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Fundamentos Filosóficos e Sociológicos Dos Direitos Humanos 1

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FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E SOCIOLÓGICOS

DOS DIREITOS HUMANOS


1

Sumário

FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E SOCIOLÓGICOS DOS DIREITOS


HUMANOS ......................................................................................................... 0

NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2

INTRODUÇÃO ........................................................................................ 3

O que são Direitos Humanos ................................................................ 4

História da filosofia dos direitos humanos. ...................................... 11

Direitos Humanos como projeto político ........................................... 24

Fundamentos filosóficos dos direitos humanos .............................. 26

Conceito, caracterização e finalidade de Direitos Humanos ........... 32

CONCLUSÃO ........................................................................................ 45

REFERÊNCIAS ..................................................................................... 46

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2

NOSSA HISTÓRIA

A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de


empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior.

A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de


conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais,
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação.

A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma


confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.

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INTRODUÇÃO

Sabe-se que a História dos Direitos Humanos remonta ao início da


civilização, estando o germe de tais direitos presentes em várias religiões.
Porém, para se ater aos fins deste trabalho, faremos uma reconstrução histórica
a partir do Pensamento Racionalista da Modernidade. Pode-se dizer que foi
nesta época em que os Direitos Humanos foram colocados sob o crivo da
racionalidade, sob, como diria Kant, o Tribunal da Razão.

Partindo desta primeira racionalização dos Direitos Humanos,


percorreremos o seu desenvolvimento por meio da descrição panorâmica do
desenvolvimento do pensamento filosófico (Bodin, Locke, Hobbes, Rousseau,
Kant, Marx, Lefort, Keybes, Agamben) e da evolução das espécies de Estado
(Estado Liberal, Estado Social e Estado Democrático).

Uma vez percorrido o itinerário proposto na História da Filosofia e nas


Transformações do Estado, ter-se-á, como viável, um balanço dos Direitos
Humanos na contemporaneidade, em que o foco é identificar a relação entre o
indivíduo e o coletivo, visto ser esta relação o núcleo constitutivo de quaisquer
gerações (dimensões) de direitos humanos. Por consequência, ter-se-á, também
como viável, a identificação dos Sistemas Protetivos de tais Direitos na
atualidade.

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O que são Direitos Humanos

Direitos humanos são os todos os direitos relacionados à garantia de uma


vida digna a todas as pessoas. Os direitos humanos são direitos que são
garantidos à pessoa pelo simples fato de ser humana.

Assim, os direitos humanos são todos direitos e liberdades básicas,


considerados fundamentais para dignidade. Eles devem ser garantidos a todos
os cidadãos, de qualquer parte do mundo e sem qualquer tipo de discriminação,
como cor, religião, nacionalidade, gênero, orientação sexual e política.

Direitos humanos é o conjunto de garantias e valores universais que tem


como objetivo garantir a dignidade, que pode ser definida com um conjunto
mínimo de condições de uma vida digna. São direitos humanos básicos: direito
à vida, à liberdade de expressão de opinião e de religião, direito à saúde, à
educação e ao trabalho.

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De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) os direitos


humanos são garantias de proteção das pessoas contra ações ou falta de ações
dos governos que possam colocar em risco a dignidade humana.

Origem dos direitos humanos

O conceito de direitos humanos mudou ao longo da história, mas há


alguns acontecimentos que foram muito importantes na evolução desses
direitos.

O primeiro registro histórico de direitos humanos é de aproximadamente


500 anos antes de Cristo, quando Ciro, rei da Pérsia, declarou a liberdade de
escravos e alguns outros direitos de igualdade humana. Esses direitos foram
gravados em uma peça chamada Cilindro de Ciro.

Também são acontecimentos importantes na proteção dos direitos


humanos a criação da Declaração de Direitos de Virgínia, nos Estados Unidos
(1776) e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) na França.

A criação da Organização das Nações Unidas em 1945 também faz parte


da história da evolução dos direitos humanos. É um fato importante porque um
dos objetivos da ONU é trabalhar para garantir a dignidade de todos os povos e
para diminuir as desigualdades mundiais.

Logo em seguida, no ano de 1948, a ONU aprovou a criação


da Declaração Universal dos Direitos Humanos e em 1966 foram criados mais
dois documentos: o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e
o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

Hoje existem várias organizações e movimentos que têm como objetivo


defender os direitos humanos, como por exemplo:

 Anistia Internacional,

 Serviço Paz e Justiça na América Latina,

 Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos,

 Human Rights Watch,

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 Gabinete de Instituições Democráticas e Direitos Humanos da


Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Em 1948 a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Declaração


Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Esse documento é um dos mais
importantes na base dos direitos humanos e contém os princípios básicos
relacionados à garantia desses direitos.

A DUDH é importante no mundo todo porque é considerada o documento


que marca o início da conscientização e da preocupação mundial com a proteção
dos direitos humanos. A Assembleia Geral da ONU considera a Declaração
como um modelo ideal para todos os povos para atingir o respeito a esses
direitos e liberdades humanas.

A DUDH afirma que todos os seres humanos nascem livres e que são
iguais em dignidade e em direitos. Além disso, a adoção da Declaração pela
ONU também tem o objetivo de evitar guerras entre países, promover a paz
mundial e fortalecer a proteção aos direitos humanitários.

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Características dos direitos humanos

Conheça as principais características dos direitos humanos:

 a sua principal função é garantir a dignidade de todas as pessoas,

 são universais: são válidos para todas as pessoas, sem qualquer tipo de
discriminação ou diferenciação,

 são relacionados entre si: todos os direitos humanos devem ser aplicados
igualmente, a falta de um direito pode afetar os outros,

 são indisponíveis: significa que uma pessoa não pode abrir mão dos seus
direitos,

 são imprescritíveis: significa que os direitos humanos não têm prazo e não
perdem a validade.

Leis sobre os direitos humanos

Os direitos humanos são tratados em várias leis, convenções, acordos e


tratados internacionais. Além da existência de leis sobre o assunto, é dever de
cada Estado ter as suas próprias leis que garantam que os direitos humanos
serão respeitados e colocados em prática.

Conheça algumas leis que tratam dos direitos humanos:

 Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948)

 Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (1966)

 Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais


(1966).

A Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, define quais são os direitos


e garantias fundamentais dos cidadãos. Veja alguns:

 igualdade de direitos e deveres entre mulheres e homens,

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 proibição de tortura e tratamento desumano,

 liberdade de pensamento, de crença e de religião,

 proibição de censura,

 proteção da intimidade, vida privada, honra e imagem,

 sigilo telefônico e de correspondências,

 liberdade de escolha de profissão,

 liberdade de locomoção dentro do país,

 direito de propriedade e de herança,

 acesso garantido à justiça,

 racismo, tortura e tráfico de drogas são crimes inafiançáveis,

 proibição de pena de morte,

 nenhum brasileiro pode ser extraditado.

Ainda que existem várias leis que tratem dos direitos humanos, é
importante saber que eles não são limitados ao que é previsto na lei. Outros
direitos podem ser incluídos como direitos humanos com o passar do tempo e
de acordo com as necessidades, com as transformações sociais e com o modo
de vida da sociedade.

Direitos humanos, cidadania e democracia

Cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais que


estão previstos na Constituição. Exercer a cidadania é ter consciência de seus
direitos e de suas obrigações para poder lutar e cobrar para que eles sejam
colocados em prática e garantidos pelo Estado.

Para exercer a cidadania plenamente os membros de uma sociedade


devem usufruir dos direitos humanos e dos direitos fundamentais, tanto no
âmbito individual quanto no coletivo. Por sua vez, ter plena cidadania e igualdade
entre os cidadãos faz parte do conceito de democracia, que prevê a participação
de todos na sociedade em condições de igualdade.

