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A VITRINA COMO ESTRATÉGIA SEDUTORA NOS ESPAÇOS DE CONSUMO

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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

ELIANA MARIA TANCREDI ZMYSLOWSKI

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A VITRINA COMO ESTRATÉGIA SEDUTORA NOS ESPAÇOS DE CONSUMO

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO MESTRADO EM DESIGN PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU

Orientadora Dra. Kathia Castilho

São Paulo, agosto/2009

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Z72v

Zmyslowski, Eliana Maria Tancredi Vitrina como estratégia sedutora dos espaços de consumo Eliana Maria Tancredi Zmyslowski. – 2009 82p.: il.: 21 cm. Orientador: Drª Kathia Castilho. Dissertação (Mestrado em Design) - Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2009. Bibliografia: p.79-81. 1. Design. 2. Desenho do efêmero. 3. Design de interiores. 4. Espaços comerciais. 5. Ambientação. 6. Vitrina. I. Título.

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou Parcial do trabalho sem autorização da Universidade, do autor e do orientador. ELIANA MARIA TANCREDI ZMYSLOWSKI
Mestranda em Design pela Universidade Anhembi Morumbi, Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Farias Brito. Designer de Interiores com especialização em iluminação. Professora em curso de Design de Interiores e Vitrinismo da instituição SENAC em São Paulo. SóciaDiretora da empresa Zmyslowski Arquitetos ltda., onde atua como designer e arquiteta de interiores. Participa de Congressos , Seminários e Banca de júri na área de Arquitetura e Design de Interiores.

CDD 741.6

Email: eliana.zmyslowski@globo.com

COMO REQUISITO PARCIAL PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE MESTRE EM DESIGN. Dra Kathia Castilho Orientadora – Universidade Anhembi Morumbi – São paulo Profa. Dra. Dra. Vevey . Agosto/2009 . Álvaro Guillermo São Paulo. Sylvia Demetresco.Vitrina 5 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI ELIANA MARIA TANCREDI ZMYSLOWSKI Vitrina MESTRADO EM DESIGN A VITRINA COMO ESTRATÉGIA SEDUTORA NOS ESPAÇOS DE CONSUMO DISSERTAÇÃO DE MESTRADO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU . Maria Izabel Meirelles Reis Branco Ribeiro Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo Profa. Ms.Suiça Prof. PhD Ecole Supérieure de Visual Merchandising. APROVADA PELA SEGUINTE BANCA EXAMINADORA: Profa.

A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Vitrina 6 .

que me ajudou a revisar essa dissertação. que muito me ensinaram com seus conhecimentos e em especial a Sylvia Demetresco. ouviram com atenção as discussões sobre o tema dessa dissertação. Agradeço também aqueles que indiretamente me ajudaram nesse curso. Liaberia. vocês não tem ideia o quanto me ajudaram. Ao Álvaro Guillermo.. Aos meus filhos. por estar sempre ao meu lado me ajudando com seus ensinamentos materiais. meu amor e companheiro. profissionais . por ter dado o primeiro empurrão na iniciação desse mestrado e vários outros empurrões ao longo do curso. meu amigo de longos anos. Vânia Ulbricht. A querida professora e orientadora Kathia Castilho.. a assistente do mestrado.Vitrina 7 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo AGRADECIMENTOS Agradeço ao Pai e único Mestre.. de certa forma. Jofre Silva. Em especial aos meus sobrinhos. Tati e Caio.. afetivos. com muita sabedoria e paciência. a minha assistente em casa e aos meus filhotes caninos que me fizeram companhia por muitas madrugadas. o designer Renato Mininel Junior que criou a apresentação gráfica dessa dissertação e a publicitária Vanessa F.. Regina A. espirituais.. as razões de todos os meus esforços. Ao Carlos. Dias. Aos meus pais. por sempre me conduzir aos bons caminhos. Aos colegas da Universidade Anhembi Morumbi: Rafael Ribeiro. Rosane Preciosa. a recepcionista. irmaos. e por compreenderem minha ausência em alguns momentos nesses dois últimos anos.. cunhados. Gisela Belluzzo. sempre me incentivou e ajudou a desenvolver essa tarefa. Suzane Barreto e Monica Moura. mesmo indiretamente compartilharam a mais essa etapa de minha vida.. A toda minha família. Engracia C. Escridelli do SENAC Aos meus alunos que. por mais esta oportunidade. sobrinhos. Aos professores do Mestrado Claudia Marinho. Muito obrigada! . e meu arquiteto favorito. o manobrista. e em especial a minha ex-aluna e colega de trabalho Virginia Paranhos que me ajudou traduzindo alguns textos. Domingos e Antonia.. da Fonseca. Eliana Acar e a Sandra R.

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“A janela-vitrina é a passagem da luz, do ar e do olhar; é o espaço da ambiguidade na qual se mesclam os universos do exterior e do interior, para criar um novo mundo que contém um pouco de cada um, e que faz nascer a vitrina com encenação ou como a abertura da parede que se torna um novo instrumento de visão”.

Profa. Dra.Sylvia Demetresco, PhD

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RESUMO

ABSTRACT

Este estudo tem como objetivo analisar e identificar os aspectos envolvidos na criação, execução e percepção de uma vitrina nos espaços de consumo, mais especificamente na área do Design de Interiores. Verificamos nesses espaços a presença e a atuação de sujeitos que não se comportam apenas como consumidores, mas também, como espectadores, observadores e interagentes. Percebemos que a vitrina acompanha a trajetória da sociedade, reconfigurando-se para melhor adequar-se à sua época. Ela não somente tem o papel de expor produtos, mas também de inter-relacionar o sujeito ao espaço, apropriando-se de elementos de diversas áreas profissionais dentre elas, Arquitetura, Design, Luminotécnica, Tecnologia, tornandose transdisciplinar. Das análises obtidas, verificamos que a vitrina tem como suporte em uma ambientação a composição de elementos visuais e espaciais. Assim investigamos a importância do Design de Vitrinas abrangendo estratégias sedutoras na relação do sujeito, produto e espaço.

This study has as purpose to analyse and identify aspects encompassed by creation, execution and perception of shopwindows in consumption spaces, more specifically in Interior Design sector. We perceived in such spaces the presence and actuation of subjects that do not behavior as consumers, but also as spectators, observers and interagents. We observed that shopwindows follow the society route, readjusting themselves in order to better suit their epoch. Shopwindows do not only have a product exhibition role, but they also allow the inter-relation between subject and space, assuming elements from several professional sectors, amongh them: Architecture, Design, Luminotechnics, Technology, so becoming an interdisciplinary subject. From the analysis accomplished, we checked that a shopwindow has as support in any environment the composition of visual and spacial elements. Thus we investigated the importance of Shopwindows Design to encompass attractive strategies regarding the subjectproduct-space relation.

Palavras Chave: Design. Desenho do Efêmero. Design de Interiores. Espaços comerciais. Ambientação. Vitrina

KEY-WORDS: Design. Ephemeral Design. Interior Design. Commercial Spaces. Space Settings. Shopwindows

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Sumário

INTRODUÇÃO 1. REVISÃO DE CONCEITOS 1.1.DEFINIÇÕES 1.1.1. Design 1.1.2.O designer e seu papel no Design de Vitrinas 1.1.3.Decoração 1.1.4. Design de Interiores

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1.1.5. A importância do designer ao longo da história do Design de Interiores 1.1.6. Design de Vitrinas 1.2. ESPAÇOS 1.2.1. Espaço físico comercial 1.2.2. Lojas do Design de Interiores 1.2.3. Shopping Center Temático na área da Decoração 1.2.4. As inter-relações dos espaços físicos comerciais com o Design de Interiores 1.3. SUJEITO E PRODUTO 1.3.1.O Sujeito, espectador, observador e interagente no espaço físico comercial 1.3.2.O Sujeito e o Produto no espaço físico comercial 1.3.3.As inter-relações do sujeito do produto e do consumo no espaço físico comercial no Design de Interiores

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2. OS ESPAÇOS E OS SENTIDOS DO SUJEITO 2.1. Os espaços físicos comerciais e os sentidos 2.2. As inter-relações dos espaços e os sentidos com o sujeito nos espaços físicos comerciais no Design de Interiores 2.3. As interferências tecnológicas nos espaços domésticos 3. A VITRINA E SUA TRAJETÓRIA 3.1.Origens da vitrina 3.2. A vitrina como espacialidade 3.3. A relação da vitrina entre a teoria da construção e a teoria da percepção no Design de Interiores CONSIDERAÇÕES FINAIS

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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surgem os profissionais específicos que criam ambientações como verdadeiros cenários para atrair o consumidor. sujeito e produto) com os nossos sentidos (tato. tendo sempre o sujeito como mediador. que intensificam a trajetória da elaboração e construção da ambientação de uma vitrina do Design de Interiores. visão). visto que são fundamentais na especificação deste trabalho e necessários enquanto compreensão destas abordagens. Cada vez mais práticas e funcionais. Após essa primeira análise. estabelecendo diferenças no que seria loja. Trabalho simultâneo de uma gama de disciplinas. Espaço e Vitrina. . E. Por fim. E diante disso o designer deve estar atento à importância das mudanças. Apontamos para o topo do organograma as equipes multidisciplinares e interdisciplinares1 que podem atuar no Design. temos a seguir (ver figura 01) uma idéia da organização do pensamento da autora desse estudo. veremos a relação da vitrina entre a teoria da construção e da teoria da percepção. percorrendo a origem e trajetória da vitrina ao longo de sua história. mais especificamente o espaço comercial. o vestuário. a vitrina faz uma conexão entre sujeito e produto. Explicaremos com detalhes como acontece a percepção sensorial pelos sujeitos nos espaços físicos comerciais e como estes se apropriam dos sentidos para atrair os consumidores. ocorre quando uma única disciplina. Falaremos ainda. e como isso é refletido nos âmbitos domésticos. de certa forma. faremos conceituações que servirão como base para o desenvolvimento da pesquisa. Também será discutida. audição. O Design de Hipermídia. Para MOURA (2003) “a interdisciplinaridade diz respeito àquilo que é comum entre duas ou mais disciplinas ou ramos de conhecimento. que consequentemente leva ao consumo. como se comporta no espaço físico comercial. 1. levando este a perceber os espaços por meio dos seus sentidos que. sobre o sujeito. Design. ponto de vista comum. as residências contam com a presença de aparelhos eletrônicos para a facilidade do dia a dia. a importância de alguns profissionais da área do Design. para finalizar. Design de Interiores e Design de Vitrinas. a Decoração e o Design de Vitrinas. Coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino.2003 :113. Primeiramente. na visão do sujeito que analisa a ambientação na vitrina do Design de Interiores. olharemos atentamente o nosso objeto de estudo no terceiro capítulo. nosso principal objeto de estudo. Nesses espaços físicos comerciais. A composição da ambientação deve ser pensada de modo que chame a atenção do consumidor. Discutiremos sobre Design. sem que se ressaltem as possíveis relações entre elas. Após uma breve análise dos espaços comerciais e desses sujeitos.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 12 Vitrina Introdução F Frente à complexidade e diversidade de espaços físicos comerciais em diversos segmentos.cit. campo de conhecimento ou ciência não é capaz de esgotar um assunto”. veremos como acontece a relação dos três elementos (espaço. planejando espaços que se possam se adequar às necessidades e perfis do sujeito. veremos que a vitrina foi se aperfeiçoando à medida que surgiam transformações no comércio. Para discutir esse tema proposto. nesse primeiro capítulo. Também mostraremos a importância da influência tecnológica na ambientação do espaço comercial. podendo ser espectador. a alimentação e a medicação. Esses últimos atuam diretamente nos espaços físicos comerciais que englobam o espaço exterior e interior. paladar. mas especificamente tratado nesse estudo: o Design de Interiores. shopping center e shopping center temático. O que se pretende discutir prioritariamente nesse estudo é a ambientação no espaço físico comercial na proposta do Design de Interiores. observador e interagente. olfato. no segundo capítulo. Assim. entraremos no segundo capítulo com discussões sobre os espaços. Atrelada à exposição de produtos em feiras. Ver Monica MOURA . Decoração. com base numa axiomática geral. a dissertação foi dividida em três estudos. por muitas vezes. Essa ambientação na construção comercial é a vitrina. tese de doutorado. dentre eles. podemos citar. onde serão abordados em três capítulos. Sempre procuraremos relacionar esses espaços com a área do Design de Interiores que. podem influenciar o âmbito doméstico e/ ou vice-versa. Para elucidar como se pretende abordar os assuntos nessa dissertação. repassam a proposta percebida ao seu ambiente doméstico.

a reflexão sobre como uma vitrina bem planejada. Observamos que os espaços de consumo são simplesmente influenciados pela tendência atual da sociedade.2003 :113. viva e atuante nos espaços de consumo e tem se firmado como uma promissora na área do desenho do efêmero. podemos dizer que a vitrina é efêmera. relacionando aspectos conceituais. Quando falamos de uma vitrina. cada vez mais recorrente. defende o design como teoria transdisciplinar com base em iniciativas de “núcleos interdisciplinares que se formam em torno de projetos e pesquisas em comum. Design de Vitrinas e Design de Modas. 2. . começamos a verificar as efemeridades.Vitrina 13 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo O objetivo deste trabalho é a análise na ótica do Design. Também usaremos. tese doutorado. textos. Verificamos que na contemporaniedade. Assim. as modas se tornam mais segmentadas e de curta duração. Estudos que visam à compreensão de maneira prática da construção estratégica de sedução e do consumo nos espaços físicos comerciais do Design de Interiores. e desta forma. tendo a vitrina como componente central. como a Arquitetura e a Sociologia. artigos. Ver Monica MOURA . o consumo tem sofrido grandes mudanças e que há uma busca insaciável de produtos que atendam à individualização do sujeito. que desenvolvem trabalhos no campo profissional e de ensino relacionados aos espaços físicos comerciais no Design de Interiores. além de uma grande quantidade de informações transmitidas e recebidas. estabelecendo relações entre o sujeito. O Design de Hipermídia. A metodologia aplicada no estudo baseia-se na análise e leitura de livros. Há uma individualidade. pois lidamos com a área comercial e com os espaços de consumo. Design de Ambientes. as pesquisas e trabalhos de equipes transdisciplinares2 .cit. Não estaremos discurssando sobre áreas do Marketing e suas estratégias. Com isso buscamos aspectos relevantes que farão parte da composição desse estudo dissertativo. ou bibliografias referentes ao Design e a algumas de suas ramificações. se destaca e valoriza as ambientações dos espaços físicos comerciais e acaba atraindo o sujeito para dentro desses espaços. o produto e o espaço físico comercial na área da Decoração. Para MOURA (2003). A pesquisa será abordada de forma qualitativa. como fundamentação teórica e prática. projetada e construída. contam com diferentes áreas de conhecimento contribuindo com o trânsito do saber”. Design de Interiores. estamos indiretamente tratando de vendas de produtos. teóricos e práticos nas interfaces nos espaços físicos comerciais do Design de Interiores. como: Decoração. e então. seria difícil estudar a vitrina sem recorrermos a um pensamento transdisciplinar. Portanto. nem tão pouco avaliando se a vitrina por meio da ambientação promove a compra dos produtos nos espaços destinados ao consumo na área da Decoração.

Por meio desses projetos. como objeto de estudo. Design e suas ramificações. Alguns desses projetos.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 14 Vitrina A escolha da vitrina. encontrarmos ambientações planejadas e projetadas de forma universal. nos dias de hoje. cursos e palestras para estudantes e profissionais ligados a área de Arquitetura. surge com tipos de consumidores claramente diferenciados. ocorreu em função de trabalhos profissionais desenvolvidos em equipes multidisciplinares e interdisciplinares dentro do shopping center temático Lar Center. Podemos perceber. são: atendimentos aos clientes. são feitas consultorias e atendimentos direcionados aos clientes. no qual acumulamos experiências de projetos focados no Design de Interiores. onde contemplam diferentes interesses para diversos sujeitos. que vivemos em uma sociedade de consumo que. . dificultando que esses visualizem e interpretem os seus interesses específicos. percebemos que é comum neste segmento do Design de Interiores. de certa forma. Nesse lugar. onde a diversidade de materiais e produtos contribui para uma diferenciação no planejamento e projeto de uma ambientação em uma vitrina.

Decoração e Design de Vitrinas Espaços físicos comerciais Espaço exterior Espaço interior Vitrina Produto Consumo Figura 01 – Esquema de raciocínio criado pela autora dessa dissertação .Vitrina 15 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Equipes multidisciplinares e interdisciplinares Design sujeito Design de Interiores.

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notamos que ele. para isso. 4 Considera-se uma cadeira ergonômica aquela que atende as normas da ABNT. Assim. a “cadeira de trabalho”. Nessa dissertação.Vitrina 19 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Q 1. Retomando o historiador Rafael Denis Cardoso. usaremos. ou melhor. como não só planejar. para suas ramificações. E BONFIM ainda propõe: “O princípio da finalidade permitiria justificar um objeto ou ser. se preocupa com o resultado final do projeto. há diferentes definições para conceituá-lo. desenhar. e verificamos que esses mesmos objetos são importantes para defini-lo. e olhando as diversas atividades com as quais o Design se associa. como Design de Produtos. Algumas delas serão destacadas nesse estudo. Aqui. 2004:14). o de designar e o de desenhar” (DENIS Cardoso. Se esses estiverem entre 90 e 110 graus. deve ajustar o corpo humano em sua superfície com aproximadamente os quatro ângulos retos (ver figura 02). fundada em 1940.1 Design decorre da existência de vários fatores e relações metodológicas conceituais e projetuais sobre o objeto de estudo que se insere no Design. serão considerados confortáveis e ergonomicamente corretos. “desenhar” algo. Percebemos que.1 DEFINIÇÕES 1. associa-se a cada área de sua atuação.acessado em 26/05/2009). como profissão.1. mas também. REVISÃO DE CONCEITOS 1. diz que este aceita não somente o valor de planejar e projetar algo. quando a forma como um componente estético está ligado à função final do produto. como exemplo. Para uma melhor explicação do conceito “função de acordo com a finalidade”. que busca conceituações na ambiguidade de seus sentidos. como o Design de Joias. ao ser elaborada. fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. podemos dizer que ele se torna referência para diversas áreas profissionais com objetos de estudos diversificados. discutiremos especificamente as áreas de Decoração. BONFIM chega a afirmar: “O primeiro passo para a constituição de uma teoria sobre o design poderia ser. usamos inicial maiúscula. www. seria fruto da própria origem de sua palavra. conceitualmente. por consequência. dentre outras. 3. o autor nos deixa entender que a dificuldade em uma definição 2.1996:12). Rafael Denis Cardoso. serão detalhadas mais adiante. vimos que ela tem o sentido de “planejar”. (Cf.órgão responsável pela normalização técnica no Brasil. onde algumas serão destacadas e citadas neste estudo. causa e natureza”. É seguindo nessa direção. usamos inicial minúscula. executar: “A origem mais remota da palavra está no latim designare. verbo que abrange os dois sentidos. quando se refere à atuação do Design. Design de Interiores e Design de Vitrinas que. essa cadeira. que dependem especificamente da área de estudo a ser tratada. segundo Quando verificamos no dicionário2. Já para a definição de um profissional e estudioso da área.abnt.org. portanto a definição de seu objeto de estudo e. quando nos referimos ao termo “design”. Trata-se de uma entidade privada e sem fins lucrativos e de utilidade pública. designando sua função” (BOMFIM. Nesta dissertação. Design de Games. dentre as áreas profissionais com as quais o Design está relacionado. outro estudioso da área. é necessária uma aproximação sobre sua essência. que o Design.1996:11).Uol-dicionário Michaelis (acesso em 22/ 05/ 2009). mas também conceber. de desenhar e planejar. (BOMFIM. Eles contribuem para a sua caracterização e. função e finalidade. as diferentes conceituações acerca do Design fazem com que seja impossível formar uma definição fixa e linear sobre ele. dentre outras. o Design. o significado da palavra design3. Design de Ambientes. uma “cadeira ergonômica”4 . fica claro que BONFIM também compartilha da ideia proposta por Denis Cardoso no que se refere à associação entre forma. Analisando a citação acima. Para Gustavo BOMFIM 1996. e quando nos referirmos à profissão de Design(er). o Design Gráfico.br . . Refletindo ainda sobre a visão proposta por BONFIM.

a posição do corpo humano se coloca de outra maneira. ou descansar olhando o mar.Autor Primo A. Entre eles devemos destacar seu valor de uso e seu valor de fruição. entendemos que o Design está tanto relacionado ao ato de planejar e projetar algo a ser produzido.. Assim é possível avaliar claramente seu potencial funcional. (GUILLERMO. Primo A. BRANDIMILLER Figura 02 . 1999:56).BRANDIMILLER. Cf. em uma cadeira de praia. . Quando nos referimos ao uso sabemos seu valor e este se estende à função para a qual foi desenhado. O corpo no trabalho.“O corpo no Trabalho” (1999) . pois. Elas ilustram o Livro .Ilustrações de posições de conforto de uma cadeira. fazendo uma análise dos conceitos citados e estudados para essa dissertação. classificando-as de acordo com seu uso e especificando suas características físicas e dimensionais. cit.. De pouco vale uma faca que não corta. Ele. Dessa maneira. não terá a função adequada para uma pessoa que deseja tomar sol. “. e servirão para a finalidade de se trabalhar e/ ou estudar (figura 03). de certa forma.Os objetos têm determinados motivos para existirem.Ilustração de uma cadeira ergonômica 5. com diferentes ângulos que confortavelmente atenderão à finalidade da pessoa que se encontra na praia. em um ambiente de praia. podemos verificar que essa mesma cadeira ergonômica. uma das razões para que os objetos existam é referente ao poder de uso de sua função. A Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou em 1996 uma norma brasileira para cadeiras (15:300. como também pode estar ligado à preocupação funcional final do produto.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 20 Vitrina a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas5 . ! ! ! ! ! ! Figura 03 . 2002: 30) De acordo com o comentário de GUILLERMO (2002). Porém. colabora também com a proposta defendida nesse estudo quando relacionamos função com finalidade.01-003).

