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6 - Relatorio Final (IF)

O relatório detalha a experiência de estágio em Psicologia no IFMG, focando em grupos terapêuticos para adolescentes, visando promover a saúde mental em um ambiente acolhedor. A iniciativa abordou questões emocionais, especialmente relacionadas à pressão acadêmica, e buscou desenvolver habilidades socioemocionais. O estágio demonstrou a importância da integração entre saúde mental, educação e inclusão social, destacando o papel do IFMG na formação cidadã e no apoio ao desenvolvimento dos jovens.
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O relatório detalha a experiência de estágio em Psicologia no IFMG, focando em grupos terapêuticos para adolescentes, visando promover a saúde mental em um ambiente acolhedor. A iniciativa abordou questões emocionais, especialmente relacionadas à pressão acadêmica, e buscou desenvolver habilidades socioemocionais. O estágio demonstrou a importância da integração entre saúde mental, educação e inclusão social, destacando o papel do IFMG na formação cidadã e no apoio ao desenvolvimento dos jovens.
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Saúde Mental em Foco - IFMG

Aluno(a): Maria Luiza de Araújo Firmino Silva


Orientador(a): Nathalia dos Santos Dutra

Conselheiro Lafaiete, 2024


SUMÁRIO

1 IDENTIFICAÇÃO
2 DESCRIÇÃO DA DEMANDA
3 PROCEDIMENTO
4 ANÁLISE
5 CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
Estagiário(a): Maria Luiza de Araújo Firmino Silva
Matrícula: 211-001199
Estágio Básico [x] Estágio Específico [ ]
Ênfase:
Campo de Estágio: IFMG – Conselheiro Lafaiete
Professor-orientador: Nathalia dos Santos Dutra

1 IDENTIFICAÇÃO

Este relatório apresenta uma síntese detalhada de uma experiência prática realizada no âmbito
da Psicologia, envolvendo encontros terapêuticos voltados ao público adolescente no Instituto
Federal de Minas Gerais (IFMG), Campus Conselheiro Lafaiete. A proposta principal da
iniciativa foi estabelecer um ambiente acolhedor, destinado ao apoio emocional dos jovens,
por meio de práticas terapêuticas cuidadosamente planejadas para abordar questões cruciais
dessa fase de desenvolvimento.

Para compreender o contexto da ação, é relevante destacar que o IFMG faz parte da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, instituída no ano de 2008. Como
instituição pública vinculada ao Ministério da Educação, sua missão engloba a oferta de
ensino técnico, tecnológico e superior de elevada qualidade, associando essa formação à
pesquisa científica, inovação tecnológica e projetos de extensão. Tais ações desempenham um
papel fundamental, especialmente em regiões com menor acesso à educação, promovendo
impactos significativos no âmbito social e econômico dessas localidades.

Com uma estrutura multicampi que se estende por várias cidades de Minas Gerais, o IFMG
oferece uma ampla gama de cursos. Esses programas vão desde o ensino médio integrado à
formação técnica até cursos de graduação e pós-graduação, atendendo às demandas
específicas de cada comunidade. O Campus Conselheiro Lafaiete, fundado em 2014, surgiu a
partir de um contrato de cessão firmado com a “Associação Os Padres do Trabalho”, que
anteriormente mantinha uma escola técnica reconhecida na região. A estrutura do imóvel foi
reformulada para abrigar os cursos técnicos atualmente ofertados, como Eletrotécnica e
Mecânica, tanto na modalidade integrada quanto subsequente.
Além das atividades regulares de ensino, o campus também desenvolve uma série de projetos
de pesquisa e extensão que visam ampliar as possibilidades de aprendizado dos estudantes.
Essas iniciativas incluem oficinas temáticas, atividades extracurriculares e programas de
bolsas acadêmicas, promovendo a aplicação prática do conhecimento adquirido em sala de
aula e incentivando o desenvolvimento de soluções inovadoras para desafios locais. Essa
abordagem contribui para consolidar o papel do IFMG como um elo entre o aprendizado
acadêmico e as necessidades da sociedade.

