17/12/2024, 11:08 Desigualdade racial na educação | Em Debate | Observatório de Educação
Desigualdade racial na educação
brasileira: um guia completo para
entender e combater essa realidade
Reunimos os principais conteúdos do Observatório de Educação sobre o tema
para explicar o que é essa desigualdade e a importância da educação para
combatê-la.
Introdução
De caráter estrutural e sistêmico, a desigualdade racial no Brasil é
inquestionável e persiste devido à fragilidade de políticas públicas
para o seu enfrentamento. De acordo com a Síntese de Indicadores
Sociais 2023, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
, enquanto os pretos e pardos representavam 55,7% da população
em 2022, a proporção deste grupo entre todos os brasileiros abaixo
da linha de pobreza era de 70,3%, ante a fração de brancos de 28,7%.
Quando olhamos os números de extrema pobreza, a discrepância
fica ainda maior: 73% eram negros e 26% brancos. Nessa
perspectiva, construir uma sociedade mais igualitária requer a
compreensão do papel de cada estrutura socioeconômica na
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reprodução do racismo para elaborar estratégias efetivas de
enfrentamento.
Na educação, essa desigualdade é evidente e o combate a ela é
indispensável para qualquer mudança, de modo que sem uma
educação efetivamente antirracista não é possível pensar em uma
sociedade igualitária.
Neste especial, você vai saber o que é desigualdade racial, seus
aspectos históricos, como ela acontece na educação brasileira e vai
conhecer políticas públicas e iniciativas de gestores escolares para
enfrentá-la. Ao longo do conteúdo, distribuímos links para vários
materiais disponíveis do Observatório de Educação – Ensino Médio e
Gestão relacionados ao tema. Utilize-os para saber mais sobre
questões específicas relacionadas à desigualdade racial na
educação.
Confira outros conteúdos sobre o tema
Análise de dados integrada sobre desigualdade racial
Gestão escolar para a equidade racial
Currículo, desigualdades e diversidades no Ensino Médio
O papel da Escola no enfrentamento ao racismo
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Coleção debate a Educação Quilombola
Boletim Aprendizagem em foco - Desigualdade racial precisa ser
enfrentada também dentro da escola
O que é desigualdade
racial e como ela
acontece na educação
brasileira?
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Na sociedade brasileira, as diferenças sociais entre brancos e negros
são nítidas no cotidiano. Além do aspecto econômico, no qual
pessoas pretas e pardas (a combinação desses grupos forma a
classificação negra, segundo o IBGE) são maioria entre as que
possuem rendimentos mais baixos, a persistência de situações de
maior vulnerabilidade, indicada por evidências nos campos da
educação, saúde, moradia, entre outros, mostra evidente
desequilíbrio na garantia de direitos em prejuízo para a população
negra. É possível também observar a sub-representação entre líderes
de equipes nas empresas, juízes e políticos.
Nessa perspectiva, o professor da University of Texas, Marcelo
Paixão, falou sobre como podemos definir a desigualdade racial e
qual o papel dos dados para que os gestores possam elaborar
políticas e práticas de combate às desigualdades raciais expressas
também no espaço escolar ou na educação brasileira.
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O que dizem os dados
De acordo com a edição 2023 da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios Contínua ( Pnad Contínua Educação), do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetismo
entre pretos e pardos de 15 anos ou mais caiu em 2023 para 7,1%, o
menor nível histórico desde 2016, mas ainda é mais do que o dobro
da registrada entre brancos, que é de 3,2%. De 2016 para 2023, a taxa
de analfabetismo entre as pessoas pretas ou pardas na faixa etária
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indicada recuou 2 p.p. no país. É a primeira vez que o indicador ficou
próximo de 7%.
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Pesquisas por Amostra de
Domicílios, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016/2023.
Nota: As diferenças entre 2016 e 2023 são significativas ao nível de confiança
de 95%.
(1) As diferenças entre 2022 e 2023 são significativas ao nível de confiança de
95%.
O mesmo levantamento demonstra a desigualdade no acesso à
educação. Em 2023, dos jovens de 14 a 29 anos que não
completaram o ensino médio – seja por terem abandonado a escola
antes do término desta etapa, seja por nunca a ter frequentado –
71,6% eram negros e apenas 27,4% eram brancos. Tal indicador
apresentou uma pequena variação ou piora na desigualdade na
comparação com 2022, quando 70,9% dos jovens fora da escola
eram negros e 27,9% eram brancos.
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Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Pesquisas por Amostra de
Domicílios, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2023.
(1) Inclusive as pessoas que se declararam de cor ou raça indígena, amarela ou
ignorada.