1. Segundo Rafael CARDOSO. não só as medidas em relação à sua função e finalidade. que são relevantes na hora da criação e elaboração de um produto e se inserem na concepção do Design. a história do Design surge no começo do século XIX. na trajetória que vai desde o processo industrial dos produtos até os dias de hoje. a estética (qual a cor mais adequada ao ambiente?). Para GUILLERMO (2002: 21): “A origem ou história do design no Brasil tem início bem mais próximo: na década de 1930 quando alguns arquitetos começaram a projetar equipamentos para interiores”. seria interessante voltarmos ao passado para compreender como se deu a origem do Design e suas ramificações. em relação às outras etapas da divisão de trabalho”. tenderam a emergir de dentro do processo produtivo e eram aqueles operários promovidos por quesitos de experiência ou habilidade a uma posição de controle e concepção. dentre outros. nós nos reteremos ao estudo de uma de suas ramificações. o transporte (como uma cadeira de praia será transportada até a praia?). além do profissional especifico da área. 2004: 16) .2 O designer e seu papel no Design de Vitrinas Após a análise do item anterior acerca das implicações do que seria design. o Design tem como marco fundamental esta separação nítida da concepção entre o ato de projetar. “Os primeiros designers. bem como as discussões referentes aos aspectos que influenciam o Design como área de atuação profissional. (DENIS Cardoso. A 1. passando por diversas mudanças. é importante que se diga que há outros aspectos que influenciam o resultado final de um produto. os quais têm permanecido geralmente anônimos. Ainda para Rafael CARDOSO (2004:15). principalmente com o avanço das novas tecnologias e novos materiais. bem como o papel do designer na elaboração de uma vitrina.Vitrina 21 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Além disso. o Design de Vitrinas. Antes de adentrarmos na discussão sobre a vitrina. planejar um produto e o ato de fabricar esse mesmo produto. na época da Revolução Industrial. como também. São assuntos nos quais não adentraremos neste estudo.

ou seja.mtecbo. o Design de Produtos. dentre eles: espaciais (Design de Interiores. o Design de Moda. até a produção e gestão de produtos. há diferentes tipos de atividades que o designer pode executar no Design. projeto. UOL. Após alguns aspectos históricos do Design e do surgimento dos profissionais da área. percebemos que o Design está associado a diversos elementos. O merchandising visual usa o design. Ele cria o clima decorativo para ambientar os produtos da loja”. . trazendo prazer. podemos entender que possam existir produtos onde a sua função seja simplesmente a de nos dar prazer” (GUILLERMO. Publicação brasileira que classifica as diversas atividades dos trabalhadores do país.” (Cf. estéticos e sensoriais. como um entendedor e solucionador de problemas para diversas áreas de atuações profissionais e atestando o pluralismo de suas conceituações. Design de Vitrinas). (Cf. Ela pode valer-se de produtos reconhecíveis tanto pela função e fruição estética. Esses profissionais que atuam no Design são considerados designers6 . pode ser atrelado a qualquer idéia do fazer. o poder de fruição estará valorizado pelo poder ou prazer de uso do produto. 2002: 32) Para GUILLERMO (2002). justificando-o. e o visual 6. como afirma GUILLHERMO (2002: 30): “Quando verificamos seu valor de fruição estamos na verdade avaliando seu componente estético”. (BLESSA. 8. Em inglês. voltando para o nosso objeto de estudo. quando utilizamos ou apreciamos um produto estaremos definindo sua forma em função de sua finalidade. Assim. desde o planejamento. motivar e induzir os consumidores à compra. seria uma pessoa apta a construir ambientações em vitrinas. Esse conceito será ampliado e discutido ao longo dessa dissertação. (Cf. porém. Profissional habilitado a efetuar atividades relacionadas ao design. que é objeto de estudo dessa dissertação: a vitrina. conceber e executar um produto e que está relacionado à produção de valores espaciais. profissão que será também melhor descrita ao longo do trabalho.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 22 Vitrina Ao longo de sua história. o Design de Interiores e o Design de Ambientes. 7. de certa forma. é necessário também ter conhecimentos na área do Marketing.Técnica de trabalhar e aperfeiçoar ao varejo na ambientação de um espaço comercial. o termo se refere a qualquer indivíduo que esteja ligado a alguma atividade criativa ou de projeto. essa ambientação promove produtos que podem ser funcionais.br. como também pela funcionalidade.gov. Optamos. http://www. criação. a arquitetura e a decoração para aclimatar. para este estudo. por tratar da vitrina no espaço físico comercial do Design de Interiores. estéticos (Design de Joias. 2008: 06) Para a complementação da criação de vitrina.“SM+f (inglês) indivíduo que planeja ou concebe um projeto ou modelo. pois iremos abordála como fosse composta por uma ambientação que tem por função a reprodução do uso de produtos que compõem a prática cotidiana do âmbito doméstico. práticos e até admirados pela estética. Segundo a CBO – Classificação Brasileira de Ocupações7. acessado em 02/ 06/ 2009). dentre elas. Analisando algumas atividades desse profissional. podemos dizer que o Design de Vitrinas. E ainda: “Se entendermos que o produto atende a sua função de uso e sua estética. Um designer de interiores. “Visual merchandising é a técnica de trabalhar o ambiente do ponto-de-venda criando identidade e personificando decorativamente todos os equipamentos que circundam os produtos.michaellis – acessado em 02/ 05/ 2009). voltaremos a falar de uma de suas ramificações que foi evoluindo ao longo da história. Assim. diferentes profissionais foram se especializando e atuando no Design. este tem pouca visão comercial e de conceitos de visual merchandising8 para avaliar erros e acertos na área. UOLdicionario Michaelis – acessado em 02/ 06/ 2009). Design de Moda) e sensoriais (Design de Ambientes).

os estilistas e as marcas. textura. a partir da técnica adquirida por meio de estudos. “VMs misturam e circulam entre os designers de produtos. que não necessita de um meio físico para sua existência. meio estético. largura e altura). o produto. de criar desejos”. mas também. A composição desse espaço que se transforma em um cenário se faz presente de elementos como: luz. a palavra ambiência para tratarmos de um espaço quando tem um suporte físico. Como diz DEMETRESCO (2001: 16): “O vitrinista constroi espaços a partir de materiais distintos. ambiente. mas também de cores. Espaço arquitetonicamente organizado e animado que constitui propriamente de um meio físico e. e é dessa forma que podemos dizer que o designer de vitrinas é um construtor de imagens que através de uma “cena” seduz o sujeito como espectador. ao mesmo tempo. nas lojas. as vitrinas não só apresentam produtos. . estaremos também dizendo que o Design Ainda de acordo com DEMETRESCO. para. 02) de Vitrinas está associado a elementos e valores espaciais. tornando a uma vitrina um verdadeiro objeto de desejo. movimentos. portanto. (DEMETRESCO. na intenção de encontrar o caminho para apresentação dos produtos nas vitrinas. 2008: 45 in Revista Dobras – v. visuais e sensoriais. para serem não só vistos. O VM. cor. qualificar produtos. como se fosse um “cenário”. sons e etc. Ver João GOMES FILHO. por várias vezes ao longo do estudo. Ergonomia do Objeto . diferenciando-se da palavra ambientação. pois não é formada apenas de volume (comprimento. 9. prometer transformações e mostrar sua eficácia. mas também desejados”. ao criar uma encenação na vitrina e na loja. Dessa forma. propõe prazer da apresentação do produto e do viver uma experiência prazerosa na loja”. a imagem e o consumidor em cenografias especiais. essa ambiência com todos esses elementos se torna uma ambientação. odores. tem o papel de produzir uma composição na ambiência9 de uma vitrina. provocam diversas sensações que mobilizam o sujeito. dentre outras. cit. “São verdadeiramente criadores de imagens que relacionam a marca. Usaremos. 02) O designer de interiores. 2008: 45 in Revista Dobras – v. atuando no Design de Vitrinas. psicológico. na forma de expor os artigos. (DEMETRESCO.Vitrina 23 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo merchandiser seria o profissional indicado para atuar na equipe transdisciplinar na montagem dela. especialmente preparado para o exercício de atividades humanas. por eles. quando nos referirmos a um vitrinista como autor de uma vitrina. 2003: 204.

como Itália. ou seja.tr.1. espaços. em alguns segmentos profissionais percebe-se que essas atividades ainda estão em coexistência. embelezar.. 10.. pois é visto como um especialista no planejamento dos espaços com os quais as pessoas têm contato mais próximo. a Decoração seria uma área profissional que se refere ao universo de atividades nos conhecimentos práticos e determinantes nas ornamentações de diversas linguagens. na qual os componentes como os enfeites (sinos. começou a se notar que a essa não tinha só o papel de ornamentar.”. Porém. França e Espanha. Isso ocorreu devido à necessidade de maior abrangência da Decoração aos espaços. SENAC (1998). iluminação. pois sua proposta caminha na direção da ornamentação. Seguindo de referência para o estudo. Hoje.4 Design de Interiores O Design de Interiores é complexo em sua área de atuação. alguns espaços exteriores. Talvez. O 1. “V. fachadas. Percebemos. adornar.: dicionário UOL Michaelis. o principal fator diferenciador entre as duas áreas é que há interação das pessoas como clientes no Design de Interiores. varandas. o designer de interiores pode ser também chamado de arquiteto de interiores em alguns países. mas. Dentre algumas atividades relativas a essa área. . locais públicos e de lazer. que singularmente se relacionam a uma peça.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 24 Vitrina N 1. Inicialmente. com a função a que eles se destinavam. publicado pelo Centro de Educação em Design de Interiores do Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio. ao longo dos últimos 50 anos. sejam eles residenciais ou comerciais.. carros. assim se referindo sobre o acesso e o uso entre elas e os espaços. os quais se relacionam ao espaço a ser estudado. enfeitar. que houve uma adequação de conceitos da Decoração de Interiores para o Design de Interiores.) e os exteriores (jardins. como os citados.. produtos. verificamos que o termo “decoração” vem do verbo “decorar”10 . para o entendimento da importância da elaboração e da construção de uma ambientação em uma vitrina. dourado e prata) se associam à data festiva do Natal. Podemos citar. podemos citar a Decoração de Interiores. o Design de Interiores trata do espaço utilizado pelas pessoas. como usuários desses espaços. acessado em 02/ 05/ 2009).3 Decoração Na continuidade desse capítulo. terraços. escritórios. como as residências. de recreação e serviços ou de transporte. ou a um tema. como exemplo de decoração.. também. pois relaciona peças. que impõe suas vontades. mobiliário.1. podia interferir na relação direta das pessoas. Ainda segundo o caderno Universo do Design de Interiores. verifica-se o conceito de Decoração. anseios e desejos. o caderno Universo do Design de Interiores (1998) nos ajuda a definir a Decoração de Interiores como uma atividade que engloba os espaços interiores (ambientes. uma mesa para ceia de Natal.) de qualquer espaço físico ou virtual. revestimentos. Nessa complexidade. enquanto na Decoração isso não ocorre. a um produto. SENAC (1998). residências. (Cf. vermelho.. locais de trabalho. Esta interação pode ser feita por meio do perfil do indivíduo como cliente. são considerados parte integrante dos espaços interiores. Ornamentar. Segundo o caderno Universo do Design de Interiores. bolas e Papai Noel) e também as cores (verde.

Vitrina 25 A 1. que atuavam nos âmbitos residenciais somente pelo “bom gosto”. 12. Segundo a ABD – Associação Brasileira de Designers de Interiores . seu marido morre e ela continua à frente da companhia até se aposentar em 1965. e pela ABD. os profissionais considerados decoradores. Florence. a partir da figura do decorador. mas também de outros. mas resolver um problema. exemplificamos todo o processo do surgimento e valorização do Design de Interiores. De 1911 a 1913. a atuação dos decoradores precisou ser mais bem analisada porque passou não só ter o papel de ornamentar. Em 1955. Com o processo industrial iniciado no século XIX. (Journal of Design History. Fonte: Itaú Cultural (Cf. decorador. bem como empresas fornecedoras de produtos e serviços. “Mais do que no “gosto” é aí que reside o sentido atual da decoração: não mais implantar um teatro de objetos ou criar uma atmosfera. (BAUDRILLARD. a Knoll Planning Unit. John Graz13 . estudou arte na Academia de Cranbrook com Eero Saarinen e no Instituto de Tecnologia com Mies Van der Rohe. A carga horária mínima de 800 horas é obrigatória para a titulação. São associados à ABD profissionais formados em cursos superiores. a textura e o conforto”.acessado em 21/ 05/ 2009). que foi reconhecido não só na linguagem semiótica do funcionalismo. 13. a atividade do decorador passou a estar relacionada ao Design e foi denominada “designer de interiores”11 oficialmente pelo Congresso Nacional Brasileiro. destacamos a arquiteta e designer de interiores norteamericana e reconhecida internacionalmente. Analisando as carreiras de alguns designers que tiveram importantes reconhecimentos nessa área. as cidades se tornaram mais evidentes e importantes. Knoll fazia parte de um movimento no início da década de 50 para profissionalizar o designer de interiores na América do Norte e desempenhou um papel fundamental na definição do então “novo” campo de Design de Interiores. É discípulo também de Edouard Ravel. como informa o “Diário da História do Design” (Journal of Design History. 1980).site acessado em 15/ 05/ 2009).São Paulo. visando a solucionar e satisfazer as novas situações decorrentes desse processo industrial. A importância do designer ao longo da história do Design de Interiores ambos ministrados por entidades de ensino reconhecidas pelo MEC . artista gráfico. o designer de interiores pode se qualificar por meio de duas maneiras: o curso técnico ou superior de Design de Interiores. mobilizar um espaço”. Gabriel Vernet e Daniel Baud-Bovy (1870-1958). 11. “Eu não sou uma decoradora… o único lugar que eu decoro é a minha própria casa” (Florence Knoll . Seus trabalhos frequentavam regularmente o Museu de Arte Moderna.org – seção biografia autores . Anteriormente a esse período. 1997: 31) Assim. www.Ministério da Educação. Florence casou-se com Hans Knoll.1. escultor. surge na década de 1950 nos Estados Unidos.trecho do artigo da Revista New York Times de 1964).br. onde permanece de 1913 a 1915. Em 1946. Foi arquiteta e design de interiores. Sua posição firme surgiu a partir de uma noção em desenvolvimento sobre a ‘profissão de design de interiores’. Pintor. em 1920.abd. técnicos ou faculdades de Design de Interiores e arquitetos com formação em Arquitetura de Interiores. como os comerciais. Ela nasceu em 1917. onde é aluno de Eugène Gilliard (1861-1921). decoração e desenho da Escola de Belas Artes de Genebra em 1908. estuda decoração. Suíça 1891 . cuja atuação era reservada aos espaços residenciais. . www. John Louis Graz (Genebra. (Cf. Inicialmente. Aqui no Brasil. pois abrange disciplinas necessárias para a qualificação do profissional. Retorna à Escola de Belas Artes de Genebra. foram se aprimorando e trabalhando também em outros espaços.: Journal of Design History.wikipedia. design e publicidade com Carl Moos (1873-1959). Houve a valorização não somente do espaço residencial. institucionais. oferece a oportunidade de percebermos a importância do Design de Interiores por meio da mudança e percepção dos designers no campo de atuação na área. operacionais. 2007). de quem aprende uma multiplicidade de técnicas e estilos. Trabalhou para Walter Gropius.” (Cf. Ingressa no curso de arquitetura. que promoveu uma imagem mais profissional do que a de seu antecessor.org. 2007: 6174). Brasil. dar a resposta mais sutil a uma confusão de dados. o ‘decorador de interiores’. Marcel Breuer e Wallace. Os interiores foram caracterizados pelo modernismo humanizado.5. Assim. por meio de sua iniciativa de participar e divulgar esse movimento. Florence Knoll12. com quem se associou em 1943 e fundou uma companhia impar na época. mas também o de planejar o espaço residencial e/ ou comercial. na Escola de Belas Artes de Munique. 2007: 62) A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo A profissão do designer de interiores. a partir do ano 2000. período em que passa boa parte do tempo em companhia dos irmãos Regina Gomide (1897-1973) e Antônio Gomide (1895-1967). mas também na necessidade humana para a cor.