A instituição também se destaca por seu compromisso com a inclusão social. Medidas como o
sistema de cotas para estudantes de escolas públicas, indígenas, quilombolas e pessoas com
deficiência, além de programas de assistência estudantil, garantem o acesso e a permanência
de alunos provenientes de diferentes contextos socioeconômicos. Essas ações visam reduzir
desigualdades e assegurar que a educação seja um direito acessível a todos.

Em Conselheiro Lafaiete, o IFMG desempenha um papel estratégico na formação de jovens e


adultos, alinhando suas propostas pedagógicas às demandas produtivas da região. Localizado
em um polo industrial significativo, o campus possui parcerias com grandes empresas, como
Vale, Gerdau e Usiminas. Essas colaborações facilitam a inserção dos estudantes no mercado
de trabalho, ampliando suas perspectivas profissionais e contribuindo para o desenvolvimento
econômico local e nacional.

Por fim, o estágio realizado nesse contexto mostrou-se uma experiência enriquecedora, tanto
para os participantes quanto para os responsáveis pelas intervenções terapêuticas. Além de
contribuir para o crescimento pessoal dos adolescentes por meio do apoio emocional e
reflexões sobre questões relevantes, a iniciativa destacou a importância de integrar saúde
mental, educação e práticas inclusivas. O impacto positivo dessas ações reafirma o papel do
IFMG como uma instituição de referência em Minas Gerais, comprometida com a formação
cidadã e a promoção de transformações sociais.

2 DESCRIÇÃO DA DEMANDA

A realização do estágio supervisionado em Psicologia, com foco na condução de grupos


terapêuticos para adolescentes no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), atendeu a uma
necessidade significativa, complexa e multifacetada. O objetivo primordial dessa iniciativa foi
promover a saúde mental dos jovens em uma fase caracterizada por mudanças profundas e
desafios únicos, tanto no plano individual quanto social, também visando o acolhimentode
suas angustias em relação a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento marcada por transformações simultâneas no


âmbito biológico, psicológico e social. Essas mudanças, embora essenciais para o
crescimento, muitas vezes vêm acompanhadas de sentimentos intensos, como insegurança,
medo, ansiedade e uma percepção elevada de auto cobrança. Esses fatores podem gerar uma
sobrecarga emocional, especialmente em contextos que envolvem pressões acadêmicas e
expectativas sobre o futuro profissional. Nesse sentido, o trabalho desenvolvido visou criar
um espaço terapêutico seguro e acolhedor, que permitisse aos participantes explorar suas
emoções, compreender melhor seus desafios e aprender estratégias práticas para enfrentá-los.

Os grupos terapêuticos foram estruturados com a finalidade de proporcionar um ambiente


colaborativo de troca, reflexão e escuta ativa. Nessas sessões, os adolescentes puderam
discutir temas centrais relacionados à construção de sua identidade, saúde emocional e as
demandas do ambiente escolar. Um dos tópicos mais recorrentes foi a angustia na preparação
para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), acompanhado das incertezas sobre
escolhas acadêmicas e profissionais. Esse contexto foi abordado de forma integrada,
reconhecendo tanto os aspectos emocionais associados ao estresse e à ansiedade quanto a
importância de estratégias concretas para lidar com essas pressões.

Além de responder diretamente às necessidades emocionais, o projeto teve como foco o


fortalecimento das habilidades socioemocionais dos participantes. Por meio de atividades
planejadas, como dinâmicas grupais, técnicas de relaxamento e práticas criativas, buscou-se
desenvolver a resiliência, o senso de autonomia e a capacidade de autorregulação emocional.
A meta principal era promover uma visão positiva sobre si mesmos e estimular nos
adolescentes a percepção de que são capazes de enfrentar os desafios cotidianos de maneira
eficaz e saudável.

Outro ponto central na condução dos grupos foi a valorização da saúde mental como um pilar
essencial do bem-estar geral. Durante os encontros, foram promovidas reflexões sobre a
importância de reconhecer, expressar e nomear emoções, além de desmistificar tabus
associados às dificuldades psicológicas. Essa abordagem buscou criar um ambiente de
confiança onde os jovens se sentissem à vontade para compartilhar suas angústias, dúvidas e
experiências, sem medo de julgamento ou estigmatização.
Em resumo, a demanda principal do estágio consistiu em abordar de maneira ampla e
integrada as questões emocionais e psicológicas vivenciadas pelos adolescentes. Isso foi
realizado com o intuito de prepará-los para enfrentar os desafios dessa fase de transição com
mais segurança, recursos internos e um repertório ampliado de habilidades emocionais. O
projeto visou não apenas oferecer suporte imediato, mas também contribuir para o
fortalecimento da saúde mental e do bem-estar dos participantes a longo prazo.

