INTRODUÇÃO
No Séc.16, surgiu na Alemanha, um certo homem que provomeu grandes reformas e mudanças na igreja
da época. Martinho Lutero, acredito que vc já deve ter ouvido falar dele.
Mas, antes de se tornar o reformador que foi. Lutero era apenas Lutero, um homem comum. Até o dia em
que uma experiencia com Deus no seminário, muda a sua vida por completo.
“A história conta que enquanto Lutero retornava de uma visita a casa dos pais, na estrada em que ele
vinha, foi surpreendido por uma violentissima tempestade! Raios, trovões, relampagos, Lutero fica
apavorado diante da perspectiva da morte e ali, naquele local, ele faz um voto, ele diz que se ele
escapasse com vida daquela tempestade ele iria virar monge, e assim foi, negando o pedido do pai que
queria que ele estudasse direito, Lutero vai para o mosteiro. Mal sabia Lutero que aquele voto seria levado
em consideração. A partir dali, Lutero não seria mais o mesmo. Naquele mosteiro ele decide servir a Deus
de forma mais pessoal e profunda, e Deus começa a mudar o rumo de vida daquele até então, monge.
Finalmente, os seus olhos começaram a ser espirituamente abertos pelas escrituras, até que ele conhece
o evanhelho: O justo viverá pela fé. Essa frase entrou no coração de Lutero e ele nunca mais foi o
mesmo. Naquele mosteiro, Lutero teve um encontro com o Deus que mudou a história. E essa experiencia
foi o divisor de aguas em sua vida. Ali, ele foi marcado pela revelação do evngelho.
Mas não desejo me deter no exemplo de vida de Lutero. Desejo chamar a sua atenção para a vida de
outro homem que também teve a sua vida marcada por uma experiencia com Deus. Impactado pela
relação de Deus a ele. Esse homem é Isaías. E a experiencia de Isaías, tem muita coisa pra nos ensinar
hoje, e por isso eu convido vc a abrir a sua biblia no texto do profeta Isaias cap. 6.
TEXTO
1- No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um trono, alto e sublime; e o
seu manto enchia o Templo.
2- Acima estavam os serafins. Cada um tinha seis asas; com duas cobriam o rosto e com duas
cobriam seus pés e com duas voavam.
3- E um clamava aos outros, dizendo: Santo, santo, santo, é o SENHOR dos exércitos; toda a
terra está cheia da sua glória.
4- E os umbrais da porta moveram-se à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
5- Então disse eu: Ai de mim! Porque eu estou arruinado. Porque sou um homem de lábios impuros
e habito no meio de um povo de lábios impuros. Porque meus olhos têm visto o Rei, o SENHOR
dos Exércitos.
6 - Então, voou um dos serafins em minha direção, tendo uma brasa viva em sua mão, a qual ele
tinha tirado do altar com uma tenaz.
7 - E ele colocou sobre a minha boca e disse: Veja! Isto tocou teus lábios e tua iniquidade é
removida, e teu pecado purificado.
8 - Também eu ouvi a voz do Senhor, dizendo: Quem irei eu enviar, e quem irá por nós? Então disse
eu: Aqui estou eu, envia-me.
ORAÇÃO
ELUCIDAÇÃO:
Como podemos perceber, Isaías é quem escreve o livro que leva seu nome. E ele é um dos
profetas com maior tempo de ministério descritos na Bíblia. Provavelmente, seu ministério durou
cerca de 50 a 60 anos.
Mas além de exercer o oficio de profeta, ele ocupava cargos importantes do governo de Israel.
Comentaristas afirmam que ele era parente do rei Uzias. Então, ele circulava na alta sociedade
da época.
E o livro de Isaías é considerado o quinto evangelho, o evangelho do AT porque dentre todos os
profetas, Isaias é o que mais falou sobre a esperança messiânica. No AT as pessoas esperavam
pelo messias, por um salvador e Isaias é quem mais enfatiza de como seria a vinda e a obra
desse salvador e redentor não apenas para Israel, mas para toda humanidade.
