tenho algumas tarefas que

preciso acompanhar e depois deixarei minha caminhonete em casa e

caminharemos pelas montanhas.

— Com duas pernas ou quatro? — Josephine perguntou levemente enquanto

espanava as migalhas do suéter e pegava a xícara de café.

— Você leu minha mente. Se não vamos voltar para Bear Creek para buscá-

las, é melhor que eu mude e deixe meu urso resolver as torções mudando e

subindo a montanha. — Max levantou-se e pegou o paletó nas costas da

cadeira. Dobrando-o sobre o braço, ele deu a volta na mesa e se inclinou para dar

um beijo na boca de Josephine antes de dar um beijo na cabeça de Milly. — Vejo

vocês mais tarde.

— OK. — Josephine arrastou o telefone em sua direção sobre a mesa e

verificou as horas. — Talvez uma hora e meia?


— Ótimo. Você quer instruções para chegar a Mountain View? — Max

perguntou.

— Eu sei onde é. Está sinalizado fora da estrada de Bear Creek para Bear

Bluff. — Josephine bebeu o café, levantou-se da mesa e seguiu Max pelo corredor

até a porta da frente. — Vejo você mais tarde. Você quer que eu traga mel para o

seu urso?

Max riu.

— Essa seria uma maneira de fazê-lo feliz. — Ele se inclinou para a frente e

beijou sua bochecha, inalando seu perfume uma última vez antes de caminhar

para sua caminhonete.

— E eu pensando que ele ficaria feliz em nos ver. — Josephine abraçou Milly

com mais força quando sua atenção foi atraída por algo no jardim da frente.

— O que está errado? — Max perguntou quando ele se afastou dela e seguiu

seu olhar.

— A roseira no jardim da frente foi quebrada. — Ela deixou a porta onde

estava parada e atravessou o gramado da frente até a roseira. — Veja.

— É perto da rua. Suspeito que algumas crianças tenham atravessado e

quebrado por acidente —. Max foi ficar ao lado de sua companheira. — Pode ter

sido algum garoto lidando com sua primeira transformação. Eles podem ficar um

pouco incontroláveis.
— Você provavelmente está certo. Vou cortar e voltará a crescer. — Ela não

parecia muito certa quando olhou para as hastes espinhosas quebradas. — Mas

isso teria doído, você não acha?

— Pelo Grosso. — Ele se agachou e examinou a roseira de perto, surpreso por

não haver pelos nos espinhos. Se um urso ou outro animal peludo tivesse

causado o dano, ele esperaria que os espinhos se prendessem à pele da

criatura. — Se meu urso roçasse contra isso, ele não sentiria nada.

— Sim, você está certo, sou um pouco paranoica. Falar sobre o que aconteceu

despertou muitas lembranças. Todas as coisas que eu consegui enterrar enquanto

Vincent estava na prisão ressurgiram. — Ela se afastou da roseira, segurando

Milly em seus braços.

— Ei, está tudo bem e completamente compreensível se sentir assim. — Max

se levantou e colocou as mãos nos quadris. — Se você preferir que eu fique com

você, eu posso.

— Não, você vai. Não quero nosso piquenique nas montanhas arruinado. —

Josephine forçou um sorriso no rosto. — Milly e eu mal podemos esperar para

encontrar seu urso. Então vai. — Ela empurrou Max em direção a sua

caminhonete. — E não se preocupe conosco.

— Isso pode exigir alguma prática. Não por causa de Vincent, mas porque

tenho esse desejo irresistível de protegê-la. — Ele encolheu os ombros. — Está na

minha natureza.
— Eu aprecio sua natureza. Eu aprecio muito isso. Mas não quero que você

seja sugado para o mundo de medo que tranquei no fundo da minha mente, —

Josephine disse a ele quando chegaram ao caminhão. — Te encontro em uma

hora e meia.

— Não se atrase. — Max entrou em sua caminhonete e, com um aceno rápido

e um olhar persistente, dirigiu para casa.

A jornada passou em um borrão, seu corpo trabalhando no piloto automático

enquanto sua mente evocava imagens de Josephine. Ela era tudo o que ele queria

e muito mais. Muito mais. Se ao menos o espectro de Vincent Branston não

estivesse pairando sobre eles, a vida seria praticamente perfeita.

— Ah, aí está você. — Jake encontrou Max no corredor quando ele entrou na

casa. — Eu me perguntei se você estava voltando para casa.

— Você sabe onde eu estive. E enviei uma mensagem para Tad dizendo para

ele não se preocupar. — Max foi para a cozinha, onde serviu duas xícaras de café

e entregou uma a Jake. — Você teve alguma sorte em rastrear Vincent Branston?

— E bom dia para você também. — Jake aceitou a xícara de café que Max lhe

ofereceu. — Obrigado.

— Então? — Max tomou um gole de café, os olhos fixos no irmão mais velho.

— Eu tenho pessoas nisso, mas até agora ninguém foi capaz de localizá-

lo. Parece que ele saiu da prisão e foi direto para um ônibus fora da cidade,

interrompendo sua condicional no processo. — Jake olhou para o café antes de


erguer os olhos para os de Max. — Se você tivesse acabado de sair da prisão

depois de tanto tempo, não seguiria as regras da sua liberdade condicional? A

menos que você tenha algo muito importante que precise fazer.

— Como visitar a pessoa responsável por colocá-lo na cadeia. — Max passou

a mão no queixo. Ele precisava se barbear e tomar um banho antes de ir ver

Josephine. Mas era tudo o que ele podia fazer para não sair correndo pela porta

imediatamente e ir para o lado dela.

E fique ao lado dela até que tudo acabe e saibamos onde Vincent

está, acrescentou o urso.

Exatamente, Max respondeu.

— O melhor uso dos recursos que temos à nossa disposição é focar em Bear

Creek e garantir que Vincent não tenha chance de ferir Josephine. — O tom

comercial habitual de Jake caiu quando ele acrescentou: — Josephine faz parte

dessa família e eu usarei todos os recursos necessários para mantê-la segura.

— Mas e se ele vier aqui? — Max perguntou. — O que fazemos, chamamos a

polícia ou resolvemos o problema com nossas próprias mãos?

— Nós chamamos a polícia. Ele está violando sua liberdade condicional. Ele

será enviado de volta para a cadeia mais rápido do que você pode dizer

coelhinho. — Jake disse uniformemente.


— E então, esperar até que ele seja libertado novamente? — Max não sabia

exatamente o que esperava que a resposta de Jake fosse, tudo que sabia era que

queria que o caso Vincent fosse resolvido permanentemente.

Morte? seu urso perguntou em choque.

Não, mas certamente se ele vier aqui para ferir Josephine, sua sentença de

prisão seria prolongada. Não quero Josephine vivendo com a ameaça de Vincent

Branston pairando sobre ela ... pairando sobre nós ... pelo resto de nossas vidas.

— Eu não sei. Tudo o que podemos fazer é sermos vigilante e mantê-la

segura. — Jake terminou o café e olhou para o relógio da cozinha. — Eu tenho

que voltar ao trabalho.

— Não está no escritório hoje? — Max perguntou enquanto lavava as duas

xícaras.

— Não, estou experimentando ter mais mãos livres e trabalhar remotamente.

— Jake saiu da cozinha.

— E assim você pode ficar mais em casa por Milly? — Max perguntou

surpreso. Geralmente, Jake estava acorrentado à sua mesa. Embora nos últimos

anos ele aprendesse a voltar para casa à noite e sair do trabalho, ainda havia

muitas noites em que Jake passava a noite toda ou dormia por algumas horas na

cama dobrável em seu escritório.


— Quero fazer minha parte justa dos deveres de um papai. — Ele passou a

mão no rosto e, pela primeira vez em muito tempo, Max viu o verdadeiro Jake

Harrison.

— É bom ter algo para focar, além do seu negócio e de ganhar dinheiro.

— Max atravessou a cozinha e ficou alguns metros na frente de Jake. — Você já

fez o suficiente, já conseguiu o suficiente.