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Assim, a igualdade, a preservação dos direitos humanos, a dignidade e a


cidadania são fundamentais para garantir a democracia em qualquer nação.

Direitos humanos

Fazem parte dos direitos humanos todo um conjunto de direitos


fundamentais, os quais todos os seres humanos, de todos os povos e nações,
devem usufruir pelo simples fato de existirem, independentemente de sua classe
social, etnia, gênero, nacionalidade ou posicionamento político. São direitos tidos
como universais, aplicáveis a todos os homens e mulheres do planeta, sem
nenhuma distinção. Ainda que cada nação ou grupo tenha seu próprio escopo
jurídico, os direitos humanos devem ser aplicáveis em todo e qualquer território.
Mesmo que escassamente praticado – especialmente em países pobres ou com
uma longa tradição de autoritarismo político – o respeito aos direitos humanos é
considerado pré-requisito para o exercício pleno da democracia.

Os direitos humanos são históricos, o que quer dizer que mudam através
do tempo, respondendo as necessidades e circunstâncias específicas de cada
momento. A ideia de direitos humanos, tal como a conhecemos, é bastante
recente, mas tem precedentes históricos nascidos sob a égide do pensamento
liberal moderno. São anteriores, por exemplo, a Carta Magna – de 1921, que
delimitava o poder dos monarcas ingleses – e a Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão – documento de 1787, que estabelece a igualdade jurídica
do homens em meio ao processo da Revolução Francesa. Entretanto, o

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documento internacional que deve se ter por base hoje, quando falamos em
direitos humanos, foi formulado no contexto pós Segunda Guerra e adotado
pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948. Trata-se da Declaração
Universal dos Direitos Humanos (DUDH).

A DUDH é formada por 30 artigos que versam sobre direitos inalienáveis


– tanto individuais, quanto coletivos – que, em conjunto, deveriam assegurar a
liberdade, a justiça e a paz mundial. Há de se lembrar que esse documento foi
redigido após o mundo passar por uma guerra perversa, marcada pela
brutalidade genocida de regimes fascistas. Entre outros direitos, esse conjunto
de artigos declara o direito à vida, o direito a não ser escravizado, não ser preso
ou exilado de forma arbitrária, o direito de contar com a presunção da inocência
e ser tratado com igualdade perante as leis e o direito à privacidade e à livre
circulação, incluindo a imigração. Também ficam declarados, nesse mesmo
documento, os direitos à livre expressão política e religiosa, e à liberdade de
pensamento e de participação política. O lazer, a educação, a cultura e o trabalho
(exercido livremente e remunerado de forma a garantir uma vida digna a família
do trabalhador) também são declarados como direitos humanos fundamentais.

A DUDH não tem força de lei, mas a partir dela se formularam uma série
de constituições e tratados internacionais mais específicos – voltados aos
direitos das crianças, ao combate a tortura e a discriminação racial e de gênero,
por exemplo. No Brasil há uma porção de organizações que se articulam em
torno da defesa e promoção dos direitos humanos. A atuação dessas instituições
foi importantíssima na denúncia dos crimes cometidos pelo regime militar. Hoje,
elas continuam essenciais no debate público sobre a violação desses direitos,
que atinge, especialmente, grupos socais mais vulneráveis.

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História da filosofia dos direitos humanos.

 A PRIMEIRA GERAÇÃO (DIMENSÃO) DOS DIREITOS


HUMANOS

A primeira geração dos Direitos Humanos remonta a Revolução Francesa.


Diz o Artigo II do texto adotado pela Assembleia Nacional da França em 26 de
agosto de 1789: "O fim de toda associação política é a conservação dos direitos
naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a
propriedade, a segurança e a resistência à opressão".

É importante estar atento a dois pontos do trecho retro transcrito, a saber,


que os Direitos são Naturais e que há uma sobreposição, confusão, entre os
Direitos do Homem e os Direitos do Cidadão.

Em relação aos Direitos como liberdade e propriedade serem naturais,


podemos remontar a várias filosofias, dentre as quais, a de John Locke (1.632 –
1.704). Este pensador irá argumentar, em seu ensaio de juventude intitulado
"Ensaios sobre a Lei de Natureza", que existe uma lei universal que todos somos
capazes de apreender, pois a mesma é apreendida pela razão, faculdade que
todos possuímos.

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Tomas Hobbes (1588 – 1679), por sua vez, irá dizer que todos possuímos
o direito (liberdade) a lutar por nossa sobrevivência em razão de nossa própria
constituição natural. Segundo o pensador, "Quando alguém transfere o seu
direito, ou a ele renuncia, o faz em consideração a outro direito que
reciprocamente lhe foi transferido, ou a qualquer outro bem que daí espera. Pois
é um ato voluntário, e o objetivo de todos os atos voluntários dos homens é algum
bem para si mesmos. Portanto, há alguns direitos que é impossível admitir que
alguns homens, por quaisquer palavras ou outros sinais, possa abandonar ou
transferir. Em primeiro lugar, ninguém pode renunciar ao direito de resistir a
quem o ataque pela força para lhe tirar a vida, pois é impossível admitir que com
isso vise algum benefício próprio. O mesmo se pode dizer dos ferimentos, das
cadeias e do cárcere, tanto porque desta resignação não pode resultar benefício
– como há quando se resigna a permitir que outro seja ferido ou encarcerado -,
mas também porque é impossível saber, quando alguém lança mão da violência,
se com ela pretende ou não provocar a morte. Por último, o motivo e fim devido
ao qual se introduz esta renúncia e transferência do direito não é mais do que a
segurança da pessoa de cada um, quanto à sua vida e quanto aos meios de a
preservar de maneira tal que não acabe por dela se cansar. Portanto, se por
palavras ou outros sinais um homem parecer despojar-se do fim para que esses
sinais foram criados, não se deve entender que é isso que ele quer dizer, ou que
é essa a sua vontade, mas que ele ignorava a maneira como essas palavras e
ações iriam ser interpretadas" [02]. [Link]

Mesmo na fase de transição para a Modernidade (que começa


propriamente no século XVII) têm-se a ideia de lei natural. O pensamento de
Jean Bodin (1.530 – 1.596) é um exemplo: "Se nós dissermos que tem poder
absoluto quem não está sujeito às leis, não encontraremos no mundo príncipe
soberano, visto que todos os príncipes da Terra estão sujeitos às leis de Deus e
da natureza e a certas leis humanas comuns a todos os povos" (República I, 8,
p. 190) [03].

Vê-se, assim, que há uma Ideia de Lei Natural e que tal Lei é apreendida
por meio da Razão (mesmo em Bodin, que possui resquício do Pensamento
Medieval).

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É por meio de tal lei natural que vislumbramos que somos igualmente
livres por sermos naturalmente iguais. Esta é a visão JusNaturalista que embasa
as condições de existência dos Direitos Humanos no Ocidente e que, ainda hoje,
mesmo recebendo várias críticas, é invocada.

Ora, se estamos refletindo acerca de um Direito cujo titular é a


Humanidade, faz-se preciso pensar além do Direito de cada Povo em particular,
ou seja, além do Direito Positivado de cada Estado. E isto só se faz possível
quando pensamos em um Direito Universal.

Voltemo-nos, agora, para o segundo ponto importante a se atentar no


texto francês supra transcrito. A sobreposição entre o Direito do Homem e o
Direito do Cidadão.

Quando se diz que o fim de toda associação é a conservação dos direitos


naturais, vê-se que estes possuem como protetor, garantidor, o que
contemporaneamente chamamos de Estado. É neste ponto que surge a ideia do
Estado Garantidor de tais Direitos, que são considerados como os básicos.