Ele vai dirigir sua profecia para o reino do Sul, Jerusalém.
Nos capítulos de 1 a 5, Isaías vai mostrar o cenário onde ocorre o seu chamado. Vemos uma
descrição do que estava ocorrendo em seus dias. O povo estava mergulhado em seus pecados,
haviam se entregado a uma vida distante de Deus, entregando-se aos ídolos. Havia exploração
dos mais pobres, maldades, o culto havia sido profanado e Deus abominava a adoração quando
eles se reuniam.
E no cap 1 vemos o diagnostico de Deus acerca da situação do povo: O boi conhece o seu
possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o
meu povo não entende (Is 1.3). Israel estava longe!
E é nesse cenário moral, que Isaias tem a visão de Deus no cap 6, onde ele é purificado e
chamado para exercer seu ministério profético.
A nação estava moralmente doente, havia perversidade, e agora a nação estava sem um rei.
Além do caos moral e espiritual, agora a nação estava diante de um caos politico.
Entretanto, aqui, nós vemos Deus guiando a história e mantendo o seu remanescente; mostrando
quem era o verdadeiro Deus em Israel.
Nessas últimas semanas
o mundo acompahou a morte de mais um papa. E antes do anuncio para o mundo ser proferido,
a igreja, os clerigos precisam seguir um protocolo, um script.. e um destes momentos é quando
um dos clérigos retira da mão do papa morto o anel e profere as seguintes palavras: o trono está
vago. O trono de Pedro está vago.
Não, o trono não está vago! O trono de Pedro não está vago, Deus está assentado lá, o trono de
Israel nunca esteve vago um segundo se quer, nem por um minuto sequer, porque quem está
assentado sobre Ele não é um Deus falivel, não é um Deus que morre, é o Deus que criou a
história e tem o mundo e todos os seus governantes na palma de suas mãos. Então, no ano da
morte do rei, o profeta tem uma visão do verdadeiro Rei!
Queridos, essa visão ainda nos ensina algo muito precioso: Que nem um homem é o mesmo
após ter um encontro com Deus. Melhor, vou refazer a minha colocação.
Não há ninguém que se encontrou com a magestade de Deus, que exposto a santidade e a glória
de Deus, continua da mesma forma.
Ninguém pode ver a Deus, ninguém pode ser exposto ao Rei do universo, ao Deus da história e
continuar o mesmo, ninguém pode ver a Deus e seguir da mesma forma. Porque a revelação de
Deus muda a vida do homem pecador. Muda a vida daquele que foi exposto a experiencia mais
grandiosa quem alguém poderia ter. A revelação do Deus do evangelho.
E então em tempos de crise social, como a que enfretams hoje, em tempos de crise politica como
é essa que enfrentamos hoje, onde há corrupção para todos os lados, em tempos de crise
espiritual aonde as pessoas sufocam a sua fé, precisamos crer que o Senhor ainda levanta
homem para fazer destes homens alvos da sua revelação para que eles sejam agentes de
transformação e testemunhas da glória de Deus.
E com isso, podemos perceber e aprender o impacto transformador da revelação de Deus na vida
do homem.
E o texto nos mostra 3 razões porque a revelação de Deus transforma o homem pecador.
1 – Em primeiro lugar, a revelação de Deus é transformadora porque ela demonstra QUEM DEUS É.
(1-4):
1 No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi também o Senhor assentado sobre um trono, alto e sublime e
as abas do seu manto encha o Templo.
No texto original, há um trocadilho com a palavra “rei”. Ou seja, no ano em que o rei de Israel
morreu, Isaias tem uma visão de um rei que está assentado em um trono.
O que Isaías está dizendo é: No ano em que o rei humano morreu, o rei de carne, o rei terreno, o
rei falível morreu, os meus olhos viram o Rei do Reis.
Adonai, YHWH, aquele que é imortal, o Rei eterno, imutável, que é infalível, soberano, o rei do
universo, eu estou vendo um cordeiro, que também é leão. E Ele está assentado num trono alto e
sublime.