3 PROCEDIMENTO

O estágio supervisionado em Psicologia configura-se como uma prática formativa baseada em


três pilares fundamentais: a fundamentação teórica, a aplicação prática e a supervisão
contínua. A integração dessas dimensões não só favorece o desenvolvimento técnico do
estagiário, mas também contribui de maneira decisiva para seu crescimento pessoal e
profissional, elementos essenciais para a consolidação da identidade do psicólogo. De acordo
com Lima e Almeida (2016), "o estágio supervisionado é a ponte entre a teoria e a prática,
permitindo ao estudante vivenciar e refletir sobre as complexidades do trabalho clínico e
institucional".

Durante o estágio, a preparação teórica assume um papel crucial, pois orienta as intervenções
realizadas com os grupos, guiando o estudante nas suas práticas e no entendimento das
dinâmicas psicológicas emergentes. A reflexão sobre a prática cotidiana é essencial para a
formação contínua, pois contribui para a análise crítica e para a construção de um olhar
clínico mais apurado (Pereira, 2014). Nesse contexto, os temas abordados durante o estágio
foram amplamente discutidos, com foco especial nas dinâmicas dos grupos terapêuticos.
Durante os encontros, foi possível identificar e analisar fenômenos grupais que surgiram em
cada sessão, sendo registrados sistematicamente em diários de campo, que funcionaram como
instrumentos de reflexão. Esses registros foram enriquecidos por estudos específicos sobre os
tópicos observados, permitindo uma compreensão mais profunda das dinâmicas interacionais
e dos processos psicoterapêuticos.

Os grupos, como fenômenos sociais e psicológicos, desempenham papel fundamental na


formação e na manutenção das relações interpessoais, sendo cruciais para o desenvolvimento
do ser humano. De acordo com Foulkes (2013), "o grupo, enquanto contexto de interação, é
um espaço onde se potencializa a vivência do sujeito e as trocas emocionais, além de
propiciar a construção de vínculos afetivos e identitários". O conceito de grupo vai além da
simples agregação de pessoas; ele se configura como um coletivo com características
próprias, que interagem de maneira a estabelecer um sistema relacional complexo. Em um
grupo, os membros se tornam interdependentes, formando um todo que transcende as
individualidades. Essa dinâmica reflete a interligação entre o indivíduo e o coletivo, sendo
permeada por fenômenos grupais significativos, como a transferência, que influencia
diretamente as relações internas do grupo (Enriquez, 1993).

Entre os fenômenos mais estudados, destaca-se a transferência grupal, que, conforme Riviére
(1997), é a projeção de sentimentos e vínculos afetivos de natureza individual para o grupo
como um todo. Esse fenômeno pode se manifestar em várias formas, incluindo a transferência
múltipla, que ocorre quando diversos membros do grupo transferem suas questões pessoais
para a dinâmica grupal, afetando as interações coletivas. A supervisão constante e a reflexão
crítica são fundamentais para que o estagiário compreenda e lide com as manifestações
transferenciais dentro do grupo.

Os grupos terapêuticos geralmente contam com a figura de um facilitador ou coordenador,


cujo papel resistência direta até atitudes passivas-agressivas. Tais fenômenos indicam a
complexidade das dinâmicas grupais, exigindo do coordenador uma postura atenta e flexível
para intervir de maneira eficaz (Martins, 2007).

Outro fenômeno relevante é promover o bom andamento das interações, estimulando a


reflexão e a participação dos membros. No entanto, durante o processo, podem surgir
manifestações de oposição à liderança, como os ataques ao facilitador, que se revelam de
diversas formas, desde

nos grupos terapêuticos é a teorização, que ocorre quando os membros do grupo se desviam
das questões centrais e se engajam em discussões que não contribuem para o objetivo
terapêutico, como debates sobre temas irrelevantes, por exemplo, esportes. Esse
comportamento pode ser um indicativo de falta de engajamento com o processo, requerendo
intervenção para que o grupo retome o foco e a produtividade terapêutica.