podemos visitar suas obras no Instituto John Graz16. Fundado por Annie Graz. vitrais. previu sua distribuição no espaço. 16. 1995: 40) designers de interiores. desde então. “John Graz não foi só pioneiro no desenho de mobília. e morreu em São Paulo (1972). anteriormente à inauguração da loja Branco & Preto. Gregori Warchavchik14 . em 1922. e isso está diretamente relacionado com os espaços interiores residenciais. em 2005. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos. ele impôs seus princípios de combinação estética e criativa nas aulas de desenho arquitetônico. acessórios e tecidos. Hoje. fundaram a loja de móveis Branco & Preto17 . que buscam através do mobiliário articular respostas para as demandas decorrentes das maneiras de estar. já se preocupava em desenvolver trabalhos relacionados à Decoração.: SANTOS. passou a ser mais complexa em sua área de atuação e muitos elementos. Hwa. Como professor dessa Universidade e da disciplina Composições Decorativas. foram considerados também A história do Design de Interiores. os princípios de “organização de espaço” no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. principalmente quando trabalhou com outro arquiteto. em Odessa (1896). de sentar. (ACAYABA. ainda no Brasil. Plínio Croce. Eles projetavam e executavam projetos de residências paulistanas desenhando móveis. 1995:110. (Cf. na busca de experimentação.. também chamada Semana de 22. outra forma de valorizar o estudo dos espaços interiores foi quando Jacob Ruchiti (sócio da Loja Branco & Preto) instituiu. painéis. Segundo ACAYABA (1994). Loja de móveis inaugurada na cidade de São Paulo em 1952. Carlos Millan e Chen Y.org – seção biografia autores .:: www. Nasceu na Ucrânia. Dessa forma. Graz projetou móvel. e sem fins lucrativos. luminárias. 1995: 168). na década de 60.wikipedia.wikipedia. banheiros e jardins. naturalizou-se entre 1927 e 1928.1994: 60) Com essa nova preocupação de relacionar o projeto arquitetônico ao projeto de interiores. passaram a fazer parte de um projeto de Interiores. tecidos.onde o cliente pudesse encontrar desde profissionais capacitados a desenvolver um projeto de arquitetura de interiores contemporâneo até todos os elementos. Já na década 50. na liberdade criadora da ruptura com o passado e até corporal.br. os quais criavam um projeto de edificação pensando nos espaços interiores: “. Foi um dos principais nomes da primeira geração de arquitetos modernistas do Brasil. (Cf. Chegou ao Brasil em 1923.: www.acessado em 21/ 05/ 2009). Roberto Aflalo. tão presente na Bauhaus.institutojohngraz. na contribuição para o desenvolvimento cultural e na integração de artes plásticas e do design na contemporaneidade.. (Cf. de vivenciar os espaços interiores de nossos dias”. afrescos.org – acessado em 21/ 05/ 2009). ocorreu em São Paulo de 11 a 18 de fevereiro. arquitetos. 14. Móvel Moderno Brasileiro. na Rua Vieira de Carvalho. org. Representou uma verdadeira renovação de linguagem. .A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 26 Vitrina no Brasil. Além disso. projetou e construiu para si mesmo aquela que foi considerada a primeira residência moderna do país. no Teatro Municipal.” (SANTOS. contribuindo na trilha do caminho nos interiores dos espaços físicos comerciais no Design de Interiores. A Semana de Arte Moderna. John Graz participou da Semana de Arte Moderna de 192215 . Maria Cecília Loschiavo dos. Sua criação nos ajuda a estudarmos melhor o Design do Mobiliário no Brasil. : www. pois a arte passou então da vanguarda experimentalista para o modernismo mais sólido. tapetes. pioneira na área de Design de Interiores. como peças decorativas. mas também foi o primeiro a pôr em prática no Brasil o conceito do design total. 15. “No panorama do design de mobília nos últimos anos estão também novos grupos de designers. (SANTOS. as luminárias. Cf. 17. destacamos a importância de outros arquitetos: Miguel Forte. estava somente relacionada ao mobiliário. vitrais e afrescos. artistas. o Instituto acredita na consolidação de suas obras. como único designer dentre vários outros artistas da época. maçanetas. – acessado em 24/ 05/ 2009). Jacob Ruchti. luminárias e cerâmicas que completassem o trabalho”. marceneiros. como móveis.

Desde modo. Possui especialização em Publishing pela Stanford University.com. em 1932. sobretudo..niteroiartes. que não são necessárias e essenciais para a atuação junto ao Design de Interiores. Possui projetos executados em todo o Brasil e no exterior. Em 1963. em NY (EUA). Desde 1997. (Cf. por exemplo. Publicou o livro Interiores. Citamos. percebia a diferença na linguagem estética e criativa entre os espaços. ao longo de todo o processo de seu desenvolvimento profissional. o aluno em seu aprendizado. prédios públicos. edita a revista Espaço D’. 1979. assim como Florence Knoll. a finalidade do curso era procurar despertar e desenvolver a sensibilidade estética e a imaginação criativa de cada aluno”. essa ligação pode ser considerada “generalista”.: http://www. Foi responsável por centenas de projetos de arquitetura de interiores e ambientação de residências. dentre outras. alguns profissionais em nosso país tinham a intenção de desvincular o Design de Interiores da Arquitetura. Analisando essas informações. Para exemplificar.Universidade do Brasil.Vitrina 27 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo “A essência da Composição está no talento.. com. podemos dizer que o designer de interiores. A empresa Olga Krell Associados oferece serviços de consultoria para o mercado de decoração. (EUA).acessado em 15/ 10/ 2008). esteve algumas vezes atrelado a alguma outra atividade. a partir da década de 50. (Cf. À medida que foi ganhando importância e foi atuando em diversos espaços. pela editora Index. escritórios de empresas e. Embora houvesse a valorização do espaço interior como extensão do projeto arquitetônico. Responsável pela criação da revista Casa Cláudia. (ACAYABA. e Planejamento de Interiores no Instituto Joaquim Nabuco. ao fazermos um desenho. uma mesa uma escultura. e faleceu em 2008. que. estamos ordenando espaço – isto é. uma pintura ou um cartaz. hotéis. divulgarem a emancipação do Design de Interiores. o designer de interiores passou a ser atrelado a outra atividade 18. como aquelas relacionadas à paisagem urbana. ao planejamento urbano e regional. Por exemplo. Dessa maneira. expandindo o conhecimento como experiência para sua carreira profissional. era confundido com a atividade do decorador. . ou ainda quando concebemos uma cadeira. Cursou a Faculdade Nacional de Arquitetura . Polonesa radicada no Brasil formou-se em Arquitetura em 1958 pela Cornell University. que é do arquiteto. 1994: 37). lembrou que. talvez por ter se originado das necessidades que a Decoração não solucionava. no seu surgimento. à arquitetura e ao estilo de vida. de 1976 a 1990.br/exibe_artistas . no Rio de Janeiro. por meio de seus trabalhos.br/exibe_artistas-acesso15/10/2008).PE. ou uma obra de arquitetura. procuravam. que é a combinação de uma sensibilidade estética de caráter crítico. Recife . já que o curso de graduação de Arquitetura e Urbanismo aborda outras questões. 1993. mais complexa. à decoração. ingressou na Editora Abril como editora de Decoração e Culinária em várias revistas femininas. e a jornalista e também arquiteta Olga Krell19. a arquiteta e designer de interiores Janete Costa18 . 19.: http://www. Nasceu em Pernambuco. Porém. Califórnia. dedicada ao design de interiores. estamos definindo limitando ou sugerindo espaço.niteroiartes. com uma imaginação e fantasia de caráter criativo”.

a vitrina será o resumo de palavras com sentidos que tomam forma e cor numa disposição espacial”. que transmita a mensagem de sua marca. suas qualidades e especificidades. da marca. 2005: 53) Assim. agora no texto discutiremos seus aspectos mais relevantes. estéticos e sensoriais. o que provém de mostruário de produtos para fins comerciais. cor e um conceito que deverão surgir na encenação e. com uma linguagem única e coerente para cada comércio. verifica-se que a vitrina não é só exposição de produtos. mas também são atraídos e inseridos no universo do futebol (ver figura 04). onde os visitantes não só fazem compras. (DEMETRESCO. Além de loja. Conforme reforça DEMETRESCO: “É possível perceber que há uma indústria com um produto a ser exposto: esse produto tem história. da empresa. 2005: 81) Enquanto havíamos conceituado o Design de Vitrinas para mostrar a importância do designer na elaboração de uma vitrina e também para ilustrarmos o nosso objeto de estudo. Assim. a Rbk Concept Store é também um camarote VIP com 101 poltronas e visão privilegiada do campo.1.6. Design de Vitrinas vários elementos traduzidos em uma só linguagem.gdmtricolor. Devido ao mundo estar cada vez mais globalizado e informatizado. uma megaloja que efetua a parceria entre a marca esportiva e o São Paulo Futebol Clube.br – acessado em 26/ 05/ 2009) . de um lado. recorta um espaço em uma ambientação. somando ! Figura 04. mas também pode ser a história do produto. logo. Um exemplo é a loja Reebook-SFC20. seus produtos.com. isto é.: http://www. percebemos grande facilidade por todos os lados para o acesso a informações e a vitrina acaba assumindo o “papel” de centralizar e informar o indivíduo sobre o produto. Iniciamos dando significação à palavra vitrina . em 27 /07/ 2007. que. Cf. criando uma identidade forte e presente e sempre reiterante. no estádio do Morumbi.que vem da palavra francesa vitrine.: http://www. associando-se a valores espaciais.gdmtricolor. Entendemos aqui a ambientação em uma vitrina como resultado final de um projeto. que traz como ambientação o conceito da marca do São Paulo Futebol Clube. exibindo os produtos que serão ofertados aos indivíduos. Aqui no Brasil. Cf. o Design de Vitrinas é uma área do Design que se ocupa do planejamento e projeto de uma vitrina. plena de sentidos. portanto.Com 700m2. É preciso encontrar e classificar todos consumidores e conectá-los aos seus produtos.br – acessado em 26/ 05/ 2009 20. dentro do estádio do Morumbi. Ela emoldura. também podemos encontrar seu significado com o nome de montra. O espaço é adaptado para atender às necessidades de portadores de deficiências físicas: são quatro lugares para cadeirantes. por sua vez. de outro. além das adaptações nos banheiros e provadores. provém do vocábulo vitre (vidro).A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 28 Vitrina E 1. estando ou não no interior de um espaço físico.” (DEMETRESCO.Foto da loja Reebook-SFC.com. a “Rbk Concept Store”. A Reebok e o São Paulo inauguraram. segundo DEMETRESCO. “O consumidor sofre com a pluralidade e com a multiplicidade das linguagens oferecidas. a megaloja é a maior sediada em um estádio na América Latina. e das tribos existentes.

Criada em 1987 no Brasil. Para alguns.br 21.br – acessado em 20/ 05/ 2009). podem fazer parte de uma ambientação. . uma atração instantânea do indivíduo por esse espaço.: www. Uma sensibilização imediata que podemos chamar de sedução. objeto de conhecimento. e possui atualmente 13 franquias no Brasil. torna-se possível com a articulação de instrumentos do Design.com. duas na América Latina (Peru e Panamá) e também na Suécia. “O espaço está no centro das preocupações dos mais variados profissionais. Na composição das vitrinas de diversas áreas do comércio. e os painéis do artista plástico Tagnini. Podemos dizer que o espaço é o mais interdisciplinar dos objetos concretos”. o dormitório organizado pela designer de interiores Fátima Lima Figura 05 . até como um processo histórico. profissionais que utilizam a ambientação (vitrina) como suporte de demonstração para exposição de seus produtos. 1988: 1) Por exemplo. que direta ou indiretamente. para outros simples meio de trabalho.casacor.Vitrina 29 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Ainda de acordo com DEMETRESCO (2005). (DEMETRESCO. é o maior evento de arquitetura e decoração da América Latina. as luminárias pendentes Romeo Soft. (Cf. em segundos. percebemos na exposição dos produtos. Assim. uma ambientação encenada em uma vitrina de qualquer área do comércio pode traduzir toda a mensagem proposta e permitir. citamos a Casa Cor Goiás 200821. criação do designer internacionalmente conhecido Philippe Starck.Casa Cor Goiás 2008 – ambiente dormitório de casal .com. E desse modo cabe ao designer de vitrinas desenvolver ambientações que se diferenciam de outros espaços. ou seja. que marcou sua entrada no mercado europeu. percebemos muitas vezes que vários outros profissionais utilizam o espaço da vitrina para expor seus produtos. Como mostra a figura 05. em São Paulo. estão o criado-mudo em laca preta criado pela própria designer e executado pela marcenaria Elementos Móveis e Objetos. Como diz o autor: “A vitrina é uma montagem que concentra inúmeras áreas que se fundem para criar uma imagem cujo propósito é gerar prazer por alguns segundos”. não só uma uniformização espacial e estética.casacor. Dentre as peças mostradas. de São Paulo. (SANTOS. mas também sensorial.Site www. onde cada ambiente exposto era composto por peças de mobiliário e acessórios criados por vários profissionais de áreas diferentes. 2001: 25) Paniago está composto por peças assinadas por diferentes profissionais em diversas áreas. Há desde os que o vêem como um produto histórico.

o eletricista. com suas características transdisciplinares.1 Espaço físico comercial Segundo MOURA. 2002: 96) Entre essas várias significações que a palavra assume. (MOURA. a formação de uma teoria do Design não é conquista de uma única pessoa. “Essa associação dos arquitetos ao design reside exatamente nos termos de seu conceito de projetar e planejar que são também atribuições desses profissionais”. o Design. intensifica e valoriza o produto executado por equipes. contam com diferentes áreas de conhecimento contribuindo com o trânsito do saber”. ideologias e poder. Quando citamos “espaço”. “É chamado de espaço a área compreendida entre paredes.2 ESPAÇOS 1. organizado ou não”. Para mencionar esse mosaico transdisciplinar. a política é atraída pelo espaço urbano porque nele encontra um campo propício para a divulgação de programas. paredes e cobertura. melhor dizendo. ela se forma e se desenvolve através de processos dialógicos entre participantes envolvidos nas diferentes situações de projeto. a Decoração. de seu livro Design de Espaços. “A interdisciplinaridade diz respeito àquilo que é comum entre duas ou mais disciplinas ou ramos de conhecimento. dentre elas. as especulações da economia estudam as explorações das riquezas materiais e produtivas que têm o espaço como cenário. ou ainda a área compreendida entre limite da marcenaria de um armário”. ocorre quando uma única disciplina. tomamos como base a definição complexa e unificada de Lucrécia D’ Alessio FERRARA (2002).2. incluindo os próprios usuários. o geógrafo observa o espaço territorial e social. arquitetonicamente construído com piso. (FERRARA. a demografia estuda o adensamento populacional no espaço. e o designer de vitrinas tem o “papel” de organizar também outras atividades que se inserem na criação de uma ambientação de vitrina. seu significado será tratado como um espaço construído. (GURGEL. verificamos que o Design de Vitrinas engloba várias outras áreas de atuações. “Com distintas características. nos reteremos para este estudo naquela referente a conceitos baseados na Arquitetura. o espaço é objeto de investigação de várias áreas de conhecimento. o marceneiro. o Design de Interiores e o Design de Vitrinas. Entendemos esse profissional como parte de uma equipe multidisciplinar e interdisciplinar. as análises sociológicas e históricas estudam-no enquanto campo de lutas de movimentos sociais preocupados com a divisão do trabalho e das riquezas acumuladas no tempo. campo de conhecimento ou ciência não é capaz de esgotar um assunto”. como o usuário. A arquitetura se ocupa do espaço enquanto ambiente construído e funcional. A autora defende o design como teoria transdisciplinar com base em iniciativas de “núcleos interdisciplinares que se formam em torno de projetos e pesquisas em comum. Para um reconhecimento conceitual do espaço físico. pois tratamos de uma vitrina no espaço físico comercial no Design de Interiores que diretamente está ligado à Arquitetura. Assim. 2003: 113) Q 1. 2005: 26) . pois a transdisciplinaridade não é domínio de um indivíduo. piso e o teto de um determinado ambiente. acentuando o conhecimento do trabalho de outros profissionais de diversas áreas do saber.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 30 Vitrina Dessa forma. o tapeceiro. citamos alguns profissionais que fazem parte da criação e construção de uma ambientação. Segundo GUILLERMO (2002: 21). que evolui para uma teoria transdisciplinar.

A composição da ambientação dos espaços físicos comerciais no Design de Interiores é um lugar definido por um espaço construído em uma vitrina. 22. ele sofreu várias transformações. ou seja. fazendo dele um lugar próprio. “Os fatores humanos. usaremos um sistema de referência baseado em planos horizontais e verticais. Lembramos que um objeto bidimensional só tem duas dimensões: largura e profundidade. a partir da década de 50. associamos os elementos espaciais. Quando tratamos desses espaços no Design de Vitrinas. 23. (GOMES FILHO. jovens. emprestando-lhe sua habilidade para garantir fundamentos para um bom projeto. Quando tratamos do espaço comercial. Por esta identificação do usuário.Vitrina 31 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Portanto. ele acaba intervindo na organização espacial e interage com o resultado espacial. ao descrevermos um espaço por meio de uma representação gráfica. comprimento. verificamos que houve uma grande evolução ao longo de sua história. culturais. mas também com as pessoas que ali frequentarão. físicos. Hoje. Esse sistema estabelece uma relação geométrica com o espaço arquitetônico. mobiliário e objetos de modo geral na habitação) por parte de seus usuários: bebês. 2003: 208). um lugar reconhecido e personalizado. vimos que esta tem a finalidade de expor um produto e despertar o desejo de compra deste. Portanto. ou seja. . dizemos que esse espaço não se faz só com elementos estruturais (piso. complementados por projeções ortogonais bidimensionais22. crianças. sejam elas pelas suas dimensões ou pelos seus serviços. e o maior desafio para o designer é satisfazer anseios e desejos dos usuários. algumas ramificações do Design. adultos. Por meio do processo pós-Revolução Industrial. visuais e sensoriais ao modo de vida e perfil dos sujeitos que utilizam e influenciam esses espaços. Essa relação entre sujeito e espaço será discutida mais adiante na dissertação. fazem do designer um “curador” dos espaços. Isso pode acontecer no processo da concepção no uso ou na escolha dos elementos que farão parte desse espaço. Design de Interiores e Design de Vitrinas. parede e cobertura). como Design de Ambientes. chamando-se de projeção tridimensional23. Quando falamos de espaços comerciais e fazemos um recorte para a vitrina. largura (profundidade). psicológicos e ambientais que influenciam o uso dos espaços (equipamentos. sociais. idosos e muito idosos”. falamos da construção de cenários projetados que tem o objetivo de estimular a imaginação dos consumidores e conduzi-los a situações desejadas. Um objeto tridimensional tem como objetivo a geração de entidades em três dimensões: altura largura (profundidade) e comprimento. que gera uma projeção com três dimensões tradicionais – altura.

