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A BASE DIVINA DA VERDADE

A BASE: "UM SÓ" CORPO

Se para o resgate e salvação eterna dos pecadores Deus providenciou o Senhor


Jesus Cristo, o grandioso e suficiente sacrifício para remissão de pecados, alguém
ainda poderia duvidar de que este mesmo Pai, Todo-poderoso e cheio de amor,
também não tenha, da mesma forma, providenciado tudo o que é relativo à
caminhada e à comunhão dos cristãos? Realmente, seria absoluta descrença, além
de desonra ao Nome do Senhor da Glória, supor que Ele tenha negligenciado este
aspecto que é o mais vital das necessidades de Seu povo adquirido por preço de
sangue. O coração do cristão pode estar confiante de que a preciosa Palavra de
Deus contém a plena resposta para qualquer questão que possa surgir neste
sentido. Assim, crendo, que examine as Escrituras com o espírito disposto a se
submeter à soberana vontade de Deus.

Usando este simples diagrama, eu gostaria de despertar a prontidão do espírito de


fé que há no filho de Deus. Em primeiro lugar, admitindo que a verdade pertence a
Deus, e não a nós, vamos reconhecer que a SUA base traçada para a reunião de
seu povo é absolutamente a mesma desde o começo da Igreja, no dia de
Pentecoste (Atos 2), até que a Igreja seja tomada para a Glória na vinda do Senhor
Jesus.

A área demarcada pelo círculo representa esta base. O contorno consistente


revela que esta base permaneceu intocável durante todo o transcorrer da história.
Esta é a base, o fundamento sobre o qual foi estabelecida a igreja primitiva no livro
de Atos. E é a única base sobre a qual a unidade do Espírito pode existir na Igreja.
Efésios 4:3-4 nos dá uma clara indicação disto: "Esforçando-vos diligentemente por
preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz: há somente um corpo e um
Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação". A
preservação da "unidade do Espírito" só é possível se baseada sobre uma verdade
estabelecida, e que não muda: "há somente um corpo e um Espírito". A unidade do
corpo de Cristo, a Igreja, não pode ser dissolvida porque é obra de Deus. E esta
unidade inclui todo o pecador sobre a face da terra que foi salvo pela Graça. Deus
não pode reconhecer outra base que é mais restrita do que esta, e nem pode
aumentá-la para incluir sequer uma alma que não seja salva.
Contudo, mesmo que um crente jamais possa perder o seu lugar no corpo de
Cristo, ainda é possível que se afaste do terreno em que está assentada a base, a
verdade do único corpo, – e este, lamentavelmente, é o estado da cristandade hoje
em dia. Assim, ainda que cada crente tenha o seu lugar assegurado no corpo de
Cristo (que é um só), quando ele abandona a base deste, a verdade do "único
corpo", ele torna-se incapacitado para preservar "a unidade do Espírito", porque
abandonou o princípio da operação do Espírito na Igreja. Não importa quantos
abandonem esta base, ainda assim "o firme fundamento de Deus permanece firme"
(2 Tm 2:19). Deus não pode mudar o Seu fundamento para se adequar aos desejos
dos homens.

Alguém formulou esta simples ilustração:


Um professor disse a seus alunos que brincassem no pátio da escola. Não
demorou muito e todos os alunos deixaram o terreno da escola para brincar em
outro lugar. Se estão juntos ou não, eles não estão mais na base que lhes foi
estipulada. Assim também foi logo depois do estabelecimento da Igreja, até parece
o povo de Deus foi unânime em deixar a base da verdade do único corpo de Cristo,
para então adotar o clericalismo (hierarquia), o ritualismo (liturgia), as denominações
e outros males que são mostrados no diagrama. Hoje em dia até já se chegou ao
ponto de algumas denominações ousarem reivindicar serem elas descendência
direta da igreja primitiva original! Mas o denominação em si já é uma grosseira
negação da verdadeira base da Igreja! Este tipo de orgulho espiritual não deveria
enganar a ninguém. A nós cabe confiar somente, e não arrogar sermos da "linha
original". Isto nada mais é que justificar a nós mesmos, e não a Deus. Deus sempre
está certo, nós é que erramos todas as vezes que deixamos a base que Ele
delimitou.
Qualquer outra base que tomamos, mesmo que pareça estar bem próxima à base
verdadeira, mesmo que ali seja possível uma ótima cooperação com outros, esta
continua não sendo a base divina, e o filho de Deus deve encarar isto
honestamente, com um espírito quebrantado e contrito diante de Deus. Desta feita,
o que o filho de Deus deveria buscar, não é meramente ser 'mais certo' do que os
outros, deveria, ao invés disto, simplesmente voltar para a base que o próprio Deus
estabeleceu. De fato, nem voltando para este terreno poderíamos arrogar que 'nós
estamos certos', porque, afinal de contas, o professor tinha dito que todos os alunos
deveriam brincar juntos no pátio da escola; e enquanto algum dos santos de Deus
ainda permanecer fora da base, qualquer indício de satisfação consigo mesmo está
muito impróprio. Ao invés de justificar a nós mesmos, deveríamos mostrar
verdadeira preocupação pelos outros; e assim a nossa atitude estará justificando a
Deus, estará demonstrando que 'o lado certo' é o de Deus.