A desconfiança também é um fenômeno comum, manifestando-se de diferentes maneiras,


como desconfiança em relação ao facilitador, aos outros membros ou até mesmo à quebra de
sigilo. O desenvolvimento de um ambiente de confiança e segurança é essencial para a
efetividade do processo terapêutico, pois cria as condições necessárias para que os membros
possam compartilhar suas questões pessoais de maneira aberta e construtiva (Pereira, 2014).

Em contrapartida, existem fenômenos que fortalecem o grupo, como o apoio mútuo, no qual
os membros oferecem suporte emocional uns aos outros. Essa troca de ajuda pode ser crucial
para o desenvolvimento do grupo, promovendo um ambiente acolhedor e de solidariedade. A
socialização também desempenha um papel importante, pois permite que os membros criem
laços interpessoais e desenvolvam habilidades sociais, o que pode ser particularmente
benéfico para aqueles que enfrentam dificuldades nesse aspecto.

Os subgrupos ou “panelas” são outra característica comum em grupos, formando


agrupamentos menores dentro do grupo principal. Embora esses subgrupos possam ser
naturais, é necessário monitorá-los, para evitar que sua formação prejudique a coesão geral do
grupo e gere fragmentações. Em casos extremos, fenômenos como fragmentação e saturação
podem enfraquecer a coesão grupal de maneira progressiva e imperceptível, comprometendo
o funcionamento do grupo como um todo (Afonso, 2002).

Além disso, a formação de bodes expiatórios, onde um membro é injustamente


responsabilizado pelos problemas do grupo, é um desafio a ser enfrentado. Esse fenômeno
pode desestabilizar o grupo, prejudicando seu equilíbrio e afetando suas relações internas. O
fenômeno do fechamento grupal, por sua vez, caracteriza-se pela formação de uma fronteira
rígida entre "nós" e "eles", o que pode ser uma defesa contra influências externas, mas
também pode limitar as interações com o ambiente externo e dificultar a flexibilidade do
grupo frente a novos desafios (Enriquez, 1993).

Finalmente, a comunicação e as emoções presentes no grupo têm um impacto significativo em


sua formação e evolução. Alguns grupos apresentam uma maior intensidade emocional,
enquanto outros se caracterizam por uma abordagem mais racional. A presença de empatia e
vínculos emocionais fortes entre os membros do grupo pode ser um fator de fortalecimento da
dinâmica grupal, especialmente em grupos com participantes que compartilham experiências
ou características semelhantes. Essa intensidade emocional é um reflexo das relações
interpessoais que se desenvolvem dentro do grupo, exigindo uma gestão cuidadosa por parte
do coordenador (Lima & Almeida, 2016).
Em suma, os grupos terapêuticos, assim como os indivíduos que os compõem, são dinâmicos
e únicos. Cada grupo apresenta uma configuração própria, marcada por suas especificidades e
pelos fenômenos interacionais que o permeiam. A análise dessas dinâmicas, aliada à
supervisão e reflexão constante, é fundamental para o desenvolvimento de práticas
terapêuticas eficazes e para a formação de um profissional crítico e preparado para os desafios
da Psicologia.

4 ANÁLISE

A prática terapêutica conduzida revelou-se um trabalho minucioso e abrangente, voltado para


o fortalecimento da saúde mental de adolescentes, especialmente no contexto de transição e
desafios próprios dessa fase do desenvolvimento humano. A proposta central foi criar um
espaço acolhedor e livre de julgamentos, que permitisse aos jovens expressarem suas
emoções, refletirem sobre suas vivências e desenvolverem habilidades para enfrentar
adversidades de forma mais consciente e equilibrada.

A adolescência é uma etapa marcada por intensas transformações biológicas, emocionais e


sociais, o que torna essencial considerar suas peculiaridades nas intervenções propostas. Esse
período é frequentemente associado a sentimentos de incerteza, insegurança, auto cobrança e
a busca por pertencimento. Dentro desse cenário, o projeto terapêutico destacou-se por
abordar esses desafios de forma empática e direcionada, utilizando estratégias que valorizam
tanto as individualidades quanto os aspectos coletivos da experiência adolescente.

