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Curso Básico de Salvamento Aquático

A apostila aborda o Curso Básico de Salvamento Aquático, com foco na prevenção e tratamento de afogamentos, incluindo noções de morfodinâmica e hidrodinâmica das praias, técnicas de resgate e comunicação de urgência. Destaca a importância da prevenção, apresentando estatísticas sobre afogamentos e a necessidade de ações educativas para reduzir a mortalidade. O documento também discute a dinâmica do ambiente aquático e os tipos de correntes que podem causar acidentes.

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Curso Básico de Salvamento Aquático

A apostila aborda o Curso Básico de Salvamento Aquático, com foco na prevenção e tratamento de afogamentos, incluindo noções de morfodinâmica e hidrodinâmica das praias, técnicas de resgate e comunicação de urgência. Destaca a importância da prevenção, apresentando estatísticas sobre afogamentos e a necessidade de ações educativas para reduzir a mortalidade. O documento também discute a dinâmica do ambiente aquático e os tipos de correntes que podem causar acidentes.

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Curso Básico de Salvamento Aquático

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APOSTILA
Salvamento e Resgate
Aspectos do Meio Aquático

VERSÃO 1.0 ANO 2008


AUTOR DO PROJETO FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS BORGES
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OBJETIVOS

Esta apostila tem como objetivo abordar os temas sugeridos no Edital para o Concurso
de Agente de Salvamento Aquático de 2008 . Os assuntos abaixo listados serão
abordados de forma construtiva e evidentemente receberam uma nova ordem e
cronologia de aula .

São assuntos de tratamento de afogados no edital:

• Noções de morfodinâmica das praias (classificação das praias). *


• Noções de hidrodinâmica (ondas, marés, correntezas). *
• Noções de salvamento aquático
• Tipos de acidentes na água e prevenção (ações educativas).
• Natação e resgate (aproximação e abordagem da vítima afogada; judô aquático;
técnicas de flutuação e de reboque).
• Transporte da vítima de afogamento (utilização de material e embarcações).
Comunicação de urgência (sinais, silvos e apitos).
• Liderança e trabalho em equipe; relações interpessoais (profissional, público).
• Tratamento dos afogados *
• Afogamento (epidemiologia,fisiopatologia, graus e controle do afogamento)

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ÍNDICE

1. Ambiente Aquático – Zona Costeira – Dinâmica e Morfologia


O Salvamento Aquático e suas Estatísticas
1.1 Prevenção em Afogamento
1.2 A Atmosfera
1.2.1 A Atmosfera em Movimento
1.2.2 Características da Circulação Atmosférica
1.2.3 Tipos de Nuvens
1.2.4 Ventos Predominantes
1.3 O Oceano em Movimento
1.3.1 Marés
1.3.2 Marés Astronômicas
1.3.3 Periodicidade das marés
1.3.4 Previsão das marés
1.3.5 Marés meteorológicas
1.3.6 As ondas do mar
1.3.7 Ondas geradas pelos ventos
1.3.8 Processos que modificam as ondas
1.3.9 Os tipos de arrebentação de ondas
1.3.10 Ressaca ou ondas de tempestades
1.4 As Correntes
1.4.1 Corrente do Brasil
1.4.2 Correntes de maré
1.4.3 Correntes de vento
1.4.4 Correntes na zona de surf
1.4.5 Correntes em desembocadura
1.5 Praias Arenosas Oceânicas
1.5.1 Definição de Praias Arenosas e Morfodinâmica
1.5.2 Zonação morfológica e hidrodinâmica
1.5.3 Zonação Hidrodinâmica
1.5.4 Zonação Morfológica
1.5.5 Movimentação da areia em praias arenosas
1.5.6 Morfologia Praial
1.5.7 Tipo de praias arenosas oceânicas
1.6 Termos Náuticos

2. Salvamento Aquático em Praias


2.1 Prevenção de Afogamento em Praias
2.1.1 Os Usuários
2.1.2 A Orla Marítima
2.1.3 Fundamentos da Prevenção de Afogados
2.1.4 Observações de um Potencial Afogamento
2.1.5 Observações de sinais de uma vítima em fase de afogamento
2.2 Partes Essenciais de um socorro
2.2.1 O socorro
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2.2.2 Vigilância e Planejamento do Socorro


2.2.3 Entrada no Mar
2.2.4 Aproximação do Afogado
2.2.5 Abordagem do Afogado
2.2.6 Desvencilhamento e/ou Judô aquático
2.2.7 Saída do Mar - Planejamento
2.3 Primeira Avaliação e/ou Reboque na Água
2.3.1 Consciente ou Inconsciente sem material
2.3.2 Tipos de Reboque sem material
2.4 Salvamento Equipado
2.4.1 Material de alcance ao Afogado
2.4.2 Material de contato com o Afogado
2.4.3 Material de apoio ao Salvamento
2.5 Transporte da Vítima
2.5.1 Transporte da Vítima da água para areia
2.5.2 Posição para os primeiros socorros na areia.
3. Salvamento com Embarcações
4. Comunicação

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1 – Ambiente Aquático
O Salvamento Aquático e suas Estatísticas

As praias são uma atração principal para as pessoas ao redor do mundo. No


EUA, é calculado que 85% de toda a renda de turismo originam de visitas a
áreas litorais (Centro para Conservação Marinha, ano 2000) e 50% da
população realiza alguma atividade aquática. Toda praia, como qualquer área
natural abriga perigos que pode resultar em acidentes com morte. Anteceder
esta possibilidade de perigo é a chave para abrir a porta do lazer desfrutado
com segurança. O afogamento é o problema mais sério relacionado ao uso
destas áreas espelhadas. Anualmente morrem mais pessoas afogadas por
inundações, naufrágios de barcos e navios, durante o lazer, ou em acidentes
domésticos, do que por guerra ou terrorismo.

Dentre as causas externas, o afogamento foi sem dúvida um dos primeiros a


causar preocupações e chamar a atenção da humanidade, tendo várias
passagens bíblicas onde se descrevem as primeiras tentativas de ressuscitação
em afogados, em uma época em que a ocorrência de acidentes de transportes,
homicídios ou suicídios eram bem inferiores aos casos de afogamento.

Desde o século passado (1930), a prevenção tem mostrado ser o grande fator
de redução na mortalidade entre as causas externas e principalmente nos casos
de afogamentos. Embora a “mortalidade” seja um importante indicador da
magnitude do problema, é importante considerar que para cada óbito
registrado, existe um número muito maior de resgates com ou sem
complicações, casos de afogamento atendidos por clínicos ou em setores de
emergência que são liberados após breve avaliação, e hospitalizações as quais
não são levadas em consideração na avaliação geral do problema. Nos EUA,
por exemplo, existem oito casos de afogamentos para cada caso fatal
notificado. Nas praias do Rio de Janeiro temos aproximadamente 290
resgates para cada caso fatal (0.34%), e um óbito para cada 10
atendimentos no Centro de Recuperação de Afogados (10.6%).
Em 1998 a população brasileira atingiu 161 milhões de habitantes, dos quais
7.183(4.4/105 habitantes) faleceram em virtude de afogamento. O problema
é mais grave na faixa de idade entre 5 e 14 anos onde é a 2a causa
óbito (tabela I1) embora a idade média mais freqüente esteja em
torno dos 2 anos. As estatísticas mostram grande variabilidade entre os
Estados e demonstra que Estados não banhados pelo mar tem o maior número
relativo de óbitos por habitantes e representa o local de maior necessidade de
atenção. Estimativas indicam que 40-45% ocorrem durante a natação e que
46.6% acham que sabem nadar, demonstrando desconhecimento do perigo
iminente. Na prática de esportes náuticos, os afogamentos são responsáveis
por 90% dos óbitos.

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O afogamento é a segunda causa “mortis” acidental em crianças entre 1 a 14


anos. A morte entretanto não é o único resultado do afogamento. Foi
constatado que para toda criança que morre afogada, 17 ou mais são
hospitalizadas por complicações relacionadas ao afogamento (Wintemute, G.J.
et al., 1988).
Os afogamentos em água doce são mais freqüentes em crianças,
principalmente em menores de 10 anos. Nas áreas quentes do EUA, Austrália e
África do Sul, 70 a 90% dos óbitos em água doce ocorrem em piscinas de uso
familiar. No Brasil, onde o número de piscinas domésticas é 9 vezes menor do
que nos EUA (1 milhão no Brasil contra 9 milhões nos EUA), o afogamento em
água doce ocorre mais em rios, lagos e represas perfazendo a metade dos
casos fatais. Nas praias do Município do Rio de Janeiro, aproximadamente 86%
dos casos situam-se na faixa etária entre 10 e 29 anos (idade média de 22
anos) e em média, 75% das vítimas são do sexo masculino, 83% são solteiros,
e 71.4% moram fora da orla marítima.

Além do afogamento, muitos outros perigos existem no ambiente aquático. O


Trauma da medula (Trauma Raqui-medular) em mergulho em locais raso
acontece infelizmente com certaregularidade, e freqüentemente é causada por
mergulho inadvertido em um banco de areia submerso ou não visualizado ou
durante o surf de peito.

1.1 PREVENÇÃO EM AFOGAMENTO


Estas ações são baseadas em advertências e avisos a banhistas e outros no
sentido de evitar ou ter cuidado com os perigos relacionados ao lazer, trabalho,
ou esportes praticados na água.
Estas ações têm como resultado não só a redução na mortalidade como
também na morbidade(lesões decorrentes da doença) por afogamento.
Embora o ato de prevenir possa aparentemente não transparecer a população
como “heróico”,são eles os alicerces da efetiva redução na morbi-mortalidade
destes casos. Prevenir é fundamental e prioritário no caso de afogamento
(tabela I2).

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Na praia o local da corrente de retorno (vala) é o local de maior ocorrência de


afogamentos (mais de 85% dos casos). É formada por toda massa de água que
quebra em direção a areia e por gravidade retorna ao oceano. No seu retorno a
água escolhe o caminho de menor resistência para retornar ao oceano,
aprofundando cada vez mais aquele local, formando um rio que puxa para alto
mar. Esta corrente de retorno possui 3 componentes principais a saber (figura
I1):

A boca: fonte principal de retorno da água


O pescoço: parte central do retorno da água em direção ao mar.
A cabeça: área em forma de cogumelo onde se dispersa a correnteza.

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Sempre que houver ondas, haverá uma corrente de retorno. Sua força varia
diretamente com o tamanho das ondas. Pode atingir até 2 a 3 m/s. Sua
formaçãopode variar caso existam pedras, quebramar e outras alterações no
fundo da praia (figura I2). A USLA( Associação Americana de Salva-vidas ou
Organização Americana de Salvamento Aquático ) identifica 4 tipos principais de
correntes de retorno (rip currents):
1. Fixa: Comuns em fundos de areia, permanecem no mesmo local
enquanto o fundo for o mesmo.
2. Permanentes: permanece no mesmo local durante todo ano e
são usualmente comuns em fundos de pedra ou coral, ou perto de
pedras e piers, aonde as condições do fundo nunca modificam e a
direção varia somente conforme o tamanho do mar e a direção do
vento.
3. Transitórias ou tipo “flash”: Correntes que ocorrem
repentinamente e inesperadamente geralmente causadas por
seriados de onda maiores do que o normal para aquele
determinado dia e variam conforme o local.
4. Viajantes: São correntes comuns em fundo de areia que se
movem ao longo da praia a favor da direção do vento e/ou da
corrente.
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Para reconhecer uma corrente de retorno (vala), observe:


• Que geralmente aparece entre dois locais mais rasos (bancos de areia).
• Que se apresenta como o local mais escuro e com o menor número ou
tamanho nas ondas.
• Que é geralmente o local onde aparenta maior calmaria.
• Que apresentam uma movimentação à superfície ligeiramente ondulada
em direção contrária as outras ondas que quebram na praia.

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A Organização Americana de Salvamento Aquático – “USLA”, estima que para


cada resgate realizado existem 43 casos de prevenção na praia realizados pelos
guarda-vidas. É definido como resgate todo caso de dificuldade dentro da água
em que o guarda-vidas ou socorrista tenha tocado na vítima para auxilia-la. É
definido como medida de prevenção qualquer medida que evite o quadro de
afogamento, em que não haja contato físico entre a vítima e o guarda-vidas.

Os fatores destacados a serem considerados quando se analisa a periculosidade


de uma praia para o afogamento, são:

1. Freqüência da praia ou daquele determinado local da praia.


2. Tempo e condições climáticas
3. Temperatura da água
4. Presença e força das correntes de retorno (vala) – varia conforme a maré
5. O conhecimento do local e da natação pelos freqüentadores.

Portanto uma praia pode apresentar em um dia de chuva nível de


periculosidade 1 e ter a necessidade de apenas 1 guarda-vidas no local, e
imediatamente no dia seguinte ter nível 5, quando o dia era de sol, a
freqüência era grande e de banhistas vindos de fora da orla, e o local
apresentava muitas correntes de retorno criando a necessidade de pelo menos
3 guarda-vidas. As diversas possibilidades de cada local da praia de cada
serviço de salvamento devem ser analisadas separadamente.
Um guarda-vidas deve ser capaz idealmente de visualizar sua área de
responsabilidade de uma ponta a outra em menos de 5 minutos. Este trabalho
pode ser facilitado já que ao guarda-vidas cabe manter principalmente os
banhista fora da área de corrente de retorno (vala), onde ocorrem mais de
85% de todos os casos de afogamento na praia.

O trabalho preventivo do guarda-vidas na praia pode ser ajudado por várias


medidas diretas tais como Placas ou Bandeiras sinalizando:

• O local mais seguro para o banhista


• Os locais mais perigosos para os banhistas
• Restrição de alguma atividade esportiva perigosa para o banhista
• A área restrita a atividades perigosas para banhistas

As medidas de prevenção indireta na área de salvamento, ou seja, que são


realizadas para multiplicar a educação e envolver todos nesta área tem
importância impar, e são citadas a seguir como ações isoladas ou organizadas:

Projeto Botinho: projeto que envolve crianças de 7 a 17 anos de forma


recreativa, educacional e social ensinando-as as características das praias.

Campeonatos de salvamento Aquático: campeonatos onde simulam situações


de afogamento. Realiza-se um campeonato mundial a cada 2 anos sob
organização da “ILS” (Federação Internacional de Salvamento Aquático).
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Um dos maiores avanços foi o uso de torres de salvamento, através das quais o
guarda-vidas visualiza com maior facilidade sua área de atuação. As torres
permitem uma visualização de até 1.5 km sem o uso de binóculos. Estas torres
permitem ainda, a presença de um sistema de comunicação tipo fixo que pode
acionar mais socorro para o resgate ou o socorro avançado com ambulância,
ser um ponto de referência para crianças perdidas na praia, e ainda ter avisos
de orientação ao banho e sistema de alto-falante para transmitir ao público
daquela determinada área, instruções preventivas.
O apito, o megafone e as bandeiras são de grande auxílio no trabalho diário do
guarda-vidas na praia, embora seu valor reduza conforme se aumente a
distancia. Por esta razão o rádio ponta-a-ponta (walkie-talk) se tornou a
ferramenta de comunicação mais importante do guarda-vidas e de todo sistema
de salvamento aquático.

A carga horária do treinamento geral do guarda-vidas no socorro aquático (sem


considerar o BLS) varia de local. Nos EUA são basicamente 80 a 100 h de
treinamento em sua formação. Na Europa o mínimo são 300 h de treinamento
e inclui o BLS. No Brasil, o tempo de treinamento varia conforme o Estado. No
Curso de Salvamento no Mar (CSMAR) do GMAR-CBMERJ é exigido um mínimo
de 420 h (inclui BLS). A maioria destes cursos não inclui os cursos avançados
de mergulho, salvatagem, Arraes amador, moto-aquática (Jet Ski), socorro em
rochas, socorro em canais e rios, e outros, necessitando de complementação.

1.2 A Atmosfera

1.2.1– A Atmosfera em Movimento

A atmosfera pode ser caracterizada como um fino “envelope de gases” que


envolvem a Terra. Embora se estenda por centenas de quilômetros,
aproximadamente 99% da atmosfera terrestre ocupa somente 30 quilômetros a
partir da superfície terrestre.
A atmosfera tem importância fundamental na vida terrestre, pois foi a partir da
formação da atmosfera que os oceanos foram gerados e a vida no planeta
Terra pôde se desenvolver.
As mudanças das propriedades atmosféricas ao longo do tempo são
denominadas de tempo e clima, os quais influenciam nossas vidas de diferentes
maneiras e parecem afetar nossa saúde de maneiras ainda pouco entendidas.

1.2.2 – Características da Circulação Atmosférica

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A circulação na atmosfera segue um padrão geral, com centros de altas e baixas


pressões atmosféricas distribuídos sobre continentes e oceanos (Figura 1).

O padrão de distribuição dos maiores sistemas de pressões atmosféricas, ditas


semipermanentes, pois se movem pouco ao longo do ano, ocorre devido ao
aquecimento solar diferencial na superfície da Terra. Quando uma parte do
planeta recebe maior calor (ou radiação solar) que outra, cria-se
diferença no gradiente de pressão atmosférica. As zonas próximas a
região equatorial recebem maior radiação solar que as zonas polares. Deste
modo, deve haver um fluxo de ar entre as regiões. Este fluxo é o vento, que
é gerado pelas diferenças de pressões atmosféricas entre os centros
de alta e baixa pressão, com sentido para a última. Desta forma, os ventos
juntamente com as correntes oceânicas atuam para que o calor seja
distribuído uniformemente ao redor da Terra.

As zonas de alta pressão tendem a ser maior e de movimentação mais lenta e


são geralmente associadas a tempo bom e ventos suaves. Os sistemas de baixa
pressão são menores, se movimentam rapidamente e estão associados a ventos
fortes e mau tempo.
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O padrão global dos ventos que persiste ao redor do planeta é caracterizado


por (Figura 1):
(1) ventos alísios de nordeste e sudeste que sopram na superfície terrestre em
direção às regiões equatoriais, provenientes de centros de altas pressões
atmosféricas semipermanentes (chamadas de altas subtropicais) e centradas
próximas às latitudes de 30°;
(2) ventos provenientes de oeste que sopram a partir das altas pressões
subtropicais em direção aos pólos sul e norte. Estes ventos encontram ventos
frios polares provenientes de leste ao longo de uma região denominada de
frente polar (chamada de Frente Polar Antártica para o Hemisfério Sul), uma
zona de baixas pressões atmosféricas, a médias latitudes onde ocorrem
tempestades,
(3) e ventos provenientes de leste originados nas altas pressões atmosféricas
polares.
É a ação do anticiclone, combinada com a intensidade e frequência das massas
polares, que acaba determinando a força, direção e qualidade dos ventos em
praticamente toda a costa em nível de macro-regiões. A topografia junta um
outro ingrediente para determinar a ação dos ventos;

1.2.3 – Tipos de Nuvens


As nuvens podem ser finas ou espessas, grandes ou pequenas, estarem
situadas em grandes altitudes ou então, muito próximas ao chão.
De acordo com Ahrens (1994) as nuvens existem numa variedade de formas
(Figura 2), sendo classificadas em dez tipos básicos, os quais são divididos em
quatro grupos primários de nuvens. Cada grupo é identificado pela altura da
base da nuvem acima da superfície, ou nuvens altas, médias ou baixas. O
quarto grupo contém nuvens que mostram desenvolvimento maior na escala
vertical do que na horizontal. Dentro de cada grupo, os tipos de nuvens são
identificados por sua aparência.

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Ahrens em 1994 descreve todos os quatro grupos como segue:

1. Nuvens de grandes altitudes: nuvens altas que geralmente tem suas bases
formadas a 6.000 metros em médias e baixas latitudes. Devido ao ar frio e seco
nestas altitudes, nuvens altas são compostas exclusivamente de cristais de gelo
e também são finas, e normalmente aparecem com cor branca, exceto no
nascer e pôr do sol quando a luz espalhada pelo sol é refletida pela nuvem. A
mais comum é a Cirros (Ci, cirrus em latim significa ondulada), que são
nuvens levadas pelos ventos que sopram em grandes altitudes, indicando
tempo claro e agradável (Figura 3a). A Cirros-cúmulos (Cc) é menos freqüente
que a cirros e se parece como pequenas nuvens brancas e arredondadas, que
podem ocorrer individualmente ou em grupos (Figura 3b). As nuvens mais
finas, difusas e altas que freqüentemente cobrem os céus é chamada de Cirros-
estratos (Cs), sendo tão finas que tanto a Lua quanto o Sol podem ser
claramente vistos atrás delas (Figura 3c). Normalmente ocorre um halo ao
redor do astro.

2. Nuvens de médias altitudes (Figura 2): possuem a base da nuvem entre


2.000 a 7.000 metros de altitude, sendo compostas por gotículas de água, e

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quando a temperatura diminui alguns cristais de gelo podem se formar. Neste


grupo estão as nuvens Alto-cúmulo (Ac) e Alto-estrato (As). A nuvem
Alto-cúmulo (Ac) é composta somente por gotículas de água e raramente
chega a ter mais que 1 quilômetro de espessura. Esta nuvem aparece como
grupos de nuvens cinzentas e arredondadas que muitas vezes formam bandas
ou ondas paralelas (Figura 3d). Normalmente, uma parte da nuvem é mais
escura que outra, o que ajuda a identificá-la de outras nuvens Cirros-cúmulos
mais altas (de cor branca). Uma camada da nuvem Alto-cúmulo pode ser
confundida com a nuvem Alto-estrato; em caso de dúvida, observe se existem
massas arredondadas ou gomos. A presença destas nuvens (Ac) numa
manhã quente e úmida de verão muitas vezes indica grande temporal
ao anoitecer. A nuvem Alto estrato (As) tem a cor cinza ou azul acinzentado,
mas nunca branca, e é composta de cristais de gelo e gotículas de água (Figura
3e). Muitas vezes cobrem uma área do céu de centenas de quilômetros e, na
parte mais fina da nuvem, o Sol (ou a Lua) pode ser visível como um disco
arredondado. Uma nuvem Cirros-estratos mais espessa pode ser confundida
com a nuvem Alto-estrato, porém, a cor cinza, altura e a visão sem foco do Sol
possibilitam uma identificação correta. Outros fatos como a não existência de
halos (que somente ocorrem com as nuvens em forma de Cirros) e a ocorrência
de sombras no chão (que não ocorrem com as nuvens Cirros-estratos) ajudam
a distingui-la. Estas nuvens (As) muitas vezes formam-se na frente de
uma tempestade de grande extensão e de precipitação.

3. Nuvens de baixas altitudes (Figura 2): nuvens baixas com suas bases abaixo
dos 2.000 metros de altitude. São nuvens compostas de gotículas de água,
entretanto, num clima frio, podem conter partículas de gelo e neve. A Nimbos-
estratos (Ns) é uma nuvem de cor cinza escuro, com precipitação freqüente de
chuva ou neve de intensidade fraca ou moderada, porém nunca forte (Figura
3f). Sua base é de difícil definição, mas sua altura pode chegar a três
quilômetros. A Nimbos-estratos é facilmente confundida com a nuvem Alto-
estrato. Uma nuvem Nimbos-estratos fina é normalmente de cor cinza mais
escuro que uma nuvem Alto-estrato espessa, e muitas vezes não se pode ver
nem o Sol ou a Lua. As nuvens Estratos-cúmulos (Sc) são nuvens baixas,
espalhadas e encaroçadas, que aparecem alinhadas ou em massas
arredondadas com o céu azul visível entre as nuvens individuais, com os raios
solares de luminosidade intensa (Figura 3g). Sua cor varia de cinza claro até
cinza escuro, e a sua diferenciação da nuvem Alto-cúmulo é feita através da
observação da sua base que é mais baixa e os elementos individuais da nuvem
são maiores. Para distingui-las aponte sua mão estendida em direção ao céu:
caso os elementos da nuvem forem do tamanho da unha do seu polegar a
nuvem é uma Alto-cúmulo, e caso forem do tamanho de seu punho, é um
Estrato-cúmulo. Embora raramente ocorre precipitação, aguaceiros podem
ocorrer no inverno caso os elementos individuais da nuvem desenvolverem-se
verticalmente. A nuvem Estrato (St) é uma nuvem acinzentada uniforme que
pode cobrir o céu totalmente com uma camada difusa, principalmente durante
o verão (Figura 3h).

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Lembra o fog (neblina) porém, que não chega ao chão. Normalmente não
ocorre precipitação, mas algumas vezes esta nuvem é acompanhada de
chuvisco.