Com base em dados anteriores, da Pnad Contínua Educação 2022, o
IBGE avaliou os motivos de abandono escolar entre pessoas de 14 a
29 anos segundo o recorte de cor ou raça. A análise demonstrou
certa similaridade nas razões que explicam o afastamento da
população preta ou parda e da população branca da escola, como se
pode conferir nos gráficos a seguir.
Gráfico representando a trajetória histórica do abandono. Fontes:
Censo Escolar - Microdados da situação de final de ano letivo, (INEP)
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Noutra vertente de pesquisa, o estudo "Diagnóstico do abandono e da
evasão escolar no Brasil”, produzido pelo Instituto Mobilidade e
Desenvolvimento Social, apontou, com base na Pnad Contínua
Educação 2019, que a chance de um jovem preto ou pardo de 20 a 24
anos estar fora da escola sem ter concluído o ensino médio era,
naquele ano, 55% maior do que a de um jovem branco.
Em agosto de 2024, o Ministério da Educação (MEC) aproveitou o
evento de divulgação dos resultados da edição 2023 do Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para apresentar um
panorama da trajetória dos estudantes brasileiros, desde a educação
infantil até o ensino médio. A análise, que se baseou na Pnad
Contínua Educação 2023, também trouxe recortes por cor ou raça e
por renda, e demonstrou mais uma vez que os indicadores de
conclusão das diferentes etapas de ensino são consistentemente
melhores para a população branca. Além disso, o estudo confirmou
que é no ensino médio que as diferenças se tornam mais agudas.
Gráfico representando a trajetória dos estudantes na educação
básica
Fonte: PnadC 2023/ Elaborado por Inep/Deed.
Além do acesso à educação, a desigualdade racial tem efeitos sobre
o direito à aprendizagem como demonstrou um estudo realizado pelo
Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) a
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pedido da Fundação Lemann e que enfocou particularmente brancos
e pretos, excetuando a população parda. Com base em dados da
edição 2019 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a
pesquisa revelou, em todos os estados do país, tanto no 5º ano
quanto no 9º ano, e em todas as disciplinas avaliadas (Língua
Portuguesa e Matemática), diferenças consideráveis entre o
percentual de estudantes pretos e brancos que atingiram índices
adequados de aprendizagem.
Os pesquisadores ainda classificaram esses alunos pelo nível
socioeconômico (NSE), e entre aqueles de mais alto NSE, as
desigualdades raciais também se mantiveram. Quando os alunos do
9º ano de NSE alto foram avaliados em Matemática, por exemplo,
percebeu-se que 34,4% dos brancos tinham aprendizado adequado,
enquanto apenas 17,3% dos pretos apresentaram o mesmo
desempenho (diferença de 98,8%). Entre os de baixo NSE, 15,8% dos
estudantes brancos apresentavam aprendizado adequado contra 8%
dos pretos (diferença de 98%). Ou seja, as disparidades raciais se
repetiram mesmo em contextos econômicos distintos. Dessa forma,
não cabe confundir as desigualdades sociais com a exclusão
sistêmica provocada pelo racismo estrutural.
Ernesto Faria, diretor e fundador do Iede, comentou sobre a pesquisa,
salientando que são diversos os fatores que impedem que crianças e
jovens negros tenham garantido o seu direito a aprendizagem:
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“Há pontos importantes ressaltados por nossa análise e
também por vários outros estudos sobre o tema: o primeiro é
que as desigualdades raciais não se devem apenas a fatores
socioeconômicos. É preciso reconhecer com todas as letras
que há sim racismo, há um preconceito incorporado em várias
práticas educativas, e isso impacta mais alunos pretos do que
pardos. (...) Os professores adotam atitudes que reforçam a
desigualdade muitas vezes por pouca reflexão e não de forma
intencional. É importante conscientizarmos os educadores dos
problemas de nos basearmos em estereótipos nas ações do
dia-a-dia e da importância de darmos valor às diferenças.”
Assim, além de uma análise profunda dos dados, conhecer os
aspectos históricos do Brasil é fundamental para compreender a
origem e os motivos da perpetuação da desigualdade racial na
educação do nosso país.
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Aspectos históricos do
racismo no Brasil
Última nação do ocidente a abolir a escravatura, o Brasil, entre o fim
do século XIX e início do XX, não criou nenhuma condição para a
inserção digna da população negra na sociedade. Ao contrário,
diversas obras, políticas e instituições disseminaram a ideia de um
país mestiço, no qual o convívio é harmonioso entre as diferentes
raças.