E as suas vestes são tão gloriosas que enchem o templo.
2. Acima estavam os serafins. Cada um tinha seis asas; com duas cobriam o rosto e com
duas cobriam pés e com duas voavam.
3- E um clamava aos outros, dizendo: Santo, santo, santo, é o SENHOR dos exércitos;
toda a terra está cheia da sua glória.
4- E os umbrais da porta moveram-se à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
Além de rei, ele é Santo! Ao redor estavam os serafins, na posição de servos esperando a ordem
daquele que está assentado. E esses serafins eles cobrem a face diante daquela santidade
majestosa, porque nem mesmo eles, são dignos de contempla-lo.
E ele ainda vê que os seres celestiais estão cantando uma melodia. E este cântico é continuo, e o
tema dessa melodia é a santidade do Senhor! E a sua presença e a sua gloria enchem todos os
lugares.
E a santidade de Deus o revela como um ser totalmente diferenciado porque ninguém pode ser
descrito dessa maneira. Ninguém na bíblia é chamado três vezes santos. Não encontramos essa
repetição em outro lugar.
Ninguém recebe esse atributo como Deus, e ele não é apenas santo, ele é santíssimo. Até
mesmo os serafins, seres dotados de pureza reconhecem que Deus é mais puro e mais santo
que eles.
A palavra “santo” significa separado, puro, perfeito. Aquele que não é comum, Ele não peca, ele
não falha, ele não desliza, ele não tropeça como nós; ele não está sujeito ao pecado como nós
ele é SANTO!
Isso está além da nossa capacidade de discernimento. A santidade de Deus está acima do
pensamento humano. A santidade de Deus está além daquilo que o homem consegue imaginar.
E é esse Deus que Isaías ver. O Deus eterno, o Deus imortal. Não aquele criado pela imaginação
do homem, não aquele ridicularizado nos carnavais da vida, não aquele minimizado pela cultura.
Isaias vê o Deus que fez o monte sinai fulmegar, o Deus que fez João cair como morto. O Senhor
manifestado em santidade e em glória, assentado sobre um trono reinando sobre Israel e sobre o
Universo.
Os astrônomos calculam que o universo tenha mais de 92 bilhões de anos-luz de diâmetro.
Ninguém sabe onde começa ou termina, e a bíblia simplesmente diz que Deus mediu a palmos!
Há mais estrelas no universo do que todos os grãos de areia de todos os deserto e praias do
nosso planeta. Deus não apenas criou todas elas, mas conhece cada uma e as chama pelo
nome.
“Na extensão total da vida humana não há nenhum centímetro quadrado acerca do qual
Cristo, que é o único soberano, não declare: Isto é meu!” - Abraham Kuyper
Ou seja, tudo é dele. Ele está no trono!
Essa é uma das verdades mais profundas das escrituras: Deus é soberano! Isso não é o que eu
acho ou que sinto, mas é o que está escrito.
E não existe doutrina mais reconfortante do que essa!
Pois além de ser soberano sobre toda a imensidão do universo, ele é soberano sobre as
circunstâncias mais intimas de cada pessoa, o mesmo Deus que rege e domina o universo é o
mesmo que escuta a oração mais secreta e mais pessoal que alguém possa fazer.
Devemos ter essa compreensão de Deus, pois assim os problemas da vida serão enfrentados
com menos dor.
Tem muita gente na igreja que não tem a compreensão de quem Deus é.
Geralmente a tendência de muitos de nós é engrandecer as adversidades, os problemas, é isso
acontece porque não conhecemos o Deus que dizemos que seguimos. A partir do momento que
eu confio na bondade, na fidelidade, na providencia, eu não engradeço o meu problema, eu
passo a crer em um rei que está assentado e tem tudo sob controle, e que faz com que tudo
coopere para o bem.
O que são as nossas dificuldades diante daquele que dá ordens aos ventos e o mar e eles
prontamente lhe obedecem?
