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PLANEJAMENTO E PRÁTICA

EM SUPERVISÃO ESCOLAR

Autoras: Cláudia Roberta Chiodini


Janaina da Costa Leal Piekarzewicz

UNIASSELVI-PÓS
Programa de Pós-Graduação EAD
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Ozinil Martins de Souza

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel

Equipe Multidisciplinar da
Pós-Graduação EAD: Profa. Hiandra B. Götzinger Montibeller
Profa. Izilene Conceição Amaro Ewald
Profa. Jociane Stolf

Revisão de Conteúdo: Profª. Graciela Juciane Minatti

Revisão Gramatical: Profª. Iara de Oliveira

Diagramação e Capa:
Carlinho Odorizzi

Copyright © Editora UNIASSELVI 2013


Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial. UNIASSELVI – Indaial.

371.203
C539p Chiodini, Cláudia Roberta
Planejamento e prática em supervisão escolar /
Cláudia Roberta Chiodini; Janaina da Costa Leal Piekarzewicz.
Indaial : Uniasselvi, 2013.
96 p. : il

ISBN 978-85-7830- 677-9

1. Supervisão escolar – Planejamento – Prática.


I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
Cláudia Roberta Chiodini

É graduada em Pedagogia pela Associação


Catarinense de Ensino (2001). Fez a primeira
especialização em Educação Infantil e Séries Iniciais
e a segunda especialização em Gestão Escolar. Mestre
em Educação pelo Programa de Pós-graduação/Mestrado
em Educação da Universidade Regional de Blumenau. É
professora tutora externa do Centro Universitário Leonardo da
Vinci e servidora pública no município de Jaraguá do Sul, na
função de Administradora Escolar. Tem experiência na área
de Educação, com ênfase em: gestão da educação, gestão
dos recursos financeiros da educação, administração
escolar, formação de professores e docência nas séries
iniciais do ensino fundamental e no ensino superior.
As principais publicações são “Pesquisas em
Representações Sociais e Educação” e “Gestão
de Recursos Públicos” (EdiFurb).

Janaina da Costa Leal Piekarzewicz

Mestre em Educação pela FURB (2008),


graduada em Normal Superior com habilitação em
Educação Infantil pela Faculdade Metropolitana de
Guaramirim (2006) e em Administração de Empresas
pela FACEPAL (1997). Atualmente é coordenadora de
curso de graduação na Faculdade SENAC de Jaraguá do Sul,
professora tutora externa do Centro Universitário Leonardo
da Vinci, orientadora de cursos de formação continuada
do SESI/SC. Tem experiência na área de educação, com
ênfase em gestão e formação de professores e na área de
Administração de Empresas com foco em Planejamento
Estratégico. Publicações: “A Contribuição da Pedagogia
de Freinet para a Concepção Sociointeracionista”
e “Das intenções às ações: contribuições da
pedagogia Freinet para a organização da prática
pedagógica na Educação Infantil”.
Sumário

APRESENTAÇÃO��������������������������������������������������������������������������� 7

CAPÍTULO 1
Supervisão Escolar no Contexto Educacional Brasileiro.��� 9

CAPÍTULO 2
Pressupostos Teórico-Práticos da Supervisão Escolar����� 41

CAPÍTULO 3
Supervisor Escolar: Um Agente de
Mudanças Diante da Gestão Democrática������������������������������� 65
APRESENTAÇÃO
Caro(a) pós-graduando(a):

Este caderno de estudos, chamado “Planejamento e Prática da Supervisão


Escolar”, objetiva oferecer a você, estudante, a possibilidade de compreender
a trajetória da supervisão escolar na história da educação brasileira e a função
deste profissional no cotidiano atual escolar.

A elaboração deste material parte da experiência como educadoras em


escolas públicas, dos trabalhos realizados na formação de professores e de
pesquisas teóricas realizadas sobre o tema, buscando refletir e fazer refletir sobre
esta prática profissional.

Nesse sentido, a obra se organiza da seguinte forma: no primeiro capítulo


será apresentada uma retrospectiva do papel da Supervisão Escolar ao longo da
história da educação brasileira, destacando-se as mudanças no âmbito político
e educacional que interferiram nos papéis dos agentes responsáveis pela
organização do trabalho pedagógico e pela organização da escola como um todo.
Ainda neste capítulo, serão apresentadas as políticas educacionais que norteiam
a educação e que dão sustentação legal para a existência do profissional de
supervisão no espaço escolar e o papel deste profissional na construção de uma
escola autônoma e crítica.

Serão destacados, no segundo capítulo, os desafios e as perspectivas da


supervisão escolar na atualidade, pelos quais podem ser evidenciados os avanços
das tecnologias e a aparente desobrigação familiar perante a vida escolar das
crianças. Diante destes desafios, é preciso elaborar estratégias para enfrentá-los,
portanto, este capítulo aborda, ainda, de que forma o supervisor poderá realizar
este acompanhamento pedagógico com docentes e discentes no ambiente
educacional, buscando alternativas para fortalecer a comunicação e a parceria
com a comunidade escolar.

No capítulo 3 será apresentada uma reflexão em torno da atuação do


supervisor escolar face às mudanças do âmbito educacional. Neste contexto de
mudanças surge a ideia de gestão democrática e com ela a responsabilidade de
elaborar e implementar uma proposta pedagógica para a escola que contemple,
além das atividades rotineiras, também o uso das tecnologias no cotidiano das
escolas e esclareça o papel do supervisor como um agente de mudanças na
escola e na comunidade escolar.
É dessa forma que pretendemos contribuir na formação de supervisores
escolares, inseridos no seleto grupo de profissionais da educação que terão
como objetivo fortalecer o trabalho escolar em que os favorecidos serão docentes
e discentes integrantes do contexto educacional, promovendo a qualidade do
ensino.

As autoras.
C APÍTULO 1
Supervisão Escolar no Contexto
Educacional Brasileiro

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

99 Conhecer as políticas educacionais que norteiam a educação brasileira e que


embasam legalmente a existência do profissional de supervisão no espaço
escolar.

99 Possibilitar a reflexão acerca do papel do supervisor escolar na construção


de uma escola mais autônoma e crítica, visando à transformação social,
conhecendo, assim, o perfil do Supervisor Escolar.
Planejamento e prática em supervisão escolar

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Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

Contextualização
Durante o primeiro capítulo, será apresentada uma retrospectiva do papel
da Supervisão Escolar ao longo da história da educação brasileira, na qual
aconteceram várias mudanças no âmbito político e educacional, interferindo nos
papéis dos agentes responsáveis pela organização do trabalho pedagógico e pela
organização da escola como um todo.

O intuito não é apresentar uma concepção fechada, pronta e acabada,


mas provocá-lo(a) a leituras que poderão redimensionar certos aspectos de
sua prática pedagógica. Acreditamos que o estudo deste capítulo proporcionará
a você reflexões importantes sobre o papel do supervisor escolar no contexto
educacional brasileiro.

A primeira seção do capítulo 1 introduzirá o estudo da política, legislação


e organização do ensino no Brasil, seguida das seções que abordam a reflexão
sobre a concepção do supervisor escolar e sua trajetória na historia da educação
brasileira, sua formação e o perfil necessário para atender as intenções dos
documentos norteadores da educação nacional.

Para que a escola cumpra sua função social e realize seus processos
didáticos e pedagógicos, a socialização e a construção do conhecimento são
indispensáveis à atuação do profissional da Supervisão Escolar.

Política, Legislação e Organização


do Ensino no Brasil
Quando o assunto é política e legislação, a tendência inicial é a de nos
esquivarmos, é a de não darmos muita importância a estes temas, associando-
os às representações que temos daquilo que vemos no dia a dia veiculado pelas
mídias sobre corrupção, passividade judicial, impugnação e assim por diante.

Queremos, no entanto, mostrar para você, estudante do EaD, que a política


educacional e a legislação vigente organizam o sistema de ensino no Brasil e que
a partir desta organização passamos a poder exigir o que nestes documentos
está previsto.

Nesse sentido, o objetivo da seção deste caderno de estudos é que você


conheça as políticas educacionais que norteiam a educação brasileira e que
embasam legalmente a existência do profissional de supervisão no espaço escolar.

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Planejamento e prática em supervisão escolar

Iniciaremos, então, com o tema Políticas Públicas Educacionais, partindo


para os embasamentos legais e organização do ensino no Brasil.

a) Política Pública: o que é?

Políticas públicas A organização das ações do estado brasileiro se dá por meio de


abrangem as mais políticas públicas. Estas políticas públicas abrangem as mais diversas
diversas áreas áreas de atuação do governo, como, por exemplo, saúde, assistência
de atuação do
social e educação, implementadas por um determinado governo, num
governo, como,
por exemplo, determinado tempo histórico.
saúde, assistência
social e educação, Neste estudo, caro(a) acadêmico(a), políticas públicas são
implementadas por compreendidas como o “Estado implantando um projeto de governo,
um determinado através de programas, de ações voltadas para setores específicos da
governo, num
sociedade.” (HÖFLING, 2001, p.31) . Ou seja, são os programas, as
determinado tempo
histórico. atividades, as ações que o Estado desenvolve e que atingem direta ou
indiretamente a sociedade.

Os objetivos ao se implantar as políticas públicas podem ser atingidos ou


não, pois as ações e decisões do governo, se tomadas de forma unilateral, não
atenderão a necessidade da sociedade. É importante deixar claro que as tomadas
de decisões de um governo se dão a partir do que estes entendem por prioridades
e, por isso, podem atender ou não às expectativas da sociedade.

As políticas públicas são implementadas nas esferas nacional, estadual ou


municipal, objetivando alcançar o bem-estar da sociedade e o interesse público,
respeitando a hierarquia existente entre os governos.

Vejamos alguns exemplos:

Na área social, o governo federal criou o Programa Bolsa Família, que tem
como foco:
[...] a transferência de renda, condicionalidades e ações e
programas complementares. A transferência de renda promove
o alívio imediato da pobreza. As condicionalidades reforçam
o acesso a direitos sociais básicos nas áreas de educação,
saúde e assistência social. Já as ações e programas
complementares objetivam o desenvolvimento das famílias,
de modo que os beneficiários consigam superar a situação de
vulnerabilidade. (BRASIL, 2004).

Na educação, um dos inúmeros programas desenvolvidos é o Programa de


Alimentação Escolar, que transfere recursos às redes de ensino para a aquisição

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Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

de produtos alimentícios que formarão a merenda escolar. Municípios e estados


complementam os valores repassados com recursos próprios, uma vez que estes
não são suficientes para atender, com qualidade nutricional, a demanda existente.

Outro Programa desenvolvido pelo FNDE é do Transporte Escolar (PNATE –


Programa Nacional de Apoio do Transporte do Escolar). São repassados recursos
financeiros, em caráter suplementar, aos Estados, Distrito Federal e Municípios,
aos alunos regularmente matriculados no Ensino Fundamental público, residentes
em áreas rurais, diminuindo os números de evasão escolar e oferecendo
condições de acesso e permanência na escola.

Atividades de Estudos:

1) Você já procurou conhecer os programas, ações ou atividades


desenvolvidos em seu município ou estado? Pesquise, identifique,
compare! Anote um programa que lhe tenha chamado atenção
e que não existe em seu município. Se possível, converse com
as autoridades competentes, sugerindo a implantação deste
programa. Mantenha-se informado sobre as Políticas Públicas
Educacionais brasileiras.
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Planejamento e prática em supervisão escolar

2) Depois de realizada a pesquisa, socialize as informações


coletadas e destaque o Programa que lhe chamou atenção,
justificando sua escolha.
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b) Legislação: Constituição Federal de 1988 e Lei de Diretrizes e Bases


da Educação Nacional n° 9394/96

A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada


A educação, direito
de todos e dever do em 05 de outubro de 1988, conhecida como Carta Magna Brasileira,
Estado e da família, constitui-se como a organização jurídica fundamental do Estado,
será promovida e rege e orienta as esferas governamentais, as empresas, os cidadãos
incentivada com brasileiros sobre direitos e deveres.
a colaboração
da sociedade,
Esta legislação está organizada em nove setores temáticos:
visando ao pleno
desenvolvimento Princípios Fundamentais; Direitos e Garantias Fundamentais;
da pessoa, seu Organização do Estado; Organização dos Poderes; Organização dos
preparo para Poderes; Defesa do Estado e das Instituições; Tributação e Orçamento;
o exercício da Ordem econômica e Financeira; Ordem Social e Disposições Gerais.
cidadania e sua
qualificação
No Título VIII, Ordem Social, o Capítulo III, Seção I “da Educação”,
para o trabalho.
(BRASIL, 1988). trata sobre os parâmetros para organização da educação brasileira. O
artigo 205 deixa claro que “A educação, direito de todos e dever do
Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração

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Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o


exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. (BRASIL, 1988).

O que você entende por “direito de todos e dever do Estado e


da família”?

Reflita: Em seu município há crianças fora da escola e da


creche? Os pais participam do processo educacional dos filhos?
O Estado dá condições dignas de acesso e permanência do aluno
na escola? Tem transporte escolar? E alimentação escolar com
qualidade nutricional? Vale a pena refletirmos sobre estes aspectos e
tornarmos a ler o artigo 205 da Carta Magna.

Este texto constitucional trata do que é extremamente importante para a


educação no país. Os princípios enumerados no artigo 206 estão voltados à:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na


escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o
pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar,
garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso
exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos
das redes públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da
educação escolar pública, nos termos de lei federal.

Os princípios estabelecidos na Constituição Federal foram inovadores para a


época e necessitaram ser mais bem explicitados. Para alcançar o entendimento
pretendido, foi criada em 20 de dezembro de 1966, a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, número 9394/96.

Esta Lei não trata apenas de assuntos técnicos, burocráticos e/ou


administrativos. Além destas questões, a LDB dá evidência também às questões
pedagógicas, estabelecendo parâmetros necessários à construção de uma
proposta educativa que contemple alguns aspectos fundamentais, como:

• desenvolver a capacidade de ler, escrever e realizar cálculos;


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Planejamento e prática em supervisão escolar

• compreender o meio (social, ambiental, político, tecnológico, cultural);

• aprender desenvolvendo atitudes, valores, conceitos por meio da aquisição de


conhecimentos e habilidades;

• fortalecer a vida social, em família, na escola e na comunidade.

Você pode acessar a LDB/96 no site do Planalto no qual a


encontrará atualizada: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm

Ao explicitar as diretrizes (como o próprio nome diz) da educação, a LDB,


em seu primeiro artigo, traz o conceito base de educação para o entendimento de
toda a Lei:
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que
se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana,
no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas
manifestações culturais.

Dessa forma, é possível compreender que a legislação em destaque tem


como foco a formação do cidadão em sua vida em família e social, preparando-o
tanto para o mundo do trabalho como para a vida coletiva na sociedade.

Referente ao conhecimento da legislação que subsidia a educação no Brasil,


o próprio supervisor escolar pode organizar grupos de estudos para refletir e
discutir estes documentos, a fim de que os docentes possam conhecer melhor a
legislação nacional.

Os temas abordados têm relação com os princípios e fins da educação


nacional; o direito à educação e o dever de educar; como se compõe a organização
nacional; os níveis e modalidades de educação e ensino; os profissionais da
educação; recursos financeiros e, por fim, as disposições gerais.

Para este estudo, é importante que nossa atenção esteja voltada ao Título
VI, que trata sobre os profissionais da educação. É nele que se encontra o
Artigo 61, inciso II, o qual explicita o supervisor escolar como parte do quadro de
trabalhadores da educação.

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Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

Atividade de Estudos:

1) A explanação deste complexo conteúdo que é a LDB tem


como objetivo motivá-lo(a) a conhecer melhor a legislação da
educação brasileira, principalmente esta que é a “carta magna”
da educação. A partir desta motivação, leia o conteúdo da LDB e
anote orientações antes desconhecidas por você. Assim, poderá
identificar o que já sabia sobre o sistema educacional e o que
precisa conhecer melhor.
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c) Organização do Ensino no Brasil É dever do Estado


ofertar o ensino
Você sabe que existe uma organização hierárquica do ensino em fundamental de
nosso país? Isso mesmo, as leis anteriormente citadas (CF e LDB) forma gratuita
dispõem que as esferas federal, estadual e municipal têm incumbências e obrigatória,
inclusive às
comuns e incumbências individuais para ofertar educação de qualidade
pessoas que não
aos cidadãos brasileiros. tiveram acesso
na idade própria e
Está explícito na Constituição Federal, Artigo 208, inciso I, que a LDB reafirma a
é dever do Estado ofertar o ensino fundamental de forma gratuita importância deste
e obrigatória, inclusive às pessoas que não tiveram acesso na atendimento em
idade própria e a LDB reafirma a importância deste atendimento em estabelecimentos
oficiais.
estabelecimentos oficiais.
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Planejamento e prática em supervisão escolar

No entanto, é preciso organizar este ensino devido à amplitude do país


em que vivemos. E para esta organização, as três esferas governamentais são
chamadas a atuar em regime de colaboração.

Vejamos como está organizada a educação nacional:

É de responsabilidade da União (governo federal) sistematizar a educação


em nível nacional. Para isso, conta com um Ministério em seu organograma,
que foi criado em 1930, mas apenas em 1995 passou a ser responsável pela
educação, pois, até então, este Ministério abrangia saúde, cultura e desporto.

O Ministério da Educação, nestes pouco mais de 80 anos de existência,


sistematiza a educação nacional nos aspectos físico, pedagógico, financeiro,
social, buscando promover uma educação em que estejam garantidas as
condições básicas de atendimento aos educandos.

Este compromisso está previsto na Constituição Federal, por meio da


redação da Emenda Constitucional n° 14, de 1996:

§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios,


financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria
educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de
oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante
assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.

As principais atribuições da União estão vinculadas à elaboração do Plano


Nacional de Educação; prestação de assistência técnica e financeira às demais
esferas públicas; organização, manutenção e desenvolvimento dos órgãos e das
instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos territórios; definição das
diretrizes para a educação básica; criação de sistemas de avaliação da educação;
fiscalização dos cursos de graduação e pós-graduação, avaliando e credenciando
as instituições de ensino superior do país.