O número de "outros terrenos" ou bases fora do fundamento de Deus é 'legião',


isto porque a igreja professa tem sido dividida em inúmeros grupos com várias
formas de organização humana. O diagrama, que simplesmente descreve os
princípios não-bíblicos adotados pelos sistemas humanos, a princípio compreende
todos eles. Não é que todas estas práticas sejam incoerentes, mas são padrões
adotados e defendidos como que se fossem bíblicos, – em outras palavras,
tomaram uma base que é oposta à base divina da verdade. Por isso, se o crente
quer honrar a Deus, terá que deixar tudo isto de lado e voltar ao "fundamento de
Deus".

Vamos tomar o exemplo da doutrina do clericalismo. Ali há uma classe chamada


'clero', que tem o título e a autoridade espiritual sobre os 'leigos'. A raiz desta
doutrina já começou a se desenvolver na igreja primitiva. Diótrefes gostava de
exercer a primazia (3 Jo 9), e "as obras dos nicolaítas" transtornavam a igreja em
Éfeso (Ap 2:6). Sabe o que significa 'nicolaíta'? "Quem governa os leigos". A igreja
em Éfeso odiava estas obras, as quais o Senhor também odiava. Contudo, em
Pérgamo este mal aumentou e foi aceito: "Assim tens também os que seguem a
doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço" Ap 2:15. Uma pessoa cujas obras são
incoerentes pode ser tolerado até um certo ponto, mesmo quando há espirituais que
odeiam estas obras. Mas quando se forma uma doutrina para defender e justificar
as tais obras, então já é desobediência aberta ao fundamento do 'único' corpo, é
fraudar a autoridade do Espírito Santo na Igreja. O mesmo deve ser dito das falsas
doutrinas, associações impuras, independência, prática do mal, legalismo,
denominacionalismo, ritualismo, quando qualquer grupo de pessoas quiser justificar
isto como sendo bíblico. É solene pensar que os homens não terão receios em
justificar o mal com a intenção de justificar a si próprios. Mas vamos nós, ao invés
disto, justificar a Deus.

Agora, outro exemplo. Por vezes nós podemos agir de um modo independente
demais. É quando dizemos: "Sou eu guardador do meu irmão?". Deveríamos julgar
severamente uma tal indiferença. Mas a 'independência'tada
ci no diagrama é a
doutrina que proclama que cada assembléia local é independente em sua
constituição e governo, não sendo responsável ou não tendo um vínculo vital com
outras assembléias. Isto é, novamente, uma absoluta negação da verdadeira base
do "único corpo", porque o corpo compreende todos os santos do mundo. O fato de
serem "um só" corpo implica que os membros estejam todos ligados uns aos outros,
fazendo supor que haja vida, dependência e responsabilidade pelo mútuo
bem-estar.

No diagrama o leitor vai notar que os vários fundamentos anti-bíblicos estão


separados por linhas pontilhadas. O motivo é que estas coisas facilmente se
misturam umas com as outras. De fato, a tolerância religiosa de nossos dias,
leviana, é propícia para tais misturas. Mas a base do 'único corpo' não tolera
misturas, porque é a base da verdade, e aí o erro não tem lugar. Daí a razão da
linha que demarca o círculo ser espessa e contínua. Deus não permite que algo que
o homem elaborou penetre em seu fundamento.

Esta base, finalmente, é aquela sobre a qual o Espírito de Deus está livre para
operar como quer, realizando a verdadeira unidade segundo Deus, e possibilitando
a plena manifestação dos diferentes dons que há em cada membro do corpo de
Cristo. Caso alguém se deixou tocar pelo Senhor para retornar a esta base, poderá
encontrar alguns que vão se opor e alegar que, se fizer assim, estará rompendo a
unidade com eles, mas ele pode bem responder que a unidade, se não estiver
fundada sobre a base de Deus, não é a unidade do Espírito, e por isso não tem
valor espiritual. Mesmo que somente um aluno se preocupasse em voltar para o
pátio da escola, por causa da palavra do professor, este aluno não poderia ser
acusado por dissidência; o contrário é que seria verdadeiro. "Ora, numa grande casa
não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro.
Alguns, para honra; outros, porém, para desonra. Assim, pois, se alguém a si
mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu
possuidor, estando preparado para toda boa obra" (2 Timóteo 2:20-21).