uma loja de departamento era denominada como “bazar” .A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 32 Vitrina Q 1. os irmãos ingleses Walter e Hebert Mappin fundaram a Mappin Stores na rua 15 de Novembro.: www. Lojas do Design de Interiores Já no Brasil. Entre os anos 40 e 50.com . e trouxe para São Paulo. construções de médio porte caracterizadas pela diversidade e variedade de produtos de varejo em um só espaço físico. como. cit. significava status passear pelos interiores e arredores da loja. o Mappin era o ponto de encontro da elite paulistana. abordaremos algumas lojas específicas na área do Design de Interiores que tiveram grande atuação no início da história dos espaços físicos comerciais. No início do século XIX.2. a Wanamaker’s na Filadélfia (1877) e a Selfridge’s em Londres (1909).: BUENO. foi uma das pioneiras do comércio varejista. baseando-nos na ordem de grandeza das construções edificadas.Foi uma loja de departamentos tradicional do Brasil. verificamos que os interiores domésticos passaram a apresentar diferentes estilos nas configurações dos espaços.seção loja de departamento . “No nível popular. o Mappin25 . Cultura e consumo: estilos de vida na contemporaneidade. Mais conhecida como Mappin Stores.acessado em 20/ 05/ 2009). Elas representam aquilo que se chamou de “revolução de vendas”.nom. ela também atraía consumidores que na época tinham mais condições de pagar os preços do varejo (ver figuras 06 e 07). (BUENO & CAMARGO. Quando falamos em loja como um espaço físico comercial. a La Samaritaine (1870) e as Galerias Lafayette (1895) em Paris. 2008:32 25. Em 29 de novembro de 1913. 2008: 32) ! Figura 06 . . Dentro desse contexto.paulistano. o Bon Marché (1869). como a Macy’s (1858) em Nova York.).br/mappin. Para a compreensão de nosso estudo. Cf.html e www. reunindo produtos de diversos tipos em um único local. foi trazida posteriormente para o Brasil. Verificamos que até hoje muitas lojas de departamentos ainda comercializam alguns tipos de peças na área da Decoração. por exemplo: cadeiras e mesas. com sede na cidade de São Paulo. referimo-nos à construção de pequeno porte. Ela existiu por 86 anos em São Paulo. Foi a propulsora do crediário. Inicialmente. surgem na Europa e nos Estados Unidos as lojas de departamentos24. na década de 20. Fundada em 1774 na Inglaterra.2.wikipedia. pela a grandeza de seu espaço. Maria Lúcia & CAMARGO. vale notar que a primeira loja de departamentos surge alguns anos depois. inovou ao colocar etiquetas com os preços nas vitrines. esse período foi marcado pela democratização do lazer e da moda e pelo surgimento de lojas de departamentos (grands magasins ou shopping centers). um “novo” modelo de espaço para comércio. Várias residências tiveram seus interiores influenciados por esses estilos. ou seja. Luis Otavio de Lima (org. podemos dizer que elas tiveram um “papel” importante na história dos espaços e estão diretamente ligadas à história mundial do consumo. Assim. que será detalhada no decorrer desta dissertação.ealecrim.(Cf. pois além de apresentar um numero maior de novidades.Foto retirada de documento histórico sobre a Loja Mappin nos sites http://www. as pessoas percebiam possibilidades de escolha de produtos em função da alta demanda oriunda do processo industrial.net/wp-images/mappin1937 24.almanack. Na década de 30. Antecipou o “conceito” de shopping center.1937 – Loja Mappin na Praça Ramos de Azevedo (SP) .

mais especificamente do ”comércio do luxo” no Brasil.2004 – Loja Mappin na Praça Ramos de Azevedo (SP) .br/mappin.Vitrina 33 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Segundo Wanda FERRON (1995) em sua tese de doutorado.A. Essa loja atendia a uma sociedade com um perfil diferenciado e permitia aos usuários a aproximação com as mercadorias. tinha um perfil semelhante ao apresentado pelo Mappin (veja as figuras 08 e 09). Esta loja.seção loja de departamento .net/wp-images/mappin1937 Figura 08 .ealecrim.Foto retirada de documento histórico sobre a Loja Mesbla no site http://www. sem compromisso de compra. no centro da cidade de Rio de Janeiro.html e www. ! Figura 07 . os produtos foram ficando cada vez mais próximos do público e o usuário começava a tocar nas mercadorias.Foto retirada de documento histórico sobre a Loja Mappin nos sites http://www.nom.wikipédia.1960 – Loja Mesbla (RS) . olharvirtual.html 26. outra loja de departamentos surge no Brasil.: www.com/2007_03_01_archive. filial de uma firma francesa. filial da firma francesa Mestre& Blatgé. a loja Mappin seria um grande marco para o crescimento do comércio.paulistano. A transparência do vidro faria ainda mais a conexão do espaço exterior com o interior. Justifica-se por esta razão a presença de vidros em fachadas de vitrinas. fazendo uma análise mais cuidadosa na experimentação antes de decidir ou não pela compra.blogspot. possibilitando maior visibilidade do sujeito para o interior da loja. Isso permitiu o aumento na interatividade entre o produto e o consumidor. teve sua falência decretada em 1999.almanack. A Loja Mesbla S. Ainda na mesma época. Dessa forma.acessado em 02/ 05/ 2009). foi uma cadeia de lojas de departamentos brasileira que iniciou suas atividades em 1912.com .(Cf. no prédio de numero 83 da rua da Assembleia. . a Mesbla26 .

mais importante que a simples execução de tarefas. com/2007_03_01_archive. mais que a indústria e a agricultura juntas. hottopos. SANTOS. Fundada em 1948. que assim como a Branco & Preto. mudança da base econômica. originária da Segunda Guerra Mundial. com pouca tecnologia. fazer uma mesma coisa em tempos e lugares diferentes (simultaneidade)”. 2007: 51) Já por volta da década de 50. 27. A ”Móveis Artísticos Z” tinha como alvo principal a classe média. Figura 09 .: http://www. a “Móveis Artísticos Z” ter conseguido se projetar nacionalmente no ramo do design mobiliário. Segundo ele. a intelectualização e a desestruturalização do tempo e do espaço. tais como o aumento da vida média da população. olharvirtual. 28. .1995:126.htm . Cf. cada vez mais os interiores dessas lojas de departamentos eram apresentados em formas de cenários para que o consumidor fosse atraído não só em adquirir produtos. a difusão da escolarização e difusão da mídia. seja nos balcões – envolvendo-os em novas simbologias. citada anteriormente.blogspot.1995:104. Maria Cecília Loschiavo dos. crescente na década de 50. total.) A sociedade pós-industrial se diferencia muito da anterior e isso se percebe claramente no setor de serviços. “A sociedade pós-industrial provém de um conjunto de situações provocadas pelo advento da indústria. mas também os espaços e outros acessórios componentes da loja. ou seja. agora o que conta é a qualidade da vida. principalmente pela filosofia do bom e barato. a fábrica foi destruída por um incêndio em janeiro de 1961 e marcou a história do design do país. (BONADIO.. Antes era a padronização das mercadorias. nos manequins. a loja de decoração Branco & Preto.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 34 Vitrina Assim. produção de informação e serviços. (do artigo A Era Pós-Industrial. Foto retirada de documento histórico sobre a Loja Mesbla no site http://www. além daquelas utilitárias e conhecidas”. que absorve hoje cerca de 60% da mão-de-obra. Cf.com/vidlib7/e2. Móvel Moderno Brasileiro. Não podemos deixar também de citar que algum tempo depois surgem as Lojas Oca27 e a Móveis Z28 .html ! Ela expunha seus produtos aos clientes de forma diferenciada. cit.acessado em 01/ 06/ 2009). nos anúncios. procuravam expor os produtos de forma diferenciada. Ver SANTOS. Móvel Moderno Brasileiro. Elian Alabi LUCCI. mas também para as outras significações que o espaço lhe proporcionava. o desenvolvimento tecnológico. Maria Cecília Loschiavo dos. o que chamou mais a atenção para a trajetória da fábrica foi o fato de. que vinha manifestando novas ideias e conceitos diferenciados. pois o trabalho intelectual é muito mais freqüente que o manual e a criatividade. a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar. 2004. quadros e tecidos (ver a figura 10).1964– Vitrina da Loja Mesbla (RS) feita por Zeméco desenhista e vitrinista da empresa. como tapetes. inovou o modelo de seu espaço interior para atender uma sociedade com um novo perfil pós-industrial. Loja de móveis inaugurada em 1954 no estado do Rio de Janeiro pelo arquiteto e designer Sergio Rodrigues. a especialização do trabalho.. (. criando ambientações que valorizavam não só os seus móveis. “Os diversos estudos sobre lojas de departamentos concordam plenamente em um ponto: muito do sucesso desse tipo de empreendimento ocorreu em razão da teatralidade com que a loja apresentava seus produtos – seja nas vitrines. em virtude da difusão de novas tecnologias. cit.

na década de 80.tokstok.1978 . (ACAYABA.a primeira loja da Tok & Stok.Um dos ambientes produzidos pelos “Móveis Z” Ilustração de publicidade na década de 1950.tokstok. . ou seja. A loja de móveis surgiu do desejo de acompanhar as transformações que ocorriam no mundo – além de ser fruto de uma demanda local”. os consumidores também foram influenciados pelo modelo apresentado nas lojas.. provém Figura 10 . vimos que o espaço interior doméstico começa a ser fortemente influenciado pelas lojas. São Gabriel (SP) Foto retirada do documento histórico da Loja Tok&Stok . surge com um “novo” layout nas suas ambientações interiores (ver figuras 11 e 12). eles copiavam para seus âmbitos residenciais as exposições vistas nesses estabelecimentos comerciais. Em fevereiro de 1978. e dessa forma contribuíram para a configuração dos interiores residenciais.: www.acesso 16/04/2009). é inaugurada em um espaço de 80m2 .com. ! Figura 11 . (Cf.com..Site www.Fachada da 1ª loja Tok&Stok na Av. não podemos esquecer de mencionar a loja Tok & Stok29. ainda presente atualmente. Essa diferenciação. br . Ela trazia uma proposta inédita no Brasil: uma loja descomplicada com preços expostos em cada produto e estoque guardado no próprio local. Com isso.Vitrina 35 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo “Nesse período de pós-guerra houve em todo mundo uma verdadeira revolução estética que ensejou a manifestação de novas idéias.br ! 29. Ainda analisando os estabelecimentos que tiveram importância na história pelo modo que expunham seus produtos. Ela. 1994: 06 e 07) Do mesmo modo que as lojas se adequaram às novas transformações sofridas pela sociedade pós-guerra.

dentre eles. dormitório. Percebe-se que há uma passagem que induz o sujeito a percorrer os ambientes.Ambientes integrados da Loja Tok&Stok . salas e cozinha. fazendo com que ele se sinta em seu âmbito residencial (ver figuras 13 e 14). É como se eles fossem “passarelas”.tokstok. convidando o sujeito a percorrer os interiores da loja. Figura 12 .2004 Fachada da loja Tok&Stok de Copacana (RJ) Foto retirada do documento histórico da Loja Tok&Stok Site www.br ! Figura 13 .A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 36 Vitrina da forma como seus corredores estão projetados.com.

os shopping centers funcionam como pequenas cidades. salas de cinema. playground. Como diz PADILHA: “A construção dos shoppings centers como espaços e símbolos de uma sociedade que valoriza o espetáculo de consumo de bens materiais e de lazer-mercadoria. higiene e segurança. Os primeiros shopping centers foram construídos no Brasil.: www.wikipedia. que esse modelo serviu como base a outras lojas comerciais no Design de Interiores. Reconhece sua origem nos Estados Unidos do pós-guerra. aquele que apresenta dimensões consideradas para construção civil como um espaço de médio e grande porte. mas. O shopping center como espaço construído apresenta muitas vezes um layout que se diferencia do contexto urbano ao redor. em suas delimitações. nas áreas: administrativa. (Cf. Shopping center ou centro comercial é uma estrutura que contém estabelecimentos comerciais como lojas. P 1. caracterizado pelo seu fechamento em relação à cidade.com – seção shopping center . www. momento em que o crescimento econômico e a urbanização planejada exigiam novas fórmulas para a expansão do comércio.2.com. seja porque já sabe que nesse shopping existe a loja que procura ou simplesmente para preencher um desejo de passear e observar independente se vai realizar a compra ou não. social. (Cf.Vitrina 37 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Essa característica das lojas Tok & Stok é muito importante para entendermos a história dos espaços comerciais e o desenvolvimento das ambientações na área da Decoração.Loja Tok&Stok Podemos chamar um espaço físico comercial de shopping center30. o shopping center veio para atender a todas as expectativas dos consumidores. agregando não só elementos ligados ao consumo. com serviços de segurança. sendo um verdadeiro “templo do consumo” não só no âmbito das mercadorias. abastecimento de água. .larcenter. de lazer e serviços.3. Fazemos um “recorte” no estudo dos shoppings centers e nos especificamos nos shoppings “temáticos”. como também por toda infra-estrutura que proporciona às pessoas.br . Shopping pioneiro e especializado em Decoração. parques de diversões e estacionamento. inaugurado em 12 de junho de 1987.acessado em 28/ 05/ 2009). Vale notar. Especialmente no Brasil..” (2006:180) Ainda para PADILHA (2006). que são aqueles relacionados a um determinado tema. seguindo o padrão norte-americano. Shopping Center Temático na área da Decoração Figura 14 – Exibição “passarela”. valores como qualidade de vida e bem-estar.acessado em 02/ 06/ 2009). Nesse tipo de shopping encontra-se 30. porque possuem uma estrutura administrativa. 31. O sujeito que busca esse tipo de shopping tem a intenção pré estabelecida. lanchonetes. restaurantes. na década de 60. como também atribuídos ao conforto. foi somente na década de 80 que eles se expandiram em nosso país. já que busca. manutenção de infra-estruturas e transporte.. limpeza.

Modelo tripartido de espaços interiores residenciais. Segundo informação da proprietária do Lar Center. Disponível em: http://www. mas que poderia ser atribuída à outra em qualquer região do Brasil (ver figuras 15 e 16). por Álvaro Guillermo. : TRAMONTANO. notamos que as vitrinas das lojas (espaços comerciais) seguem com propostas de ambientações que objetivam despertar o interesse e o desejo do público consumidor.visitado em 13/ 10/ 2008). cortinas. em entrevista ao catálogo Jovens Profissionais 2008. Habitação. Layout decorado criado pela autora da dissertação em outubro de 2008. Modelo de tripartição burguesa de classificação do espaço residencial: entre área social.usp. Um exemplo desse modelo é o shopping Lar Center31. As inter-relações dos espaços físicos comerciais com o Design de Interiores Ao caminharmos pelos espaços interiores de um shopping center temático específico na área do Design de Interiores. dentre outros. é interessante esclarecermos primeiramente como ele se apresenta na organização dos interiores residenciais. íntima e de serviços.eesc.CDRom. com o mesmo modelo tri-partido burguês francês que há mais de 100 anos foi exportado para todo o Ocidente. Rio de Janeiro: Anais . Dessa maneira. ! 32. Glorinha Baumgart. Ele abriu caminho a dezenas de outros shoppings com propostas semelhantes. tapetes. que fizeram com que a casa deixasse de ser apenas moradia para se transformar num espaço prazeroso de aconchego”. na Região Norte da cidade. 2000.br/nomads/livraria .2. Decoração & Design Center. como a rede Interlar e o D & D. .4. modelo utilizado pela burguesia europeia do século XIX (Cf. Marcelo . espaços ligados a áreas de atuações do tema escolhido. hábitos e habitantes: tendências contemporâneas metropolitanas.38 Vitrina A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo apenas em seus interiores. como: mobiliário. em São Paulo. Suas lojas são compostas por produtos na área do Design de Interiores. Ele surge em 1987. “o Lar Center sempre esteve em sintonia com a evolução das tendências relacionadas ao tema. A 1. usamos como exemplo um desenho da planta de uma casa na cidade de São Paulo. como o primeiro shopping center temático na área de Decoração no Brasil. Antes de continuarmos a discussão sobre o modelo tri-partido32 no espaço comercial. acessórios decorativos. Figura 15 .

e serviços (cozinha. Dic. ! ! Figura 17 Modelo tripartido de espaços interiores de um loft Layout decorado pela Favoreto Engenharia e retirado do site: http://www.eng. Essa configuração tripartida pode ser também verificada em vários desenhos de plantas residenciais. onde não há paredes ou divisórias entre os ambientes. UOL michaellis – acesso 02/06/2009. Figura 18 ! 33. como são apresentadas nas plantas de uma construção tipo loft33 . tipo de apartamento criado a partir da compartimentação de um grande espaço coberto. ilustrados de amarelo. os setores social. lavanderia e dormitório de empregados). .Vitrina 39 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Verificamos que essa planta possui uma distribuição nitidamente estanque e compartimentada dos setores: social (living.Layout decorado criado pela autora da dissertação em outubro de 2008. localizações ou mesmo condições econômicas dos sujeitos. Percebemos. na atualidade. que interfere nos espaços independentes de suas áreas métricas. pois ainda não conseguimos nos desprender fisicamente e socialmente desse modelo. íntimo e serviços são claramente determinados e diferenciados na distribuição dos espaços ambientais domésticos que indiscutivelmente transferem para as ambientações nos espaços físicos comerciais do Design de Interiores (ver figuras 17 e 18).htm ! Figura 16 . sala de jantar e lavabo) representado pela cor vermelha.favoreto. íntimo (quartos e banheiros) de cor azul. que mesmo em um projeto de uma planta residencial.br/ evidence/imagens/pl_loft. sem divisórias (como um galpão ou armazém) – orig.

acabam por manifestar-se com ou sem o auxílio da aprendizagem e de modelos”. com esses espaços. e. verificamos que o modelo tripartido existe e demarca física e socialmente uma análise entre o “homem e o seu habitar”. Dessa forma. induz o olhar dos consumidores quando passeiam pelos corredores de um shopping. pois o perfil do sujeito é um fator marcante e relevante para a atividade comercial. Percebemos que esse modelo. quando o indivíduo interfere na organização dessas ambientações. a antropologia. podemos dizer que as ambientações propostas como cenários espaciais nas lojas podem influenciar o consumidor. a arquitetura.acessado em 02/06/2009 ! 34. “Sm (ingl): Recinto onde são exibidos exemplos ou amostras dos produtos que podem ser comprados num estabelecimento comercial.com.br . “Para falar ou entender uma língua. até certo ponto.: Dic.Site: www.” (Cf. mesmo que imaginárias.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 40 Vitrina Notamos que esse modelo de construção tipo loft também está presente em determinados espaços interiores de certas lojas comerciais. . UOL michaellis – acessado em 02/ 06/ 2009). não é preciso ser alfabetizado. cultural. os espaços comerciais usufruem desse modelo para atrair os consumidores. ele poderá adquiri-lo mesmo que não esteja adequado ao seu espaço. como veremos no próximo texto. dentre outros. que ao se depararem com as ambientações conhecem e distinguem como uma linguagem que interpretam independente de seu envolvimento. aparecendo no show-room34 compondo o espaço comercial (ver a figura 19). ainda atual. O contrário também ocorre. Essas faculdades são intrínsecas ao homem. Mesmo notando nesse século “discussões” a respeito de espaços e sociedade em diversas áreas científicas.1997: 86) Assim. não precisamos ser visualmente alfabetizados para fazer ou compreender mensagens. Figura 19 – Show room da Loja Breton .(DONDIS. quando um indivíduo olha para um sofá exposto na vitrina e o imagina em seu âmbito doméstico. Por exemplo. regional.breton. instigando-o a adquiri-las como ambientações. dentre elas a sociologia.

biótipo. sexo. “Este é um assunto bastante complexo. Entretanto. podendo ou não selecionar o produto exposto nela. O espectador de qualquer forma é um consumidor. sexo. espectador. mas que serão analisadas por meio de um estudo de perfil (idade. (RATTO. imagina e “vê” o que está sendo narrado. faixa etária e instrução”. observador e interagente). uma ideia proposta pelo cenário da ambientação. uma vez que pode envolver longos estudos e pesquisas para a obtenção de dados precisos e confiáveis para o projeto do produto. se encontra em um espaço comercial e assiste a proposta da ambientação. e a relação deles com o produto. podemos determinar uma maior complexidade nas conceituações do sujeito. ainda que de um modo sucinto. alguns fatores importantes que influenciam decisivamente a interface do usuário com o objeto e que precisam ser levados em consideração para o melhor projeto possível do objeto. entre eles: raça. entre outros.3.1. pois mesmo que ele não adquira o produto. ele poderá consumir um conceito. discutiremos os diferentes tipos de sujeito (espectador. (GOMES FILHO. observador e interagente no espaço físico comercial A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Nessa dissertação. Essas características permitem que os grupos se diferenciem entre si. O sujeito se torna um espectador quando. escolaridade) do grupo ao qual ele pertence. Adentraremos nessa relação associando-a com o consumo. baseando-se em trabalhos profissionais da área. Assim. O sujeito. ou até mesmo do próprio estilo de vida. que diretamente está ligado ao espaço comercial. como se os lugares e os espaços nos quais os “heróis” estão agindo estivessem à sua frente”. “O comportamento desse espectador é equivalente ao de um leitor que. sem compromisso.3 SUJEITO E PRODUTO P Para a compreensão do estudo. falamos de um sujeito como indivíduo que possui diferentes características pessoais. 2003: 36) Segundo GOMES FILHO (2003). para conceituarmos o que é sujeito. 1999: 25) . N 1. necessitamos de algumas das características do perfil do indivíduo.Vitrina 41 1. do modo de pensar e se divertir. seguindo as descrições literárias de um romance ou de um conto. relacionamos a seguir.