Desde os primeiros encontros, houve um esforço significativo em compreender as percepções


dos participantes sobre saúde mental e suas necessidades específicas. O ambiente de escuta
ativa e acolhimento oferecido possibilitou que os jovens compartilhassem suas angústias e
preocupações, muitas vezes relacionadas às expectativas acadêmicas, como a preparação para
o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e às pressões sociais. Tais discussões
revelaram a complexidade dos desafios enfrentados pelos adolescentes, reforçando a
importância de intervenções que integrem o suporte emocional às ferramentas práticas para
lidar com essas questões.

Uma das estratégias mais eficazes empregadas durante as sessões foi o uso de dinâmicas que
envolviam expressões criativas, como colagens, desenhos e associações de ideias. Essas
atividades permitiram explorar as percepções dos jovens sobre temas como identidade,
emoções e os significados associados à adolescência. A proposta que buscou responder à
pergunta “O que significa ser adolescente?” revelou reflexões profundas, incentivando os
participantes a compartilhar experiências e a reconhecerem pontos em comum em suas
trajetórias. A convergência nas palavras e expressões utilizadas pelos adolescentes reforçou a
existência de temas universais dessa faixa etária, o que contribuiu para o fortalecimento de um
senso de comunidade e suporte mútuo entre os participantes.

Outro aspecto fundamental foi o trabalho com estratégias de regulação emocional. Técnicas
como respiração diafragmática, meditação e ioga foram apresentadas como formas de ampliar
o repertório dos jovens no enfrentamento de situações de estresse e ansiedade. Essas práticas
foram complementadas pelo uso de músicas como meio de expressão emocional, o que criou
uma conexão significativa com o universo dos adolescentes, ajudando-os a articular
sentimentos de maneira acessível e empática.

A valorização de práticas já existentes entre os participantes, como o uso de crochê e desenho


para aliviar a ansiedade, também se mostrou um ponto importante da intervenção. Reconhecer
e integrar essas estratégias ao processo terapêutico contribuiu para reforçar a autonomia dos
jovens e sua capacidade de enfrentar desafios utilizando recursos internos que já possuíam.
Essa abordagem catalisadora permitiu que as habilidades individuais fossem ampliadas e
fortalecidas.

Os temas da auto cobrança e do medo de falhar surgiram de forma recorrente ao longo das
sessões, destacando a necessidade de trabalhar questões como autocompaixão e aceitação das
imperfeições humanas. Além disso, a nostalgia expressa por alguns participantes, que
relataram saudades de períodos percebidos como mais simples, como a infância, indicou um
desejo de fugir das responsabilidades e decisões características da adolescência. Essa reflexão
foi utilizada como ponto de partida para explorar o amadurecimento e a construção de
perspectivas positivas para o futuro, apesar das incertezas que o cercam.

Em resumo, a prática terapêutica desenvolvida não apenas ofereceu um espaço seguro para a
exploração emocional, mas também forneceu ferramentas práticas e acessíveis para o
enfrentamento dos desafios característicos da adolescência. Ao abordar temas como
ansiedade, insegurança, identidade e relações interpessoais, as intervenções promoveram um
olhar mais consciente e integrado sobre a saúde mental. Essa abordagem destacou a
importância do autoconhecimento, da empatia e do cuidado coletivo, elementos que,
certamente, contribuirão para o bem-estar emocional e o fortalecimento dos participantes no
enfrentamento das etapas futuras de suas vidas.

5 CONCLUSÃO

A vivência proporcionada por essa experiência de estágio revelou-se essencial no contexto de


promoção da saúde mental de adolescentes, contribuindo significativamente para o
desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais. Por meio da criação de um ambiente
acolhedor e seguro, foi possível atender às necessidades dessa etapa de intensas
transformações, ao mesmo tempo em que se propiciou um espaço de escuta ativa, expressão
emocional e reflexões profundas. Essa abordagem, fundamentada em metodologias
participativas e sensíveis às particularidades dos jovens, destacou-se como um diferencial no
processo terapêutico.

