AULA 1
MICROAGULHAMENTO COM
ASSOCIAÇÕES COSMÉTICAS
Profª Caroline Dadalt Silva
TEMA 1 – O MICROAGULHAMENTO AO LONGO DA HISTÓRIA
O uso de agulhas pela humanidade para o tratamento de enfermidades
remonta a mais de 5 mil anos, quando os chineses se utilizavam da acupuntura.
Entre os materiais usados, um martelo se destaca pela similaridade com os
equipamentos de microagulhamento de hoje em dia. Esse martelo tinha entre 5 e
7 agulhas na sua ponta e era usado para realizar a acupuntura cutânea ou
acupuntura epidérmica. Seu uso buscava descongestionar as energias do corpo,
dessa forma tratando as enfermidades.
1.1 História moderna
A agulha utilizada na medicina moderna foi criada no século XIX e ao longo
dos anos sofreu modificações em relação à matéria-prima, ao comprimento, ao
calibre e à forma do bisel. Vários tipos de agulhas foram inventados, sendo uma
delas as microagulhas empregadas na área da estética para a realização do
microagulhamento. Entretanto, as primeiras publicações que discorrem sobre o
uso das agulhas no tratamento de disfunções estéticas não utilizaram as
microagulhas.
Em 1995, Norman e David Orentreich, dois médicos americanos,
publicaram um artigo em que relacionavam a utilização das agulhas com o
aumento na produção de colágeno pelo organismo. Nesse artigo, explicavam um
método, criado por eles, para o tratamento de rugas e cicatrizes denominado
subcisão. Utilizando-se de uma agulha com o calibre de 22 G (G de gauge,
unidade de medida do sistema inglês), os médicos realizavam uma perfuração
próxima ao local afetado e por debaixo da pele chegavam, com a mesma agulha,
até a cicatriz ou a ruga. A agulha, com uma ponta cortante, rompia as bandas
fibrosas responsáveis por causar a depressão na superfície da pele, permitindo
ao tecido produzir novas fibras de colágeno pelos mecanismos de regeneração
tecidual, sem a necessidade de aplicar nenhum produto. Com a técnica de
subcisão, conseguiram melhorar rugas frontais na face, cicatrizes de varíola e
cicatrizes surgidas após procedimentos cirúrgicos.
Também na década de 1990, Camirand, um cirurgião plástico canadense,
com agulhas utilizadas para fazer tatuagens, realizou perfurações na pele para
melhorar cicatrizes formadas após cirurgias. Entretanto a sua técnica foi criticada
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por outros profissionais da área pelo procedimento ser devagar e trabalhoso, e as
perfurações causadas serem superficiais e muito próximas entre si.
Um desses profissionais foi o Dr. Des Fernandes, médico cirurgião plástico
sul-africano que questionava os tratamentos estéticos da época. Na década de
1990, os tratamentos para o rejuvenescimento envolviam a realização de peelings
químicos e lasers ablativos, entretanto ambos os procedimentos comprometem a
estrutura da epiderme, desencadeando uma reação inflamatória intensa. Para
Fernandes (2002), a epiderme é um tecido complexo que protege o organismo
contra danos externos, e danificá-la por completo, como acontece nos
procedimentos citados, torna-a mais fina, favorecendo o aparecimento de linhas
de expressão. O autor, baseado no trabalho de outros profissionais, propôs a
realização de procedimentos estéticos que estimulam a produção de colágeno
sem destruir completamente a epiderme. Ele inventou um equipamento composto
por microagulhas, ligadas a um tambor, que causa perfurações controladas na
pele dos pacientes. Utilizando essa técnica junto a produtos tópicos (como
vitamina A e vitamina C), o autor conseguiu melhorar a flacidez tecidual do
abdome de uma paciente e as linhas de expressão peribucais de outra. O
equipamento foi patenteado como Roll-Cit®.
O inventor Horst Liebl, analisando os trabalhos publicados por Orentreich e
Camirand, aplicou cerca de 200 agulhas em um tambor para que o processo de
microagulhamento se tornasse menos estático e mais dinâmico. Ele patenteou o
produto com o nome de Dermaroller®.
É importante salientar que, devido à popularidade do nome Dermaroller®,
muitas pessoas confundem o nome do procedimento estético de
microagulhamento com o de um equipamento, algo errôneo uma vez que
transmite a ideia de que o microagulhamento só pode ser feito com esse material.