a vitrina é percebida tanto em função da relevância prática ou objetiva do produto para o passante. Por exemplo. 1997: 53) “Ao mesmo tempo em que individualiza seu usuário ou possuidor na representação simbólica.. Já quando verificamos um sujeito como “observador”. que impõem nesses perfis suas vontades. Podemos dizer que o observador pode estar préselecionando o produto antes de chegar ao espaço comercial. (OLIVEIRA. Assim. É como se ele persistisse em suas ações para com o produto. ao percorrer os corredores de um espaço comercial em um shopping à procura de um sofá. olhando apenas por prazer. ou até o conjunto composto pelas peças. Assim. por meio da interação deles com o espaço. eles desempenham um “papel” muito importante na concepção da ambientação criada. poderá levar uma poltrona ou uma luminária. o objeto também serve de amálgama social. Segundo FERRARA (1981:15): “. quanto da relevância das referências simbólicas que ela pode estimular no observador”. vamos tratar de um sujeito que atentamente observa o produto como que o estudasse por vários ângulos antes de adquiri-lo. um indivíduo que procura um sofá. que é a relação entre o sujeito com o espaço. 2006: 158) No processo de consumo.reorganiza e inventa o repertório a partir da experiência de atribuição do significado”.. equivalente a um leitor. quando esse sujeito interage com o espaço. podendo ser de forma intuitiva. Porém. trataremos de um fator importante. poderá observar a ambientação no qual se insere um sofá que mais o agrada. “As imagens são percebidas pelo observador a partir de seu grau de pertinência. só percorre lojas comerciais que lhe mostram ambientações que tenham sofás. Ele. podemos dizer que a criação de um cenário na ambientação de uma vitrina favorece e valoriza seus produtos. esse mesmo sujeito como observador também poderá ser atraído por outro produto que não havia sido pré-selecionado. É como se ele já fizesse uma pré-escolha do produto. E esta interação pode ser feita por meio dos perfis dos sujeitos (grupo ao qual ele pertence). ao mesmo tempo em que difere e personaliza. anseios e desejos. “lê” a imagem da ambientação como se estivesse lendo um livro. . em vez de levá-lo. o espectador. e não lojas de cozinhas ou de banheiros. Desta forma.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 42 Vitrina Segundo RATTO (1999). ou seja. isto é. (LIMA. liga o indivíduo ao social justamente a partir do reconhecimento do apreço ao objeto pelo grupo”. E. uma relação de trocas. os sujeitos não são apenas espectadores das mensagens criadas pelo visual merchandising.

em grego. pois ele. 1997: 31) Após abordarmos nesse estudo alguns tipos de sujeito. não conseguem transmitir a ambientação de uma sala de estar. (OLIVEIRA. (BAUDRILLARD. como citamos no início da dissertação. o cenário. de um conceito. mas tudo o que possa ter um resultado produzido. Portanto. É como se esse resultado produzido fosse rendimento de uma mesma produção. Assim.3. podemos chamar de produto. comunicam: não tem mais presença singular. (GOMES FILHO. um objeto. ao analisarmos um produto individual no espaço comercial. um sofá. Desta forma. “Foi toda a concepção da decoração que mudou. pelo nosso interagir com ele. sistema de produtos e sistema de informações que mantêm com o homem uma efetiva relação de utilização em nível intelectual. mesas. na nossa locomoção pelas ruas. e quando falamos na relação entre eles. na atualidade. podemos fazer uma analogia com uma peça de teatro. o espaço. uma coerência do conjunto feita de sua simplificação como elementos de código e do cálculo de suas relações”. para a criação dessa ambientação são necessários vários produtos. sem alteração em seu significado. “O que vemos. e percebe que em determinado . ou seja. como espectador. lançado no meio do caminho (em latim. 1997: 49) Para OLIVEIRA (1997). não só uma peça. por exemplo. visualiza uma ambientação da vitrina. interagente. eles são construídos de modo a nos fazer sentir que estamos no espetáculo de seu mundo. ob-jectum. por exemplo. podemos dizer que o produto está sempre próximo ao sujeito e ao espaço. nos diversos “tipos” de sujeitos. observador e interagente. interagentes e/ ou consumidores. Não intervém mais agora o gosto tradicional como determinação do belo segundo afinidades secretas. É importante realçar que o termo produto. observadores. a fim de ser identificado. como se intermediasse a mesma. tapetes. no melhor dos casos. é como se um ator não estivesse representando seu papel na “cena teatral”. verificamos que muitas vezes ele necessita de outros produtos. uma ambientação resultante de estudos e planejamentos. Para FLUSSER (2007: 194): ”Um objeto é algo que está no meio. pode ser substituído nesse estudo pelo termo objeto. principalmente se tratando de um espaço comercial. o sujeito pode ser fortemente influenciado pelos espaços comerciais. uma logo. De acordo com FLUSSER (2007).Vitrina 43 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo P 1. “Conceituamos o termo objeto para todo e qualquer ambiente. espectador. Ao relacionarmos o sujeito ao produto e ao espaço. Mais propriamente. se um espaço não contém o produto.2 O sujeito e o produto no espaço físico comercial não existirá uma mensagem que será transmitida ao sujeito como observador. Vale destacar que o produto pode estar presente entre o sujeito e o espaço.O conjunto de produtos pode formar verdadeiros cenários. se o produto não estiver presente no espaço. Assim. produto. a vitrina pode ser o resultado de um produto final. problema). de uma evocação de objetos fechados que se correspondiam: hoje os objetos não se correspondem mais. uma marca. muitas vezes. mas principalmente pelos shoppings e centros comerciais. que. cortinas. de uma marca. focaremos também no produto. físico e sensorial”. e muito menos como consumidor. espectador. Singularmente. percebemos que nessa relação o produto executa o “papel” principal. mas. ele pode não transmitir nada. No espaço comercial do Design de Interiores. Tratava-se de um discurso poético. a plateia seria o sujeito observador. sejam eles espectadores. como. se torna o mundo em que estamos e somos”. dentre eles: sofá. ou uma poltrona. O ator da peça seria o produto. e assim atrair o sujeito como consumidor. 2003: 24) Juntamente a GOMES FILHO (2003). poltronas. é uma explosão de ambientações que tendem a nos fazer esquecer que estamos diante de espaços comerciais. ou de uma ambientação.

Para tanto. e o prazer oriundo da ideia do produto. envolve seus valores. caracterizada pelo prazer oriundo das sensações. uma loja de móveis tem uma construção espacial e apresentação dos seus produtos com cenários diferentes de uma loja de colchões ou de uma loja de cozinhas. Por exemplo. estamos falando de um consumidor que pode ou não adquirir um produto exposto pela ambientação.. projetar e organizar cada um dos espaços de modo que o sujeito se identifique e se associe ao produto na individualização do perfil. XVII há uma insaciabilidade. percebemos que a mesma deve se adequar ao possível consumidor. Ao analisarmos uma loja que oferece produtos para um determinado segmento.3 As inter-relações do sujeito. mas a procura do prazer imaginário que a imagem do produto empresta”. pode ser ou não inatingível. ele pode comprar o produto ou simplesmente copiar a função (dependendo do produto multifuncional) e/ ou cenário (imagem) que o exibe. Controle através da imaginação e da memória. hábitos. compra ou uso dos produtos. desejos. é preciso criar. o consumo seria uma relação entre o sujeito.44 Vitrina A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo momento ela pode ter um sentido muito além do que lhe é mostrado. por muitas vezes. ou seja. que vai muito além da exposição do determinado produto (colchão). (BARBOSA. que estimulam um consumo mais amplo (ver figuras 20 e 21). O espaço pode oferecer formas variadas de propostas e de organizações estético-sensoriais. Na visão de BARBOSA (2004).3. “. A 1. gostos e necessidades em uma escala extremamente intensificada. em uma loja de colchões. o consumo não é seleção. quando falamos em consumo. . a partir do séc. do produto e do consumo no espaço físico comercial no Design de Interiores A sociedade de consumo pós-moderna está associada à complexidade humana. ou a ideia do cenário. o consumidor pode comprar o produto (colchão).. É como se esse cenário o remetesse a um mundo imaginário que. Por exemplo. Os consumidores procuram “significações associadas”. ou seja. 2004: 53) Assim. ancoradas nos sentidos e nos estímulos exteriores. como consumidor.

pois muitas vitrinas são personificadas para serem admiradas e consumidas por meio dos anseios e desejos dos consumidores. Para ele. o consumo passa a não ser só material. Já para BUENO & CAMARGO (2008: 33): “Nesses ambientes. e o consumo assemelhou-se a uma performance.Os produtos tornaram-se uma espécie de espetáculo. os consumidores potenciais eram incentivados a admirar as exposições.. (. mas também emocional.) Os vendedores das lojas ! ! Figura 20 . muitas vezes teatrais ou fantásticos.Loja de Colchões Copel ( antes ....sem ambientação) Foto Tirada pela autora no Shopping Lar Center – 15/07/2008 Figura 21 . focado apenas adesão do produto exposto.Vitrina 45 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Como afirma FERLAUTO (2003: 74): ”Agora se cria e se produz em função das exigências do usuário e do consumidor. Desejamos algo que nos represente e que responda aos nossos sonhos e desejos”.Loja de Colchões Copel (depois-com ambientação) Foto Tirada pela autora no Shopping Lar Center – 15/07/2008 .

produto e consumo. decorou vitrinas de importantes lojas de Chicago utilizando cores. Para o autor (1997: 207) o consumo invade o produto: “. L. da arte. expostas por meio de anseios. como também manipula o consumidor e suas expectativas.. através de seus produtos. muito mais do que um produto singular. com manipulações objetivas para serem admiradas. a cultura. tentando traduzi-la em opções de consumo. Passou-se da satisfação de velhos desejos para a produção de outros novos”. “. Muitas expõem seus produtos em verdadeiros cenários. Para que haja consumidor. os anseios. Muitas áreas do comércio...: é consumido – jamais na sua materialidade. percebemos que as ideias. É MENDES (2006) que identifica que “.. etc. e a vitrina é a ferramenta que intensifica o processo do consumo. De acordo com BAUDRILLARD (1997). na inter-relação dos espaços comerciais. intensificando a relação entre eles. mas na sua diferença”.. as exigências. é como se ele “personalizasse”. estéticos e posição na sociedade.o autor de O mágico de Oz. por exemplo. desejos e prazeres. e a vitrina expõe esses produtos com conceitos.assim as necessidades. todas as paixões e todas as relações abstratizam-se (e se materializam) em signos e em objetos para serem compradas e consumidas”. Na contemporaneidade. à exponenciação de produtos e ao despertar de desejos criam relações vivas entre o produto e o sujeito que vê por meio de cenários criados. da arquitetura. a partir do século XIX. todas as forças próprias do homem acham-se integradas como mercadoria na ordem de produção e se materializam em forças produtivas para serem vendidas. hoje em dia todos os desejos. a toda hora. (BAUDRILLARD. desejadas e consumidas.. os desejos se materializam em objetos como produtos que serão consumidos. 1997: 207) . que está em série. valores psicológicos. no Design de Interiores podemos notar que a relação entre sujeito. mesmo que de forma abstrata. Desta forma. as vitrinas passam não só a expor produtos como mercadorias. Frank Baum. Segundo os autores. O sentido que ele coloca na palavra “personalizar” é a respeito da integração do sujeito ao produto. e para todas as idades. o saber. torna-se “viva” e atuante no espaço comercial. atitudes. mas mundos possíveis para a concretização de seus anseios. busca atender as expectativas da sociedade contemporânea. intensificando a valorização dos produtos expostos. os sentimentos. do marketing também se preocupam com o visual merchandising de seus produtos.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 46 Vitrina eram instruídos a não falar com os consumidores para não distraí-los da contemplação dos objetos exibidos. os projetos. Os profissionais que atuam nesses espaços cênicos que se destinam à comercialização de sonhos.. Esses espaços construídos para o estímulo ao consumo sugerem. mas também a proporcionar entretenimentos com suas ambientações. Portanto. o consumo está por toda parte. por exemplo. é necessário que a ambientação seja atraente. luzes e idéias advindas dos cenários de peças teatrais”. e não só se adapta. o espaço comercial.

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A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Vitrina 50 .

Nesse texto. Embora fosse a época do sexo. necessidade. o cocooning36 . as ambientações dos espaços comerciais tornam-se verdadeiros laboratórios experimentais de variadas situações cotidianas dos espaços domésticos. uma busca de bem-estar. .a citação do publicitário Luiz Lara. drogas e rock and roll. passa mais de 80% do seu dia dentro desses espaços35. o sujeito poderá dar conta do tamanho da mesa e da quantidade de cadeiras que necessita quando imagina a cena do “jantar em família” em seu âmbito doméstico. “Quando cunhamos o termo Encasulamento. um conceito de proteção social”. ele compra um sonho. O fato de o indivíduo querer humanizar os espaços. Um número cada vez maior de pessoas está transformando suas casas em verdadeiros ninhos . De carinho. seja na criação e/ ou na participação dos mesmos. o shopping. Encasulamento é o impulso de ficar dentro de casa. Segundo Faith POPCORN (1997). dizemos que há uma humanização dos espaços. “O consumidor não compra mais um endereço. home-theater (sala de TV). de conforto. existe um envolvimento do sujeito com os espaços comerciais. Por exemplo. estuda.Vitrina 51 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo T 2.fazem nova decoração. conforto. dentre outros. O encasulamento evocava imagens calorosas de lares. utilizando cada vez mais os interiores deles. analisando particularmente o sujeito que se relaciona ao espaço físico. Percebemos que o homem contemporâneo passa a maior parte do dia em espaços fechados. por exemplo. ao procurar uma mesa e suas respectivas cadeiras em uma loja comercial na área da Decoração. o escritório ou a casa. percebemos que cada vez mais as construtoras investem em espaços que concretizam essa satisfação emocional do sujeito em permanecer mais tempo nos em espaços residenciais e comerciais. em 1981. De entrar em sintonia com aqueles de quem gostamos”. está relacionado à quantidade de tempo que ele passa dentro deles. o dormitório. “O consumidor não compra uma casa. das ciências exatas às humanas. assistem filmes pela TV a cabo. A segurança do lar é o que importa.spaceblog. compra acolhimento” . sejam eles o carro. discursou Luiz 35. 1997: 53) Quando tratamos de espaços residenciais. ou seja. criadora do verbo “encasular” e “grande guru” de tendências pessoais e de negócios. O profissional palestrou aos vencedores do Prêmio Master Imobiliário 2007. queríamos nos referir a entocar-se. varanda com churrasqueira. favorecendo a busca ao seu casulo. os edifícios residenciais possuem espaços variados em lazer e serviços. academia. como: espaço-gourmet. De ninhos. Na contemporaneidade. 1997: 37) Tanto o espaço como os sentidos são analisados e discutidos por diversas áreas de estudo. encomendar comida em casa e ver os programas favoritos na televisão. quem sabe iniciar um negócio em casa”. vimos a emergência do Encasulamento. prazer. Por exemplo. como a Sociologia e a Antropologia. (POPCORN. O envolvimento também pode estar marcado pela relação experimental do sujeito com o espaço. seja ela. de certa forma. Os empreendimentos premiados. (Cf. social ou emocional. estabilidade ou uma satisfação que ele tão almeja. Assim. resume os anseios dos compradores de imóveis. acessado em 18/ 05/ 2009). utilizam a internet para fazer compras e usam a secretária eletrônica para filtrar o mundo exterior. 36. identifica o encasulamento como uma das dezesseis principais tendências para as próximas décadas. dentre eles: segurança. física. De diversão em casa.: http://marketing. quando o lado de fora se torna muito difícil e ameaçador. Criar um casal de filhos. OS ESPAÇOS E OS SENTIDOS DO SUJEITO “Por exemplo. um dos sócios da agência de publicidade LewLara. acreditamos que o consumidor futuro estaria ansiando por enroscarse na cama com uma deliciosa pizza. os conceitos de marketing do setor e as inovações tecnológicas apontam os desejos do consumidor. Hoje. procuramos inter-relacionar os cinco sentidos. um indivíduo que dorme. mais especificamente uma loja comercial na área da Decoração. (POPCORN. home-office (escritório em casa). trabalha e se locomove de um espaço fechado a outro. Vários fatores levam os indivíduos a procurarem espaços fechados.br/43987/AS-16-TENDENCIAS-DE-FAITH-POPCORN. passando por diversas áreas de análise.com.

o primeiro hotel do mundo (denominado. “Pessoas que não gostam de hotéis dizem que até os mais confortáveis e luxuosos são muito impessoais. Os decoradores estão à procura de mesas.com) Os designers de interiores. acabam utilizando na criação dos seus ambientes. Além de inteligente e inovadora. (Entrevista NOTÍCIAS . e acessórios que lembram o âmbito doméstico. hotéis. por Karina Yamamoto – Cf. o mercado imobiliário precisa se reinventar e apresentar conceitos e novas ferramentas de mídia e relacionamento. Hotel X) inteiramente decorado com móveis e quinquilharias usadas de consumidores comuns. “Além do terreno bem escolhido. que procuram se assemelhar aos espaços residenciais. posters. (Reportagem NOTÍCIAS 17/04/2009.Ambiente de sala de estar Fotos tiradas pela autora da dissertação em visitação a exposição no MUBE – Museu Brasileiro da Escultura . “Para o publicitário.junho 2008 ! Figura 23 . Em um setor competitivo como o de hotelaria. O preço pago por objetos usados é bem inferior ao que seria gasto caso a rede comprasse tudo novinho em folha”. ou até mesmo institucionais.11/09/2007. Alguns hospitais. a estratégia da La Bergère é acima de tudo econômica. “As pessoas encontram argumentos racionais para justificar a compra do imóvel.com. as escolhas de imóvel são emocionais. cadeiras.globo. verificamos a existência de outros espaços comerciais. Para atrair hóspedes e criar um ambiente que tenha a aconchegante atmosfera de um lar doce lar.casa. mas a decisão é emocional”. peças de arte. ao analisar a busca dos indivíduos Figura 22 . dentre outros.-Ana Cristina Dib – www. medidas criativas fazem toda a diferença.SP .Ambiente de banheiro ! . preferencialmente).: www.br) Ao estudar os espaços físicos. antiguidades e plantas (cactus. por enquanto. a rede La Bergère vai abrir em Maastricht. disse Lara. museus. da construção de qualidade e do atendimento impecável.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 52 Vitrina Lara. peças do mobiliário. na Holanda.

