UFPR - TC-019 - Dyminski, A.S.

– Publicado na web em outubro de 2006

CONTAMINAÇÃO DE SOLOS E ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
Profa. Andréa Sell Dyminski, Dr. Eng. asdymi@ ufpr.br

1) MECANISMOS E FATORES INTERVENIENTES NO TRANSPORTE DE CONTAMINANTES PELO SUBSOLO 1.1 Introdução
Contaminantes chegam à água subterrânea através de diversas atividades humanas: - Agricultura; - Mineração; - Energia Nuclear; - Disposição de resíduos industriais e urbanos; - E outros. Definições: CONTAMINANTE: produto encontrado em um determinado meio, em concentração em níveis abaixo do tolerável em relação a critérios adotados. POLUENTE: produto encontrado em um determinado meio, em concentração em níveis acima do tolerável em relação a critérios adotados.

-

Medidas de concentração de um produto em um meio: C= MassadoSol uto VolumedaSolução (Ex: mg/l)

Outras medidas: -

- Molaridade; Molalidade; ppm = (gramas do soluto)/(gramas da solução x 10-6 ) ppb = (gramas do soluto)/(gramas da solução x 10-9 ) ppt...

EPA – Indica índices permissíveis de uma série de substâncias, baseando-se em diversos critérios: tóxicos (carcinogênicos), estéticos, cheiro, etc...

1

2.TC-019 .UFPR .2.1 Difusão molecular Decorre de gradientes de concentração do contaminante no domínio do fluxo.1 Advecção O transporte da substância se dá através do FLUXO do fluido no qual a mesma está dissolvida.Processos Físicos .2.2 Processos Físicos 1. o transporte se dá à velocidade média do solvente e na direção das linhas de fluxo.2 Dispersão É a combinação de dois mecanismos: 1. Se esta substância for inerte. A. podem ser classificados em: .: solos). 1.S. A substância tende a migrar das regiões de maior concentração para as de menor concentração.Processos Químicos e Biológicos 1.2. Este processo independe da velocidade do fluido. ex. 2 . – Publicado na web em outubro de 2006 Os principais fatores que controlam a migração de contaminantes através de meios porosos (p.Dyminski. porém é influenciado pela turbulência (mistura mecânica).

Já em baixas velocidades (v < 1.6 .S. A. acarretando mudanças na concentração da solução. . Esta retenção do contaminante pelo solo resulta na diminuição da velocidade da frente de contaminação. – Publicado na web em outubro de 2006 1.UFPR . 1.Dyminski. estrutura do solo. ocorrem reações entre o soluto e o solo. dependendo das características do meio (solo ou rocha). pois é composta de minerais secundários e pode apresentar matéria orgânica.2 Dispersão hidrodinâmica Diferença de velocidade de fluxo nos canais (vazios) do solo faz com que a solução se disperse. que pode ter diferentes valores nas direções longitudinal e lateral. Este fenômeno é chamado de retardamento da frente de contaminação. o contaminante migra através da difusão molecular. Os processos mais relevantes são aqueles que produzem acumulação do contaminante no solo.A constituição dos solos e sedimentos (tamanho e composição de partículas. DISPERSÃO = DIFUSÃO + DISPERSÃO HIDRODINÂMICA MECANISMOS DE TRANSPORTE = DISPERSÃO + ADVECÇÃO (regidos pelas Leis de Fick) Em fluxos a altas velocidades de percolação.) é muito importante. 10-10 m/s (Gilhan et al. É de difícil quantificação. . recebendo o nome genérico de sorção. Estas reações podem acontecer totalmente na fase líquida ou na transferência de substâncias entre esta e a fase sólida do meio poroso ou a fase gasosa (no caso de solos não saturados).TC-019 . sendo quantificado pelo fator de retardamento R: 3 .Reações soluto x solo mudam a concentração da solução . o processo predominante de transporte de contaminantes é a dispersão mecânica. Pode ser escrita matematicamente como o parâmetro α .2. 1984)).2. pela transferência de substâncias para a fase sólida. A substância se espalha por difusão mesmo em condições hidrostáticas (v=0).3 Processos Químicos e Bioquímicos Muitas vezes. presença e tipo de matéria orgânica. etc.Fração argila é a mais reativa.