— Nunca basta. — Respondeu Jake. — Eu sei que você provavelmente não

entenderia, mas vivo minha vida meio que com medo de que alguém venha e

leve tudo embora se eu parar por apenas um dia. — Ele recuou como se não

quisesse compartilhar tanto de si com Max.

— Eu nunca soube que você se sentia assim. — Respondeu Max. — Você

sempre parece estar no topo das coisas. Suponho que você acabou ficando bom

em esconder o verdadeiro você, o homem que tem sentimentos e emoções da

mesma maneira que todo mundo. Um dia, espero que você encontre a mulher

perfeita para você, e ela encontre uma maneira de extrair o verdadeiro Jake.

— Nem eu sei quem sou de verdade, então duvido que uma mulher o

encontre à espreita sob a casca dura que passei tanto tempo construindo. — Ele

olhou para o relógio mais uma vez. — De certa forma, seria mais justo se eu

nunca conhecesse minha companheira. Eu odiaria ver a decepção em seu rosto

quando ela percebesse o homem que eu sou.

— E agora você está sendo melodramático. — disse Max a Jake. — A melhor

coisa do mundo é aquele momento em que você vê sua companheira pela


primeira vez e sabe que ela é a pessoa com quem você passará o resto da vida. E,

apesar do que você diz, sei que tipo de homem está escondido sob essa casca dura

e sei que qualquer mulher teria sorte em ter você em sua vida.

— A única mulher que tenho tempo na minha vida é Milly. Quero garantir

que ela nunca precise se preocupar com dinheiro e que sempre tenha um teto

sobre a cabeça. — Disse Jake ferozmente. — Criar a filha de Sally é uma bênção

que nunca pensei que merecesse. Talvez seja a minha chance de retribuir, ao

invés de receber o tempo todo.

— Retribuir? Você se ouve? Você desistiu de tanto para garantir que todos

ficássemos juntos. — A frustração de Max transbordou. — Você nunca fez nada

de errado. Tanto quanto sei, você nunca fez nada ilegal, nem nos negócios nem

na sua vida privada. Então, dê um tempo a si mesmo. Você merece exatamente a

mesma felicidade que qualquer outra pessoa neste planeta, se não mais. — Max

apontou o dedo para Jake. — Nunca esqueça disso.

Jake olhou para Max por um momento.

— Então é isso que acontece quando um homem encontra sua

companheira. Ele fica todo animado. Josephine é uma mulher de sorte.

Foi a vez de Max olhar o relógio.

— Ela não pensará isso se eu me atrasar. — Embora, sua necessidade de estar

ao lado de Josephine fosse mais profunda do que não querer se atrasar. Ele
precisava estar ao seu lado para protegê-la de qualquer coisa ou alguém que

pudesse significar seu dano.

Vincent Branston, seu urso acrescentou.

Exatamente.
CAPÍ TU L O D EZ OI TO
Josephi ne

— Molestai View. — Josephine tirou Milly para fora do carro e girou 360

graus enquanto observava a vista deslumbrante. — Este lugar certamente faz jus

ao seu nome.

Ela deslocou Milly para o quadril esquerdo e se inclinou, pegando no carro a

bolsa de fraldas e a mochila que ela tinha embalado com comida. Quando ela se

endireitou, um arrepio percorreu sua espinha. Não havia mais ninguém aqui. Ela

estava a alguns quilômetros da casa mais próxima.

Exposta. Elas estavam muito expostas.

O pânico a encheu como se uma pedra pesada tivesse rolado pela encosta da

montanha e caído em seu peito. Como se sentisse sua ansiedade, Milly estendeu

a mão pequena e enrolou-a no cabelo de Josephine. Com a voz mais suave, ela

murmurou para Josephine, uma série de palavras indecifráveis que deram a sua

mãe adotiva conforto.

— Obrigado, Milly. Acho que estava exagerando. — Ela se inclinou para

frente e beijou Milly na bochecha.

Um galho estalou. Josephine ficou imediatamente em alerta mais uma vez e

apertou os braços ao redor da criança pequena. Ela não se importava com o que

Vincent fizesse com ela, desde que ela não machucasse Milly.
— Beh. — Milly empurrou a mão para a frente, o dedo mindinho apontando

para a linha das árvores a trinta metros ou mais, mais abaixo no vale. — Beh.

— Milly soltou o cabelo de Josephine e bateu palmas de prazer.

— Urso. — Josephine repetiu. O movimento nas árvores confirmou suas

suspeitas. — É Max.

Fechando a porta do carro, ela pegou a bolsa de fraldas e a mochila contendo

o piquenique às pressas no ombro direito, enquanto segurava Milly firmemente

no braço esquerdo. Então ela partiu em direção à linha das árvores, na direção

que Milly havia apontado.

Ao se aproximar, ela tentou se concentrar nas folhas farfalhantes que não

estavam se movendo na brisa leve que descia da montanha. Os galhos estavam

se movendo em uma direção diferente do resto das árvores balançando. Havia

algo lá.

— Urso. — Uma grande cabeça de urso apareceu nas árvores.

Josephine parou e olhou para a cabeça de urso marrom castanho-

avermelhada. Isso era real.

Seu coração acelerou. E se não fosse o urso dela? E se o urso nas árvores fosse

um urso de verdade, alguém que atacasse a qualquer momento e matasse ou as

mutilasse?
O urso deu um passo para fora das árvores e ficou parado, olhando-

a. Josephine não estava a mais de seis metros de distância do urso, certamente, se

ele fosse atacar, já teria feito sua jogada. Em vez disso, simplesmente a encarou.

Tomando coragem nas duas mãos, ela apertou Milly e virou o corpo para o

urso, protegendo a criança da criatura. Mas Milly se contorceu nos braços de

Josephine até que ela pudesse ver o urso mais uma vez.

— Beh. — Milly soltou um grito de alegria e o urso reagiu pulando para frente

e se jogando no chão. Com os quatro pés balançando no ar, o urso rolou de costas

com a língua pendendo para fora, enquanto Milly continuava rindo e gritando.

— Se você não queria que alguém soubesse que você está aqui, deveria ter

ficado nas árvores. — Josephine repreendeu o urso que parou de esfregar as

costas no chão e, em vez disso, olhou para Josephine e Milly com um sorriso bobo.

O urso rolou de um lado para o outro antes de se levantar de frente e depois

se colocar em pé. Ele sacudiu as folhas e os galhos de seu pelo e depois olhou

para Josephine e Milly em adoração aberta.

— Olá, urso. — Josephine deixou cair as sacolas que estava carregando no

chão e depois se ajoelhou ao lado delas. Milly imediatamente estendeu a mão

para acariciar o pelo macio do urso, um sorriso largo no rosto enquanto ela

balbuciava palavras de carinho de bebê para seu novo amigo.


O urso virou a cabeça e soprou o hálito quente no rosto de Milly. A criança

fechou os olhos e ofegou antes de rir, uma risada profunda e maravilhosa na

barriga cheia de admiração e emoção.

— Você é um bom e velho urso. — Josephine passou a mão pelas costas

grisalhas do urso. Ele era bonito, o pelo marrom castanho polvilhado de prata o

fazia parecer mágico de alguma forma. — Eu nunca vi um urso prateado antes.

O urso esfregou a cabeça na coxa de Josephine enquanto Milly acariciava o

pelo macio do urso contente. Esse foi um daqueles momentos perfeitos, o

primeiro encontro de Milly com o urso que a protegeria com sua vida, se ela

precisasse. Momentos como esse deveriam ser saboreados, embora o triste fosse

que Milly nunca se lembraria disso. Ela era muito nova.

— Vamos caminhar? — Josephine perguntou quando se levantou e olhou em

volta. — Acho que não há mais ninguém por perto.

Seu medo anterior de que Vincent pudesse segui-los até Mountain View e

estar à espreita no mato agora estava completamente esquecido. E mesmo se ele

estivesse aqui, o urso de Max as protegeria.