4. Nuvens com desenvolvimento vertical (Figura 2): são nuvens bem familiares
chamadas de Cúmulos(Cu) e Cúmulos-nimbus (Cb). A Cúmulos (Figura 3i) tem
uma aparência variável, muitas vezes assemelhando-se a um pedaço de
algodão flutuando no céu. A base tem a cor clara até cinza claro e, num dia
úmido, pode estar a somente um quilômetro do chão. O topo da nuvem se
parece com torres arredondadas. Estas nuvens podem ser distinguidas da
nuvem Estrato-cúmulo pelo fato de que os gomos ou elementos individuais são
mais separados e em forma de torre, e uma grande porção do céu azul pode
ser visto, enquanto que a última ocorre em grupos e possui o topo alisado.
Durante um dia quente de verão esta nuvem pode se desenvolver
verticalmente para uma única nuvem, podendo ocorrer forte aguaceiro. Se esta
nuvem continuar a crescer verticalmente, chegará a forma da gigante Cúmulos-
nimbus (Figura 3j-1 e 3j-2), uma nuvem de tempestade forte. Enquanto que a
sua base escura está a aproximadamente 300 metros do chão, seu topo pode
alcançar a altura de 12.000 metros. Esta nuvem pode ocorrer de forma nuvem
isolada ou como parte de uma linha ou parede de nuvens, e uma grande soma
de energia é liberada pela condensação do vapor da água dentro da nuvem. A
variação do vento no topo da nuvem pode alterar a forma de torre, passando a
se parecer como uma bigorna. Esta grande cabeça pode conter todas as formas
de precipitação – forte chuva até flocos de neve, que chegam a superfície da
Terra como aguaceiros torrenciais.

Sinais naturais
Há quem preveja o tempo a partir de indícios visuais e mudanças no som e até
mesmo no cheiro das coisas.

Arco – Íris: Um arco-íris pela manhã prenuncia chuvas; Um arco - íris mais
tarde denota tempo bom.
Céu vermelho: Um nascer do sol vermelho ou laranja sugere chuva ou neve
em 24 horas. Um céu vermelho ou laranja forte ao anoitecer indica tempo bom
e ensolarado.

Massas e frentes: Massas de ar são imensos corpos de ar quente, frio, úmido


ou seco que trazem diferentes tipos de tempo conforme são deslocadas pelo
vento. Uma frente se forma quando duas massas de ar se encontram, e uma
frente em aproximação traz mudanças de tempo características.

Frente quente: O ar quente avança por cima do ar frio. Resultado: chuvas


pesadas e tempestade.
Frente fria: O ar frio entra sob uma massa de ar quente, trazendo chuvas
pesadas seguidas de chuvaradas intermitentes.
Frente ocluída: Uma frente fria ultrapassa uma frente quente elevando o ar
quente acima [Link]ém há chuva em uma frente ocluída.
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Cirros Cirros-cumulos

Cirros-estratos Alto-cumulos

Alto-estratos Nimbos-estrato

Estrato-cúmulo Estrato
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Cúmulo

Cúmulo-nimbos Cúmulo-nimbos

1.2.4 - Ventos Predominantes

O ar em movimento – que comumente chamamos de vento – é invisível,


embora vejamos evidência da sua atuação em qualquer lugar que olhamos. O
ar move-se em resposta a diferenças horizontais e verticais na pressão
atmosférica. O vento sopra para que a diferença da pressão do ar diminua,
assim, a pressão do ar é simplesmente o peso do ar acima de um nível (Ahrens
1994; Fedorova, 2001). Onde pode se verificar variações horizontais na
temperatura, conseqüentemente haverá uma alteração correspondente nos
gradientes de pressão atmosférica. A diferença na pressão estabelece uma
força chamada de força de gradiente de pressão, que começa a movimentar o
ar da alta para a baixa pressão. Assim, com o domínio do Anticiclone do
Atlântico Sul é possível verificar que os ventos mais freqüentes são aqueles
provenientes de nordeste para toda a costa brasileira.

Os ventos predominantes podem ser representados pela rosa dos ventos


(Figura 5), que indica a porcentagem do tempo em que o vento sopra de
diferentes direções. Adicionalmente, é possível calcular uma distribuição de
freqüência do vento em função de sua intensidade e direção (Figura 6).

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Figura 5: Rosa dos ventos representando a porcentagem do tempo em que o vento


sopra de uma determinada direção. Onde os ventos predominantes são de NE
(modificado de Ahrens, 1994).

O Vento Noroeste aparece em praticamente em toda a costa Brasileira, da


Bahia ao Rio Grande do Sul. E quando chega é sinal de que o tempo vai mudar,
radical e repentinamente. É sinal de aproximação de uma massa polar, fria e
úmida. É exatamente durante esse período de aproximação que a massa polar
agita a atmosfera e força o vento, antes de nordeste a soprar mais para
noroeste.

Brisas Marinhas e Continentais: Perto da costa, o vento sopra em direção à


terra durante o dia, e do litoral para o oceano durante a noite. Durante o dia, a
terra se aquece mais rapidamente que a água. O ar quente sobe e o ar frio do
mar ocupa o lugar do ar quente. Este vento é denominado Brisa Marinha. À
noite, o padrão se inverte porque a terra se resfria mais rapidamente que a
água. Agora o vento que sopra da terra para o mar é conhecido como Brisa
Continental.

1.3 OCEANO EM MOVIMENTO


1.3.1 Marés
Marés são a denominação genérica dada à variação do nível do mar observada
principalmente na zona costeira com período bem maior do que as ondas de
vento. As marés, tal como as ondas de vento, são ondas, porém, muito mais
longas, onde seu comprimento é milhares de vezes maiores do que sua altura,
e seu período variam de horas até meses. Para fins práticos, as marés
astronômicas são simplesmente denominadas de marés, e no caso de
referirmos as marés meteorológicas, adicionamos o adjetivo ao termo.

1.3.2 Marés astronômicas


A variação periódica do nível da água na costa é o fenômeno denominado de
marés. A maré é uma componente determinística da hidrodinâmica costeira,
uma vez que é gerada por processos astronômicos periódicos: a atração
gravitacional da Lua, e em menor grau do Sol, combinado com a rotação da
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Terra. A maré é gerada nas grandes bacias oceânicas onde a grande


quantidade de água faz com que a atração gravitacional da Lua e do Sol
perturbe a superfície do oceano, formando a onda de maré.
A onda de maré se desloca de maneira similar ao deslocamento de uma onda
gerada pelo vento, e quando avança sobre a plataforma continental e zona
costeira, perde velocidade com a fricção com o fundo, diminuindo seu
comprimento e aumentando sua altura. Assim, a maré que nos oceanos têm
no máximo 0,5 metros altura, podem chegar nas costas com até 10 metros. No
norte do Brasil, como a baía de São Marcos, no Maranhão, a maré pode atingir
mais de 8 metros de altura, e durante os períodos de sizígia à medida que a
maré avança para o interior destes estuários a onda pode arrebentar, formando
o fenômeno da pororoca.

1.3.3 Periodicidade das marés


A maré é resultado de um efeito astronômico sendo que, a Lua é o principal
corpo celeste gerador das variações das marés. Assim, as vezes apresentam
períodos correlatos ao ciclo lunar, e em menor grau também ao solar. O dia
lunar tem 24 horas e 50 minutos, e o período de tempo da onda de maré, entre
duas preamares ou baixamares consecutivas, é exatamente metade deste: 12
horas e 25 minutos. A periodicidade das marés está relacionada não só a
atração gravitacional da Lua, mas, também o efeito de rotação da Terra, e a
evolução conjunta dos dois astros no espaço. Isto explica porque o horário das
marés muda todos os dias, e porque há duas preamares e duas baixamares a
cada dia.
A cada catorze dias ocorre o alinhamento da Lua, Terra e Sol. Nestes períodos
a atração gravitacional da Lua e do Sol é somada na geração da maré, gerando
alturas maiores, e sete dias após este alinhamento é totalmente nulo,
diminuindo a atração (Figura 7). Este efeito gera o ciclo de marés de sizígia e
de quadratura, sendo a primeira associada aos períodos de Lua Nova e Cheia, e
a segunda, associada com os períodos de Quarto Crescente e Quarto
Minguante. Tanto o ciclo semidiurno de 12:25 horas, quanto o ciclo sinodical
lunar de catorze dias, desempenham um papel
relevante na hidrodinâmica costeira.

1.3.4 Previsão de marés


Os movimentos dos astros são governados pela mecânica celeste, sendo esta
tão regular e precisa que permita a previsão de eclipses com séculos de
antecedência. As marés, por sua vez, são o resultados da ação de forças
geofísicas periódicas, no caso a atração gravitacional e rotação da Terra, cuja
variação da intensidade está diretamente associada ao trânsito dos astros.
Assim sendo, da mesma forma que se pode prever a posição dos astros, pode-
se prever, também, seus efeitos na geração das marés, ou, na altura da maré.
A Terra, o Sol e a Lua executam movimentos astronômicos periódicos, sendo a
rotação da Terra um deles, que consiste do movimento rotatório em torno de
seu próprio eixo completando um giro a cada 24 horas, a translação, que é a
órbita da Terra em torno do Sol, com período de 365 dias, a translação da Lua

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ao redor da Terra, com período de 29,5 dias, além de muitos outros. Cada
movimento destes desempenha importante papel na geração das marés, cujo
somatório de todos resulta na variação observada do nível da água.
Com a observação metódica da variação do nível da água, a cada hora, por
exemplo, em um determinado local, por um período mínimo de um mês lunar
(29,5 dias), e posteriormente aplicando-se algumas técnicas matemáticas, é
possível identificar o papel de cada movimento astronômico na variação do
nível da água. Estes componentes são chamados de constituintes harmônicos,
e a partir deles é possível prever a maré no futuro. É a partir desta metodologia
que são feitas a tábua de marés. Como a maré é uma onda que avança ao
longo do litoral, cada região tem uma variação diferente, e assim, cada região
tem uma tábua de maré específica. No Brasil, a Diretoria de Hidrografia e
Navegação - DHN do Ministério da Marinha é o órgão responsável pelo
fornecimento das tábuas de marés para a maioria dos portos. Porém, é possível
utilizar programas disponíveis na internet, e tendo-se uma série temporal de
dados de nível da água, gerar uma tábua de maré para qualquer local.

1.3.5 Marés meteorológicas


As marés meteorológicas são causadas pela ação dos ventos e da pressão
atmosférica sobre os oceanos, originando oscilações que, tal como seus
agentes geradores, são aleatórios e de difícil previsão.
Na costa brasileira o papel da pressão atmosférica é secundário em relação aos
ventos, se considerarmos que se aumentarmos a pressão atmosférica em um
milibar (mbar), diminuiríamos o nível do mar um centímetro, esse efeito é
comumente chamado de barômetro invertido. Contudo, a escala deste processo
é de poucos centímetros, e pouco é sentido. Em regiões com plataforma
continental rasa como a do Brasil, onde a dinâmica provocada pelo vento tem
maior importância, mascarando o efeito da pressão. Porém é um efeito
importante em regiões como Nova Zelândia (Harron, 1996; Goning, 1995).
O papel do vento, por sua vez, é bem mais intenso e tão mais importante
quanto menor for a maré astronômica de uma determinada região. Os ventos,
apresentando uma certa intensidade e soprando em uma determinada direção
sobre uma vasta região do oceano, “empurra” as massas de água oceânica
gerando as correntes devido ao vento. Contudo, pelo fato da Terra estar
girando, e que existe um intervalo de tempo entre a ação do vento e a resposta
do oceano, o resultado final é que as correntes geradas pelo vento nas grandes
bacias oceânicas são aproximadamente 90 graus para a esquerda do sentido do
vento no hemisfério sul. Por exemplo, com a passagem de um sistema frontal
(frente fria e quente) ao longo da costa leste do Brasil, com ventos
provenientes do quadrante sul, os oceanos vão responder com a formação de
uma corrente para oeste, com sentido para a costa. Esta corrente é barrada
pela presença do continente, porém, com a ação continuada do vento esta
corrente persiste, empurrando mais água, acumulando-a na zona costeira mais
rapidamente que esta possa escoar para nivelar com o mar a sua volta. Este
processo ocorre em uma escala de centenas ou milhares de quilômetros, e a
elevação do nível da água pode chegar até 1 metro, independente da maré

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astronômica, e caso coincidam com períodos de maré de sizígia, podem causar


danos em benfeitorias na zona costeira. Em casos extremos, como a passagem
de um furacão, o nível pode elevar-se em mais de quatro metros.

• Lua Nova: durante o período de Lua Nova, a Lua e o Sol estão atraindo em
linha reta. As saliências de marés se unem para formar a maré de sizigia
(conjunção).
• Quarto Crescente: A Lua e o sol estão atraindo em ângulo reto. As duas
saliências se opõem, causando uma maré de quadratura (90º).
• Lua Cheia: A Segunda maré de sizígia no mês ocorre na lua cheia, quando a
Lua, o Sol e a Terra estão alinhados novamente (oposição).
• Quarto Minguante: A Segunda maré de quadratura acontece quando a Lua
está minguando. A lua, o sol, e a terra novamente formam um ângulo reto.

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• Maré de enchente: É o movimento ascendente das águas


• Maré de vazante: É o movimento descendente das águas
• Preamar: É o limite do movimento ascendente das águas da maré de
enchente
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• Baixa-mar: É o limite do movimento descendente das águas da maré de


vazante
• Estofo de maré: É o hiato(período) entre o término da maré de enchente e
o início da maré de vazante ou vice-versa.
• Amplitude ou altura de maré: É a variação do nível das águas entre a
Preamar e a baixa-mar
• Marés de Sizigia, Maré viva, Maré de Lua cheia ou Maré de lua nova:
É a maré que ocorre quando a lua e o sol se encontram do mesmo lado da
terra, e em linha reta com ela, ou quando aterra se encontra entre o sol e a
lua, em linha reta.
• Maré morta, Maré quadratura, Maré minguante: É a maré que ocorre
quando a lua e o sol estão em uma posição tal que os coloca em ângulo reto
com a terra - 90º.

1.3.6 As ondas no mar

A ondas ocorrem em todos os tamanhos e formas, sendo dependentes da


magnitude das forças atuantes na superfície do mar. Ao se observar a
superfície oceânica é possível ver ondas de vários tamanhos, com períodos que
vão desde segundos, até dias e semanas, movendo-se em várias direções,
indicando a complexidade do padrão de ondas que mudam constantemente. As
flutuações geradas pela atração do vento sobre a superfície oceânica ocorrem
na escala temporal de segundos e correspondem às ondas de curto período
conhecidas como: (a) capilares, com comprimentos de ondas menores que
1,7 centímetros e período menor que um segundo; (b) vagas (mar local ou
sea), que são ondas geradas localmente de períodos de poucos segundos e (c)
ondulações (Marulho ou swell), que são ondas de 300 - 600 metros de
comprimento e com período entre 5-20 segundos que se propagam por grandes
distâncias a partir do local de sua origem .

Definição de ondas

As ondas são uma forma de energia em movimento. Através do movimento de


subida e descida esta energia é transportada através de algum material sem
que haja o transporte do próprio material. Assim, a energia e não o material
está sendo transportado, fato este constatado se observarmos um surfista na
água, pois quando a onda passa, o surfista e sua prancha sobem e descem mas
não saem do lugar.

É importante reconhecer numa onda alguns elementos que as diferenciam


entre si (Figura 9):

1. Crista da onda: é o topo da onda.


2. Cava da onda: é a depressão entre duas cristas.
3. Altura da onda [H, m]1: é a distância vertical entre a crista e a cava.

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4. Amplitude da onda [a, m]: é o deslocamento vertical máximo da


superfície do mar a partir do nível da água parada.
5. Altura significativa da onda [H1/3,]: é altura máxima da onda [H Max]
considere um grupo de 10 ondas medidas num ponto, H 1/3 seria a altura
média das 3 primeiras maiores ondas, e [H Max] seria a altura máxima
observada entre o grupo de 10 ondas.
6. Comprimento da onda [L, m]: é à distância entre duas sucessivas cristas
(ou cavas), medida na direção de propagação da onda.
7. Período da onda [T]: é o tempo necessário para um comprimento de onda
inteira passar por um ponto fixo.
8. Período de pico da onda: é o período das ondas com maiores alturas.
9. Velocidade de propagação [c]: é o espaço percorrido pela crista em 1
segundo, que é dependente do meio por onde a onda está se propagando.
10. Esbeltez da onda [E]: é a razão entre a altura e o comprimento de onda,
ou H/L, e uma esbeltez maior que 1/7 fará com que a onda quebre.

A superfície do mar mostra tipos irregulares de ondas que são superpostas


umas as outras. Desta forma, qualquer onda observada é na verdade o
somatório de várias ondas com alturas, comprimentos de onda e períodos
diferentes. O estudo de ondas é complexo e torna-se mais simplificado
assumindo-se que a forma da onda é senoidal (Figura 9). Isto permite
considerar o deslocamento da onda como um movimento harmônico simples ou
no nível da água causada pela passagem da onda.

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1.3.7 Ondas geradas pelos ventos

Podemos descrever a superfície do mar como resultado da superposição de um


grande número de ondas, de origem e características físicas diferentes, se
propagando para diferentes direções. Entre os diferentes tipos de ondas
podemos identificar as marés astronômicas e ondas geradas pelo vento. As
ondas que têm sua origem relacionada aos ventos surgem depois que a tensão
de um vento forte começa a atuar na superfície do mar transferindo energia
para movimentar a água. Esta transferência de energia pode ser exemplificada
através do contato de duas camadas de fluido, ar e água, com diferentes
velocidades, que devido a tensão friccional ou cisalhamento, ocorre a
transferência de energia de uma camada para outra. Uma parcela desta energia
também será utilizada para gerar as correntes marinhas superficiais.

As ondas geradas pela tensão do vento possuem algumas características


marcantes como:
(1) a sua origem somente vai ocorrer em grandes regiões do oceano onde o
vento é muito forte;
(2) a partir da sua formação, estas ondas se propagarão ininterruptamente por
grandes extensões dos oceanos na mesma direção do vento que as gerou,
mesmo que o vento diminua; e
(3) o movimento da onda somente terá fim quando chegarem às costas
continentais (distantes centenas ou milhares de quilômetros da região de
origem das ondas), onde estas ondas quebrarão e liberarão toda a energia que
foi adquirida do vento.

As ondas que vemos quebrar nas praias originam-se a partir da ação dos
ventos em zonas oceânicas de grande extensão chamadas de áreas de atuação
dos ventos ou Sea area (Figura 10).

Seguindo a descrição sobre geração de ondas apresentada em Open University


Course Team (1989),é possível descrever a geração das ondas conforme uma
seqüência de eventos apresentados abaixo:

(1) a superfície oceânica está calma e lisa devido a um período de calmaria nos
ventos;
(2) após este período de calma atmosférica, um vento começa a soprar
suavemente e rapidamente se transforma em uma ventania;
(3) neste estágio inicial, pequenas ondas são geradas com o aumento da
velocidade do vento;
(4) após o vento ter alcançado uma velocidade grande e constante, as ondas
ainda crescem em altura e comprimento e são cada vez mais rápidas. No
entanto, a velocidade da onda nunca alcançará a velocidade do vento devido à
distribuição de energia da onda para outros processos como: a conversão da
energia em correntes marinhas, dissipação como calor pela fricção, e perda
pelas ondas quando estas arrebentam, sendo assim convertida em correntes.

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O tamanho das ondas originadas na região de atuação do vento é determinado


por três fatores essenciais: a velocidade do vento na superfície do mar, período
de tempo que o vento sopra, e pelo tamanho da pista de atuação do vento (ou
fetch), que é a extensão do oceano que está sob a ação da tensão do vento. A
pista pode ser limitada por um litoral ou um fenômeno meteorológico como o
sistema frontal, porém é de difícil determinação observando somente as cartas
meteorológicas, uma vez que as tempestades são quase sempre migratórias.

Com a pista de atuação do vento extensa o suficiente e o vento soprando com


uma velocidade constante por um período longo, um equilíbrio pode ser
alcançado, onde a energia que está sendo suprida pelo vento é igual a que esta
sendo perdida pelas ondas para as correntes. Tal equilíbrio é chamado de
Estado do Mar Completamente Desenvolvido, a partir do qual as ondas
não mais aumentam de tamanho. Porém, o vento nunca é constante, variando
ao longo do tempo e ao longo das regiões. Estas variações na tensão do vento
produzem ondas de períodos, comprimentos e velocidades diferentes, e um Mar
Completamente Desenvolvido em termos práticos consiste de mais de uma
classe de ondas, sendo denominado de Campo de Ondas. Um campo de onda
consiste de diferentes grupos de ondas, onde cada grupo possui períodos,
comprimento e velocidade de onda similares propagando-se pela superfície
oceânica.

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A velocidade de propagação mais rápida ou mais lenta de cada grupo para fora
da região de atuação do vento pode ser descrita pela Dispersão de Ondas. A
Dispersão de Ondas descreve a maneira como grupos de ondas de diferentes
períodos tendem a se separar na medida que se afastam da zona de geração,
devido as diferentes velocidades em virtude de seus padrões diferentes de
propagação. Desta forma, as ondas de maiores períodos e comprimentos,
conseqüentemente maiores velocidades, chegarão à praia mais rapidamente do
que aquele grupo com menor período, comprimento e velocidade de ondas.

Com a dispersão das ondas para fora da região de atuação do vento e com o
enfraquecimento deste, as cristas das ondas diminuem de altura, perdem a
irregularidade e se assemelham às ondas que se formam pelo impacto de um
objeto arremessado em um lago. Suas ondas se sucedem a intervalos regulares
e suas cristas são longas e lisas. Uma vez geradas, as ondas se propagam por
grandes distâncias no oceano com pouca alteração de suas características,
sendo esta condição chamada de Mar Real.
Podemos classificar dois tipos de ondas a partir do conhecimento do processo
de Dispersão de Ondas, conhecidas como Vagas ou Ondulações. Na região
de atuação do vento, durante a tempestade, a agitação da superfície do mar é
chamada de Vagas, Mar Local ou Sea, e quando as ondas avançam para fora
da região de atuação do vento, recebem o nome de Ondulações, Marulho ou
Swell. As Vagas são ondas encrespadas, de diversos períodos e comprimentos,
propagando-se para diferentes direções a partir da região de geração. Esta
variedade de períodos e comprimentos de onda é causada pela freqüente
alteração na velocidade e direção do vento durante a tempestade. As
Ondulações são ondas regulares, longas, com períodos e comprimentos de
onda maiores, não possuindo esbeltez (relação entre altura e comprimento da
onda) suficiente para ser influenciada pelo vento e por isso podem se propagar
mesmo em regiões onde sopram ventos contrários ao seu
deslocamento.
A maior onda já observada até hoje foi em 1933 durante a travessia do navio
USS Ramapo pelo Oceano Pacífico Norte, entre Manila (Filipinas) e San Diego
(E.U.A.), com uma altura aproximada de 34 m.

Termos coloquiais utilizados por guarda-vidas e surfistas

Série, Seriado ou Grupo De Ondas: Representa a seqüência de ondas que


quebram no litoral, num mesmo intervalo de tempo. De uma série para a outra,
as ondas são consistente em tamanho, podendo variar ligeiramente. Em um
seriado de três ondas, por exemplo, existirá uma menor, uma intermediária e a
maior de todas, que é chamada de rainha.

Jazigo ou Calmaria: É o intervalo entre uma série e outra, quando não


quebram [Link] o jazigo, ondas menores poderão surgir, porém não
farão parte da série. O número de ondas em uma série a duração da calmaria

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entre elas é consistente em um “swell”, porém varia entre “swells”.


Conhecendo-se o tempo de calmaria entre os seriados, o guarda-vidas
poderá entrar ou sair no mar usando o mínimo de esforço.

1.3.8 Processos que modificam as ondas


As ondas que determinam as condições do mar em águas costeiras e que
quebram na praia podem ter sido geradas em oceano profundo e se propagado
em direção à costa como ondulações, ou geradas na própria costa pela atuação
dos ventos que sopram no local. Não raramente observam-se várias séries de
ondas de diferentes direções chegando à praia.
Muitas mudanças ocorrem quando as ondas se aproximam da zona costeira. A
mais óbvia é a alteração na altura da onda enquanto esta se propaga para
regiões mais rasas, aumentando sua altura. O fundo atua como um freio ao
movimento da onda através da fricção, fazendo com que a velocidade de
propagação da crista seja maior do que a velocidade de propagação do corpo
da onda, diminuindo a distância entre as cristas sucessivas e assim, o
comprimento. O aumento da altura da onda e da sua esbeltez até que ela
quebre na praia é chamado de empinamento da onda.
As ondas tornam-se mais esbeltas com o aumento da sua altura, e quando a
esbeltez (E) chega a 80% da profundidade do local, a onda torna-se instável e
quebra na praia, formando uma massa de água turbulenta, espumante e
branca. A região onde as ondas quebram na praia é chamada de zona de surfe
e se estende da zona de quebra até a praia.
Outras modificações nas características das ondas são a diminuição do
comprimento de onda e direção de propagação, parâmetros estes difíceis de
serem identificados da praia, mas fáceis quando observados do alto.
As ondas têm a mesma direção dos ventos que as geram, e ao se aproximarem
do litoral, onde o mar é mais raso, sofrem a interferência do fundo, cujo efeito
é tornar as cristas de ondas aproximadamente paralelas à costa. A este
processo de alteração da direção de propagação do grupo de ondas é chamado
de refração. É o efeito observado quando trens de ondas chegam com uma
direção oblíqua à costa, quando a profundidade do mar decresce gradualmente
até a praia e as ondas se sucedem em linhas quase paralelas à costa.