Se eu perdi meu emprego, Deus está no trono, se estamos enfrentando uma crise na saúde.
Deus está no trono, se enfrentamos uma crise econômica, Deus está no trono .
Foi assim com Jó, no momento que ele teve o encontro com Deus, ele reconheceu: Bem sei
tudo podes e nenhum dos teus planos podem ser frustrados. Eu te conhecia só de ouvir,
mas agora os meus olhos te veem.
Ainda que o dias maus recaiam sobre mim, eu sei que “meu redentor vive” e ele está no trono,
governando sobre todos os momentos da minha vida.
Agora Isaias tem essa compreensão de quem é Deus. Uzias tinha sido um bom rei, trouxe
estabilidade para a nação, mas agora ele estava morto, é nesse momento que Deus se revela
como o verdadeiro rei.
E é essa a compreensão que os vencedores tem no livro de apocalipse, eles cantam o cântico
que nós também cantaremos quando Deus se manifesta em gloria.
Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e
verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o
teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo;
A revelação de Deus nos mostra quem ele é!
2 – Em segundo lugar, a revelação de Deus nos transforma porque DEMONSTRA A NOSSA
DEFICIENCIA MORAL (5)
Diante da visão de um Deus que é rei e Santo, Isaías diz: acabou pra mim! Ao ver a perfeição de Deus, o
profeta sente vai morrer.
Ele diz:
5- Então disse eu: Ai de mim! Porque eu estou perdido. Porque sou um homem de lábios impuros e habito
no meio de um povo de lábios impuros. Porque meus olhos têm visto o Rei, o SENHOR dos Exércitos.
Pronto, estou acabado. É o fim. Foi essa a reação de Isaias ao se exposto a santidade de Deus.
Sabe pq Isaías se sentiu assim? Pq a santidade de Deus desvenda o nosso pecado, a
santidade de Deus desmasca e denuncia o pecado que eu tanto me esforço para esconder
das pessoas.
E aí a reação dele é “estou perdido” e o termo perdido trás uma ideia de silencio mortal..
julgamento. Isaías se sente completamente indigno. Ele vê a sua deficiencia moral.
Não há nenhuma possibilidade de que alguém após ter tido um encontro com a santidade de
Deus, não sentir sua humilhação e não reconheça que é pecador! Isaías percebeu o grande
oceano que separa Deus e os homens. Naquela visão ele não viu um monarca, ele viu o rei de
toda terra. O rei celestial.
Diante de Deus, não há quem possa se manter no top. Isaias se prostou, Ezequiel lançou o
rosto no chão, João caiu como morto.. Não há um homem que diante de Deus, possa se
manter de pé ou se gloriar, ou se esconder.
Isaias tem plena consciência de sua pobreza moral e da situação da nação. E ele não esconde
isso! Ele sabe que não há como se esconder.
Lembra de alguém que fez diferente de Isaías? Gn 3.Adão fez o contrário, ao pecar contra
Deus no Éden e ainda culpou a Deus. “Senhor a culpa não foi minha; foi a mulher que me
deste!”
Devemos sair dos esconderijos e reconhecer: Deus, eu pequei de novo. Tem compaixão de mim.
Reconhecer o nosso pecado as vezes é difícil. Ver a nossa culpa. Porque geralmente o nosso
ego está lá em cima.
Muitas vezes olhamos para nós, e dizemos: poxa, eu nem sou tão ruim assim. Nos exaltamos,
nos gloriamos em nós, nos enchemos de nossa justiça própria.
Reconhecer que erramos é uma atitude que mexe com nosso ego. Mexe com nossa
religiosidade, com a nossa caricatura de super-crentes, com nosso sentimento de que somos
muito bons, quando na verdade, nós somos maus - Essa é a nossa natureza!
Jesus nos conta a parábola de dois homens. O Fariseu e o Publicano. O primeiro se vangloriava
em suas orações, em seus jejuns, em seus dízimos, o outro, nem mesmo tinha coragem de
erguer seus olhos para os céus, mas batia no peito e dizia: Sê propício a mim que sou pecador!
