A Filosofia Moral distingue entre ética e moral.

Ética tem a ver com o "bom": é o conjunto de valores que apontam qual é a vida boa na concepção de um indivíduo ou de uma comunidade. Moral tem a ver com o "justo": é o conjunto de regras que fixam condições eqüitativas de convivência com respeito e liberdade. Éticas cada qual tem e vive de acordo com a sua; moral é o que torna possível que as diversas éticas convivam entre si sem se violarem ou se sobreporem umas às outras. Por isso mesmo, a moral prevalece sobre a ética. No terreno da ética estão as noções de felicidade, de caráter e de virtudes. As decisões de qual propósito dá sentido à minha vida, que tipo de pessoa eu sou e quero vir a ser e qual a melhor maneira de confrontar situações de medo, de excassez, de solidão, de arrependimento etc. são todas decisões éticas. No terreno da moral estão as noções de justiça, ação, intenção, responsabilidade, respeito, limites, dever e punição. A moral tem tudo a ver com a questão do exercício do direito de um até os limites que não violem os direitos do outro. As duas coisas, claro, são indispensáveis. Sem moral, a convivência é impossível. Sem ética, é infeliz e lamentável. Diz-se que quem age moralmente (por exemplo, não mentindo, não roubando, não matando etc.) faz o mínimo e não tem mérito, mas quem não age moralmente deixa de fazer o mínimo e tem culpa (por isso pode ser punido). Por outro lado, quem age eticamente (sendo generoso, corajoso, perseverante etc.) faz o máximo e tem mérito, mas quem não age eticamente apenas faz menos que o máximo e deixa de ter mérito, mas sem ter culpa (por isso não pode ser punido, mas, no máximo, lamentado).
filosofia moral de Kant afirma que a base para toda razão moral é a capacidade do homem de agir racionalmente. O fundamento para esta lei de Kant é a crença de que uma pessoa deve comportar-se de forma igual a que ela esperaria que outra pessoa se comportasse na mesma situação, tornando assim seu próprio comportamento uma lei universal. Um exemplo disso: Motoristas podem estacionar seus veículos em fila dupla apenas em casos de emergência (por exemplo, com o propósito de resgatar uma pessoa). De acordo com a filosofia moral de Kant, essa lei deve-se aplicar a toda e qualquer pessoa que se encontre nessa mesma situação. Isto significa que ninguém pode estacionar em fila dupla por motivo de preguiça ou porque não encontrou uma vaga livre. Pois se todas as pessoas estacionassem em fila dupla, e isso se tornasse uma lei universal, o trânsito ficaria confuso e a cidade viraria um caos. Portanto, só é permitido estacionar em fila dupla em casos de emergência. As exceções a essa regra – os casos de emergência – ocorreriam em situações nas quais todas as pessoas estacionariam em fila dupla e/ou considerariam justificável o fato de outros terem feito isso. A situação descrita acima exemplifica a lei moral de Kant que afirma que uma pessoa deve agir numa situação da mesma forma que espera que todas as outras pessoas ajam.

