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Regulação CNU 2025

O documento aborda as teorias econômicas da regulação, incluindo a Teoria Econômica da Regulação, Teoria da Captura e Teoria do Agente Principal, e suas implicações para as agências reguladoras. Ele discute como a regulação busca corrigir falhas de mercado e garantir o bem-estar social, além de descrever diferentes formas de regulação, como controle de preços, entrada e qualidade. A análise de impacto regulatório é apresentada como uma ferramenta essencial para avaliar as consequências das intervenções regulatórias.

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Regulação CNU 2025

O documento aborda as teorias econômicas da regulação, incluindo a Teoria Econômica da Regulação, Teoria da Captura e Teoria do Agente Principal, e suas implicações para as agências reguladoras. Ele discute como a regulação busca corrigir falhas de mercado e garantir o bem-estar social, além de descrever diferentes formas de regulação, como controle de preços, entrada e qualidade. A análise de impacto regulatório é apresentada como uma ferramenta essencial para avaliar as consequências das intervenções regulatórias.

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DIREITO ECONÔMICO

ARCE

Prof. Nick Simonek


ABORDAGENS ECONÔMICAS:
TEORIA ECONÔMICA DA
REGULAÇÃO, TEORIA DA
CAPTURA, TEORIA DO AGENTE
PRINCIPAL
Prof. Nick Simonek
AGÊNCIAS REGULADORAS
As abordagens econômicas para o estudo da regulação, especialmente no
contexto das agências reguladoras, são fundamentais para entender os
desafios, objetivos e impactos dessa prática. Nesse sentido, 03 teorias: 1)
Teoria Econômica da Regulação; 2) Teoria da Captura e 3) Teoria do Agente
Principal
A Teoria Econômica da Regulação tem suas raízes nas ideias de economistas
como George Stigler e A. A. Kahn. Ela busca entender o papel do Estado na
regulação de mercados, especialmente em setores naturais, como serviços
públicos (energia, telecomunicações, transporte, etc.), onde a concorrência
direta pode ser limitada ou inviável.

ESTADO REGULADOR
Prof. Nick Simonek
AGÊNCIAS REGULADORAS
A regulação é vista como uma ferramenta do governo para corrigir falhas de
mercado, como monopólios naturais, externalidades e assimetrias de
informação. Por exemplo, em um mercado monopolista (como o fornecimento
de eletricidade), o governo regula para evitar abusos de poder de mercado,
como preços excessivos ou serviços de má qualidade.
Nesse sentido, o Estado, por meio da regulação, busca maximizar o bem-estar
social, equilibrando eficiência econômica, qualidade dos serviços e proteção
aos consumidores. Ou seja, o regulador deve tentar estabelecer um equilíbrio
entre o controle dos preços, qualidade dos serviços e rentabilidade das
empresas.

ESTADO REGULADOR
Prof. Nick Simonek
AGÊNCIAS REGULADORAS
A teoria oferece uma variedade de instrumentos que podem ser utilizados
para regular mercados, como controle de preços, definição de padrões de
qualidade, concessões, licitações e a implementação de sistemas de
monitoramento e fiscalização.

Vamos a um exemplo: No caso de empresas de energia elétrica, a regulação


visa garantir que, mesmo que exista um único fornecedor, os preços sejam
justos e que a qualidade do serviço seja mantida a um alto padrão. A ANEEL
(Agência Nacional de Energia Elétrica) no Brasil, por exemplo, tem a missão
de regular esses aspectos.

ESTADO REGULADOR
Prof. Nick Simonek
AGÊNCIAS REGULADORAS
A Teoria da Captura foi popularizada por George Stigler e sugere que as
agências reguladoras podem ser "capturadas" pelos próprios interesses das
empresas que elas devem regular. Em outras palavras, em vez de proteger o
interesse público e garantir uma regulação justa, as agências podem acabar
trabalhando a favor das empresas reguladas.
A captura ocorre quando os reguladores, muitas vezes devido à proximidade
com as empresas reguladas ou à pressão dos grupos de interesse, adotam
políticas que favorecem as empresas em detrimento dos consumidores e da
sociedade. Isso pode acontecer por meio de lobby, troca de favores, ou até
mesmo a "rotação de portas" entre empresas e agências (quando os
funcionários públicos assumem cargos nas empresas que regulam).

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
As empresas reguladas geralmente têm muito mais informações sobre suas
operações e mercados do que os reguladores. Isso pode permitir que elas
manipulem o processo regulatório em seu benefício.

Vamos a um exemplo: Em alguns setores de infraestrutura, como o de


telecomunicações, empresas podem exercer grande influência sobre a
regulação, fazendo com que as regras estabelecidas pela ANATEL favoreçam
suas operações, como no caso de tarifas altas ou limitações nos investimentos
em expansão de cobertura.

ESTADO REGULADOR
Prof. Nick Simonek
AGÊNCIAS REGULADORAS
A Teoria do Agente Principal é uma abordagem que lida com a relação entre
duas partes: o principal (quem delega a tarefa) e o agente (quem executa a
tarefa). No contexto da regulação, o Estado é o principal, e a agência
reguladora é o agente. O problema é que, enquanto o principal deseja que o
agente atue em seu interesse (ou seja, para o bem da sociedade), o agente
pode ter seus próprios interesses e informações, o que pode levar a resultados
subótimos.
O agente regulador pode ter mais informações técnicas do que o principal (o
governo ou a sociedade). Isso cria um desafio para o principal, que não sabe
exatamente se o agente está tomando as melhores decisões para o bem
público.

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
A teoria sugere que o principal (o governo) pode estabelecer incentivos ou
"contratos" para garantir que o agente (a agência reguladora) atue conforme os
seus objetivos. Porém, o principal pode ter dificuldades em monitorar ou medir
corretamente as ações do agente.
O agente pode tomar decisões que não estão alinhadas com os interesses do
principal. Por exemplo, a agência reguladora pode favorecer uma empresa do
setor que regula por questões políticas, financeiras ou pessoais, prejudicando os
consumidores.

Vamos a um exemplo: Em um contrato de concessão de serviços públicos, o


Estado (o principal) estabelece as regras para a empresa concessionária (o
agente). No entanto, se a agência reguladora (que é o agente do Estado) não
fiscalizar de forma eficaz, a empresa pode tentar reduzir a qualidade do
ESTADOserviço
REGULADOR para cortar custos, o que não é do interesse do principal (o governo e
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os consumidores).
AGÊNCIAS REGULADORAS
Relações entre as Teorias:
Essas três teorias estão interligadas de algumas formas: A Teoria da Regulação
assume que as agências reguladoras têm boas intenções, mas a Teoria da
Captura questiona essa premissa, sugerindo que as agências podem ser
corrompidas ou influenciadas por interesses privados.
A Teoria do Agente Principal pode ser vista como uma forma de tentar mitigar
os problemas de assimetria de informações e garantir que as agências
reguladoras ajam no interesse público, mas ela também reconhece que o
monitoramento e o alinhamento de incentivos são difíceis.

ESTADO REGULADOR
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FORMAS DE REGULAÇÃO:
REGULAÇÃO DE PREÇO;
REGULAÇÃO DE ENTRADA;
REGULAÇÃO DE QUALIDADE

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AGÊNCIAS REGULADORAS
As formas de regulação são estratégias adotadas por agências reguladoras
para controlar e monitorar setores da economia, especialmente aqueles com
características de monopólio natural ou que envolvem serviços essenciais,
como energia, telecomunicações e transporte.

A regulação pode ser aplicada de diferentes maneiras, dependendo do


objetivo que se deseja alcançar.

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
A regulação de preço refere-se ao controle das tarifas cobradas pelas
empresas para os serviços que prestam. Ela é frequentemente utilizada em
setores onde não há competição suficiente (como em monopólios naturais) e
visa proteger os consumidores de preços excessivos ou abusivos.

Trata-se de regulação para garantir que os consumidores não sejam


prejudicados por preços altos, mas também assegurar que as empresas
possam cobrir seus custos operacionais e obter lucros razoáveis.

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
Vamos a alguns exemplos: Regulação de tarifas de energia elétrica, água, gás,
transporte público, telecomunicações, entre outros. No Brasil, a ANEEL
(Agência Nacional de Energia Elétrica) e a ANATEL (Agência Nacional de
Telecomunicações) são exemplos de agências que regulam preços nesses
setores.

A regulação de entrada trata do controle sobre quem pode entrar e competir


em um determinado mercado. É frequentemente usada em mercados onde a
concorrência é limitada ou indesejável, como em monopólios naturais ou
quando se busca preservar a qualidade do serviço.

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
O objetivo é controlar a quantidade de empresas que podem atuar em um
mercado, assegurando que haja concorrência suficiente para estimular a
eficiência, mas também evitando que o mercado seja saturado por empresas
que não têm condições de prestar serviços de qualidade.

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
A regulação de qualidade envolve o controle dos padrões de serviço que as
empresas devem oferecer aos consumidores. Ela é usada para assegurar que os
serviços prestados sejam adequados, seguros e atendam aos requisitos mínimos
de qualidade, mesmo em mercados com pouca ou nenhuma concorrência.

O objetivo é assegurar que os consumidores recebam serviços de qualidade,


mesmo quando o mercado não tem concorrência direta ou quando há a
possibilidade de empresas cortarem custos e reduzirem a qualidade do
serviço.

ESTADO REGULADOR
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ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO E ANÁLISE DE
RESULTADO REGULATÓRIO

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AGÊNCIAS REGULADORAS
Iniciando, temos uma inovação que é justamente a análise de impacto
regulatório sendo essa uma condição para alteração de atos normativos que
tratem sobre o interesse geral de agentes econômicos ou de usuários de
serviços prestados.
A origem de tal concepção se deu com o efetivo surgimento da expressão
custo regulatório, ou seja, determinadas atividades econômicas, a partir de
uma regulação incisiva, passariam a se tornar efetivamente onerosas, fato que
desaceleraria o estímulo a continuidade. Logo, a cada intervenção regulatória,
caberia uma análise aprofundada sobre o real custo da edição de novos atos
normativos técnicos.
Frise-se que na outra ponta há a chamada revisão qualitativa de regulação que
busca manter os esforços do Estado Regulador, de forma a editar novos atos
normativos substituindo algo que já estaria superado.
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AGÊNCIAS REGULADORAS
Nesse sentido, o que importa para fins de prova é que houve a
implementação, a partir de recomendação da OCDE, do instituto da análise
de impacto regulatório no cenário nacional. Em tese são 03 leis que preveem
de forma expressa o instituto: 1) Decreto Lei de nº 4.657/42 (LINDB); 2) Lei de
nº 13.848/2019 que trata sobre as agências reguladoras; 3) Lei de nº
13.874/2019 (Lei de Liberdade Econômica).

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AGÊNCIAS REGULADORAS
Logo, o objetivo da análise de impacto regulatório é justamente verificar as
consequências jurídicas e econômicas dos atos de regulação emanados, por
exemplo, de agências reguladoras.
Perceba que os dispositivos da Lei de nº 13.848/2019 que trata sobre as
agências reguladoras e da Lei de nº 13.874/2019 (Lei de Liberdade
Econômica), falam na disposição por regulamento. Para tanto, foi expedido o
Decreto de nº 10.411/2020, a qual regulamenta ambas as leis nesse ponto.
Vamos então ao Decreto

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AGÊNCIAS REGULADORAS
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se
decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam
consideradas as consequências práticas da decisão.

Art. 6º A adoção e as propostas de alteração de atos normativos de


interesse geral dos agentes econômicos, consumidores ou usuários dos
serviços prestados serão, nos termos de regulamento, precedidas da
realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR), que conterá
informações e dados sobre os possíveis efeitos do ato
normativo. (Regulamento)
§ 1º Regulamento disporá sobre o conteúdo e a metodologia da AIR,
sobre os quesitos mínimos a serem objeto de exame, bem como sobre
os casos em que será obrigatória sua realização e aqueles em que
poderá ser dispensada.
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AGÊNCIAS REGULADORAS
§ 2º O regimento interno de cada agência disporá sobre a
operacionalização da AIR em seu âmbito.
§ 3º O conselho diretor ou a diretoria colegiada manifestar-se-á, em
relação ao relatório de AIR, sobre a adequação da proposta de ato
normativo aos objetivos pretendidos, indicando se os impactos
estimados recomendam sua adoção, e, quando for o caso, quais os
complementos necessários.
§ 4º A manifestação de que trata o § 3º integrará, juntamente com o
relatório de AIR, a documentação a ser disponibilizada aos interessados
para a realização de consulta ou de audiência pública, caso o conselho
diretor ou a diretoria colegiada decida pela continuidade do
procedimento administrativo.