Dessa maneira, o racismo estrutural foi sendo construído como
processo histórico, que, segundo Pires e Silva, hoje funciona como:
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"uma espécie de sistema de convergência de interesses,
fazendo com que o racismo, de um lado, implique a
subalternização e destituição material e simbólica dos bens
sociais que geram respeito e estima social aos negros – ciclo
de desvantagens – e, de outro, coloque os brancos imersos em
um sistema de privilégios assumido como natural, como
norma.” (PIRES e SILVA, p. 66)
Este vídeo, o primeiro da Coleção Antirracista, traz o conceito do Mito
da Democracia Racial, uma ideia de harmonia entre as raças no país
que na realidade nunca existiu e serviu para interditar um debate
amplo sobre o racismo na sociedade brasileira.
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Assim, o conjunto de preconceitos direcionados à população negra
encontra-se enraizado no inconsciente e na subjetividade de
indivíduos e instituições, se expressando em ações e atitudes
discriminatórias regulares, mensuráveis e observáveis. Violência
policial atingindo na grande maioria das vezes a população negra,
maior número de vítimas de homicídios e todos os dados de
desigualdade na educação já mencionados são alguns exemplos,
permanecendo assim o racismo estrutural em diversos espaços da
sociedade brasileira.
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Ao mesmo tempo, muitos avanços foram conquistados ao longo das
últimas décadas a partir da luta histórica dos movimentos negros,
que muitas vezes não é visibilizada devido ao mesmo racismo que
ousa enfrentar. A professora Nilma Lino Gomes, em seminário on-line
promovido pela Fundação Santillana, apontou:
“Fica parecendo que no Brasil tudo acontece sem conflito, mas
nós somos uma sociedade em ebulição. Isso tem sido
mostrado nos últimos tempos, mesmo que se inspirando
contraditoriamente na realidade estadunidense.”
Conforme apontou o antropólogo, professor da Universidade de São
Paulo (USP), Kabengele Munanga, parte da mudança está na
desconstrução do mito da superioridade branca e da inferioridade
negra e ameríndia que atravessa todos os campos da educação,
informação e imagem, reproduzidas cotidianamente e interiorizadas
por toda a sociedade. De acordo com o antropólogo, é na educação
principalmente que se constroem essas imagens estereotipadas e
discriminatórias do sujeito e da população negra, de modo que
apenas a prática educativa tem o poder de desconstruí-las: “Só a
própria educação é capaz de desconstruir os monstros que criou e
construir novos indivíduos que valorizem e convivam com as
diferenças.”
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Outras pesquisas, vídeos e documentos sobre o tema estão
disponíveis no CEDOC do Observatório da Educação, acessível
através deste link.
O impacto do racismo no
acesso à escola
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Esse racismo estrutural também segue presente nas instituições
ligadas à educação. Hoje em dia, as escolas possuem marcas dessa
história e os indicadores educacionais são reflexo de uma situação
muito comum para os jovens negros: a de precisar buscar inserção
no mercado de trabalho muito cedo, como forma de colaborar para a
subsistência do grupo familiar.
Conforme a educadora e gestora da educação Macaé Evaristo, esse
conflito entre o trabalho e a escola e, por consequência, a evasão
escolar, é uma das marcas da desigualdade racial no Brasil:
“Os jovens ainda vivem muito um conflito entre educação e
trabalho em que as condições de vida impõem a opção pelo
trabalho. Precisamos investir em melhores condições de
atendimento a essa população”, explica. Além disso, essa
população é maioria nas escolas com menor estrutura, o que
favorece a evasão e o baixo desempenho na aprendizagem.
“Os jovens das comunidades mais vulneráveis têm acesso a
escolas com infraestrutura mais precária, que no geral têm
profissionais de educação sem a formação desejada nas áreas
do currículo demandadas para o Ensino Médio”, conclui Macaé
Evaristo.
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Para a intelectual negra Sueli Carneiro, fundadora do Geledés -
Instituto da Mulher Negra, o racismo estrutural presente nas escolas
gera situações traumatizantes para os estudantes negros.
“O pós-abolição não restitui essa humanidade retirada - a
escola reitera isso. Não é gratuito que nossas primeiras
experiências com o racismo têm a ver com a entrada na
escola”, afirma.
Leia o artigo completo da seção Em Debate do Observatório da
Educação através deste link para saber mais sobre as reflexões de
Macaé Evaristo e Sueli Carneiro na construção de projetos e práticas
educativas que combatam a desigualdade racial na educação e o
racismo estrutural.
Diante de tudo isso, o abandono e o baixo desempenho na educação
básica seguem muito mais altos para os estudantes negros, uma
situação que ainda carece de políticas públicas efetivas, mas que
vinha apresentando avanços, principalmente no âmbito legal, como a
Lei 10639 de 2003, que será abordada no próximo tópico.
Nessa direção, em 2024, o MEC criou, por meio da Secretaria de
Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos,
Diversidade e Inclusão (Secadi), a Política Nacional de Equidade,
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Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar
Quilombola (PNEERQ).