O urso acenou com a cabeça e cutucou sua coxa, antes de se virar e guiá-la de

volta para as árvores. Dando a área aberta onde Josephine havia estacionado seu

carro um amplo espaço, eles seguiram uma trilha mais acima na montanha. A

trilha serpenteava pelas árvores, ficando cada vez mais íngreme até Josephine

dar um tapinha nas costas do urso e dizer:


— Preciso descansar um momento.

O urso pode ter pernas curtas, mas ele estava obviamente acostumado a esse

terreno. Josephine lembrou a si mesma que o urso fazia parte de Max e Max era

um guarda florestal da montanha. Eles provavelmente subiam e desciam as

encostas das montanhas quase diariamente, com duas ou quatro pernas.

Quando ela parou e jogou as sacolas no chão, o ar brilhava com eletricidade

estática. Josephine virou-se para encarar o urso, que desapareceu em nada diante

de seus olhos. Ela ofegou, a mão cobrindo a boca enquanto observava o que ela

só poderia descrever como um truque de mágica. Mas se isso era um truque, para

onde Max tinha ido?

Lá. Ele estava lá. Bem diante de seus olhos, quando o urso finalmente

desapareceu deste mundo, a forma do homem que ela amava começou a se

formar. No começo, ele não era nada além de uma sombra formada de névoa,

mas depois ganhou lentamente braços e pernas e depois suas feições.

— Isso é incrível. — Josephine exalou, esvaziando os pulmões de ar. — Como

você fez isso?

— Eu nunca questionei o como da transformação. — Admitiu Max. — Da

mesma forma, eu nunca questionei o destino quando se trata da minha

companheira.

Ele se abaixou e pegou as bolsas.


— Vamos lá, há um ponto na trilha onde podemos nos sentar e comer. — Max

estendeu os braços. — Devo levar Milly também?

— Sim, por favor. — Os braços de Josephine doíam por carregar Milly. —

Acho que meus braços vão cair.

— Venha, Milly. Você gostou do urso? — Max perguntou. Um grito agudo

encheu a floresta da montanha.

— Ela o achou maravilhoso. Quando ela for mais velha, tenho certeza de que

gostaria de cavalgar nas costas do seu urso. — Josephine levantou-se e partiu na

trilha atrás deles. Ela se esforçou para continuar não querendo ficar para trás das

duas pessoas com quem mais se importava no mundo.

— Estou feliz que ela gostou dele. — Admitiu Max. — Eu estava nervoso,

poderia assustar vocês duas. Decidi deixar o caminhão em casa e caminhar pelas

montanhas. Quando senti vocês, não pude resistir a surpreendê-las.

— Não, você não nos assustou. — Josephine enxugou o suor da testa quando

Max subiu uma pequena elevação e se virou para observá-la. — Já estamos

chegando?

Ele riu.

— Nós estamos. Vamos lá, a vista é incrível. — Ele estendeu a mão e

Josephine o alcançou, os dedos unidos enquanto a puxava até a última parte da

trilha.
Eles ficaram juntos, lado a lado com Milly aninhada entre eles enquanto

olhavam do mirante. Max estava certo, essa visão era incrível. Abaixo deles, à

distância, estava a cidade de Bear Creek. Ela podia ver as casas e o ocasional flash

de movimento enquanto o sol se refletia em um veículo em movimento. À direita,

o riacho serpenteava como uma cobra prateada em direção ao horizonte e ela

desejava traçar sua rota pelas montanhas e para o mar.

— Este é um dos melhores dias da minha vida. — Sua voz ficou presa na

garganta enquanto ela falava, e ela apertou a mão de Max antes de se inclinar e

beijar Milly na bochecha. — Você é uma jovem sortuda, Milly. Tudo isso é seu

playground.

— E o seu também. — Max disse a ela. — Você faz parte desta família e parte

de Bear Creek, e as montanhas são sua casa. Juntos, podemos trazer Milly aqui e

explorar as maravilhas da natureza.

— Mal posso esperar. — Ela se virou e olhou para o planalto gramado. —

Vamos encontrar um lugar para nos sentar e comer? — Ela olhou a queda

íngreme sobre a borda da rocha. — Vamos torcer para que Milly não decida

aprender a engatinhar hoje.

— Ela estará segura, eu prometo. — Max a levou através do planalto gramado

e para um local protegido, onde a montanha subia em torno deles por três lados,

mas não bloqueava a visão deles. — Podemos sentar aqui e colocar a toalha de

piquenique no chão para Milly se deitar.


Max pousou as bolsas e passou Milly para Josephine antes de abrir a toalha

de piquenique e espalhá-la pela grama grossa da primavera. Então, ele se sentou

de costas para a entrada como um guarda sentinela. Josephine se ajoelhou no

cobertor e deitou Milly ao lado dela.

— Bom plano. Mesmo se ela se mexer, ela não pode sair daqui. — Josephine

recuou para se sentar ao lado de Max, que estava abrindo a mochila e olhando

para dentro. — Espero que você esteja com fome.

— Algo cheira bem. — Ele passou a mochila para Josephine, que esvaziou

cuidadosamente o conteúdo, certificando-se de que estavam fora do alcance de

Milly, que estava deitada de costas, olhando as nuvens enquanto flutuavam

preguiçosamente pelo céu.

— Trouxe frango frio, salada e pão fresco da padaria em Bear Creek.

— Josephine levantou duas garrafas. Elas ainda estavam deliciosamente frias. —

Disseram-me que todo urso em Bear Creek gosta de cerveja de mel Bear Creek.

— Você foi bem informada. — Respondeu Max quando Josephine abriu as

garrafas e passou uma para seu amante.

—A nós. A todos nós e novos começos. — Josephine estendeu a garrafa para

Max.

Com cuidado, Max tocou sua garrafa na dela.

— Para nós. Todos nós. Para novos começos.


Ele bebeu profundamente e depois deu um suspiro satisfeito ao colocar a

garrafa no chão. Josephine também bebeu, a doce cerveja de mel escorrendo pela

garganta, agradável e suave, não amarga como a maioria das cervejas.

— Isso é bom.

— Muito bom. — Max concordou.

— Você se importa se eu tirar uma foto de vocês dois? Eu gostaria de tirar

uma da vista também. — Ela se levantou e cuidadosamente manobrou ao redor

de Max. Usando a câmera em seu smartphone, Josephine tirou algumas fotos de

Max com Milly ao fundo antes de atravessar cuidadosamente o platô para tirar

algumas fotos da vista. Quando ela tocou na tela, seu telefone tocou como uma

ovelha. Ela teve uma notificação. Tocando na tela mais uma vez, ela saiu da

câmera e puxou a mensagem de texto que acabara de receber.

— Eu não acredito que você conseguiu um sinal aqui. — Comentou Max. Ele

olhou para o lado da montanha. — A empresa de telefonia celular tenta montar

uma torre de celular na montanha. — Ele virou a cabeça em direção a Josephine,

que estava olhando para o telefone com a mão cobrindo a boca. — O que está

errado?

Ela balançou a cabeça.

— Eu não entendo.
Max estava de pé e ao lado dela em um instante, embora ainda mantivesse

uma vigilância atenta em Milly, que estava virando da frente para as costas e

depois das costas para a frente novamente.

— Josephine, o que foi?

Ela virou o telefone para encará-lo, o rosto branco quando ele leu a mensagem

que ela recebeu de um número desconhecido.

— Eu tenho seu namorado? — Max perguntou enquanto lia o texto. Eu não

entendo. Isso deve ser uma piada, já que estou aqui.

O telefone tocou novamente, e ela voltou para ela e clicou na mensagem.

— Jake.

— Jake. — Max pegou a mão dela e virou o telefone em sua direção. Ali, na

pequena tela, havia uma fotografia do irmão de Max, deitado no chão, as mãos

amarradas nas costas e o sangue saindo de um corte na testa.

— Ele me encontrou. — Josephine tremeu quando fechou os olhos, tentando

calar o medo que ameaçava consumi-la. Ela não podia ceder à intensa

necessidade de correr e continuar correndo. Ela trouxe isso para a família de Max

e os libertaria do pesadelo que era Vincent Branston.