Decaimento radioativo Existem também reações que aumentam a mobilidade dos contaminantes através do solo (efeito geralmente maléfico).Dyminski. - 1. distribuindo o contaminante entre a solução e esta matéria orgânica.S. por perdas ou transformação em outras substâncias.Co-solvência .Degradação abiótica . atingindo aí sua capacidade de retenção. até tornar-se nula.Dissolução .UFPR . são: .3. devido a substituições iônicas na estrutura cristalina dos minerais ou quebra de ligações moleculares.2 Sorção Hidrofóbica Retenção de substâncias orgânicas na matéria orgânica do solo.Adsorção e absorção . Isto ocorre principalmente na fração de argila dos solos.Sorção hidrofóbica As principais reações causadoras de atenuação das substâncias no solo.Volatização . A taxa de retenção de substâncias pelo solo vai diminuindo com o tempo. caracterizada pelo processo de partição. 4 .Ionização 1. entre elas: .Biodegradação .TC-019 . Absorção: processo que envolve retenção de substâncias nos poros do solo.3.Formação de complexos ou quelação . pois estas partículas possuem grande superfície específica e capacidade de atração de íons.1 Sorção (Adsorção + Absorção) Adsorção: As substâncias em solução aderem às partículas por forças de atração elétrica. Os principais tipos de reações que causam transferência de substâncias para a estrutura sólida (e portanto com retardamento da frente de contaminação) são as de: . – Publicado na web em outubro de 2006 R= Velocidade FluidoPerc olante Velocidade FrenteConta min ação (obtido da curva característica do material) O retardamento é maior em solos mais ativos e diminui com o aumento da velocidade de percolação (tempo disponível para reações é menor). A.

– Publicado na web em outubro de 2006 1.3. aumentando a mobilidade potencial do metal.3.3 Precipitação Quando a concentração de um contaminante excede o seu grau de solubilidade no fluido.3. 1. a sua quantidade em excesso sai de solução.3. É a formação de uma ligação coordenada entre um cátion metálico e um ânion ou molécula polar (ligante).3. podendo ocorrer.UFPR . causando diminuição da concentração dos mesmos no solo. precipitando.8 Dissolução Contrário de precipitação.6 Volatização Difusão do contaminante na fase gasosa. 1. 1.3.7 Decaimento Radioativo Liberação de energia. 1. 1. por exemplo. de forma espontânea.9 Formação de Complexos Também chamado de quelação.3.3.11 Ionização Dissociação de ácidos e bases. 1.TC-019 .3. de elementos radioativos. através de lixiviação. 1. hidrólise (“quebra” de moléculas pela água) e isomerização.S. 1.10 Co-Solvência O contaminante é dissolvido em mais de um solvente. 5 .Dyminski. A.4 Biodegradação Microorganismos. transformam moléculas orgânicas em outras menores. redução (ganho de elétrons). aumentando sua mobilidade na água. ficando mais solúvel.5 Degradação Abiótica Envolve reações de oxidação (perda de elétrons). através de seu metabolismo.