Abitare Il Tempo em Verona: mostra de mobiliário e objetos decorativos a cada ano apresenta uma nova proposta.: www. dormitório. em junho de 2008 (ver figuras 22. a feira internacional que acontece anualmente na Itália. tivemos uma pequena amostra desta feira internacional. 24. estéticas e tecnológicas para que as ambientações passem a responder cada vez mais os anseios. Não podemos deixar de citar que muitos dos elementos e equipamentos utilizados nessas ambientações são favorecidos pelas novas tecnologias. Assim. Figura 24 – Ambiente dormitório Fotos tiradas pela autora da dissertação em visitação a exposição no MUBE – Museu Brasileiro da Escultura . 25). dentre outros. Ela destacou. desejos e necessidades desses indivíduos. simulavam uma casa metropolitana com sala. climatização. Elas criam ambientações espetaculares com cores. banheiro. algumas propostas no Design de Ambientes: Domestic Campus de Simoni Micheli e The luxury of emotions. acessado em 25/ 05/ 2009).it. luzes e sons. Podemos citar. Abitare Il Tempo em Verona37 .abitareiltempo. ! Figura 25 – Ambiente de sala de jantar ! . Foram mostrados ambientes domésticos carregados de efeitos visuais. 23. podem criar nos mesmos estratégias técnicas.Vitrina 53 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo aos interiores dos espaços. Foram apresentados em 2008 diferentes projetos de ambientes experimentais.junho 2008 37. como: peças. mobiliários. luminárias. Os ambientes se distinguiam pela percepção sensorial individual de cada sujeito que ali entrava. No Brasil. formando verdadeiros shows teatrais. organizada por Simoni Micheli. na cidade de São Paulo. sonoros e com aromas que mudavam de acordo com o ambiente demonstrado. em 2008. revestimentos. os espaços comerciais se apresentam como cenas usando alguns elementos e equipamentos. Diretamente. com os espaços expostos no Mube – Museu Brasileiro da Escultura. como exemplo. para proporcionarem espaços mais aprazíveis e aconchegantes nessas ambientações. (Cf.SP .

projetadas para facilitar cada vez mais o dia a dia das pessoas.Ambiente dormitório .A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 54 Vitrina Como dito anteriormente. profundidade. ( Cf. (Cf. suporte de programação. “(Ingl) Suporte lógico. Cf. ele também é muito utilizado pelos designers no planejamento e projeção de espaços. iremos discutir especificamente. (POPCORN.Ambiente dormitório Planta Baixa 2D Software : Auto Cad 2004 ! Mais adiante. outras influências da tecnologia na elaboração dos espaços no Design de Interiores. Qualquer representação gráfica de um objeto apresenta-se com duas dimensões . ou da computação gráfica. dentre outros recursos. Estamos no auge de mudanças importantes (mudanças que podem inspirar novas áreas do Click38 ).Perspectiva 3D . os softwares mais utilizados no segmento são: 3Ds Max. Já existem cerca de mil das chamadas Casas Inteligentes nos Estados Unidos. Imagens em 3D são imagens de duas dimensões elaboradas de forma a proporcionarem a ilusão de terem três dimensões. o que dá maior semelhança com o objeto representado. ZBrush.Software : 3D Max Modelos de softwares para espaços interiores . Uol-Michaelis. favorecendo a visualização de um objeto (produto. com detalhes. Embora o computador possa ser usado na composição das ambientações. Segundo Faith POPCORN (1997). como. o click é a solidificação dos diferentes interesses individuais presentes no inconsciente coletivo. os âmbitos residenciais. acessado em 12/ 05/ 2009). acessado em 12/ 05/ 2009). o uso da informática como ferramenta para planejar e projetar os espaços.wikipédia. Outra forma de percebemos a grande utilização dos recursos tecnológicos nas habitações são as recentes “casas inteligentes”.: http://marketing. por exemplo. Conjunto de programas. Agora. dentre eles. pré-programadas para facilitar nossas vidas”. cores.: www. as novas tecnologias (NT) criam efeitos computadorizados. regras e documentação relacionados com o funcionamento e manejo de um sistema de dados. para controlar jogo de luzes. pode-se fazer com que a figura dê a impressão de apresentar.spaceblog.layouts decorados Projetados pela autora da dissertação em outubro de 2008 38. Esses processos computadorizados podem ser feitos por meio de software39 . programa de desenho que gera uma representação gráfica dimensional (2D) e/ ou tridimensional (3D)40 . “Há uma mudança efetiva nas casas que estamos transformando em Casulos? As casas do futuro estão se tornando cada vez mais amigáveis. Programas que atuam para diversas atividades profissionais. já que as alterações e transformações dos espaços comerciais sugestionam os sujeitos a modificarem as composições de seus espaços domésticos. ambiente). acessado em 18/05/2009) 39. métodos e procedimentos.com. Atualmente. também. mesmo que indiretamente. contendo energia. veremos. Mas é válido dizer também que os recursos tecnológicos empregados nesses espaços podem favorecer. . com. 40. 1997: 64) Figura 26 . variedade e estabilidade suficiente para avançar em tendências de mercado. como ferramentas avançadas e direcionadas em especialização projetual (ver figuras 26 e 27). sons contribuindo com as ambientações dos espaços comerciais.br/43987/AS-16-tendências-de-Faith-POPCORN. luzes. Mas com o auxílio de óculos especiais que fundem determinados pontos da figura. ! Figura 27 .2D. Maya.

percebemos que há uma associação entre eles. sejam elas espaciais ou emocionais. por outro. O cheiro de desinfetante pode nos lembrar alguns ambientes específicos como banheiro. sejam elas com referências físicas. fossem repassados mesmo que idealizados. “Na fantasia de trilhar a estrada de modo singular. ou melhor. principalmente quando olhamos uma ambientação como um espaço doméstico de desejo de consumo. e. 2008: 22) No Design de Interiores muitas ambientações montadas são vistas como um verdadeiro cenário estimulando o nosso imaginário. pois os seres humanos chegam a desenvolver mais de 80% dele em relação a outros sentidos. dependendo do ambiente. Damos. 2008: 22) Além de nos ajudar a valorizar situações. menos graça terá de viver”. citamos a visão como um sentido poderoso que conduz. já que os nossos sentidos ajudam a valorizar muitas situações únicas e individuais. ”São eles que potencializam situações para que possamos perceber o mundo ao nosso redor de uma forma muito singular e única e que contribuem para que nossa identidade possa ser formada de maneira diferente das dos outros”. que “move” de todas as maneiras e para todos os lados os sujeitos.Vitrina 55 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo C 2. chegamos até a “pensar com olhos”. permitindo-nos obter experiências que ajudarão a contar nossa história. mais do que qualquer outro. da encenação ao interior da loja. o ser humano é um animal predominantemente óptico: utiliza a visão. ”A fantasia com espaço de projeção dos desejos não satisfeitos comprova a existência real desses Nossa questão é analisar por meio dos sentidos do individuo como se dá o processo perceptivo das ambientações nos espaços comerciais. por algo exterior: experimentar com emoção! Ir adiante e olhar para trás : este seria o caminho para criar produtos com flashes no passado com formas de viver. esquecemos a função deles em nossa vida – e. onde seus elementos são reais e percebidos por meio de nossos sentidos. Também é evidente que. o sentido do olfato. (MENDES. e levamos essa ambientação imaginária para casa. 2008). nossos sentidos. por alguém. Como se esses. ou o cheiro de pipoca pode nos lembrar de um cinema. espaciais ou não (REVISTA KAZA. Ao visualizá-la. e viceversa. (DEMETRESCO. Os espaços físicos comerciais e os sentidos próprios desejos”. a ordem é orientar as pessoas. (Álvaro GUILLERMO entrevista para revista Kaza. 2006: 21) . podem nos remeter a determinadas lembranças. Sobrevivemos se há uma ruptura e devemos criar um repertório com bases sólidas que contenha uma multiplicidade de sensações. uma cozinha. ”Portanto. dentre outras. ao serem estimulados. à medida que nos acostumamos com situações corriqueiras. como exemplo. (Álvaro GUILLERMO. como se fossem os nossos próprios ambientes domésticos: uma sala de estar. para os espaços físicos comerciais. cenas inventadas como fantasias. ou seja. “Temos uma forma única de explorar os sentidos ao longo da vida. quanto menos utilizamos. (MARCONDES.1. do ponto de vista sensório-perceptivo. Inicialmente. Dizem que é o sentido mais explorado. 2005: 89) Compartilhando da crescente inquietação dos meios de comunicação e da ciência que estudam os espaços e os sentidos corporais. entrevista para REVISTA KAZA. e que talvez não as perceberíamos. tanto no projeto como no destinatário”. nos permitimos aflorar e reprimir esses sentidos. Podemos dizer que estamos sempre sendo estimulados visualmente a perceber os espaços. para interagir com o mundo”.1988:28) Percebemos que os nossos sentidos podem tornar esses cenários. A transformação interna depende de certa possibilidade diante dos elementos exteriores – deixar-se tocar por algo.

A audição e o olfato são considerados sensores do corpo de um indivíduo. dentre elas. auxiliando no controle do apetite e da quantidade de alimentos que são ingeridos. feiras) no Design de Interiores exploram muito o sentido da visão. nos espaços mencionados. Geralmente. somos demasiadamente expostos a muitos estímulos. Por exemplo. Atualmente. as comprovações reais de testes no produto. valorizando e destacando os produtos. se o seu corpo acomoda-se confortavelmente na peça. Segundo BARRETO (2008) . Heliana Comin. prejudicando o recebimento dessas e de outras mensagens. 2001. percebemos que cada vez mais os sujeitos querem pegar. seja pela visão ou pelo tato. . ele poderá devolvê-la à loja. permitem que o cliente leve para a casa a peça em consignação.: VARGAS. nessas ambientações. A lógica do espaço terciário cit. É o que ocorre em enfermidades como a gripe. o “toque” das mãos nos sofás das ambientações nos dá a certeza de um bom tecido. palpar. e nossos sentidos estão cada vez mais sendo estimulados a perceberem os cheiros. alguns dos espaços comerciais. e caso ele não queira ficar com a peça depois de experimentar e testar em seu espaço doméstico. ouvirmos o bater em uma porta mesmo não estando no mesmo ambiente em que ela se encontra. já que para outros sentidos esses fatores não são tão perceptíveis aos sujeitos. e se quisermos. principalmente por meio de cores e de iluminação. Ver e sentir o efeito de uma iluminação planejada em um ambiente. E não menos importante do que os outros sentidos.pg. os odores. Cf. Dando continuidade. fazendo com que a mensagem seja percebida de maneira passiva. o paladar é especificamente percebido em espaços na área da degustação. assim como o olfato. pois nada substitui o contato direto do consumidor com o produto quando o assunto é Decoração. eles se relacionam de tal maneira que a ausência de um interfere na presença do outro. Por exemplo. as imagens. a audição. algumas lojas na área da Decoração. ao notar visualmente um produto. como por exemplo. shoppings temáticos. E o contrário também é verdadeiro. que traduzem mensagens dessas informações. 2008: 149) Vivemos em um mundo repleto de informações variadas por todos os lados. A ausência do olfato reduz sobremaneira as percepções do paladar. Não podemos deixar de citar que. podemos ou não nos direcionar para onde vem o barulho. É preciso se assentar em um sofá para descobrir se o produto está ergonomicamente correto. seja pelos testes de resistência ou de conforto. 319. é o sentido que nos afeta mais emocionalmente nas suas percepções espaciais do que os demais sentidos. gráficas e sonoras. estando muito próximo do sentido do olfato. ele precisa tocar. Porém.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 56 Vitrina Percebemos que as ambientações nos espaços físicos comerciais (lojas. O mesmo pode acontecer com aromas e fragrâncias. percebendo essa demasia de informações. Dessa maneira. em seu artigo. lojas de tapetes ou até mesmo de mobiliário. como verdadeiras “antenas”. e isso pode acarretar uma verdadeira poluição visual e sonora41 . “Vale lembrar que as sensações olfativas funcionam ao lado das sensações gustativas. exposições. a maioria dos sujeitos é estimulada primeiramente pelo sentido da visão e depois pelo o tato.” (BARRETTO. certificando-se nesses atos. ou seja. os sons. pois o sujeito. investem em ambientações com estratégias que valorizam a predominância de um sentido para que 41. Experimentar no toque das mãos a textura de um tecido comprovando se é macio. Portanto. mexer e até levar para casa para experimentar os produtos. sentar. O sujeito não quer simplesmente “ver” um móvel ou outra peça qualquer. Alguns espaços comerciais para atingirem nossas emoções utilizam o “som ambiente” para deixá-los mais aprazíveis e aconchegantes. sente vontade de “mexer” para comprovar e confirmar o tipo e qualidade do produto. Limite a partir do qual o meio não consegue mais digerir os elementos causadores das transformações em curso e acaba por perder as características naturais que lhe deram origem. o sentido do tato está cada vez mais presente nos dias de hoje. a sensibilização olfativa traz a memória do sabor correspondente e o corpo prepara-se para receber o alimento com a produção de saliva — daí a expressão popular “dar água na boca”.

localizada na zona sul no Morumbi Shopping é uma loja conceito. de certa forma. oferece em seu espaço vários artigos que completam os sonhos de seus consumidores. pois são os produtos que vão invadir e conviver na intimidade de nossas casas. a Prada e a L`Oreal também já apostaram na ideia. pois o comportamento. podemos perceber várias sensações. que além da inovação na apresentação dos produtos possibilita ao consumidor customizar sua calça. Além dos cinco sentidos citados anteriormente. Faz parte dessa linguagem universal o espaço. Assim. da luz e do som (alto e baixo). dentre elas. Os produtos sozinhos já não conseguem ser atraentes. podemos citar as sensações por meio de temperaturas (quente e frio). todos querem seduzir e tentar o consumidor por meio de sensações táteis. determinam a configuração dos espaços e vice-versa. Elas são experimentadas e sentidas pelo sujeito. Hoje quando necessitamos de algo. a distribuição. No Brasil. “A indústria. podemos sentir o calor do fogo e o aconchego do ambiente. também dizemos que os sentidos se misturam. sem esquecer a Natura que inaugurou sua loja conceito em Paris em janeiro de 2005. Alguns espaços comerciais são chamados de lojas conceito que denomindas flagship stores. Verificamos então que. ou seja. precisam de certa forma conversar com o consumidor usando uma linguagem muito mais complexa. a percepção se dá de forma exclusiva e individual. decoração. é importante que. em uma loja de artigos infantis. procuramos aquilo que nos identificamos e que tenha uma relação direta com a nossa personalidade. auditivas e oníricas”. A Tommy Hilfinger.Vitrina 57 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo o sujeito interprete melhor a ambientação. como música. de certa forma. o nosso estilo. as agências de tendências. o atendimento adequado. com atmosfera brasileira com percepções diversas. É uam tendência mundial. Podemos dizer que uma loja conceito. ao planejarmos ou projetarmos ambientações nos espaços para propostas no Design de Interiores. podemos sentir um perfume que nos lembre uma “colônia de bebê”. (DEMETRESCO. Com isso. gustativas. por exemplo. Para tanto. livros. eles 42. cria-se uma verdadeira “troca” que humaniza e valoriza muito mais os espaços. enfim. que variam entre os sujeitos. tornando-as verdadeiros laboratórios experimentais. a ambientação. pois. Assim. porém. a ideia de criar algo como cenário para despertar sensações. olfativas. em Nova York. inaugurada em outubro de 2005 na cidade de São Paulo. Por exemplo. os espaços estimulam os sentidos dos sujeitos para que eles observem e percebam as ambientações propostas. além de mostar muito bem as soluçoes de seus produtos. inovadora que estimula os 5 sentidos dos consumidores e convida-os para uma experiência dos modelos expostos. gerando um conjunto de percepções e sensações interconectadas por processos sensoriais. Eles podem se utilizar de cheiros. o marketing. Quanto mais os espaços se constituírem de acordo com as expectativas dos sujeitos. diferenciando-se para cada tipo de sujeito. devemos levar em consideração essa interação do sujeito com o espaço. Quando falamos em espaços comerciais no Design de Interiores o conceito é o mesmo e talvez mais complexo. sons e cores agradáveis e aconchegantes que nos fazem lembrar referências conhecidas. mais estes dois elementos estarão próximos. flagship stores apresenta um conceito inovador de demonstrar toda a força e potência. visuais. 2005: 143) Podemos dizer que há estímulo nos espaços comerciais para um grupo de sujeitos. emoções e as reações que os sujeitos sentirão. Chegamos a uma situação sinestésica42 . a Samsung Experience. faz com que o sujeito seja altamente suscetível a estímulos e acabe interagindo com o mesmo. eles podem ser estimulados e induzidos quase que todos ao mesmo tempo. ou seja. quando olhamos para uma sala com lareira. uma situação considerada pelas reações de “sensações simultâneas”. a Levis em Londres. Um exemplo é a Niketown. artesanato e degustação. Sinestesia é uma palavra de origem grega proveniente de “syn” (simultânea) e “aesthesis” (sensação). gerando a individualização destes que é uma . de efeitos das cores (relaxante e estimulante). tudo que possa se tornar atraente. mesmo que essa lareira seja artificial.

Como citamos anteriormente. A 2. cada indivíduo tem uma potencialidade humana que atende “a capacidade de resolver problemas ou de elaborar produtos que sejam valorizados em um ou mais ambientes comunitários”.wikipedia. pois o espaço físico já foi tratado no capítulo anterior. Cf. Pennsylvania. É como se essa sedução fosse dar formas as ambientações. dos sujeitos em relação àqueles. onde quem ganha é o consumidor. quando seduzido. veremos o significado do espaço sensorial. o sujeito acaba sendo treinado e induzido a sofrer imersões sensoriais nos espaços. fazendo conexão entre os espaços e o sujeito.. acessado em 08/ 06/ 2009. é determinado por áreas que são setorizadas de acordo com as funções a que se destinam como. sociais e sensoriais. E isso influi sobre o imaginário das pessoas. livre da verossimilhança.. o sujeito. e. musical. não só devemos mencionar os espaços multisensoriais. sinestésica. pelo espetáculo. Para Howard GARDNER43. Ao tratarmos das inter-relações dos espaços físicos com a sedução e os sentidos do sujeito. Portanto. estará sempre ciente de sua percepção sensorial. Para ele.58 Vitrina A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo grande tendência do mundo contemporâneo. mas também os espaços multinteligentes. espacial. daremos significado ao espaço social. Por exemplo. uma vitrina para o “dia das crianças”. certas ambientações podem chamar a atenção para algumas. interpessoal e intrapessoal. tornando-se mais consciente nas interpretações das ambientações. De acordo com o repertório de cada um. aberto à criatividade sem entraves. aguçando-lhes o apetite pelo lúdico.com. estas teorias foram identificadas às inteligências linguística. . Segundo GARDNER (1995). ou seja. longe do culto da objetividade das coisas.: www. que são identificados pelas inteligências. também atrairá os adultos que possuem crianças na família. Isso permite ao Design ter a possibilidade de ser o grande produtor e gestor desse processo de transformação. posteriormente. por 43 Howard Gardner (Scranton. O consumidor seduzido não é um enganado. muitos espaços comerciais são representados e apresentados ao sujeito como verdadeiros cenários que o estimulam e o atraem em um jogo de sedução. na perspectiva dos estudos do Design de Interiores. autor das Teorias das Inteligências Múltiplas.2 As inter-relações dos espaços e os sentidos com o sujeito nos espaços físicos comerciais no Design de Interiores. nas relações dos espaços comerciais como os sujeitos. Para inter-relacionar os espaços físicos. surgiu a vontade de aliarmos uma visão focada no Design de Interiores.e mergulhou num imaginário puro. pelo teatral. com abrangência do fenômeno social e sensorial. que mergulha em um mar de aparências e fantasias sensoriais e sedutoras. Percebemos que há uma análise individual do sujeito para cada momento e espaço. Ora. os seres humanos dispõem de graus variados dessas inteligências e elas se combinam e se organizam de maneiras diferentes para cada ser. Com as mudanças constantes que acontecem na contemporaneidade. “. explorados pelos sentidos e sensações. mesmo estando fascinado pela representação espacial nas ambientações. 11 de julho de 1943) é um psicólogo cognitivo e educacional estadunidense ligado à Universidade de Harvard e conhecido em especial pela sua teoria das inteligências múltiplas. (Gilles LIPOVETSKY. Essa definição citada por Gardner se aproxima muito do que considera como um processo em que a mensagem passada varia de acordo com o estado de espírito de cada um. social e emocional. isso implicou uma revolução perceptiva de mão dupla: o mundo transformou-se para que se pudesse atingir essa situação. os seres humanos se utilizam dessas capacidades intelectuais de formas variadas para resolverem soluções e problemas. além de chamar a atenção das crianças (públicoalvo). mas um encantado”. Podemos dizer que o espaço social. Revista FAMECOS • Porto Alegre • nº 12 • junho 2000: 08) Para Gilles Lipovetsky. enquanto para outras podem passar despercebidas. como se esse momento de consumo fosse único e individual para cada grupo (sujeito). marcado por meio da relação física.