O que fosse preciso.


CAPÍ TU L O DEZE N OVE
Max

Talvez tenha sido uma piada prática. Esse foi seu primeiro pensamento

quando ele encarou a imagem de Jake deitado no chão. Max reconheceu o tapete

em que seu irmão mais velho estava deitado. Era o mesmo tapete manchado de

azul colocado no chão de seu escritório em casa.

Talvez Tad e Jake tenham decidido fazer uma piada sobre Max. Não seria a

primeira vez.

Não assim, seu urso disse com firmeza. Não quando Jake sabia do passado

de Josephine.

Seu urso estava certo, é claro que ele estava certo, mas Max preferia acreditar

que seus irmãos estavam agindo com mau gosto do que a outra alternativa.

Porque a outra alternativa era demais para suportar. Depois de tudo o que

Jake fez por eles, ele não merecia isso.

Seja o que for. Seu urso rangeu os dentes de trás e raspou as garras no

chão. Na mente de Max, seu urso estava se preparando para entrar em guerra

com quem havia feito isso.

— Vincent Branston. — A voz fraca de Josephine penetrou em sua mente. —

Tem que ser ele.


— Por quê? — Max perguntou. —Por que ele acha que Jake é seu namorado?

— Eu não sei. Ele deve ter visto Jake na minha casa ou seguido sua

caminhonete quando você saiu da minha casa hoje. — Sua mão tremia enquanto

olhava para a foto mais uma vez. — A roseira. E se ele estivesse em casa ontem à

noite e depois te seguiu até em casa?

— Mas ele não me atacou. Ele foi atrás de Jake. — Max parecia confuso.

— Ele pode não ter visto seu rosto e apenas assumiu que Jake era você. As

chances de dois homens morarem na mesma casa são pequenas, especialmente

durante o dia. — Tudo parecia plausível. — Você não dirigiu sua caminhonete

até aqui, não é? Você saiu de casa a pé.

— Está certa. Ele poderia ter seguido minha caminhonete de volta para casa

e assumido que Jake era eu. Saí pela parte de trás da propriedade e segui uma

trilha nas montanhas. — Max passou a mão pelos cabelos. — Quem fez isso deve

ter invadido a casa e pegou Jake de surpresa.

Ele é um shifter, seus sentidos são afiados para detectar pessoas, como ele

conseguiu entrar sem ser detectado? seu urso perguntou.

Podemos perguntar a ele depois que o resgatarmos, disse Max ao urso.

— Sinto muito. — Josephine disse a ele. — Mas eu vou recuperá-lo. Prometo

que o levarei de volta para você em segurança. — Ela começou a guardar todas

as coisas de piquenique e as jogou rapidamente na mochila.


— Nós. Nós vamos devolvê-lo em segurança. — Max corrigiu quando

Josephine balançou a cabeça.

— Não, você tem que ficar com Milly. Eu nunca me perdoaria se ela se

machucasse por minha causa. — Insistiu Josephine enquanto pegava Milly e

entregava a criança pequena a Max.

— E eu nunca vou me perdoar se você se machucar, porque eu não estava lá

para protegê-la. — Max estendeu as mãos e pegou Milly de Josephine. — Você

não está sozinha. Essa luta é a nossa luta.

— Mas tenho certeza de que ele vai me trocar por Jake. O melhor resultado é

que você, Tad e Jake, estejam seguros e criem Milly juntos. — A expressão de

Josephine confirmou seus medos, ela faria qualquer sacrifício pela segurança de

sua nova família.

— Esse não é o melhor resultado. — Max disse-lhe com firmeza enquanto

ajustava Milly e depois pegava a bolsa de fraldas e a mochila. — Nós nunca

estaríamos inteiros novamente se algo acontecesse com você. Nenhum de nós.

— Max... — Josephine dobrou apressadamente o cobertor de piquenique e o

seguiu através da cordilheira gramada até o início da trilha íngreme que levava

de volta à montanha.

— Você prometeu a Jake que nunca me deixaria. Eu prendo você a essa

promessa. — Max se virou e a encarou. — Você conhece Jake, ele nunca se

perdoaria se você se trocasse por ele.


— Droga. — Ela amaldiçoou e depois olhou de lado para Milly. — Desculpa.

— Se droga for a primeira palavra dela, então eu vou te culpar. — Max disse

a ela.

— Ela já meio que disse sua primeira palavra. — Josephine disse a ele.

— Realmente? O que foi? — Max perguntou animado, apesar da situação

atual.

— Ela viu você e disse beh. Acho que está perto o suficiente para aguentar,

não é? — O sorriso de Josephine estava cheio de incerteza.

Max passou o braço em volta da cintura dela e a puxou para perto enquanto

ele beijava sua bochecha.

— Sim, acho que está perto o suficiente.

— Vamos lá, temos um bom homem para salvar. — Ela se afastou dele e ele

se virou e caminhou pela trilha o mais rápido que pôde, sem deixar Josephine

para trás.

Josephine mostrou uma coragem incrível, enquanto ela acompanhava o ritmo

na trilha. Escorregando e deslizando, mais de uma vez terminando em seu

traseiro redondo, ela não reclamou, embora o olhar de alívio quando eles

alcançaram seu carro lhe dissesse o quão difícil ela achou a caminhada.

— Você está bem para dirigir? — Max perguntou quando ele abriu a porta

traseira do passageiro e deslizou Milly em seu assento de carro.


— Estou bem. — Josephine abriu a mochila, pegou algumas barras de

chocolate e uma garrafa de água. — Você quer um?

Ele fechou a porta do carro com segurança, antes de subir no banco da frente

ao lado dela.

— Obrigado.

Josephine rasgou a embalagem com os dentes enquanto simultaneamente

girava o carro e saía da área de estacionamento de Mountain View. Dando uma

mordida, ela acelerou pela estrada da montanha, mantendo a velocidade baixa,

apesar da urgência.

Ela vê a situação com calma, disse o urso. Ela sabe que não teríamos utilidade

para Jake se o carro terminasse em uma vala ou enrolado em uma árvore.

Josephine é uma mulher incrível. Uma mulher que merece viver em paz, sem

a ameaça de pessoas como Vincent Branston pairando sobre ela.

Ela terminou sua barra de chocolate quando a estrada da montanha

encontrou a estrada que levava à casa deles.

— Eu deveria ter enviado uma resposta? Não quero que ele machuque Jake

porque pensa que o estou ignorando.

— Em breve. Mas ainda não. — Respondeu Max —. Quero que você encoste

e me deixe sair. Então quero que você vá até a casa de Fiona e fique lá até ouvir

de mim ou Jake.
— Não! — Josephine disse com firmeza.

— Sim. Preciso saber que você e Milly estão a salvo. — Max não estava aberto

a uma discussão sobre isso. Ele formou um plano em sua cabeça e precisava de

Josephine e Milly fora do caminho.

— E eu preciso saber que você e Milly estão em segurança. — Ela disse

calorosamente. — Eu posso tirar Jake de lá com segurança, sem você se

machucar.

— Eu não estou preocupado em me machucar. — Max passou a mão pelos

cabelos. Se ele pudesse fazê-la ver o quanto ela significava para ele e como ele

precisava saber que ela estava segura. A vida dele seria insuportável se ela se

machucasse. E se Vincent Branston a levasse embora, ele destruiria o mundo até

que a encontrasse.

Ela precisa fazer isso, disse o urso dele enquanto se preparava para fazer

Josephine ver a razão.

Max abriu a boca para falar e imediatamente a fechou. Seu urso estava certo.

Eu geralmente estou.

Josephine precisava exorcizar o demônio que era Vincent Branston de sua

vida.

— O que você precisa que eu faça? — Max perguntou.

O carro desviou quando Josephine se virou para olhá-lo.


— É isso que você quer dizer?