Estas atribuições interferem diretamente na vida acadêmica de muitos


estudantes universitários, uma vez que para abertura de novos cursos nas
Instituições de Ensino Superior (IES), reconhecimento de cursos e avaliações
nacionais estão vinculados à União.

Podemos observar que as atribuições da União relacionadas à educação


são amplas e complexas. Por esse motivo, o Conselho Nacional de Educação
(CNE), que é composto pelas Câmaras de Educação Básica e de Ensino
Superior, é um colegiado que assessora o Ministro de Estado da Educação e do
Desporto, deliberando e normatizando sobre o sistema educacional, de forma

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Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

que vise a assegurar a participação da sociedade no aperfeiçoamento


O CNE tem por
da educação brasileira (Lei nº 9.131/95). missão “[...] a
busca democrática
O CNE tem por missão “[...] a busca democrática de alternativas de alternativas
e mecanismos institucionais que possibilitem, no âmbito de sua e mecanismos
esfera de competência, assegurar a participação da sociedade no institucionais
que possibilitem,
desenvolvimento, aprimoramento e consolidação da educação nacional
no âmbito de
de qualidade.” (BRASIL, 2012). sua esfera de
competência,
Com o que foi exposto, fica em evidência o papel da União no assegurar a
sistema educacional brasileiro e a responsabilidade desta esfera para a participação da
melhoria deste sistema. sociedade no
desenvolvimento,
aprimoramento e
O papel do Distrito Federal e dos Estados na organização consolidação da
dos sistemas de ensino é atuar no Ensino Fundamental e Médio, educação nacional
prioritariamente (Emenda Constitucional n°14, 1996), administrando de qualidade.”
órgãos públicos e privados.

A atuação destas esferas deverá ser em regime de colaboração com


os municípios, dividindo responsabilidades sobre o Ensino Fundamental. Os
seguintes aspectos fazem parte das atribuições dos Estados e do Distrito Federal:
responsabilizar-se pelo transporte dos alunos da rede estadual, bem como da
alimentação escolar dos alunos que frequentam as escolas estaduais; elaborar,
implantar e executar políticas e planos educacionais; credenciar, supervisionar,
reconhecer, avaliar e autorizar cursos de educação superior.

Aos municípios, além de ofertar o Ensino Fundamental, cabe também a


responsabilidade de ofertar a Educação Infantil, atuando prioritariamente nestes
níveis de ensino.

Os municípios devem organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições


oficiais dos seus sistemas de ensino, exercer ação redistributiva em relação às
suas escolas, autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu
sistema de ensino, oferecer educação infantil em creches e pré-escolas e assumir
a responsabilidade de prover o transporte para os alunos da rede municipal.

Notamos que as esferas governamentais têm responsabilidades e


compromissos com a educação. Compromissos esses que podem ser
compartilhados ou não, ou seja, podem acontecer em regime de colaboração
ou não.

Este regime de colaboração é chamado por Cury (2002, p. 173) de


“distribuição de competências”: cada esfera do Estado tem suas obrigações que

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Planejamento e prática em supervisão escolar

objetivam uma finalidade comum. No entanto, para poder cumprir com o que está
preconizado na legislação é preciso que se tenham recursos financeiros para os
investimentos e manutenções necessários.

Para isso, as esferas administrativas públicas utilizam os recursos vinculados


constitucionalmente à educação. O artigo 212 da Constituição Federal define que:

A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e


os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco
por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção
e desenvolvimento do ensino. (BRASIL, 1988).

Dessa forma, dos valores resultantes dos impostos que constituem os


recursos próprios do município, 25% estão vinculados à educação e deverão ser
investidos na manutenção e no desenvolvimento do ensino.

Estes recursos são gerenciados e redistribuídos pelo Fundo Nacional


de Desenvolvimento da Educação (FNDE), cujo objetivo é centralizar o
gerenciamento dos recursos financeiros destinados à educação, no que concerne
ao planejamento, à aplicação e à prestação de contas. O FNDE foi criado por
intermédio da Lei n º 5.537, de 21 de novembro de 1968, e Decreto-Lei n º 872, de
15 de setembro de 1969.

O FNDE se constitui como entidade pública com administração


autônoma, ou seja, uma autarquia do Ministério da Educação
e tem como missão “[...] prover recursos e executar ações para o
desenvolvimento da Educação, visando a garantir educação de
qualidade a todos os brasileiros.” (BRASIL, 2007).

Atividade de Estudos:

1) Mas, o que é uma autarquia? Pesquise e responda:


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Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

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A distribuição dos recursos financeiros se dá por meio de Programas. Estes


programas procuram atender as diferentes necessidades da escola, como:
reforma, ampliação, formação continuada, valorização dos profissionais da
educação, alimentação escolar, transporte escolar, implantação e ampliação de
programas voltados às tecnologias, etc. Organizamos uma síntese de alguns
programas para que você conheça:

Quadro 1 - Síntese dos Programas e Fundo Financeiros


Educacionais discutidos neste estudo

PROGRAMA SIGLA CARACTERÍSTICA


O Programa tem caráter suplementar e o objetivo é oferecer
alimentação que atenda as necessidades nutricionais dos
Programa
alunos que frequentam a creche, a pré-escola e o ensino
Nacional de PNAE
fundamental, visando a melhorar o rendimento escolar e,
Alimentação Escolar
ainda, criar hábitos de alimentação saudável e contribuir
para o crescimento e desenvolvimento das crianças.
O PDDE é o Programa em que se transferem recursos
diretamente à unidade escolar, contribuindo com verba
Programa Dinheiro
PDDE específica para que sejam supridas, com maior flexibilidade,
Direto na Escola
necessidades básicas das instituições, como manutenção e
melhoria da infraestrutura física e pedagógica das escolas.
Objetiva oferecer transporte gratuito, em caráter suplemen-
tar, aos Estados, Distrito Federal e Municípios, aos alunos
Programa Nacional
regularmente matriculados no Ensino Fundamental público,
de Apoio ao Transpor- PNATE
residentes em áreas rurais, diminuindo os números de
te do Escolar
evasão escolar e oferecendo condições de acesso e perma-
nência na escola.
O salário-educação é uma contribuição social destinada
ao financiamento de programas, projetos e ações volta-
Salário-Educação - das para o financiamento do ensino fundamental público,
podendo, ainda, ser aplicada na educação especial, desde
que vinculada ao referido nível de ensino.

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Planejamento e prática em supervisão escolar

Fundo de Manuten- Os recursos do Fundo destinam-se a financiar a educação


ção e Desenvolvi- básica: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino
mento da Educação FUN- médio e educação de jovens e adultos. A distribuição do
Básica e de Valoriza- DEB recurso é realizada com base no número de alunos e, do
ção dos Profissionais valor destinado, no mínimo 60% devem ser aplicados na
da Educação remuneração dos profissionais do magistério.

Fonte: Chiodini (2008, p. 43).

Com este rápido esboço da organização financeira que sustenta a educação


brasileira, é possível se ter uma ideia de que forma os recursos chegam às
Secretarias Estaduais e Municipais de Educação para que sejam aplicados nas
emergentes necessidades de cada Estado ou Município.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação oferece


cursos para que a comunidade escolar possa conhecer os programas
executados pelo governo, portanto, acesse o site www.fnde.gov.br e
fique atento!

A correta aplicação destes recursos deve ser fiscalizada pelos Tribunais de


Contas, pelas Câmaras Estaduais e Municipais, pelos Conselhos de Educação e
por cada cidadão.

JOSÉ EUSTÁQUIO ROMÃO

Há muitos autores brasileiros com obras


ou artigos publicados sobre o financiamento da
educação no Brasil. Entre os que temos bastante
consideração e utilizamos como referência para
as produções está José Eustáquio Romão.
Graduado em História pela Universidade
Federal de Juiz de Fora (1970) e Doutorado
em Educação (1996) pela Universidade de
São Paulo. Atualmente, é professor do curso
de Mestrado em Educação, na Universidade
Nove de Julho (Uninove), em São Paulo (Brasil), onde coordena o
Grupo de Pesquisa Culturas e Educação. É professor visitante da
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Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT),


de Lisboa (Portugal). Atuou como coordenador e professor dos
programas de mestrado (Educação, Letras e Psicologia) do Centro
de Ensino Superior de Juiz de Fora (CESJF). É um dos fundadores
do Instituto Paulo Freire e coordenador da Cátedra do Oprimido,
vinculada à Universitas Paulo Freire (Unifreire).

Fonte: Disponível em: <http://www.paulofreire.org/institucional/


fundadores/jose-eustaquio-romao>. Acesso em: 15 fev. 2013.

Atividades de Estudos:

Existem muitas informações sobre o financiamento da educação


básica. Você pode acessar o site do Ministério da Educação, do
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica, pesquisar
dissertações, artigos, reportagens que tratem sobre o assunto para
compreender como se dá o financiamento da educação em nosso
país. Para auxiliar nesta reflexão, escreva o que você entendeu sobre:

1) O Programa de Nacional de Alimentação Escolar:


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2) O Programa Dinheiro Direto na Escola:


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3) O Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar:


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Planejamento e prática em supervisão escolar

4) Salário-Educação:
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5) Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e


de Valorização dos Profissionais da Educação:
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Concepção da Supervisão
Pedagógica no Brasil
Para compreender a concepção da supervisão pedagógica
O supervisor
pedagógico é um ou supervisão escolar no contexto educacional brasileiro, faz-se
profissional com necessário, primeiro, entender o conceito de supervisão a partir da
uma visão sistêmica reflexão da epistemologia da palavra e, depois, conhecer um pouco
do ambiente escolar da trajetória deste profissional no decorrer da história da educação
e responsável nacional.
pelo processo de
planejamento,
acompanhamento e
suporte pedagógico, a) Supervisão Escolar: o que é?
ligado ao processo
de ensino e A palavra supervisão significa a ação de supervisionar, um olhar
aprendizagem. mais apurado para uma determinada situação, uma visão global. Se
buscarmos o sentido epistemológico da palavra, vamos descobrir que
“super” vem de “sobre” e “visão” é a “ação de ver”, portanto, supervisão nos remete
a ação de ver o todo com mais clareza, a ideia de uma visão global, um olhar
perspicaz sobre o cotidiano escolar. O supervisor pedagógico é um profissional
com uma visão sistêmica do ambiente escolar e responsável pelo processo de

24
Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

planejamento, acompanhamento e suporte pedagógico, ligado ao processo de


ensino e aprendizagem.

Para Ferreira (1999, p.48), o supervisor é o profissional que “[...] assegura


a manutenção de estrutura ou regime de atividades na realização de uma
programação/projeto. É um a influência consciente sobre determinado contexto,
com a finalidade de ordenar, manter e desenvolver uma programação planejada e
projetada coletivamente.”

Para Rangel (2001, p.12), “[...] a supervisão passa de escolar, como é


frequentemente designada, a pedagógica e caracteriza-se por um trabalho
de assistência ao professor, em forma de planejamento, acompanhamento,
coordenação, controle, avaliação e atualização do desenvolvimento de processo
ensino-aprendizagem.”

A supervisão escolar deve ser entendida como orientação profissional e


assessoria prestada por pessoas competentes em matéria de educação, quando
e onde forem necessárias, visando ao aperfeiçoamento do processo de ensino e
aprendizagem. Esse aperfeiçoamento, segundo Nérici (1986), requer:

a) conhecimento da situação em que se efetiva o processo de ensino e


aprendizagem;

b) análise e avaliação desta em função do que se pretende alcançar;

c) alterações que se fizerem necessárias nas condições materiais do ensino e


no modo de atuar das pessoas envolvidas no processo.

No contexto educacional atual, o papel do supervisor está atrelado


No contexto
à gestão da escola como um todo, uma vez que ele busca estabelecer
educacional atual, o
uma parceria com o professor para melhorar a qualidade no processo papel do supervisor
de ensino e aprendizagem. O supervisor, nessa perspectiva, integra está atrelado à
a equipe docente com o intuito de prover ações de cunho didático, gestão da escola
curricular e de acompanhamento do processo pedagógico e das ações como um todo,
administrativas. uma vez que ele
busca estabelecer
uma parceria
Soares (2009) sugere uma orientação no sentido de contribuir com o professor
com o desenvolvimento profissional, estimulando seu desempenho para melhorar
de forma reflexiva, exercendo uma influência no processo de ensino a qualidade no
e aprendizagem. Pode-se dizer que o supervisor escolar atua em uma processo de ensino
perspectiva de coaching, com o intuito de estimular o desenvolvimento e aprendizagem.
do sujeito supervisionado, no sentido de construir uma competência
docente coletiva.

25
Planejamento e prática em supervisão escolar

Portanto, a ação do supervisor escolar, de acordo com Nérici (1986), precisa


estar alinhada aos objetivos da escola, visando fundamentalmente:

a) à formação integral dos educandos;


b) ao atendimento das necessidades sociais.

E, ainda, podemos fechar esta discussão mencionando Nérici (1986):

Supervisão escolar é o serviço de assessoramento de todas


as atividades que tenham influência no processo ensino-
aprendizagem, visando ao seu melhor planejamento,
coordenação e execução, para que mais eficientemente sejam
atendidas as necessidades e aspirações do educando e da
comunidade, bem como mais plenamente sejam efetivados os
objetivos gerais da educação e os objetivos da escola.

Atividade de Estudos:

1) Para você, qual a importância da Supervisão no ambiente escolar?


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O processo educativo não pode ficar suspenso no ar, entregue à própria


sorte, sem um acompanhamento quanto ao seu planejamento e execução. Por
isso, o papel do supervisor escolar no processo educativo é fundamental.

Sabemos que a concepção de supervisão escolar representa as interfaces


do contexto, vivenciada por meio da prática pedagógica no cotidiano escolar e

26
Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

regulada pelas normativas legais de uma determinada época ou período. Portanto,


é importante compreender o desenrolar da história da educação brasileira para
perceber a transformação da ação do supervisor no ambiente escolar. Sua
atuação passou por várias fases, desde a mais burocrática e fiscalizadora até
chegar a orientação e acompanhamento dos processos pedagógicos.

Vamos abordar um pouco da trajetória deste profissional no decorrer da


história da educação brasileira.

b) O Supervisor Escolar no decorrer da história da Educação Brasileira

Para abordar a questão da supervisão, é preciso conhecer o contexto em


que sua ação se situa, para, a partir daí, repensar o papel político e social no
âmbito educacional. Nesse sentido, vamos abordar um pouco da trajetória
deste profissional no decorrer da história da educação brasileira para explicitar
claramente sua relevância no cotidiano escolar.

Os conceitos sobre a função do supervisor se configuram no decorrer


da história da educação brasileira, vinculada aos anseios políticos vivenciados
desde o governo ditatorial, em que este profissional exercia a função exclusiva
de fiscalização e inspeção, até nossos dias, caracterizada por uma visão mais
democrática em relação ao processo de ensino e aprendizagem.

“Na Antiguidade, pela Índia, Pérsia, Egito e China, a supervisão escolar


era entendida por vigilância, a qual ficava a cargo dos sacerdotes e nobres, que
tinham poderes para julgar o desenvolvimento da vida escolar.” (NÉRICI, 1986).

Na Grécia Antiga, o supervisor escolar surgiu como elemento


As notícias mais
diretamente indicado para acompanhar o funcionamento de uma
remotas que temos
escola. Já na Roma Imperial, os censores, além de encarregados sobre a função
do recenseamento, dos impostos e da vigilância dos costumes, da supervisora nos
moral pública, eram encarregados, também, de fiscalizar as escolas. remete a Idade
(NÉRICI, 1986). Média, onde
assume a forma de
controle, vigilância,
As notícias mais remotas que temos sobre a função supervisora
fiscalização e
nos remete a Idade Média, conforme relata Saviani (2003), onde coerção por meio
assume a forma de controle, vigilância, fiscalização e coerção por meio de punições e
de punições e castigos físicos. castigos físicos. 

Outro marco no histórico do supervisor escolar foi a Revolução Industrial, no


século XVIII. Surgem a necessidade do controle e a fiscalização dos processos
produtivos da indústria. Esta ideia é disseminada para outros segmentos da

27
Planejamento e prática em supervisão escolar

sociedade e, em 1841, é adaptada para a educação, marcando o primeiro olhar


para a função de supervisor escolar de maneira mais técnica. Nesse primeiro
olhar, a supervisão escolar ingressou os portões escolares com intuito de controlar
a ação do professor, sob o ponto de vista administrativo, e logo foi caracterizada
como inspeção administrativa.

Para Silva Júnior (1997), nos primórdios, a supervisão escolar foi praticada
no Brasil em condições que produziam o ofuscamento e não a elaboração da
vontade do supervisor. Pois este era o objetivo pretendido com a supervisão: para
uma sociedade controlada, uma educação controlada, um supervisor controlador
e também controlado.

O modelo de supervisão voltado para âmbito educacional, adotado


inicialmente no Brasil, foi importado dos norte-americanos e instaurado como
forma de controlar o trabalho pedagógico dentro das escolas e aperfeiçoar
as técnicas utilizadas no processo de ensino. A inspeção escolar era rigorosa,
fiscalizava o trabalho desde o administrativo até o pedagógico e de acordo com
Ferreira (1999), “[...] cabia também ao inspetor geral presidir os exames dos
professores e lhes conferir o diploma, autorizar a abertura das escolas particulares
e até rever os livros, corrigi-los ou substituí-los por outros.”

É no século XX, com a criação de leis e decretos na área educacional, que o


supervisor escolar passou a assumir função específica nas instituições de ensino.
Deparamo-nos, nesta época, com o surgimento da profissão de supervisão escolar
no Brasil, ocorreu durante a Reforma de Francisco Campos, com o Decreto-Lei no
19890 de 18/04/1931, no entanto, foi com o Manifesto dos Pioneiros (1932) que
nasceu uma nova perspectiva para o profissional da educação e o surgimento do
curso de Pedagogia, o qual deveria dar conta, além da formação de professores,
de capacitar o especialista para a função de supervisão escolar.