1.3.9 Tipos de arrebentação de ondas


A quebra de uma onda na praia é um processo altamente complexo e de difícil
estudo devido a sua forma ser distorcida da forma senoidal idealizada, mesmo
que a onda esteja se propagando a alguma distância da praia e antes de
quebrar. Quando a onda quebra, a energia recebida do vento é transferida
para a praia e dissipada. Porém, existem vários tipos de quebra de ondas que
dependem da natureza do fundo e das características das ondas.
Algumas relações entre esbeltez da onda e inclinação da praia, ou gradiente de
fundo, podem ser usadas para classificar os tipos de quebra de onda em quatro
maiores tipos, que podem ser identificadas da seguinte forma:

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1. Deslizante: tipo de quebra gradual de numerosas ondas numa ampla zona


de surf em praias com inclinação muito suave ou fundo chato. São
caracterizadas pela espuma e turbulência na crista da onda resultante da
inclinação suave do fundo que, gradualmente, retira energia da onda,
produzindo uma massa de ar e água turbulenta que cai em frente da onda em
forma de uma grande e violenta massa espumante. Devido a gradual extração
de energia, elas têm vida longa e quebram por longas distâncias até chegarem
na beira da praia.

2. Mergulhante ou Tubular: são os tipos mais espetaculares de quebra de


ondas. Caracteriza a forma clássica da onda, própria para a pratica do surf,
arqueada, convexa e côncava na frente. A crista curva-se e mergulha com
considerável força, dissipando energia numa curta distância. Estes tipos
ocorrem em praias de inclinação relativamente suaves, são associadas com
ondulações geradas por tempestades distantes. Ondas de tempestade
geradas localmente raramente se desenvolvem formando este tipo de onda em
praias com estas inclinações, mas podem fazer isto em praias com inclinações
mais íngremes.

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3. Caixote ou colapsante: são similares ao tipo tubular, exceto que apesar


da crista espiralar, a face frontal colapsa. Este tipo ocorre em praias com
inclinação moderada e sob condições de ventos moderados.

4. Sem onda ou Vagalhão: ocorrem em praias com fundo de forte gradiente


ou grande inclinação da praia. A onda não derrama nem mergulha, mas se
eleva sobre a praia, sendo tipicamente formadas a partir de ondas longas de
longos períodos, e a face frontal permanece relativamente sem quebrar até
atingir a praia.

1.3.10 Ressacas ou Ondas de Tempestade


As ressacas são ondas de grande poder destrutivo e de pequenos períodos, da
ordem de segundos, e geralmente são acompanhadas por marés
meteorológicas intensas, de períodos de dias. Pode ocorrer que ambas estejam
combinadas com marés astronômicas de sizígia (marés que ocorrem durante as
Luas Nova e Cheia), de períodos de horas, causando assim consideráveis
inundações em regiões costeiras pouco profundas.
As ondas de tempestade ou ressacas (storm surge) são causadas pelas
variações da pressão atmosférica e a atuação da tensão do vento na superfície
dos oceanos. Sua importância também se deve à influência em processos
erosivos costeiros, na navegabilidade em portos e marinas, represamento de
águas de drenagem continental e também na atividade pesqueira.
O distúrbio meteorológico de maior efeito para o sul do Brasil é a passagem de
sistemas frontais e ciclones extratropicais, que são acompanhados de fortes
tempestades vindas de sul e sudeste, principalmente, durante os meses de
outono e inverno. A ocorrência média destes sistemas ciclônicos é de seis
eventos mensais ao longo do ano, porém, a intensidade relativa de cada evento
varia sazonalmente, com os sistemas mais intensos propagando-se por sobre o
Brasil, principalmente, entre os meses de abril a outubro. Este período é
chamado de temporada de ressacas devido a maior intensificação destes
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distúrbios atmosféricos. As ondas de tempestade e as marés meteorológicas


são direcionadas para a costa causando inundação devido ao mecanismo de
transporte de Ekman, que é influenciado pela rotação da Terra. Para
exemplificar observe a Figura 11, onde esquematicamente se discute dois
centros de pressões atmosféricas, que estão atuando combinadamente, um
está sobre o continente e outro na região oceânica ao lado. Devido ao sentido
de rotação de cada um, o vento gerado pelo gradiente de pressão atmosférica
soprará do quadrante sul. A tensão do vento na superfície do mar atuará
causando um transporte de um grande volume de água para norte, ou seja,
paralelamente à costa. Porém, devido à rotação da Terra, cujo efeito é
expresso por uma força chamada de força de Coriolis, faz com que toda a água
que está sendo empurrada pelo vento tenha a sua direção alterada. Para o
Hemisférico Sul, o efeito da força de Coriolis é para a esquerda, ou seja, em
direção à costa. Deste modo, o nível do mar sobe e as ressacas e marés
meteorológicas causam inundação na zona litorânea.
Tsunamis: Eles são provocados por terremotos, deslizamentos, erupções
vulcânicas e impactos de grandes corpos como meteoritos, que fazem com que
o mar nas vizinhanças forme um bojo e se espalhe numa série de ondulações.
À medida que as ondas se deslocam através do oceano seu comprimento pode
chegar a cerca de 200km; Porém só raramente atingem mais de 0,5m de
altura. Apesar disso elas movem-se rapidamente, com velocidades de mais de
700km./h. Os tsumanis podem passar por navios sem serem percebidos. O
grande problema surge quando eles atingem a terra, diminuem a velocidade e
crescem formando ondas de mais de 30 metros de altura, que quando
quebram, provocam grande destruição. Em 1960, um poderoso terremoto
atingiu a costa do Chile, na América do Sul. O tsunamis rasgou o Pacífico,
causando enormes danos ao Japão. A maior onda registrada foi de mais
ou menos 34 metros.

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1.4 As correntes
Corrente é o fenômeno de transporte de um volume de água de uma região
para outra. Tal como os ventos, as correntes são descritas por sua intensidade
e seu sentido, porém são muito mais lentas do que estes. As correntes são
causadas e mantidas por forças, como as geradas pelas marés e ventos, e são
nada mais do que uma resposta dos oceanos para nivelar a sua superfície de
perturbação que causam gradientes nela.

Nas regiões de mar aberto, nas plataformas continentais, as correntes podem


apresentar praticamente qualquer sentido. Porém, quando nos aproximamos da
linha de costa, as correntes são influenciadas por esta orientando o seu
sentido. Assim, quanto mais próximas da linha de costa, mais as correntes
tendem a ser paralelas à esta. Isto é verdade principalmente para linhas de
costa suaves, pois em linhas de costa complexas, com presenças de
promontórios e enseadas, como o litoral norte de São Paulo e sul do Rio de
Janeiro, as correntes costeiras apresentam-se bastante complexas com a
formação de redemoinhos, e não necessariamente respondem diretamente aos
ventos ou as marés.

1.4 .1 Corrente do Brasil


Na região Equatorial do Atlântico, perto da costa Africana, origina-se a corrente
Sul-Equatorial. Ela corre de leste p/ oeste de 2 a 3 graus de latitude norte e a
20 graus de latitude sul. Ela bifurca-se ao chocar-se com o litoral do nordeste
Brasileiro, essa corrente se bifurca da seguinte maneira: um ramo segue para a
costa das Guianas, com o nome das correntes das carnaíbas; a outra forma a
corrente do Brasil, que se dirige ao sul, para além do Estuário de prata. A
corrente do Brasil é quente, trazendo consigo a variada fauna marinha das
zonas equatorianas. No entanto, no extremo sul, ela é interrompida pela
penetração da corrente fria das Ilhas Falkland (ou Malvinas), responsável pelo
aparecimento, de pinguins no litoral sul Brasileiro.

Ressurgência
Locais como Cabo Frio no Litoral Norte Fluminense, uma repentina mudança de
orientação dalinha costeira. Mal comparado, é como se o litoral recuasse. E isso
cria uma situação atípica. A corrente do Brasil, que vem do nordeste, de águas
quentes, passa por um processo chamado Meandramento, ou seja, adquire
movimentos sinuosos, como os de um redemoinho, que funcionam como uma
bomba, trazendo águas profundas e frias para perto da superfície. Ao mesmo
tempo, os ventos que sopram na região empurram as águas das camadas
superficiais (quentes) do mar para leste, em direção ao alto-mar. Esse
deslocamento cria um espaço vazio na tona da água que é ocupado pelas
águas profundas (frias), que estavam distante da radiação solar. Em regiões
com ressurgência há mais oferta de nutrientes, principalmente nitratos e
fosfatos. A ressurgência também é comum em outras regiões, como Costa do
Peru, Litoral Atlântico da África e Costa oeste dos Estados Unidos.

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Riscos:
Com a temperatura atmosférica beirando os 30ºC, ou mais, na água a
temperatura pode estar próxima de 15ºC, ou até menos. Banhistas praticantes
ou não de alguma atividade física, ao mergulharem nesta água, causam uma
queda brusca na temperatura corporal, podendo provocar um choque térmico
(Hidrocussão ou síndrome de imersão). A permanência nesta água bastante fria
pode causar também a hipotermia, que é a redução da temperatura normal do
corpo.

Efeito das Correntes


A influência das correntes marinhas, quentes ou frias, é decisiva para o clima
das regiões que banham. A corrente do Golfo torna habitável e produtiva uma
região da Europa que de outra forma seria coberta de gelo a maior parte do
ano. As correntes frias tornam alguns lugares áridos com chuvas escassas. Isso
se deve ao fato de, em mares frios, haver pouca evaporação.

1.4.2 Correntes de maré


Quando a maré sobe em uma determinada região significa que água esta sendo
trazida para esta região afim de que, com o acréscimo de água, o nível suba.
Da mesma forma que para a maré descer, água têm que ser deslocada para
outra região. Estes deslocamentos são as correntes de marés. A intensidade e o
período das correntes de marés está diretamente associado com a altura e o
período das marés. Assim, em uma região onde a maré tem 3 metros as
correntes de marés serão
mais intensas do que uma região que têm maré de 1 metro. Contudo, se ambas
as regiões apresentam marés semi-diurnas, como é o caso da maior parte do
litoral brasileiro, o período em ambas as regiões será o mesmo, de 12 horas e
25 minutos. Da mesma forma como se faz a previsão de alturas de maré,
aplicando-se os mesmos métodos é possível fazer a previsão de correntes de
marés.

1.4.3 Correntes de vento


Nas zonas costeiras e rasas, a atuação do vento gera correntes no mesmo
sentido que este. Com a presença de obstáculos como ilhas, promontórios e
enseadas, o sentido das correntes muda bastante, porém geralmente pode-se
associar um determinado padrão de correntes para cada condição de vento
predominante.
Na maior parte do litoral brasileiro as correntes geradas pelo vento predominam
sobre as correntes de marés, e assim, embora ainda haja correntes de marés, o
deslocamento da água preponderante será determinado pelo vento.
Existe um atraso na resposta do mar na geração de uma corrente de vento
após o início deste, da mesma forma que depois de cessado o vento, a corrente
gerada por ele persistirá por mais algum tempo mesmo com a atuação de um
vento com sentido oposto. Devido à complexidade da resposta do mar aos
agentes determinantes das correntes (marés, ventos e linha de costa), cada
local apresenta características próprias que devem ser avaliadas
independentemente para possibilitar a obtenção de um quadro descritivo. Uma
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vez obtido este quadro, é possível prognosticar as respostas do mar, como por
exemplo, a distância potencialmente percorrida por um objeto flutuante, o que
se faz muito útil em operações de resgate.

1.4.4 Correntes na zona de surfe


As ondas quando se propagam em águas profundas transportam somente
energia, porém quando chegam em águas rasas as ondas por estarem sendo
influenciadas pelo fundo transportam também massa, ou volume de água. Este
transporte é tanto maior quando mais rasa é a coluna de água, até o ponto que
as ondas arrebentam, resultando em um grande transporte de água em direção
à praia. Quanto mais água é transportada para a praia, mais esta acumula e
procura retornar para o mar aberto, criando-se assim as correntes de retorno.
Os locais de formação destas correntesdependem das características de cada
praia e do tipo de onda incidente. Contudo, de maneira geral caso haja
obstáculos na praia, sempre há uma corrente de retorno nestes pontos, como
por exemplo, o caso de molhes ou costões marginais em praias de enseadas.
Além das correntes de retorno que são formadas para escoar o excesso de
água acumulado na zona de surfe, caso as ondas se aproximem obliquamente à
praia, forma-se também correntes paralelas à esta.

1.4.5 Correntes em desembocaduras


Próximo a desembocaduras de estuários e baías geralmente observa-se
padrões bem definidos de correntes, e estas são causadas principalmente pelas
marés. Embora as correntes de marés desempenhem um papel secundário na
plataforma adjacente a costa, seu papel é o principal na circulação de
ambientes restritos. Os ambientes restritos costeiros podem ser vistos como
grandes piscinas atrás da linha de costa, geralmente conectados ao mar aberto
por uma abertura limitada.
Esta abertura limitada é responsável pela entrada e saída de toda a água
necessária para nivelar o nível de água interno e externo causado pela variação
da maré. Assim, considerando que o nível de água tende a se igualar em uma
questão de horas seguindo-se o regime de marés, as correntes serão muito
mais intensas nestas passagens. A velocidade das correntes nestas regiões
aumenta pelo mesmo princípio de se colocar o dedo na ponta de uma
mangueira para aumentar a intensidade do jato: diminuindo-se a área da seção
transversal, aumenta-se a velocidade da corrente.

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Nas regiões próximas a desembocaduras as correntes tendem ser ortogonais à


linha de costa, ao passo que fora destas regiões a correntes tendem a ser
paralelas. A extensão da influência destas regiões está diretamente associada
com a área do estuário ou baía e da altura de maré. Em ambientes de
dimensões consideráveis, como a Baía de Guanabara, a zona de influência pode
ser da ordem de dezenas de quilômetros, enquanto que para pequenos
estuários encontrados nas bordas de enseadas esta zona de influência pode ser
praticamente desprezível.

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1.5 PRAIAS ARENOSAS OCEÂNICAS

1.5.1 Definição de praias arenosas e morfodinâmica


Uma das definições mais atuais sobre praias arenosas oceânicas foi formulada
por Andrew Short em 1999, que definiu praias oceânicas como sendo corpos de
sedimentos arenosos não coesivos (desagregados) e inconsolados sobre a zona
costeira. Estes ambientes são dominados, primeiramente por ondas, sendo
limitados por:
(1) internamente, pelos níveis máximos de ação de ondas de tempestades ou
pelo início da ocorrência de dunas fixas ou qualquer outra alteração fisiográfica
brusca, caso existam, e
(2) externamente, pelo início da zona de arrebentação, ponto até onde os
processos praiais dominam fracamente o ambiente.

O ambiente praial encontra-se num constante equilíbrio dinâmico, conseqüência


da interação entre as ondas incidentes na costa, o transporte de sedimento e a
morfologia da praia, formando um ciclo fechado, retroalimentado, no qual as
ondas incidentes irão atuar sobre os sedimentos, modificando,
conseqüentemente, a morfologia da praia que por sua vez modificará as ondas
incidentes (Short, 1999).

1.5.2 Zonação morfológica e hidrodinâmica

Devido às variações espaço-temporais do ambiente praial, qualquer tentativa de


delimitar seus subambientes deve levar em consideração exatamente os
agentes promotores de tais mudanças: os processos hidrodinâmicos que as
dominam. A figura 14, apresenta como se delimita o ambiente praial em função
da zonação hidrodinâmica e morfológica.

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1.5.3 Zonação Hidrodinâmica


Zona de arrebentação - porção do perfil praial caracterizado pela quebra da
onda, e que representa o modo de dissipação energética da onda sobre a praia.

Zona de surfe – zona da praia limitada pela dissipação da energia da onda,


após sua quebra. Assim, a caracterização da zona de surfe depende
diretamente do tipo de arrebentação da onda. Em praias planas e de baixa
declividade, as ondas quebram e reformam-se como vagalhões, espraiando-se
ao longo da zona de surfe com uma diminuição da altura, até atingirem à linha
de costa. Em praias reflectivas a zona de surfe praticamente inexiste.

Zona de espraiamento - região da praia delimitada entre a máxima e a


mínima excursão (percurso) da onda sobre a face da praia, após a sua quebra.

1.5.4 Zonação Morfológica


Pós-praia - zona que se estende do limite superior do espraiamento até o
início das dunas fixadas por vegetação ou de qualquer outra mudança
fisiográfica brusca. É inundada quando das marés de sizígia ou pelas ondas de
tempestade.

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Praia média - porção do perfil praial sobre o qual ocorrem os processos da


zona de surfe e da zona de arrebentação.

Antepraia – porção do perfil praial caracterizado pelos processos de


empinamento da onda(shoaling), que se estende, em direção à terra, a partir
da profundidade de fechamento externa até a profundidade de fechamento
interna, ou até o início da zona de arrebentação.

Profundidade de fechamento - profundidade em que os sedimentos da


praia são primeiramente movimentados pelas ondas. Esta varia
consideravelmente, dependendo das condições ambientais, tais como
geomorfologia e regime de ondas (Altura da onda (Hb), Período (T) e direção).

Berma da praia – porção sub-horizontal (terraço) da pós-praia formada por


sedimentação de areia por ação das ondas. A berma caracteriza-se por uma
seção transversal triangular, com a superfície do topo horizontal ou com suave
mergulho rumo ao continente, e a superfície frontal com mergulho acentuado
rumo ao mar.

Face da praia – é a zona frontal da praia limitada entre as linhas normais de


marés altas e baixas, sobre a qual ocorrem os processos da zona de
espraiamento (fluxo e refluxo da onda).

1.5.5 A movimentação da areia em praias arenosas

O transporte de sedimentos por ação das ondas ocorre tanto na direção


longitudinal e perpendicular à praia, os quais são chamados de transporte
longitudinal e transporte transversal (Gallisaires et al.,1990). Em ambos os
casos ocorrem uma seleção dos sedimentos quanto ao tamanho do grão. Na
região costeira, os sedimentos estão em constante movimentação, procurando
sua posição de equilíbrio em função da dinâmica. Uma modificação na dinâmica
das ondas induz uma nova morfologia de praia. Se as mesmas condições de
onda prevalecem por tempo suficiente, atinge-se uma situação de equilíbrio
dinâmico.

Distribuição de sedimentos nas praias arenosas oceânicas

Praias são ambientes altamente dinâmicos, situados na área de transição entre


o oceano e o continente. Funcionam como importantes reservatórios de
sedimento, os quais são freqüentemente alterados tanto pela ação energéticas
marinha quanto pela ação antrópica. Segundo King (1973), a fonte do material
e os processos de deposição afetam a distribuição do tamanho dos grãos dos
sedimentos praias através da costa, sendo que o elemento mais importante
para seleção do material da praia é a energia das ondas, que é proporcional a
sua altura. Assim, o material mais grosseiro está intimamente associado com
zonas de maior energia. A seleção dos sedimentos pode ocorrer apenas onde o
movimento ao longo da costa é restrito e a quantidade de material da praia é
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estática. O material pode então ser transportado para a parte da praia que está
em equilíbrio com as condições prevalecentes, o que pode ser aplicado tanto
para a seleção através e ao longo da costa. A seleção dos sedimentos ao longo
e através da praia pode influenciar a declividade da praia.
Bascom (1951) sugere que o tamanho da partícula do sedimento e a
intensidade da ação das ondas controlam a inclinação da face praial. A ação das
ondas pode retirar partículas mais finas, as quais migrariam para a plataforma
adjacente quando expostas à ação das ondas, fazendo com que grãos mais
grosseiros se acumulem na praia e, consequentemente, aumentem a sua
declividade. Este autor sugere ainda que a berma, juntamente com o degrau da
praia, são as zonas que apresentam sedimentos mais grosseiros devido à ação
da máxima excursão vertical do espraiamento da onda sobre a face da praia.

Como ocorrem as trocas de sedimentos no prisma praial


O prisma praial ativo é a região do ambiente praial onde ocorrem os processos
morfodinâmicos e consequentemente e constantemente modificado e
transformado, que se limita entre o pós-praia e a antepraia (até a zona de
arrebentação), dentro destes limites ocorrem os transporte e as trocas de
sedimentos, tanto em planta como em perfil.
Os sedimentos que se encontram junto à costa estão em constante
movimentação, procurando sua posição de equilíbrio em função da dinâmica
(Figura 15). A troca de estoques de areia entre as dunas frontais, a berma, a
face praial e os bancos submersos localizados na antepraia, ocorre durante os
eventos de alta energia de onda, momento em que os sedimentos são erodidos
da face praial e da berma e depositados na forma de bancos submersos,
formando um novo perfil praial. Nos períodos de mar calmo os sedimentos são
devolvidos para a berma e para a face praial. Outro mecanismo da dinâmica
costeira é o processo de rotação praial, onde os processos de transporte
longitudinal de sedimentos erodidos da face praial e da berma em eventos de
alta energia de ondas são muitas vezes relocados (transferidos ou
transportados) para outros setores da praia, em função da direção do clima de
ondas predominante.
Nas regiões costeiras onde ocorre a presença de afloramentos rochosos,
ocorrem as chamadas praias de enseada, sendo comum nestes ambientes a
ocorrência dos processos de rotação praial. Segundo Short e Masselink (1999),
este processo refere-se ao transporte longitudinal de areia que se alterna em
direção à extremidade oposta de uma praia limitada por promontórios, o qual é
atribuído à variação sazonal ou periódica no clima de ondas de uma
determinada região, especialmente na direção das ondas. O processo de
rotação praial ocorre na escala de meses a décadas, ocorrendo grande variação
e movimentação da linha de costa, sem que haja ganho ou perda líquida de
sedimentos. Muitas vezes este fenômeno da a aparência de que uma praia
encontra-se em erosão.

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A linha de costa é, sem dúvida, uma das feições mais dinâmicas do planeta,
sendo que sua posição no espaço sofre alterações constantes em várias escalas
temporais (diárias, sazonais, seculares e milenares). A posição da linha de costa
é afetada por um número muito grande de fatores, alguns de origem naturais e
intrinsecamente relacionados à dinâmica costeira (balanço de sedimentos,
variações do nível relativo do mar, dispersão de sedimentos, ressacas etc), e
outros relacionados às intervenções humanas na zona costeira (obras de
engenharia de proteção da orla, represamento de rios, dragagens etc.). Como
resultado da interação entre estes diversos fatores, a linha de costa pode
avançar mar adentro, recuar em direção ao continente, ou então permanecer
em equilíbrio. Quando a linha de costa recua em direção ao continente fala-se
que a mesma está em processo de erosão.

Dunas Costeiras (Zona Tampão)


Os sistemas de dunas costeiras, parte integrante das regiões litorâneas,
desempenham uma importante função ecológica, a qual é caracterizada por
“zona tampão” e possui a função de barrar a ação das ondas decorrentes de
momentos episódicos de maior energia (ressacas). Sendo assim, este
ecossistema mostra-se de grande importância apesar de ser continuamente
descaracterizado morfológica e ambientalmente devido aos níveis de
intervenção antrópica. Entretanto, o caráter dinâmico (rápida resposta em
condições de mudança) deste sistema, possibilita sua “sobrevivência” em
situação de estresse, embora a perda da diversidade paisagística e ecológica
seja o primeiro indicador da suscetibilidade/vulnerabilidade do mesmo.

O fenômeno de erosão torna-se um problema para o homem quando este


constrói algum tipo de benfeitorias (avenidas, prédio ou outro tipo de
construção permanente) que se interpõem na trajetória de recuo da linha de
costa (Figura 16).

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Figura 16. Modelo esquemático da ação do mar sobre o perfil praial,


demostrando o resultado de obras de engenharia costeira implementadas em
regiões inadequadas. (A) Perfil da praia em situação normal; (B) Perfil da praia
resultado de ressacas e marés meteorológicas; (C) Obra costeira em local
inadequado durante situação normal; (D) Resultado da instalação de obras
costeiras sem os estudos necessários e respeito as leis.

É importante ressaltar que o fenômeno da erosão não implica em destruição da


praia arenosa, como o termo à primeira vista parece sugerir. A posição da praia
simplesmente recua continente adentro durante este processo. Deste modo,
alguns autores sugerem que em vez de erosão, seja utilizado o termo "recuo da
linha de costa", visto que este último traduz de maneira mais fiel o que
realmente acontece.

A praia recreativa, onde os efeitos da erosão se expressam de maneira mais


visível, é apenas uma pequena porção de uma feição natural maior chamada de

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antepraia, que também é afetada por processos atuantes na plataforma


interna. Portanto, a compreensão do fenômeno da erosão costeira passa
necessariamente pela compreensão dos processos dinâmicos que ocorrem na
antepraia.