O máximo prazer pressupunha o domínio do poder político. Na vida privada ou na vida pública.). Alguns sofistas. como Cálicles ou Trasimaco afirmam que o valor supremo de qualquer cidadão era atingir o prazer supremo. Kant também afirmou que nenhuma ação baseada apenas na obediência da lei deve ser considerada como moral. Defende o valor supremo da felicidade. 1. pelo que estavam condenados a serem dominados pelos mais fortes. A maioria eram fracos ou inábeis. Os homens deviam seguir apenas a razão desprezando os instintos ou as paixões.A lei moral de Kant é baseada na idéia de que os seres humanos são racionais e independentes. Metafísicas da Ética (1797). Defende o valor supremo do Bem. composta por homens ignorantes e dominados pelos instintos ou paixões.as cidades-estado -. Matar e torturar seres humanos inocentes nunca são atos morais. Aristóteles (384-322 a. o qual só pode ser obtido através do saber. Para que isto aconteça é necessário que cada um siga a sua própria natureza. A organização política em que os cidadãos vivem . sendo as injustiças próprias dos ignorantes (Intelectualismo Moral). todos tinham a obrigação de se aperfeiçoarem fazendo o Bem. Em sua obra.). as pessoas que obedeciam à lei nazista e seguiram as leis nazi-fascistas não agiram humana e eticamente. evite os excessos. Teorias Éticas Fundamentais Sofistas. Virtude. O ideal que todos os homens livres deveriam tentar atingir. seguindo sempre a via do "meio termo" (Justa Medida). A sociedade devia de ser reorganizada. Ninguém consegue todavia ser feliz sózinho. pelo menos duas condições: 1. sendo justos. A história comprovou esse conceito. Saber. Para isto acontecesse deveriam ser reunidas. O homem sábio só pode fazer o bem.A finalidade de todo o homem é ser feliz. Defende o carácter eterno de certos valores como o Bem. entre o século V e o século IV a. são marcadas por dois aspectos fundamentais: Polis. Segundo Kant.C. O valor supremo da vida é atingir a perfeição e tudo deve ser feito em função deste ideal. favorecem a sua participação activa na vida política da sociedade. 2.C. sendo o poder confiado aos sábios. Kant propõe que a razão humana é a base da moralidade.C. Justiça. Ora este só estava ao alcance dos mais fortes. Aristóteles. Sócrates (470-399 a.C). Cosmos. à semelhança de Platão coloca a questão da necessidade de reorganizar a sociedade . corajosos e hábeis no uso da palavra. Algumas destas teorias ético-políticas procuram igualmente fundamentarem-se em concepções cósmicas. Platão (427-347 a. de modo a evitar que as almas fossem corrompidas pela maioria. As teorias éticas apontam para um dado ideal de cidadão e de Sociedade. mesmo que a lei de um país permita ou até encoraje isso. toda ação deve ser tomada com um senso de responsabilidade ditado pela razão.Antiga Grécia As teorias éticas gregas. Defendem o relativismo de todos os valores. Por exemplo: durante a Segunda Guerra Mundial.

do próximo e de si mesmo". É o que se pode depreender da leitura da página da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ao longo da história. ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar. Nasce aquilo que se popularizou. A finalidade disso é convencer o ser humano a comporte-se de acordo com valores específicos. e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta. Vimos que os discípulos. Eternidade. O homem. Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. Num sentido mais específico. Já a palavra Ética é o domínio da Filosofia que procura determinar a finalidade da vida humana e os meios de alterá-la. pelo qual o homem deve regular sua conduta nesse mundo. de Deus. cada vez mais.de modo a proporcionar que cada um do seus membros possa ser feliz na sua respectiva condição. pura virtude. Aquilo que chamamos de estrutura eclesial. ocasião em que Constantino universaliza o cristianismo como religião oficial do império romano os valores passam a ser de respeito mútuo. e estas normas são adquiridas pela educação. (ética cristã) Da idéia de Deus a ética cristã deriva seus predicados: Bondade. em muitos casos se distanciou da postura hedônica e cínica do Mestre para aproximar-se de uma postura estóica. etimologicamente. precisaram criar e organizar instituições. Por saber tudo Deus é Perfeito. o centro da ética cristã foi aquilo que se chamou de práticas de caridade. . 2 – Ética Cristã Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade. e da Tradição Apostólica. a Ética é uma disciplina filosófica que compreende todas as questões relativas às idéias morais e às normas de conduta humanas. A busca do saber humano faz parte da tentativa de aproximação com Deus. Dos predicados divinos nasce a moralidade ou as normas cristãs para vida. como sendo um casamento entre a Igreja e o Estado. Ética e a Moral se formam numa mesma realidade. A Eternidade divina contrasta com as limitações humanas. mas essa busca precisa pautar-se pela tentativa de se aproximar. sendo. A Moral sempre existiu. onde afirma que a ética cristã. o ser humano necessita do apoio de um ser superior e eterno: Deus. Enfim. também para se firmar e sobreviver. precisou adaptar-se. Não esquecendo que foi na Tradição que se fundamentaram os dogmas que norteiam as posturas cristãs. “costume. Podemos dizer que por mais de mil anos. o ser humano é contingente. por ser limitado. Da bondade divina advém a necessidade das atitudes bondosas. Ética significa. A prática de Jesus de Nazaré foi muito mais radical do que seus discípulos conseguiram manter. Mas. de seus ensinamentos. mas àquilo que seus discípulos organizaram ao longo da Idade Média. conjunto de atos que uma comunidade ou uma pessoa realizam porque os consideram válidos”. Mostrá-los como um caminho (o próprio cristianismo era chamado de "o caminho!") para a paz social e bom relacionamento entre as pessoas. E. A partir do século IV. Essa prática se origina das Escrituras. "é o conjunto de valores morais baseados nas Escrituras Sagradas. vai formando seu meio ambiente ou o destruindo. principalmente durante a Idade Média. que se universalizam. com suas doutrinas e normas. não se refere ao que Jesus de Nazaré teria vivido e ensinado. englobano também a cultura. Disso nasce a idéia da caridade que muitas vezes se perverte na idéia da esmola. portanto. limitado e imperfeito. Deste modo. Nessa fase a defesa dos valores cristãos (ética cristã) se baseava em afirmar esses valores. Ambos significam "respeitar e venerar a vida". O mesmo pode-se dizer da Onisciência divina contrastando com a ignorância humana. O que chamamos de ética cristã. Onisciência e Perfeição. diante de Deus. pela tradição e pelo cotidiano. com seu livre arbítrio. pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Principalmente nesse período medieval é que ocorre o maior distanciamento entre aqueles que são as "cabeças" da Igreja e as pessoas do povo. Daí a necessidade das normas a fim de buscar a aproximação com o absoluto de Deus. por seu lado. Ética e política acabam sempre por estar unidas. Nos primeiros anos produzindo uma literatura de autodefesa o que foi chamado de Apologia. O fato é que a Igreja.