O.B. .Q. OBS: A temperatura pode alterar a permeabilidade do solo (muda a viscosidade do fluido). condições hidrogeológicas.).UFPR . a velocidade de reações químicas e a solubilidade do contaminante.S. D. concentração. etc. D..Dyminski.).4 Fatores Intervenientes Pode-se dizer que os fatores que intervêm no transporte de substâncias em solos são: . condições aeróbicas/anaeróbicas e temperatura). A. mineralogia da fração argila. matéria orgânica.Características do solo pelo qual ele percola (granulometria. pH.O. permeabilidade. .Características do contaminante (solubilidade.Características do ambiente (tempo de exposição do solo ao contaminante. densidade.TC-019 . 6 . etc. presença de microorganismos. – Publicado na web em outubro de 2006 1.

ar e outras (resíduos. condutividade eletromagnética. Levando-se em conta todos os aspectos citados anteriormente. c) Contaminantes de interesse.Fotos aéreas. vegetação. .3 Caracterização do Sítio As formas mais utilizadas para a caracterização geral do sítio e de seu subsolo são: .S.TC-019 .Dyminski.1 Metodologia Pode ser resumida em três fases: a) Identificação do problema e desenvolvimento do escopo da investigação. . efluentes. 2. caracteriza a chamada “pluma de contaminação”.). 7 . animais. radar (microondas). e) Locais de retirada de amostras e freqüência. sísmicos. g) Plano de operação.. i) E outros.. 2. OBS: NAPLs = Non-Aqueous Phase Liquids = Fluidos orgânicos Imiscíveis com Água 2) CARACTERIZAÇÃO DO SÍTIO DE INTERESSE E SEU SUBSOLO 2. bem como as condições de seu subsolo. em termos qualitativos e quantitativos.Mapas geológicos. . para o caso de um local já contaminado ou para a deposição dos mesmos.Plantas topográficas. bem como a maneira como ele se desloca no subsolo. magnetômetro (localização de tanques enterrados e outros). c) Realizar a caracterização detalhada do sítio e de seu subsolo. etc. b) Definir a natureza e extensão do sítio de interesse.2 Planejamento O plano de investigação deverá incluir: a) Escopo e objetivos da investigação. d) Tipos de amostras necessárias: solo (deformadas ou indeformadas). b) Sumário das informações já disponíveis sobre o local de interesse.Ensaios geofísicos: resistividade. podem-se ter os tipos de pluma mostrados na figura acima.UFPR . A. h) Estimativa de custos. f) Procedimentos de amostragem e testes (ensaios) a serem realizados. água (superficial ou subterrânea). – Publicado na web em outubro de 2006 A área atingida pelo contaminante.

.Capacidade de troca iônica.Distribuição granulométrica. devem-se utilizar poços de monitoramento de nível de água.6 GIS ou SIG – Sistema de Informações Geográficas Consiste no uso de bancos de dados de diferentes informações que podem ser interligados. entre outras. – Publicado na web em outubro de 2006 2. 2. A.Dyminski.Micro-estrutura do solo. CPT (Cone Penetration Test). com perfuração do terreno. Pressiômetro. reatividade do solo. produzindo mapas através de computação gráfica. Geralmente os mesmos são utilizados no acompanhamento de exploração de aqüíferos.Permeabilidade do solo. medida do nível de água subterrâneo in situ. permeabilidade com diferentes fluidos percolantes. Condutividade hidráulica in situ. 8 .UFPR . etc.Mineralogia da fração fina. são usados ensaios de exploração direta e semi-direta do subsolo. . cota do nível de água subterrâneo. . Para tal. resistência do material. que podem auxiliar na tomada de decisões e na execução de projetos de engenharia. Dilatômetro. . bem como da qualidade da água subterrânea. com a utilização de amostras indeformadas de solo.TC-019 . Ensaio da palheta (ou Vane Test).Tipo de cátions adsorvidos. Os tipos mais comuns de ensaios de campo são: SPT (Standard Penetration Test). deformadas ou indeformadas. . Os parâmetros físico-químicos e mecânicos que descrevem o meio poroso são: .Tipo e quantidade de matéria orgânica presente.S. introdução de equipamentos. Em laboratório. e outros.5 Poços de Monitoramento No estudo da permeabilidade de terrenos (conjunto de camadas de solo com diferentes características). desenvolvimento de plumas de contaminação e na operação de aterros de resíduos ou lagoas de tratamento. devem-se utilizar ensaios onde características do solo e água (superficial e subterrânea) serão estudadas com maior profundidade e precisão. podem-se obter: resistência do material. Estes ensaios permitem obter: tipo de material do subsolo e sua organização em camadas. permeabilidade de cada uma das camadas e do terreno. execução de procedimentos (testes) e retirada ou não de amostras.4 Ensaios de campo e laboratório Para um conhecimento mais detalhado do terreno de interesse. 2. .