1.5.6 Morfologia praial

A dinâmica costeira é a principal responsável pelo desenvolvimento das praias


arenosas epe los processos de erosão e/ou acresção que as mantém em
constante alteração. Os ventos, as ondas por eles gerados e as correntes
litorâneas que se desenvolvem quando as ondas chegam à linha de costa, além
das marés, atuam ininterruptamente sobre os materiais que se encontram
napraia, erodindo, transportando e depositando sedimentos. Como já foi citado,
somam-se a esses processos as ressacas produzidas pelas tempestades, que
modificam consideravelmente as feições topomorfológicas do perfil praial.
Klein e Menezes (1997) classificaram as praias conforme a sua exposição às
ondas de maior energia em:

a) Praias expostas, quando estão totalmente sujeitos às ondulações de alta


energia.
b) Praias semi-protegidas, quando apenas parte das mesmas estão sujeitas
às ondulações.
c) Praias protegidas, quando não sofre influência de ondulações.

1.5.7 Os tipos de praias arenosas oceânicas

Wrigth e Short (1984), classificaram as praias arenosas oceânica para a costa


leste australiana conforme suas características sedimentológicas e
hidrodinâmicas, classificação esta que foi rapidamente aceita e difundido pela
comunidade científica internacional. De forma geral, as praias arenosas
oceânicas podem ser divididas em:

Praias rasas ou dissipativas: caracterizadas por uma pendente suave, ampla


zona de arrebentação e grande estoque de sedimentos na zona submersa de
granulometria de areia fina na porção submersa da praia. O nível de energia
geralmente é alto, com alturas de ondas mais pronunciadas para regiões
expostas.

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Praias de tombo ou reflectivas: caracterizadas com uma face


praial íngreme, geralmente, com feições de cúspides, pequeno
estoque de sedimentos subaquosos e grande estoque de sedimento
subaéreo. Apresentam, geralmente um degrau pronunciado na base
da zona de espraiamento e uma pequena zona de arrebentação com
alturas de onda pequenas quando comparado com as praias
dissipativas. Normalmente estas praias possuem areia grossa.

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Praias intermediárias: as condições ambientais que favorecem o


desenvolvimento de estados intermediários incluem climas de onda de energia
moderada, mas temporalmente variável, e sedimentos de granulometria areia
média a grossa. O relevo de fundo da praia é caracterizado pela presença de
bancos regulares e/ou irregulares, muitas vezes cortados por canais nos quais
se desenvolvem as correntes de retorno (repuxos), freqüentemente presentes
nestas praias. A zona de arrebentação é relativamente próxima da beira da
praia, geralmente do tipo mergulhante.

Riscos associados às praias


Os perigos associados a uma praia apresentam-se de maneiras diferentes.
Alguns são permanentes, ou seja, nunca mudam de lugar e uma vez
conhecidos, podem ser facilmente evitados. Outros são bastantes variáveis e
exigem do banhista mais cuidado e atenção para que sejam identificados. Além
disso, estes riscos podem ser divididos em naturais e introduzidos pelo homem.

O determinante ambiental mais importante relacionado com os acidentes é a presença


de correntes de retorno, que estão associadas à grande maioria dos acidentes
registrados ao longo das costas do mundo (Short, 1999). Hoefel and Klein (1998),
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Klein et al. (2000) demonstraram para a praias monitoradas por salva-vidas nas costa
do Estado de Santa Catarina, que as correntes de retorno são responsáveis por mais
de 90% dos registros.

Nível de risco público


Segundo Short e Hogan (1990) o nível de risco público é uma relação entre o
nível de risco natural de uma praia amplificado muitas vezes pelos riscos
introduzidos, e a quantidade de pessoas que a freqüentam. Para praias com
mesmo nível de risco, quanto maior for o número de pessoas que a freqüenta,
maior será o nível de risco público ao acidente. Para cada faixa etária este nível
muda, por exemplo, uma praia reflectiva pode não ser perigosa para adultos,
mas já o é para crianças e
pessoas idosas devido ao forte refluxo das ondas na face da praia.
Por outro lado, fatores sociais (ex: falta de educação para uso da praia) são
causas
predominantes de acidentes de banhos. Klein et al. (2000) registraram para as
praias de Santa Catarina que a maior parte dos acidentes ocorrem em locais
indicados com bandeira vermelha (cor da bandeira que indica local perigoso
para banho à sinalização adotada no Estado de Santa Catarina).
Este fato sugere a falta de conhecimento e/ou respeito à sinalização utilizada
pelos salva-vidas. Hoefel e Klein (1998), comparando registros de acidentes
com as entrevistas do público usuário das praias catarinenses, verificaram que
apenas 1/3 dos entrevistados têm o hábito de observar a sinalização das
bandeiras antes de entrar na água para se banhar, fato que justifica o número
acentuado de acidentes em locais perigosos (presença de correntes de
retorno).
Conforme os registros de ocorrências, os banhistas mais suscetíveis à acidentes
são do sexo masculino, entre 15 e 30 anos, para as praias de Santa Catarina.
Isto sugere que a auto-estima exagerada das vítimas seja o fator responsável
pelo maior número de ocorrências nesta classe etária (Hoefel e Klein, 1998).
Como a maior parte dos acidentados são provenientes de regiões do interior,
sendo visitantes ocasionais, isso indica a pouca familiaridade das vítimas com a
localidade onde o acidente ocorre. Campanhas educativas, salientando a
sinalização e os principais riscos devem ser elaborados no intuito de se
minimizar e diminuir o número de acidentes fatais. Um bom exemplo é a
campanha “dicas para um verão seguro”, desenvolvida no Estado de Santa
Catarina que em conjunto com outras medidas adotadas pela Policia Militar –
Corpo de Bombeiros do Estado de Santa Catarina, ajudou a diminuir entre 1995
e 1998, nas praias do litoral centro norte de Santa Catarina (aproximadamente
100 quilômetros), cerca de 80% dos acidentes fatais (Klein et al. 2000).

1.6 TERMOS NÁUTICOS


• Baía: entrada do mar, no litoral, com abertura estreita.
• Barra: Entrada de um porto ou um Rio
•Parcel: Banco de areia, recife ou coral encoberto a pequena altura pela água.
• Cabo: pequeno apêndice rochoso ou arenoso que se projeta da costa em
direção ao mar.
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• Canal: Braço de mar aberto artificialmente para ligar rios ou mares.


• Restinga: Formação arenosa ao longo da costa provocada pela acumulação
de materiais que são trazidos pelas correntes marinhas litorânea.
• Estuário: Desembocadura de um rio, ampla e funda, formando uma espécie
de baía.
• Barlavento: Lado de onde sopra o vento.
• Sota-vento: Lugar para onde sopra o vento.
• Enseada: Reentrância da costa na qual penetra o mar.
• Golfo: Enseada aberta e ampla, de grande profundidade.
• Promontório: Avanço de terra sobre o mar.
• Praia: Litoral baixo, propício à acumulação de areia trazida pelo mar.
• Ressaca: Encontro violento entre duas ondas de movimentos contrários.
• Alísios: Ventos que sopram de leste para oeste, entre os trópicos (Região
Nordeste).
• Gradiente: Diferença entre a temperatura do mar e a da terra.

2 – Salvamento Aquático em Praias

2.1 PREVENÇÃO DE AFOGAMENTO EM PRAIAS

A solução do trauma de afogamento baseia-se na prevenção, e nela


identificamos dois importantes elementos como abordagem principal: os
Usuários da praia e a Orla marítima.

2.1.1 OS USUÁRIOS
Os Usuários da orla marítima podem ser divididos nos seguintes grupos:

Banhistas
Os banhistas podem ser divididos quanto à freqüência em três sub-grupos:

Banhistas esporádicos - Turistas de um dia (excursionista) oriundos da


Capital, do interior do estado e de outros estados. O turista de um dia ou
excursionista, em sua maioria, costuma viajar para o litoral durante os meses
de outubro a abril, normalmente de ônibus fretado, utilizando-se dos Terminais
Turísticos, e na falta destes espalha-se pelas diversas cidades e praias. Em dias
de grande movimento, geralmente domingos e feriados, durante o verão,
ultrapassa a lotação de 1.000 ônibus, freqüentando as praias de uma mesma
cidade e ali permanecendo menos de 24 horas. Tais banhistas em sua maioria
se caracterizam pelo desconhecimento total dos riscos do mar, bem como não
possuem grandes afinidades ou habilidades no meio líquido (não sabem
nadar).
Banhistas estacionários - oriundos de outros municípios, freqüentadores
com certa regularidade das praias, são proprietários ou locatários de imóveis
nas cidades litorâneas. Caracterizam-se em sua maioria por conhecerem
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parcialmente os riscos do mar, bem como possuírem alguma habilidade no


meio líquido (sabem nadar mal ou flutuar).
Banhistas residentes - Morador das cidades litorâneas, freqüentam
diariamente as praias. Caracterizam-se em sua maioria por conhecerem os
riscos do mar, bem como possuírem alguma habilidade no meio líquido (saber
nadar).

Esportistas

Os esportistas podem ser divididos quanto as atividades nos seguintes sub-


grupos: nadadores, surfistas, náuticos de esporte recreio (lanchas,
veleiros, canoeiros, caiaque, moto aquática (jet-ski), Wind Surf),
pescadores embarcados e de costeira, e esportes de vôo sobre área
espelhada.
Cada esporte tem sua periculosidade em relação a acidentes e o afogamento.
Dentre eles o que mais comumente causa acidentes é a pesca de pedras, por
ter um índice de risco maior, ao ser praticado por uma população que
desconhece o local e seus riscos, bem como não saber nadar. Sinalização nos
locais de risco parece não produzir o efeito preventivo necessário, e medidas
mais agressivas como mostrar na televisão os erros cometidos e os danos
provocados por pescadores poderá surtir melhores resultados.

Comerciantes

Os comerciantes podem ser divididos quanto às atividades, nos seguintes sub-


grupos:
proprietário de barracas de praia ou quiosques, ambulantes, locadores
de materiais diversos, locadores de atividades recreativas aquáticas
como Banana-boat, motoaquática, caiaque, pranchas, botes infláveis
e passeios turísticos.
Embora não produzam grande quantidade de casos de afogamento ou
acidentes, apresentam papel fundamental na divulgação das medidas gerais de
prevenção na praia. Aqueles que lidam com atividades aquáticas devem possuir
um regulamento, através do qual darão orientação aos usuários para que se
reduza o número de acidentes naquela atividade.
A venda, por exemplo, de balões infláveis para uso dentro da água como bóias
deve ser terminantemente proibido, por ser instrumento de alto risco de
afogamento, pois oferece uma falsa segurança dentro da água.

Trabalhadores

Os trabalhadores podem ser divididos quanto as organizações nos seguintes


sub-grupos:
Guarda-Vidas Estaduais, Guarda-Vidas municipais, Guarda-Vidas contratados
por Sociedades Amigos de Bairro ou condomínios, profissionais temporários
contratados para campanha da Secretárias Municipal e estadual do Meio

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Ambiente para campanha educacionais (Operação Praia Limpa), fiscais


municipais, Defesa Civil Municipal, Cruz Vermelha, Policiamento ostensivo
Fardado (Policia Militar), Profissionais contratados por Agências Promocionais,
Marinheiros de Marinas, Polícia Naval da Marinha do Brasil e pescadores
Profissionais.

2.1.2 A ORLA MARÍTIMA


Segundo o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa DIC MAX (Michaelis
Português – Fev.1998 – DTS Software Brasil Ltda) para conhecer o significado
da expressão orla marítima chegamosno seguinte: orla “do latim vulgar orula”
beira, borda, cercadura, margem, faixa – marítima, marinho, que vive no mar
ou á beira mar, podemos concluir que se trata de um faixa geográfica de terra
e mar.

INTERAÇÃO DOS ELEMENTOS - Usuário x orla marítima

2.1.3 Fundamentos da Prevenção de Afogados

Serviço de Salvamento X Prevenção


O profissional de segurança orienta e muitas vezes coibi atitudes que coloca em
risco a integridade física do banhista (usuário da praia). Normalmente os
resultados são notados a curto prazo. Notaremos que quanto maior for o grau
de prevenção menor a quantidade de salvamentos realizados em uma
determinada região.

Riscos na Orla Marítima X Sinalização


Quando se intensifica a sinalização da praia, os resultados poderão ser notados
em médio prazo. Este tema ainda é explorado de forma inadequada para a
demanda da situação. A sinalização realizada atualmente em nossas praias, é
aplicada de forma empírica, ou seja, sem um tratamento técnico e científico
que a matéria merece. Neste aspecto, existe uma grande iniciativa da
Federação Internacional de Salvamento (ILS) de globalizar as sinalizações
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utilizadas em todas as praias do mundo de forma que turistas possam entender


perfeitamente e rapidamente a mensagem ali exposta e que então resulte em
prevenção efetiva.
Para ter uma idéia deste universo, as sinalizações podem ser sonoras ou
visuais. As sonoras são constituídas por avisos com alto-falante, o sibilo do
apito do Guarda-Vidas e etc (veja Patrulhamento de Praias).
Dentre as sinalizações visuais, as placas, as flâmulas, as bandeirolas, as fitas de
demarcação, determinam uma orientação, alertam sobre um risco ou proíbem
uma atitude. Podem ser fixas ou móveis. Quanto simples e objetiva a
linguagem utilizada nas Sinalizações de Risco na orla marítima mais rápido o
tempo de assimilação do usuário. Para exemplificar melhor o problema da
sinalização e sua importância, usamos o exemplo de uma rodovia que ao ser
utilizada pela primeira vez, sem que a mesma esteja sinalizado, o motorista
provavelmente terá dificuldades em conduzir o seu veículo de forma segura,
por desconhecer para que lado será a próxima curva e qual a sua intensidade,
os locais perigosos para ultrapassagem etc. Portanto, a sinalização da rodovia
familiariza o usuário com os riscos, aumentando a segurança em seu uso.

Usuário X Educação
Os resultados são notados em longo prazo quando se intensifica a Educação
(campanha educativa) proporcionando uma mudança de mentalidade e de
atitude de uma população usuária das praias. Dentre os vários fatores de risco,
observamos que quanto menor o grau de educação maior o risco de
afogamento.

Considerações sobre os Fundamentos da Prevenção


As três ferramentas deverão ser usadas concomitante para que os resultados
possam ser duradouros e que se propaguem de geração para geração. Como o
próprio triângulo eqüilátero pressupõe, a falta da intervenção do administrador
com a ferramenta adequada em qualquer um dos elementos do sistema
comprometerão a eficiência da prevenção. Fica patente nos exemplos a seguir
que a interação dos elementos do triângulo é fundamental para a existência da
Prevenção.
• A sinalização com placas móveis deverá ser bem posicionada por um guarda
vidas para que os banhistas possam enxergá-las (Serviço de Salvamento X
Sinalização = Prevenção)
• O Guarda-Vidas utilizará a sinalização sonora “o apito” para retirar um
banhista de um local de risco (Sinalização x Serviço de Salvamento =
Prevenção)
• O banhista atende a orientação do guarda-vidas para sair de um local de
riscos (Usuário X Serviço de Salvamento = Prevenção)
• O banhista atende a mensagem das placas de riscos da orla marítima
(Usuário x Sinalização = Prevenção)
• O banhista solicita orientação ao Guarda-Vidas do local mais seguro para o
seu banho de mar (Usuário x Serviço de Salvamento = Prevenção)

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A Prevenção é a consecução de uma atitude que envolve sempre dois


elementos do triângulo. A Prevenção de afogamentos somente existirá se
ocorrer uma interação positiva entre os elementos do triângulo, esta interação
positiva depende exclusivamente de uma doutrina de prevenção nos serviços
de salvamento de afogados, de uma sinalização que transmita de forma clara
aos banhistas onde está o risco e os cuidados que devem adotar e de uma
educação que propicie a todos os usuários um comportamento seguro quando
utilizam a orla marítima.
A Prevenção é a ciência das atitudes que modifica o inevitável para o
evitável, do acaso para o previsível.
Os Serviços de Salvamento de Afogados deveria ter a palavra “prevenção”
incluída, mostrando que a promoção da prevenção é tão importante quanto o
salvamento. “SERVIÇO DE PREVENÇÃO E SALVAMENTO DE AFOGADOS”.

2.1.4 OBSERVAÇÕES DE UM POTENCIAL AFOGAMENTO

Preste mais atenção nas pessoas ao seu redor na praia, e antecipe as pessoas
que podem se afogar (observações coletadas de 16 guarda-vidas com
estimativa total de 107 anos de serviço).

FORA DA ÁGUA
Pessoas nos extremos da idade – muito jovens ou velhos. Os mais jovens
não devem ir a água sem a supervisão de um adulto.
Pessoas obesas ou com aparência cansada – são pessoas geralmente
sem boas condições físicas.
Turistas, imigrantes ou estranhos ao ambiente – são pessoas que não
tem noção do perigo no local e devem ser alertadas – reconheça pela cor da
pele (muito branco), pelo modo de se vestir, pelo equipamento que carrega ou
pelo comportamento inadequado.

Roupas inadequadas
a. Para a praia – ex: calça comprida, camisa quente, casaco, tênis.
b. Para o esporte a ser realizado – ex: roupa de mergulho para o surf, óculos
de natação para o mergulho.
c. Para a brincadeira: ex: vestindo bermuda de brim na água

Apetrechos utilizados de forma inadequada


a. Para praia – ex: bóia de pneu.
b. Para o esporte a ser realizado – prancha já com “strep” amarrado, ou em
mau estado de conservação, ou sem parafina, ou amarelada com o sol ou
vestido com o neoprene na areia quente, ou colocando ou carregando a
prancha de surf de forma errada na areia (parafina para cima).
c. Para a brincadeira: ex: jogando vôlei com bola de futebol.

Comportamento inadequado na praia


a. Forma de deitar na areia.
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b. Comportamento tipo estranho no ninho. Ex: rolando na areia.


c. O local que escolhe para ficar na praia – ex: perto de uma vala.
d. Não observa as sinalizações na praia – ex: entra na água justamente na vala.
e. Comportamento ou linguagem de turista - ex: Modo de falar ou de perguntar
ao guardavidas informações, a forma de olhar o mar e seguidamente o guarda-
vidas demonstrando receio de entrar no mar, tipo de bronzeamento ou
tonalidade de pele marcada por camiseta, ou olhar assustado para o mar.

Alcoolizados ou com estranho comportamento para ou na praia – são


pessoas com a capacidade reduzida de avaliação do perigo e, portanto com
menor prudência. Ex: Pessoas chegando a praia em grupos grandes.

Pessoas com objetos flutuantes – devem ser observados com muita


atenção, pois são confiantes e capazes apenas quando com o objeto.

DENTRO DA ÁGUA, o banhista...


1. Eufórico na água com brincadeiras espalhafatosas.
2. Que escolhe a vala para se banhar.
3. Que não olha as placas de sinalização.
4. Com Estilo de natação errado: ex: nadando de costas perto de ondas, ou
nadando de costas para as ondas, ou de forma espalhafatosa sem nenhum
estilo (”corta jaca”).
5. Que fica destacado da maioria das pessoas.
6. Que olha para areia constantemente da água.
7. Que perde sua prancha de surf ou morey.
8. Que bóia sozinho na água.
9. Que entra na água espalhafato ou feito um louco.
10. Que está namorando na água.
11. Que não tem idade para entrar em determinado mar.
12. Que mergulha ou sai da água de forma não usual.
13. Que fura as ondas de forma não usual.
14. Que leva caixotes seguidos e permanece na água.
15. Com areia no corpo ou dentro da sunga.
16. Com roupas inadequadas para o banho de praia.
17. Que brinca na água ou na vala de costas para a onda.
18. Que nada a favor da vala ou valão.
19. Que tem um comportamento assustado quando vem uma onda maior.
20. Que se assusta ou corre quando pisa na água.
21. Que tampa o nariz quando afunda a cabeça na água.

2.1.5 OBSERVAÇÕES DE SINAIS DE UMA VÍTIMA EM FASE DE


AFOGAMENTO
1. Expressão facial assustada ou desesperada.
2. Perdendo o pé na vala ou valão - afunda e volta a flutuar em pé.
3. Onda encobrindo o rosto da vítima que olha para a areia.
4. Nada e não sai do lugar.
5. Nada contra a força da vala.
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6. Vítima que nada em pé sem bater as pernas.


7. Vítima com o cabelo caindo na face.
8. Vítima batendo os braços na água sem deslocamento.

2.2 PARTES ESSENCIAIS DE UM SOCORRO

• Reconheça a necessidade do socorro.


• Chame por ajuda ou avise alguém antes de iniciar o socorro.
• Decida o local por onde irá atingir a vítima e o material que irá utilizar.
• Aborde a vítima com a estratégia mais adequada e mais segura.
• Transporte à vítima até a praia ou chame por ajuda mais adequada a situação
• Durante o resgate, o guarda-vidas deve manter-se calmo, julgar e
decidir a cada etapa do resgate, e acima de tudo não se expor ou ao
paciente a riscos desnecessários.

2.2.1 O Socorro

Para avaliar o risco e o método de resgate a ser utilizado, o guarda-


vidas deve avaliar:

• As condições do mar
• As condições da(s) vítima(s)
• O equipamento disponível para o resgate
• A disponibilidade e habilidade dos recursos humanos para o resgate.
• Sempre comunicar estar partindo para um resgate.

2.2.2 VIGILÂNCIA E PLANEJAMENTO DO SOCORRO

A vigilância da área se constitui como o primeiro passo para o socorro ser


acionado. A solicitação para emprego do guarda-vidas ou quaisquer meios de
salvamento aquático, pode ser realizada pessoalmente ou através de um meio
de comunicação (rádio, telefone e outros). Este emprego pode ocorrer também
devido a observação feita durante as ações preventivas e, neste caso, o aviso
pode ser suprimido devido à visualização de uma situação que evidencia o
perigo iminente. É bom lembrar que caso o socorrista parta para um
atendimento sem dar o aviso inicial não haverá equipe vindo em seu suporte,
portanto todo socorrista deve avisar do início do socorro.

2.2.3 ENTRADA NO MAR


Ao visualizar o afogado em necessidade de ajuda, avalie:

1) Qual o meio mais rápido e seguro para você e para sua vítima?
• Geralmente a corrente de retorno (vala) é o meio mais rápido, entretanto as
vezes pode ser mais rápido entrar por um banco de areia ou um costão.
2) Qual o material de salvamento que você dispõe que vai lhe ser mais útil para
ajudar no salvamento ?

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3) A nadadeira deve ser um material obrigatório no socorro e só deve ser


dispensada em casos excepcionais.

2.2.4 APROXIMAÇÃO DO AFOGADO

É a aproximação do guarda-vidas ao afogado podendo ser realizado pelo nado


de aproximação ou através de outros meios quando se utiliza equipamento de
salvamento como helicópteros ou barcos. A aproximação deve ser feita pelo
local mais seguro para o socorrista e a vítima. A aproximação do guarda-vidas
até a vítima deverá ser feita em nado de “aproximação”, que é uma variante do
nado estilo “craw”. Neste estilo a cabeça do socorrista deverá ficar para fora da
água, de forma a facilitar a visualização da vítima. A vantagem dessa variante
consiste na maior velocidade de deslocamento e na maior garantia de não se
perder o afogado de vista.

2.2.5 ABORDAGEM DO AFOGADO

É o contato do guarda-vidas e/ou dos meios de salvamento com a vítima. Esta


abordagem deve levar em consideração o estado da vítima:
• Vítimas inconscientes: abordagem direta. Caso o guarda-vidas tenha algum
material de salvamento este será utilizado após a abordagem corporal da
vítima.
• Vítimas conscientes e tranqüilas: aborde a vítima de longe explicando-a como
você socorrista irá fazer para ajudar.
• Vítimas conscientes e desesperadas: O socorrista deve oferecer o material de
salvamento (rescue-can, rescue-tube, pranchão e outros) antes de entrar na
zona de contato corporal com a vítima. Caso o socorrista não possua material, a
abordagem deve ser realizada, parando-se a 2 m antes da vítima, mergulhando
por baixo dela para que a abordagem seja pelo dorso da vítima, reduzindo o
risco de lesões. A técnica recomenda que a abordagem seja feita pelas costas
da vítima, o que evitará que ela se agarre ao guarda-vidas. Entretanto, isto não
ocorre com facilidade,
pois a vítima, instintivamente, estará sempre voltada para o guarda- vidas.

2.2.6 DESVENCILHAMENTO OU JUDÔ AQUÁTICO

São técnicas para o salva-vidas separar-se da vítima quando esta agarrar-lhe


durante o salvamento , comprometendo com isto a sobrevivência de ambos ao
sinistro.

É regra geral que em qualquer caso , quando o salva-vidas for agarrado pelo
afogado deve-se afundar com ele . Subitamente, quem se afoga, procura ficar
com a cabeça fora d’água para respirar , soltando o salva-vidas.
Tipos de agarre e Desvencilhamento
1. Agarre frontal dos dois punhos do salva-vidas

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2. Agarre frontal com os braços


3. Agarre pelas costas
4. Agarre frontal de um punho com desvencilhamento ,com utilização do pé
5. Desvencilhamento duplo com utilização de dois salva-vidas

Agarre frontal dos dois punhos dos salva-vidas

Com um movimento firme dos braços e ante-braços para cima ou para baixo
conforme a posição dos polegares soltamo-nos de uma das mãos. Estando livre,
segura-se o pulso do afogado soltando-se da mesma maneira a outra mão ,
fazendo virar de costas e de imediato colocando-o em posição horizontal.

