1

Geometria Descritiva

Fundamentos e Operações Básicas

Paulo Sérgio Brunner Rabello


(
π)
(π’)
(απ’)
(απ)
(α)
α0
µ
ø D
h
h
(V)
V'
v
2















3

GEOMETRIA DESCRITIVA

Fundamentos e Operacionais
Básicas



Paulo Sérgio Brunner Rabello



Professor Adjunto da Universidade do Estado do
Rio de Janeiro
Ex-Professor da Universidade Federal
Fluminense
Livre-Docente em Construção Civil
Especializado em Geometria e Representação
Gráfica



Rio de Janeiro, RJ, 2011

4
APRESENTAÇÃO

Este livro é o resultado de estudos e pesquisas feitas
pelo autor durante os anos que tem ministrado as disciplinas
Geometria Descritiva e Desenho Básico nos cursos de
engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e que
foram consolidadas durante o semestre sabático realizado no
Departamento de Técnicas de Representação da Escola de
Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ficou claramente confirmado que a Geometria
Descritiva ensinada (?) hoje, naqueles cursos não está
ensejando a percepção espacial dos alunos para os fenômenos
geométricos, bloqueando o entendimento do mecanismo da
dupla projeção ortogonal. Além disso, a exigüidade da carga
horária não permite que o professor consiga chegar à
representação de projeções de figuras tridimensionais e muito
menos às seções planas e respectivas verdadeiras grandezas.
Isto faz com que a disciplina se torne enfadonha,
desinteressante e inútil, porque o aluno não conseguirá fazer a
necessária ligação do método mongeano com as vistas
ortográficas, o que deve ser o objetivo maior para os cursos
básicos de engenharia.
Evidentemente, não é possível ensinar em 60 horas-
aula o que era transmitido em, pelo menos, dois anos do
ensino médio. Por isso, nos propomos a criar uma proposta de
ensino de Geometria Descritiva, alterando a sequência clássica
adotada em livros e apostilas e retirando determinados
tópicos que julgamos desnecessários para os objetivos a serem
atingidos. Como poderá ser visto, alguns assuntos passaram a
ser aplicações da teoria ensinada, tais como representação de
figuras tridimensionais e seções planas. Deste modo,
acreditamos que, entre 45 horas-aula (mínimo admissível) e 60
horas-aula (ideal) a Geometria Descritiva possa ser ensinada e
mostrada como ferramenta indispensável para os profissionais
5
que vão lidar com projetos que carecem de representação
gráfica.


Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2011

Paulo Sérgio Brunner Rabello


6
NOTAÇÕES UTILIZADAS EM PROJEÇÕES ORTOGONAIS

I.0) CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A Geometria Descritiva concebida por Gaspar Monge é a
parte da Matemática que estuda as figuras e as formas geométricas
através de suas projeções ortogonais sobre dois planos
perpendiculares entre si. Tal procedimento caracteriza o chamado
método mongeano ou método da dupla projeção ortogonal.
Considerando como referência o espaço que ocupamos, um
dos planos é chamado plano horizontal de projeção. O outro plano,
naturalmente, é chamado plano vertical de projeção. A reta de
interseção entre os planos de projeção é chamada linha de terra.
As figuras passíveis de expressão gráfica podem ser
representadas, basicamente, através de uma imagem perspectiva
ou de suas projeções ortogonais. A imagem perspectiva, desenho
perspectivo ou simplesmente perspectiva, mostra a figura como é
vista por nossos olhos. As projeções ortogonais compõem o
desenho projetivo de uma figura e mostram como realmente ela é.
O desenho projetivo, ou seja, a representação gráfica das projeções
ortogonais de uma determinada figura é comumente chamada de
épura desta figura.
As figuras geométricas são aquelas que podem ser
caracterizadas por uma equação (algébrica ou transcendente) ou
obedecem a uma lei de formação. Tais figuras são o objeto de
estudo da Geometria Descritiva e são constituídas por pontos, retas,
segmentos de reta, planos, porções planas, curvas, segmentos de
curvas ou porções de superfícies. Um segmento de reta, por
exemplo, pode ser entendido como um deslocamento limitado de
um ponto segundo uma direção ou simplesmente um determinado
trecho de uma reta. Um prisma regular, por outro lado, é uma
figura tridimensional constituída por um número limitado de faces
laterais retangulares adjacentes (porções planas iguais) e por duas
bases poligonais regulares (também porções planas). A esfera é uma
superfície curva fechada que goza da propriedade de ser um lugar
geométrico dos mais importantes, mas pode ser definida como uma
superfície de revolução.
7
A perspectiva de uma figura é de grande ajuda para
entender sua forma, facilitando assim a construção de suas
projeções ortogonais. Nas soluções de vários problemas e mesmo
na explicação de determinados procedimentos da Geometria
Descritiva o uso da perspectiva torna-se uma ferramenta
indispensável. O desenho perspectivo, como já foi dito, é a
representação gráfica de uma figura tal como ela é vista por um
observador posicionado num determinado local.
Tanto na perspectiva como no desenho projetivo, os
elementos geométricos que constituem uma figura devem ser
identificados através de uma notação própria que não dê margens a
dúvidas sobre o que está sendo representado.

2.0) IDENTIFICAÇÃO GERAL DOS PRINCIPAIS ELEMENTOS
GEOMÉTRICOS

2.1.) PONTOS

Os pontos são identificados por letras latinas maiúsculas ou
por algarismos arábicos.

Ex: A, B, C,...M,N,P,Q,... etc ou 1, 2, 3, ... etc

Alguns pontos são especiais e, sempre que possível, devem
ser identificados especificamente. São eles:

2.1.1) H: traço horizontal de retas

2.1.2) V: traço vertical de retas

2.1.3) I: traço de retas no plano bissetor ímpar

2.1.4) P: traço de retas no plano bissetor par

2.2.) RETAS

As retas são identificadas por letras latinas minúsculas.
8

Ex: a, b, c, ... etc

Algumas retas ocupam posições particulares no espaço e,
tal como alguns pontos, devem, sempre que possível, ser
identificadas especificamente. São elas:

2.2.1) h: retas horizontais

2.2.2) f: retas frontais

2.2.3) v: retas verticais

2.2.4) p: retas de perfil

2.2.5) t: retas de topo

2.2.6) i: retas de interseção de dois planos

2.3) PLANOS E SUPERFÍCIES

Os planos e as superfícies em geral são identificadas por
letras gregas minúsculas.

Ex: α, β, γ, δ, ... etc

Alguns planos são especiais e ocupam posições particulares
no espaço e, por isso devem, obrigatoriamente, ser identificados
especificamente. São eles:

2.3.1) π, π
1
, π
2

3
...etc: planos de projeção

2.3.2) β
13
: plano bissetor ímpar
2.3.3) β
24:
: plano bissetor par

2.4) ÂNGULOS

9
Tal como planos e superfícies, os ângulos também são
identificados por letras gregas minúsculas.
Alguns ângulos caracterizam determinadas condições e
sempre que necessário devem ser identificados especificamente.
São eles:

2.4.1) μ: ângulo que uma reta ou um plano faz com o plano
horizontal de projeção

2.4.2) ρ: ângulo que uma reta ou um plano faz com o plano
vertical de projeção

2.5) INTERSEÇÃO DE PLANOS

2.5.1) interseção de planos com planos de projeção

Emprega-se-se a letra grega que identifica o plano seguida
da identificação do plano de projeção.

Ex: απ, βπ
1
, γπ
2
... etc

2.4.2) interseção de dois planos, em geral

A identificação é feita pela reta de interseção dos planos.
Sempre que possível utiliza-se a letra i, minúscula.

3.0) IDENTIFICAÇÃO DE ELEMENTOS GEOMÉTRICOS NO ESPAÇO

Os elementos geométricos no espaço recebem,
respectivamente, as mesmas identificações referenciadas no item
2.0, diferenciadas apenas por serem apresentadas entre parênteses.

3.1) PONTOS

Ex: (A),(B), (C)... (M), (N)... (H), (V), (P), (I)...(1), (2), (3) etc

3.2) RETAS
10

Ex: (a), (b), (c)...(f), (h),(i)...(m), (n), (p),(q), (r ), (s),(t),(v) etc

3.3) PLANOS

3.3.1) Planos de Projeção

Ex: (π), (π
1
), (π
2
), (π
3
) ...etc

3.3.2) Planos em geral)

Ex: (α), (β), (γ) ...etc

3.4) INTERSEÇÃO DE PLANOS

3.4.1) Interseção dos planos de projeção:

Esta reta de interseção é chamada linha de terra e é
representada no espaço por (ππ’).

3.4.2) Interseção de Planos com Planos de Projeção

Ex: (απ), (απ
1
), (βπ
1
), (βπ
2
) ... etc

3.4.3) Interseção de dois Planos em Geral

É Identificada pela reta de interseção.
Sempre que possível, usa-se a letra (i) minúscula.



4.0) IDENTIFICAÇAÕ DAS PROJEÇÕES NO PLANO HORIZONTAL

4.1) Identificação do Plano Horizontal de Projeção no espaço: (π)

11
As projeções de elementos geométricos no plano horizontal
de projeção (π) se identificam tal como no espaço, mas perdem os
parênteses.

4.2) PROJEÇÕES HORIZONTAIS DE PONTOS

Ex: A, B, C...M, N...H, V, P, I...1, 2, 3 ...etc

4.3) PROJEÇÕES HORIZONTAIS DE RETAS E CURVAS

Ex: a, b, c ... m, n, p, q , r, s, t ... etc

4.4) PROJEÇÕES HORIZONTAIS DE PORÇÕES PLANAS

Porções planas não são representáveis em épura.
4.5) INTERSEÇÃO DE PLANOS

4.5.1) Interseção dos Planos de Projeção: ππ’

4.5.2) Interseção de Planos em Geral com o Plano de
Projeção Horizontal (π):

Ex: απ, βπ, γπ ... etc

4.5.3) Interseção de Dois Planos em Geral:

É identificada pela projeção horizontal da reta de
interseção, Se for utilizada a reta (i), a projeção horizontal será i.




5.0) IDENTIFICAÇAÕ DAS PROJEÇÕES NO PLANO VERTICAL

4.1) Identificação do Plano Vertical de Projeção no espaço : (π’)

12
As projeções de elementos geométricos no plano vertical de
projeção (π’) se identificam tal como no plano horizontal, mas
ganham uma tarja do tipo ‘

4.2) PROJEÇÕES VERTICAIS DE PONTOS:

Ex: A’, B’, C’...M’, N’...H’, V’, P’, I’...1’, 2’, 3’ ...etc

4.3) PROJEÇÕES VERTICAIS DE RETAS E CURVAS:

Ex: a’, b’, c’ ... m’, n’, p’, q’ , r’, s’, t’ ... etc

4.4) PROJEÇÕES VERTICAIS DE PORÇÕES PLANAS:

Porções planas não são representáveis em épura.

4.5) INTERSEÇÃO DE PLANOS

4.5.1) Interseção dos Planos de Projeção: ππ’

4.5.2) Interseção de Planos em Geral com o Plano de
Projeção Vertical (π’):

Neste caso, a tarja é colocada somente no plano vertical de
projeção

Ex: απ’, βπ’, γπ ‘... etc

4.5.3) Interseção de Dois Planos em Geral:

É identificada pela projeção vertical da reta de interseção,
Se for utilizada a reta (i), a projeção vertical será i’.
5.0) IDENTIFICAÇÃO DAS NOVAS LINHAS DE TERRA APÓS
MUDANÇAS DE PLANO DE PROJEÇÃO

Após mudanças de planos de projeção, as interseções a
seguir são linhas de terra de novos sistemas criados:
13

5.1) Interseção de Plano Horizontal com Novos Planos
Verticais de Projeção:

5.1.1) No espaço: (ππ
1
’), (ππ
2
’), (ππ
3
’) ... etc

5.1..2) Na épura: ππ
1
’, ππ
2
’, ππ
3
’ ... etc

5.2) Interseção de Plano Vertical com Novos Planos
Horizontais:

5.2.1) No espaço: (π’π
1
), (π’π
2
), (π’π
3
) ... etc

5.2.2) Na épura: π’π
1
, π’π
2
, π’π
3
... etc

5.3) Interseção de novos Planos Horizontais com Novos
Planos Verticais e Vice-Versa:

5.3.1) No espaço: (π
1
π
1
’), (π
2
’ π
1
), (π
2
π
2
’) ... etc

5.3.2) Na épura: π
1
π
1
’, π
2
’ π
1
, π
2
π
2
’ ... etc

6.0) IDENTIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES APÓS MUDANÇAS DE PLANO
DEPROJEÇÃO OU APÓS ROTAÇÕES

Após mudanças de planos de rotação ou de rotações em
torno de um eixo (vertical ou horizontal), os elementos reprojetados
ou rotacionados recebem índices subpostos à respectiva projeção,
da seguinte forma:


6.1) Pontos
P’ ÷ P
1



Ex: (P)
14
P ÷ P
1


6.2) Retas e Curvas

c’ ÷ c
1



Ex: (c)
c ÷ c
1


7.0) IDENTIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES APÓS REBATIMENTOS

Após rebatimentos (rotação em torno de um dos traços do
plano até que esta se superponha a um dos planos de projeção) as
projeções dos elementos das figuras rebatidas, tal como nas
rotações, recebem, na épura, índices subpostos às respectivas
projeções, da seguinte forma:

7.1) Traço Vertical do Plano Rebatido Sobre (π):

απ’ após o rebatimento passa a ser απ
1

7.2) Traço Horizontal do Plano Rebatido sobre (π’):

απ após o rebatimento passa a ser απ
1


7.3) Rebatimento em Torno do Traço Horizontal do Plano:

7.3.1) Pontos
Ex: (P) ÷ P
1

7.3.2) Retas e Curvas

Ex: (c) ÷ c
1
15

7.4) Rebatimento em Torno do Traço Vertical do Plano:

7.4.1) Pontos

Ex: (P) ÷ P
1


7.4.2) Retas e Curvas

Ex: (c) ÷ c
1




16
1.0) FUNDAMENTOS DA GEOMETRIA DESCRITIVA

1.1) CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A idéia de projeção é quase que intuitiva, uma vez que sua
ocorrência se dá em diversos segmentos do nosso cotidiano. Trata-
se de um fenômeno físico que acontece normalmente na natureza
ou que pode ser produzido artificialmente pelo homem.
Vejamos os seguintes exemplos:

1º) Ao incidirem sobre uma placa opaca, os raios solares produzem
sobre a superfície de um piso claro, uma figura escura que
chamamos comumente de sombra. O contorno da sombra nada
mais é que a projeção do contorno da placa na superfície do piso.

2º) As imagens que vemos numa tela de cinema são as projeções
dos fotogramas contidos na fita de celulóide quando sobre eles
incidem os raios luminosos emitidos pela lâmpada do projetor.

O Sol, no primeiro exemplo, e a lâmpada do projetor, no
segundo, são o que chamamos centros projetivos enquanto que os
raios solares e os raios luminosos são chamados raios projetantes.
A placa opaca e os fotogramas da fita são as figuras objetivas ou
objetos.
O contorno da sombra assim como as imagens produzidas na
tela de cinema são figuras projetadas ou projeções nas superfícies
do piso e da tela de cinema, respectivamente.
Quando a superfície de projeção é plana dizemos que é um
plano de projeção.
Em resumo, para que ocorra uma projeção é necessário que
estejam presentes os seguintes elementos:
a) centro projetivo – emissor dos raios projetantes,
identificado como (O);
b) figura objetiva ou objeto – figura a ser projetada,
identificada como (f);
c) plano de projeção – plano onde será formada a figura
projetada, identificado como (π).
17
Os raios projetantes partem do centro projetivo, passam
pelos pontos que definem a figura objetiva e, ao interceptarem o
plano de projeção, produzem a figura projetada ou, de um modo
geral, a projeção do objeto.

1.2) CLASSIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES

Para todos os efeitos, a superfície de projeção será sempre
plana.
As projeções são classificadas em função da distância do
centro projetivo ao plano de projeção e da direção dos raios
projetantes em relação a este plano.
O centro projetivo é próprio e indicado por (O), quando sua
distância ao plano de projeção é mensurável. Nesta situação os
raios projetantes se propagam segundo um feixe de retas, porém
somente aqueles que passam pelos pontos que caracterizam a
figura objetiva são considerados, tal como mostrado na figura 01. A
superfície criada pelos raios projetantes é, tipicamente, uma
superfície cônica. Por isso uma projeção com estas características é
chamada projeção cônica.


Figura 01

A
M
f
(O)
B
(f)
(A)
(B)
(M)
18
Quando a distância do centro projetivo ao plano de
projeção é imensurável, o centro projetivo é impróprio e indicado
por (O

). Neste caso os raios chegam ao plano de projeção segundo
retas paralelas. Tal como no caso anterior, somente os raios que
passam pelos pontos que caracterizam a figura são considerados.

Quando o centro projetivo é impróprio, dependendo da
direção dos raios projetantes em relação ao plano de projeção, ou
seja, se oblíquos ou perpendiculares, as projeções ainda ser
classificadas respectivamente como:

I) projeção oblíqua
II) projeção ortogonal

As figuras 02-a 02-b mostram, respectivamente, exemplos
genéricos de uma projeção oblíqua e de uma projeção ortogonal.



Figura 02-a Figura 02-b


1.3) PROJEÇÕES ORTOGONAIS

f
f
(d)
A
M
A
(A)
M
B
(B)
(f)
((f)
(d)
(π)
(B)
(A)
B
(M)
(M)
19
1.3.1) Projeções da Figura Objetiva num Único Plano: Projeções
Cotadas

Imaginemos que a figura (f) que se quer projetar
ortogonalmente num plano (π), suposto horizontal, seja um
triângulo (ABC), de vértices (A), (B) e (C), tal como mostrado na
figura 03.




Figura 03

Temos então que:

(f) ≡ (ABC)

Nomeamos (π) Plano Horizontal de Projeção, ou, para
simplificar, PHP.
Os raios projetantes partem de um centro projetivo
impróprio (O

)

e incidem perpendicularmente sobre (π). Como,
para definir um triângulo basta conhecer seus vértices, para obter a

(C)
(A)
(B)
(π)
20
projeção de (f) em (π) bastará conhecer as projeções ortogonais de
(A), (B) e (C). Tais projeções serão as interseções dos raios
projetantes que passam, respectivamente, por (A), por (B) e por (C)
com o plano (π), conforme mostrado na figura 04. Os pontos A, B e
C definem a projeção ortogonal de (f) em (π). Como era de se
esperar, os pontos A, B e C são suficientes para definir a projeção
horizontal de (f), o que nos permite escrever:

f ≡ ABC



Figura 04

Chama-se cota de um ponto à distância deste ponto a um
plano horizontal tomado como referência. Logo, as distâncias de (A)
a (π) de (b) a (π) e de (C) a (π) são, respectivamente, as cotas de (A),
de (B) e de (C). Podemos escrever que:


(C)

C
(A)
A
(B)
B
(π)
(O∞)
21
a) cota de (A) = z
(A)
= d {(A), (π)} = d {(A), A}
b) cota de (B) = z
(B)
= d {(B), (π)} = d {(B), B}
c) cota de (C) = z
(C)
= d {(C), (π)} = d {(C), C}

Nestas condições, (f) e f, são figuras correspondentes e f é
dependente exclusiva de (f) e de nenhuma outra mais.
Mas, se por outro aspecto, um determinado ponto (M)
estiver localizado no mesmo raio projetante que passa por (A); se
um ponto (N) estiver no mesmo raio projetante que passa por (B) e
se (P) estiver localizado no mesmo raio projetante que passa por
(C), de tal sorte que:

z
(M)
≠ z
(A)
z
(N)
≠ z
(B)
z
(P)
≠ z
(C)


O triângulo (MNP) será completamente diferente do
triângulo (ABC), tal como mostrado na figura 05. Logo:

(g) ≡ (MNP) ¬ (g) ≠ (f)

22


Figura 05

Ainda na figura 05, observamos, entretanto, que:

M ≡ A
N ≡ B
P ≡ C

Assim sendo, uma figura projetada num único plano de
projeção pode ser a projeção de infinitas figuras do espaço, desde
que os raios projetantes que passam pelos pontos de cada uma
delas interceptem, respectivamente, o plano de projeção num

(C)

C=P=T
(A)
A=M=R
(B)
B=N=S
(S)
(T)
(R)
(N)
(P)
(M)
(π)
23
mesmo ponto. Logo, projetar uma figura num só plano, sem definir
(amarrar) as cotas de cada um de seus pontos ao plano, é um
problema indeterminado. Para resolvê-lo, Fellipe Boüache em 1878
criou o Método das Projeções Cotadas, atribuindo aos elementos
projetados de uma figura objetiva, os valores das cotas de cada
ponto, tal como mostrado nas figuras 06 e 07, a seguir.




Figura 06


(C)

C
(A)
A
(B)
B
a
c
b
(π)
24

Figura 07

1.3.2) Projeções da Figura Objetiva em Dois Planos
Perpendiculares

Imaginemos agora uma situação semelhante à da figura 04,
porém inserindo outro plano de projeção (π’), perpendicular a (π),
como mostra a figura 08.
A reta de interseção de (π) com (π’) é denominada linha de
terra, ou seja:
(ππ’) = (π) ∩ (π’)

Se (π) é o plano horizontal de projeção, (π’) será,
naturalmente, o plano vertical de projeção.
C (c)
A (a)
B (b)
25


Figura 08

Fazendo, agora, incidir raios projetantes de outro centro
projetivo impróprio (O’

) , desta feita perpendicularmente a (π’),
definiremos as projeções ortogonais de (A), de (B) e de (C) sobre
(π’). Os raios projetantes que passam por estes pontos,
interceptarão o plano (π’), definindo, respectivamente, os pontos
A’, B’ e C’ que caracterizam as projeções verticais de (A), de (B) e de
(C), tal como mostrado na figura 09. Logo, podemos escrever:

f’ ≡ A’B’C’
(π)
(π')

(C)

C
(A)
A
(B)
B
(O∞
)
( O'

)
26



Figura 09

Chama-se afastamento de um ponto à distância deste ponto
a um plano vertical tomado como referência. Assim, as distâncias de
(A) a (π’), de (B) a (π’) e de (C) a (π’) são, respectivamente, os
afastamentos de (A), de (B) e de (C) em relação a (π’), ou seja:

a) afastamento de (A) = y
(A)
= d {(A), (π’)} = d {(A), A’}
b) afastamento de (B) = y
(B)
= d { (B), (π’)} = d {(B), B’}
c) afastamento de (C) = y
(C )
= d { (C), (π’) }= d {(C), C’}

Observando a figura 10, podemos perceber também que os
pontos A’, (A) e A são vértices de um retângulo contido num plano
(α) perpendicular a (ππ’):

(π)
(π')

C'
A'
(C)

C
(A)
A
(B)
B
(O∞)
(O'∞)
B'
27


Figura 10

Vejamos porque:

1º) Se (A)A ± (π) e (A)A’ ± (π’) ¬ (Â) = reto

2º) Se (A), A’, A e (α) ¬ (α) · (ππ’) = A
0


Logo, A
0
é o quarto vértice do retângulo.

Podemos então escrever que:
z
(A)

= d {A’, (ππ’)} = d {A’, A
0
} ou z
(A)

= A’A
0

y
(A)
= d {A, (ππ’) } = d {A, A
0
} ou y
(A)
= AA
0

Por conseguinte, teremos:

C'
A'
(C)

C
(A)
A
(B)
B
B'
A0
B
0
C
0

(π’)
(π)
( O’
·
)
( O
·
)
28

z
(B)

= B’B
0
z
(C)
= C’C
0
e
y
(B)
= BB
0
y
(C)
= CC
0

Concluímos, então, que ao projetarmos ortogonalmente um
figura (f) sobre dois planos de projeção (π) e (π’), perpendiculares
entre si, obtemos f e f’, figuras que representam, respectivamente,
a projeção horizontal de (f) sobre (π) e a projeção vertical de (f)
sobre (π’). As figuras f e f’ são correspondentes e mutuamente
dependentes de (f). Isto significa dizer que f e f’ são as projeções de
uma única figura (f) do espaço.

1.4) Método da Dupla Projeção Ortogonal

A finalidade do desenho projetivo é permitir conhecer as
propriedades geométricas e manipular a forma e as dimensões de
uma figura do espaço, seja ela plana ou tridimensional, através de
suas projeções ortogonais, de sorte que tais projeções sejam
representadas graficamente num mesmo plano. Esta é a essência do
método criado por Gaspar Monge.
A primeira parte da tarefa já foi mostrada através das
relações entre cotas e afastamentos. Antes de planificar o sistema,
vejamos como ficou a vista perspectiva das projeções, retirando-se
(f), tal como mostrado na figura 11.

29

Figura 11

Para planificar o sistema objetivando trabalhar num mesmo
plano de desenho, adotemos os seguintes procedimentos:
1º) Tomemos a linha de terra (ππ’) como um eixo de rotação;

2º) Façamos o plano (π) girar em torno de (ππ’) no sentido horário
até que a sua superfície se superponha à superfície de (π’)
formando um mesmo plano, tal como mostrado na figura 12.
(π)
(π')

C'
A'
B

C
A
B
30

Figura 12

Olhando o conjunto de frente para o plano vertical, teremos
a seguinte visão:

(π)
(π')

C'
A'
B
C
B
A
(π)
<
<
<
(A)
(B)
(C)
31

Figura 13

A representação gráfica das projeções de uma figura num
mesmo plano é chamada épura.
Na prática, os contornos que delimitam os semiplanos
resultantes da planificação não são representados, assim como as
letras π e π’ que os representam.
A linha de terra pode ser identificada por dois pequenos
traços, um em cada extremidade, abaixo do segmento que a
representa, por x numa extremidade e y na outra, ou ainda por (ππ’)
numa das extremidades. Adotaremos os dois pequenos traços.

C'
C
A'
A
B'
B
π
π’
32
Os segmentos que unem as projeções de cada ponto da
figura são identificados como linhas de chamada e, obviamente, são
sempre perpendiculares à linha de terra.
As interseções das linhas de chamada com a linha de terra,
definem as abcissas respectivas de cada ponto da figura. A medida
da abcissa de um ponto é feito a partir de um ponto da linha de
terra chamado origem das abcissas, indicado por O
0,
localizado no
canto esquerdo da linha de terra.
A épura representativa das projeções do triângulo (ABC)
terá, por fim, o aspecto mostrado na figura 14.


Figura 14



C'
C
A'
A
B'
B
33

2.0) ESPAÇO PROJETIVO NA GEOMETRIA ESCITIVA

2.1) Diedros de Projeção

A Geometria Descritiva concebida por Gaspar Monge
admite que as projeções das figuras objetivas aconteça da seguinte
forma:
O plano (π) divide o espaço em dois semi-espaços, um acima
dele e outro abaixo. O plano (π’), por seu turno, divide o espaço
também em dois semi-espaços, um anterior a ele e outro posterior.
Como (π) e (π’) são perpendiculares ficam criados, na verdade,
quatro regiões distintas chamadas diedros de projeção, assim
caracterizados.

a) 1º Diedro: limitado pelo plano vertical de projeção (π’) –
semiplano superior (SPVS) e pelo plano horizontal de
projeção (π) – semiplano anterior (SPHA);

b) 2º Diedro: limitado pelo plano vertical de projeção (π’) –
semiplano superior (SPVS) e pelo plano horizontal de
projeção (π) – semiplano posterior (SPHP);

c) 3º Diedro: limitado pelo plano vertical de projeção (π’) –
semiplano inferior (SPVI) e pelo plano horizontal de
projeção (π) – semiplano posterior (SPHP);

d) 4º Diedro: limitado pelo plano vertical de projeção (π’) –
semiplano inferior (SPVI) e pelo plano horizontal de
projeção (π) – semiplano anterior (SPHA);

Como já foi dito, a interseção entre os planos de projeção,
ou seja, a reta comum aos planos (π) e (π’), é chamada linha de
terra.

Na figura 15 são identificados os quatro diedros de
projeção.
34


Figuras 15

Uma figura pode, então, estar situada num dos quatro
diedros ou parte em um e parte em outro (ou outros). Isto significa
dizer que, em cada situação, mudam as posições das projeções em
relação aos planos de projeção. O que não se altera é a posição do
observador que estará sempre de frente para a superfície anterior
do plano (π’), independentemente do diedro (ou dos diedros) em
que esteja localizada a figura objetiva (f).





SEMIPLANO HORIZONTAL
ANTERIOR DE PROJEÇÃO
(SHAP)

SEMIPLANO VERTICAL
SUPERIOR DE PROJEÇÃO
(SVSP)

SEMIPLANO HORIZONTAL
POSTERIOR DE PROJEÇÃO
(SHPP)

SEMIPLANO VERTICAL
INFERIOR DE PROJEÇÃO
(SVIP)


(π)
(π')
35

2.2) COORDENADAS DESCRITIVAS

2.2.1) Conceito

Tradicionalmente, os problemas de Geometria Descritiva
exigem o posicionamento, na épura, dos pontos que caracterizam
uma determinada figura. Para resolver esta questão, foram criadas
as coordenadas descritivas do ponto que nada mais são do que o
ordenamento das grandezas já conhecidas: abcissa, afastamento e
cota. As coordenadas descritivas de um ponto qualquer (P), são
indicadas da seguinte forma:

(P): (x
(P)
; y
(P)
; z
(P)
) ou (P): [x
(P)
; y
(P)
; z
(P)
] , onde

(P): ponto objetivo, isolado ou pertencente a uma figura (f);

x
(P)
: abcissa de (P)

y
(P)
: afastamento de (P)

z
(P)
: cota de (P)

2.2.2) Convenção de Sinais

Inicialmente cabe esclarecer que o conceito de coordenadas
descritivas envolvendo as definições de abcissa, afastamento e cota
de um ponto é imutável para qualquer dos quatro diedros em que
possa se encontrar um ponto (P), do espaço. Cabe então lembrar
que:

I) abcissa é a distância entre a interseção da linha de
chamada de (P) com a linha de terra e um ponto fixo
nela localizado e definido como origem das abcissas;

II) afastamento é a distância de (P) ao plano vertical de
projeção (π’);
36

III) cota é a distância de (P) ao plano horizontal de projeção
(π).

Um ponto pode estar localizado em qualquer dos quatro
diedros. Para sabermos exatamente em qual deles, foram
estabelecidas convenções de sinais para cotas e afastamentos que
permitem localizá-los através de suas coordenadas descritivas.
Assim sendo, foi estabelecido que:

- São positivas as cotas dos pontos localizados acima do plano
vertical de projeção e negativas as cotas dos pontos localizados
abaixo;

- São positivos os afastamentos dos pontos anteriores ao plano
vertical de projeção e negativos os afastamentos dos pontos
posteriores.

Resumindo, teremos:

1º diedro 2º diedro 3ºdiedro 4º diedro
cota + + - -
afastamento + - - +


Os sinais das abcissas, de um modo geral, serão sempre
positivos porque sua origem, O
0
, deverá ser localizada próxima da
extremidade esquerda da linha de terra. Isto quer dizer que são
positivas aquelas situadas à direita da origem das abcissas.

Observação Importante

Salvo quando absolutamente necessário, a indicação das
abcissas nas projeções dos pontos de uma figura é normalmente
dispensável.

37
2.3) PROJEÇÕES DE FIGURAS EM CADA DIEDRO

No exemplo usado para mostrar como funciona o método
da dupla projeção ortogonal, a figura (f) ≡ (ABC) foi localizada no 1º
diedro.
Para analisarmos como funciona o método da dupla
projeção ortogonal nos demais diedros, tomaremos, como exemplo,
o mesmo triângulo (ABC) que foi usado para descrever como
funciona o método no 1º diedro sendo mantidos os valores
absolutos das abcissas, cotas e afastamentos de cada vértice. Os
sinais, entretanto, corresponderão ao diedro em que se encontrar a
figura.

2.3.1) Projeções no 1º Diedro

Observou-se que, quando uma figura está localizada no 1º
diedro, suas projeções são distintas, ou seja, a projeção vertical fica
situada acima da linha de terra e a projeção horizontal, abaixo dela.
Conforme a convenção de sinais estabelecida, tem-se que:

Cotas positivas (+): acima da linha de terra
Afastamentos positivos (+): abaixo da linha de terra

2.3.2) Projeções de Figuras no 2º Diedro

Situando (ABC) no 2º diedro e mantendo, respectivamente,
os mesmos valores absolutos das coordenadas descritivas dos
vértices (A), (B) e (C), o aspecto do conjunto, em perspectiva, é o
mostrado na figura 16.
38



Figura 16

Para planificar o sistema objetivando trabalhar num mesmo
plano de desenho, adotamos procedimentos semelhantes aos
usados anteriormente, ou seja::

1º) Tomemos a linha de terra (ππ’), interseção de (π) com (π’),
como eixo de rotação;
2º) Façamos o plano (π) girar em torno de (ππ’) no sentido horário
até que a sua superfície se superponha à superfície de (π’)
formando um mesmo plano, tal como mostrado na figura 17.

C'
A'
B'
B
A
C

(C)
(B)
(A)
39




Figura 17

Olhando, agora, o conjunto de frente para o plano vertical
de projeção, o aspecto da épura correspondente do triângulo (ABC)
é mostrado na figura 18 e da observação da figura tiramos as
seguintes conclusões:
.

I) As projeções horizontal e vertical são, respectivamente,
congruentes com as obtidas no 1º diedro, embora,
>
(π÷)

C'
A'
B
(π)
C
A
B
B'
A'
C'
>
>
>
40
neste caso, ambas fiquem situadas acima da linha de
terra;

II) Dependendo dos comprimentos das cotas e dos
afastamentos de cada um de seus pontos, as projeções
de figuras situadas no 2º diedro podem ficar
superpostas na épura e isto dificulta ou pode até
impossibilitar o estudo da figura objetiva através de
suas projeções;

Figura 18

2.3.2.1) Invariância da Projeção Horizontal

Pode-se resolver o problema criado por projeções
superpostas, total ou parcialmente, transladando a figura
objetiva, mantendo constante as respectivas cotas até que suas
projeções fiquem distintas. Esta operação manterá a forma da
projeção horizontal inalterada.
Se a figura está inteiramente contida no 2º diedro, pode-se
também eliminar a superposição das projeções trocando os
B'
C'
A'
B
A
C
41
sinais dos afastamentos, tornando-os positivos, ou seja,
transladando figura para o 1º diedro.
De uma forma ou de outra, a projeção horizontal fica
invariante.