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
§ 5º Nos casos em que não for realizada a AIR, deverá ser
disponibilizada, no mínimo, nota técnica ou documento equivalente
que tenha fundamentado a proposta de decisão.
Art. 5º As propostas de edição e de alteração de atos normativos de
interesse geral de agentes econômicos ou de usuários dos serviços
prestados, editadas por órgão ou entidade da administração pública
federal, incluídas as autarquias e as fundações públicas, serão
precedidas da realização de análise de impacto regulatório, que
conterá informações e dados sobre os possíveis efeitos do ato
normativo para verificar a razoabilidade do seu impacto
econômico. (Regulamento)

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AGÊNCIAS REGULADORAS
Parágrafo único. Regulamento disporá sobre a data de início da
exigência de que trata o caput deste artigo e sobre o conteúdo, a
metodologia da análise de impacto regulatório, os quesitos mínimos a
serem objeto de exame, as hipóteses em que será obrigatória sua
realização e as hipóteses em que poderá ser dispensada.

ESTADO REGULADOR
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BOAS PRÁTICAS REGULATÓRIAS

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AGÊNCIAS REGULADORAS
A Agenda Regulatória e o processo de participação e controle social são
elementos essenciais para garantir a transparência, a eficiência e a justiça das
políticas públicas, especialmente no contexto da regulação de setores
econômicos essenciais. Esses mecanismos são fundamentais para assegurar que
as decisões regulatórias atendam aos interesses da sociedade, minimizem
abusos de poder e favoreçam o bem-estar coletivo.

A Agenda Regulatória é um documento ou plano elaborado pelas agências


reguladoras ou pelos órgãos responsáveis pela regulação, que estabelece as
prioridades e ações que serão tomadas ao longo de um período determinado,
geralmente anual.

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AGÊNCIAS REGULADORAS
Esse planejamento é essencial para orientar o trabalho da agência e garantir
que a regulação esteja alinhada com os desafios e as necessidades do setor
regulado.

Vamos a um exemplo: A Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) no


Brasil tem uma agenda regulatória que define, anualmente, as áreas em que se
concentrará, como o aprimoramento da qualidade dos serviços de telefonia
móvel, a regulação de novos modelos de serviço de internet, ou a
implementação de normas de segurança em infraestrutura de
telecomunicações.

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O processo de participação e controle social envolve a atuação ativa de
cidadãos, organizações da sociedade civil, empresas, sindicatos e outras partes
interessadas no processo regulatório. Esse processo visa garantir que a
regulação seja feita de maneira democrática, transparente e inclusiva,
respeitando os direitos e interesses de todos os envolvidos.

As agências reguladoras costumam promover consultas públicas como um


mecanismo de participação. Nessas consultas, a sociedade é convidada a
opinar sobre projetos de regulação ou mudanças em regras existentes. Essas
consultas podem ser realizadas de maneira presencial ou online, e as
contribuições são analisadas antes de uma decisão final.

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Em relação as Audiências públicas, trata-se de eventos em que representantes
das agências reguladoras, especialistas e cidadãos têm a oportunidade de
discutir questões regulatórias e expressar suas preocupações ou sugestões. As
audiências públicas são uma forma de promover o debate amplo sobre temas
regulatórios e garantir que as vozes de diferentes grupos sociais sejam ouvidas.

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS

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AGÊNCIAS REGULADORAS
Antes de entrarmos no tema agências reguladoras, precisamos entender a
administração pública.
A administração pública pode ser conceituada a partir de sua atividade, de forma
objetiva, ou através de sua composição, maneira subjetiva de tratar o assunto.
No sentido objetivo, a atividade administrativa é caracterizada pelo exercício pelo
Estado das funções administrativas previstas originariamente pela Constituição Federal
vigente.
É a verdadeira gestão dos interesses públicos por meio da prestação de
serviços públicos ou pela intervenção na economia, seja na forma de poder de
polícia fiscalizatório ou até mesmo por suas empresas estatais, sem prejuízo
das atividades de incentivo e definição de seu planejamento.
ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
Administração Pública: em sentido subjetivo, temos o conjunto de
componentes que integram a administração pública com vias a dar execução as
atividades administrativas. Por sentido, subjetivo, não estamos falando apenas
de pessoas físicas, mas de todos os componentes da administração pública
como os órgãos públicos, autarquias, fundações dentre outras pessoas jurídicas,
sejam de direito público ou privado.
O que se leva em consideração é o sujeito da função administrativa, aquele
que a executa. Trata-se de conceito ligado a função e não ao poder ao qual
integra o órgão pela qual a função é exercida.
Portanto, um bom conceito para administração pública é: Conjunto de
componentes que a integram com a finalidade de exercício da atividade
administrativa pautada nas balizas definidas pela Constituição Federal.
ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
Desconcentração x Descentralização

Por função administrativa temos a gestão pelo Estado de todos os interesses,


sejam eles o da sociedade ou seus próprios interesses. Em relação ao conceito
de administração pública, já vimos que se divide em sentido subjetivo e
sentido objetivo.
Lembre-se que no sentido objetivo, estamos falando da atividade
administrativa prestada via serviços públicos ou através do regime de
concessão tudo em prol do melhor interesse da sociedade. No entanto, o que
nos interessa aqui é o sentido subjetivo.

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Desconcentração x Descentralização: A administração no sentido subjetivo
diz respeito a divisão e composição da administração que se divide em
administração pública direta e indireta a depender da atividade a que está se
prestando. Trata-se aqui da organização administrativa em um conjunto de
regras jurídicas que dizem respeito a competência, relações hierárquicas,
formas de atuação e pessoas, tudo no exercício da denominada função
administrativa.

Pela teoria da desconcentração administrativa um ente federativo cria um


órgão para executar suas atividades. Em verdade, é comum se dizer que o
órgão que compõe a estrutura da administração é parte de seu corpo.

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
Na descentralização administrativa o Estado cria outra pessoa jurídica para
exercer a função administrativa não havendo, nesse caso, subordinação, mas
mera vinculação administrativa. É o que ocorre, por exemplo, com as
autarquias federais, fundações federais, sociedades de economia mista e
empresas públicas federais, em relação a União Federal.

É que a depender da situação esta o Estado atuando na ordem econômica de


forma direta através de seus órgãos, como por exemplo presta determinado
serviço público, ou de forma indireta, via descentralização quando atua como
regulador da atividade por meio das denominadas agências reguladoras,
autarquias sob regime especial, ou através de empresas públicas e sociedades
de economia mista em atividade econômica em sentido estrito.
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AGÊNCIAS REGULADORAS
Assim, a depender da forma que o Estado se divide em suas funções,
podemos estar diante de atividade desconcentrada via órgãos administrativos
ou atividade descentralizada via pessoas jurídicas componentes da
administração indireta.

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Formas de Intervenção do Estado na Economia

Inicialmente, existem duas perguntas complementares que devem nortear o


estudo dessa aula em si: 1) O Estado possui efetiva autorização para atuar
como agente econômico de acordo com o ordenamento nacional? 2) Se a
resposta é positiva, quais as formas de atuação do Estado na ordem
econômica?

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
Em relação ao primeiro questionamento, vale lembrar que foi com a
Constituição de 1934 que se estabeleceu um verdadeiro capítulo sobre ordem
econômica e formas de atuação do Estado na economia, sendo certo que
anteriormente o que havia eram autorizações esparsas ao longo dos textos
constitucionais.
Com o passar dos anos e com a promulgação da Constituição Federal de 1988
tentou o constituinte originário, a partir do art. 170, da CF/88 estabelecer
fundamentos e princípios a serem respeitados pelo sistema econômico e os
atores que aí atuam, tendo o Estado ganhado protagonismo em sua forma de
atuação em alguns dos dispositivos que tratam da ordem econômica
constitucional vigente.

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AGÊNCIAS REGULADORAS
Considerando que a figura do Estado para atuar na economia, seja como
agente econômico ou como ente regulador, precisa de um efetivo arcabouço
jurídico constitucional, a CF/88 prevê exatamente tais atividades em ao menos
03 dispositivos que nos interessam, quais sejam os arts. 173 e 174, todos da
CF/88. Vamos ao caput de cada um deles:

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração


direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse
coletivo, conforme definidos em lei.
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o
Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para
o setor privado
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Pelos dispositivos, criou o constituinte um arcabouço constitucional para que o
Estado atue na ordem econômica de diferentes formas, motivo pelo qual nossa
primeira pergunta está respondida no sentido positivo.

Em relação ao segundo questionamento, pode o Estado atuar das seguintes


formas: 1) Estado Interventor; 2) Estado Regulador; 3) Estado interventor em
Regime de Monopólio

ESTADO REGULADOR
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AGÊNCIAS REGULADORAS
SECRETARIA DE FAZENDA MUNICIPAL FORTALEZA-CEBRASPE-
2023
Determinado município constatou a presença de elevado número de
hotéis em um determinado bairro da cidade. A pedido da associação
dos hotéis, o município passou a proibir a instalação de novos hotéis
naquela região.
A partir da situação hipotética apresentada, julgue o seguinte item.
A decisão do Poder Público é juridicamente correta, dada a sua função
de realizar o planejamento do desenvolvimento, conforme o art. 174
da Constituição Federal de 1988.
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Estado Regulador
Inicialmente o que temos aqui é a função do Estado editando normas
específicas para regular determinado nicho da economia.
Em relação ao conceito de regulação temos uma atividade estatal no campo
econômico que objetiva justamente a criação de regras sobre determinados
nichos econômicos a fim de evitar justamente o abuso do poder e garantir a
defesa da concorrência

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Estado Regulador
Pode-se conceituar, objetivamente, a regulação como o conjunto de atos e
medidas estatais que têm por fim, garantir a observância dos princípios
norteadores da ordem econômica no mercado, bem como a devida e correta
prestação de serviços públicos, além do incentivo e fomento para a
implementação das políticas públicas respectivas para direcionamento de
cada nicho da economia.
Sob um aspecto subjetivo, pode-se conceituar a regulação como o processo
estatal de normatização, de fiscalização, de incentivo, de planejamento e de
mediação da atividade econômica dos particulares, conjugando os interesses
privados destes com os interesses público e coletivo envolvidos no ciclo
econômico do respectivo mercado.
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Estado Regulador
Assim, da junção dos dois aspectos conceituais acima delineados, a regulação
se trata de toda medida estatal, envidada no sentido de garantir a prevalência
dos princípios da ordem econômica, bem como do respectivo interesse
coletivo, a fim de efetivar a observância das políticas públicas norteadoras do
planejamento econômico estatal.

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Reforma do Estado e Desestatização
No ordenamento jurídico nacional, o instituto da desestatização se deu com a
Lei de nº 8.031/90, posteriormente revogada pela Lei de nº 9491/97, que
institui o plano nacional de desestatização. Explique-se. Após a Constituição
Federal de 1988, determinadas atividades, por opção governamental seguindo
influência mundial, passaram a iniciativa privada sob a justificativa de melhor
prestação dos serviços e num verdadeiro programa de retirar da máquina
pública atividade que não lhe competem.