3. aumentando-se assim a transferência entre as fases gasosa e líquida do solo.1 Processos Físico-Químicos Algumas das técnicas “off. custos de manutenção a longo prazo.S. transporte. A.UFPR .Dyminski. As alternativas menos desejáveis são usualmente as que envolvem transporte para outro local e disposição de substâncias perigosas sem tratamento.1.7. Os itens posteriores dizem respeito a técnicas “in situ”. Em princípio. É muito usado na remediação de água subterrânea contaminada com substâncias orgânicas voláteis. levando-se em conta (Superfund Handbook. mobilidade e tendência à bioacumulação das substâncias. da incineração.epa. envolvendo considerações detalhadas das características do local e do poluente. podem ser vistas nos itens 3.1 a 3. (Campos. A seleção da técnica apropriada constitui um processo complexo. redisposição ou confinamento. riscos à saúde humana a curto e longo prazo. que consistem na remoção da água subterrânea do terreno para seu posterior tratamento (“pump and treat”). toxidez ou mobilidade das substâncias poluentes. 1987): a) b) c) d) e) f) incertezas no que se refere à disposição do poluente no terreno. De um modo geral. Considerações de ordem institucional. legal e política contribuem para a seleção final da técnica a ser utilizada.1.1 Air Stripping/Sparging Processo de transferência de massa que implica na volatilização de compostos da água através da passagem de ar pela água.TC-019 . e um estudo da viabilidade técnico-econômica de aplicação das várias alternativas para o local específico. toxidez. risco potencial à saúde e meio ambiente associado com escavação. de acordo com a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA – USA – www. tais como solventes. – Publicado na web em outubro de 2006 3) REMEDIAÇÃO E RECUPERAÇÃO DE SOLOS E ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Existem inúmeras técnicas disponíveis para a recuperação de solos e de águas subterrâneas contaminadas.gov). por exemplo. como é o caso.1. 1994).site”. persistência. 3. possibilidade de custos futuros de limpeza se a remediação não funcionar. os métodos preferenciais de tratamento do conjunto água-solo são aqueles que reduzem permanentemente o volume. requer-se uma remediação que seja adequada tanto à proteção da saúde humana quanto à do meio ambiente de um modo geral. 9 .

da zona não saturada (acima do NA) ou através de escavações.TC-019 . Consiste na passagem de fluxo de ar através do solo. a) Unidade de air stripping.2 Extração de gás do solo (SVE) Também utilizada na extração de voláteis do solo.ex. aeração difusa ou aeração mecânica.se torres de armazenamento. 10 . transferindo os contaminantes do solo para a corrente de ar.1. O sistema SVE é implementado instalando-se poços de extração na zona de contaminação e aplicando-se vácuo a fim de induzir o movimento de gases no solo. A. b) Sistema de SVE em construção.S.: “in situ” ou acima do solo) e o método de aplicação/geração da corrente de ar. sistemas de spray. A água contaminada é colocada no topo da coluna.1. entra em contato com o carbono e sai través de um sistema de drenagem no fundo. O processo vai depender da locação do sistema de tratamento (p.3 Adsorção por carbono Contaminante solúvel (adsorvido) é removido da água por contato com uma superfície sólida (adsorvente). 3.Dyminski. – Publicado na web em outubro de 2006 Utilizam.UFPR . 3.