2.3.3) Projeções de Figuras no 3º Diedro

Situando, agora, o triângulo (ABC) no 3º diedro, mantendo-
se os mesmos valores absolutos das coordenadas descritivas dos
vértices adotadas nos dois casos anteriores, a perspectiva do
conjunto é mostrada na figura 19



Figura 19


B
A'
C'
(B)
(C)
(A)

B
A
C
42
Utilizando procedimentos semelhantes aos usados
anteriormente, planifica-se o sistema objetivando trabalhar num
mesmo plano de desenho, como mostra a figura 20.


43

Figura 20

C
A
B
B
A'
C'
(B)
(C)
(A)

B
A
C
(π)
(π’)
(π')
>
>
>
>
44
A figura 21 mostra a épura do triângulo (ABC) nas
condições propostas.




Figura 21

Nesta situação, pode-se observar que:
B
A
C
C'
A'
B'
45

I) As projeções horizontal e vertical ficam distintas e
continuam respectivamente congruentes com as dos
casos anteriores;

II) A posição das projeções no 3º diedro são simétricas em
relação à linha de terra, se comparadas às no 1º diedro.

2.3.3.1) Invariância das Projeções

Não há problema de superposição de projeções no terceiro
diedro, mas, se trocarmos os sinais das cotas e dos afastamentos, é
como transportar a figura para o 1º diedro através de duas
translações.
Após estas transformações, verifica-se que ambas as
projeções permanecem invariantes.

2.3.4) Projeções de Figuras no 4º Diedro
.
Mantendo-se, mais uma vez, os mesmos valores absolutos
das mesmas coordenadas dos vértices do triângulo (ABC), mas
situando-o agora no 4º diedro, a perspectiva do conjunto está
mostrada na figura 22.

46

Figura 22

Utilizando procedimentos semelhantes aos usados
anteriormente, planifica-se o sistema objetivando trabalhar num
mesmo plano de desenho, tal como mostrado na figura 23..


C
A
B
(B)
(C)
(A)
B
A'
C'
47


Figura 23

A figura 24 mostra a épura do triângulo (ABC) nas condições
propostas.


C
A
B
B'
B
A'
C'
C' A
<
<
<
<
48


Figura 24

Nesta situação podemos concluir que:

I) As projeções horizontal e vertical são, mais uma vez,
respectivamente, congruentes com as obtidas nos
demais diedros, mas ambas abaixo da linha de terra;

II) As projeções de figuras situadas no 4º diedro, tal como
no 2º, podem ficar superpostas na épura o que, como
foi dito anteriormente, é desaconselhável;

2.4.2.1) Invariância da Projeção Vertical

Pode-se resolver o problema criado por projeções superpostas,
total ou parcialmente, transladando a figura objetiva, mantendo
constantes os respectivos afastamentos até que suas projeções
fiquem distintas. Esta operação manterá a forma da projeção
vertical inalterada.
C'
A'
B'
C
A
B
49
Se a figura está inteiramente contida no 4º diedro, pode-se
também eliminar a superposição das projeções trocando os sinais
das cotas, tornando-as positivas, ou seja, transladando a figura para
o 1º diedro, pois ambas as projeções permanecem invariantes.

2.4.3- Clonclusão:

Mantendo-se fixos os valores absolutos das coordenadas
descritivas dos pontos de uma figura, suas projeções (horizontal e
vertical) serão sempre congruentes quando se alteram os sinais de
todas as cotas e/ou de todos os afastamentos de seus pontos.
Por essa razão, projeções no 2º e no 4º diedro, na prática, são
desprezadas.
As projeções no 1 diedro são as mais usadas no Brasil,
recomendadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas) e foram priorizadas neste trabalho, .





















50





3.0) PROJEÇÕES ORTOGONAIS DE RETAS E SEGMENTOS DE RETAS

3.1) CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Chama-se segmento de reta ao trecho de uma reta genérica
limitado por dois de seus pontos definidos como extremos do
segmento.
Em relação a um plano de projeção, um segmento de reta
pode estar:

I) paralelo
II) perpendicular
III) oblíquo

Para cada uma das posições acima, a respectiva projeção
ortogonal apresentará características específicas, como será visto a
seguir.
Todo segmento de reta está contido obrigatoriamente
numa reta chamada reta suporte do segmento. Logo, todas as
características e propriedades geométricas de uma determinada
reta são aplicáveis aos segmentos nela contidos e vice-versa.
As retas são representadas por letras romanas minúsculas.
Seja então (r) uma reta qualquer e (A) e (B) dois de seus
pontos não coincidentes. Logo (r) é a reta suporte do segmento
(AB), do qual (A) e (B) são os extremos. As projeções de (r) serão,
respectivamente, r’ (vertical) e r (horizontal), tal como mostrado na
figura 25.





51











r'
r
A'
B'
A
B
52
Figura 25




3.1.1) Pertinência de Ponto a Reta

Observando a figura 25, podemos estabelecer a seguinte
afirmação:

Para que um ponto pertença a uma reta dada por suas
projeções, é condição necessária e suficiente que as projeções do
ponto estejam situados, respectivamente, sobre as projeções da
reta.

Em outras palavras: a projeção vertical/horizontal do ponto
estará situada na projeção vertical/horizontal da reta.

3.2) Traços de uma Reta: Pontos Notáveis

Chama-se, de uma forma genérica, traço de uma reta ao
ponto em que uma reta intercepta qualquer plano.
Tradicionalmente, na Geometria Descritiva, traços de uma reta são
os pontos em que a reta intercepta os planos e projeção. Os traços
da reta, assim entendidos, são conhecidos, também como dois dos
pontos notáveis de uma reta.
São entendidos como notáveis, os seguintes pontos de uma
reta:

I) (V): ponto em que a reta intercepta o plano vertical de
projeção.
Assim sendo, (V) tem sempre afastamento nulo.
Logo, no espaço, teremos (A) ≡ A’. A cota de (V) poderá ser
positiva, negativa ou nula (se a reta interceptar a linha de
terra).
O ponto (V) é denominado traço vertical da reta.

53
II) (H): ponto em que a reta intercepta o plano horizontal de
projeção.
Neste ponto, (H) tem sempre cota nula. Logo,
teremos (H) ≡ H. O afastamento de (H) poderá ser positivo,
negativo ou nulo (se a reta interceptar a linha de terra).
O ponto (H) é denominado traço horizontal da reta.
A figura 26 mostra as projeções de uma reta (r), genérica,
bem como a localização das projeções de (V) e (H).


Figura 26
H'
H
r'
r
A'
B'
A
B
V
V'
54

III) (I): ponto da reta em que a cota e o afastamento são iguais
e de mesmo sinal.
Nesta condição, o ponto (I) só pode estar localizado
no 1º ou no 3º diedro. É comum designar (I) como sendo o
ponto da reta que intercepta um plano que passa pela linha
de terra e divide, respectivamente, o 1º e o 3º diedro em
dois diedros iguais. Este plano é chamado bissetor ímpar é
designado (β
13
). Por esta razão, diz-se que (I) é o traço da
reta em (β
13
).

IV) (P); ponto da reta em que a cota e o afastamento são
iguais, mas de sinais contrários.
Assim sendo, o ponto (P) só pode estar localizado no
2º ou no 4º diedro. Por suas características, as projeções
deste ponto são idênticas e se encontram na interseção das
projeções vertical e horizontal da reta.
É comum designar (P) como sendo o ponto da reta
que intercepta um plano que passa pela linha de terra e
divide, respectivamente, o 2º e o 4º diedro em dois diedros
iguais. Este plano é chamado bissetor par e designado (β
24
).
Por esta razão, diz-se que (P) é o traço da reta em (β
24
).

A figura 27 mostra as projeções de uma reta (r), genérica,
bem como a localização das projeções dos seus pontos notáveis,
(H), (V), (I) e (P).
55

Figura 27

Das características de β
13
e β
24
, podemos concluir os planos
bissetores são perpendiculares.

3.3) Retas e Segmentos de Retas Paralelas a Plano de Projeção

Uma reta é paralela a um plano quando todos os seus
pontos são eqüidistantes do plano.
H'
P'
H
r'
r
A'
B'
A
B
P
V
V'
I'
I
56
Seja ( r) uma reta paralela a um plano (π) e que contenha o
segmento (AB).
Ao projetarmos ortogonalmente os pontos (A) e (B) no
plano (π) obtemos os pontos A e B e, consequentemente, a
projeção AB de (AB). Logo a reta r que passa por A e por B é a
projeção da reta ( r) em π (figura 28).
Como as projeções são ortogonais, (A)A e (B)B são paralelos
e perpendiculares a (π). Como (r) é paralela a (π), o polígono que
tem por vértices (A), (B), B e A é um retângulo. Logo, (AB) = AB e
podemos afirmar que:
Quando um segmento de reta é paralelo a um plano, sua
projeção ortogonal neste plano é a verdadeira grandeza (VG) do
segmento

Figura 28




(π)

A
B
(A)
(r)
r
(B)
57
3.3.1) Retas e Segmentos de Retas Paralelos ao Plano Horizontal
de Projeção

Na figura 29-a é mostrado que o segmento (AB) é paralelo a
(π), oblíquo a (π’) e tem como suporte a reta (h). A cota de (A) é
igual à cota de (B) e o quadrilátero de vértices (A), (B), B e A é um
retângulo. Assim sendo, (AB) = AB. Ou seja, o segmento AB é a
verdadeira grandeza (VG) do segmento (AB).
Podemos então dizer que:
Quando um segmento é paralelo ao plano horizontal de
projeção, projeta-se em verdadeira grandeza (VG) neste plano.
A reta (h), paralela ao plano horizontal de projeção e
oblíqua ao plano vertical de projeção é chamada reta horizontal.


(π)
(π')
(V)=V'
B'
V
(B)
B
(A)
A
(r)
r
A'
r'
58
Figura 29-a

A figura 29-b mostra a épura correspondente Verifica-se
que a cota de (A) é igual à cota de (B), ou seja, z
(A)
= z
(B)
. Logo, a
projeção vertical de (AB), A’B’, é paralela à linha de terra.
Uma reta horizontal corta (π’) no traço vertical (V) e não
admite traço horizontal.



Figura 29-b

3.3.2) Retas e Segmentos de Retas Paralelos ao Plano Vertical de
Projeção

Observando agora a figura 30-a, vemos que o segmento
(AB) é paralelo a (π’), oblíquo a (π) e tem como suporte a reta (f). O
afastamento de (A) é igual ao afastamento de (B) e o quadrilátero
de vértices (A), (B), B’ e A’ também é um retângulo. Assim sendo,
(AB) = A’B’. Neste caso, o segmento A’B’ é a verdadeira grandeza
(VG) do segmento (AB).
Podemos então dizer que:
h
V
A'
A
B
B'
V'
h'
59

Quando um segmento é paralelo ao plano vertical de
projeção, projeta-se em verdadeira grandeza (VG) neste plano.
A reta (f), paralela ao plano vertical de projeção e oblíqua ao
plano horizontal de projeção é chamada reta frontal.


Figura 30-a

A figura 30-b mostra a épura correspondente. Verifica-se
que o afastamento de (A) é igual ao afastamento de (B), ou seja, y
(A)

r
A
B
A'
(A)
B'
(B)
(H)=H
H'
(r)
r
(π')
(π)
60
= y
(B)
. Logo, a projeção horizontal de (AB), AB, é paralela à linha de
terra.
Uma reta vertical corta (π) no traço horizontal (H) e não
admite traço vertical.

Figura 30-b

3.3.3) Retas e Segmentos de Reta Paralelos aos Dois Planos de Projeção

Quando o segmento é paralelo a ambos os planos de projeção, é
paralelo, também, à linha de terra. Por isso, as cotas e os afastamentos
de todos os seus pontos são respectivamente iguais. As figuras 31-a e
33-b mostram, respectivamente, a representação espacial e a épura de
um segmento (AB), pertencente a uma reta (r ) nesta condição. Assim
sendo, tanto as projeção vertical de (AB), como a horizontal, estão em
VG. Por isso podemos afirmar que:

V'
A'
A
f'
B'
B
f
V
61
Quando um segmento é paralelo aos dois planos de projeção,
projeta-se em verdadeira grandeza (VG) em ambos os planos.
Uma reta paralela a ambos os planos de projeção é chamada
reta fronto-horizontal ou reta paralela à linha de terra.

Reta desse tipo não corta plano de projeção e por isso não
admite traço vertical e nem traço horizontal.



Figura 31-a

(π)
(π')
A'
r'
B'
A
B
(B)
(A)
r
(r)
62

Figura 31-b



3.4) Reta e Segmento de Reta Perpendicular a Plano de Projeção

Uma reta é perpendicular a um plano quando é perpendicular a
todas as retas desse plano.
Seja ( r) uma reta perpendicular a um plano (π) e que contenha
um segmento (AB).
Ao projetarmos ortogonalmente a reta (r ) no plano (π) somente
um raio projetante passa pela reta e corta o plano num único ponto.
Este ponto concentra as projeções de todos os pontos da reta, inclusive
de (A) e de (B), tal como mostrado na figura 32.
Isto permite afirmar que:

Quando uma reta é perpendicular a um plano, sua projeção
ortogonal, neste plano, se reduz a um único ponto.

A
B'
B
r'
r
A'
63


Figura 32

3.4.1) Perpendicular ao Plano Horizontal de Projeção

Observando a figura 33-a, vemos que o segmento (AB) é
perpendicular a (π) e tem como suporte a reta (v). Logo, o raio
projetante que intercepta (π) e passa por (A) é o mesmo que passa por
(B). Assim sendo, temos A ≡ B. Além disso, por ser perpendicular a (π), a
reta (v) é paralela a (π’) e, por isso, a projeção vertical de (AB) está em
verdadeira grandeza (VG), ou seja AB = (AB).

Podemos então escrever:

Quando um segmento de reta é perpendicular ao plano
horizontal de projeção, sua projeção ortogonal neste plano se reduz a
um ponto e está em verdadeira grandeza (VG) no plano vertical de
projeção.

r=A=B
(B)
(A)
(r)
64

A reta (v), perpendicular ao plano horizontal de projeção é
chamada reta vertical.



Figura 33-a

A figura 33-b mostra a épura correspondente.
H'
A'
(A)
B'
(B)
v'
(v)
A≡B≡v≡H
(π')
(π)
65
Reta vertical não corta o plano (π’) e por isso só admite traço
horizontal (H).






Figura 33-b

3.4.2) Perpendicular ao Plano Vertical de Projeção

Observando a figura 34-a, vemos agora que o segmento (AB) é
perpendicular a (π’) e tem como suporte a reta (t). Logo, o raio
projetante que intercepta (π’) e passa por (A) é o mesmo que passa por
(B). Assim sendo , temos A’ ≡ B’. Além disso, por ser perpendicular a (π’),
a reta (t) é paralela a (π) e, por isso, a projeção vertical de (AB) está em
verdadeira grandeza (VG), ou seja A’B’ = (AB).

Podemos então escrever:
A'
B'
v'
A≡B≡v≡H
H'
66

Quando um segmento de reta é perpendicular ao plano vertical
de projeção, sua projeção ortogonal neste plano se reduz a um ponto e
está em verdadeira grandeza (VG) no plano horizontal de projeção.


A reta (t), perpendicular ao plano vertical de projeção é chamada
reta de topo.



Figura 34-a
(π)
(π')
V
B
(B)
A
(A)
t
(t)
A’≡B’≡t’≡V’
67

A figura 34-b mostra a épura correspondente.
Reta de topo não corta o plano (π) e por isso só admite traço
vertical (V).



Figura 34-b

3.5) Segmento Oblíquo aos Planos de Projeção
Neste caso, duas situações podem ocorrer:

I) O segmento é ortogonal à linha de terra
B
A
t'=A'=B'=V'
t
68
II) O segmento é oblíquo à linha de terra

É importante ressaltar que, quando um segmento é oblíquo aos
dois planos de projeção, suas projeções não estão em verdadeira
grandeza em nenhum dos dois. Para conhecê-la ou trabalhar com ela
torna-se necessário aplicar à épura alguns procedimentos geométricos
que serão vistos mais à frente..
A figura 35 mostra uma reta (r) oblíqua a um plano (π) e que
contém um segmento (AB). Projetando ortogonalmente (A) e (B) no
plano, obtemos suas projeções A e B, que definem a reta r, projeção de
(r) em (π).


Figura 35

(r)
r
(A)
(B)
A
B

69

Para determinar a verdadeira grandeza do segmento (AB) é
imprescindível conhecer as distâncias de (A) e de (B) ao plano (π). Se (π)
é um plano horizontal, estas distâncias serão as respectivas cotas de (A)
e de (B).
Num procedimento expedito, podemos construir graficamente o
trapézio retângulo que tem por vértices (A), (B), B e A. (A)A e (B)B são
grandezas conhecidas, assim como a projeção AB. O lado (AB) do
trapézio é a VG procurada.
Traça-se o segmento AB. Por A traça-se, uma perpendicular a AB
e, a partir de A, marca-se o comprimento (A)A, determinando (A). Por B
traça-se outra perpendicular a AB, no mesmo sentido de (A)A e, a partir
de B, marca-se o comprimento (B)B. Ligando (A) a (B), fica determinada
graficamente a VG de (AB).
A figura 36 mostra o trapézio construído.




Figura 36

3.5.1) Segmento Ortogonal à Linha de Terra

Quando uma reta é ortogonal à linha de terra, tal reta está
contida num plano perpendicular a ela. Observando a figura 37-a,
percebemos que os raios projetantes que passam, respectivamente, por
A
B
(A)
(B)
(r)
r
70
(A) e por (B), definem um plano perpendicular à linha de terra. Logo, a
abcissa de (A) é a mesma de (B), ou seja, x(A) = x(B). Assim sendo, ambas
as projeções de (AB) são perpendiculares à linha de terra e não estão em
verdadeira grandeza porque os quadriláteros formados pelos pontos (A)
e (B) e suas respectivas projeções são trapézios retângulos.
Uma reta que pertence a um plano perpendicular aos dois
planos de projeção pode ser reversa à linha de terra ou concorrente com
ela. Em ambos os casos a reta é chamada reta de perfil.




Figura 37-a

(π)
(π’)
p'
(A)
(B)
(p)
p
A
B
B'
A'
(V) ≡ V’
(H) ≡ H
V ≡ H’
O0
71
A figura 37-b mostra a épura correspondente.



Figura 37-b
A'
B
B'
A
p'
p
O
0
72
As retas de perfil reversas à linha de terra admitem traço
vertical (V) e traço horizontal (H). Numa condição particular, a reta de
perfil pode ser concorrente com a linha de terra e, neste caso, (V) e (H)
serão coincidentes no ponto de concorrência, tal como mostrado na
figura 38.




Figura 38


3.5.2) Segmento Oblíquo à Linha de Terra

(π)
(π’)
p
A
B
A'
(A)
(B)
B'
(p)
p'
(H)≡(V)≡(H’)≡(V’)≡(H)≡(H’)
O0
73
Quando um segmento é oblíquo aos planos de projeção e à linha
de terra, ambas as projeções são oblíquas à linha de terra e não estão
em verdadeira grandeza porque, também neste caso, os quadriláteros
formados pelos pontos (A) e (B) e suas respectivas projeções são
trapézios retângulos, como mostra a figura 39-a.
Uma reta oblíqua à linha de reta é chamada reta qualquer ou
genérica.






Figura 39-a
(r)
r
r'
(A)
(B)
A
B
B'
A'
V
H'
(H)≡H
(v)≡V'
(π')
(π)
74
As figuras 39-b e 39-c são exemplos de épuras de retas genéricas



Figura 39-b


H'
H
r'
r
A'
B'
A
B
V
V'
75

Figura 39-c



3.5.3 - VG de Segmentos Oblíquos aos Planos de Projeção

Como foi dito anteriormente, segmentos oblíquos a um plano
de projeção não se projetam, neste plano, em verdadeira grandeza
(VG), o que só acontece quando o segmento é paralelo ao plano.
Então, para conhecer a VG de um segmento é necessário
que, através de procedimentos geométricos, façamos com que o
segmento em questão fique paralelo ou passe a pertener a um plano
A'
A
B
B'
r'
r
V≡V’≡H≡H’
76
de projeção. Num sistema de dupla projeção ortogonal, estas
operações poderão executadas de duas maneiras:

I) Modificando a posição do segmento
II) Criando um novo plano de projeção

No primeiro caso, o sistema de projeções não se altera.
O segmento é que mudará de posição no espaço para ficar
paralelo ou pertencer a um dos planos de projeção através de uma
operação geométrica chamada rotação. Neste procedimento, o
segmento gira em torno de um eixo perpendicular a um dos planos
de projeção, até que fique paralelo ao outro plano de projeção, onde
se projetará em VG.
No segundo caso, a posição do segmento no espaço não se
altera.
Um novo plano de projeção será criado, paralelo ao
segmento e, obrigatoriamente, perpendicular a um dos planos de
projeção para que sejam mantidas as propriedades geométricas do
método da dupla projeção ortogonal. O plano criado e o plano de
projeção perpendicular a ele, constituem um novo sistema de
projeções em que a VG do segmento é mostrada. Esta operação
descritiva é chamada mudança de plano de projeção.

3.5.3.1- Rotação

Quando executamos a rotação de um ponto em torno de um
eixo perpendicular a um plano, o ponto descreve um arco de círculo
cujo raio é o segmento perpendicular que liga o ponto ao eixo.
Na figura 40 podemos observar que a projeção do eixo (e) no
plano (π) se reduz a um ponto – e – e o arco (c) descrito pelo ponto
(P) se projeta em VG no plano (π), porque o raio da rotação (OP) é
paralelo ao plano.
A distância do ponto (P) ao plano (π), isto é, a cota de (P) não
se altera durante a rotação.
77



Figura 40

3.5.3.1.1–VG de Segmentos de Perfil

Para conhecermos a VG de (AB) utilizaremos, inicialmente,
um eixo (e), vertical, que passa pelo vértice (A). Na verdade, (e) é
uma reta vertical cuja projeção em (π) se reduz ao ponto e. A
projeção vertical de (e) é e’.
(π)
(π')
(e)
e'
e ≡ O
(O)
O' ≡ P'
(P)
P
(P1
)
P'
1
P
1
78
A 41-a mostra, no espaço, o segmento (AB), antes e após a
rotação. Nota-se que o ponto (A) não se alterou porque pertence ao
eixo. (AB) tornou-se paralela a (π’) e, assim, se projeta em VG nesse
plano. Na verdade, após a rotação, (AB) tornou-se um segmento
frontal.


Figura 41-b

As figuras 41-b mostra a épura correspondente, com as
projeções do eixo (e), antes da rotação.
(π)
(π')
B
B'
(e)
e'
(B)
A ≡ A1 ≡ e
A' ≡ A'1
B1
B'1
(B1)
O0
79





Figura 41-b

Na figura 41-c obtivemos a VG de (B) fazendo os seguintes
procedimentos:

1º) traçamos uma semi-reta paralela à linha de terra passando por A
e no sentido que pretendemos efetuar a rotação. Suponhamos para a
direita da épura.

2º) com centro em e ≡ A e raio AB, traçamos um arco de círculo até
cortar a paralela. O ponto de interseção será identificado como B
1.

B
B'
(B)
(A)
A
A'
O0
B'
B
e'
A
A
O
0
80
3º ) como a cota de (B) não se altera durante e pós a rotação, basta
traçar por B’ uma paralela à linha de terra, no mesmo sentido. A linha
de chamada traçada de B
1
ao encontrar esta paralela, identifica o
ponto B’
1
.

4º) como o ponto (A) não se moveu, após a rotação teremos A’≡ A’
1
,
assim como A ≡ A
1
.

O segmento A’
1
B’
1
é a VG do segmento (AB)



Figura 41-c


B'
B
e'
O0
A≡A1≡e
A'≡A'1
B1
B'1
A'
A'1
t
B'≡ B'
1
≡ t'
B≡B
1
A
A
1
O0
81
Procedimento semelhante pode ser utilizado passando o eixo
vertical (e) pelo ponto (B).

Podemos, também, utilizar um eixo de rotação (e)
perpendicular a (π’). Neste caso (e) será uma reta de topo cuja
projeção vertical se reduz ao ponto e’.
A figura 41-e mostra a épura de um segmento de perfil r cuja
VG foi obtida utilizando eixo (e) perpendicular ao plano (π’),
passando pelo ponto (B).
Em resumo, o procedimento foi o seguinte:

1º) Com centro em e’≡ B’ e raio A’B’ traçamos um arco de círculo até
encontrar a paralela á linha de terra traçada por B’, determinando
A’
1
.

2º) Por A traçamos uma paralela à linha de terra que, ao interceptar a
linha de chamada traçada por A’
1
identificará o ponto A
1
.

3º) Neste caso teremos B’≡ B’
1
e B ≡ B
1
e segmento (AB) que é de
perfil, tornou-se o segmento horizontal (A
1
B
1
).

O segmento A
1
B
1
é a VG do segmento (AB).

82

Figura 41-e

Por se tratar da VG de um mesmo segmento, teremos
obrigatoriamente:

A’
1
B’
1
(fig.41-d) = A
1
B
1
(fig.41-c)

3.5.3.1.2 – VG de Segmentos de Reta Qualquer

B'
B
e'
O
0
A≡A
1
≡e
A'≡A'
1
B
1
B'
1
A'
A'
1
e
B'≡ B'
1
≡ e'
B≡B
1
A
A
1
O
0
83
Se um determinado segmento tem como suporte uma reta
qualquer, os procedimentos para determinar sua VG através de uma
rotação em torno de um eixo, são absolutamente os mesmos
adotados para segmentos de perfil, como poderá ser constatado a
seguir.
Suponhamos, então, um segmento (AB), tal como mostrado
na figura 42-a.


Figura 42-a

(π)
(π')
(A)
(B)
A
B
B'
A'
O0
84
Na figura 42-b, criamos um eixo vertical (e) que passa pelo
ponto (A). Ao girarmos o segmento em torno de (e), o ponto (A) não
se mexe porque pertence ao eixo. O ponto (B), ao girar, descreve um
arco de círculo até que (AB) fique paralelo à (π’), definindo o ponto
(B
1
). Nota-se que o arco descrito por (B) em torno de (e) se projeta
em VG em (π) e o segmento AB
1
fica paralelo à linha de terra. Na
verdade, após a rotação, o segmento (AB) se torna frontal.

Figura 42-b

(B)
A
B
B'
e
(e)
B1
e'
(B
1
)
B'
1
A≡ A
1
(A)≡ (A
1
)
O0
(π')
(π)
85
A figura 42-c mostra a épura correspondente, incluindo as
projeções do eixo vertical (e) passando pelo ponto (A).

Figura 42-c

Na figura 42-d obtivemos a VG de (AB) fazendo os seguintes
procedimentos:

1º) traçamos uma semi-reta paralela à linha de terra passando por A
e no sentido que pretendemos efetuar a rotação. Pela condição
mostrada na épura, faremos a rotação no sentido horário.

2º) com centro em e ≡ A e raio AB, traçamos um arco de círculo até
cortar a paralela. O ponto de interseção será identificado como B
1.

(π)
(π')
(A)
(B)
A
B
B'
A'
A'
B'
O
0
O
0
e'
B
A≡e
86
3º ) como a cota de (B) não se altera durante e pós a rotação, basta
traçar por B’ uma paralela à linha de terra, no mesmo sentido. A linha
de chamada traçada de B
1
ao encontrar esta paralela, identifica o
ponto B’
1
.

4º) como o ponto (A) não se moveu, após a rotação teremos A’≡ A’
1
,
assim como A ≡ A
1
.
O segmento A’
1
B’
1
é a VG do segmento (AB)

Figura 42-d

Podemos, também, utilizar um eixo de rotação (e)
perpendicular a (π’). Neste caso (e) será uma reta de topo cuja
projeção vertical se reduz ao ponto e’.
O
0
O
0
A' ≡A'
1
A ≡ A
1
≡ e
A'
A'
1
A
1
A
B' ≡ B'
1
≡ t'
B ≡ B
1

e'
t
B'
B
B'
1

B
1

87
A figura 42-e mostra a épura de um segmento de reta
qualquer cuja VG foi obtida utilizando eixo (e) perpendicular ao
plano (π’), passando pelo ponto (B).

Em resumo, o procedimento foi o seguinte:

1º) Com centro em e’≡ B’ e raio A’B’ traçamos um arco de círculo até
encontrar a paralela á linha de terra traçada por B’, determinando
A’
1
.

2º) Por A traçamos uma paralela à linha de terra que, ao interceptar a
linha de chamada traçada por A’
1
identificará o ponto A
1
.

3º) Neste caso teremos B’≡ B’
1
e B ≡ B
1
e segmento (AB) que é de
perfil, tornou-se o segmento horizontal (A
1
B
1
).

O segmento A
1
B
1
é a VG do segmento (AB).

88

Figura 42-e

Por se tratar da VG de um mesmo segmento, teremos
obrigatoriamente:

A’
1
B’
1
(fig.42-d) = A
1
B
1
(fig.42-e)
3.5.3.2 – Mudança de Plano de Projeção

O método conhecido como tal, consiste em criar um novo
sistema de projeções que contenha um dos planos de projeção do
sistema original e outro, obrigatoriamente, perpendicular ao plano
mantido. A aplicação direta deste método é possível, desde que o
O
0
O
0
A' ≡ A'
1
A ≡ A
1
≡ e
A'
A'
1
A
1
A
B' ≡ B'
1
≡ e'
B ≡ B
1

e'
B'
B
B'
1

B
1

e
89
novo plano de projeção seja paralelo ao plano da figura ou contenha
a figura.
Se for mantido o plano horizontal de projeção (π) – incluindo
a projeção horizontal do segmento – o novo plano será,
obrigatoriamente, um plano de vertical. Neste caso diremos que foi
feita uma mudança de plano vertical.
Se for mantido o plano vertical de projeção (π’) – incluindo a
projeção vertical do segmento – o novo plano de projeção será,
obrigatoriamente, um plano de topo. Neste caso diremos que foi
feita uma mudança de plano horizontal.
Em ambos os caso, a linha de terra do novo sistema será a
interseção do plano de projeção mantido e o plano de projeção
criado.

3.5.3.2.1 – Segmentos de Perfil

Na figura 43-a é mostrado um segmento de perfil (AB), bem
como um plano (π’
1
) perpendicular a (π) e paralelo a (AB). Observe-se
que o trapézio (A)(B)BA é, portanto, também paralelo ao plano (π’
1
).
Os planos (π) e (π’
1
) constituem um novo sistema projetivo,
onde (ππ’
1
) é a linha de terra deste novo sistema. Isto significa dizer
que estamos fazendo uma mudança de plano vertical, trocando (π’)
por (π’
1
).
Projetando o segmento (AB) nesse novo sistema, verificamos
que:

a) as projeções horizontais não se alteram porque o plano
(π) foi mantido;
b) as cotas de (A) e de (B) , após a mudança do plano
vertical, são as iguais às respectivas cotas no sistema
original.

Outra constatação importante é que a distância de (π’
1
) à
(AB) é absolutamente arbitrária, pois qualquer que seja tal distância,
as projeções ortogonais de (A) e de (B) nesse plano são invariantes.
90
Logo, a distância entre a nova linha de terra e a projeção horizontal
de (AB) também é arbitrária.
O segmento A
1
B
1
é a VG do segmento (AB).


Figura 43-a

A figura 43-b mostra como é obtida a épura respectiva.
Inicialmente traçamos a linha de terra do novo sistema,
paralela a AB. A distância entre elas é arbitrária, podendo até ser
nula, isto é, ambas podem ser coincidentes.
As projeções horizontais permanecem as mesmas, ou seja:

A ≡ A
1
e B ≡ B
1

(π)
(π')
B
B'
(B)
(A)
A
A'
O0
(ππ’1)
(π'1)
B'1
A'1
91
Em seguida, são traçadas novas linhas de chamada, a partir
de A e B, perpendiculares à nova linha de terra (ou a linha de terra do
novo sistema).
Como o plano horizontal de projeção (π) é o mesmo em
ambos os sistemas, as cotas de (A) e de (B) não se alteram. Logo, as
cotas de (A) e de (B) são marcadas a partir da nova linha de terra,
sobre as linhas de chamadas do novo sistema traçadas
anteriormente, determinando as projeções de (A) e (B), isto é, A’
1
e
B’
1
.
O segmento A’
1
B’
1
é a VG do segmento (AB).



Figura 43-b
A'
A ≡ A
1
A ≡ B
1
B'
1
A'
1
B'
92
Se for mais conveniente fazer uma mudança de plano
horizontal, o novo plano de projeção será (π
1
), o que implica em dizer
que, no novo sistema, o plano vertical de projeção não se altera. A
nova linha de terra é agora (π
1
π’).
A visão espacial mostrada na figura 44-a é semelhante à que
é mostrada na figura 43-a. O novo plano de projeção muda de nome,
e a linha de terra muda de posição.
Projetando o segmento (AB) nesse novo sistema, verificamos
que:

a) as projeções verticais não se alteram porque o plano (π’)
foi mantido;
b) os afastamentos de (A) e de (B) , após a mudança do
plano horizontal são as iguais aos respectivos
afastamentos no sistema original.