Podemos estar certos de que Satanás sempre vai atacar esta base, e fará tudo
em seu poder para tirar as almas de lá, ou impedir que se aproximem dela. A base
ele não pode destruir, mas fazendo uso de todos estes males ao redor do círculo,
procura atacar violentamente aquilo que não pode aniquilar. Para isso, não cessa de
usar insinuações, denúncias e trapaças em seu esforço para ofuscar a pura verdade
de Deus. Quer assim evitar que busquem verdadeiramente o bendito fundamento de
Deus. Somente a fé simples e real no Deus vivo poderá discernir e andar nesta
grande verdade, que é revelada tão claramente na Sagrada Escritura.

O leitor verdadeiramente interessado talvez não precise de outros


comentários a respeito dos vários "outros terrenos" e suas influências nocivas, mas
com a ajuda das referências bíblicas citadas será capaz de procurar, por si mesmo,
quais os pensamentos do Senhor e Mestre em todas estas coisas. Que nestes dias,
em que não podemos deixar de estar impressionados pela proximidade da vinda do
Senhor Jesus, o nosso gracioso Deus e Pai ainda desperte os corações de Seu
povo a desejar sinceramente estar no lugar que Deus determinou para eles.

LESLIE M. GRANT
publicado originalmente na edição de
"Things New and Old" ("Coisas Novas e Velhas"), U.S.A
REUNIDOS AO SEU NOME

UM BREVE RESUMO DOS PRINCÍPIOS BÍBLICOS


PARA AS ASSEMBLÉIAS REUNIDAS AO NOME DO SENHOR JESUS

Convencidos da absoluta autoridade da Palavra de Deus e da perfeição e


suficiência de Seus ensinamentos, irmãos que se reúnem ao Nome do Senhor
crêem na unidade da Igreja, formada aqui na terra pelo Espírito Santo. Esta unidade
faz parte dos ensinos contidos nas epístolas do apóstolo Paulo, que a apresenta
sob a bem marcante figura do «um corpo», que é um organismo vivo, composto por
vários membros ligados por uma união indissolúvel (Rm 12:4-8, 1 Co 10:17, 12:12,
Ef 1:22-23, 2:16, 3:1-7, 4:1-16). O conhecimento desta verdade é a razão pela qual
alguns cristãos deixaram todas as denominações e organizações humanas, bem
como todas as congregações independentes. A realidade da existência do «um
corpo» é uma lembrança muito importante, e para eles uma das razões que justifica
este procedimento.
Como membros do corpo de Cristo, reunidos, em diversos lugares, ao redor de Seu
Nome, estes irmãos não formaram mais uma organização eclesiástica; eles
simplesmente praticam aquilo o que o próprio Deus instituiu.
Cada assembléia tem a responsabilidade de zelar para que os direitos do Senhor
sejam mantidos e praticados tal como estão revelados em toda a Sua palavra. De tal
forma isto é verdade que – de acordo com Mt 18:18-20, 1 Co 5:9-13 e 2 Co 2:5-11 –
até mesmo a disciplina deve ser exercitada em dependência do Senhor. Todo o filho
de Deus, que deseja andar em conformidade com as ordenanças apresentadas na
primeira epístola aos Coríntios (que descreve com precisão as normas para a
caminhada coletiva dos cristãos), é prazerosamente acolhido para partir o pão. Este
tal não é recebido como um membro da assembléia, mas do Corpo de Cristo.

A PRESENÇA DO ESPÍRITO SANTO NA ASSEMBLÉIA

Os irmãos acreditam na presença e na condução do Espírito Santo na Igreja, ali


onde todo o filho de Deus é chamado à ser um adorador, e onde todos os redimidos
por Cristo estão trajados com a dignidade de um sacerdote (1 Pe 2:9, Ap 1:6).
Reconhecem, portanto, que o Espírito tem liberdade para atuar e dirigir todas as
reuniões, sejam de oração ou ministério, como também as reuniões de adoração,
que, na verdade, são cultos de ação de graças e louvor.
Os que possuem algum dom do Espírito (Rm 12:5-8; Ef 4:7,11) exercitam este dom
livremente em mútuo respeito e submissão aos outros. Se algum irmão, chamado
pelo Senhor, consagra a sua vida para o ministério da palavra (3 Jo 7), ele
desempenha este serviço tendo a aprovação dos irmãos e com a comunhão prática
da assembléia (At 13:1-3, 14:26), embora esta retaguarda de forma alguma suprima
a sua responsabilidade pessoal diante do Senhor. Deverá caminhar pela fé e, tal
como qualquer outro irmão, está sujeito sob a disciplina que a assembléia é
responsável, diante do Senhor, por praticar.
As mulheres, conforme orientação do Senhor, mantém-se em silêncio durante as
reuniões da assembléia (1 Co 14:34-35, 1 Tm 2:8-12).