Portanto. (Cf. sendo de grande influência na arquitetura orgânica moderna. dentre outros. Assim. podemos verificar que. ampliando do sujeito. nas inter-relações desses com o sujeito. Eles nos deixam a entender que o espaço residencial ou comercial pode ser composto pelo mobiliário e/ ou usuário.” (FERNANDES. ou seja. que Suzana Barreto MARTINS (2008) estabelece na leitura das Cinco Peles de Hundertwasser para argumentar a sobrevivência do ser humano em sua existência terrena. (GURGEL. 2002: 64) Os habitantes de uma casa. até porque o que a define. sugerir outras possibilidades para seus limites e suas fronteiras. por meio da percepção. não é configuração espacial. Tal idéia nos possibilita citar e entender a proposta de HUNDERTWASSER45 . atendendo às necessidades. o conjunto arquitetônico. mesmo que elas sejam idealizadas. luzes) que o definam em sua natureza física e social. ao visualizar as ambientações comerciais. buscamos componentes (odores. é o espaço destinado a sociabilização. quando atendesse às funções previstas para operar como uma casa” (BRANDÃO. 1992:62) Vimos que divisão setorizada demarcada pelo espaço social também é defendida por GURGEL (2005) e FERNANDES (1992).. Entende-se aqui o espaço construído como estruturalmente edificado. O espaço sensorial destina-se aos adjetivos dos sentidos. pode acontecer que este. Pintor. dessa maneira. podemos 44. Analisados os espaços físicos.. Um lugar que. é produzido e construído pelos aspectos dos usuários que o utilizam. da divisão do trabalho. Como vimos anteriormente.“O espaço social. através da apropriação da natureza. Sua áreas de conhecimento foram a pintura e a arquitetura. a casa seria resultante de uma modalidade de uso de um espaço construído. “. O espaço sensorial. por sua vez. em arquitetura. 2008: 321) Pensar um ser humano com cinco peles é. “Nota-se que “casa” não é apenas a edificação. artista gráfico e arquiteto (Viena.correspondem as Cinco Peles : a primeira pele – a epiderme. mais conhecido pelo nome de Friedensreich Hundertwasser. a segunda pele – a vestimenta. em correspondência com a própria visualidade do mundo simbólico. sala de jantar). de lazer (terraço. É uma representação que resulta de uma apreensão sensorial e imagética da realidade”. closet). a natureza e o meio ambiente. Dizemos que o espaço sensorial é imensurável.Vitrina 59 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo exemplo. a terceira pele – a casa do homem. se evidencia no espaço residencial ou comercial por meio das relações experimentais dos sentidos do usuário com o espaço.wikipedia. O sujeito. de serviços (cozinha.: TCPO – Código de Obras. Segundo Antonio FERNANDES (1992: 69): “Trata-se de um espaço descontínuo. sociais (sala de estar. mas como dimensão e extensão do próprio corpo. Ed. Friedrich Stowasser.seção biografia artes . lavanderia).” (PIRES. uma vez que se apresenta como sendo muito mais do que uma simples membrana física. Grosso modo. Com isso. um espaço construído 44 chamado de “casa”. de alguma forma. por serem usuários de um espaço construído. instável e não linear. 45. não só como uma capa. anseios e desejos específicos de cada usuário. transferira as cenas expostas que mais lhe agradam ao seu espaço doméstico. personalizado individual ou familiarmente. Essa composição depende das relações sociais e funcionais às quais o espaço se destina. Pele que incorpora diferentes dimensões e de múltiplas formas. Cria-se. sociais e sensoriais.acessado em 20/ 05/ 2009). . os setores domésticos.org . deve ter uma atmosfera que propicie a convivência entre as pessoas”. PINI.: www. pode interpretar e organizar as suas impressões. jardim). segundo o Código de Edificações Civil (Cf. há uma organização e priorização nos espaços domésticos. a quarta pele – o meio social e a identidade e a quinta pele – a humanidade. e da diferenciação. varanda. que se iniciam com uma atenção seletiva em relação ao espaço. mas seu uso. 15 de dezembro de 1928 —19 de fevereiro de 2000). ainda que possa ser tomado como tal. 2008). E ainda:“É a sociedade que produz o espaço social. é neto do conhecido filósofo Joseph Maria Stowasser. de fato. fazem desse um lugar um ambiente próprio. sons. íntimos (dormitório. a ser experimentado emocionalmente por meio dos sentidos do sujeito. 2005:121).

uma ideia imaginadora. e não somente uma relação de um espaço construído para acomodá-los. o ateliê se configura pelas determinações impostas pela feitura de uma obra que se traduz mais como um modo de relação do artista com o espaço e menos com a configuração concreta de um local pensado para uma produção específica”. de passagem e de imagens. 1994: 98) Ao falarmos de casa como espaço-lugar. os lugares e os espaços. “Lugar do artista com endereço certo na cidade. e o lar evoca esse lugar. Ao observarmos uma ambientação em uma vitrina no Design de Interiores. ele precisa ter a participação não só física e social do sujeito. 1994: 73) essência do habitar excede o espaço.. mesas. o não-lugar é utópico. A possibilidade do não-lugar nunca está ausente de qualquer lugar que seja. podemos associá-las ao nosso âmbito doméstico. para um espaço ser chamado de “lar”. podemos fazer uma analogia com espaço-lugar de sujeito. mas também emocional. Nossas casas são construídas para serem habitadas. tais como se fixam no espaço e na palavra. percebemos que. (AUGÉ. A volta ao lugar é o recurso de quem freqüenta os não-lugares (e que sonha. uma das tendências pessoais indentificada pelo encasulamento do sujeito e a casa pode ser seu grande casulo. configura o ateliê como um espaço construído para seu devido fim. reais e palpáveis. (AUGÉ. por exemplo. A casa é um espaço-lugar. onde cada um encontra seu lugar e seu perfil. a troca alusiva de algumas senhas. “A modernidade em arte preserva todas as temporalidades do lugar. os lugares e os nãolugares misturam-se. O lar é um lugar que não tem lugar. quando imaginária. Lugares e não-lugares se opõem (ou se atraem). ao analisarmos o artigo de Cláudia Teixeira MARINHO. social e emocional. onde esse artista. Para Marc AUGÉ (1994:80). Ela se torna um lugar “certo” para seus usuários. Ressaltamos aqui. A casa como um lugar caracterizado por um espaço imaginário é um espaço chamado de “lar”. interpenetram-se. associação que. cadeiras. pode se fundir com um espaço-nãolugar que se compõe de uma imagem. sua terceira pele. discute-se sobre espaços-lugares que estabelece o ateliê como lugar do artista. por muitas vezes. por exemplo. à esquerda da auto-estrada)”. faz da vitrina um espaço-nãolugar. à direita do aparelho. Um espaço doméstico compartilhado por todos. Entretanto. Nele. ou seja. é valorizada e intensificada pela contemporaneidade. O lugar do artista na cidade. mas a Dizemos que o espaço construído como casa pode possuir características muito próximas aos seus habitantes.1994:101) Também podemos dizer que uma ambientação em um espaço-lugar composto por peças verdadeiras. no cartaz. constituindo uma identidade própria e personalizada que. (AUGÉ. Para Marc AUGÉ (1994: 88).O lugar se completa pela fala. sofás. a casa configura com seus habitantes um contato físico. sempre a um lugar específico (na vitrine. “Na realidade concreta do mundo de hoje.. podendo até dizer que a casa tem a “cara” de seus habitantes. como as palavras e as noções que permitem descrevê-las”. E ainda: “Nos não-lugares da supermodernidade. 2004: 145) Portanto. na convivência e na intimidade cúmplice dos locutores”..A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 60 Vitrina dizer que a casa é uma extensão do corpo. (MARINHO. como sujeito. com uma residência secundária enraizada nas profundezas da terra). .. o espaço é produzido pela prática dos lugares. mais uma vez a importância da teoria do “cocconing”.

funcional e que contenha equipamentos que o auxilie nas tarefas. pois hoje o sujeito requer uma cozinha prática.Foto do modelo de cozinha tipo ‘fazenda” . não acomodem tantas pessoas. Percebemos que antigamente os dormitórios eram muito espaçosos e tinham apenas como mobiliário a cama. dentre outros acontecimentos (ver figura 28). jogar videogame.3 As interferências tecnológicas nos espaços domésticos espaço doméstico a sofrer modificações em seus projetos espaciais devido à influência tecnológica. conversar. Talvez. A cozinha foi o primeiro e talvez o principal ambiente no Figura 28 . eles são pequenos e triplicaram suas funções. Até alguns anos atrás. comer. multiprocessadores. ela era espaçosa para acomodar muitas pessoas. pois suas funções eram apenas de descanso e “depósito” de vestimentas. muitas integradas com as salas. Fatores culturais. funcional e estético. em modelo tipo “cozinha americana”. e um dos fatores que iremos nos reter nesse estudo é a inserção das novas tecnologias que provocam alterações e transformações nos espaços. uma cômoda. além de fogão.São Paulo ! . compactas. assistir televisão. o armário e. elas apresentam máquinas para todos os tipos e gostos. Hoje elas estão menores. quando muito. purificadores. geladeira e freezer (ver figura 29). seja para cozinhar. como: trituradores.Foto do modelo de cozinha tipo “americana” . que se reuniam nesse local. Hoje. Assim. dentre outras atividades. com as novas tecnologias.Piracicaba – SP ! Figura 29 . tornando-se uma expansão da sala de estar. exigindo do designer um planejamento mais detalhado para um melhor aproveitamento espacial. Eles passaram a ser utilizados para estudar.Vitrina 61 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo F 2. sociais e tecnológicos podem influenciar em mudanças nos espaços domésticos.

De certa forma.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 62 Vitrina Percebemos uma diferenciação e individualização na criação dos equipamentos. diferenciados entre si pelo tamanho.acessado em 12/05/2009 Figura 31 . (BRANDÃO. crie estratégias de espacializações para um novo modelo de espaços.karimrashid.br . linha e cor (ver figura 30). Essas novas formas de “pensar” nos espaços domésticos fazem com que o Design de Interiores. e o espaço doméstico deve se adequar a elas. que diretamente tem a tecnologia como papel fundamental: “Para pensar casas contemporâneas convém começar por suas transformações mais evidentes.brastemp.com. conseguimos perceber e compreender como a tecnologia pode ser influenciada na relação do habitante com os âmbitos domésticos. marca. atendendo a vários estilos e perfis de usuários. Essas transformações decorrem porque surgem formas diferenciadas do padrão no qual estamos acostumados a viver. As alterações e as transformações dos espaços domésticos estão relacionadas à evolução e inserção da tecnologia em nosso cotidiano.Perspectiva em 3D – Kasa Digitália – Karim Rashid . interferindo na relação física. estes âmbitos são influenciados pelo habitante e como o este interage no espaço doméstico. 2002: 94) Com isso. social e emocional.Modelos de equipamentos retirados do site: http://www. forma. Figura 30 .Foto tirada do site www.com acessado em 20/05/2009 ! . Novas atitudes e novas máquinas combinam-se produzindo novos espaços domésticos”. modelo.

acessado em 20/05/2009 ! 46. acessado em 20/ 05/ 2009). 32. .com . Karim Rashid. como. com objetos decorativos que deram ao espaço uma sensação única e provocadora aos usuários que ali passavam.karimrashid. iluminação e arte.com. Nessas ilustrações.Foto tirada do site www. Esse espaço apresentou uma nova coleção de cores brilhantes e provocatórias. mobiliário. foi exposto um modelo de espaço residencial chamado de Kasa Digitália.Salone Del Móbile 2008. Ottawa. Ele apresentava vários efeitos tecnológicos em ambientes domésticos totalmente cobertos (ver figuras 31. tornou-se uma figura em design interior de escala mundial. principalmente Figura 32 .Foto tirada do site www. trabalhou com muitas marcas famosas.karimrashid.com acessado em 20/05/2009 ! Figura 33 .Kasa Digitália . (Cf.karimrashid.Ambiente Sala de Jantar . 34 e 35 ). A abordagem de Rashid para com o design pode ser descrita como funcional e atenciosa em relação ao contexto em que o artigo está inserido para o uso diário.Kasa Digitália .Vitrina 63 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Na Feira Internacional de Móveis em Milão . um licenciado em Design Industrial da Universidade de Carleton. percebemos que cada vez mais os espaços domésticos poderão ser reconfigurados. 33.Ambiente Sala de Jantar .: www. criado e projetado pelo designer egípcio Karim Rashid46. Com o passar do tempo. Figura central na área do Design de Interiores.

Nessa situação em que o espaço como suporte dessa tecnologia torna-se mais caro e sofisticado.Foto tirada do site www. e mais.com acessado em 20/05/2009 ! Figura 35 . percebemos como os espaços também são influenciados pelo sujeito.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 64 Vitrina devido às novas tecnologias. Figura 34 . compreendemos que a história individual de um sujeito pode ser influenciada pelas interrelações com os espaços físicos.Kasa Digitália .Ambiente Cozinha .Foto tirada do site www. e a tecnologia digital será a mediadora. tornando os espaços domésticos um verdadeiro laboratório de experimentações físicas. tornando os ambientes mais “inteligentes”.com acessado em 20/05/2009 ! . sociais e sensoriais. mais humanizados. (GUILLERMO.karimrashid. 2007: 97) Para Álvaro GUILLERMO. Essa nova composição dos espaços os tornará mais próximos dos indivíduos. “No futuro os espaços comerciais serão lugares onde os ambientes físicos e as realidades virtuais vão convergir e estarão em interação constante. abrigando novas formas e novas funções. Não podemos deixar de citar que os espaços como mediação das ciências tecnológicas precisam se compor preparando se com infra-estrutura para receber toda essa tecnologia. Com isso.karimrashid.Kasa Digitália . que estimulam os designers de interiores a criarem espaços domésticos. na contemporaneidade as novas tecnologias auxiliarão na interação virtual do sujeito com o espaço comercial. sociais e sensoriais.Ambiente Sala de Estar .

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A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Vitrina 68 .

da perspectiva de um contexto histórico”. De forma geométrica. (MENDES.1 Origens da vitrina Ao longo desse estudo. representando. nas ruas.. em feiras. 2006: 54) Da lógica de exposição de produtos à venda. sua importância no Design de Interiores. A VITRINA E SUA TRAJETÓRIA 3. ela também pode representar ideias e conceitos. sejam no chão. na exposição de produtos em ambientações. dessa maneira. dentre os quais o Mercado de . discutiremos as implicações da vitrina como espacialidade.as vitrinas são uma forma de manifestar o imaginário social. (DEMETRESCO. veremos as significações do que seria uma vitrina. Grandes exposições comerciais. mencionamos a origem da palavra vitrina. sempre haverá uma intenção comercial na transmissão de suas mensagens..Vitrina 69 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo A 3. um modo possível de apreender as relações sociais de uma época. Além disso. “Sabemos que as vitrinas qualificam o lugar em que se encontram. construção e percepção. Agora. os produtos são expostos de maneiras diversificadas. P Podemos denominar uma vitrina como um espaço concebido por suas delimitações visuais que propõe uma composição de produtos nas mais diversas variedades exposições em todo o mundo. ocultas dentro das lojas. de certo modo. podemos dizer que há o aprimoramento que se desenvolve ao longo de sua história. e também sobre as etapas do processo de sua criação. como lojas e shoppings. Desde os tempos mais remotos até os dias de hoje. geralmente quadrada ou retangular. pode também apresentar outras formas que possibilitam delimitar um espaço visual. em tendas. em qualquer uma dessas funções que ela assume. ou mesmo em espaços construídos. os comerciantes sentiram a necessidade de informar a clientela sobre seus produtos e serviços”. Eles acabam atraindo os consumidores e criam uma identificação com os diferentes tipos de usuários.. além de mostramos a existência de sua relação com o sujeito. “Como as mercadorias saíram das ruas – onde eram expostas diretamente a consumidores e transeuntes – e passaram a ficar. 2004: 23) Embora muitas vezes a vitrina exponha produtos. mostrando como ela se originou e se aprimorou ao longo da história. Mas..

favoreceram o início dessa trajetória (ver figura 36). no início do século II.org.Mercado de Trajano . fechados. No térreo. as mercadorias eram expostas na praça central do mercado em tábuas como mesas a céu aberto. 1997: 16) Figura 36 .Roma Foto retirada do site: www.wikipedia. houve a necessidade de se abrir grandes janelas (vãos) para que os observadores pudessem enxergar os produtos. de certa forma. frutas. durante o reinado de Trajano. (DEMETRESCO.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 70 Vitrina Trajano47. como especiarias. lá estavam os produtos aos olhos do freguês”.: www. O complexo apresenta seis andares com várias salas. no quarto ficavam os escritórios públicos. Por muitas vezes. que não precisavam mais montar e desmontar barracas e/ ou tendas. distribuídos em cinco andares. . “Nos estabelecimentos. onde as mercadorias deveriam ser facilmente expostas para que o observador/ consumidor pudesse ver o produto exposto. temperos e tecidos. o vidro acabou sendo utilizado com uma transparência que contribuía para a visão das mercadorias pelo sujeito e na segurança dos produtos. em viveiros de água doce e do mar. numa zona ocupada por palácios modernos. 1990: 12) Com a preocupação de as mercadorias serem expostas em áreas acessíveis. já que poderia haver danos ou até furtos.. os artigos das colônias. Os sujeitos circulavam em corredores nesse mercado que. O Mercado de Trajano é o nome moderno de um complexo de edifícios em Roma da época imperial. tornando-se um balcão.acessado em 15/06/2009 ! Embora. Além disso. Depois. compreendia um conjunto de estabelecimentos. que originalmente se estendia ligeiramente além dos atuais limites da área arqueológica. acabou por gerar um modelo pioneiro de um shopping center. Os espaços comerciais nesta época.O complexo surgiu contemporaneamente ao Fórum de Trajano. totalizando cento e cinqüenta lojas”. por medida de segurança. e no quinto.org . No Mercado de Trajano. sem nenhum cuidado relativo à organização estética ou com a visibilidade dos clientes. eram posicionados nichos de madeira especialmente preparados ou adaptados em partes da construção para sediar a exposição de produtos.seção ilustrações de Roma acessado em 20/ 05/ 2009. sobre o balcão. muitas vezes. no segundo e no terceiro. os produtos eram voltados para o exterior de uma forma aleatória na suas exposições. essas mesas foram transferidas para o interior dos espaços comerciais. flores. Localizado entre as colinas do Quirinal e do Capitólio. o primeiro shopping center da história. essa medida facilitava as atividades dos comerciantes. Neste contexto. (OLIVEIRA. 47. ao longo dos anos houvesse a preocupação de abrir vãos nas fachadas para que os sujeitos enxergassem os produtos nos interiores dos espaços fechados. Abertas às portas e janelas de madeira. os comerciantes levavam-nas a lugares específicos e. facas e armas. careciam de qualidade nas montagens das vitrinas. peixes e crustáceos. vendiam-se joias.wikipedia. Assim. (Cf. na realidade. nesses lugares fechados. ainda permanecia o problema de segurança e da pouca visibilidade dos produtos. “Esse foi.