Outra constatação importante é que a distância de (π
1
) à (AB)
é absolutamente arbitrária, pois qualquer que seja tal distância, as
projeções ortogonais de (A) e de (B) nesse plano são invariantes.
Logo, a distância entre a nova linha de terra e a projeção vertical de
(AB) também é arbitrária.
O segmento A’
1
B’
1
é a VG do segmento (AB).
93


Figura 44-a

A figura 44-b mostra como é obtida a épura respectiva.
Inicialmente traçamos a linha de terra do novo sistema, agora
paralela a A’B’. A distância entre elas é arbitrária, podendo até ser
nula, isto é, ambas serem coincidentes.
As projeções verticais permanecem as mesmas, ou seja:

A’ ≡ A’
1
e B’ ≡ B’
1

(π)
(π')
B
B'
(B)
(A)
A
A'
O0
(π1)
B1
A1
(π1π’)
94
Em seguida, são traçadas novas linhas de chamada, a partir
de A’ e B’, perpendiculares à nova linha de terra (ou a linha de terra
do novo sistema).
Como o plano vertical de projeção (π’) é o mesmo em ambos
os sistemas, os afastamentos de (A) e de (B) não se alteram. Logo, os
afastamentosde (A) e de (B) são marcadas a partir da nova linha de
terra, sobre as linhas de chamadas do novo sistema traçadas
anteriormente, determinando as projeções de (A) e (B), isto é, A
1
e
B
1
.
O segmento A
1
B’
1
é a VG do segmento (AB).

95


Figura 44-b

Por se tratar da VG de um mesmo segmento, teremos
obrigatoriamente:

A’
1
B’
1
(fig.43-b) = A
1
B
1
(fig.44-b)

A
A
B1
A1
A'≡A'1
B'≡B'1
96
3.5.3.2.2 – Segmentos de Reta Qualquer

Na figura 45-a é mostrado um segmento de reta qualquer
(AB), bem como um plano (π’
1
) perpendicular a (π) e paralelo a (AB).
Observe-se que o trapézio (A)(B)BA é, portanto, também paralelo ao
plano (π’
1
).
Os planos (π) e (π’
1
) constituem um novo sistema projetivo,
onde (ππ’
1
) é a linha de terra deste novo sistema. Isto significa dizer
que estamos fazendo, também uma mudança de plano vertical,
trocando (π’) por (π’
1
).
Projetando o segmento (AB) nesse novo sistema, verificamos
que:

a) as projeções horizontais não se alteram porque o plano
(π) foi mantido;
b) as cotas de (A) e de (B) , após a mudança do plano
vertical, são as iguais às respectivas cotas no sistema
original.

Outra constatação importante é que a distância de (π’
1
) à
(AB) é absolutamente arbitrária, pois qualquer que seja tal distância,
as projeções ortogonais de (A) e de (B) nesse plano são invariantes.
Logo, a distância entre a nova linha de terra e a projeção horizontal
de (AB) também é arbitrária.
O segmento A
1
B
1
é a VG do segmento (AB).

97

Figura 45-a

A figura 45-b mostra como é obtida a épura respectiva.
Inicialmente traçamos a linha de terra do novo sistema,
paralela a AB. A distância entre elas é arbitrária, podendo até ser
nula, isto é, ficam coincidentes.
As projeções horizontais permanecem as mesmas, ou seja:

A ≡ A
1
e B ≡ B
1

(A)
(B)
A'
B'
B≡B1
A≡A1
B’1
A’1
(ππ’1)
(π')
(π)
(π’1)
(ππ’)
98
Em seguida, são traçadas novas linhas de chamada, a partir
de A e B, perpendiculares à nova linha de terra (ou a linha de terra do
novo sistema).
Como o plano horizontal de projeção (π) é o mesmo em
ambos os sistemas, as cotas de (A) e de (B) não se alteram. Logo,
estas cotas são marcadas a partir da nova linha de terra, sobre as
linhas de chamadas do novo sistema traçadas anteriormente,
determinando as novas projeções verticaisde (A) e (B), isto é, A’
1
e
B’
1
.
O segmento A’
1
B’
1
é a VG do segmento (AB).



Figura 45-b
(A)
(B)
A'
B'
B≡B1
A≡A1
B’1
A’1
(ππ’1)
(π')
(π)
(π’1)
(ππ’)
B'
A'
A≡A1
B≡B1
B’1
A’1
O0
99
Se for mais conveniente fazer uma mudança de plano
horizontal, o novo plano de projeção será (π
1
), o que implica em dizer
que, no novo sistema, o plano vertical de projeção não se altera. A
nova linha de terra é agora (π
1
π’).
A figura 46-a mostra as projeções de um segmento (AB) de
reta qualquer e o novo plano de projeção, agora contendo o
segmento objetivo e, por isso, contendo a projeção vertical A’B’ do
segmento.

Projetando o segmento (AB) nesse novo sistema, verificamos
que:
a) as projeções verticais não se alteram porque o plano (π’)
foi mantido;
b) os afastamentos de (A) e de (B) , após a mudança do
plano horizontal são as iguais aos respectivos
afastamentos no sistema original.

O segmento A
1
B
1
é a VG do segmento (AB).

100

Figura 46-a

A figura 46-b mostra como é obtida a épura respectiva.
Inicialmente traçamos a linha de terra do novo sistema, desta
feita, contendo a projeção vertical do segmento.
As projeções verticais permanecem as mesmas, ou seja:

A’ ≡ A’
1
e B’ ≡ B’
1

( π)
A'≡ A'
1
B'≡ B'
1
( π
1
)
( π
1
π’)
( ππ’)
A'≡ A’
1
B'≡ B'
1
B
A
A
1
B
1
O0
( A ) ≡ A
1
( B )
≡ B
1
101
Em seguida, são traçadas novas linhas de chamada, a partir
de A’ e B’, perpendiculares à nova linha de terra (ou a linha de terra
do novo sistema).
Como o plano vertical de projeção (π) é o mesmo em ambos
os sistemas, os afastamentos de (A) e de (B) não se alteram. Logo,
estes afastamentos são marcados a partir da nova linha de terra,
sobre as linhas de chamadas traçadas anteriormente, determinando
as novas projeções horizontais de (A) e (B), isto é, A
1
e B
1
.
O segmento A
1
B
1
é a VG do segmento (AB).

Figura 46-b

(π')
(π)
(A)
(B)
A'≡ A'
1
B'≡ B'
1
A
1
B
1

1
)

1
π’)
(ππ’)
A'≡A’
1
B'≡B'
1
B
A
A
1
B
1
O
0
102
Por se tratar da VG de um mesmo segmento, teremos
obrigatoriamente:

A’
1
B’
1
(fig.45-b) = A
1
B
1
(fig.46-b)

3.6) Divisão de um Segmento numa Razão Dada

Suponhamos que um segmento (AB) seja dividido em duas
partes por um ponto (M) de tal maneira que (MA) / (MB) = k. A figura
47 mostra o segmento (AB), o ponto (M) e (AB) e suas projeções
num plano (π). Por (A) traçamos uma paralela a (π) até encontrar o
raio projetante que passa por (B), determinando ali o ponto (P) e o
ponto (N) sobre o raio projetante que passa por (M).
Pelo teorema de Tales podemos escrever que (MA) / (MB) =
NA / NP. Ocorre que N ≡ M e P ≡ B. Podemos então entender que
(MA) / (MB) = MA / MB. Logo, teremos k = MA / MB. Assim sendo,
podemos escrever:
Quando um ponto divide um segmento numa dada razão, a
projeção do ponto num plano divide a projeção do segmento neste
plano na mesma razão.
103


Figura 47

A figura 48 mostra a épura de um segmento (AB) dividido por
um ponto (M) numa razão k. Pelo que vimos, teremos M’A’ / M’B’ =
MA / MB = k. Convém observar também que M
0
A
0
/ M
0
B
0
= k

A
B=P
(B)
(A)
(r)
r
(P)
(M)
(N)
M=N
104

Figura 48

3.7) Posições Relativas entre Retas e Segmentos de Retas

Dois segmentos, assim como as respectivas retas suportes,
podem ser, um em relação ao outro:

I) concorrentes (oblíquos ou perpendiculares)
II) reversos (ou revessos)
III) paralelos






r'
A'
B'
A
r
B
5
1
4
2
3
3
2
1
3
5
x
z
5
4
3
2
1
y
M'
M
Ex: K=MA/MB=2/3
O0
A0 B0 M0
105
3.7.1) Segmentos Concorrentes

Dois segmentos são concorrentes quando possuem um ponto
comum. Ao projetarmos ortogonalmente dois segmentos
concorrentes sobre um plano, a projeção do ponto comum aos dois
coincidirá com o ponto comum de suas projeções no plano, como se
pode ver na figura 49.

Figura 49

Em épura, dois segmentos são concorrentes quando o ponto
comum às projeções de mesmo nome estão numa mesma linha de
chamada. Se um segmento (AB) concorre com um segmento (CD)
num ponto (O), O’ e O estão na mesma linha de chamada, como
mostra a figura 50.
(π)

(O)
O
(r)
r
(s)
s
(A)
(B)
C
D
(C)
(D)
106


Figura 50

Observando a figura 51, podemos afirmar que trata-se da
épura de dois segmentos concorrentes. Ocorre, neste caso, que as
projeções horizontais das retas jazidas dos segmentos são
coincidentes. A condição de concorrência é dada pelas projeções
verticais.
(π)

(O)
O
(r)
r
(s)
s
(A)
(B)
C
D
(C)
(D)
107


Figura 51

Dois segmentos são perpendiculares quando o ângulo que
fazem é reto. Um ângulo reto só se projeta reto, se um dos lados for
paralelo ao plano de projeção, como mostra a figura 52. No caso, a
reta (h) é horizontal. Logo, o lado do ângulo reto representado pelo
segmento (CD) se projeta em VG no plano horizontal de projeção..
B'
A'
r'
r=s
C'
D'
s'
C
D
O'
O
A
B
108

Figura 52

3.7.2) Segmentos Paralelos

Dois segmentos são paralelos quando têm a mesma direção.
Diz-se também que duas retas são paralelas quando concorrem num
ponto impróprio.
Os segmentos (AB) e (CD) são paralelos e ambos são
projetados ortogonalmente num plano (π), obtendo-se
respectivamente, os segmentos AB e CD, tal como mostrado na
figura 53. Observemos que os planos dos trapézios formados pelos
segmentos e suas respectivas projeções são paralelos e
perpendiculares a (π). Logo, suas interseções com (π) são retas
também paralelas e que contém, respectivamente, AB e CD.
B'
O'
D'
O
C
C'
A
B
D
r
r'
h'
h
A'
109


Figura 53

Assim podemos escrever:

Quando dois ou mais segmentos são paralelos, suas
projeções ortogonais num plano são, também, paralelas.

Assim sendo, se dois segmentos, (AB) e (CD) são paralelos, as
projeções de mesmo nome serão também paralelas, como mostra a
figura 54.

A
B
(B)
(A)
(r)
r
C
D
s
(C)
(D)
(s)
(X)
(Y)
110

Figura 54


Observando a figura 55 podemos afirmar que trata-se da
épura de dois segmentos paralelos. Ocorre, agora, que as projeções
horizontais das retas jazidas dos segmentos são coincidentes. A
condição de paralelismo é dada pelas projeções verticais.

B'
A'
r'
s'
s
D'
C'
A
r
B
111


Figura 55

3.7.3) Segmentos Reversos (ou Revessos)

Dois segmentos são revessos quando não possuem ponto
comum. Diz-se, também, que duas retas são reversas quando não
possuem ponto comum, nem próprio e nem impróprio.
Se os segmentos (AB) e (CD) são reversos, os pontos de
concorrência das projeções de mesmo nome não estão na mesma
linha de chamada, como mostra a figura 56.

B'
A'
r'
s'
r=s
D'
D
C'
C
A
B
112

Figura 56











B'
A'
r'
r
D'
A
B
D
C
C'
s'
s
113


4.0) PROJEÇÕES ORTOGONAIS DE FIGURAS PLANAS

4.1) Considerações Iniciais

Uma figura é plana quando a totalidade dos seus pontos
pertencem a um único plano, isto é, são todos coplanares. Retas,
segmentos de retas, círculos, arcos de círculos, polígonos regulares
são exemplos de figuras planas. É importante lembrar que uma figura
plana define o plano ao qual pertence.

4.2) Posições de um Plano em Relação a um Plano de Projeção

Suponhamos um plano denominado (π) que será utilizado
como plano de projeção
Em relação a (π), um outro plano pode ser:

I) paralelo
II) perpendicular
III) oblíquo

4.3) Traços de um Plano

De um modo geral, chama-se traço de um plano sobre outro,
à reta de interseção destes planos. No âmbito da Geometria
Descritiva, o traço de um plano é a reta de interseção do plano com
um plano de projeção.
A notação adotada para o traço de um plano deve conter a
letra grega minúscula que identifica o plano seguida da letra que
identifica o plano de projeção interceptado. Assim, o traço de um
plano (α), por exemplo, num plano projeção (π), suposto horizontal,
será identificado no espaço como (απ).
Nesta condição, (απ) é uma reta de (α) de cota nula. Sua
projeção no plano (π) será portanto απ.
114
Se o plano é paralelo ao plano de projeção, evidentemente
não haverá indicação do traço.
As figuras 57-a a 57-c mostram como ficam no espaço os
planos conforme sua posição em relação a um plano de projeção.



Figura 57-a

(π)
(α)
115

Figura 57-b


Figura 57-c


(π)
(α)
(απ)

(π)
(α)
(απ)
116
Assim sendo, pode-se concluir imediatamente que:

I) Se (α) for um plano paralelo a um plano de projeção, todas
as figuras que lhe pertencem se projetarão em verdadeira
grandeza no plano (π) (fig. 58-a);


Figura 58-a

II) Se (α) for um plano perpendicular a um plano de projeção,
todas as figuras que lhe pertencem se projetarão no plano
(π) segundo um segmento sobre o traço (απ) (fig. 58-b);

(π)
(α)
(A)
(C)
(B)
A
C
B
(ABC) = ABC
117


Figura 58-b


III) Se (α) for um plano oblíquo a um plano de projeção,
qualquer figura que lhe pertença a (α), deverá ter suas
projeções localizadas obrigatoriamente sobre, pelo menos,
três pontos (ou duas retas) desse plano (fig. 58-c).

Como se observa na figura, as retas (r), (s) e (t) pertencem ao
plano (α) porque são suportes dos lados do triângulo (ABC) que, por
hipótese, está contido nesse plano. Os vértices (A) e (B) e suas
respectivas projeções ortogonais A e B em (π) pertencem a um plano

(π)
(α)
(απ)
(B)
(C)
(A)
C
A
B
118
cujas interseções com (α) e (π) são, respectivamente, (r) e r. O ponto
comum aos três planos é a interseção de (r), r e (απ).
Tal raciocínio pode ser estendido aos outros dois lados (AC) e
(BC) com relação às retas (s) e (t)
Ocorre, porém, que as interseções destas com (π) são,
respectivamente, seus traços neste plano verificando-se, também,
que tais pontos estão localizados sobre (απ).
No caso da reta ser paralela ao traço do plano, a condição de
pertinência da reta ao plano será garantida se ela for concorrente
com outra reta do mesmo plano.
Assim, podemos afirmar que:

Quando uma reta pertencente a um plano é projetada sobre
um plano de projeção o traço da reta estará localizado no traço do
plano.



Figura 58-c

(π)
(α)
(απ)
(A)
(B)
(C)
(r)
(t)
(s)
B
r
A
C
s
t
119
4.5) Projeções de Figuras Planas

4.5.1) Figura Paralela a (π)

Nesta situação, todos os pontos da figura (f) têm cotas iguais,
ou seja, (f) ≡ f.

Sendo (f) paralela a (π), o plano que a contém é
perpendicular a (π’). Logo, f’, projeção vertical de (f), se reduzirá a um
segmento de reta que conterá as projeções verticais de todos os seus
pontos. Assim, para uma figura plana (f) caracterizada pelos pontos
(A), (B)...(N), teremos:

I) z
(A)
= z
(B)
=... = z
(N)


II) A’B’...C’ ≡ f’

Nestas condições, diz-se que a figura pertence a um plano
horizontal ou, mais apropriadamente, plano de nível).
Por suas características específicas, pode-se concluir que um
plano de nível só admite retas cujos pontos possuam cotas iguais, ou
seja:

I) retas horizontais
II) retas fronto-horizontais
III) retas de topo

A figura 59-a mostra, no espaço, um plano de nível (α), bem
como as retas (h), horizontal, (r), fronto-horizontal e (t), de topo e do
ponto (M) de interseção dessas retas. As respectivas projeções são
também mostradas.
120


Figura 59-a

Em resumo, podemos então dizer que:

Qualquer figura (plana) paralela ao plano horizontal de
projeção pertence a um plano de nível, observando-se que:
I) a projeção horizontal da figura está em verdaeira
grandeza (VG).
II) a projeção vertical da figura se reduz a um
segmento contido no traço vertical do plano.


h
(h)
(M)
M
(t)
t
(r)
r
h'
≡ r' ≡ (απ) ≡ απ
t'
≡ M'
(π')
(π)
(α)
121
A figura 59-b mostra a representação espacial de um
triângulo (ABC) pertencente a um plano de nível (α).



Figura 59-b


A figura 59-c mostra a épura correspondente´onde a
projeção horizontal de (ABC), ou seja, A’B’C’ está em verdadeira
grandeza (VG).
(A)
(B)
B'
A'
A
B
C'
(C)
C
(απ') ≡απ’
(π’)
(π)
(α)
122


Figura 59-c

4.5.2) Figura Paralela a (π’)

Nesta situação, todos os pontos da figura (f) têm
afastamentos iguais, ou seja, (f) ≡ f’.
Fazendo raciocínio análogo ao do caso anterior, podemos
escrever:

I) y
(A)
= y
(B)
=... = y
(N)


II) AB...C ≡ f

( π)
( π)
( α)
(A)
(B)
B'
A'
A
B
C'
(C)
C
B'
B
C'
A'
A
C
απ'
(απ'
)


α π
'

123
Nestas condições, diz-se que a figura pertence a um plano
frontal (ou plano de frente).
Por suas características específicas, pode-se concluir que um
plano frontal só admite retas cujos pontos possuam afastamentos
iguais, ou seja:

I) retas frontais
II) retas fronto-horizontais
III) retas verticais

A figura 60-a mostra, no espaço, um plano frotal (α), bem
como as retas (f), frontal, (r), fronto-horizontal e (v), vertical e do
ponto (M) de interseção dessas retas. As respectivas projeções são
também mostradas.
124


Figura 60-a

Em resumo, podemos então dizer que:

Qualquer figura (plana) paralela ao plano vertical de
projeção pertence a um plano frontal, observando-se que:

I) a projeção vertical da figura está em verdaeira
grandeza (VG).
(f)
f'
(M)
M'
r'
(r)
v'
(v)
f
≡ h ≡ (απ) ≡ απ
M
≡ v
(π')
(π)
(α)
125
II) a projeção vertical da figura se reduz a um
segmento contido no traço horizontal do plano.

A figura 60-b mostra a representação espacial de um
triângulo (ABC) pertencente a um plano frontal (α).

Figura 60-b
A figura 60-c mostra a épura correspondente, onde a
projeção vertical de (ABC), ou seja, ABC, está em verdadeira grandeza
(VG).

(π)
(π')
(α)
A
(A)
A'
C
B
C'
(C)
B'
(B)
B'
B
A C
A'
C'
απ
(απ)

απ
126


Figura 60-c

4.5.3) Figura Perpendicular a (π) e Oblíqua a (π’)

Quando uma figura (f) é perpendicular a (π), sua projeção
horizontal – f – se reduz a um segmento composto pelas projeções
horizontais de seus pontos. A projeção vertical de (f) é uma outra
figura, f’, definida pelas projeções verticais de seus pontos e não
representa a VG de (f) porque o plano ao qual pertence é oblíquo em
relação a (π’).
A
(A)
A'
C
B
C'
(C)
B'
(B)
B'
B
A
C
A'
C'
απ
(απ)

απ
127
Nestas condições, diz-se que a figura pertence a um plano
vertical.

Por suas características específicas, pode-se concluir que um
plano vertical só admite os seguintes tipos de reta
I) retas verticais
II) retas horizontais
III) retas quaisquer (ou genéricas)

A figura 61-a mostra, no espaço, um plano vertical (α), bem
como as retas (v), vertical, (h), horizontal e (q), qualquer e do ponto
(M) de interseção dessas retas. As respectivas projeções são também
mostradas.



Figura 61-a
(r)
r'
(h)
h'
(M)
(v)
M'
v'
h
≡ r ≡ (απ) ≡ απ
M
≡ v
(π')
(π)
(α)
(απ')
α0
128
A figura 61-b mostra, no esáço, as projeções de um triângulo
(ABC) pertencente a um plano vertical (α).


Figura 61-b

A figura 61-c mostra a épura correspondente. Como se vê, a
projeção horizontal ABC pertence a (απ).
Como um plano vertical é perpendicular ao plano horizontal
de projeção (π), seu traço em (π’), ou seja, (απ’) é uma reta vertical
de afastamento nulo.
O ponto α
0
, na linha de terra, é a interseção entre (α), (π) e
(π’).
( α)
A
C
B
(A)
(C)
(B)
B'
A'
C'
(απ) ≡ απ
(απ') ≡ απ
'
( π )
( π
')
(ππ’)
B'
C'
A"
B
A
C
(απ)
(απ')
129
A épura de uma figura pertencente a um plano vertical não
permite, de um modo geral, saber se o triângulo (ABC) é equilátero,
isósceles ou escaleno.


Figura 61-c


α
0
(α)
A
C
B
(A)
(C)
(B)
B'
A'
C'
(απ) ≡ απ
(απ') ≡ απ
'
(π)
(π')
(ππ’)
α
0
B'
C'
A"
B
A
C
(απ)
(απ')
130
4.6.2) Figura Perpendicular a (π’) e Oblíqua a (π)

Quando uma figura (f) é perpendicular a (π’), sua projeção
vertical – f – se reduz a um segmento composto pelas projeções
verticais de seus pontos. A projeção horizontal de (f) é uma outra
figura, f’, definida pelas projeções horizontais de seus pontos e não
representa a VG de (f) porque o plano ao qual pertence é oblíquo em
relação a (π’).
Nestas condições, diz-se que a figura pertence a um plano de
topo.
Por suas características específicas, pode-se concluir que um
plano de topo só admite os seguintes tipos de reta
I) retas de topo
II) retas frontais
III) retas quaisquer (ou genéricas)

A figura 62-a mostra, no espaço, um plano de topo (α), bem
como as retas (t), de topo, (f), frontal e (q), qualquer e do ponto (M)
de interseção dessas retas. As respectivas projeções são também
mostradas.
131


Figura 62-a

A figura 62-b mostra a representação espacial as projeções
de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de topo (α).



(r)
r'
(h)
h'
(M)
(v)
M'
v'
h
≡ r ≡ (απ) ≡ απ
M
≡ v
(π')
(π)
(α)
(απ')
α0
132

Figura 62-b

A figura 62-c mostra a épura de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano vertical (α). Logo, a projeção vertical A’B’C
‘pertence a (απ’).
Como um plano de topo é perpendicular ao plano vertical de
projeção (π’), seu traço em (π), ou seja, (απ) é uma reta de topo de
cota nula.
O ponto α
0
, na linha de terra, é a interseção entre (α), (π) e
(π’).

α0
(απ')
(α)
C'
B'
A'
(C)
(B)
(A)
B
A
C
(απ)
(ππ’)
α0
A'
απ'
B'
B
A
C
C'
απ
133

Figura 62-c




α
0
( α π ' )
C'
B'
A'
(C)
(B)
(A)
B
A
C
(απ)
(ππ’)
α
0
A'
απ'
B'
B
A
C
C'
απ
134
4.7) Figura Perpendicular a (π) e a (π’)

Sendo perpendicular aos dois planos de projeção, (π) e (π’), o
plano que contém a figura (f) é perpendicular, também, à linha de
terra. Nesta posição, tanto a projeção horizontal, como a projeção
vertical, serão reduzidas a segmentos de reta. Obviamente, nenhuma
das duas projeções mostra a verdadeira grandeza da figura.
Uma figura assim posicionada pertence ao chamado plano
de perfil.

Por suas características específicas, pode-se concluir que um
plano de perfil só admite os seguintes tipos de reta
I) retas de perfil
II) retas verticais
III) retas de topo

A figura 63-a mostra, no espaço, um plano de perfil (α), bem
como as retas (p), de perfil, (v), vertical e (t), de topo e do ponto (M)
de interseção dessas retas. As respectivas projeções são também
mostradas.

135



Figura 63-a

Os traços de um plano de perfil pertencem a uma mesma
reta perpendicular à linha de terra porque todos os pontos isolados
ou que pertencem a reta ou figuras planas que lhe pertencem têm a
mesma abcissa.
Assim, para uma figura plana (f), caracterizada pelos pontos
(A),(B)...(N), teremos:.
I) A’B’...N’ ≡ f’

II) AB...N ≡ f
(p)
(M)
(t)
(v)
p
≡ t ≡ (απ) ≡ απ
p'
≡ v' ≡ (απ') ≡ απ'
M
≡ v
M'
≡ t'
(α)
(π')
(π)
α0
O0
136
A figura 63-b mostra a representação espacial de um
triângulo (ABC) pertencente a um plano de perfil.


Figura 63-b

A figura 63-c mostra a épura correspondente.
Tal como ocorre com figuras em plano verticais e de topo,a
épura de uma figura pertencente a um plano de topo não permite,
de um modo geral, saber se o triângulo (ABC) é equilátero, isósceles
ou escaleno.

(απ')
(A)
(B)
(απ)
A
B
B'
A'
C
(C)
C'
(ππ’)
B'
A'
C'
A
B
C
απ'
απ
α0
α0
137




Figura 63-c
(απ')
(A)
(B)
(απ)
A
B
B'
A'
C
(C)
C'
(ππ’)
B'
A'
C'
A
B
C
απ'
απ
α
0
α
0
138
4.8) Figura Oblíqua a (π) e (π’)

Se uma figura (f) é oblíqua aos dois planos de projeção, ou
seja, oblíqua simultaneamente a (π) e a (π’), suas projeções são figuras
distintas, da mesma natureza da figura objetiva e não representam
sua verdadeira grandeza. Neste caso, o plano que contém a figura
pode estar nas seguintes posições:

I) passa pela linha de terra
II) paralelo à linha de terra
III) oblíquo à linha de terra

Em cada uma destas situações, devem ser considerados os
seguintes aspectos:

I) Plano que Passa pela Linha de Terra

Os traços de um plano que passa pela linha de terra
coincidem com a própria linha de terra. Logo, todas as retas
que pertencem a um plano nesta posição interceptam a linha
de terra fazendo (V) ≡ (H).
Todos os pontos deste plano têm cota e afastamento
obedecendo a uma razão constante. Assim, se (M), (N) e (P)
pertencem a um plano que passa pela linha de terra, teremos
obrigatoriamente:

y(M) / z(M) = y(N) / z(N) = y(P) / z(P) = k

k é a constante que caracteriza o plano.
Por suas características específicas, pode-se concluir que um
plano que passa pela linha de terra só admite tipos de reta cujos
respectivos traços se interceptem na linha de terra, ou seja:

I) retas de perfil
II) retas quaiquer
III) retas fronto-horizontais (*)

139
(*) As retas fronto-horizontais, assim como suas projeções, são
paralelas à linha de terra e, por isso, considera-se que interceptam
(ππ’) num ponto impróprio.
A figura 64-a mostra um plano (α) que passa pela
linha de terra, bem como as retas (q), qualquer, (r), fronto-
horizontal e (p), de perfil e um ponto cujas projeções
caracterizam o plano pela razão k. As respectivas projeções
também são mostradas.



Figura 64-a

(ππ’)≡(απ)≡απ≡απ’
(π')
(π)
(α)
(M)
(p)
M
M'
p'
p
q'
q
(q)
r'
(r)
r
140
A figura 64-b mostra a representação espacial de um
triângulo (ABC) pertencente a um plano (α) que passa pela
linha de terra.



Figura 64-b

A figura 64-c representa a épura do triângulo (ABC),
mostrando, também, as retas (r) e (s), suportes, respectivamente, dos
lados (AB) e (AC). Como (ABC) pertence a um plano que passa pela
linha de terra, os prolongamentos de suas projeções se interceptam
nesta linha.

(C)
(A)
(B)
C
C'
A
A'
B
B'
B
B
A'
A
C'
C
r'
r
s
s'
(απ') ≡(απ)
απ ≡απ’
(α)
(π')
(π)
141


Figura 64-c


II) Plano Paralelo á Linha de Terra ou Plano em
Rampa.

Para que um plano seja paralelo a uma reta, basta que apenas
uma reta do plano seja paralela àquela reta. Ao considerarmos, por
exemplo que o traço horizontal de um plano é uma reta horizontal de
cota nula, se este traço for paralelo à linha de terra, o traço, na verdade
é uma reta fronto-horizontal de cota nula. Como todas as retas fronto
horizontais de um plano devem ser obrigatoriamente paralelas,
conclui-se que o traço vertical do plano, será uma fronto-horizontal de
afastamento nulo.
(C)
(A)
(B)
C
C'
A
A'
B
B'
B
B
A'
A
C'
C
r'
r
s
s'
(απ') ≡(απ)
απ ≡απ’
(α)
(π')
(π)
142
Logo,os traços de um plano paralelo à linha de terra (ou em
rampa) são paralelos à linha de terra. Assim, no caso de um plano (α),
teremos:
(απ’) // (απ) // (ππ’)
Por suas características específicas, pode-se concluir que um
plano paralelo à linha de terra só admite os seguintes tipos de reta:

I) retas de perfil
II) retas quaisquer
III) retas fronto-horizontais (*)

(*) As retas fronto-horizontais, assim como suas projeções, são
paralelas à linha de terra e, por isso, considera-se que interceptam
(ππ’) num ponto impróprio.

A figura 65-a mostra um plano (α) que passa pela linha de
terra, bem como as retas (p), perfil, (q), qualquer e (r), fronto-
horizontal e um ponto (M) cuja razão k, entre suas projeções, neste
caso, não carcteriza o plano. As respectivas projeções são também
mostradas.
143


Figura 65-a

A figura 65-b mostra a representação espacial de um
triângulo (ABC) petencente a um plano em rampa (α).

(M)
M
(p)
r'
r
(r)
p'
p
(q)
q'
q
M'
(π’)
(π)
(α)
(απ')
(απ)
144

Figura 65-b


Na figura 65-c é mostrada a épura do triângulo (ABC) que,
por si só, é insuficiente para saber se o plano que o contém é, de
fato, um plano paralelo à linha de terra ou um plano qualquer
Vejamos como fazer.
A reta (r) é suporte do lado (AB).
Traçando-se um segmento de reta paralelo à linha de terra
passando por B’, construímos s’, projeção vertical de uma reta (s)
(A)
(B)
A
B
A'
B'
(C)
C'
C
(απ')
(απ)
(α)
(π')
(π)
145
paralela a (π). Prolongando r’ até interceptar s’, determina-se o
ponto M’.
A projeção horizontal de (M), interseção de (r) com (s), ou
seja, M, é encontrada na linha de chamada traçada de M’ até
encontrar o prolongamento de r, prolongamento da projeção
horizontal de (r).
Quando unimos M a B, obtemos a pojeção horizontal de (s) e
verificamos que trata-se de uma reta também paralela à linha de
terra, ou seja, a reta (s) é uma fronto-horizontal do plano (α), o que
comprova que este plano é do tipo rampa ou paralelo à linha de
terra.
A determinação dos traços do plano, quando necessário, é
feita construindo os traços de uma só reta do plano, já que tais traços
são paralelos à linha de terra. Neste caso obtivemos os traços da
própria reta (r).
É importante observar que o triângulo (AMB), também
pertencente ao plano (α), tem o lado (MB) em verdadeira grandeza,
mas o triângulo, como figura plana, não se projeta em verdadeira
grandeza, nem em (π) e nem em (π’).



146

Figura 65-c






(A)
(B)
A
B
A'
(C)
C'
C
A'
A
B'
B
C'
C
M'
s'
r'
M
s
r
H'
V
H
V'
απ'
απ
147
III) Plano Oblíquo à Linha de Terra

Um plano oblíquo aos dois planos de projeção e à linha de
terra é chamado plano qualquer ou plano genérico..
Por suas características específicas, pode-se concluir que um
plano qualquer só admite tipos de reta que não sejam
perpendiculares a planos de projeção (verticais e de topo) ou retas
paralelas a ambos (fronto-horizontais). Assim sendo, um plano
qualquer admite:

I) retas quaisquer
II) retas horizontais
III) retas frontais
IV) retas de perfil

Os traços de um plano qualquer são oblíquos à linha de terra.

A figura 66-a mostra um plano qualquer (α), bem como as
retas (q), qualquer, (h), horizontal, (f), frontal e (p), perfil e um ponto
(M) de interseção entre elas. As respectivas projeções são também
mostradas.
148


Figura 66-a
A figura 66-b mostra a representação no espaço de um
triângulo (ABC) pertencente a um plano qualquer.
(q)
q'
q
(h)
h
h'
(f)
f'
f
(p)
p
p
p'
(απ)
(απ')
(π')
(π)
(α)
α0
149




Figura 66-b

Na figura 66-c está representada a épura do triângulo (ABC).





(C)
(A)
(B)
C
C'
A
A'
B
B'
B'
B
A'
A
C'
C
r
r'
s
s'
α0
α0
(απ')
(απ)
απ'
απ
(α)
(π’)
(π)
150


Figura 66-c
(C)
(A)
(B)
C
C'
A
A'
B
B'
B'
B
A'
A
C'
C
r
r'
s
s'
α
0
α
0
(απ')
(απ)
απ'
απ
(α)
(π’)
(π)
151

A simples observação das características das respectivas projeções de
seus lados permite-nos afirmar que a figura objetiva é um triângulo
cujo plano ao qual pertence é um plano qualquer. Para tanto, basta
observar que as retas-suporte de (AB), de (BC) e de (AC) são
oblíquoas à linha de terra, ou seja, uma figura pertencente a um
plano qualquer (ou genérico), não se projeta em verdadeira
grandeza, nem em (π) e nem em (π’).
Nestas condições é impossível afirmar, pela simples
observação de suas projeções, se o triângulo (ABC) é retângulo,
isósceles, equilátrero ou escaleno.
A determinação dos traços do plano, quando necessário, é
feita construindo os traços de duas retas do plano. Neste caso
obtivemos os traços da reta (r), suporte do lado (AB) e da reta (s),
suporte do lado (AC).





