— Sim. Eu confio em você. Eu confio no seu julgamento. Você conhece esse

cara melhor do que ninguém. — Max recostou-se no banco. Ele não gostou nem

um pouco. Mas se Josephine se libertaria mental e fisicamente de Vincent, ela

teria que fazer as coisas do seu jeito. — Não esqueça disso.

— Eu o conheço. Eu conheço as fraquezas dele. — Ela parou o carro na beira

da estrada e desligou o motor. — Obrigada.

— De nada. — Ele resmungou.

Josephine se inclinou sobre os assentos e beijou sua bochecha.

— Eu sei o quão difícil isso é para você e agradeço por me deixar ir.

Max virou-se para encará-la.

— Eu nunca quero que você sinta que estou lhe ordenando ou lhe dizendo

para fazer o que eu quero que você faça. Eu poderia derrubar esse homem no

chão com uma pata de urso, mas não é isso que você quer, então tenho que dar

um passo atrás e deixá-la livre.

Josephine colocou a mão na bochecha dele e acariciou sua linha de

mandíbula.

— Eu sabia que havia uma razão pela qual eu já te amo. — Ela pressionou os

lábios nos dele e, em seguida, abaixou a cabeça e apoiou-a no peito dele. — Eu


voltarei. E quando eu fizer isso acabará. Vincent será meu passado e você, seus

irmãos e Milly serão meu futuro.

— Nós já somos o seu futuro. Mas se você precisa fazer isso, eu a apoiarei. —

Ele estava tão orgulhoso de sua coragem e força, mas tudo que ele queria fazer

era trancá-la no carro e ir lidar com o próprio Vincent. — Se algo acontecer com

você, eu vou caçá-lo e rasgá-lo em pedaços com minhas próprias mãos.

E garras de urso, acrescentou o urso.


CAPÍ TU L O VI NTE
Josephi ne

O que ela estava fazendo? Quando Josephine saiu do carro e fechou a porta,

esse foi o pensamento que ricocheteou em seu cérebro.

Ela deveria ter deixado Max lidar com isso. Ele era um shifter urso, feroz e

forte, capaz de resgatar seu irmão e mutilar Vincent sem suar a camisa.

Mas isso não mudaria a maneira como ela se sentia profundamente. Permitir

que Max lidasse com Vincent não seria catártico e Josephine precisava se purificar

completamente de Vincent Branston para que ela fosse íntegra e completa. E ela

queria tanto ser inteira e completa. Para Milly. Para Max. E acima de tudo para si

mesma. Ela estava cansada de viver meia vida.

Josephine atravessou a estrada da montanha e a seguiu pela curva até ficar

no final da entrada que levava à residência Harrison. Parando para reunir seus

pensamentos e fortalecer sua determinação, que ameaçava se desintegrar quando

ela se aproximou do homem de quem ela fugia por mais da metade de sua vida,

ela pegou o telefone do bolso e respondeu ao texto de Vincent.

Estou subindo a garagem agora. Ela apertou enviar e enfiou o telefone no

bolso.

Com as mãos trêmulas, ela colocou um pé na frente do outro e caminhou em

direção à casa, onde apenas alguns dias atrás ela chegou para conhecer Max e
seus irmãos. Muita coisa havia mudado para Josephine naquela noite fatídica e

ela não estava pronta para deixar Vincent estragar tudo.

Ela dera dez passos ao longo da entrada de cascalho quando o telefone tocou

no bolso. Com as mãos trêmulas, ela pegou o telefone e bateu na tela. Era de

Vincent.

Imogen! Ou devo chamá-la de Josephine? Mal posso esperar para vê-la depois de todo

esse tempo. XX.

As pernas de Josephine pareciam pesos de chumbo enquanto ela lia o

texto. Imogen. Ela não era chamada assim desde o dia em que Vincent foi

condenado. Esse foi o dia em que ela se afastou de sua antiga vida e mudou seu

nome pela primeira vez. Como ele a encontrou?

Precisando de respostas, ela endireitou as costas e marchou em direção à casa

com o queixo erguido e um aço na mandíbula. Imogen tinha medo do homem

que viera aqui para arruinar a vida de Josephine.

Bem, Vincent precisava aprender que a pessoa que ele empurrou e machucou

até que ela se encolheu em um canto se foi, e foi substituída por uma metamorfose

em processo, por Josephine.

E Josephine não estava com disposição para aceitar nada.

— Estou aqui! — Ela gritou na frente da casa.


— Entre, Imogen. — A porta da frente se abriu e Vincent ficou ali,

observando-a com os mesmos pequenos olhos negros que observavam a dor dela

e o mesmo sorriso torto que sorria quando ela se contorcia enquanto ele tentava

esmagar o espírito dela.

— Vincent. A prisão não fez nenhum favor a você. — Josephine deu alguns

passos à frente, forçando-se a não cruzar os braços sobre o corpo. Ele consideraria

isso uma fraqueza. Vincent era um especialista em ler a linguagem corporal e

usar suas fraquezas contra ela.

— Bem, se você não tivesse corrido para a polícia, eu nunca teria sido preso.

— Ele sorriu, e ela se perguntou o que já havia achado tão atraente nele.

— Por que você está trazendo isso à tona? — Josephine perguntou. — Está no

passado, não importa. Pensei que você fosse um homem, não um bebê chorão.

Ele a olhou confuso enquanto ela dava mais dois passos na direção dele. Não

havia sinal de Jake e ela esperava que não fosse tarde demais.

— Imogen. Você sabe que não deve falar comigo assim. — Ele esfregou a mão

direita sobre os nós dos dedos da mão esquerda.

— Você perdeu seu senso de humor também? — Josephine estalou a língua

no céu da boca. — Você leva a vida muito a sério, Vincent. — Ela balançou a

cabeça para ele e viu o rosto dele ficar vermelho de raiva.

— Eu acho que preciso lembrá-la quem manda em você, querida. — Ele deu

um passo à frente, os dentes de trás rangendo enquanto sua raiva aumentava.


— Veja você, Vincent, a coisa é que eu mudei. — Josephine manteve a voz

nivelada, não permitindo que nenhum indício de emoção aparecesse, embora por

dentro ela estivesse tremendo. — Eu não sou a mesma pobre criatura patética que

você costumava bater quando lhe apetecia.

Vincent riu.

— Tenho certeza de que ela está aí em algum lugar e estou disposto a cortar

você apenas o suficiente para trazê-la para fora.

Josephine balançou a cabeça.

— Você é realmente patético, Vincent. Olhe para você. Você não passa de um

valentão de mente pequena. A vida mudou enquanto você estava na prisão. Eu

segui em frente. — Ela alcançou o pé da escada que levava à varanda e colocou o

pé no primeiro piso. Levou toda a sua força para dar o primeiro passo e depois o

segundo. — Veja bem, eu conheço pessoas. Pessoas que abririam você como o

porquinho pálido que você é.

— Pessoas como o seu namorado. — Vincent apontou para o interior da

casa. — Ele não era tão duro.

— Ele também não era meu namorado. — Ela estendeu as mãos. — Você

cometeu um erro, Vincent. Você ficou mole enquanto estava na prisão. Suave na

cabeça. — Josephine bateu na lateral da cabeça. — E seu corpo também parece

bem macio.
— Minha cabeça não estava muito certa para encontrar você, Imogen. — Ele

riu. — Eu estava procurando você nas mídias sociais, sim, eu me mantive

atualizado com a tecnologia. Eu até participei de aulas. Imagine a minha surpresa

quando, alguns dias atrás, um daqueles caras velhos que costumavam se

preocupar tanto com o seu bem-estar postou uma foto sua. — Ele riu. — Em

algum resgate de montanha, fala de todas as coisas. — Ele bateu na perna como

se fosse uma piada muito engraçada. — Você é tão chata, Imogen? Porra, você

precisa de mim de volta em sua vida.

―Não, eu não. E meu nome é Josephine. — Josephine não podia acreditar

que Vincent a encontrara por causa da palestra de Max no museu. Que

coincidência.

Ou talvez esse fosse o destino.