a caminho da montanha. incorpora a afirmação de que o ponto de partida para a postura cristã não repousa nos dogmas nem somente nas escrituras. "Não". não é a sua essência. pois estes agem e falam como se Deus estivesse morto. O problema.me retirei para a solidão e para o deserto? Não foi também por sentir demasiado amor pelos homens? Agora. choro e murmuro. além de preservar esses e outros elementos. chorando. por receio que não venha a vos tirar alguma coisa!" E assim se separaram um do outro. O santo respondeu: "Componho canções e para cantá-las. ou nos tempos modernos. coisa por demais imperfeita. 1986. ainda não soube que Deus está morto?" (Nietsche. O homem é.disse o santo . "Não lhes dês nada". desde que o seja também para ti! E se quiseres dar-lhes um presente. Mas. perguntam: "Para onde irá este ladrão?" Não vás para junto dos homens! Fica na floresta! Melhor ainda. p. rindo e murmurando louvo ao Deus que é meu Deus. para mim. da ética cristã. bem antes do nascer do sol. a ética cristã. Para eles. E como a moralidade de qualquer ética se mede pela prática a moralidade da ética ou dos comportamentos dos cristãos os levam a anunciar a morte de Deus ou pelo menos o assassinato daquilo que ele tria ensinado.perguntou Zaratustra. mas na solidão de seus instintos e diante das reais necessidades humanas. Essa é minha maneira de louvar a Deus. Enquanto faço canções rio. 28) . Zaratustra respondeu: "Porventura falei de amor? Levo um presente para os homens". mas na sua prática. tira-lhes qualquer coisa e carrega-a para eles. falou assim ao seu coração: "Será possível! Este santo ancião. No transcurso da conversa entre ambos o ancião fala sobre as mudanças que percebia em Zaratustra e este responde que ama os homens. fica na companhia dos animais! Por que não tens vontade de ser como eu. comportam-se como se Deus não existisse. disse o santo. urso entre os ursos. Não amo os homens. mas na tentativa de construir uma sociedade em que haja equidade social. amo a Deus. Não sou pobre bastante para isso". "Eu não dou esmolas. entre Zaratustra e o santo ancião que se retirava para a meditação. em sua floresta. à noite em suas camas. Cantando. o que é que nos trazes?" Ao ouvir estas palavras. Zaratustra cumprimentou o santo e disse: "Que teria eu para vos dar? Mas deixame partir depressa. Por isso é que. O amor pelos homens haveria de me matar". mas na postura das pessoas que se chamam de cristãos. nossos passos. no dia-a-dia daqueles que se dizem cristãos. o velho e o homem. econômico e política. toma cuidado para que eles aceitem teus tesouros! Eles desconfiam dos solitários e custam a acreditar que nos acheguemos como doadores de alguma coisa. espera que eles a peçam". pelas ruas andam ecoando por demais solitários. que não seja mais que uma esmola. atual. como presente. O santo se pôs a rir de Zaratustra e falou assim: "Nesse caso. Mostram ares de penitencia e corpos compungidos. ao ouvirem passar um homem. respondeu Zaratustra. "Por que então . O questionável na ética cristã. não está na sua formulação e nos seus valores. Vantajoso será certamente para eles. Mas quando Zaratustra ficou só. ave entre as aves?" "E que faz o santo na floresta?" . Eis parte do diálogo: Zaratustra respondeu: "Amo os homens". "Pelo contrário. Ainda assim. rindo como riem dois garotos. nos templos e nos momentos de evidência. É emblemática para esta conclusão o diálogo criado por Nietsche.Na atualidade.

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