Começa-se a instaurar uma relação que é a base da crítica dos


pensadores que vão contra os Direitos Humanos e que, também,
paradoxalmente, é a base da evolução dos Direitos Humanos de Primeira
Geração para os de Segunda Geração.

É a relação em que o Estado é tutor do cidadão. Rousseau (1.712 –


1.782), em sua crítica ao verbete Direito Natural da enciclopédia de Denis Diderot
(1.713 – 1.784), já aponta que é preciso retornar para a concretude da vida
social, e não pensá-la apenas abstratamente, como a Modernidade vem
fazendo. Pode-se dizer que Rousseau já é a fagulha, dentro da Modernidade,
que irá impulsionar o desenvolvimento humano para muito além da Segunda
Geração de Direitos Humanos. Notemos a atualidade do pensador francês
quando critica a ideia de Gênero Humano defendida por Diderot: "somente da
ordem social estabelecida entre nós é que extraímos as ideias daquela que
imaginamos".

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Neste sentido, a defesa dos Direito Humanos deve começar, antes, dentro
das próprias comunidades políticas existentes, e não pelo caminho inverso (nos
dias de hoje, diríamos por meio de órgãos internacionais, por exemplo). Portanto,
na Modernidade, o Direito do Homem é o Direito do Cidadão.

Esta posição é veementemente atacada quando nós voltamos para a


realidade dos apátridas da Segunda Guerra Mundial, a qual é tão bem explicada
por Hannah Arendt.

Também é fundamental notar que, enquanto tutor do cidadão, o Estado


não pode se voltar contra ele. E é justamente este o ponto de tensão da primeira
geração de Direitos Humanos: o estado, enquanto coletividade, serve para
garantir os direitos dos particulares, e nada menos, não podendo, por
conseguinte, atentar contra estes particulares, que o compõe, pois o mesmo
seria atentar contra si mesmo.

 O Surgimento e a Primeira Transformação do Estado – Do


Estado Monárquico Absolutista para o Estado Liberal

O Estado Absolutista Monárquico, que possui fundamento em alguns


filósofos citados acima (Hobbes, Bodin) e no fato do monarca ser o soberano e
deter poder absoluto sobre os súditos, sem grandes limitações, engendrou o
Estado Liberal, que também possui fundamento em alguns dos filósofos já
citados (Locke).

Enquanto o primeiro Estado sufoca o cidadão, podendo dele retirar as


suas terras por uma simples vontade do soberano, o Estado Liberal garante o
cidadão de que nenhum abuso será cometido por aquele que detém o poder. E
este é um ponto importante a ser sublinhado: a abuso do governante encontra
limites nos direitos humanos reconhecidos na Revolução Francesa (liberdade,
propriedade e segurança).

E isto se deu com a passagem da detenção do Poder Soberano para o


Povo (ou Nação, como preferem alguns). Rousseau, neste ponto, foi

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importantíssimo, pois deslocou o poder soberano das mãos de apenas um


indivíduo (ou de apenas alguns indivíduos) para as mãos do povo. Este é quem
detém o poder soberano.

A Representatividade do Poder passa a ter uma importância incrível para


a operacionalização da Comunidade Política. Aquele que cria leis passa a ser o
meu representante, pois o poder de legislação é meu e não dele (que é um
simples mandatário).

O documento citado no início deste tópico dispõe em seu Artigo III: "O
princípio de toda soberania reside essencialmente na nação; nenhum grupo ou
indivíduo pode exercer qualquer autoridade, a não ser aquela que emana
expressamente da nação".

Se somos soberanos, nossos direitos, consubstanciados na expressão de


uma vontade geral, devem ser respeitados por uma vontade particular, que é a
do representante-mandatário. Liberdade, propriedade e segurança do povo (ou
nação) devem ser respeitadas, portanto, em razão da soberania da vontade
geral. O ESTADO DEVE ASSEGURAR TAIS DIREITOS, NÃO OS PODENDO
VIOLAR.

Vê-se, neste desenrolar histórico, a ascensão da Burguesia, que é quem


detém o Poder Econômico. Ela estabelece a regra do jogo político, qual seja,
que o Estado é apenas um garantidor e não um interventor. O Estado deve, tão
somente, garantir a livre competição. A autonomia da vontade é colocada como
corolário do desenvolvimento social da época. O indivíduo nasce livre e o Estado
só pode ir contra sua liberdade na medida em que é autorizado pelo indivíduo
para tanto.

 A SEGUNDA GERAÇÃO (DIMENSÃO) DOS DIREITOS


HUMANOS

No texto intitulado "Sobre a questão judaica", Marx (1.818 – 1883) irá


criticar os Direitos Humanos dizendo que existe uma separação entre a
sociedade civil atomizada (ou seja, individualista) e a comunidade política que a

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comanda. O cidadão, ao ser tutelado pelo Estado, perde o seu poder. Ser
tutelado, neste caso, significa que aquele que tem que cumprir a lei não é aquele
que faz a lei, portanto, não é o dono de seu próprio destino, não sabendo
direcioná-lo.

Diz o filósofo alemão: "Os direitos do homem, direitos dos membros da


sociedade burguesa, são apenas os direitos do homem egoísta, do homem
separado do homem e da coletividade".

Fica claro pela passagem transcrita acima que o problema começa, tem
sua base, no individualismo, que faz o homem ver o mundo como se o interesse
individual fosse absolutamente mais importante que o coletivo.

É importante lembrar que Marx é um crítico do capitalismo de sua época


e, portanto, da pedra angular que o sustenta, o individualismo burguês.

A crítica marxiniana, ao denunciar a separação da Sociedade Civil da


Política de Estado, descrevendo como grande parte da Humanidade (os
trabalhadores) é controlada por uma minoria (os burgueses), instaura o espaço
de debate acerca da possibilidade de existência e eficácia dos Direitos Humanos.

Pode-se dizer que Marx, ao apontar os problemas do capitalismo em sua


versão agressiva dos liberalistas, aponta, ao mesmo tempo, para um novo
modelo de Estado Constitucional: o Estado Social de Direito. Este, por sua vez,
é aquele que vai permitir a positivação de Direitos Humanos de 2ª Geração ao
redor do mundo. A primeira positivação de tais direitos se deu com a Constituição
Mexicana de 1.917 que assegura direitos sociais, por exemplo, aos camponeses
e aos trabalhadores assalariados.

Note-se que o filósofo alemão vai contra, em princípio, a própria ideia de


Direitos Humanos, por esta ser idealista e pelos motivos acima já transcritos. No
entanto, o conteúdo de sua crítica é o que vai estabelecer o cenário possível
para o reconhecimento dos Direitos Humanos de 2ª Geração.

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Caso o escopo deste trabalho fosse fazer uma crítica às condições de


possibilidade dos Direitos Humanos, sejam estes quais forem, poderíamos citar
a seguinte passagem do livro "Crítica da Filosofia do Direito de Hegel", pedindo,
apenas, para que o leitor substitua a palavra ‘religião’ pela palavra ‘Direitos
Humanos’.

Diz Marx: "É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a


religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o
sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se
perder. Mas o homem não é um ser abstrato, acocorado fora do mundo...

 A Segunda Transformação do Estado – Do Estado Liberal para


o Estado Social

Segundo Phyllis Deane, professor da Universidade de Cambridge, "A


suposição de que a revolução industrial é o caminho que conduz à afluência se
constitui, hoje em dia, quase que num axioma do desenvolvimento econômico.
Um processo contínuo – alguns diriam ‘auto-sustentado’ – de crescimento
econômico pelo qual (com exceção das guerras e catástrofes naturais) cada
geração pode, de modo confiante, esperar usufruir níveis mais altos de produção
e consumo do que aqueles de seus predecessores está ao alcance apenas
daquelas nações que se industrializaram".