Agarre Frontal com os Braços

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Nesse caso o afogado agarra-se de frente, braços em redor do pescoço, sempre


procurando manter-se na superfície. Presumindo-se que o momento do
afogado esteja a sua direita, tomar-se-á uma inspiração profunda e submerge-
se com a vítima. Com a mão direita no queixo da vítima e a mão esquerda no
cotovelo direito do afogado, faz-se um movimentos brusco e enérgico ,
empurrando o queixo e o cotovelo para cima, afundando em seguida , sem
soltar o cotovelo e tomando o seu pulso com a mão livre fazendo-lhe virar de
costas e colocando-o na posição horizontal.

Agarre pelas Costas

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Nesse caso a vítima agarra-se ao salva-vidas pelas costas, braços em redor do


pescoço, sempre procurando manter-se na superfície . Imediatamente inspira-
se e submerge-se. Coloca-se uma das mãos por baixo do cotovelo da vítima e a
mão seguinte irá tomar ao pulso do mesmo braço. Empurra-se o cotovelo para
cima e puxa o pulso para baixo, submergindo-se em seguida. Mais uma vez faz-
se com que a vítima fique de costas , imobilizando-o e colocando-o na
horizontal.

Agarre Frontal de um punho com desvencilhamento , com utilização


do pé

Nesse caso a vítima agarra-se com as duas mãos o pulso do salva-vidas. Com
uma mão livre, supondo-se as direita, segura o pulso correspondente da vítima
. Passa-se o pé direito por cima dos braços colocando-o sobre o ombro
esquerdo. Empurra-se energicamente, puxando o braço preso para soltar-se o
que certamente acontecerá. Coloca-se o afogado de costas e sempre na
horizontal.

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Desvencilhamento Duplo com Utilização de dois Salva-vidas

Nesse caso , supondo-se que o salva-vidas não consiga desvencilhar-se do


afogado , o outro salva-vidas aproxima-se por trás do de qualquer um deles,
com as duas mãos pega-o pelo queixo e apóia um dos pés por cima do ombro .

Observação:
Depois de desvencilhar-se , deve-se colocar a víima de costas para si e em
posição horizontal evitando com isso novas tentativas de agarramento.

2.2.7 SAÍDA DO MAR – PLANEJAMENTO


Após a vítima ter sido abordada, o socorrista terá que decidir por onde é mais
seguro e rápido sair da água. Esta decisão deverá ser baseada em algumas
considerações:
1. Que o socorrista conheça previamente ao socorro, as condições do
mar no local tais como as correntes, bancos de areia, etc, utilizando
desta forma a natureza a seu favor.
Reconheça a vala e o banco de areia de dentro da água. Realizar marcações
em terra destes pontos geográficos ajuda muito e orienta sua saída de forma
mais rápida.
Pratique logo cedo ao chegar a praia, quais são os pontos de saída mais
eficazes.
2. Como está a vítima – Consciente ou inconsciente?
Consciente, podendo ajudar – Não há urgência em chegar a areia, planeje
com calma, levando em consideração que às vezes é melhor uma saída mais
longa e segura do que outra curta e cheia de percalços.

Consciente, NÃO podendo ajudar – A urgência nestes casos é tão somente


relativa ao esforço que o socorrista deverá executar para a retirada da vítima
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da água. Escolha o caminho mais curto para sua segurança conforme sua
capacidade física. Por vezes é melhor se dirigir para fora da arrebentação e
aguardar reforço.

Inconsciente - O socorrista terá que executar todo socorro sem ajuda e de


forma urgente deverá chegar à praia. Neste caso o caminha mais curto, embora
possa gerar mais esforço é o ideal, se for possível de ser executado.
3. Qual o equipamento de salvamento que está sendo utilizado?
Sem equipamento – A saída deverá ser planejada pelo banco de areia, ou
utilizando o local com o maior número e força de ondulações em direção a
praia, contanto que seja seguro ao socorrista e vítima.
Nadadeiras + equipamentos (rescue-tube ou rescue-can) ou 2 guarda-vidas –
Seguir a estratégia sem equipamento, ou tentar sair contra a corrente de
retorno, se esta não for forte.
Pranchão – A saída deverá ser efetuada pela linha entre o banco de areia e a
corrente de retorno.
Moto-aquática ou bote inflável – A saída deverá ser feita pela corrente de
retorno.

2.3 PRIMEIRA AVALIAÇÃO E REBOQUE NA ÁGUA

2.3.1 CONSCIENTE OU INCONSCIENTE

SEM MATERIAL
É aquele salvamento que se caracteriza pela ação de um ou mais guarda-vidas,
sem utilizaçãode equipamento de proteção individual, de flutuação, ou de
tração, no resgate da vítima. Nos dias de hoje apenas se admite um socorro
sem material em casos excepcionais onde o socorrista encontra-se no local,
mas não esta em trabalho.
Todos os guarda-vidas devem sempre estar portando nadadeiras durante
serviço. Embora por alguns não seja considerada como material de salvamento,
e sim uma extensão do uniforme obrigatório do guarda-vidas.

SUPORTE BÁSICO DE VIDA NA ÁGUA: A necessidade de suporte básico de


vida ainda dentro da água depende do estado de consciência da vítima. Para
vítimas conscientes ou sabidamente vivas (movimentando-se) não há
necessidade do suporte básico de vida na água e somente quando chegar a
areia. Para vítimas inconscientes o suporte básico de vida ainda dentro da água
pode reduzir a possibilidade de morte em 50%, o que o torna em um
procedimento de vital importância (veja primeiros socorros na água).

RESGATE
É a retirada da vítima do meio líquido para a área seca (areia), geralmente
realizada através do nado de reboque.

NADO DE REBOQUE - É o nado utilizado para o reboque de uma vítima.


Caracteriza-se pela posição lateral que o guarda-vidas assume na superfície da
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água, trazendo a vítima sempre voltada para cima, mantendo-se as vias aéreas
fora da água. É dividido em dois movimentos:

Pernada: Chamada de “pernada de tesoura”. Partindo da posição totalmente


estendida, o guardavidas recolhe as pernas, de maneira que a perna mais
próxima da superfície da água se dobre trazendo o joelho o mais próximo do
peito, enquanto a outra perna se flete tentando tocar o glúteo com o calcanhar.
Após o recolhimento, ambas as pernas se alongarão na maior amplitude
possível, havendo então um violento movimento de impulsão, ao fim do qual as
pernas deverão estar unidas e esticadas, próximo a linha da água, deixando o
corpo totalmente estendido.

Braçada: Simultaneamente ao movimento das pernas, o braço que estiver


submerso tracionará a água no momento em que as pernas estiverem se
encolhendo, e se esticará quando ocorrer a impulsão da pernada. O braço deve
descrever um oito por ocasião do tracionamento. O outro braço esta na posição
de reboque segurando a vítima por cima do peito até a mão do socorrista
alcançar a axila ou o peitoral contralateral fornecendo maior firmeza ao
socorrista.

2.3.2 Tipos de Reboque

1) Reboque da Cruz Vermelha: O guarda-vidas tomará a posição de


reboque, o que consiste em passar o braço esquerdo (ou direito) sobre o ombro
esquerdo (ou direito), colocando a mão esquerda (ou direita) sob a axila direita
(ou esquerda) do afogado, colocando-o em posição horizontal, de costas e com
apoio no quadril do guarda-vidas. Em conseqüência desta posição de reboque,
a vítima estará dominada, permanecendo com as vias aéreas fora d’água; fato
este que a faz sentir-se mais segura. O guarda-vidas deverá conversar com a
vítima acalmando-a e reforçando o fato dela estar segura e viva conseguindo
desta forma sua ajuda batendo os pés.
Como o guarda-vidas terá um braço e ambas as pernas livres, nadará
lateralmente.

2) Reboque pelas axilas ( braço cruzado sobre o peito: Reboque fixando-


se o braço sob a axila e a mão na nuca, tomando a posição anteriormente
descrita. É a maneira mais favorável para se rebocar uma vítima em pânico,
pois esta posição praticamente imobiliza um braço da vítima e deixa o outro
sem condições de agarrar o socorrista. Pode ser realizado por um ou dois
guarda vidas. Só deve ser realizada em casos de vítimas conscientes e agitadas.

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3) Reboque pelo queixo: É o mais cômodo e fácil para o guarda vidas,


entretanto somente poderá ser aplicado em vítimas absolutamente calmas e
confiantes, como nadadores cansados, por exemplo, ou mesmo em longos
percursos.

4) Reboque pelos cabelos ( não recomendado ): Este reboque é de fácil


aplicação e aprendizagem, pois o braço estendido segura a vítima a uma certa
distância, interferindo muito pouco no nado do guarda–vidas. É uma técnica
muito útil em águas calmas e para longas distâncias, mas a vítima deverá estar
inconsciente ou semiconsciente. O guarda-vidas tem pouco controle, sem
contar que esta técnica não é muito confortável, nem transmite segurança à
vítima. Após o nivelamento do corpo da vítima na água, usando o método do
queixo ou axila, o socorrista faz contato colocando a mão na parte de trás da
cabeça da vítima, com os dedos parcialmente abertos e enfiados nos cabelos
em direção à testa agarrando o máximo possível de cabelo. Abaixando
ligeiramente a mão que segura os cabelos, o guarda-vidas corrigirá o ângulo de
seu braço e virando de lado começa a rebocar a vítima, tendo o cuidado de
verificar sempre se o rosto dela estar fora d’água. O braço que rebocar a vítima
deverá estar reto, mas não rígido, a fim de não prejudicar a progressão na
água. É um método pouco utilizado para salvar, sendo aplicado mais
comumente em reboque de cadáveres.

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5) Reboque pelo punho: Esta técnica poderá ser utilizada em vítimas


passivas e é a seqüência natural de uma aproximação pela frente e pela
superfície. Após a vítima ser virada de costas, o braço que está rebocando
deverá manter-se reto ao puxar a vítima, verificando sempre para que sua
cabeça esteja fora da água. Ajustando a maneira de virar o pulso de vítima, seu
rosto ficará na superfície. Se o contato inicial foi na axila ou queixo da vítima, o
guarda-vidas deverá posicioná-la dando fortes pernadas enquanto usa um dos
braços para colocar o braço correspondente da vítima para trás. Segura o pulso
com firmeza na posição correta e inicia o reboque pelo pulso. Se as condições
da água, o tamanho e peso da vítima não favorecerem este método ou se a
vítima estiver agitada, o socorrista deverá estar preparado para mudar o tipo de
reboque.

6) Reboque pela roupa ou colarinho: Esta técnica é similar ao reboque


pelos cabelos, exceto na mudança do lugar segurado pelo guarda-vidas,
passando do cabelo para a camisa ou casaco na altura das espáduas. O gesto
para segurar a vítima é feito com a palma da mão para baixo, deixando folga
na roupa de modo a não interferir na respiração da vítima. Se ela for passiva, o
braço que a reboca poderá servir de apoio para a cabeça.

7) Reboque pelos Ombros


utiliza-se para vítimas que saibam nadar o que estão muito estafados,com
cãibras [Link]ça.-o flutuar do costas, separando as pernas com os braços
estendidos sobre seus ombros. Utilize o nado peito para rebocá-lo.

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8) Reboque por entre os braços , nas costas

Este tipo de transporte imobiliza completamente o afogado que debate-se ou


até mesmo torna-se agressivo , facilitando o trabalho de socorro.
Coloca-se o afogado de rosto para cima , passando-lhe o braço por entre os
braços pelas costas, dando-lhe uma “chave de braço”. É necessário sempre
conversar com o afogado .

2.4 Salvamento Equipado

Como principais benefícios de se utilizar materiais de salvamento temos:


• Segurança para o socorrista – a vítima agarra o material.
• Segurar a bóia de salvamento acalma as vítimas.
• Sustentar a vítima a superfície sem exaurir demais o socorrista,
permitindo os primeiros
• socorros dentro da água.

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• Reduz o desgaste físico e aumenta a velocidade de retirada da vítima de


dentro da água.
• Permite salvamento de múltiplas vítimas.

2.4.1 MATERIAL DE ALCANCE AO AFOGADO


Caracteriza-se por um tipo de material que o auxilia a fazer o socorro a
distancia, sem o efetivo contato físico. É bastante útil caso a vítima esteja ao
alcance como em lagos, piscinas.

1. Bicheiro / Vara com Gancho


É uma vara comprida, leve, em alumínio ou em madeira, com um gancho
enorme na ponta capaz de circundar o corpo de uma pessoa. Este instrumento
deverá estar pendurado num lugar de fácil acesso e aos olhos de todos. O
gancho pode ser colocado rapidamente em torno do peito, abaixo das axilas, e
é de muita utilidade quando a vítima encontra-se inconsciente ou incapaz de
segurar qualquer outro instrumento de socorro. O socorrista a pesca utilizando
o gancho e a puxa lentamente para um lugar seguro. A utilização de alumínio
leve na confecção da vara torna o
instrumento mais prático e fácil de ser usado.

2. Bóia e Corda Salva-Vidas

A bóia e a corda são equipamentos indispensáveis a toda área dos desportos


aquáticos. A bóia salva-vidas pesa pouco mais de 1kg e é feita de material
flutuante como a cortiça, paina, espuma de borracha ou plástico sólido. Ela é
atrelada
a uma corda de 15 a 25 metros de polietileno ou cânhamo com 80mm de
espessura. Na outra ponta, esta corda é pendurada ou apoiada em um local
que permita o seu desenrolar ao ser lançado a bóia. O socorrista deve ficar
posicionado num local onde
não corra o risco de ser levado pelo vento ou mesmo pela onda do mar e a
uma altura que fique ao alcance de fazer o lançamento e visualizar o afogado.
O socorrista segura a bóia “salva-vidas” com a mão que irá efetuar o
lançamento. Prendendo-se no lado oposto estará a corda enrolada de maneira
a não comprometer o lançamento, facilitando para que a corda corra
livremente.
O objetivo do lançamento da bóia é ultrapassar o local onde se encontra o
afogado, de forma que a corda fique na direção por sobre a vítima ou o mais
próximo dela. Desta forma assim que a vítima agarrar a bóia ou a corda, o
socorrista inicia o processo de reboca-la para longe do perigo, puxando
cuidadosamente para que a vítima não solte a bóia salva-vidas.
Se estiver ventando contra, o lançamento deve ser no sentido do vento e não
em linha reta na direção da vítima, a fim de que a correnteza arraste o salva-
vidas até o alcance da mesma. Se o lançamento não for bem feito, ele poderá
ser repetido puxando-se o salva-vidas de volta pela corda. O socorrista deve se
posicionar sempre de lado em relação à corda na água. A mão que fez o
lançamento deve segurar a corda com os dedos para baixo, tendo os dedos
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mínimos na direção da bóia. As mãos se alternam na extensão máxima do


braço, puxando a corda rapidamente e depois a enrolando para novo
lançamento.
Se à distância, lançamentos inadequados ou a ação do vento não permitir que a
bóia chegue perto da vítima, ele deve procurar uma alternativa mais eficaz. Se
a pessoa não souber nadar ou nadar mal, o jeito será tentar novamente o
lançamento. Mas se o socorrista souber nadar e tiver treinamento em
salvamento aquático, poderá nadar até a vítima levando a “bóia salva-vidas”.

3. Materiais Improvisados

Salvamentos por lançamentos: Quando a vítima estiver fora de alcance do


braço ou da extensão do corpo, o socorrista poderá utilizar uma toalha ou
peças do vestuário como o cinto, camisa ou casaco. Qualquer outro objeto
poderá ser usado tais como: um remo, vara ou galho de árvore.

• Corda de lançamento(foto): Qualquer corda devidamente enrolada e


lançada pode ser utilizada no socorro de uma pessoa que esteja a 9 ou 12
metros de distância. Por causa do leve peso da corda, ela é muito eficaz
principalmente se tiver um peso (garrafa de refrigerante lacrada com 3 dedos
de água) ou nó na ponta para direcioná-la.
• Poste de segurança: Qualquer pessoa pode fazer um “poste de segurança”
com a bóia salva-vidas. Utiliza-se neste caso material improvisado. No lugar da
bóia utiliza-se um recipiente com volume acima de 4 l que possa ser lacrado
com uma tampa, de preferência de plástico. A corda de 12 metros é amarrada
ao poste de um lado e a garrafa no outro lado. Aproximadamente três dedos de
água, deverão estar contidos dentro do recipiente ou no seu interior deverá
conter algum peso para dar direção quando for lançado.
• Vara: Uma vara de bambu de 3 ou 4 metros pode muito bem ajudar se a
distancia do resgate improvisado for menor do que a vara.
• Balde e ou Garrafa de plástico: Uma boa peça no material de salvamento
pode ser uma garrafa de plástico de mais de 3 a 4 litros, com três dedos de
água. Amarra-se uma corda na garrafa e enrola-se a corda colocando-a num
lugar conveniente. Antes de lançar a garrafa, o socorrista deve certificar-se de
que a outra extremidade da corda está laçada no pulso ou presa no pé com
firmeza.
A corda deverá estar enrolada de tal maneira a não prejudicar o lançamento. O
lançamento é feito com a garrafa em movimento de pêndulo. A vítima agarra a
garrafa e é puxada lentamente para for a d’água. Preste atenção para que o
socorrista não puxe a vítima com força demais e ela solte a garrafa ou devagar
demais e a vítima fique com a cabeça abaixo d’água.
• Salvamento usando um pneu de carro (foto): Numa emergência, o
estepe ou mesmo o pneu do carro poderá tornar-se um excelente instrumento
de salvamento. O socorrista o rodará até a água e depois o empurrará
enquanto nada. Um recurso para facilitar o deslocamento do pneu na água: o
socorrista pressiona um dos lados da

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roda inclinando o lado oposto tornando-a mais fácil de deslizar na água. A


câmara de ar do pneu devidamente cheia poderá suportar o peso de várias
pessoas. Para que a vítima não tenha problemas em agarrar o pneu, o
socorrista levantará seu lado ligeiramente de modo a abaixar o lado oposto.
Assim que a vítima estiver segurando o pneu bem firme, o socorrista iniciará o
percurso de volta à praia ou lugar seguro.

2.4. 2 MATERIAL DE CONTATO COM O AFOGADO


Caracteriza-se por um tipo de material que o auxilia a fazer o socorro próximo a
vítima, com o efetivo contato físico. Constitui a base dos salvamentos em praias
e locais onde as vítimas encontram-se distante do socorrista. É o material mais
utilizado no salvamento profissional, e deve, quando possível, fazer parte do
material pessoal.

Suas características são:


• Portabilidade – fácil de carregar
• Identifica sempre o profissional de salvamento facilitando sua
identificação no meio do público
• Identifica que a torre de salvamento tem guarda-vidas em alerta.
• Facilita sua localização dentro da água para outro socorrista.
• Pode ser utilizado como material de arremesso no caso de
impossibilidade de atingir a vítima pela água. ( ex. penhascos )
• Pode ser utilizado para melhorar a visualização na hora de sinalizar da
água para areia ou viceversa.
• Pode ser utilizado como material de defesa pessoal (rescue-can)

1. Rescue-Can

O rescue-can (lata de resgate) ou Torpedo (Argentina) ou boi a rígida,


inventada em 1897, na Àfrica do Sul, é o desenvolvimento moderno (1970) do
Sr Burnside. É um material de plástico rígido com seu interior oco ou de isopor.
É visto também em

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fibra de vidro, mas o melhor material é feito de plástico, por sua maior
durabilidade. Possui um parafuso que permite a retirada de água, caso
necessário. Possui três alças para serem seguras por vítimas de afogamento ou
utilizadas pelo socorrista para rebocar um afogado. È disponível em diferentes
tamanhos para diversas situações.

Na extremidade afunilada encontra-se afixado uma corda de nylon de 10mm


com comprimento aproximado de 2m e na extremidade final da corda possui
uma tira larga também em nylon a qual o socorrista utiliza para se prender ao
equipamento.

Como usar o rescue-can partindo da areia


1. Deixando o material preparado na areia
• Coloque o rescue-can enterrado na areia, em pé com o parafuso para
baixo, com sua parte superior ligeiramente voltado para o mar.
• Coloque a alça do ombro por sobre a alça lateral.
• Coloque suas nadadeiras cruzadas a esquerda, a uma distancia de um
metro.
2. Ao partir para o socorro
• Coloque a mão direita na alça do rescue-can, e com a outra mão vista o
estrepe do material por sobre a cabeça.
• Segure a nadadeira com a mão esquerda e corra para o local que
escolheu como mais rápido para atingir a vítima pela água. A nadadeira
nestes casos não é obrigatória e cabe ao socorrista julgar sua
necessidade ou não.
3. Ao entrar na água
• Cuidado com buracos, pessoas e objetos na água.
• Mantenha contato visual com a vítima
• Corra pela água retirando ao máximo o pé/perna a cada passo, para
reduzir o arrasto com a água, até que a água esteja acima dos joelhos.
• Solte o rescue-can para trás.
• Passe uma nadadeira para a outra mão livre
• Inicie os mergulhos tipo golfinho (use também a areia para lhe dar maior
impulso sob a água ou ao passar as ondas) até alcançar a altura do
umbigo.
• Dê as costas às ondas e vista suas nadadeiras rapidamente e parta
nadando em direção ao afogado.

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• Use nado de aproximação com a cabeça elevada para visualizar o


afogado e passe por sob as ondas.

4. Aproximando-se da vítima – identifique nível de consciência – CONSCIENTE


ou
INCONSCIENTE?

5. Vítimas conscientes ou solicitas a ajudar - fala e/ou se movimenta


• Pare a 2 m da vítima e puxe o rescue-can para si e o coloque entre você
e a vítima.
• Ofereça o material para vítima agarrar.
• Deixe a vítima acalmar conversando com ela e avalie a situação
• Sinalize para o outro Guarda-vidas esta a situação (veja sinalização
água-areia)
• Explique o procedimento para o retorno a areia
• Peça a vítima para ajudar, batendo a perna, e fique sempre de olho nela
enquanto nada em direção a areia.
• Na região de arrebentação, em caso de onda, abrace a vítima e a bóia
ao mesmo tempo, de forma que você possa mergulhar ou apenas vira-la
de face para a areia evitando novas aspirações.
• Ao chegar ao raso, retire suas nadadeiras e as segure com uma mão,
deixe a vítima segurar a bóia, e a segure pelo braço, levando-a até a
área seca.

• Forneça o Suporte Básico de Vida(BLS) e avalie a necessidade de acionar


socorro médico
• Visualize se existe algum outro socorro na área.
• Cheque visualmente o outro socorrista
• Volte para o seu posto e preencha o boletim de socorro.
• Mantenha sua visão na área primária

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6. Vítimas Cansadas ou Inconscientes - não há movimentos ou são


lentos
• Pare a 2 m da vítima e mergulhe de forma a ficar por trás dela.
• Segure-a na superfície com a face voltada para cima
• Posicione-se em frente ao tórax da vítima e coloque o seu braço que
está mais próximo dos pés da vítima por sob as axilas da vítima de forma
a elevar o tórax, estender o pescoço e abrir as vias aéreas
• Puxe o rescue-can para si e o segure do outro lado do tórax da vítima.
• Cheque a respiração. Se não houver respiração, faça de 5 a 10
ventilações e inicie o reboque para areia. Pare a cada 10 m para fazer
novo ciclo de ventilações.
• Caso tenha respiração, reboque a vítima para a areia, rechecando a
existência de respiração a cada 3 minutos.
• Sinalize para o outro Guarda-vidas a situação (veja sinalização água-
areia)

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• Na região de arrebentação, em caso de onda, abrace a vítima e a bóia


ao mesmo tempo, de forma que você possa mergulhar ou apenas vira-la
de face para a areia evitando novas aspirações.
• Ao chegar ao raso, retire suas nadadeiras, solte o rescue-can e segure a
vítima para transporta-la até a área seca, aonde será reavaliada.
• Forneça o Suporte Básico de Vida(BLS) e avalie a necessidade de acionar
socorro médico
• Cheque visualmente o outro socorrista e peça ajuda.
• Volte para o seu posto e preencha o boletim de socorro.
• Mantenha sua visão na área primária

2. Rescue-Tube

O rescue-tube ou tubo de resgate é um tubo fabricado em espuma sintética de


alta flutuabilidade e flexibilidade. Possui em uma de suas extremidades uma
mola mosquetão em aço inoxidável e na outra extremidade uma fita larga com
duas ou três argolas, também em aço inoxidável. A mola e as argolas são
utilizadas pelo socorrista para prender a vítima de acordo com o seu tamanho,
na ultima argola prende-se uma corda de nylon de alta resistência com
comprimento aproximado de dois metros.
Na extremidade final da corda, uma tira larga(estrepe), também em nylon é
utiliza pelo socorrista para se prender ao equipamento. Cuidados devem ser
tomados para que a corda não se enrole no socorrista ou na vítima durante o
socorro, ou pelo hélice do barco. É um equipamento utilizado por inúmeros
Guarda-Vidas de todo o mundo, pois sua maneabilidade permite ao socorrista
estar sempre com ambas às mãos livres. Isso permite maior segurança a
vítima, e ao socorrista (caso a vítima esteja consciente) utilizar qualquer estilo
de natação, sempre com a atenção voltada para o afogado. Este equipamento
também permite ao socorrista, após o afogado estar seguro pelo rescue-tube,
ser usado como uma bóia maior por outros afogados.