RESPONSABILIDADE LOCAL
Há, em nosso país, bem como em outros lugares, um certo número de cristãos que
caminham assim, juntos, em submissão à estas verdades. Para obedecer ao
Senhor, estes cristãos retiraram-se de todas as denominações estabelecidas sobre
outros princípios que não os da Palavra de Deus. E para serem coerentes, não
podem consentir que aqueles que são acolhidos para partir o pão, em submissão ao
Senhor e à Sua Palavra, o façam também em outros lugares onde os princípios da
Escritura não são preservados.
Todos os participantes numa mesa expressam, mediante este gesto, a sua
comunhão e unidade. Esta é a verdade apresentada em ligação com a Mesa do
Senhor, especialmente em 1 Co 10:14-22. Este ensino implica que, onde quer que o
pão seja partido, cada participante se identifica com os demais que ali estão
tomando parte, se identifica também com todas as doutrinas ali praticadas ou
professadas. Por esta razão, se alguém em Corinto participasse, ou só comesse,
dos sacrifícios oferecidos aos ídolos, estaria expressando a sua comunhão com os
demônios (1 Co 10:19-21). Em qualquer lugar em que não se reconhece e não se
submete aos direitos do Senhor, ou onde o procedimento prático dos cristãos não é
governado pelo princípio da submissão à autoridade da Palavra de Deus, ali a
verdade conectada com a Mesa do Senhor ou está sendo mal entendida, ou
rejeitada. Um outro aspecto que deve ser necessariamente considerado é o da Ceia
memorial de nosso Senhor. Este lado da verdade é o que contempla o aspecto
pessoal da recordação do Senhor, portanto, é muito precioso para cada redimido.
No entanto, de acordo com o Senhor, a Ceia do Senhor (aspecto da
responsabilidade individual) e a Mesa do Senhor (aspecto da responsabilidade
coletiva) estão indissoluvelmente ligados. Por outras palavras, não se pode
desconectar a Ceia em memória do Senhor desse outro aspecto, a saber: que todos
os participantes estão expressando, mediante sua participação, a sua comunhão e
solidariedade (ou unidade); porque o pão, que representa o corpo físico do Senhor,
é também o símbolo deste corpo alegórico, que é a Igreja. Os indivíduos que
participam deste único pão são a expressão da unidade da Igreja, tal como o pão
em si o é também, «porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só
corpo; porque todos participamos do único pão» (1 Co 10:17).

A RESPONSABILIDADE EM ACOLHER ALGUÉM

Considerando que somos objetos diários da imensa graça de Deus para conosco,
também devemos mostrar paciência e prontidão para perdoar nossos irmãos.
Apesar disto, os que são acolhidos para o partir do pão estão sujeitos à disciplina
que a assembléia é responsável diante do Senhor por executar. Assim, caso alguém
que esteja em comunhão com a assembléia, comunhão esta que se expressa pelo
partir do pão, também partir o pão em outro lugar em que a verdade da unidade do
Corpo e a autoridade do Senhor não é considerada pela prática, está sendo
incoerente com o lugar que assumiu na assembléia; sendo voluntário ou não, ele
está negando esse lugar que assumiu e comprometendo o testemunho das
verdades ligadas à Assembléia de Deus. Se, porventura, depois de advertido e
exortado em amor, ainda perseverar neste procedimento, ele está evidenciando um
espírito de independência e de vontade própria que não pode ser tolerado – caso a
verdade conectada com a Mesa do Senhor quiser ser mantida.