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Reforma do Estado e Desestatização
As privatizações, umas das formas de retirada do controle do Estado de
determinada atividade, foram levadas a cabo a partir da década de 90 no Brasil.
Somado a isso, vimos um movimento muito grande de concessões e permissões
de serviços públicos, mantendo o Estado seu papel de regulador e indutor da
atividade econômica, fato que deu origem a implementação das atividades
reguladoras

ESTADO REGULADOR
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Reforma do Estado e Desestatização
Para tanto, era necessária uma legislação que garantisse a legalidade da
desestatização almejada, sendo a Lei de nº 8.031/90 o marco temporal para tal
acontecimento. Dois dos principais objetivos eram a melhor prestação da
atividade transferida e a redução do déficit público à época. Veja, o tamanho
do Estado à época era incompatível com o que pretendeu o constituinte.
Nesse sentido, surge a Lei de nº 9491/97, a qual dispõe altera procedimentos
relativos ao Programa Nacional de Desestatização, revogando a Lei n° 8.031/90.
Passaremos aos principais pontos.

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Reforma do Estado e Desestatização
Como objetivos do programa nacional de desestatização na Lei de nº 9491/97,
temos: 1) reordenar a posição estratégica do Estado na economia,
transferindo à iniciativa privada atividades indevidamente exploradas pelo
setor público; 2) contribuir para a reestruturação econômica do setor público,
especialmente através da melhoria do perfil e da redução da dívida pública
líquida; 3) permitir a retomada de investimentos nas empresas e atividades
que vierem a ser transferidas à iniciativa privada;

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Reforma do Estado e Desestatização
4) contribuir para a reestruturação econômica do setor privado, especialmente
para a modernização da infra-estrutura e do parque industrial do País,
ampliando sua competitividade e reforçando a capacidade empresarial nos
diversos setores da economia, inclusive através da concessão de crédito; 5)
permitir que a Administração Pública concentre seus esforços nas atividades
em que a presença do Estado seja fundamental para a consecução das
prioridades nacionais; e 6) contribuir para o fortalecimento do mercado de
capitais, através do acréscimo da oferta de valores mobiliários e da
democratização da propriedade do capital das empresas que integrarem o
Programa.

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Reforma do Estado e Desestatização
Em relação ao conceito legal de desestatização, temos que se trata de: 1)
alienação, pela União, de direitos que lhe assegurem, diretamente ou através
de outras controladas, preponderância nas deliberações sociais e o poder de
eleger a maioria dos administradores da sociedade; 2) a transferência, para a
iniciativa privada, da execução de serviços públicos explorados pela União,
diretamente ou através de entidades controladas, bem como daqueles de sua
responsabilidade; 3) a transferência ou outorga de direitos sobre bens móveis
e imóveis da União.

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Reforma do Estado e Desestatização
Formas: alienação de participação societária, inclusive de controle acionário,
preferencialmente mediante a pulverização de ações; abertura de capital;
aumento de capital, com renúncia ou cessão, total ou parcial, de direitos de
subscrição; alienação, arrendamento, locação, comodato ou cessão de bens e
instalações; dissolução de sociedades ou desativação parcial de seus
empreendimentos, com a conseqüente alienação de seus ativos; concessão,
permissão ou autorização de serviços pú[Link], remição de foro,
permuta, cessão, concessão de direito real de uso resolúvel e alienação
mediante venda de bens imóveis de domínio da União

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Reforma do Estado e Desestatização
Perceba que uma das formas de se operacionalizar tais atividades foi através
da privatização das empresas estatais. Por privatização temos uma das formas
de desestatização das atividades com a alienação dos ativos da empresa ao
setor privado transferindo integralmente o poder de controle sobre a
companhia vendida. No entanto, não bastava apenas privatizar e o particular,
de acordo com seu livre arbítrio, exercer a atividade, sendo necessária,
conforme exigência constitucional a regulação.

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Reforma do Estado e Desestatização
Ponto, muito importante é a desestatização dos serviços públicos que
pressupõe a delegação, pelo Poder Público, de concessão ou permissão do
serviço, objeto da exploração, observada a legislação aplicável ao serviço.
Além disso, os princípios gerais e as diretrizes específicas aplicáveis à
concessão, permissão ou autorização, elaborados pelo Poder Público, deverão
constar do edital de desestatização.

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Reforma do Estado e Desestatização
Prosseguindo, vale ressaltar a existência de um Conselho Nacional de
Desestatização - CND, diretamente subordinado ao Presidente da República,
com função de decisão e composto por 1) Ministro de Estado do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, na qualidade de Presidente; 2)
Chefe da Casa Civil da Presidência da República; 3) Ministro de Estado da
Fazenda e 4) Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão

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Como visto, o Estado transferiu à iniciativa privada parte das atividades que
este próprio explorava, ficando com o poder regulatório dos nichos da
economia.
Surgem então, no Brasil, as agências reguladoras com capacidade normativa
técnica e autonomia administrativa, financeira e decisória que tem por objetivo
regular os nichos da economia.
Logo, o aspecto histórico das agências reguladoras no país se dá a partir da
década de 90 quando diversos agentes privados passam a prestar serviços antes
públicos no contexto de um movimento de desestatização, tendo a constituição
imposto o aspecto regulatório ao Estado
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É como se o Estado falasse: podem prestar as atividades, mas a regulação
destas atividades continua de minha competência.

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O Estado ao intervir na economia com função tipicamente regulatória, o faz
via agências reguladoras, ou seja, autarquias componentes da administração
indireta, com personalidade jurídica de direito público, estando sujeitas a um
regime especial a que a elas é inerente, com vinculação ao ministério
competente da atividade, tão somente para fins organizacionais. Não há, aqui,
subordinação hierárquica

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O que se tem aqui é a criação por meio de lei de agências que contenham
tecnicidade sobre a regulação em determinado setor da economia, sem
prejuízo do controle, também, das atividades prestadas via concessão ou
permissão dos serviços públicos delegados.
No ordenamento jurídico nacional, o surgimento de tais agências se deu com
a Lei de nº 8.031/90, posteriormente revogada pela Lei de nº 9494/97, que
institui o plano nacional de desestatização. Explique-se. Após a Constituição
Federal de 1988, determinadas atividades, por opção governamental,
passaram a iniciativa privada sob a justificativa de melhor prestação dos
serviços e num verdadeiro programa de retirar da máquina pública atividade
que não lhe competem.
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Para tanto, era necessária uma legislação que garantisse a legalidade da
desestatização almejada, sendo a Lei de nº 8.031/90 o marco temporal para
tal acontecimento. Dois dos principais objetivos eram a melhor prestação da
atividade transferida e a redução do déficit público à época. Veja, o tamanho
do Estado à época era incompatível com o que pretendeu o constituinte.

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Uma das formas de se operacionalizar tais atividades foi através da
privatização das empresas estatais. Por privatização temos uma das formas de
desestatização das atividades com a alienação dos ativos da empresa ao setor
privado transferindo integralmente o poder de controle sobre a companhia
vendida. No entanto, não bastava apenas privatizar e o particular, de acordo
com seu livre arbítrio, exercer a atividade, sendo necessária, conforme
exigência constitucional a regulação.

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Frise-se, por fim, que nem sempre há a nomenclatura em tais pessoas jurídicas
de agência, mas por exercerem atividades nitidamente similares, devem,
também, ser consideradas como agências reguladoras, como por exemplo, a
Comissão de Valores Mobiliários – CVM, agência reguladora com função
específica de regular o mercado de valores mobiliários.

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Modelo Adotado
Via de regra é de se mencionar que dois modelos internacionais influenciaram
a criação das agências reguladoras no Brasil: 1) Modelo Americano; 2) Modelo
Inglês.
Pelo modelo americano, as agências reguladoras foram criadas para função de
normatizar a economia e os serviços públicos delegados, que são em verdade
de utilidade pública., havendo nessa forma de modelo uma interveniência e
influência estatal sobre o controle das atividades exercidas pelos agentes
econômicos

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Modelo Adotado
Foi a partir de 1930 que surgem as denominadas agencies que via de regra
possuíam o poder de implementar políticas públicas economicamente
estudadas de forma independente do Estado. Houve aqui o desenvolvimento
das atividades normativas, executivas e judicantes. Posteriormente, foi editada
a Lei do Administrative Procedural Act – APA, a qual constitui o marco legal
das agencies americanas. Trata-se de norma geral de procedimento
administrativo relativo as atividades reguladoras. Nessa época a
independência das agências era de tal forma que não era permitida a revisão
das normas pelo poder judiciário, fato que muda com o surgimento do
Judicial Review.

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Modelo Adotado
Em síntese, passou o poder judiciário a analisar e revisar eventuais atos
normativos editados de caráter técnico e discricionário.

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Modelo Adotado
A título de curiosidade, existem diversas espécies de agencies no direito
americano a depender da natureza dos poderes atribuídos e a independência
em relação ao Poder Executivo, conforme bem aponta a doutrina, podendo
ser divididas em: 1) reguladoras: aquelas que tem poderes normativos
delegados pelo congresso nacional para expedição de atos normativos em
determinados nichos da economia; 2) não reguladoras: prestam apenas
atividades de natureza social; 3) executivas: em que os diretores podem ser
demitidos livremente; 4) independentes: em que os dirigentes possuem
estabilidade.

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Modelo Adotado
No que diz respeito ao modelo inglês, as agências foram criadas com o intuito
nítido de evitar a influência política em questões técnicas que cabem a uma
entidade criada para tal fim. Em contrapartida, tais agências não detém poder
normativo, ou seja, não expedem atos normativos para regular a economia.
Sendo assim e diante dos inúmeros modelos, o correto a se dizer é que o
ordenamento nacional foi influenciado tanto pelo modelo americano como
pelo modelo inglês de agências reguladoras, não havendo nítida semelhança
em todas as características de cada modelo

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Características
Nessa linha e trazendo o máximo de características possíveis, podemos dividi-
las em: 1) Personalidade Jurídica; 2) Capacidade Técnica; 3) Permeabilidade; 4)
Independência; 5) Autonomia; 6) Regime Jurídico dos Servidores; 7) Disciplina
Normativa; 8) Teoria da Captura; 9) Doutrina Chenery.

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Personalidade Jurídica
Ponto de crucial importância para fins de concurso público é a personalidade
jurídica das agências reguladoras. Em regra, se trata de autarquias, pessoas
jurídicas de direito público, componentes da administração indireta. Trata-se
do fenômeno da descentralização administrativa em que a pessoa jurídica de
direito público é criada.
Por possuírem regime jurídico especial em razão, por exemplo, do poder
normativo técnico que lhes é conferido, sem prejuízo do microssistema
legislativo que abarca tais agências, a Lei de nº 13.848/2019, é comum a
citação como autarquias em regime especial.

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Personalidade Jurídica
1) Autarquias em regime especial;
2) Pessoas Jurídicas de Direito Público;
3) Integrantes da Administração Indireta

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Capacidade Técnica e Permeabilidade – Poder Normativo
Em relação a capacidade técnica, o que se tem são pessoas jurídicas com
poder de editar atos normativos e normas técnicas que versem sobre
determinado nicho da economia. A partir daí, surge a seguinte pergunta: A
iniciativa para propor leis não foi definida especificamente pelo constituinte
originário nos artigos da CF/88?
A questão que é aqui colocada é o fenômeno jurídico denominado de
deslegalização ou deslegificação, ou seja, a Lei que criou a agência reguladora
lhe conferiu poderes específicos para edição de atos normativos técnicos em
determinado ramo da economia a qual exerce a atividade regulatória.

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Capacidade Técnica e Permeabilidade – Poder Normativo
De qualquer forma, os atos normativos técnicos estão sujeitos a controle de
legalidade na via judicial. O que deve se entender é que cabe as agências
editarem atos normativos regulatórios gerais e técnicos e que incidam no
nicho da economia a qual estão regulando.
Sobre a permeabilidade, o que se tem é a necessidade de abertura de diálogo
entre os agentes econômicos regulados e a agência reguladora responsável
pelo bom funcionamento do mercado em níveis regulatórios. Como exemplo,
a Lei de nº 13.848/2019 que trata especificamente sobre as agências
reguladoras, trouxe em seu art. 10, trouxe um exemplo do que se tem por
permeabilidade.

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Capacidade Técnica e Permeabilidade – Poder Normativo
Art. 10. A agência reguladora, por decisão colegiada, poderá convocar
audiência pública para formação de juízo e tomada de decisão sobre matéria
considerada relevante.