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Como usar o rescue-tube partindo da areia

1. Deixando o material preparado na areia


• Enrole a corda ao redor do material a distancia de duas palmas da
extremidade mais próxima.
• Coloque a bóia na areia voltada com a face menor para cima e apontada
com a parte da corda enrolada para a água.
• Posicione o final da corda (o estrepe do ombro) aberta por sob a bóia
(foto da corda enrolada no rescue-tube na areia ).
• Coloque suas nadadeiras cruzadas a esquerda, a uma distancia de 1 m.

2. Ao partir para o socorro


• Coloque a mão direita na alça do rescue-tube, e com a outra mão vista o
estrepe do material por sobre a cabeça (foto vestindo o estrepe do
rescue-tube)
• Segure a nadadeira com a mão esquerda e corra para o melhor local
para atingir a vítima pela água.

3. Ao entrar na água
• Cuidado com buracos, pessoas e objetos na água.
• Mantenha contato visual com a vítima
• Corra pela água retirando ao máximo o pé/perna a cada passo, para
reduzir o arrasto com a água, até que a água esteja acima dos joelhos.
• Solte o rescue-tube para trás.
• Passe uma nadadeira para a outra mão livre
• Inicie os mergulhos tipo golfinho (use também a areia para lhe dar maior
impulso sob a água ou ao passar as ondas) até alcançar a altura do
umbigo/tronco.
• Dê as costas as ondas e vista suas nadadeiras rapidamente e parta
nadando em direção ao afogado
• Use nado de aproximação com a cabeça elevada para visualizar o
afogado e passe por sob as ondas.

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4. Aproximando-se da vítima – identifique nível de consciência – CONSCIENTE


ou INCONSCIENTE ?

5. Vítimas conscientes ou solicitas a ajudar - fala e/ou se movimenta


• Pare a 2 m da vítima e puxe o rescue-tube para si e o coloque entre
você e a vítima.
• Ofereça o material para vítima agarrar.
• Deixe a vítima acalmar conversando com ela e avalie a situação
• Sinalize para o outro Guarda-vidas como esta a situação (veja sinalização
água-areia)
• Coloque o tubo em volta da vítima e certifique-se que esteja bem preso
ao redor e rente ao tórax e as axilas.
• Explique o procedimento para o retorno a areia
• Peça a vítima para ajudar, batendo a perna, e fique sempre de olho nela
enquanto nada em direção a areia.
• Na região de arrebentação, em caso de onda, segure a bóia com a face
da vítima voltada para a areia evitando novas aspirações.
• Ao chegar ao raso, retire suas nadadeiras e as segure com uma mão,
deixe a vítima com a bóia, e a segure pelo braço, levando-a até a área
seca e então tire a bóia.
• Forneça o Suporte Básico de Vida (BLS) e avalie a necessidade de
acionar socorro médico
• Visualize se existe algum outro socorro na área.
• Cheque visualmente o outro socorrista
• Volte para o seu posto e preencha o boletim de socorro.
• Mantenha sua visão na área primária

6. Vítimas Cansadas ou Inconscientes – sem movimentos ou


movimentos lentos
• Pare a 2 m da vítima e mergulhe de forma a ficar por trás dela.
• Segure-a na superfície com a face voltada para cima
• Coloque o tubo ao redor do tórax e encaixe o mosquetão para trás.
• Posicione-se em frente ao tórax da vítima
• Coloque seu braço por trás do tórax e segure a vítima
• Cheque a respiração. Se não houver respiração,faça de 5 a 10
ventilações e inicie o reboque paraareia. Pare a cada 10 m para fazer
novo ciclo de ventilações.
• Caso tenha respiração, reboque a vítima para a areia, rechecando a
existência de respiração a cada 3 minutos
• Sinalize para o outro Guarda-vidas a situação (veja sinalização água-
areia)
• Na região de arrebentação, em caso de onda, abrace a vítima e a bóia
ao mesmo tempo, de forma que você possa vira-la de face para a areia
evitando novas aspirações.
• Ao chegar ao raso, retire suas nadadeiras, e transporte à vítima até a
área seca, aonde seráreavaliado. Retire o rescue-tube.
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• Forneça o Suporte Básico de Vida(BLS) e avalie a necessidade de acionar


socorro médico
• Cheque visualmente o outro socorrista e peça ajuda.
• Volte para o seu posto e preencha o boletim de socorro.
• Mantenha sua visão na área primária

3. Life Belt
O life belt ou “cinto da vida” é um equipamento de formato similar ao rescue-
can, porém é fabricado em espuma sintética de alta flutuabilidade e
flexibilidade. Possui uma guia interna (alma) de nylon de alta resistência e duas
alças para serem seguras por outras vítimas de afogamento ou mesmo
utilizadas pelo socorrista.
O life belt tem em sua volta fitas largas de nylon para serem também seguras
por outras vítimas ou pelo socorrista em outra possibilidade de socorro. Possui
em uma de suas extremidades uma mola mosquetão em aço inoxidável e na
outra extremidade uma fita larga com duas ou três argolas, também em aço
inoxidável, as quais são utilizadas pelo socorrista para prender a vítima. Desta,
sai uma corda de nylon de 2 metros vem o estrepe que é colocado ao redor do
pescoço do socorrista e por baixo de um dos braços É um equipamento
moderno, pois absorve a utilidade de dois equipamentos em um só. É possível
encontra-lo no mercado Brasileiro, e sua utilização permite ao seu usuário estar
com ambas às mãos livres. Isso permite ao socorrista, dependendo do grau de
consciência do afogado, nadar longe do afogado enquanto o reboca, mantendo
atenção constante no afogado. Este equipamento
também permite ao socorrista, após o afogado estar seguro pelo life belt, ser
usado como uma bóia maior, por outros afogados também.

4. Pranchas e Rescue-board
Entre os anos de 1979 e 1998 houve uma redução de 18% no número de
mortes por afogamento. Embora esta redução não tenha uma explicação
definitiva até o momento, parece que vários fatores conjugados contribuíram
para este sucesso, como exemplo; a melhoria dos serviços de salvamento
aquático e a consciência de medidas de prevenção no Brasil. Outro deles, que
nos parece muito importante e pertinente é o grande aumento no número de
surfistas conscientizados em ajudar outras pessoas que estejam no “sufoco”
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dentro da água. O salvamento com prancha de surf é tão antigo quanto o


próprio descobrimento do surf no Hawaii e do salvamento aquático nos EUA. A
utilização e o sucesso do uso da prancha de surf e principalmente do pranchão
(acima de nove pés), estimulou a melhoria do material para o salvamento
resultando na criação do “rescueboard”. O “rescue-board” é uma prancha de 10
a
12 pés, com o triplo de espessura e flutuação, guardando o mesmo princípio
técnico de salvamento. Feita de isopor e epóxi se tornou mais leve e rápida,
podendo sustentar mais peso e vítimas.

As vantagens parecem ser, três vezes mais baratas, muita mais acessível a
qualquer um, e principalmente todos os profissionais que surfam já estão
acostumados com o seu uso. O pranchão ideal para o salvamento deve ter
acima de 3 m (10 pés), a maior espessura que o bloco de poliuretano permitir
para o “shape” (forma) e largura acima de 55 cm no deck. Desta forma sua
flutuação é capaz de sustentar o peso de dois adultos. É especialmente útil para
salvamentos em mares de pequeno tamanho (abaixo de 1m) onde pode chegar
mais rapidamente à vítima e fornecer sustentação de apoio ou ainda embarcá-
la e leva-la para um local seguro. Algumas pranchas possuem alças laterais
feitas de corda ou plásticas, utilizadas pelas vítimas para se segurar. Podem ser
utilizadas em mares maiores, porém o risco para vítima de cair da prancha ou
machucar-se durante o retorno a praia é grande devido as ondas. Para sua
utilização o socorrista deve ser cuidadosamente preparado na manipulação da
prancha: no sentar, no deitar, no remar e em girar. A capacidade do socorrista
salvar alguém dependerá de sua habilidade em lidar com os vários métodos e
condições nas quais uma prancha poderá ser usada. O treino dessas
habilidades deve ter feito em águas tranqüilas antes de tentar socorrer uma
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pessoa em lugares que tenham ondas ou águas agitadas. Outras pranchas (Fun
Board, Pranchinha e Body Board) podem e devem ser utilizadas no salvamento
improvisado, e como o princípio técnico é o mesmo descreveremos todos
abaixo.

Como usar a prancha partindo da areia (foto posição da prancha na


areia)
1. Deixando o material preparado na areia
• Coloque a prancha com a parafina para baixo na areia, ou lateralmente
(com o lado da parafina contrário ao sol) com a frente voltada para a
água.
2. Ao partir para o socorro
• Segure a prancha embaixo de um braço (foto correndo com a prancha)
• Corra para o melhor local para atingir a vítima pela água.
3. Ao entrar na água
• Cuidado com buracos, pessoas e objetos na água.
• Mantenha contato visual com a vítima
• Corra com a prancha embaixo do braço até que a água esteja na altura
da cintura.
• Solte a prancha a frente, deite-se no centro dela de forma que o bico
fique ligeiramente fora da água quando começar remar.
• Reme sempre com a cabeça elevada para visualizar o afogado, exceto na
hora de passarondas já arrebentadas quando terá 3 opções dependendo
do tamanho da espuma (evite sempre estar de lado para onda).
.
Em espumas maiores - Empurre o bico para baixo e passe por baixo da espuma
ou vire a prancha com o fundo para cima e segure-a até a onda passar e vire
novamente para reiniciar a remada.

Em espumas menores – levante o bico indo para parte de trás da prancha e


passe por cima da espuma

4. Aproximação da vítima
Procure aproximar-se pelo local mais seguro e rápido
Aproxime-se com o bico da prancha voltado para areia de forma a acelerar o
retorno (se possível).
5. Identifique nível de consciência – CONSCIENTE ou INCONSCIENTE?
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6. Vítimas conscientes ou solicitas a ajudar - fala e/ou se movimenta


• Pare a 2 m da vítima, sente-se e ofereça o bico da prancha (figura).
• Se a vítima estiver muita agitada ofereça o material para vítima agarrar.
• Deixe a vítima acalmar conversando com ela e avalie a situação.
• Explique o procedimento para o retorno a areia
• Sinalize para o outro Guarda-vidas como esta à situação (veja sinalização
água-areia)
• Peça a vítima seu pé e a ajude a embarcar na prancha (figura)
• Posicione-se com o seu tronco a altura das nádegas da vítima (figura)
• Reme e peça a vítima para remar também (figura)
• Em caso de onda forte, use seus braços para travar a vítima ao pranchão
e cuidado ao pegar a onda para não embicar e atrapalhar todo socorro
deixando a vítima cair (figura).
• Em caso de pranchinha ou body board onde a prancha pode não
oferecer sustentação suficiente à vítima, saia da prancha e peça à vítima
para subir nela e remar, enquanto você nada ao lado ajudando-a. Em
caso de onda, deite-se na parte traseira parcialmente sobre a vítima e
segure a prancha e a vítima ao mesmo tempo, deixando a espuma da
onda passar por sobre vocês, ou utilizando a sua impulsão para ir até a
areia (figura).
• Ao chegar ao raso, largue a prancha ou entregue-a a alguém e segure a
vítima pelo braço, levando-a até a área seca. Cuidado para sua prancha
não atingir um banhista.
• Forneça o Suporte Básico de Vida (BLS) e avalie a necessidade de
acionar socorro médico
• Visualize se existe algum outro socorro na área.
• Cheque visualmente o outro socorrista
• Volte para o seu posto e preencha o boletim de socorro.
• Mantenha sua visão na área primária

7. Vítimas Cansadas ou Inconscientes - não há movimentos ou são


lentos
Saia parcialmente da prancha e puxe a vítima para junto de você .
Coloque a cabeça da vítima em cima da prancha perto de sua face, e
passando o seu braço por baixo da axila da vítima, estenda o pescoço pelo
queixo abrindo as vias aéreas .
Veja, ouça e sinta a respiração .

• Se não houver respiração – faça 2 insuflações boca-a-boca(figura) e


cheque movimentos ou resistência a sua ventilação.

Se houver movimentos ou resistência a sua ventilação, embarque a


vítima, transporte até a praia, e faça os primeiros socorros na areia.
Se não houver, continue com o boca-a-boca até o retorno da respiração,
embarque a vítima, transporte até a praia, e faça os primeiros socorros na
areia.

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Como embarcar a vítima inconsciente (figura)


• Prepare-se para virar a vítima: Com a mão que estava na testa/nariz segure o
queixo e com a outra mão segure no braço da vítima (figura).
• Vire a posição da vítima de costas para de frente para prancha (figura).
• Coloque o seu braço, que está mais próximo a rabeta, por sob a axila da
vítima e o outro braço segure a borda da prancha e afunde-a perto da vítima
jogando o seu peso de encontro a ela e embarque a vítima (figura).
• Posicione a vítima reta por sobre a prancha utilizando a coxa do afogado
(figura).
• Embarque na prancha por traz e posicione-se com o seu tronco a altura das
nádegas da vítima e reme até a areia (figura).
• Ao chegar ao raso, deixe a prancha de lado, e transporte à vítima
colocando seu braço esquerdo por sob a axila esquerda da vítima e trave
o braço esquerdo da vítima. Seu braço direito por sob a axila direita da
vítima segurando o queixo de forma a abrir as vias aéreas e
desobstruindo-as, permitindo a ventilação durante o transporte (figura).
• Forneça o Suporte Básico de Vida (BLS) e avalie a necessidade de
acionar
• socorro médico
• Visualize se existe algum outro socorro na área.
• Cheque visualmente o outro socorrista
• Volte para o seu posto e preencha o boletim de socorro.
• Mantenha sua visão na área primária

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Materiais improvisados
O Socorrista dentro d'água poderá utilizar qualquer objeto de flutuabilidade
para evitar o contato corporal com a vítima. No entanto, ao se aproximar da
vítima e encontrá-la consciente, o socorrista deverá parar a uma distância
razoável e oferecer (empurrar) o objeto para o afogado. A vítima
instintivamente irá agarrar o objeto e aí então o socorrista irá embarcar a
vítima ou dar instruções claras para o processo de transporte até um lugar
seguro.

2.4.3 MATERIAL DE APOIO AO SALVAMENTO


1. Nadadeiras – Constituem o equipamento mais utilizado para o salvamento
aquático pelo aumento na velocidade na natação e no salvamento, por sua
leveza, portabilidade, preço, proteção aos pés em regiões de pedras e corais e
ajuda em buscas submersas. Utilizado na maioria dos resgates, principalmente
em locais de mar pesado, correntezas, e em casos de ressuscitação dentro da

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água. Sua utilização em locais rasos e resgates a curta distancia não parecem
ter beneficio já que aumenta o tempo de resposta ao socorro. Deve ter de
preferencia o calcanhar exposto pois desta forma sairá menos nas ondas. De
preferencia as nadadeiras devem ter flutuabilidade positiva para que não se
perca facilmente. Devem ser escolhidos de modo a ajustarem-se perfeitamente
aos pés evitando atritos ou caibras quando usados e terem flexibilidade
suficiente para não machucar o pés e a musculatura mas ser rígida o suficiente
para dar explosão ao utiliza-la.

2. Máscara e Snorkel (Tubo de ar) – São materiais utilizados nas buscas a


vítimas submersas.
Devem estar disponíveis como kit de emergência (máscara, snorkel e bóia de
sinalização) em cada torre de salvamento ou perto dela, nos caos onde o
código X (vítima submersa) é acionado.
• Máscara: As máscaras devem ser feitas de borracha macia e flexível com
viseira de vidro transparente à prova de choque e ajustada ao rosto por uma
tira única ou dupla. A viseira prende-se à borracha por meio de um metal não-
corrosivo. Algumas máscaras são equipadas com uma válvula que permite
retirar a água de dentro da máscara exalando pelo nariz. As máscaras com
saliência para o nariz permitem aos nadadores igualar a pressão do ar no
ouvido, obstruindo o nariz enquanto aumenta a profundidade do mergulho
(veja mergulho). Para a escolha da melhor máscara, o usuário coloca-a no
rosto sem a tira e observa se a máscara fixa-se quando o nadador inspira pelo
nariz.
• Snorkel / Tubo-de-ar – É um tubo de borracha no formato da letra J
medindo de 30 a 40cm de comprimento. Alguns são inteiriços enquanto outros
têm a parte curva em material flexível. Todos têm bocais feitos de borracha
macia e adaptável a qualquer boca. Estes bocais evitam que a água penetre na
cavidade bucal e seja aspirada.

3. Bóia Sinalizadora – busca de vítima submersa – código X


Quando a vítima desaparece da superfície, deve-se tentar recuperá-la com o
máximo de rapidez para que haja maior sucesso na ressuscitação. É importante

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saber o local exato que a vítima afundou. As observações de testemunhas não


treinadas em acidentes por afogamento devem ser levadas em consideração
com restrições, já que a excitação causada pelo acidente geralmente desorienta
a estimativa mais precisa da hora, local e circunstâncias do evento.
Nestas situações o uso de um equipamento de mergulho para a busca e
recuperação é fundamental. No entanto, é raro encontrar mergulhadores
prontos para socorrer uma vítima submersa em tempo de ressuscitá-la.
Portanto, faz-se necessário que socorristas utilizem um equipamento menos
eficaz, porém mais disponível no encontra da vítima submersa. A profundidade
da água, limpidez, temperatura, ondas ou correntes são fatores que devem ser
considerados numa busca e salvamento. Além disso, a ajuda disponível e o
equipamento de salvamento determinarão os procedimentos mais viáveis .

4. Carretel de Linha, Nós, e Cordas


Muito utilizado no passado, onde um socorrista era literalmente amarrado e
assim enfrentava o mar, indo em direção a vítima. Ao atingi-la agarrava se a ela
e era então puxado rapidamente para a margem. Embora possua a vantagem
de permitir maior segurança em locais de extrema correnteza onde a natação
de nada valerá ao socorrista para realizar o resgate, sua utilização depende de
no mínimo três socorristas, uma estratégia de resgate afinado para não afogar
vítima e socorrista, e o material deve estar rapidamente disponível para
utilização. É tradicionalmente realizado para resgates em rios, corredeiras,
cantos de pedra e outros locais onde o risco a segurança do socorrista é maior.
5. Material Médico (ver também em uso de oxigênio e ventilação)
O material médico, de apoio ao socorrista, para uso no local de acidente, deve
ser o mais simples possível. Este material deverá ser mantido em local de fácil
acesso, perto ou na torre de salvamento. Poderá ainda ser armazenado em um
veículo de apoio (supervisão) que possa estar no local da ocorrência em 5 a 10
minutos após a solicitação. Este material cabe todo em uma maleta de
70x20cm, que permite transportá-lo facilmente e pode ser encontrado no
mercado brasileiro. Esta maleta de primeiros socorros deve conter:

a) Um cilindro de oxigênio com capacidade mínima de 1,50 m3 (um metro


cúbico e meio) ou 400 (quatrocentos) litros.

b) Manômetro com válvula redutora, fluxômetro e circuito capazes de fornecer


oxigênio com controle de fluxo.

c) Sistema capaz de proporcionar assistência respiratória, constituindo-se de


uma máscara oro-nasal para ventilação artificial tipo portátil com as seguintes
características:
[Link] para oxigênio; 2. Material de silicone transparente ou similar; 3.
válvula unidirecional; 4. Entrada para ventilação com diametro de 15 a 22 mm;
5. adaptação em diferentes faces ou idades

d) Sistema de conexão do cilindro de oxigênio a máscara oronasal.

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2.5 Tranporte de Vítima

2.5.1 TRANSPORTE DA VÍTIMA DA ÁGUA PARA AREIA


O Transporte da vítima ou sua retirada da água até uma área seca depende, da
condição física do socorrista, do peso da vítima, do local onde ocorreu o socorro e
principalmente do estado de consciência da vítima.
Geralmente a vítima é transportada ou auxiliada até a areia, quando a água atinge a
altura acima dos joelhos.
VÍTIMAS CONSCIENTES
• Que podem andar por si – Devem ser acompanhadas pelo guarda-vidas que
deverá manter sempre contato visual ou físico até chegar a areia.
• Exaustas que não podem andar – Deverão ser transportadas pelo guarda-vidas. O
tipo de transporte utilizado varia conforme o número de guarda-vidas.

a. UM guarda-vidas
TRANSPORTE TIPO AUSTRALIANO – ( semelhante a retirada de Rauteck)
Preferido em casos de afogamento.

TRANSPORTE TIPO APOIO LATERAL – A vítima coloca o seu braço no ombro do


guarda-vidas que o apóia colocando o seu braço ao redor da vítima.

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TRANSPORTE TIPO BOMBEIRO – Contra-indicado em casos de afogamentos,


exceto em situações especiais como o transporte em condições adversas, como
exemplo em costões ou em risco iminente de vida ao socorrista.

b. DOIS guarda-vidas – TRANSPORTE TIPO CADEIRA

2.5.2 POSIÇÃO PARA OS PRIMEIROS SOCORROS NA AREIA

Ao transportar a vítima da água para a areia considere como


importante:
• Manter as vias aéreas desobstruídas permitindo a passagem
de ar durante todo o tempo.
• Reduzir o tempo de transporte para o início da avaliação e primeiros socorros
– escolha o trajeto mais rápido.
• Escolher o melhor local para a colocação da vítima, ou seja, visualmente 2
metros após a linha mais alta de areia molhada
• Se a areia tem qualquer inclinação, coloque a vítima em posição paralela
a água. Com o socorrista de costas para o mar a cabeça da vítima deverá ficar

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de preferência voltada para o lado esquerdo do socorrista. Se a areia não


apresenta inclinação, a posição em relação a água não tem importância.
A cabeça e o tronco devem ficar na mesma linha horizontal.
A água que foi aspirada durante o afogamento não deve ser retirada, pois
esta tentativa prejudica e retarda o início da ventilação e oxigenação do
paciente, alem de facilitar a ocorrência de vômitos.
Não procure objetos na boca da vítima, pois a sua ocorrência é menor que
0,3% e só acarreta atraso no início dos primeiro socorros.
Após colocar o afogado na areia em posição - INICIE A AVALIAÇÃO
IMEDIATAMENTE
1o - Cheque a resposta da vítima perguntando, “Você está me
ouvindo”?
2o - Se houver resposta da vítima ela está viva, e indica ser um caso de
resgate ou grau 1,2, 3, ou 4. Coloque em posição lateral de segurança (item 8
da figura) e aplique o tratamento apropriado para o grau. Avalie então se há
necessidade de chamar ambulância e aguarde o socorro chegar
Se não houver resposta da vítima (inconsciente) – Ligue ou peça a alguém
para chamar o Samu ou os Bombeiros, e,
3o - Abra as vias aéreas, colocando dois dedos da mão direita no queixo e a
mão esquerda na testa, e estenda o pescoço.
4o - Cheque se existe respiração - ouça e sinta a respiração e veja se o
tórax se movimenta – Se houver respiração é um caso de resgate, ou grau 1, 2,
3, ou 4. Coloque em posição lateral de segurança e aplique o tratamento
apropriado para o grau de afogamento.
5o - Se não houver respiração – Boca-a-boca - Obstrua o nariz utilizando a
mão da testa, e com os dois dedos da outra mão abra a boca e inicie a primeira
ventilação boca-a-boca observando a elevação do tórax, e logo em seguida a
seu esvaziamento faça uma segunda ventilação, e: (Ventilação de Resgate)
6o – Palpe o pulso arterial carotídeo ou cheque sinais de circulação
(movimentos ou reação à ventilação) - Coloque os dedos (indicador e
médio) da mão direita no “pomo de adão” e escorregue perpendicularmente
até uma pequena cavidade para checar a existência ou não do pulso arterial
carotídeo ou simplesmente observe movimentos na vítima ou reação a
ventilação realizada.
7o – Se houver pulso o caso é de parada respiratória - grau 5, mantenha
somente a ventilação com 12 a 20 vezes por minuto até o retorno espontâneo
da respiração.
Se não houver pulso ou sinais de circulação, retire os dois dedos do
queixo e passe-os pelo abdômen e localize o encontro das duas últimas
costelas, marque dois dedos, retire a mão da testa e coloque-a no tórax e a
outra mão por sobre a primeira e inicie 30 compressões cardíaca externa .
A velocidade destas compressões deve ser de 100 vezes em 60 segundos (cada
2 em 1,2 segundos). Em crianças de 1 a 9 anos ( ou até mais idade mas com
pequeno porte ) utilize apenas uma mão para as compressões. Mantenha
alternando 2 ventilações e 30 compressões, e não pare até que:

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a - Haja resposta e retorne a respiração e os batimentos cardíacos. Coloque


então a vítima de lado e aguarde o socorro médico solicitado no item 2, ou;
b – Você entregue o afogado a uma equipe médica, ou;
c – Você fique exausto.
Assim, durante a RCP, fique atento e verifique periodicamente se o afogado
está ou não respondendo, o que será importante na decisão de parar ou
prosseguir nas manobras. Existem casos descritos de sucesso na reanimação de
afogados após 2 horas de manobras e casos de recuperação sem danos ao
cérebro até 1 hora de submersão.
Notas importantes:
• Sempre inicie todo processo com apenas 1 guarda-vidas, para então após 2 a
3 ciclos completos de RCP, iniciar a alternância com 2 guarda-vidas. Mesmo
com 2 guarda-vidas a relação da RCP será 2:30.
• Os guarda-vidas devem se colocar lateralmente ao afogado e em lados
opostos.
• O socorrista responsável pela ventilação deve cuidar da verificação do pulso
no período da compressão e durante a parada para reavaliação, e de manter as
vias aéreas desobstruídas.
• Em caso de cansaço realize a troca rápida de função com o outro.
• Após os primeiros 5 ciclos completos de compressão e ventilação,
reavalie a ventilação e os sinais de circulação. Se ausente, prossiga a RCP e
interrompa-a para nova reavaliação a cada 2 minutos ou 5 ciclos
• Nos casos do retorno da função cardíaca e respiratória acompanhe a vítima
com muita atenção até a chegada da equipe médica (primeiros 30 minutos)
pois ainda não esta fora de risco.