A QUESTÃO DA ASSOCIAÇÃO
Não resta dúvida que todo aquele que se arrependeu de seus pecados, e no seu
coração creu no Senhor Jesus, é um filho de Deus e membro no Corpo de Cristo.
Assim também é certo que entre estes cristãos, dos quais nos separamos, existem
crentes que são muito mais fiéis e agradáveis à Deus que muitos entre nós. Temos
que reconhecer isto. É, pois, necessário que se entenda que a razão de nossa
separação é meramente de ordem eclesiástica: ou seja, somos responsáveis
perante Cristo, que é o Cabeça de Sua Igreja, por nos reunir ao Seu Nome somente
e manter os princípios de Sua Palavra que foram dados como orientação para a Sua
Igreja; isto implica em não manter vínculos com as organizações eclesiásticas que
desconsideram estes princípios. Caso algum crente continue relacionado com estas
coisas, a separação daquela assembléia que se mantém fora do padrão das
Escrituras também implica que nos separemos eclesiasticamente de tal crente –
mas porque a situação em que se encontra representa o exemplo dessas coisas,
fora do padrão das Escrituras, das quais, pela fidelidade ao Senhor, temos que nos
apartar – entretanto, não o desconsideramos como crente.
Quando crentes se reunirem para partir o pão simplesmente na condição de
membros do Corpo de Cristo, e obedecerem as instruções que o Senhor concedeu
nas Epístolas do Novo Testamento, se identificarão com todos os que agirem
semelhantemente, e haverá então laços de comunhão entre eles.
Se não for assim, é porque não estão andando em obediência aos mesmos
princípios. Manter uma comunhão independente é, igualmente, negar, na prática, a
unidade do Corpo de Cristo.
A questão é: O procedimento das assembléias é orientado pela Palavra de Deus? A
sua condição de separação enquanto assembléia, é resultado de sua obediência
diante do Senhor ou esta posição é restrita à sua vontade própria? Não nos
vangloriamos de nossa obediência, porém temos a convicção de que a Graça do
Senhor nos colocou no caminho da verdade, onde todo membro do Corpo de Cristo
tem, como tal, o seu lugar.

CONCLUSÃO

A presença do Senhor Jesus, ressurreto, é o foco de atração dos filhos de Deus,


reunindo-os pelo poder do Espírito Santo. É isto o que caracteriza uma Assembléia;
é desta maneira que estamos reunidos ao Nome do Senhor (Mt 18:20). Reunir-se
assim, ao Seu Nome, implica necessariamente em reconhecer os Seus direitos,
submissão à Sua autoridade e obediência à Sua Palavra. Para se ter, realmente, o
caráter de uma Assembléia divina, é necessário manter a disciplina e atitudes
coerentes com a Assembléia. Estes, aliás, não são, de forma alguma, incompatíveis
com o amor que somos devedores à todos os filhos de Deus. Na verdade, o
verdadeiro amor, o amor segundo Deus, deve ser avaliado segundo o padrão divino:
«Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos à Deus e
praticamos os Seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos
os Seus mandamentos» (1 Jo 5:2-3).

Amor = Obediência!

Depois de fornecer este pequeno panorama dos princípios que professamos, temos
que confessar com humilhação que o nosso procedimento coletivo nem sempre está
coerente com este nível, nem o nosso testemunho individual. Ainda assim, isto não
é razão para abandonar a verdade. Guardar essas boas cousas que nos foram
confiadas, reter firme aquilo que por Graça recebemos da parte de Deus, isto é o
que deveria ser considerado como um grande privilégio para o nosso coração, mas
também como uma grave responsabilidade para a nossa consciência.

originalmente publicado na forma de folheto


Grace and Truth, U.S.A.
UNIDADE ou C O N F U S Ã O

Estas linhas são dirigidas a cristãos em cujo coração há o expresso desejo de


obedecer à Palavra, e para os quais a questão da comunhão entre os irmãos
constitui, de certa forma, uma preocupação. De antemão considero que estes têm
estima pela reunião ao nome do Senhor à Sua Mesa. Desejam amar a todos os
filhos de Deus e demonstrar isso a eles. Mas, agora, têm dificuldade em entender
que aos crentes não é concedida a liberdade de:
- Acolher alguém, sem restrições, à esta Mesa.
- Participar da Ceia em todos os lugares em que é celebrada.
Tais restrições lhes parecem exageradas.

Essa questão, já bastante discutida, é muito séria. Muitos daqueles, que


levianamente são classificados pelo título de "exclusivistas", somente tomaram esta
postura (que em certos meios lhes é atribuída com censura) após dolorosas
experiências. Sentem profunda tristeza pelo estado das coisas, mas também são
gratos a Deus por ter-lhes indicado o caminho segundo os Seus pensamentos.

A Escritura nos apresenta dois ensinos fundamentais a esse respeito.

O primeiro: A participação em alguma "Mesa" em que se presta culto significa estar


em comunhão com todos os que nela participam (1 Co 10:14-22). Isto não quer
dizer que todos, que ali participam, tenham os mesmos pontos de vista em todas as
questões; é certo, porém, que são unânimes quanto àquilo que os une à dita "Mesa"
e quanto ao que estão expressando ali. Não supomos que algum dos leitores esteja
envolvido com alguma "mesa de demônios"; mesmo assim, o ensino do apóstolo
aqui nesse exemplo continua sendo aplicável: "não quero que vos torneis
associados aos demônios". Esta admoestação foi dada a cristãos que certamente
não criam ser um ídolo alguma coisa real, e que tampouco anelavam por comunhão
com os demônios, mas que, no entanto, se assentavam com aqueles que
sacrificavam aos demônios, visto que ofertavam aos ídolos. Estes cristãos teriam
prontamente recusado pensar como aqueles idólatras, ainda assim, porém, estavam
em comunhão com os demônios, pois se assentavam com essa gente à Mesa
deles.