O que significava que ela estava no lugar certo e na hora certa para lidar com

Vincent de uma vez por todas.

— Chame a si mesmo do que você quiser, você ainda está marcada com a

minha marca. — Os olhos dele brilharam e, por um segundo, ela viu o homem

por quem ela se sentiu tão atraída. Mas então sua expressão escureceu, e o medo

a encheu quando ele atravessou a varanda e ficou em pé acima dela na beira da

escada. — Você é minha.

— Você é realmente um iludido. Você vive neste mundo louco e confuso,

onde você realmente acha que eu voltarei para você. Isso nunca vai

acontecer. Você é um valentão e eu me recuso a ser sua vítima. Acabou. — Ela se


inclinou para frente e apontou o dedo para ele. — Vejo você como você é. Você

não me engana.

— Então você vai ficar aí enquanto eu volto para dentro e machuco seu

namorado? — Vincent perguntou, uma pequena oscilação em sua voz o

denunciando. Ele estava perdendo, ele pensou que viria aqui e a curvaria à sua

vontade, como sempre fazia.

— Ele não é meu namorado.

— Mas ele é alguém especial ou você não estaria aqui. — Pensou Vincent

enquanto esfregava o queixo. Ele parecia não ter se lavado ou barbeado desde o

dia em que saiu da prisão.

— Se é assim que você quer acabar com isso... Mas se você colocar um dedo

nele, vou me certificar de que você nunca saia da prisão, nunca mais. Você já está

com problemas. — Ela balançou a cabeça. — Aposto que você está tão

decepcionado que quebrou sua condicional por isso.

Ele sorriu.

— Fazer uma marca indelével em sua alma faria uma vida na prisão valer a

pena. — Ele deu alguns passos para trás, indo em direção à porta da frente.

— Ou você pode correr. — Ela levantou a cabeça e ouviu. — A polícia está a

caminho. Se você correr agora, pode ter uma chance.

Vincent olhou ao longe, uma lasca de medo cortando seu rosto.


— Eu não ouço nada.

— Oh, eles estão vindo. Eu posso ouvi-los. Eles estão a cerca de cinco

minutos. — Ela deu o último passo e ficou nivelada com ele. — Ou você gostou

tanto da prisão? Aposto que um valentão como você era a puta de alguém. — Ela

colocou as mãos nos quadris. — É disso que se trata? Vincent Branston precisa

provar que ainda é homem.

— Cale a boca. — O punho dele apertou com força ao seu lado.

— Eu bati em um nervo? Você nunca gostou de ouvir a verdade sobre si

mesmo. — Ela se inclinou para frente e sussurrou: — Corra, Vincent

Branston. Corra antes que eles levem sua bunda de volta para a cadeia. E aposto

que sua bunda não gosta da prisão. — Ela se endireitou e levantou uma

sobrancelha. — Ou talvez sim, e o pobre Vincent Branston não gosta de admitir,

e é por isso que ele veio aqui para aterrorizar uma mulher.

Ele se lançou sobre ela, seus punhos erguidos enquanto ele tentou dar um

soco nela.

— Sua puta de merda.

Josephine sustentou seu olhar, olhando profundamente em seus olhos

malignos até o último segundo. Com um passo ágil para o lado, ela saiu da linha

de fogo. Um momento de choque registrou no rosto de Vincent antes de ele cair

da varanda, suas pernas agitando no ar antes que seus pés atingissem o chão e

suas pernas dobrassem sob ele.


Josephine não esperou. Ela correu para a casa, agarrando a porta quando ela

entrou. Mas antes que ela pudesse fechar, Vincent ficou de pé, com o rosto

vermelho de pura raiva.

— Eu vou te matar de verdade, Imogen. Ou Josephine. Não importa como

você se chama, você ainda é minha. E então eu vou matar o seu namorado.

— Ele não é meu namorado. — Josephine gritou quando ela fechou a porta.

— Bem, eu vou matá-lo de qualquer maneira... — Suas palavras foram

cortadas quando um urso enorme bateu nele e o achatou no chão. Em um

instante, o urso se mexeu e Max ficou sobre Vincent.

— Eu sou o namorado dela. — Disse ele ferozmente a um Vincent

inconsciente.

— Eu pensei que tinha dito para você ficar no carro? — Josephine perguntou

enquanto descia os degraus da varanda e ficava ao lado de Max.

— Desculpe, esse cara estava me irritando seriamente. — Ele olhou para

Josephine. — Estamos bem?

Ela cruzou os braços e olhou para o corpo amassado de Vincent Branston

quando ele começou a se mexer. Um pequeno gemido escapou de sua boca. —

Vê-lo achatá-lo? Suponho que valeu a pena quebrar sua palavra. Sim, estamos

bem.
Max passou o braço em volta do ombro dela e suspirou de alívio. — O xerife

Brad está a caminho.

— Onde está Milly? — Josephine perguntou, olhando em volta.

— Com Fiona. Liguei por ajuda e imaginei que era melhor ter um dragão ao

nosso lado. — Ele olhou de lado para sua companheira. — Se ele fugisse, ela teria

seguido. E provavelmente o matado.

— Ela é um dragão de verdade? — Josephine perguntou em choque.

Max virou a cabeça para olhá-la e piscou.

— Só se você ficar do lado errado dela. — Ele cutucou o pé nas costelas de

Vincent. — E esse cara está do lado errado de tudo.

— Incluindo a lei. — Josephine olhou para cima quando o veículo do xerife

saiu da estrada e correu pela calçada de cascalho, borrifando pequenas pedras

em seu rastro.

— Por que você não vai conferir Jake? — Max sugeriu enquanto pairava sobre

Vincent, que estava lentamente rastejando pelo chão como uma cobra.

— Jake. — Josephine virou-se e correu de volta para a casa.

Com o coração disparado, ela pulou os degraus da varanda e correu para

dentro, assustada com o que poderia encontrar.


— Aqui. — O alívio tomou conta dela com o som da voz de Jake, e ela correu

pelo corredor e virou à esquerda enquanto ele chamava: — Estou no meu

escritório.

— Não sei qual é a porta. — Lembrou Josephine.

— Terceira à esquerda. — Pelo menos Jake estava consciente, mesmo que

parecesse irritado. Que ele tinha boas razões para estar. Ser agredido em sua

própria casa abalaria qualquer um.

Ela contou as portas. Quando alcançou a terceira, girou a maçaneta e

empurrou a sólida porta de madeira, temendo o que poderia encontrar. Com

conhecimento em primeira mão do que Vincent era capaz, Josephine esperava

que não tivesse causado nenhum dano permanente. Como cortar uma orelha ou

um dedo.

Seu estômago revirou quando ela pulou para frente, entrando no quarto.

— Você está bem? — O alívio pela falta de sangue correu através dela. —

Você está machucado?

— Apenas meu orgulho. — Ele admitiu irritado. — Não acredito que ele me

pegou de surpresa.

— O que aconteceu? — Ela atravessou a sala até onde Jake estava deitado no

chão, com as mãos e os pés amarrados. Ajoelhando-se, ela rapidamente desfez as

cordas enquanto Jake observava.


— Ele chegou à porta com um pacote. É claro que Tad encomendou tantas

coisas de bebê on-line que eu baixei a guarda. — Ele levou a mão direita livre à

testa. — O bastardo me acertou na cabeça com uma barra de ferro. Ele deve ter

me arrastado até aqui enquanto eu estava inconsciente.

O rosto de Josephine empalideceu quando ela olhou para o rosto de

Jake. Podia não haver muito sangue, mas havia um grande hematoma inchado

logo acima da linha do cabelo.

— Nós devemos levá-lo ao hospital. Você precisa fazer o check-out.

— Estou bem. — Jake insistiu enquanto puxava as cordas da mão

esquerda. — Um momento depois, Josephine libertou os pés e ele se levantou,

parecendo ameaçador. — Onde ele está?

— Lado de fora. — Josephine agarrou seu braço enquanto atravessava a

sala. — Deixe-o, Jake. Precisamos ver essa cabeça.