152
5.0) VERDADEIRA GRANDEZA DE FIGURAS PLANAS

5.1) Verdadeira Grandeza (VG) de Figuras em Geral

Conhecer e manipular a verdadeira grandeza (VG) dos
elementos geométricos que constituem uma figura dada por suas
projeções ortogonais é uma das finalidades da Geometria Descritiva.
Se a figura é plana, ou seja, se todos os seus pontos são
coplanares, basta que, através de procedimentos geométricos
(alguns já vistos anteriormente), façamos com que a figura fique
paralela ou passe a pertencer a um plano de projeção. Assim
procedendo, será possível conhecer sua verdadeira grandeza (VG).
Se a figura é espacial, ou seja, se ocupa um espaço
tridimensional, os procedimentos da Geometria Descritiva só
permitem visualizar a verdadeira grandeza das porções planas da
figura ou dos elementos geométricos suficientes para defini-la.
Entende-se como tais as arestas e polígonos das bases e faces de
poliedros em geral, raios dos círculos das bases e geratrizes de cones
e cilindros, raios e círculos notáveis de esferas, eixos de cônicas de
revolução, etc.

5.2) Verdadeira Grandeza (VG) de Figuras Planas

É importante ressaltar que:

Se uma figura plana é paralela a um plano de projeção,
sua projeção ortogonal neste plano está em verdadeira grandeza
(VG).

Caso contrário, de modo semelhante ao que foi visto para os
segmentos de reta, três situações podem ocorrer:

I) O plano da figura é perpendicular aos dois planos de
projeção;
II) O plano da figura é perpendicular a um dos planos de
projeção e oblíquo ao outro;
153
III) O plano da figura é oblíquo aos dois planos de
projeção.

Nos dois primeiros casos podemos adotar diretamente os
procedimentos seguintes, já utilizados para determinar a VG de
segmentos:

I) Utilizar o método das Rotações, criando um eixo
pertencente ao plano da figura e fazer com que a
figura gire em torno deste eixo até que seu plano
fique paralelo ou passe a pertencer a um dos planos
de projeção. Se a figura for perpendicular a um dos
planos de projeção, o eixo de rotação também o será.

II) Proceder a uma Mudança de Plano de Projeção
construindo um novo sistema de projeções
ortogonais através da criação de um terceiro plano
de projeção, paralelo ao plano da figura e
perpendicular ao outro.

Como alternativas, podemos adotar, também, os seguintes
procedimentos, principalmente quando o plano da figura é oblíquo aos
dois planos de projeção:

III) Se for possível identificar o plano da figura através
dos seus traços, existe um procedimento que, na
verdade, é um caso particular do método das
rotações. Neste caso, o eixo de rotação será um dos
traços do plano da figura que, após o giro, coincide
com o plano de projeção cujo traço foi adotado como
eixo. Este método é chamado Rebatimento.

IV) Pode-se ainda utilizar a Rotação em torno de um eixo
pertencente ao plano da figura e paralelo a um dos
planos de projeção. Para se obter a VG da figura ou
trabalhar com algum de seus elementos, bastará
154
girar a figura em torno desse eixo até que seu plano
fique paralelo ao plano de projeção, como será visto
mais adiante.

5.3 – VG de Figuras em Planos de Perfil

5.3.1 – Rotação em Torno de Eixo Vertical

A figura 67-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano de perfil (α) e um eixo (e), vertical passado
pelo vértice (A), em torno qual a figura vai girar até ficar paralela ao
plano (π’).


Figura 67-a
(A)
(B)
B
B'
A'
C
(C)
C'
(ππ’)
(e)
e'
A≡e
(α)
(π)
(π')
O0
155
A figura 67-b mostra a épura correspondente e a VG do
triângulo (ABC) obtida da seguinte maneira:

I) Como (e) passa por (A), teremos:
(A) ≡ (A
1
) → A’ ≡ A’
1
, A ≡ A
1


II) Por A ≡ A
1
traçamos uma paralela à linha de terra;
III) Com centro em A≡A
1
≡ e e raios iguais a AB e a AC, traçamos
arcos de círculo até cortarem a paralela traçada,
determinando os pontos B
1
e C
1
;
IV) As semi-retas A
1
B
1
e A
1
C
1
) pertencem ao lugar geométrico
das projeções de horizontais de todos os pontos de (ABC)
após o giro. Marcam-se então os vértices C
1
e B
1
;
V) Como numa rotação de eixo vertical, durante o giro as cotas
não se alteram, por B
1
e C
1
levantamos linhas de chamada;
VI) Semi-retas paralelas traçadas de B’ e C’ determinarão nestas
linhas de chamadas os pontos B’
1
e C’
1
.

O triângulo (A
1
B
1
C
1
) é a VG do triângulo (ABC).
156

Figura 67-b

5.3.2 – Rotação em Torno de Eixo de Topo

A figura 68-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano de perfil (α) e um eixo (e), de topo passado
pelo vértice (B), em torno qual a figura vai girar até ficar paralela ao
plano (π).
B'
C'
B
C
e'
B1 C1
C'1
B’1
A' ≡ A'1
A ≡ A1 ≡ e
157

Figura 68-a

A figura 68-b mostra a épura correspondente e a VG do
triângulo (ABC) obtida da seguinte maneira:

I) Como (e) passa por (B), teremos:
(B) ≡ (B
1
) → B’ ≡ B’
1
, B ≡ A
1


II) Por B’ ≡ B’
1
≡ e’ traçamos uma paralela à linha de terra;
III) Com centro em A’ ≡ A’
1
≡ e’ e raios iguais a A’B’ e A’C’,
traçamos arcos de círculo até cortarem a paralela
traçada, determinando os ponto B’
1
e C’
1
;
(A)
(B)
B
A'
C
(C)
C'
(ππ’)
A
(α)
(π)
(π')
O0
(e)
e
B’≡ e’
158
IV) As semi-retas A’
1
B’
1
e A’
1
C’
1
pertencem ao lugar
geométrico das projeções verticais de todos os pontos de
(ABC) após o giro. Marcam-se então os vértices C’
1
e B’
1
;
V) Como numa rotação de eixo de topo, durante o giro os
afastamentos não se alteram, por B’
1
e C’
1
descemos
linhas de chamada;
VI) Semi-retas paralelas traçadas de B e C determinarão
nestas linhas de chamadas os pontos B
1
e C
1
.

O triângulo (A’
1
B’
1
C’
1
) é a VG do triângulo (ABC).
159


Figura 68-b

5.3.3- Rebatimento em Torno do Traço Vertical

A figura 69-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano de perfil (α) e um eixo (e), coincidente com o
traço vertical do plano, em torno qual a figura vai girar até pertencer
ao plano (π’).
C'
C
e
A'
A
B ≡ B1
C1
A1
C’1
A’1
B’≡ B’1 ≡ e’
160

Figura 69-a

A figura 69-b mostra a épura correspondente.
Como o eixo é (απ’), as rotações de A, B e C, respectivas
projeções horizontais dos pontos (A), (B) e (C), se farão em torno de
α
0
gerando arcos de círculo que, ao cortar a linha de terra
determinarão a nova posição de (απ) coincidente com a linha de
terra sobre a qual estarão A
1
, B
1
e C
1
. Após a rotação, a superfície de
(α) coincidirá com a de (π’), os afastamentos ficarão nulos e as cotas
não serão alteraradas.
Assim, traçamos novas linhas de chamadas por A
1
, B
1
e C
1
,
perpendiculares à linha de terra. Por A’, B’ e C’ traçamos paralelas à
(A)
(B)
A
B
B'
A'
C
(C)
C'
(ππ’)
A
B
C
(α0) ≡ e
(απ') ≡ (e) ≡e'
(απ)
O0
(α)
απ’≡e’
α0 ≡ e
A1
B1 C1
A'1
B'1
C'1
C'
B'
A'
O0
161
linha de terra até encontrar as linhas de terra, determinando A’
1
, B’
1

e C’
1
.
O triângulo (A’
1
B’
1
C’
1
) é a VG do triângulo (ABC).

Figura 69-b
(A)
(B)
A
B
B'
A'
C
(C)
C'
(ππ’)
A
B
C

0
) ≡ e
(απ') ≡ (e) ≡e'
(απ)
O
0
(α)
απ’≡e’
α
0
≡ e
A
1
B
1
C
1
A'
1
B'
1
C'
1
C'
B'
A'
O
0
162

5.3.4- Rebatimento em Torno do Traço Horizontal

A figura70-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano de perfil (α) e um eixo (e), coincidente com o
traço horizontal do plano, em torno qual a figura vai girar até
pertencer ao plano (π).


Figura 70-a

A figura 70-b mostra a épura correspondente.
(A)
(B)
A
B
B'
A'
C
(C)
C'
A
B
C
(α0) ≡ e'
(απ) ≡ (e) ≡e
(απ')
O0
(α)
απ≡e
α0 ≡ e'
A1
B1
A'1 B'1
C'
B'
A'
O0
απ'
(π')
(π)
C’1
C1
163
Como o eixo é (απ), as rotações de A’, B’ e C’, respectivas
projeções verticais dos pontos (A), (B) e (C) se farão, também, em
torno de α
0
gerando arcos de círculo que, ao cortar a linha de terra
determinarão a nova posição de (απ’) coincidente com a linha de
terra sobre a qual estarão A’
1
, B’
1
e C’
1
. Após a rotação, a superfície
de (α) coincidiu com a de (π), as cotas ficaram nulos e os
afastamentos não se alteraram.
Assim, traçamos novas linhas de chamadas por A’
1
, B’
1
e C’
1
,
perpendiculares à linha de terra. Por A, B e C traçamos paralelas à
linha de terra até encontrar as linhas de terra, determinando A
1
, B
1
e
C
1
.
O triângulo (A
1
B
1
C
1
) é a VG do triângulo (ABC).

164



Figura 70-b



5.3.5- Mudança de Plano Vertical

A figura 71-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano de perfil (α) e um plano vertical de projeções
(A)
(B)
A
B
B'
A'
C
(C)
C'
A
B
C
(α0) ≡ e'
(απ) ≡ (e) ≡e
(απ')
O0
(α)
απ≡e
α0 ≡ e'
A1
B1
A'1 B'1
C'
B'
A'
O0
απ'
(π')
(π)
C’1
C1
165
(π’
1
), paralelo a (ABC) e, obviamente, perpendicular a (π) e a (π’).
Como vamos fazer uma mudança de plano vertical, o novo sistema
de projeções será constituído pelo plano horizontal (π), que não se
altera, e (π’
1
), plano vertical desse novo sistema, cuja linha e terra é
(ππ’
1
).
Cabe lembrar, mais uma vez, que:

A distância entre o plano da figura e o novo plano de
projeção é inteiramente arbitrária, podendo inclusive ser nula, ou
seja, podem ser coincidentes.

166

Figura 71-a

A figura 71-b mostra a épura correspondente.
Inicialmente, traçamos a linha de terra do novo sistema,
paralela à ABC.
Como o plano horizontal de projeção é o mesmo para os dois
sistemas, teremos:

A ≡ A
1
, B ≡ B
1
e C ≡ C
1
(ππ’)
B'
A'
C'
A
B
C
(A)
(C)
(B)
A'
B'
C'
(π)
(π')
(A1)
(B1)
(C1)
A’1
C’1
A ≡ A1
B ≡ B1
C ≡ C1
(ππ’1)
(α)
(π’1)
167
Então, por A
1
, B
1
e C
1
traçamos novas linhas de chamada
perpendiculares à nova linha de terra.
Como numa mudança de plano de plano vertical as cotas no
novo sistema são iguais as do sistema primitivo, basta transferir as
respectivas cotas do sistema original para o novo, ou seja:

z (A)

= z (A
1
)
z (B) = z (B
1
)
z (C) = z (C
1
)



Figura 71-b
B'
A'
C'
A ≡ A1
B ≡ B1
C ≡ C1
A’1
B’1
C’1
168
5.3.6-Mudança de Plano Horizontal

A visão espacial mostrada na figura 72-a é bem semelhante e
valem aqui as mesmas observações. Agora, o plano vertical de
projeção (π’) é mantido e (π
1
) é o plano horizontal de projeção do
novo sistema, cuja linha de terra (π
1
π’).

Figura 72-a

A figura 72-b mostra a épura correspondente.
(A)
(B)
A
B
C
(C)
A1
B1
C1
A' ≡ A'1
B' ≡ B'1
C' ≡ C'1
(π)
(π')
(α)
(π1π’)
(π1)
O0
169
Inicialmente, traçamos a linha de terra do novo sistema,
paralela à A’B’C’.
Como o plano vertical de projeção é o mesmo para os dois
sistemas, teremos:

A’ ≡ A’
1
, B’ ≡ B’
1
e C’ ≡ C’
1
Então, por A’
1
, B’
1
e C’
1
traçamos novas linhas de chamada
perpendiculares à nova linha de terra.
Como numa mudança de plano de plano horizontal os
afastamentos no novo sistema são iguais aos do sistema primitivo,
basta transferir os respectivos afastamentos do sistema original para
o novo, ou seja:

y (A)

= y (A
1
)
y (B) = y (B
1
)
y (C) = y (C
1
)
170


Figura 72-b


5.4 – VG de Figuras em Planos Verticais

5.4.1- Rotação em Torno de Eixo Vertical

A figura 73-a mostra a épura de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano vertical (α), as projeções do eixo de topo (e),
usado como eixo de rotação e a VG do triângulo.

A
B
C
A' ≡ A'1
B' ≡ B'1
C' ≡ C'1
A1
B1
C1
171

Figura 73-a

Para obtenção da épura correspondente, mostrada na figura
73-b, os procedimentos geométricos foram absolutamente
semelhantes aos utilizados para figuras no plano de perfil, vistos em
5.3.3.
(π)
(π')
απ
απ'
(απ)
(απ')
(α)
C
C'
B
B'
A’≡A’1
A’
B1
C1
B'1
C'1
C'1
B'
C
B
(C)
(B)
(A)
A ≡ e
(e)
e'
α0
α0
A ≡ A1 ≡ e
e'
O0
O0
172


Figura 73-b




(π)
(π')
απ
απ'
(απ)
(απ')
(α)
C
C'
B
B'
A’≡A’1
A’
B1
C
1
B'1
C'1
C'1
B'
C
B
(C)
(B)
(A)
A ≡ e
(e)
e'
α0
α0
A ≡ A1 ≡ e
e'
O0
O0
173
5.4.2- Rebatimento em Torno do Traço Vertical

A figura 74-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano vertical (α) e um eixo (e), coincidente com o
traço vertical do plano, em torno qual a figura vai girar até pertencer
ao plano (π’).



Figura 74-a
απ
(απ)
(α)
A
C
C'
B
B'
A’
A
B1 C1
B'1
C'1
C'
B'
C B
απ’≡e’
(C)
(B)
(A)
A1
A’1 A’
(π)
(π’)
α0 ≡ e
α0 ≡ e
(απ’) ≡ (e) ≡ e’
O0
O0
174
A figura 74-b mostra a épura correspondente.
Como o eixo é (απ’), as rotações de A, B e C, respectivas
projeções horizontais dos pontos (A), (B) e (C), se farão em torno de
α
0
gerando arcos de círculo que, ao cortar a linha de terra
determinarão a nova posição de (απ) coincidente com a linha de
terra sobre a qual estarão A
1
, B
1
e C
1
. Após a rotação, a superfície de
(α) coincidirá com a de (π’), os afastamentos ficarão nulos e as cotas
não serão alteraradas.
Assim, traçamos novas linhas de chamadas por A
1
, B
1
e C
1
,
perpendiculares à linha de terra. Por A’, B’ e C’ traçamos paralelas à
linha de terra até encontrar as linhas de terra, determinando A’
1
, B’
1

e C’
1
.
O triângulo (A’
1
B’
1
C’
1
) é a VG do triângulo (ABC).

175

Figura 74-b


5.4.3- Mudança de Plano Vertical.

A figura 75-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano vertical (α) e um plano vertical de projeções
(π’
1
), paralelo a (ABC) e, obviamente, perpendicular a (π) e a (π’).
Como vamos fazer uma mudança de plano vertical, o novo sistema
de projeções será constituído pelo plano horizontal (π), que não se
απ
(απ)
(α)
A
C
C'
B
B'
A’
A
B1 C1
B'1
C'1
C'
B'
C B
απ’≡e’
(C)
(B)
(A)
A1
A’1 A’
(π)
(π’)
α0 ≡ e
α0 ≡ e
(απ’) ≡ (e) ≡ e’
O0
O0
176
altera, e (π’
1
), plano vertical desse novo sistema, cuja linha e terra é
(ππ’
1
).
Neste caso, vale lembrar, também, que:

A distância entre o plano da figura e o novo plano de
projeção é inteiramente arbitrária, podendo inclusive ser nula, ou
seja, podem ser coincidentes.

177

Figura 75-a

A figura 75-b mostra a épura correspondente.
Inicialmente, traçamos a linha de terra do novo sistema,
paralela à ABC.
Como o plano horizontal de projeção é o mesmo para os dois
sistemas, teremos:
(π)
(π')
(ππ’)
(ππ’1)
(π’1)
(απ')
(απ)
(A)
(B)
(C)
A
B
C
A'
C'
B'
(α)
O0
O0
B'
A'
C'
A'1
B'1
C'1
B ≡ B1
A ≡ A1
C ≡ C1
178

A ≡ A
1
, B ≡ B
1
e C ≡ C
1
Então, por A
1
, B
1
e C
1
traçamos novas linhas de chamada
perpendiculares à nova linha de terra.
Como numa mudança de plano de plano vertical as cotas no
novo sistema são iguais as do sistema primitivo, basta transferir as
respectivas cotas do sistema original para o novo, ou seja:

z (A)

= z (A
1
)
z (B) = z (B
1
)
z (C) = z (C
1
)


179


Figura 75-b








(π)
(π')
(ππ’)
(ππ’1)
(π’1)
(απ')
(απ)
(A)
(B)
(C)
A
B
C
A'
C'
B'
(α)
O0
O0
B'
A'
C'
A'1
B'1
C'1
B ≡ B1
A ≡ A1
C ≡ C1
180
5.5 – VG de Figuras em Planos de Topo

5.5.1- Rotação em Torno de Eixo de Topo

A figura 76-a mostra a representação espacial de um
triângulo (ABC) pertencente a um plano de topo (α), as projeções do
eixo de topo (e), usado como eixo de rotação.



Figura 76-a

(π)
(π')
(A)
(B)
(C)
C
B
A
A'
B'
(e)
e
C’≡ e’
(απ)
(απ')
(α)
(ππ')
O0
α0
A'
A
B'
B
C' ≡ C'1 ≡ e’
C ≡ C1
B1
A1
A'1
B'1
O0
181
Para construir a épura correspondente, mostrada na figura
76-b, os procedimentos geométricos foram absolutamente
semelhantes aos utilizados para figuras no plano de perfil, vistos em
5.3.2


Figura 76-b



(π)
(π')
(A)
(B)
(C)
C
B
A
A'
B'
(e)
e
C’≡ e’
(απ)
(απ')
(α)
(ππ')
O
0
α
0
A'
A
B'
B
C'



C'
1
≡ e’
C ≡ C
1

B
1
A
1
A'
1
B'
1
O
0
e
182
5.5.2- Rebatimento em Torno do Traço Horizontal

A figura77-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC)
pertencente a um plano de topo (α) e um eixo (e), coincidente com o
traço horizontal do plano, em torno qual a figura vai girar até
pertencer ao plano (π).



Figura 77-a

(π)
(π')
(A)
(B)
(C)
C
B
A
A'
B'
C’
(απ) ≡ (e)
(απ')
(α)
O0
α0 ≡ e
B'
B
C' ≡ C'1 ≡ e’
C ≡ C1
B1
A1
A'1
B'1
O0
e
183
A figura 77-b mostra a épura correspondente.
Como o eixo é (απ), as rotações de A’, B’ e C’, respectivas
projeções verticais dos pontos (A), (B) e (C) se farão, também, em
torno de α
0
gerando arcos de círculo que, ao cortar a linha de terra
determinarão a nova posição de (απ’) coincidente com a linha de
terra sobre a qual estarão A’
1
, B’
1
e C’
1
. Após a rotação, a superfície
de (α) coincidirá com a de (π), as cotas ficarão nulas e os
afastamentos não serão alterarados.
Assim, traçamos novas linhas de chamadas por A’
1
, B’
1
e C’
1
,
perpendiculares à linha de terra. Por A, B e C traçamos paralelas à
linha de terra até encontrar as linhas de terra, determinando A
1
, B
1
e
C
1
.
O triângulo A
1
B
1
C
1
é a VG do triângulo (ABC).

184

Figura 77-b


5.5.3- Mudança de Plano Horizontal

A visão espacial mostrada na figura 78-a mostra um triângulo
(ABC) pertencente a um plano de topo (α). Agora, o plano vertical de
projeção (π’) é mantido e (π
1
) é o plano horizontal de projeção do
novo sistema, cuja linha de terra é (π
1
π’).

(π)
(π')
(A)
(B)
(C)
C
B
A
A'
B'
C’
(απ) ≡ (e)
(απ')
(α)
O
0
α
0


e
B'
B
C
B
1
A
1
A'
1 B'
1
O
0
απ ≡ e
απ'
α
0
C'
C
C'
1
C1
A'
A
185


Figura 78-a


A figura 78-b mostra a épura correspondente.
Inicialmente, traçamos a linha de terra do novo sistema,
paralela à A’B’C’.
Como o plano vertical de projeção é o mesmo para os dois
sistemas, teremos:
(π)
(π')
(A)
(B)
(C)
C
B
A
A'
B'
C’
(απ)
(απ')
(α)
O0
α0 ≡ e
B'
B
C
B1
A1
A'1 B'1
O0
απ ≡ e
α0
C'
C'1
C1
A'
A
(π1π’)
(π1)
186

A’ ≡ A’
1
, B’ ≡ B’
1
e C’ ≡ C’
1
Então, por A’
1
, B’
1
e C’
1
traçamos novas linhas de chamada
perpendiculares à nova linha de terra.
Como numa mudança de plano de plano horizontal os
afastamentos no novo sistema são iguais aos do sistema primitivo,
basta transferir os respectivos afastamentos do sistema original para
o novo, ou seja:

y (A)

= y (A
1
)
y (B) = y (B
1
)
y (C) = y (C
1
)

187

Figura 78-b

5.6- VG de Figuras em Planos Oblíquos à Linha de Terra

Face à peculiaridade de serem perpendiculares a um dos (ou
aos dois) planos de projeção, os planos horizontais (ou de nível),
frontais (ou de frente), de perfil, verticais e de topo são classificados
como planos projetantes porque concentram em, pelo menos, num
de seus traços (ou nos dois), as projeções de todas as figuras que lhes
pertençam. Por este motivo, a verdadeira grandeza de quaisquer
(π)
(π')
(A)
(B)
(C)
C
B
A
A'
B'
C’
(απ)
(απ')
(α)
O0
α0
B'≡
B
C
B1
A1
A'1
B'1
O0
απ
α0
C' ≡C'1
C1
A' ≡
A
(π1π’)
(π1)
188
destas figuras, de qualquer um deles, pode ser obtida imediatamente
através de rotações, rebatimentos ou mudanças de planos de
projeção.
Quando uma figura pertence a um plano oblíquo aos dois
planos de projeção, as rotações em torno de eixos perpendiculares a
um deles não pode ser feita. A rotação da figura, neste caso, deverá
ser feita em torno de um eixo paralelo a um dos planos de projeção,
até que o plano que contém a figura fique paralelo ao plano de
projeção escolhido.
Se os traços do plano que contém a figura forem facilmente
determináveis, no caso do plano qualquer, o ponto comum dos
traços estiver nos limites da épura, o método dos rebatimentos
poderá ser utilizado, embora envolva várias operações geométricas
e, portanto, muitas linhas de construção.
Outra possibilidade é fazer duas mudanças de plano de
projeção sucessivas, sendo a primeira, através de um novo plano de
projeção perpendicular ao plano da figura. Assim, nesse novo
sistema, a figura pertencerá a um plano que será tratado como
vertical ou de topo. Uma segunda mudança de plano resolverá o
problema.
Nas vistas ortográficas utilizadas no Desenho Técnico, as
figuras que representam os elementos de peças, máquinas,
equipamentos e elementos construtivos são identificadas por suas
dimensões e não por coordenadas descritivas. Logo, a linha de terra é
dispensada. O método dos rebatimentos e o das mudanças de plano
de projeção exigem a existência de linha de terra. No caso de
rebatimentos, sem conhecer os traços do plano, a aplicação do
método é impossível. No caso de mudança de plano de projeção, sua
construção como elemento geométrico auxiliar é simples e facilita a
obtenção das VG das figuras.
Assim sendo, no caso de figuras contidas em planos oblíquos
aos planos de projeção, a determinação das suas reais dimensões
(VG) será limitada à mudanças de planos de projeção. Como foi dito
acima, nestes casos são necessárias duas mudanças de plano. Se a
primeira mudança for de plano horizontal de projeção, na segunda
mudança, o plano da figura será tratado como um plano vertical, que
189
possibilitará obter a VG da figura conforme procedimentos já
estudados. Se a primeira mudança for de plano vertical, na segunda
mudança, o plano da figura será tratado como um plano de topo e a
VG da figura também será obtida por procedimentos já estudados.

5.6.1- Figura Pertencente a Plano Paralelo à Linha de Terra

A figura 80-a mostra a vista em perspectiva de um triângulo
(ABC) pertencente a um plano (α) paralelo à linha de terra, bem
como um plano (π
1
), perpendicular a (α) e a (π’), que será o plano
horizontal de projeções de um novo sistema. Observa-se que, neste
novo sistema, o plano (α) passa a ser um plano vertical, pois fica
perpendicular a (π
1
).
Na segunda mudança, fazemos o plano (α) coincidir com (π’
2
), plano
vertical do segundo sistema que nos dará a VG do triângulo (ABC).
190


Figura 80-a


(π)
(π')
A'1
B'1
C'1

(C)
(B)
(A)
A'
A
C'
C
B'
B
O0
(απ)
(απ')
(π1)
(P1)
(ππ’)
ππ’
απ'
απ
π1π’
A
A1≡A2
A'2
B
B1≡ B2
B'2
C
C1
C'2
O0
P'
P1
P
(π1π'2)
π1 π'2
(π1π’)
A'≡A'1
B'≡B'1
C'≡C'1
≡C2
191


192

A épura correspondente é mostrada na figura 80-b.
A VG do triângulo (ABC) é o triângulo A’
1
B’
1
C’
1
e foi obtido
segundo os seguintes procedimentos:

I) Cria-se um plano perpendicular a (α). Este plano, no
sistema de projeções original, é caracterizado como
um plano de perfil e será o plano horizontal de um
novo sistema em que (π’) será mantido como plano
vertical. Este novo plano horizontal será chamado

1
) e a nova linha de terra, (π
1
π’);

II) Projeta-se (ABC) no novo sistema. A projeção vertical,
A’B’C’ é mantida e teremos:

A’≡ A’
1

B’≡ B’
1

C’≡ C’
1


III) A projeção horizontal é obtida transferindo-se os
afastamentos de (A), (B) e (C) para o novo sistema, a
partir da nova linha de terra, obtendo os pontos A
1
,
B
1
e C
1
;

IV) Como neste sistema (ABC) ficou perpendicular a (π
1
),
A
1
, B
1
e C
1
serão obrigatoriamente colineares;

V) Cria-se, agora, um novo plano de projeção, desta vez
coincidente com a reta suporte de A
1
, B
1
e C
1
. Este
plano será o plano vertical deste segundo sistema,
em que a linha de reta é a reta suporte construída;

VI) Projeta-se (A
1
,B
1
C
1
) neste segundo sistema. A
projeção horizontal A
1
, B
1
C
1
é mantida e teremos:

A
1
≡ A
2

193
B
1
≡ B
2

C
1
≡ B
2


VII) A projeção vertical é obtida transferindo-se as cotas
de (A
1
, B
1
C
1
) para este segundo sistema, obtendo-se
os pontos A’
2
, B’
2
e C’
2


O triângulo A’
2
B’
2
C’
2
é a VG do triângulo (ABC).



Figura 80-b

5.6.2- Figuras em Planos Oblíquos à Linha de Terra
(π)
(π')
A1
B1
C1

(C)
(B)
(A)
A'
A
C'
C
B'
B
O0
(απ)
(απ')
(π1)
(P1)
(ππ’)
ππ’
απ'
απ
π1π’
A1 B1 C1
A
A1≡A2
A'2
B
B1≡ B2
B'2
C
C1
C'2
O0
P'
P1
P
(π1π'2)
π1 π'2
(π1π’)
A'≡A'1
B'≡B'1
C'≡C'1
≡C2
194

A figura 81-a mostra a vista em perspectiva de um triângulo
(ABC) pertencente a um plano qualquer (α) oblíquo a (π) e a (π’), bem
como um plano (π’
1
), perpendicular a (α) e a (π), que será o plano
vertical de projeção de um novo sistema. Observa-se que, neste novo
sistema, o plano (α) passa a ser um plano de topo, pois fica
perpendicular a (π’
1
).
Na segunda mudança, fazemos o plano (α) coincidir com (π
2
), plano
horizontal do segundo sistema que nos dará a VG do triângulo (ABC).

195


Figura 81-a

A épura correspondente é mostrada na figura 81-b.
A VG do triângulo (ABC) é o triângulo A
1
B
1
C
1
e foi obtido
segundo os seguintes procedimentos:

(π)
(π')
(A)
(B)
(C)
C
A
A'
C'
B'
B
C'1
B'1
A'1
(π'1)
(α)

(ππ')

(ππ'1)
(π'1π2)
O0
(α0)
(απ)
(απ')
απ'
απ
O0
A≡A1
B≡B1
C≡C1
A'
B'
C'
A'1≡A'2
B'1≡B'2
C'1≡C'2
C2
B2
A2
196
I) Cria-se um novo plano de projeção perpendicular a
(α). Se vamos fixar as projeções horizontais do
sistema original, este novo plano será (π’
1
), plano
vertical do novo sistema. Sua interseção com (π) será
perpendicular às retas horizontais de (α) – inclusive
(απ) – e representada por (ππ’
1
), linha de terra,
desse novo sistema;

II) Projeta-se (ABC) no novo sistema. A projeção
horizontal, ABC é mantida e teremos:

A≡ A
1

B≡ B
1

C≡ C
1


III) As projeções verticais são obtidas transferindo-se as
cotas de (A), (B) e (C) para o novo sistema, a partir da
nova linha de terra, obtendo os pontos A’
1
, B’
1
e C’
1
;

IV) Como neste sistema (ABC) ficou perpendicular a (π’
1
),
A’
1
, B’
1
e C’
1
serão obrigatoriamente colineares;

V) Cria-se, agora, um novo plano de projeção, desta vez
coincidente com a reta suporte de A’
1
, B’
1
e C’
1
. Este
plano será o plano horizontal deste segundo sistema,
em que a linha de reta é a reta suporte construída;

VI) Projeta-se (A
1
,B
1
C
1
) neste segundo sistema. A
projeção vertical A’
1
, B’
1
C’
1
é mantida e teremos:

A’
1
≡ A’
2

B’
1
≡ B’
2

C’
1
≡ B’
2


197
VII) A projeção vertical é obtida transferindo-se os
afastamentos de (A
1
, B
1
C
1
) para este segundo
sistema, obtendo-se os pontos A
2
, B
2
e C
2


O triângulo A
2
B
2
C
2
é a VG do triângulo (ABC).



Figura 82-a



(π)
(π')
(A)
(B)
(C)
C
A
A'
C'
B'
B
C1
B1
A1
(π1)
(α)

(ππ')

(π1π’)
(π1π'2)
O0
(α0)
(απ)
(απ')
απ'
απ
O0
A≡A1
B≡B1
C≡C1
A'
B'
C'
A'1≡A'2
B'1≡B'2
C'1≡C'2
C2
B2
A2
198
6.0) DA GEOMETRIA DESCRITIVA AO DESENHO TÉCNICO

6.1) ESPAÇOS PROJETIVOS NO DESENHO TÉCNICO

Vimos que, mantidas constantes as coordenadas descritivas
dos pontos de uma figura objetiva, suas projeções horizontal e
vertical, permanecem respectivamente congruentes
independentemente do diedro em que estejam situadas.
Pode-se observar, também, que ao se transladar uma figura
no espaço, mantendo-se fixos os afastamentos ou as cotas de todos
os seus pontos, as respectivas projeções também não se alteram.
Logo, uma figura do espaço poderá sempre ser
“transportada” para o 1º diedro onde a visualização de suas
projeções é mais simples de ser entendida.
Por outro lado, uma figura objetiva pode ser definida pelas
dimensões dos elementos geométricas que a constituem. Se a
supomos no 1º diedro, as coordenadas descritivas de seus pontos
não serão necessárias. Para tanto, basta que a figura objetiva (ou
objeto) seja convenientemente posicionada em relação aos planos de
projeção de tal sorte que suas dimensões sejam claramente
identificadas através de suas projeções.
Não havendo necessidade de abcissas, afastamentos e cotas,
não há necessidade, também, da linha de terra. Isto significa dizer
que:

As projeções horizontal e vertical de uma figura podem ser
construídas conhecendo-se apenas as dimensões dos seus
elementos geométricos essenciais.

Este é o princípio que rege as chamadas vistas ortográficas
utilizadas no Desenho Técnico, onde a projeção vertical é chamada
vista frontal e a projeção horizontal, vista superior.