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Independência
Por independência, temos a impossibilidade de intervenções externas ou
mesmo internas no exercício das atividades da agência reguladora. É que as
agências reguladoras não estão subordinadas ao governo central, tampouco a
política administrativa ou econômica ali estabelecida.
A revisão de seus atos só pode se dar na via judicial, em hipótese alguma por
recurso hierárquico ao governo central, dado a questão técnica que é decidida
nas agências. Essa é a regra de ouro das agências reguladoras, a autonomia
técnica nos atos normativos expedidos e em suas decisões.

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Independência
Frise-se que há posicionamento doutrinário admitindo o recurso hierárquico
impróprio, ou seja, recurso de uma decisão técnica ou de um ato normativo
expedido pela agência reguladora, mas direcionado ao governo central para
revisão. No entanto, esta não é a melhor alternativa para fins de concurso
público.

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Independência
Inclusive, a própria Lei de nº 13.848/2019 que trata sobre agências reguladoras,
não trouxe qualquer dispositivo que garanta a modalidade de recurso
hierárquico impróprio de forma a pacificar de certa medida a questão.
Logo, por independência, deve-se se entender como a ausência de influências
políticas externas nas atividades realizadas pela agência reguladora

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Independência
TCPB – CEBRASPE – 2022 Julgue o item que se segue, a respeito de temas
contemporâneos da gestão pública brasileira.
Agências reguladoras são exemplos de fundações públicas de direito privado.
Certo.
Errado.
Resposta: ERRADO

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Autonomia Administrativa, Financeira e Decisória
A autonomia das agências não deve ser confundida como independência para
tomada de qualquer tipo de decisão, pois não vige aqui o princípio do livre
convencimento motivado, mas sim o princípio da legalidade. Logo,
independência quer dizer a ausência de pressões externas em sua atividade.
Em relação a autonomia, o que se tem é a liberalidade, respeitado o princípio
da legalidade, para: 1) decidir; 2) administrar; 3) ter recursos próprios. Logo,
vamos a cada forma de autonomia.

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Autonomia Administrativa, Financeira e Decisória
A primeira autonomia é a decisória, ou seja, a capacidade de decidir eventuais
conflitos administrativos envolvendo os agentes econômicos regulados, os
usuários dos serviços prestados, bem como de eventuais concessionários de
serviço público.
O que se está aqui a dizer é que eventuais disputas administrativas dependem
de decisão técnica por parte da agência reguladora, respeitados os princípios
administrativos, bem como as condições impostas na Lei de nº 13.848/2019, as
quais serão tratadas quando da disciplina normativa.

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Autonomia Administrativa, Financeira e Decisória
Por autonomia administrativa temos a capacidade da agência de se organizar,
sem prejuízo do fato de que seus diretores têm investidura a termo com prazo
fixado em lei, sem qualquer subordinação após a nomeação. Trata-se de
verdadeiros agentes administrativos que prestam serviço público, mas que são
indicados por nomeação específica. Vejamos o art. 3º, da Lei de nº
13.848/2019

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Autonomia Administrativa, Financeira e Decisória
Art. 3º A natureza especial conferida à agência reguladora é
caracterizada pela ausência de tutela ou de subordinação hierárquica,
pela autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira e pela
investidura a termo de seus dirigentes e estabilidade durante os
mandatos, bem como pelas demais disposições constantes desta Lei
ou de leis específicas voltadas à sua implementação.

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Autonomia Administrativa, Financeira e Decisória
§ 1º Cada agência reguladora, bem como eventuais fundos a ela
vinculados, deverá corresponder a um órgão setorial dos Sistemas de
Planejamento e de Orçamento Federal, de Administração Financeira
Federal, de Pessoal Civil da Administração Federal, de Organização e
Inovação Institucional, de Administração dos Recursos de Tecnologia
da Informação e de Serviços Gerais.
§ 2º A autonomia administrativa da agência reguladora é
caracterizada pelas seguintes competências:
I - solicitar diretamente ao Ministério da Economia:
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Autonomia Administrativa, Financeira e Decisória
a) autorização para a realização de concursos públicos;
b) provimento dos cargos autorizados em lei para seu quadro de
pessoal, observada a disponibilidade orçamentária;
c) alterações no respectivo quadro de pessoal, fundamentadas em
estudos de dimensionamento, bem como alterações nos planos de
carreira de seus servidores
II - conceder diárias e passagens em deslocamentos nacionais e
internacionais e autorizar afastamentos do País a servidores da
agência;
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Autonomia Administrativa, Financeira e Decisória
III - celebrar contratos administrativos e prorrogar contratos em vigor
relativos a atividades de custeio, independentemente do valor.

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Autonomia Administrativa, Financeira e Decisória
Por fim, em relação a autonomia financeira, temos a situação de que tais
pessoas jurídicas possuem recursos próprios e dotações orçamentárias
específicas para gestão de seus órgãos, valendo como exemplo a instituição
de taxas de fiscalização ou taxas de regulação sobre os serviços prestados.

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Regime Jurídico dos Servidores
Em relação aos servidores da autarquia estes são servidores públicos que
prestaram concurso público, com vinculação estatutária e que estão sujeitas as
regras da Lei de nº 8.112/91.
Inicialmente, havia uma discussão trazida pela Lei de nº 9986/2000, incluindo
tais servidores no regime da consolidação das leis trabalhistas, mas que
posteriormente foi revogada pela Lei de nº 10.871/2000 a qual criou diversas
carreiras específicas e organizou os respectivos quadros das agências
reguladoras.
Logo, atualmente, necessário o concurso público, nos termos do art. 37, II, da
CF/88, para composição dos quadros das agências.
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Regime Jurídico dos Servidores
Vale frisar que continuam vigentes os dispositivos da Lei de nº 9986/2000
relativos as regras para nomeação de diretores de agências reguladoras, com
as inclusões feitas pela Lei de nº 13.848/2019. Art. 8º-A. É vedada a indicação
para o Conselho Diretor ou a Diretoria Colegiada: (Incluído pela Lei nº
13.848, de 2019):
I - de Ministro de Estado, Secretário de Estado, Secretário Municipal, dirigente
estatutário de partido político e titular de mandato no Poder Legislativo de
qualquer ente da federação, ainda que licenciados dos cargos; (Incluído pela
Lei nº 13.848, de 2019)

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Regime Jurídico dos Servidores
II - de pessoa que tenha atuado, nos últimos 36 (trinta e seis) meses, como
participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho
vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral;
(Incluído pela Lei nº 13.848, de 2019) Vigência
III - de pessoa que exerça cargo em organização sindical; (Incluído pela Lei nº
13.848, de 2019) Vigência
IV - de pessoa que tenha participação, direta ou indireta, em empresa ou
entidade que atue no setor sujeito à regulação exercida pela agência
reguladora em que atuaria, ou que tenha matéria ou ato submetido à
apreciação dessa agência reguladora;
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Regime Jurídico dos Servidores
V - de pessoa que se enquadre nas hipóteses de inelegibilidade previstas no
inciso I do caput do art. 1º da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de
1990; (Incluído pela Lei nº 13.848, de 2019) Vigência
VII - de membro de conselho ou de diretoria de associação, regional ou
nacional, representativa de interesses patronais ou trabalhistas ligados às
atividades reguladas pela respectiva agência. (Incluído pela Lei nº 13.848, de
2019) Vigência
Parágrafo único. A vedação prevista no inciso I do caput estende-se também
aos parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau das pessoas nele
mencionadas. (Incluído pela Lei nº 13.848, de 2019) Vigência
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Disciplina Normativa – Lei de n. 13.848/2019
Inicialmente, o tema fora regulado pela Lei de nº 9.986/2000 que versava
especificamente sobre a gestão de pessoas das agências reguladoras, mas
que se encontra com vários dispositivos revogados. Isso porque, em 2019,
fora editada a Lei de nº 13.848/2019 que trata especificamente sobre as
agências reguladoras, legislação que pode ser dividida da seguinte forma: 1)
Normas Gerais; 2) Regras de processo decisório; 3) Prestação de contas e
controle social; 4) Interação entre as Agências e o Órgão de Defesa da
Concorrência; 5) Articulação das Agências e os Órgãos de defesa do meio
ambiente e do consumidor; 6) Articulação entre as Agências; 7) Da interação
entre as Agências Reguladoras de Diferentes Níveis Federativos

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Disciplina Normativa – Lei de n. 13.848/2019
O que se pretendeu com a referida legislação foi, primeiro, trazer unificação de
temas considerando as diversas agências reguladoras existentes com leis
específicas para cada qual, bem como conferir segurança jurídica e
transparência as atividades inerentes as agências.

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Normas Gerais = Agências Reguladoras no Brasil
Em relação as normas gerais, a lei tem por objetivo dispor sobre a gestão, a
organização, o processo decisório e o controle social das agências
reguladoras. Para tanto, inclui como agências reguladoras sujeitas a lei:
I - a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);
II - a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
III - a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel);
IV - a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa);
V - a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);

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Normas Gerais = Agências Reguladoras no Brasil
VI - a Agência Nacional de Águas (ANA);
VII - a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq);
VIII - a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT);
IX - a Agência Nacional do Cinema (Ancine);
X - a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac);
XI - a Agência Nacional de Mineração (ANM).
Parágrafo único. Ressalvado o que dispuser a legislação específica, aplica-se o
disposto nesta Lei às autarquias especiais caracterizadas, nos termos desta Lei,
como agências reguladoras e criadas a partir de sua vigência.
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Normas Gerais = Agências Reguladoras no Brasil
Chama-se atenção pelo dispositivo acima que algumas agências que não
possuem tal nomenclatura também estariam albergadas pelos ditames da lei,
bastando ter características de autarquias especiais previstas na legislação
correlata. Ademais, possui a lei efeito pro-futuro a partir do momento que
também se aplica a agências reguladoras que venham a ser criadas no futuro.
Tudo bem até aí?
A partir do dispositivo acima, surge a seguinte dúvida: quais seriam as
características necessárias para determinada autarquia ser considerada
especial? A fim de sanar qualquer tipo de questionamento, o próprio art. 3º,
da Lei de nº 13.848/2019, já trouxe tal conceito
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Normas Gerais = Agências Reguladoras no Brasil
Art. 3º A natureza especial conferida à agência reguladora é caracterizada pela
ausência de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia funcional,
decisória, administrativa e financeira e pela investidura a termo de seus dirigentes e
estabilidade durante os mandatos, bem como pelas demais disposições constantes
desta Lei ou de leis específicas voltadas à sua implementação.
§ 2º A autonomia administrativa da agência reguladora é caracterizada pelas seguintes
competências:
I - solicitar diretamente ao Ministério da Economia:

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Normas Gerais = Agências Reguladoras no Brasil
a) autorização para a realização de concursos públicos;
b) provimento dos cargos autorizados em lei para seu quadro de pessoal, observada a
disponibilidade orçamentária;
c) alterações no respectivo quadro de pessoal, fundamentadas em estudos de
dimensionamento, bem como alterações nos planos de carreira de seus servidores;
II - conceder diárias e passagens em deslocamentos nacionais e internacionais e
autorizar afastamentos do País a servidores da agência;
III - celebrar contratos administrativos e prorrogar contratos em vigor relativos a
atividades de custeio, independentemente do valor.
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Normas Gerais = Agências Reguladoras no Brasil
§ 3º As agências reguladoras devem adotar práticas de gestão de riscos e de controle
interno e elaborar e divulgar programa de integridade, com o objetivo de promover a
adoção de medidas e ações institucionais destinadas à prevenção, à detecção, à
punição e à remediação de fraudes e atos de corrupção

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Normas Gerais = Agências Reguladoras no Brasil
Pelo texto, para ser considerada autarquia sob regime especial, necessário o
preenchimento das seguintes características: 1) Ausência de subordinação
hierárquica; 2) Autonomia em diferentes frentes; 3) Práticas de gestão de risco e
controle interno e divulgação de programas de integridade