— Não até que eu... — Suas mãos se fecharam em punhos.

— Não até você o que? — Josephine perguntou. — O xerife está aqui. Vincent

está voltando para a cadeia. A única coisa que você precisa fazer é uma

declaração. Dessa forma, sua sentença de prisão será prorrogada e, desde que ele

veio atrás de mim, há uma boa chance de que ele fique na prisão pelo resto da

vida.

— Ele me atacou. — Jake falou.


— E como você disse, ele machucou seu orgulho mais do que sua cabeça. —

Ela agarrou a camisa dele com as duas mãos. — Se você o machucar enquanto ele

está sob custódia policial, você pode comprometer o caso contra ele. Preciso que

ele vá para a prisão pelo maior tempo possível.

Jake suspirou, a raiva reprimida deixando seu corpo.

— Só por você, Josephine, eu vou deixar passar.

— Não apenas por mim. — disse ela. — Pela nossa família. A família que você

sempre protegeu, por mais difíceis que sejam as circunstâncias. — Josephine

ficou na ponta dos pés e beijou sua bochecha enquanto lágrimas rolavam por suas

bochechas. — Obrigada.

— Só não diga que é porque eu sou um bom homem. — Jake disse levemente,

embora a emoção em sua voz refletisse o homem real por dentro. O homem que

protegeria sua família, não importa o quê.

— Mal posso esperar para me juntar a esta família. — Ela deu um tapinha no

peito dele e eles se viraram para a porta e deixaram o escritório juntos.

— Está tudo bem? — Max perguntou. Ele os encontrou no meio do corredor

e Josephine suspeitou que ele estava dando tempo a ela para acalmar Jake.

— Estamos bem. — Jake assentiu e depois colocou a mão na têmpora. — Filho

da puta.
— Jake precisa ir ao hospital. — Josephine informou Max. — Embora ele

esteja inflexível.

— Vamos. — Max chamou Jake.

— Eu não sou um bebê. — Jake encolheu os ombros e os seguiu para fora.

— Acabou. — Disse Max a Josephine, colocando o rosto em suas mãos e

beijando seus lábios.

Como se alguém tivesse enfiado um alfinete nela, Josephine parecia esvaziar,

seu corpo fraco enquanto ela se agarrava ao seu companheiro como se ele fosse a

única coisa que a mantinha unida.

— Não acredito que falei com ele assim.

— Eu acredito. — Max passou o braço direito pelas costas dela e o braço

esquerdo sob os joelhos e a levantou. Segurando-a contra seu peito, ele a levou

para a sala e a colocou no sofá. — Você fez o que tinha que fazer. Você encontrou

a força que precisava.

— Eu acho que estou bem e que realmente acabou agora. — Josephine

colocou a mão na bochecha corada. — Eu me sinto tão fraca quanto um bebê

recém-nascido.

— Mas você encontrou a força quando precisou, isso é tudo o que importa.

— Max disse a ela gentilmente. — É o que os heróis fazem. Eles não são as pessoas

que são sempre as mais fortes, as mais rápidas ou as mais corajosas. Heróis reais
são frequentemente as pessoas comuns na rua que intervêm quando alguém mais

fraco está sendo assaltado, ou que ajudam outra quando caem na rua.

— Ou quem ajuda um alpinista a descer da montanha quando está com

problemas. — Josephine se inclinou para frente e pressionou os lábios nos

dele. — Eu te amo Max. Eu amo o jeito que você me faz ver o melhor das

pessoas. Adoro o jeito que você me faz ver o melhor de mim mesmo.

— Eu te amo, Josephine. Eu amo sua coragem e sua capacidade de amar,

apesar de tudo que você passou. E eu amo que vou passar o resto da minha vida

com você.

— Então vamos nos casar. Vamos dizer ao mundo o quanto nos amamos. Não

tenho mais nada a esconder. Quero abraçar a vida, quero ser a melhor esposa,

mãe e cunhada que puder ser.

O medo dela por Vincent se foi. Ele estava no passado dela. Ela estava no

controle de seu futuro. E ela queria comemorar o futuro com as pessoas que

amava. Por fim, ela faria parte de uma família real.

Em resposta, Max segurou o rosto dela nas mãos e beijou seus lábios.

— Prometo ser o melhor companheiro que uma mulher já teve.

— Agora sim, isso é uma promessa. — Josephine respondeu, um pouco sem

fôlego por seu beijo.


— E eu vou passar todos os dias a cumprindo. Você completou minha vida,

Josephine. Você e Milly.

Quando ele a beijou mais uma vez, Josephine teria concordado. Mas os beijos

de Max roubaram seus sentidos.


EPÍ LOG O

— Bom Dia. — Max levou uma bandeja de café da manhã e a colocou na

cama.

— O que é isso? — Josephine perguntou enquanto se sentava na cama. — E

não é má sorte o noivo ver a noiva no dia do casamento?

Max cobriu os olhos com a mão.

— Melhor?

Ela estendeu a mão e agarrou a mão dele, puxando-o para a cama ao lado

dela. — Milly está acordada?

— Ainda não. — Max afastou o cabelo do rosto de Josephine. — Temos

alguns minutos para nós antes do dia começar.

— Então vamos aproveitar ao máximo. — Josephine esperava que o olhar

dela não enviasse a Max a mensagem de que pretendia passar esses poucos

momentos preciosos comendo torradas e mel.

— Eu gosto do seu modo de pensar. — Max se levantou e tirou a roupa,

revelando seu corpo tonificado, coberto de pele bronzeada.

Josephine riu.

— Esta parte não deveria vir depois da cerimônia de casamento?


— Eu não vou dizer se você não contar. — Ele cuidadosamente retirou a

bandeja da cama e a colocou na cômoda. Josephine observou cada movimento de

seu corpo como uma emoção empolgada dentro dela. Ele era o homem dos seus

sonhos. Embora, antes de conhecer Max, nunca tivesse sonhado que esse homem

existisse.

— Eu não ligo para quem sabe. — Respondeu ela. — Só quero estar contigo.

— Você diz as coisas mais doces. — Ele deslizou sob as cobertas da cama e

ela avançou, pressionando seu corpo contra o dele. Pele contra pele, o calor de

seus corpos acendeu um fogo profundo na boca de sua barriga, que se espalhou

por suas veias. Ele era uma droga, um vício, ela o desejava, querendo estar com

ele a cada minuto do dia e a cada segundo da noite.

— Eu te amo Max. Hoje é apenas o começo de nossas vidas juntos. — Ela

beijou seus lábios e ele deslizou a língua ao longo do lábio inferior e depois

explorou sua boca. Ele provou café e algo doce. Mel.

Seus dedos se curvaram ao redor da bainha da camisola dela e ele a puxou

para cima, expondo sua barriga macia e depois mais acima. Ele suspirou quando

a mão segurou o peito dela e o polegar roçou o mamilo até endurecer. Quebrando

o beijo deles, ele abaixou a cabeça e tocou a ponta da língua sobre a ponta do

mamilo. Seu interior se apertou e seus dedos se enroscaram em seus cabelos

enquanto ela embalava a cabeça dele em seus braços.

O fogo lambia seu interior, ela precisava dele dentro dela, profundamente

dentro dela. Afastando as coxas, ela pediu que ele se movesse entre elas. Ele se
guiou nela, seu comprimento endurecido entrando nela, esticando seus músculos

internos.

Que começo para o dia. Josephine fechou os olhos e se deleitou com as

sensações que inundavam seu corpo. Cada toque de seus dedos e o beijo de seus

lábios aumentavam sua excitação. Ele não era apenas o melhor homem que ela já

conhecera, mas o melhor amante também.

A cada impulso, cada estocada enquanto ele a enchia completamente, seus

corpos trabalhavam em simetria. Era como se eles tivessem ensaiado mil vezes

até se conhecerem por dentro e por fora. Talvez fosse porque eles eram mais

velhos em anos, experientes e conscientes de como seus corpos reagiam. Ela não

sabia, ela não se importava.