A iniciativa foi instituída pela Portaria n° 470, de 14 de maio de 2024,
e busca fomentar ações e programas educacionais voltados à
superação das desigualdades étnico-raciais na educação brasileira e
à promoção da política educacional para a população quilombola. A
PNEERQ é composta por sete eixos e prevê o investimento de R$ 1,5
bilhão até 2027 em todo o país, incluindo ações universalistas e
outras com foco nas redes com maiores desigualdades.
Além disso, em março de 2024 o MEC lançou o Diagnóstico Equidade
, um levantamento direcionado aos secretários de Educação e
prefeitos do país, com o objetivo de diagnosticar as chamadas
políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer)
implementadas nos estados e municípios. As perguntas do
questionário abrangem temas como equidade racial, educação para
as relações étnico-raciais, educação escolar quilombola e educação
escolar indígena.
O diagnóstico subsidiará o MEC na construção de indicadores que
ajudarão os entes subnacionais a aprimorarem suas ações e
programas voltados a uma educação antirracista, bem como auxiliará
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a pasta a orientar ações e programas federais, a exemplo da
PNEERQ.
A Lei 10639: História e
cultura africanas na sala
de aula
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Além dos pontos já abordados, a própria construção curricular das
escolas favorece a manutenção da desigualdade. Ao longo da
construção do sistema educacional brasileiro, a seleção e
estruturação dos conteúdos escolares foi organizada por uma
perspectiva eurocentrada, na qual a visão da população branca foi
priorizada em detrimento das outras etnias e culturas. Assim, os
negros, mais da metade da nossa população, não se veem
representados nos conteúdos lecionados.
“Quando uma cultura se impõe sobre a outra – como
aconteceu no Brasil – é ela que fala. Há, portanto, um lugar de
poder. Você forma crianças (brancas, negras, indígenas) para
pensar o branco, o negro e o indígena de uma determinada
forma. Você cria um imaginário, criado em crianças brancas,
negras e indígenas que irão ocupar diferentes lugares sociais.
A hierarquização irá acontecer, e ao final você tem violência e
conflitos raciais. A escola tem um lugar determinante na
construção do imaginário” explica a pesquisadora Cida Bento,
do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e
Desigualdade.
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Nessa perspectiva, a Lei 10639, de 2003, foi uma conquista
importantíssima para adotar perspectivas mais democráticas e
diversas. Construída a partir de inúmeras manifestações dos
movimentos negros, a lei estabeleceu a obrigatoriedade de
conteúdos sobre a história e cultura africana e afrobrasileira nos
currículos da educação básica. Um dos propósitos do recém-
mencionado Diagnóstico Equidade é atuar no monitoramento da
implementação da Lei 10639.
Vale lembrar que um estudo realizado em 2022 pelo Geledés Instituto
da Mulher Negra e o Instituto Alana apontou que 71% das Secretarias
Municipais de Educação promoviam pouca ou nenhuma ação
estruturada para cumprir a Lei 10639. Os principais entraves
mencionados foram a dificuldade dos profissionais em transpor o
ensino nos currículos e projetos das escolas, além da falta de
informação e orientação suficientes. De todas as secretarias
pesquisadas, 69% afirmaram que a maioria ou boa parte das escolas
realizava atividades relacionadas ao ensino de história e cultura
africana e afro-brasileira apenas durante o mês ou Semana da
Consciência Negra. Além disso, a maioria das secretarias municipais
não acompanhava indicadores de desempenho dos estudantes por
raça.
A BNCC, Base Nacional Comum Curricular, oficializada em 2017 pelo
Ministério da Educação, é uma orientadora curricular que prevê uma
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formação cidadã, inovadora, plural e multicultural, buscando ampliar
as referências de mundo dos alunos. Ela traz cinco áreas de
conhecimento e, além delas, introduz os Temas Contemporâneos
Transversais, TCTs, como ferramentas para explicitar a ligação entre
os diferentes componentes curriculares de forma integrada e para
que os estudantes possam fazer conexões com situações
vivenciadas em suas realidades. Porém, o estudo Diversidade Étnico-
racial, Cultura e Cidadania: Diálogos com as Ciências da Natureza,
produzido pelo Coletivo de Intelectuais Negros e Negras (CDINN) em
2023, chama atenção para o fato de o documento da BNCC não
mencionar as alterações determinadas pela Lei 10639,
desconsiderando a contribuição dos povos e culturas africanas e
nativas como parte fundante da formação social brasileira. E defende
que a porta de entrada para tratar desta questão em sala de aula
seriam os TCTs, trazendo contribuições práticas de como inserir a
questão racial na área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias,
integrada por Biologia, Física e Química.