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Processo Decisório Em relação as regras de processo decisório, buscou o
legislador trazer uniformidade, objetividade e a regra do colegiado para
edição de atos normativos técnicos, sem prejuízo da análise de impacto
regulatório já prevista na Lei de Liberdade Econômica, Lei de nº 13.784/2019.
Vamos tratar sobre esse tema em capítulo específico.
Perceba que o intuito da legislação é justamente evitar que todo e qualquer
ato normativo seja futuramente judicializado, considerando a capacidade
técnica e a melhor decisão a determinado nicho da economia, garantindo
eficiência e bom funcionamento do mercado regulado. Busca-se objetividade
e normas que efetivamente sejam publicadas quando realmente necessárias.
Vejamos os arts. 4º a 6º, da Lei de nº 13.848/2019, que podem aparecer em sua
prova:
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Art. 4º A agência reguladora deverá observar, em suas atividades, a devida
adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e
sanções em medida superior àquela necessária ao atendimento do interesse
público.
Art. 5º A agência reguladora deverá indicar os pressupostos de fato e de
direito que determinarem suas decisões, inclusive a respeito da edição ou não
de atos normativos.
Art. 6º A adoção e as propostas de alteração de atos normativos de interesse
geral dos agentes econômicos, consumidores ou usuários dos serviços
prestados serão, nos termos de regulamento, precedidas da realização de
Análise de Impacto Regulatório (AIR), que conterá informações e dados sobre
os possíveis efeitos do ato normativo
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Regras do Processo Decisório
Ademais, todas as decisões da agência reguladora devem ser tomadas em
caráter de colegiado, com caráter público e devidamente gravadas,
corroborando a necessidade de tecnicidade da decisão.
O que chama a atenção é a evolução da legislação ao prever consultas
públicas no caso de alteração de normas técnicas já existentes ou audiência
pública quando da tomada de decisões em matérias consideradas
relevantes, sem prejuízo de outros meios de participação previstos em
regimento interno. Vejamos

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Regras do Processo Decisório
Art. 9º Serão objeto de consulta pública, previamente à tomada de decisão
pelo conselho diretor ou pela diretoria colegiada, as minutas e as propostas
de alteração de atos normativos de interesse geral dos agentes
econômicos, consumidores ou usuários dos serviços prestados.
§ 1º A consulta pública é o instrumento de apoio à tomada de decisão por
meio do qual a sociedade é consultada previamente, por meio do envio de
críticas, sugestões e contribuições por quaisquer interessados, sobre
proposta de norma regulatória aplicável ao setor de atuação da agência
reguladora.

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Art. 10. A agência reguladora, por decisão colegiada, poderá convocar
audiência pública para formação de juízo e tomada de decisão sobre
matéria considerada relevante.
§ 1º A audiência pública é o instrumento de apoio à tomada de decisão por
meio do qual é facultada a manifestação oral por quaisquer interessados
em sessão pública previamente destinada a debater matéria relevante.
Art. 11. A agência reguladora poderá estabelecer, em regimento interno,
outros meios de participação de interessados em suas decisões,
diretamente ou por meio de organizações e associações legalmente
reconhecidas, aplicando-se o § 5º do art. 9º às contribuições recebidas.

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Prestação de Contas e Controle Social
Quanto ao controle sobre as agências reguladoras, considerando a
autonomia que lhe é atribuída, este será exercido pelo Congresso Nacional
com auxílio do Tribunal de Contas da União.
Ademais, estão as agências obrigadas a elaborarem relatórios e planos
específicos atendendo a finalidade de suas atividades. Nessa linha, cabem
as agências editarem relatório anual circunstanciado de suas atividades,
destacando o cumprimento da política do setor, definida pelos Poderes
Legislativo e Executivo.

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Prestação de Contas e Controle Social
Além disso, deverá editar os seguintes planos bem definidos pela
legislação: 1) de comunicação; 2) estratégico; 3) de gestão anual. Deverá,
também, editar a agenda regulatória. Vamos aos artigos correlatos na Lei
de nº 13.848/2019:
Art. 16. A agência reguladora deverá implementar, em cada exercício,
plano de comunicação voltado à divulgação, com caráter informativo e
educativo, de suas atividades e dos direitos dos usuários perante a agência
reguladora e as empresas que compõem o setor regulado.

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Prestação de Contas e Controle Social
Art. 17. A agência reguladora deverá elaborar, para cada período
quadrienal, plano estratégico que conterá os objetivos, as metas e os
resultados estratégicos esperados das ações da agência reguladora
relativos a sua gestão e a suas competências regulatórias, fiscalizatórias e
normativas, bem como a indicação dos fatores externos alheios ao controle
da agência que poderão afetar significativamente o cumprimento do plano.
Art. 18. O plano de gestão anual, alinhado às diretrizes estabelecidas no
plano estratégico, será o instrumento anual do planejamento consolidado
da agência reguladora e contemplará ações, resultados e metas
relacionados aos processos finalísticos e de gestão.

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Prestação de Contas e Controle Social
Art. 21. A agência reguladora implementará, no respectivo âmbito de
atuação, a agenda regulatória, instrumento de planejamento da atividade
normativa que conterá o conjunto dos temas prioritários a serem
regulamentados pela agência durante sua vigência.
§ 1º A agenda regulatória deverá ser alinhada com os objetivos do plano
estratégico e integrará o plano de gestão anual.
§ 2º A agenda regulatória será aprovada pelo conselho diretor ou pela
diretoria colegiada e será disponibilizada na sede da agência e no
respectivo sítio na internet

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Prestação de Contas e Controle Social
O real objetivo da legislação é dar reforçar a legitimidade de atuação das
agências reguladoras com a necessidade de edição de planos
demonstrando transparência na gestão.
Sobre o controle social, a Lei de nº 13.848/2019, previu a necessidade de
criação de ouvidoria específica por parte de cada agência reguladora em que
o ouvidor atuará de forma independente sem qualquer tipo de pressão
externa.

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Prestação de Contas e Controle Social
Art. 22. Haverá, em cada agência reguladora, 1 (um) ouvidor, que atuará
sem subordinação hierárquica e exercerá suas atribuições sem acumulação
com outras funções.
§ 1º São atribuições do ouvidor:
I - zelar pela qualidade e pela tempestividade dos serviços prestados pela
agência;
II - acompanhar o processo interno de apuração de denúncias e
reclamações dos interessados contra a atuação da agência;
III - elaborar relatório anual de ouvidoria sobre as atividades da agência.