Foi com o Programa América-Brasileiro de Assistência ao Ensino


Os objetivos
Elementar (PABAEE), na década de 50, que aconteceu a formação
do PABAEE
inicialmente dos primeiros supervisores. Este programa se propagou pelo país
eram treinar entre 1957 e 1963. Segundo Medeiros e Rosa (1985), os objetivos do
os educadores PABAEE inicialmente eram treinar os educadores brasileiros com os
brasileiros com os métodos e técnicas utilizadas nas escolas primárias norte-americanas,
métodos e técnicas criar e adaptar os materiais didáticos, espaço e equipamentos e
utilizadas nas selecionar professores com competência profissional e conhecimento
escolas primárias
da língua inglesa para serem enviados aos Estados Unidos. Em 1961,
norte-americanas.
houve a reformulação dos objetivos do PABAEE, o qual se estendeu ao
treinamento dos administradores e supervisores escolares, tornando-se
um programa voltado para formação de lideranças, atuante na reprodução dos
interesses capitalistas dentro do sistema educacional brasileiro, reproduzindo o
modelo norte-americano.

28
Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

Com a reforma universitária de 1968, consolidou-se a existência da supervisão


escolar no sistema educacional brasileiro e ampliou-se a atuação desse profissional
para todo ensino de 1º e 2º graus, no qual passa a exercer a função de controlar
a qualidade e promover melhorias no âmbito educacional. Portanto, com a Lei no
5.540/68, a Supervisão Escolar passou a ter sua formação em nível superior. Com
o Parecer no 252/69 do curso de Pedagogia, foram regulamentadas as habilitações
para orientador educacional, administrador escolar, supervisão escolar e inspeção
escolar, além do ensino das disciplinas e atividades práticas dos cursos normais.

Oliveira e Grinspun (2009) relatam que, em 1970, “[...] surgiram as Associações


de Supervisão Educacional no Brasil e o supervisor passou a ter diversas
denominações: supervisor escolar, supervisor pedagógico, supervisor de ensino,
supervisor de educação, supervisor educacional.” E a supervisão passou a englobar
a atividade de assistência técnico-pedagógica e a inspeção administrativa, com
a finalidade de atender a todo ensino, preparando os professores para o trabalho
pedagógico com os alunos e fiscalizando o trabalho administrativo da escola.

Em meio aos conflitos da época, a profissão de supervisão foi oficializada


com a promulgação da Lei nº 5.692/71 da LDB, a qual prevê a reformulação do
ensino de 1º e 2º graus e a formação exigida para atuação dos especialistas da
educação, a qual deverá ser em curso superior de graduação ou pós-graduação,
oferecidos pelas faculdades de Educação.

Na década de 80, com a redemocratização do ensino brasileiro, a figura


do supervisor escolar, assim como de outros especialistas, começou a ser
questionada: qual a necessidade do supervisor escolar no cotidiano escolar?

Nesse período, enquanto o contexto político, econômico e social do Brasil


sofria mudanças, ampliavam-se as condições de acesso à escola e cresciam
as demandas relacionadas à atuação do supervisor escolar. A formação
desse especialista em Pedagogia era criticada, consideravam fragmentada e
reducionista, desvinculada da realidade na qual estava inserido. Atualmente, o
papel do supervisor escolar é fundamental para promover a qualidade do ensino e
aprendizagem e inovar as práticas pedagógicas.

Atividade de Estudos:

1) E você, pensando em seu trabalho, sua escola ou na escola de


seus filhos, saberia responder: qual a necessidade do supervisor
escolar no cotidiano escolar? Descreva algumas atividades
essenciais do supervisor escolar que você já presenciou.

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Planejamento e prática em supervisão escolar

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Você consegue perceber a importância da função da Supervisão Escolar


para atuação efetiva da escola na sociedade. Essa percepção passa a ser
compreendida pelo sistema educacional brasileiro e pela sociedade a partir
da década de 1990 quando a função de supervisão escolar é apontada como
instrumento necessário para a mudança nas escolas. (ALONSO, 2000).

Sabe-se que algumas reformas na educação foram importantes,


principalmente a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação no 9.394/96, que
relata, em seu Art. 61, a importância da formação desse profissional da educação.

Aprovação da LDB no 9.394/96 foi um novo marco na história da educação


brasileira, a qual propôs que a formação de especialistas seja oferecida nos
cursos de Pedagogia, em nível de Pós-graduação ou Complementação, com
intuito de formação em exercício das práticas pedagógicas e como estas deveriam
ser desenvolvidas, visto que o supervisor é aquele que contextualiza, auxilia,
pesquisa, coordena as atividades pedagógicas em parceria com os professores.
Nesse contexto, a prática da supervisão escolar exige uma constante
avaliação crítica do seu próprio desempenho e um esforço continuado de
aperfeiçoamento como técnico e como pessoa, para desenvolver o espírito de
equipe entre os professores da escola e estimular a sinergia entre eles, a fim de
alcançar os objetivos almejados pela educação brasileira.

Com a LDB no 9.394/96, surgiu, também, a função de coordenador pedagógico,


o qual integra as atribuições de supervisor e orientador educacional. Com a nova
LDB, as escolas tiveram liberdade de organizar suas ações e modificar, com
comprometimento e responsabilidade, suas propostas pedagógicas por meio da

30
Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

elaboração do Projeto Político Pedagógico. A supervisão escolar precisa promover


e garantir o bom funcionamento de toda a escola, tendo em vista um desempenho
satisfatório no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem.

De acordo com a LDB no 9.394/96, os estabelecimentos de


ensino possuem a incumbência de:

I – elaborar e executar sua proposta pedagógica;

II – administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;

III – assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula


estabelecidas;

IV – velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;

V – prover meios para a recuperação de alunos de menor


rendimento;

VI – articular-se com as famílias e comunidade, criando processos


de integração da sociedade com a escola;

VII – informar aos pais e responsáveis sobre a frequência e o


rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua
proposta pedagógica (incluído pela Lei nº 12.013/2009);

VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente


da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público
a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas
acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei
(incluído pela Lei nº 10.287/2001).

Para que a escola cumpra sua função social, realize seus processos didáticos
e pedagógicos, a socialização e a construção do conhecimento são indispensáveis
à atuação do profissional da Supervisão Escolar como um parceiro no cotidiano
escolar para: planejar, acompanhar e auxiliar os gestores e professores na
execução da obra educativa, como determina a lei.

A Lei nº 4.412/2001 regulamenta o exercício da profissão de Supervisor


Escolar:
O Supervisor Educacional tem como objetivo de trabalho
articular crítica e construtivamente o processo educacional,
motivando a discussão coletiva da comunidade escolar,

31
Planejamento e prática em supervisão escolar

acerca da inovação da prática educativa, a fim de garantir o


O especialista ingresso, a permanência e o sucesso dos alunos, através de
em supervisão currículos que atendam às reais necessidades da clientela
escolar se constitui escolar, atuando no âmbito dos sistemas educacionais federal,
no decorrer estadual e municipal, em seus diferentes níveis e modalidades
da história da de ensino e em instituições públicas ou privadas. (ROSA;
educação brasileira, ABREU, 2001, p. 44).
perpassando
momentos repletos Portanto, podemos dizer que o especialista em supervisão escolar
de conflitos e se constitui no decorrer da história da educação brasileira, perpassando
interferências
momentos repletos de conflitos e interferências políticas, chegando
políticas, chegando
ao século XXI ao século XXI com a missão de repensar o contexto escolar de forma
com a missão de responsável e que permita executar um planejamento estratégico
repensar o contexto que leve a escola a cumprir sua função social e atenda as intenções
escolar. contidas nos documentos norteadores e nas políticas públicas para a
educação no Brasil.

Vamos fazer uma pausa em seus estudos para assimilar os


conhecimentos em relação à trajetória do profissional da educação,
o especialista em Supervisão Escolar. Na terceira seção do capítulo,
abordaremos a formação do supervisor escolar.

Para ampliar seus conhecimentos sugerimos a leitura do livro:

MEDINA, A. Supervisão escolar, a ação exercida à ação


repensada. 2. ed. Porto Alegre: AGE, 2002.

Atividade de Estudos:

1) Construa uma linha do tempo indicando, cronologicamente, os


principais momentos históricos da Supervisão Escolar no Brasil.
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Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

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O trabalho
c) Perfil Profissional do Supervisor Escolar
do supervisor
escolar, para ser
Percebe-se que, a partir de 1990, a identidade do supervisor efetivo, necessita
escolar foi sendo redescoberta e este profissional considerado desenvolver-se
fundamental no processo educativo dentro das instituições de ensino. não de maneira
O supervisor se encontra em uma fase mais democrática da educação, impositiva, mas
de maneira
porém sabemos que alguns ainda resistem às mudanças e trazem
democrática,
consigo ranços de uma educação autoritária e fiscalizadora. envolvendo todos
os responsáveis
O trabalho do supervisor escolar, para ser efetivo, necessita pelo processo
desenvolver-se não de maneira impositiva, mas de maneira democrática, educativo.
envolvendo todos os responsáveis pelo processo educativo. Na figura a
seguir apresentamos as principais características deste profissional:

Figura 1- Características e Prática do Supervisor Escolar

Fonte: As autoras.

O agir do supervisor escolar depende, além de sua formação em Pedagogia,


de vários outros fatores sociais e culturais. A partir desta figura compreendemos
as características de um ideal para a supervisão escolar. Fica nítido que ele
precisa, além do conhecimento científico, saber trabalhar em equipe, estar
integrado ao corpo escolar e pronto para ajudar e acompanhar todos os processos

33
Planejamento e prática em supervisão escolar

pedagógicos que acontecem na escola em parceria com os demais profissionais.


Suas atribuições devem constar no Projeto Político-Pedagógico da escola.
Precisa, também, estar aberto às mudanças e ter capacidade para adaptar-se às
novas exigências quanto aos educando e à sociedade.

Atividade de Estudos:

1) Pontue as principais características da atuação da supervisão


escolar na instituição em que você, caro(a) estudante, atua.
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Os princípios que De acordo com Rodrigues (2004, p.26), os princípios que


norteiam a ação norteiam a ação do supervisor escolar são: lucidez quanto à educação;
do supervisor segurança; consciência do papel de suas funções; espírito crítico;
escolar são: lucidez racionalidade; diligência; liderança. Para compreender melhor, o autor
quanto à educação; explicita cada um dos itens da seguinte forma:
segurança;
consciência - Lucidez quanto à educação: o supervisor educacional
do papel de é aquele profissional que possui ideias claras quanto à
suas funções; educação, e opta por uma filosofia para poder saber o que a
espírito crítico; escola quer obter com seu processo educativo.
racionalidade;
diligência; - Segurança: o conhecimento da problemática da
educação faz com que o supervisor atue com segurança no
liderança.
planejamento, no assessoramento e na execução dos projetos
educativos.

- Consciência do papel das suas funções: é preciso que


este profissional tenha bem claro qual o espaço a ser ocupado
para o exercício de suas funções, pois assim obterá o respeito
de outros profissionais, inclusive do professor, obtendo, dessa
forma, a harmonia de um trabalho coletivo.

- Espírito Crítico: a capacidade de julgar, de emitir juízo,


de analisar a partir de pressupostos racionais é que traduz
o que seja o espírito crítico. O supervisor educacional, como
profissional da educação, deverá imbuir-se desse espírito para

34
Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

provocar em sua equipe a capacidade de reflexão e de revisão


constante.

- Racionalidade: dada a sua estratégica posição de mediador


entre o corpo docente, educandos e direção, o supervisor
educacional precisa se constituir em um profissional que tem
por hábito usar sua razão para não complicar o que é simples,
não pulverizar o planejamento de tal forma que perca o
sentido de globalidade e não dispensando o trabalho coletivo,
que é a base para atingir os objetivos educacionais. Esse
profissional precisa se caracterizar como um facilitador das
tarefas educativas.

- Diligência: toda atividade do supervisor educacional permeia


a dimensão da afetividade, que propõe um trabalho em equipe,
estimulante, cooperativo, pautado no reconhecimento e na
motivação dos sujeitos que compõem a escola.

- Liderança: o supervisor educacional, na medida em que


é capaz de comandar, orientar e estimular toda a equipe na
busca dos objetivos educacionais, estará automaticamente
exercendo sua liderança.

Os princípios da supervisão escolar são importantes na constituição do


profissional para que exerça seu trabalho com objetividade, seriedade e dinamismo.

Ser supervisor,
antes de mais nada,
Vamos parar um pouco para refletir sobre é ser pedagogo,
o que estudamos até aqui. é desenvolver
habilidades e
Deixamos como sugestão o filme competências para
“Entre os muros da Escola”, de Laurent gerir uma equipe,
Cantet, lançado em 2007, na França, para ter diferentes
entender melhor os princípios que compõem olhares sobre a
a identidade do supervisor escolar na prática mesma situação,
cotidiana dentro da escola. ter sensibilidade e
criatividade para
inovar o contexto
Assista, vale a pena!
escolar, diminuindo
a lacuna existente
entre as atividades
desenvolvidas dentro
Ser supervisor, antes de mais nada, é ser pedagogo, é desenvolver dos muros escolares
habilidades e competências para gerir uma equipe, ter diferentes olhares e a evolução da
sociedade.
sobre a mesma situação, ter sensibilidade e criatividade para inovar
o contexto escolar, diminuindo a lacuna existente entre as atividades
desenvolvidas dentro dos muros escolares e a evolução da sociedade.

35
Planejamento e prática em supervisão escolar

Função do Supervisor Escolar no


contexto escolar
Em 1971, percebeu-se que os dispositivos legais, bem como as diretrizes
advindas dos órgãos reguladores da educação influenciaram decisivamente nas
características da função de supervisor, que é a de gerenciador do processo de
ensino e aprendizagem e tem sua ação submetida à direção geral da unidade
escolar.

Em síntese, as funções do supervisor escolar são múltiplas e significativas


para contexto escolar. Sua função é diagnosticar as necessidades da escola
quanto ao pedagógico e, também, quanto à estrutura física, apresentar sugestões,
acompanhar e auxiliar no processo educativo de maneira efetiva.

Nérici (1986) apresenta quatro funções básicas do supervisor escolar: a


Função Preventiva, a Função Construtiva, a Função Criativa e a Função Corretiva.
Para Rangel (2001), a função do supervisor escolar se destaca em relação à
elaboração de estratégias pedagógicas quanto à política, ao planejamento, à
gestão e à avaliação.

A partir dessas funções citadas por Nérici e Rangel, podemos definir


atividades específicas do supervisor pedagógico:

• Planejamento – assessorar a administração escolar e os órgãos


educacionais; organizar as ações a serem realizadas; elaborar o plano de
atividades da supervisão; participar da elaboração do plano global da escola;
coordenar o processo de planejamento curricular; adaptar as normas e
diretrizes emanadas dos órgãos educacionais competentes às peculiaridades
da comunidade escolar; realizar o diagnóstico da escola e da comunidade,
pontuando seus pontos fortes e suas necessidades e/ou fragilidades;

• Coordenação e acompanhamento pedagógico – orientar, implementar e


acompanhar o desenvolvimento dos planos de ensino; acompanhar e orientar
os docentes em suas atividades pedagógicas, visando ao desenvolvimento
profissional do docente e à manutenção dos padrões de desempenho
pré-definidos pela escola e a correção de possíveis desvios; realizar o
acompanhamento dos discentes, visando ao aprimoramento do processo de
ensino e aprendizagem; colaborar com o serviço de orientação educacional;
coordenar programas de treinamento e capacitação dos docentes,
oportunizando a formação continuada e aprimorando o desenvolvimento
deste profissional da educação;

36
Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

• Avaliação – buscar instrumento para verificar o desempenho dos docentes


e discentes e auxiliar na melhoria do processo de ensino e aprendizagem;
acompanhar e avaliar o currículo e as atividades desenvolvidas na escola.

Portanto, podemos considerar o planejamento, a coordenação,


Podemos
o acompanhamento pedagógico e a avaliação como pilares da função considerar o
do supervisor no âmbito educacional. Nesse contexto, percebemos que planejamento, a
o supervisor possui diferentes papéis, o de orientar, supervisionar e coordenação, o
agregar esforços a sua equipe. Portanto, para realizar o sonho de ser acompanhamento
uma escola democrática e reflexiva, precisamos de uma reorganização pedagógico e a
avaliação como
da própria escola, criar e estimular espaços para discutir a escola e seus
pilares da função
processos pedagógicos, nos quais o supervisor escolar assume uma do supervisor no
postura mais ativa, efetiva e dinâmica, pois ele é o mediador de todo este âmbito educacional.
processo de transformação.

Atividade de Estudos:

1) Prezado(a) estudante, realize uma entrevista com um supervisor


escolar e procure descobrir como ele realiza suas atribuições no
cotidiano escolar, quais as funções que desempenha na escola e
qual a maior dificuldade no exercício da função. Com base nesta
entrevista, elabore um pequeno texto relatando suas percepções
acerca da função do supervisor escolar nos dias atuais. Em
seguida, compartilhe seu texto com os colegas, construindo um
dossiê sobre as percepções do grupo sobre o tema abordado:
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37
Planejamento e prática em supervisão escolar

Algumas Considerações
Nesse capítulo, procuramos apresentar uma retrospectiva do papel do
supervisor escolar na história da educação brasileira, oportunizando refletir sobre
aspectos da prática pedagógica no cotidiano escolar e, principalmente, sobre o
papel do supervisor no contexto educacional brasileiro.

Foi possível conhecer, no decorrer de seus estudos, as políticas educacionais


que norteiam a educação e que embasam legalmente a existência do profissional
de supervisão no espaço escolar e, ainda, permitir a reflexão acerca do papel do
supervisor educacional na construção de uma escola autônoma e crítica.

Para que a escola cumpra sua função social e realize seus processos didáticos
e pedagógicos, a socialização e a construção do conhecimento, ficou evidente,
neste capítulo, que é indispensável a atuação do profissional da Supervisão Escolar.

No próximo capítulo, abordaremos os pressupostos teórico-práticos da


supervisão escolar, focando os desafios e as perspectivas da supervisão escolar
nos nossos dias.

Refferências
ALONSO, M. A supervisão e o desenvolvimento profissional do professor. In:
FERREIRA, N. S. C. (Org.) . Supervisão educacional para uma escola de
qualidade. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº


9394/96. Brasília, 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l9394.htm>. Acesso em: 12 jul. 2006.

_____. Constituição da República Federativa do Brasil, 1998. Disponível em:


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm>.
Acesso em: 12 jul. 2006.