Tudo o que ela se importava era que Max seria o único homem para ela pelo

resto da vida.

Ele empurrou mais fundo, antes de se afastar, e ela roçou as unhas nas costas

dele, insistindo com ele, enquanto ela beijava e beliscava a pele sensível de seu

pescoço. Sua excitação aumentou, a tensão em seu corpo quase demais.

Ela precisava gozar, ela precisava chegar ao clímax.

Envolvendo as pernas em torno dele, ela mudou o ângulo do seu corpo. A

cada impulso, ele roçava seu monte. As sensações a empurraram mais alto até

que finalmente ela gozou.


Virando a cabeça, ela mordeu o travesseiro, abafando os gritos, não querendo

acordar Milly. Ainda não. Esses momentos sozinhos foram preciosos.

Pensamentos de Milly foram varridos quando Max gozou, seu clímax

desencadeou uma reação em cadeia em seu corpo. Dois orgasmos, seria um

ótimo dia.

Ela riu, seu corpo tremendo quando seu orgasmo escapou. Max levantou a

cabeça e segurou o rosto dela nas mãos.

— Não tenho certeza se eu quero saber sobre o riso. — Ele disse sem fôlego.

— Eu estava pensando em como tenho sorte. — Ela levantou a cabeça do

travesseiro e beijou seus lábios. — Tanta sorte.

Josephine ficou séria quando olhou nos olhos dele. Antes de se mudar para

Bear Creek, antes de conhecer Max, nunca se consideraria sortuda. Mas agora,

quando se olhava no espelho, a mulher que olhava de volta para ela era uma das

pessoas mais sortudas que existiam. Ela conhecia o amor. Ela sabia o valor desse

amor. Talvez porque ela tenha passado tantos anos sem isso.

— Vamos ter um ótimo dia. — Ele a beijou e depois levantou a cabeça. —

Milly está acordada.

Com um rápido beijo na bochecha, ela o empurrou para fora da cama. —

Vai. Vou preparar nós duas.


— Jake estará aqui às doze. — Max pulou da cama e pegou suas roupas,

vestindo-se o mais rápido que pôde antes de correr para a porta.

— Eu te amo. — Ela gritou para ele.

Max se virou e voltou para a porta. Ele mandou um beijo para ela, que ela

fingiu pegar.

— Eu te amo.

Então ele se foi.

Josephine pegou um roupão e saiu da cama. Indo para o quarto de Milly, ela

pegou a criança pequena no berço e beijou sua bochecha.

— Este será um dia especial.

— Mamãe. — A voz alta e doce de Milly encheu a sala, deixando Josephine

em lágrimas.

— Realmente já é um dia especial.

***

— Você está deslumbrante. — Jake beijou sua bochecha quando ele entrou na

casa.
— Eu continuo dizendo isso a ela, mas ela não acredita em mim. — Disse

Fiona, enquanto se afastava, lançando um olhar crítico sobre Josephine.

— Ela é corajosa o suficiente para discordar de você? — Jake perguntou

enquanto beijava Josephine na bochecha e lhe entregou um presente. — Isso é

meu e de Tad.

— Você não precisava me dar nada. — Josephine disse enquanto abria a caixa

de joias. — Oh, uau.

— Eu vou ajudá-la a colocá-lo. — Jake pegou cuidadosamente o colar de

diamantes e safira e o colocou no pescoço de Josephine. — Você aprova, Fiona?

Fiona estreitou os olhos enquanto olhava para o colar.

— Eu aprovo. — Ela se inclinou e pegou Milly. — E agora eu vou deixar

vocês. Milly e eu esperaremos por vocês em casa.

— Obrigado por tudo, Fiona. — Josephine atravessou a sala e olhou seu

reflexo no espelho. — Eu amo isso.

— Ficou lindo em você. — Jake estava atrás dela, olhando seu reflexo.

— A pessoa mais sortuda do mundo ficou mais sortuda. — Ela olhou para

cima e pegou sua expressão confusa. — Eu estava falando de mim. Uma vez, eu

pensei que era a pessoa mais azarada viva. Mudar para cá e conhecer todos vocês,

mudou isso.
— Você é a prova de que as pessoas podem mudar. Você me inspira,

Josephine. — Jake pegou a mão dela e ela se virou para encará-lo quando ele a

levou aos lábios.

— Você encontrará a felicidade. — Josephine prometeu a ele.

— Agora, precisamos encontrar meu irmão que está esperando

impacientemente por você. — Ele a levou para fora de casa e para o carro. — Ele

é um homem de muita sorte.

— Se eu esquecer de lhe dizer mais tarde, eu só quero agradecer por você

concordar em me acompanhar. — Ela deslizou em seu elegante Porsche preto e

ele a ajudou a colocar o vestido. Josephine escolheu um vestido marfim que

pendia lindamente e arrancava uns 4 quilos de sua figura. Simples e discreta, ela

esperava parecer sofisticada enquanto caminhava pelo corredor no braço de Jake.

E então voltar pelo corredor com Max.

Quando deixaram a casa e saíram da cidade em direção à casa dos Harrison,

ela olhou pela janela.

— Eu pensei que ficaria mais nervosa.

— Talvez seja porque você sabe que é a coisa certa. Você está se casando com

seu companheiro. — Jake a lembrou. — Não há razão para duvidar

dele. Portanto, mesmo se o dia inteiro tivesse formato de pera, você ainda ficaria

feliz com o homem que ama.


Ela meio que se virou para olhar para Jake.

— Você diz as melhores coisas.

— Obrigado. — Ele saiu da estrada e o carro se arrastou pela calçada em

direção à casa. — Fiona está esperando. — Ele desligou o motor e abriu a porta

do carro. Saltando, ele correu para o lado do passageiro e ofereceu a mão a

Josephine. — Pronta?

— Sim. — Josephine pegou a mão de Jake e ele a ajudou a sair do carro. —

Meu vestido está bem?

Jake deu um passo para trás e olhou para ela criticamente, antes de sorrir.

— O vestido está bem. Você está perfeita.

— Obrigada. — Cor subiu em suas bochechas enquanto ela sorria

amplamente.

— De nada. — Respondeu Jake. — Devemos ir?

Josephine assentiu e passou o braço em volta do de Jake.

Quando eles começaram a caminhar em direção à casa, Fiona se juntou a eles

com Milly nos braços.

— Eu não consigo expressar o quanto estou feliz por todos vocês. — Disse

Fiona. — Dias como este fazem valer a pena todas as longas horas de trabalho e

desgosto.
Jake se inclinou para frente e beijou a bochecha de Fiona.

— Temos muito a agradecer, Fiona. Você estava lá quando precisamos de

você todos esses anos atrás e trouxe Milly e Josephine para nossas vidas.

— Espere, Fiona estava lá quando você perdeu seus pais? — Josephine

perguntou em choque.

— Eu sou tão velha quanto o tempo. — Fiona deu um sorriso conhecedor. —

Mas o tempo não espera por ninguém e nós temos que casar você, e essa pequena

dama está esperando para se tornar um membro oficial da família Harrison

também.

Fiona carregou Milly pela lateral da casa com Josephine e Jakeas

seguindo. Josephine tentou processar as notícias sobre Fiona, mas quando olhou

para a multidão de amigos que enchiam o jardim e viu Tad em seu smoking, ela

percebeu que nada disso importava.

Não quando o homem dos seus sonhos estava esperando por ela. Esperando

para se casar com ela.

Quando deu o primeiro passo no corredor, deu um passo em sua nova

vida. Milly e Josephine estavam prestes a ser bem-vindas na vida de três shifters,

e quando ela viu Max esperando por ela, e o amor inchou em seu coração, ela

esperava que Tad e Jake, seus dois novos irmãos, encontrassem seus próprios

companheiros e seus filhos, sua própria felicidade um dia.

Um dia em breve.
Para você que chegou até aqui, o nosso muiiiito obrigado.
Esperamos que tenha gostado pois foi feito especialmente para você!

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