Os encontros possibilitaram uma maior compreensão sobre as angústias, os desafios e as


expectativas que permeiam a adolescência. Questões como ansiedade, auto cobrança e medos
relacionados ao futuro emergiram de forma recorrente, sendo trabalhadas tanto no nível
individual quanto no coletivo. A utilização de atividades práticas, como dinâmicas criativas e
técnicas de regulação emocional, mostrou-se extremamente eficaz, promovendo um senso de
pertencimento entre os participantes. Essas iniciativas também incentivaram a autorreflexão e
o fortalecimento dos vínculos interpessoais dentro do grupo, criando uma rede de suporte
mútuo.

Um ponto de destaque foi a integração de práticas já existentes no cotidiano dos jovens ao


processo terapêutico, como hobbies ou atividades que desempenham um papel importante no
alívio do estresse. Essa valorização das estratégias pessoais não apenas reconheceu as
capacidades dos adolescentes, mas também serviu como um meio de reforçar sua confiança e
autonomia. Além disso, a introdução de novas ferramentas, como exercícios de respiração e
práticas meditativas, ampliou o repertório de enfrentamento emocional dos participantes,
oferecendo recursos práticos que podem ser utilizados além do espaço terapêutico.

As discussões em grupo evidenciaram temas centrais, como o medo de fracassar, a


autocobrança excessiva e a nostalgia em relação à infância. Trabalhar essas questões de
maneira reflexiva e coletiva permitiu explorar conceitos importantes, como autocompaixão,
aceitação das imperfeições e resiliência diante das adversidades. Essas reflexões foram
fundamentais para preparar os adolescentes a lidarem com os desafios característicos dessa
fase de forma mais equilibrada e consciente.

Durante os encontros, ficou evidente o conforto dos participantes em se expressarem no


ambiente grupal, onde as interações eram marcadas por acolhimento, empatia e respeito
mútuo. O vínculo estabelecido entre os membros do grupo foi um fator essencial para o
sucesso das intervenções, uma vez que favoreceu a construção de um espaço em que todos se
sentiam ouvidos e valorizados. Essa atmosfera de unidade, empatia e colaboração reafirmou o
papel do grupo como um elemento transformador no apoio psicológico e no fortalecimento da
saúde mental dos jovens.

Adicionalmente, observou-se a relevância de manter uma postura de escuta ativa e acolhedora


diante dos relatos muitas vezes complexos apresentados pelos participantes. Essa atitude foi
indispensável para lidar com as realidades e sofrimentos compartilhados, promovendo não
apenas um apoio imediato, mas também um espaço de validação e compreensão das vivências
individuais.

De maneira geral, essa experiência não apenas contribuiu para o bem-estar dos adolescentes
no curto prazo, mas também proporcionou um impacto duradouro ao oferecer ferramentas
práticas e reflexões que podem ser aplicadas em diversos contextos de suas vidas. A
continuidade desse tipo de iniciativa é fundamental para reforçar a saúde mental e emocional
dos jovens, promovendo uma vivência mais saudável e consciente de uma fase marcada por
desafios e descobertas.

REFERÊNCIAS

1. AFONSO, M. Fenômenos grupais: teoria e prática. São Paulo: Editora Psicologia


Moderna, 2002.
2. ENRIQUEZ, E. Psicodinâmica das relações grupais: uma abordagem crítica. São
Paulo: Vozes, 1993.
3. FOULKES, S. H. Teoria e prática da terapia de grupo. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
4. INSTITUTO FEDERAL DE MINAS GERAIS (IFMG). Conselho de Campus
Conselheiro Lafaiete: texto de apresentação do órgão. Disponível em:
<[Link]
orgao>. Acesso em: 22 nov. 2024.
5. LIMA, C.; ALMEIDA, R. A prática do estágio supervisionado em Psicologia. Porto
Alegre: Artmed, 2016.
6. MARTINS, L. Dinâmicas grupais e liderança terapêutica. Campinas: Papirus, 2007.
7. PEREIRA, J. Supervisão e prática reflexiva em Psicologia. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2014.
8. RIVIÈRE, A. Psicanálise e grupo: contribuições para a clínica. Rio de Janeiro: Imago,
1997.

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