ESTADO REGULADOR
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Prestação de Contas e Controle Social
Vale dizer que a função de ouvidor depende de escolha pelo Presidente da
República e por ele nomeado, após prévia aprovação do Senado Federal,
devendo não se enquadrar nas hipóteses de inelegibilidade previstas no
inciso I do caput do art. 1º da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de
1990, e ter notório conhecimento em administração pública ou em regulação
de setores econômicos, ou no campo específico de atuação da agência
reguladora.
O ouvidor terá mandato de 3 (três) anos, vedada a recondução, no curso do
qual somente perderá o cargo em caso de renúncia, condenação judicial
transitada em julgado ou condenação em processo administrativo disciplinar.
Não pode o ouvidor ter participação, direta ou indireta, em empresa sob
regulação da respectiva agência reguladora
AGÊNCIAS REGULADORAS
Prestação de Contas e Controle Social
Eventual processo administrativo contra o ouvidor somente poderá ser
instaurado pelo titular do ministério ao qual a agência está vinculada, por
iniciativa de seu ministro ou do Ministro de Estado da Controladoria-Geral da
União, em decorrência de representação promovida pelo conselho diretor ou
pela diretoria colegiada da respectiva agência.
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Prestação de Contas e Controle Social
SEFAZ CE CEBRASPE 2022 No que se refere às modalidades de intervenção
do Estado brasileiro na ordem econômica, julgue o item a seguir,
considerando a legislação pertinente e o entendimento do Supremo Tribunal
Federal.
As agências reguladoras exercem o poder normativo em ampla delegação
do Poder Legislativo, podendo, no exercício dos seus misteres, inovar na
ordem jurídica, criando direitos e obrigações para o setor regulado.
Certo.
Errado.
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Interação das Agências Reguladoras com Órgãos de Defesa da
Concorrência
Trata-se de verdadeira inovação trazida pela legislação baseada no
princípio da cooperação que deve permear a atuação da administração
pública. Isso porque, pretendeu o legislador garantir que as agências
estejam atentas as práticas do mercado regulado e que eventuais condutas
que possam gerar conflito de natureza concorrencial sejam informadas aos
órgãos de defesa da concorrência, quais sejam o Conselho Administrativo
de Defesa Econômica - CADE e a Secretaria de Acompanhamento
Econômico do Ministério da Fazenda, nos termos da Lei 12.529/2011, sem
prejuízo de outros órgãos atuantes.
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Interação das Agências Reguladoras com Órgãos de Defesa da
Concorrência
A pretensão do legislador é justamente que a cultura de defesa da
concorrência seja implementada nos diferentes setores da economia
através do incentivo das outras agências reguladoras. Nesse sentido, os
arts. 25 a 28, da Lei de nº 13.848/2019:
AGÊNCIAS REGULADORAS
Interação das Agências Reguladoras com Órgãos de Defesa da
Concorrência
Art. 25. Com vistas à promoção da concorrência e à eficácia na
implementação da legislação de defesa da concorrência nos mercados
regulados, as agências reguladoras e os órgãos de defesa da concorrência
devem atuar em estreita cooperação, privilegiando a troca de experiências.
Art. 26. No exercício de suas atribuições, incumbe às agências reguladoras
monitorar e acompanhar as práticas de mercado dos agentes dos setores
regulados, de forma a auxiliar os órgãos de defesa da concorrência na
observância do cumprimento da legislação de defesa da concorrência, nos
termos da Lei nº 12.529, de 30 de novembro de 2011 (Lei de Defesa da
Concorrência).
AGÊNCIAS REGULADORAS
Interação das Agências Reguladoras com Órgãos de Defesa da
Concorrência
Art. 27. Quando a agência reguladora, no exercício de suas atribuições,
tomar conhecimento de fato que possa configurar infração à ordem
econômica, deverá comunicá-lo imediatamente aos órgãos de defesa da
concorrência para que esses adotem as providências cabíveis.
Art. 28. Sem prejuízo de suas competências legais, o Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade) notificará a agência reguladora
do teor da decisão sobre condutas potencialmente anticompetitivas
cometidas no exercício das atividades reguladas, bem como das decisões
relativas a atos de concentração julgados por aquele órgão, no prazo
máximo de 48 (quarenta e oito) horas após a publicação do respectivo
acórdão, para que sejam adotadas as providências legais.
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Articulação das Agências Reguladoras com Órgãos de Defesa do Meio
Ambiente e do Consumidor
Na mesma linha do que se escreveu sobre a defesa da concorrência,
buscou o legislador constituir um microssistema de informações entre as
agências reguladoras e os órgãos de defesa do meio ambiente e do
consumidor, através do compartilhamento de dados, tudo em prol dos
bens jurídicos tutelados.
Prevê aqui, além da interação, a articulação entre as agências e os órgãos
protetores dos bens jurídicos tutelados com possibilidade, inclusive de
termos de ajustamento de condutas a serem celebrados. Vejamos os
dispositivos autoexplicativos Lei de nº 13.848/2019
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Articulação das Agências Reguladoras com Órgãos de Defesa do Meio
Ambiente e do Consumidor
Art. 31. No exercício de suas atribuições, e em articulação com o Sistema
Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) e com o órgão de defesa do
consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública, incumbe às
agências reguladoras zelar pelo cumprimento da legislação de defesa do
consumidor, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos
agentes do setor regulado.
Art. 32. Para o cumprimento do disposto nesta Lei, as agências reguladoras
são autorizadas a celebrar, com força de título executivo extrajudicial,
termo de ajustamento de conduta com pessoas físicas ou jurídicas sujeitas a
sua competência regulatória, aplicando-se os requisitos do art. 4º-A da Lei
nº 9.469, de 10 de julho de 1997.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Articulação das Agências Reguladoras com Órgãos de Defesa do Meio
Ambiente e do Consumidor
§ 1º Enquanto perdurar a vigência do correspondente termo de
ajustamento de conduta, ficará suspensa, em relação aos fatos que deram
causa a sua celebração, a aplicação de sanções administrativas de
competência da agência reguladora à pessoa física ou jurídica que o houver
firmado.
§ 2º A agência reguladora deverá ser comunicada quando da celebração
do termo de ajustamento de conduta a que se refere o § 6º do art. 5º da
Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, caso o termo tenha por objeto
matéria de natureza regulatória de sua competência.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Articulação das Agências Reguladoras com Órgãos de Defesa do Meio
Ambiente e do Consumidor
Art. 33. As agências reguladoras poderão articular-se com os órgãos de
defesa do meio ambiente mediante a celebração de convênios e acordos
de cooperação, visando ao intercâmbio de informações, à padronização de
exigências e procedimentos, à celeridade na emissão de licenças
ambientais e à maior eficiência nos processos de fiscalização
AGÊNCIAS REGULADORAS
Articulação entre as Agências Reguladoras
Pretendeu o legislador trazer a possibilidade de edição de atos normativos
em conjunto entre diferentes agências, considerando a similaridade entre a
matéria envolvida naquele nicho de mercado.
É que em determinadas situações a atividade econômica pode estar sujeita
a diferentes controles das agências o que faz com que seja necessária a
atuação em conjunto, desde que respeitados os requisitos similares a
edição de um ato em separado. Nesse sentido, os arts. 29 e 30 da Lei de nº
13.848/2019:
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Articulação entre as Agências Reguladoras
Art. 29. No exercício de suas competências definidas em lei, duas ou mais
agências reguladoras poderão editar atos normativos conjuntos dispondo
sobre matéria cuja disciplina envolva agentes econômicos sujeitos a mais
de uma regulação setorial.
§ 1º Os atos normativos conjuntos deverão ser aprovados pelo conselho
diretor ou pela diretoria colegiada de cada agência reguladora envolvida,
por procedimento idêntico ao de aprovação de ato normativo isolado,
observando-se em cada agência as normas aplicáveis ao exercício da
competência normativa previstas no respectivo regimento interno.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Articulação entre as Agências Reguladoras
§ 2º Os atos normativos conjuntos deverão conter regras sobre a
fiscalização de sua execução e prever mecanismos de solução de
controvérsias decorrentes de sua aplicação, podendo admitir solução
mediante mediação, nos termos da Lei nº 13.140, de 26 de junho de 2015
(Lei da Mediação), ou mediante arbitragem por comissão integrada, entre
outros, por representantes de todas as agências reguladoras envolvidas.
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Articulação entre as Agências Reguladoras
Art. 30. As agências reguladoras poderão constituir comitês para o
intercâmbio de experiências e informações entre si ou com os órgãos
integrantes do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC),
visando a estabelecer orientações e procedimentos comuns para o
exercício da regulação nas respectivas áreas e setores e a permitir a
consulta recíproca quando da edição de normas que impliquem mudanças
nas condições dos setores regulados.
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Interação entre as Agências Reguladoras de Diferentes Níveis
Um primeiro ponto que deve ser explicitado é que o legislador tomou o
devido cuidado ao não desrespeitar o princípio federativo. É que numa
federação existem competências determinadas constitucionalmente para
cada ente, de forma a não ser possível a violação das regras constitucionais.
Nessa linha, é possível, mediante acordo entre as agências, promover a
articulação de suas atividades com as de agências reguladoras ou órgãos
de regulação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas
respectivas áreas de competência, implementando, a seu critério e
mediante acordo de cooperação, a descentralização de suas atividades
fiscalizatórias, sancionatórias e arbitrais, exceto quanto a atividades do
Sistema Único de Saúde (SUS), que observarão o disposto em legislação
própria. O que não é possível é a delegação de competências normativas.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Interação entre as Agências Reguladoras de Diferentes Níveis
Nesse sentido, vale a leitura dos arts. 34 e 35, da Lei 13.848/2019:
Art. 34. As agências reguladoras de que trata esta Lei poderão promover a
articulação de suas atividades com as de agências reguladoras ou órgãos
de regulação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas
respectivas áreas de competência, implementando, a seu critério e
mediante acordo de cooperação, a descentralização de suas atividades
fiscalizatórias, sancionatórias e arbitrais, exceto quanto a atividades do
Sistema Único de Saúde (SUS), que observarão o disposto em legislação
própria.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Interação entre as Agências Reguladoras de Diferentes Níveis
§ 1º É vedada a delegação de competências normativas.
§ 2º A descentralização de que trata o caput será instituída desde que a
agência reguladora ou o órgão de regulação da unidade federativa
interessada possua serviços técnicos e administrativos competentes
devidamente organizados e aparelhados para a execução das respectivas
atividades, conforme condições estabelecidas em regimento interno da
agência reguladora federal.
§ 3º A execução, por agência reguladora ou órgão de regulação estadual,
distrital ou municipal, das atividades delegadas será permanentemente
acompanhada e avaliada pela agência reguladora federal, nos termos do
respectivo acordo.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Interação entre as Agências Reguladoras de Diferentes Níveis
§ 4º Na execução das atividades de fiscalização objeto de delegação, a
agência reguladora ou o órgão regulador estadual, distrital ou municipal
que receber a delegação observará as normas legais e regulamentares
federais pertinentes.
§ 5º É vedado à agência reguladora ou ao órgão regulador estadual,
distrital ou municipal conveniado, no exercício de competência fiscalizatória
delegada, exigir de concessionária ou permissionária obrigação não
prevista previamente em contrato.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Interação entre as Agências Reguladoras de Diferentes Níveis
§ 6º Além do disposto no § 2º deste artigo, a delegação de competências
fiscalizatórias, sancionatórias e arbitrais somente poderá ser efetivada em
favor de agência reguladora ou órgão de regulação estadual, distrital ou
municipal que gozar de autonomia assegurada por regime jurídico
compatível com o disposto nesta Lei.
§ 7º Havendo delegação de competência, a agência reguladora delegante
permanecerá como instância superior e recursal das decisões tomadas no
exercício da competência delegada.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Interação entre as Agências Reguladoras de Diferentes Níveis
Art. 35. No caso da descentralização prevista no caput do art. 34, parte da
receita arrecadada pela agência reguladora federal poderá ser repassada à
agência reguladora ou ao órgão de regulação estadual, distrital ou
municipal, para custeio de seus serviços, na forma do respectivo acordo de
cooperação.
Parágrafo único. O repasse referido no caput deste artigo deverá ser
compatível com os custos da agência reguladora ou do órgão de regulação
local para realizar as atividades delegadas.
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Teoria da Captura
Pela teoria da captura temos a situação em que o poder regulatório resta
comprometido em razão da captura da agência reguladora ou de seus
servidores por parte dos agentes econômicos ou mesmo do governo
central através de influências político econômicas que comprometem a
independência e tecnicidade da agência reguladora.
É que o sistema das agências reguladoras lhe garante independência e
autonomia para a edição de atos normativos e tomada de decisões
específicas em cada caso, de forma que pela teoria em comento a agência
seria capturada em razão de influências desmedidas seja por parte do
governo central seja pelo agente econômico regulado.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Teoria da Captura
Nessa linha, é como se a agência tomasse decisões baseadas em relação
promíscua com o agente regulado ou mesmo com o governo central,
favorecendo-os em determinadas situações. Haveria verdadeira cooptação
da agência reguladora e prejuízo das funções que lhes foram designadas.
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Doutrina Chenery
Como visto anteriormente, goza a agência reguladora de capacidade
técnica suficiente para edição de atos normativos e tomada de decisões em
razão do fenômeno denominado de deslegificação, ou seja, a lei que cria a
agência delega a esta a possibilidade de edição de atos normativos e
tomadas de decisões dada a complexidade da matéria.
Pois bem, acontece que os atos normativos e as decisões das agências
estão sujeitas ao controle jurisdicional do Poder Judiciário, de forma que se
questiona até que ponto o poder judiciário poderia ou não anular
determinada conduta da agência se não gozaria de expertise técnica para
tanto. É o que se denomina de doutrina chenery.
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Doutrina Chenery
A respectiva teoria, oriunda do direito americano, surge em dois casos
emblemáticos que envolveram a companhia Chenery Corp. No primeiro
caso, a companhia adquiriu ações específicas no mercado tendo a Security
Exchange Comission - SEC anulado a operação. A partir daí a Chenery
Corp ingressou na Suprema Corte Americana e obteve decisão revertendo
a posição originária de anulação praticada pela SEC, tendo sido
determinada a reavaliação da decisão anulatória.
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Doutrina Chenery
Posteriormente, a SEC reviu a decisão e manteve a anulação por afronta ao
regulamento editado por esta. Após, a Suprema Corte Americana decidiu
favoravelmente à SEC, entendendo que a decisão proferida se encontrava
dentro do âmbito da função do órgão governamental, surgindo a partir daí
a Doutrina Chenery.
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Doutrina Chenery
No Brasil, tal teoria foi abraçada pelo Superior Tribunal de Justiça no
informativo 605, valendo a citação da decisão:
Informativo 605, STJ
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Doutrina Chenery
Por seu turno, a doutrina leciona que o Judiciário esbarra na dificuldade de
concluir se um ato administrativo cuja motivação alegadamente política
seria concretizado, ou não, caso o órgão público tivesse se valido tão
somente de metodologia técnica. De qualquer forma, essa discussão seria
inócua, pois, segundo a doutrina Chenery - a qual reconheceu o caráter
político da atuação da Administração Pública dos Estados Unidos da América
-, as cortes judiciais estão impedidas de adotarem fundamentos diversos
daqueles que o Poder Executivo abraçaria, notadamente nas questões
técnicas e complexas, em que os tribunais não têm a expertise para concluir
se os critérios adotados pela Administração são corretos.
AGÊNCIAS REGULADORAS
Doutrina Chenery
Por todos esses motivos - inclusive em razão da impossibilidade de se
reconhecer, na presente via, que ocorreu aumento abusivo de tarifas, está
demonstrada, repita-se, acentuada ofensa à ordem pública - o que legitima
a decisão que cassou a tutela antecipada deferida nos autos da ação
popular, até o trânsito em julgado da decisão de mérito.
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Portanto, em razão da tecnicidade do ato administrativo da agência
reguladora, não caberia ao poder judiciário em qualquer situação analisar
se os critérios adotados foram ou não corretos, ante a ausência de
expertise.
Vejamos outro julgado interessante do Superior Tribunal de Justiça que
bem detalha a capacidade técnica das agências reguladoras e porque suas
decisões devem ser respeitadas.
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ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO

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ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO
Iniciando, temos uma inovação que é justamente a análise de impacto
regulatório sendo essa uma condição para alteração de atos normativos que
tratem sobre o interesse geral de agentes econômicos ou de usuários de
serviços prestados.
A origem de tal concepção se deu com o efetivo surgimento da expressão
custo regulatório, ou seja, determinadas atividades econômicas, a partir de
uma regulação incisiva, passariam a se tornar efetivamente onerosas, fato que
desaceleraria o estímulo a continuidade. Logo, a cada intervenção regulatória,
caberia uma análise aprofundada sobre o real custo da edição de novos atos
normativos técnicos.