6.2) Projeto de Engenharia

199
Entende-se como Projeto de Engenharia o conjunto de
documentos técnicos que possibilitam implantar edificações,
instalações prediais elétricas, hidráulicas e sanitárias; estradas e
ferrovias, pontes, túneis e viadutos; redes de transmissão e
distribuição de energia elétrica; fábricas em geral; indústrias de
transformação; adutoras, barragens, usinas hidrelétricas, nucleares e
termoelétricas; máquinas, equipamentos, instrumentos, sistemas de
informação, sempre na busca de novas tecnologias sustentáveis e
economicamente viáveis que visem, fundamentalmente, o bem estar
e a qualidade de vida da população para a qual é direcionado.
Um Projeto de Engenharia compreende, de um modo geral,
estudo de viabilidade técnica e econômica, projeto básico,
orçamento de investimento, planejamento executivo, memórias de
cálculo, especificações técnicas de materiais e serviços e, sobretudo,
desenhos de projeto.
Os desenhos de projeto, simplesmente chamados projetos,
são representações gráficas que, obedecendo a critérios e normas
específicas, constituem o Desenho Técnico, linguagem gráfica
utilizada nos projetos de engenharia em geral..
As representações gráficas em Desenho Técnico usam
projeções ortográficas que, na verdade, são as projeções ortogonais
daquilo que se quer construir. Ou seja, a Geometria Descritiva é a
base em que se fundamenta o Desenho Técnico. Os princípios
geométricos já vistos anteriormente, nestes e em quaisquer outros
casos, são absolutamente os mesmos.
Ora, se um desenho de projeto é, na verdade, a
representação gráfica das projeções ortogonais daquilo que se quer
construir, tais projeções devem, sempre, na medida do possível,
mostrar sua verdadeira grandeza.
Na Geometria Descritiva, as medidas de um objeto, seja ele
uma edificação, uma obra de arte, um elemento construtivo, um
veículo, uma peça de máquina, um simples sólido geométrico ou
outros de qualquer natureza, as coordenadas descritivas que o
posicionam no espaço, em última análise, definem suas dimensões,
No Desenho Técnico, as coordenadas descritivas são substituídas
pela cotagem dos elementos geométricos que caracterizam o objeto.
200
A cotagem, portanto, nada mais é do que a indicação das diversas
dimensões – distâncias, comprimentos, larguras, alturas e raios –
que possibilitam construir o objeto.

6.3 – Escalas e Escalímetros

Na Geometria Descritiva, costuma-se usar o centímetro ou o
milímetro como unidade de grandeza das coordenadas descritivas.
No Desenho Técnico,,no Brasil, é usado o sistema métrico para
dimensionar o objeto de um projeto de engenharia ou arquitetura.
Para reproduzi-los graficamente aos limites das dimensões
padronizadas (tamanhos A0, A1, A2, A3, A4, etc) ou outras,
recorremos ao uso das escalas, gráficas ou numéricas. A escala de um
desenho de projeto é a relação matemática entre as dimensões que
“cabem” no desenho e as dimensões reais do objeto que será
representado.
Suponhamos então uma casa que vai ocupar um espaço de 8
m de largura por 15 m de comprimento, num terreno que mede 12 m
x 30 m. Este é um caso simples, mas típico, em que precisamos usar
uma escala de redução para representar esta área ocupada num
desenho que mostre o tamanho do terreno, onde estará localizado a
casa, desenho este que é chamado planta de situação.
Se, por acaso, por alguma razão técnica, econômica ou legal,
esta planta tenha que ser mostrada numa folha tamanho A4 (210
mm x 297 mm), precisamos escolher a escala adequada.
À maior dimensão corresponderá a maior dimensão da folha.
Deixando uma folga de cerca de 75 mm para cada lado da menor
dimensão da folha, sobram 147 mm – podemos arredondar para 150
mm – para traçar a divisa lateral do terreno que mede 30 m,
correspondentes a 30.000 mm. Dividindo 30.000 por 150,
encontramos 200. Isto quer dizer que a precisamos representar um
comprimento de 30.000 mm num segmento de apenas 150 mm, ou
seja, cada milímetro do segmento representa 200 mm de divisa. O
que fizemos foi adotar um fator de redução de 1/200. Este fator é o
que chamamos escala, neste caso, de redução.
201
Esta escala de redução será aplicada às demais dimensões a
serem representadas. Assim, no desenho, as testadas do terreno
medirão:
12 m = 12000 mm / 200 = 120 mm
As fachadas frontal, laterais e de fundos da casa serão
representadas da seguinte forma:
Fachadas Frontal e de Fundos: 8 m = 8.000 mm / 200 = 40
mm
Fachadas Laterais: 15 m = 15.000 mm / 200 =75 mm
Para “amarrar” a casa ao terreno, deveremos indicar, pelo
menos, a distância da fachada frontal à testada de frente do terreno
e a distância de uma das fachadas laterais à divisa correspondente,
usando o mesmo artifício.
Como vimos, na escala 1/200, cada milímetro representado
equivale a 200 mm (ou 2 m) da dimensão real.
Dependendo das dimensões do que ser quer representar
graficamente e das limitações da folha de desenho, a escala a ser
utilizada poderá variar conforme a necessidade.
Assim sendo, poderemos ter escalas de redução tipo
1/20,1/50, 1/100, 1/500, etc. Se vamos trabalhar, por exemplo, com
uma escala 1/50, cada milímetro representado equivalerá a 50 mm
(ou 0,5 cm) da dimensão real. Ou ainda: cada 2 cm equivalem a 1 m,
que é a unidade padrão de medida das dimensões reais do que se
quer representar. Podemos, então, criar uma régua, graduada em
que cada metro da dimensão real corresponderá a um espaço de 20
mm de comprimento, dividido em 10 partes iguais, cada uma
correspondendo a 10 mm (ou 1 cm) da dimensão real. Esta régua,
graduada desta forma, permitirá executar todo o desenho na escala
1/50 de modo direto, sem necessidade de operações aritméticas
adicionais.
O uso do escalímetro facilita este trabalho, pois trata-se de
uma régua de seção triangular em que cada face mostra escalas
diversas já devidamente graduadas que nos permite trabalhar
diretamente com a escala escolhida. No total, são 6 escalas, duas por
face, assim distribuídas:
1/20 e 1/25, 1/50 e 1/75 e 1/100 e 1/125.
202
Se a representação gráfica exigir ser maior que as reais
dimensões do objeto real, são usadas escalas de aumento cujos
princípios são os mesmo já vistos, apenas contrários. Os mecanismos
de relógios são representados em escalas de aumento.
Se a representação gráfica for construída com as mesmas
dimensões do objeto real, então estaremos usando uma escala
natural.



203
BIBLIOGRAFIA


- Rodrigues, Álvaro José - Geometria Descritiva / Operações
Fundamentais e Poliedros, Ao Livro Técnico, Rio de Janeiro, 5ª ed.,
1961;
- Rodrigues, Álvaro José – Geometria Descritiva/Projetividades e
Superfícies, Ao Livro Técnico, Rio de Janeiro, 3ª Ed., 1960
- Rangel, Alcyr Pinheiro - Dicionário de Matemática, texto
datilografado pelo próprio autor;
- Bustamante, Léa Santos - Transformações Projetivas / Sistemas
Projetivos, Tese de concurso para Professor Titular da Escola de
Belas Artes da UFRJ, 1981;
- Pinheiro, Virgilio Athayde - Noções de Geometria Descritiva,
Vol.I,II e II, Ao Livro Técnico, Rio de Janeiro, 2ª ed., 1971;
- Rabello, Paulo Sérgio Brunner – Geometria Descritiva Básica,
Edição do Autor – www.ime.uerj.br, Rio de Janeiro, 2008;
- Rabello, Paulo Ségio Brunner – Geometria Descritiva Aplicada aos
Sólidos Geométricos, Edição do Autor – www.ime.uerj.br, Rio de
Janeiro, 2009
- Chaput, Frère Ignace (F.I.C.) - Elementos de Geometria Descritiva,
F.Briguiet & Cia., Rio de Janeiro, 14ª ed., 1955;
- Javary, A.- Traité de Géométrie Descriptive, 1ª e 2ª parte, Librairie
Ch. Delagrave, Paris, 7ª ed., 1901;
- Roubaudi, C. - Traité de Géométrie Descriptive, Masson et Cie.,
Paris, 9ª ed. 1948;
- Gordon, Oguiyevski - Curso de Geometria Descriptiva, Editorial
Mir, Moscou, 2ª ed., 1980.
- Chahly, A.T. - Descriptive Geometry, Higer School
PublishingHouse, Moscou, 2ª ed., 1968;
- Wellman, B. Leighton - Technical Descriptive Geometry, McGraw
Hill Book Company, Inc, Nova York, 2ª ed., 1957;
- Di Pietro, Donato - Geometria Descriptiva, Libreria y Editorial
Alsina, Buenos Aires, 2ª ed., 1957;

2

GEOMETRIA DESCRITIVA
Fundamentos e Operacionais Básicas

Paulo Sérgio Brunner Rabello

Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Ex-Professor da Universidade Federal Fluminense Livre-Docente em Construção Civil Especializado em Geometria e Representação Gráfica

Rio de Janeiro, RJ, 2011
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APRESENTAÇÃO

Este livro é o resultado de estudos e pesquisas feitas pelo autor durante os anos que tem ministrado as disciplinas Geometria Descritiva e Desenho Básico nos cursos de engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e que foram consolidadas durante o semestre sabático realizado no Departamento de Técnicas de Representação da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ficou claramente confirmado que a Geometria Descritiva ensinada (?) hoje, naqueles cursos não está ensejando a percepção espacial dos alunos para os fenômenos geométricos, bloqueando o entendimento do mecanismo da dupla projeção ortogonal. Além disso, a exigüidade da carga horária não permite que o professor consiga chegar à representação de projeções de figuras tridimensionais e muito menos às seções planas e respectivas verdadeiras grandezas. Isto faz com que a disciplina se torne enfadonha, desinteressante e inútil, porque o aluno não conseguirá fazer a necessária ligação do método mongeano com as vistas ortográficas, o que deve ser o objetivo maior para os cursos básicos de engenharia. Evidentemente, não é possível ensinar em 60 horasaula o que era transmitido em, pelo menos, dois anos do ensino médio. Por isso, nos propomos a criar uma proposta de ensino de Geometria Descritiva, alterando a sequência clássica adotada em livros e apostilas e retirando determinados tópicos que julgamos desnecessários para os objetivos a serem atingidos. Como poderá ser visto, alguns assuntos passaram a ser aplicações da teoria ensinada, tais como representação de figuras tridimensionais e seções planas. Deste modo, acreditamos que, entre 45 horas-aula (mínimo admissível) e 60 horas-aula (ideal) a Geometria Descritiva possa ser ensinada e mostrada como ferramenta indispensável para os profissionais 4

Rio de Janeiro.que vão lidar com projetos que carecem de representação gráfica. 30 de setembro de 2011 Paulo Sérgio Brunner Rabello 5 .

basicamente. A reta de interseção entre os planos de projeção é chamada linha de terra. retas. através de uma imagem perspectiva ou de suas projeções ortogonais. naturalmente. segmentos de reta. 6 . O outro plano. um dos planos é chamado plano horizontal de projeção. Tal procedimento caracteriza o chamado método mongeano ou método da dupla projeção ortogonal. é uma figura tridimensional constituída por um número limitado de faces laterais retangulares adjacentes (porções planas iguais) e por duas bases poligonais regulares (também porções planas). segmentos de curvas ou porções de superfícies. é chamado plano vertical de projeção. a representação gráfica das projeções ortogonais de uma determinada figura é comumente chamada de épura desta figura. pode ser entendido como um deslocamento limitado de um ponto segundo uma direção ou simplesmente um determinado trecho de uma reta. mas pode ser definida como uma superfície de revolução.0) CONSIDERAÇÕES INICIAIS A Geometria Descritiva concebida por Gaspar Monge é a parte da Matemática que estuda as figuras e as formas geométricas através de suas projeções ortogonais sobre dois planos perpendiculares entre si. A esfera é uma superfície curva fechada que goza da propriedade de ser um lugar geométrico dos mais importantes. Um prisma regular. As figuras passíveis de expressão gráfica podem ser representadas.NOTAÇÕES UTILIZADAS EM PROJEÇÕES ORTOGONAIS I. Tais figuras são o objeto de estudo da Geometria Descritiva e são constituídas por pontos. A imagem perspectiva. por exemplo. por outro lado. Um segmento de reta. mostra a figura como é vista por nossos olhos. As figuras geométricas são aquelas que podem ser caracterizadas por uma equação (algébrica ou transcendente) ou obedecem a uma lei de formação. porções planas. As projeções ortogonais compõem o desenho projetivo de uma figura e mostram como realmente ela é. ou seja. O desenho projetivo. planos. curvas. Considerando como referência o espaço que ocupamos. desenho perspectivo ou simplesmente perspectiva.

como já foi dito. os elementos geométricos que constituem uma figura devem ser identificados através de uma notação própria que não dê margens a dúvidas sobre o que está sendo representado.Q. é a representação gráfica de uma figura tal como ela é vista por um observador posicionado num determinado local. Nas soluções de vários problemas e mesmo na explicação de determinados procedimentos da Geometria Descritiva o uso da perspectiva torna-se uma ferramenta indispensável.) RETAS As retas são identificadas por letras latinas minúsculas. etc Alguns pontos são especiais e.4) P: traço de retas no plano bissetor par 2. 3. C.1. 7 ..1.M.A perspectiva de uma figura é de grande ajuda para entender sua forma.. sempre que possível.) PONTOS Os pontos são identificados por letras latinas maiúsculas ou por algarismos arábicos.P..2. Ex: A. 2. Tanto na perspectiva como no desenho projetivo. devem ser identificados especificamente..1.1..1) H: traço horizontal de retas 2. O desenho perspectivo. B.2) V: traço vertical de retas 2. facilitando assim a construção de suas projeções ortogonais.. etc ou 1.N.0) IDENTIFICAÇÃO GERAL DOS PRINCIPAIS ELEMENTOS GEOMÉTRICOS 2. .1. São eles: 2. 2..3) I: traço de retas no plano bissetor ímpar 2..

4) ÂNGULOS 8 .Ex: a. São elas: 2.2.. por isso devem. . obrigatoriamente. c.2. π1. γ. b.2.2) β13: plano bissetor ímpar 2.3.2) f: retas frontais 2. Ex: α.. β.. devem.3) β24: : plano bissetor par 2..3) PLANOS E SUPERFÍCIES Os planos e as superfícies em geral são identificadas por letras gregas minúsculas. etc Algumas retas ocupam posições particulares no espaço e.2.3) v: retas verticais 2.4) p: retas de perfil 2. sempre que possível.6) i: retas de interseção de dois planos 2. π2 .2.3.π3 . ser identificados especificamente. etc Alguns planos são especiais e ocupam posições particulares no espaço e. ser identificadas especificamente.2. tal como alguns pontos.etc: planos de projeção 2..1) π. .. São eles: 2.5) t: retas de topo 2.1) h: retas horizontais 2.3. δ.

1) PONTOS Ex: (A). os ângulos também são identificados por letras gregas minúsculas. respectivamente. Alguns ângulos caracterizam determinadas condições e sempre que necessário devem ser identificados especificamente.5.2) RETAS 9 .0. (P).0) IDENTIFICAÇÃO DE ELEMENTOS GEOMÉTRICOS NO ESPAÇO Os elementos geométricos no espaço recebem.4.2) interseção de dois planos. (H).1) interseção de planos com planos de projeção Emprega-se-se a letra grega que identifica o plano seguida da identificação do plano de projeção.(1). (2). 3.. (3) etc 3. γπ2. Ex: απ.. (V).... Sempre que possível utiliza-se a letra i.Tal como planos e superfícies. (C)..5) INTERSEÇÃO DE PLANOS 2.2) ρ: ângulo que uma reta ou um plano faz com o plano vertical de projeção 2.4.. (N). (I). São eles: 2.(B).4. etc 2. (M). 3.. diferenciadas apenas por serem apresentadas entre parênteses. βπ1. em geral A identificação é feita pela reta de interseção dos planos.1) μ: ângulo que uma reta ou um plano faz com o plano horizontal de projeção 2. as mesmas identificações referenciadas no item 2. minúscula.

3) PLANOS 3.1) Planos de Projeção Ex: (π). (c).(i). (n).4..2) Planos em geral) Ex: (α). (r )..3) Interseção de dois Planos em Geral É Identificada pela reta de interseção..(m). (π1). (h).4.etc 3.3..4) INTERSEÇÃO DE PLANOS 3.. (βπ1). (p). Sempre que possível..3.4.(q). (s).. (π2).(v) etc 3. (π3) . 4. 3. (βπ2) .(f).2) Interseção de Planos com Planos de Projeção Ex: (απ). (β). (γ) ..0) IDENTIFICAÇAÕ DAS PROJEÇÕES NO PLANO HORIZONTAL 4.etc 3..Ex: (a).(t). (b). etc 3.1) Interseção dos planos de projeção: Esta reta de interseção é chamada linha de terra e é representada no espaço por (ππ’). (απ1).1) Identificação do Plano Horizontal de Projeção no espaço: (π) 10 . usa-se a letra (i) minúscula..

. etc 4. s. C. γπ . m.5) INTERSEÇÃO DE PLANOS 4. a projeção horizontal será i. r.3) PROJEÇÕES HORIZONTAIS DE RETAS E CURVAS Ex: a.2) Interseção de Planos em Geral com o Plano de Projeção Horizontal (π): Ex: απ. etc 4.. V. mas perdem os parênteses. P. c .0) IDENTIFICAÇAÕ DAS PROJEÇÕES NO PLANO VERTICAL 4. 5.. n... 3 ..etc 4. 4.. I. t . Se for utilizada a reta (i). 2. βπ.5.As projeções de elementos geométricos no plano horizontal de projeção (π) se identificam tal como no espaço.1) Identificação do Plano Vertical de Projeção no espaço : (π’) 11 .3) Interseção de Dois Planos em Geral: É identificada pela projeção horizontal da reta de interseção.2) PROJEÇÕES HORIZONTAIS DE PONTOS Ex: A. 4.. B.1. N.5....1) Interseção dos Planos de Projeção: ππ’ 4.5.H.. b. p. q .M..4) PROJEÇÕES HORIZONTAIS DE PORÇÕES PLANAS Porções planas não são representáveis em épura..

etc 4. P’. a tarja é colocada somente no plano vertical de projeção Ex: απ’. as interseções a seguir são linhas de terra de novos sistemas criados: 12 ..0) IDENTIFICAÇÃO DAS NOVAS LINHAS DE TERRA APÓS MUDANÇAS DE PLANO DE PROJEÇÃO Após mudanças de planos de projeção. I’.. b’.3) PROJEÇÕES VERTICAIS DE RETAS E CURVAS: Ex: a’. 4.4) PROJEÇÕES VERTICAIS DE PORÇÕES PLANAS: Porções planas não são representáveis em épura. βπ’.1’...2) Interseção de Planos em Geral com o Plano de Projeção Vertical (π’): Neste caso..etc 4. V’.5) INTERSEÇÃO DE PLANOS 4.5.2) PROJEÇÕES VERTICAIS DE PONTOS: Ex: A’..5...As projeções de elementos geométricos no plano vertical de projeção (π’) se identificam tal como no plano horizontal. 2’. s’. 3’ . p’.M’. q’ . r’.5. Se for utilizada a reta (i). c’ .3) Interseção de Dois Planos em Geral: É identificada pela projeção vertical da reta de interseção. a projeção vertical será i’. 5.. m’. γπ ‘..1) Interseção dos Planos de Projeção: ππ’ 4. B’.H’. mas ganham uma tarja do tipo ‘ 4. t’ . C’. n’... N’. etc 4...

5.1) Interseção de Plano Horizontal com Novos Planos Verticais de Projeção: 5.1.1) No espaço: (ππ1’), (ππ2’), (ππ3’) ... etc 5.1..2) Na épura: ππ1’, ππ2’, ππ3’ ... etc 5.2) Interseção de Plano Vertical com Novos Planos Horizontais: 5.2.1) No espaço: (π’π1), (π’π2), (π’π3) ... etc 5.2.2) Na épura: π’π1, π’π2, π’π3 ... etc 5.3) Interseção de novos Planos Horizontais com Novos Planos Verticais e Vice-Versa: 5.3.1) No espaço: (π1 π1’), (π2’ π1), (π2 π2’) ... etc 5.3.2) Na épura: π1 π1’, π2’ π1, π2 π2’ ... etc 6.0) IDENTIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES APÓS MUDANÇAS DE PLANO DEPROJEÇÃO OU APÓS ROTAÇÕES Após mudanças de planos de rotação ou de rotações em torno de um eixo (vertical ou horizontal), os elementos reprojetados ou rotacionados recebem índices subpostos à respectiva projeção, da seguinte forma:

6.1) Pontos P’  P1’

Ex: (P)

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P  P1

6.2) Retas e Curvas c’  c1’

Ex: (c) c  c1

7.0) IDENTIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES APÓS REBATIMENTOS Após rebatimentos (rotação em torno de um dos traços do plano até que esta se superponha a um dos planos de projeção) as projeções dos elementos das figuras rebatidas, tal como nas rotações, recebem, na épura, índices subpostos às respectivas projeções, da seguinte forma: 7.1) Traço Vertical do Plano Rebatido Sobre (π): απ’ após o rebatimento passa a ser απ1 7.2) Traço Horizontal do Plano Rebatido sobre (π’): απ após o rebatimento passa a ser απ1’ 7.3) Rebatimento em Torno do Traço Horizontal do Plano: 7.3.1) Pontos Ex: (P)  P1 7.3.2) Retas e Curvas Ex: (c)  c1

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7.4) Rebatimento em Torno do Traço Vertical do Plano: 7.4.1) Pontos Ex: (P)  P1’ 7.4.2) Retas e Curvas Ex: (c)  c1’

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1.0) FUNDAMENTOS DA GEOMETRIA DESCRITIVA 1.1) CONSIDERAÇÕES INICIAIS A idéia de projeção é quase que intuitiva, uma vez que sua ocorrência se dá em diversos segmentos do nosso cotidiano. Tratase de um fenômeno físico que acontece normalmente na natureza ou que pode ser produzido artificialmente pelo homem. Vejamos os seguintes exemplos: 1º) Ao incidirem sobre uma placa opaca, os raios solares produzem sobre a superfície de um piso claro, uma figura escura que chamamos comumente de sombra. O contorno da sombra nada mais é que a projeção do contorno da placa na superfície do piso. 2º) As imagens que vemos numa tela de cinema são as projeções dos fotogramas contidos na fita de celulóide quando sobre eles incidem os raios luminosos emitidos pela lâmpada do projetor. O Sol, no primeiro exemplo, e a lâmpada do projetor, no segundo, são o que chamamos centros projetivos enquanto que os raios solares e os raios luminosos são chamados raios projetantes. A placa opaca e os fotogramas da fita são as figuras objetivas ou objetos. O contorno da sombra assim como as imagens produzidas na tela de cinema são figuras projetadas ou projeções nas superfícies do piso e da tela de cinema, respectivamente. Quando a superfície de projeção é plana dizemos que é um plano de projeção. Em resumo, para que ocorra uma projeção é necessário que estejam presentes os seguintes elementos: a) centro projetivo – emissor dos raios projetantes, identificado como (O); b) figura objetiva ou objeto – figura a ser projetada, identificada como (f); c) plano de projeção – plano onde será formada a figura projetada, identificado como (π).

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As projeções são classificadas em função da distância do centro projetivo ao plano de projeção e da direção dos raios projetantes em relação a este plano. O centro projetivo é próprio e indicado por (O). produzem a figura projetada ou. tal como mostrado na figura 01.2) CLASSIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES Para todos os efeitos. (O) (M) (f) (B) (A) M A B f Figura 01 17 . A superfície criada pelos raios projetantes é. 1. porém somente aqueles que passam pelos pontos que caracterizam a figura objetiva são considerados. tipicamente. Nesta situação os raios projetantes se propagam segundo um feixe de retas. quando sua distância ao plano de projeção é mensurável. passam pelos pontos que definem a figura objetiva e. uma superfície cônica. a superfície de projeção será sempre plana. de um modo geral. Por isso uma projeção com estas características é chamada projeção cônica.Os raios projetantes partem do centro projetivo. ao interceptarem o plano de projeção. a projeção do objeto.

respectivamente. (M) (M) ((f) (B) (d) (A) (B) (f) (A) (d) M M f A B f A B (π) Figura 02-a Figura 02-b 1. exemplos genéricos de uma projeção oblíqua e de uma projeção ortogonal.Quando a distância do centro projetivo ao plano de projeção é imensurável. o centro projetivo é impróprio e indicado por (O∞). as projeções ainda ser classificadas respectivamente como: I) II) projeção oblíqua projeção ortogonal As figuras 02-a 02-b mostram. Neste caso os raios chegam ao plano de projeção segundo retas paralelas. ou seja. somente os raios que passam pelos pontos que caracterizam a figura são considerados. dependendo da direção dos raios projetantes em relação ao plano de projeção. se oblíquos ou perpendiculares. Tal como no caso anterior.3) PROJEÇÕES ORTOGONAIS 18 . Quando o centro projetivo é impróprio.

para definir um triângulo basta conhecer seus vértices. PHP. ou. de vértices (A). suposto horizontal.3. seja um triângulo (ABC). Os raios projetantes partem de um centro projetivo impróprio (O∞) e incidem perpendicularmente sobre (π). Como. (B) e (C). tal como mostrado na figura 03. (A) (B) (C) (π) Figura 03 Temos então que: (f) ≡ (ABC) Nomeamos (π) Plano Horizontal de Projeção. para simplificar.1. para obter a 19 .1) Projeções da Figura Objetiva num Único Plano: Projeções Cotadas Imaginemos que a figura (f) que se quer projetar ortogonalmente num plano (π).

Podemos escrever que: 20 . o que nos permite escrever: f ≡ ABC (O∞) (A) (B) (C) B A (π) C Figura 04 Chama-se cota de um ponto à distância deste ponto a um plano horizontal tomado como referência. de (B) e de (C). as cotas de (A). respectivamente. por (B) e por (C) com o plano (π). Logo. Os pontos A.projeção de (f) em (π) bastará conhecer as projeções ortogonais de (A). (B) e (C). os pontos A. Tais projeções serão as interseções dos raios projetantes que passam. as distâncias de (A) a (π) de (b) a (π) e de (C) a (π) são. Como era de se esperar. respectivamente. B e C são suficientes para definir a projeção horizontal de (f). conforme mostrado na figura 04. por (A). B e C definem a projeção ortogonal de (f) em (π).

C} Nestas condições. B} c) cota de (C) = z (C) = d {(C). (f) e f. Logo: (g) ≡ (MNP)  (g) ≠ (f) 21 . Mas. (π)} = d {(B). (π)} = d {(C). de tal sorte que: z (M) ≠ z (A) z (N) ≠ z (B) z (P) ≠ z (C) O triângulo (MNP) será completamente diferente do triângulo (ABC). se por outro aspecto. tal como mostrado na figura 05.a) cota de (A) = z (A) = d {(A). são figuras correspondentes e f é dependente exclusiva de (f) e de nenhuma outra mais. se um ponto (N) estiver no mesmo raio projetante que passa por (B) e se (P) estiver localizado no mesmo raio projetante que passa por (C). A} b) cota de (B) = z (B) = d {(B). (π)} = d {(A). um determinado ponto (M) estiver localizado no mesmo raio projetante que passa por (A).

respectivamente. uma figura projetada num único plano de projeção pode ser a projeção de infinitas figuras do espaço. o plano de projeção num 22 . desde que os raios projetantes que passam pelos pontos de cada uma delas interceptem. observamos. que: M≡A N≡B P≡C Assim sendo.(N) (M) (P) (T) (R) (A) (S) (B) B=N=S (C) A=M=R (π) C=P=T Figura 05 Ainda na figura 05. entretanto.

atribuindo aos elementos projetados de uma figura objetiva. sem definir (amarrar) as cotas de cada um de seus pontos ao plano. Logo. é um problema indeterminado. os valores das cotas de cada ponto. tal como mostrado nas figuras 06 e 07. Para resolvê-lo.mesmo ponto. projetar uma figura num só plano. Fellipe Boüache em 1878 criou o Método das Projeções Cotadas. (A) (B) a b (C) B A c (π) C Figura 06 23 . a seguir.

perpendicular a (π). 24 . o plano vertical de projeção. como mostra a figura 08. porém inserindo outro plano de projeção (π’). naturalmente. (π’) será.A (a) C (c) B (b) Figura 07 1.3. A reta de interseção de (π) com (π’) é denominada linha de terra.2) Projeções Perpendiculares da Figura Objetiva em Dois Planos Imaginemos agora uma situação semelhante à da figura 04. ou seja: (ππ’) = (π) ∩ (π’) Se (π) é o plano horizontal de projeção.

definiremos as projeções ortogonais de (A). desta feita perpendicularmente a (π’). incidir raios projetantes de outro centro projetivo impróprio (O’∞) . B’ e C’ que caracterizam as projeções verticais de (A).(O∞) (π') (A) ( O ' ∞) (B) (C) B A C (π) Figura 08 Fazendo. Os raios projetantes que passam por estes pontos. respectivamente. Logo. os pontos A’. tal como mostrado na figura 09. agora. de (B) e de (C). definindo. de (B) e de (C) sobre (π’). podemos escrever: f’ ≡ A’B’C’ 25 . interceptarão o plano (π’).

(π’)} = d {(B). C’} Observando a figura 10. A’} b) afastamento de (B) = y (B) = d { (B). B’} c) afastamento de (C) = y (C ) = d { (C). ou seja: a) afastamento de (A) = y (A) = d {(A). (A) e A são vértices de um retângulo contido num plano (α) perpendicular a (ππ’): 26 . as distâncias de (A) a (π’). (π’) }= d {(C).(O∞) (π') A' (A) (O'∞) B' (B) C' B (C) A C (π) Figura 09 Chama-se afastamento de um ponto à distância deste ponto a um plano vertical tomado como referência. Assim. respectivamente. podemos perceber também que os pontos A’. de (B) e de (C) em relação a (π’). de (B) a (π’) e de (C) a (π’) são. (π’)} = d {(A). os afastamentos de (A).

A0 } ou y (A) = AA0 Por conseguinte.( O ) (π’) A' (A) ( O’  ) B' (B) C' A0 C0 B0 (C) B A C (π) Figura 10 Vejamos porque: 1º) Se (A)A  (π) e (A)A’  (π’)  (Â) = reto 2º) Se (A). Podemos então escrever que: z (A) = d {A’. (ππ’)} = d {A’. A  (α)  (α)  (ππ’) = A0 Logo. A0 é o quarto vértice do retângulo. A0 } ou z (A) = A’A0 y (A) = d {A. A’. (ππ’) } = d {A. teremos: 27 .

a projeção horizontal de (f) sobre (π) e a projeção vertical de (f) sobre (π’). seja ela plana ou tridimensional. obtemos f e f’. Esta é a essência do método criado por Gaspar Monge. que ao projetarmos ortogonalmente um figura (f) sobre dois planos de projeção (π) e (π’). de sorte que tais projeções sejam representadas graficamente num mesmo plano. figuras que representam. 1. perpendiculares entre si. vejamos como ficou a vista perspectiva das projeções. Isto significa dizer que f e f’ são as projeções de uma única figura (f) do espaço. tal como mostrado na figura 11. retirando-se (f).4) Método da Dupla Projeção Ortogonal A finalidade do desenho projetivo é permitir conhecer as propriedades geométricas e manipular a forma e as dimensões de uma figura do espaço. respectivamente.z (B) = B’B0 e y (B) = BB0 z(C) = C’C0 y(C) = CC0 Concluímos. então. através de suas projeções ortogonais. Antes de planificar o sistema. 28 . A primeira parte da tarefa já foi mostrada através das relações entre cotas e afastamentos. As figuras f e f’ são correspondentes e mutuamente dependentes de (f).

29 . tal como mostrado na figura 12.(π') A' B C' B A C (π) Figura 11 Para planificar o sistema objetivando trabalhar num mesmo plano de desenho. 2º) Façamos o plano (π) girar em torno de (ππ’) no sentido horário até que a sua superfície se superponha à superfície de (π’) formando um mesmo plano. adotemos os seguintes procedimentos: 1º) Tomemos a linha de terra (ππ’) como um eixo de rotação.

teremos a seguinte visão: 30 .A' (π') B C' (B) (A) B (π)  (C) C  A  (π) Figura 12 Olhando o conjunto de frente para o plano vertical.

abaixo do segmento que a representa. por x numa extremidade e y na outra. assim como as letras π e π’ que os representam. Na prática. Adotaremos os dois pequenos traços. os contornos que delimitam os semiplanos resultantes da planificação não são representados. um em cada extremidade. 31 . A linha de terra pode ser identificada por dois pequenos traços. ou ainda por (ππ’) numa das extremidades.A' π’ C' B' B π C A Figura 13 A representação gráfica das projeções de uma figura num mesmo plano é chamada épura.

indicado por O0. o aspecto mostrado na figura 14. por fim. são sempre perpendiculares à linha de terra. obviamente. A épura representativa das projeções do triângulo (ABC) terá. localizado no canto esquerdo da linha de terra. A medida da abcissa de um ponto é feito a partir de um ponto da linha de terra chamado origem das abcissas. definem as abcissas respectivas de cada ponto da figura.Os segmentos que unem as projeções de cada ponto da figura são identificados como linhas de chamada e. A' C' B' B C A Figura 14 32 . As interseções das linhas de chamada com a linha de terra.