TEMA 2 – EQUIPAMENTOS
Após o surgimento dos primeiros equipamentos para a realização do
procedimento de microagulhamentos, diversas outras empresas no mundo
começaram a criar suas próprias ferramentas. Inicialmente, diversos rollers
apareceram no mercado, seguidos de uma modernização desse equipamento
com a criação da caneta de microagulhamento.
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2.1 Roller
O roller é dividido em duas partes: o cabo de plástico feito de policarbonato
ou ABS (acrilonitrila butadieno estireno, um plástico derivado do petróleo) e o
tambor, que fica em uma das extremidades do cabo (Figura 1).
Figura 1 – Roller utilizado em microagulhamento
Créditos: Sofia Bessarab/Shutterstock.
No tambor de rolamento são encravadas microagulhas com comprimentos
diferentes, que variam de 0,2 mm (o menor comercializado) até 3 mm de
comprimento (a maior), com o diâmetro na base das microagulhas sendo em
média de 0,3 mm. Os rollers comercializados possuem agulhas com os seguintes
comprimentos: 0,2 mm, 0,3 mm, 0,5 mm, 1 mm, 1,5 mm, 2 mm, 2,5 mm e 3 mm.
Outra variação encontrada nesse equipamento é a quantidade de agulhas
presentes em cada tambor, indo de quantidades menores, com 180, 192 e 200
agulhas, até 540 e 1080 agulhas, variando entre as marcas de roller. O material
com que essas agulhas são feitas pode ser titânio ou aço inoxidável.
A grande maioria desses produtos são importados, especialmente de
empresas localizadas na China, e para serem comercializados precisam da
aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ela é um órgão
vinculado ao Ministério da Saúde incumbido de regulamentar, controlar e fiscalizar
os produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública, respeitando a
legislação em vigor (art. 8º da Lei n. 9.782, de 26 de janeiro de 1999). Nela devem
ser registrados quaisquer produtos relacionados à área da saúde, sejam
medicamentos, drogas, cosméticos ou equipamentos médicos.
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Em relação aos equipamentos médicos, o manual para regularização de
equipamentos médicos na Anvisa (2020) define:
Os equipamentos médicos sob regime de Vigilância Sanitária
compreendem todos os equipamentos de uso em saúde com finalidade
médica, odontológica, laboratorial ou fisioterápica, utilizados direta ou
indiretamente para diagnóstico, terapia, reabilitação ou monitoramento
de seres humanos e, ainda, os com finalidade de embelezamento e
estética.
Portanto tais equipamentos precisam ter o número de registro na Anvisa, e
as empresas que comercializam esse tipo de produto devem estar
regulamentadas também. No Quadro 1, estão algumas das empresas que
comercializam rollers.
Quadro 1 – Empresas certificadas pela Anvisa e o nome dos seus equipamentos
Empresa Produto
BK ACUPUNTURA & SAUDE LTDA Derma Roller BK
FABINJECT INDÚSTRIA E COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E FDR Derma Roller
EXPORTAÇÃO LTDA – EPP
SANTA FÉ TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA DRS DERMA ROLLER
TG MED COMERCIO IMPORTACAO, EXPORTACAO, DERMA ROLLER
FABRICACAO E DISTRIBUICAO DE PRODUTOS MEDICOS
LTDA.
GR MED PRODUTOS MEDICOS E HOSPITALARES LTDA smart derma roller
ME
VR MEDICAL IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE derma erase
PRODUTOS MÉDICOS LTDA
Fonte: Anvisa, 2023.
2.1 Caneta de microagulhamento
Após alguns anos, um novo instrumento surgiu no mercado, procurando
modernizar a técnica do microagulhamento, já que o roller era utilizado de forma
manual. Esse novo instrumento é automático, algo que facilita a realização do
procedimento, e é chamado de caneta de microagulhamento, apesar de o nome
comercial mais conhecido ser Dermapen® (Figura 2).
A utilização do roller, apesar de ser simples, requer técnica no momento da
aplicação, uma vez que a pressão exercida pelo profissional na superfície da pele
do paciente pode aprofundar ou superficializar as agulhas, causando efeitos
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indesejados ou não causando efeito terapêutico nenhum. Com a caneta, a
penetração das agulhas ocorre de forma automática, e a profundidade com que
estas penetram na pele do paciente pode ser regulada no próprio equipamento.