A Revolução Industrial (metade do século XVIII), como descrito acima,


de fato, trouxe uma melhoria incrível na qualidade de vida das pessoas. Ocorre
que, ao mesmo tempo, a Revolução trouxe consigo a exploração dos
trabalhadores e a instauração do cenário de luta de classes. Por consequência,
pode-se dizer também que, em razão deste acontecimento histórico, surgiu a
crítica científico-filosófica acerca do capitalismo.

Em função destes efeitos colaterais trazidos pela industrialização, teve-


se, ao redor do mundo, várias manifestações com o intuito de estabelecer
parâmetros mínimos para, por exemplo, o ser humano trabalhar nas fábricas.
Destas manifestações, que é a expressão de defesa dos efeitos perniciosos do

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liberalismo extremo, é que surgem os primeiros Direitos Humanos de 2ª


Geração, que são os Direitos Sociais.

Revoluções como a Mexicana e a de Abril de 1.917 (que criou a União


das Repúblicas Socialistas Soviéticas) possibilitaram o surgimento, como
contraponto ao Estado Liberal de Direito, do Estado Social de Direito. Também
é possível citar, como resultado das alterações que tiveram início na metade do
século XVIII, a Constituição de Weimar na Alemanha, em 1.919.

Keynes (1.883 – 1.946), brilhante economista inglês, irá identificar dois


grandes problemas da sociedade capitalista: a pouca oferta de emprego e a má
distribuição de renda. Como proposta de solução para tais problemas, Keynes
expressa a necessidade de atribuição ao Estado de um papel ativo, em que
empregos seriam gerados por ele (está aqui o nascedouro das empresas
estatais) e em que ele (o Estado) seria responsável pela redistribuição da renda
mediante, por exemplo, a cobrança de tributos progressivos.

Sem a intervenção do Estado, as mãos invisíveis de regulação do


mercado, vistas pelos teóricos clássicos da economia, não mais podem agir
livremente para a regulação do mercado. O mundo dos fatos nos mostra que o
mercado encontra-se desregulado e que a concentração de capital por alguns,
e a abusividade destes para com aqueles que possuem menos, tendem a
aumentar se não houver intervenção estatal.

Diz o economista: "...da teoria sobre o assunto em cujos preceitos fui


educado e que domina o pensamento econômico, tanto prático como teórico,
das classes governante e acadêmica dessa geração, como sucedeu durante os
últimos cem anos. Argumentarei que os postulados da teoria clássica só se
aplicam a um caso especial e não ao caso geral, a situação que ela pressupõe
ser um ponto delimitador das posições de equilíbrio possíveis. Mais ainda,
acontecem não serem as características do caso especial consideradas pela
teoria clássica as mesmas da sociedade econômica na qual nós de fato vivemos,
resultando disso que os seus ensinamentos se revelam enganosos e
desastrosos quando tentamos aplica-los aos fatos da experiência "

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Pelo exposto acima, fica claro que o papel do Estado, que era de não
intervenção na economia e na vida privada dos indivíduos, passa a ser o de
regulador da vida econômica e privada.

O Estado deve intervir para dar assistência àqueles que não possuem
recursos materiais suficientes para uma vida digna. Pode-se dizer que o homem
foi do extremo do idealismo do sujeito transcendental kantiano, que dá as
condições de existência da dignidade humana, até o extremo do realismo, que
teve início com o materialismo marxiniano.

 A TERCEIRA GERAÇÃO (DIMENSÃO) DOS DIREITOS


HUMANOS

Agamben (nascido em 1942), em seu livro "Homo Sacer – O Poder


Soberano e a Vida Nua", irá descrever o surgimento dos Direitos Humanos de 1ª
geração apontando justamente a identificação destes com os Direitos do
Cidadão para, após, descrever as implicações perniciosas que tal identificação
acarreta.

Diz o pensador: "As declarações dos direitos devem então ser vistas como
o local em que se efetua a passagem da soberania régia de origem divina à
soberania nacional. Elas asseguram a exceptio da vida na nova ordem estatal
que deverá suceder à derrocada do ancien regime. Eu, através delas, o súdito
se transforme, como foi observado, em cidadão, significa que o nascimento –
isto é, a vida nua natural como tal – torna-se aqui pela primeira vez (com uma
transformação cujas consequências biopolíticas somente hoje podemos

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começar a mensurar) o portador imediato da soberania. O princípio de natividade


e o princípio de soberania, separados no antigo regime (onde o nascimento dava
lugar somente ao sujet, ao súdito), unem-se agora irrevogavelmente no corpo do
sujeito soberano para constituir o fundamento do novo Estado-nação. Não é
possível compreender o desenvolvimento e a vocação nacional e biopolítica do
Estado Moderno nos séculos XIX e XX, se esquecemos que em seu fundamento
não está o homem como sujeito político livre e consciente, mas, antes de tudo,
a sua vida nua, o simples nascimento que, na passagem do súdito ao cidadão,
é investido como tal pelo princípio de soberania. A ficção aqui implícita é a de
que o nascimento torna-se imediatamente nação, de modo que entre os dois
termos não possa haver resíduo algum. Os direitos são atribuídos ao homem (ou
brotam dele), somente na medida em que ele é o fundamento, imediatamente
dissipante (e que, aliás, não deve nunca vir à luz como tal), do cidadão" [07].

A partir desta crítica, é possível vislumbrar uma atualização consistente


acerca da ideia dos Direitos Humanos que não só acarreta em um retorno às
ideias racionalistas dos Direitos Humanos de 1ª Geração como, também,
engloba em sua crítica os déficits democráticos trazidos pelo nacionalismo
extremado que se encontra no contexto histórico dos Direitos Humanos de 2ª
Geração.

No decorrer da obra retro citada, Agamben irá demonstrar que o


descolamento dos Direitos do Homem com os Direitos do Cidadão encontra-se
em grau máximo na Segunda Guerra Mundial. A "vida indigna de ser vivida" é
determinada, por exemplo, por meio dos decretos da Alemanha Nazista que, ao
considerar a vida de uma determinada etnia não mais interessante do ponto de
vista político, mandava para as fornalhas os judeus em nome da manutenção do
corpo político puro da nação alemã.

A expressão do problema de se considerar o Direito Humano de um


indivíduo somente se este indivíduo for um cidadão, vem a tona com o fenômeno
dos refugiados em massa. Populações inteiras vagando sem destino, fugindo da
guerra. Se os indivíduos de tais populações são considerados apátridas, quem
irá zelar pelos seus direitos?

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2
1

Por isso, Hannah Arendt irá formular a famosa ideia de que o ser humano
deve possuir direito a ter direitos. Na Segunda Grande Guerra, os apátridas não
tinham quem garantisse os seus direitos, pois o Estado que deveria fazer isto
não os acolhia ou não existe mais.

Note-se como é interessante (justamente por ser paradoxal) o desenrolar


histórico dos Direitos Humanos. Primeiro, tem-se a defesa extrema do indivíduo
particular que gera, em um segundo momento, a necessidade de uma defesa do
coletivo, defesa está justificada pela própria defesa do indivíduo face ao
capitalismo. Assim, têm-se o surgimento do nacionalismo exacerbado que, por
sua vez, irá massacrar o indivíduo. Pode-se dizer que nesta dialética entre os
Direitos Humanos de 1ª e de 2ª Geração, tomando-se como foco a relação entre
o indivíduo e o coletivo, tivemos o momento de síntese no Estado Democrático
de Direito.