2. 33 . Como (π) e (π’) são perpendiculares ficam criados. O plano (π’). Na figura 15 são identificados os quatro diedros de projeção. a) 1º Diedro: limitado pelo plano vertical de projeção (π’) – semiplano superior (SPVS) e pelo plano horizontal de projeção (π) – semiplano anterior (SPHA). um acima dele e outro abaixo. ou seja. b) 2º Diedro: limitado pelo plano vertical de projeção (π’) – semiplano superior (SPVS) e pelo plano horizontal de projeção (π) – semiplano posterior (SPHP). assim caracterizados. por seu turno. Como já foi dito. na verdade. a interseção entre os planos de projeção. divide o espaço também em dois semi-espaços.0) ESPAÇO PROJETIVO NA GEOMETRIA ESCITIVA 2. a reta comum aos planos (π) e (π’). um anterior a ele e outro posterior.1) Diedros de Projeção A Geometria Descritiva concebida por Gaspar Monge admite que as projeções das figuras objetivas aconteça da seguinte forma: O plano (π) divide o espaço em dois semi-espaços. quatro regiões distintas chamadas diedros de projeção. c) 3º Diedro: limitado pelo plano vertical de projeção (π’) – semiplano inferior (SPVI) e pelo plano horizontal de projeção (π) – semiplano posterior (SPHP). d) 4º Diedro: limitado pelo plano vertical de projeção (π’) – semiplano inferior (SPVI) e pelo plano horizontal de projeção (π) – semiplano anterior (SPHA). é chamada linha de terra.

independentemente do diedro (ou dos diedros) em que esteja localizada a figura objetiva (f). então. Isto significa dizer que. O que não se altera é a posição do observador que estará sempre de frente para a superfície anterior do plano (π’). estar situada num dos quatro diedros ou parte em um e parte em outro (ou outros). em cada situação.(π') SEMIPLANO VERTICAL SUPERIOR DE PROJEÇÃO (SVSP) ( π) SEMIPLANO HORIZONTAL POSTERIOR DE PROJEÇÃO (SHPP) SEMIPLANO HORIZONTAL ANTERIOR DE PROJEÇÃO (SHAP) SEMIPLANO VERTICAL INFERIOR DE PROJEÇÃO (SVIP) Figuras 15 Uma figura pode. mudam as posições das projeções em relação aos planos de projeção. 34 .

onde (P): ponto objetivo. na épura. isolado ou pertencente a uma figura (f). As coordenadas descritivas de um ponto qualquer (P).2) Convenção de Sinais Inicialmente cabe esclarecer que o conceito de coordenadas descritivas envolvendo as definições de abcissa.2) COORDENADAS DESCRITIVAS 2. Cabe então lembrar que: I) abcissa é a distância entre a interseção da linha de chamada de (P) com a linha de terra e um ponto fixo nela localizado e definido como origem das abcissas.2. do espaço. Para resolver esta questão. y(P) . z(P)] . dos pontos que caracterizam uma determinada figura. II) afastamento é a distância de (P) ao plano vertical de projeção (π’). são indicadas da seguinte forma: (P): (x(P) . afastamento e cota.1) Conceito Tradicionalmente. z(P) ) ou (P): [x(P) . afastamento e cota de um ponto é imutável para qualquer dos quatro diedros em que possa se encontrar um ponto (P).2.2. 35 . foram criadas as coordenadas descritivas do ponto que nada mais são do que o ordenamento das grandezas já conhecidas: abcissa. os problemas de Geometria Descritiva exigem o posicionamento. x(P) : abcissa de (P) y(P) : afastamento de (P) z(P) : cota de (P) 2. y(P) .

Assim sendo. Isto quer dizer que são positivas aquelas situadas à direita da origem das abcissas. teremos: 1º diedro + + 2º diedro + 3ºdiedro 4º diedro + cota afastamento Os sinais das abcissas. Para sabermos exatamente em qual deles. deverá ser localizada próxima da extremidade esquerda da linha de terra. serão sempre positivos porque sua origem.  São positivos os afastamentos dos pontos anteriores ao plano vertical de projeção e negativos os afastamentos dos pontos posteriores.III) cota é a distância de (P) ao plano horizontal de projeção (π). foram estabelecidas convenções de sinais para cotas e afastamentos que permitem localizá-los através de suas coordenadas descritivas. O0. a indicação das abcissas nas projeções dos pontos de uma figura é normalmente dispensável. Um ponto pode estar localizado em qualquer dos quatro diedros. 36 . Observação Importante Salvo quando absolutamente necessário. de um modo geral. foi estabelecido que:  São positivas as cotas dos pontos localizados acima do plano vertical de projeção e negativas as cotas dos pontos localizados abaixo. Resumindo.

1) Projeções no 1º Diedro Observou-se que. tomaremos. Para analisarmos como funciona o método da dupla projeção ortogonal nos demais diedros.3. Os sinais.3.3) PROJEÇÕES DE FIGURAS EM CADA DIEDRO No exemplo usado para mostrar como funciona o método da dupla projeção ortogonal. Conforme a convenção de sinais estabelecida. os mesmos valores absolutos das coordenadas descritivas dos vértices (A). o mesmo triângulo (ABC) que foi usado para descrever como funciona o método no 1º diedro sendo mantidos os valores absolutos das abcissas. 2. (B) e (C). ou seja.2) Projeções de Figuras no 2º Diedro Situando (ABC) no 2º diedro e mantendo. tem-se que: Cotas positivas (+): acima da linha de terra Afastamentos positivos (+): abaixo da linha de terra 2. em perspectiva. abaixo dela. como exemplo. respectivamente. quando uma figura está localizada no 1º diedro. o aspecto do conjunto. a projeção vertical fica situada acima da linha de terra e a projeção horizontal. cotas e afastamentos de cada vértice. entretanto. 37 . suas projeções são distintas. corresponderão ao diedro em que se encontrar a figura. a figura (f) ≡ (ABC) foi localizada no 1º diedro.2. é o mostrado na figura 16.

ou seja:: 1º) Tomemos a linha de terra (ππ’). como eixo de rotação. interseção de (π) com (π’). 38 . tal como mostrado na figura 17. adotamos procedimentos semelhantes aos usados anteriormente.(A) A' (B) B' (C) C' B A C Figura 16 Para planificar o sistema objetivando trabalhar num mesmo plano de desenho. 2º) Façamos o plano (π) girar em torno de (ππ’) no sentido horário até que a sua superfície se superponha à superfície de (π’) formando um mesmo plano.

o conjunto de frente para o plano vertical de projeção. agora. congruentes com as obtidas no 1º diedro. o aspecto da épura correspondente do triângulo (ABC) é mostrado na figura 18 e da observação da figura tiramos as seguintes conclusões: . 39 . I) As projeções horizontal e vertical são.(π ' ) > A' A'  C' > > B B' C' B A C (π ) Figura 17 Olhando. embora. respectivamente.

transladando a figura objetiva. II) Dependendo dos comprimentos das cotas e dos afastamentos de cada um de seus pontos.2.1) Invariância da Projeção Horizontal Pode-se resolver o problema criado por projeções superpostas.neste caso.3. mantendo constante as respectivas cotas até que suas projeções fiquem distintas. total ou parcialmente. pode-se também eliminar a superposição das projeções trocando os 40 . as projeções de figuras situadas no 2º diedro podem ficar superpostas na épura e isto dificulta ou pode até impossibilitar o estudo da figura objetiva através de suas projeções. Esta operação manterá a forma da projeção horizontal inalterada. Se a figura está inteiramente contida no 2º diedro. A A' C C' B' B Figura 18 2. ambas fiquem situadas acima da linha de terra.

De uma forma ou de outra.3) Projeções de Figuras no 3º Diedro Situando. tornando-os positivos. o triângulo (ABC) no 3º diedro. transladando figura para o 1º diedro. mantendose os mesmos valores absolutos das coordenadas descritivas dos vértices adotadas nos dois casos anteriores.sinais dos afastamentos. ou seja. a projeção horizontal fica invariante. a perspectiva do conjunto é mostrada na figura 19 B A C B (B) (C) C' (A) A' Figura 19 41 . agora.3. 2.

42 .Utilizando procedimentos semelhantes aos usados anteriormente. como mostra a figura 20. planifica-se o sistema objetivando trabalhar num mesmo plano de desenho.

(π ') > A > C > >B (π ’) A C B B (B) (C) C' (A) A' (π ) Figura 20 43 .

A C B B' C' A' Figura 21 Nesta situação.A figura 21 mostra a épura do triângulo (ABC) nas condições propostas. pode-se observar que: 44 .

se trocarmos os sinais das cotas e dos afastamentos. II) 2. A posição das projeções no 3º diedro são simétricas em relação à linha de terra.3. Mantendo-se. os mesmos valores absolutos das mesmas coordenadas dos vértices do triângulo (ABC). mais uma vez. se comparadas às no 1º diedro. mas situando-o agora no 4º diedro. 2. 45 . é como transportar a figura para o 1º diedro através de duas translações.3. Após estas transformações.1) Invariância das Projeções Não há problema de superposição de projeções no terceiro diedro. mas.3. verifica-se que ambas as projeções permanecem invariantes. a perspectiva do conjunto está mostrada na figura 22.I) As projeções horizontal e vertical ficam distintas e continuam respectivamente congruentes com as dos casos anteriores.4) Projeções de Figuras no 4º Diedro .

.B A B (B) C C' (C) A' (A) Figura 22 Utilizando procedimentos semelhantes aos usados anteriormente. tal como mostrado na figura 23. planifica-se o sistema objetivando trabalhar num mesmo plano de desenho. 46 .

B A B'< B C C' A' C' < < A < Figura 23 A figura 24 mostra a épura do triângulo (ABC) nas condições propostas. 47 .

podem ficar superpostas na épura o que. congruentes com as obtidas nos demais diedros.4.2. 48 . II) 2. total ou parcialmente. Esta operação manterá a forma da projeção vertical inalterada. é desaconselhável. transladando a figura objetiva. como foi dito anteriormente.B B' C' C A' A Figura 24 Nesta situação podemos concluir que: I) As projeções horizontal e vertical são. respectivamente. mas ambas abaixo da linha de terra. mais uma vez. mantendo constantes os respectivos afastamentos até que suas projeções fiquem distintas. tal como no 2º.1) Invariância da Projeção Vertical Pode-se resolver o problema criado por projeções superpostas. As projeções de figuras situadas no 4º diedro.

4. suas projeções (horizontal e vertical) serão sempre congruentes quando se alteram os sinais de todas as cotas e/ou de todos os afastamentos de seus pontos. . pois ambas as projeções permanecem invariantes.Se a figura está inteiramente contida no 4º diedro. ou seja.3. As projeções no 1 diedro são as mais usadas no Brasil. projeções no 2º e no 4º diedro. Por essa razão.Clonclusão: Mantendo-se fixos os valores absolutos das coordenadas descritivas dos pontos de uma figura. são desprezadas. transladando a figura para o 1º diedro. recomendadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e foram priorizadas neste trabalho. 49 . pode-se também eliminar a superposição das projeções trocando os sinais das cotas. 2. na prática. tornando-as positivas.

Todo segmento de reta está contido obrigatoriamente numa reta chamada reta suporte do segmento. todas as características e propriedades geométricas de uma determinada reta são aplicáveis aos segmentos nela contidos e vice-versa. um segmento de reta pode estar: I) II) III) paralelo perpendicular oblíquo Para cada uma das posições acima.0) PROJEÇÕES ORTOGONAIS DE RETAS E SEGMENTOS DE RETAS 3. r’ (vertical) e r (horizontal). do qual (A) e (B) são os extremos.1) CONSIDERAÇÕES INICIAIS Chama-se segmento de reta ao trecho de uma reta genérica limitado por dois de seus pontos definidos como extremos do segmento. 50 . Logo. Seja então (r) uma reta qualquer e (A) e (B) dois de seus pontos não coincidentes. como será visto a seguir. tal como mostrado na figura 25. Em relação a um plano de projeção. As retas são representadas por letras romanas minúsculas. respectivamente. Logo (r) é a reta suporte do segmento (AB). As projeções de (r) serão.3. a respectiva projeção ortogonal apresentará características específicas.

r r' B' B A' A 51 .

2) Traços de uma Reta: Pontos Notáveis Chama-se.1) Pertinência de Ponto a Reta Observando a figura 25. no espaço. de uma forma genérica. São entendidos como notáveis. O ponto (V) é denominado traço vertical da reta.1. (V) tem sempre afastamento nulo. Tradicionalmente. teremos (A) ≡ A’. podemos estabelecer a seguinte afirmação: Para que um ponto pertença a uma reta dada por suas projeções. também como dois dos pontos notáveis de uma reta. é condição necessária e suficiente que as projeções do ponto estejam situados. Em outras palavras: a projeção vertical/horizontal do ponto estará situada na projeção vertical/horizontal da reta. respectivamente. traços de uma reta são os pontos em que a reta intercepta os planos e projeção. A cota de (V) poderá ser positiva. assim entendidos. 52 . 3. negativa ou nula (se a reta interceptar a linha de terra). sobre as projeções da reta. são conhecidos. na Geometria Descritiva.Figura 25 3. os seguintes pontos de uma reta: I) (V): ponto em que a reta intercepta o plano vertical de projeção. traço de uma reta ao ponto em que uma reta intercepta qualquer plano. Assim sendo. Logo. Os traços da reta.

Logo.II) (H): ponto em que a reta intercepta o plano horizontal de projeção. teremos (H) ≡ H. r r' B' V' B A' H' V A H Figura 26 53 . A figura 26 mostra as projeções de uma reta (r). O ponto (H) é denominado traço horizontal da reta. (H) tem sempre cota nula. genérica. negativo ou nulo (se a reta interceptar a linha de terra). bem como a localização das projeções de (V) e (H). Neste ponto. O afastamento de (H) poderá ser positivo.

Este plano é chamado bissetor ímpar é designado (β13). IV) (P). mas de sinais contrários.III) (I): ponto da reta em que a cota e o afastamento são iguais e de mesmo sinal. Por esta razão. respectivamente. respectivamente. ponto da reta em que a cota e o afastamento são iguais. Assim sendo. genérica. É comum designar (I) como sendo o ponto da reta que intercepta um plano que passa pela linha de terra e divide. (H). A figura 27 mostra as projeções de uma reta (r). (I) e (P). diz-se que (I) é o traço da reta em (β13). (V). bem como a localização das projeções dos seus pontos notáveis. Este plano é chamado bissetor par e designado (β24). as projeções deste ponto são idênticas e se encontram na interseção das projeções vertical e horizontal da reta. o ponto (I) só pode estar localizado no 1º ou no 3º diedro. 54 . Por esta razão. Por suas características. diz-se que (P) é o traço da reta em (β24). o 1º e o 3º diedro em dois diedros iguais. Nesta condição. É comum designar (P) como sendo o ponto da reta que intercepta um plano que passa pela linha de terra e divide. o 2º e o 4º diedro em dois diedros iguais. o ponto (P) só pode estar localizado no 2º ou no 4º diedro.

podemos concluir os planos bissetores são perpendiculares.3) Retas e Segmentos de Retas Paralelas a Plano de Projeção Uma reta é paralela a um plano quando todos os seus pontos são eqüidistantes do plano. 55 . 3.r P' B' I' A' H' V P V' B r' I A H Figura 27 Das características de β13 e β24.

Logo a reta r que passa por A e por B é a projeção da reta ( r) em π (figura 28). (A)A e (B)B são paralelos e perpendiculares a (π).Seja ( r) uma reta paralela a um plano (π) e que contenha o segmento (AB). o polígono que tem por vértices (A). consequentemente. Como (r) é paralela a (π). (AB) = AB e podemos afirmar que: Quando um segmento de reta é paralelo a um plano. sua projeção ortogonal neste plano é a verdadeira grandeza (VG) do segmento (r) (B) (A) r B A (π) Figura 28 56 . (B). Logo. B e A é um retângulo. Ao projetarmos ortogonalmente os pontos (A) e (B) no plano (π) obtemos os pontos A e B e. a projeção AB de (AB). Como as projeções são ortogonais.

(AB) = AB. Podemos então dizer que: Quando um segmento é paralelo ao plano horizontal de projeção. Ou seja. paralela ao plano horizontal de projeção e oblíqua ao plano vertical de projeção é chamada reta horizontal. projeta-se em verdadeira grandeza (VG) neste plano. A reta (h). A cota de (A) é igual à cota de (B) e o quadrilátero de vértices (A). oblíquo a (π’) e tem como suporte a reta (h).1) Retas e Segmentos de Retas Paralelos ao Plano Horizontal de Projeção Na figura 29-a é mostrado que o segmento (AB) é paralelo a (π). r' (π') B' A' (V)=V' (A) (B) (r) V A B r (π) 57 . (B). o segmento AB é a verdadeira grandeza (VG) do segmento (AB).3.3. Assim sendo. B e A é um retângulo.

oblíquo a (π) e tem como suporte a reta (f).3. o segmento A’B’ é a verdadeira grandeza (VG) do segmento (AB). é paralela à linha de terra. z(A) = z(B). O afastamento de (A) é igual ao afastamento de (B) e o quadrilátero de vértices (A). (B). vemos que o segmento (AB) é paralelo a (π’). Uma reta horizontal corta (π’) no traço vertical (V) e não admite traço horizontal. Assim sendo.2) Retas e Segmentos de Retas Paralelos ao Plano Vertical de Projeção Observando agora a figura 30-a. (AB) = A’B’. Podemos então dizer que: 58 .Figura 29-a A figura 29-b mostra a épura correspondente Verifica-se que a cota de (A) é igual à cota de (B). ou seja. A’B’. Logo. B’ e A’ também é um retângulo. Neste caso. V' A' B' h' V A B h Figura 29-b 3. a projeção vertical de (AB).

A reta (f). r (r) B' (B) (π') A' r (A) H' B A (H)=H (π) Figura 30-a A figura 30-b mostra a épura correspondente. y(A) 59 . projeta-se em verdadeira grandeza (VG) neste plano. paralela ao plano vertical de projeção e oblíqua ao plano horizontal de projeção é chamada reta frontal. ou seja. Verifica-se que o afastamento de (A) é igual ao afastamento de (B).Quando um segmento é paralelo ao plano vertical de projeção.

as cotas e os afastamentos de todos os seus pontos são respectivamente iguais. tanto as projeção vertical de (AB). à linha de terra. Por isso. respectivamente. a representação espacial e a épura de um segmento (AB). Uma reta vertical corta (π) no traço horizontal (H) e não admite traço vertical. Assim sendo. AB. As figuras 31-a e 33-b mostram. f' B' A' V' f V A B Figura 30-b 3. pertencente a uma reta (r ) nesta condição.= y(B). estão em VG. é paralela à linha de terra. é paralelo. Por isso podemos afirmar que: 60 . Logo. a projeção horizontal de (AB).3) Retas e Segmentos de Reta Paralelos aos Dois Planos de Projeção Quando o segmento é paralelo a ambos os planos de projeção. também. como a horizontal.3.

Reta desse tipo não corta plano de projeção e por isso não admite traço vertical e nem traço horizontal. Uma reta paralela a ambos os planos de projeção é chamada reta fronto-horizontal ou reta paralela à linha de terra. r' (π') B' (r) (B) A' (A) r B A (π) Figura 31-a 61 . projeta-se em verdadeira grandeza (VG) em ambos os planos.Quando um segmento é paralelo aos dois planos de projeção.

A' B' r' r A B Figura 31-b 3. se reduz a um único ponto. Seja ( r) uma reta perpendicular a um plano (π) e que contenha um segmento (AB). tal como mostrado na figura 32. Este ponto concentra as projeções de todos os pontos da reta.4) Reta e Segmento de Reta Perpendicular a Plano de Projeção Uma reta é perpendicular a um plano quando é perpendicular a todas as retas desse plano. Isto permite afirmar que: Quando uma reta é perpendicular a um plano. 62 . neste plano. Ao projetarmos ortogonalmente a reta (r ) no plano (π) somente um raio projetante passa pela reta e corta o plano num único ponto. sua projeção ortogonal. inclusive de (A) e de (B).

Podemos então escrever: Quando um segmento de reta é perpendicular ao plano horizontal de projeção. Assim sendo. vemos que o segmento (AB) é perpendicular a (π) e tem como suporte a reta (v). por ser perpendicular a (π). 63 . sua projeção ortogonal neste plano se reduz a um ponto e está em verdadeira grandeza (VG) no plano vertical de projeção.(r) (A) (B) r=A=B Figura 32 3. a projeção vertical de (AB) está em verdadeira grandeza (VG).4. por isso. temos A ≡ B.1) Perpendicular ao Plano Horizontal de Projeção Observando a figura 33-a. Logo. ou seja AB = (AB). Além disso. o raio projetante que intercepta (π) e passa por (A) é o mesmo que passa por (B). a reta (v) é paralela a (π’) e.

perpendicular ao plano horizontal de projeção é chamada reta vertical. v' (v) A' (π') (A) B' H' (B) A≡B≡v≡H (π) Figura 33-a A figura 33-b mostra a épura correspondente.A reta (v). 64 .

Além disso. Assim sendo . por ser perpendicular a (π’). ou seja A’B’ = (AB).4. vemos agora que o segmento (AB) é perpendicular a (π’) e tem como suporte a reta (t). v' A' B' H' A≡B≡v≡H Figura 33-b 3. a projeção vertical de (AB) está em verdadeira grandeza (VG).2) Perpendicular ao Plano Vertical de Projeção Observando a figura 34-a. Logo. a reta (t) é paralela a (π) e. temos A’ ≡ B’. Podemos então escrever: 65 .Reta vertical não corta o plano (π’) e por isso só admite traço horizontal (H). o raio projetante que intercepta (π’) e passa por (A) é o mesmo que passa por (B). por isso.

Quando um segmento de reta é perpendicular ao plano vertical de projeção. (π') A’≡B’≡t’≡V’ (A) (B) (t) V A (π) B t Figura 34-a 66 . sua projeção ortogonal neste plano se reduz a um ponto e está em verdadeira grandeza (VG) no plano horizontal de projeção. perpendicular ao plano vertical de projeção é chamada reta de topo. A reta (t).

5) Segmento Oblíquo aos Planos de Projeção Neste caso. t'=A'=B'=V' A B t Figura 34-b 3. Reta de topo não corta o plano (π) e por isso só admite traço vertical (V). duas situações podem ocorrer: I) O segmento é ortogonal à linha de terra 67 .A figura 34-b mostra a épura correspondente.

Projetando ortogonalmente (A) e (B) no plano. que definem a reta r. obtemos suas projeções A e B. projeção de (r) em (π). (r) (B) r (A) B A Figura 35 68 . A figura 35 mostra uma reta (r) oblíqua a um plano (π) e que contém um segmento (AB). Para conhecê-la ou trabalhar com ela torna-se necessário aplicar à épura alguns procedimentos geométricos que serão vistos mais à frente. suas projeções não estão em verdadeira grandeza em nenhum dos dois. quando um segmento é oblíquo aos dois planos de projeção.II) O segmento é oblíquo à linha de terra É importante ressaltar que..

B e A. assim como a projeção AB. Se (π) é um plano horizontal. (A)A e (B)B são grandezas conhecidas. Observando a figura 37-a. a partir de A. por 69 . Ligando (A) a (B). marca-se o comprimento (A)A. respectivamente. A figura 36 mostra o trapézio construído. estas distâncias serão as respectivas cotas de (A) e de (B). no mesmo sentido de (A)A e. tal reta está contida num plano perpendicular a ela. (r) (B) (A) A B r Figura 36 3. Por B traça-se outra perpendicular a AB.Para determinar a verdadeira grandeza do segmento (AB) é imprescindível conhecer as distâncias de (A) e de (B) ao plano (π). uma perpendicular a AB e. Num procedimento expedito. determinando (A). Traça-se o segmento AB. podemos construir graficamente o trapézio retângulo que tem por vértices (A). O lado (AB) do trapézio é a VG procurada. marca-se o comprimento (B)B. percebemos que os raios projetantes que passam. a partir de B.1) Segmento Ortogonal à Linha de Terra Quando uma reta é ortogonal à linha de terra.5. Por A traça-se. (B). fica determinada graficamente a VG de (AB).

(A) e por (B). Uma reta que pertence a um plano perpendicular aos dois planos de projeção pode ser reversa à linha de terra ou concorrente com ela. x(A) = x(B). ou seja. Assim sendo. Em ambos os casos a reta é chamada reta de perfil. definem um plano perpendicular à linha de terra. Logo. a abcissa de (A) é a mesma de (B). ambas as projeções de (AB) são perpendiculares à linha de terra e não estão em verdadeira grandeza porque os quadriláteros formados pelos pontos (A) e (B) e suas respectivas projeções são trapézios retângulos. (p) p' (π’) (V) ≡ V’ A' (A) B' V O0≡ H’ A (B) (π) B (H) ≡ H p Figura 37-a 70 .

A figura 37-b mostra a épura correspondente. p' A' B' O0 A B p Figura 37-b 71 .

(V) e (H) serão coincidentes no ponto de concorrência. Numa condição particular.5. p' (π’) B' (p) (B) A' (A) (H)≡(V)≡(H’)≡(V’)≡(H)≡(H’) O0 A (π) B p Figura 38 3.As retas de perfil reversas à linha de terra admitem traço vertical (V) e traço horizontal (H). tal como mostrado na figura 38.2) Segmento Oblíquo à Linha de Terra 72 . a reta de perfil pode ser concorrente com a linha de terra e. neste caso.

Quando um segmento é oblíquo aos planos de projeção e à linha de terra. Uma reta oblíqua à linha de reta é chamada reta qualquer ou genérica. como mostra a figura 39-a. r' ( π') (v)≡V' A' (A) B' H' V (B) A B (H)≡H r (π) (r) Figura 39-a 73 . também neste caso. ambas as projeções são oblíquas à linha de terra e não estão em verdadeira grandeza porque. os quadriláteros formados pelos pontos (A) e (B) e suas respectivas projeções são trapézios retângulos.

As figuras 39-b e 39-c são exemplos de épuras de retas genéricas r r' B' V' B A' H' V A H Figura 39-b 74 .

em verdadeira grandeza (VG). para conhecer a VG de um segmento é necessário que. neste plano. segmentos oblíquos a um plano de projeção não se projetam. Então.5.3 .r' B A' V≡V’≡H≡H’ B' r A Figura 39-c 3. através de procedimentos geométricos.VG de Segmentos Oblíquos aos Planos de Projeção Como foi dito anteriormente. façamos com que o segmento em questão fique paralelo ou passe a pertener a um plano 75 . o que só acontece quando o segmento é paralelo ao plano.

1. o sistema de projeções não se altera. onde se projetará em VG. Neste procedimento. paralelo ao segmento e.Rotação Quando executamos a rotação de um ponto em torno de um eixo perpendicular a um plano. Na figura 40 podemos observar que a projeção do eixo (e) no plano (π) se reduz a um ponto – e – e o arco (c) descrito pelo ponto (P) se projeta em VG no plano (π). Num sistema de dupla projeção ortogonal. porque o raio da rotação (OP) é paralelo ao plano. obrigatoriamente. o ponto descreve um arco de círculo cujo raio é o segmento perpendicular que liga o ponto ao eixo.5. A distância do ponto (P) ao plano (π).de projeção. constituem um novo sistema de projeções em que a VG do segmento é mostrada. 76 . isto é. Esta operação descritiva é chamada mudança de plano de projeção. estas operações poderão executadas de duas maneiras: I) II) Modificando a posição do segmento Criando um novo plano de projeção No primeiro caso. O segmento é que mudará de posição no espaço para ficar paralelo ou pertencer a um dos planos de projeção através de uma operação geométrica chamada rotação. 3.3. O plano criado e o plano de projeção perpendicular a ele. Um novo plano de projeção será criado. perpendicular a um dos planos de projeção para que sejam mantidas as propriedades geométricas do método da dupla projeção ortogonal. a posição do segmento no espaço não se altera. a cota de (P) não se altera durante a rotação. o segmento gira em torno de um eixo perpendicular a um dos planos de projeção. até que fique paralelo ao outro plano de projeção. No segundo caso.

Na verdade.3. 77 . vertical.5. que passa pelo vértice (A). A projeção vertical de (e) é e’. (e) é uma reta vertical cuja projeção em (π) se reduz ao ponto e. inicialmente. um eixo (e).1–VG de Segmentos de Perfil Para conhecermos a VG de (AB) utilizaremos.e' (π') (e) P' 1 O' ≡ P' (P1) (O) P1 (P) e≡O P (π) Figura 40 3.1.

78 .A 41-a mostra. assim. Na verdade. no espaço. antes da rotação. Nota-se que o ponto (A) não se alterou porque pertence ao eixo. antes e após a rotação. e' (e) (π') A' ≡ A'1 B'1 (B1) B' B1 O0 A ≡ A1 ≡ e (B) B (π) Figura 41-b As figuras 41-b mostra a épura correspondente. (AB) tornou-se paralela a (π’) e. se projeta em VG nesse plano. com as projeções do eixo (e). o segmento (AB). após a rotação. (AB) tornou-se um segmento frontal.

e' A B' O0 A B Figura 41-b Na figura 41-c obtivemos a VG de (B) fazendo os seguintes procedimentos: 1º) traçamos uma semi-reta paralela à linha de terra passando por A e no sentido que pretendemos efetuar a rotação. Suponhamos para a direita da épura. 79 . traçamos um arco de círculo até cortar a paralela. 2º) com centro em e ≡ A e raio AB. O ponto de interseção será identificado como B1.

basta traçar por B’ uma paralela à linha de terra.3º ) como a cota de (B) não se altera durante e pós a rotação. após a rotação teremos A’≡ A’1 . assim como A ≡ A1. A linha de chamada traçada de B1 ao encontrar esta paralela. identifica o ponto B’1. O segmento A’1B’1 é a VG do segmento (AB) e' A'≡A'1 B' O0 B'1 A≡A1≡e B1 B Figura 41-c 80 . 4º) como o ponto (A) não se moveu. no mesmo sentido.

81 . A figura 41-e mostra a épura de um segmento de perfil r cuja VG foi obtida utilizando eixo (e) perpendicular ao plano (π’).Procedimento semelhante pode ser utilizado passando o eixo vertical (e) pelo ponto (B). também. Neste caso (e) será uma reta de topo cuja projeção vertical se reduz ao ponto e’. Em resumo. tornou-se o segmento horizontal (A1B1). O segmento A1B1 é a VG do segmento (AB). ao interceptar a linha de chamada traçada por A’1 identificará o ponto A1. Podemos. 2º) Por A traçamos uma paralela à linha de terra que. passando pelo ponto (B). 3º) Neste caso teremos B’≡ B’1 e B ≡ B1 e segmento (AB) que é de perfil. determinando A’1. o procedimento foi o seguinte: 1º) Com centro em e’≡ B’ e raio A’B’ traçamos um arco de círculo até encontrar a paralela á linha de terra traçada por B’. utilizar um eixo de rotação (e) perpendicular a (π’).

A' B'≡ B'1 ≡ e' O0 A A'1 A1 B≡B1 e Figura 41-e Por se tratar da VG de um mesmo segmento.3.1.2 – VG de Segmentos de Reta Qualquer 82 .41-d) = A1B1 (fig.5.41-c) 3. teremos obrigatoriamente: A’1B’1 (fig.

Suponhamos. um segmento (AB). então. como poderá ser constatado a seguir. tal como mostrado na figura 42-a. são absolutamente os mesmos adotados para segmentos de perfil.Se um determinado segmento tem como suporte uma reta qualquer. os procedimentos para determinar sua VG através de uma rotação em torno de um eixo. (π') A' (A) B' A O0 (B) B (π) Figura 42-a 83 .

O ponto (B). descreve um arco de círculo até que (AB) fique paralelo à (π’). após a rotação. o segmento (AB) se torna frontal. criamos um eixo vertical (e) que passa pelo ponto (A). e' (e) (π') A≡ A1 (A)≡ (A1) B' B'1 O0 e A (B) B (B1) B1 (π) Figura 42-b 84 . Ao girarmos o segmento em torno de (e). Na verdade. o ponto (A) não se mexe porque pertence ao eixo.Na figura 42-b. ao girar. definindo o ponto (B1). Nota-se que o arco descrito por (B) em torno de (e) se projeta em VG em (π) e o segmento AB1 fica paralelo à linha de terra.

e' A' O0 B' A≡e B Figura 42-c Na figura 42-d obtivemos a VG de (AB) fazendo os seguintes procedimentos: 1º) traçamos uma semi-reta paralela à linha de terra passando por A e no sentido que pretendemos efetuar a rotação. Pela condição mostrada na épura. incluindo as projeções do eixo vertical (e) passando pelo ponto (A). O ponto de interseção será identificado como B1. 85 . faremos a rotação no sentido horário. 2º) com centro em e ≡ A e raio AB. traçamos um arco de círculo até cortar a paralela.A figura 42-c mostra a épura correspondente.

no mesmo sentido. 4º) como o ponto (A) não se moveu. assim como A ≡ A1. também. Neste caso (e) será uma reta de topo cuja projeção vertical se reduz ao ponto e’. utilizar um eixo de rotação (e) perpendicular a (π’). 86 . identifica o ponto B’1. O segmento A’1B’1 é a VG do segmento (AB) e' A' ≡A'1 B'1 O0 B' A O0 A ≡ A1 ≡ e B1 A B Figura 42-d Podemos. basta traçar por B’ uma paralela à linha de terra. A linha de chamada traçada de B1 ao encontrar esta paralela.3º ) como a cota de (B) não se altera durante e pós a rotação. após a rotação teremos A’≡ A’1 .

ao interceptar a linha de chamada traçada por A’1 identificará o ponto A1. o procedimento foi o seguinte: 1º) Com centro em e’≡ B’ e raio A’B’ traçamos um arco de círculo até encontrar a paralela á linha de terra traçada por B’. determinando A’1. passando pelo ponto (B). 3º) Neste caso teremos B’≡ B’1 e B ≡ B1 e segmento (AB) que é de perfil. tornou-se o segmento horizontal (A1B1). O segmento A1B1 é a VG do segmento (AB).A figura 42-e mostra a épura de um segmento de reta qualquer cuja VG foi obtida utilizando eixo (e) perpendicular ao plano (π’). 87 . 2º) Por A traçamos uma paralela à linha de terra que. Em resumo.

obrigatoriamente. desde que o 88 . perpendicular ao plano mantido.42-d) = A1B1 (fig.A' A '1 O0 B ' ≡ B '1 ≡ e ' A1 A B ≡ B1 e Figura 42-e Por se tratar da VG de um mesmo segmento.5.42-e) 3. teremos obrigatoriamente: A’1B’1 (fig.3. consiste em criar um novo sistema de projeções que contenha um dos planos de projeção do sistema original e outro.2 – Mudança de Plano de Projeção O método conhecido como tal. A aplicação direta deste método é possível.

também paralelo ao plano (π’1). trocando (π’) por (π’1). obrigatoriamente. 89 . Se for mantido o plano horizontal de projeção (π) – incluindo a projeção horizontal do segmento – o novo plano será. Isto significa dizer que estamos fazendo uma mudança de plano vertical.3. Os planos (π) e (π’1) constituem um novo sistema projetivo. Observe-se que o trapézio (A)(B)BA é. pois qualquer que seja tal distância. Projetando o segmento (AB) nesse novo sistema.5. Outra constatação importante é que a distância de (π’1) à (AB) é absolutamente arbitrária. 3. bem como um plano (π’1) perpendicular a (π) e paralelo a (AB). são as iguais às respectivas cotas no sistema original. onde (ππ’1) é a linha de terra deste novo sistema. Se for mantido o plano vertical de projeção (π’) – incluindo a projeção vertical do segmento – o novo plano de projeção será.1 – Segmentos de Perfil Na figura 43-a é mostrado um segmento de perfil (AB). após a mudança do plano vertical. Neste caso diremos que foi feita uma mudança de plano horizontal. a linha de terra do novo sistema será a interseção do plano de projeção mantido e o plano de projeção criado. um plano de topo. Neste caso diremos que foi feita uma mudança de plano vertical. portanto.novo plano de projeção seja paralelo ao plano da figura ou contenha a figura. b) as cotas de (A) e de (B) . obrigatoriamente. um plano de vertical. Em ambos os caso. as projeções ortogonais de (A) e de (B) nesse plano são invariantes. verificamos que: a) as projeções horizontais não se alteram porque o plano (π) foi mantido.2.