Outra vantagem da caneta seria a atuação em locais em que a pele é mais
fina e sensível, como nariz, ao redor dos olhos e ao redor da boca, já que é difícil
alcançar essas áreas com o roller, mas com a caneta é mais seguro e fácil realizar
esse procedimento.
Figura 2 – Dermapen®
Créditos: Sakurra/Shutterstock.
Além disso, o mesmo equipamento pode ser usado em vários pacientes
trocando-se somente a parte que contém as agulhas (chamado de cartucho), ao
invés do roller, que deve ser todo o equipamento descartado após uma aplicação.
Isso diminui a quantidade de material plástico usado e o custo do procedimento.
Outra vantagem é o padrão de penetração das agulhas na pele, de forma
completamente perpendicular.
Assim como o Roller, várias empresas lançaram diferentes marcas de
canetas para microagulhamento. No Quadro 2, é possível ver marcas
comercializadas no país com a aprovação da Anvisa. As empresas, além da
caneta, vendem os cartuchos com agulhas que devem ser descartados a cada
sessão.
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Quadro 2 – Empresas que comercializam a caneta de microagulhamento
Empresa Produto
Alur medical ALUR DERMA PEN
gr med smart derma pen
Bio devices Derma nano pen
JPG m. pen
Traderm hawk pen
VR medical Derma erase pen
Fonte: Anvisa, 2023.
TEMA 3 – CONTRAINDICAÇÕES E CUIDADOS ESPECIAIS
O microagulhamento é um procedimento estético considerado pouco
invasivo por trabalhar com agulhas que vão até 3 mm de comprimento, entretanto,
assim como qualquer outra intervenção estética, apresenta contraindicações que
devem ser respeitadas para que nenhuma intercorrência aconteça.
3.1 Contraindicações
Algumas situações ou estados da pele, que variam entre indivíduos,
tornam-se obstáculos para a realização do microagulhamento, com risco de
comprometer a integridade da pele.
3.1.1 Pele sensibilizada
A sensibilização da pele ocorre caso algum agente externo machuque de
forma química ou física a estrutura da epiderme ou da derme, como o caso das
queimaduras pelo sol. A radiação ultravioleta é capaz de queimar e destruir as
moléculas da matriz extracelular e comprometer a estrutura celular de
queratinócitos, fibroblastos e melanócitos, desencadeando um processo
inflamatório na superfície da pele. Realizar o microagulhamento na superfície de
uma pele sensibilizada só vai aumentar a inflamação e, consequentemente, a dor
e o eritema, aumentando o risco de lesionar de forma patológica essa pele.
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3.1.2 Consumo de medicamentos
Alguns medicamentos podem alterar o metabolismo do sistema
tegumentar, como é o caso da isotretinoína, utilizada para melhorar a qualidade
da pele de alguns pacientes que sofrem principalmente de casos graves de acne.
Contudo, o seu consumo oral por longos períodos fragiliza a pele. É recomendado
realizar o microagulhamento seis meses após interromper o uso do medicamento.
Anticoagulantes são outra classe de medicamentos que impedem o
paciente que está consumindo de fazer o procedimento, uma vez que interferem
no processo de coagulação e reparo tecidual da pele tratada.
3.1.3 Infecção de pele
Em pacientes que apresentem uma infecção ativa na pele,
independentemente se são causadas por bactérias, como no caso da acne, por
vírus, no caso de verrugas, ou por fungos, em quadros de micoses, a realização
de microagulhamento pode piorar a situação, auxiliando a infecção a se espalhar
mais rapidamente pelo tecido.
3.1.4 Doenças de pele
Algumas doenças que acometem os pacientes se tornam fatores
determinantes para a não realização do procedimento. O câncer, em particular os
que afetam a pele, inviabiliza qualquer intervenção estética, devido ao fato de que
agredir e desencadear um processo inflamatório em uma pele com câncer, além
de não trazerem os benefícios esperados, podem gerar consequências
desconhecidas ao tecido.
Além disso, em pessoas que estão sendo tratadas com quimioterapia e
radioterapia contra o câncer (seja ele qual for), a pele não está em sua condição
normal, uma vez que esses tratamentos afetam células com alta capacidade de
mitose, comprometendo a estrutura principalmente dos queratinócitos,
impossibilitando o microagulhamento.