_____. Fundo de manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental e


de valorização do magistério: Manual de orientação. Brasília: Mimeo, 2004.

CHIODINI, Cláudia Roberta. “Quero ver quem paga, pra gente ficar assim!”:
Representação social docente sobre o financiamento da Educação Básica. 2008.
134 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado em Educação, Departamento
de Centro de Ciências da Educação, Universidade Regional de Blumenau - Furb,
Blumenau, 2008.
38
Supervisão Escolar no
Capítulo 1 Contexto Educacional Brasileiro

CURY, C. R. J. A educação básica no Brasil. Educação & Sociedade, Campinas,


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MEDEIROS, L.; ROSA, S. Supervisão educacional. 2.ed. São Paulo: Cortez,


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_____. A supervisão educacional em perspectiva histórica: da função à


profissão pela mediação da ideia. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto (Org.).
Supervisão educacional para uma escola de qualidade: da formação à ação.
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SOARES, M. Supervisão Pedagógica: para uma prática de ensino mais eficaz,


mais comprometida, mais pessoal e mais autêntica. E-revista, Matosinhos, n. 12,
2009.
39
Planejamento e prática em supervisão escolar

40
C APÍTULO 2
Pressupostos Teórico-Práticos
da Supervisão Escolar

A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

99 Analisar criticamente o campo de atuação do supervisor escolar frente aos


novos paradigmas.

99 Analisar as diferentes atribuições e funções do supervisor escolar.

99 Elaborar estratégias para acompanhamento pedagógico dos docentes e


discentes, na busca por uma melhor qualidade da educação.

99 Identificar possibilidades de fortalecer a comunicação e a parceria com a


comunidade escolar.
Planejamento e prática em supervisão escolar

42
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

Contextualização
Ao iniciarmos o estudo do capítulo 2, façamos uma revisão do que vimos no
capítulo anterior: entendemos que política pública não pode ser confundida com
um processo eleitoral, pelo qual passa um município para escolher o prefeito ou um
estado para escolher seu governador; política pública vai além deste conceito: é a
sistematização do trabalho do Estado para atender as necessidades da sociedade.

Vimos, ainda, que a Constituição Federal de 1988 é a Carta Magna do Brasil


e que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional é a lei maior da educação
brasileira, pois nela constam as diretrizes necessárias à construção de uma
proposta educativa de qualidade para o povo brasileiro. Há nestas leis, também,
como deve organizar-se a educação no Brasil, definindo as responsabilidades da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, os quais devem atuar
em regime de colaboração.

Após estas questões, abordamos, ainda na primeira unidade, a concepção


da supervisão pedagógica no Brasil, como surgiu, desenvolveu-se e como é vista
na contemporaneidade, apontando, também, que formação e perfil são exigidos
para o supervisor escolar.

Neste segundo capítulo, focaremos os desafios e as perspectivas da


supervisão escolar na atualidade.

Supervisão Escolar:
Desafios E Perspectivas Atuais
Há uma infinidade de desafios para quem trabalha na educação nesta
primeira década do século XXI, dentre os quais podemos citar: o avanço das
tecnologias e o acesso facilitado que as crianças, adolescentes e jovens têm hoje
aos mais diversos assuntos. Podemos mencionar, ainda, a aparente desobrigação
familiar perante a vida escolar dos filhos, deixando gestores e professores como
únicos responsáveis pela educação destes. Enfim, são diversas situações que
nos colocam à prova cotidianamente.

Atividade de Estudos:

1) Para iniciarmos nossa conversa neste tópico, o que lhe parece,


caro(a) estudante, desafio(s) para o supervisor escolar? Registre
suas impressões:
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Planejamento e prática em supervisão escolar

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As expectativas depositadas sobre a escola vão além da produção do


conhecimento. Segundo Ferreira (apud RANGEL, 2008, p.82),

Educar, hoje, supõe colocar limites, ir contra pulsões


destrutivas, enfrentar problemas da infância e o “furacão da
puberdade”, ensinar não apenas habilidades, conceitos e
conteúdos vários, mas socializar para a vida em sociedade.
[...] Os alunos e suas famílias não esperam da escola a
reiteração de sua própria cultura nem da “linguagem pública”.
Pretendem a oportunidade de adquirir algo que não lhes foi
dado de berço, uma “cultura escolar”, uma “linguagem culta” –
algo que depende diretamente da qualidade da formação e da
disposição dos professores que a escola lhes oferece.

É neste viés que o supervisor escolar com olhar contemporâneo


O supervisor busca contextualizar sua atuação na escola em que existe a
escolar, neste preocupação com o conhecimento, porém focaliza a relação deste
contexto, tem conhecimento na sociedade e deste sujeito nela.
como desafios
sensibilizar o grupo Como dito anteriormente, as expectativas com relação à escola
docente a refletir
foram ampliadas e a passos lentos os profissionais que atuam neste
sobre questões
como a pluralidade espaço passam a compreender e traçar ações para atender a estas
cultural, a relação expectativas.
família e escola,
a influência das O supervisor escolar, neste contexto, tem como desafios
mídias na formação sensibilizar o grupo docente a refletir sobre questões como a pluralidade
do indivíduo e a
cultural, a relação família e escola, a influência das mídias na formação
própria relação com
os professores. do indivíduo e a própria relação com os professores. Estes são alguns
dos diversos desafios que podemos citar.

44
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

Na relação supervisor x professor, Nérici (1981, p. 76) destaca atitudes que o


supervisor necessita ter, consideradas importantes para que o trabalho cotidiano
alcance êxito:

1. Não deixa que o docente sinta que a sugestão parte de


uma autoridade, mas sim de um amigo.

2. Procurar tornar-se amigo do corpo docente e procurar dar-


lhe algo útil, antes dos aconselhamentos.

3. Procurar conversar com o docente de igual para igual, e


não de autoridade para subalterno.

4. Incentivar a auto-observação e a autoanálise.

5. Revelar, também, dúvidas que convidem à observação e à


pesquisa, evitando parecer-se com o sabe-tudo.

6. Evitar discussões e principalmente vencê-las, mesmo que


esteja com a razão. É aconselhável criar um clima de busca
da verdade, em que ambas as partes possam cooperar.

7. Quando necessário, fazer sugestões de melhoria do


trabalho docente, em forma de cooperação, e não de
ordem.

8. Antes de tudo, procurar algo de bom, de positivo, no


trabalho do professor, elogiando-o, a fim de que este
ganhar confiança em si mesmo e no supervisor.

9. Todo trabalho desenvolvido junto a um docente, em caráter


particular, deve ser estritamente confidencial; não deve ser
comentado com outros professores ou com outras pessoas
da escola.

10. Procurar estar continuadamente em contato com o


professor, evitando períodos muito longos sem trocar
ideias.

É num clima de cordialidade e, ao mesmo tempo, de profissionalismo que as


relações se estruturam, passando a construir um processo de confiança mútua em
que supervisor e professor se encontram para fortalecer suas ações. Os cuidados
apontados pela autora são fundamentais para esta construção.

Atividade de Estudos:

Para Pensar:

1) Você concorda com os itens apontados? Dentre os dez, qual você


considera indispensável e por quê?

45
Planejamento e prática em supervisão escolar

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A relação família e escola tem se mostrado uma preocupação eminente no


cotidiano escolar, pois ao mesmo tempo em que pais depositam confiança no
trabalho docente e escolar, transferem funções e papéis da família à escola. É
delicado, mas necessário, pensar sobre este assunto.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no 9394/96), no


Artigo 29, aponta como dever da família e da comunidade a educação da criança
pequena com ação complementar da escola, proporcionando o desenvolvimento
integral.

No entanto, comentários como “não sei mais o que fazer com esta criança” ou,
ainda, “vou levar para a escola para não me incomodar” têm sido mais frequentes
nos corredores escolares. Devido a isso, é recomendável que a escola promova
ações que explicitem os papéis de cada um (escola e família) na educação das
crianças.

Por mais óbvio que possa parecer, o supervisor escolar e demais profissionais
(gestores, professores, orientadores) são os agentes que irão planejar momentos
que enalteçam estes aspectos.

Numa cidade do norte do Estado de Santa Catarina, a Promotoria


Pública chegou a expedir um documento oficial, notificando os pais sobre sua
responsabilidade na participação das ações da escola, e que o não cumprimento
desta responsabilidade acarreta penalidades. Veja o documento na íntegra:

46
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

Figura 2 - Ofício da Promotoria Pública de Guaramirim encaminhado aos Pais

Fonte: As autoras.

Quando não se tem o apoio necessário da família às atividades escolares,


a justiça age e deixa claro que é papel dos pais participar da vida escolar de
seus filhos.

47
Planejamento e prática em supervisão escolar

Há um projeto de lei circulando no Senado Federal que


“Estabelece penalidades para pais ou responsáveis que não
comparecerem às escolas de seus filhos para acompanhamento do
desempenho deles”, segundo a Ementa. Para conhecer este Projeto
de Lei n° 189/2012, acesse o endereço eletrônico http://www.senado.
gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=105955.

Outro desafio para o supervisor escolar é a influência das mídias na formação


do indivíduo. As tecnologias vêm transformando o modo de comunicação, de
relacionamento das pessoas e da própria construção do conhecimento.

Figura 3 - A criança e o acesso às tecnologias

Fonte: Disponível em: <http://vitaminapublicitaria.com.br/


O cenário variedades/criancas-e-as-novas-tecnologias/&docid=h_
educacional YgE7237wz0XM&imgurl>. Acesso em: 05 dez. 2012.
brasileiro, diante
de tamanhas Cinema, televisão, vídeo, internet, CD-ROM, telas interativas,
modificações, busca
entre tantas outras ferramentas tecnológicas, proporcionam que o
efetivar a relação
da educação com a homem se forme e se informe por meio da interação com a informação
tecnologia. e a comunicação, influenciando o universo afetivo, cognitivo e material
dos indivíduos.

O supervisor O cenário educacional brasileiro, diante de tamanhas modificações,


escolar é o agente busca efetivar a relação da educação com a tecnologia. O Ministério da
multiplicador Educação desenvolveu projetos visando a este estreitamento, como:
que incentiva e Projeto de Educação e Comunicação (EDUCOM, 1983), o Programa
disciplina o uso Nacio­nal de Informática na Educação (PRONINFE, 1989), ambos
das tecnologias na
visando à intro­dução da informática na educação, e o Programa Nacional
escola juntamente
com professores e de Informática na Educação (PROINFO, 1996)2, atualmente em vigor.
demais membros
da equipe técnico- O supervisor escolar é o agente multiplicador que incentiva e
pedagógica. disciplina o uso das tecnologias na escola juntamente com professores

48
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

e demais membros da equipe técnico-pedagógica. São inúmeras possibilidades


de projetos educacionais que utilizam estas ferramentas para a construção do
conhecimento.

Acesse o site: http://educacao.jaraguadosul.com.br/


modules/mastop_publish/?tac=Projetos e conheça projetos
desenvolvidos pela Secretaria Municipal da Educação de
Jaraguá do Sul (SC).

É possível perceber que inúmeros são os desafios impostos ao supervisor


escolar, cabendo-lhe encará-los ou ignorá-los. A segunda opção certamente não é
a mais viável quando pensamos numa escola dinâmica e de qualidade.

A Supervisão Pedagógica esta ganhando seu espaço: o supervisor


apresenta algumas características, como: mediador de relações humanas,
humildade, eficiência, liderança, flexibilidade, aceitando as diferenças, assim
desenvolve seu trabalho pedagógico como sujeito-chave num processo de
mudança no âmbito educacional.

Organização do Trabalho Pedagógico


do Supervisor Escolar (Planejamento
e Acompanhamento dos Processos
Pedagógicos da Escola)
É impossível chegar a um lugar se não soubermos para onde queremos ir.
Quando temos clareza de nossos objetivos, traçamos metas, caminhos a serem
percorridos, para alcançar o desejado. E no trabalho pedagógico do supervisor
escolar, os objetivos precisam estar claros.

Este tópico procurar auxiliar você a refletir sobre a importância de sistematizar


seu trabalho, não com modelos prontos e acabados de planejamento, mas com
diretrizes para sua organização.

A opção pelas diretrizes tem relação com o respeito pelas particularidades de


cada profissional, ou seja, cada um tem uma forma de organizar seu planejamento
– uso de caderno; de pastas; de projetos – uma vez que atenda as necessidades
da escola e da comunidade da qual faz parte.

49
Planejamento e prática em supervisão escolar

É preciso, ainda, considerar que cada ambiente educativo tem suas


particularidades, seu regimento interno, sua forma de conduzir o trabalho
pedagógico. Nesse sentido, cabe ao supervisor organizar-se conforme sua
realidade, pois não se deseja:

[...] que tenha uma função de inspeção, no sentido de


verificação da execução de políticas exógenas às escolas.
Não se pretende igualmente que o supervisor se substitua ao
gestor da escola, ou seja qual for a designação para quem,
na escola, assume a função de conduzir seus destinos.
Pretende-se, sim, que, fazendo parte do coletivo da escola,
se responsabilize por organizar, gerir e avaliar a formação
dos recursos humanos, com vistas à melhoria da qualidade
da educação de acordo com o projeto endógeno à escola.
(ALARCÃO apud RANGEL, 2008, p.52).

A autora citada acima, Isabel Alarcão, enfatiza a importância de valorar o que


é endógeno, ou seja, o que se forma no interior da escola, chamando atenção
especial aos recursos humanos (entendidos como profissionais da educação e
alunos) para que estes sejam o foco do trabalho do supervisor. E para que, a
partir destes recursos, pretendamos a melhoria da qualidade da educação.

Atividade de Estudos:

1) Então, caro(a) estudante, o que você considera importante o


supervisor escolar considerar como pontos fundamentais para o
planejamento de seu trabalho?
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Vamos conhecer alguns elementos necessários para o planejamento dos


processos pedagógicos da escola, que a autora Mary Rangel aborda no texto
“Supervisão: do sonho à ação – uma prática em transformação”, mencionado por
Ferreira (2010):

50
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

• Supervisão dos programas: acompanhar o que está sendo


planejado (conteúdos) e de que forma serão abordados, observando a
interdisciplinaridade, é papel do supervisor escolar, pois proporcionará
momentos de troca de experiências e de elaboração de planejamentos,
coletivamente.

• Supervisão da escolha dos livros didáticos: considerando o livro didático


como uma das ferramentas que auxiliam o professor em seu trabalho o
pedagógico, é papel do supervisor participar da escolha do livro juntamente
com o grupo docente, identificando se os conteúdos abordados são adequados
à faixa etária e se atendem as necessidades da escola.

• Supervisão do planejamento de ensino: neste elemento se enquadra o


planejamento de ensino seja de curso, de unidade ou de aula. O supervisor
com olhar observador ficará atento à intencionalidade do planejamento,
verificando objetivos, conteúdos, procedimento, avaliação e bibliografia.

• Supervisão dos métodos de ensino: o como colocar em prática o que foi


planejado também faz parte do processo pedagógico em que o supervisor
deve estar atento. Existem diversos métodos e técnicas que podem ser
utilizados pelo docente, os quais ganham vida no cotidiano escolar por meio
da ação do professor.

• Supervisão da avaliação: acompanhar o processo avaliativo escolhido


pelo professor é também papel do supervisor. Sugerir maneiras alternativas
de avaliar o aluno, acompanhar as avaliações, observando os instrumentos
utilizados para avaliar, participar dos conselhos de classe, são formas de
auxiliar o professor.

• Supervisão da recuperação: a recuperação é processual, não se limita (pelo


menos não deveria se limitar) a mais uma prova. A recuperação é o momento
de rever, de reexplicar, reorganizar, repetir, só que de outra forma, o que já
fora dito num determinado momento, pois a recuperação também faz parte do
processo de ensino-aprendizagem.

• Supervisão do Projeto pedagógico da escola: acompanhar e participar das


reflexões acerca do projeto pedagógico da escola dá condições ao supervisor
de pontuar o que está dando certo em sua área e o que ainda precisa ser
melhorado; permite que sejam feitos planejamentos sobre o que é pertinente
ao seu trabalho e opinar em questões que podem melhorar o trabalho do
outro, mas que atinge o todo. Não há justificativa para na prática realizar uma
ação e no projeto pedagógico estar descrito de forma contrária.

51
Planejamento e prática em supervisão escolar

• Supervisão da Pesquisa: considerando as modernas teorias de que o


conhecimento é construído nas relações sociais e com o meio e que não está
pronto e acabado, é importante que a escola abra espaço para a pesquisa,
que o professor planeje este momento e o supervisor acompanhe. A pesquisa
motiva, mobiliza e faz com que todos saiam de suas zonas de conforto.

Estes certamente são alguns elementos para os quais o supervisor


escolar deve estar atento no cotidiano escolar. Outros surgirão à medida que
circunstâncias diferenciadas exigirem reflexão e observação.

Atividade de Estudos:

1) Antes de continuarmos os estudos deste capítulo vamos


fazer uma pausa e refletir sobre a complexidade da função do
supervisor escolar e sobre o olhar atento às especificidades do
ambiente educativo. Para auxiliar esta reflexão, leia com atenção
mais um recorte do texto de Mary Rangel (2010, p. 76):

Na supervisão, o prefixo ‘super’ une-se à ‘visão’ para


designar o ato de ‘ver’ o geral, que se constitui pela
articulação das atividades específicas da escola. Para
possibilitar a visão geral, ampla, é preciso ‘ver sobre’; e
é este o sentido de ‘super’, superior, não em termos de
hierarquia, mas em termos de perspectiva, de ângulo
de visão, para que o supervisor possa ‘olhar’ o conjunto
de elementos e seus elos articuladores.

Anote suas considerações:


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O planejamento do trabalho pedagógico do supervisor escolar desenvolve-se


em três etapas: planejamento, acompanhamento e controle.

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Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

É necessário que o supervisor preveja periodicamente seu trabalho


Planejar é pensar
em períodos bimestrais, semestrais e anuais. Planejar é pensar o que o que e como
e como fazer; acompanhar é estar atento à execução do que fora fazer; acompanhar
planejado e controle tem relação com a avaliação do trabalho. é estar atento à
execução do que
Para Nérici (1981, p. 143), “[...] o planejamento da supervisão deve fora planejado
e controle tem
ser objetivo, isto é, deve ser exequível e flexível, a fim de poder ajustar-
relação com a
se a novas necessidades que surjam e às modificações que possam avaliação do
ocorrer na vida escolar.” trabalho.