TC-019 . O agente oxidante é introduzido na água logo após a entrada da mesma no tanque.6 Fluidos Supercríticos (SCF) Este tipo de extração representa uma tecnologia emergente.1. como o processo de escavação é caro. Este processo ocorre tipicamente em tanques misturadores ou reatores. – Publicado na web em outubro de 2006 3. Contudo.S.5 Oxidação química Visa “detoxicar” o resíduo através da adição de agente oxidante para a transformação química dos componentes do resíduo (p. ex. mas também pode ser aplicada em solos. 3. é usado como gás de injeção. A. : molécula orgânica dióxido de carbono e água ou outros produtos menos tóxicos que o original). A luz ultravioleta pode ser usada para acelerar o processo. sedimentos ou água são dissolvidos no fluido a altas temperatura e pressão e aliviados (liberados) do SCF a baixas T e P.vapor.Dyminski. A oxidação química é geralmente usada no tratamento de resíduos líquidos e água subterrânea. Os agentes oxidantes mais utilizados são: ozônio. 3. Diferenças entre injeção de vapor e injeção de ar: . Esta tecnologia é capaz de destruir uma boa gama de moléculas orgânicas e inorgânicas bastante perigosas. 11 . . Neste processo (SCF) de extração. os orgânicos no solo.1. em altas temperaturas e pressões. peróxido de hidrogênio e “chlorines”. a tendência é de se utilizarem métodos “in situ”. . até mais do que o ar. possuem propriedades entre líquido e gás.1.UFPR .4 Injeção de vapor Usada na remoção de compostos voláteis e algumas vezes semi. A água contaminada é introduzida em um lado do equipamento e a água tratada sai do outro. Os fluidos supercríticos são materiais que.o vapor é infinitamente solúvel na fase líquida (água). Tem capacidade de reduzir as concentrações dos contaminantes até o limite de detecção.os “injetores” de vapor operam a temperaturas muito maiores que os “injetores” de ar. .voláteis da água subterrânea ou servida.os orgânicos na água são reconhecidos como uma fase líquida separada. Geralmente este processo é o mais econômico quando os orgânicos estão em menor concentração que os outros contaminantes existentes.

Geralmente. criada pela aplicação contínua ou periódica de um potencial DC.1 Aspectos da Microbiologia Diversos fatores microbiológicos afetam este tipo de tratamento.1. Uma bomba de alta pressão injeta água no solo a velocidades acima de 250 m/s (pressão de 500 bars e vazão de 300 l/min).1. A água limpa é reutilizada no processo e a lama residual geralmente é tratada por processos biológicos. Esta é uma técnica que se encontra em desenvolvimento. 12 .Dyminski. que consiste numa barreira eletro-cinética. O solo limpo (areia) é retornado ao furo. é semipermeável). água e resíduo inorgânico inerte). na superfície. A.fluidos. onde o resíduo orgânico.8 Barreira eletro-osmótica É um método “in situ”.9 Técnica da lavagem do solo por altas pressões Tubulões de aço de 1. usando-se uma bomba de dragagem. é a fonte de carbono.UFPR . Os processos utilizados podem ser: eletrodiálise.1. 3. que pode ser um meio efetivo de parar ou reverter a migração de contaminantes sob uma carga hidráulica. para separação de sólidos.2.TC-019 . O processo de separação sólidos-fluido. produz-se solo limpo com água com finos em suspensão e óleo. dióxido de carbono. que permite a passagem de água. Esta mistura é bombeada para a superfície.filtração. íons ou moléculas pequenas (ou seja.5 m de diâmetro são cravados no solo até a profundidade desejada. que se quer tratar. o tratamento biológico é o resultado do metabolismo heterotrófico. A membrana consiste numa barreira ao fluxo. 3. – Publicado na web em outubro de 2006 3. osmose reversa e ultra.7 Processo da Membrana Bastante usado na separação da água e contaminantes na indústria. entre eles: Energia e fonte de substratos: A matéria viva requer energia e carbono para crescer e se manter.S. Trabalhando com a bomba de cima para baixo. envolve o uso de peneiradores e hidro-ciclones. através da biotransformação (simplificação de um composto orgânico em outro) ou da mineralização (quebra completa de moléculas orgânicas em massa celular. É aplicável a solo argiloso. 3.2 Métodos Biológicos Os tratamentos biológicos consistem na degradação de matéria orgânica contaminante por microorganismos. 3.