Pessoas com rosácea ativa e diabetes mellitus descontrolada também
estão vetadas. No caso da rosácea, a situação pode piorar, já que é uma doença
inflamatória da pele. Na diabetes descontrolada, o excesso de glicose atrapalha o
processo de regeneração.
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3.2 Cuidados especiais
Alguns pacientes, devido a suas condições, não estão impossibilitados de
realizar o microagulhamento, entretanto necessitam de cuidados especiais após
a realização do procedimento.
Pessoas de peles sensíveis podem demonstrar reações intensas e com
efeitos mais prolongados do que o esperado, devido à fragilidade que essa pele
tem a estímulos externos. Em peles que apresentam a espessura da epiderme
diminuída, devido a realizações constantes de peelings químicos ou
procedimentos estéticos ablativos, a profundidade que as agulhas alcançam pode
ser maior do que a esperada.
Gestantes podem realizar o procedimento sem a utilização de nenhum
cosmético, forma conhecida como microagulhamento seco, ou incorporar ativos
permitidos a elas, entretanto, devido às variações hormonais causadas pela
gravidez, o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória e até o surgimento de
melasmas são maiores.
Na diabetes controlada é permitido aplicar agulhas com até 0,5 mm de
comprimento, e o processo de regeneração também pode ser mais demorado do
que o normal. Telangiectasias podem piorar devido a neovascularização, mas não
são consideradas contraindicações. A herpes simples, caso esteja ativa, entra
junto ao quadro de infecção na pele, porém, se não existir sinal clínico, é permitida
a aplicação. Pode acontecer de o trauma da agulha estimular o aparecimento dela,
sendo necessário utilizar a medicação para controlá-la. Rosácea na fase crônica
deve ser tratada da mesma forma que a herpes, caso não esteja ativa pode-se
realizar o microagulhamento, entretanto isso pode ser um fator desencadeante
para o seu aparecimento.
TEMA 4 – INDICAÇÕES DE MICROAGULHAMENTO
Como o microagulhamento é uma técnica que se baseia em pequenas
agulhas (de até 3 mm de comprimento), pode ser aplicado tanto no rosto quanto
no corpo, para o tratamento de disfunções estéticas. Os mecanismos de ação
serão discutidos futuramente, porém, antecipando o conteúdo: o primeiro é a
indução na formação de colágeno por meio da lesão que a microagulha causa na
derme; o segundo é a utilização da perfuração para conduzir ativos até camadas
mais profundas da derme, conhecido como Drug Delivery.
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4.1 Quais disfunções estéticas o microagulhamento trata
O microagulhamento consegue tratar um número limitado de disfunções
estéticas por não alcançar camadas mais profundas. Mas, para todas as
disfunções que serão comentadas, é possível aplicar o roller ou a caneta.
As linhas de expressão são um dos primeiros sinais do envelhecimento,
aparecendo ainda na terceira década de vida. Elas ocorrem pela diminuição na
síntese do colágeno, que vai progressivamente sendo reduzida nos fibroblastos a
partir dos 25 anos. Essas rugas mais superficiais podem ser tratadas com o
microagulhamento, uma vez que a penetração das agulhas serve como estímulo
para a síntese de novos componentes da matriz, e ainda vinculada a ela podem
ser aplicados ativos que combatem o envelhecimento, como nutrientes e
antioxidantes. Esse sistema de entrega de nutrientes diretamente na derme pode
ser usado para revitalizar a pele de fumantes, que, dependendo da quantidade de
cigarros fumados, estão cinzas e opacas.
Outras disfunções alteram a forma da pele, que perde a sua estrutura
convencional, adaptando-se para resistir a uma agressão que está sofrendo. É o
caso de cicatrizes que se formam após o aparecimento de acne e das estrias que
se formam pelo estiramento da pele. Em ambas as situações, ocorre a formação
de uma pele anormal, mais resiliente, entretanto esteticamente disforme. Como o
microagulhamento gera uma lesão controlada, permite à pele regenerar-se
retornando ao seu estado inicial e, assim, sendo possível reverter essas
disfunções estéticas.