Tal Estado visa não apenas resguardar a igualdade formal e material do


cidadão, mas, também, visa considerar o indivíduo como portador de um
elemento que só o ser humano possui, a saber, a Dignidade. Vê-se, assim, o
estabelecimento da Humanidade como Sujeito de Direito e um verdadeiro
avanço para a concretização da ideia de um Direito Cosmopolita, aos moldes da
"paz perpétua" kantiana.

 A Terceira Transformação do Estado – Do Estado Social para


o Estado Democrático de Direito

O Estado Democrático de Direito, sucessor do Estado Social, visa


propiciar um maior canal de comunicação entre aquele que é o destinatário da
norma e aquele que faz a norma.

Além disso, em razão do déficit operacional democrático do Executivo


(que chegou ao limite com os Totalitarismos) e do déficit operacional democrático
do Legislativo (que tem a sua debilitação mensurada pela precariedade do
sistema representativo) têm-se que o Estado Democrático deposita o seu foco

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2
2

no Judiciário e na sua função de limitar o abuso dos outros órgãos


representativos do Poder Público.

Foi neste modelo Constitucional de Estado (o mais desenvolvido do


ponto de vista histórico-democrático) que os Direitos Humanos de 1ª Geração
encontraram a sua máxima proteção e que os Direitos Humanos de 2ª Geração
se firmaram como Direitos cuja eficácia depende, prioritariamente, da
organização política da Sociedade Civil.

A Constituição Brasileira, por exemplo, possui os chamados remédios


constitucionais para os Direitos de 1ª Geração (Habeas Corpus, Mandado de
Segurança, Habeas Data, Mandado de Injunção, Ação Civil Pública, Ação Direita
de Inconstitucionalidade) e, para os Direitos de 2ª Geração, a Constituição prevê
Normas Programáticas, de eficácia limitada, ou seja, que dependem de lei. O
Direito de Greve é um exemplo de norma programática.

É importante atentar para a ideia de que os Direitos Sociais representam


um custo para o Estado e que, portanto, mesmo em os mesmos estando
previstos na Constituição Federal, eles só podem ser implementados com a
observância do dinheiro em caixa que o Estado possui. É o que a Jurisprudência
vem chamando de "reserva do possível". Por exemplo: A nossa Constituição
Federal possui uma norma que diz que todos tem direito à moradia. Se um
mendigo for ao Judiciário reclamar o seu direito à moradia, o juiz não poderá dar
uma sentença determinando que o Executivo lhe dê uma casa para morar se o
Estado não possuir recursos para tanto. Por isso, pode-se dizer que os Direitos
Sociais são direitos de implementação progressiva. É dizer: Eles só serão
providos em havendo possibilidade material do Estado de provê-los.

 A QUARTA GERAÇÃO (DIMENSÃO) DOS DIREITOS HUMANOS

A criação da ONU em 1948 com o objetivo de manter a paz e de dar


efetividade às normas de proteção existentes na esfera internacional, como a
Convenção de Genebra, inaugura um novo marco nos Direitos Humanos.

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2
3

A ONU surge como o órgão internacional que começará a dar maior


efetividade aos direitos que beneficiam a Humanidade, e não apenas o cidadão.
Tais Direitos são os chamados Direitos Humanos de 3ª Geração. A coletividade
da nação (foco dos Direitos Humanos de 2ª Geração) abre passagem para a
coletividade global (Aldeia Global).

A defesa dos bens que pertencem a todos não deve apenas se pautar nos
Direitos Positivados pelos Estados, mas, também, pelas normas constantes nos
tratados internacionais. É importantíssimo, neste ponto, lembrar do Tribunal
Penal Internacional Permanente e nas Intervenções da ONU na soberania de
alguns países por meio da justificativa de defesa da paz mundial. Este último
caso mostra como a positivação de normas não é essencial para se invocar os
Direitos Humanos como justificativa na tomada de alguma ação política por parte
dos Estados e organizações internacionais.

Se por um lado, no âmbito da soberania interna dos Estados, têm-se o


desenvolvimento de legislações como a consumerista e a ambiental,
extremamente bem vindas, pois fazem a proteção de Direitos Coletivos (Direitos
de Terceira Geração), por outro lado, no âmbito da soberania externa, têm-se a
ideia de que os Direitos de Quarta Geração não apenas servem para a garantia
da paz mas, também, tais Direitos servem como instrumento de manobra dos
detentores do poder econômico (EUA).

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2
4

Direitos Humanos como projeto político

• Por sermos dotados de inesgotável ímpeto criador, estamos


permanentemente criando e recriando o mundo e a nós mesmos;

• Por isso, somos fundamentalmente vocacionados para ser sujeitos e


não objetos. Sujeitos dos acontecimentos do nosso tempo, da nossa história e
do conhecimento;

• “Os direitos humanos não são um dado, mas um construído, uma


invenção humana em constante processo de construção e reconstrução”.
(Hanna Arendt)

• Dentre todas as invenções concebidas pelo gênio humano, ao longo do


século XX, podemos considerar a Declaração Universal dos Direitos Humanos
de 1948 como sendo a mais importante de todas;

• Constitui-se no primeiro PROJETO DE HUMANIDADE;

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Fundamentos filosóficos dos direitos humanos

 O UTILITARISMO

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7

O utilitarismo é uma corrente filosófica que atualmente não ocupa papel


de destaque nos debates a respeito da doutrina dos Direitos Humanos. Tal fato
se deve, sobretudo, às críticas levantadas contra a ética utilitarista e, em
especial, as que se relacionam com a proteção universal dos direitos
fundamentais.

A visão utilitarista surgiu no século XVIII em um contexto de movimentos


reformistas e iluministas que buscavam construir modelos pragmáticos de
pensamento e organização social. Influenciou a consciência filosófica inglesa
dos séculos XVIII e XIX e é, ainda hoje, o fundamento de muitas políticas e da
legislação de alguns países.

Formulado, notadamente, por Jeremy Bentham e John Stuart Mill , ele tem
por ideia central o objetivo de maximizar a felicidade de seus membros, sem
levar em consideração como os benefícios e as desvantagens são distribuídos,
a menos que afetem o total.

Entende-se por princípio da utilidade aquele que aprova ou desaprova


qualquer ação segundo a tendência que tem a aumentar ou diminuir a felicidade.

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Jeremy Bentham ilustra a ideia central da ética utilitarista ao recomendar


o uso da expressão “princípio da maior felicidade” para designar o princípio da
utilidade, referindo-se à maior felicidade possível para o maior número de
indivíduos possível.

De acordo com o pensamento utilitarista clássico, esse princípio será


observado na prática com a realização do chamado cálculo de utilidade (o uso
da palavra cálculo denota a pretensão de exatidão e operabilidade desse
raciocínio moral). Esse cálculo consiste em analisar as consequências de cada
ação a ser realizada e verificar qual das possibilidades resultará em maior ônus
de felicidade geral, de forma que as medidas que levam a um maior saldo líquido
de felicidade devem ser escolhidas.

Ao recorrer a cálculos de custos e benefícios, o utilitarismo realiza uma


operação que as pessoas em geral tendem a reproduzir em seus raciocínios
cotidianos, ou seja, a maioria delas considera razoável aceitar determinados
sacrifícios em favor de maiores benefícios futuros.

De outra banda, os cálculos preconizados pelo utilitarismo não são


aceitáveis quando realizados em nível coletivo. Ao considerar a sociedade como
um corpo no qual é possível sacrificar algumas partes em virtude das restantes,
implica ignorar a concepção de que cada indivíduo deve ser respeitado como um
ser autônomo, distinto dos demais.