servindo como substrato para o mesmo realizar seu metabolismo. os receptores podem ser nitratos. além de bactérias. tempo de retenção de sólidos e de água. servindo de substrato. existem alguns que resistem à degradação biológica (compostos persistentes). Nutrientes: os principais são o nitrogênio e o fósforo. Contudo.TC-019 .UFPR . inibindo o crescimento da colônia de bactérias. o ótimo está próximo da neutralidade (entre 6 e 8). tendo-se em vista que um tipo de bactéria pode aproveitar o subproduto gerado pelo outro e vice-versa. formando uma “corrente vital”.2 Fatores Relativos à Engenharia O tratamento biológico consiste em promover e manter uma população microbiológica (biomassa) que metaboliza o resíduo “alvo”. deve ser de 75 a 80%. utilizam-se “misturas” de diversos tipos de bactérias em tratamentos biológicos. - - - 3. Muitas vezes. deve-se escolher um tipo específico de bactéria ou organismo capaz de reagir/metabolizar determinado tipo de contaminante ou resíduo. o TDS: não deve variar mais do que um fator 2. Projeto do reator: equalização do luxo.0 em pequenos intervalos. em concentrações ainda maiores. Algumas vezes. Biodegradabilidade do resíduo (substrato): A maioria dos orgânicos sintéticos é biodegradável. regime de mistura. Comunidade/colônia microbiológica: Geralmente. Isto porque o processo de degradação pode ser mais eficiente. estas substâncias podem até ser tóxicas às bactérias. - - 13 . o resíduo deve entrar em contato com o micro-organismo. Muitos fatores influenciam nesta taxa de metabolismo (biodegradação) e as condições favoráveis para tal devem ser identificadas para poder serem mantidas. tais como fungos e outros. Processos enzimáticos: para a degradação. se anaeróbica. A. o receptor é o oxigênio. Estes fatores incluem: Receptor de elétrons: Depende do tipo de “respiração” do organismo: se aeróbica. Entre estes últimos podem ser citados o TCDD (dioxina) e PCBs (bifenil poli-clorinato – substânc ias utilizadas em transformadores e capacitores). Temperatura: geralmente entre 10 e 50 C (ótima – entre 20 e 45C). – Publicado na web em outubro de 2006 Algumas vezes.Dyminski.S. Total de sólidos dissolvidos (TDS): Regras práticas: o TDS < 40000 mg/l. podem ser utilizados organismos mais complexos para o tratamento biológico. Umidade: deve existir para o crescimento celular.2. e persistentes em concentrações mais altas. pH: usualmente. sulfatos ou dióxido de carbono. Inibição e toxicidade: determinadas substâncias orgânicas podem ser biodegradáveis a uma concentração. e como meio de movimentação dos micro-organismos.