Os dados nos mostram que ainda há um grande caminho a ser
percorrido, pois, sem uma avaliação que coloque a
representatividade, o racismo, a diversidade e outros temas em
debates alinhados com sujeitos historicamente excluídos, não
colocaremos a discussão das relações étnico-raciais no centro do
processo de construção curricular. E a escola pode continuar sendo
apenas mais um espaço de reprodução de desigualdade racial na
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educação, inclusive a instigar situações e discussões violentas entre
diferentes grupos raciais.
Acesse o artigo completo “Currículo, desigualdades e diversidades no
Ensino Médio” da seção Em Debate através deste link e saiba mais
sobre as discussões para a inclusão de grupos historicamente
excluídos no centro da construção curricular.
A plataforma Anansi, apoiada pelo Instituto Unibanco, é também uma
fonte de estudos e conteúdos para serem usados em sala de aula
com a missão de ajudar as escolas a cumprirem a Lei 10639. E,
recentemente, o MEC criou o curso online "Igualdade Racial nas
Escolas", direcionado para professores do ensino fundamental.
O papel da gestão escolar no
combate à desigualdade racial
Conforme abordado neste artigo da seção Em Debate do
Observatório de Educação, a educação antirracista é um conjunto de
ações que não se limitam a resolver os conflitos cotidianos
motivados por questões raciais. Assim, construir essa educação
implica necessariamente a revisão do currículo, garantindo sua
pluriversalidade, bem como a composição de um corpo docente
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etnicamente diverso e formado em competências curriculares que
abranjam a cultura e a história de povos africanos e ameríndios.
A educadora Bárbara Carine, professora adjunta do Instituto de
Química da UFBA, e uma das fundadoras da Escola Afro-brasileira
Maria Felipa, em Salvador, vai além e diz que, não apenas os
professores, mas todos os colaboradores das escolas devem receber
uma formação de letramento racial. No livro "Como ser um educador
antirracista", ela narra a história de uma aluna negra retinta que ouviu
de uma colega também negra, de pele mais clara, que o seu cabelo
era feio, o que fez a garota não querer ir mais à escola. A partir daí, a
equipe pedagógica iniciou um projeto chamado "Meu crespo é de
rainha", baseado no livro de mesmo nome da escritora bell hooks, que
passou a ser trabalhado em sala de aula, junto a outros materiais
com a mesma temática. Fora da classe, mais uma iniciativa da força-
tarefa foi combinar com o porteiro, a secretária e o profissional da
limpeza que, sempre que cruzassem com a aluna, eles fariam algum
tipo de elogio, com o objetivo de resgatar a autoestima da garota.
Este é um exemplo de como o gestor tem papel fundamental para
desenvolver meios que possibilitem a construção dessa
representatividade e a redução do preconceito de forma mais ampla,
estabelecendo uma educação antirracista mais efetiva do que a
simples inserção de conteúdos nos currículos. Na Escola de Ensino
Fundamental Godofredo Acrisio Ericeira, no município de Bacabal, no
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Maranhão, foi realizado um trabalho combinando esses conteúdos
curriculares com o resgate dos saberes escondidos na memória dos
mais velhos, construindo conhecimentos valorizando a característica
quilombola da comunidade onde a escola está inserida. Confira o
depoimento da gestora Clarice Morais Araújo sobre a iniciativa.
Você pode conferir outros conteúdos sobre a educação quilombola
através deste link, na Coleção produzida em parceria com o Núcleo
de Estudos Afro-brasileiros da UFMA e a Ação Educativa.
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O papel do docente e o
acesso ao ensino superior
Apesar do avanço no debate do racismo e da valorização da
diversidade cultural proporcionado pela Lei 10639, ela ainda encontra
algumas barreiras, sobretudo na rede pública. Além da falta de livros
didáticos adequados aos temas, problemas na formação de
professores contribuem com as dificuldades já enfrentadas.
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Em muitos casos, a formação curricular das universidades também
possui uma perspectiva eurocentrada, visto que a construção dela
tem como base pesquisadores brancos, já que a presença de outras
etnias foi muito pequena no meio acadêmico durante vários anos. A
partir de ações afirmativas, como as cotas para ingressos de
estudantes de escolas públicas negros, indígenas, de baixa renda ou
com deficiência nesses espaços, esse cenário apresentou uma
melhora.
Fundamentais para proporcionar acesso ao ensino superior a esses
grupos, as cotas foram instituídas nacionalmente nas universidades
públicas com a Lei 12711, que foi promulgada em 2012 e ficou
conhecida como Lei de Cotas. Além de buscar tornar o acesso ao
ambiente acadêmico mais equânime, a presença de negros e
indígenas é fundamental para promover a valorização da diversidade
cultural e construir conhecimentos que colaborem com a aplicação
da Lei 10639, ajudando a promover uma educação antirracista nas
escolas do Brasil.