Para melhor compreendermos o que escreveu o autor, entendamos alguns


termos utilizados por ele: exequível - que se pode executar; flexível – que se
adapta a qualquer mudança. Portanto, o objetivo de se pensar o planejamento não
é fazer uma boa apresentação, mas planejar o que realmente possa ser colocado
em prática, independente dos acontecimentos diários que envolvem uma escola e
que não necessariamente estão previstos.

O planejamento faz parte da construção da identidade do profissional


supervisor escolar. Vejamos trecho da história “Alice no país das maravilhas”:

Alice está perdida, andando naquele lugar e, de repente, vê no alto da árvore


o gato. Só o rabão do gato e aquele sorriso. Ela olha para ele lá em cima e diz
assim: “Você pode me ajudar?” Ele falou: “Sim, pois não.” “Para onde vai essa
estrada?”, pergunta ela. Ele respondeu com outra pergunta (que sempre devemos
nos fazer): “Para onde você quer ir?”. Ela disse: “Eu não sei, estou perdida.” Ele,
então, diz assim: “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”.

Figura 4 - Alice no País das Maravilhas

Fonte: Disponível em: <http://consultoriaadistancia.com.br/blog/tag/


alice-no-pais-das-maravilhas>. Acesso em: 29 nov. 2012.

53
Planejamento e prática em supervisão escolar

Seguindo o raciocínio da cena desta história, incluímos a prática do supervisor


escolar, que tem papel relevante na escola e se destaca por suas ações (ou pela
falta delas). Porém uma atividade sem planejamento pode levar a lugar algum.

Alguns aspectos são destacados por Nérici (1981, p. 144) quanto ao


planejamento do supervisor escolar. Vejamos:

1 – Determinação ou reformulação do currículo, com base


nos resultados do período anterior e novas necessidades dos
educandos e do meio.

2 – Organização de calendário escolar.

3- Previsão dos diversos tipos de reuniões.

4 – Seleção de métodos e técnicas de supervisão, tidos como


mais adequados.

5 – Levantamento da realidade dos educandos e do meio.

6 – Previsão para cooperação na elaboração dos planos de


ensino das diversas atividades, áreas e disciplinas.

7 – Previsão de normas de verificação e avaliação da


aprendizagem.

8 – Previsão das maneiras de levar a efeito o aperfeiçoamento


dos professores; isto de maneira geral, pois muitos casos
particulares surgirão durante o ano letivo e deverão ser
atendidos.

9 – Previsão de visitas a outros centros pedagógicos,


excursões, seminários, etc.

10 – Reestudo da vida disciplinar da escola.

11- Previsão de estudo e aperfeiçoamento das formas de


verificação e avaliação da aprendizagem.

12 – Previsão quanto aos métodos e técnicas de ensino que


Ao acompanhar o devem ser estimulados, no campo das atividades, áreas de
que foi planejado ensino e disciplinas.
por meio da ação 13 – Incentivo às atividades extraclasse.
ou observação,
o supervisor 14 – Estudo do plano de recuperação de educandos.
potencializa os
resultados, pois Ao acompanhar o que foi planejado por meio da ação ou
no decorrer de observação, o supervisor potencializa os resultados, pois no decorrer
todo o período
de todo o período de execução do planejamento tenta garantir a
de execução do
planejamento tenta unidade e continuidade dos trabalhos.
garantir a unidade
e continuidade dos No controle, os resultados ficam em evidência e a guisa de
trabalhos. observações, avaliações e juízos, que devem ter como objetivo apontar

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Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

os pontos positivos e o que ainda precisa ser melhorado, visando sempre à


aprendizagem do aluno e à eficiência do ensino.

Estas etapas do trabalho de supervisão permitem uma sistematização para


o período letivo, prestando assistência pedagógico-didática aos professores
em suas respectivas disciplinas, e o trabalho interativo com os alunos, em que
supervisiona, coordena, acompanha, assessora, apoia, avalia as atividades
pedagógicas. O supervisor escolar, assim, procura promover a melhoria do
processo de ensino e aprendizagem.

A Supervisão e os Projetos
Educacionais
O supervisor escolar desempenha importante papel no incentivo à
participação de toda a comunidade escolar em projetos que podem ser
desenvolvidos no ambiente educativo, uma vez que este profissional, diariamente,
circula nos corredores escolares, estando em contato direto com pais, professores
e alunos, justamente pela atribuição que sua profissão exige.

Dessa forma, é agente fundamental a ser envolvido em projetos que


potencializam a sensibilização à resolução de problemas, visualizando
significativas transformações nas relações pessoais e sociais, bem como em
questões relacionadas aos espaços físicos e mobiliários da escola.

A reflexão de Nilda Alves e Regina Leite Garcia, no texto “Rediscutindo o papel


dos diferentes profissionais da escola na contemporaneidade” (2010, 133), faz-nos
repensar a função da escola e de seus profissionais, alertando para o que segue:

[...] queremos insistir na importância de uma escola que


proporcione oportunidades de desenvolvimento de uma
flexibilidade intelectual, de sensibilidade e abertura para o
novo, de criatividade face a situações desafiadoras, de atitude
crítica e construtiva face aos impasses que o mundo coloca.

É nesse sentido, de desafio intelectual e de posicionamento do indivíduo sobre


o que é novo, que se debruçam os objetivos dos projetos educacionais. Além disso,
relacionam-se ao desejo de que a escola se torne um lugar ainda mais agradável,
em que se sinta prazer em estar, de nela conviver, trabalhar e aprender.

Estamos falando de trabalho coletivo, o qual envolve todos os sujeitos


da escola: gestor, supervisor(es), orientador(es), professores, alunos, pais,

55
Planejamento e prática em supervisão escolar

merendeiras, auxiliares da limpeza, enfim, todos que, de uma forma


O papel do
supervisor ou de outra, participam do processo educacional das crianças que
nos projetos frequentam a escola.
educacionais,
nesse sentido, é Vale lembrar que, segundo Lück (2011, p.18):
dinamizar e assistir,
ou seja, mobilizar, Enquanto à supervisão escolar compete dinamizar e assistir
prestar assistência, na operacionalização do sentido do processo educativo
contribuir, incentivar na escola, e, portanto, atuar no sentido pedagógico, cabe à
o desenvolvimento sua direção oferecer contínua inspiração e liderança nesse
de ações voltadas a sentido. Essa responsabilidade não é delegável.
tornar a escola um
ambiente melhor O papel do supervisor nos projetos educacionais, nesse sentido,
de se estar, melhor é dinamizar e assistir, ou seja, mobilizar, prestar assistência, contribuir,
de aprender e
incentivar o desenvolvimento de ações voltadas a tornar a escola um
conviver.
ambiente melhor de se estar, melhor de aprender e conviver.

Procure conhecer o “Livro do Diretor:


Escolas, Espaços & Pessoas”, uma publicação do
Ministério da Educação, por meio da Secretaria de
Educação Fundamental, que traz ideias práticas
para aprimorar a escola. Esta obra, publicada no
ano de 2002, tem os capítulos organizados de
forma a contemplar os principais espaços de uma
escola: sala de aula, pátio, corredor, banheiro,
refeitório e área externa. De forma dinâmica e
bem elaborada, o livro traz inúmeras sugestões
para melhorar a escola, envolvendo pais, alunos,
familiares, professores e funcionários de apoio em
ações de natureza pedagógica.

Inúmeros projetos podem ser desenvolvidos na escola. Consideramos, hoje,


que vários espaços e momentos educam: grupo de amigos, igreja, televisão,
festas, praia, futebol, música, família, internet, cinema. Tudo o que está perto ou
mais distante de nós são espaços educativos. Na visão de Alves e Garcia (2010,
p.133), “A escola é, portanto, o espaço/tempo de encontro de múltiplas redes
relacionais e de conhecimentos.”

É neste ínterim que nossa reflexão sobre projetos se debruça, não


dissociando o sujeito de seu contexto, de sua realidade, buscando relacionar ao
processo de ensino e de aprendizagem.

56
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

Atividade de Estudos:

1) Você, caro(a) estudante, elaborou ou participou de um projeto


educativo que teve como objetivo sanar alguma dificuldade
relacionada ao professor e/ou ao aluno no processo de ensino e
aprendizagem? Como aconteceu este projeto?
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Partimos do pressuposto que está claro para


o professor e para o supervisor escolar como
elaborar um projeto educativo. Porém, propomos
uma revisão neste conhecimento, atentando para
o seguinte esquema organizacional de um projeto,
segundo Fernando Hernández (2013), na obra “A
organização do currículo por projetos de trabalho”:

TEMA: É o ponto de partida para a definição de um projeto. O


tema pode pertencer ao currículo oficial, proceder de uma experiência
comum, originar-se de um fato da atualidade, surgir de um problema
proposto pela professora, emergir de uma questão que ficou
pendente em outro projeto. Deve ser definido em relação à demanda
e interesse dos alunos, considerando-se a necessidade, relevância,
interesse ou oportunidade de trabalhar outro tema. A escolha de um
tema por parte do aluno ou do professor deve ser argumentada em
termos de relevância e de contribuições.

57
Planejamento e prática em supervisão escolar

ATIVIDADE DOCENTE APÓS A ESCOLHA DO PROJETO:


Especificar qual será o motor de conhecimento, o fio condutor, o
esquema cognoscitivo que permitirá que o projeto vá além dos
aspectos informativos e possa ser aplicado em outros temas
ou problemas. Realizar uma primeira previsão dos conteúdos
(conceituais e procedimentais) e das atividades, encontrar algumas
fontes de informação para iniciar e desenvolver o projeto. Responder
para si: O que pretendo que os alunos aprendam com este projeto?
Estudar e atualizar informações em torno do tema do projeto.
Contrastar as suas informações com outras fontes que os estudantes
apresentem. Criar um clima de envolvimento e de interesse no grupo
e em cada pessoa sobre o que se está trabalhando. Fazer uma
previsão dos recursos necessários. Planejar o desenvolvimento do
projeto com base em uma sequência de avaliação:

- Inicial: o que os alunos sabem sobre o tema (levantar


conhecimentos prévios);

- Formativa: o que estão aprendendo (pesquisar sobre o tema


problematizado aprofundando os conhecimentos prévios);

- Final: o que aprenderam em relação às propostas iniciais (ponto


de chegada, divulgação das conclusões).

Recapitular o processo que se realizou ao longo do projeto, em


forma de programação a posteriori, que possa ser utilizada como
memória de cada docente.

A ATIVIDADE DOS ALUNOS APÓS A ESCOLHA DOS


PROJETOS: Depois da escolha do tema, cada estudante realiza um
índice no qual especifica os aspectos que vai trabalhar no projeto
(com os menores, se realiza coletivamente). Funciona como um
instrumento de avaliação e motivação iniciais. Paralelamente,
os alunos buscam informações que complementam e ampliam a
apresentada na proposta e argumentação inicial do projeto. Esta
busca deve ser diversificada: informação escrita, conferências de
convidados, visitas a museus, exposições, vídeos, programas de
computador.

TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO: Realizar o tratamento dessas


informações é uma das funções básicas dos Projetos. Realiza-se
tanto individualmente como num diálogo conjunto com toda a classe.
Nessa fase a ênfase é dada aos seguintes aspectos e princípios: A

58
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

confrontação de opiniões contrapostas e as conclusões que disso o


aluno pode extrair; a informação pode ser diferente, segundo como
se ordene e se apresente; realiza-se um dossiê de sínteses dos
aspectos tratados e dos que ficam em aberto, reelabora-se o índice
inicial, planeja-se a “imagem” que conterá essa síntese final e se
reescreve o que se aprendeu; avaliação de todo o processo seguido
no Projeto, a partir de dois momentos - um de ordem interna (cada
criança recapitula o que foi feito e o que foi aprendido) - outro de
ordem externa (a partir da apresentação do professor, a informação
trabalhada dever ser aplicada em situações diferentes, para realizar
outras relações e comparações e abrir novas possibilidades para o
tema).

A BUSCA DAS FONTES DE INFORMAÇÃO: Os docentes


fornecem a informação, que deve ser complementada com as
iniciativas e colaborações dos alunos. Esse envolvimento dos
estudantes tem uma série de efeitos educativos: assumirem como
próprio o tema, aprenderem a situar-se diante da informação,
envolver outras pessoas na busca da informação, considerando
que não se aprende só na escola e que o aprender é um ato
comunicativo, descobrem que têm uma responsabilidade na sua
própria aprendizagem, que não podem esperar passivamente que o
professor tenha todas as respostas e soluções, uma vez que é um
facilitador e com frequência, um estudante a mais.

Repensar o que é uma fonte de informação útil para a


escola. Nem tudo passa pelos livros. Informantes válidos podem
ser encontrados em todos os tipos de contextos. A busca das
fontes de informação favorece a autonomia dos alunos, mas o
diálogo promovido pelo educador para estabelecer comparações,
inferências e relações é que ajuda a dar sentido à forma de ensino
e aprendizagem que se pretende com os projetos, visando a uma
aprendizagem crítica e reflexiva.

Fonte: Disponível em: <http://pc4s.wordpress.com/2010/11/02/


pedagogia-de-projetos/>. Acesso em: 15 jan. 2013.

59
Planejamento e prática em supervisão escolar

Você quer sugestões de projetos para desenvolver


com seus alunos? Visite o blog: Brincar e Aprender: http://
educacaoinfantilnaescola.blogspot.com.br/

A Supervisão Escolar e suas


Interfaces com a Comunidade Escolar
Transformações O mundo contemporâneo está marcado por acelerados avanços
provocam na informática e nos meio de comunicação, bem como por tantas
mudanças outras inovações tecnológicas e científicas. Estas transformações
profundas na forma provocam mudanças profundas na forma da sociedade se organizar e
da sociedade se comunicar, que mexem na estrutura das famílias e da escola.
se organizar e
se comunicar,
que mexem na José Carlos Libâneo, na obra Adeus Professor, Adeus Professora?
estrutura das Novas exigências educacionais e profissão docente (2007), traz a tona
famílias e da uma interessante reflexão sobre influência das tecnologias na vida
escola. cotidiana e destaca:

[...] cada vez maior número de pessoas são atingidas pelas


novas tecnologias, pelos novos hábitos de consumo e indução
de novas necessidades. Pouco a pouco, a população vai
precisando se habituar a digitar teclas, ler mensagens no
monitor, atender instruções eletrônicas. Cresce o poder dos
meios de comunicação, especialmente a televisão, que passa
a exercer um domínio cada vez mais forte sobre crianças e
jovens, interferindo nos valores e atitudes, no desenvolvimento
de habilidades sensoriais e cognitivas, no provimento de
informação mais rápida e eficiente. (LIBÂNEO, 2007, p.16).

O autor destaca que a ascensão das tecnologias resulta mudanças


significativas no cotidiano das pessoas. Estas mudanças estão relacionadas às
suas necessidades, a sua forma de comunicação, ao acesso às informações e ao
conhecimento, à influência da mídia nos hábitos, valores e na cultura das pessoas.

As influências são também sentidas no cotidiano escolar. Há pouco tempo


para ter acesso ao desempenho escolar do filho, os pais necessitavam aguardar
o final do bimestre letivo para receber o boletim escolar. Hoje, é possível
acompanhar pela internet as notas do filho no boletim eletrônico alimentado pelo
professor da disciplina.

60
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

Também não é mais preciso mandar um bilhete para casa comunicando uma
reunião de pais na escola. Se a instituição estiver provida de acesso à internet
e um bom cadastro com dados da família, um e-mail para o grupo de pais os
comunicará o encontro agendado.

Ao mesmo tempo em que as tecnologias avançam e as possibilidades de


comunicação aumentam, há certa queixa da equipe gestora e dos professores de
que a família tem se distanciando da vida escolar, delegando a responsabilidade
pela educação das crianças à escola.

Atividade de Estudos:

1) E você, concorda com a afirmativa acima? De que forma vê a


participação da família no processo educativo das crianças? Qual
a melhor forma que a escola pode utilizar para estabelecer uma
comunicação eficiente com os pais?
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O supervisor escolar, em meio a tantas mudanças, passa a ser o mediador


da relação família-escola. Como já citado no início desta unidade, a família
é a primeira instituição responsável pela educação das crianças e a escola
complementa esta ação. Vimos anteriormente que ações específicas de agentes
legais chamam a atenção dos pais para sua função educativa e participação na
vida escolar de seus filhos.

61
Planejamento e prática em supervisão escolar

Segundo Rangel (2010, p.81):

A vida familiar reflete na vida social, o que significa dizer


que a situação – força ou fragilidade - da família reflete no
fortalecimento ou fragilização do corpo social. Na medida
em que a família se fortalece e se dignifica, a sociedade,
consequentemente, se torna mais forte e mais digna. Por
isso, garantir à família a qualidade de vida – as condições de
viver com dignidade – é dever do Estado, é direito e dever
de cidadania. Na família encontram-se sentimentos, ideais,
paradigmas, experiências, exemplos que forma os jovens e
prosseguem nas famílias que por eles serão construídas.

A família está Fica evidente, para a autora, que se a família está fortalecida, a
fortalecida, a sociedade se dignifica. O Estado tem papel fundamental na subsistência
sociedade se
da instituição familiar, garantindo-lhe que suas necessidades básicas
dignifica.
sejam atendidas, como: saúde, moradia, educação, cultura.

Diante desse cenário, o supervisor escolar tem como ferramenta o Projeto


Político-Pedagógico (PPP) da unidade de ensino em que atua. Este documento,
segundo Saviani (1983, p.93),

Vai muito além de um simples agrupamento de planos


de ensino. Ele não é algo que construído, em seguida é
arquivado. Mas é algo construído e vivenciado em todos os
momentos e por todos os envolvidos no processo educativo
da unidade escolar. O projeto visa um rumo, uma direção.
Nesse sentido, o projeto político-pedagógico também é um
projeto político por estar articulado à situação sociopolítica da
sociedade como um todo. Deve visar à formação do educando
para o pleno exercício da cidadania, pois, a dimensão política
se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática
especificamente pedagógica.