14 .: “pump and treat” ). A bio-remediação “ situ” poderá ser utilizada em conjunto com outras formas de in tratamento (p. pois isso também pode afetar o fluxo de água subterrânea e espalhar ainda mais o contaminante. consiste na passagem do efluente através de um reator. A bio-remediação ideal para tratamento dos contaminantes adsorvidos seria aquela que aconteceria naturalmente.UFPR .TC-019 . onde o mesmo vai interagir com a biomassa. Porém.3 Sistemas de Tratamento a) Tratamento Convencional (Fase Líquida): Originário do tratamento de efluentes (resíduos) industriais. A. em condições aeróbicas ou anaeróbicas. b) Remediação in-situ O contaminante poderá se apresentar no solo de três formas: livre (produto livre e puro). O tipo de remediação dependerá de como o contaminante se encontra no solo.S. – Publicado na web em outubro de 2006 3.Dyminski. b) Uso de trincheiras na recuperação e reinjeção de água subterrânea. por exemplo. Geralmente faz-se um pré-tratamento do efluente que irá para o bio-reator. Este estímulo pode ser através de injeções de água contendo nutrientes e oxigênio.ex. sendo que a bioremediação poderá tratar o contaminante diretamente nas três fases.2. a) Sistema de bio-remediação in-situ. deve-se ter muito cuidado. mas que pode ser estimulada. Pode-se recolher o gás que resultado do processo metabólico (biogás). adsorvido (preso nas partículas) ou dissolvido na água subterrânea.

TC-019 . Pode ser de três tipos: . . d) Tratamento da Fase Sólida Tratamento de lodo. sólidos ou solo contaminado.Dyminski.contato entre contaminante e microorganismos. A. mas também promove: . c) Tratamento da Fase “Lama”: É similar ao tratamento convencional.“Land Treatment”: incorporação controlada do resíduo na zona superficial de solo.5m de profundidade. com a diferença que a biomassa não é reciclada. o resíduo é tratado em suspensão em água. Esta agitação da mistura não serve somente para homogeneizar a lama.S.quebra das partículas sólidas.volatização dos contaminantes. O sucesso deste tipo de tratamento depende de aplicar-se o resíduo a uma taxa que não exceda a capacidade de assimilação do local. Neste tipo de tratamento. .UFPR . 15 . .oxigenação da mistura. na mínima presença de água livre. sólidos ou solo contaminado. A zona de tratamento pode-se estender até 1. O resíduo pode ser lodo. geralmente em camada de 10 a 30 cm. . b) Lagoa de Tratamento do lodo. sendo misturado num reator para a formação da lama.dessorção do contaminante das partículas sólidas. – Publicado na web em outubro de 2006 a) Uso da infiltração no tratamento.

sendo. Contudo. Todas as técnicas deste tipo de baseiam na redução da razão superfície-volume do poluente. Resinas de polímeros orgânicos (p. problemas com biodegradação são possíveis. temperatura ótima. podem ser utilizados: . Cimento Portland: é apropriado para resíduos tóxicos industriais e inorgânicos. carcinogênicas. 16 . - 3. São bons para o encapsulamento de contaminantes orgânicos tais como PCBs. de baixa permeabilidade. Trata-se de um processo caro e podem ocorrer vazamentos. ex. passíveis de uso com substâncias orgânicas. Não deve ser utilizado para resíduos orgânicos e ânions tóxicos. quando misturados com o reagente. – Publicado na web em outubro de 2006 - Compostagem: ocorrerá na presença de microorganismos apropriados. dioxinas e outras substâncias químicas persistentes. orgânica são “revirados” uma a duas vezes por semana). - - O uso do cimento e da cal com flyash pode reduzir muito o custo do microencapsulamento. b) Micro: encapsulamento a nível molecular. pilhas estáticas (montes de resíduos não são mexidos. mas colocados sobre um sistema de tubos perfurados para aeração) ou reator fechado (processo otimizado).UFPR . pH e umidade necessários.ex. química: fixação química via reações do poluente com a matriz sólida. A sua biodegradabilidade pode ser um problema potencial. com a formação de uma massa monolítica dura. nutrientes.Métodos termoplásticos (p.S.TC-019 . As aplicações são similares às do cimento Portland. em alguns casos. Pode ser no sistema “windrows” (resíduo + mat.ex. com: asfalto. “Heaping”: combinação dos dois primeiros tipos.3 Estabilização e Solidificação A solidificação pode ser: física: encapsulamento das partículas/vazios contaminados.Dyminski. Para o encapsulamento. Cal e Flyash (rejeito da combustão de carvão): Forma um produto pozolânico duro. geralmente sobre um sistema de tubos.: containers): aplicável a contaminantes muito solúveis. aeração adequada.: poliacrilatos e poliacrilamidos): são passíveis de serem utilizadas em material seco ou úmido. “tar”. - Os métodos de encapsulamento podem ser: a) Macro (p. Implica em colocar o solo em montes. poliolefinos e epoxies): são mais caro que o uso de substância silicáceas. A.

