Nome do estudante: Sualehe Molide: 81220219
NTRODUÇÃO
O estudo dos direitos humanos constitui uma base essencial para a compreensão das relações entre o
indivíduo, o Estado e a comunidade internacional. Ao longo da história, os direitos humanos surgiram
como resposta às injustiças sociais, políticas e econômicas, e consolidaram-se a partir de princípios
filosóficos que defendem a dignidade, a liberdade e a igualdade entre todos os seres humanos. Com o
passar do tempo, esses valores foram sendo incorporados a documentos normativos internacionais,
ganhando reconhecimento universal e tornando-se fundamentais para a promoção da justiça e da paz no
mundo.
Neste trabalho de campo, propõe-se uma análise dos fundamentos dos direitos humanos, abordando três
eixos principais: a origem histórica e filosófica desses direitos, a importância da Declaração Universal dos
Direitos Humanos (DUDH) e o papel dos Pactos Internacionais – o Pacto Internacional sobre os Direitos
Civis e Políticos (PIDCP) e o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC).
Através dessa abordagem, busca-se compreender como esses instrumentos moldam a prática dos direitos
humanos a nível global e nacional, destacando sua relevância na construção de sociedades mais justas,
solidárias e respeitadoras da dignidade humana.
Os objetivos deste estudo são:
1. Analisar as origens históricas e filosóficas dos direitos humanos.
2. Examinar a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e os Pactos Internacionais,
destacando seus principais direitos e objetivos.
3. Discutir a interdependência entre o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto
Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
4. Contribuir para a compreensão da importância da implementação eficaz desses direitos no
cenário global.
Este estudo busca, assim, proporcionar uma visão clara e abrangente dos fundamentos dos direitos
humanos, enfatizando sua importância para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
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Tema: Fundamentos dos Direitos Humanos
1.1. Origem Histórica e Filosófica dos Direitos Humanos
Os direitos humanos têm raízes profundas na história da humanidade, remontando a diversas civilizações
antigas que reconheciam princípios de justiça, dignidade e respeito mútuo. No Antigo Egito, na Grécia e
em Roma já existiam normas que protegiam certos grupos sociais. No entanto, o conceito moderno de
direitos humanos tem sua origem no pensamento filosófico do Iluminismo europeu, entre os séculos XVII
e XVIII, com autores como John Locke, Jean-Jacques Rousseau e Immanuel Kant.
Locke defendeu que os indivíduos possuíam direitos naturais à vida, liberdade e propriedade, anteriores
à formação do Estado. Rousseau contribuiu com a noção de contrato social, onde o poder do Estado
deveria basear-se na vontade geral e respeitar a dignidade humana. Kant, por sua vez, introduziu a ideia
de que todo ser humano deve ser tratado como um fim em si mesmo, nunca como um meio para alcançar
fins.
Esses princípios foram gradualmente incorporados em documentos jurídicos e políticos, como a
Declaração de Direitos da Virgínia (1776), a Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776) e
a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), durante a Revolução Francesa. Esses marcos
estabeleceram as bases para a formulação posterior dos direitos humanos como norma universal.
1.2. Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH)
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi adotada em 10 de dezembro de 1948 pela
Assembleia Geral das Nações Unidas, em resposta às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra
Mundial. Redigida por representantes de diferentes origens culturais e jurídicas, a DUDH reflete o ideal
comum de direitos fundamentais a serem protegidos em todo o mundo.
Composta por 30 artigos, a Declaração estabelece direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais
que devem ser garantidos a todos os seres humanos, sem qualquer forma de discriminação. Entre os
direitos fundamentais reconhecidos estão o direito à vida, à liberdade de expressão, à educação, ao
trabalho digno, à saúde, e à participação política.
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Embora não tenha caráter juridicamente vinculativo, a DUDH influenciou a criação de diversos tratados
internacionais e constituições nacionais, tornando-se um documento normativo essencial no direito
internacional dos direitos humanos. Em Moçambique, por exemplo, a Constituição da República incorpora
muitos dos princípios da DUDH, demonstrando seu valor universal e permanente.
1.3. Pactos Internacionais: PIDCP e PIDESC
Com o objetivo de transformar os princípios da DUDH em obrigações legais, a Organização das Nações
Unidas aprovou, em 1966, dois pactos complementares:
• Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP): entrou em vigor em 1976 e garante
direitos como liberdade de pensamento, consciência e religião, direito ao julgamento justo,
liberdade de expressão, participação política e proibição de tortura e escravidão. Este pacto
protege os indivíduos contra abusos do poder estatal, sendo aplicável mesmo em tempos de
emergência.
• Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC): também adotado
em 1966, este pacto assegura o direito ao trabalho, à educação, à saúde, à segurança social e a
um padrão de vida adequado. Diferentemente do PIDCP, os direitos previstos no PIDESC exigem
uma realização progressiva por parte dos Estados, de acordo com os seus recursos disponíveis.
Ambos os pactos foram ratificados por muitos países, tornando-se instrumentos jurídicos de referência
no sistema internacional de proteção dos direitos humanos. Juntamente com a DUDH, esses tratados
compõem a chamada Carta Internacional dos Direitos Humanos.
Em Moçambique, a adesão a estes pactos demonstra o compromisso do país com a promoção e proteção
dos direitos humanos no plano internacional. No entanto, desafios persistem na sua implementação
efetiva, exigindo políticas públicas inclusivas, educação em direitos humanos e fortalecimento das
instituições de justiça.
Em síntese, os fundamentos dos direitos humanos estão ancorados numa longa tradição histórica e
filosófica que defende a dignidade inerente a todos os seres humanos. A Declaração Universal e os Pactos
Internacionais representam conquistas da humanidade que devem ser constantemente protegidas e
reforçadas. A sua aplicação concreta depende não apenas do compromisso legal dos Estados, mas
também da consciência ativa dos cidadãos na defesa dos seus direitos e na promoção de uma sociedade
mais justa, solidária e democrática.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em conclusão, a compreensão dos fundamentos dos direitos humanos revela que sua origem não é
apenas jurídica, mas também profundamente filosófica e histórica, construída ao longo dos séculos como
resposta às diversas formas de opressão e injustiça. A Declaração Universal dos Direitos Humanos,
adotada após os horrores da Segunda Guerra Mundial, consolidou um marco universal na proteção da
dignidade humana, tornando-se referência para os sistemas legais contemporâneos. Além disso, os pactos
internacionais – o PIDCP e o PIDESC – reforçam esse compromisso global, transformando princípios em
obrigações jurídicas concretas.
Portanto, é possível afirmar que a consolidação dos direitos humanos depende não apenas de tratados e
normas, mas da sua efetiva implementação nos contextos nacionais. Em países como Moçambique, o
desafio está em transformar os compromissos internacionais em políticas públicas eficazes e acessíveis a
todos os cidadãos. Nesse sentido, a educação em direitos humanos e o fortalecimento do Estado de
Direito são essenciais para garantir que esses direitos não permaneçam apenas no papel, mas se traduzam
em realidades vividas no quotidiano das populações.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Donnelly, J. (2013). Universal human rights in theory and practice (3ª ed.). Cornell University Press.
2. Sen, A. (1999). Development as freedom. Oxford University Press.
3. United Nations. (1948). Universal Declaration of Human Rights. United Nations.
4. Morsink, J. (1999). The universal declaration of human rights: Origins, drafting, and intent.
University of Pennsylvania Press.