 A CORRENTE LIBERTÁRIA

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9

A corrente libertária representa uma alternativa à moralidade utilitarista,


na medida que defende a existência de certos direitos básicos invioláveis,
rejeitando a possibilidade de que os direitos de qualquer indivíduo sejam violados
em favor do maior bem estar da sociedade em geral.

A premissa básica do libertarismo reside no conceito de intervenção


mínima pelo Estado nas liberdades individuais. O papel do Estado deveria se
restringir a proteger as pessoas contra roubos, fraudes, uso ilegítimo da força, e
a resguardar o devido cumprimento dos contratos celebrados entre esses
indivíduos, em respeito ao pacta sunt servanda.

A doutrina libertária aceita a tese Kantiana de que os indivíduos devem


ser considerados com fins em si mesmos, e não como meros meios utilizados a
fim de atingir um bem estar social, representando verdadeira evolução, no que
tange a este aspecto específico, em relação ao utilitarismo.

Os direitos humanos seriam fundamentados na percepção de que cada


indivíduo é proprietário de si próprio, sendo livre para moldar a sua própria vida
à sua maneira, sendo função do Estado apenas prover as condições mínimas
para garantir aos cidadãos o exercício do direito de propriedade da forma que
melhor lhes aprouver, de forma a levar adiante uma vida digna.

Dessa forma, para os libertários, os direitos humanos seriam direitos de


prestação tão somente negativa; atuariam como restrições laterais às ações dos
outros e seriam exaustivos. A ideia de que os direitos devem atuar como
restrições laterais à ações dos outros representa que a esfera dos direitos deve
ser considerada inviolável ante as pretensões dos demais, isto é, deve ser
protegida independentemente das consequências negativas para o chamado
«bem comum». O conceito de direitos exaustivos significa que eles devem
preponderar ante qualquer outra consideração moral. A crítica maior ao
libertarismo reside na ideia de que os direitos humanos demandam do Estado
tão somente prestações negativas. Com efeito, os direitos individuais de primeira
dimensão são considerados direitos negativos. Ocorre que, com a evolução do
conceito de direitos fundamentais, prevalece a ideia de comunicação e
interdependência entre as dimensões de direitos fundamentais. Ademais, é

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0

cediço não haver hierarquia entre as dimensões de direito, sendo elas, na


verdade, complementares.

Partindo dessa premissa, não é adequado vincular os direitos humanos


exclusivamente aos deveres de abstenção do Estado, eis que a plena garantia
dos direitos humanos também depende de esforços positivos do Poder Público,
a fim de garantir, por exemplo, direitos de assistência em algumas necessidades
básicas, sem as quais não seria possível que relevante parcela da sociedade
pudesse assumir o controle de suas próprias vidas.

Assim, em que pese a corrente libertária ter evoluído em relação ao


utilitarismo no que concerne às contribuições para os direitos humanos,
notadamente em relação ao ideal de que cada ser humano deve ser considerado
um fim em si mesmo, e não como mero objeto para a maximização da felicidade
geral, não se pode deixar de notar que a corrente libertária também não serve,
por si só, como fundamento moral dos direitos humanos, uma vez que, se para
o libertarismo a exigência de direitos positivos coloca em risco a possibilidade de
que cada um molde sua própria vida sem interferência indevida do Estado, em
contrapartida parece muito mais nocivo aos direitos humanos a ausência efetiva
de um Estado mais ativo, já que parcela considerável da população mundial não
teria as mais elementares condições de assumir o controle de suas próprias
vidas sem a interferência do Estado com prestações de ordem positiva que
tenham por escopo assegurar a igualdade substancial.

 O COMUNITARISMO

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O comunitarismo surgiu na década de 80 como uma linha de pensamento


contrária ao liberalismo. De forma geral, os defensores do comunitarismo
retomaram as críticas que Hegel fazia a Kant: enquanto Kant defendia a
existência de certas obrigações universais que deveriam prevalecer sobre
aquelas mais contingentes, Hegel preferia dar prioridade aos laços comunitários.

Segundo a concepção comunitarista, a identidade das pessoas, ao menos


em parte, está profundamente ligada ao fato de pertencerem a certos grupos,
sendo certo que tais vínculos, pois, seriam elementos essenciais para a definição
de suas identidades.

Por conseguinte, o comunitarismo postula um Estado ativista,


comprometido com certos planos de vida e com certa organização da vida
pública. Esse compromisso estatal poderia chegar a implicar até mesmo a
proteção de determinadas práticas ou tradições consideradas “definidoras” da
comunidade.

Para os comunitaristas, os direitos humanos designam apenas um


conjunto variável de preferências comunitárias a serem respeitadas, sendo
função do Estado envidar esforços para garantir que esses interesses sejam
preservados.

Constata-se, assim, que o comunitarismo não fornece o adequado


embasamento moral-filosófico aos direitos humanos, eis que, compartilhandose
a crítica tecida ao utilitarismo, a ideologia do comunitarismo não se compatibiliza
com a característica da universalidade dos direitos humanos. Ora, se a noção de
direitos está intimamente relacionada ao sistema político, econômico, cultural e
social vigente em determinada sociedade, não subsiste a possibilidade de uma
moral universal e cada cultura possui seu próprio discurso acerca do conceito e
características dos direitos humanos. Segundo esta ótica também restaria
prejudicada a característica de que os direitos humanos são imanentes a todos
os seres humanos.

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3
2

Conceito, caracterização e finalidade de Direitos


Humanos

Direitos Humanos é a parte mais importante do Direito, é a revelação de


que todos os seres humanos, apesar das inúmeras diferenças biológicas e
culturais, merecem igual respeito, como únicos entes no mundo capazes de
amar, descobrir a verdade e criar a beleza. A expressão Direitos Humanos já diz,
claramente, o que este significa. Direitos Humanos são os direitos do homem.
São direitos que visam resguardar os valores mais preciosos da pessoa humana,
ou seja, direitos que tendem proteger a solidariedade, a igualdade, a
fraternidade, a liberdade, a dignidade da pessoa humana. Sendo assim, direitos
humanos são os direitos fundamentais da pessoa humana.

Portanto, no regime democrático, toda pessoa deve ter a sua dignidade


respeitada e a sua integridade protegida, independentemente da origem, raça,
etnia, gênero, idade, condição econômica e social, orientação ou identidade
sexual, credo religioso ou convicção política. Toda pessoa deve ter garantidos
seus direitos civis (como à vida, segurança, justiça, liberdade e igualdade),
políticos (como o direito à participação nas decisões políticas), econômicos
(como o direito ao trabalho), sociais (como o direito à educação, saúde e bem-
estar), culturais (como o direito à participação na vida cultural) e ambientais
(como o direito a um meio ambiente saudável)

Direitos Humanos são as ressalvas e restrições ao poder político ou as


imposições a este, expressas em declarações, dispositivos legais e mecanismos

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3
3

privados e públicos, destinados a fazer respeitar e concretizar as condições de


vida que possibilitem a todo o ser humano manter e desenvolver suas qualidades
peculiares de inteligência, dignidade e consciência, e permitir a satisfação de
suas necessidades materiais e espirituais.