3. Salvamento com Embarcações


Cada vez mais o homem e a máquina se integram no laser e no trabalho.
Se tivermos a oportunidade e o benefício de utilizar máquinas que nos possam
auxiliar, devemos conhecê-las em seu funcionamento e suas ações para que
possamos tirar desta relação o maior proveito em benefício dos banhistas. No
salvamento aquático as moto-aquáticas vem demonstrando serem de imensa
utilidade. São velozes, ágeis e fáceis de usar na água.

TERMINOLOGIA NÁUTICA

• Amarra - cabo de fixação do equipamento em sua carreta, podendo ser tanto


o cabo que fixa sua proa, quanto às cintas de bordo.
• Balanço - movimento oscilatório da embarcação de um bordo para outro.
• Bochechas - partes curvas do costado de um e de outro bordo junto à proa.
• Bombordo (BB) - é a parte esquerda de quem olha para a proa da
embarcação.
• Bordo - são as duas partes simétricas em que o casco é dividido, referindo-se
aos lados da embarcação.
• Boreste (BE) - é a parte direita de quem olha para a proa da embarcação.
• Caturro - movimento de oscilação vertical no sentido proa-popa.
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• Calado - é a distância vertical entre a superfície da água e a parte mais baixa


da embarcação.
• Carpas - navegação a 45º das ondas.
• Popa - extremidade posterior da embarcação (traseira).
• Proa - extremidade anterior da embarcação no sentido de sua marcha normal
(frente).
• Rabeta - dá direcionamento à embarcação, diferenciando do leme por ser
formada pelo conjunto da turbina impulsionadora.

PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS - Conservação do equipamento


A inspeção é o procedimento de início de qualquer operação com a moto-
aquática, mesmo queo serviço ocorra em um curto período. Deve-se seguir
exatamente conforme o disposto abaixo, e será feito pelo operador e socorrista,
sendo que o primeiro é o responsável pelo preenchimento do formulário. O
operador deve ter em mãos o formulário, preenchendo-o item por item, após
conferir cada um deles.
Após a verificação dos itens o operador deverá adotar ainda os procedimentos
abaixo, antes de colocar a moto-aquática na água;
Verificar a mobilidade do guidão e da rabeta: Assim que terminar o
preenchimento do formulário, ooperador deverá guinar o guidão em sua
plenitude máxima para os dois bordos enquanto o socorrista se posicionará na
popa e verificará se os movimentos da rabeta estão correspondendo ao do
guidão.
O operador guinará para bombordo e dirá ao socorrista: “bombordo”. Caso a
rabeta guine para bombordo, o mesmo confirmará: “bombordo”. O mesmo
procedimento será repetido para o bordo;
Verificar a partida: O operador colocará a chave de segurança no botão de
partida, e dará um toque simples no botão de ignição. O motor não deverá
funcionar sem circulação de água por mais de 20 segundos;
Colocar a cesta ou a “sled” (morey gigante) para salvamento: Colocar a
cesta (ou a “sled”) na popa da embarcação e passar a fita pelo mosquetão.
Assim que a cesta (ou a “sled”) estiver fixa, abater a mesma sobre a moto-
aquática, encaixando o banco no interior da mesma;
Efetuar inspeção após uso (final)
Será o último procedimento a ser efetuado na moto-aquática, mesmo que o
serviço ocorra em um curto período. Os procedimentos para água doce são
diferentes quando do uso de água salgada.
Considerando a água salobra como salgada, prolonga-se o tempo de vida do
equipamento. Os procedimentos serão feitos pelo operador e socorrista, sendo
que o primeiro é o responsável pelo preenchimento do formulário. O operador
deve ter em mãos o formulário, preenchendo-o item por item, após conferir
cada um deles.
Guardar a moto-aquática em local seguro
A moto-aquática é um equipamento valioso, e como tal deve ser bem guardado
e protegido,considerando-se o seu valor patrimonial e sua necessidade para o
serviço realizado na prevenção e salvamento de vidas.

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CUIDADOS DURANTE A ENTRADA E SAÍDA DA ÁGUA


Colocar a moto-aquática na água com o uso da carreta: O operador bem
como o socorrista,deverão colocar os coletes e de preferência também usar os
capacetes, sendo que o operador deverá ainda atar o cordão de segurança
junto ao colete, nunca no punho. Em seguida deve ser solta, próxima a água, a
fita que prende a moto-aquática na carreta pela popa. Ambos empurram o
conjunto carreta-moto-aquática até um espelho d’água de 0,50 m, ou no caso
de praia na areia próxima a água e então soltam a presilha que prende a proa a
carreta. Então, o operador guina a moto-aquática com a proa para a água e
popa para terra, colocando-se na sua proa, enquanto o socorrista permanece
no bordo, no sentido contrário à correnteza e ambos conduzem o equipamento
até um espelho d’água.
Enquanto o operador mantém a moto-aquática no local apropriado, na água, o
socorrista, pelo eixo da carreta, a conduz para local seguro, preferencialmente
para o posto, quando possível, ou pelo menos a mais de 10 m da linha de água
e em seguida retorna para junto do operador.
Embarcar na moto-aquática: Tanto o operador como o socorrista, devem
manter-se sempre entre a moto-aquática e o mar, evitando que uma onda ou
marola venha a arremessar o equipamento de encontro aos mesmos. Esta
postura deve acompanhar a tripulação em todo o momento, antes, durante e
ao final da operação. Em caso de rios, a tripulação deve também se preocupar
com a correnteza, mantendo-se ambos no bordo em que esta é originada. Uma
vez a carreta em local seguro, o socorrista deve segurar a moto-aquática pelo
bordo, no sentido contrário da correnteza,
enquanto pelo outro bordo o operador embarca e senta no banco, prende a
chave de segurança do colete ao botão, e dá a partida. O equipamento
somente deverá ser ligado com um calado mínimo de um metro, pois o
turbilhonamento causado pela turbina provoca grande suspensão de partículas,
inclusive areia, o que poderá causar um desgaste acentuado no sistema de
propulsão. Em todos os momentos faz-se importante a tripulação agir mediante
comando, pois o operador deve zelar pela
segurança da operação, determinando o momento de embarque e
desembarque tanto do socorrista quanto da vítima. Para deslocar-se, o
operador deverá questionar ao socorrista se o mesmo está “pronto”, evitando
grandes arrancadas, que podem por em risco tanto o socorrista quanto o
operador, iniciando-se o seguimento, primeiramente lento, aumentando
gradativamente;

Posicionar-se na moto-aquática: A tripulação deverá estar sentada na


embarcação de forma segura e confortável. O operador deve manter ambas as
mãos no guidão, somente retirando uma das mãos quando estritamente
necessário (resgate de vítima inconsciente). Sua atenção deverá estar voltada
para a segurança da navegação, verificando materiais que possam danificar o
equipamento (troncos, sacos plásticos, etc.), outras embarcações, condições do
mar, ondas, etc. O socorrista deverá manter

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ambas as mãos na alça de popa, ou mesmo segurando o tronco do operador, o


que será necessário em certas condições de mar. Seu corpo deverá estar o
mais junto possível do operador, visto que tal postura irá facilitar o equilíbrio da
embarcação. Sua atenção deverá estar voltada para os banhistas em local de
risco. Ambos os tripulantes deverão acompanhar com o corpo o balanço das
ondas, auxiliando o equilíbrio da embarcação, mantendo os pés sempre fixos na
moto-aquática, no piso antiderrapante. Quando a ação for de salvamento
(deslocamento a partir de acionamento), o socorrista deve iniciar o
deslocamento já posicionado na cesta, sendo de responsabilidade do operador
toda a atenção com relação a segurança da navegação, condições do mar,
obstáculos, banhistas, etc., além de, é lógico, a segurança do próprio socorrista
que estará na cesta e sem visualização durante o deslocamento. O socorrista
deverá estar em decúbito ventral, com as mãos segurando em supino na fita de
segurança, os braços flexionados, o corpo totalmente dentro da cesta e as
pernas flexionadas, evitando o contato delas com a borda da cesta. Durante o
deslocamento, em guinadas mais acentuadas, o socorrista deverá alongar a
perna para fora da cesta, no bordo internoda curva, utilizando a perna como
um “ski”, dando mais estabilidade à cesta.
Uma vez detectado o local e o momento ideal, o operador deverá questionar ao
socorrista: “PRONTO?”, que responderá “PRONTO”, ou “NÃO”. No caso da
negativa, o operador deverá aguardar outra oportunidade, e uma vez cessado o
motivo, o socorrista informará “PRONTO”;
Manter a moto aquática na perpendicular das ondas: Para entrar na
água e vencer as ondas, o operador deverá sempre navegar na perpendicular
em relação ao sentido do deslocamento e arrebentação das ondas, nunca
dando o bordo para a onda, com sérios riscos de adernar, preferindo o
movimento de caturro aos balanços. Caso o socorrista esteja na cesta, em
condições de realizar um salvamento, o cuidado deverá ser ainda maior, nunca
se esquecendo, o operador, de que ao vencer uma onda, deverá preocupar-se
ainda em livrar a cesta da turbulência da mesma;
Esperar o remanso das ondas: Toda a atenção e cuidado com o banhista
devem ser adotados, sendo preferível à entrada em local com mais ondas e
menos banhistas para evitar possíveis acidentes. O operador deverá ter uma
grande atenção ao vencer a zona de arrebentação, pois esta é uma área de
grande risco para a operação. Deve procurar atravessá-la quando estiver no
remanso, acelerando nos períodos e cortando o seguimento em sua base;
Manobrar defensivamente: Às vezes o operador pode ser surpreendido por uma
seqüência de ondas e arrebentações, mesmo que tenha esperado o remanso,
sendo necessário realizar manobras defensivas. Neste caso o operador deverá
guinar 180º e retornar no sentido da terra, até que a onda quebre e seja
possível fazer nova tentativa, mas caso o período esteja tão curto que não
permita tal manobra, o operador deverá cortar o seguimento e permitir que a
onda quebre por sobre a motoaquática, alertando o socorrista sobre o
procedimento, para que ambos estejam bem seguros. É mais seguro romper as
ondas antes ou após a sua precipitação, isto é, aproveitando o movimento de

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caturro, entretanto, isto nem sempre será possível, devendo a tripulação estar
preparada para isto.
Informar ao Centro de Operações: Depois de atravessar a zona de
arrebentação (quando houver), deverá prosseguir imediatamente para além
dela. O operador deverá então transmitir através do HT ( Hand – Talk ou rádio
) o início da operação, informando a tripulação e a área de atuação.
Posicionar-se na moto-aquática: A tripulação deverá repetir a postura
adotada ao entrar;Manter a moto aquática no período da onda: Do mesmo
modo que procedeu durante a entrada na água o operador deverá procurar um
local com poucos banhistas e com remanso, quando deverá acelerar a moto-
aquática em uma velocidade compatível ao das ondas, no sentido da terra,
mantendo o equipamento entre duas ondas (período). Não deverá acelerar
demais evitando ultrapassar a onda em sua frente, nem tampouco manter uma
marcha lenta evitando também ser alcançado pela onda de trás, mantendo a
moto-aquática na perpendicular em relação ao sentido do deslocamento e
quebração das ondas (quando houver), nunca dando o bordo;
Para a saída ou entrega de vítima: Em operação normal a tripulação
adotará o seguinte procedimento: Ao atingir um espelho de água de 1,50 m,
deverá guinar 180º, dando a popa para a terra, cortar o seguimento e desligar
o motor através do botão de ignição (evitar o cordão da chave de segurança-
corta-corrente); Quando estiver conduzindo vítima o operador conduzirá a
moto-aquática ligada até um espelho de água correspondente a 0,50 m,
repetindo o restante da operação acima;
Desembarcar da moto-aquática: Após cortar o seguimento, o socorrista
desembarcará pelo bordo de onde vêm as correntezas e segurará a moto-
aquática pela defensa lateral. Em seguida, o operador desembarcará pelo
mesmo bordo e segurará na proa; Quando estiver conduzindo vítima o
operador desembarcará primeiro e irá segurar a moto-aquática pela proa,
sendo o único responsável pela segurança, enquanto o socorrista se
encarregará em conduzir a vítima para terra;
Informar ao Centro de Operações: O operador deverá informar ao Centro
de Operações o término da operação, comunicando as novidades ocorridas
durante o período;
Retirar a moto-aquática da água com o uso da carreta: O operador
permanecerá segurando a moto-aquática pela proa, enquanto o socorrista irá
buscar a carreta. Ao entrar com a carreta na água, até uma profundidade de
0,50 m o operador irá novamente guinar a moto-aquática voltando a proa para
a terra, conduzirá a mesma até a carreta. Colocará sua proa sobre a traseira da
carreta e prenderá a fita de proa na moto-aquática. Ao prender a fita na proa, o
socorrista começará a enrolar a carretilha, fazendo a moto-aquática subir na
carreta, enquanto abaixa seu eixo gradualmente. O operador irá, mantendo a
moto-aquática sobre a carreta, auxiliar o socorrista, até que todo o corpo da
moto-aquática esteja acomodado sobre a carreta.
Conduzir a moto-aquática para inspeção final: Uma vez acomodada a
moto-aquática sobre acarreta, ambos empurrarão o conjunto até o local pré

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determinado para a lavagem do equipamento, não colocando a fita de popa,


que será acomodada somente após a inspeção final.

SALVAMENTO DURANTE A PREVENÇÃO


O salvamento pode ocorrer durante a prevenção realizada pela moto-aquática.
Quando a tripulação se deparar com um banhista em apuros deverá adotar o
seguinte procedimento:
Aproximar-se da vítima: Para este procedimento o operador precisará
manter a moto-aquática entre a vítima e a terra e sempre que possível contra a
correnteza ou contra a direção das ondas, deixando a por bombordo;
Interromper o seguimento da moto-aquática: Logo que o operador se
aproximar da vítima deverá interromper o seguimento da moto-aquática, de
modo a evitar qualquer tipo de acidente decorrente desta aproximação, para
tanto manterá a aceleração necessária somente para não perder o controle da
direção da mesma, visto que o leme só funcionará com a aceleração (hidro-
jato);
Determinar o desembarque: O operador determina ao socorrista que
desembarque. O socorrista se lança na direção da vítima, conduzindo o
flutuador;
Oferecer o flutuador: O socorrista oferece o flutuador à vítima, segura-a e
veste o flutuador nela, enquanto o operador mantém a moto-aquática
circundando o local da operação. Se possível, e sem se descuidar da segurança
na operação, o operador informará via rádio a ocorrência ao centro de
operações;
Sinalizar para o operador: O socorrista levanta um dos braços, sinalizando
para que o operador se aproxime. Embarcar a vítima na cesta ou no “Sled”. O
socorrista embarca na cesta, acondicionando a vítima na mesma em decúbito
dorsal, mantendo seus braços por sob as axilas dela, segurando na fita de
segurança. Manterá o flutuador preso à vítima, e informará ao operador com a
voz de “PRONTO”;
Retornar à terra: Ao ouvir o pronto do socorrista, o operador retomará o
seguimento da motoaquática em direção à terra, observando os cuidados
necessários descritos anteriormente.
Comunicar a ocorrência: Quando da chegada da vítima na terra, o operador
deverá comunicar para o centro de operações a natureza e o estado da vítima
(grau do afogamento), para que sejam deslocados os meios necessários ao
atendimento dela em terra. Em caso de vítima inconsciente, o socorrista deverá
prestar a assistência necessária de avaliação da respiração e a realização do
boca-a-boca antes de retornar a areia, pois durante o trajeto, o socorrista não
terá condições de dar outra assistência à mesma. O operador, que já visualizou
a situação, terá condições de dar à ocorrência a brevidade devida.
SALVAMENTO A PARTIR DE ACIONAMENTO – VÍTIMA INCONSCIENTE
A operação de salvamento poderá ocorrer quando a tripulação estiver com a
moto-aquática parada, realizando prevenção na zona de varrido, ou até mesmo
o equipamento pode ser posto na água para atender a um chamado, em geral
pode-se encontrar 3 tipos de situações, de acordo com o estado de consciência

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e agitação da vítima, devendo-se adotar os seguintes procedimentos para o


atendimento da vítima inconsciente:
Receber a comunicação: O operador deverá estar sempre atento à
comunicação, e ao ser acionado deverá esclarecer todas as dúvidas com
relação ao local da ocorrência, número de vítimas, etc., pois devido ao som alto
do motor em funcionamento e a atenção que o operador deverá manter na
navegação, dificilmente terá condições para estabelecer a comunicação durante
o deslocamento;
Adentrar a água / deslocar-se para o local: Estando a moto-aquática em
terra, a tripulação deverá observar os procedimentos, procedendo a entrada na
água do equipamento com a devida segurança .No caso de ser feito o
acionamento durante a prevenção, o deslocamento deverá ser feito de maneira
segura;
Posicionar o socorrista: Depois de ter ciência da ocorrência, o socorrista se
posiciona na cesta, colocando-se em decúbito ventral, segurando-se na fita em
posição de supino, utilizando as pernas para direcionar e estabilizar a cesta;
Sinalizar para o socorrista: O operador ao avistar a vítima processa uma
rápida análise da situação, visualizando o estado da vítima. Posiciona o braço
esquerdo na vertical, permanecendo estático, que é o sinal de vítima
inconsciente;
Aproximar-se da vítima: Para este procedimento o operador precisará
manter a moto-aquática entre a vítima e a terra e sempre que possível contra a
correnteza ou contra a direção das ondas, deixando apor bombordo;
Interromper o seguimento da moto-aquática: Logo que o operador se
aproximar da vítima deverá interromper o seguimento da moto-aquática, de
modo a evitar qualquer tipo de acidente decorrente desta aproximação, para
tanto manterá a aceleração necessária somente para não perder o controle da
direção da mesma, visto que o leme só funcionará com a aceleração (hidro-
jato);
Segurar a vítima: O operador segura com sua mão esquerda o braço da
vítima inconsciente, e a conduz para a popa entregando-a para o socorrista,
sem se descuidar da condução da embarcação;
Embarcar a vítima na cesta: O socorrista solta a mão esquerda da fita de
segurança, lançando-se para bombordo. Com a redução do seguimento, a cesta
irá sofrer um leve afundamento. O socorrista irá passar seu braço esquerdo por
sob a axila direita da vítima, apoiando-a. O socorrista posicionará a vítima na
cesta, colocando-a em decúbito dorsal com ambos os braços por sob suas
axilas, se posicionará por sobre ela, mantendo suas pernas flexionadas,
informando rapidamente ao operador sobre seu estado e gravidade.
Comandará então “PRONTO”, que será o sinal para que o operador siga em
direção à terra;
Retornar à terra: Ao ouvir o pronto do socorrista, o operador retomará o
seguimento da motoaquática em direção à terra, observando os cuidados
conforme a folha de rosto 02/06 do presente POP;
Comunicar a ocorrência: Quando da chegada da vítima na terra, o operador
deverá comunicar para o centro de operações a natureza e o estado da vítima

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(grau do afogamento), para que sejam deslocados os meios necessários ao


atendimento dela em terra.

SALVAMENTO A PARTIR DE ACIONAMENTO – VÍTIMA CONSCIENTE E


TRANQÜILA
Receber a comunicação: O operador deverá estar sempre atento à
comunicação, e ao ser acionado deverá esclarecer todas as dúvidas com
relação ao local da ocorrência, número de vítimas, etc., pois devido ao som alto
do motor em funcionamento e a atenção que o operador deverá manter na
navegação, dificilmente terá condições para estabelecer a comunicação durante
o deslocamento;
Adentrar à água / deslocar-se para o local: Estando a moto-aquática em
terra, a tripulação deverá observar os procedimentos, procedendo a entrada na
água do equipamento com a devida segurança.
No caso de ser feito o acionamento durante a prevenção, o deslocamento
deverá ser feito de maneira segura;
Posicionar o socorrista: Depois de ter ciência da ocorrência, o socorrista se
posiciona na cesta, colocando-se em decúbito ventral, segurando-se na fita em
posição de supino, utilizando as pernas para direcionar e estabilizar a cesta;
Sinalizar para o socorrista: O operador ao avistar a vítima processa uma
rápida análise da situação, visualizando o seu estado. Posiciona o braço
esquerdo na paralela, mantendo-o de forma estática, que é o sinal de vítima
consciente e tranqüila;
Aproximar-se da vítima: Para este procedimento o operador precisará
manter a moto-aquática entre a vítima e a terra e sempre que possível contra a
correnteza ou contra a direção das ondas, deixando a por bombordo;
Interromper o seguimento da moto-aquática: Logo que o operador se
aproximar da vítima deverá interromper o seguimento da moto-aquática, de
modo a evitar qualquer tipo de acidente decorrente desta aproximação, para
tanto manterá a aceleração necessária somente para não perder o controle da
direção da mesma, visto que o leme só funcionará com a aceleração (hidro-
jato);
Posicionar a moto-aquática: O operador fará a aproximação segura
posicionando a moto-aquática, em relação a vítima, de maneira que a cesta se
aproxime dela, facilitando a ação do socorrista na ação do embarque da vítima,
além de possibilitar o apoio da mesma no bordo da embarcação. Em hipótese
alguma o operador deverá tirar as mãos do guidom e oferecer apoio para a
vítima, pois a calma poderá se transformar em ansiedade, e provocar o
desequilíbrio do operador, causando a sua queda e deixando a embarcação à
deriva;
Embarcar a vítima na cesta: O socorrista solta a mão esquerda da fita de
segurança, lançando-se para bombordo. Com a redução do seguimento, a cesta
irá sofrer um leve afundamento. O socorrista irá passar seu braço esquerdo por
sob a axila direita da vítima, apoiando-a. O socorrista posicionará a vítima na
cesta, colocando-a em decúbito dorsal, com ambos os braços por sob suas
axilas, se posicionará por sobre ela, mantendo suas pernas flexionadas,

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informando rapidamente ao operador sobre seu estado e gravidade.


Comandará então “PRONTO”, que será o sinal para que o operador siga em
direção à terra;
Retornar à terra: Ao ouvir o pronto do socorrista, o operador retomará o
seguimento da motoaquática em direção à terra, observando os cuidados.
Comunicar a ocorrência: Quando da chegada da vítima na terra, o operador
deverá comunicar para o centro de operações a natureza e o estado da vítima
(grau do afogamento), para que sejam deslocados os meios necessários ao
atendimento dela em terra.