É por meio do PPP que o supervisor escolar tem condições de, com a
comunidade escolar, estabelecer ações necessárias à construção de uma nova
realidade que exigem, antes de tudo, comprometimento de todos os envolvidos no
processo educacional.

Este documento de caráter dinâmico e flexível é mola propulsora para a


reflexão de um trabalho planejado e não um documento engessado e imutável
arquivado na melhor estante da biblioteca da escola. O PPP instiga a comunidade
escolar à reflexão de problemas da escola e discussão na busca de alternativas
viáveis para a resolução desses problemas.

Dessa forma, o papel do supervisor escolar frente à comunidade escolar está


diretamente ligado ao (re)pensar diário do PPP, uma vez que este é o viés de
trabalho da escola. O supervisor é desafiado a estabelecer um processo dialógico
e eminentemente verdadeiro para o cotidiano escolar.
62
Capítulo 2 PressupostosTeórico-PráticosdaSupervisãoEscolar

Algumas Considerações
Vimos no decorrer deste segundo capítulo que há uma infinidade de desafios
para quem está inserido na educação em pleno século XXI, sendo: o avanço
das tecnologias; a aparente desobrigação dos pais na vida escolar dos filhos;
a pluralidade cultural; a influência da mídia na formação do sujeito. Esses são
apena alguns exemplos dos desafios encontrados atualmente.

Foi objetivo, neste capítulo, fazer uma análise das atribuições do gestor frente
a estas transformações, elaborando estratégias para superar as fragilidades e
fortalecer a comunicação com pais e comunidade em geral.

Num clima de cordialidade e, ao mesmo tempo, profissionalismo as relações


se estruturam. Constrói-se um processo de confiança mútua em que supervisor e
professor se encontram para fortalecer suas ações.

No terceiro e último capítulo refletiremos sobre o supervisor escolar como um


agente de mudanças na gestão democrática. Bons estudos!

Referencias
FERREIRA, Naura Syria Carapeto Ferreira.(Org.). Supervisão Educacional
para uma escola de qualidade. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus Professor, Adeus Professora? Novas


exigências educacionais e profissão docente. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

LÜCK, Heloísa. Ação Integrada: administração, supervisão e orientação


educacional. 28. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

NÉRICI, Imídeo G. Introdução à Supervisão Escolar. 4. ed. São Paulo: Atlas,


1981.

RANGEL, Mary (Org.). Supervisão Pedagógica: princípios e práticas.


Campinas, SP: Papirus, 2008.

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura


da vara, onze teses sobre educação e política. São Paulo: Cortez, Autores
Associados, 1983.

63
Planejamento e prática em supervisão escolar

64
C APÍTULO 3
Supervisor Escolar: Um
Agente de Mudanças Diante
da Gestão Democrática

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

99 Desenvolver competências técnico-administrativas e políticas necessárias ao


exercício da função de supervisor escolar.

99 Articular a função do supervisor escolar à elaboração do projeto político-


pedagógico e do regimento escolar, tendo como foco a gestão democrática,
buscando soluções.

99 Preparar o supervisor escolar para mediar o uso das tecnologias no cotidiano


escolar.

99 Preparar o supervisor escolar para ser um agente de mudanças na educação


e na comunidade escolar.
Planejamento e prática em supervisão escolar

66
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

Contextualização
Durante o terceiro capítulo será apresentada uma reflexão em torno da
atuação do supervisor escolar diante das mudanças do âmbito educacional.
Nesse contexto de transformações surge a ideia de gestão democrática e com
ela a responsabilidade de elaborar e implementar uma proposta pedagógica
para escola que contemple, além das atividades rotineiras, também o uso das
tecnologias no cotidiano das escolas e esclareça o papel do supervisor como um
agente de mudanças na escola e na comunidade escolar.

A primeira seção do capítulo 3 introduzirá o estudo para compreensão da


gestão democrática nas escolas, seguida das seções que abordam a reflexão
sobre as dimensões do PPP e regimento escolar, o uso das tecnologias e o papel
do supervisor como agente de mudanças.

Supervisão Escolar e Gestão


Democrática
Quando pensamos no supervisor escolar como um agente de mudança no
contexto educacional brasileiro, é necessário entendê-lo como um elo mediador
articulado a uma gestão. Para que seja capaz de promover mudanças, esta
gestão precisa ser democrática, participativa, pois a escola é movimento, não é
estática, todos os profissionais envolvidos no processo de ensino e aprendizagem
precisam se sentir parte desta escola, só assim acontece a mudança.
A gestão
Queremos, portanto, mostrar para você, estudante EAD, que a democrática se
faz necessária
gestão democrática se faz necessária no contexto educacional para
no contexto
que possibilite a participação de todos os profissionais da educação educacional para
envolvidos no processo educativo e, com isso, aconteçam as mudanças que possibilite
necessárias em cada comunidade escolar. a participação
de todos os
Nesse sentido, o objetivo da seção deste caderno de estudos é profissionais
da educação
que você desenvolva competências técnico-administrativas e políticas
envolvidos
necessárias ao exercício da função de supervisor escolar diante da no processo
gestão democrática. educativo e, com
isso, aconteçam
Iniciaremos, então, com a conceituação de gestão democrática, as mudanças
partindo para o papel da supervisão escolar no contexto já mencionado. necessárias em
cada comunidade
escolar.

67
Planejamento e prática em supervisão escolar

a) Gestão Democrática: o que é?

A gestão democrática é definida como uma prática político-pedagógica


e administrativa em que o gestor, por intermédio dos diversos segmentos da
escola, modifica as relações de poder, transformando-as em ações coletivas,
transparentes e autônomas.

A gestão democrática da educação está associada ao estabelecimento de


mecanismos legais e institucionais e à organização de ações que desencadeiem
a participação social: na formulação de políticas educacionais, no planejamento,
na tomada de decisões, na definição do uso de recursos e necessidades de
investimento, na execução das deliberações coletivas, nos momentos de
avaliação da escola e da política educacional. Também se refere à democratização
do acesso e às estratégias que garantam a permanência na escola, tendo como
horizonte a universalização do ensino para toda a população, bem como o debate
sobre a qualidade social dessa educação.

Figura 5 - Síntese da Gestão Democrática

Fonte: As autoras.

Entre os princípios que norteiam a gestão democrática na escola encontram-


se: a descentralização, a participação coletiva, a transparência e a autonomia.
Podemos citar a autonomia como uma das características mais marcante da
gestão democrática. A autonomia da escola por meio da coletividade está
assegurada pela LDB (Lei nº 9.394/96) e também é resultado de um processo
de construção social, uma vez que esta lei é produto da discussão de muitos
educadores e de outros segmentos da sociedade, todos em busca de uma
melhor qualidade da educação brasileira. Dessa forma, podemos dizer que a
autonomia da escola ocorre à medida que existe também a capacidade de a
instituição assumir responsabilidades, tornando-se mais competente no seu
fazer pedagógico.

68
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) no


9.394/96, no seu Art. 3º e 14º, normatiza e oficializa a prática de uma
gestão democrática no ensino público:

Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

VIII – Gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e


da legislação dos sistemas de ensino.

Art.14º Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão


democrática do ensino público na educação básica, de acordo
com suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:

I – Participação dos profissionais da educação na elaboração do


projeto pedagógico da escola;

II - Participação das comunidades escolar e local em conselhos


escolares ou equivalentes.

Nesse sentido, o papel do gestor é ser democrático, opinar e propor


medidas que visem ao aprimoramento dos trabalhos escolares, o sucesso de sua
instituição, além de exercer sua liderança administrativa e pedagógica, objetivando
a valorização e o desenvolvimento de todos na escola. Para isso, o gestor precisa
promover momentos de encontro com os professores e a equipe pedagógica para
reflexão sobre a prática cotidiana do ambiente escolar e estimular o trabalho em
equipe, valorizar as pequenas conquistas, encorajar sua equipe a se posicionar e
expor o ponto de vista e buscar soluções para os problemas na coletividade.

Para entender melhor o papel do gestor na construção de uma


escola mais democrática, convidamos a refletir sobre o pensamento
de Paulo Freire (1999):

“O educador ou o coordenador de um grupo é como um maestro


que rege uma orquestra.” Da coordenação sintonizada com cada
diferente instrumento, ele rege a música de todos. O maestro sabe e
conhece o conteúdo das partituras de cada instrumento e o que cada
um pode oferecer. A sintonia de cada um com o outro, a sintonia de

69
Planejamento e prática em supervisão escolar

O educador ou o cada um com o maestro, a sintonia do maestro com cada um e


coordenador de um com todos é o que possibilita a execução da peça pedagógica.
grupo é como um Essa é a arte de reger as diferenças, socializando os saberes
maestro que rege
individuais na construção do conhecimento generalizável e para
uma orquestra.
a construção do processo democrático.

O gestor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro


responsável pelo seu sucesso. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador e
Supervisor Pedagógico (quando existe).

Que tal fazer uma pausa nos estudos para assistir a um vídeo
no youtube que ilustra, por meio de animação, o comportamento do
gestor escolar na rotina da escola?

Título: Gestão Escolar.wmv

Link: http://www.youtube.com/watch?v=mBluNKV25WQ

Vale a pena assistir!!!

No decorrer da história da educação brasileira, como vimos no Capítulo I,


os especialistas da educação: administração, supervisão, orientação educacional,
sofreram diferentes enfoques, os quais concentraremos em duas perspectivas.

Na primeira ocorre uma divisão dos trabalhos entre os especialistas, os


quais planejam as tarefas e os professores apenas executam, como se um
fosse superior ao outro. Nessa perspectiva, o supervisor é visto como um agente
fiscalizador do trabalho do professor.

Na segunda perspectiva, preza-se por um planejamento coletivo, no qual


todos os profissionais da escola participam ativamente do processo de ensino e
70
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

aprendizagem. Nessa perspectiva de trabalho coletivo cabe ao diretor


Nessa perspectiva
escolar envolver toda a comunidade escolar: professores, especialistas, de trabalho coletivo
pais e alunos na elaboração do planejamento da escola, o qual será o cabe ao diretor
documento norteador no desenvolvimento das ações educativas. escolar envolver
toda a comunidade
A Gestão Pedagógica no processo de educação democrática escolar:
precisa promover parceria, organizar relações, mediar, orientar, professores,
especialistas,
repensar e sugerir alternativas e estratégias, refletir com o professor
pais e alunos na
sobre o caminho que está percorrendo e o caminho a seguir para que elaboração do
alcance seus objetivos. planejamento da
escola, o qual
Neste estudo, caro(a) acadêmico(a), cabe ressaltar que na Gestão será o documento
Democrática o diretor escolar não mais decide individualmente e de norteador no
forma arbitrária, mas procura envolver a comunidade, bem como os desenvolvimento
das ações
profissionais da escola, para juntos discutir o dia a dia da escola, bem
educativas.
como buscar soluções e melhoria da qualidade do ensino. É também
nesta visão de trabalho coletivo que se constrói o Projeto Político
Pedagógico da escola, assunto que abordaremos na próxima seção.
Na Gestão
Democrática da
Para o exercício da gestão democrática na escola existem algumas
escola todos
atividades pré-estabelecidas com intuito de discutir os problemas da se envolvem
escola e buscar alternativas para resolver e melhorar a qualidade da no processo
educação. Entre estas atividades citamos: Constituição do Conselho educacional, pois
Escolar, Grêmio Estudantil, Elaboração do Projeto Político-Pedagógico, o aluno aprende
Avaliação Institucional, Associação de Pais e Professores e, discute-se, o tempo todo,
ainda, a eleição para diretores. dentro e fora da
sala de aula, não
é só o professor
Na Gestão Democrática da escola todos se envolvem no processo que ensina, mas
educacional, pois o aluno aprende o tempo todo, dentro e fora da sala também o diretor,
de aula, não é só o professor que ensina, mas também o diretor, a a orientadora, a
orientadora, a merendeira, a servente, todos os funcionários da escola merendeira, a
educam. E, portanto, é fundamental criar uma visão mais dinâmica da servente, todos
escola. os funcionários da
escola educam.
E, portanto, é
fundamental criar
uma visão mais
Atividades de Estudos: dinâmica da escola.

A gestão democrática tem sido um ideal a ser construído pelas


unidades escolares. Na perspectiva de trilhar no caminho que conduza
a gestão democrática, convidamos você, prezado(a) estudante, a
refletir sobre algumas questões pertinentes ao cotidiano escolar:

71
Planejamento e prática em supervisão escolar

1) Qual a ideia que temos de educação e do processo de ensino-


aprendizagem? E quando se fala de Educação Inclusiva, como se
dá o processo de ensino-aprendizagem com alunos especiais?
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2) O modo como encaminhamos nosso trabalho na escola dá


conta deste processo de ensino-aprendizagem dentro de uma
perspectiva democrática? Quais as propostas de trabalho
pedagógico-administrativo nas quais você acredita?
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3) Que aluno queremos formar?


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4) Que escola queremos ser?


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Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

5) Neste processo, qual a importância do supervisor escolar?


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b) O papel da Supervisão no contexto da Gestão Democrática


Na escola
democrática
Na escola democrática a atuação do supervisor é primordial para a atuação do
dar um novo olhar sobre a organização educacional, visando a superar supervisor é
os desafios e valorizar os processos pedagógicos. primordial para
dar um novo
olhar sobre a
O gestor, com o supervisor e a equipe pedagógica, define as
organização
ações mais importantes do processo educacional, estabelece objetivos educacional,
para o ensino-aprendizagem, propõe metas para a concretização visando a superar
das propostas pedagógicas e sua avaliação. Entre suas atribuições, os desafios
conforme Veiga (2001) e Libâneo (2005), ressaltamos: e valorizar
os processos
pedagógicos.
• Gerir a área educativa, os processos pedagógico-didáticos da
escola;

• Estabelecer objetivos para o ensino, gerais e específicos;

• Definir as linhas de atuação, em função dos objetivos e do perfil da comunidade


e dos alunos;

• Propor metas a serem atingidas;

• Elaborar os conteúdos curriculares;

• Acompanhar e avaliar o rendimento das propostas pedagógicas, dos objetivos


e o cumprimento de metas;

• Avaliar o desempenho dos alunos, do corpo docente e da equipe escolar


como um todo.

73
Planejamento e prática em supervisão escolar

As especificidades da gestão democrática da escola estão


A assistência
dada ao professor enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também
visa ao seu denominado Proposta Pedagógica) da escola. Parte do Plano Escolar
desenvolvimento (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui
profissional, elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos, metas,
melhorando o plano de curso, plano de aula, avaliação e treinamento da equipe
desempenho de
escolar.
suas competências:
conhecimento,
habilidades e O papel do supervisor escolar neste contexto é de mediador e
atitudes. articulador do processo educativo, buscando sempre a melhoria da
qualidade do ensino, priorizando a assistência ao professor.

A assistência dada ao professor visa ao seu desenvolvimento profissional,


melhorando o desempenho de suas competências: conhecimento, habilidades e
atitudes. Conforme Maccarini e Pizan (2003), o papel do supervisor escolar não se
limita ao controle e repasse de técnicas aos professores, mas ao assessoramento
teórico-metodológico diante dos problemas educacionais cotidianos, além de
propiciar momentos de reflexão teórico-prática com intenção de ensinar e aprender.

Segundo Rosa (2004):

[...] A escola é como uma teia com alta sensibilidade que,


mexendo-se em um fio num determinado momento, certamente
os demais fios irão forçosamente mover-se em outro momento
qualquer. Portanto, as atividades são elos interligados que, ao
se alterar um, os demais são influenciados por aquele.

A boa atuação do profissional de supervisão escolar está diretamente


ligada a sua habilidade de trabalhar em equipe, visando à construção coletiva do
processo educativo. Para isso, todos da equipe precisam se desenvolver como
profissionais da educação e participar efetivamente do processo de planejamento
coletivo da escola.

Atividade de Estudos:

1) Com base no tema apresentado nesta seção, reflita e comente:


em sua opinião, qual o maior desafio do supervisor escolar na
gestão democrática?
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Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

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Projeto Político Pedagógico e


Regimento Escolar
Projeto Político-
Projeto Político-Pedagógico da escola precisa ser Pedagógico da
entendido como uma maneira de situar-se num escola precisa ser
horizonte de possibilidades, a partir de respostas entendido como
a perguntas tais como: que educação se quer, que uma maneira de
tipo de cidadão se deseja e para que projeto de situar-se num
sociedade? (GADOTTI, 1994, p.42).
horizonte de
possibilidades, a
Para que a escola cumpra com sua função social de educar, faz-se partir de respostas
necessário que se organize o processo educativo. Para isso, existe o a perguntas
documento norteador de todas as práticas realizadas dentro do âmbito tais como: que
escolar que é o PPP – Projeto Político Pedagógico, elaborado pela educação se
quer, que tipo de
própria escola.
cidadão se deseja
e para que projeto
Nesta seção, prezado(a) estudante EAD, serão abordadas as de sociedade?
dimensões do PPP e os esforços necessários para construção coletiva (GADOTTI, 1994,
deste dentro da escola. p.42).

Nesse sentido, o objetivo desta seção é refletir sobre a função do supervisor


escolar na elaboração do projeto político-pedagógico e do regimento escolar,

75
Planejamento e prática em supervisão escolar

tendo como base a gestão democrática, buscando soluções para a melhoria na


qualidade do ensino.

a) Projeto Político Pedagógico

Prezado(a) estudante EAD, você já percebeu como é importante que todos os


segmentos da escola (gestores, especialistas, alunos, professores, funcionários,
pais, comunidade) caminhem juntos, procurando resolver os problemas que
aparecem e criando novas alternativas para a melhoria da qualidade da educação.

Quando a escola se propõe a trabalhar em parceria com todos os seus


segmentos, ela está construindo sua própria identidade perante a comunidade
a qual faz parte. Essa identidade tem um nome: Projeto Pedagógico ou Projeto
Político-Pedagógico.

O Projeto Político-Pedagógico é o documento norteador


O Projeto Político-
Pedagógico é da organização de todo trabalho realizado na escola, por meio de
o documento diversas formas de planejamento, sempre na busca de soluções
norteador da para os problemas da escola, pautado na ação coletiva e no diálogo
organização de entre alunos, professores, gestores, equipe pedagógica e técnico-
todo trabalho administrativo, pais e comunidade local, sem perder o foco na função
realizado na escola.
social da escola que é o processo de ensino e aprendizagem dos
alunos. Vale ressaltar, caro(a) estudante EAD, que este documento é
construído e reconstruído por todos os agentes do âmbito escolar: professores,
pais, alunos, funcionário e comunidade em geral.