Tem misericórdia de mim que sou homem falho!
No meio cristão, sempre iremos encontrar esses dois tipos de pessoas.. e ainda há um terceiro:
Naamã; homem de poses, mas teve de ouvir do profeta que teria que descer em aguas sujas.
Tinha que matar seu orgulho e obedecer.
E isso implica irmãos, que diante de Deus, os nossos títulos não são vistos, o nosso dinheiro não
é visto, os nossos bens, cargos, os nossos diplomas, as nossas graduações.. diante Dele somos
apenas pó..
Enquanto Davi escondeu o seu pecado, ele não teve paz, mas após ter consciência de seus
erros, ele não tentou mais esconder seu pecado. Ele entendeu que não poderia mais viver longe
do perdão de Deus. E ele diz:
Como é feliz aquele cuja desobediência é perdoada, cujo pecado é coberto! Sim, como é feliz aquele cuja culpa o
Senhor não leva em conta, cuja consciência é sempre sincera! Enquanto me recusei a confessar meu pecado, meu
corpo definhou, e eu gemia o dia inteiro. Dia e noite, tua mão pesava sobre mim; minha força evaporou como água
no calor do verão.
Um encontro com a revelação de Deus, nos faz entender o que precisa ser consertado em nós.
Quando foi a ultima vez que choramos diante de Deus e reconhecemos que somos falhos?
Certa vez perguntaram a Paul Washer: “Qual é o maior ato de fé?” Ele respondeu: “Para mim é
olhar no espelho da Palavra de Deus e ver todas as minhas falhas, todos os meus pecados, todas
as minhas deficiências, e acreditar que Deus me ama exatamente como Ele diz que me ama”.
Aquele que se humilha diante do Senhor, receberá de Deus, o seu favor.
A revelação de Deus nos mostra quem ele é, sua grandeza; A revelação do Deus Santo
demonstra nosso pecado; mas em terceiro e último lugar,
3 – Em terceiro lugar, a revelação de Deus nos transforma porque ela PROMOVE/DEMONSTRA A SUA
GRAÇA (6-7)
6 Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;
7 com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o
teu pecado.
Antes de iniciar o seu oficio profético, aquele homem precisou passar pelo fogo da purificação. E
agora vemos a graça de Deus em ação. Anteriomente nós tínhamos o “Ai” de condenação, e
agora temos um “Mas” de graça.
Porque o evangelho é sobre isso. É sobre condenação para os que rejeitam o evangelho, e graça
para aqueles que reconhecem que são pecadores. E perceba, a iniciativa é diniva, nunca será
humana. Sempre será de cima para baixo, foi assim que o véu foi ragasdo.
Deus envia um dos serafins para aquele por quem escolheu salvar. A graça redentora de Deus,
apressou-se em atender a necessidade do profeta.
Um dos serafins pega uma brasa do altar, e toca nos labios do profeta. E o efeito é instantaneo. A
sua culpa foi tirada, o seu pecado foi perdoado. A superabundante graça de Deus o alcançou. Ele
estava purificado.
Essa experiência simbolizava a purificação dos lábios de Isaías e não apenas isso, mas
simbolizava o perdão dos pecados de Deus.
Ali ele experimenta e compreende de maneira profunda, a graça de Deus e está estão
diretamente ligado ao que falamos nos versos anteriores.
Quanto mais compreendemos que Deus é santo e compreendemos que somos pecadores, mais
nós entendemos que precisamos de sua graça.
E ESSA GRAÇA PROMOVIDA PELA REVELAÇÃO DE DEUS AQUI, POSSUI DOIS
RESULTADOS:
1 - O primeiros deles é: Reconciliação.
Há um abismo entre Deus e o homem. Porém, a misericórdia de Deus desfaz essa separação. A
graça de Deus promove uma ponte que reconcilia o homem, que rompe com a inimizade.
Essa é a beleza do evangelho... Eu estou caído e Deus por meio de Cristo veio ao meu encontro.