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ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO
Frise-se que na outra ponta há a chamada revisão qualitativa de regulação que
busca manter os esforços do Estado Regulador, de forma a editar novos atos
normativos substituindo algo que já estaria superado.
Nesse sentido, o que importa para fins de prova é que houve a
implementação, a partir de recomendação da OCDE, do instituto da análise
de impacto regulatório no cenário nacional. Em tese são 03 leis que preveem
de forma expressa o instituto: 1) Decreto Lei de nº 4.657/42 (LINDB); 2) Lei de
nº 13.848/2019 que trata sobre as agências reguladoras; 3) Lei de nº
13.874/2019 (Lei de Liberdade Econômica). Vejamos os dispositivos:

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ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá
com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as
consequências práticas da decisão.
Art. 6º A adoção e as propostas de alteração de atos normativos de interesse
geral dos agentes econômicos, consumidores ou usuários dos serviços
prestados serão, nos termos de regulamento, precedidas da realização de
Análise de Impacto Regulatório (AIR), que conterá informações e dados sobre
os possíveis efeitos do ato normativo. (Regulamento)
§ 1º Regulamento disporá sobre o conteúdo e a metodologia da AIR, sobre os
quesitos mínimos a serem objeto de exame, bem como sobre os casos em que
será obrigatória sua realização e aqueles em que poderá ser dispensada.
ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO
§ 2º O regimento interno de cada agência disporá sobre a operacionalização
da AIR em seu âmbito.
§ 3º O conselho diretor ou a diretoria colegiada manifestar-se-á, em relação
ao relatório de AIR, sobre a adequação da proposta de ato normativo aos
objetivos pretendidos, indicando se os impactos estimados recomendam sua
adoção, e, quando for o caso, quais os complementos necessários.
§ 4º A manifestação de que trata o § 3º integrará, juntamente com o relatório
de AIR, a documentação a ser disponibilizada aos interessados para a
realização de consulta ou de audiência pública, caso o conselho diretor ou a
diretoria colegiada decida pela continuidade do procedimento administrativo.
ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO
§ 5º Nos casos em que não for realizada a AIR, deverá ser disponibilizada, no
mínimo, nota técnica ou documento equivalente que tenha fundamentado a
proposta de decisão.
Art. 5º As propostas de edição e de alteração de atos normativos de interesse
geral de agentes econômicos ou de usuários dos serviços prestados, editadas
por órgão ou entidade da administração pública federal, incluídas as
autarquias e as fundações públicas, serão precedidas da realização de análise
de impacto regulatório, que conterá informações e dados sobre os possíveis
efeitos do ato normativo para verificar a razoabilidade do seu impacto
econômico. (Regulamento)

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ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO
Parágrafo único. Regulamento disporá sobre a data de início da exigência de
que trata o caput deste artigo e sobre o conteúdo, a metodologia da análise
de impacto regulatório, os quesitos mínimos a serem objeto de exame, as
hipóteses em que será obrigatória sua realização e as hipóteses em que
poderá ser dispensada.

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ANÁLISE DE IMPACTO
REGULATÓRIO
Logo, o objetivo da análise de impacto regulatório é justamente verificar as
consequências jurídicas e econômicas dos atos de regulação emanados, por
exemplo, de agências reguladoras.
Perceba que os dispositivos da Lei de nº 13.848/2019 que trata sobre as
agências reguladoras e da Lei de nº 13.874/2019 (Lei de Liberdade
Econômica), falam na disposição por regulamento. Para tanto, foi expedido o
Decreto de nº 10.411/2020, a qual regulamenta ambas as leis nesse ponto.
Vamos então ao Decreto!

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DECRETO 10.411/2020

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DECRETO 10.411/2020
Inicialmente, destaca-se, mais uma vez, que o decreto cuidou de regulamentar
os dispositivos da Lei de nº 13.848/2019 que trata sobre as agências
reguladoras e da Lei de nº 13.874/2019 (Lei de Liberdade Econômica).

Art. 1º Este Decreto regulamenta a análise de impacto regulatório, de que


tratam o art. 5º da Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, e o art. 6º da Lei
nº 13.848, de 25 de junho de 2019, e dispõe sobre o seu conteúdo, os
quesitos mínimos a serem objeto de exame, as hipóteses em que será
obrigatória e as hipóteses em que poderá ser dispensada.
DECRETO 10.411/2020
§ 1º O disposto neste Decreto se aplica aos órgãos e às entidades da
administração pública federal direta, autárquica e fundacional, quando da
proposição de atos normativos de interesse geral de agentes econômicos ou
de usuários dos serviços prestados, no âmbito de suas competências.
§ 2º O disposto neste Decreto aplica-se às propostas de atos normativos
formuladas por colegiados por meio do órgão ou da entidade encarregado de
lhe prestar apoio administrativo.
§ 3º O disposto neste Decreto não se aplica às propostas de edição de
decreto ou aos atos normativos a serem submetidos ao Congresso Nacional..
DECRETO 10.411/2020
Inicialmente, pelo primeiro dispositivo, há situações que a análise de impacto
regulatório é obrigatória e outras que é dispensada. Grave isso! Em relação a
aplicabilidade, trata-se de instituto aplicável a administração direta e indireta
(autarquias e fundações públicas) desde que os efeitos do ato normativo
ditado sejam de interesse geral dos agentes econômicos ou dos usuários de
serviços públicos.
Perceba, também, que as propostas de atos formuladas por colegiados
também deverá passar pelo instituto e que não se aplica o decreto as
propostas de edição de decreto ou aos atos normativos a serem submetidos
ao Congresso Nacional.
DECRETO 10.411/2020
Prosseguindo, por análise de impacto regulatório temos um procedimento, a
partir da definição de problema regulatório, de avaliação prévia à edição dos
atos normativos, que conterá informações e dados sobre os seus prováveis
efeitos, para verificar a razoabilidade do impacto e subsidiar a tomada de
decisão.
DECRETO 10.411/2020
O decreto trata das situações de ato normativo de baixo impacto, sendo elas
as que: 1) não provoquem aumento expressivo de custos para os agentes
econômicos ou para os usuários dos serviços prestados; 2) não provoque
aumento expressivo de despesa orçamentária ou financeira; 3) não repercuta
de forma substancial nas políticas públicas de saúde, de segurança,
ambientais, econômicas ou sociais.
Ponto importante é que a análise de impacto regulatório é um procedimento
e como tal possui elementos que os compõe: 1) Avaliação de Resultado
Regulatório; 2) Custos Regulatórios; 3) Relatório de Análise de Impacto
Regulatório; 4) Atualização do estoque regulatório.
DECRETO 10.411/2020
Art. 2º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:
III - avaliação de resultado regulatório - ARR - verificação dos efeitos
decorrentes da edição de ato normativo, considerados o alcance dos objetivos
originalmente pretendidos e os demais impactos observados sobre o mercado
e a sociedade, em decorrência de sua implementação;
DECRETO 10.411/2020
IV - custos regulatórios - estimativa dos custos, diretos e indiretos,
identificados com o emprego da metodologia específica escolhida para o caso
concreto, que possam vir a ser incorridos pelos agentes econômicos, pelos
usuários dos serviços prestados e, se for o caso, por outros órgãos ou
entidades públicos, para estar em conformidade com as novas exigências e
obrigações a serem estabelecidas pelo órgão ou pela entidade competente,
além dos custos que devam ser incorridos pelo órgão ou pela entidade
competente para monitorar e fiscalizar o cumprimento dessas novas
exigências e obrigações por parte dos agentes econômicos e dos usuários dos
serviços prestados;
V - Relatório de AIR - ato de encerramento da AIR, que conterá os elementos
que subsidiaram a escolha da alternativa mais adequada ao enfrentamento do
problema regulatório identificado e, se for o caso, a minuta do ato normativo
a ser editado; e
DECRETO 10.411/2020
VI - Atualização do estoque regulatório - exame periódico dos atos normativos
de responsabilidade do órgão ou da entidade competente, com vistas a
averiguar a pertinência de sua manutenção ou a necessidade de sua alteração
ou revogação.
DECRETO 10.411/2020
Ponto importante é que a edição, a alteração ou a revogação de atos
normativos de interesse geral de agentes econômicos ou de usuários dos
serviços prestados, por órgãos e entidades da administração pública federal
direta, autárquica e fundacional será precedida de análise de impacto
regulatório reforçando o caráter preventivo. Vale dizer que na seara tributária
o decreto se aplica apenas a instituição ou modificação das obrigações
acessórias.
DECRETO 10.411/2020
A análise de impacto regulatório não se aplica aos atos normativos: 1) de
natureza administrativa, cujos efeitos sejam restritos ao âmbito interno do
órgão ou da entidade; 2) de efeitos concretos, destinados a disciplinar
situação específica, cujos destinatários sejam individualizados; 3) que
disponham sobre execução orçamentária e financeira; 4) que disponham
estritamente sobre política cambial e monetária; 5) que disponham sobre
segurança nacional; e 5) que visem a consolidar outras normas sobre matérias
específicas, sem alteração de mérito.
Trata-se de pontos em que não é aplicável o instituto. Por outro lado, há
situações que a análise de impacto regulatório é dispensada. Frise-se,
hipóteses de dispensa
DECRETO 10.411/2020
Art. 4º A AIR poderá ser dispensada, desde que haja decisão fundamentada
do órgão ou da entidade competente, nas hipóteses de:
I - urgência;
II - ato normativo destinado a disciplinar direitos ou obrigações definidos em
norma hierarquicamente superior que não permita, técnica ou juridicamente,
diferentes alternativas regulatórias;
III - ato normativo considerado de baixo impacto;
IV - ato normativo que vise à atualização ou à revogação de normas
consideradas obsoletas, sem alteração de mérito;
V - ato normativo que vise a preservar liquidez, solvência ou higidez:
DECRETO 10.411/2020
§ 1º Nas hipóteses de dispensa de AIR, será elaborada nota técnica ou
documento equivalente que fundamente a proposta de edição ou de
alteração do ato normativo.
§ 2º Na hipótese de dispensa de AIR em razão de urgência, a nota técnica ou
o documento equivalente de que trata o § 1º deverá, obrigatoriamente,
identificar o problema regulatório que se pretende solucionar e os objetivos
que se pretende alcançar, de modo a subsidiar a elaboração da ARR,
observado o disposto no art. 12.
§ 3º Ressalvadas informações com restrição de acesso, nos termos do
disposto na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, a nota técnica ou o
documento equivalente de que tratam o § 1º e o § 2º serão disponibilizados
no sítio eletrônico do órgão ou da entidade competente, conforme definido
nas normas próprias..
DECRETO 10.411/2020
Ponto importante é que na hipótese de dispensa em razão de urgência, cabe
a elaboração de análise de resultado regulatório – ARR. Ainda assim, vale
dizer que os atos normativos cuja AIR tenha sido dispensada em razão de
urgência serão objeto de ARR no prazo de três anos, contado da data de sua
entrada em vigor.
DECRETO 10.411/2020
Prosseguindo, a análise de impacto regulatório será iniciada após a avaliação
pelo órgão ou pela entidade competente quanto à obrigatoriedade ou à
conveniência e à oportunidade para a resolução do problema regulatório
identificado. Após todo o trâmite, a análise de impacto regulatório será
concluída com relatório que contenha o seguinte: 1) sumário executivo
objetivo e conciso, que deverá empregar linguagem simples e acessível ao
público em geral; 2) identificação do problema regulatório que se pretende
solucionar, com a apresentação de suas causas e sua extensão; 3) identificação
dos agentes econômicos, dos usuários dos serviços prestados e dos demais
afetados pelo problema regulatório identificado; 4) identificação da
fundamentação legal que ampara a ação do órgão ou da entidade quanto ao
problema regulatório identificado; 5) definição dos objetivos a serem
alcançados;
DECRETO 10.411/2020
6) descrição das alternativas possíveis ao enfrentamento do problema
regulatório identificado, consideradas as opções de não ação, de soluções
normativas e de, sempre que possível, soluções não normativas; 7) exposição
dos possíveis impactos das alternativas identificadas, inclusive quanto aos seus
custos regulatórios; 8) os impactos sobre as microempresas e as empresas de
pequeno porte; 9) considerações referentes às informações e às manifestações
recebidas para a AIR em eventuais processos de participação social ou de
outros processos de recebimento de subsídios de interessados na matéria em
análise; 10) mapeamento da experiência internacional quanto às medidas
adotadas para a resolução do problema regulatório identificado; 11)
identificação e definição dos efeitos e riscos decorrentes da edição, da
alteração ou da revogação do ato normativo;
DECRETO 10.411/2020
12) comparação das alternativas consideradas para a resolução do problema
regulatório identificado, acompanhada de análise fundamentada que
contenha a metodologia específica escolhida para o caso concreto e a
alternativa ou a combinação de alternativas sugerida, considerada mais
adequada à resolução do problema regulatório e ao alcance dos objetivos
pretendidos; e 13) descrição da estratégia para implementação da alternativa
sugerida, acompanhada das formas de monitoramento e de avaliação a serem
adotadas e, quando couber, avaliação quanto à necessidade de alteração ou
de revogação de normas vigentes.
DECRETO 10.411/2020
O conteúdo do relatório de AIR deverá ser detalhado e complementado com
elementos adicionais específicos do caso concreto, de acordo com o seu grau
de complexidade, a abrangência e a repercussão da matéria em análise. O
relatório de AIR incluirá a análise dos impactos sobre as microempresas e as
empresas de pequeno porte e preverá as medidas que poderão ser adotadas
para minimizar esses impactos.
Ponto importante são as metodologias a serem utilizadas na análise de
impacto regulatório. Vejamos
DECRETO 10.411/2020
Art. 7º Na elaboração da AIR, será adotada uma das seguintes metodologias
específicas para aferição da razoabilidade do impacto econômico, de que
trata o art. 5º da Lei nº 13.874, de 2019:
I - análise multicritério;
II - análise de custo-benefício;
III - análise de custo-efetividade;
IV - análise de custo;
V - análise de risco; ou
VI - análise risco-risco.
DECRETO 10.411/2020
§ 1º A escolha da metodologia específica de que trata o caput deverá ser
justificada e apresentar o comparativo entre as alternativas sugeridas.
§ 2º O órgão ou a entidade competente poderá escolher outra metodologia
além daquelas mencionadas no caput, desde que justifique tratar-se da
metodologia mais adequada para a resolução do caso concreto
DECRETO 10.411/2020
Seguindo, o relatório de análise de impacto regulatório pode conter
participação social que influencie a uma melhor alternativa para enfrentar o
problema regulatório identificado e antes da elaboração de eventual minuta
de ato normativo a ser editado. Veja que se trata de participação anterior a
decisão a ser tomada.
Ainda sobre a participação popular o decreto fez previsão sobre consultas e
audiências públicas como forma de complementar a análise de impacto
regulatório. Vejamos os dispositivos
DECRETO 10.411/2020
Art. 9º Na hipótese de o órgão ou a entidade competente optar, após a
conclusão da AIR, pela edição, alteração ou revogação de ato normativo para
enfrentamento do problema regulatório identificado, o texto preliminar da
proposta de ato normativo poderá ser objeto de consulta pública ou de
consulta aos segmentos sociais diretamente afetados pela norma. (Vide
Decreto nº 11.243, de 2022) Vigência (Vide Decreto nº 11.259, de 2022)
Vigência
Parágrafo único. A realização de consulta pública será obrigatória na hipótese
do art. 9º da Lei nº 13.848, de 2019. (Vide Decreto nº 11.243, de 2022)
Vigência
DECRETO 10.411/2020
Art. 10. O órgão ou a entidade competente poderá utilizar os meios e os
canais que considerar adequados para realizar os procedimentos de
participação social e de consulta pública de que tratam os art. 8º e 9º.
Parágrafo único. Os procedimentos de que trata o caput garantirão prazo
para manifestação pública proporcional à complexidade do tema.
Art. 11. A disponibilização do texto preliminar da proposta de ato normativo
objeto de consulta pública ou de consulta aos segmentos sociais diretamente
afetados não obriga a sua publicação ou condiciona o órgão ou a entidade a
adotar os posicionamentos predominantes.
DECRETO 10.411/2020
Sobre a análise de resultado regulatório – ARR, os órgãos e as entidades
implementarão estratégias para integrar a ARR à atividade de elaboração
normativa com vistas a, de forma isolada ou em conjunto, proceder à
verificação dos efeitos obtidos pelos atos normativos de interesse geral de
agentes econômicos ou de usuários dos serviços prestados. A ARR poderá ter
caráter temático e ser realizada apenas quanto a partes específicas de um ou
mais atos normativos.
DECRETO 10.411/2020
Ademais, os órgãos e as entidades da administração pública federal direta,
autárquica e fundacional, com competência para edição de atos normativos
sujeitos à elaboração de AIR, deverão instituir agenda de ARR e nela incluirão,
no mínimo, um ato normativo de interesse geral de agentes econômicos ou de
usuários dos serviços prestados de seu estoque regulatório. Logo, há a
necessidade de instituição de uma agenda de resultados regulatórios que
devem observar na escolha dos atos normativos, os seguintes critérios: 1)
ampla repercussão na economia ou no País; 2) existência de problemas
decorrentes da aplicação do referido ato normativo; 3) impacto significativo
em organizações ou grupos específicos; 4) tratamento de matéria relevante
para a agenda estratégica do órgão; ou 4) vigência há, no mínimo, cinco anos.
DECRETO 10.411/2020
Ainda sobre a agenda de resultado regulatório, os órgãos e as entidades
divulgarão, no primeiro ano de cada mandato presidencial, em seu sítio
eletrônico, a agenda de ARR, que deverá ser concluída até o último ano
daquele mandato e conter a relação de atos normativos submetidos à ARR, a
justificativa para sua escolha e o seu cronograma para elaboração da ARR.
Percebam que os atos normativos assim editados, agora, passam por uma
análise de impacto regulatório de forma prévia e uma análise de resultado
regulatório posterior, gerando um ambiente de segurança jurídica sobre o
procedimento.
O relatório constitui a peça final da análise de impacto regulatório, cabendo a
autoridade competente prestar as informações sobre qual decisão foi tomada.
Assim dispõe os arts. 14 e 15, do Decreto 10411/2020
DECRETO 10.411/2020
Art. 14. Na hipótese de o órgão ou a entidade competente optar pela edição
ou pela alteração de ato normativo como a alternativa mais adequada
disponível ao enfrentamento do problema regulatório identificado, será
registrado no relatório de AIR ou, na hipótese de que trata o § 1º do art. 4º,
na nota técnica ou no documento equivalente, o prazo máximo para a sua
verificação quanto à necessidade de atualização do estoque regulatório.
Art. 15. A autoridade competente do órgão ou da entidade responsável pela
elaboração do relatório de AIR deverá se manifestar quanto à sua adequação
formal e aos objetivos pretendidos, de modo a demonstrar se a adoção das
alternativas sugeridas, considerados os seus impactos estimados, é a mais
adequada ao enfrentamento do problema regulatório identificado.
DECRETO 10.411/2020
§ 1º O relatório de AIR tem o objetivo de subsidiar a tomada de decisão pela
autoridade competente do órgão ou da entidade que o elabore.
§ 2º O relatório de AIR não vincula a tomada de decisão de que trata o § 1º e
é facultado à autoridade competente do órgão ou da entidade decidir:
I - pela adoção da alternativa ou da combinação de alternativas sugerida no
relatório da AIR;
II - pela necessidade de complementação da AIR; ou
III - pela adoção de alternativa contrária àquela sugerida no relatório, inclusive
quanto às opções de não ação ou de soluções não normativas.
§ 3º As decisões contrárias às alternativas sugeridas no relatório de AIR
deverão ser fundamentadas pela autoridade competente do órgão ou da
entidade.
DECRETO 10.411/2020
§ 4º Concluído o procedimento de que trata este artigo ou, se for o caso,
publicado o ato normativo de caráter geral, o relatório de AIR será publicado
no sítio eletrônico do órgão ou da entidade competente, ressalvadas as
informações com restrição de acesso nos termos da Lei nº 12.527, de 2011..
DECRETO 10.411/2020
Dando sequência, obrigou a norma a publicidade pelas entidades a que estão
sujeitas a divulgação em sítio eletrônico sobre os relatórios de análise de
impacto regulatório, assim como a análise das informações e as manifestações
recebidas no processo de consulta pública após a decisão final sobre a
matéria. Vejamos os dispositivos:
DECRETO 10.411/2020
Art. 18. Os órgãos e as entidades manterão os seus relatórios de AIR
disponíveis para consulta em seu sítio eletrônico e garantirão acesso fácil a sua
localização e identificação de seu conteúdo ao público em geral, ressalvados
aqueles com restrição de acesso nos termos do disposto na Lei nº 12.527, de
2011.
Art. 19. O órgão ou a entidade disponibilizará em sítio eletrônico a análise
das informações e as manifestações recebidas no processo de consulta pública
após a decisão final sobre a matéria.
Parágrafo único. O órgão ou entidade não está obrigado a comentar ou
considerar individualmente as informações e manifestações recebidas e
poderá agrupá-las por conexão ou eliminar as repetitivas e as de conteúdo
não conexo ou irrelevante para a matéria em análise.
DECRETO 10.411/2020
Por último, duas regras devem ser observadas: 1) A inobservância do disposto
no Decreto não constitui escusa válida para o descumprimento da norma
editada e nem acarreta a invalidade da norma editada; 2) A obrigatoriedade
de elaboração de AIR não se aplica às propostas de ato normativo que, na
data de produção de efeitos do Decreto, já tenham sido submetidas à
consulta pública ou a outro mecanismo de participação social.
O que se está a dizer é que o ato normativo oriundo da administração direta e
indireta deve ser cumprido, ainda que não observada a situação de análise de
impacto regulatório, bem como que os atos normativos já publicados antes do
decreto publicado permanecem válidos e devem ser cumpridos.
(CEBRASPE – ANA – 2024)