Alopecias não cicatriciais podem ser tratadas também. Caso o
comprimento da agulha alcance a matriz papilar do folículo piloso, é possível
aplicar ativos que estimulem o folículo a retornar à fase de crescimento. Entretanto
essa técnica não é indicada para a alopecia cicatricial, uma vez que o folículo foi
destruído.
Devido ao melanócito estar na camada basal, a utilização de rollers com
baixo comprimento permite alcançá-lo; se vinculada a ativos despigmentantes e
clareadores, é possível tratar melasmas e hiperpigmentações pós-inflamatórias.
4.2 Tamanho da agulha utilizada
Na literatura não existe um consenso sobre quais agulhas devem ser
utilizadas em cada caso. No livro de Mariana Negrão sobre microagulhamento, a
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autora faz uma revisão sobre artigos publicados por vários autores. As conclusões
são sobre os rollers menores, entre 0,5 mm e 1,5 mm, serem utilizados para o
tratamento de disfunções relacionadas a hiperpigmentação e a rugas superficiais,
enquanto as agulhas de 2 mm a 3 mm seriam para o tratamento de estrias e
cicatrizes. Isso não é uma regra, pois a própria autora comenta que usar agulhas
de 0,5 mm para tratamentos de estrias e flacidez e a combinação com um home
care focado específico para o paciente são fatores importantes para alcançar o
resultado final.
Entretanto, diferentes comprimentos alcançam diferentes profundidades na
epiderme e na derme. As agulhas de 0,25 mm e 0,3 mm ficam restritas à
epiderme, alcançando as primeiras camadas (camada granulosa e espinhosa),
sendo seu uso cosmético. A agulha de 0,5 mm consegue chegar até a camada
basal, e a partir dela o uso do microagulhamento é considerado terapêutico. As
agulhas de 1 mm até 3 mm alcançam a derme. Dependendo da região do corpo,
principalmente a pele em que a derme é mais fina, a agulha de 3 mm pode
alcançar a tela subcutânea (Figura 3).
Figuras 3 – Comprimento das agulhas no microagulhamento
Créditos: Sofia Bessarab/Shutterstock.
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4.3 Quantas sessões são necessárias
A quantidade de sessões varia pela disfunção tratada. No Brasil, a Anvisa
limita o uso de rollers apenas uma vez, porém fora do país é comum a utilização
dos rollers cosméticos (entre 0,2 e 0,3 mm) várias vezes, e em dias seguidos,
entretanto essa prática não é aconselhada pela Anvisa como comentado
anteriormente, pelo custo do equipamento e pela sua venda ser restrita aos
profissionais da área.
Para agulhas maiores que 0,5 mm, já considerado seu uso terapêutico, a
frequência varia conforme o autor. Alguns falam de intervalos de 30 dias para a
pele ter tempo de sintetizar novas fibras de colágeno antes de ser agredida
novamente, contudo outros afirmam que o tempo de ação de um fibroblasto é
somente de 15 dias, sendo necessário um novo estímulo após esse período.
Mariana Negrão, em seu livro, conta como é a sua prática clínica, em que,
para agulhas de até 1 mm de comprimento, a frequência das sessões é de até 30
dias, porém, para agulhas maiores, o intervalo é entre 45 a 60 dias, dependendo
do caso.
TEMA 5 – A TÉCNICA
A técnica de microagulhamento varia entre os profissionais, entretanto
alguns artigos indicam maneiras de realizar o procedimento em consultório para
maximizar os resultados.
5.1 Aplicação da técnica
Inicialmente é necessário que o profissional não use joias e vista as roupas
adequadas, calçado fechado, jaleco, touca, em seguida os materiais de segurança
individual, como máscaras e luvas descartáveis.
Na preparação do paciente, deve ser feita higienização com gluconato de
clorexidina, ou álcool 70%. O álcool etílico consegue desnaturar as proteínas e
remover moléculas de lipídios, agindo como um desengordurante. São esses os
mecanismos que o tornam um antisséptico capaz de comprometer a estrutura de
bactérias, vírus e fungos. Além disso, a ação desengordurante consegue remover
parte da camada córnea da pele que poderia conter microrganismo protegidos
abaixo dela, realizando uma assepsia mais profunda. A clorexidina é um
germicida, agindo melhor contra as bactérias gram-positivas do que contra as
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outras bactérias. Seu mecanismo de ação consiste em aumentar a
permeabilidade da parede celular precipitando os componentes celulares sem
causar sensibilidade na pele. Por isso é interessante combinar esses dois agentes
para a higienização do paciente antes de realizar o procedimento.