Isaias poderia ter sido fulminado ser não fosse a graça de Deus. Porque o Senhor diz que aquele
que visse a sua face, seria morto. Entretanto, por um ato inexplicável de graça, o Senhor preserva
a vida de Isaías.
O mesmo Deus que estava julgando o povo afirmando que estava cansado de seus pecados, era
o mesmo que agora estava demonstrando de maneira especial a sua graça.
Em outras palavras, Deus não havia perdido o rumo da história aqui. Ainda que o povo estivesse
mergulhado em uma profunda corrupção moral. Ainda que muitos tivessem firmado compromisso
com outros deuses, o Rei, o Santo de Israel, ainda promoveria graça sobre eles.
Deus tinha aqueles que não haviam se dobrado e o serviam de maneira zelosa.
Mas além dessa graça, promovida pela compreensão da santidade de Deus, resultar em
reconciliação, essa graça também resulta em:
1. Capacitação. Capacitação para o cumprimento da missão de Deus. Comissionamento. A
graça tem uma implicação pratica para a vida do cristão – o serviço.
A graça é de graça, mas não é barata. A graça implica em serviço. Recebemos, mas não
podemos ficar parados.
É isso que Isaías faz.
8- Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?
Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.
O profeta tem o seu pecado perdoado, foi reconciliado e agora, é capacitado para exercer a
vocação profética.
Isso nos ensina o quanto o homem é limitado e o quanto ele precisa reconhecer que depende do
Senhor para cumprir sua vocação.
Isso nos ensina que a vocação ou o chamado de uma pessoa não se dá por meio da sua
capacidade intelectual e muito menos por sua eloquência, ou porque ela aprendeu algo em um
seminário ou em outro lugar. Precisamos da capacitação e da graça purificadora!
Isaias, possuía muitas habilidades, mas ele era apenas um homem, pecaminoso, corrompido pelo
pior mal: o pecado.
Portanto, ele necessitava do “toque” do Senhor. Era necessário esse toque porque ele seria o
instrumento da missão. Ele não poderia proferir as palavras santas de Deus com os lábios
impuros.
E somente nós podemos realizar a missão de Deus. Somente Isaías poderia aceitar aquele
convite. Os anjos não podiam.
Só quem foi justificado, só quem teve seus pecados perdoados, pode proclamar o perdão de
Deus. Só quem é redimido, pode falar de redenção. Só quem foi transformado, pode falar que
Deus transforma! Os serafins não foram perdoados porque eles não têm pecado, mas Isaías tem
e agora ele sente que precisa levar essa mensagem a outros.
Assim também precisamos da misericórdia divina, revelando a sua permissão e a sua
capacitação para a realização de sua obra.
Quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas! Somos coparticipantes
nessa obra que é dele!
E precisamos do seu toque! O Senhor está perguntando, quem irá responder?
CONCLUSÃO/ IMPLICAÇÕES
Diante de tudo isso, concluímos que a revelação de Deus é algo que transforma o homem de
forma profunda.
Transforma nossas percepções, nossas atitudes. Ninguém é o mesmo ao encontrar com esse
Deus que transforma!
A revelação de Deus nos revela o quanto ele é grande e soberano, a santidade de Deus
demonstra que somos pecadores, mas a santidade de Deus também nos faz compreender
melhor a sua graça. Graça essa que nos reconcilia com Deus e também nos capacita, nos
impulsiona a cumprir a sua missão.
Somente o evangelho tem esse poder de transformar vidas... Mas este encontro de Isaias com a
Santidade de Deus, embora seja tão profundo, foi apenas um foco, , era apenas um vislumbre da
graça de Deus. Era apenas uma pequena porção daquilo que seria manifestado séculos depois.
No ano em que o rei morreu, o profeta teve uma visão de um outro rei assentando no trono.
Mas que um dia manifestaria em carne, a pessoa do seu Filho, para que hoje, voce
pudesse estar diante da sua mesa.
E esse ato só pode nos levar a termos uma atitude: dobrar os nossos joelhos
reconhecendo quem Ele é.