Em 2023, a Lei de Cotas foi revalidada e aprimorada. Entre as
principais mudanças processadas em seu novo texto figuram:
O novo mecanismo de ingresso – antes o cotista concorria apenas
nas vagas destinadas às cotas, mesmo que tivesse pontuação
suficiente na ampla concorrência; agora, primeiramente serão
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observadas as notas pela ampla concorrência e, posteriormente,
as reservas de vagas para cota.
A instituição de monitoramento anual da lei e sua avaliação a cada
dez anos.
A inclusão dos estudantes quilombolas como beneficiários das
cotas.
O estabelecimento de prioridade para os cotistas no recebimento
de auxílio estudantil.
A redução do critério de renda familiar per capita para um salário
mínimo na reserva de vagas de 50% das cotas (antes era 1,5
salário mínimo).
A extensão das políticas afirmativas para a pós-graduação.
O ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, explica o longo
processo de negociação política para a efetivação da Lei 12711 e os
impactos dela no desempenho e na construção do conhecimento das
universidades.
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Esse vídeo faz parte da nossa série especial de vídeos com ex-
ministros da Educação. Você pode conferir todos na seção Luz,
Câmera, Gestão do Observatório de Educação através deste link. As
cotas e a ampliação do acesso ao Ensino Superior também são
abordadas na entrevista do ex-ministro Fernando Haddad, que você
confere clicando aqui e também na entrevista com o ex-ministro
Tarso Genro, disponível aqui.
Em 2021, a Universidade de São Paulo (USP) atingiu pela primeira vez
um índice superior a 50% de estudantes oriundos de escolas
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públicas. Foram 51,7%, dentre os quais 44,1% autodeclarados negros
e indígenas. Para aumentar a inclusão, a Universidade implementou
algumas mudanças. A partir do vestibular de 2023, todos os
candidatos concorrem às vagas de Ampla Concorrência (AC), que
não têm nenhum tipo de reserva, mas os que cursaram integralmente
o Ensino Médio em escolas públicas também poderão disputar as
vagas destinadas à Política de Ação Afirmativa Escola Pública (EP) e
os vestibulandos com esse perfil e que se autodeclaram pretos,
pardos e indígenas poderão, ainda concorrer também às vagas
destinadas à Política de Ação Afirmativa Pretos, Pardos e Indígenas
(PPI). Independentemente da categoria, todos os candidatos serão
classificados de acordo com sua nota no vestibular. Dessa forma,
serão preenchidas primeiramente as vagas para Ampla Concorrência,
depois as vagas para Escola Pública, seguindo os critérios para
essas vagas, e só depois as vagas para PPI, ou seja, os estudantes
enquadrados nas cotas que tiverem melhor desempenho já serão
automaticamente convocados na primeira lista. Outra mudança é a
instalação da comissão de heteroidentificação já no processo de
matrícula, que avalia os candidatos autodeclarados pretos, pardos ou
indígenas por meio de fotografia enviada pelo aluno no momento da
inscrição e por imagens capturadas pelo programa de
reconhecimento facial nos dias de prova. As duas fotos são
comparadas e, se houver dúvida, o candidato é convocado para uma
entrevista. As cotas são uma política pública eficaz no sentido de
democratizar e ampliar o acesso à educação superior. O
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superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, em sua
participação no Podcast Conselho de Classe, que você pode ouvir na
íntegra através deste link, destacou a importância de valorizar as
ações afirmativas como estratégias fundamentais para redução das
desigualdades na educação:
“A política de cotas muda a expectativa dos estudantes como
um todo da rede pública. A universidade passa a ser uma
possibilidade real, muda expectativas, comportamentos e os
resultados aparecem logo.”
Preparação docente para uma
educação antirracista
Naturalmente, o impacto dessa democratização de acesso ao Ensino
Superior terá impactos na educação básica no longo prazo,
sobretudo com a inclusão de mais professores negros. De acordo
com um estudo de 2016 da Universidade John Hopkins, professores
brancos possuem menos expectativas positivas quanto ao futuro
profissional e acadêmico de alunos negros, o que favorece o
desenvolvimento de situações de conflitos ligados a discriminação
racial. Concretiza-se, assim, uma profecia autorrealizadora, na qual
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os alunos que os educadores acreditam que não aprenderão, ou
aprenderão pouco, no final da trajetória efetivamente não obtêm o
sucesso acadêmico diante do apoio que foi sonegado.
Desigualdade racial: Diferença de expectativas entre professores
brancos e negros com o futuro de estudantes negros
Diferença de expectativas entre professores brancos e negros com o futuro de
estudantes negros.