reconhecida mundialmente pela coleção de produtos variados em suas vitrinas. (MENDES. já no século XX. Em todo lugar”. os desejos e anseios da sociedade burguesa industrial”. limparam-se as lojas e as vitrinas. consequentemente. cujos projetos expressavam. com divisões de madeira e.2006:56) 48. de certa forma.por volta de 1800 essas vitrines de vidro eram formadas por quadrados. pois chegaram a ser concebidas por artistas e arquitetos renomados. Ocupa uma área de 4. podemos dizer que o vidro também faz parte da evolução da vitrina.. atendendo a uma demanda de cidadãos que ostentavam aparências e poderes. “Se até o início do século XX as mercadorias eram empilhadas. seus produtos passam a ser mais valorizados. ampliaram e melhoram a exposição dos produtos. 1990: 16) Muitos eram colocados arbitrariamente e.. (Cf.1909 Iamgem do livro . consequentemente. seção loja de departamentos -acessado em 15/ 06/ 2009).Vitrina Loja Harrod’s. que embora a exposição dos produtos fosse desorganizada. Vale notar. sendo a maior loja da capital inglesa. Harrods foi estabelecida em 1834 na então pobre área de East End.Paisagem Urbana: uma mídia redescoberta (MENDES. a partir de 1920. Ao mesmo tempo em que se reestruturavam espacialmente. as vitrinas necessitavam de uma atenção especial para a composição da Alguns anos depois. as indústrias passaram a desenvolver produtos cada vez mais sofisticados e diversificados. o espaço comercial começa a ganhar mais importância e.Londres . Portanto. Figura 37 .” (VARGAS.wikipedia. Para todas as pessoas. Um exemplo de loja.Vitrina 71 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo “. poderiam atrair ou não os consumidores para os interiores dos espaços comerciais. as vitrinas eram verdadeiras atrações visuais nas cidades.” (DEMETRESCO. 38 e 39). 2001: 154) Após a Revolução Industrial. só por volta de 1860 que deixaram de ser raridades. melhorando assim sua apresentação. “Uma das contribuições mais significativas das lojas de departamentos para a arquitetura comercial foi à invenção das vitrinas. a arquitetura comercial surge com grandes lojas de departamentos. elas se transformaram em verdadeiras obras de arte. por meios de técnica fantasiosas de estímulo ao consumo. tornando mais acessíveis nas construções de vitrines nos edifícios comerciais. não tinham preocupação com a organização e seleção dos itens exibidos.org.: www. 2006: 55) Embora essas exposições de produtos nas lojas de departamentos tenham sido importantes na apresentação espacial. O lema da Harrods é Omnia Omnibus Ubique . que aplicava esse tipo de exposição arbitrária dos produtos foi a Loja Harrod´s48 (ver figuras 37. antes do reinado da Rainha Vitória. com uma arquitetura invejável de espaços amplos e grandes fachadas que. expostos com mais destaque e segurança.5 acres e tem 92 m² de espaço de venda. Com o tempo. . com o desenvolvimento do desenho e o aperfeiçoamento do estilo.“Todas as coisas. Assim.

O objetivo era de atrair os sujeitos para interior da loja.Londres .londres.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 72 Vitrina exposição dos produtos.wikipédia. elas começaram a ser decoradas por grandes artistas e arquitetos renomados. Figura 38 . (. (DEMETRESCO..) Artistas famosos como Marcel Duchamp.. 1990: 16) Esses profissionais eram responsáveis por transformarem os espaços comerciais em cenários que estimulavam os consumidores às compras. Por isso.Loja Harrod’s.guide. pode ser notado até os dias de hoje. Muitos artistas e profissionais da área criavam seus projetos como obras de arte.org .Surgiram vitrinistas reconhecidos e dedicados nos Estados Unidos.com. “A partir de 1930.Londres 2005 www.acessado em 15/06/2009 ! . e isso. começou realmente a pesquisa de vitrinas e o estudo do detalhe e da estética.Foto Loja Harrod’s.acessado em 15/06/2009 ! Figura 39 . como Dana O’Clare e Tom Lee”. André Breton e Salvador Dali fizeram vitrinas na década de 1930.1909 Iamgem retirada www. ao longo do séculoXX.br .

a harmonia de um espaço necessariamente bi-dimensional e ortogonal a fim de que fosse possível desenhar geometricamente figuras proporcionais e simétricas.. Note-se também que esta mediação do “exterior” ao qual referimos. dimensões do espaço que já não são apenas físicas. linha e plano como bases gráficas fundamentais da representação do espaço bidimensional”.2 A vitrina como espacialidade Na pós-modernidade há algumas maneiras de percebemos a espacialidade. aquela representação não é apenas gráfica como faz supor o espaço criado pela perspectiva. observável . “A espacialidade renascentista foi construída pela perspectiva que oferecia. não há. de sua própria imagem refletida”. na vidraça. nos possibilita perceber que. além de chamar a atenção do sujeito para o interior. na duplicidade dos espaços. O olhar fixo e centrado se deve a transparência das vitrinas envidraçadas. (FERRARA. o espaço é colocado nos seus limites pelas espacialidades que o representam e que.Vitrina 73 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo A 3. no sentido físico e emocional: “Muito mais do que produtos. Ela funcionaria como uma “janela” fazendo mediação do “exterior” com o “interior”. A espacialidade de uma vitrina vai além dos aspectos visuais. Não há desvio do ponto de vista. “Essa relação expandida. poderia induzir o olhar para “além” da imagem. podendo esses serem ou não físicos. (BIGAL. a vitrina expõe um intrincado jogo estratégico do olhar.” (FERRARA. seria o “olhar para fora”.2001: 07) Outra maneira de percepção espacial. o interior. ou seja. se emoldura em uma transparência que cega a diversidade do olhar. ao contrário. cujas regras de combinação pressupõem uma fenomenalidade imagética rigorosa”. como a transparência do vidro. possibilitando idéias imaginadoras expandidas desse enquadramento. 2007: 18) Não necessariamente a vidraça faz a conexão do exterior ao interior entre os espaços. 2007: 13) Dentro das áreas da Arquitetura e das Artes. o auto-espaço. embora simultânea. mas constrói. E elas acabavam por convidar o observador a olhar de “dentro para fora” (tridimensional). Uma delas seria o “olhar para dentro” como se o observador buscasse um foco. (FERRARA. uma relação linear de causa e consequência. marcas e serviços. “Tudo. mas perspectivas e comunicantes. podemos dizer que reconhecemos uma espacialidade desde a época do Renascimento. ”Porém. figuras do plano nas suas articulações entre ponto. por sua vez. marcada como moldura limitada pela visão espacial. na realidade. do “visível” ao “invisível”. 2001: 60) A palavra espacialidade deriva de espaços e determina um “recorte” para seu reconhecimento físico. espacialidades são delimitações de espaço. entre espaço e espacialidade. não há reajuste do foco do olhar. das categorias representativas do espaço.. A vitrina como espacialidade. (BIGAL. Portanto. são apreensíveis através de visualidades e comunicabilidades”. Para BIGAL (2001). assumiria o papel de porta de entrada para esse interior. a vitrina conduz o olhar do sujeito impedindo que este enxergue além de suas delimitações espaciais. mas um olhar centrado e fixo que imobiliza o usuário distante. delimitando uma imagem. na representação. foram criadas representações com formas bi-dimensional e ortogonal nas pinturas. 2007: 14) Nesse período. no sentido de uma “janela” que emoldura um espaço. pode ser a visão do espectador ao interior da imagem da ambientação. A vitrina com sua ambientação. à visualidade. inclusive.

sim. desenha o espaço criando uma visualidade voltada para a comunicabilidade de um lugar contextual que ela. O recurso cria a ilusão de estar dentro da ambientação. Para tanto. Uma ambientação em uma vitrina pode se utilizar dos sentidos do sujeito para construir e organizar esteticamente composições que podem ser atrativas a ele. diluindo distinções entre o real e imaginário. a luz que. aprofunde seu olhar. pode revelar ou esconder. Alguns elementos como luz. o volume. deve ser atrativa. mas real em sua concepção. dentro de um espaço imaginário. favorecem a construção dessa imagem descentralizada do olhar do observador. agora. Ao mesmo tempo que ela delimita nosso olhar. 2007: 15) sentidos. há diferentes maneiras de percebermos a espacialidade em uma vitrina. movimento. Ela é formada por um conjunto complexo de relações existentes entre a forma de construir e organizar os produtos como elementos capazes de definir sua espacialização. fazendo com que este não apenas passe rapidamente em frente a ela.” (FERRARA. cor. essa imagem cria cenários espetaculares que convidam o espectador para ele “ir além” do que lhe é oferecido. obrigando-o a ver e descobrir a tridimensionalidade. Sabemos que o tempo que esse sujeito passa em frente a uma vitrina é temporário e limitado. mas. Conforme analisado.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 74 Vitrina pelos sujeitos. sobretudo. Desta forma. o movimento e. ”Portanto. luz. O artifício de sugerir ao observador que a superfície da fachada de uma vitrina estenda-se para além de um plano único confere uma extensão maior do que a realidade que o atrai. ela também nos convida a ir além dele. a centralidade é substituída pela frontalidade que descentra o ponto de vista do observador. podendo interagir com o sujeito por meio de seus . Ele deve então receber o convite para uma aproximação mais profunda do que a de passagem. nos chamando para a interpretar o interior de um espaço.

49. no entanto. Geralmente. o que não mudou muito nos tempos atuais. Para DEMETRESCO (2005: 80). roupas. quais os fatores essenciais devam ser considerados em sua construção. Muitos elementos como cor. e conceitos para os quais precisa criar um linguajar visual. poderemos pensar no processo de criação. perder suas singularidades. “Com essas “ferramentas” em mãos. todas as vitrinas em um shopping center estão em um único espaço integrado. Como em uma analogia da leitura de um livro. eventos. por fim. já que uma encenação é visual e matérica.”. objetos. produtos. região. sejam elas vitrinas. A primeira etapa – criação – se refere à concepção de um planejamento e projeto que se inicia pela escolha dos produtos e dos elementos que formarão a composição do conteúdo de uma determinada ambientação. cultura. Desde a década de 50. essas vitrinas são efêmeras. iluminação. o criador tem como recurso orientador a palavra. Como se a ideia do planejar uma vitrina levasse em consideração o briefing49 do espaço.org – acessado em 16/ 06/ 09). podemos relacionar a maneira de construir e organizar uma vitrina de uma ambientação com o envolvimento de três aspectos importantes na sua invenção: criação. pois o briefing quer uma proposta visual “concreta”. dentre outros. de uma textura. Por exemplo.wikipedia. Quando há um ambiente físico ou imaginário. com o briefing. nos referimos ao espaço propriamente físico. Elas podem ser objetivas e subjetivas. ocupam diferentes lugares físicos e congelam diferentes ambientações que acabam materializando a função espaço-tempo. etc. moda. já que elas não são permanentes.3 A relação da vitrina entre a teoria da construção e a teoria da percepção no Design de Interiores “Para a produção de uma vitrina. o sujeito lê e percebe toda ação construtiva da ambientação como um cenário. fazem parte da composição de uma ambientação. que é semelhante a todas as áreas criativas. Alguns projetos se mostram inviáveis por diferentes razões. ou seja. como quadros que interferem na visibilidade dos espaços exteriores e interiores. execução e percepção. (DEMETRESCO.: www. sair para ver vitrinas era o melhor passeio nas grandes cidades. de uma cor e. muitas vezes criado pela percepção sensorial. São imagens efêmeras congeladas pelo ver e sentir de um “olhar”.Vitrina 75 N 3. dotando-lhe de uma materialidade. Visto que esses aspectos foram elaborados pela autora da dissertação em função de trabalhos profissionais executados na área do Design. aportando uma lisibilidade à idéia. falamos em ambientação. As vitrinas refletem as mudanças de cada época. há uma exigência do observador em ver e compreender imediatamente e individualmente a percepção espacial e sensorial de uma ambientação. e com estas pistas. junto com os produtos. visando a captar anseios. Nesse sentido. construir e organizar ambientações nas vitrinas. 2005: 81) A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Na relação da teoria da construção e da percepção. mesmo que seja por poucos segundos de tempo. como segunda etapa. permitindo aproximações sem. 2001: 88) Nem sempre tudo que se cria é executado. com algo com os quais as pessoas se identifiquem e que associem na sua personalização.”. é a forma de organizar e construir concretamente uma ambiência. Na ambientação de uma vitrina para o Design de Interiores. e variam de forma cada vez mais acelerada. (Cf. O briefing deve criar um roteiro de ação para criar a solução que o cliente procura. ter ideias para criar soluções. (DEMETRESCO. forma. e lembramos que. Portanto enfatizaremos que é preciso planejar. mudando de tempo em tempo. . “Aristóteles afirmava que o olhar de todos os nossos sentidos é o que nos faz adquirir o maior conhecimento e nos faz descobrir as maiores diferenças”. a execução. ideias de cor. quando falamos em ambiência. é como mapear o problema. De acordo com DEMETRESCO (2005). de acordo com a época. noções de sentimentos. desejos e necessidades de clientes. textura. Elas acompanham as evoluções dos produtos e da sociedade em que estão inseridas. tendência.

a visão pelo homem das coisas materiais é sempre deformada”. encontramos manifestações dessa mudança”. surge a última etapa que é a percepção. é feita de forma seletiva. Muitas conquistas físicas e sensoriais nas vitrinas em relação à sua criação. Isso é válido. em vários momentos. na contemporaneidade. Do ponto de vista espacial. É como se fosse a imagem percebida além dos olhos. como também outros sentidos. o aparelho cognitivo tem importância crucial nessa apreensão. associando-a às suas sensações e emoções. preenchendo quase todo o campo de sua visão. coisas que um arquiteto. para profissionais com diferente formação e para o homem comum. (SANTOS. (FERRARA. “Por isso. Por exemplo. o sujeito é convidado a não somente usar sua visão. muitas transformações fazem com que o sujeito seja altamente induzido a usar sua percepção sensorial. as vitrinas são construídas visando a chamar a atenção do sujeito. como receptor. pelo fato de que toda nossa educação. diferenciando-os entre os espaços comerciais nas mais variadas áreas de atuações. Assim. 1988: 21) Percebemos que. Por exemplo. Se a realidade é apenas uma. também. dessa forma. execução e percepção. outros não podem ver ou o fazem de maneira distinta. Muitas vezes. que é a percepção sensorial da transmissão da mensagem que o sujeito. um artista vêem. e que pode variar de sujeito para sujeito. fazem dessas ambientações verdadeiros cenários. 2002: 59) . podemos verificar em uma vitrina cenas espetaculares criadas para entreter o sujeito. recebe por meio dos seus sentidos. cientificas e artísticas que marcaram o século 20. pessoas diferentes apresentam diversas versões do mesmo fato. A percepção é sempre um processo seletivo de apreensão. formal ou informal.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 76 Vitrina Assim. e ele percebe a mensagem exposta na ambientação. é um trabalho espetacular do Design e das ambientações criadas por profissionais da área. “As transformações tecnológicas. cada pessoa a vede forma diferenciada. fizeram com que ele se voltasse para a sedutora tarefa de produzir outra decifração do mundo que se apresenta como um novo desafio perceptivo e se propõe a reinventar a percepção do mundo e.

Tal relação do produto-espaço só se efetiva em uma ambientação de uma vitrina devido à necessidade da valorização dos produtos nos espaços comerciais. a diversidade. então. criando novos “tipos” de espaços para atender necessidades. intensificando essa relação produto-espaço. os acessórios. criação e organização das ambientações para que as pessoas se identificassem com as mensagens expostas e as associassem aos seus perfis. por meio de uma imersão sensorial. anseios e desejos dos sujeitos. do . a concorrência dos produtos. Verificamos que os produtos eram vistos de forma singular e individual nos espaços comerciais. pudemos entender que. todo o cenário criado na ambientação determina e intensifica a mensagem a ser transmitida. Portanto encontramos a possibilidade de experimentações e possíveis identificações de nossos espaços domésticos que. Pensamos. indiretamente. que pensam tratar a criação da vitrina como estratégia de sedução nos espaços de consumo. Verificamos que as ambientações despertam nos sujeitos sensações e emoções que foram ou que desejam ser vivenciadas ou experimentadas. juntamente com a Arquitetura. vários fatores favorecem a escolha dos produtos. a iluminação. Essa ambientação no espaço comercial do Design de Interiores permite e valoriza a visualização dos produtos que ali são apresentados. podem estar incorporados nas ambientações dos espaços comerciais. Essas ambientações ganham a atenção dos designers contemporâneos. Criam-se verdadeiros cenários que podem ser identificados com o próprio espaço doméstico ou desejados por um sujeito. ao longo dos anos. pois os sujeitos só buscavam em espaços comerciais aquilo que realmente precisavam e necessitavam para seu lar. Para satisfazê-los. a fim de verificar possíveis relações que valorizam a criação e construção das ambientações de vitrinas nos espaços de consumo. como também antecipar tendências nos setores.Vitrina 77 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo CONSIDERAÇÕES FINAIS E Este estudo percorreu análises sobre Design . trouxeram grandes importâncias aos espaços e ao consumo no setor. Percebemos que. Assim. mais especificamente no Design de Interiores. que a criação de uma ambientação em uma vitrina é um elemento fundamental na configuração de um espaço de consumo. Com esse estudo. Espaço e Vitrina. foi sofrendo transformações que. Mergulhado em um cenário. aos espaços comerciais na contemporaneidade estão cada vez mais buscando não só atender esses fatores. É justamente neste sentido que o espaço comercial contemporâneo utiliza os sentidos de um sujeito. Isso significa que houve a preocupação no planejamento. a oferta. para torná-lo um possível consumidor. especificamente tratado nesse estudo. trazendo recordações. Desta forma. vontades e desejos que podem estar refletidos e incorporados nessas ambientações. desde a Revolução industrial. alguns espaços repensaram o modelo de concepção da vitrina. a ambientação desse espaço pode representar algo mais significativo. como também determina a configuração de um espaço comercial. A composição dos produtos. Ela é responsável por construir um elo entre os produtos-espaços e os sujeitos. a forma de apresentação dos produtos nos espaços comerciais. o sujeito é acionado e incorporado na ambientação do espaço comercial. trazendo aos sujeitos um sentimento agradável e acolhedor. Percebemos que a criação da ambientação em uma vitrina não só valoriza. pois os produtos não precisavam ser ambientados em cenários para induzirem o sujeito ao consumo. atendendo momentaneamente à imaginária identificação e adesão dessa ambientação por meio das emoções e das sensações dos sujeitos. dentre eles. muito além do que a realidade mostra.

Mesmo que sejam espectadores. observadores. definitivamente. Sendo efêmera. construir e organizar estrategicamente as ambientações em uma vitrina nos espaços comerciais do Design de Interiores. interagentes. também são. prolonga a ação constante da participação dos sujeitos na ambientação. . Pensamos que nossos objetivos foram alcançados. A ambientação em uma vitrina produz toda uma atmosfera em que os produtos que se inserem na composição dessa ambientação viabilizam um contato emocional com os sujeitos. Podemos verificar na análise realizada que a ambientação em uma vitrina é um elemento ativo dentro da dinâmica nos espaços de consumo e que alguns espaços residenciais e comerciais investem na criação e execução de cenários. pois percebem que o retorno vale à pena. pois a ideia era enfatizar didática e profissionalmente a importância de como é preciso e necessário planejar. criar. consumidores. projetar. seja ele material e/ ou emocional.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 78 Vitrina espaço comercial no Design de Interiores.

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