Para que você entenda melhor o porquê de Projeto Político-


Pedagógico – PPP – apresentamos uma conceituação sobre os
termos (LOPES, 2013):

Projeto - É a própria organização do trabalho pedagógico


escolar como um todo, em suas especificidades, níveis e
modalidades. É projeto porque reúne propostas de ação concreta a
executar durante determinado período de tempo.

Político - por que diz respeito à arte e à ciência de governar. Ele


prevê e dá uma direção à gestão da escola e pressupõe a opção e o
compromisso com a formação do cidadão para um determinado tipo
de sociedade. É político por considerar a escola como um espaço
de formação de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos, que

76
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

atuarão individual e coletivamente na sociedade, modificando os


rumos que ela vai seguir.

Pedagógico - por que diz respeito à reflexão sistemática


sobre as práticas educativas: dá sentido e rumo às práticas
contextualizadas culturalmente. É pedagógico porque define e
organiza as atividades e os projetos educativos necessários ao
processo de ensino e aprendizagem.

Atividade de Estudos:

1) Você conhece o PPP de sua escola? Se a resposta for positiva,


aproveite este momento para aprofundar seus conhecimentos
sobre este documento. Caso não tenha acessado ainda a este
documento da escola, pensamos que é uma oportunidade para
conhecer e colaborar com a elaboração dele.

Aproveite para pontuar os aspectos que considerar interessantes


no PPP de sua escola ou, ainda, os aspectos de que sentir falta
no documento.
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Planejamento e prática em supervisão escolar

Caro(a) estudante, é importante ter em mente que a construção do Projeto


Pedagógico não é apenas uma obrigação legal a que a escola deve atender, mas
uma conquista que revela sua organização e autonomia nas decisões.

Pensar a autonomia é uma tarefa que se apresenta de forma complexa,


pois se pode crer na ideia de liberdade total ou independência quando
temos de considerar os diferentes agentes sociais e as muitas interfaces e
interdependências que fazem parte da organização educacional. Por isso, deve
ser muito bem trabalhada, a fim de equacionar a possibilidade de direcionamento
camuflado das decisões, ou a desarticulação total entre as diferentes esferas, ou
o domínio de um determinado grupo, ou, ainda, a desconsideração das questões
mais amplas que envolvem a escola.

Com relação à autonomia e à construção do projeto


pedagógico da escola, sugerimos a você a leitura da LDB (Lei nº
9.394/96), art.12, 13 e 14.

Você pode ter acesso a este material no site do MEC pelo


endereço: www.mec.gov.br

O Projeto Político O Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola é um documento


Pedagógico (PPP) que norteia a prática pedagógica na escola e atende aos documentos
da escola é um legais que fundamentam as políticas públicas para educação brasileira.
documento que A seguir apresentamos as dimensões do Projeto Político-Pedagógico
norteia a prática
conforme Veiga (2001):
pedagógica na
escola e atende
aos documentos Pedagógica – Diz respeito ao trabalho da escola como um todo
legais que em sua finalidade primeira e a todas as atividades, inclusive à forma de
fundamentam as gestão, à abordagem curricular e à relação escola – comunidade.
políticas públicas
para educação
Administrativa – Refere-se àqueles aspectos gerais de
brasileira.
organização da escola, como: gerenciamento do quadro de pessoal,
registro sobre a vida da escola, etc.

Financeira – relaciona-se às questões gerais de captação e aplicação de


recursos financeiros.

Jurídica – Retrata a legalidade das ações e a relação da escola com outras


instancias do sistema de ensino – Municipais, Estadual e Federal.

78
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

Em outras palavras, caro(a) estudante, o Projeto Político-


Pedagógico é:

PPP - É o instrumento que define o “ser” da escola, a sua


identidade, o modelo pedagógico que é aplicado, os objetivos, a
metodologia do ensino, o perfil do aluno que se deseja formar, o
perfil dos educadores, as estratégias de avaliação dos processos de
ensino e aprendizagem, contemplando a diversidade em todos os
seus aspectos: sociais, culturais, políticos, econômicos, de gênero,
geração e etnia.

Todos os anseios da escola, sonhos e desejos precisam estar


O PPP não é
registrados no PPP, pois este é o documento da escola que norteia um documento
suas atividades. Lembrando que o PPP não é um documento pronto e pronto e acabado,
acabado, mas dinâmico e reflexivo, que pode ser alterado conforme a mas dinâmico
necessidade da escola. e reflexivo, que
pode ser alterado
conforme a
Conforme Vasconcellos (2004): “[...] o Projeto Político-Pedagógico
necessidade da
envolve uma construção coletiva de conhecimento. Construído escola.
participativamente, é uma tentativa, no âmbito educação, de resgatar o
sentido humano, científico e libertador do planejamento”.

No entanto, para que se construa um projeto político pedagógico


eficaz e eficiente, é necessário refletirmos sobre os seguintes aspectos: Todo projeto
Para que serve e a quem serve? Portanto, este documento pedagógico pedagógico da
ultrapassa a mera elaboração de planos. escola é, também,
um projeto
político por estar
Contribuindo com esta ideia, Veiga (1995) afirma que o projeto intimamente
político-pedagógico busca um rumo, uma direção. É uma ação articulado ao
intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido compromisso
coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, sociopolítico e
um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso com os interesses
reais e coletivos da
sociopolítico e com os interesses reais e coletivos da população.
população.

Para elaboração do PPP, é preciso levar em consideração alguns


princípios orientadores, que são:

• Relação entre a escola e comunidade;

79
Planejamento e prática em supervisão escolar

• Gestão democrática;

• Democratização do acesso e da permanência;

• Autonomia;

• Qualidade de ensino para todos;

• Organização Curricular;

• Valorização dos profissionais.

Ressaltando que Ressaltando que o Projeto Político-Pedagógico é o plano global da


o Projeto Político- instituição. Pode ser entendido como a sistematização, nunca definitiva,
Pedagógico é o de um processo de planejamento participativo que se aperfeiçoa e se
plano global da objetiva na caminhada, que define claramente o tipo de ação educativa
instituição. Pode que se quer realizar.
ser entendido como
a sistematização,
nunca definitiva, Na figura a seguir procuramos apresentar de maneira visual a
de um processo estrutura básica para elaboração do PPP, partindo do propósito do ideal,
de planejamento da fundamentação teórica e das concepções do âmbito educacional
participativo que para o diagnóstico da realidade, como se desencadeiam as atividades
se aperfeiçoa e educativas na escola, bem como as implicações e interferências
se objetiva na
sofridas ou geradas na comunidade local e concluindo o documento
caminhada, que
define claramente com uma proposta pedagógica para escola, que nada mais é que um
o tipo de ação planejamento estratégico, que pode ser de longo, médio ou curto prazo,
educativa que se dependendo da realidade da escola e de suas necessidades.
quer realizar.
Figura 6 - Estrutura básica do Projeto Político-Pedagógico

Fonte: As autoras.

80
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

Atividades de Estudos:

1) Vamos parar um momento para refletir sobre a nossa realidade


escolar. A sua escola conhece a comunidade de seu entorno? 
Seus anseios? Suas preocupações?
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2) Você já parou para pensar quais são os pontos fortes de sua


escola? E as fragilidades dela?
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3) Caro(a) estudante, a partir destas informações podemos elaborar


o planejamento para ações pedagógicas e administrativas da
escola. Pontue algumas ações que considere importantes e
urgentes:
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Planejamento e prática em supervisão escolar

Caro(a) acadêmico(a), estes questionamentos fazem o


diagnóstico da escola que dá origem à elaboração da proposta
pedagógica.

Os objetivos, as diretrizes e as ações do processo educativo


O PPP é um
documento da escola constam no seu Projeto Político-Pedagógico, que deve
que expressa ser elaborado e revisado anualmente pela equipe pedagógica
as exigências e a comunidade escolar. O PPP é um documento que expressa
legais do sistema as exigências legais do sistema educacional e as necessidades,
educacional e as expectativas e metas da unidade escolar. Portanto, o professor, ao
necessidades,
planejar suas aulas precisa estar alinhado com o PPP da escola, não
expectativas e
metas da unidade pode considerar apenas os interesses individuais. É preciso organizar
escolar. Portanto, o trabalho pedagógico de forma que contemple as intenções do
o professor, ao PPP. Vale a pena lembrar, caro(a) estudante EAD, que o professor
planejar suas não trabalha sozinho, mas em conjunto com a equipe pedagógica da
aulas precisa estar escola, tendo como foco o aluno e seu processo de aprendizagem.
alinhado com o PPP
da escola, não pode
considerar apenas Como você pode perceber nesta seção, o projeto pedagógico
os interesses permite à escola organizar coletivamente o seu trabalho pedagógico,
individuais. buscando cumprir, de forma democrática, sua função social.

b) Regimento Escolar
O Regimento
Escolar é um
conjunto de regras O Regimento Escolar é um conjunto de regras que definem
que definem a organização administrativa, didática, pedagógica, disciplinar da
a organização instituição, estabelecendo normas que deverão ser seguidas, a fim
administrativa, de garantir os direitos e deveres de todos que convivem no ambiente
didática, escolar.
pedagógica,
disciplinar da
instituição, É importante que este documento surja da reflexão que a
estabelecendo escola tem sobre si mesma, considerando a legislação vigente, que
normas que regulamenta a educação no âmbito nacional, estadual e municipal.
deverão ser Portanto, trata-se de um documento administrativo e normativo
seguidas, a fim de da escola, fundamentado na proposta pedagógica que norteia o
garantir os direitos
funcionamento desta, regulamentando todas as ações estabelecidas
e deveres de todos
que convivem no no Projeto Político-Pedagógico.
ambiente escolar.
A construção destas normas precisa ser coletiva, com pais, alunos

82
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

e professores, de maneira democrática, visando ao bom funcionamento das


atividades escolares, sem desrespeitar nenhum dos segmentos envolvidos no
processo de ensino e aprendizagem.

Para Rosa (2004), “[...] nenhum regimento, por mais bem elaborado que seja,
jamais poderá contrariar um artigo de lei.”

É importante que este documento esteja de acordo com a proposta de


gestão democrática para promover uma melhor qualidade do ensino e fortalecer
a autonomia pedagógica, valorizando a participação da comunidade escolar que
está representada, por exemplo, pelo Conselho Escolar e o Grêmio Estudantil.

Portanto, o Regimento Escolar é mais um documento que normatiza o


funcionamento da escola, prevendo a boa convivência no ambiente escolar.
Toda escola precisa possuir um conjunto de normas e regras que regulem suas
propostas explicitadas em documento que deve estar disponível para a consulta
de toda comunidade escolar.

c) Supervisor Escolar no processo de acompanhamento


do PPP e do Regimento Escolar.

A gestão democrática prioriza a participação da comunidade escolar na


tomada de decisões, não só na administração dos recursos financeiros e físicos,
mas também na elaboração do Projeto Político-Pedagógico, nas mudanças no
currículo escolar, bem como no processo de ensino e aprendizagem.
Quando a
escola assume a
Nesse contexto, a atuação do supervisor escolar precisa estar responsabilidade
pautada em alguns documentos básicos que norteiam a prática de atuar na
pedagógica, entre eles, chamamos a atenção para: Constituição transformação
Federal de 1988, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei e na busca do
nº 9.394/96), Estatuto da Criança e Adolescente (1990), Plano Nacional desenvolvimento
social, seus
de Educação (2011 – 2020), Parâmetros Curriculares Nacionais (1997),
agentes devem
Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil (2009), empenhar-se na
Proposta Curricular do Estado e do Município e, ainda, o Projeto elaboração de uma
Político Pedagógico da Escola. proposta para a
realização desse
Quando a escola assume a responsabilidade de atuar na objetivo. Essa
proposta ganha
transformação e na busca do desenvolvimento social, seus agentes
força através
devem empenhar-se na elaboração de uma proposta para a realização da construção
desse objetivo. Essa proposta ganha força através da construção democrática de um
democrática de um Projeto Político-Pedagógico. Nesse processo Projeto Político-
o papel do supervisor escolar é primordial para envolver todos os Pedagógico.

83
Planejamento e prática em supervisão escolar

agentes escolares na discussão e na construção da proposta pedagógica, a qual


contempla também o regimento da escola.

Para Libâneo (2005):

O projeto representa a oportunidade de a direção, a


coordenação pedagógica, os professores e a comunidade
tomarem sua escola nas mãos, definir seu papel estratégico
na educação das crianças e jovens, organizar suas ações,
visando atingir os objetivos a que se propõe. É o ordenador, o
norteador da vida escolar.

Nesta perspectiva do supervisor como um agente de mudanças no âmbito


educacional, apresentamos, na figura a seguir, algumas ações inerentes à
organização do trabalho pedagógico mediado pelo supervisor escolar.

Figura 7 - A escola

Fonte: As autoras.

Enfim, o supervisor escolar, no contexto atual, não pode ser apenas um


agente fiscalizador e controlador do processo educativo. Esse profissional deve
configurar-se um porta-voz, um agente mediador das solicitações e anseios do
grupo escolar, de maneira a garantir que os objetivos da escola sejam alcançados,
que novas necessidades sejam identificadas, que o aluno seja o centro das
discussões e o principal elemento na elaboração de projetos e metas a serem
atingidos pela escola.

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Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

Atividades de Estudos:

1) A sua comunidade escolar e o seu entorno têm participado


ativamente das ações desenvolvidas por sua escola e a escola
tem tentando fazer com que estes se envolvam no processo de
busca de qualidade?
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2) Pontue as diferenças e semelhanças que podemos encontrar na


participação da comunidade escolar nas atividades da escola:

Escolas Públicas Escolas Privadas

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Planejamento e prática em supervisão escolar

Supervisão Escolar e as
Tecnologias Educacionais
Na sociedade atual há uma disseminação das tecnologias de comunicação.
Elas estão presentes no nosso cotidiano e influenciam a vida social. Nesse sentido,
não se pode negar o relacionamento entre o conhecimento no campo da informática
e os demais campos do saber humano. Trata-se de uma nova forma de linguagem e
de comunicação, um novo código, a linguagem digital. Nesse novo contexto social,
faz-se necessário formar o aluno para a sociedade atual, na qual o próprio trabalho
assume também uma nova composição, na medida em que é informatizado,
automatizado, com escritórios virtuais, reuniões por videoconferências, não
necessitando de tantos deslocamentos e sim mais interação.

Para que o uso Estas questões exigem a reflexão do papel da escola nesse
das tecnologias momento de transformação social em que a tecnologia constitui-
seja efetivo e se em uma ferramenta de trabalho importantíssima para o processo
significativo educativo. No entanto, para que o uso das tecnologias seja efetivo e
para aluno, os significativo para aluno, os professores precisam estar preparados e
professores
com formação para usufruir desta ferramenta com eficiência. Neste
precisam estar
preparados e com processo de conhecimento, adaptação e de inclusão das tecnologias
formação para em sala de aula, o supervisor é crucial.
usufruir desta
ferramenta com Nesta seção abordaremos um pouco mais sobre esta temática tão
eficiência. presente em nosso dia a dia na escola e na vida.

a) Tecnologias no processo de aprendizagem

Para atender as necessidades da sociedade atual, a escola precisa


estar preparada para educar para o uso das ferramentas próprias do
O uso das
tecnologias integra mundo digital. As novas tecnologias trouxeram grande impacto para
novos saberes à a educação, criando novas formas de aprendizado, disseminação do
prática educacional, conhecimento e, especialmente, novas relações entre professor e aluno.
proporcionando A Internet tem contribuído fortemente para a mudança nas práticas de
ao professor uma comunicação e, consequentemente, educacionais. Na leitura, na forma
maior capacidade
de escrever, na pesquisa e até como instrumento complementar na
crítica de sua
ação pedagógica sala de aula ou como estratégia de divulgar a informação.
e um leque maior
de possibilidades Para colocar em prática este propósito, é preciso, além de equipar
na busca pelo as escolas, preparar os docentes, orientar professores e alunos para
interesse de seus o bom uso das tecnologias no processo de aprendizagem. Por meio
alunos.
dessa abordagem, o uso das tecnologias integra novos saberes à

86
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

prática educacional, proporcionando ao professor uma maior capacidade crítica de


sua ação pedagógica e um leque maior de possibilidades na busca pelo interesse de
seus alunos.

As tecnologias mudam os meios de comunicação em massa e,


consequentemente, as metodologias de ensino, não somente dentro da sala de
aula, mas está mudando inclusive a própria sala de aula, com a introdução do
ensino a distância. Embora, mesmo com evolução tecnológica, as decisões serão
tomadas pelo ser humano, daí a importância do indivíduo estar preparado para
esta nova era.

As novas tecnologias, que incluem não apenas o computador com


seus programas e a Internet, mas também a televisão, o rádio, o vídeo e,
modernamente, o DVD, não podem ser vistas como vilões prejudiciais ou
substitutos dos professores. O papel do professor é insubstituível, pois, diante de
tantas modificações e informações, é preciso que haja alguém que auxilie o aluno
a analisar criticamente tudo isso, verificando o que é válido e deve ser utilizado e
o que pode ser deixado de lado. Apesar da facilidade de acesso à informação que
a tecnologia nos permite, o professor continua sendo indispensável para que a
tecnologia seja utilizada corretamente. (FARIA, 2001).

Em nossas escolas isto não poderia ser diferente. Deixamos as pesadas


enciclopédias de lado e substituímos seu uso pelas enciclopédias digitalizadas
e pela consulta a portais acadêmicos virtuais. Passamos a utilizar sistemas
eletrônicos e apresentações coloridas para tornar as aulas mais atrativas e, muitas
vezes, deixamos de lado a tradicional lousa e giz. No entanto, não podemos perder
de vista a qualidade na elaboração e na utilização destes materiais alternativos.
Muitos trabalhos passaram a ser subsidiados pelas informações disponíveis na
rede mundial e, com isso, trouxeram benefícios e riscos, mudando as tradicionais
formas de aprender e de ensinar.