Logo. a distância entre a nova linha de terra e a projeção horizontal de (AB) também é arbitrária. ou seja: A ≡ A 1 e B ≡ B1 90 . paralela a AB. Inicialmente traçamos a linha de terra do novo sistema. (π') A' (A) A'1 (π'1) B' B'1 O0 A (B) B (ππ’1) (π) Figura 43-a A figura 43-b mostra como é obtida a épura respectiva. O segmento A1B1 é a VG do segmento (AB). isto é. As projeções horizontais permanecem as mesmas. A distância entre elas é arbitrária. podendo até ser nula. ambas podem ser coincidentes.

isto é. A' B' A ≡ A1 A'1 A ≡ B1 B'1 Figura 43-b 91 . são traçadas novas linhas de chamada. A’1 e B’1. as cotas de (A) e de (B) são marcadas a partir da nova linha de terra. determinando as projeções de (A) e (B). a partir de A e B. perpendiculares à nova linha de terra (ou a linha de terra do novo sistema). sobre as linhas de chamadas do novo sistema traçadas anteriormente. Logo. O segmento A’1B’1 é a VG do segmento (AB). as cotas de (A) e de (B) não se alteram.Em seguida. Como o plano horizontal de projeção (π) é o mesmo em ambos os sistemas.

92 . Projetando o segmento (AB) nesse novo sistema. b) os afastamentos de (A) e de (B) . verificamos que: a) as projeções verticais não se alteram porque o plano (π’) foi mantido. a distância entre a nova linha de terra e a projeção vertical de (AB) também é arbitrária. A visão espacial mostrada na figura 44-a é semelhante à que é mostrada na figura 43-a. no novo sistema. A nova linha de terra é agora (π1π’). as projeções ortogonais de (A) e de (B) nesse plano são invariantes. Logo. o novo plano de projeção será (π1). pois qualquer que seja tal distância.Se for mais conveniente fazer uma mudança de plano horizontal. o que implica em dizer que. e a linha de terra muda de posição. o plano vertical de projeção não se altera. O segmento A’1B’1 é a VG do segmento (AB). após a mudança do plano horizontal são as iguais aos respectivos afastamentos no sistema original. O novo plano de projeção muda de nome. Outra constatação importante é que a distância de (π1) à (AB) é absolutamente arbitrária.

Inicialmente traçamos a linha de terra do novo sistema. isto é. podendo até ser nula.(π1π’) (π') A' (A) A1 (π1) B' B1 O0 A (B) B (π) Figura 44-a A figura 44-b mostra como é obtida a épura respectiva. ambas serem coincidentes. As projeções verticais permanecem as mesmas. ou seja: A’ ≡ A’1 e B’ ≡ B’1 93 . agora paralela a A’B’. A distância entre elas é arbitrária.

94 . Como o plano vertical de projeção (π’) é o mesmo em ambos os sistemas. Logo. sobre as linhas de chamadas do novo sistema traçadas anteriormente. a partir de A’ e B’. os afastamentos de (A) e de (B) não se alteram. os afastamentosde (A) e de (B) são marcadas a partir da nova linha de terra. perpendiculares à nova linha de terra (ou a linha de terra do novo sistema). isto é. A1 e B1. são traçadas novas linhas de chamada. O segmento A1B’1 é a VG do segmento (AB). determinando as projeções de (A) e (B).Em seguida.

A'≡A'1 A1 B'≡B'1 B1 A A Figura 44-b Por se tratar da VG de um mesmo segmento.43-b) = A1B1 (fig.44-b) 95 . teremos obrigatoriamente: A’1B’1 (fig.

verificamos que: a) as projeções horizontais não se alteram porque o plano (π) foi mantido. trocando (π’) por (π’1). também uma mudança de plano vertical.3. onde (ππ’1) é a linha de terra deste novo sistema. bem como um plano (π’1) perpendicular a (π) e paralelo a (AB). Logo. Isto significa dizer que estamos fazendo. também paralelo ao plano (π’1). O segmento A1B1 é a VG do segmento (AB).2. após a mudança do plano vertical. a distância entre a nova linha de terra e a projeção horizontal de (AB) também é arbitrária. Os planos (π) e (π’1) constituem um novo sistema projetivo. b) as cotas de (A) e de (B) . 96 . portanto.2 – Segmentos de Reta Qualquer Na figura 45-a é mostrado um segmento de reta qualquer (AB).3. pois qualquer que seja tal distância. Projetando o segmento (AB) nesse novo sistema. são as iguais às respectivas cotas no sistema original. Outra constatação importante é que a distância de (π’1) à (AB) é absolutamente arbitrária.5. as projeções ortogonais de (A) e de (B) nesse plano são invariantes. Observe-se que o trapézio (A)(B)BA é.

podendo até ser nula. ou seja: A ≡ A 1 e B ≡ B1 97 . ficam coincidentes. isto é. A distância entre elas é arbitrária. paralela a AB. Inicialmente traçamos a linha de terra do novo sistema.(π') A’1 A' (A) (π’1) B' B’1 (ππ’) A≡A1 (B) (π) B≡B1 (ππ’1) Figura 45-a A figura 45-b mostra como é obtida a épura respectiva. As projeções horizontais permanecem as mesmas.

Como o plano horizontal de projeção (π) é o mesmo em ambos os sistemas. Logo.Em seguida. as cotas de (A) e de (B) não se alteram. sobre as linhas de chamadas do novo sistema traçadas anteriormente. estas cotas são marcadas a partir da nova linha de terra. A' B' O0 A≡A1 B≡B1 B’1 A’1 Figura 45-b 98 . a partir de A e B. A’1 e B’1. são traçadas novas linhas de chamada. O segmento A’1B’1 é a VG do segmento (AB). perpendiculares à nova linha de terra (ou a linha de terra do novo sistema). determinando as novas projeções verticaisde (A) e (B). isto é.

O segmento A1B1 é a VG do segmento (AB). verificamos que: a) as projeções verticais não se alteram porque o plano (π’) foi mantido. após a mudança do plano horizontal são as iguais aos respectivos afastamentos no sistema original. o novo plano de projeção será (π1). por isso. Projetando o segmento (AB) nesse novo sistema. A nova linha de terra é agora (π1π’). agora contendo o segmento objetivo e. o plano vertical de projeção não se altera. 99 . no novo sistema. A figura 46-a mostra as projeções de um segmento (AB) de reta qualquer e o novo plano de projeção. b) os afastamentos de (A) e de (B) .Se for mais conveniente fazer uma mudança de plano horizontal. contendo a projeção vertical A’B’ do segmento. o que implica em dizer que.

As projeções verticais permanecem as mesmas. Inicialmente traçamos a linha de terra do novo sistema. contendo a projeção vertical do segmento.( π 1π ’) A '≡ A '1 (A )≡ A1 O B '≡ B '1 (B )≡ ( π 1) B1 ( π π ’) (π) Figura 46-a A figura 46-b mostra como é obtida a épura respectiva. ou seja: A’ ≡ A’1 e B’ ≡ B’1 100 . desta feita.

a partir de A’ e B’.Em seguida. A1 A'≡A’1 B1 B'≡B'1 O0 B A Figura 46-b 101 . O segmento A1B1 é a VG do segmento (AB). perpendiculares à nova linha de terra (ou a linha de terra do novo sistema). os afastamentos de (A) e de (B) não se alteram. são traçadas novas linhas de chamada. determinando as novas projeções horizontais de (A) e (B). Logo. A1 e B1. estes afastamentos são marcados a partir da nova linha de terra. sobre as linhas de chamadas traçadas anteriormente. isto é. Como o plano vertical de projeção (π) é o mesmo em ambos os sistemas.

Assim sendo.45-b) = A1B1 (fig. Por (A) traçamos uma paralela a (π) até encontrar o raio projetante que passa por (B). determinando ali o ponto (P) e o ponto (N) sobre o raio projetante que passa por (M). Ocorre que N ≡ M e P ≡ B. Logo.46-b) 3.Por se tratar da VG de um mesmo segmento. o ponto (M)  (AB) e suas projeções num plano (π). podemos escrever: Quando um ponto divide um segmento numa dada razão. 102 . Podemos então entender que (MA) / (MB) = MA / MB. teremos k = MA / MB.6) Divisão de um Segmento numa Razão Dada Suponhamos que um segmento (AB) seja dividido em duas partes por um ponto (M) de tal maneira que (MA) / (MB) = k. A figura 47 mostra o segmento (AB). a projeção do ponto num plano divide a projeção do segmento neste plano na mesma razão. teremos obrigatoriamente: A’1B’1 (fig. Pelo teorema de Tales podemos escrever que (MA) / (MB) = NA / NP.

Pelo que vimos.(r) (B) (M) (P) (N) r (A) B=P M=N A Figura 47 A figura 48 mostra a épura de um segmento (AB) dividido por um ponto (M) numa razão k. teremos M’A’ / M’B’ = MA / MB = k. Convém observar também que M0A0 / M0B0 = k 103 .

podem ser. um em relação ao outro: I) II) III) concorrentes (oblíquos ou perpendiculares) reversos (ou revessos) paralelos 104 .x 1 2 3 4 r' 5 M' B' A' O0 A0 M0 5 3 4 B0 r Ex: K=MA/MB=2/3 1 y A 2 M 1 2 B 3 3 5 z Figura 48 3.7) Posições Relativas entre Retas e Segmentos de Retas Dois segmentos. assim como as respectivas retas suportes.

a projeção do ponto comum aos dois coincidirá com o ponto comum de suas projeções no plano.3. 105 . Ao projetarmos ortogonalmente dois segmentos concorrentes sobre um plano. (r) (A) (D) (s) (O) r (C) O C (B) s D (π) Figura 49 Em épura. dois segmentos são concorrentes quando o ponto comum às projeções de mesmo nome estão numa mesma linha de chamada. O’ e O estão na mesma linha de chamada.7. como mostra a figura 50. Se um segmento (AB) concorre com um segmento (CD) num ponto (O). como se pode ver na figura 49.1) Segmentos Concorrentes Dois segmentos são concorrentes quando possuem um ponto comum.

A condição de concorrência é dada pelas projeções verticais. neste caso. Ocorre. 106 . podemos afirmar que trata-se da épura de dois segmentos concorrentes.(r) (A) (D) (s) (O) r (C) O C (B) s D (π) Figura 50 Observando a figura 51. que as projeções horizontais das retas jazidas dos segmentos são coincidentes.

107 . como mostra a figura 52.. se um dos lados for paralelo ao plano de projeção. No caso. Logo. o lado do ângulo reto representado pelo segmento (CD) se projeta em VG no plano horizontal de projeção.r' C' O' B' A' D' s' D C O B r=s A Figura 51 Dois segmentos são perpendiculares quando o ângulo que fazem é reto. Um ângulo reto só se projeta reto. a reta (h) é horizontal.

respectivamente. obtendo-se respectivamente. 108 . AB e CD.7. suas interseções com (π) são retas também paralelas e que contém. Observemos que os planos dos trapézios formados pelos segmentos e suas respectivas projeções são paralelos e perpendiculares a (π). Logo.2) Segmentos Paralelos Dois segmentos são paralelos quando têm a mesma direção. tal como mostrado na figura 53. Diz-se também que duas retas são paralelas quando concorrem num ponto impróprio. Os segmentos (AB) e (CD) são paralelos e ambos são projetados ortogonalmente num plano (π).r' A' O' C' C D' h' B' B O r A D h Figura 52 3. os segmentos AB e CD.

as projeções de mesmo nome serão também paralelas. suas projeções ortogonais num plano são.(r) (B) (s) (D) (X) r (Y) s (A) B D (C) A C Figura 53 Assim podemos escrever: Quando dois ou mais segmentos são paralelos. paralelas. também. 109 . (AB) e (CD) são paralelos. se dois segmentos. como mostra a figura 54. Assim sendo.

agora. Ocorre.r' B' D' s' A' C' s r B A Figura 54 Observando a figura 55 podemos afirmar que trata-se da épura de dois segmentos paralelos. que as projeções horizontais das retas jazidas dos segmentos são coincidentes. A condição de paralelismo é dada pelas projeções verticais. 110 .

nem próprio e nem impróprio.3) Segmentos Reversos (ou Revessos) Dois segmentos são revessos quando não possuem ponto comum.7. os pontos de concorrência das projeções de mesmo nome não estão na mesma linha de chamada. também. Se os segmentos (AB) e (CD) são reversos. que duas retas são reversas quando não possuem ponto comum.r' B' D' s' A' C' r=s D B A C Figura 55 3. 111 . como mostra a figura 56. Diz-se.

C' B' r' A' D' s' C B A Figura 56 r D s 112 .

4.0) PROJEÇÕES ORTOGONAIS DE FIGURAS PLANAS 4.1) Considerações Iniciais Uma figura é plana quando a totalidade dos seus pontos pertencem a um único plano, isto é, são todos coplanares. Retas, segmentos de retas, círculos, arcos de círculos, polígonos regulares são exemplos de figuras planas. É importante lembrar que uma figura plana define o plano ao qual pertence. 4.2) Posições de um Plano em Relação a um Plano de Projeção Suponhamos um plano denominado (π) que será utilizado como plano de projeção Em relação a (π), um outro plano pode ser: I) II) III) paralelo perpendicular oblíquo

4.3) Traços de um Plano De um modo geral, chama-se traço de um plano sobre outro, à reta de interseção destes planos. No âmbito da Geometria Descritiva, o traço de um plano é a reta de interseção do plano com um plano de projeção. A notação adotada para o traço de um plano deve conter a letra grega minúscula que identifica o plano seguida da letra que identifica o plano de projeção interceptado. Assim, o traço de um plano (α), por exemplo, num plano projeção (π), suposto horizontal, será identificado no espaço como (απ). Nesta condição, (απ) é uma reta de (α) de cota nula. Sua projeção no plano (π) será portanto απ.

113

Se o plano é paralelo ao plano de projeção, evidentemente não haverá indicação do traço. As figuras 57-a a 57-c mostram como ficam no espaço os planos conforme sua posição em relação a um plano de projeção.

(α)

(π)

Figura 57-a

114

(α)

(απ)

(π)

Figura 57-b

(απ) (α)

(π)

Figura 57-c

115

Assim sendo, pode-se concluir imediatamente que: I) Se (α) for um plano paralelo a um plano de projeção, todas as figuras que lhe pertencem se projetarão em verdadeira grandeza no plano (π) (fig. 58-a);

(B) (ABC) = ABC (A) (C) (α) B A C (π )

Figura 58-a II) Se (α) for um plano perpendicular a um plano de projeção, todas as figuras que lhe pertencem se projetarão no plano (π) segundo um segmento sobre o traço (απ) (fig. 58-b);

116

Como se observa na figura. pelo menos. as retas (r). qualquer figura que lhe pertença a (α). está contido nesse plano. três pontos (ou duas retas) desse plano (fig. por hipótese. deverá ter suas projeções localizadas obrigatoriamente sobre. (s) e (t) pertencem ao plano (α) porque são suportes dos lados do triângulo (ABC) que. 58-c).(A) (B) (απ) (α) B (C) A C (π) Figura 58-b III) Se (α) for um plano oblíquo a um plano de projeção. Os vértices (A) e (B) e suas respectivas projeções ortogonais A e B em (π) pertencem a um plano 117 .

seus traços neste plano verificando-se. também. que as interseções destas com (π) são. podemos afirmar que: Quando uma reta pertencente a um plano é projetada sobre um plano de projeção o traço da reta estará localizado no traço do plano. Assim. Tal raciocínio pode ser estendido aos outros dois lados (AC) e (BC) com relação às retas (s) e (t) Ocorre. No caso da reta ser paralela ao traço do plano.cujas interseções com (α) e (π) são. (r) (s) (t) (A) (B) t s (απ) (α) A (C) r C B (π) Figura 58-c 118 . porém. r e (απ). a condição de pertinência da reta ao plano será garantida se ela for concorrente com outra reta do mesmo plano. (r) e r. que tais pontos estão localizados sobre (απ). O ponto comum aos três planos é a interseção de (r). respectivamente. respectivamente.

(r). Por suas características específicas. 119 .. (f) ≡ f. se reduzirá a um segmento de reta que conterá as projeções verticais de todos os seus pontos. de topo e do ponto (M) de interseção dessas retas. no espaço. fronto-horizontal e (t)... projeção vertical de (f). todos os pontos da figura (f) têm cotas iguais. o plano que a contém é perpendicular a (π’)..4.C’ ≡ f’ Nestas condições. para uma figura plana (f) caracterizada pelos pontos (A). Assim. plano de nível). (B).5) Projeções de Figuras Planas 4. ou seja. Logo. horizontal.. diz-se que a figura pertence a um plano horizontal ou. = z(N) A’B’. teremos: I) II) z(A) = z(B) =. f’.. Sendo (f) paralela a (π). pode-se concluir que um plano de nível só admite retas cujos pontos possuam cotas iguais.(N).5. As respectivas projeções são também mostradas. mais apropriadamente. ou seja: I) II) III) retas horizontais retas fronto-horizontais retas de topo A figura 59-a mostra. bem como as retas (h).1) Figura Paralela a (π) Nesta situação. um plano de nível (α).

II) a projeção vertical da figura se reduz a um segmento contido no traço vertical do plano. 120 .h' ≡ r' ≡ (απ) ≡ απ (r) (π') t' ≡ M' (M) r (h) (α) h M (t) (π) t Figura 59-a Em resumo. observando-se que: I) a projeção horizontal da figura está em verdaeira grandeza (VG). podemos então dizer que: Qualquer figura (plana) paralela ao plano horizontal de projeção pertence a um plano de nível.

121 .A figura 59-b mostra a representação espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de nível (α). ou seja. A’B’C’ está em verdadeira grandeza (VG). (π’) C' A' (A) B' (απ') ≡απ’ (B) (α) (C) B A C (π) Figura 59-b A figura 59-c mostra a épura correspondente´onde a projeção horizontal de (ABC).

podemos escrever: I) II) y(A) = y(B) =.A' C' B' απ ' A B C Figura 59-c 4. Fazendo raciocínio análogo ao do caso anterior.. todos os pontos da figura (f) têm afastamentos iguais..5.. (f) ≡ f’.. = y(N) AB.C ≡ f 122 .2) Figura Paralela a (π’) Nesta situação. ou seja.

(r). 123 . frontal. As respectivas projeções são também mostradas. um plano frotal (α). no espaço. vertical e do ponto (M) de interseção dessas retas. ou seja: I) II) III) retas frontais retas fronto-horizontais retas verticais A figura 60-a mostra. fronto-horizontal e (v).Nestas condições. diz-se que a figura pertence a um plano frontal (ou plano de frente). pode-se concluir que um plano frontal só admite retas cujos pontos possuam afastamentos iguais. Por suas características específicas. bem como as retas (f).

observando-se que: I) a projeção vertical da figura está em verdaeira grandeza (VG). podemos então dizer que: Qualquer figura (plana) paralela ao plano vertical de projeção pertence a um plano frontal. 124 .v' f' (v) (f) r' (α) (π') (r) M' (M) f≡ h ≡ (απ) ≡ απ M≡ v (π) Figura 60-a Em resumo.

ou seja. A figura 60-b mostra a representação espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano frontal (α). 125 . ABC. está em verdadeira grandeza (VG).II) a projeção vertical da figura se reduz a um segmento contido no traço horizontal do plano. A' (α) (A) B' (π') (B) (απ) C' B (C) C A ≡ απ (π) Figura 60-b A figura 60-c mostra a épura correspondente. onde a projeção vertical de (ABC).

A' B' C' απ C A Figura 60-c 4. A projeção vertical de (f) é uma outra figura. f’.3) Figura Perpendicular a (π) e Oblíqua a (π’) Quando uma figura (f) é perpendicular a (π). sua projeção horizontal – f – se reduz a um segmento composto pelas projeções horizontais de seus pontos. B 126 .5. definida pelas projeções verticais de seus pontos e não representa a VG de (f) porque o plano ao qual pertence é oblíquo em relação a (π’).

horizontal e (q).Nestas condições. v' r' (r) (απ') (v) h' (π') M' (M) (α) (h) α0 M≡ h≡ r ≡ (απ) ≡ απ v (π) Figura 61-a 127 . no espaço. bem como as retas (v). diz-se que a figura pertence a um plano vertical. um plano vertical (α). pode-se concluir que um plano vertical só admite os seguintes tipos de reta I) retas verticais II) retas horizontais III) retas quaisquer (ou genéricas) A figura 61-a mostra. Por suas características específicas. vertical. (h). qualquer e do ponto (M) de interseção dessas retas. As respectivas projeções são também mostradas.

O ponto α0. Como se vê. a projeção horizontal ABC pertence a (απ). as projeções de um triângulo (ABC) pertencente a um plano vertical (α). (απ') ≡ απ' A' (π (α) ') B' (A) (B) C' (C) A C B (απ) ≡ απ (ππ’) (π ) Figura 61-b A figura 61-c mostra a épura correspondente. é a interseção entre (α). (απ’) é uma reta vertical de afastamento nulo. na linha de terra. ou seja. 128 . no esáço.A figura 61-b mostra. seu traço em (π’). (π) e (π’). Como um plano vertical é perpendicular ao plano horizontal de projeção (π).

isósceles ou escaleno. (απ') A" B' α0 C' A C B (απ) Figura 61-c 129 . de um modo geral.A épura de uma figura pertencente a um plano vertical não permite. saber se o triângulo (ABC) é equilátero.

diz-se que a figura pertence a um plano de topo. um plano de topo (α). no espaço. de topo. Por suas características específicas. A projeção horizontal de (f) é uma outra figura. As respectivas projeções são também mostradas. 130 . (f). sua projeção vertical – f – se reduz a um segmento composto pelas projeções verticais de seus pontos. frontal e (q).2) Figura Perpendicular a (π’) e Oblíqua a (π) Quando uma figura (f) é perpendicular a (π’). definida pelas projeções horizontais de seus pontos e não representa a VG de (f) porque o plano ao qual pertence é oblíquo em relação a (π’). f’.6. Nestas condições. bem como as retas (t). qualquer e do ponto (M) de interseção dessas retas.4. pode-se concluir que um plano de topo só admite os seguintes tipos de reta I) retas de topo II) retas frontais III) retas quaisquer (ou genéricas) A figura 62-a mostra.

v' r' (r) (απ') (v) h' (π') M' (M) (α) (h) α0 M≡ h≡ r ≡ (απ) ≡ απ v (π) Figura 62-a A figura 62-b mostra a representação espacial as projeções de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de topo (α). 131 .

132 . ou seja. é a interseção entre (α). Logo. na linha de terra. O ponto α0. seu traço em (π). (π) e (π’).(απ') A' (A) B' (α) C' (B) (C) C A α0 (ππ’) B (απ) Figura 62-b A figura 62-c mostra a épura de um triângulo (ABC) pertencente a um plano vertical (α). Como um plano de topo é perpendicular ao plano vertical de projeção (π’). a projeção vertical A’B’C ‘pertence a (απ’). (απ) é uma reta de topo de cota nula.

απ' A' B' C' α0 C A B απ Figura 62-c 133 .

tanto a projeção horizontal. à linha de terra. de topo e do ponto (M) de interseção dessas retas. serão reduzidas a segmentos de reta. (π) e (π’). bem como as retas (p). Por suas características específicas. (v). Nesta posição. 134 . de perfil. um plano de perfil (α). nenhuma das duas projeções mostra a verdadeira grandeza da figura.4. o plano que contém a figura (f) é perpendicular. no espaço.7) Figura Perpendicular a (π) e a (π’) Sendo perpendicular aos dois planos de projeção. As respectivas projeções são também mostradas. pode-se concluir que um plano de perfil só admite os seguintes tipos de reta I) retas de perfil II) retas verticais III) retas de topo A figura 63-a mostra. também. como a projeção vertical. vertical e (t). Obviamente. Uma figura assim posicionada pertence ao chamado plano de perfil.

(p) p' ≡ v' ≡ (απ') ≡ απ' (v) (π') M' ≡ t' (α) (M) α0 O0 M≡ (t) v (π) p≡ t ≡ (απ) ≡ απ Figura 63-a Os traços de um plano de perfil pertencem a uma mesma reta perpendicular à linha de terra porque todos os pontos isolados ou que pertencem a reta ou figuras planas que lhe pertencem têm a mesma abcissa. Assim. caracterizada pelos pontos (A). para uma figura plana (f). I) A’B’..... teremos:.(B).N ≡ f 135 ..(N)..N’ ≡ f’ II) AB.

A figura 63-b mostra a representação espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de perfil. isósceles ou escaleno. Tal como ocorre com figuras em plano verticais e de topo. saber se o triângulo (ABC) é equilátero.a épura de uma figura pertencente a um plano de topo não permite. (απ') C' A' (A) B' (C) α0 (B) A (ππ’) B C (απ) Figura 63-b A figura 63-c mostra a épura correspondente. de um modo geral. 136 .

απ' C' A' B' α0 A B C απ) απ Figura 63-c 137 .

4.8) Figura Oblíqua a (π) e (π’) Se uma figura (f) é oblíqua aos dois planos de projeção, ou seja, oblíqua simultaneamente a (π) e a (π’), suas projeções são figuras distintas, da mesma natureza da figura objetiva e não representam sua verdadeira grandeza. Neste caso, o plano que contém a figura pode estar nas seguintes posições: I) II) III) passa pela linha de terra paralelo à linha de terra oblíquo à linha de terra

Em cada uma destas situações, devem ser considerados os seguintes aspectos: I) Plano que Passa pela Linha de Terra

Os traços de um plano que passa pela linha de terra coincidem com a própria linha de terra. Logo, todas as retas que pertencem a um plano nesta posição interceptam a linha de terra fazendo (V) ≡ (H). Todos os pontos deste plano têm cota e afastamento obedecendo a uma razão constante. Assim, se (M), (N) e (P) pertencem a um plano que passa pela linha de terra, teremos obrigatoriamente: y(M) / z(M) = y(N) / z(N) = y(P) / z(P) = k k é a constante que caracteriza o plano. Por suas características específicas, pode-se concluir que um plano que passa pela linha de terra só admite tipos de reta cujos respectivos traços se interceptem na linha de terra, ou seja: I) II) III) retas de perfil retas quaiquer retas fronto-horizontais (*)

138

(*) As retas fronto-horizontais, assim como suas projeções, são paralelas à linha de terra e, por isso, considera-se que interceptam (ππ’) num ponto impróprio. A figura 64-a mostra um plano (α) que passa pela linha de terra, bem como as retas (q), qualquer, (r), frontohorizontal e (p), de perfil e um ponto cujas projeções caracterizam o plano pela razão k. As respectivas projeções também são mostradas.
p' q' r' (p) (q)

(α) (π')
M'

(r)

(M)

(ππ’)≡(απ)≡απ≡απ’
r

M

q

(π)

p

Figura 64-a

139

A figura 64-b mostra a representação espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano (α) que passa pela linha de terra.

(π') (α)
B' (A) (B) s

A'

απ ≡α

C' (C)

B

(απ') ≡(απ)
C A

(π)
s'

Figura 64-b A figura 64-c representa a épura do triângulo (ABC), mostrando, também, as retas (r) e (s), suportes, respectivamente, dos lados (AB) e (AC). Como (ABC) pertence a um plano que passa pela linha de terra, os prolongamentos de suas projeções se interceptam nesta linha.

140

r' A'

B

s C'

απ ≡απ’

C B

(π)
s' r A

Figura 64-c

II)

Plano Paralelo á Linha de Terra ou Plano em Rampa.

Para que um plano seja paralelo a uma reta, basta que apenas uma reta do plano seja paralela àquela reta. Ao considerarmos, por exemplo que o traço horizontal de um plano é uma reta horizontal de cota nula, se este traço for paralelo à linha de terra, o traço, na verdade é uma reta fronto-horizontal de cota nula. Como todas as retas fronto horizontais de um plano devem ser obrigatoriamente paralelas, conclui-se que o traço vertical do plano, será uma fronto-horizontal de afastamento nulo.

141

frontohorizontal e um ponto (M) cuja razão k. não carcteriza o plano. bem como as retas (p). assim como suas projeções.Logo. qualquer e (r).os traços de um plano paralelo à linha de terra (ou em rampa) são paralelos à linha de terra. As respectivas projeções são também mostradas. (q). A figura 65-a mostra um plano (α) que passa pela linha de terra. entre suas projeções. no caso de um plano (α). pode-se concluir que um plano paralelo à linha de terra só admite os seguintes tipos de reta: I) II) III) retas de perfil retas quaisquer retas fronto-horizontais (*) (*) As retas fronto-horizontais. considera-se que interceptam (ππ’) num ponto impróprio. Assim. perfil. por isso. 142 . são paralelas à linha de terra e. teremos: (απ’) // (απ) // (ππ’) Por suas características específicas. neste caso.

143 .p' (p) (π’) (απ') (q) q' (α) r' (r) M' (M) r (απ) q M (π) p Figura 65-a A figura 65-b mostra a representação espacial de um triângulo (ABC) petencente a um plano em rampa (α).

de fato. é insuficiente para saber se o plano que o contém é. projeção vertical de uma reta (s) 144 . construímos s’. A reta (r) é suporte do lado (AB).(π') (απ') (α) A' (A) C' B' (B) (C) A B C (απ) (π) Figura 65-b Na figura 65-c é mostrada a épura do triângulo (ABC) que. Traçando-se um segmento de reta paralelo à linha de terra passando por B’. por si só. um plano paralelo à linha de terra ou um plano qualquer Vejamos como fazer.

prolongamento da projeção horizontal de (r). nem em (π) e nem em (π’). A determinação dos traços do plano. é feita construindo os traços de uma só reta do plano. é encontrada na linha de chamada traçada de M’ até encontrar o prolongamento de r. o que comprova que este plano é do tipo rampa ou paralelo à linha de terra. também pertencente ao plano (α). determina-se o ponto M’. Quando unimos M a B. a reta (s) é uma fronto-horizontal do plano (α). ou seja. como figura plana. quando necessário. Prolongando r’ até interceptar s’.paralela a (π). não se projeta em verdadeira grandeza. 145 . obtemos a pojeção horizontal de (s) e verificamos que trata-se de uma reta também paralela à linha de terra. tem o lado (MB) em verdadeira grandeza. A projeção horizontal de (M). Neste caso obtivemos os traços da própria reta (r). interseção de (r) com (s). M. É importante observar que o triângulo (AMB). já que tais traços são paralelos à linha de terra. mas o triângulo. ou seja.

r' V' A' απ' C' M' B' s' r H' V A C M B s απ H Figura 65-c 146 .

frontal e (p). Assim sendo. (f). As respectivas projeções são também mostradas. perfil e um ponto (M) de interseção entre elas. horizontal. 147 .III) Plano Oblíquo à Linha de Terra Um plano oblíquo aos dois planos de projeção e à linha de terra é chamado plano qualquer ou plano genérico. A figura 66-a mostra um plano qualquer (α). um plano qualquer admite: I) II) III) IV) retas quaisquer retas horizontais retas frontais retas de perfil Os traços de um plano qualquer são oblíquos à linha de terra. bem como as retas (q). (h). pode-se concluir que um plano qualquer só admite tipos de reta que não sejam perpendiculares a planos de projeção (verticais e de topo) ou retas paralelas a ambos (fronto-horizontais). qualquer.. Por suas características específicas.

148 .p' (p) (απ') f' (f) p (π') (α) f q' (h) h α0 (απ) q h' (q) p (π) Figura 66-a A figura 66-b mostra a representação no espaço de um triângulo (ABC) pertencente a um plano qualquer.

149 .(απ') (α) (π’) A' (A) (B) B' C' A (C) B α0 C (απ) (π) Figura 66-b Na figura 66-c está representada a épura do triângulo (ABC).

s' απ' A' B' r' C' s α0 A C (απ) B r απ Figura 66-c 150 .

A simples observação das características das respectivas projeções de seus lados permite-nos afirmar que a figura objetiva é um triângulo cujo plano ao qual pertence é um plano qualquer. Para tanto, basta observar que as retas-suporte de (AB), de (BC) e de (AC) são oblíquoas à linha de terra, ou seja, uma figura pertencente a um plano qualquer (ou genérico), não se projeta em verdadeira grandeza, nem em (π) e nem em (π’). Nestas condições é impossível afirmar, pela simples observação de suas projeções, se o triângulo (ABC) é retângulo, isósceles, equilátrero ou escaleno. A determinação dos traços do plano, quando necessário, é feita construindo os traços de duas retas do plano. Neste caso obtivemos os traços da reta (r), suporte do lado (AB) e da reta (s), suporte do lado (AC).