merecendo um capítulo especial para sua abordagem. origens e graus de contaminação. Uma trajetória condutora. O solo derretido (Temperaturas de 1400C a 1600C) torna-se condutor e a massa derretida cresce da superfície para baixo e dos eletrodos para dentro da área sendo tratada. pesticidas organo-clorinos e PCBs. com corrente elétrica. Esta técnica é utilizada com sucesso em solo contaminado com mercúrio. Os eletrodos são eletrificados.UFPR .Dyminski. Colocam-se eletrodos até a profundidade desejada. Também é utilizada com resíduos radioativos. formando um vidro monolítico com características físicas e químicas parecidas com as o vidro vulcânico. Um sistema coletor de gás é utilizado para processar o efluente gasoso e propiciar emissão limpa.lo à combustão ou incineração em equipamento apropriado. é colocada entre os eletrodos para iniciar o processo.TC-019 . Uma das técnicas deste tipo de remediação “in situ” é a da vitrificação. arsênico. b) Outras tecnologias de manejos de contaminantes não conseguem eliminar totalmente a presença de substâncias tóxicas. – Publicado na web em outubro de 2006 3. in situ.4 Métodos Térmicos Podem ser do tipo “off site” ou do tipo “in situ”. 17 . formando um produto vítreo inerte. 3. a massa resfria no local. A. São necessários porque: a) Outras técnicas de tratamento (tais como incineração ou tratamento biológico) produzem resíduos que devem ser dispostos em algum local. O segundo tipo procurará remediar o problema no próprio local da cont aminação. O primeiro consiste em retirar o contaminante do local de origem e levá. A estabilidade química alcançada por este método é suficiente para manter os integrantes químicos e físicos por mais de um milhão de anos. Contudo. Trata-se de tratamento termal que derreto o solo contaminado e matéria sólida.S. constituída por grafite e fragmentos de vidro.5 Aterros (Land Disposal) Consistem numa técnica muitíssimo utilizada para a disposição final de resíduos de diversos tipos. Após desligar a eletricidade. o vidro derrete e o material contaminado em contato com o vidro começa a derreter. consiste num capítulo extenso de manejo/tratamento de resíduos. a trajetória condutora se aquece.

1994. De Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica. Brasília. P. Doutorado em Eng. Notas de Aula da Disciplina de “Geotecnia Ambiental”. Ed. Buchingham. & Evans.. J. Prof. (1979) “Groundwater” Prentice Hall Inc. COBRAMSEG – Congresso Bras. M.S.A.A. – Publicado na web em outubro de 2006 Bibliografia La Grega.Dyminski. R.L. Tácio Mauro de Campos. A. Freeze.TC-019 . Notas de Aula do Mini-Curso “Geotecnia Ambiental”. 18 . PUC-Rio. & Cherry.C. 1998. (1994) “Hazardous Waste Mangement” McGraw Hill Int. J.UFPR . Civil – Geotecnia.

Dyminski. – Publicado na web em outubro de 2006 Avaliação Trabalho em equipe de três componentes: Coletar de jornais ou revistas de grande circulação (nacional/estadual) um artigo referente à gestão do meio ambiente e tecer comentários sobre a relação deste artigo com a geotecnia ambiental. Data de Entrega: 30/Agosto/2002 19 .S.UFPR .TC-019 . A. podendo-se inclusive sugerir soluções para eventuais problemas citados no mesmo.