O segundo ensinamento é que a Mesa, na qual o Senhor se unifica com os Seus,


não é a mesa de um determinado grupo de crentes que estejam em acordo quando
a algumas verdades; porém é a Mesa do Senhor, e todos os que LHE pertencem
têm o seu lugar ali, pois é a expressão da unidade do Corpo (1 Co 10:16-17).
Reunir-se e participar da ceia na condição de assembleiano, batista, evangélico,
protestante etc., contradiz este conceito. E caso nós viéssemos a nos reunir como
"darbystas", ou até como "os irmãos", como se nós fossemos os únicos filhos de
Deus, ao passo que ainda há tantos outros, espalhados por todo lugar, também nós
entraríamos nessa contradição e não poderíamos dizer que estamos à Mesa do
Senhor. Do mesmo modo seria, caso nos reuníssemos com a pretensão de sermos
mais piedosos que outros, pois estaríamos perdendo de vista o significado dessa
Mesa; estaríamos até mentindo, pois os fatos comprovam que a carne está
operante em todas as áreas, e que entre nós há muitas fraquezas, dentre outras, na
área de evangelização, na qual outros crentes estão por vezes mais empenhados.
Não nos arroguemos, portanto, de títulos ou qualificações que não nos cabem.

Quando, porém, é Deus quem passa a agir, fazendo com que os seus saiam das
diversas igrejas ou denominações para a reunião ao Nome do Senhor Jesus
somente (Mt 18:20), então deveríamos atentar para aquilo que Ele espera daqueles
que conduz a este lugar. A Palavra nos diz que precisam ser nascidos de novo (1
Co 12:13; 2 Co 6:14-15), reconhecer tanto o senhorio de Cristo sobre a Assembléia
como a operação do Espírito Santo – que a cada um distribui dons e ministérios
"como Lhe apraz" (1 Co 12:11) –, e que também devem se sujeitar à autoridade do
Senhor na Assembléia, quer seja para a manutenção da paz entre os irmãos (Mt
18:17-20) ou para a remoção do mal do meio deles (1 Co 5). A Palavra ainda nos
apresenta a Unidade da Assembléia (Igreja); que quando alguém por ela tiver sido
"ligado" em alguma localidade, está automaticamente "ligado" em todo lugar – do
contrário, a autoridade do Senhor seria válida aqui, mas não lá. Agrupamentos
"independentes", portanto, negam tanto a Unidade do Corpo de Cristo como a
autoridade do Senhor, que está presente no meio dos "dois ou três". A seriedade
disso tudo não pode ser sublinhada o suficiente. Uma Assembléia local não seria a
expressão de toda a Assembléia (Igreja) – pois é isto, justamente, que se está
testemunhando à Mesa do Senhor – caso aquilo que fizer em nome do Senhor não
fosse obrigatoriamente reconhecido pelas outras assembléias. Negar-se a
reconhecer isso significa negar a unidade do Corpo de Cristo.

Cada cristão que tem uma certa noção do que significa sair fora do "arraial" (Hb
13:13) estará de acordo com a maioria desses princípios. A dificuldade surge quanto
à prática destes últimos pontos citados, ou seja, da responsabilidade e autoridade
da Assembléia local. Vamos considerá-los mais de perto.

Não é possível – sem violar os direitos de Cristo – expressar comunhão na Mesa do


Senhor com uma pessoa que vive em pecado manifesto. Se, por infortúnio, essa
pessoa já participa na Mesa do Senhor, então a Assembléia é instada a remover o
"fermento", que leveda a massa toda (1 Co 5:6-8). Isto é obrigatório, segundo a
Unidade testemunhada na Ceia. A Assembléia é coletivamente responsável.
Naturalmente a responsabilidade de cada um continua valendo, porém está incluída
na da Assembléia (compare em 1 Co 11:28-30). Caso alguém, que se tornou
culpado, não tenha julgado a si mesmo em oculto diante do Senhor, e o pecado
agora se tornou conhecido, "espalhou-se", como no caso da lepra em uma casa (Lv
14:39-40), então o mal que se manifestou na Assembléia é pecado de todos; todos
precisam confessá-lo e humilhar-se devido a ele. O procedimento da Assembléia
não é semelhante a um tribunal, mas faz-se necessário disciplinar a este indivíduo
com amor e assistência. Caso não reagir a isto, precisa ser excluído visando:
– Seu próprio restabelecimento e,
– A purificação da Assembléia.
Uma Assembléia perde o seu caráter de Assembléia divina quando recusa
purificar-se dessa maneira, quando demonstra tolerância para com o mal ao permitir
que esta responsabilidade repouse única e exclusivamente no indivíduo.