151

5.0) VERDADEIRA GRANDEZA DE FIGURAS PLANAS 5.1) Verdadeira Grandeza (VG) de Figuras em Geral Conhecer e manipular a verdadeira grandeza (VG) dos elementos geométricos que constituem uma figura dada por suas projeções ortogonais é uma das finalidades da Geometria Descritiva. Se a figura é plana, ou seja, se todos os seus pontos são coplanares, basta que, através de procedimentos geométricos (alguns já vistos anteriormente), façamos com que a figura fique paralela ou passe a pertencer a um plano de projeção. Assim procedendo, será possível conhecer sua verdadeira grandeza (VG). Se a figura é espacial, ou seja, se ocupa um espaço tridimensional, os procedimentos da Geometria Descritiva só permitem visualizar a verdadeira grandeza das porções planas da figura ou dos elementos geométricos suficientes para defini-la. Entende-se como tais as arestas e polígonos das bases e faces de poliedros em geral, raios dos círculos das bases e geratrizes de cones e cilindros, raios e círculos notáveis de esferas, eixos de cônicas de revolução, etc. 5.2) Verdadeira Grandeza (VG) de Figuras Planas É importante ressaltar que: Se uma figura plana é paralela a um plano de projeção, sua projeção ortogonal neste plano está em verdadeira grandeza (VG). Caso contrário, de modo semelhante ao que foi visto para os segmentos de reta, três situações podem ocorrer: I) II) O plano da figura é perpendicular aos dois planos de projeção; O plano da figura é perpendicular a um dos planos de projeção e oblíquo ao outro;

152

III)

O plano da figura é oblíquo aos dois planos de projeção.

Nos dois primeiros casos podemos adotar diretamente os procedimentos seguintes, já utilizados para determinar a VG de segmentos: I) Utilizar o método das Rotações, criando um eixo pertencente ao plano da figura e fazer com que a figura gire em torno deste eixo até que seu plano fique paralelo ou passe a pertencer a um dos planos de projeção. Se a figura for perpendicular a um dos planos de projeção, o eixo de rotação também o será. Proceder a uma Mudança de Plano de Projeção construindo um novo sistema de projeções ortogonais através da criação de um terceiro plano de projeção, paralelo ao plano da figura e perpendicular ao outro.

II)

Como alternativas, podemos adotar, também, os seguintes procedimentos, principalmente quando o plano da figura é oblíquo aos dois planos de projeção: III) Se for possível identificar o plano da figura através dos seus traços, existe um procedimento que, na verdade, é um caso particular do método das rotações. Neste caso, o eixo de rotação será um dos traços do plano da figura que, após o giro, coincide com o plano de projeção cujo traço foi adotado como eixo. Este método é chamado Rebatimento. Pode-se ainda utilizar a Rotação em torno de um eixo pertencente ao plano da figura e paralelo a um dos planos de projeção. Para se obter a VG da figura ou trabalhar com algum de seus elementos, bastará

IV)

153

girar a figura em torno desse eixo até que seu plano fique paralelo ao plano de projeção, como será visto mais adiante. 5.3 – VG de Figuras em Planos de Perfil 5.3.1 – Rotação em Torno de Eixo Vertical A figura 67-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de perfil (α) e um eixo (e), vertical passado pelo vértice (A), em torno qual a figura vai girar até ficar paralela ao plano (π’).
e' (e)

C'

(π')
A' (A) B'

(C)

(α)

O0

(B)

A≡e

(ππ’)
B C

(π)

Figura 67-a

154

155 . durante o giro as cotas não se alteram. teremos: (A) ≡ (A1) → A’ ≡ A’1. determinando os pontos B1 e C1. Com centro em A≡A1≡ e e raios iguais a AB e a AC. As semi-retas A1B1 e A1C1) pertencem ao lugar geométrico das projeções de horizontais de todos os pontos de (ABC) após o giro. traçamos arcos de círculo até cortarem a paralela traçada. A ≡ A1 Por A ≡ A1 traçamos uma paralela à linha de terra.A figura 67-b mostra a épura correspondente e a VG do triângulo (ABC) obtida da seguinte maneira: I) Como (e) passa por (A). II) III) IV) V) VI) O triângulo (A1B1C1) é a VG do triângulo (ABC). Marcam-se então os vértices C1 e B1. por B1 e C1 levantamos linhas de chamada. Como numa rotação de eixo vertical. Semi-retas paralelas traçadas de B’ e C’ determinarão nestas linhas de chamadas os pontos B’1 e C’1.

de topo passado pelo vértice (B).2 – Rotação em Torno de Eixo de Topo A figura 68-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de perfil (α) e um eixo (e).e' C' C'1 A' ≡ A'1 B' B’1 A ≡ A1 ≡ e B1 C1 B C Figura 67-b 5. em torno qual a figura vai girar até ficar paralela ao plano (π).3. 156 .

teremos: (B) ≡ (B1) → B’ ≡ B’1. II) III) 157 . B ≡ A1 Por B’ ≡ B’1≡ e’ traçamos uma paralela à linha de terra. Com centro em A’ ≡ A’1≡ e’ e raios iguais a A’B’ e A’C’.C' (π') A' (A) (C) (α) B’≡ e’ O0 (B) A (ππ’) B C (e) (π) e Figura 68-a A figura 68-b mostra a épura correspondente e a VG do triângulo (ABC) obtida da seguinte maneira: I) Como (e) passa por (B). traçamos arcos de círculo até cortarem a paralela traçada. determinando os ponto B’1 e C’1.

Marcam-se então os vértices C’1 e B’1. 158 . por B’1 e C’1 descemos linhas de chamada. Como numa rotação de eixo de topo. Semi-retas paralelas traçadas de B e C determinarão nestas linhas de chamadas os pontos B1 e C1. O triângulo (A’1B’1C’1) é a VG do triângulo (ABC). durante o giro os afastamentos não se alteram.IV) V) VI) As semi-retas A’1B’1 e A’1C’1 pertencem ao lugar geométrico das projeções verticais de todos os pontos de (ABC) após o giro.

Rebatimento em Torno do Traço Vertical A figura 69-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de perfil (α) e um eixo (e).3.C' A' B’≡ B’1 ≡ e’ A’1 C’1 A A1 B ≡ B1 C C1 e Figura 68-b 5. em torno qual a figura vai girar até pertencer ao plano (π’). coincidente com o traço vertical do plano.3. 159 .

perpendiculares à linha de terra. (B) e (C). B1 e C1. Assim. os afastamentos ficarão nulos e as cotas não serão alteraradas. as rotações de A. se farão em torno de α0 gerando arcos de círculo que. traçamos novas linhas de chamadas por A 1. B e C.(απ') ≡ (e) ≡e' C' A' (A) (C) (α) B' (α0) ≡ e O0 A (B) (ππ’) B C (απ) Figura 69-a A figura 69-b mostra a épura correspondente. a superfície de (α) coincidirá com a de (π’). Após a rotação. Por A’. respectivas projeções horizontais dos pontos (A). B’ e C’ traçamos paralelas à 160 . Como o eixo é (απ’). B1 e C1. ao cortar a linha de terra determinarão a nova posição de (απ) coincidente com a linha de terra sobre a qual estarão A1.

O triângulo (A’1B’1 C’1) é a VG do triângulo (ABC). determinando A’1. απ’≡e’ C' C'1 A' A'1 B' B'1 O0 α0 ≡ e A1 A B1 C1 B C Figura 69-b 161 . B’1 e C’1.linha de terra até encontrar as linhas de terra.

5. 162 .4.Rebatimento em Torno do Traço Horizontal A figura70-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de perfil (α) e um eixo (e). coincidente com o traço horizontal do plano. (απ') C' (π') A' (A) (C) (α) B' (α0) ≡ e' O0 A B C (B) (π) (απ) ≡ (e) ≡e Figura 70-a A figura 70-b mostra a épura correspondente. em torno qual a figura vai girar até pertencer ao plano (π).3.

B’1 e C’1. B1 e C 1. 163 . também. as cotas ficaram nulos e os afastamentos não se alteraram. ao cortar a linha de terra determinarão a nova posição de (απ’) coincidente com a linha de terra sobre a qual estarão A’1. B e C traçamos paralelas à linha de terra até encontrar as linhas de terra. traçamos novas linhas de chamadas por A’1. O triângulo (A1B1 C1) é a VG do triângulo (ABC).Como o eixo é (απ). perpendiculares à linha de terra. B’ e C’. B’1 e C’1. a superfície de (α) coincidiu com a de (π). Por A. respectivas projeções verticais dos pontos (A). em torno de α0 gerando arcos de círculo que. (B) e (C) se farão. Após a rotação. Assim. determinando A 1. as rotações de A’.

Mudança de Plano Vertical A figura 71-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de perfil (α) e um plano vertical de projeções 164 .3.5.απ' C' A' B' O0 α0 ≡ e' B'1 A'1 C’1 A A1 B C B1 C1 e) ≡e απ≡e Figura 70-b 5.

que: A distância entre o plano da figura e o novo plano de projeção é inteiramente arbitrária. 165 . Cabe lembrar. mais uma vez. paralelo a (ABC) e. podem ser coincidentes.(π’1). cuja linha e terra é (ππ’1). e (π’1). obviamente. perpendicular a (π) e a (π’). que não se altera. o novo sistema de projeções será constituído pelo plano horizontal (π). plano vertical desse novo sistema. Como vamos fazer uma mudança de plano vertical. ou seja. podendo inclusive ser nula.

teremos: A ≡ A 1. traçamos a linha de terra do novo sistema.C’1 C' (π') A' A’1 (A1) (A) (C) (C1) (π’1) B' (B1) (B) (ππ’) A ≡ A1 B ≡ B1 C ≡ C1 (π) (α) (ππ’1) Figura 71-a A figura 71-b mostra a épura correspondente. Inicialmente. B ≡ B 1 e C ≡ C 1 166 . paralela à ABC. Como o plano horizontal de projeção é o mesmo para os dois sistemas.

por A1. ou seja: z (A) = z (A1) z (B) = z (B1) z (C) = z (C1) C' A' B' C ≡ C1 C’1 A ≡ A1 B ≡ B1 A’1 B’1 Figura 71-b 167 . B1 e C1 traçamos novas linhas de chamada perpendiculares à nova linha de terra. Como numa mudança de plano de plano vertical as cotas no novo sistema são iguais as do sistema primitivo. basta transferir as respectivas cotas do sistema original para o novo.Então.

cuja linha de terra (π1π’). Agora. 168 .3.6-Mudança de Plano Horizontal A visão espacial mostrada na figura 72-a é bem semelhante e valem aqui as mesmas observações. (π1π’) A' ≡ A'1 C1 A1 B' ≡ B'1 (A) (C) (π1) C' ≡ C'1 B1 (π') O0 A (B) (α) B C (π) Figura 72-a A figura 72-b mostra a épura correspondente.5. o plano vertical de projeção (π’) é mantido e (π1) é o plano horizontal de projeção do novo sistema.

ou seja: y (A) = y (A1) y (B) = y (B1) y (C) = y (C1) 169 . teremos: A’ ≡ A’1. B’ ≡ B’ 1 e C’ ≡ C’1 Então. por A’1. paralela à A’B’C’. B’1 e C’1 traçamos novas linhas de chamada perpendiculares à nova linha de terra. Como numa mudança de plano de plano horizontal os afastamentos no novo sistema são iguais aos do sistema primitivo. Como o plano vertical de projeção é o mesmo para os dois sistemas. traçamos a linha de terra do novo sistema. basta transferir os respectivos afastamentos do sistema original para o novo.Inicialmente.

C' ≡ C'1 C1 A' ≡ A'1 A1 B' ≡ B'1 B1 A B C Figura 72-b 5.4 – VG de Figuras em Planos Verticais 5. as projeções do eixo de topo (e).4. 170 . usado como eixo de rotação e a VG do triângulo.Rotação em Torno de Eixo Vertical A figura 73-a mostra a épura de um triângulo (ABC) pertencente a um plano vertical (α).1.

os procedimentos geométricos foram absolutamente semelhantes aos utilizados para figuras no plano de perfil.(απ') e' (e) C'1 (C) (π') B' (α) B (B) A’ (A) α0 A≡e O0 O0 C B (απ) (π) Figura 73-a Para obtenção da épura correspondente.3. mostrada na figura 73-b. vistos em 5. 171 .3.

απ' C'1 e' C' B'1 B' A’≡A’1 O0 α0 A ≡ A1 ≡ e B1 (απ) C1 C B απ Figura 73-b 172 .

5.2. (απ’) ≡ (e) ≡ e’ C' (C) (π’) B' (α) B'1 (B) A’ (A) α0 ≡ e A O0 O0 B1 C B (απ) (π) Figura 74-a 173 .4. coincidente com o traço vertical do plano.Rebatimento em Torno do Traço Vertical A figura 74-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano vertical (α) e um eixo (e). em torno qual a figura vai girar até pertencer ao plano (π’).

Por A’. traçamos novas linhas de chamadas por A1. perpendiculares à linha de terra. Após a rotação. O triângulo (A’1B’1 C’1) é a VG do triângulo (ABC).A figura 74-b mostra a épura correspondente. B’1 e C’1. os afastamentos ficarão nulos e as cotas não serão alteraradas. se farão em torno de α0 gerando arcos de círculo que. determinando A’1. B e C. ao cortar a linha de terra determinarão a nova posição de (απ) coincidente com a linha de terra sobre a qual estarão A1. a superfície de (α) coincidirá com a de (π’). as rotações de A. B1 e C1. (B) e (C). Como o eixo é (απ’). respectivas projeções horizontais dos pontos (A). B’ e C’ traçamos paralelas à linha de terra até encontrar as linhas de terra. B1 e C1. 174 . Assim.

4.απ’≡e’ C'1 C' B'1 B' A’1 O0 A’ α0 ≡ e B1 C1 A1 A (απ) C B απ Figura 74-b 5. obviamente.3. paralelo a (ABC) e. perpendicular a (π) e a (π’). A figura 75-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano vertical (α) e um plano vertical de projeções (π’1). Como vamos fazer uma mudança de plano vertical.Mudança de Plano Vertical. que não se 175 . o novo sistema de projeções será constituído pelo plano horizontal (π).

podendo inclusive ser nula. 176 .altera. também. Neste caso. cuja linha e terra é (ππ’1). ou seja. podem ser coincidentes. que: A distância entre o plano da figura e o novo plano de projeção é inteiramente arbitrária. plano vertical desse novo sistema. e (π’1). vale lembrar.

Como o plano horizontal de projeção é o mesmo para os dois sistemas. traçamos a linha de terra do novo sistema.(απ') A' (π') (A) (π’1) C' (C) (α) B' O0 C A B (π) (απ) (ππ’1) (B) (ππ’) Figura 75-a A figura 75-b mostra a épura correspondente. teremos: 177 . paralela à ABC. Inicialmente.

ou seja: z (A) = z (A1) z (B) = z (B1) z (C) = z (C1) 178 . por A1.A ≡ A 1. basta transferir as respectivas cotas do sistema original para o novo. B1 e C1 traçamos novas linhas de chamada perpendiculares à nova linha de terra. B ≡ B 1 e C ≡ C 1 Então. Como numa mudança de plano de plano vertical as cotas no novo sistema são iguais as do sistema primitivo.

A' C' B' O0 C ≡ C1 A ≡ A1 C'1 B ≡ B1 A'1 B'1 Figura 75-b 179 .

as projeções do eixo de topo (e).5. usado como eixo de rotação.5 – VG de Figuras em Planos de Topo 5.Rotação em Torno de Eixo de Topo A figura 76-a mostra a representação espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de topo (α). (απ') A' (π') (A) B' (α) C’≡ e’ α0 C O0 (C) (B) A (ππ') B (e) (απ) e (π) Figura 76-a 180 .1.5.

os procedimentos geométricos foram absolutamente semelhantes aos utilizados para figuras no plano de perfil.2 A' B' A'1 O0 B'1 C' ≡ C'1 ≡ e’ C ≡ C1 A1 A B1 e Figura 76-b B 181 . mostrada na figura 76-b.Para construir a épura correspondente.3. vistos em 5.

coincidente com o traço horizontal do plano.5.2. em torno qual a figura vai girar até pertencer ao plano (π). (απ') (π') A' (A) B' (α) C’ (C) α0 ≡ e C O0 (B) A B (απ) ≡ (e) (π) Figura 77-a 182 .5.Rebatimento em Torno do Traço Horizontal A figura77-a mostra a visão espacial de um triângulo (ABC) pertencente a um plano de topo (α) e um eixo (e).

as rotações de A’. B’ e C’. Assim. 183 . a superfície de (α) coincidirá com a de (π). as cotas ficarão nulas e os afastamentos não serão alterarados. ao cortar a linha de terra determinarão a nova posição de (απ’) coincidente com a linha de terra sobre a qual estarão A’1. traçamos novas linhas de chamadas por A’1. B e C traçamos paralelas à linha de terra até encontrar as linhas de terra. (B) e (C) se farão. B’1 e C’1. Por A. B1 e C 1. respectivas projeções verticais dos pontos (A). também. perpendiculares à linha de terra. determinando A 1.A figura 77-b mostra a épura correspondente. O triângulo A1B1 C1 é a VG do triângulo (ABC). Como o eixo é (απ). em torno de α0 gerando arcos de círculo que. B’1 e C’1. Após a rotação.

Agora. 184 .απ' A' B' O0 A'1 C B'1 C'1 α0 C' C1 C A1 A B1 B απ ≡ e Figura 77-b 5. cuja linha de terra é (π1π’).Mudança de Plano Horizontal A visão espacial mostrada na figura 78-a mostra um triângulo (ABC) pertencente a um plano de topo (α).3.5. o plano vertical de projeção (π’) é mantido e (π1) é o plano horizontal de projeção do novo sistema.

Inicialmente.(απ') A' (π') (π1) (A) B' (α) C’ (C) α0 ≡ e C O0 (B) A B (π1π’) (απ) (π) Figura 78-a A figura 78-b mostra a épura correspondente. teremos: 185 . paralela à A’B’C’. traçamos a linha de terra do novo sistema. Como o plano vertical de projeção é o mesmo para os dois sistemas.

basta transferir os respectivos afastamentos do sistema original para o novo.A’ ≡ A’1. ou seja: y (A) = y (A1) y (B) = y (B1) y (C) = y (C1) 186 . Como numa mudança de plano de plano horizontal os afastamentos no novo sistema são iguais aos do sistema primitivo. B’1 e C’1 traçamos novas linhas de chamada perpendiculares à nova linha de terra. B’ ≡ B’ 1 e C’ ≡ C’1 Então. por A’1.

frontais (ou de frente).6. de perfil.A1 B1 A' ≡ A'1 C1 B'≡ B'1 O0 α0 C' ≡ C'1 C A B απ Figura 78-b 5. as projeções de todas as figuras que lhes pertençam.VG de Figuras em Planos Oblíquos à Linha de Terra Face à peculiaridade de serem perpendiculares a um dos (ou aos dois) planos de projeção. Por este motivo. verticais e de topo são classificados como planos projetantes porque concentram em. a verdadeira grandeza de quaisquer 187 . os planos horizontais (ou de nível). num de seus traços (ou nos dois). pelo menos.

o método dos rebatimentos poderá ser utilizado. Se os traços do plano que contém a figura forem facilmente determináveis. A rotação da figura. Outra possibilidade é fazer duas mudanças de plano de projeção sucessivas. neste caso. de qualquer um deles. máquinas. sendo a primeira. as rotações em torno de eixos perpendiculares a um deles não pode ser feita. muitas linhas de construção. No caso de rebatimentos. embora envolva várias operações geométricas e. Assim. nestes casos são necessárias duas mudanças de plano.destas figuras. sem conhecer os traços do plano. a figura pertencerá a um plano que será tratado como vertical ou de topo. até que o plano que contém a figura fique paralelo ao plano de projeção escolhido. pode ser obtida imediatamente através de rotações. a aplicação do método é impossível. Se a primeira mudança for de plano horizontal de projeção. o ponto comum dos traços estiver nos limites da épura. Assim sendo. deverá ser feita em torno de um eixo paralelo a um dos planos de projeção. No caso de mudança de plano de projeção. a determinação das suas reais dimensões (VG) será limitada à mudanças de planos de projeção. Quando uma figura pertence a um plano oblíquo aos dois planos de projeção. que 188 . Logo. na segunda mudança. rebatimentos ou mudanças de planos de projeção. O método dos rebatimentos e o das mudanças de plano de projeção exigem a existência de linha de terra. no caso de figuras contidas em planos oblíquos aos planos de projeção. Uma segunda mudança de plano resolverá o problema. equipamentos e elementos construtivos são identificadas por suas dimensões e não por coordenadas descritivas. o plano da figura será tratado como um plano vertical. através de um novo plano de projeção perpendicular ao plano da figura. no caso do plano qualquer. Nas vistas ortográficas utilizadas no Desenho Técnico. nesse novo sistema. a linha de terra é dispensada. sua construção como elemento geométrico auxiliar é simples e facilita a obtenção das VG das figuras. as figuras que representam os elementos de peças. Como foi dito acima. portanto.

o plano da figura será tratado como um plano de topo e a VG da figura também será obtida por procedimentos já estudados. Na segunda mudança.Figura Pertencente a Plano Paralelo à Linha de Terra A figura 80-a mostra a vista em perspectiva de um triângulo (ABC) pertencente a um plano (α) paralelo à linha de terra. fazemos o plano (α) coincidir com (π’2).6. pois fica perpendicular a (π1).1. plano vertical do segundo sistema que nos dará a VG do triângulo (ABC). neste novo sistema. 5. que será o plano horizontal de projeções de um novo sistema. Se a primeira mudança for de plano vertical. na segunda mudança. perpendicular a (α) e a (π’). Observa-se que. o plano (α) passa a ser um plano vertical. bem como um plano (π1). 189 .possibilitará obter a VG da figura conforme procedimentos já estudados.

(π1π’) (π1π'2) απ' A'1 (π') A' (A) B'1 (απ') B' (B) C' A (C) O0 (π1) ππ’ O0 C'1 (P1) (ππ’) B C απ (π) (απ) Figura 80-a 190 .

191 .

B1 C1 é mantida e teremos: A1≡ A2 II) IV) V) VI) 192 .A épura correspondente é mostrada na figura 80-b. Como neste sistema (ABC) ficou perpendicular a (π1). Projeta-se (ABC) no novo sistema. desta vez coincidente com a reta suporte de A1. agora. A’B’C’ é mantida e teremos: A’≡ A’1 B’≡ B’1 C’≡ C’1 III) A projeção horizontal é obtida transferindo-se os afastamentos de (A). A VG do triângulo (ABC) é o triângulo A’1B’1C’1 e foi obtido segundo os seguintes procedimentos: I) Cria-se um plano perpendicular a (α). Este plano será o plano vertical deste segundo sistema. A1. Cria-se. obtendo os pontos A 1. Projeta-se (A1. no sistema de projeções original.B1 C1) neste segundo sistema. B1 e C1. B1 e C1 serão obrigatoriamente colineares. A projeção vertical. a partir da nova linha de terra. (B) e (C) para o novo sistema. é caracterizado como um plano de perfil e será o plano horizontal de um novo sistema em que (π’) será mantido como plano vertical. Este novo plano horizontal será chamado (π1) e a nova linha de terra. um novo plano de projeção. em que a linha de reta é a reta suporte construída. A projeção horizontal A1. Este plano. (π1π’). B1 e C1.

6. B1 C1) para este segundo sistema.Figuras em Planos Oblíquos à Linha de Terra A B C 193 .B1≡ B2 C1≡ B2 VII) A projeção vertical é obtida transferindo-se as cotas de (A1. obtendo-se os pontos A’2. B’2 e C’2 O triângulo A’2 B’2 C’2 é a VG do triângulo (ABC). B'2 απ' π1 π'2 π1π’ A'2 A'≡A'1 (π1) B'≡B'1 A1≡A2 B1≡ B2 C'≡C'1 O0 C'2 ππ’ C1≡C2 P' P1 A B P1) C απ P Figura 80-b 1 1 1 5.2.

Na segunda mudança. perpendicular a (α) e a (π). fazemos o plano (α) coincidir com (π2). bem como um plano (π’1).A figura 81-a mostra a vista em perspectiva de um triângulo (ABC) pertencente a um plano qualquer (α) oblíquo a (π) e a (π’). o plano (α) passa a ser um plano de topo. 194 . plano horizontal do segundo sistema que nos dará a VG do triângulo (ABC). Observa-se que. pois fica perpendicular a (π’1). que será o plano vertical de projeção de um novo sistema. neste novo sistema.

A VG do triângulo (ABC) é o triângulo A1B1C1 e foi obtido segundo os seguintes procedimentos: 195 .(π'1π2) (απ') (α) (π') A' (A) (π'1) A'1 O B' C' (C) C (α0) (ππ'1) (B) A B O0 B'1 C'1 (απ) (ππ') (π) Figura 81-a A épura correspondente é mostrada na figura 81-b.

um novo plano de projeção. linha de terra. Projeta-se (ABC) no novo sistema. Sua interseção com (π) será perpendicular às retas horizontais de (α) – inclusive (απ) – e representada por (ππ’1). em que a linha de reta é a reta suporte construída. este novo plano será (π’1). plano vertical do novo sistema.I) Cria-se um novo plano de projeção perpendicular a (α). desta vez coincidente com a reta suporte de A’1. A projeção horizontal. B’1 e C’1. desse novo sistema. A’1. Cria-se. ABC é mantida e teremos: A≡ A1 B≡ B1 C≡ C1 II) III) As projeções verticais são obtidas transferindo-se as cotas de (A).B1 C1) neste segundo sistema. Este plano será o plano horizontal deste segundo sistema. Como neste sistema (ABC) ficou perpendicular a (π’1). B’1 e C’1. Projeta-se (A1. (B) e (C) para o novo sistema. B’1 e C’1 serão obrigatoriamente colineares. Se vamos fixar as projeções horizontais do sistema original. agora. a partir da nova linha de terra. B’1 C’1 é mantida e teremos: A’1≡ A’2 B’1≡ B’2 C’1≡ B’2 IV) V) VI) 196 . A projeção vertical A’1. obtendo os pontos A’1.

απ' A' C' O0 B' A≡A1 B≡B1 C≡C1 B'1≡B'2 C'1≡C'2 απ A2 C2 A'1≡A'2 B2 Figura 82-a 197 .VII) A projeção vertical é obtida transferindo-se os afastamentos de (A1. B2 e C2 O triângulo A2 B2 C2 é a VG do triângulo (ABC). obtendo-se os pontos A2. B1 C1) para este segundo sistema.

basta que a figura objetiva (ou objeto) seja convenientemente posicionada em relação aos planos de projeção de tal sorte que suas dimensões sejam claramente identificadas através de suas projeções. Por outro lado. Este é o princípio que rege as chamadas vistas ortográficas utilizadas no Desenho Técnico. da linha de terra. Logo. as coordenadas descritivas de seus pontos não serão necessárias. também. Não havendo necessidade de abcissas. Isto significa dizer que: As projeções horizontal e vertical de uma figura podem ser construídas conhecendo-se apenas as dimensões dos seus elementos geométricos essenciais. Para tanto.2) Projeto de Engenharia 198 .1) ESPAÇOS PROJETIVOS NO DESENHO TÉCNICO Vimos que. mantendo-se fixos os afastamentos ou as cotas de todos os seus pontos. Se a supomos no 1º diedro. suas projeções horizontal e vertical. afastamentos e cotas. mantidas constantes as coordenadas descritivas dos pontos de uma figura objetiva. onde a projeção vertical é chamada vista frontal e a projeção horizontal. não há necessidade. uma figura objetiva pode ser definida pelas dimensões dos elementos geométricas que a constituem. 6.0) DA GEOMETRIA DESCRITIVA AO DESENHO TÉCNICO 6. que ao se transladar uma figura no espaço. as respectivas projeções também não se alteram. uma figura do espaço poderá sempre ser “transportada” para o 1º diedro onde a visualização de suas projeções é mais simples de ser entendida. permanecem respectivamente congruentes independentemente do diedro em que estejam situadas. vista superior. Pode-se observar.6. também.

uma obra de arte. Ora. em última análise. de um modo geral. desenhos de projeto. são absolutamente os mesmos. são representações gráficas que. o bem estar e a qualidade de vida da população para a qual é direcionado. adutoras. Os princípios geométricos já vistos anteriormente. orçamento de investimento. túneis e viadutos. definem suas dimensões. indústrias de transformação.Entende-se como Projeto de Engenharia o conjunto de documentos técnicos que possibilitam implantar edificações. se um desenho de projeto é. planejamento executivo. instrumentos. projeto básico. linguagem gráfica utilizada nos projetos de engenharia em geral. máquinas. as coordenadas descritivas são substituídas pela cotagem dos elementos geométricos que caracterizam o objeto. fundamentalmente. As representações gráficas em Desenho Técnico usam projeções ortográficas que. redes de transmissão e distribuição de energia elétrica. estudo de viabilidade técnica e econômica. a Geometria Descritiva é a base em que se fundamenta o Desenho Técnico. sobretudo. equipamentos. instalações prediais elétricas. usinas hidrelétricas. Um Projeto de Engenharia compreende. estradas e ferrovias. barragens. as coordenadas descritivas que o posicionam no espaço. um simples sólido geométrico ou outros de qualquer natureza. 199 . Na Geometria Descritiva. constituem o Desenho Técnico. a representação gráfica das projeções ortogonais daquilo que se quer construir.. na medida do possível. especificações técnicas de materiais e serviços e. pontes. na verdade. simplesmente chamados projetos. Ou seja. No Desenho Técnico. sempre na busca de novas tecnologias sustentáveis e economicamente viáveis que visem. tais projeções devem. sempre. nucleares e termoelétricas. fábricas em geral. um elemento construtivo. Os desenhos de projeto. nestes e em quaisquer outros casos. hidráulicas e sanitárias. uma peça de máquina. na verdade. são as projeções ortogonais daquilo que se quer construir. seja ele uma edificação. mostrar sua verdadeira grandeza. obedecendo a critérios e normas específicas. memórias de cálculo. sistemas de informação. um veículo. as medidas de um objeto.

por alguma razão técnica. é usado o sistema métrico para dimensionar o objeto de um projeto de engenharia ou arquitetura.000 mm. precisamos escolher a escala adequada. A2. neste caso.A cotagem. larguras. Dividindo 30. correspondentes a 30. A1.no Brasil. A4. Se. 6. A3.000 mm num segmento de apenas 150 mm. nada mais é do que a indicação das diversas dimensões – distâncias. econômica ou legal. Deixando uma folga de cerca de 75 mm para cada lado da menor dimensão da folha. por acaso. Isto quer dizer que a precisamos representar um comprimento de 30. À maior dimensão corresponderá a maior dimensão da folha. gráficas ou numéricas. alturas e raios – que possibilitam construir o objeto. sobram 147 mm – podemos arredondar para 150 mm – para traçar a divisa lateral do terreno que mede 30 m. Este fator é o que chamamos escala. portanto. O que fizemos foi adotar um fator de redução de 1/200. Para reproduzi-los graficamente aos limites das dimensões padronizadas (tamanhos A0. encontramos 200. cada milímetro do segmento representa 200 mm de divisa. desenho este que é chamado planta de situação. costuma-se usar o centímetro ou o milímetro como unidade de grandeza das coordenadas descritivas. recorremos ao uso das escalas. A escala de um desenho de projeto é a relação matemática entre as dimensões que “cabem” no desenho e as dimensões reais do objeto que será representado. mas típico. comprimentos. Suponhamos então uma casa que vai ocupar um espaço de 8 m de largura por 15 m de comprimento.. em que precisamos usar uma escala de redução para representar esta área ocupada num desenho que mostre o tamanho do terreno. 200 . onde estará localizado a casa. No Desenho Técnico. de redução. num terreno que mede 12 m x 30 m.3 – Escalas e Escalímetros Na Geometria Descritiva. Este é um caso simples. ou seja. etc) ou outras. esta planta tenha que ser mostrada numa folha tamanho A4 (210 mm x 297 mm).000 por 150.

laterais e de fundos da casa serão representadas da seguinte forma: Fachadas Frontal e de Fundos: 8 m = 8. O uso do escalímetro facilita este trabalho. a escala a ser utilizada poderá variar conforme a necessidade. Assim. Se vamos trabalhar.000 mm / 200 =75 mm Para “amarrar” a casa ao terreno. por exemplo. então. 1/500. graduada em que cada metro da dimensão real corresponderá a um espaço de 20 mm de comprimento.Esta escala de redução será aplicada às demais dimensões a serem representadas. Podemos. 1/100. etc. 1/50 e 1/75 e 1/100 e 1/125.5 cm) da dimensão real. No total. que é a unidade padrão de medida das dimensões reais do que se quer representar. Assim sendo. com uma escala 1/50. 201 . poderemos ter escalas de redução tipo 1/20. duas por face. sem necessidade de operações aritméticas adicionais. no desenho. dividido em 10 partes iguais.000 mm / 200 = 40 mm Fachadas Laterais: 15 m = 15. são 6 escalas. cada uma correspondendo a 10 mm (ou 1 cm) da dimensão real. Como vimos. Esta régua. a distância da fachada frontal à testada de frente do terreno e a distância de uma das fachadas laterais à divisa correspondente. assim distribuídas: 1/20 e 1/25. deveremos indicar. Ou ainda: cada 2 cm equivalem a 1 m. cada milímetro representado equivale a 200 mm (ou 2 m) da dimensão real. criar uma régua.1/50. na escala 1/200. permitirá executar todo o desenho na escala 1/50 de modo direto. Dependendo das dimensões do que ser quer representar graficamente e das limitações da folha de desenho. usando o mesmo artifício. graduada desta forma. cada milímetro representado equivalerá a 50 mm (ou 0. as testadas do terreno medirão: 12 m = 12000 mm / 200 = 120 mm As fachadas frontal. pelo menos. pois trata-se de uma régua de seção triangular em que cada face mostra escalas diversas já devidamente graduadas que nos permite trabalhar diretamente com a escala escolhida.

Os mecanismos de relógios são representados em escalas de aumento. então estaremos usando uma escala natural. 202 .Se a representação gráfica exigir ser maior que as reais dimensões do objeto real. são usadas escalas de aumento cujos princípios são os mesmo já vistos. apenas contrários. Se a representação gráfica for construída com as mesmas dimensões do objeto real.

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