Fonte: Universidade John Hopkins
Enquanto isso, no Brasil, entre os cursos superiores com maior
número de matrículas, o de Pedagogia é onde aparece o maior
número de estudantes pardos e pretos, que representavam 47,8% dos
alunos em 2020, segundo o IBGE.
Mesmo assim, ainda é fundamental que os gestores das escolas
desenvolvam ações de preparação dos professores para explorar os
temas previstos na Lei 10639, promover debates relacionados à
diversidade cultural e saber como identificar e minimizar a ocorrência
de situações de racismo.
Na EEB Ildefonso Linhares, em Florianópolis (SC), o diretor Sérgio
Bertoldi desenvolveu ações de combate ao preconceito racial que
tornava o ambiente escolar repleto de conflitos. Começando pela
preparação dos professores, o projeto evoluiu para ações em parceria
com a comunidade, unindo alunos, educadores e famílias para
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fomentar a importância da população negra na construção do País,
em especial nas artes e na cultura brasileiras.
Clique aqui para ler a 30ª edição do boletim Aprendizagem em Foco,
que aborda a pesquisa da Universidade John Hopkins e o projeto da
EEB Ildefonso Linhares, além de outros conteúdos relevantes sobre o
papel da gestão escolar para o combate ao racismo.
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Cenário atual: Pós-
pandemia e o
agravamento das
desigualdades
Ao contrário do que foi especulado por alguns setores da sociedade,
a pandemia da covid-19 não afetou a todos os grupos de maneira
equânime. Cada vez mais estudos demonstram como pessoas
negras, povos originários, pessoas com deficiência e mulheres foram
e ainda estão sendo impactadas pelos efeitos desta crise sanitária
de maneira desproporcional. O racismo estrutural e sistêmico se
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articulou aos diferentes campos sociais, econômicos e políticos
afetados direta e indiretamente pela pandemia.
Um estudo do Cebrap calculou o excesso de mortalidade em 2020
em relação a 2019, que é a diferença entre a quantidade de óbitos
esperada e a quantidade de óbitos observada para o mesmo ano,
uma estratégia para excluir as subnotificações de mortes por covid e
incluir óbitos que ocorreram por reflexo da pandemia e sobrecarga do
sistema de saúde. Foi observado um excesso de mortalidade de 27%
para os pretos e pardos em 2020, enquanto para os brancos foi de
17%. Todas as regiões apresentaram excesso de mortalidade, mas
nas mais desiguais, este índice entre pessoas pretas e pardas foi
quase duas vezes maior do que entre pessoas de cor branca, em
especial em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.
Os estudantes negros da educação básica, tanto do ensino
fundamental quanto médio, foram os que mais sofreram os impactos
negativos da interrupção das aulas presenciais em virtude da
pandemia. Os percentuais de crianças pretas e pardas de 6 e 7 anos
de idade que, segundo seus responsáveis, não sabiam ler e escrever
chegaram a 47% e 44% em 2021, sendo que, em 2019, eram de 28,8%
e 28,2%. Entre as crianças brancas, o índice subiu menos: passou de
20% para 35%, segundo um levantamento do Todos Pela Educação .
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Os mais velhos também foram muito impactados. Um estudo da
Fundação Carlos Chagas entre os adolescentes de 15 à 17 anos de
idade demonstrou que, enquanto 14,2% dos alunos brancos não
receberam atividades escolares em casa durante a interrupção das
aulas presenciais, este índice foi de 40,6% entre estudantes negros.
Em 2021, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef, na sigla
em inglês) publicou um relatório intitulado Cenário da Exclusão
Escolar no Brasil contendo alertas sobre os impactos esperados da
covid-19 na educação. O documento demonstrou que já em 2019,
antes da pandemia, entre os estudantes de 15 a 17 anos que
estavam fora da escola, mais de 70% eram pretos e pardos.
Para compreender melhor os desafios que este novo cenário
posiciona para a promoção da equidade racial na educação, o
Instituto Unibanco promoveu o webinário “Pandemia, Território e
Educação para Equidade Racial”. O debate abordou o
aprofundamento das desigualdades raciais e a necessidade de ações
urgentes e intencionais para garantir o direito à educação e à
aprendizagem de crianças, adolescentes e jovens negros e negras.
Maria Rebeca Otero Gomes, Coordenadora de Educação da
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO) no Brasil participou do evento apresentando o
relatório de Monitoramento Global da Educação 2020, publicado pela
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organização. O documento demonstra o aumento das desigualdades
educacionais na América Latina e no Caribe no contexto da covid-19.
Além de recomendar etapas para formulação de políticas públicas
que respondam a esse contexto, o relatório aborda tópicos sobre a
diversidade e necessidade de ampliar a representação de grupos
historicamente excluídos nos currículos da maioria dos países.