SALVAMENTO A PARTIR DE ACIONAMENTO – VÍTIMA CONSCIENTE E


AGITADA
Receber a comunicação: O operador deverá estar sempre atento à
comunicação, e ao ser acionado deverá esclarecer todas as dúvidas com
relação ao local da ocorrência, número de vítimas, etc., pois devido ao som alto
do motor em funcionamento e a atenção que o operador deverá manter na
navegação, dificilmente terá condições para estabelecer a comunicação durante
o deslocamento;
Adentrar à água / deslocar-se para o local: Estando a moto-aquática em
terra, a tripulação deverá observar os procedimentos procedendo a entrada na
água do equipamento com a devida segurança.
No caso de ser feito o acionamento durante a prevenção, o deslocamento
deverá ser feito de maneira segura;
Posicionar o socorrista: Depois de ter ciência da ocorrência, o socorrista se
posiciona na cesta, colocando-se em decúbito ventral, segurando-se na fita em
posição de supino, utilizando as pernas para direcionar e estabilizar a cesta;
Sinalizar para o socorrista: O operador ao avistar a vítima processa uma
rápida análise da situação,visualizando o seu estado. Posiciona o braço
esquerdo na paralela, realizando movimentos no sentidovertical, que é o sinal
de vítima consciente e agitada, e procura acalmá-la;
Aproximar-se da vítima: Para este procedimento o operador precisará
manter a moto-aquática entre a vítima e a terra e sempre que possível contra a
correnteza ou contra a direção das ondas, deixando a por bombordo;
Interromper o seguimento da moto-aquática: Logo que o operador se
aproximar da vítima deverá interromper o seguimento da moto-aquática, de
modo a evitar qualquer tipo de acidente decorrente desta aproximação, para
tanto manterá a aceleração necessária somente para não perder o controle da
direção da mesma, visto que o leme só funcionará com a aceleração (hidro-
jato);
Posicionar a moto-aquática: O operador fará a aproximação segura
posicionando a moto-aquática, em relação a vítima, de maneira que a cesta se
aproxime dela, facilitando a ação do socorrista na ação do embarque da vítima.
O operador, durante a aproximação, não deverá oferecer o bordo para a vítima,
pois na agitação a vítima poderá tentar embarcar na moto-aquática e
desestabilizá-la, provocando o seu emborcamento. Em hipótese alguma o
operador deverá tirar as mãos do guidom e oferecer apoio para a vítima, pois a

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agitação e a ansiedade poderão provocar o desequilíbrio do operador, causando


a sua queda e deixando a embarcação à deriva;
Posicionar a cesta: O socorrista solta a mão esquerda da fita de segurança,
lançando-se para boreste, colocando a cesta entre ele e a vítima. Com essa
manobra o socorrista oferecerá a cesta para a vítima procurando oferecer um
ponto de apoio e ao mesmo tempo manterá um obstáculo entre ele e a vítima,
evitando um primeiro contato corpo a corpo que pode ser danoso para o
desenvolvimento da operação de resgate para ambos;
Embarcar a vítima na cesta: Ao pressentir uma maior tranqüilidade da
vítima, o socorrista segura-a com sua mão esquerda, irá passar seu braço
esquerdo por sob a axila direita da vítima, apoiando-a. O socorrista posicionará
a vítima na cesta, colocando-a em decúbito dorsal, com ambos os braços por
sob suas axilas, se posicionará por sobre ela, mantendo suas pernas
flexionadas, informando
rapidamente ao operador sobre seu estado e gravidade. Comandará então
“PRONTO”, que será o sinal para que o operador siga em direção à terra;
Retornar a terra: Ao ouvir o pronto do socorrista, o operador retomará o
seguimento da motoaquática em direção a terra, observando os cuidados
necessários.
Comunicar a ocorrência: Quando da chegada da vítima na terra, o operador
deverá comunicar para o centro de operações a natureza e o estado da vítima
(grau do afogamento), para que sejam deslocados os meios necessários ao
atendimento dela em terra.

USO DO HELICOPTERO NO SALVAMENTIO AQUÁTICO


SALVAMENTO COM HELICÓPTERO
A utilização e o emprego de helicópteros para salvamentos hoje, é sem dúvida
o meio mais rápido e seguro para se chegar a uma ou mais vítimas, em locais
de difícil acesso ou locais onde equipes, transportadas por outros meios,
levariam muito tempo para chegar. O tempo de socorro é proporcional ao risco
de vida, portanto quanto menor o tempo de acesso a vítima mais chances ela
terá. O emprego de helicóptero oferece alguns aspectos básicos determinantes
do sucesso de uma ação de resgate e salvamento como: flexibilidade de
emprego, acesso a todos os locais, rapidez de intervenção e autonomia sobre a
zona de operação. Estes fatores somados ao perfeito treinamento de uma
tripulação operacional permitirão superar os embaraços determinados pelos
imprevistos que toda operação de resgate e salvamento apresenta.
Neste capítulo, trataremos do emprego do helicóptero em salvamento no mar,
mais especificamente, em praias, rios, lagos, ilhas e enchentes. Salvamento no
mar é a retirada de pessoas da água em fase de afogamento em apoio,
impedimento ou ineficácia das equipes de praia ou de embarcações à deriva,
busca e salvamento de pessoas envolvidas em naufrágio, pescadores em
pedras, enfermos, acidentados ou em perigo eminente, transportado-a
consciente ou inconsciente, até local seguro, onde equipes de terra estarão
prontas para dar continuidade ao socorro.

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Este tipo de operação requer muita experiência e treinamento específico, pois


na grande maioria das missões, a aeronave está em baixa altitude acima do
nível d’água, onde qualquer erro poderá ser fatal para toda a tripulação. Todos
os tripulantes devem estar cientes disto, e treinados para possíveis acidentes.
Por este e outros motivos, é que fundamentalmente todos os membros da
equipe operacional devem estar muito bem treinado e tudo funcionando no
mais perfeito sincronismo. Devemos sempre ter em mente que toda missão é
diferente uma da outra, e que fatos alheios a nossa vontade que não ocorreram
em uma missão, poderão acontecer nesta nova missão, por isso é que sempre
dizemos que treinamento nunca é demais.

SELEÇÃO DE TRIPULANTES OPERACIONAIS


Estar bem fisicamente é fundamental para este tipo de atividade, pois às vezes
as missões exigem muito dos tripulantes operacionais.
Obrigatoriamente, todos os membros da equipe, deverão ser bons nadadores, e
não somente o guarda-vidas, pois como já foi dito anteriormente, operações
com helicópteros a baixa altitude tem seu risco, e em caso de pane e queda da
aeronave na água, não poderemos estar preocupados com um ou mais
membros da equipe que não saibam nadar, pois a luta individual para a
sobrevivência, já será árdua.
A seleção adequada de pessoal tem grande importância na qualidade do serviço
de resgate e salvamento e também na redução dos acidentes. Levando-se em
consideração que a melhor equipe é aquela em que todos os seus membros
entendam pelo menos o necessário das mais diversas atividades, recrutamos
usualmente estes homens nos órgãos policiais e nos bombeiros.
A primeira etapa a ser cumprida é um rigoroso teste físico, que compreende
corrida de resistência, corrida com peso, natação, abdominais, flexões, barras e
subida em corda.
Após serem recrutados, deveram ser submetidos à junta médica do Centro de
Medicina Aeroespacial do Ministério da Aeronáutica, onde passarão dois dias
submetendo-se a exames rigorosos na categoria de Operadores de
Equipamentos Especiais (OEE), conforme determina a Regulamentação
Brasileira de Homologação Aeronáutica 91 sub-parte K (RBHA), norma do
Departamento de Aviação Civil (DAC), que regula as atividades dos Serviços
Aéreos Especializados.
Ao serem aprovados nesta junta médica, os candidatos receberam daquele
órgão um Certificado de Capacitação Física (CCF), que será renovado
anualmente após cada junta médica. Esta é uma exigência do DAC, bem como
de algumas seguradoras de aeronaves.
Quanto à seleção do piloto, para este tipo de vôo deverá obrigatoriamente ter a
habilitação técnica de piloto comercial de helicópteros (PCH), emitida pela
autoridade aeronáutica da área, ter no mínimo mil horas de vôos operacionais
em comando comprovadas em cadernetas de vôo, ou em declarações emitidas
pelos Serviços Regionais de Aviação Civil (SERAC). Após isto o piloto fará um
treinamento específico que o habilitará a este tipo de missão, ao final deste
treinamento ele será avaliado por uma comissão composta de pilotos

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operacionais de larga experiência, para só então ser liberado para este tipo de
vôo operacional.
É muito importante que o piloto operacional conheça detalhadamente a
geografia da área de cobertura operacional do Serviço.

TREINAMENTO OPERACIONAL

Após a etapa de seleção os candidatos passarão por um treinamento específico,


que consiste no seguinte:
1. Segurança de Vôo;
2. Noções Básicas de Helicópteros;
3. Emergências em vôo;
4. Embarque e desembarque;
5. Conhecimento e utilização do guincho;
6. Desembarque na água;
7. Desembarque em pedras;
8. Desembarque em áreas restritas;
9. Desembarque e embarque em locais de difícil acesso;
10. Técnicas de Rapel; (descida da aeronave utilizando cordas e
equipamentos);
11. Técnicas de mac guare (transporte de pessoas em cordas);
12. Técnica de manuseio da Maca Off Shore;
13. Suporte Básico de Vida e conhecimento do uso de materiais de ventilação e
oxigenação;
14. Nós e amarrações;
15. Conhecimento e utilização de todos os materiais e equipamentos do
helicóptero;
16. Técnica e lançamento do puçá;
17. Para os membros não Guarda-vidas, além de tudo citado acima:
Técnicas de salvamento aquático, e Conhecimento do mar
Durante o curso, o aluno é observado continuamente, observando-se o seu
desempenho, facilidade de entender e executar o que lhe é ensinado, cautela e
segurança naquilo que faz, espírito de corpo, controle emocional, disciplina
consciente, flexibilidade, iniciativa, versatilidade, perseverança e principalmente
ter conhecimento sobre seu limite pessoal. Ao final do treinamento, cada um
destes homens, irá compor equipes sempre acompanhadas e supervisionadas
por operacionais mais antigos, que os observarão a darão tarefas básicas até
que ele esteja pronto para as atividades de maiores riscos. Não há tempo
preciso para esta liberação, o que poderá levar de seis meses há anos, o que
dependerá única e exclusivamente dele.
EQUIPE OPERACIONAL
No Estado do Rio de Janeiro cada equipe operacional da Coordenadoria Geral
de Operações Aéreas (CGOA), é compostas de três a cinco homens,
dependendo do tipo de missão a ser realizada.
Geralmente para salvamento no mar a equipe é composta de 4 homens,
levando-se em consideração peso e espaço dentro da cabine.

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A equipe consiste em:


01 Piloto
01 Fiel
01 Guarda-vidas
01 Operador de Guincho e Puçá.
Esta configuração operacional é usada em nossa rotina, podendo variar,
ajustando-se de acordo com a necessidade de cada operação, acrescentada
mais guarda-vidas ou mais tripulantes operacionais.
A função a bordo do FIEL, geralmente um policial civil com larga experiência
em vôos operacionais, é sem dúvidas uma das mais importantes da missão,
tendo várias funções. Sentado no banco esquerdo à frente da aeronave a sua
função primaria é de durante todo o deslocamento da aeronave auxiliar o piloto
informando-lhe sobre todos e possíveis obstáculos, como fios, aves, aeronaves,
proximidade da água e tudo mais que possa por em risco a segurança de vôo.
Até mesmo diante da necessidade de um segundo tripulante pular ao mar para
auxiliar no socorro, ou salvar outra vítima, este trabalho poderá ser feito pelo
FIEL, ou caso seja feito pelo operador de guincho, o FIEL passará para a parte
de traz da aeronave assumindo a operação do guincho e o lançamento do puçá.
O Guarda-vidas ficará na porta direita atrás do piloto, e ao seu lado esquerdo
o Operador de Guincho e Puçá. Devemos sempre lembrar que estes
operadores só poderão operar seus equipamentos, mediante comunicação e
autorização do piloto, que é o coordenador da operação.

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS PARA SALVAMENTO NO MAR

A utilização de materiais em situações de emergência implica que estejam em


perfeito estado para serem utilizados sem imprevistos ou improvisação. Ao
assumirem seus plantões, o guarda vidas e os membros da equipe, tem por
dever conferir e checar a viabilidade de todo o material necessário (check list
diário), bem como primar pela sua conservação. Assim também é necessário
que ao retornar de uma missão, o material seja rapidamente limpo ou que haja
disponibilidade de utilização de um kit reserva para uso imediato em uma nova
missão de salvamento.

Puçá
Sling
Rescue Tube

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Puça
O PUÇÀ é o equipamento utilizado para a retirada de vítimas de afogamento e
de guarda-vidas da água. Criado em 1985 pelo piloto de helicóptero e
Engenheiro Antônio Hermsdorff Maia, Coordenador Geral de Operações Aéreas
da CGOA, tinha o hábito de pescar siris na Ilha de Paquetá no Estado do Rio de
Janeiro, quando olhou para um puçá cheio de siris, e imaginou um outro
imensamente maior retirando vítimas de afogamento da água, puxados por um
helicóptero. Desenhou, construiu e hoje temoso PUÇÁ, responsável pelo
resgate e salvamento de milhares de vítimas ao longo de todos este anos,
sendo hoje utilizado em vários estados de nosso país, bem como em outras
partes do mundo.
O puçá é sem dúvida um equipamento simples e de muita eficiência. Seu aro
de aço inoxidável pesa aproximadamente 3.5 kg com 95 cm de diâmetro (boca
de entrada) de onde sai um trançado de cordas de rede de pesca em forma de
funil. Contém quatro argolas fixas, soldadas sobre o aro, de onde saem quatro
cordas de nylon de 12 mm de diâmetro. Cada corda mede 1 metro e meio de
comprimento, e ao sair do aro prendem uma pequena bóia de rede de pesca
para auxiliar na flutuação do puçá. Destas se juntam a um destorcedor, de
onde seguem apenas duas cordas de 12 mm com 11 metros de comprimento
até um segundo destorcedor que será fixado no GANCHO do helicóptero,
localizado na parte inferior central da aeronave (Centro de Gravidade do
Helicóptero). O peso total do puçá com todos os acessórios é de
aproximadamente 10 kg.
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O SLING é o equipamento fixado ao guincho do helicóptero, para a retirada do


guarda-vidas e de vítimas CONSCIENTES, do mar ou de qualquer outro local
onde a aeronave não possa pousar ou se aproximar do solo. Nunca utilize o
guincho para retirada de vítimas inconscientes, pois certamente ele cairá do
SLING. O sling é uma espécie de cinto acolchoado, feito de uma material muito
resistente. Sua colocação é fácil, porém requer atenção e prática. É colocado
pelas costas das vítimas, passando por debaixo das axilas, saindo para frente e
para cima em frente o rosto da vítima, um segundo cinturão envolve o tórax,
onde na parte central do tórax encaixa-se o grampo de segurança, enquanto à
parte que sai das axilas encontram-se acima da cabeça recebendo um
mosquetão que é fixado no gancho do guincho.
Oriente sempre a vítima a manter seus braços flexionados para baixo,
aumentando ainda mais a sua segurança. É muito importante lembrar que
antes de iniciar o içamento de uma pessoa, o piloto deverá subir um pouco a
aeronave até que o homem esteja no mínimo meio corpo fora d’água, isto fará
tencionar o cabo de aço do guincho, evitando assim que o cabo de aço se
enrole de maneira errada no carretel. O GUINCHO é um equipamento elétrico
de içamento de carga. Sua capacidade de força varia de fabricante para
fabricante. O usado pela CGOA, tem capacidade para içar 136 kg e são da
marca LUCA da Luca Air Equipment.

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O RESCUE-TUBE é o equipamento utilizado para auxiliar na flutuabilidade do


afogado, evitando que o guarda-vidas se desgaste mais para manter a vítima
em cima d’água. É uma bóia de espuma de vinil no formato retangular,
sustenta na linha da superfície da água facilmente uma vítima, e por ser
totalmente flexível sua colocação em volta do afogado é muito fácil.

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO ATENDIMENTO A AFOGADOS


INCONSCIENTES
Saco de afogado,
Material Médico para ventilação artificial e oxigenação

O SACO DE AFOGADO, no formato de um saco de dormir, tem dupla finalidade,


a primeira é aquecer o afogado durante seu transporte para o Centro de
Recuperação de Afogados(CRA), pois os helicópteros da CGOA, que operam em
salvamento nas praias do Rio de Janeiro, voam sem as duas portas traseiras, e
o ar circulante na cabine poderia contribuir para o agravamento da hipotermia
da vítima. A segunda finalidade é prevenir que a areia da praia grudada ao
corpo do afogado, caia no
assoalho da aeronave, o que traria problemas futuros de manutenção.
O Material médico, são para a ventilação artificial da vítima em caso de parada
cárdio-respiratória ou respiratória isolada. E são listados abaixo:
Bolsa auto-inflável + máscara
Mascara de ventilação tipo portátil (pocket mask)
Cânulas de Guedell
Cilindro de oxigênio

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OPERAÇÃO DE SALVAMENTO
Decolagem
As solicitações de socorro entram via rádio pelo Grupamento Marítimo do Corpo
de Bombeiros, por viaturas policiais que se encontram nas praias, banhistas no
próprio locall do incidente, moradores de edifícios localizados na orla marítima e
qualquer outra pessoa que presencie um afogamento ou uma situação de
emergência. Após o recebimento da solicitação é acionado uma sirene com um
toque longo, o que indica salvamento de afogados. Ato seguinte: todos os
membros da equipe correm para o helicóptero, ocupando suas posições.
Sempre pensando na segurança da operação, a partir deste instante até o
regresso da aeronave à base, a comunicação é constante, todo o material
deverá estar sempre ancorados e o fiel bem treinado e atento e diante
de qualquer anormalidade deverá comunicar imediatamente ao piloto

A seqüência do salvamento:
Localização da vítima, aproximação da aeronave para visualização da situação a
baixa altura e velocidade, pairando próximo a ela se possível e aproando ao
máximo o helicóptero com o vento e com as ondas. É importante avaliar vento
e condições do mar no momento em que o guarda-vidas está se posicionando
para saltar da aeronave, porém só o fará após avaliação quanto à altura e
velocidade do helicóptero e o posicionamento do afogado. O guarda-vidas
deverá cair numa distância segura para ele e o afogado. No momento de
aproximação da água, guarda-vidas e operadores devem estar atentos ao rotor
de calda, para que o mesmo não seja atingido por ondas do mar.
O guarda-vidas se posiciona no esqui da aeronave pelo lado direito, de onde
saltará para o mar, sem precipitação, em um só movimento e sem impulso,
evitando que a aeronave balance desnecessariamente. Piloto e guarda-vidas se
comunicam constantemente, podendo o piloto abortar o salto do guarda-vidas
a qualquer momento. O guarda-vidas deverá levar consigo qualquer material
como nadadeiras e rescue-tube, pois se deve evitar atirar objetos de dentro
para fora da aeronave.
Deve-se evitar o mergulho de cabeça do helicóptero, pois esta prática repetida
muitas vezes no mesmo dia, poderá trazer sérias conseqüências para o guarda-
vidas.
Na água o guarda-vidas aborda a vítima, tranqüiliza-a e lhe explica rapidamente
o que será feito. Coloca-a na posição horizontal, na superfície da água e utiliza
o rescue-tube se necessário. Enquanto isto o piloto fará o deslocamento lateral
do helicóptero para a direita, cerca de 40 metros, para que o puçá seja jogado
pelo lado direito da aeronave pelo operador de puçá. Este afastamento da
aeronave permite melhor abordagem da vítima pelo guarda-vidas, pois evita o
vôo pairando sobre o afogado, reduzindo o ruído e o vento produzido pelo
aparelho. Puçá na água, o piloto irá iniciar a pesca do guarda-vidas e vítima se
deslocando lateralmente para a esquerda, na direção da vítima, procurando
recolhê-las durante o seu deslocamento. Guarda- vidas e vítima devem estar na
posição horizontal, boiando na superfície com os pés em direção ao puça que
vem em sua direção. A medida que o helicóptero se aproxima, começa uma

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chuva de água, resultado do ar deslocado pelas pás do rotor principal. Quanto


maior a proximidade da aeronave, maior é a chuva, porém quando ela está se
tornando insuportável, é o momento exato em que todos estarão sendo
pescados, terminando imediatamente este mal estar. A correção da trajetória e
a manutenção da altitude e velocidade são essenciais
para o êxito do recolhimento. Vítimas conscientes tem a tendência de tentar
ajudar no embarque, o que às vezes pode atrapalhar, ocasionando o giro do
puçá. O número máximo de pessoas dentro do puçá é de três. O piloto iça o
puça da água até uma altura de 3 a 5 metros sobre o nível do mar. Durante o
transporte do puça até a areia todos devem estar ao fundo da rede sendo
desaconselháveis a permanência em pé sobre o aro do puçá. Neste momento o
fiel passará para o piloto informações fundamentais para a segurança de vôo e
êxito da missão, como; Altura , pêndulo, número e entrada de pessoas dentro
do puçá. Ao chegar a praia, o guarda-vidas deixa o afogado com a equipe de
terra, quando possível no banco de areia para evitar transtornos aos banhistas,
ou quando não, os deixará na praia, retornando para o helicóptero içado pelo
guincho. O guarda-vidas da praia solicitará que os banhistas fechem suas
barracas para que o helicóptero possa fazer a aproximação.
Pousar na areia somente em último caso, pois a areia na turbina e na cabine
da aeronave é prejudicial ao funcionamento da aeronave. Caso seja necessário
o pouso na areia, o piloto escolherá um local seguro, devendo a
tripulação estar atenta ao rotor de calda. O desembarque deve ser imediato
para a segurança da aeronave e das pessoas ao redor e por último deve ser
feito o embarque da vítima. Toda aproximação da aeronave deverá sempre ser
feita em um ângulo de 45 graus, iniciando da linha do encosto do banco
traseiro para frente do helicóptero, para que o piloto sempre tenha total visão
de tudo e de todos. Todos devem sempre estar atentos ao pouso em terrenos
inclinados, como areias de praias, pedras e etc...
Sempre que o helicóptero pousar em terrenos inclinados qualquer pessoa que
desembarque ou se aproxime da aeronave, deverá faze-lo pelo lado
descendente do terreno, e nunca pelo lado oposto, pois a ponta das pás do
rotor principal estará bem mais próxima do solo, devido à inclinação do terreno,
o que poderá ser fatal para quem não atentar para esta situação.
Devemos sempre ter em mente que o sucesso de toda e qualquer operação
depende de tranqüilidade, segurança e confiança entre os operadores.

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4.1.1 GUARDA-VIDAS PARA AREIA E VICE-VERSA

4.1.2 SINAIS DE AVISO NA PRAIA


É um conjunto de sinais codificados que sintetizam mensagens. Pode ser visual
e sonora.
VISUAL
A sinalização visual de sinais é feita através de placas e bandeirolas.
As placas são usadas para limitar áreas e indicar locais perigosos, como valas,
valões, limites de banho, etc. As placas indicativas de perigos possuem fundo
vermelho e letras brancas.
As bandeirolas são utilizadas para informar a situação de banho do local e a
presença do guarda-vidas.
Possuem as seguintes cores e significados:
• Bandeirola verde: mar calmo, condições plenas de banho e com
assistência de guarda vidas.
• Bandeirola amarela: mar perigoso, banho com restrições e com
assistência do guarda vidas.
• Bandeirola vermelha: mar muito perigoso, sem condições de banho
embora com assistência do guarda-vidas

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SONORA
Feita através do apito, tendo a emissão de sons o seguinte significado:
• Silvos longos e intermitentes: alerta aos banhistas para saída imediata da
água.
• Silvos breves e intermitentes: advertência aos banhistas para interromper a
sua entrada na água, em face de um perigo iminente.
Um silvo longo e um breve: advertência ao guarda-vidas para a existência de
afogamento.
Normalmente um guarda-vidas, que esteja de observador em um ponto
elevado, ao identificar um afogamento, avisará aos demais com esse tipo de
sinalização.

Orientação aos banhistas


A orientação é a ação preventiva na qual são passadas aos banhistas
informações para evitar situações de risco. É feita através de diálogo e folhetos
explicativos.
Para maior abrangência, os folhetos explicativos devem ser escritos dois
idiomas no mínimo - português e inglês - e distribuídos nas redes de hotéis e
nas praias.
Os folhetos explicativos conterão as informações:
• Nade apenas nas áreas supervisionadas pelos guarda-vidas.
• Atente para a sinalização.
• Em dúvida, consulte o guarda-vidas sobre as condições para banho e para a
prática de “surf” antes de entrar na água.
• Nunca nade sozinho.
• Se você entrar numa corrente, nade em diagonal através dela até conseguir
escapar.
• Faça sinais, pedindo socorro, caso não consiga sair da corrente.
• Não simule ter necessidade de socorro.
• Não substitua sua falta de conhecimento em natação por objetos flutuantes.
• Não leve objeto quebrável para a praia.

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• Não mergulhe em águas desconhecidas ou em locais onde as ondas quebram


com pouca profundidade.
• Não confie em demasia em sua habilidade, nadando para longe, a não ser
que o percurso seja paralelo à praia e de fácil socorro.
• Observe sempre os movimentos das crianças sob a sua guarda, mesmo
quando o guarda-vidas estiver por perto.
• Não nade perto de ancoradouro ou estacas.
• Evite ingerir bebidas alcoólicas e/ou alimentos de difícil digestão, antes e
durante o banho de mar.
• Não promova brincadeiras que possam resultar em acidentes e ou lesões
corporais.
• Não tire a atenção do guarda-vidas de seu serviço de observação,
desnecessariamente.
• Respeite o julgamento e a experiência de um guarda-vidas, seguindo suas
instruções e não interferindo em seu trabalho.

Principal Referência Bibliográfica

MANUAL DE EMERGÊNCIAS AQUÁTICAS – Dr David Szpilman

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