A Palavra é explícita e clara ao inculcar que alguém que "não persevera na doutrina
de Cristo" não deve ser recebido (2 Jo 9). Não deveríamos esperar que todos
tenham a mesma acepção quanto a todos os pontos, por exemplo, quanto à
profecia ou aos significados das figuras bíblicas, ou até mesmo quanto à
Assembléia. Mas quanto a esta doutrina de Cristo, ou seja "Jesus Cristo vindo em
carne", morto, ressuscitado e glorificado, quanto a isso não poderá haver dúvidas ou
pontos obscuros. Quando se trata dos fundamentos do cristianismo, não se pode
empregar o mesmo critério de tolerância aplicável (com cautela) à ignorância ou
então às diferenças quanto aos demais pontos.
Portanto, para que alguém seja recebido à Mesa do Senhor, é necessário que a
Assembléia naquela localidade não tenha dúvidas sobre o caminhar daquele que
deseja participar (pois ela tem que guardar-se do mal moral), e que examine as
convicções dele (pois o mal doutrinário requer tanto mais precaução).

Tomemos um exemplo: um cristão está "de passagem" e deseja "partir o pão" numa
localidade. Ele é desconhecido ali, neste caso, é da ordem mais elementar que seja
recomendado por irmãos conhecidos ou então por uma assembléia conhecida. Não
se trata de acolher um "darbysta" (somente para retomar aquela repetida censura),
ou então acolher um membro de uma "denominação sem nome" – já a simples
menção destas idéias merece veemente repúdio –, trata-se, porém, de acolher um
sacerdote, depois que este apresentar o seu "registro genealógico" (Ed 2:62). Um
procedimento diferente seria negar o senhorio de Cristo sobre a Assembléia.

Ao contrário, agora, como é que cristãos, que reconhecem esta soberania de Cristo,
teriam a liberdade de partir o pão em uma assembléia em que se tolera o mal, seja
ele moral ou doutrinário? A própria consciência e o amor ao Senhor tem a resposta
a esta questão. Mas... você poderia argumentar, trata-se de uma Assembléia de
crentes que está posicionada fora das organizações humanas, e onde não é
ensinado nada conflitante com a "doutrina de Cristo". Isso é possível, e nos
alegramos sobre isso, mas persiste ainda o fato que ali, devido ao desejo de
estender os braços a todos, quase todos são acolhidos para partir o pão sob a sua
própria responsabilidade. No entanto, este procedimento significa permitir que a
Mesa, na qual expressamos a comunhão, seja introduzida em ligação com o mal em
alguma de suas formas. Esta orientação certamente permitirá ocasião em que seja
acolhido alguém que tenha sido excluído em outra localidade, o que é negar a
Unidade do Corpo, a única realidade que é segura dentre o caos dos sempre
mutantes pontos de vista religiosos.

Seja longe de nós considerar que aquele, que se considera livre para tomar a ceia
onde quiser, não possa ser um cristão verdadeiro; talvez este até seja mais fiel e
dedicado ao Senhor que outros. Mas ao tomar a ceia hoje entre um grupo, e na
próxima vez entre outro, ele está se ligando justamente com aquilo do qual o Senhor
quer que saiamos fora; busca a mescla onde o Senhor ordena a separação (2 Co
6:17). É impossível, ainda que isso doa a nossos corações, acolher tal crente para
partir o pão sem negar (não os ditos "princípios dos irmãos" – expressão, aliás, que
deve ser repudiada, porém) o ensinamento da Palavra. Não é por não aceitar as
idéias de J.N.Darby ou outros que não lhe franqueamos a participação, mas porque
sob o pretexto de unidade está justamente anulando a unidade e, talvez até sem
dar-se conta, favorecendo a confusão.

Vamos nos perguntar bem sinceramente: Quem é que deve ser censurado por
semear divisões entre os filhos de Deus? Aqueles que querem seguir articulados
com todos, aprovando justamente assim o esfacelamento, ou aqueles que
consideram que há somente uma base para a reunião, a qual consiste em
considerar e proclamar a unidade do Corpo de Cristo? Caso este procedimento
ocasione tristeza no coração de algum irmão ao qual não foi permitido participar da
Mesa do Senhor, pode-se perguntar-lhe a razão de sua mágoa: "Será que sua
tristeza não se deve à concepção errada que tem de uma assembléia que se reúne
na base bíblica? Será que não considera os irmãos uma seita dentre outras,
enquanto que a razão pela qual não lhe é franqueada a participação é justamente a
de que estes irmãos não querem ser uma seita entre outras?".