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Soluções de gestão para o
combate à desigualdade
racial na educação
Como você pode notar, a desigualdade racial na educação brasileira é
complexa e com muitos desafios para ser combatida. Entretanto,
muitos profissionais da educação vêm buscando e implementando
diferentes estratégias que buscam valorizar a diversidade e combater
o racismo.
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Por isso, separamos mais algumas iniciativas que já estão fazendo a
diferença para o combate à desigualdade racial, que podem servir de
inspiração a gestores que estão começando a pensar meios de
inserir suas escolas nessa luta e também a todos que queiram
fomentar esse debate em seus espaços de fala. Confira!
1. Diálogo e valorização da cultura negra
A EMEF Oziel Alves Pereira, de Campinas, no estado de São Paulo, os
conflitos gerados pelas diferenças raciais foram reduzidos
institucionalizando diálogos sobre africanidades e valorização da
identidade através de oficinas de tererê, que valorizam a beleza do
cabelo de alunos e alunas negras.
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2. Oficinas e exposições extraclasse para o combate
ao preconceito
Na EEB Cel Antonio Lehmkuhl, o bullying motivado pelas diferenças
entre os alunos foi combatido através de oficinas extraclasse e
exposições de trabalhos construídos através de filmes, músicas e
leituras orientadas, possibilitando uma construção diferenciada da
ideia de preconceito e reduzindo conflitos.
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3. Participação estudantil como ferramenta de
motivação
A EEEP Emmanuel Oliveira de Arruda Coelho, no município de Granja,
no Ceará, enfrentava uma situação de desmotivação e dificuldades
de aprendizagem de vários estudantes, comum entre alunos negros e
que vivem em condições socioeconômicas difíceis. Assim, foram
desenvolvidas técnicas de gestão que incluíssem os educandos no
processo de construção do ambiente escolar, levantando ideias de
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projetos, desenvolvendo lideranças e valorizando o diálogo deles
com a direção da escola.
4. Representações negras na literatura e nos
desenhos animados
Os livros infantis e os desenhos animados atuam na formação da
identidade e do aprendizado das crianças. Nessa perspectiva, a série
de livros “Nana e Nilo” tem como protagonistas duas crianças negras
que viajam o Brasil e a África explorando vários temas educativos.
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Disponível também em animações presentes em várias plataformas,
Nana e Nilo colaboram para a autoestima das crianças negras, bem
como o orgulho de sua beleza, história e identidade. Confira a
entrevista com seu criador, Renato Noguera.
5. Enfrentando Desigualdades Raciais dentro da Sala
de Aula
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Marcos Lima, diretor da E.E.M. Deputado Joaquim Figueiredo Correia,
conta como sua escola conseguiu desenvolver estratégias para
combater o preconceito e a discriminação de raça e classe com um
projeto que aborda essas questões no ambiente escolar.
6. Desigualdade e Recuperação da Aprendizagem na
Pandemia
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O Instituto Unibanco promoveu em parceria com o Geledés Instituto
da Mulher Negra reuniu convidados e especialistas, para debater
estratégias de enfrentamento ao agravamento das desigualdades
raciais na educação. Como construir uma educação pública de
qualidade para todas e todos, fortalecendo vínculos e promovendo a
equidade racial?
Suelaine Carneiro, coordenadora de educação do Geledés, participou
do evento refletindo sobre como as desigualdades educacionais e
sua articulação com marcadores sociais da diferença, tais quais
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gênero e raça, impactaram de maneira desproporcional grupos
historicamente excluídos, destacando em particular:
“O desafio de estudantes negros e negras cujos processos de
escolarização expressam um acúmulo de impedimentos,
interdições e expulsões causados pelo racismo. E uma questão
– ainda ignorada nas análises sobre os dados de desigualdade
na educação – que foi agravada pela pandemia e a sua
realização na modalidade EaD, a aprendizagem. É necessário
pensar o que foi possível garantir como aprendizagem para
todos, e como a aprendizagem pode ir para além dos
conteúdos.”
Os gestores Rosamaria Cris Silvestre, diretora da EMEI Origenes
Lessa (SP), e Jorge Felizardo, diretor da EMEFM Vereador Antonio
Sampaio (SP), também participaram do evento, compartilhando suas
experiências e reflexões sobre o papel da gestão na recuperação da
aprendizagem e no enfrentamento às desigualdades no contexto
atual.
Acesse o Banco de Soluções do Observatório de Educação para
conhecer outras iniciativas de gestores e professores para solucionar
desafios do cotidiano escolar, entre eles o combate ao preconceito e
ao racismo e a valorização da diversidade cultural.
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