Estudos demonstram que a utilização das novas tecnologias, chamadas TICs


– tecnologias de informação e comunicação, como ferramenta, traz uma enorme
contribuição para a prática escolar em qualquer nível de ensino. A aproximação
entre tecnologias e educação nos estimula a refletir a prática pedagógica vigente
nas escolas. Pois no processo de introdução e uso das novas tecnologias na
educação é exigido do professor, junto com aprender a utilizar essas tecnologias,
que avalie e modifique os métodos de ensino utilizados. Para tanto, isso precisa
estar contemplado no Projeto Político-Pedagógico da escola.

O professor precisa ver as tecnologias como uma forma de qualificar melhor


sua prática pedagógica, evitar a resistência pelo desconhecido e entender que o
computador e o software educacional são ferramentas a mais para auxiliá-lo no

87
Planejamento e prática em supervisão escolar

processo educativo. Vale ressaltar, ainda, que a qualidade do ensino


O professor precisa
ver as tecnologias está no bom planejamento da aula, independente do uso ou não das
como uma forma tecnologias.
de qualificar Nessa perspectiva, é interessante que o professor tome para si
melhor sua prática a tarefa de projetar o material didático-pedagógico a ser utilizado em
pedagógica, evitar suas aulas de maneira inovadora e criativa. Não inovar na organização
a resistência pelo
do material didático-pedagógico e nas metodologias de ensino significa
desconhecido
e entender que deixar a cargo de profissionais da área tecnológica a tarefa de ensinar
o computador por meio de softwares desenvolvidos sem o viés da educação, o que,
e o software de modo geral, vem ocorrendo com frequência.
educacional são
ferramentas a mais
para auxiliá-lo no
processo educativo.
Faça uma pausa em seus estudos e aproveite para assistir
a um vídeo no Youtube que nos faz refletir sobre as tecnologias e
a metodologia de ensino.

Acesse o link: <http://www.youtube.com/watch?v=xLRt0mvvpBk>

Atividades de Estudos:

A partir das imagens do vídeo “Metodologia ou Tecnologia”, reflita


sobre a prática pedagógica vigente em sua escola, nas escolas de seus
filhos ou em outra instituição de ensino com que você tenha contato:

1) Como são concebidas as tecnologias na escola e quais as


metodologias aplicadas na utilização destas?
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Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

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2) De que maneira as tecnologias e metodologias utilizadas


contribuem para melhoria na qualidade da educação?
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Com a introdução
das TICs nas
escolas, nasce
É importante salientar que desde a década de 1990 as escolas a necessidade
públicas têm sido equipadas com um arsenal de tecnologias: TV de refletir sobre
a concepção de
Escola, vídeo-escola, laboratórios de informática, entre outros. Todos
aprendizagem
estes projetos têm a pretensão de ensinar com o apoio das máquinas vigente, pois
e, assim, melhorar a prática pedagógica e aproximar os conteúdos com a revolução
teóricos da realidade vivenciada pelos alunos. tecnológica
e científica a
Com a introdução das TICs nas escolas, nasce a necessidade sociedade mudou e
a educação precisa
de refletir sobre a concepção de aprendizagem vigente, pois com a
acompanhar e
revolução tecnológica e científica a sociedade mudou e a educação assumir um papel
precisa acompanhar e assumir um papel significativo no processo de significativo no
desenvolvimento do ser humano. processo de
desenvolvimento do
ser humano.
89
Planejamento e prática em supervisão escolar

Nesse contexto, o supervisor escolar se apresenta como mediador


O supervisor
deve ser capaz entre a prática pedagógica, as metodologias do professor e as novas
de interpretar as ferramentas tecnológicas existentes na sociedade.
carências reveladas
pela sociedade, Na seção a seguir vamos refletir sobre: O que o supervisor escolar
direcionando tem a ver com isso?
ações capazes
de responder
às demandas b) Supervisor escolar um mediador no uso das tecnologias
sociais, culturais,
econômicas e
políticas que fazem Os avanços tecnológicos, as grandes descobertas na área
parte de uma científica e a aceleração no desenvolvimento do mundo moderno
sociedade que fizeram emergir a necessidade de uma transformação na Educação.
está em constantes Transformação que reformulou conceitos e paradigmas, fazendo surgir
transformações. a necessidade de um acompanhamento pedagógico ao corpo docente
e à comunidade escolar. Nesse contexto, o supervisor educacional
torna-se o profissional responsável pela orientação de uma prática educativa
flexível, aberta às inovações e às transformações nos planos social, educacional
e científico.

O supervisor deve ser capaz de interpretar as carências reveladas pela


sociedade, direcionando ações capazes de responder às demandas sociais,
culturais, econômicas e políticas que fazem parte de uma sociedade
Professor e
supervisor devem que está em constantes transformações.
caminhar juntos
procurando O uso da tecnologia em sala de aula é bastante válido no sentido
conhecer todas de que possibilita “[...] um ensino e uma aprendizagem mais criativa,
as possibilidades autônoma, colaborativa e interativa”. (FARIA, 2001). No entanto, o
oferecidas pela
professor, muitas vezes, mantém-se apreensivo e reticente em utilizar
tecnologia que
os auxiliem a a tecnologia em sua aula. Para Faria (2001), muitas são as razões
desenvolver um para que o professor haja dessa maneira: não saber como utilizar
ensino e uma adequadamente a tecnologia nas escolas, não saber como avaliar as
aprendizagem em novas formas de aprendizagem provenientes desse uso, não saber
que a criatividade como usar a tecnologia e, algumas vezes, por falta de apoio da escola
e a interação
para o uso de inovações em sala de aula.
sejam as principais
características.
Diante dessas dificuldades e de outras que possam surgir, a
solução ou o auxílio devem vir do supervisor escolar. A busca de novas
técnicas ou métodos que auxiliem a aprendizagem do aluno é algo constante na
ação do supervisor. Dessa forma, o uso da tecnologia é algo que vem auxiliar
essa ação. Professor e supervisor devem caminhar juntos procurando conhecer
todas as possibilidades oferecidas pela tecnologia que os auxiliem a desenvolver
um ensino e uma aprendizagem em que a criatividade e a interação sejam as

90
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

principais características.

O supervisor escolar, na questão do uso adequado da tecnologia, deve


ser parceiro do professor, no sentido de conhecer e analisar todos os recursos
disponíveis, buscando a sua melhor utilização. De nada adianta fazer uso da
tecnologia se isso não é feito da melhor maneira possível. As crianças e os
adolescentes até podem apresentar, muitas vezes, um conhecimento bem mais
adiantado de todas as ferramentas tecnológicas hoje existentes, mas esse
conhecimento não será útil se ele não for utilizado de maneira crítica. Supervisor e
professor devem caminhar juntos, procurando desenvolver, em todos os trabalhos
envolvendo a tecnologia, a competência crítica dos alunos.

O uso adequado da tecnologia no ambiente escolar requer cuidado


e atenção por parte do professor para avaliar o que vai ser usado e O uso adequado
da tecnologia no
reconhecer o que pode ou não ser útil para facilitar a aprendizagem
ambiente escolar
de seus alunos, tornando-os críticos, cooperativos, criativos. Além requer cuidado
disso, requer do supervisor escolar uma disposição para aceitar o novo, e atenção por
conhecer e procurar encaixá-lo na sua prática e na do professor de sua parte do professor
escola. para avaliar o que
vai ser usado e
reconhecer o que
Dessa forma, conclui-se que o uso das novas tecnologias na
pode ou não ser
educação e no ambiente escolar é algo que existe e deve ocorrer. No útil para facilitar
entanto, é algo que deve ser feito com cuidado para que a tecnologia a aprendizagem
(computador, Internet, programas, CD-ROM, televisão, vídeo ou DVD) de seus alunos,
não se torne para o professor apenas mais uma maneira de “enfeitar” tornando-
as suas aulas, mas sim uma maneira de desenvolver habilidades e os críticos,
cooperativos,
competências que serão úteis para os alunos em qualquer situação
criativos.
de sua vida. O uso das tecnologias deve proporcionar dentro do
ambiente escolar uma mudança de paradigma, uma mudança que vise
à aprendizagem e não ao acumulo de informações.

Em resumo, segundo Perrenoud (2000):

Formar para as novas tecnologias é formar o julgamento,


o senso-crítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as
faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a
capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise
de textos e de imagens, a representação de redes, de
procedimentos e de estratégias de comunicação.

91
Planejamento e prática em supervisão escolar

O Supervisor como um Agente de


Mudanças
O supervisor escolar é fundamental para escola, principalmente
O supervisor
escolar em no que se refere à prática docente, pois ele é um dos mediadores
sua prática entre o saber fazer, o saber ser e o saber agir do professor. Ele
diária precisa precisa de jogo de cintura para ter uma boa equipe de trabalho dentro
fundamentar-se da escola. Sabe-se o quanto é difícil propor uma prática inovadora ou
em pressupostos uma nova forma de pensar.
filosóficos,
legislação
Dessa maneira, o supervisor escolar em sua prática diária precisa
e diretrizes
fundamentar-se em pressupostos filosóficos, legislação e diretrizes
educacionais, pois
desempenha a educacionais, pois desempenha a função de agente integrador no
função de agente relacionamento professor-aluno e na formação de valores éticos por
integrador no meio de uma ação conjunta para que a educação atinja seus objetivos
relacionamento primordiais, envolvendo todos que participam do processo educacional.
professor-aluno e
na formação de No entanto, podemos perceber, caro(a) estudante, que as
valores éticos por
atividades desenvolvidas por alguns supervisores educacionais ainda
meio de uma ação
estão baseadas num modelo voltado para o controle e a produtividade
conjunta para que
a educação atinja do ensino, no qual sua função consiste apenas na fiscalização da
seus objetivos tarefa educativa, resumindo-se a tarefas burocráticas. Sabemos que
primordiais, durante anos a política educacional brasileira conduziu a supervisão
envolvendo todos para funções no âmbito burocrático e técnico, retirando a dimensão
que participam educativa da atuação do supervisor, transformando-o em um dos
do processo principais agentes da ação centralizadora do poder público.
educacional.
Ainda hoje se discute sobre o papel destinado a esse profissional e
sua função nas escolas, conforme Rangel e colaboradores (2003):

[...] a ideia e o princípio de que o supervisor não é um


“técnico” encarregado da eficiência do trabalho e, muito
menos, um “controlador” de “produção”; sua função e seu
papel assumem uma posição social e politicamente maior, de
líder, de coordenador, que estimula o grupo à compreensão
– contextualizada e crítica - de suas ações e, também, de
seus direitos.

Assim, diante do contexto atual, no qual a escola passa não somente por
uma questão de adaptação às mudanças do meio, mas pela questão da evolução
para acompanhar a realidade global, no sentido de preparar seus alunos para um
novo momento histórico, procura projetar as necessidades do amanhã na figura
do supervisor educacional pela articulação de seus conhecimentos e experiências.

Percebemos, também, que diante da crescente mudança na área


educacional, muitos educadores se preocupam com a reestruturação do processo

92
Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

ensino-aprendizagem, desenvolvendo e aprofundando as concepções


Uma das funções
pedagógicas refletidas nos métodos adotados, os quais favorecem a dos supervisores
realização da aprendizagem, a qualidade do ensino e a transformação educacionais
de potencialidades em capacidades. E para que esse processo seja é estimular os
desenvolvido nas escolas, a presença do supervisor educacional é professores a
fundamental. buscar novos
conhecimentos,
Sob essa perspectiva, uma das funções dos supervisores melhorar a
qualidade dos
educacionais é estimular os professores a buscar novos conhecimentos,
saberes oferecidos
melhorar a qualidade dos saberes oferecidos aos alunos e reformular aos alunos e
os conteúdos e a prática de ensino. Nesse sentido, o supervisor escolar reformular os
passa a ser visto não mais como um agente controlador e fiscalizador conteúdos e a
da prática educativa, mas como um facilitador, mediador, investigador prática de ensino.
e, algumas vezes, dificultador em situações de acomodação. Nesse sentido, o
supervisor escolar
O supervisor escolar precisa propiciar momentos de estudo com passa a ser visto
não mais como um
sua equipe de professores, num processo de educação continuada
agente controlador
dentro do ambiente escolar, a fim de que os professores desenvolvam e fiscalizador da
e aperfeiçoem suas habilidades, renovando conhecimentos, prática educativa,
repensando a prática pedagógica e buscando novas metodologias de mas como um
trabalho. Além da orientação necessária às inovações metodológicas facilitador, mediador,
e práticas pedagógicas, o supervisor precisa desenvolver o espírito de investigador e,
equipe e a motivação em seus professores, buscando a valorização algumas vezes,
profissional do professo e o estímulo para que ele se envolva e progrida dificultador em
situações de
constantemente em relação às questões educacionais.
acomodação.

A dinamização dos conselhos de classe pelo supervisor educacional


leva os professores a uma reflexão acerca da melhoria qualitativa do processo
ensino-aprendizagem, oportunizada pela troca de vivências e pela valorização do
potencial educativo da equipe. A ação conjunta e interdisciplinar fomenta o espírito
de equipe e contribui para o aperfeiçoamento do professor e de toda a equipe
pedagógico-administrativa da escola.

Contudo, por meio da análise das funções primordiais à supervisão, verifica-


se, ainda, uma lacuna entre a função atual dos supervisores educacionais, voltada
para as inovações e transformações no plano social, educacional, tecnológico,
científico e a prática cotidiana de alguns profissionais, que direcionam seu trabalho
para atividades voltadas para o burocrático, de forma controladora e fiscalizadora.

Convivemos, ainda, com uma lacuna entre a prática idealizada e a prática


real do supervisor escolar, bem como dos demais profissionais da educação.
Realidade que impulsiona muitos profissionais da área a refletirem sobre suas
práticas, buscando inovações.

93
Planejamento e prática em supervisão escolar

A partir das reflexões de Libâneo (2002), é possível compreender


A partir das
reflexões de que o supervisor necessita desenvolver dentro do espaço escolar uma
Libâneo (2002), visão crítica e construtiva do seu fazer pedagógico, trabalhando de
é possível forma coesa e articulada com os gestores escolares e coordenadores
compreender pedagógicos. Esta articulação possibilitará a melhoria da qualidade de
que o supervisor ensino e da aprendizagem.
necessita
desenvolver dentro Vale ressaltar que educar é colaborar para que professores
do espaço escolar
e alunos transformem suas vidas em processos permanentes de
uma visão crítica e
construtiva do seu aprendizagem. É ajudar o aluno na construção de sua identidade,
fazer pedagógico, do seu caminho pessoal e profissional, do seu projeto de vida, no
trabalhando de desenvolvimento de competências que lhe permitam encontrar seu
forma coesa e espaço, tornando-o cidadão realizado e produtivo.
articulada com os
gestores escolares Supervisor, seja agente de transformação na sala de aula, na
e coordenadores escola, na comunidade e no mundo! Sabemos, caro(a) estudante EAD,
pedagógicos.
que as mudanças não se fazem por decreto, mas pela percepção de sua
importância para aquele momento histórico do qual o supervisor precisa
ter consciência e traçar um caminho a ser percorrido com competência, interação e
cooperação de todos os envolvidos no processo educativo.

Atividade de Estudos:

Convidamos você, acadêmico(a) EAD, para refletir a partir de um


trecho da música “Todos Juntos” de Chico Buarque (1977): “Todos
juntos somos fortes, somos flecha e somos arco. Todos nós no mesmo
barco. Não há nada pra temer. Ao meu lado, há um amigo que é
preciso proteger. Todos juntos somos fortes. Não há nada pra temer”.

1) Como podemos relacionar este trecho da música de Chico


Buarque com o nosso dia a dia na escola?
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Supervisor Escolar: Um Agente de
Capítulo 3 Mudanças Diante da Gestão Democrática

Algumas Considerações
Parabéns, você concluiu o terceiro capítulo da disciplina de Supervisão Escolar.

Neste capítulo, abordamos questões relativas ao supervisor escolar como um


agente de mudanças diante da gestão democrática. No contexto atual, de constantes
mudanças, surge a ideia de gestão democrática e, com ela, a responsabilidade de
elaborar e implementar uma proposta pedagógica para escola que contemple, além
das atividades rotineiras, também o uso das tecnologias no cotidiano das escolas
e esclareça o papel do supervisor como um agente de mudanças na escola e na
comunidade escolar. Foi possível perceber que o supervisor escolar representa
um profissional importante para a organização do trabalho escolar, para o bom
desempenho dos alunos e professores e a melhoria na qualidade da educação.

Refletimos, também, sobre a importância do Projeto Político-Pedagógico da


escola e o papel que o supervisor escolar desempenha na construção e reconstrução
democrática deste documento, bem como seu esforço em torná-lo efetivamente um
instrumento norteador da prática pedagógica na escola, com intenções e ações que
visam à melhoria do processo de ensino e aprendizagem. Abordamos, ainda, o uso
das tecnologias de informação e comunicação, as famosas TICs, no processo de
aprendizagem, sua importância e a responsabilidade do supervisor escolar como
mediador e articulador na inclusão destas no cotidiano escolar.

Esperamos que as leituras tenham-no(a) motivado a refletir sobre sua prática


pedagógica e a pensar em alternativas e diferenciais que possam incrementar seu
potencial como supervisor(a) escolar. É certo que diferentes reflexões poderiam
ainda ser propostas, a partir do aprofundamento de outras características do
supervisor escolar, sua função e desafios no âmbito escolar, pois sabemos que há
muito por se fazer na educação para que ela seja humanizadora na transformação
da realidade social. Acreditamos também que isso implica mudar concepções e,
principalmente, mudança de paradigmas pré-estabelecidos para a educação.

Para finalizar, relembramos que no início deste caderno nos propomos a


provocar uma reflexão em torno da atuação do supervisor escolar diante das
mudanças do âmbito educacional. Não tivemos a pretensão de apresentar roteiros
prontos ou um manual do supervisor escolar. Nossa intenção foi provocá-lo(a) a
leituras e reflexões que pudessem fazer diferença em seu dia a dia e estimular
anseios de mudança em sua prática pedagógica.

Continue investindo em sua formação e tenha muito sucesso


com a profissão que escolheu.

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Planejamento e prática em supervisão escolar

Referências
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9394/96. Brasília, 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
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