Que Deus nos guarde de qualquer regulamentação. Cada caso deve ser
considerado por si. Rejeitar algum cristão cujos passos e fé manifestam serem
sadios, e que nunca se ocupou com esse aspecto, e que em toda sinceridade
deseja participar na Mesa do Senhor, seria sectarismo. Mas vocês hão de concordar
que tais casos hoje são raros, e que há também aquelas pessoas (talvez até
conheçamos algumas) que conhecem muito bem esta posição que expusemos, e
dos quais não podemos conter a impressão de que querem pôr seus irmãos à
prova, criando ocasião para que se contradigam, enquanto elas próprias não
querem abrir mão da "liberdade" de ir a todos os lugares que bem lhes parecer;
procurando lançar em descrédito aquilo que chamam de "coração estreito" em seus
irmãos, ferem-nos mais do que se dão conta.

Não, nós não somos a Assembléia, não somos os irmãos, a Mesa do Senhor não
nos pertence, mas todos os cristãos são responsáveis por reter aquilo que a Palavra
ensina acerca da Assembléia de Deus, e de caminhar como irmãos em Cristo e
tomar o seu lugar à Mesa do Senhor, honrando-O conforme LHE compete.

Guardemo-nos, pois, constantemente, de um espírito sectário. Exortemos uns aos


outros para caminhar pessoalmente de maneira que o inimigo não possa nos fazer
mal algum. Seus ataques não hão de cessar, mas a nossa parte é vestir-nos de toda
a armadura de Deus (não a nossa). Uma separação exterior, formal, nada seria sem
a santificação, e esta se desenvolve em um coração que, em pureza e em toda a
humildade, ama a Cristo e aos que LHE pertencem.

Não construamos nem um outro muro do que aquele que a Palavra nos exorta a
edificar. Mas também não sejamos negligentes em considerar a "planta" deste muro
enquanto o construímos: cada um individualmente diante de sua casa, e todos
juntos (não ao redor de nosso "bairro", mas) ao redor da (única) "cidade". A
Assembléia é uma unidade. Mesmo que aqui na Terra ela tenha se tornado uma
"grande casa" (2 Tm 2), não devemos sair dela. Não podemos fazê-lo pois somos
parte dela. Temos que suportar suas dores, lamentar sua vergonha, humilhar-nos
por suas contaminações, sentir-nos despedaçados ante sua desunião, mas também
– e não nos esqueçamos disso – reconhecer, agradecidos, a fidelidade do Senhor
para com Sua Assembléia, e anunciar aquela Unidade que continua existindo e
sendo maravilhosa a Seus olhos; alegremo-nos também pelos dons que Ele dá à
Assembléia toda, (e não somente a este ou aquele grupo de cristãos). Até ao fim
estará empenhado em santificá-los, não se cansando, jamais, de aconselhar aquela
que, cá embaixo, leva o Seu nome, e, em amor, advertindo-a do perigo.
Porém, no interior desta casa, à qual sempre pertenceremos, habita o Espírito de
Deus, não um homem, e este nos diz: "Aparte-se da injustiça todo aquele que
professa o nome do Senhor" (2 Tm 2:19-23).

"Paz seja com os irmãos, e amor com fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus
Cristo!" (Ef 6:23).

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ANDRÉ GIBERT
publicado sob o título "Einheit oder Verwirrung"
Ernst Paulus Verlag, Alemanha

Outras publicações relativas ao tema “Assembléia”:

A Ceia do Senhor
C. H. Mackintosch (código “CE”) – 32 páginas

A Fé Que Uma Vez Foi Dada Aos Santos


J. N. Darby (código “FE”) – 15 páginas

Graça, O Poder de Unidade e de Reunião


J. N. Darby (código “RE”) – 31 páginas

A Igreja, o Corpo de Cristo e o Testemunho do Senhor


E. L (código “CC”) – 14 páginas

A Igreja (ou Assembléia) de Deus


A. Gilbert (código “IG”) – 69 páginas

Cinco Cartas Acerca do Culto e do Ministério pelo Espírito


W. Trotter (código “CL”) – 52 páginas

A Responsabilidade e o Funcionamento da Igreja


W. J. Lowe (código “RF”) – 29 páginas

Onde e Como os Crentes Devem Se Reunir


H. L. Heijkoop (código “OC”) – 32 páginas