A respeito do processo regulatório no Brasil, julgue o item a seguir.

As agências reguladoras no Brasil regulam a prestação de serviços públicos por


empresas privadas, sendo as atividades das empresas estatais controladas pela
Controladoria-Geral da União.

Certo.

Errado.
Comentários: O item está errado, pois as agências reguladoras regulam tanto a
prestação de serviços públicos por empresas privadas como as atividades das
empresas estatais.

Em outras palavras, não há distinção em relação às empresas prestadoras de


serviços públicos sob a fiscalização das agências reguladoras.

Portanto, questão errada..

Gabarito: ERRADA
2. (CEBRASPE – ANA – 2024)

A respeito do processo regulatório no Brasil, julgue o item a seguir.

As atividades da agência reguladora não incluem o poder de polícia, o qual é


exercido pelo ministério ou pelo órgão ao qual a agência é vinculada.

Certo.

Errado.
Comentários: O item está errado, pois as atividades da agência reguladora
incluem o poder de polícia

Isso porque as agências reguladoras foram criadas para fiscalizar e regular


atividades sob responsabilidade do poder público. Logo, o poder de polícia
está intrinsecamente ligado à atuação dessas entidades.

Portanto, questão errada.

Gabarito: ERRADA
3. (CEBRASPE – ANA – 2024)

A respeito do processo regulatório no Brasil, julgue o item a seguir.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, por ser uma autarquia sob
regime especial, inclui o poder normativo nas matérias de sua competência.

Certo.

Errado.
Comentários: O item está CERTO, pois as atividades da agência reguladora
incluem o poder normativo

Isso porque as agências reguladoras foram criadas para regular atividades sob
responsabilidade do poder público, o que nos permite concluir que tais
entidades foram dotadas de poder normativo para disciplinar questões de
índole técnica.

Portanto, questão certa.

Gabarito: CERTA
4. (CEBRASPE – ANAC – 2024)

Acerca da regulação estatal de serviços públicos, julgue o item subsequente.

A atuação das agências reguladoras de serviços públicos se restringe às


empresas privatizadas, uma vez que as empresas estatais já têm agentes estatais
em suas equipes.

Certo.

Errado.
Comentários: As agências reguladoras são autarquias em regime especial,
criadas para exercer a regulação de atividades econômicas em sentido amplo.

Possui as seguintes características:

1) autonomia normativa: atribuição/poder de editar normas técnicas que


vinculam o setor regulado;

2) autonomia administrativa reforçada: caráter predominantemente técnico às


decisões sobre a regulação dos setores relevantes da economia ou de
prestação de serviços públicos;

3) autonomia financeiro- orçamentária: recebem receitas próprias, tais como as


taxas cobradas dos agentes econômicos do setor regulado e enviam a sua
própria proposta orçamentária ao Ministério ao qual estão vinculadas, que
integrará proposta ao orçamento da pasta;
4) aplicar o direito ao caso concreto (função judicante): possui competências
para solucionar conflitos no setor regulado,aplicando o direito ao caso
concreto. Todavia, a decisão não possui caráter de definitividade.

Assim, a atuação das agências reguladoras de serviços públicos NÃO SE


RESTRINGE às empresas privatizadas.

Portanto, o item está ERRADO.

Gabarito: ERRADO

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