A aplicação do microagulhamento é diferente caso realizada no rosto ou no
corpo. Na realização do procedimento na face, é necessário separar quadrantes
e aplicar em um por vez. Eles são a testa, o lado direito do terço médio, o lado
esquerdo do terço médio, o queixo e o nariz, como ilustrado na Figura 4.
Em cada um dos quadrantes é recomendado aplicar as microagulhas em
quatro direções diferentes: vertical, horizontal, diagonal direita e diagonal
esquerda. Tanto o roller quanto a caneta devem ser passados pelo menos dez
vezes em cada direção, para gerar punturas suficientes para desencadear o efeito
desejado. A passagem das agulhas de forma exagerada pode lesionar a pele mais
do que necessário.
Figura 4 – Locais de aplicação do microagulhamento
Créditos: Olive Kitt/Shutterstock.
Após a aplicação das agulhas, os poros formados demoram alguns minutos
para se fecharem devido aos mecanismos de reparo tecidual. Nesse intervalo, é
o momento de aplicar os ativos, se esse for o caso. Em seguida, esperar um
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período para que permeiem a pele, sendo necessário retirar o excesso que não
foi absorvido.
Não é recomendado aplicar o protetor solar imediatamente após o
procedimento, devido ao efeito comedogênico e alérgico de seus componentes,
entretanto seu uso é recomendado durante as primeiras 24 horas após a
realização do microagulhamento. Outros cuidados devem existir: evitar o uso de
maquiagem nas primeiras 24 horas e a exposição ao sol durante o tratamento,
hidratar a pele, importante para que o processo de reparo tecidual aconteça da
melhor forma, e evitar contato com animais nas primeiras quatro horas devido ao
risco de infecção.
5.2 Reações esperadas pela técnica e intercorrências
As reações após o procedimento podem variar entre os indivíduos, devido
às características intrínsecas e extrínsecas da pele de cada um. Entre essas
características variam: o tipo de pele – seca, mista ou oleosa; se a pele está
envelhecida, foi muito exposta a radiação solar, está desnutrida devido a uma
alimentação irregular ou ao consumo do cigarro. Essas variações individuais que
envolvem genética, experiência de vida e idade de cada um acabam por
proporcionar diferentes respostas depois do tratamento. Também a forma de
aplicação e os tamanhos da agulha influenciam o estado que a pele apresenta.
Algumas das reações mais comuns vão ser o edema e o eritema, sintomas
da inflamação desencadeada na pele pelo microagulhamento. Entretanto, como
será discutido, essa inflamação é vantajosa pela capacidade de estimular os
fibroblastos a produzirem componentes da matriz extracelular.
Além disso, como a sensibilidade da pele estará aumentada, sensações de
calor e queimação também podem ocorrer de forma natural ou caso essa pele
entre em contato com algum cosmético ou maquiagem irritativa. A sensação de
repuxamento também está presente.
Todo cuidado deve ser tomado na realização do procedimento, ou
intercorrências podem acontecer, e o paciente que procurou ajuda para o
tratamento pode sair com um novo problema.
Apesar de possuir baixos índices, todo procedimento apresenta seus
riscos. As principais intercorrências do microagulhamento são um corte e a
formação de uma cicatriz, a hiperpigmentação pós-inflamatória, especialmente em
fototipos mais altos, hematomas, contaminação e alergia a ativos aplicados.
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REFERÊNCIAS
ANVISA – AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Consultas de
produtos para saúde. Disponível em: <https://consultas.anvisa.gov.br/#/saude/>.
Acesso em: 7 jun. 2023 .
BRASIL. Lei n. 9.782, de 26 de janeiro de 1999. Diário Oficial da União, Poder
Legislativo, Brasília, DF, 27 jan. 2023.
FERNANDES, D. Percutaneous Collagen Induction: An Alternative to Laser
Resurfacing. Aesthetic Surg J. v, 22, n 3: p.307-39, mai., 2002.
NEGRÃO, M. M. C. Microagulhamento bases fisiológicas e práticas. 1. ed.
São Paulo: CR8 Editor, 2015.
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