Esses direitos colocam-se como uma das previsões absolutamente


necessárias a todas as Constituições, no sentido de consagrar o respeito à
dignidade humana, garantir a limitação de poder e visar o pleno desenvolvimento
da personalidade humana. Os Direitos Humanos devem ser reconhecidos em
qualquer Estado, grande ou pequeno, pobre ou rico, independentemente do
sistema social e econômico que essa nação adota. Vejamos quais os conceitos
elaborados pelos estudiosos da área sobre direitos humanos:

João Baptista Herkenhoff, define Direitos Humanos:

Por direitos humanos ou direitos do homem são, modernamente,


entendidos aqueles direitos fundamentais que o homem possui pelo fato de ser
homem, por sua própria natureza humana, pela dignidade que a ela é inerente.
São direitos que não resultam de uma concessão da sociedade política. Pelo
contrário, são direitos que a sociedade política tem o dever de consagrar e
garantir. Para ele, direitos humanos são as ressalvas e restrições ao poder
político ou as imposições a este, expressas em declarações, dispositivos legais
e mecanismos privados e públicos, destinados a fazer respeitar e concretizar as
condições de vida que possibilitem a todo o ser humano manter e desenvolver
suas qualidades peculiares de inteligência, dignidade e consciência, e permitir a
satisfação de suas necessidades materiais e espirituais. (HERKENHOFF, 1994,
p. 72).

Alexandre de Moraes, em uma perspectiva mais constitucionalista e


preferindo a expressão “Direitos Humanos Fundamentais” considera-os como
sendo: O conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano que
tem por finalidade básica o respeito a sua dignidade, por meio de sua proteção
contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições mínimas de
vida e desenvolvimento da personalidade humana. (MORAES, 2002, p. 39).

Norberto Bobbio, diz:

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3
4

Que estes nascem como direitos naturais universais, desenvolvem-se


como direitos positivos particulares (quando cada Constituição incorpora
Declarações de Direitos), para finalmente encontrarem sua plena realização
como direitos positivos universais. (BOBBIO, 1992, p. 17).

Assim, segundo Bobbio, o problema fundamental em relação aos direitos


do homem, hoje, não é tanto de justificá-los, mas de protegê-los. Trata-se de um
problema não filosófico, mas político. Este problema irá surgir na história,
principalmente quando do surgimento dos direitos sociais, que por sua própria
característica exigem a intervenção efetiva do Estado, por meio de políticas
públicas. Para a realização dos direitos humanos são necessárias condições
objetivas, principalmente em se tratando de direitos sociais, que dependem da
intervenção do Estado.

Portanto, a expressão “Direitos Humanos” designa os direitos


fundamentais. Assim, na verdade, os Direitos Humanos não são um ramo a mais
do Direito, como o Direito Penal, o Direito Comercial, etc. Os Direitos Humanos
são a raiz de todos os direitos. Sendo assim, o que distingue os Direitos
Humanos ou Direitos Fundamentais de outras formas de ordenamento jurídico é
que, sendo o Direito fundamentado nos direitos intrínsecos do homem, este só
pode ter como fonte a liberdade, estando o ser humano sujeito apenas à lei e a
não à prepotência de um chefe ou de quem quer que seja.

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3
5

A caracterização:

Os direitos humanos são, pois, entendidos como direitos subjetivos,


sendo seu sujeito a humanidade. São um tipo especial de direitos, distinto dos
direitos constitucionais e dos da cidadania democrática e de outros tipos de
direitos mais concretos, pois sua função principal é especificar limites à
soberania dos povos e às instituições internas de cada país e desta forma seu
respeito é a condição necessária da legitimidade de um regime político e da
decência de sua ordem legal.

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3
6

Os direitos humanos estão ligados ao valor da pessoa, sua dignidade e


liberdade.

Ricardo Lobo Torres (1995), em sua obra caracteriza os direitos humanos


como sendo: “Direitos preexistentes à ordem positiva, imprescritíveis,
inalienáveis, dotados de eficácia erga omnes, absolutos e autoaplicáveis”.
Assim, imprescritíveis, inalienáveis, irrenunciáveis e universais são traços
apontados pela doutrina aos direitos humanos.

Desta forma, os direitos humanos fundamentais são imprescritíveis


porque não se perdem pelo decurso do prazo; são inalienáveis porque não há
possibilidade de transferência dos direitos humanos, seja a título gratuito, seja a
título oneroso e são universais, pois a abrangência desses direitos engloba todos
os indivíduos, independente de sua nacionalidade, sexo, raça, credo ou
convicção político-filosófica.

A finalidade:

Os direitos humanos fundamentais compreendem um rol mínimo de


direitos do ser humano, derivados da soberania da vontade popular e são

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3
7

importantes na medida em que sua finalidade compreende duas funções. Têm


sua importância na relação que estabelece entre o homem e seus governantes.
Explica-se: uma das funções dos direitos humanos é limitar a atuação e os
abusos de poder por parte dos governantes, quando estes devem obedecer, por
exemplo, a dignidade da pessoa humana e a liberdade da pessoa humana. A
isso chamam muitos doutrinadores de competência negativa do Estado.

Tem, ainda, importância o tema em função da liberdade positiva que


expressam esses direitos, isto é, são direitos fundamentais que o ser humano
pode exercer e exigir respeito (tutela), por versarem sobre a dignidade do
indivíduo em sentido amplo.

A dignidade de uma pessoa humana:

Pessoa Humana como Sujeito Principal do Desenvolvimento


Os Direitos Humanos são direitos fundamentais da pessoa humana. Esses
direitos são considerados fundamentais porque, sem eles, a pessoa não é capaz
de se desenvolver e de participar plenamente da vida. Respeitar os Direitos
Humanos é promover a vida em sociedade, sem discriminação de classe social,

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3
8

de cultura, de religião, de raça, de etnia, de orientação sexual. Para que exista a


igualdade de direitos, é preciso respeito às diferenças. A igualdade racial e entre
homens e mulheres são fundamentais para o desenvolvimento da humanidade
e para tornar real, os Direitos Humanos.

A Liberdade e os Valores da Igualdade

A dignidade humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que


se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da
própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais
pessoas. Constituindo-se em um mínimo invulnerável que todo estatuto deve
assegurar, de modo que apenas excepcionalmente possam ser feitas limitações
ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a
necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos.

O dever que se configura pela exigência de o indivíduo respeitar a


dignidade de seu semelhante tal qual a CF exige que lhe respeitem a própria. A
concepção dessa noção de dever fundamental apresenta-se em dupla
concepção. Primeiramente, prevê um direito individual de proteção, seja em
relação ao próprio Estado, seja em relação aos demais indivíduos. Em segundo

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3
9

lugar, estabelece verdadeiro dever fundamental de tratamento igualitário dos


próprios semelhantes.

Dignidade significa que o homem não pode ser tratado como um animal
qualquer, pois ele tem a sua individualidade. Tem uma essência, que é própria
dele. Cada indivíduo é totalmente diferente de outro e o que nos identifica é essa
essência de ser pessoa. O inciso III do art. 5° da Constituição dispõe que
“ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante”.
Tal proteção, por vezes identificada como o princípio da dignidade da pessoa
humana, volta-se não apenas contra o sofrimento físico, mas também à coerção
moral (nesse sentido também o inciso XLIX do art. 5° da CF/1988).

Assim, dignidade da pessoa humana significa que todos terão direito a


serem tratados de forma digna, respeitosa e honrosa. Tal princípio traz uma série
de reflexos, como a proibição de tortura, de penas perpétuas, de penas de morte,
etc., pois a única coisa capaz de garantir a dignidade da pessoa humana é a
justiça! A dignidade é um valor supremo. O homem é digno, pelo simples fato de
ser racional, o que o diferencia dos outros animais.

O conceito da dignidade da pessoa humana obriga a uma densificação


valorativa que tenha em conta o seu amplo sentido normativo constitucional e
não qualquer ideia de valoração do homem. Não se pode reduzi-lo a meros
direitos tradicionais, esquecendo-as nos casos de direitos pessoais ou invocá-lo
para construir uma teoria do núcleo da personalidade humana.

Daí decorre que a ordem econômica há de ter por fim assegurar a todos
existência digna, previsto no art. 170, da CF; a ordem social visará à realização
da justiça social, previsto no art. 193 da CF; a educação o desenvolvimento da
pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania previsto no art. 205 da CF,
etc., não como meros enunciados formais, mas como indicadores do conteúdo
normativo eficaz da dignidade da pessoa humana.

Ao analisar os dispositivos constitucionais, podemos deduzir o quanto foi


acentuada a preocupação do legislador em garantir a dignidade, o respeito e o
bem-estar da pessoa humana, de modo a se alcançar a paz e a justiça social. A
dignidade da pessoa humana apresenta-se em uma dupla concepção.

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4
0

Primeiramente, prevê um direito individual protetivo, seja em relação ao próprio


Estado ou em relação aos demais indivíduos.

Em segundo lugar, estabelece verdadeiro dever fundamental de


tratamento igualitário dos próprios semelhantes. Esse dever configura-se pela
exigência do indivíduo respeitar a dignidade de seu semelhante tal qual a
Constituição Federal exige que lhe respeitem a própria. Como vimos, a dignidade
é, portanto, um valor fundamental.

A Constituição em seu artigo 5o caput diz que “todos são iguais perante a
lei” e no mesmo artigo inciso I diz que “homens e mulheres são iguais em direitos
e obrigações, nos termos desta Constituição”. Assim, a CF estabelece que os
iguais devam ser tratados de forma igual e os desiguais de forma desigual na
medida em que se desigualam. A igualdade se configura como uma eficácia
transcendente, de modo que toda situação de desigualdade persistente à
entrada em vigor da norma constitucional deve ser considerada não
recepcionada, se não demonstrar compatibilidade com os valores que a
Constituição, como norma suprema, proclama.

A desigualdade na lei se produz quando a norma distingue de forma


razoável ou arbitrária um tratamento específico a pessoas diversas. Para que as
diferenciações normativas possam ser consideradas não discriminatórias, torna-
se indispensável que exista uma justificativa objetiva e razoável, de acordo com
critérios e juízos valorativos genericamente aceitos, cuja exigência deve aplicar-
se em relação à finalidade e efeitos da medida considerada, devendo estar
presente por isso uma razoável relação de proporcionalidade entre os meios
empregados e a finalidade perseguida, sempre em conformidade com os direitos
e garantias constitucionalmente protegidos.

Desta forma, o conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser


humano que tem por finalidade básica o respeito a sua dignidade, por meio de
sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições
mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana pode ser definido
como direitos humanos fundamentais. Assim, os direitos humanos são
compreendidos como um conjunto de faculdades e instituições que, em cada

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4
1

momento histórico, concretizam as exigências da dignidade, liberdade e


igualdade humanas, as quais devem ser reconhecidas positivamente pelos
ordenamentos jurídicos em nível nacional e internacional. Os valores referidos
podem ser considerados como os três eixos fundamentais em torno dos quais
se há centrado sempre a reivindicação de direitos humanos.

Direitos Humanos: Cidadania e Educação:

A cidadania é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, de


acordo com o que preceitua o inciso II, do artigo 1º da Constituição da República.
É um processo em constante construção, que teve origem, historicamente, com
o surgimento dos direitos civis, no decorrer do século XVIII.
Cidadão é um indivíduo que tem consciência de seus direitos e deveres e
participa ativamente de todas as questões da sociedade. Segundo os brasileiros
a cidadania é entendida apenas como direito ao voto e à participação política. A
cidadania não pode ser entendida somente como direito ao voto. Porque neste
caso, estaríamos apenas diante do mecanismo da representação. A cidadania
pertence a uma comunidade disposta e capaz de lutar pelos direitos de seus
integrantes, como o direito de ter direitos.

Perante a Constituição Federal brasileira fica certo que o direito à


educação, juridicamente, faz parte dos direitos humanos do cidadão, é
classificado como um direito social. É direito de todos e dever do Estado e da
família. Diante disso, o direito à educação visa ao pleno desenvolvimento da

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4
2

pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação no


trabalho.

A educação, como todo processo socializador atende às necessidades


em geral da sociedade, ou seja, tem uma função de ajustamento social.
Podemos dizer que desenvolvimento nenhum se fará sem o fator educação. Ela
deve, para promover o desenvolvimento, caminhar paralelamente com outros
fatores, como por exemplo: o fortalecimento das instituições democráticas, o
princípio de autodeterminação, programas sanitários e higiênicos, reformas nas
leis, redistribuição de renda nacional, etc.

Desta forma, a educação é um fator importante para o desenvolvimento


dos povos, ou seja, um elemento fundamental para a constituição da
sociabilidade. É um importante instrumento que contribui para o
desenvolvimento moral do indivíduo. A sociedade vive em constante
transformação, desta forma, a cidadania depende cada vez mais da educação,
seja moral ou ética, pois a educação é um meio de construção e reconstrução
de valores e normas que dignificam as pessoas e as tornam mais humanas.
Assim, a educação seria a base fundamental para se tornar um cidadão
exemplar.

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4
3

Direitos e deveres da cidadania:

Ser cidadão é ter direitos e deveres. Desta forma, o cidadão é sujeito de


direitos e deveres, é estatuído por normas jurídicas que convergem ao indivíduo
para regular a sua conduta. Tanto o reconhecimento quanto o cumprimento
destes direitos e deveres não devem se restringir à esfera política, isto é, ao
direito e ao dever de votar e ser votado. Cidadania significa, além do
reconhecimento dos direitos e deveres dos cidadãos, o cumprimento dos
mesmos por parte da sociedade.

Se o indivíduo não tem uma definição do que seja a cidadania, obviamente


não poderá exercê-la de forma plena. Para o pleno exercício da cidadania, é
preciso a garantia do conjunto dos Direitos Humanos. Cada cidadão deve ter
garantido todos os Direitos Humanos, nenhum deve ser esquecido. Portanto,
educar para a cidadania é adotar uma postura, é fazer escolhas. É despertar
para as consciências dos direitos e deveres, é lutar pela justiça e não servir a
interesses próprios.

Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais, pois


somente os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos
sociais, pois esses direitos garantem a participação do indivíduo na riqueza

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4
4

coletiva, como o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde e a


uma velhice mais tranquila, etc.

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4
5

CONCLUSÃO

Todo o esforço da agenda dos Direitos Humanos deve ser no sentido da


mobilização social e política, com ênfase na condição dos sujeitos de direitos, a
partir da recuperação e defesa dos espaços dos debates públicos . As
demandas políticas, sociais, econômicas, culturais, ambientais e por
desenvolvimento, devem, tanto quanto possível, traduzir -se em demandas
jurídicas, fortalecendo, assim, a judicialização da política e a politização da
promoção e proteção dos direitos humanos.

A desigualdade na lei se produz quando a norma distingue de forma


razoável ou arbitrária um tratamento específico a pessoas diversas. Para que as
diferenciações normativas possam ser consideradas não discriminatórias, torna-
se indispensável que exista uma justificativa objetiva e razoável, de acordo com
critérios e juízos valorativos genericamente aceitos, cuja exigência deve aplicar-
se em relação à finalidade e efeitos da medida considerada, devendo estar
presente por isso uma razoável relação de proporcionalidade entre os meios
empregados e a finalidade perseguida, sempre em conformidade com os direitos
e garantias constitucionalmente protegidos.

Desta forma, o conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser


humano que tem por finalidade básica o respeito a sua dignidade, por meio de
sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições
mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana pode ser definido
como direitos humanos fundamentais.

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